Issuu on Google+

Considerações da Educação na Sociedade do Conhecimento: O papel da Escola e Gestão Escolar Fábio Marcio dos Santos Andrade (UEPB-CCT) fbmarciocg@yahoo.com.br Simone da Silva Ribeiro (UFPB-CCHSA) simoneadm08@hotmail.com Morgana Ligia de Farias Freire (UEPB-CCT) morgana.ligia@bol.com

Resumo: A escola possui uma missão, possui uma razão para existir e tem uma importância para a sociedade. Deve ser gerida de forma dinâmica e concisa tendo como foco a aprendizagem de seus alunos. O objetivo deste trabalho é definir o papel da escola e a importância de uma gestão escolar eficiente ao processo educacional, bem como fazer questionamentos sobre o assunto tendo o maior enfoque na atuação do gestor escolar. Para isso foram realizadas observações na Escola Normal Estadual Professor Pedro Augusto de Almeida, na cidade de Bananeiras, localizada no estado da Paraíba. Através destas observações, verificou-se que existem algumas divergências entre o modelo de gestão da escola observada e o modelo de gestão escolar proposto pelos autores, sendo estas causadas por fatores do atual sistema de ensino, o que dificulta a efetivação de uma gestão escolar eficiente.

Palavras Chave: Gestão, Escola, Democrática

1 – Introdução A escola como qualquer empresa possui uma missão, possui uma razão para existir e tem uma importância para a sociedade. Precisa ser gerida de forma dinâmica e concisa tendo como foco a aprendizagem significativa de seus alunos, que por sua vez, irão causar o desenvolvimento cultural, social e econômico da comunidade em que estão inseridos. Sendo assim, devemos democratizar o ensino de qualidade, tornando o conhecimento cada vez mais acessível e despertando nos alunos a necessidade de buscá-lo sempre. Visando a


profissionalização de todos os setores da economia, trazendo uma nova perspectiva para a população em idade de trabalho, pois somente dessa forma a aprendizagem é significativa, uma vez que a escola faz a “ponte” entre o conhecimento já existente ao conhecimento novo e realmente útil ao dia a dia do indivíduo (AUSUBEL, 1982). Precisamos entender como fazer com que os alunos e a comunidade sintam a necessidade de adquirir a cada dia mais conhecimento numa sociedade cada vez mais individualista e em que a escola tende a apenas fornecer o conhecimento aparentemente sem utilidade na vida cotidiana, o papel do administrador escolar para que a missão da escola seja efetivamente alcançada e qual o papel da comunidade diante da gestão escolar. Há quem diga que não faz sentido ligar a educação com a economia, mas uma coisa depende da outra, não há como dizer que uma pessoa busca o conhecimento apenas por vaidade, sem nenhuma intenção de dar a este conhecimento uma finalidade específica. “Ao contrário, existem muitos motivos para assegurar que a educação nunca teve tanta importância econômica como em nossos dias, tanto para a sociedade como para os indivíduos” (ENGUITA, 2007 pag. 35). Tudo o que aprendemos durante a nossa vida tem um motivo, nada é pelo acaso ou somente por vaidade, mas por necessidade, uma vez que o conhecimento é, na maioria dos casos, um ponto essencial no momento de ocupar um cargo, no momento de concorrer com outro candidato, quando buscamos nos empregar ou até mesmo quando queremos ser importantes para uma sociedade etc. Conforme a constituição de 1988, a educação é um dever do Estado, o que causa certo conflito no entendimento sobre o direito da sociedade, pois resulta no entendimento de que uns tem apenas o direito e outros o dever, produzindo ainda na educação conflitos ligados a falta de liderança dos diretores, falta de compromisso de professores e alunos sem interesse no que lhes é ensinado, cada um esperando que o dever do outro seja cumprido e sem se comprometer com o próprio dever. Nesse sentido, a pesquisa aqui descrita busca trabalhar a definição do papel da escola e a importância de uma gestão escolar eficiente ao processo educacional, bem como fazer questionamentos sobre o assunto tendo o maior enfoque na atuação do gestor escolar. 2 – O Papel da Escola Devemos observar como era a educação quando o principal meio de produção era a agricultura. A educação era voltada apenas para a subsistência, as gerações novas deveriam aprender a cultivar suas terras para que não lhes faltasse alimento e a escola, que é a principal fonte de conhecimento científico, era reservada para os que detinham os meios de produção. Dessa forma a maior parte da população era educada de forma individual e doméstica uma vez que o trabalho não permitia que os indivíduos desprovidos de riqueza pudesse freqüentar a escola. Com o aparecimento da indústria veio à necessidade de mudança do pensamento.


