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Equipe Pégasus Lançamentos Tradução: Liza B., Dynha, R. Onuma, Liah Vett, MeG B, Dre Santos; Meredith; Silvie P., T. Bortoli Revisão Inicial: Ciça, Rena Benev, Lilli B; Lyn P., Black Rose, Josie Baker, Lia C., N. Correia, Josie, Lucy in the Sky Revisão Final: Suélem Leitura Final: Anna Azulzinha Formatação: Lola


Sinopse Marcos

Rivera

é

um

lutador.

Um

membro de gangue. Alguém que viu o lado negro da humanidade e sobreviveu. Ele perdeu a família e os inimigos ganharam. Roubou carros e destruiu corações. Roubou por dinheiro e destruiu por prazer. Seu passado é assombrado e seu futuro sombrio. Até ela. Katie

Foster

é

uma

professora

de

história do Ensino Médio. Inteligente, forte e sexy. Ela é uma mulher que Marcos não deve querer. Não deve tocar. Não deve amar. Ele a conheceu em Garnet, uma atrasada cidade caipira. O último lugar no mundo onde quer


estar, mas para onde volta apenas para ter um gostinho do proibido. Katie representa tudo o que é bom no mundo e Marcos sabe que ele não é nada além de problemas para sua vida perfeita. Ele luta e fode. Comete crimes e quebra as regras. Ele nunca poderá mudar e nunca poderá escapar da sua vida de gangue. Ou poderá? O que acontece quando duas pessoas diferentes de dois caminhos muito diferentes na vida arriscam tudo, entregando-se a paixão que ameaça consumi-los? Pode uma mulher que só sabe viver seguramente entregar seu coração a um homem que vive intensamente

e

ama

com

ainda

mais

intensidade? Será que ela vai sobreviver a Viper?


Capítulo Um Garnet Country 01 de janeiro de 2014

Uma música do Garth Brooks tocava no rádio. Os limpadores de para-brisas trabalhavam sem parar afastando a neve enquanto Katie retornava para casa depois da festa de véspera de Ano Novo realizada na casa de seu irmão. As estradas estavam vazias às duas da manhã. Não que elas fossem sempre muito lotadas em Garnet, sua pequena cidade natal. Katie foi para casa de seu irmão Chris apenas para evitar encontrar seu ex caso ele tentasse passar em sua casa, depois ter enviado flores na véspera de Ano Novo pedindo uma segunda chance. Seu divórcio foi dois anos de inferno e Grayson ainda não aceitava a separação. Agora ela estava presa, dirigindo de volta para casa através dos primeiros indícios do que parecia ser uma tempestade de inverno desagradável. Droga Grayson. Ela teria


sido mais feliz se passasse a noite em seu sofá com uma garrafa de vinho e Ryan Seacrest1 para lhe fazer companhia. Determinada a aproveitar os primeiros vestígios do Ano Novo, ligou o rádio e imediatamente pensou na sua mãe ao ouvir a canção e cantar junto. Sua mãe costumava amar Garth Brooks 2. Katie não percebeu o carro azul atrás do seu até que praticamente estava em cima dela. Aquele pequeno carro simplesmente apareceu do nada! Tinha que estar pelo menos a noventa! Ele era louco? Numa nevasca, a estrada de pistas duplas não era nada além de curvas fechadas. Ela esperou o carro passar. Mesmo que fosse uma estrada de apenas duas pistas, as pessoas faziam isso o tempo todo. Katie certamente não iria acelerar em uma tempestade de neve só para fazer um motorista louco feliz. Um arrepio percorreu lhe a espinha quando o motorista continuou a se aproximar da sua traseira em vez de passar. Por um momento ela pensou que

poderia

ser

Grayson,

mas

este

motorista

estava

visivelmente embriagado. Grayson não bebia. Ela reduziu, esperando que o condutor passasse, mas ele permaneceu colado ao seu para-choque de um modo que a fez se sentir intimidada. Seus instintos estavam em alerta máximo. Ficou claro que essa pessoa estava tentando assustála.

1Apresentador 2Compositor

do reality show American Idol.

de música country, segundo maior vendedor de discos dos EUA.


E estava obviamente bêbado. Ela acionou seu pisca-pisca, com a intenção de parar no acostamento, mas antes que pudesse, o motorista acelerou e, finalmente, fez sinal de ultrapassá-la. Katie olhou para o motorista, mas na escuridão tudo o que pode observar foi o cabelo comprido e o contorno fino de uma mulher. Ela também não pôde deixar de notar que o carro desacelerou quando a mulher estranha enfiou a mão para fora, pelo teto solar. Talvez se a motorista prestasse atenção à estrada em vez de mostrar o dedo médio a Katie, ela teria visto a caminhonete branca que vinha sobre a colina. Assim, a mulher nem sequer tentou reduzir. Como se estivesse em um pesadelo, Katie observou a caminhonete desviar violentamente para evitar o carro azul que de repente surgiu em sua pista. A última coisa que Katie ouviu antes de seu mundo explodir foi o som estridente de uma buzina e da derrapagem dos pneus contra o gelo no asfalto. Havia vidro em toda parte. A picada dizia que estava em seu rosto e pescoço. Ela podia sentir o filete de sangue quente correndo em seu olho mas isso não era nada além de irritação comparado ao que estava acontecendo com o seu braço esquerdo. A agonia era tão extrema que ela não foi capaz de senti-la antes deste momento. Um grito explodiu de sua garganta ante ao choque de ser atingida, apurado entre um batimento cardíaco e outro. Katie tentou puxar o braço que estava preso na porta do lado do motorista que virou puro metal retorcido.


Ela quase desmaiou de dor. Depois de cinco anos num relacionamento mentalmente abusivo, Katie não gostava de sentir-se presa e começou a hiperventilar com o cheiro de fumaça enchendo seus sentidos, já que era claustrofóbica. O desespero era tanto que ela tentou ignorar ao máximo a dor e puxar novamente o braço... mesmo que isso causasse mais danos. Ela precisava sair de seu carro. — Eu estou chamando 911! Katie ouviu a voz em algum lugar. Baixa e rouca, vibrando com o pânico. Ela piscou, se concentrando nela. — Pare de se mexer. Estou pedindo ajuda. Katie não percebeu que estava lutando para sair até que a porta do lado do passageiro foi abruptamente aberta, e o sopro de ar frio bateu nela. Ela piscou e viu um rosto bronzeado. Olhos azuis iluminados a observavam com preocupação, escondidos parcialmente por mechas de cabelo escuro. Como a louca que era, esqueceu a dor por frações de segundos quando viu como este homem era bonito. Mas no momento seguinte, a dor bateu nela com tanta força que não teria feito diferença se ele fosse Bradley Cooper sentando-se no banco do passageiro de seu carro. O belo estranho estava falando rapidamente em seu telefone. Ela começou a chorar. Embaraçosamente. Chorando horrivelmente. Pontuando com declarações realmente dignas de sua situação como: — Ow, ow ow.


Ele fazia-lhe perguntas. Ela pensou que as estava respondendo corretamente. Ela não podia acreditar que seu Ano Novo começaria assim. Enquanto estava sentada ali, presa, com dor, tremendo em choque e com frio, ele tirou a jaqueta e a colocou em torno dela. — Eles estão vindo—, ele disse a ela, parecendo preocupado enquanto segurava o telefone ao ouvido. — A Senhora Wellings diz que estará aqui em três minutos ou menos. Katie assentiu, sentindo-se um pouco melhor e muito mais quente. — É a Jules? — Ela lutou para conter as lágrimas e falar claramente. — Pode dizer-lhe que é Katie Foster para que ela possa chamar meu irmão? Katie realmente ouviu o grito de Jules através do telefone. Jules Wellings foi a advogada de Katie no divórcio e uma de seus únicos e verdadeiros defensores. Como uma mulher muito ocupada e mãe de gêmeos, Jules raramente trabalhava no 911 durante estes dias, mesmo que seu irmão gêmeo fosse o xerife. Era um pequeno golpe de sorte. O mundo então ficou repleto de alívio. Sabendo que Jules estava enviando ajuda e que este belo estranho sentado no carro destroçado de Katie tinha olhos bondosos, seu pânico diminuiu. Ele até lhe deu sua jaqueta e deixou seus braços nus ao frio, grandes braços realmente. Cheios de tatuagens tribais


nos bíceps e uma grande serpente, enrolada nos músculos da parte interior do seu antebraço direito. Ela nunca viu tatuagens assim de perto. Elas o faziam parecer inegavelmente perigoso, mas por algum motivo não a deixavam nervosa em sua presença. Katie se concentrou nele porque não havia mais nada, além da sua dor para dirigir sua atenção. Ele amaldiçoou quando seu telefone descarregou. — Hijo de la gran puta!3 — Você está com frio? —, Ela gaguejou enquanto olhava para aqueles enormes músculos tatuados em vez de pensar na agonia em seu braço. — Eu só bati em seu carro duas horas após o Ano Novo. Você deve querer minha bunda por estar com frio. — Ele soltou um riso amargo cheio de auto ódio quando se virou para ela com preocupação. — Sinto muito sobre isso. — Ele balançou a cabeça. — Coño4. Isso soou como uma desculpa esfarrapada, hein? Você não pode simplesmente dizer desculpa para algo como isto. — Ele esfregou a mão no rosto. — Este é o meu pior pesadelo. Era a última coisa que eu precisava na porra da minha consciência. — Eu sei que não foi culpa sua. — Mais lágrimas escorriam pelo seu rosto. — Não havia nada que você pudesse ter feito. — Eu poderia ter desviado para o outro lado.

3

“Filho de uma puta!”.

4

Caralho


Bem, isso lá era verdade. — Eu tomei umas cervejas... Eu nem sei por que estava com Chuito quando deveria ter ido para Miami na manhã de ontem. É só porque eu não o vi em muito tempo. Cristo, pensei que estava sóbrio. Esperei algumas horas antes de voltar para casa, mas obviamente...— Ele fez uma pausa e, em seguida, pegou a mão boa de Katie, apertando-a com força. — Eu realmente sinto muito, Katie Foster. Você parece ser uma menina doce e não precisava que minha sorte de merda saísse e se esfregasse em você. — Minha sorte não é tão grande também—, ela confessou apertando sua mão, em vez de afastá-la. — Obviamente. — Vai se sentir melhor. Eu prometo a você que seu braço quebrado ficará melhor do que eu neste acidente. Você terá a sua vingança, chica5. Ela ouviu seu nervosismo sobre as bebidas que consumiu. Ele estaria provavelmente enfrentando um DUI6. Ele poderia ter fugido como o outro motorista. Em vez disso, estava sentado lá, pacientemente, segurando a mão dela. — Você deve ir—, ela sussurrou. — Vá e eu vou esquecer como a sua caminhonete se parece. Vá ver se ela ainda está dirigível.

5

6

Pequena

Drevin Under the Influence ou Dirigindo sob a influência do álcool. Se refere a uma pessoa que é presa por dirigir depois de consumir álcool. Geralmente as pessoas com DUIs não estão embriagadas mas têm os seus direitos constitucionais violados e são tratadas como criminosas. No Brasil não existe tolerância a álcool no volante, portanto não há casos de DUIs, só crime.


— Eu não vou te deixar. — Ele bufou como se o pensamento fosse ridículo. — Mas e a bebida? — Sua amiga, Jules Wellings sabe que fui eu quem ligou para o 911. Eu me encontrei com ela alguns dias atrás com a esperança de conseguir patrocínio para o Cellar. Cristo, eu estava hospedado com Chuito Garcia. Ele mora acima de seu escritório. Ela sabe onde me encontrar. Eu juro—. Ele deu um sorriso triste, mostrando os dentes brancos. Os inferiores eram um pouco tortos, tornando-se óbvio que ele não sofreu com quatro anos de aparelho como Katie tinha, mas de alguma forma apenas adicionava mais ao seu charme. — Então vamos sentar aqui juntos e enfrentar de cabeça erguida a má sorte. Isso é o que eu costumo fazer. Desta vez eu tenho companhia. Está tudo bem. Ela olhou para este estranho com uma pequena admiração por sua coragem. Ele era um lutador. Mesmo se ele não tivesse acabado de admitir, tinha a aparência de um homem que passava os dias trabalhando na Cellar. O Cuthouse Cellar (Cellar), uma reivindicação de Garnet à fama, era um centro de treinamento de MMA na cidade. Cada dia apareciam mais lutadores esperançosos que escolhiam a Cellar como seu campo de treinamento. Estava claro que ele era um daqueles homens que vieram aqui à procura de fama e glória, mas, infelizmente, para ele, a sua vida colidiu com a dela neste lugar. Que pena.


Ela ainda estava olhando para ele com espanto. Sua intriga com ele foi o suficiente para fazê-la parar de chorar. A dor ainda pulsava no seu braço, irradiando-se para o rápido tum, tum, tum de seu coração, mas com ele perto, ela quase podia absorver essa louca força de um lutador de MMA. — É o seu trabalho? —Ela sussurrou. Ele franziu a testa. — Meu trabalho? — Apenas en- enfrentar de frente? —, Ela esclareceu. — A má sorte? Ele pareceu considerar isso por um momento antes de sorrir. — Pelo menos você sabe quando o próximo soco está chegando. Nada pior do que ser surpreendido, certo? — Certo—, ela concordou suavemente, olhando para o braço, tentando ver o quão ruim estava. Tudo o que viu foi o sangue. Fez seu estômago embrulhar e olhou novamente para o lutador. — Eu vou tentar isso. En-encarar de frente as coisas. Não me esconder mais de meus problemas. — De onde venho, os adolescentes tentavam me ferrar quando eu era jovem. Crianças duras. Assassinos. Nada os perturbava. Eles usavam alguém para fazer o trabalho. Aos oito anos de idade, traficavam drogas para se manterem e eu não estava pronto para tudo isso. Então descobri que era mais difícil para eles me ameaçarem se eu os olhasse nos olhos—. Ele apertou a mão dela mais uma vez. — Essa é a única coisa que eles não podem tirar de você. Sua coragem.


— Eu não sou corajosa—, admitiu ela, sentindo o rosto corar, apesar de tudo. — Eu sou exatamente o oposto de corajoso. — Você parece muito corajosa para mim. — Ele inclinou a cabeça para olhar para ela com nítida admiração. — Todas as meninas que eu conheço estariam em pânico e gritando agora mesmo. O som de sirenes o fez sair do carro antes que ela pudesse responder. Ele enfrentaria de cabeça erguida a possível pena de dirigir alcoolizado sem sequer pestanejar. Ela o viu acenar para o xerife Conner que estacionou a ambulância no local do acidente. O xerife saiu voando para fora do carro. Ele não jogou mais do que um olhar passando pelo jovem lutador dizendo, — Você não vai a lugar nenhum, rapaz. Então ele estava rastejando no lado do passageiro de seu carro, enchendo o pequeno espaço com sua poderosa presença. Ela sempre esquecia o quão grande o xerife era até que estava ao seu lado. Ele era um grande cara, sério, mas a mente de Katie estava em seu lutador em pé na neve, sem um casaco. O xerife tocou o pulso em seu pescoço e iluminou os olhos quando ele perguntou: — Como está, Katie? — Be-bem. Ouça, xerife... — Jules está chamando o seu irmão. Ela pediu para lhe dizer que se certificará de que ele se encontre com você no Mercy Geral. — O xerife inclinou sobre ela, iluminando a porta que segurava seu braço preso, com a lanterna.


— Precisamos ter certeza que não se mova até Tommy e os bombeiros chegarem aqui. — Sim, mas xerife... O xerife pegou o rádio na cintura e começou a falar por ele. A maioria do que ele estava dizendo era o jargão policial, mas ela entendeu o essencial. Eles precisavam trazer mais equipamentos para retirá-la do carro. O medo tomou conta de seu corpo em ondas frias. Ela usou sua mão boa para puxar a jaqueta do lutador apertando-a em torno dela, em busca do conforto dele. Seu instinto era começar a chorar de novo, mas percebeu agora que seus pensamentos estavam espalhados em outras direções além da dor. O choque extremo se estabeleceu em algum ponto. Seu braço ainda estava doendo, mas a dor ficou em segundo plano. Mais sirenes soaram ao longe. A ajuda estava chegando. Ela devia se sentir aliviada e relaxar mas em vez disso olhou para trás para o lutador, ali de pé iluminado por seus faróis, com a neve caindo em seu cabelo escuro e em seus ombros largos. — Não foi culpa dele—, disse ela rapidamente para o xerife Conner, querendo tirá-lo antes de os bombeiros aparecerem. — Havia um outro carro. Aquela mulher louca desviou pela pista da direita e ele estava subindo a colina. Nada disso foi culpa dele, xerife. Foi apenas má sorte.


— Tudo bem, querida. — O xerife apertou-lhe a mão boa. — Apenas se concentre em respirar e não se mover at�� que possamos tirá-la. Você pode fazer isso? Katie respirou fundo e assentiu. — Sim, mas sobre...— Ela fez uma pausa, percebendo que ela não perguntou seu nome. — O homem lá fora. — Não se preocupe com Marcos. Ele é um menino grande e não há um arranhão nele. — O xerife apertou a mão dela mais uma vez. — Focaremos apenas em você no momento. — Foi apenas má sorte—, ela repetiu, pensando não apenas no acidente, mas na longa sequência de má sorte e ficou com a impressão de que não estava sozinha quando olhou para o lutador novamente. — Não foi culpa dele. Ao invés de responder, o xerife saiu do carro para encontrar o caminhão de bombeiros que a puxou para cima. Katie teve a nítida impressão de que o lutador, Marcos, deveria estar abaixo em sua lista de prioridades, mas Katie ainda se preocupava com ele. Durante todo o tempo em que trabalharam para retirá-la da confusão do seu carro destroçado, ela pensou em Marcos. Ela olhou para ele, seu olhar escanceando o local do acidente quando o medo ou a dor aumentavam. Ela rapidamente o encontrou de pé, fora da estrada com uma manta marrom sobre os ombros e desejou poder segurar sua mão novamente, mas havia bombeiros em toda parte. Tommy, o paramédico, sentou ao lado dela para verificar seus sinais vitais, falando com aquela voz calma que tornou óbvio porque ele era bom no


que fazia. Ele colocou uma cinta em volta do seu pescoço e estava deixando-a pronta para a maca, quando o ruído horrível de metal sendo cortado substituiu o silêncio fazendo o cabelo na parte de trás de seu pescoço ficar de pé. Ela estava tremendo. O choque ainda nublava seu cérebro tentando bloquear um pouco da dor, mas Katie ainda lutava para ter maior clareza quando o alívio de finalmente estar livre lhe fez embaçar a visão. O mundo começou a girar quando eles a colocaram numa maca. Tommy precisou de mais tempo com o braço, colocando talas e uma placa. Katie não teve coragem de olhar. — E-eu preciso do casaco—, ela disse a eles, sabendo que foi jogado em algum lugar. Ela não queria que ele acabasse no pátio do reboque. — P-por favor. Eu preciso levá-lo comigo para o hospital. — Claro, querida. — Tommy deu-lhe o sorriso caloroso que fazia muitas mulheres de Garnet ficarem de pernas bambas. O paramédico era um dos seus solteirões mais cobiçados, mas Katie ainda estava preocupada com seu lutador. Ela deu um suspiro de alívio quando Tommy colocou o casaco por cima dela enquanto a levava para a ambulância. Ela estava apenas começando a pensar que tudo poderia ficar bem quando a voz do xerife Conner reverberou a partir do outro lado da estrada. — Você andou bebendo esta noite Sr. Rivera? Ela queria gritar para ele mentir.


Em vez disso ela ouviu seu lutador enfrentá-lo de frente. — Sim, Xerife, eu tomei algumas cervejas à meia-noite. Ela encontrou-se olhando para o teto da ambulância antes que pudesse ouvir como tudo terminou. As sirenes tomaram vida. Tommy, o paramédico bonito, alternou entre verificar seus sinais vitais e escrever coisas em seu gráfico. Durante todo o tempo ele manteve o charme que era famoso por ter, obviamente, muito acostumado a fazer de situações horríveis um pouco mais fáceis devido a boa aparência que Deus lhe deu. No entanto, tudo o que podia pensar era Marcos, o lutador misterioso, com olhos bondosos, tatuagens perigosas e um caso horrível de má sorte quase tão épica quanto a dela.


Capítulo Dois Miami Abril 2014 A única coisa boa que Marcos ganhou na viagem para Garnet Country foi sair daquela cidade sem um DUI. Depois que o xerife deixou tudo esclarecido, Marcos prontamente voltou para Miami e tentou esquecer sobre aquela semana. Para estar mais seguro, ele até se mudou apenas no caso do xerife mudar de ideia e querer indiciá-lo por algo. Com o passado que tinha, Marcos era mais que um pouco paranoico, polícia era

sinônimo de

ameaça. O

antigo

apartamento era uma merda de qualquer maneira. Não que o novo lugar fosse muito melhor, mas às vezes uma mudança era boa. Um novo lugar, um novo emprego, um novo número de celular, uma nova vida. Este foi o seu grande plano depois que seus sonhos de ser um lutador profissional terminaram oficialmente no momento em que ele se deparou com Katie Foster. Mais do que perder o lugar no Cuthouse Cellar, foi o próprio acidente que o perturbou.


Lembrou-se da jovem e bela morena, com uma pequena quantidade de pesar. Havia algo sobre aqueles grandes olhos cor de mel emoldurados por longos cílios. Lágrimas embebidas que o perseguiam. Seu cabelo era o mesmo tom de castanho claro dos seus olhos, longo e ondulado, do tipo que um homem tem vontade de tocar só para ver se são tão sedosos quanto parecem. Tudo nela era suave e inocente de uma forma que as mulheres que ele conhecia não eram. Ela estava tão pálida durante a noite, fazendo com que o sangue se destacasse nitidamente em suas bochechas e na testa. Ele viu muitas coisas horríveis em sua vida, mas essa imagem o perturbou mais do que a maioria. Talvez porque soubesse que alguém como Katie Foster não foi feita para sofrer daquele jeito. E saber que foi culpa dele, fazia-lhe acordar à noite suando frio. Esse acidente lhe trouxe uma grande quantidade de estresse pós-traumático. Mesmo quando Chuito lhe garantiu que ela estava recuperada, não conseguiu afastar a culpa ou a estranha pontada em seu peito quando se lembrava de como ela realmente se preocupou com ele naquela noite. Mesmo com lesões dolorosas, ela estava disposta a encobri-lo, e isso só fez aumentar sua determinação de ficar fora de problemas uma vez que chegasse em casa. Ele não queria encontrar outra Katie Foster novamente e estava oficialmente cansado do perigo. Iria trabalhar duro, sem descanso e ficar fora de problemas tempo suficiente para que a vida esquecesse de alguma forma que caras como ele não foram projetados para envelhecer e viver fora de uma prisão.


Suas intenções foram boas, mas não demorou muito para que tudo fosse para o inferno. — Você não pode me demitir. — Marcos olhou para seu chefe dos últimos meses, seus olhos se estreitaram em descrença. — Eu sou o melhor cara que você tem. Sebastian

suspirou

e

baixou

a

cabeça

quando

murmurou, — Você sabe que a polícia farejou o meu lugar desde que você começou. Nós tivemos quatro inspeções de salvamento nos últimos três meses. Os policiais vieram na última noite. Eu não posso mais fazer isso. Eu sinto muito. Marcos se sentiu empalidecer e o familiar rubor quente de vergonha e raiva passaram sobre ele. Ele não podia discutir com este raciocínio. Se ele estivesse no lugar de Sebastian, sendo sacudido a cada poucas semanas pelos policiais, ele provavelmente dispensaria o infeliz colocando um alvo em suas costas também. Mesmo que ele fosse o melhor auxiliar em Miami. — Sim, tanto faz.— Marcos virou as costas para ele, determinado a recolher suas coisas, sair e ficar bêbado. Foda-se!

O

que

diabos

fez

por

ele

permanecer

rigorosamente na linha de qualquer maneira? Claramente a vida não queria que ele ficasse de fora de problemas. — Diga a sua tia que eu sinto muito. Marcos fez uma careta, odiando o lembrete de que sua tia, um dos únicos parentes que ainda lhe restavam, teve de


recorrer a um antigo namorado para lhe obter o trabalho em primeiro lugar. Algo desagradável e cortante estava na ponta da língua. E mais uma vez, ele foi culpado de ser mesmo um filho da puta quando se tratava de merdas como esta. Antigamente ele provavelmente teria perfurado este pendejo7 por sequer mencionar sua tia, mas agora apenas saiu do escritório sem olhar para trás. Com suas ferramentas na parte traseira de sua caminhonete, ele acelerou para fora do estacionamento do Sebastian’s Auto Body, certificando-se de deixar a sua marca no asfalto. Pegou seu telefone folheando seus velhos contatos enquanto mantinha um olho na estrada. Claro, não havia trânsito, e ele silenciosamente se irritou ouvindo o telefone tocar. — Oh opa. — Ergueu sua mão depois que alguém cortou na frente dele. Quando Marcos perdeu o farol, amaldiçoou, — Coño! Pressionou sua buzina esperando que o idiota que o cortou pudesse ouvi-lo. Ele nem percebeu que o telefone foi atendido até seu amigo Luís rir em seu ouvido. — Violência na estrada, mano. Eu pensei que você estava mudando seus caminhos. Marcos apenas balançou a cabeça. — Eu fui demitido de novo. Foda-se a mudar os meus caminhos. Isso nunca funciona. 7

Estúpido


— Não me diga? — Não brinca. A polícia perturbou Sebastian desde que comecei. Ele finalmente ficou farto disso. Eu tive sorte em manter o trabalho por tanto tempo. — Desce para o armazém e se prepare. — A esperança era pesada na voz de Luís. — Vai ser uma festa. Escola antiga. Assim como nos velhos tempos. Marcos hesitou, porque era tentador reviver aqueles dias selvagens e livres de sua juventude novamente. Esse sonho foi o que sempre o colocou em apuros, porque as memórias não eram de todo ruins. Houve um tempo em que ser parte de Los Corredores significava tudo para ele. Isso o fazia invencível. Intocável. Perigoso. Os dias antes da escuridão. Quando a turma ficava por respeito e união, em vez de vingança e dinheiro. Os dias antes da mãe de Marcos e Juan morrer. Antes que Chuito fosse pro lado esquerdo. E Angel assumir. — Você sabe que ele iria trazê-lo de volta—, Luís cortou os pensamentos secretos de Marcos. — Ele lhe deve. Todos nós devemos. Muito. Ele vai literalmente te pagar vinte vezes o que você estava recebendo no Sebastian. Eles estão te marcando de qualquer maneira. Poderia muito bem se beneficiar disso. — Sim, poderia muito bem—, ele concordou em espanhol, sentindo-se um pouco apreensivo falando sobre isso por telefone.


Ele não tinha certeza na realidade se espanhol o ia esconder já que a maioria das pessoas em Miami falava espanhol, incluindo os policiais. — E ninguém pode fazer o que você faz—, Luís continuou. — Você é um artista do caralho. Isso era verdade, e foi bom ouvir alguém reconhecer isso novamente. Ganhou o respeito ao ser o principal membro dos Los Corredores para se poupar de olhar por cima do ombro a cada cinco segundos, mas droga, ele estava sendo perseguido de qualquer maneira. — Eu tenho que passar em casa antes. Vou tomar um banho. — Eu vou dizer a Angel que você virá. Você vai passar a noite? —

Provavelmente.

— Marcos apertou

sua buzina

novamente quando alguém o cortou. — Carajo8, eu preciso dar o fora da 305. Estes idiotas não sabem dirigir. — Não funcionou muito bem da última vez que tentou fazer isso. Eu não posso acreditar que a polícia o deixou fora de um DUI. Acho que Chuito vai te pegar. — Uma puta entrou em minha pista naquela noite e, em seguida, acelerou sem parar. Eu estava abaixo do limite. Marcos disse defensivamente. Ele não gostava de falar sobre aquela noite.

8

Foda


— Eu saí porque o acidente não foi culpa minha. Chu não me pegou por isso porque ainda não sabe nada. Eu não preciso ouvir isso de você. Luís riu, incrédulo. — É por isso que você desmonta os carros ao invés de pilotá-los. — Estamos no telefone. — Marcos levantou a mão. — Você quer me bombardear agora ou o quê? — Um pouco. Marcos grunhiu em aborrecimento, a ferida ainda apertava e estava desesperado para mudar de assunto. Deve ter sido mais do que óbvio. — Parece que você precisa de uma festa. Algumas garrafas, alguns blunts9, vão fazer você se sentir melhor. Vamos sair com seu irmão e lembrar de onde você veio. — Luís parecia sincero. — Fazer algum dinheiro de verdade, como antes. Saia dos buracos de merda que você está sempre se hospedando. Marcos fez uma careta. Sentiu o soco no estômago. Ele não gostava de estar ferrado, não foi fácil especialmente porque se quisesse, sempre teria mais dinheiro o esperando. Os últimos meses não foram a primeira vez que ele tentou um trabalho honesto desde que saiu da prisão; foi apenas o mais longo que conseguiu manter antes de ser forçado a começar a desmontar carros para pagar as contas. 9

Marca de charuto nos EUA ou atualmente denomina o Cigarro de maconha enrolados em folha de tabaco.


— Fique com o que você sabe—, Luís continuou. — Nem todos nós podemos ser campeões do UFC, certo? — Não, suponho que não—, Marcos concordou porque ele tentou essa rota de fuga. Ele lutou ao lado do seu primo Chuito durante toda a escola

primária.

Competiram

os

mesmos

combates

subterrâneos desde que eram adolescentes. Ele teve a infelicidade de estar na prisão na noite em que o Campeão Mundial de pesos Pesados, Clay Powers apareceu em uma luta subterrânea e tirou Chuito das trevas da vida do grupo e para a ribalta, salvando-o de forma eficaz do destino que todos eles compartilhavam. A vida de bandido normalmente terminava em um caixão ou na cadeia. Marcos não era tão iludido quanto o resto. Ele sabia que ia acabar mal para todos eles eventualmente. Estar preso por dezoito meses não fez nada se não proporcionar um pouco de perspectiva sobre as coisas. Ele estava tentando salvar-se da agonia, pacificamente distanciando-se de idiotas como Angel, e mais ainda, de amigos como Luís. Ele não podia suportar enterrar outro depois de fazê-lo por tantas vezes. Ele queria uma fuga como Chuito, uma maneira de esquecer a conexão por tempo suficiente para que talvez não se sentisse tão mal quando a próxima bala encontrasse um amigo. Ele tentou sair, mas o local de combate no Cellar foi um tiro no escuro para um ex-presidiário, o que foi antes dele colidir com Katie Foster no Ano Novo. Sentia-se muito mais velho do que deveria.


Antes que Marcos pudesse seguir os seus sentidos e começar a descobrir uma maneira de encontrar trabalho honesto,

alguém

o

cortou

no

trânsito.

Foi

ferido

profundamente, ponderou sobre dinheiro, sobre contar a sua tia que perdeu outro trabalho, sobre os policiais que o cercavam, não importa onde ele fosse por causa de sua ligação com Los Corredores. Não trair seus amigos para aplicação da lei lhe valeu um alvo nas costas pela vida inteira. Se não estava com a polícia, estava contra eles e os tiras o lembravam disso a cada chance que tinham. Marcos baixou o vidro e gritou em espanhol, mas não dissipou a ansiedade. Luís riu de novo pela ira de trânsito de Marcos. — Seis horas. Vamos festejar. A coisa certa a fazer era desligar e passar a noite procurando por um trabalho on-line, mas em vez disso Marcos concordou, — Seis horas. Certo, então parecia que ele estava ferrado. Não conseguia

manter

um

emprego

honesto

mesmo

que

conseguisse conversar com algum tolo para contratá-lo. Tentou se desligar por mais de quatro malditos anos até agora. Podia muito bem aceitar que a vida não queria que ele fosse cumpridor da lei. Assim, ele iria ter uma vida dura. O próximo funeral facilmente poderia ser o dele, mas talvez fosse melhor assim.


NĂŁo havia milagres para Marcos Rivera.


Capítulo Três Garnet Country Choque era uma coisa útil. Ela criou uma memória estranhamente embaçada, quase romântica de um acidente de carro horrível. Um lutador com uma bela silhueta ao luar e na neve. Coragem. Bondade. Caráter. Marcos Rivera ficou marcado em seu cérebro, um anjo bronzeado com singulares olhos claros e tatuagens perigosas. Em sua memória, o homem era uma mistura de escuridão e beleza. Se apenas o resto da jornada tivesse sido tão bonita... Duas cirurgias. Horas agonizantes de fisioterapia. Os ataques de pânico. Ser forçada a tomar remédios apenas para superar a dor das primeiras de várias semanas. Ser forçada a parar a medicação, a fim de rastejar para fora das cobertas, voltar ao trabalho e começar a viver novamente. A realidade não espera por nenhuma mulher. Agora a primavera chegou. Seu braço estava com marcas de cicatrizes, mas estava curando. Ainda sentia algumas dores maçantes, porém parava as pontadas de dor tomando alguns ibuprofenos.


O intervalo chegou antes que percebesse e Katie terminou a última aula do dia com muito bom humor. — Não se esqueçam de seus projetos finais sobre o Egito antigo que deverão ser entregues sexta-feira. Estou animada para ver como todos se sairão. A maioria da classe gemeu, mas esta era uma aula de História Avançada do Ensino Médio. Estes eram os tipos de alunos que estremeciam sobre a destruição da Biblioteca Antiga de Alexandria, sempre que estudavam em sala de aula. Toda aquela história perdida. Katie compreendia suas dores. Ela ainda passava noites olhando para o teto, se perguntando quais informações que o fogo há muito tempo destruiu. Ela era uma nerd. Razão pela qual não deveria estar em luto pela memória de um lutador, distante, uma névoa de fumaça na história de Garnet como a biblioteca perdida de Alexandria. Existia muita coisa sobre ele e Katie nunca saberia. Ele foi embora no momento em que ela saiu do hospital. Ela sabia, porque investigou. Atordoada com a dor, ela fez sua cunhada Lily levála até a casa de Chuito acima do escritório de Jules, lembrando-se que Marcos mencionou o famoso lutador naquela noite. Chuito informou a Katie que Marcos voltou para Miami. Isso era tudo o que ela foi capaz de tirar dele. Chuito ficou irritantemente calado sobre informações para contato. Isso era estranho. Katie sabia de um fato, Marcos não conseguiu um DUI. Ela tinha uma cópia do relatório policial. Ele estava abaixo do


limite de velocidade permitida. O número de telefone foi desligado no período que ela chamou. O endereço no relatório da polícia não era correto. Todas as suas cartas foram devolvidas. Por que fugir e desaparecer assim? E pra que todos os segredos? Katie levou tempo para postar em craigslist10, mensagens curtas enviadas para Miami com a vã esperança de Marcos vêlas e entrar em contato com ela. Todo o esforço lhe deu uma caixa de entrada cheia de mensagens de estranhos, mas ela ainda postava, pelo menos uma vez por semana. No momento, essa rede era a única maneira que tinha para chegar a ele. Ela não gostava de Chuito. De modo nenhum. Os dois ficavam olhando um para o outro cada vez que se cruzavam ao longo dos últimos meses. Seu desprezo por ela era tão potente quanto o dela por ele, com todos os seus segredos e aparência sombria. Ela estranhamente não tinha medo do campeão de peso leve da UFC. Ela sabia que ele reconheceu a jaqueta de Marcos que usava sempre que estava com frio. E isso acontecia desde janeiro. Ela não se importava. Que pensasse o que quisesse. Chuito nem sequer deu-lhe um maldito número de telefone celular. Jules certamente não tinha informações sobre como contatar Marcos e havia em grande parte desencorajado Katie de procurá-lo.

É uma rede de comunidades online centralizadas que disponibiliza anúncios gratuitos aos usuários.

10


— Deixe para lá, — Jules disse quando Katie se sentou na cadeira atrás da mesa de Jules e se queixou do silêncio de Chuito sobre o assunto. — Ele provavelmente está fazendo um favor. Nós não teríamos patrocinado ele na Cellar, mesmo que ele não estivesse embriagado duas horas após o Ano Novo. Dizer que seu passado é duvidoso, chega a ser um eufemismo. — Jules olhou para um arquivo em sua mesa e murmurou para si mesma. — Não sei por que Chuito o recomendou em primeiro lugar. Katie bufou em descrença. O próprio marido de Jules saiu da prisão. Todo mundo sabia disso e ela teria relembrado a sua bonita advogada se o telefone não tivesse tocado. Jules levantou a mão e respondeu, o que levou a uma longa conversa sobre impostos e contabilidade que fizeram os olhos de Katie vidrarem.

Números

lembrou-a

de

seu

ex-marido.

Ela

calmamente desculpou-se e saiu. Mas ela deveria voltar à mesa de Jules para saber um pouco mais de Chuito, que estava sempre por lá, considerando que ele vivia em um apartamento acima do escritório de advocacia de Jules e discutiria um pouco mais com Jules. A última vez que estivera lá, ela notou que Chuito tinha a mesma tatuagem de cobra no interior de seu antebraço que Marcos. Isso era muito curioso. Eles tinham que ser amigos íntimos. Ela ia perguntar a ele sobre isso na próxima vez em que o visse. Este acidente deixou a história de Katie Foster nerd francamente em negrito, e ela gostou da mudança em si mesma. A vida lhe ensinou acima de tudo que o tempo era passageiro e que uma chance desperdiçada era nada além de


um possível lamento. Dane-se isso. Ela tinha arrependimentos suficientes para uma vida inteira. Os estudantes AP11 estavam abarrotados em torno de sua mesa para discutir os seus projetos de fim de ano. Ela respondeu às suas perguntas enquanto vestia o casaco de Marcos e pegava a bolsa de sua gaveta inferior. Já disse ao diretor Jenkins que sairia mais cedo logo que a aula terminasse. Jules Wellings lhe devia uma conversa que vinha evitando com habilidade impressionante por quase quatro meses. Agora era hora de aparecer quando ela menos esperava. Os últimos estudantes saíram. Katie reuniu seus papéis da aula, tendo tempo para organizá-los ordenadamente nas divisórias macias da maleta de couro que sua mãe lhe comprou no dia que começou o trabalho na escola. Sua mãe morreu três meses depois por culpa de um câncer que se espalhou rapidamente. Katie tomava muito cuidado com sua pasta. Razão pela qual não gostou quando bateu com ela em Grayson antes mesmo que tivesse a chance de fechar a porta da sala de aula. O ex-marido de Katie franziu o cenho para ela. — Ouvi dizer que você irá conduzir a reunião dos funcionários. — Seção de Fisioterapia, — ela mentiu quando se abaixou para pegar a maleta que caiu de sua mão, levando um tempo para reorganizar os papéis. Exasperada. 11

Colocação Avançada


Ele teve a boa graça de curvar-se e ajudá-la a pegar os papéis de suas aulas anteriores, mas notou que ele não se desculpou sobre a pasta e nem por ela estar sentada ali juntando tudo. Viu uma marca de sapato em cima da maleta e esfregou tentando decidir se já estava lá ou se Grayson causou isso. — Este menino é impossível, — Grayson murmurou, lendo um dos papéis na mão. — Olhe para essa gramática. Você pensaria que depois de ter falhado em álgebra três vezes, ele pelo menos saberia escrever. Ela puxou o papel da sua mão. — Isso é meu. — Atletas estúpidos. Por que diabos nós decidimos ficar em Garnet para ensinar? — Ele balançou a cabeça, obviamente, esperando a compreensão. — Eles ainda nos assolam, pequena Katie. — Não me chame assim.— Ela colocou o papel de volta na sua pasta junto com o resto. — Eu gosto de Jason Clover. Ele se esforça, e Ned disse que ele faz coisas incríveis no grupo automotivo. Nem todos nós podemos governar o mundo através de cálculos. — Oh, um ponto para a matemática. — Ele sorriu ao invés de morder a isca. — Você está corajosa desde o acidente. Eu gosto disso. — Grosso. — Katie estremeceu quando se recordou de quando acreditava que o sol e a lua estavam sobre os ombros deste homem. Ele foi tão diferente dos outros meninos de sua


cidade. Grayson compreendia seu amor acadêmico mesmo que seus interesses fossem muito diferentes, e ela se casou sem um segundo pensamento como uma estudante de segundo ano da faculdade. Como foi completamente estúpida. — Eu tenho que ir agora. Ela preferia hoje um atleta qualquer ao invés de um nerd da matemática. Grayson a estragou para sua própria raça, provavelmente para sempre. Ela saiu da sala sem olhar para trás. Ashley, a treinadora das líderes de torcida, que estava no corredor em vez de no campo, esbarrou nela antes que a porta tivesse sequer se fechado, mas desta vez Katie segurou firme na alça de sua pasta com raiva. — Desculpe—, Ashley bufou indignada. Katie não gostava de Ashley quando era a chefe das líderes de torcida da sua turma de graduação. Ela agora gostava menos ainda. A única diferença era que Katie não se intimidava mais. Ela apenas olhou a loira intensamente nos olhos como Marcos lhe disse para fazer e arqueou uma sobrancelha. Ela poderia ter feito um comentário sarcástico, mas tirar sarro de atletas era algo que ela baniu de sua lista. Era o que se chamava ser um adulto. Nem todas as líderes de torcida se transformavam em fracassos, falidas aos vinte e poucos anos por passarem seus fins de semana no bar, esperando que o fundo de sua garrafa de cerveja de alguma forma as ajudasse a recuperar a glória dos dezoito anos.


Apenas isto. Ela realmente sorriu enquanto passava por Ashley. Katie não era perfeita. O braço dela estava repleto de cicatrizes, mas ela pagou os poucos empréstimos da faculdade que tinha desde que começou a lecionar. Ela não estava contratando um advogado local para afastar todos os credores. Sim, Katie considerou procurar Jules enquanto se reerguia. Estava terrível. Ah bem. Ashley fez sua vida miserável desde a escola primária. Se Katie tinha uma pequena quantidade de prazer era em saber que a líder de torcida estava liquidada e vivia novamente com sua mãe após perder tudo com a dívida ultrajante do cartão de crédito. Ela simplesmente desenhou seu destino.

— Sinto muito, mas não vou ajudá-la com essa ilusão. Esqueça. Katie olhou para Jules através de sua escrivaninha, mas fez pouco caso. Esta mulher já teve um lugar na equipe olímpica de judô dos EUA. Ela foi subdelegada em seus anos mais jovens e agora era a única advogada em Garnet Country. Além disso, houve aquele incidente há um tempo, onde ela e seu marido enfrentaram uma equipe inteira de caras da máfia


da vida real e viveram para contar sobre isso. Esses caras da máfia não tiveram tanta sorte. Jules Wellings não era uma pessoa fácil de intimidar. — Por favor, — Katie choramingou desesperada. — Eu só preciso de um número de telefone. Eu sei que seu amigo Chuito tem. Se você pudesse apenas... — Não—, Jules repetiu quando ela olhou para cima de seu trabalho com uma careta. — E o que diabos faz você pensar que ele me daria mesmo que eu pedisse por isso? Katie deu a Jules uma olhada porque ambas sabiam que Jules geralmente tinha o que queria quando colocava algo na cabeça. — Por favor—, repetiu Katie. — Ok, vamos realmente discutir isso. — Jules empurrou de lado seu arquivo e deu a Katie toda a sua atenção. — Qual é a sua obsessão por Marcos Rivera? — Ele foi bom para mim. — Katie deu de ombros conscientemente. — Eu nunca tive a chance de agradecê-lo. — Ele bateu em você e arruinou o seu Ano Novo. Você tem as cicatrizes para provar isso, — Jules disse lentamente, olhando para Katie como se ela tivesse perdido a cabeça. — Ele pode ter estado abaixo da velocidade permitida, mas ele tinha álcool em seu sangue. Por que diabos você tem que agradecerlhe? — Isso não foi culpa dele—, Katie argumentou. — Se você tivesse visto como aquela mulher estava dirigindo...


— Ele tem um registro, — Jules interrompeu antes de Katie conseguir finalizar. — Ele cumpriu pena por roubo de carros. Você sabia disso? Katie olhou para ela, sabendo que devia se sentir mais apreensiva do que parecia. Não foi um grande choque. Jules afirmou antes que Marcos não tinha um passado colorido. — Isso não quer dizer... — Mentira. — Jules cortou antes que ela pudesse terminar. — Você sabe exatamente o que significa, Katie. Antes que ela pudesse parar a si mesma, Katie deixou escapar: — Não o fez seu marido há algum tempo? — Nós não estamos falando de mim. — O olhar de Jules ficou gelado, tornando-se óbvio a Katie que ela pisou em território perigoso. — Mas para a sua informação, a situação com Romeo era injusta e inevitável. Seu sujeito Marcos, cumpriu pena por roubar não um, mas vários carros. Ele foi pego desmontando as peças em um armazém abandonado. Será que isso soa como alguém com quem você queira se misturar? E se fosse o seu carro que fosse roubado? Você acha que ainda estaria querendo entrar em contato? Katie cruzou os braços sobre o peito, sabendo que parecia infantil, mas simplesmente não conseguia esquecer Marcos no local do acidente, disposto a enfrentar com cabeça erguida um DUI em vez de abandoná-la. Esse tipo de integridade era intrigante, e ela estaria mentindo para si mesma se não admitisse que estava atraída por ele. Mas essa busca não era


sobre a sua vida sexual há muito tempo adormecida. Ela queria uma chance de falar com ele mais uma vez. Só isso. — Você não é mais uma estudante universitária. Você é uma professora, agora, — Jules lembrou antes que Katie pudesse colocar em palavras suas convicções. — Você não pode se dar ao luxo de se meter com alguém como Marcos. Ele precisa de distância. Seja grata por isso e siga em frente com sua vida. O raciocínio de Jules fazia sentido. Katie sabia que devia fazer exatamente isso, mas por alguma razão, tudo parecia inacabado. Ela precisava do encerramento. Com poucas esperanças, ela bufou, — Mas eu ainda tenho o casaco. — Considere um presente para você por destruir seu carro. — Eu tenho publicado notas para ele no Craigslist, — Katie admitiu com um rubor de vergonha. — Você deve ver minha caixa de entrada. Está cheia de mensagens de todos os esquisitões de Miami. Jules balançou a cabeça e riu. — Você honestamente acha que um cara como esse passa suas noites de sábado lendo os anúncios pessoais no Craigslist? Katie deu de ombros. — Talvez.


— Se aquele rapaz tivesse lido os posts em qualquer altura, você não estaria vindo aqui a cada dois dias para pedir o número dele. Ele é bonito, eu vou te dar isso. — De repente, Jules franziu a testa e se inclinou sobre sua mesa. Ela estreitou os olhos para a escada como se seus sentidos policiais estivessem em alerta máximo e chamou. — Entre ou saia, mas pare de espionar. — Oh Deus. — Katie resistiu ao impulso de deixar cair à cabeça na mesa de Jules. Ela sabia quem estava ouvindo a conversa mesmo sem olhar para ver quem desceu as escadas. Sua pele se arrepiou em apreensão. Mesmo sem os dois cintos de campeonato UFC, Chuito — Slade— Garcia a deixava nervosa. Ele gritava perigo e Katie pensou que era extremamente corajoso que estivesse tentando entrar em contato com Marcos, quando um cara como Chuito vivia no apartamento acima do escritório de Jules. Talvez, por algum pequeno golpe de sorte, ele não tivesse ouvido o último pedaço de sua conversa. — Craigslist, hein? Katie ficou tensa ao ouvir o som áspero de diversão na voz de Chuito quando ele veio por trás dela. Suas bochechas avermelharam e ela amaldiçoou sua coloração clara, porque sabia que se notava. Ela virou-se em sua cadeira e olhou para Chuito, que era quase tão bonito quanto Marcos. Ele não tinha os olhos claros que era uma característica tão surpreendente em Marcos, e


Chuito era um pouco mais alto. Seus ombros eram mais largos, mas os dois ainda eram muito parecidos, o que sempre lhe dava uma estranha chicotada mental. — O quê? — O sorriso de Chuito desapareceu e seus ombros ficaram tensos sob seu escrutínio. — Nada—, disse Katie rapidamente. — Eu só estava pensando que você e Marcos são parecidos. Estranho isso. — Bem, duh, nós somos primos. —

Oh,

realmente?

Katie

estava

genuinamente

surpresa. — Eu não sabia disso. Ele bufou em descrença. — O que? Você pensa que nós todos parecemos iguais? — Todos? — Katie franziu a testa por um momento e depois engasgou com o entendimento. — Eu nunca pensaria isso. Eu não sou ignorante. Eu sei que nem todos os cubanos são parecidos. Chuito estreitou os olhos escuros para ela. — Eu sou porto-riquenho. Katie fez uma careta, ouvindo o insulto em sua voz. — Sinto muito, eu assumi desde que era de Miami e.... — Parem, — Jules murmurou baixinho. — Sinto muito, mas não tive a intenção. —, Katie estalou quando se virou para Jules. — Ele está tentando me deixar desconfortável de propósito para que eu deixe para lá. Ele está me intimidando. Eu sei, porque eu era casada com um homem


que costumava fazer isso o tempo todo. — Ela virou-se para olhar para Chuito. — Eu não me importo se você me intimida. Eu não vou deixar você ganhar. — Chica12, eu não estou intimidando você. Eu estou dizendo a você para deixar pra lá. Esqueça essa coisa sobre o Marcos. Tenho certeza de que ele não lhe deu o seu número após o acidente. Eu não sei o que ele disse a você naquela noite, mas deixe pra lá. — A risada de Chuito era amarga. — Você não é a primeira mulher a se apaixonar por esse babaca. — Você disse a ele que eu estava perguntando sobre ele? —, Perguntou Katie, não tendo certeza de qual resposta queria ter. — Ele sabe que eu ainda tenho o casaco? — Por que você não me dá o casaco e eu vou entregá-lo de volta para ele? — Chuito sugeriu, seu tom ainda mordaz e sarcástico. — Desde que isso é tão importante para você. Katie bufou. — Não é possível. Chuito murmurou alguma coisa em espanhol baixinho e olhou para o ventilador de teto no escritório de Jules. — Esta merda só poderia acontecer com Marcos. Esta é a razão pela qual ele tem transado desde que tinha treze anos. Inacreditável. — Treze? —, Repetiu Katie em descrença.

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Menina


Ela olhou para Jules em confirmação, vendo que ela tinha um olhar de surpresa em seu rosto também. — Você é um mentiroso—, Katie decidiu quando ela se virou para Chuito. — E eu não gosto de você. Jules riu, mas depois tossiu quando Chuito empertigouse em toda sua altura, obviamente, ofendido. Jules limpou a garganta e disse com sinceridade: — Olha, Chuito, você não pode só... — Não, eu não posso. Marcos está tentando esquecer o acidente. — Seus olhos ainda estavam estreitos em Katie. — A última coisa que ele precisa é de um telefonema seu. — Bem, e se Katie lhe der o número dela? Katie suspirou e voltou-se para Jules. — O quê? — E ele poderia dar a Marcos, — Jules terminou diplomaticamente. — Isso é um compromisso justo. — Bem—, Katie considerou. — Talvez. — Não— Chuito sacudiu a cabeça. — Eu não quero ter nada a ver com essa gringa. Katie

endireitou-se

na

cadeira

e

olhou

para

ele

diretamente do jeito que Marcos disse a ela para fazer. — Por que você acha que não há problema em me insultar? — Não é.... - Chuito iniciou e depois parou. — Você sabe do que mais, não importa. Acredite que é um insulto. — Ele


revirou os olhos como se ela fosse completamente ignorante e se virou para sair. — Até mais tarde, Jules. — Chuito... Jules chamou por ele e caminhou até a porta de entrada. — Não—, ele repetiu quando agarrou sua jaqueta fora do carrinho pela porta da frente. — Faça a sua amiga um favor e apresente-a a um cara legal, que frequente a igreja aqui em Garnet. Peça Alaine para ajudar. Ela conhece muitos. Como na sugestão, a assistente de Jules, Alaine, abriu a porta da frente. Ela tinha uma pilha de papéis em seus braços como se tivesse acabado de voltar do tribunal. Alaine deu a Chuito um sorriso confuso. — Ajudar com o quê? Ele fez uma pausa, olhando para a ruiva bonita e considerando-a por um longo momento. Quando falou, seu tom era mais suave, agradável de uma forma que Katie não teria pensado possível. — Ajudá-la a ficar longe da vista de hijos13 da puta como eu.

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Filhos


Capítulo Quatro Miami Este armazém era de longe, o favorito de Marcos. Ele ficou muito triste quando inevitavelmente o perdeu para a operação policial porque era um lugar tranquilo para se passar o tempo. Los Corredores o tiveram por mais de três anos e Marcos, sempre sarcástico, lamentava o seu eventual fim até agora. Os andares superiores foram convertidos em quartos. Dois dos quartos tinham luz negra. Um tinha uma mesa de pebolim14. Não havia aquecimento ou ar central, mas eles tinham unidades de janela e aquecedores. TVs de tela plana, sofás de couro e um monte de cantos escuros. Às oito horas Marcos tinha dois copos de rum com CocaCola e quatro diferentes números de telefone no bolso. Por que diabos ele estava evitando isso de qualquer maneira? Ele convenientemente esqueceu os inocentes olhos arregalados de Katie Foster e seu sangue em suas mãos. Em vez disso, ele dançou com Mia Fuentes, que era um novo rosto e da sua

14


idade, quando ultimamente as meninas ficaram cada vez mais jovens no armazém. Naturalmente, a maioria dos caras eram mais jovens do que ele também. Aos vinte e seis anos, ele deveria ter sido morto ou preso. Não havia muitos da sua idade na gangue. Era melhor esquecer a imagem de Katie Foster na noite do acidente, mas o rum acabou com o senso comum. Mia tinha belas curvas. Marcos nunca gostou das magras e ela tinha uma bunda grande. — Eu já ouvi coisas sobre você. Eles dizem que você é diferente—. Mia se inclinou para ele quando a música ficou suave e sensual. Ela apertou os lábios contra a curva de seu pescoço. — Diga-me o porquê. Marcos riu, porque ele sabia o que ela ouviu. — Minha mãe me criou com boas maneiras. — Ele olhou para as estrelas conforme os dois dançavam sobre a laje plana de cimento por trás do armazém. — Ao contrário do resto destes idiotas, eu respeito as mulheres. É isso aí. Seu sorriso era largo e divertido. — Você sabe flertar. — Sim, às vezes—, ele concordou e devolveu o sorriso. — Se você precisar de um lugar para dormir esta noite, eu poderia ajudá-lo. Estou ficando aqui agora. Ele ergueu as sobrancelhas. — Você está?


— Eu tenho ajudado Angel a regularizar os carros que roubam e obtive o melhor quarto. — Eu ouvi que ele está recebendo um monte de carros de luxo. Achei que estivesse tirando partes do carro e não vendendo como estão. — Marcos não conseguiu esconder sua surpresa. — Como você regulariza os títulos? — Digamos que você compra no ferro velho do Gus um Mercedes Benz que deu perda total em um acidente. Tudo que você tem que fazer é roubar um que é da mesma marca e ano, mudar os números do chassi dos carros, obter o documento do carro que deu perda total, alterar para seu nome e você tem um carro novo, limpo para vender. — E você faz tudo isso? Faz toda a papelada e torna o carro legal? — Marcos estava seriamente impressionado porque isso parecia uma tarefa muito complicada. — Eu passo metade do meu tempo no DMV, —ela disse confiante. — Não é à toa que você tem o quarto mais bonito. — Marcos se afastou, em silêncio, pensando nisso. Ele ouviu falar de organizações tão elaboradas como esta, mas não sabia que os Los Corredores tinham ultrapassado a linha de apenas desmanchar o carro em peças. — Ele consegue um bom dinheiro por eles? — Sim, agora nós estamos lidando principalmente com carros de luxo. Temos compradores que vendem no exterior.


— Será que os compradores sabem que está frio15? — Sim, mas eles não dão a mínima. Uma vez que estão fora do país, isso realmente não importa. Papelada à parte, era um assunto delicado trabalhar em um carro que você queria vender em vez de desmontá-lo. Carros de luxo foram concebidos à prova de ladrão. Roubar era uma coisa, torná-los legal era outra. Não havia muitos que conseguiam fazer isso de forma eficaz. — Quem é que altera os chassis para ele? —, perguntou, antes que pudesse se conter. — Espero que você. — Angel agarrou o ombro de Marcos quando ele se aproximou. — Estou cansado de Luís foder com eles. Marcos virou-se para ele com horror. — Você está deixando Luís mexer em um veículo de luxo? Angel deu de ombros. — Ele é o único que sabe onde encontrar os chassis. Como um amante de carros finos, Marcos não podia deixar de estremecer com a ideia de Luís invadir algo brilhante e novo. Ele soltou Mia e sacudiu a cabeça para Angel. — Estás del carajo16. Ele é o pior para fazê-lo. Ele é muito impaciente.

15

Aqui se refere ao carro ser roubado ainda que os documentos pareçam legais.

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Você está louco!


— Então volte. — Angel levantou uma mão como se fosse óbvio. Seu olhar estava afiado e calculista, seus largos ombros tensos

tornando-se

óbvio

que

ele

não

esperou

tão

pacientemente para Marcos superar a sua crise de moralidade e voltar. — Você pode ficar aqui se quiser. Aposto que Mia não se importaria de dividir seu quarto. Ela é minha prima, sabe? Acabou de se mudar para a ilha há alguns meses, mas é inteligente. Tem um diploma universitário e tudo. Prateleira de cima. Melhor do que essas putas que você está acostumado. Marcos olhou para Mia, cujo olhar era tão calculista como o de Angel. — O que acha? —, Ele perguntou para Mia, curioso, porque não deixaria Angel vender sua prima ao primeiro pau que poderia ajudá-lo a ganhar mais dinheiro. — Você realmente quer dividir um quarto com um idiota como eu por um trabalho? — Não é sobre os números dos chassis. Esse é problema dele.— O olhar de Mia correu Marcos lentamente. — Como eu disse, eu ouvi coisas. Eles dizem que você é bom em todos os tipos de trabalho. — Cara, você deveria ter visto esse pendejo quando éramos mais jovens. — Angel riu e se virou para Mia. — Ele tinha todas as meninas de Miami atrás dele. Sua mãe mudou o seu número de telefone cinco vezes quando ele estava no ensino médio. Provavelmente mais do que isso quando nós estávamos no colegial.


