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Jornal de Coleção • Ano 5 • Nº 53 • MARÇO 2013 • 10.000 Exemp. • Tel. (51) 3268.4984 •

Distribuição gratuita

Escondendo-se atrás das

desculpas

EDUCAÇÃO

Pais não devem dar broncas muito longas e frequentemente

MULHER

Uma reflexão sobre um “chamado” para o seu aspecto Feminino

Ao procurarmos sempre justificativas para nossas falhas, perdemos a oportunidade de nos responsabilizar e crescer como pessoas.

Seja a mudança que você quer ver no mundo! Mahatma Gandhi


Editorial

Bem Estar • Nº 53 • Março 2013 • 2

O que o incêndio de Santa Maria e a eleição de Renan Calheiros tem em comum?

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jogo de empurra no caso de Santa Maria chegou a culpar as próprias vítimas, todos procurando de uma forma, ou de outra se eximir de responsabilidade. Começa pela Prefeitura ao liberar um labirinto de Teseu para funcionamento, corroborada pela ineficácia do Corpo de Bombeiros, e alavancada pela ganância dos proprietários. Se algum proveito disso tudo tiraremos, só o tempo dirá, mas todos esperamos que as mortes não tenham sido em vão, e que todo alvoroço gerado, com fiscalizações que há muito deveriam ter sido feitas, e só agora em andamento em todo país, possam realmente evitar novos desastres. Num artigo recente do David Coimbra ele traça um comparativo entre atitudes do povo inglês e do brasileiro, e chega a conclusão de que ela reside no fato do respeito às outras pessoas, e que quem não respeita o outro invade o espaço do outro sem convite. Em Santa Maria isso ficou estampado de forma trági-

ca. Não houve respeito à vida, apenas descaso. Tão comum nas entidades públicas do Brasil. Esta invasão começa no uso das vagas reservadas a idosos e deficientes por boçais que se outorgam o direito de invadir aquele espaço, passa por mal educados motoristas que ao estacionar ocupam 2 vagas, sem nenhum rubor. Segue com o uso indiscriminado de telefones celulares em locais públicos, como se o distinto cidadão estivesse na sua sala de estar, sem nenhum pudor de expor sua vida para uma multidão perplexa. E por aí vai. No entanto muito mais vidas são perdidas todos os dias, de forma tão trágica e cruel, como a que agora domina as manchetes, nas ruas, avenidas e estradas brasileiras, seja por má conservação, má sinalização ou até inexistência de ambas. E aí começam as semelhanças com a posse de Renan Ca-

e-mails Envie seu comentário para: zonasul @ jornalbemestar.com.br Gratos

 É realmente assustador o comportamento de pessoas, que para levar vantagem não tem o menor pudor em estacionar seus veículos em vagas reservadas para idosos, cadeirantes, grávidas e outros portadores de necessidades especiais, e que tem por lei direito a estacionamento preferencial. Ocupar lugares de forma indevida em ônibus, trens, bancos e outros lugares onde também existe clara indicação da preferência de uso. A mudança deveria começar com os estabelecimentos, que deveriam usar seus sistemas de alto falantes, guardas e funcionários para orientar e educar seus clientes, criando assim uma corrente de boa conduta e educação. Alertando-os para a obediência às placas indicativas. No transporte coletivo, seria fundamental que além dos avisos das próximas paradas, ou a solicitação para darem um passo ao fundo, também orientassem quanto ao uso indevido dos assentos preferenciais. Criar esta corrente de boa conduta cabe a todos nós, mas são os estabelecimentos que recebem o público que deveriam dar a partida nesta campanha, engajando aqueles que compartilham com este mesmo sentimento. E vejam que não é só dos jovens o uso indevido, é de todas idades, assim sendo, as pessoas estão erradas ou as placas, vamos combinar então, ou retiramos todas as placas, já que não são obedecidas, ou começamos a nos educar. Abraços! Julio de Castilhos

lheiros, pois sua eleição de forma anônima esconde as responsabilidades e empossa alguém que se possuísse algo além da ganância em mente, jamais apareceria em público, quiçá se candidatar a qualquer cargo eletivo, e o pior de tudo : ser eleito. Cada um está preocupado com seu umbigo, como se desvencilhar rapidamente da chatice de ter que ir até uma urna e não poder aproveitar o feriado proporcionado pela eleição. E lá estão empossados ladrões contumazes do dinheiro público, que resulta entre outras muitas coisas na baixa remuneração do bombeiros, na falta

de verba para equipamentos e treinamento adequado, na contratação de funcionários públicos qualificados e que não estejam diariamente apenas cumprindo horários, burocratizando atividades simples, e liberando de forma inapropriada as ratoeiras de todas as formas, pois elas não estão restritas as casas noturnas. Quem se lembra em quem votou nas últimas, e muito recentes eleições, que levante o dedo. Que as escolas implantem, desde as primeiras séries, a prática de eleições de turma, ensinando a importância do voto, e como votar de forma consciente, e não apenas por ser obrigatório. Assim começaremos a criar um futuro melhor. Nós pais temos o dever de fiscalizar e denunciar, mesmo quando parece que não somos ouvidos. O meu grito isolado, por exemplo, num estádio de futebol é inaudível. O grito de to-