As gerações mais antigas tentaram resistir às mudanças, mas as novas gerações já tinham em suas mentes que a melhor forma de se viver seria trabalhando na indústria, uma vez que já estava havendo certo êxodo rural essas gerações deveriam morar na cidade. Essas novas gerações, motivadas pela economia, deveriam se capacitar para poderem operar máquinas, mais complexas do que a simples enxada com que seus antepassados trabalhavam que eram o que havia de mais avançado. Mas as maquinas evoluíram, os trabalhadores que adequaram o seu conhecimento para a operação dessas novas máquinas continuavam no trabalho, os que resistiam às mudanças ficavam obsoletos como a máquinas que estes sabiam operar. As máquinas evoluíram devido à necessidade das indústrias de produzir em maior quantidade e qualidade, que era, e ainda é, uma exigência do mercado, portanto os conhecimentos das pessoas deviam adaptar-se apenas as necessidades da economia. E a escola por sua vez deveria se adequar a essas mudanças para verdadeiramente preparar os alunos para este mercado de trabalho, o que fez com que a escola, de certa forma, se transformasse em uma indústria ou num modelo próximo disso, levando o trabalho para a sala de aula, coisa que deu certo por algum tempo, mas que não era a solução definitiva, pois a escola trabalha com modelos que às vezes estão muito distantes da realidade. Nessa época (Revolução Industrial) o conhecimento necessário para se cumprir o trabalho não precisava ser muito amplo, os trabalhadores se especializavam em partes do processo, eram como partes de uma máquina, faziam apenas o que deveriam fazer, mas com o surgimento de máquinas que faziam sozinhas o trabalho de várias pessoas ao mesmo tempo e que precisava de apenas um operário que fosse capaz, não mais de executar, mas de gerenciar o processo, nesse ponto o conhecimento se torna uma ferramenta muito importante. Uma vez que, segundo Candau, ( 2002, p.23) “Falar em novo perfil de mão-de-obra qualificada remete a discussão acerca da adequação da formação geral desta mesma mão-de-obra, estabelecendo assim uma ponte entre o plano econômico e o campo da educação.” E dessa forma a economia está sempre influenciando não só na escola, mas na cultura, na política e na vida em geral das pessoas. Hoje vivemos a era da informática e do conhecimento. Há dez ou quinze anos uma das maiores exigências para se entrar no mercado de trabalho era ter um Curso de Datilografia e diplomas que certificavam suas “competências”. Mas hoje será muito difícil uma pessoa conseguir trabalho se não souber operar um microcomputador e se realmente não tiver as competências necessárias para o bom desenvolvimento profissional, tudo isso faz com que os certificados não tenham mais tanto valor, mas o conhecimento que estes certificam. Dessa forma vemos que a economia é a principal causa de mudança nos conhecimentos necessários para o desenvolvimento de uma profissão. E a escola é a principal fonte de conhecimento para um indivíduo e esta deve estar sempre se atualizando para poder acompanhar as necessidades do mercado de trabalho e da economia. Como afirma Heloisa Lück (2006, p.31), “(...) a educação, na sociedade globalizada e economia centrada no conhecimento, é dotada de grande valor estratégico para o desenvolvimento de qualquer sociedade e da qualidade de vida de seus cidadãos.”


