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história do violão INTRODUÇÃO Uma das histórias mais controversas de se contar na história da música é o surgimento do violão. A sua origem, formato e antecedentes diretos são indefinidos, tanto, que há várias acepções de como se deu origem a sua forma e conceitos atuais. Neste contexto não faremos apologia a uma história que supostamente achamos como mais correta, mas sim, faremos um adendo a algumas das possibilidades de surgimento desse instrumento tão popular. Dentre essas possibilidades podemos citar a Kíthara Grega, o Alaúde Árabe e a Vihuela Renascentista; abordaremos aqui os antepassados do violão e as duas principais correntes de pesquisa, a que se aproximam da Kíthara e outra que se aproxima do Alaúde

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Tanbúr - O modelo mais velho que se tem notícia vem do Egito antigo, usado por um cantor chamado Har-Mose, que usava para cantar canções para uma rainha egípcia há aproximadamente 3500 anos.


história do violão O nome violão é usado apenas na língua portuguesa, em outros países chama-se guitarra. A diferenciação do nome é confusa, contudo, conta-se que se deve ao fato de que em Portugal existia a viola, que era menor que um violão assemelhando-se a nossa ‘viola-caipira’, com isso, ao se depararem com a ‘guitarra espanhola’, outro nome dado a violão, notaram a diferença de ser um pouco maior, colocaram-no então o nome como se fosse no aumentativo ‘Violão’. Já o nome Guitarra, usado no mundo todo, descende diretamente do nome ‘Kíthara’ grego.

Pintura egípcia grafando um instrumento semelhante ao Tanbúr, gravura de aprox. 1420 A.C.

Os instrumentos mais próximos ao violão que se tem conhecimento através dos arqueólogos são a harpa ‘tigela’ e o Tanbúr. Há conhecimento que desde a pré-história fazia-se harpas de ‘tigela’ usando carapaças de tartaruga e cabaças como ressonadores, com uma vara dobrada para uma ou mais cordas. Muitas dessas “harpas” do velho mundo são dos antigos povos sumérios, babilônicos e egípcios, que datam por volta de 2500 - 2000 a.C.

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história do violão Saindo desses antepassados remotos, voltamos a tempos posteriores a esses, voltamos com as hipóteses mais prováveis de descendência direta do violão A primeira hipótese é que o violão tenha se originado da ‘Kíthara Grega’, um instrumento que era tocado horizontalmente, característica que foi se modificando ao longo do tempo, possuía grande quantidade de cordas para dar um timbre mais forte aos grandes salões de festas, sua data de surgimento s aproxima do séc. 1 D.C. Com o domínio do império romano sobre os domínios gregos, o instrumento passou a se chamar ‘Cítara Romana’, há uma parte de estudiosos que verificaram a existência ainda do nome ‘Fidícula’ e ‘Cíthara’ para os latinos. Seu braço disposto semelhantemente ao da lira foi se unindo só corpo, ao qual se originou uma caixa de ressonância para obter um melhor aproveitamento harmônico da sua grande quantidade de cordas, juntamente com o braço surgiram vários trastes metálicos que possibilitaram toar várias notas na mesma corda.

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história do violão A segunda hipótese também aceita por grande maioria dos estudiosos é de que o violão tenha se originado do ‘Alaúde Árabe’, que foi levado ao continente Europeu, mais especificamente à península Ibérica, através das constantes invasões muçulmanas; por volta do ano 700 houve a conquista da península pelos muçulmanos, liderados pelo Califado de Bagdá, oque facilitou para que a sua cultura rapidamente se espalhasse por continente Europeu através da Espanha. Esteticamente, o Alaúde é o instrumento mais próximo do violão que conhecemos hoje, devido à disposição de corpo e braço; se uso vai até meados da idade média, onde é substituído pelas guitarras; O alaúde possui caixa em formato de gota arredondada no fundo, e um braço que possui cordas duplas, podendo variar q sua quantidade. Desde o séc. VIII os dois instrumentos viveram em conjunto nos solos europeus, Afonso, o sábio, rei de Castela e Leão (1221-1284), que era um trovador ilustrou através de seus cânticos o uso desses dois instrumentos. Posteriormente, esses dois instrumentos vieram a dar continuidade ao legado dos instrumentos de cordas, criaram-se evoluções a partir deles, que desenrolam como a guitarra-moura e a guitarra-latina. No século XIV, Guillaume de Machault cita em suas obras, a forma como os dois instrumentos apareciam na cultura europeia.

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história do violão A guitarra mourisca era um instrumento de quatro cordas duplas, era usado para canções populares. Este instrumento possuía um corpo oval e o tampo possuía vários furos ornamentados chamados de rosetas. É considerada uma remanescente do alaúde, e dentro deste conceito uma série de outros modelos, com diferentes números de cordas também existiam. A guitarra latina, que recebeu posteriormente o nome de Vihuela, foi o instrumento usado pelos nobres, diga-se de passagem, foi o instrumento que mais persistiu até a próxima evolução do que hoje conhecemos como violão. Existem três tipos diferentes de Vihuela, a de mano, de arco e plectro; é cabível salientar que os vihuelistas, juntamente com os mouriscos, vieram a preconizar o nosso conceito atual de guitarra, mas vale salientar que foram os vihuelistas que mais trabalharam para deixar um legado escrito para a nova geração de músicos. A partir do séc. XVI criam-se métodos e teorias para a Vihuela, influenciando assim o modo de se fazer música; um dos vihuelistas mais influente da época foi Luís de Milán, com o volume ‘Libro de música de vihuela de mano intitulado El maestro’ de 1536.

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história do violão Ao final do século XVI, a vihuela caiu em desuso, agora era a guitarra renascentista e posteriormente a barroca que havia ascendido ao status de instrumento precursor da arte, em especial essa ultima, à qual foram frequentes as modificações para adapta-la às novas exigências. Fato que possivelmente tenha influenciado para que poucas Vihuela originais tenham se conservado. A guitarra renascentista nasce como um anseio popular em disponibilizar a música para o povo menos abastado, tinha a mesma afinação da vihuela, mas sem a primeira e as sextas cordas, deixando uma afinação de quartas, tais como temos hoje. Havia oito trastes, com quatro ordens de cordas, tudo para facilitar a vida do cancioneiro popular, que fugia de erudições. A guitarra barroca, que se originou diretamente das vihuelas e do alaúde, o seu período de uso corresponde a todo o período barroco de 1600 a 1750 aprox. O instrumento é menor que uma guitarra moderna, de corpo leve, suas cordas geralmente eram de tripa, o instrumento típico foi de cinco ordens, cada uma composta por duas cordas separadas. A sua evolução resultou na guitarra romântica e guitarra moderna

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história do violão No final do período Barroco, vem o classicismo sem grandes alterações em sua forma, contudo, no romantismo o Violão sofre grandes alterações, e percebe-se que ele se altera de modo a parecer muito com o nosso conceito atual de violão, esse período fica entre 1750 a 1830; as cordas duplas saíram e deram vez as cordas simples, uma vez que, o piano vai se tornando cada vez mais a base da música, não havia necessidade de ‘encorpar’ o som do violão, ele se tornou mais prático de tocar e nesse período começou a ganhar popularidade notável dentro de alguns meios, começara então a surgir os compositores do instrumento. Manteve as cinco cordas simples e acresceu-se a sexta cordas como baixo, onde a sua afinação é a mesma doas dias atuais, é atribuído ao Luthier Antônio de Torres esse acréscimo, contudo, as cordas simples se atribuem ao Luthier Ferdinando Gagliano. Sem dúvida o grande precursor do nosso violão atual foi o Luthier Antônio Torres (1817-1892), Torres alterou a guitarra romântica em tamanho e estilo, refez toda sua estrutura de forma a dar o violão um timbre característico de pequenos salões e canções populares. Seu modelo de violão é seguido até hoje e torna-se um marco na evolução moderno do violão.

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história do violão No início do séc. XX um alemão, Christian Friederich Martin, erradicado nos EUA, tinha como base a escola europeia na construção de violões, ao chegar às novas terras percebeu que deveria criar algo inovador que alcançasse as classes menos abastadas, foi então que sua criação obteve grande sucesso e definiu o que viria a ser considerado o violão americano, ou como é mais conhecido de todos, o violão de aço. O novo modelo serviu de roupagens para os novos estilos emergentes como o blues, seguindo a durabilidade das cordas de aço, o que possibilitava tocar muito tempo com as mesmas cordas sem a necessidade de trocá-las. Apenas 30 anos depois das cordas de aço serem adaptadas ao violão, surgiu a guitarra elétrica – uma variação da guitarra clássica com cordas de aço que poderia ser ligada a um amplificador, tendo seu som captado por meio de um captador. A primeira patente de guitarra elétrica pertence ao Luthier George Beauchamp, que fez um modelo de guitarra junto com Adolph Rickenbacker, em 1931. Na mesma época, surgiram Leo Fender e Les Paul, e esses dois Luthiers foram primordiais para os modelos mais famosos de guitarra, utilizados até hoje em diversos gêneros musicais.

