Issuu on Google+


HAVING IT ALL KATI WILDE


Equipe Pégasus Lançamentos: Tradução: Kaah Dias Revisão Inicial: Ana K. e Lola Revisão e Leitura Final: Carla C. Dias Formatação: Lola e Carla C. Dias Verificação: Anna Azulzinha


Sinopse Agora que Jenny Erickson é minha, tenho tudo o que desejo. Até que um tiro quase a tira de mim... Como presidente dos Hellfire Riders, há duas coisas que me importam: proteger a minha mulher e destruir os Eighty-Eight antes que me tomem tudo pelo que lutei. Machucaram Jenny uma vez e jurei que arrancaria meu próprio coração antes de lhe fizessem mal novamente. Cada toque quente, cada beijo abrasador é uma promessa para mantê-la segura. Agora os Eighty-Eight estão atrás de mim — custe o que custar, não deixarei que encostem um dedo

nela.

Sacrificarei

qualquer

coisa

protegê-la. Minha liberdade. Meu coração. Até minha vida.

para


Capítulo Um — Acredito que é hora de uma cerveja. — Stone pressiona os cabos da parte traseira da caminhonete de Gunner e fecha a porta. — Deixe que as Senhoras se preocupem com isso. Os recrutas podem mover as coisas muito pesadas para as mulheres. Assentindo, Gunner seca o suor de seu rosto com sua camiseta. — Concordo. Presidente? Uma cerveja gelada seria muito bom, movemos os móveis do Clube na cidade até o rancho Erickson a maior parte do dia e o que começou como uma manhã fresca se transformou em uma tarde quente. Porém, embora a mudança tenha terminado, eu ainda não. — Vão sem mim. — digo — Irão ao quartel esta noite? — Desde que os Hellfire Riders tomaram as terras que rodeiam o território dos Eighty-Eight Henchmen, mantivemos uma forte vigilância ali. Mandar uma grande quantidade de Riders nessa direção, significa perder negócios em meu pub, o Wolf Den. Mas suporto esse golpe por hora. Cortar as pernas dos Eighty-Eight é mais importante que meu fluxo de caixa.


Stone aperta seu copo com força, cicatrizes brancas e irregulares contrastam com seu bronzeado. — Estaremos lá. Howler e alguns outros Coiotes Azuis falarão da criação de um ringue de luta durante o rali de Pindleton. Está dentro? Lutar. Já fiz isso antes. Meus punhos ganharam o pagamento inicial do Wolf Den. Seria uma forma rápida de solucionar o fluxo lento de dinheiro, mas não preciso de distração. — Não desta vez. Stone e Gunner trocam um olhar rápido. Provavelmente decidindo se tentariam me convencer. — Não até que os Eighty-Eight tenham ido embora. — digo e Stone assente. — Certo. Em seu lugar, apostaremos nossas esperanças no menino bonito. — aponta o polegar para Gunner. O sargento de armas lhe lança um beijo por cima da parte traseira da caminhonete — Então não acha que nosso presidente é lindo? Stone sopra enquanto me observa. — O Chefe é como um boneco Ken. Um enorme boneco Ken. — Exceto por não ser loiro. — diz Gunner. — E com barba. — Mas sem os trajes lisos.


— Ou bermuda com adornos havaianos. — Gunner levanta as sobrancelhas. — Sabe que tipo de calças usava Ken? — Tenho uma irmã, imbecil. Sabe quantas vezes coloquei a bermuda no Ken? Estremecia cada vez que Anna deixava o Ken nu em cima de suas bonecas. Amigo, ele não tem pênis. Era meu dever sagrado como homem cobrir essa merda. Jesus. Passaria minha vida sem imaginar um dos Riders vestindo um boneco sem pênis com bermudas floridas. — Os deixava completamente nus? — Sim, Anna lhe obrigava a fazer coisas estranhas. Seria genial se apenas as bonecas estivessem nuas, porque tinham peitos incríveis. Tão arrebitados e do tamanho perfeito para esfregar com os polegares. Embora a primeira vez que vi uma mulher de verdade, perguntei que demônios eram seus mamilos. — Cala a boca. — cortei Stone antes que começasse a contar como se masturbava com os peitos de plástico. — E suma daqui antes que encontre uma boneca e a meta no rabo. Sorriram enquanto entravam na caminhonete. Ambos são engraçados até que a merda apareça ou estejam de plantão. Então são os bastardos mais frios que atualmente carregam as cores dos Riders.


Os pneus levantam a poeira vermelha e os ramos secos de pinheiro antes de alcançar o caminho de cascalho. Precisaremos asfaltar este espaço logo. Agora que nos mudamos para cá, faremos este caminho frequentemente e o cascalho é ruim demais para uma moto. Também machuca para caramba o rosto de um motociclista. Não será necessário fazer mais mudanças. O clube costumava ser na casa de campo principal de um rancho que o avô de Red Erickson trabalhou. A propriedade passou para Red antes que iniciasse o Steel Titans. O Clube fez da casa seu lar durante algumas décadas e, diferente de alguns MCs, tomaram cuidado com a casa e converteram o antigo estábulo em uma oficina de conserto e garagem. Duas cabanas ficam atrás da casa de campo onde os irmãos podem descansar se estiverem muito cansados para dirigir até sua casa ou se não tiverem uma casa para ir, podem usar o lugar por um tempo. É uma boa instalação. Não como a moderna casa que os Riders possuem na cidade, mas é maior e a propriedade nos dá mais espaço para mover. E não existem vizinhos que se queixem do ruído do motor ou temam que incendiemos suas casas e violemos a suas lindas e pequenas filhas, como se a maioria de nós não vivesse ou trabalhasse junto a eles, e como se suas filhas não nos procurassem para qualquer tipo de passeio que meus irmãos possam lhes dar. Espero que muitas nos procurem aqui, embora não venham diretamente. Aparecem no Clube ou no quartel. Depois seus pais as buscam. Nos cinco anos como presidente dos Hellfire Riders,


precisei ameaçar alguns pais que procuraram meus irmãos de sangue e apaziguar os policiais que trouxeram consigo. Em vez disso, prefiro que os irmãos cuidem de sua merda. Fodam as garotas e assumam as consequências. O problema é que mais de um Rider é impulsivo o suficiente para provocar que uma situação se converta em uma merda pior. Outros somente pensam com seu pau. Assim é melhor que eu resolva. Mas não terei tempo para isso nas próximas semanas. Não enquanto tenho que levar a dois clubes juntos e me livrar dos Eighty-Eight Henchmen. A melhor saída foi proibir os irmãos de trazerem mulheres aqui, exceto as Senhoras e as garotas que conhecemos faz tempo,

até que tudo se

estabeleça. Se quiserem transar, que façam na cidade. Reduzirei alguns problemas do clube, mas agora não me preocuparei com os pais. Os Eighty-Eight são uns filhos da puta covardes. Não nos enfrentarão cara a cara. Ao invés disso virão por trás ou procurarão um ponto vulnerável para entrar e envenenar a todos os que encontrarem. Uma mulher pode tornar-se um ponto vulnerável de um homem muito rápido. Assim precisaremos vigiar muito qualquer uma que apareça e se apegue a algum dos irmãos, se por acaso for enviada por Reichmann, o presidente dos Henchmen. Os Riders que já tem mulher, as manteremos a salvo. Porque essa é uma maneira dos Eighty-Eight chegarem a nós. Tentarão machucar nossas mulheres. Já fizeram antes. Depois do que fizeram à filha de Red Erickson, esta é a


razão do que acontece agora, os Titãs e os Hellfire Riders, estão juntos nesta guerra contra os Eighty-Eight Henchmen. Foi depois da filha de Red, minha mulher. Foi então que Reichmann e seus homens nos foderam. Jenny não me faz vulnerável. Faz-me forte. Inquebrável. Não me para. Não há linha que não cruze para protegê-la. Terei o sangue de cada um dos Eighty-Eight Henchmen em minhas mãos antes que encostem um dedo nela. Não importa o quanto custe.

Faz quase quinze anos, proteger Jenny custou um tempo quase interminável, mas que repetiria. Sequer a conhecia então. Apenas vi uma garota gritando enquanto o presidente dos Eighty-Eight a imobilizava no chão e se metia entre suas pernas. Tentei tirá-lo de cima dela com meu braço ferido por uma metralhadora quando atuava como Koskov1, mas não consegui. Assim quando lhe dei um chute, consegui afastá-lo. Esse golpe na cabeça o matou. Não voltei a ver Jenny até o julgamento em que testemunhou a meu favor. Embora tenha passado cinco anos na prisão por homicídio, não me arrependo nem um segundo do que fiz. Não me arrependi naquela época, não me arrependo agora. Faria mil vezes a todas as pessoas que a ameaçaram. E desta vez, a morte não 1

Personagem do filme de James Bond.


seria um acidente, porque se a perder, ficarei sem nada. Passar minha vida na prisão não importaria, sempre e enquanto ela estiver a salvo. Entretanto, Jenny estará mais segura se estiver com ela. Então, no momento não mataremos Reichmann e seu bando. Ainda não. Porém não esperaremos muito tempo. Os Eighty-Eight já mataram um de meus irmãos, Goose, depois plantaram heroína o suficiente para os federais manterem uma larga e dura vigilância sobre os Riders se não tivéssemos encontrado o pacote primeiro. Espero que apareça mais merda ardilosa como essa. A outra razão pela qual muito em breve tudo virá abaixo, ele conduz sua motocicleta personalizada para a casa clube. Red Erickson, o presidente dos Steel Titans. Este é seu lugar. Jenny é sua filha. E em alguns meses o câncer comendo seus pulmões o matará. É por isso que veio a mim pedir a união dos clubes. Há duas coisas que quer antes de morrer: saber que Jenny está protegida e ver Reichmann morto. Lhe darei ambos. A enfermidade ainda não se manifestou. Red sempre foi um grande filho da puta e ainda é. Anos atrás, conseguiu seu apelido por causa de seu cabelo, mas o vermelho já não é tão brilhante; sua barba é quase totalmente cinza.


Como Jenny é pequena e tem cabelo escuro, suponho que herdou de sua mãe, que morreu em um acidente quando era uma adolescente. Red desliga seu motor, olha o lote quase vazio. — Todos foram a um passeio que não me inteirei? Algumas motos estão aqui, apesar de que é um domingo à tarde no verão. — É dia de mudança. — digo — assim quase todos os irmãos estão em reuniões familiares ou prestaram serviços na igreja. Seu sorriso é como o de sua filha, rápido e amplo. — E de repente não lamento que Jenny esteja cuidando da cervejaria hoje. Falou com ela? —

uma

hora.

Quando

estava

na

cidade

carregando a caminhonete enviei uma mensagem e a Red, porque o sinal aqui é uma merda. — Estava empacotando. Diz que sairá de Portland às seis. Onde tinha um estande no festival da cerveja durante a maior parte da semana. Uma longa semana. Todas as noites enquanto falávamos por telefone escutava quão cansada estava. E agora tem uma viagem de quatro horas pela frente. É muito provável que venha diretamente para casa, assim não a verei até amanhã depois do trabalho. Red assente.

— Fiquei com Thorne em casa. Por que

não me acompanha e toma uma cerveja gelada?


Tenciono meu pescoço. Parece um simples convite. Mas não é.

Antes de hoje nunca coloquei um pé na casa de Jenny. Convidou-me, mas provavelmente sabia que não viria porque não é apenas sua casa, também pertence a Red. E, apesar de entregar a casa a mim e aos Hellfire Riders, este segue sendo seu território. Não lhe faltaria o respeito vindo aqui. Agora seria uma falta de respeito não vir. Assim, estou de pé no pátio com uma das cervejas de Jenny em minha mão, observando tudo e grelhando meia dúzia de salsichas na churrasqueira. É um grande pátio, unido a uma grande casa. Embora Red o herdou juntamente com o rancho de Thorne, se saiu muito bem durante os últimos anos, associando-se com uma empresa de construção especializada em sistemas de irrigação de tanques e armazenagem e investiu um pouco de dinheiro na casa. As peças parecem saídas de uma revista, mas não são luxuosas ou estéreis, apenas grandes e amplas, o tipo de lugar onde poderia me imaginar comendo um bolo de morango no verão e fazendo fogueiras no inverno. E toda a extensão, da casa de campo até aqui, será de Jenny quando ele se for. Talvez já seja. Ela me contou que seu advogado continua levando papéis para que assine.


Thorne atravessa as portas francesas trazendo pratos e acompanhamentos. É fácil notar que se sente em casa. Anos atrás, ele e Red pertenciam aos Hellfire Riders. Afastaram-se depois do problema com Lúcifer, o primeiro presidente dos Riders, e juntos começaram os Steel Titans. Thorne foi o vicepresidente de Red todo esse tempo e é o suficientemente próximo para que Jenny o chame de "tio". Quando unificarmos os clubes, Thorne será meu vicepresidente também. Assim que talvez não seja a última vez que esteja aqui com ele. — Terminou a mudança? — pergunta, recostando-se no corrimão do pátio e acendendo um Marlboro. — Tudo, menos o que está na garagem. Blowback cuidará disso. — Meu atual vice-presidente. — É muito cuidadoso com as ferramentas. Chutará o traseiro de quem deixar as ferramentas por aí ou não as colocar em seu lugar. Assim é melhor que ele as arrume em seus novos lugares. Thorne sorri. — Soa como Red. Já te mostrou sua garagem? Só atravessei a porta principal, a cozinha e saí ao pátio. — Ainda não. — Faremos, terá que limpar sua garagem muito em breve. — Red me olha. — Já sabe quando se mudarão para cá? Nesta casa. Com a Jenny


Algo em meu peito comprime. Ter a oportunidade de estar com ela é como se me oferecessem a lua. Vivermos aqui? É como receber o sol. Mas não posso aceitar ainda. Não importa o quanto queira, não posso tomá-lo como feito. Demorei muito em responder. Mesmo que os olhos de Red são do mesmo tom de verde que os da Jenny, os dela nunca foram tão frios. Há aço em sua voz quando pergunta. — Tem dúvidas sobre estar com ela? — Não. — Porra, não. — Nenhuma. — Mas está inseguro por algo. — O tom do Thorne é fácil, mas seus dedos se tornam brancos ao redor de sua cerveja enquanto pergunta: — Talvez pense que ao se mudar para cá jogará com Red? — Isso é uma merda. — diz Red.— A casa é grande o suficiente, ambos podemos nos mover ao redor sem que nossos paus se encontrem. Então, o que é moço? Moço. Qualquer outro homem perderia seus dentes agora. Ninguém chama o presidente dos Hellfire Riders de moço. Mas não posso dizer o que preciso como presidente dos Hellfire Riders. Como presidente, não preciso me justificar ou me explicar e estou seguro de que isto não é a respeito de assegurar meu lugar. Entretanto, não falamos sobre o clube. — Agora não falaremos de presidente a presidente. Falarei com o pai da Jenny. Certo?