Uma das principais dificuldades para se democratizar a educação é o fato de que sua gestão é feita de forma centralizada e autoritária, o que impede a inclusão de novas didáticas, formas de ensinar e ainda a melhor utilização dos recursos, tanto humanos como materiais. Por isso que não é a toa que se tem dado tanto tanta importância à gestão de ensino, que é encarado como um conceito da modernidade que visa problemas mais complexos da educação em visão mais abrangente do contexto, o que prioriza engajamento de todos os colaboradores da escola e da sociedade não podendo ser feita por apenas uma pessoa ou um grupo de pessoas, visto que a escola carece de orientação e de liderança clara que seja feita a partir de princípios educacionais democráticos e participativos, necessitando de um referencial teórico e metodológico avançado para uma melhor orientação do trabalho, para que assim todos tenham uma maior perspectiva de superação das dificuldades. Mas como se pode democratizar a educação e dar a escola autonomia no que se referem aos recursos humanos, materiais e financeiros, em nosso país que é tão extenso e tão cheio de diferenças culturais, educacionais e financeiras? O sistema atual de educação apostou na centralização e universalização das normas e procedimentos cabíveis à gestão da educação. O Governo Federal tem feito ações com o intuito de trazer a comunidade para dentro da escola através de Conselhos Escolares, Associação de pais e mestres ou de pais, mestres e alunos, dando a esses conselhos certa autoridade sobre as decisões administrativas da escola, mas nem sempre as pessoas que formam esses grupos estão preparas para tomar essas decisões, às vezes por falta de informação ou até mesmo por falta de uma visão crítica sobre algumas situações do cotidiano ou dos fatos que geraram determinados problemas. Colocar responsabilidade sobre alguns grupos com o intuito de democratizar o ensino ou mesmo descentralizar a gestão escolar na verdade causa um efeito contrário, uma vez que todos eles gozam dos mesmos métodos de avaliação e gestão. Observa Heloisa Lück (2006, p.35) que “Esse entendimento pode estar associado à leitura ao pé da letra da determinação constitucional de que educação é dever do Estado (...) no sentido de que caberia a sociedade apenas o direito de educação e não a responsabilidade conjunta de zelar por ela e promovê-la.”

Se a criação de conselhos e associações formadas pela comunidade não é o caminho, então qual seria? Deve-se incentivar a comunidade de forma geral a participar das decisões sobre as políticas educacionais, os programas a serem desenvolvidos e até mesmo as normas que regem o funcionamento da escola. Assim toda a comunidade teria acesso à informação, à escola e tudo o que ela tem a oferecer. O Sistema de ensino já prevê essas políticas de descentralização e democratização da escola que estão no “papel” acompanhadas de medidas super centralizadoras que tornam impossível a intervenção da comunidade na escola. Essas medidas dizem que devem existir os conselhos, as associações, os mestres e os diretores, diz que todos eles têm responsabilidade pela devida gestão da escola, mas diz também o papel que cada um deve exercer o que cada um tem que fazer, praticamente uma “receita pronta”. Uma escola deve ser administrada com foco na observância de quatro fatores


