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MAIO DE 2017 EDIÇÃO Nº 11 DIRETORIA 2016-18

UM JORNAL DO SINASEFE IFMG | FILIADO À CEA E À CSP CONLUTAS

O SINAL CLASSIFICANDO TODOS OS ATOS

www.sinasefeifmg.com.br

28 de abril entra para a história como o maior movimento popular do país contra a re irada de direitos. Primeiro passo foi dado. A par ir disso novas mobilizações ganham força para derrotar as reformas de Temer e seu governo da devastação.

Pesquisa mostra como grandes emissoras de TV e jornais manipulam informações em prol das reformas do governo federal.

Agressão sofrida por aluna do IFMG faz 8 meses sem punição concreta. Professor denunciado pode voltar às salas da aula.


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CAMPANHA

Violência Indefensável Dentro do Ifmg Garantirá Alunas Livres? O SINAL Coordenação Geral: Maurício dos Santos Guimarães Secretário de Comunicão: Diego de Araújo São Pedro Tesoureiro Geral: Josâne Geralda Barbosa Tesoureiro Adjunto: Elza Magela Diniz Secretário de Assuntos Legislativos e Jurídicos: Juliano Gilliard Rodrigues Xavier Secretário de Pessoal Docente: Sulamita Maria Comini César Rep. Campus Governador Valadares: Virgílio Chagas Resende, Neide do Rosário Lemos Rep. Campus Lafaiete: Anderson Souto, Cristianele Lima Cardoso Rep.

Campus Congonhas:Jeanne Cristina Sampaio Botelho Rep. campus Sabará: Gabriel Novy

Rep. Campus Ouro Preto: Adriano Rodolfo Martins Moreira | CONSELHO FISCAL: Ênio Barboza, Regina R. Alves Vilaça, Vicente de P. da Costa Reis O Sinal é uma publicação do SINASEFE-IFMG Jornalista resp.: César Diab (MG 0018885JP) | Vetores gráficos desenvolvidos por freepik.com SINASEFE-IFMG - Rua Pandiá Calógeras, 898, Bauxita - Ouro Preto/MG | CEP 35400-000 | Telefax: (31) 3551-3611. Para assuntos do plano de saúde: (31) 3551-4464. Todo conteúdo deste informativo é de responsabilidade da Diretoria do SINASEFE IFMG.


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SOCIEDADE

Mídia ignora crí icas à reforma da Previdência*

Enquanto a resistência popular unia esforços para barrar a reforma da previdência, Congresso e Executivo dão mais um golpe duro contra os trabalhadores e aprovam a terceirização da atividade fim. Os principais veículos de informação do país fizeram uma cobertura positiva da proposta de Reforma da Previdência enviada pelo governo Michel Temer ao Congresso Nacional, deixando pouco espaço para opiniões divergentes, segundo levantamento realizado pela ONG Repórter Brasil. Os veículos das organizações Globo foram os menos críticos: 91% do tempo dedicado ao tema pela TV Globo e 90% dos textos publicados no jornal O Globo foram alinhados à proposta do Palácio do Planalto. Nos impressos O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo, 87% e 83% dos conteúdo fizeram uma cobertura positiva. O Jornal da Record foi o mais equilibrado, com 62% do tempo sendo favorável à Reforma. Para chegar a essa conclusão, a Repórter Brasil analisou mais de 400 textos dos três jornais de maior projeção nacional – Folha, O Globo e Estadão – e 45 minutos de matérias dos dois principais telejornais – Jornal Nacional e Jornal da Record. O período avaliado abrange a cobertura das duas semanas anteriores e