— Isso depende de quem é você. — Sou o homem que prefere estar morto que viver sem ela. — Viveu sem ela durante muito tempo. — Não. Sempre esteve aqui. Bem perto para ver, mas não para tocar. — Ela não era minha. Olhando-me, Red toma um longo gole de sua cerveja antes de assentir. — Certo. Fala. — Não ganhei o direito de estar aqui ao seu lado. — Acha que sou surdo e cego? — Sopra e nega. — Ela esteve em sua cama durante semanas. E isso é algo que Jenny nunca me deu, eu tomei, mas não é o mesmo. — Mas não aqui. — Nesta enorme casa que chama lar. Este lugar significa que seu futuro é estar comigo. É para uma família. Tenho que merecer isso. Ainda não mereço. Não até que Reichmann esteja morto. Porque embora a proteja, Reichmann ainda conseguiu se aproximar dela há algumas semanas. Pôs suas mãos nela. Não importa quanto lhe tirei, ou que tenha pago com dor e sangue. Não foi o suficiente. Não quando ainda está por aí e poderia machucá-la. Não lhe darei nenhuma oportunidade. — Jenny não concordaria contigo sobre precisar ganhar seu lugar. — diz Thorne. — Diria que ganhou faz quinze anos, quando a salvou no rally. Red nega.


— Diria que não tem que ganhar nada. O simples fato de que Jenny o quer aqui é suficiente. — Com todo o respeito à Jenny. — digo. — Estaria equivocada em ambos os casos. E não preciso explicar isso a Red. Sua irritação diminui. Toma outro longo gole de cerveja — Ainda que o mate, nunca merecerá Jenny. Isso é um fato que sei há muito tempo. Mas não quer dizer que a deixarei ir. — Não discutirei isso. — digo. — Se não discute, não importa o que merece. O que me importa é o que Jenny merece. Merece um homem que dê sua vida por ela, um homem que entregue seu coração e sua lealdade, não apenas quando tudo é fácil, mas também quando fica difícil. — Isso ela tem. — Sempre terá. Red assente. — Provavelmente terá que vir pra cá antes de chegar ao Reichmann. Porque Red está doente e ficará pior e ela não terá ninguém mais. — Se precisar, já lhe disse que virei. — Assim será então. — Ondas de fumaça saem quando levanta a tampa da churrasqueira. — Agora de presidente a presidente,

como

quer

agir?

Quer

juntar

aos

Titãs

imediatamente? — Quero esperar. Há perigo de criar atrito agora se os clubes compartilharão a mesma casa. Deixarei eles se


estabelecerem, dar alguns passeios juntos, começarem a sentirem-se como irmãos. Dessa maneira significará mais quando der a seus homens suas novas cores. — E qual será meu papel? — É o presidente dos Titãs. Não tenho nenhum interesse em te deixar fora. Os Riders não tomam o controle. Vamos juntos. Assim montaremos lado a lado até que não possa mais. — Não diz nada durante um longo minuto. Só remove as brasas. Não espero uma resposta, de qualquer modo. Exceto por isso. — Quando chegar o momento, gostaria de te dar meu patch primeiro. A não ser que queira permanecer como um Titã. Agora olho para cima. — Direi como acontecerá, você enterra Reichmann e eu morrerei como um Rider. Funciona para mim. — Ficará malditamente bem em nossas cores. — Sempre ficou. — diz Thorne enquanto esmaga seu cigarro. — Só temos um problema, como tiraremos os EightyEight?


Capítulo Dois Expulsar os Eighty-Eight Henchmen não será a parte mais difícil. A parte complicada é chegar a eles. Isso é o que está me corroendo nesta noite, enquanto trabalho com o saco de boxe em minha garagem. Mesmo com a porta principal aberta e um ventilador ligado, o ar é asfixiante. Os músculos dos meus braços estão doloridos, mas quero a dor. Queima a frustração de não saber como chegar aos Eighty-Eight, ajuda a esclarecer minha mente e a me concentrar no problema. E, Cristo, sinto falta da Jenny. Logo falarei com ela. Meu telefone está sobre o banco. A qualquer momento, ligará para dizer que chegou bem em casa. Uma semana sem ela é muito tempo. Na próxima vez que tiver um destes festivais, ficarei livre ao menos dois dias para ir com ela. Mas não farei isso até que os Eighty-Eight desapareçam. Balançando a cabeça, recolho minhas luvas e caminho até o saco de boxe. A luz na garagem ilumina o curto caminho da entrada. Não há nenhum som do lado de fora, exceto os grilos. A rua está tranquila. Minha casa fica no final de um beco sem saída, com aposentados vivendo em ambos os lados. As luzes de suas casas se apagam quase antes de o


sol se pôr. Perto das onze, a senhora Caffee sairá de robe e esperará enquanto seu cão faz xixi nos vasos de barro das flores. Se eu ainda estiver aqui fora e ela ver a luz acesa em minha garagem, dará uma olhada, só para assegurar que não deixei acidentalmente a porta da garagem aberta, é isso que me diz sempre. Jenny acha que a mulher provavelmente só vê se uso camisa enquanto levanto pesos. Merda. Talvez deveria ir até a casa do rancho. Ver Jenny e acabar com esta dor em meu estômago. Mas trabalhou durante toda a semana. Sempre trabalha muito, mas nunca pareceu tão cansada dessa vez que nos falamos por telefone. Então, a deixarei descansar e manterei minhas mãos longe dela até amanhã. De qualquer maneira, ainda não ganhei esse lugar em sua cama. E jamais irei se não me concentrar nos fodidos Eighty-Eight. A cobiça os fará cair. Muitos dos clubes fora da lei mexem com a mesma merda que eles. Os Hellfire Riders não, mas não temos as mãos limpas. Quando temos um problema, resolvemos e a lei não vê com bons olhos alguns dos métodos que usamos. Mas estamos aqui para montar. Estamos aqui para lutar e foder. Não estamos aqui para enriquecer, sou cuidadoso sobre quem pede favores aos Riders e com os que ficam nos devendo. Mas os Eighty-Eight começaram na Califórnia com uma agenda

superior

e

logo

conseguiram

dinheiro

rápido,

acrescentando filiais em outros estados. O Eighty-Eight local


se estabeleceu aqui faz uns vinte anos. Principalmente preparam metanfetamina e enviam às filiais mais poderosas. Provavelmente

acrescentaram

outra

merda,

armas

ou

qualquer outra coisa, mas é a metanfetamina que acabará com eles. Porque não tenho ilusão sobre como trabalha a irmandade nesses clubes. Se o fornecimento não chegar, Reichmann e todos outros estão mortos. Mas, não quero que as filiais maiores façam meu trabalho. Só preciso que os Eighty-Eight entrem em pânico. Se me desfizer de seu cozinheiro, sua cozinha e os oficiais do clube, outros se dispersarão, assustados de que possam pagar pela remessa que não chegou. Terá que ser duro, limpo e rápido. E esse é o problema. Os Eighty-Eight se escondem nos quintos do inferno. De verdade, há armadilhas ao redor. Talvez isso seja apenas para assustar as pessoas, mas não apostarei a vida de meus irmãos nisso. Alguns dos membros do Eighty-Eight fazem com

que

Ted

Kaczynski

pareça

sensato.

Embora

os

superemos em número, um confronto cara a cara não funcionará. Conduzir cinquenta motos provavelmente será um pedido para ser abatido de algum lugar seguro. Ou talvez derrubar a tiros algumas cabanas ou cabines de metal. Mesmo que não saibamos para onde atirar. Nenhum dos Riders já viu o lugar. Precisamos conseguir um pouco de informação antes de ir pra cima. Porque a única outra opção é atrair os EightyEight para outro lugar. Uma espécie de emboscada enquanto


estiverem reunidos. Mas há muitas variáveis nesse cenário. Melhor manter tudo simples. Queimar sua cozinha. Tirar o Reichmann, o cozinheiro e aos oficiais. Tenho que vigiar de fora. Meus pulmões ardem quando paro de socar para secar o suor de meu rosto. Meus braços estão doloridos. Olho meu telefone, logo depois novamente para a rua, quando faróis iluminam a escuridão. Entrecerro os olhos e reconheço o carro. A caminhonete da Jenny. Meu sangue ferve. Meu pau fica duro tão rápido que dói. Jogo minhas luvas e saio da garagem enquanto ela estaciona. A luz interior acende e a visão dela é como um golpe em meu peito. Todo esse cabelo escuro para envolver ao redor de meu punho e esses lábios carnudos que já estão curvados em um sorriso, como se o esgotamento que mostram seus olhos não fosse nada. Usa a camiseta preta e uma saia curta preta que usa em sua cervejaria, o que significa que depois que o festival terminou, sequer voltou ao hotel para trocar suas roupas antes de voltar para casa. Antes de retornar para casa, para mim. Seus olhos verdes brilham enquanto abre a porta. — Olhe pra você, todo suado e semi nu. Devo ser uma garota muito boa para merecer isto. Sorrio e a seguro pela cintura antes que suas botas toquem o chão, empurrando-a para trás sobre o assento do condutor.


— A Senhora Caffee sairá daqui a pouco. — digo em sua boca. — Pensei em lhe dar algo com o que sonhar. Solta uma gargalhada e sinto o aroma do chocolate e de café, que a mantiveram em alerta enquanto conduzia. O desejo é um punho quente em minhas vísceras, espremendo meu coração. Deus, esta mulher. Pertenço-lhe totalmente. Estou em pé no meio-fio e, de alguma forma, sou eu quem retorna para casa. Sua respiração é irregular quando levanto minha cabeça. Seus lábios brilham.

Sua voz está rouca pela

excitação. — Senti muita saudade. — Quanto? — agarro seus quadris e a puxo para frente. Abre suas coxas para me dar espaço e um pequeno gemido faminto lhe escapa, quando sente a dura longitude do meu pau. — Porque quando te tirar desta caminhonete e te levar até em casa, a terei inclinada sobre a mesa da cozinha o mais rápido que puder e talvez durarei apenas um minuto. Seus pequenos seios se agitam um pouco quando ri. Seus mamilos são como balas debaixo de sua camisa apertada. — Não durarei muito mais que isso. Pensei em você todo o caminho. — Sim? — passo a ponta dos meus dedos pelo interior de sua coxa, olhando seus lábios se abrirem. — Pensou em mim lambendo sua boceta?


Estremece. — Sim. — E tomando meu pau? — Sim. Sustentava-me debaixo de ti e me fodia tão profundo. — inclina sua cabeça para trás enquanto levanta os quadris, moendo-se em minha ereção. — Tomando-o por completo. Cristo. Apenas sua calcinha e minha calça de moletom impedem que me afunde em seu interior. — Ficou molhada? — Estou mais molhada agora. Está tremendo e sem fôlego. Merda. Não brincava a respeito de quão rápido a terei e quanto tempo durarei. Assim que estiver em minha casa, me enterrarei profundamente em sua pequena boceta suculenta, enchendo-a com meu sêmen. Mas não importa quão molhada esteja, nunca toma meu pau facilmente; não imediatamente. É melhor deixá-la pronta agora. — Embaixo? — agarro a parte de trás de seu pescoço e ela fica quieta, me olhando. Não há dúvida em seus olhos. Apenas desejo. — Sobre suas costas ou de joelhos? — De joelhos. Contigo atrás de mim. De pé aqui com a porta da caminhonete aberta e Jenny sentada na beira do assento, não posso colocá-la nessa posição agora. Mas não importa. Volto um pouco, aliviando a pressão do meu pênis entre suas pernas, coloco minha mão entre nós.


Sua calcinha está completamente molhada. Vou me perder. — Diga! — ordeno. É duro, mas não posso evitar. Logo estou resistindo. Sua boceta está tão quente e úmida, que assim que tiver meus dedos em seu interior será como no céu. — Por que te obrigava a tomar? Não me queria? — Queria. Muito. Mas não deveria. — Por quê? — afasto sua calcinha para o lado e coloco meu dedo médio entre os lábios de sua vagina, gordinhos e inchados com desejo. Ela geme. — Porque é um Rider. E isso causará muitos problemas. Oh, merda sim. Muitos problemas, ao menos os teria há um mês. E adoro para onde vai com isto. Meu agarre se aperta sobre seu pescoço. Sua respiração é rápida e superficial quando empurro meu dedo até o primeiro nódulo. Suas paredes interiores abraçam meu dedo como se estivesse me sugando. — Jenny, quantas vezes imaginou isto? O Rider grande e mau te obrigando a tomar seu pau? Brilha um sorriso malvado. — Todas as noites durante nove anos. Desde que saí da prisão. A primeira vez depois do julgamento que nos encontramos. Ela me desejou quase todo o tempo que a desejei. — E seu pai é o presidente dos Titãs. — Assim não pude tocá-la durante um maldito tempo. — Se me fizer te tomar,


não deveria te sentir mal, certo? Não é desleal, inclusive quando me implora por isso. Seus quadris se balançam para frente. — Não implorei jamais. — Mesmo quando está debaixo de mim? Quando alivio sua pequena boceta? Quando te faço gozar? — Não gozarei. Não renunciarei. Seu corpo estremece quando meu polegar desliza sobre seus clitóris. — Quer que te faça gozar agora? — Não. — Vou te fazer gozar. — Sua vagina aperta meu dedo enquanto empurro profundamente e grita, arqueando suas costas. — Farei que goze tão forte. Logo, sua boceta quente tomará cada centímetro de meu pau. Diga-me que o quer. — Não. — Não? — grunho contra seus lábios. — Princesa, está montando minha mão. O suco de sua vagina está sobre todos os meus dedos. Quer mais? — Não! — diz e dou, deslizando um segundo dedo, forçando suas paredes interiores a se abrirem, trabalhando seu clitóris mais rápido. Aperta meus braços, suas unhas cravando em meus bíceps. — Saxon. Deus. Deus. Por favor.


Sem mais jogos. Todo seu corpo treme e fica tenso. A ponto de gozar. — Jenny, a levarei para dentro e te foderei. — minha voz é rouca, bombeando mais duro em seu interior. — Vou tomar cada centímetro. Então lamberei seus clitóris até que goze novamente. Quer isso? — Sim. Deus, é tão formosa quando goza. Seus olhos verdes ficam frágeis e suas bochechas se ruborizam antes de se aconchegar mais perto, sua boca quente e aberta contra meu pescoço. Seu grito é abafado em minha garganta. Minhas bolas apertam com a necessidade de gozar quando seu corpo convulsiona ao redor dos meus dedos, e sigo bombeando, mantenho deslizando meu polegar sobre seus clitóris até que seus quadris param e de repente me afasta. — Não mais. — Ofega. — Não posso mais. Fará quando entrarmos. Mas me afasto por agora, tirando meus dedos de seu interior e os lambendo. Minha mão direita desliza por suas costas, segurando-a contra mim enquanto recupera seu fôlego. Sua frente pressiona meu ombro e pequenos tremores a percorrem. Finalmente levanta sua cabeça e me olha. — Bom, isso foi um olá um pouco divertido. — sua voz é tão suave e quente como a expressão de seus olhos. — Deus, foi uma longa semana. — Muito longa. — Afasto seu cabelo do seu rosto. — Está super cansada.