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VIOLÃO NO BRASIL - PERSPETIVA HITÓRICA. O primeiro instrumento de que se tem notícia, é uma viola de 5 cordas duplas trazidas pelos jesuítas durante a colonização do Brasil no inicio do século XVI; no séc. XVII teve relatos de uma viola vendida a um bandeirante chamado Sebastião Paes de Barros, pela quantia de 2 mil reis, aprox. 300 reais hoje em dia. Em suas obras, Manuel Antônio de Almeida, fala que A viola perdurou e ficou atrelada ao final do Brasil colônia, como consequência a viola se tornou elemento típico à cultura caipira e com a evolução do violão proposta por Torres, chegou ao Brasil o modelo padrão de violão, ficando atrelado ao conceito de cidade e às modinhas de rua de época, tornando-se então popular entre a cultura brasileira. Como consequência de se tornar tão popular o violão passou a ser discriminado, associado a boêmios, o instrumento começou a ser objeto de descaso. Um dos precursores do violão moderno no Brasil foi o fundador da revista “O Violão”, publicando-a em 1928, Joaquim Santos (18731935), considerado o “Pai do violão moderno”, destinou os ultimo anos de sua vida ao ensino do instrumento. O violão brasileiro teve dois eixos principais, Rio-São Paulo, onde as maiorias dos músicos se desenvolviam e se deslocavam para essas metrópoles em busca de melhores condições e melhores caches. Na cidade de São Paulo, através do violonista uruguaio Isaías Savio

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VIOLÃO NO BRASIL - PERSPETIVA HITÓRICA. (1900-1977), criou uma das melhores escolas da América do Sul e também a Associação Cultural Violinística Brasileira em 1947; tornouse professor do então Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Compôs mais de 100 obras para o violão e cerca de mais ou menos 300 transcrições e revisões, sendo seus trabalhos usados atualmente por muitas escolas de música em todo o Brasil e fora dele. Outro grande expoente do violão no Brasil, partindo de um ponto de vista mais atual foi claramente, Heitor Villa-Lobos; seu instrumento base era o violoncelo, contudo, fez do vilão o seu quintal de experimentos e compôs para o instrumento obras como: Choro nº 1 (1924), 12 Estudos (1924–1929), 5 Prelúdios (1940) e Suíte Popular Brasileira (5 peças) (1908-1912 e 1923). Villa-Lobos. O que Heitor trouxe para a música popular brasileira foi certamente o seu estudo baseado no folclore nacional, as suas composições buscam a intimidade do povo brasileiro e alcançaram várias levas da sociedade atual, com certeza merece reconhecimento e apreço.

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ANATOMIA 1.0 INTRODUÇÃO Sabendo da miríade de estruturas utilizadas durante a prática instrumental, é de vital importância para o instrumentista manter uma boa saúde em seu principal instrumento de trabalho: seu corpo. É preciso conhecer os músculos que usamos ao tocar, além de exercícios de alongamento e aquecimento a serem realizados antes e após a prática do violão, tendo em mente a importância dessa etapa para uma prática instrumental saudável, duradoura e confortável ao músico. É importante também estar ciente dos problemas que a prática mal executada pode trazer ao músico, podendo até impedir por completo a prática do instrumento devido a fortes e continuas dores em diversas regiões de seus membros superiores.

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ANATOMIA 2.0 que mexemos ao tocar violão? É muito ampla a atividade muscular, quando falamos em tocar violão. Trabalhamos com flexores do pulso, dos dedos, do cotovelo, do ombro entre outros. Alongamentos e exercícios de relaxamento e fortalecimento dos músculos são muito importantes na vida de músico seja iniciante ou não. Os cinco minutos de alongamentos antes da prática instrumental são de extrema importância, muitas vezes por preguiça ou por não se dar conta da importância dos alongamentos, muitos músicos ou professores deixam de fazê-los ou ensiná-los para seus alunos, podendo isso ocasionar serias lesões como, por exemplo: Tenossinovite Ocupacional que é uma inflamação aguda ou crônica dos tendões (Tendinite). Para evitar esses tipos de lesões devemos buscar conhecer sobre a anatomia do corpo principalmente da parte que mexemos quando tocamos um instrumento neste caso o violão.

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ANATOMIA 2.1 Membros superiores: Braço e Antebraço Músculos Extrínsecos originam-se no braço/antebraço e inserem-se na mão por meio de tendões. São eles: •Flexor radial do carpo: Flexiona o punho, puxando a mão contra o antebraço para o lado do polegar. (Figura 1) •Flexor ulnar do carpo: Flexiona o punho, puxando a mão contra o antebraço, para o lado oposto do polegar. (Figura 1) •Flexor superficial dos dedos: Realiza a flexão das articulações Inter falangeana proximal e metacarpo falangeanas e auxilia na flexão do punho. (Flexiona os dedos). (Figura 1) •Flexor profundo dos dedos: Realiza a flexão das falanges distais e auxilia na flexão do punho. (Figura 1) •Flexor longo do polegar: Realiza a flexão das falanges do polegar. •Pronador redondo: gira o antebraço para colocar a palma da mão para baixo •Palmar longo: flexiona do punho

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Figura 1


ANATOMIA •Extensores radiais curto e longo do carpo: Têm ação na extensão e abdução do punho. (Figura 2) •Extensor ulnar do carpo: Realiza extensão e adução do punho. (Figura 2) •Extensor dos dedos: Realiza extensão dos dedos (o 1° e 5° têm extensores próprios adicionais). (Figura 2) •Abdutor longo do polegar: Realiza abdução e auxilia na extensão do polegar. (Figura 2) •Extensor curto do polegar: Realiza extensão da base da falange proximal do polegar. (Figura 2) •Extensor longo do polegar: Realiza extensão das falanges do polegar, adução e rotação lateral do polegar. (Figura 2) Figura 2

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ANATOMIA 2.2 O Esqueleto da Mão O esqueleto da mão é subdividido em três segmentos: o carpo, ou ossos do pulso, o metacarpo ou ossos da palma, e as falanges ou ossos dos dedos. (1) escafoide, (2) semilunar, (3) piramidal, (4) pisiforme, (5) trapézio, (6) trapezoide, (7) carpitato (8) hamato. A= carpo (8 ossos) B= metacarpo (5 ossos) C= falanges (14 ossos)

Figura 3

Figura 4

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ANATOMIA Figura 5

2.3 Músculos curtos da mão •Inter ósseos palmares (3 músculos): Atuam no 2º 4° e no 5º dedo Ação: Adução dos dedos (aproximam os dedos).

•Inter ósseos dorsais (4 músculos): Atuam no 2º ao 5º dedo. Ação abdução dos dedos (afasta os dedos) Figura 6

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ANATOMIA •Lumbricais (4 músculos): Atuam do 2º ao 5º dedo. Ação: Flexão da MF e extensão da IFP e IFD + propriocepção dos dedos

MF= metacarpo falangiana IFP= Inter falangiana proximal IFD= Inter falangiana distal Propriocepção= também denominada como cinestesia, é o termo utilizado para nomear a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. OBS: O termo cinestesia é diferente de sinestesia um fenômeno neurológico que consiste na produção de duas sensações de natureza diferente por um único estímulo. Por exemplo, uma cor é ligada a uma impressão auditiva (audição colorida) ou sons são ligados a uma impressão visual. Quando tocamos violão, é preciso saber que não é só a tensão que é “trabalhada”, precisa ter um total controle dos músculos, o que inclui o relaxamento. Enquanto um tensiona, outro fica relaxado. Usamos os antebraços, com a palma da mão para cima e com parte da palma direita. Na mão esquerda usamos os dedos para encostar nas cordas do violão, também mexemos os ombros em uma forma circular. A força da gravidade é totalmente oposta, tanto na mão esquerda como na mão direita.

