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Atlântico Expresso Fundado por Victor Cruz - Director: Américo Natalino de Viveiros - Director-Adjunto: Santos Narciso - 3 de Março de 2014 - Ano: XVI - N.º 85694 - Preço: 0,90 Euro - Semanário

NOTA DE ABERTURA

Bairrismo: fantasma acordado Poderíamos escrever “Bairrismo: fantasma ressuscitado”. Não é o caso! Simplesmente, ele nunca morreu. Apenas andou mais ou menos adormecido, enquanto houve “leite e mel” com fartura e enquanto todas as megalomanias se diziam e se faziam consoante o capricho político do momento ou os interesses eleitorais da ocasião. Agora, o fantasma acordou e acordou de uma forma que pode ser imprevisível para o futuro dos Açores. Há coisas que há anos tinham uma dimensão e que hoje têm outra completamente diferente, porque para além da velocidade com que se propagam as notícias, as redes sociais multiplicam e ampliam os comentários, criando estados de espírito e clima de crispação que ultrapassa em muito a simples troca e debate de ideias para entrar no campo do ódio e da ofensa pessoal e colectiva. Uma coisa, porém, são os desabafos que se lêem nas redes sociais e que vão passando para a comunicação social dita tradicional, e outra coisa é quando personalidades investidas em cargos públicos e sociais, na política e na economia, usam o bairrismo como arma e argumento para defesa de interesses mais ou menos (in)disfarçados. O mais recente exemplo vem do presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo que em vez de propugnar pela defesa da ilha resolve atacar aquilo que São Miguel conseguiu ter, com raízes históricas que ninguém pode negar. Não é novidade para ninguém que os Açores nunca foram nem serão uma unidade social e que o conceito de ilha sempre prevalecerá sobre o de região. Mas, se quisermos que a Autonomia seja uma realidade duradoura, este espírito tem mesmo de acabar e os que agora esgrimem o bairrismo como arma política, serão as primeiras vítimas, se regressarmos a tempos de distritos independentes e ao poder central. Porque aí há-de imperar o esquecimento a que estivemos votados durante séculos. O desenvolvimento das ilhas nunca se fará enquanto se pensar em dividir o bolo que não produzimos. As nossas dependências externas são muito grandes para nos darmos ao luxo de tudo querer com muito pouca produção. E, numa boa gestão, primeiro há que fomentar uma economia reprodutiva, para depois então poder dividir em qualidade de vida e infraestruturas desejadas. Mal avisado foi o presidente da Câmara do Comércio de Angra e piores estaremos todos nós quando para a criação de uma simples associação de botes baleeiros se gera uma guerra entre ilhas. É que, muitas vezes, quem mais acomodado anda, à espera que tudo apareça feito, é quem mais se revolta quando alguém toma a dianteira para fazer alguma coisa. O querer ter mais serviços públicos e mais sedes de empresas tem de ser acompanhado de um estudo de quanto vai custar isto tudo. Porque se em nome da igualdade de oportunidades formos gerar desigualdade de custos, há que perguntar em primeiro lugar quem os vai pagar ou quem por isso retardará o seu desenvolvimento. Os exageros que se vêem nas redes sociais com esse exacerbado bairrismo estão a ser fomentados por alguém que assim esconde a nítida incapacidade de concretizar hoje o que ontem prometia. A técnica do “dividir para reinar” surge sempre nos tempos da queda de impérios ou civilizações. Os Açores não são império, mas o sistema autonómico está doente. E o bairrismo é a dose de veneno que pode ser fatal, se não o soubermos controlar. A tempo! Santos Narciso

GOVERNO INVESTE MILHÕES NOS APOIOS À HABITAÇÃO

pág.s 2 e 3

CRIAS ADAPTA-SE ÀS EXIGÊNCIAS DOS CLIENTES

CASAL DESEMPREGADO LANÇA PROJECTO PARA AJUDAR AÇORIANOS E CHEGOU JÁ A ANGOLA E À CHINA As actividades da CRIAS destinam-se a qualquer tipo de pessoa e de organizações, pois esta organização, segundo Simão Neves, sócio-gerente da CRIAS, está apta “a adaptar-se às necessidades e especificidades de cada cliente. Até hoje, entre as várias actividades desenvolvidas e serviços prestados, já ajudamos cerca de 445 pessoas/organizações. Para além disto já participamos em 4 projectos de responsabilidade social, temos cerca de 14 parcerias estabelecidas e assinamos protocolos de concessão de benefícios aos colaboradores, familiares, associados, reformados, entre outros, com 11 organizações”. pág.s 10 e 11

EMIGRAÇÃO AÇORIANA ESTEVE NA ORIGEM DO URUGUAI Josepha Mariana da Luz viveu na sua vida acontecimentos trágicos: no Rio Grande morre o marido num acidente. Em 1772 em San Carlos morre a mãe caindo dum carro puxado por cavalos. Em 1803 o filho Manoel é assassinado e abrasado pelo fogo, com sua mulher e o filho de dezasseis anos. Apesar de tudo isso, resistiu e manteve-se de cabeça erguida. pág. 6


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Atlântico Expresso

Reportagem

Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Apoios do Governo à habitação “não são uma gota de água” no oceano de dificuldades que existe nos Açores Há 12 milhões de euros que chegam por ano como apoio à habitação a alguns milhares de famílias açorianas revelam a secretária da Solidariedade Social, Piedade Lalanda; e o director da Habitação, Carlos Faias. Ambos sublinham que este investimento “não é uma gota de água” Há muitos casais jovens que, nos Açores, ou casam e vão viver para a casa dos pais ou, então, não casam à espera de uma oportunidade para terem o seu espaço habitacional e só depois casarem. Neste cenário de situações, por vezes, de sobrelotação de habitações, o Governo dos Açores tem avançado para o lançamento de concursos públicos para subarrendamento de casas e apartamentos, com opção de compra, que tem sido solução para algumas famílias mais numerosas e, outrora, no Livramento, para casais jovens. Podem-se enumerar alguns milhares de casos de famílias e de açorianos ainda sem condições condignas de habitabilidade quando é reconhecido na Constituição o direito a uma habitação digna. Há a noção entre os açorianos de que estes pequenos concursos no âmbito da habitação – que têm sido a única face visível do apoio à habitação na Região – são uma gota de água no meio das dificuldades habitacionais que existem no arquipélago. “É evidente”, admite a secretária da Solidariedade Social, Piedade Lalanda, “que haverá sempre casos que ainda não têm ou não encontraram a resposta, mas nós temos consciência disso, temos estes casos diagnosticados e, muitas vezes, também, às vezes, as pessoas não procuram os serviços”. O director regional da Habitação, Carlos Faias, diz o mesmo por outras palavras: “Obviamente que não temos uma máquina debaixo da mesa para fazer notas como gostaríamos de ter e, assim, não teríamos qualquer tipo de limitação das verbas públicas. Mas nós estamos limitados ao plano regional e é dentro da limitação deste plano e no âmbito de comprometermos as verbas apenas às quais podemos responder, é que fazemos a nossa gestão”. Mas, neste contexto, a consideração de que os concursos de sub-arrendamento é uma ‘gota de água’ no meio do oceano de problemas habitacionais que existem na Região não é bem aceite pela secretária regional da Solidariedade Social, Piedade Lalanda, nem pelo director da Habitação, Carlos Faias. “Não lhe chamaria tanto gotas de água como isso. Se formos falar de valores anuais, estamos a falar de muitos milhões de euros que são canalizados do orçamento da Região directamente para as famílias”, contrapôs Piedade Lalanda, secretária da Solidariedade

Piedade Lalanda: “Não podemos estar a falar de gota de água...”

Social. A Opinião é comungada por Carlos Faias. “Esta questão de ser uma gota de água não é assim. Então, se compararmos com o contexto nacional, vê-se que são realidades completamente distintas. E nem sequer podemos estar a falar de questões de gota de água”. “Veja-se o caso, por exemplo”, prossegue, “do incentivo ao arrendamento. Existe uma medida idêntica no Continente que é o Porta 65. O Porta 65, neste momento, está a apoiar cerca de 10 mil candidaturas, isto para o contexto nacional de 10 milhões de pessoas. E nós, para o nosso contexto regional, estamos a apoiar mil candidaturas no universo de 250 mil pessoas. Se compararmos, em termos percentuais, o que cada um destes números representa, verificamos que não podemos estar a falar em questões de gota de água na Região”, completou. Habitação com 12 milhões de euros por ano Segundo as estatísticas governamentais, em termos globais, são investidos há volta de 12,5 milhões de euros anuais no sector da habitação na Região. O esforço de investimento anual de investimento no incentivo ao

“É evidente”, admite a secretária da Solidariedade Social, Piedade Lalanda, “que haverá sempre casos que ainda não têm ou não encontraram a resposta, mas nós temos consciência disso, temos estes casos diagnosticados e, muitas vezes, também, às vezes, as pessoas não procuram os serviços” arrendamento anda à volta dos três milhões de euros Segundo o director regional da Habitação, Carlos Faias, são também investidos anualmente cinco milhões de euros na recuperação de habitação degradada, por via dos protocolos que o governo estabelece quer com as autarquias, quer com as IPSSS. Isto porque, muitas vezes, as famílias não têm capacidade de gerir os seus apoios e recorre-se

às Instituições de Solidariedade Social. É também concretizado um investimento anual na ordem dos dois milhões de euros por ano (só da direcção regional da Habitação) sem considerar o parque habitacional da SPHRI) na reabilitação do parque habitacional regional. Além deste total de 10 milhões de euros, nas comparticipações que o governo concede às autarquias no sentido de corresponderem aos programas de realojamento, “estamos a falar em cerca de 2,5 milhões de euros mais ou menos ano”. “Temos autarquias como Ponta Delgada, Ribeira Grande, Vila Franca do campo, Angra do Heroísmo, Praia da Vitória, (entre outras), - afirma Carlos Faias - em que os programas de realojamento que fizeram tiveram uma comparticipação em cerca de 40% do investimento”. Todas as operações de realojamento, que representam cerca de dois milhares de famílias, estão a ser comparticipados pela Região com contratos que têm uma duração no tempo bastante prolongada. “Portanto”, completa Carlos Faias, “quando dizemos que parece que os apoios à habitação não chegam a muitas famílias, muitas vezes é porque não conhecemos este espectro todo que é o âmbito de actuação da direcção regional da habitação”. Por via da direcção regional da Habitação, existem 950 famílias realojadas, (cerca de 600 no parque habitacional da Região) e as restantes através das situações em que o governo arrenda as habitações e subarrenda aos agregados familiares. “Quando juntamos a isso os outros cerca de 900 imóveis da SPHRI (Sociedade de Promoção e Reabilitação de Habitação e Infraestruturas), estamos a falar aqui de uma realidade de cerca de 1800 habitações. E quando somamos ainda o parque habitacional das câmaras que está a ser financiado pelo governo regional, duplicamos esta realidade”, completa Carlos Faias. Ajudas “preciosas” nas rendas de casa A secretária da Solidariedade Social, Piedade Lalanda, dá particular realce ao subarrendamento de habitações, até agora, a cerca de mil famílias açorianas. O incentivo a estas


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Reportagem

Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Atlântico Expresso

Governo procura soluções “imediatas” para as famílias na rocha nas Calhetas

Há casais jovens que vão concorrer para subarrendamento na Quinta do Castanheiro

No entender de Piedade Lalanda, as respostas “existem. Muitas vezes, o que sucede é que as pessoas também não procuram ou não querem aceitar os critérios. É evidente que todo este investimento da comparticipação pública tem que ter por base critérios que seleccionam aqueles que mais precisam ...” famílias, como explica, “representa, de uma forma indirecta, a entrada no orçamento familiar de 160 a 200 euros por mês. Ou seja, a família, em vez de pagar uma renda de 400 ou 350 euros, vai pagar 100 ou 150 euros de renda. É muito significativo para um agregado familiar ter 200 euros que não gasta na renda. Isso não é uma gota de água assim tão pequena quanto isso. Pode representar uma fracção significativa do rendimento dos agregados familiares”, esclarece a governante. Piedade Lalanda refere-se, depois, aos agregados familiares que estão a pagar 5 euros, 10 euros e 30 euros de renda no âmbito da ‘grande carência habitacional’. A estes, afirma, “o valor da gota de água é muito mais do que aquele que estamos aqui a falar dos 150 e 200 euros. São valores muito mais significativos do que esses, sobretudo se forem em fracções em que a Região está a arrendar e subarrenda a habitação para este tipo de família”. A governante refere que, neste momento, existem 950 famílias a beneficiar de apoios no âmbito do programa de ‘grave carência habitacional’ e outras cerca de mil famílias no incentivo ao arrendamento que têm uma

componente significativa da sua renda paga pela Região em contratos que estabelecem directamente com os senhorios. E, depois, existe a solução de arrendamento, com opção de compra, que abrange uma outra fatia de pessoas em que a taxa de esforço é um pouco superior. Estas pessoas têm a possibilidade de adquirirem a fracção que estão a arrendar, o que é uma realidade nova. Com esta acção, esclarece Piedade Lalanda, o Governo dos Açores “ajudou a potenciar, de alguma forma, o arrendamento que estava adormecido. Há aqui também uma componente da economia do imobiliário que também ganhou com este tipo de apoios”, reafirmou. Na vertente do apoio à habitação degradada, a secretária da Solidariedade Social realça a vontade de dar às habitações “condições de conforto e de habitabilidade mais saudáveis e mais adequadas às suas necessidades. Desde a adaptação da habitação à situação de deficiência, adaptações para circular uma cadeira de rodas ou mesmo, - cada vez em menos casos – mas ainda a construção de uma instalação sanitária da habitação e a reparação, a outros níveis, da degradação dos edifícios”. No entender de Piedade Lalanda, as respostas “existem. Muitas vezes, o que sucede é que as pessoas também não procuram ou não querem aceitar os critérios. É evidente que todo este investimento da comparticipação pública tem que ter por base critérios que seleccionam aqueles eu mais precisam e aqueles que têm menos capacidade de esforço financeiro, aqueles que têm agregados maiores. Estes são critérios de discriminação positiva para agregados familiares de maior vulnerabilidade. Mas, que há esforço de apoiar as pessoas das várias maneiras, não há dúvidas de que existe. A governante quis deixar claro que o investimento, em matéria de habitação “é extremamente elevado. É aquele investimento que a Região pode e faz de uma forma consciente”. J.P.

A secretária regional da Solidariedade Social, Piedade Lalanda, reafirmou ao ‘Correio dos Açores’ a opção que tomou de procurar “de imediato” soluções para as famílias que estão a viver em cima da rocha na Rua do Porto, nas Calhetas. A governante esteve a visitar as habitações, acompanhada do director regional da Habitação, Carlos Faias, e esteve perante famílias “preocupadas, aflitas e ansiosas, por estarem numa zona fustigada pelo mar”. “Mesmo que não houvesse indicação para a saída imediata”, afirmou a governante, “nós reconhecemos e recolhemos a angústia e a ansiedade que aquelas famílias manifestaram e, neste sentido, colocamos logo a possibilidade – mesmo fora do contexto de candidatura – de apoiar pelo incentivo ao arrendamento”. Piedade Lalanda que a única saída é o incentivo ao arrendamento porque as situações de titularidade das casas não estão todas resolvidas. “Há ali vários figurinos na ocupação daquelas casas. Uns são arrendatários, outros nem por isso. E uns são, eventualmente proprietários. E uma solução da permuta só é possível quando há titularidade da fracção, o que não é o caso”. Piedade Lalanda reforçou que, perante a situação com que foi confrontada na Rua do Porto, nas Calhetas, “o imediatismo foi, de imediato, oferecido como solução” às famílias. “E o certo é que alguns dos agregados familiares também não querem abandonar as casas. Alguns deles criaram uma relação afectiva com as habitações e, então, há outras soluções que se podem equacionar e que estão a ser equacionadas com a direcção regional, mas que estamos a negociar, digamos assim, com cada um daqueles agregados”.

A secretária regional da Solidariedade Social aproveitou a ocasião para chamar a atenção a algumas situações. “Há um aspecto que não posso deixar de afirmar e penso que é importante que isso também seja público que tem a ver com o agravamento do risco. Felizmente que este temporal recente não teve os danos que se estava, eventualmente à espera”, afirmou. Referiu-se aos “ anexos, acrescentos, que as pessoas colocam nas casas que agravam o risco das suas habitações. Mesmo na orla costeira. De um modo geral, a habitação fica mais fragilizada quando, por iniciativa do próprio, é feito um acrescento, sem qualquer controlo, sem qualquer vigilância, sem projecto de arquitectura, sem uma escola correcta dos materiais. E esse, n caso de ser fustigado pelas intempéries, é normalmente o ponto frágil das habitações”. Os cidadãos, prosseguiu, Piedade Lalanda, “também têm que ter consciência da forma como lidam com o seu espaço habitacional e com a forma como gerem este espaço habitacional. E as autarquias aqui têm também um papel muito importante nesta vigilância deste tipo de construção”, realçou. “Estamos aqui, evidentemente, para apoiar as famílias e não para os culpabilizar pelo facto de terem este tipo de iniciativas”, disse para, depois, concluir: “Mas penso que temos de apelar à consciência cívica dos actos que as famílias praticam e que podem estar com isso a agravar o risco das suas habitações. Este é um alerta que é importante colocar mas não é um factor que esteja a ser ponderado. O que está aqui em causa é a segurança destas famílias, é o bem-estar das famílias e as soluções estão a ser equacionadas com cada um dos agregados da Rua do Porto”, terminou.


