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Palavra do Presidente Shalom!

Não, eu não conheço muito de astrologia, mas entendo que essa é a energia do dia que propiciou a nossa saída do Egito.

Com muita alegria, nós da Kehilat Yaacov, conhecida como Sinagoga de Copacabana, estamos lançando nossa primeira revista!

É a combinação perfeita que Hashem escolheu para fornecer o impulso de energia necessário para quebrar as correntes do destino, para mudar nossa vida e alcançar a liberdade. O êxodo do Egito foi o resultado dessa data especial, que chamamos de Pessach.

Gostaria de agradecer à toda diretoria da Sinagoga que idealizou e fez este projeto acontecer. Um trabalho em equipe mostrando os valores judaicos que vivenciamos todos os dias em nossa Sinagoga. Para mim, esse momento é muito especial por me fazer recordar toda minha trajetória de reconexão com o judaísmo. Passei muitos anos longe e, quando me reaproximei, foi inevitável fazer paralelos com a minha vivência como engenheiro eletrônico e os aprendizados na nossa religião. Um dos que mais me marcou foi uma interpretação sobre Pessach, exatamente nessa época do ano em que resolvemos lançar a primeira edição da revista. Gostaria de compartilhar essa lembrança com vocês.

É um dia de primavera no hemisfério norte. É o período quando o universo é inundado com a energia da vida, renovação e liberdade. Nós, mesmo estando no hemisfério sul, também temos a oportunidade de nos conectarmos com essa energia. Para isso, temos que nos preparar para Pessach e obter o “software” adequado para que esse “hardware” funcione; ou seja, para que essa energia flua e mude nossas vidas.

Ao perceber isto, aprendi que o software compatível com esse hardware é a Hagadah de Pessach, ou melhor, Comecei a entender Pessach como uma analogia de tudo o que fazemos no Seder de Pessach. hardware e software. Hardware é a parte física de um Durante a primeira noite, o universo está livre das amarcomputador e software são os programas que rodam ras do destino. Nessa noite, nós poderemos acessar a nele. Mas o que tem a ver com Pessach? energia (hardware) necessária para mudar e substituir Primeiro, devemos nos familiarizar com o “hardware” nossa trajetória de vida por uma melhor, mesmo sem de Pessach. O hardware é o contexto em que Pessach sermos tzadikim (completamente justos). acontece, o 15º dia do mês de Nissan, a lua cheia de mês de áries no calendário judaico. Essa é a energia que está disponível na primeira noite de Pessach: uma com- Chag Pessach Sameach! binação que, no nosso ano lunar, conecta marte, regente Luiz Helman do signo de áries, o mês de Nissan e a lua.

Sinagoga Kehilat Yaacov R. Capelão Álvares da Silva, 15 - Copacabana, Rio de Janeiro - RJ, 22041-090, Brasil (21) 2255-0191 (21) 2235-6247 - sinagogadecopacabana@ig.com.br

www.sinagogadecopacabana.com.br - Facebook: @sinagogadecopacabana

Rabino: Shai Stauber Presidente: Luiz Helman Vice-Presidente: David Cohen Nissan Tesoureiro: Michel J. Tellerman Gurwicz Secretário: Sergio Abelson Sede e Patrimônio: Iossi Maroko Departamento feminino: Nataly C. Paskin Gurwicz Comunicação: Vera Bizinover Diretores Adjuntos: Michel Chamovitz e e Henrique Benzecry Culto: Alberto Katz Coordenação Administrativa: Karen Kampel Projeto gráfico e editoração: Marcia Cherman Sasson 2

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Editorial Saudações a todos!

