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A outrora vida simples do capataz Blue Perez está fora de controle. Ele descobriu que tem três meios-irmãos, e eles não estão dispostos a aceitar a sua reivindicação no rancho. Além disso, a namorada de Blue pode tê-lo traído da pior maneira possível. E depois de uma noite afogando as mágoas no bar, há alguém que ele não consegue parar de pensar, uma mulher que diz esperar um filho dele. Após uma noite de paixão de tirar o fôlego nos braços do homem por quem ansiou durante toda sua vida, a garçonete Emily Shiver pensa em seu próximo passo. Com tudo o que está acontecendo na vida de Blue, ela não quer forçá-lo à paternidade. No entanto, apesar de aparentar ter um coração duro, Blue não pode virar as costas para ela, especialmente quando ela se torna o alvo da sombria obsessão de alguém…


Capítulo 01 Algumas pessoas poderiam chamar de tesão, mas se você perguntasse diretamente a Emily Shiver quais eram seus sentimentos em relação a Blue Perez, ela provavelmente diria que eram mais como uma... apreciação. Especialmente na maneira em que estava sentado naquela banqueta. Ela endireitou a flor escondida atrás da orelha e voltou para a cozinha do Bull’s Eye. Ela não chamava de tesão. Soava tão colegial – e foi quando viu Blue pela primeira vez. Claro que naquela época ele não era tudo isso para olhar. Alto, supermagro, tímido, grandes olhos azuis nervosos. Não que ela pudesse culpá-lo por estar nervoso. Ele havia acabado de chegar à cidade com a mãe dele, não conhecia ninguém – mudou-se para o Triple C para cuidar da casa e de Everett Cavanaugh. O velho homem estava sozinho. A esposa havia morrido, todos os seus três filhos foram embora. Para Blue, não poderia ter sido um lugar feliz para ir. Olhando de fora, tristeza e melancolia revestiam o rancho como um nevoeiro espesso e faminto. Mas, na verdade, o que se poderia esperar? De Everett ou daqueles meninos? Bem... especialmente os meninos. Perderam a menina deles. Cass. Da maneira mais dolorosa que se possa imaginar. Levada do banheiro do cinema quando estavam apenas a alguns passos de distância. Aquelas pobres crianças. Só queriam fazer o que todo irmão deseja fazer: assistir ao maldito filme. Não levar sua irritante irmã mais nova ao banheiro. Para eles, ela tinha idade suficiente para fazer isso sozinha – e pegar alguns Skittles e pipoca na volta. Mas não houve nenhum retorno. Ela desapareceu. Cristo, o terror que a família deve ter sentido. E o horror que se seguiu quando o corpo dela apareceu na campina atrás do Lago Tonka. O mundo como todos eles conheciam acabou. Emily se lembrava muito bem desses dias. Parecia que toda a cidade de Black River apenas observava, orava e esperava. Prendendo a respiração. Mas foi inútil. Uma dor sem igual que a todos consumia. Os Cavanaughs foram


irreversivelmente destruídos. A mãe deles enlouqueceu. Parecia que nunca mais alguma luz encontraria o seu caminho até eles. Então, vieram Elena Perez e seu filho, Blue. Se mudaram, limparam tudo de cima a baixo. Uma esperança de conforto e paz, e de que talvez as coisas voltassem a ter um sentido de normalidade. E tiveram. Por um tempo. Até Everett morrer... e a verdade de seu caso com Elena, muito antes dela se mudar para o Triple C, e a criança que criara viesse à luz. — Emily, querida. — Veio uma voz perto de seu ombro direito. — É a minha coca que você está maltratando aí. A cozinha do Bull’s Eye entrou em foco como se alguém mexesse na lente de um microscópio. Emily olhou para os suaves olhos escuros de Rae, a funcionária mais antiga do Eye, em seguida para as mãos que envolviam um grande copo vermelho cheio até a borda com líquido preto. Imediatamente, ela soltou o vidro e afastou-se da máquina de refrigerantes. — Desculpe, Rae. — Ela tropeçou. — Meu cérebro não está funcionando bem hoje à noite. — Pelo menos, é apenas uma noite. O meu não funciona a todo vapor há um bom tempo. — Com uma risada suave, a velha mulher colocou a coca borbulhando em sua bandeja. — Faltam cerca de quinze minutos para terminar seu turno, não é mesmo? Emily olhou para o relógio na parede. Nove e quinze. — Não será rápido o suficiente. Junto com meu cérebro apodrecido, meus pés estão acabados. — Dê-lhes alguns anos e uma camada de calos, querida, — disse Rae antes de se retirar e voltar para o refeitório. Alguns anos, pensou Emily. Ela esperava que fosse um, no máximo. Apenas o tempo suficiente para economizar para o pagamento daquele imóvel abandonado na Main e Kettler. Certo, não havia nada de errado em servir bebidas e boa comida, se isso fosse a escolha dela, mas tinha o sonho de abrir sua própria loja de flores, e procurava tornar isso uma realidade. Depois de encher um copo com Coca-Cola e colocá-la em sua bandeja ao lado dos dois uísques, ela também se dirigiu para o refeitório. Era uma noite lenta, e tinha apenas uma mesa ainda ocupada. Dois rapazes que ela adivinhou que fossem viajantes, porque nunca os viu em Black River antes, e a tendência era ver sempre as mesmas pessoas. Eles pediram comida e várias rodadas de


bebidas. Bastante normal. Mole-mole. Ela os serviria e sairia; para casa, e para a cama. E não – repetindo, não iria – olhar na direção do bar quando saísse. Como se a promessa silenciosa fosse realmente uma tentação para fazer exatamente isso, os olhos castanhos de Emily – que seu pai chamava de olhos de corça, ou olhos não-posso-dizer-não-à-minha-garotinha – se dirigiram para a esquerda. Sentado no bar, de costas para ela, Stetson enterrado na cabeça, era o próprio objeto de seu... que palavra ela recorrera à outra vez? Tesão? Não. Não tesão. Oh sim, apreciação. E caramba, ela poderia apreciá-lo esta noite. Seu corpo magro, firme e definido, exibia-se em nada de especial: roupa padrão de vaqueiro, calça jeans e uma camiseta preta. Mas seus olhos se moviam com cobiça sobre ele de qualquer maneira, do pescoço bronzeado e ombros largos, a cintura estreita, e... uma bunda vestida de jeans que fez seu coração disparar e certas partes não mencionáveis de seu corpo tremerem. Suspiro. Ela trabalhava no Bull’s Eye há um ano e meio já, e o homem tinha um irritante – e ela tinha bastante certeza – hábito de entrar casualmente quando ela estava trabalhando. Não que ele fosse de beber muito ou de socializar. Ele nunca se sentou no bar, como agora. Geralmente ficava em uma mesa almoçando ou jantando com Mackenzie Byrd. A dupla trabalhava no Triple C e pareciam ser amigos muito próximos. Ou eram. Emily não os viu juntos no Eye ultimamente. De fato, desde que Mac se casara com o filho mais velho dos Cavanaugh. Emily continuou a olhar para o que Deus e os pais dele lhe concederam. Que diabos o trouxe aqui esta noite? Tão tarde? E direto para o bar? Ele estava jogando um... — Maldição, menina! Emily virou no momento em que um de seus clientes se levantou de um salto, as mãos indo instantaneamente para sua virilha. Merda. Emily olhou primeiro para a bandeja e o copo agora vazio em seu lado, depois para o homem – e para os jeans que ostentavam um respingo ou dois de uísque. É isso que a apreciação faz, menina florista – deixa alguns clientes muito molhados e chateados. Para não mencionar o fator: sem gorjeta. Tão rápido quanto podia, ela colocou a bandeja sobre a mesa vazia atrás de si e pegou alguns guardanapos. — Sinto muito. — Ela estendeu os guardanapos


para ele. De jeito nenhum, ela se ofereceria para limpar a virilha dele. — Aqui. Por favor, pegue estes. A cabeça do homem se ergueu, veneno praticamente escorrendo daqueles claros olhos castanhos. — Que porra é você? — Ele grunhiu. — Cega? Ou apenas desajeitada? Perfeito. Sem perdão aqui. Ela ignorou o grunhido de humor do amigo barbudo do homem recostado na cadeira e braços cruzados sobre o peito. — Eu realmente sinto muito. Deixe-me trazer-lhe outro, por conta da casa. E um pouco de club soda. Para qualquer um em Black River, isto teria sido o suficiente. Inferno, uma bebida grátis provavelmente teria atraído um sorriso relutante de um dos moradores. Mas para esse forasteiro, sangue e humilhação eram tudo o que ele queria agora. — Para que você possa derramar em mim também? — Ele rosnou para ela, limpando sua virilha com o guardanapo de pano que estava perto de seu prato de nachos. — Passo. — Ele se virou para o amigo. — Eu deveria saber. Parando nestas cidades pequenas, tudo que você tem são estúpidas cadelas desajeitadas de peitos grandes. Uau. Ok. Calor se espalhou pelo pescoço e queixo de Emily, e ela sentiu seu lábio tremer contra seus dentes superiores. A verdade era que babacas iam e vinham. Era parte do trabalho. Talvez não tanto em Black River quanto nas cidades maiores, mas acontecia. Na maior parte das vezes, era sempre melhor afastar-se da mesa ou deixar Dean lidar com isso. Mas Emily nunca foi capaz de sofrer insultos ou óbvia misoginia. Droga, ela cresceu com dois irmãos e os educou cedo e muitas vezes. Na verdade, eles pararam de pensar que poderiam escapar com qualquer besteira machista aos cinco anos de idade. Ela olhou para os homens à sua frente. Supôs que Imbecil Um e Dois aqui teriam que aprender aquela dura realidade um pouco mais tarde do que a maioria. — Acho que não entendi tudo, senhor, — ela começou, seu tom de voz baixo e calmo quando fixou os olhos nos dele. — Do que você me chamou? O amigo barbudo deu um baixo assobio, seu sorriso largo de prazer, antes de Imbecil Um murmurar, — Sem olhos, mas com certeza tem ouvidos.


— Com certeza, eu tenho, — ela concordou. — E eles são quase tão grandes quanto meus peitos. Ambas as cabeças se ergueram. Ambos os pares de olhos se arregalaram. Afundando a flor atrás da orelha, ela continuou impávida. — Então, estou surpresa por não ouvir todas as coisas degradantes e insultantes que você acabou de me dizer. — Suas sobrancelhas levantaram. — Coisas das quais eu tenho certeza que suas mães, irmãs, filhas, namoradas e/ou esposas não estariam tão orgulhosas – estou certa? Ambos apenas olharam para ela. — Agora, — disse ela, acalmando-se apenas um pouco, dando-lhes espaço para repensar suas atitudes e pararem de falar besteira. Ela não queria problemas no Bull’s Eye hoje à noite, e inferno, seu turno estava quase no fim. Chegar em casa e colocar os pés para cima era uma prioridade. — Eu, com certeza, não queria molhá-lo com o uísque. Estou oferecendo trazer-lhe outro. Por minha conta. E terminamos por aqui. O que você diz? Por um breve e brilhante momento, Emily achou que os Imbecis tinham ouvido o que ela disse e agiriam como seres humanos civilizados sobre o assunto. Mas imbecis eram chamados imbecis e não de gênios por uma boa razão. Número Um abriu a boca grande e disparou. — Você é agressiva, querida. — Ele arrastou, deixando-se cair em sua cadeira e afastando bem as pernas de modo que a mancha uísque podia ser vista pelas poucas pessoas que ainda estavam no Bull’s Eye. — Mas um homem só gosta de mulheres agressivas no quarto. — É mesmo? — Ela devolveu. Oh, isso não ia acabar bem. Ele balançou a cabeça, todo lento e pensativo, os olhos assumindo um brilho de maldade. — Acho que alguém deve lhe ensinar boas maneiras. Ela revirou os olhos, justamente quando Imbecil Dois ofereceu, — Eu faço isso. — Tudo bem, — disse Emily com um suspiro, sua paciência por um fio. — Vou trazer a conta de vocês. Ou, melhor ainda, saiam agora e eu cuidarei disso. Imbecil Um riu. — Ela acha que pode nos dar ordens, Tim. — O homem riu e recostou-se ainda mais em sua cadeira. — Oh, querida, aqui vai uma dica. Peitos grandes e uma bela bunda apenas balançam um homem...


— Como estamos aqui? — Veio uma interrupção bem-vinda atrás de Emily. Era uma voz baixa, masculina, inflexível. Uma voz que dirigia o gado e os vaqueiros que os arrebanhavam. Onde, segundos antes, o fogo de uma raiva bem contida se alastrava pelo corpo de Emily, agora corria em seu sangue um tipo diferente de calor. O tipo que a envolvia em calor e curiosidade, e se virou instantaneamente em direção a ele, como uma de suas amadas flores para o sol. Blue Perez Cavanaugh estava de pé ao lado dela. Ele era uns bons trinta centímetros mais alto do que ela, forte e bonito, com olhos tão ferozes e tão penetrantes que quase a deixaram sem fôlego. — O que você quer, vaqueiro? — Imbecil Um perguntou em desafio, arruinando o momento de observação de Emily. Ela queria golpeá-lo com um objeto pesado. Um músculo cintilou na mandíbula de Blue, mas ele manteve a voz calma e fria, e os olhos sobre Emily. — Você está bem? — Tudo bem, — disse ela, com a voz um pouco ofegante. — É isso mesmo, — Imbecil Um entrou na conversa. — Ela pode cuidar de si mesma. Cai fora, vaqueiro. Emily virou para olhar para o homem. Ele estava arruinando o momento. Ela queria os olhos de Blue sobre ela novamente. Eram tão intensos. Esqueça apreciação. Tesão podia, na verdade, ser a palavra para o que a percorria agora. — Não estou falando com você. — Blue assegurou aos Gêmeos Imbecis com uma voz tão fria que um calafrio desceu por suas costas. — Você pensou que eu falava com você? Os lábios de Imbecil Um enrolaram e ele avançou. — Ok. — Emily interrompeu. A última coisa que ela queria fazer era ver uma luta acontecer. Ou, inferno, estar no meio de uma. A melhor coisa que podia fazer era pôr os imbecis para fora do Bull’s Eye, e Blue em sua banqueta. — Está tudo bem aqui. Apenas finalizando as coisas. — Ela se virou para Blue e deu-lhe um aceno encorajador. — Sério, nada que eu não tenha visto, tratado ou dispensado antes. — Ou ficado de joelhos, certo, querida? — Imbecil Um falou com um sorriso encantado, acotovelando seu amigo no lado. Merda.


— É assim que a cala, certo, Tim? — Disse Imbecil Dois. — Empurre algo em sua boca. Emily sentiu Blue enrijecer ao lado dela. — Pode apostar. — Tim respondeu grosseiramente. — Enquanto empurro algo nela... Não era de surpreender que isso foi o mais longe que Tim chegou. Blue estendeu a mão, agarrou o idiota pelo colarinho, arrastou-o até que ficasse de pé, e bateu com o punho no rosto presunçoso do homem. O cara saiu voando para trás e bateu numa cadeira vazia na mesa atrás dele. Em segundos, Imbecil Dois levantou e veio atrás de Blue. Mas o capataz estava mais do que pronto. Sem dúvida, ele derrubara vacas de tamanho cinco vezes maior do que o homem antes. Enquanto Rae e Dean se apressavam para um Tim desamparado e chorão, Blue tinha Imbecil Dois em um mata leão e o arrastava por todo o Bull’s Eye em direção à porta da frente. Emily se virou para olhar o homem no chão. Tim. Pobre, estúpido Tim. Ela suspirou. Ele poderia apenas ter aceitado a bebida. Babaca. De repente, ele também estava sendo rebocado para ficar de pé e levando uma boa sacudida. Blue retornara. Ira controlada chiava em torno dele. Como se o homem pesasse quase nada, Blue o arrastou para perto de Emily. — O que você disse? — Ladrou Blue, dando ao Imbecil outra sacudida de quebrar a mandíbula. — O que você disse a ela? O homem piscou várias vezes seguidas, sem dúvida tentando clarear a visão. Em seguida, ele fixou os olhos em Emily. — Desculpa. Blue sacudiu-o novamente. — Mais uma vez. Mas seja sincero desta vez. — Sinto muito, — disse ele com os dentes cerrados. — Senhorita. — Sim, tudo bem, — ela respondeu. — Mas, sabe, não volte nunca mais. Blue grosseiramente entregou o homem a Dean, que disse algumas palavras bem escolhidas antes de escoltar o Imbecil até o seu amigo à espera e possivelmente inconsciente. Emily olhou para Rae, que apenas deu de ombros e virou para limpar uma mesa. Não era como se não tivesse visto este tipo de coisa antes. Rae, provavelmente, mais do que algumas vezes em seus anos. Emily voltou para Blue. Foi então que percebeu que ele sangrava. Um pequeno corte no lábio, e o queixo estava machucado. Devia ter acontecido lá fora com o Imbecil Dois. Droga... A última coisa que ela queria era que alguém se machucasse por


causa dela. Especialmente alguém com um rosto tão bonito. Aquele queixo duro, sexy... Desta vez, quando ela revirou os olhos foi internamente e para si mesma. Ela pegou um guardanapo na mesa atrás dela. — Seu lábio... deixe-me limpá-lo para você. — Não, não é nada. — Você está sangrando, — disse ela. Ele bateu em seu lábio e limpou o sangue com as costas da mão. — Pronto, já saiu. — Bem, isso não foi muito higiênico, — disse ela. Seus olhos, aqueles incríveis olhos azuis, brilharam com humor momentâneo. Então, ele tocou a aba do chapéu e se virou para retornar ao bar. — Senhorita. Emily ficou olhando para ele, confusa. O que foi aquilo? Salvava o dia e ia embora? — Ei, espere um segundo. — Ela disse. — Eu não agradeci. — Não há necessidade, — ele respondeu, deslizando para a mesma banqueta que havia ocupado anteriormente. Bem, isso não foi muito amistoso, ela meditou. Ela o seguiu. — Talvez não, — disse ela, parando ao lado dele. — Mas eu o farei de qualquer maneira. Ele se virou para olhar para ela, mas não disse nada. Nossa, como ele era bonito. Ela inclinou a cabeça formalmente. — Obrigada. Aqueles olhos incríveis se moveram sobre seu rosto naquele momento. Tão sondadores, tão pensativos. Fizeram seus dedos dos pés enrolarem dentro dos sapatos. — Algo me diz que poderia ter lidado com esses homens sozinha. — Como você sabe? — Ela perguntou. Ele passou a mão sobre seu maxilar, o qual escurecia a cada minuto. — Apenas um palpite. Seu olhar dirigiu-se à contusão, à sua boca, e ela franziu a testa. — Você está com dor? — Constantemente, — disse ele, e se virou para a bebida. A resposta estranha, quase taciturna, a fez parar. Mas antes que pudesse perguntar qualquer coisa, Dean deslizou atrás do bar e perguntou, — Você quer


algo, Em? Depois de ter que lidar com esses idiotas eu diria que você terminou por esta noite. Mas, primeiro, uma bebida. — E é por minha conta. — Blue disse, então engoliu sua tequila. Dean deu ao vaqueiro um largo sorriso. — Depois do que você fez por nossa menina aqui, quem paga sou eu. — Bem, obrigado pela gentileza. — Blue ergueu a taça vazia. — Outro, por favor. E o que você gostaria...? — Ele se virou para Emily e arqueou uma sobrancelha para ela. — Em, né? O suave rosnado masculino em sua voz esquentou suas entranhas. — Emily, — ela disse a ele. — Emily Shiver. — Certo. — Ele inclinou a cabeça para um lado e a estudou. — A menina com as flores no cabelo, — disse ele, pegando com o olhar o amarelo atrás da orelha dela. Emily sorriu. Não podia evitar. Gostava que ele tivesse notado. — Começou quando eu era pequena, — ela disse a ele. — Roubava flores do jardim da minha avó toda vez que estava lá. Eu as colocava em todos os lugares. No meu quarto, nas mesas aqui, no meu cabelo. — Ela encolheu os ombros. — Tornou-se uma espécie de obsessão. O olhar dele novamente brilhou para a flor em seu cabelo, e retornou ao seu rosto. — Bonita. Calor instantaneamente se espalhou pelas entranhas de Emily. Certo, muitos homens entravam no Bull’s Eye e olhavam para ela com olhos cheios de fome – por alimentos ou por ela. Inferno, às vezes ambos. Mas nunca ninguém olhou para ela como Blue olhava agora. Curioso, frustrado, interessado... — Bebida, Em? Engolindo em seco, ela se virou para ver um expectante e ligeiramente curioso Dean. — Apenas uma Coca para mim, chefe. Obrigada. Blue gemeu quando Dean encheu um copo com gelo. — O que há de errado? — Emily perguntou, perguntando-se se seu maxilar estava doendo. Mas o homem apenas riu suavemente. — Ah, vamos. Tome algo um pouco mais forte do que isso. Você me deixará mal. Ou pior. — Em voz baixa, acrescentou, — Se isso for mesmo possível esta noite.


A curiosidade fez com que ela se retorcesse por dentro ao ouvir aquelas palavras. A maneira como ele olhava para ela, falava, agia... claramente ele estava remoendo alguns sentimentos fortes esta noite. Era sobre a luta com os imbecis? Ou algo que aconteceu antes dela? Ela mordeu o lábio. Deveria perguntar? Ou esperar que ele lhe contasse? Mas por que ele diria a ela? Eles mal se conheciam. Talvez devesse simplesmente ignorar... Dean colocou a Coca-Cola diante dela e derramou mais uma rodada de tequila para Blue, o qual o vaqueiro drenou em cerca de cinco segundos; em seguida, ele bateu no balcão para indicar que queria outro. Oh sim. Definitivamente lidando com algo. Ela trabalhava no Bull’s Eye há tempo suficiente para saber que beber como ele bebia não tinha nada a ver com relaxar após um longo dia. Sentimentos sombrios corriam no sangue de Blue Perez. E talvez alguns demônios junto com eles. — Está tudo bem hoje à noite, vaqueiro? — Ela perguntou. — Sim. — Ele se virou para olhar para ela novamente, seu olhar não tão afiado ou comprometido agora. O licor começava a fazer efeito. — Eu me lembro de você. Flores, e uma tonelada de cachos loiros avermelhados. A respiração de Emily ficou presa em seus pulmões. Que coisa estranha e muito sugestiva para dizer. Não que ela se importasse. Apenas desejava que ele tivesse dito isso antes da dose dupla. E a forma que ele olhava para ela... como se tentasse memorizar suas características ou algo assim. Então, de repente, ele estendeu a mão e tocou o cabelo dela, apanhando entre os dedos um desses cachos em um rabo de cavalo. Um poderoso arrepio quente correu por sua espinha. — Aqui está. — Dean interrompeu, enchendo o copo de Blue mais uma vez. — Obrigado, — disse Blue, embora seus olhos ainda estivessem sobre Emily. Mesmo quando seus dedos se enroscaram em torno do copo, seus olhos continuaram fixos nos dela. — Certeza que você não quer algo mais forte, Em? — Perguntou. As sobrancelhas de Emily subiram, e sua barriga tencionou com a percepção. — Acho que você está indo bem por nós dois, — disse ela, pegando a Coca-Cola e tomando um gole. Sua boca estava incrivelmente seca. — E suponho que você voltará andando para casa.


Ele bebeu o conteúdo do copo e riu. — Não se preocupe, querida. Eu tenho a minha caminhonete. Oh caramba. Não se preocupar? Ela balançou a cabeça. As pessoas podiam ser tão estúpidas às vezes. Tão imprudentes. Mesmo vaqueiros lindos com olhos da cor de um céu do Texas sem nuvens – e um par de lábios que clamavam pelos dela. Como a garota intrometida que era, ela estendeu a mão e pegou as chaves do balcão. Os olhos de Blue voltaram-se bruscamente para ela, e sob o calor daquele olhar elétrico, Emily tentou não derreter. Bem, pelo menos externamente. Sim, você está gostoso, sexy e irritado comigo agora. Mas não deixarei você fazer papel de idiota. Ela levantou as chaves. — Sem pressa, vaqueiro. Eu tenho a minha CocaCola aqui, e nenhum lugar para ir. Vou te levar para casa quando você achar que se afogou o suficiente. Blue não gostou nem um pouco. Ele soltou um suspiro e disparou, — Não é necessário. — Eu digo que é, — ela voltou. — Você não quer fazer isso, querida. Não sou a pessoa apropriada para se estar perto esta noite. — Talvez não. Mas não adianta discutir o assunto. Eu sempre ganho as discussões. Certo, Dean? O barman riu. — Nem tento mais. — Se você realmente insistir nisso, eu posso ligar para alguém... — Blue começou, então parou. Seus olhos se aproximaram e encontraram os dela, e era impossível deixar de perceber a profunda dor que havia neles. Isto não era sobre os imbecis ou um dia ruim. Era profundo e duradouro. Emily sabia alguma coisa do que aconteceu com ele nos últimos dois meses. Descobriu – juntamente com a cidade inteira – que o pai dele era Everett Cavanaugh. Que tinha direito a parte do Triple C. Juntamente com seus três novos irmãos. Mas, claramente, havia mais pesando sobre ele. Muito mais, ela se arriscava a adivinhar. Ela colocou as chaves no bolso dos jeans e acomodou-se em frente à sua Coca-Cola. Não era assim que queria que a noite terminasse. Tomando conta de um sexy vaqueiro bêbado. Ela teve visões de uma banheira, um grande livro, e


algum macarrão com manteiga depois. Mas hoje à noite esse homem oferecera a proteção dele, e ela não podia deixar de fazer o mesmo. *** Ela tinha gosto de céu, sua boca tão quente e faminta que ele poderia facilmente confundir luxúria com amor. Sua mente estava nublada, inutilizável. Mas os seus membros, seus músculos, sua língua, seu pau, e sua vontade estavam vivas com as sensações. Ela estava sentada em cima dele. Cachos loiro-avermelhados caindo sobre os ombros, as pontas lambendo seus mamilos. Sua boca encheu de água. Isso era o que ele queria fazer. Lamber essas framboesas escuras. Puxando. Mordendo. Se ele apenas soubesse onde estava. O que ele era... Não. Ele não queria nada disso. Este era o seu céu. No mundo real, na vida real, ele não conseguiria ir para o céu. Ela era isso. O anjo. Seu anjo. Ela cheirava a flores. Onde estava essa flor? Amarela. Perfumada. Ele gemeu quando dedos quentes e macios deslizaram para cima e para baixo em seu pau. — Eu preciso de você. Estar dentro de você. Posso, querida? Houve um momento de hesitação, como se ela estivesse pensando. Não pense. Não pense. É ruim. Doloroso. Problemático. — Blue... — ela sussurrou, sua voz urgente. Ele era Blue? Blue Perez? Blue Cavanaugh? A tequila não falava. Apertando a pequena cintura delicada em suas mãos, ele levantou-a e colocou-a sobre seu sexo. Uma clara onda de calor brilhante e de cura se avolumou nele. Sim. Isto.


Ela. — Espere, — ela soltou. Ofegante. — Nós precisamos... Mas sua boca estava sobre a dela e seus dedos brincavam com seu sexo quente e escorregadio. E tudo o que restou foram os sons de êxtase e seu pau trabalhando dentro dela. Era o único som que importava. Só a música que esses sons fazem devia encher seus ouvidos. — Oh, Blue... Deus, sim. — Eu preciso desligar, anjo. — Ele murmurou. — Eles, todos eles. E ela. A dor. Por favor. E então ele estava caindo. Não. Não. Não terminara. Não acabara. Calor e sensação de aperto, e uma onda de umidade apertou em torno de seu pau. Odiava isto. Ele queria mais. Dela. Só ela. Ela se encaixava nele. Idiota. Tolo. Ninguém se encaixa. Só machuca. Ele gozou com um rosnado de loucura, bombeando loucamente nela – suas mãos segurando os seios dela, seus ouvidos cheios com os gemidos dela. Ele devia... devia soltá-la. Agora. Mas não podia. Não até que ela corresse. Ou mentisse. Ou enganasse. Isso seria muito em breve. Esta mulher era do inferno. Tinha que ser. E ainda assim, ela parecia o céu. Ainda dentro dela, ele a abraçou. Ela era um anjo. Triste e viciante. Seu anjo. A escuridão se espalhou por sua mente preocupada, e nos segundos confusos antes que o sono o levasse, ele a sentiu separar-se de suas mãos, ouviua vestir as roupas dela e sussurrar um dolorido, — Oh Deus, — enquanto saía correndo do quarto da pequena cabana próxima ao rio do Triple C.


Capítulo 02 Três semanas mais tarde — Ainda é pequeno, — disse Aubrey naquela voz de desaprovação que ela usava cada vez que olhava para a pequena vitrine da loja na Main Street. A corretora de imóveis queria algo grande. Era o Texas, afinal de contas. — Acho que é perfeito, — Emily disse a ela, suspirando com satisfação. Realmente era perfeito. Apenas o que ela precisava e queria para ter seu negócio instalado e funcionando. Tinha até um pequeno apartamento acima dele se sua mãe algum dia a deixasse sair de casa. O pensamento fez com que sorrisse. Era muito difícil para Mama Shiver abrir mão de seus bebês. Aubrey cruzou os braços sobre o peito, ostentando parte de seu colo em seu terno rosa claro de bom gosto. — Está claro que eu nunca farei com que desista desta casa de rato, então, quer fazer uma oferta? Oh, inferno, sim, ela queria. Mais do que tudo. O problema era, ela tinha quase cinco mil a menos do que precisava. — Você acha que a Sra. Tambrick mudaria de ideia sobre o contrato de arrendamento? Os lábios cor de rosa brilhante de Aubrey apertaram-se e ela balançou a cabeça. — Ela quer vender e ir embora, querida. Seu filho vive em Key West agora. Ela não quer nenhum vínculo, entende? Apesar dos sentimentos de decepção que correram através dela, Emily assentiu. Inferno, se alguém entendia os estreitos vínculos de família, era ela. Não podia imaginar não viver na mesma cidade que seus irmãos e pais. Ela apenas continuaria trabalhando em direção a seu objetivo e esperando que ninguém arrebatasse a propriedade nesse meio tempo. — Você não o mostrará a ninguém, certo? — Perguntou com aquele olhar entusiasmado de escoteira. Era a mesma expressão que usava cada vez que Aubrey lhe mostrava a lojinha no número 16½ da Main Street. E cada vez, a agente apenas ria para ela como se a pergunta fosse a coisa mais ridícula que já


ouvira. Como, vamos lá, querida. Quem iria querer esse pequeno armário posando como uma loja? Mas, estranhamente, Aubrey não estava rindo hoje. Na verdade, ela parecia um pouco envergonhada. — O quê? — Perguntou Emily. — Parece que as casas de rato estão crescendo em popularidade, — explicou. — Porque há outra pessoa interessada. Emily sentiu o sangue drenar de seu rosto. — Não. — Querida, estou tão surpresa quanto você. — Quando você mostrou para esta... esta... pessoa? — Emily pressionou quando George Goss cantando, Ain’t No Honky Tonks in Jail, irrompeu da muito sofisticada bolsa branco-neve de Aubrey. A mulher pegou seu celular, e depois de uma rápida olhada em quem ligava, jogou-o na bolsa. — Há cerca de uma semana ou mais. A raiva percorreu Emily como um feroz vento de novembro nas terras da pradaria do Texas. Segurando a vontade de rosnar, E você não me disse?!, ela perguntou, — Quem é, Aubrey? — Você sabe que não posso te dizer isso, querida. Emily bufou e olhou ao redor do pequeno e charmoso espaço que, em sua mente, já se tornara o lar da primeira floricultura de Black River, Petal Pushers. — Bem, você poderia. — Ela pressionou a corretora de imóveis. — Talvez uma pequena dica? Cor de cabelo? Casado? — Não. Não vou ceder. Eu fiz um voto, você sabe. — A mulher riu e pendurou a bolsa no ombro. — Entendo a sua raiva e frustração, querida. Mas você tem opções aqui. Se é dinheiro que precisa, eu posso dizer novamente? Sugerir isso... mais uma vez? Emily sabia bem onde aquilo ia dar, e decidiu cortar a conversa. — Não vou tirar dinheiro dos meus pais. — É realmente tirar deles, Emily? — Aubrey argumentou. — Quer dizer, eu falo de um empréstimo. Conheço os seus pais desde que eu era adolescente. Não sei de duas pessoas mais solidárias e apoiadoras em todo o mundo. Eles fariam isso por você num piscar de olhos. — Claro que fariam. — Emily concordou. — Inferno, eles me comprariam o lugar se eu pedisse. — Ela suspirou. — Mas não vou pedir.


Emily tinha a família mais maravilhosa do mundo. Eram todos muito próximos. Honestos uns com os outros. Cuidavam uns dos outros. Faziam o seu melhor para não julgar quando um ou mais deles faziam asneira. Porém, por mais que Ben e Susie Shiver desejassem mais do que qualquer coisa ajudar seus filhos, eles também os criaram para serem independentes. Sonhar alto e trabalhar duro para alcançá-lo. Não era o trabalho de outra pessoa, era? Eles não lhe deviam nenhum favor. Não. Ela conseguiria está loja. Só teria que trabalhar um pouco mais, por mais tempo, talvez pegar alguns turnos extras no Bull’s Eye. Era como a sua avó Gypsy costumava dizer: Sonhos não são como leite, querida. Eles não vêm com data de validade. Claro, pensou maliciosamente, naquele meio tempo, não havia nada de errado em pesquisar um pouco. Se Aubrey não lhe contaria quem estava interessado nessa casa de rato, então talvez ela apenas tivesse que descobrir por conta própria. E se fosse alguém que ela conhecia... quem sabe pudessem ter uma pequena conversa. O plano a reanimou instantaneamente, e Emily endireitou os ombros e se dirigiu para a porta da frente. — Obrigada, Aubrey. Vou mantê-la atualizada, e espero que você possa fazer o mesmo comigo. — Claro que sim, — a mulher concordou, seguindo-a para a calçada. — Desculpe por ser a portadora de más notícias. — Não é ruim ainda. — Emily deu à mulher um rápido aceno antes que ela pudesse perguntar o que aquilo significava, e apressou-se a descer a rua. Seu turno começava em quinze minutos, e atrasar-se não seria bom para ela. Não agora. Não quando ia pedir para ter mais turnos. Ela estava um pouco sem fôlego quando atravessou a porta da frente do Bull’s Eye e passou pelo gerente, Dean, atrás do bar. Dean era um cara tão bom. Talvez cinco anos mais velho que ela. Ele tinha uma esposa e bebê de três meses de idade e planejava comprar uma boa casa para a família fora da cidade. Parecia que todos no Bull’s Eye trabalhavam para conseguir algo. Ou para alguma coisa. Tirando seu uniforme do armário, ela correu para o banheiro e trancou a porta. O bar não estava extraordinariamente ocupado no momento, mas ela correu assim mesmo. Depois de vestida, abriu a bolsa e procurou sua escova de cabelo e bolsa de maquiagem. Ela não se arrumava de maneira especial para o trabalho, mas


gostava de se apresentar bem arrumada. Talvez roubasse uma das rosas da mesa para pôr no cabelo, já que havia se esquecido de plantar uma em seu cabelo esta manhã. Mas no segundo em que seus dedos envolveram uma caixa na parte inferior de sua bolsa, todos os pensamentos sobre a casa de rato e flores voaram pela janela. Com um aperto nas entranhas, puxou-a para fora e empalideceu quando viu as letras EPT {1} ao lado, e a colocou atrás do vaso sanitário. Ela colocara a coisa em sua bolsa não naquela manhã, mas há três dias. Quando a sua menstruação estava oficialmente com dois dias de atraso. Pôs as mãos em cada lado da pia e respirou profundamente pelo nariz. Ela nunca, nunca atrasava. Vinte e oito dias como um relógio. Então, este mês – nada. Senhor! Ela entrou em pânico, e dirigiu até Brunsville para que ninguém a visse no mercado de Black River ou na farmácia. Seu estômago apertou dolorosamente e sua boca estava muito seca. Ela esperava estar apenas atrasada. Mas a cada dia que passava sem tia Flo{2} vir para a cidade enviava uma nova onda de terror a seu coração. Estúpida. Estúpida, estúpida, estúpida. Como pôde deixar isso acontecer? Não. Como pôde deixar acontecer sem camisinha? Com o coração batendo ferozmente contra suas costelas, Emily se virou e olhou para a caixa. Precisava se vestir e estar no salão em dez minutos. O que você precisa fazer é isso. Basta fazer e pronto. As probabilidades são de que não é nada, apenas o estresse. Cinco. Dias. Atrasada. Estúpida. Talvez devesse fazer isso mais tarde. Como hoje à noite. Em casa. Inferno, talvez devesse colocá-lo na bolsa e convenientemente esquecê-lo novamente. Como você se esqueceu daquela noite? E ele? Os olhos dele? Suas mãos em sua pele? A maneira como ele se moveu para dentro de você como se não pudesse chegar perto o suficiente? A maneira como você entra no trabalho todos os dias na esperança de que ele estará aqui? Sentado a uma mesa? No bar? Esperando que ele não estivesse tão bêbado quanto você achava que estava? Esperando que ele não pudesse tirá-la de sua mente também?


Com um xingamento, ela se afastou da pia e passou a mão pelo rosto. Foi um erro, Emily. Uma noite estúpida. Onde ele mencionou querer esquecer sua exnamorada enquanto estava dentro de você. — Oh Deus, — ela gemeu. Por favor, permita que isso não esteja acontecendo. Uma batida na porta do banheiro a sacudiu. — Ei? Você está bem aí dentro, Em? — Rae chamou. Não. — Sim, eu estou bem, — ela respondeu rapidamente. — Apenas tomando o meu tempo. E eu... — O quê? O que você tem? Um teste de gravidez? — Eu tenho um furo na minha meia-calça. — Ela revirou os olhos. — Bem, eu tenho um par extra se precisar. — Não. Obrigada. Eu tenho um também. — Tudo bem então. Vejo você lá fora. — Sim. Até logo. Emily esperou até ouvir o som dos passos da garçonete se afastando, em seguida virou-se para a caixa na parte de trás do vaso sanitário. Oh, Deus. Ah Merda! Era agora ou... mais tarde. E ela não poderia fazer isso em casa. Não com sua família ao redor. Ela pegou a caixa e com dedos trêmulos abriu-o e tirou um dos testes. O vaso sanitário estava frio contra o seu traseiro, mas ela seguiu as instruções e colocou a faixa branca de plástico no balcão da pia quando terminou. Enquanto esperava, ela se olhou no espelho e percebeu que havia acabado com a auto recriminação. Ela não era uma daquelas garotas que acreditavam que uma noite de sexo incrível, alucinante, ainda-podia-sentir-seus-lábios-e-mãos-nela não poderia terminar em uma barriga cheia. Oh, ela sabia. Sabia, e ainda assim deixou isso acontecer. Não. Ela se alegrava com isso. Porque o homem a fez sentir coisas que ela nem sabia existir. Foi como um maldito despertar. Sexy Blue. Bêbado Blue. Blue que não a procurou desde então. Não ligou ou entrou no Bull’s Eye. Que provavelmente nem sequer se lembrava de nada além de jogar aqueles idiotas para fora do bar.


Ou se lembrava de tudo, mas desejava não lembrar. Lentamente, ela deixou seu olhar cair. Por favor. Por favor, não seja... — Oh maldito, — ela soltou uma expiração, olhando para o resultado. Deus no céu, como ela deixou isso acontecer? Estúpida. E grávida. Do bebê de Blue Perez Cavanaugh. *** Cortando seu cavalo para a esquerda, depois à direita, e gritando, Blue veio ao redor das doze ou mais retardatárias, levando-as em direção ao pasto verde. Fêmeas teimosas. Tem todo o rebanho do outro lado devorando a grama verde, e olhe para vocês. Em resposta, o gado se movia como malditos caracóis em direção a seu destino final. Queriam chateá-lo. Apreciavam sua frustração – sua falta de controle. Como a maioria das mulheres que ele conhecia. Bem, talvez não a maioria. Havia aquela... Mas ele não pensava nela. Ela não era real. Ele havia decidido. Ela era um sonho. Um sonho que deixou seu traseiro bêbado e triste no meio da noite. — Oh não, você não vai. — Blue murmurou, e deu um sonoro Yip, chegando por trás de uma das vacas. Seu cavalo, Barbarella, tinha uma convivência fácil com as meninas, a menos que sentisse que elas não se comportavam bem. Então ela só precisava soltar seu bafo em seus pescoços para colocá-las em movimento. De repente, uma vaca se assustou e saiu em direção ao resto do grupo. Mas não foi Barbarella quem a fez se mover. Uma vaqueira chegava – levantando poeira, correndo em direção a eles sobre uma Paint{3} marrom e branca. Atrás de Blue, as vacas se espalharam em antecipação, como cães na hora do banho. — Hey. — Mac chamou, chegando, circulando-o. — Onde está o fogo, vaqueiro? A égua que a capataz do Triple C, Mackenzie Byrd treinava, parecia tão satisfeita como um porco na merda por estar fora de casa. Ela olhou Barbarella, e esta deu à nova garota um relincho amigável.


— Eu deveria perguntar a mesma coisa, — ele respondeu, seu tom frio. Algo que seu capataz, e a mulher que costumava ser sua amiga mais próxima, estava acostumada agora. — Correndo assim. Estou tentando levar o resto destas vacas para o pasto oeste. — Dá para ver, — ela disse, dando uma rápida olhada ao redor. — O que não entendo é por que você não esperou pelos outros. Isto é trabalho para no mínimo duas pessoas. — Eu consegui muito bem. Ela inclinou seu chapéu para trás a fim de que ele pudesse ver seu rosto. Confusão, frustração, preocupação... estavam todos lá. Como de costume. — Claro, mas não é como fazemos as coisas aqui, e você sabe disso. Ele deu de ombros. — Talvez as coisas precisem mudar. — Talvez. — Ela concordou. — Mas não hoje. — Entendido, — ele disse firmemente, e acrescentou, — Capataz. Ela soltou um suspiro. — Vamos, Blue. — Ela olhou para ele, o intenso céu azul do Texas se estendendo atrás dela. Ele circulou Rella. — Vamos o quê, capataz? — Não me chame assim. Não dessa forma. — É o que você é. Minha chefa. — Ele colocou o chapéu na cabeça. — Até que talvez você não seja. A mandíbula dela se apertou. — Talvez até que você vá para casa, para o seu próprio rancho. — Você está sendo um idiota. — Ela grunhiu. Ele não podia discutir com isso. Inferno, ele não queria discutir com isso. Só queria continuar com seu trabalho. — Se não há mais nada, eu tenho uma dúzia de cabeças... — Quanto tempo isso vai continuar? — Ela interrompeu. Sua Paint começava a ficar impaciente. — Sério. — Segundos, se você quiser. — Oh, eu gostaria, — ela respondeu. — Bem, eu posso fazer essa sua égua nervosa decolar com um clique da minha língua. Seus olhos azuis brilharam. — Eu quis dizer quanto tempo até você parar de agir como se me odiasse, ou não me conhecesse, ou como se não tivéssemos


sido melhores amigos por uma maldita década. — Ela se endireitou na sela, a mão sobre o arção{4}. Ela respirou fundo e soltou pensativamente. — Estou preocupada com você. Um mês atrás, as palavras dela teriam penetrado sua armadura. Teriam o cortado, fariam com que se lembrasse de seu relacionamento e confiasse seus problemas a ela. Mas sua pele endureceu como a de um tatu nas últimas semanas; suas palavras apenas quicaram. Além disso, não havia mais nenhum calor, nenhuma paixão dentro dele para alcançar, de qualquer maneira. Ele estava completamente frio. A morte de Everett começou isso – trazendo a fria chuva dentro dele. Em seguida, descobrir que sua mãe mentiu para ele a vida inteira sobre quem era seu pai. Isso transformou a chuva em neve. E há apenas três semanas, aquela neve se transformou em granizo quando a mulher que conheceu on-line, a sua cowgirl, por quem se apaixonou e se permitiu confiar, acabou por não ser outra senão a maldita Natalie Palmer. Filha do homem que tentou matar Sheridan O'Neil, uma mentirosa deslavada, e uma mulher que tivera o diário de Cass, meia-irmã de Blue, em sua posse durante anos. Esse granizo se transformou em uma parede sólida de gelo quando o xerife de Black River alegou não ter provas suficientes para prender a mulher. Tudo o que Blue uma vez quisera – e pelo que estivera disposto a lutar – a felicidade, a paz, o Triple C, amor, família... não possuía mais qualquer tipo de valor para ele. Ele só queria ficar na dele, fazer seu trabalho, esquecer... — Você não vai dizer nada? — Mac pressionou. Blue virou para olhar para as vacas. Cinco das doze olhavam para ele. Seu movimento, pareciam dizer. Não tenho nenhum movimento, Blue respondeu. Não mais. — Nada para se preocupar aqui, capataz, — disse ele em uma expiração. Mac amaldiçoou sob sua respiração. — Mentira. — Ela o encarou. — Eu me preocupo, Blue. Cristo, eu tenho estado preocupada desde que descobri que você era um Cavanaugh. Você tem tentado bloquear tudo desde então. Eu sei como é isso, e como se parece. — Ela revirou os olhos. — Estou casada com isso, pelo amor de Deus. — Sim, e como vai Deacon? — Blue perguntou secamente. — Ele, James ou Cole já descobriram alguma coisa para colocar essa cadela mentirosa atrás das


grades? Mac recuou. — Quando você começou a falar desse jeito? — Como? Honestamente? — Ele fungou. — Ela fez aquilo, Mac. Natalie Palmer. Ou teve algo a ver com isso. Eu sei disso. Seu marido sabe disso. Você sabe disso. — Não, eu não sei, — ela assegurou. — Ela tinha o diário de Cass. — Não significa que ela a matou. Ele soltou um suspiro. — Você chegou a ler? — Claro que eu li. — Ela os seguia, Mac. Cass e o garoto. Sweet. — Ela tinha uma queda por ele. Blue balançou a cabeça. Inútil. A coisa toda. Por que ele tentava? — O quê? — Mac pressionou. — Apenas estranho ver como é olhar de fora para os crédulos e ingênuos. — Não sou nenhuma dessas coisas, — ela respondeu com veemência. — Eu sou cautelosa. O investigador particular do Deacon está nisso. Estamos fazendo tudo o que podemos para descobrir a verdade. Se ela está envolvida vamos precisar de mais provas do que um diário. Confie em mim quando eu digo que toda a família está trabalhando em conjunto sobre este assunto. — Que bom, — ele arrastou. Ela percebeu imediatamente seu erro. — Blue... Eu não quis dizer... — Tenho trabalho a fazer, capataz. — O gelo retornara, mais frio e mais espesso do que nunca. A palavra família não podia sequer tocá-lo agora. Ele chutou Rella com força, enviando-a em direção às vacas. Deixando Mac para trás, lambendo sua poeira.


Capítulo 03 A fome agrediu Emily enquanto ela colocava outra colher do purê de batatas de sua mãe em seu prato. Terça-feira era a noite de Emily em casa. Cada filho, crescidos que fossem, tinha que escolher a sua refeição favorita. Susie Shiver não amava nada mais do que cuidar de sua família. E seu frango frito, purê de batatas e milho eram os melhores do mundo. Emily estendeu a mão para uma terceira coxa de frango, e um duo de risos reprimidos masculinos veio flutuando em sua direção vindos do outro lado da mesa. Ela levantou o olhar. Seus irmãos mais novos, Steven e Jeremy, estavam sentados lado a lado, largos sorrisos maliciosos em seus rostos. Como se tivessem dez e doze anos e não vinte e dois e vinte e quatro, com pelos no rosto e peitos largos cobertos por uniformes de trabalho. Lembrou-se de quando era filha única e tinha toda a atenção dos pais para ela, Emily fez tanto escândalo quando sua mãe lhe dissera que traria do hospital um irmãozinho para ela, e outro, dois anos mais tarde. Mas Senhor, tenha misericórdia, ela passou a adorá-los. Mesmo com todos os seus irritantes, malcheirosos e barulhentos modos. — Mamãe, — ela arrastou. — Diga a seus filhos aqui para parar de soltar gases à mesa, por favor. Meu arranjo floral não pode lidar com tanto. — Emily! — Mamãe gritou da cabeceira da mesa. Susie Shiver sempre ficava à cabeceira da mesa, sendo a chefe, padeira, e apoio de crianças. Ela se virou para seus meninos adultos e deu-lhes um olhar de reprovação. — Vocês não fizeram isso. — Claro que não, — disse Steven pelos dois, seus olhos verdes piscando. — Então está rindo de quê? — Ela perguntou. — Emily, — ele respondeu. — E por quê? — Perguntou Emily, dando uma mordida em seu frango. Quando Steven não respondeu de imediato, ela olhou para seu irmão mais novo e deu-lhe um sorriso. — Jeremy, você quer me dizer?


