Page 1

Às nuvens Então ele acorda e se depara com a realidade e a falta de sonhos. Seu mundo particular se transforma em ruínas; o futuro, q outrora parecia incerto e agitado, agora não passa de um infeliz cotidiano. A vivacidade do inesperado se choca com o colossal abismo da realização, a linguagem já não expressa nem real nem irreal, o futuro é claramente escuro. Eis q toca o réquiem da perdição: Um piano mal acabado cai em sua cabeça, e em vez de confusão o q resta são teclas em q não se pode tocar, uma imensidão azul em q só se percebe a imensidão. Enfim, o sonho está lá, mais inatingível q nunca, mais melancólico q sempre. E a realidade, implacável déspota da cidade dos anjos, coloca o martírio em sua indevido lugar. Lá está o amanhã, cá está o presente, ali esteve o passado, todos numa só tristeza, todos num só fim.

Alexei Kovalczuk Afonso Silva

Às nuvens  

Crônicas escolhidas