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ANテ年IMOS DO ROSSIO exposiテァテ」o fotogrテ。fica de

Luis Jungmann Girafa


apresenta

ANÔNIMOS DO ROSSIO exposição fotográfica de

Luis Jungmann Girafa abertura

2 DE ABRIL DE 2015, QUI, ÀS 20H visitação

3 DE ABRIL a 30 DE MAIO DE 2015 seg a sex, das 10h às 18h sáb, das 10h às 14h

ESPAÇO CULTURAL CORREIOS JUIZ DE FORA Rua Marechal Deodoro, 470 Centro Juiz de Fora/MG [32] 3690-5715 espacoculturalmg@correios.com.br


UMA CIDADE PODE SER TUDO. PODE SER O CAIS, O ALTO-MAR; O DESERTO, A TURBA. UMA CIDADE PODE ATÉ CHOVER. Renato Cunha


U

ma tarde chuvosa no Rossio, famosa praça D. Pedro IV, no coração de Lisboa, proporcionou a Luis Jungmann Girafa um tempo de contemplação da rotina dos locais. O resultado aparece nas fotografias em preto e branco de Anônimos do Rossio. A crônica de imagens é um convite à observação do outro, da rotina não percebida, da poesia visual desse artista que transita com facilidade pela fotografia, arquitetura, artes plásticas e cinema. O cenário, cosmopolita, é frequentado por personalidades portuguesas, porém, de forma despretensiosa, os comuns permitiram a Girafa uma nova percepção de um cartão postal lusitano. As imagens afloram o dia a dia desse espaço que tem a estátua de D. Pedro IV como testemunha. Nessa incursão pelo universo dos transeuntes da praça, dos cafés, lojas e monumentos, é possível uma identificação e reflexão sobre os caminhos trilhados diariamente, transpondo os momentos retratados com ausência de cor à realidade particular de cada um. Os Correios recebem a confluência do olhar do artista e protagonistas anônimos num palco de seis séculos, compartilhado agora com o público juiz-forano. A iniciativa reforça o compromisso social de fomentador cultural, promovendo encontros e aproximando pessoas.


É

com extrema satisfação que realizo a curadoria da exposição Anônimos do Rossio, de Luis Jungmann Girafa, artista plástico, arquiteto, cineasta e fotógrafo, após lançar pelo selo editorial Siglaviva o livro homônimo que deu origem a ela. Conheci Girafa profissionalmente em 2008, quando ele fez a direção de arte de um filme dirigido por mim, no qual imprimiu seu olhar estético apurado e fez os detalhes visuais narrarem, algo primordial no cinema, e obviamente na fotografia também. Juntamente com o livro, pensamos em uma exposição no começo do projeto, que agora, após ter sido recebida, em 2014, no Museu Nacional dos Correios, em Brasília, e no Espaço Cultural Correios Fortaleza, ganha sequência no Espaço Cultural Correios Juiz de Fora. Previmos também uma palestra com o comunicador e escritor angolano Artur Arriscado, que, nos anos 1990, na condição de exilado, com graves problemas de saúde, viveu como indigente nas ruas e praças de Lisboa. Além disso, Artur estava com Girafa no dia do passeio fotográfico pelo Rossio, em 2011. Só que Artur nos deixou em setembro de 2013, sem que pudéssemos ouvir o testemunho de seu forçado anonimato. Nada mais justo, então, que esta exposição seja dedicada a ele, um contador de estórias sem fronteiras, que, de certa forma, inconscientemente, motivou Girafa a produzir seu ensaio.

Anônimos do Rossio é isso mesmo, um ensaio no significado mais estrito do termo, com coerência na linguagem visual e percorrendo por completo as áreas de atividade de Girafa, sendo possível nele enxergar, além do fotógrafo, muitos traços do artista plástico, do arquiteto, do cineasta. E a feliz escolha pelo preto e branco faz com que estas fotografias sobrelevem a questão do anonimato, pela fina sugestão do remoto. Os personagens são capturados pela lente de Girafa como se do quadro fossem parte imutável. Não há pessoa que nelas apareça que não indique uma cumplicidade com o anonimato, fazendo-nos perceber que é assim, anônimos, que passamos todos os dias, ou quase todos, pelas grandes cidades. Renato Cunha curador