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Atlântico Expresso

Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Entrevista

Ana Carvalho, especialista em Etnomusicologia estudou a sonoridade das romarias

“A Avé – Maria é o som que pinta a paisagem da nossa Quaresma Micaelense” Quem é Ana Carvalho? Ana Maria Pimentel Carvalho, de 29 anos de idade. Sou licenciada em Ciências Musicais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tenho o Mestrado em Ciências Musicais – variante Etnomusicologia pela mesma instituição. Neste momento estou a frequentar, na Universidade dos Açores, o primeiro ano do Mestrado em Património, Museologia e Desenvolvimento. Presentemente também estou a trabalhar na Casa de Saúde de Nossa Senhora da Conceição onde sou a professora de Música/ Animação Musical. Gosto de música e cinema. Sou uma apaixonada pelo conhecimento e por isso ainda não parei de estudar. Porquê e desde quando o interesse pela música? Toca ou apenas estuda/lecciona? E na formação? O interesse e gosto pela música vêm da família do lado do meu Pai. Estudo música desde os 6 anos de idade quando comecei a frequentar o Conservatório Regional de Ponta Delgada. Conclui o Conservatório com o Curso Complementar de Formação Musical e estudei Piano e Violoncelo. Hoje em dia o Piano é apenas um instrumento de trabalho. Seria muito desonesto para com todos os músicos profissionais dizer que, de algum modo, sou instrumentista. Não sou, de forma alguma. A minha área de especialidade são as disciplinas teóricas da música, nos últimos anos: a Etnomusicologia. Porquê o mestrado em etnomusicologia? A Etnomusicologia foi uma disciplina que descobri e aprofundei quando estava a fazer a licenciatura na Universidade. Quando estava a terminar o curso li uma obra do Musicólogo Bettencourt da Câmara: “Para a Sociologia da Música Tradicional Açoriana”, cujo último capítulo é dedicado às Romarias. Foi a primeira vez que fiz a pergunta que depois iria fazer milhares de vezes: Porque cantam os Romeiros? Quando se tratou de prosseguir na escolha do mestrado, lembrei-me do livro do meu Tio-avô Fernando Leite que diz na sua introdução: que os Açorinos devem falar sobre temas dos Açores, que nos caberá a nós falar das riquezas das nossas ilhas. Encontrei na disciplina da Etnomusicologia o lugar para tratar então, segundo o ponto de vista musical as Romarias Quaresmais de São Miguel. Como tem feito chegar junto da população esta sua ligação entre a etnografia açoriana e a musicologia que lhe encontra associada? Na verdade, a Tertúlia que decorreu na Biblioteca Tomaz Borba Vieira foi o primeiro lugar onde divulguei este meu trabalho. Claro que há um desejo e vontade de publicar o trabalho, para que possa fazer parte da bibliografia do tema das Romarias.

Leite: eu julguei que já sabia tudo sobre as Romarias, afinal, hoje aprendi uma série de coisas novas. Portanto, desde ter a possibilidade de mostrar a minha investigação, falar do que gosto e ser bem acolhida… O balanço não podia ter sido mais positivo.

Aos 29 anos de idade, a micaelense Ana Carvalho diz que encontrou na disciplina da Etnomusicologia “o lugar para tratar, segundo o ponto de vista musical, as Romarias Quaresmais de São Miguel”. Quando estava a terminar o seu curso, pela primeira vez fez a pergunta que depois iria fazer milhares de vezes: “Porque cantam os Romeiros? Quando se tratou de prosseguir na escolha do mestrado, lembrei-me do livro do meu Tio-avô Fernando Leite que diz na sua introdução: que os Açorinos devem falar sobre temas dos Açores, que nos caberá a nós falar das riquezas das nossas ilhas”. Foi, assume, “em primeiro lugar, a vontade de criar e contribuir para a riqueza cultural da minha ilha. Dar lugar ao registo académico na área da Etnomusicologia às Romarias Quaresmais de São Miguel. Foi também, passado algum tempo, a necessidade de terminar a minha romaria. Sim! Porque eu não posso participar numa das nossas, mas encontrei a minha forma de fazer uma romaria: através do papel, do gravador e da máquina fotográfica”. Na verdade, assume, “esta romaria só terminou no dia 21 de Fevereiro de 2014 na Biblioteca Tomaz Borba Vieira, quando, finalmente tive a oportunidade de mostrar um pouco mais da riqueza das Romarias Quaresmais de São Miguel”. E a tertúlia que decorreu na Lagoa. Que balanço faz? Foi muito gratificante. Uma sala cheia de especialistas, principalmente. Sendo que quando falo de especialistas falo de Romeiros, claro! Se há alguém com todos os meios para me julgar e avaliar o meu tra-

balho são os intervenientes das Romarias. E receber um feedback tão bom, valorizando o meu trabalho e a originalidade como me dediquei a um tema, que, à partida, é do conhecimento de todos. Como me disse, na própria tertúlia, o Presidente do Movimento de Romeiros de São Miguel, Sr. João Carlos

Quais as especificidades da ou das sonoridades dos Romeiros de São Miguel? A minha investigação tratou com mais cuidado a Avé – Maria dos Romeiros, aquele som tão típico e que tão bem caracteriza a nossa Quaresma Micaelense. Na realidade, se pensarmos no assunto, nunca ninguém se lembrou que a par da sua peregrinação os Romeiros faziam música, que nós não vemos apenas os Romeiros, mais do que isso, eles podem ser ouvidos. Não se tratou apenas de uma investigação musical e de transcrição musical. A escrita, em linguagem musical, foi apenas o primeiro passo para prosseguir uma atenta análise do que acontece na Avé – Maria. Após ter dado esse primeiro passo reparei que se eu tentasse analisar a Avé – Maria apenas no seu som musical estaria sempre a fazer uma análise incompleta. Foi aqui que a disciplina da Etnomusicologia me enriqueceu. A Etnomusicologia é uma disciplina que estuda o som musical no seu contexto cultural, que a música não existe só por si, mas que acontece porque no seu contexto existe uma vontade de fazer música. O que acontece com a Avé – Maria dos Romeiros são exactamente os seus inúmeros contextos onde é cantada. De manhã à saída da Igreja da Freguesia, ao anoitecer, quando vão descansar. A Avé – Maria é uma canção tão particular que serve todos os contextos que ilustra musicalmente, pode e é cantada por meninos e por senhores. Mais do que isso, a riqueza da Avé – Maria está na particularidade de ser cantada e ouvida. A Avé – Maria não é apenas a música da caminhada, mas é também a música de quem recebe quem caminha. A Avé – Maria é o som que pinta a paisagem da nossa Quaresma Micaelense. Porquê o estudo destas sonoridades em particular? Foi, em primeiro lugar, a vontade de criar e contribuir para a riqueza cultural da minha ilha. Dar lugar ao registo académico na área da Etnomusicologia às Romarias Quaresmais de São Miguel. Foi também, passado algum tempo, a necessidade de terminar a minha romaria. Sim! Porque eu não posso participar numa das nossas, mas encontrei a minha forma de fazer uma romaria: através do papel, do gravador e da máquina fotográfica. Na realidade esta romaria só terminou no dia 21 de Fevereiro de 2014 na Biblioteca Tomaz Borba Vieira, quando, finalmente tive a oportunidade de mostrar um pouco mais da riqueza das Romarias Quaresmais de São Miguel. Ana Coelho


Literatura

5 Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Atlântico Expresso

Sobre a verdade das Coisas nesta Longa Espera São dois títulos de livros de Daniel de Sá. O grande escritor da Maia (de São Miguel) e do Mundo, que partiu para a outra dimensão da vida na 27 de Maio do ano passado, faria ontem, 2 de Março, setenta anos. É a primeira vez em que o abraço não vai pelo telefone ou por mail, mas é a primeira vez que vai mais longe ao encontro da Terra Permitida. Hoje, nestas Leituras do Atlântico, não vou falar de nenhum dos livros de Daniel de Sá. Neste abraço de saudade para o infinito, quero falar do Escritor e acima de tudo do Homem que conheci e estimei e que colocava acima de tudo os valores da Liberdade e Igualdade, sempre dentro dos parâmetros da Verdade das Coisas. No dia 3 de Junho de 2013, uma semana após o falecimento de Daniel de Sá, escrevi neste mesmo espaço de Leituras do Atlântico o que aqui reproduzo: “Era fiel aos seus Amigos e sofria com traições e ingratidões. Nunca competiu e por isso mesmo não pode nem deve ser objecto de competição na sua memória. E porque esta tentação pode existir, de alguém querer servir-se do nome de Daniel de Sá para autopromoção ou outros interesses, deixo aqui o repto a quem de direito para que o nome de Daniel de Sá não seja usado para satisfazer desejos de brilho momentâneo mas seja honrado e perpetuado da única forma que ele quereria: a divulgação dos seus livros e dos seus ensinamentos. Ler Daniel de Sá, levá-lo às escolas, incluí-lo nos manuais e na história, divulgar os Açores e cada uma das ilhas através de textos por ele escritos, eis a melhor maneira de o homenagear, porque o legado cultural que nos deixa é tão vasto que levará anos a ser entendido em toda a sua dimensão. Não cedam as entidades políticas, regionais ou autárquicas à tentação fácil de emoldurar a memória de Daniel de Sá, aceitando propostas mais ou menos oportunistas, porque ele iria detestar e com a sua proverbial calma e frontalidade, declinar”. Claro que quando assim pensei e escrevi, não estava a pôr de lado a criação de um prémio Literário com o nome de Daniel de Sá e muito menos a atribuição do seu nome a um espaço cultural, como muito bem vai acontecer na Ribeira Grande. Mas tinha fundados receios de tentativas de apropriação da memória do escritor que em vida sempre esteve com os seus Amigos, mesmo quando se tratava de editar e publicar as suas obras.

E mantenho-os. Por isso, achei precipitada a criação e concretização do Prémio literário Daniel de Sá, já para este ano. Li atentamente o regulamento que foi publicado pelo Governo

Regional, através da Direcção Regional da Cultura, e em nome da Verdade das Coisas, há que dizer que há alguns aspectos que me fazem pensar que o regulamento criado e aprovado não prestigia devidamente o valor e a universalidade de Daniel de Sá. E falo com o à-vontade de quem não é escritor e portanto não vai concorrer ao prémio de 12 mil euros agora instituído. Sobre a matéria, ocorreu há dias, um debate aceso e interessante, nas redes sociais e, por coincidência ou não, a Direcção Regional da Cultura emitiu um esclarecimento que, a meu ver, não responde às principais dúvidas que têm sido colocadas. E para que conste, deixo aqui o esclarecimento: O Prémio de Humanidades Daniel de Sá foi instituído pela Resolução do Conselho do Governo n.º 12/2014, de 24 de janeiro de 2014, visando galardoar, a cada biénio, nos anos pares, uma obra inédita com a temática “Açores” escrita em português, por autor nacional ou estrangeiro, nas categorias de Literatura, Linguística, História, Filosofia, Sociologia ou Antropologia. O Regulamento do Prémio de Humanidades Daniel de Sá está disponível nas Bibliotecas Públicas e Arquivos Regionais, nos museus dos Açores e no portal Cultura Açores, (http://www. culturacores.azores.gov.pt), sendo o prazo para entrega dos trabalhos o próximo dia 2 de março. Perante algumas dúvidas que têm sido levantadas, a Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura/Direção Regional da Cultura esclarece que a cedência dos direitos de autor referida na alínea b), do n.º 1 do Artigo 4.º do Regulamento se destina à 1.ª edição da obra que vier a ser premiada e que o número de folhas indicado (75) na alínea d) do número e artigo anteriormente citados, corresponde a 150 páginas. Desde logo, cento e cinquenta páginas é redutor para edição de trabalhos de literatu-

ra. Quem tem um pouco de experiência no sector apercebe-se que o romance fica, na prática, excluído. Cento e cinquenta páginas é um livro muito pequeno para a dimensão que se quer dar ao Prémio e que Daniel de Sá merece. Não que a qualidade se afira pelo tamanho, mas esta pode limitar aquela. Mas para além disso há uma limitação importante com a qual não concordamos. O Tema AÇORES. Daniel de Sá é uma referência, precisamente porque nunca limitou a sua escrita a gentes e lugares. Dá impressão que este Prémio inclui uma forma encapotada de promoção da Região. É um critério, mas permitam-me dizer que discordo dele. Por outro lado subsiste para mim uma grande dúvida, relacionada com a temporalidade desta primeira edição do prémio. Estamos a falar de um certame que implica uns largos milhares de euros, no prémio e na logística e na edição da obra premiada. E é legítimo perguntar como é que um prémio e seu regulamento são anunciados em Janeiro deste ano, o júri é nomeado a 4 de Fevereiro e a entrega dos trabalhos é marcada para 2 de Março (por acaso um Domingo). Sei que 2 de Março é o dia do aniversário de Daniel de Sá, mas sei mais ainda que em 30 dias, só por milagre alguém é capaz de escrever uma obra para concorrer. A não ser que esse alguém tenha um inédito com o tema Açores guardado em casa à espera de oportunidade. E nem me atrevo a pensar que alguém o fizesse porque sabia que iria ser criado o prémio. O prazo para entrega dos trabalhos já terminou, portanto, e resta saber agora quantas obras, inferiores a 150 páginas de livro conseguiram concorrer. E faço estas observações apenas porque considero que este prémio merecia ter sido mais pensado e amadurecido, pela grandeza de Daniel de Sá e pelos fundamentos da criação do prémio. De resto, repito, Daniel de Sá merece, acima de tudo, que a sua obra seja conhecida, divulgada e ensinada. E é esta Longa Espera que me levou a este desabafo, em jeito de homenagem ao Amigo com quem continuo a aprender, sempre que (re)leio as suas obras que tocam campos literários tão diversos como a novela, conto, teatro, poesia, romance, crónicas históricas, Viagens, ensaio e vídeo. Santos Narciso


Reportagem

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Atlântico Expresso

Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Emigração açoriana

A incrível história de uma açoriana que esteve na origem do Uruguai Josepha Mariana da Luz viveu na sua vida acontecimentos trágicos: no Rio Grande morre o marido num acidente. Em 1772 em San Carlos morre a mãe caindo dum carro puxado por cavalos. Em 1803 o filho Manoel é assassinado e abrasado pelo fogo, com sua mulher e o filho de dezasseis anos. Apesar de tudo isso, resistiu e manteve-se de cabeça erguida.

Josepha Mariana da Luz é uma mulher açoriana, uma “isleña”. Ao evocar sua figura, acompanharei o roteiro dela: dos Açores a Minas Gerais, de Minas Gerais à Vila do Rio Grande e do Rio Grande a San Carlos, Maldonado, hoje Uruguai. Segundo sua certidão de batismo, sabemos que Josepha Mariana da Luz nasceu o 29 de outubro de 1723 na Ilha Terceira, nos Açores. Viera dos Açores acompanhada de seus pais, sabemos isto porque da certidão de batismo de seu filho Matheo, surge que seus pais encontravam-se aí. Não sabemos se já veio casada das Ilhas. Desde 1741, Josepha Mariana com seu marido - Manoel Correia Simões batizam vários filhos em Minas Gerais: Congonhas do Campo e Mariana. Eu estive aí porque quería percorrer o caminho dela, ver as paisagens que seus olhos viram. A impressão que eu tive é que a história ficou parada no tempo. Ao redor de 1750, época do maior florescimento das minas de ouro e diamantes em Minas Gerais, com o marido e filhos pequenos, atravessou quase quinhentos quilómetros a lombo de mula, porque era o único meio de transporte, por florestas com animais selvagens, pântanos, arroios, rios, até chegar ao porto de Paraty, ou do Rio de Janeiro, que eram os únicos portos de saída para o mar. Acho que chegou por mar à Vila do Rio Grande.

O que fêz que esta mulher, com marido e filhos, saísse de Minas Gerais? As condições para eles em Minas Gerais não eram as melhores? Tinham conhecimento de que o Rei de Portugal Dom João V, autorizara “casais” açorianos para ir povoar o Brazil, e que receberiam terras? O fato é que achamos Josepha Mariana da Luz desde 1752 batizando seis filhos na Vila do Rio Grande. De 1752 a 1763, nove anos na Vila do Rio Grande, seus olhos puderam olhar livremente desde o Atlântico ao Pampa Gaúcho! Já assentada no lugar, levando uma vida normal e corriqueira, a fins de 1762 ou princípio de 1763, na época que nasce seu filho Pedro, morre seu marido. Chega o ano 1763, abril, ao longe ouve-se o ressoar dos cascos dos cavalos, o tinir dos sabres. É a poderosa tropa do General espanhol Dom Pedro de Cevallos. A guarnição portuguesa retira-se. A população foge apavorada até a costa. Uns conseguem, em pequenas embarcações, cruzar a Barra da Lagoa dos Patos e chegar até o que é hoje São José do Norte. Embrenham-se no Estreito, entre eles vai Josepha Mariana da Luz, a terceira filha de nossa Josepha, casada há um ano com Manoel da Silva Machado. Esta gente chega aos casarios do Estreito, Mostardas, Viamão... Neste último lugar o Pároco introduz nas certidões de batismos como: “são casais que vieram fugidos do Rio Grande ao inmigo”,

“nasceu em perigo no mar com o susto dos inimigos que entraram no Rio Grande”, (5 de junho de 1763, Lo 2 Batismos Viamão, Fo 25v). O General Cevallos decide levar as famílias açorianas que ficaram na Vila ou arredores, para Maldonado e funda com eles San Carlos. Estos açorianos foram chamados “isleños”. Com essas famílias vai a nossa Josepha Mariana da Luz, já viúva, com dez filhos. O mais novo, Pedro, tinha seis meses. Agora em carreta desloca-se outra vez. Cruza matos, banhados, serras, coxilhas, no meio do inverno. Lutar para vencer obstáculos físicos Assim achamos Josepha entre as famílias fundadoras de San Carlos. Em 1763 Josepha requereu terras à Coroa espanhola e lhe foram outorgadas. Por parte destas litigou com sua consogra, também chamada Josepha, açoriana e uma lutadora como ela. Josepha Mariana da Luz viveu na sua vida acontecimentos trágicos: no Rio Grande morre o marido num acidente, como já disse. Em 1772 em San Carlos morre a mãe caindo dum carro puxado por cavalos. Em 1803 o filho Manoel é assassinado e abrasado pelo fogo, com sua mulher e o filho de dezasseis anos. Mais nem tudo é tragédia. Lembram da filha de Josepha Mariana da Luz que fugiu com o marido quando aconteceu a “corrida espanhola”? Em 1764 ela batiza a filha Escolástica no Estreito.

