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novembro/2017

CAMPANHA SALARIAL DE SÃO PAULO – 2017

MUITA MOBILIZAÇÃO E LUTA DOS TRABALHADORES NESSA CAMPANHA SALARIAL! Paulo Rogério “Neguita”

A

data-base da nossa categoria em São Paulo, como todos sabem, é 1º de novembro e o sindicato patronal só marcou a primeira reunião de negociação com o nosso Sindicato para o dia 06 de novembro. Desde a Campanha Salarial do ano passado, temos alertado os trabalhadores sobre as dificuldades que os patrões têm imposto para atender as nossas justas reivindicações e, portanto, é necessário nos prepararmos para lutar por nossos direitos. A ganância dos patrões e suas ofensivas contra os interesses dos trabalhadores têm nos levado a realizar manifestações, paralisações e greves. Foi assim na Campanha Salarial do ABC deste ano, pois, os patrões, além de não quererem atender as reivindicações da categoria, queriam retirar da Convenção Coletiva de Trabalho

nossas conquistas. Para Chiquinho Pereira, presidente do nosso Sindicato, a famigerada Reforma Trabalhista aprovada pelo Congresso Nacional, em vigor a partir do dia 11 de novembro e a qual irá mexer com os direitos, irá facilitar para que os patrões cometam mais exploração e abusos contra os trabalhadores. Portanto, os companheiros e as companheiras devem ficar atentos, pois, tudo indica que teremos uma Campanha Salarial difícil e será necessária muita luta para garantir nossos direitos. Assim como no ABC, nós não vamos permitir que os patrões retirem nossas conquistas ou tentem se valer

Assembleia da Campanha Salarial de São Paulo na sede do nosso Sindicato

da nova Legislação Trabalhista para impor mais perdas aos trabalhadores da nossa categoria. Se for preciso,

vamos fazer paralizações e greves, mas os trabalhadores não vão perder mais direitos. Estamos preparando a

nossa categoria e, portanto, não vamos aceitar nenhum direito a menos. Vamos à luta!

a Festa de Natal da Família Padeiros será dia 9 de dezembro

CALCINHA PRETA, JOÃO VICTOR, MC NEGO BLUE, MC BELLA E TONYAN DO FORRÓ SERÃO AS ATRAÇÕES DA NOSSA FESTA este ano!

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nosso Sindicato irá realizar a Festa de Natal da Família Padeiros no dia 9 de dezembro. Este ano, além da distribuição dos brinquedos e das brincadeiras que serão ofertadas às nossas crianças, o trabalhador poderá assistir aos shows da Banda de Forró Calcinha Preta, MC Bella, Nego Blue, João Victor, Tonyan do Forró, entre outros. Há quase duas décadas que o nosso Sindicato realiza a Festa da Família Padeiros pensando no trabalhador que, muitas vezes, passa o ano inteiro trabalhando de domingo a domingo, sem direito a um momento de descanso e lazer com sua família. O trabalhador merece ter um momento de lazer para encontrar os amigos e curtir um dia com a sua família, onde terá acesso a shows de importantes cantores, tomar uma cerveja, comer um churrasco e ver seus filhos se divertindo nos brinquedos que são colocados à disposição da garotada. “A situação dos trabalhadores brasileiros está cada dia mais difícil. Os patrões e os governo têm atacado nossos direitos através de

Calcinha Preta Novembro – 2017

Paulo Rogério “Neguita”

Participação maciça da categoria na nossa Festa de Natal da Família Padeiros realizada no CMTC Clube em 2016

aprovação de leis, como foi o caso da Reforma Trabalhista e da Terceirização. Nossa categoria, por exemplo, tem realizado importantes lutas para defender e garantir seus direitos que, a todo o momento, são ameaçados pelos patrões,

João Victor

pelos governos e pelo judiciário. Portanto, todos merecem um momento de alegria e lazer com os amigos e a família.” Diz Chiquinho Pereira. E como ocorreu no ano passado, a Festa de Natal da Família Padeiros será realizada no

MC Nego Blue

CMTC Clube, que fica na Avenida Cruzeiro do Sul, 808 (próximo a Estação do Metrô Armênia), das 10:00 às 17:00 horas. Portanto, você e sua família são nossos convidados. Participe desse grande evento do nosso Sindicato!