Marcos já estava se sentindo um pouco bruto e ele não confiava em Angel. Eles foram amigos quando eram mais jovens, mas algo mudou após o Ensino Médio. A ganância consumiu a Angel um pouco mais do que o resto deles. Marcos tinha certeza que ele faria qualquer coisa e venderia tudo a qualquer um por dinheiro suficiente e não confiava nele por um longo tempo por causa disso. — Não fale sobre a minha mãe—, Marcos avisou antes que pudesse se conter, quando o lado sombrio e perigoso de sua juventude, de repente, veio à tona. — Você sabe que não tem nada que falar sobre ela, cabrón17. Os ombros de Angel ficaram tensos e Marcos meio que esperou ele atacar. Ele saudou-o, percebendo apenas agora que o sexo ou a bebida não eram a saída que precisava. Ele queria lutar. Ferir alguém até sangrar porque estava muito cansado de sua vida sem opções. De repente, ele não queria fazer a coisa toda com Mia mais do que queria fazer com Angel. Ela era bonita, mas ele percebeu agora que ela era tão fria e calculista quanto seu primo. Teve o impulso inesperado de tomar banho e lavar o seu toque ao invés de ficar lá. — Eu ouvi o que aconteceu—, Mia interrompeu antes que Angel pudesse dizer algo estúpido. — Sinto muito por sua mãe.

17

Bastardo


— Foi uma noite ruim, — Angel confirmou e, em seguida, respirou fundo, como se lembrasse o quão ruim aquela noite foi. — Eu sinto muito, assunto delicado. Entendi. Marcos respirou também, sabendo que o rum com CocaCola, provavelmente, chegou nele. — Eu tive um dia ruim. Talvez eu esteja apenas procurando por uma luta. — Ei, eu tenho pessoas com que você pode lutar. — Angel riu, a tensão se esvaindo tão facilmente como quando tudo começou. Ele virou seu braço, mostrando a Marcos a tatuagem de cobra que combinava com a sua, como um lembrete. — Mas nós somos irmãos. Los Corredores precisam ficar juntos, certo? Olhe para Chuito, ele ainda é meu irmão, mesmo com todo o dinheiro e essas merdas, eu vou estar em sua próxima luta. Primeira fila. Nós contra o mundo, certo? Marcos hesitou, não tendo mais certeza sobre a fidelidade. Eles estavam obviamente em algo muito mais profundo do que um grupo de adolescentes que roubam carros. Foi mais do que isso por um tempo agora. O jogo tornou-se mortal a noite que Juan morreu. Na mesma noite que sua mãe morreu. Inconscientemente, Marcos esfregou seu braço, sentindo a tatuagem de cobra como uma marca, assim ele concordou em piloto automático, — Certo.


— Você quer outro rum com coca? — Angel perguntou dando-lhe um sorriso largo. — Eu acho. — Marcos concordou, porque sabia que não iria dirigir para qualquer lugar. Poderia muito bem ficar bêbado. Ele certamente poderia. — Sim, porque não? — Mia. — Angel apontou para a porta dos fundos do armazém. Por um longo momento, Mia deu a seu primo um olhar de raiva. Então, olhou para Marcos com um olhar quente mais uma vez e, em seguida, virou e saiu. Marcos a observou ir, seus quadris balançando, a saia que usava agarrando-se em todos os lugares certos. Estranhamente, uma imagem de Katie Foster veio à sua mente com seus olhos inocentes, pele pálida, aqueles cachos castanhos e macios. Ele se perguntou como sua bunda ficaria em uma saia assim. Então, balançou a cabeça e culpou o rum. Ele não merecia uma garota como Katie Foster. Nem mesmo perto. — Ela quer você. — Angel agarrou o ombro de Marcos, sacudindo-o de brincadeira. — Huh? — Marcos franziu a testa para ele, seus pensamentos ainda em Katie. — Isso mesmo. — Angel apontou para sua prima. — Ela não busca nada para ninguém. Nem sequer para o seu papi, mas está buscando uma bebida para você.


Isto foi muito estranho. Era quase como se Angel estivesse tentando empurrar sua prima para Marcos. Como o dinheiro não funcionou para atrair Marcos de volta para o fundo do poço da vida de gangue, Angel deve ter pensado que boceta faria o truque. Boceta de primeira qualidade com um cérebro e bunda. Ninguém poderia dizer que Angel não era bom no que fazia. Era observador e obviamente sabia do que Marcos gostava, e não era das garotas de dezenove anos de idade sem cérebro penduradas nele todas as noites. Marcos ainda estava contemplando-o quando seu celular tocou. Ele enfiou a mão no bolso e tirou seu telefone, vendo o rosto de Chuito na tela. — Desculpe, é meu primo—, ele murmurou para Angel e respondeu ao seu telefone. —Hola?

18

— Eu quero que você me diga, parte por parte, que porra você disse para essa gringa Katie Foster no dia do acidente. Essa era a última coisa que Marcos estava esperando ouvir, para não falar da hostilidade na voz de Chuito, uma vez que os dois foram tão próximos como irmãos desde o nascimento. — Desculpe-me? — Ele fez uma careta, pensando que ouviu errado. Quando Mia lhe entregou outro rum com coca, se inclinou e beijou sua bochecha. — Gracias19.

18

Alô

19

Obrigado


— Onde você está? — Numa festa. — Onde? — A suspeita era profunda na voz de Chuito. Marcos tomou um gole de sua bebida, muito consciente de Angel e Mia em pé ao lado dele. — Que história é essa de Katie Foster? Chuito ficou em silêncio por um longo momento, tornando-se óbvio que ele ouviu o que Marcos não poderia dizer. — Você é um idiota. Marcos respondeu a acusação de Chuito dizendo, — Eu perdi meu emprego hoje. Chuito estava calmo de novo, antes de sussurrar: — Eu disse que ia dar-lhe dinheiro. Marcos tossiu e amaldiçoou em espanhol antes de acrescentar, — Vá se danar. — Você está bêbado. — Eu estou tentando chegar lá—, Marcos confirmou. — E estou trabalhando em algo. — Piscou para Mia, mesmo quando o seu estômago se embrulhou quando fez isso. Ele não bebeu o suficiente, mas sabia que agora isto era o melhor que a vida ia ficar. Nenhuma consideravelmente doce menina como Katie e nenhum trabalho honesto. Ele poderia muito bem aceitar seu destino. — Você pode chegar ao ponto?


— Hijo de la gran puta20! — Chuito soou mais que irritado quando a risadinha de Mia chegou aos seus ouvidos. — Isso é o que te colocou em todo este problema, para começar. Eu não sei o que você disse para aquela pobre chica21, Katie Foster, mas ela está me enchendo o saco para ter seu número. Ele ergueu as sobrancelhas, perguntando-se por um momento se o destino estava tentando enviar-lhe uma mensagem diferente e levantou o copo para Mia. — Un momento22. Marcos foi até o ferro-velho atrás do armazém, olhou para as carcaças de carros desmontados e sussurrou ao telefone, — Diga-me. — Diga-me que festa, primeiro. — Chuito mudou para Espanhol, tornando-se óbvio que ele estava em algum lugar público. Provavelmente, a Adega. Ele sempre se exercitou à noite. A vida antes de se mudar para Garnet, o tornou em um cara da noite. Ladrões de carro não trabalham de manhã. — Estou no armazém, — Marcos admitiu, também falando espanhol. — Angel está aí? — Sim, eu estava falando com sua prima antes de você decidir arruinar a minha noite. — Você vai transar com a prima de Angel? Que diabos? 20

Filho da puta

21

Menina

22

Um momento


— Considere isso como um benefício adicional. Eu vou acabar trabalhando aqui de qualquer maneira. — Eu pensei... — Você pensou errado—, Marcos interrompeu-o antes que ele pudesse começar uma palestra. — Eu perdi meu emprego porque os tiras estavam afiançando Sebastian, desde que comecei. Luta e funilaria são as duas únicas coisas que eu sei na vida, e não posso começar um trabalho honesto fazendo qualquer um deles. Que porra você quer de mim? Eu tentei. — Eu quero que você tente mais duro. — Sim, você com certeza quer. — Marcos tomou outro gole de rum e Coca-Cola, permitindo a queimação alimentar sua raiva. — Angel me disse que você deu-lhe bilhetes da primeira fila para a luta. Você nunca me deu bilhetes para a primeira fila, filho da puta. — Eu não lhe dei os bilhetes. — Chuito soou enojado. — Ele deve ter comprado. Marcos fez uma careta, sabendo que era um assunto sensível. Ninguém queria desvencilhar-se dos Los Corredores mais que Chuito. Ele até se mudou para uma cidadezinha no meio do nada, antes de Garnet tentando fugir. Não resultou tão bem. — Você quer bilhetes na primeira fila? — Chuito soou um pouco envergonhado, percebendo que ele não podia estar enchendo o saco de Marcos, quando ele mesmo estava todo enrolado. — Eu não acho que tenho que perguntar isto, mas...


— Apenas me diga sobre a gringa. — Marcos tomou outro gole. — Por que ela quer o meu número? Disse a ela que estou quebrado? Se ela pensa que processando-me vai conseguir alguma coisa... — Eu pensei que era isso que ela queria no início, — Chuito começou, tornando-se óbvio que ele suspeitou como Marcos. — Mas não acho que seja isso. Ela tem usado o seu casaco por toda a cidade, e hoje a ouvi dizer a Jules que tem estado colocando mensagens para você no craigslist. — Que tipo de mensagens? — Marcos tirou os fones de ouvido de seu bolso. — Espere, deixe-me dar uma olhada. Ele conectou seus fones de ouvido para poder olhar no seu telefone e falar com Chuito ao mesmo tempo. Digitou craigslist no campo de busca e esperou o resultado da pesquisa. — O que vocês dois falaram naquela noite? —, Perguntou Chuito, claramente tentando preencher o silêncio. — Eu não me lembro—, Marcos mentiu, porque ele relembrava cada momento daquela noite um milhão de vezes em sua cabeça. Ele ainda estava olhando para o telefone, agora folheando as dezenas de categorias no craigslist. — Onde você acha que ela iria colocar a mensagem? — Eu que sei? — Ela não disse? — Não, ela apenas disse a Jules que está postando mensagens no craigslist e que cada pessoa estranha em Miami


está respondendo a ela. Isso tem que significar alguma coisa pessoal ou algo assim, certo? Marcos foi para pessoal. Ele ficou em silêncio por um longo tempo, e Chuito apenas deixou-o fazer a busca. Seus olhos se arregalaram quando ele olhou através delas. — Você já viu a merda que tem aqui? — O que você disse a ela naquela noite? Sério. Tente lembrar-se. Marcos suspirou, seu olhar ainda em seu telefone, mas ele tentou resumir a conversa para seu primo. — Eu disse que sentia muito por bater nela. Ela disse que não foi culpa minha. Eu lhe disse que provavelmente iria preso por dirigir alcoolizado. Pensei que iria fazê-la se sentir melhor sabendo que eu ia me ferrar também, mas ela disse-me para fugir. Como se isso fosse me tirar de lá. Eu já tinha ligado para o 911. Eu estava apenas fazendo companhia. Não é como se estivesse me entregando ou qualquer outra coisa. — Então eu não entendo. — Que tipo de mensagens você acha que ela está postando para mim? Este não pode ser o lugar certo. Existe outra seção? — Marcos estava tendo muita dificuldade em imaginar que uma

mulher como

Katie

Foster estaria

interessada nele para outra coisa que não fosse pagar para arrumar seu carro. — Tem que ser dinheiro. Ela sabe que você é rico. Ela provavelmente acha que você vai dar dinheiro a ela se tentar processar.


— Eu não acho que isso seja por dinheiro. Acho que ela está interessada em você. Ele riu, incrédulo. — Bem que eu queria. — Marc... — Eu realmente queria—, Marcos confirmou sem remorso, percebendo então que estava mais bêbado do que pensou, por admitir em voz alta para Chuito algo que ele não queria admitir para si mesmo. Ele estava tentando viver uma vida honesta pelos últimos quatro meses simplesmente pela memória de uma mulher que passou cinco minutos com ele. — Você sabe que ela é uma professora do Ensino Médio? O sorriso de Marcos ficou enorme. — Onde estavam as professoras como essas quando estávamos na escola? Chuito resmungou com desgosto. — Há algo de errado com você. — Eu gosto das gringas. — O sorriso de Marcos ficou ainda maior, embora isso não tenha sido verdade antes de Katie entrar em sua vida. Ele voltou a olhar para seu celular em vez de analisar como uma gringa podia mudar sua preferência tão completamente. — Eu preciso de ajuda com isso. Mia! — Quem é Mia? — Prima de Angel.


— Você está indo pedir para uma mulher ajudá-lo a procurar um anúncio que outra mulher está postando pra você no Craigslist? Que diabos? — Não é como se fosse esse tipo de mensagem. Não havia nenhuma maneira dele acreditar que Katie Foster, com aqueles olhos inocentes, estava remotamente interessada nele, mas ficou intrigado o suficiente para pedir que Mia ajudasse com o craigslist. Mia se aproximou com as sobrancelhas erguidas com curiosidade. — Ok. — Marcos virou para Mia e explicou: — Esta gringa Katie Foster com quem eu tive um acidente por volta de janeiro está supostamente enviando mensagens para mim no craigslist. Sabe onde encontrá-las? Mia pegou o telefone dele e olhou para os lançamentos craigslist na tela. — Que tipo de mensagens? Marcos deu de ombros. — Chuito diz que ela está tentando conseguir o meu número, mas ele não daria a ela. Ela provavelmente quer dinheiro, certo? — Ela não iria postar algo no Craigslist se ela está à procura de dinheiro. Talvez ela goste de você. — Sim, certo. — Marcos riu enquanto Mia começou a olhar através craigslist em seu telefone. — Ela é desse lugar, Garnet, onde meu primo Chuito treina que é uma cidade do


interior. Ela provavelmente pensa que vai sujar as mãos se tocar em um cara como eu. Mia olhou para cima e sorriu. — Eu não me importaria de sujar as mãos com você. — Obrigado, chica. — O tom de Marcos foi encorajador, mas ele desviou o olhar, em vez de encontrar o dela. Chuito tossiu. — Você sabe que eu ainda estou no telefone, certo? — Sim, eu sei. — Marcos apontou para os fones de ouvido quando Mia olhou para cima. — Meu primo. — O lutador? — Sim. — Legal. — Mia levantou as sobrancelhas enquanto continuava a olhar a página através de seu telefone. — Eu poderia ir com Angel para ver a luta. Ele comprou doze bilhetes. Chuito amaldiçoou, tornando-se óbvio que ele ouviu o que Mia disse. — Alguma coisa? —, Perguntou Marcos, esperando que ela não tivesse ouvido Chuito através dos fones de ouvido. — Eu estou olhando na Missed Connections23. As mulheres adoram Missed Connections. — O que é isso?

23

É um tipo de propaganda pessoal que surge depois de duas pessoas se verem ou se cumprimentarem brevemente, mas serem demasiados tímidos ou incapaz de puxar conversa.


— Minha irmã gosta de ler eles. Às vezes, são românticos. Marcos bufou. — Você provavelmente está no lugar errado. — Aqui está. — Mia ergueu o telefone. Marcos iria perguntar como ela sabia que a mensagem era para ele quando Mia devolveu o telefone, permitindo-lhe ver por si mesmo porque estava tão certa. Homem com tatuagem de cobra incomum que — veio— contra mim na véspera do Ano Novo em Garnet. A cobra em seu antebraço direito é roxa e preta, com várias gotas em vermelho que decoram o corpo enrolado. A tatuagem provavelmente é um trabalho em andamento, como o resto das gotas vermelhas, as escamas não foram preenchidas. Se este é você, por favor responda a mensagem. Você foi muito gentil comigo naquela noite, a conversa me mudou para melhor. Suas ações encorajadoras me ensinaram a ser uma mulher mais valente e eu adoraria ter mais uma chance de falar com você e agradecer. Além disso, você me deu algo seu. Por favor responda-me e terei o prazer em devolvê-lo para você. Ele ficou em silêncio depois que terminou de ler, desejando agora que não tivesse deixado Mia ajudá-lo. Podia sentir seu olhar sobre ele e isso o deixou mais do que um pouco desconfortável. Sua respiração estava engatada em seu peito. Ele limpou a garganta e empurrou de lado a onda de luxúria que surgiu através dele, por ter visto ali em preto-e-branco que


algo sobre aquela noite marcou Katie, tanto quanto o marcou. Parecia um pequeno golpe de sorte, quando ele lidou com nada além de negatividade por um longo tempo. Ele sabia instintivamente que esta ligação era perigosa para ambos. Chuito nunca deveria ter dito a ele sobre isso porque Marcos estava sentindo mais do que um pouco precipitado e imprudente desde que perdeu seu emprego. — Por que ela iria mencionar sua tatuagem dos Los Corredores em um anúncio público? Isso não é como colocar um alvo nas suas costas? —, Perguntou Mia. — Ela mencionou sua tatuagem? — Chuito engasgou. — Leia para mim. Marcos lia para ele, ainda sentindo Mia parada ali escutando. Quando ele terminou, Chuito amaldiçoou e, em seguida, disse: — Que porra é essa que você disse naquela noite? — Nada. — Marcos não conseguiu descobrir isso também, embora ele ainda estivesse secretamente pensando sobre ela. Ele não ia deixar Chuito saber disso. Ou Mia, então apenas deu de ombros. — Eu liguei para o 911. Apenas esperei a polícia chegar lá. Eu não fiz nada. Mia sorriu, embora seu olhar estivesse penetrante e astuto de uma forma que deu arrepios em Marcos quando ela perguntou, — Você irá responder?


— Claro que não. — Marcos bufou, tentando convencerse mentalmente disso. — Eu não deveria sequer estar olhando para isso, e muito menos respondendo. — Não é ilegal ter uma tatuagem. Mia não parecia tão preocupada, mas ela também não passou a maior parte de sua vida fugindo da justiça. Ele devia estar bravo com Katie por isso, mas não estava. Ela não podia saber o que postar sobre a tatuagem significava. Ela estava completamente por fora da realidade de Marcos e essa era mais uma razão para esquecer a postagem e voltar a beber para afastar a dor que sempre infligia a sua vida. Ele queria ler mais, para ver se Katie postou qualquer outra coisa, mas estava muito ciente de onde e com quem estava. — Seja como for, — ele disse, seu olhar sobre Mia quando forçou um sorriso. — Você quer terminar essa dança? O sorriso de Mia era largo e satisfeito. — Claro. — Ela jogou o cabelo, olhando triunfante. — Você vai simplesmente ignorá-la? — Chuito bufou. — E me deixar lidar com o seu problema? Que porra, Marc? — Eu te ligo mais tarde. — Marcos clicou no botão em seus fones de ouvido para terminar a chamada e, em seguida, inclinou a cabeça para onde os outros foram dançar sob as estrelas. — Vamos, chica. Ele deixou Mia liderar o caminho, esperando até que ela estivesse de costas para puxar o telefone do bolso e mandar


uma mensagem para Chuito antes de seu primo ficar irritado e começar a chamar de volta. Não se preocupe, bro. Eu cuidarei disto.

Marcos conseguiu escapar das garras de Mia com a desculpa de que estava muito bêbado para dar a ela a noite que merecia. Felizmente para ele, Mia era o tipo de mulher que queria que seus homens dessem cem por cento quando cuidasse do seu — trabalho. Então, Marcos terminou em um sofá no armazém. Ficou ali as primeiras horas da manhã, lendo as outras mensagens que Katie postou em Missed Connections. Havia dezenas e dezenas delas, e nenhuma quantidade de rum e coca poderia fazer com que ele fechasse os olhos, agora que ele sabia onde encontrar as mensagens. Todas elas tinham o mesmo slogan, mas variavam drasticamente. Algumas iam direto ao ponto de forma profissional, mas outras eram íntimas e vulneráveis. Marcos releu uma em particular e outra vez, sentindo-se cair sob o feitiço de Katie, mesmo que tudo nele soubesse que isso era um erro.


Eu pensei em você todos os dias desde o acidente, mas esta noite sonhei com você pela primeira vez. Eu estava tão decepcionada quando acordei que decidi escrever-lhe outra mensagem, mesmo que seja no meio da noite, e você provavelmente nunca vai vê-la de qualquer maneira. No meu sonho, estávamos na praia em Miami. Nós dois estávamos felizes e não havia uma onda de má sorte para nenhum de nós. Eu disse que nunca vi o mar. Você riu, e era um som tão bom. Agora estou deitada aqui pensando se você ri muito na vida real ou se os seus dias estão como os meus, com tão pouco para sorrir. Talvez seja por isso que eu não consiga perder a esperança de que um dia vamos nos falar novamente. Não consigo parar de pensar que talvez dois negativos possam tornar-se um positivo. Pensar que juntos, mesmo algo tão terrível como um acidente de carro possa ser bonito. O que você acha? Era uma boa teoria, se não completamente ingênua. Marcos tentou imaginar nunca mais ver o oceano e não podia sequer imaginar não gastar pelo menos um dia na areia, ouvindo as ondas e sentir o sol em suas costas. Então encontrou-se fantasiando sobre a imagem de Katie em Porto Rico. As praias da ilha eram mais íntimas do que as de Miami, livre das hordas de turistas. Com o rum ainda persistente em seu sistema, ele queria acreditar em sua teoria. Que na pequena cidade de Garnet, havia uma gringa bonita com a capacidade de transformar a


sua vida negativa em uma positiva. A coisa mais estranha sobre a fantasia era que enquanto ele estava deitado ali no sofá em um desmanche ilegal, o que mais queria era a chance de mostrar a Katie o mundo. Para ver sua risada. Para assistir aqueles grandes olhos castanhos inocentes acender com diversão e saber que ele foi o único a dar isso a ela. Então começou a perguntar-se como esse olhar suave pareceria nublado na paixão. Duas forças negativas não têm que se juntar para criar a força positiva? Ele imaginou aquelas coxas pálidas em torno de sua cintura, os seios macios pressionando contra seu peito e teve de ajustar-se em seu jeans quando seu pau ficou muito duro. Estava disposto a apostar que seus mamilos tinham um tom rosado, assim como a cor de suas bochechas no frio, e criou uma imagem muito sexy em sua mente. Parecia uma verdadeira vergonha que ela estivesse sozinha o suficiente para postar notas para um bandido como ele na Missed Connections. Esta merda de craigslist estava deixando-o muito frustrado. Ele poderia subir e encontrar o quarto de Mia mas ao invés disso decidiu mandar um texto para Chuito. Indo para Garnet. Vou cuidar da situação da gringa quando eu chegar lá. O que ele não disse para Chuito era que queria mais que uma chance também, mas não se atreveu a responder ao post de Katie e principalmente com a menção de uma tatuagem de


gangue na internet. Miami PD24 sabia como uma tatuagem dos Los Corredores era, mas não havia nada impedindo-o de responder a ela pessoalmente. Ele precisava de uma distração da vida de gangue que sempre o puxava de volta, não importando o quão duro ele batalhava, e, infelizmente para Katie Foster, ela acabou de indicar uma distração. Chuito

mandou

uma

mensagem

de

volta

quase

imediatamente, embora tivesse passado das quatro da manhã. Péssima ideia. Me ligue quando estiver sóbrio. Marcos sabia que seu primo provavelmente estava certo, mas em vez de responder, voltou a reler as mensagens de Katie em Missed Connections até o sol nascer. Ele estava ligado e sentia-se vivo de uma forma que era mais do que um pouco incontrolável para um viciado em adrenalina como Marcos. A raiva por ter perdido seu emprego evaporou sob as ondas de luxúria criada ao ler todas essas mensagens em Missed Connections. Ele continuou esperando o momento no qual a realidade iria chegar, e sabia que era uma má ideia testar a teoria de Katie. Em vez disso, encontrou-se indo em sentido norte da I-75 ao meio-dia. Ele não mandou uma mensagem de volta para Chuito.

24

Departamento de polícia de Miami


Capítulo Cinco Garnet Country Katie estava desgastada. A sexta-feira antes das férias da primavera deixou as crianças distraídas e estressadas. Elas estavam contando os minutos para o recesso e realmente não foi útil lecionar história. Enquanto se dirigia para o carro, Katie percebeu que estava tão pronta para as férias de primavera como os seus alunos. Uma das pequenas vantagens de ser uma professora. E ela planejava comemorar com um longo banho, um copo de vinho e um bom livro. Tinha uma pilha de romances históricos à espera para serem lidos, e se tivesse sorte, o que ela escolhesse seria tão bom com o sexo como seria com a precisão histórica e a história nerd faria seu coração disparar. Uma menina tem que sonhar um pouco. — Katie girl 25.

25

Expressão originária do seriado Sex and the City: existem dois tipos de mulheres as simples e a Katie girl, aquela impossível de ser domada. https://www.youtube.com/watch?v=b4BTbzQaS6Y


Katie gemeu e se recusou a virar-se enquanto caminhava para seu carro. Em vez disso só levantou a mão, dando um aceno para trás, para o ex-marido. — Espera. — Grayson veio por trás dela com seus mocassins clicando no asfalto. — Você não me disse o que está planejando para as férias. — Foi de propósito. — Katie arqueou uma sobrancelha quando ele ficou na frente dela, bloqueando seu caminho para seu carro. — Se divorciar significa que não tenho que responder a você. Grayson se irritou com isso. Seus olhos se estreitaram, tornando-se óbvio que o dia escolar o desgastou tanto quanto ela. — Por que você tem que ser assim quando estou tentando ser legal? Eu iria pagar o jantar. — Grayson! Katie olhou em direção à beira do estacionamento, vendo Ashley, a treinadora das animadoras de torcida inclinando-se contra a cerca do campo de futebol e acenando para Grayson. Katie não sabia o porquê, mas parecia que ultimamente a loira alegre se encontrava por perto sempre que Grayson fazia o seu rastejar diário. — Por que você não vai comprar o jantar dela? —, Katie sugeriu, incapaz de disfarçar a esperança em sua voz. — Ela está sempre atrás de sua atenção e ri de tudo o que diz nas reuniões, mesmo quando não é engraçado. Em vez de responder à sugestão, Grayson olhou para o campo de futebol.


— Mais tarde, Ashley! — Meu carro não quer pegar! — O carro dela não quer pegar—, repetiu Katie, dando a Grayson um largo sorriso. — Vá ser um herói. Grayson

agarrou

seu

braço,

obviamente,

não

se

divertindo com seu sarcasmo. — Estou cansado de suplicar, Katie girl, e eu estou cansado deste jogo que você está jogando com as nossas vidas. Katie puxou seu braço, tentando tirar de seu alcance. — Me solta! — Você sabe como as pessoas desta cidade olham quando alguém tem um divórcio. Eles ainda estão falando sobre isso. Você precisa vir para casa agora, e nós precisamos voltar a viver as nossas vidas. Juntos. As pessoas olham para mim como um perdedor desde que nós terminamos e eu estou cansado disso. — Oh, por que é que você não me larga? — Katie riu amargamente. — Eu não ligo para o que as pessoas nesta cidade pensam. — Eu ligo. — Eu sei. — Katie puxou seu braço novamente. — Essa é uma das razões pelas quais eu não queria estar casada com você. Tudo o que sempre importava era o que os outros pensavam. A casa perfeita. A esposa perfeita e obediente. Algum dia os filhos perfeitos para atormentar com essa ilusão.


— Não é uma ilusão—, Grayson virou-se para ela e inclinou a cabeça em direção ao campo de futebol. — Nós somos melhores que eles. Nós somos mais espertos. Nós fazemos melhores escolhas na vida. Cristo, eu tenho mais na minha conta do mercado monetário do que a maioria das pessoas nesta cidade poderia sonhar. Pago mais em impostos do que, provavelmente, ganham em um ano. Irei me aposentar em dois anos apenas com meus investimentos. — Todo mundo fala sobre todos. Não apenas aqui, mas em todos os lugares. É da natureza humana. — Katie tentou soltar o braço novamente e deu-lhe um olhar de pena. — Pare de se preocupar sobre o que pensam e apenas viva a sua vida. Essa obsessão em ser o melhor, vai fazer você miserável. Ela estava me deixando miserável também, até que percebi que não tinha que ter essa vida se não quisesse. — Você não é exatamente um dez, Katie. — Grayson riu cruelmente, lembrando Katie o motivo pelo qual o deixou para começar. — Ninguém vai te amar por sua mente como eu, não nesta cidade. Eu sou sua melhor opção e não entendo porque você fez isso com a gente. — Eu acho que ela é um dez, — um homem disse por trás deles. Arrepios percorreram a pele de Katie, e ela não tinha certeza do porquê, até que virou o pescoço para olhar na direção da voz baixa e máscula. Seu corpo deve ter reconhecido o que sua mente não tinha porque Marcos Rivera estava caminhando para eles usando óculos escuros e um boné de


baseball, mas era inegavelmente ele. Ela podia ver a cobra no braço. Ele parecia maior que a vida sob o sol do fim de tarde com aqueles ombros impossivelmente largos e grandes, bíceps agrupados cobertos de tatuagens tribais. Ela não pôde deixar de notar que cada centímetro dele parecia estar ferido, tenso e pronto para saltar, como um tigre perseguindo sua presa. Ela piscou, compreendendo pela primeira vez todos os avisos que Jules deu em relação a Marcos. Este não era o simpático, anjo bonito do local do acidente. Este Marcos parecia mortal. Ele tirou os óculos escuros quando parou na frente deles. Seu olhar pousou sobre o aperto de aço que Grayson ainda tinha em seu braço. — Esta é a parte em que você à solta. — Desculpe-me? — Grayson resmungou com aquela arrogante e irritante voz dele que sempre constrangeu Katie quando a usava em público, geralmente direcionada a alguém que estava estacionando seu carro ou esperando por eles no restaurante. — Esta é minha esposa e.... — Ex-esposa—, Katie corrigiu antes que Grayson conseguisse finalizar. Ela ainda estava olhando para Marcos em choque, incapaz de acreditar que ele realmente estivesse ali parado na frente dela. — O que você está fazendo aqui?


Marcos quebrou a competição de olhar perigoso que estava tendo com Grayson e deixou seu olhar correr sobre ela calorosamente por um longo momento, fazendo com que seus braços se arrepiassem ainda mais. Um pouco da tensão saiu de seu poderoso corpo e ao olhar em seus belos olhos, eles tornaram-se quentes como ela se lembrava. — Eu recebi suas mensagens. — Minhas mensa...

Katie ficou com as bochechas

aquecidas quando percebeu do que ele estava falando, e sua voz era um guincho de reconhecimento. — Oh. Houve um momento de silêncio entre eles, carregado o suficiente para que Katie perdesse realmente o fôlego por estar novamente

em

sua

presença

depois

de

tanto

tempo.

Estranhamente, assim como Marcos, ela podia sentir isso. Aquele

elétrico

sentimento

de

uma

necessidade

tão

avassaladora que efetivamente estampava em seu rosto e o convertia em algo tangível o suficiente para que mesmo alguém tão anti romântica como Katie pudesse senti-lo. Se lembrando que não estavam sozinhos, Marcos limpou a garganta e se virou para Grayson, seus olhos se estreitaram em aviso mais uma vez. — Sim, vou ter que insistir que você tire suas mãos dela. — Ele olhou para o domínio de Grayson em seu braço intencionalmente. — Agora. — Eu não sei quem você pensa que é....

Grayson

começou, mas ele soltou Katie conforme solicitado e deu um passo pra trás.


— Ele é um amigo, — Katie respondeu, seu rosto ainda queimando de vergonha e algo muito mais carnal. — Nós nos conhecemos através de Jules Wellings. Não era uma mentira completa. — Oh, fantástico, — Grayson cuspiu, porque Jules não era exatamente a sua pessoa favorita depois de ter conseguido para Katie a melhor solução no divórcio e severamente esgotado suas reservas monetárias das quais ele era tão orgulhoso. — Este é exatamente o tipo de pessoa que ela iria apresentar-lhe, afinal é casada com uma família de criminosos e.... — Temos que ir agora. — Katie estava tão emocionada ao ver Marcos, mesmo com o fiasco craigslist, que ela agarrou a mão dele antes que pudesse pensar melhor. Sua palma era tão áspera e calejada como foi na noite do acidente. Ela olhou para ele com um sorriso. — Late lunch26? — Claro. — Marcos sorriu de volta, antes de olhar para Grayson mais uma vez em alerta — Até mais, cabrón. Obviamente dispensando-o, Marcos deixou claro que não estava acostumado a homens discutindo com ele. Quase deu a impressão de que estava fazendo um favor a Grayson por dispensá-lo.

26

Uma pequena refeição entre o almoço e o jantar.


— Você não pode simplesmente... Grayson cuspiu em descrença, os olhos arregalados, enquanto lançava um olhar a Katie. —

Sua

namorada

está

esperando—,

Katie

disse

sarcasticamente e apontou para Ashley, que estava agora de pé ao lado do carro e não tão sutilmente assistindo a conversa. — Mas você mal conhece esse cara e.... — Nós estamos indo em carros separados, — Katie disse antes que Grayson fizesse uma cena com alguma desculpa ridícula para protegê-la, mesmo que sua apreensão em torno Marcos fosse palpável e mais do que um pouco emocionante. — Tchau, Grayson. — Vou te enviar mensagens mais tarde, — Grayson avisou enquanto olhava para Marcos com desconfiança. Katie encolheu os ombros com indiferença. — Se isso fizer você se sentir melhor. —

Eu

vou

naquele.

Marcos

apontou

para

a

caminhonete branca conforme ele a puxava para longe antes que algo mais pudesse ser dito. — Sigo você? — Parece ótimo. — Katie não queria deixá-lo, então decidiu ir com ele até sua picape, mesmo que tivessem uma plateia. Katie não pôde evitar em parar de repente, quando já estavam longe de serem ouvidos. Ela olhou para Marcos sabendo que o espanto e confusão deviam estar gravados em seu rosto quando fez uma pergunta que esteve na ponta da sua


língua desde que ele

surgiu como uma miragem no

estacionamento dos professores. — Você não veio até aqui só por causa dessas mensagens não é? — Sim, eu fiz. Dirigi desde ontem à tarde. — A voz de Marcos era distante para uma revelação tão impressionante. Ele não estava nem olhando para Katie. Seu olhar estava em Ashley. — Essa mulher é a namorada dele? Katie não pôde deixar de enrijecer um pouco. Ela sabia que não era nem de longe tão bonita como Ashley, mas... — Aquele carro foi pintado novamente. Aquela não é uma cor de fábrica. — Marcos se voltou para ela. — De que cor era antes? Você se lembra? — O carro de Ashley? — Katie estava tão confusa, mas olhou para ver Grayson abrir o capô do veículo compacto vermelho. — Eu não sei. Tento não prestar atenção quando se trata dela. — Talvez seja um erro—, disse Marcos em advertência quando olhou de volta para Grayson e Ashley. Ela teria ficado insultada se sua desconfiança de ambos não fosse visível. — Eu tenho uma boa memória quando se trata de carros. Aquele parece muito familiar. Ele se virou para ela e arqueou uma sobrancelha, como se esperasse Katie entender.


— Você realmente dirigiu até aqui por causa de algumas mensagens na craigslist? — Perguntou Katie, porque ela não dava a mínima sobre Ashley ou o carro que ela dirigia. — Chuito contou o que eu disse no escritório de Jules, e você as leu e decidiu vir aqui. Isso não pode ser verdade. Algo em seu rosto deve ter feito Marcos esquecer sobre o carro de Ashley, pois lhe deu um olhar pensativo e perguntou: — Você nunca viu o oceano? Sério? As bochechas de Katie ficaram quentes novamente quando ela se lembrou do pequeno detalhe que foi revelado na mensagem. — Nunca—, ela confirmou, em vez de ceder à timidez. — Late lunch? — Ele repetiu as suas palavras de antes enquanto o seu olhar passou por seu corpo em uma intensa varredura que deixou uma sensação de calor e formigamento que nunca experimentou antes. — Vamos comer e conversar.


Capítulo Seis Marcos esfregou seu braço, sentindo sua tatuagem dos Los Corredores queimar enquanto olhava para Katie sentada de frente para ele na lanchonete. Ele sabia que isso era um erro. Sabia disso desde que entrou no estacionamento do Garnet High School e passou quarenta e cinco minutos à procura dos cachos castanhos de Katie brilhando ao sol. Ele viu o mar de estudantes do Ensino Médio saindo do grande prédio,

e

estudou

seus

rostos

jovens,

esperançosos,

pensativos. Eles eram muito diferentes dos adolescentes que conhecia. Aquelas eram crianças com uma vida inteira de oportunidades pela frente e Katie era uma das razões para isso acontecer. Ela fazia o mundo um pouco mais brilhante apenas por estar nele. Estava ajudando a formar as mentes desses jovens e os deixar prontos para enfrentar o mundo. Que porra Marcos fez com a sua vida? Ele saiu da escola depois que sua mãe morreu e essa não foi a sua pior escolha. O que fez depois que deixou a escola daria à maioria das pessoas pesadelos para o resto de suas vidas e ele nem sequer tinha a decência de se sentir mal com isso.


Por muitos anos, se perguntou se tinha uma consciência ou apenas um código de conduta que lhe ensinou a obedecer a um conjunto diferente de leis que a maioria das pessoas seguiam. Agora, graças a Katie, ele sabia que tinha uma. Ele não deveria estar aqui sonhando acordado com ela, coisa que vinha fazendo desde que viu aquela imitação de homem que era seu ex-marido em cima de Katie, obrigando Marcos a intervir, mesmo depois de ter decidido que ela merecia alguém com menos bagagem que ele. Acabou de tomar a decisão de ir embora, falar com Chuito à noite, e depois voltar para Miami para começar o desmanche dos carros no armazém e esquecer a ideia de que duas pessoas tão diferentes poderiam se dar bem juntos. Mulheres como Katie não se relacionavam com caras como ele. Mas lá estavam eles, porque no segundo em que ele viu seu ex-marido agarrá-la, ele não pôde deixar de ir até ela. Até agora estava se felicitando por não ter matado o filho da puta. Queria dizer a ela para virar e correr para o outro lado. Em vez disso estava olhando para o menu, se censurando e lutando por controle para manter uma conversa amigável, em vez de ceder ao seu real desejo, que era transar com Katie até que ela não lembrasse seu próprio nome. — Você está muito quieto. — Rubor cobria o rosto de Katie, e ela mordeu o lábio nervosamente antes de perguntar em voz baixa, — Você está bem?


Não, ele não estava nada bem. Ele agradeceu pela garçonete chegando, assim não precisou responder. — Posso pegar algo para vocês beberem? — Ei, Melody. Eu não posso acreditar que você já tenha voltado ao trabalho—, disse Katie para a garçonete. — Quantos meses tem seu bebê? — Um pouco mais de três meses. — A garçonete sorriu para Katie. — Eu só estou cobrindo uma falta hoje. Estou muito ocupada com o abrigo e realmente não tenho mais tempo para trabalhar para Hal, mas ajudo quando ele precisa de mim. — Isso é legal da sua parte. Eu vou querer uma água. — Katie olhou para o menu. — O especial de sexta-feira ainda é bolo de carne? Melody assentiu. — Claro que é. — Eu vou querer, por favor. — Katie entregou a Melody o menu e depois olhou para Marcos. — E você? — Hum. — Ele estava tão distraído que fazer seu pedido parecia difícil no momento. — Eu acho que quero o mesmo. Água. Bolo de carne. Isso funciona. — Ok. — A garçonete pegou o menu de suas mãos. — Você vai querer purê de batatas para acompanhar? — É muito bom—, Katie garantiu-lhe e Marcos concordou com a cabeça. Ele viu a garçonete, Melody, dar a Katie um sorriso antes de sair. Isso fez com que Marcos olhasse ao redor da


lanchonete e percebesse que a garçonete não era a única prestando atenção à eles. Podia imaginar o que estavam pensando dele. Ele não era uma pessoa que passaria desapercebido nesta cidade. Como diabos Chuito conseguia lidar com isso? — Eu acho que deveria ter ido para outro lugar—, Marcos murmurou

quando

estavam

sozinhos

novamente.

Ele

desenrolou o guardanapo e pegou seus talheres enquanto evitava os olhos de Katie. — Eles provavelmente vão começar a falar de você agora. — Provavelmente—, Katie concordou, mas sua voz tinha um tom de alegre que ele não esperava. Ele olhou para ela e viu um sorriso largo e satisfeito em seu rosto. — Mulheres como eu normalmente não tem encontros com lutadores. Não que isso seja oficialmente um encontro, mas... — Chica. — Ele gemeu e passou a mão sobre os olhos, desejo e culpa colidindo com tanta força que sentiu uma dor de cabeça chegando. Saber que ela estava feliz por estar aqui com ele não estava tornando sua decisão de ir embora mais fácil. — Eu sou o último cara com quem você deveria querer estar em um encontro. — O que chica quer dizer? Ele levantou a cabeça, dando-lhe um olhar confuso. Ocorreu-lhe que, com algumas pequenas exceções, como suas últimas viagens a Garnet, ele não se aventurava fora do seu território. Quando tinha dez anos, se mudou de Porto Rico para


Miami onde o espanhol ainda era o idioma mais usado, pelo menos onde morava. Cristo, até mesmo os gringos sabiam o que significava chica na Flórida. — Isso significa, uh— Ele pensou por um momento. — Menina, eu acho. — Você acha? Ele deu um sorriso que não pode evitar, porque havia algo sobre ela que era tão incrivelmente cativante, como quando enfiava seus cabelos por trás das orelhas e olhava para ele com curiosidade. — É um termo carinhoso. — Ele deu de ombros. — Como bebê ou algo assim. Não é rude. — Oh. O sorriso de Katie era satisfeito. Ela corou mais uma vez, levando sua mente de volta para esse território perigoso, enquanto ele se perguntava se ela ficava com aquele tom rosado por todo o corpo. Imaginou ela vermelha e suada, sem fôlego enquanto a tocava e lambia até que ela gozasse uma e outra vez. Isso sempre o excitou. Fazer com que uma menina perdesse a razão, esse era seu vício. Esse foi o motivo de sua mãe ter que mudar seu número de telefone tantas vezes quando ele frequentava a escola. Ele descobriu muito jovem o prazer em conseguir que uma menina gozasse. Enquanto os outros rapazes de sua


idade estavam afundando em drogas ou álcool, ele estava tentando entrar e sair dos quartos das meninas sem ser visto. Ele não teve muitas namoradas porque não era material de namorado. Nunca foi, mas dava um bom tempo a elas, e todas as mulheres em sua vizinhança sabiam disso. Ele era — diferente—, como Mia não tão casualmente colocou. Jesus, ele queria provar Katie. Sentir seus dedos em seus cabelos e suas coxas tremendo enquanto chupava seu clitóris e depois fodia sua boceta com a língua. Só uma vez então saberia como era o seu sabor. Assim, poderia ter uma lembrança dela. Provavelmente, ele iria para a prisão novamente um dia desses. Seu próprio pai estava na prisão em Miami e não veria a luz do sol por mais dez anos. Isso era um monte de malditos anos e Marcos precisaria de algo para sustentá-lo. Ele nunca deu um segundo pensamento para as mulheres com quem trepou, passando para a próxima sem olhar para trás. Mas com Katie, suspeitava que seria diferente. Ela era tão doce, tão inocente, porra. Tudo nela era suave de uma forma que o deixava maluco. Nunca conheceu uma mulher como ela antes e, sentado na sua frente sabendo que não deveria tocála, o estava deixando louco. Estava sendo duro manter seus olhos em seu rosto porque a blusa branca que ela usava tinha um decote em V que mostrava a curva de seus lindos seios. Também não podia deixar de lembrar a maneira como suas calças cáqui abraçavam a sua bunda. Quando aquele filho da puta tocou em sua bunda no estacionamento, ele


quase perdeu o controle. Esta mulher poderia ficar com qualquer cara que quisesse, mas por algum motivo, ela estava alheia a isso. — Você sabe que ele é um idiota, certo? — Marcos perguntou enquanto mexia nos talheres em vez de olhar para ela. — Quem é um idiota? — Katie parecia confusa e Marcos não a culpava. Ele sabia que foi enigmático desde que chegou ali. — Seu ex. Essa merda sobre você não ser sexy. — Ele praticamente rosnou as palavras e olhou para ela de novo, vendo a forma como os grandes olhos cor de mel se arregalaram de surpresa, como se não pudesse acreditar que ele achasse mesmo isso. — Isso é um monte de besteira. De onde eu venho, você teria caras rastejando por um minuto do seu tempo. Katie riu. — Eu duvido disso. — Não duvide. — Seu olhar deslizou para baixo mais uma vez, cedendo ao desejo de olhar para seus seios mais uma vez. — Nunca vá a Miami. Eu definitivamente vou para a cadeia. — Por quê? —, Ela perguntou com diversão. — Assassinato, provavelmente. Eles estariam em cima de você e eu teria que matá-los. Sem piedade. Ele limpou a garganta e desviou o olhar, se sentindo exposto e se perguntando o que esta mulher tinha para fazê-lo


se sentir tão vulnerável desde o momento em que correu para ela. A única razão para ter se oferecido para consertar o carro de Sebastian foi ela. Pensou que fosse por culpa pelo acidente, mas agora percebia que poderia ser algo totalmente diferente. Uma parte dele queria ser bom o suficiente para uma mulher como ela. Katie esteve preocupada com ele naquela noite, e mesmo estando ferida e ficou ao seu lado. Ele estendeu a mão sobre a mesa e agarrou a mão esquerda para puxá-la em direção a ele. Dava para ver as cicatrizes, ainda rosadas, no seu braço. Estendeu a outra mão e tocou-as, pensativo. — É por isso que você não deveria estar aqui comigo, chica, — ele disse a ela enquanto corria o polegar sobre a maior cicatriz, observando os cabelos finos em seu braço se arrepiarem. — Você só vai se machucar se estiver comigo. — Você me deu algo naquela noite, mas não foram essas cicatrizes. — Katie não tentou soltar suas mãos então ele continuou segurando seu braço e passando o polegar nos danos que causou a ela. — Eu sou mais forte do que era antes do acidente. Você me deu isso. Você me ensinou a ser como você. Ele resmungou, incrédulo, enquanto continuava a correr os dedos sobre as lesões, se perguntando quanta dor ela sentiu enquanto se recuperava, sabendo que ele era o culpado. Se apenas tivesse desviado, eles não teriam batido e nenhum deles teriam as cicatrizes daquela noite. Ele não teria passado os últimos quatro meses lutando para ser alguém que não era.


— Eu, hum...— Ele roçou a cicatriz em seu pulso reverentemente com o polegar, acariciando-a em vez de apenas tocá-la. — As primeiras lembranças que tenho são de trabalhar em carros com meu pai. Eu sempre tive uma paixão por carros, todos os carros, mas passei a maior parte da minha vida os desmanchando. Cortando em partes até deixar só a casca, apenas pedaços irrelevantes. — Ok—, disse Katie lentamente, não com um olhar crítico. — Eu não acho que entendo o que você está tentando me dizer. — É como uma maldição. — Ele levou suas mãos aos lábios e beijou-lhe os dedos, porque não podia resistir. — Eu destruo tudo que toco. Sempre faço isso, não importa o que seja, não consigo evitar. Não sei porque, mas faço. Amei muito a minha mãe e ela morreu. Katie balançou a cabeça. — Minha mãe morreu também. Isso não é.... — Ela morreu por minha causa. — Marcos a cortou antes que ela pudesse terminar. — Eles atiraram nela na minha casa. — Isso não poderia ser culpa sua, — Katie sussurrou, com a voz tensa como se sentisse alguma dor, e quando ele olhou para ela, podia ver a agonia em seu olhar. — Eu sinto muito.


— Eles mataram meu primo também. Ele tinha apenas treze anos. — Marcos vacilou com a memória, lembrando-se dos gritos naquela noite, a maneira como Juan morreu nos braços de Chuito. Sua mãe com os olhos sem vida. Ele balançou sua cabeça. — Essas balas eram destinadas a mim. Eles mataram Juan e minha mãe no meu lugar. As lágrimas rolaram pelo rosto de Katie, como se sentisse a dor tão profundamente como ele sentia. — Marcos... — Eu não pude responder às suas mensagens justamente por conta dessa tatuagem—, ele levantou seu braço mostrando e pensando que ainda era mais horrivelmente marcado que ela. — É uma tatuagem de gangue. Provavelmente estamos sendo vigiados. Nós somos uma gangue conhecida em Miami, e a polícia está em cima de nós nos últimos anos. — Mas você não está mais na gangue. — Ela suspirou. — Você está? — Você não sai de uma gangue—, ele corrigiu. — A menos que eles te matem. Ela ficou em silêncio, com os olhos arregalados. Ele pensou que ela levantaria e iria embora, e realmente, seria o melhor. Seria muito mais fácil dessa maneira, e iria salvá-lo de fazer o que sabia que tinha que fazer se fosse obedecer sua nova consciência.


O único problema era que Katie não disse nada. Ela apenas ficou lá, como um cervo nos faróis, o fazendo se sentir como um caminhão, e ele odiava isso. — Eu quero ser o cara que te mostrará o oceano. Eu quero—, admitiu, por que diabos não? Ele estava derramando suas entranhas nesta refeição de qualquer maneira, e realmente esperava que ninguém pudesse ouvi-lo, porque nunca disse esta merda em voz alta para ninguém. Nunca. — Mas não serei eu, chica. Sinto muito. Por nós dois. Ele sentiu como se estivesse cortando o próprio braço e nem sabia o porquê. Mal conhecia essa garota. Ela era quente, com certeza, linda, mas realmente nunca teve dificuldades para arrumar mulheres bonitas. Então, por que esta, com seus grandes olhos, o fazia perder o foco? Isso era tão injusto... Injusto para os dois. Quando ela finalmente quebrou o silêncio, sua voz era um guincho de miséria que ele entendia muito bem. — Então por que voltou? Ele pulou porque não esperava por isso. — Eu te disse, carinho, provavelmente... — Você poderia ter dado o recado para seu primo. — Sua voz ficou mais forte, mais séria, fazendo-o imaginá-la na sala de aula. — Quanto tempo de viagem até aqui? Ele encolheu os ombros. — Eu não sei, catorze horas sem paradas, mas... — Você parou?


— Não, mas... — Você dirigiu catorze horas sem parar para sentar aqui e me dizer que é impossível ficarmos juntos? — Katie arqueou uma sobrancelha duvidosa para ele. — Sim. — Mesmo para os ouvidos de Marcos, parecia besteira. — Mentiroso. — Disse Katie. — E se dois pontos negativos... — Um ponto negativo. — Ele apontou para si mesmo e, em seguida, olhou para ela. — Apenas um. E o que acontece quando você mistura positivo e negativo, Katie? — Ele esperava que ela soubesse a resposta, porque ele tirou a sua bunda da escola, muito cedo então não tinha certeza se o que descobriu pesquisando no Google pelo telefone estava certo. Uma parte dele esperava por uma resposta diferente da que achou. — Qual o resultado? Conte-me. — Ne-negativo—, ela sussurrou miseravelmente. — Juntando negativo e positivo resulta em negativo. Ele enfiou a mão no bolso de trás e tirou sua carteira. Tirou o dinheiro e jogou sobre a mesa. — Eu tenho que ir agora. — É apenas uma analogia matemática estúpida—, disse Katie, sua voz tremendo enquanto seus olhos se encheram de lágrimas como na noite do acidente. — Eu odeio matemática. Eu nem sei porque estamos falando sobre isso. Vamos usar a história em vez e....


Ele se levantou e deu a ela um longo olhar. — Dirigi catorze horas para te dizer que você é linda, chica. Apenas isso. Ela avançou, agarrando sua mão antes que ele pudesse ir embora. — Eu não quero que você vá. Ainda tenho o seu casaco e.... — Fique com o casaco. — Ele a deixou segurá-lo porque uma parte dele não queria ir embora. — Use a cabeça Katie. Você sabe o que as gangues fazem, mas está dizendo a si mesma que sou diferente. Que eu nunca fiz essas coisas. Você está errada. Eu fiz. Katie balançou a cabeça. — Eu não me importo se você roubou alguns carros. — Nós não estamos falando sobre carros. — Drogas? — Não—, ele disse e depois deu de ombros. — Bem, sim, mas não. Pergunte-me o que você realmente quer saber. Ela engoliu em seco, como se estivesse considerando, e então olhou nos seus olhos e realmente perguntou: — O que aconteceu com os homens que mataram sua mãe? — Eles estão mortos agora. — Ele não podia nem esconder o orgulho que sentiu quando disse isso. — E não me sinto mal por isso. Nem um pouco.


Katie o soltou. Ela o deixou ir. — Sinto muito que você tenha perdido sua mãe—, ela sussurrou e, em seguida, olhou para o lado, em vez de encontrar seus olhos. — E seu primo. — Eu também sinto muito. — Ele suspirou, porque aquela noite horrível roubou algo mais dele. Um pedaço seu que nunca mais teria de volta, então querer que uma gringa de Garnet Country olhasse para ele como se fosse um cara normal era impossível. — Você não tem ideia de quanto. Marcos se virou para sair antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa.


Capítulo Sete Katie entrou na banheira, como planejou originalmente. Com o copo de vinho na mão, começou a ler, mas não um romance. Ela pesquisava em seu telefone informações para formar uma imagem clara da vida que Marcos descreveu. Uma que não correspondia a sua visão do homem do acidente. Ele achava que ela era ingênua. Enquanto lia, percebeu que provavelmente ele estava certo. Não foi tão difícil encontrar informações sobre a gangue. Digitando a descrição da tatuagem, Miami e o fato de que eles eram porto-riquenhos, o nome Los Corredores apareceu quase que instantaneamente. Eles ainda tinham a sua própria página na Wikipédia, preenchido com todos os tipos de fatos desagradáveis como: Uma gangue de Miami particularmente territorial e perigosa. Eles são uma das maiores e mais mortais gangue no sul de Dade Country. Membros conhecidos dos Los Corredores foram presos por uma série de atividades criminosas, incluindo tráfico de drogas, tiroteios, homicídios, assaltos e roubo de carros.


Havia até mesmo uma imagem de uma tatuagem como a que Marcos tinha no braço. E Chuito também. Como posso ser tão estúpida! Ela pensou que as tatuagens eram um elo entre os primos, que tivessem feito as tatuagens para mostrar o quanto eram unidos. Talvez fosse isso. Na foto que via na internet, a parte de trás da cobra tinha duas gotas de tinta em vermelho e percebeu somente agora que não deveriam ser gotas de tinta. Eram gotas de sangue. A internet estava cheia de informações sobre fatos desagradáveis atribuídos a eles. Os Los Corredores pareciam um bando muito assustador, de fato. Ela não acreditava que o Marcos que conheceu poderia ter participado desses crimes descritos nos artigos que encontrou. Simplesmente não podia acreditar. Ela não poderia nem mesmo colocar Chuito nesse papel, e ela e Chuito não eram exatamente melhores amigos. Sabia, como professora de história, que a realidade podia ser diferente do que se lia em algum lugar, mas não conseguia parar de ler, pesquisar através de diferentes sites, embora a maioria fosse artigos policiais. Um artigo era sobre o sucesso dos Los Corredores como um grupo exclusivamente porto-riquenho, quando Miami tinha uma população cubana muito maior. Os maiores rivais dos Los Corredores eram as gangues cubanas. De acordo com o artigo, eles conseguiram estabelecer uma posição forte na


última década em Dade Country através de uma ação rápida e mortal sempre que seu território era ameaçado. Katie perguntou que tipo de ameaça seria, já o artigo dizia que casas foram metralhadas com mulheres e crianças dentro. Nenhum desses artigos e posts tinham toda a história. Nem mesmo chegavam perto. Ela estava certa disso. E estava lamentando ter deixado Marcos ir tão facilmente, o que sabia que a fazia parecer louca. Ele poderia ter negado, mas admitiu o assassinato. Porém ir atrás dos assassinos de sua mãe era uma espécie de autodefesa, não era? Katie queria que fosse. Desesperadamente. Ela precisava de uma desculpa para vê-lo e sentir a magia que sentia na sua presença antes de ele ir embora. Fechou os olhos e deixou cair seu telefone no tapete ao lado da banheira e deu uma respiração instável, porque não tinha como ela acreditar nessa mentira por muito tempo. Os assassinatos que ele confessou não foram para se defender. Eram vingança. A levou a se perguntar porque, de todas as pessoas no mundo, Marcos admitiu isso para ela. Teve a impressão de que ele não confiava facilmente. Se ele fosse parecido com seu primo Chuito, provavelmente não confiava em nada, mas ele tinha apenas derramado as tripas para fora na lanchonete hoje como se fossem melhores amigos.


O que significava que ela não foi a única que sentiu esta conexão. Com os olhos ainda fechados, se lembrou da maneira como Marcos a olhou, como se ela fosse a mulher mais bonita do mundo. E isso era tão bizarro para Katie, porque se considerava aceitável no melhor dos casos. Ela passou todo o Ensino Médio com seu nariz enterrado em um livro. Grayson foi o primeiro homem que ela beijou, e isso não aconteceu até seu penúltimo ano do Ensino Médio. Ele sempre deixou muito claro que sua mente era o que o atraiu, e o sexo com ele foi como qualquer outra coisa em seu relacionamento. Agradável, programado e sem paixão. Terça e sábado eram as noites em que geralmente encaixavam o sexo, bem espaçados durante a semana e, geralmente, terminava antes do noticiário da dez. Por alguma razão, Katie não achava que o sexo com Marcos seria sobre uma toalha colocada na cama para proteger os lençóis de algodão egípcio, rápidos e eficientes para garantir que eles ouviriam o boletim meteorológico completo antes de dormir. Por apenas um momento, ela se permitiu o luxo de fantasiar sobre algo diferente do comum e chato. Mesmo a fazendo parecer patética, por anos até suas fantasias foram chatas porque não teve ponto de referência para ampliá-las. Os romances, mesmo os muito picantes, não a ajudavam, ela nunca poderia se colocar no lugar daquelas belas heroínas,


com seus peitos que desafiam a gravidade e cinturas minúsculas. Agora, por um momento, alimentada por aqueles olhares quentes de Marcos, foi capaz de acreditar que um homem neste mundo realmente achava que ela valia por algo mais que sua mente, antes de ele achar que não era bom o suficiente para ela. Enquanto estava sentada lá, ela percebeu que, embora soubesse que Marcos provavelmente era perigoso para seu mundinho puro e agradável, conforme ele alegou, também sabia que esse mundo dela era também chato e enfadonho. Ela queria algo um pouco mais ousado. Correr um pouco de risco. Queria tatuagens em vez de uma pasta. Queria que alguém gostasse de seus seios em vez de seu diploma. Katie saiu da banheira e esticou a cabeça para olhar no espelho enquanto molhava todo seu chão. Ela olhou para a bunda que sempre achou ser muito grande, achava que podia perder alguns quilinhos também. Os seios eram agradáveis, ela sabia disso, mas eles ainda tinham essas pequenas linhas brancas e não eram firmes. Mesmo com todos esses defeitos, pela primeira vez em sua vida, ela acreditava que um homem poderia achá-la bonita. Marcos fez com que se sentisse bonita. Sentiu em seu toque, e talvez soubesse disso o tempo todo. Talvez realmente existisse essa coisa de alma gêmea. Seu irmão trabalhava na única concessionária em Garnet Country e ele sempre disse que havia um traseiro para cada banco.


