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CONVENTO DE SÃO JERÓNIMO / PALÁCIO NACIONAL DA PENA

Arquitectura religiosa, manuelina e arquitectura residencial, revivalista e romântica. Mosteiro com traça de raiz manuelina, reconstruído para desempenhar a função de Palácio. Composto por igreja com torre sineira e Claustro, à volta do qual se dispunham o Refeitório, a Casa do Capítulo, Dormitório e demais dependências conventuais. Igreja de planta longitudinal, com nave única e capela-mor da mesma largura, com Coro e Sacristia adossados transversalmente, todos com coberturas de abóbadas polinervadas. Revestimentos parietais de azulejos enxaquetados, em ponta de diamante, e tipo tapete. Claustro quadrangular contrafortado, de 2 pisos conjugando arcadas plenas e rebaixadas. O primitivo conjunto manuelino integra-se no Palácio, de concepção romântica e carácter eminentemente cenográfico, com fortes influências de castelos e palácios alemães, em termos de composição volumétrica, e conjugando inúmeros estilos arquitectónicos e decorativos, desde sugestões orientais, torres neo-góticas, elementos neo-românicos, neo-renascentistas, neomanuelinos e arabizantes, formando um castelo com fosso, caminho de ronda e vários torreões que circundam a construção. O interior é composto por salas intercomunicantes e outras de passagem, localizando-se nos extremos, as dependências privadas e, no centro, as destinadas às visitas, como o Salão Nobre. No parque, concebido à maneira inglesa e com influências dos jardins românticos da Alemanha, disseminam-se inúmeras espécies vegetais, oriundas das mais variadas partes do mundo, caminhos, jardins, lagos, fontes, rochas e recantos românticos.

DESCRIÇÃO Planta irregular, composta, fortemente condicionada pela topografia e pela construção monacal préexistente, resultando num núcleo sensivelmente quadrangular, organizado à volta dum claustro, e num outro alongado, que corre para O., terminando num torreão circular e formando dois largos pátios a S. e N. Massa de volumes articulados, predominatemente verticalista de que sobressaem várias torres. Coberturas diferenciadas em telhados, terraços, coruchéus e domos, metalizados e revestidos de azulejos. O acesso faz-se por rampa, tendo a meio uma parede rematada por merlões onde se rasga um duplo arco em ferradura, o inferior em asa de cesto, com molduras em falso rústico, decorado com azulejos relevados, com guerreiro e motivo de parras. À dir. do terreiro o corpo das cavalariças, transformado em restaurante e, à esq., a porta férrea em arco pleno revestido de meias esferas aberta num espaldar encimado por 2 guaritas, tudo preenchido com pontas de