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Figura 9


ANATOMIA 3.0 Aquecimentos e Alongamentos Os alongamentos antes de tocar violão, além de dar elasticidade para os dedos e mãos, ao mesmo tempo faz com que suas juntas fiquem relaxadas e não forcem os nervos, evitando assim, futuros problemas musculares. É também importante alongar os braços, pescoço, tronco e pernas, bem como atividades de relaxamento para evitar tensões durante o aprendizado, pois todos estes membros participam da atividade durante a prática. Muitas pessoas desistem de praticar devido a dores na mão ou punho, principalmente quando vão executar pestanas e solos. Existe uma ordem para fazer os exercícios, é importante começar da parte superior do corpo, pois são locais onde geralmente se localiza mais tensão e que pode refletir nas outras partes do corpo afetando assim, seu desempenho no instrumento.

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ANATOMIA 3.1 Pescoço •Gire o pescoço por 15 segundos com a boca aberta, sentido circular. Tome cuidado para não girar muito rápido ou forte. É importante que esteja relaxado e que a respiração seja contínua. •Flexione a cabeça para o lado direito sem forçar, com o tronco reto, respirando continuamente por 10 segundos. Após terminar flexione para o lado esquerdo.

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ANATOMIA 3.2 Ombros โ€ขFaรงa, por dez segundos, movimentos circulares com os ombros (para frente e para trรกs), mantendo o tronco reto.

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ANATOMIA 3.3 Braços •Flexione, por dez segundos, o braço para trás, de maneira que sua outra mão segure o cotovelo e fique apoiada na lateral da cabeça. •Flexione as duas mãos juntas para cima da cabeça durante 10 segundos. •Depois flexione as duas mãos para baixo, atrás das costas durante 10 segundos.

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ANATOMIA 3.4 Tronco e Costas •Sentado, com a mão contraria segure o pulso e flexione o braço por cima da cabeça durante 10 segundos. (Exemplo figura 11) •Gire o tronco e pescoço para um lado de cada vez por 10 segundos. (Exemplo figura 11) •Sentado, econste o tronco entre os dois joelhos e solte os braços por 20 segundos.

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ANATOMIA 3.5 Antebraço, Mãos e Dedos •Flexione as duas mãos, e segure uma mão para cima lembrando de pegar todos os dedos, por 10 segundos (Exemplo figura 13) •Alterne a mão; então mude o apoio da mão para baixo e segure por 10 segundos. (Exemplo figura 13) •Gire a mão e punho, 360º graus por 10 segundos cada mão. (Exemplo figura 14) •Segure as duas mãos encostadas uma na outra em posição de reza, os braços devem estar retos, por 10 segundos.

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ANATOMIA 3.6 Outros alongamentos •Aperte dedo contra dedo, alongando-os, Dedo polegar contra dedo polegar Dedo indicador contra dedo indicador Dedo médio contra dedo médio Dedo anular contra dedo anular Dedo mínimo contra dedo mínimo. Obs.: este exercício dever ser feito com todos os dedos ao mesmo tempo. •Aperte o dedo polegar contra o indicador e estique (mesma mão). Ainda com o polegar, faça o mesmo contra os dedos: médio, anular e mínimo. •Cruze dedo com dedo e puxe (gancho) Polegar com polegar Indicador com indicador Médio com médio Anular com anular Mínimo com mínimo. •Cruze dedo com dedo em gancho, alternando-os. Ex.: polegar com médio, anular com mínimo. Obs.: A variedade fica por conta de cada um •Feche bem a mão, como se estivesse segurando algo com força, em seguida, abra a mão e estique bem os dedos. •Abra bem os dedos, afastando-os o máximo possível. Em seguida, feche os dedos, apertando-os com a mão esticada.

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ANATOMIA 4.0 Exercícios de fortalecimento das mãos 1. Fortalecimentos dos movimentos da mão esquerda: •Prenda a bolinha com seu polegar. Feche e abra a mão; repita 10 vezes. 2. Fortalecimento dos dedos e aquecimento da mão esquerda •Feche a mão e encoste o polegar no indicador, abra a mão o mais rápido o possível e segure por alguns segundos; repita 10 vezes. 3. Resistência e força das juntas da mão esquerda •Encoste e pressione os dedos da mão esquerda mantenha alguns segundos e solte; repita 10 vezes. contra o polegar, 4. Desenvolvimento do movimento de subida e descida da mão direita •Movimente seu pulso para ambos dos lados 5. Resistência tensão e relaxamento do pulso e antebraço da mão direita •Feche a mão como se estivesse segurando uma palheta, tencione o máximo possível e depois relaxe; repita 10 vezes. •Segure a bolinha na palma da mão, feche como se estivesse segurando uma palheta e movimente seu pulso para ambos os lados.

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ANATOMIA 6. Desenvolvimento dos músculos rotatórios do antebraço •Com o cabo de vassoura coloque uma mão em cima e a outra em baixo e movimente em sentidos opostos; repetir 10 vezes. •Passe o cabo pra frente do seu corpo, segure uma a outra; repita 10 vezes. mão e movimente 7. Dedilhado Exercícios isométricos para desenvolvimento das juntas •Com a mão esticada abra e feche somente os dedos; repetir 10 vezes. 8. Fortalecimento do polegar •Feche a mão e faça movimentos circulares com o polegar e com a mão fechada abra e feche o polegar 9. Considerações Gerais •É muito importante que esses exercícios sejam feitos com a postura ereta, para que todos os músculos do corpo possam estar em equilíbrio. A respiração também é fundamental para que os exercícios obtenham o resultado desejado. O alongamento correto e o fortalecimento da msuculatura também podem ser boas ferramentas para que a agilidade seja aprimorada, pois além de deixar os músculos mais firmes e resistentes, permite que os dedos sejam mais flexíveis, melhorando o desenpenho do musico em técnicas mais avançadas.

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ANATOMIA 5.0 As principais L.E.R. dos músculos (L.E.R. = lesão por esforço repetitivo) Hoje em dia a maioria das lesões diagnosticadas pode ser classificada como DORT (Distúrbio Osteomusculares Relacionado ao Trabalho). Os Músicos até então eram tratados como portadores de reumatismo, ou como muitos comentavam anos atrás: “meu pulso abriu, por isto não posso tocar”. Analisando genericamente a técnica instrumental, é possível constatar que todo trabalho instrumental em que a mente não participa ativamente é prejudicial ao desenvolvimento técnico. Estudar qualquer instrumento vendo TV, ouvindo música, lendo, conversando, etc., é prejudicial porque a falta de atenção e concentração pode levar à execução de movimentos errados e descontrolados que, ao invés de ajudar, podem anular o objetivo desejado que é a aquisição de uma boa técnica no instrumento. No estudo do instrumento, todos os movimentos que não são considerados naturais, portanto forçados, são perigosos, pois além de neutralizar todo o objetivo do trabalho técnico, podem provocar cansaço, fadiga muscular e o que é pior: lesões de músculos, tendões e nervos. Deve-se então ordenar de forma racional todo movimento muscular, usando um mínimo de esforço para se obter o máximo de resultado. Uma das maneiras de se conseguir este resultado é através de uma digitação lógica e inteligente, eliminando-se os movimentos desnecessários e forçados. A fadiga muscular é a sensação de cansaço que se sente após um longo período de estudo do instrumento. A dor que este cansaço produz é um aviso da natureza de que os músculos, tendões e nervos já fizeram o máximo de esforço. A dor produzida é a consequência de uma auto - intoxicação do músculo e insistir

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ANATOMIA com o estudo do instrumento, forçando uma região com fadiga, podem levar às lesões mais graves. L.E.R (Lesões por Esforços Repetitivos) LTC (Lesões por Traumas Cumulativos) DMO (Distúrbio Muscuesqueléticos ocupacionais) DORT (Distúrbio Osteomusculares Relacionado ao Trabalho) 5.0.1 Conceitos Existem vários conceitos para tentar explicar o que venha a ser esta enfermidade, como por exemplo: •L.E.R é um conjunto de disfunções músculo - esqueléticas, que acometem os membros superiores e região cervical e estão relacionadas ao trabalho. 19 •LER é o nome dado às afecções dos grupos musculares e/ou tendões cuja etiologia se deve ao contínuo e repetitivo trabalho, realizado com as mãos ou qualquer segmento do corpo. •LER são lesões do aparelho locomotor, associadas com esforços físicos repetitivos ou com manutenção prolongada de alguns segmentos corpóreos em posturas inadequadas. •LER são inflamações de músculos, tendões e nervos dos membros superiores, geralmente curáveis.

