Page 1

ABRIL 2018 nº 385

JORNAL DOS BANCÁRIOS

5º CONGRESSO ELEGEU DIRETORIA E PLANO DE LUTAS

MULHER PRESIDE A CONTRAF-CUT Carimbado

O DIA QUE FUI EM SÃO BERNARDO...

No dia 5 de abril fui de ônibus para São Paulo participar do 5º Congresso Nacional da Contraf CUT. Chegando pela manhã do dia 6 fui me inteirar com colegas sindicalistas da decretação da prisão do Presidente Lula e a resistência popular no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Com um grupo de bancários fomos de lotação para manifestar nossa solidariedade ao líder popular e trabalhista. Chegando em São Bernardo do Campo (SP) fiquei impressionado com a multidão que cercava o prédio. Nunca vi antes tanta energia na defesa de Lula e seu projeto popular. Entendo que ao acolher a mobilização no sindi-

cato dos Metalúrgicos, Lula honrou o movimento sindical e sua história de vida. Foram poucas horas no local, mas tenho a percepção de que acabei participando de um dos momentos mais importantes do país. Voltei a tempo de participar da abertura e todo o congresso da Contraf. Avançamos muito com a eleição de uma chapa de unidade com presença de todas as forças políticas. No Congresso destaco as palestras internacionais do sindicalismo americano e alemão, que refletiu na necessidade de rediscutirmos o movimento sindical junto as bases. Baltazar Luzia - Presidente

Crédito da habitação caiu quase à metade em 2017 Pag. 4

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT) escolheu no último dia 7 a sua nova diretoria até 2022. A entidade passa agora a ter Juvandia Moreira como presidenta – até o ano passado, ela comandou o Sindicato dos Bancários de São Paulo. Juvandia é funcionária do Bradesco. A eleição de chapa única aconteceu no quinto congresso da Confederação, Foram eleitos ainda como vice-presidente Vinícius de Assumpção Silva (Rio de Janeiro, Bradesco) e para a secretaria geral, Gustavo Tabatinga Junior (Ceará, Banco do Brasil). O Congresso também aprovou um plano de lutas para o próximo período. Um dos desafios discutidos no congresso é a manutenção

dos direitos previstos nas convenções coletivas de bancários e financiários. Os sindicalistas lembram que será a primeira campanha salarial nacional depois da aprovação da “reforma” trabalhista. A presidenta eleita, Juvandia Moreira considera as eleições deste ano “um marco estratégico” para os trabalhadores. “Lutar pela vitória do campo democrático e popular significa também garantir a continuidade do projeto que estava promovendo a distribuição de renda e a valorização salarial. Significa reverter a retirada de direitos e a desarticulação do projeto neoliberal”, disse. O presidente do Sindicato de Uberaba, Baltazar Luzia participou do Congresso. Mais informações na Pág. 3

Redução de benefício dos bancários engorda lucrão da Caixa em 2017 Uma provisão de R$ 5 bilhões do Saúde Caixa engrossou a lucratividade recorde do banco em 2017 e pode levar a aumento na cobrança de usuários do plano. Trabuco - Pag. 2

Insegurança: Bancos pagam R$ 44 milhões em multas Pag. 2


Jornal dos Bancários

Abril de 2018

Sem crédito: Bancos públicos não reduzem taxas De žlhž!

Desvio de papel dos bancos públicos prejudica desenvolvimento

SAÚDE CAIXA ENGORDA LUCRO

-O ​ limite de 6,5% da folha de pagamento para as despesas do banco com a política de assistência à saúde dos empregados, incluída no estatuto em dezembro, engordou o balanço do banco em 2017. Com o teto, a provisão de R$ 5,2 bilhões referente ao plano foi revertida e se somou ao resultado recorrente de R$ 8,5 bilhões. Retiradas algumas outras despesas, a Caixa obteve lucro líquido recorde de R$ 12,5 bilhões, valor 202,6% superior ao do ano anterior.

SAÚDE CAIXA ENGORDA LUCRO 2- O ​

governo está usando a redução de um benefício essencial do trabalhador para capitalizar a Caixa. A reversão desses R$ 5 bilhões de provisões é algo que não se repetirá mais. Porém, a redução do acesso dos usuários ao plano de saúde será permanente”, alerta o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira. O teto para gastos levará ao aumento das cobranças sobre os usuários.