D

edico esta exposição a Artur Arriscado, à sua memória. Na véspera do retorno ao Brasil, após trinta dias rodando por Portugal, em um dia sem pressa, encontramos Artur e Ana, que estavam em Lisboa a caminho de Londres, para o casamento da filha. Almoçamos e fomos tomar café com conhaque na varanda da Pastelaria Suíça, no Rossio. Ana e Sandra saíram buscando o que comprar. Artur e eu ficamos olhando a praça, proseando lembranças dele por Lisboa, descobrindo e sendo descobertos pelos personagens locais. Vieram nos vender de tudo, óculos, relógios, iClones, drogas. Não compramos nada. Turistas atípicos recusando ofertas sensacionais. Entre uma coisa e outra, eu ia fazendo fotos das pessoas que passavam diante de nós. A chuva suave e intermitente permitiu algumas incursões fotográficas nos limites da praça. Fui vendo que muitos dos que eu fotografava eram pessoas que estavam ali trabalhando, se encontrando, trambicando, etc. e tal. Estavam para ficar, circulavam e interagiam aqui e acolá. De forma intuitiva, fui fazendo fotos que não revelam explicitamente os personagens, que mantêm o anonimato enquanto contam visualmente a história de uma tarde preguiçosa no Rossio. Daí, como possibilidade de guardar a poética dessa tarde, a qual foi acontecendo inesperadamente, veio um livro, publicado, em 2013, pela editora Siglaviva, e do livro esta exposição, que, com o patrocínio dos Correios amplia o projeto Anônimos do Rossio. Luis Jungmann Girafa fotógrafo


A

partir deste momento, posso me considerar um ex-anônimo do Rossio. Aproveito para agradecer ao amigo Luis Jungman Girafa, que acaba de me dedicar um livro bonito que contextualiza uma boa parte de minha longa passagem por Lisboa. Que saudades eu tenho dessa bela capital europeia. Lá conheci grandes amigos, também considerados anônimos. Este recado é para muitos deles, dos anônimos, que são moradores do céu aberto do Rossio, das avenidas, das ruelas, dos largos que albergam gentes de todas as classes sociais, todos juntos como um buquê de rosas vermelhas, amarelas. Esse mosaico de lindas flores, todas elas com o seu brilho, foi companheiro das noites geladas com o seu frio bem orquestrado. Alguns sucumbiram, outros com a identidade de indigente caminham rumo ao desconhecido. Que é a morte desenhada nos cavaletes da vida sem direito a umas flores já murchas. Nessas minhas andanças por Lisboa não posso esquecer o Jorge Bibas. Um grande homem que tinha como função a venda de todo tipo de drogas. O Jorge era como um primo meu. Assisti sua degradação até o final. Em relação a mim, ele sempre me tratou com dignidade, nunca em vida me convidou para fumar um “charro”. Sempre teve o cuidado de me proteger. Ele sempre me alertava sobre os maus caminhos. Certo dia, o Bibas chega junto de mim, todo combalido, e pede-me dinheiro para comprar antibióticos. Fiquei admirado. Essa foi sua última atitude. Soube, tempo depois, que ele tinha morrido, sem direito a um funeral digno, morreu como um indigente...

Artur Arriscado faleceu em 13/09/2013, na cidade de Brasília, antes de terminar este texto, que seria lido na abertura da exposição Anônimos do Rossio.


UM POUCO DE ARTUR ARRISCADO Artur Maria de Mendanha Arriscado iniciou a sua carreira como radialista, em 1963, no Rádio Clube do Moxico, província onde nasceu. De 1968 a 1974 foi diretor técnico da extinta rádio Voz de Angola, tendo nessa altura viajado por todo o país gravando música tradicional, que ainda hoje é transmitida pela RNA [Rádio Nacional de Angola]. Pertence a Artur Arriscado, ou Coronel Hoffman, como é carinhosamente tratado pelos amigos mais íntimos, o registro do Hino Nacional de Angola. Mais de metade da música infantil conhecida nos nossos dias foi também gravada por máquinas manuseadas por Artur Arriscado, um dos grandes impulsionadores do programa infantil Piô-Piô, que animou durante vários anos as crianças de Angola. O seu vasto currículo inclui também a participação ativa na organização e controle técnico da primeira maratona de música angolana, realizada durante 24 horas na floresta da Ilha de Luanda. Em 1988, em parceria com José Rodrigues, lançou o livro Brasil 100 anos depois. Em 1989, Artur Arriscado era chefe de setor de gravação da RNA, inaugurando a famosa CT1 [Cabine Técnica 1], onde, orgulhosamente, se gravou muita da melhor música angolana.