O homem loiro, de olhos azuis e com cara de bebê, bufou. — Não te direi nem uma palavra. — Ele murmurou. — Nadinha. — Frangote, — ela acusou. — Não, — disse Jeremy, tentando não rir. — Mas interessante escolha de palavras. Sua ficha caiu e Emily estreitou os olhos para seus irmãos. — Vocês dois têm algum problema com o que está no meu prato? — Não é o que, mana, — disse Steven indiferente. — Apenas o quanto. — Imbecis! Ambos. — Emily quase arremessou colheradas de purê de batatas neles. Teria, caso sua mãe não tivesse gritado, — Isso é o suficiente, rapazes. Deixem-na em paz. — Sim, — disse Emily. — Deixe-me. — Então deslizou a colher com purê de batatas em sua boca com um sorriso. — Afinal de contas, ela é uma garota em fase de crescimento, — sua mãe continuou. De repente, aquele sorriso morreu. Calor coloriu as bochechas de Emily como se ela tivesse acabado de abrir o forno. E, inferno, talvez tivesse. — Uma garota em fase de crescimento? — Disse Steven com um ronco, limpando um pouco de gordura de frango da manga do seu uniforme de xerife adjunto. — Ela tem vinte e seis anos. Quanto mais ela pode crescer? Ela admitia que a pergunta era suficientemente inocente, mas apenas porque eles não sabiam. Seus olhos caíram para seu prato. Oh Deus, ela ia crescer. Muito. Realmente muito ao longo dos próximos nove meses. Logo ela não seria capaz de esconder. A ansiedade pulsava dentro de seu sangue. Seu apetite se foi, ela largou o garfo e soltou um suspiro pesado. — Olha o que você fez, Steven Shiver, — a mãe repreendeu. — Espere até seu pai chegar em casa. Aquela era praticamente uma ameaça vazia, já que Ben Shiver estaria tocando o gado pelos próximos dois dias. O pai de Emily era um fazendeiro de meio período em Black River. Não tão lucrativo quanto lugares como o Triple C. Mas proporcionava uma vida confortável para todos eles. Uma vida honesta. Era muito ruim que nenhum de seus filhos ou sua filha estivessem


interessados em assumir os negócios da família algum dia. Era a maior tristeza de seu pai. — Vamos, Ems, — disse Steven, nem mesmo uma pitada de diversão em seu tom agora. — Você sabe que estamos apenas brincando. É claro que ela sabia disso, e normalmente não teria se incomodado nem um pouco. Normalmente, ela teria dado as costas após atingir cada um no rosto com o purê de batatas de Mama. Mas o que Steven disse... sobre o seu crescimento... apenas a enviou para lá... a realidade, ao ponto final. Não dando voltas ou fingindo que não existia. Ela ia ter um bebê. O bebê de Blue Cavanaugh. E não tinha ideia de como administraria aquilo. — Nunca se menciona o apetite de uma mulher, meninos. — Mama continuava com sua bronca. — Não, se você quiser que uma fique. — Você deve estar mencionando apetites em cada primeiro encontro que vai, Steven. — Disse Jeremy ironicamente. — Explica porque nunca há um segundo. — Muito engraçado, — ele resmungou. — Isso não é bom, Jeremy, — disse sua mãe. — Ou talvez não sejam os comentários sobre apetite, mas o fato de você não tomar banho regularmente. O lábio de Steven enrolou. — Você realmente quer falar sobre quem fede nesta casa? Droga, rapaz, eu divido o banheiro com você. — Como foi o trabalho? — Perguntou Susie rapidamente. — Jeremy? A construção segue como planejada? Facilmente distraído, Jeremy pensou por um segundo, e disse, — Colocamos o telhado no celeiro de Depro hoje. Acho que vamos terminar com todas as melhorias na próxima semana. — E você, Steven? — Ela perguntou. — Alguma prisão? — Uma detenção por embriaguez ao volante e uma acusação por pequenos furtos. — Steven deu de ombros. — Nada emocionante. — É Black River, — disse Jeremy com um bufo. — Vacas atolando e roubo de galinhas é o mais emocionante que temos por aqui. Exceto, talvez, aquele lance Natalie Palmer/Blue Perez. Até agora, a cabeça de Emily estivera em outros lugares. Contar aos seus pais, abrir sua loja de flores, se mudar... todas as coisas de que um bebê


precisava... E então alguém tinha que mencionar Blue. — Oh, sim, — disse sua mãe, mordiscando um biscoito. — O que aconteceu com isso, Steven? Você estava na estação naquela noite, não foi? Quando a ligação veio? Eu me lembro de você dizer algo sobre isso. Eles falavam sobre aquela noite. À noite em que ela e Blue se conheceram oficialmente. À noite em que ele entrou no Bull’s Eye e bebeu demais. À noite em que ela o levou para casa e... ela engoliu em seco e pegou seu copo de água. Ele estava chateado. E no dia seguinte, Emily descobriu o porquê. Steven contou para eles sobre Blue e Natalie, como eles tiveram um namoro on-line ou algo assim. Como Blue encontrou o diário de Cass Cavanaugh na casa de Natalie e chamou o xerife. — Nada demais veio disso, — disse Steven. — Tudo que Blue Perez tinha era o diário da menina Cavanaugh. Natalie disse que o guardou todos estes anos. Senti que era no mínimo suspeito. Que talvez ela tivesse algo a ver com o desaparecimento da menina. Mas Natalie alegou que encontrou o diário anos atrás. Muito após a morte da menina. — Por que não o entregou ao xerife naquele momento? — Perguntou Susie. — Sabendo que o caso ainda estava sem solução. É um pouco estranho. — Talvez. — Steven concordou. — Mas, então, Natalie é estranha. Não faz dela uma assassina, que era o que Perez insinuava. Claro, agora Deacon Cavanaugh e seus irmãos estão em nossa cola sobre isso. Quer que o xerife e eu investiguemos a mulher. Disse a eles que se qualquer nova informação vier à luz, eu os avisarei. Não há muito mais que possamos fazer sem cortejar uma ação judicial. Blue estava devastado naquela noite. Emily se lembrava dele dizendo coisas aleatórias sobre confiança, mentiras e tirar algo, alguém, de sua cabeça. Foi então que ela soube que havia cometido um erro. Que precisava sair de lá e esquecer toda a incrível, surpreendente e erótica bagunça que aconteceu. Não é possível fazer isso agora, Em. Debaixo da mesa, descansou a mão em sua barriga. — Eu me lembro do dia em que a menina desapareceu, — disse Susie, pensativa. — Abracei os meus bebês bem apertado. — Ela largou o garfo e olhou para Emily. — Não há nada pior para uma mãe do que perder seu filho. Quando a mãe deles ficou doente e precisou ser internada, eu entendi completamente.


Algo se agitou dentro de Emily ao ouvir as palavras de sua mãe. Dor pelos Cavanaughs e um sentimento mesquinho de preocupação pela vida crescendo dentro dela. — Acho que a traição de Everett não ajudou. — Jeremy colocou. — Não fale assim, Jere. — Susie repreendeu. Mas ele estava empolgado. — Talvez ela até soubesse sobre o outro filho que o velho teve. — Pare com isso. — Disparou Emily. — Descobrir que o seu marido era pai de um filho bastardo logo depois que você perde... — Eu disse para calar a boca! Ambos os irmãos se viraram para olhar para ela. Sua mãe também. Todos pareciam atordoados, preocupados. Ela não dava a mínima. — Não se atreva a chamá-lo assim, — ela advertiu a Jeremy. — O que há de errado com você? Chamando uma criança inocente disso! — Jesus, Em! Eu não quis dizer nada... — Jeremy tentou, mas Emily estava enfurecida. — Você nem mesmo o conhece, — continuou ela, com o coração batendo com força contra suas costelas. — A vida dele. Com o que ele tinha de lidar. Você acha que ele escolheu isso? Um pai e uma mãe que tiveram um caso? Você pode imaginar como é a vida dele agora? Agora que todos sabem? Jeremy estava pálido, e Steven amaldiçoou. — Eu concordo com ela. — Susie adicionou. — Isso foi incrivelmente desagradável e pouco generoso, Jeremy. Não criei você assim. Antes que qualquer um deles pudesse responder, Emily estava empurrando a cadeira para trás, levantando-se. Ela precisava de um pouco de espaço, um pouco de ar. Talvez um banho quente e um bom choro. — Terminei. — Ems. — Jeremy disse, parecendo triste e envergonhado. — Vamos, eu sinto muito. Fui um idiota. Não falei por mal. Perez parece ser um cara decente... Ela odiava ouvir a tristeza na voz de seu irmão. A verdade era que ela acreditava nele. Ele não fez por mal. Mas, inferno, ele usou a palavra bastardo perto dela. O pai de seu bebê... foi tudo muito malditamente perto de casa. — Vou para a cama, — ela murmurou, saindo da sala.


— São apenas oito e meia, querida, — sua mãe a chamou conforme ela saía da sala. Estou cansada. E estressada. E... Senhor, tenha piedade, ela meditou enquanto subia as escadas... Grávida. *** Era seu ritual noturno agora. Seis horas, na cozinha do Triple C, à mesa, comendo a comida que sua mãe havia preparado. Ele queria fazer isso? Deixá-la alimentá-lo como ela fazia quando ele era um menino? Merda... como deixara até poucos meses atrás? Ele e todos os outros trabalhadores do rancho? Não. Mas as alternativas eram poucas e distantes entre si. Ele não poderia ir para o Bull’s Eye, e comer no restaurante poderia significar encontrar-se com ela também. Emily Shiver. Sentia-se como um verdadeiro idiota pelo modo como tudo havia dado errado. E tinha certeza que ela não gostaria de vê-lo também. Sem dizer uma palavra, sua mãe aproximou-se da mesa com seu próprio prato e um copo de água. Instintivamente, Blue estendeu a mão e puxou a cadeira para ela, em seguida, resmungou para si mesmo e voltou para a sua refeição. — Obrigada, meu filho. Ele não respondeu. — Sabe, — disse ela, fixando-se em pegar o garfo. — Eu posso comer muito bem em silêncio, como sempre fazemos, mas se você quiser... — Não quero. — É exatamente isso, — continuou ela, — bem, você pode comer lá fora. Ou fazer algo na casa de campo. Onde ela queria chegar? — Eu sei. Ela não disse nada por alguns minutos, e Blue estava feliz em continuar comendo. Mas, então, — Talvez você venha aqui porque quer me ver? Falar comigo? Eu gostaria que você falasse comigo. Ah, Cristo. Olhando para cima, disse ferozmente, — Mãe, eu não te perdoo.


Um pequeno suspiro escapou dela, mas ela continuou com um aceno de cabeça. — Oh, eu sei disso. Mas talvez um dia... Seus dedos apertaram-se ao redor do garfo. Durante semanas, eles comeram em silêncio. Às vezes ela enchia seu prato e o levava para outro lugar. Para Blue, sentar-se com sua mãe no jantar era uma maneira de estar perto dela sem encher-se de raiva. Sem ressentimento e tristeza esquentando seu sangue. Por que ela tinha de quebrar aquele pacto de silêncio? — Talvez um dia você me deixe explicar, — acrescentou. — Talvez você deixe-me dizer que às vezes você entra em situações das quais não pode sair. Que você precisa fazer o melhor com o que está diante de você. Seu apetite desapareceu, ele empurrou a cadeira para trás. — Blue, por favor. O dia em que eu descobri que teria você foi o melhor dia da minha vida. E eu não estava sozinha nesse sentimento. Você precisa saber que Everett estava... Foi tudo o que ouviu antes de sair da sala e da casa.


Capítulo 04 Ela adorava banhos de chuveiro quentes. Muito quentes, se pudesse controlá-los. Até sua pele ficar cor de rosa e sentir seus membros moles como os de uma boneca de pano. Mas leu em algum lugar que chuveiros quentes não eram bons para uma mulher grávida... grávida... apenas a palavra a deixou hiperventilada. Ela ia ter um bebê. Não havia nenhuma dúvida sobre isso. Era apenas o como... e o onde... e o com quem. Inclinando o rosto para o chuveiro de água quente, ela fechou os olhos e permitiu que as visões de Blue Perez Cavanaugh fixassem residência. O problema com isso era que a última vez que o viu ele não estava usando roupas. Na verdade, ele estava estirado na cama, a pele bronzeada em longos lençóis brancos, corpo magro e musculoso embaixo dela. Senhor, ele era o melhor espécime de macho que existia no mundo. Um homem de verdade. E aquelas mãos... grandes e calejadas, explorando sua pele enquanto a beijava, conforme trabalhava em seu interior e a levantava para cima e para baixo... Seus olhos se abriram, sua boca também, em um suspiro, e ela engoliu água. Tossindo e cuspindo, ela afastou seus pensamentos das imagens que só iriam aquecer seu corpo e ferrar com sua mente. Desligando a água, saiu do chuveiro e agarrou seu roupão. Após hidratar sua pele com loção corporal com perfume de frésia, enrolou os cabelos em uma toalha, saiu do banheiro, e caminhou para o seu quarto. Ela não dera quatro passos quando viu Steven sentado à sua mesa, folheando uma revista. — Porra, Em, deixou um pouco de água quente para o resto de nós, não é? — Ele olhou para cima. — Esse comentário sobre como eu cheiro ainda está comigo. Acho que Jeremy me deu um complexo. Ela revirou os olhos. — Você nunca bate? — Eu bati. — E quando eu não respondi...?


— Eu entrei. — Ele deu de ombros. — A maneira como você estava agindo no andar de baixo me deixou preocupado. Ela suspirou e se sentou na beirada da cama. — Nada para se preocupar, irmãozinho. Só estou cansada. — E chateada. — Bem, vocês estavam sendo idiotas. — Nada de novo aí. — Quando ela não retribuiu o sorriso, ele ficou sério e balançou a cabeça. — Sim, estávamos. E sinto muito por isso. — Ok. Vou te perdoar por insinuar que eu sou a versão feminina de Paul Bunyan{5}. — Ela sacudiu a mão na direção da porta. — Agora, saia. Mas ele não se mexeu. Sua piada não o satisfez totalmente. — Não foi só isso. A montanha de comida. Algo está acontecendo com você. Enquanto retirava a toalha da cabeça, seu coração falhou. — Pode desligar a luz de interrogatório, detetive. — Não sou um detetive. — Bem, nisso você está certo. — Ela disse, secando o cabelo com a toalha. — É um lance com um cara? — Perguntou. Deus... — Não. — Uma coisa de menina? Seu olhar encontrou o dele e ela sorriu. — Pode ser. — Vamos, Emmie. — Você não tem que acordar cedo? — Eu não entro até as dez. — Então por que você não vai para o térreo e assiste Destroy Build Destroy{6} com a mamãe? — Ela fica muito competitiva, — disse ele, virando-se para colocar a revista que folheava sobre a mesa. Mas no processo ele quase derrubou um vaso de rosas-chá enquanto empurrava sua bolsa com o cotovelo e derrubava seu conteúdo no chão. Houve um baque, e Emily observou o conteúdo se espalhar. Seus olhos fixaram-se no teste de gravidez. Ela suspirou e olhou para cima. O olhar de Steven estava sobre ele também. Merda! Afastando-se da cama, ela mergulhou


para ele. De quatro, ela enfiou as coisas dentro da bolsa. Mas ele viu aquilo. Porra, ele viu. Ele ficou quieto. Muito quieto. Então... — Emmie? Seus olhos se levantaram para encontrar os dele. Sobrancelhas abaixadas, os lábios finos, ele parecia uma centena de coisas diferentes, desde preocupado e com raiva a confuso. — Você está? — Ele proferiu. Ela poderia mentir. Mas qual era o ponto? Ele viu o teste... e em poucos meses, veria sua barriga crescendo. Ela assentiu com a cabeça. — Eu vou matar quem quer que seja, — ele grunhiu. — Quem é? Ela se levantou e foi até a cômoda. — Não seja ridículo. — Não estou sendo. — Você será demitido. — Não importa, — ele respondeu facilmente. Ela bufou. — Certamente. Você ama esse trabalho. — Você está saindo com alguém? — Ele continuou importunando. — E se está, por que não contou para ninguém? Ela não embarcaria nessa. Pegando um conjunto de pijama, ela balançou a cabeça. — Isso não é da sua conta. — Você está brincando? — Ele veio até a cômoda. — Claro que é. Você é o meu sangue. Eu me importo com você. A verdade era que ela queria ouvir isso, precisava ouvir isso. Ela precisaria de sua família nos próximos meses. Mas agora... — Ele sabe? E lá estava. — Steven... Um grunhido escapou dos lábios dele. — Ele sabe, não é? Oh, inferno e Cristo. — Não comece a inventar coisas em sua cabeça, — alertou a ele. — Isso nunca acaba bem. Ele mal ouviu. — E ele não está ajudando você, certo? — Não. — É por isso que você não está falando sobre isso.


— Ele não sabe, Steven, está bem? — Ela disse, encarando-o, agarrando seu pijama como se fosse um colete salva-vidas. — Ninguém sabe, exceto você e eu. — Apenas o pensamento de que seu irmão poderia, na verdade, descer as escadas e contar tudo para sua mãe bem naquele momento fez com que ela se aproximasse dele com o dedo indicador estendido. — E você vai manter assim. Ele a olhou horrorizado. — Você não vai contar para mamãe e papai? Ela olhou para a porta. — Eita. Controle-se. Não contarei a ninguém no momento. Não até saber o que vou fazer. — O que você quer dizer? — Ele perguntou, seu tom endurecendo. — Oh, pelo amor de Deus, eu mesma acabei de descobrir. — Ela se afastou e foi para o banheiro. — Preciso de algum tempo para processar. Ele não disse nada enquanto ela trocava o roupão pelo pijama. Quando ela retornou, ele ainda estava perto da cômoda. Parecia jovem, diferente do oficial feroz e formidável que ela sabia que ele poderia ser. — Bem? — Ela disse. Ele soltou um suspiro enquanto seus olhos encontravam os dela. — Ok... eu vou manter o seu segredo. Mas... Oh, ele era tão previsível. As mãos dela foram para os quadris. — O que você quer? Uma sobrancelha escura se ergueu. — O nome do cara. Seu coração pulou em sua garganta e ela passou por ele. — Fala sério. — Não vou matá-lo, Em. — Não acredito em você, — disse ela, pegando sua bolsa e a colocando novamente na escrivaninha. — Este bebê merece um pai. — Por quê? Assim, ele não será um bastardo? — Ela devolveu, citando a palavra de Jeremy no jantar. — Olha, isso foi estúpido e não foi legal. Jeremy sabe disso e eu também Ele estava agindo como tolo. Nenhum de nós realmente pensa isso. Ela se virou e encostou-se à mesa. — O pai do bebê é um bom homem, Steven. — Um bom homem estaria sentado aqui com você agora. — Eu disse que ele não sabe. — Nome, Emmie.


— Juro por Deus, se você... — Não direi a mamãe e papai. — Jure. Ele colocou a mão sobre o coração. — Sobre a sepultura de Boggs. Emily ficou imóvel, seus ombros caindo. Era uma coisa deles. Jurar sobre o túmulo de sua amada tartaruga desde a infância. Bobo, talvez. Mas ela acreditou nele. Ela respirou fundo. — É... Blue. Cavanaugh. A boca de Steven caiu aberta, e antes que ele pudesse dizer uma palavra, Emily o lembrou, — Você prometeu. — Espere. Não entendo. Como? — Ele se afastou da questão instantaneamente, balançando a cabeça. — Esqueça que eu perguntei isso. Eu sei como. Não quero nem pensar nisso. Ela fez uma careta. — Pare de falar agora. Ouça, nós não estamos namorando. Foi uma noite. — Oh, Em... — Não me venha com Oh, Em, Steven Shiver. Você não é nenhum santo. Eu quero a sua garantia de que você não vai atrás dele. Sem socos ou chutes, etc. — Tudo bem. — Ele grunhiu, afastando-se da cômoda. — Não vou matá-lo ou machucá-lo, e não vou contar a mamãe e papai. — Ou Jeremy, — acrescentou. — Ou Jeremy, — ele proferiu. Emily suspirou de alívio. Mesmo que fosse seu irmão mais novo, era bom contar a alguém. Tirar aquilo do peito. Apenas o tempo necessário para entender as coisas. Eles se encontraram na porta, e antes que ela pudesse dizer uma palavra mais, Steven a abraçou com força. — Eu te amo, Emmie. — Disse ele. — Estou aqui por você. Estamos todos aqui para você, e para o bebê. Você sabe disso, certo? Com toda a brincadeira e conversa estúpida, você sabe disso? Lágrimas picaram seus olhos. Nada era mais precioso para ela do que a família. Ela suspirou e apenas o deixou segurá-la. — Eu sei. ***


O tempo estava mudando. Daqueles lentos dias quentes, que nunca pareciam terminar, para aquela estranha frieza no ar que fazia uma pessoa pensar em ingressar na escola, mesmo quando aqueles tempos fossem um passado distante. Blue manteve a janela de sua caminhonete abaixada, braço apoiado na armação enquanto dirigia pela estrada, retornando para Black River. Ele amava o outono. Ou costumava amar. Mudança de vida no rancho. Cenário, e talvez, sangue novo. Ele respirou fundo e soltou. Acabava de retornar de Hawthorne. Comprara cinquenta cabeças da Red Brangus. Antes que a traição de Natalie transformasse completamente seu coração em pedra, quando tudo o que ele queria era tomar conta do Triple C, aquilo foi parte de seu plano para expandir sua marca. Sua marca, ele pensou. Tornar-se um produtor de sêmen de gado. Mac adorara a ideia, e eles tiveram a raça Brangus como sua primeira escolha. Ele esqueceu tudo sobre isso nas últimas semanas, até que Mac lhe pedira esta manhã para ir às compras. Ele estendeu a mão, sentiu o ar frio com os dedos. Ela tentava fazer com que se sentisse estimulado novamente. Que tivesse paixão outra vez. Mesmo que isso significasse lutar contra seu marido sobre os direitos à sua terra natal. Embora com Deac, e talvez até mesmo com Cole, ele nunca pensou que haveria muita luta, já que os dois tinham novas vidas, novas casas. Só precisava se preocupar com James. Certo, a noiva do homem, Sheridan, ainda trabalhava na cidade para Deacon, mas James tinha seus cavalos no C... e ele gostava de ficar por perto. Sempre que ele e Sheridan estavam na cidade, eles ficavam nos aposentos do capataz. Mas a paixão de Blue, sua necessidade de lutar, se fora. A maior parte era devido a todas as mentiras que o cercaram ultimamente. Ele não tinha nenhuma confiança – nos outros, em seu próprio julgamento, em suas capacidades. Inferno, ele não podia sequer convencer as pessoas de que Natalie Palmer era a responsável pela morte de Cass. Cass. A única pessoa em quem ele realmente sentiu que podia confiar. Blue avistou a divisa do condado de Black River logo em frente e acelerou. Ela ainda estava lá. Em tudo. Como deveria estar. Blue nunca conheceu


sua meia-irmã, mas sentia falta dela de qualquer maneira. Talvez aquilo fosse louco ou estranho, mas era como as coisas eram. Quando viu aquele diário, a letra de Cass, algo mudou dentro dele. A coisa de proteção fraternal que ele nunca teria acreditado que era capaz. Foi por isso que ele saltou, chamou o xerife, pressionando-os a olhar o passado de Natalie. Sua bota afundou no acelerador. Ele sempre quis saber... Natalie teria sabido quem ele era desde o início, quando se conheceram on-line há quase um ano? Ela o procurou? E se sim, por quê? Tentava se aproximar da família? Ele tinha tantas perguntas, e mesmo assim se recusava a tê-las respondidas. Ele nunca mais queria falar com aquela mulher novamente. E de qualquer maneira, qualquer coisa que saísse da boca dela seriam, sem dúvida, mais mentiras. Às vezes, quando estava na cidade, ele pensava tê-la visto, pensava que a sentia – mas acabava por ser apenas a sua imaginação. O som de uma sirene atrás dele sacudiu-o de seus pensamentos. A primeira coisa que fez foi tirar o pé do acelerador, e verificar a velocidade. Oitenta e cinco em uma estrada de setenta. Merda. Houve um momento, um momento minúsculo, em que Blue pensou em fugir. Bater a bota no acelerador e ver até onde chegaria. Onde ele conseguiria. Mas ele não estava fugindo mais. Ou lutando mais. Ele estava aceitando. As luzes piscando em seu espelho retrovisor mandaram-no para o acostamento empoeirado. O veículo do xerife o seguiu, e em segundos o carro quase beijava seu para-choque. Basta escrever a multa e vamos seguir nossos caminhos. O oficial que saiu do carro de patrulha e encaminhou-se para a janela de Blue não era exatamente um estranho. Não foi Steven Shiver aquele que fora à casa de Natalie quando Blue encontrara o diário, mas estava de plantão quando Blue e Natalie foram levados à delegacia. E, claro, Blue encontrara a irmã do homem mais tarde naquela noite. Suas entranhas se apertaram quando Shiver se aproximou. — Desculpe por isso, policial, — disse ao oficial de cabelos escuros usando chapéu e óculos de sol tipo aviador marrons. — Aqui está a minha licença e registro. — Saia da caminhonete, por favor.


O tom do oficial colocou Blue instantaneamente em alerta. Frio, profissional, inflexível. — Por quê? Shiver abriu a porta. — Fora da caminhonete, senhor. Agora. Senhor? — Eu mereço uma multa. Entendi. Vamos lá, você me conhece, Shiver. Aqui está a minha licença. — Preciso sacar minha arma, senhor? — Cristo. — O cara não estava brincando. Ele achava que havia algo mais acontecendo? Irritação penetrou o sangue de Blue. Por um breve segundo, ele contemplou discutir. Mas um homem não discutia com um policial no Texas. Não se não quisesse tomar chumbo no traseiro. Ele saiu da caminhonete. Mas no segundo em que seus pés tocaram a sujeira, Shiver o fez virar e prendeu suas mãos atrás das costas. — Você vai me dizer do que se trata? — Grunhiu Blue, seu instinto de lutar zumbindo sob sua pele. — Porque isso certamente não se parece com uma violação por excesso de velocidade. O oficial respondeu golpeando algemas em seus pulsos. — Algemas? — Rosnou Blue. — Isto é um erro. Shiver virando-o, o levou para o carro patrulha. — É melhor não o chamar assim. — Chamar o quê? — Blue exigiu. — O que diabos você está falando? Mais uma vez, nenhuma resposta real foi dada. Em vez disso, Blue foi empurrado para o banco traseiro, a porta se fechando atrás dele. Sentou-se ali no frio couro, irritado e confuso, perguntando-se se Shiver o confundia com outra pessoa. E então sua ficha caiu. Ela contou ao irmão. — Trata-se de Emily, não é? O rosto de Shiver apareceu no espelho retrovisor. — Então você se lembra da minha irmã. Bem, isso já é alguma coisa, eu suponho. O rosto de Blue retesou-se. Junto com o resto do corpo. — Você quer me dizer alguma coisa, Perez? — Shiver provocou, desligando as luzes do carro de patrulha. — Como o que está fazendo é ilegal como o inferno? — Blue disparou. — Não, não é isso. Um músculo enrijeceu na mandíbula de Blue. Ele não sabia o que Emily dissera a seu irmão, mas não recordaria aquela noite. Não era da conta de


ninguém, além dele e de Emily. Ele respirou fundo e se virou para olhar pela janela. — Tudo bem, — disse Shiver. — Vamos ver se você se abre na delegacia. Então ele pôs o carro em movimento e partiu como um morcego saído do inferno.


Capítulo 05 Emily ia matar seu irmão. Ou, no mínimo, amarrá-lo como um porco! Ele estava brincando? Um sms? No seu celular? No trabalho? Estou com Perez aqui na delegacia. Sugiro que você venha. Seu coração pulou diretamente para fora de seu peito. Graças a Deus era um dia lento no Bull’s Eye e Dean a deixou ir. Ou correr. Ou, por assim dizer, dirigir diretamente para a pequena cadeia de Black River. O estacionamento estava vazio, coisa boa também, porque no momento em que entrou pela porta, ela gritou — Steven Paul Shiver? — Em um tom que não era nada profissional e respeitoso. A prisão de Black River era basicamente um posto avançado. O xerife e xerife adjunto atendiam várias pequenas cidades no condado, e cerca de dez anos atrás construíram o espaço de três celas para que as pessoas não tivessem que lidar com Mason sempre que havia uma situação de embriaguez ou de um pequeno furto. Emily olhou em volta, mas não viu ninguém e foi direto para o escritório de seu irmão. Steven estava sentado à sua mesa, com foco na papelada e bebendo uma Coca-Cola gelada. Quando ele olhou para cima, sorriu como se nada estivesse fora de ordem no mundo. — Tarde, mana. — Você está louco? — Ela acusou, andando até a mesa dele e plantando as mãos no tampo de madeira. Ele fingiu meditar sobre a pergunta. — Acho que não. — Ele apontou para a cadeira ao lado dela. — Você gostaria de se sentar? Ela o ignorou. — Você prendeu Blue? — Ele não está preso. Ainda. Claramente, Steven enlouquecera. — Você não pode fazer isso, — alertou-o. — Claro que posso, — ele respondeu, tão arrogante quanto poderia ficar. — O pai do seu bebê estava em alta velocidade.


— Cale a boca, — ela sussurrou, seu estômago cambaleando. Ela olhou por cima do ombro. A maldita porta para o escritório estava aberta. — Não se preocupe, mana. — Ele disse, seu tom suavizando um pouco. — Rick não está aqui. Ele está em patrulha. Somos só você e eu... e, bem... — Ele ergueu o queixo em direção à porta. Emily podia praticamente ouvir sua raiva. Era o sangue, quente e pesado, batendo em seus ouvidos. — Se ele estava em alta velocidade, então você devia dar-lhe uma multa e mandá-lo embora. — Ela apontou o dedo para ele. — E não o chame de, — ela abaixou a voz e sussurrou através dos dentes cerrados, — pai do meu bebê. — É o que ele é, Em. — Uma sobrancelha levantada. — Certo? — É claro que sim. — Ela grunhiu. — Mas não é esse o ponto. Steven sentou em sua cadeira e deu de ombros. — Ouça, ele seguia a umas boas dez/quinze milhas acima do limite de velocidade. Nesta cidade, eu tenho o direito de trazê-lo. Ela cruzou os braços sobre o peito. — Você já trouxe alguém por dez ou quinze milhas acima do permitido, Steven? A pergunta era retórica. É claro que ele não trouxera. Desperdício de tempo e recursos. Mas ele continuaria jogando suas cartas. — Não era seguro, Em. E se você estivesse na caminhonete dele? Ou o bebê? — Shh! Droga. — Dentes ainda cerrados, ela caminhou até a porta e a fechou. — Ele não pode ouvi-la, — Steven repreendeu com os olhos cheios de humor. Um pensamento subitamente cintilou na mente de Emily, e no mesmo instante ela ficou sem fôlego. Por que não pensara nisso antes? No segundo em que recebeu o sms de seu irmão? Steven estava sendo tão malditamente indiferente. Seus olhos se estreitaram sobre ele. — O quê? — Ele disse. — Você disse a ele, não é? — Quem? Perez? — Sim, claro, Perez. Você contou a ele que estou grávida. — Não.


— Steven Paul Shiver, — disse ela em sua melhor voz de irmã mais velha, o que significava que ele iria apanhar. — Prometi que não contaria a ninguém, e não contei. Um fio de alívio a percorreu, embora ela não estivesse completamente certa de que acreditava nele. — Então, por que ele está aqui? — Porque, Em, — ele se inclinou, seus olhos agora desprovidos de todo o humor, — você vai contar a ele. O sangue sumiu do rosto de Emily. Ela de fato sentiu aquilo. Sentiu claramente a frieza invadir sua pele. — Maldito seja, Steven. — Ela quase rosnou. — Isso não é da sua conta. — Como o inferno, — ele atirou de volta. Ele apontou para a barriga. — É meu sobrinho ou sobrinha que você carrega lá dentro. — Você é um idiota. E não seja grosseiro. — E você não seja teimosa. Você precisa dizer a ele a verdade, Emmie. — Não em uma cela de prisão. Ele deu de ombros. — É uma agradável. — Sem graça. Com um suspiro de frustração, ele abriu a gaveta da mesa à sua esquerda e tirou um molho de chaves. — Não há ninguém por perto. Não por pelo menos uma hora. — Ele as estendeu para ela. — Diga a ele. — Seus lábios se viraram para cima nos cantos. — E se ele tentar fugir, eu estarei aqui para derrubá-lo. — Você não pode falar sério sobre isso. — Eu estou. Esse homem não vai a lugar nenhum até que você diga a ele. A escolha é sua. Enjoada, Emily olhou para o irmão. Ele estava cem por cento sério, e ela se perguntou se ele realmente contaria a Blue, no final, ou a seus pais, se ela se recusasse. Uma coisa que ela sabia era que nunca o perdoaria se ele a delatasse, bem, talvez isso não fosse exatamente verdade; eles eram irmãos... mas ela ficaria furiosa. Entrar em uma cela? Encarar o homem que não viu em três semanas – não viu desde que estivera na cama dele...? Oh, Deus. Ela poderia desmaiar. Isto era besteira. O que fazer? — Deus, eu odeio estar relacionada com a aplicação da lei, — ela resmungou, pegando as chaves e se dirigindo para a porta.


— Não diga isso. — Steven retrucou. — Pode ser útil algum dia. Com o coração batendo ferozmente dentro de seu peito, Emily saiu do escritório e dirigiu-se para o pequeno trio de celas na parte de trás do edifício. Ela sabia onde era só porque Steven fizera algo semelhante há dois anos, quando Jeremy chegou bêbado de uma festa e pensou que era capaz de dirigir para casa. Um de seus amigos ligou para Steven, e Jeremy passou a noite na prisão, vomitando as tripas para fora em um balde enquanto ouvia Emily e Steven corrigi-lo por sua estupidez. Oh Deus, aquilo era loucura. Ela não podia fazer isso. E, no entanto, ela continuou, continuou andando. Até aquela noite, ela nunca foi do tipo que fugia das coisas. Coisas difíceis. Seus pais a ensinaram bem. Enfrente seus problemas. Resolva seus problemas. Vá em frente. Mas não se deparara com um problema como este. E quando um homem está claramente fazendo amor com você porque está chateado e tentando esquecer outra mulher, também... você sai. Droga, cada centímetro nela tremia de nervoso. E isso só piorou quando a primeira cela surgiu. Ela parou a aproximadamente um metro e meio de distância e só teve um momento para olhar para o homem dentro – o homem a quem ela não via há três semanas – exceto em sua mente, e seus sonhos... memórias. Só porque as razões dele para querê-la não foram as que ela teria gostado, não tornava a experiência menos surpreendente. Ou erótica. Ou gratificante. Ele estava parado em um canto, de cabeça baixa, botas cruzadas no tornozelo. Ele parecia sujo. Mas o bom tipo de sujo. Cowboy sujo. Jeans endurecido na lama, botas gastas e cobertas de lama. Camisa vermelha desbotada. Ele olhou para cima, e a pegou de pé ali, olhando. Por um breve momento, Emily esperava poder ver algo nos olhos dele que dissesse que estava feliz em vê-la. Mas em vez disso, seu rosto estava sombrio com a raiva, como se tivesse tido muito tempo para pensar. Ela engoliu em seco e desejou estar em outro lugar. Ele não se moveu. Apenas cruzou os braços sobre o peito e olhou para ela. — Emily Shiver. — Sinto muito sobre isso, — disse ela, aproximando-se da cela. — Acredito que seu irmão ficou louco. — Eu sei. — Ela enfiou a chave na fechadura e abriu a porta. Talvez ela realmente não perdoasse Steven. Sangue ou não.


— O que ele pensa que aconteceu entre nós? — Perguntou Blue, permanecendo onde estava, apesar da porta aberta. — O que você disse a ele? Suas entranhas se agitaram. — O que você quer dizer? Ele lhe deu um olhar que dizia, dá um tempo. — Eu deveria estar on-line pagando uma multa, não preso em uma gaiola. — Ele a encarou, seu lindo rosto forte em qualquer lado, os olhos um choque incrível de azul. — Isto foi pessoal. — Ele acha que nós apenas saímos... — Disse ela com facilidade forçada. — Saímos, — ele repetiu. — Ele é protetor. — Ela continuou. — Superprotetor. Blue olhava para ela enquanto ela falava, e ela podia ver isso em seus olhos. Ele sabia que ela não estava dizendo a verdade, e isso o irritou mais do que ser preso na cadeia por excesso de velocidade. — É uma coisa de irmão. — Ela terminou estupidamente. Seus olhos brilharam e ele olhou por cima dela, no final do corredor. — Sim, bem, não saberia sobre isso. Seu coração gaguejou. Deus, ela estava realmente estragando tudo. E ela não queria. Era a primeira vez que o via em semanas, desde então... — Sinto muito, Blue. Isso não acontecerá novamente. Vou me certificar disso. — Agradeço por isso. — Ele se afastou da parede e caminhou até ela. Por apenas um momento, seu olhar pousou sobre o dela e uma suavidade estranha tocou sua expressão. — É bom te ver. Seu coração apertou dentro de suas costelas. — Sim. Você também. Foi naquele momento que Emily se lembrou de como era a sensação de estar perto desse homem. De ser tocada por ele, independentemente do motivo. Como a pele dele cheirava e a sensação dela sob suas mãos. — Você está bem? — Ele perguntou, seu olhar preocupado. A pergunta a pegou de surpresa. Senhor, ela estava bem? Provavelmente não. Ela estava metida em uma bela e assustadora confusão. Diga a ele. Diga a ele, sua idiota. — Claro. Claro. — E o trabalho? — O mesmo, — disse ela, com a voz perto de um sussurro. — Você deve passar em algum momento. — Deus, ela era uma idiota. Seus olhos escureceram e seus lábios se separaram. — Não sei...


— Só dizendo, se estiver com sede, — ela divagava estupidamente, então imediatamente desejou retirar o que disse, ou rastejar para uma das celas e trancar-se. — Eu provavelmente devo ficar longe de bares por um tempo. Suas entranhas se contraíram. Certo. Parecia sábio. Soava como uma mensagem bastante clara também. — Então, novamente. — Ele emendou, — foi bom você ter me levado para casa. Ou uma mensagem mista? — Foi bom estar lá. — Ela ofereceu. — E, no entanto, você foi embora. Ela viu uma sombra deslizar no rosto dele. Ele não confiava nela. Inferno, ele não a conhecia. Dormiu com ela, mas não a conhecia. — Eu... foi uma situação confusa. Eu senti... — Está tudo bem, — ele a interrompeu, balançando a cabeça. — Não se preocupe com isso. Todos tomam decisões ruins, certo? Decisões imprudentes... As palavras dele atingiram seu coração, fazendo uma dor cintilar dentro dela. Ela não achava que ele quisesse ser ofensivo. Certo, ele não sabia o que estava acontecendo. Estava irritado com a prisão. Mas doía saber que ele pensava que a noite fora um erro. Claro, ela meio que não pensara a mesma coisa enquanto se vestia apressadamente e corria da casa dele? — Bem, bem. Fico feliz em ver que você não fugiu, Perez. — A voz de Steven ecoou pelo corredor enquanto ele vinha na direção deles. Seu coração caiu. — Steven, espere... — Sua irmã teve a gentileza de me deixar sair. — Blue respondeu, seu tom gelando ainda mais ao se virar para encarar o homem. — Não ia querer que o pai de minha sobrinha ou sobrinho tivesse um registro de prisão, agora, ia? — Steven disse, então parou e perguntou, — Você não tem um, tem? Nem sequer pensei em olhar. — Oh meu Deus. — Emily respirou, pânico enchendo seu sangue. Aquilo não estava acontecendo. Não era para ser assim. Não estava certo. Como ela podia voltar no tempo? — Está tudo bem, Em. — Disse Steven casualmente.


— Não posso acreditar em você, — ela grunhiu. Ela não podia sequer olhar na direção de Blue. — Vamos lá. O homem entende por que eu tinha que fazer o que eu... — Cale a boca, Steven. — Emily resmungou. — Droga. Ele parou, confuso. — O quê? Ela precisava contar. Ela só precisava fazer aquilo. Cada polegada de sua pele se esticou, Emily olhou para Blue, e quando viu o olhar no rosto dele, quis morrer. Não, ela queria correr. Mais uma vez. Ele olhava para ela. Parecia que alguém havia lhe dado um soco no rosto. Confuso, chocado, irritado... mas o pior de tudo, traído. Então seu olhar se desviou para Steven. — Você vai me prender, xerife? Percebendo que revelara tudo sem pensar, seu irmão amaldiçoou, então balançou a cabeça. — Você é livre para ir. Não se preocupe com o bilhete de excesso de velocidade. Eu cuidarei disso. — Sim, você vai. — E sem outra palavra, seu corpo e expressão tensa com fúria, Blue passou por eles e se dirigiu para o corredor. Sua mente acelerada, seu pulso pulando dentro de seu sangue, Emily olhou para a figura que se afastava. — Ah, Cristo, Emmie. — Disse Steven, balançando a cabeça. — Você não contou? Seus olhos desviaram para ele. — Você é um idiota, — ela rosnou para ele. — E você é uma covarde, — ele respondeu. — Talvez sim. Mas você não tinha o direito de fazer isso. Interferir. Não importa qual a razão. — Bem, o que está feito está feito. Ele sabe agora. Que eu estou grávida. E ele realmente descobriu da pior forma imaginável. Ela precisava fazer algo a respeito. Precisava encontrá-lo e falar com ele. — Não me siga, — alertou o irmão ao passar por ele. — Não ousaria, — disse ele com um suspiro enquanto Emily chegava ao final do corredor. ***


Poucas horas antes, ele estava ótimo. Decente. Fazendo seu trabalho. Cuidando de sua própria vida. Pensando nas cinquenta cabeças de gado que acabara de pedir. E então em seu retrovisor viu luzes e uma sirene – em seguida, algemas, uma cela de prisão – então... Cristo, as palavras... Ele não conseguia compreender. Seria verdade? Poderia ser verdade? Um sorriso escarnecedor veio rápido aos seus lábios enquanto abria a porta da frente da prisão e saía para o brilhante sol do outono. O que ele sabia era que Blue Perez Cavanaugh não poderia reconhecer a verdade mesmo se ela mordesse seu traseiro. Isso era o quão estragado ele estava. Talvez o xerife estivesse apenas brincando com ele por passar a noite com sua irmã. — Blue! Merda. A voz dela o alcançou quando ele seguia para a cidade. Caminhar era tudo o que podia fazer com sua caminhonete ainda estacionada à beira da estrada. Ele não se virou. Não queria olhar para ela. Ela era extremamente suave. Muito desejosa. Muito bonita. Assim como ela foi naquela noite. Seu maxilar se apertou. Naquela maldita noite. Mas a mulher o alcançou, de qualquer maneira. Mantendo o ritmo dele, respirando pesadamente. Não deveria incomodá-lo. Mas incomodou. A ideia dela correr, ficar sem fôlego. Ele resmungou para si mesmo. Inferno, esse tipo de coisa não era perigosa para um bebê em crescimento...? — Volte, — ele grunhiu. — Não tenho nada a dizer para você. — Bem, eu tenho muito a dizer para você, — ela respondeu. E com isso, ela avançou e ficou na frente dele. Fez com que ele parasse abruptamente. — E, depois, eu posso levá-lo onde quer que você precise ir. — O que eu preciso é que você saia da minha frente, — alertou. — Não vai acontecer. Você precisa me ouvir. — Ah, agora eu preciso ouvir, hein? — Disse. Ele olhou ao redor. Estavam acerca de duzentos metros da delegacia. Nenhuma loja ou escritório nesta parte da cidade, exceto por uma pequena loja de ração, que parecia bastante tranquila nessa hora do dia. — Quanto tempo, Emily? Sua pergunta a surpreendeu. — O quê? — Há quanto tempo você sabe?


Ela mordeu o lábio, olhando para o chão. — Não muito. Só descobri ontem. Suas entranhas se retorceram. Então era verdade. Era a porra da verdade. — E você diz primeiro para o seu irmão. — Ele empurrou. — Ele descobriu por acidente. Eu não ia dizer a ninguém... — É mesmo? — Ele interrompeu causticamente. — Não é o que quero dizer, Blue. Suas sobrancelhas se levantaram com ironia. — Então, você ia me contar. — Claro que eu ia contar para você, — disse ela com paixão. — Depois que eu tivesse a chance de pensar, sabe? Processar. Ter certeza de que... Ela vacilou. Ele não gostava dela vacilante. — Ter certeza de quê? — Disse ele com firmeza. Parecendo nervosa e inquieta, ela se virou e olhou para a loja de ração. Era como se alguém estivesse apertando seu coração. Merda. Ele nem sequer pensava que ainda tinha um. — Você queria ter certeza de que o desejava? — Ele pressionou. Ele queria soar perverso, uma acusação sombria. Algo que imitava seu humor e, foda-se ele, seus medos. Mas não saiu dessa forma. A pergunta foi embrulhada em um cobertor de inquietação. Os olhos dela voltaram para ele e estavam solenes. — Não. Um flash de alívio passou por ele. Mas não durou muito tempo. — Ou talvez ter certeza que me queria como o pai? — Blue, por favor, pare... — Talvez você ainda não tivesse certeza de que é meu. — As palavras rolaram por sua língua com demasiada facilidade. — É isso, querida? — Ele rosnou, inclinando-se, perto de seu rosto. — Não tem certeza de quem poderia ser o pai? Seu queixo ergueu-se e seus olhos adquiriram uma dureza que ele nunca vira antes. — Uau. — Porque você foi para casa comigo muito fácil. — Ele não conseguia se conter. Era como se alguém, outra coisa tivesse assumido seu cérebro e sua língua. — Namora um monte de clientes, não é? Suas narinas abriram. — Rapaz, quando estou errada, eu estou errada. Pensei que você fosse um cara bom. Pensei que fosse decente e direito... — Hey. — Ele interrompeu. — Antes de começar a trocar insultos, vamos lembrar quem saiu com quem.


— Primeiro de tudo. — Ela começou ferozmente, — Eu não fui para casa com você. Eu te levei para casa porque você estava muito bêbado para dirigir. Muito inteligente e responsável, por sinal. A parte de ficar, eu assumo total responsabilidade por isso. — Ela deu um passo mais perto, enfiou o dedo em seu peito. — E fui embora porque você deixou muito claro que eu estava lá apenas para afastar a memória de sua ex-namorada. Blue sentiu o sangue fugir dele. Do que ela falava? Por que ela achava isso? E ex-namorada... De repente, seu olhar capturou algo por sobre o ombro dela. Uma figura na porta da loja de ração. Ele estreitou os olhos. O que é isso... sem pensar, ele se moveu, se colocando na frente de Emily. A figura desapareceu dentro do celeiro, mas Blue jurou ter visto a figura de Natalie Palmer recuando. — Blue. — Emily exalou pesadamente. — Olha, eu não quero discutir. Ou trocar insultos. Nós dois agimos estupidamente naquela noite. Vamos apenas concordar com isso. Ele se virou para encará-la. Não queria concordar em nada. Ainda não. Maldição, era como se por dia uma bomba fosse lançada sobre ele. Ele não conseguia pensar direito. — O que eu quero dizer é que sinto muito que você tenha ficado sabendo desse jeito, — ela continuou. — E não estou pedindo ou esperando nada de você. Blue sentiu a pele ao redor de seus músculos se contrair. Ela não esperava nada dele... — Eu te vejo por aí, — disse ela, finalmente, e se virou, começando a voltar para a delegacia. Blue ficou olhando para ela, totalmente parado. Ela estava grávida de seu bebê. Ela não queria nada dele. Ele sentiu que o mundo desabava. Mais uma vez. Ele tentava não se importar – sobre qualquer coisa. Não querer nada. Apenas viver sob o radar. Desligar-se. E agora ele tinha uma criança... Ele lutou contra o desejo de correr atrás dela. Mas não tinha nada a dizer ou ofertar. Exceto, talvez, um pedido de desculpas? Pelo que disse a ela agora, e Cristo, pelo que disse naquela noite. Sobre Natalie. Não era de se admirar que ela corresse. Não era de se admirar que ela NUNCA tenha cruzado seu caminho nas três semanas que se seguiram.


Quando ela desapareceu dentro da delegacia, ele se voltou para a estrada. Precisava pegar sua caminhonete; então teria que parafusar a cabeça no lugar e descobrir o que fazer a seguir.


Capítulo 06 — Você está funcionando com baterias hoje à noite ou o quê? — Rae perguntou quando passou Emily no caminho para a cozinha. Emily deu à mulher um sorriso tenso. — Está movimentado. — Mas o que ela realmente queria dizer era, se você parar, você pensa. E ela achava que pensar só a colocaria em apuros. Fazê-la ter vontade de rastejar para debaixo das cobertas e comer litros de sorvete – e ela não sentia pena de si mesma. Claro, ela chorou no banheiro dos funcionários por uns bons dez minutos antes de limpar seu rosto e voltar ao refeitório, mas depois disso o que importava era ganhar dinheiro. Ela tinha uma família para sustentar agora. E antes do bebê chegar era necessário ela comprar aquele imóvel e abrir seu negócio. — Claro que está. — Rae reconheceu com um olhar ao redor do refeitório. — Mas eu diria que você está conseguindo o dobro das gorjetas que o resto de nós. — Ela olhou para Emily de cima e a baixo e fez uma careta. — E, francamente, querida, eu não sei como você está fazendo isso. Apesar da rosa vermelha que você amarrou em seu rabo de cavalo, não é a sua melhor noite no quesito aparência, se você não se importa que eu diga. Oh, por que eu me importaria? — Não está dormindo bem? — Rae abaixou a voz, olhou ao redor, e sussurrou, — Você está namorando? Emily sabia exatamente o que a mulher insinuava. — Não. E não. Rae deu de ombros. — Que pena. É realmente a única desculpa. — Então se dirigiu para a seção dela. Agarrando seu bloco, Emily foi receber os pedidos de duas novas mesas. Mas a primeira à qual se dirigiu era ocupada por um visitante indesejado. — Você não pode estar falando sério. Steven sorriu timidamente para ela. Ainda usava seu uniforme. Ele raramente entrava no Bull’s Eye, e nunca de uniforme. — Posso te pagar uma bebida? — Perguntou. — Shirley Temple?