Bem, talvez houvesse um traseiro para cada homem, também. E ela tinha a distinta impressão que o homem em particular para qual seu traseiro foi feito poderia não ser a aposta mais segura, mas ele daria o maior pagamento para Katie, mesmo que ninguém mais no mundo entendesse isso, exceto ela e Marcos. Ele era perigoso. Ela sabia disso pelos fatos. Ele decididamente admitiu, mas ela sabia que ele não iria machucá-la, tinha absoluta confiança disso depois que ele assumiu a culpa do acidente no lugar dela. Isso não foi fácil, especialmente considerando seu passado. Se ele podia correr esse tipo de risco por ela, então ela poderia fazer o mesmo por ele. Seis meses atrás, ela não teria confiança suficiente para correr atrás de um homem, muito menos um lutador de MMA lindo que poderia ter qualquer garota que quisesse, mas o acidente a mudou. Marcos me mudou. Ela passou a gostar de quem era por causa dele e não podia deixá-lo ir sem lutar. Ela pegou o telefone do chão e entrou no craigslist. Ainda nua, mandou uma mensagem. Marcos se sentou na pequena mesa da cozinha de Chuito, olhando para a garrafa de água na mão e tentando ignorar o sentimento de perda que apertava seu peito. — Eu vou embora na parte da manhã.


— Ei, cara, você não tem que ir tão rápido. — Chuito acabou de lavar os pratos que usaram no jantar. — Você está aqui agora. Fique por uma semana. Você está em liberdade condicional e não é como se você tivesse um trabalho para voltar. Marcos queria ficar. Chuito era o único primo que restou, mas ele balançou a cabeça em negação. Não podia dizer ao primo que se ficasse, iria ceder à tentação de procurar Katie Foster e dessa vez não a deixaria ir.

Ele não ia dar a Katie outra razão para se

machucar. Já fez o suficiente, mas em vez de explicar tudo isso para Chuito, apenas disse: — Não, já mandei uma mensagem para Angel depois que deixei a lanchonete hoje. Ele tem um monte de merda para me manter ocupado. — Marc... Marcos levantou a cabeça e olhou para seu primo, quase o desafiando a tentar lhe dar um sermão. Ambos sabiam que Marcos passou por muita coisa. Ele estava na prisão na noite em que Clay Powers foi a uma luta de MMA underground em Miami e decidiu que Chuito tinha potencial para ser um profissional. Provavelmente Marcos tinha mais potencial do que ele, mas em vez disso ele levou a culpa e foi para a cadeia pelos Los Corredores, incluindo Chuito, que roubou a maioria dos carros. — Não deixe Angel te convencer a ficar lá. Quanto mais você dever a ele, mas difícil será para você sair, e ele sabe


disso—, Chuito disse depois de alguns momentos tensos. — E a — Heat’ ataca durante a noite. Se você está dormindo lá, então... — Eu estou mantendo o meu lugar—, Marcos garantiulhe. — Ele não vai me ter. Chuito secou as mãos e suspirou. — Você sabe que tenho dinheiro, posso te dar. — Não, mande para Tia Sofia. Ela precisa mais do que eu. — Minha mãe está bem—, Chuito disse. — Acabei de comprar para ela um carro novo. Eu tenho de sobra, Marc, e prefiro que você o pegue do que... — O carro é muito foda. Um Lexus LS430. Muito agradável. Esqueci de te dizer o quanto gostei. — Marcos deu a seu primo um sorriso genuíno porque estava feliz por ele. — Você devia ter visto sua mãe nele. É bom vê-la feliz. Ela está orgulhosa de você. — Eu aprecio você gastar tanto tempo com ela, — Chuito sussurrou, parecendo rasgado e miserável. — Gostaria que ela se mudasse para cá, mas... Marcos riu. — Okay, certo. Chuito saiu de perto da pia. — Eu continuo esperando que talvez... — Nós nem sabemos como você consegue viver aqui. Tia Sofia? Esqueça isso. Ela odiaria isso aqui.


— Este lugar é legal. — Chuito entrou na sala, tirando a camisa, e Marcos se levantou e o seguiu. — Você se acostuma depois de um tempo. — Você está tendo um bom tempo aqui, irmão. — Marcos se deixou cair na cama de seu primo e olhou para o teto. — Estou surpreso pela falta de alarmes nos carros. Você pensaria que eles teriam instalado no segundo que sua bunda boricua27 aparecesse no pedaço. — Fale em espanhol, — Chuito disse em espanhol e, em seguida, tocou a parede ao lado de sua cama. — As paredes são finas como papel. Jules construiu esses apartamentos depois que ela comprou o lugar. Dá para ouvir tudo. Marcos olhou para a parede, pensando na bonita ruiva, Alaine, que vivia ao lado de Chuito. Sabia que seu primo tinha uma coisa por ela. Era a única razão de Chuito ainda viver em cima do escritório de Jules Wellings, em vez de conseguir um lugar maior. Ele era um campeão do UFC, pelo amor de Deus, mas vivia do mesmo jeito desde que se mudou para Garnet há cinco anos. — Ela ouve tudo? — Marcos perguntou em espanhol, levantando as sobrancelhas enquanto sorria para o primo. — Faz com que seja difícil trazer mulheres aqui. — Eu não trago mais mulheres aqui. — Chuito jogou sua camisa no cesto e, em seguida, esfregou a parte de trás do seu

27

Aquele que nasceu em Porto Rico.


pescoço. — Vou tomar um banho. A menos que queira treinar na Adega. — Foda-se a Adega, — Marcos disse amargamente. — Eu posso treinar em casa. — Talvez se você ficasse e mostrasse para eles o que pode fazer, começar a treinar comigo e Tino, eles reconsiderariam te dar uma chance. Você sabe que Tino é cunhado de Jules. Ele vai ouvi-la e.... — Não— Marcos fechou os olhos e rolou na cama de Chuito, tentando bloquear a imagem do olhar de horror de Katie quando soube que Marcos realmente matou alguns dos idiotas responsáveis pelas mortes de sua mãe e de Juan. — Eu preciso dar o fora dessa cidade. — O que aconteceu hoje? — Chuito perguntou com preocupação. — Eu tirei os óculos cor-de-rosa com que ela me enxergava. — Provavelmente é o melhor—, disse Chuito em vez de discutir. Ele olhou para a parede, como se sentisse Alaine do outro lado. — As meninas gostam de... — Sim—, Marcos concordou antes que pudesse terminar, e perguntou algo que o estava incomodando nos últimos anos. — Você está transando com ela? — Ela? — Chuito apontou para a parede com surpresa. Quando Marcos deu-lhe um olhar, Chuito bufou.


— Seu pai é o pregador naquela grande igreja batista no limite da cidade. Porra, Alaine não é uma opção. Confie em mim. Eu nem deveria falar com ela. — Mas você faz? Falar com ela, quero dizer. — Sim. — Chuito deu de ombros e se sentou na cama, ainda olhando para a parede, o desejo palpável. — É estranho. Ela não vê o lado ruim de qualquer coisa, mesmo quando está olhando diretamente para isso. Ela é, muito boa, sabe? Às vezes, estar ao seu redor, faz com que eu me esqueça das besteiras que fiz. — Ela te faz esquecer de onde você veio, você quer dizer? Marcos não tinha certeza se isso era uma coisa boa ou ruim, mas estava começando a entender. Sentar com Katie hoje, o fez querer acreditar na possibilidade de uma vida diferente. Impossível. Chuito se virou para ele, considerando-o por um segundo antes de concordar. — Sim, isso mesmo. Fiquei sabendo que Angel está vindo com metade dos Los Corredores para a próxima luta. Fale de um banho de realidade do caralho. Eu não preciso mais da Adega.

Tenho

ginásios

por

toda

Miami

querendo

me

patrocinar. Minha mãe não vai se mudar para cá, você sabe que ela nunca vai mudar. Ela tem você, mas estou afastado há muito tempo e ela já perdeu tia Camila e Juan...— A voz de Chuito engasgou no nome do seu irmão, e ele sacudiu a cabeça. — Eu sei que preciso voltar para casa, mas eu só...


— Fique aqui, — Marcos disse a ele com certeza. — Sua mãe quer que você fique aqui. Eu também. Um de nós precisa sair e ficar bem. Nossa família merece isso, e você sabe o que acontecerá se você voltar. — Eu sei. — Chuito olhou para a parede novamente. — É só que... Era mais fácil quando Alaine tinha dezenove anos e era totalmente ingênua, ela nem sequer entende o perigo que corre ao morar tão perto de mim. — Chuito andou para frente e para trás — Mas não é tão fácil agora. Tem sido realmente muito difícil há um tempo. Eu estou começando a pensar que voltar para casa seria melhor. Eu não posso continuar fazendo isso. — O que é não é tão fácil? O olhar de Chuito era assombrado quando se virou. Se levantou e caminhou até a porta, em vez de responder. — Vou tomar banho.

Pela primeira vez em muito tempo, Marcos estava na cama antes da meia-noite. Deitou-se no sofá na sala de Chuito, tentando deixar o sono reclamá-lo. Ele quase não descansou desde que deixou Miami e deveria estar morto para o mundo. Em vez disso,


estava olhando para o teto, ouvindo a chuva lá fora e querendo dispersar a tempestade de pensamentos que rolavam em sua mente. Alguns eram pensamentos típicos, como as emoções conflitantes que estar perto de Chuito trazia à tona. Ele perdeu seu primo. Eles foram mais próximos do que irmãos, melhores amigos, mas passaram por muita coisa juntos. Todas as suas memórias mais escuras tinham Chuito nelas. Tinham o mesmo sangue em suas mãos e as mesmas manchas em suas almas. Ele, mais do que ninguém, entendia porque Chuito se mudou para essa cidade caipira. Para fugir de tudo e fingir, mesmo que por um momento, que merdas não aconteceram. Marcos queria se esconder também. De preferência entre os seios exuberantes de Katie Foster. Enquanto pensava nisso, Marcos percebeu que nunca esteve com uma gringa antes, e se viu fantasiando sobre ela, imaginando uma boceta lisa, rosa. Supôs que ela teria o cheiro doce, como o aroma de morango que sentiu hoje. Ela provavelmente teria um sabor ainda mais doce. Era de dar água

na

boca,

e

teve

que

se

ajustar

quando

ficou

dolorosamente duro. Contra seu melhor julgamento, pegou seu telefone e foi para craigslist, procurando as mensagens antigas de Katie e esperando que Chuito estivesse realmente dormindo. Seu primo parecia cansado demais, como se lutasse contra os mesmos demônios que Marcos. Com sorte, Chuito estaria desmaiado, porque essas mensagens eram melhores do que pornografia para Marcos, e


ele estava tendo um tempo muito difícil para esquecê-la depois de dirigir até aqui só para tocá-la. O sono não estava vindo. Isso podia ajudar. Ele estava planejando ler todas as mensagens antigas que leu uma dúzia de vezes antes, exceto que não tinha só as antigas. Havia uma nova, piscando no topo da lista antes mesmo que tivesse a chance de pesquisar. Homem com tatuagem de cobra — correu— para cima de mim na véspera do Ano Novo em Garnet. Estou cansada de jogar pela segurança. O caminho seguro me deixou com nada além de lamentações e eu sei que tem sido ainda mais difícil para você. Talvez nunca tenha sido sobre positivos ou negativos. Talvez seja sobre o encontro em algum lugar no meio. Quero colidir mais uma vez, desta vez em nossos termos, e eu acredito que você queira isso também. Vou deixar a luz acesa. Marcos sentiu seu pulso aumentar e seu pênis esticar contra o cós da cueca até doer. Ele não podia sequer formar um pensamento coerente depois da oferta de deixar a luz acesa. A necessidade pulsava por todo seu corpo, fazendo com que todos os seus músculos apertassem em um desespero sexual cru que nunca experimentou antes. Normalmente, ele simplesmente pegava o que era oferecido e houve uma abundância disso. Nunca foi atraído por um fruto proibido como Katie Foster.


E também nunca negou nada a si mesmo. Ficava ainda pior sabendo que ela estava disposta, se pudesse superar aquela voz irritante de uma consciência que escolheu um mau momento fazer aparição em sua vida. Olhou a hora em seu telefone. 23:48 E então leu a mensagem novamente notando que ela postou há quase três horas atrás. Ficou se perguntando até que horas ela ia deixar a luz acesa quando um grito quebrou o silêncio da noite no apartamento. Era tão cheio de fúria e violência que Marcos se sentou instintivamente, estendendo a mão para a arma que costumava deixar debaixo do travesseiro. Desta vez não, a arma ainda estava no caminhão. — Isso é por Juan, seu inútil pedaço de merda! Espero que você apodreça no inferno, seu filho da puta! Marcos olhou para a porta aberta do quarto de Chuito, sentindo um tremor desagradável por sua espinha quando percebeu que era mais do que um sonho, Chuito estava perdido. Era uma memória.


O cara estava morto há pelo menos dez minutos, mas isso não impediu Chuito de chutar a cabeça do corpo de bruços e sem vida de um membro de uma gangue rival. Um dos seis que disparou as balas na casa onde Marcos e sua mãe viviam com a tia Sofia, Chuito e Juan. Talvez o idiota morto no chão fosse aquele que tivesse disparado a bala que matou a mãe de Marcos. Ou seu primo Juan, tão inteligente e cheio de otimismo, muito diferente de Chuito e Marcos naquela idade. Eles já tinham sido expulsos da escola e roubavam carros aos treze anos, mas Juan andava na linha. Todos pensavam que ele seria o único a ir para a faculdade. Ele queria ser um médico e Marcos brincava dizendo que seria muito conveniente ter um na família. Um médico não atrairia a polícia para eles por cada lesão mínima. Agora Juan estava morto e este filho da puta poderia ter sido aquele que o matou. Esse era o único pensamento de Marcos enquanto observava Chuito pisar no rosto dele até que não pudesse ser reconhecido. Marcos não sentia nada. Ele apenas ficou lá, mantendo um olho no final do beco, com o dedo no gatilho de sua Glock. Seu olhar era completamente desapaixonado toda vez que virava para trás para ver os dentes e sangue respingado sobre o pavimento. — Oye, Diego! Marcos se esticou, dando um passo além da beira da pista para olhar para rua. Reconheceu outros membros da gangue de Diego, agora em busca de seu irmão desaparecido. Havia quatro deles. Normalmente, isso seria ruim, mas Marcos não estava com medo, e ele sabia que Chuito daria conta.


O que poderia acontecer de pior? Morrer? O que importava? Nenhum dos dois queria viver com a culpa de saber que essas balas que mataram a mãe de Marcos e Juan eram direcionadas para eles. — Eu reconheço um—, Marcos disse para Chuito. Assim como reconheço o cara que Chuito espancou até a morte neste beco porque Marcos correu para fora da casa naquela noite, enquanto as balas crivavam sua casa. Com a GLOCK na mão, ele correu atrás dos dois carros, a pé, até que não pôde mais vê-los. Marcos sempre teve uma boa memória quando se tratava de carros. Todos os pequenos detalhes ficaram gravados em sua memória. Os rostos nas janelas. As placas. Talvez fosse apenas porque tudo sobre aquela noite em particular ficou gravado em seu cérebro. Seja qual tenha sido o motivo, foi muito fácil caçar os filhos da puta que destruíram a sua família. Muito fácil. — O cara de camisa vermelha. — Marcos fez contato visual com seu primo, que se afastou do corpo. Vendo Chuito vir para perto dele, Marcos enfiou a arma na parte de trás de sua calça jeans, porque eles decidiram matar cada um desses filhos da puta responsáveis com as mãos nuas. — Você pode ficar com os outros, mas deixe ele para mim.


Marcos foi empurrado para fora da memória quando a porta da frente foi aberta. Mais uma vez a mão agiu instintivamente, pegando uma arma que não estava lá. Graças a Deus, ele pensou, quando avistou os longos cabelos loiromorango da vizinha de Chuito. Alaine. Ela entrou como se fosse dona do lugar, vestindo apenas uma camisola branca fina conservadora, mas transparente sob a luz fraca. Deixava pouco à imaginação, mas não era o tipo de Marcos. Alaine não tinha as curvas reais de uma mulher, mas Chuito sempre teve um gosto diferente do dele. Talvez fosse por isso que ele se encaixava tão bem aqui na terra gringa. — Toma tu tiempo28, Marc.— A voz de Chuito estava em um tom mais frio agora, mais perigoso e calculista. — Haz que el sufra cabrón29. Marcos corou e olhou para a gringa, que não o notou. Ela caminhou para o quarto sem medo, e Marcos entendeu o porquê dela não estar correndo para o outro lado. Ela não conseguia entender Chuito. Ele estava falando em espanhol o tempo todo. Ela não entendeu quando ele disse a Marcos para se certificar de fazer o cara sofrer antes de matá-lo.

28

Não tenha pressa.

29

Faça com que esse bastardo sofra.


— Chica—, ele chamou, porque nem ele gostaria de entrar no quarto enquanto Chuito estava tendo esse tipo de pesadelos. — Ei. Alaine não o ouviu. Ela só passou pela porta do quarto de Chuito e a fechou atrás dela, como se estivesse em um sonho também. Como se ela tivesse feito isso mil vezes antes, e não se preocupou em notar o ex-condenado tatuado esparramado no sofá de Chuito só de cueca porque ele não fazia parte da rotina. Marcos olhou para a porta fechada com cautela, o corpo tenso. Estava meio que esperando ter que ir lá e salvá-la de Chuito, Marcos sabia por experiência própria que ele poderia atacar quando estava tendo um pesadelo. Eles compartilharam um quarto a maior parte de suas infâncias, e Marcos foi atacado por Chuito mais de uma vez, porque o que aconteceu com sua mãe e seu primo não foi a única merda que eles viveram que podia causar pesadelos. Depois de alguns minutos, Marcos começou a ouvir sussurros. Não conseguia distinguir as palavras, mas podia ouvir o tom. Macio, agradável, misturando a voz baixa de Chuito com a gentil de Alaine. Que porra é essa? Marcos sabia que seu primo não iria mentir para ele. Eles dependiam um do outro por muito tempo para mentirem. A honestidade estava enraizada até os ossos. Se Chuito disse que não estava transando com Alaine, então era verdade, mas o que estava acontecendo aqui? A filha de um pregador


escorregando em seu quarto todas as noites em camisolas transparentes e Chuito não fazia nada. Se ele estivesse lutando esta batalha entre a consciência e seu pau por essa gringa, que entrou em seu quarto como se morasse lá, por cinco anos... Não era de admirar que estivesse falando em voltar para Miami. Isso soava como inferno para Marcos, mas então ele nunca foi tão disciplinado como Chuito quando se tratava de coisas como essa. Se houvesse uma mulher bonita deixando a luz acesa, as chances eram de que Marcos estaria indo para ela com certeza. Especialmente uma que quisesse com cada fibra de seu ser. Só por uma vez. Um único gosto para fazer com que as coisas ficassem mais fáceis quando ele voltasse para o armazém nos próximos dias. Para durar quando acabasse na prisão, eventualmente. Ou morto. Ele não queria arrependimentos, mas não queria ferir Katie só para ter um gosto dela. Estava à procura de um compromisso. Essa coisa de consciência era nova e não testou os limites ainda. Não tinha certeza de por onde começar. Estava orgulhoso de si mesmo por ter acabado tudo no jantar de hoje, mesmo que se sentisse miserável pois nunca sentiu uma ligação como essa com uma mulher. Tinha a sensação de que não teria novamente. Parecia raro como algo que poucos


tiveram a chance de tocar, mas escolhi deixar Katie sentada lá porque percebi que o risco que ela correria não valia à pena. Agora estava questionando todas essas boas intenções. Marcos nunca se deu bem com regras. Se tinha alguma coisa tentando prendê-lo, imediatamente começava a puxar a coleira, lutando e rosnando como um pit-bull que foi ferido pela vida. Ele olhou para a hora no telefone e lembrou que ainda tinha o boletim de ocorrência do acidente em seu porta-luvas. Com o seu endereço. Sua mente estava gritando com ele, lembrando Marcos de cada pecado que ele já cometeu e comparando a agradável vida de Katie, com sua ajuda para moldar as mentes de jovens ansiosos, auxiliando-os a atingir seu potencial mais elevado. Crianças como Juan. Marcos precisava manter o seu traseiro Boricua naquele sofá. Mesmo que isso significasse que a vida de Katie continuaria segura e chata. O Senhor sabia que chato era melhor do que a alternativa que ele tinha para ela. A pista rápida era cruel para todos eventualmente. Marcos, mais do que ninguém, sabia disso. Mas mesmo assim, ele se levantou e vestiu a calça jeans.


Capítulo Oito Katie não poderia entrar num romance. Ela estava tensa e impaciente. Um relâmpago caiu, e ela pulou assim que a tempestade se enfureceu e a chuva bateu contra as janelas. Ela deveria se enrolar e dormir, mas não conseguia relaxar. Verificou a Craigslist em seu telefone pelo menos uma centena de vezes esta noite, mesmo sabendo que Marcos nunca responderia por ali. Ele dirigiu da Flórida para evitar isso a primeira vez. E era muito difícil não ficar lisonjeada sobre isso. Katie não era uma dessas mulheres como Ashley que recebia muita atenção do sexo masculino. Ela sempre foi um tipo invisível para eles. Não intimidada, apenas completamente despercebida. Não era gorda, mas certamente não era magra. Olhos castanhos. Cabelo castanho. Incrivelmente pálida, mesmo no auge do verão. Não tinha uma grande personalidade ou um caráter excessivamente doce. Não cozinhava muito bem, nem tinha um grande trabalho. Seu valor no mercado feminino era baixo. Ela não era boa na matéria de esposa mais do que era deusa do sexo. Foi provavelmente a razão pela qual se agarrou


à Grayson no segundo que ele mostrou interesse em sua inteligência, e nada mais. Foi também a razão pela qual as coisas azedaram tão rapidamente, porque Katie não queria ser um capacho. Não foi capaz de aguentar a besteira de manter um homem. Desde seu divórcio, ela se acostumou com a ideia de passar seus dias ensinando e voltando para casa sozinha, recolhendo-se em sua pequena casa como uma solteirona fazia após o dia terminado. Passou muito tempo desejando ser mais criativa. Mulheres como ela supostamente tricotam, não é? Isso não iria acontecer, então no lugar disso, considerou comprar um gato. Ela era muito prática para não tentar um plano simples, mas de futuro solitário. Até que Marcos apareceu e a desiludiu de todas as suas noções. Katie checou novamente seu telefone como uma idiota apaixonada, sabendo que era muito triste fazê-lo. Nada de Marcos, apenas muitos textos de Grayson. Cada um era mais desesperado e irritante do que o último. Parecia que ele estava intensificando seu jogo desde o pequeno incidente no estacionamento. Isso estava começando a se tornar um problema real. Ela desejou que ele saísse com Ashley e a deixasse sozinha. Estava muito cansada dele. Katie ainda estava pensando nisso quando a campainha tocou.


Estava tão distraída que não se incomodou em lembrar o que se passou de manhã. De fato, esqueceu tudo o que a mantinha amarrada e ansiosa toda a noite. Ela estava pensando que fosse Grayson. Era o primeiro dia das férias de primavera depois de tudo. Isso poderia motivá-lo a ficar acordado até depois das onze e seus textos eram o limite de um perseguidor pervertido. Ela pegou seu roupão do gancho na porta do quarto e amarrou-o para cobrir sua nudez, porque se arrastou para a cama mais cedo com nada além de uma calcinha de renda rosa. A ousadia que tomou para postar esse convite no Missed Connections a deixou se sentindo travessa e dormir nua era um dos pequenos benefícios de se viver sozinha. E então bateram na porta novamente. O post do Missed Connections. A calcinha cor de rosa não inspirava quando pensava em Grayson

do

outro

lado

da

porta,

um

sentimento

completamente oposto da intenção inicial. Ela olhou pela janela da sala da frente com seu batimento cardíaco agora pulsando em seus ouvidos, pernas vacilantes e algo pulsante, quente e inegável entre as coxas. Através da chuva, era difícil ver o veículo na garagem. — Quem é? —, perguntou, presa entre uma voz estridente de esperança e medo. Ela não tinha certeza de que queria a resposta. Grayson era irritante, mas confiável. Poderia gritar com ele e mandá-lo


embora como já fez tantas outras mil vezes que ele apareceu em sua porta. Mas se fosse a outra possibilidade... — Você sabe quem é, chica. Katie respirou assustada, essa combinação de medo e luxúria batendo diretamente em seu plexo solar. Aimeudeus. Aimeudeus. Aimeudeus. Ele apareceu. O que parecia uma grande ideia depois de dois copos de vinho durante o banho, era muito mais aterrorizante quando a possibilidade estava na sua frente, e ela estava vestindo nada mais do que uma calcinha rosa e um roupão azul felpudo que tinha desde o colegial. Seus olhos estavam arregalados enquanto olhava para a porta. — Você não tem que abri-la—, ele disse do outro lado, com a voz resignada ao invés de raiva, como se ele pudesse sentir todos os seus medos em silêncio. — É provavelmente melhor que não abra. Isso não foi muito reconfortante. — Merda, isso soa totalmente errado. — Marcos gemeu como se estivesse lendo sua mente. — Eu não estou dizendo que espero alguma coisa. Não sou esse tipo de cara. É apenas


que você é.... você, e eu sou eu e.... coño30, eu não deveria ter vindo. Eu só... Katie abriu a porta porque havia um quê de profunda dor em sua voz que a tocou. O medo do momento causou amnésia temporária do porque ela postou todas aquelas mensagens no Missed Connections para começar. Ela não tinha certeza de que de algum modo pudesse ver espelhadas nele todas as suas próprias inseguranças, mas algo soou dentro dela tão forte que não poderia deixar de abrir a porta. Marcos estava lá, protegido da tempestade sob o abrigo do toldo da sua varanda. Seu cabelo escuro e curto estava encharcado, mas arrepiado como se ele tivesse passado suas mãos nele várias vezes. A camisa justa azul que usava grudouse ao seu peito forte e aos braços musculosos como uma segunda pele. A luz da casa refletida em seus olhos claros, fazia a emoção que pairava neles escura e inegável enquanto olhava fixamente para ela em pé, com nada além do roupão. O seu olhar deixou óbvio que não havia muito debaixo dele. — Ay Dios mio31—, Marcos engasgou, sua voz profunda de modo que os cabelos dos braços de Katie ficaram em pé. Ele balançou a cabeça, como se duvidando da sua afirmação, de que não precisava ter nada com dela. — Você não deveria ter aberto a porta, cariño32.

30

Coño – Expressão em espanhol que serve para dar ênfase; porra, merda, diabo.

31

Ay Dios Mio – Ai meus Deus

32

Cariño – carinho, doce, querida


Katie deveria perguntar a ele o que significava, mas ainda estava com a pulsação congelada em um estado de choque sexual. Por mais que gostasse de ficar perto dele, uma parte dela não podia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo. Justo com ela, de todas as pessoas. Era de se supor que ela saísse com homens como Grayson, não como Marcos, que exalava tanta sexualidade que quase podia saboreá-la em sua língua. Tudo nele era duro e implacável, ele tomava conta da sua porta com aqueles grandes bíceps agora molhados e implorando para serem tocados. — O-o que cariño quer dizer? —, ela perguntou, em vez de fazer algo lógico como convidá-lo para entrar, porquê da forma que ele disse, com aquela voz baixa e rouca, a fez sentir quase como uma carícia. Ela puxou seu roupão, fechando-o inconscientemente, porque seu olhar se mantinha fixamente no decote. — Você me faz desejar que tivesse escolhido espanhol na faculdade...—, a divagação de Katie foi cortada quando ele ergueu o olhar de volta para o rosto dela, uma intensidade desenfreada ainda rodando nele ao ponto de ela ter que puxar sua respiração porque realmente se sentia um pouco fraca. Dizer que esta era uma situação que não estava acostumada, era um grande eufemismo. Ela abriu mais a porta em convite. — Eu-eu sinto muito. Estou sendo rude. Você gostaria de entrar? Você está todo molhado. Posso te dar uma toalha ou... Ela parou quando ele agarrou a sua mão na porta e puxou-a para frente. Seus nervos estavam tão tensos, que ela


teria tropeçado, mas Marcos a segurou e a envolveu com seu outro braço para manter Katie em pé. Ele realmente cheirava bem, como sabonete, homem e chuva, todas coisas puras e naturais. Ela fechou os olhos, precisando de alguns segundos para sentir tudo do momento. Suas emoções, seus pensamentos, seu batimento cardíaco e nitidamente, a respiração pesada que ela sentia. Era tudo muito selvagem, como se seu mundo tivesse acabado de explodir em um prisma de cores depois de toda uma vida em preto e branco. — Uma noite—. Marcos soava sem fôlego também. Como se estivesse experimentando essa mesma espiral queimando na boca do estômago do modo que Katie estava. — Então você pode chutar minha bunda para fora da sua casa e prometer nunca deixar outra mensagem no craigslist. Ele correu os dedos por seu braço, traçando as cicatrizes que o acidente deixou. — Tente esquecer que isso aconteceu. Ela piscou para isso, uma carranca estragando sua testa antes mesmo de ter compreendido completamente suas palavras. Quando o fez, ela balançou a cabeça em negação. — Não—. Não podia prometer isso. Apenas não podia. Não deixaria esse sentimento por nada. Não voltaria para o branco e preto novamente. — De jeito nenhum. — Prometa, Katie—, Marcos encorajou-a, soando duro de uma

maneira

que

tornava óbvio

que ele

não

estava

acostumado a ter pessoas discutindo com ele. — Faça isso, e


eu irei...— Sua voz falhou à medida que seu olhar deslizou de volta para a curva dos seus seios. Algo de feroz o deixou, substituído por um suave tenor, convincente como mel derretendo em sua língua. — Eu irei fazer isto ser bom. Muito bom. Aquele leve sotaque que ela notou algumas vezes se tornou mais pronunciado agora, tornando tudo mais atraente por causa disso. Katie realmente estremeceu em resposta. Quase concordou, mas era mais forte agora do que foi antes do acidente. Em vez disso, ela balançou a cabeça. — Por favor, não me peça para fazer isso. — Eu peço—. Seu polegar varreu as cicatrizes no braço dela novamente, como se lembrando a ele mesmo. — Deixe-me fazer a coisa certa. Não é apenas sobre você. É sobre mim também. Preciso saber que posso fazer as escolhas certas. Que eu não sou completamente mau. — Eu sei que você não é completamente mau—, ela disse com tanta convicção que lágrimas brotaram de seus olhos. — Apenas aconteceram coisas ruins a você e.... — Eu fiz um monte de merda ilegal antes de minha mãe morrer. — Ele a cortou com certeza sombria. — Um monte. Talvez, mas isso foi no passado, e agora tudo o que podia dizer sobre isso era: — Eu acho que você é maravilhoso, Marcos. Katie sabia que soou como uma adolescente e deixou-a vulnerável de uma maneira como uma mulher adulta com um


divórcio em seu currículo não deveria ser capaz de fazer. Outro homem podia zombar dela por isso, mas afetou Marcos muito diferentemente. Ele fechou os olhos, respirando fundo, e pareceu vacilar. Ela pensou, por um momento, que ele se viraria e iria embora. Em seguida, ele amaldiçoou em espanhol e segurou seu rosto com as duas mãos, as palmas das mãos ásperas contra suas bochechas enquanto olhava para ela, seu olhar agora cheio com algo quente e tão tangível que Katie quase podia sentir o gosto. Ela lambeu os lábios em resposta, e ele gemeu, apenas um pequeno som de agonia que soltou enquanto estudava sua boca. — Prometa. — Sua voz estava rouca, quase tremendo quando ele deu outra respirada irregular. — Por favor, Katie. Seus batimentos cardíacos estavam pulsando em seus ouvidos agora. Sua calcinha estava extremamente encharcada pelo desejo selvagem que escolheu aquele momento para intumescer e tomá-la. Quase como uma tortura, uma forma primitiva de manipulação que a faria concordar com qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa que Marcos quisesse. Ela lambeu os lábios novamente, olhou para aqueles belos olhos que assombraram seus sonhos por meses e respirou fundo antes de sussurrar, — N-não. — Por que está sendo tão cabeça-dura? —, ele retrucou, e se ele fosse um homem diferente, ela teria se encolhido pelo


tom rígido. — Sabe o que vou fazer com você se você disser sim? Irei ter você suando e gemendo a noite toda. Eu juro, apenas... — Não—, ela disse novamente, desta vez mais forte enquanto estava lá firme, o rosto ainda entre as mãos ásperas. — Preciso de mais do que uma noite. Nunca estive com mais ninguém, além de Grayson. Nunca beijei ninguém além dele e nunca tive um homem que olhe para mim como você faz. E provavelmente não terei novamente depois que você for embora e....— Ela tentou lutar contra o seu aperto para sacudir a cabeça. — Não. Sua respiração estava bastante irregular agora, seu peito musculoso subindo e descendo de uma forma frenética como um animal selvagem poderia fazer. Ele abriu a boca, parecendo querer dizer alguma coisa, e então, quando ela pensou que poderia morrer de esperar, ele disse: — Foda-se, — e usou sua força para puxar seu rosto para mais perto, inclinou sua cabeça a pouca distância, de modo que seu hálito quente estava exalando em seus lábios. Ainda assim, ele parou ali e implorou: — Diga. Ela ficou na ponta dos pés, abrindo espaço entre eles, finalmente, e sussurrou, com uma suave sensação em seus lábios: — Não. Ele sorriu. Apenas um traço dele, mas ela sabia que estava lá porque sentiu. Assim como sentiu a pancada forte, implacável de seu coração, porque a mão dela estava contra


seu peito. Ela enrolou os dedos no tecido molhado de sua camisa, e depois fechou os olhos, ainda tentando guardar cada detalhe único daquele momento. Ele forçou Katie firmemente contra seu corpo duro. Peito contra peito, lambeu levemente a curva de seus lábios e um fluxo caótico de pensamentos circularam dentro da mente de Katie e se estilhaçaram no momento. Ela separou-se dele, todo o seu ser agora focado em uma única oração silenciosa. Deus, por favor. Ao invés de combatê-la, Marcos empurrou sua língua entre seus lábios entreabertos em um movimento lento e um gemido baixo que reverberou através de Katie até a sua alma. Doce Jesus, ela não tinha ideia que um beijo poderia fazêla se sentir assim. Quente, lento, indulgente. O prazer foi quase chocante, como o primeiro choque de um caramelo viscoso em sua língua, degustando tão bem que sua mente não conseguia compreender, mas ela abriu para mais, como um completo glutão na decadência proibida. Pequenos pulsos de desejo reverberaram por seu corpo inteiro, e ela realmente pôde sentir o seu clitóris pulsar. De alguma forma, eles acabaram dentro de casa, as mãos de Marcos em seu longo cabelo e sua boca na dela. Katie sentiu suas costas atingirem a parede, e ela se arqueou contra ele, instintivamente, silenciosamente implorando por mais, essa ação mudou tudo. O beijo passou de lento e lânguido a áspero e desesperado entre um batimento cardíaco e outro.


Quando sua língua empurrou além de seus lábios desta vez, foi de uma forma mais dura, mais primitiva. Ele afundou os dedos em seu cabelo, a segurando, enquanto mordia seu lábio inferior. Ela abriu mais a sua boca, aceitando tudo que ele quisesse dar a ela. Eles gemiam e ofegavam na boca um do outro sempre que se separavam para respirar. O tremor da necessidade entre eles era tão violento, que se tornou manifestações físicas e as mãos de ambos tremiam. Quando Marcos empurrou seus quadris contra ela, Katie pôde sentir o contorno duro de seu pênis através de seu jeans molhado. Ela colou suas mãos na camisa, esticou o decote enquanto arquejava e sua vagina apertou por saber que ele estava ansioso também. — Oh, eu preciso...— Ela encostou a cabeça contra os painéis de madeira na entrada. Ele respondeu se inclinando e chupando seu ponto fraco na curva do pescoço, tendo uma reação instintiva quando o prazer chegou à sua vagina. Ela não podia sequer começar a verbalizar seu desespero, mas tentou. — Por favor, Marcos. Eu...— Ela engasgou quando ele puxou o nó do seu roupão. Katie teve um breve momento em que não havia outra coisa que não fosse o ofuscante desejo que filtrava em sua consciência. Ela estava muito pálida. Os seios dela eram grandes demais, muito cheios; eles não eram firmes e extravagantes como daquelas meninas nos vídeos de férias de primavera. Eles filmavam esses shows selvagens na Flórida, onde Marcos vivia. Todas as meninas em Miami eram certamente supermodelos perfeitas, e seus quadris eram muito grandes...


Marcos gemeu e Katie fechou os olhos apertados, sentindo o calor do constrangimento queimando em seu rosto até o pescoço e o peito. — Porra, você corou toda. — Ele correu seu polegar para baixo no vale entre os seus seios, seus dedos passando sobre o seio direito. — Merda, isso é tão sexy. Sua pele é suave para caralho. Sem falhas. Não há linhas bronzeadas... Olha como você corou apenas por isso—. Ele segurou o seio esquerdo com a outra mão e grunhiu, os músculos do estômago apertando visivelmente. — Eu tenho um tesão por garotas que coram. — V-você tem? — Ela queria virar a cabeça e esconder seu constrangimento, mas era cativante assistir a maneira como Marcos olhava para seu corpo, exposto agora com seu roupão solto sobre os ombros. Parecia um pouco como ver um acidente de um carro - parte dela queria desviar o olhar, mas não podia. — Por quê? — É difícil de fingir enrubescer. Quando garotas ficam quentes, elas começam a ficar sem fôlego e rosadas e coño, você é perfeita pra cacete! — Ele não conseguia desviar o olhar de seus peitos e esfregou um polegar sobre seu mamilo, rodeando-o com reverência, fazendo-a gemer e arquear contra ele novamente. Constrangida, fechou seus olhos, porque a sensação era maravilhosa. — Eu me pergunto como você irá parecer depois que gozar.


— O-o quê? —, ela chiou quando o polegar continuou a traçar pequenos círculos sobre seu mamilo que estava apertado de prazer. Marcos passou os braços em volta dela, forçando-a a se arquear contra ele e segurando-a em seus pés, ao mesmo tempo em que ele se inclinava para baixo, sugando seu mamilo na sua boca. Bom Deus! Ela não tinha ideia de que podia sentir algo tão bom. Katie estava com os joelhos fracos, seu corpo se doando e querendo deslizar para o chão, mas Marcos foi extremamente forte. Ele a segurou. Ela podia sentir seus bíceps apertarem sob seus dedos, estava agarrada a ele como uma tábua de salvação. No entanto, mesmo com toda essa força, ele parecia estar lutando a mesma batalha de vontade. Os dois deslizaram de joelho no chão de madeira. A porta ainda estava aberta, a chuva respingando sobre eles, mas ela não se importava, porque, de repente, tudo era duro, intenso e forte sobre ela, esmagando-a no chão. Ele moveu os lábios de volta para seu pescoço e seu corpo poderia ter lamentado a perda, mas ela já estava em sobrecarga sensorial. Tudo parecia bom. Ambos estavam sem fôlego, e quando ele a segurou, puxando seus cabelos, expondo a curva de seu pescoço, ela se arqueou enrijecida, dando-se a ele como uma viciada quando sentiu ele chupou e lambeu a linha de sua garganta até o ponto sensível atrás da orelha. — Eu vou comê-la até fazer você gritar, chica.


Hã? O significado de sua promessa se perdeu quando ele enfiou a mão livre para dentro da sua calcinha, tocando-a intimamente, o rosto dela em chamas por estar totalmente molhada, inchada e dolorida. — Coño. — Ele gemeu, empurrando um dedo dentro dela sem convite ou aviso. Ela engasgou e agonizou em uma agitação quente de prazer quando ele soprou em seu ouvido. — Oh, sim, bebê. Eu vou provar isso. Oh. O significado do que ele disse a golpeou como uma tonelada de tijolos, e não. Apenas isso, não. De jeito nenhum. Ela não deveria fazer isso com um cara no primeiro encontro. Ela foi casada por quase um ano antes dela e Grayson experimentarem algo como isso e depois ambos decidiram que não era sua praia. Boas garotas não fazem coisas assim, ela sabia que devia empurrá-lo de cima dela e dizer a Marcos as regras porque o conceito parecia perdido para ele. Mas ela não o estava parando. Ela não estava explicando nada. Em vez disso, estava deitada ali balançada e necessitada enquanto ele se movia para baixo mais uma vez, sugando os mamilos novamente. Lambendo as pequenas linhas brancas de seus seios como se realmente gostasse delas. Desceu contra seu estômago, e isso


era muito mais íntimo do que qualquer coisa que ela fez com Grayson. Muito mais. Mas ela não estava parando Marcos. Nem um pouco. Ela o estava ajudando a retirar sua calcinha rosa. Não estava nem mesmo se preocupando muito com a sensação em seu estômago ou em estar completamente exposta a um homem que mal conhecia, mas com quem sentia uma louca ligação. — Pronto. — Ele deu um sorriso de parar o coração quando observou a parte mais íntima dela. Seus olhos brilhavam como fogo azul na iluminação fraca da porta de entrada. — Bom, chica. Muito bom. Algo arranhou em seu peito devido ao jeito que ele estava olhando para ela de forma tão genuína. — O que isso significa? Marcos inclinou-se para puxar a parte de trás de sua camisa. Ele puxou-a em um movimento fluído e, em seguida, jogou-a para o lado. Katie estudou-o, agora sem camisa, mostrando mais tatuagens. Uma cruz por cima do músculo peitoral esquerdo chamou sua atenção, descansando bem acima de seu coração. Ela viu as palavras escritas acima e abaixo dele. Nomes. A mãe dele. Juan. Uma data foi escrita no meio. Ela entendeu que foi a data em que morreram. Ela inclinou-se, tocando a marca em sua pele bronzeada. Ele colocou a mão sobre o coração, em vez de afastá-la quando perguntou:


— O que você disse antes? — Eu esqueci—, ela sussurrou. Porque ela esqueceu. Esqueceu-se de tudo no momento em que este lindo e danificado homem, marcado pela vida, pairava sobre ela. Precisando dela. O que diabos a vaidade ou regras diriam sobre isso? Ela se deitou, dando-se a ele. Não importava que a dor dele fosse tão profunda quanto a dela agora. — Faça o que quiser para despertar o seu desejo. Ele respirou bruscamente, olhando para ela com surpresa. — Sim? — Oh, sim. — Ela assentiu com a cabeça. — Se você precisa esquecer, eu quero ajudar. Marcos não hesitou. Ele se inclinou e chupou um mamilo tenso novamente, fazendo-a gemer e arquear as costas. Ela enfiou os dedos em seu cabelo molhado, segurando-o enquanto se movia mais baixo com a sua pele nua tocando a dela. O sexo com Grayson nunca foi tão incrivelmente íntimo. Ela observou as emoções tocando o seu belo rosto enquanto ele lambia e brincava com ela. Um brilho fresco de suor cobriu seu corpo, fazendo sua pele deslizar contra a dele que ainda estava molhada da chuva. Suas pernas se separaram para apoiar sua dura e musculosa forma sobre ela,


e quando ele correu sua mão para baixo sob sua coxa e envolveu sua palma áspera sob seu joelho direito, se deixou abrir mais. Como um homem nascido para tomar de forma imprudente os prazeres que a vida lhe ofereceu, Marcos passou o polegar para baixo em suas dobras, obrigando-a a se abrir para ele. Não havia um pingo de hesitação ou insegurança nele, não com isto, tão simplesmente despojado e olhando para ela como se quisesse se lembrar muito bem de tudo isso. Em seguida, ele inclinou a cabeça sobre seu ventre, e ela observou hipnotizada a pura ousadia nele enquanto ele chupava seu clitóris como se fosse seu dono. O prazer era ofuscante. Ela não podia deixar de fechar os olhos por causa disso. Seus dedos apertando em seu cabelo por vontade própria, e por apenas um momento, ficou preocupada que fosse demais. Mas em seguida, ele empurrou um dedo dentro dela, dobrando a onda de felicidade, que ela não pôde lutar contra isso de forma alguma. E não quis. Ela gritou seu nome quando seu toque curvou para cima, acendendo algo dentro dela que fez a sensação de sua língua contra o clitóris muito mais potente. Grayson nunca fez isso assim,

forçando-a

a

sentir

tudo

de

uma

vez.

Foi

impressionante, mas deixou se afundar no arrebatamento simplesmente porque não tinha ideia de como parar a si mesma.


— Deus! — Suas pernas tremiam quando uma espiral de prazer a apertou rápido demais para controlar. Sabia que era cedo demais, mas não poderia parar agora. Katie se direcionou debaixo de Marcos, puxando seu cabelo e se abrindo mais quando

um

ataque

violento

de

êxtase

bateu

nela

embaraçosamente rápido. — Eu sinto muito. Eu sinto muito. Eu sinto muito. As desculpas emergiram dela como onda após onda de prazer que colidiam sobre ela. O corpo inteiro de Katie tremeu. Sua vagina se retesou apertada, num ritmo rápido de liberação, e ele esfregou contra esse ponto fraco mais e mais em resposta à prece silenciosa. Ela fechou seus olhos mais apertados quando sentiu vindo novamente e tentou enfrentar o segundo clímax tão silenciosamente

quanto

possível.

Ela

mordeu

o

lábio,

sufocando seus gritos, mas sabia que seu corpo a traía completamente. Marcos podia sentir o quão forte era, por dentro e por fora. Ele ainda não diminuiu totalmente antes de se tornar muito sensível para a sua boca, e ela puxou seu cabelo. Ele a surpreendeu ao se afastar, mas ele ainda a estava acariciando com os dedos. Em algum momento ao longo do caminho, ele trabalhou nisso e a fez sentir-se incrível. Marcos estava sobre ela agora, assistindo como a fodia com os dedos. Ele a arrastou para o seu segundo orgasmo para o que parecia uma eternidade, fazendo-a morder o lábio com mais força.


Ele parou de tocá-la apenas para libertar seus lábios fechados. Ela não sabia o que a surpreendeu mais, o fato de que seus dedos deixaram o sabor do seu sexo lá ou dele se inclinar e lambê-la afastando-se um segundo depois. — Não se esconda. — Ele respirou contra seus lábios. — Eu gosto de ouvi-la. Ela piscou, atordoada com o quanto algo tão rude a atraía. — O-okay. O corpo de Katie ainda estava inflamado e formigando de dois orgasmos poderosos, mas ela lutou contra o embaraço. Quando ele se abaixou e empurrou um dedo de volta novamente, não se impediu de ofegar violentamente. — Como é tão apertada, chica? — Marcos acariciou-a de novo para provar seu ponto, fazendo-a se apertar em torno dele. — É, hum, já faz um tempo. — Ela fechou os olhos mais apertados quando admitiu, — me divorciei há q-quase dois anos. — É só por isso? — Marcos soou divertido. Seu sotaque era pronunciado agora, e isso só serviu para alimentar uma chama furiosa dentro de Katie, especialmente quando ele se abaixou e pegou sua mão direita, empurrou-a contra a virilha da sua calça jeans, forçando-a a sentir a longa espessura de


seu pênis. — Ou talvez aquele pendejo33 simplesmente não a preencheu como você merece? — Oh. — Ela segurou-o por instinto, observando a maneira como ele cresceu com seu toque. Ela tinha que admitir, parecia muito maior do que estava acostumada. — Ttalvez não. Com uma coragem e curiosidade que nunca teve antes desta noite ela puxou o botão da sua calça jeans e, em seguida, puxou o zíper. Marcos apertava ambas as mãos contra o chão de madeira, apoiando todo o seu peso sob o seu corpo, e, em seguida, abaixou a cabeça para observá-la libertá-lo. — Ay Dios mio. — Ele gemeu quando Katie empurrou sua cueca boxer preta para baixo e acariciou o comprimento dele. — O que significa isso? — Katie perguntou como uma distração, porque não pôde acreditar o quão grosso ele estava, com a ponta dos dedos tentando não tocar na base. Estava presa entre estar nervosa e tão ligada que não podia ficar longe da visão da sua mão em torno dele. Ela acariciou-o da raiz à ponta, e em seguida, esfregou o polegar sobre a cabeça de seu pênis, perguntando-se se seria parecido com empurrar dentro dela. — Meu Deus. Ela piscou para ele. — O-o quê?

33

Pendejo – Idiota, estúpido


— I-isso é o que significa. — Ele resmungou e, em seguida, arqueou para o abraço de sua mão. — Ay Dios mio. Oh meu Deus, porra. Marcos estendeu a mão, lutando para encontrar o seu bolso quando os jeans foram empurrados para baixo sobre as coxas. Frustrado, derramou um monte de pacotes no chão, agarrou um e colocou um entre os dentes, relutante para ela libertá-lo. — Quantas dessas coisas você trouxe? — Katie não sabia porquê, mas ela riu. Ele lhe deu um sorriso diabólico em torno do pacote de preservativos em resposta, e ela riu mais forte antes de expressar suas preocupações em voz alta. — Eu não acho que vai caber. Ele segurou a ponta do preservativo, rasgando a embalagem com os dentes antes de cuspi-la, e disse: — Vai caber. Ela ainda estava rindo e não tão nervosa como deveria estar. — Sexo com você é educativo por uma série de razões, no mínimo para uma lição de espanhol. — Não repita qualquer espanhol que você aprender de mim nos próximos vinte minutos. Ela ergueu as sobrancelhas em surpresa. — Vinte minutos?


— Eu me masturbei no carro. — Ele não parecia constrangido com a confissão. — E eu sempre aguento mais no segundo tempo. Ela libertou-o, incapaz de acreditar que ele acabou de admitir isso. — Você se masturbou? — Sim, eu já teria explodido no segundo que você veio contra os meus lábios se não tivesse feito. — Ele rolou o preservativo em si mesmo, ainda completamente consciente de si. — Conheço os meus limites e você pressiona cada um deles. Ela observou o modo como sua mão se moveu para baixo na comprida espessura bronzeada do seu pênis, sentindo novamente a falta de ar e tentando entender como Marcos poderia colocar o preservativo de forma tão sexy. Katie o envolveu com as pernas porque precisava dele dentro dela, mesmo sabendo que seria apertado. Ela enganchou os pés na cueca que foi empurrada para baixo sobre a linha suave e apertada de seu traseiro. Juntos, eles se despiram do resto de suas roupas, e então eram apenas eles, pele

com

pele.

Palavras

e

humor

foram

embora

tão

rapidamente quanto apareceram, substituídos por uma onda de emoção que não estava esperando. Ela acariciou seu rosto quando ele se abaixou sobre ela. Ele era pesado, a madeira era dura contra as costas dela, mas não deu a mínima para nada disso. O fogo naqueles olhos claros quase a consumiu quando Marcos a estudou.


— Katie...— Sua voz estava embargada. — Eu... Ela colocou os dedos sobre seus lábios antes que ele pudesse terminar. Ela podia sentir algum tipo de confissão em sua voz, e foi demais. Não podia ouvi-lo, não se ele estivesse pensando em deixá-la ao amanhecer. Era louco e insano e fazia tanto sentido quanto todo o resto, mas ela sabia o que ele ia dizer, então o cortou. — Apenas me faça sua—, pediu, porque ela precisava disso desesperadamente. — Isso é o que eu preciso agora, Marcos. Ele gemeu derrotado e enterrou o rosto na curva de seu pescoço. Seus lábios como o paraíso, trazendo um novo brilho de prazer sobre sua pele. Ela virou a cabeça, dando-lhe um melhor acesso enquanto traçava os músculos de suas costas e o deixava passar a mão entre seus corpos nus. Ela podia sentir seu pênis, duro e pronto contra seu estômago, mas ele a tocava ao invés de penetrar. A sedução era lenta, mas sabia que provavelmente estava sendo mais rápida do que na primeira vez que ele brincou com ela e a deixou tão molhada e necessitada, que já não lhe importava o quão grande ele era. Katie estava se movimentando e gemendo debaixo dele, se empurrando contra sua mão. Se ele não fizesse isso logo, ela

iria

gozar,

e

isso

era

simplesmente

inaceitável.

Normalmente, só chegava ao orgasmo uma vez e mesmo assim sozinha. Três vezes com Marcos antes mesmo de fazer amor com ela, era demais para os padrões de alguém.


Ela engasgou quando ele esfregou o polegar contra o clitóris, e implorou: — Por favor. Ele parou de tocá-la e colocou a outra mão em seu cabelo, puxando-o incisivamente e olhando para ela novamente. — Eu gosto de assistir. Eu quero ver seu rosto quando gozar. Ela fechou os olhos, se sentindo exposta e ainda mais ligada por causa disso. — O-Ok. Ele se mexeu mais, e Katie ajudou, se arqueando quando o sentiu contra sua abertura, empurrando para frente lentamente, reivindicando de forma indulgente. Quando a ampla ponta do seu pênis entrou nela, sentiu sua boca abrir, porque ele era muito maior do que qualquer coisa que experimentou antes. Não sabia como ele iria se encaixar, mas o fez, assim como prometeu. Arrepios se espalharam sobre a sua pele, o prazer estava mais profundo do que antes, mais potente, e ela cravou as unhas em seus ombros quando começou a dominá-la. Ela tentou morder o lábio inferior novamente, mas ele rosnou: — Não, deixe-me ouvi-la. Deixe-me ouvir tudo. — Ele fez o resto do caminho em um impulso forte que a fez gritar quando uma nova onda de êxtase surgiu. — É isso, chica. Deixe-me ouvir você gozar em mim, deixe-me te comer como a cadela sexy que é.


Ela engasgou com suas palavras duras, porque a fez se sentir tão sexy como Marcos alegou que era e isso nunca aconteceu antes. Ele enterrou o rosto contra o pescoço dela novamente e mordeu forte o suficiente para deixar uma marca. Na próxima vez que ele falou, foi em espanhol, mas as palavras eram tão ríspidas e irregulares, sem fôlego e desafiadoramente sexy de uma forma que era fácil de entender, mesmo que ela não pudesse traduzi-lo. Em seguida, ele empurrou e a tomou novamente antes que pudesse recuperar o fôlego. Jesus, o atrito foi incrível. Ela realmente estava preenchida e isso era muito além de bom. Ela se agarrou a ele quando entrou com força, uma e outra vez, fazendo aumentar seu prazer até que estava arranhando suas costas e gozando antes que qualquer um deles esperasse. Ele montou tempestuosamente nela, empurrando mais rápido, estendendo-se na corrida selvagem de êxtase tanto tempo que ela estava sem fôlego e suando quando ele começou a diminuir. Marcos ainda estava se movendo, e ela percebeu que ele não gozou com ela. Sua voz era irregular quando fez aqueles grunhidos masculinos baixos de prazer contra a curva de seu pescoço com cada impulso. Quando ele falou, ainda era em espanhol, sussurrando em seu ouvido como as confissões de um moribundo. Ela podia sentir a tensão nele, seus músculos flexionando sob seus dedos e da forma como tudo nele parecia apertado, como uma cobra prestes a atacar.


Isso pareceu injusto e ela passou as mãos em seu cabelo. Katie puxou e levantou sua cabeça para reclamar seus lábios em um beijo selvagem, de boca aberta. Ele empurrou sua língua entre seus lábios quando ele começou a se mover mais rápido, mais duro. De alguma forma, um de seus joelhos se engancharam

debaixo

do

seu

braço,

deixando-a

completamente aberta ao golpe de seus quadris contra os dela. Eles estavam suados e pegajosos, e ele realmente era um homem pesado, mas nada disso importava quando ela se afastou e disse: — Vá em frente. Eu...— Ele a beijou novamente e enfiou a mão entre seus corpos tensos, encontrando seu clitóris, fazendo-a consciente de como estava molhada e obrigando-a a sentir como era o sexo ardente com Marcos, e ela adorou. Tanto que ela gemeu em seu próximo beijo e apenas o deixou gozar com ela, mesmo que ele estivesse pedindo o impossível. — Deus, não. Eu não posso. Mas ela podia, e sentiu o orgasmo vindo novamente. Ela poderia não ser capaz de andar amanhã, mas estava gozando novamente, ele a fazia sentir como uma mulher de uma maneira que nunca imaginou ser possível. Deus, naquele momento, ela teria dado a este homem sua alma se pudesse. — Hazlo de Nuevo. Deja escucharte34. — Marcos fazia uma súplica, puxando seu cabelo novamente e, finalmente,

34

“Hazlo de Nuevo. Deja escucharte” – Goze de novo. Deixe-me te escutar.


resmungou algo em seu ouvido que ela entendeu: — Agora, Katie! Ela gritou quando outro orgasmo varreu seu corpo, e desta vez levou Marcos para baixo com ela. Ele agarrou a sua bunda, segurando-a firmemente contra ele enquanto a fodia, dizendo frases entrecortadas mais duras. Ela não precisava falar espanhol para saber que eram vulgares, mas gostava dele assim, selvagem e feroz para ela. Quando acabou, Katie começou a notar pequenas coisas, como a sensação de sua pele suada contra a dela e os respingos da chuva, a porta aberta refrescando seus corpos febris. Seu peso sobre ela era demais, mas estava tão relaxada que mal podia pensar em reclamar. Em vez disso, ela o abraçou mais apertado, com os braços e pernas, agarrando-se completamente a ele, desesperada por segurá-lo perto tanto quanto possível. Tão louco quanto poderia ser, naquele momento de paz, com a pesada respiração dele arrepiando os fios de cabelo em sua nuca, ela realmente entendeu que homem poderoso tinha em seus braços. Ele sobreviveu mais do que a maioria, e andava pela vida com um constante véu de ferocidade por causa disso. Sabia sem perguntar que poucos viram mais do que isso, mas a casca dura e amarga que ele construiu em torno de si por necessidade, e o fato de que estava disposto a mostrar o seu lado gentil, fez tudo mais inebriante. — Obrigada—, ela sussurrou em um silêncio trêmulo.


Ele deu um beijo em um ponto abaixo da orelha e, em seguida, acariciou seu cabelo, arrumando-o em volta do seu pescoço. Em seguida, se levantou e olhou para ela, seu olhar contemplativo. — Você está bem? — Ele perguntou. Ela assentiu com a cabeça e então mordeu o lábio, antes que desse um sorriso tímido. — Isso foi impressionante, mas não posso acreditar que você aceitou fazer isso. — Ela podia sentir o rubor queimar seu rosto quando fez um gesto para baixo entre eles quando Marcos deu a ela um olhar de confusão. — Antes. Em seu carro. Isso é escandaloso. — Você quer dizer a masturbação? — Ele franziu a testa. — Sério? — Sim. — Seu sorriso era largo e satisfeito quando disse isso, porque ela aproveitou cada minuto que teve com ele. — Eu nunca ouvi alguém falar como você. Eu não sabia que um homem poderia ser tão grosseiro e ainda assim.... S-Sexy. É uma combinação única. — Ela encolheu os ombros e olhou para longe. — Eu gosto. Muito. Ele ficou quieto, e ela podia sentir uma tensão que vinha dele, fazendo-a desejar não ter dito nada. Ele segurou seu rosto, a palma da mão áspera contra sua pele sensível quando percorreu seu polegar sobre o lábio inferior pensativamente. Mesmo com o constrangimento aumentando, ela estremeceu sob a carícia simples.


