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Editorial Com a corda toda Primeiro foi o guarda-roupa, depois a brinquedoteca, agora os brechós e também os mercadinhos, não há um setor do varejo que esteja fora do mercado valioso que se provou ser o segmento de produtos e serviços dedicados aos pimpolhos. Nunca se comprou tanto para os pequenos como agora. Por mais que as famílias tenham se reduzido, o padrão de vida atingido por elas aumentou, o que garante uma nova mola para o consumo e exige dos varejistas formas diferenciadas de provocar a conexão com esse cliente cada vez mais fugaz. Indo no mesmo sentido, realizamos uma viagem pelos espaços comerciais que se revestem da nostalgia vintage para provocar as reminiscências dos seus frequentadores, sempre no intuito de garantir a diferenciação e, ao mesmo tempo, uma forma sutil de alimentar sonhos passados. Passando pela casa da vovó, fazemos uma visita aos febris knitcafés, abordando de forma despretensiosa a invasão dos novelos e a crescente pedida pelo “feio à mão”. Ainda no mesmo mood, invadimos os ateliês/casas de algumas marcas que optaram por lugares intimistas para instalar suas lojas, confirmando a busca das empresas por ambientes mais intimistas. Para fechar, fazemos um tour pelas lojas virtuais com o intuito de revelar como o mercado vem se desenvolvendo para englobar ascensão desse novo tipo de consumo e a consequente necessidade em se trabalhar o merchandising online. Das crianças aos marmanjos, os consumidores estão com a corda toda e provam que o desenho de experiências nunca foi tão importante dentro do varejo quando o assunto é provocar percepções positivas para a marca e garantir um pedacinho do coração daquele interlocutor (cada vez mais) acelerado. Não quer ficar de fora? Segura a ponta da corda e boa diversão!

Daniel Fonseca e Alvise Lucchese contato@weareshoptalk.com


Colaboradores Ana Gabi

Fotos: Acervo pessoal

Filósofa, mora em Paris e estuda física quântica. Adora cerveja, viagens, arte abstrata e devaneios. Fotografou a cidade-luz para a seção “Pelo Mundo”.

Bruno Fernandez Formou-se em Design Gráfico e nunca exerceu a profissão. Odeia Flash, Illustrator ou Photoshop. Cansou da rotina e fugiu pra Europa pra estudar fotografia. São suas as fotos de Dublin.

Dolores Nocito

Erika Herrera

É flâneur e colaboradora do site Trendwatching, buscando manifestações culturais em Buenos Aires. Para esta edição, ela revela a FNO em NY para a seção “Pelo Mundo”.

É designer industrial, mexicana, e tem fascínio por varejo e VM. É editora do blog The Shop Window. Para esta edição ela assina as fotos e o texto “Galeria do indie”.

Juliana Calado

Maria Day

Em movimento. Costura, tricota, cozinha, pinta, borda e acredita que melancia alonga a vida e cura a ressaca. Bordou as ilustrações da matéria “Mania de linhas”

Maria é fotógrafa freelance, vive em Nova York e é apaixonada por moda e vitrines. É editora do blog Beautiful Window Displays e é de sua autoria as fotos que ilustram NY na seção de cidades.

Tainá Busato

Virgílio Andrade

Formada em Negócios da Moda, Tainá especializou-se em OVM e atua como consultora de novos negócios eletrônicos. É sua a coluna Opinião onde trata sobre e-commerce e varejo.

Designer de moda, criador e ilustrador. Mora em São Paulo, mas sua essência é mineira, barroca. São suas as colagens de nosso especial “Uma volta ao passado”.


Sumário Short Stories Design, moda, cultura, tencologia e mais...

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Matéria de capa Os donos da onda

28 Reportagem Mania de linhas 34 No aconchego do lar

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Especial Uma volta ao passado

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Pelo Mundo Nova York

60 Dublin 64 Paris 66 São Paulo 70 Belo Horizonte

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Opinião Em busca dos e-consumidores

80 DNA Brasileiro

82 Onde achar

Praia e concreto

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gregório reis

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Fotos: divulgação

dolores nocito

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Design

Moda

Cultura

Tecnologia e mais...

Fotos: divulgação

Short Stories

A lã que nos une A Benetton é reconhecida pelas campanhas intrigantes e roupas coloridas. Agora, a marca italiana uniu-se ao artista cubano Erik Ravelo e realizou 15 instalações batizada de Lana Sutra. O nome, lógico, é uma reflexão sobre o significado da palavra Kamasutra (kama= prazer; sutra= fio que une). “As emoções que cada cor proporcionam, o aconchego da lã,

um caloroso abraço: todos estes são sentimentos que unem a humanidade e são expressos em uma nova forma de arte em sintonia com seu tempo”, diz Ravelo. Cada instalação é composta por uma escultura em gesso de um homem e uma mulher envolvida em fios de lã de diferentes cores. O contato dos seus corpos e a

mescla de cores e fios representam o amor natural que une a humanidade, sublinhando simbolicamente os valores da Benetton. A exposição está sendo realizada simultaneamente em três conceptstores da marca em Munique, Istambul e Milão. Posteriormente, a mostra prosseguirá de forma itinerante por lojas Benetton no mundo.

Elegância italiana Franca Sozzani, editora-chefe da Vogue Itália, também é curadora da exposição “Moda in Italia. 150 Anni di Eleganza”, que procura apresentar a moda italiana desde a construção de sua história, até aspectos culturais e econômicos que ela representa. A exposição é composta de 150 vestidos, que serão divididos em dois períodos: o primeiro irá transcorrer desde o Renascimento ao Fascismo e a estruturação da indústria. A segunda parte trará desde a moda italiana dos anos 1970 até os dias atuais. Segundo Franca, a exposição tem por objetivo apresentar um panorama da moda italiana por meio de sua história, política, cultura, cinema e ficção. A exposição foi aberta ao público em meados de setembro e segue até 8 de janeiro de 2012.


Os chapéus e a história

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O mundo da moda parece estar se interessando novamente nos chapéus e acessórios de cabeça, que há muito haviam sido esquecidos. O britânico Stephen Jones, um dos chapeleiros mais importantes da atualidade e que vem desde a década de 1980 criando modelos para as maisons Balenciaga, Marc Jacobs, Jean Paul Gaultier e personalidades como a Princesa Diana, reabre a exposição “Hats: An Anthology by Stephen Jones”. A mostra que passou por Londres em 2009, aterrisa em Nova York e traz peças emblemáticas como o chapéu de baseball de Babe Ruth, um turbante de Estée Lauder e a cartola de Franklin Roosevelt, bem como capacete original de 1977 de Darth Vader e peças desenvolvidas por estilistas como Christian Dior. Ao todo são 260 chapéus, entre modelos tradicionais aos mais bizarros já desenvolvidos por Jones e outros designers. A exposição vai até abril de 2012 e promete ser um sucesso de público como em sua edição passada.

Juliana Jabour para a Shoestock Parcerias entre estilistas consagrados e marcas fast-fashion é uma tendência mundial. Empresas apostam em produtos exclusivos a um preço acessível e com uma assinatura forte. Depois de lançar peças com marcas como Huis Clos e Gloria Coelho, a Shoestock acaba de colocar à venda a coleção de sapatos desenvolvidos pela estilista Juliana

Jabour. São peças inspiradas no universo feminino e divertido da estilista, com cores e construções das décadas de 50 e 70. Dentre os materiais que compõe as sapatilhas, os oxfords e as botas flats estão a renda, o mestiço, suede e tecido, além de metais em ouro velho. Como não poderia deixar de ser, tudo a um preço bem acessível.

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Short Stories

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Os curtas estão na moda

Acima, print do vídeo de Steven Meisel onde modelos (dentre eles a top Raquel Zimmermann) coreografam clichês dos anos oitenta ao som de hit parade dos anos dois mil.

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Shop Talk Magazine | #3

Buscar extensões publicitárias e novos suportes para a comunicação com o cliente é, sem dúvida, a grande pedida das marcas de moda para estimular o contato com o cliente e criar vínculos em outros meios. Através do uso de vídeos e animações, os virais se espalham na blogosfera e demais mídias sociais, levando histórias que envolvem os consumidores e os transferem para o universo da coleção com sutileza e diversão. Destaque da última temporada, e já acostumada com os burburinhos em torno de seus vídeos, a irreverente Lanvin se reveste da imagem da mulher forte trazendo em sua última campanha a top brasileira Raquel Zimmermann, dentre outros modelos, ao som de “I know you want me”, numa linha tênue entre a cafonalha e o satírico. Sob o olhar do fotógrafo Steven Meisel, que é quem dirige o filme, os personagens coreografam clichês dos anos oitenta embalados pelo hit que pipocou as paradas internacionais. Queridinho das grandes maisons, é Meisel quem assina também a direção do vídeo que apresenta a coleção Resort 2012 da espanhola Balenciaga. No cenário que leva as cores da coleção, as modelos abrem e fecham portas e disputam lugares em uma mesa, numa verdadeira dança das cadeiras. Seguindo uma linha artística e conceitual, o fotógrafo Willy Vanderperre faz uma releitura do universo Dior Homme para criar uma atmosfera que mixa urbano e rural em uma ambiência cheia de ruídos sonoros e iconográficos. No Brasil, a coloridíssima Neon também se reveste de recursos multimídia para provocar reações positivas nas mídias sociais. “We love Neon” já ganhou duas versões na web e já bombou no Facebook e no Twitter do pessoal da moda, garantindo a proximidade entre a marca e o seu público. Na iminência dos desfiles, esses novos formatos parecem comprovar a necessidade em fazer parte da vida dos consumidores através do uso de outras mídias, mostrando a força da evolução artística no que diz respeito à criação de histórias capazes de submergir o espectador dentro do mundo da marca.