Ela não estava no clima para seu ato fofo. — Estou trabalhando. — Eu esperarei. Ela soltou um suspiro pesado. — Estou cansada, — disse ela. — E tenho uma casa cheia aqui. Não quero fazer isso agora, Steven, está bem? — Eu não quero fazer isso de jeito nenhum. — Ele deu-lhe aquele olhar. O olhar, eu ferrei tudo e sei disso. Ele o usara, tipo, quase todos os dias, quando era menino. — O que posso dizer, exceto que eu sinto muito? É algo que acontece com um irmão, você sabe? Isso vem conosco. Essa coisa de proteção tipo lobo. Com o canto do olho, Emily podia ver que em sua nova mesa as quatro pessoas começavam a ficar impacientes. — Steven... — Não estou tentando criar desculpas... bem, merda, talvez eu esteja. — Ele arqueou sua boca. — Emmie, eu só quero ter certeza de que está tudo bem. Vocês dois. O choro subiu e fez cócegas em sua garganta. Maldito seja ele. Ela não ia chorar no refeitório esta noite. Não seria profissional, e uma cena como esta iria absolutamente matar suas gorjetas de bar. Ela viu isso acontecer. — Vá para casa, Steven. — Emmie... — Vá para casa. Ele fez uma pausa, depois assentiu. — Bem. Mas, você me perdoa, certo? Oh, o que poderia dizer? Realmente? Aquilo era sangue. E, goste ou não, o sangue era mais grosso do que a estupidez, arrogância e agir sem pensar. — Tudo bem, — disse ela com um suspiro. — Se houver uma pizza no forno e sorvete de café no congelador quando eu chegar em casa, então, sim, talvez eu te perdoe. Coisas mais loucas já aconteceram quando eu estava em estado de coma induzido por carboidrato e açúcar. Ele sorriu, parecendo aliviado. — Vejo você mais tarde. — Sim, sim. — Ela se afastou dele e se dirigiu para a mesa quatro. O perdão, a aceitação... tudo vinha tão facilmente na família Shiver. Não importa o quanto alguém pressionasse. Porque, realmente, qual era a alternativa? Ficar zangado e amargo indefinidamente? Isso não era divertido. E um inferno para o revestimento do estômago. Seus olhos capturaram e fixaram-se na barriga redonda de uma das mulheres na mesa quatro. E agora que ela seria uma forte e competente mãe solteira, ela teria que manter o revestimento de seu


estômago, para não mencionar o resto dela – tão calmo e relaxado quanto possível. *** Natalie sorriu para si mesma enquanto deslizava a assadeira forrada no forno e fechava a porta. Foi fácil. Tão fácil. Tudo o que precisava fazer era observar... e esperar. Deixar a oportunidade se apresentar. E se hoje fosse qualquer indicação, as coisas viriam a ela em breve. O sorriso no rosto vacilou. Apenas uma fração. Essa mulher – a garçonete, ela não entendia de respeito. Ou homens. Uma noite não fazia um relacionamento. Uma noite, bêbada, onde Natalie tinha certeza que Blue só pensava nela. Afinal, ele mencionara muitas vezes em suas mensagens que ele queria estar com ela, tocá-la, conhecê-la. Bastava ela se revelar a ele. Diário estúpido. Estúpida Cass Cavanaugh. Mesmo da sepultura ela arruinava as coisas. Mas... foi um ligeiro desvio momentâneo. Blue pertencia a ela. É verdade que ele estava com raiva agora. Mas ele se aproximaria. Ela teria certeza disso. O cheiro de macaroons perfeitamente preparados derivou em suas narinas, e tirando a luva de forno do gancho perto do fogão, abriu o forno novamente.


Capítulo 07 O som que lhe perturbava o sono era um pouco irritante, mas familiar. Emily agitou-se debaixo das cobertas quentes. O sono a queria desesperadamente de volta, e ela o queria também. Seu corpo relaxou no colchão mais uma vez. Mas alguém ou alguma coisa estava determinado em fazer com que ela acordasse. Bastardos. Ela reviveu com um gemido, afastou as cobertas, e se levantou. Desta vez, seu gemido resultou de meia pizza de pepperoni seguida por um litro inteiro de sorvete. Mas, falando sério, o que uma garota podia fazer se não poderia tomar vinho? Cobrindo-se com seu roupão, ela rastejou até a janela. O som que a forçava a acordar vinha do vidro. Ou de algo contra o vidro. O que era? Chuva? Galhos de árvores? — O que diabos...? — Ela exclamou quando algumas pequenas pedras atingiram a janela na frente dela. Ela esperou por mais apenas para se certificar de que não estava tendo um flashback do ensino médio. Não que qualquer um dos meninos que ela poderia ter gostado naquela época se daria ao trabalho de vir até a casa dela e atirar cascalho em sua janela. Mas essa sempre foi sua fantasia. Quando as pedras vieram novamente, espirrando contra o vidro, ela virou a fechadura e puxou a janela para cima. Com a tela, ela não poderia realmente empurrar a cabeça muito longe, mas conseguiu localizar o jardim da frente com seu olhar. Mesmo com a meia-lua, estava muito escuro. Não podia ver nada além de sombras, árvores e... — Emily. — A voz subiu para encontrá-la. A áspera voz masculina que, depois de hoje, ela não tinha certeza de que ouviria novamente. — Blue? — Ela chamou.


Uma figura saiu da sombra do grande carvalho. Uma figura alta, imponente e devastadoramente bonita, a qual ela reconheceu imediatamente. Por reflexo, Emily olhou por cima do ombro. Quarto escuro, porta fechada. Casa silenciosa. Ela tinha que ter certeza que permaneceriam assim. Quando voltou, ela perguntou em um sussurro tenso, — O que você faz aqui? — Preciso falar com você. — É... Deus, que horas são? — Três, — disse ele, sem sequer uma dica de um pedido de desculpas em seu tom. Ela estremeceu contra o ar frio correndo pela janela aberta. — Pode esperar até de manhã? — Emily? — O quê? — Preciso falar com você. Agora, você vai descer, ou eu subo? Eita, isso era louco. Esse cara estava louco. E teimoso. Teimoso demais. Ela suspirou. — O meu pai ou meus irmãos vão atirar em você se nos pegarem aí embaixo. — Então, eu vou subir? Mais que teimoso! E com um possível desejo de morte. — Não se engane sobre isso. Eles vão atirar em você aqui também, — acrescentou secamente. — Você não escalará está árvore, Blue Perez. Você tem mais de quinze anos de idade e... — ela parou de falar quando ele a ignorou completamente e começou a caminhar em direção à árvore, e então ela entrou em pânico quando ele subiu no primeiro galho. Inacreditável. Ele faria isso. — Ok. Pare. Espere um segundo, — Ela suspirou. Droga. — Afaste-se da casa e volte para essas sombras. Vou descer. Ela nem esperou por uma resposta. Depois de fechar a janela, ela apertou o cinto de seu roupão, calçou suas botas UGG{7}, e desceu a escada correndo. Caminhou o mais silenciosamente possível e, uma vez fora, correu pelo quintal para as árvores, onde sabia que ele esperava. Ela tinha certeza que parecia como a morte requentada{8}. Ou, no mínimo, resfolegante e inchada. Obrigada, pizza e laticínios. Mas isso não podia ser evitado. — Está congelando, — disse ela, juntando-se a ele sob os fortes galhos do carvalho. — Há quanto tempo você está aqui?


— Não importa. — Ele tirou o casaco e o colocou em torno dela. Em seguida, pegou a mão dela e levou-a para a garagem. — Não estou em condições de ir a qualquer lugar, Blue, — disse ela. — Não se preocupe, — disse ele quando chegaram à caminhonete que estava estacionada nas sombras. Quão dissimulado, ela pensou. Não admira que ela não o tenha visto da janela de seu quarto. — Vejo que você tem suas rodas de volta. — Você quer dizer que eu voltei para minhas rodas? — Ele disse secamente. Droga de Steven. Por que o perdoara tão facilmente? Com apenas a sugestão de carboidratos e açúcar? — Ei, eu me ofereci para levá-lo, — ela lembrou. Ele abriu a porta do passageiro para ela. — Vamos. Está quente aqui. Ela subiu, e quando ele sentou ao lado dela, com a caminhonete funcionando com calor suficiente para que seus dentes parassem de bater, ela se permitiu dar uma boa olhada nele. Curiosa e anteriormente com frio, ela não havia realmente parado para vê-lo direito. Seus olhos fizeram uma varredura rápida. Ele usava calça jeans, como de costume, mas estas estavam desbotadas e moldavam suas poderosas coxas. Vestia também um grosso suéter creme que destacava realmente bem sua pele bronzeada. Suas feições esculpidas pareciam ainda mais impressionantes com a sombra escura da barba por fazer. Ela lembrou que sua barba estava assim na noite em que o deixara na cama. Suas vísceras suavizaram. Ele a beijara com a barba por fazer. E a sensação foi muito boa, áspera. Suas narinas abriram. — O que você está fazendo, Emily? — Hmm? — Ela murmurou. — Os olhos estão aqui em cima, querida. Quando percebeu o que ele dizia e o que ela pensava, calor esquentou suas bochechas. Ela arrastou o olhar para cima de sua boca. Sua boca muito beijável. — Ainda estou meio dormindo, — explicou ela. Isso é certo. Justifique os olhares com isso. Bom plano. — Eu sei, — ele reconheceu. — E sinto muito por isso. Três horas da manhã não é uma hora amigável para ninguém. É uma loucura e não é justo para você, mas a coisa é, eu não consigo dormir. Não consigo pensar. — Aqueles olhos


estavam sérios agora que mergulharam nos dela. — Preciso que você me conte, Emily. Assim. Cara a cara. Seu cérebro ainda estava nebuloso. — Eu não entendo. — Você ia me contar. Seu irmão recebeu a notícia primeiro. — Ele exalou, passando a mão pelo cabelo grosso e escuro. — Apenas não quero que ninguém mais saiba antes de mim – até você me dizer. — Oh... — ela exalou, entendendo agora. Ele queria ouvi-la dizer que estava grávida. Ela piscou, sentindo que seus pulmões não estavam produzindo oxigênio corretamente. — Mas você já sabe... — Eu saía de uma cela de prisão quando seu irmão deixou escapar a notícia. E revidei dizendo algumas palavras realmente estúpidas, vergonhosas e falsas para você. — Ele deu de ombros. — Não é exatamente a maneira como coisas como essas deveriam acontecer. — Que bom que você reconhece essa última parte, — disse ela, levantando o queixo. — Então. — Ele se inclinou um pouco. — Estou pedindo agora... você irá me contar? A proximidade dele, o calor de sua pele e o que vinha das saídas de ar – e a necessidade que viu nos olhos dele – a mantiveram ali, cativa, sem piscar. Quase sem respirar. Uma lâmina de medo cortou seu coração. Era estranho, mas sentia como se as palavras que ele queria ouvir dela, as palavras que ela estava prestes a proferir, poderiam conectá-los. De uma forma que parecia estranhamente permanente. E embora estivesse claramente atraída por ele, não sabia onde a mente dele estava. Onde o coração dele estava. Talvez estivesse vendo alguém. Talvez tivesse planos com essa pessoa, para um futuro, para... Ela parou. Nada disso era seu negócio. Foi uma noite. Ela não tinha nenhum direito sobre ele. Inferno, onde estava a cabeça dela? O coração dela? Seus olhos se encontraram com os dele. — Blue. Estou grávida. Por um momento, ele apenas olhou para ela, seus pensamentos ilegíveis. Mas, então, sua expressão relaxou e ele concordou. — Obrigado. Obrigado? Ela não tinha certeza de como se sentia sobre essa resposta. Não que ela esperasse que ele saltasse para cima e para baixo e dissesse que era tudo o que ele já desejara. Mas talvez algo além... obrigado. — E novamente, eu sinto muito sobre meu irmão, a cadeia.


— Está tudo bem. — Sério? Ele deu de ombros. — Sabe, se eu tivesse uma irmã... — Ele parou um segundo. — Uma que se eu conhecesse e com quem tivesse crescido junto, de qualquer maneira... Ele falava de Cass. Ela não podia imaginar o que ele pensava de tudo isso. O tempo perdido. O querer saber. A dor. — Bem, — ele continuou, — eu provavelmente prenderia o cara que a engravidou também. — Bem, isso é generoso de sua parte. — Emily disse a ele. — Mas Steven vai deixá-lo em paz de agora em diante. Sem ameaças, sem pressão. Eu também. Como eu disse anteriormente, você não precisa fazer nada. Você não é responsável por nada. Sua expressão escureceu de repente. — Por que você continua dizendo isso para mim? Sobre eu não fazer nada? — Não sei. — Ela começou, confusa por sua rápida mudança de humor. Por que ele estava tão chateado? Ela tentava tirar a pressão dele. Com tudo o que ele passava, podia ser um alívio. — Foi uma noite, Blue. Não temos um relacionamento. Nós não estávamos em um relacionamento. Não sei as circunstâncias agora, se você está vendo alguém... eu não quero estragar algo... — Não estou saindo com ninguém, — disse ele definitivamente. — E naquela noite, eu não estava vendo ninguém. — Ele desviou o olhar por um segundo. — Não de verdade. — Quando se virou para ela, seus olhos estavam cobalto. — Tudo o que eu disse a você, não era porque eu tinha algum grande sentimento não correspondido por outra pessoa. Foi porque eu estava com raiva de mim mesmo. Seu coração chutou no peito. — Por quê? — Ela perguntou. — Por causa de Natalie? O que você encontrou no apartamento dela? A notícia se espalhara sobre o romance on-line de Blue e Natalie e o fato de que ele encontrara o diário de Cass na casa da mulher. Mas ele não parecia interessado em discutir o assunto. — O que eu vou dizer é que Natalie Palmer é uma mentirosa. Ela é perigosa. — Seu maxilar se apertou. — E eu não vi. Deveria ter visto.


Emily olhou para ele conforme o aquecedor do carro continuava bombeando ar quente sobre sua pele. As perguntas que zumbiam em sua língua... Pelo amor de Deus. E, no entanto, ela sabia que pressioná-lo por respostas era uma má ideia. Se Blue Perez quisesse dizer mais, talvez ele o fizesse... no tempo dele. — Quero falar sobre você agora. — Ele disse, seus olhos sérios e preocupados sondando os dela. — Como você se sente? Estranha. Cansada. Um pouco irritada. E ligeiramente excitada. — Tudo bem. Bem. Ele assentiu. — Você já foi ver um médico? — Tenho uma consulta amanhã. Uma sobrancelha se levantou. — Eu gostaria de saber o que ele disser, se você não se importa. Sem o seu consentimento, uma onda de decepção se moveu sobre ela. Realisticamente, sabia que Blue não estava prestes a pedir ou exigir participar da consulta, mas o sentimento estava lá assim mesmo. — Claro que não. — E como... tudo está progredindo, — continuou ele. — Certo. Não tem problema. — Seu sorriso era tenso, forçado. E o aquecedor não estava funcionando, porque sentiu de repente que esfriava até os ossos. — Preciso voltar. Ele pareceu momentaneamente atordoado, mas depois seu olhar se esvaziou. — Claro. Ouça, eu sinto muito sobre as pedras na sua janela. Por te acordar. Eu simplesmente não conseguia... eu precisava... — Está tudo bem, — assegurou, estendendo a mão para a maçaneta da porta. — Compreendo. De verdade. Blue saiu do carro em um instante e deu a volta para o lado dela. — Vamos colocar você de volta na cama, querida. As palavras significavam exatamente aquilo, mas em vez de tomá-las dessa maneira, ela descobriu que elas vibravam diabolicamente dentro dela. Ela não podia evitar a reação física a esse homem. Chame de tesão ou chame apreciação, havia estado lá antes e aquilo estava de volta com uma vingança. Ele pegou a mão dela e dirigiu-se para a casa. A noite fria chicoteando em torno dela, mas tudo em que podia pensar era como aquelas mãos quentes, fortes e calejadas tocaram em outras partes do seu corpo.


Idiota. Você precisa dormir. E talvez de terapia. Quando chegaram à porta da frente, Emily começou a se afastar. Mas Blue segurou-a por um momento antes de se inclinar e dar-lhe um rápido beijo na bochecha. Era simples. Um pouco de nada. E ainda assim o gesto se espalhou por seu corpo como um incêndio. Sangue bombeando quente e carregado; dormir era a última coisa em sua mente. Senhor, tenha misericórdia, ela precisava entrar antes que agisse sem pensar. — Durma bem, Emily. — Ele sussurrou quando abriu a porta e entrou. — Você também. — Ela respondeu. Sua pele esfriou e superaqueceu ao mesmo tempo, ela fechou a porta e correu pelo vestíbulo para as escadas, cuidando para ficar quieta. Não foi até que entrou em seu quarto e deslizou sob as cobertas que percebeu que ainda vestia o casaco dele. *** Por mais que tentasse não o fazer, Blue dormiu demais no dia seguinte. Só por uma hora, mas ainda assim... O problema era, após chegar em casa, o sono não veio. Emily corria por sua mente. Seus olhos, sua voz, como ela ficava naquele roupão, seus cachos despenteados, as bochechas rosadas do sono e do frio. Ela estava grávida de seu filho, e ele não conseguia entender como se sentia a respeito. Estava com medo? Curioso? Feliz? Preocupado? Irritado? Ele estava animado? Ele deveria estar animado? O que havia de pai nele? Ele não sabia nada sobre isso. Nunca lhe fora demonstrado. Maldito seja, Everett. Talvez se você não tivesse tido tanta vergonha de mim, de me assumir, eu saberia o que fazer agora... Indo para a casa principal com o sol alto no céu, Blue forçou aqueles pensamentos para fora de sua cabeça. Precisava fazer todo o trabalho que certamente esperava por ele. Só tinha que encher a barriga primeiro, talvez engolir uma xícara de café antes de montar no cavalo. Esperava que os vaqueiros


tivessem ido para o pasto sul cuidar das cercas. Seria um bom dia se eles pudessem terminar antes do sol se pôr. Ele subiu ao alpendre dois degraus de cada vez. Não falou com sua mãe desde que a abandonou na outra noite. Ele tentava como o inferno manter-se calmo, impassível, mas coisas assim, como segurar a raiva, ficavam cada vez mais difíceis para ele. Não só crescia sua curiosidade sobre o passado – ouvir aquelas histórias sobre ela e Everett. Como se conheceram. Por que se apaixonaram. Como Everett reagiu quando soube que Blue viria. E essa última parte, ainda mais agora. Mas com Emily grávida, bebê a caminho, as ações de sua mãe marcavam-no mais profundamente ainda. Como ela pôde deixá-lo crescer sem um pai? Ele com certeza não deixaria esse bebê crescer com uma pergunta como essa. Ele entrou na casa e caminhou pelo corredor até a cozinha. Normalmente, ele sabia pelo cheiro o que havia para o café da manhã e ouvia os sons de panelas batendo ou pratos sendo lavados. Mas hoje, os bons cheiros estavam acompanhados por uma tonelada de conversas. As entranhas de Blue se retorceram, e por um segundo ele contemplou dar a volta e se dirigir à lanchonete para comer ovos e bacon. Eles geralmente não estavam aqui. Os Cavanaughs. E pelos sons, todos os três irmãos e duas de suas mulheres devoraram a comida preparada por Elena. Ele parou próximo à porta aberta, de costas para a parede, e escutou. Eles falavam sobre Cass e Natalie – e o diário. A gélida raiva da qual tentara se livrar um momento atrás estava de volta. Com uma maldita vingança. Natalie. Aquela mentirosa talentosa. Ficou na casa dela há não mais de três semanas atrás, parecendo confusa enquanto ele exigia saber o que o diário de Cass Cavanaugh fazia dentro de um dos seus livros de receitas. Ela o encontrou, disse. Há muito tempo atrás, ela dissera. E por que Blue olhava para ela assim? Todo acusatório? Um grunhido saiu de seus lábios. Como foi tão facilmente enganado? — Para mim, isso soa como uma menina com uma paixonite. — Era Mac falando, ainda se recusando a ver o que estava bem na frente de seu nariz. Blue balançou a cabeça. Aquela que fora sua amiga mais próxima estava se iludindo.


— Você lembra quem era o pai dela, certo? — A noiva de James, Sheridan, declarou em um tom firme. — Como ele quase tirou minha vida. E tudo o que ele disse para James, tudo o que ele deixou implícito sobre o desaparecimento de Cass. Talvez ele soubesse que Natalie tinha algo a ver com isso. Faz sentido que ele tentasse protegê-la... — Sua mulher é muito inteligente, J. — Cole colocou. — É uma das muitas razões pelas quais eu vou me casar com ela, — respondeu James. — E isso te faz inteligente, — Sheridan respondeu com um sorriso em sua voz. — Ok, talvez Natalie seja um pouco instável. — Mac aquiesceu, retomando a conversa. — Mas vocês realmente acham que ela fez isso? — Eu acho, — disse James. — E acredito que as pessoas são capazes de qualquer coisa, — acrescentou Deacon como se estivesse em uma reunião do conselho ou algo assim. — Ouça isso, — disse Cole. — Diário de Cassandra Cavanaugh. 10 de maio de 2002. Querido Diário, minha nova amiga é demais. Ela não acha nada de errado com Sweet ser mais velho do que eu. Na verdade, ela diz que gosta de um menino mais velho também. É tão bom ter alguém para conversar sobre essas coisas. Cole parou de ler. — Você acha que isso é verdade? — Perguntou. — Que Natalie saía com alguém? Ou ela falava de Sweet? Também conhecido como Billy Felthouse? Porque se ela saía com alguém, precisamos colocar esse homem nisso também, Deac. — Vamos ligar para Billy. — James sugeriu. — Ver se ele sabe mais do que o que nos disse no churrasco. — Odeio que ela teve que procurar outra pessoa, especialmente Natalie Palmer, para conversar. — Mac disse suavemente. — Eu não estava fazendo o meu trabalho como a melhor amiga. — Isso não está nem perto de ser verdade, querida, — disse Deacon. E Blue imaginou o homem abraçar a sua esposa. — Billy disse que ele se lembrava dela estar por perto. Com estes registros no diário, está ficando cada vez mais claro para mim que Natalie os perseguia. Não posso acreditar que não estava claro para o xerife.


— Eles não veem isso do ponto de vista de uma família, — disse James. — É uma menina que tem uma queda por um garoto. Eles viram isso uma centena de vezes, sem um final como o de Cass. — Bem, isso pode ser verdade. — Deacon rebateu. — Mas precisam vê-lo de todos os pontos de vista para chegar à verdade. Blue estava feliz que os Cavanaugh estivessem levando aquilo a sério. Ele estivera preocupado que não fosse assim. Que, como Mac, eles acreditassem que era apenas uma paixão e que Natalie encontrara o diário e era culpada apenas de escondê-lo de todos eles. Ele se afastou da parede e se dirigiu para a cozinha. Surpreendentemente, Elena não estava lá. Mas os Cavanaughs estavam exatamente onde os imaginara: reunidos em torno da mesa, os pratos na frente deles quase limpos. Ele foi direto para o bule de café perto da pia e se serviu de uma xícara. — Ei você aí, Blue. — James gritou. — Como vão as coisas, Blue? — Cole desta vez. — Bom dia. — Ele se virou para vê-los. Todos os três irmãos, Sheridan e Mac. Esta última deu-lhe um sorriso gentil e esperançoso. — Tem panquecas e bacon ali, — disse ela. — Não tenho certeza que eu esteja com toda essa fome, — disse ele. Ou que eu queira ficar por tempo suficiente para comer. — Acho que vou pegar alguma coisa para levar. O sorriso de Mac vacilou. Ela sempre parecia procurar por uma expressão diferente no rosto dele, uma maneira diferente de falar com ela. Qualquer coisa que sinalizasse que as coisas estavam de volta à maneira que costumavam ser. Ele desejou que ela apenas entendesse que não era para acontecer. Muita água lamacenta debaixo da ponte. Não passou tempo suficiente para ele se arrastar para fora dela ainda. — Sente-se, homem, — disse Cole, inclinando a cabeça em direção a uma cadeira vazia ao lado de Mac. — Sim, Blue. — James concordou. — Talvez você possa nos ajudar a entender isso. — Ele pegou o diário e ergueu-o. — Afinal, você esteve em contato com Natalie por um tempo. Ele não podia evitar. Sua mandíbula apertou-se como uma ratoeira. Embora estivesse contente que os irmãos levassem o assunto a sério, ele


odiava que seu relacionamento online com Natalie tivesse se tornado tão público. Odiava que as pessoas soubessem o quão estúpido, vulnerável e crédulo que havia sido. Mas era o que acontecia quando se chamava o xerife. Por que estava na casa de Natalie? Como a conhecia? Como encontrara o diário? Na ocasião, a própria Natalie foi muito aberta sobre o assunto. Realmente orgulhosa de sua conexão. Blue, não tanto. — Realmente não sei de nada, — disse ele, e tomou um generoso gole de seu café. — Ela nunca mencionou a vida fora de Black River? — Perguntou Deacon, cortando uma pilha de panquecas. — Tipo, se ela tirou férias ou uma escola de culinária que tenha frequentado? Escola de culinária? Que diabos era aquilo...? — Não. As sobrancelhas de Deacon levantaram. — Acho difícil de acreditar. Especialmente a escola. Meu detetive está nisso, e ele diz que foi uma parte importante de seu passado. — Nós não falamos sobre o passado. — Blue disse entre dentes. — Não ficamos tão próximos. Cole bufou. — Isso é namoro on-line. Estou feliz por não ter que sofrer esse inferno mais. — Cole. — Mac repreendeu. — Isso não é ser insensível? Caramba. Ele parecia confuso. — Tudo o que estou dizendo é que sou grato por ter o meu amor, Grace. — Tenho trabalho para fazer. — Blue disse, colocando a xícara na pia. Ele colocou uma panqueca e um pouco de bacon em um guardanapo e se dirigiu para a porta. — Vejo vocês mais tarde. — Ei, Blue. — Cole chamou. — Não falei a sério, você sabe. — Claro, eu sei, — ele respondeu. — Sério. Não estamos nada além de agradecidos. Você trouxe o diário de Cass para nós. Devemos a você. Essas últimas palavras seguiram-no porta afora até a varanda. Devemos a você. Desde aquela noite, há três semanas, ele apenas desistira – a luta para compreender o seu passado, a luta por Cass, a luta pelo Triple. Não tinha mais combustível. Não valia a pena a batalha. Mas esta manhã as coisas eram diferentes. Se sentia diferente. Ter uma casa, um lar seguro, e um meio de vida a


longo prazo era mais do que apenas por ele mesmo agora. Afinal de contas, ele pensou enquanto descia os degraus da varanda e saĂ­a para a luz do sol, mastigando sua panqueca, uma nova vida chegava ao mundo. Um Perez. NĂŁo, pensou ele, um Cavanaugh.


Capítulo 08 Emily folheava a revista e fingia estar interessada em fraldas Genies e faixas para carregar bebês. Mas realmente sua mente estava no exame que estava prestes a fazer. Ela tremia de nervoso. Principalmente porque realmente não sabia o que esperar. Exames de sangue? Ultrassom? E não era um médico que ela conhecia. Ela escolheu alguém a três cidades de distância, de modo que não haveria qualquer falatório em Black River. Afinal, ainda precisava contar aos seus pais. Ela queria esperar até após a consulta com o médico, até que soubesse que tudo estava como deveria ser, antes que soltasse a bomba. — Emily Shiver? Emily olhou para cima para ver uma enfermeira de pé na porta que levava às salas de exame. — Sim. — Ela levantou rapidamente e a seguiu. A sala de exames era muito bonita, limpa e acolhedora, com tinta verde claro nas paredes e fotografias em preto-e-branco da área rural do Texas. Após fazer um monte de perguntas, colher seu xixi em um copo, e aferir seus sinais vitais, a enfermeira deixou Emily sozinha para se trocar. Nada como um vestido de papel que deixa a sua bunda descoberta para fazer uma garota se sentir confortável e à vontade. Ela fez uma careta. Ainda bem que dissera a Steven que sua consulta não seria até a próxima semana. Tê-lo como acompanhante, fazendo perguntas estúpidas e tirando sarro de seu vestido de papel, apenas deixaria as coisas mais desconfortáveis. Após terminar e sentar-se à mesa de exame, ela brincou com seu telefone por alguns minutos quando houve uma batida na porta. — Senhorita Shiver? — Sim, — ela disse. — Estou pronta. A enfermeira enfiou a cabeça dentro. — O médico vai demorar mais cinco minutos. — Oh, isso é bom. Eu posso esperar. — Há um Blue Perez aqui fora, — a enfermeira continuou. — Diz que é o pai do bebê.


O coração de Emily parou dentro de seu peito. Blue? Do lado de fora? Dizendo às pessoas que ele era o pai de seu filho. Que diabos? Ela não tinha certeza se ouviu a mulher corretamente. Mas então, sim, ela ouviu. A enfermeira olhou com expectativa para ela. — Devo deixá-lo entrar? — Humm, — respondeu ela em silêncio. — Ok. Sim. Após a enfermeira sair, Emily olhou para a porta. Como ele a encontrou? Sim, ela disse que tinha um compromisso hoje, mas não onde estava. E não contou a ninguém também. Estava a milhas de distância de Black River, pelo amor de Deus. Enquanto tentava dar uma de Sherlock Holmes para descobrir a resposta, a porta se abriu. — Me desculpe pelo atraso, querida. — Blue entrou, confiante, encantador, todo alto e bronzeado, brilhantes olhos azuis. O sonho de toda menina do Texas. — Dez cabeças romperam a cerca recém consertada e acabaram ficando presas em um pântano de 1 metro de profundidade. Bem, isso explicava as coisas. Não. De repente, ela se deu conta de sua aparência. Nada confiante ou charmosa. E definitivamente não sexy como ele. Não. Ela estava sentada na mesa em um vestido de papel, pernas nuas penduradas entre esses estribos de metal frio, unhas dos pés sem nenhum esmalte, cabelo preso no alto da cabeça – absolutamente nenhuma maquiagem. Deus, isso não era justo. Por que ele estava ali? Realmente? Ontem, ele disse que queria saber o que o médico disse, não que ia à consulta. A enfermeira saiu em seguida, fechando a porta suavemente. E Emily se virou para sua visita surpresa. — Atrasado? — Ela repetiu. — O quê? — Você não está atrasado, Perez. Você nem deveria estar aqui Sombras moveram através de seus olhos. — Eu acho que aqui é exatamente onde eu deveria estar. — Não é isso o que quero dizer, e você sabe disso, — disse ela, tentando parecer casual e composta em seu roupão de papel. — Sei? — Perguntou ele com força.


— Sim. — Ela deixou escapar um suspiro. Droga de homem. — Olhe, não tive a intenção de fazer soar como se não fosse bem-vindo. É que você disse que não vinha, então isso é um grande choque. — Não foi exatamente isso o que eu disse. — Ele emendou. — Eu disse que queria ouvir o que o doutor tinha a dizer. — Ele se aproximou dela, ficando perto da mesa de exame em que estava sentada, e olhou para o rosto dela. — Você quer que eu vá, Emily? Ofegante, ela olhou para ele. Ela queria? Queria que ele fosse embora? Seu coração apertou e ela soltou um suspiro. — Não. — Ela lhe deu um meio sorriso. — Não. Estou feliz que você veio. Antes que pudesse perguntar como ele conseguiu encontrá-la, houve uma batida na porta e o médico e a enfermeira entraram. — Bom dia, — o médico cumprimentou de forma radiante ao entrar na sala. Ele tinha mais ou menos a altura de Emily, a idade de seu pai, muito elegante, e tinha os olhos mais gentis que ela já viu. Ele estendeu a mão para Emily primeiro. — É bom conhecer você. — Você também. — Ela disse a ele. Em seguida, ele pegou a mão de Blue, sacudiu-a entusiasticamente. — Sou o Dr. Page. — Blue Perez. — Blue disse a ele. O médico se virou para Emily com apenas uma rápida elevação da sobrancelha. — Este é o pai do bebê, — disse ela, seu peito se sentindo um pouco apertado quando as palavras foram liberadas. O que o Dr. Page pensaria se soubesse que Blue e ela eram praticamente desconhecidos? Não que ela planejasse dizer a ele ou qualquer coisa. — Bem, — o médico começou, — nós podemos ir na ordem que você quiser, Emily. Este é o seu show. Você o conduz como achar melhor. As palavras do homem a acalmaram. Foi uma jogada arriscada sair de Black River para o pré-natal, mas o aplicativo de busca valeu o dinheiro. Ela pensava que poderia ter ganhado na loteria com este. — O que você normalmente faz? — Perguntou a ele. — Acho que eu estaria bem com isso. — Normalmente, eu gosto de fazer o ultrassom primeiro, — disse ele, puxando sua cadeira de couro cinza de rodinha e sentando. — Então, um bate-


papo no meu consultório, onde você pode me fazer uma tonelada de perguntas e eu faço o meu melhor para respondê-las. Então vamos tirar um pouco de sangue, e sei que Mary Louise aqui gosta de servir um donut após tudo isso. Emily olhou para a enfermeira, que sorriu para ela. — Eu cuido do meu, querida. Tenho um pouco de chocolate no pote com seu nome nele. Ah, sim, isso poderia de fato ser o meu lugar favorito na terra. — Então, vamos começar com o ultrassom, — disse o médico, começando a se aprontar, pegando um par de luvas. — É possível ouvir o batimento cardíaco? — Perguntou Emily. — Está um pouco cedo ainda, mas podemos fazer uma tentativa. — O médico acenou para Mary Louise, e a enfermeira passou a manejar a bandeja de metal e a máquina de ultrassom. — Agora se deite, Emily. Sr. Perez, por aqui, — disse ele, guiando Blue para ficar perto do ombro de Emily a fim de que ele pudesse ver o monitor enquanto dava a ela um pouco de privacidade. O médico pegou um instrumento parecido com um transdutor que a enfermeira entregou a ele. — Agora, isso poderá estar um pouco frio. Enquanto Emily olhava para a tela, ela sentia o transdutor{9} deslizar suavemente em seu corpo. Ela ouviu falar sobre ultrassons, viu fotos de bebês pequenos em forma de feijão, mas era algo completamente diferente saber que o que via no monitor era dela. A princípio, quando algumas formas vieram, ela não sabia nada do que estava vendo. Em seguida, o Dr. Page começou a apontar as coisas. — Este aqui é o seu útero, — disse ele, indicando algo que parecia uma piscina escura em forma de rim. — Tudo parece bem? — Blue perguntou do lado dela. Ele parecia um pouco ansioso. — Tudo parece maravilhoso, — o médico assegurou. — Assim como deve ser. — Ok. — Blue se inclinou mais perto, olhando para a tela. — Bem, eu não vejo nada. Tem certeza que está tudo bem? O bebê... — Está tudo bem, Blue. — Disse Emily, olhando para cima. Ele parecia pensativo enquanto olhava para o monitor, sua mandíbula tensa. Ela não podia acreditar em como ele estava nervoso. E ainda assim a preenchia com o mais leve sopro de esperança.


— Mary Louise irá mostrar-lhe, Sr. Perez. — Dr. Page moveu o transdutor um pouco. — Certo... lá. A enfermeira veio e apontou para um pequeno crescente apenas descansando contra o fundo da piscina em forma de rim. Por vários momentos, ninguém disse nada. Apenas olhavam fixamente. Reconhecendo. Compreendendo. Percebendo. Para Emily, porém, era como se o mundo mudasse. O mundo que ela conheceu anteriormente. Livre, único e independente. Ele já não existia. Ela era uma mãe agora. Aquele pequeno ser contava com ela, precisava dela. Seu coração saltou dentro de seu peito. O futuro já não pertencia apenas a ela. — Está tudo bem? — Blue perguntou ao médico, arrancando Emily de seus pensamentos. — É tão pequeno. — O feto parece saudável, — Dr. Page assegurou. — Mede bem. Devemos ouvir os batimentos na próxima consulta. — Ele tirou suavemente o transdutor e a cobriu. — Mary Louise tem uma imagem para você. Sua primeira foto do bebê. Mais uma vez, o coração de Emily pulou. Isto era real. Mais do que real – estava acontecendo e ela precisava estar preparada. Precisava colocar a sua vida em ordem. Precisava dizer a sua família. A enfermeira lhe entregou uma cópia em preto-e-branco do que ela viu na tela. Seu pequeno embrião. — Aqui está, querida. — Obrigada, Mary Louise, — disse ela. — E você também, Dr. Page. O homem deu um sorriso brilhante e se levantou da cadeira. — Por que você não se veste e encontra o Sr. Perez e eu em meu consultório aqui ao lado Ela assentiu com a cabeça e viu quando todos saíram pela porta. A gravidade do que ela enfrentava agora pulsando através dela. Oh, Senhor, sim. Ela faria o que era certo por essa criança. Não importava o que fosse. Após se vestir, ela se dirigiu para a porta, mas parou um momento e retirou a foto de sua bolsa. O pequeno embrião olhou para ela. Seu pequeno embrião. Dela e de Blue. *** Ele não disse a ela que queria vir. Sequer perguntara. O tempo de uma mulher com seu médico era privado, não era? E ainda assim... hoje, lá fora, sob a grande cúpula do céu e do sol, onde ele sempre sentiu como se pertencesse – o único lugar que ainda era assim – sentiu-se angustiado. Talvez porque não


estivesse onde pertencia naquele momento. Levara uma hora ao telefone, dizendo a cada recepcionista que atendeu que ele esquecera o horário da consulta de sua namorada, não queria que ela passasse por sua primeira visita ao doutor sozinha. Um pouco de subterfúgio lhe rendeu um horário, local, e um, — Ahhh, você é tão doce. — Primeira vez, Sr. Perez? Blue olhou para cima, dirigiu-se ao homem sentado em frente a ele atrás da enorme mesa. — Primeira vez para o que, Doutor? Os olhos castanhos do homem se enterneceram. — Ser pai? A questão era simples, e também a resposta. E, no entanto, Blue não conseguia fazer nenhuma palavra sair de sua boca. Emily estava grávida. Isso era certo. Ela teria um bebê, seria mãe. Ele ajudara a fazer aquele bebê. Mas a palavra... Papai... Era como uma faca, abrindo um buraco dentro de seu peito. De novo e de novo. Como ele podia ser pai quando nunca tivera um? A porta se abriu e Emily entrou, parecendo suave e bonita em uma camiseta rosa clara e calças jeans. Seu cabelo estava solto, os cachos tocando-lhe os ombros. Será que seu bebê teria aqueles cachos? A pergunta veio forte, rápida e sem a sua permissão. Suas entranhas se apertaram e ele virou para encarar o doutor. Emily veio sentar-se ao lado dele, e enquanto o médico falava com ela, Blue escutava apenas parcialmente. Descanso e boa alimentação, exame de sangue era importante, e ela precisava tomar vitaminas. — Estou escrevendo uma receita para uma boa vitamina pré-natal, — disse Dr. Page, rabiscando no bloco na frente dele. — Com o histórico de sua mãe de pré-eclâmpsia, quero ter certeza que a verei a cada duas semanas. A névoa no cérebro de Blue, de repente evaporou e ele prestou atenção. — O que você está dizendo? Pré-o quê? — É chamado de pré-eclâmpsia, — o médico disse. — E não é nada para se preocupar. — Emily assegurou. Blue encarou o Dr. Page. — Não é nada? Não soa como nada. — Pode ser grave se não tratada, — disse o homem. — Mas vamos acompanhar de perto. Controle e acompanhamento da pressão arterial de Emily, bem co... — Bem, droga. — Blue interrompeu. — O que pode acontecer com ela?


Dr. Page parecia incrivelmente calmo sentado atrás de sua grande mesa. — É raro, Sr. Perez, mas ela poderia desenvolver um coágulo de sangue. Convulsão ou derrame também é um risco. Bem como questões de função hepática e renal. Mas, novamente, nós a monitoraremos. Medo subitamente correu através de Blue como a água fria de uma mangueira. Endireitou-se em sua cadeira. — Existem sintomas? Como ela poderia saber se algo está errado se não estiver aqui? — Blue, — disse Emily, cortando. — Sei tudo sobre isso, o que procurar. Está bem. Ele não escutava. Não ouvia nada, além de seu medo. — Pode machucar o bebê? — Blue pressionou o Dr. Page. Cristo, todo o seu corpo estava rígido. — Com a redução do fluxo de sangue para o útero, pode haver algumas complicações, mas novamente... — Como o quê? — Interrompeu Blue. — Que complicações? — Blue, — disse Emily, sua voz uma calma forçada. — Minha mãe teve préeclâmpsia e três bebês saudáveis. — Como o quê, Doutor? — Disse ele com os dentes cerrados, olhando para o homem. Ele sabia que se exaltava, mas simplesmente não conseguia se conter. Dr. Page soltou um suspiro. — Nascimento prematuro, crescimento atrofiado... Blue virou para Emily. — Você precisa parar de trabalhar no Bull’s Eye. — O quê? — Exclamou ela, olhando-o como se ele fosse louco. E ele provavelmente era. — Agora. — Ok, isso é o suficiente. — Ela lançou um olhar de advertência para ele. — Você não começará a agir como um homem das cavernas comigo, Blue. — E você não arriscará a sua saúde ou o bebê... — Eu nunca... — Ela parou, respirou. Então, se afastou dele e se levantou. — Obrigada, Dr. Page. Essas são todas as perguntas que eu tenho por agora. — Ela pegou a mão dele e apertou. — Vejo você em duas semanas. — Foi um prazer conhecer a ambos, — disse o Dr. Page, um sorriso compreensivo em seus lábios. — Você me verá também, — acrescentou Blue com força antes de segui-la para fora do consultório.


Emily não disse uma palavra até estar no carro dela; então, ela se virou para encará-lo com os olhos que tentavam como o inferno ter calma e compreensão. — Ok, eu sei que fiquei um pouco louco lá dentro, — ele começou com uma exalação pesada. — Um pouco? — Ela perguntou. — Essa pré-coisa soava assustadora como merda. — Isso é porque você não sabe nada sobre isso. É bastante comum. E se eu tiver a pré-eclâmpsia, isso não acontecerá até mais tarde na gravidez. — Ela suspirou, sua irritação indo embora. — Você não precisa se preocupar, certo? Sobre nada disso. Estamos cuidando de tudo. Este bebê ficará bem. Tenho toda a minha família cuidando de mim. Minha mãe sabe tudo sobre isso. Não preciso de você... Ele sentiu-se enrijecer. Ele desviou o olhar. As palavras dela o cortaram... — Vamos lá, Blue, — disse ela, reconhecendo seu erro muito rapidamente. — Eu não quis dizer isso. Tudo o que eu estou tentando dizer é, por favor, relaxe um pouco. Tudo ficará bem. Ok. Ok. Ele fungou. Estava? Cristo, nada foi muito bem nos últimos meses. Por que ele deveria acreditar que isso seria diferente? — Olha, eu preciso ir, — disse ela, virando-se para abrir a porta do carro. — Eu tenho trabalho. — Antes de entrar, ela lhe deu um sorriso tenso. — Estou feliz que você veio. Realmente. Mas da próxima vez, talvez seja melhor se eu vier sozinha. Ele olhou para ela, estremeceu quando a porta se fechou. E quando o peso de suas palavras afundou, e ela partiu para o sol do final da manhã, suas entranhas torceram-se com dor. Não era o tipo de dor que resultava de um punho na mandíbula, mas o tipo emocional, o tipo que vinha do medo e da perda. E um momento de esperança quebrado.


Capítulo 09 Emily estava na fábrica de doces de Willy Wonka, correndo ao lado do rio de chocolate. Seu estômago roncou com fome e ela se abaixou, pegou um punhado de chocolate frio, e trouxe-o aos lábios. O sabor rico, forte e cremoso encontrou sua língua e ela gemeu. Mais. Vendo um cogumelo à sua direita, ela saltou para ele, cavando os dedos no creme e manjar. Nada tinha um gosto tão bom. — Você gosta daqui, Emily? — Perguntou o Sr. Wonka. Ele aparecera a seu lado. Resplandecente em roxo e dourado. Seu sorriso malicioso, os olhos brilhando. Ela assentiu com entusiasmo. — Gostaria de poder ficar para sempre. — Eu sei, mas você não pode. — Ele disse a ela. — Você tem um emprego. Ela piscou para ele, e seu rosto, aquele que ela conhecia da televisão, se transformou em um que ela conhecia de casa. Do Bull’s Eye. Rae? — Se não voltar ao trabalho, — disse a mulher mais velha, ajustando as mangas de seu terno roxo, — você perderá aquele imóvel de negócios. Sem loja de flores. Sem futuro para o seu bebê. É isso o que você quer? Confusa, Emily olhou para baixo. Ela não podia ver seus pés. Sua barriga estava enorme. Como...? De repente, uma dor apertou seu lado, e gritando, se curvou. Não conseguia respirar. Doía demais para respirar. Oh Deus, o bebê estava chegando... Ela acordou com um arquejo. Sentando-se, agarrou o edredom e olhou ao redor do seu quarto. O luar entrava e chovia. Espere. Como chovia com a lua...? Ela olhou para a janela. Nada... sem chuva... Oh, Deus. De novo não. Enxugando o suor de sua testa, ela saiu da cama. Ainda presa entre seu sonho e essa estranha realidade, ela tropeçou até a janela. Levantando a tranca,


ela puxou-a e olhou para fora. Estava congelando. Ela olhou para o escuro quintal abaixo. Onde ele estava? Em algum lugar nas sombras com as mãos cheias de pedras. — Emily? — Veio um sussurro. Assustada, ela levantou a cabeça tão rápido que quase bateu na parte superior da janela. Não havia sombras. Ele não estava no chão ou atrás da árvore no fundo do quintal. Ele estava bem ali, na frente dela, e não um metro e meio de distância, na árvore. — Você está louco? — Ela sussurrou, total e completamente acordada agora. — Você vai ganhar um pescoço quebrado. Ele se levantou – na verdade – se levantou e agarrou um galho grosso. Ele olhou para ela com a confiança arrogante de um menino com metade de sua idade. — Tenho escalado árvores desde que eu tinha cinco anos. Além disso, não é tão alto. — Não falava apenas sobre a queda, — ela sussurrou asperamente. — Minha mãe, pai e irmãos estão apenas no final do corredor. Seus lábios tremeram. — Nós precisaremos ficar quietos, então. — Lábios que eram, e não podia deixar de notar a luz da lua, emoldurados pela sombra de barba de um par de dias. Algo perto de diversão iluminou os olhos dele. Inacreditável. — Você me convidará para entrar? — Existe a possibilidade de eu dizer não? — Perguntou ela. Aqueles olhos mais azuis que todos os olhos azuis ficaram sérios. — Você sempre pode dizer não, Emily. — Oh meu Deus, isso é loucura, — ela resmungou, mas, de fato, desenganchou a tela e se afastou. Ele moveu-se para a extremidade do grosso galho que tocava o lado da casa, então, facilmente entrou em seu quarto, como um maldito Tarzan em esporas. Ele mal fez um som ao aterrissar no chão. — Algo me diz que você já fez isso antes, — ela sussurrou secamente. — Um monte de árvores na propriedade Triple C. E um monte de tempo em minhas mãos quando eu era criança. — Ele olhou para o quarto dela. — Eu me sinto um pouco como Peter Pan. — Bem, eu pensava no Tarzan... — Oh, eu gosto mais disso.


— Isso está ficando ridículo, Blue. — Ela disse enquanto pegava o roupão pendurado ao lado da cama. — Eu concordo. — Então, talvez, esta seja sua última tentativa de entrar em minha casa pela janela do segundo andar? — Só quero conversar, esclarecer as coisas. — Ele exalou. — Seria muito mais fácil se nós vivêssemos sob o mesmo teto. Ela riu suavemente. — Verdade. Mas acho que você não seria bem-vindo aqui. Claro, Steven pode compartilhar o quarto com você. Vendo como ele lhe deve. — Há muito espaço no Triple C, — ele disse, não exatamente encontrando seu olhar. — Você já esteve lá. É muito bom. O sorriso no rosto dela começou a desvanecer-se. O que ele estava fazendo? Dizendo? Algo lhe dizia que ele não estava brincando com essa sugestão. Ela olhou para ele por um momento, observando sua expressão contemplativa. — Você não está falando sério. Os olhos dele foram rapidamente para a janela, e voltaram para ela. Ele deu de ombros. — Talvez seja algo a considerar. Sua boca se abriu. — Algo a...? O que diabos está acontecendo com você? Pirando com o médico, vindo à minha casa duas noites seguidas, me acordando. — Ah, merda, eu não sei, — disse ele, passando as mãos pelo cabelo. — Entendo que estou agindo como louco, mas não consigo me conter. — Eu acho que você precisa. Os olhos dele se levantaram e capturaram os dela. — Você está esperando meu filho, Emily. — Não, — ela respondeu, embora suas entranhas se acelerassem. — Estou esperando meu filho. Ela não queria que houvesse nenhuma dúvida sobre isso. Foi duro, mas era verdade. Mas, mesmo assim, as palavras tiveram um efeito profundo sobre ambos. Emily recuou, ficou quieta e pensativa, e Blue deixou seu lugar junto à janela e andou prudentemente em direção a ela. Ela olhou fixamente... em todo o um metro e oitenta e sete, jeans abaixo da cintura, sua camiseta branca esticando sobre o peito musculoso e bronzeado. Quando ele parou diante dela, os olhos dela


se moveram sobre o rosto tenso, porém surpreendentemente bonito. Os olhos dele eram azuis como o céu escuro pouco antes do anoitecer, e seu cabelo cresceu um pouco desde aquela noite em que estiveram juntos. Havia alguns cachos nele. Perguntou-se qual seria a sensação de tê-los entre os dedos. — Não se engane, querida, — disse ele com um viés possessivo em sua voz. — Eu serei parte da vida desta criança. Ele saberá quem é o pai dele. Você entende o que estou dizendo? Olhando para o rosto tão brutalmente lindo, os olhos resolutos, Emily perdeu o fôlego por um momento. Ele falava sobre sua própria vida, e o pai que ele nunca soube que existia até a morte do homem. Sim, essa criança era dela, viria de seu corpo. Mas, ela realmente negaria a Blue Perez conhecer seu filho ou filha? Não, claro que não. Para o bem da criança, tanto quanto o dele. Então, novamente, ela meditou, levantando o queixo, ela não seria intimidada nem teria ninguém lhe dizendo o que podia e não podia fazer. — Eu entendo o que você está dizendo, Blue. — Ela disse. — Mas é melhor você entender o que eu digo também. Não vou parar de trabalhar, visitas ao médico não serão estressantes e uma oportunidade para surtar sobre seus medos, e você não pode continuar vindo aqui no meio da noite. Seus olhos brilharam. — Algumas mulheres podem achar essa última parte romântica. Sua barriga apertou e ela disse em um tom quase sussurrado, — Outras achariam cansativo. Mas sabe, você sempre pode ir encontrar uma dessas mulheres. Por um par de segundos, ele apenas olhou para ela. Então, seus lábios se curvaram para cima nos cantos. — Acho que não. — Ele ergueu a mão e deixou os dedos roçarem sua bochecha. Os dedos dele eram ásperos e calejados, e a sensação deles em sua pele fez um som escapar de sua garganta. Um cruzamento entre um gemido e um choramingo. — Pensei ter imaginado, — disse ele com uma risada suave. — O quê? — Ela perguntou, sua respiração agora presa em seus pulmões. — Como sua pele era macia. Como se sentiu contra a minha. — Ele olhou para sua mão e dedos. — Áspera e desgastada... — Eu me lembro, — disse ela sem pensar. A sobrancelha dele se arqueou e diversão iluminou seus olhos. — Sério?