— Mierda35. — Ele gemeu e, em seguida, inclinou-se e apertou a testa contra a dela. — Sinto muito, cariño. — Por quê? — Ela correu os dedos ao longo dos seus músculos das costas porque ela não se continha e se viu perguntando o significado das tatuagens que cobriam a pele quente sob seus dedos. — Sinto-me incrível. Este é provavelmente o melhor orgasmo que eu tive. — Este é o melhor orgasmo que você teve? — Marcos parecia angustiado. — Aqui no chão? — Sim. — Ela o abraçou mais apertado, querendo se livrar do que estava perturbando ele. — E antes, com a sua boca e os dedos. Eu nunca tive...— Ela balançou a cabeça, ainda se recuperando. — Eu não sabia que algo poderia ser tão incrível. — Não. — Ele se afastou, ainda olhando para ela. — Não seja boa para mim. Eu a fodi no chão, Katie. Eu sou um pendejo. — Ele esfregou a mão sobre o rosto e se corrigiu — CCuzão. — Eu não acho que você seja um cuzão—, disse ela rapidamente, odiando que ele não estava entendendo. — Você não entende. Grayson nunca teria feito isso no chão. Tínhamos que colocar uma toalha por baixo para fazer isso na cama. — Ela passou a mão sobre sua bochecha. — Eu adorei isto. Eu juro. Sei que parece loucura, mas o chão é o melhor lugar no mundo, em minha opinião. Não me importo nem que a porta

35

Mierda - Merda


ainda esteja aberta. Amo que esteja aberta, amo que eu pare de pensar quando estou com você. Ela tocou os lábios que estavam inchados de seus beijos. — Você entende? Ele ficou em silêncio por um longo tempo, como se contemplando a sua confissão apressada. Então agarrou a mão dela e beijou o interior do seu pulso e perguntou: — Você quer quebrar o resto da casa? — Sim. — Ela não conseguia esconder sua excitação, mesmo se quisesse. — Eu adoraria. Ela se inclinou e beijou-o novamente, sentindo o seu sorriso contra seus lábios, e soube porque ele estava sorrindo com isso. Ele entendeu perfeitamente.


Capítulo Nove Havia sirenes ao longe, fazendo o coração de Marcos saltar por instinto. Os carros estavam muito longe e ele jogou a arma dentro da lata de lixo da casa mais próxima a ele. E então começou a correr de volta para casa, descalço e sem camisa. Não percebeu o quão longe perseguiu os carros até que teve que fazer a caminhada de volta. Uma parte dele não queria voltar. Não queria descobrir o que deixou para trás quando correu para fora da sua casa como uma rajada de balas. Aqueles filhos da puta atiraram em sua casa! Onde sua família vivia! A arma estava em sua cômoda e ele simplesmente a pegou e correu porta afora para o tiroteio sem pensar em nada, apenas matá-los. Ele nunca deveria ter corrido dois quarteirões sem pensar. A porta ainda estava aberta da mesma forma quando saiu, as janelas quebradas. Ele passou por cima de balas que cobriam a entrada de automóveis, mas realmente não viu nada disso. Haviam pessoas fora de suas casas, mas ela ainda parecia ameaçadora e quieta, tornando-se óbvio que estavam todos muito aterrorizados para ajudar e ele sabia o motivo. Sua fúria saltava das paredes mas a raiva tinha um som. Chuito


estava soluçando, tão áspero e quebrado que soou estranho aos ouvidos de Marcos. Chuito não implorava por nada, até agora. Marcos correu a passos rápidos e encontrou Chuito no chão da sala de estar. Esperou que ele tivesse levado um tiro, e por um momento, Marcos não teve certeza de que não tinha. — Ajude-me a curá-lo, — Chuito estava implorando em espanhol enquanto segurava Juan em seus braços. Havia muito

sangue. Estava espalhado

numa

ampla piscina

carmesim em torno dos dois. O telefone que Chuito estava segurando em sua orelha estava cheio também. Sua mão estava tremendo. — Isso não vai parar. Ajude-me a fazê-lo parar. Ajude-me a salvá-lo. O coração de Marcos parecia que acabou de cair em seu estômago. Não era Chuito morrendo. Era Juan. Chuito olhou para ele, lágrimas escorrendo pelo rosto. — Sinto muito, Marc. Ele estava se desculpando. Juan estava ali morrendo e Chuito estava se desculpando. Por quê? Então Marcos a viu deitada no sofá. Viu o sangue encharcando seu vestido. Viu a escuridão em seus grandes olhos escuros e soube. Soube porque Chuito não estava fazendo nada para salvar a tia que foi uma segunda mãe para


ele desde o dia em que nasceu. Não foi insensibilidade ou preferência por Juan por ser o único a viver. A mãe de Marcos já estava morta. Ele viu morte o suficiente em seus dezessete anos para saber que não havia nada no mundo que poderia salvá-la. Foi um mecanismo de sobrevivência estranho que lhe permitiu abandonar sua mãe morta como Chuito fez e correr até seus primos ao invés disso. Juan não poderia morrer. Ele simplesmente não poderia. Não havia um Deus no universo que deixaria os dois completamente ilesos e permitisse que não apenas sua mãe, mas Juan morresse também. Ele não conseguiria olhar para sua tia Sofia quando ela chegou em casa do trabalho e dizer que seu filho mais novo foi embora. Ele arrancou o telefone da mão de Chuito, caindo no sangue e sentindo-o absorver em seus jeans enquanto gritava: — Diga-me o que fazer! — A ajuda está chegando—, o operador do 911 respondeu em espanhol, fazendo com que Marcos percebesse que ele estava falando em espanhol também. — Ele só precisa manter a pressão e.... Chuito gritou, e em seguida, levantou a cabeça para olhar para Marcos. — Ele parou de respirar! Ele não está respirando!


Marcos acordou instintivamente. Seu corpo estava coberto por um suor frio, e ele estava com falta de ar, ainda preso num lugar infernal onde cada memória era tão real e fundida em seus ossos que parecia que acabou de acontecer, em vez de algo que ocorreu há oito anos. Ele olhou para seu braço, fitando as sete gotas de sangue pintadas no corpo da cobra de sua tatuagem de Los Corredores, só para assegurarse de que teve vingança. Mas não estava ajudando. O sonho foi muito real desta vez. Ele colocou a mão sobre os olhos quando notou uma queimação. Piscou para combater isso quando se sentou em uma cama que tinha um cobertor macio, com plumas embaixo que só poderia pertencer a uma mulher. Deixou a sua mão cair, olhando para o design rosa pálido do estampado, sentindo-se com dezessete anos novamente. Coño, em quantos quartos de meninas ele se escondeu depois daquilo? Se não estivesse lutando, estava trepando para escapar dos demônios. No entanto, mesmo enquanto lutava para clarear sua mente, sabia que isso não era apenas o quarto de uma garota qualquer. Ele olhou para Katie, que ainda estava dormindo profundamente. Cílios como meia-lua em sua pele pálida. Seu


cabelo encaracolado longo espalhado ao redor dela. Ele estendeu a mão e pegou uma mecha, sentindo como seda em seus dedos como foi na noite anterior. Ela parecia tão calma, e ele se perguntou como seria dormir assim. A simples sugestão levou um sorriso aos seus lábios, e imaginou que ela estava tendo sonhos agradáveis. Por alguma razão, isso o fez se sentir melhor. Acariciou sua bochecha, e ela soltou um pequeno gemido, lembrando-o da maneira que ela soou na noite anterior. Seu pênis ficou ereto, o que era um milagre já que ainda estava lutando contra os pesadelos de seu passado. Ela virou de lado, aconchegando-se em seu travesseiro rosa, em seus lençóis rosa, parecendo tão linda que fez o seu peito doer. Ele queria deslizar por baixo do cobertor e fazer coisas que fariam sua pele pálida tão rosa quanto tudo o mais no quarto, mas se conteve. Eles fizeram isso vezes demais antes de finalmente ceder à exaustão. Contra a mesa da cozinha. No sofá. No banho. Em todos os lugares, exceto na cama. A única coisa que fizeram no quarto foi dormir, e ele queria acabar com isso, mas ela estava provavelmente dolorida. Cristo, ele estava dolorido, e não fazia dois anos desde que ele fez isso. Marcos puxou o cobertor para baixo apenas o suficiente para ver a inclinação de seus seios nus. Os admirou por um longo momento, mas então a urgência de tocá-los ficou um pouco demais, e ele rolou para fora da cama e foi em busca de suas roupas.


Elas estavam no chão ao lado da porta onde ele tirou tudo em uma corrida louca na noite passada. Ele as pegou, encontrando-as ainda molhadas da chuva, de modo que cheiravam a mofo. Sua cueca estava limpa o suficiente, mas o resto precisava ser lavado. Ele pegou a dela também, antes de se dirigir para a máquina de lavar. Havia outras roupas na lavanderia, e ele as ordenou por cores, encontrando mais pretas, e fez uma carga completa de roupa, porque podia ouvir a voz de sua mãe no passado. — Ay, chico, água custa dinheiro. Esperava que Katie não fosse uma dessas mulheres que ficavam estranhas sobre caras que tocavam em suas roupas sujas. Ele duvidava. Ela era muito descontraída. Ele se encostou na máquina de lavar depois de colocá-la para funcionar e olhou para o telefone que puxou para fora da calça jeans, encontrando uma mensagem de texto de Chuito. 03h12 Onde diabos você está? Marcos se perguntou se isso era pelo tempo em que a gringa estava em seu quarto antes que Chuito tivesse o bom senso de descobrir que Marcos colocou uma tranca. Ele pensou em dizer algo malicioso sobre como a namorada da igreja de Chuito quase o cegou com sua virginal camisola, mas foi um pouco juvenil, e daria a impressão de que Marcos estava com ciúmes dele, o que não era. Certamente não da gringa magra quando ele tinha uma verdadeira mulher embrulhada em lençóis rosa, ainda rosada de trepar com ele.


E quem dava a mínima se Chuito tinha dois cintos de campeonatos e vários milhões de dólares no banco e sem antecedentes criminais, porra? Ele não se importava no que seu primo realmente se tornou. E também um homem que merecia uma mulher como Katie. Ok, talvez Marcos fosse um pouco ciumento da última parte, mas isso não era culpa de Chuito. O que importava se Chuito estava jogando qualquer que fosse a merda de jogo com sua vizinha? Ele finalmente decidiu escrever a verdade para ele. Com Katie. Porque Marcos não jogava jogos. Chuito mandou uma mensagem de volta imediatamente, embora fosse cedo para ambos. WTF, Marc! Eu pensei que você estava indo para casa. Marcos bufou. Também te amo, pendejo. Seu telefone tocou um segundo depois, mas ele enviou ao correio de voz. Chuito enviou outro texto, em vez de deixar uma mensagem. Você transou com ela? Ele sorriu quando respondeu. Não, eu folheei seu livro. Nós apenas conversamos a noite toda.


Seu telefone tocou novamente, e novamente ele enviou a ligação para o correio de voz. O próximo texto não foi amigável. Foda-se. Você. Marcos decidiu soar juvenil e sarcasticamente divertido. Por que você não pede à gringa magricela para ajudá-lo a controlar a raiva? Ela parecia disposta na noite passada. Ele fez uma careta quando viu a resposta de Chuito. Porque eu penso antes de fazer merda. Talvez fosse um sonho, mas Marcos começou a ler mais dos textos. Chuito sempre foi mais sensato do que ele, mais propenso a pensar antes de saltar. Marcos correu para fora da casa naquela noite em uma chuva de balas, na esperança de matar os filhos da puta que tentavam prejudicar sua família. Chuito teve o discernimento de ficar para trás e tentar proteger todos na casa. Não funcionou para nenhum deles. O remorso estava começando a desgastá-lo. Talvez fosse a diferença entre eles. Marcos simplesmente não tinha qualquer outra coisa. Ele precisava de Katie e queria transmitir isso ao seu primo, que obviamente conseguiu se esquecer de onde veio. Marcos não poderia nem mesmo culpá-lo por isso. Ele estava com ciúmes, mas com certeza não podia culpá-lo quando digitou.


É isso mesmo, muchacho36. Nós dois sabemos que isso vai me render a próxima bala. Poderia muito bem aproveitar. Ele olhou para cima para ver Katie de pé na cozinha, vestindo uma camisola que, obviamente, colocou quando saiu da cama. Ela franziu a testa quando seu telefone começou a tocar em sua mão. — Você não vai atender? Marcos olhou para a tela, vendo que era Chuito, e sacudiu a cabeça. — Não, é apenas...— Ele tirou o som e o colocou no bolso antes de perceber que ali estava sua cueca. — Não é nada. Merda velha. — Ele colocou-o no cós da sua cueca boxer e deu a ela toda a sua atenção. — Você dormiu bem, chica? Ela assentiu, dando-lhe um sorriso sonolento, parecendo lindamente desgrenhada com seu cabelo que fluía selvagem e encaracolado sobre os ombros. — Muito bem. Obrigada. — Eu juntei algumas de suas roupas. — Ele apontou de volta para a máquina de lavar. — As minhas estavam molhadas e encontrei algumas de suas roupas pretas e.... — Você lavou a minha roupa? — Tudo bem?

36

Muchacho - Menino


— Eu nunca conheci um homem que soubesse como lavar roupa. — Ela riu. — Tenho que ir para a casa do meu pai duas vezes por semana para lavar as dele. Grayson leva as suas para lavagem a seco desde que nos divorciamos, e tenho certeza que meu irmão se casou apenas para que Lily lavasse as suas roupas. Ele se afastou. — Quão difícil é lavar roupa? Ela deu de ombros quando colocou uma mecha do cabelo encaracolado atrás da orelha. — Você tem outros talentos escondidos? — Eu não chamaria lavar algumas roupas como um talento escondido. — Eu chamaria, especialmente em Garnet. — Katie olhou para ele com veemência, aquecendo a parte de trás do seu pescoço e endurecendo seu pau. — Mas lavar a roupa não era o talento escondido sobre o qual eu estava falando. — Você é tão fácil de agradar, chica. — Ele estendeu a mão e agarrou seus quadris para puxá-la para ele. — O que vamos fazer sobre isso? Ela deu de ombros, um rubor manchando suas bochechas. — Eu não sei. Tem alguma ideia?


Marcos tinha certeza de que fez um compromisso consigo mesmo de estar fora desse lugar quando o sol surgisse e voltar para Miami com o gosto dela ainda em seus lábios. Essa seria a coisa responsável a fazer; em vez disso, ele disse: — Que tal eu fazer para você um café da manhã, e então discutimos isso na cama?

Os pratos do café da manhã estavam no criado-mudo. Ambos estavam vazios porque Marcos podia fazer ovos e bacon como ninguém. Ele cozinhava e lavava roupa. Katie tinha certeza que isto fazia dele o homem perfeito, especialmente dada à visão agradável que teve de manhã, com seu cabelo escuro despenteado e esses olhos claros olhando para ela como se quisesse uma repetição da noite anterior. Marcos poderia ser um modelo de roupas íntimas, Katie pensou enquanto se encostava sobre ele, bebendo seu café e admirando todos aqueles músculos e tatuagens. — Tenha cuidado—, ele alertou, com as mãos nos quadris enquanto olhava seu café. — Vai arruinar sua tarde se você deixar cair isso. Ela tossiu e riu, derramando um pouco.


— Carajo37. — Ele estendeu a mão para pegar o café das suas mãos e colocou sob a mesa de cabeceira ao lado dos outros pratos. — Não posso confiar em você sobre isso. Katie riu ainda mais e se inclinou para lamber o café derramado sob o estômago dele, arrastando a língua sobre os sulcos profundos de seus músculos abdominais. Ele grunhiu em resposta emaranhando a mão em seu cabelo. — Eu gosto da sua boca em mim. — Ele gemeu, segurando o cabelo dela longe de seu rosto, enquanto observava. — Eres bella38. Ela levantou a cabeça, olhando para aqueles belos olhos, e então puxou o cós de sua cueca, porque seu pênis estava empurrando contra a parte superior do mesmo, apenas implorando para ser libertado. Ela o levou em sua boca, querendo provar porque podia sentir a inquietação nele. Ele disse a ela algumas vezes durante a noite passada que precisava ir embora pela manhã. No entanto, ali estava ele, fazendo para ela o café da manhã e deixando Katie ter outro orgasmo com ele. Ela teve a nítida impressão de que ele não queria deixá-la mais do que ela queria deixá-lo. Também teve a impressão de que Marcos não era facilmente pego e compreendeu. Grayson tentou por muitos anos mantê-la sob controle aonde ela pertencia. Não deu certo. Talvez eles fossem mais parecidos do que ela achava.

37

Carajo – Droga, porra.

38

Eres bela – Você é linda


Havia um lado dela que realmente gostava do lado rebelde que Marcos revelou. Ela percebia agora o que mudou depois do

acidente.

A

ousadia.

A

rebelião

que

Marcos

não

intencionalmente trouxe para ela no Ano Novo. Nunca poderia forçá-lo a ficar aqui. Não poderia sequer pedir e implorar, ou tentar manipulá-lo como outras mulheres poderiam, mas ela certamente não ia chutá-lo para fora como ele tentou fazê-la prometer na noite passada. Se ele quisesse ficar, ela ficaria mais do que bem com isso. — Ay Dios mio. — Ele gemeu e arqueou as costas quando ela o tomou mais profundo em sua boca enquanto envolvia a mão ao redor da base de seu pênis, acariciando-o. Ok, agora foi extremamente sexy. Ele era tão forte. Tão ousado. Maldita tentação. Tendo Marcos debaixo dela, com a mão em seu cabelo e seu pênis em sua boca, ficou mais do que um pouco molhada apesar de se sentir muito dolorida esta manhã. Quem se importava? Ele provavelmente sairia no final do dia, porque ela não era idiota o suficiente para pensar que ele ficaria em um lugar como Garnet. Então ela estaria ferida e deixaria seu corpo se lembrar dele por tanto tempo quanto possível. Era como se os dois estivessem vivendo uma fantasia nas últimas doze horas. O mundo exterior deixou de existir e o tempo parou, mantendo-os em um universo alternativo onde


ela não era muito chata para ele, e ele não era muito perigoso para ela. No momento, eles eram perfeitos juntos. Então caiu sobre ele determinada a tornar tudo tão bom para ele agora como foi para ela ontem à noite. Mesmo quando ele começou a praguejar em espanhol e usar sua força sobre o cabelo dela para puxá-la de cima dele, ela se manteve firme, sugando mais duro, acariciando-o mais rápido. Agarrou sua bunda com a mão livre, porque era uma bela bunda firme, masculina, redonda e feita para segurar. Ele realmente deveria ser um modelo de roupas íntimas. Ela queria sentir o gosto dele, e ele finalmente desistiu de tentar lutar contra ela. Em vez disso, ele a abraçou quando seu corpo estremeceu, e seu pau pulsou em sua mão. Ela saboreou o sabor picante do sexo masculino contra sua língua de uma maneira que nunca fizera antes. Ela gostava da maneira como ele amaldiçoava em espanhol quando gozava, depois suas palavras ficavam mais suaves, mais carinhosas quando a maré começava a baixar. Agora, ele acariciava seu cabelo em vez de agarrá-lo como uma tábua de salvação. Ele caiu frouxo sob ela quando terminou. — Você é teimosa, cariño. Katie jogou o cabelo para trás. Ela rastejou sobre Marcos e montou-o mais uma vez. Ela estendeu a mão para o café e tomou um gole. Ela percebeu que ele não tinha uma queixa neste momento. Parecia um pouco relaxado demais para se preocupar quando admitiu: — Eu sou muito teimosa. Pergunte


a qualquer um. É normalmente a queixa principal que têm sobre mim. — Eu gosto disso. — Ele puxou uma longa mecha de seu cabelo. — Muito. — Isso é porque você é perfeito. — Ela sorriu, apreciando o quão completamente inconsciente estava ao seu redor. Era uma coisa rara em sua vida. Por alguma razão, não questionou nem por um minuto se ele gostava da sua aparência, quadris largos, bunda grande e tudo mais. Ela sentiu o mesmo sobre ele quando olhou seu corpo sob o seu. Estendendo a mão, tocou uma das estrelas em seu ombro e percebeu que havia uma correspondente no outro ombro. — O que isso quer dizer? Ele fez uma careta. — Se você soubesse, não iria pensar que sou perfeito. Ela arqueou uma sobrancelha. — Me teste. — Elas querem dizer que eu sou um ladrão—, ele disse simplesmente, como se desafiando a julgá-lo. — De quê? — Ela tomou outro gole de café enquanto estudava as estranhas estrelas que decoravam cada um dos seus ombros. — De tudo deixado sem vigilância tempo suficiente para que eu possa aproveitar. — Ele entrelaçou uma mão atrás de sua cabeça, ainda a estudando pensativamente. — Carros. Casas. Gringas consideravelmente inocentes com bocas talentosas.


Ela riu. — Eu não sou tão inocente. — Isto é o que você pensa. — Mmm, — Ela cantarolou em vez de discutir, e tomou outro gole do café que estava extra cremoso e doce, sendo a cor da pele bronzeada de Marcos. Ela estudou-o novamente, e passou a mão sobre a cruz tatuada em seu peito com os nomes da sua mãe e seu primo acima e abaixo dela. Então, tocou as tatuagens tribais pretas em seu bíceps direito. Cobria tanta pele, e no lado esquerdo correspondia. — E quanto a esse? Ele parecia divertido com sua exploração. — Não significam nada. — Então, por que tê-los? — Eu não sei, porque eu era jovem, fútil e tinha muita renda disponível. — Das coisas que roubava. — Yup. — Onde está a sua renda disponível agora? Ele riu. — Em meus braços. — Então você não deve estar roubando mais as coisas—, disse porque era isso que ela suspeitava. — Não agora, não. — Ele tirou o café dela e inclinou-se, roubando um gole antes de colocá-lo novamente no criadomudo. — Em breve, talvez.


— Uma vez ladrão...—, ela meditou. — Sempre um ladrão—, ele terminou por ela enquanto colocava a outra mão atrás da cabeça. — Você seria inteligente em se lembrar disso, chica. — Por que você fez as tatuagens? —, ela perguntou enquanto tocava seu braço direito novamente. Ela não acreditava nem por um minuto que ele fez apenas por vaidade. Cada marca em seu corpo tinha um significado. Era como uma ilustração para a história da sua vida, e ela achou fascinante. — A verdade. Ele olhou para longe dela. Seu corpo ficou tenso de repente, e ela teve a impressão de que poderia ter ido longe demais antes que ele admitisse em voz baixa, rouca, — Porque elas machucam. — Hã? — Eu só queria algo para me machucar. Para me fazer esquecer. Para fazer a picada tão ruim que não conseguiria pensar em nada, apenas na agulha cavando em minha pele. — Funcionou? — Não. — Ele olhou de volta para ela, a dor brilhando em seus olhos claros. — Se assim fosse, eu teria muito mais. Katie se deitou sobre ele e ele a deixou descansar a cabeça em seu ombro sobre uma das estrelas que o marcavam como um

ladrão.

Ele

acariciou

seus

cabelos

e,

juntos,

compartilharam um momento de silêncio, onde ela não o julgava, e ele a deixava ainda sentir a dor por ele.


— São as férias de primavera, você sabia? —, ela sussurrou depois de vários longos minutos. — Não sabia—, ele admitiu suavemente. — Faz um bom tempo desde que aproveitei as férias de primavera. — Você quer ficar para uma festa aqui essa semana? —, ela

perguntou,

tentando

desesperadamente

manter

a

esperança fora da sua voz. — Se eu prometer não te impedir quando quiser sair? Parecia ser um compromisso justo. Ela não estava lhe pedindo para ficar, mas ela estava oferecendo. Ainda assim, ele ficou em silêncio após a oferta, acariciando seus cabelos, como se ponderando sobre isso. — Será que seu papi39 não lhe ensinou a não convidar um ladrão para a sua casa? — Ele pode ter—, admitiu ela, enquanto sorria contra sua pele quente. — Mas nós já estabelecemos que sou teimosa. Eu faço minhas próprias regras. — Você vai me chutar para fora da sua vida em uma semana. — Ele puxou seu cabelo, forçando-a a olhar para ele. — Estou falando sério, chica. Prometa-me. Ela hesitou, porque chutá-lo para fora era muito diferente de não reclamar se ele saísse pela porta por sua própria vontade. A negação estava na ponta da língua quando seus olhos se estreitaram.

39

Papi – Papai, pai


— É a única maneira de eu concordar—, ele disse a ela em advertência. — Se você não prometer, eu vou puxar minhas roupas para fora da secadora agora e vou para casa. — E se eu prometer? —, ela perguntou, curiosa. — Eu vou pegar minhas coisas na casa do meu primo—, ele começou, antes de um pequeno sorriso surgir no canto dos seus

lábios.

E,

em seguida,

passar

uma

semana

certificando-me que você não é tão fácil de agradar a um muchacho quanto parece. — Ok—, ela sussurrou, tendo uma semana para estimar o que era melhor do que nada. — Eu prometo.


Capítulo Dez Haviam outros carros na garagem quando ele finalmente conseguiu voltar para a casa de Chuito ao anoitecer. Marcos pensou que uma companhia a mais poderia ser uma coisa boa, julgando pela qualidade das mensagens que recebeu do seu primo. Elas ficaram cada vez mais irritantes conforme o dia avançava e Marcos o ignorou. Ele

estacionou

na

parte

de

trás,

onde

Chuito

normalmente estacionava, vendo uma bela Mercedes GL ao lado do carro de seu primo. Ele saiu e olhou na janela, descobrindo que a porta estava destrancada. Que idiota. E este SUV estava totalmente equipado. Perguntou-se como Chuito resistiu de roubá-lo. Ele podia ser rico agora, mas como Katie observou anteriormente, uma vez ladrão, sempre ladrão. Os velhos hábitos dificilmente morrem e se lembrou que seu primo teria roubado este carro e saído do estacionamento em vinte segundos, por puro princípio. Se alguém deixou este tipo de carro destrancado, merecia ser roubado. Pessoas com dinheiro nunca dão valor as suas coisas.


Pelo menos ele poderia dar crédito ao seu primo por isto. Ele não era pretensioso sobre qualquer coisa. Ainda dirigia um Nissan, pelo amor de Deus. Marcos olhou em volta para os dois assentos no carro e decidiu dar um desconto por terem distraidamente deixado o carro destrancado. Ele não roubou um carro desde que tinha quinze anos. Uma vez que cresceram dentro do — Los Corredores—, ele tornou-se muito valioso para a loja, mas mesmo

quando

costumavam

eles

evitar

eram carros

jovens, com

Chuito cadeiras

e de

Marcos bebê.

Provavelmente porque foram criados por duas mães solteiras. Uma vez, logo após que o seu pai foi para a prisão, o carro de sua mãe foi rebocado e Marcos nunca esqueceria o seu choro quando ela se sentou no meio-fio com ele, Juan, Chuito e os mantimentos derretendo enquanto ela chamava a sua irmã. Que tipo de idiota rebocava o carro de uma mulher enquanto ela comprava alimentos para alimentar as crianças? Mesmo ladrões de carro não faziam essa merda. Ele andou furtivamente pela parte de trás, indo até a escadaria como se fosse arrombar porque ele não queria ver aquela cadela da Jules Wellings. Marcos adicionou-a à longa lista de coisas que ele não entendia sobre a vida de seu primo aqui. Ela era uma policial em tempo parcial e Chuito a considerava uma amiga. Tanto faz. Ele ouviu pessoas lá embaixo conversando. Droga, este escritório estava sempre ocupado. Era quase cinco horas e ainda estava movimentado. Quantas questões legais poderiam


estar acontecendo em uma cidade como esta? As pessoas nem sequer trancavam seus carros aqui! A porta de Chuito estava trancada e Marcos usou o kit de mini-ferramentas em seu chaveiro para arrombar a fechadura à moda antiga, em vez de bater. Por uma fração de segundo teve o pensamento de ver algo que não quisesse no caso do seu primo finalmente ter feito o seu movimento com a sua vizinha, porém depois de todos esses anos, percebeu que era seguro e abriu a porta. Ele viu um flash de movimento e foi capaz de proteger o rosto com o braço. Em vez disso, foi atingido no lado, um golpe forte no rim que tirou o seu ar e colocou todos os seus mecanismos de defesa em alerta vermelho. Atacou por instinto, chutando o intruso nos cojones40 e, em seguida, o atingindo com toda a raiva que tinha, na lateral da cabeça. — Eles não ensinam isso na gaiola! — Marcos gritou, porque sabia que era seu primo quem o pegou de surpresa. — Eu ainda vivo nas ruas, muchacho! Chuito estendeu a mão e agarrou a perna de Marcos, puxando seus pés e fazendo Marcos cair no chão com tanta força que roubou sua respiração pela segunda vez. Sua cabeça bateu contra a porta, o deixando atordoado temporariamente, sendo o suficiente para ter o campeão mundial do meio-pesado do UFC o sufocando em algum tipo de golpe de merda do jiujitsu do qual ele não podia fugir.

40

Bolas


— Se você falar mais uma vez sobre levar um tiro, eu mesmo atirarei em você, — Chuito rosnou em seu ouvido em espanhol. — Eu ainda posso submetê-lo. Entendeu cabrón? — Eu sei espanhol suficiente para dizer que está tudo bem. — Uma voz veio da cozinha, parecendo entediada, como se assistir os membros da família socar uns aos outros fosse uma ocorrência diária. — Claro, meu irmão matou meu pai só porque não pude chegar a ele primeiro. Então, quem diabos sou eu para falar alguma coisa? Ainda lutando para respirar, Marcos levantou a cabeça e olhou para a cozinha, vendo um cara musculoso, de cabelo escuro esparramado em uma das cadeiras da mesa. Ele segurava uma bebida energética na mão enquanto arqueava uma sobrancelha entediada olhando para ambos. — Quem é este pendejo? —, Ele rosnou enquanto lutava para se libertar. — Este é Tino. Você não viu o carro dele lá fora? Chuito o soltou e rolou para o tapete checando suas bolas. — Você me deu um golpe baixo, filho da puta! — O GL é dele? — Marcos estava ofegante enquanto assimilava quem era Tino de novo, sentado como se fosse o dono do mundo. — Eu deveria ter roubado e Angel teria adulterado a placa.


— Foda-se, pode roubar— Tino não parecia preocupado. — Eu tenho

41LoJack,

boneca.

— Você acha que eu não posso desativar um LoJack? — Tenho certeza que você pode, mas será que você poderia fazer antes de eu te encontrar e fazê-lo comer a minha Beretta? — Sim, — Marcos disse com uma risada de descrença. — Sem problema. — Ele provavelmente poderia—, Chuito admitiu a contragosto. — Sim, definitivamente poderia. — Ele levantou a cabeça e olhou para Marcos. — Mas não roube o carro—, advertiu em espanhol como se sentisse que Marcos iria fazer isto apenas para ferrar com ele. — O pessoal dele faz Los Corredores parecerem maricas. Isso foi um insulto muito sério o que seu primo fez sobre a sua própria gangue e Marcos enrijeceu instintivamente. Embora ultimamente, ele não amasse estar associado aos Los Corredores, defendê-los estava enraizado nele. Estava prestes a dizer algo, quando Tino levantou a camisa, mostrando a tatuagem ao longo dos cumes de seus músculos do estômago. Omertà. Marcos lidou com a máfia brevemente o suficiente para saber o que isso significava. Sua presença em Miami era

41

LoJack é um mini dispositivo eletrônico de alta tecnologia - fabricado pela MOTOROLA, que emite um sinal eletrônico digital criptografado, permitindo o rastreamento e a localização do veículo em caso de furto/roubo.


poderosa, intimidante e mais do que um pouco irritante para o resto deles, mas ele foi salvo de ter que fazer algo como pedir desculpas quando Jules Wellings veio do andar superior. — Que droga-— Ela parou na porta aberta, olhando para os dois ainda deitados no chão. Ela apenas balançou a cabeça. — Tenho clientes lá embaixo. Vocês estão agitando toda a casa. — Pelo menos eles não estão atirando uns nos outros. Isso realmente faria seus clientes vazarem. Jules virou-se e olhou para Tino. — Eu só estou dizendo que é uma boa maneira de lidar com uma disputa familiar—, Tino disse razoavelmente. — Na minha

experiência,

a

violência

resolve

a

maioria

dos

problemas. — Realmente, Tino? Você sabe que não é engraçado. — Jules colocou a mão em seu quadril. — Eu pensei que vocês dois estivessem indo treinar. Estou com os gêmeos no andar de baixo porque você tinha que treinar hoje à noite, quando você sabia que hoje eu trabalhava até tarde, e Romeo tem aulas. Esta é a minha temporada mais movimentada. — Eu estive com eles todas as noites desta semana. Meus serviços de babá são gratuitos. — Seu aluguel é gratuito—, ela respondeu. Tino ergueu as mãos. — Você quer o aluguel?


Jules acenou para ele com desdém e virou-se para sair. — Se vocês rapazes têm que resolver disputas familiares, usem o Cellar para fazê-lo. — Ela o deixa ver seus filhos? — Marcos perguntou a Chuito em espanhol. — Eles são seus sobrinhos. Ele é o cunhado de Jules—, Chuito lembrou. — Eu já disse que entendo a maioria da merda que você está dizendo, — Tino os interrompeu. — ¿Hablas español? — Marcos perguntou quando conseguiu se levantar. — No, io Parlo Italiano. — Oh. — Marcos deu de ombros. — Bem, eu não entendo uma porra de italiano. — Eu sou de Nova York, homem. Você seus portoriquenhos filhos da puta estão em cada esquina no meu antigo bairro. Eu cresci entendendo espanhol. — Seu irmão fala. Fluentemente—, Chuito disse isso como um aviso. — Sem um sotaque. Como se ele fosse Boricua. É estranho pra caramba. — O marido de Jules? — Não, o outro. — Mais uma vez, soou como uma precaução. — Ele ainda vive em Nova York, é o Angel dos esteroides. Oh.


Ele entendeu a mensagem. De alguma forma Chuito conseguiu encontrar alguns pesados filhos da puta para passar

um

tempo

em

Hicksville,

EUA.

Deveria

estar

surpreendido, mas não estava. Assim como Marcos, o problema normalmente encontrava Chuito se quisesse ou não. Não importava onde eles estivessem. Nenhuma quantidade de sensatez poderiam consertá-los. Alguns muchachos nasciam apenas para uma vida dura. — Então, vocês dois estão brigando pelo quê? — Tino perguntou curiosamente, como se eles estivessem lá para entretê-lo. — Nada—, disseram em uníssono. — Ok, isso foi bem real.— Tino levantou-se e jogou o copo vazio na lata de lixo no canto. — Vou passar um tempo com os gêmeos. — Ele bateu no ombro de Chuito enquanto caminhava por ele. — Antes de ficar velho demais. Chuito acenou para ele. — Cinco minutos. Depois que Tino ficou fora do alcance da voz, Marcos voltou-se para o seu primo. — Eu não consigo lidar com a sua vida, mano. É muito complicada para mim. Ela não é de uma família policial? — Ele apontou para as escadas indicando a Jules. — E esse pendejo é da máfia. Como é que tudo isso funciona? — Sim, isso é muito complicado. — Chuito balançou a cabeça, olhando para trás ao descer as escadas. — Mas o Tino é legal. Ele é o melhor amigo que consegui aqui.


Marcos deu-lhe um olhar de descrença. Ele não confiava nos italianos mais do que em policiais. — E sobre a gringa? — Isso é uma coisa diferente. — Sim, acho que sim. — Marcos riu. — Que porra é essa? Você me pegou de surpresa. — Você me mandou uma mensagem sobre levar um tiro e depois me ignorou o dia todo. — Chuito deu-lhe um olhar severo. — Estava ocupado. — Isso é uma merda— Chuito rosnou, seus olhos escuros ainda se estreitaram. — Você e a minha mãe são toda a família que me resta. Você acha que eu não acordo durante a noite preocupado por você ainda continuar escondido e não me deixar ajudá-lo? É como se você quisesse morrer! Nós somos como irmãos, Marc. Não entendo porque você procura Angel ao invés de mim. Marcos fez uma pausa, por um momento, colocando-se no lugar do Chuito. Podia entender sua frustração. Se os papéis fossem invertidos, ele faria qualquer coisa para tirar Chuito. Drenaria sua conta bancária inteira sem pensar, mas isso não mudava a raia de orgulho inflexível que Marcos tinha. Ele simplesmente não conseguia tirar dinheiro de seu primo. Isto não era algo dele. — Eu trabalho pelo dinheiro que recebo de Angel, — Marcos lembrou.


— Idiota, você desmonta carros para ele! — Chuito gritou em espanhol. — Você se livrou fácil pela primeira vez porque era jovem, mas você tem um registro agora. Na próxima vez que você for pego, vai pegar tanto tempo quanto seu pai—. Ele bateu no cotovelo de Marcos. — Quantas linhas você quer nessa coisa? Marcos esfregou a tatuagem de teia de aranha em seu cotovelo que significava quantos anos ele serviu na prisão. — Não seria por muito tempo. — Besteira! Basta um roubo—. Chuito levantou o dedo na frente do rosto de Marcos. — Apenas um. E está feito. E eu sei quão carregado o depósito está. Os carros serão o menor dos seus problemas. O lugar tem drogas o suficiente para manter a metade de Miami chapada! Marcos bufou. — Isto mantém a metade de Miami chapada. — Isso é engraçado para você? — Chuito passou a mão pelos cabelos e gritou, apesar dos clientes no andar de baixo. — Que porra, Marc! — Eu não sei fazer absolutamente mais nada. — Marcos falou muito lentamente com a fúria deslizando por ele. — Ninguém vai me contratar. Eu tentei. — Venha para cá. — Com seus irmãos mafiosos italianos? Não, obrigado! — Marcos riu amargamente. — Quem diabos é você para me julgar? Tudo o que faço é desmontar carros. Que porra você está fazendo para esse filho da puta mafioso?


— Ele é meu amigo. — Besteira! — Marcos jogou as palavras de Chuito de volta para ele. — Eu sei que é uma grande mentira. — Não, não é.— Chuito balançou a cabeça em negação, fazendo um trabalho muito bom com um olhar inocente. — Eu juro, ele é apenas o meu parceiro de treino. Marcos agarrou o braço de Chuito, apontando para as duas gotas de tinta vermelha em cada lado da cabeça da cobra de sua tatuagem Los Corredores. Elas eram pequenas e discretas algo que a maioria das pessoas não perceberia, mas Marcos não era a maioria das pessoas. — Estas não estavam aqui antes de sair de Miami. Cristo, elas não estavam aqui há dois anos—. Ele olhou para seu primo e então, baixou a voz para que ninguém pudesse ouvilo. — Quem você matou para ele? Chuito olhou para longe em vez de responder. Houve um tique em sua mandíbula, mas deixou seu braço nas mãos de Marcos em vez de puxá-lo com o que ele estava dizendo. Ele estava orgulhoso delas. Mas, em vez de admitir isso, Chuito apenas deu de ombros, ainda segurando a mentira que obviamente disse a si mesmo desde que se mudou para Garnet. — Não significam nada. — Sério? Assassinato não é nada? — Marcos olhou para o braço de Chuito que era muito mais tatuado do que o dele. Todo o corpo da sua tatuagem de Los Corredores estava


coberto de gotas de tinta. — A princípio pensei que era porque você estava sem espaço. Mas não é isso, não é? Você as tatuou no lado de fora porque elas não tinham nada a ver com Los Corredores, mas você, ainda assim, não conseguiu resistir e fez a tatuagem. — Elas eram pessoais. — Chuito parecia completamente sem remorso, que era a parte mais assustadora da coisa toda. — Eu os queria lá. — Você fez isso para ele? — Marcos apontou as escadas. Chuito desviou o olhar novamente. — Sim. Algum amigo descobriu algo em que você era o melhor, não é? —, Disse Marcos em inglês quando ele empurrou o braço à distância. — Eu vou ficar na Katie. — Marc—. Chuito seguiu Marcos quando ele entrou na sala e começou a recolher suas coisas. — Você não entende. Eles me ajudaram. Eu estaria morto ou na prisão agora, se não fosse por eles—. Ele apontou as escadas. — Eu lhes devia. Faria isso novamente se tivesse que fazer. — Eu sei. — Marcos voltou-se para ele, sentindo seu coração doer por um primo que tinha tudo e ainda não conseguia parar de encontrar motivos para ferir o mundo só porque foi machucado antes. — Eu sei que você faria isso novamente. É por isso que faz com que você se lembre deles. Essa é a parte mais fodida nisso. — Foram apenas dois.


— Só dois? — Marcos voltou para o espanhol, rezando para que o filho da puta do Tino não estivesse escutando. — E você tem a cara de pau de me dar lição de moral sobre desmontar carros. Eu não fiz mais isso desde que saí da prisão e certamente não iria fazê-lo por algum mafioso que provavelmente vai tentar atirar em você pelas costas na primeira chance que tiver. — Isso não é verdade. Tino é um irmão. Eu sei isso. Além disso, eu não fiz isso por ele. Eu fiz isso porque... — Eu não me importo porque você fez isso! — Marcos voltou-se para ele e bateu no peito de Chuito. — Há algo de errado com você. Perder Juan o destruiu. Você não sente mais nada. Isto nem sequer entra na sua mente para fazer você se arrepender disso. — Você está arrependido? —, Perguntou Chuito, como se apenas considerasse a culpa pela morte dos idiotas que assassinaram Juan e a mãe de Marcos como uma afronta pessoal. — Você voltaria atrás se pudesse? — Você ouviu o que disse? — Marcos rebateu. — Que tipo de ilusão você está vivendo que te permite sentar aqui no escritório de Jules Wellings e fingir que não é esse membro de gangue que atirou em qualquer um relacionado mesmo remotamente com a morte de Juan? Você não apenas os matou. Você fez pior. Eu fiz também. Essa merda ainda assombra meus sonhos e eu sei que assombra os seus também.


— Não é como se nós tivéssemos feito isso por nada. Cada gota aqui era para alguma coisa—. Ele apontou para o braço furiosamente. — Não importa! Nós apenas fizemos o que tínhamos que fazer. Nós devíamos isso a Juan e a tia Camila e não vou deixá-lo insultar a sua memória, dizendo que não deveríamos. Estes dois também importavam. Assim como os outros. Ninguém tem permissão para ferir a minha família, ninguém e é melhor eu não descobrir que você está começando a questionar isto. Quando alguém ataca a minha família, é guerra. Você não se sente mal na guerra, Marc. Você sabe disso. Diga-me que você ainda sabe isto, porra! Os olhos escuros de Chuito brilhavam com uma fúria que era crua e terrível. Sua luta rompeu o escudo invisível que ele pôs em torno de si desde que se mudou para Garnet – a parede que disse ao mundo que ele não era nada mais do que um famoso lutador do UFC tentando parecer durão. As tatuagens de gangue eram apenas um mito, parte de sua personalidade. Como alguns rappers tentavam ser durões, mas não realmente fazendo-o o tempo todo. Poucos sabiam o quão reais essas marcas em seu corpo eram. Este era o primo que Marcos lembrava das ruas. Chuito sempre foi muito mais perigoso do que Marcos poderia ser. Havia algo na maneira calculista em que ele fazia as coisas. Chuito não apenas matava por vingança. Ele planejava primeiro. — Não se preocupe, eu não me sinto mal sobre isso, mas uma parte de mim está começando a pensar que eu deveria—, Marcos admitiu enquanto se virou para sair, sabendo que o carro atirador fodeu com ele tão mal quanto Chuito. Sentia-se


culpado por ter abandonado o primo pela gringa porque ele não viu seu primo tão descontrolado desde que eram adolescentes. — Faça a sua vizinhança um favor esta noite. Não durma. Sonhos não mentem.

Katie fez o jantar, enquanto Marcos estava fora. Nada extravagante, apenas hambúrgueres com batatas fritas que jogou no forno, porque todo mundo gostava disso. Marcos foi gentil e parecia apreciar sua culinária, mas ele estava calmo e introvertido de uma maneira que não esteve antes de sair. — Você está bem? — Katie perguntou enquanto se sentava ao lado de Marcos no sofá na sala onde ele assistia um programa de viagens. Ele usava apenas calça jeans e era certamente mais atraente do que a televisão com todos aqueles músculos e tatuagens expostos, mas ela não podia deixar de expressar sua preocupação. — Você sabe, se você não estiver confortável aqui... — Não, não é isso. Eu gosto de estar com você—. Ele estendeu

a

mão

e

apertou-lhe

o

joelho

de

forma

tranquilizadora. — Eu entrei em uma briga com o meu primo hoje.


— Oh. — Ela pegou uma batata frita e deu uma mordida enquanto pensava sobre isso. — Não foi por minha causa, não é? — Não. — Ele balançou a cabeça e colocou seu prato na mesa. — Não era sobre você. — Chuito está louco porque você vai ficar aqui? — Ele provavelmente está feliz que eu vou ficar aqui. — Marcos se esticou no sofá, descansando a cabeça na coxa dela. Ele estendeu a mão, servindo-se de uma de suas batatas fritas antes de baixar o prato. — É outra coisa. Estar em torno dele não é mais tão fácil. Katie acariciava seus cabelos, apreciando a textura que sentia contra seus dedos. — Por quê? — Eu acho que o lembro do que ele está tentando esquecer. Aqui, ele é o Slayer. Lutador famoso. Comigo, ele é ... algo diferente. Marcos deu outra mordida em suas fritas, parecendo mergulhado em seus pensamentos enquanto esfregava o peito, a mão descansando sobre a cruz sobre o coração. — Eu não sei, talvez não seja nada disso. Quer dizer, coño, ele é obviamente, a pessoa que está em torno do pendejo Tino e eles se veem todos os dias. — Você não gosta de Tino Moretti? Ele estremeceu e virou para ela com um olhar desconfiado. — Você conhece ele?


— Sim, ele é o cunhado de Jules. — Ela deu de ombros quando viu quão tenso ele estava. — Nós não somos amigos nem nada, mas... — Eu não quero que você fale com ele. — Ele puxou uma mecha de seu cabelo para fazer seu ponto. — Fique longe dele, você me ouviu, chica? — Mandão—. Ela arqueou uma sobrancelha porque esse tipo de controle tático lembrou de Grayson. — Eu não gosto de pessoas me dizendo com quem falar, Marcos. — Não. — Ele se sentou e virou-se para ela, seus olhos claros ardentes. — Me escute sobre isso. Fique longe dele. Ela franziu a testa, mais do que um pouco enervada. — Por quê? Ele estendeu a mão e segurou seu rosto. Seu polegar áspero passou por cima de seu lábio inferior. — Porque eu pedi para você. Se você confia em mim, você vai fazer isso por mim. — Tino Moretti não poderia me encontrar em uma multidão—, Katie assegurou. — Está bem. Nós só nos falamos algumas vezes. — Algumas vezes é demais. — Ele ainda estava acariciando seu lábio, suas emoções muito claras para ler, raiva misturada com compaixão. Era uma combinação estranha, mas estava lá quando se inclinou e beijou-a. — E depois que eu partir, não deixe que ele seja o próximo muchacho a aparecer aqui. Ela riu.


— Eu duvido que eu seja o tipo de Tino Moretti. — Você é o tipo de cada homem. — Ele a beijou novamente,

apenas

roçando

seus

lábios

juntos

provocativamente, mas que fez Katie passar a mão pelo seu braço nu, traçando os músculos que se agrupavam sob seus dedos. Ele manteve seus lábios a uma respiração longe dela. — Me prometa. — Eu dei-lhe promessas suficientes hoje. — Ela sorriu, pensando que dois podem jogar este jogo. Se ele podia provocar, ela também poderia. — Você é ciumento? Ele é um flerte horrível. — Ele é do tipo que acha que as pessoas devem saltar quando ele fala, — Marcos sussurrou com amargura. — Fique longe de caras assim. Há geralmente uma razão para esse tipo de atitude. Eles a mereceram. De forma dura. — Você tem esse tipo de atitude—, ela lembrou. — Será que você o mereceu? De forma dura? — Sim, chica, eu mereci. — Ele a beijou novamente, um outro toque de seus lábios contra os dela enquanto falava contra sua boca. — Você deveria ter ficado longe de mim também. Ele empurrou a mão em seu cabelo e, então o agarrou. Puxou sua cabeça para trás com toda a atitude que alegou ter ganhado a maneira dura. Estudou-a, a preocupação em seu olhar sendo substituída por algo muito mais carnal. — Agora, abra para mim.


Ela abriu os lábios e ele tomou o que queria. Sua língua deslizou em sua boca, fazendo com que uma onda de prazer impressionante envolvesse-a. Foi um beijo feito para ser obedecido, com intenção de quebrá-la e deixá-la querendo mais. Funcionou. Ela teria concordado em parar de falar com qualquer um naquele momento que ele recaiu contra o sofá, puxando-a com ele até que estava montada sobre ele. Ela se agarrou a seus ombros nus apoiando-se enquanto ele a beijava como um homem possuído. Tudo o que podia pensar era nele. Ele roubou qualquer outro pensamento de sua cabeça – como um ladrão – descaradamente e sem remorso.


Capítulo Onze Katie não ficou acordada até tarde. Marcos ficou. Foi uma das primeiras questões importantes que descobriram na sua compatibilidade, mas Katie lutou contra o sono enquanto ela estava enrolada em Marcos na cama, com a cabeça apoiada na curva do seu braço. Ela estava tentando ler, mas o romance não era tão interessante quando tinha a coisa real ao lado dela. Tentou se concentrar e manter o bocejo, mas não estava funcionando. — Durma, chica. — Marcos estava olhando para seu telefone, usando o polegar para percorrer tudo o que ele estava checando. — Você não tem que ficar acordada por minha causa. Eu sei como me entreter. Ela riu, pensando no que ele admitiu fazer no carro na noite anterior. — Eu sei que você sabe. — Sim, mas isso não vai acontecer hoje à noite. — Ele riu com ela, seus olhos ainda em seu telefone. — Você me esgota. Katie dobrou a página do seu livro e jogou para o lado, enrolando-se nele em vez disso. Ela olhou para o telefone, vendo que ele estava no Facebook. — Você tem muitos amigos.


— A maioria deles não são amigos. — Marcos não parecia ser tímido sobre sua observação. — Conhecidos. Katie estudou as imagens e mensagens que ele folheou, a maioria dos quais eram de Miami, embora houvesse vários de Puerto Rico. Alguns da Califórnia. Ela viu um de Nevada e quatro em Nova York. Mais da metade delas estavam escritos em espanhol. Mesmo aquelas que estavam em Inglês eram enigmáticas, usando gírias que ela não entendia. Havia um monte de fotos de homens fortes, tatuados piscando sinais de mãos de forma estranha. Todos eles pareciam estar festejando e se divertindo. Outras imagens eram de bebês. Ou churrascos de quintal com o sol da Flórida brilhando. —

Você

odeia

aqui,

não

é?

—,

Ela

perguntou

curiosamente quando examinou seu mundo, encontrando-o a milhas de distância do dela. — Garnet, quero dizer. Você odeia esta cidade. — Eu gosto de você. — Ele apertou seu braço com a mão livre. — Eu gosto do meu primo quando ele não está sendo um hijo de la gran puta. O resto desta cidade pode ir se foder. — Você nunca iria mudar-se para cá, não é? — Não—, ele disse sem hesitar. — Eu não poderia viver aqui. — E se você tivesse uma vaga de lutador no Cellar? — Eu não posso ter uma vaga de lutador no Cellar. — Mas e se você conseguisse? — Katie pressionou.


— Eu não posso, Katie. Eu tenho uma ficha. Eles não me querem. — Isso parece injusto—, Katie pressionou, porque ele a irritava. O marido de Jules tinha uma ficha e ele estava muito bem. — Romeo Wellings tem um registro e ele foi um lutador. — Bem, ele estava trepando com a chefe. Talvez se eu saísse com Jules Wellings, ela pudesse mudar de ideia. — Você quer sair com Jules Wellings? — Ay Dios mio, não. Eu odeio essa cadela. Não faria isso por todo o dinheiro do mundo. — Romeo era um lutador antes dele estar trepando com a chefe, — Katie pensou porque tudo parecia tão injusto. — O registro não o excluiu. — Não, com laços da máfia, não. — Marcos parecia concordar sobre a injustiça. — Seu irmão provavelmente comprou-lhe um contrato com o UFC. — Tenho certeza que Romeo não está envolvido na máfia. — Você continua acreditando nisto. — A máfia quase matou Jules e Romeo. Por que ele iria querer se associar a eles? — Há diferentes máfias assim como há diferentes gangues. O tiro dos gangsters na minha casa, lembra? Isso não muda o fato de que eu ainda sou um deles. — Você realmente pensa em si mesmo como um gangster? — A palavra parecia estranha na sua língua.


— Sí. Sim. Apenas uma palavra, sem hesitação. Isso era muito curioso, considerando toda a dor que lhe trouxe, e ela não pôde deixar de dizer: — Eu não entendo. — Eu sei, cariño. — Ele jogou o telefone na mesa de cabeceira e, em seguida, rolou para Katie. Envolveu seu outro braço ao redor dela, segurando-a com força quando pressionou um beijo no ponto suave na curva de seu pescoço. — Você não deveria entender. Ela enfiou os dedos nos dele e estudou suas mãos juntas. Seu bronzeado, palma áspera do trabalho contra sua suave, pálida. Nada no mundo poderia prever que eles estariam agora tão confortáveis e pacíficos em sua cama. — Eu não quero que você vá—, ela admitiu suavemente. Marcos ficou em silêncio ao invés de responder e Katie estava tentando duramente não deixar que seus sentimentos fossem machucados. Ela não ganhava nada ficando tão ligada a ele como já estava. Tudo nela queria tentar encontrar alguma maneira de segurá-lo aqui, longe de sua outra vida, mas sabia que Marcos não era um homem para ser controlado assim. Seu telefone tocou no criado mudo e ela estendeu a mão para agarrá-lo. Ela olhou para a tela e viu que era outra mensagem de Grayson.


Porque você está me ignorando? Estou preocupado com você, menina Katie. Diga-me que está tudo bem ou eu estou indo para aí. Katie não duvidava de sua ameaça e estava pensando em uma resposta quando Marcos arrancou o telefone da mão dela. — O que você está fazendo? Ele rolou para o lado quando ela tentou agarrá-lo de volta, usando o ombro para bloqueá-la. Ela rastejou sobre ele, tentando alcançar o telefone quando o viu escrevendo, mas não chegou a pegar o telefone de volta até que ele deixou. Ela caiu de costas quando leu a mensagem que Marcos digitou. Foda-se. Ela fez uma careta. — Eu nunca iria escrever algo assim, Marcos. — Você deveria digitar algo como isso. Ele acha que ainda é seu dono—. Ele pegou o telefone e desligou a campainha antes de lançá-lo no criado mudo. — Você quer que eu corrija esse problema antes de sair? Vou fazê-lo. Com prazer. Ela olhou para seu telefone, sem saber como se sentia sobre a forma que Marcos estava falando com ela. — Como você pode ser tão mandão? — Você sabe que você gosta disto, chica. — Marcos soou completamente implacável quando enterrou seu rosto contra seu pescoço. — Você ainda o quer? Você sente falta de sexo com toalha com esse merdinha?


— Não—, ela disse sem hesitar, sentada ali embrulhada nos braços de Marcos e olhando para seu telefone. — Mas posso lidar com meus próprios problemas. — Obviamente não. Derrotada, bocejou ao invés de discutir, sabendo que não poderia mudá-lo. Ela realmente não queria, embora pensasse que já teve o suficiente de homens controladores por toda sua vida. Ela supôs que a diferença era que Marcos controlava, mas sempre parecia ter boas intenções. Grayson fazia completamente em causa própria. Ele puxou uma mecha de seu cabelo e sussurrou em seu ouvido, — Durma. E maldição se ela não lhe deu ouvidos.

Katie tinha um jeito verdadeiramente quieto de dormir. Pacífica. Sem ronco. Sem pesadelos. Apenas pequenos suaves sopros de respiração que atingiam o braço de Marcos enquanto ele a segurava e olhava para o telefone, tentando diminuir a tempestade de adrenalina que a luta com Chuito causou.


Se ele iria estar aqui uma semana inteira, ia ter que resolver isto. Não tinha sexo o suficiente no mundo para livrálo dessa energia furiosa. Talvez eles devessem apenas tomar a sugestão de Jules Wellings e espancarem-se com força na gaiola do Cellar. Marcos ainda lutava no circuito subterrâneo em casa sob o nome de Viper. Ele não era um campeão do UFC, mas há muito tempo que Chuito não lutava no subsolo. As regras não estavam lá para protegê-lo nas partidas que Marcos lutava, como ele provou hoje quando Chuito tentou derrubá-lo. Claro, Marcos ainda teve a sua bunda entregue a ele. Como se não tivesse problemas suficientes, Angel enviou mensagens de texto para ele. Um monte de Los Corredores tentaram contatá-lo. Todos queriam saber onde estava, considerando que apareceu no armazém e, em seguida, desaparecido da face da terra. Ele estava ignorando-os até que leu o último texto enquanto mantinha o sono de Katie. Parei hoje na sua tia. Ela disse que você está visitando Chuito. Por que você não nos disse, bro? Marcos endureceu, leu o texto novamente enquanto seu pulso batia em seus ouvidos. Angel foi para a casa de sua tia Sofia. Ele leu isso como uma ameaça velada, e isso o deixou mais que um pouco apreensivo. Ele nunca deveria ter concordado com uma semana com Katie. Droga, ele não deveria ter deixado Miami para começar.