dos ensurdece. Esse é o caminho, vamos gritar juntos. Vocês filhos, devem se engajar no entendimento da vida política. E não estou falando que devam se candidatar, já existem candidatos em excesso, a maioria sem condições mínimas. Analfabetos de pai e mãe, e por culpa da ineficácia do estado nos assuntos basilares de uma nação. E lá estamos nós em um circulo vicioso. Engajem-se na análise da atuação dos eleitos, façam com que cumpram suas promessas, não reelejam aqueles que estiveram a passeio durante seus mandatos, ou as vezes nem a passeio. Fantasmas vivos das cadeiras para que foram eleitos. No fim, todos nós somos vítimas e culpados ao mesmo tempo. É hora de cada um de nós fazer o mea culpa, e seguir aquilo que o Mahatma Ghandi pregou : “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Renato Guariglia da Silva Editor - zonasul@jornalbemestar.com.br

LEIA NA PRÓXIMA EDIÇÃO Por partir da percepção primordial que vê as coisas como elas são, o estado de consciência da meditação é semelhante ao grau de curiosidade e vivacidade da atenção de uma criança

PORTO ALEGRE ZONA SUL Renato Guariglia Editores - Zona Sul Fábio Ferreira Arte Final Renato Guariglia Comercial Impressão: Grupo Sinos Tiragem: 10 mil exemplares Contato: (51) 3268.4984

zonasul

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jornalbemestar.com.br CENTRAL BEM ESTAR Informações de Qualidade Ralph Viana Editor de Conteúdo e Arte Érico Vieira Diretor de Relacionamento Max Bof Diretor de Operações Jornalista responsável: Max Bof (mtb 25046) Material: Revistas CUERPOMENTE, UNO MISMO, NEW AGE, PSYCHOLOGY TODAY, BUENA SALUD, THE QUEST, PSYCHOLOGIES, SHAMBHALA SUN, MAGICAL BLEND, NOUVELLES CLÉS.

UMA VIDA PLENA EXIGE BOAS INFORMAÇÕES

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Informes publicitários, textos e colunas assinadas não correspondem necessariamente à opinião do jornal e são de responsabilidade de seus autores.

Que todos os méritos gerados por esse trabalho beneficiem e tragam felicidade para todos os seres.


3 • Nº 53 • Março 2013 • Bem Estar

Vinho Saudável Vinho sem álcool traz benefício para o coração

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pós pesquisas apontarem seus benefícios para o coração, beber uma taça de vinho tinto por dia se tornou uma prática estimulada. Mas um estudo recente sugere que o vinho sem álcool é ainda mais eficaz na proteção do organismo contra doenças cardiovasculares. Segundo pesquisadores da Universidade de Barcelona, a bebida reduz em 20% o risco de derrames e diminui em 14% as chances de desenvolver doenças cardíacas. De acordo com os cientistas, o efeito protetor é encontrado em moléculas chamadas polifenóis e não no álcool da bebida, o que explicaria os resultados. O fotos stock.xchng/BE

Informações importantes para sua saúde e bem-estar

álcool é retirado no final do processo de produção, que segue a base do vinho tradicional, preservando o sabor e as propriedades benéficas. Eles também acreditam que a bebida não alcoólica seja capaz de aumentar a concentração de óxido nítrico no sangue, substância que relaxa os vasos sanguíneos. No estudo, foram analisados 67 voluntários diabéticos com três ou mais fatores de risco para doenças cardíacas. Durante três períodos de quatro semanas, eles beberam vinho tinto, vinho sem álcool e gim, junto com as refeições. Ao final, apenas o vinho tinto desalcoolizado foi capaz de alterar a pressão sanguínea dos voluntários. A diminuição é suficiente para reduzir em 20% o risco de derrames e 14% as chances de desenvolver doenças cardíacas.

Artrite: Boas Dicas A doença pode ser prevenida e tratada através da alimentação.

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lha ele aí de novo! Consumir alimentos que contêm Ômega 3, que têm poder antiinflamatório, pode prevenir e até controlar os sintomas da artrite. A nutricionista Karin Honorato indica vários alimentos que contêm alto percentual desta substância: salmão, sardinha, semente de girasol, castanhas e nozes. Por outro lado a nutricionista alerta que pessoas que sofrem com a artrite devem evitar laticínios, embutidos (salsichas etc), açúcares e farinha em excesso. O acupunturista Fernando Braga acrescenta que, segundo a medicina chinesa, o gengibre ajuda muito no combate às dores provocadas pela artrite. Então, pessoal, antes de cair nas malhas da indústria farmacêutica (que adora uma doença), melhore sua alimentação. Bons alimentos são a base para uma boa saúde.