— Eu não era a bêbada, lembra? — Eu não estava tão bêbado, — ele protestou, esfregando suavemente o polegar sobre sua bochecha. — Ou inferno, talvez eu estivesse. Por alguns dias, eu realmente pensei que fosse um sonho. — Um bom sonho? — Ela perguntou, estupidamente. Porque, realmente, quão horrível se sentiria se ele dissesse... — O melhor. Sua respiração prendeu. Seus olhos presos. Senhor Todo-Poderoso, como era possível que eles estivessem de pé no meio de seu quarto, luzes apagadas, lua destacando-os, apenas algumas horas antes do amanhecer? Era uma loucura. E, no entanto, sentia-se total e melancolicamente feliz pela primeira vez em semanas. Bem... feliz e sexualmente excitada. Seu coração pulou em sua garganta. Se ele a beijasse, e as coisas evoluíssem... como eles fizeram... acabariam em sua cama? Sua cama de infância? — Eu sei que a coisa de se mudar foi estúpida, — disse ele, seu olhar tão carregado, tão intenso. — Estou apenas tentando descobrir as coisas, Em, sabe? Quero estar por perto. De você. Eu preciso. Por uma fração de segundo, sua mente conjurou uma ideia, uma ideia muito deprimente. Ele quer estar perto de você por causa do bebê. Só por causa do bebê. Então seus ouvidos aguçaram quando ouviu movimento no corredor. Alguém ia ao banheiro. O pânico tomou conta dela e ela se afastou, perdendo o momento. — Você precisa ir, — ela sussurrou. Ele não se moveu, nem sequer pareceu preocupado. — Por quê? — Ouço alguém. — Ela apontou para a porta. — No banheiro. — Não tenho medo de seus irmãos ou seus pais, Emily. Eles precisarão se acostumar a me ver por aqui. — Ele deu de ombros. — Especialmente se não formos morar juntos. Oh, ela não estava no clima para suas piadas. — Vá, — ela sussurrou, agarrando seu braço e puxando-o para a janela. — Por favor. — Tudo bem, — disse ele, abaixando-se e subindo na janela. — Mas pense no que eu disse. Quero ver você. Estar lá. Ela ouviu a água correndo no banheiro. — Vá, Blue.


Por um segundo, ela pensou que ele ia protestar, talvez até voltar para dentro. Mas então ele deslizou para o ramo, e, como um macaco, facilmente desceu. Com o coração em sua garganta e suas entranhas ainda excitadas com consciência e saudade, Emily o observou atravessar o gramado, entrar no carro e ir embora. *** A noite fria dava uma sensação boa em sua pele. Atacava o incêndio que se alastrou dentro dela. A mulher – aquela garçonete – ela simplesmente não conseguia, não é? Manter-se afastada de Blue. Ela não tinha o suficiente? Uma bela casa, dois pais que a amavam e se preocupavam com ela? Natalie zombou enquanto observava a janela pela qual acabara de ver a fuga de Blue. E acreditava que era uma fuga. Por que ele estaria lá quando me amava? Não estava certo. É claro que era hora de agir. Fazer um novo amigo. Seria bom ter um amigo. Já faz um longo tempo. Claro, eles nunca ficavam por perto durante muito tempo. Talvez fosse culpa dela. Ela tinha um monte de falhas. Blue viu seus defeitos. Uma luz acendeu no quarto da mulher. Era a única luz acesa na casa. Talvez ela estivesse pensando. Sentindo-se culpada por tomar o que não lhe pertencia. Talvez não conseguisse dormir. Natalie sabia como era isso. Havia perdão e compreensão – e ajuda – dentro de seu coração. Ela poderia ajudar Emily Shiver a dormir. Apertando mais seu casaco, ela continuou observando a luz. Demorou uma hora para sair do abrigo do antigo teatro e caminhar para casa.


Capítulo 10 O suor escorria do rosto de Blue, e ele agarrou um lenço do bolso e se secou. Ele acabara de vir da alimentação, e outra tentativa na cerca, e agora limpava um dos armários do quarto de hóspedes do Triple C. Ele pegou o quarto mais bonito – de muita luz, uma macieira do lado de fora da janela, agradável pintura amarelo claro nas paredes. E era o mais próximo do quarto que ele ocupara por toda a sua vida. Bem, até recentemente, de qualquer maneira. Isso não era para Emily. Ele balançou a cabeça, recordando quão louco e desesperado ele estava na noite passada. Morar com ele... Cristo, a mulher mal o conhecia. Não, o quarto era para seu filho. Certo, levaria um tempo até que alguém estivesse nele. Mas precisava da distração – da ação. Fazer alguma coisa. Oferecer algo. Mostrar a Emily que ele estaria lá, para o que desse e viesse. Talvez mostrar a si mesmo também. — O que você está fazendo? Ele colocou a cabeça para fora do armário. Sua mãe estava em pé ao lado da porta, olhando ao redor, curiosa. — Apenas limpando. — Por quê? — Ela perguntou, confusa. Então, sem esperar por uma resposta, suas mãos voaram para seu rosto, e ela engasgou. — Oh, Blue, você voltará a morar dentro da casa? A pura alegria indisfarçável em seu rosto fez suas entranhas se apertarem. Às vezes era difícil encarar a verdade de que esta mulher não era a pessoa que mentiu para ele a vida toda. Ela também era sua cuidadora, enfermeira, amiga e defensora. Maldição, ele sentia falta. Falta dela. Mas a raiva e ressentimento eram uma força mais forte do que o sentimentalismo. — Posso voltar. — Disse ele. — Mas não estarei sozinho, se o fizer. Mais uma vez, Elena parecia confusa. — Você fala sobre seus irmãos? Ele fungou com escárnio. — Não tenho irmãos.


Ela olhou para ele. Franziu os lábios. Sem dúvida, ela ficava cansada de ouvir sua merda passiva-agressiva. No entanto, não a impediu de tentar argumentar com ele. — Blue, claro que tem. E eles querem construir esta ponte que você continua derrubando. Ele virou. Não estava pronto para falar sobre o passado ou o presente. Ele fazia algo para o futuro. Isso era tudo em que ele queria pensar. — Se não é para um Cavanaugh. — Ela o pressionou, — Quem é? Seis meses atrás, Blue teria dito tudo para ela. Sem dúvida, com um enorme sorriso no rosto. Ela teria amado isso. Ela seria avó. O sonho de toda mãe. Mas era um presente. Esse conhecimento. E agora, hoje, era um presente que ele não estava pronto para dar. — Continuarei trabalhando nisso, — disse ele. Ela não disse nada por um momento. Então, — Posso ajudá-lo. Eu ficaria feliz. — Não. — Ele olhou para ela mais uma vez. Estava decidido. — Obrigado. Tenho tudo sob controle. Ele sentiu o peso da decepção dela. Saturou o ar entre eles. Havia uma parte dele que ele mesmo desprezava por tratar Elena assim. Não importava o que acontecera, o que fizera, ela ainda era sua mãe, e merecia seu respeito. Mas o resto do corpo, o nervo exposto que ele era agora, simplesmente não podia permitir. Quando você está vulnerável com alguém, para alguém, e eles te traem, esse vínculo, esse respeito, é cortado. Quem sabia como poderia ser fundido novamente. Ou se podia... Por um momento, enquanto Elena permanecia ali na porta, Blue pensou que ela continuaria pressionando-o, pedindo para ele reconsiderar. Mas ela não o fez. Sem outra palavra, ela virou e saiu do quarto. E ele se retorceu por dentro mais uma vez. *** Emily não tinha por hábito aparecer sem avisar nas casas das pessoas ou o trabalho, mas esta manhã ela acordou com uma urgência que não podia ser ignorada. Imaginava que sentiria muito disso ao longo dos próximos nove meses. — Quero falar com o proprietário.


Aubrey estava sentada atrás de sua mesa de metal em seu pequeno escritório na Propriedade Black River. A maquiagem foi habilmente aplicada, mas ao sorrir para Emily, havia um pouco de batom cor de rosa em seus dentes. — Oh, querida, é para isso que você está aqui? Pensei que você tivesse sido inteligente e pedido o dinheiro aos seus pais. Não, ela não pediu a eles. Inferno, ela ainda não contara a eles sobre seu pequeno embrião. Queria as coisas no lugar antes de fazer isso. — Acho que se eu pudesse explicar as coisas, podemos chegar a um acordo. — Emily, — Aubrey começou, com aquele olhar que pedia a alguém para simplesmente parar ali mesmo, já que tudo o que eles estavam prestes a dizer era inútil. Mas Emily era imune a negatividade não-verbal. Especialmente quando estava no caminho de seu futuro. — A coisa é, as pessoas que cresceram aqui em Black River... você sabe, há uma compreensão, um respeito pelo trabalho duro e... circunstâncias especiais. — Que circunstâncias especiais? Ela balançou a cabeça. Aubrey não receberia aquela notícia ainda. Não antes de sua família. — Tudo o que eu estou dizendo é que eles querem ajudar uns aos outros. — Claro, mas... — E tenho um pagamento considerável, — acrescentou Emily rapidamente. — Há uma oferta sobre a mesa, querida. — Aubrey parecia envergonhada, como se realmente fosse a última coisa que ela queria dizer a sua cliente ansiosa. — Todo o dinheiro. Emily parou, olhou. — Não. — Sinto muito, querida. Isso não poderia estar acontecendo. De verdade. Sua cabeça começou a girar. O imóvel que ela cobiçava e trabalhava há dois anos para possuir, de repente teve uma oferta. É verdade que as pessoas olhavam o espaço de tempo em tempo, mas ninguém se comprometeu. Era tão pequeno... — É um cliente seu? — Não, — Aubrey disse suavemente. — Na verdade, é um forasteiro. Bem, mais ou menos. Ele morava aqui quando era um menino. James Cavanaugh. Suas entranhas afundaram. Cavanaugh? — O encantador de cavalos? Aubrey assentiu.


E meio-irmão de Blue. — Por que ele iria querer uma sala comercial na cidade? Ele é uma celebridade que viaja. Isso não faz sentido. Aubrey negou com a cabeça. — Não faço ideia. Exceto que, talvez, ele esteja voltando? Tem aquela noiva agora, cavalos na propriedade Triple C. Todos os irmãos Cavanaugh parecem mostrar suas caras por aqui ultimamente. E ninguém decidiu sobre quem assumirá aquele rancho deles. Um silêncio tristonho caiu sobre Emily, e seus ombros caíram. Era a última coisa que esperava ao ir ali. Ela deu um sorriso forçado a Aubrey. — Ok, então. — Realmente sinto muito, Emily. Mas quando você estiver pronta, nós encontraremos outro lugar. Tão bom quanto. Melhor! — Claro, — foi tudo que conseguiu dizer. Quando saiu do escritório, seu estômago parecia um balão de chumbo. Quando estivesse pronta? Ela estava pronta agora. No ponto. E não queria outro imóvel. Inferno, não havia muito para se comprar em torno de Black River. E os poucos que viu eram excessivamente grandes, demasiado caros, e não tinha o escritório e espaço privado que ela queria. Ela caminhava pela rua ensolarada em direção à propriedade que sentia que era para ela. Sua loja de flores. Seu futuro. Este bebê estava vindo – e a mãe dele só precisava se estabelecer com uma carreira sólida e um negócio próprio antes que ele nascesse. Ao passar pela lanchonete, ela viu o irmão Cavanaugh mais velho, Deacon. Alto e largo como seu meio-irmão, o homem estava sentado no balcão tomando café da manhã. Emily sabia que Deacon comprara a terra fora da cidade, construíra um enorme rancho na propriedade, e se casara com a capataz do Triple C, Mackenzie Byrd. Aqueles garotos voltaram para casa para ficar? Aubrey estava certa? E se assim fosse, o que aquilo significava para Blue? Sua vida, seu trabalho – onde ele pertencia? Você precisa se preocupar com você mesma e este bebê agora. Blue pode cuidar dele mesmo. Ela respirou fundo. Talvez houvesse algo que pudesse fazer... talvez a pessoa com quem precisasse falar não fosse o atual proprietário do imóvel, mas o potencial comprador. James Cavanaugh.


Capítulo 11 Tirar o esterco das baias era praticamente o pior trabalho no rancho. Mas inferno, ele perdeu uma aposta com Frank, então lá estava ele. Chutando para tirar a merda de sua bota, Blue se dirigiu para próxima baia. Ele tinha mais seis para limpar antes que pudesse parar para o almoço, e cara, ele estava com fome. O café da manhã foi praticamente um fracasso, e aquele cooler perto da porta chamava seu nome. Isto é, até que outra pessoa chamou. — Ei, você aí, — veio uma voz que Blue conhecia tão bem quanto a própria. — Encontramos esta pequena senhorita passeando. Você já a viu antes? — Sam, — a mulher repreendeu. — Em nome de Deus, você me conhece. E eu conheço você. Hambúrguer malpassado com cheddar, bacon, e muito molho quente. Blue virou, seu estômago se contraindo ao som da voz de Emily Shiver. Tinha essa doce qualidade espertinha nela. Acabou de sair da cama, ele pensou ao se levantar e olhar para a porta da estrebaria. Cristo Todo-Poderoso, ele não devia pensar nessas coisas. E, no entanto, enquanto ela caminhava em direção a ele, o administrador do celeiro do Triple C ao lado dela, tudo que Blue podia fazer era pensar nisso. Seu cabelo estava em uma espécie de trança lateral com algumas pequenas flores brancas aninhadas. Ela usava um vestido de verão rosa claro, o qual estava apertado em cima e na cintura. E se isso não fosse o suficiente, a coisa bonita tinha o comprimento que ia até o meio da coxa, e Emily Shiver tinha as pernas mais longas e sexys que ele já viu. Envolvendo minha cintura e segurando forte, melhor ainda. Suas narinas queimaram. Não devia pensar nessas coisas. Emily Shiver não era sua mulher. Ela era a mãe de seu filho – e ele precisava se lembrar disso. Especialmente conforme o passar dos meses, e eles se tornassem mais próximos... amigos.


— Ei, Blue, — disse ela, se aproximando, sua expressão um pouco cuidadosa. Ou tímida? Ele não sabia. Inferno, ele não sabia muita coisa sobre ela, e ainda assim ele queria. Realmente queria. — Olá. — Ele tocou a aba do chapéu. Ele pode ser um imbecil irritado a maior parte do tempo ultimamente, mas sua mãe o criou para ser um cavalheiro. E aquilo, uma vez enraizado, não abandonava uma pessoa. Ele olhou para Sam ironicamente. — A senhorita está aqui para me ver, portanto, sinta-se livre para voltar ao que estava fazendo. — Por que ela estaria aqui por você? — Sam desafiou com um bufo. — Seria como um arco-íris buscando um balde de merda. — Isso não foi muito gentil, vaqueiro. — Blue disse secamente, batendo o queixo na direção de seu tridente. — Na verdade. — Emily disse dando de ombros: — Eu vim para ver James. — Ha! — Disse Sam com uma risada, apontando para Blue com alegria. — O que eu disse? O lábio superior de Blue tremeu, serpenteando calor através dele. Um calor malicioso. Um que ele não sentia há muito tempo. Estranho... O que era aquilo? Um calor com ciúmes? Droga, não. Não podia ser isso. Corajosamente, ele empurrou o sentimento para baixo da superfície de sua pele, mas esse tipo de calor se recusava a ser reprimido. — Não o vi por aí, — ele disse a ela com apenas um toque de irritação. — Por que você o procura? Com a ponta da bota ela chutou um único cocô de cavalo que ele ainda tinha que pegar. — Preciso discutir algo com ele; isso é tudo. Discutir algo? Com James? Eles sequer se conheciam? E como? As entranhas de Blue se retorceram. Não gostava nem um pouco daquilo. Colocou o forcado contra a parede e saiu da tenda, quase colidindo com aquele carrinho de mão cheio de esterco roçado, o que sem dúvidas foi utilizado para o mesmo trabalho durante os últimos cinquenta anos. — Ei, Sam, — disse ele. — Minha mãe fez frango frito para o almoço. Sei que ela tem de sobra, se estiver interessado. Os olhos do velho se estreitaram. Ele olhou de Blue para Emily, franzindo os lábios. Inferno, ele poderia ponderar tudo o que quisesse, mas ninguém podia resistir ao frango frito de Elena. Nem mesmo por algum drama potencialmente


suculento no celeiro. Em segundos, o homem encolhia os ombros, desistindo, despedindo-se de Emily e saindo do celeiro. — Então, James fica aqui? — Ela perguntou. — Ou está na cidade? No hotel? Blue tirou as luvas e jogou-as em um banco nas proximidades. — O que você quer com ele? — Perguntou um pouco bruscamente. — Você sabe que ele está noivo, não sabe? Ela ergueu o queixo e seus olhos se encontraram com os dele. — É claro que eu sei disso. — Aqueles olhos se estreitaram e franziu os lábios. — O que você está insinuando? Ele soltou um suspiro. O que ele estava insinuando? Mais meio que imaginando. Não queria imaginar. — Olha, eu sinto muito, — disse ele quase em um rosnado. — Não é nada. Ele virá mais tarde. Posso dizer para ele que você quer falar com ele. Ela manteve a sua raiva por mais alguns momentos, então pareceu se livrar dela. — Ok. Obrigada. Ele assentiu. — Até logo. — Sim, até logo. — Ele esperou que ela se virasse e saísse. Afinal, ela não veio por ele... Mas ela não se moveu. Apenas ficou lá, cercada por todas as tachinhas e fardos antigos de feno. — Você está bem? — Perguntou, com uma gentileza que ele não acreditava que ainda existia dentro dele. — Se sente bem? — Estou bem. Ela não parecia nem um pouco convincente, e isso fez seus instintos incendiarem. Droga. O que ela queria com James? Como eles estavam ligados? Seu meio-irmão a faria se sentir melhor? Colocaria aquele sorriso lindo de volta no rosto dela? Cristo... ele não gostava disso. Realmente não gostava disso. Não que fosse demonstrar. Vulnerabilidade era uma estupidez implacável. Você se abria para ela e corria o risco de ser destruído. E, no entanto, a atração de algo além da lógica, da razão e das lições aprendidas estava em jogo... — Quero que você saiba, — começou ele. — Estou aqui para você e esse bebê. Seus olhos se arregalaram, mas ela não disse nada.


— As coisas começaram como começaram, — continuou ele, — e isso não pode ser alterado. Inferno, não gostaria que mudasse. Mas como eu disse ontem à noite, eu quero estar por perto. — Eu sei, Blue. O que era aquilo nos olhos dela, ele se perguntou? Tristeza? Preocupação? Ele se esforçava para aliviar um pouco disso. — Não apenas algumas horas, de vez em quando. — Seu olhar caiu, fixando-se momentaneamente em seu estômago liso. — Quero vê-lo crescer. Eu quero sentir ele se mexer. Ela soltou um suspiro. Significativo. E uma súbita suavidade tocou sua expressão. — Eu gostaria disso, Blue. Um pouco de cabelo escapou da trança e meio que cobria um olho. Ela parecia tão linda. Sem pensar, ele estendeu a mão e colocou a mecha atrás da orelha, e deixou os dedos derivar por sua bochecha. Ela tinha a pele tão macia. A respiração dela ficou presa e ela se inclinou em seu toque. Seus olhos procuraram os dela. — O que foi? O que está errado? — Como faremos isso? Você? Eu? O bebê? Suas narinas queimaram e seu peito expandiu-se. — Nós vamos descobrir um jeito. Ela não disse nada. — Sim? — Ele cutucou. Precisava saber que ela acreditava nele. Ela assentiu com a cabeça, o rosto ficando rosado novamente. Ele não conseguiu evitar. Correu o polegar sobre sua bochecha, mais uma vez. Oh sim. Maldita pele mais macia no planeta. Cristo, ele queria beijá-la. Apenas uma amostra. O lábio inferior... aquele cheio... apenas uma prova; então você a deixa ir. Sem pensar muito a respeito, ele se inclinou. Imediatamente, ela fechou os olhos. Separou os lábios. Rosados, cheios, e tão prontos. Blue olhou fixamente para a boca dela. Segundos passavam. O que estava errado com ele? A brisa do prado veio correndo para o celeiro. O celeiro do Triple C. Merda, o que acontecia com ele? Seu corpo inteiro vibrava com uma necessidade que não sentia desde aquela noite... naquela noite que eles criaram a vida dentro de Emily. Surpreendido por demasiadas emoções, com as quais se recusava a lidar – não agora, de qualquer maneira – Blue recuou, soltando-a.


Instantaneamente, Emily abriu os olhos. E ao perceber o que aconteceu e o que não, ficou vermelha. O peito de Blue apertou. Ele era um idiota. Ele queria beijá-la. Como um homem se afogando queria ar. E ela o queria também. Então, o que ele estava fazendo ao dar para trás? Ela afastou-se dele. — Eu deveria ir. — Sua voz estava um pouco sem fôlego. Não. Porra, não, ela não devia ir. Ela devia ficar aqui até que ele descobrisse que parafuso estava solto em seu cérebro, que pedaço faltava em seu coração destruído. — Deixar você voltar a limpar as baias. — Ela forçou um sorriso. Que não chegou a lugar nenhum perto de seus olhos. Ela estava chateada, confusa, envergonhada. E ele era o burro que a fez se sentir assim. — Eu agradeço, — ele disse secamente, e deu-lhe uma espécie de meio sorriso que era para transportar um pedido de desculpas junto com ele. — Não preferia fazer nada mais. Ela devolveu o sorriso tenso. — Tenho certeza. Como você ficou preso com esse trabalho, afinal? — Perdi uma aposta. Ela riu suavemente, balançando a cabeça. — Vocês, rapazes e as suas apostas. — Sim, — disse ele. Maldição, ele estava sempre com medo de se aproximar quando estava próximo desta mulher. Ele a queria. Só queria saboreá-la, sentir os lábios dela nos dele. Mais uma vez. Sóbrio desta vez. Então a agarre, idiota. Foda-se o medo, tome-a em seus braços e beije-a como você deseja – como ela quer que você faça. Mas ele não o fez. Covarde. Ele ficou onde estava e fez uma piada. Melhor remédio que havia para manter a distância entre as pessoas. Deixar a emoção e forçar o humor. — É por isso que você está realmente decolando, não é? — Disse. — Entre o suor e o estrume, você mal consegue ficar perto de mim, certo? — Claramente eu posso suportar isso muito bem, — disse ela secamente. Oh sim. Ele era um idiota. Um burro medroso e estúpido.


— Além disso, — ela continuou, — eu venho de pessoas da área da pecuária. Suor e estrume é uma marca especial de colônia nessa área. — Seus olhos se encheram de uma cordialidade triste. — Você o usa bem, Blue. Ele olhou para ela então. O humor ao qual ele estivera agarrado abandonando-o. Essa mulher. Ela não só infundia o medo em seu coração frio, mas também o fazia questionar as coisas. Como o que ele estava fazendo. Por que ele fazia isso. Se talvez algo bom e real poderia realmente ser possível em sua vida. E então, o peso de tudo o que aconteceu ao longo do último mês serpenteava através dele novamente, mordendo cada pensamento esperançoso. — É melhor terminar com essas baias, — disse ele, virando-se. — Mas certamente direi a James que você esteve aqui. Se eu o vir. — Tudo bem, — disse ela. Blue ouviu-a afastar-se, então parar. — Vou contar a meus pais esta noite, — ela gritou para ele. Sua cabeça se ergueu e seus olhos se conectaram com os dela. — Isso não será fácil. — Talvez não. Mas creio que será melhor do que como você descobriu. — Ela lhe deu um meio sorriso e encolheu os ombros. Ele riu suavemente. — Esperemos que isso não acabe com a prisão de ninguém. — Certo, — ela concordou. — Ok. Bem. Te vejo depois? — Você verá, — disse ele. Ela assentiu com a cabeça, e se virou para ir. Blue observou-a caminhar, correndo o olhar por seu lindo pescoço, descendo para o vestido cor de rosa, as pernas longas, e – derretendo seu coração congelado – aquelas botas de cowboy. Considerando que, dez minutos antes, ele estava morrendo de fome e pronto para o almoço, agora tudo o que ele queria era Emily Shiver. Pernas enroladas em sua cintura, braços ao redor de seu pescoço, e aquele sorriso se aproximando até que seus lábios se colassem. Ele se achava perdido antes, mas isto era algo completamente diferente. Ele pegou seu tridente e voltou ao trabalho. Para um homem que jurou manter-se fechado e protegido, não havia ninguém mais perigoso para se desejar do que a mulher que carregava o seu bebê.


***

— Todo mundo aqui, Sr. Cavanaugh? — Franklin perguntou, se sentando e colocando três arquivos na mesa de conferência. Deacon acenou para o investigador particular e recostou-se na cadeira de couro. A maciça sala de conferências no vigésimo sexto andar de Cavanaugh Empreendimentos era pouco povoada. Apenas Eric Franklin, James e Cole. Deacon decidiu reunir-se com o investigador em Dallas, uma vez que ele já estava na cidade a trabalho. O mesmo com Cole, que foi encomendar equipamento para a nova academia de treinamento que ele abriria em Black River. James voou no Blue Bull não fazia 30 minutos, sem Mac, que decidiu no último minuto que havia muita coisa acontecendo no rancho para que pudesse fugir. Franklin estava sentado à direita de Deacon. Ele olhou para os três homens antes de começar. — Cinco anos e meio atrás, Natalie Palmer frequentou a escola de culinária na Escola Debenroux, em New Orleans. — Nunca ouvi falar, — disse James, pegando a garrafa de vidro na frente dele e servindo-se de um pouco de água. — Não estou surpreso, — disse Franklin. — A escola de culinária que ela frequentou não era uma instituição de prestígio. E só digo isso porque quando um dos seus alunos desapareceu, quase não foi falado ou investigado. — Alguém desapareceu? — Disse Cole firmemente. — Uma jovem mulher. — O detetive disse a ele. — O nome dela era Erica Keller. — Ela ainda está sumida? — Perguntou James, uma nota de preocupação em sua voz. Franklin acenou com a cabeça. — Sim, senhor. Deacon sentiu suas entranhas apertarem. — Ela conhecia Natalie Palmer? Eram amigas? — Não, senhor, — respondeu Franklin. — Bem, merda. — Cole rosnou, tirando o Stetson e largando-o na mesa de mármore preto. — Então, o que tudo isso importa?


— Cole. — James disse, olhando para seu irmão tatuado. — Deixe o homem acabar. Com os lábios curvados, Cole se virou para Franklin. — Desculpe. O homem assentiu. — Natalie conhecia o colega de quarto de Erica na época. Um tal de Gary Schnull. — Um homem? — Perguntou Deacon. — Você foi capaz de localizá-lo? Franklin acenou com a cabeça. — Sim, senhor. Nós conversamos detalhadamente por várias horas. — E? — Cole pressionou. Ele estava inclinado sobre a mesa, com fome de respostas. Inferno, todos estavam. — Durante o tempo deles na escola, — Franklin continuou, — A senhorita Palmer se interessou por ele. No início, era apenas um flerte habitual. Mas, então, evoluiu para cartas de amor e telefonemas. Ela apareceu no apartamento dele várias vezes. Não estava satisfeita com a companheira de quarto do sexo feminino e ficou ainda menos satisfeita quando o Sr. Schnull disse a ela que não estava interessado. Que ele queria namorar a senhorita Keller. Embora a senhorita Palmer não agisse com raiva ou rancor, o Sr. Schnull acredita que ela pode ter sabotado alguns dos pratos da Srta. Keller. Ele não poderia provar, é claro. — Eles interrogaram Schnull e Natalie quando Helen Keller desapareceu? — Perguntou James, a água na frente dele completamente esquecida. — Sim. — Franklin tirou alguns papéis de uma pasta cinza. — Natalie nunca foi investigada, mas Schnull foi suspeito por um bom tempo. Na verdade, ele foi interrogado apenas no ano passado, quando a família de Helen Keller colocou pressão sobre o procurador do distrito local. Mas, sem um corpo... — Ele não terminou. Não precisava. — Acho que ele não guardou nenhuma dessas cartas? — Disse James com um bufo. — Ele guardou. Todos se viraram para olhar para Franklin. — Uma. A mesma que ele mostrou à polícia quando a senhorita Keller desapareceu. Eles acreditavam que era irrelevante, já que a Srta. Palmer só estava interessada no Sr. Schnull e tinha pouco contato com a senhorita Keller. Ele guardou a carta, encontrando-a vários meses atrás, quando se


mudava para uma nova casa com sua esposa. — Ele deslizou uma pasta de arquivo preta em direção a Deacon. — Eu fiz uma cópia, senhor. Com o maxilar enrijecido, Deacon pegou a pasta e retirou a carta. Seus olhos se moviam sobre a cópia. E a cada frase, cada palavra, seu peito se enchia com a dor e esperança. Com esta nova informação, ele poderia ir ao xerife e exigir que abrisse uma investigação sobre o envolvimento de Natalie Palmer na morte de Cass. — É algo que podemos usar, Deac? — Perguntou James. — Sim, — acrescentou Cole, sua expressão quase vulnerável, um verdadeiro contraste com o pescoço tatuado e braços. — Fale. Deacon olhou para um de cada vez, e disse, — Nós podemos pegar o assassino de Cass depois de tudo.


Capítulo 12 Ben e Susie Shiver eram sem dúvida os melhores pais do mundo. Amavam seus filhos como se cada um fosse um presente valioso. Eles os apoiavam, pressionavam, faziam rir e quando era hora de chorar, abraçavam forte e lembravam a eles que amanhã era um novo dia cheio de possibilidades. Mas... também eram ferozmente protetores e opinativos. Inferno, Emily e seus irmãos não conseguiram esses dois atributos do nada. — Eu sei que você ama suas flores, mas cozinhar poderia ser a sua verdadeira vocação, — murmurou a mãe enquanto cortava o bolo de chocolate que Emily cobriu cerca de uma hora atrás. Afinal, deixar cair uma bomba precisava de grandes quantidades de açúcar e carboidratos. — Isso é lindo, Em. — É. — Steven concordou. Ele olhou na direção dela com uma sobrancelha levantada. Qual é a ocasião? Ele parecia se perguntar. Nos últimos dois dias, ele não a pressionou para contar a seus pais sobre o bebê. Na verdade, desde o incidente na prisão, ele estivera meio calado. Era estranho. Como se sentisse culpado, ou uma tempestade estivesse se formando dentro dele. Emily não daria a ele a chance de explodir com a notícia que ele segurava. Esta noite seria a noite. — Só pensei que todos nós merecemos um pouco de algo doce. — Disse Emily, seu estômago apertando com cada palavra. Seu pai agarrou a mão de sua mãe. — Eu tenho o meu algo doce. Aqui mesmo. — Oh, Ben, — disse sua mãe, corando. — Sem PDA{10} na mesa, está bem? — Disse Jeremy ironicamente. — Espere aí — disse seu pai com falsa severidade enquanto se inclinava e beijava sua esposa na bochecha. — Esse PDA trouxe-o neste mundo, meu jovem. Jeremy fez uma careta. — Uma coisa da qual eu não sentirei falta. — Sentir falta? — Sua mãe repetiu, voltando para o bolo e o seu ato de fatiar.


— Apenas dizendo que não sentirei falta de você e papai se agarrando quando eu me mudar. O irmão de Emily disse as palavras casualmente, mas ela viu seus olhos correrem pela mesa. Uma mesa que agora estava desconfortavelmente silenciosa. Todo mundo olhava para o Shiver mais jovem. Emily não podia acreditar em seu irmão. Trazer algo tão fundamental. Agora. Onde diabos estava seu bolo de amolecer o golpe? — Já vai deixar o ninho, meu filho? — Disse seu pai, seu tom curioso enquanto passava uma fatia de bolo para o menino. Jeremy pegou com um rápido agradecimento. — Apenas me deslocando para a cidade. Acho que é hora. Você não acha? — Ele olhou para Steven interrogativamente. Mas o xerife adjunto olhava fixamente sua xícara de café. Emily endireitou-se, sentindo-se insegura. Seu irmão mais novo estava se mudando de casa. Seu irmãozinho. E ele dizia que era hora. Era estranho ele dizer aquilo, especialmente nesta noite. E agora? Pensou, olhando para os Shiver, um de cada vez. Ela apenas continuava? Largava a segunda bomba da noite? Ou esperava? Senhor, eles tinham bolo suficiente? Como sempre, sua mãe pensava de forma prática. — Quem vai alimentá-lo, Jeremy? — Perguntou. Alimentar seus meninos e sua menina era de extrema importância, e uma grande parte do DNA de sua mãe. Jeremy sorriu e disse de uma forma muito simples. — Eu vou. Susie piscou para ele, como se não pudesse imaginar isso. E, francamente, Emily não tinha certeza se poderia imaginar também. Jeremy nem sabia como acender o fogão – não sabia onde a máquina de lavar roupa estava escondida. — O que ele quer dizer é, ele vai para a lanchonete, — disse Steven secamente. — E se ela não estiver aberta, até o Bull’s Eye. Jeremy deu-lhe uma cotovelada nas costelas. — O quê? — Perguntou Steven. — Amolar nossa irmã enquanto comemos asas de frango e uma cerveja? Acho que vou me mudar também. Ambos os homens riram, mas Susie parecia esmagada. Ben acariciou a mão de sua esposa. — Os bebês precisam deixar o ninho, querida. Inferno, assim que decidiram não entrar no negócio de criação de gado, eles já tinham um pé fora.


Jeremy fez uma careta. — Ah, vamos lá, pai. — Sem ofensa ou julgamento, — disse Ben. — Apenas a verdade. — O que você acha, Em? — Steven perguntou, seus olhos sobre ela agora. — Sobre tudo isso? Sobre os bebês? E ninhos? — Ele levantou a sobrancelha novamente. Era esta a tempestade que se aproximava? As notícias de Jeremy o empurraram sobre a borda? Emily olhou para ele com a promessa de morte. Ele apenas deu de ombros. — Curioso, é tudo. — Emily não vai a lugar nenhum, — disse sua mãe com um sorriso confiante. — Você vai, querida? As bebês não saem da casa de suas mães até que estejam casadas. Ou era assim no meu tempo. Oh, Deus. Isso foi horrível. Ela não aguentava mais. O conhecimento no olhar de seu irmão, o estresse sem fim de manter um segredo de seus pais. Ela só precisava de, — Falando de bebês, — ela começou lentamente. — O que tem eles, querida? — Perguntou Susie, entregando a Emily um prato com bolo. — Alguém que conhecemos terá um? Seu estômago estava revolto. Ela olhou para o bolo, seu apetite completamente desaparecido. — Sim, na verdade. — Oh. Quem? Deus, Deus, Deus. Apenas faça. Arranque o maldito Band-Aid. Sua boca estava extraordinariamente seca. Talvez devesse tomar um pouco de água primeiro. Ela pegou o copo no momento que a campainha soou. Perfeito. Outra interrupção. — Eu vou atender, — disse Steven, e deu-lhe um aceno de cabeça ainda irritantemente encorajador. — Você continua falando, Em. Prossiga com o que estava dizendo. Ela engoliu a água, os olhos semicerrados, observando a figura que se afastava. — Que emocionante, — Susie dizia, servindo a Ben uma xícara de café. — Um novo bebê em Black River. Sabemos se é uma menina ou um menino? — Não, — disse Emily, baixando o copo e limpando a garganta. — Nós... quer dizer, eu... — Oh Deus. — Eu não sei. Ainda. Band-Aid fora. Observe a reação.


Com o estômago revirando e a boca seca, ela prendeu a respiração quando seus pais não pegaram o que ela disse. Bem, não imediatamente, de qualquer maneira. Estavam muito ocupados com o creme e o açúcar em cubos. Eles ainda usavam cubos de açúcar! Mas, Senhor, Jeremy entendeu. Ele ficou sentado lá, o garfo pronto em sua boca aberta. Em seguida, ele deixou cair a coisa em seu prato. — Você não sabe? — Disse. — Espere... Em? Você não está dizendo que é você...? — Ele se inclinou. — Você está grávida? Oh... tudo bem, era isso. Emily sentiu como se um vácuo sugasse o ar para fora da sala. Ela não queria, mas fez. Seus olhos se deslocaram. Susie e Ben Shiver olhavam para ela agora, os olhos arregalados e confusos. Pálida como o creme que tinha na mão, sua mãe pronunciou o nome dela como se fosse uma pergunta. — Emily? — Uma estranha combinação de horror e felicidade brilhava em seus olhos castanhos claros. — Não foi isso o que você quis dizer, não é? — Desculpe, estou atrasado. A voz masculina, profunda, quase esculpida voz masculina reconhecida por Emily – a qual ela sempre reconheceria – explodiu na sala. Vestido com jeans azul e uma camisa de cambraia cinza escuro, Blue Cavanaugh entrou, seguido de um Steven com o rosto tenso. Ele carregava um pequeno buquê de flores silvestres, e quando se aproximou da mesa, entregou a Emily, em seguida, inclinou-se e deulhe um rápido beijo bochecha. Confusa, tocada, horrorizada, Emily voltou-se para seus pais. Eles ainda pareciam confusos. — Blue Perez Cavanaugh. — Ele disse a eles, estendendo a mão. — Acho que já nos conhecemos, Sr. Shiver. Venda de gado ou na loja de alimentos para animais. — Eu sei quem você é, — disse o pai dela, forçadamente. — Trabalha no Triple C, certo? Você é... — ele tropeçou. — Você trabalhou para Everett. Aparentemente não afetado pelo constrangimento do erro de seu pai, Blue virou para a mamãe. — Sra. Shiver, é um prazer. Ela apertou a mão dele, sua expressão atordoada. — Bem, isso será divertido, — Steven murmurou, sentando-se novamente. — Você sabia que Emily estava grávida? — Jeremy perguntou em tom acusatório.


Blue ouviu e pareceu aliviado. — Então, Emily contou nossa boa notícia – certo? — Ele perguntou aos seus pais. Os olhos de Susie se arregalaram ainda mais. — Ó meu Deus. Bem, ela disse que há um bebê... — Seu rosto ficou mais pálido. Como leite desnatado, com aqueles grandes olhos castanhos perplexos que agora se fixavam em Emily. — Mãe, — ela começou. — Eu sei que é um pouco chocante. — Blue disse, pegando a cadeira vazia ao lado de Emily. — Mas estamos felizes com isso. Certo, Emily? — Ele pegou a mão dela. — O que você está fazendo? — Emily sussurrou para ele. — Ben...? — Sua mãe dizia com voz ofegante, a qual ela reservava para os ratos em sua cozinha. — Emily? — Disse seu pai. — Você está grávida? — Ele olhou para Blue. — Sim, — disse ela, querendo derreter no assoalho. — Há quanto tempo vocês dois tem... — sua mãe olhou de Blue para Emily, em seguida, novamente. — Se encontrado? — Não muito. — Blue confirmou. Ele parecia completamente à vontade. Confiante. Sortudo. Ela não podia acreditar que ele viria. Por que ele veio? Seu cérebro girava. Ele deveria ter perguntado a ela. Discutido com ela. Ela não gostava de ser pega de surpresa. — Como isso aconteceu? — Disse Ben Shiver em um tom gélido. — Oh, Ben, — disse sua mãe, sacudindo a cabeça. O homem ficou vermelho. — O que eu quero dizer é... quais são as suas intenções, filho? Não, não, não. — Pai... — Estar lá para sua filha. — Blue cortou, e apertou sua mão. Oh, meu Deus. Emily olhou para seus irmãos. Eles ouviam extasiados. — E a criança? — Seu pai pressionou. Antes que Blue pudesse responder, Emily pulou. — Você não precisa responder a isso. — Claro que ele precisa, querida, — disse sua mãe, quase como se estivesse insultada. — Não entendo nada disso, Em. — Continuou seu pai. — Por que não sabemos sobre isso? Por que você não nos disse?


— É isso mesmo, — acrescentou Susie. — Sobre ele ou o bebê? — Algo me diz que não há nenhum relacionamento aqui, Sue. — Continuou seu pai. Seu estômago se apertou. — Eu... — Isso não pararia. Os pais dela. As perguntas. Tudo o que precisava era de uma luz de interrogatório. Emily sentiu como se sua mente tivesse dissolvido dentro de seu crânio. O cômodo parecia ficar pequeno, e as paredes respiravam. Ela não ia desmaiar, ia? — Eu... nós... Blue e eu... entende... — Oh, Deus. Que diabos ela diria? Foi uma noite de sexo bêbado. Bem, ele estava bêbado, ela... não, isso não funcionaria. — A verdade é... — Estamos pensando em nos casar, — disse Blue. Emily ficou calada quando todos os olhos mais uma vez se voltaram para Blue Perez Cavanaugh. Jesus. Ele não o fez. Ele não tinha. Emily olhou para ele, os olhos arregalados e indagadores. Como ele poderia dizer isso... deixar escapar algo assim à mesa de jantar de sua família? Algo que nunca aconteceria. Ela sentiu uma onda de náusea – uma onda que não tinha nada a ver com a sua gravidez – alcançá-la. Ela queria sair, ir embora, pensar... E então, a sala explodiu em uma cacofonia de opiniões e acordos. — Não gosto disso, — disse seu pai. — Os segredos. Mas o casamento é a opção sensata. Melhor do que viver juntos. — Nós quase não conhecemos esse jovem, Ben, — disse sua mãe. — Emily deve apenas ficar aqui, e eles podem continuar vendo um ao outro. Ajudarei com o bebê. Continuar vendo um ao outro? Certo. Certo. Ela queria gargalhar, mas estava preocupada que poderia soar como louca. — Então, eu acho que minha notícia foi modesta em comparação com o que você tem na manga, irmã mais velha, — disse Jeremy, sorrindo. — Ou em sua barriga, conforme o caso. — Cale a boca, — Steven avisou. — Você parece um idiota. — E você não soa muito surpreso, — ele retrucou. — Você não está nem um pouco preocupada sobre como esta cidade vai reagir uma vez que ela não é casada? — Ben perguntou à esposa.


— Oh, o que me importa? Estamos em 2015, pelo amor de Deus. E talvez, com o tempo, eles se casem. — Sr. Perez, — Ben iniciou. — Quais são os seus planos? Para o trabalho, quero dizer. Eu sei que você é um vaqueiro... — Serei promovido a Capataz quando Mac Byrd se for, Sr. Shiver. — Blue devolveu em um tom muito sério, embora seu olhar se desviasse para Emily e para trás algumas vezes. — Como você deve saber, o Triple C é um quarto meu. — Um quarto, — Ben começou. — Hmmm... — Mas tenho a intenção de possuir toda a propriedade. — Ele terminou, sua voz firme. — É mesmo? — Ben bufou, impressionado, apesar de suas objeções a notícias. — Agora... minha filha e neto vivendo em um rancho concorrente. Não sei. Claro que vendemos raças de gado diferentes... Enquanto eles continuavam discutindo sobre ela, seu futuro, sua reputação e seu bebê, Emily colocou as flores sobre a mesa, afastou a cadeira, e se levantou. Sem dizer uma palavra, ela saiu da sala. Isto era uma loucura. Nunca em sua vida se sentiu tão fora de controle, tão exposta, ou tão furiosa com alguém. Ou, Senhor, tão dolorosamente sozinha. *** Ben Shiver falava com ele sobre Angus e uma ideia que ele estava tendo de trazer algumas vacas leiteiras no ano que vem. Mas Blue só observava Emily. Suas costas, mais exatamente, quando ela saiu da sala. Ele sabia que ela estava chateada com ele, e não a culpava. Casar? Cristo. Casar? De onde diabos veio aquilo? Ele não tinha a intenção. Primeiro, morar juntos, agora casar... seu subconsciente claramente tentava provar alguma coisa. Que ele não era um idiota, talvez. Que ele não engravidava uma mulher e ia embora. Que não recusaria seu sobrenome à criança que ele ajudou a criar, e a mãe dela. Que ele não era Everett Cavanaugh? Ele xingou baixinho e empurrou sua cadeira para trás. — Aonde você vai? — Jeremy perguntou a ele. — Atrás dela, — ele respondeu simplesmente.


— Não acho que ela queira você por perto, e acredito que talvez eu precise dar um soco para te apagar. Steven balançou a cabeça. — Não, você não precisa. — Você sabia sobre isso, não é? — Acusou Jeremy. O policial apenas deu de ombros. Quando Ben e Susie Shiver viraram para Steven e começaram a interrogálo sobre o que ele sabia e quando soube, Blue saiu da sala. Ele voltou pelo caminho pelo qual entrou. Ele ouviu a porta da frente se fechar, então sabia que ela estava lá fora. Era uma noite fria, o outono chegando rápido agora. Quando a viu andando pela calçada em um ritmo acelerado, sem um casaco, sentiu seu estômago se contrair. Culpa dele. Ele correu em direção a ela, diminuindo só quando a alcançou. — Ei, você aí, — disse ele, acompanhando os passos dela. — Pode ir mais devagar? — Você. — Ela se virou para ele e enfiou o dedo na cara dele. — Você não tem o direito de me dizer o que fazer. Você não tem direito de me dizer nada! — Ok. É justo. — Ele tirou o casaco e o colocou em torno dela. Ela, por sua vez, tirou-o e empurrou-o para ele. — Eu já tenho um desses, lembra? Se ele se lembrava? Merda, ele se lembrava de tudo. — Dá para ver que você está chateada. Ela zombou dele. — Você não vê nada. Você é cego. — Talvez, — ele concordou. — E grosseiro. — Oh, provavelmente. Ela olhou para ele. — Que diabos você estava pensando? Vir aqui sem ser convidado e dizer aos meus pais que vamos nos casar? Você enlouqueceu, porra? Ele se acalmou, franziu a testa. Enlouqueceu? Sim, ele enlouqueceu. Há poucos meses. — Não, sério, Blue. — Ela continuou quando ele não respondeu. — Quero saber como sua mente funciona em relação a isso. Ele exalou, passou a mão pela mandíbula e despejou. — Você disse que contaria aos seus pais esta noite, e eu... merda, eu queria vir e apoiá-la. — Então por que não apoiou? — Ela perguntou. — Por que não apenas me apoiou ao invés de me pegar de surpresa? — Ela olhou para ele, toda cachos loiro-


avermelhados e olhos ferozes, bochechas rosadas e coradas pelo vento, e tão malditamente bonita que quase lhe tirou o fôlego. Oh Cristo, o que diabos acontecia com ele? — Seus pais falavam sem parar, — explicou. — Exigindo respostas. Eu disse o que pensei que acalmaria a situação. Ela desviou o olhar por um momento. — Jesus no céu. — Não foi planejado, Emily. — Claro que não. — Mas mantenho o que disse. Ela se virou e deu-lhe um bufo indignado. — Oh, que valente da sua parte, Blue. O sarcasmo dela era como uma lâmina correndo por sua espinha. — Vamos, Em. Eu só estava tentando ajudar. Seu dedo surgiu novamente. — Não me chame assim. Você não é a minha família, o meu namorado ou meu marido. Inferno, eu não sei o que você é. — Ela balançou a cabeça. — Você precisa ir. Sua mandíbula se apertou. — Tudo bem. E o que você fará? — Depois que eu tomar um segundo para me acalmar, precisarei voltar. Dizer a verdade para eles. Aquilo não ia bem. — Eu deveria voltar lá com você. Isso é tudo minha culpa... — Não. Dou conta disso. Tudo. Na verdade, começo a pensar que precisa ser assim. O vento gelado que explodiu ao redor dele apenas alguns segundos atrás estavam dentro dele agora. — O que significa isso? Ela olhou para longe, para a casa, por um momento, depois sacudiu a cabeça. — Todo mundo está tentando decidir o que é melhor para mim. Exceto eu. — Ela virou e levantou uma sobrancelha para ele. — Isso muda. Agora. Eu vou voltar, — ela afirmou categoricamente. — E você vai para casa. Maldição, ele realmente estragou tudo. Não foi para isso que ele veio, para cavar um abismo entre eles. Se não por outra coisa, ele queria conhecê-la melhor, se aproximar dela. — Emily, espere, por favor... Mas ela já tinha ido embora, afastando-se, voltando para a casa.


Ele soltou um suspiro. — Vamos. Precisamos conversar sobre isso, — ele gritou para ela. — Vá para casa, Blue, — ela gritou de volta. Casa. A palavra parecia estranha aos seus ouvidos. Onde era exatamente isso? Casa? Costumava ser o Triple C. Mas ele não tinha certeza agora. Ele vestiu seu casaco, apertou suas chaves, e partiu para sua caminhonete. Casa era o lugar onde você sentia que pertencia. Havia família lá. Amor. E confiança. Ele não estava mais certo se tinha alguma daquelas coisas, mas, Cristo Todo-Poderoso, havia algo dentro dele esta noite que esperava que ele pudesse encontrar aqui.