das duas posteriores à entrega do texto da ma – entre eles o presidente Michel proposta pelo Executivo ao Congresso: Temer, o ministro da Fazenda, Henrique de 21 de novembro a 20 de dezembro de Meirelles, e o secretário da Previdência, 2016. Conteúdos em que prevaleciam o Marcelo Caetano – e 17% fizeram críticas detalhamento do projeto, sem apresenta- pontuais a ela. No dia em que a proposta foi entreção de contrapontos, ou o apoio explícito em entrevistas foram avaliados como gue ao legislativo, 6 de dezembro, o JN favoráveis e alinhados à proposta. Esse é veiculou matérias destacando que o “proo critério utilizado pelas maiores empre- jeto dividia opiniões na Câmara” e que sas do Brasil especializadas em análise de “centrais sindicais” se queixavam. Embora a cobertura apontasse para uma linha imagem e reputação. Em uma análise mais qualitativa mais equilibrada, a edição privilegiou do material, o levantamento aponta ainda opiniões pró-reforma. No total, 73% das entrevistas veia que, na TV e nos jornais, sobressai o tom alarmista, seguindo a ideia de que todos culadas pelo Jornal Nacional no período os setores do país precisam de dar sua analisado traziam posicionamentos favo“cota de sacrifício” para resolver o pro- ráveis à Reforma e 27% contrários. As blema. Predomina a ideia de que, sem a críticas do deputado Paulo Pereira da aprovação da proposta, a Previdência vai Silva, presidente da Força Sindical, e de quebrar e, no futuro próximo, engolirá o Vagner Freitas, presidente da Central orçamento. Assim como nas propagandas Única dos Trabalhadores (CUT), quanto à veiculadas pelo governo, a mídia reverbe- dureza da idade mínima de 65 anos para ra que não sobrará dinheiro para o básico: homens e mulheres foram veiculadas saúde, educação e segurança. Veja, abai- entre avaliações de cinco estudiosos da xo, detalhes da análise feita por Repórter área econômica sobre o déficit crescente Brasil.Entre os entrevistados ouvidos da Previdência. pela emissora, 83% defenderam a Refor- * por Repórter Brasil


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Greve Geral: 28 de abril entra para a história dos movimentos de luta no país

Paralisação nacional afetou todo o Brasil e contou com a par icipação de 35 a 40 milhões de pessoas. SINASEFE IFMG juntamente com o Comitê Central de Mobilização organizou diversos atos na Região dos Inconfidentes

Atos em Ouro Preto e Mariana tiveram grande adesão. Aproximadamente 5 mil pessoas se mobilizaram durante a Greve Geral (Fotos: César Diab).

Um terço da população economicamente ativa do Brasil participou da grande Greve Geral no dia 28 de abril de 2017 e pode ver um momento histórico nas ruas de cada cidade brasileira. Minas Gerias não ficou de fora. 53 cidades do estado tiveram mobilizações contra as políticas antipovo do governo Temer, resumidas na reforma da previdência e reforma trabalhista.

tos sociais e membros da Igreja Católica lutaram contra as reformas trabalhista e previdenciária e contra o tsunami de corrupção dos políticos em Brasília.

Mobilização teve início de madrugada Em Mariana, às 04h30, 50 trabalhadores paralisaram a BR-356 que liga o leste de Minas Gerais à região central do estado por aproximadamente duas horas. A interrupção da rodovia contou com apoio de alguns motoristas que solidariOuro Preto e Mariana pararam! Aproximadamente 1.500 pesso- zaram com a luta de âmbito nacional conas estiveram na Praça Tiradentes em Ouro tra a reforma da previdência e trabalhista. Preto – berço histórico de luta pela liber- Evidentemente, tiveram pessoas que tendade – neste 28 de abril para exigir o fim taram furar o bloqueio, no entanto, foram imediato da política ultra neoliberal do contidas pelo cordão de pessoas que se governo Temer. O ato foi convocado pelo formou num trecho da rodovia. A BR-356 foi liberada após negoComitê Central de Mobilização da Região dos Inconfidentes que é formado ciação dos integrantes do Comitê Central pelo SINASEFE IFMG, ASSUFOP, Sind- de Mobilização com a Polícia Militar. sfop, ADUFOP, DCE UFOP, Ocupa Horas depois, trabalhadores e estudantes UFOP; SindUte; Sind. Metalúrgicos e de Mariana se concentraram na Praça Minas Gerais, às 9h, para um ato público SInd. Metabase Inconfidentes. Trabalhadores da iniciativa pri- em defesa da previdência social e da CLT vada, professores, estudantes, servidores – conquistas sociais intermitentemente públicos, populares, líderes de movimen- atacadas pelo governo Temer.