Dica de Saúde

Informações simples que podem fazer a diferença para sua vida.

COMO VIVER ATÉ OS 100 ANOS? U

Sem comprova a luz solaro vários problemas Pesquisa que já se sabe: acontecem. de exposição ao sol o estilo de vida é Falta fundamental para uma pode em qualidade. crianças. existência maiscausar longa emiopia com mais Afinal, sem luz não haveria visão.

moodboardphotography/flickr/be

m estilo de vida saudável durante os primeiros anos da idade madura – o que inclui controle de peso, exercícios regulares e não fumar - é um fator fortemente associado a uma maior probabilidade de viver até os 90 anos, de acordo com estudo publicado na revista "Archives of Internal Medicine". O artigo menciona também estudos com gêmeos mostrando que 25% da variação de longevidade humana é atribuída a fatores genéticos. Os outros 75% são atribuídos a fatores de risco modificáveis. O estilo de vida interfere diretamente nesses fatores. A equipe de Laurel Yates, do Hospital de Brigham, em Boston, nos Estados Unidos, avaliou um grupo de 2.357 homens, cuja partici-

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O que é Doula?

palavra Doula deriva do gregomulher que serve outra mulherantigamente o nascimento humano era marcado pela presença experiente das mulheres da família: irmãs mais velhas, tias, mães e avós acompanhavam, instruíam e apoiavam a parturiente e recém mãe durante todo o trabalho de parto, o próprio parto e os cuidados com o recém-nascido. Hoje as doulas são mulheres treinadas para oferecer apoio físico, suporte emocional e informativo para as mulheres e seus familiares durante o trabalho de parto e parto. No parto ela usa técnicas de conforto, respiração, relaxamento, movimentação e posicionamento. As doulas não realizam exames clínicos, diagnósticos e não tomam decisões pelas clientes. O principal objetivo da doula é auxiliar a mulher a ter um parto seguro e feliz, e no pós parto se a mulher desejar, auxilia nos cuidados com o recém nascido e com a amamentação. A realidade do sistema obstétrico brasileiro é preocupante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que apenas 10 a 15% das mulheres podem precisar de uma cesariana. Nos hospitais públicos do país as taxas de cesária chegam a 30% e em alguns particulares/conveniados chega até 93% de nascimentos cirúrgicos. Portanto, ter uma doula aumenta muito a chances da mulher de ter um parto natural satisfatório e saudável.Mesmo que o parto evolua para uma cesariana a presença da doula sempre traz benefícios.

Os estudos científicos sobre o trabalho das doulas provam isso e apontaram os seguintes resultados: Redução 50% no índices de cesária, redução de 25% na duração do trabalho de parto, redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural, redução de 30% no uso de analgesia peridural, redução de 40% no uso de ocitocina, redução de 40% no uso de fórceps( Klaus e kennel 1993- “mothering the mother”) Outros estudos apontam os benefícios de ordem emocional e psicológica para mãe e bebê: aumento no sucesso da amamentação, interação satisfatória entre mãe e bebê, satisfação com a experiência do parto, redução nos índices de depressão pós parto, diminuição nos estados de ansiedade e baixa auto estima. Concluindo, uma doula presente no processo de parto e pós parto contribui para a saúde física e psicológica da dupla mãe e bebê e conseqüentemente para toda a família. Juliana Pena - Doula (51) 3209.7424 8581.0210 / 9140.5831

pação começou entre 1981 e 1984. Os voluntários, com idade média de 72 anos, forneceram informações sobre variáveis demográficas e de saúde, incluindo peso, altura, pressão sanguínea, níveis de colesterol e frequência de atividades físicas. Duas vezes durante o primeiro ano de participação e uma vez a cada ano até 2006, os voluntários completaram um questionário sobre as mudanças de hábitos, estado de saúde e capacidade para realizar tarefas cotidianas. Dos 2.357, 970 homens (41%) viveram até 90 anos ou mais. Vários fatores modificáveis, biológicos e comportamentais, foram associados com essa longevidade excepcional. "Tabagismo, diabetes, obesidade e hipertensão re-


5 • Nº 53 • Março 2013 • Bem Estar "Tabagismo, diabetes, obesidade e hipertensão reduziram significativamente a probabilidade de vida até os 90 anos, enquanto exercícios vigorosos e regulares a aumentaram consideravelmente."

duziram significativamente a probabilidade de vida até os 90 anos, enquanto exercícios vigorosos e regulares a aumentaram consideravelmente", destacaram os autores. "Homens com duração de vida acima dos 90 anos demonstraram melhores funções físicas, bem-estar mental e autopercepção de saúde no fim da vida, em comparação com os que morreram mais cedo. Fatores adversos associados com menor longevidade - tabagismo, obesidade e sedentarismo - também foram associados com pior estado funcional no fim da vida", descreveram. A pesquisa estima que um homem de 70 anos que não fuma e tem pressão sanguínea e peso normais, não tem diabetes e se exercita de duas a quatro vezes por semana, tem uma probabilidade de 54% de viver até os 90 anos. Com os fatores adversos, sua probabilidade de viver até essa idade se reduz nas seguintes proporções: Estilo de vida sedentário: 44%. Hipertensão (pressão alta): 36%. Obesidade: 26%. Tabagismo: 22%. Jay Whitmire/flickr/be