— Então é uma boa coisa que fará todo o trabalho quando entrarmos, só posso me deitar ali e dormir, né? — Me dá outro sorriso malicioso, então tira o cinto de minha calça e passa seus dedos sobre a cabeça de meu pau. Seu ligeiro toque é uma tortura. — Mas não posso dizer que tenho ânimo para depois sair da cama e ir ao rancho. Assim faremos um trato. Pega minha mala e ficarei aqui toda a noite. Esse é um trato que aceito. Beijo sua boca e me afasto. Sua bolsa de viagem está na parte traseira da caminhonete, presa com uma corda elástica. Enquanto solto a corda, um movimento perto da senhora Caffee me faz olhar nessa direção. Não é uma mulher de cabelo cinza com um robe. Não é um pequeno cão branco. Ao invés é o brilho de uma arma, balançando e apontando. — Jenny... A explosão encobre meu grito. Meus ouvidos soam e por um segundo não estou aqui, não há calor, mas sim frio e meu ombro é como vidro triturado e posso cheirar meu sangue e o combustível queimando, posso escutar Anderson gritar que sua perna foi arrancada, mas não é um marine gritando. É Jenny, rogando. — Oh, Jesus, me ajude. Por favor, por favor. — Tira meu braço e me encontro sobre meus joelhos. Tenho que me levantar. Mas minha cabeça dá voltas e minhas pernas não se estabilizam.


— Foi abatido! — O grito vem do outro lado do pátio. — Peguem à garota. O chefe quer a sua puta. Jenny. Reichmann enviou seus homens por ela. — Entra na casa. — digo-lhe com dificuldade. — Vou segurar eles aqui. Corre. As lágrimas rolam por suas bochechas, coloca as mãos debaixo dos meus braços e empurra. — Entra! Cambaleio e de repente há um filho da puta de cabeça raspada com uma suástica tatuada sobre o pescoço vindo ao redor da parte dianteira da caminhonete, fica surpreso ao me encontrar vivo. Rapidamente, estou sobre ele, meu punho sobre seu estômago e enfio meu cotovelo em suas costas. Cai sobre o chão, agarro sua cabeça e esmago seu rosto no concreto, então meu ombro está em chamas e Jenny gritando, me puxando. — Entra! — Atira com seu ombro em meu estômago como uma defesa, me jogando para trás na cabine da caminhonete. — O outro vem com a arma! Estou desvanecendo. Deslizo sobre seu assento e há sangue gotejando. Então grita. — Abaixe! — a janela traseira da cabine explode, chovendo cristais, Jenny se agacha em seu assento e dá marcha ré. Batemos em algo, a calçada ou um corpo e não me importa. Meu braço não mexe. Não posso levantar minha


cabeça e o sangue escorre por meu pescoço. Desabo sobre a porta do passageiro quando açoita a caminhonete ao redor, então vira à direita, as luzes passando como longas listras brilhantes enquanto arranca a camisa. — Segura isto em seu pescoço. Saxon! Por favor, por favor. — Olha rapidamente para a estrada. Então se inclina sobre mim, colocando a camisa em minha garganta antes de tomar minha mão e levantá-la para pressionar contra o mesmo lugar. — Mantenha ali. O hospital está apenas há cinco minutos. Resista. Aguentarei. Porque agora chora, manchas de sangue mescladas com suas lágrimas e não fala comigo, apenas soluça uma e outra vez, exclamando ‘por favor não posso perdê-lo’, ‘por favor isso seria muito fácil’, ‘por favor não’. Não sei a quem pede porque não há ninguém a quem pudesse me levar. Nunca me afastarei dela. Mas direi isto mais tarde, quando puder. Estou muito cansado agora. Só vou dormir. Foi uma maldita longa semana.


Capítulo Três Tudo é tão brilhante. A luz perfura meu crânio. Aperto meus olhos, viro minha cabeça e sinto uma respiração irregular ao meu lado. Jenny. Está inclinada sobre mim, seu rosto como um lençol branco tingido de rosa escuro ao redor de seus olhos. — Não chore. Não te deixarei. — digo-lhe e há um deserto em minha garganta. Nada mais que um sussurro rouco sai dali. — Está bem? — Sim. — Apesar de minhas palavras, esses olhos verdes se iluminam novamente e posso escutar a densidade em sua voz. — Igual a você. Isso é bom. Mas não me dá uma oportunidade para dizer, inclinando, sua respiração quente em minha orelha. — Disse que não vi quem foi. — diz em voz baixa, tão baixo que seus lábios pressionam em minha bochecha e levanta novamente sua cabeça. — Um policial está aqui para te fazer algumas perguntas e as enfermeiras provavelmente aparecerão outra vez, assim voltarei quando terminarem. Concordo e me dou conta que sustenta minha mão. Começa a se afastar, mas pressiono meus dedos.


— Jenny, está bem? — acho que já perguntei. Não me convenceu com sua resposta. Sorri e suas lágrimas se derramam. — Estou bem.

Não estou bem. Sinto como se um iceberg se formasse em meu interior, pesado e frio. Mas não estou insensível. Desejaria estar. Porque então não estaria tão ferida. Dessa forma não veria o sangue escorrendo do ombro e do pescoço de Saxon cada vez que fecho meus olhos. Pensei que o perderia. O Henchman usou uma escopeta, a arma favorita dos MCs porque a balística é mais difícil de rastrear pelos policiais, não há estrias nas balas de chumbo disparadas e não é necessária muita pontaria, o que é perfeito quando disparam de uma moto em movimento. Só é necessário estar perto de um objetivo para que uma escopeta seja efetiva. Provavelmente foi o que salvou a vida de Saxon. O Henchman estava longe e apenas acertou músculo. Tiraram vários pedaços da bala de chumbo do ombro esquerdo de Saxon. Mas também um grande pedaço de seu pescoço. Havia tanto sangue. Acreditei que sua artéria estava aberta. Pensei que estava morto e só observava como sangrava.


Se o Henchman apontasse apenas um pouco mais para a direita, Saxon teria sangrado até a morte. E todo mundo fica me perguntando se estou bem. Colocaram meia dúzia de copos de café em minhas mãos, mas não consigo sentir o calor e não posso despertar do pesadelo de vê-lo sangrar e sangrar e ficar inconsciente. Pensei que morreria. Ele retornou. Graças a Deus. Mas eu ainda não.

— Sabe o que é estúpido? — pergunta minha amiga Anna. — Toda a coisa de vou te violar em vingança. Afasto o olhar do corredor do hospital onde fica o quarto do Saxon. O oficial ainda não saiu. — O que? — Os Eighty-Eight e a maneira como ficam atrás de você. — Diz isso em voz baixa, para que ninguém a escute. — Porque, na verdade, o que ganham com isso? Especialmente quando vale muito mais por seu cérebro. Pensa comigo. Cria cerveja e tem graduação em química. Quão boa seria em preparar metanfetaminas para eles? Deus. — Não sou exatamente Walter White. — Aposto que poderia fazer. Assim, se fosse um gênio químico criminoso, não iriam querer seu rabo. Apenas te


pegariam e a obrigariam preparar drogas o dia inteiro e ficaria rica vendendo. Logo contrataria uns caras que se importam e iria pegá-los. Em vingança. — Reichmann não é um gênio. — E não deseja meu rabo. Só quer me machucar. Bufa. — Como disse. Sabe o quão estúpido isso soa? Certo. Mas o estúpido ainda pode ser bastante perigoso. O oficial Landauer não fica no quarto do Saxon muito tempo. Já falou comigo, mas não me surpreende quando se dirige novamente até a mim. Quando Anna o vê, coloca essa expressão de lutadora em seu rosto, como se lhe dissesse para se afastar, que espere até amanhã ou que se sente sobre um pau afiado. Nego com minha cabeça e ela se acalma. — Tem certeza? Concordo e se levanta, movendo-se ao outro lado da sala de espera, onde seu irmão Stone e outros membros do Hellfire Riders estão sentados. Hoje pela manhã eram mais, mas depois que Saxon despertou e recebemos as boas notícias, alguns foram para casa. Landauer se senta na cadeira à minha esquerda e tampa o joelho com seu chapéu. É magro e robusto, com cabelo curto loiro com alguns fios grisalhos e um queixo ao estilo Clint Eastwood, inclusive sua mandíbula. Uma cicatriz em seu lábio superior o faz parecer como se sempre estivesse cheio de desprezo, mas não é tão mau. — Você está bem?


Só posso aceitar isso e lançar uma risada oca e breve. — Sim, é o que pensei. Foi Red quem vi antes? Não tive a oportunidade de cumprimentá-lo. Meu pai. Não sei se são tão amigos para trocarem saudações ou se Landauer faz parecer como se fossem, para que relaxe. Jamais o escutei dizer algo contra o oficial, da mesma forma com quase todos os outros policiais da área. — Foi buscar algumas roupas para mim. Puxei a parte da frente do uniforme que o hospital me deu. Cheguei meio nua, com minha blusa pressionando o pescoço do Saxon e minha calça molhada com seu sangue. Minha mala está em minha caminhonete, mas o oficial disse que não poderia tirar nada de lá até que terminassem de inspecionar o veículo. Seu olhar era omisso em relação aos Riders reunidos, que olhavam para nossa direção. Talvez pensavam que precisariam liberar a sua primeira dama das garras da polícia. Encontro os olhos de Blowback. Posso cuidar disto. Diz algo aos outros e, de repente, todos têm outras coisas para olhar. — Sabe que sempre pensei que seu homem fez um mau acordo há alguns anos. Crane realmente era duro de cortar. O fiscal do condado. — Imagino. — Deveria ter derrubado os cargos com seu testemunho. — Um jurado não esteve de acordo. Parecia que nada que dissesse teria importância.


— Bem, Crane fez um bom trabalho em pintá-lo como um pedaço de merda, não? — inclina-se para frente, suas mãos entre os joelhos, observando meu rosto. — Agora, aqui estamos. — E onde estamos? — Quinze anos atrás, ele te tirou das mãos de Timothy Reichmann a pancadas. Agora, seu irmão mais novo é o presidente de uma gangue de motoqueiros e dizem que está atrás de você. De você, apesar de ter sido Saxon Gray quem matou seu irmão. Porque Luke Reichmann é um covarde que pensa que seu irmão só me dava o que merecia e porque sabe que é melhor vir atrás de mim do que de Saxon. Ao menos ele, sabia. Mas ainda não veio pessoalmente. Em seu lugar, enviou dois de seus homens. Mas, supostamente, não sei isso. — Dizem que está atrás de mim? Quem diz isso? Landauer não me responde, mas continua. — E falam que houve uma briga entre Gray e Reichmann lá no Curral há duas semanas e que talvez estivesse no meio disso. Não foi precisamente assim. Estava em uma cabine, presa contra uma parede com Reichmann me ameaçando, até que Saxon me tirou de lá. Mas só encolho meus ombros. — Estava ali com ele, mas não vi nenhuma briga. — Também dizem que Reichmann esteve no serviço de urgência médica por uma semana, para que três de seus


dedos fossem operados. Dizem que o pegaram com um cortador de grama. Os médicos lhe salvaram dois. Seus dedos foram cortados? Não preciso mentir sobre isso. — Não sei nada sobre isso. Mas tampouco sinto ou estou surpresa. O oficial levantou os ombros num movimento tranquilo. — Ei, ele vive em uma fazenda. Pode acontecer todo tipo de acidente, especialmente se cortava o pasto à noite, como disse que fazia. Mas me ocorre que se está formando um padrão, e em ascensão, pode ser que seu homem esta noite tenha tido o último golpe. O que significa que o seguinte será pior. Tem razão. Não posso imaginar que os Hellfire Riders não devolverão o golpe com força e rapidez e que será sangrento. Entretanto, não darei a Landauer o que deseja. — Então todas estas coisas estão surgindo por aí, e dizem que pode ser que esteja em perigo e esta é a primeira vez que me interroga? Talvez seja porque, até que alguém receba um tiro ou seja violada, não há muito que possa fazer para me ajudar? Isso parece ser um pouco tarde demais, não? — Agora posso ajudar. Não, não pode. Porque mesmo se lhe entregar o homem que nos atacou esta noite e ele for preso, os Henchmen não entregarão seu presidente e dirão que foi ele quem deu as ordens. Manterão suas bocas fechadas e nada mudará. Ainda


estarei em perigo. Landauer não pode me proteger. Saxon, pode. A única pergunta é quanto pagará por me proteger. Mais uma vez. — Pode ser que atropelei um dos que dispararam — digo — ou talvez era a caixa de correio do Saxon. Não sei, estava agachada em meu assento porque disparavam em minha janela traseira. — É o que encontrará ao olhar minha caminhonete, não direi nada que não saiba ou que não descobrirá. — Tem meu carro, assim suponho que saberá se foi um homem que atropelei e se encontrar um corpo com rastros de pneus sobre ele, suponho que saberá que o matei. Assim, o que acha? Crane virá atrás de mim por homicídio, porque tinha pressa, ao tentar salvar um homem depois de ter levado um tiro? Porque isso não parece muito diferente de encarcerar um homem que matou acidentalmente alguém, enquanto salvava uma garota de ser estuprada. — Não é diferente — estou surpresa por concordar. — O que é diferente é a palavra, acidente. Digamos que, se um homem tentando proteger uma garota decide retaliar ao invés de apenas defender. A única diferença é uma linha fina na lei, porque a proteção é proteger... mas existe uma diferença que enviará um homem para longe por um bom tempo. Sei. E o peso pressionando meu peito de repente é maior. — Desejaria poder ajudar. Mas não vi quem era. Corria para casa quando recebeu o disparo e logo se esquivou atrás da caminhonete.


— E não escutou nada? O chefe quer a sua puta. — Não. Talvez tenham dito algo, mas não escutei. Também havia um montão de ruídos, comecei a gritar depois que os disparos pararam e percebi que Saxon foi atingido. Os vizinhos confirmarão isso. Dá um suspiro profundo. — Certo. Se recordar, ver ou escutar algo, me avisará? — Claro. — Fico feliz. — bate em suas coxas como se fosse se levantar, então faz uma pausa. — Porque disseram que durante essa briga no Curral, seu homem retaliava... mas então pediu que não o fizesse. Falaram que disse que não suportaria perdê-lo ou vê-lo novamente na prisão. O que aconteceria, se ele matasse alguém. Minha garganta arde. Não posso responder. — Então espero que apareça uma evidência que ajude a pegar esses bastardos que atiraram, para prendê-los, junto com o mandante. Então não haverá ninguém te ameaçando e ninguém de que seu homem precise te proteger, entende? Concordo. Ele se levanta, com o chapéu em sua mão. — Bem, talvez apenas procure conselho do travesseiro, Srta. Erickson. Um pouco de descanso ajuda a refrescar a memória. E obviamente sabe que ter medo de perder alguém que ama, também tem esse efeito.