Lady Gaga por Terry Richardson Lady Gaga é a musa do novo trabalho do nova-iorquino Terry Richardson. Conhecido fotógrafo de moda e das estrelas norteamericanas, ele acompanhou a cantora pop durante 6 meses - de agosto de 2010 a fevereiro de 2011 - registrando shows,

como a gravação do álbum Born This Way, festas fechadas e momentos íntimos da cantora em sua casa. O livro, que leva o nome da cantora, LadyGaga (Grand Central Book), traz 350 fotos e ainda não tem data confirmada para lançamento.

Smiths para colecionadores Vale a pena investir: a gravadora Rhino confirmou o lançamento para outubro do box mais completo com o que a banda The Smiths já gravou. O The Smiths Complete - Deluxe Collectors Box Set conta com todos os discos em estúdio e ao vivo que a banda produziu, tanto em formato CD quanto vinil, além de 25 singles, alguns posters e um DVD com os todos os videoclipes. Também serão lançadas caixas individuais dos formatos, podendo escolher entre o box com os vinis ou apenas os CDs. Dedicado a colecionadores, os boxes terão uma edição limitada a 3 mil cópias e a exclusividade tem um preço alto, cerca de 250 libras (cerca de R$650). Já é possível adquirir a preciosidade em pré-venda no site da gravadora www.rhino.co.uk

Manter vivo o passado. Esse é o objetivo da parceria entre a Impossible Project, fabricante de filmes da célebre máquina fotográfica instantânea Polaroid, e a rede de hotéis Ace. A partir de setembro, todos os quartos dos hotéis nas cidades de Nova York, Palm Springs, Portland e Seattle estarão equipados com uma câmera vintage da Polaroid e um conjunto de filmes em preto e branco para que os hóspedes possam fazer imagens de sua viagem da melhor maneira possível. Para estimular a ação, as empresas fizeram uma exposição que conta com imagens de hóspedes célebres como ator Elijah Wood, entre outros, além de um concurso cultural para a escolha das melhores fotos entre os hóspedes, que também entrarão na exposição. E quem não está nos hotéis da Ace também pode participar: basta enviar uma foto feita com os filmes da Impossible para o site da promoção.

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Retatos de uma viagem

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Short Stories

O Kickstarted é uma plataforma de investimento para projetos independentes que vem se mostrando cada dia mais interessante, onde você posta no site seu trabalho relacionado a música, cinema, tecnologia, design, gastronomia e pessoas e/ou empresas do mundo inteiro podem contribuir para que seu projeto saia do papel. Além de levantar fundos para dar início a alguma criação, o site também tem revelado novos talentos como o ilustrador Saleem Safwat, que acaba de abrir sua exposição com o dinheiro recolhido no site. A exposição “A Brunch of Crock” aponta de uma forma satírica e provocante a atual política interna e externa dos Estados Unidos, além da xenofobia que vem crescendo consideravelmente entre os norte-americanos, combinando frases de efeito com imagens vintage.

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Arte, política e minorias

As declarações nos cartazes são inspiradas por uma citação, fatos ou anedotas que ocorreram nos últimos anos no país. Na galeria onde está exposta a mostra, na cidade de Phoenix, é possível comprar os cartazes e pequenos adesivos onde os espectadores podem espalhar a instatisfação em relação aos governantes e autoridades que abusam do poder e massacram as minorias do mundo todo.

Pôneis do pop Se você nasceu na década de 1980, é bem provável que já tenha brincado com os “My Little Pony”. Agora os cavalinhos ganharam roupa nova. A artista finlandesa Mari Kasurinen criou uma versão dos pôneis com roupa de ícones pop. A artista criou cerca 60 modelos que vão desde Marilyn Monroe, Frida Kahlo, Chapeleiro Maluco até Edward Mãos de Tesoura. Se já bateu aquela vontade louca de adquirir os mimos, entre no site marikasurinen.com/sculpting e faça seu pedido através do e-mail de contato da artista. 10

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Música em cores

Jogando com novelos Trabalhando em projetos que envolvem interação e arte, o coletivo Hot + Tea vem despertando a atenção da mídia por criar instalações que trabalham curvas e linhas construídas a partir de novelos. Os criativos do projeto investem no uso das cores e das texturas para criar impacto em ambientes urbanos. No último projeto apresentado em Berlin, o coletivo se associou à Converse para criar uma ação que promovia um novo modelo com detalhes em tricô. Para garantir a proximidade com o público, a marca convidou os artistas a invadirem espaços frequentados por potenciais consumidores, levando as cores das linhas em instalações inusitadas e provocando eventos transversais que envolvem a marca de maneira sutil e divertida.

Ilustração digital 2.0 “Não seria incrível se suas idéias começassem como rascunhos no papel, e automaticamente se tornassem gráficos vetoriais?” Com essa frase a Wacom apresenta a Inkling, a caneta digitalizadora que vai revolucionar o mundo das ilustrações digitais. Trata-se de uma caneta e um receptor que utiliza tecnologias simples como infraver-

Com foco no design e na implantação de uma tecnologia de ponta na produção de fones de ouvido, a empresa sueca Urbanears vem ganhando os ouvidos (e as cabeças) dos jovens espalhados pelo mundo. Disponíveis em diversas cores, a marca faz uma brincadeira divertida com o dia a dia do consumidor sempre em busca de um modelo personalizado para cada situação. Febre entre os jovens, o modelo Plattan promete um som fluido e que não se mescla com os ruídos do mundo real. No site do fabricante é possível ainda selecionar o modelo e brincar com as diversas cores disponíveis através de uma interface que facilita o contato virtual com a peça. O produto chega em uma embalagem que enche os olhos. De acordo com relatos dos próprios consumidores nas mídias sociais da marca, a vontade é de guardá-lo todo dia de volta Fot na caixa. os: div ulg açã o Os fones estão disponíveis no site www.urbanears.com

melho para captar os traços do artista e transformar em linhas vetoriais que podem ser posteriormente editadas nos Illustrators da vida. O Inkling detecta os desenhos fazendo com que o tratamento posterior seja mais rápido e preciso. O gadget já está à venda no site da Wacom (wacom.com) por 199 dólares. A revolução da ilustração digital agora está ao alcance das mãos!

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Capa

kids power

Os donos da

onda De olho no crescimento do mercado de produtos infantis, empresas investem em projetos que focam no design para criar convergência dentro dos seus pontos de venda. São lojas que evocam a interação entre criança, adulto e marca, seja através de sua comunicação visual, seja através da promoção de eventos ou mesmo da instalação de dispositivos tecnológicos. Esses espaços sacodem o varejo e provam que os pimpolhos estão na crista da onda!

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express yourself

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sonhos para montar

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os pequenos da cidade-luz

montagem sobre foto/diviulgação

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Um mundo imaginado

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Em sentido horário, fachada da flagship store da Lego em NY, detalhe interno da Bonton e produtos naturais da parisiense Les Bio Gosses