Escolástica casa em 1781 em Mostardas e teve uma filha chamada Joaquina. Encontramos a Escolástica casando por segunda vez na Vila de San Carlos, Maldonado, em 1787. Nesta certidão de matrimônio diz que ela é vizinha de San Carlos. Joaquina casou em 1799 em San Carlos com Felipe Silveira. Vemos assim que a filha Josepha, a neta Escolástica e a bisneta Joaquina com o tempo voltaram a San Carlos. As gerações tornam a encontrar-se após 20 anos! Desconheço se houve qualquer comunicação entre elas nesse tempo. Acho que sim porque o filho Manuel ía com os carros para levar trigo para o Rio Grande em poder dos castelhanos. Após lutar para vencer obstáculos físicos e espirituais, Josepha Mariana da Luz morre em San Carlos em 1813. Sua filha Josepha Mariana morre dois anos depois. Esta é a singela história de uma mulher nascida em uma ilha açoriana que viveu entre dois mundos, é também a história de tantas famílias levadas para América.

In Mundo Açoriano (Título original: Uma Ilhoa açoriana de 1700) RAQUEL DOMÍNGUEZ DE MINETTI Notária Natural de Montevidéu, onde reside, descendente de açorianos fundadores de San Carlos, Uruguai, em 1763


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Ensino

Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Antigos Alunos da Escola Antero de Quental

Coordenação: Nélia Câmara

O Paço do Conde de Vila Franca e do Barão da Fonte Bela Assinalados 162 anos do primeiro estabelecimento de ensino secundário de São Miguel A Associação dos Antigos Alunos do Liceu Antero de Quental (AAALAQ) promoveu um programa comemorativo do 162º aniversário da Escola Secundária Antero de Quental, com uma missa uma missa evocativa, um almoço convívio e uma resenha histórica sobre o Liceu feita pelo advogado Carlos Melo Melo, antigo aluno. O programa das comemorações, que foram antecipadas, iniciaramse com uma missa em memória dos colegas falecidos, celebrada pelo antigo aluno Padre Duarte Melo, na Igreja do Carmo, integrada no Palácio da Conceição, que foi cedida para o efeito pela presidência do governo regional. Depois houve um almoço de confraternização intergeracional, entre antigos e actuais alunos e professores, que decorreu na cantina da escola. A história do Liceu de Ponta Delgada começou em 1852, quando o Governador Civil do Distrito, Félix Borges de Medeiros, por edital de 21 de fevereiro, tomou a iniciativa de instalar um liceu nas dependências do antigo Convento da Graça. Logo no primeiro ano registou a frequência de 104 alunos, sob a direcção do seu primeiro Reitor Padre João José do Amaral. Na sua intervenção, na Biblioteca da escola, Carlos Melo Bento que falou sobre “O Paço do Conde de Vila Franca e do Barão da Fonte Bela”. A história do Palácio... Assim conta-nos em tópicos:

“A história deste grande palácio, o maior dos Açores começou em 1474, quando Rui da Câmara compra a capitania a João Soares de Albergaria, sobrinho e “herdeiro” de Gonçalo Velho Cabral, estabelece-se em Vila Franca e constrói as suas casas junto do lado poente da ribeira dos Pelames, que foram destruídas pelo cataclismo de 1522. Em 1522, Rui da Câmara permanece no Cabouco por alguns tempos onde possui formoso paço de veraneio. Em 1546, D. João III eleva Ponta Delgada a cidade, o paço é ainda perto da Igreja de S. Pedro, nesta cidade. Em 1587, ( reinado de Filipe II), começou o dito conde a mandar fazer umas sumptuosas casas que, segundo mostram em seus princípios, depois de acabadas, virão a ser como uns riquíssimos e soberbos paços, situados quase no meio da cidade da Ponta Delgada, com que lhe dá muito lustro. A nascente do Paço, erguia-se a ermida de S. Mateus, sendo o largo fronteiriço conhecido por Campo dos Paços do Conde. No interior das casarias do Conde havia a ermida de Nossa Senhora da Piedade, dotada pelo conde D. Manuel em 1611, após o Concílio de Trento e portanto duma só nave. Não tinha Santíssimo que só havia na ermida das Chagas, mas estava preparada para os ofícios santos. Pelo lado da Rua do Desterro havia um teatro que também pertencia ao Paço.

Padre Duarte Melo celebrou a missa em memória dos falecidos

Antigos alunos ouvem a história do Palácio onde funciona a actual Escola Secundária Antero de Quental Tinha jardins e uma quinta, com uma área de 17 alqueires! Com a extinção das capitanias pelo Marquês de Pombal, os Condes ausentaram-se definitivamente para Lisboa onde viviam no seu palácio da Junqueira, pelo que os paços começaram a arruinar-se. Um mercador da cidade, tornado rico por avultadas heranças dos abastados Carvalhos, Jacinto Inácio Rodrigues da Silveira, neto dum ativo minhoto que para aqui veio à procura de sucesso, sendo administrador dos Condes, comprou as casarias arruinadas deste e sobre elas ou em vez delas construiu o actual palácio, de 1817 a 1836. Parece-me que Jacinto Inácio terá aproveitado o imenso palácio arruinado e não demolido como alguns defendem pelos seguintes indícios: O portal de pedra da ermida do Desterro parece ter sido do antigo paço, que tinha a saída principal pelo poente, pois é demasiado caro e sumptuoso para ser da modesta ermida A fachada principal era virada a nascente e a porta principal do palácio continua a ser. O tanque desenterrado no Pátio das Gatas parece ser uma construção anterior ao século XIX. As escadas que ali estão não levam a parte nenhuma e portanto deve ter servido para outra construção.

Os Pátios da Veada, da Contemplação e das Gatas nomes que parecem ser mais antigos. A enorme torre é um gasto demasiado grande para suportar uma única janela de ver navios de laranjas, ao passo que antigamente era obrigatório para tal autoridade militar mandar vigiar os mares em busca dos perigosos piratas A sala dos retratos do Barão contem os de D. Pedro III e D. Maria I, e quando o barão fez obras já era o neto deles quem reinava. Em 1918, a Base Naval Avançada Americana, de Ponta Delgada que deu aos aliados uma posição favorável na luta anti-submarina, permitiu igualmente que os comboios atlânticos de tropas, abastecimento e munições chegassem ao seu destino quase impunemente. A única reacção negativa que, a partir dos Açores, surgiu contra esta base, foi personalizada pelo director da Alfândega de Ponta Delgada, Luís Augusto Pamplona Borges, que resolveu opor-se à interpretação dada por Dunn às facilidades alfandegárias, decidindo fazer buscas nos armários de abastecimentos americanos, instalados no Palácio Fonte Bela, entrando em conflito aberto com o comandante da base em Abril de 1918. Em 1922, o paço é vendido por 350 euros à Junta Geral. Os graneis da Rua do Castilho que pertenciam

ao Paço foram vendidos pouco tempo depois aos Bensaúde por 565 euros. Jeremias da Costa, Reitor do Liceu Antero de Quental, consegue instalar no Paço o mais importante estabelecimento de ensino micaelense. Seu filho Rolando informa que ele chegou a hipotecar a sua própria casa para garantir o empréstimo contraído! Em 1942, é inaugurada a êxedra/glorieta do escultor Xavier Costa (escultura José do Canto, Cruzeiro da Câmara da Lagoa prof na escola Soares dos Reis) e do arquitecto Júlio Cascais e a Sala Antero Quental é inaugurada por José Bruno e João de Simas Em 1942, Inaugura-se o Ginásio do Liceu, pois a Junta Geral lançara-se na sua construção, por administração directa, sendo obra do arquitecto D. Luís de Melo Correia executada pelo Eng.º Luís Gomes e António Miranda Gomes. Ao passo que o Campo de Jogos deste estabelecimento de ensino seria inaugurado a 10 de Junho de 1944, cerimónia a que assistiram também Eduardo Mascarenhas da Junta Geral, o Reitor João Anglin e o arquitecto Read Teixeira Em 1964, da autoria do arquitecto Manuel Simões, surge a Secção”, remata o historiador, bastante aplaudido.


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8 Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Entrevista

Loja “Arcos do Vinho”

Vinhos de todo o mundo convivem lado a lado com os melhores produtos gourmet A loja “Arcos do Vinho” está aberta há apenas seis meses mas os empresários José Amaral e Hélder Pereira garantem a satisfação do cliente, seja local ou estrangeiro. A nova loja está a entrar para a área da distribuição com os vinhos que representa e quer também apostar na área das bebidas espirituosas, mas para breve pode-se esperar um espaço de provas na própria loja para apresentação de novos vinhos ou novos produtos gourmet. Os jantares vínicos de degustação têm também sido uma aposta e o sucesso que alcançaram vai ditar a sua continuidade. Há seis meses que entrar no número 59 da rua Dr. Aristides da Mota, em Ponta Delgada, é como percorrer várias regiões de Portugal, e do mundo, através dos vinhos e de produtos gourmet. A aposta de José Amaral e Hélder Pereira com a nova loja “Arcos do Vinho” foi trazer para Ponta Delgada a junção ideal entre um produto requintado que não se encontra nas grandes superfícies nem noutros estabelecimentos e os vinhos regionais, nacionais e internacionais. “Este tipo de loja já é comum em muitos sítios de Portugal, cá já havia alguns espaços com alguma quantidade de produtos gourmet mas não tão diversificado como os nossos. É um produto em que queremos apostar em força”, salienta José Amaral que sempre esteve ligado a empresas relacionadas com vinho e que encontrou em Hélder Pereira o conhecimento que este trouxe da área da restauração. Nestes primeiros seis meses a loja tem tido boa aceitação, não apenas por parte dos micaelenses mas também por parte dos turistas que já entram na loja em busca de alguns produtos regionais e também de bons vinhos. Vinhos diferenciados dos que já existem no mercado é a aposta dos dois empresários que não pretendem fazer concorrência a quem já está implantado. “Temos as nossas marcas, temos os nossos preços e queremos que as pessoas que vêm cá fiquem agradadas com o nosso espaço, com a nossa forma de trabalhar e o atendimento e que saiam daqui e digam que compraram um produto de qualidade e vão voltar porque é um espaço que Ponta Delgada já precisava”, comenta José Amaral. O cliente é o foco de atenção da loja e por isso escolheram produtos diferenciados que já são muito procurados pelos micaelenses, que conhecem cada vez mais os vinhos de qualidade e as diferentes castas que são características de vários países. José Amaral explica que os vinhos estrangeiros têm tido

grande saída já que há clientes “que vêm cá comprar vinhos específicos porque gostam muito”, como é o caso da casta Malbec da Argentina e vinhos da Austrália e da Nova Zelândia “que as pessoas gostam ou então querem experimentar”. Da experiência que tem na área dos vinhos, José Amaral explica que os micaelenses “gostam de bons vinhos e sabem escolhê-los” e dá o exemplo que no mercado é possível encontrar vinhos que provavelmente não se conseguem encontrar em muitas zonas do país. “Aqui já consegue chegar o que de melhor se faz em Portugal”, explica o empresário que acrescenta que os açorianos estão cada vez mais atentos a programas sobre vinhos e às revistas da especialidade. “Já se tentam informar, já chegam aqui e sabem do que vêm à procura, coisa que há uns anos atrás não acontecia porque nós é que informávamos os clientes. Agora já vêm à procura porque ouviram falar que aquele vinho teve um prémio ou que algum crítico fez um elogio muito bom ao vinho. As pessoas já estão informadas”, refere o empresário. Apesar de mais conhecedores e mais informados, a actual conjuntura não permite que se voltem aos tempos de antigamente em que “na área da restauração se conseguiam vender vinhos a rondar os 30 ou 50 euros”. Isso agora é “impensável”, afirma José Amaral que acrescenta que agora o que se nota é que as pessoas preferem juntar os amigos em casa para provar um bom vinho. “Juntam os amigos, compram o vinho aqui e levam para casa onde provam o vinho durante um jantar”, confirma apesar de acrescentar que agora “não o fazem muitas vezes mas provam vinhos novos e podem ter acesso a esse vinho”, destaca. Já os chamados “vinhos de entrada”, ou seja, os vinhos de mesa que se consomem no dia-a-dia são os que se vendem com mais facilidade e custam geralmente entre 2 e 5 euros. “São vinhos já com Denomina-


Entrevista

9 Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Atlântico Expresso

dos nossos produtos e não olhar só para a imagem. Tem de haver qualidade dentro daquilo que produzimos, mas há coisas que precisam de ser apuradas, em termos de matéria-prima, por vezes fazer em menores quantidades mas com mais qualidade”, defende. Aposta noutras áreas

ção de Origem Controlada que se compram normalmente para o jantar e que se vendem com facilidade”, explica. Seja a compra de um vinho premiado ou internacional, seja de um vinho para beber durante um rotineiro jantar a loja “Arcos do Vinho” garante sempre um aconselhamento e atendimento personalizado. Porque nem todos os vinhos são iguais e nem todos os paladares são iguais e “o cliente que entrou agora não tem o mesmo paladar daquele que saiu há meia hora da loja”, os dois empresários tentam aconselhar o cliente “dentro daquilo que nos transmite, dentro do gosto do cliente porque há pessoas que só querem um vinho com 100% Touriga Nacional ou apenas Cabernet Sauvignon, que são vinhos mais fáceis de beber, ou há quem só queira vinhos mais leves ou vinhos mais frutados”. Mas nem só de clientes particulares vive a loja “Arcos do Vinho” que recentemente se iniciou na área da distribuição para restauração, hotelaria e todo o mercado Horeca. Nesta área, José Amaral até diz que o negócio está a ir bem e ao contrário do que é normal nestas ocasiões “os clientes é que nos têm procurado devido à nossa oferta e quiseram experimentar os nossos vinhos para colocar nos seus postos de venda”. Apesar de José Amaral afirmar que actualmente a loja ainda não conta com toda a oferta que pretendem ter, o empresário espera no Verão já ter “um boa selecção de produtos regionais” a par daqueles que já se encontram expostos na loja como as latas de conservas gourmet da Fábrica Santa Catarina e alguns licores regionais.

Produtos regionais Os produtos regionais são bastante procurados pelos turistas, que têm mais presente o conceito gourmet que agora também vai chegando cada vez mais à Região. Apesar de assegurar a qualidade de alguns produtos regionais, José Amaral diz ter uma visão muito própria dos produtos que devem ser vendidos como ex-libris dos Açores. No entender do empresário, os produtores “querem entrar no mercado com os seus produtos e pensam que o produto regional é fácil de vender, que as pessoas que nos visitam querem sempre um vinho ou uma compota regional” e muitas vezes é descurada a qualidade. “Por vezes há alguns produtos que precisam de ser mais bem trabalhados em termos de imagem e de qualidade para fazer face ao custo que têm” e dá um exemplo em termos

de vinhos. “Tenho um vinho de uma determinada herdade em que foram feitas 2 mil e 600 garrafas e esse vinho vai-me custar ao mesmo preço que um vinho regional que não tem, se calhar, tanta qualidade como este vinho nacional”, refere. Neste sentido o empresário defende que é necessário aperfeiçoar os produtos regionais em termos de imagem e de qualidade “não só para vender o nosso produto só porque é regional e devia haver essa atenção”. José Amaral lembra que o Governo Regional está actualmente a “apoiar bastante a exportação de produtos regionais” e por isso devia-se começar agora “ao contrário”. Ou seja, criar uma imagem da qualidade dos produtos açorianos “porque já se gastou muito em termos de produtos açorianos para vender lá fora mas penso que o principal ainda não se conseguiu”. O empresário entende que se deve primeira “passar a imagem da qualidade

Apesar de ainda estarem há pouco tempo no mercado, os dois empresários já pensam no futuro e noutras áreas que podem abraçar. Em concreto, está já a ser pensada a criação de uma zona de provas para, quinzenalmente ou mensalmente, ali se proceder à apresentação de uma marca de vinho ou de um produto gourmet, “ou a junção das duas coisas”. Já a pensar o Verão, a dupla de empresários pensa também entrar em breve na área das bebidas espirituosas, estando já a tratar do licenciamento para tal. “Queremos ter uma oferta também nesta área com alguns vinhos do Porto, conhaques, champanhes”, afirma José Amaral que esclarece que é uma área “com bastante procura, principalmente na época de Verão”. A intenção é depois também abranger a área da distribuição. Quanto a novas marcas e novas castas internacionais, José Amaral começa por dizer que “nesta primeira fase estamos a tentar completar o leque de ofertas que pretendemos ter na nossa loja” mas não descarta a possibilidade de “chegarmos a outro tipo de vinhos, estamos a tentar sempre que isso seja possível”, refere. Além destas novidades há também a intenção de continuar a organizar eventos vínicos com apresentação de uma marca e a presença de um enólogo. O último jantar vínico de degustação aconteceu em meados de Fevereiro e a “Arcos do Vinho” pretende dar continuidade à experiência que tem cativado cada vez mais público. “No último jantar que fizemos, para promover os vinhos da Quinta Vale d’Aldeia, esteve presente o enólogo José Eduardo Conceição que interagiu com as pessoas de forma simples” e o resultado não podia ter sido melhor lembra José Amaral. Quem esteve presente gostou e pode interagir com “a pessoa que fez aquele vinho” já que, como diz o empresário, “antigamente ninguém se imaginava a estar a tomar um vinho juntamente com o enólogo que fez o vinho e hoje em dia isso já é possível”. A intenção agora é dar continuidade a estes eventos, até mesmo para desmistificar um pouco a cultura do vinho e mostrar que de forma quase informal e descontraída se pode aprender sobre métodos de elaboração e junção de castas e sobre as diferentes qualidades dos vários vinhos. “Foram experiências diferentes e as pessoas aderiram bem ao jantar e é para dar continuidade”, refere José Amaral. Na loja “Arcos do Vinho” as novidades são uma constante, onde vinhos e produtos gourmet se apresentam lado a lado com qualidade e simpatia no atendimento que garantem satisfação até ao cliente menos entendido em matéria de vinhos. Carla Dias


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10 Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Entrevista

Casal desempregado lança projecto para ajudar açorianos a recriarem-se aos mais váriados níveis

CRIAS já ajudou quase 500 açorianos e já chega a Angola e à China As actividades da CRIAS destinam-se a qualquer tipo de pessoa e de organizações, pois esta organização, segundo Simão Neves, sócio-gerente da CRIAS, está apta “a adaptar-se às necessidades e especificidades de cada cliente. Até hoje, entre as várias actividades desenvolvidas e serviços prestados, já ajudamos cerca de 445 pessoas/organizações. Para além disto já participamos em 4 projectos de responsabilidade social, temos cerca de 14 parcerias estabelecidas e assinamos protocolos de concessão de benefícios aos colaboradores, familiares, associados, reformados, etc., com 11 organizações”. No fundo, explica, “o grande objectivo da CRIAS passa por apoiar pessoas e organizações a re-CRIAR-em-se, mostrando-lhes que há outros caminhos e que grande parte das vezes tem as ferramentas necessárias para esta mudança, e disponibilizar um conceito e espaço onde outros possam realizar os seus sonhos”.