essenciais: Estrutura, Funcionalidade, Recursos Humanos e Recursos Materiais. Esses fatores completam um ao outro e devem sempre estar em equilíbrio. Não adianta ter os melhores professores, se tiver um prédio ruim que não dê condições de se dar aula, ou se não tiver o material adequado e suficiente para o desenvolvimento das atividades. Mas a forma de administrar e utilizar esses recursos pode variar (e variam) conforme o lugar, a região, o estado, a cidade ou até mesmo dependendo da comunidade em que a escola está inserida. Como afirma Heloisa Lück, (2006, p. 64) “a aproximação entre tomada de decisão e ação não apenas garante maior adequação das decisões e efetividade das ações correspondentes, como também é condição de formação de sujeitos de seu destino e maturidade social. Democratizar a educação seria deixar ao cargo da comunidade e do gestor escolar para que decidissem a melhor forma de se utilizar os recursos disponíveis, trazendo autonomia à escola em todas as dimensões, em especial, a financeira, a política, a administrativa e a pedagógica, não cabendo mais ao governo reger essa administração. Caberá sim ao governo, fiscalizar, de preferência, de forma mais rigorosa para que não haja mau uso ou até desvio de recursos financeiros ou materiais, mas caberia à comunidade fazer o equilíbrio entre esses fatores que necessitam do maior cuidado e observância, construindo desta maneira, a verdadeira autoridade de forma responsável e eficaz no tocante a capacidade de repartir este poder com liderança e capacidade de produzir resultados significativos de desenvolvimento. 3 - A Gestão Escolar

Ainda hoje podemos observar a atuação de diretores escolares sem voz própria para determinar os destinos e metas de seus estabelecimentos escolares, tendo como principal atribuição a garantia dos recursos necessários para um funcionamento da escola através da gestão de operações designadas pelos órgãos superiores, esperando que os participantes da escola, tanto alunos como professores e pessoas da comunidade, aceitem os padrões comportamentais estabelecidos por estes órgãos superiores, o que causa a evasão escolar de forma acentuada ou ainda a falta de interesse pela escola. Este problema é ligado ao fato que na maioria dos casos a indicação do gestor da escola é feita de forma inadequada, ocorrendo o mesmo quando se trata de contratação de professores não concursados. [...] a indicação política é, segundo o Saeb (exame do MEC que avalia a qualidade da educação), a que tem mais impacto negativo no desempenho dos estudantes. No exame de 2003, em todas as seis provas (são aplicados testes de português e matemática para alunos de quarta e oitava séries e do terceiro ano do ensino médio), os alunos que estudavam em escolas dirigidas por diretores nomeados politicamente tinham o pior desempenho. Os melhores desempenhos foram de alunos de colégios onde a escolha foi feita por concurso ou eleição. (GOIS, 2005)

Essas concepções resultam numa hierarquização e verticalização do sistema de ensino, tirando a responsabilidade de cada colaborador da escola como agente educador no


que se refere aos resultados auferidos no final dos trabalhos, pois desconsideram os processos sociais e burocratizam todo o processo, visto que os profissionais envolvidos apenas reproduzem os métodos de uma administração baseada na racionalidade limitada, do emprego mecanicista de pessoas e recursos para que sejam realizados os processos educacionais, reduzindo o trabalho desses profissionais a atividades sem espírito pedagógico como corrigir provas, dar notas, registrar aulas e verificar a freqüência dos alunos, fazendo assim um trabalho que resulta numa quantidade satisfatória de alunos que “terminam os estudos”, mas com uma educação, muitas vezes, sem significado ou sem proveito para a vida cotidiana. A preocupação é com a quantidade e não com a qualidade. É necessário que ocorra mudanças significativas de práticas de organização escolar substituindo o enfoque de administração pelo de gestão, e não apenas “inovações” que é o que costuma acontecer. Partindo dos seguintes pressupostos apresentados por estudiosos em Gestão escolar e formação de gestores na publicação Em Aberto do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - Inep (Em Aberto, 2000, p.15): →A realidade é global, sendo que tudo está ligado a tudo, direta ou indiretamente, estabelecendo uma rede de fatos, circunstâncias e situações, intimamente interligadas. →A realidade é dinâmica, sendo construída socialmente, pela forma como as pessoas pensam, agem e interagem. →O ambiente social e comportamento humano são dinâmicos e por isso imprevisíveis, podendo ser coordenados e orientados e não plenamente controlados. O controle cerceia, a orientação impulsiona. →Incerteza, ambigüidade, contradições, tensão, conflito e crise são vistos como elementos naturais de qualquer processo social e como condições de crescimento e transformação. →A busca de realização e sucesso corresponde a um processo e não uma meta. Não tem limites e gera novos sucessos e realizações que devem, no entanto, ser continuamente buscados pela ação empreendedora. →A responsabilidade maior do dirigente é a articulação sinérgica do talento, competência e energia humana, pela mobilização continua para promover a cultura organizacional orientada para resultados e desenvolvimento. →Boas experiências realizadas em outros contextos servem apenas como referencia e não como modelos, não podendo ser transferidas, tendo em vista a peculiaridade de cada ambiente organizacional. →As organizações têm vida, desenvolvimento e realizando seus objetivos, apenas mediante a participação conjunta de seus profissionais e usuários, de modo sinérgico. →A melhor maneira de realizar a gestão de uma organização é a de estabelecer a sinergia, mediante a formação de equipe atuante, levando em consideração o seu ambiente cultural. →O talento e energia humanos associados são os melhores e mais poderosos recursos para mover uma organização e transformá-la. Numa gestão mais eficiente da escola, nós devemos estimular a todos os colaboradores da escola a aderirem a posicionamentos mais democráticos do conhecimento e