Capítulo 13 — Já volto com essa salada, Srta. O'Shay, — disse Emily para a professora de ensino médio de Black River, que vestia seu habitual terninho azul acinzentado e coque penteado para trás. Ela parecia um sargento. — Acrescenta o molho ranch, tudo bem, querida? — A mulher chamou, lembrando-a. Como se Emily precisasse de um lembrete. A Srta. O'Shay era uma cliente regular. E assim era seu pedido de acréscimo de molho ranch. Mas ela apenas sorriu e jogou um amigável, você o terá, por cima do ombro enquanto se dirigia para a cozinha. Eram quase onze horas, mas em Black River, Texas, era hora do almoço. As pessoas levantavam-se as quatro e montavam em seus cavalos às cinco. Na cozinha, ela arrancou seu pedido e entregou-o para Dutch. — Isto é para Mandy O'Shay? — O bonito cozinheiro de vinte e cinco anos de idade, tatuado, perguntou a ela. — O que entregou? — Ela perguntou com um sorriso. — O acréscimo do molho ranch? Ele bufou. — Ovos em fatias finas. Eu juro que ela mede. Emily riu e encheu um copo de chá gelado. — Você acabou de chegar aqui? — Perguntou Rae, passeando até a cozinha e arrancando um pedido. — Aqui está, Dutch. Acréscimo de batatas fritas crocantes. — Ela virou e inspecionou Emily. — Você está bem, menina? — Perfeita, — ela mentiu facilmente. — Por quê? — Você parece cansada. Agora, por que seria isso? Sem muito sono, talvez? — Rae, eu juro, você está muito perto de me deixar com um complexo. A mulher riu. — Não se preocupe, querida. Você é linda. Nada pode tirar isso de você. Apenas preocupada que você não esteja dormindo. — Seus lábios


formaram um sorriso perverso. — A menos que seja esse homem sobre o qual você não está me contando. — Nenhum homem. — Ela mentiu novamente. Exceto, talvez, aquele que havia deixado escapar em minha mesa de jantar na noite passada que iríamos nos casar. Ou o homem mais velho – seu pai – que tentou fazer com que ela falasse com ele. Ou os dois homens mais jovens – seus irritantes irmãozinhos – que insistiram em levá-la ao trabalho hoje. — Se eu não esperasse um grande movimento em cerca de uma hora, eu diria para você ir para casa e tirar um cochilo. — A mulher deu de ombros. — Mas será um dia agitado. Eu posso sentir. Rae podia sempre sentir. Era estranho. — Estou muito bem, — insistiu Emily. — E preciso do dinheiro. — À sua direita, uma salada com molho ranch e ovos em fatias finas foi colocada sobre o balcão. — Obrigada, Dutch. — Diga a ela que eu mesmo os medi, — ele a informou conforme ela seguia para as portas duplas e para o salão. Rindo sozinha, ela se encaminhou para a mesa da Srta. O'Shay. Uma vez lá, colocou suavemente a salada na frente da mulher e recuou. — Dutch envia isso junto com seus cumprimentos. Os olhos afiados de Srta. O'Shay se levantaram para atender Emily. — Os ovos? — Ela perguntou lentamente. — Ele mediu-os. Aqueles olhos se estreitaram. — Veremos. O mesmo de sempre, sem novidades. Tenho de amar as pessoas de Black River. — Ok. — Emily sorriu. — Desfrute-o, Srta. O. — Ela se virou para a mesa dois atrás dela e cumprimentou o cliente à espera. — Boa tarde. O que posso...? — Emily Shiver? — Veio o barítono rouco do homem. Uau. Poderia tê-la derrubado com uma pena. Ela o viu, tanto antigamente como atualmente, nas capas de revistas. Mas não o conhecia. James Cavanaugh era um cara impressionante. Abundante cabelo castanho claro, maçãs do rosto salientes e olhos da cor do mar. Olhos que pareciam faiscar com curiosidade enquanto olhavam para ela. — Disseram-me que queria falar comigo, — disse ele. — Oh. Certo. Eu queria. Eu quero, — ela tropeçou. — Mas pensei que poderia ser uma chamada ao telefone... você não precisa...


— Blue fez soar como se fosse muito urgente. — Ele sorriu. O homem tinha a beleza de uma estrela de cinema. — Na verdade, ele fez parecer urgente e como se ele não me quisesse em qualquer lugar perto de você. Seu interior aqueceu traiçoeiramente. Ela ainda estava com raiva de Blue. Passara uma hora explicando o erro do casamento aos pais dela, enquanto seus irmãos ouviam extasiados e com sorrisos resplandecentes. — Me desculpe por isso. — Não sinta, — disse ele, bem-humorado. — É bom vê-lo interessado em... você. Ela deu um sorriso tenso. Certo. Interessado no bebê, mais precisamente. — Posso pegar alguma coisa para comer? Beber? — Coca-Cola e batatas fritas? — É para já. — Ei. — Ele parou antes que ela pudesse se afastar. — Mas primeiro, poderia me dizer o que você precisa de mim? Emily fez uma varredura rápida do Bull’s Eye – bem, da seção dela de qualquer maneira. Ela tinha três mesas ocupadas, sendo uma delas a mesa dois, de James Cavanaugh. Todo mundo estava ocupado, seja falando ou comendo. Até mesmo a Srta. O'Shay estava aproveitando sua salada, claramente satisfeita com a largura de suas fatias de ovo. Agora era tão bom quanto qualquer momento, ela supôs. Ela mordeu o interior da bochecha um segundo antes de falar. — Veja, a coisa é... bem, eu ouvi falar que você poderia estar interessado na pequena propriedade na Main. Ele pareceu surpreso que o imóvel fosse o que estava na mente dela. — Dezesseis e meio? Seu coração pulsava no peito. — Esse mesmo. — Estou interessado, — ele admitiu. — Como você sabe sobre isso? — Minha agente, Aubrey Perdue, me disse. — Ela explicou, sentindo-se super estranha. — Estou saindo da casa dos meus pais. À procura de um novo lugar para morar. Eu gosto daquele espaço. — Ela soava como uma idiota. — Oh. Entendo. Bem, é realmente um espaço de escritório para mim. Estou passando mais e mais tempo em Black River, e pensei que eu precisava ter um lugar para fazer negócios. Essa propriedade está vazia há um tempo, e, bem, combina com o meu propósito.


— Oh. — Ela exclamou baixinho. — Então você não está apaixonado por ele ou algo assim? — Apaixonado? — Suas sobrancelhas se uniram. — Como se o espaço fosse o desejo do seu coração. Você não está emocionalmente ligado a ele. — Ela balançou a cabeça. — Tenho certeza de que pareço louca. — Não louca, apenas confusa. Ela deu um suspiro e fez algo que nunca fez antes. Ela puxou a cadeira ao lado de James e sentou-se à mesa de um cliente. — Olha, é o seguinte. Estive apaixonada por aquele imóvel por um longo tempo, Sr. Cavanaugh... — James. — Ele corrigiu. — James... e quando ouvi que você estava interessado nele também, eu quis falar com você... ver se talvez eu pudesse fazer você desistir. Você sabe, caso não estivesse apegado ao lugar ou qualquer coisa. — Ela encolheu os ombros. — Talvez eu pudesse até mesmo ajudá-lo a encontrar outra coisa. Seus olhos nublaram. — Realmente sinto muito, Srta. Shiver... — Emily, — ela corrigiu. — Emily. Assinei a papelada ontem. E também falei com o proprietário. O dinheiro já foi transferido. Seu estômago caiu. — Oh. Sentindo sua grande decepção, ele perguntou, — Você fez uma oferta... ou...? Quer dizer, eu não teria... — Não. Não. — Ela levantou, sentindo-se envergonhada. Ela não queria contar a ele sobre sua falta de dinheiro. — Está tudo bem. Realmente. Parabéns. — Ela forçou um sorriso. — Obrigada por vir aqui. Não precisava, e eu aprecio isso. Eu vou pegar aquela Coca-Cola e batatas fritas para você, agora – por conta da casa. E mais uma vez, parabéns. — Ela se virou para ir. — Ei, Emily? — Ele chamou. Ela parou, se virando. — Sim? — Talvez eu pudesse te oferecer um tipo de acordo. Se estiver interessada. — Ele deu um pequeno sorriso. Ele tinha olhos muito gentis. Eram os olhos de alguém que era naturalmente gentil. Ela podia ver o encantador de cavalos nele. — Se você procura um lugar para viver, eu pensava em alugar o


apartamento acima do espaço de escritórios. Não é grande, como você provavelmente sabe. Mas é... acolhedor. Ainda tem uma entrada separada. — Sério? — Ela perguntou, surpresa. Ele assentiu. Um zumbido baixo começou a trabalhar em seu interior. Não era exatamente como ela planejara, mas talvez fosse exatamente o que precisava – agora, de qualquer forma... — Quando estaria disponível? — Perguntou. Aquele sorriso de estrela de cinema se alargou. — Você pode se mudar quando quiser. *** Blue cavalgou através da terra Triple C. Alguns dias parecia que a terra se estendia para sempre. Apenas longos trechos de verde, marrom e céu azul. Blue poderia se perder nela se quisesse. Ele e Barbarella. E muitas vezes ao longo dos últimos meses, ele fez isso ou quis fazer isso. Mas as coisas iam mudando – e mudando rápido – em sua vida. Coisas que ele não tinha controle. Coisas que o fizeram pensar e agir de forma diferente. Um bebê estava chegando ao mundo. E a mãe dele estava ocupando muito espaço no cérebro de Blue. Como ela se sentia. Se estava bem. Feliz? Cristo, ele se sentia no limite, capturado entre dois mundos diferentes, entre o que aconteceu nos últimos meses e o que era possível nos meses vindouros. Ele desacelerou Rella, parando-a no meio do vasto pasto sul. Mac seguiu o exemplo, parando ao lado dele, rindo contra o vento. — É como nos velhos tempos, — ela gritou. — Correndo pelo Triple C. Claro, nós nunca parávamos até que eu ganhasse. Ele se virou para olhar para ela. Oh, Mac. Ela estava sempre fazendo isso. Sempre tentando. Aproximar-se do passado. Principalmente das coisas boas, na esperança de que eles poderiam encontrar o caminho de volta para a amizade que ambos apreciaram – com a qual até mesmo contaram. Nos últimos meses, Blue ignorou as tentativas dela de se conectar. Ele simplesmente não conseguia lidar. Não queria. Sabia que ela não foi uma parte das mentiras e traição, mas ela estava casada com um irmão Cavanaugh e isso fez com que sentisse como se ele não pudesse ser vulnerável com ela.


Mas hoje, em vez de se afastar, ele fez algo louco. Algo imprudente. Ele se virou para ela. Talvez fosse uma má ideia. Talvez acabasse se lamentando. Talvez ela contasse ao marido tudo sobre isso e eles dariam boas risadas. Mas maldição, ele precisava dela. Precisava de sua amiga. Agora, mais do nunca. — Posso te perguntar uma coisa? — Ele disse enquanto Rella bufava e tentava caminhar. Mas ele a segurou firme. Ao lado dele, Mac ficou instantaneamente séria, um pequeno flash de esperança cruzando suas feições enquanto ela também refreava seu cavalo. — Claro. — Você acha que alguém que não teve pai, não conheceu o seu, poderia ser um pai decente? — Inferno, todo o seu corpo estava mais tenso do que um fio recém torcido. Ela olhou para ele com uma expressão curiosa e intensa. — Acho que qualquer um que esteja disposto a colocar esforço na paternidade vai ter sucesso nisso. Ele balançou a cabeça, e virando, olhou para a terra. — Quer me dizer por que você está perguntando? — Ela sondou, da maneira mais suave que já havia falado com ele. — Não agora. — Ok. — Ela ficou em silêncio por um momento. Então soltou um suspiro. — Sabe, acho que Deacon provavelmente me perguntaria a mesma coisa. Isso trouxe os olhos de Blue de volta para ela. — Mas ele tinha um pai. — Sim, desde o início. Mas depois de Cass... não muito. A relação era tensa, na melhor das hipóteses. Você poderia dizer que ele foi mais danificado pela paternidade do que apoiado por ela. Quando o sol atingiu seus olhos, Blue piscou para ela. Ele nunca pensou sobre Deacon, James ou Cole perdendo um pai. Porque, inferno, mesmo que o deles fosse um perdedor, pelo menos tinham um. Mas talvez Mac estivesse certa. Para ser um bom pai, bem-sucedido e realmente fazer o certo pelo seu pequeno, você só precisava querer, trabalhar – nunca desistir dele. — Não sei por que você está perguntando, — continuou Mac. — Mas se alguma vez você optar por se tornar um pai, você será incrível nisso. — Seus olhos encontraram os dele. Eles eram calorosos e sentimentais, e tocaram-no profundamente. — Todos nós temos a nossa porcaria que levamos em qualquer


relacionamento, Blue. Marido, esposa, irmão, irmã, mãe, criança. Não podemos fugir dela. Não importa o quanto tentemos. Todos nós temos um par de ataques contra nós. Mas tenho que acreditar que se há amor e um coração disposto... — Se há amor, — ele interrompeu, a borda amarga em sua voz quase inaudível na brisa fresca. — Isso é um problema. Eu não reconheceria o amor nem se ele mordesse minha bunda. Provavelmente porque ele já o fez algumas vezes, recentemente. Ele esperava que ela respondesse imediatamente, dando-lhe um sermão suave, mas edificante, dizendo que eram pessoas com dentes afiados, não amor. Mas ela não o fez. Talvez não quisesse pressionar coisas após ele se abrir para ela. Ou talvez só pensasse que ele era um tolo e um idiota, e não queria perder o fôlego. — Outra cerca está chamando, — disse ele. Ela balançou a cabeça lentamente e sorriu gentilmente, seus olhos tão suaves nos dele. — Há sempre um outro muro. Um sorriso tocou seus lábios. — Algo com que contar. — Aham. — Bem então. Vamos terminar? Mac? Seus olhos se arregalaram, e de repente se encheram de lágrimas. Ele sabia que era porque ele só a chamou de capataz nestes últimos dois meses, desde que descobriu que Everett era seu pai e caiu em um lugar escuro onde ninguém era confiável. Ele colocou a cunha, a barreira protetora entre eles, sob a forma de uma palavra. Capataz. Agora não parecia certo. Ela era Mac. E eles cavalgavam juntos mais uma vez. Um sorriso lento se espalhou pelas feições dela, e ela instigou o cavalo. Ela circulou em torno dele uma vez, e puxou o Stetson para baixo. — Está pronto? — Nasci pronto, — ele respondeu. — Tudo bem, então. — E no espaço de uma respiração, ela pôs sua égua em um galope e correu por toda a planície. Com seu coração apenas uma leve sombra do que era há poucos minutos, Blue a seguiu.


Capítulo 14 Ela fez isso. Ela realmente fez. Certo, a mudança foi rápida, obstinada e talvez nem de todo finamente planejada – zero móveis até amanhã – mas estava bom. Ela se sentia bem. Encostada à enorme vassoura que encontrara no armário do escritório, Emily olhou a sala de seu apartamento novo. Um quarto, um banheiro, uma cozinha bonitinha, mas pequena, enormes janelas, flores em todos os lugares possíveis, e muito charme. Ele não possuía o espaço e conforto de casa, mas tinha outra coisa. Algo que no final ela achava que poderia acabar sendo mais importante. A capacidade de ensinar-lhe autonomia. Ela desceu as escadas e guardou a vassoura. Passara a última hora trabalhando nos pisos e limpando o banheiro e a cozinha. Agora era hora de pegar suas malas. Ela não trouxe muito. Roupas suficientes para uma semana e produtos de higiene pessoal, alguns livros e música, algumas velas. Seus irmãos viriam amanhã com todo o resto. Ela sorriu enquanto pensava neles, como insistiram. Aquele sorriso diminuiu um pouco quando abriu a porta de seu carro e viu as duas bolsas térmicas de alimentos, cada um com um post-it em cima. Sua mãe. Susie Shiver não demonstrara tristeza quando ela contou seus planos. Mas os olhos se encheram de lágrimas, e seus braços envolveram Emily por uns bons cinco minutos antes de permitir que ela saísse. Apenas me ligue, Em. Deixe-me saber que você está bem. Eu te amo, Garotinha. Emily pendurou uma bolsa em um ombro e pegou as duas bolsas térmicas de alimentos em suas mãos. Ela estava entrando quando alguém parou bem na sua frente. — Merda! — Ela disse com um arquejo. — Sinto muito, — veio uma voz de mulher. Endireitando-se, Emily olhou para cima. Quando viu quem era, seu coração disparou dentro de seu peito. — Oh... — A mulher entrou na casa enquanto Emily


retirava a bagagem do carro? — Você me assustou. — Não era minha intenção. — A mulher sorriu. — A propósito, sou Natalie. — Eu sei quem você é. — Percebendo ter soado um pouco áspera, Emily se afastou um pouco. — Eu me lembro de você da escola e da padaria. — E talvez de Blue? — Ela disse, esperançosa. Sacolas na mão, Emily estava na porta, sem saber como proceder. O que exatamente dizer. O que sabia sobre Natalie Palmer era apenas um esboço, na melhor das hipóteses. Mas ela definitivamente ouviu falar sobre o pai da mulher, o que ele supostamente fez e como faleceu antes mesmo de ir a julgamento. Ela sabia um pouco sobre o relacionamento on-line de Blue com ela. E sabia que Blue encontrara o diário de Cass Cavanaugh na casa de Natalie e acreditava que ela estava envolvida no desaparecimento da menina. No entanto, até aquele momento, ela não sabia quão ligada a Blue Perez Cavanaugh Natalie Palmer era. — Ele falou sobre mim? — Natalie pressionou. Emily olhou para a rua. Aquilo era incrivelmente estranho e constrangedor. E, no entanto, se sentiu compelida a responder. — Um pouco, eu acho, — disse cautelosamente. Como uma garotinha ouvindo pela primeira vez que é bonita, Natalie sorriu com a notícia. — Ele é um cara bom. — Sim, ele é. — Emily concordou. — Vocês dois estão saindo? — Hum. — Emily tropeçou, — Eu não... sabe, eu realmente tenho que ir. Mas em vez de balançar a cabeça, dizer adeus e descer a rua, Natalie virou e entrou no prédio novamente. Emily a seguiu. Aquela garota era estranha. Simples assim. O que teria que fazer para se livrar dela? — Eu amo este espaço, — Natalie dizia, olhando ao redor da sala. — Quando vi que ele estava à venda, pensei que seria perfeito para minha padaria. Mas é muito pequena. — Você está abrindo uma padaria? — Então, talvez fosse isso? Por que ela estava aqui. Pelo mesmo motivo que Emily. Ela apenas gostara do... — Sempre foi meu sonho. — Natalie cortou seus pensamentos. — E nós, meninas, precisamos seguir nossos sonhos, certo? — Ela abriu um largo sorriso, mas o gesto não alcançou seus olhos. Um tremor percorreu Emily. — Certo.


— Mesmo que a estrada seja pavimentada com obstáculos. — Natalie continuou. — Não podemos desistir. Tantas pessoas tentam derrubar isso... você já reparou nisso? — Ela levantou uma sobrancelha para Emily. Era raro Emily se sentir sem palavras, mas quando olhou para essa mulher, trajando um lindo vestido de verão verde-e-amarelo, ela não conseguiu reunir uma resposta. Natalie apenas tentava se conectar com ela? Se ela passasse por um imóvel no qual também estivera interessada, ela pensaria, Ei, vou dar uma olhada lá dentro e dizer um oi para o novo inquilino...? Ou teria outros motivos? Como enviar um aviso passivo em relação à Blue? Ela estava, obviamente, ainda interessada nele. — Sabe. — Emily começou, — Eu realmente preciso ir. — Ela levantou as sacolas e bateu o queixo na direção da escada. — Oh, é claro, — disse Natalie, parecendo de repente normal, amistosa e simpática. — Sinto muito por segurá-la. Estava a caminho de casa e vi a luz. — Ela deu a Emily um aceno antes de se virar e se dirigir para a porta. — Tenha uma boa noite. Sim. — Você também. Emily a seguiu até a porta e a viu caminhar pela rua. Foi só quando a mulher estava a três quadras de distância e entrara na Metcaffe que ela entrou e subiu para seu novo apartamento. *** A prisão de Black River era praticamente o último lugar para onde Blue queria voltar. Estar ali dentro fazia-o sentir-se infernalmente restringido, e o cheiro era pior, como uma combinação de produtos de limpeza, café velho e irmão desconfiado. Assim como aquele que estava sentado diante dele, agora, olhando e esperando. Xingando, Blue olhou para o telefone verificando as horas. — Então? — Steven Shiver pressionou. — Onde eles estão? Ele deu ao xerife adjunto um encolher de ombros. — O inferno se eu sei. Disseram-me para encontrá-los aqui as cinco. Shiver apontou para o relógio na parede. — São cinco agora.


— Ei, você sabe dizer as horas. — As sobrancelhas de Blue subiram. — A Black River Elementary sabe sobre você? — Engraçado. Posso ver porque minha irmã correu para longe de você. Um músculo pulsou na mandíbula de Blue. Steven sorriu, olhou para alguns papéis sobre a mesa, e levantou novamente. — E aí? Você quer sentar-se em silêncio? Ou continuar trocando insultos? Eu tenho um irmão, então eu sou muito bom nisso. Tenho um milhão deles. Blue caiu para trás em sua cadeira. — Quais as minhas outras opções? — Oh, não sei. Fale sobre você e... — Não. — Você e Em, era o que eu ia dizer, — continuou ele, — e o que está acontecendo com vocês dois. O que você está pensando. Quais são seus planos. Se ele tivesse as respostas para tudo isso ele estaria sentado muito ereto agora, ao invés de verificar o seu telefone para ver se ela ligou ou enviou um email ou uma mensagem. Pensar e fazer planos? Nem perto disso. — E se eu não fizer isso, vou acabar algemado e atrás das grades? Steven bufou. — Vamos lá, Perez. Quando você esquecerá isso? — É Cavanaugh. E nunca. Shiver apenas continuou. — Quero dizer, você devia me agradecer. Blue olhou para o homem. Caramba, Shiver tinha colhões do tamanho do Texas. — Você quer que eu te agradeça por me trancar e deixar minha caminhonete na estrada? Um encolher de ombros e outro sorriso. — Ei. Fiz Emmie contar sobre o bebê, não fiz? A palavra deslizou sobre ele como uma onda suave e gentil. Foi uma loucura o efeito que teve sobre ele. Apenas a palavra, a ideia. O que estava acontecendo com ele? Não – o que ameaçava mudá-lo? — Tenho certeza que ela teria me dito, — disse Blue. — No tempo dela. Todo esse espetáculo pare-e-prisão não era necessário. — Primeiramente, você estava correndo, — ressaltou. — Em segundo lugar, e mais importante, você claramente não conhece a minha irmã. Blue não respondeu. Apenas esfregou a mão sobre o rosto. Onde diabos estavam os Cavanaughs?


— Mamãe e papai estão fora de si, a propósito. — Steven disse a ele. — Emmie os deixou desnorteados. Ela sempre foi a pequena pessoa caseira. Adulta, mas vivendo contente em casa. E, no entanto, hoje ela chegou em casa do trabalho, arrumou algumas coisas, e disse que nos veria no domingo. Para o jantar. — Ele jogou as mãos no ar. — Como se fosse nada. — O quê? — Blue sentou para frente. Ele não dava a mínima para jantares e a reação dos pais de Emily. — Ela se mudou? Já? As sobrancelhas de Steven se ergueram. — Você não sabia? — Claro que eu não sabia. Eu estaria lá. Ajudaria. Por que você não está lá para ajudá-la? Ela está grávida, pelo amor de Deus! — Estou aqui à espera de seus malditos irmãos! — Steven quase gritou. — E para seu governo, ela não quer nenhuma ajuda. Ela só levou roupas e algumas coisas pessoais. Ela teve a ideia de ir sozinha, especialmente para sua primeira noite. Eu não gosto disso. Ninguém gostou. Mas você já a viu em ação. Ela é teimosa como a merda. E adulta. Então, ela pode muito bem fazer o que quiser. — Ele inalou e caiu contra a sua cadeira. — De qualquer forma, Jeremy e eu levaremos todo o resto amanhã. E vamos checá-la. Frustração cantarolava dentro de Blue. Ele odiava isso. Não saber onde estava a mãe de seu filho. Odiava ela não ter dito a ele, não pedir ajuda. — Para onde ela foi? — Tipo, como ela encontrou um lugar em um tempo tão curto? Não fazia sentido. E, no entanto, algo em seu interior lhe disse que ele a pressionando para se mudar e se casar era parte da resposta. — Um apartamento em cima da nova loja que o seu irmão é dono, — Steven informou-o, dando-lhe um olhar afiado. — Na Main. Ela cobiçava aquele lugar há muito tempo. Queria comprá-lo e transformá-lo em uma loja de flores. É o sonho dela, sabe? Não, ele não sabia. Ele deveria saber. Inferno, ele devia saber tudo sobre ela. Não apenas como era tocar sua pele, ou a doçura de seu brilhante sorriso quando estava feliz, ou como ficou chateada quando a surpreendeu. Ele devia saber o que estava no coração dela. O que a preocupava, causava dor... o que mais queria da vida. Vozes soaram no corredor naquele momento, seguidas de fortes passos. E em segundos, os Cavanaughs entraram na sala. Deacon estudou Blue e Shiver e disse um rápido, — Noite, — antes de se sentar. Mas Blue estava focado em


apenas um deles agora. Ele tinha os olhos em James. O ofensor. Ele saltou de sua cadeira e se aproximou do homem. — Você a deixou se mudar para seu apartamento? — Ele acusou. Confuso, James levantou as mãos. — Uau. Claramente atrapalhei alguma coisa. — Malditamente certo que você fez. — Blue atirou de volta. — Uma mulher grávida morando sozinha. Sem família. Sem... — Ele parou ali mesmo, antes que dissesse algo que soasse como homem em sua vida. Cole e Deacon trocaram olhares. — Emily está grávida? — Perguntou James, atordoado. — Pois é. — Steven disse, ainda sentado atrás de sua mesa. — E o seu irmão aqui fez isso. — Seu imbecil. — Blue atirou, dando ao homem um olhar raivoso. Cole explodiu em gargalhadas. — Puta merda. Deacon, no entanto, permaneceu quieto, contemplativo. — Uau, — disse Cole. — Parabéns, cara. — Esqueça isso por um momento. — James olhou para seu irmão mais velho. — Você entende o que isso significa, não é? — Talvez, — disse Deacon. — Bem, eu entendo, — Cole disse com um sorriso. — Esse bebê será da nossa família. Nosso sobrinho ou sobrinha. Espero que seja uma sobrinha. Seria agradável ter alguma energética menina Cavanaugh... — Quem disse que o bebê será um Cavanaugh? — Disse Blue com uma picada em seu tom. — Ou se algum de vocês fará parte da vida dele. Todos os três se viraram para olhar para ele. Mas foi Cole que falou, sua expressão ofendida. — Por que você tem um maldito problema com a gente? Não foi Deac, James ou eu quem cometeu a traição todos àqueles anos... — Cole, — James começou, em um tom de advertência. Mas Cole não escutava. Provavelmente tinha essa merda engarrafada dentro dele há algum tempo. — Não fomos nós que mentimos para você. Se alguém deveria estar chateado por aqui, devia ser James, Deac e eu. — Oh? — Rosnou Blue. — Como você sabe? — Tudo o que você sempre quis desde que descobriu nosso parentesco foi o Triple C. Nenhum relacionamento. Nenhuma família.


— Como se isso não fosse o que todos querem. — Blue atirou de volta. — Você nem mesmo nos deu uma chance, — disse Cole. — Por mais difícil que fosse para nós ouvir falar dos muitos pecados de nosso pai – e foi difícil – nós nos abrimos para você. Mas você é a porra de uma porta trancada. — Então acrescentou. — Irmãozinho. — Basta. — Foi Deacon que falou agora. Baixo, comandando, todo negócio. — Não viemos aqui para discutir questões de família ou discutir o relacionamento de Blue com sua irmã, xerife. — Então por que você veio, Sr. Cavanaugh? — Perguntou Steven. Deacon se inclinou e colocou um envelope na mesa de Steven. — O que é isso? — Perguntou o homem, enquanto abria e tirava o pedaço de papel. — Isso, xerife adjunto Shiver, é o que você usará para abrir uma investigação sobre Natalie Palmer pelo rapto e assassinato de nossa irmã.


Capítulo 15 Emily passou as últimas duas horas limpando o pequeno apartamento. A cozinha e o banheiro brilhavam. Agora ela ia tomar um banho, e depois sentar-se com um jantar muito bem-vindo de sua mãe e a segunda temporada de Downtown Abbey em seu laptop. Mas a água mal ficara quente quando houve uma batida na porta. Ela ficou tensa. Após o estranho encontro com Natalie Palmer, esperava que nada mais acontecesse esta noite. Ela colocou o roupão novamente, pegou seu celular, e foi até a porta. Outra batida ecoou pela sala. Poderia ser James? Perguntou-se, apertando seu celular. Para ver se ela estava instalada. Ou talvez fossem seus irmãos... — Quem é? — Ela perguntou bruscamente. — Blue. Uma onda de alívio do tamanho de um tsunami caiu sobre e através dela. Ela apertou o laço em seu roupão e abriu a porta. Em pé lá, preenchendo a moldura da porta, estava um homem extraordinariamente bonito. Tipo, bonito de enrolar os dedos e contrair o estômago. Mas não eram apenas suas características faciais abençoadas ou corpo longo e firme que o faziam assim. Era aquela aura com a qual andava: confiante, pronto, faminto, forte. — Ei, — disse ela, seu olhar correndo sobre sua calça jeans desbotada e camiseta preta. — O que está acontecendo? Os olhos de Blue faziam praticamente a mesma coisa. Observando o que ela usava. Ou não usava. — Seu irmão disse que você saiu de casa. — Eu saí, — ela confirmou. — Sem nada, exceto suas roupas? — Ele apontou para seu roupão com a cabeça. — E parece que talvez você sequer trouxe isso. Ela sorriu. — Todo o resto das minhas coisas chega amanhã. Eu queria apenas sair... sabe? Só precisava saltar para o fundo do poço.


— Sem um traje de banho? — Sou louca assim. — Isso é por minha causa, Emily? — Ele perguntou, seus incríveis olhos azuis cautelosos. — Eu a levei a sair de sua casa com toda a minha conversa de morar junto e ficar noivo? — Não. — Ela encostou-se ao batente da porta. — Bem, talvez. — Ah, caramba. — Ele balançou a cabeça e suspirou. — Mas não da maneira que você está pensando. Já pensava nisso há algum tempo, Blue. Adorava viver com a minha família. Eles são os melhores. E eu estava confortável. Talvez muito confortável, — ela admitiu com um leve encolher. — Mas terei uma família minha agora. Muda as coisas. Altera a perspectiva. E a direção dentro de uma pessoa. Para não falar como se vê o futuro. A mandíbula dele enrijeceu. — Falando do futuro, onde planeja dormir esta noite? Ela olhou para ele curiosamente. — No meu quarto. Ele levantou uma sobrancelha. — Quero dizer em quê? Se só trouxe algumas roupas... — Oh. Eu tenho cobertores e um travesseiro. Ele pareceu horrorizado. — Foi o que eu pensei. Não vai acontecer, Em. Ela riu. — Vamos. Está bem. É uma noite... Blue, aonde você vai? Mas ele desapareceu. Emily colocou a cabeça para fora da porta, apenas para dar de cara com o que parecia ser um colchão novo enrolado. Não... futon. O que era aquilo? O que ele fez? Ela não teve escolha a não ser entrar no apartamento enquanto ele o levava para dentro. — Onde é o seu quarto? — Perguntou. — À esquerda, depois do banheiro, — disse ela. — Mas... Ele já se movia nessa direção. Emily o seguiu, confusa, atordoada. As etiquetas de vendas ainda estavam na coisa. Quando se aproximou dele, ele já colocara o futon enrolado no chão recém-esfregado debaixo da janela e pegava o canivete suíço. — Pare agora, — disse ela. — Isso é loucura. — Você não dormirá no chão. — Ele cortou o que quer que segurava a coisa junta e desenrolou, se espalhando debaixo da janela. — A cabana do Triple C


pode sempre arrumar outro. Voltarei com ele amanhã, quando Steven e Jeremy trouxerem sua cama. Inferno, eu vou ajudá-los, então será fácil. — O quê? — Ela exclamou. — Não. Você não precisa fazer isso. Ele se virou para olhar para ela. — É claro que eu preciso. Olha, eu sei que você está com raiva de mim por me intrometer, e isso é compreensível e tudo. Mas é só porque eu quero fazer o certo por você, Emily. Quero ajudar, estar aqui. — Ele balançou a cabeça. — Eu deveria saber. Sobre você se mudar. Onde você estava indo. Algo pingou dentro dela, perto de seu coração, enquanto ela olhava para ele. A sinceridade que viu ali, o desejo, a necessidade e a preocupação... Ele se importava. — Você está carregando o meu bebê, Em. — Ele disse claramente. Sim, ele se importava. Com o bebê. Suas entranhas se apertaram. Isso é o que importava para ele. Tudo o que importava para ele. Certo, ela estava contente por isso. Ela queria que seu filho tivesse um pai que o amava e apreciava. Saber disso fazia com que se sentisse segura e protegida. Mas ela também esperava... desde aquela noite que passaram juntos... que talvez ele pudesse vir a desejá-la também. — Obrigada pelo colchão, — disse ela, indo até a porta do quarto, deixando claro que era hora dele sair. — Foi muito atencioso da sua parte. E não se preocupe. Eu o manterei informado no futuro. De todas as idas e vindas do bebê. Ele captou seu tom e seu significado imediatamente. Seus olhos suavizaram e ele balançou a cabeça. — Vamos, agora, querida. Você sabe que não é apenas sobre isso. O pingo voltou, mas ela afastou-o. — Não é? Ele respirou fundo, exalando-o. — Não. Mas queria que fosse. — Dane-se, Blue. — O quê? — Você começa tudo muito bom, em seguida, atira isso no final. Você queria não se importar comigo? Aprecio isso. — Você não entende, — ele começou, esfregando uma mão sobre seu maxilar. — Parece que ultimamente, se preocupar com alguém, seja em família ou uma pessoa que você conheceu on-line e acreditava que fosse honesta e real, acaba muito mal. Eu me sinto como um homem destruído, Em. Que não consegue


confiar. Fechado. Sem muito aqui para oferecer, se você me entende. E você... — Seu olhar se moveu sobre ela, lento e quase faminto. — Merda, querida, você merece algo muito melhor do que mercadoria danificada. — Ele virou então, e começou a fazer a maldita cama com os cobertores que ela trouxe e o travesseiro. — Por favor, não me diga o que eu mereço, — disse Emily baixinho. — E não faça isso. Ele ficou quieto por um segundo, os olhos no pequeno vaso perto da janela. Continha as flores que ele lhe dera na última noite que passara na casa de seus pais. Sim, eu estive pensando em você, Emily disse silenciosamente. Homem destruído que você diz ser. — Está com fome? — Ele perguntou, deixando o travesseiro cair no lugar. A pergunta era tão do nada, que ela não respondeu de imediato. Ele se virou para olhar para ela, aqueles olhos percorrendo seu rosto. Por que ele tinha que ser tão bonito? — Nós podemos ir à lanchonete, — ele sugeriu. — Minha mãe mandou alguma coisa para mim. Ele pareceu desapontado, pensativo. Era uma expressão muito sexy nele. Mas, novamente, o que não era? — Eles sentirão sua falta, sabe? — Meus pais? Sim, eles sentirão. E eu sentirei falta deles. Mas realmente é a hora. — Ela olhou ao redor da sala. — Tentar a vida por conta própria. Descobrir as coisas antes que eu não esteja mais tão sozinha. Seu olhar pensativo se intensificou. — Suponho que sua mãe não embalou o suficiente para dois. Interessante. Ele não queria partir. E, na verdade, ela não queria que ele fosse. Mas havia esse medo que se agarrava em seu interior, brincava com sua mente. Ele está aqui por causa do bebê. Ele nunca a procurou depois daquela noite, Emily. Pegue a pista. — Certo, — ele disse, pegando seu silêncio como rejeição e indo na direção dela. — Sei que estou sendo um bastardo insistente. Vejo você amanhã. Ela o parou logo que ele passou por ela, indo para a porta. Sua mão em seu bíceps. Era como envolver os dedos ao redor do granito. Mas que granito morno e suave. Seu estômago apertou com consciência. — Fique, — disse ela.


Seus olhos encontraram os dela e permaneceram. — Sim? Ela assentiu com a cabeça, sentindo-se sem fôlego. — Se você quiser. Sua boca se curvou em um sorriso. Um sorriso um pouco malicioso. — Oh, Emily Shiver. Você sabe que eu quero. Oh, senhor. Isso era o calor aumentando em seu sangue? Ela soltou o braço dele e deu um passo atrás. — Preciso tomar um banho rápido primeiro. Era onde eu estava quando você bateu. Indo ligar a água. — Ela precisava parar de falar. A expressão dele mudou em um instante. Do suave, calmo interesse para uma necessidade quase indomável. Ela nunca viu alguém daquele jeito. E, certamente, não destinado a ela. Chuveiro. Vá tomar banho. E talvez deixá-lo frio. — Saio em dez minutos, — ela soltou, suas entranhas tão quentes e líquidas agora, e teve que reprimir o desejo de gemer ao passar por ele e ir para o banheiro. — Estarei aqui, — ele respondeu, sua voz perto de um rosnado. *** — Sabe, aquela coisa de comer por dois é um mito, — disse Emily quando Blue entregou outro pedaço de pão para ela. Eles estavam sentados no futon coberto, fazendo um piquenique de lasanha, pão, frutas e pudim de arroz. Mama Shiver com certeza sabia cozinhar, Blue pensava. Inclusive rivalizava com Elena, e isso queria dizer alguma coisa. Ele sorriu. — Não posso evitar. Só quero te alimentar. Pareço com minha mãe quando eu estava no colégio. Sempre empurrando pratos para mim. — Bem, você precisava disso, — disse ela. — Você era um varapau naquela época. Ele não negou. Varapau era na verdade esticar as coisas. Mais como um alfinete. — Juro que eu poderia comer um pedaço de carne seguido de uma cuba de massas e nada ficava. — Sortudo, — disse ela com um sorriso. Ele riu. — Sim, mas matou a minha vida social. Meninas mal me davam atenção. Ossos não eram tão atraentes como músculos. — Bem, você certamente superou esse obstáculo, — disse ela, corando. — Se ao menos as meninas pudessem ter previsto o que aconteceria em poucos


anos. — O olhar dela cintilou sobre ele, e retornou ao seu rosto. — Provavelmente, estão se chutando agora. Calor pulsava por ele. Merda. Foi assim desde que ela abriu a porta de roupão. — Você está me fazendo corar, Em Shiver. — Não, não estou. — Ok, você não está. Mas outras coisas estão acontecendo em mim, eu garanto. Seus olhos se arregalaram e ela engasgou, quase sufocando com seu pedaço de lasanha. Ele riu. — Cuidado, agora. Ela engoliu em seco, então limpou a garganta. — Ok, de volta para a discussão do ensino médio. Deve ter havido alguém, certo? Alguém que viu através dos ossos? Ele pensou por um segundo, colocando algumas uvas em sua boca. — Eu namorei Sheila Erickson na nona série. — Oh sim. Lembro-me dela. — Ela apontou para a boca. — Ela tinha aqueles aparelhos azuis. Eu estava tão ciumenta. Eu tinha o tipo feio de metal. — Sheila, — ele relembrou com um suspiro. — Não era a pessoa mais legal do mundo, mas, porra, ela poderia beijar. Sem pensar, Emily jogou o pão nele. Ele riu. — Apenas dando o respeito que é devido, senhorita. Apesar do aparelho, Sheila sabia o que fazia. Emily apertou os lábios. — Onde Sheila está agora? — Ela é ortodontista em Austin, — disse ele com uma cara séria. — Não! Ele riu novamente. — Não sei. Perdi o contato com um monte de gente quando a minha mãe e eu nos mudamos para o Triple C. Foi um momento estranho. — Ele remexeu sua lasanha, não tendo certeza se queria continuar, e ainda havia algo sobre o momento com Emily que o pressionava. Ele queria se aproximar, conhecê-la. Talvez isso incluísse ela conhecê-lo também. — Minha mãe cuidava para Everett não desmoronar. Os irmãos foram embora. A casa parecia sempre de luto, sabe? Não fiz muito na área social durante esse tempo. Emily o observava de perto. Parecia tentar decidir o que dizer. Insistir no passado ou manter as coisas leves. Ela optou pelo último.


— Pobre Sheila, — disse com um suspiro. — Aposto que ela se arrepende de não ter mantido o contato com você. Ele deu de ombros. — Ela não ligou. Não escreveu. — Ele sorriu sem entusiasmo. Comeram em silêncio por um tempo. Então, Emily perguntou, — Alguma vez você gostaria de não ter ido morar lá? — No Triple C? — Disse. Ela assentiu com a cabeça. Sua pergunta o desacelerou um pouco, obrigou-o a pensar, refletir. Não era a sua coisa favorita a fazer nos dias de hoje. Ele largou o garfo. — Não sei. Houve momentos nos últimos meses, onde eu diria que sim, absolutamente. Mas... não tenho certeza de que seja a verdade. O Triple C é a minha vida. Sempre foi. Por bem ou por mal. Tudo o que sou está embrulhado naquele rancho. Estou enraizado, entende? Os olhos dela estavam presos aos dele quando ela assentiu. — As coisas foram muito boas até Everett morrer, — disse ele. — Mais do que bem. Tinha a minha mãe e Mac. Tinha Everett. Ele me tratou como um quarto filho. Os dele foram embora, Cass foi embora, e Deacon voltou e tentou destruir o C... Eu pensava que coisa terrível ter filhos como aqueles. — Blue riu, mas era um som amargo. — Não fazia ideia do que estava realmente por trás da raiva dele. Nunca questionei a bondade e afeição de Everett comigo. Apenas caí nas boas graças dele. — Claro que você fez, — ela deixou escapar, exaltada. Ele olhou para ela. — Bem, por que não iria? — Ela continuou. Ela começou a limpar, empilhando seus pratos e colocando tudo na cesta que sua mãe enviou. — Por que você acha que ele não lhe disse, Blue? Sobre ser filho dele? Ou por que sua mãe não contou? — Ela colocou a cesta no chão atrás dela. — Quero dizer, depois que a Sra. Cavanaugh morreu, por que ainda guardaram segredo? Ele respirou fundo. — Tenho certeza que há uma resposta para essa pergunta. — Você nunca perguntou? Ele balançou a cabeça. — Minha mãe quer me contar. Falar comigo. Colocar toda a bagunça diante de mim para dissecar. Mas não sei. Não sei se quero ouvir


as razões. Acho que eu não quero perdoá-la ou ele. — Sim, — ela sussurrou. Seus olhos se levantaram para encontrar os dela. Nenhum julgamento ali, apenas curiosidade e interesse. — Às vezes, eu sinto que a minha raiva é a única coisa que me mantém inteiro. Mantendo-me saudável. Evitando que eu cometa o mesmo erro de novo e de novo. — Que erro é esse? — Ela perguntou. — Confiar. Ela fez um som suave e triste. — Oh, Blue... Ele balançou a cabeça. — Não sei por que estou te dizendo isso, — disse ele em um rosnado frustrado. — Eu não deveria. Ela chegou mais perto dele, e estendendo a mão, colocou-as em cada lado do seu rosto. — Olhe para mim, — ela pediu. Quando o fez, quando seus olhos se encontraram, trancaram com os dela, ela disse, — Só porque você ficou vulnerável com algumas pessoas e elas erraram com isso, não significa que todos irão. Eu... — Ela parou, mordendo o lábio. — O quê? O que, Em? — Ele pressionou. Por um momento, ela não respondeu. Parecia tentar encontrar as palavras certas, ou decidir se devia continuar e o que isso significaria se o fizesse. Então ela soltou um suspiro. — Eu não faria isso. Só para você saber. — Ela encolheu os ombros levemente. — Eu não estragaria isso. As palavras dela o tocaram. Intensamente. Acertaram um lugar dentro dele que estivera morto durante as últimas semanas. E então, quando ela se inclinou e beijou-o – um beijo suave que fez suas entranhas entrar em erupção, fez apertar suas mãos em punhos, fez sua cabeça girar – bem, ele simplesmente quebrou. De dentro para fora. A gaiola em torno do coração. — Não tenho os aparelhos azuis, — disse ela contra seus lábios. — Mas beijo bem. — Sim, você beija, — ele sussurrou com voz rouca. — Talvez melhor do que Sheila Erickson? — Quem? Ela recuou, o encarou e balançou a cabeça. — Oh, cara, eu gosto demais de você.


Seu tom era uma mistura de fome e melancolia. Blue sabia exatamente o que ela queria dizer. Aquela provavelmente não era a melhor das ideias. Era complicado. E, no entanto, nenhum deles poderia evitar. — Eu também gosto de você, Em. Ela se inclinou e lambeu seu lábio inferior com a língua. — Prove. Oh, aquilo foi a gota d'água. Sua língua quente e rosa. Seu desafio. Fez sua mente racional e sensata ir para o espaço. Com um grunhido de posse, ele a pegou e colocou-a no colo, forçando-a ficar em cima dele. E ela o fez – instantaneamente – envolvendo suas pernas ao redor de sua cintura e os braços em volta de seu pescoço. Faminto e impaciente, Blue capturou a boca dela com a dele. Um gemido escapou quando ele saboreou e chupou seu lábio inferior. Claro, ele a beijara naquela noite – naquela fatídica noite – e foi voraz e quente. Mas isso... desta vez ele estava completa e totalmente sóbrio. Ele estava inteiro aqui, completamente envolvido. E era tão real, tão perfeito – como se cada respiração que dava, cada gemido que ela fazia, pertencesse a ele. Os dedos dela se moviam através de seu cabelo, puxando seu couro cabeludo quando o beijo se intensificou. Blue a puxou para mais perto, querendo senti-la, a suavidade dela, a força nela, e gemeu de prazer quando ela pressionou os seios contra seu peito. Como algo tão simples quanto um beijo poderia tornar-se frenético? Dentro dele? E a julgar pelo que ele sentia dela, como ela se movia e reagia a cada vez que ele mordia ou sugava seu lábio – ela estava bem ali com ele. Em sua mente nebulosa guerreou com a ideia de que essa mulher, essa incrível mulher bonita e inteligente, se ela realmente o conhecesse – o coração devastado que parecia implorar por vingança contra qualquer pessoa que fez algo errado para ele – ela se afastaria e demandaria que ele desse o fora de seu apartamento e de sua vida. Mas, novamente, talvez ela soubesse... Não se importava. Queria-o de qualquer maneira. Sua mão escorregou entre seus corpos e cobriu o sexo dela. Através da fina camada do pijama de algodão, ele sentiu o calor úmido contra a palma da mão. Naquele momento, tudo o que restava do racional, razoável – sensível – de sua mente partiu para partes desconhecidas. E tudo o que restava era um homem que estivera em um estado de desejo não realizado por semanas, desde aquela


noite a três semanas atrás, quando estava sentado em um bar na companhia de um anjo com uma flor no cabelo. Ele enfiou a mão dentro do cós solto desse pijama fino e seguiu o rastro quente na parte inferior de seu abdômen, até que seus dedos roçaram sua boceta macia. Instantaneamente, Emily pulou e apertou-se contra ele, soltando um suspiro de necessidade. Conforme sua boca gentilmente brincava com a dela e seus olhos se abriam de vez em quando para pegá-la olhando para ele, ele começou a fazer pequenos círculos sobre seu clitóris. O tenso botão pulsava sob as pontas de seus dedos, igualando o seu batimento cardíaco acelerado. — Por que isso é tão bom? — Ela pronunciou contra sua boca, seu tom de voz ofegante e tenso. — Com você... você... É isso mesmo, só eu, ele queria dizer quando beliscou levemente. — Oh Deus, — ela gritou e começou a mover-se fortemente contra ele. — Você quer gozar, Em? — Ele sussurrou, circulando-a, e dando-lhe um par de movimentos sutis. — Sim, — ela respirava. — E não. — Ela riu suavemente, aflita. — Quero gozar para sempre. Nunca pare de me tocar, Blue. — Cristo, querida, — disse ele, todo o seu corpo rígido com a necessidade. Seu pau tão duro que vazava na ponta. Ele a queria. Queria ser o que ela desejava. Queria ser a pessoa que a tocava. Tão profundo que ela não podia falar, não podia fazer nada além de gritar, gemer, gritar o nome dele. E então ele sentiu. As iniciais ondas de choque de seu orgasmo, e a clareza de pensamento desapareceu. Sua boca tomou a dela, faminta e assustadoramente, e quando ela inclinou seus quadris e empurrou contra ele, ele circulou e puxou delicadamente seu clitóris. Ele manteve seu movimento constante, instintivo, até que ela congelou. — Oh Deus! — Ela gritou. — Oh, Blue. Por favor. Era como se ela estivesse possuída. Ela empurrou os quadris e agarrou seu couro cabeludo, enfiando a língua em sua boca enquanto gozava. E Blue adorou cada maldito momento. Ele apreciava. Seu anjo. Sua Em. O prazer dela pertencia a ele. Não havia nada que ele quisesse mais do que estar dentro dela naquele momento. Seu pau. O mais fundo que ela pudesse aguentar. Mas sabia que se ele fizesse isso agora, ele se perderia, e sua mente, e sua vontade. Emily Shiver era


muito doce. Viciante. E se ele fizesse amor com ela – de novo – o pouco que restava da proteção ao redor de seu coração quebrado desapareceria. Ele estaria aberto para ela, apaixonado por ela. Ela teria o poder de totalmente e, finalmente, derrubá-lo. Antes que ela pudesse tocá-lo, ele a abraçou e caiu contra o futon. Ela sentiu a desconexão imediatamente e perguntou, — Blue...? — Sim. — Você não quer que eu toque você, não é? Merda! Claro que ele queria. Ele queria suas mãos suaves por todo o seu corpo, os dedos ao redor de seu pênis, acariciando-o enquanto ele a beijava tão forte e tão completamente que ela gozaria novamente. — Não essa noite, — ele soltou, sua voz um ponto sensível. — Por quê? — Ela perguntou, com tristeza. — Sou eu? Sim. Foda-se, sim. — Quero apenas te tocar hoje à noite, Em. — Disse ele com os dentes cerrados. — Quero fazer você se sentir bem. Não está bom? Ele rezou para ela não lutar com ele sobre isso. Querer conversar sobre isso, sondar. Ele não podia aguentar se ela o fizesse. Não podia resistir se ela estivesse determinada a fazê-lo se sentir bem também. Apenas a ideia o fez gemer. Mas ao invés de pressioná-lo, ela se aconchegou nele. O que, francamente, era quase tão ruim. Ela queria estar perto, se conectar. O Blue de três meses atrás ainda se escondia em algum lugar dentro dele. Aquele homem queria tanto uma maldita conexão que perdera todos e quaisquer sinais de uma relação online construída em mentiras. — Você vai ficar? — Ela perguntou, a voz enroscada com a esperança e a rouquidão desvanecida do clímax. Seu corpo vibrou uma vez mais com o calor. Ele devia ir. Levante-se e saia. Se ouvisse a lógica, a razão e o pensamento racional neste momento, então sair para o ar frio e para a sua caminhonete era a coisa certa a fazer. E, no entanto, como ele poderia deixar essa mulher? Calorosa. Querendoo. Seu filho descansando calmamente dentro da barriga dela. — Eu gostaria. — Ele conseguiu. — Por um tempo, pelo menos.