O que é o CRIAS? Quando foi criado e com que objectivos? A CRIAS é um antigo sonho do Simão Neves e da Alexandra Moreira que foi tornado realidade em setembro de 2012 e uma forma de darmos a devida resposta à volta que a vida nos deu quando a nossa família foi confrontada com o desemprego. Os nossos grandes objectivos são apoiar pessoas e organizações a re-CRIAR-em-se, mostrando-lhes que há outros caminhos e que grande parte das vezes tem as ferramentas necessárias para esta mudança, e disponibilizar um conceito e espaço onde outros possam realizar os seus sonhos. O centro CRIAS tem como objectivo primordial apoiar as pessoas e as empresas a recriarem-se. Como tem desenvolvido o centro este seu objectivo? O centro CRIAS tem, desde a sua aber-

tura ao público, disponibilizado um conjunto de serviços e eventos diferenciadores e abrangentes, procurando trazer as melhores práticas que são executadas por este mundo fora, mas ajustando-as, por um lado, a cada cliente e, por outro lado, desafiando cada cliente a ir mais além da sua realidade. Para além da disponibilização de todos os serviços de apoio pessoal e empresarial, procuramos ir mais longe e oferecer serviços como os pequenos almoços com gestores, para ajudar a estabelecer novas relações comerciais e contactos, as tertúlias Crias, para permitir a troca de conhecimentos e experiências para resolver os problemas práticos das pessoas, e as actividades de team building, para incrementar a motivação de equipas, contribuir para a gestão de conflitos e criação de novas equipas de trabalho. Desenvolvemos ainda um projecto de responsabilidade social, em parceria com

um conjunto de entidades regionais públicas e privadas, para permitir a quem tenha uma ideia de negócio com um nível de estruturação próximo de ser implementada, fazer a sua apresentação a um conjunto de entidades que a podem apoiar e aconselhar em sessões privadas de 30 minutos. Este projeto, a rota ideias/projectos/sucesso, não acarreta qualquer custo para o empreendedor ou obrigatoriedade de trabalhar com a CRIAS. Temos também procurado mostrar com o nosso próprio exemplo que há novas formas de estar nos negócios e na vida, que acima de tudo requerem atitude, sacrifício e entrega e por isto no dia 1 de janeiro de 2014, quando passavam 15 minutos da meia-noite, em plena passagem de ano, lançamos o centro CRIAS Online, que não é mais do que a nossa loja virtual onde quem quiser pode efectuar as inscrições para os nossos even-

tos e acima de tudo efectuar as marcações para as sessões com os nossos técnicos. Nestes 6 meses de atividade temos procurado acima de tudo envolver muitas organizações e pessoas naquilo que é o futuro da atividade económica, o trabalho em parceria, mesmo com empresas que à partida poderiam ser consideradas concorrentes, mas com quem temos procurado trabalhar em conjunto partilhando serviços e contactos ou até mesmo encaminhando clientes. Que tipo de produtos/consultas e com que intuito disponibiliza o CRIAS a quem o procura? A atividade do centro CRIAS está estruturada em dois pilares que são a Saúde e a Gestão. No que diz respeito à Saúde, disponibilizamos sessões de psicologia, sexologia clínica, neuropsicologia, coaching,


Entrevista

11 Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Atlântico Expresso

A equipa fica completa com os parceiros a quem recorremos sempre que há uma necessidades mais específica. O vosso trabalho cinge-se apenas a São Miguel ou prestam serviços noutras ilhas? Embora a CRIAS esteja sediada e tenha o seu centro em São Miguel não tem qualquer impedimento em executar a sua atividade em qualquer outra parte do mundo, aliás como já o faz na psicologia e no coaching onde são acompanhadas pessoas, de forma presencial ou via novas tecnologias, fora de São Miguel, na consultoria acompanhando uma empresa nas suas actividades no continente e na madeira, no apoio ao desenvolvimento de um negócio numa ilha do grupo central ou em diversos projectos que estão a ser estudados em locais tão diferentes como seja Lisboa, Angola ou a China.

nutricionismo, tendo desenvolvido especificamente o serviço de Ginásio da Mente, que é a transposição do conceito de ginásio físico para o cérebro. Na prática é efectuada uma avaliação neuro psicológica ao cliente e depois desenvolvido um plano de trabalho, cujos exercícios são acompanhados pelos nossos técnicos. Este serviço direcciona-se para todas as faixas etárias. Relativamente à Gestão, temos desenvolvido trabalho ao nível do apoio à gestão de PME’s, candidaturas a sistemas de incentivo e aconselhamento a new business. Qual o público-alvo do CRIAS? Quantas pessoas e empresas já vos procuraram e com que necessidades? As actividades da CRIAS destinam-se a qualquer tipo de pessoa e de organizações, pois estamos aptos a adaptar-nos às necessidades e especificidades de cada cliente. Até hoje, entre as várias actividades desenvolvidas e serviços prestados, já ajudamos cerca de 445 pessoas/organizações. Para além disto já participamos em 4 projectos de responsabilidade social, temos cerca de 14 parcerias estabelecidas e assinamos protocolos de concessão de benefícios aos colaboradores, familiares, associados, reformados, etc, com 11 organizações. A nossa newsletter é remetida mensalmente a 773 destinatários e no facebook, onde tentamos ser bastante interactivos, temos 1.143 gostos, que nos permitem um alcance médio de 1.284 pessoas. Nos eventos que temos realizado como forma de comunicar a CRIAS já conseguimos levar a conhecer pessoalmente o nosso centro cerca de 1.250 pessoas, 820 das quais somente no dia 8 de dezembro na feira “I – CRIAS: MOSTRA O QUE FAZES”. Ao nível da saúde já nos procuraram pessoas para assuntos tão diversos como avaliação psicológica, recuperação das ca-

pacidades neuro psicológicas, questões relacionadas com as opções sexuais, apoio pós-tentativa de suicídio, acompanhamento a doentes oncológicos ou simplesmente necessidade de conversar. Na gestão o assunto chave começa sempre por “Tenho uma ideia que gostava de apresentar-lhe”, ou seja, desenvolvimento de novos negócios, mas também apoio na gestão e elaboração de estudo de viabilidade para recuperação da empresa e candidaturas a sistemas de incentivo. Que feedback têm recebido da população? Desde o início temos tido a preocupação de saber a opinião de quem nos rodeia, quer sejam clientes, quer acima de tudo quem ainda não o é, procurando estar permanentemente atentos aos sinais que o mercado nos dá sobre o que fazemos e o que somos. O feedback tem sido bastante positivo, em quem tem utilizado os nossos serviços. No mercado o projeto tem sido bem recebido e é considerado bastante inovador e empreendedor, sendo a CRIAS caracterizada como um lufada de ar fresco pelo seu dinamismo e capacidade de surgir com projectos diferentes. Por curiosidade, podemos dizer que há certos conceitos que trouxemos para São Miguel, como as Tertúlias CRIAS, que despoletaram todo um conjunto de projectos em outras organizações que passaram também a oferecer formações e workshops em outros formatos. Que equipa trabalha com a CRIAS? A estrutura base da CRIAS é constituída pelos 2 sócios gerentes, com especialização em gestão e psicologia, pela nossa assistente administrativa e por 2 estagiárias, uma de organização de eventos e a outra de gestão de empresas.

Depois temos técnicos que nos prestam serviços, de onde se destacam Neuropsicólogo, Psicólogos, Coach, Nutricionista, Advogado, Consultores de Gestão e Qualidade e Formadores Especializados.

Quais os projectos a curto, médio e longo prazo da CRIAS? Os próximos projectos, para além de estarmos a organizar um grande evento ainda este ano, são lançar uma Bolsa de Emprego e desenvolver a nossa atividade no âmbito da bolsa de consultores do PREA - Programa de Revitalização das Empresas Açorianas. Em simultâneo estamos empenhados em consolidar os projectos que temos a decorrer e atingir rapidamente a atividade cruzeiro. Acima de tudo queremos ser, a médio prazo, um player de referência no panorama económico regional, para já… Permitam-nos agradecer a oportunidade de comunicar o nosso projeto e o que tem sido o nosso caminho até aqui. Para todos os leitores desafiem-se e contactem com a CRIAS.


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12 Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Reportagem

Irmandade do Império Micaelense de Hudson celebrou 100 anos em prol da preservação das festas do Espírito Santo nos Estados Unidos O Império Micaelense do Espírito Santo da Trindade de Hudson festejou no passado sábado o seu centenário, tendo por fundo o salão do Hudson Portuguese Club, dos mais modernos que temos pelas comunidades dos EUA. Não obstante serem esperadas as mais diversas presenças políticas, a tempestade de neve que se fez sentir desde os estados do sul ao norte, entre os quais Rhode Island e Massachusetts, impediu a sua presença, que se limitou à deputada Kate Hogan e ao conselheiro das Comunidades, Claudinor Salomão. António Chaves, que assumiu as funções de mestre-de-cerimónias, começou por dizer: “Em 1914 foi fundada por naturais de São Miguel, a Irmandade do Espírito Santo da Trindade, com a primeira função a ter lugar em 1915. Nomes como Couto, Correia, Câmara, Garcia, Rainha, Pimentel, Araújo e Grilo, figuram como fundadores da irmandade. Fazendo história em 1908, José T. Grilo, natural de São Miguel inserido numa comunidade maioritariamente mariense, fundou a sucurdal 19 da Sociedade Portuguesa Beneficente dos Estados Unidos. Mas as curiosidades não se ficam por aqui. José Grilo foi ordenado padre, tendo sido colocado na igreja de Santo António em Lowell”, afirmou António Chaves, mestre-de-cerimónias de uma festa que primou por um salão cuidadosamente decorado, para receber quantos encheram a sala de visitas da comunidade portuguesa de Hudson. Um historial carregado de simbolismo Mas o digno historial da comunidade portuguesa de Hudson que temos arrancado ao anonimato, é fértil em dados históricos que enaltecem quer as antigas, quer as actuais gerações, como forma de manter viva uma língua, uma cultura, uma tradição.

metade do tempo. Irmandade fundada em 1914

E aproveitando o virar de uma efeméride de alta importância no contexto comunitário, o mestre-de-cerimónias foi em procura de outros dados que ilustram o valor da comunidade de Hudson: “Em 1914 foi fundada por um grupo de vinte e dois elementos a Banda Portuguesa de Hudson que atuou pela primeira vez em 1915, precisamente na festa do Espírito Santo Micaelense a festejar o seu centenário”, prosseguiu o mestre-decerimónias, desfolhando o historial digno de uma comunidade, que não sendo muito numerosa, demonstra que quantidade nunca foi sinónimo de qualidade. E António Chaves, mais à frente sublinha: “O ano de 1914 data da inauguração desta irmandade, traz consigo uma série de acontecimentos, uns agradáveis outros menos. Sendo assim, rebentou a I Grande Guerra. Não obstante a comunidade lusa de Hudson ser relativamente pequena, foram mobilizados 19 mancebos, tendo regressado apenas 18. Domingos Fortes viria a ser atingido mortalmente na batalha de Argonne em França, tendo

o seu corpo ali sido sepultado. Em Portugal celebrava-se o quarto aniversário da República Portuguesa. O congresso dos EUA aprovava o 7 de maio como o Dia da Mãe, promulgado pelo presidente Wilson a 9 do mesmo mês. A Ford Motor Comp. aumentava o salário aos seus funcionários de $2.40 por um dia de 9 horas para $5.00 por 8 horas de trabalho. Segundo estatísticas saídas em Portugal, vieram para os EUA em 1914, um total de 5.927 portugueses. Por sua vez dentro do mesmo período as autoridades americanas apontavam para 10.898 os portugueses chegados aos EUA”, concluiu António Chaves. O desenrolar do cerimonial dos 100 anos do Império Micaelense de Hudson foi a nosso pedido efectuado o mais rápido possível, dado que as condições atmosféricas mostravam contínua queda de neve, com baixa de temperatura e consequente formação de gelo. Estas condições não eram nada agradáveis para mais cerca de duas horas de estrada, que em condições normais se faz em

Mas a reportagem tinha de ser finalizada, dado ser somente uma vez na vida, que uma organização vira os 100 anos e o entusiasmo dos seus responsáveis não podia ser desfraldada, mas pelo contrário apoiada e incentivada. Esta reportagem é mais um dado histórico da comunidade, que continua a dar ares de grande dinamismo, aos mais diversos níveis e que pela nossa parte incentivamos, de forma a manter uma identidade. Enquanto Deus nos der vida e saúde é isto que será o ‘Portuguese Times’, um veículo de promoção e preservação dos valores da comunidade. E dentro desses valores vamos pegar nas palavras de José Gabriel, que para apresentação podemos acrescentar ser um dos grandes puxadores de danças de espada. Guardamos religiosamente uma gravação em que José Gabriel e seu irmão puxaram uma das últimas danças de espada que subiu ao palco da diáspora, e que por altura do carnaval faz parte dos especiais do Portuguese Channel, pelas vozes dos irmãos e respectivas filhas. Mas o assunto é os 100 anos do Império Micaelense de Hudson, de que José Gabriel nos vai ajudar a fazer história. Há por vezes uma certa falta de cuidado em guardar as passagens de vida das organizações e esta não foi excepção, pelo que só existem dados para os últimos 28 anos. “Segundo um pequeno livro de estatutos, 1914 é o ano da fundação da Irmandade do Divino Espírito Santo da Trindade. A irmandade foi reorganizada a 2 de Junho de 1939 e incorporada no estado de Massachusetts a 27 de fevereiro de 1962. A comissão responsável pelos novos estatutos foi constituída por Gabriel F. Soares, Mariano F. Rainha, Joaquim P. Silva, José F. Soares, Manuel Garcia e Germano S. Pacheco”, começou por referir José Gabriel,


Reportagem

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Segunda-feira, 3 de Março de 2014

dência entre 1988-1989, foi mais uma homenagem a título póstumo, tendo recebido a placa, Iva Maria Ferreira. Aureliano Frade, que ainda se encontra entre a gente, foi presidente entre 1990/2011. Emanuel Graça, que assumiu a presidência entre 2012/2013, teve honras de presidir em 2014 ano do centenário da organização. E depois da homenagem aos presidentes, alguns a título póstumo, chegou a vez dos mordomos serem distinguidos pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos. E nesta ordem de pensamentos subiu ao palco David e Juliana Janeiro, que foram mordomos entre 1986/1995. Os novos responsáveis

tendo abordado um tema que nos parecia já não existir nos meios comunitários e que era a diferenciação da origem de membros. “Os estatutos anteriormente vigentes só permitiam associados oriundos de São Miguel. A rectificação introduzida em 2013 passou a permitir a entrada de associados, quer fossem oriundos de Portugal Continental, Madeira ou Açores. Irmãos que fizeram história no Império de Hudson Para dar ainda mais significado à tradi-

ção surgiram os foliões, uma característica que veio enriquecer ainda mais este movimento sócio-cultural”, prosseguiu José Gabriel, sublinhando as passagens mais relevantes da irmandade. “Deixo aqui uma homenagem a título póstumo a Maria José Chaves pela sua dedicação à irmandade, assim como a Gabriel e Gilda Viveiros, Joe e Emily Grilo, Jesse e Margarida Grilo, Frank Garcia, Gregory Garcia, António Ferreira, Margarida Chaves, José Figueiredo e Mónica Oram de que nos resta a eterna saudade. E em maré de agradecimentos e es-

tes ainda entre nós, gostaria de sublinhar o contributo de mais irmãos cujo esforço e dedicação mantêm viva a tradição, tais como, Laura Garcia, Irene MacMan, Evelina Ramela, António e Manuela Frias; José e Joan Frias; José Manuel e Elita Costa, António Manuel (cozinheiro das ceias) e Afonso Janeiro (cozinheiro das sopas)”, prosseguiu José Gabriel, que trazia a lição bem estudada e com cópia para a comunicação social. E no desenrolar das distinções foi chamado a palco o presidente do Império Micaelense de Hudson, Emanuel Graça, que entregaria placas de reconhecimento a José e Lisete Correia, Michael Oram, Estrela Borges, em nome da sua irmã Maria José Chaves. Viriam ainda a palco para serem distinguidos os responsáveis pela irmandade do Império Micaelense 2013/2014, o vice-presidente, David Janeiro; secretária, Carmen Graça; tesoureiro, João Rodrigues; recebedora, Sandra Rodrigues; guardas internos, Juliana e Fátima Janeiro. E no decorrer de uma noite plena de significado e porque não dizê-lo da boa gastronomia da Paiva Catering, de Taunton, que se esmerou num serviço de qualidade e alvo dos melhores elogios, chegou o minuto da entrega de placas aos antigos e atuais presidentes. António Chaves, que assumiu a presidência entre 1986-1987, foi homenageado a título póstumo, tendo recebido a placa Isabel Frade. Richard Ferreira, que assumiu a presi-

Richard e Evelyn Ferreira, mordomos entre 1987/1988, seriam homenageados a título postumo, tendo sido Roselane a receber a placa. José e Teresa Maurício foram os mordomos entre 1989/1996. José Frade serviu a irmandade entre 1990/2004. Não podendo estar presente recebeu a placa Isabel Frade. Lucy Câmara fez parte do grupo dos mordomos em 1990. José Maria Sousa em 1991. Alvarinho e Fátima Janeiro, 1992/2005. Emanuel e Carmen Graça em 1993, 1998, 2001, 2003, 2006, 2008, 2012. Aureliano e Isabek Frade, 1994. João e Estrela Rodrigues em 1997/2011. António e Gina Leite, 1999; José e Lúcia Silva, 2000/2002. Nelson e Rosa Medeiros, 2007/2009. Roberto e Sandra Rodrigue em 2010.