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Seguindo as marcas de moda que passaram a criar coleções especialmente dedicadas aos pequenos, novos empreendimentos começam a tomar o cenário varejista promovendo ações diferenciadas e, muitas vezes, experimentais. Tudo com o intuito de atingir essa fatia de mercado que, a cada dia, se torna mais disputada e exigente. No mercado internacional, marcas como Burberry, Dior, Gucci e Marc Jacobs já se renderam aos encantos do mercado infantil e hoje desenham coleções exclusivas destinadas às crianças. No Brasil, estilistas como Ronaldo Fraga, Cris Barros e Isabela Capeto já desenvolvem projetos que pensam exatamente no estilo de vida desses “mini-consumidores”. Para driblar os milhares de produtos desenhados diariamente para o setor, as marcas começam a elaborar novas estratégias

que incluem a criação de espaços de venda cada vez mais focados na experiência e no desenvolvimento de relações de afeto entre a marca e o seu interlocutor. Por este motivo, o varejo se utiliza de novos modelos como a americana Little Miss Matched, que oferece um universo de meias coloridas que podem ser compradas separadamente, e a francesa Bon-ton, que em sua concept store oferece serviços como massagem e cabelereiros, sempre com o intuito de proporcionar uma experiência marcante quando o assunto é comprar produtos que agradem aos filhotes. E as novidades não ficam só para as marcas de roupa. Pioneira no assunto, a gigante dos jogos de montar Lego criou em sua loja em Nova York uma reprodução da cidade inteiramente feita com os clássicos


blocos da marca. Além disso, inseriu em algumas de suas lojas dispositivos de realidade aumentada para criar um novo modo de visualizar o conteúdo das caixas e provocar as crianças já viciadas em dispositivos tecnológicos. Na contramão das grandes tecnologias, a parisiense Les Bio Gosses trás para as mamães aficionadas pelo mote sustentável um universo de produtos que não agridem a natureza e prometem uma gravidez saudável, oferecendo opções para uma dieta equilibrada e um dia-a-dia rodeado da cultura orgânica. Buscando criar momentos diferenciados e proporcionar experiências memoráveis, empresas inseridas no mercado infantil se utilizam de elementos que extrapolam os sentidos para movimentar a economia de grandes negócios para gente pequena. #3 | Shop Talk Magazine

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Capa

kids power

Um mundo imaginado Férias de verão, banho de chuva, brigadeiro de colher, lambida de cachorro e gargalhadas, foram apenas algumas das mensagens que nortearam o processo criativo do arquiteto brasileiro Marcelo Rosenbaum ao projetar as lojas da marca carioca Fábula. Lançada em 2008, a empreitada fez parte de um processo de expansão do Grupo Farm com o objetivo de alcançar o mercado infantil levando elementos da moda descontraída produzida pela marca-mãe. A ideia foi estruturar uma nova experiência para crianças e adultos com o mesmo entusiasmo e inovação com que a Farm foi criada. Para isso, Rosembaum partiu do universo encantado dos contos, provocando uma liberdade lúdica dentro do espaço através da exploração das formas de animais que parecem conversar com os visitantes. Inspirado pela frase de Clarice Lispector que diz: “só é verdade no mundo de quem gosta de inventar, como você e eu”, o arquiteto se utilizou das formas dos animais para “inventar” araras-tamanduás para expor as roupas, baldes-macacos cheios de acessórios, carrinhos-onças e carrinhos-jacarés por todos os lados, mesas árvores, cabidescobras e cabides-borboletas. Sempre pensando em fazer os clientes entrarem dentro dos nostálgicos livros de fábulas. Ilusão ao não, os visitantes das lojas da marca parecem sair do espaço de venda com outra cara e com espírito renovado, provando que o design de lojas associado a uma eficiente estratégia de marcas podem, de fato, garantir experiências inovadoras e valiosas. 16

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fotos: divulgação

Destaque para o móvel elaborado com malas em diversos tamanhos e cores que serve de estoque para os produtos e compõe a atmosfera lúdica dos contos para dentro da loja

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Capa

kids power

Sonhos para montar cantam ao montar o personagem dos sonhos. Entre milhares de opções, os visitantes podem escolher a roupa, o tipo de rosto, os cabelos e agregar quantos acessórios quiser para deixar o brinquedo mais diferente ainda. Visando criar um universo fantasioso e mágico, animais em tamanho real e miniaturas de metrópoles dividem a cenografia com móveis especialmente desenhados para abrigar as diversas sessões de produtos trabalhados pela empresa. Na loja de Nova York, por exemplo, pequenos show-cases emolduram elementos que rementem à pop arte de Andy Warhol e a clássicos da arquitetura

internacional, tudo feito com as clássicas pecinhas de montar. Com o intuito de criar pontos de convergência entre novas tecnologias, algumas lojas da empresa já contam com dispositivos que simulam o brinquedo montado quando o cliente aproxima a caixa de uma tela munida de câmera, provocando a interação e gerando um momento inusitado no processo de compra. Fugindo dos clichês, a Lego trabalha o imaginário de pimpolhos e grandalhões provando que a marca, que permeou a infância de gerações, continua forte e cheia de novidades para seus pequenos e grandes consumidores.

fotos: divulgação

Divertir o consumidor e criar momentos de descontração como forma de garantir uma ligação mais forte com a marca foi a intenção da gigante dos brinquedos de montar, Lego, ao conceber o design dos seus pontos de venda espalhados pelo mundo. De Nova York a Berlin, as lojas da marca criam espaços que privilegiam o contato direto com o produto e também permitem maiores chances de compra customizada. Para isso, dentro dos espaços de venda existem cubos coloridos onde os clientes podem escolher e comprar as peças à granel. Destaque para a sessão de bonecos, onde pequenos e adultos se en-

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Na pĂĄgina da esquerda, cliente da loja em NY se diverte testando o modelo que deseja comprar atravĂŠs do totem interativo que simula o brinquedo montado #3 | Shop Talk Magazine

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Capa

kids power

Express yourself Sucesso entre as americanas, a marca de underwear Little Miss Matched ganhou a atenção da mídia por anunciar um modo divertido de combinar meias extremamente coloridas e estampadas. Com foco no mercado adolescente e infantil, a marca surgiu de uma brincadeira de amigos que constataram uma forma de equacionar o problema com suas meias perdidas: mesclando as meias restantes e obtendo pares “díspares”. A ideia que parecia absurda uniu Jonah Staw, que trabalhava com marketing e design, e Arielle Eckstut, um gerente literário e editor, e os levou a pensar em um modo diferente de vender meias. Estruturaram, então, um projeto e negócios e lançaram, em 2003, a Little Miss Matched – um trocadilho com mismatched, ou descombinado, em inglês – provendo o mercado americano com meias que, ao invés de serem vendidas em pares, eram vendidas em trios. Com isso, eles criaram um burburinho entre as consumidoras que passaram a descombinar as meias para compor looks diferenciados para, assim, expressarem seus estilos únicos. 20

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Nos móveis expositores, sugestões inusitadas e diferentes brindam as consumidoras com diversão e bom humor, garantindo uma experiência nova a cada visita à loja

Ao longo dos últimos anos, a marca ganhou corners em grandes magazines pelos Estados Unidos, lojas de brinquedo, shoppings infantis e também lojas próprias com um estilo bem peculiar. Ganhou também novos packs com mais peças e uma nova diversidade de produtos, como pijamas e roupa de cama, tudo seguindo o mesmo conceito de “descombinações”. Dos móveis cor de rosa que ambientam as lojas, saltam estampas listradas, xadrezes, bolinhas, cachorrinhos, etc. A criatividade não para: são 134 coleções diferentes a partir das quais

as clientes da loja podem fazer mais de oito mil combinações, o que significa não repetir o mesmo par nos próximos vinte e quatro anos! Através da estruturação de pequenas ideias que podem parecer bobas, modelos de negócios criativos como o desenvolvido pela dupla americana alcançam o varejo com diferenciações sutis, estimulando o mercado infantil e adolescente com serviços que driblam o convencional e, de fato, surpreendem esse novo consumidor tão bombardeado de informações.


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Os pequenos da cidade-luz

Na francesa Bon-ton os produtos passam por uma curadoria antes de atingirem as prateleiras, onde marcas consagradas se mesclam a novos designers

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Centro da alta costura, do glamour, das luzes e das grandes firulas, Paris é também rodeada por lojas que exploram o mercado infantil oferecendo uma gama gigantesca de produtos que atendem às mamães e papais de plantão com opções que vão desde grandes marcas e peças de luxo, até opções sustentáveis e de segunda-mão. De olho no que as grandes marcas internacionais vieram fazendo nos últimos anos, a luxuosa Bon-ton traz para as mamães contemporâneas um império cheio de mimos e pequenos detalhes para deixar os pequenos em dia com o que há de mais moderno no diz respeito à moda, acessórios, mobiliário e beleza. Pensando em atingir esse consumidor que, seguindo a linha de muitas multimarcas parisienses, primam por peças bem desenhadas e com materiais de fino aca-

bamento, mas que também busca ser surpreendido por peças que contam histórias inusitadas, a lojas se espelhou na matriarca Merci-Merci para trazer produtos zapeados e especialmente escolhidos para ocupar o espaço expositor. Com foco na curadoria de produtos, a loja traz em seu portfolio marcas que se destacam no cenário internacional aliadas a novos designers. Para criar interação dentro do ponto de venda, as lojas contam com serviços diferenciados como sala de chá e cabeleireiros especialmente treinados para agradar o gosto dos pimpolhos. Na concept store aberta em 2010, localizada no número 5 do Bullevard Fille-duCalvare, os 800 metros quadrados inspiram a compra por todos os lados. Desde o mobiliário até a disposição dos produtos e o