Ela não disse nada no começo, mas ele sentiu a decepção. Com a última coisa que ele disse. Sentiu-a pela forma que ela se aninhou contra seu peito. — Só não vá antes de eu acordar, tudo bem? — Ela sussurrou. Suas entranhas se apertaram com a ironia do pedido, e ele a puxou para mais perto. — Ok.


Capítulo 16 O sol mal subiu quando Emily acordou. Bem, não exatamente acordou, mas abriu os olhos e rolou para... Bom Deus, que vista. Ele dormiu. Ele realmente ficou. Em sua cama, vestindo calça jeans e camiseta. Próxima vez? Sem jeans ou camiseta. Ela sorriu para si mesma. Podia ter todas as festas de pijama que quisesse agora que estava sozinha. Enorme privilégio. Através de sua névoa ainda sonolenta, ela o estudou. Ele era verdadeiramente o homem mais bonito que ela já vira. Queria tocá-lo em todos os lugares, memorizar a sensação de sua pele contra seus dedos. Sem pensar, ela estendeu a mão e roçou o polegar sobre o lábio inferior dele. Então, ao longo de sua mandíbula. Ela estava salpicada com a barba por fazer, e a sensação do cabelo espetado ainda macio nas pontas dos dedos fez os músculos dentro do sexo dela formigarem. Mais uma vez. Memórias da noite anterior a atravessaram. Mãos, lábios, dedos... ela estremeceu. Um baixo rosnado masculino retumbou entre eles, mas os olhos de Blue permaneceram fechados. — Continue a me tocar desse jeito, querida, e não sairemos desta cama hoje. — Futon. — Ela corrigiu, brincando com um tufo de cabelo perto de sua orelha. — Nós não sairemos deste futon. Antes que ela tivesse a chance de chegar a sua próxima respiração, ele se ergueu e a deitou de costas. Ele olhou para ela, todo sombrio e ameaçador. — Espertinha. Os lábios dela tremeram. — Você finalmente me entendeu, não é? — Ela repreendeu, sentindo através do jeans seu pau duro e grosso pressionado contra sua coxa.


Uma sobrancelha escura se ergueu. — Pensei ter pegado{11} você na noite passada. E bem. Seu sorriso ampliou. — Um pouco de mim, — ela esclareceu. — Bem, isso não está certo, — ele arrastou, e começou a descer pelo seu corpo até que tinha os lábios em seu umbigo. Ela suspirou ao sentir o hálito quente em sua pele e deu uma risadinha. — Não é isso o que quero dizer, Blue. — Isso é o que eu quero dizer. — Os dedos dele já estavam no cós de seu pijama e o puxava para baixo. — Isso é o que eu quero. — Ele acentuou a última palavra jogando seu pijama por cima do ombro. Emily riu, mas apenas por alguns segundos. O homem se acomodava entre suas pernas, seus olhos presos ao seu sexo. — Apenas experimentando, — ele soltou, deixando cair a cabeça. — Antes que eu entre. Antes que eu coma você. Oh Deus, as palavras dele... a deixaram louca. Quando a língua dele bateu na fenda de sua vagina, Emily inspirou com força e apertou o cobertor debaixo dela. Ela nunca esteve tão perto de um cara. Nunca foi tocada dessa maneira – ou provada. O único homem com quem esteve além de Blue, quisera apenas o sexo padrão, menina embaixo, menino por cima. Isto... o que acontecia agora, a cabeça de Blue entre suas pernas, e a língua dançando... era algo que ela só fantasiara. Ele fez com que ela abrisse bem as pernas, e sacudia delicadamente seu clitóris com a língua. Tão suave que isso a deixava louca e necessitada, irritandoa. O que estava acontecendo entre eles? Piqueniques em seu futon, conversa profunda, abrindo-se um para o outro – dormindo juntos? Eles estavam... namorando? Estavam ficando? Será que ela se importava? A língua dele estava pressionada contra seu clitóris e agora ele se movia para trás e para frente. Puxando. Ela gemeu. Não. Ela não se importava. Ela se perdeu no mar. O mar perfeito de oitenta graus. — Cristo, você é doce, Em. — Disse ele em um gemido, e puxou o sensível broto em sua boca. Chorando, ela abandonou o cobertor e agarrou a cabeça dele, os dedos em seus cabelos. Tão grosso. Ela o queria. Ele dentro dela. Eu quero você bem fundo!


— Quero isso também, querida. — Ele rosnou. — Você não tem ideia do quanto. Ela falava em sua cabeça, e fora dela também. A dor era terrível. A necessidade de gozar. E a necessidade de ser preenchida. Ela empurrou seus quadris para cima, em movimentos circulares. Blue seguiu, a boca dele devastando-a agora. Ele fazia aqueles sons famintos que a deixavam louca, selvagem, sobre a borda. E então ele deslizou um longo dedo dentro dela. Um suspiro escapou de sua garganta. Parecia tão áspero para seus ouvidos. Em seguida, um segundo dedo. E um terceiro. Oh merda! Era assim que deveria sentir? Como loucura divina? Como pureza inatingível – e, contudo você não quer chegar lá... não quer que nunca acabe? Não quer descer de uma altura tão incrível? Seus impulsos aceleraram agora, e seus lábios pincelavam seu clitóris. Ela não seria capaz de se segurar. Nem mais um momento. Precisava liberar. Precisava voar. As ondas do clímax explodiram dentro dela, e ela bombeou contra seus dedos, ouvindo os sons de seu calor úmido, ouvindo os gemidos de Blue enquanto a devorava. E então ela se contorcia. Precisava pegá-lo também. Prová-lo. Sentilo. Possuí-lo como ele a possuía agora. Em sua névoa cega, ela encontrou o cós da calça jeans dele. Rangendo os dentes, ela abriu rapidamente o botão, arrancou o zíper. Quase. Ela quase o teve – antes que ele a impedisse. Mais uma vez. — Não, — ele rosnou. — Não, Em. Seus olhos se abriram. Ofegante, ela piscou para ele. O quê... Droga. Ele estava de pé. Estava fora da cama. Não, futon. — Eu só queria você, — disse ele, com os olhos mais escuros do que ela já viu. — Você me deu tudo que eu poderia querer. Em meus lábios, na minha língua.


Aquilo era insano. Ele tremia. Sua mandíbula estava tão rígida que mal conseguia pronunciar as palavras. O que estava acontecendo? Seus lábios ainda estavam brilhantes de seu sexo. Parecia que ele queria tanto transar com ela que doía. E, no entanto, ele resistia. Por quê? — Blue? — Ela olhou para ele, tentando avaliar o que acontecia. — Fale comigo. Seus olhos cobalto iluminados com um fogo ardente quase a agrediam em o brilho e a fome neles. — Blue, — disse novamente quando ele não respondeu. — Sei que você quer isso, eu.... minhas mãos em você. — Não, — ele grunhiu. — Não, eu não quero. O coração de Emily vacilou. Ela não ouviu direito. Não podia ter ouvido. Porque se tivesse, esse homem estaria dizendo que ele não queria que ela o tocasse. Precisava ser algo mais, outra coisa. Ele sentia algo por ela, algo que não queria sentir, então se afastava – dizendo merda que não queria dizer. Ela sabia o quanto ele a queria. Era óbvio como o inferno. — Merda. — Ele amaldiçoou, passando a mão pelo cabelo. — Eu tenho que ir. Ele falava sério? Por um segundo, ela pensou em confrontá-lo, suplicandolhe... mas dane-se isso. Ele poderia ter tido um passado de merda com o qual lidar, mas isso acabou agora – isso não era sobre ela. E hey, uma menina tem seu orgulho. Ela apenas balançou a cabeça para ele. — Ok. Seus olhos encontraram os dela e eles estavam tempestuosos, como se uma batalha estivesse sendo travada atrás deles. Não, não, não, ela advertiu-se. Ela queria chegar até ele, dizer que poderia ajudá-lo a lutar essa batalha – afinal, era a natureza dela, como ela foi criada. Mas sabia em suas entranhas que só o próprio Blue poderia decidir se aquela guerra que ele travava valia a pena ganhar ou não. E, merda, de novo – orgulho. Ela afastou as cobertas e levantou. Não disse uma palavra enquanto passava por ele e seguia para o banheiro. ***


Blue tinha a intenção de ir. Ele abriu a porta da frente com a intenção de sair, com a intenção de entrar em sua caminhonete e voltar para o C – voltar para o rancho, seu trabalho, sua vida como um vaqueiro zangado e desconfiado. Só para sentir cada polegada dele ser puxada para dentro. Ele media o quarto de Emily com seus passos, tentando organizar sua mente, controlar sua raiva – e pior de tudo, controlar seu desejo. Mas o som do chuveiro provocava estragos nele. E a imagem em sua cabeça... Emily, nua, água caindo sobre seu corpo... Emily estava, sem dúvidas, chateada com ele. E por uma boa razão. Ele queria que ela ficasse puta. Queria que ela parasse de fazer perguntas. Queria que ela parasse de olhá-lo daquela forma, com fome, precisando, aberta, lembrando-o da merda emocional que ele disse a ela ontem à noite. Ela o queria. Queria que ele fosse mais profundo, dentro de seu corpo e, sem dúvida, dentro de seu coração também. E filho da puta, ele queria isso também! Cristo, não aprendeu? Seu olhar voltou para a porta do banheiro. Será que ele acreditava que Emily Shiver era como Natalie? Uma mentirosa e manipuladora? Ou como Everett e Elena? Afastando-o de seu verdadeiro eu, sua verdadeira família? Não. Mas o medo de que ela poderia ser assim mantinha as paredes, a armadura, inquebrável, e traziam as merdas das palavras ofensivas. Suas entranhas se contorceram. Aquela mulher ali se esforçava para chegar até ele. Ela era amável, engraçada, impressionante, e tinha seu bebê crescendo dentro dela. No mínimo, ela merecia um pedido de desculpas. Mas em vez de sentar na cama e esperar por ela, ele foi para a porta do banheiro e virou a maçaneta. Não estava trancada. Sua pele apertou em torno de seus músculos quando entrou. Vapor envolveu-o, deixando-o momentaneamente cego. Mas quanto mais se aproximava do chuveiro, mais ele podia ver. Sua silhueta era arte através do vidro. Alta, longa, com curvas que liquefaziam suas entranhas. Calor e antecipação pulsavam através dele quando começou a se despir. O que está fazendo, idiota? Ela está chateada com você. Seu pau tão duro como granito descansava contra sua barriga. Talvez ela dissesse para ele dar o fora, sair... ele não a culparia. Mas precisava


tentar. Precisava vê-la, olhá-la nos olhos e saber que ela não o odiava, ainda que merecesse. Ele abriu a porta do chuveiro e entrou. Ela estava de frente para o jato, os olhos fechados, deixando a água apenas cair sobre ela. Ela tinha um corpo incrível. Pernas longas, firmes, bunda tonificada, cintura curva e seios que pediam as mãos de um homem – as mãos dele. Ele mal conseguiu conter o grunhido em seu peito. Ou os braços que envolveram a cintura dela enquanto se esgueirava para perto dela. Ela engasgou, então imediatamente relaxou, até mesmo encostando-se a ele. — Ei. — Ei. — Ele disse, dando um beijo em seu ombro. — Cristo, Em... Sinto muito. — Oh, Blue, — ela respirou. — Apenas fale comigo. Por favor. Diga-me por que não quer que eu toque em você. — Querida, eu quero. Você pode sentir o quanto eu quero. — Ele revirou os quadris e gemeu. — Eu te quero. Agora. Quero suas mãos sobre as paredes do chuveiro, seu rabo no ar, e meu pau enterrado profundamente dentro de sua boceta. Ela virou em seus braços, saindo do jato. Seus lábios se separaram e ela olhou-o nos olhos. — Então por que... Blue lutou com a resposta. Com dizer em voz alta. Era sombrio e feio, e era sobre ele, não ela. E ainda assim ele precisava dar algo para ela. — Eu quero isso, Em. Eu te quero. E isso me assusta pra caramba. Seus olhos o imobilizaram. — Eu não o machucaria. Não mentiria para você. Ele deixou sua mão deslizar de sua barriga para cima. — Quero tanto acreditar nisso. Quando segurou um seio, rolou seu mamilo entre o polegar e o indicador, ela gemeu, — Então acredite. Suas narinas abriram quando ela pegou seu pênis. — Não é assim tão fácil. Um sorriso lento e sensual tocou seus lábios. — Mas você tentará. Ele retornou o sorriso. — Porra. Sim, eu tentarei. — Então ele gemeu quando ela começou a acariciá-lo. Os olhos dela estavam presos aos dele enquanto sua mão movia-se para cima e para baixo em seu eixo. Blue sentia-se


pronto para explodir desde a noite passada, assim tomou cada grama de contenção que tinha em si para se acalmar e não gozar exatamente aqui e agora. Ela empurrou-o contra o azulejo, colocou a mão no lado da cabeça dele, e apenas trabalhou-o. Ela tinha mãos mágicas, macias e molhadas, e Blue só poderia imaginá-la guiando seu pau para a entrada de sua vagina, deslizando-o para dentro. Ele resmungou e deixou cair a cabeça contra o azulejo. Ele estava tão ferrado. Apenas pegue o que quiser. Pegue o que ela quer dar a você. Qual é o seu maldito problema? Os olhos dela deixaram os dele e ela abaixou a cabeça, passando a língua sobre seu mamilo direito. — Foda-se, sim. — Ele gemeu. Seu sorriso era quase audível. Blue colocou uma mão na porta de vidro para se firmar. E agora, agarrada nele, mordeu e chupou o mamilo enquanto o acariciava, usando seu pré-sêmen como um lubrificante, correndo o polegar sobre a costura na cabeça de seu pênis. Esfregando-se em sua mão, sua bunda apertando, ele se lembrou daquela noite. Deitado de costas, Emily sobre ele, montando-o, seu cabelo ao redor de seus ombros, e o perfume das flores misturadas com os aromas de sua excitação. Com um golpe forte e um gemido gutural, ele gozou. As luzes desligaram em sua mente e ele só se permitiu sentir. A mão dela, em golpes fortes, em seguida, suaves, em seguida, libertação... Depois de um momento, ela o abraçou e descansou a cabeça contra o seu peito. Ele a puxou para mais perto. Ainda estava ereto, em parte, e quis levantála, colocando-a em cima dele. Deixá-la montá-lo, em seguida, pressioná-la contra o azulejo e levá-la ao clímax novamente. Mas a água ficou fria de repente e levou a decisão quase impossível para ele. — Acho que falarei com o meu senhorio sobre isso, — ela disse secamente quando ele desligou a água e saiu do chuveiro. — Quero horas de água quente. Ele tinha uma toalha à espera dela no momento que ela saiu. — James, — ele grunhiu. — Conte com os Cavanaughs para arruinar um perfeito bom dia. Quando ele a envolveu na toalha branca e fofa, Emily sorriu para ele. — Nada arruinado aqui. Mas diria que ele pode ter salvado sua virtude.


Arruinado há muito tempo, querida, ele queria dizer. Mas, francamente, ele havia dito demais. Tudo o que ele queria era apenas abraçá-la.


Capítulo 17 — Venha comigo. — Blue pediu, encostado no balcão da cozinha. — Você tem que estar com fome. Emily deixou o olhar vagar sobre seu torso nu. — Eu estou. — Ele não poderia apenas colocar uma camisa? Ele estava matando-a aqui. As narinas dele se abriram enquanto olhava para ela. — Juro por tudo o que é santo, eu não serei capaz de sair daqui. Esqueça minha virtude, como chamou; estou em perigo de perder o meu emprego. Tenho gado chegando esta manhã. Comprado e pago por mim. Preciso estar lá. Vestida com apenas uma toalha, Emily encolheu os ombros. — Ok. — Então ela lhe deu um sorriso brilhante. Ela tinha certeza que tentava matar sua virtude. Ou seu cavalheirismo. Ou seja lá o que fosse que realmente o impedia de levá-la contra o balcão naquele exato minuto. Porque verdadeiramente ela não entendia por que ele estava se segurando. Eles estiveram juntos antes. Ele cruzou os braços sobre o peito perfeito. — Posso voltar? — Talvez, — disse ela timidamente. — Quando? — Bem, eu ajudarei Steven e Jeremy com suas coisas por volta das quatro. Então eu poderia apenas ficar. — Ficarei no trabalho até as seis. — Eu poderia ter o jantar esperando por você. — Ele sugeriu. Um sorriso apareceu em seu rosto. Ela tinha certeza que rivalizava com o sol em sua intensidade. — Sério? Ele balançou a cabeça sorrindo, aparentemente satisfeito com a reação dela. — Algum pedido? — Ele perguntou; seus olhos de cílios longos e sexy. Ele precisava ficar de novo. Blue Cavanaugh matutino era o seu favorito. — Eu tenho alguns, — ela respondeu, reajustando lentamente a toalha, não sendo muito cuidadosa com as partes expostas ao seu olhar. Seus olhos escureceram. — O gado, Emily. Ela riu e cobriu-se corretamente. — Bem.


— Jantar? — Ele rosnou. — Conte-me. — Não sou exigente. Tenho certeza que o que você terá será maravilhoso. Aqui. — Ela estendeu a mão e pegou a chave extra do balcão e deu a ele. — Tome isso. Então você pode ir e vir, deixar os meus irmãos entrarem. É para a entrada privada. E o que quer que você faça, não a perca. Não queremos sua ex-namorada encontrando e aparecendo aqui de novo sem ser convidada. Foi como se todo o ar fosse subitamente sugado para fora da sala. A testa de Blue franziu; e ele caminhou em direção a ela. — O que quer dizer, de novo? — Ela veio enquanto eu me mudava ontem, — explicou Emily, um pouco atordoada por sua ferocidade. — Ela meio que ficou um pouco de tempo demais e disse algumas coisas... O rosto dele ficou sem cor. — O que ela disse? — Não foi nada demais. — Ela o assegurou. — Devo estar exagerando, obviamente... Ele não comprou. — Emily. Ela suspirou. — Ela falava de voc��, como você é ótimo. Acho que ela estava pescando para ver se namorávamos ou passávamos tempo. Acho que ela ainda está muito presa a você. Seu rosto era uma máscara de apreensão. — Ouça-me, — disse ele, pegando as mãos dela, prendendo-a com seu olhar azul-elétrico. — O detetive particular de Deacon pode ter encontrado algo que a liga ao desaparecimento de uma menina em uma escola de culinária que ela frequentou em New Orleans. Um fio de mal-estar moveu por ela. — O quê? — Natalie gostava do companheiro de quarto da menina. — A garota foi encontrada? — Não. Agora era a vez do sangue do rosto dela sumir. — Poderia não ser nada. Poderia ser uma coincidência. — Pode ser, — ele concordou. — Mas só por precaução, eu não quero você em qualquer lugar perto dela. Ela se separou dele e voltou para o quarto. — Não tenho certeza de como isso é possível, a menos que eu permaneça neste apartamento vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Ele a seguiu. — Acho que seria bastante extremo.


— Você acha? — Ela riu forçosamente, nervosamente. Não gostava dessa coisa de Natalie Palmer. Sentia que algo estava errado com a mulher na noite passada. — Eu só vou ter muito cuidado, — disse ela, abrindo o zíper da mochila e tirando seu uniforme. — Ou talvez... — ele começou. Ela olhou por cima do ombro para ele. — Talvez o quê? Ele deu de ombros, pegando a camisa da cama. — Não sei. Talvez você possa repensar sobre a mudança da casa de seus pais. Ok. — De jeito nenhum, — disse ela com um tom acalorado. — Sei que nós realmente não considerávamos isso a sério antes, mas você sempre pode ir para o Triple C comigo, — acrescentou, vestindo a camiseta. — Não comece isso de novo, Blue, — alertou, olhando-o seriamente. — Você sabe o que isso significa para mim. Viver aqui. Por conta própria. Quão importante eu sinto que é para mim. Inteiramente vestido agora, ele foi até ela. Os olhos dele se moveram sobre seu rosto. — É errado eu querer mantê-la segura? Seu coração derreteu. Assim desse jeito. Cubo de gelo sob o sol escaldante. — Claro que não. Eu sei que você quer proteger o bebê... Ele não a deixou terminar. — Agora é você quem precisa parar. Isto não é apenas sobre o bebê e você sabe muito bem disso. Ela sabia? Queria acreditar nisso. Ele pegou-a pelos ombros. — Você sabe como me sinto sobre você. — Eu sei que você se importa comigo, — ela começou. — Merda, mulher. É mais do que isso. Se transformou em mais do que isso. E eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com você. — Entendo isso, e entendo o risco. Mas não entrarei em pânico por causa de algo que os irmãos Cavanaugh pensam que poderiam saber. Com certeza, isso não significa que serei estúpida também. Estarei segura e evitando-a. Ok? O momento de silêncio se estendeu diante deles, e pareceram horas. Blue parecia tentar invadir seus pensamentos enquanto tentava esconder os dele. Ela não gostava quando ele fazia isso. Enchia sua barriga com inquietação. — Ficará tudo bem, — ela assegurou. — Sim? Depois de um momento, ele finalmente soltou um suspiro e balançou a cabeça. — Ok.


Ela sorriu suavemente. — Vejo você mais tarde. — Sim, você verá. — Com o jantar? — Ela acrescentou, alargando o sorriso enquanto recolhia sua bolsa e uma jaqueta. Uma lasca de calor tocou seus olhos mais uma vez e ele retribuiu o sorriu. — Mal posso esperar, querida. — Em seguida, ele se inclinou e lhe deu um beijo antes de sair do apartamento. *** Ele está transando com ela. Blue está fodendo aquela garçonete estúpida e inútil. Dentro da Gaby’s Book and Stuff, através da grande janela na parte da frente da loja, Natalie observava o homem entrar em sua caminhonete e ir embora. Essa cadela tinha que estar manipulando-o de alguma forma. Era a única razão pela qual Blue faria algo assim. Natalie precisava descobrir. Depois, ela poderia ajudar Blue. Ele estava tão vulnerável agora. Com tudo o que passava. Ele compartilhara tudo com ela. Disse que ela era a única pessoa em quem confiava. A única que o compreendia. Tenho certeza que ele não disse nada a essa cadela. Emily Shiver não se preocupava realmente com ele. E Blue precisava saber disso.


Capítulo 18 — Bom dia. — Elena disse quando entrou na cozinha. Passava da hora do café da manhã, e a cozinha já estava limpa e brilhando ao sol. Mas Blue precisava de algo para aguentar até o almoço. Em vez de agarrar uma refeição no Mirabelle, ele foi direto para o rancho. Suas vacas estavam chegando, e não houve tempo de pedir e ir embora. — Apenas pegando alguns biscoitos, se estiver tudo bem. — Claro que está. — Ela deu a ele um olhar tenso, esperançoso, o qual ele estava acostumado. — Que tal um pouco de café para acompanhá-los? — Ela abriu um armário e tirou uma grande caneca. — Eu posso pegar. — Não há problema. — Ela serviu uma xícara para ele, colocou-a na frente dele no balcão. — Obrigado, — ele disse firmemente. — Não ouvi você entrar ontem à noite. Ele não respondeu. Apenas deu uma mordida do biscoito ainda quente. — Queria ficar perto do rio? — Ela pescou. — Não. — Oh. Um silêncio tenso se seguiu. Dentro de Blue, aquele mesmo conflito com o qual lutava nos últimos dias surgiu mais uma vez. A necessidade de se conectar, compartilhar com a sua mãe o que estava acontecendo em sua vida. Sobre Emily. Sobre suas notícias. Sobre seus sentimentos por esta mulher. Queria pedir conselhos, dizer como estava assustado para se dar a alguém novamente. Mas a outra parte dele, aquela que recusava continuamente o chamado, começou a repassar todos os casos de traição. Toda a sua vida foi uma mentira. Como perdoaria isso? — Tenho gado chegando, — disse ele em uma voz muito mais suave do que Elena estava acostumada.


— Você sempre pode trazê-la aqui, — disse Elena. Ele engoliu o café e disse, — Não sei do que você está falando. — Eu adoraria conhecê-la, — acrescentou ela, esperançosa. — É alguém que eu conheço? A expressão no rosto dela cortou-o profundamente. Ela parecia tão animada, cheia de curiosidade, de vida e carinho. Parecia realmente feliz por ele. E ela não tinha ideia... — Obrigado pelo café. — Ele disse firmemente, lavando o copo e colocando-o no escorredor de pratos. — E o biscoito. Ele não falaria, não compartilharia, e ela entendeu isso imediatamente. O rosto dela caiu; o brilho de excitação se foi em um piscar de olhos. — Claro, — ela conseguiu dizer, abrindo uma gaveta e tirando umas poucas peças de um jogo americano. — Esse é meu trabalho. Alimentar os cowboys. Por um segundo ou dois, ele apenas ficou lá, com nojo de si mesmo, vendo-a preparar o almoço. Aquilo começava a afetá-la. Quebrá-la. Ele podia ver isso nos olhos dela. Sua apatia, sua frieza. Tudo nele, forjado a partir de uma infância maravilhosa com essa pessoa, disse a ele para simplesmente deixar ir e perdoá-la, seguir em frente. Talvez se o fizesse, poderia estar com Emily. Estar com ela de verdade. Não apenas como um pai para o filho dela. E, no entanto, a guarda permaneceu no lugar quando saiu da cozinha e foi para a porta da frente. *** Emily viu a grande mesa que acabara de lhe ser dada com interesse e ligeira apreensão. Eles estiveram no Bull’s Eye antes. Muitas vezes, na verdade. Separadamente, todos juntos, e apenas as meninas. Em seu interior ela sabia que pediram a seção dela. O que não sabia era o motivo. Ela se aproximou da mesa com um sorriso apreensivo. — Tarde, pessoal. Posso começar com algo para beber? Sr. Olhos de Oceano foi o primeiro a olhar para cima, primeiro a sorrir com familiaridade. — Oi, Emily. Ela assentiu com a cabeça. — Olá, James. — Está tudo bem com o apartamento?


Bem, a água quente... — Tudo bem. — E estranhamente, ele veio com seu bonito meio-irmão. Ela parou ambos os pensamentos, a memória de ontem à noite e esta manhã ainda muito com ela, fazendo sua barriga apertar. — Obrigada novamente. — O prazer é meu. — Ele fez um gesto para a mulher ao lado dele, a mulher com quem estava de mãos dadas. — Esta é a minha noiva, Sheridan. — Oi. — Disse Emily. Sheridan era muito bonita, seu cabelo preso em um coque, e muito mais sofisticada do que a maioria das mulheres em Black River. Ela suspeitava que Sheridan viesse da cidade. — É tão bom te conhecer. — Ela disse calorosamente. — E você conhece o meu irmão Cole. — Disse James, apontando para o feroz homem tatuado, mas definitivamente de boa aparência, na frente dele. O homem assentiu. — E sua noiva, Grace. Emily conhecia Grace. Provavelmente mais do que o resto. A veterinária da cidade vinha ao Bull’s Eye com bastante frequência. — Oi, Emily. — Disse Grace. — É bom ver você novamente. Você gostaria de se sentar? — A mulher imediatamente percebeu o que disse e fez uma careta. — Sinto muito. Sei que você está trabalhando. — Ela olhou para Cole e encolheu os ombros. Emily olhou para o clã Cavanaugh, e, não sendo alguém que se esquiva de situações desconfortáveis, disse com um suspiro, — Vocês todos sabem, não é? As mulheres pareceram imediatamente envergonhadas, enquanto Cole apenas olhava firme para ela como se tentasse ler sua mente. — Acho que Blue não tinha intenção de nos contar, — admitiu James. — Saiu quando gritava comigo por alugar o apartamento. Claro que sim. Emily balançou a cabeça e soltou um suspiro. — Sinto muito por isso. — Não sinta. Não é por isso que ele está com raiva de nós. — É porque ele quer o Triple C. — Cole colocou, seus olhos negros piscando. — Acalme-se, Cole. — Grace disse, dando-lhe um olhar afiado. — Estou apenas colocando todas as cartas na mesa. Deac e eu estamos estabelecidos com habitação, é claro, mas James ainda está no ar. Everett foi um imbecil por dividir em quatro. Ele tinha que saber o problema que provocava. Provavelmente por isso ele o fez.


— Ou talvez ele só quisesse que vocês quatro conversassem, — retrucou Grace. — Não aqui, vocês. — James disse a eles. — Emily não tem nada a ver com nada disso. — O bebê dela tem, — disse Cole, mantendo a voz baixa, portanto, apenas Emily e as pessoas na mesa podiam ouvir. — Ou terá. Primeiro bebê Cavanaugh. — Ele deu a Grace uma piscadela e um olhar que pertencia a portas fechadas. — Primeiro de muitos, eu espero. — Eu realmente preciso voltar ao trabalho, — Emily interrompeu, sentindose como se tivesse entrado em uma discussão familiar que não foi feita para seus ouvidos. — É claro, — disse James. — Desculpe. — Realmente sinto muito, — Grace colocou, olhando para Emily e tentando transmitir uma compreensão de menina para menina. — Eu vou tomar um chope. O que estiver disponível. — O mesmo, — disse Cole. Quando Emily pegou todos os pedidos de bebida, deixou a mesa e se dirigiu para o bar. Bem, isso foi desconfortável, ela meditou. E esclarecedor. Então, os Cavanaughs sabiam que ela e Blue teriam um bebê – bem, a maioria deles de qualquer maneira. Ela não sabia sobre Deacon e Mackenzie Byrd, embora eles provavelmente soubessem também. E como se sentiam? Emocionados? Preocupados? Desconfiados? Blue parecia estar determinado a possuir a Triple C. Ela se perguntou qual era a dinâmica. Será que James também queria isso? Dean caminhava para trás do bar, uma garrafa de tinto na mão. — O que você precisa, Em? — Três chopes, e um vinho branco, — ela disse a ele. — É para já. Enquanto esperava, um fio de mal-estar moveu por ela. Esta era uma cidade pequena, e a notícia de sua gravidez logo seria conhecida. Será que ela perderia o emprego? Seu olhar se voltou para Dean. Ele enchia os copos com chope gelado. Seu gerente podia não querer uma mulher grávida atendendo mesas em seu bar. Meio que quebrava o clima...


Ela tinha alguns meses antes de começar a mostrar, se ela pudesse manter as notícias em segredo. Alguns meses para encontrar um novo imóvel e conseguir um empréstimo. Alguns meses para montar a loja de flores e colocá-la em funcionamento. — Aqui está, — disse Dean, tirando-a de seus pensamentos. — Obrigada. — Bandeja na mão, ela voltou para a mesa dos Cavanaugh. Pediria a cada um deles, incluindo o feroz de olhos escuros, para manter a gravidez para eles mesmos. Por ora. Mas não dera mais do que alguns passos quando sentiu algo. Algo estranho. Seu coração escorregou em seu peito e ela parou entre a mesa dois e quatro, olhando ao redor. Não sabia o que procurava. Ou quem. Seu olhar viajou por todo o bar, mas não havia nada diferente. Nada de estranho. Nenhum cara assustador. Nenhuma Natalie Palmer. Droga Blue. Ele estava enchendo sua cabeça com medo, e agora ela pensava ver coisas, ou sentir coisas. Revirando os olhos, ela se dirigiu para a mesa dos Cavanaugh. — Você está bem? — James perguntou quando ela chegou, sua preocupação real. — Vi você parando ali. — Tudo bem. — De modo algum ela traria o assunto Natalie agora, a esta multidão. Mas tinha algo que precisava tirar de seu peito. E este era um momento tão bom quanto qualquer outro. — Antes de eu pegar seus pedidos de comida, posso pedir um favor? O clã inteiro olhou para cima e deu-lhe a sua total atenção. — Sobre este pequeno bolo que eu tenho no forno...


Capítulo 19 Bem, inferno, não era gourmet ou qualquer coisa, mas ele com certeza aprendeu algumas coisas com Elena ao longo dos anos. Uma delas era como fazer sopa. Sua mãe gostava de dizer que era fácil, enchia e podia ser muito reconfortante em uma noite fria. E tinha como acompanhamento alguns biscoitos que comprara na lanchonete, os quais combinavam muito bem com o que esperava em casa. Não casa, Blue corrigiu-se enquanto se inclinava contra uma árvore do lado de fora do Bull’s Eye. Aquele pequeno apartamento era a casa de Emily. Era tudo dela, e decentemente mobiliado agora, graças a ele e seus irmãos. Olhou para o relógio. Seis horas. Ele não quis entrar. Dando a ela uma chance de dizer não, dizendo que ela poderia muito bem ir para casa sozinha. Certo, ela provavelmente podia. Mas ele não lidaria mais com provavelmentes – não desde que a conheceu, e não desde que Natalie Palmer estava rondando. — São apenas duas quadras, sabe? — Ela gritou para ele quando saiu do bar usando jeans e uma jaqueta de couro marrom. Ela parecia quente. Afastando-se da árvore, ele sorriu. Começava a conhecer esta mulher. — Estou tentando ser um cavalheiro aqui. Acompanhando uma garota até em casa. Quando ela o alcançou, deu-lhe um olhar desconfiado. Ela sabia que seus motivos para esperar por ela não eram puramente cavalheirescos. Mas não disse nada sobre isso. — Como foi o trabalho? — Ele estendeu a mão e pegou a mão dela quando começaram a voltar para o apartamento. — Bem. Ele não gostava dessa palavra. Isso significava muitas coisas. — O que aconteceu? Ela lançou lhe um olhar. — Você precisa relaxar, Blue.


Sim, talvez ele precisasse. Mas sua inquietação não era sobre isso – sobre ela. — Conte-me. Percebendo que ele não estava prestes a desistir, ela soltou um suspiro. — Alguns de sua família estiveram lá em hoje. Seu estômago virou. Malditos Cavanaughs. — Não tenho família, — disse ele enquanto atravessavam a rua. — Exceto por minha mãe, e ela nunca pôs os pés no Bull’s Eye. Que eu saiba. — Falo sobre os Cavanaughs, — disse ela, entrelaçando os dedos nos dele. Era apenas uma coisa pequena, mas era seu conforto, sua facilidade, com ele. — E eles não veem isso dessa forma. Você é irmão deles, queira você reconhecer isso ou não. Ele bufou, não convencido. Ela olhou para ele e levantou uma sobrancelha. — E obrigada por contar, por sinal. Nosso pequeno feijão de algumas semanas. Ele franziu a testa. Malditos Cavanaughs. — Não tinha intenção de dizer. Sinto muito. — Está tudo bem. Pedi para manter para eles mesmos. Por alguns meses, pelo menos. Não posso me dar ao luxo de perder meu emprego agora. — Isso não acontecerá, — ele disse confiantemente, apertando sua mão. — Mas se acontecesse, você sabe que será cuidada. Eles chegaram à porta lateral do seu apartamento. Emily parou e olhou para ele. — Blue, me escute. Não estou pedindo para ser cuidada. Por você, meus pais, ninguém. Não quero isso. Finalmente estou no comando de mim mesma, finalmente me empurrei para fora do ninho, e não penso em voar de volta. Você entende? Emoções conflitantes enrolaram dentro de Blue. A parte dele que queria esta mulher, cuidar dela e da vida crescendo dentro dela, queria rosnar com irritação. Recusar suas palavras. Era seu trabalho e seu prazer cuidar dela. Mas, em seguida, havia a parte dele que achou a reivindicação dela sobre a independência admirável e sexy. — Vamos, agora, querida, — disse ele. — Vamos subir. A sobrancelha dela se levantou. — Isso não é uma resposta adequada. Ele abriu a porta com a chave. — Apenas dizendo que podemos discutir este ponto, tanto dentro quanto fora. Agradável e quente lá dentro, e muito mais


confortável. Seus olhos sondaram os dele, tentando encontrar a raiz de seu humor e da evasão – mas não o pressionou a responder à sua pergunta anterior. Na verdade, ela esqueceu-a completamente quando entrou em seu apartamento momentos mais tarde. O rico aroma de frango e legumes flutuava em suas narinas e a fez sorrir. — Você cozinhou? — Exclamou. Ela parecia tão chocada com a possibilidade que ele riu. — Não sou completamente inútil dentro de uma casa. Os olhos dela brilharam com um calor repentino. — Oh, eu sei. Esse calor seguiu direto para dentro dele e afundou. Suas narinas abriram. Este desejo que ele tinha pela mulher diante dele parecia continuar crescendo. Continuar intensificando. Naquele exato momento, o desejo de tomá-la em seus braços e reclamar sua boca era forte. Reservas que se danem. Mas ele nunca teve a chance. Ela soltou a mão da dele e foi para o banheiro. — Vou tomar um banho rápido. Esfregar o Bull’s Eye da minha pele. Banho? Oh baby. Eu quero. Essa parte primitiva dele gritava. Vá atrás dela – siga-a, seja sua toalha, aquele sabonete... guiando-o a partir de seus dedos do pé e subindo... Mas, mais uma vez, ele recusou a si mesmo o prazer. Com jeans apertados e uma mandíbula rígida, ele a assistiu ir, então foi para a cozinha para pegar uma cerveja da geladeira e checar a sopa. *** O estômago de Emily estava apaixonado. Caloroso, feliz e apaixonado. — Isso é tão bom. — Você parece surpresa. — Blue disse, olhando para cima de seu prato fumegante de sopa de galinha. — Talvez um pouco. — Ela riu. Estava sentada em frente ao chef do dia à pequena mesa de jantar extra que seus pais guardaram no porão. Era pequena,


perfeita para um apartamento, e Susie e Ben insistiram para que Steven a colocasse na parte de trás do caminhão. — O jantar, — ela continuou. — O apartamento. Estas flores. — Ela assentiu com a cabeça na direção do vaso de vidro com rosas cor de rosa no interior. — Você e meus irmãos fizeram um bom trabalho hoje. Obrigada. — De nada. Sabe, eu sou bastante bom em cuidar. — Ele deu de ombros. — Acho que serei um bom pai. Suas vísceras suavizaram. Se este homem apenas deixasse o passado para trás, deixasse sua raiva e ressentimento ir, e apenas confiasse – nele mesmo e nela – eles poderiam realmente fazer funcionar. — Aposto que você teve uma boa professora, — disse ela. Ele ficou em silêncio, e um músculo em sua mandíbula se contraiu. — Desculpe, — disse ela. — Sei que este é um assunto delicado no momento. — Está bem. Seu olhar viajou sobre ele. Rígido, um coração cheio de dor. — Não parece. Você não está mais comendo sua sopa. E esta é uma sopa incrível. Seus olhos se encontraram com os dela. Eles eram de um azul profundo e pensativo. — Não sei. Com tudo o que estou chateado, o rancor que guardo de todo mundo, eu não posso negar as habilidades dela como mãe. — Esse olhar se voltou um pouco triste. — Ela era a melhor. Ela deu a quantidade perfeita de tenacidade e amor. Ensinou-me que ser um homem era sobre muitos tipos de força. — Não apenas os músculos? — Brincou ela, sempre muito gentil. Não queria perder o clima. Não queria que ele deixasse de ser vulnerável com ela. — Não. — Seus olhos se suavizaram ao afeto. — Caráter e direção, honra e bondade. — Gosto do som disso. — Ela comeu um pouco mais de sua sopa. — Você já contou a ela, Blue? Suas sobrancelhas se juntaram. — Sobre? — O bebê? — Não. — Ele pegou a colher e começou a comer novamente. — Você pretende? — Não sei.


Ela observou-o. É verdade que foi difícil dizer aos seus pais. Eles não eram rígidos em suas crenças ou qualquer coisa, mas explicar um bebê nascido de uma relação, a qual ela disse a eles que era muito recente, era duro em qualquer família. Mas contemplar não contar tudo para eles... sobre o neto deles... — Certo ou errado. — Blue começou, sua expressão escurecendo. — Bem, é meio que um presente saber sobre o bebê. — Seus olhos se levantaram e conectaram com os dela. Eles estavam resolutos. — Não darei a ela nenhum presente no momento. Ela não merece. Um formigamento de tensão caiu sobre o coração de Emily. — Esta parte de você me assusta, Blue. — Que parte? — Perguntou ele forçosamente. — A insensível, fria, implacável. — Bem, sinto muito, mas tenho razões para ser do jeito que eu sou, do jeito que eu reajo. — Eu acredito nisso. Raiva e amargura são sentimentos – reações reais e razoáveis para a merda pesada que acontece na vida. — Mas... — ele cutucou, quebrando seu biscoito sem intenção de comê-lo. — Mas elas não estão construindo blocos para nada de bom, algo sólido e duradouro. Se elas estão seguras, elas só destroem e continuam destruindo. Sua expressão endureceu. — Você não entende. — Talvez não. — Ela concordou. — Nunca passei pelo que você está passando. — Ela limpou a boca com o guardanapo. — Mas não acho que o que você está fazendo dará para você os resultados que quer. — E o que você acha que eu quero? — Ele perguntou friamente. Esse frio não a empurrou ou a assustou. Ela disse a ele. — Proteção... Ele bufou, sorrindo. — Contra ter seu coração partido. Mais uma vez. E novamente. O sorriso desapareceu. Ele olhou para ela, seu biscoito e sopa completamente esquecidos agora. — Como eu disse ontem à noite, não procuro fazer isso, — disse Emily, sua própria comida uma memória distante também. — Não tenho certeza de que você acredita em mim – ou pode permitir-se acreditar em mim – mas é assim. Seus olhos eram tão ferozes quando olhou para ela. Como se tentasse ver através dela, ou dentro dela – em sua mente e alma. Ver o que ela realmente


pensava – se o que ela acabara de dizer pudesse ser sincero. E então, ele empurrou a cadeira para trás e se levantou. Emily olhou para ele. — Você quer ir embora, não é? — Não. — Blue... Ele estendeu a mão para ela. — Quero ir para a cama.


Capítulo 20 Com um zumbido de desespero, de necessidade, correndo pelo seu sangue, Blue colocou Emily ao pé da cama e começou a despi-la. Sentia-se no limite, um pouco insano... tudo o que ela acabara de dizer chegou muito perto do alvo. Fazia sentido, e agora ele não queria sentido. Recusava. Porque o sentido falava para ele deixar este apartamento e voltar para o Triple C, continuar a tratar a sua mãe como uma merda e virar as costas para tudo o que já fora tão importante para ele. Seus olhos, aquelas enormes piscinas de luxúria e confusão, procuraram os dele por respostas, por garantia. Tudo ficará bem, querida. Prometo. Ele ergueu a camisa cinza sobre a cabeça dela e a deixou cair no chão. Em seguida, ele soltou o sutiã e lançou-o também. Cristo, ela era linda, perfeita. Perfeita demais. Pensamentos rasgaram sua mente. Ele não queria discutir com ela. Não queria ouvir suas opiniões sobre ele. Sua verdade. Mesmo sua garantia de que ela era diferente, que não o machucaria. Para longe também foi a parte inferior do pijama preto. Ela não usava calcinha, e seu peito se apertou quando a deitou na cama. A cama que ele arrumou para ela hoje. Uma verdadeira cama – esqueça o futon. Embora, merda, eles se divertiram nele também. Seu olhar se moveu sobre ela, com avidez, cobiça. — Você é uma mulher bonita, Emily Shiver. Seus olhos brilhavam, mas não com apreciação. — E você faz meu coração doer. Ele gemeu. — Não diga isso. — Você se agarra a tanta coisa, Blue. Não precisa fazer isso. Você realmente não precisa. — Ela se apoiou nos cotovelos, completamente à vontade consigo mesma, sua nudez deslumbrante. Ou talvez fosse apenas porque estava tão concentrada nele. — Nada do que aconteceu precisa controlá-lo ou definilo. Ou decidir o seu presente. Somente você pode fazer isso. Seu peito estava tão apertado que doía. Ele balançou a cabeça.


— Eu sei que você quer que eu pare de falar, — continuou. — Sei que você quer esquecer tudo e fingir que não existe... — Só por uma ou duas horas, — ele interrompeu com um acento amargo. Ela ergueu os olhos para ele, e naquele olhar ele percebeu a luta que ela travava com o que ele dissera. Como queria responder a ele. Continuar pressionando-o ou simplesmente deixar passar, deixá-lo tirar seus demônios do caminho. — Eu quero você, Blue, — disse ela, com uma estranha melancolia em seu tom. Ele tirou a camisa, e ajoelhou-se, com as mãos cobrindo os joelhos dela. Ele sabia o que ela queria dizer. Seu coração e entranhas sabiam também. Ele ansiava por essa proximidade. Era quase insuportável para ele, e ainda quando ele separou as coxas dela e instalou-se entre elas, ele balançou a cabeça. Fodase, o que estava errado com ele? Depois de tudo o que fizeram, experimentaram – tudo que ele tocou e experimentou, tudo o que ela explorou – parecia sem sentido manter o sexo fora da equação. Mas sabia que se a tivesse novamente, desta vez seria diferente. Muito diferente. Desta vez, ele a reivindicaria, a manteria. Desta vez, ela estaria dentro dele tanto quanto ele estava dentro dela. — Eu preciso disso, Emily, — disse ele, odiando quão dura e desesperada sua voz soava. — Preciso de você. Assim. — Ele passou as mãos até as coxas. — Posso desligar, desligar meu cérebro... Cristo, o meu coração... e apenas ter você do jeito que eu quero? Seus olhos tão conflituosos quanto excitados procuraram os dele, sondando-o, e, em seguida, Blue baixou a cabeça e beijou-a no sexo. Apenas um doce beijo suave. Quando olhou para cima, seus lábios estavam entreabertos, seu peito subia e descia rapidamente, e ela balançou a cabeça. Fome o prendeu. Do tipo que não podia ser saciada. Ele se perguntou se alguma vez se satisfaria enquanto olhava para ela, com as mãos pressionadas em seus quadris. Ela era tão suave, tão quente. Ele mal podia esperar para provála. Gentilmente, ele a abriu, seus polegares a espalhando. Seu olhar caiu. Rosa, molhada, e tão pronta. Ele a lambeu. Um golpe lento e suave em seu clitóris. — Oh, Blue, — ela gemeu.


Ele sorriu. Ela era verdadeiramente o seu céu. Seu lugar para se perder por dias. Seu lugar para esquecer e só ser... Por apenas alguns segundos, só para fazer-se esperar, enlouquecer com desejo sexual, ele deixou sua boca sobre a base de seu abdômen. O cheiro da pele dela endureceu cada polegada dele. Ele deixou cair a cabeça e esfregou sua boceta quente. Ele estava com tanta fome, tão desesperado por ela. Quando circulou a língua sobre seu clitóris, ela gritou e deixou cair a cabeça para trás. Não havia nada melhor do que provar, cheirar, e sentir o desejo dela. Ela arqueou as costas, inclinou os quadris, e empurrou forte contra sua boca. Blue deslizou as mãos sob seu traseiro e aproveitou a oportunidade para dar um puxão e sugar seu clitóris. A ação deixou-a selvagem. Gemendo, balançando-se, ela era difícil de controlar. Mas, Cristo Todo-Poderoso, ele adorou. Moveu-se para baixo um centímetro e enfiou a língua dentro dela. — Oh sim. — Ela chorou. — Você dentro de mim. De qualquer maneira que eu possa conseguir. As palavras dela penetraram nele, diretamente em seu coração. Mas ele empurrou o sentimento de perda para longe. Ela era sua. Neste momento, ela pertencia a ele. As mãos dela encontraram seus ombros e ela cravou as unhas em sua pele. E então ele a espalhou bem com seus polegares e a comeu. Sua língua lambendo, seus lábios sugando, seus dentes raspando suavemente. Com um golpe forte contra sua boca, ela gozou. Suas unhas cavaram mais fundo e ela balançou a cabeça de lado a lado. E, no entanto, Blue continuou a saboreá-la. Tomando seu clímax, aumentando seu prazer. E quando ela começou a gozar, balançando suavemente contra sua boca, ele não a soltou. Não. Ele não estava disposto a deixá-la descer. Ele ainda estava com tanta sede. Ele enfiou dois dedos dentro dela e soltou a voz rouca e faminta contra sua vagina, — De novo. ***


— É o meu dia de folga. — Emily resmungou bem-humorada quando Blue desceu as escadas com ela. Ela estava exausta. Mas de uma forma estranha, incompleta. Mesmo após Blue lhe dar clímax após clímax, o corpo dela ainda queria mais. Ela o queria. E ele se recusava a ela. Não. Ele se recusava a si mesmo. Ela sempre se perguntou o que os caras queriam dizer quando falavam sobre bolas azuis. Bem, agora ela sabia. Ele levantou a mão para seus lábios quando alcançaram a parte inferior da escada, seus olhos semicerrados. — É por isso que eu quero levá-la para tomar o café da manhã, querida. — Nós poderíamos ter café da manhã aqui, — sugeriu com uma piscadela atrevida. Ele abriu a porta para ela e foram atingidos pelo ar frio da manhã. — Sobra de sopa? Ela sorriu conscientemente para ele. — Faz bem ao corpo. Antes que pudesse tomar outra respiração, estava nos braços dele, apertada com força contra ele, e ele a beijava – ali no meio da calçada. Senhor, ela poderia beijá-lo por dias, semanas. Um mês consecutivo, se o trabalho não fosse um fator. Quando ele finalmente a soltou, ela se esforçou para recuperar o fôlego. — Isso faz bem para o corpo também. Ele riu. — Bem, bem, café da manhã no Mirabelle, — disse ela, tentando acalmar seu coração enquanto se moviam pela calçada. — Além disso, eu preciso passar na agência imobiliária de qualquer maneira e pedir a Aubrey Perdue para procurar alguns novos imóveis de locação. — A loja de flores? — Mm-hmm. — Há quanto tempo você quer fazer isso? Ela suspirou, pensativa. — Alguns anos. Sempre amei flores. Como elas podem mudar o humor de uma pessoa em um instante. Como cada flor, cada cor, significa algo diferente para cada pessoa. Suas memórias, as suas


tradições. Quando eu era pequena, costumava insistir em termos flores frescas, principalmente flores silvestres, imagine, na mesa da cozinha todos os dias. — Ela olhou para ele. Esperando uma reação, um sorriso de compreensão, de camaradagem. Mas ele olhava além dela. — O que foi? — Ela perguntou. Ele parou na esquina, a poucos metros de distância do Mirabelle, seus olhos escurecendo com fúria. Quando ela se virou para ver o que ele olhava, seu coração balançou. Liberando a mão dele, ela caminhou até o poste de luz e puxou o folheto rosa brilhante que estava preso lá. — Que diabos é isso? — Ela grunhiu. Seus olhos se estreitaram. Era uma foto dela de alguns anos atrás, com o título GRÁVIDA sobre a sua cabeça. E embaixo: DE QUEM? Blue estava ao lado dela, irradiando raiva. — Eu vou matá-los. — Eles? — Ela repetiu, atordoada, chocada, enojada, ainda olhando ao panfleto. — Os Cavanaughs. Desta vez, ela se virou para olhar para ele. — Você não acredita que eles fizeram isso. — Eles são os únicos que... — De jeito nenhum, — ela interrompeu, sacudindo a cabeça. — Não foram eles. — Então quem? Uma lenta revelação surpreendente rastejou sobre ela. Fez com que bile subisse em sua garganta. Blue tinha razão. A menina era perigosa. Mais do que perigosa. Diabólica. — Isto é algo que uma mulher faz. Por despeito, imaturidade e a crença de que eu peguei seu homem. — Natalie? — Ele respirou. Ela assentiu com a cabeça. — Melhor chute. Não posso imaginar quem mais sentisse a necessidade de me humilhar. — Mas como ela saberia que você está grávida? — Não é tanto um segredo, não é? Minha família, sua família. — Ela amaldiçoou. — Alguém deve ter comentado ou esquecido que estavam no alcance da voz quando falava sobre isso. E essa menina é uma espiã. — Jesus, Em. — Ele sussurrou. — Porra. Sinto muito.