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ANATOMIA 5.0.2 Causas Nem todas as pessoas portadoras de alguma lesão passaram pelo mesmo processo desencadeador da doença. No entanto, algumas causas já foram detectadas, ou seja, a grande maioria se enquadra em uma ou várias destas situações. As mais comuns são as seguintes: •Uso de força em excesso durante o processo de aprendizagem do instrumento, bem como durante a apresentação. Em determinados momentos da execução, realmente se faz necessário um maior uso de força, o que não pode acontecer é esta prática tornar-se a regra geral. •Postura inadequada para tocar um instrumento, para ler, assistir Tv e para outras atividades da vida diária. Ao se trabalhar com a postura ideal para cada instrumento, um fato deve ser claro: ninguém possui o mesmo corpo, muito menos o mesmo tamanho de membros. Portanto o professor deve ficar atento às particularidades físicas de cada aluno, sem se afastar da postura ideal, correta para cada instrumento. Pessoas muito grandes ou muito pequenas merecem uma atenção maior em relação à postura, pois os instrumentos na maioria das vezes não se adaptam bem ao seu tipo físico. •Móveis e instrumentos ergonomicamente inadequados, como por exemplo, um músico de mão pequena estudando contrabaixo com uma escala muito longa. O ideal é que a pessoa estude toque, um instrumento musical compatível com o seu tipo físico. Quando isto não é possível, devem-se procurar instrumentos de tamanhos menores para não prejudicar o seu desenvolvimento, pois instrumentos muito grandes requerem um esforço físico maior das pessoas que possuem mãos pequenas.

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ANATOMIA •Os movimentos repetitivos, juntamente com a postura inadequada, são considerados os principais causadores das DORT em músicos. Como fazer para estudar um instrumento musical qualquer sem fazer movimentos repetitivos? O movimento repetitivo, não quer dizer que o instrumentista passa longos períodos tocando com 1 ou 2 dedos, no caso dos ornamentos, e sim estudando, tocando por um longo período uma música qualquer, pois os dedos se repetem em vários movimentos durante um longo período de tempo. Em 1 hora de estudo quantas vezes o dedo indicador, por exemplo, foi usado? Portanto não tem como evitar este desgaste, a solução então é tentar prevenir de alguma forma atenuando-se a prática dos demais fatores causadores. O movimento repetitivo isoladamente não causa necessariamente alguma lesão. •A compressão mecânica causada, por exemplo, quando trabalhamos com o cotovelo apoiado sobre uma mesa, ou tocamos violão apoiando o antebraço direito sobre a quina do aro superior. Este tipo de compressão pode ser amenizado apoiando-se o antebraço sobre uma flanela dobrada. É comum também nos estudantes de instrumentos de sopro, segurarem seus instrumentos forçando muito os pontos de apoio. O que pode causar de certa forma, o estrangulamento dos tendões dos dedos envolvidos. •Ambientes frios contribuem para o aparecimento e agravamento das lesões, devido ao fato de diminuir a circulação sanguínea nas extremidades dos membros. •O estresse e a tensão consequente das responsabilidades e cobranças no trabalho, nos estudos, bem como na vida em geral, podem ser alguns

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ANATOMIA dos vários motivos que desencadeiam as DORT. Nos dias de hoje, torna-se quase impossível trabalhar ou estudar em ambientes que não sejam de alguma forma estressantes. As escolas de música, em sua grande maioria, não possuem isolamento acústico adequado, tornandose o, portanto um ambiente muito barulhento e estressante. •Fatores psicológicos podem agravar ainda mais a possibilidade de aparecimento de uma lesão. Uma pessoa que passou por um tipo qualquer de DORT, muitas vezes torna-se insegura quanto ao seu verdadeiro estado físico. No caso de um músico instrumentista perder a confiança em suas mãos, ele pode, por exemplo, evitar determinados exercícios que julgue fazer mal para ele. Em longo prazo isto pode gerar uma deficiência técnica, tornando-se muitos casos impossíveis à realização de certos repertórios. 6.0 Lesões mais frequentes 1. Tenossinovite Ocupacional É a inflamação aguda ou crônica dos tendões (tendinite) e/ou das bainhas (tenossinovite). Aparece nas mãos e ocorrem queixas subjetivas de dor, diminuição da força, sensação de peso e alteração da caligrafia. É a mais corriqueira das lesões, onde obedecendo a um repouso e fazendo o tratamento adequado prescrito por um médico especialista no assunto, o problema desaparece rapidamente. 2. Tenossinovite Estenosante (Dedo em Gatilho) Ocorre uma impossibilidade de estender normalmente os dedos. A sensação é a de um bloqueio mecânico, onde forçando a extensão tem-se a sensação de um salto, como que ultrapassando um obstáculo. É um processo geralmente doloroso,

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ANATOMIA envolvendo basicamente os dedos médios e o anular. A cura, na maioria das vezes, é cirúrgica. 3. Síndrome de Quervain Ocorre dor aguda ou crônica na parte superior do polegar, perto do punho. A dor diminui o uso da mão principalmente na ação de garra ou pinça. O repouso normalmente não alivia a dor. Se detectado num estágio inicial, o tratamento pode ser feito com repouso e medicamentos. Aparece em músicos que tocam sobrecarregando muito o polegar, ou tocando um repertório que o utilize muito, ou segurando seu instrumento com força desnecessária. 4. Síndrome do Túnel do Carpo É a compressão do nervo mediano ao nível do pulso. O túnel do carpo por não ser elástico, quando comprimido provoca uma sensação de formigamento na mão, ocasionando uma diminuição da sensibilidade. O dedo indicador é o mais atingido, juntamente com o polegar, o médio e metade do anular. Normalmente é um processo acompanhado de dor. É um caso relativamente sério, onde a cura na maioria das vezes só é obtida com cirurgia. 5. Síndrome do Canal de Guyon É a compressão do nervo ulnar na passagem lateral do pulso. Os sintomas são parecidos com os da síndrome do túnel do carpo. Ocorre dor e alteração da sensibilidade no 4º e 5º dedo. A força de pressão e pinça também diminuem. O tratamento também é basicamente o mesmo da síndrome do túnel do carpo.

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ANATOMIA 6. Síndrome do Pronador Redondo É a compressão do nervo mediano (o mesmo da S.T.C.) ao nível do cotovelo. Ocorre dor na região do antebraço nas horas de esforço, ocasionando dificuldade para escrever e tocar o instrumento. É uma doença muito comum em violonistas, pois estes tocam seu instrumento com o antebraço direito apoiado na quina do aro superior do violão. 7. Síndrome do Supinador É a compressão do nervo radial da altura do músculo supinador. Ocorre dor no antebraço que aumenta durante o esforço. A força da pressão diminui. Num estágio inicial, repouso e medicamentos são o suficiente para se conseguir a cura. É um dos pontos mais dolorosos que os músicos reclamam quando fazem alongamentos para os braços. 8. Ganglion ou Cisto Sinovial É o aparecimento de cisto sinovial (bolsa contendo líquido sinovial) nas vizinhanças das articulações e tendões. É mais comum na região do pulso e ocorre dor aos movimentos e à pressão. Pode desaparecer com o tempo quando a bolsa se rompe, caso contrário a cura só é possível com cirurgia. Segundo alguns médicos, existem algumas pessoas que são mais predispostas do que outras para desenvolver cisto sinovial. 9. Epicondilite É a compressão ou estiramento dos pontos de inserção dos músculos flexores do carpo na região do cotovelo. Ocorre devido ao esforço excessivo e extensão ou flexão brusca do punho. A dor localiza-se no cotovelo, mas pode se irradiar para o ombro ou para a mão. Um dos sintomas também é a pessoa acordar durante

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ANATOMIA a noite com dor no cotovelo. Este tipo de lesão é mais comum em músicos que tocam seu instrumento fazendo movimentos com o cotovelo, como por exemplo, aos instrumentistas de arco, violino, viola, cello baixo etrombonistas. 10. Fibromialgia do Pescoço Síndrome dolorosa dos músculos do pescoço, principalmente os trapézios, os esternocleidomastóideos, os elevadores da escápula e os romboides. Ocorre dor, espasmo local e endurecimento, com pontos dolorosos ao longo da inserção muscular. É um tratamento demorado com bastante repouso e principalmente evitar ambientes tensos e estressantes. Neste caso estão os músicos e professores de instrumento que trabalham com braços elevados e/ou pescoço curvado sobre a mesa ou instrumento. 11. Síndrome do Desfiladeiro Torácico É a compressão de nervos e vaso sanguíneos entre o pescoço e os ombros, causados geralmente pelo posicionamento elevado dos braços. Ocorrem choques, queimação e dormência ao longo da parte interna dos membros superiores, podendo no entanto afetar qualquer um dos nervos dos referidos membros. O tratamento é feito evitando-se o posicionamento dos membros superiores de forma elevada, bem como através de exercícios fisioterápicos de fortalecimento da região atingida. Neste caso estão os músicos e professores de instrumento que trabalham com braços elevados e/ou pescoço curvado sobre a mesa ou instrumento. 7.0 Conclusão Concluímos que, para todos nós músicos, alunos e praticantes de qualquer instrumento é imprescindível a conscientização sobre a importância de

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ANATOMIA termos uma prática saudável no nosso cotidiano. Entender isso é, acima de tudo, uma forma de auto respeito por saber que, muitas vezes, nosso corpo pode não ter a mesma disposição que a nossa mente na hora de praticarmos e fazermos o que mais gostamos de fazer: Tocar.