Toques de Educação

familymwr/flickr/BE

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olocar limites nos filhos não é uma tarefa fácil. Os pais podem usar de táticas que estão longe de ter o efeito desejado e, às vezes, chegam a levar ao resultado contrário do esperado. A bronca pode parecer o jeito mais apropriado para educar. Mas há maneiras corretas para se dar broncas? Segundo Dora Lorch, psicóloga e autora do livro “Superdicas Para Educar Bem Seu Filho” (Ed. Saraiva), o conceito de bronca é ultrapassado. “Impor limites é importante, mas acho atrasado pensar que a criança está fazendo algo errado de caso pensado”, explica a psicóloga. E, muitas vezes, a própria criança não sabe o real motivo da bronca ou do castigo. “Nem sempre está claro o que esperamos das crianças, especialmente das pequenas. Muitos conceitos, que para os adultos são óbvios, são impensáveis para os filhos”, conta Dora. Para o psicólogo, educador e escritor Marcos Meier, na hora de educar o filho, é preciso saber diferenciar bronca e castigo. “Bronca é um momento de reflexão para aprendizagem, portanto, a motivação que os pais devem ter é a de ajudar, orientar, e não de punir com gritos e xingamentos” conta o educador.

Bem Estar • Nº 53 • Março 2013 • 6

De acordo com Meier, é importante ser objetivo e não atacar a criança, mas, sim, o problema. Por exemplo, se o quarto está bagunçado, o melhor a fazer é reclamar exatamente disso, sem fazer acusações à criança, chamando-a de relaxada, preguiçosa, bagunceira etc. Diga, simplesmente, que o quarto precisa ser arrumado.

SABER FALAR, SABER CALAR

A MEDIDA CERTA DA ‘BRONCA’ Pais não devem dar broncas muito longas e frequentemente, dizem especialistas.

O diálogo entre pais e filhos é a melhor forma na hora de educar (ou dar uma bronca). O que o pais devem manter em mente é que os filhos irão errar, pois estão em uma fase de aprendizagem, descobrindo qual é a forma correta de agir em diversas situações. Para Dora, antes de dar bronca, é indispensável explicar o que se quer e porque se quer, de modo que a criança comece a formar seus conceitos. Segundo a psicóloga, os pais também devem saber a hora de se calar: “Ficar falando demais não ajuda a criança a aprender melhor, mas ensina a criança a ficar desatenta ou a deixar entrar por um ouvido e sair por outro”. Após uma explica-


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O que não fazer

“Muitas vezes a criança não sabe o real motivo da bronca ou do castigo. ‘Nem sempre está claro o que esperamos das crianças, especialmente das pequenas. Muitos conceitos, que para os adultos são óbvios, são impensáveis para os filhos’.”

ção, é recomendável não continuar com um falatório e deixar a criança assimilar as informações, e isso demanda tempo. No entanto, nem sempre a conversa e o silêncio bastam para a educação. É nesse momento que os pais precisam mostrar que estão bravos. “QuanMarina Dyakonova/ISTOCKPHOTO/BE

do você já explicou e nada mudou, aí é hora certa para mudar de atitude. Mas a braveza é apenas para algumas situações. Se for algo constante, ela perde a força”, explica Dora. Para Meier o ideal é: “Evite dar broncas, mas quando der, faça-as valer”.

 Não dê broncas em público, na frente dos amigos, dos avós ou de alguma visita.  Não faça qualquer referência pejorativa ou humilhante.  Evite dar broncas o tempo todo. A criança começa a achar que não tem nada que ela faça que seja correto, e pode se cansar de tentar acertar.

O que fazer  Elogie os pontos positivos acima de tudo. Diga que gosta da criança, valorize-a.  Diálogo é o segredo. Converse sobre o que você quer e espera da criança e explique quais os limites que ela deve respeitar.  Ao dar uma bronca, seja calmo e objetivo, deixando claro que a situação é para o bem da criança. STOCK.XCHNG//BE


Matéria

A armadilha Como está nossa relação com o mundo? Equilibrada? Alguém nos deve algo? Nos sentimos em dívida com alguém? As constantes justificativas que damos aos outros (e a nós também), expressam aspectos imaturos de cada um de nós. Victor Amat e Bet Font

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GUIA

JOE CICAK/istockphoto/be

ules Renard disse numa ocasião que o único homem realmente livre é aquele que pode rejeitar um convite para comer sem dar uma desculpa. A afirmação pode ser exagerada, mas evidencia algo importante. É

Guarde e consul te sempre!