— Pelo quê? Você não fez isso. — Claro que eu fiz. Ela e eu... — Tiveram um relacionamento online construído sobre mentiras. — Sim, mas era mais do que isso. Certo, nós nunca sequer nos encontramos pessoalmente. Mas, Cristo, talvez eu tenha compartilhado a parte mais íntima de mim. Eu estava machucado. Irritado. E ela era tudo que eu precisava... a melhor ouvinte... tão gentil. Ela me conhecia, meus sentimentos, meus medos... eu acreditei e caí. Emily balançou a cabeça. — Jesus. Não admira que você não consiga confiar em mim. — Não diga isso. — Ele passou a mão pelo cabelo. — No começo, eu achava que ela era apenas uma mentirosa, mas claramente ela tem um grande parafuso solto. Ela acha que uma ligação foi construída entre nós. Acha que eu preciso ser salvo de você. — Você não? — Ela não podia parar. Em toda a loucura, ela encontraria o humor. Perspectiva. Os olhos de Blue ardiam nos dela. — Absolutamente não. — Então ele pegou a mão dela. — Vamos. Vamos esquecer isso e ir comer. — Ok. — Ela o seguiu. — Quantas pessoas você imagina que viram isso? Você acha que há mais? Ele nunca teve a chance de responder, porque no segundo que eles entraram na lanchonete, a pergunta foi respondida por eles. É verdade que havia apenas dez ou mais clientes em Mirabelle, mas cada um deles não só olharam para cima quando ela entrou com Blue, mas olharam diretamente para a barriga de Emily. — Acho que talvez eu devesse saltar o café e ir encontrar os outros folhetos que estão seguramente postados ao redor da cidade, — disse ela secamente. — O que vocês estão olhando boquiabertos? — Blue gritou. Ele parecia tão feroz quanto parecia. — Nada para ver aqui. — Não, Blue. — Ela disse a ele. — Não me importo. — Eu me importo. — Ele apontou para um par de homens no balcão. — Jerry Duffy, Earl Waverly, tem comida na frente de vocês. Sugiro que voltem a elas se sabem o que é bom para vocês. O mesmo vale para o resto de vocês.


Enquanto ela apreciava a força de Blue, defendendo-a do jeito que ele estava, sentiu-se envergonhada, confusa, e honestamente, um pouco assustada. Seu apetite foi definitivamente embora, e ela só queria sair de lá e tentar descobrir o que fazer a seguir. — Você fica, — ela sussurrou para ele antes de sair do restaurante. — Tenho trabalho a fazer.


Capítulo 21 Ele não dava a mínima para a comida. Depois de dar aos ocupantes do Mirabelle um olhar mortal, seguiu Emily porta afora. Ele não podia imaginar como ela se sentia, e o que isso significaria para ela em uma cidade tão pequena. Certo, Black River era não extremamente provinciana, mas tinha suas cláusulas de moralidade não ditas. Ser tirada do armário dessa maneira tão brutal e hostil. Como se tivesse feito algo errado. Ele a viu a sua direita. Ela descia a Main com propósito, seu olhar mudando de um lado da rua para o próximo. Cristo Todo-Poderoso, era pior do que ele mesmo imaginava. Brilhantes folhetos cor de rosa foram afixados em cada superfície. Alguns soprando no vento, não tão firmemente presos às suas superfícies como os outros. Ele mesmo viu um adolescente segurando um enquanto andava de skate no meio da rua. A raiva o percorreu. Ele cuidaria disto. Acertaria as coisas. Após cuidar de Emily, é claro. Blue alcançou-a com bastante facilidade. Ela já havia tirado um panfleto, e quando estendeu a mão para o outro, ele o fez por ela. Emily o impediu, com os olhos um pouco selvagens, suas narinas queimando. — Não, — disse ela. — Eu quero fazer isso. — Só estou tentando ajudá-la, — ele começou. — Não. — Ela estava rígida, furiosa, seu rosto uma máscara de determinação cáustica. Não que ele a culpasse nem um pouco. Ele estava lá também. Natalie Palmer sentiria sua ira. — Emily, — disse ele, enfatizando o tom suave, — Eu quero ajudar, estar ao seu lado nisso. É sobre nós, pelo amor de Deus. — É aí que você está errado, — ela grunhiu. — Não há nada neste pedaço de papel que fale de nós ou de você. Suas entranhas torceram uma fração. — O que quero dizer é que é de nosso bebê que eles estão falando...


— Não eles, — ela o interrompeu. — Ela. E, neste momento, é o meu bebê. As palavras dela o surpreenderam, enchendo-o de um pavor frio. Fizeram seu peito doer. — Do que você está falando? Ela desviou o olhar e respirou fortemente. — Só que, nessa situação, eu estou sozinha. — Ela viu alguma coisa, e seus olhos se estreitaram. — Maldição! — Então ela saiu, mal olhando para os dois lados antes de atravessar correndo a rua em direção ao mercado. Um estrondo de medo atravessou Blue. Agora, é o meu bebê? Merda, ela não poderia dizer coisas assim para ele. Agora não. Nunca. Ele sabia que ela estava chateada, atacando, confusa, e não a culparia. Mas aquilo foi cruel. Atirar isso no rosto dele. Aviso, ameaçando... sozinha – apenas ela e o filho. Ela não precisava dele, não o queria. Blue ficou ali na rua, dois folhetos rosas trazidos pelo vento. Com certeza foi cruel. Atacando-o desta forma. Mas ele configurou para ela acreditar isso, pensar dessa forma – se sentir sozinha. Certo? Não agiu assim? Sim, ele passava tempo com ela, ficava à noite, mostrava um interesse feroz na criança, fazia sopa – no entanto, ele se recusava a fazer amor, se recusava a ficar tão perto como duas pessoas poderiam. Dor o atravessou. Ele fez isso. Toda a maldita coisa. Natalie pensou que poderia ir longe com isso porque ele não mostrou para ela, ou qualquer outra pessoa, relacionado a esse assunto – incluindo a mulher por quem estava se apaixonando – que Emily era importante para ele. Que ela era quem ele queria. Porra... que idiota ele era. Um teimoso, idiota estúpido. Com um grunhido de frustração, ele decolou em direção ao final da rua, seguindo-a, vendo-a puxar um panfleto da janela do mercado. O que diabos ele fez? Ele abaixou suas defesas e permitiu que essa mulher louca entrasse em sua mente e coração. E ainda assim ele não podia permitir que Emily entrasse? Não admira que ela esteja tão irritada. Não admira ela ter acabado afastando-o. Não. Desistido dele. Ele estava apenas a meio quarteirão de distância quando a porta do mercado se abriu e Elena saiu. No início, sua mãe não o viu, mas quando se virou para verificar o tráfego para a direita, seus olhos se encontraram. Trancaram. Ela


abriu a boca; então, seu olhar foi para o vidro, depois à esquerda para Emily – a mulher que ele claramente perseguia. Quando ela olhou para trás, havia tantas coisas passando atrás de seu olhar atordoado que ele não sabia o que ela sentia. Então ela virou e atravessou a rua. Emily estava voltando. Ela viu Elena, viu a troca silenciosa. — Vá, — disse ela quando o alcançou. Ele balançou a cabeça. — Não. Está bem. — Vá atrás dela. — Ela empurrou. — Vá falar com ela. Aquela é a sua mãe, não é? — Estou com você agora mesmo, — disse ele com um toque de calor. Ela olhou desapontada. Talvez até um pouco de nojo. Como se perguntasse se ele a usava como uma desculpa para não falar com a mãe dele. E merda, talvez ele estivesse. Cristo, ele estava confuso. — Eu disse que não quero companhia agora, — disse ela. — Cuidarei disso sozinha. Não foi apenas uma hora atrás, quando se beijavam, flertavam... — Nós devemos fazer isso juntos, — ele insistiu. Isso a enviou sobre a borda. — Por que você está fingindo que somos uma equipe? — Ela perguntou, seus olhos se estreitaram no dele. — Juntos? Você não se sente perto o suficiente para me foder. Seu maxilar enrijeceu. — Odeio quando você fala assim. — Você precisa que se fale assim com você, — ela respondeu. — Você precisa ouvir sobre superar sua merda e seguir em frente, antes que seja tarde demais e todos nós nos afastarmos da sua bunda. — Ela se aproximou, suas narinas dilatadas. — Agora, eu entendo por que você não fará amor comigo. Por que você me tocará, me masturbará – tudo em nome de me fazer sentir bem, e por sua vez, fazer você se sentir bem. É realmente porque você está com muito medo de se conectar comigo. Se perder em mim do jeito que tanto quer. — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Estou cansada disso. E, Deus, — sua voz quebrou, — nós ainda sequer começamos de verdade. Ele olhou para ela, seu peito preso por uma morsa invisível. Tudo o que ela acabara de dizer era verdade. Cem por cento. — Acho que precisamos de uma pausa um do outro, — disse ela, enxugando os olhos.


Suas narinas dilataram. — Não quero isso. — Não me importo, — disse ela. — Eu preciso disso. Tenho muito para descobrir, e preciso ter a cabeça limpa para fazer isso. Vá para casa, Blue. Ela afastou-se dele então e desceu a rua. Seu peito tão apertado que mal conseguia respirar, Blue ficou olhando para ela, observando-a parar ao encontrar um panfleto. Observando-a rasgar cada um com vigor e jogar os restos no lixo.

Diário de Cassandra Cavanaugh Querido Diário, Às vezes eu olho para mamãe e papai e me pergunto como eles se encontraram. Quero dizer, eu sei como, eu conheço a história. Mas por que eles achavam que estavam destinados a ficar juntos é o que eu estou pensando. Não me interpretem mal. Fico feliz que eles fizeram. Caso contrário, eu não estaria aqui. Ou Cole, James e Deacon. Nós não seríamos uma família. É só, não sei, quando eles olham um para o outro é só... blah. Não como quando Sweet e eu nos entreolhamos. Será que os fogos de artifício que todos falam param em algum ponto? Eles simplesmente vão embora? Você dá esses fogos para alguém? EEEP! Espero que não. Quero estar com Sweet para sempre. Não consigo dormir, Cass.

Encostado no ringue no centro de sua academia quase aberta em Black River, Cole levanta o olhar a partir do diário e dá de ombros. — O que você acha que ela quis dizer com isso? Acha que ela suspeitava de algo? Sobre o papai?


— Acho que ela estava em conflito, — respondeu Deacon, dando três socos sólidos no pesado saco, no qual ele batia nos últimos vinte minutos. Ele começava a se cansar. Não sabia como Cole fazia isso por horas todos os dias. — Sobre Sweet. Preocupada que ele parasse de gostar dela. Cole não parecia convencido. Ele esteve obcecado com o diário desde que Blue o encontrou. Tentando juntar as coisas. Deacon levava tudo a um passo de cada vez, certificando-se de cada peça do quebra-cabeça chegasse ao seu Investigador particular, em seguida, ao xerife adjunto Shiver. Ele lançou os punhos sobre o saco. Um, dois. Um, dois. Agora, ele não estava no negócio de convencer seu irmão mais novo de qualquer coisa. Ele só queria liberar alguma agressividade, algum stress, e a nova academia de Cole estava perto da perfeição. Ele socava rapidamente o saco primeiro. Então, o ringue. Cole era letal, poderia realmente chutar traseiros, mas talvez ele fosse suave com seu irmão mais velho. Pelo menos até seu irmão mais velho treinar o suficiente para retribuir o favor. — Sua jaqueta está tocando, Deac. — Cole gritou, e agarrando a coisa, jogou-a para ele. — Pense rápido. Com suas mãos toda enfaixada, Deacon teve dificuldade para pegar a jaqueta de couro, e terminou com uma manga entre os pulsos e o resto no chão. Ele grunhiu para Cole. Cole sorriu. — Você quer treinamento, eu vou te dar treinamento. Primeira lição – reflexos. Pegando o seu telefone, Deacon bufou. — Não posso esperar pelo dia em que eu serei capaz de derrubá-lo como eu fazia quando éramos crianças. — Você esperará por algum tempo, irmão, — Cole respondeu, agarrando o saco que Deacon usava e dando-lhe uma chocante batida forte. Xingando, Deacon voltou sua atenção para a mensagem diante dele. Ele leu-a. E leu-a novamente. Ele deve ter levado algum tempo, porque Cole começou a ficar impaciente e curioso. — O que foi? — Perguntou Cole. — É Mac? Tudo certo? — É o xerife adjunto Shiver. Quer que a gente vá para a estação. Cole ficou instantaneamente alerta. Ele abraçou o saco para fazê-lo parar de balançar. — Por quê? Ele disse o porquê? Acharam alguma coisa? — Ele passou a mão pelo cabelo. — Merda, já? Pensei que não ouviríamos nada...


— Cole. — Deacon olhou ao irmão. — Pega leve. Não diz do que se trata. Ele começou a andar. — Bem, isso tem que ser sobre Cass, certo? Quero dizer, o que mais seria? Deacon não especularia. Não estava em sua natureza. Ele arrancou a fita de suas mãos, em seguida, jogou na jaqueta de couro sobre sua camiseta suada. — Vamos lá, — disse ele, pegando as chaves. — Eu vou dirigir. — E quanto a James? — Perguntou Cole. — Você manda uma mensagem para ele. — E Mac? Mac. Ele dizia tudo para a sua bela esposa cabeça-dura. Compartilhava tudo. Era como ficaram tão incrivelmente próximos como um casal nos últimos meses. Sem segredos, sem fingimento. Mas ele sabia que ela passaria a noite fora. Marcando novos gados durante toda a manhã, ela precisava de algum tempo relaxante. — Eu vou esperar saber do que se trata para enviar uma mensagem para Mac. — Tem certeza? — Cole perguntou enquanto saíam da academia e alcançavam o estacionamento. — Claro que eu tenho. Desde que Deacon ficou na altura do joelho de um gafanhoto{12}, ele assumiu o papel de protetor, o planejador. Houve momentos em que se sentiu muito parecido com um mini adulto. Mas na maior parte, ele apreciava o papel. Isso é, até Cass ser levada. Depois disso, ele não queria ter nada a ver com responsabilidade familiar. Inferno, ele não queria nada com a família, ponto. Mas, ultimamente, as coisas mudaram. Ele caíra de volta – talvez assumisse – esse papel. Cole e James olhavam para ele em busca de conselho. E pensava que talvez um dia Blue pudesse também. Claro que eles discutiam e irritavam uns aos outros, mas era apenas à maneira dos homens. De sangue. Sangue. Porém, quanto mais se aproximavam de descobrir a verdade sobre o que aconteceu com Cass, mais Deacon começava a se sentir querendo correr. Desligar novamente. Não que deixaria os outros saberem sobre seus sentimentos. Afinal, ele era o líder deles, o protetor. Apenas Mac saberia essas coisas. Esse material privado.


Ele sorriu sozinho. Afinal, ela era a líder dele, não era? Sua protetora. — Você tem certeza que não quer pegar a minha caminhonete? — Disse Cole quando se aproximavam dos veículos. — É muito mais rápido do que o seu. Deacon deu-lhe um olhar arrogante – um olhar de irmão mais velho, mais sábio – e repreendeu, — Continue dizendo isso para você, irmãozinho. Todo o caminho para a estação. — Em seguida, ele destrancou a porta de seu novíssimo Ford F-450 preto com um clique fácil. — Droga. — Cole arrastou. — Quando você a pegou...?


Capítulo 22 Foi no pôr do sol que Blue teve tempo de deixar o trabalho e cuidar do que precisava ser cuidado. O bairro com ligeiro sentimento suburbano, pontilhado com dez ou mais pequenas casas bem-dispostas era tranquilo, seus moradores prontos para o jantar, um pouco de televisão, em seguida, para a cama. Pena que eles seriam interrompidos, abalados um pouco. Suas refeições adiadas. Porque Blue pretendia fazer algum barulho está maldita noite. Primeiro dizendo a esta mulher que ele não queria mais nada com ela – em seguida, fazendo-a entender, como cristal – que se ela alguma vez incomodar, ameaçar ou falar com Emily Shiver novamente, ele não pararia até que Natalie estivesse atrás das grades. Conforme caminhava pelo caminho de pedra, suas entranhas estavam tão apertadas com raiva que sentia perto de explodir. Imediatamente ele viu luzes e cheirou algo cozinhando. Mas o cheiro adocicado apenas fazia seu estômago revirar. Sua batida forte na porta ecoou pela vizinhança. — Blue! — Natalie exclamou no momento em que abriu a porta. Estava descalça, usando um vestido pêssego e branco, e seu cabelo estava despenteado. Enquanto ele estava ali, o olhar dela se moveu sobre ele de uma forma cobiçosa de anseio, o que fez o lábio dele franzir. — Entre, — disse ela. — Eu fiz scones{13}. Ele ignorou a oferta. Não queria nada dela, além da certeza de que ela nunca faria algo tão estúpido e vil novamente. Ele tirou dez folhetos de dentro de sua jaqueta, rasgou-os ao meio, e os deixou cair no alpendre. Natalie olhou para baixo, e para ele novamente. — Jogar lixo no chão é contra a lei, — disse ela de forma quase lúdica. — Difamar o caráter de alguém também, — ele rebateu com absoluta seriedade. Claramente, ela esperara por isso. Ele vindo para vê-la. Merda, talvez tivesse postado esses folhetos para trazê-lo aqui. Deus, a mulher era doente.


Ela olhava para ele, fingindo um olhar de confusão. — Sinto muito. Não entendo. Mas Blue tinha zero paciência. — Ouça-me, e realmente ouça o que tenho a dizer, — disse ele muito lentamente. — Você e eu não somos nada. Nunca seremos nada. Nossos e-mails e mensagens foram uma piada. Um jogo. Você brincava comigo... — Eu não brincava, — ela interrompeu, finalmente soltando o confuso ato coquete. — Eu amei você, — disse ela com tanta paixão que fez Blue afastar um ou dois centímetros. — Eu ainda te amo, — ela acrescentou. Ele balançou a cabeça. — Querida, você não sabe o significado dessa palavra. — É verdade que nem ele. Não de uma forma romântica, de qualquer modo. Não até Emily. — Isso está distorcido em sua mente. Lágrimas de repente picaram os olhos dela e o lábio inferior tremeu. — Blue. Você está sendo desnecessariamente cruel. — Espero que você consiga ajuda, — disse ele. — Realmente espero. Pelo amor de Cass, por Erica Keller – esse era o nome dela, certo? Era como se o mundo cuidadosamente construído por Natalie começasse a derreter bem diante de seus olhos. Era uma pergunta que ela não esperava que ele perguntasse a ela. Seus olhos se arregalaram e ela ficava abrindo e fechando a boca como um peixe. Ele encostou-se no batente da porta e sussurrou, — Não sei se você algum dia será responsabilizada por suas ações, mas se tocar em um fio de cabelo de Emily Shiver, você encontrará a justiça de mim. — Oh, Blue. — Uma única lágrima serpenteou pelo seu rosto e ela balançou a cabeça. — Você não acredita em mim? — Ele perguntou. — Não. Não é isso. É só... bem, isso me deixa triste, isso é tudo. — Aquilo era um olhar de pena em seus olhos? Um fio de mal-estar correu por sua espinha. — Por vê-lo sendo enganado de novo. Cristo, a mulher era patética, bem como louca, e ele não perderia seu tempo com ela, nem mais um segundo. Não quando ele poderia estar com Emily. Compensando a Emily. Fazendo amor com Emily.


Ele se afastou da porta. Suas sobrancelhas unidas. — Lembre-se do que eu disse, Natalie. — Você não tem certeza, — disse ela. — Você tem, Blue? Ele a ignorou, e virando, se dirigiu para o caminho. — Se o bebê é realmente seu? — Ela continuou. Ele continuou andando. Triste, patética... — É o seu padrão, — ela gritou. — Não vê isso? Você não aprendeu nada! Tentei ajudá-lo! Blue sabia que ouvia as divagações de uma louca, mas as palavras dela – essa última parte, de qualquer forma – bem, isso não podia deixar de penetrar a armadura danificada e picar seu coração emergente. *** Um banho nunca se sentiu tão bem. Emily viu três imóveis hoje. Dois na cidade e um na cidade mais próxima. Não gostou de nenhum deles. Claro, talvez todos estivessem manchados pela lembrança daqueles folhetos oh tão especiais e informativos, ela pensou, afundando cada vez mais nas bolhas. Folhetos que foram vistos não apenas por seus irmãos, mas também por sua mãe e pai. Constrangida, humilhada? Pode ser. Provavelmente. Não pelo fato de estar grávida. Quero dizer, isto era 2015, pelo amor de Deus. Mas por tê-lo afixado ao redor da cidade de uma forma tão feia, mal-intencionada. Blue vinha tentando alcançá-la durante todo o dia. Mensagem, e-mail, telefone. Naquela ordem. Estava preocupado com ela. Odiava o que Natalie fez – se de fato fosse ela – embora Emily estivesse convencida disso. Finalmente, ela disse a ele por mensagem que falava sério quando disse que queria um tempo. Ela precisava disso. Merecia. Sem visitante. Sem parceiros de cama. Claro, ela não disse essa última parte. Mas estava certa que estava implícito. E ele teve o respeito de deixá-la sozinha. Havia uma parte dela, no entanto... bem, muitas partes, na verdade... que amariam vê-lo esta noite. Tendo-o aqui. Compartilhando esta grande banheira,


então sua cama depois. Mas isso era perigoso. Aprendera algo enquanto arrancava uns bons cinquenta folhetos hoje. Ela não estava bem em ser apenas a mãe do bebê de Blue Cavanaugh. Ou quem Blue Cavanaugh ligava para sexo. Se isto fosse mais longe, ela queria que ele saísse dessa, o mal-estar, a parte da auto piedade. Queria que ele perdoasse a família dele e a ele mesmo, crescesse, e fosse o namorado e parceiro que ambos queriam que ele fosse. Inferno, se ele realmente queria ser um bom pai, como alegou, então este era o primeiro passo. Suas mãos foram para sua barriga sob a água quente. Plana, mas com a promessa. Ela sorriu para isso. Lembrou de algo que sua mãe sempre disse quando chegava da escola irritada ou frustrada. Uma promessa não vem do desejo e da espera, mas de uma exigência sem arrependimentos. Talvez fosse isso. Com Blue. Se queria uma promessa, ela precisava exigir. Sem desculpas, é claro.


Capítulo 23 Ele não queria ir a casa. Esta casa que tanto o atormentava, bem como deu boas-vindas e o acalmou. Esta casa que ele queria reivindicar participação mais do que tudo; no entanto, ele não conseguia tirar os três homens que realmente pertenciam lá. Esta casa que viu quase todos os malditos marcos de sua jovem vida. Recostando-se na mesma cadeira de vime na qual se sentou quando menino, Blue esticou as pernas. Nada mais parecia certo. Não desde que Everett morreu. Não desde que descobriu a verdade. Não desde que a louca Natalie o procurou online. E definitivamente não desde Emily. Seu estômago doía. Naquela noite – aquela incrível noite que mudara o curso do seu futuro de um jeito que ele nunca imaginou. E de forma que o fez indescritivelmente feliz. O rosto de Emily nadava diante dele. Sentia falta dela. Sentia falta de suas brincadeiras, seu sorriso, sua força, o cheiro de flores que sempre parecia se apegar a sua pele. Droga. Será que ele ferrou esta coisa entre eles? Irrevogavelmente? Ela não queria vê-lo. Desejava tempo. O que quer que isso signifique. Talvez fosse apenas código para – nós terminamos. Você é um idiota que não poderia ver a incrível beleza e possibilidade que estava bem na sua frente. Ele ouviu a porta de tela ser aberta, então a voz de sua mãe chamando-o, — Está frio aqui fora. — Sim, — ele respondeu. Ela não disse nada por um minuto. Apenas andou até ficar na frente dele. Ele estava esperando para ver se ela se aproximaria dele depois do que aconteceu hoje – do que ela viu ao sair do mercado. O olhar dela realmente tentou fortemente se conectar com o dele. E quando ele finalmente a olhou, ela disse, — Você terá um bebê? Seu coração apertou. — Sim.


Os olhos dela procuraram os dele; em seguida, ela desviou o olhar e amaldiçoou. — Oh, Blue, estou tão decepcionada com você. — Sério? — Eu tive que descobrir na cidade, de um panfleto ridículo. Bem, primeiro eu ouvi de Kemp dentro do mercado. Não sabia que era você que tinha... — Ela respirou fundo, balançando a cabeça novamente. A mandíbula de Blue apertou. — Não se sente muito bem, não é? Ouvir a verdade da pessoa errada? Os olhos dela se voltaram para ele, e se estreitaram. — Você fez isso de propósito. Não é? Você queria que eu descobrisse desta forma. A verdade era que ele não planejou uma maldita coisa. Ele não queria que ela descobrisse assim. Na verdade, nas profundezas do seu coração, ele esperava que em um futuro próximo eles se reconciliassem e ele mesmo poderia dar-lhe a boa notícia. Sobre uma xícara de café na mesa da cozinha. Mas não negou a acusação, então ela tomou isso como confirmação. Seus olhos brilhavam com tristeza. Uma profunda tristeza antiga, a qual ele nunca viu em seu rosto antes. Preocupava-o – o fez querer retroceder. Deixar toda essa porra ir. Perdoar. Finalmente. Ou ignorar. Talvez seguir em frente. Mas ela não lhe deu a chance. — Ok, — ela disse suavemente, balançando a cabeça. — Ok, Blue. Você me machucou. Como você queria. Uma faca cortando profundo. Mas adivinhe. Eu acabei agora. Não posso continuar pedindo desculpas ou tentar explicar ou fazer as pazes com alguém que não quer nada disso. — Ela olhou para ele de forma dura e mordaz. — Você tem o que você quer. — E o que é isso? — Ele perguntou, sua voz não mais cortante com o calor, raiva ou amargura. Ele estava cansado demais. Ela deu de ombros e disse muito simplesmente, — Estou fora da sua vida. E com isso, ela passou por ele, seguindo em direção ao riacho, deixando-o sozinho no ar frio da noite, seu intestino apertando como se alguém chegasse e o esmurrasse. E talvez tenham feito. E talvez ele merecesse. ***


— Boa noite, oficial, — Cole disse quando Deacon e ele entraram na prisão. Deacon não disse nada. Não estava no clima. Não para conversa fiada. Não para brincadeiras leves ou uma conversa amigável. Seu coração estava pesado, suas entranhas doíam um pouco. E logo que eles estavam sentados no escritório do xerife adjunto Shiver, ele foi direto ao ponto. — Por que estamos aqui, Shiver? O xerife adjunto parecia não estar pronto para qualquer, Como você está hoje à noite, também. Ele olhou para a pasta aberta em sua mesa. — Nós falamos com as autoridades de New Orleans sobre Natalie Palmer. Todos os músculos do corpo de Deac enrijeceram. Cristo, foi isso o que eles esperavam? Por tanto maldito tempo? — E? Os olhos do xerife adjunto levantaram para encontrar o dele. Eles estavam escuros. — Parece que ela tinha um álibi na noite que Erica Keller desapareceu. — Inacreditável, — Cole rangeu. — Impossível combina mais, — disse Deacon, seu tom mais sombrio, mais forte do que pretendia. Mas maldição, quantas vezes eles correriam de cabeça sobre essa mesma parede de tijolos? — Meu investigador particular teria encontrado uma informação como essa. Shiver deu de ombros. — Você pensaria. — Que álibi é este? — Deacon exigiu, inclinando-se em sua cadeira. — Quero dar uma olhada. — Um cara que diz que eles estavam juntos em um museu. Estranhamente, essa pessoa deixou o país há um ano. As autoridades disseramme que não tinha como entrar em contato com ele. Sentia como se um atiçador incandescente fosse lentamente pressionado no peito de Deacon agora. Cass... foda-se, ela merecia isso. Merecia a verdade. Merecia descansar em paz. — Isso é besteira, — Cole deixou escapar. — Sem mencionar incrivelmente conveniente, — acrescentou sombriamente Deacon. Para sua surpresa, o xerife adjunto Shiver concordou. — Parece assim, não é? — Disse. Cole olhou para Deacon, sobrancelhas levantadas.


— Você não acredita? — Deacon perguntou a Shiver. O xerife adjunto bufou, cruzando os braços sobre o peito. — Posso sentir o cheiro de acobertamento a um quilômetro de distância. Ou um par de cem quilômetros, como o caso pode ser. Deacon estava atordoado. Ele esperava um sermão sobre insistir por respostas que nunca viriam. Mas isso... — Eu estou aqui. — James invadiu a sala. Ele parecia e cheirava como se tivesse rolado no estrume. E ele sabia disso também. — Me desculpe por isso. Tendo alguns problemas com a nova égua de Arnie Caborn. O que eu perdi? — Mais obstáculos quando se trata do passado de Natalie. — Deacon informou. — Besteira total. — Cole colocou. — Ei... — o xerife adjunto Shiver abriu seu laptop e digitava furiosamente. Então ele parou. — Isso é interessante. — O quê? — Perguntou James, parando ao lado da cadeira de Deac. — Quando você verifica nomes de família. Há um detetive Palmer na delegacia da próxima cidade. — Ele olhou para cima e em cada um deles, por sua vez. Ele deu de ombros levemente. — Poderia ser uma coincidência... poderia ser uma razão para uma cobertura. — Porra. — Cole rangeu. — Juro que nunca vamos conseguir resolver isso. A vida de Cass – morte dela... ela merece justiça. Steven respirou fundo e soltou o ar. — É verdade que não posso fazer muito com o detetive. Cidade grande, fora do estado, não gosta de trabalhar com uma pequena cidade local... — seus olhos trancaram em Cole. — Mas o farei de qualquer maneira. — Você fará? — Deacon disse, surpreso. Shiver assentiu. — Aham. — Por quê? — Perguntou James. A sobrancelha do homem se arqueou. — Ela mexeu com a minha família. Ou é o que minha irmã acredita. Deacon não sabia sobre o que o homem falava, mas James explicou rapidamente. Ele viu os panfletos presos em toda a cidade, ouviu a conversa. Embora não soubesse que era produto de Natalie, mas claramente o xerife adjunto Shiver sabia.


— Ela é uma ameaça, — disse Cole. — Precisa estar fora da rua. — Infelizmente, você não pode prender uma pessoa por espalhar fofocas. — James apontou. — Não, — o xerife adjunto Shiver concordou. — Mas me dá o direito de observá-la como um maldito falcão.


Capítulo 24 Dean olhou para ela como se ela fosse louca em vez de grávida. — O que você está falando, Em? — Perguntou. — Claro que você não está demitida. Emily trabalhou um longo dia no Bull’s Eye e não teve a chance de falar com seu chefe. Então, quando seu turno estava quase no fim, ela foi direto ao escritório dele. Queria colocar tudo em cima da mesa, deixá-lo expressar seus sentimentos – deixá-lo saber que ela sabia que seu futuro no bar não estava claro. — Tenho certeza que você já ouviu falar. — Ela começou, sentando em frente a ele, uma pequena mesa separando-os, —... ou viu os folhetos... — Eu vi, — ele confirmou. — Quem fez isso é um idiota de primeira ordem. Alguma ideia de quem foi? — Sim, eu tenho uma ideia, — disse ela vagamente. Ainda que fosse mais do que isso, ela não quis divulgar ao seu gerente. O drama de Natalie Palmer não poderia sangrar em sua vida profissional. Ela precisava muito do seu trabalho. — Eu já tirei cada panfleto que encontrei, então vamos esperar que seja isso. — Mas mesmo enquanto dizia essas palavras, ela não estava esperançosa. Natalie parecia bastante determinada a causar problemas. O que pensaria posteriormente poderia até ser pior. — Mas é verdade? — Ele perguntou, seus olhos encarando-a. — Você terá um filho? Ela respirou fundo. — É verdade. Ele balançou a cabeça, e permaneceu pensativo por um segundo, então disse, — Eu sei que este não é o seu objetivo final, Emily. Trabalhar no Bull’s Eye. Lembro-me de pensar quando você veio com aquelas flores para cada mesa que seu navio estava provavelmente definido para outro mar. Mas eu quero que você saiba que sempre terá um trabalho aqui durante o tempo que quiser. Emily não percebeu quão tensa estava até essas palavras envolverem-na, e alívio se derramar sobre ela. A bondade de Dean e sua consideração tocaram seu


coração. — Obrigada. — Nada que me agradecer, — disse ele. — Você é uma das minhas melhores funcionárias. Odiaria te perder. Ela lhe deu um sorriso agradecido. — Eu agradeço por isso. Você não tem ideia do quanto. — Espero que eles peguem esse idiota com os panfletos. — Eu também. — Ela se levantou. — Vou finalizar, então, ir para casa. — Ok. Vejo você amanhã? — Perguntou. — Claro, e cedo. E com isso quero dizer às onze horas, — Ela sorriu, sentindo-se mais leve do que se sentia em dias. Dean riu se dirigindo para a porta. Não era que ela esperasse que seu chefe pudesse menosprezá-la, ou até mesmo pensasse que ela não fosse capaz de trabalhar ostentando uma barriga. Mas não esperava esse nível de apoio, e isso a fez se sentir bem, mais forte, pronta para enfrentar o que vinha em seu caminho. E quando chegasse à hora de dar o seu aviso, ela ficaria triste de se afastar da família que construiu aqui. No refeitório, o happy hour corria com força total, e a maioria das mesas estavam cheias e as pessoas se divertindo. Rae, Grady e Kim estavam nelas, mas Emily só queria terminar com um grupo de doze, uma cabine, e uma das duas mesas que ela começou. Tanto para a continuidade e para as gorjetas. Dez minutos depois, ela simplesmente corria até o relógio de ponto quando ouviu alguém chamá-la. — Eu direi a Rae para... — ela começou, então parou imediatamente. Ela conhecia esta mulher mais velha de cabelos escuros, sentada sozinha, com uma expressão nervosa em seu belo rosto. Ela a viu na rua com o Blue ontem de manhã. Ela sorriu timidamente para Emily. — Oi. — Oi. — Eu sou Elena Perez. — Sim, eu sei. Apenas nunca vi você aqui antes. Ela olhou ao redor. — Nunca estive aqui antes, — ela admitiu. — Sem ofensa. Apenas faço toda comida em casa. — Sem ofensa aceita. — Emily tentou conter a intensa curiosidade que sentia. — Posso pegar alguma coisa para você? Você está aqui para jantar ou...


— Acho que eu poderia tentar alguma coisa. — Ela pegou o menu. — Você será a minha garçonete? — Não. Desculpe. Na verdade, encerrei o dia. Decepção registrou nos olhos da mulher e ela largou o menu. O olhar era tão semelhante a um que Emily viu vindo do filho de Elena que a enervou. — Você não veio para comer, não é? — Emily perguntou. Elena parecia um pouco envergonhada. — Eu esperava ver você, na verdade. Falar com você. Oh. Então ela sabia. Assim como toda a cidade. Obrigada novamente, louca Natalie Palmer. Mas Emily estava curiosa sobre a reação de Elena. Será que ela falou com Blue sobre isso? O que foi dito? Não importa o que ela dissesse a si mesma sobre a noite passada, precisar de tempo para processar, dar tempo para Blue processar, ela ainda sentia falta dele. Sentia falta dos braços dele ao redor dela... dormir ao lado dele, contra ele... falar com ele enquanto comiam... enquanto eles tinham sopa. Ela sorriu sozinha. Como alguém poderia ficar viciado no conforto de outra pessoa tão rapidamente? — Sinto muito, — disse Elena, levantando-se. — Eu não devia ter vindo. Eu tenho feito dano suficiente para três vidas... — Espere, não. — Emily cortou. — Por favor. Estou feliz por você estar aqui. A expressão da mulher iluminou com esperança e surpresa. — Sério? Emily assentiu. — Na verdade, encontrarei minha mãe para jantar no Mirabelle. — Ela deu à mulher um sorriso esperançoso. — Você gostaria de se juntar a nós? Ela parecia um pouco atordoada. — Você tem certeza? Ter uma estranha ao redor... — Você não é uma estranha, Elena. — O sorriso encorajador que Emily deu a mulher era para ela também. — Você é a avó do meu bebê. Os lábios da mulher se separaram e rápidas lágrimas picaram os olhos dela. — Oh meu... — Espere por mim. — Emily disse a ela com um toque rápido no braço de Elena. — Ok? Só vou me trocar; então podemos caminhar juntas. ***


Cada maldito músculo em seu corpo doía. Merda, ele não foi derrubado de um cavalo em só Deus sabe quanto tempo. Ele afundou mais na água fria e amaldiçoou. A lenda dizia que a água na terra do Triple C tinha propriedades curativas. Blue tinha certeza que era besteira. Uma piada. Uma brincadeira. Apresentada por um dos irmãos Cavanaugh para chegar aos outros. Mas ele estava tentando isso. Sua coxa estava bem machucada, e embora o sol estivesse se pondo e a água estivesse fria, a dor foi diminuindo. Não que ele fosse agradecer aqueles meninos tão cedo. Porque isso implicaria a ele dizendo para eles que ele realmente tirou a roupa e sentou sua bunda na fria água de outono do riacho. E Blue não ofereceria esse pequeno dardo cômico. Especialmente para alguém como Cole. Aquele cara... O som de uma vara quebrando na encosta da montanha roubou sua atenção e ele digitalizou instantaneamente a sujeira e árvores. Por um segundo, pensou em sair da água e vestir-se. Mas quem vinha chegava rápido, e ele não teria tempo para vestir qualquer coisa antes que tivessem uma visão de perto e pessoal de sua bunda ou... Merda, não. Inacreditável. Ou talvez não. Ele sentou. Nem em um milhão de malditos anos ele teria esperado que a veria vindo em sua direção. Tranquila, alegre, sem nenhuma preocupação. Agindo como se não tivesse acabado de ter uma conversa sobre fronteiras e ficar longe – agindo como se pertencesse aqui. — O que diabos você faz aqui? — Ele disse, seu tom tão frio quanto a água em que se sentou. Natalie Palmer usou uma calma expressão serena e um vestido azul escuro enquanto descia a curta inclinação. — Você veio me visitar, — ela gritou, o sol se pondo atrás dela. Mas ao invés de ser uma vista agradável, pareceu ameaçadora. — E eu vim visitá-lo. A mulher estava louca, porra. — Isto é propriedade privada. Ela encolheu os ombros. — Mais uma vez, você veio me ver. Em minha propriedade privada. Ele odiava estar nu e afundado na água do rio agora. — O que você quer, Natalie? — Só me desculpar, — disse ela, parando ao alcançar a rocha com as suas roupas sobre ela.


Pedir desculpas? Ele fungou com escárnio. De jeito nenhum. Não comprou isso por um segundo. Nem a aparência de completa normalidade no rosto dela. — Aqui está a coisa, Blue. — Ela começou, estendendo a mão e dedilhando muito gentilmente os jeans dele. — Tem sido difícil para mim. Estas últimas semanas. Você e eu tivemos um relacionamento. Um que ambos estimávamos. Eu sentia que eu poderia te dizer tudo... — A não ser quem você era, — ele interrompeu asperamente. — Nós dois queríamos que fosse assim, não é? Esse era o nosso acordo desde o início. Permitiu nos sentirmos livre, seguros. Ele queria dizer a ela que se sentiria mais seguro ao redor de um crocodilo faminto, mas queria ver aonde ela ia com tudo isso. Queria ver se poderia recolher qualquer informação sobre Cass ou a outra mulher que desapareceu. — Parecia a coisa certa, — ele concordou. — No momento. Seus olhos aqueceram com esse empurrãozinho de acordo. Ela colocou a mão sobre o coração. — Então você não pode me culpar por sentir raiva e estupidamente rancorosa ao vê-lo com outra mulher. Louca. — E sobre os folhetos? — Ele disse, se esforçando para manter seu tom de voz calmo, mesmo quando o que realmente queria fazer era estrangulá-la. — Você ainda fingirá que não fez isso? Ela encolheu os ombros e parecia incrivelmente vulnerável. — Eu não superei você, Blue. Não funciono assim. Desligar os meus sentimentos com tanta facilidade e rapidez. Eu te dei meu coração, e você queria aceitá-lo. Para onde foi essa troca? Quando está tudo baseado em uma porra de mentira? Para o esgoto, querida. Ele olhou para ela, sentindo-se mais frio a cada respiração. — Eu sei que você ficou com ela naquela noite que nós discutimos, — continuou ela, levantando o queixo ligeiramente. — E te perdoo. Todos nós cometemos erros. — Seus olhos procuraram os dele. — Especialmente em nome da paixão. Chamar sua noite com Emily de um erro era tão idiota quanto chamar Natalie Palmer de sã. Cristo. Como ele pensou que essa Mulher – Cowgirl – fosse seu par, estava além dele agora. Um momento de sua própria


loucura. Ou... talvez um momento de vulnerabilidade. Naquela época, ele precisara de conforto e aceitação, e ela deu a ele. Seu olhar conectou com a dela, e ele se obrigou a conter o seu próprio desgosto, e percorrer o caminho que poderia levar a respostas para tantas pessoas. — Aquela noite foi difícil, — disse ele, cuidadosamente. — Descobrir que você estava em Black River, estivera o todo tempo. Encontrar o diário de Cass... o que um homem deve pensar? — Ele deixou pendurado lá. Ele queria ver como ela reagiria, que história ela inventaria. Ela balançou a cabeça. — Aquela pobre menina. Você precisa acreditar em mim, Blue. Não fiz nada com ela. Eu gostava dela. — Você tinha o diário dela, Natalie. Seu rosto endureceu um. — Você não quer acreditar em mim. Você nunca ouvirá o meu lado. Ela parecia uma criança. — Eu ouviria. Um corar rosa suave tocou suas bochechas. — Sério? Ele assentiu. — Ok. Bem, eu gostaria disso. — Seus olhos brilhavam de felicidade e emoção. — Nós poderíamos ir até sua casa e conversar. Eu sempre quis ver o Triple C. Tenho certeza de que me sentiria em casa lá. Confortável. — Ela sorriu. — Com você. A porra da pele dele formigava. Como se ele fosse levá-la para dentro de sua casa. Sem chance. — Minha mãe está lá. Ela não nos deixará em paz. — Não, ela não está, — retrucou Natalie. A expressão dela ficando de repente azeda. — Acabei de ver sua mãe na cidade. Ela estava com... ela. O peito de Blue contraiu. — O que você está falando? — Isto eram mais mentiras? — Sua mãe estava com Emily Shiver. — Não, — ele disse, balançando a cabeça. Percebendo que ela acabara de cutucar um assunto já machucado – que poderia ser a sua vantagem, ela estendeu a vara um pouco, continuando. — Elas estavam no Mirabelle. Emily, a mãe dela, e sua mãe. — Ela estudou-o atentamente. — Isso te incomoda, Blue? Parece que sim. — Ela apertou os lábios. — Ela foi atrás de suas costas? Algumas mulheres não podem ser


confiáveis. Sinto muito. Mas é bom você ter descoberto agora. Que tipo de pessoa ela é. Blue não poderia mais manter sua ira sob controle. Ele estava preocupado com Emily e sua mãe jantando juntas? Certo. Principalmente porque Elena estava completamente, e de forma compreensível, farta dele agora, e Emily também. A irritação mútua que devem estar liberando provavelmente poderia abastecer um avião. Mas isso não era nada comparado à como Blue sentia sobre a mulher na frente dele. Ela era perigosa e manipuladora, e apenas insultara a pessoa errada. Em uma maldição, ele se levantou e, nu como um pássaro, saiu da água e foi até a Natalie. Pegando suas roupas na rocha, começou a se vestir. — Você não falará sobre ela na minha frente, nunca mais, — disse ele. — Compreende? Os olhos de Natalie corriam para cima e para baixo de seu corpo. Avidamente. Cobiçosamente. — Blue, — começou ela, sem fôlego. — Ela... — Ela é a mãe do meu filho. — Ele terminou, puxando sua calça jeans. Suas palavras fizeram a boca de Natalie cair aberta e sua pele adquirir um branco fantasmagórico. — Então, o bebê... Ele assentiu. — É meu. — Ele fechou o zíper de sua calça jeans e agarrou o resto de suas roupas. — Estou indo agora. Sugiro que você faça o mesmo. E se você sabe o que é bom para você, fique fora desta propriedade no futuro. Sem outra palavra, ele começou a subir a colina para a casa grande. Que maldita bagunça era essa. Talvez Natalie fosse ficar de fora. Talvez não fosse. Mas a primeira coisa que ele precisava era lidar com Emily, e o jantar que ela acabara de compartilhar com sua mãe.


Capítulo 25 Enquanto a luz da lua misturava com a eletricidade no interior do apartamento de Emily, ela sentou-se à mesa de jantar e ficou olhando para o gráfico que criara em seu laptop. Seu orçamento. Receitas, despesas, aluguel. Ela decidiu visitar o Banco Black River amanhã para ver sobre um empréstimo de pequenas empresas. Aubrey deixou uma mensagem em seu telefone celular mais cedo, dizendo que poderia ter encontrado o lugar perfeito para a floricultura de Emily. Um aluguel, um pouco mais de seu orçamento, mas talvez eles pudessem abaixá-lo? A tela escureceu com a falta de uso e ela correu os dedos sobre o touchpad para trazê-lo de volta à vida. Seria difícil desistir do sonho do espaço no piso térreo. Quando você traça, planeja e decora em sua cabeça, leva algum tempo para mudar a imagem. Mas, novamente, ela tinha tempo. — Emily? — Uma voz chamou do lado de fora de sua porta. Ela engasgou, quase pulou da cadeira e foi à procura de uma faca. Maldito Blue. O que ele pensava? Ela disse para ele que precisava de tempo – não um ataque cardíaco. E a chave reserva que deu para ele – que abriu a porta no andar de baixo – bem, ela precisaria dela de volta. Ela caminhou até a porta e a abriu com irritação baseada no medo. — Você apenas me assustou profundamente! — Nós precisamos conversar, — foi tudo o que ele disse ao entrar no apartamento. — É tarde... você poderia ter ligado para mim. — Ela sugeriu, tentando não olhar diretamente para ele. Ele estava em uma camisa de cambraia vermelha e marrom e jeans. Seu cabelo estava todo molhado, sua pele estava bronzeada, e ele ostentava um dia inteiro de barba por fazer. Maldito cowboy. Porra de cowboy lindo que faz seu coração palpitar e sua calcinha molhar. Ela revirou os olhos para ela mesma.