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oje escreve-se literalmente uma nova página na história da tradicional Sinagoga Kehilat Yaacov, também conhecida por Sinagoga de Copacabana. Ao lerem essas linhas seus olhos estarão descerrando a fita inaugural de nossa primeira revista – a “Kehilat Yaacov”. Com muita alegria, expectativa e esforço, toda a equipe, diretoria e secretaria, se mobilizou em torno deste lançamento de modo a transformar o que antes era uma singela ideia, na ousadia destas páginas que chegam agora à comunidade judaica carioca.

te, alçamos olhos para o futuro, motivados pelo ideal de perpetuar a mensagem passada a nossos ancestrais no Monte Sinai, de forma inovadora e aprazível. Desse modo, a revista “Kehilat Yaacov” vem para ser mais um canal de comunicação e interação com nossos associados, outras Kehilot e suas famílias – dos avós aos netinhos, trazendo: notícias; informações religiosas; atualidades; divulgação de eventos passados e futuros; espaço publicitário; opiniões e artigos pautados na modernidade e utilidade pública; lazer; entre outros. Com cores e sabores, sempre mantendo as nossas tradições, visamos atingir, com uma linguagem inclusiva, tanto aqueles que vem valorosamente “passando o bastão” quanto aqueles de nossa juventude que o recebem com o frescor da idade e o vigor da promessa de continuidade. Venham participar de nossas tefilot e eventos, e façam também aqui suas celebrações. Que essa revista chegue a vocês, e sintam-se convidados a participar de nossa Sinagoga, que vem se renovando, remodelando e projetando novas surpresas.

Muito se pode falar de nossa congregação, desde sua fundação há aproximadamente 60 anos por Ashkenazim; da beleza arquitetônica de seu Templo; dos Chaguim superlotados; dos minianim diários; da difusão dos valores judaicos; do famoso Kabalat Shabat com seu disputado tchulent (motivo de nota no jornal Israelense HaAretz), até a recente e honrada presença do primeiro ministro Israelense em conjunto com o presidente do Brasil. Em meio a tantas lembranças meritórias, há um ano vimos convivendo globalmente com uma pandemia, que a to- Boa leitura! dos e a todas às instituições abalou e ainda inquieta. Pessach Kasher veSameach! Assim, calcados em nosso passado e cientes do presen- David Nissan

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Nossa Sinagoga Tradição, Fé e Luz em Copacabana. Desde 1956, a Sinagoga Kehilat Yakov ocupa, além do endereço físico, um grande espaço no coração da comunidade carioca. Fundada por imigrantes poloneses e belgas asquenazim, sobreviventes do Holocausto, ela faz parte da história de milhares de judeus que se casaram, celebraram seus bar-mitzvot ou realizaram o brit milá de seus filhos e netos na nossa querida “Sinagoga de Copacabana”. Grande parte do sucesso da Sinagoga Kehilat Yakov deve-se ao incansável trabalho do famoso Rabino Eliezer Stauber que, por mais de 35 anos, encantou a todos com sua bela voz, serviu de guia com seus sábios conselhos, inspirou pessoas com as celebrações dos chaguim e com seu profundo amor e conhecimento do judaísmo. Hoje, a direção religiosa da Sinagoga passou às mãos do Rabino Shai Stauber, que dá seguimento a esse trabalho de aproximar e difundir nossas tradições e o conhecimento judaico”. Por sua excelente localização, no coração de Copacabana, além de Beit Tefilá (casa de oração), a Sinagoga tem um futuro promissor: tornar-se o ponto de encontro preferido por pessoas da comunidade de todas as idades. E ainda: servir de porto seguro para judeus brasileiros e estrangeiros que visitam a Cidade Maravilhosa. Sucessor natural de seu pai, ninguém melhor do que o jovem e carismático Rabino Shai Stauber para modernizar a tradicional sinagoga.

Em breve na sinagoga Departamento Feminino: aulas, programas educacionais, serviços religiosos para que as mulheres socializem e participem na vida comunitária. Clube dos Casais: tradição religiosa com gastronomia e entretenimento. Chance para fazer novos amigos e construir uma comunidade por meio de interesses compartilhados.

Clubes Kids & Youth: atividades diversas apropriadas às idades como recreação, cursos preparatórios de bar/bat mitzvá, programas de educação judaica, entre outros. Coral Kol Yaacov: criação de um coral amador para gerar muita interação e harmonia entre os integrantes, além de introduzir música nas orações.

Jovens Profissionais:

Clube Seniors:

aulas, palestras, debates, celebrações temáticas para networking de profissionais de 20 a 39 anos.

calendário repleto de programas culturais e artísticos, aulas e atividades diversificadas para a melhor idade.