diamante, a ladear platibanda com merlões heráldicos, seguindo-se 3 torres escalonadas cobrindo a entrada do sinuoso túnel das arcadas acedendo a uma rampa ladeada por floreiras decorados com motivos geométricos e vegetalistas, desembocando no Palácio, com as fachadas pintadas diferentemente, o núcleo mais antigo de rosa e o mais recente de amarelo e com revestimento azulejar, e fenestradas por vãos quadrangulares, rectangulares, em arco pleno encimadas por frontão ou com intradorso decorado, em arco quebrado, maineladas e com óculos; dos vários corpos em ressalto, reentrantes e em plataformas irrompem torres quadradas, circulares, semicirculares ou facetadas, de diferentes alturas, as quadrangulares providas de guaritas circulares com coberturas cónicas nos cunhais. Estas estruturas são encimadas por cachorrada ou arcatura, formando caminhos de ronda, mirantes ou terraços, protegidos por merlões quadrados, chanfrados e escalonados. Fachada principal voltada a S. com parte do corpo alongado revestido com azulejos de padrão polícromo, cunhais em alheta e remates em cornija assente em banda lombarda rendilhada; no corpo da esq., simétrico, uma varanda ao nível do 3º piso, de guarda rendilhada, assente em pilares torsos, sobre arco pleno; no corpo da dir., sobre um arco quebrado de várias arquivoltas envolvidas por algas e conchas, que acede à Escada das Cabaças e ao Salão Nobre, uma janela trifacetada apoiada numa mísula profusamente decorada com elementos vegetalistas e marinhos suportada por um Tritão, sob a qual se abre arco conopial dando passagem a galeria abobadada e esculturada com motivos geométricos de inspiração mourisca e revestimento de azulejos relevados, que desemboca no Pátio dos Arcos, circundado por arcada de arcos em ferradura encimada por merlões chanfrados. No núcleo quadrangular os diversos corpos são rematados por platibanda rendilhada sobre friso; no ângulo de ligação deste corpo com o alongado, recuado, um pátio com arcada e cisterna central, dando acesso ao interior do Palácio. Fachada posterior com vários corpos escalonados, destacando-se o da Capela, com galilé de 3 arcos plenos assente em pilares e coberta com abóbada de cruzaria com panos azulejados, e, sobre o corpo da esq., alta torre quadrangular escalonada, rematada em pequenas guaritas circulares e merlões. CLAUSTRO: a SE., com acesso que se processa por 2 antecâmaras que ligam a escada de 2 lanços convergentes, em U; o Claustro é quadrangular revestido de azulejos de aresta, com alas de 2 tramos, divididos por contrafortes de esbarro providos de gárgulas zoomórficas, e 2 pisos separados por cordão e vazados por duplas arcadas plenas no 1º e triplas abatidas no 2º; o centro da quadra é pavimentado a ladrilho azul e branco; as galerias de ambos os pisos têm coberturas de abóbada de aresta (com irregularidades) e, em redor, dispõem-se as várias dependências. INTERIOR: no 1º piso da ala S., a Copa revestida de azulejos estrelados, a que se liga a Sala de Jantar (antigo Refeitório) também revestida a azulejo e coberta com abóbada polinervada sobre mísulas em forma de vieira e pavimento em tijoleira. Na ala E. a Sala de Pintura do Rei D. Carlos, com acesso por portal mainelado com decoração fitomórfica, que correspondia à Sala do Capítulo, a qual liga a instalações sanitárias; na ala O., um oratório semicircular com embrechados de conchas e a escada de acesso ao segundo piso e à galilé que antecede a Capela, com portal em arco pleno de arquivoltado sobre colunelos de bases poligonais entre 2 faixas revestidas de azulejos enxaquetados verdes e brancos; composta por nave e capela-mor mais estreita, com coro transversal do lado da Epístola; a nave de 3 tramos divididos por arcos quebrados, é revestida de azulejos enxaquetados verdes e brancos e iluminada por frestas com vitrais que ilustram episódios da vida de D. Manuel, Vasco da Gama, Nossa Senhora da Pena e São Jorge, sendo o pavimento de lajedo, onde se encontram 3 tampas de sepultura epigrafadas, e cobertura em abóbada polinervada apoiada em mísulas e meias colunas torsas; arco triunfal, ligeiramente apontado e rematado em conopial formado por toros lisos e torsos intercalados por faixas decoradas com troncos podados entrelaçados que sustêm romãs; aos lados 2 retábulos arquitectónicos pétreos; para a capela-mor, mais elevada, sobem-se 3 degraus, sendo protegida por teia de pau santo; as paredes são revestidas de azulejos de ponta de diamante com rodapé de azulejos de corda seca com esfera armilar (reaproveitados), no topo um monumental retábulo em alabastro com estrutura arquitectónica preenchida com relevos e imagens de vulto; cobertura em abóbada polinervada de combados com vestígios de policromia, assente em mísulas vegetalistas e colunas e com bocete heráldico, sendo os interstícios revestidos de azulejos de padrão; o Coro, totalmente revestido com azulejos de padrão azuis e amarelos é circundado por um cadeiral de madeira e iluminado por janela em arco quebrado preenchida com vitral com a "Ceia de Emaús" e é coberto com abóbada polinervada sobre mísulas, com bocetes florais e brasão real. Paralelamente ao Coro corre a Sacristia, de 3 tramos, forrada com azulejos enxaquetados verdes e brancos e coberta com abóbada rebaixada polinervada com nervuras muito salientes e bocetes vegetalistas e heráldicos e com os panos rebocados e pintados de branco, sobre mísulas; pavimento em ladrilho. A ala N. do Claustro acede aos quartos do piso superior: do Veador e das Damas, intercomunicantes, ambos com trabalhos de estuque em boiserie nos tectos e paredes com temas vegetalistas e florais; e o Quarto da Rainha, com paredes e abóbada revestidas a estuque imitando azulejos hispano-árabes, esta sobre mísulas e com as armas de D. Fernando e de D. Maria II nos fechos, enorme lareira e, no topo, as instalações sanitárias, forradas a madeira e azulejo de padrão fitomórfico. O quarto liga, interiormente, à ala E., onde se situam o Quarto de Vestir da Rainha,