de suas atividades, para que haja a possibilidade de aprendizagem significativa tanto aos alunos como a todos os segmentos da sociedade, através da concepção sócio construtivista, através da qual a escola deixa de ser uma fonte de conhecimentos prontos, padrão para toda a sociedade, mas sem significado ou importância para os pequenos segmentos da comunidade ou para alguns grupos isolados (AUSUBEL, 1982). O gestor escolar deve ser o principal disseminador da concepção de Autonomia da Escola, com a finalidade de tornar a escola cada vez mais acessível aos alunos, bem como o conhecimento e todos os demais recursos e benefícios, fazendo a escola cada vez mais a “cara” da comunidade, abrindo assim margem para mudanças mais enérgicas e significativas à localidade e causando assim, cada vez, mais o comprometimento coletivo. A autonomia, por sua vez, trata-se de construção processual pautada pela superação de conflitos, ambigüidades e contradições, feita de forma responsável e sem limitações, ampliando cada vez mais o poder de decisão, até mesmo para fora da instituição de ensino, de forma a causar entendimento entre os gestores de ensino, os gestores da escola e os demais membros da comunidade, ampliando assim a responsabilidade para todos pela educação de todos. Todos com o dever de promover a educação e com o direito de desfrutar da mesma. Vale salientar que o resultado dessa autonomia será o destino da escola determinado pelas influencias externas a ela, tanto numa gestão de escola pública como de uma escola privada, tratando se um processo contraditório devido à liberdade e à flexibilidade que devem ser assumidas com responsabilidade, pois cada um deve responder por suas ações, prestar conta dos seus compromissos, trazendo assim transparência a todo o processo que envolve desde o monitoramento até a comunicação dos resultados. Por isso a autonomia é a verdadeira expressão da cidadania, uma vez que esta é a principal meta a ser alcançada na educação dos alunos. Havendo esse compromisso, a escola deverá desenvolver, principalmente, as atividades econômicas locais, mantendo a comunidade sempre atualizada diante das tendências de mercado, economia e política, causando assim o verdadeiro comprometimento dos alunos com a escola e com a comunidade local. E este comprometimento será recíproco, pois irá despertar na comunidade a necessidade de participar mais da escola, que por sua vez deverá se atualizar ainda mais para acompanhar as novas tecnologias e formas de desenvolver ainda mais a economia local, como o observa Paulo Freire (1979, p.19), “O verdadeiro compromisso é a solidariedade, e não a solidariedade com os que negam o compromisso solidário, mas com aqueles que, na situação concreta, se encontram convertidos em “coisas”.” O gestor escolar será o principal agente motivador da equipe que compõe a escola como empresa, visando a constante formação dos professores e demais profissionais, como psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, motoristas, merendeiros e auxiliares de outros serviços, para que estes tenham a necessidade de cada vez mais se comprometerem consigo mesmos e com a própria vida profissional. Por não ser tão fácil a implantação de uma educação baseada na pesquisa e na