TEMER = MAIS POBREZA - O número de pessoas que viviam na extrema pobreza saltou de 13,34 milhões em 2016 para 14,84 milhões no ano passado, aumento de 11,2%. É o que mostra uma análise da LCA Consultores sobre a pesquisa Pnad Contínua, do IBGE. A crise econômica, o desemprego e a reforma trabalhista que precarizou as relações de emprego, são as causas do aumento da extrema pobreza, segundo a consultoria. DESEMPREGO AUMENTA - O de-

semprego foi de 11,8%, em dezembro do ano passado, para 12,2%, em fevereiro. Em 2015, a taxa era de 8,5%, no mesmo período. A informalidade também cresceu e segue como a tendência no mercado de trabalho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Itaú: Condenação diminui mil vezes A condenação de R$ 160 milhões passou para 160 mil após decisão do Supremo Tribunal de Justiça. Essa diminuição em mil vezes no valor foi a mais recente vitória do banco Itaú na justiça. O banco foi condenado ao pagamento pelo Tribunal de Justiça do Paraná por oferecer de forma indiscriminada produtos como cheque especial e cartão de crédito, contribuindo para situação de superendividamento em

massa de consumidores. As informações foram divulgadas no Portal Jota. A ação coletiva foi ajuizada pelo Instituto de Defesa do Cidadão, o qual argumentou que o banco ofereceu cheques especiais, dentre outras formas de produto, de forma indiscriminada. E ainda descontaram valores dos salários sem que haja amparo no ordenamento jurídico, com consequentes enormes prejuízos à população.

Absurdo! Multas por insegurança Depois de cobrança da Contraf-CUT, a Polícia federal apresentou os dados estatísticos dos processos punitivos por descumprimentos da lei de segurança bancária e privada, durante a 115º Reunião da Comissão Consultiva, em abril. O número que mais im-

pressiona é que, em 2017, foram aplicados R$ 44 milhões em multas aos bancos. É um absurdo que as instituições continuem descumprindo a legislação de segurança bancária em números tão alarmantes. Nenhum lucro pode ser maior do que a proteção à vida da população.

Existe um gargalo de crédito no mercado. E somente o aumento do investimento no setor produtivo fará a economia voltar a crescer. Os bancos alegam que o crédito está disponível, mas não existe demanda. “Com as altas taxas cobradas pelas instituições financeiras, o custo do capital é proibitivo. Não vai haver demanda nunca”, critica Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). A taxa Selic foi reduzida pelo Banco Central em 6,5% ao ano. Mas os bancos continuam cobranco taxas absurdas. No cheque especial, a taxa média de juros cobrada em fevereiro fechou em 331,2% ao ano. “No Brasil, os bancos lucram em todos os cenários: com crise, ou sem crise. Eles comandam o mercado de capitais a seu bel-prazer, ”, afirmou a presidenta da Contraf. “Os bancos públicos deveriam ser utilizados como reguladores do mercado, reduzindo as taxas a níveis aceitáveis. A presidenta Dilma reduziu as taxas cobradas pelos bancos públicos. Com taxas justas, as empresas buscaram crédito e os bancos públicos ganharam mercado. Este seja, talvez, o principal motivo que levou à sua queda”, observou.

Jornal dos Bancários

Abril de 2018

Congresso aprova plano de lutas da categoria Bancários definiram como prioridade a luta em defesa dos direitos e da democracia

O avançao tecnológica sem redução da sobrecarga de trabalho e com aumento das tarifas foi um dos temas debatidos no Congresso da Contraf CUT

O 5º Congresso da Contraf-CUT aprovou o Plano de Lutas da categoria refletindo sobre os“Desafios dos trabalhadores em 2018” e “O futuro do trabalho frente aos avanços tecnológicos”. Um dos desafios a serem superados em 2018 é a manutenção dos direitos previstos nas atuais Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) dos bancários. Será a primeira Campanha Nacional após a aprovação da reforma trabalhista. A Campanha Nacional de 2018 terá como objetivos estratégicos a manutenção da mesa única de negociações; a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho, mantendo seu caráter nacional e a integralidade das conquistas

da categoria; renovar também os acordos específicos sem perda de conquistas. A campanha deve estar ainda focada na defesa do emprego, dos bancos públicos e do papel social dos bancos, além do fortalecimento da representação da categoria. Outro desafio que deve ser enfrentado desde 2018 é defesa da democracia e da soberania nacional. “Isso também passa pelas eleições de 2018. Lutar pela vitória do campo democrático e popular significa também garantir o projeto que promove distribuição de renda e a valorização salarial. Significa reverter a retirada de direitos, principalmente na classe bancária”, analisa Juvandia Moreira, presidenta eleita da Contraf-CUT.