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ACORDES O acorde, de forma geral, é a representação de três ou quatro notas tocadas ao mesmo tempo, com intervalos de terça entre elas. Será, desta forma, o 1º, 3º e o 5º graus no caso das tríades (3 notas), e 1º, 3º, 5º e 7º no caso das tétrades (4 notas). Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º Aqui, seguimos a sequência Dó, Mi, Sol para formar o acorde de Dó maior. A primeira nota da sequência, na maioria das vezes é a nota que dá nome ao acorde. Por exemplo, o acorde de Dó maior é composto pelas notas Dó, Mi e Sol. Os acordes podem também ser representados por letras, na maneira a seguir: Dó C

Ré Mi Fá Sol Lá Si D E F G A B

Estas letras, também chamadas de cifras, são utilizadas para facilitar a leitura, não alterando em nada a nota que a representa. O conjunto de acordes a partir de uma determinada escala forma o campo harmônico, que ditará a qual tonalidade a música pertence. Os acordes podem ser tríades (3 notas) ou tétrades (4 notas).  

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ACORDES Tríade É a formação básica de um acorde, composta por três notas com intervalos de terça, de acordo com a escala diatônica. As tríades podem ser maiores, menores, diminutas ou aumentadas. •Maior: Constituída por um intervalo de 3ª maior sob um intervalo de 3ª menor. A distância entre a primeira e a quinta nota será um intervalo de 5ª justa.

Dó – Mi – Sol formam o acorde de Dó, representando pela cifra C. As tríades maiores se encontram nos graus I, IV e V do campo harmônico da escala maior natural, nos graus V e VI da escala menor harmônica e nos graus IV e V da escala menor melódica.

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ACORDES •Menor: Formada por uma 3ª menor sob um intervalo de 3ª maior. O intervalo entre a primeira e a quinta nota será uma 5ª justa.

Dó – Mib – Sol formam o acorde de Dó menor, representado pela cifra Cm As tríades menores se encontram nos graus II, III e VI do campo harmônico da escala maior natural, nos graus I e IV da escala menor harmônica e nos graus I e II da escala menor melódica. A diferença entre o acorde maior e menor está na ordem das terças, onde no acorde maior a primeira terça é maior, e no acorde menor a primeira terça é menor. Para rapidamente transformar um acorde maior em menor basta descer 1 semitom da primeira terça, o mesmo se aplica ao contrário ao transformar o acorde menor em acorde maior, subindo 1 semitom na primeira terça.

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ACORDES •Aumentada: É uma tríade formada por um intervalo de duas terças maior. Dó – Mi - Sol# formam o acorde de Dó aumentado, representado pela cifra C aum •Diminuto: Será o acorde formado por dois intervalos de terça menor.

Dó – Mib - Solb formam o acorde de Dó diminuto, representado pela cifra Cº

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ACORDES Tétrade As tétrades são formadas a partir da tríade, acrescentando mais uma terça, que seria a 7M ou 7. Os acordes podem ser maior (M) ou menor (m), de acordo com sua formação. •Sétima maior (7M): A tétrade é formada pela tríade mais uma nota que será 1 semitom (meio tom) abaixo (descendente) da oitava da escala.

Do – Mi – Sol – Si formam o acorde de Dó com 7ª Maior, representado pela cifra C7M

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ACORDES •Sétima menor (7m): Este acorde é formado pela tríade mais uma nota que será 1 tom abaixo (descendente) da oitava da escala. Dó – Mi – Sol – Sib formam o acorde de Dó com 7ª menor, representado pela cifra C7  

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ACORDES Relação entre intervalos Abaixo, segue a relação intervalar na formação do acorde, composto pela tônica (primeira nota em seu estado fundamental, que dá nome ao acorde), terça (maior ou menor) e quinta justa dentro da escala diatônica: •Acordes maiores:

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ACORDES

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Dó (C)

Ré (D)

Mi (E)

Sol (G)

Lá (A)

Si (B)

Fá (F)


ACORDES

•Acordes menores:

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ACORDES

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Dó menor (Cm)

Ré menor (Dm)

Mi menor (Em)

Sol menor (Gm)

Lá menor (Am)

Si menor (Bm)

Fá menor (Fm)


ACORDES Sistema CAGED O sistema CAGED é um método para formação de acordes maiores para o violão. Parte do princípio de que se partimos de uma tríade pronta podemos obter uma outra qualquer de mesma função, por exemplo: D↔E Distância de 1 tom D - F# - A ↔ E - G# - B acorde de ré maior acorde de mi maior O nome “CAGED” vem dos desenhos primários dos acordes que o sistema constitui: Dó Lá Sol Mi Re C A G E D Todas as tríades são formadas a partir destes desenhos, mas somente é aplicável ao violão.

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ACORDES Por exemplo, o acorde de Fá maior: •Acorde de Fá maior

Este é baseado no desenho do acorde de Mi maior, porém um semitom acima: •Acorde de Mi maior

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ACORDES Cada um dos acordes do sistema pode ser tomado como base para formação de outro acorde, como dito anteriormente, de mesma função: basta executar o acorde com a fundamental na nota mais grave.

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ACORDES Podemos também utilizar todas as formas do sistema para montar o acorde de dó, e assim sucessivamente para todos os acordes maiores. Com os acordes menores, as formas de C e G são pouco usadas, principalmente pela complexidade da formação e execução do acorde com a mão esquerda. Dessa forma, podemos nos basear da mesma maneira para formar acordes menores nos desenhos de Dm, Em e Am. Por exemplo, o acorde de Si menor com o desenho de Lá menor: •Acorde de Si menor

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ACORDES Tônica na sexta corda

Tônica na quinta corda

Mapa de intervalos Ao estabelecer uma tônica em alguma corda, estamos gerando uma área de intervalos em relação à essa tônica, que pode ser chamada de “mapa de intervalos”. Esse mapa muda de acordo com a corda em que se encontra a tônica. A tônica de um acorde (quando este está em estado fundamental) é a nota mais grave, e no tocante de acordes no violão essa nota mais grave é usada nas cordas 6, 5 ou 4 (também chamados de bordões). Desta forma, vamos utilizar 3 mapas para localizar os intervalos. Um para as tônicas na 6ª corda, outro para as tônicas na 5ª e um para tônicas na 4ª. Seguindo esses mapas, conseguimos formar acordes conforme os princípios de sobreposição de terças.

Tônica na quarta corda Infelizmente o violão possui certas limitações físicas, ou seja, ao montar um acorde com 4 ou mais intervalos, muitas vezes temos que omitir outras notas, como a 5ª (que não altera diretamente a propriedade do acorde). Muitas vezes também, quando se acrescenta o intervalo de 9ª ou 4ª, o acorde tende a ficar suspenso, devido a sua proximidade com a 3ª.

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Escalas musicais O QUE SÃO ESCALAS MUSICAIS? Escalas musicais são sequências ordenadas de notas. Por exemplo: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si. Essa escala começou com a nota dó e foi seguindo uma sequência prédefinida de intervalos até o retorno para a nota dó novamente. Essa sequência de distâncias intervalar foi de: tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom.

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Escalas musicais ESCALA MAIOR Esta escala que mostraremos é chamada de escala maior. Poderíamos utilizar essa mesma sequência (escala maior) começando com uma nota que não fosse dó, por exemplo, sol. A escala então seria sol, lá, si, dó, ré, mi, fá#, sol. Note como a mesma lógica foi seguida (tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom). No primeiro caso, formamos a escala maior de dó. No segundo caso, a escala maior de sol. Seguindo a mesma lógica podemos montar a escala maior de todas as 12 notas que conhecemos. Faça isso como exercício e depois confira abaixo. Mostraremos a escala maior das 7 notas básicas:

Escala de Dó maior

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Escalas musicais ESCALA MENOR A chamada escala menor é formada a partir da seguinte sequência: tom, semitom, tom, tom, semitom, tom, tom. Tente construir então a escala de dó menor usando essa lógica de sequência de intervalos. Lembrando que a escala menor tem como principal característica o terceiro grau menor, ou seja, a nota mi será mi bemol na escala menor. Confira então as digitações da escala maior e menor:

Escala de Dó menor

Obs: No braço do violão/ guitarra, para obter a escala de outra nota (além da nota “dó” que mostramos), basta deslocar esse mesmo desenho para a nota que se deseja. Experimente testar fazendo esse mesmo desenho (mesmo shape) da escala maior de dó partindo da nota Ré. Depois confira as notas geradas comparando com a tabela mostrada anteriormente. Isso é ótimo, não? Significa que só precisamos decorar um desenho para cada escala!