Capítulo Quatro — Nunca odiei os hospitais da maneira que algumas pessoas odeiam. — diz papai. É o primeiro a falar no momento. O relógio marca depois das quatro. Anna cochila em meu ombro. Em uma sala no final do corredor, Saxon está dopado com analgésicos e dormirá até de manhã, pelo menos e não posso ficar com ele, porque o hospital de Pene Valley é pequeno e agora está compartilhando espaço com um adolescente que caiu de uma janela enquanto fugia de sua casa. Os pais do menino estão sentados sob a televisão silenciada montada no canto. A mãe dorme e o pai está a ponto de dormir também. Seja lá o que aconteceu, o menino não ficou muito ferido. Senão, o teriam transportado ao hospital Bend. Não gosto dos hospitais. Mas imaginei que meu pai odiaria. Especialmente agora, que estar aqui deve lhe fazer pensar em tudo o que virá pela frente. Ou não virá. Porque não acredito que espere ficar em um hospital. Não acredito que me faça sentar em uma sala como esta. Não. Dará um passeio por Crater Lake, talvez.


Sempre foi uma de suas rotas favoritas. E o tortuoso caminho ao norte da caldeira não tem desníveis ou corrimões, apesar da queda no outro lado da linha branca. Um homem doente poderia simplesmente... voar. Mas não posso perguntar por que não odeia. O iceberg em meu peito se converteu em uma geleira em movimento para minha garganta. Apenas o observando neste lugar. Não olha para trás, mas observa a enfermeira na recepção. Sua voz é um pouco mais dura. — Lembra a sua mãe. Que era uma enfermeira também. Não trabalhou aqui. Seu uniforme era de uma cor distinta. Mas suponho que não importa. Seguro sua mão. Há anos, quando fui à universidade, comecei uma carreira médica, por causa da minha mãe. Com a esperança de continuar algum tipo de legado para ela, porque não teve muita oportunidade de fazer um. Terminei com especialização em química orgânica, mas ao invés de ir à universidade de medicina, decidi por um mestrado em administração de negócios e comecei minha cervejaria. Nunca me arrependi disso, até este momento. Se tivesse ido à universidade de medicina, talvez saberia que Saxon não estava morrendo, que sua artéria não foi perfurada. Em troca, preparo muita cerveja. Não sei se beberia o suficiente para me fazer esquecer o momento em que pensei que estava morto.


— Sabe o que sua mãe faria neste momento, Jenny? Sentaria nessa mesa pensando que todos esses imbecis apenas precisam ir pra casa. — Papai... — Tem razão. — murmura Anna ao meu lado. Meu ombro-travesseiro deixou uma grande mancha rosa em sua bochecha. Aponta a Stone que concorda. — Tenho que seguir em frente ou Saxon estará realmente irritado e me despedirá por dormir no Den amanhã. Quer ficar no meu lugar? — Não. Anna olha por cima da minha cabeça para meu pai. Não vejo o que acontece entre eles, mas assente e para, esticando seus braços e fazendo estalar seu pescoço: — Deus, sentirei câimbras toda a semana. Ligue-me se precisar de mim, ok? — Está bem. — Se continuar aqui, voltarei antes do meu turno amanhã e te trarei o almoço. — me abraça. — Ele está bem. Sabe que é forte e isso não o derrubará. — Eu sei, obrigada. Um minuto depois que ela se foi, meu pai disse — Deveríamos ir também. Precisa dormir. — Talvez precise. Mas não quer dizer que possa. Não serei capaz de dormir. — Quando chegou e terminaram de te examinar, prescreveram um sedativo, não?


Um que me nocautearia mais do que gostaria. Se tomar, Saxon provavelmente despertará antes de mim. — Sim, mas... — Peguei na farmácia quando fui buscar sua roupa. Agora escuta, está bom? Estes caras não irão a lugar nenhum — Faz um gesto para Blowback, Stone e Gunner, os três Riders que continuam aqui. — Eles vigiarão e se assegurarão de que ninguém chegue perto dele enquanto estiver dormindo. Estará a salvo. A salvo. Como pode estar a salvo? Meus olhos ardem. — Papai, você não viu. Havia tanto sangue. — E parou de sangrar. Fizeram transfusão. Estão cuidando dele. Mas você está uma merda e se ele te vir assim, não ajudará. Só se preocupará mais do que já está. E sei isso Jenny. Sei porque me sinto da mesma maneira. Nunca te vi tão perto de desmoronar. Porque nunca me senti tão perto. Mais perto que agora, porque essa forma desigual em sua respiração, veio bem antes de ter um ataque de tosse e cuspir um pouco de sangue. — Está bem — sussurro — vamos pra casa. Tentarei dormir. Concorda enquanto envolve um enorme braço ao redor dos meus ombros, apertando. — Ficará bem, querida. Talvez. Só não vejo como.


— Então, te liberarão? — pergunta Gunner, seu tom cuidadoso me diz que acredita que estou louco, mas sabe que é melhor não me dizer isso. — Não lhes dei muita opção. — Além disso, só queriam me manter para ver se havia infecção. Não há nada mais que possam fazer por mim, apenas os curativos. Mas não sou estúpido. Tomarei meus antibióticos como um bom menino e retornarei se sentir febre. O que não quero é ficar aqui, dopado com morfina quando Landauer pode entrar e começar com o interrogatório. Preciso de minha cabeça limpa. A dor ao me mover me dará isso. — Como está Jenny? — Está se mantendo. Red praticamente a arrastou pra casa lá pelas quatro. São apenas sete e meia. Estava pronto para ir antes, mas precisei esperar pela papelada e que o médico me examinasse uma última vez. Visto meu jeans e agarro minha camisa que está dobrada na cadeira. Isto doerá pra cacete. Por sorte ainda estou flutuando na merda que me deram na noite passada. Cuidadosamente, enrolo a manga em meu braço. Uma enorme bandagem cobre parte de meu ombro. Disseram-me que dá para ver a carne moída por baixo. A área de meu pescoço é onde terei que ser mais cuidadoso, cuidando para não abrir os pontos de sutura. A que mais dói,


entretanto, está no lado da mandíbula coberto por um simples pedaço de gaze. Um pequeno chumbo bateu no osso, e ao abrir a boca me dá vontade de bater meu punho através da parede. Mas sigo falando sem fim, porque o que tenho que dizer é mais importante que um pouco de dor. — Quero qualquer um, Hashtag ou Scarecrow, com Jenny a cada segundo. E consigam telefones que funcionem por aqui. Ou um telefone satélite no momento. — Faremos. — Tenho uma receita de prescrições. — Mandaremos algum dos recrutas buscar. — diz Gunner, enquanto olha Stone e Blowback se aproximarem. Stone olha para a outra cama. — O menino está dormindo? — Fingindo. — digo — E manterá a sua boca fechada. Não é? Não abre os olhos, mas assente. Daria risada se minha mandíbula não doesse tanto. Não me preocupa que algo do que dissemos saia daqui, de qualquer maneira. — Qual é seu nome, menino? — Thomas James Clark. — responde Blowback antes mesmo do menino responder. A esta altura, provavelmente já sabe quanto pesou o menino quando nasceu, e a que garota na cidade se esconde para lhe colocar o pau. Stone acrescenta:


— Mas nós o chamamos o Defenestrador 2 porque é muito mais rude que ser o que caiu por uma janela, verdade? Assim deve usar na escola, menino. Ponha na parte de trás de sua jaqueta. O menino finalmente fala. — Sequer sei como soletrá-lo. — Jesus. O visitarei dentro de um mês e chutarei seu traseiro se ainda não puder soletrá-lo para mim então. — Escute-o menino. É muito sério com a 'defenestração'. — Colocando minhas botas, recolho a tipoia que a enfermeira me deixou — Vamos andando. Encontre com Widowmaker no Cuerno e contate os irmãos. Quero todos na casa em duas horas. Meu colete está no rancho. Também minha moto e meu telefone. Alguém precisa tirá-la do rancho. — Não serei eu por uns poucos dias, pelo menos. — Eu farei. — diz Stone — Gunner tem seu colete. Pode deixar que pego sua moto. Bem. Veremos se os policiais continuam ao redor de minha propriedade, também. Não farei ainda. Ainda não ganhei meu lugar na casa da Jenny. Mas não me importa. Não esperávamos esse movimento de Reichmann. E sempre pensamos que estaria a salvo no rancho. Não estarei assumindo que estará segura em nenhuma outra parte. Não até que Reichmann seja um homem morto. Mas acredito que a morte o alcançará muito em breve. Porque irei até ele e nada me deterá. 2 Pessoa que expulsa ou separa a outra de seu cargo, especialmente se for de forma inesperada.


Não tomei o sedativo, mas mesmo assim tentei dormir. Consegui um pouco, acredito. Quando soou o alarme que programei para as oito, deveria estar dormindo porque despertei com um sobressalto. Liguei para o hospital para verificar Saxon, me disseram que lhe deram alta, mas ele não atendeu o telefone quando tentei chamar para descobrir onde estava. Então meu pai conseguiu a informação de que estão em uma reunião de emergência no clube. Assim estão fazendo planos para os Eighty-Eight e há uma boa probabilidade de que apesar de ter sobrevivido a um disparo de escopeta, o perderei de qualquer maneira. Se não for nesta guerra com o Reichmann, será porque Laundauer sabe muito e saberá exatamente a quem procurar. Então Saxon irá para prisão e não se arrependerá porque terá feito para me proteger. Sequer posso respirar, só de imaginar. Tudo dói. Depois de comer um pouco no café da manhã, pego a caminhonete do meu pai e vou para o antigo celeiro, onde fica minha cervejaria. Não importa o que acontecer, sempre haverá trabalho. Perderei meu pai, perderei Saxon, mas o trabalho sempre


esperará por mim. Pergunto-me quanto tempo passará antes que o trabalho não seja suficiente para me manter em frente. Estou ali apenas alguns minutos quando escuto o barulho de uma moto pelo caminho. Não é Saxon. Conheço o som de sua Harley. Tampouco é meu pai. Agarro a escopeta, escondi em meu escritório no ano passado, quando as ameaças de Reichmann começaram a circular e observo pela janela. Hashtag. Um dos recrutas dos Hellfire Riders, só porque não tem seus emplastros não quer dizer que seja um novato. Não sei muito sobre ele, exceto que Stone foi quem o indicou. É dois anos mais novo que eu, possivelmente vinte e seis ou vinte e sete, e pela forma como caminha, estou bastante segura que em algum momento foi militar. É provável que muito recentemente. Quando vê minha arma suas mãos se disparam. — O presidente me enviou para cuidar de você! É obvio que Saxon fez isso. Mostro para que entre. Scarecrow 3 aparece meia hora mais tarde, esse parece bem com seu nome. Começa a fazer rondas, Hashtag permanece perto de mim e me faz tantas perguntas sobre a cervejaria, que não escuto a caminhonete de Gunner chegar. Bem quando me viro, vejo Saxon ali, seu braço em uma tipoia e sem barba. Meu coração acelera e acredito que o iceberg está rachando, porque está aqui e está vivo, parecendo mal e forte bem, como gosto. 3

Scarecrow: Espantalho.


Minha mão treme, fazendo com que o hidrômetro que seguro bata na bandeja antes de cair em seu lugar. — Olá. Olha para Hashtag. — Saia. O recruta desaparece. Não sei bem para onde vai. Saxon vem até a mim, seus olhos escuros bloqueiam em meu rosto. Não posso ver nada mais e o iceberg dentro do meu peito continua derretendo, deixando toda a dor para trás. Embora não sei onde tocá-lo. Não quero feri-lo mais. Mas sei que nuca me dirá que dói. Entretanto, preciso tocá-lo. Sinto um nó em minha garganta, toco meus dedos pelo lado direito de sua mandíbula. — Se barbeou. — A enfermeira fez esta manhã. Tiveram que raspar uma parte para fazer a sutura, então raspou tudo. — sua voz é baixa e rouca. Seu olhar percorre todo meu rosto. — Está bem? — Deus. Você está bem? — Estou se estiver. — Então estou bem. — Minha respiração falha quando sua mão embala meu rosto e acaricia minha bochecha com seu polegar. — Landauer sabe que foram os Eighty-Eight. E não disse nada. Não tive que dizer nada. — Sei.


— Te vigiará. Garantindo que não fará nada para tomar represálias. — Sei. Mas sabe que me ocuparei disto. Não confio em mim mesma para falar, porque meu peito parece como se fosse esmagado, assim só assinto. — Estará a salvo, princesa. — Cada palavra parece fundida em ferro. — Agora irei para a casa de campo, mas se precisar de algo, apenas precisa pedir. Se precisar de mim aqui, virei. — Está bem. — Trabalhará aqui a maior parte do dia? — Acho que sim. Tenho muito o que colocar em dia, depois de ter me afastado uma semana. E apenas... preciso me manter ocupada. — Assente, enquanto seu polegar toca em meus lábios. — Ficarei em sua casa contigo esta noite. Isso está bem? Isso é a única coisa que está bem. — Sim. Algo escurece sua expressão, depois inclina sua cabeça. Sua boca captura a minha em um beijo que é muito doce e breve. — Verei se consigo te manter ocupada esta noite e espero que seu pai não tenha uma escopeta. Dou risada por um segundo, tudo dentro de mim acalma. — Tem uma. Só espero que não tenha melhor pontaria que um Henchmen.


Seu sorriso vem e vai tão rápido e me dou conta de que inclusive sorrir lhe machuca e a dor aperta meu peito. Escondo fortemente e talvez faço um bom trabalho porque ao invés de me perguntar se estou bem, me beija novamente. Então sai, indo para a reunião que poderia o afastar de mim para sempre. Mas poderia detê-lo. Poderia detê-lo. Embora se fizesse, o perderia de qualquer maneira.


Capítulo Cinco Os clubes de motos resolvem sua própria merda. Não vão à polícia. O membro do clube que fizesse, trairia seus irmãos. Não sou um Hellfire Rider, não sou uma Senhora, mas sou de Saxon. Se dissesse algo a Landauer a respeito da noite anterior, o trairia. Mas continuo vendo o sangue. E me pergunto com o que seria mais difícil viver — com a morte de Saxon ou com Saxon, sem que me ame? Sei a resposta. Porque ontem à noite, no momento em que seus olhos fecharam e seu corpo ensanguentado parecia sem vida, faria qualquer coisa para trazê-lo de volta. Inclusive se nunca o abraçasse novamente. Mas, talvez exista outro meio. Não sei qual. Tento pensar em um, mas Hashtag parou de fazer perguntas, e começou a me contar sobre os óculos de visão noturna que ele e Scarecrow usarão, para garantir que Reichmann não tente outra vez se aproximar de nós sigilosamente na escuridão. Logo diz que tudo seria muito mais fácil se pudessem apenas bombardear o refúgio dos Eighty-Eight, e


Scarecrow lhe diz que lutou no estrangeiro por muito tempo, e esquece-se das Senhoras e dos meninos que provavelmente vivem ali, ou talvez só não importam com os danos colaterais, e gostaria de enviar um helicóptero não tripulado, logo começam a fazer comentários maliciosos a respeito da última eleição presidencial, e tenho que lhes dizer que calem a maldita boca para que assim possa pensar. Mas não consigo pensar. Estou ferida. E agora os dois seguem desculpando-se, assim que lhes digo que me sigam até em casa, onde possa fazer algo para comermos. Logo que chegamos, os faço sentarem na cozinha, abro a geladeira e fico olhando o nada em seu interior. Um pouco de leite. Um ovo. Geralmente um dos recrutas dos Titãs faz as compras para meu pai, as segundas-feiras pela manhã, um benefício adicional de ser o presidente de um clube de motoqueiros é que jamais tem que fazer nada dessas coisas do dia-a-dia, mas Bottlecap hoje não deve ter ido, porque está em uma reunião de emergência. Porque Saxon recebeu um tiro. Porque tentou me proteger. — Suponho que não temos nada. — digo fracamente, logo algo em meu interior se rompe e choro. Por um momento interminável, choro de impotência em frente à geladeira aberta e posso sentir que os dois, Scarecrow e Hashtag, silenciosamente entram em pânico, perguntando-se o que fazer, mas não há nada que possam fazer. Porém, talvez haja algo que possa fazer.