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trabalho com papéis de parede e adesivos, tudo é trabalhado com o objetivo de provocar a atenção dos pequenos visitantes. A ideia, é sempre criar facilidades na compra de produtos para crianças, já que muitas vezes eles acabam escolhendo os produtos prediletos, pois, ao contrário do que acontecia anteriormente, eles se tornaram o pivô desse momento e, por este motivo, a loja tenta agradar à família moderna privilegiando os novos membros sem esquecer dos grandões. Para garantir o retorno, a loja conta ainda com uma parede onde as crianças podem marcar com o lápis a sua altura e confirmarem o seu crescimento na próxima volta à loja. Com isso, a marca cria um vínculo emocional e faz com que os pequenos se lembrem da experiência e queiram repetí-la em um momento futuro. #3 | Shop Talk Magazine

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kids power

Em destaque, interior da rocker Finger in the Nose que incorpora o estilo minimalista para compor o piso e os equipamentos expositores

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Seguindo a mesma linha de criação da Bonton, a charmosa Serendipity brinda aos pais mais modernos com um espaço dedicado ao encontro de peças inusitadas que envolvem design e conceito. Vinda do universo vintage, a loja foi criada em 2004 com o objetivo de trazer um pouco dessa atmosfera para o mercado infantil. Por este motivo, a marca resolveu ocupar o que restou de uma antiga oficina, transbordando o espaço com elementos quase industriais para equilibrar o caráter lúdico dos produtos. Tentando cativar os clientes com seu charme e ecletismo, a multimarcas conta com um mobiliário que presa por elementos reciclados, como bancadas de madeira de demolição, baldes antigos, tijolos aparentes, além do cimento queimado que traz sobriedade à montagem e brinda os produtos com

um estilo nada comum para uma loja infantil. Para os pais que são fãs da atitude rocker e querem levar os pimpolhos vestidos conforme manda a cena, a divertida Finger in the Nose trás para o Marais parisiense uma loja cheia de estilo. Com foco em produtos que fogem das clássicas peças “fofinhas”, a marca conta com estampas e modelagens funcionais que traduzem para o universo infantil o estilo underground que permeia o imaginário da marca. No mobiliário, a sobriedade da madeira associada ao preto e branco criam pontos contrastantes que remetem ao minimalismo dos anos noventa. Para criar pontos de convergência, a loja ainda conta com um espaço onde os pais mais antenados podem pesquisar referências e comprar revistas de crianças vndas das mais diferentes partes do mundo.


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Capa

kids power

Fugindo de grandes burburinhos e com foco no mercado sustentável, a loja multiprodutos Les Biogosses tem como objetivo garantir um futuro ecológico para os pimpolhos desde o momento da gravidez. Buscando aliar um pouco mais de frescor para a vida das novas gestantes, a loja trás opções que aliam design e consciência social para garantir um crescimento saudável do rebento. Ali, produtos alimentícios de origem orgânica e com selos de garantia natural dividem espaço com roupas e acessórios que também seguem a mesma linha de pensamento. No mix de produtos, ainda é possível encontrar mamadeiras e utensílios de plástico desprovidos do tão temido bisfenol-A, além de cosméticos que não agridem a pele sensível dos bebês. Para a alegria dos pequenos, a loja conta também com uma sessão de brinquedos educativos e com uma atmosfera colorida que rememora o aconchego de casa de vó. No mobiliário, cômodas e mesas de segunda-mão são transformadas em expositores garantindo a continuidade da ambiência reciclável. Seguir o mote reaproveitável foi exatamente a preocupação dos fundadores do pequeno brechó Bambin Troc, que, buscando reutilizar o que ficou largado nos armários dos pequenos para as novas gerações, trás objetos que podem ajudar quem tem um orçamento apertado na hora de montar o enxoval do bebê. Lá é possível encontrar desde peças feitas por grandes grifes como Christian Dior até utilidades para o dia a dia com a criança, como cadeirinhas para carro, carrinhos de transporte e até berços. Tudo reaproveitado e com preços bem mais em conta do que se tivessem sido comprados novos. Para garantir que os papais que frequentam o espaço vão sair com a lista completa, a loja ainda conta com uma seleção de livros e brinquedos educativos além de aparelhos eletrônicos que podem ajudar na cotidiano, tais como aquecedores de mamadeira, babás e humidificadores. Seja explorando o mercado de luxo ou o de produtos orgânicos, a capital francesa mostra estar com a corda toda quando o assunto é mimar os pimpolhos. Tem para todos os gostos e bolsos também! 26

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ana gabi fotos: divulgação

Estimulando um cenário que transpira o universo infantil, a politicamente correta Les Bio Gosses trás o mote sutentável para todos os setores da vida do rebento

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knit cafés

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Reportagem

Mania de Do it yourself: motivados pelo mote do “faça você mesmo”, empresas espalhadas pelo mundo investem em espaços que evocam a cultura das linhas explorando a convivência e a troca de experiências Da Redação

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Ilustração: Juliana Calado


esse movimento, ganha diferentes formas de lugar para lugar e surpreende pela diversidade dos adeptos e das instalações produzidas. Pioneiros no assunto, o projeto londrino Knit The City começou de maneira despretensiosa em 2009, quando jovens universitárias resolveram reunir o grupo e convidar novos adeptos que se interessassem em deixar a cidade mais colorida. O burburinho ganhou a mídia e o varejo tomou emprestado esses elementos para criar espaços onde as pessoas pudessem, além de expressar suas aptidões artísticas, passar tempo trocan-

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Depois da popularização do conceito “Do It Yourself”, ou faça você mesmo, a quantidade de espaços dedicados ao aprendizado e experimentação com essas técnicas, que antes pareciam estar somente na cabeça de nossas avós, cresceu e ganha o varejo com formatos divertidos. A redescoberta dos novelos e agulhas, que ficaram por anos guardados no fundo do baú, se reverbera nas grandes metrópoles através de grupos de jovens que passaram a se reunir para realizar intervenções no espaço urbano utilizando agulha, linha e técnicas de tricô e crochê. O Yarnbombing – ou bombardeio dos novelos – como ficou conhecido

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Detalhe do espaço comunitário da charmosa Sweat Shop em Paris.

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do experiências e, é claro, criando. Populares nos Estados Unidos, os knit-cafés começam a pipocar pelos demais países no fim da última década, gerando pontos de encontro para os viciados em linhas oferecendo além de sofás confortáveis e cafés pra lá de luxuosos também cursos e espaço para convivência entre pessoas que optaram pelos trabalhos manuais como hobby ou mesmo como estilo de vida. Para gerar conveniência, a maioria desses ambientes já contam com estrutura de loja, fornecendo infinidades de tipos de linhas e agulhas, além de acessórios para produção e mimos que incrementem o kit de tricoteiro. E as manias não ficam por aí, a

turma de tricô-maníacos já possui até um point na internet onde as pessoas podem se encontrar e trocar experiências: o Ravelry. Criado há cerca de dois anos, o site funciona como uma espécie de Facebook, onde aficionados pela arte milenar podem intercambiar técnicas e até vender suas próprias criações, instituindo uma rede de contatos e também um novo modo de divulgar o trabalho. Indo no fluxo dessa corrente, a Sweat Shop de Paris tem foco na costura e nos elementos estruturais necessários para sua produção, tais como mesas de corte e máquinas de costura de alta performance. Inspiradas pelos cyber-cafés, onde os computadores podem ser


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usados conforme a necessidade dos usuários, as amigas Martena Duss e Sissi Holleis resolveram, então, trazer isso para o universo da costura, criando um espaço onde os visitantes pudessem produzir conforme sua necessidade através do aluguel de máquinas de costura por hora ou por dia. De acordo com as criadoras, a ideia surgiu a partir da simples percepção de que ter uma estrutura boa de costura é bastante oneroso. Não só pelo valor das máquinas, mas também pela demanda de espaço para se manter tal composição, visto que nas grandes cidades ter ateliês completos acaba sendo privilégio para poucos. O projeto ganhou corpo e hoje

conta com um ambiente onde criadores de diversas áreas podem, além trocar informações e formatar novas parcerias, desfrutar de uma área de café e chás, e também de uma programação de cursos diversos que vão desde aulas de costura e modelagem para iniciantes, até workshops de tricô para crianças e aulas de patchwork mescladas com aulas de inglês. Sempre observando o que acontece pelo mundo, a gigante dos departamentos Selfridges lançou mão do conceito DIT para introduzir em sua loja de Londres um corner que recebeu uma espécie de evento pop-up da Sweat Shop. Aberto durante os dez primeiros

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Fotos: daniel fonseca

dias do mês de setembro, o espaço se utilizou do formato de atendimento criado pela empresa francesa, para formatar um lounge onde as consumidoras da loja podiam aprender a realizar pequenos consertos e modificações nas roupas. Traduzindo esse universo para o contexto brasileiro, a recém-aberta Novelaria, de São Paulo, traz o charme destes espaços para a Vila Madalena, point dos descolados da capital. De acordo com Lica Isak, uma das idealizadoras do projeto, a ideia foi criar um espaço único e diferenciado dos já existentes em outros lugares do mundo. Para isso, um ambiente grande, como o galpão da

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Rua Mourato Coelho, foi extremamente importante para criar um recinto onde as técnicas pudessem ser estudadas e recicladas. Por estarem instalados em grandes centros, a maioria dos knit-cafés possuem um espaço pequeno para que tudo isso aconteça, afirma Lika. E este é o diferencial da Novelaria que, além de promover cursos e workshops sobre o tema recebe ainda eventos como a “Tricotarde” e o “Clubinho”, um projeto semanal onde os visitantes são convidados a dividirem suas experiências e até mesmo se iniciarem no processo de tricô ou crochê sob a tutoria das professoras do espaço, tudo de forma gratuita. Aparte dos cursos, a loja conta

com uma estante cheia de linhas das mais diferentes origens e apetrechos para quem quer se aprimorar na construção das tramas. Além disso, um encantador café convida para uma estadia mais prolongada e brinda os visitantes com bolos e quitutes preparados diariamente. Com foco em serviços diversificados e através observação de tendências mundiais, espaços como a Novelaria e a Sweat Shop surgem para provar que o regresso de elementos do passado como as técnicas de costura e tricô se aliam ao trabalho em equipe para conformar maneiras divertidas e funcionais de canalizar processos criativos em metrópoles cada vez mais diversificadas e multiculturais.