MC Bella 5


Festa de Natal da dia 9 de dezembro, a

O nosso Sindicato CONVIDA os trabalhadores e trabalhadoras da nossa categor Festa de Natal da Família Padeiros, que será realizada no dia 9 de dezembro, da no CMTC Clube (Avenida Cruzeiro do Sul, 808, próximo a Estação Armênia do M da Banda Calcinha Preta, João Victor, MC Nego Blue, Tonyan do Forró e MC Bel atrações e muitas brincadeiras para a garotada. Este será um momento de desc trabalhadores e sua família. Participe!

CONFIRA AS PRINCIPAIS ATRAÇÕES DA NOS Calcinha Preta É uma banda de forró eletrônico brasileira, oriunda da cidade de Aracaju, capital de Sergipe, criada pelo empresário Gilton Andrade e pelo compositor Natinho da Ginga em 8 de dezembro de 1995. É conhecida pelo seu característico forró romântico, pelos shows super produzidos, figurinos arrojados e pelas inúmeras formações que teve ao longo de sua história.

Grande parte dos sucessos do grupo são na verdade versões de clássicos de rock e pop internacional. O romantismo ainda prevalece, sendo a maioria das letras sobre amor e relacionamentos. Uma das marcas da banda é o uso largo da guitarra solo nas músicas, sendo uma das primeiras bandas de forró eletrônico a colocar esse instrumento como elemento principal, ao invés da sanfona.

João Victor João Victor Haro Chagas nasceu em Sorocaba/SP e começou a se interessar por música aos seis anos de idade. Ainda criança, começou a tocar algumas músicas sozinho, após assistir DVD’s de duplas sertanejas, prestando atenção como tocavam para fazer igual. Logo depois já estava se apresentando em público em sua cidade e na região. Participou de shows beneficentes, festas de rodeio onde abriu shows de grandes cantores, gravou uma faixa em CD educativo e participou de shows de viola caipira,

mostrando seu talento com a viola. Sempre curioso e apaixonado pela música sertaneja, João Victor mostrou talento para outro instrumento deste universo: o acordeon. Os atuais contratos com a produtora “Sinônimos Backstage”, do empresário e autor musical Cláudio Noam, e a gravadora “Universal Music Brasil” viabilizam o sucesso do cantor. O primeiro CD de sua carreira, “Sóis”, foi lançado em abril de 2016 e contou com as bênçãos dos padrinhos Zezé Di Camargo & Luciano e também da dupla Jorge & Mateus.

TONYAN DO FORRÓ Tonyan do forró é um cantor nordestino, nascido na Paraíba, que vem do setor da panificação, mais precisamente da confeitaria. Sua banda, além de tocar ritmos como sertanejo e canções nordestinas, tem vasto repertório ligado ao MPB e ao POP dos anos 80 e 90. Com quase 20 anos de carreira, Tonyan do Forró frequenta os palcos de programas de televisão como Raul Gil, Máquina da Fama do SBT e vários programas de rádios.

Tonyan, vocalista e principal produtor da banda, conta que além dos shows na televisão e rádios, a banda realiza inúmeras apresentações em datas comemorativas como 1º de Maio, Festas de confraternização e atos em defesa dos direitos dos trabalhadores. “É sempre uma alegria fazer nossos shows para a classe trabalhadora, que tem dificuldades do acesso à cultura e ao entretenimento”. Diz Tonyan.

e x pediente

Publicação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Panificação e Confeitaria de São Paulo. Diretor responsável: Francisco Pereira de Sousa Filho (Chiquinho) Presidente: Francisco Pereira de Sousa Filho (Chiquinho) 2

Vice-Presidente: Pedro Pereira de Sousa

Secretário adjunto de finanças: Fernando Antonio da Silva

Secretário-geral: Valter da Silva Rocha (Alemão)

Sede - Rua Major Diogo, 126, Bela Vista, São Paulo/SP - CEP: 01324-000 Telefone: 3116.7272 - Fax: 3242-1746

Secretário de assuntos jurídicos e serviços: José Alves de Santana

Subsede Santo André - Travessa São João, 68 Telefone: 4436-4791

Secretário adjunto: Geraldo Pereira de Sousa

Secretário para cultura, formação e educação: Ângelo Gabriel Victonte

Subsede São Miguel - Av. Nordestina, 95 Telefone: 2956-0327

Secretário de finanças: Benedito Pedro Gomes

Secretário de comunicação e imprensa: José Francisco Simões

Subsede Osasco - Rua Mariano J. M. Ferraz, 545 Telefone: 3683-3332

Subsede Santo Amaro - Rua Brasílio Luz, 159 Telefone: 5686-4959 Edição e redação: Suely Torres (MTb - 21472) Edição de arte e diagramação: R. Simons Fotografia: Paulo Rogério “Neguita” Colaboração: Guilherme Witai Tiragem: 50 mil exemplares - Impressão: UNISIND www.padeiros.org.br padeiros@padeiros.org.br Novembro Novembro – 2017– 2017