Limpo meu rosto e falo entrecortadamente. — Não digam ao Saxon que fiz isso, certo? — Certo. — diz Hashtag. Sei que está mentindo. — É só a comoção atrasada ou algo assim. — Claro. — O que acha de eu ir à cidade e comprar um pouco de comida? Não tomará muito tempo. — Scarecrow pergunta. Tenho uma ideia melhor. — O que acham se todos sairmos agora? De qualquer maneira, queria ver Anna hoje. — Muito bem. — concorda Hashtag. — Só preciso avisar ao chefe que sairemos. Tem algum lugar mágico aqui aonde consiga enviar uma mensagem de texto? — Às vezes consegue uma barra ou duas se estiver na janela em meu quarto. Mas aqui há um telefone fixo. A casa do clube é o primeiro número de discagem rápida. — Sim, isso é ótimo, mas falar é uma verdadeira merda. Está bem se subir no seu quarto? Assinto e começo a subir pelas escadas. — Te levo. Porque também preciso enviar mensagens.

Meu ombro dói pra cacete. O pouco ibuprofeno que tomei não acalmou, mas os analgésicos mais fortes que tenho nublarão meu cérebro e me deixarão meio grogue. Se bem


que talvez não faça diferença. Há uma dor que esclarece sua cabeça e outra que esvazia e estou bem no limite da segunda. Por sorte não precisei falar muito. Red expôs tudo o que sabia, de qual dos irmãos terá que cuidar e que partes de nossas bundas precisamos cobrir, antes que algum policial apareça. E onde estão as casas de segurança se alguém quiser esconder a sua família por um tempo. A equipe e a informação que precisamos antes de sair ao recinto. — A forma mais fácil de conseguir essa informação é pegar um Henchman e persuadi-lo para que nos conte sobre seu sistema. Mas Reichmann e os outros certamente manterão tudo calmo na próxima semana ou algo assim. — diz — Devem saber que o oficial nos observa bem de perto. Entretanto, Reichmann é tão estúpido como o traseiro de um burro, assim pode ser que queira sair e aprontar. — Mas mesmo se o fizer, se esconderá atrás de alguém. — digo e a dor em minha mandíbula nubla meus olhos. — Tem duas opções: ferir alguém mais fraco que ele ou ordenar que seus irmãos machuquem a alguém mais forte. Assim não sairá sozinho. — E se sair? — pergunta Beaver. — Se sair, seremos avisados assim que o fizer. Tentaremos conseguir um sozinho. — Olho para Blowback. — E nos asseguraremos de que fale. Picasso franze o cenho. — O que aconteceu com o recruta que destruiu a moto de Zoomie? Sabemos onde ele está, não?


— Sumiu. — diz o vice-presidente, olhando sem expressão e com o rosto duro. A maioria dos irmãos provavelmente assumiu que Blowback eliminou o calouro. Mas não. Blowback lhe tirou um pouco de informação algumas semanas atrás, principalmente sobre as operações com

metanfetaminas

dos

Eighty-Eight,

mas

o

recruta

desapareceu um dia depois. Ainda não sabemos se fugiu ou se Reichmann o matou por falar. — Então, precisamos desta informação. — diz Red.— Não deixaremos nenhuma merda ao azar. E nada que nos aponte. Assim, quando queimarmos sua casa, precisamos ser como um pênis em uma camisinha, entramos limpos e saímos limpos. Merda. Essa é boa. Mas sorrir faz pulsar minha cabeça e meu temperamento se esgota. Quando vejo Bottlecap se aproximar de mim e Red, o olhar que dirijo ao recruta o faz parar no lugar. Sustenta no alto um telefone, meu telefone. A última vez que o vi foi quando o deixei em uma cesta, junto ao de todos os outros para que não houvesse distrações e ninguém chutasse seu traseiro por enviar mensagens durante a reunião. — Tem algumas mensagens. — disse o menino. — Presidente. — recorda Red em voz baixa. — Tem algumas mensagens, presidente. Estou no serviço telefônico.


— Traga até aqui. Pausa de dez minutos. — Duas mensagens. — Tem sinal aqui? — Não, senhor. Estava no lado de fora. Uma mensagem de Hashtag: 'A senhorita J chorou muito porque o refrigerador está vazio. Iremos ao PV para almoçar. ' Na cidade. — Geralmente quem faz as compras de comida? — Eu, senhor. — Garanta de conseguir para esta tarde. — Sim, senhor. Leio a mensagem novamente. Meu peito aperta para caralho. Chorou muito. Jenny não chora com facilidade. Não por comida. Disse que estava bem. Não está. Mas não há nenhuma mensagem dela, me pedindo que vá. Só uma de Blowback. E uma outra de Zoomie, que não está aqui porque viajou com uma tripulação para apagar incêndios

florestais

alguns

estados

de

distância.

Isso

provavelmente a irrita. Na verdade sempre cuida de não dar nenhuma oportunidade aos irmãos para dizerem que não se encarrega de sua parte e alguns o farão. Não dirão uma merda dos irmãos que não puderam sair do trabalho para vir a esta reunião. Mas alguns dirão que talvez ela tenha medo de mexer com os Eighty-Eight. Entretanto, não é sobre a reunião.


Jenny me perguntou se conheço algum fotógrafo aéreo para que possa fazer um folheto. Mas não quer contratar meu helicóptero. Dei alguns nomes mas que merda? Os quer para amanhã. Amanhã. Está bem?' A irritação me consome. Qual é o maldito problema com amanhã? Não há nada para fazer. E se Zoomie se irrita porque Jenny quer contratar alguém mais, esse é seu maldito problema. Jenny não administra um posto de limonada. Tudo o que faz com essa cervejaria está apoiado em todo tipo de investigação de mercado e ela planeja tudo antecipadamente. Merda. Planeja com muito mais antecipação do que amanhã. É a isso que Zoomie quer chegar. Não há nada em particular sobre o dia de amanhã. É apenas que Jenny não dirige seu negócio dessa forma. Normalmente, também é generosa com seus amigos. Eu vi. Não há quase nada que não lhes dê e dirigir um pequeno negócio para eles é só uma parte, igual à quando os irmãos olham um ao outro antes de contratar alguém de fora do clube. E ela não está bem. Destruída e chorando. Não é tão difícil adivinhar o que acontece. Se afundando no trabalho, se distanciando de seus amigos. Culpa-se por isso. Talvez se preocupe em colocar Zoomie na mira só por estar perto. Provavelmente lhe assusta que os Eighty-Eight venham novamente atrás de mim. Se esse for o caso, nada a ajudará mais que ir para o recinto dos Eighty-Eight e terminar com isto.


E sou a merda mais estúpida que já viveu. Escrevo uma resposta. 'Vai ficar bem. Venha aqui o mais breve possível. Preciso contratar seu helicóptero.' Bottlecap ainda espera. Dou o telefone. — Isso enviará quando sair lá fora, não? — Sim, senhor. — Então volte lá fora. — Olho para Red. — Precisamos olhar o lugar. Eles não estarão apenas no chão.

Blowback amanhã à noite vai com Zoomie. Ele voará e inspecionará o lugar de fora. É mais fácil que pegar um Henchman e é menor a possibilidade de provocar uma luta. Preferiria que fosse mais cedo, mas será melhor desta forma. Hoje me esforcei muito. Posso lutar com a dor, mas meu ombro está rígido. Se não der um dia de descanso a este braço, não servirei de nada quando chegar a hora de ir atrás de Reichmann. Mas já lamento ter tomado esses analgésicos antes de ir à casa do rancho. Sinto-me quase bêbado e não ofereço muita resistência quando Jenny me empurra em sua grande cama e me diz para ficar quieto. Mas não fica aqui comigo. Ao invés disso, guarda a roupa que buscou em minha casa. Só fico


aqui deitado, meu corpo pesado, observando-a abrir espaço para mim em seu quarto. Embora na verdade, é um ajuste fácil. Não tenho muito e Jenny basicamente tem todo o piso superior para ela. Abriu e ampliou as salas, para que tenha uma suíte com grandes janelas com vistas para a horta de trás. Não há nada feminino. Estaria bem com isso se fosse assim. Mas em vez disso há muito marrom, dourado e verde, como se tomasse as cores de seus cabelos e de seus olhos e feito um quarto com eles. Acho que não estou equivocado. Está se distanciando. Culpa-se. É sutil, mas não me olha tão frequentemente como sempre faz, e algumas vezes quando faz, desvia o olhar rapidamente. Também se move com rigidez, indo e vindo do banquinho no extremo da cama para o armário, muito grande para ser sua própria sala, se mantendo com muito cuidado para não quebrar. Ver como isto pesa sobre seus ombros dói mais que ter recebido um disparo. — Zoomie disse que lhe perguntou sobre pilotos. — Perguntei. — presta muita atenção em meu jeans, enquanto volta a dobrar um que já estava dobrado. — Penso em pressionar no ângulo local. Já sabe, ingressar nos campos locais, apoiando o agricultor. Esse tipo de coisa. Assim conseguirei fotos de algumas granjas próximas. — Desenvolverá alguma cerveja orgânica? — Não, mas isso seria legal. Eventualmente farei.


— Todo o tempo me pedem para adicionar mais coisas orgânicas no menu do Den. Me olha surpresa. — Os Riders lhe pediram isso? Merda. Rir dói como um filho de puta. — Não. O pessoal que almoça por lá. Especialmente os turistas. Seu sorriso aparece e some rapidamente. Volta a girar para o armário. Merda. Levanto e vou atrás dela, meus pés descalços e meu braço na tipoia. Cada músculo parece pesar uma tonelada. — Sente-se culpada, não é? Todo seu corpo congela. Olha para meu rosto com os olhos arregalados. — O quê? Não. Culpada sobre o quê? — Não? Então por que está aqui toda nervosa? — Sei que não tem medo de mim. O que significa que está assustada. — Terei que fodê-la para saber a resposta? Sua mandíbula endurece. — Odeio quando faz isso. — Mas funciona. — Porque nunca coloca distância entre nós quando transamos. Mas jamais lhe aviso o que farei, e não farei agora. Sua respiração já está falhando. Gosto quando está zangada, mas neste momento está mais perto de chorar. Gentilmente deslizo meu braço livre ao redor de sua cintura, e a puxo para meu peito. — Sabe o que penso? Esconde seu rosto. Seu cabelo cai sobre seus ombros quando nega em silêncio.


— Lembro de estar sentado em minha cela e receber sua carta. Páginas e páginas de desculpas por ter se perdido no rally e se colocar em território dos Eighty-Eight. Ou o quanto sentia não ter conseguido escapar de Reichmann sem ajuda. Uma e outra vez, porque sentia cada passo que me levou ao cárcere, inclusive aqueles que não tomou. Assim, agora penso que talvez se sinta da mesma forma, mas não está escrevendo, mas tem páginas e páginas de sinto muito se formando em seu interior bem agora. Mas não as quero. Lembra o que te respondi? — Sim. — sussurra — Agora me solte, Saxon. Não quero fazer, mas faço e a observo caminhar ao redor da cama e abrir uma gaveta na mesa de cabeceira. Puxa uma nota e a desdobra. As dobras estão rasgadas. Todo o papel cai em pedaços. Entrega isso a mim e é um murro em meu peito. Aí está minha resposta para ela. Minha letra. Jamais lamente. Porque não lamento. Sax. Sinto um nó em minha garganta. Guardou isto. E pelo estado do papel, suponho que desdobrou e leu centenas de vezes. Engulo com força e digo. — Novamente minha resposta é a mesma. Ontem à noite? Isso foi culpa do Reichmann, não tua. E não lamento. Não lamentei ter ido à prisão quando não a conhecia e estou muito seguro que não lamento estar contigo ontem à noite. Inclusive se isso tivesse me matado. Tudo o que me preocupa é que esteja a salvo. Treme quando digo que poderia ter morrido. — Acredita que me importa menos que esteja a salvo?


— Não. Mas lamentaria ter recebido uma bala por mim? Isso

jamais

acontecerá.

Mas

apenas

digamos.

Estaria

arrependida? Seus olhos se fecham. — Está dizendo que não se sentiria culpado se o fizesse? Merda. Caminhei diretamente para isso. — Jamais acontecerá. — digo novamente e ela sorri um pouco. Mas apesar da curva de seus lábios, seus olhos estão enfeitiçados quando me olha de novo. — Então não há nada que possa lamentar? Não posso pensar em uma fodida coisa. Negando lhe devolvo a nota. — Não. Mas sinto não ter escrito uma carta melhor. — Não há nada melhor. — diz em voz baixa e abre novamente a gaveta da mesinha. Vou por trás e adoro o seu pequeno suspiro irregular quando meus lábios apertam contra o lado de seu pescoço. Vira e estremece sua boca contra a minha. Provo profundamente e, quando geme, desço em sua garganta, brinco com ela, chupando a ponta de sua língua até que estremece, ponho seu lábio inferior entre meus dentes e lambo meu percurso para seu interior. O desejo arde e uma pesada onda de calor passa sobre cada músculo. É só um passo para a cama, logo a coloco sobre mim. Pesa quase nada, suas coxas sobre meu estômago enquanto se inclina. — Espera. — De repente se afasta, seus rosados lábios inchados. — Sequer pode sorrir. Beijar deve de doer.