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espaços confidenciais

Fotos: divulgação

Reportagem

No aconchego do lar Seguindo o que fizeram jovens estilistas, marcas do segmento de luxo investem em espaços confidenciais que exploram contatos intimistas com seus clientes Da Redação No contra-fluxo da megalomania por espaços de venda luxuosíssimos e localizados em pontos estratégicos nas grandes vias varejistas, algumas marcas já investem em projetos despretensiosos que buscam encantar através da construção de ambientes intimistas e, na maioria das vezes, irreverentes. Num processo que se iniciou ainda na década de 1990, quando alguns estilistas começaram a apresentar suas coleções em seus próprios apartamentos, esse fenômeno atinge o mercado de luxo mostrando uma nova maneira de se vender e, melhor, de se 34

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criar vínculos com os consumidores. De olho nesse mercado desde 1996, quando inaugurou sua Westbourne House no bairro de Notting Hill em Londres, o estilista Paul Smith já conta com dois outros espaços que atendem os clientes com uma atmosfera caseira: um em Paris, ocupando um apartamento de oito cômodos na Rue du Faubourg SaintHonoré e outro em Tóquio, uma casa-boutique localizada em Aoyama, bairro residencial afastado dos grandes centros do luxo na cidade. No Brasil, alguns estilistas e desig-

ners já apostam nesse formato, como é o caso da marca catarinense Antonio Bizarro e da arquiteta paulista Moricy Lui Chaim, nome por trás da marca de móveis customizáveis Move Móvel. Após uma inflação das megastores e da busca por lojas com arquitetura imponente, outras vertentes do varejo fogem dos burburinhos e começam a aparecer nas cidades brasileiras inspirando diferentes conceitos e formas surpreendentes de criar novas experiências de compra em espaços que esbanjam estilo e intimismo.


De olho: ligado nas evoluçþes do mercado de luxo, o estilista Paul Smith jå aposta no modelo de lojas com cara de casa e localizadas fora dos grandes centros varejistas #3 | Shop Talk Magazine

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Reportagem

espaços confidenciais

Do alto da montanha Localizado em um casarão antigo no alto das Magabeiras, em Belo Horizonte, o ateliê de Julia Vale tem nas memórias seu ponto forte. Ao adentrar o espaço, o ar de montanha e a cara de casa de avó reverencia o visitante com uma atmosfera fresca e inspiradora. A estilista, que estudou comunicação, moda e já foi assistente do brilhante estilista dinamarquês Henrik Vibskov, sempre se envolveu em projetos multidisciplinares com o objetivo de trazer diferentes pontos de vista para a composição final. Do desenho de superfície ao design gráfico, Julia já fez parte de todo o processo criativo de moda em outras marcas da cena mineira e carioca. Com caráter interativo, já participou de projetos que envolviam tecnologia e desenho de novas experiências e também atua no campo das artes e ilustrações. Essa visão interdisciplinar é notada de forma bem evidenciada na Casa Ramalhete, que, além de receber o seu ateliê e loja ainda abriga projetos de designers, ilustradores, arquitetos, etc., e ainda conta com uma cozinha equipada para eventuais experimentações gastronômicas. No espaço dedicado à exposição das peças, caixas sobrepostas se transformam em móveis expositores que recebem também os acessórios feitos com o que restou de uma máquina de escrever. Num outro canto, o que aparentemente seria uma mesa museográfica se transforma num curioso expositor de acessórios inspirados pela arquitetura das ruas belo-horizontinas. Quando deixamos a casa, a ideia em torno do conceito do espaço volta a saltar aos olhos evidenciando uma vontade em se prolongar a estadia. A proximidade do verde, o clima de frescor, a forma dos objetos e das roupas, tudo parecer estimular a criatividade o tempo todo, promovendo uma experiência de varejo única e diferenciada. 36

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Das janelas ao piso, a Casa Ramalhete inspira criatividade e bom gosto na seleção dos elementos


Fotos: Daniel fonseca

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Reportagem

espaços confidenciais

Minimalismo no uso dos materiais e objetos decorativos compõe a arquitetura do ateliê da marca Antonio Bizarro, na Vila Madalena

Vila Madalena, sempre insipiradora Aberto em setembro deste ano, o ateliê do estilista catarinense Roberto Antonio Slusars, nome por traz da marca Antonio Bizarro, esbanja bom gosto e praticidade em uma charmosa casa da Vila Madalena em São Paulo. A ideia da marca, que surgiu em 2005 como um laboratório criativo guiado por um processo de moda autoral, ganhou corpo e hoje conta com showroom e coleções masculina e feminina que vão além das tendências. Com foco na construção minuciosa das peças, o estilista tem olho clínico e cria pensando nos aficionados 38

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em desing, sempre trabalhando com uma produção de peças exclusivas além de estampas divertidas, com traços fortes e contemporâneos que garantem o DNA da marca. Pensando em juntar o consumidor e o produto em uma atmosfera que inspira criatividade, a casa localizada no número 54 da pacata rua Agissê surge como catalizadora do processo. “Queria um espaço onde eu pudesse além de criar, receber fornecedores, compradores e amigos”, conta Beto, que sempre quis ter um espaço contemporâneo que exaltasse a jovialidade da marca.

De acordo com o estilista, concentrar tudo num só espaço facilita o processo criativo e ajuda a estimular a conexão entre cliente e marca, já que os visitantes são convidados a circular pela casa com tranquilidade e o espaço permite criar canais de promoção dessa relação através de eventos que poderão ser realizados futuramente. Seguindo uma tendência por lugares despretensiosos, espaços como o ateliê Antonio Bizarro surgem para evidenciar uma propensão a um consumo livre de amarras e cercado de momentos inesperados e singelos.


Fotos: Daniel fonseca

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Reportagem

espaços confidenciais

No ambiente que simula o quarto, os móveis customizáveis se conjugam com a versatilidade do espaço expositor

Fazendo praça Seguindo a linha menos é mais, o ateliê da Move Móvel em São Paulo ocupa um encantador apartamento localizado na praça Vilaboim onde os clientes são recebidos com cafezinho na cozinha e petiscos recém preparados. A marca, que surgiu com a ideia de criar um mobiliário que permitisse a customização, atua com uma equipe multidisciplinar para garantir um conceito diferenciado. De acordo com Moricy Lui Chaim, designer da marca, a ideia de ter o apartamento/showroom surgiu como uma forma de apresentar os produtos 40

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em um espaço que evocasse o prazer de estar em casa. Pensando nisso, as peças foram posicionadas nas duas salas principais em conjunto com os diferentes acessórios que podem ser acoplados à montagem, formando um móvel diferenciado. Tudo para provocar a sensação de exclusividade que é a cara da marca. Atingindo vários setores, a empresa conta com projetos realizados tanto para casa quanto para ambientes comerciais e eventos. “Personalizamos tudo de acordo com a vontade do cliente”, conta Moricy, que viu na customização uma

nova forma de despertar a atenção dos consumidores de mobiliário. Com foco no que vem acontecendo no mercado internacional, o ateliê da Move Móvel garante uma estadia agradável através da exploração de um universo que respira design e provoca a sinergia com o cliente em um ambiente que estimula o contato direto com o produto em seu “habitat natural”. Tudo com o objetivo de facilitar a identificação de associações positivas e, ao mesmo tempo, sugerir um modo inusitado de fazer compras em um ambiente que traduz o universo da marca de forma concisa.


Fotos: Daniel fonseca

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Especial

vintage

Uma

volta passado ao

Da Redação

Ilustrações: Virgílio Andrade

Criar ambientes que contrapõe a uniformização do varejo, levando elementos que exploram as memórias de seus consumidores, é, sem dúvida, a grande pedida de empresas que, fazendo uma releitura do passado, concretizam em seus espaços de venda um verdadeiro mergulho através das décadas.