Bistrô Kasher: o Rio de Janeiro necessita urgentemente de uma loja que ofereça desde chalot até pratos feitos para a comunidade. O serviço também atenderá a festa e eventos dentro da Sinagoga.

Precisamos de você!

Seja um líder de um dos nossos Departamentos. Quer ser voluntário? Entre em contato conosco pelo e-mail adm@sinagogadecopcabana.com.br tel: 21-225501091

Após anos nos EUA, desde dezembro de 2019, Rabino Shai está à frente da Congregação como seu chefe religioso e líder espiritual. Uma nova Diretoria também assumiu, implantando um plano de gestão moderno e dinâmico. Uma Sinagoga RENOVADA, com instalações MODERNAS, é necessária para melhor acomodar os antigos frequentadores, bem como para atrair novas famílias a participarem das atividades inovadoras que estão surgindo sob a supervisão do Rabino Shai.

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Nova Infraestrutura

Estão em andamento alguns projetos para melhorar nossa infraestrutura: • Salão de festas: reformulação do salão para se tornar o mais moderno e bem equipado salão para festividades da comunidade. Nova decoração, mais clean e atraente. • Terraço: especial para montagem de Sucá e diversas atividades ao ar livre. • Porta de entrada: construção de uma entrada moderna, elegante e com mais segurança para receber os frequentadores. • Cozinha industrial: remodelagem e compra de equipamentos para montagem e ativação de buffet kasher. • Elevador: melhoria da acessibilidade dos idosos e portadores de necessidades especiais. • Sala de administração: melhoria dos ambientes de trabalho para oferecer mais conforto a quem atua nos bastidores da Sinagoga.

da Nataly Gurwicz

Kneidlach Ingredientes 4 ovos 4 colheres (sopa) óleo 4 colheres (sopa) água com gás 1 xícara (chá) farinha de matzá (aproximadamente) 1 colher (chá) sal ou de caldo de galinha em pó

Dicas Uso uma colher de sorvete para jogar a massa no caldo. Sugiro dar uma pré-cozida nas bolinhas em água fervente, só depois adiciona-las ao caldo para terminarem de cozinhar.

Modo de fazer: Bata as claras em neve e reserve. Em outra vasilha, bata as gemas, a água com gás e o sal (ou caldo de galinha). Aos poucos adicione a farinha, misturando bem. Deixe descansar na geladeira por 20 minutos. Molhe as mãos para fazer as bolinhas, ou use ajuda de uma colher, e coloque no caldo fervente. Deixe cozinhar por 30 minutos.

SALÃO DE FESTAS Nosso povo é repleto de festas e celebrações. Um novo salão, moderno e bem equipado, com nova decoração, mais clean e atraente, será ponto de atração de frequentadores e novos membros, gerando mais fluxo de pessoas e novo fluxo de receita.

TERRAÇO Nosso terraço totalmente reformado. Especial para montagem de Sucá e demais atividades outdoor

Rodrigo, Flávia, Daniel e David Cohen desejam a todos Chag Pessach Sameach 8

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Pessach A festa de Pessach é uma das festas judaicas mais observadas, passada de geração em geração por milênios. O Seder envolve todos os participantes, do mais jovem ao mais velho, seguindo leis cuidadosamente prescritas que estimulam perguntas e uma discussão ativa. A própria palavra Seder significa ordem - tudo tem seu lugar em uma lista organizada. Nesta edição, compartilho com vocês uma breve descrição de cada etapa do tradicional Seder de Pessach. O primeiro e segundo Seder serão no Sábado e Domingo à noite, dias 27 e 28 de Março respectivamente. As mulheres acendem velas de Yom Tov nas duas noites, após as 18h32, e recitam as bênçãos de “lehadlik ner shel yom tov” e “shehecheyanu”. É necessário na primeira noite dizer “Baruch hamavdil bein kodesh lekodesh” antes de acender as velas ou fazer qualquer preparação para o Seder.

A KEARA DO SEDER

Os seguintes itens devem ser colocados em uma bandeja:

Zeroah - um osso de carne assada, ou, pescoço de galinha. Isso comemora o primeiro de dois sacrifícios trazidos no Templo Sagrado na véspera de Pessach. Era exigido que fosse assado e comido naquela noite. Esta carne assada não deve ser comida, para que ninguém imagine que veio de um sacrifício real. Alguns usam osso de ave em vez de animal por esse motivo. Beitzah - um ovo cozido. Isso substitui o segundo sacrifício. Usamos um ovo, símbolo do luto, para nos lembrar que o Templo está destruído e esperamos que seja reconstruído em breve.