Marcos cresceu com Angel e teve a impressão de que ele estava enviando uma mensagem. Era realmente difícil imaginar Angel matando a tia de Marcos, mas não confiava mais nele. A possibilidade estava lá e Marcos estava há muito tempo afastado. Ele ficou tentado a chamar Chuito apesar da briga porque sua influência em Los Corredores foi sempre muito mais forte do que a de Marcos, que nunca teve qualquer inclinação para ser um líder. Por outro lado, seu primo estava em Los Corredores antes de ir embora para Garnet e a liderança passasse para Angel. A maioria das OGs, gangsters originais, ainda tinha a lealdade a Chuito em primeiro lugar, especialmente agora que ele estava arrebentando no UFC. Seu

primo

era

praticamente

um

deus

para

Los

Corredores e Marcos estava começando a suspeitar que Angel odiava isso. Foi por isso que ele estava sempre comprando os ingressos para as lutas, confrontando Chuito e lembrando-lhe que ainda tinha poder sobre ele. Fazendo parecer como se Chuito estava de algum modo naquela gaiola para seu entretenimento. Marcos estava começando a se sentir como um peão também - uma outra maneira de Angel lembrar Chuito que ele estava no comando agora. Ele poderia colocar-se com um monte de merda, mas ser um peão contra seu primo não era uma delas. Ele sairia antes que isso acontecesse. Ele deslizou o braço para fora de debaixo de Katie, observando como ela rolou em direção a ele, como se o buscasse, inconscientemente, quando se afastou. Esperou até ela se estabelecer e estudou-a por um segundo antes de sair


do quarto. Encontrou seu jeans ao lado do sofá e o vestiu apressadamente. Ele precisava sair. Para ver as estrelas e limpar sua cabeça. Pegou as chaves de Katie na mesa, colocou seus sapatos e saiu pela porta sem camisa, sentindo o ar frio da noite bater-lhe na cara. — ¡Me cago en ná!42 —, Amaldiçoou enquanto trancava a porta da frente. — Férias de primavera, minha bunda. Ele estacionou seu caminhão na garagem porque não queria que os vizinhos de Katie o vissem em sua calçada. A garagem estava fora da casa principal e tinha uma porta traseira que Katie deixava aberta. É claro que ela deixava. Ele revirou os olhos quando entrou na cabine de seu caminhão e pegou sua jaqueta que jogou lá atrás. Vestiu-a e desceu a rua. Não havia muitas casas no bloco, mas decidiu manter a voz baixa quando chamou Angel. As pessoas aqui provavelmente colocariam a polícia em sua bunda só por caminhar e falar ao telefone. Angel respondeu no segundo toque. —Hola? — Quem lhe disse que estava tudo bem em ir à casa da minha tia? — Marcos rosnou em espanhol. — Hey, bro, relaxa. Muito paranoico? Sofia estava feliz em me ver. Fazia muito tempo. Eu preciso visitá-la mais vezes.

42

Expressão usada quando tudo vai mal.


Marcos parou de andar. Ele não estava errado. Isto era uma ameaça. — Não diga o nome dela, — Marcos avisou. — Sempre tão conflituoso, Marc.— Angel suspirou. — Está ficando velho. Ele deveria ter chamado Chuito, porque seu primo era muito melhor neste tipo de besteira. Marcos não poderia jogar o jogo. Ele não era capaz de mover as peças de xadrez no tabuleiro como Chuito. Tudo em Marcos estava inclinado a atirar primeiro e perguntar depois. — Qual é o problema, Angel? — Marcos perguntou quando aceitou que Angel estava realmente jogando. — Por que você está fodendo comigo? — Pensei que tínhamos um acordo. Eu tenho trabalho aqui para você. Marcos respirou fundo, forçando para baixo a fúria rolando sob a superfície. — Eu tinha coisas para fazer aqui primeiro. Eu só estava acabando com isto. — A gringa? Katie qualquer coisa. Os cabelos na parte de trás de seu pescoço ficaram em pé, porque ouviu outra ameaça velada e não conseguiu conter sua fúria neste momento. — Não diga o nome dela também. Angel riu, soando mais do que um pouco divertido às custas de Marcos.


— Mia me contou sobre ela. Ela quem disse para onde você foi e não está muito feliz com você. — Eu não dou a mínima para o que sua prima pensa sobre isso. — Sempre atrás de boceta, certo, Marc? — Angel riu novamente. — Você nunca muda. Tanto faz. Foda a gringa se você quiser. Esteja de volta na próxima semana. — Fique longe de minha tia. Juro por Deus, Angel, se você falar com ela de novo... — Nós somos irmãos, — Angel lembrou ele, sua voz de repente dura. — Melhor não esquecer disto. Eu estou sendo bom porque nos conhecemos há muito tempo e sei como você é. Você é o único que eu teria este entendimento. — Se eu não voltar na próxima semana, então o quê? — Você deve voltar, — Angel disse, em vez de responder à pergunta real. — Seus irmãos sentem sua falta. — Eu sou um OG. Eu sangrei por Los Corredores mais do que ninguém, — Marcos lembrou. — Tive o meu tempo e não tenho de trabalhar mais para você. Eu tenho feito isso por escolha desde que saí. — Volte, — Angel repetiu em vez de discutir. — Não se preocupe. Vou me certificar de que você fique bem. Eu sou justo, Marc. Vai ser um bom negócio para nós dois. O que? Você acha que pode fazê-lo em algum outro lugar? Você se esforça demais à toa em qualquer lugar que tenta trabalhar.


Pare de lutar contra isto. É isso ou ir rastejando para Chuito. Nós dois sabemos que não é o seu estilo. Marcos estava respirando pesadamente. Desejou estar na mesma sala que Angel para que pudesse esmurrá-lo na cara e dizer o que pensava sobre a situação. Esta não era mais sobre a necessidade de dinheiro. Angel pensava que era dono de Marcos. Isso não iria funcionar. Ninguém era dono dele. Ele conseguiu fazer isto ao longo de muitos anos em Los Corredores sem ser controlado. Desmontava carros quando precisava do dinheiro. Cristo, ele poderia até mesmo ir preso assumindo toda a culpa, em vez de delatá-los, mas todos sabiam que Marcos não seguia as regras como os outros. Se tentassem controlá-lo, Marcos lutaria contra tudo. As regras nunca foram suas amigas. E Angel sabia disso. — Eu vou estar de volta na próxima semana. — A voz de Marcos foi gelada até mesmo para seus próprios ouvidos. — Bom. — Angel parecia satisfeito, como se não ouvisse a ameaça. Talvez o poder realmente tivesse o cegado. Era Marcos e Chuito e sua sede de vingança, que colocou Angel como representante dos Los Corredores por todo este tempo, mas ele deve ter esquecido disto quando disse, — Estou contente por finalmente estarmos na mesma página. Diga oi para a sua chica por mim. Ele desligou antes que Marcos pudesse responder.


— Coño! — Marcos gritou em seu telefone e chutou uma pedra no quintal do vizinho de Katie. A dor irradiava pelo pé enquanto gritava: — Hijo de la gran puta! Chúpame el bicho! Ele jogou o telefone na grama e realmente disparou um fluxo de xingamentos. O único consolo era que os vizinhos de Katie não o entendiam, mas então quando ele viu uma luz da frente acendendo, procurou seu telefone e o achou pousado na grama molhada. Irritado ou não, agora ele tinha que chamar seu primo. Marcos olhou para o aparelho, vendo que quebrou a tela. Isto só o irritou mais, e ele guardou no bolso decidindo que precisava de um pouco mais de tempo para se acalmar antes de falar com Chuito. Voltou para Katie mancando e ainda irritado. Isto provavelmente era karma por ter dado a Chuito merda por causa das tatuagens adicionais. Se estivesse em Miami agora, ele estaria adicionando tinta em seu próprio braço. Ele ia matar Angel. Com as próprias mãos. Quem ele pensava que era? Chuito o deixaria assumir o controle. Marcos não percebeu até aquele ponto o quanto ele gostava do status de elite em Los Corredores, mas que porra? Ele perdeu sua alma arrecadando dinheiro para o duro


representante dos Los Corredores e merecia um pouco de status de elite por esta merda. Ele parou quando virou a esquina de Katie, vendo uma sombra em sua porta da frente. Em seguida a porta abriu, brilhando a luz na escuridão enquanto um homem andava direto para a casa dela como se fosse dono do lugar. Isso era o que se conseguia por estar em Garnet e deixar a guarda baixa. Sua arma ainda estava em sua caminhonete. Ele correu tão rápido que o cara estava apenas na sala antes de Marcos chegar nele. Marcos agarrou o intruso por trás. Agarrou seu cabelo em uma mão e empurrou-o para baixo. Sem saber se tinha uma arma ou não, Marcos bateu o seu rosto na mesa de centro com força suficiente para ouvir ossos esmagarem. O grito que explodiu dele teria envergonhado a tia Sofia de Marcos. Realmente, esse cara gritou como uma menina enquanto se desintegrava sobre o tapete, segurando o nariz. Marcos nunca ouviu um cara gemendo desta forma antes, e apenas se ajoelhou sobre ele, respirando com dificuldade, olhando para baixo quando o homem menor tentou lutar para longe dele. Era difícil sob o sangue, mas agora que viu sua face fina, Marcos reconheceu. Era o ex-marido de Katie. Marcos passou a mão sobre o rosto e gemeu. — Coño. Ele realmente não poderia atingi-lo novamente. Isto era como bater em uma mulher. O que ela viu nesse cara?


— O que... — Katie entrou correndo na sala de estar. Ela ainda estava colocando os braços nas mangas de seu robe, mas parou e gritou quando viu seu ex sangrando por toda a sala de estar. — Oh meu Deus, Grayson! Ela correu para ele, o que realmente irritou Marcos. Grayson ainda estava chorando, realmente chorando, enquanto segurava o seu telefone em sua orelha com uma mão e apertava o nariz com a outra. — Estou –igando para os -oliciais! — Você invadiu a casa! — Marcos gritou para ele antes de se virar para Katie, que correu para a cozinha. — Ele invadiu, Katie. Eu tranquei a porta quando saí e.... Grayson parou sua conversa com os policiais para gritar. — Ele está hospedado aqui? — É isso mesmo, filho da puta. — Ele deu a Grayson um olhar duro. — Agora ela sabe como um homem de verdade deveria fazer. — Marcos, não. — Katie trouxe de volta um rolo de papel toalha e caiu de joelhos ao lado de Grayson. — Basta ficar quieto enquanto eu lido com isso. — Ele está chorando como uma mulher—, Marcos apontou. — Vamos. — Ele está sangrando por todo lado. — A voz de Katie tremia como se estivesse à beira de um colapso nervoso. — Ele não é como você. — Tem certeza de que ele tem cojones?


Grayson estreitou os olhos para ele, embora ainda segurasse o telefone no ouvido como uma tábua de salvação. — O que isso quer dizer? — Isso significa bolas, chica. — Marcos! — Katie gritou. — Pare! — Tudo bem. — Marcos ergueu as mãos e se afastou. — Divirta-se com sua namorada. Ele foi para o quarto e pegou suas coisas. Jogou metade de suas roupas sobre a cama, arrancou sua jaqueta e puxou uma camisa já que teria que lidar com os policiais. Ele poderia muito bem acabar com isso agora, então chamou seu primo porque não se atreveu a sair de lá. Ele deveria ter atingido Grayson filho da puta uma segunda vez apenas para calá-lo. — O quê? — Chuito atendeu na segunda chamada, tornando-se óbvio que ele ainda estava chateado. — Não venha com gracinhas—, ele gritou em espanhol. — Eu só estou tendo que lidar com as besteiras de Angel. Ele foi visitar a sua mãe para me ameaçar, e agora o ex-marido de Katie está sangrando na sala de estar. Como você pode aproveitar esta cidade? Ele chora como uma mulher. — O quê? — Chuito latiu de volta. — Angel foi à casa da minha mãe? — Mande-a para Porto Rico. — Marcos esfregou a mão sobre o rosto. — Tire-a de Miami. Amanhã.


— Ok. — Chuito estava, obviamente, ainda tentando se orientar. — Você disse que o ex-marido de Katie está sangrando? — Ele invadiu a casa! — Marcos gritou com ele em espanhol. — O que eu deveria fazer? Agora ele está chamando os policiais e.... — Coño, Marcos! — Chuito gritou sobre o som de uma porta batendo. — Estou indo para aí. — Não. Foda-se. Eu não preciso de sua ajuda! — Marcos rosnou, mas o telefone ficou mudo. Ele podia ouvir as sirenes e começou a suar frio contra a sua vontade. Se encostou na parede e respirou fundo, amaldiçoando-se novamente por voltar a esta cidade. Ele realmente odiava a polícia. Rezava a Deus que os policiais não revistassem a sua caminhonete porque ele não tinha uma licença para a arma e isso era a última coisa que precisava. Com o seu histórico, ele poderia pegar uma pena grande por conta disso. Por apenas um momento, pensou em saltar em sua caminhonete e abandonar esta cidade, mas sabia que acabou de encontrar seu primo. E Katie. Ele se encolheu quando ouviu a polícia entrar. Grayson gritou. — Ele está lá! A porta se abriu, e ele ficou tenso quando toda a moldura da porta foi preenchida com o maior policial que Marcos já teve


a infelicidade de conhecer. Xerife Wyatt Conner era pior do que a sua irmã e isso significava muita coisa, porque Marcos realmente odiava Jules Wellings. — Deixe-me ver suas mãos! — Gritou o xerife, sua arma apontada para o peito de Marcos. Marcos levantou as mãos e disse com toda a calma possível — Ele que invadiu. — No chão. Agora. Tenho certeza que você sabe o que fazer. — Sério? — Marcos perguntou em descrença quando ficou de joelhos com as mãos atrás da cabeça. — O filho da puta quem invadiu. Em vez de ouvi-lo, o xerife forçou o seu estômago e o algemou. Ele guardou a arma e disse: — Rapaz, você esteve na minha cidade duas vezes, e nestas duas vezes eu tive que aparecer. — Sim—, disse Marcos, ao invés de discutir. Ele ainda estava suando sobre a arma. Ele não precisava deste idiota procurando em sua caminhonete ou ele teria uma verdadeira razão para prender Marcos. — Ele me samou de mulherzinha—, Grayson estava gritando da sala de estar. — Ele é perigosso! — Eu o chamei de mulherzinha—, Marcos garantiu o xerife. — Garoto...


— Eu não sou seu garoto, — Marcos rosnou quando o xerife obrigou-o a ficar de pé. — Eu sou apenas o único filho da puta dentro de cinco milhas que não tem uma bunda branca. — Hey, — alguém gritou da sala de estar. Marcos olhou quando o xerife levou-o para fora e viu um enorme policial negro conversando com Katie. O policial estava olhando para Marcos como se tivesse recebido uma ofensa pessoal, mas tudo que Marcos podia fazer era suspirar e balançar a cabeça. Ele realmente tinha a maior merda de sorte. Katie ficou de pé. — Você não pode prendê-lo! — Katie, deixe-me fazer o meu trabalho—, disse o xerife em uma voz severa. — Marcos está comigo. O xerife ainda estava levando-o para fora em direção a porta da frente, mas Katie seguiu atrás deles. — Foi Grayson quem invadiu. Esta é a minha casa. Eu sou a dona. Ele não tem uma chave. Marcos provavelmente não o reconheceu. Eu estava dizendo a Adam que tudo é um grande mal-entendido. O xerife parou de andar. Seu domínio sobre o ombro de Marcos obrigou-o a parar também.


— Agora você acredita, quando ela diz alguma coisa. — Marcos bufou. — Então me diga, Xerife, são apenas Latinos com quem você tem um problema? — Você não pode prendê-lo.— A voz de Katie ainda tremia em pânico. Ela, na verdade, agarrou o braço de Marcos como se isso fosse de alguma forma salvá-lo. — Você não pode. Ele não fez nada de errado. Ele não reconheceu Grayson. Sei que ele não fez. — Você está hospedado aqui, Rivera? — Sí—. Marcos respondeu em espanhol de propósito. — Você o reconheceu quando o atacou? — Não, eu não bato em meninas. — Sua boca vai te trazer um montão de problemas. — Vete pa'l carajo. — Por favor, tire as algemas dele—, Katie pediu. — Será que ele não tem o direito de defender a minha propriedade, se está aqui? — Grayson disse que o atacante veio de fora. — Caminhar é ilegal em Garnet? —, Perguntou Marcos. Katie ainda soava frenética quando disse, — Grayson deve ter usado a chave debaixo do tapete e.... — Você tem uma chave da sua casa debaixo do tapete? — Marcos olhou para ela como se fosse louca. — Chica, ele poderia ter feito alguma coisa com você. Por que você faria algo assim?


— Ele não faria nada violento. — Por que ele entraria em sua casa à uma da manhã, então? — Ok. — O xerife suspirou atrás deles. — Acho que vocês estão envolvidos. — Sim. — Marcos virou a cabeça para olhar para o xerife. — Alguém nesta cidade gosta de Latinos. — Olha, filho... — Eu disse que eu não sou seu filho. — Jesus, deixe-me colocá-lo no carro até que eu possa resolver isso. — O quê? — Katie gritou. — Não! Você não pode colocálo lá como um criminoso. — Deixe a ambulância levar Grayson daqui primeiro. — O xerife forçou Marcos andar em torno dela. — Ter os dois na mesma sala é obviamente um erro. — Você vai prender seu ex? —, Perguntou Marcos. — E se eu não estivesse aqui? Não é o seu trabalho proteger pessoas como Katie? — Se ele invadiu a casa, você pode apostar que vou prendê-lo. Ele tinha permissão para entrar na sua casa, Katie? — Não, ele não tinha—, Katie respondeu sem hesitar. Com certeza, o xerife falou com seu delegado pelo rádio e Marcos entendeu o suficiente para saber que ele avisava que Grayson estava prestes a se ferrar.


Isso fez com que Marcos se sentisse quase otimista e deixou o xerife levá-lo ao SUV dele sem reclamar. Sentou-se ali, obedientemente, com as mãos algemadas atrás das costas. — Você tem certeza que daqui eu terei uma boa visão dele sendo levado para a cadeia? — Primeiro, ele vai para o hospital. Você quebrou o nariz dele, Rivera. — E daí? — Marcos bufou quando olhou para o xerife, que era coproprietário do Cellar e um ex-lutador do UFC. — Eu tenho certeza que você já teve seu nariz quebrado. Você chorou daquele jeito? A simples sugestão de um sorriso puxou os lábios do xerife. — Não. — Olha, não sabia que era ele. Honestamente não sabia. Não teria usado tanta força se soubesse, — Marcos assegurou. — Eu vi alguém entrar e pensei que ele estava tentando machucar Katie. Eu só agi. — Onde você estava quando você o viu invadir a casa? — Eu estava passeando para fazer uma chamada de telefone porque eu não queria acordar Katie. Voltei e vi um homem abrir a porta. Pensei que alguém estava tentando machucá-la, então eu o parei antes que o fizesse. Eu nem sequer o atingi uma segunda vez. Wyatt deu um passo para trás e olhou para Katie, que pairava nervosamente perto do carro, e depois para Marcos, que estava sentado no banco de trás. — O problema parece seguir vocês dois.


Katie bufou. — Eu sei disso. O xerife deixou Marcos no carro e entrou. Quando ele voltou, teve tempo para pegar o depoimento real deles, mas Marcos percebeu que ele não tirou as algemas dele. A ambulância apareceu. E Chuito. — Wyatt! — Chuito gritou quando ele saiu de seu carro. — Vamos lá, cara. Este é meu primo. — Eu não vou prendê-lo. Estamos apenas deixando todos se acalmarem. Ele estava irado quando cheguei aqui—, Wyatt disse enquanto voltava a escrever. — Nós não precisamos que você torne as coisas piores. — Os vizinhos estão olhando para ele, — Chuito argumentou, apontando outro lado da rua. — É o ex-marido algemado? — Sim, é ele. — Wyatt deu uma olhada em Chuito. — Vou ter que pedir a você para afastar-se, Sr. Garcia. Você não faz parte desta investigação. Chuito revirou os olhos e deu dois passos para trás. — Feliz? O xerife apenas deu a Chuito outro olhar duro, mas voltou a escrever. Ele tomou o depoimento de Katie também, que não fez rodeios. Ela ficou completamente ao lado de Marcos e não parecia muito preocupada com Grayson ser preso.


O que o fez sentir-se um pouco melhor depois do incidente na sala de estar. — Ele está te assediando muito, Katie? — Sim—, Marcos respondeu por ela. — Eu o vi agarrandoa no estacionamento da escola. As sobrancelhas do xerife subiram. — Agarrando-a? — Como se estivesse tentando machucá-la, — Marcos disse ele. — Ele apenas não superou o divórcio. — Katie deu de ombros. — Eu não acho que ele iria me machucar, mas... — Mas? — O xerife pressionado. — Eu não sei. — Katie suspirou. — Ele me liga o tempo todo. Me incomoda na escola e ele deixa muito claro que não aprecia que me divorcie dele. — E esta noite ele invadiu sua casa? — O xerife continuou. — Isso é assédio, Katie. Será que a minha irmã sabe sobre tudo isso? Eu sei que ela te ajudou com o divórcio. — Bem, não a parte da invasão. — Mas o resto? — Wyatt continuou. — E ela não lhe disse para falar comigo? Acho isso difícil de acreditar. — Ela poderia ter sugerido, mas... — Você vai tirar as algemas dele? — Chuito apontou para Marcos. — Ele estava protegendo a sua menina, Wyatt. Sei que você entendeu isso.


— Ok. — O xerife cortou Chuito com um olhar severo antes se virar para Marcos. — Você está calmo agora? — Eu estava calmo antes, — Marcos argumentou quando o xerife olhou para ele. — Eu estava. O xerife o soltou e Marcos esfregou os pulsos auto conscientemente enquanto se afastava do SUV. Estava frio, mas suas costas ainda estavam pegajosas do suor nervoso que não parava, apesar de sua camisa de manga curta. Sentir o golpear das algemas em seus pulsos, ocasionou um caso extremo de estresse pós-traumático. Irado. Droga, se o xerife soubesse o que estava acontecendo em sua mente, ele iria lutar contra tudo isso com tudo o que tinha. Eles trouxeram Grayson para fora em uma maca, mas ele estava algemado às barras e chorando. — Isto não é justo, xerife! Não faça isto! — Ele apontou para Katie quando eles manobraram a maca para passar. — Você me fez isso! O oficial que escoltava Grayson cutucou seu ombro. — Quieto. Em seguida, ele realmente começou a chorar e Marcos quase sentiu pena dele. Quase. — Ele é uma mulherzinha—, disse Chuito em espanhol, soando enojado. — Não admira que ela estava me deixando louco para ter o seu número. Marcos riu. — Sério?


— Ok, vocês podem voltar para casa. — Wyatt apontou para a casa. — Entrarei em contato. — Eu mal posso esperar, — Marcos disse secamente, mas foi impedido de dizer mais quando Chuito chutou a parte de trás de sua perna com força suficiente para fazê-lo tropeçar. — Obrigado, Wyatt, — Chuito disse em seu lugar. — Ei, vocês poderiam me assegurar que essa será a última vez que terei que vir e lidar com alguma catástrofe em torno de vocês dois? — É a última vez—, Katie prometeu. Marcos estava quase na porta, quando alguma coisa sobre o comentário do xerife o atingiu e ele se virou. Chuito tentou agarrar sua camisa, mas Marcos saiu do seu controle e correu até o xerife tão rápido que o surpreendeu. Marcos não perdeu a mão em sua arma, mas isto não o deteve. — Ei, Xerife, já que você é tão rápido para julgar, eu notei que você nunca encontrou a gringa que tentou matar Katie. — Marcos não conseguia manter o desprezo longe de sua voz. — Levei vinte minutos nesta cidade para encontrá-la. Grande polícia a que trabalha aqui. Você ao menos procurou? — Desculpe-me? — O acidente. Com Katie e eu, eu sei quem o causou. O xerife olhou incerto para Katie e depois voltou-se para ele. — Ok, estou ouvindo. — É aquela menina que o seu ex está namorando. — Marcos voltou-se para Katie. — Qual é o nome dela?


— Você quer dizer Ashley Moore? — Katie parecia chocada. — Marcos, eu não sei se ela está realmente vendo ele e.... — Não, é ela. Ela dirige um Toyota Corolla 2009 vermelho, mas não é um vermelho de fábrica. É um novo trabalho de pintura; eu posso afirmar. E eu lhe disse que naquela noite, foi um Toyota Corolla 2009. Reveja as suas notas e vai perceber. Era seu carro. Eu apostaria todas as verdinhas nas contas bancárias de Chuito nisto. — Marcos conhece carros—, Chuito disse ao xerife. — Se ele diz que era esse carro, provavelmente era. — Eu garanto a você que costumava ser azul. — Marcos apontou para o xerife. — Aquela puta causou o acidente. Estava

tentando

jogar

Katie

para

fora

da

estrada,

provavelmente por ciúmes. Ela deve gostar de meninas. O xerife passou a mão sobre o rosto e suspirou. — Ok, isso está ficando mais complicado. Deixe-me apenas seguir vocês de volta para dentro e tomar outro depoimento. Era óbvio que ele realmente queria isto feito. — Por que diabos não me disse isso quando o vi há alguns dias? — Wyatt perguntou um pouco mais tarde quando se sentou à mesa de Katie, escrevendo novamente. — Sem ofensa. — Marcos tomou um gole da garrafa de água que Katie entregou-lhe, quando o que ele realmente queria era um rum e coca. — Você não é a minha pessoa favorita, xerife.


Wyatt arqueou uma sobrancelha para ele. — Então, o que você iria fazer com a informação? — Dizer a Katie. Deixá-la falar com você sobre isso. — Mas você não disse para Katie de suas suspeitas até agora. Marcos sorriu. — Nós estivemos ocupados. — Ok, Rivera, que seja. — O xerife esfregou o rosto novamente. — Eu não sei como você e Chuito cresceram na mesma casa. Vocês não são nada parecidos. Você tem uma boca que faria até mesmo um santo praguejar. Chuito tem mais autocontrole do que ninguém que eu conheça. Marcos riu alto. Ele não pode evitá-lo. Wyatt olhou com curiosidade. Chuito chutou ele. Marcos apenas deu o resto da declaração, em vez de discutir.


Capítulo Doze Logo após o Xerife sair, os três sentaram em estado de choque. A única bebida que Katie tinha era um rum com sabor de coco, mas Marcos decidiu fazer uma exceção. Ele bebeu puro com gelo. Katie bebeu o dela misturado com suco de laranja. Chuito bebeu água, enquanto sentava na cadeira em frente ao sofá, olhando para os dois. — Wyatt está certo, sabem? Vocês dois são uma catástrofe. — Foda-se, Chu, — Marcos disse e olhou para seu primo, antes que ele se virasse para Katie. — Tanto para as suas duas teorias negativas. — Sinto muito—, Katie sussurrou, parecendo miserável. Marcos sabia que a noite foi estressante para ela, e ele não podia deixar de estender a mão e apertar seu joelho. — Está tudo bem, chica. Chuito não estava tão indulgente quando estreitou os olhos para Katie. — Você é má com o meu primo.


— Por favor, cale-se, Chuito, — Katie virou-se para ele. — Eu acho que é óbvio que seu primo pode cuidar de si mesmo. Deixe que ele faça as suas próprias escolhas ruins. — Calma. — Marcos riu e se inclinou, passando seu braço livre em torno de Katie. Ele a beijou e sussurrou contra seus lábios, — Eu gosto dela. Chuito se levantou, dando-lhes um olhar de nojo enquanto falava com Katie. — Olha, eu percebo que ele pode ter algumas habilidades que você aprecia, mas você acha que essa coisa entre vocês dois vai durar? Você acha que ele vai mudar para cá, Katie? Você acha que pode consertá-lo? Fazer com que ele se integre? Você não pode. Confie em mim. Eu tentei isso durante anos. Marcos não sabe como seguir as regras. Mesmo quando isso pode salvar a vida dele, ele não consegue fazer. Tentar enquadrá-lo em seu mundo seria como tentar ensinar espanhol a você. Impossible. — Chuito apontava para ela. — Você é uma professora do segundo grau, pelo amor de Cristo. Você é uma grande regra. — Não a chame de grande—, Marcos virou-se para ele. — Exuberante. Sexy. — Ele gostou do som disso e alterou a declaração de seu primo. — Ela é uma gordinha sexy e eu não poderia desejar outra.43 — Eu poderia aprender espanhol, — Katie acrescentou defensivamente. — Por exemplo, agora eu acho que você está Neste caso, a autora faz um trocadilho com a palavra rule, que pode ser tanto ‘regra’ quanto ‘regime’. 43


sendo um enorme pendejo quando já tivemos uma noite muito difícil. Marcos riu novamente. — Isso era espanhol. — Ay, Dios Mio. — Chuito virou para eles e correu as duas mãos pelo rosto e cabelo. — Grande plano, aprender o espanhol de Marcos. Vamos ver o quão bem funciona para você em público. Essa era uma das palavras mais agradáveis em seu vocabulário, chica. — Está sendo um pendejo—, Marcos não podia deixar de apontar. — Grande momento. Chuito olhou para ele. — Posso falar com você na cozinha? — Não, você não pode. — Marcos bebeu até a última gota da sua bebida, pensando que não tinha álcool o suficiente nesta porcaria de bebida de coco. — Eu te ligo amanhã. — Agora, Marc.— O olhar sombrio de Chuito brilhava com fúria. — Temos outra merda para discutir. — Chúpame el bicho—, ele disse a seu primo, antes de se virar para Katie. — Você quer que eu traduza? Não me importo de repeti-lo. — Não diga sim. — Os olhos de Marcos ainda estavam estreitos quando Chuito disse para Marcos em espanhol, — É realmente uma situação grave. Posso, por favor, falar com você? Marcos bufou frustrado.


— Claro. — Eu vou tomar um banho—, disse Katie quando ele apertou a mão dela e se levantou. — Encontro você no quarto? — Parece bom. — Marcos seguiu Chuito, mas, em seguida, virou-se e viu Katie sair. — Ela tem uma bela bunda— , disse a seu primo em espanhol. — E ela está aumentando. Eu disse-lhe isso? Quão sexy isto é? — O que isso significa? — Katie chamou a partir do quarto. — Nada—, Chuito respondeu por ele e puxou o braço de Marcos com tanta força que quase enfiou a cara no azulejo da cozinha. — Vamos, cara, é melhor esperar que ela não aprenda espanhol. — Eu aposto que poderia ensiná-la. — Marcos serviu-se de mais batida de coco. — Ela é inteligente. — O que é isso com a chica? — Eu gosto dela. Muito. — Marcos tomou outro longo gole, estremecendo com a sua doçura. Ele foi procurar na geladeira, considerando o suco de laranja para misturar com ele, como Katie fez. — Eu odeio essa merda. Existe um licor verdadeiro à venda nesta cidade? — Apenas me diga sobre Angel. Foda-se o suco de laranja. Ele só bebeu de novo porque não queria pensar sobre a situação com Angel. — Tire a sua mãe da casa. Eu vou lidar com o resto quando eu voltar.


— Por quê? O que vai acontecer? — Este seria o meu problema. — Marcos ergueu as sobrancelhas. — Deixamos de ser uma equipe há muito tempo atrás. Chuito encostou-se ao balcão, o corpo tenso enquanto olhava Marcos criticamente. — Você está pensando em fazer algo estúpido. — Meu assunto—. Marcos apontou para si mesmo, porque não deixaria Angel ganhar, usando ele como um peão contra seu primo. — Eu disse o que você precisa saber. Agora saia. Deixe-me desfrutar de Katie enquanto eu posso. — Eu não posso simplesmente sair, Marc, — Chuito virou-se para ele. — Eu não posso ignorar isto. — Sim, Chu, você pode. — Marcos bebeu novamente. — Eu não te darei outra opção. Chuito passou a mão pelo cabelo, levantando as pontas escuras. — Não há nenhuma maneira que a chica vai te hospedar por uma semana. Eu mal suporto você e você é praticamente meu irmão. — Ok, continue dizendo isso a si mesmo. Eu e Katie, nós realmente nos damos muito bem. — Marcos olhou para o copo, observando o derretimento dos cubos de gelo. — Minha mãe teria gostado dela. — Marcos... Ele olhou para cima, vendo seu primo ali com o olhar ferido no rosto. Tia Sofia falava muito sobre a morte. Marcos e


Chuito nunca fizeram, mas apenas por um momento, considerou uma vida diferente, uma em que ele poderia levar Katie à casa de sua mãe. — Ela teria gostado muito dela. Eu sei disso. Estaria orgulhosa de mim por encontrar uma garota assim. Uma professora. Ela ajuda as crianças a se desenvolverem como deveria ter sido com Juan. Chuito colocou a mão sobre os olhos e respirou fundo. — Por favor, diga-me como posso ajudá-lo. — Você não pode. Desculpa. — Marcos suspirou. — Às vezes eu lembro dos bons dias. Nós contra o mundo. Isso, de alguma forma, tornou as coisas que passamos mais fáceis. — Ainda somos nós contra o mundo—. Chuito baixou a mão e deu-lhe um olhar duro. — Eu sumo com Angel amanhã para você. Fácil. Eu sumo com qualquer um para você, Marc. Você me diz qual é o problema, e eu vou cuidar dele. — Eu sei. — Ele se aproximou e bateu no seu peito. — É por isso que você tem que ir. — Por que você está fazendo isso? — Chuito soou tão perdido quanto Marcos se sentia. — Por que você não me deixa te ajudar? — Porque você ainda acha que deve isso pela minha mãe e Juan—, Marcos falou, odiando a falha em sua voz. — E eu acreditei em você. Por muito tempo pensei que era verdade. Agora eu não tenho tanta certeza. Estou começando achar que


devo isso a Juan para me certificar de que seu irmão mais velho não vá perder mais de sua alma para esta merda. — E então você desiste de si? — Chuito balançou a cabeça, seu olhar de repente duro. — Não. Eu não vou deixar isso acontecer. — Não se preocupe. Eu não vou desistir mais da minha alma. Não para você —, Marcos garantiu-lhe. — E certamente não vou fazer isso por Angel. — Você acha que ele vai tentar te matar? —, Perguntou Chuito, sua voz angustiada. — É isso que você está tentando me dizer? — Eu não sei o que Angel vai fazer. — Marcos deu de ombros e, em seguida, tomou outro gole. — Vá para casa, Chu. Vá tirar proveito de uma chica qualquer que cai em sua cama todas as noites. — A vida não é apenas foder uma chica bonita, Marcos. — Sim, é.— Marcos deu-lhe um sorriso enquanto pensava em Katie. — E quando você fizer isso com alguém certo, vai entender. Eu sei porque você não pega sua vizinha, e não é porque seu pai é um pastor. — Por que, então? — Chuito riu loucamente. — Diga-me o porquê, gênio? — Porque você está com medo dela não te dar mais razão para estar com tanta raiva e você não pode lidar com isso. A raiva é a única coisa que o fez seguir adiante nos últimos oito anos. Eu estou tão cansado disto.


— Beleza, então. Vá fazer algo estúpido e irresponsável e dê a Angel uma razão para matar você—. Chuito afastou-se do balcão e passou por ele. — Esta chica te fez mais louco do que o habitual, como se isso fosse possível, mas eu não me importo mais! — Ótimo! — Marcos gritou enquanto ele seguiu seu primo para fora da cozinha. — Eu espero que você faça isso! — Farei! Você sabe por que eu estou cansado? Estou cansado de tentar ajudar alguém teimoso para caralho para ajudar a si mesmo! — Por favor, foda a sua vizinha. Você precisa disso. Desesperadamente. Chuito bateu a porta da frente, em vez de responder. Marcos olhou pela janela, observando seu primo nervoso ir para seu carro. Ele trancou a porta da frente quando viu os faróis partirem. Então bebeu o resto de sua bebida pensando se Chuito realmente tinha mais autocontrole do que algum outro muchacho que o babaca do Wyatt Conner conhecia, porque ele com certeza não queria ver como eram os seus outros amigos. Seu primo era uma bomba atômica prestes a explodir e Marcos parecia ser a única pessoa que sabia disso.


Marcos encontrou Katie no chuveiro, com o vapor quente ondulando-se ao redor dela, fazendo-a parecer quase um sonho. Ele podia ver a forma como o cabelo dela agarrou-se a suas costas nuas, como cachoeiras castanhas contra sua pele pálida. A profunda curva de sua cintura. O alargamento dos quadris. Sua bunda era boa e redonda e isso fazia com que ele desejasse agarrá-la cada vez que ela passava. Porra, ela era linda. Ele tirou os sapatos e agarrou a gola de sua camisa, ao mesmo tempo. — Você vem? — Sim, eu preciso de um banho mais do que você pensa. — Ele jogou a camisa de lado e, em seguida, puxou o botão para seu jeans. — Existe água quente o suficiente? — Há muita. Katie deu um passo para trás, quando ele abriu a porta, deixando-o ter o spray de água. Algumas coisas não se assentavam bem com Marcos. Ela era muito boa e ingênua e isso o incomodava. Não estava acostumado a uma mulher como ela que não acreditava na maldade, confiando que ele estava com ela agora e que seu ex não estava aqui para machucá-la. O que teria acontecido se Marcos não estivesse lá? Pela primeira vez, ele realmente se permitiu pensar nisso. Ele estava acostumado a mulheres como a sua tia Sofia, que iria apunhalar alguém com uma faca de cozinha sem pensar


se tinham invadido ou não a casa. O que Marcos estava pensando? Sua tia Sofia atiraria no idiota que tentasse arrombar a sua casa. Mas com Katie, ele não tinha tanta certeza. — Você não deveria deixar eu chegar na água—, disse enquanto estava atrás dela, virando-a para a pulverização, deixando-a rolar para baixo a curva de seus seios. — Você deveria dizer: 'Chico, se quiser ficar sob a água, fique atrás de mim. — Por que eu faria isso? — Katie virou a cabeça e franziu a testa para ele. — Você acabou de dizer que precisava disto. — Não importa o que eu preciso. — Ele passou um braço em volta da cintura e puxou-a com força contra ele, permitindo a ela sentir seu pau que endureceu no momento em que a viu nua. — Você é uma mulher e tem o que eu quero. Use isto contra mim em cada chance que puder. — Não farei isso. — Sim, você fará. Eu farei que você faça. — Ele colocou seu outro braço sobre sua frente, deslizando-o entre o vale de seus seios enquanto a abraçava possessivamente. — Você me assustou hoje à noite. — Você não parecia assustado. Ele estendeu a mão e agarrou-lhe o queixo, forçando-a a olhar para ele. Ele olhou para os seus olhos confiantes da cor de mel. Eles eram enquadrados com pestanas longas que a fazia muito gentil para sua sanidade.


— Eu estava com medo—, assegurou ele enquanto corria o polegar sobre o lábio dela. — Eu não quero que você fale com o seu ex. Nunca mais. Prometa. — Eu trabalho com ele—, ela lembrou. — Eu não me importo. — Ele a beijou, e ela abriu os lábios para deixá-lo deslizar a língua por eles. Quando ele se afastou, ela inclinou-se, silenciosamente implorando por mais, mas ele resistiu e disse: — Faça ele ser demitido. — Eu não posso fazer isso. — Sim, você pode. Ele tentou atacá-la. Certifique-se de que ele será demitido por isso. — Eu não vou arruinar a vida dele—, Katie argumentou. — Não acho que ele fosse me atacar. Honestamente não. Ele provavelmente só estava louco porque eu o ignorei... — Mande ele embora—, Marcos reiterou uma terceira vez. — Prometa-me. — Eu já te disse que prometi coisas o suficiente. — Ela arqueou uma sobrancelha para ele. — Lava minhas costas? Essa ideia o distraiu o suficiente para pegar o sabonete na frente dela. Ele usou o spray de chuveiro para deixar as mãos agradáveis e ensaboadas antes de friccionar a barra entre seus seios. Era tão bom tocá-la, ver suas mãos bronzeadas contra seu estômago pálido. Eles não se pareciam, mas ele gostava do contraste.


Ele usou sua outra mão para traçar a linha de sua vagina, fazendo-a atirar a cabeça contra seu ombro. — Por que você se depila, chica? — Eu faço isso há anos. Eu fiz pela primeira vez em um desafio na faculdade. Grayson odiou. Disse que não queria que eu fizesse novamente. Como você pode ver, não gosto que me digam o que fazer. — Você é teimosa—, ele concordou quando deixou cair o sabão, decidindo que lavaria suas costas depois de ter feito sexo com ela. Ele atravessou o braço sobre a sua frente de novo, deixando-o descansar entre os seios e enrolando em torno de sua cintura, apoiando-a para ele usar a outra mão para afastá-la. — Eu acho que a depilação é sexy. — Sério? — Ela estava sem fôlego, mas sua voz era brincalhona. — Você já disse isso algumas vezes, mas não tinha certeza. — Muito sexy —, assegurou para ela. Ele caiu de costas contra a parede com ela, porque estava excitado e meio afetado por quase ter sido preso. O rum de coco estava escolhendo aquele momento para atingi-lo porque ele não estava bebendo muito nestes dias. Certamente não quanto bebia quando era mais jovem. Ele estava ficando mole na sua velhice. Mas isso realmente não importava porque ele tinha uma gringa muito molhada e muito exuberante em seus braços, parecendo uma deusa com a água batendo nela e sua cabeça jogada para trás contra seu ombro.


Ele deslizou seu joelho entre suas pernas, obrigando-a a alargar sua postura enquanto ele alternava entre empurrar os dedos em sua vagina inacreditavelmente apertada e lisa, e esfregar seu clitóris. Ele estava jogando com ela, mas tinha uma espécie de esperança de que ela mandaria ele parar com isso. Em vez disso Katie envolveu as duas mãos atrás do pescoço dele, dando-lhe a rédea livre sobre seu corpo, e deixando-o louco. Deveria ter parado, mas quando ela começou a arquear em sua mão, ele esfregou o seu pênis contra suas costas nuas molhadas e eróticas, e percebeu que estava brincando consigo mesmo também. Marcos concentrou todos os seus esforços em seu clitóris, e Katie começou a gemer com o peito arfando, porque ela era sempre receptiva. Assustadoramente assim. Se um verdadeiro homem tivesse encontrado ela, em vez de Grayson, ele realmente poderia ter aproveitado. Uma mulher como Katie foi feita para foder. Ela desejava tanto quanto ele, o que a deixava aberta para se machucar, mas isso não impedia que Marcos pudesse tirar proveito dela, porque ele nasceu um bandido e não podia evitar. Ele gemeu quando ela soltou suspiros suaves, ofegante de prazer, que fez todos os finos cabelos na parte de trás do seu pescoço ficarem em pé. Ela ainda estava tremendo e o seu puxão em seu pescoço ficou mais forte quando suas pernas começaram a bambear, mas Marcos a segurou mais firme e


depois não empurrou só um, mas dois dedos dentro dela só para sentir seu aperto em torno deles. — Gosto de sentir você perto de mim. — Ele arqueou seus quadris e empurrou seu pênis apertado contra a curva de suas costas. — Você é gostosa para caralho. Katie empurrou as mãos dele e se virou. Ela ficou na ponta dos pés e segurou seu rosto para beijá-lo. Ele puxou seu cabelo e beijou de volta, tomando sua boca do jeito que seu pênis queria tomar o seu corpo. Gostava da sensação dos seios contra o seu peito e a bunda em suas mãos. — Diga-me para não puxar o seu cabelo mais—, ele ofegou contra seus lábios. — Não—, ela argumentou e depois se inclinou para outro beijo, mas ele resistiu. Ela usou seu domínio sobre o rosto para forçá-lo de volta e soprou em sua boca. — Eu gosto quando você puxa o meu cabelo. Ele gemeu, beijou- a, puxou seu cabelo e lambeu a água fora de seu pescoço mordendo o lóbulo da orelha até que estava tão desesperado que mal conseguia ver direito. — Deixei os preservativos no meu jeans. — Ele gemeu quando agarrou sua bunda com as duas mãos e arqueou os quadris contra ela, apreciando a sensação de sua pele lisa, úmida, contra seu pênis. — Porra. Katie estendeu a mão e empurrou a porta do chuveiro. Então ela saiu de seus braços e abaixou-se, deixando o piso molhado enquanto alcançava o bolso de sua calça jeans. Ele


olhou para a bunda dela e a linha de sua vagina enquanto ela jogava o telefone celular e carteira no chão. — Você quebrou seu telefone. — Pouco importa—, ele murmurou enquanto olhava fixamente para a forma como ela procurava apoiada em suas mãos e joelhos. Katie encontrou os dois preservativos que estavam no bolso de trás e ficou de pé. Ela tentou abri-los, mas Marcos puxou de sua mão e fechou a porta antes que ela pudesse. — Assim, chica. — Ele virou-a e empurrou suas mãos contra a parede, usando o seu pé para empurrar as pernas dela enquanto admirava a linha de suas costas e todo aquele cabelo, geralmente tão ondulado, fluindo agora em rios para baixo sobre a pele molhada quase até aquelas pequenas ondulações acima de sua bunda. — Coño, eres bella. — O que isso significa? — Significa que você é bonita, cariño. Ele se inclinou para ela porque não se conteve. Só queria estar perto dela, para ficar pele a pele e saber que naquele exato momento, ninguém poderia machucá-la. — Eu deveria ter matado ele. — Marcos decidiu quando jogou o preservativo de lado e usou os dentes para rasgar o segundo. — Então isso não seria um problema a menos para você. — Você não quer dizer isso.


— Sim, eu quero—, ele garantiu enquanto lutava com o preservativo que não queria deslizar muito bem no chuveiro. Ele beijou seu pescoço quando conseguiu e segurou seus seios porque parecia muito bom em suas mãos. Tocou Katie de novo, esticando-a para seu pau, mas ele não tinha a paciência para esperar mais do que alguns minutos antes de segurar seus quadris e empurrar para dentro dela. Todo aquele quente e molhado aperto o envolveu, arrastando-o para um lugar escuro enquanto o prazer tirou seu bom senso e ele puxava o cabelo dela de novo, se enterrando ao máximo. — Ele jamais te tocará ou te machucará. Não vai te olhar de forma errada. Nem mesmo respirar em sua direção —, Marcos rosnou em seu ouvido, usando o controle sobre seu cabelo para provar seu ponto. — Eu vou ferrá-lo se ele fizer, chica. Ela empurrou seus quadris para trás em vez de responder, e ele não pôde ajudar, apenas podia fodê-la. Bem forte. Ele mordeu o lábio em vez de gozar, usando a dor como uma distração, enquanto ela gritava e rendia-se ao prazer. E então ele a tocou novamente, a forçando gozar pela terceira vez. Era o mínimo que podia fazer depois de tomar o exuberante corpo de Katie com toda força. Quando ele finalmente gozou, mordeu o pescoço dela mais rude do que pretendia e puxou o cabelo mais forte do que deveria. Katie apenas gozou com ele ao invés de reclamar.


Mais tarde, quando estava deitada na cama, Katie aconchegou a cabeça em seu ombro e perguntou: — O que aconteceu com o seu telefone? — Eu aconteci ao meu telefone—, Marcos disse enquanto digitava uma mensagem de grupo para todas os OGs que eram leais a ele e Chuito, dizendo-lhes para vigiar suas costas porque suspeitava que este pequeno negócio que Angel estava fazendo poderia voltar contra eles. — Eu o joguei no chão mais cedo. — Por quê? — Porque eu sou um vândalo irritado que joga as coisas quando fico bravo. — Nós poderíamos ir ao shopping em Mercy e consertálo. — Não, eu prefiro ficar aqui com você—, disse ele enquanto terminava a sua mensagem e enviava. — Há Shoppings em Miami. Vou consertá-lo quando eu voltar. — O que você está dizendo a todos eles? —, Perguntou Katie. — Estou dizendo a eles que estou escondido. — Isto é um monte de palavras para dizer que você está escondido. — Katie bocejou. O sol já estava começando a


brilhar através das cortinas do quarto, mas ainda assim ela viu seu telefone quando seus amigos começaram a responder. — Como pode tantos deles já estar acordados? — Eles não estão acordando. Eles estão indo para a cama. — Oh meu Deus. — Katie bocejou novamente. — Isso é louco. O que eles fazem a noite toda? Eles não podem ser todos ladrões. Não há coisas suficiente em Miami. Marcos riu. — A maioria deles têm empregos dentro da lei agora. Eles só ficam acordados porque se acostumaram com este mau hábito quando eram mais jovens. — Eu vejo o nome de Chuito. — Ela apontou para o comentário de Luís. — O que diz? — Ele diz: 'Por que não conta ao Chuito? Ele é o OG original '. — O que isso significa? — Isso significa que ele é o principal gangster original. Marcos riu e digitou de volta. — Luís, idiota, você deveria ter ficado na escola. — A maioria deles desistiu da escola? — Sim. — Isto é triste. — Katie bocejou novamente. — Deve ser difícil conseguir um emprego. — Sim, bem, isso não é a única razão do porquê é difícil para a maioria deles manter um emprego. — Qual é a outra razão?


— A maioria de nós têm registros criminais. Se não fosse o

OG

original,

eles

provavelmente

ainda

estariam

desmanchando carros. Ele paga um salário mínimo de merda para a maioria deles para que possam alimentar suas crianças. — Você quer dizer Chuito? — Sim. — Ele lhes dá o dinheiro? — Sim. — Será que ele lhe dá dinheiro? — Não. — Por que não? — Porque eu não quero. — Ele jogou o telefone de lado e rolou para perto dela. Ele beijou o topo de sua cabeça e disse: — Chega de perguntas. — Você realmente roubava carros antes? — Katie perguntou ao invés de ouvir. — Pegava e levava para outra pessoa. — Eu realmente roubei muitos carros antes. — Você roubaria o meu carro? — Seu carro mediano sem dispositivos antirroubos que você mantém destrancado na garagem, que também é aberta? — Marcos bufou em descrença. — Sim, eu poderia roubá-lo. Katie pareceu ponderar por um tempo. — Hã? — Sim, mas realmente quando você começou a pensar sobre isso, hein, chica?


— Chuito roubava carros? — Não, ele conseguiu ser o OG original por ser um cara legal. — Marcos beijou o topo de sua cabeça novamente. — Eu disse vamos dormir. Katie ficou quieta, e Marcos pensou que ela começou a cair no sono, mas, em seguida, ela sussurrou para a escuridão, — Eu ainda não quero que você vá. Você acha que isso me torna uma criminosa por associação? — Não. — Ele suspirou. — Eu acho que te faz muito doce, para proteger. Eu vou embora daqui uma semana. Você prometeu. — E o que uma promessa significa para você? Um ladrão. — Para um OG, uma promessa significa tudo. Você não quebra uma promessa, uma vez que você a faz. Entendeu? Ela suspirou e apertou os braços ao redor dele. — É, eu entendi.


Capítulo Treze O problema de uma semana, é que quando você está vivendo o momento, ela parece que dura para sempre e passa rápido demais ao mesmo tempo. Katie sentia como se tivesse vivido uma vida com Marcos em sua pequena casa, escondido com comida suficiente para mantê-los vivos e privacidade suficiente para fazer amor em todos os cantos. Seu pai e irmão apareceram um dia depois do arrombamento. Eles eram gratos a Marcos por proteger Katie e depois arrastaram-na para fora e disseram que ela era muito louca por deixá-lo ficar em sua casa. Então ela simplesmente ignorou seu telefone e Marcos ignorou o seu porque estava tendo problemas também. Eles conversaram com o xerife uma vez, quando apareceu, porque ele descobriu que o carro de Ashley era azul como Marcos disse. O xerife passou a interrogar Ashley. Katie não se importou. Ela também não se preocupou com as questões legais de Grayson.


Ela apenas se importava que era sábado, e amanhã seria o último dia das férias da primavera. Ela sabia que prometeu deixá-lo ir, e sabia que a promessa era algo que realmente tinha valor para Marcos quando tão pouco neste mundo tinha, mas isso não a impediu de estar desesperada para alguma coisa, qualquer coisa, que pudesse mantê-lo aqui. Então, ela se sentou no chão ao lado do sofá, dobrando a roupa e pensando em maneiras de falar com Marcos sob a sua permanência, mas nenhum argumento parecia justo. Por que ele deveria ficar em uma cidade que obviamente odiava? E por boas razões. Todo mundo que ele encontrou aqui, até mesmo seu próprio primo, foram rudes com ele no mínimo, e tentaram prendê-lo na pior das hipóteses. — Eu acho que estou cansada dessa cidade—, Katie pensou para si mesma. — Estou começando a odiar isso daqui. Marcos se inclinou sobre onde ele estava estirado no sofá e envolveu um braço em torno de seu peito. — Por que você odeia isso? — Eu não sei. — Katie sabia; ela a odiava por afastar Marcos, mas ao invés de admitir isso, apenas colocou uma toalha dobrada em cima da mesa de centro que Marcos usou para quebrar o nariz de seu ex-marido. Ela procurou por outra razão, porque não queria brigar com ele e, finalmente, disse — Eu nunca me encaixei aqui, para ser honesta. — Você não fala como eles. — Marcos deu um beijo em seu pescoço antes de dizer: — Como é que você não tem um sotaque caipira como o resto destes pendejos?


— Grayson e eu fomos para a faculdade fora do estado. Talvez se eu tivesse ficado soaria como Jules que nasceu e foi criada aqui. — Eu gosto de como você fala, chica. — Marcos tomou um longo gole de rum e Coca-Cola que começou a beber antes do pôr do sol como se estivesse sentindo o relógio, tanto quanto ela estava. Ele beijou seu pescoço de novo e disse: — Eu me sinto inteligente apenas sentado ao seu lado. — Você é louco. Você fala duas línguas fluentemente. Isso faz de você mais inteligente do que eu jamais serei. — Não interessa. Você ensina em uma escola. Eu não poderia fazer isso. Mesmo que eu fosse inteligente como você, não poderia fazê-lo. Os adolescentes são uns filhos da puta. Se eu lidasse com eles o tempo todo, eles me irritariam para caralho porque pensam que são durões por causa das tatuagens em seu braço. Quando voltar, vou pedir desculpas a todos os meus antigos professores. — Em vez disso, você deve perguntar a eles porque não se certificaram de que você se formasse. — Katie arrumou outra toalha sobre a mesa. — Ay Dios mio, eu era um bandido na escola. — Marcos deu uma risada triste. — Tenho certeza de que não podiam esperar para se livrar de mim. Eu era uma maçã podre contaminando as outras maçãs apenas por estar lá. Katie estendeu a mão e acariciou o cabelo quando ele enterrou o rosto na curva de seu pescoço. — Tenho certeza que isso não é verdade.


— Não, isso é verdade—, Marcos garantiu a ela. — Se eu tivesse que ensinar um adolescente como eu na escola, para começar eu ia bater em sua bunda. Katie riu. — Ensinar provavelmente não deve estar no seu futuro. — Não há muito de qualquer coisa no meu futuro. — Marcos tomou outro gole. — Terra ou atrás das grades. Ela se virou e olhou para ele. — O que isso significa? — Nada. — Ele esvaziou o resto de seu rum e o colocou sobre a mesa. — Esqueça a roupa. Vou dobrá-la mais tarde. Vem sentar no meu colo. Katie abandonou a tarefa e se arrastou para o sofá. Ela montou Marcos, olhando para ele em nada além de um par gasto de jeans. Ela colocou as mãos sobre as estrelas em seus ombros que falavam ao mundo que ele era um ladrão e perguntou: — Por que você está bebendo esta noite? — Porque eu vou sentir sua falta, chica. — Ele usou as duas mãos para empurrar o cabelo longe de seu rosto e, em seguida, cobriu suas bochechas enquanto a puxava para baixo. Ele a beijou, sua língua empurrando seus lábios entreabertos para passar contra a dela, e ela gemeu em sua boca ao senti-lo. Ele tinha gosto de rum, quente e picante, deixando-a embriagada quase que instantaneamente. Quando eles se separaram, ele estava tão sem fôlego quanto ela quando perguntou: — Você quer foder?


— Sim—, ela concordou quando segurou seu rosto e correu o polegar sobre seu lábio inferior como ele normalmente fazia com ela. — Isso parece bom. — Eu não tenho nenhum preservativo aqui. Deixamos eles na cozinha. — Estou tomando pílula. Vamos fazer isso sem camisinha agora. — Coño, não, você está louca, chica! Você não fode bandidos sem preservativo. — Ele saiu de debaixo dela e passou a mão pelo cabelo enquanto ela olhava. — Prometa-me que não vai confiar facilmente nas pessoas do jeito que você faz quando eu me for. Sentando-se, Katie franziu a testa para ele. — Por quê? — Porque alguém poderia machucar você—, ele rosnou, exasperado. — Este mundo é foda. — Eu tenho ido bem até agora. — Não, você não tem. Você já percebeu toda a merda que tem acontecido? Seu ex invadiu aqui; a namorada dele tentou matá-la. Isso está fodido. — Eu não acredito que Ashley tentou causar o acidente. Eu sei que você sim, mas eu não. Mesmo que fosse seu carro, não acho que ela fez isso de propósito —, ela sussurrou e, em seguida, olhou para ele. — Além disso, o acidente é a razão pela qual estamos aqui agora. Eu não posso lamentar por isso, Marcos.


— Você não ganha nada comigo junto a você—. Ele apontou para si mesmo. — Eu não sou uma boa pessoa, Katie. — Sim, você é.— Ela estendeu a mão para ele, e ele afastou a mão dela e foi até a cozinha, mas ela não deixou que a impedisse de discutir sobre isso. — Eu ganhei alguma coisa. — Sua voz falhou enquanto ela admitiu: — Esta semana tem sido a mais incrível semana da minha vida. — Não. — Ele voltou para a sala de estar com o preservativo em sua mão. — Você prometeu! Ela não podia evitar, as lágrimas escorriam pelo seu rosto sem sua permissão quando ela explodiu, — Eu não quero que você vá. — Eu tenho que ir, chica. Eu não posso ficar aqui. — Ele caiu de joelhos na frente dela e passou um braço em volta da cintura. Ele enterrou o rosto em seu pescoço e sussurrou: — Você sabe que eu não posso ficar aqui. — Eu sei! — Deus, por que ela estava chorando agora? Não era nem mesmo domingo e ela ia estragar seu último dia juntos. — Faça-me parar de chorar. Ajude-me. — Segure-os. Ele empurrou a tira de preservativos em sua mão e, em seguida, passou os braços em volta dela novamente. Ela se agarrou a ele, ambos os braços apertados em torno de seu pescoço quando ele a pegou, porque ele era grande e forte, e ela descobriu cedo que podia fazer coisas desse tipo.