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Especial

vintage

Alem dos brechos Com cara de antiquário, o charmoso À la garçonne encanta pelos detalhes cenografia elaborada Da Redação

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Reproduzir uma atmosfera dos anos 20 e 30 e contar uma história para emoldurar os produtos foi a ideia do designer Fábio Souza ao criar o À la Garçonne, uma mistura de brechó e antiquário que, utilizando uma curadoria de peças garimpadas em diversos lugares do mundo, encanta clientes pela sensibilidade da escolha das peças e pelo estilo reproduzido. Em busca de uma imagem fiel do mobiliário e dos adereços utilizados por uma loja que funcionou naquela época, Fábio vive em busca de novos objetos que possam agregar valor à produção e ao cenário da loja, já que tudo que está exposto está à venda. Dos lustres aos pequenos mimos da decoração, tudo pode ser admirado e levado para casa. A ideia é fazer

com que o cliente encontre quase tudo para criar um estilo próprio: dos acessórios e peças de roupa para o dia a dia até a mesinha de canto e o cachorrinho de porcelana que decora a prateleira com os livros. Lá, os aficionados pelo vintage podem encontrar além de roupas e acessórios, poltronas, tapetes, abajures e até bonecas antigas. Tudo mesclado em uma atmosfera envolvente que é potencializada pela charmosa casa onde a loja está instalada. Para completar o clima, o espaço conta com uma cristaleira repleta de produtos de beleza da clássica Granado e também com um quarto dedicado à marca Alcides e Amigos, projeto que iniciou Fábio pelos ca-

minhos da moda e que apresenta peças elaboradas a partir de roupas de segunda mão, incluindo novas modelagens e estampas exclusivas. Para os viciados em camisetas, o espaço conta com uma seção dedicada às peças com estampas de banda e ainda uma parte paraos pequenos, garantindo que os papais mais conscientes podem vestir os pimpolhos com estilo e sem gastar muito. Fugindo dos clichês que se incorporam nos lugares que escolhem o vintage como formato de negócio, o A la Garçonne brinca com as sensações dentro do ponto de venda com frescor e criatividade, levando os visitantes por um túnel do tempo cheio de histórias e provocações. #3 | Shop Talk Magazine

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Especial

vintage

Com acucar, com afeto

Aconchego e apelo kitsch transpiram frescor e intimismo na charmosa casa do estilista Tony Jr.

Da Redação

Imagina o cheiro do café recém passado e o perfume de uma tarde de sábado no fim do inverno associados ao charme despretensioso dos antigos sobrados da Vila Mariana, em São Paulo. É essa atmosfera que encontramos ao visitar a loja, ateliê e casa do estilista Tony Jr. Fruto de uma obsessão pelo vintage, o acervo de Tony conta hoje com peças de roupa, acessórios, móveis e objetos de decoração, que transbordam as décadas e dividem um espaço cheio de identidade e estilo. Da fachada pintada de pink à cozinha transformada em uma pequena 46

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área para café, tudo é pensado para inspirar uma estadia mais prolongada. Nas araras e móveis expositores, a acumulação é transformada em referência e os visitantes são convidados a explorar cada pedaço da loja, numa divertida aventura pelo tempo. De camisetas de propaganda até peças de luxo, como um tricô Yves Saint Laurent, passando pelos sapatos da Mara Maravilha assinados por Lino Vilaventura, cada peça colocada ali dentro tem uma história para contar. “É preciso selecionar muito”, afirma Tony, que recebe sacolas e mais sacolas diariamente para avaliação. Isso se deve

ao fato de que o mercado vintage cresceu muito nos últimos anos e a procura por objetos originais das décadas passadas tornou-se mais rigorosa. Ainda para completar a sede de novidades, o segundo andar da loja conta com um espaço dedicado aos stylists e produtores de moda. De acordo com o estilista, foi o amigo e stylist Daniel Ueda quem deu força para que ele organizasse o acervo para facilitar o acesso. Como foco na concepção de um espaço despretencioso, a loja de Tony brinda a Vila Mariana com um ambiente onde modernidade e passado convivem em perfeita harmonia.


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A gigante do vintage Organizando o caos que normalmente impera nas lojas de segunda mão, a Blitz de Londres brinca com a setorização do layout para criar convergência no ponto de venda Da Redação

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Dando um passo além das disseminadas lojas de segunda mão, a Blitz Vintage Department Store de Londres surge como uma nova forma de abordar o mercado de produtos de segunda mão trazendo dentro de um único espaço produtos especialmente selecionados que vão desde roupas e acessórios até móveis e peças de decoração. A grande pedida da loja é a organização e a preocupação com a setorização do layout, sempre na tentativa de guiar os clientes pelo percurso e, mais, se contrapor ao caos que normalmente costuma imperar dentro dos brechós. Para isso, cada tipo de produto é agrupado de acordo com sua seção, garantindo um zoneamento de piso que segue o padrão das grandes lojas de departamentos. Aberta em agosto deste ano e com foco no segmento de luxo, o espaço já causou


burburinho nos blogs especializados e ganhou a alcunha de Harrods Vintage, fazendo alusão à maior loja de departamentos da cidade. De acordo com John Howlin, um dos administradores do espaço, a ideia foi criar uma sinergia entre os produtos e os clientes de forma harmoniosa. Para isso, a loja conta com um café instalado em um carro antigo, livraria e espaço para eventos, tudo pensando na interação constante com os frequentadores do lugar. Com foco em produtos de designers internacionais, a loja mescla as peças que exalam bom gosto e vai na contramão da massificação das lojas com foco no vintage, garantindo frescor e espírito novidadeiro para o setor na cena varejista da capital inglesa.

O espaço, que respira cultura jovem, conta com uma programação diferenciada que trás DJs e eventos da cena londrina para criar interação entre produtos e clientes #3 | Shop Talk Magazine

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Especial

vintage

Coisas de macho Barbearias se utilizam do conceito vintage para criar novas formas de atrair o público masculino Da Redação

Da Redação

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Tentando recuperar aquilo que sobrou das clássicas barbearias, empresas espalhadas pelo mundo investem em elementos que rememoram os tempos áureos da estética masculina trazendo para dentro de seus ambientes todo o charme e estilo das décadas de 40 e 50. Fugindo dos clichês, a marca de produtos masculinos Baxter Finley da Califórnia vem há 45 anos prezando pelo estilo clássico associado às técnicas tradicionais da barbearia. Presente em vários países, a marca abriu no ano passado o seu primeiro salão prezando por um design inspirado nas clássicas barber shops americanas associado a elementos da arquitetura moderna. Tudo isso para emoldu-


rar bem os produtos e garantir o frescor do merchandising interno. Com foco no estilo de vida dos clientes, a nova-iorquina Blind Barber convida para uma estadia mais prolongada. Em uma casa ao lado do salão principal, os visitantes podem desfrutar de um bar onde deliciosos drinks são servidos acompanhados de uma atmosfera que remete às nostálgicas tabacarias, com direito a sofás de couro e um cardápio de pizzas para aguardar a vez de ser atendido. Seguindo o modelo americano, a Barbearia 9 de julho em São Paulo já faz a cabeça dos paulistanos provando ser um verdadeiro santuário para os cavalheiros. Depois do boom da cultura vintage na moda, nada mais natural que áreas correlatas, como a da beleza, se utilizem desses elementos para atrair clientes e criar novos modos expor os produtos e serviços. Utilizando elementos que remetem às épocas passadas com criatividade esses empreendimentos ganham visibilidade nos principais centros provando que o futuro é old school. #3 | Shop Talk Magazine

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Especial

vintage

A galeria do indie Com cara de ateliê, a 3x1 de Nova York cria calças customizadas com materiais que agradam a todos os gostos Por Erika Herrera* Grandes, pequenas, boêmias ou simplesmente estranhas, todas concentradas em um só lugar. Não sei o que vocês estão pensando, mas me refiro à Afflecks, um centro comercial dedicado ao indie britânico. Localizado no Nothern Quarter de Manchester, o espaço aferece um ambiente alternativo ao mainstream, onde o vintage, o bizarro e o handmade se convergem e vibram a cada esquina. Com quase setenta lojas, o lugar oferece uma experiência de compra fora do comum. Cada um dos ambientes possuem um design próprio e original que expressa o conceito de cada loja e também a personalidade de quem está por trás delas. Por este motivo, ao andar pelos corredores abarrotados e subir os três pisos do edifício já é possível saber que se encontrará coisas cada vez mais inusitadas ao longo do percurso. Espaços como Alyssa&Melissa, Retro Play, Vagabond & Vintage Vinyl, Me&Yu, etc., valem a pena de serem visitados pelo tempo e pela criatividade investida para provocar um verdadeiro ambiente de varejo em tão pouco espaço. Além disso, cada loja oferece produtos únicos e lá possível encontrar desde roupas vintage e feitas à mão, até bonecas de coleção e um Atari em perfeitas condições. Visitar a Afflecks representa, desta maneira, uma oportunidade para se submergir em um mundo singular, onde o vintage tem um papel predominante. É uma experiência de compra enriquecedora que você não pode perder! *Érika Herrera é editora do blog theshopwindow.wordpress.com