É uma puta agonia. — Não me importa. — A mim sim. — Empurra meu peito, sentando. — Se fosse de outra forma e soubesse que beijar me faz mal.... — Jenny. — Seguro seu queixo e a obrigo me olhar. — Não é de outra forma. E já me dói. Assim sentir dor enquanto te beijo? Essa é uma boa opção. Seus olhos verdes se estreitam. Olha para a atadura em minha mandíbula, logo para meu pescoço. — Então apenas me diga se doer mais. — diz antes de deslizar mais abaixo e tirar meu cinto. Merda. Meu pau está tão duro quando abre o primeiro botão, que dói mais. Mas é uma dor totalmente boa. Um grunhido sai do meu peito quando usa seus dentes para brincar com meu eixo. Concentra-se em meu rosto, como se tentasse decidir se é uma dor boa ou ruim. — Princesa, está tudo bem. — Muito bem. Embora não deveria. Estou deitado em uma cama que não ganhei, com uma mulher que não mereço e que se consome pela culpa porque não a protegi como devia. Merda. Isso dói mais que tudo. — Jenny. — digo com voz rouca. — Volta aqui pra cima. Só deite comigo. Mostra o rosto com preocupação. Imediatamente está ao meu lado e medindo com suas mãos por todos lados, tocando com cuidado meu rosto, a beira das ataduras. — Por quê? Está bem?


— Estou bem. — Apoio sua cabeça em meu ombro são. — Só me dei conta que te abraçar é uma opção muito melhor. Suspira e se ajeita mais perto. — O percocet te derruba, não é? — Sim. — Não era mentira. Exceto que senti por um tempo. Passa sua mão sobre meu peito e apoia sobre meu coração. — Então dorme. — Você também. — Sei que conseguiu dormir um pouco ontem à noite. — Também dormirei. — diz. E não passa muito tempo antes que durma, mas não está comigo. Ao invés de relaxar, parece ficar rígida contra mim, como se estivesse se preparando.

Como

se

ainda

se

perguntasse

quando

desmoronará.

Acordo com o pau dolorido e a boca da Jenny sobre ele. Não consigo enxergar nada na escuridão, mas não preciso ver. Chupa com força, fazendo esses pequenos sons sensuais em sua garganta, que se convertem em zumbidos cada vez que me leva mais profundo. — Merda. — solto a maldição entre meus dentes. Faz uma pausa. Sei que perguntará se dói, mas só doerá se


parar. Coloco meus dedos em seu cabelo e a seguro no lugar antes que pare — Continue, princesa. Geme e sei que sua boceta está encharcada neste momento, sua boceta está tão faminta por meu pau quanto sua boca. Chupa meu pau grosso até o fundo da sua garganta e preciso me segurar para não empurrar mais profundo. Aperto meus punhos. — Até o fundo. E toma. Não consegue chupar toda minha longitude mas faz tudo o que pode, sua garganta aperta a cabeça do meu pau antes de tirar, em busca de ar, e não posso me conter mais. Sento e a subo em meu colo. Envolvo meu braço direito em sua cintura. Automaticamente prepara suas mãos sobre meus ombros, logo ofega e afasta suas mãos. — Oh, meu Deus, Saxon. Não quero escutar nada sobre me machucar e o que seja que esteja a ponto de dizer sai como um grito afogado, enquanto meu pau entra em sua boceta molhada. Não muito profundo. É tão apertada. E não tenho nenhum poder. — Jenny, incline-se para trás. Meu desejo faz que saia como um grunhido. Com a mudança de sua posição, meu pau entra mais profundamente. Merda, sim. Inclina sua cabeça para trás com um gemido, apoia suas mãos no colchão ao lado de


minhas coxas, abre ainda mais suas pernas sobre meus quadris, posiciona seus pés na cama atrás de mim. Arqueia suas costas. Na escuridão, seus mamilos são sombras firmes contra a palidez de sua pele. Preciso prová-los. — Agora me cavalgue. Fica em dúvida só por um instante, ajustando a posição. O primeiro impulso de seu quadril é inseguro. Estabilizo-a com meu braço ao redor de sua cintura e me inclino para frente para chupar seu doce e pequeno seio, logo gemo quando a seguinte estocada de sua quente e apertada boceta rodeia toda a longitude do meu pau. — Oh, Deus. — Respira e move seus pés, cravando seus calcanhares e esta vez tem o poder para golpear contra mim, batendo sua vagina e esfregando sua pélvis na minha. — Oh, Deus. Te quero tanto. Tanto. Puxo seu mamilo entre meus lábios e solto sua cintura. Está totalmente aberta, completamente exposta. Seu clitóris está escorregadio por seus sucos e acaricio com meu polegar esse pequeno nó enquanto encho sua vagina com meu pau outra vez. Sua boceta aperta e seus gemidos aumentam em gritos. Tão excitante. A maneira como se perde em si mesma. Como se entrega. Como me dá tudo. A mim. — Jenny! — digo seu nome com voz rouca. Logo a inclino sobre suas costas e sobre seu lado direito, abrindo suas pernas e cavalgando entre suas coxas. Levo seu joelho esquerdo para meu ombro e logo me afundo novamente em


seu calor escorregadio, mais profundo. Grita meu nome, e esta maldita tipoia não me deixa chegar ao seu clitóris. Sua vagina está tensa e apertada e seus músculos internos abraçando a longitude do meu pau, ela está perto, tão perto. Bato nela tão forte quanto ela me fode. Aperta seus dedos nos lençóis, como se tentasse se afastar, mas se empurra contra mim, seus quadris fazendo espirais pequenos a cada estocada. De repente, todo seu corpo fica tenso, não respira, nem se move, mas sua boceta me aperta com força, tão forte, uma e outra vez. Não posso durar depois disso. Minhas bolas parecem cheias de chumbo quente antes que meu sêmen saia disparado. Jenny treme brandamente e sua vagina aperta novamente, como se o forte pulso do meu pau em seu interior o provocasse. — Merda. — Não posso recuperar meu fôlego. Com meu peito agitado, coloco meu braço direito atrás de minhas costas. — Deus, demônios. Sacode com uma pequena risada, e os músculos de sua vagina ondulam ao redor do meu pênis. Jesus. Poderia ficar enterrado em seu calor para sempre, mas me retiro com suavidade, usando a parte baixa de minha camisa para limpar o sêmen. Com um pequeno suspiro de satisfação, vira sobre seu estômago. Puxo seu lado sobre meu lado bom. Vira sua cabeça para mim, apoiando sua bochecha no lençol. Observa meus movimentos.


— Quer outro Percocet? — Tomarei em um minuto. Assente. Sobe sua mão e entrelaça seus dedos com os meus. — Tenho tanto medo de perdê-los, os dois. Seu pai e eu. Não posso dizer nada, porque certamente perderá a um dos dois. Isso se não for os dois. Na realidade, não é um consolo. — Sei que dirá que não me deixará. Mas isso não significa que não podem te levar. E acreditei que tinha te perdido. — Continua e agora sua voz é rouca e baixa. Na escuridão, seus olhos brilham com lágrimas. — Naquela noite, por um minuto, pensei que estivesse morto e isso me doeu tanto que também quis morrer. E sigo vendo uma e outra vez. Assim sequer posso... não posso... Sua respiração para novamente. Puxo-a mais perto, mas não chora. Apenas estremece como se estivesse com frio e sussurra.


Capítulo Seis

Posso perdê-lo se fizer isto. Posso perdê-lo se não fizer. Em meu e-mail há um link do fotógrafo que me leva a uma galeria digital. São fotos grandes, de alta resolução, e quando dou zoom na imagem, não leva muito tempo encontrar o que estou procurando. Uma dependência. Muito notável em qualquer extensão de terra nesta parte do Oregon, à exceção dos espaços queimados no chão atrás do edifício. Tudo ao seu redor são ervas de cor amarela e estão secas. Aqueles espaços queimados não são de um incêndio, são queimaduras químicas. Algumas merdas desagradáveis estão sendo jogadas atrás dessa dependência. Um pouco mais atrás, cavaram um buraco e está cheio de lixo. Uma escavadora está ao lado dele, provavelmente para que possam cobrir o lixo rapidamente se for necessário. Imprimo as fotos e as coloco em um envelope pardo. Só preciso escrever uma nota anônima falsa e enviar ao oficial Landauer. Ele saberá de quem é. Não lhe darei a informação que quer sobre a noite em que Saxon recebeu os tiros, isso é com o que Saxon luta, mas lhe entregar os atiradores não seria suficiente, de qualquer forma. Apenas tiraria do meio dos Henchmen. Algo como isto pode acabar com todo o clube.


E se fizer, aceitarei isso de Saxon. Romperei todas as regras

que

aprendi

enquanto

crescia.

Os

clubes

se

encarregam de sua própria merda. Mas só quero cuidar do meu homem.

Fiz tudo com calma. Só visitei o Den para assinar os cheques de pagamento e trabalhar um pouco antes de retornar à casa do rancho. A caminhonete usada da Jenny já estava estacionada na frente e era a única coisa boa que vi na maior parte do dia. Minha mandíbula me incomoda muito. Os medicamentos e a tipoia me incomodam muito. Todo mundo e todas as coisas me incomodam muito. Exceto Jenny. Apenas ela me preocupa. Seu corpo não foi machucado, mas mesmo assim na outra noite se machucou. Pensando que morri. De alguma forma, saiu mais ferida do que eu. E se fosse eu, pensando que a tivesse perdido, embora só por um segundo? Prefiro que disparem em mim novamente. Hashtag está na porta. Bate meu punho quando sai e me diz. — Chefe, está lá em cima. Esteve muito calada o dia todo.


Assinto e subo as escadas. Tem todo o piso de cima para ela, sendo assim não demoro muito a encontrá-la. Veste uma camiseta e uma bermuda, está encolhida sobre o assento da janela, suas pernas longas e sua pele dourada com o sol batendo sobre ela. Mas seu rosto está pálido como um lençol branco, e se abraça como se estivesse ferida. — Jenny? Está bem? Com um suspiro tremente se senta e aponta a um grosso envelope sobre a cama. — Na verdade não. Deveria ver isso. — O que é? — Com o cenho franzido, abro o envelope, esperando ver uns papéis legais, talvez algo a respeito do funeral de seu pai ou todos os outros preparativos que acompanham um tapa no rosto quando seu pai está morrendo. No lugar há um monte de fotografias. — De onde são estas? — Do esconderijo dos Eighty-Eight. — O quê? — Isso não tem nenhum sentido. Zoomie e Blowback não irão ali até esta noite. Me olha, sua expressão como uma casca de ovo. Cuidadosamente pacífica, mas muito fácil de quebrar. — Recentemente pensei nisso. Depois que comecei a escutar que Reichmann me ameaçava e logo depois de descobrir que meu pai está doente, mas antes de ir para você. Porque tinha medo, certo? Não havia ninguém para me


proteger. Não teria ninguém que me protegesse. Assim pensava no que podia fazer para tirar isso de cima de mim. Jesus Cristo. Tem uma cozinha de metanfetamina encerrada em um círculo vermelho. — No que pensava? — Em enviar isto à polícia do estado. Meu peito parece abrir, como uma navalha entrando e tirando tudo. Enviar isto. Aos policiais. Para tirar aos Eighty-Eight de suas costas. Ela continua. — Não fiz antes porque pensei que não aconteceria nada de qualquer maneira. Quero dizer, alguém precisa saber que estes caras agem por aí e ninguém faz nada. Mas Landauer me pediu informação. Estes caras não são nem da jurisdição de Landauer, porque são de outro condado,

mas

acredito

que

pressionará.

Acredito

que

assegurará de que Reichmann caia. E não está equivocada. Landauer faria. Mas a navalha segue tirando mais do meu interior e meu peito dói como se em qualquer segundo fosse cuspir sangue. Não posso olhá-la. Não posso olhar nada neste maldito lugar. Devia ganhar meu lugar antes de colocar um pé aqui. Minha garganta está em carne viva. — Pensou que não poderia resolver a situação? Acha que não poderia acabar com ele? — Sei que pode.


Não é o que dizem estas fotos. E a ira me domina. — Sabe que planejamos ir para lá. Desliza seus braços ao redor de seu ventre como se estivesse abraçando-se. Seus olhos estão enormes e estão se enchendo. — Sim. — Mas fez isto. Merda. — lanço as fotos novamente na cama. — Agora chora? Não é você que acaba de ser apunhalada no peito e nas costas. É a mesma que ontem à noite me fodeu, disse que precisava de mim, sabendo todo o tempo que levava a puta razão pela qual estou aqui. Seus olhos se fecham e as lágrimas escorrem sob seus olhos. — Não parecia importar. Sabia que te perderia de uma maneira ou outra. — Me perder? — Minha risada rasga minhas vísceras e caminho até ela. Seguro seu queixo e a faço me olhar. A miséria que vejo em seus olhos nos torna um par perfeito. — Me perder? Não, Jenny. Siga em frente e me apunhale pelas costas, me converta em um inútil de merda. Ainda assim não te deixarei ir. Não me importa se já não precisa de mim, merda. Porque ainda preciso dela. Muito. Preciso prová-la e tomá-la agora, sua boca salgada pelas lágrimas. Está me afastando, mas não terminei. Vou mais profundo, até que se aperta em mim, me beijando em resposta com sua língua suave e quente. Com meu punho em seu cabelo, afasto e falo. — Pelo menos ainda precisa disso.


Empurra meu peito. Esta vez a solto. Separa-se de mim, seu peito agitado, mas agora não chora. Está bem e de saco cheio. — O que significa isso? Acha que não preciso mais de você? Por quê? — Jenny, para te proteger. Porque garanto que não parece acreditar que posso. — E saber disso me mata. Olha-me fixamente. — Sei que pode. — Então por que pediria a Landauer que o fizesse? — Não pedi. Mandei isso para te proteger. Isso não faz nenhum sentido. — O quê? — Sei que pode acabar com eles. Mas também sei que Landauer apontará diretamente para você quando fizer. E eu não... — sua respiração se agita antes que se estabilize de novo. — Já passou cinco anos preso porque me protegeu. Tentei te ajudar, mas nada do que disse fez nenhuma diferença. Mas fará agora. E não quero te perder pelo resto da minha vida. Então, se quiser que envie isto, para se desfazer dos Eighty-Eight dessa maneira, farei. — Para me proteger. A mim. — Ainda não entra em minha cabeça, mas enche o vazio em meu peito. — Jenny, eu te protejo. Não o contrário. — Agora é assim. Mas apenas se desejar. — faz uma pausa, tremendo. — Por ter me dado uma opção quando meu pai veio a ti. Permitiu que decidisse se deixaria que me protegesse. É por isso que não enviei as fotos. Para que também possa escolher.


— Não quero que faça. — Preciso eliminar Reichmann por minha conta e tenho que ganhar um lugar ao seu lado, não me esconder atrás dela. Sei que Jenny não concorda, e quando começa a chorar novamente, seguro sua bochecha com a palma da minha mão. — Não quero assim. Mas saber que cuidava de mim? Gosto muito disso. Mas não é necessário que me proteja. Isso é o que fazem meus irmãos. Cuidamos das costas um dos outros e eu cuido de ti. — Não havia ninguém cuidando suas costas naquela noite. Merda. Sim, havia alguém. — Jenny você cuidou. Você conseguiu me tirar dali e salvou a minha vida. Agora terei que engolir cada palavra que acabo de dizer. Sorri um pouco, logo sussurra. — Sei que é assim que funciona o clube. Sei que cuidam de suas costas. Ainda tenho medo. — Suponho que isso não desaparecerá até que termine. Mas serei cuidadoso. Porque preciso voltar para você. — E necessito de você aqui. — Tira a parte dianteira da minha camisa, como para assegurar que tenho sua atenção. — Não apenas para me proteger. Essa não é a única razão pela qual está aqui. Espero. — A sua doce boceta pode ser que tenha algo que ver com isso. — E a amo tanto que não posso imaginar viver sem ela. Sorri. — Bom. Porque gosto do seu grande pau. — Merda. Gosta.


