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Cristo não é de retribuição, mas de superabundância no amor.

Igreja Congregacional de Vila Vera / Silas Klein Estudo em Casa VI - 28 de Abril de 2012

Cristo nos ensina isso em Mateus 5.38-48 e Lucas 6.27-38. Que retribuição há na cruz? Nenhuma. É amor, é graça.

Jonas, Profeta do Preconceito Aprendemos, em nosso último estudo, que Páscoa1

A retribuição do preconceito nos desconverte do caminho da justiça misericordiosa de Deus. é

transformação. Transformação que leva a novidade de vida e compromisso com Deus e o próximo. Mas para gerar mudança precisamos ser mudados. O livro de Jonas fala disso. Este livro, escrito entre V e IV a.C., está entre um dos livros mais admirados da cristandade. Admirado pela história fantástica e, através de Cristo, pela promessa de renascimento futuro.2 A tarefa dele era simples: Ir à Nínive denunciar o pecado para que se convertessem. Mas foi o profeta que desconverteu. Tomou um navio em Jope para Társis - o fim do mundo para os judeus, “fugindo” da presença de Deus. Fugir? Jonas nos diz porque “sabia que (Javé) és um Deus de piedade e ternura, lento para a ira e rico em amor e que se arrepende do

2. Preconceito é Sabedoria, inútil. Jonas tinha uma boa razão para não ir à Nínive, mas não tinha uma boa explicação. O preconceito parte da ignorância e vai até a incoerência. Jonas diz que fugirá da face de Javé (1.3), mas depois afirma que o seu Deus é o Deus do céu que fez mar e a terra (1.9). Até os homens do navio, que não conheciam Javé acham uma ideia absurda (1.10)! A sabedoria de Cristo não está na arrogância de um Deus “privativo”, mas no amor ao próximo, na construção da Paz de Deus (Tg 3.13-18). A arrogância do preconceito nos desconverte do caminho da Sabedoria e da Paz de Deus.

mal” (4.2). Jonas não queria que Nínive fosse salva! Seu

3. Preconceito é Perseverança, no erro.

preconceito contra esse país o fez fugir do Senhor.

Ser jogado num oceano, ser engolido por um grande peixe, vomitado na praia, conversão até de animais, conhecer a

Cada caminho de preconceito é caminho de desconversão. Ao

misericórdia de Deus,..., e sentar fora da cidade esperando sua

invés de caminharmos para Deus vamos para longe dele. Mas

destruição? O preconceito leva-nos à uma persistência em

hoje o Senhor continua enviando o grande peixe da Palavra,

ideias que sabemos estarem erradas, por simples teimosia. A

para que em suas entranhas nos re-convertamos à ele.

perseverança de Cristo não está em ideias de pedra fria e insensível, mas num Deus que cria corações aquecidos de

Raízes do Preconceito: Contexto Histórico Seria preconceito nosso julgar Jonas, de 2600 anos atrás. Jonas tinha muitas razões para desejar o mau à Nínive. Nínive era capital do império assírio (2Rs 19.36; Is 37.37). Este império havia feito “aliança”3 com o povo de Israel - Reino do

carne, para que vivam e sintam a verdade (Ez 11.14-25). A perseverança no preconceito nos desconverte do caminho de vida e sensibilidade de Deus.

Norte - fazendo-os pagar tributo durante anos (2Rs 15.17-23),

Conclusão

depois destruindo-o sob as mão do Rei Salmaneser em 721

Condenamos a vingança, mas a disfarçamos de justiça e em

a.C. (2Rs 17; 18.9-12). Além disso o rei destrói a “pureza” do

sua desigualdade a praticamos. Condenamos a arrogância,

povo do norte de Israel, misturando-os com povos

mas a disfarçamos de sabedoria e em sua ignorância a

mesopotâmicos, em costumes e deuses (2Rs 17.24-41).