Ela enroscou suas pernas ao redor de sua cintura, e quando ele caiu sobre a cama com ela, manteve-se assim, agarrando-se a ele como uma tábua de salvação. Ele passou uma mão em seu cabelo, segurando e puxando a cabeça para trás. Então ele a beijou, empurrando sua língua em sua boca de novo quando forçou-a a sentir tudo dele contra ela. Ela jogou os preservativos na cama para tocá-lo, mas ele se afastou e agarrou-os. Ele colocou de volta em sua mão. — Eu lhe disse para segurá-los. Ela limpou o rosto dela. — Por quê? — Porque eles são seu lembrete. — Seus olhos brilhavam na penumbra do quarto, e eles estavam brilhantes de uma maneira que nunca viu antes, mas sua voz ainda estava dura quando disse: — Você não confia em bandidos. — Eu confio, no entanto, — ela sussurrou enquanto limpava o rosto novamente. — Eu confio em você mais do que ninguém que já confiei na minha vida. — Não, você não! — Sim, eu faço. — Ela jogou os preservativos tão forte quanto poderia, para fazer seu ponto. — Você não pode me dizer em quem confiar! — Ay, chica! —, Ele gritou quando rolou e se pendurou sobre a cama para agarrá-los. Ele arrancou um fora e estendeu a mão, puxando seu vestido. Ele puxou-o sobre a cabeça de Katie com muito pouca ajuda dela e jogou para o lado. Então ele colocou o preservativo na tira na frente de seu sutiã de modo que ele estava preso entre os seios. Quando ela foi para


tirá-los de lá, ele agarrou as mãos antes que ela pudesse. — Se você vai ser teimosa e não vai segurá-lo, eu vou fazer você segurar. Ela tentou libertar suas mãos quando argumentou, — Mas você disse que gosta de mim sendo teimosa. — Eu sei. — Ele olhou para os seios dela, olhando o preservativo preso entre eles. — Eu gosto muito. Ele se abaixou e tentou beijá-la, mas ela virou a cabeça para longe em vez de deixá-lo. — Você está sendo mandão. Ele trocou seu aperto, capturando os dois pulsos com uma mão. Ela tentou libertá-los, mas ele ainda a tinha presa quando usou a outra mão para pegar seu rosto e virá-lo para ele. — Você gosta de mim sendo mandão. — Não, eu n.... Ele beijou-a antes que ela pudesse terminar. Ela lutou para não abrir para ele, mesmo que o seu peso sobre ela sempre a fizesse se sentir tão bem e seus lábios fossem sempre tão suaves e tão fáceis de obedecer. Ainda assim, ela se manteve forte. Ele forçou as pernas dela e tudo que ela podia sentir era o duro e quente comprimento do seu corpo contra o dela. Sua calça jeans esfregava o interior de suas coxas. O esboço de seu pau

duro

pressionando

contra

sua

vagina

enquanto

empurrava contra ela, como se ele já estivesse transando com ela. Foi tão bom que ela não pôde deixar de gemer em sua boca, e então ele enfiou a língua triunfante. Ela deixou-se derrotar


porque amanhã era domingo e ela precisava disso. Isso era mais importante do que o orgulho ou suas regras estúpidas. Quando ele se afastou e olhou para ela, ela sussurrou em derrota, — Eu vou guardá-los. — Ok—, ele disse libertando suas mãos e deixando-a emaranhar os dedos em seu cabelo escuro. Ela puxou-o para baixo e capturou seus lábios com os dela. Ela foi quem beijou-o, e ele deixou-a fazê-lo em vez de se vangloriar, porque ele era um bom rapaz, mesmo que ele não soubesse. Marcos passou os braços em volta dela e os rolou, de modo que ele estava esparramado na cama sob ela. Seu cabelo caiu como um véu em torno dele, escondendo-o enquanto ela o beijou. Ele agarrou sua bunda com as duas mãos e segurou, forçando-a mais apertado contra ele. — Você quer isso? —, Ele respirou em sua boca. — Sim—, ela disse, e então o beijou de novo, porque não se conteve. Ele permitiu que Katie tivesse o seu caminho com ele, deixando-a deslizar a língua em sua boca uma e outra vez enquanto ele deslizava as mãos para cima e soltava seu sutiã como um homem que tinha muita prática. Então puxou uma mecha de seu cabelo e disse: — Sente-se. Ela jogou o cabelo para trás e fez o que disse, sentandose sobre ele, o que lhe permitia retirar o preservativo fora de seu sutiã. Quando ele agarrou sua mão e colocou a camisinha


na palma da mão aberta, ela fechou os dedos, em vez de discutir. Ele tirou seu sutiã e o jogou de lado. Por um longo momento, ele apenas se inclinou para trás em um braço e a admirou e ela o deixou, porque alguma coisa sobre a maneira como ele olhava para ela sempre a fazia se sentir bonita e sexy em uma maneira que nunca imaginou ser possível. Seu olhar em seus seios estava quente e cheio de tesão. — Eu vou sentir falta deles. Você tem os seios mais bonitos que eu já vi. Katie riu. — Eles vão sentir a sua falta também. — Sim? —, Ele perguntou quando finalmente olhou para seu rosto e sorriu. — Você acha? Ela assentiu com a cabeça. — Eu sei que sim. Ele estendeu a mão, agarrou seu cabelo e puxou sua cabeça para trás, forçando-a colocar uma mão sobre sua coxa para se equilibrar. Ela engasgou quando ele envolveu seu outro braço ao redor dela, apoiando-a enquanto se inclinava e sugava um de seus mamilos. Ela arqueou e esfregou-se contra ele enquanto ele chupava e brincava. Quando ele tentou se afastar, ela enredou os dedos em seu cabelo como estava fazendo com ela, segurando-o contra ela. Ela o observou fazer, tentando memorizar exatamente como ele parecia. A forma como seus dedos pálidos pareciam em seu cabelo escuro. A forma como seus olhos brilhavam


quando ele se afastou, apenas para lamber os lábios e chupar o outro mamilo. Então ele lambeu do peito até a linha de sua garganta, forçando sua cabeça para trás novamente para finalmente chupar seu pescoço. Katie sabia que ele estava marcando-a, mas ela não se importava. Ela queria que ele a marcasse, tanto que ela o afastou somente para trazê-lo de volta para o outro lado. Ele deve ter entendido porque chupou tão forte quanto pela segunda vez. Ele se afastou com seus olhos ainda brilhando quando chegou ao seu redor e encontrou o preservativo que segurava na outra mão sendo esmagado, enquanto ela cravava as unhas em sua coxa coberta pelo jeans. Ele ergueu-a e disse: — Espere. — Eu estava segurando-o—, ela lembrou. Ele olhou sua boca e arqueou uma sobrancelha sugestivamente. Ela bufou e se inclinou para agarrá-lo com os dentes, mas fez questão de dar-lhe um olhar que disse que não estava satisfeita. Ele não pareceu se importar quando olhou para baixo entre eles, onde seu pau duro e coberto com jeans era pressionado contra sua vagina coberta de renda. — Tire já. Ela alcançou entre eles, puxou o botão da calça jeans e depois abaixou o zíper. Ele caiu para trás, colocando o seu peso em ambos os antebraços e arqueou seus quadris, deixando-a


empurrar seu jeans e cuecas para baixo o suficiente para libertar seu pau. — Coloque-o em mim. Ela agarrou a borda do preservativo e usou seus dentes para rasgá-lo como Marcos sempre fazia. Ela cuspiu a parte superior da embalagem no seu rosto, mas ele apenas riu de seu protesto. — Você não é a primeira chica a cuspir em mim. Ela revirou os olhos. — Que bom, Marcos. — Eu sou um bandido—, disse ele sem remorso. — Eu continuo dizendo isso. — Eu não me importo se eu não sou a primeira a cuspir em você. — Katie estreitou os olhos para ele e, em seguida, foi um pouco para frente e lambeu a palma da mão, fazendo-o longo e lento enquanto ele assistia. — Eu só queria que eu fosse a última. — Ay Dios mio. — Sua cabeça caiu para trás quando ele usou sua mão para puxá-la e acariciá-la. — Coloque-o em mim. — Não, eu sou a pessoa segurando-o. Sou eu quem decido quando eu vou colocá-lo. Ele arqueou em sua mão, sem se preocupar sobre seu protesto. — Coño, você é sexy. — Sério? — Foda-se, sim. — Ele se sentou e envolveu uma mão ao redor da base de seu pescoço, puxando-a para frente tão


rápido que ela engasgou. Ele mordeu seu lábio inferior. — Abra a boca para mim. Ela o fez, deixando-o beijá-la forte e desleixado, com seus dentes em choque e suas línguas alisando. Ela estava tão envolvida nele que mal percebeu quando ele abriu o pacote de preservativo do seu outro lado. Ele mordeu seu lábio mais uma vez antes que caísse de costas, se inclinasse e puxasse o preservativo. — Eu ganhei—, ele apontou quando rolou o preservativo. — Não, você não fez. Ele colocou uma mão em torno de seu pescoço novamente e, em seguida, puxou-a com força contra ele. Ele inverteu suas posições tão rápido que ela engasgou quando se viu deitada de costas, com Marcos pairando sobre ela. — Nós dois perdemos, chica. Ela ouviu a dor em sua voz, em seguida, a absoluta agonia porque isso estava acontecendo com eles. Pois a vida lhes deu algo como isso e, então, arrancou depois de apenas uma semana. Ela segurou a mão à boca quando as lágrimas surgiram do nada, mas ele puxou-o longe antes que ela cedesse às lágrimas. — Nenhum choro. Eu quero que você pare de deixar o mundo te machucar. Isso significa que você não deixa bandidos te fazerem chorar.


Ela queria dizer a ele que ela não podia evitar, mas ele a beijou antes que pudesse. Ele só empurrou a calcinha de lado ao invés de tirá-la e deslizou para dentro, esticando-a e enchendo-a e isso foi tão bom que não pôde ajudar, apenas inclinar a cabeça para trás e gemer. Marcos agarrou suas duas mãos, prendendo Katie debaixo dele enquanto deslizava. Ele estava silencioso, com apenas o som de sua respiração irregular enchendo o ar. Ela não queria fazer isso, mas abriu os olhos, deixando lágrimas rolarem no seu rosto quando olhava para cima para vê-lo olhando para ela como se tivesse medo que ela evaporasse. — Eu te amo. — Sua voz falhou quando ele disse isso. — Você sabe disso, certo? Ela assentiu com a cabeça. — Eu sei. Ele se inclinou e enterrou o rosto em seu pescoço. — Eres bella. — Obrigada—, ela engasgou, porque sabia o que era. Ele estava dizendo isso por uma semana. — Você é lindo também. Então ela segurou-o e deixou-o transar com ela até que estava arfando de prazer, apesar das lágrimas. Quando ela gozou, ele fez também. Normalmente, ele saia um segundo depois fora dela, mas não fez. Ela não teria sido capaz de fazer e ele provavelmente não quis. Ambos precisavam de seu prazer. Agora mesmo. Antes que ele fosse embora.


Quando acabou, ele a deixou enrolar-se com ele, com a cabeça apoiada no seu ombro e seus braços em volta dele. Foi tão bom estar nesta posição, o lugar onde ela dormiu todas as noites nesta semana. Ela simplesmente não podia deixá-lo ir. Ele nem sequer se levantou para cuidar do preservativo; ele apenas se deitou com ela. Ela inclinou a cabeça e apertou o rosto contra seu ombro para se esconder. — Você quer chorar, chica? Ela assentiu e guinchou: — Sim. — Então chora. — Ele suspirou enquanto acariciava seu braço. — Eu não posso te transformar em durona, eu sou duro, você tem que ser suave para nós dois, ok? — Ok-tudo bem—, ela murmurou, e depois a tristeza sacudiu todo o seu rosto quando ela começou a soluçar. E ele não a parou. Durante vinte e quatro horas eles transaram, Katie chorou e Marcos a deixou, mas ele saiu silenciosamente. O engraçado foi que ele não a fez chutá-lo para fora. Como se nunca tivesse estado lá, ele saiu de sua casa em algum momento depois da meia-noite no domingo. Ele avisou que era um ladrão e que fez isso uma centena de vezes. Ele disse que roubaria qualquer coisa que fosse deixada sem vigilância o tempo suficiente para ele tomar. Só que nada estava fora do lugar em sua casa. Nada estava faltando.


A única coisa que ele levou era o seu coração. Ela desejou que ele tivesse roubado seu carro em vez.


Capítulo Quatorze Marcos estava encarando a porta de seu primo quando olhou para o chaveiro, debatendo se deveria entrar ou bater. Considerando que passava das três horas da manhã, ele decidiu entrar. Ele abriu a porta, rezou para não ver a chica de seu primo. Mas ele viu seu primo sentado sozinho na mesa da cozinha com uma garrafa de Patrón44 na frente dele. Chuito rodou o líquido no seu copo e olhou para Marcos, ao invés de dizer qualquer coisa. Ele deu uma golada, fazendo uma careta depois que engoliu. — Quão bêbado você está? — Marcos perguntou a ele. — Não bêbado o suficiente—, disse Chuito enquanto se servia de outra dose. — Feche a porta. Silenciosamente. Ela está dormindo. Marcos sabia que ele estava falando sobre sua vizinha e teve cuidado enquanto fechava a porta. Então entrou na cozinha, vendo que Chuito parecia uma merda, com olheiras sob seus olhos como se não tivesse dormido muito durante a semana passada.

44

Marca de tequila


— Sinto muito, Chu. Chuito deu de ombros. — Eu também. Sente-se. — Ele apontou para a outra cadeira. — Você quer uma bebida? — Não, eu tenho que voltar dirigindo. Chuito assentiu como se esperasse por essa resposta. — Você estava certo, sabe? — Disse ele em espanhol. — Sobre Alaine. — Sim, eu sei. Marcos sentou-se e fez uma careta enquanto observavao tomar outra dose. Nunca se poderia dizer que Chuito fazia as coisas pela metade. Quando seu primo decidiu que iria ficar bêbado, ele realmente foi com tudo. Chuito encheu o copo novamente. — Ay, Chu. — Marcos gemeu quando ele bebeu. — Você vai ficar doente. — Eu não fico doente. Ballers45 não ficam doentes. Marcos arqueou uma sobrancelha, porque ele sabia que era uma mentira. — Você é um maldito baller agora? Sim, certo. Eu vi o carro que você está dirigindo. — É um bom carro—, Chuito argumentou. — Não há nada de errado com o meu carro. — Continue dizendo isso a si mesmo, baller.

45

Alguém que é muito bom em algo, um fodão. Em termos de dinheiro, esporte ou vida.


Chuito riu. — Eu sinto falta de você, Marc. — Eu sinto falta de você também. — Marcos inclinou o braço contra a mesa e apoiou a mão na testa. — Você pode me ajudar? Chuito apenas olhou para ele com expectativa. — Cuide dela para mim. — Ele cobriu os olhos e respirou fundo. — Não deixe qualquer um dos pendejos daqui machucála. — Você vai chorar, chica? — Chuito perguntou-lhe asperamente. — Pela gringa? — Provavelmente. — Chora pela gringa, mas não chora por si mesmo. Inacreditável. Marcos deixou cair sua mão e olhou para ele. — Você vai fazer isso? — Não— Chuito serviu-se de outra bebida. — Não, eu não vou. Ela o fez amolecer. Por que diabos eu iria cuidar de uma puta que fez algo que vai matá-lo? Marcos tirou o copo de sua mão depois que ele bebeu. — Diga-me que você vai cuidar dela. Chuito apenas riu enquanto estendia a mão e pegava o copo. Ele levantou a cabeça e olhou para Marcos. — Não. Se você quiser ela protegida, faça isso sozinho. — Você sabe, eu vou considerar que você está muito bêbado porque se não estivesse, poderia ser considerado um bandido cruel.


— Não conte com isso. Eu sou capaz de ser um bandido da pesada quando devidamente motivado... sem estar muito bêbado. — Sim, eu sei. — Marcos ergueu as sobrancelhas. — Eu tenho pesadelos para provar isso. — Você me culpa por seus pesadelos? — Não, eu culpo você por não proteger minha chica quando estou lhe pedindo isso! — Marcos disparou de volta. — Você fica dizendo que quer que peça ajuda a você. Eu estou pedindo. Eu a amo, você sabia? — Ay Dios mio. — Chuito serviu-se outra bebida. — Já vai começar a choramingar por isso agora. Marcos sacudiu a cabeça. — Não. Chuito empurrou o copo para Marcos. — Beba. Vai ajudar. — Eu estou dirigindo, filho da puta. — Não, você não está. Você não pode voltar para Miami desse jeito. Fique aqui esta noite. Vá amanhã. Sua chica não vai saber. — E se eu tentar voltar com ela? — Marcos olhou para o copo, quase certo o suficiente de que estava pensando em voltar para Katie. — Quem vai me impedir? — Eu irei impedi-lo.— Chuito parecia muito confiante sobre isso. — Você vai estar namorando uma privada na próxima hora.


— Alcance a bebida, então. Vamos dividir. Marcos revirou os olhos mas pegou o copo. Ele tentou engolir sem engasgar, mas foda-se se não odiava essa merda. — Coño, isso tem gosto de mierda. Por que você não pode beber rum? Sempre tequila. Por quê? — Ela faz o trabalho mais rápido. — Você nunca faz qualquer coisa só por fazer? — Marcos perguntou quando Chuito encheu o copo dele. — Só porque o gosto é bom? Ou faz sentir-se bem? Quero dizer, se você ficará muito bêbado, você deveria ao menos apreciar. — Isto não é para diversão. Se fosse para me divertir, eu estaria fazendo outra coisa. Você sabe disso. — O que é isso, então? — Você pode chorar sobre sua chica e tirar isso do seu sistema antes de voltar para Miami e lidar com Angel. Você já tem problemas demais e não precisa adicionar ser suave e mole nesta lista. Marcos bebeu e amaldiçoou uma segunda vez. Ele deslizou o copo de volta para Chuito. — Como você sabe que isso vai funcionar? — Eu tenho testado isso por você. — Chuito encheu o copo até o topo e bebeu metade dele. — Muitas vezes. — Por que você a ama? Sua vizinha? — Não, somente chicas se apaixonam. Marcos bebeu o resto que estava no copo e desafiou-o, — Me chama de chica de novo.


— O que? Você vai fazer alguma coisa? Eu ainda posso enfrentá-lo.— Chuito riu. — Chica. Marcos atacou, saltando por cima da mesa se jogando em cima do primo, mas a coisa ficou muito mais séria do que ele pensou porque Chuito pegou seu pulso e olhou duramente para ele. — Você me subestima. Assim como você subestima Angel. — Maldita seja la madre que te parió46, — Marcos amaldiçoou quando ele puxou seu braço de volta e se sentou. Ele olhou para a garrafa meio vazia com descrença. — Quanto dessa mierda você bebe regularmente? — Eu paro quando tenho uma luta chegando—, disse Chuito, defensivamente. — Às vezes passo meses sem beber. — E as outras vezes? — Faz ficar mais fácil. Me impede de ver Juan quando fecho meus olhos. E a sua mãe. Eu nem sequer tentei salvá-la, Marc. — Ela já estava morta—, Marcos lembrou. — Você não conseguiria. — Eu sinto falta dela. Às vezes acho que eu a amava mais do que a minha própria mãe. — Cale-se.

46

“Maldita seja a puta que te pariu.”


— Não, minha mãe é selvagem. Você sabe disso. Ela faz o que é bom para ela e não o que é responsável. Sempre vive o momento. Sua mãe, pelo menos, tentou nos manter na linha. — É um pouco arriscado você falar que a Tia Sofia não é responsável quando está tragando uma garrafa de Patrón. Chuito suspirou, de repente parecendo muito cansado de tudo. — Ela não vai para Puerto Rico. —Me cago en ná!47 — Marcos gritou com ele. — Você deveria tê-la feito ir! — Shh. — Chuito colocou um dedo sobre os lábios e apontou na direção da sua vizinha. — Ela está dormindo. Marcos baixou a voz. — Por que você não conseguiu fazêla ir? — Porque, como você, ela é teimosa e não quer ajuda—, Chuito rosnou para ele. — Eu não posso obrigá-la a fazer nada. Lidar com vocês é como ir de encontro a dois furacões. — São seus olhos—, Marcos admitiu enquanto tomava outro gole. Ele não falaria dessas coisas com Chuito, mas tinha o suficiente em seu sistema para poder fingir que era o rum. — Eles nos fazem sexy. — Eles fazem você louco. Ela pensa que está apaixonada por algum chico. Ela estará terminando com ele numa semana. — Por que você está sempre colocando a culpa em sua mãe? Os olhos fazem os chicos quererem elas apenas como eles

47

“Foda-se.”


fazem as chicas me quererem. Talvez se você os tivesse, você entenderia. — Eles colocam você em problemas. Você conhece ele? — Fernán, sim? Ele é bom. Para um cubano. — Coño. — Chuito cruzou os braços e baixou a cabeça sobre a mesa. — Um cubano. Isso é pior do que a sua gringa. — Você realmente tem cojones para nos dar algum sermão sobre isso? Você tem seus próprios problemas com a sua gringa. — Eu não tenho uma gringa. Alaine tem um namorado— , disse Chuito através dos seus braços. — Algum gringo chamado Edward. Ela provavelmente vai se casar com ele. — Será que Edward sabe que ela está dormindo no seu quarto todas as noites? — Não são todas as noites. — Sua voz ficou subitamente angustiada. — Deus, eu odeio aquele pendejo. Eu sei que ele não gosta dela. Marcos tomou outro gole de sua bebida, e ele olhou para seu primo. — Quem está choramingando agora, chica? Chuito apenas levantou a mão e o ignorou, em vez de responder. — Tome a iniciativa. Ela irá esquecer Edward. — Marcos esvaziou o copo, porque precisava alcançá-lo. — Você já deu em cima dela? — Não.


— Eu estou começando a pensar que você precisa de algumas dicas neste departamento. — Marcos divagou e depois serviu-se de outra bebida. — Da próxima vez que ela vier para o seu quarto, não haverá conversas. Você não vai pedir, você vai apenas agir. Abra suas pernas e coloque a sua cara na boceta. Ela vai gostar. Todas elas gostam. Chuito levantou a cabeça e olhou para ele. — Como você conseguiu fazer aquela professora gostar tanto de você? Você é o último cara que ela deveria querer. — Acabei de te falar como. — Você apenas... você? — Chuito gesticulou para Marcos. — E ela gostou? — Sim, ela gostou muito. — Marcos olhou para o copo que encheu em algum ponto. Bebeu de uma vez, fez uma careta e empurrou o copo para seu primo. Ele abaixou a cabeça em cima dos braços como Chuito estava, e sua voz falhou quando ele disse: — Eu me sinto como um pendejo. Eu saí enquanto ela estava dormindo. Nem sequer disse adeus, não poderia. — Então fique. — Nessa cidade? Onde todo mundo pensa que eu sou um criminoso? Não. — Você é um criminoso. E você acabou de dizer que ela gostou. — Olhe para o seu braço, filho da puta. Eu não sou o único gangster nesta sala. — Ele levantou a cabeça e olhou


para seu primo. — Prometa que você vai cuidar dela. Preciso saber que o mundo não vai machucá-la mais. Não posso lidar com Angel até que eu tenha certeza que você vai protegê-la. É a única maneira de eu ficar bem. — Por quê? — Porque você faz as coisas. Você não é um fodido como eu. Você sempre tem sua merda feita. — Marcos deixou cair o rosto de volta para os braços e a sala parecia que estava girando em torno dele. — Sempre. — Nem sempre. — Chuito suspirou. — Não quando é necessário. Marcos não sabia se Chuito estava falando sobre sua vizinha ou sobre outra besteira que estaria acontecendo. Na verdade, ele não se importava. Sabia que de uma forma ou de outra, o problema com Angel tornaria impossível ver Katie novamente. Angel continuaria a usar a tia de Marcos contra ele até que ele voltasse. Não apenas sua tia, mas seus amigos. Muitos dos OGs foram mais leais a Chuito do que a Angel, e Marcos tinha tudo a perder só para provar o seu ponto. Marcos teria que ir contra ele. Ele não ia ser um peão contra seu primo. Ele não poderia ser, nem mesmo por Katie, mas tinha que saber que ela ficaria segura. — Por favor, cuide dela. — Tudo bem—. Chuito bufou em derrota. — Eu vou protegê-la.


Capítulo Quinze Katie ficou doente na segunda-feira. Na terça se sentiu mal e percebeu que todo mundo pensava que era por causa do que ocorreu com Grayson. Mas ela tinha a obrigação com seus alunos e finalmente vestiu a calcinha de menina grande e foi trabalhar na quarta-feira. Estar na escola não era fácil, e estando lá Grayson e Ashley, não ajudava. Todo mundo estava comentando, até mesmo os alunos, e não foi apenas sobre o arrombamento. Katie não sabia se Ashley e Grayson fizeram o controle de danos e espalhado os rumores sobre ela e Marcos, ou se era apenas a curiosidade natural desta cidade que espalhou o seu relacionamento como um rastilho de pólvora. Houve rumores em todos os lugares sobre Marcos ter passado a noite na casa dela e as coisas que algumas pessoas estavam

dizendo

não

eram

agradáveis.

Isso

não

iria

envergonhá-la. Ao contrário, só aumentou sua raiva de que poderia ser julgada tão injustamente. Especialmente

considerando

que

todos

na

cidade

amavam Chuito, mas ele tinha dois cinturões de campeão e


atualmente era o único reinando no UFC World Champion. O que, aparentemente, o fazia aceitável. Não era mais mentira. Ela estava realmente começando a odiar essa cidade. Katie tinha uma dor de cabeça horrível no momento em que chegou ao estacionamento. Ela não dormiu e ainda estava lutando contra as lágrimas a outra metade do tempo. Não se importava com as coisas terríveis que todos estavam dizendo sobre ela. Só queria Marcos de volta, o que era louco. Ele era um legitimo ladrão agora. Ele roubou as coisas que ela mais valorizava. O coração dela. Sua dignidade. Sua sanidade. Estava brava com ele por ir embora, e mais ainda, estava brava com ele por fazê-la sentir falta dele. Decidiu ignorar o vinho e beber o resto de seu rum hoje à noite, a única coisa que ele deixou para trás. Ela não tinha nada para se lembrar dele. Nem mesmo um número de telefone. Tudo o que tinha eram as cicatrizes em seu braço. Ela parou, segurando sua pasta mais apertado quando viu Chuito encostado no carro dela, seus braços musculosos cruzados sobre o peito, ele estava lá parado como se não tivesse mais nada para fazer. — O que você está fazendo aqui? — Você não travou o seu carro—, disse Chuito em vez de responder à sua pergunta. — Este é um estacionamento da escola.


— Então? — Uns montes de ladrões de carro são adolescentes. — Que seja. — Ela deu a volta por Chuito para abrir a porta, mas ele bloqueou o seu caminho. — Posso ajudar? — Você não está parecendo tão quente. Você tem olheiras. — Obrigada, Chuito, por apontar isso—, disse ela secamente. — Eu não estava tendo um dia ruim o suficiente. — Por que você está tendo um mau dia? — Você sabe porquê. — Porque eles estão falando de você bater uma com um Latino membro de uma gangue. Você ficou constrangida, chica? — Eu te odeio—, ela disse mais para si mesma e mais do que ninguém tentou avaliar o que sentia sobre o primo de Marcos. — Sim, definitivamente. Eu te odeio. Chuito riu e inclinou a cabeça olhando através do estacionamento. — Eles estão dando-lhe um mau momento? — Quem? — Você sabe quem. Ela franziu a testa, lembrando várias ameaças muito claras de Marcos de mutilar e matar Grayson se ele a incomodasse. — Do que se trata a sua visita? — Nada. — Chuito sacudiu a cabeça. — Só estava passando.


— No estacionamento da escola? — Com certeza. — Pessoas são presas por coisas desse tipo. — Se eu for preso, não será por isso. — Eu não quero ouvir sobre isso. — Ela passou por Chuito, ignorando sua estrutura imponente quando abriu a porta e a puxou com força, forçando-o a bater as costas. — Eu estou cansada de ser o confessionário para ladrões e bandidos. Você vai sair? — Você quer que eu compre para você um jantar? — Não. Você está dando em cima de mim? Chuito riu e passou a mão sobre a testa. — Eu já tenho problemas suficiente, porra. Eu não preciso adicionar dar em cima da chica do meu primo a lista. — Eu não sou sua chica. — O que você disser. — Chuito deu de ombros. — Jantar? — Você não está saindo até eu dizer que sim, não é? — Não, provavelmente não. — Ok. Encontro você no Hal. — Eu andei até aqui então iremos no seu carro. — Chuito abriu a porta para ela. — Me dê suas chaves. Katie ficou boquiaberta quando ele realmente sentou-se no banco do motorista do seu carro.


— Precisamos sentar e começar a realmente analisar todo esse machismo que está correndo à solta na sua família, — ela disse com preocupação. — Tudo bem, será do jeito difícil. Chuito tirou seu chaveiro que era pesado e tinha todas as mesmas ferramentas que o de Marcos tinha. Ele usou uma chave de fenda pequena e, com muito pouco esforço, arrancou a tampa da ignição. —

Você

está

quebrando

meu

carro—,

ela

disse

horrorizada. — Vou consertar. — Chuito usou uma ferramenta diferente do seu chaveiro. Ele colocou-a na seção agora exposta de ignição do carro olhando para a frente enquanto manipulava aquilo, como tateando alguma coisa e dentro de alguns

segundos,

o

carro

ronronou

a

vida

como

se

simplesmente ele tivesse usado uma chave. Ele apontou para ela. — Qual é. Vámonos48. —

Meu

Deus—,

ela

sussurrou

porque

estava

impressionada, embora soubesse que não deveria estar. — Marcos consegue fazê-lo tão rápido? — Oh, por favor. Eu sou muito melhor nisso do que ele. — Chuito gesticulou para o banco do passageiro. — Dentro. Agora. Eu estou com fome.

48

Vamos.


Katie deu a volta para o lado do passageiro e abriu a porta. Ela olhou para o estacionamento para ver se alguém notou que Chuito essencialmente roubou seu carro. Ninguém fez. Ela colocou sua pasta para baixo e arrastou-se para colocar o cinto de segurança, mas o carro não estava se movendo. Ela virou-se, vendo que Chuito estava a olhando como se ela fosse uma louca. — O quê? —, Ela perguntou defensivamente. — É isso mesmo? Você acabou de entrar no carro com um cara que fez isso? — Você disse que estava comprando o jantar. — Coño, não é de admirar que ele esteja paranoico. Você acabou de dizer que me odiava. — Chuito olhou para trás dando ré. — Você é louca, chica. Talvez você devesse acabar junto com o meu primo. Ele é louco também. Katie suspirou e descansou o cotovelo na janela. Ela escorou a cabeça na mão e olhou para a paisagem. — Ele está bem? Eu tenho a impressão de que ele está com problemas em casa. — Sua suposição é tão boa quanto a minha. — Chuito soou como se ele soubesse como ela se sentia. — Mas, se isso te faz sentir melhor, Marcos está sempre metido em problemas. — E você não? — Eu não tento estar.


Ela pensou sobre isso por um tempo porque essa era uma resposta muito diferente do que aquela que iria receber de Marcos. Finalmente, perguntou: — Quando foi a última vez que você roubou um carro? — Cerca de três minutos atrás. — Antes disso? — Eu não sei. — Chuito esfregou a mão sobre a testa. — Cinco, seis anos atrás? Pegar ou largar. — Mas você não precisa roubar carros mais? — Ela sabia que ele era um lutador muito popular; depois de ganhar seu segundo título do UFC, ele era sem dúvida tão popular como Clay. — Você ficou rico por causa dos combates. — Eu faço tudo certo. — Como é que você não dirige um Ferrari como Romeu Wellings49? —, Perguntou Katie, lembrando que Marcos disse que Chuito deu dinheiro para todos os seus velhos amigos. — Ou vive em algum lugar muito melhor do que sobre o escritório de Jules? Clay e Melody Powers acabaram de comprar aquela casa grande em Westerly. Você provavelmente poderia pagar por uma também. — Onde você está querendo chegar com todas essas perguntas? — Chuito latiu para ela. — Sem mais perguntas. Katie sorriu apesar de tudo. — OGs não gostam de perguntas.

49

Lutador peso-pesado de MMA.


— Não, eles não gostam—, Chuito disse quando ele se virou e deu-lhe um sorriso. — O que você sabe sobre OGs? Katie arqueou uma sobrancelha para ele. — Você é interessante, Katie. Eu vou te dizer. Muito interessante. Não são muitas gringas que deixam um Latino roubar seu carro e vão junto para o passeio. — E isso é exatamente o que parece. — Katie suspirou e descansou sua testa para trás em sua mão enquanto olhava para fora da janela novamente. — Ele faz isso para todas as garotas que passa a semana? Deixá-la com o coração partido e pedir-lhe para você aparecer e varrer os cacos? Eu sei que é por isso que você está aqui. — Você acha que Marcos fica com uma mulher por semana? — E não fica? — Não, ele não o faz. Uma noite, talvez, uma semana, não—, Chuito assegurou-lhe quando estacionou no Hal. — E você é a primeira que ele me pediu para varrer os cacos. Acho que isso significa que ele está amadurecendo. O que já é alguma coisa. Ele mexeu na ferramenta tirando da ignição e desligou o carro. Ela ainda estava espantada, não só por causa da velocidade e eficácia em roubar um carro... também por causa da sua sagacidade incrível. — Você se formou no Ensino Médio? —, Ela perguntou, curiosa.


— Você está brincando? — Chuito bufou e se virou para ela. — Eu fui expulso quando tinha dezesseis anos. — Eu sinto que o sistema está falhando em Miami. — Chica, o sistema é falho em toda parte. Miami não é exclusividade. Por que você acha que eu sou voluntário no Cellar sempre que posso? Crianças abandonam a escola em Garnet também. — Não da mesma forma—, argumentou, porque ela era uma professora do Ensino Médio. Ela sabia que sua taxa de abandono era muito baixa. Todos os professores trabalhavam duro para ajudar a juventude conturbada e, como Chuito observou, o Cellar também ajudava. Mas deu de ombros, tentando não pensar em todas as coisas que não podia corrigir. — Você vai consertar a parte superior da ignição de volta? — Não, está quebrado. Eu vou ter que substituir a ignição. Vou parar no caminho de casa e comprar uma nova e instalo. — Por que você quebrou meu carro se ele vai custar tempo e dinheiro para arrumar? — Katie perguntou, incrédula. — Isso não faz sentido. Chuito ergueu seu chaveiro e encarou por um longo momento. — Fazia um longo tempo desde que eu carreguei um chaveiro como este. Tem estado na gaveta por anos. Eu só queria ver se ainda poderia usá-lo. — Isso é uma habilidade que você esqueceu? —, Perguntou Katie, porque ele não parecia estar lutando com a falta de prática.


— Não, esse é o espírito da coisa. Aqui, é fácil esquecer essa parte. Eu estive longe de casa por um longo tempo. — Chuito parecia assombrado olhando para a frente, como se olhasse em volta para lembrar-se de onde estava. — Eu deveria ter jogado fora anos atrás, mas não consegui. — Por que não? Ele se virou para ela, seu olhar calculando antes de finalmente admitir: — Eu acho que sabia que poderia precisar dele eventualmente. — Roubar carros? — Ela riu. — Você não pode estar precisando de dinheiro dessa forma. E não me importa o quanto você deu de presente para seus amigos. — Não, o resto disso. Roubar carros sempre foi a parte mais fácil. — Ele se levantou e colocou as chaves no bolso. — Eu precisava ver se poderia fazer as coisas fáceis para me certificar de que não iria ferrar com o que importava. — O que é importante? — Katie ficou lá olhando para ele. Chuito poderia não ter sido a sua pessoa favorita até agora, mas ele era sua conexão mais próxima de Marcos, e ela descobriu que não se importava com sua companhia, por esse motivo. — Você está bem? — Não, eu não estou. — Ele suspirou inclinando-se contra a porta do carro, descansando a cabeça em seu braço. — Coño. Eu queria que você tivesse conseguido convencê-lo a ficar aqui. — Eu tentei. — Ela não pôde evitar as lágrimas que ardiam em seus olhos. — Eu não queria que ele fosse embora.


— Eu sei. — Ele levantou a cabeça e passou a mão pelo cabelo. — Não é sua culpa. Nem sequer é culpa dele. É minha culpa. Marcos é o amante. Eu sou o lutador. Eu só o arrastei para baixo comigo, e então eu o deixei lá para lidar com a merda que nos pegou. Katie queria dizer algo, mas as palavras ficaram presas em sua garganta. Suas realidades eram muito mais complexas e perigosas do que qualquer outra coisa que ela poderia ter imaginado antes de Marcos entrar na sua vida. Muito disso era tão injusto, mas eles não pareciam ver dessa forma. — Jantar—. Chuito fechou a porta e caminhou em direção à lanchonete. Chuito era um daqueles homens que esperavam as pessoas o seguir quando falava, e ela teve a impressão de que, como Marcos, ganhou essa atitude da maneira mais difícil. Marcos disse que ele se tornou o OG original por ser um cara legal, e talvez isso fosse uma meia-verdade. Ele ajudou todos os seus amigos. Imaginou que os outros bandidos não eram diferentes de Marcos, talhados duros pela vida, com cascas tão duras que não permitia que eles expressassem o menor resquício de vulnerabilidade. Homens como eles não eram leais a qualquer pessoa. Eles certamente não iriam aceitar a ajuda de alguém facilmente. Eles respeitavam Chuito por uma razão.


Capítulo Dezesseis Miami Era um daqueles ótimos dias em Miami, nem muito quente, nem muito frio. Havia uma brisa, mas o sol estava brilhando. Primavera na Flórida era sempre o momento mais bonito do ano na opinião de Marcos, após o frio, antes das violentas tempestades e o calor insuportável do verão. Era uma boa época para morrer. Nada pior do que enterrar alguém na chuva. Sua tia tinha uma coisa sobre funerais e chuva. Ela achava que era má sorte, como se não fosse um bom dia para enterrar alguém. Ainda assim, incomodava para caramba. Todos foram a muitos funerais chuvosos para a sua sanidade mental, mas sua mãe e Juan morreram na primavera, o sol brilhava durante o enterro, o vento soprava em seus cabelos. Foi legal. Pacífico. Marcos estava deitado na grama ao lado da sepultura de sua mãe, olhando para os galhos das árvores. Era um bom lugar. Chuito comprou todos os lotes dessa seção há alguns anos atrás, quando ele começou a ganhar um bom dinheiro lutando. Quatro à esquerda da mãe de Marcos. Cinco à direita do Juan. Todos dessa fileira.


Seu tio Ramon estava três fileiras depois. Todos os outros estavam enterrados em Porto Rico. Aqui era o lugar mais próximo da família que sua mãe e Juan poderiam ficar. Enterrá-los foi uma despesa enorme. Os outros Los Corredores ajudaram, sempre foram unidos para esse tipo de coisas. Eles costumavam ser a família de Marcos também. Muitos deles ainda eram. Quando Chuito comprou os lotes extras, Marcos lhe perguntou porque tantas pessoas. Não sobraram tantos da família para enterrar. Chuito disse que estava planejando para o futuro, como sempre fazia, e em sua mente eles iriam casar e ter filhos antes de morrer. Marcos riu na cara dele. Que tipo de mentira ele estava vivendo naquela pequena cidade do interior que ainda acreditava que iriam morrer velhinhos, casados e com filhos? Naquela época, Marcos achava que o agente funerário percebeu a oportunidade de ferrar um lutador famoso que tinha um monte de dinheiro. Agora Marcos estava entendendo um pouco mais. Ele meio que gostava do sonho de ser velho, casado e com netos correndo por aí. Se perguntou que tipo de crianças ele e Katie poderiam fazer juntos. Sorriu, pensando em meninas com o coração bondoso de sua mãe. Foi um sonho bom, mas ainda apenas um sonho. E ainda achava que o agente funerário ferrou seu primo. Pelo menos por parte dele.


Talvez Chuito se casasse com sua vizinha e assim teria um monte de crianças do interior com sotaques engraçados. Marcos tirou os óculos escuros que estavam sobre a aba do boné e colocou em seu rosto, decidiu que queria ser enterrado com estilo, como um malandro. Talvez com o chapéu Miami Heat também. Nada de terno de negócios. Ele odiava que as pessoas sempre pareciam limpas e santas na morte. Além disso, os rostos dos mortos não eram agradáveis de se olhar. De alguma maneira, a dor ainda permanecia lá, não importava o quanto alguns agentes funerários tentavam corrigir isso. Marcos viu isso em cada amigo que tinha enterrado, além de ter visto em sua mãe e Juan também. Precisava deixar suas vontades registradas porquê de maneira nenhuma ele queria pessoas de pé sobre ele vendo a expressão congelada em seu rosto quando morresse. Óculos escuros e um boné eram uma necessidade. Jesus, ele estava conseguindo ficar realmente deprimido com esses pensamentos. Ele levaria um tiro. E daí? Seria lembrado como quente, sexy e jovem em vez de velho e grisalho. Havia coisas piores. Tentou se convencer disso, mas tirou o chapéu e óculos e colocou-os na grama atrás dele, antes de rolar de lado e apoiar a cabeça na mão. — Eu conheci uma garota—, confessou a sua mãe em espanhol. — Ela é inteligente. Uma professora. É uma gringa mas eu acho que você iria gostar dela.


Ele ficou lá por um longo tempo conversando com sua mãe, contando-lhe sobre Katie. Sobre Chuito. Sobre o cubano Fernán que tia Sofia estava vendo. Basicamente, ele a atualizou em todas as fofocas porque passou muito tempo desde que ele foi lá, mas as sepulturas de Juan e de sua mãe estavam bem cuidadas. Tia Sofia obviamente esteve aqui recentemente. Sua mãe provavelmente já ouviu tudo sobre Fernán. Marcos tocou seu túmulo quando acabou de falar, caminhou ao redor da parte de trás das duas lápides e sentouse ao lado de Juan, tão solitário naquela fila. Ele passou um braço ao redor do mármore cinzento frio e fechou os olhos, tentando por um momento imaginar os ombros magros do primo, ainda magro, com a adolescência. — Não se preocupe—, prometeu ele. — Eu cuido disso. Eu vigio as costas de Chu e você vigia as minhas. Este é o acordo. Fale bem de mim. Contanto que você tenha certeza que eu possa chegar lá, eu consigo. Ele fechou os olhos porque este mármore não se parecia nada com a energia quente e entusiasmada que sempre rodeava Juan. Estava começando a se sentir um pouco louco por ter pedido um favor para uma pedra, mas o sol tocou o rosto de Marcos de uma maneira divina. Brilhava vermelho por trás de suas pálpebras, com a brisa bagunçando seu cabelo como no dia em que os dois foram enterrados, fazendo-o acreditar, por apenas um momento louco que, onde quer que estivessem, sua mãe e Juan estavam bem.


Não deve ser uma coisa tão ruim ficar fora deste mundo duro que machucava mais do que aliviava. Marcos tinha sua alma carregada de pecados, mas talvez se ele fizesse a coisa certa, Juan poderia dar um jeito de deixá-lo entrar. — E cuide da minha chica por mim—, acrescentou enquanto as folhas acima dele sussurravam. — Cuide dela até eu chegar aí. Ele bateu os dedos contra a lápide e levantou-se. Pegou o chapéu e os óculos e foi embora sem olhar para trás. Era mais forte agora e isso ajudava de uma forma que a tequila não ajudou. Não havia tráfego quando dirigiu para o armazém, o que era um milagre. Sentiu Juan com ele por todo o caminho e quando desligou a caminhonete, deixou a arma no porta-luvas. Chuito iria chamá-lo de molenga por isso. Mas Chuito não estava tentando se dar bem com Deus baseado em uma tênue esperança de que iria encontrar Juan e sua mãe, ao invés de com todos os bandidos que matou para vingá-los. Marcos gostava do cheiro do armazém. O fedor de metais queimados misturado com cerveja velha e botão de flores. Desta vez, quando o cheiro lhe deu um tapa no rosto, Marcos pensou em Katie, do que ela pensaria das faíscas e da nuvem de maconha e dos sofás nos cantos, dos adolescentes risonhos muito jovens para fumar e muito menos para embalar drogas. Angel realmente era um bastardo por recrutá-los. Eles pareciam tão jovens para Marcos agora. Eles não tinham ficha


na polícia ou uma razão para lutar. E se uma de suas casas fosse o próximo alvo? E se um deles tivesse um Juan em casa, como Marcos e Chuito tiveram? Todos eles certamente tinham mães que não os queriam lá. Marcos não podia mudar o sistema. Estava muito enraizado e amargo para tentar começar a mudança, mas podia tomar uma posição. As faíscas pararam de voar quando ele colocou os óculos em cima da aba do chapéu e caminhou até Angel sentado num sofá no canto. — Marc—, Luís chamou, não havia medo em sua voz porque ele esteve presente no bate-papo de Marcos com os OGs. Ele sabia que Marcos não estava satisfeito com Angel. — Não seja estúpido! Marcos lhes disse que estava deixando quieto e todos entenderam. Mas não mencionou que estava voltando para acabar com isso. Se ele tivesse, alguém teria dito a Chuito. Eles realmente eram cegamente leais a ele. Marcos ignorou seu amigo. Ignorou a maneira que metade do armazém parou de trabalhar e a outra metade permaneceu alegremente ignorante da linha invisível que acabou de ser traçada no lugar. Velhos gangsters que viram muito e se lembravam de um tempo em que este grupo foi mais sobre sangue e dinheiro, em contraste aos jovens e ingênuos que ainda achavam que Angel era a sua chave para a glória.


Essas pessoas costumavam ser sua família. Metade deles ainda era e era mais por eles do que por si mesmo que Marcos puxou Angel do sofá onde estava sentado fumando maconha com um adolescente estúpido, muito jovem para deixar crescer barba e ainda mais para ter uma tatuagem em seu braço. — Ay carajo! — Angel gritou e empurrou o peito. — Que porra é essa? O garoto ao lado dele pulou, mas Marcos apenas estendeu a mão e empurrou-o de volta para o sofá. — Com dezesseis e doidão, você acha que pode me derrubar, Cabron? Por ele? Você é realmente estúpido o suficiente para tentar? Deixe que ele lute suas próprias batalhas para variar. — Marc... Angel tocou seu ombro, mas Marcos bateu a mão dele. Seus olhos escuros se estreitaram, mas ele manteve sua voz baixa e disse, — Vamos lá, vamos falar em meu escritório. Marcos ficou na cara de Angel e disse simplesmente: — Eu estou fora. — Não há nenhum fora. — Angel riu com incredulidade e depois mostrou suas cartas, ostensivamente, na frente de todos. — Especialmente para você. Sim, isso tudo foi um jogo ou alguma viagem de ego porque o poder subiu à cabeça de Angel. Foda-se. Isso só provava que ele nunca realmente conheceu Marcos. Nunca foi seu amigo de verdade. Ou era isso, ou o idiota esqueceu do que Marcos era capaz quando empurrado contra a parede.


— Sim, existe—, Marcos garantiu-lhe. — É isso. Estou fora, filho da puta. Os olhos de Angel estreitaram-se, e então ele se inclinou, mudou para o espanhol e sussurrou em seu ouvido, — Não faça isso. Eu não quero fazer o que você sabe que eu vou ter que fazer se você estiver falando sério sobre isso. — Faça isso. — Marcos ergueu as mãos e mudou para o espanhol também. Ele olhou para o garoto no sofá e, em seguida, virou-se para Angel. — Mostre-lhe o que acontece se ele decidir que se cansou disso um dia. — O armazém estava morto em silêncio agora. Marcos virou-se, vendo Luís, Miguel e Neto de pé atrás dele. Seus olhos estavam arregalados, mas eles estavam lá. Eles protegiam suas costas, mesmo que não quisesse. Ele se virou para Angel e disse simplesmente: — Mostre a todos eles. Por um breve momento, Angel parecia fazer uma pausa, como se pesasse suas opções. As chances estavam claramente a seu favor. Havia muitas pessoas mais jovens nesta sala. Eles já enterraram tantos de sua antiga equipe. Angel agarrou o 38 da parte de trás da calça, mais rápido do que Marcos esperava, considerando como seus olhos estavam injetados. Não foi a primeira arma que foi enfiada sob o queixo de Marcos e, como das outras vezes, ele não podia deixar de estremecer com o pensamento de tomar uma bala assim. Tanto para ser enterrado como um malandro.


— Você quer que eu faça isso? — Angel rosnou. — É isso que você quer, seu idiota fodido? Você quer tomar uma bala porque você é muito orgulhoso para ajudar sua família? — Sim. — Marcos disse sem sequer fechar os olhos. — Vá em frente. Eu te desafio. — Não faça isso. — A voz de Luís balançou. — Angel, você sabe que não pode fazê-lo. Chuito... — Angel desativou a trava de segurança quando ele disse isso e Luís amaldiçoou. — Coño! Angel, não! — Foda-se! — Marcos argumentou. — Deixe-o fazê-lo! Foda-me, filho da puta! Você acha que é tão mau, vá em frente! — Ele agarrou a mão de Angel e deslizou o polegar sobre o dedo de Angel no gatilho. — Faça isso ou eu vou. Vou comer minha própria bala antes de deixar você me usar contra meu primo. Se esta é a única maneira de sair, vamos fazê-lo juntos. Vamos mostrar a essas crianças como você trata a sua família. — Você está louco para caralho, Marcos! — Angel, gritou com ele. — Você está louco! — Chuito vai te estraçalhar—, Neto advertiu, sua voz mais calma do que a de Luís. — E nós nunca juramos lealdade a você, Angel. Na realidade não. Nós juramos a Chu primeiro. — Você puxa o gatilho e começa uma guerra—, Miguel assegurou. — Nós não somos os únicos OGs que são leais a Marcos. Você acha que pode com todos nós? Há um monte de gangsters que vão sair da aposentadoria por isso. Angel estava respirando pesadamente, muito mais do que Marcos enquanto os dois estavam parados ali, suas mãos em


uma única arma que poderia acabar com toda a dor que este mundo infligiu em Marcos. — Mova sua mão, — Angel sussurrou, se aproximou e disse baixo o suficiente para apenas Marcos para ouvir, — Você realmente quer que eu atire em todos eles? Na

verdade,

Marcos

não

esperou

este

nível

de

comprometimento de seus amigos. Ele não tinha certeza do que iria acontecer depois que Angel puxasse o gatilho, mas não queria correr o risco de ter companhia no cemitério. Ele tirou a mão e Angel baixou a arma, colocou a trava de segurança e o 38 de volta em seus jeans. — Saia do meu armazém, Marcos. Marcos estudou-o por um longo momento. Seus olhos se estreitaram em desafio e havia um tic em sua mandíbula que lhe disse que isto não terminou. Em vez de sair, Marcos apenas olhou e disse: — Tudo bem, mas é melhor você saber que eu posso não ter essa porra de calma espiritual da próxima vez que você puxar uma arma contra mim. Eu tenho muito mais tatuagens no meu braço do que você. Lembre-se disso. — Dá o fora! — Angel apontou para a porta. — Agora! — Luís e Miguel agarraram Marcos e puxaram-no para longe antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa. — Apenas cale a boca! — Miguel rosnou em seu ouvido. — Antes de matar todos nós. Uma vez que eles estavam fora e longe do alcance da voz, Luís amaldiçoou, — Me cago en ná! O que é que você fez?


Neto chutou Marcos. — Você assustou a gente para caralho. Marcos empurrou para trás, jogando-o na sujeira. — Não me toque! — Ele vai tentar matar você! Agora ele deve isso! — Neto gritou quando olhou para Marcos de seu lugar no chão. — Mierda. — Ele enterrou o rosto nas mãos e sussurrou: — Eu tenho filhos, Marc. Que porra é essa? Você quase matou todos nós. — Eu nunca te pedi para fazer isso! — Marcos gritou com ele. — Eu nunca pedi a qualquer um de vocês para fazer isso! — Você acha que podíamos apenas ficar parados lá e assistir Angel matá-lo? —, Perguntou Miguel. — Você vai ficar lá? Nós sabemos que você seria o primeiro em seu rosto se ele tentasse isso com um de nós. — Eu não tenho crianças! Que diabos aquele filho da puta pode tirar de mim? — Marcos apontou para si mesmo. — Saia deste armazém. A lealdade não vale a pena mais! Há um mundo inteiro lá fora que nunca teve que lidar com essa merda! Por que você acha Chuito continua desaparecido? Você acha que ele é inteligente para caralho, então siga o seu exemplo. Ele ajudou os outro e vai ajudá-lo também. Vá para casa, fique lá e cuide de seus filhos. Angel vai vir atrás de mim. De você não. Isso tudo é um jogo estúpido que ele está brincando com meu primo. Está tentando me possuir para voltar para ele, mas eu não estou jogando mais!


— Você vai para Sofia? — Neto perguntou, sua voz tremendo como se os nervos finalmente tivessem chegado a ele. — Todos nós podemos ir para lá e.... — Não, esse é o problema. — Marcos sacudiu a cabeça. — Eu não vou levar a guerra para aquela rua. Ele quer me derrubar, então que venha me encontrar. — Você vai ficar quieto sem chamar atenção? —, Perguntou Luís, parecendo aliviado. — Claro, se é nisso que você quer acreditar, — Marcos disse enquanto caminhava de volta para sua caminhonete e deixou seus amigos lá tremendo. — Não volte para dentro. Deixe-o agora. — Angel está certo, você sabe—, Miguel gritou atrás dele. — Você está louco para caralho! — Nós vamos avisar Chu! —, Acrescentou Luís. Marcos bateu a porta de sua caminhonete, em vez de responder. Ele saiu do estacionamento e dirigiu cerca de três milhas antes de suas mãos começarem a tremer. Parou no estacionamento de um supermercado e ficou lá por um longo tempo, tentando recuperar o fôlego. Então pegou o telefone e olhou para ele, sabendo que tinha de mandar uma mensagem a seu primo antes que seus amigos o fizessem, mas havia outra pessoa para quem ele queria escrever primeiro, porque ele não tinha dúvidas que Angel iria tentar matá-lo.


Capítulo Dezessete Garnet Country Chuito sentou-se na mesa de canto em Hal, tentando entender a mulher que conseguiu que Marcos a amasse quando as outras não conseguiram. Marcos sempre foi selvagem. Como a mãe de Chuito, havia algo em seus olhos, tão parecidos com o oceano, suave e bonito em dias bons, perigoso e imprevisível nos maus. Era um gene recessivo em sua família. Aparecia de vez em quando. Sua tia Camila lhe disse uma vez que quando a avó viu os olhos de luz de Marcos no dia depois que nasceu, ela avisou sua tia que ela estava encrencada. Sua avó sabia muito bem. Ela teve a infelicidade de criar o furacão Sofia. Cristo, Chuito mal conseguia lidar com sua mãe e ela amadureceu com a idade. Havia uma razão para que Marcos sempre tivesse se dado melhor com a mãe de Chuito do que ele próprio. Os dois se entendiam. Eles não gostavam de coisas que os prendessem. Por muitos anos, Chuito pensou que Marcos seria completamente indomável. Como sua mãe, seu primo iria


simplesmente passar os dias pulando de uma cama para a outra, de uma aventura para outra, vivendo o momento, nunca se preocupando com o fim e deixando corações machucados para trás. Mas de alguma forma, esta mulher conseguiu chegar até ele. Talvez tivesse durado se ele ficasse. Ou talvez não. Ainda assim, Katie o conquistou, o que a tornava única. Chuito tinha de admitir, ele conhecia um monte de pessoas nesta cidade, praticamente todas elas depois de estar cinco anos por aqui, e ele não conheceu ninguém como Katie. Havia essa estranha, aberta curiosidade dela. Um atrevimento que provavelmente atraía Marcos. Ela também tinha uma aceitação natural das coisas que a maioria das pessoas não entendiam. Era fácil baixar as defesas na frente dela. Chuito encontrou-se a fazê-lo também, o que não era próprio dele. Admitiu coisas a Katie que disse a pouquíssimas pessoas nesta cidade. Talvez ele só confiasse nela porque Marcos confiava. Estava escrito em sua genética. Se Marcos disse que ela era OK, Chuito acreditava. Ele e Marcos foram uma equipe desde o seu nascimento; com apenas quatro meses de intervalo eles vieram a este mundo para cuidar das costas um do outro e um braço não questionava o outro quando faziam parte do mesmo corpo. Chuito tentou se separar. Ele realmente tentou, mas não deu certo e, como disse Katie, não era culpa de Marcos. Era


assim que as coisas funcionavam. Se um deles estava com problemas, ambos estavam. Chuito conhecia seu primo. Ele podia ver os sinais. O problema estava se formando. Furacão Marcos estava prestes a varrer a terra e fazer algo que rasgaria a frágil teia de mentiras que Chuito tinha tecido para si. As mentiras que lhe disseram que tinha uma chance remota de se estabelecer com alguém como Alaine. Mas foram apenas isso ... mentiras. Katie era a única gringa nesta cidade que iria deixá-lo pegar seu carro e sentar lá comendo frango grelhado completamente imperturbável por ele. Alaine sabia muito sobre ele, mais do que devia, mas acreditava firmemente que estava tudo no passado. Chuito tinha a certeza que ela acreditava porque uma parte dele acreditou também. — Por que você deixou Miami? Chuito levantou os olhos do jantar e estudou Katie, com os olhos ainda inchados de chorar por causa do seu primo. Ele deu de ombros e contou a versão baunilha da história. — Foi um momento estranho na minha vida. Marcos estava na prisão e a minha mãe estava me deixando louco. Pensei que ele só estaria preso por um ano ou algo assim. Eu iria fugir, aprender alguns truques de Clay e depois voltar quando Marc estivesse em liberdade condicional. — Então por que você ficou aqui? —, Perguntou Katie, e houve uma acusação ali, como se ela estivesse vendo muito e o enfrentasse por abandonar sua família.


— Eu consegui o contrato com a UFC. Marc e minha mãe me disseram que queriam que eu ficasse. Chuito deu uma mordida em seu bife e disse: — Eu acreditei neles. Acho que eles queriam me fazer bem e uma vez que começasse a ganhar dinheiro, poderia ajudálos. Legitimamente. Tenho amigos aqui agora. Eles são minha família também. É duro estar em dois lugares, especialmente quando os lugares são tão diferentes. — Eu posso imaginar—, disse Katie, e, em seguida, seu telefone sobre a mesa ao lado dela apitou com uma mensagem. Ela o pegou e olhou para ele. Seu rosto empalideceu visivelmente enquanto ela lia. — Quem é? —, Ele perguntou, preocupado, pensando que era seu ex-marido. — É Marcos, — ela sussurrou e deslizou seu dedo pela tela. — Eu não sabia que o contato dele estava no meu telefone. Ele deve ter programado o número. Ela ficou mortalmente em silêncio por um longo tempo, e em seguida, lágrimas brotaram de seus olhos e escorreram pelo seu rosto. Foi um momento muito íntimo de testemunhar, a forma como esses olhos marrom-dourados a faziam parecer tão machucada e vulnerável. Que diabos seu primo escreveu? Chuito teria perguntado se o seu telefone não tivesse apitado em seguida. Ele o pegou, vendo um texto de Marcos. 16:25


Sem porra de terno. Em meus óculos escuros e chapéu Miami Heat. Como um malandro. O coração de Chuito caiu, porque conhecia Marcos bem o suficiente para ler nas entrelinhas. Ele fez isso. Algo precipitado e irreversível. O quão estúpida foi a esperança de Chuito que um pouco da responsabilidade de Katie tivesse passado para seu primo durante o seu tempo juntos? Alaine fazia Chuito querer ser uma pessoa melhor. Mesmo que não houvesse esperança real para ele, apenas estar perto dela o fazia ver um potencial maior em si mesmo. Ele pensou que Katie fez o mesmo para Marcos, mas obviamente não. Ele mandou uma mensagem de volta. Que porra você fez ???? O telefone soou volta quase que instantaneamente. A coisa certa pela primeira vez. Eu saí. Chuito olhou para o seu telefone, percebendo que talvez Katie tivesse influenciado Marcos, mas foi o conceito de fazer a coisa certa, que diferira entre Chuito e seu primo. Seu telefone tocou, e, ao ver que era Luís, ele gritou em espanhol, — Que diabos está acontecendo? E Luís disse a ele. Chuito escutou a codificada, versão atenuada dos acontecimentos porque Luís sabia que contar a história


completa por telefone seria um erro, mas ele conseguiu passar a essência do que aconteceu. Quando Chuito decidiu sair, fez isso removendo-se da situação calmamente. Quando Marcos decidiu sair, fez isso como um furacão, precipitado e tão louco como sempre. Mas ninguém poderia acusar Marcos de não ter cojones. Só ele iria fazê-lo assim. Que diabos Angel poderia fazer com essa merda? Ele nunca, obviamente, entendeu o amplo alcance da rebelião de Marcos como Chuito tinha. Talvez se ele tivesse, não teria tentado empurrá-lo. O filho da puta entendeu agora. Marcos fez um movimento que colocou Angel em uma situação que iria forçá-lo a matá-lo para fazer um ponto e causar uma guerra ou ficar quieto e parecer fraco. A jogada inteligente seria deixar Marcos ir embora. Era o que Chuito faria nessa situação. Marcos não queria estar mais lá. Ele era inútil de qualquer maneira. Deixar ele ir e fazer o que diabos quisesse seria a melhor escolha. O problema era que Chuito não considerava Angel um líder particularmente inteligente. Ganancioso, sim. Perigoso, certamente. Ele foi o único de sua antiga tripulação que quis o trabalho quando Chuito perdeu o interesse.