— Sim, eu poderia, — ele respondeu, olhando em torno de seu apartamento como se procurasse algo ou alguém. — Ou mandado uma mensagem, — sugeriu. Ele se virou e acenou com a cabeça. — Sim, isso parece o que uma pessoa faria. Se ela mergulhasse para ele agora, ele envolveria aqueles braços grossos em torno dela e apenas a seguraria apertado? Ele diria a ela para levantar o queixo, talvez ele mesmo o fizesse, e a beijaria? Porque mesmo que estivesse com raiva e frustrada com ele, na sua situação, ela sentia falta dele. Não. Ela ansiava por ele. — Só estou tentando evitar que você invista muito de si mesmo, Blue, — disse ela, seu tom contraditório com o que seu coração sentia e o que sua mente desejava. Seus olhos, aqueles incríveis olhos azuis, beberam-na. Tão selvagens, tão carregados. — Então, eu vejo que você teve um pouco de sarcasmo com o seu frango frito hoje à noite. — Ele arqueou uma sobrancelha negra. — Como foi o jantar, por sinal? Emily nem sequer tentou parecer envergonhada. Porque não sentia isso. Não entraria nisso. Uma mulher fazia suas próprias decisões. Especialmente esta mulher. — Bom, — disse ela, movendo-se para onde seu laptop estava aberto na mesa de jantar. Ela o fechou. — Realmente bom estar com pessoas que são animadas e solidárias... — Ok. Pare. Seu tom de voz severo fez sua cabeça levantar, seus olhos se fixarem aos dele. Ele realmente está aborrecido com ela? Depois de como ele agia? Ele balançou a cabeça. — Eu sei que você está me punindo. — Isso seria incrivelmente imaturo da minha parte, não é? Uma sombra de divertimento tocou o olhar dele. — Basta ouvir, ok? Ela suspirou, um pouco retraída. — Bem. — Eu cheguei aqui, — começou ele, esfregando uma mão sobre seu maxilar, — você e eu... com um inferno de muita de bagagem. Não tem desculpa, apenas fato. Tenho tentado desde então superar minha própria merda, a desconfiança que eu sinto, o quão maldito doloroso foi ser enganado de novo e de novo. — Seus olhos capturaram os dela e seguraram. — Não tive a intenção de colocar isso em


você, mas eu coloquei. Eu fiz. Meus instintos estão em carne viva, Emily. Eles me fazem agir ou reagir sem envolver meu coração. Eu trabalharei nisso. Droga. Todo sarcasmo e impermeabilidade começaram a derreter dentro de Emily enquanto o ouvia. Blue Perez Cavanaugh, estava realmente sendo vulnerável com ela? Essa foi a primeira vez. Mas por quanto tempo duraria? — Vamos esclarecer uma coisa, — continuou ele, mantendo distância. — Eu adoro beijar você, te tocar, lamber você, — seus olhos escureceram, — mas não há nada que eu queira mais do que transar com você. A boca de Emily caiu aberta, e sem fôlego, ela soltou, — Então... faça. Foi um desafio. Um que ele deveria agarrar se tivesse algum sentido. E ainda assim, ele hesitou. — Blue. — Ela balançou a cabeça, tão cansada deste jogo agora. Talvez ambos só precisassem parar de jogar. — Você precisa saber que se decidir dar o seu coração para mim, eu o seguraria suavemente. Com muito cuidado. — Ela sentiu a emoção construindo dentro dela, sentiu algumas lágrimas no fundo de sua garganta, mas se recusou a ceder a isso. — Mas se não, ficará tudo bem também. Você e eu podemos ser amigos. Criar o bebê juntos, como amigos. Horror tomou conta do rosto dele. — Amigos. — Nada de errado com amigos. É bom tê-los. — E às vezes, é tudo que você recebe... — Eu não quero ser seu amigo, Emily Shiver, — ele praticamente rosnou. — E você sabe muito bem disso. Ela inclinou a cabeça e deu de ombros. — E eu não quero a hesitação de um homem. Não quero metade do coração de um homem, e nenhuma confiança dele. Eu mereço mais. Muito mais. E pretendo conseguir. Ele parecia ter acabado de receber um tapa no rosto. E ela não parou lá. — Você precisa deixar isso para lá, seu passado, o ressentimento – cada pedacinho – uma vez por todas, — disse ela. — Não para mim, não para este bebê, mas para você. — Essas são as palavras da minha mãe, não são? — Disse ele com firmeza. — Isso importa? — Ela pressionou. — Inferno, sim, importa. — É a verdade. — Ela olhou para ele. — Com toda a sua raiva hipócrita, você alguma vez já pensou nela?


— O que você quer dizer? — A luta dela? Por que ela fez o que fez? Você já pensou que talvez fosse ela quem escondesse esse segredo de você? Para mantê-lo seguro? Sua expressão apertou e seus olhos ficaram frios. — Cara, ela realmente te convenceu. — Você está agindo como um bastardo. — Combina então, não é? Ele era como uma maldita parede de metal. O que aconteceu com ele tentar? — Você se lembra de como se sentiu ao me observar vendo aqueles panfletos hoje? Assistindo-me arrancá-los? Os olhos dele se fecharam. Ela assentiu com a cabeça. — Uma mãe solteira. Envergonhada, com certeza, mas nunca lamentando o que eu carrego dentro de mim. Apenas protegendo. Mandíbula apertada, ele balançou a cabeça. — Eu nem sempre precisei de proteção. Ela sabia disso, sabia melhor. Ela poderia ter me dito quando eu fiquei mais velho... — Sim, ela poderia. Mas não o fez. Será que uma escolha errada realmente apaga uma vida de amor? — Ela inclinou a cabeça. — Porque se for assim, é melhor esperar que você não erre com o seu próprio filho. Ele respirou fundo. Os pensamentos correndo atrás daqueles olhos azuis cor do céu eram dolorosos e abundantes. Mas Emily estava cansada. Cansada de tentar argumentar com o irracional. — Você precisa ir agora, Blue, — disse ela. Ele soltou uma respiração pesada. — Não. Caramba, Em. O que eu preciso é ficar aqui, estar aqui... com você... você dormindo com a cabeça no meu ombro novamente. Meus braços em torno de você. — Seus olhos se agarraram aos dela. — Você não quer isso? Não sente falta disso? Seu intestino torceu. — Eu sinto. Mais do que você pode saber. Mas, assim como você, eu não quero ter meu coração partido em nenhum pedaço mais do que já está. Ele olhou para ela por um longo tempo, sem dúvida tentando decidir quão forte insistir... se ela estava decidida. Então, Emily voltou para sua mesa de jantar e abriu seu laptop de novo. Mensagem enviada.


Blue amaldiçoou, balançando a cabeça. Ao lado dele, na pequena mesa da entrada que estava na garagem dos pais de Emily quando se mudaram poucas décadas antes, ele avistou um dos muitos vasos de flores que ela colocou ao redor do apartamento. Sem uma palavra, ele pegou um botão vermelho e saiu do apartamento. Sentindo-se como se uma parte dela acabasse de ser roubada, e a sua fonte de luz solar levada, Emily deixou-se cair em sua cadeira. E com esforço supremo, retornou ao seu orçamento. E seu futuro.


Capítulo 26 Blue estava sentado em sua caminhonete na garagem do Triple C e olhava para a casa. Esta foi a sua casa durante a maior parte de sua vida, e ele adorou. Mas nos últimos meses, o seu amor foi manchado por segredos e mentiras. Sentimentos que ele se agarrou por alguma estranha sensação de segurança. As palavras de Emily afundaram dentro dele. Teria ele alguma vez, uma vez, pensado sobre a luta de Elena com a gravidez, ele vindo ao mundo? Claro, ele pensou que havia uma razão para suas mentiras, mas não se aventurou além disso. Porque ele foi muito teimoso, muito indisposto de até mesmo contemplar perdão, e por isso muito na sua razão. Ele esfregou a mão no rosto e exalou. Então estendendo a mão, agarrou a flor que pegara do apartamento de Emily e seguiu para dentro. Isto precisava terminar. Ele encontrou Elena na sala de estar, um livro em suas mãos. Provavelmente era um mistério. Ela adorava um bom mistério. Nervos correndo ao redor de seu intestino, ele foi até ela e colocou a flor no assento ao lado dela. Depois sentou na cadeira em frente e esperou que ela olhasse para cima. — Hey, mãe. Ele não a chamava de Mãe há meses, e isso a assustou. Seu olhar deslocou para a flor, e voltou para ele. Mil emoções cintilaram naquelas profundezas escuras. — Por favor, — disse ele em um tom tão suave que fez seu próprio peito doer. Ela colocou o livro na mesa de lado e pegou a caneca de café. — Eu queria conhecê-la, Blue, — explicou ela. — Certificar de que ela soubesse que se precisasse de alguma coisa, eu estava... — Mãe? — O quê? — Estou feliz por você passar um tempo com ela.


Seus olhos se arregalaram. — Você está? Ele assentiu. — Isso a fez feliz. — Cristo. — Eu quero fazê-la feliz. — Oh, Blue, — disse ela na mesma voz que usava quando ele chegava em casa da escola com uma nota ruim ou um joelho esfolado. Não pena... não raiva... apenas amor. — Sinto muito. Por tudo. Ele precisava. — Sim. Eu sei. Você disse tantas vezes. E, na verdade, você só precisava dizer isso uma vez. Agora, sou eu quem precisa se desculpar. — Ele sentou na cadeira e exalou pesadamente. — Sinto muito por puni-la, por afastála, por nem mesmo permitir a você a oportunidade de explicar. Seus olhos se encheram de lágrimas. — Está tudo bem. — Não. Não está. Sou um burro. Ela riu suavemente. — Oh, eu senti tanto sua falta, filho. — Eu senti sua falta, também. — Seus olhos capturaram os dela e imploraram. — Você me dirá agora, mãe? Juro que estou pronto para ouvir. Quando o que ele pedia registrou em Elena, ela empalideceu. Obviamente, a ideia a enchia de pavor, mas mesmo assim, ela balançou a cabeça. — Você sabe que eu cresci em Austin. — Ele balançou a cabeça. — Praticamente criada pela minha mãe. Meu pai morreu apenas alguns dias depois do meu aniversário de 3 anos, e mal me lembro dele. Mamãe e eu... éramos tudo que a outra tinha – tipo como você e eu costumávamos ser... Blue sentiu seu interior apertar. Com dor, emoção... e foda-se ele, amor por essa mulher. — E quando ela ficou doente, — Elena continuou, — eu precisei sair do ensino médio para cuidar dela. — Ela sorriu. — Ela odiava isso. Quase me obrigou a voltar. Mas eu era teimosa. Ela precisava de mim, e juro que não teria trocado esse tempo por nada. A coisa é... — Ela suspirou. — Depois que ela morreu, encontrar trabalho não foi fácil. Eu queria voltar e terminar a minha educação, mas eu precisava ser capaz de me sustentar no mesmo período. Percorri todos os jornais do Texas que eu poderia ter em minhas mãos, e encontrei um rancho no Black River que precisava de uma governanta. — Os Garrisons. — Blue colocou. — É isso mesmo, — ela confirmou. — Eles não eram as pessoas mais descentes, mas eu era capaz de poupar algum dinheiro decente. O que veio a calhar quando o casal se separou e já não podia me pagar. Depois de alguns


outros trabalhos, eu me firmei em um verdadeiramente bom como uma cozinheira no Pete... — Ela suspirou melancolicamente. — Oh, eu sinto falta daquele lugar, sinto falta de Pete. Ele me ensinou tudo. Da preparação ao produto final. — Ela sorriu para ele. — Era uma tarde de sábado. Eu havia feito experiências com molho mole{14}, e tinha certeza que era o melhor que eu já fizera. Um homem entrou na cozinha. Minha cozinha. Nunca permiti visitantes, mas este... — Seu sorriso se alargou. — Era o mais bonito cowboy que eu já havia visto. Mais velho que eu, mas isso não importava. Ele me disse que nunca experimentou nada tão bom quanto o mole, e perguntou se ele voltasse o próximo sábado, eu faria isso de novo? Eu disse que faria. Blue viu a forma como a expressão de sua mãe mudou quando ela disse essa última parte da história. O rubor de uma mulher que ainda tinha sentimentos fortes. — Ele voltou todos os sábados durante dois meses, — disse ela. Então seu sorriso vacilou. — Eu sabia que ele era casado. Vi o anel. Não tenho nenhuma desculpa para isso. Eu me apaixonei e ele disse que não estava feliz. Era ruim, uma receita destrutiva – mas tão maravilhosamente viciante. Bem, as coisas evoluíram e fiquei grávida. — Os olhos dela encontraram o dele e outro tipo de amor brilhava naquelas órbitas escuras. — Ele estava tão entusiasmado como eu estava – não se engane, Blue. Mas nós sabíamos que precisávamos manter isso em segredo. Demasiadas pessoas se machucariam. E então, Senhor, uma se machucou... — Cass? Ela assentiu com a cabeça. — E a vida de todos foi para o inferno. Everett não estava em seu juízo perfeito. Angustiado, irritado, desesperado. Ele queria culpar todos, incluindo ele próprio pelo o que aconteceu. Ele havia perdido seu bebê. E quando ele veio a mim para conforto, eu não poderia mandá-lo embora. Eu nunca poderia mandá-lo embora. Blue conhecia esse sentimento. Ele sentia o mesmo por Emily. Não podia imaginar negar nada a ela. E, no entanto, inferno... ele fazia exatamente isso desde que se conheceram. Negando-lhe a si mesmo. — E depois? — Ele pressionou. — Depois que a Sra. Cavanaugh morreu e os irmãos foram embora, por que vocês não poderiam ficar juntos?


— Everett realmente me pediu para casar com ele. — Ela observava Blue atentamente. — Mas aqui está a coisa, querido: se eu dissesse sim, toda a cidade suspeitaria do nosso caso, e você... — Ela balançou a cabeça. — Foi melhor do jeito que estava. Oh, Cristo... de modo que ela esteve protegendo-o. Ou, pelo menos, acreditava que é o que ela fazia. Eles poderiam ter esperado um ano e feito isso. Ninguém saberia... Ele suspirou. Tanta vida desperdiçada. Para todos nesta família. — Eu ia contar para você após a morte de Everett, — disse ela, piscando para conter as lágrimas. — Eu ia. Mas o testamento foi lido logo após o funeral. Só Deus sabe por que Everett colocaria tal coisa lá dentro... um choque... — Ela começou a chorar. — Oh, Blue, estou tão desesperadamente arrependida. — Está tudo bem. — Ele se levantou e foi até ela, recolhendo-a em seus braços. — Mama, está tudo bem. Terminamos com isso. Tudo isso. Olhando para trás, nem um de nós pode ver o que está bem na frente de nossos rostos. Tudo bem. Ela se agarrou a ele e deixou-o segurá-la como ela o segurou tantas vezes anteriormente. — Eu realmente gosto dela, Blue. — Ela sussurrou. Ele sorriu. — Acho que eu poderia amá-la. Elena Perez soltou-o, e recuou. Seus olhos encontraram os dele e permaneceram. — Ela sabe? — Ainda não. E levará mais do que palavras para ela acreditar em mim. — Normalmente leva, filho. Normalmente leva. — Ela inclinou a cabeça para o lado e estudou-o. — Mas você tem um plano, não é? — Mais como uma ideia, — admitiu. — Importa-se de contar para mim? — Você tem tempo? Seu sorriso era tão brilhante, tão caloroso quando ela o levou até o sofá. — Sempre, filho. Sempre. *** Três horas. Isso é tudo de sono que Emily conseguiu ontem à noite. E até mesmo o banho mais frio que ela tomou esta manhã não estava conseguindo


acordar sua bunda cansada. Foi tudo culpa do Blue, ela pensou, vestindo uma camisa de manga comprida cinza escura e um par de jeans. Ele a fez encarar a verdade. Sobre ele, sobre eles. Sobre o que ela queria, e o que não permitiria em sua vida. A realidade era dolorosa para encarar às vezes. Ela se dirigiu para a cozinha e pegou uma banana da tigela sobre o balcão. Houve algumas vezes ontem à noite, e até esta manhã, quando se perguntou se ela foi muito dura com ele, sobre ele. Será que ela o afugentou completamente com seu discurso retórico sobre escolha, passado, perdão e a mãe dele? A banana tinha sabor estranho. Gravidez, talvez? Ela colocou sobre a mesa e bebeu uma garrafa inteira de água no lugar. Era perigoso envolver-se na batalha de outra pessoa, mas mãe e filho... poderia ser desastroso. A coisa era, ela seria uma mãe em breve, e ver outra mãe passar por tanta dor... não parecia certo. Não estava certo. Não. Empurrar foi necessário. Blue se segurava ao passado com tanta força que todo o sangue deixava sua mente racional e corria para as mãos. Ele merecia a paz que o perdão trazia. Ela se importava muito com ele. O suficiente para irritá-lo. O suficiente para afastá-lo. Falando em mães, Emily pensou, arrumando seu uniforme e pegando suas chaves. Ela prometeu a dela que passaria esta manhã antes do trabalho. Susie tinha um par de caixas de material de cozinha que queria dar para Emily. E não havia nada que Em amava mais do que o material grátis e dado. Dirigindo-se a porta, ela estava tão cansada que quase tropeçou em uma pequena caixa quadrada que foi colocada lá. O que no mundo? Ela olhou fixamente para ela. Verde claro, fita vermelha, cartão. Oh... seu coração saltou em seu peito. A boa e feliz oscilação animada. Sem sequer inspecioná-la, ela sabia que deveria ser de Blue. Um sorriso suave tocou sua boca enquanto se abaixava para pegá-lo. O que poderia ser? Parecia conter uma meia dúzia de biscoitos ou um lenço enrolado. Mas por que ele lhe daria qualquer uma dessas coisas? Depois do que aconteceu ontem à noite, o que quer que fosse seria uma tentativa de fazer as pazes ou garantir a ela que ele pensava de forma diferente. Que compreendia a


gravidade do que perderia se não perdoasse – se continuasse agarrando-se a segredos e mentiras do passado. Talvez fosse algo para o bebê, ela pensou, levando-a para dentro e para o balcão. Ela pegou a tesoura da gaveta e cortou a fita. Talvez um macacão ou um brinquedo para o bebê. Bicho de pelúcia? O sorriso dela se ampliou conforme levantava a tampa. Um simples cavalinho seria tão adorável... Mas não era nenhuma dessas coisas. Não era nada para o bebê. Oh meu Deus... ela olhou mais de perto a coisa amortecida dentro de um lenço de papel branco. Não podia ser. Sua mente rebobinou. Semanas atrás. Aquela noite. Essa incrível primeira noite que começou tudo. Ele guardou isso. Todo esse tempo. Ela estendeu a mão e levantou a flor amarela com o centro vermelho – aquela que ela pegara no jardim da casa de seus pais – a flor que esteve em seu cabelo na noite em que o levara para casa. A noite em que ela fez amor com ele. A noite em que conceberam o filho deles. Conteve o fôlego e segurou em seus pulmões. Oh, Blue... foi secada perfeitamente, não achatada de qualquer maneira. Preservada. E tão gentilmente amarrada ao tronco estava uma nota. Seus olhos se moviam sobre a mensagem de uma forma voraz, cobiçosa. Você se lembra? Eu lembro. Nunca esquecerei. Volte. Estarei esperando. Seu coração batendo deliciosamente, esperançosamente, Emily não pensou. Sobre o passado ou o futuro dele. Ela só queria vê-lo. Precisava. Foi o início deles – o depois e o agora. Ela ligou e deixou uma mensagem apressada na secretária eletrônica de sua mãe, em seguida, pegou as chaves do carro e voou porta afora.


Capítulo 27 — Você precisa de pregos, corda ou algo assim? — Perguntou o xerife adjunto Shiver. Deacon não era um visitante frequente a RB Hardware, mas quando o xerife adjunto Steven Shiver ligou e pediu para ele encontrá-lo lá, ele cancelou seu voo de volta para Dallas e foi direto para a cidade. — Sem pregos, sem corda. — Deacon respondeu, juntando-se ao homem perto de uma parede com amostras de tintas. — Só preciso saber por que estou aqui. Foi uma coisa boa que Shiver apreciasse franqueza. — Natalie Palmer foi ver Blue no Triple C. — Suas sobrancelhas apertaram juntas. — Sabe alguma coisa sobre isso? Deacon considerou o xerife Adjunto. — Você está sugerindo alguma coisa? — Apenas curioso. Terra Triple C. Terra de sua família. Achei que você poderia ter alguma consciência do que se passa. O fato de que Natalie Palmer, a mulher que Deacon acreditava ser responsável pela morte de sua irmã, tivesse chegado a respirar o ar do Triple C fez o seu interior revirar com nojo. E talvez ele apenas tivesse que trocar algumas palavras com Blue para descobrir o que estava por trás disso. Convidado ou não. Lidar com isso em família, por assim dizer. — Aposto que Natalie ainda acha que há algo entre ela e Blue, — disse Deacon. — E ela foi até o Triple C para falar com ele. — Isso é malditamente descarado, — comentou Steven. — Bem, ela é, não? — Disse Deacon com uma fungada. Uma jovem mulher à procura de amostras de tinta esgueirou-se ao lado deles. Shiver gesticulou para Deacon segui-lo até a frente da loja. — Como você sabia que ela estava no C? — Deacon perguntou quando eles chegaram lá.


— Eu te disse. — Ele apontou para os olhos com o dedo médio e o ponteiro. — Como um falcão. Deacon fungou. — Certo. Então, onde ela está agora, meu amigo emplumado? — Exatamente lá. — Shiver apontou para a janela, do outro lado da rua ficava o cinema. — Entrou a cerca de dez minutos atrás. Vendo a sessão vespertina. O lábio de Deacon enrolou, a ironia de onde a mulher estava não foi totalmente perdida. O cinema em que Cass foi levada. Sem dúvida, por Natalie Palmer. Juro por Deus, essa mulher viverá o resto de sua vida atrás das grades, nem que seja a última coisa que eu faça. — Por que não está lá também? — Ele empurrou. — Assistindo ao filme algumas filas atrás dela? O xerife adjunto Shiver deu de ombros. — Não gostei do livro, não estou interessado no filme. — Então você simplesmente passará o tempo na loja de ferragens por duas horas? — Disse ele, mal disfarçando a ofensiva. — Isso é dedicação. — Acho que sim. — E o xerife está bem com este nível de compromisso? — O xerife está a caminho de New Orleans. — Shiver revelou, um sorriso lento se espalhando por todo seu rosto. Deacon se acalmou. — O quê? O sorriso de Shiver se arregalou. — Aham. — Ele falará com a polícia de NOLA{15}? — É onde o Investigador Particular de Deacon estava agora também. Deac não esperava que alguém realmente acompanhasse as novas informações. Isso o surpreendeu. Verdadeiramente. — Isso e reunir-se com as pessoas no departamento de Palmer, naquele outro distrito, — disse Shiver. — Sobre o álibi. Mais uma vez, surpreendido. E confuso. — Por que você está fazendo isso? Shiver deu-lhe um olhar como, O que você acha? — Justiça. — Não posso acreditar que seja a única razão, — rebateu Deacon. — Não me entenda mal, eu sou grato por isso. Mas levou um inferno de muito tempo, esforço e reclamação para retornar com este caso nesta cidade. Então, eu estou curioso.


Steven olhou para fora da janela, olhando para o teatro por alguns segundos, e se virou para trás. — Escute, eu li tudo o que o homem descobriu sobre Natalie Palmer. Reli os arquivos do desaparecimento de sua irmã. Essas entradas do diário. Estou preocupado com a minha irmã. Você sabe o que estou dizendo? O peito de Deacon se contraiu de novo, mas ele conseguiu um rápido, — Eu sei. O homem assentiu. — Imaginei. — Inferno, eu estaria parado aqui também. Os olhos do xerife adjunto se fecharam enquanto olhava para Deacon. — Sabe, não foi culpa sua. O cinema. Isso era apenas crianças sendo crianças. Poderia ter acontecido em qualquer lugar, a qualquer hora e com qualquer um. Merda, o cara parecia Mac. Quantas vezes sua esposa disse essas palavras? E quantas vezes ele lutou para acreditar nelas? — Digo isso o tempo todo para mim, xerife adjunto. Mas se algo acontecesse com Emily que você pudesse ter impedido, você seria capaz de perdoar a si mesmo? Com a mandíbula apertada, Shiver soltou um suspiro. — É por isso que estou aqui, irmão. É por isso que estou agindo como um falcão. — Ele se virou para encarar a janela. — Nós vamos pegá-la. Mais cedo ou mais tarde, ela mostrará a cara. E quando fizer, todos nós garantiremos que ela nunca machucará ninguém novamente. *** Foi muito mais fácil percorrer esse caminho durante o dia. A última vez que ela esteve aqui era muito tarde e muito escuro, e Blue bêbado não ajudou em nada. Ela sorriu sozinha. Pelo menos até chegarem à casa do rio. Então, ele a pegou, jogou-a sobre seu ombro, e levou-a para dentro. Ela riu de suas maneiras de homem das cavernas. Não parou de rir até que ele a deixou de pé e olhou fixamente em seus olhos, então, prontamente a beijou profundamente. A flor, embora seca, estava escondida atrás de sua orelha conforme ela descia o morro. Provavelmente parecia ridícula, mas não se importava. Significava tanto ele ter ficado com ela. Todo esse tempo. Foi um gesto muito grande. E o qual ela acreditava ser a maneira dele de pedir um novo começo.


Seu coração batia loucamente em seu peito quando se apressou e subiu as escadas para a varanda. A porta estava entreaberta, pronta, esperando por ela. — Blue? — Ela gritou quando entrou. — Sou eu. — Não conseguia parar de sorrir. Ela era como uma droga de adolescente. Nenhuma resposta a cumprimentou. Ela olhou ao redor. Parecia exatamente o mesmo. Elegante, fresco e acolhedor. — Eu tenho o seu bilhete... e a flor. — Ela sorriu novamente para si mesma enquanto se dirigia para a sala. — Homem romântico, você. Não posso acreditar que guardou tudo isso... — Ele não guardou. — Veio a voz de uma mulher. Seu coração bateu em seu intestino, Emily virou e ficou cara-a-cara com Natalie Palmer. E sua arma. Natalie sorriu. — Eu guardei. A respiração deixou o corpo de Emily, mas sua mente corria com pensamentos, medos, dúvidas. Blue estava sequer aqui? Foi realmente Natalie quem enviara a flor? E como... Droga! Por que ela pensava nisso quando uma arma era apontada para ela? — Sinto muito, — disse Natalie, sua expressão compassiva. Ela parecia perfeita, como se tivesse acabado de sair de um salão de beleza: maquiagem adorável, um justo vestido azul claro... e ela usava um avental...? — Tenho certeza que é difícil perceber que você não significa tanto para uma pessoa como você pensou, — ela continuou. — Uma noite de sexo bêbado não faz uma relação, Emily. Sua mãe não te ensinou isso? Mãe. Ela seria uma mãe. Pense, Emily Elisabeth Shiver. Pense e mantenha a calma. Como você sai dessa viva? Porque você precisa sair. — Eu não tenho nada contra você, de verdade, — disse Natalie, começando a circular Emily como um lobo inspecionando sua presa. — É só que você tomou algo que não pertence a você. — Eu não tinha ideia que Blue pertencia a você ou a qualquer um. — Emily começou, se esforçando para esconder o medo de sua voz. Mas estava lá. Como não poderia estar? — Acho que você tinha, — Natalie respondeu com uma pontinha de raiva. — Quando eu fui naquele apartamento que você está alugando, você parecia bem informada sobre o assunto de Blue e eu.


Merda. Ela não estava preparada para isso. Raciocine rápido, salvavidas... — Você está certa. Sinto muito. Eu vou recuar. Natalie riu suavemente. Era um som terrivelmente louco. — Todas vocês dizem isso. Mas nunca fazem. Todas vocês... O coração de Emily batia tão ferozmente em seu peito que doía. Deus, quantas houve? — Pensei que os folhetos fariam Blue ver que prostituta você é, — ela continuou. — Perceber que há uma boa chance de que ele não fosse o pai de tudo o que você tem aí. — Ela apontou para a barriga de Emily com a arma. Um medo doentio inundou Emily e ela instintivamente colocou os braços ao redor de seu estômago. E embora o medo quisesse desesperadamente reclamá-la, a ideia desta cadela ferir seu filho foi o suficiente para forçá-la a ficar clara, ficar presente. Ela poderia mergulhar atrás do sofá, sair engatinhando. Ela poderia parar no quarto de Blue, mas havia uma tranca nele? Ela não sabia. Ela não sabia. Natalie sacudiu a cabeça, mantendo a arma apontada para Emily. — Mas ele está determinado a ficar do seu lado. — Ela sorriu. — Esse é Blue. Um homem tão bom. Tão maltratado por outras pessoas. Mas eu não. Ele confiou em mim. Eu era amiga dela, sua rocha. Eu estava lá para ele quando precisava de alguém. E eu... — Sua voz falhou e ela parou de se mover. Sua mão tremia um pouco. — Era para eu ser a amante dele. Não você. Pense. Pense, porra! — Você mesma disse, não é? — Ela olhou para trás. A porta ainda estava aberta. Ela poderia fazer isso? Quão boa era a pontaria desta cadela? — Foi uma noite de bebedeira. Ele acabara de vir daquela briga com você. Tenho certeza que ele queria estar com você. Seu rosto se iluminou. — Sério? Você pensa assim? — Ela inclinou a cabeça e sorriu. — É tão legal você admitir isso. Natalie Palmer estava louca para caralho. Mas continue. Tudo o que você puder dizer para parar, faça-o. Emily tipo que se deslocou para a direita, mais perto da porta e forçou um bico. — Você sabe, ele não dormiu comigo desde então. Tenho certeza que é por causa de você. Eu sei que ele sente sua falta. O rosto de Natalie relaxou. — Não é isso o que ele diz. Ele não me quer perto dele. — Seus olhos se estreitaram em Emily, e então ela começou a andar


em direção a ela. Emily deu um passo atrás. — Ele nunca me verá enquanto você estiver por perto, — Natalie lamentou. Com a sua respiração superficial agora, Emily continuou a se afastar. O que eu posso usar? Cerâmica em cima da mesa... Base de uma lâmpada... Seus pensamentos, planos, esperanças foram todas rapidamente cortadas. Ela engasgou e gritou quando o cano da arma de Natalie pressionou em seu estômago. Ela congelou. Não. Não. Não lá. Você não fará isso comigo, com Blue – com nosso bebê. — Não podemos demorar muito, — Natalie sussurrou enquanto se movia, mais uma vez, arrastando a arma em torno de Emily até que ela estava atrás dela. — Seu irmão acha que estou assistindo a um filme. — Ela riu, seu hálito quente perto da orelha de Emily quando empurrou a arma fortemente na parte inferior de suas costas. — Ele está me seguindo, você sabia? Acho que ele poderia gostar de mim. Blue não ficará feliz com isso. A mente de Emily lutou para registrar o que a mulher dizia. Steven estava vigiando-a? Como ele saberia...? Talvez isso fosse uma mentira, uma ilusão, também. Mesmo assim, ela manteve Natalie falando. — Como você saiu do filme sem que ele percebesse? Natalie Palmer se inclinou e sussurrou em seu ouvido, — Da mesma maneira como antes. Emily ficou imóvel quando a compreensão surgiu forte e carregada, então lágrimas picaram em seus olhos. — Com Cass. — Eu realmente gostava de Cass. Nós poderíamos ter sido amigas. Até mesmo como você e eu – se você não fosse uma prostituta. — Ela respirou fundo, e pressionou ainda mais a arma nas costas de Emily. — Agora, ande. Direto para o quarto. Tenho certeza que você sabe onde é. Emily não se mexeu. — Por que aqui? — Ela perguntou, sua respiração superficial. — Porque, minha poderíamos ter sido amiga, é onde você se matará.


Capítulo 28 — Você quer o Triple C? Sentado em uma cabine sozinho, James levantou o olhar de sua Coca-Cola e olhou para seu meio-irmão. — O que estamos falando? — Ele disse em voz alta. O Bull’s Eye estava bastante lotado. — Deacon tem a terra dele. — Blue disse impaciente. — Cole tem a academia e a casa com a Grace. Você é o único que sobrou. Você tem os mustang para cuidar. Eu sei que você e Sheridan estiveram discutindo o assunto. — Nós temos, — admitiu James, ainda parecendo não entender muito bem para onde iam aqui. — É verdade que não vivemos em Black River de forma permanente. Mas há raízes que desejamos plantar... — Ele estudou Blue por um momento. — Você quer o Triple. Isso não é segredo. E eu diria que provavelmente mais do que qualquer um de nós. Mais do que tudo – aparentemente. O ponto picou Blue um pouco. Não muito tempo atrás, ele teria concordado com James. O Triple lhe pertencer tinha sido o seu tudo, especialmente logo após a morte de Everett, o testamento e a verdade. Merda, foi tudo em que podia se agarrar. Fazia-o sentir perto de seu pai – e de seus irmãos – e como ele segurava algo sobre eles também. Um tipo de punição... Ele balançou a cabeça. Tão fodido. Mas a vida pode mudar em um instante. Perspectiva também. E o amor verdadeiro trouxe cura e aliviou uma alma cansada. Ele deu a James um olhar direto. — A única coisa que eu quero é Emily Shiver. As sobrancelhas do homem levantaram. — Uau. — Yep. — Blue disse a ele. Ele olhou ao redor, procurando por ela. Pensou que seu turno começasse as onze, mas não a viu em qualquer lugar. Deve ter chegado na hora errada. Ele virou para James. — Tenho um negócio para você. Você me dá o imóvel que acabou de comprar, e eu assinarei a minha venda no Triple. Com Cole e Deacon fazendo o mesmo, será seu em uma hora.


— Espere. — James disse, perplexo. — Você fala sobre o imóvel minúsculo? Aquele com o apartamento acima que eu aluguei para Emily? — Esse mesmo, — confirmou Blue. — Você não pode falar sério. Essa é uma escolha de negócios incrivelmente ruim. Blue não se importava com o negócio ou o dinheiro. Nada disso importava. Tudo o que importava era mostrar para Emily que ele a queria, amava, cuidaria das costas dela, compreendia e apoiava seus sonhos. Ele queria mostrar a ela que ele deixou o passado e estava pronto para abraçar o futuro. Com ela... e o bebê. Blue estendeu a mão. — Tudo que eu peço é que me mantenha como um cowboy. James apertou a mão de Blue, mas não com entusiasmo. — Não entendo isso, — disse James. — E você? Emily e o bebê? Onde vocês viverão? — Pensei que a casa do rio nos atenderia muito bem. Se houver um nós a se considerar, — acrescentou secamente. Ele orou para que ela perdoasse sua merda, ele se afastar, seu medo. Ele faria qualquer coisa para fazê-la acreditar que ele havia mudado. Ele via as coisas diferentes. Talvez Elena pudesse dizer algo... isso o fez sorrir um pouco. James olhava para ele. — Você está seriamente apaixonado por ela. Como nas nuvens, bola e corrente... — Vida e morte? Coração e alma? — Blue cortou. — Estou. — Ele deu a James um olhar interrogativo. — Então, qual é a sua resposta? James abriu a boca, mas antes que pudesse dizer uma palavra, uma voz soou atrás deles, — Ela está doente ou algo assim? Tanto James e Blue se viraram para ver o gerente do Bull’s Eye vindo na direção deles. — Olá, Dean. — James disse, dando ao homem um aceno de cabeça. Ele reconheceu James, e se virou para Blue, — Emily está doente? Geralmente ela liga se está doente. — O que você quer dizer? — Ela deveria estar aqui às onze. Um fio de inquietação atravessou Blue. Ele olhou para o relógio. — É quase meio-dia.


— Exatamente, — disse Dean. — Ela nunca se atrasou. Nunca não ligou. Não é do feitio dela. Inquietação mudou para um gélido medo. Blue se virou para James. — Você tem as chaves para o apartamento dela? Eu só tenho do andar de baixo. Sabendo exatamente o que ele quis dizer, James saiu da cabine com o rosto pálido. — Vamos lá. *** A onda após onda de terror que corriam por Emily ameaçava roubar sua mente, seus instintos. Mas não podia permitir isso. Não poderia ceder a ele. Precisava proteger o bebê. Esse foi o único pensamento que a impedia de quebrar, cair de joelhos, e implorar por sua vida. Com a coronha da arma pressionada entre as omoplatas, Emily continuou falando, continuou tentando argumentar com a pessoa insana atrás dela. — Blue não acreditará que eu me matei, — ela soltou, olhando um vaso vazio sobre a cômoda no quarto do Blue, e um troféu de laço no criadomudo. Parecia pesado. Provavelmente feito de ferro. — Ele irá. — Natalie insistiu, forçando-a para a cama. — Após ele ler a nota que você deixou, de qualquer maneira. — Eu não deixei... — Ela parou. Exalando trêmula. — O que a minha nota diz? — Que o bebê não é dele. Elas vieram para ao lado da cama. Perto do troféu. Perto. Ela poderia fazer isso. Deus, ela rezou para que pudesse fazer isso. Mas um movimento errado e uma bala entraria em sua coluna, ou pior. — Eles farão uma autópsia. — Emily disse a ela. — O bebê é dele. Natalie fez um som estranho, como um rosnado. — Tudo o que ele sabe é que você pensou que não era. Que você transava com várias pessoas e estava devastada porque não tinha ideia de quem era o pai. — Ela levantou a arma de repente e enfiou no ombro de Emily. — Agora. Deite-se de costas. Você sabe como fazer isso, não é, puta? Agora. Faça isso agora. Se deitar naquele colchão, você está morta. Bebê está morto.


— Agora! — Natalie ordenou. Em um movimento rápido, Emily se lançou para o troféu. Com um grunhido, ela se virou e bateu a coisa diretamente no rosto de Natalie. A arma disparou, a bala passou o ombro de Emily batendo na parede. Alguém gritou. Cristo, provavelmente foi ela mesma. Ela não sabia. Não se importava. Ela não parou para pensar ou avaliar. Ela levantou o troféu e trouxe-o para baixo novamente, desta vez na mão de Natalie, em seguida, na mandíbula dela. Algo rachou. Ossos, talvez? A arma caiu no chão. Seguido por Natalie. Pânico rodou dentro de Emily. Ela mergulhou para a arma, e levantando-se, apontou no corpo imóvel da mulher. Lágrimas escorriam pelo seu rosto. Suas mãos tremiam. Mas não se moveu. Esta cadela queria matar seu filho. Essa merda nunca mais acontecerá. E se ela ainda tentar... — Emily! — Alguém gritou. Não se mexeu. Ela forçou as mãos a ficarem firme. E olhou fixamente. — Puta merda! — Outra voz. Não deu ouvidos. Ela estava pronta. — Emily! Pessoas correndo na sala não a perturbou. Tudo bem, traga todos. Ela tinha isso. Ela tinha tudo sob controle. — Emily, querida. — Era Blue. A mente de Emily começou a distorcer, sua visão desfocada, escurecida. Será que ela matou Natalie Palmer? Será que ela matou alguém para salvar seu bebê? Estava tudo bem? Ela estava bem? — Ela matou Cass. — Emily sussurrou, embora não tivesse certeza se era alto. — Ela me contou. Ela levou-a do cinema... eu não vou deixá-la matar o meu bebê... De repente, a arma era removida de suas mãos trêmulas e alguém a puxava em seus braços. Blue. Ela o reconheceu. Seu perfume. Seu calor. Ele a segurava com força e feroz. — Oh Deus, querida. — Ele proferiu. — Você está bem? Você está machucada? Jesus Cristo! — Ela está viva.


Isso era Steven? Seu irmão estava aqui também. Oh isso era bom... — Ela precisa ir para o hospital para ser costurada, — disse ele. — Mas que droga, Emily acabou com ela. Ela não parecerá bonita na sentença de prisão perpétua. Foi a última coisa que alguém disse que ela registrou. A mente de Emily desligou e ela simplesmente caiu contra Blue, deixando as lágrimas caírem.


Capítulo 29 — Nunca deixarei você fora da minha vista novamente, Emily Shiver. — Blue anunciou assim que saíram do hospital de mãos dadas e se dirigiram para o carro. — Parece impraticável, — ela respondeu, com um traço de seu humor natural. Ela estava cansada, meio destruída, mas era bom brincar novamente. — Talvez, — disse ele. — Mas me esforçarei. — Ele parou no meio do estacionamento e se virou para ela, suas mãos indo para suas bochechas. — Quando James e eu achamos aquela caixa, aquele bilhete no seu apartamento... quando juntei dois mais dois... — Seus olhos procuraram os dela. — Eu nunca conheci esse tipo de medo, Em. Como se meu coração explodisse dentro do meu peito. Não conseguia respirar. Não podia suportar... — Ele se inclinou, beijou-a suavemente, e recuou, a preocupação gravada suas belas feições. — Merda, eu te machuquei? Não sei onde aquela maníaca tocou em você... Ela sorriu. — Não estou ferida. Sem dor. Foi assustador como o inferno. Mais do que isso. Mas não estou machucada. Com o rosto tenso, ele pegou a mão dela novamente. — Vamos. Vamos sair daqui. Ele a conduziu pelo estacionamento. A caminhonete estava estacionada perto da parte traseira, debaixo de uma árvore. Ele foi tão gentil ajudando-a a entrar. Inclusive tendo certeza que o cinto de segurança foi afivelado. — Blue, — ela repreendeu, olhando para ele. — Eu amo você ser tão atencioso, mas... — E eu te amo, — ele disse a ela. Emily suspirou. Este homem estava constantemente a pegando de surpresa. Mas isso... Ele fungou, sorrindo facilmente. — Você precisa saber. Quero dizer, inferno... você precisa saber o quanto você significa para mim. — Ele colocou a


mão sobre o seu coração, como se doesse – ou talvez ele estivesse apenas excitado naquele momento. — Estou apaixonado por você. Tão profundamente que dói. Eu sei que depois do que a fiz passar, como te afastei, então a puxei novamente, ferrei com seus sentimentos e nunca fui direto com os meus até o momento, que não mereço esperar que você pudesse me amar, mas... — Oh, Blue, — disse ela, soltando o cinto de segurança e virando para encará-lo. Eles não iam a qualquer lugar por um minuto. — Muito tarde. Ele esvaziou instantaneamente, tomando suas palavras como uma confirmação do que ele disse. Ele xingou e caiu contra seu assento. — Sim. — Ele balançou a cabeça. — Eu imaginei. E não culpo você. Garoto idiota. Garoto bobo, bonito, destruidor de alma. O coração de Emily derreteu quando ela saiu de seu assento e se arrastou até para o colo dele. — O que eu quero dizer, meu amigo incrível e protetor, e pai do bebê e... — ela sorriu malvadamente, — muito em breve, amante. Aqueles surpresos e perplexos olhos azuis se aqueceram instantaneamente. — O que eu quero dizer, — ela continuou, — é que é tarde demais para você começar a esperar que eu te ame. — Ela abaixou a boca para a dele e sussurrou contra seus lábios. — Porque eu te amo há um tempo agora. Enquanto ele olhava para ela, chocado, surpreendido, animado, esperançoso, e feliz, ela estendeu a mão e apertou o ajustador de assento. Com um zumbido, seu assento recuou, dando-lhe mais espaço. — Meu anjo, — ele soltou, as mãos subindo para acariciar seu rosto e deslizar em seu cabelo. E então ele a beijou. Primeiro com tal delicadeza, tanta doçura, tal amor, que ela queria desmaiar. Mas não havia espaço para fugir. Não nesta caminhonete. E mais, ela não ia perder essa. Beijar este homem até que ele estivesse tão sem fôlego, faminto e desesperado como ela. Não demorou muito tempo. Após ele praticamente devorá-la, fazendo sua mente virar uma deliciosa massa, ela recuou e olhou para ele. Com as pálpebras pesadas, os olhos azuis brilhando com fome... Oh sim. Respirando pesadamente, com os mamilos duros e lutando contra sua camisa, e seu sexo molhado e tão pronto, ela perguntou, — Você me negará


novamente, Blue Perez Cavanaugh? Uma sobrancelha escura se arqueou e contra sua coxa ela sentiu a dureza do sexo dele. — Nunca, — disse ele maliciosamente. — Mas aqui? Na minha caminhonete? Seus lábios tremeram. — Ninguém pode nos ver. Você tem as janelas fumês, e nós estamos bem abrigados atrás desta árvore bonita. — Ela mordeu o lábio. — A menos que você possa esperar até chegarmos em casa. — Oh, querida, eu acho que nós temos esperado muito tempo. — Um fio de preocupação atravessou os olhos dele. — Mas se você estiver com qualquer dor... — Eu estou bem, — ela interrompeu. — Você me ouviu e ouviu o médico. Tudo bem, baby. — Não sei se eu acredito nele, — disse ele em um rosnado. Em resposta, Emily se abaixou, pegou a bainha de seu vestido de verão e começou a puxar a coisa toda sobre sua cabeça. — Então, talvez, você mesmo precise me verificar. — Ela jogou o vestido no banco do passageiro e voltou a olhar para ele com expectativa. Demorou menos de três segundos para Blue responder. E quando o fez, foi como se um animal finalmente fosse liberado de sua gaiola. O sutiã saiu em um instante, e seu zíper foi abaixado em segundos. Ela riu quando se agarrou a ele, quando levantou os quadris, quando ele afastou sua calcinha para o lado... Mas o riso virou um gemido de total satisfação e realização quando ele entrou nela. Finalmente. Deus, sim, finalmente. Por dez segundos, eles só permaneceram assim, olhos fechados, os corpos presos – corações entrelaçados. E, em seguida, Emily começou a se mover. A perfeição do momento, quão plena e completa ela se sentiu enquanto o montava, era assustador, era tão incrivelmente belo. Um pensamento fugaz entrou em sua cabeça, então. Eles estavam juntos. Todos os três deles. Apaixonados. E então o pensamento derivou de sua mente e ela se entregou a ele, com as mãos dele nos seus quadris enquanto empurrava profundamente dentro dela. — Oh Deus, sim. — Ela gemeu, deixando cair a cabeça para trás... — Eu amo você, Emily Shiver. — Blue sussurrou encontrando seus seios. — E eu te amo, Blue Perez Cavanaugh.


E então a boca dele se fechava sobre um mamilo duro, as janelas ficavam embaçadas, e os pedidos de Emily ficavam mais sujos e mais descarados a cada minuto. Não era doce, gentil, romântico e confortável. Mas, inferno, eles teriam muitos romances doces e confortáveis nos dias, semanas e anos vindouros. O que precisavam agora era uma boa sessão da velha foda no banco da frente da caminhonete de Blue. Afinal, foi esse quente vínculo sexual e maravilhoso que começou tudo. Permitiu tudo. Mudou tudo. E, quando eles gozaram juntos, choraram juntos, com palavras de amor e promessas de segunda rodada em seus lábios, esse vínculo se tornou sólido, impenetrável. Inquebrável.


Epílogo Blue Perez Cavanaugh observava Emily Shiver caminhar pelo corredor em direção a ele. Ela parecia como o anjo que ela era – o anjo que ele sempre pensou que ela fosse. Esse impressionante vestido de cor castanha que mostrava a ondulação suave de sua barriga. Seu anjo. E em breve, sua esposa. Ela se separou e foi ficar ao lado de Mac e, em seguida, a música mudou e foi a vez de Sheridan caminhar até o altar. Blue virou para olhar o seu irmão. O rosto de James contava o conto inteiro. O amor, o perdão e a família. Oh, sim, a família. Era o segundo casamento no Triple C. O casamento de Mac e Deac foi um caso pródigo que quase terminou em tragédia, com Palmer tentando machucar Sheridan. Mas o casamento de hoje cancelaria tudo – talvez até mesmo renovasse os votos de Deac e Mac. Porque, realmente, este parecia pertencer a todos eles. Cada Cavanaugh que veio antes, e cada Cavanaugh que viria depois. Estavam todos lá. Juntos. Blue virou para encarar sua noiva. Ela tinha os olhos sobre a noiva, mas Blue teria sempre os olhos sobre ela. Sua salvadora. Ela o levou para um lugar de paz, e ele passaria a vida inteira reembolsando-a por esse milagre. Só então ela olhou para ele, e sua mão foi para a ondulação suave de seu bebê. O bebê deles. — Vocês aceitarão um ao outro para uma vida e além? — Reverendo McCarron perguntava a James e Sheridan. — Nós vamos. — Eles responderam juntos. Foi como eles queriam. Tudo junto. Nada separado. Sheridan e James decidiram comprar uma casa em Dallas e construir uma casa menor na terra do Triple C para eles, para quando viessem à cidade. Seria perto de onde os cavalos corriam. Seria perfeito. Família. Todos os três irmãos juntos decidiram que queriam que Blue, Emily e o bebê, tivessem o Triple C. Sem os convencer do contrário – inferno, Blue tentou. Mas havia algo neles que queria que a vida


começasse de novo aqui. Com uma família esperançosa e feliz. James, inclusive, deixara Blue comprar o imóvel dele na cidade. Blue sorriu enquanto se lembrava. Foi aí que ele propôs a Emily. Flores em todos os lugares – flores para começar a loja dela. Quando o reverendo declarou James e Sheridan como marido e mulher, Blue juntou as mãos. Seus aplausos foram recebidos por todos. Sua mãe, seus irmãos – e cunhadas, e o amor de sua vida. Ele conhecia a verdade agora e isso não tinha nada a ver com as escolhas do passado. Era sobre o desapego e se permitir um final feliz. Para todos eles. Incluindo aquela que olhava do céu. Finalmente chegara para ela a sua verdade também. A irmã dele. Cass.

Fim.


{1} Early Home Pregnancy Test – marca de teste de gravidez {2} Menstruação {3} Paint Horse – raça de cavalo {4} Peça arqueada de madeira que faz parte da armação de uma sela. {5} Paul Bunyan é um lendário lenhador gigantesco que aparece em alguns relatos tradicionais do folclore dos Estados Unidos. Criado pelo jornalista americano James MacGillivray. Está relacionado aos estados de Michigan, Wisconsin e Minnesota, onde goza de grande popularidade. Dizem que foi um lenhador gigantesco que andava sempre na companhia de Babe, o Blue Ox (boi azul). Seu grande feito teria sido escavar o Grand Canyon. Devido a seu tamanho, um dia em que ele passou por ali arrastando seu machado pelo chão, teria aberto as famosas fendas do desfiladeiro norte-americano. {6} Destroy Build Destroy é um game show apresentado pelo músico Andrew WK, em que dois grupos de três competidores adolescentes precisam destruir vários objetos, então, construir veículos a partir dos destroços. O show contava com explosivos de alta potência, lança-foguetes, bazucas e outras ferramentas destrutivas. A equipe vencedora receberia US $ 3.000 ($ 1,000 dólares cada) como um prêmio, a criação dos perdedores, em seguida, era destruída pela equipe do veículo vencedor. No entanto, se um empate ocorresse até o final da última rodada, ninguém ganhava nada e ambos os veículos seriam destruídos. {7} Botas Ugg é um estilo da unisex de bota de pele de carneiro originária da Austrália e Nova Zelândia. As botas são normalmente feitas de pele de carneiro, com lã no interior, uma superfície externa curtida e uma sola sintética. {8} Com aspecto de uma pessoa enferma. {9} O transdutor é o componente do aparelho de ultrassonografia que entra em contato com o paciente e é conectado ao restante do equipamento através de um cabo. {10} Demonstração Pública de Afeto {11} Na frase anterior ela usa fala: getting me. Expressando a ideia que ele entendeu o que ela queria. E ele responde com outro significado do mesmo termo, que seria: pegar, conseguir, começar. {12} Expressão normalmente usada em referência a um longo tempo atrás, quando alguém era mais jovem / menor do que o presente {13} Sobremesa {14} Mole é um termo que significa molho na culinária do México; um exemplo é o guacamole, molho ou condimento à base de abacate. No entanto, quando se fala em mole, normalmente refere-se o mole poblano, molho típico do estado de Puebla, preparado com vários tipos de malagueta e com chocolate, para temperar o picante; este molho é tradicionalmente servido com peru como prato principal nas festas de casamentos e aniversários e durante o Natal. O nome pode ser usado em conjunto com o ingrediente principal em que este molho vai servir de base de um guisado, por exemplo, Mole Poblano de Frango.

{15} Departamento de Polícia de New Orleans


Laura wright the cavanaugh brothers 04 bonded (al2)