que todos recorremos a pretextos mais ou menos honestos para sair bem de um apuro. Mas muitos de nós temos consciência de que algumas vezes nosso excesso de autocondescendência nos paralisa. Reconheçamos: determinadas desculpas, ou justificativas, nos impedem de viver com plenitude; no entanto, é possível deixá-las de lado? Geralmente se diz que velhos hábitos são difíceis de abandonar, mas se nos conectarmos com o poder e o efeito das realizações que desejamos, quem sabe conseguiremos mudá-los. As desculpas são as razões com as quais justificamos comportamentos, falhas e erros. Socialmente adquirem uma conotação negativa pelo fato de conterem normalmente enganos e meias verdades. Já cantava Joaquin Sabina: “Me falta una verdad, me sobran cien excusas” (cem desculpas). Mas uma desculpa pode nascer de um arrependimento sincero, e ser, como tal, prova de sábia humildade. Nesta maneira reconhecemos e oferecemos nossas razões, tomando assim consciência de nossos erros e nos desculpando pelo dano


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das justificativas que possamos ter causado.

DO PRETEXTO AO MAL ESTAR A relação que cada um mantém com as desculpas é totalmente pessoal e varia conforme seu momento de vida. Mudam igualmente o uso e a aceitação das justificativas em função do contexto familiar, social e cultural: se é bem visto ou não, o que se espera de nós no trabalho... Mas basicamente o que todos nós concordamos é que somos vítimas e carrascos das armadilhas dessas justificativas, tanto se recorremos a elas, como quando nos sentimos cansados com alguém que as utiliza conosco. O lado bom do ruim (se é que houve algum prejuízo nessas desculpas) é que por trás delas quase sempre há um bom final: pedimos ou damos desculpas para nos sentirmos melhor, para nos cuidar, ser perdoados ou para nos protegermos de algo. E o lado ruim do bom é que a justificativa, que a princípio nos alivia, pode tamNancy Honeycutt/istockphoto/be

bém com seu abuso converter-se em motivo de mal estar. Isso ocorre quando acabamos aceitando como verdade o que na realidade não são nada mais que pretextos. Além disso, corremos o risco das pessoas que nos rodeiam se cansem de ouvir desculpas pouco genuínas para justificar nossas falhas, especialmente se sentem que com elas traímos sua confiança.

A INTENÇÃO POSITIVA DAS DESCULPAS A Neurolinguística propõe a ideia de que “todo comportamento nasce de uma intenção positiva”. As desculpas também se legitimariam por esse tipo de intenção, que busca nos proteger ou nos brindar com algo bom, mesmo que com esse comportamento estejamos prejudicando os outros. As justificativas estão vinculadas à socialização, à necessidade de sermos reconhecidos e amados. Humberto Maturana, como outros

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“Corremos o risco das pessoas que nos rodeiam se cansem de ouvir desculpas pouco genuínas para justificar nossas falhas, especialmente se sentem que com elas traímos sua confiança.”


Como se entra no círculo?

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Quanto mais recorrentes são as desculpas usadas para evitar fazer algo, mais se enfraquece a confiança. As justificativas que alguém dá a si mesmo surgem frequentemente de seu próprio medo de fracassar. Posterga-se a ação ou escapa-se da responsabilidade por medo do risco ou por não se sentir à altura, ou por não ter convicção de que o esforço renderá os resultados esperados. Trata-se de “pensamentos dormitivos”, nas palavras de Gregory Bateson, quanto mais recorrentes são as desculpas usadas para evitar fazer algo, mais se enfraquece a confiança. Quanto às justificativas dadas aos demais, pode ser o medo de não ser querido. A necessidade de corresponder aos compromissos ou de fazer o que socialmente se espera em cada contexto pode levar a um excesso de cortesia que provoca um efeito contrário ao desejado.

autores, defende a ideia de que os seres humanos são filhos do amor e da cooperação, de modo que só podemos nos socializar através da aceitação mútua. Tal aceitação leva, entre outras, a uma conduta de respeito ao próximo. E é aí onde está a importância da noção de acordo, colaboração e reciprocidade, como também a necessidade de nos eximir ou de nos justificar.

GUIA

drbimages/istockphoto/be

Guarde e consul te sempre!

USO E ABUSO DAS DESCULPAS Em sua teoria das relações do self, Steve Gilligan afirma que as pessoas, desde sua tenra infância, necessitam receber mensagens de aceitação e suporte para realizar seu processo evolutivo. O suporte consiste em dar e receber mensagens de autoa-