Carlos e Fátima Sousa, mordomos em 2013, foram os primeiros a usufruir da alteração dos estatutos, que passou a permitir que fizessem parte da irmandade pessoas que não fossem naturais de São Miguel. O casal é natural de Santa Maria. António e Fátima Cabral, também naturais de Santa Maria, são os mordomos para 2014. Augusto Pessoa ‘Portuguese Times’


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Saúde

Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Nova plataforma online ajuda doentes com estenose aórtica gia.

Uma nova plataforma online de apoio a doentes com estenose aórtica (EA) está disponível na internet desde sexta-feira. Segundo anunciado, o novo website promovido pelo Grupo de Válvulas Aórticas Percutâneas da APIC (Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular da Sociedade Portuguesa de Cardiologia) disponibiliza informação validada por médicos sobre a doença, os seus sintomas, formas de tratamento, os principais Centros de referência com experiência em diagnóstico e tratamento de pessoas com EA, e recomendações sobre como viver com esta patolo-

De acordo com Rui Campante Teles, cardiologista de intervenção, «com este website pretendemos ajudar as pessoas que tenham EA a compreender a sua doença e a procurar tratamento adequado à sua condição. Queremos ainda ajudar no diagnóstico desta doença ao disponibilizar informação sobre os especialistas referenciados e com experiência nesta área». Uma das novidades do website é uma área específica de ‘Registo Voluntário do Portador de Estenose Aórtica’ para as pessoas que sofram deste problema acederem a informação regularmente. A estenose aórtica afecta 32 mil Portugueses, atingindo um em cada 15 Portugueses com mais de 80 anos. Trata-se de um aperto na válvula aórtica, cuja função é evitar que o sangue bombeado pelo coração volte para trás. Quando existe este estrangulamento, o sangue passa com dificuldade, provocando queixas e diminuindo drasticamente a sobrevivência, pelo que tratamento passa por implantar uma válvula nova. Diário Digital

Descoberta uma variante do genoma humano que protege da asma e obesidade Cientistas espanhóis da Universidade Pompeu Fabra (UPF) de Barcelona (Espanha) descobriram uma variante comum do genoma humano que protege da asma e da obesidade. Segundo informou esta sextafeira a UPF, é a primeira vez que se consegue um teste convincente da existência de uma variante genética comum para asma e obesidade e que esta varia segundo a origem dos indivíduos. O estudo, realizado pelo Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental (CREAL) e pelo Departamento de Ciências Experimentais e Saúde (CEXS), ambos da UPF, analisou os dados de 5.800 pessoas de Europa, Ásia, África e América. Os resultados da pesquisa, publicado pela revista The American Journal of Human Genetics, foram obtidos utilizando novas ferramentas bioinformáticas (inveRsion). Estas são capazes de analisar o genoma completo para detectar regiões onde há inversões (alterações que podem ou não derivar em patologia) e analisá-las em relação a doenças comuns usando dados existentes de indivíduos estudados. Segundo explicou o especialista em bioinformática Juan Ramón González, pesquisador do CREAL, «até agora este tipo de estudo era muito custoso já que não existiam métodos para analisar de forma massiva as inversões genómicos em grandes populações».

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Passar muito tempo sentado aumenta risco de incapacidade em idosos Por cada hora que uma pessoa com mais de 60 anos passa sentada aumenta em 50 por cento o risco de ficar incapacitada para tarefas simples como comer ou vestir-se, revela um estudo norte-americano. O estudo, publicado pela revista norte-americana Physical Activity and Health e realizado por investigadores da Universidade Northwesten de Chicago, é o primeiro que mostra que o comportamento sedentário representa um fator de risco de incapacidade autónomo da falta de exercício físico. “Esta é a primeira vez que conseguimos demonstrar que o comportamento sedentário se relaciona com a incapacidade, independente da quantidade de exercício moderado praticadas”, disse Dorothy Dunlop, professora da faculdade de Medicina da universidade de Northwestern e principal autora da investigação. Nos Estados Unidos, mais de 56 milhões de pessoas sofrem de incapacidade, caracterizada por limitações para realizar actividades básicas como comer, vestir-se ou tomar banho, ir para a cama, levantar-se e cami-

nhar em casa. Os norte-americanos com mais de 60 anos são sedentários cerca de dois terços do seu tempo, ou seja cerca de nove horas por dia. “Os adultos idosos precisam de reduzir o tempo que passam sentados em frente à televisão ou ao computador, seja qual for a sua participação numa atividade física vigorosa ou moderada”, reforçou Dunlop. O estudo analisou uma amostra de 2.286 adultos com mais de 60 anos. Diário Digital com Lusa

Investigador português alerta que doença pulmonar crónica deverá aumentar nos próximos anos Doença demora entre 20 a 40 anos a manifestar-se

Os resultados mostram que a região genómica analisada varia segundo o continente de onde proceda a pessoa. «Trata-se de um exemplo de como as variações do genoma podem ser seleccionadas em função da adaptação dos seres humanos ao seu ambiente, neste caso, as necessidades metabólicas em relação ao clima», esclareceu Luis Pérez-Jurado, da UPF. Concretamente, apenas 10% da população do leste da África conta com esta inversão genómica e 50% da população do norte da Europa, onde se supõe que esta alteração foi seleccionada para uma melhor adaptação ao clima frio que exige um metabolismo basal mais activo. Esta variante genética explica 40% da «protecção ou predisposição» genética de se sofrer ao mesmo tempo de asma e obesidade. Diário Digital

O investigador da Universidade do Minho Jaime Correia de Sousa afirmou que nos próximos anos pode assistir-se a um aumento da doença pulmonar obstrutiva crónica, sobretudo na população que começou a fumar nos anos 70. “A doença pulmonar obstrutiva pode começar a surgir na população que começou a fumar nos anos 1970”, disse à agência Lusa Jaime Correia de Sousa, coordenador do Núcleo de Doenças Respiratórias da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF/GRESP) GRESP, explicando que, nessa década, “observou-se uma explosão do consumo de tabaco, em Portugal”, sendo que a doença demora “entre 20 a 40 anos” a manifestar-se. A doença pulmonar obstrutiva crónica foi um dos temas abordados nas II Jornadas do Núcleo de Doenças Respiratórias da APMGF/ GRESP, de cuja organização Jaime Correia de Sousa faz parte. O encontro realizou-se em Coimbra, no Hotel Tryp. Estas jornadas procuram informar e formar os médicos de clínica geral e de família para situações relacionadas com a pneumologia, sendo a asma, o tabagismo ou a doença pneumocócica outros dos temas abordados. Jaime Correia de Sousa considerou estas jornadas “importantes” para que estes profissionais “tenham uma maior capacidade de intervenção”. “Os hospitais não têm nem nunca teriam

capacidade para tratar” todos os doentes respiratórios, explicou, frisando que nos casos “menos severos” estes podem “ser tratados por médicos de família”. Segundo o coordenador do GRESP, a colaboração entre médicos especialistas e médicos de família e o tratamento fora dos hospitais permite “não sobrecarregar as consultas hospitalares, que ficam disponíveis para as formas mais severas”. As doenças respiratórias “normalmente manifestam-se no âmbito da consulta” de medicina geral ou familiar, sendo que, quando os doentes “se adaptam aos sintomas e se vão acomodando” aos mesmos, na altura da consulta, apresentam “casos mais graves”. “Aos primeiros sintomas de tosse ou de expetoração, as pessoas têm que ir a uma consulta”, defendeu o investigador. Na 2.ª edição destas jornadas foram também apresentadas aos médicos algumas novidades terapêuticas, como “fármacos com novas formulações” e inaladores diferentes para melhorar “o tratamento dos doentes”. Lusa


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15 Segunda-feira, 3 de Março de 2014

opinião

Irmãos estamos a poucos dias das “romarias” caminhadas 2014 JORDÃO BOTELHO Neste pequeno texto, vou tentar sintetizar como começaram as romarias Micaelenses e sustentabilidade das mesmas. No primeiro Sábado da Quaresma e durante as cinco semanas que se seguem é comum ver nas estradas de S. Miguel- Açores grupos de homens caminhando e rezando em voz alta. As romarias micaelenses iniciaram-se como consequência dos violentos sismos que abalaram a Vila Franca do Campo nos anos de 1522 e 1563. O povo saiu á rua, homens, mulheres e crianças, visitando Igrejas, Ermidas e Capelas, por intercessão a Maria, pedindo clemência ao Pai. Esta tradição é oriunda do povo Micaelense. No presente é transversal às outras ilhas Açorianas e emigrantes da América e Canadá. No passado participavam nas romarias ho-

mens e mulheres, presentemente não tem acontecido, por imposição da nossa Igreja. É um fenómeno etnográfico de grande interesse, não só pela originalidade de certos elementos que lhe são intrínsecos, mas também pela persistência desta manifestação de fé ao logo dos séculos. Os ranchos de Romeiros constituem-se por freguesias, com uma dimensão variável, podendo ir de vinte e tal a cento e tal Irmãos. O Romeiro ostenta o bordão, xaile, lenço, sovadeira às costas com alimento e roupa, um terço ao pescoço e outro na mão para rezar durante a peregrinação. O traje foi originado puramente para protecção física do Romeiro em peregrinação, tendo- se transformado mais tarde num simbolismo místico-religioso. Cada rancho de Romeiros tem o Mestre, contra Mestre, procurador e lembrador de almas, oradores e dois guias. Além do preparo do mestre, “ao longo do ano” este tem que impor disciplina para que todos, “principalmente os mais novos, “ percebam os propósitos das romarias. São oito dias de caminhada em volta á ilha, sempre com o mar pela esquerda, faça chuva ou faça sol, “tipo ponteiros do relógio” sendo o final do itinerário no local da partida.

A hora de partida dos Romeiros varia entre as 3.30 e 4horas de manhã, sendo a chegada às freguesias onde pernoitam, depois do por do sol. Durante a semana de caminhada os Romeiros têm pernoitas em casas” particulares “de Irmãos que os vão recolher ou nos salões que as freguesias disponibilizem. As famílias que nos acolhem, em muitos casos, oferecem a sua cama “de casal “e vão dormir no sofá. No pós-moderno tudo se alterou, as refeições, pernoitas e higiene pessoal, sendo certo que muitos irmãos que nos acolhem mantem a tradição do passado; lavamos “só” os pés com sal e água quente. A época da quaresma foi a escolhida para as romarias, porque no passado era uma temporada de poucos trabalhos agrícolas. Esta cultura Micaelense é única no Mundo, por ser uma volta à ilha, e tem uma grande difusão, além-fronteiras, através da emigração, transportando seus costumes e tradições. Partilhamos vivências com Irmãos, cansados, com bolhas nos pés, magoados, “da viagem da vida, “com problemas “do dia-a-dia,” familiares e profissionais. As reuniões que temos ao longo do ano são, a sustentabilidade para uma nova semana

de caminhada. Quem participa nas Romarias, além de estar presente nas responsabilidades da paróquia,” já está trabalhando,” pensando na próxima caminhada. É um marco que não tem explicação. A fé sem obra é uma fé morta, devemos ser mais cristãos “participativos “dando testemunho da nossa fé. Os regulamentos são acessíveis a todos; para participar nas romarias tem que ser católicos praticantes, assistindo a uma média de 20 a 30 horas de reuniões, sendo tudo programado pelo Irmão Mestre. São caminhadas de fé proporcionando “ao Romeiro “um retiro espiritual, principalmente a alguns que estão mais afastados da palavra do PAI. Esta cultura “tradição, “que não tem fim a cada ano que passa, tem sempre mais irmãos a participar. Peregrinar é uma forma de procura, avançar, descobrir, o horizonte, onde a linha entre o PAI e a terra se tocam. O ser peregrino é uma forma de olhar para dentro de nós, ao longo da viagem temos que enriquecer o outro, com o que tens dentro de ti. SER ROMEIRO É SER PEREGRINO. (IRMÃO JORDÃO) jordao1256@hotmail. com

Na roda da Miséria

Está na hora de dizer basta! É óbvio que a crítica da “entourage” comportamental dos políticos, dissertado sobre o “modus operandi”, idiossincrasias, objetivos de vida e JOSÉ CARVALHO organização de grupo, sobretudo para quem não pertence aos círculos bem pensantes nem aos circuitos do poder, é acto perfeitamente inglório e vai dar, sempre, ao mesmo: nada muda, os comportamentos manter-se-ão os mesmos e a “caravana” segue em frente, impávida e serena. Se não fora o lançamento do livro do professor Paz Ferreira, que nos veio dizer de viva voz aquilo que todos nós sabemos de “ciência certa”, porque sofremos as consequências na pele, todos os dias, teríamos de aceitar que, finalmente, estaríamos no melhor dos mundos, pois, segundo nos querem fazer acreditar, a economia está a crescer, o desemprego, pese embora os malabarismos estatísticos e a ocultação do desemprego em programas da ocupação e estágios, baixou e a credibilidade do país está em alta, sobretudo nos sacrossantos mercados

financeiros. Honra e glória, pois, a política e aos políticos que tão sabiamente conduziram a lusa grei, nos conturbados tempos da Troika e de sua filha predileta, a austeridade! Felicíssimos, os políticos proclamam, alto em bom som, que Portugal consegue financiarse no estrangeiro com juros de 5% e andam numa roda-viva, multiplicando-se em reuniões por tudo quanto é sítio, desde Bruxelas a Nova Iorque, passando por Washington, sem esquecer, evidentemente, Berlim e a Sr.ª Merkel, que nos últimos tempos anda dsaparecida (será que lhe deu algum malesinho!). A propósito de Bruxelas! Quem foi que disse que a eleição do nosso compatriota, Durão Barroso, para presidente da Comissão Europeia era um benefício para Portugal?! Terá sido? Com bem feitores destes, vou ali e já venho. Enquanto isto, nós por cá, o bom povo deste país à beira mar plantado, andamos na rodaviva da miséria, depois de nos terem repetido até à saciedade que vivíamos acima das nossas possibilidades, pelo que se Impunha uma cura drástica de emagrecimento; de preferência, até aos limites da indigência. Cada vez mais endividado e empobrecido, o pobre português parece resignado à sua sorte,

enquanto os políticos – todos eles – vão cantando loas à austeridade e invocando, ao mesmo tempo, as boas graças do BCE e da alta finança internacional que lhes há-de garantir os bons ordenados e lautos banquetes com viagens à mistura. Engraçado! A título de auxílio emprestamnos dinheiro com juros de 5%. Belo auxílio, não haja dúvidas – assim, também eu, dira o outro! A pergunta óbvia é a seguinte: então, se não temos dinheiro suficiente (nem conseguimos produzir riqueza bastante, segundo dizem os entendidos) para pagar o “próprio”, como será possível pagar os juros? E, não se trata de tostões, mas de milhões. Pois é! Vamos levar uma dúzia de anos; talvez 20, segundo opiniões abalizadas. Entretanto, a austeridade vai ficar e frutificar em bons e largos cortes nos salários, pensões e apoios sociais, enquanto os ordenados, prebendas e regalias dos políticos hão -de aumentar, se Deus quiser, como diz o povo, que até é crente. Pelo menos enquanto tivermos “políticos de chocadeira”, como agora temos, nados criados no “choco” das juventudes e aparelhos partidários, assim vai acontecer. Entretanto, estarão perdidas as gerações que não vão encontrar emprego em terras de

Viriato e a minha geração que fez o 25 de Abril, conquistou a semana de trabalho de 35 horas e reconduziu Portugal à Europa, vê defraudadas as expectativas de ter uma vida digna e, ignomínia das ignomínias, vê intitular de reforma a precariedade no emprego, introduzir salários de miséria e degradar-se o sistema de saúde. Efectivamente, com o nome de “reformas”, na realidade retrocedemos décadas, retornando aos tempos da ditadura, com a sopa dos pobres, saúde apenas para quem tinha dinheiro e pedintes nas esquinas das ruas. Excelente, não acham?! Para cúmulo, a Comissão Europeia do Sr Durão Barroso, na sua infinita sabedoria, acha que continuamos a viver acima das nossas possibilidades, pelo que os ordenados em Portugal terão de baixar ainda mais. Mas, não fomos, nós, o povo simples que habita as nossas aldeias e cidades, quem viveu acima das suas possibilidades: foram os políticos – todos eles e de todas as cores – que, à vez, governaram este país e se deixaram inebriar pela miragem do poder, pelo lucro fácil e pelas facilidades que a finança internacional lhes proporcionava. Agora querem que o povo pague pelos desmandos que cometeram. Está na hora de dizer: basta!