Madrugada do dia 28 em Ouro Preto A Greve Geral começou cedo em Ouro Preto. Pouco antes das 5 horas da madrugada representantes do ASSUFOP, SINASEFE IFMG; ADUFOP; SindUte; Metalúrgicos e Sindsfop tentaram paralisar a BR-356 em Ouro Preto. Porém a polícia militar já estava no local onde aconteceria o bloqueio, motivo pelo qual inviabilizou a paralisação. Mesmo assim, os representantes se deslocaram para o portão principal da empresa de ônibus do município, Transcotta, convidando os trabalhadores da companhia a participarem da luta. Com o bloqueio, os ônibus não puderam circular na parte da manhã. Durante toda movimentação, representantes das entidades distribuíram panfletos sobre a greve geral e as reformas de Temer. Temer e os políticos em Brasília As mobilizações da Greve Geral em Mariana e Ouro Preto enfatizaram a política antipovo do Executivo que aniquila direitos históricos para favorecer o


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grande capital no país. Essa política da devastação empenhada por Temer e apoiada pelo Congresso brasileiro foi lembrada pelos manifestantes que não deixaram de citar todos os deputados mineiros que votaram a favor da reforma trabalhista no dia 26 de abril.

287 e a reforma trabalhista estiveram na boca dos manifestantes na sexta-feira histórica. Desde cedo, a concentração começou na Praça da Estação, com milhares de pessoas de todas as categorias, trabalhadores dos setores público e privado, do campo e da cidade.

Trabalhadores do IFMG na Luta Também teve luta unificada em cidades onde há outros campi do IFMG. Cidades como Sabará; Governador Valadares; Congonhas; Ouro Branco; Ribeirão das Neves foram palco no dia 28 da crescente insatisfação popular com o governo que cria medidas de ajuste fiscal que aniquilam direitos históricos da classe trabalhadora. Destaque especial para a mobilização na capital mineira onde nem a chuva conseguiu atrapalhar a concentração de aproximadamente 170 mil pessoas no centro da cidade. O número supera outras capitais do país como Rio de Janeiro e São Paulo. Durante todo o dia a Proposta de Emenda Constitucional (PEC)

Passeata dos 100 mil A data é 26 de julho de 1968. O Brasil está em plena ditadura militar, quatro anos após o golpe que derrubou João Goulart da presidência do país, instaurando um período vil na história brasileira. Organizada pelo movimento estudantil, a manifestação intitulada Passeata dos 100 mil tomava as ruas da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. A marcha começou às 14h, com cerca de 50 mil pessoas. Uma hora depois, esse número já havia dobrado. Ao passar em frente à igreja da Candelária, a marcha interrompeu seu andamento para ouvir o discurso inflamado do líder estudantil, Vladimir Palmeira, que lembrou a morte de Edson

Luís e cobrou o fim da ditadura militar. A Passeata dos 100 mil apesar de não ter alterado a lógica ditatorial que tomou o poder no país, surtiu efeito na medida em que incentivou lutas futuras contra a censura e a favor da restauração das liberdades democráticas. Guardadas as devidas proporções, é seguro dizer que a Greve Geral deste 28 de abril se assemelha com a Passeata dos 100 mil, pois assim como em 68, a greve geral abre um instrumento de luta popular que estremece as estruturas do poder que usurpou a república. Evidentemente, o resultado desta greve histórica não é instantâneo. Todavia, conforme a história nos mostra, a classe trabalhadora organizada, mobilizada é a única força capaz de reverter medidas de devastação social criadas por um governo impopular, ilegítimo e que trabalha exclusivamente e intermitentemente em prol dos interesses do capital financeiro e da vergonhosa elite brasileira.

GREVE GERAL EM FOTOS

1) Governador Valadares |2 e 3) Ouro Preto | 4) BR-381 em Periquito | 5) BR-356 em Mariana | 6 e 7) Belo Horizonte | 8) Ouro Preto


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EDITORIAL

Tentativa de estupro contra aluna do IFMG faz oito meses sem punição concreta Já se passaram oito meses que um professor do IFMG tentou estuprar uma aluna no campus Ouro Preto. 240 dias e até agora nada foi feito além do afastamento de 90 dias do agressor. Em maio, o professor pode voltar a dar aulas na Instituição. É de extrema importância ressaltar que o este mesmo professor é alvo de outra denúncia de assédio sexual feita por outra aluna do IFMG, campus Ouro Preto. Evidentemente, essa impunidade que espanta, além de abrir precedente para a violência bruta contra a mulher, legitima o machismo institucional e corporativista latente