Família Padeiros, partir das 10 horas

ria para a tradicional as 10:00 às 17:00 horas, Metrô), com shows lla, além de outras contração para os

SSA FESTA!

MC Nego Blue Com mais de 7 milhões de acessos na internet e uma média de 40 shows por mês por todo o país, Nego Blue venceu a infância difícil e hoje se destaca pela voz forte, ritmos animados e pelo sorriso contagiante. Conhecido pela voz vibrante, Nego Blue se espelha em artistas de outros gêneros musicais. Gosta de samba, rap, MPB e seu principal ídolo é o saudoso Tim Maia. Em 2011, lançou seu primeiro sucesso: “As mina do Kit”. A música estourou em todo o Brasil e conta com mais de 7 milhões de visualizações no Youtube.  Logo em seguida, gravou: “Pode chamar que ela

vem”, faixa responsável pela consolidação do Nego Blue no cenário do funk.  As músicas fazem parte do seu primeiro álbum: “É o Fluxo”. Atualmente, se prepara para lançar seu primeiro DVD da carreira com data pré-agendada para o dia 24 de novembro.  O funk de Nego Blue é para todos os gostos e idades. Sempre preocupado com a mensagem que irá levar aos fãs, o artista evita palavrões e não faz apologias.

MC Bella Com pouco mais de um ano de carreira no funk, a cantora de 20 anos, natural da Bahia, se encontra no circuito de São Paulo. Bella tem no currículo músicas como Metralhadora e Cinderella – parceria com MC Gui – mas o que a destacou foi seu primeiro clipe solo “Arlequina” que recentemente atingiu a marca de 100 milhões de visualizações. E se você pensa que o papel da mulher no funk é só de dançarina, a Bella é um exemplo dessa mudança. Para você sacar mais disso tudo, o Portal

KondZilla foi falar com ela, uma das mulheres no circuito de funk de São Paulo. “Arlequina foi meu primeiro clipe solo, e não esperava que fosse dar toda essa repercussão. Muita gente achava que eu só fazia sucesso por conta das minhas parcerias. Na verdade, creio que isso até me ajudou (ser o primeiro videoclipe solo), e eu bati o pé pela ideia do videoclipe de retratar uma Arlequina e essa questão do relacionamento”. Conta MC Bella.

A Festa da garotada está garantida! Além dos shows, a Festa de Natal da Família Padeiros é dedicada às crianças que têm o dia inteiro para usufruir dos brinquedos infláveis, das brincadeiras com palhaços, mágicos, pintura corporal e em papel, além, é claro, das comidas típicas como algodão doce, cachorro quente e refrigerante. No entanto, o momento mais esperado pelos nossos pequeninos fica por conta da chegada do Papai Noel ao evento e, particularmente, da ocasião em que eles tiram fotos com o simpático velhinho. A tradicional distribuição dos brinquedos que o nosso Sindicato faz para as crianças até 10 anos é outro momento

muito esperado pela garotada. O Sindicato está entregando para categoria uma carta – que deve ser devolvida na sede ou nas subsedes até dia 27de novembro –, solicitando aos companheiros e companheiras que informem a quantidade de crianças que participarão da festa, facilitando a compra dos brinquedos que serão distribuídos para eles no final da festa. Esta carta também está disponível no site do nosso Sindicato (www.padeiros.org.br). Participe e traga a sua família. O Sindicato é para lutar, mas, também, é para oferecer momentos de alegria e diversão para toda família padeiros!