Ciência

16 Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Cientistas usam design da romã para criar pilha 10 vezes melhor que as actuais

Está a ser desenvolvido um novo tipo de pilha que consegue armazenar até dez vezes mais energia que os modelos convencionais. A pilha foi pensada por cientistas da Universidade de Stanford, que se inspiraram em romãs para encontrar o design ideal. Há algum tempo que se tenta criar baterias de lítio que, para manter a carga, usem silício, que tem um potencial dez vezes superior ao dos materiais usados actualmente. Só que o silício parte-se no momento da

recarga, por causa do calor. Foi aí que entrou a fruta, a peça que faltava no quebra-cabeças. A equipa de Stanford uniu nanofios de silício em bolhas de carbono e organizaramnas da mesma forma que as bagas da romã; assim, a electricidade é conduzida sem necessidade de expor o silício. Os núcleos são tão pequenos que é difícil romperem-se, e há bastante espaço entre eles para que o silício se expanda sem quebrar. Mesmo depois de mil ciclos de recarga, essa bateria é capaz de funcionar em 97% da sua capacidade, o que a torna apta para o mercado comercial. Só que ainda não está totalmente pronta, deve levar algum tempo até que sejam lançadas. Diário Digital

Atlântico Expresso

EBus Brasil testa autocarro articulado alimentado exclusivamente com baterias

O primeiro autocarro articulado do mundo alimentado exclusivamente com baterias começou a ser experimentado com passageiros na região metropolitana de São Paulo, a maior cidade do Brasil, no âmbito de um projeto-piloto da administração local. O Governo do Estado de São Paulo anunciou, em comunicado, que o veículo, chamado EBus e desenvolvido pela multinacional japonesa Mitsubishi e pela concessionária brasileira Metra, é o primeiro no mundo a utilizar esta tecnologia para o serviço público. O projeto, que pretende reduzir a emis-

são de gases poluentes e ruídos, é uma iniciativa da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU-SP). A fase de testes começou na quinta-feira em Diadema, um dos municípios da região metropolitana de São Paulo, e visa «verificar a viabilidade técnica e económicofinanceira da tecnologia de tração elétrica totalmente movida a baterias, sem a necessidade de recorrer a uma rede aérea de alimentação», refere o comunicado. Até junho, o autocarro verde vai transportar passageiros num percurso diário de 11 quilómetros entre os bairros de Morumbí e Diadema, anunciou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O autocarro tem 18 metros de comprimento em dois corpos e uma capacidade para transportar 124 passageiros, com um sistema de baterias recarregáveis que permite percorrer 160 quilómetros por dia com quatro recargas. Diário Digital com Lusa

Nylon pode servir de base para Cientistas pesam na Alemanha a insustentável leveza do electrão fabricar músculos artificiais Os mesmos fios de nylon que são usados por pescadores podem transformar-se na base para fabricar músculos artificiais poderosos ou de roupa inteligente, capazes de se adaptar a mudanças de temperatura. Essas possibilidades insuspeitas das linhas de pesca foram demonstradas através de um estudo publicado na edição desta semana da revista especializada Science, da qual participaram cientistas brasileiros que trabalham na Universidade do Texas em Dallas (EUA). A equipa, liderada por Roy Baughman, é uma das mais prestigiadas a nível mundial nesta área de pesquisa. Entre as características importantes para que um material seja considerado um bom candidato a componente de músculos artificiais estão a capacidade de armazenar quantidades apreciáveis de energia quando contraído, do mesmo modo que os músculos dos seres vivos. Também é crucial a chamada reversibilidade. De nada adianta um material capaz de produzir uma contracção poderosa se não for possível realizar esse processo milhares de vezes, sem perda de desempenho. Os cientistas já tinham obtido bons resultados com materiais bem mais sofisticados do que linhas de pesca, feitos a partir de nanotubos de carbono (basicamente folhas

Cientistas na Alemanha anunciaram ter feito a medição mais precisa até agora da massa do electrão, um dos elementos fundamentais que compõem a matéria.

microscópicas de átomos de carbono, enrolados para formar um tubo), associados a parafina. A combinação era enovelada muitas vezes com cordas e, quando aquecida. Contraía e conseguia levantar pesos como um autêntico músculo. A chave do processo é que os investigadores chamam de coeficiente de expansão térmica negativo de certas fibras – basicamente, o facto de estas se contraírem quando aquecidas, e o nylon é uma delas. A partir daqui, foi apenas uma questão de aplicar o mesmo tratamento: torcer até que se transformassem em molas. A vantagem é o preço – este tipo de fibra é barato. Em testes, o desempenho dos músculos artificiais a levantar pesos sob variações de temperatura da ordem de uns 100 graus Celsius, chegou a ser duas vezes mais eficiente do que o de músculos humanos. Diário Digital

A proeza deve fornecer uma ferramenta útil para cientistas que testam o «Modelo Padrão» da Física - a teoria mais amplamente aceite sobre as partículas e forças que compreendem o Universo -, afirmaram. Os electrões são partículas com carga eléctrica negativa que orbitam o núcleo de um átomo. Eles foram descobertos em 1897 pelo britânico Joseph John («J.») Thomson, que os apelidou de «corpúsculos», um nome que depois foi mudado para «electrão» por causa de sua ligação com a carga eléctrica. Uma equipa de cientistas liderada por Sven Sturm, do Instituto Max Planck de Física Nuclear, em Heidelberg, «pesou» os electrões, usando um dispositivo denominado de armadilha Penning. Esse dispositivo armazena partículas carregadas numa combinação de campos magnéticos e eléctricos.

Eles mediram um único electrão, ligado a um núcleo de carbono, cuja massa já era conhecida. Segundo o cálculo, que se decompõe em variáveis para estatística e incertezas experimentais, o electrão tem 0,000548579909067 de uma unidade de massa atómica, a unidade de medição das partículas. A estimativa representou um aprimoramento 13 vezes maior nas tentativas anteriores de determinar a massa dos electrões. «O resultado estabelece a fundamentação para experiências físicas fundamentais futuras e testes de precisão do Modelo Padrão», segundo o estudo publicado na revista britânica Nature. Diário Digital


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Opinião

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Segunda-feira, 3 de Março de 2014

NOTAS SOLTAS. FOLHAS CAÍDAS.

A segurança das pessoas e bens está a tornar-se inquietante, entre outras preocupações do viver quotidiano

ROGÉRIO DE OLIVEIRA 1º- A situação criminal no país começa a preocupar. Prende a atenção dos analistas e sociólogos. A própria polícia fica surpreendida com os processos utilizados. Os “gangs” são formados, em grande número, por jovens com idades entre os dezassete e os vinte e poucos anos. Há muitos estrangeiros, profissionais do crime, á mistura ou como cabecilhas. Os objectivos e as razões são várias: espírito de aventura, dinheiro para droga, desemprego, imitação do que observam nas televisões, desafiar a polícia, etc, etc. A qualquer hora do dia, assalta-se um banco, uma ourivesaria, uma pequena casa comercial, um transeunte, mesmo em horas de grande movimento. A sociedade preocupa-se e anda alarmada. Um dos alvos preferidos são as residências de idosos que vivem sós. Tudo serve para alcançar um fim. São farmácias, estações de serviço, máquinas de tabaco, viaturas de segurança no transporte de valores, discotecas, restaurantes, cafés com clientes sentados nas mesas. Até as caixas de multibanco não escapam ao desejo insaciável dos larápios que utilizam para o efeito, os métodos mais engenhosos. Para onde

caminhamos, ninguém sabe responder com certezas. O crime está na ordem do dia. O crime está na Rua. As localidades inseguras. O medo impera. Não vemos sol, vemos chuva. Dias cinzentos, frios, tristes. Perdeu-se o medo ás forças de segurança. Tira-se a vida a uma pessoa como quem “apaga um simples cigarro”. A violência parece que veio para ficar. As aldeias isoladas, com reduzidos habitantes, na sua maioria idosos, vivendo sós, não fogem à epidemia dos assaltos que levam as reduzidas economias encontradas e amealhadas com muito suor durante uma vida dura e trabalhosa. A violência tem dominado a grande vaga de assaltos nos últimos tempos, com os gangs encapuzados e armados com várias espécies de armas, predominando as espingardas caçadeiras de canos cerrados, utilizando disparos de intimidação. Os bandos entram nos estabelecimentos de rompante, mostrando armas para assustar funcionários e clientes. Alguns destes assaltantes, fazem parte, de “gangs altamente perigosos e violentos”. 2. O país está exausto da crise que a todos atormenta. O povo revê em “alta” o definhamento económico da sua bolsa

com as inesperadas despesas com os aumentos anunciados e os cortes previstos em salários e pensões. Portugal atravessa momentos complicados. Falta organização, método, justiça, cumprimento de elementares regras da sociedade e respeito mútuo. A democracia é frágil e vulnerável, apesar de estar em prática, há já quarenta anos. Andamos desiludidos. É preciso libertar a democracia sequestrada. Políticos cansados, cidadãos cansados, jovens cansados, não são a melhor receita, para que a democracia alcance as possibilidades de que é capaz, para defesa e promoção do processo económico, social e cultural do país. A democracia portuguesa sofre de um relativismo que a esvazia de conteúdo e, pior ainda, a impede de olhar o futuro, com ilusão bastante para mobilizar o máximo de cidadania participativa. Os filhos da geração dos que se entusiasmaram com a aurora de Abril, desinteressam-se hoje, por tudo quanto acontece nas altas esferas da política, ao verificarem que os seus pais, querendo levar, festivamente, a imaginação ao poder, deixaram o poder sem imaginação.

3. O que hoje não falta é corrupção, que continua o seu caminho sem que seja travada. Há um estado de corrupção que percorre o país de lés a lés. A corrupção é um mal endémico. Atinge horizontalmente a sociedade portuguesa. Vai do pequeno jeito ao favor, da cunha á pressão, do compadrio ás redes de clientela. Todos o sabem. As pessoas tardam a perceber que muito há a modificar em Portugal. Porém, há escândalos, reais ou supostos, da corrupção daqueles que têm usado os cargos públicos para encher os bolsos ou com políticos, alegados como é politicamente correcto dizer, que, em vez de servidores de todos, se arrogam ao estatuto de profissionais da política, mais preocupados com a permanência nos cargos, do que, com o bem comum. Faz pela vida. Tenta arranjar-se e buscar vantagens. Adula e presenteia quem lhe pode ser útil. E enquanto lhe pode ser útil. Há tempos eram os fidalgos. Depois vieram os padrinhos. Agora os conhecidos. Serei ingénuo ao ponto de acreditar que os golpistas têm de desaparecer ou mudar de vida. Mas há-de sempre um para borrar a pintura. Nas diversas áreas da vida, dispomos de gente competente e séria. É, assim, na cultura, medicina, ciência, literatura, na moda, na investigação. Se assim é, porque é que Portugal não anda para a frente, ultrapassando todas as crises ? Temos condições e competências para isso, mas falta seriedade, organização e trabalho. Há demasiadas pessoas acomodadas e muita falta de profissionalismo, de dignidade, de vontade de acertar o passo. GAIA/VILAR DO PARAÍSO


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Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Lá Longe 600 JOSÉ HANDEL DE OLIVEIRA

Não posso deixar de assinalar o n.º 600 das minhas crónicas intituladas “Lá Longe”. Há cerca de 28 anos que regularmente dou a conhecer não só alguns acontecimentos relacionados com os Açores e os açorianos, principalmente os que têm lugar no Norte do País, mas também relato muitas das actividades em que me vejo envolvido, sejam elas Palestras, Exposições, Apresentação de Livros, Aniversários de datas marcantes da nossa história, Festivais de Folclore, Concertos, Cortejos Etnográficos, Festas levadas a cabo por diversas Associações Culturais, Desportivas e Recreativas, etc.. Também dou conta de diversos “casos de Policia” e de manifestações de carinho e de fidelidade por parte de alguns animais. Sempre no intuito de chamar a atenção para a coragem de uns e a malvadez de outros. E a finalidade de tudo isto é apenas de me manter em contacto com quem vive nos Açores, terra maravilhosa onde passei alguns dos melhores anos da minha vida. Queria deixar aqui o meu agradecimento aos elementos da Redacção do Jornal que têm ilustrado as minhas crónicas, o que, sem dúvida, realça algumas das noticias nelas contidas. Espaçadamente chegam-me ecos de pessoas que gostam de ler o que escrevo. A esse propósito dou conta do que me disse o distinto jornalista Santos Narciso. Ele entrou num café de Ponta Delgada em que um sujeito folheava o “Correio dos Açores” (ao tempo as minhas crónicas eram publicadas naquele prestigiado jornal). O tal sujeito ao deparar com o “Lá Longe” disse alto e bom som:- Já tenho que ler! Também o ilustre Director do “Atlântico Expresso” – Américo Natalino Viveiros, quando lhe comuniquei que após mais de 40 anos de colaboração com o Inatel, ia deixar aquela, agora, Fundação, me incentivou a continuar a escrever as crónicas do “Lá Longe”. Assim tenho continuado, sempre na esperança de agradar aos que tiverem paciência para me ler. “Enamorar” Conforme tinha combinado com o Armando Rodrigues que é um exímio tocador de concertina e de cavaquinho e que na Direcção do Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio, de Braga, ocupa o lugar de Tesoureiro, dirigi-me ao Museu de Traje Dr. Gonçalo Sampaio para apreciar, no âmbito da celebração do “Dia dos Namorados”, uma

exposição de “Lenços de Namorados” ou de “Pedido”, a que foi dado o feliz nome de “Enamorar”. Assim e depois de cumprimentar a jovem e simpática Presidente da Direcção daquele prestigiado Grupo de Folclore – Dr.ª Manuela Sá Fernandes, percorri demoradamente os três andares do edifício, sendo meu cicerone o Armando Rodrigues que pacientemente me explicou o ser das centenas de obras expostas. Assim, tive a oportunidade de ver lenços com cerca de 150 anos de existência e a evolução que os bordados foram sofrendo ao longo dos tempos. Para não me alongar demasiado acerca desta exposição que recorda uma tradição muito representativa da cultura minhota, vou transcrever o que os responsáveis por aquela exposição disseram: “Quando as moças chegavam à adolescência e começavam a pensar no seu futuro, começavam também a idealizar o seu traje domingueiro ou de festa, no qual estava integrado o “Lenço dos Namorados”. Era num lenço branco de algodão ou num simples pano branco que a moça gravava os seus protestos de amor, esperança, dúvida ou ciúme, traduzidos por símbolos como corações, chaves, silvas ou pombas. O fruto do seu trabalho seria depois oferecido ao seu namorado que ao usá-lo publicamente confessava o seu compromisso. Sentimentos traduzidos em desenhos coloridos, recordam uma tradição que se perdeu no tempo. Tive ainda o prazer de ser informado que irão montar a Sede do Grupo no edifício em que funciona o Museu, ficando portanto na

zona central da cidade, com todas as vantagens que daí resultam. E não me despedi do Armando Rodrigues sem deixar exarado no livro próprio para o efeito de que durante os 24 anos que tinha sido Delegado do Inatel de Braga, fora testemunha dos esforços que os componentes do Grupo fizeram para manter viva não só a herança que receberam de quem os antecedeu, mas também a cultura popular portuguesa. E terminei louvando a qualidade da exposição que visitara. Núcleo regional de Braga dos Combatentes Nos termos dos Estatutos, o Núcleo Regional de Braga da Liga dos Combatentes apresentou em Assembleia Geral convocado para o efeito, o Relatório e Contas de Gestão, constituído pelo Balanço e Demonstração dos Resultados, respeitantes à actividade desenvolvida no Exercício de 2013. Coube ao Secretário do Núcleo – TemCoronel João Carlos Moutinho Mendonça, de forma clara a que já nos habituou, falar das actividades desenvolvidas em que se realizaram os eventos programados, o apoio Jurídico, Social e Psicológico, Médico (Clinica –geral) fornecendo aos sócios todo o apoio possível. Na situação económica e financeira, congratulou-se por se terem obtido resultados positivos. No capítulo dos Investimentos realçou as obras feitas nos cemitérios de Braga e na freguesia de Louredo (Vieira do Minho), onde

se inaugurou um monumento aos combatentes daquela freguesia. Nos Custos e Proveitos referiu que houve uma melhoria em relação ao ano anterior. Depois foi a vez do Tesoureiro do Núcleo – Inspector de Aeronáutica António Joaquim de Sá Cerqueira, pessoa que prima pela gentileza para quem se lhe dirige, dar a conhecer o Relatório e Contas, sendo que nas Disponibilidades apresenta um saldo positivo superior a 17.000 Euros. Por fim interveio o Presidente do Núcleo – Coronel João Paulo Amado Vareta que recordou muitos dos momentos vividos pelo Núcleo no decorrer de 2013, mostrando alguma apreensão pelas obras que têm de ser feitas no cemitério de Guimarães, visto que as verbas para esse fim são escassas e não conta com a colaboração de outras entidades. De qualquer modo não deixou de se regozijar com a forma como decorreu a actividade do Núcleo no ano passado, lembrando algumas cerimónias e convívios realizados. Lembrou também que vai ser entregue, em data a combinar, à viúva do funcionário do Núcleo recentemente falecido, o louvor emanado do Presidente da Liga. E foi num ambiente de grande cordialidade que terminou esta Assembleia Geral, em que, felizmente, se constatou que o Núcleo está a cumprir a sua missão, como o comprova o facto de se ter conseguido mais 20 associados, embora houvesse 6 baixas por falecimentos. Braga, 23 de Fevereiro de 2014 José Handel de Oliveira


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Segunda-feira, 3 de Março de 2014

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ESPERO NÃO, ESPERA-SE !

JOÃO DE BRITO ZEFERINO

Antes de entrar propriamente no artigo, seja-me permitido um registo de homenagem à memória do Senhor Mário Coluna, capitão dos capitães do Benfica e uma vez batizado por este grande Senhor da Comunicação Social que foi Artur Agostinho, como o “monstro sagrado” da formação benfiquista, onde para além do titulo tinha o carisma dum verdadeiro “capitão”. Ao contrário do que aconteceu com o Eusébio, não tive a honra e o privilégio de conhecer pessoalmente Mário Coluna, pelo que ficavam os registos e são muitos, sobre os feitos, as conquista e tudo que fez pelo Benfica e pela seleção nacional o que foi muito. Por tudo isto que Coluna fez pelo desporto de Portugal e Moçambique o meu respeito perante a sua memória, e que a sua alma descanse em paz por tudo o que fez nesta sua passagem terrena. Espero não, espera-se!