Kadesh

Charoset - uma mistura de maçãs raladas, nozes, outras frutas, canela e especiarias, misturada com vinho tinto. Parece argamassa, para nos lembrar que fomos forçados a construir com argamassa como escravos no Egito. Karpas - um vegetal impróprio para Maror, para ser mergulhado em água salgada e comido.

15 etapas do Seder

Fazendo Kiddush

O Seder começa com o Kidush, santificando o dia sagrado. Em hebraico, Kidush significa Kedusha, santidade. Ao recitar o Kidush, reconhecemos a santidade desse dia especial e agradecemos a D’us por nos dar vida para celebrar essa ocasião novamente. Durante o Seder, um total de quatro copos de vinho são consumidos. É costume que o copo de cada pessoa seja cheio por outro participante, como se, simbolicamente, cada pessoa ti10

Maror e Chazeres tipos de ervas amargas, lembrando-nos da escravidão amarga no Egito. É comum usar alface romana como chazeret e raizforte como maror.

Karpas

Vegetais mergulhados em água salgada

Cada participante pega um pequeno pedaço de vegetal (geralmente batata ou salsa), mergulha-o em água salgada, diz a bênção de Borê Pri Haadama (como descrita na Hagadá) e o come. Evitamos conversar entre lavar as mãos e comê-lo. Ao fazer a bênção, lembre-se do Maror, a erva amarga que será comida mais tarde. É preferível comer apenas uma pequena quantidade do Karpas, sem reclinar.

Yachatz

Quebrando a Matzá do Meio

Quebre a Matzá do meio em duas partes. A metade maior é reservada para ser usada como Afikoman, a Matzá que é comida no final do Seder. Existe o costume em que o líder do Seder esconda o Afikoman enquanto as crianças não estão olhando, e depois o procuram a fim de resgatá-lo e receber presentes.

Magid

Contando a História

Neste momento o segundo copo é preenchido. Esta é a base do Seder quando falamos sobre o Êxodo do Egito. Como diz a Hagadá, cada pessoa deve ver a si mesma como tendo experimentado pessoalmente o Êxodo e tendo o dever de transmitir esse conhecimento para a próxima geração.

As crianças costumam fazer as 4 perguntas do Ma Nishtana. Ao mencionar as dez pragas, removemos um pouco de vinho do nosso copo. Recitamos parte do Hallel e finalizamos bebendo o segundo copo de vinho.

Rachtzah

Lavando as Mãos

Lavamos as mãos antes de comer a refeição do Seder. Dessa vez, dizemos a bênção, conforme encontrada na Hagadá. É importante não falar a partir de agora até o Korech, o sanduíche da Matzá e do Maror, para manter o foco em manter as mãos limpas ao comer Matzá.

Motzi Matzá

Comendo a Matzá

O líder do Seder levanta todas as três Matzot e diz a bênção de Hamotzi Lechem Min Haaretz. Depois, ele larga a Matzá de baixo, mantendo as duas de cima, e diz uma segunda bênção sobre o mandamento de comer Matzá. Esse, como Maggid, é um mandamento da Torá que só pode ser executado na noite do Seder, e deve-se considerar isso ao comer a Matzá. Cada pessoa recebe um pequeno pedaço da Matzá, além de um pedaço adicional para completar o volume mínimo de 27 gramas. A Matzá deve ser comida, reclinada sobre o lado esquerdo.

Maror

Comendo a erva amarga

Cada pessoa recebe uma quantidade de Maror, Erva Amarga. O líder mergulha Maror em Charoset, sacode os Charoset e diz a bênção do Mandamento de comer o Maror.

vesse um servo para servir o vinho. Bebemos os copos (maioria do copo) reclinados à nossa esquerda, novamente simbolizando luxo e majestade.

Urchatz

Lavando as Mãos

Encher um copo de água. Despeje água duas vezes na mão direita e duas vezes na esquerda. Não se diz a bênção de lavar as mãos, que será dita antes de comer Matzá mais tarde no Seder.