Seus dedos são um punho em minha camisa e me atira para a cama. — Sim, gosto.

Saxon está reunido na casa do rancho ao invés da casa do clube com os Riders e os Titãs que irão a campo. Estão ao redor de nossa sala de descanso, escutando enquanto esboça o plano. Estou de pé na parede do fundo e simplesmente fico em silêncio. Normalmente não falariam de negócios diante de mim, não apenas para amparo do clube, mas também para minha segurança. Se algo sair errado, quanto menos souber, melhor. Meu pai está de pé ao seu lado. Embora não disse nada a Saxon diante dos outros, posso ver que não está feliz de que esteja aqui. Então Saxon lhes diz que tenho as fotografias diurnas dos terrenos dos Eighty-Eight, assim já estou envolvida até as bolas nisto e, de repente, meu pai está zangado comigo ao invés de estar com ele. Mas posso aceitar. Tenho toda minha vida. E sei por que Saxon quer fazer desta maneira. Não sairei com eles, mas me ajuda ouvi-los falar disso. Porque irão como imaginei que fariam. Não irão com suas motos barulhentas, com um monte de escopetas atadas a suas costas. Ao invés disso, parece muito uma operação militar.


Suponho que seja algo mais parecido com o que estes caras estão familiarizados. Ao meu lado, Lily levanta sua mão. Anteriormente me deu um olhar assassino quando disse por que contratei outra pessoa, para que as fotos não fossem rastreadas até os Riders, mas suponho que voar ontem à noite sobre o local, e conseguir as fotos com infravermelho diminuiu sua irritação. Esses sinais de calor são provavelmente mais úteis de qualquer maneira. Deu-lhes uma boa ideia de onde estariam os Henchmen perto das três da manhã em uma noite qualquer e quantos faziam guarda. Saxon vê a mão de Lily. — Zoomie? — Chefe, levaremos nossas próprias armas? Olha para seu vice-presidente. — Blowback? O homem corpulento abre uma maleta que antes colocou na parte dianteira da sala. Posso dizer que há alguns rifles automáticos, mas não sei de que tipo. Mas os outros sabem. Alguns caras olham uns para os outros buscando a confirmação do que veem. — Jesus Cristo, maldição! — murmura Lily ao meu lado. Levanta sua voz. — Jack, de onde tirou tudo isto? Blowback lança seu olhar frio. — Cruzei com alguém que não deveria e é o único que sabe que os tenho agora. — É alguém que ainda é capaz de falar? — Não. — Muito bem, então. — Lily relaxa suas costas. Blowback olha para os outros.


— Estas não podem ser rastreadas até mim ou os Riders. Nada desta caixa foi usado antes. E agora há duas regras: Não tocar sem luvas e deixá-los para trás. — Espera. Deixá-los para trás? Apenas se desfazer? — Gunner realmente soa aflito. — É o que disse. — Um pau em uma camisinha. — acrescenta meu pai, como se lhes recordasse. É uma de suas frases favoritas. Entrar limpo. Sair limpo. Esta vez, para que as armas não sejam rastreadas até eles. — Planejamos para duas noites a partir de agora. — diz Saxon. — A lua ficará perto das duas e meia. Três equipes. A de Blowback eliminará a cozinha e o cozinheiro. Com a minha procuraremos Reichmann. Red, Hashtag e Zoomie estarão no perímetro. Hashtag será nossos olhos e nossa comunicação. Red e Zoomie sobrevoarão. De helicóptero? — Não será ruidoso? — sussurro. — Meu helicóptero não. — faz a mímica de levantar um rifle e apertar o gatilho. — Bem no alto. Em um teto ou em uma árvore. Oh! Cobrir as costas um dos outros. O nó em meu peito diminui um pouco mais. Não é desfeito no momento em que a reunião termina, mas quando Saxon vem para mim depois disso e me pergunta em voz baixa. — Tudo bem? Pela primeira vez, acredito que poderia estar.


Capítulo Sete

Esperamos ouvir a cozinha estourar, mas até agora não há nada mais que grilos e cães. A equipe de Blowback virou mais à frente no extremo norte do complexo. Nos dois dias que passaram desde nossa reunião, estive aqui várias vezes com Stone, examinando nossas rotas de acesso em relação aos rumores das armadilhas explosivas. Nada encontrado, mas ainda andamos com cuidado. Penso que toda a segurança dos Eighty-Eight é mais conversa que ação. Há cães por toda parte do complexo, e acreditávamos que precisaríamos colocá-los para dormir para que não alertassem os Henchmen antes de estarmos no lugar, mas todos latem sem parar. O silêncio funcionaria como um alarme. Cães

sem

treinamento,

rumores

de

armadilhas

explosivas que não existem, um complexo que é somente um punhado de casas móveis em uma antiga fazenda. É fácil identificar a sede nas fotos, as motos estão estacionadas ao redor, mas o resto do lugar está cheio de sucata. Segurança real seria limpar essa merda para que uma equipe de três homens não conseguisse chegar até as casas, se ocultando. A


realidade é que temos dezenas de veículos oxidados para nos esconder. Escondido na parte traseira de um velho Ford, Gunner me olha. Usamos pintura militar, assim nossos rostos não são vistos na escuridão. Não posso ler sua expressão, apenas ver o movimento de seus olhos. — Blowback está atrasado. — diz tranquilamente. — Dê outro minuto. Alguma equipe provavelmente o atrasou. Stone dá uma risada silenciosa — Ainda nos vê? Fala através de um microfone em seu pescoço. A resposta de Hashtag vem pelo receptor em meu ouvido, um dos brinquedos de Gunner. Entre ele, Stone e Blowback, estamos mais bem equipados do que alguma vez estive durante minha curta temporada de marinhe. — Vejo seus belos olhos agora. Sorrindo, Stone pisca quando brilhantes luzes laranjas iluminam o céu. Uma explosão ressoa pelo ar. Seu sorriso se desvanece. — Aqui vamos. Coloquem as máscaras. Para filtrar qualquer merda tóxica jogada no céu agora mesmo. Levanto a minha, uma dor terrível ao passar por minha mandíbula. Curei o suficiente durante os últimos dias para tirar a tipoia e mover meu braço, mas me sinto tão fodido e dolorido. — Puta merda! — O grito vem da esquerda. Algumas risadas. — Foguetes, novamente é o maldito quatro de julho!


— Corredores chegarão às nove. Não olham em sua direção. — diz Hashtag. Um laboratório de metanfetaminas explodir devido a um derrame químico ou condensação de gases é esperado como pulgas em um cão de rua. Correm simplesmente para ver o que aconteceu. É a natureza humana. E essa natureza os deixará vulneráveis. — Tenho Burke à vista. O executor dos Eighty-Eight, o filho de puta que atirou em mim e que levaria Jenny. Merda. Queria os olhos do Reichmann antes que começássemos a disparar. Agora os Eighty-Eight acham que é uma explosão acidental. Assim que o primeiro disparo acontecer, o jogo muda completamente. Se esconderão e começarão a atirar também. Um afiado estalo divide a noite. O jogo muda. Zoomie, cobrindo a equipe do Blowback. O tom dos gritos ao nosso redor muda. Não apenas de surpresa, mas também alarme. — Red? — Tenho. Outro estalo. — Merda! — diz Hashtag em meu ouvido. — Acabo de ver Reichmann, mas ele viu Burke cair. Entrou na casa nove. Casa nove. Fizemos um mapa pelas fotos e numeramos todos os prédios. É uma localizada ao noroeste, de uma só habitação. — Estamos limpos? — Mantenham-se abaixados e atrás da sucata. Tem no máximo uns dezoito metros de distância até a parte de trás da casa.


Nos movemos rapidamente. Eles ainda estão dispersos, provavelmente buscando armas. Paramos atrás da última lixeira. — Preparados para ir? — Estou com o infravermelho na casa. Não há ninguém nas janelas, mas... Merda. Existem mulheres ou crianças na casa, na parte norte da casa. Acredito que são mulheres. São seis. Ninguém realmente pequeno. Porra. — Reichmann está lá com elas? — Não. Há dois homens na casa. Estão na sala de estar. E... — duvida por um segundo. — Chefe, parece que estão acorrentadas. Acorrentadas? Só existe uma razão para isso. A raiva é rápida e quente, mas a esfrio. Rapidamente. Não estão somente correndo metanfetaminas e drogas. Também estão vendendo garotas. E se pegassem Jenny, não há uma dúvida do que fariam logo depois de terminar com ela. — Na casa ao norte? — Sim. Sentadas no piso do muro sul. Do outro lado há um banheiro. Há uma janela na parede oeste, mas está murada. Olhei para Stone. — Se pegarmos esses dois, Reichmann virá pelas garotas e se esconderá atrás delas. Seu assentimento é rápido — Então seremos rápidos? Hashtag entra. — Provavelmente pediu ajuda por comunicação interna, porque há cinco homens que se dirigem ao seu encontro, do norte. O outro lado da casa. Por hora estaremos cobertos.


— Red, tenho os cinco, pode iluminar a Casa Clube. — diz Zoomie. — A equipe de Blowback está do lado de fora, indo ao ponto de encontro. Olho para Stone e Gunner. — Estamos indo. Apenas 18 metros e o que nos rodeia na noite parece um campo de batalha. Zoomie tira os cinco Henchmen pelo outro lado da casa, mas usaram como cobertura mais sucata, porque atiravam de volta. Não sei se podem vê-los ou apenas tentam na sorte. Uma linha atravessa o céu, um dos foguetes que Red usa para atingir a Casa Clube. Queimando toda até os alicerces. Chegamos rápido ao lugar e temos nossas costas contra a parede sul, nos escondendo abaixo. Ainda há disparos vindo do outro lado. — Zoomie? — Quase os tenho. — sua voz soava tensa. — E a camisinha em nosso pau se rompeu. Preciso um pouco de hipoclorito aqui. — Está sangrando? É grave? — Tirarei. — entrou Blowback. — Volte, Jack. Pegarei estes filhos de puta e sairei. Só me tragam algum maldito hipoclorito. — Pausa e o ruído do norte de repente se acalma. — Bem. Caíram. — Blowback, tire-a e limpe. — digo — Hashtag? — Dois homens a cada lado da porta principal. Reichmann está mais atrás no mesmo quarto. Todos estão armados. Escopetas ou rifles.


— Está certo que é ele? O infravermelho não dá uma imagem tão detalhada. — Sim, chefe. Em um punho leva uma tala, e em seu pé um gesso. Imagino que é porque alguém cortou seus dedos, e outro rompeu também seu tornozelo. — Blowback pode ter o tornozelo. — disse Stone baixo — Mas quero me assegurar que consegui alguns dentes. Levou uma boa surra por tocar em Jenny. Os dedos são de Red. Sua vida, minha. Aponto na frente da casa. Imediatamente Stone e Gunner se movem como se estivessem sincronizados, cada passo como se fossem um só. Serviram juntos muito tempo, inclusive mais

do que passaram

como Riders

e

não

necessitam de palavras para se comunicarem e saber o que cada um deve fazer, assim passarão primeiro. São como um bisturi de precisão. Eu apenas sou um grande punho. Grama alta e seca estala sob nossas botas. Não evitamos o ruído. Apressamos ao redor da casa. Ainda existem muitos gritos e latidos de cães e agora os motores esquentando à distância, que ninguém do lado de dentro deve ser capaz de ouvir o som. Não há nenhuma luz acesa. Então, alguém do lado de dentro é inteligente o suficiente para não estar simplesmente à vista, mas no momento em que nos movemos à frente, o resplendor do fogo da Casa Clube permitirá que nos vejam. Franzindo as sobrancelhas, Stone olha para Gunner — Hashtag, ainda estão na porta principal? — Positivo.


— De pé? — Sim. — E as garotas continuam sentadas? Verifique duas vezes agora. — Estão. Gunner observa Stone, que encolhe de ombros. — Espera um segundo, chefe. — diz, e como se fossem um, caminham à vista, como os dois mais ousados idiotas que já vi e abrem fogo na frente da casa com dois rifles de assalto do contrabando de Blowback. As armas automáticas destroçam a metade superior da porta e cortam o revestimento como uma serra. Jesus Cristo. Mesmo que os guardas que estavam na porta estejam vivos, não há possibilidade de que continuem inteiros. Esconderam-se ou fugiram. Sem dúvida, Reichmann fugiu, mas só há um lugar para se esconder. Vou até a porta. Stone e Gunner param de disparar, posicionados diante de mim, verificando o lugar. Um dos guardas geme no chão, sangrando em um ombro e sua arma em uma mão. Gunner apenas olha para baixo, terminando com uma curta explosão. Espero para colocar meus óculos de visão noturna, mas há uma luz tênue que vem do vestíbulo agora, pela porta do quarto. — Está com uma das garotas. Arrastou-a para o banheiro do quarto. Parece que está de pé na banheira e a tem na sua frente.


Como um escudo. Merda. Olho para a porta do banheiro do quarto e digo para meus dois homens irem para o quarto. — Soltem as outras. Stone assente e cobre Gunner enquanto vão pelo corredor. — Sem discussão. — diz Red pelo rádio. — mas não conseguiremos sair daqui limpos. Vendem os olhos delas, se puder fazer isso e deixem-nas na Igreja Episcopal em La Pene. E cuidem de suas bocas. Não digam seus nomes a partir de agora. Gunner apaga a luz do quarto, usando a visão noturna, assim pode vê-las, mas as garotas não. Ainda há um raio de luz sob a porta do banheiro. Gritos abafados vêm do local, estridentes com terror. A voz de Gunner é baixa e tranquilizadora. Cubro Stone enquanto vai ajudar. — Reichmann está com a arma na garota ou na porta? — Na porta. Um rifle ou escopeta. Isso tem que ser realmente forte de sustentar quando uma de suas mãos ainda se está curando. Mas se passo pela porta, seria um homem morto. Se disparo da porta, poderia matar a garota. Isso não acontecerá. Pés nus tocam o piso. Quatro mulheres, aterrorizadas e sustentando uma a outra. Stone transporta a quinta em seus ombros. — Tenho dois irmãos saindo com cinco mulheres. O caminho está livre? — Sim, senhor.