Durante uns bons quarenta anos, na minha função de comentador desportivo no Emissor Regional dos Açores na RDP/ Açores e finalmente na Antena Um, tive o privilégio e honra de trabalhar com alguns dos bons valores do relato desportivo. Entre outros e na Região recordo o saudoso Luis Furtado, o António Narques e Sidónio Betencourt, entre outros. A nível nacional. Tive a honra e o privilégio de trabalhar com o Nuno Bras, Carlos Dogberto,

António Pedro, e um dos últimos o Rui Almeida. E foi com este senhor do microfone, que aprendi a lição, que nunca mais esqueci e que até recomendei mais tarde a outros cabouqueiros do mesmo ofício. Tinha uma positiva impressão dos relatos do Rui e pela sua descrição de datas , factos e histórias, julgava que ele possuía umas razoáveis “cábulas de apoio” tal como eu com a devida distancia que vai entre um amador e um profissional, o fazia nos meus comentários. Ora tudo isto veio diariodigital.sapo.pt a cair por terra, quando num celebre jogo Santa Clara-Sporting Clube de Portugal a contar para a então 1ª Divisão nacional, ao intervalo e no comentário que então fazia, disse mais ou menos assim : “Espero que nesta segunda parte o Manuel Fernandes (então treinador dos açorianos) venha a proceder. etc, etc. Etc.”. Passada que foi a palavra para os estúdios, o Rui chegou ao pé de mim, e ao ouvido disse: “Companheiro, não se diz espero, porque isto não é um assunto pessoal, e como tal deve dizer-se “espera-se que o etc,etc. Etc..E com aquele seu sorriso franco e aberto, deu-me uma palmadinha nas costas e terminou:” Não fiques ofendido porque em tempos também cometi o mesmo lapso e alguém amigo me chamou a atenção”. Ponderei alguns mi-

nutos e agradeci a amistosa chamada de atenção. Ora nos dias de hoje, e como ouvinte a tento do que se passa na matéria, cá dentro de portas e lá fora nos jogos nacionais, oiço cada manifestação oral das mais variadas origens, que identificam as cores clubistas dos respectivos relatorteas e cometadores (não todos felizmente) , Não é proibido a ninguém ter a sua cor clubística ou simpatia de cores, que eu também as tenho, agora que haja algum cuidado em não “transpirar” tão descaradamente, penso eu de que, não será muito curial para o auditório, que é formado por adeptos de todas as cores. A não ser que hoje tudo tenha mudado e que os conselhos que me foram dados pelo Rui Almeida estejam perfeitamente desatualizados. Cada um tirará as suas conclusões, como na altura eu tirei as minhas, E como ultimo registo em relação ao Rui, ele não tinha cábulas nenhumas para fazer o seu trabalho. Tinha sim, aquilo que na altura lhe disse ”tens uma memória de elefante”, pois antes e durante o relato, referi com mestria, datas, pessoas, acontecimentos e não sei mais quantos, simplesmente de memória, sem mais nenhum texto de apoio. É obra! E assim se recordam outros tempos e outras aprendizagens, pois engane-se quem estiver convencido que sabe tudo, e mais do que isto, não tem a humildade de aceitar as correcções ou simplesmente as sugestões, que alguém tem para nos dar. Foi assim comigo, e a partir de então passei a ter mais cuidado com a língua, pois achei que não era detentor da sabedoria única, e que muitos milhares de ouvidos, podiam não ficar agradados com o que eu esperava ou não. Saber ouvir é uma grande virtude. Obrigado amigo Rui.


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Segunda-feira, 3 de Março de 2014

SBK – GP Austrália (Phillip Island) deu as boas vindas à 27ª edição do mundial

56.515 ESPECTADORES APLAUDIRAM TRIUNFOS DE LAVERTY E GUINTOLI Vitória histórica de Eugene Laverty e da Suzuki na primeira corrida do GP Austrália, em Phillip Island, com uma assistência que ultrapassou os 56000 espectadores. Laverty somou o seu terceiro triunfo consecutivo no mundial, pois no último GP da temporada passada, em Espanha, venceu as duas mangas em Jerez De a Frontera. Sylvain Guintoli (Aprilia) não deixou os seus créditos por mãos alheias e rubricou a vitória na segunda corrida e de ter sido o único piloto a subir ao pódio nas duas mangas. A Suzuki e a Aprilia deram um excelente recital de motociclismo na Austrália e partem como as formações favoritas para vencerem o campeonato (embora ainda só se tenham realizado duas mangas de um total de 28), agora que o mundial tem um mês e meio de interregno, pois o próximo GP só se realiza-se no fim-de-semana de 11, 12 e 13 de Abril, no traçado espanhol, de Motorland Aragão.

JOSÉ MANUEL PINHO VALENTE Com um bonito dia de sol e muito calor, Phillip Island deu as boas vindas a mais uma edição do mundial de SBK, com duas corridas muito emocionantes e competitivas desde a largada até à derradeira volta, sempre com a incerteza do vencedor até ao final.. Eugene Laverty teve uma saída discreta no momento da partida para a corrida inaugural do mundial de 2014, passando na sétima posição no final da primeira volta. O piloto irlandês teve uma batalha inicial que durou várias voltas com Chaz Davies (Ducati) e Jonathan Rea (Pata Honda), levando a melhor sobre os seus adversários, passando a rodar no quinto posto e a encurtar caminho sobre os pilotos que seguiam à sua frente. A Suzuki GSX-R 1000 mostrava-se bastante rápida e consistente, dando inteira confiança a Laverty e este não a desperdiçou e foi ao encontro dos três pilotos que rodavam na sua dianteiO Departamento de Imprensa do WSBK ofereceu gentilmente ao Jornal Atlântira: Davide Giuliano (3º), Melandri (2º) e co Expresso fotos do GP Austrália, que aqui publicamos e agradecemos. Guintoli (1º). O irlandês foi ultrapassando um a da, o propulsor da Suzuki partia quando circulava na segunda um os seus principais opositores e, rapidamente, chegou à liderança desta primeira manga, não posição, provocando com este incidente a bandeira vermelha perdendo mais o comando até ao baixar da bandeira de xa- na prova, dado o óleo que caiu na pista, e o final da corrida, drez. Laverty, com este triunfo, deu um resultado histórico com os resultados a serem estabelecidos à 14ª passagem. Os pilotos espanhóis tiveram sortes diferentes. Toni Elias ao Team Voltcom Crescent Suzuki. A Suzuki já não ganhava uma corrida do mundial de SBK, desde a segunda manga caiu na primeira corrida e foi nono na segunda manga, endo GP África do Sul, realizado no circuito de Kyalami, em quanto David Salom assinava o triunfo nas duas mangas da EVO Class, aonde foi o melhor na classificação desta cate2010. Na segunda corrida, Eugene Laverty assumiu o coman- goria, que equivaleram aos 10º e 9º lugares, respectivamente, do no equador desta prova, todavia não conseguiu manter-se da 1ª e 2ª mangas. Os pilotos da EVO Class, David Salom, nesta posição até ao final. O piloto irlandês não conseguiu Niccolò Canepa e Glenn Allerton, este último que substituiu escapar a Guintoli e o francês, após várias tentativas de ultra- o lesionado Sylvain Barrier, ofereceram uma excelente luta, passagem, conseguiu consumar a ultrapassagem e assinar um que em ambas as corridas foi sempre favorável a David Satriunfo inteiramente merecido. A seis voltas do final da corri- lom.

BANDEIRA DE XADREZ SBK: ESTATÍSTICAS / GP AUSTRÁLIA – O circuito de Phillip Island, na Austrália, recebeu as 1ª e 2ª corridas do mundial de 2014, que foram as 645ª e 646ª mangas de toda a história deste mundial, que teve a sua primeira edição em 1988. Eugene Laverty disputou as suas corridas números 81 e 82, em SBK, pois em SSP tem 29, o que lhe dá um total 111 corridas mundiais neste campeonato. Com o triunfo na primeira manga da edição deste ano, Laverty ká tem um total de 25 vitórias mundiais em ambas as classes (13/SBK e 12/SSP). SylvainGuintoli, vencedor da segunda corrida, disputou as suas mangas 106 e 107, num total de cinco vitórias em SBK, ao longo da sua carreira. Se considerarmos que Sylvain Guintoli esteve várias temporadas no mundial de Moto GP, aonde disputou um total de 119 GP (38/Moto GP e 81/250cc), Guintoli tem de um total de 226 corridas mundiais disputadas na soma de ambos os campeonatos do Mundo. Em Moto GP e 250cc, nunca alcançou nenhuma vitória, mas assinou um pódio no campeonato de 250cc (Holanda/2003). SBK: TREINOS OFICIAS PRIVADOS EM PHILLIP ISLAND – Uma semana antes do GP Austrália, prova inaugural do Campeonato de Mundo de 2014, o circuito de Phillip Island recebeu nos dias 17 e 18 de Fevereiro, os derradeiros testes oficiais de SBK, antes do início do mundial. Ao longo dos dois dias de testes, num total de quatro sessões, Tom Sykes (Kawasaki Racing Team), actual Campeão do Mundo em título, foi o mais rápido na combinação dos quatro períodos de testes. O piloto britânico registou um cronómetro com 1m 30,239s, à média de 177,239 Km/h, que ficou somente a cinco milésimas de segundo do recorde estabelecido por Carlos Checa. No entanto, o teste de Tom Sykes não ficou livre de incidentes, pois numa das sessões de treinos a sua ZX-10R sofreu um problema técnico na recta da meta, quando se aproximava da curva 1. Durante a conferência de imprensa sobre o conjunto dos testes, Tom Sykes foi objectivo ao afirmar: “Estou contente com os resultados dos dois dias de testes em Phillip Island. Durante os dois dias demos muitas voltas ao circuito para experimentar as diversas soluções que tínhamos pendentes e ser o mais rápido e um dos pilotos mais consistentes, é para estar satisfeito. Phillip Island nunca foi o meu cenário preferido, pelo que é muito positivo este resultado. Sei que as condições surpreenderam a muitos, pelo que entendemos melhor com estes testes o que vamos fazer durante o fim-de-semana”. Na categoria EVO, Niccòlo Canepa (Ducati 1199 Panigale) da equipa Althea Racing, levou a sua moto ao 11º lugar. Canepa, ex-campeão da categoria Superstock 1000, conseguiu introduzir-se entre os pilotos do WSBK, concluindo este conjunto de testes com uma nota bastante positiva. Na combinação dos tempos das quatro sessões de testes, posicionaramse a seguir a Tom Sykes, os seguintes pilotos: Eugene Laverty (Suzuki) 1m 30,513s; Alex Lowes (Suzuki) 1m 30,528s; Marco Melandi (Aprilia) 1m 30,579s; Davide Giugliano (Ducati) 1m 30,644s; Loris Baz (Kawasaki) 1m 30,757; Sylvain Guintoli (Aprilia) 1m 30,766s; Leon Haslam (1m 30,798s; Jonathan Rea (Honda) 1m 30,813s; Chaz Davies (Ducati) 1m 31,087s. As motos do mundial de Supersport também estiveram presentes no traçado australiano. Nos tempos combinados, o tricampeão do Mundo desta categoria, Kenan Sofuoglu (Kawasaki) do Team Mahi Racing Team Índia, terminou a dupla jornada de treinos com o melhor registo, ao assinar 1m 33,506s (171,133 Km/h). O estreante piloto norte-americano, Patrick J Jacobsen (Kawasaki) do Team Intermoto Ponyexpres Kawasaki, aproveitou ao máximo estes períodos de treinos conseguindo alcançar o segundo lugar final com o “crono” a registar 1m 33,787s. A seguir posicionaram-se Michael Vd Mark (Honda) 1m 33,918s; Jules Cluzel (MV Agusta) 1m 33,984s; Wilairot (Honda) 1m 33,987s.


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Televisão

Segunda-feira, 3 de Março de 2014

destaque 05:30 Bom Dia Portugal (Directo) 09:00 Biosfera 09:30 Especial Saúde 10:00 Olhar o Mundo 10:30 Sabores 11:00 Jornal do MeioDia (Directo) 12:00 Estação de Serviço Repetição 12:45 Mundo Automóvel Repetição 13:00 Jornal das 14 - Directo 14:00 Teledesporto - Repetição 14:45 Bem-vindos a Beirais 15:30 Espaço Infantil 17:00 Informação Açores - Directo 17:15 Meteorologia - Açores 17:20 Açores Hoje - Directo 18:45 Mundo Automóvel 19:00 Estação de Serviço - Directo 19:50 Ler, Ler Melhor 19:55 Meteorologia - Açores 20:00 Telejornal – Açores (Directo) 20:35 Meteorologia - Açores 20:40 Troféu - Directo 21:00 Põe-te a Pau 21:25 Carnaval da Ilha Terceira - 2014 (Danças e Bailinhos) 23:00 Sob Suspeita 23:40 Meteorologia - Açores 23:45 Telejornal – Açores (Repetição) Informação Regional 00:15 Simultâneo - RTP Açores/ RTP Informação (Directo)

05:30 Bom Dia Portugal - Directo Neste projecto está envolvida uma vasta equipa de correspondentes da RTP espalhados pelo Mundo assim como das suas Delegações e Centros Regionais. Este programa conta ainda com a colaboração nas informações sobre o trânsito em Lisboa e no Porto. 09:00 Praça da Alegria - Directo 12:00 Jornal da Tarde - Directo 13:15 Os Nossos Dias 14:00 Portugal no Coração - Directo 17:00 Portugal em Direto - Directo 18:00 O Preço Certo 19:00 Telejornal Directo 20:00 Bem-vindos a Beirais 21:00 Quem Quer Ser Milionário 22:00 5 Para a MeiaNoite (Directo) Verbo Luís Filipe Borges convida 23:30 Outra Coisa ao Vivo 01:45 O Mentalista Rigsby e Van Pelt passam por um casal à procura de aconselhamento enquanto investigam a morte de uma mulher que procurou conselhos com um apresentador de um programa de rádio. 02:30 Ler, Ler Melhor 02:45 Éramos Seis – Episódios 81 e 82 04:15 Televendas 05:00 Nós

06:00 Zig Zag Um mundo de séries de aventura e animação para os mais pequenos. 14:00 No Meio do Nada 14:30 Magnatas e Estrelas de Cinema (Repetição) 15:30 Sociedade Civil 17:00 A Fé dos Homens Igreja Católica Romana Igreja Vetero Católica 17:30 Ler, Ler Melhor 17:35 Zig Zag 19:45 Ler, Ler Melhor (Repetição) 20:00 Entre Imagens (Estreia) Uma série documental que pretende abordar diferentes campos estéticos e sociais da imagem. 20:25 Visita Guiada (Estreia) Visita Guiada é um programa de televisão e de rádio sobre os tesouros do património cultural português. Tesouros com reconhecido valor universal, peças que qualquer país ocidental se orgulharia de integrar no seu património, e pouco conhecidos dos portugueses. 20:53 A Hora da Sorte 21:00 Síntese 24 horas - Directo 21:25 Agora (Diários) 21:35 Reféns 22:20 Sinais de Vida 23:10 Escola das Artes da Universidade Católica do Porto - “Não Linear” 23:40 Agora (Diários) - Repetição 00:00 Euronews

05:00 SIC Notícias 06:00 Edição da Manhã Na Edição da Manhã, às notícias somam-se as primeiras páginas dos jornais, o trânsito em Lisboa e no Porto, a meteorologia, os mercados bolsistas e o Jornal de Economia. 07:40 A Vida nas Cartas - O Dilema 09:00 Queridas Manhãs Júlia Pinheiro e João Paulo Rodrigues são a dupla que anima o ‘Queridas Manhãs’. Um espaço de entretenimento com histórias de vida, convidados, rúbricas e muitas outras surpresas diárias. 12:00 Primeiro Jornal 13:30 Senhora do Destino 14:45 Boa Tarde 17:35 Sangue Bom 19:00 Jornal da Noite 20:45 Sol de Inverno 22:00 Amor à Vida 23:00 A Guerreira 23:55 EPT - Vip Poker 00:50 Donas de Casa Desesperadas 01:45 As Taras de Tara Há vários meses que Tara não sofria com a sua múltipla personalidade e decide reconstruir a sua vida com a ajuda de Max ao fazer novos amigos. Mas a situação complica-se quando um vizinho dos Gregson se suicida e a família culpa a casa e a vizinhança. 02:15 As Taras de Tara 02:45 Televendas

01:00 Repo Men - Os Cobradores 02:45 O Teu Olhar 03:30 TV Shop 05:00 Todos Iguais Espaço dedicado a minorias étnicas. 05:30 Diário da Manhã 09:15 Você na TV! 12:00 Jornal da Uma 13:30 A Outra 15:00 A Tarde é Sua Fátima Lopes fazlhe companhia todas as tardes, com um programa muito especial onde a boa disposição da apresentadora nunca irá faltar. Os temas centram-se em todas as áreas da sociedade: a saúde, a família, as finanças, os afectos, os famosos, a moda e as grandes polémicas da actualidade. 17:00 Doce Fugitiva 19:00 Jornal das 8 As notícias que marcam a actualidade do dia. 20:30 O Beijo do Escorpião 21:45 Belmonte 23:00 Óscares 2014 – Compacto 23:45 Ela é Ela 00:45 Série: Apanhame se puderes 01:45 Série: O evento

Qualquer alteração às programações que publicamos é da inteira responsabilidade das respectivas emissoras

Entre Imagens RTP 2

Uma série documental que pretende abordar diferentes campos estéticos e sociais da imagem. Entre Imagens é um projeto de Pedro Macedo e Sérgio Mah e que consiste numa série documental sobre 13 criadores cujo trabalho privilegia a prática do fotógrafo. Fazendo justiça ao carácter amplo e diverso da cultura fotográfica, a série pretende abordar diferentes campos estéticos e sociais da imagem, desde a arte ao fotojornalismo, dos géneros do retrato às várias tendências da documentação da realidade quotidiana e do território. Em todos os episódios, procura-se refletir sobre o universo particular dos criadores (aqui entendidos como fotógrafos ou artistas visuais que trabalham predominantemente...

O Mentalista RTP 1

Simon Baker interpreta Patrick Jane, um colaborador do Departamento de Investigação da Califórnia que possui uma habilidade mental extraordinária para ajudar a resolver crimes, usando a sua apurada capacidade de observação e percepção. Dentro do Departamento, Jane é conhecido por desrespeitar constantemente as regras protocolares e por ser uma celebridade graças ao seu passado como médium vidente, cujos poderes paranormais acaba por confessar serem fingidos.