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Essa bênção também aplica-se ao Maror, que faz parte de Korech, o próximo passo, e deve-se ter isso em mente ao fazer ou ouvir a bênção. O Maror é comido sem reclinar-se.

Korech

O sanduíche de Matzá e Maror

Cada pessoa recebe um pedaço da Matzá e de Maror. O sanduíche de Matzá e Maror é então mergulhado em Charoset. Após de relembrar como o erudito Hillel os combinava com fatias do sacrifício de Pesach, e comíamos os três juntos, comemos os sanduíches reclinados.

Shulchan Orech A mesa preparada

Momento da refeição festiva. Lembre-se, porém, de que o mandamento de falar sobre o Êxodo continua durante a noite. Por esse motivo, é costume cantar canções, discutir comentários e falar mais sobre o Êxodo. Também lembre-se de que o Afikoman deve ser comido enquanto a pessoa ainda está com apetite.

Tzafun

Comendo o Afikoman

O Afikoman é encontrado, e cada participante recebe tanto o pedaço dele Matzá adicional. O mesmo deve ser comido de uma vez, enquanto se reclina.

Barech

Bênção após as refeições

Depois de servir a terceira taça de vinho, recitamos o Birkat Hamazon. Em seguida, fazemos a bênção sobre o vinho e bebemos o copo, reclinados. Um copo especial é servido para dar as boas-vindas a Elias, o Profeta, e a porta da frente é aberta. Recitamos um parágrafo invocando o Julgamento Divino sobre aqueles que perseguiram os judeus ao longo da história, desde o Êxodo. O quarto e último copo de vinho são preenchidos.

Hallel

Louvores

Dizemos ou cantamos o Hallel, salmos recitados nas festas junto com louvores adicionais, ao encerrarmos o Seder. Nós então dizemos a bênção sobre o vinho, bebemos o quarto copo, enquanto nos inclinamos e dizemos a bênção após bebermos o vinho.

Nirtzah

Aceitação de nosso Seder

Recitamos um parágrafo no qual rezamos pelo privilégio de poder realizar o serviço religioso completo do Pessach no próximo ano em Jerusalém. Em seguida, cantamos várias canções que encerram o Seder. No próximo ano, em Jerusalém! Pessach Kasher Vesameach Rabino Shai Stauber

Em memória de Burech Berul Abramovitch Z’L desejamos um Chag Sameach com muita saúde, paz, luz e liberdade 12

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Nossas atividades não param

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Pessach, hoje e sempre

endo sido convidado a escrever algo para Pessach, minha primeira reação foi de alegria e honra pelo convite, e sobretudo de surpresa. O que pode um médico, pesquisador em neuropsiquiatria geriátrica falar sobre a Liberdade, sobre a luta por independência e sobre a escravidão da qual nos livramos, igual, mais ou melhor do que os nossos Rebes? Não pode, não posso. Então, aqui vão breves reflexões sobre os tempos que estamos passando, tempos de pandemia, tempos de privações, tempos de mudanças de hábitos, tempos de espera e tempos de fazer. Como na história de Pessach, tempos de ameaças, desafios, luta e busca de liberdade. Pessach é uma ocasião que sempre me remete à infância, minha mãe e avó a fazerem kneidlech e guefilte fish e chrein e klopse e saladas e língua defumada, um Seder lauto e feliz, cheio de alegria. Ontem escravos, hoje livres. Pus-me a pensar nos dias de hoje, eu já aos 66 anos, ainda com as mesmas sensações daqueles tempos, mas já com experiência, uma profissão, aonde meus pais me ajudaram a chegar, aonde a travessia rumo a um lugar melhor me levou. Pessach é uma vez ao ano, rememoramos a saga de um povo orientado por Moshé e seu irmão Aharon. Ambos já idosos, nos seus oitenta anos. Daí, vendo os dias de hoje, em que continuamos a lutar todo dia por liberdade, por expressão livre de fé e pensamentos, dias nos quais estamos a lutar contra uma praga, uma pandemia, dias nos quais o sofrimento e o isolamento dos mais pobres, dos idosos, sobretudo, me veio o que gostaria de expressar. A pandemia pelo novo coronavírus já grassa há mais de ano, temos um norte hoje de condutas, o que se deve fazer. No entanto, uma turba continua a não aceitar e não faz o que se deve para controlar esse mal. O mal não é

