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Um amor, um verão, e o milagre da vida Baseado em fatos reais

Prefácio Que minhas primeiras palavras sejam para explicar por que este livro foi escrito e por que o escrevi da maneira como ele se apresenta. Ele não surgiu, evidentemente, de nenhuma inspiração momentânea. Pelo contrário, é fruto de uma história de vida, de sofrimento, de amor ao próximo... e, a amparar-me, tenho a experiência de ter eu mesma sentido um pouco do que vou relatar. Quando se ouve um médico falar a uma pessoa querida: “— Sinto muito, mas seus exames acusaram se tratar de câncer e precisamos iniciar o tratamento imediatamente” — surge um sentimento que mescla impotência e uma vontade imensa de superação. São duas situações em posições opostas: uma nos leva à consciência das nossas limitações; a outra nos acorda para a nossa capacidade infinita de convocar nossas forças e direcioná-las para vencermos os obstáculos que se apresentam. Ambas são importantes para que tenhamos equilíbrio e consciência, mantendo-nos alertas e esperançosos ao mesmo tempo. A frase pronunciada pelo médico especialista ecoou na minha mente repetidamente por um longo tempo, lembrando-me de como somos vulneráveis e de como é preciso estarmos atentos aos sinais que nos são oferecidos todos os dias. Oferecidos? Sim. Se estamos conscientes de nossa “finitude” e da importância da nossa breve passagem por este mundo, tudo que se desnuda a nossa frente para nos tornar melhores e mais humanos, é especial; basta termos o olhar desprendido e límpido para poder entender e fazer de nossas experiências uma bela história de vida. Nesses últimos anos convivi com muitas pessoas portadoras de câncer. Eram de todas as idades e com tipos e graus da doença bem diferentes entre si. Muitas sabiam que a vida delas seria abreviada, mas, mesmo assim, algumas possuíam um otimismo e uma esperança que poucos, mesmo gozando de plena saúde, os têm. Aproximei-me dessas pessoas de maneira especial, porque precisava compreender o que as fazia ter um comportamento tão inexplicável, segundo o meu entender. Um fator era comum em todos esses casos: a família e o amor estavam presentes. Todas essas pessoas eram cercadas de um carinho muito grande; voltei, então, meu olhar para aqueles que tinham chances de cura. Selecionei os que sorriam com mais facilidade e que transbordavam esperança. Novamente ele, o amor, estava lá: dos amigos, da família, dos profissionais. Na minha busca por respostas, decidi achegar-me daqueles que, por


várias razões, a desesperança consumia, tornando-os mais fragilizados a cada dia. Com eles, testemunhei o abandono — a solidão de trilhar essa estrada sem um braço amigo. Não vou alegar que é fácil passar por essa guerra sem se abater frequentemente, sem se sentir muitas vezes fraco para resistir à luta e querer desistir, para diminuir a aflição do desconhecido. Não, eu seria uma tola; mas posso afirmar, em primeira pessoa, que essa batalha é bem menos dolorosa quando estamos amparados pela solidariedade e o amor dos que nos cercam e, com certeza, compartilhar as pequenas conquistas de cada etapa desse penoso tratamento faz com que nossas lutas diárias sejam mais suaves. O que vivi com meus companheiros de dor me faz afirmar que o amor é um elemento fundamental para se alcançar a cura: é a base de todo tratamento e seu mais forte alicerce. Se o amor é a premissa para se ter o melhor da vida, por que tantos o rejeitam e também o negam ao seu próximo? Por que, muitas vezes, não conseguimos estender nossas mãos? O que houve com a Humanidade? Essas perguntas me afligem e me impulsionam na busca de respostas. Enfim, me conforto em acreditar que não são atitudes de desamor que têm movido o ser humano, mas sim, atitudes de NEGAÇÃO. Negamos por medo, negamos por desconhecimento, negamos por ser mais fácil negar do que enfrentar a certeza da nossa transitoriedade, de quão finitos somos. Decidi compartilhar meu aprendizado com as pessoas e ajudá-las, assim como a mim mesma, a transpassar nossos “NÃOS”. Este livro tem como propósito levar à reflexão a importância da nossa caligrafia na construção da nossa história e daqueles que nos cercam. Compartilhar o que aprendi, de modo a esclarecer e orientar as pessoas, levando esperança para que possam abrandar suas dores. Nestas linhas, apresento-lhes uma linda história de amor, esperança e solidariedade. Um capítulo de superação na vida de dois jovens apaixonados, que se julgavam tão diferentes, mas que, na verdade, eram simplesmente iguais.

Isa Colli

Um amor, um verão, e o milagre da vida  

Prefácio do romance de Isa Colli