1. Preconceito é Justiça, cega.

praticamos. Condenamos a idolatria, mas a disfarçamos de perseverança e a praticamos. Toda ideia distorcida é um caminho para o preconceito. E todo

Se meditarmos cuidadosamente, Jonas tinha uma boa razão

preconceito é caminho para uma ideia distorcida. É ciclo de

para não querer bem a Nínive. Todos temos um excelente

morte. Jonas foi anunciador da vida com lábios e de morte com

motivo para não fazermos o bem a alguém. Mas nossa missão

atos. Que ele seja aviso e exemplo para não trilharmos um

não é fazer bem a quem merece, mas fazer o bem. A justiça de

caminho do preconceito, caminho de desconversão, mas sim um caminho de conversão. Conversão ao Senhor e ao próximo.

como aprendemos, significa salto, movimento, travessia, caminhada e também tem a conotação de proteção. Etimologicamente procede de psh, raiz hebraica que desdobra-se em duas variantes: saltar e manco. Assim a esperança da Páscoa é a mudança de vida, transformação, literalmente fazer o manco saltar, como vemos em Isaías 35.6 e Atos 3.7-8. 1 Páscoa,

2

3

Mateus 16.4; Lucas 11.29-32; Mateus 12.41-42; 1 Coríntios 15.4.

Vale lembrarmos que “aliança” tinha uma conotação ruim. Aliança era a forma de escravizar a produção de um povo mais fraco militarmente. O Deus de Israel transforma essa visão de aliança, unindo-se a um povo fraco e pobre para salvá-lo.


LIVRO DE JONAS TRADUÇÃO DE NELSON KILPP

1. O PROFETA FUJÃO 1. A palavra de Javé foi dirigida a Jonas, filho de Amati: 2”Levantate, vai a Nínive, a grande cidade, e anuncia contra ela que a sua maldade chegou até mim”. 3 E Jonas levantou-se para fugir para Társis, para longe da face de Javé. Ele desceu a Jope e encontrou um navio que ia para Társis, pagou a passagem e embarcou para ir

para sempre. Mas tu fizeste subir da fossa a minha vida, Javé, meu Deus. 8. Quando minha alma desfalecia em mim, eu me lembrei de Javé. E minha prece chegou a ti, até o teu santo Templo. 9. Aqueles que veneram vaidades mentirosas abandonam o seu amor. 10. Quanto a mim, com cantos de ação de graças, quero oferecer-te sacrifícios: os votos que fiz vou cumprir: A Javé pertence a salvação! 11. Então Javé falou ao peixe, e este vomitou Jonas sobre a terra firme.

3. A MENSAGEM DO PROFETA

com eles a Társis, para longe da face de Javé. 1. E a palavra de Javé ocorreu uma segunda vez a Jonas: 2. 4. Mas Javé lançou sobre o mar um vento violento, e houve no mar

“Levanta-te, vai a Nínive, a grande cidade, e anuncia-lhe a

uma grande tempestade, e o navio estava a ponto de naufragar. 5.

mensagem que eu te disser”. 3. Jonas levantou-se e foi a Nínive, conforme a palavra de Javé. Nínive era uma cidade

Os marinheiros tiveram medo e começaram a gritar cada qual para o seu Deus. Lançaram ao mar a carga para aliviar o navio. Jonas, porém, havia descido para o fundo do navio, tinha se deitado e dormia profundamente. 6. O comandante do navio aproximou-se dele e lhe disse: “Como podes dormir? Levanta-te, invoca o teu

extraordinariamente grande, de três dias de marcha. 4. Jonas começou a entrar na cidade, caminho de um dia. Então pregou, dizendo: “Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída”.

Deus! Talvez Deus se lembre de nós e não pereçamos”.

5. Os homens de Nínive creram em Deus, convocaram um jejum e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até o menor deles. 6.

7. E eles diziam uns aos outros: “Vinde, lancemos sortes para saber por causa de quem nos acontece esta desgraça”. Eles lançaram as

A notícia chegou ao rei de Nínive. Ele se levantou de seu trono, tirou

sortes e a sorte caiu sobre Jonas. 8. E lhe disseram então: “Conta-

cinza. 7. Em seguida, fez proclamar em Nínive: “Por ordem do rei e de seus grandes: Pessoas e animais, gado graúdo e miúdo, não

nos qual é a tua atividade e de onde vens, qual é a tua terra e a que povo pertences”. 9. Ele lhes disse: “Sou hebreu e temo a Javé, o Deus do céu, que fez o mar e a terra”. 10. Então os homens foram tomados por um grande temor e lhe disseram: “Que é isto que fizeste?” Pois os homens sabiam que ele fugia para longe da face de Javé, porque lhes tinha contado. 11. Eles lhe disseram: “Que