Ele honestamente pensou que Los Corredores iriam desmoronar sob a liderança de Angel. Subestimou Angel a esse respeito. Esse foi o erro de Chuito. Agora, iria pagar por isso. — O que aconteceu? — Katie perguntou quando ele desligou. A voz dela estava tremendo; seus olhos ainda estavam

arregalados

e

lacrimejantes.

Suas

bochechas

manchadas de lágrimas. — Ele não me responde. Eu escrevi de volta, mas... — O que ele disse? Katie empurrou o telefone para ele, mostrando-lhe o texto de Marcos. Eu te amo, chica. Eres bella. Nunca se esqueça disso. O

texto

fez

Chuito

se

sentir

como

um

intruso

desconfortável em suas vidas. Isso era algo que Katie e Marcos, obviamente, tinham em comum. Eles eram bem abertos sobre estas coisas. Marcos encontrou a única mulher com um filtro menor do que o dele. E ela era uma professora de história. Quem na porra iria saber? — Eu sinto que ele está tentando me dizer adeus. — Katie se engasgou com um soluço e colocou a mão na sua boca enquanto olhava para Chuito. — E se...


Ele viu suas respostas embaixo. Eu também te amo. Volte. Chuito balançou a cabeça para isso. — Ele não vai voltar, Katie. Isso seria como fugir. Marcos não sabe como fugir de nada e vai ficar em Miami por princípios. — Então o que vamos fazer? Ela olhou ao redor da lanchonete porque as pessoas estavam começando a olhar. Se seu telefonema gritando em espanhol não colocou uma bandeira vermelha sobre suas cabeças, Katie chorando certamente o fez. Ela baixou a voz e sussurrou: — Como podemos ajudá-lo? Chuito agarrou ambos os seus telefones e deslizou para fora da cabine. Ele sentou ao lado de Katie, que se moveu para lhe dar espaço.

Então

colocou

o

braço

em

volta

dela,

sem

completamente se importar com todo mundo olhando para eles. Manteve sua voz baixa e disse: — Ei, vamos lá. Ele vai ficar bem, chica. Ela enxugou os olhos novamente enquanto piscava para Chuito. — Como você pode ter certeza?


— Porque eu tenho. — Ele esfregou o braço como um irmão faria e olhou-a nos olhos. — Eu prometo. — As promessas são importantes—, Katie lembrou. — Marcos disse-me que é tudo para um OG. Não faça promessas, a menos que ... — Eu prometo, ele vai estar velho e coxo quando morrer— , Chuito assegurou-lhe quando uma estranha calma tomou conta dele. — Ele não vai cair morto como um gangster. Você terá tempo para fazer as coisas direito. — Como você sabe? Chuito apenas sabia. Ninguém mexia com sua família e saia ileso. Angel forçou Marcos a fazer o primeiro movimento, e não era um mau nem pela metade, mas isso queria dizer que Chuito tinha que voltar ao jogo e terminá-lo, mesmo que isso significasse perder Alaine no processo. Ele nem podia lamentar muito. Havia uma razão pela qual ele não a tocou. Ele sabia que teria que voltar, eventualmente, e agora era um momento tão bom quanto qualquer outro. Talvez ele pudesse dar a Marcos um final feliz ao invés. Chuito pode ter subestimado Angel, mas Angel também subestimou extremamente o nível da fúria que poderia ser desencadeada quando Marcos e Chuito trabalhavam juntos para acabar com alguma coisa. — Este filho da puta que está mexendo com Marcos e ele mexeu com a família errada.


Ele riu amargamente quando pensou em como era verdade. — Ele não tem nenhuma chance. Zero. — Eu o amo também. — Ela pegou o telefone e olhou para ele novamente. — Mas eu nunca disse a ele pessoalmente. Deveria ter dito. Talvez ele tivesse ficado. — Você sabe, Katie, eu estava errado sobre uma coisa. — Ele pegou o telefone e apontou para a parte em espanhol do texto de Marcos a ela. — O que isso diz? — Ele diz... — Ela engasgou enquanto ela olhou para a tela, mas enxugou os olhos em vez de desmoronar e sussurrou: — ele diz, hum, — Você é bonita. — Ele não pode viver nesta cidade. Eu não estava mentindo sobre isso. Ele seria infeliz aqui. — Chuito sorriu apesar de tudo. — Mas você é inteligente. Você poderia aprender espanhol, se você quisesse. Não é impossível.

Chuito deixou Katie em casa e prometeu devolver seu carro consertado antes da manhã seguinte. No caminho de volta de sua casa, fez uma chamada que esperou nunca ter que fazer.


No dia seguinte, Katie teria uma nova ignição e Chuito uma reunião agendada com Nova Moretti para essa mesma noite. Nunca se diga que a máfia não era eficiente. Ou talvez fossem apenas os Morettis que conseguiam que a merda fosse feita. O apartamento em cima da garagem de Romeu e casa de Júlio Wellings era tão arrumado quanto um apartamento de solteiro poderia ser. Tudo estava em puro estado de arte, da cozinha à televisão com home theater. Chuito sempre se impressionou com o quão limpo tudo era. Chuito não era um pateta, mas seu melhor amigo era limpo até o nível de uma desordem mental. As pessoas poderiam comer no chão da casa de Tino. No entanto, era confortável e convidativo. Chuito ficava muito por aqui. Era quase uma segunda casa, por isso era tão difícil de lutar contra o nervosismo puxando a boca do estômago enquanto subia as escadas. Chuito e Tino viviam no mesmo mundo, presos entre duas casas e dois ideais. Eles entendiam um ao outro, mas Chuito nunca soube bem o que fazer com seu irmão. Nova não estava preso entre qualquer coisa. Ele era 100 por cento gangster e quando Nova Moretti saía com estilo, o resto deles se sentia como posers50 ao tentar.

É um termo pejorativo, usado frequentemente para descrever "uma pessoa que finge ser algo que ela não é". 50


Ele viu o Rolls Royce Wraith estacionado na garagem. Havia apenas um cara que iria dirigir um carro como aquele. Bateu na tela da porta de trás, em vez de apenas ir entrando, como ele faria em circunstâncias diferentes. Tino abriu depois de um momento, e em vez de recebê-lo como sempre fazia, Tino agarrou sua mão e o puxou para perto, envolvendo seu outro braço em volta dele. Ele beijou a bochecha de Chuito e sussurrou: — Isso vai funcionar. Eu prometo. Isto tudo foi um pouco demasiado como no filme — Os Bons

Companheiros—

para

Chuito,

mas

atuou

com

naturalidade em vez de endurecer. Ele era hiperconsciente de Nova de pé atrás de seu irmão. Era sempre fácil de ver a semelhança entre eles, a mesma construção ampla e musculosa, o mesmo cabelo curto escuro e olhos escuros, mas havia algo mais no rosto de Nova. Tino era definitivamente o mais bonito dos dois irmãos simplesmente porque Nova nunca relaxava. Este era um homem que raramente, ou nunca, baixava a guarda e aos vinte e seis anos, seu rosto mostrava isso. Quando Chuito se afastou de Tino, apertou a mão de Nova. — Obrigado por ter vindo tão rápido. Eu não sabia que você tinha que dirigir. Eu aprecio isso. — Eu precisava ver todo mundo de qualquer maneira. Gosto de coisas que matam dois coelhos com uma cajadada


só. — Nova encolheu os ombros e fez um gesto para a mesa. — Toma asiento. Ponté cómodo. Chuito sentou-se e tentou fazer-se confortável como Nova sugeriu, mas ele não podia dizer se Nova falava espanhol para colocá-lo à vontade, ou deixá-lo mais nervoso. — Você está com fome? — Tino perguntou enquanto ia até a geladeira. — Nós não jantamos ainda, mas posso arrumar alguma coisa. — Não— Chuito sacudiu a cabeça. — Eu estou bem. Nova sentou em frente a Chuito, estudando-o pensativo. — Então cuspa, Garcia. Qual é o favor? Estou morrendo de vontade de ouvir isso. Chuito franziu a testa. — Eu não disse que era um favor. — Eu disse que era um favor. — Tino colocou uma garrafa de água na frente de seu irmão com mais força do que o necessário. — Devemos a ele. Nova deu a seu irmão um olhar duro antes de se virar para Chuito e dizer em espanhol, — Não gosto de dever favores. Eu teria feito arranjos diferentes para a outra coisa se achasse que essa história ia voltar e me morder a bunda um ano depois. — Você não me deve nada. Eu te disse na época. Quis ajudar com aquilo—, Chuito assegurou-lhe em espanhol. — Isto não é um favor, é um acordo de negócios. Nova pegou a garrafa de água e tirou a tampa lentamente, metodicamente e então disse em Inglês,


— Um acordo de negócios significa que eu me benefício dos resultados finais. — Você vai. Tino se sentou ao lado de Chuito como se houvesse uma linha invisível dividindo mesa e ele estava deixando muito claro de que lado estava. Entregou a Chuito uma garrafa de água e, em seguida, olhou para o irmão. Estar no meio de uma briga de família não era o ideal de Chuito, especialmente quando a família eram os Morettis, mas ele aprendeu há muito tempo a não mostrar fraqueza. Esta era sua última opção exceto voltar para Miami e rasgá-los com as mãos nuas e provavelmente acabar na prisão por esse esforço. Ele estava nervoso, mas com toda a maldita certeza não ia deixar Nova saber disso. — Há alguém em Miami em que eu preciso dar um aperto, — Chuito continuou, usando sua gíria de propósito. — Mas não posso fazer isso em pessoa. — Por quê? — Porque ele não é apenas uma parte de Los Corredores, ele é o líder. Nova tomou um longo gole de água enquanto considerava isso. Quando terminou, baixou a garrafa. — Você entende quando lhe digo que isso não me dá muita confiança sobre entrar nesse negócio com você. Minha gente não respeita caras que querem foder com a sua organização. Nós geralmente enterramos esses veados.


— Ele quer tirar o meu primo da jogada. — Chuito ergueu as mãos. — Se você fode com a minha família, é guerra. Ele fez o primeiro movimento, não eu. Angel sabe qual é a minha posição. — Como você sabe que ele quer tirar o seu primo? — Marcos quer sair e não foi exatamente sutil sobre como apelar para o seu caso. Angel vai fazer dele um exemplo. — Você não sabe disso. — Eu não sei, mas acredito que é uma forte possibilidade. Angel e eu temos uma história. Eu deixei-o liderar Los Corredores. Poderia ter sido eu mas me mudei para cá ao invés, só que ainda tenho um certo nível de autoridade. Tenho bons contatos no interior que me dizem que ele quer matar Marcos, mesmo que isso me irrite. Ele não quer nenhuma lealdade dividida e Marcos está começando a causar uma divisão. A maioria dos OGs estão inclinados para o lado dele por lealdade a mim. — Você é uma ameaça? — Sim. — E seu primo é um passivo? Chuito sacudiu a cabeça. — Ele foi para a prisão, em vez de entregar Los Corredores. Ele não iria delatar ninguém. Não é o jeito dele, mas ele quer sair e está disposto a virar as costas para eles. Angel não gosta de ser ignorado. É um insulto.


— E por que seu primo consegue sair quando o resto de nós não pode? — Nova riu amargamente. — O que o torna tão especial? — O que faz Tino especial? Eu sei que você quer ele aqui mas sei que há uma boa razão para isso. — Chuito levantou a mão para Tino ao lado dele. — Ele é seu irmão. Você quer ele fora. Marcos é como meu irmão. Fomos criados juntos. Nós crescemos sob o mesmo teto e atravessamos a mesma merda. Se ele quiser viver sua vida sem Los Corredores segurando-o, eu quero dar isso a ele. — E você vai vender sua alma para mim para conseguir isso? — Sim—, Chuito concordou sem hesitação. — Eu vou. — E o que você tem para me oferecer para apertar o seu irmão de Los Corredores Angel? — Angel tem um esquema de roubo de carro interessante em Miami. Ele aprendeu a lavar os títulos em vez de apenas desmontar os carros pelas peças. Ele envia-os de navio paro o exterior com documentos limpos e tenho certeza que isso tem sido muito lucrativo para ele. Se alguém pudesse botar as mãos nas docas de onde os carros saem, isso teria a alavancagem para fazer a sua vida muito fácil ... ou muito difícil. — Os trabalhadores fingem que não veem e ele coloca mais carros nos navios. Faz mais dinheiro. — Nova recostouse na cadeira enquanto considerava isso. — Mas ele já deve ter alguém olhando pelo outro lado. Nós controlamos alguns dos


sindicatos de lá, mas não todos eles. Nós não somos a única família em Miami. Como você sabe que ele não está conectado com outra organização? Eu não vou para a guerra para tirar o seu primo de lá. — Ele não é tão bem conectado. Ele desliza umas verdinhas para alguns trabalhadores, eles olham para o outro lado. Essa é a extensão de seu arranjo. — Portanto, é uma start-up. — Nova girou a tampa sobre a mesa, olhando para ela enquanto pensava. — Nós entramos, controlamos as docas. Ele nos deve uma porcentagem para garantir que sua empresa prospere. Quanto dinheiro ele está fazendo agora? — Eu não sei. — Não é muito inspirador. — Nova sacudiu a cabeça. — A reorganização dos sindicatos leva dinheiro e energia, Garcia. Para não mencionar o trabalho que vou ter para fazer seu amigo Angel ver as coisas do meu jeito. O que faz você pensar que vai valer a pena o meu tempo pelo corte de alguns carros quentes por mês? — É muito mais do que alguns carros. São todos veículos de luxo. Ele ainda desmonta os mais baratos, que por sua vez poderia ser uma fonte de lucro para você uma vez que se faça um acordo com ele. Eles traficam também. Embora ele provavelmente vai negar as drogas. Cabe a você, uma vez que você entrar, descobrir o quanto de seu negócio você pode obter uma porcentagem, e eu estou disposto a investir o meu próprio dinheiro para ajudá-lo.


— Quanto? — Eu vou pagar por tudo o que você precisa para entrar e começar a fazê-la rentável para a sua organização. Nova inclinou a cabeça como se estivesse considerando. — Você fornece o capital inicial. Eu forneço as ligações. Nós dividimos os lucros setenta/trinta a meu favor. — Por que você fica com setenta por cento? — Tino gritou com ele. — Porque o capital para começar é fácil. As conexões são muito mais difíceis de conseguir e ele quer que eu gerencie o negócio. Nova deu a seu irmão um olhar duro. — Meu tempo é valioso, Valentino. Isso é um negócio que só faria com um amigo seu. Tenho coisas melhores a fazer do que entrar à força em uma gangue em Miami. O velho vai cagar um tijolo quando descobrir que estou usando as horas de vigília fazendo isso. O corte tem que ser grande o suficiente para fazer valer a pena o nosso tempo. — Eu estou disposto a concordar com setenta/trinta. — E nas negociações com o seu amigo Angel, eu tiro seu primo dessa. Chuito assentiu. — Este é o acordo. — E agora você controla Angel, — Nova acrescentou. — Mas você está em dívida conosco.


— Sim. — Isso é mais do que apenas tirar seu primo. Isso é vingança.

Você

quer

Angel

pelas

bolas—,

disse

Nova

conscientemente. — O que ele fez para você? — Ele fodeu com a minha família. — Certo, nunca é uma boa ideia. — Um sorriso curvou o canto da boca de Nova. — Eu vejo porque meu irmão gosta de você, mas como é que eu sei que você não vai foder a minha organização? — Eu não tenho muitas pessoas que considero família mas considero Tino da família. Considero Jules e Wyatt da família também. Romeo. Tabitha. As crianças. Todos eles. — Chuito arqueou uma sobrancelha para ele. — Eu acho que já provei a minha lealdade no que a isso se refere. — Você fez, — Nova concordou, ainda olhando-o criticamente. — Eu tenho que olhar a situação. Como disse, nós não somos a única família em Miami. — Você é apenas o mais poderoso. — Mmm, — Nova concordou enquanto pensava mais sobre isso. — Podemos ter um acordo, Garcia, mas isso faz de você meu sócio. Você entende o que isso significa? — Sim, acho que sim. — Chuito assentiu. — Minha lealdade é para com você primeiro. Sempre. — Eu não gosto de pontas soltas. — Nova deu-lhe um olhar severo. — As pessoas que trago em meu círculo, os que


entram em negócios comigo, preciso saber que posso confiar nelas. Sabe o que significa Omerta? — Eu sei. —

Você

tem

certeza?

Você

deixou

sua

primeira

organização. — Você está pensando em foder com a minha família? — Chuito respondeu. — Não— Nova riu, parecendo divertido de repente. — Eu acho que nós já estabelecemos que é ruim para a saúde de qualquer um. — Você não tem ideia, Moretti. — Chuito não conseguiu tirar a borda afiada de sua voz. — Angel está saindo dessa fácil. Eu não tomei conta da outra situação para que você me devesse um favor. Eu fiz isso porque quis. Essa é a verdade. — Para sua sorte, eu sou um homem que aprecia esse nível de lealdade familiar. — Nova se levantou e caminhou ao redor da mesa, estendeu a mão e Chuito se levantou e tomou. Ele deixou Nova puxá-lo para um abraço, suas mãos ainda firmemente cruzadas. Nova beijou sua bochecha e sussurrou em espanhol, — Se a guerra um dia vier a Garnet, você cuida das suas costas. Todos eles. Você vai para a linha de frente com eles. Este é o acordo. — Sempre—, Chuito assegurou-lhe em espanhol. — Eu não preciso ser seu sócio para isso. Eles são família. Devo-lhes a minha vida. Você sabe disso há muito tempo.


Nova puxou e usou seu domínio sobre o braço de Chuito para virar seu corpo, exibindo sua tatuagem Los Corredores. — Você precisa de tinta nova. Chuito soltou uma risada aliviada quando a tensão na sala se evaporou. — Eu estou sempre pronto para nova tinta, Moretti. — Me chame Nova. Nós nos conhecemos há muito tempo. Você me fez um favor por cuidar da outra coisa. Especialmente na Califórnia. Eu certamente te devo. Vamos colocar a pressão sobre Angel. Vou voar até lá, logo que puder, entendo que é urgente. Eu vou fazer uma ligação nesse meio tempo. Tenho algum músculo que pode vigiar o lugar de seu primo. A casa de sua mãe também. Eles vão ser discretos. Sua família vai estar segura até que a gente cuide de tudo. — Obrigado, eu aprecio isso. Estou voltando também. Nós podemos ir juntos. Primeira classe. Por minha conta. Nós podemos resolver tudo sobre as finanças quando chegarmos lá e eu posso ter uma porcentagem de outra coisa para te oferecer. Eu só preciso resolver os detalhes primeiro. — Eu gosto desse cara. — Nova segurou o ombro de Chuito e se virou para Tino. — Ele sabe lidar com negócios. Tino ergueu as mãos. — Eu tenho a porra de um bom gosto. — Ok, o jantar. — Nova deu a volta e beijou o topo da cabeça de Tino. — Ele é seu irmão. Ele é meu irmão. Você pode


parar de ficar me encarando. — Sua voz baixou e ele disse em italiano, — Dovevo essere sicuro. Eu tinha que ter certeza. — Eu sei. Está tudo bem. — Tino estendeu a mão e acariciou a face de Nova carinhosamente. — Senti sua falta, fratello. Nova ergueu a mão quando ele saiu. — Eu vou dizer a Romeo que você vai ficar, Chuito. Família fica para o jantar. Chuito o observou ir, esperando até que seus passos se ouviam longe o suficiente descendo as escadas e se virou para Tino respirando. — Coño. — Eu te disse! — Tino sorriu quando ele ergueu as mãos novamente. — Fácil. Chuito sofreu com quatro costelas quebradas, uma concussão e contusões suficientes para mantê-lo na cama por duas semanas, quando entrou em Los Corredores. Por alguma razão, encarar Nova Moretti era mais difícil, mas apenas balançou a cabeça em concordância. — Sim, fácil.


Capítulo Dezoito Miami Marcos apenas foi em frente com sua vida. Ele não ia se esconder da morte. Se ela aparecesse, Marcos lidaria com isso, como prometera a Angel. Mas conforme os dias passavam, estava começando a sentir um pouco menos espiritual sobre a coisa toda. Então agora viver atrás das grades estava começando a parecer uma possibilidade melhor do que permanecer nessa imundície. Pelo menos ele sabia o que esperar da prisão. Assim, Marcos só saia de casa armado. Não poderia conseguir um emprego dentro da lei e não estava mais trabalhando para Angel. Assim, sobrava apenas uma coisa. Lutar. Isto realmente funcionava para ele. Pelo menos ajudava a aliviar

a

constante

tensão

provocada

pela

sensação

permanente de que a qualquer momento ele poderia receber uma bala nas costas.


Seu telefone vinha explodindo com mensagens e telefonemas por três dias. Todo mundo estava nervoso. A maioria dos OGs deixou o armazém, exceto por Luís, que, assim como Marcos, tinha muito pouco a perder. Sem filhos. Sem chica. Nenhuma mãe. Ele se ofereceu para ficar atento as conversas. Marcos dispensou sua ajuda. Mas Luís era um idiota e não estava escutando. Como se Angel não soubesse qual era a razão pela qual ele estava lá. Isso deixava Marcos muito nervoso, mas não poderia mudar a mente de seu amigo. Sentou-se à espera de sua próxima luta e leu mensagens antigas enviadas por Katie, imaginando o que teria acontecido caso ele nunca a tivesse visto. Ele teria estado tão desesperado para sair, então? Ou teria jogado um jogo diferente? Ele teve muito sobre o que pensar ao longo dos últimos dias e sabia que isso era tudo uma questão de tentar ser um homem digno dela. Para limpar de alguma forma sua alma e merecer o amor sobre o qual ela falava nas mensagens de texto que ainda enviava para ele. Nos textos que ele não estava retornando. Isso estava rasgando seu coração. Mas, realmente, o quão longe ele chegou desde que deixou Los Corredores? Estava em outro prédio vazio, uma fábrica de pão abandonada, repleto de homens bebendo e rindo. Estava quente, sufocante, cheio de fumaça e cheiro de


suor. Eles não tinham uma gaiola aqui, apenas um ringue de boxe reciclado sem regras. Eles não pagavam os seus combatentes, mas estava lotado hoje à noite. Foda-se o Cellar em Garnet, ele tinha o seu próprio clube de luta. Um subterrâneo, lotado com pessoas que estavam jogando como loucos, mas o que isso importava? — Ok, apostei mil dólares. — Neto sentou ao lado de Marcos, falando alto enquanto outra luta acontecia na parte principal do edifício. — É melhor não perder, cabrón, porque eu não posso me dar ao luxo de perder muitas verdinhas. — Eu não vou perder. — Marcos não olhou para cima enquanto ele lia a mensagem de Katie sobre a praia, desejando alguma maneira de fazer isso acontecer para ela. — Você não está prestando atenção. — Eu estou lutando agora? — Se perder, você tem os mil para me cobrir? — Eu não vou perder—, Marcos reiterou. — E nós vamos dividir e aproveitar se você ganhar? — Eu dividi com Miguel na terça-feira. O que faz você pensar que eu não iria dividi-lo com você esta noite? — Marcos perguntou abruptamente. — Se digo que vou dividir, vou dividir. — Você está de mau humor.


Marcos finalmente olhou para ele. — Você não acha que isso é uma coisa boa? Você apostou mil dólares em mim mesmo eu estando de mau humor. A outra luta terminou e Marcos se levantou de seu lugar no canto. Ele puxou a camisa sobre a cabeça e jogou-a para Miguel. Entregou-lhe seu telefone também e rolou para trás os ombros e deixou suas chaves e carteira no bolso. Ele não tinha planos de deixar essa tomar muito tempo. — É isso aí? Nenhuma vaselina? Marcos ergueu as mãos. — Porque eu precisaria de vaselina? — E se você for atingido? —, Perguntou Neto com um bufo de descrença. — Você vai estragar essa sua cara bonita. Então o que as chicas terão a dizer sobre isso? — Eu não vou ser atingido. — Mierda! — Neto gemeu e abaixou a cabeça. — Um dia, você vai enlouquecer. Tem que ser. Marcos poderia ter praticado em Neto por duvidar dele, mas então o cara no microfone disse seu nome e a multidão gritava, e ele supôs que deveria ir até lá e certificar-se de que as crianças de Neto não morressem de fome. — El Víbora51, — o apresentador gritou em espanhol, e depois acrescentou em Inglês, — The Viper! 52

51

A víbora

52

A víbora


— Oitenta e um quilos e.... — Foda-se ele. — Marcos fez um gesto para o apresentador no ringue ao virar a esquina e voltar para Neto ignorando o resto da sua introdução. — Eu tenho oitenta e cinco quilos! Neto fez uma careta. — Eu menti. — O quê? — Marcos gritou para ele ao longo dos gritos da multidão. — Por quê? — Ele ia colocá-lo com um lutador maior. Peso meiopesado. — Eu sou um peso meio-pesado! — São só quatro quilos! — Quatro quilos de músculo! — Chuito luta no peso meio-pesado e.... A voz de Neto estava abafada quando a voz do apresentador ficou muito alta para falar. — Primo em primeiro grau, do primeiro, do único, o campeão do UFC peso meio-pesado. The Slayer53! Marcos voltou para Neto quando o apresentador repetiu em espanhol. —Mar Maldita la que madre te Pario!54 Você lhe disse que Chu era meu primo! É melhor esperar que eu seja nocauteado! — Eu pensei que deixaria o outro lutador nervoso! 53

O assassino

54

Dane-se a mãe que te deu à luz!


Marcos puxou a arma na parte de trás da calça e empurrou-a para o peito de Neto. — Segure pra que eu possa atirar em você mais tarde! — Ay carajo! — Neto rosnou quando agarrou a arma. — Você não pode simplesmente enfiar uma arma em mim! — Você acha que eu te daria sem a trava de segurança? — Provavelmente! — Neto gritou. — Não seria mais insano do que qualquer outra coisa que você tenha feito esta semana! Marcos apenas ergueu as mãos e deu um passo virando a esquina. A multidão era barulhenta e insana e as pessoas continuavam a tocá-lo, o que deixava Marcos nervoso e impaciente. Este lugar era muito pior do que o outro em Hialeah, onde lutou na terça-feira. Pelo menos eles tinham a porra de uma escala de pesos em Hialeah. Ele se arrastou para dentro do ringue e olhou para o apresentador, que era provavelmente o organizador também. Isso era o que ele ganhava por deixar o Neto encontrar a luta. Estava muito preso com outras coisas para prestar muita atenção e achou que aparecer e ganhar era seu trabalho. O apresentador baixou o microfone e sussurrou para Marcos em espanhol, — Onde estão suas luvas? — Luvas são necessárias, mas conferir os pesos não é? — Marcos bufou. O apresentador deu de ombros e olhou para o outro lutador.


— Sem luvas? Marcos se voltou vendo que ele não tinha oitenta e cinco também. Ele era pelo menos dez quilos mais pesado. Isso o fez sentir

um

pouco

melhor.

Os

amigos

deste

lutador,

provavelmente, estavam administrando o mesmo esquema que os amigos de Marcos. O lutador olhou para a multidão atrás dele, tirou as luvas e começou a desembrulhar os nós dos dedos. — No Hay GUANTES55! — A voz do apresentador cresceu. — Sem luvas! A multidão realmente enlouqueceu sobre isso. Sanguinários bastardos. Quando o apresentador saiu do ringue, o outro lutador encontrou Marcos no centro. Ele resmungou, — O primo do ‘The Slayer’? Que besteira! Eles bateram os punhos, mas Marcos não saltou para trás como o outro lutador fez, ele saltou para frente em vez disso, atacando imediatamente, pegando-o no canto do olho com um gancho de direita duro o suficiente para fazer a dor em suas juntas ofuscante. O outro lutador tropeçou e caiu, e Marcos finalmente se recuperou, olhando para ele por um momento, vendo se ia se levantar. Ao mesmo tempo, a energia na multidão pareceu

55

Sem luvas!


mudar. Se Marcos não estivesse consciente da situação de Angel, ele não teria olhado, mas fez. Ele virou-se, olhando para onde a onda de pessoas parecia estar indo e se distanciando do ringue, em vez de em direção a ele. Lá, no meio da multidão, estava Chuito. Parecendo um pouco melhor do que o resto destes pendejos, com óculos de sol à meia-noite e um chapéu preto UFC puxado sobre os olhos. O filho da puta realmente achava que ele era um jogador. Na verdade, Marcos teve que admitir, ele se parecia com um, especialmente com toda uma multidão de pessoas ao seu redor, querendo tocá-lo, como se fosse uma estrela do rock ou algo assim. Foi exatamente por isso que Marcos assistia as lutas de Chuito na televisão. Algo sobre o mundo de Marcos ficou de cabeça para baixo quando ele viu Chuito como qualquer coisa que não fosse o primo que compartilhava um quarto com ele enquanto crescia. Isto estava muito longe de Marcos. Algo que ele não podia sequer imaginar. Não era que ele estivesse com ciúmes. Era que, vendo o quão diferente a vida de Chuito era agora o fez perceber o quão distante eles estavam. Em seguida, de um momento para o outro, o mundo de Marcos realmente estava de cabeça para baixo quando alguém


agarrou seu pé, e ele de repente estava deitado de costas em um ringue que não era o mais acolchoado que ele já lutou. Ele respirou assustado, mas antes que seus pulmões pudessem reconhecê-lo, foi atingido. Duro. A dor acima do olho esquerdo era louca. Marcos já caiu no cimento em brigas de rua e não doeu assim. Isso misturou os sensores em seu cérebro. De repente isso não era sobre o pagamento e alimentação das crianças de Neto. Na mente de Marcos, este filho da puta estava tentando matá-lo e agiu de forma adequada. Quando ele tentou atingi-lo uma segunda vez, Marcos sacudiu a cabeça para o lado sobre o tapete e depois deu um soco às cegas, porque honestamente não conseguia ver nada com o seu olho esquerdo. Pela segunda vez naquele mês, ouviu o barulho de ossos quebrando e sabia que quebrou o nariz do cara. Marcos usou o embate do lutador para reverter suas posições. Em algum lugar distante, poderia jurar que ouviu Chuito gritar, —Coño! Mas isso só adicionou realismo à ameaça. Normalmente, quando alguém estava tentando matar Marcos, Chuito estava lá amaldiçoando. Ele socou o lutador novamente. E de novo. E de novo. E de novo.


Alguém estava batendo no tapete, gritando: — Você ganhou! Você ganhou porra! Cai fora dele! MARC! Marcos olhou para cima, vendo que Chuito forçou seu caminho para o ringue e estava rastejando sob as cordas. Agarrou o braço de Marcos, puxando duro e fazendo-o sair de cima do lutador, que estava gemendo e se movendo, mas sangrando como um louco. — Será que ele vai morrer? — Marcos sussurrou, porque ele se lembrava, em algum lugar no fundo de sua mente, que prometeu não fazer isso novamente. — Não, acho que ele está bem. — Chuito enfiou a mão no bolso de trás e tirou um clipe de dinheiro. Ele ficou de joelhos ao lado do lutador. — Ei, muchacho. Você está bem? — O lutador concordou com a cabeça e se virou, tentando levantarse, mas era óbvio que o equilíbrio foi desligado. Chuito colocou o dinheiro na esteira. — Pegue um táxi para o hospital, ok? Eu vou pagar a conta. — Diga-lhes que foi uma briga de rua—, o apresentador acrescentou. — É uma área ruim. Eles não vão questioná-lo. Chuito fez uma careta para o apresentador e ficou de pé. O apresentador não parecia se importar com o olhar de morte. Ele gritou no microfone. — Vencedor! El Víbora! — Eu não posso acreditar que eu costumava fazer essa merda! — Chuito virou-se para Marcos e gritou: — Não toque em nada! Mãos em seus lados! Tocou o seu rosto?


Marcos deixou cair as mãos para os lados quando percebeu porque Chuito estava tão abalado. Ele balançou a cabeça em resposta, mas isso foi um erro. Deu um passo à frente quando tudo começou a rodar. — Nós estamos fora! — Chuito empurrou Marcos pelo centro das costas, a única parte dele que não tinha sangue do lutador. Ele se inclinou e disse-lhe ao ouvido: — Se você desmaiar, chica, vou matá-lo eu mesmo. — Ei, vocês estão voltando? —, O apresentador perguntou esperançosamente. — Eu posso promover na próxima semana e.... Chuito virou-se e deu ao apresentador um olhar que poderia congelar o Oceano Atlântico. O cara deu três passos para trás. Obviamente satisfeito, Chuito empurrou Marcos novamente. A multidão estava ficando louca. Marcos viu o instante em que o dinheiro trocava de mãos, mas todos se separaram para eles. As luzes brilhantes de centenas de telefones ainda filmando foi gritante, mas ninguém o tocou. O apresentador não era o único que não queria chatear Chuito. O ar fresco ajudou a despertar Marcos um pouco mais. Chuito estava xingando mais do que Marcos geralmente fazia quando os dois caminharam ao redor do prédio, até que encontraram uma mangueira que descansava na grama. Chuito seguiu até encontrar onde ligava. — Tire os seus shorts.


Marcos fez isso em vez de discutir, e ficou em sua cueca boxer enquanto Chuito o pulverizava. Se o ar fresco não o acordou, a água fria certamente o fez. —Me cago en ná! —, ele gritou, porque Chuito não estava sendo muito indulgente com a mangueira. — Está frio, filho da puta! — Bom! — Chuito rosnou em espanhol, evitando molhar o rosto de Marcos, mas o resto dele estava encharcado. — Tem certeza que não tocou em seu rosto? — Tenho certeza. — Ok, deixe-me ver suas mãos. Chuito soltou a mangueira, puxou o telefone do bolso de trás e ligou a lanterna iluminando os nós dos dedos de Marcos, a luz brilhava na escuridão. Ele apertou os olhos para ver porque ainda estava meio cego, embora seu olho esquerdo não estivesse inchado. Ele piscou, percebendo que era a porra do sangue em sua visão. Instintivamente

estendeu

a

mão

para

sentir

a

sobrancelha, mas Chuito bateu a mão antes que ele conseguisse. Ele agarrou a outra mão de Marcos, ainda o estudando com sua lanterna e virou a palma para cima, vincando intensamente sua testa. — Tem certeza que não tocou em seu rosto? —

Tenho

certeza.

Esta

repetitividade

começando a ficar chato. — Você não é minha mãe.

estava


— Não mesmo, Marc! — Chuito rosnou quando se endireitou e agarrou o rosto de Marcos. Em seguida, o pendejo iluminou seu maldito olho direito. — Coño! — Marcos levantou a mão novamente, mas Chuito bateu na mesma tecla mais uma vez enquanto estudava a lesão. Marcos apertou os olhos, fechando seu mau olho para ver melhor o olhar no rosto de Chuito. Não foi muito reconfortante. — Quão ruim? Chuito estremeceu. — Espero que sua chica goste de cicatrizes. No lado direito através da sobrancelha. Você precisa de pontos. — Ay Dios mio. — Marcos gemeu. — Você tem certeza? — Que porra você acha que eu faço para viver? Sim, Marc, eu tenho certeza. Por que você acha que ele está sangrando assim? Sem luvas? Sem porra de vaselina. Vai ficar cicatriz. — Talvez os pontos a escondam. — Em sua sobrancelha? Não. — Chuito puxou para trás e deu-lhe um olhar de descrença. — Você está preocupado com uma cicatriz? Sério? Esse é o menor dos seus problemas. Você não conhece aquele lutador! Você não sabe se ele está limpo. — Tenho certeza de que ele está limpo. — Assim como você tem certeza de que ele tem oitenta e um quilos? — Minhas mãos estão bem. — Marcos ergueu as mãos como prova. — Eu não toquei meu rosto. — Chuito deu-lhe um outro olhar severo. — Eu não toquei, não sou novo, conheço


esta merda. Eu não sou molenga. Você é. Agora você é um lutador de fantasia que não sabe como proteger-se na rua. Um pouco de sangue e você enlouquece. Estou bem. — Onde está a sua caminhonete? Esperemos que não acabemos no mesmo hospital que o filho da puta que você quase matou. Vou descobrir isso quando chegarmos lá. — Você quer que eu vá ao hospital nu? — Sim. — Não, eu não vou para o hospital. — Se ainda ia ter a cicatriz, Marcos não via porque deveria se preocupar. — Eles vão fazer perguntas. Chuito suspirou e olhou para o céu, olhando para a lua como se procurasse a paciência. — Você tem certeza de que não tocou em seu rosto? — Estou certo disso, filho da puta. Chuito pegou seu telefone e iluminou Marcos, correndo a luz para cima e para baixo de seu corpo. — O que você quer? Um encontro? — Sem cortes em qualquer lugar? — Não— Marcos fez um gesto para o corpo nu somente com a cueca. — Ainda mais sexy do que nunca. — Exceto pela sobrancelha. — Mierda. — Marcos gemeu quando se virou para caminhar de volta para sua caminhonete no estacionamento


lotado. — Precisamos encontrar Neto. Ele está com o meu telefone. Marcos ouviu Chuito pegar seus shorts e as chaves chacoalharam. — Esqueça o telefone. — Foda-se. Ele tem a minha arma também. Preciso da minha arma. — Esqueça a arma. Marcos voltou-se para ele, incrédulo. — Você realmente está mole. Angel vai matar nós dois. Chuito levantou a camisa, mostrando a arma escondida em frente de seu jeans. Marcos só olhou para ele, porque sabia que fazia muito tempo que Chuito andava por aí desarmado. — Você carrega uma Beretta? — O que há de errado com uma Beretta? — É uma arma muito italiana. — Marcos ergueu o olhar para o rosto de Chuito e o estudou. Seu primo estava realmente em Miami e desta vez não era apenas para visitar. Ele estava fazendo as malas. O gelado choque da realidade fez o mundo desvanecer. — Ay Dios mio—, ele sussurrou, e quando Chuito desviou o olhar, Marcos sentiu lágrimas reais ardendo os olhos. — O que você fez? Chuito sacudiu a cabeça. — Não se preocupe com isso.


— Oh meu Deus—, ele repetiu em Inglês. Ele ia colocar uma mão nos olhos mas parou no último minuto, baixou a cabeça em vez disso e engasgou: — Você acabou com ele? Há crianças nesse armazém. — Não. Eu não mato qualquer um. — Chu... — Eu não o fiz. Angel está vivo e bem. Prometo. Marcos forçou o ar de volta para seus pulmões, odiando que ainda estivesse meio cego e que o mundo fosse sinuoso. Ele estava começando a perceber pequenas coisas. Como o fato de que não comeu muito desde que deixou Katie e que estava vivendo em pura adrenalina durante uma semana. Os fatos não estavam somando em sua mente nublada. Se Chuito estava de volta e armado, alguém, em algum lugar deveria estar morto. Garnet não o mudou muito. Uma vez que Chuito assumia um problema, filhos da puta começavam a morrer. — Eu prometi a Juan—, ele sussurrou. — Juan está morto—, Chuito estalou na voz fria, dura, desde a juventude e Marcos se encolheu ao ouvi-la. Ele ia ficar ali no estacionamento de um clube da luta subterrânea e chorar. Realmente chorar. Como Katie chorou. Como aquele chica Grayson chorou.


— Vamos. — Chuito passou o braço em volta da cintura de Marcos, obviamente, decidindo que ele não era mais tóxico. — Eu vou dirigir. Marcos o deixou, porque se ele ia chorar, meio que queria fazê-lo em casa. Ele se sentou no banco do passageiro de sua caminhonete, com a cabeça inclinada para trás, o sangue de sua sobrancelha ainda escorrendo pelo rosto e pelo peito. Ele estava principalmente nu. Muito molhado. E com frio. Chuito parou em uma farmácia vinte e quatro horas. Marcos olhou pela janela e lutou contra as lágrimas enquanto esperava. Ele não sabia o que Chuito fez, mas era algo que sabia que iria desfazer cinco anos de programação de Garnet. Marcos sentia falta dele, mas gostava de seu primo feliz e em Garnet. Jogando qualquer jogo que jogasse com o seu próximo e sendo tudo o que Marcos não era. Bem sucedido. Rico. Famoso. Mesmo que isso significasse que eles não eram uma equipe mais. Ele sempre quis isso para Chuito. Sempre. Ele deveria ter puxado o gatilho no armazém. Chuito voltou com dois sacos de suprimentos e jogou-o entre eles. Quando ligou a caminhonete, Marcos perguntou: — E se Angel tivesse acabado comigo?


Chuito colocou o carro em marcha e disse, — Eu estaria na cadeia. Eu não teria qualquer sutileza sobre essa merda. Eu o teria matado em plena luz do dia. As pessoas diziam esse tipo de coisa o tempo todo, mas com o seu primo, Marcos mais do que ninguém entendia como era verdade. — Eu não valho a pena, Chu. — Marcos sussurrou. — Por quê? — Porque eu amo você, idiota. — Chuito bufou em descrença. — Eu gosto mais deste mundo com você nele.


Capítulo Dezenove O mundo estava desvanecendo porque Marcos teve sua primeira concussão. Pelo menos foi o que o Doutor Chuito alegou. Marcos não saberia. Ele nunca teve uma antes. Quando ele disse a seu primo, Chuito pareceu surpreso e se sentou no assento do vaso fechado no banheiro, à espera de Marcos terminar de tomar banho, porque não confiava de que ele não cairia de cara no azulejo do chuveiro. — Sério? — Chuito perguntou pela segunda vez, como se fosse completamente inacreditável. — Sim, se você não aparecesse, não teria uma agora. Você me distraiu. Marcos colocou o rosto sob o jato do chuveiro e, em seguida, amaldiçoou quando a água atingiu seu corte. — Ay carajo! — Uau, eu perdi a conta de quantas tive—, Chuito refletiu pensativo. — Tino me deu uma no último mês. — Lembre-me de nunca lutar com Tino, então. — Jesus, com todas as lutas que você fez? Toda a merda no subsolo? Todas as lutas de rua? Todas as vezes que você acertou a calçada? Você nunca teve uma concussão?


Chuito parecia estar falando com ele mesmo quando resmungava em espanhol. — Você é o bastardo mais sortudo que já conheci na minha vida. A razão de você fazer toda essa merda é porque sabe que tem sorte. Por que diabos nenhuma dessas balas te acertou naquela noite? Já me fiz essa pergunta mil vezes. Por que eu não perdi você também? Marcos olhou para trás, sentindo algo estranho e frio rolar em suas costas. A água estava quente, mas as memórias, as ideias, estavam geladas e horríveis. — Ela estava morta antes de você sair pela porta. Ela estava observando você. — A voz de Chuito era assombrada. — Ela tem que cuidar de você, Marc. Quero dizer, merda, você sofreu um acidente de carro e conheceu o amor da sua vida. Isso só pode acontecer com você. Marcos não gostou da ideia. Ele não gostava da ideia de que sua mãe de alguma forma o salvou e deixou Juan morrer. Ela amou Juan e Chuito como se fossem seus próprios e nunca teria escolhido um deles acima do outro. — Cale a boca, — Marcos engasgou. — Cale-se, Chu. — Você deve voltar com Katie—, Chuito o surpreendeu dizendo. — Se sua mãe o salvou, se ela te protegeu, você deve fazer o que Juan deveria fazer. Você deve tornar o mundo melhor. — Você poderia fazer o mundo melhor—, Marcos lembrou.


— Não, eu não posso. — Chuito parecia que acreditava nisso também. — Você é o amante. Eu sou apenas um lutador. — Chu... — Não, eu estou bem com isso—, Chuito argumentou. — Eu consegui te tirar, Marc. Faça algo com isso. Por favor. — O que você fez? — Não importa o que eu fiz. Você está fora. Angel não é o seu problema mais. Você pode sair com os mesmos pendejos e ninguém vai lhe falar qualquer merda sobre isso. Você poderia entrar no armazém amanhã, e Angel não faria nada, além de beijar seu traseiro. Na verdade, eu deveria fazer isso, enquanto ainda estou aqui, apenas para assistir. Marcos ouviu o mesmo som escuro na voz de Chuito que percebeu no estacionamento, aquele som horrível que de alguma forma estava lhe dizendo que seu primo estava em busca de vingança. Marcos desligou a água e empurrou a cortina. Ele pegou a toalha na prateleira sem se preocupar em secar-se, a envolveu em torno de si, então estendeu a mão e agarrou a parte de trás da camisa de Chuito, empunhando-a firmemente. — Coño! — Chuito bateu na sua mão, mas Marcos não o deixou ir. — Você está bêbado? — ONDE ESTÁ? — Marcos gritou alto o suficiente para acordar os vizinhos. Ele puxou a camisa de Chuito, ouvindo o tecido rasgar. — TIRE!


Chuito não tinha escolha a não ser deixar Marcos puxar a camisa sobre a cabeça. Então ele se levantou e estendeu as mãos, mostrando seu peito nu, que tinha todas as mesmas tatuagens de sempre. As estrelas em seus ombros. A cruz sobre o coração. A inscrição preta em Inglês sobre seu estômago que o marcava como o Slayer. Um nome que ele teve durante anos antes de começar a lutar profissionalmente. Um título que ganhou de forma muito mais brutal do que qualquer um de seus fãs poderia imaginar. Marcos virou ele, olhando para suas costas, vendo que era tudo a mesma tinta. —

Você está bêbado?

— Chuito

perguntou com

aborrecimento. — Não. — Ele olhou para jeans de Chuito. — Tire-os. — Ok. — Chuito tirou os sapatos. Ele colocou a arma no balcão e desabotoou a calça jeans e saiu dela jogando-a em Marcos com força suficiente para quase derrubá-lo fora de seus pés quando ainda estava lutando com esta concussão. — Feliz? Marcos estudou-o, olhando para as pernas, sabendo que tinha que estar lá em algum lugar, mas era tudo a mesma coisa. Ele inclinou a cabeça, vendo algo que espreitava acima da borda da sua cueca boxer em seu quadril. Chuito amaldiçoou quando Marcos empurrou para o lado sua cueca, encontrando sobre seu quadril, de cima para baixo em direção à coxa, em um dos poucos lugares que estariam escondidos quando ele usava calções de luta.


Omertà56 — É novo. — Sim, é—, Chuito concordou e empurrou Marcos de volta. — Então, eu agradeceria se você não estragasse tudo. Ainda está curando. — Quem te deu a Beretta? — Marcos sussurrou em horror. — Eu sei que você voou. Quem deu a você quando saiu do avião? — Não se preocupe com isso. — Eu estou preocupado com isso! — Marcos gritou com ele. — Você vendeu-se a eles! — Eu não me vendi—, Chuito argumentou. — Fiz um acordo de negócios. — Com a máfia? — Marcos dificilmente poderia envolver sua mente em torno disso. — E você me chama de louco? Eles são a máfia! Eles não são como nós, Chu. Eles não são nada como nós. Os italianos fodem políticos de merda. Não é orgulho, é dinheiro e poder para eles. Eles vão enterrar alguém. Ninguém está a salvo com eles. — É isso mesmo—, Chuito disse quando se inclinou e agarrou sua calça jeans. — Adivinha com quem mais ninguém está a salvo? Você acha que ficar na cama com a máfia vai mudar alguma coisa sobre mim? — Ele começou a puxar sua

56Omertà

significa "conspiração" e alguns sicilianos dizem que significa proteção. Nos meios ligados à Máfia, é a lei do silêncio, que exige que se guarde, sob pena de represálias, o segredo mais absoluto sobre fatos criminais de que se poderia ter tido conhecimento.


calça jeans e então levantou a cabeça e olhou para Marcos. — Ele puxou uma arma para você. Ele ia te matar! — Eu não estou morto! — Sorte dele.— Os olhos escuros de Chuito brilhavam com fúria. — Agora eu começo a foder a vida dele até me cansar disso. — O que a sua chica vai pensar quando ela ver essa tatuagem? — Marcos fez um gesto para o seu lado. — Você acha que Alaine sabe o que significa esta tatuagem? — Chuito riu. — Você está brincando, Marc? Ela não é a Katie, ok? Eu nunca poderia trazê-la aqui. Ela é uma garota que deveria se casar com alguém como Edward. Eu nem deveria ter alguém assim. Marcos estendeu a mão. — Chu... Chuito bateu a mão. — Eu fui o único que os deixei morrer! Fui eu que se juntou a Los Corredores. Fui eu quem o arrastou para isso! Eles estavam atrás de mim! Você sabe que eles estavam atrás de mim! Você estava muito ocupado procurando pela próxima chica aos dezessete anos! Você nunca foi uma ameaça para ninguém! Eu era! Ninguém está cuidando de mim porque esses são os meus pecados! Eu não posso continuar me escondendo em Garnet e fingir que eles não são! Eu não posso continuar permitindo-lhe pagar a minha merda, Marc!


Marcos engasgou porque honestamente não podia argumentar. Ele não podia nem tentar insultar Chuito. Marcos não era um mau gangster, mas não era particularmente bom também. Não tinha nada necessário para ser bom no que fazia. Ele não era tão inteligente quanto Chuito, nem tão astuto. Não prosperou em respeito ou dinheiro ou vingança. A única coisa que realmente já importou para Marcos era encontrar a próxima cama para rastejar. Agora havia apenas uma cama que ele queria, mas as regras ainda se aplicavam. Só porque muitos danos foram reduzidos a um não significava que ele não desejava estar embrulhado em Katie o tempo todo. Houve uma batida na porta e Marcos olhou para fora do banheiro. — Coño. — Chuito abotoou sua calça jeans e passou por ele. Marcos pegou a Beretta e o seguiu. Ele não verificou a segurança quando Chuito abriu a porta como se ainda estivesse em Garnet. — Não, está tudo bem—, disse Chuito em Inglês quando estendeu a mão e apertou a de um homem. Marcos não podia ver na escuridão. — Apenas lutando com o meu primo. — Vocês, os porto-riquenhos. Sempre lutando. Isso é tudo que vocês sabem como fazer. Porra, os ombros de Chuito enrijeceram porque ele sempre teve tanto orgulho de ser Boricua. Foi a razão pela qual ele se juntou a Los Corredores em primeiro lugar.


— Você não está aqui porque eu preciso de você aqui? — Chuito latiu, sua voz dura. — O que, essencialmente, significa que você está trabalhando para mim! — Sim mas... — Não insulte meu povo. Eu não gosto. Isso me irrita. — Ei, eu sinto muito. — Sim. — Chuito fechou a porta e voltou para Marcos com um aceno de cabeça. — Os italianos do caralho. Eu não tenho nenhuma ideia de como acabei melhor amigo de um. — Ainda bem que você não está na cama com eles, — Marcos brincou quando abaixou a arma. Ele poderia ter se preocupado com o seu argumento anterior ser ouvido, mas utilizaram espanhol. — Por que eles estão do lado de fora da minha casa? — Nova pediu para vê-lo por mim. Eles estão protegendo a minha mãe também. — Nova? — O irmão de Tino. — Angel com esteroides? Chuito assentiu. — Sim. — Ótimo. — Sua sobrancelha começou a sangrar de novo, e ele limpou e olhou para os dedos sangrentos. Ainda tinha uma enorme dor de cabeça e realmente só precisava se deitar e dormir por pelo menos vinte e quatro horas. Foi uma longa semana. — Estou indo para a cama.


— Deixe-me cuidar de sua sobrancelha primeiro. — Tanto faz. Marcos caminhou até seu quarto e guardou a Beretta em seu armário. Então caiu na cama e ficou ali olhando para os halos ao redor da luz no ventilador de teto. Quando Chuito entrou, tinha os sacos de farmácia com ele e jogou-se na cama. — Este lugar é um buraco, Marc. Você não tem móveis, exceto por esta cama no chão. Por que viver assim? — Porque eu estou quebrado. Chuito tirou uma garrafa de álcool e desenrolou várias toalhas de papel. — More com minha mãe. Eu comprei a casa por causa do apartamento nos fundos. Você deveria estar vivendo lá. — E se Angel atirar em mim lá? — Angel não vai atirar em você. Os italianos estão lá apenas até que eu consiga resolver tudo. Eu já disse que você está fora. Você pode viver em qualquer lugar que você quiser. — O que exatamente quer dizer ‘tudo resolvido’? — Marcos perguntou quando olhou para o teto. — Como disse a seu amigo, eu não falo italiano. — Isso importa? — Chuito levantou a garrafa de álcool. — Feche seus olhos. Isso pode doer. Marcos fechou os olhos quando o foco da dor se estendia desde a sobrancelha até sua testa, fazendo com que a dor de cabeça que ele tinha, ficasse mil vezes pior.


— Coño! Vete pa'l carajo! Isso dói, seu filho da puta! — Ele deu um soco, cegamente, na lateral do corpo de Chuito, querendo partilhar a sua dor. — Mar Maldita la que madre te Pario! Ow! Chuito riu. — Estou muito assustado com a ideia de que você está ensinando espanhol a Katie. — Por favor, pare de falar sobre ela. — Marcos gemeu e tocou a pele acima da sobrancelha. — É como se você estivesse tentando me punir. Já estou infeliz. — Eu não quero que você seja infeliz, Marc.— Chuito colocava uma gaze no corte com força, pressionando com força suficiente para fazer Marcos amaldiçoar novamente. — Estava meio que esperando o oposto. Você realmente deve tornar o mundo melhor. Encontrar um caminho. — Certo, eu vou encontrar um caminho. — Marcos ergueu as mãos. — Eu tenho todas as habilidades necessárias para tornar o mundo um lugar melhor. Chuito riu novamente. — Eu honestamente senti sua falta. Muito. — Você vai chorar, chica? — Sim, eu vou chorar. Chuito empurrou com mais força sobre o corte. — Me cago en ná! — Marcos empurrou sua mão, e, em seguida, empurrou o peito para uma boa avaliação. — Eu quero um médico de verdade!


— Que pena. Você não quis ir para o hospital. — Chuito agarrou a mão de Marcos e colocou sobre a gaze. — Empurre com força. — Sim, eu vou dar o máximo, cabrón. Marcos empurrou com força, machucando a si mesmo, enquanto olhava para o teto com o olho bom e pensou sobre o que aconteceu. A tinta no corpo de Chuito. Isso era permanente. Inflexível. Ele fez um pacto com o diabo. Marcos sabia que não podia mudá-lo. — Estou realmente fora? —, Ele sussurrou. — Você está realmente fora, — Chuito assegurou. — Não conte a ninguém sobre os italianos. Não diga que estou envolvido com o que está acontecendo no armazém. Não quero que ninguém saiba agora. Ninguém. Nem mesmo minha mãe. — Você está de brincadeira? Não direi a ninguém que meu primo está dormindo com os italianos. Especialmente a sua mãe. Eu quase não vou ser capaz de olhar para mim mesmo no espelho depois disso. E certamente não vou olhar para Tia Sofia e deixá-la saber que o fiz prostituir-se para a máfia. — Marc, não foi você. Eu fiz. — Chuito suspirou enquanto colocava um par de tesouras médicas no peito de Marcos como se fosse uma mesa de operação. — Você não ouviu o que eu disse antes? Eu fiz isso. Eu fiz os erros. Você acabou pagando por eles. — Eu tenho a tinta no meu braço, Chu, — Marcos argumentou. — Você não me fez fazer isso. Ninguém me


obrigou a fazer nada. Eles provavelmente dispararam contra aquela casa porque achavam que iriam obter dois pelo preço de um. Vamos compartilhar os pecados. Todos eles. — Bem. — Tudo bem, — Marcos concordou. Chuito desenrolou um pedaço de fita médica branca e depois cortou um pequeno pedaço. — Deixe-me ver sua sobrancelha de novo. Marcos levantou a mão, mostrando o corte. — Você pode consertar isso? — Sim. — Chuito balançou a cabeça quando olhou para ela. — Eu posso corrigi-lo. — Você tem a merda feita, — Marcos engasgou quando olhou para seu primo e percebeu o quão longe Chuito iria para corrigir alguma coisa para ele. As lágrimas brotaram em seus olhos e ele fechou-os para contê-las, mas era tarde demais. — Coño. — Não, está tudo bem. — Chuito agarrou sua mão quando Marcos tentou cobrir o rosto. — Você pode chorar. Pessoas reais choram. Somente gangsters tem que ser duro. Foi uma coisa boa, esta noite foi a primeira que Marcos não era mais um gangster. Foi incrível, droga, Chuito foi capaz de fechar todo o corte, mas ele não se apressou. Ele parou quando Marcos precisou que parasse, e então começou de novo gastando tempo suficiente para lidar com isso. Chuito foi


paciente e fez o melhor trabalho possível para garantir que Marcos não teria também uma visível cicatriz. E não chorou o tempo todo. Ele deixou Marcos chorar por ele.


Capítulo Vinte Miami Julho de 2014

Miami era interessante porque cada rua era diferente. Cada uma tinha a sua personalidade. As casas também. Cores diferentes. Tamanhos diferentes. Uma rua poderia ser cheia de mansões e algumas quadras adiante poderia ter uma área pobre. Essa divisão era bizarra para Katie. Era uma das cidades mais ricas dos Estados Unidos. Mas também era uma das mais pobres. Um quarto de toda a sua população vivia abaixo da linha da pobreza. Katie sabia isso porque ela pesquisou, mas ver pessoalmente era diferente. Algumas áreas tinham outdoors todos em inglês. Outras tinha outdoors em espanhol. Alguns tinham uma mistura dos dois.