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Bem Estar • Nº 53 • Março 2013 • 10

firmação (“você existe”, “você é único”, “você é valioso”) e de pertencimento ao grupo, família ou sistema (“sua contribuição é importante”, “você é bem-vindo”, “você é um de nós”). Quando recebemos essas mensagens, alinhamos nossas ações e pensamentos para que sejam coerentes com eles. Mas se há uma falta desse tipo de mensagem ou se ela falha de algum modo, então a pessoa desenvolve outro tipo de comportamento, muitas vezes oposto, que lhe permite conseguir esse reconhecimento, mesmo que seja de maneira disfuncional ou à custa de provocar um efeito negativo. Seria o caso de quem tenta ser visto ou reconhecido por seus maus modos ou por sua agressividade, ou de quem se protege com comportamentos esquivos para tratar de ser “bem-vindo”. Nossa necessidade de reconhecimento nos leva a utilizar as desculpas como uma forma para conseguir isso, mas é importante dar-se conta de que, se usada de modo compulsivo, a desculpa esgota quem as usa e quem as recebe. Uma pessoa que tende a se justificar em excesso provavelmente acaba-

“Nossa necessidade de reconhecimento nos leva a utilizar as desculpas como uma forma para conseguir isso, mas é importante dar-se conta de que, se usada de modo compulsivo, a desculpa esgota quem as usa e quem as recebe.” Ievgen Chepil/ISTOCKPHOTOBE


11 • Nº 53 • Março 2013 • Bem Estar rá causando irritação no outro. Com cada justificativa a mais, sua confiança e a nossa diminuem. Se as defesas a que se recorre são desonestas, cedo ou tarde o outro notará a falsidade.

CONTENTAR TODO MUNDO?

Matéria

“As desculpas funcionam como um bálsamo diante da dor. Uma autocondescendência defensiva. Mas elas nos enfraquecem em nossa busca interior. Como escreveu Fernando Pessoa: ‘as derrotas mais dolorosas são as das batalhas evitadas’.”

Muitas pessoas escondem seus erros com a falsa crença de que se não os esconderem os outros deixarão de gostar delas. Esse fenômeno acontece com maior intensidade quando as mensagens de suporte faltaram, o que provoca uma necessidade de reconhecimento ainda maior. Há uma tentativa, então, de satisfazer os outros de todas as maneiras e de cumprir com aquilo que esperam (ou que se acredita que esperam) de si. Esse medo da rejeição pode dificultar o reconhecimento de seus próprios erros ou limitações, assim como da capacidade para impor limites ou para ser honesto na hora de discordar explicitamente de uma proposta ou opinião. Esses sentimentos estão intimamente ligados à nossa noção de identidade e às crenças limitadoras sobre como deve ser nossa relação com os demais. Esquece-se assim que é impossível e exaustivo pretender estar no mundo tentando contentar a todos. E se desculpar cada vez que isso não acontece.

JUSTIFICATIVAS A SI MESMO Todos nós em algum momento da vida enfrentamos situações que repre-

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Capa

sentam um desafio. Diante desses desafios, ou até da responsabilidade cotidiana de defender nossas crenças, desejos e necessidades, podemos duvidar de nossa capacidade e valor. E é nessa hora que

começamos a buscar justificativas de por que não podemos enfrentá-los. A mente oferece todo tipo de explicação lógica que justifique aquilo que não podemos alcançar e que demoramos

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Joana Coccarelli/FLICKR/BE


Matéria

Quando desculpar-se já não é útil Quando desculpar-se o tempo todo buscando aceitação não rende os resultados esperados, é preciso fazer coisas diferentes.  Pare de se defender e de se justificar se isso não funciona. Muitas pessoas se sentem acuadas e, contudo, tentam ser reconhecidas sem êxito. Agradeça as críticas sem tomá-las como algo pessoal, especialmente se são questionamentos sinceros.  Aceite que nem sempre se pode ser o “bom” da história. Pode ser que os outros te concedam outro papel e que você não possa fazer nada para mudá-lo. Algumas vezes, é preciso aceitar que a percepção dos outros não depende de você. Isso ocorre, por exemplo, em situações de desencontro, competição ou depois de uma ruptura amorosa. Não se pode pretender sair de uma relação e pretender que todos nos vejam com bons olhos.  Aprenda a dizer “não”. Experimente impor pequenos limites e observe se realmente os outros deixam de gostar de você por isso. Comece pouco a pouco e assim desenvolverá essa nova habilidade.  Se você se sente culpado, permita-se experimentar a “boa culpa”. Trata-se de um sentimento habitual que surge quando deixa de fazer algo que antes fazia para que te olhassem com bons olhos. Pode ser um agente mobilizador de uma mudança que você precisa fazer.  Reconheça os demais. Lembre que é impossível conseguir o reconhecimento do outro sem dá-lo.  Observe que, curiosamente, o outro muda quando você para de insistir nas suas velhas respostas.

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Capa a aceitar como certas - pois ninguém nos engana mais do que nós mesmos. Associamos essas justificativas atuais (nossas desculpas) a nossas frustrações do passado, explicando porque não somos tão bons agora como gostaríamos. As desculpas permanecem assim como um bálsamo diante da dor. Uma autocondescendência defensiva. Mas elas, apesar de nos confortar naquele instante, nos enfraquecem em nossa busca interior. Como escreveu Fernando Pessoa: “as derrotas mais dolorosas são as das batalhas evitadas”, de maneira que o que parecia ser a solução se transforma no problema. Mas, o que aconteceria se em vez de permanecermos estancados, decidíssemos começar a dar pequenos passos em direção ao nosso destino? Mesmo que alguma incômoda voz interna nos reprove a ousadia e nos empurre a não fazer nada, abrigados por nossas desculpas usuais?