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Atlântico Expresso

Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Crianças vendem casa dos pais em menos de uma semana Um casal conseguiu vender a sua casa em menos de uma semana, sem recorrer a imobiliárias, nem vizinhos. A venda foi feita pelos filhos. Ella, de 8 anos, e o irmão Tomass, de 6, decidiram ajudar os pais a vender a casa de quatro quartos e garantir a mudança da família no interior do Reino Unido. As crianças desenharam panfletos com a ilustração de uma casa e o número do telefone do pai. Os pequenos distribuíram os cartazes pelas residências da vizinhança e colocaram uma caixa de papel no passeio para anunciar a potenciais interessados que ali havia um imóvel à venda. Os pais Dave e Liene Penny não deram muita atenção aos esforços da dupla, até que quatro dias após o início da campanha eles receberam duas ofertas pelo preço de venda da casa.. Eles decidiram aceitar uma das ofertas seis dias após os compradores terem visto os anúncios feitos pelas crianças. Agora, a família já se pode mudar para o outro lado da cidade de Taunton, em Somerset, até ao final de Fevereiro. O esforço dos meninos poupou aos pais o equivalente a 5,5 mil euros em comissões para corretores de imóveis no Reino Unido. A mãe Liene contou ao site SWNS que estava preocupada, já que havia iniciado o processo de compra de um imóvel noutra parte da cidade. «Estávamos apreensivos também porque para as crianças é uma grande mudança, mas eles ficaram tão animados com a ideia que começaram logo a engendrar os panfletos», contou ao site. Os cartazes, pintados com canetas coloridas, anunciavam: «Se conhece alguém que quer comprar uma nova casa, ligue. O número 11 da avenida French Wier está à venda.» DD

NekNomination: Polícia procura mulher que entrou a cavalo em supermercado inglês A polícia está à procura de uma mulher que foi filmada a entrar a cavalo num supermercado em Durham, Inglaterra, no âmbito de um desafio «NekNomination», a «moda» na Internet que já levou à morte de pelo menos duas pessoas. Um vídeo divulgado mostra Inky Ralph, de 21 anos, a entrar montada a cavalo na Tesco Express, em Bishop Auckland, e no fim toma uma bebida. É assim que terminam os desafios «NekNomination», cujo lema é «embebedar-se não é crime», mas Inky limita-se a beber uma Pepsi Max. A mulher mais tarde confirmou ao jornal Northern Echo que era mesmo um desafio «NekNomination». «[Entrar a cavalo numa Tesco] É algo que nunca tinha sido feito. Foi apenas diversão inofensiva e toda a gente achou imensa graça», argumentou a mulher. Mas as autoridades não partilham da mesma opinião. A inspectora-chefe Sue Robinson, da polícia de Durham, classificou a atitude de «sem sentido» e «tola». «Os envolvidos já são bem conhecidos dos funcionários da loja e dos agentes da autoridade», explicou a responsável. «Havia vários clientes na loja àquela hora e foi uma sorte ninguém se ter magoado», acrescentou. No vídeo podemos ver como a mulher, depois de completar o desafio, incentiva os amigos (e até um segurança) a completarem os seus desafios. «Não me desapontem», afirma em frente à câmara. A «moda» dos desafios «NekNomination» já foi considerada responsável pela morte de pelo menos duas pessoas, incluindo um jovem irlandês, Jonny Byrne, que se atirou para o rio em County Carlow, recorda a imprensa britânica. DD

Barack Obama é o rosto do Viagra contrafeito no Paquistão

Girafa esfomeada entra em restaurante Os clientes de um restaurante em África do Sul foram surpreendidos durante o jantar quando uma girafa entrou no estabelecimento. Os visitantes do abrigo de animais Lion Park em Joanesburgo tiveram uma visita inesperada quando a girafa, um macho chamado «Perdy», decidiu ir dar uma «espreitadela» ao menu. Contudo, aparentemente o animal de seis metros «torceu o nariz» às ofertas gastronómicas dos humanos, tornando a sair com a mesma calma com que entrou. O vídeo já soma milhares de visualizações online. DD

O presidente norte-americano é associado a “poder e virilidade”, numa montagem em que o rosto de Obama surge no corpo de James Bond. Em Peshawar, uma cidade ultra conservadora no norte do Paquistão, a venda de Viagra não é permitida mas não faltam substitutos contrafeitos do medicamento. Com quatro comprimidos a custar menos de 80 cêntimos, pode escolher entre o “Super-homem Americano” ou o “Aobama”, em cuja embalagem figura o presidente Barack Obama numa versão 007. Segundo a Agência France Press, os fármacos contrafeitos estão a aumentar as vendas no país. Enquanto alguns são apenas uma copia do Viagra original, outros são compostos por químicos desconhecidos e estão associados a vários efeitos secundários tais como paralisia muscular. Visão

Sem-abrigo húngaro ganha dois milhões de euros na lotaria Um sem-abrigo húngaro de 55 anos, que ganhou dois milhões de euros na lotaria, declarou que pensa viver sem luxos e planeia apoiar pessoas sem recursos e com «destinos difíceis», informaram esta quarta-feira os meios de comunicação húngaros. László Andraschek vivia num centro de sem-abrigos e em apartamentos sociais na cidade de Györ, a oeste de Budapeste, quando em Setembro do ano passado comprou uma fracção de uma lotaria húngara, que sorteava uma enorme quantia acumulada, com as últimas moedas que tinha no bolso. Um dia depois viu que os números nos quais havia apostado foram sorteados e não acreditou, segundo contou o milionário cuja história só foi conhecida agora. «Todo eu tremia, as pessoas que estavam ao meu lado perguntavam-me o que estava a acontecer», relatou László nas suas primeiras impressões à televisão RTL Klub. O já milionário comprou um carro, uma casa onde vive com a sua mulher, e presenteou os seus cinco irmãos com uma quantia em dinheiro. László assegurou que não tem interesse pelo luxo, tem «desejos especiais», e quer visitar uma irmã que vive no Canadá, algo que considera um desafio porque nunca viajou de avião. «Há lugares belos na Europa», disse, para acrescentar que também pretende fazer uma rota turística por Itália. László e a sua mulher preparam a criação de uma fundação para apoiar pessoas sem recursos e com «destinos difíceis», enquanto a imprensa local de Györ já informou que o casal doou «uma soma importante» para uma organização de caridade local. DD

Indiano alega ser o mais velho do mundo com 118 anos Um antigo professor do ensino público na Índia alega ser o homem mais velho do mundo, com 118 anos. Os documentos de identificação de Premsai Patel indicam que nasceu a 11 de Maio de 1896. A confirmar-se, será o homem mais velho (conhecido) do planeta. Recorde-se que actualmente dispomos de um exame aos ossos que permite saber a verdadeira idade de uma pessoa. Sobre como manter-se saudável ao longo de muitos anos, Patel explica que sempre se alimentou de vegetais frescos e legumes, nunca tocando em carne ou peixe. «Como comida simples como vegetais frescos e nunca toco em carne ou peixe», afirmou. E porque «corpo são» precisa de «mente sã», todos os dias o indiano recita passagens das Escrituras Sagradas hindu, o que «purifica a sua alma», defende. Diário Digital

Ficha Técnica

Atlântico Expresso Jornal Semanário Registo N.º 111846 Tiragem desta edição - 6 650 exemplares Editor - Gráfica Açoreana, Lda.

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P Á G I N A

Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Economista Joaquim Cadete alerta

Opinião

«Nós pelos Açores e a ‘Europa’ Desequilíbrio financeiro gera lá tão longe!» «sequelas» do ponto de vista social «A Comissão Europeia O economista Joaquim Cadete alerta para favoráveis ao longo de muitos anos”. “Em contrapartida, exigia-se a elaboração e as dificuldades geradas pelo “desequilíbrio fi(EC/COM) – O “Governo Europeu” nanceiro” em Portugal, deixando cada vez mais implementação de uma visão estratégica para o “sequelas do ponto de vista social” devido a país, de forma a prepará-lo para os desafios decor“uma maior desigualdade na distribuição do rentes da nova vaga de globalização”, o que “os e o cidadão comum» vários governos, maioritários ou minoritários, rendimento e da riqueza”.

ANÍBAL MANUEL DA COSTA FERNANDES * Para nós cidadãos europeus, portugueses e açorianos, parece-nos ser indiferente que exista uma instituição Europeia designada por Comissão Europeia (EC/COM) que, por acaso, nos últimos nove anos, é presidida por um cidadão nacional português – José Manuel Durão Barroso (o que independentemente de simpatias políticas ou pessoais, deveria constituir uma honra, porque não é todos os dias, nem voltará a acontecer tão cedo, termos a oportunidade de saber de um nosso concidadão em uma função de tamanha responsabilidade – ainda por cima coincidindo com a enorme crise que se abateu, também, sobre nós desde 2008 – e visibilidade, incluindo a nível das cimeiras dos oito países mais «ricos» do planeta (G8+1)). Dizemos de enorme responsabilidade porque é à EC/COM – como «corpo» executivo – que compete, nomeadamente, após o Tratado de Lisboa (dez/2009), propor e uniformizar legislação nos 28 Estados-membros (EMs) e arbitrar o processo legislativo, implementar as decisões das Diretivas (regras e regulamentos) por forma serem executadas pelos EMs, zelar pelo cumprimento dos Tratados e sua atualização, definir estratégias de médio-prazo (p.e. Horizon 2020), representar a União Europeia (UE) em negociações comerciais internacionais, conceber o orçamento da UE mas, acima de tudo, ser responsável pelo funcionamento dia-a-dia da UE – como o Governo de mais de 500 milhões de pessoas! O termo EC/COM – ou Colégio de Comissários – assim como o epiteto «comissário» não são pacíficos (devido à conotação com «comissário político») porque, apesar de cada um deles ser indicado pelo Governo do EM é seu dever pensar nos interesses da UE e não do seu país de origem (embora saibamos que, ainda de forma inconsciente, possam tender a pensar de outra forma na gestão dos dossiers sob sua responsabilidade). A EC/COM, como vimos, é presidida por uma personalidade escolhida pelo Conselho Europeu (CE) – que representa os Governos dos EMs – que propõe o seu nome e portefólio ao Parlamento Europeu

(PE) – saído das eleições Europeias, que realizar-se-ão a 25 de maio próximo – sendo esse candidato eleito ou não pelo PE (mais uma razão para irmos votar, pois serão os nossos futuros deputados que terão direito de escolher o próximo Presidente de 20142019). Após esta eleição, o CE e o Presidente eleito, em conjunto, escolhem os restantes comissários (segundo a fórmula 26+1). Este conjunto de pessoas são propostos como um «corpo» ao PE para nova votação em bloco. Uma vez a futura equipa ratificada, esta é formalmente empossada pelo CE, ao abrigo do Artigo 17:7 do Tratado da União Europeia (TEU). Após a posse, o Presidente escolhe os seus Vice-presidentes (sendo o/a Alto Representante para a Política Externa e Segurança Comum CFSP um/a deles por inerência – porque preside ao CE de Assuntos Exteriores). É no entanto pouco significativo o «peso» dos restantes Vicepresidentes com a Exceção do/a referido/a Alto/a Representante e do primeiro/a Vicepresidente, aquele/a que por impedimento do Presidente passa a ter a responsabilidade primeira no Governo da UE. A EC/COM é operacionalizada por um corpo administrativo de cerca de 23000 funcionários civis europeus que pertencem a departamentos designados por Directorates-General (DG ou Direções Gerais) e respetivos serviços. Destes, mais de 10 por cento pertencem ao corpo de tradutores-interpretes que asseguram a tradução de documentos e eventos para as restantes línguas além do Inglês, Francês e Alemão, estas, oficiais de trabalho da EC/COM. Esta tem a obrigação de agir de forma supranacional e independente dos governos nacionais dos EMs, sendo descrita como «um corpo pago para pensar Europeu» e agir em conformidade, de forma neutra em relação aos EMs e às restantes instituições da UE, como são o caso do CE, que representa os Governos dos EMs, o PE que representa os cidadãos da UE e o Comité Económico e Social, que representa a Sociedade Civil da UE de forma organizada. Até à entrada em vigor do Tratado de Lisboa (i.e. ao abrigo do Tratado de Nice) o Presidente da EC/COM era validado pelo PE, após proposta do CE. Agora será diferente. O futuro presidente da EC/COM, embora proposto pelo CE, será votado diretamente pelos membros do PE que serão eleitos nas próximas eleições de maio. Mais uma responsabilidade para nós cidadãos, se não formos votar para o PE. * Mestrando em Relações Internacionais

“Infelizmente, as dificuldades que hoje sentimos vão permanecer connosco por um período bastante longo, dado não ser possível corrigir os desequilíbrios de décadas em três ou quatro anos” e “o processo de reequilíbrio financeiro do país tende a gerar sequelas do ponto de vista social, que passam por uma maior desigualdade na distribuição do rendimento e da riqueza”, escreve Joaquim Cadete, na mais recente edição Semanário ECCLESIA. “O Santo Padre deixa-nos um forte apelo à participação esforçada na resolução das carências da comunidade”, sintetiza o economista referindo-se em específico a uma frase da mensagem de Quaresma do Papa: “desconfio da esmola que não custa nem dói”. Joaquim Cadete lembra que a entrada de Portugal no projecto da União Europeia trouxe ao país “o acesso a inúmeros fundos comunitários, bem como a condições de financiamento

adiaram sucessivamente a concretização de reformas, ditas estruturais, dado que implicavam custos a curto prazo e benefícios apenas a médio e longo prazo”, lamenta o economista. Em artigo de opinião publicado no Semanário ECCLESIA, Joaquim Cadete refere que “o imediatismo reinante na sociedade actual favoreceu este comportamento por parte dos decisores políticos, dado o défice de exigência por parte dos eleitores” que traçaram com esse comportamento “um caminho mais apetecível de trilhar” para os governantes “uma vez que bastava definir uma política de facilitismo para garantir o sucesso imediato entre a população”. “O progressivo declínio da indústria nacional, o efeito decorrente do envelhecimento da população e os recorrentes défices públicos foram temporariamente escondidos pelo recurso à contratação de dívida pelas famílias, empresas e Estado”, conclui

Na Terça-feira de Carnaval

Batalha das Limas regressa à Avenida Infante D. Henrique

A tradicional Batalha das Limas regressa à avenida Infante D. Henrique, a 4 de Março, terça-feira de Carnaval, com um total de sete equipas inscritas, mais três do que em 2013. A concentração das equipas está marcada para as 14h30, no parque de combustíveis da zona da Pedreira do Meio, em Santa Clara, enquanto a saída será às 15h00. As sete equipas inscritas na Batalha das Limas 2014, uma iniciativa da Câmara Municipal de Ponta Delgada, através do Coliseu Micalense/Projecto Externo, são provenientes de Fajã de Cima, Fajã de Baixo, Santa Clara, São José e Lagoa. Tendo em conta a realização de mais uma edição da Batalha das Limas, o trânsito ficará

condicionado na Avenida Infante D. Henrique e Avenida Dr. João Bosco Mota Amaral entre as 15h00 e as 19h00. Ficará ainda proibido o trânsito no sentido poente/nascente, desde a Praça Vasco da Gama até ao Clube Naval. No dia de Carnaval, o trânsito ficará também proibido no sentido poente/nascente e estará de prevenção uma ambulância na Praça Vasco da Gama, entre as 15h00 e as 19h00. À semelhança do que tem acontecido nos anos anteriores, o reservatório do Paim pertencente aos SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) de Ponta Delgada, estará aberto das 9h00 às 13h00 do dia 4 de Março para carregamento dos camiões.


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ÚLTIMA

Correio dos Açores 2 de Março de 2014

Fundado em 1920

www.correiodosacores.info Rua Dr. João Francisco de Sousa nº 14 9500-187 Ponta Delgada - São Miguel - Açores pub

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Apontamento dominical

Unanimidade?! A notícia tem poucas horas, no momento em que escrevo (27 de Fevereiro de 2014). Bento XVI recebeu uma carta do jornalista Andrea Tornielli e respondeulhe, na volta do correio, para deixar claras duas coisas. Primeiro. «Não existe dúvida absolutamente nenhuma acerca da validade da minha renúncia ao ministério petrino» e as especulações são «totalmente absurdas». O Papa não foi obrigado a demitir-se, nem o fez em resultado de quaisquer manobras. Segundo. A renúncia é válida e não existe hoje na Igreja nenhum governo a dois. Há um Papa reinante, no pleno exercício das suas funções, Francisco, e um emérito, cujo «único e último objectivo» dos seus dias é rezar pelo seu sucessor. O que se tem dito, acerca de rupturas e divergências dentro da Igreja! Opondo os dois Papas! Inclusivamente, pontos essenciais da doutrina estariam a mudar! Nas últimas semanas, Bento XVI teve algumas iniciativas curiosas. Manifestou, a várias pessoas que o visitaram, a sua plena sintonia com o Papa Francisco. Depois, quis que se divulgasse um parágrafo de uma carta pessoal que tinha escrito há dias (dirigida a Hans Küng): «Tenho a alegria de que me liga ao Papa Francisco uma grande identidade de pontos de vista e uma amizade do fundo do coração. Vejo que neste momento a minha única e última missão é sustentar o seu Pontificado com a oração». Ao retirar-se, Bento XVI tinha dito: «não volto a uma vida privada, a uma vida de viagens, encontros, visitas, conpub

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ferências, etc. (…) Permaneço de um modo novo junto do Senhor Crucificado. Já não exerço o cargo de governo da Igreja, mas fico, por assim dizer, no recinto de S. Pedro no serviço da oração». As notícias de que as posições do Papa Francisco em relação ao aborto e à família estão em ruptura flagrante com a doutrina anterior já apareceram tantas vezes que até parecem uma observação consensual. O Pe. Frank Pavone, provavelmente a voz mais conhecida da Igreja a defender a vida humana, é contactado por imensa gente, alarmada e confusa acerca das posições do Papa Francisco. Então a Igreja mudou?! Quando ele recebeu a primeira vaga destas perguntas angustiadas, por «email» e SMS, o Pe. Pavone estava a jantar com o Papa Francisco. A Santa Sé tinha-o convidado para dar uma conferência sobre a defesa da vida dos bebés ainda não nascidos e o Papa quis manifestar-lhe o apoio, falar com ele e convidou-o para jantar. Esta é só uma das histórias divertidas do Pe. Pavone com o Papa, mas parece-me bastante expressiva. Aliás, o Pe. Pavone acha que a mensagem do Papa Francisco acerta em

cheio. O mais importante é compreendermos que Deus nos ama – e não deixa de amar quando fazemos o mal – e deseja perdoar-nos, mal nos arrependemos. E, depois, as histórias do Pe. Pavone com o Papa Francisco falam por si. Alguns dizem que o Concílio Vaticano II marcou a ruptura com os tempos de Pio XII e eu divirto-me a contar as vezes que o Concílio cita Pio XII. Parece que ninguém reparou que ele é recordista entre os autores citados. Alguns fazem a história dos enfrentamentos que ocorreram durante o Concílio. Por exemplo, o celibato dos padres teve 2400 votos contra 4. Não é uma votação por 90%. Nem por 99%. A máquina de calcular diz-me que é um pouco mais de 99,8%. Isto não chama a atenção de ninguém? Numa coisa concordo. Não se compreende que a história da Igreja seja a história de uma unanimidade tão ininterrupta, ao longo de mais de vinte séculos. Onde é que já se viu uma fidelidade tão grande? Seria o maior milagre feito por Deus! José Maria C. S. André


2014 03 03 atlantico expresso