E Katie sabia disso porque passou no mínimo três horas perdida em Miami. Viu ruas de sentido único em todo lugar. Era fácil de se perder, e no momento, seu telefone não estava sendo de grande ajuda. Finalmente foi obrigada a ligar para pedir ajuda. Ela parou no acostamento, pegou seu celular, discou e esperou chamar. — ¿Hola? — Estou perdida. — Ela suspirou. — De novo? — Chuito perguntou incrédulo. — Você estava perdida antes da sua entrevista também. — Sinto muito. — Ela ergueu a mão em frustração. — Eu não posso ser a única pessoa que se perde em Miami, e você percebeu todos buzinando aqui? Por que estão todos tão nervosos? — Ay Dios mio. Só me diga onde você está. Você não pode estar tão longe. A escola é a menos de 8km de distância, — Chuito disse enquanto Katie olhava atrás dela, olhando as placas. Ela disse onde estava e ele praguejou. — Suas portas estão trancadas? Ela rolou os olhos. — Sim. — Eu não tenho ideia de como você chegou tão longe. — Chuito soou exasperado.


— Apenas deixe a minha mãe levar você por alguns dias. Talvez isso a afaste do cubano. Coloque no viva voz. Eu fico no telefone até você chegar lá. Katie colocou Chuito no viva voz e voltou à estrada. Depois de seguir pelo caminho que Chuito mandou, ela perguntou. — Por que você sempre reclama do namorado da sua mãe. É por que ele é cubano? — Não. É porque ele está namorando a minha mãe. — Mas você disse que ainda não o conheceu. — Se ele está namorando Sofia, eu te garanto, tem algo de errado com ele. — Eu acho que você tem problemas com a sua mãe, — Katie falou quando parou em um semáforo. Alguém estava buzinando. — Você ouviu isso? Porque eles estão buzinando? — Coño, isso é um grande erro. — Eu sobrevivi à faculdade em Garnet. Eu consigo fazer isso. — Katie anunciou mais para si mesma do que para outra pessoa então reiterou a confirmação em espanhol. — Yo puedo hacer esto. — Se você diz, chica. Com Chuito como navegador, Katie achou seu caminho facilmente. Ela não sabia como ele conseguia fazer isso por telefone a milhares de quilômetros de distância, mas ele conseguiu, e ela era infinitamente grata por isso. Quando entrou na rua, ficou surpresa.


— Oh, aqui é legal. — Você acha que eu deixaria minha mãe viver em um buraco de merda? — Chuito parecia insultado. — Você tem de virar à direita na Ocean View. Terceira casa à direita. Katie balançou a cabeça enquanto entrava na rua. — Você definitivamente tem problemas com a sua mãe. Do tipo bizarro. — Primeiro você conhece a minha mãe, depois a gente conversa. — Eu vou gostar dela? — Katie perguntou, não pela primeira vez. — Eu meio que estou indo morar com ela. — Eu acho que vamos descobrir isso. — Chuito riu. — Tudo isso parece como um experimento científico. Pode ir muito bem, ou muito, muito mal. Katie percebeu que haviam homens fora de suas casas jogando

basquete.

O

que

era

uma

loucura;

estava

inacreditavelmente quente mesmo às quatro horas da tarde. Nenhum deles estava de camiseta e todos tinham aquele físico forte igual ao de Marcos e Chuito. Ela estacionou na entrada da maior casa que viu no bairro e olhou para trás para os caras na entrada da casa do outro lado da rua. Havia algo que ela reconheceu neles. Além da estrutura física e da cor, era a sua postura. Dura. Intimidadora. — Todos os seus amigos moram aqui. — Ela sussurrou e depois falou mais alto. — Quantas casas você tem nessa rua? — Quatro.


Katie assentiu enquanto desligava o carro e sentava com Chuito em espírito, como sentou com ele no Hall quase todas as noites pelos últimos três meses. — Obrigada por me ajudar, Chuito. — Sim, vamos ver o quão grata você vai ser quando as aulas começarem. Você tem certeza de que quer fazer isso? — Sim. — Ela assentiu enquanto olhava ao seu redor. Era uma rua bonita. A casa era grande, rosa e linda. Katie amou o rosa. Era um bom sinal e ela repetiu em espanhol novamente. — Yo puedo hacer esto — Você terá ajuda. — Chuito soou confiante a esse respeito. Katie respirou fundo e cobriu o rosto com a mão. — Eu não tenho tanta certeza. — Eu tenho. — Chuito quase parecia divertido com a sua crise emocional. — Ele ficará feliz em te ver. — Ele não me disse uma palavra em três meses. Agora eu vou morar com a tia dele. Você não acha que isso é um pouco invasivo? — Ele é Boricua. Ele gosta de invasivo. — Isso não é sobre ele. É sobre mim. Eu quero fazer isso e gostaria de fazer isso sem ele. Não importa se ele não está mais interessado. Yo puedo hace esto. — Você pode fazer isso. — Chuito concordou. — Eu não teria feito você ir morar com a minha mãe se não soubesse que


você poderia dar conta disso. Acredite em mim, isso precisa uma certa força de vontade. Katie olhou ao redor e viu que os homens pararam de jogar basquete. Tinha crianças no gramado. Elas estavam brincando de pega-pega, mas até mesmo os menores pararam curiosos. — Seus amigos estão me olhando. — Tenho certeza disso. — Chuito riu. — Pratique seu espanhol. Diga para eles não a encararem. Vai ser ruim para a saúde deles. Ela teria dito algo afiado e sarcástico se a porta da frente da grande casa rosa não tivesse sido aberta. Uma mulher saiu, usando shorts brancos que pareciam bastante justos e perfeitos contra a sua pele bronzeada. Ela usava um top azul claro que se ajustava em todos os lugares certos, embora não fosse vulgar. Ela realmente parecia uma das mulheres mais elegantes que Katie já conhecera na vida. Como uma modelo ou estrela de cinema. O estranho era que ela lembrava Katie de Jules Wellings. A forma como seu cabelo escuro descia pelos ombros em ondas perfeitas. Ela provavelmente era uma daquelas mulheres que acordava linda. — Você tem uma irmã? — Katie perguntou enquanto a mulher andava até o carro. — Não. — Chuito parecia aborrecido. — Estou na casa errada.


— Não. Você não está. Essa é Sofia. — Que idade ela tinha quando você nasceu? — Katie perguntou rapidamente. — Dezesseis. — Ah meu Deus, — ela disse e então sorriu quando Sofia abriu a porta. — Hola! — Oi. — Sofia lhe deu um largo sorriso, fazendo seus olhos brilharem. Eles tinham o mesmo tom leve como o de Marcos e eram tão impressionantes quanto. — Por que você está sentada no carro, chica? — Eu, huh...— Katie ficou completamente perdida quando olhou para o banco do passageiro, meio que esperando encontrar Chuito sentado ao lado dela. — Eu me perdi. Chuito me indicou o caminho. Estava apenas terminando a ligação. Ele está no viva voz. — Oi, chico. — A voz de Sofia era calorosa e amável. — Ela é muito bonita. Você não me disse isso. E ela tem grandes... — Ay Dios mio, Ma! — Chuito gritou. — Não, você prometeu. — O quê? Ela gostou de ouvir isso. Todas as mulheres gostam de ouvir isso, Sofia argumentou com um Chuito invisível. — Se você me desse ouvidos sobre essas coisas, então você teria uma mulher e me daria nietos. — Sofia se voltou para Katie. — Ele é rico e bonito. Eu já deveria ter netos, certo? — Eu tenho que ir, Katie, — Chuito disse ao invés de responder à mãe. — Boa sorte.


A ligação foi encerrada. Sofia se afastou e levantou as mãos. — Eu não sei o que há de errado com ele. Enfim, venha. Vamos entrar. — Sofia deu um passo para trás e abriu a porta. — Você está cansada? Foi uma longa viagem. Uma pena que você não podia voar. — Bem, eu precisava do meu carro. — Katie saiu e alisou a saia, se sentindo muito simples perto da mãe do Chuito. — Prazer em te conhecer Sofia. Muito obrigada por me deixar alugar o quarto. — Alugar? — Sofia engasgou. — Ele está te fazendo pagar? Não. — Ela abanou a mão como se estivesse respondendo sua própria pergunta. Então passou os braços ao redor de Katie como se fossem velhas amigas e beijou sua bochecha. — É um prazer te conhecer também. — Ela se afastou e limpou a marca de batom que deixou em sua bochecha. — Não me chame de Sofia. Tía é melhor. — Tía, — Kate repetiu e então ficou pensando. — Tia? — Sí, muy bien. Eles disseram que você era inteligente. — Sofia abriu a porta de trás. — Eles disseram? — Ay, isso é tudo o que você tem? — Sofia perguntou ao invés de explicar. — Para morar aqui? — Eu tenho mais coisas no porta-malas. Eu não preciso de muito.


— Dios mío, se eu tivesse que me mudar, precisaria de uns dez caminhões de mudança. — Sofia se virou e gritou para o outro lado da rua. — Não fiquem aí parados. Venham ajudar! — Eu consigo carregar, — Katie argumentou. — O que, por quê? — Sofia estava horrorizada. — Eles só estão lá parados olhando. Sofia gritou novamente em espanhol, e Katie entendeu apenas uma parte do que ela estava dizendo. Ainda estava um pouco agitada para fazer o seu cérebro trabalhar direito. — Por que uma cobra vai morder eles? — Katie perguntou curiosa. — Se eles continuarem olhando para as suas tetas, uma cobra vai mordê-los. — Sofia olhou mordazmente para os dois homens andando na rua enquanto falava, tendo certeza de que eles a escutassem antes que ela gesticulasse para o carro. — Levem isso para o quarto dos fundos. — Qué? — Um dos homens olhou boquiaberto para Sofia. — Nos fundos? Mas... — Sem discussão. — Sofia bateu no seu peito nu para mostrar seu ponto. — Luís— ela gesticulou para o outro homem. — E Neto. — Ela se virou para Katie e sorriu. — Essa é a Katie. Ela está se mudando para o quarto dos fundos. Ela é professora e amiga do Chuito. Nós devemos ser legais com ela. Ambos trocaram olhares confusos. Katie decidiu quebrar o gelo estendendo sua mão.


— Prazer em te conhecer, Luís. Luís apertou sua mão enquanto inclinava a cabeça e a estudava incerto. — Prazer em te conhecer também. Ela apertou a mão de Neto em seguida, reparando que ambos os homens tinham uma cobra tatuada no braço. — Obrigada pela ajuda, Neto. — Lá atrás? — Neto repetiu. — É lá que vamos levar as coisas? — Sí, — Sofia falou antes que Katie pudesse dizer alguma coisa. — Chica, dê sua chave pra eles. Eles vão colocar seu carro na garagem quando terminarem. — Oh, ok. — Katie se inclinou para dentro do carro e pegou seu celular, guardando ele dentro da sua bolsa. — Ay, Luís, eu acabei de te falar! Katie se virou para ver Sofia bater na parte de trás da cabeça do Luís. —

Ele

precisa

achar

a

sua

própria

mulher.

Desesperadamente. — Sofia rolou os olhos para Katie e então gesticulou para Luís. — Entregue para ele. Faça ele ser útil. Katie entregou as chaves para Luís. — Obrigada. — De nada. — Luís assentiu. — Cuidado com as coisas dela, — Sofia alertou. — Não atirem de qualquer jeito por aí.


— Onde nós vamos colocar tudo? — Descubram vocês. — Sofia enlaçou Katie pelo braço e a forçou a acompanhá-la até a casa. — Vai ser bom ter uma mulher por perto. Muitos muchachos por aqui. Esse lugar está cheio deles. — Eu vi. — Kate concordou, enquanto olhava para trás, para ver Luís e Neto descarregando o carro. Ela nunca viu uma mulher lidar com homens daquela forma. Bem, ela conhecia uma mulher que conseguiria. — Você me lembra a minha amiga Jules Wellings. Sofia sorriu ao abrir a porta da frente. — Chu disse a mesma coisa. Eu preciso conhecê-la. Ela parece ser interessante. — Vocês provavelmente vão se detestar, — Katie murmurou enquanto entrava. — Chu disse isso também. — Sofia ergueu as mãos, indicando o interior da casa. — Mi casa es tu casa. — É linda, — Katie sussurrou enquanto olhava ao redor dessa casa que provavelmente valeria um milhão em Miami, onde o custo de vida era muito caro. Tinha um teto alto com abóbodas e lindo móveis. Era quente, leve e arejado. Havia quadros em todas as paredes. Máscaras coloridas. Pinturas de ilhas que eram de tirar o fôlego. Nada era simples ou imperceptível. Cada canto estava cheio de vida. — Combina perfeitamente com você. — Chu comprou pra mim, — Sofia disse orgulhosa.


— Ele deve te amar muito, — Katie sussurrou enquanto pensava no pequeno apartamento acima do escritório de Jules onde Chuito morava. — Ele ama. — Sofia não parecia totalmente confiante. — Mas ele tem motivos para não ser feliz. — Eu sei. — Katie olhou para a parede principal da sala de estar, vendo todas as fotos sobre o sofá. Os rostos jovens de Chuito, Marcos e um menino mais novo, com um rosto tão diferente do deles, mais magro e mais anguloso enquanto os adolescentes nas fotos já estavam cheios de músculos e com olhares guardados. — Eu sinto muito sobre o seu filho e sua irmã. — Se eu ficar triste sobre isso, eles vão continuar se culpando, — Sofia sussurrou enquanto olhava as fotos. — Então, nós não ficamos tristes nessa casa. Nós somos felizes. Por Juan e Camila eu me ocupo de que todos sejam felizes nessa casa. Eles não gostariam que Chu e Marcos se sentissem culpados. Eu sei disso. Katie sentiu as lágrimas descerem por seu rosto enquanto olhava uma foto do Marcos com uma mulher que se parecia muito com Sofia, talvez um pouco menos vibrante, mas com calorosos olhos castanhos que brilhavam ao olhar para Marcos, cujo braço estava sobre seus ombros. Katie virou-se para Sofia, achando que estava com os olhos borrados e disse de novo. — Eu sinto muito.


— Sem choro. — Sofia a alcançou e limpou uma lágrima do rosto de Katie. — Nessa casa, as mulheres não choram. — Por quê? — Katie engasgou enquanto tentava segurar a enorme sensação de perda. — Por que nós somos mais fortes que eles, — Sofia sussurrou. — Nós deixamos eles ficarem tristes. Nós somos felizes ao invés. — Isso é ser forte, — Katie concordou. Era muito mais fácil ficar triste. Katie não podia imaginar a força que era necessária para ser feliz em face ao que Sofia perdeu, somente para se assegurar de que seu filho e seu sobrinho não se culpassem. — Quando precisamos chorar, nós choramos sozinhas, Katie. Mulheres sempre devem chorar sozinhas. — Sofia parecia acreditar nisso. — Então levantamos e fazemos com que o mundo saiba que não pode nos machucar. — Eu temo que já tenha chorado na frente de um homem antes. — Katie deu uma risada sufocada enquanto lembrava o quanto chorou quando soube que Marcos estava indo embora. — Muitas vezes. — A gente pode trabalhar nisso. — Sofia estendeu a mão a apertou sua bochecha afetuosamente. — E não se preocupe, chica. Nós não teremos nenhum motivo para chorar nessa casa. Essa é uma casa feliz. — É, — Katie concordou porque realmente era. — Muito obrigada por me deixar ficar aqui.


— Eu não fiz isso por você e eu também não fiz por Chu. — Sofia disse isso de forma firme, como se precisasse atestar que ela fazia suas próprias regras. Ela enlaçou o braço de Katie novamente. — Você está com fome? Você deve estar com fome. Vamos fazer o jantar e você poderá me dizer como foi na sua entrevista. Deu tudo certo? — Deu sim. — Katie não pode evitar ficar empolgada. — Eles oficialmente me deram o emprego.


Capítulo Vinte e Um Marcos estacionou a caminhonete na entrada da garagem e estendeu a mão para pegar as compras que teve que fazer, mesmo estando exausto. Sua tia mandou mensagem para ele catorze vezes para garantir que não esqueceria nada. O que era um exagero, até mesmo para ela. Ele passou o dia atolado de trabalho. A última coisa no mundo que queria era fazer compras para tia Sofia, quando ela mal conseguia guardar a comida que já tinha nos armários. Chuito disse que a sua mania de estocar comida veio pelo fato de ter sido pobre por muito tempo. Ela tinha medo que o dinheiro acabasse e eles passassem fome novamente. Marcos apenas achava que era um tremendo pé no saco. Ele comprou mais do que era capaz de carregar, mas deu um jeito, fechando a porta com o pé com mais força do que deveria. — Cuide para que ninguém roube a minha caminhonete! — Ele gritou para Luís e Neto do outro lado da rua. — Eu tenho que levar essa mierda pra dentro. Volto em um segundo. — Eles não responderam então Marcos se virou para eles, vendo que pararam de jogar bola e estavam parados lá, o encarando. — O quê?


— Você não disse pra gente que tinha uma chica. — Luís parecia realmente indignado sobre isso. — Ela é sua chica? Porque a Sofia disse que ela é amiga do Chuito, mas... — Eu não...— Uma das sacolas escorregou dos seus braços e ele praguejou. — Carajo! Espera aí! Eu já volto. Ele andou até a porta e brigou com suas chaves e sacolas, praguejando o tempo inteiro. Ele empurrou a porta com o pé e entrou. — Tía! — ele gritou em espanhol. — Venha pegar a porra das compras. — Ay, bendito. Tão grosso! — ela gritou da cozinha. — Traga elas aqui. Estou ocupada. — Qué? — ele resmungou porque algo estava estranho na voz dela. — Por que você está falando em inglês? — Ele perguntou e então voltou ao espanhol. — Tem alguém aqui? O que aconteceu com Fernán? Se eu tive que comprar essa merda para um encontro com um gringo, eu vou... — Ah meu Deus, traga a porcaria das compras aqui, — ela respondeu em espanhol. — Não tem nenhum gringo. Ele entrou na cozinha. — Meu carro não tá trancado. — Luís e Neto vão ficar de olho. — Eles disseram... Marcos parou quando entrou na cozinha. Ele baixou o braço em choque e duas sacolas caíram no chão.


— Meus ovos! — Sofia gritou enquanto se virava do fogão. Marcos só ficou ali parado, ainda segurando o restante das compras enquanto olhava para Katie, que estava sentada à mesa da cozinha, separando feijão preto como se pertencesse a esse lugar. — O que você está fazendo aqui? — ele engasgou. — Eu só, huh...— Katie gesticulou para o saco de feijões pretos e à bacia cinza perto dela. — Estou separando feijões. Aparentemente o pacote vem com algumas pedrinhas. — Katie ergueu sua mão mostrando uma pequena pilha de pedras. — Realmente são pedras. Em um pacote de comida. É a coisa mais estranha que já vi na minha vida. Marcos não conseguia falar. Ele mal conseguia respirar. Tia Sofia se aproximou e pegou as sacolas que ele derrubou, jogou o cabelo para trás e deu-lhe um sorriso. — Essa é a Katie. — Ela se voltou para Katie. — Esse é meu sobrinho Marcos. — Nós nos conhecemos, — Katie disse enquanto olhava para ele. — Ele costuma ser mais encantador. — Tia Sofia pôs as sacolas na ilha no meio da cozinha. — Mas ele é lindo. Já é alguma coisa, certo? — O que é isso? — Marcos perguntou quando finalmente achou a sua voz.


— Nenhum gringo para mim. Quem sabe uma gringa para você, — sua tia disse em espanhol enquanto começava a desempacotar as compras. — Foi minha ideia. — Você apenas decidiu minha vida amorosa por mim? — Marcos perguntou descrente. — Sí, — Tia Sofia anunciou enquanto andava até a geladeira. — Eu estava cansada de te ouvir choramingar sobre ela. Você não tomou a frente. Eu tomei por você. — Você choramingou sobre mim? — Katie perguntou suavemente. — Sim, eu senti sua falta, — ele disse enquanto se voltava para Katie, então franziu as sobrancelhas. — Espere, você entendeu isso? — Ela está aprendendo espanhol. Que linda. — Sua tia se voltou para ele e continuou em espanhol, — Ela é linda. Entendo porque você estava se lamuriando. Bem o seu tipo. Lindo traseiro. Seios grandes. Luís estava olhando para eles, chico. Você deveria falar com ele sobre isso. — Coño, por favor me diga que você não entendeu nada disso, — Marcos disse para Katie. — Eu entendi o suficiente, — Katie olhou para Sofia. — O que ela disse que ele estava olhando? Eu creio que o Chuito não me ensinou isso. Ela disse isso antes, mas eu estava distraída. Isso significa...


— Nós precisamos ir. Precisamos conversar. — Marcos colocou as compras no balcão e então pegou as chaves no bolso. — Tranque a caminhonete, Tía. — O que você acha que eu sou? — Sofia perguntou. — Alguém que está muito encrencada agora! — Marcos rosnou enquanto empurrava as chaves para ela. — Tranque o carro! — Eu não me meto em encrencas, — Sofia anunciou. — Nós nascemos encrencados, — Marcos assegurou enquanto andava até Katie. — Vamos. Vámanos. Nós vamos lá para os fundos. Katie se levantou, parecendo insegura. Marcos passou o braço na sua cintura, pois o olhar arregalado e vulnerável dela o feriu, mas ele não podia falar com ela. Não em frente da tia dele. Ele precisava ficar sozinho com ela para resolver isso. Ele abriu a porta dos fundos e entrou no quintal. — Oh, é lindo aqui, — Katie sussurrou enquanto caminhavam até a casa gazebo na parte de trás. — É maior do que eu imaginava. Marcos ainda estava tentando encontrar a sua voz. Katie não parecia estar lutando contra o choque como ele estava. Ela sabia que viria de visita. Por que ela veio visitar? Ela parou de mandar mensagens para ele três meses atrás depois de nunca receber uma resposta. Ele abriu a porta do gazebo e parou ao entrar. — O que é isso?


Katie se virou também, parada no meio de todas as caixas. — Já tem alguém morando aqui? Ele a olhou. — Eu moro aqui. — Mas eu estou alugando esse espaço, — Katie discutiu. — Você está alugando? — Ele repetiu e voltou a olhar ao redor, vendo todas as coisas da Katie atiradas em sua sala. — O que está acontecendo aqui? — Eu decidi dar aulas aqui em Miami. — Katie ficou ereta e o olhou. — Não tinha nada a ver com você. Só senti que minhas habilidades teriam um uso melhor aqui. Chuito me ofereceu para alugar um lugar na casa da mãe dele desde que nos tornamos amigos. — Você está se mudando pra cá? — Sim. — Katie afirmou, olhando-o nos olhos. — As coisas estavam desconfortáveis no meu último emprego com todas as questões legais sobre Grayson e a Ashley. Então eu pedi demissão. Precisava de uma mudança e achei que Miami precisava de bons professores, mais do que Garnet precisa. — Qual escola você vai dar aula? — Ele perguntou, ainda tentando processar tudo. Quando Katie contou, ele ficou de queixo caído. — Você está maluca, chica? Essa é a escola onde eu estudava!


— Eu sei. — Katie cruzou os braços. — Por isso que eu a escolhi. — Chuito disse para você lecionar lá? Eu vou matar ele, — Marcos rosnou. — Ele deveria estar protegendo você! Katie deu de ombros. — Eu não preciso de um homem para me proteger. Eu sou perfeitamente capaz de proteger a mim mesma. Marcos olhou novamente ao redor da sala, vendo todas as coisas da Katie. — Você realmente se mudou pra cá? Katie arqueou uma sobrancelha. — Não, eu sempre viajo com toda essa bagagem. Marcos sorriu sem poder evitar. — Eu senti a sua falta. — Obrigada. — Ela assentiu e olhou para o chão por um momento. — Vou encontrar outro lugar para ficar. Não sei o que a sua tia estava pensando, mas... — Ela provavelmente pensou que eu deveria acertar as coisas com a garota da qual venho falando durante três meses. Eu realmente senti saudades, muito, e sinto muito, Katie. As coisas são complicadas e.... — Tudo bem. Mão me importo de procurar outro lugar, — ela disse rapidamente, como se não o tivesse escutado. — Essa mudança nunca foi sobre você. Realmente era sobre mim.


— Não. — Ele correu a mão sobre o seu rosto e pelo seu cabelo. — Eu sinto muito sobre as outras coisas. Sobre tudo. Você não deveria me perdoar, mas...— ele inclinou a cabeça e olhou para ela, ali de pé em uma saia que se agarrava em seus quadris e com uma blusa com um decote em V que mostrava seus seios tão bem. — Foda-se. Marcos estendeu os braços e puxou Katie para si antes que ela pudesse reclamar. Ele a apertou firmemente, só sentindo ela em seus braços novamente. O modo como o corpo dela parecia de encontro ao seu, o modo como tudo neles parecia se encaixar perfeitamente. Caralho, isso era muito bom. Mesmo que ela não o estivesse abraçando de volta, parecia bom. Ele se inclinou para cheirar o seu cabelo, e ela ainda cheirava igual. A porta se abriu, ele levantou a cabeça e rosnou para a tia. — Sai fora, Tía! — Só me ignorem. — Ela entrou com dois pratos. — Vocês dois vão comer aqui. — Ela deixou os pratos no balcão e deu a Marcos um olhar aguçado enquanto falava em espanhol. — Diga que você a ama. Ela vai te abraçar de volta. — Por favor, vai embora. Erguendo as mãos ela andou até a porta, mas se voltou novamente, pensando melhor. — Chica, eu sei que ele é um pé no saco. Eu ajudei a criálo, acredite em mim, eu sei, mas ele te ama. Ele nem ao menos


olhou para outra mulher em meses, e se você conhecesse o Marcos... — VAI EMBORA! — Eu estou te ajudando! — Você já ajudou bastante! — Marcos manteve um braço ao redor de Katie quando ela enterrava o rosto em seu ombro, e então gesticulou para as caixas de mudança. — Nós vamos conversar sobre isso, Tía. — E eu estou tãooo preocupada com isso, — ela disse de forma despreocupada enquanto saía. Katie estava tremendo e por um momento ele achou que ela estivesse chorando, mas então se afastou e viu que seus ombros estavam tremendo em uma risada silenciosa. — Oh meu Deus, Marcos. Sua tia é doida. — Eu sei. — Ele balançou a cabeça e deu uma risada aflita. — Sinto muito. Chuito deveria ter te avisado. — Ele avisou, mas...— Katie indicou as caixas pela sala. — O que nós vamos fazer? Eu não tenho onde morar. Realmente não achei que ficaria aqui. Eu esperava ver você, mas... — Vamos dar um jeito. — Ele colocou uma mecha de cabelo atrás do rosto dela enquanto olhava seu rosto. — Você parece bem Katie. Muito bem. — Obrigada, você parece bem também, — ela sussurrou enquanto olhava para ele. Ela tocou a cicatriz em sua sobrancelha. — Essa é nova.


— Sim. — Ele esfregou a cicatriz, tentando não pensar em tudo o que representava. — Eu estava numa situação ruim depois que deixei você. — Mas não agora? — Hum, não, eu estou bem agora. — Ele voltou o olhar para os pratos. — Você quer jantar? — Eu estou faminta, — ela disse rindo novamente. — Fiquei tão perdida hoje que nem cheguei a comer depois da entrevista. Por que todo mundo buzina aqui? — Por que esses pendejos não sabem dirigir, — ele disse com um bufo de descrença. — Você é um desses que buzinam. — Katie bateu em seu peito. — Você faz isso, não é? É detestável. — Eu sou detestável, — ele disse a ela. — Se você ainda não percebeu isso, vai perceber. — Eu vou? — Você está morando em minha casa. Sim, você provavelmente vai perceber. Katie parecia chocada quando olhou em volta para as caixas. — Marcos... — Jantar. — Marcos pegou os pratos da cômoda. — Eu não tenho uma mesa. Normalmente eu como com a Tía Sofia, mas a gente pode se sentar na cama. Ela inclinou a cabeça, dando-lhe um olhar calculado.


— Você está tentando me levar para cama? — Sim, Katie, eu estou, — ele disse com um sorriso. — E já que eu sou um pendejo, e sei e você sabe disso, terei que suborná-la com comida. Ela pareceu hesitar por apenas um momento antes de pegar o prato dele e dizer: — Ok. Ninguém podia dizer que Katie não era corajosa. Era uma das coisas que Marcos mais gostava nela.


Capítulo Vinte e Dois — O frango estava maravilhoso, mas isso daí não me parece apetitoso. — Katie cutucou as fatias da fruta amarelada cozida que estavam no seu prato. — O que são? — Plátanos. — São muito bons, experimente um. — Marcos estendeu a mão com o garfo, espetou um pedaço do seu prato e deu uma mordida dizendo: — Elas parecem bananas. — Então temos bananas cozidas para o jantar. — Katie murmurou enquanto empurrava a outra. — Okay. — Experimente. Katie cortou um pedaço do — Plátanos— ao meio, espetou com o garfo e levou à boca, primeiro lambendo para testar o gosto, olhou para cima e percebeu que Marcos parou de comer e a encarava. — O que foi?


— Nada. — Ele disse balançando os ombros. — É só que eu gosto do seu olhar quando você lambe as coisas. Katie riu e sentiu o rosto arder. Ao invés de responder, deu uma pequena mordida e saboreou por um momento. — É muito bom. — É sim. — Marcos concordou com a voz rouca. — Pare! —, alertou Katie, comendo o resto da banana misteriosa em vez de olhar para ele. — Eu ainda não sei o que nós somos. — O que você quer comigo? — Ele perguntou enquanto empurrava os grãos de feijão e arroz no prato e de forma hesitante olhou para ela. — Você me deixou, Marcos. — Ela o lembrou. — Eu sei. — Ele olhou para o prato novamente sem saber o que dizer. Seu belo rosto ficou pálido, ele levantou a mão e esfregou uma das sobrancelhas, onde agora uma cicatriz fazia com que a sua aparência ficasse muito mais perigosa. — Mas eu não queria te deixar. — Então por que você foi embora? Ele balançou sua cabeça. — Katie, eu estava em uma situação muito ruim. Estava a um passo da morte ou da prisão e ainda não sei como saí daquilo. Para falar a verdade eu sei, mas ainda é muito complicado explicar. Eu não acreditava que merecia você e ainda não tenho certeza se mereço. — Mas a sua situação melhorou? — Ela perguntou curiosa.


Ele pareceu pensar sobre isso por um momento antes de finalmente concordar. — Eu estou muito mais tranquilo agora. — O que mudou? — Bem, eu não sou mais um gangster. — Ele deu um sorriso sem graça. — Talvez você não goste mais de mim agora? — O quê, como assim? — Katie riu. — Por que você acha que mudaria alguma coisa? Fiquei feliz com isso. O Chuito me contou. Eu tinha uma ideia do que aconteceu, mas estou mais feliz de ouvir isso de você. Por que você achou que eu não gostaria mais de você? — Não sou mais tão perigoso. — Ele deu de ombros, dando outro sorriso. — As chicas gostam de caras perigosos. — Você ainda parece muito perigoso para mim. — Katie se aproximou e tocou a sua sobrancelha novamente. — A cicatriz ajuda. Doeu? — Ay Dios mio, chica. Sim. — Ele gemeu lembrando como aconteceu. — Eu tive o Chuito como médico. Confie em mim, se você tiver que escolher entre o meu primo ou um hospital, escolha o hospital. Katie riu de novo, percebendo como era fácil ficar próxima do Marcos, como se os últimos três meses de solidão não tivessem acontecido. Ela o perdeu e se preocupava com ele todos os dias, mesmo enquanto Chuito afirmava que Marcos estava bem e tocando sua vida. A tristeza foi ainda mais forte


porque o estresse com o Grayson e a Ashley fazia com que a escola ficasse um pouco mais desconfortável. Grayson foi indiciado por invasão, uma contravenção penal, mas isso não afetou seu trabalho. Katie poderia ter dado entrada a uma ordem de restrição, mas não o fez. Chuito foi a seu socorro e funcionou bem melhor do que um pedaço de papel para manter Grayson à distância. Ashley estava respondendo as acusações mais graves por condução imprudente e abandono da cena do acidente. Ela confessou tudo para o xerife Connor assim que começou o interrogatório. Marcos tinha razão. Aquele era o carro dela. Os professores não sabiam como lidar com esse tipo de situação, muito menos duas delas. A maioria foi gentil com Katie, mas alguns não. Aquele foi um fim de ano estranho, especialmente quando Grayson e Ashley começaram a namorar. Pelo menos Grayson perdeu o interesse em Katie. Ela estava ocupada tentando curar seu coração partido para pensar muito nisso. Melhorar seu espanhol foi uma boa distração, embora tenha percebido que aprendia mais rápido jantando com Chuito a cada noite do que as horas que passava estudando sozinha. Ela aprendeu o suficiente para se sentir confiante quando tomou a decisão de mudar a sua vida e ir para Miami. Sua família pensava que estava louca e discutiu com ela até o dia em que foi embora, mas ela simplesmente não poderia esquecer o que ouviu falar sobre Marcos e Chuito. Como tinham certeza de quem eles eram e de que eles nunca tiveram a chance de se formar.


Eles nunca tinham sequer pensado em tentar. Ela pensou em todos os outros adolescentes lá fora, zangados com o mundo, certos de que a única chance que eles tinham de sucesso na vida seria roubar carros, arrombar casas ou vender drogas. Se ela pudesse ajudar o Marcos ou Chuito, valeria a pena. — Me conte o que você anda fazendo—, disse Katie quando deu outra mordida no arroz e feijão misturados no prato. — Chuito me disse que ele comprou uma loja de carros por aqui. — É uma funilaria—, disse Marcos e depois roubou outro Plátanos do prato dela. Era obvio que estava com fome também. — Na verdade, era o mesmo lugar de onde fui demitido antes. Acho que Chu fez isso para se vingar. Mudamos o nome. Chamamos — Funilaria do Juan—. É ridículo, mas tínhamos essa ideia. — Não, não é ridículo. — disse Katie rapidamente. — Eu acho que ficou bom. — Então, eu gerencio para ele e comecei a deixar que algumas das crianças do armazém me ajudassem. Eu pago. Mesmo que eles sejam horríveis na maior parte do tempo e que me deem mais trabalho ao invés de me ajudar. — Marcos revirou os olhos. — Mas devagar e aos poucos estão melhorando. — Você está ensinando— Katie sussurrou. — Não estou ensinando.


— Você está ajudando aquelas crianças a aprenderem uma habilidade que de outra forma eles não aprenderiam—, disse Katie lentamente. — Uma habilidade que eles podem usar amanhã para ganhar dinheiro honesto. Isso é ensinar, Marcos. — Bem, eles são pendejos. Todos eles. — Marcos afirmou. — Eu quero socá-los na maior parte do tempo, mas pelo menos eles não estão traficando, né? — Isso é verdade—, Katie concordou sorrindo para ele. — Estou orgulhosa de você. — Não fique orgulhosa de mim. Quer dizer, tenho certeza que a razão por ainda não ter tido uma vistoria é porque alguém que eu conheço mantem a polícia no bolso. Isso é ainda... — Quem se importa? — Katie argumentou. — E vinte por cento de toda a renda vai para uma fonte que você realmente não quer saber quem é.... — Você os está ensinando. Você está ajudando aquelas crianças. Isso é o que importa para mim. Ela estendeu a mão sobre a cama e agarrou a sua. — E acho que é o que importa para você também. — Bem, com certeza não dou a mínima se alguém está pagando a polícia para ficar fora de meu negócio. Eu daria até quarenta por cento nesse caso. Marcos olhou para o prato mais uma vez.


— Eu não sou perfeito, Katie. Nunca vou ser como aqueles caras do tipo do Garnet, mas... — Eu sei que você não é como eles. — Katie apertou sua mão novamente. — Isso é mais ou menos a razão do porquê me mudei para cá. Eu estava cansada de Garnet. Ele arqueou uma sobrancelha para ela. — Você gosta de perigo...? — Isso é uma afirmação ou uma pergunta? — É uma pergunta. — O olhar de Marcos deslizou para baixo o mergulhou em sua camiseta. — É verdade que o Luís ficou olhando suas — tetas? — Se ele fez isso, você provavelmente vai descobrir o quão perigoso eu ainda posso ser quando acabar com a raça dele. — Eu supondo que — tetas— é uma palavra para seios. É uma forma educada de falar? Marcos sacudiu a cabeça. — Para falar a verdade, não. — Já ouvi sua tia dizer isso. — Minha tia nem sempre é educada. — Vocês dois são as únicas pessoas que eu confio para aprender espanhol—, disse Katie com uma risada. — Eu sinto muito por isso. — Marcos riu com ela. — E você não respondeu à minha outra pergunta. — A questão do perigo?


— Sim. — Marcos assentiu enquanto baixava o olhar para os seios dela novamente. — Essa mesma. — Bem, sim, eu diria que tenho uma atração pelo o que é perigoso—, ela disse com altivez. — Mas agora você é um professor, e eu jurei ficar longe de professores depois da história com o Grayson... — Me cago en ná! — Marcos gritou para ela. — Você não me compare com essa mulherzinha! — Sabe, Marcos, este negócio de usar termos femininos como um insulto— - Katie usou seu melhor tom de professora na voz- — Eu não gosto disso. E de acordo com sua tia, as mulheres são mais fortes do que os homens, e estou começando a acreditar nela. — Agora chica, vai ter que me provar. — Marcos estendeu as mãos em desafio. — Me prove que você é mais forte do que eu. Katie não sabia o porquê fez isso, mas ela se inclinou levantando as mãos segurando o rosto do Marcos. Ela trouxe os lábios dele nos dela e Marcos se aproximou. Ela o beijou uma vez, apenas deslizando seus lábios suavemente contra os dele. Ele era doce como os plátanos, familiar e exótico ao mesmo tempo. E então ele estendeu a mão, agarrou seu cabelo e mordeu o lábio inferior. A língua invadiu a sua boca quando ela engasgou e não houve nada de suave naquele beijo. Foi excitante.


Sexual. Perigoso. A velocidade do desejo era quase vertiginosa. Ela pensou que se lembrava dessa parte do relacionamento deles, a maneira como tudo deixaria de existir quando estava com Marcos, mas sua memória não chegava nem perto da realidade. Ele se afastou com a respiração dura contra seus lábios e sua mão ainda emaranhada em seus cabelos. — Eu te amo, Katie. Eu preciso de você na minha casa. Na minha cama. Eu quero que você fique comigo—, ele a surpreendeu dizendo. — Diga que sim. Katie também estava respirando pesadamente quando olhou para seu rosto, estudando seus olhos claros que estavam nítidos com necessidade. — Dizer sim para o quê? — Para tudo. — Ele esfregou o polegar sobre o lábio inferior, fazendo-a tremer involuntariamente. — Diga que você me quer de volta. Diga que também me ama. — Eu não teria me mudado para Miami se eu não estivesse disposta a ter você de volta—, Katie sussurrou baixinho. — Sí. — Ela tocou a sobrancelha novamente, decidindo que poderia lidar com um pouco de perigo. — Sim Marcos, para tudo isso. Eu também te amo. Ele prendeu a respiração, como se não esperasse essa resposta.


— Sério? — Com certeza. — Ela assentiu com a cabeça dando um sorriso tímido. — Ainda me sinto como um idiota por não responder as suas mensagens de texto. — Ele desviou o olhar. — Eu queria. Acho

que

senti

que

você

ficaria

melhor

sem

mim.

Provavelmente não mereço seu amor. Eu quero, mas sei que não mereço. — Você pode consertar essa situação agora, já que está te incomodando tanto, — ela disse inclinando a cabeça para admirá-lo, porque ele realmente parecia incrível com aqueles bíceps grossos, tatuados e marcados nas mangas de sua camisa. — O agora é sempre um bom lugar para começar o futuro. — Você quer isso? —, Ele perguntou, sorrindo. — Sim. — Ela assentiu com a cabeça novamente, mas depois acrescentou brincando: — Mas primeiro quero ver você admitir que sou mais forte. — Você é mais forte do que eu, chica. Isso eu sei—, assegurou. — Muito mais forte. — Ok, então. — Katie não podia evitar o sorriso satisfeito em seus lábios. — Vamos, prove para mim o quanto você sentiu a minha falta. Marcos pegou ambas as travessas e colocou na mesa de cabeceira, agarrou a parte de trás de sua camiseta, tirando em um movimento fluido. Ele jogou para o lado e se inclinou para


ela, agarrando seu cabelo mais uma vez e lambendo a curva de seu pescoço, como se não pudesse resistir. Ela caiu para trás contra a cama e arqueou as costas ao sentir o peso dele sobre ela. Puxou sua camiseta para baixo, expondo a curva de seus seios e a lambeu com uma fome voraz. — Eu não tenho preservativos—, ele sussurrou contra o vale entre os seios e depois lambeu o outro como se não conseguisse o suficiente dela. — Como minha Tia disse, eu não tenho sido exatamente um ímã para chicas, desde que saí, mas podemos brincar. Eu posso tirar. Ele empurrou uma mão sob sua saia esfregando o dedo polegar sobre a linha de sua vagina através do tecido de sua calcinha. — Será que isso funciona? — Marcos...— Ela ia discutir, mas ele enfiou a mão em sua calcinha e a tocou. — Oh meu Deus! — Así mojada. — Ele gemeu quando um dedo deslizou entre suas dobras e o empurrou para dentro. — Tão molhada, — ele repetiu em Inglês. — Você sentiu minha falta também, cariño. Não é verdade? — Deus, sim—, ela ofegava e puxou seu cabelo porque ele ainda estava lambendo e beijando toda a pele exposta que podia encontrar. — Esqueça os preservativos. Ele levantou a cabeça e franziu a testa para ela. — O que você disse?


— Você disse que não era mais um bandido—, argumentou. — Eu...— Ele parou como se não soubesse o que fazer com isso. — Eu ainda sou um bandido, Katie. Essa merda dura a vida inteira. Eu não posso sair dela completamente. — Nos realmente precisamos usar preservativos? —, Perguntou ela com curiosidade. — Bem, eu não tenho feito exames desde que entrei na luta que causou isso. — Ele apontou para sua sobrancelha. — E o Chuito fez com que o outro cara fosse examinado no hospital. Ele estava limpo, mas... — Você mandou alguém para o hospital? — Foi um acidente. Ele ficou bem. Katie sabia que não deveria demonstrar alguma emoção, mas ela o fez, e não pôde deixar de sorrir. — Perigoso. — Às vezes—, ele concordou quando inclinou a cabeça e olhou para os seios dela. — Estou tomando pílula. Esqueça os preservativos—, disse ela com firmeza. — Faça-me sua. Ele respirou fundo e levantou a cabeça, olhando para ela com o seu peito musculoso subindo e caindo duramente. Katie decidiu que ela não queria que ele pensasse muito sobre isso. Aparentemente, três meses foram longos demais para Marcos, porque ela poderia quase sentir a sua necessidade quando enfiou as mãos em seus cabelos e forçou os lábios nos seus.


Ele caiu sobre ela e a beijou de volta, empurrando sua língua, possuindo sua boca. As roupas de Katie acabaram no chão e rapidamente ela se encontrava nua na cama de Marcos, estendida e desesperada ao mesmo tempo enquanto ele reaprendia o seu corpo. Chupando seus mamilos, beliscando em seu osso ilíaco, acariciando suas coxas nuas e posicionando seu traseiro enquanto se movia para baixo e beijava o topo de sua vagina, suavemente, com reverência, como se realmente desejasse estar certo onde estava naquele momento. — Eres bella. — Gracias—. Ela sorriu enquanto acariciava seus cabelos e olhou-o, pensando que ele era bonito também, então lhe disse: — Tu eres bello también. — Que linda. Tão linda—, disse ele com um sorriso. — Gosto da maneira como você diz isso. Ela gemeu. — Soa ruim. Chuito diz que soa ruim. — Não. — Ele balançou a cabeça com um sorriso se alargando. — Eu gosto de sotaques. Eles são sexys. — Eu gosto de sotaques também—, assegurou ela. — Eu não tenho um sotaque—, argumentou com uma careta. — Eu tenho? — Un poco. — Ela apertou os dedos juntos, mostrando que era pequeno, mas ainda assim notável. — Quando você fica zangado ... ou excitado.


— Como agora. Ela assentiu com a cabeça e acariciou seus cabelos novamente concordando — Como agora. — Eu senti saudades, chica. — Marcos gemeu e se inclinou para pressionar o rosto contra a linha de sua vagina. Abriu os grandes lábios com os dedos e sussurrou contra a carne macia, — Muito. Katie gemeu e jogou a cabeça para trás enquanto ele chupava seu clitóris. O prazer tomou conta dela como uma onda, tirando meses de estresse e tensão. Ela cravou os calcanhares no centro de suas costas envolvendo-se em torno dele enquanto se entregava a todas as sensações. A sensação da sua língua sobre ela. Uma parte de seus dedos quando ele os colocou dentro dela. A forma como o início do orgasmo se instalava na boca do estômago, fazendo-a gemer, suspirar e morder o lábio com medo de que sua tia pudesse ouvi-los. — Não. — Ele se afastou o suficiente para olhar para ela. — A casa é muito grande. Quero te ouvir. Eu preciso disso. Marcos deixou cair à cabeça para trás e para baixo antes que ela pudesse responder. — Deus! —, gritou quando ele chupava seu clitóris novamente. Katie simplesmente se entregou aquele momento, se deixando ouvir pelo o que a boca dele fazia com o seu corpo. Ela usou seu agarre no cabelo para pressioná-lo mais perto


quando gozou com tanta força que suas pernas tremeram e sua vagina se apertava em torno de seus dedos uma e outra vez. Aconteceu

tudo

muito

rápido,

mas

ela

não

se

surpreendeu com isso. Muitas coisas fortes acontecem de repente. Coisas ruins assim como coisas boas, como se apaixonar pela última pessoa no mundo que você jamais esperaria necessitar de uma forma tão desesperada, cruzando todo o país apenas pela chance de tê-la por perto. A única maneira de sobreviver a tudo isso era se agarrar as coisas boas quando aconteciam e torcer para durar o tempo que a vida permitir. Marcos estendeu a mão e desabotoou as calças jeans, o aperto de Katie em seu cabelo diminuiu e ela deixou cair suas pernas de volta para a cama em esgotamento saciado. Ele lambeu seus seios novamente, como se não pudesse ter o suficiente deles. Ele empurrou sua calça jeans e cuecas descendo pelo traseiro, liberando seu pênis duro e quente entre suas coxas quando ficou sobre ela e a beijou. Ela o beijou de volta, lambendo os lábios, provando o gosto dele. Ela enrolou as pernas em torno de Marcos, mais uma vez, e ele entendeu o convite. Entrou profundamente em Katie, fazendo-a ofegar em voz alta com a sensação de seu pau grosso estirando-a, desta vez com nada entre eles. — Coño. — Ele gemeu e Katie o sentiu estremecer em seus braços. — Ay Dios mio, chica. Esta sensação...


— Sim—, ela concordou arqueando as costas, levando-o tão profundamente quanto podia. — Alguma vez você já... — Nunca. — Ele parecia sem fôlego. — Nós nunca mais iremos usar preservativos de novo. Puta merda. — É melhor ser fiel, então. — Sempre. — Marcos acariciou seu rosto e correu o polegar sobre o lábio inferior até que ela piscou para ele. Seus olhos estavam com as pálpebras pesadas de prazer quando ele olhou e disse: — Eu prometo. — OK. Katie passou as mãos até a quente ondulação dos músculos de suas costas e enfiou os dedos em seu cabelo. Ela o puxou para baixo, deixando-o se esconder na curva de seu pescoço enquanto ele estava lá, como se precisasse apenas a sentir ao seu redor. Ela não questionou, embora soubesse que os outros poderiam não entender. Mas Katie sabia que para um OG, a promessa era tudo.

Marcos estava deitado de lado, acariciando o longo cabelo de Katie que estava espalhado sobre o travesseiro enquanto


dormia. Sua expressão era serena, calma com aquele pequeno sorriso puxando os lábios como ele se lembrava. Imaginava que seus sonhos fossem bons. Mas desta vez ele estava pensando se ela talvez pudesse compartilhá-los com ele e se de alguma forma ela poderia ensinar como dormir em paz tão facilmente como ele poderia ensinar espanhol. Ele não tinha certeza. Mas seria maravilhoso se ela tivesse razão, que dois polos negativos realmente faziam um positivo, porque ele gostou do jeito que ela o olhou em sua cama. Ele gostava de tê-la por perto e não ter que se preocupar com todos aqueles pendejos como Garnet que poderiam machucá-la ainda mais. Havia pendejos aqui, muitos deles, mas, pelo menos, Marcos sabia que ele poderia lidar com alguns pendejos de Miami. Ele estava fazendo isso há muito tempo. Por que não fazer por algo que realmente importava? Desejava que sua mãe realmente estivesse tomando conta dele. E se ela estava, certamente observaria Katie também, porque ele honestamente não acreditaria que conseguiria sobreviver se a perdesse de novo. Enquanto isso, talvez ele durasse até pudesse ficar velho e grisalho com nietos que teriam os olhos bondosos da Katie. Chuito poderia ser o baller. Ele sempre foi muito melhor de qualquer maneira.


Pensando em seu primo, Marcos virou na cama e se inclinou para pegar a calça jeans do chão. Ele a puxou e buscou o telefone que ainda estava em seu bolso. Saiu para o lado de fora e respirou o ar quente e úmido. Ele olhou para a tela do seu telefone, viu uma mensagem texto do Chuito de algumas horas antes. 23:30 Nada para me dizer ??? Ele sorriu e ligou em vez de responder à mensagem. Chuito atendeu no segundo toque. — Hola? — O que você acha que eu tenho para te dizer? —, Ele perguntou em espanhol. — Eu não tenho ideia. — Chuito bufou, se divertindo. — Com você, tudo é uma incógnita. Marcos ficou calado enquanto considerava isso. Não agradeceu seu primo por tirá-lo. Ele não podia, não quando sabia o que fez para que isso acontecesse. Não agradeceu pela funilaria também, porque Deus sabia, ele trabalhou duro para isso e Chuito ainda estava recebendo uma porcentagem. E conseguindo outra no Nova Moretti. Marcos consertava uma quantidade louca de carros conduzidos pelos italianos, pois o fato de a funilaria não questionar o que acontecia com os carros, era exatamente o que a máfia necessitava. Buracos de bala nem sequer os perturbava.


Ele tinha mais serviços do que poderia dar conta. — Ok, agora eu estou com medo—, disse Chuito quando Marcos não falou. — Ballers ficam com medo? — O tempo todo. Marcos concordou e engoliu o nó na garganta. — Obrigado—, Marcos sussurrou quando se virou para a porta, sabendo que Katie estava do outro lado. — Isso é o que eu tenho que dizer a você. — Foi ideia da sua Tia Sofia—, Chuito disse com desdém. — Quando ela ouviu que Katie queria se mudar para lá, ela... — Eu disse gracias, filho da puta, — Marcos gritou em Inglês, porque ele sabia que o Chuito não sabia como aceitar um agradecimento, assim como ele também não. — Diga, 'de nada '. Chuito ficou em silêncio por um longo tempo antes de dizer: — De nada. — OK. — Ok. — Chuito ficou em silêncio por mais alguns instantes antes de perguntar: — Você ficou surpreso? — Dios mio, sim. — Marcos riu quando a tensão dissipou. — Eu deixei cair os ovos da sua mãe. — Nunca é uma boa ideia. — Chuito riu com ele. — Como Katie aceitou a manipulação de minha mãe?


— Muito bem—, Marcos garantiu-lhe. — Eu acho que elas vão ficar bem. Vamos todos ficar bem. — Três das pessoas mais loucas que eu conheço em uma casa. Estou com muito medo disso. — Falando nisso, — Marcos disse quando se virou para olhar a porta novamente. — Eu fico pensando sobre ela ir para a escola, ensinar em uma classe com o nome de Katie Foster. Eles vão cair em cima dela. Eu tive uma ideia meio louca. Chuito gemeu. — Qualquer frase que você começa assim, com certeza vai me dar uma dor de cabeça daquelas.


Epílogo Miami Primeiro dia de aula Katie ficou na frente da classe, enquanto observava o arquivo dos alunos por cima de início e depois mais concentrada. Ela tinha uma superstição que, se sua primeira aula naquela classe fosse boa, então era um sinal do que esperar do resto do ano letivo. Ela viu mais de um deles parar na porta quando chegaram a sua sala e olharem para os seus horários confirmando a sala, mas não disse nada enquanto eles encontravam seus lugares. Os que estavam no meio lotaram primeiro, deixando a última fila vazia e as mais próximas a sua mesa também vagas. Crianças eram crianças, não importa quem eles eram ou de onde eram. Era difícil sentar na primeira fileira, também era difícil se sentar na parte de trás. Ficar nas fileiras do meio era o que a maioria das pessoas fazia na vida. Duas meninas sentaram-se na primeira fileira no canto. Elas conversavam uma com a outra, tirando os seus cadernos da mochila.


Katie estava quieta de propósito, usando estes primeiros momentos para analisar seus alunos e assim que o segundo sinal tocou, quatro rapazes vieram até a porta. O primeiro parou e olhou para sua grade de horários, fazendo os outros correrem atrás dele. Ele se virou e empurrou seu amigo. Katie viu o brilho da tatuagem em seu braço. Ela viu a forma como eles se forçavam a serem machões, sempre alertas. Irritados. — Há algum problema? — Katie perguntou e olhou para eles. — Eu acredito que era o sinal o que acabei de ouvir. O primeiro menino olhou para o calendário novamente e então bufou em descrença. — Vete pa'l carajo57. Ele disse casualmente, esperando que ela não fosse entender a sua língua. Seus amigos todos riram quando ele passou por eles, erguendo as sobrancelhas, olhando para ela. Mais da metade da classe também olhou de olhos arregalados, esperando para ver o que ela faria. — Oh, fantástico. — Ela deu um largo sorriso, porque realmente estava satisfeita. — E eu aqui pensando que ia ter que limpar a sala de aula sozinha depois da aula. Vocês três podem me ajudar já que você se acha tão engraçado. Detenção para todos os quatro.

57

N. da T. Vá se foder, em espanhol.


— Que? —, Ele virou-se para ela. — Mas... — Sim, Senhor... — Ela fez uma pausa, olhando para ele, esperando que dissesse o seu nome. — Perez, — ele disse com um ar desafiador. — Sim, Sr. Perez, eu sei o que isso significa. — Ela apontou para os lugares na frente. — Por favor sente-se. Nós guardamos estes lugares especialmente para vocês. Seus amigos o empurraram quando se sentaram, mas ele apenas ficou lá silenciosamente em desafio. — De jeito nenhum. Isso não é justo. — Isto não é uma democracia. Esta é a minha sala de aula e há regras —, Katie assegurou. — A número um é sem palavrões. Somos educados uns com os outros aqui. Agora se sente. Ele se virou, olhando para seus amigos, que escolheram se sentar espalhados, um próximo das meninas, os outros dois sentados perto da porta. Então ele estreitou os olhos e se virou e sentou na carteira do meio. Bem na frente de sua mesa. Ele se esticou no banco como se fosse dono dele e todo o tempo seus olhos escuros se fixaram ameaçadores. Ela caminhou de volta para sua mesa e sorriu para o resto da classe. — Bom dia, Eu sou... A porta abriu e ela estava esperando que outro adolescente irritado entrasse. Em vez disso encontrou uma


versão maior e muito mais ousada. Com seus óculos escuros descansando sobre a aba do boné — Miami Heat—, ele usava jeans e uma camiseta de manga curta que mostrava todas as tatuagens em seus braços. — O que você está fazendo aqui? —, Ela sussurrou para Marcos. — Você esqueceu isso, cariño. — Ele ergueu um pequeno pacote térmico. — Tia Sofia embalou para você. Nós não queremos que você morra de fome. — Eu poderia ter comido no café—, ela disse enquanto Marcos entrou como se a sala pertencesse a ele. Ele colocou o almoço embaixo da mesa, mas não estava olhando para ela. Em vez disso, olhou para o cara sentado na frente. Então seu olhar se lançou aos seus amigos espalhados nas extremidades da primeira fileira. Ele fez isso rápido, tanto que Marcos provavelmente pensou que ela não notasse um relance do sinal de gangue com as mãos. Esse era diferente dos que ele usou com seus amigos. Katie não o reconheceu, mas ela não iria reconhecê-lo mesmo. Certamente não na frente da classe. — Gracias—. Ela empurrou seu ombro e, em seguida, virou-se para a classe. — Vocês me dão licença por um momento. Ela praticamente empurrou Marcos fora da porta e em seguida, fechou a porta atrás dela enquanto sussurrava: — O que significa isso?


— Isso significa que é melhor ele não querer ferrar com você. Marcos estendeu a mão e bateu em seu traseiro e deu um sorriso. — Tenha um bom dia, chica. Ela se virou, tendo a certeza de que ninguém estava no corredor. Em seguida, ela empurrou seu ombro. — Saia daqui. — Eu estava pensando que poderia fechar a loja mais cedo e levá-la para a praia antes do jantar. — Marcos colocou seus óculos de volta. — Me ligue na hora do almoço. Katie não pôde deixar de sorrir, embora soubesse que não devesse encorajar ele. Em seguida, voltou para a sala de aula, olhou para os alunos tentando avaliar se notaram alguma coisa, mas eles não pareceram perceber nada. Todos eles pareciam normais e inquietos como todos os adolescentes ficavam no primeiro dia da volta às aulas. — Eu sinto muito por isso. — Ela andou até a lousa e pegou um pedaço de giz. — Como vocês viram em seus horários, meu nome é—, ela escreveu e soletrou- — Mrs. Rivera, e esta é a matéria de História Mundial do último ano do Ensino Médio. Quando eu chamar o seu nome, vocês podem me dizer como gostariam de ser chamados e eu vou fazer o meu melhor para me lembrar. Katie pegou a lista de chamadas. Ela olhou para o garoto no meio, e depois encontrou seu nome na lista.


— Uma vez que já foi apresentado Sr. Perez, começaremos por você. Seu nome é Jesus ou você prefere alguma outra forma? Chuito ou... — Chu. Apenas Chu, — ele murmurou enquanto olhava para a porta. Então encontrou os olhares incertos dos seus amigos e finalmente bufou em frustração. — Sinto muito, Mrs. Rivera... o que aconteceu antes. Ele parecia engasgar com o pedido de desculpas, mas algo na comunicação silenciosa com seus amigos deve ter encorajado ele a falar. — Desculpas aceitas, — ela disse com outro sorriso. — Contanto que você não faça disso um hábito, eu acho que nós vamos nos dar muito bem.

Fim



Kele moon série untamed hearts 01 the viper (rev pl)