Festa de Natal da Família Padeiros O ingresso para a festa será um quilo de alimento não perecível Este ano, o seu CONVITE para participar da Festa da Família Padeiros será a entrega de um (1) quilo de alimento não perecível, que será destinado a pessoas carentes. Essa será a nossa contribuição para uma sociedade mais solidária. O alimento deverá ser entregue na Sede ou nas Subsedes do nosso Sindicato antecipadamente. (A data limite para entrega do alimento será dia 30 de novembro de 2017) Novembro Novembro – 2017 – 2017

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Editorial

MINISTRO QUER ACABAR COM O TRABALHO ESCRAVO AJUDANDO OS ESCRAVOCRATAS? Chiquinho Pereira, Presidente do Sindicato dos Padeiros de São Paulo e secretário de Organização e Políticas Sindicais da União Geral dos Trabalhadores - UGT Nacional

É inacreditável, mas, tudo indica que quanto mais os trabalhadores brasileiros lutam para defender seus justos interesses, mais problemas surgem na vida dessa parcela fundamental da nossa população. A Portaria, 1.129 de 13 de outubro de 2017, assinada pelo Ministro Ronaldo Nogueira, publicada na segunda-feira, 16/10, tem a clara intenção de “facilitar” a vida das empresas que, de uma forma ou de outra, utilizam a prática do “trabalho escravo” ou “trabalho análogo à escravidão”, já que reduz as atividades enquadradas e restringe ações contra essas empresas. A ação do Ministro foi tão descabida que o Coordenador-geral da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, senhor Adilson Carvalho, disse que o Ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, parece pretender

decretar o fim do combate ao trabalho escravo no País O Coordenador classificou a Portaria como um “monstrengo”, pois o que está posto é basicamente a anulação da política de combate ao trabalho escravo. “Só tem trabalho escravo, pelos termos da Portaria, se você encontrar a situação clássica do escravagismo colonial”. O Coordenador afirmou ainda que, do conceito de trabalho escravo, a portaria excluiu a jornada exaustiva e o trabalho degradante. O pior é que, além de redefinir o conceito de trabalho escravo, facilitando para as empresas que têm essa prática, a Portaria também impede a divulgação da lista suja do trabalho escravo, com os nomes de 132 empregadores envolvidos. Aliás, coincidência ou não, após entregar a lista mais recente ao Ministro Ronaldo Nogueira, no dia 06/10, o ex-diretor da Divisão de Combate ao Trabalho Escravo do Ministério, André Roston, foi exonerado três dias depois. A divulgação da lista deixa de ser feita por critérios jurídicos e passa a ser feita por critérios políticos do Ministro do Trabalho. O que é um absurdo completo. Antes, para a comprovação da condição análoga à escravidão, o auditor fiscal deveria apenas elaborar um Relatório Circunstancia-

do de Ação Fiscal. Com a Portaria, é exigido anexar um Boletim de Ocorrência Policial ao processo, que poderá levar à inclusão do empregador na “lista suja”. Outra questão fundamental é que os Fiscais do Trabalho usavam conceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Código Penal para determinar o que é trabalho escravo. A famigerada Portaria estabelece quatro pontos específicos para definir trabalho escravo: submissão sob ameaça de punição; restrição de transporte para reter o trabalhador no local de trabalho; uso de segurança armada para reter o trabalhador; retenção da documentação pessoal. O fato concreto é que, para os trabalhadores, há anos, o Estado Brasileiro, através dos sucessivos governos de plantão, tem desenvolvido e apresentado políticas agressivas às justas causas trabalhistas.

Ora, meus amigos, o que significa isso? O que de fato quer esse governo e os setores empresariais desse país com o esmagamento direto e indireto dos trabalhadores brasileiros? Será que já não bastam às atrocidades que estão previstas contra os direitos dos trabalhadores, com a aprovação da nova legislação trabalhista aprovada recentemente? Estamos diante de uma Portaria que, simplesmente, altera critérios e conceitos internacionais amplamente debatidos, divulgados e estabelecidos durante décadas. Nosso objetivo aqui não é descobrir se, além dos empresários, outros setores terão benefícios imediatos com esse descalabro. O que nós vamos exigir é que respeitem os direitos dos trabalhadores e, para isso, vamos seguir lutando, denunciando à sociedade e, principalmente, exigindo do governo a REVOGAÇÃO IMEDIATA dessa famigerada Portaria

*Escravocrata = Defensor da escravatura, do sistema que sujeita alguém à escravidão, à sujeição e perda de liberdade; escravagista.