Bem Estar • Nº 53 • Março 2013 • 12

AS DESCULPAS NA PSICOTERAPIA As desculpas que damos sobre o que poderia ter acontecido se as coisas tivessem sido diferentes só levam a um gasto de energia inútil. O ditado popular águas passadas não movem moinho se encaixa perfeitamente no que queremos dizer. Justificativas do tipo: “se eu tivesse estudado mais”, “se tivesse mais dinheiro”, “se meu passado tivesse sido diferente” etc, consomem a autoestima e, além disso, não oferecem nenhuma solução. Algumas pessoas justificam seus fracassos por pertencerem a uma família com poucos recursos, outras culpam os pais por terem se separado. A maioria vincula sua má sorte a problemas de personalidade ou até por terem excesso de peso. Desculpas não faltam para qualquer coisa. O fato é que as desculpas não nos oferecem chances de crescimento, mesmo que pretendam nos proteger do fracasso. Se queremos transformá-las em recursos devemos legitimar tal função agindo, algumas vezes, como se não escutássemos essas vozes internas e, em outras, negociando com elas e acalmando-as. As justificativas que carregamos ao longo da vida não só fazem com que a gente perca as rédeas de nosso destino e as oportunidades do presente, como também, no futuro, podem nos levar a perder tempo nos perguntando como


13 • Nº 53 • Março 2013 • Bem Estar

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“As desculpas que carregamos ao longo da vida não só fazem com que a gente perca as rédeas de nosso destino e as oportunidades do presente, como também, no futuro, podem nos levar a perder tempo nos perguntando como teria sido se tivéssemos reagido com mais força.”

teria sido se tivéssemos reagido com mais força. O que as desculpas fazem é nos negar a possibilidade de mudar e experimentar. Um bom exercício consiste em revisar quais são nossas desculpas mais recorrentes, para avaliar, em seguida, se estão nos afastando de algo ou de alguém, ou se nos impedem de pensar em alguma coisa ou em investir nossa energia para lutar por maiores realizações, como ser melhores pais, companheiros, empreendedores, profissionais ou qualquer outra coisa que pretendamos. E se chegarmos à conclusão de que alguns desses nossos pretextos estão nos prejudicando ou nos impedindo de fazer algo benéfico para Matthew Ennis/ISTOCKPHOTO/BE

Sharon Dominick/ISTOCKPHOTO/BE

nós mesmos, então, quem sabe, seja o momento de enfrentar os medos que se mascaram por trás das justificativas. Não é fácil, mas existem maneiras de deixar as desculpas no caminho para, assim, poder andar mais rápido. Seja sozinho, acompanhado ou buscando ajuda externa.

ABANDONAR O CÍRCULO Que tal treinar para nos equivocarmos cada vez melhor? Sem grandes ambições, sabendo que assim aprenderemos “como fazer” e, outras vezes, “como não fazer”. E também aprender a maneira de nos desculpar com honestidade e dignidade quando nos equivocarmos - afinal cometer erros nos enriquece e nos faz sentir vivos. Anna Freud comparava a existência com uma partida de xadrez: “As primeiras jogadas são importantes, mas enquanto a partida não terminar ficam alguns lindos movimentos por fazer”. E se admitirmos nossas fraquezas e deixarmos de negá-las ou justificá-las? Nosso desejo é que as desculpas sirvam para nos deixar mais livres, não para impedir a vida.

Publicado na revista CUERPOMENTE

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Reflexão

Bem Estar • Nº 53 • Março 2013 • 14

A mulher e o resgate do Feminino A mulher moderna vem se deparando com um “chamado” para o seu Feminino, mesmo que não tenha clareza exatamente do que é. Leia esta interessante reflexão. Daniela Cota Carvalho

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á dizia Chico Buarque, em uma de suas canções: “Quem é essa mulher?..” Mas quem é mesmo essa mulher? Que inspira artistas, músicos, poetas de todos os tempos? Que pode gerar uma vida? Que num momento é menina, em outro é mãe, que é companheira, profissional... que é ela mesma? Quem é essa mulher que vivencia tantas fases no próprio corpo: menstruação, menopausa, maternidade? A mulher vem instigando pensadores de todos os tempos; já perguntava Freud: “afinal, o que querem as mulheres?” De fato, o mundo interior de uma mulher é rico de emoções, experiências, dores e alegrias. A própria biologia da mulher nos fala de uma intensidade de variação hormonal ao longo da vida, que se reflete na ciclicidade da sua natureza. Somos menos “lineares” que os homens. E essa diferença pode enriquecer