revestido de tecido, e a Sala de Costura com pinturas parietais polícromas, tecto de estuque e mobiliário lacado; na ala S., destaca-se a Sala Íntima, forrada a seda azul *1 e que liga a pequena Saleta, que funcionava como escritório. Na ala S., situa-se a Sala Árabe completamente pintada em tons de grisaille, em "trompe l'oeil" com arcarias, tranças de parras entrelaçadas e cavaleiros árabes no tecto, a qual liga à Sala Verde com motivos geométricos orientalizantes nas paredes, que desemboca numa sala ampla, de passagem, a qual dá acesso ao terraço da Rainha com guarda de decoração vazada e estruturas metálicas para receber cobertura, onde se destaca um relógio de Sol. Duas salas de passagem, Sala das Gravuras e Sala das Faianças, ligam ao corpo alargado onde se sucedem outras Salas: Indiana, com paredes decoradas a estuque branco, com motivos vegetalistas e com mobiliário revivalista indo-português em madeira de teca; Sala de Recepção, no topo de uma escada de caracol, ostensivamente decorada, denominada Escada das Cabaças, tendo pé-direito mais alto e decorado com desenhos de encanastrados; Salão Nobre com trabalhos de estuque branco, sobre fundo rosa, de motivos geométricos de influência oriental articulada com motivos vegetalistas formando rosáceas, destacando-se, em termos do mobiliário, quatro otomanos de madeira, de tamanho sensivelmente superior ao natural segurando tocheiros. Todas estas salas têm pavimentos em parquet, excepto a Sala de Recepção em lajes de várias tonalidades. Seguemse as dependências de D. Manuel II, uma ante-câmara circular e o quarto oval com sanca do tecto e trabalhos de estuque branco, que liga a uma sala de vestir, a denominada Sala de Saxe, muito simples e com mobiliário em porcelana de Saxe e o quarto de banho. Escadas em caracol conduzem-nos à Sala dos Veados, circular, centrado por coluna lisa decorada com grinaldas que suporta uma abóbada tornejante, e, sobre os vários vãos, rosáceas com cabeças de veado. Continuando a descer chega-se ao corpo das Cozinhas, de planta rectangular, de 2 tramos abobadados de aresta sobre arcos plenos apoiados em pilares quadrados; pavimento de lajedo e vãos rectos moldurados de pedra. As Cozinhas dão passagem a um terraço.

ENQUADRAMENTO Rural. Isolado, com implantação destacada no topo da Serra de Sintra, a cuja topografia se adequa, no centro de um parque de 200 ha de superfície com o qual estabelece indissociável relação e onde existem várias espécies arbóreas de origem nórdica, fetos australianos e da Nova Zelândia e uma túia gigante da América do Norte, bem como lagos, a "gruta do monge", o tanque dos frades, o Chalet da Condessa de Edla (v. PT0311111120040), a Fonte dos Passarinhos, uma abegoaria, o templete-estúdio de pintura do rei D. Carlos, no Alto de Santo António, no enfiamento do torreão do Palácio, e junto ao qual se situa uma mesa circular, invocação da Távola Redonda do rei Artur, a estátua do guerreiro no monte mais próximo do imóvel, e, no mais afastado, a Cruz Alta, assinalando o topo da Serra, tudo ligado por vários caminhos alcatroados e em terra batida, bordejados por vários recantos com bancos de pedra e pelos afloramentos graníticos da Serra.