experiência, verifica-se que pode ser um trabalho muito exaustivo, principalmente para os educadores, pois precisam ser baseadas em alguns princípios, tais como os apresentados por Oto Borges na Revista Brasileira do Ensino de Física (2006, v.28, p.139): → O principio construtivista: Os indivíduos constroem seus conhecimentos processando as informações que receberam e elaborando padrões de associações que já possuem. → O principio do Contexto: O que as pessoas constroem depende do contexto, que inclui seus estados mentais. → O principio da mudança: Produzir mudança significativa em padrões bem estabelecidos de associações é bem difícil, mas pode ser facilitado por mecanismos que já conhecemos. → O principio da função de distribuição: Os indivíduos mostram uma limitada variação em seus estilos de aprendizagem em diversas dimensões. → O principio social da aprendizagem: para a maioria das pessoas, a aprendizagem através de interações sociais ocorre de forma mais efetiva. → A aprendizagem acompanhada do entendimento é facilitada quando os conhecimentos novos e prévios estão estruturados em torno dos principais conceitos e princípios da disciplina. → Os aprendizes usam o que eles já sabem para construir novos entendimentos. → A aprendizagem é facilitada pelo uso de estratégias metacognitivas que identificam, monitoram e regulam os processos. → Os estudantes têm diferentes estratégias, abordagens, padrões e estilos de habilidades que resultam da interação entre hereditariedade e cultura. → As motivações dos estudantes para aprender e sua auto imagem afetam o que é aprendido, quanto é aprendido e quanto esforço será dedicado à aprendizagem. → As praticas e atividades nas quais as pessoas se engajam enquanto aprendem conformam o que é aprendido. → A aprendizagem é facilitada por interações sociais. Para minimizar esse impacto sobre o trabalho dos colaboradores da escola, o gestor deve ser o primeiro a se comprometer com a sociedade e assim disseminar sua experiência entre os demais. Pois a mudança de suas atitudes, voltada para o maior compromisso com a sociedade e o mundo que está inserido causará uma nova reflexão aos educadores e conseqüentemente chegará aos alunos na forma de um conhecimento mais significativo e comprometido com o próprio desenvolvimento e com o desenvolvimento da sociedade. Nesse sentido, Paulo Freire (1979, p.16) comenta: “Se a possibilidade de reflexão sobre si, sobre seu estar no mundo, associada indissoluvelmente à sua ação sobre o mundo, não existe no ser, seu estar no mundo se reduz a um não poder transpor os limites que lhe são impostos pelo próprio mundo, do que resulta que este ser não é capaz de compromisso.”

Portanto deve-se exigir dos professores que sejam capazes de se comprometer com a sociedade em que a escola está inserida, pois somente assim a escola será capaz de realmente transpor as limitações sociais, políticas e culturais, que são os verdadeiros