o vírus, o mal é que não fazemos como sociedade o que precisamos fazer, conforme cientificamente provado. Quando não seguimos nossos sábios, as informações dadas por eles, ficamos perdidos, presos à escravidão da ignorância. Só saímos do Egito porque ouvimos Moshé, porque ele nos liderou. Um Homem com experiência e sabedoria. Só sairemos desse Egito atual quando fizermos do mesmo jeito que nossos antepassados fizeram. E para isso, precisamos tomar medidas que vão contra nossos instintos. Queremos e precisamos de abraços, beijos, contato próximo, somos uma espécie gregária. Esse o nosso instinto. E temos que ter tomadas de decisão que contrariam esses instintos agora, para que depois possamos voltar ao ponto ótimo. A travessia exige sacrifícios, exige decisões voltadas para um ganho importante no futuro. Então, me ocorre dizer que estamos a comemorar uma data magnífica, onde atingimos o ponto da liberdade, da saída de uma escravidão de 400 anos, mas que sempre temos muito ainda a conquistar. Afinal, começaram aí os 40 anos no deserto, até que chegássemos à Terra Prometida. Essa é, hoje, ainda, uma luta diária, e todo dia é dia de podermos exercer a nossa liberdade, rompermos amarras de escravidão nos nossos pensamentos e sentimentos, mesmo aqueles que são os mais instintivos. A liberdade é doce mas também traz muitas responsabilidades. Que possamos exercê-los, os direitos, os deveres e as alegrias, mesmo os difíceis, com leveza e aprendizado constante. Vamos vencer este período, o da pandemia, e vamos chegar a um lugar melhor. Pessach Sameach!

Jerson Laks

Médico psiquiatra, MD, PhD

A mensagem primordial de Pessach é liberdade. Palavra que continua mais atual do que nunca. O Residencial Israelita, antigo Lar Israelita de Jacarepaguá, está se renovando, mudando por fora, por dentro e resgatando sua identidade. Liberdade é isso também! MUDAR, RENOVAR, CRESCER! Chag Sameach! 14

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O corona e nossa fé em Hashem

Chag Pessach Kasher vê Sameach. Alexandre, Ilana, Rafael e Rebeca Wajnbergier

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Hashem escreve a história de modo que só possamos compreendê-la muito tempo depois, diz um provérbio ídiche. A rapidez e a fúria com que a pandemia se espalhou deixaram-nos aturdidos. O Anjo da Morte não distingue classes, culturas, nacionalidades ou religiões, causando dor e sofrimento em milhões de nossas famílias. Somente com a vacinação, e com a ajuda de Hashem, venceremos a doença. A humanidade dominou o átomo, chegou a planetas, desvendou o DNA, desenvolveu computadores, conectou-se pela internet. Pensava-se poderosa, imbatível, segura de seu futuro material; de certa forma, como uma espécie superior aos antepassados. Tudo mudou em março de 2020. Subitamente, a sensação de superioridade mostrou-se vã. Surgiu uma praga como as que assolaram gerações passadas. A economia moderna globalizada, incrível construção humana que nos propiciou enorme progresso e conforto material, travou. Quase tudo, inclusive nossa linda e antiga Sinagoga, fechou. Apenas hospitais e poucos serviços essenciais continuaram a funcionar, cumprindo a Mitzvá de sustentar e salvar vidas. No início, estávamos no escuro. Não sabíamos como ou em que taxa o vírus se transmitia ou retransmitia, quais os grupos de risco, o que fazer para contê-lo. Os casos dispararam, o pânico se espalhou. Governos passaram a tomar medidas severas: fechamento de fronteiras, restrições à locomoção e lockdowns para tentar controlar o vírus e aliviar a pressão nos hospitais. A economia despencou. Consumidores desapareceram, empresas fecharam, milhões de pessoas perderam o emprego, num círculo vicioso que poderia nos levar a uma depressão econômica gravíssima. Depois do choque inicial, no entanto, o mundo ocidental começou a agir. Salvar uma vida é salvar a humanidade; cientistas do mundo inteiro se uniram em busca de vacinas, instituiu-se o isolamento social, o uso de máscaras, novos procedimentos para trabalhadores essenciais, home office. Pouco a pouco, a economia foi sendo religada, ainda de maneira precária. O vírus passou, e continuará por muito tempo, a determinar a dinâmica da economia. A ajuda para evitar o abismo veio dos governos. Implementaram-se enormes esquemas de transferências diretas às pessoas, de ajuda a empresas, proteção de empregos, intervenção maciça dos bancos centrais nos mercados para que não faltasse dinheiro, taxas de juros muito baixas para facilitar os pagamentos de dívidas e estimular o consumidor. Aos poucos, a confiança foi voltando; a economia mundial surpreendeu e, mesmo tendo se contraindo, terminou o ano de 2020 se recuperando rapidamente. Sem o controle do vírus, porém, a ajuda contínua dos governos às economias não se sustenta. O dinheiro que governos podem gastar está se esgotando, principalmen-