DESCRIÇÃO COMPLEMENTAR Os retábulos colaterais da capela são idênticos, de planta recta e um eixo formado por nicho central de volta perfeita, flanqueado por quatro colunas de fuste liso e rematado em friso, saliente sobre os suportes, frontão triangular interrompido por pequena tabela quadrangular, por seu turno encimada por frontão triangular. O retábulo-mor é de planta recta com três eixos divididos por colunas de fuste liso e capitéis jónicos, de diferentes dimensões, tendo dois andares nos panos laterais, divididos por friso onde corre inscrição em latim; ao centro tribuna inferior onde se integra a imagem de Cristo morto sustentado por três anjos, sobre sarcófago, encimado pela Virgem entronizada e, superiormente, em pequena edícula, a "Natividade"; em cada um dos panos laterais 2 nichos semicirculares sobrepostos, contendo grupos escultóricos representando, à esq., a "Anunciação" e a "Apresentação de Cristo no Templo" e, à dir., a "Fuga para o Egipto" e a "Adoração dos Reis Magos"; na base da tribuna central, o sacrário, em forma de templete de estrutura interna rotativa, permitindo expôr os vários relevos que contém de acordo com o calendário litúrgico. O conjunto é envolvido por enorme estrutura em arco de volta perfeita, encimado por 2 anjos em vulto que sustêm cordão que abre em cortina. INSCRIÇÕES: Tipo de Letra: gótico minusculo; Leitura(XXXIX): por a alma del rei dom João terceiro que santa glória haja se diz para sempre em este mosteiro uma missa cada semana. E por a rainha dona catarina sua mulher nossa senhora se diz outra e outra por el rei dom sebastião seu neto nosso senhor cuja vinda esperamos. a qual deus por sua piedade lhe dará. e assim sua glória. E depois esta missa se dirá sempre por o rei que em este reino de portugal reinar 1559; Tipo de Letra: gótico minúsculo; Leitura (XL): E todo o sobredito em o rótulo acima mandou dizer e instituiu o primeiro bispo de leiria frei brás de barros frade deseta ordem e professo desta casa que aqui jaz. E outras três mandou dizer por si e por as pessoas conteudas em a instituição. E assim serão seis em cada semana para sempre. E deixou a esta casa por um padrão de juro vinte mil reis cada ano. E além do sobredito se dizem mais em esta casa para sempre outras seis missas cada semana por a alma do dito bispo que lhe deixou em cada um ano outros 20.000


reis de juro. 1559; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura(XLI): IOANNES III EMMANVELIS FILIVS FERNANDI NEPOS EDVARDI PRONEPOS IOANNIS I ABNEPOS PORTVGAL ET ALGARBVS REX AFFRICA AETHIOPIA ARABIC PERSIC INDIC OB FELICEM PARTVM CATHARINAE REGINAE CONIVGIS INCOMPARABILIS SVSCEPTO EMMANVELE FILIO PRINCIPE ARAM CVM SIGNIS POS DEDICAVITQ ANNO MDXXXII; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura (XLII): AQUI JAZ CATARINA TEIXEIRA QUE FALECEU A 16 DEZEMBRO DE 662. DEIXOU NESTE MOSTEIRO UMA MISSA QUOTIDIANA E UMA LAMPÂDA DE PRATA; TIPO DE LETRA: capital quadrada; Leitura (XLIII): SEPULTURA DE DONA LEONOR DA FONSECA MULHER QUE FOI DE JORGE TIBAU E DE SEUS DESCENDENTES; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura (XLIV): AQUI JAZ TAMBÉM FRANCISCO TIBAU SEU FILHO FIDALGO DA CASA DE SUA MAGESTADE; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura (XLV): AQUI JAZ ARTUR BRÁS PEREIRA E SUA MULHER ISABEL DE SEQUEIRA FALECEU A 17 DE MAIO DE 1617;