adversários para uma escola envolvida com as mudanças cotidianas. O gestor escolar não pode medir esforços no propósito de obter professores licenciados em sua área de atuação, cada vez mais capacitados para o ensino e atualizados quanto aos métodos e práticas pedagógicas mais eficazes para que a missão da escola seja efetivamente cumprida num contexto social e econômico. Sendo ainda o gestor, responsável pela motivação e organização de todos os profissionais envolvidos com a escola, que precisam cada vez mais trabalhar de forma sinérgica havendo assim mais comprometimento de cada colaborador. Lembrando que, do ponto de vista meramente descritivo, se administrar é planejar, organizar, coordenar e controlar, ser administrado significa ser organizado, planejado, comandado e contratado (MOTTA, 1987, p. 89). 4 – O Estudo de Caso: Descrição e Resultados Este trabalho foi realizado a partir de pesquisa, análise bibliográfica e observações na Escola Normal Estadual Professor Pedro Augusto de Almeida, localizada na cidade de Bananeiras, estado da Paraíba, a qual serviu como base de apoio e reforço ao posicionamento dos autores citados, visando conhecer os métodos de gestão e ensino utilizados pela escola. A escolha da escola foi fundamentada nos conceitos e pressupostos apresentados neste trabalho, uma vez que a Escola Normal de Bananeiras é administrada de forma democratizada e tem a finalidade de formar profissionais da educação, além de fornecer a formação de nível médio aos alunos que são originados de Bananeiras e de várias outras cidades da região como Casserengue, Borborema, Arara, Belém, Serraria e Solânea. A escola observada é referência na promoção de projetos educacionais como o Projeto Multivisual Pontão da Caatinga e o Projeto Um Computador por Aluno – PROUCA, que visam o desenvolvimento de novas atividades aos alunos com o manuseio de novas tecnologias, a exemplo dos computadores do PROUCA, que possibilita aos alunos que nunca possuíram um computador a oportunidade de desenvolver suas atividades didáticas através de pesquisas na internet e muito mais, sendo esse um exemplo de recursos aplicados em material de valor didático muito significativo para a formação dos novos profissionais. Durante o horário noturno, é prestado aos pais dos alunos e demais pessoas da comunidade que não estão em idade escolar ou possuem atividades que impedem participar do curso de ensino médio, um curso de alfabetização de Jovens e Adultos visando valorizar ainda mais a educação e o conhecimento. Há também na escola uma horta onde é cultivada a maior parte das verduras e legumes utilizados na merenda dos três horários de funcionamento. A horta é cultivada por colaboradores da escola, professores, diretores e outros auxiliares, reforçando assim o compromisso com a escola e seu perfeito funcionamento. O Projeto Multivisual Pontão da Caatinga foi desenvolvido por pessoas da


comunidade através de uma parceria entre a escola e as ONG’s Paraiwa e Ponto de Cultura, que trabalham diretamente no incentivo e na produção de material audiovisual, tais como, filmes de Longa e Curta metragem, que trouxeram cursos de produção de filmes aos alunos e colaboradores da escola. No final dos cursos, os grupos formados pelos participantes, alunos, professores e outros colaborares, apresentaram produções cinematográficas que valorizam a cultura e os costumes da nossa região, como danças, músicas, celebrações religiosas, bem como a vegetação e outras riquezas da caatinga. Os filmes são apresentados em uma programação especial a toda comunidade e em praça pública com um cinema montado pelas ONG’s envolvidas, mostrando assim o resultado do esforço de todos os que participaram das produções e ainda incentivando a atividade de produção audiovisual no município de Bananeiras, que é um município onde a atividade está em ascensão, bem como as atividades afins voltadas para o turismo, marketing e outras atividades que necessitam de comunicação audiovisual em sua essência. Projetos como este causam o envolvimento de todos, bem como o maior comprometimento dos os alunos que estavam dedicados a produzir filmes de qualidade, contando também com a participação de pessoas da comunidade que forneceram o conhecimento necessário para o desenvolvimento dos filmes e documentários. Os recursos financeiros utilizados no projeto foram fornecidos pelo Governo, mas geridos de forma autônoma pela administração da escola, que os aplicou em atividades e materiais de valor pedagógico muito significativo para os alunos e demais pessoas que participaram de projetos como esse, cabendo ao Governo fiscalizar a devida aplicação dos recursos para garantir o bom uso e que não haja desvios em sua aplicação. Entretanto, para que esse tipo de projeto seja desenvolvido na escola, há a necessidade de que o gestor escolar esteja sempre se atualizando e buscando junto aos órgãos competentes os recursos financeiros e materiais suficientes para que o projeto possa ser abrangido para todos da escola e traga benefícios para toda a comunidade. Observamos, no entanto, a carência de professores formados e com habilitação para as matérias as quais lecionam na escola. Trata-se de um problema muito comum no estado em que essa está localizada, fator evidenciado pela não realização de concursos públicos fazendo com que cada vez mais sejam empregados professores não-efetivos, o que resulta em uma deficiência no relacionamento entre o professor e a escola e entre os alunos e os professores. Esse fato é prejudicial também ao processo de ensino-aprendizagem, pois há ainda a atuação de profissionais de outras áreas, alguns formados, sem habilitação para a licenciatura, que lecionam matérias essenciais como matemática, português, ciências e outros estudos das áreas humanas. A mesma carência ocorre para matérias como Práticas Pedagógicas, Metodologia Científica e outras específicas à formação de professores, uma vez que tais cursos deveriam ser ministrados por pessoas que além da habilitação de licenciatura deveriam possuir a especialização nas respectivas áreas de ensino, trazendo assim conteúdos e projetos