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Escalas musicais QUAL O MOTIVO DAS ESCALAS MUSICAIS CHAMADAS DE MAIORES E MENORES

SEREM

Ok, voltando ao assunto, talvez você esteja se perguntando por que uma escala se chama “maior” e a outra “menor”. Isso é apenas uma definição. A diferença dessas escalas está no terceiro, sexto e no sétimo grau. Na escala “maior”, esses graus são maiores. Na escala “menor”, esses graus são menores. Por isso resolveu-se chamar a primeira escala de “escala maior”, e a segunda de “escala menor”. Obs.: Nos próximos artigos você entenderá bem essa questão dos graus, não se preocupe se achou estranhos esses termos.

ESCALA PENTATÔNICA A escala pentatônica é o guru dos improvisadores. E não é difícil de descobrir o motivo pelo qual todo mundo usa e abusa dessa escala: ela é fácil de fazer e fácil de aplicar. Há algumas décadas atrás, alguns músicos faturaram milhões apenas tocando essa escala. Atualmente não é mais tão fácil ficar rico tocando escala pentatônica, afinal qualquer músico iniciante já aprende a utilizar essa escala (e geralmente passa o resto da vida fazendo só isso). A escala pentatônica possui notas que, quando tocadas, geram uma melodia agradável, mesmo que seja só a própria execução da escala pra cima e pra baixo.

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Escalas musicais A escala pentatônica pode ser maior ou menor. A pentatônica maior contém 5 notas da escala maior, e a pentatônica menor contém 5 notas da escala menor. Um desenho para a pentatônica de Dó maior pode ser:

ESCALA PENTATÔNICA MAIOR

Veja agora um desenho para a escala de Lá menor pentatônica:

ESCALA PENTATÔNICA MENOR

Compare essas escalas (Dó pentatônica e Lá menor pentatônica) com as escalas de Dó maior e Lá menor, respectivamente. Note que a pentatônica maior apanhou 5 notas da escala maior, como já comentamos, e foram os graus 1, 2, 3, 5 e 6. Em

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Escalas musicais outras palavras, ela retirou os graus 4 e 7. Já a pentatônica menor pegou os graus 1, 3, 4, 5 e 7 da escala menor. Em outras palavras, ela retirou os graus 2 e 6! Obs.: O normal seria começar e terminar com a mesma nota no desenho de uma escala, mas preferimos terminar a escala com outra nota nos desenhos mencionados acima, para que você entenda primeiro a lógica da escala. Optamos por mostrar a pentatônica maior de Dó e a pentatônica menor de Lá porque essas duas escalas contém as mesmas notas, já que Lá menor é a relativa de Dó.

COMO USAR A ESCALA PENTATÔNICA A escala pentatônica (maior e menor) pode ser usada no mesmo lugar em que se usam as escalas maiores naturais e menores naturais. Mas essa escala, além de poder ser utilizada nesses contextos, ainda pode ser utilizada em outros. Um exemplo é o blues. Mas como você deve praticar a escala pentatônica para ter progresso e gostar do que está fazendo?

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Escalas musicais PASSOS PRA DOMINAR A PENTATÔNICA Passo 1: Decore bem a escala pentatônica menor e aplique-a no contexto tonal, ou seja, você pode brincar com essa escala dentro de um campo harmônico menor ou em um campo harmônico maior (tocando a pentatônica da relativa menor, nesse caso). Faça isso por um longo período de tempo. Passo 2: Aplique a pentatônica menor no contexto blues. Passo 3: Agora que você já está bem familiarizado com a pentatônica menor, decore a pentatônica maior e aplique também no contexto tonal, como você fez no passo 1. Passo 4: Depois que você estiver familiarizado com as duas escalas pentatônicas e saber utilizá-las, toque a escala pentatônica começando de todos os graus. Faça o seguinte treino, que irá expandir seu domínio sobre o braço do instrumento: Iremos tocar a escala pentatônica na tonalidade de Dó maior, porém começaremos de outros graus (outras regiões do braço do instrumento). Iremos partir primeiro da nota Sol, tocando as demais notas da pentatônica de Dó (isso vai gerar um desenho particular). Depois, vamos fazer essa mesma escala pentatônica começando com a nota Lá. Não tem nada de mágico nisso, pois iremos tocar as mesmas notas que tocamos antes, apenas estaremos começando no Lá em vez de começar no Sol. Depois faremos o mesmo para os demais graus.

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Escalas musicais Confira abaixo os desenhos e decore bem cada um:

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Escalas musicais Confira o desenho dos shapes da Pentatônica menor no braço do violão com destaque da marcação na Tônica:

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Escalas musicais ESCALA BLUES A escala blues (ou Pentablues) é a escala pentatônica acrescida de uma nota. Essa nota ficou conhecida como blue note, e é a quinta bemol no caso da pentatônica menor, ou a terça bemol no caso da pentatônica maior. Repare que a nota que foi acrescentada é a mesma nas duas escalas, basta decorar a escala blues menor e transmitir essa nota para os demais modos gregos na hora de fazer um solo. Confira abaixo o desenho da escala blues de Lá menor (destacando a blue note em vermelho):

Confira agora a escala blues de Dó maior e note como a nota acrescentada é a mesma (D#):

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Escalas musicais COMO USAR A ESCALA BLUES A utilização da escala blues é a mesma da escala pentatônica. Podemos aplicá-la em qualquer lugar que aplicaríamos a pentatônica tradicional, apenas cuidando do fato de que a blue note é uma nota de passagem, ou seja, ela deve aparecer apenas no meio de outras notas, e não como nota de repouso. Isso não é difícil de entender, pois a blue note é uma nota dissonante à escala diatônica natural. Não devemos repousar em cima dela porque isso seria uma desafinação. Experimente fazer o teste. Ouça uma música na tonalidade de Dó maior e toque a nota D#. Não fica muito estranho? Agora toque a escala blues em cima dessa mesma música. Reparou como esse mesmo D#, quando tocando junto com outras notas, fica legal?! O cromatismo da blue note é um dos mais agradáveis que existem, por isso que essa escala é tão difundida. Saber utilizar bem a escala blues exige um pouco de prática, contudo o progresso é muito rápido. Vale muito a pena praticar essa escala, pois a blue note dá um sabor especial em qualquer música quando bem colocada! Apenas não se prenda a essa escala como se ela fosse a única escala do mundo, pois é muito comum que os músicos a utilizem para esgotar suas ideias e se limitarem a nada. Além disso, entenda que essa escala foi e continua sendo reproduzida milhões de vezes por músicos no mundo todo, ou seja, você não vai ser diferenciado tocando a escala blues. Ela é um dos artifícios mais manjados na música, então não fique encantado com a sua gratificação fácil produzida. Isso não significa que você deva desprezá-la, muito pelo contrário, domine-a bem, mas continue estudando outras coisas depois.

