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Igreja Congregacional de Vila Vera • Silas Klein Estudo em Casa XV - 15 de Dezembro de 2012

A Retrospectiva de Emaús1 Na língua tuvana, do interior russo, existe um interessante conceito de tempo. Nesse idioma, a palavra songgaar significa “futuro” e “voltar para trás” e outra palavra, burungaar, significa “passado” e “ir adiante”. Para aquele povo, quase em extinção cultural, não podemos ver nosso futuro, por isso ele está atrás. O passado, que podemos ver, está em nossa frente. Para eles, precisamos do passado para ir para a frente. Em cada final de ano, agimos como os tuvanos. Olhamos para o passado, para obter dele dicas sobre como ir em frente. Em 2012, estudamos sobre: Graça em Filemon (03/03); o Deus que vê, ouve e revela-se, Êx 2.23-25 (24/03); Páscoa como transformação, Is 35 (07/04); preconceito e conversão de Jonas (28/04); culto como reviver a salvação (12/05); união na diversidade, Sl 133 (19/05); história do dízimo na Bíblia (07/07); projetos a partir de Gn 2 (18/09); sabedoria não-sábia de Salomão (06/10); nosso lugar na missão de Deus, a partir de At 6 (20/10); como Jesus lia sua Bíblia (02/11); e a importância da família (16/11). E gostaríamos de fazer hoje uma retrospectiva. Nessa retrospectiva utilizaremos um texto onde o próprio Senhor Jesus faz uma retrospectiva com seus discípulos. Já vimos que Lucas escreveu sua história de Cristo e do Evangelho para Teófilo, que significa amigo de Deus (Lc 1.1-4; At 1.1-2), para ver como haviam sido as coisas e confirmar a fé do jovem discípulo. Neste episódio, integral em Lc 24.13-35 e resumido em Mc 16.12,13, vemos dois discípulos fugindo da realidade assustadora da ressurreição. Estudemos.

Texto-chave: Lucas 24.13-36 O texto continua a história de Mc 16, ampliando-a. Nessa continuação, após discípulas e discípulos serem desafiados a crerem que Cristo havia se erguido dentre os mortos (24.6,11,12), vemos-lhes descrentes (24.11) e seguindo suas vidas. Dois deles, no mesmo dia, vão à Emaús, abandonando o projeto de Jesus. Eles achavam que a morte de Jesus mostrava que Ele não era o libertador (palavra λυτροῦσθαι, lytroustai, no verso 21 e em Lc 2.38). Eles se dispersam, como ovelhas sem pastor (Zc 13.7; Mc 14.27) e aqui Jesus reaparece, para arrebanhá-los, como a palavra symporeuomai (συνεπορεύετο, ir com ou arrebanhar), no versículo 15, mostra. Este texto (Lc 24.13-35) fala sobre isso, Jesus juntando seu rebanho e ensinando-lhes sobre sua morte e ressurreição. E Ele o faz através de uma pequena retrospectiva, em atos e palavras. E vale aqui, observarmos como Jesus faz para com que os discípulos voltem à direção certa, o que faremos relembrando algumas coisas que aprendemos em 2012.

Fuga e Aproximação (vs. 13-24) Os discípulos iniciam o texto fugindo. Eles só querem afastarse da grande dor da desilusão. O messias, seguido por três

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longos anos, não era messias. Morreu e não libertou (v.21). A dor é recente, eles não param de falar sobre ela (vs. 14,15,18-24). Mas Jesus se aproxima (v.15), pergunta-lhes que houve (v.17) e deixa com que falem (vs.18-24). Temos que saber como abordar a dor. Não podemos chegar com a resposta, a resposta precisa ser gradual. Ao estudarmos “projetos em Gn 2”, falamos sobre isso. A salvação exige um projeto, que atinja o necessitado integral e duradouramente. Um fator interessante nesse trecho do texto é o nome do discípulo: Cleófas. Eles não está dentre a lista dos doze (Mt 10.2-4; Mc 3.16-19). Falamos, ao conversar sobre o “Deus que vê, ouve e revela-se” (Êx 2.23-25), que Deus não atinge gente “especial”, “preferida”, mas atinge àqueles que precisam dele (ver Am 9.7). Cleófas poderia não ser um dos Doze, mas precisava e Jesus lhe atendeu prontamente. A falta de fé deles, não era empecilho para a ajuda de Jesus, era ponto de partida para a salvação. O problema do outro não deve ser obstáculo, mas trampolim para a ajuda. Temos que usar esse trampolim.

Relembrando os três anos (vs. 25-31) Jesus começa a falar, no verso 15, com um julgamento: Insensatos! Abandonar o caminho na dificuldade não é opção, no projeto de Jesus. Afinal, a salvação não é política, para terminar com a morte, é salvação da vida, é vencer a morte. É transformação - como estudamos em Is 35, ao falar da Páscoade mentalidade e atitude, que levam ao compromisso. A “Bíblia de Jesus” exigia esse compromisso. Compromisso de levar a vida, proclamar Graça e libertação, ainda que hajam “baixas”. Ele mostra isso em discurso, falando a partir de onde conheciam (v.27) e depois em atos, repartindo o pão (v.31). Quando ele toma o pão pra partilhar e não para simplesmente comer, quando Ele se porta para restaurar o caído e não para condená-lo, lembramos quem é Jesus: aquele que ensina e partilha vida conosco. E como Ele é devemos ser: partilhar mesmo diante das tragédias da vida e restaurar aqueles com dificuldade de se levantar. Assim Jesus transparecerá em nós.

Conclusão: Volta à missão (vs. 33-36) Ao reconhecerem Jesus, eles percebem que sua presença sempre esteve ali. A palavra de Jesus vem acompanhada desse ardor no coração (v.32). Mas tal ardor não deve ser para sentimentalismos e não deve encerrar-se no conhecer ou reconhecer Jesus, mas na missão. A história deve encerrar no gerúndio: fazendo missão. É isso que eles fazem ao voltarem ao caminho, à Jerusalém e contarem o que tinham visto (v.33). Naquele mesmo dia (v.13), eles tinham fugido. E naquela mesma hora (v.33), voltaram. A missão de levar a Palavra de Cristo, em atos e palavra, tem pressa. Não podemos esperar cargos ou posições, como estudamos em Atos 6. Não podemos viver na nostalgia. Nostalgia é a dor de ficar preso no passado (nóstos ‘regresso’ + álgos ‘dor’). Devemos prosseguir, pois nosso Senhor nos convoca à missão, hoje e agora. Comecemos 2013 fazendo a missão, pois o calor da palavra já arde em nossos corações. Deus nos abençoe!

BIBLIOGRAFIA BÁSICA: Os estudos bíblicos desse ano, cada qual com sua bibliografia completa, estão em http://issuu.com/silasklein. Sobre o idioma tuvano e sobre os idiomas em extinção no mundo, leia a revista National Geographic Brasil. São Paulo: Editora Abril, n.148, jul. 2012. ISSN: 977-151772100-9 pp 75-105;

A Retrospectiva de Emaús  
A Retrospectiva de Emaús  

Em 2012, estudamos sobre: Graça em Filemon (03/03); o Deus que vê, ouve e revela-se, Êx 2.23-25 (24/03); Páscoa como transformação, Is...

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