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“Embaixador” faz acreditar no BIM “Existem inúmeros casos de implementações mal sucedidas de BIM, porque as empresas não sabem o que pedir quando encomendam um modelo. Pior é acreditarem que fazer modelos é ter BIM.” A observação é do consultor António Ruivo Meireles, coordenador do BIMForum Portugal e gerente da Mota-Engil Engenharia, empresa com mais de 60 anos de história. Em sua palestra no Seminário BIM, ele afirmou ser preciso gerar uma expectativa de retorno financeiro com o uso da ferramenta, mas admitiu ser difícil encontrar um equilíbrio entre o nível de detalhe da modelação a ser realizado e o custo do modelo. “É como montar em dois cavalos: cavalgar os dois juntos não é fácil. Mas podemos ser mais econômicos. Devemos pensar o que queremos fazer e investir focado nisto, sem gastar com outras ferramentas”, disse Meireles. Para ele, a característica mais importante do BIM é oferecer “um grande potencial para tomar decisões e há vários caminhos que fazem chegar a um bom resultado. Mas o BIM ajuda a fazê-lo de modo mais rápido, mais fidedigno, e com menor custo final”. No entanto, até lá, “são vários degraus”. O desafio essencial, disse o consultor, é a cultura dos profissionais. “Se as pessoas não quiserem, não vai acontecer!” Por isso é necessário achar um “embaixador”, alguém apaixonado pelo BIM, para implementar os processos na empresa, até que os demais não vivam sem ele. Novo perfil profissional Há várias de possibilidades de uso da informação de uma modelagem e sempre se pode esperar mais do modelo, como os recursos de clash detection e laser scanning. “O software, seja ele qual for, é o apenas o tíquete de passagem para o BIM. Não é o BIM”, lembrou Bilal Succar, sócio-diretor da BIM Excellence e da Change Agents e

presidente do Grupo de Trabalho sobre BIM Education, do Instituto Australiano de Arquitetos. Ele preocupou-se em afastar o que chamou de BIM wash e de Hollywood BIM, uma “pirotecnia ou ilusão que causa confusão e exageros em torno da ferramenta”.

“Em tempos de mudança, os aprendizes herdarão a terra enquanto os eruditos se encontram muito bem equipados para lidar com um mundo que não existe mais.”

Segundo Succar, o BIM entrega um alto grau de assertividade em relação a tempo e custos e permite agilidade na sequência de construção e nos fluxos colaborativos. Para Meireles, entre os benefícios do BIM estão a otimização de projeto e das equipes, que reduz os custos finais na obra; até menos 80% de retrabalhos; otimização de planejamento e controle, que baixa em 20% a duração total da obra; e extração de quantidades e orçamentação, reduzindo a margem de erro em 5%. O consultor sugeriu ainda “escolher as pessoas certas” para as equipes, desenvolvendo normas internas. “Comece com um pequeno projeto e crie a mesma pressão de um projeto real”, recomendou.

revista notícias da construção

Eric Hoffer

Meireles e Succar (à dir.): em BIM, projeto é mais rápido, mais fidedigno e tem custo final menor

/ novembro 2013

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O BIM AVANÇA  

Seminário do SindusCon-SP mostra como o processo alarga os horizontes do setor

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