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Escalas musicais Para finalizar, mostraremos os desenhos da escala blues:

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Escalas musicais Modos Gregos Alguns povos da região da Grécia antiga (Jónia, Dória, Frigia, Lídia e Eólia) organizavam os sons da escala temperada ocidental de uma maneira bem peculiar. Seus lugares de origem mencionados acima se tornaram a origem de seus nomes. A mistura dos modos Lídio e Dórico formaram o modo Mixolídio . Como complemento a esse ciclo, surgiu o pouco usado modo Lócrio. Na Idade Media, os modos Jônico e Eólico se tornaram os mais utilizados, pois estes se tornaram as conhecidas escalas maior e menor respectivamente. Vale lembrar que os originadores dessas escalas foram os hoje pouco usados modos gregos, que serão melhor explicados na sequencia. Os modos gregos nada mais são do que 7 modelos diferentes para a escala maior natural. Veja abaixo os exemplos de cada modo grego: Modo Jônico (Escala Maior) Tom: C Tom-tom-semitom-tom-tom-tom-semitom

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Escalas musicais Modo Dórico (Escala Menor com a 6M) Tom: D Tom-semitom-tom-tom-tom-semitom-tom

Modo frígio (Escala menor com o 2° grau menor) Tom: Em Semitom-tom-tom-tom-semitom-tom-tom

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Escalas musicais Modo lídio (Escala maior com a 4ª aumentada) Tom-tom-tom-semitom-tom-tom-semitom

Modo mixolídio (Escala maior com a 7ª menor) Tom-tom-semitom-tom-tom-semitom-tom

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Escalas musicais Modo Eólico (Escala menor natural) Tom-semitom-tom-tom-semitom-tom-tom

Modo lócrio (escala menor com a 2ª menor e 5ª diminuta) Semitom-tom-tom-semitom-tom-tom-tom

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tecnicas de gravação INTRODUÇÃO Se você recorreu a este material com certeza possui dúvidas básicas de como melhor captar o som de seu violão, seja para uma gravação caseira ou fins profissionais. O primeiro investimento considerável que você deve fazer é adquirir um bom instrumento, o qual além de melhorar a qualidade da gravação ainda facilita a execução. Seja ele de cordas de nylon ou aço, um bom violão é responsável por um bom timbre, o que influencia diretamente em um bom produto final. A gravação tanto de violão, como da música, trilha (o todo), respeita alguns passos que são usuais como o planejamento a parte burocrática do que vai ser gravado, elaboração de materiais como partitura (não é regra), definição de instrumento que será usado no caso violão aço e (ou) nylon, tipo de captação a ser usada, fator esse que influenciara no resultado final. Na atualidade, com os diversos recursos tecnológicos as gravações não estão mais restritas a estúdios, sendo possível a qualquer musico gravar seu som com boa qualidade Outro fator que influenciara no resultado são os equipamentos que serão usados e ambientes que os mesmos serão aplicados. Este, apesar de muito relacionado ao “gosto “ particular, segue alguns fatores técnicos e lógicos, citarei aqui alguns equipamentos que podem ser bem uteis. Sala (espaço físico onde será gravado o violão) - A sala ou espaço ideal para a gravação, seria uma sala projetada especialmente com a finalidade de gravação,

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tecnicas de gravação sala projetada por um engenheiro da área, o qual projetara seguindo características que vão desde formato até materiais específicos. Fator esse que com certeza influência no resultado final, mas não impossibilita uma gravação de ótima qualidade em ambientes menos elaborados. O ambiente influencia diretamente nos equipamentos que serão usados, como microfone. Microfones – Na atualidade, existem diversos microfones para todo tipo de gosto e bol$o. Mas como citado anteriormente é muito importante entender um pouco sobre ambientes, para não investir muito dinheiro em um microfone que não corresponda ao ambiente. Exemplos: Microfone dinâmicos: São os mais usados em shows ao vivo, que também são usados em gravações em ambientes ruidosos. Porque? O microfone dinâmico tem uma forma de captação diferente dos condenser, a capitação é direcionada, captando com mais ênfase os sons direcionados a sua área de captação ignorando os sons do ambiente, o que o torna muito interessante, para quem pretende gravar em ambientes sem nenhum tratamento, como o quarto ou sala de casa. Microfones condenser: São microfones com uma sensibilidade de captação bem maior que os dinâmicos, mais indicados para gravações em ambientes com um certo isolamento acústico (isolamento de sons externos), pois sua sensibilidade é muito grande, o que acarreta na captação dos diversos sons do ambiente, este microfone costuma ter um custo mais alto, e necessidade de outros equipamentos pois necessita de uma certa fonte externa de energia chamada tecnicamente de phatom power, portanto, é interessante pesquisar

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tecnicas de gravação sobre seu funcionamento e valores. Os condenser são os microfones usados pelos grandes estúdios, porém não garantem uma boa qualidade porque depende muito de uma boa aplicação. Captadores acoplados: existem diversos captadores que vão desde colados na caixa do instrumento, até os de rastilho, captadores esses que tem um pouco menos de recursos que os microfones, mas, que não impedem uma boa gravação, podendo ser usados em conjunto com microfones. Captadores são bem interessantes para quem está iniciando e não quer investir muito, pois maior parte dos violões de boa qualidade, vem com captadores excelentes. Interface: São equipamentos que fazem a comunicação entre instrumento e computador, transformando sinal elétrico em digital, as interfaces sofreram grandes mudanças com o desenvolvimento da tecnologia, mudanças que vão desde valor a características físicas (tamanho, peso). As interfaces estão cada vez mais acessíveis e completas, muitos computadores atuais já vêm com interface (placa de áudio) embutidas de excelente qualidade, que possibilitam a gravação do instrumento direto em programas o que facilitou muito. A interface é um equipamento muito importante e interessante para investir, pois possibilita diversos recursos. Programas: são softwares usados para gravação, atualmente existem diversos programas, desde gratuitos até alguns bem caros, claro alguns mais elaborados outros mais simples, porém todos possibilitam boa gravação, ficando a critério do responsável pela gravação qual o mais eficaz para o momento. Após uma pré apresentação de fatores e ferramentas úteis para a gravação. Apresentaremos neste material um pouco sobre os diferentes tipos de captação,

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tecnicas de gravação timbres de violão e formas para se trabalhar com esses equipamentos, que lhe trarão diferentes resultados sonoros. Esperamos saciar suas dúvidas mais básicas e cruciais, a fim de introduzi-lo ao mundo da produção de áudio. Boa leitura!

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tecnicas de gravação ESCOLHENDO O TIPO DE VIOLÃO Violões que possuem cordas de Nylon costumam possuir um som mais suave e macio que os de aço e são uma excelente escolha para gravações de música clássica, MPB e samba. Enquanto os violões de aço têm um som mais encorpado de maior volume, com características mais brilhantes, sendo excelente para estilos como rock, folk e blues. A espessura das cordas dos violões nylon são maiores e a densidade é menor, por isso é necessário mais força na hora de tocar no caso de quem quiser ter a mesma pressão sonora que um violão de aço. O braço também é menos resistente, assim, se possui um violão de nylon e pretende gravar um rock, não pense na possibilidade de apenas trocar o material das cordas para alcançar seu objetivo, acabará por comprometer a estrutura de seu violão. Além disso, violões para nylon com encordoamento de aço perdem um pouco dos sons médios, deformam os agudos e a reverberação fica muito suja. Já violões de aço com cordas de nylon ficam com excesso de frequência média e a tendência é ficar pesado e sem brilho.

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tecnicas de gravação ESCOLHENDO A FORMA DE TOCAR

x Se você é violonista, já deve entender que tocar com os dedos ou com a palheta influencia em sua técnica e precisão de acordo com o que deseja, e na hora da captação de áudio essas duas formas de execução também podem significar características bem diferentes no som extraído. Tocar com os dedos constitui um som mais suave, macio e mais grave do que o som das palhetas, que possuem um “colorido” diferente, um som mais estridente e brilhante. Podemos ainda subdividir as palhetas caracterizando o som das seguintes maneiras: •A palheta fina é mais flexível, podendo ser um pouco complicada para

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tecnicas de gravação controlar na hora de bater nas cordas, mas produzindo uma gama maior de sons; •A palheta grossa é mais rígida e tem um controle melhor, principalmente para técnicas de palhetada rápida, e também é bem precisa na sonoridade; •Com a ponta arredondada, produz um som mais encorpado e com menos brilho (ideais para Jazz); •Com a ponta aguda (tipo gota), o som fica mais aberto, mas o atrito com as cordas é maior, pois a palheta tende a entrar mais entre as cordas.

POSICIONAMENTO E DIRECIONAMENTO DOS MICROFONES Assim como os tópicos abordados anteriormente, posicionamento e direcionamento são designados de acordo com o estilo e proposta musical. A seguir daremos 10 formas diferentes para gravação, trataremos cada forma de posicionamento como “configuração”. Com isso almejamos que você encontre o modo de captação perfeito para a gravação desejada. 1 – Configuração Blumlein Os microfones são posicionados como na imagem, um de pé e outro de ponta cabeça logo acima, sem se tocarem, no angulo de 90°. E depois ajuste na direção da fonte sonora: os microfones no caso foram ajeitados na altura da boca mais ou menos, em frente o último traste (NÃO na boca do violão).