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A estética rocker, que é a cara dos britânicos, aparece aqui associada ao universo vintage para rememorar os tempos áureos da era punk, quando a galeria foi idealizada #3 | Shop Talk Magazine

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Pelo Mundo

Nova york

A virada da moda Alçar o inesperado e garantir posicionamento de marca foi a grande aposta das vitrines nova-iorquinas para se destacar na divertida Fashion Night Out. Fotos: Maria Day* e Dolores Nocito**, de Nova York Das lojas inspiradas no universo vintage às grandes maisons da quinta avenida, as lojas da Big Apple se revestem de elementos inusitados e de ações diferenciadas para ganhar a atenção do consumidor disperso entre os brilhos da maior metrópole americana. Sucesso entre os americanos, o Fashion Night Out, ou FNO, acontece há três anos e alcançou nesta edição mais de duzentas cidades pelo mundo e cerca de mil pontos de venda somente em NY, provando a grande importância que o evento representa para a movimentação do varejo local. Com uma programação vasta, os nova-iorquinos foram convidados a interagir com as marcas o tempo todo, seja através das vitrines, que foram pensadas em consonância com o evento, ou por meio das palestras, workshops, e ações que aconteceram ao longo da virada. Algumas ações, como uma seção de tatuagens temporárias de Diane Von Furstenberg para a Bloomingdale’s e o corner de customização da Louis Vuitton, também surgem para mostrar a preocupação das marcas em envolver o consumidor com novas experiências e movimentações inusitadas que pregam o bom humor e irreverência.

*Maria Day é editora do blog beautifulwindowdisplays.blogspot.com **Dolores Nocito é pesquisadora de tendências @loli_nocito

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Cores e geometria Destaque para as vitrines da Anthropologie que investiu na referência color block associada a elementos da pop-art e madeira, garantindo um tom inusitado à montagem.


Fotos: maria day

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Pelo Mundo

Nova york

Abaixo e Ă direita, a divertida vitrine da Lanvin que brinca com os diversos formatos de bigode e barba para emoldurar os produtos da linha masculina

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Fotos: dolores nocito

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Pelo Mundo

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Nova york

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A onda da Nike Buscando criar pontos de contato com o cliente fora das lojas, a Nike investe em espaços que buscam explorar elementos da arte urbana Da Redação

Fotos: Dolores Nocito

A instalação simula uma onda criando um paradoxo entre o surfe e o skate, entre o natural e o urbano

Aberto desde maio de 2010, o Nike Bowery Stadium em Nova York é sede de projetos artísticos e eventos culturais da marca, além de ponto de encontro entre os participantes de diversas áreas do universo esportivo. A nossa colaboradora portenha Dolores Nocito, em viagem aos EUA, visitou o espaço e trouxe fotos da instalação “A onda”, que esteve presente durante todo o verão propondo um paradoxo entre o surfe e o skate, a natureza e a cidade.

Celebrando a cultura urbano, o espaço conta com um mix de produtos exclusivo e com uma estação de customização onde os visitantes podem criar camisetas inspiradas pela arte urbana e ainda recebê-las no conforto de casa. Buscando sinergia na programação de verão, o estádio recebeu apresentações musicais, palestras, filmes, etc., e, claro, lançamento de novos produtos na tentativa de garantir a proximidade entre marca e consumidor de forma despretensiosa e interativa. #3 | Shop Talk Magazine

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Pelo Mundo

dublin

Com classe cenográfica Revestidas da classe do consumidor britânico, as vitrines de Dublin exalam frescor e tons sóbrios para emoldurar a coleção outono/inverno 2012 Fotos: Bruno Fernandez*, de Dublin

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O charme clássico e as cores em tons neutros (quase obscuros) marcam as vitrines de inverno da capital irlandesa, que, com foco na iluminação museográfica, chama a atenção em montagens impecáveis e cheias de estilo. Cenografias detalhadas e uso de cores na medida certa se conjugam a spots de luz bem posicionados para criar o ar dramático das vitrines espalhadas pelas ruas de Dublin. Com foco no produto, as montagens minimalistas dão lugar a uma interação maior com o consumidor e exploram o uso de manequins

para emoldurar as peças com maior intimidade e realidade. De olho nas tendências internacionais, manequins em movimento e com membros articulados facilitam a mobilidade e a simulação de situações com maior autonomia, garantindo jogos visuais mais interessantes. Pensando na interação no meio online, a popular Ted Baker convida os seus usuários a experimentarem um novo tipo de promoção através do uso dos já disseminados QR Codes. Por meio de um aplicativo de celular, os consumidores atraídos pelas

vitrines podiam acessar um hot-site e concorrer a uma viagem com acompanhante para algum destino do mundo fashion: NY, Paris ou Londres. Buscando criar um clima que inspira e respira compras, o varejo da capital irlandesa se reinventa para criar ambiências que resvalam o ar clássico do consumidor local com frescor, fugindo dos clichês e utilizando a cenografia comercial a favor da comunicação direta com o público final. *Bruno Fernandez é designer gráfico e fotógrafo

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Pelo Mundo

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dublin

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A pedida Ê movimento Manequins em movimento garantem uma apresentação diferenciada do produto e se configura em uma ótima pedida para as marcas que optam por vitrines mais comerciais. #3 | Shop Talk Magazine

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Pelo Mundo

paris

Planejando a experiência O varejo parisiense se reveste de estrutura e planejamento para facilitar a experiência de compra em todos os cantos de suas lojas Fotos: Ana Gabi*, de Paris

Pioneira do varejo fast-fashion, a sueca H&M investe na organização interna para garantir o caminho percorrido pelo cliente através do uso de pontos quentes e da cenografia interna, sempre com o objetivo de promover a sinergia entre o ambiente externo e os caminhos internos da loja. Nos ambientes em reforma, que normalmente se converteriam em espaços de confronto, a loja brinca com a comunicação visual e provoca o consumidor com frases que reiteram o universo da moda com bom humor. Trasladando para o universo do luxo, a suntuosa Galeries Lafayette mescla os universos das marcas em corners que inspiram glamour e jogam com os produtos utilizando displays e técnicas de exposição por cores. Destaque para os expositores de sapatos da Dior que, através do trabalho com as alturas, estimulam o aspecto visual e guiam o cliente em uma sequência de estilos e cores ali dispostos. No espaço dedicado à italiana Prada, o uso de manequins dá maior interatividade com o produto, confirmando a tendência de trend points no piso de venda para provocar maior interação com o consumidor e permitir a venda casada dos produtos. Do segmento de luxo aos corredores das lojas do varejo fast-fashion, os ambientes de venda se estruturam através de planejamentos cada vez mais elaborados para permitir uma experiência de compra fluida e sem barreiras. *Ana Gabi é filósofa e estudante de Física Quântica em Paris

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Estampas e padrões Mesclando peças estampados em uma mesma arara, a italiana D&G se utiliza da tendência color block (que foi utilizada na coleção) para garantir a segmentação e provocar uma maior “leitura” de produto.

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Pelo Mundo

são paulo

Verão de contrastes Da explosão de cores ao minimalismo, das marcas nacionais às gringas, São Paulo respira a criatividade do verão 2012 Da redação Confirmando o que se viu nas passarelas do Fashion Rio e do SPFW, as vitrines da Oscar Freire e adjacências se revestem de cores fortes e texturas para anunciar (e emoldurar) produtos que têm a cara do verão brasileiro. De olho no que rolou de interessante no mercado internacional, a dasluzete 284 investe no splash de cores para provocar o olhar de quem passa por ali com elementos que remetem à pop-art e ao espírito jovem que é a cara da marca. Seguindo a mesma linha, as gringas Marc Jacobs e Nespresso se utilizam dos jogos de cor para criar movimento no espaço expositivo e jogar com elementos que estão em voga no mercado nacional. Destaque ainda para a brasileira Arezzo, que abusou das cores dos produtos e utilizou displays com alturas diferenciadas para criar as ondas que inspiram a coleção, e para a classe de Tufi Duek, que explorou as cores usando adesivos e introduzindo trend points no interior da loja, seguindo a tendência de manequins pretos e laqueados confirmada nas principais vitrines internacionais. Na contramão das explosões de cores, a Galeria Melissa se reveste da monocromia oriental de Jason Wu para criar ambientação para produtos que saltam aos olhos. Explorando as texturas, as vitrines da Maria Bonita e da Mara Mac focam no minimalismo e nos jogos óticos para apresentar os produtos da nova estação. Por meio do uso de cores, texturas e elementos diferenciados, a criatividade das marcas que habitam a região dos Jardins, em são Paulo, parece não ter limites, mostrando que empresas brasileiras e internacionais sabem dividir o espaço com elegância e bom gosto. 66