Faço-lhes gestos para que saiam. — Vão ao ponto de encontro. Gunner duvida. — Chefe... — Vá embora. — digo tranquilo, sem o comunicador interno, porque se tiver que dizê-lo novamente, soará muito duro. — Ainda tenho olhos cuidando de minhas costas. Vão para fora. Vejo a linha de luz sob a porta do banheiro no quarto. Reichmann tem uma escopeta e uma mão incapacitada. A menos de que use uma semiautomática, será difícil lidar com a ação depois do seu primeiro tiro. Se tiver uma automática, sustentar ambas, a garota e a arma. O tiro sairá sem pontaria e se não o estabilizará, não será capaz de apontar corretamente de novo. E ele é um maldito covarde. Não se manterá firme. Entrará em pânico. Da sala de estar, tiro um dos telefones dos guardas. A tela está quebrada mas não preciso usar. Volto à sala, me mantenho agachado. Coloco a porta do banheiro na mira e aponto o fuzil a uma parte superior da estrutura. Não olho para qualquer um no interior, meu objetivo é a luz... A arma disparada bate contra meu ombro direito e as balas fazem um buraco no painel de gesso sobre a porta, acertando no teto do banheiro. A luz pisca, se apagando. Pó de gesso e lascas de madeira caem no piso do corredor. A mulher grita, mas mal posso escutar pelo zumbido em meus ouvidos.


Jogo o telefone nos restos da porta e dou um chute. Um instante depois, o centro da porta estala e a detonação da escopeta de Reichmann retumba por toda a casa. Penso em Jenny enquanto ataco pelo corredor e chuto os restos da entrada do banheiro. Pensando em como a tinha apertada contra a parede nessa cabine, pensando no medo e na raiva em seu rosto. Pensando nos hematomas em seu braço e sua coxa. Pensando em como não o viu se aproximar. Ele não me vê se aproximando agora. Deixou a escopeta cair na ação e luta para encontrar a faca no coldre em sua cintura, tentando ao mesmo tempo segurar a mulher que puxa. Pelos meus óculos de visão noturna, suas lágrimas correm sobre suas bochechas. Afasto a faca e dou um soco em sua cara. Isso é tudo o que precisa. Sua cabeça ricocheteia nos azulejos da parede e cai na banheira. Quinze anos atrás, matei seu irmão com um golpe. Não quis fazer e sequer sabia que ficou em coma e morreu até que os policiais apareceram. Não sabia se Reichmann estava morto agora. Mas desta vez, queria. Segurando sua cabeça, viro seu queixo até que seu pescoço estala. Agora tenho certeza.

Não há lua no céu. Só escuridão lá fora. Meu coração ficou preso em minha garganta quando Saxon partiu, o vulto


não se moveu ainda. Mas nem eu me movi. Fiquei sentada quatro horas no banco perto da janela do meu quarto, com um telefone descartável na mão. Scarecrow está de pé em uma das outras janelas. Bottlecap está do lado de fora na horta, fazendo as rondas. Tio Thorne, na parte de baixo. Apenas no caso de que tudo dê errado e Reichmann venha atrás de mim. De repente uma luz enche o vão da janela. O celular. Pisco diante dos repentinos pontos em frente aos meus olhos e tento ler a mensagem. É do segundo celular descartável que Saxon escolheu. Parece. Meu coração aperta. Não supõe que responda. Apenas que me desfaça do telefone. Mas me apegarei a esta mensagem até que chegue em casa. Scarecrow mostra sua cabeça no quarto. — Eram eles? Está tudo bem? Solto uma respiração irregular. — Acredito que sim.


Capítulo Oito

Landauer vem ao rancho dois dias depois. Red sai ao alpendre para cumprimentá-lo. Fico com Jenny na cozinha, onde corta tomates. Seu cabelo escuro está preso, assim beijo seu pescoço nu antes de puxar suas costas contra meu peito. Seu coração bate forte. — Tudo bem? — pergunto brandamente e ela assente. Bom. Beijo a lateral de seu pescoço, antes de pegar duas cervejas do refrigerador. Ofereço uma ao oficial enquanto chega. Com o chapéu na mão, sacode a cabeça. — Ainda em serviço. Concordo e abro uma para Jenny. Landauer nos olha. Estou muito certo do que procura. Mas a única que saiu do complexo ferida foi Zoomie, uma ferida superficial na parte superior

do

braço

e

as

mulheres

que

encontramos

acorrentadas. Não olhei para trás enquanto saí da Casa Nove. Simplesmente mandei Red incendiá-la. O olhar de Landauer fixa em Jenny. — Meu filho me disse que mostrou os arredores do seu lugar, lhe ensinando um pouco sobre a preparação da cerveja.


— Hashtag? — levanta suas sobrancelhas. O recruta não a acompanha mais, mas mostrou sua granja por algumas horas cada dia. Ela me perguntou se contratá-lo criaria algum conflito no clube. — Não sabia que era seu filho. — Sua mãe e eu estamos separados por algum tempo. — Esclarece, mudando o chapéu da mão direita para a esquerda.

De

qualquer

maneira,

parece

realmente

interessado no que fazem. Ela ri. — Todo garoto dessa idade se interessa por cerveja. — Certo. — sua diversão transforma-se em uma expressão grave. — Provavelmente sabem a razão de minha visita. — Podemos adivinhar ou pode simplesmente nos dizer. — diz Red. — Escutaram sobre as seis mulheres que apareceram na igreja em La Pene? Jenny faz uma careta. — Li sobre elas esta manhã. Estão bem? — Suponho que em casos como esses, bem é relativo. Estão melhores do que estiveram. — coça um lado de seu queixo, mas a olha de perto. — Vieram da granja dos EightyEight. Seus lábios rosados se abrem com surpresa. Franze suas sobrancelhas, me lança um olhar fixo, logo volta a olhar para Landauer. Sua surpresa é genuína. Red e eu não dissemos uma palavra sobre isso.


— Traficavam mulheres? — logo a surpresa vira raiva. — Mulheres? — É o que parece. — encolhe os ombros. — É o que escutei. Como os rumores de que a investigação será tirada do Condado do Deschutes e colocada nas mãos dos federais. Algo sobre encontrarem armas que sugerem que um grande cartel estava envolvido nisso e as mulheres dizendo que eram executores ou militares que as salvaram. Um cartel? Jesus Cristo. — Que cartel? Não finjo surpresa, tampouco. Blowback tem umas malditas bolas gigantes, isso é seguro. — Isso é o que ouvi. Exceto pelo que venho dizer. — Olha para Jenny novamente. — O médico forense acaba de confirmar que alguns dos restos que encontraram em uma casa queimada pertenciam a Luke Reichmann. Seu rosto congela. O olha por um longo segundo e lágrimas molham seus olhos. — Estão certos? — Sim. Sua respiração falha e estremece. Logo está em meus braços, colocando seu rosto em meu peito. — Não precisa fazer. — sussurra e suas lágrimas molham minha camisa. — Não tem que fazê-lo. — Teria gostado. — diz Red, sua voz dura e grave e não acredito que seja atuação. Não lhe incomoda o que fiz, mas gostaria de fazer ele mesmo. Não digo nada. Não existe esconderijo para minha satisfação, deixo que Landauer faça com isso o que quiser.


Ele tem suspeitas, mas dúvidas também. Mas não pode ter nenhuma dúvida de que fiquei extremamente feliz por Reichmann estar morto. E esta mulher em meus braços, me protege, ainda agora. Cuida de mim, ainda agora. De mim, do seu pai e de cada um de meus irmãos. Chorando em meus braços, mas tão forte. — De qualquer maneira. — Landauer coloca seu chapéu. — Só queria avisar a Srta. Erickson que Reichmann não lhe incomodará novamente. Volta para ele, chorando, tremendo e secando os olhos. — Obrigada. Muito obrigada. Totalmente incrível.

Estou lendo no sofá perto da janela quando Saxon sai do banho somente com uma toalha em seus quadris. Deus. Deixo meu livro cair em meu colo e absorvo todo esse grosso, reluzente músculo e pele bronzeada. Hoje verificou suas feridas e as bandagens são menores agora. Apenas um curativo na lateral do seu pescoço e um quadrado na pior parte do seu ombro. Seu cabelo ainda está úmido. Não o penteou para trás e as pontas caem até sua forte mandíbula. Agora se barbeia ao invés de deixar sua barba crescer


novamente e não posso decidir o que amo mais. Parece grande, malvado e sexy de qualquer maneira. E é todo meu. Estou a ponto de me colocar em muitos problemas. Levanto do sofá. — Então sairá agora? — Sair? — para em frente ao armário. Seu olhar vai da minha camiseta para meu shorts e um tremor quente percorre a minha pele. — Onde? — De volta para sua casa, acredito. Já que não preciso mais de amparo e é a única razão pela qual está aqui. Aqueles olhos azuis escuros encontram os meus. Seu rosto é como granito e o seu olhar diz que é perigoso dar outro passo. Estou um passo mais perto. — Mas assumo que provavelmente existe uma grande quantidade de garotas que podem querer seu amparo agora. Especialmente necessidade

de

porque, andar

aparentemente, ao

redor,

você

salvando

tem garotas

esta de

problemas. Mas como já não estou em problemas... Estou perto o suficiente agora para sentir seu calor, para respirar seu limpo aroma de sabão. Seus olhos ainda estão fixos em meu rosto. Sua voz é grave. — Disse que gosto da sua boceta, princesa. — Sim, então ficará por isso? — Porra, sim, ficarei. De repente, coloca seu braço ao redor da minha cintura, e me puxa em seu peito largo, indo rapidamente para a cama.


Coloca-me no meio da cama e sobre depois, segurando meus tornozelos enquanto vou para trás. Excitação me domina. — E porque tudo isto é meu agora. Esta cama. Meu lugar é aqui contigo. — Dedos fortes abaixam meu short e minha calcinha, por minhas pernas. — Especialmente esta doce boceta. Assim, sim, vou direto para meu lugar. Suas mãos seguram os meus joelhos e os afastam. Oh, meu Deus. Estou aberta como uma mariposa e ele abaixa sua cabeça sem vacilar, lambendo lentamente da minha entrada ao meu clitóris. Fecha sua boca sobre esse doloroso broto e o chupa forte. Grito, meus quadris chacoalhando. Rosna e dá outra lenta lambida, tocando sua língua no meu clitóris. É tão bom, muito bom, quase não posso suportar e gemo quando levanta sua cabeça. — Tão molhada. Quer meu pau, Jenny? Não é isso pelo que está aqui, pelo meu grande pau? Enchendo-me. Porque estou vazia e dolorida. — Sim. Deus, sim. — Então, fique de quatro. Mas não espera que me mexa. Com as suas mãos em meus quadris, vira-me e me coloca de quatro. Levanto os meus cotovelos, mas empurra meu corpo de volta à cama, sua palma entre minhas omoplatas, me sustentando para baixo. Seus dedos escorregam em minha vagina. Inutilmente gemo, minhas mãos apertando os lençóis. A ansiedade me domina.


— Veja, está tão pronta para mim. — Cada palavra é tensa, sua voz rouca. Na beira do controle. — Tão linda. Quer meu pau? Meu corpo estremece com desespero. — Muito. — Vou fazê-la tomar cada centímetro, Jenny. — coloca a grande coroa entre os lábios da minha vagina, me abrindo. Balanço meus quadris e a pressão de sua mão entre minhas omoplatas aumenta. — Sem se mover. Apenas o receba. De acordo? — Sim! — ofego entre os lençóis, tremendo, logo me esticando enquanto entra em mim, esticando minha carne sensível. — Porra, isso é tão quente. — geme e sei que vê seu grande pau entrar lentamente em mim. — Quanto quer, princesa? Tudo o que tem para dar. — Tudo. — Então tome-o por completo. — diz e começa a se retirar. Oh, Deus. Sinto como se atingisse cada nervo, o prazer formigando minha pele. Geme e para com a cabeça de seu pau dentro de mim e sei que olha a umidade cobrindo sua pele tensa e os lábios da minha boceta ao redor de seu eixo. — Estende seus joelhos um pouco mais... Oh! Porra, sim. Você gosta disso, também? Sua boceta aperta ao meu redor. Não

posso

responder,

minha

respiração

sai

em

pequenos soluços ofegantes. Neste ângulo, a cabeça de seu pênis fica enorme, pressionando mais forte em minhas


paredes internas. Choramingo enquanto começa a entrar mais profundo e a sensação se intensifica com cada centímetro, até que não sinto mais nada além da grossa longitude dentro de mim. — Não, princesa. Fica quieta e me toma. — grunhe e me dou conta

que estou me

esfregando

nele novamente,

chorando e me contorcendo contra a mão que me mantém abaixada e seu pau me preenchendo completamente. Logo empurra mais profundo, porque sabe que gozo mais forte desta maneira, mas já estou quase no limite e não sei se posso tomar isso agora. Mas sei que fará. Porque seus dedos empurram meus quadris, segurando forte e isso significa que me foderá forte. Oh! Deus. — Saxon... Sai e entra profundamente. Grito, desejo e prazer como um foguete ardendo em cada nervo dentro de mim e apenas me dá mais, fodendo minha carne apertada com golpes profundos, até que já não posso tomá-lo. O orgasmo explode, lançando minha cabeça para trás e arqueando minhas costas. Minha vagina aperta ao redor do seu pau, ainda entrando e saindo de mim. Saxon rosna e bombeia mais forte, mais forte, caindo sobre mim, seu peito em minhas costas e sua boca quente em meu ouvido. Estoca profundo e cada um de seus músculos fica rígido, tremendo enquanto goza. — Te amo. — treme em meu pescoço e gentilmente beija minha pele suada. — Te amo muito, Jenny.


Meu coração enche de alegria e coloco meus dedos em seu cabelo úmido. — Essa é uma boa razão para estar aqui. — Tenho mais. — vira e me leva com ele. — Não importa se for aqui, em minha casa ou em uma maldita loja, nunca tive tanto. Tenho tudo. Sou como um rei, apenas porque está comigo. Com a garganta obstruída de emoção, encosto minha cabeça em seu peito enquanto o abraço forte. — Não comece a chorar. — Bate de leve em minha bunda. — Veja seu criado mudo. Levantando minha cabeça, estreito o olhar. — Vá, princesa. — sorrio e viro na cama. No interior da gaveta, um novo bilhete está dobrado ao lado do velho.

Jamais te deixarei. Sempre te amarei. Agora guarda isto nessa maldita gaveta, vem aqui e me beija. Sax E é o que faço.

FIM


Como único membro feminino dos Hellfire Riders, lutei por tudo o que tenho. Mas agora perderei tudo... Uma estúpida aposta feita anos atrás vai me destruir. Me esqueci dela, mas o Senhor da Guerra dos Riders não. Agora o membro mais perigoso do clube está decidido a recolher seu prêmio: uma noite em minha cama. Mas não sou o que Jack Hayden quer. Ele tentou se desfazer de mim desde que fui machucada. Ele acredita que sou frágil. Acredita que sou vulnerável. A única possível razão pela qual tenta levar adiante esta aposta é para tentar me derrubar diante de nossos irmãos. Assim não o deixarei me ter, não importa a quantidade de prazer que possa me dar. Nunca desejarei seu toque...



Kati wilde hellfire riders mc 03 having it all(rev pl)