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nossa convivência. Cecília Meireles expressa poeticamente esses “ciclos” femininos: “Tenho fases como a Lua, fases de andar escondida e fases de ir para rua”... Essa conexão com o próprio corpo, com as emoções, com a necessidade de ora se recolher e ora se expandir, faz parte do que chamo “Resgate do Feminino”: uma reaproximação de si mesma, uma escuta das necessidades mais internas. O princípio Feminino não se refere à ideia de gênero homem/mulher, mas sim a uma “dimensão”, uma “energia sutil”, presente em homens e mulheres. Os orientais denominam “yin” e “yang”, referenciando-se às energias femininas e masculinas respectivamente. Carl Jung, psiquiatra suíço, nos fala de ‘animus’ (dimensão do masculino) e ‘anima’ (dimensão do feminino) presentes no homem e na mulher.


15 • Nº 53 • Março 2013 • Bem Estar

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Este princípio feminino ou “yin”, como denominam os orientais, nos remete a algumas características como a receptividade, a sensibilidade, a intuição, a flexibilidade, a afetividade. Já o princípio masculino ou “yang” refere-se, de forma geral, às qualidades como a ação, a firmeza, a assertividade, a racionalidade. Os dois princípios se complementam e funcionam como uma “dança”, onde ora um se manifesta com maior intensidade, ora o outro aparece. Mas sempre “dançando” juntos. Quando vivenciamos por bastante tempo um desses princípios em detrimento do outro, percebemos um desequilíbrio.

ROMPENDO BARREIRAS, PERDENDO FRONTEIRAS Durante os últimos séculos, a mulher precisou romper com muitas barreiras na busca pela igualdade de direitos. E ainda hoje, em diversos contextos e culturas, se faz necessária uma luta pela conquista de espaços mais igualitários. Se por um lado esta conquista por espaços foi e é essencial; por outro, levou a nós, mulheres, desenvolver o que chamo de “face guerreira”, para podermos assegurar nosso “território” numa sociedade patriarcal, onde valores como a produtividade e a racionalidade exacerbada são muito valorizados. Dessa forma, muitas mulheres deixaram em segundo plano o “princípio feminino”. Não é por acaso que o número de doenças relacionadas ao útero e a alterações hormonais e glandulares aumentou consideravelmente. Muitas mulheres relatam se sentirem

“Com frequência, a mulher moderna pode se ver com uma necessidade maior de se autoconhecer, de experimentar novas formas de fazer a própria vida, ou se percebe descobrindo novos prazeres...” distantes do seu lado mais “caseiro”, no sentido de terem tempo para cuidarem de si mesmas, vivenciarem o “não fazer” em alguns momentos, usufruírem de uma atividade prazerosa para ela mesma, estarem mais tempo com os filhos, amigos e companheiro. Estes movimentos permitem desacelerar, olhar a vida de um outro ângulo e, assim, facilitar o acesso a outras características dessa energia “feminina”: ouvir a própria intuição, relaxar, flexibilizar, viver o prazer, expressar a própria afetividade. Apesar do ritmo da vida moderna estimular exatamente o contrário do que expo-

mos acima, o trabalho excessivo, o consumo exacerbado, a falta de “tempo”; observamos movimentos atuais que expressam uma vivência deste princípio feminino. Leonardo Boff, em várias de suas reflexões, comenta sobre esta questão, citando o aumento crescente dos movimentos ecológicos, de cuidado com a Terra, como resgates do princípio feminino em nosso tempo.

OPTANDO PELO FEMININO Muitas mulheres estão hoje optando, dentro de suas possibilidades, por uma redu-

ção na jornada de trabalho para poderem estar mais com os filhos e para terem uma qualidade de vida melhor. Talvez estejamos falando sobre um resgate da simplicidade ou até mesmo de hábitos antigos aliados às conquistas modernas. Deste ponto de vista, o princípio Feminino alcança um sentido muito maior, uma necessidade da nossa época. A mulher moderna vem se deparando com este “chamado” para o seu Feminino, mesmo que não tenha clareza exatamente do que é. Com frequência, ela pode se ver com uma necessidade maior de se autoconhecer, de experimentar novas formas de fazer a própria vida, ou se percebe descobrindo novos prazeres... O mais importante é que cada mulher possa encontrar o seu próprio jeito, a sua maneira de vivenciar seu feminino mais profundo e assim integrá-lo com seu princípio masculino interior. Este “casamento” interno pode contribuir muito para relações conjugais mais satisfatórias, para o bem-estar e para a saúde, em todos os sentidos - físico, emocional, mental, espiritual. Espero que cada mulher possa cultivar seu princípio feminino à sua maneira, complementando-o com sua energia masculina, vivendo de forma mais plena e feliz. E que cada homem também encontre o seu equilíbrio interno, entre suas energias feminina e masculina, nesta sábia “dança” da vida. Este é um verdadeiro “casamento alquímico”!

Daniela é psicóloga, facilitadora de Biodanza



Jornal Bem Estar Zona Sul Ed.53