te nos países mais pobres e endividados como o Brasil. Na realidade, em todo o mundo, estamos tomando recursos emprestados das próximas gerações, emitindo dívidas de empresas, para sustentar suas operações e, principalmente, emitindo dívida pública para financiar os gastos extraordinários de governos. A dívida pública terá que ser paga no futuro por nós, nossos filhos e nossos netos. É uma aposta: gastamos o que não temos hoje, para salvar vidas e a economia mundial, com a esperança de poder pagar a dívida no futuro. Não tínhamos opção. A hora de pagar vai chegar e só há quatro formas de resolver: crescimento acelerado da economia, aumento de impostos, aumento da inflação ou, num cenário desastroso e muito improvável, o calote. Há ainda um complicador. A população dos países mais ricos, incluindo a China, está envelhecendo. A menos que se aumente a produtividade do trabalhador, haverá menos gente trabalhando para pagar mais impostos. Nas sociedades ocidentais, onde a classe média já vinha sendo duramente afetada pela competição com a Ásia, o nível de tensão pode aumentar. Pela primeira vez desde a Segunda Guerra, as novas gerações têm um padrão de vida pior do que a anterior. A pandemia acelera essas tensões. Haverá muitos perdedores e poucos ganhadores, numa dinâmica confusa até que a economia real se ajuste. Apesar das dificuldades que virão, vemos uma luz. Várias vacinas estão disponíveis, mostrando a inventividade humana. Muitos países, sendo Israel um orgulho e um farol, avançam rapidamente na vacinação de seus povos. Vacinação em massa é o único modo de controlar o vírus. Não só a vida de muitos, mas a economia mundial depende disso. Somos um velho povo. Fazemos parte de uma cadeia milenar. Um judeu sabe de onde veio, conhece a história de seu povo, de seus antepassados, seus Sábios, Profetas e Patriarcas. Nosso costume é dar muito mais importância às próximas gerações; sacrificar-nos para dar aos filhos a melhor educação possível e, usando o cabedal do judaísmo, prepará-las para o mundo. Na Hagadá de Pessach, aprendemos que nunca devemos nos esquecer de que fomos escravos, e devemos nos sentir como se pertencêssemos àquelas gerações. Pois, mais do que nunca, devemos ser humildes e parcimoniosos, concentrar-nos em ajudar o próximo, fazendo Tzedaká, cumprindo as Mitzvot e em preparar a próxima geração para enfrentar tempos que se prenunciam incertos. Com nossa perseverança, nossa religião, nossas tradições e a luz da nossa sagrada Torá, atravessaremos esses momentos difíceis e manteremos intacta a nossa corrente sagrada, com a ajuda de Hashem. Chag Pessach Sameach

Beny Parnes Economista

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Kehilat

Kids

Agradecimento A Sinagoga Kehilat Yaacov está sempre de portas abertas para recebê-los. Graças a todos que prestigiam nossas atividades e, também, à estimada ajuda de nossos contribuintes, continuamos a mantê-la com muita alegria em prol a nossa comunidade.

As palavras deste caça palavras estão escondidas na horizontal e vertical sem palavras ao contrário

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Data limite para envio da informações dia 20/05

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