Avanço tecnológico e futuro do trabalho foram temas do Congresso Empregos só cresceram de 2004 a 2012

O futuro pode levar a uma ‘wazerização’

A economista Bárbara Vallejos, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apresentou um panorama do mercado de trabalho no setor financeiro. Uma das consequências das mudanças advindas desta reestruturação do sistema financeiro é a redução dos postos de trabalho. Segundo o Dieese e com base em informações da RAIS, o número de bancários no país sofreu uma re-

O professor Moisés Marques debateu sobre “O futuro do Trabalho” e a categoria bancária. Para ele, a automação e a inteligência artificial irão eliminar boa parte dos empregos atuais. Também vai ser alterado o modo de como se credenciar para continuar trabalhando. No setor bancário, muitos já atuam no homeoffice usando

dução de 46% de 1990 a 2003. De 732 mil chegou a 393 mil postos de trabalho. De 2004 a 2012, durante o governo Lula e início de Dilma, houve uma reversão deste quadro, com um aumento de 30% do número de trabalhadores do setor, chegando a 513 mil ao final deste período. Desde então, este número não para de cair, chegando ao final de 2016 com 486 mil empregos bancários. Em 2017 e 2018 foram reduzidos 18.295 postos de trabalho.

É preciso repensar as prioridades A partir dos problemas mostrados, a pesquisadora Marilane Teixeira ajudou a refletir sobre o futuro do trabalho a ser construído. “Para nós, o futuro do trabalho deve priorizar o fim da pobreza, gerar riqueza e reduzir as desigualdades”. Para ela, estamos no momento de transformação do modelo de sociedade. E

como é o tipo de Estado que queremos para o Brasil? Nós podemos enfrentar, colocar esse debate de que tipo de tecnologias queremos, para isso temos que fazer o Estado recuperar seu papel de impulsionador e gerador desses avanços. Na conjuntura atual, esse debate está diante da luta da reforma trabalhista.

equipamentos próprios. Para Marques, essas mudanças deveriam ser chamadas ‘wazerização”, onde os bancos vão levar os clientes para algum lugar indefinido, como costuma fazer o “waze”. As empresas falam em vantagens. Mas temos que mostrar que os clientes pagam mais caro fazendo eles mesmos os serviços.

Tecnologia não advoga pela precarização Para a economista do Diese Bárbara Vallejos, a classe trabalhadora precisa ter a clareza de que a tecnologia não é autônoma. “Ela transforma as relações de trabalho, mas não advoga a favor das formas precárias de trabalho, quem faz isso são os banqueiros”, disse. “Os bancos afirmam que há uma tendência de extinção da categoria bancária no Brasil. Nós não podemos esquecer que existe um milhão

de trabalhadores no sistema financeiro do país e que eles são imprescindíveis para o funcionamento do sistema”. O que acontece é que os bancos estão aumentando o número de trabalhadores de outras categorias que atuam no segmento e reduzindo os bancários. “Os sindicatos precisam se preparar para englobar em sua base todos os trabalhadores que atuam no sistema financeiro”.


Jornal dos Bancários

Abril de 2018

Temer corta metade do crédito para habitação

Reduzir a atuação social da Caixa busca favorecer a privatização do banco público

Em 2017, o governo Temer derrubou pela metade o volume de crédito destinado ao financiamento de imóveis com dinheiro da poupança no ano passado, deixando mais distante o sonho da casa própria. Em 2014, antes do golpe, os recursos para habitação atingiram recorde. “O principal objetivo do governo é privatizar a Caixa e, para isso, é preciso reduzir sua atuação, impedir que ela faça o seu papel de financiar a habitação, o saneamento básico e o transporte público, necessários para as melhorias das cidades e da população”, diz Cláudio da Silva Gomes,

presidente da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e Madeiras (Conticom-CUT). FGTS Para o sindicalista, mesmo com os lucros altíssimos obtidos com as altas taxas de juros cobradas, o banco não consegue atingir índices mínimos para dar suporte às operações de habitação e uma das razões disso é o recorde de desempregados. Assim, o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de serviço), principal fundo usado para a habitação, tem hoje mais saques que depósitos.

O tempo de afastamento é contabilizado para efeito de aposentadoria?

RESPOSTA: Sim, em am-

bos os casos todo o período afastado é contabilizado para efeito de aposentadoria. Fonte: Bancários SP

JORNAL DOS BANCÁRIOS EXPEDIENTE

Publicação do Sindicato dos Bancários de Uberaba e região. Presidente: Baltazar Luzia Pinto. Secretário de Imprensa: Élcio Lopes Lucas. Edição: Anízio Bragança Júnior - MG 4731JP. Rua Governador Valadares, 450. Cep: 38.010-380. Telefax: (34) 3312-1993. 1000 exemplares. Notícias do “www.contrafcut.org.br” e “www.spbancarios.com.br. Fotos: Marco Túlio Bernardes E-mail: imprensadosbancarios@mednet.com.br e secretariadosbancarios@uol.com.br. Sítio: www. bancariosdeuberaba.com.br.

JORNAL DO BANCÁRIO N° 385 - ABRIL 2018  
JORNAL DO BANCÁRIO N° 385 - ABRIL 2018  
Advertisement