seu manto, cingiu-se com um pano de saco e assentou-se sobre a

provarão nada! Não pastarão nem beberão água. 8. Cobrir-se-ão de panos de saco, pessoas e animais, invocarão a Deus com vigor e cada qual se converterá do seu caminho perverso e da violência que está em suas mãos. 9. Quem sabe? Talvez Deus volte atrás,

faremos para que o mar se acalme em torno de nós?“ Pois o mar

arrependa-se e revogue o ardor de sua ira, de modo que não pereçamos”. 10. E Deus viu as suas obras, a saber, que se

se tornava cada vez mais tempestuoso. 12. Ele lhes disse: “Tomaime e lançai-me ao mar e o mar se acalmará em torno de vós,

converteram de seu caminho perverso, e Deus arrependeu-se do mal que anunciara fazer-lhes e não fez.

porque eu sei que é por minha causa que esta grande tempestade se levantou contra vós.” 13. Então os homens remaram para atingir a terra firme, mas não puderam, pois o mar se tornava cada vez mais tempestuoso contra eles. 14. Eles invocaram então a Javé e disseram: “Ah! Javé, não queremos perecer por causa da vida deste homem! Mas não coloques sobre nós sangue inocente, pois tu, Javé, agiste como quiseste”. 15. E tomaram Jonas e o lançaram ao mar e o mar cessou o seu furor. 16. Os homens foram então tomados por um grande temor para com Javé, ofereceram um sacrifício a Javé e fizeram votos.

2. A SALVAÇÃO DO PROFETA

4. O APRENDIZADO DO PROFETA 1. Mas isso trouxe a Jonas um grande desgosto, e ele ficou irado. 2. Orou então a Javé dizendo: “Ah! Javé, não era justamente isso que eu dizia quando estava ainda em minha terra!? Por isso fugi antes para Társis; pois eu sabia que tu és um Deus de piedade e ternura, lento para a ira e rico em amor e que se arrepende do mal. 3. Mas agora, Javé, toma, eu te peço, a minha vida, pois é melhor para mim a morte do que a vida”. 4. Javé disse: “Está certo que te aborreças?” 5. E Jonas tinha saído da cidade e se havia instalado a leste da cidade. Lá construiu uma cabana e assentou-se à sua sombra para ver o que aconteceria na cidade. 6. Então Javé Deus ordenou a uma mamoneira que crescesse sobre

1. E Javé determinou que surgisse um peixe grande para engolir

Jonas, para dar sombra à sua cabeça e libertá-lo do seu mal. Jonas

Jonas. E permaneceu Jonas nas entranhas do peixe três dias e

alegrou-se grandemente por causa da mamoneira. 7. No outro dia, ao surgir a aurora, Deus mandou um verme que picou a mamoneira,

três noites. 2. Então orou Jonas a Javé, seu Deus, das entranhas do peixe. 3. E ele disse: De minha angústia clamei a Javé, e ele me respondeu; do seio do Sheol pedi ajuda, e tu ouviste a minha voz. 4. Lançaste-me nas profundezas, no seio dos mares, e a torrente me cercou; todas as tuas ondas e as tuas vagas passaram sobre mim. 5. E eu dizia: Fui expulso de diante de teus olhos. Como poderei contemplar novamente o teu santo Templo? 6. As águas me envolveram até o pescoço, o abismo cercou-me, e a alga enrolou-se em volta de minha cabeça. 7. Eu desci até as raízes das montanhas, à terra cujos ferrolhos estavam atrás de mim

a qual secou. 8. Quando o sol se levantou, Deus mandou um vento oriental ardente; o sol bateu na cabeça de Jonas e ele desfalecia. Então pediu a morte e disse: “É melhor para mim morrer do que viver”. 9. Deus disse a Jonas: “Está certo que te aborreças por casa da mamoneira?” Ele respondeu: “Está certo que eu me aborreça até a morte”. 10. E Javé disse: “Tu tens pena da mamoneira, que não te custou trabalho e que não fizeste crescer, que em uma noite existiu e em uma noite pereceu. 11. E eu não teria pena de Nínive, a cidade grande, onde há mais de cento e vinte mil pessoas que Não sabem distinguir entre direita e esquerda, assim como muitos animais?”


Jonas, o profeta do Preconceito