CRONOLOGIA Séc. 14 - no local existia uma pequena capela românica dedicada a Nossa Senhora da Penha, onde os priores de Santa Maria de Sintra iam todos os sábados oficiar missa, por ordem de D. João I (Carta de 8 de Agosto de 1387); 1493 - D. João II aí foi com D. Leonor em peregrinação pagar um voto, permanecendo 11 dias no local; 1502 - tradicionalmente corre a lenda que D. Manuel teria daqui avistado a chegada da armada de Vasco da Gama, da Índia; 1503 - o rei quis transformar a capela em Mosteira da Ordem de São Jerónimo, sendo, para tal, necessário cortar a penha e proceder-se a uma terraplenagem; o mosteiro foi então construído em madeira a expensas da Coroa, e entregue aos monjes; 1505, 3 Agosto - alvará do rei para o recebedor do dinheiro das obras, determinando o mantimento do escrivão das mesmas; 1511 - reedificação do mosteiro em pedra (calcário e granito), sendo o vedor e recebedor da obra Diogo Barbudo; a planta constava de "igreja, claustro, dormitório, oficinas e campanário" (CASTRO E SOUSA, 1841); 1511 / 1513 - o mosteiro é entregue a 19 monges e servidores (número que foi aumentando); são concedidas várias mercês, privilégios e doações à nova casa jerónima, tais como: trigo, porcelanas, panos pintados para as cortinas dos altares, retábulo-mor e dinheiro para as obras; 1513, 16 Janeiro - o vigário de São Pedro de Penaferrim, que recebia os réditos da capela que existia no local, foi compensado, na pessoa de Jorge Rodrigues, por D. Manuel com uma tença de 2 moios de trigo anuais, provenientes do reguengo de Oeiras; 1514 - carta de quitação passada à mulher e herdeiros de Diogo Barbudo, então falecido, contendo uma lista de materiais de construção aplicados no Mosteiro de Nossa Senhora da Pena, entre os quais se contam c. de 64.000 azulejos; 1514, 26 Outubro - carta para o almoxarife das obras da Casa da Mina dar a frei Martinho, prior do convento, 12 milheiros de azulejos que vieram de Castela; 1524 - confirmação por D. João III de uma doação de dinheiro e trigo para manutenção dos monges, feita por D. ManueI na carta em que determinou a reedificação do Mosteiro; 1532 - D. João III e D. Catarina encomendam o retábulo-mor, executado por Nicolau Chanterene; 1534, 15 Maio - Gaspar Dias, almoxarife do reguengo de Algés, recebe 8 mil reais para pagar os carretos de alabastro para a feitura do retábulo; 9 Agosto - mandado sobre o "carreto" da pedraria de alabastro de Belém para a obra do retábulo; 1535, 3 Março - alvará de D. João II para se darem duas peças de brocado da Índia para fazerem cortinas para o altar-mor; 1541, 21 Setembro mandado para os contadores da Fazenda levarem em conta 1.672 reais emprestados pela Gafaria de Sintra para a feitura do retábulo; 1559 - data inscrita na lápide sepulcral de Frei Brás de Barros, reformador de Santa Cruz de Coimbra, que professou neste mosteiro e aqui foi sepultado à entrada da Sala do Capítulo, encontrando-se a lápide na ala E. do claustro; séc. 16, final - nomeação do mestre João Luís para as obras do palácio por D. Sebastião; 1605 - o cronista espanhol da Ordem de São Jerónimo, Frei Joseph de Siguenza, diz que o Mosteiro de Nossa Senhora da Pena possui três corpos escalonados e é todo de cantaria muito bem lavrada; 1743, 30 Setembro - um raio destruiu parcialmente a torre, a capela (danificou guarnições de pedra, derrubou partes da abóbada e incendiou madeiramentos, o órgão e as grades do coro), a sacristia e algumas alas do edifício; 1748 - viviam 40 monges no mosteiro; 1755, 1 Novembro - profunda ruína com o terramoto, restando apenas alguns quartos suportados por um pórtico e ficando os monges reduzidos a 5; 1828 - a Relação das Rendas demontra a existência de apenas 2 monges (1 sacerdote e 1 leigo), 1 prelado e 2 criados; 1834 - à data da extinção das ordens religiosas o cenóbio estava já desabitado e ficou ao abandono, com as chaves ao cuidado do abade de Penha Longa, mantendo-se apenas a igreja aberta ao culto; foi ordenada a inventariação dos bens do mosteiro, vendidos em hasta pública; 1838 - D. Fernando de Saxe - Coburgo comprou o mosteiro com as suas casas de hospedaria, cerca, terras de semeadura, pinhal e mata por 761.000 reis, e a vizinha Quinta da Abelheira e Capela de São Miguel, num total de 200 ha,, iniciando obras de restauro e ampliação para adaptação a residência de Verão, incluindo a Calçada de São Pedro para acesso ao imóvel; os primeiros planos foram executados por Possidónio da Silva, embora não viessem a ser concretizados; 1839 - planta de Nicolau Pires, representando o mosteiro antes do restauro, com