Afastamento como punição legitima a violência contra a mulher

nos ambientes estudantis do país. A situação se agrava por se

assustadores da violência contra a mulher no Brasil. Todo

tratar de uma agressão entre professor e aluna ocorrida dentro

material do informativo da entidade pode ser acessado em:

do ambiente escolar. Se levarmos em conta a relação intrínse-

https://goo.gl/JUycJW

ca de poder entre docentes e discentes a situação fica ainda O SINASEFE IFMG é expressamente contra qual-

pior. A violência contra a mulher não tem cor, não tem clas-

quer tipo de machismo, misoginia e opressão contra a

se, não tem escolaridade e nem idade e, portanto, é importante

mulher. Além disso, a entidade repudia veementemente o

aqui louvar a atitude da aluna, da vítima em não se calar e

descaso do IFMG diante deste caso de assédio e também

expor a violência sofrida, mesmo que isso signifique sofrer

qualquer forma de pensamento e discurso que inocenta o

retaliações de uma sociedade misógina, masculina, patriar-

agressor ou simpatiza com a violência masculina que, infa-

cal, machista e violenta.

memente, faz inúmeras vítimas a cada hora em todo país.

Diante de tamanha negligência à violência contra mulher – pauta essa que inclusive vem ganhando espaço na opinião pública brasileira - a pergunta que surge é: se um caso confesso de assédio sexual numa Instituição passa impunemente, o que acontece com os outros casos assédio – sexuais ou morais – enfrentado pelas mulheres nessa mesma Instituição? A partir disso, outras dúvidas são lançadas: como as estudantes se sentirão seguras sabendo que seu professor assediou sexualmente uma aluna dentro do próprio local de trabalho? A que tipo de violência simbólica e psicológica essas alunas estarão expostas? Como assegurar que o agressor não voltará a praticar mais delitos? Em maio deste ano, o jornal do SINASEFE IFMG, O SINAL ,tratou com exclusividade deste caso de violência e também de vários outros no país trazendo números e relatos

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À esq., capa da edição do O Sinal de março que tratou com exclusividade a questão do machismo nas instituições de ensino. À dir., o Sinal de Alerta abordou a impunidade na tentativa de estupro no IFMG.


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UTILIDADE PÚBLICA

Ano que vem tem Eleição para deputado federal! Veja quem são os deputados mineiros que votaram a favor da Reforma Trabalhista:


Veja por que a reforma trabalhista que passou no Congresso no fim de abril é um verdadeiro apocalípse para os trabalhadores da iniciativa privada. Projeto enviado pelo presidente terceirizado, Michel Temer, precisa ser aprovado no Senado para ir à sanção presidencial. dem itir todo mundo da sua empresa e Dem issões coletivas: Agora os empregadores podem benefícios sem nenhuma multa. contratar outras pessoas por menores salários e menores ~ durante toda a sua vida. Trabalho temporário, pra sempre . O patrão vai poder te contratar por hora te chamar para trabalhar Sem garantias. Por exemplo: bares, restaurantes, indústrias poderão fixos garantidos. temporariamente quando quiserem e você não terá seu emprego e salário

Meia-hora de almoço . Antes era obrigatório almoço de uma hora. Mas para este governo apenas meia-hora é suficiente. ~ vai poder dizer até como você Suas roupas também entraram na reforma . A partir de hoje o patrão ~ tem que se vestir. Mesmo aqueles uniformes que te exponham ao ridículo estão liberados. E não importa que faça frio ou calor, a roupa é a que os patrões escolherem.

Se você é terceirizado , preste atençã~o: a empresa que contratou a terceirização ~ (às vezes é o governo ou outra empresa bem maior) não ~ vai mais ter responsabilidade nenhuma sobre sua indenizaç~ão se você for dem itido. Se você não receber os seu s direitos, já era. Mexeram nas suas férias . Agora os patrões podem parcelar livremente suas férias em até 3 vezes, como for melhor pra eles. Hora-extra . A CLT prevê jornada de trabalho de no máximo 8 horas por dia. Agora, ao invés de pagar horas extras para o trabalhador que ficar mais tempo trabalhando, o empregador vai contratar uma jornada de trabalho maior. Diminui o salário do empregado no final do mês. ~ ~ ~ negociar com você vai valer mais Não tem mais Comissão de Conciliação Prévia . O que o patrão ~ do que a Lei. Vale o que o patrão mandou e a regra que você assinou quando conseguiu o emprego.

A crueldade chega até às grávidas : quem decide aonde as grávidas (e as lactantes) trabalham é o médico da empresa. Ou seja, mesmo que ela esteja em um local insalubre para ela e o bebê, ~ quem decide agora o lugar de trabalho é teu patrão.

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