NOVA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA PROVOCA INDIGNAÇÃO E DÚVIDAS

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nova Legislação Trabalhista, que remete os trabalhadores a viverem em condições de trabalho escravo, em vigor no dia 11 de novembro, com inúmeros pontos e temas obscuros, tem causando dúvidas aos trabalhadores, advogados e até mesmo aos patrões, quanto à praticidade e, principalmente, quanto à constitucionalidade de vários artigos da nova Lei. Segundo informações, apesar das críticas de setores da sociedade, incluindo parte do judiciário, o governo só fará modificações na nova Lei depois que “ver primeiro como o mercado vai se comportar.” No entanto, o ministro do trabalho, Ronaldo Nogueira, afirma que a legislação está pronta para entrar em vigor: “Todas as modificações feitas ao projeto apresentadas pelos parlamentares e discutidas nas várias comissões, seguindo o rito estabelecido em regime democrático”. “Ora, senhor ministro como seguiu o rito democrático se a sociedade brasileira tem expressado por vários meios sua insatisfação com a Reforma Trabalhista aprovada? As mudanças provocadas pela Lei Trabalhista aprovada provocou profundas alterações na relação capital e trabalho, as quais poderá levar o trabalhador a exercer suas funções marcadas pela exploração e escravidão moderna. Aliás, esse governo corre o risco de entrar para a história como o governo que acabou com os direitos trabalhistas e com

os sindicatos.” Diz Chiquinho Pereira, presidente do nosso Sindicato, indignado com a falta de sensibilidade do governo. As dúvidas sobre temas determinados pela nova Lei são várias como, por exemplo: As modificações feitas pela Reforma atingem os atuais trabalhadores? Como o empregado pode parcelar as férias? O trabalho intermitente valerá para empregados de qualquer empresa? O negociado vale sobre o legislado em todas as áreas? Entre tantas outras propostas que não estão claras. Diante da escalada de retirada de direitos que a nova Lei irá provocar, os sindicatos, em particular os que têm data-base no final do ano, têm lutado para incluir nos Acordos uma “cláusula de salvaguarda”, no sentido de se protegerem de normas da Reforma Trabalhista prejudiciais aos trabalhadores. Essa cláusula tem como objetivo estabelecer que qualquer mudança precisa ser negociada com o sindicato. Na opinião do Departamento Intersindical

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de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o fato da inflação estar em baixa, as negociações neste fim de ano estarão voltadas mais para garantir que alguns itens da Reforma não sejam aplicados, do que os aumentos salariais. Mesmo assim, irá depender do poder de mobilização dos trabalhadores, que devem, mais do que nunca, fortalecer os sindicatos para enfrentar a fúria dos patrões, ávidos para retirar direitos históricos dos trabalhadores. As mudanças na Lei Trabalhista brasileira são profundas e inaceitáveis. Para se ter uma ideia, antes da Reforma, a jornada de trabalho é de até 8 horas, com 44 horas semanais. Depois da famigerada Reforma, Acordo pode criar jornada de 12 horas com 36 horas de descanso. Outra mudança significativa é a alteração do horário de almoço que antes era de 1 hora e com a Reforma esse tempo pode ser diminuído para 30 minutos. O trabalhador tinha direito a tirar 30 dias de férias por ano, a reforma estabelece

que esses 30 dias poderão ser divididos em 3 períodos, sendo o máximo de 15 dias e mínimo de 5 dias. Antes não havia nenhuma previsão sobre regras quanto a realização do “Acordo amigável para saída”. A nova Lei estabelece que rescisão feita por Acordo terá metade do aviso prévio e direito a apenas 80% do FGTS. Atualmente, não há punição por má-fé nos processos trabalhistas. Com a Reforma, ex-empregado ou empresa que agir de má-fé poderá ser condenada a pagar 10% da causa para a outra parte. Atualmente, as homologações são feitas no sindicato ou no Ministério do Trabalho. Com a nova Lei, as homologações serão feitas na empresa, sem a presença do sindicato, o que deixará o patrão mais à vontade para pressionar o trabalhador a aceitar o que ele impor. Companheiros e companheiras, essas questões são apenas uma parte do que irá acontecer com os nossos direitos. Estamos em plena Campanha Salarial da nossa categoria em São Paulo. Nossas dificuldades este ano serão imensas. Os patrões irão se valer da nova legislação para, além de negar reajuste salarial justo, tentar retirar nossas conquistas. Por isso, todos e todas devem se preparar para enfrentar os patrões e lutar para garantir nossos direitos! Fonte: Jornal o Estado de São Paulo (Estadão)

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Jornal A MASSA - Especial de natal - Novembro/2017  
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