Forçado à diáspora por questões graves de saúde, Artur Arriscado passou, então, de conceituado quadro técnico da rádio angolana, galante, espadaúdo e exímio dançarino, a indigente nas ruas de Lisboa, com uma perna de prótese. Bateu no fundo. Longe de tudo e de todos que amava. Mas a sua fabulosa capacidade de recuperação e de manter a força anímica desarma qualquer um. Essa força anímica leva-o, em 1997, a participar na primeira Antologia da música urbana de Angola. Já longe de qualquer possibilidade de voltar a fazer rádio, dedica-se à literatura. Em 2002, editou seu primeiro livro, Sakalumbu, o contador de estórias. Em 2003, lançou Tatchi e, em 2006, Miassos da minha terra. Em 2008, põe nas bancas As minhas anharas: memórias do Moxico. E, em 2010, publica Semelhanças nos nossos miassos. Casado com Ana Oliveira, uma cidadã brasileira, Artur Arriscado viveu, até a sua morte, em 13 de setembro de 2013, em Brasília, onde a convite de instituições acadêmicas e diplomáticas realizava palestras sobre a música angolana. Paz à sua alma. Ladislau Silva jornalista


O FOTÓGRAFO Luis Jungmann Girafa nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1950. Formado em arquitetura pela Universidade de Brasília [UnB], é também artista plástico, cineasta e fotógrafo. Traz no currículo mais de 30 exposições, no Brasil e no exterior, e é conceituado como um dos mais importantes artistas de Brasília. No cinema, realizou dois curtasmetragens e assinou a direção de arte de diversos longasmetragens, entre eles a do aclamado Louco por cinema, de André Luiz Oliveira. Na fotografia, Anônimos do Rossio, que deu origem a esta exposição, é seu livro de estreia.


ANÔNIMOS DO ROSSIO fotografias e concepção artística LUIS JUNGMANN GIRAFA curadoria, produção, textos poéticos e arte gráfica RENATO CUNHA produção local e assessoria de imprensa ELIZA GRANADEIRO ampliação fotográfica BRUNO BERNARDES moldura VIDRAÇARIA REAL impressão gráfica ATHALAIA GRÁFICA grandes formatos POSITIVA DESIGN E COMUNICAÇÃO agradecimentos ANA OLIVEIRA, ARTUR ARRISCADO [in memoriam], LADISLAU SILVA, SANDRA BACCARA, WAGNER BARJA patrocínio CORREIOS e GOVERNO FEDERAL apoio GALERIA MATÉRIA PLÁSTICA SINFÔNICA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS realização SIGLAVIVA exposições anteriores MUSEU NACIONAL DOS CORREIOS [Brasília/DF] 30 de janeiro a 16 de março de 2014 ESPAÇO CULTURAL CORREIOS FORTALEZA [Fortaleza/CE] 3 de setembro de 2014 a 14 de novembro de 2014

Juiz de Fora, Minas Gerais, 2015.


abertura

2 DE ABRIL DE 2015, QUI, ÀS 20H visitação

3 DE ABRIL a 30 DE MAIO DE 2015 seg a sex, das 10h às 18h sáb, das 10h às 14h

ESPAÇO CULTURAL CORREIOS JUIZ DE FORA Rua Marechal Deodoro, 470 Centro Juiz de Fora/MG [32] 3690-5715 espacoculturalmg@correios.com.br

patrocínio

apoio

siglaviva@siglaviva.com.br www.siglaviva.com.br

realização

Anônimos do Rossio  
Anônimos do Rossio  

Catálogo da exposição fotográfica de Luis Jungmann Girafa no Espaço Cultural Correios Juiz de Fora, Minas Gerais, de 02/04 a 30/05/2015.