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PROB ABILI DADE D O JOGO


PROBABILIDADE DO JOGO heitor humberto de andrade

siglaviva


© Siglaviva, 2016 © Heitor Humberto de Andrade, 2016 edição, revisão e design gráfico Renato Cunha fotografia da quarta capa O poeta ante o branco mallarmaico [2013], de Renato Cunha Dados internacionais de catalogação na publicação [cip]

Andrade, Heitor Humberto de [1937] Probabilidade do jogo Brasília: Siglaviva, 2016 88 p. Edição especial numerada

isbn 978-85-66342-15-4 1. Poesia brasileira. I. Título.

cdd 869.91 Índice para catálogo sistemático 1. Poesia: literatura brasileira 869.91

Siglaviva Comunicação e Design siglaviva@siglaviva.com.br www.siglaviva.com.br [2016] Impresso no Brasil


SUMÁRIO Cosmopoética, ou a poesia como teorema, 8

NÚCLEO DE EXPANSÃO Através da Bahia, 15 Origem, 19 Ponte, 20 Brasília, 23 Conta/Corrente, 25 Indagação do voo, 28 Surpresa, 30 Engenharia de fundamentos, 32

CAMPO DE PESQUISA Escravo, 39 Texto, 40 Homem/Arado, 41 Alavanca, 42 Gritando, 43 Pra lá, 44


Elite, 45 Metafísica, 46 Inveja, 47 Sub, 48 Zzzzzzzzzzzzzz, 49 Mentalidade publicitária, 50 Explosão, 51 Muro, 52 Assola, 53 Domingo, 54 Sou, 55 Elegia, 56 Ecologia, 57

NOÇÃO DE LIMITE Palavras, 61 Postura de rosto(s), 62 Agenda, 65 Transtornado, 67 Ironia, 68 Louvor, 69


Déspota, 70 Equivalência, 71 Nas paredes e nos muros, 72 Fascinação amarela, 73 Espelho, 75 O corpo, 77 Lirismo, 78 Pressa, 79 Sentido, 80 Desfilando, 81 Mágica, 82 Vocação, 83 Jogo de probabilidade, 84 Sobre o autor, 86


COSMOPOÉTICA,

OU A POESIA COMO TEOREMA Probabilidade do jogo foi um original de Heitor Humberto de Andrade que compôs a reunião 3x1, a matemática do poema (1978). Era, portanto, um material inédito que se juntava a seus dois outros livros até então publicados, Corpos de concreto (1964) e Sigla viva (1970). Probabilidade do jogo se tornava, assim, um livro sem capa, sem diagramação específica, um livro sem rosto, sem corpo próprio. A Siglaviva agora, com esta edição especial de 121 exemplares, numerada, faz jus à importância histórica desse livro, o terceiro, em ordem de publicação, de Heitor Humberto de Andrade, ou H2A — a sigla (viva) com a qual, neste último lustro,

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vem firmando sua trajetória mística, da sabedoria oracular do tarô e do I Ching à sabedoria lúdica da poesia. E essa importância histórica se dá também no fato de a reunião da qual Probabilidade do jogo fez parte ter sido publicada pelo Senado Federal em plena ditadura militar, regime que literariamente incendiou Heitor ao levar literalmente seus dois livros anteriores à fogueira. O primeiro, Corpos de concreto, em abril de 1964, no raiar do golpe, teve sua edição inteira — exceto os 100 exemplares salvos por Germano Machado — queimada no pátio da Imprensa Oficial da Bahia, o que acabou por inviabilizar seu lançamento. O outro, Sigla viva, em 1970, teve metade da edição — a outra metade já estava nas mãos de Heitor — queimada pelo dono da gráfica (um coronel reformado do Exército) onde o livro fora impresso, o qual, por conta própria, após “analisá-lo”, censurou-o igneamente. Não se sabe ao certo como a publicação da reunião foi aprovada pelo Senado, mas quem conhece Heitor sabe

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que o improvável é só uma nuance do provável e que a vida, principalmente a dele, é um grande teatro do imprevisto. Dividido em três partes — “Núcleo de expansão”, “Campo de pesquisa” e “Noção de limite” —, Probabilidade do jogo revela a maturidade poética de Heitor, sendo, sem dúvida, seu livro mais político, não somente no sentido consagrado do termo, como análise das relações sociais de poder, mas essencialmente pela diretriz que orienta a visão de mundo do poeta — poeta que sai de sua cidade natal para ganhar o mundo, ainda que esse mundo se mostre ser não mais que sua cidade natal. É político na própria constatação de que, contrariando a tentativa imaginária de exercer várias profissões, o poeta terminou “poeta, profissão que não existe”. A verdadeira vocação de Heitor — a poesia é sua matéria-prima e sua ferramenta também — é a cosmopoética, filosofia da vida que ultrapassa a lógica dos núcleos, dos campos,

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das noções, nos demonstrando uma espécie de teorema na acepção primeira da palavra, ou seja, “o que se pode contemplar”. Eis a cosmopoética, ou a poesia como teorema, como contemplação, como espetáculo, como jogo, ou como probabilidade apenas — um lance de dados mallarmaico, materializado aqui, na quarta capa deste livro, na fotografia de Heitor no exercício de sua profissão “inexistente”, em 2013, aos 76 anos, logo após ter saído do hospital com o coração restaurado. Enfim, é essa probabilidade o que torna este livro indispensável para que possamos melhor jogar com a poesia de Heitor Humberto de Andrade. Renato Cunha 21-4-2016

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Probabilidade do jogo  
Probabilidade do jogo  

Páginas iniciais de Probabilidade do Jogo, de Heitor Humberto de Andrade.

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