efetivamente significativos para a aprendizagem dos alunos. 5 - Considerações Finais A escola não deve somente dar importância de passar o conhecimento para os alunos, como se todos estivessem estudando apenas para prestar o vestibular, onde apenas a minoria possui este ato em seus planos prioritários, e ainda uma parte muito menor são os que vão efetivamente entrar para a universidade. Uma vez que a educação é influenciada pela cultura, religião, condição financeira e outros fatores inerentes à sociedade, sendo bastante evidente a globalização das práticas econômicas em um mundo praticamente Capitalista, onde as indústrias sugerem um padrão comportamental, como a moda ou a “etiqueta”, ou o uso de algumas tecnologias como o celular e a Internet. A criação e revisão do Projeto Político-Pedagógico devem ser feito com a participação de todos os colaboradores da escola, para que seja sempre um mecanismo de apoio que rege os meios e as metas a serem atingidas, bem como o ritmo de ação e a natureza dos resultados a serem observados e ainda conciliando com a Gestão Pedagógica, a Gestão de Pessoas e a Gestão Financeira da escola focando sempre a formação e aprendizagem dos alunos. Uma gestão escolar focada no desenvolvimento das pessoas e no aprendizado dos alunos consiste numa mudança significativa de atitude por parte dos gestores escolares, que são os responsáveis pela liderança, organização, monitoramento e avaliação de tudo o que acontece na escola, devendo sempre estar atento para o próprio desenvolvimento para cada vez mais sistematizar os conhecimentos específicos ao seu trabalho, não se limitando a manter a própria autoridade para garantir os recursos necessários para um bom funcionamento da unidade escolar estando distante da escola como um todo. Bibliografia AUSUBEL, D. P. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982. CANDAU, Vera Maria, et al. – Sociedade, educação e cultura: questões propostas – Petrópolis, RJ: Vozes, 2002 Em Aberto/ Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais-. V. 17, n. 72, (Junho 2000). – Brasília: O Instituto, 2000. ENGUITA, Mariano Fernandez – Educação e Transformação Social – 2007. Mangualde: Edições Pedago. FREIRE, Paulo – Educação e Mudança – Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra, 1979. 15ª edição GOIS, Antônio. “Político escolhe 60% dos diretores de escola”. Folha de São Paulo, Caderno:


Folha Cotidiano. 18 de setembro de 2005. MOTTA, Fernando Claudio Prestes, Burocracia e autogestão – A Proposta de Proudhon. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1981. BORGES, Oto. Formação inicial de professores de Física: Formar mais! Formar melhor!. Revista Brasileira de Ensino de Física – Seção Especial: Encontro “Reflexões no Ensino de Física”, SBF/MEC (Brasília 2005). V. 28, n. 2, p 135 – 142 (2006) PCN+ - Ensino Médio – Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais – Física LÜCK, Heloisa – Concepções e processos democráticos de gestão educacional – Petrópolis, RJ: Vozes, 2006. Série: Cadernos de Gestão


Considerações da Educação na Sociedade do Conhecimento O papel da Escola e Gestão Escolar