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tecnicas de gravação Microfones bidirecionais captam o sinal na frente e atrás deles, logo a configuração captará o som ambiente do quarto, que deverá desempenhar um importante papel nessa maneira de deixar o microfone. A maioria dos microfones tem um botão que se parecerá com o da figura ao lado, botão no qual se muda para o modo bidirecional. O resultado é um sinal grande e claro, que poderia servir para a maioria das gravações de violão. Funciona melhor caso o violão esteja numa área pequena e silenciosa. Você pode escutar o resultado no link: https://soundcloud.com/cakewalksoftware/blumlein-configuration

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tecnicas de gravação 2 - Um condensador grande de diafragma, próximo ao violão Aqui se usa um único condensador de diafragma grande (como o da foto), localizado perto dos últimos trastes, antes da frente da boca também. O microfone possui a opção cardióide, que reduz qualquer ruído que venha de trás na sala, só captando o que venha da frente do microfone. Este microfone é por natureza muito sensível e pega grande parte do grave, dando um som encorpado e robusto pra gravação, sendo recomendado para músicas em que o violão lidera, ou exerce grande influência na harmonia. Você pode escutar o resultado no link: https://soundcloud.com/cakewalksoftware/one-large-diaphragm-condenser

3 - Par de microfones espaçados Esta configuração usa dois condensadores pequenos colocados a pouco mais de 1 metro de distância um do outro. Um deles apontado para o oitavo traste do violão e outro apontado diretamente para o 12° traste logo após a área onde acontecem as batidas da mão direita. Aproxima-se mais os microfones do instrumento do que nas configurações anteriores pois o condensador pequeno pega mais agudos enquanto o grande e pega mais graves. Uma parte substancial de todos posicionamentos até aqui é o quão longe os microfones são colocados da fonte sonora. Afastando um pouco mais os microfones do violão deixaria o som muito magro e aproximando mais do que o devido resultaria num som muito forte e encorpado. Tem que achar o ponto ideal! Essa configuração captura os ruídos de traste, bem como do corpo da guitarra.

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tecnicas de gravação Você pode usar isso para muitas aplicações, especialmente se o violonista está trabalhando muito com deslizamento, batidas na corda, etc. O microfone do braço está ali pra isso, pra captar esses pequenos detalhes sonoros que de outra forma acabariam perdidos pelo som geral do instrumento. Você pode escutar o resultado no link: https://soundcloud.com/cakewalksoftware/spaced-pair

4- Mid-Side Esta técnica é usada por alguns e odiado por outros. O posicionamento do microfone no meio requer o uso de dois microfones e três sinais. Em primeiro lugar devem-se configurar os microfones: o condensador de diafragma grande coloca-se no modo “Bi-direcional” (como feito no primeiro posicionamento). O condensador grande é colocado meio que de lado e o microfone condensador pequeno é posto acima, de frente para a fonte sonora. O pequeno condensador é o “Mid” e o condensador Grande é o “Side”. Configuração sugerida: No programa, você pode duplicar a pista do condensador grande ou enviar a faixa para um bus separado. O objetivo final é ter uma duplicação do sinal do condensador grande. Aplique o botão “phase” para o sinal duplicado e pan total opostos nas duas faixas do condensador grande. Mixe estas com o “mid” (o sinal captado pelo condensador pequeno). O efeito resultante é um som um amplo e espaçoso. Você pode escutar o resultado no link:

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tecnicas de gravação https://soundcloud.com/cakewalksoftware/mid-side 5- Um pequeno condensador, diafragma bem perto Aqui temos a track isolada do condenser pequeno da configuração anterior (Mid-Side). Se você revisar o exemplo dois deste artigo, você pode ouvir quão severamente diferente o tom, corpo e clareza de um LDC em comparação com os sinais SDC mono. O brilho do microfone pequeno condensador seria útil numa faixa com instrumentação densa e complexa (ou seja, onde o violão não é destaque principal). Você pode escutar o resultado no link: https://soundcloud.com/cakewalksoftware/one-small-diaphragm-condenser

6 - Par vertical espaçado Nesta configuração se coloca dois microfones SDC inclinados, com espaçamento de sete centímetros de distância entre eles. A cápsula do microfone inferior deve ser apontada diretamente para as três cordas mais agudos e o microfone de cima, aponta para as três bordões, equilibrando a entrada de agudos e grave neles, para que não haja furo na fidelidade do sinal. Colocando pan total esquerda e direita, a sensação de estéreo é muito interessante! Dependendo da direção da batida, você pode quase sentir a batida indo das cordas agudas para grave (da esquerda pra direita) e das graves para as agudas (da direita para a esquerda). Esse posicionamento rende uma gravação intimista e isso encaixa com a proposta do estilo cantor compositor. A maioria dessas gravações se baseia fortemente

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tecnicas de gravação no violão, com um grave controlado, médio presente e um claro e cintilante agudo, sem ocupar o espaço da voz (na frequência). Você pode escutar o resultado no link: https://soundcloud.com/cakewalksoftware/vertical-spaced-pair

7 - XY A configuração XY é uma opção estéreo de multiuso. Para conseguir esse efeito você deve arrumar os dois microfones em ângulo de 90 º um com o outro (como na foto), com as cápsulas o mais perto possível um do outro, sem tocarem. Aponte-os para a fonte sonora, no caso presente é a boca do violão. A idéia nesse posicionamento é pegar algo da imagem stereo do violão, mas sinto que ter os microfones onde estão deixa o sinal mais magro. Normalmente, então usa-se esta configuração em situações onde não há muito tempo para preparar uma configuração estéreo mais ampla ou mais completa. Capturar uma boa gravação estéreo pode ser prejudicada por problemas com phase mais facilmente do que se pensa. Se uma configuração estéreo tem um microfone um pouco mais perto da fonte sonora do que o outro, as waves sonoras gravadas irão se cancelar. Você pode escutar o resultado no link: https://soundcloud.com/cakewalksoftware/xy

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tecnicas de gravação 8- Ambiente da sala Essa configuração é usada geralmente em conjunto com outros microfones mais próximos! Ao ouvir esse exemplo você terá uma ideia de como o sinal “emagrece” à medida que se distância. Além disso, a ambiência da sala se torna muito mais perceptível ao se usar um conjunto de microfones dessa forma. Muitos engenheiros vão, sempre que puderem, microfonar a sala. Da próxima vez que tiver entradas input sobrando tente isso, você pode achar (ou não) útil essa ambiência na mix depois. Você pode escutar o resultado no link: https://soundcloud.com/cakewalksoftware/room

9. Dois microfones dinâmicos Usar dois microfones dinâmicos em uma gravação acústica leva a algumas opções interessantes de pan na mix. Essa técnica vem de microfonar amplificador de guitarra e baixo. Nessas situações, você pode experimentar frequências do amplificador apenas angulando o mic fora do eixo central de onde sai o som do amplificador, assim o microfone pegará ressonâncias e outra textura sonora, que um mic ajeitado perfeitamente reto onde sai o som nao pegaria. Eu sinto que é importante experimentar essa forma com posicionamentos fora do eixo, porque afinal nunca ouvimos uma música com os ouvidos colados ao instrumento. Até certo ponto, estamos sempre ouvindo fora do eixo emissor, então por que não experimentar com isso? Um microfone deve ter sua cápsula voltada diretamente para a fonte sonora,

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tecnicas de gravação enquanto o outro fica por baixo num ângulo que coloque a capsula de frente para a mesma área (tal como na imagem). Com este tipo de posicionamento de eixo dá pra se fazer um pan moderado de esquerda e direita na mix. Com um pan muito forte pode ficar um pouco estranho, mas a ideia é reproduzir um sinal amplo e não mono. Caso você esteja em uma situação onde o vocalista quer gravar tocando e cantando, use essa forma de microfonar para reduzir a quantidade de vocal captada nos microfones dinâmicos, enquanto se captura os detalhes do vocal com um condensador mais específico. Você pode escutar o resultado no link: https://soundcloud.com/cakewalksoftware/dual-dynamic

10. Um dinâmico Usar um único microfone dinâmico pode ou não ser o seu método mais usado para gravar demos ou fazer gravações rápidas e simples. Este exemplo foi incluído porque eu queria mostrar as diferenças drásticas entre esta técnica comumente usada e as outras. Você pode aprender muito sobre o seu próprio violão tentando algumas das técnicas descritas aqui. Alguns destes posicionamentos podem funcionar melhor em um violão do que em outro, por isso pegue um dia e gaste umas horas testando. Tendo dito isto, esta técnica microfone é amplamente utilizada em situações ao vivo porque ela pode suportar altos níveis de pressão sonora e reduzir o

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tecnicas de gravação potencial de microfonia em retornos e PA’s. Sitações em que a sala é altamente reflexiva por ser pequena ou ter o teto baixo. Você pode escutar o resultado no link: https://soundcloud.com/cakewalksoftware/single-dynamic

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Apostila Alunos Violão 2016