claustro quadrangular, torre, igreja, sacristia, coro e hospedaria; 1840 - segunda fase das obras, com reformulação e ampliação do projecto inicial sob a direcção do engenheiro militar Barão von Eschwege, segundo plantas de Nicolau Pires, estando o mestre pedreiro João Henriques encarregue de supervisionar e acompanhar a execução das obras, coordenando os operários e o estaleiro; nas obras foram utilizados alguns materiais e estruturas provenientes do Convento da Penha Longa; 1841 / 1843 - ampliação do largo onde existia o adro da igreja e levantamento de muros; ergue-se a torre (uma estilização da Torre de Belém); encomenda de vitrais a Nuremberga para a Capela, mas cuja temática indicia um desenho português, talvez efectuado pelo Visconde de Meneses; 1842, 30 Junho - o Diário do Governo pormenoriza as obras fernandinas: alterações no claustro, na igreja e no que subsistia das dependências conventuais; 1846 / 1487 - as obras prosseguem e são entregues ao mestre João Henriques; o parque começa a ser delineado pelo rei, sendo os trabalhos entregues a Eschewege e a Wenceslau Cifka; colocação de espécies arbóreas provenientes da Floresta Negra; encomenda da mobília para a casa de jantar à firma Barbosa e Costa e do serviço de jantar à Companhia Pickman; 1848 - data do vitral da capela; 1849 conclusão das obras no Parque da Pena; 1852 - encomenda e aplicação de vitrais a Nuremberga para o Salão Nobre e conclusão do restauro da capela; 1853 - assentamento das colunas torsas no exteriopr do Palácio; 1854 / 1857 - decoração dos interiores e aplicação de estuques; 1868 conclusão das obras, que importaram em mais de 400 contos; 1885 - à morte de D. Fernando ainda havia alguns trabalhos a decorrer na Pena; a Condessa de Edla herda o Palácio; 1889, 25 Junho - o Estado compra-o por 310 contos; passa a ser utilizado regularmente durante o Verão pela rainha D. Amélia; 1910 - com a implantação da República, é transformado em museu, com a designação oficial de Palácio Nacional da Pena; 1941, 15 Fevereiro - um forte ciclone devastou parte do Parque, deitando abaixo muitas árvores; 1969, Fevereiro - estragos provocados pelo sismo; 1992, 01 Junho o imóvel foi afecto ao Instituto Português do Património Arquitectónico pelo Decreto-lei 106F/92; 2007, 07 Julho - foi nomeado como uma das Sete Maravilhas de Portugal.

CARACTERÍSTICAS PARTICULARES Residência de veraneiro real, que constitui um dos primeiros exemplares de arquitectura romântica, resultante do reaproveitando das ruínas de um antigo convento hieronimita, onde se assume um invulgar eclectismo estilístico, com combinação de inúmeras influências estilísticas. O imóvel oferece um efeito cenográfico invulgar no cume de um dos montes mais altos da Serra de Sintra. O parque em que se insere é responsável pelo microclima da região, extremamente húmido e fresco. Muitos dos elementos arquitectónicos e decorativos aplicados no Palácio resultam do reaproveitamento de peças provenientes de outros palácios ou conventos extintos, nomeadamente o portal da Casa do Capítulo e a torre que se ergue sobre a zona monacal, proveniente do Ramalhão, e parte do arco triunfal e portal do Refeitório, provavelmente trazidos do Convento da Penha Longa. No interior, destaca-se o retábulo renascentista da Capela, em alabastro, de grande qualidade plástica e com uma concepção mais evoluída e menos rígida que a simetria rigorosa da escola de Coimbra. O mobiliário foi, nalguns casos, concebido especialmente para o local, também segundo esquemas revivalistas, destacando-se os lacados e os móveis de inspiração indoportuguesa.

Fonte: IHRU

Convento da Pena, Sintra  

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