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Pelo Mundo

são paulo

Nas vitrines do Bom Retiro a preocupação com os manequins e a forma de apresentação revelam o poder do varejo local e mostram que as marcas da região primam pela criatividade

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Pelo Mundo

belo horizonte

Pequenas revoluções O varejo da capital mineira se reinventa para receber novos negócios sem perder o carisma e o “jeitinho” que é a cara da cidade Da redação

O velho ditado que diz “mineiro come quieto” parece se repetir também no setor varejista de Belo Horizonte. Do histórico Mercado Central às lojas de luxo do bairro de Lourdes, a borbulhante capital tem inovado para atrair clientes e investimentos. A revitalização do centro da cidade mostra a preocupação dos comerciantes em manter o saudosismo e o calor do atendimento mineiro. No nostálgico Mercado Central, agora com novas lojas e mercearias que 70

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se preocupam com a disposição dos produtos, as cores se misturam às formas e aos cheiros propondo uma experiência única ao visitante. As lojas de artesanato se revestem de recursos de iluminação e exposição para agradar turistas e nativos. No coração da região de Savassi, as lojas foram redesenhadas para receber as novidades que se instalam na região. O projeto de transformação de algumas ruas em uma espécie de boulevard anima lojistas, clientes e investidores, que

começam a perceber o bairro como um promissor veículo de negócios. Fugindo das grandes aglomerações, novos projetos, como a loja Cupcake, se utilizam de conceitos contemporâneos para propor outras formas de interação entre consumidor e espaço comercial. Passo a passo, BH se reestrutura provando que a mescla entre o saudosismo do passado e o brilhantismo do futuro podem, de fato, trazer um crescimento maduro para a capital.


Artesanato com estilo De olho no varejo promissor de produtos artesanais, as pequenas lojas do Mercado Central se utilizam de técnicas de exposição para garantir a percepção positiva dos clientes #3 | Shop Talk Magazine

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Pelo Mundo

belo horizonte

O coração da Savassi Point dos descolados da cidade, a região da Savassi trás lojas diversificadas que correspondem ao estilo esclético dos consumidores que circulam por ali. Street art e mesclas entre urbano e rústico estão presentes na constituição dos charmosos espaços que compõe a região 72

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Opinião

online visual merchandising

Em busca dos

e-consumi dores Seguindo a explosão de informações que atingem o consumidor moderno, empresas do varejo de moda percebem no e-commerce uma nova forma de estabelecer conexões positivas e gerar venda Por Tainá Busato*

Araras, manequins, displays, roupas dobradas, roupas no cabide, ter ou não vitrine, uniforme da equipe, sacola, estoque e inventário, odorisador de ambiente. Estes elementos permeiam o dia-a-dia do Visual Merchandiser, tanto no planejamento da abertura de uma loja física de moda quanto na sua manutenção diária. Sabemos que o papel deste profissional é apresentar o produto de modo que ele seja valorizado pelo consumidor, além de promover e reforçar a identidade da marca, criando um ambien74

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te envolvente e receptivo para a compra (em outras palavras, o consumidor não pode sair da loja sem comprar nada!). Lentamente, as marcas de moda (inclusive as de luxo), estão percebendo uma oportunidade no comércio eletrônico (ou varejo online) para expansão de seus negócios. O que antes era considerado um varejo para as massas, com zero de exclusividade e prato cheio para golpes, fraudes e pirataria, hoje é visto como um canal onde se consome de verdade. E os econsumidores estão cada vez mais exigentes (e gastando cada vez

mais)! Segundo a e-Bit, esse segmento faturou 5% dos 14,8 bilhões de reais do varejo online em 2010. A categoria “Moda” é uma das que mais cresce no Brasil, e em países como Estados Unidos e Reino Unido essa é a categoria que mais fatura no comércio eletrônico. Nos primórdios do varejo online (de 15 anos para cá), o layout das páginas eram simples, retos e verticais e os produtos se resumiam a uma imagem em baixa qualidade, seu título, o preço (às vezes a quantidade de parcelas) e um botão “comprar” gritante. O que era


usual acabou virando benchmark, mas sem nenhum motivo aparente (em minhas conversas com colegas do comércio eletrônico ouço muito “é porque o e-consumidor está acostumado a esse modelo, não podemos mudar para não complicar a vida!”). Tente se lembrar as últimas 3 lojas virtuais brasileiras que você acessou. Elas não eram parecidas? Banner com animação na home page, grade de produtos embaixo e linguagem massificada? Voltamos à moda online. Hoje existe uma preocupação das em-

presas de moda em manter a sua comunicação de marca coerente e em sintonia nos meios online e offline. Dessa forma, as lojas virtuais de moda pedem atenção especial ao Online Visual Merchandising, a apresentação da loja virtual de moda que visa promover a melhor experiência de compra e navegação possível ao usuário, envolvendo branding, design da interface e produto. Este novo conceito é a chave para transmitir a confiabilidade da marca e conquistar a fidelidade do econsumidor (que pode ser ou não um consumidor offline antigo).

O que antes era prato cheio para um varejo cheio de fraudes, hoje se converte em um canal onde se consome de verdade

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Opinião

online visual merchandising

São muitas as “tarefas” que envolvem o OVM no ecommerce de moda, desde a elaboração do mix de produto, produção das imagens de produto e estilo, produção e programação de vitrines, definição do tipo de linguagem textual, sugestão de produtos complementares, packaging, e a constante melhoria do fluxo de navegação. São atividades que tornam a loja virtual de moda viva, dinâmica, orgânica e, principalmente, confiável. A Daslu, referência em li76

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festyle de luxo no Brasil, lançou em agosto de 2011 sua primeira loja virtual - e terceira loja própria. O foco da operação online está nos produtos com a etiqueta Daslu, entre eles, roupas para homens e mulheres, artigos para a casa, enxoval infantil e uma linha de presentes diversos. O públicoalvo, formado por homens e mulheres “inteligentes, bem sucedidos e exigentes” provavelmente já conheciam a Daslu antes da abertura deste novo

canal, mas muitos outros consumidores experienciarão uma compra na marca pela primeira vez. O bom trabalho de OVM no site da Daslu é pensado para estes dois públicos, reforçando a identidade da marca e apresentando de forma convincente os seus produtos. Layout: Home Page e Vitrine Segundo Alessandra Scholl e Patrícia Cunha, Gerentes de Produto e Marketing da Daslu, o layout e a interface da loja vir-


tual têm inspiração na própria marca - tradição e sofisticação e no universo antenado em que ela está presente - modernidade. O objetivo principal da loja virtual é apresentar fielmente os produtos, evidenciando-os através de um design clean: cores neutras (branco, preto e cinza) e formas retas. Estas características estão presentes em toda a navegação da loja virtual. A Home Page da loja virtual da Daslu segue a tendência do estilo “site-revista”, onde é apresen-

tado uma bela imagem editoral de moda ao invés da tradicional “grade” de produtos. Cunha explica que as imagens da Home Page são da própria revista impressa Daslu, assim os dois canais (online e offline) mantêm-se em sincronia, reforçando a imagem da marca e seus atributos – sofisticação, qualidade e inovação – que também pertencem aos produtos da Daslu. O foco no aspecto clean é visível na vitrine de produtos. Apesar do convencional estilo “grade” ter sido escolhido como

modo de exibição, ele difere da grade de uma loja virtual comum: o nome e o preço do produto só aparecem quando se passa o cursor em cima da imagem. Assim, toda a atenção do usuário é na imagem (atributos e qualidades) do produto e não no preço dele (o público da Daslu é pouco sensível ao preço). Produto: O tangível online “Luxo” é a palavra que mais define a Daslu e seus produtos. Como em uma loja #3 | Shop Talk Magazine

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Opinião

online visual merchandising

As linhas clássicas que compõem os ambientes internos da loja física da Daslu foram reinterpretados para dar continuidade na comunicação online

desse segmento, os produtos devem sempre estar expostos de maneira nobre e especial. Nas lojas físicas da Daslu, você não verá pilhas amontoadas de tricôs ou araras com vestidos amassados. Na loja virtual a preocupação de como o produto é exibido é ainda maior, pois o consumidor não pode experimentálo no corpo e deve levar em conta apenas as informações disponíveis no site. Alessandra Scholl conta que 78

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a Daslu investiu em um estúdio fotográfico de alto padrão e contratou profissionais especializados para fazer as imagens e a pós produção das mesmas. “Nossa preocupação é com que as imagens estejam o mais próximo possível da realidade, para que o cliente tenha a segurança de que vai receber aquilo que está vendo/comprando” completa Scholl. Tanta preocupação com as imagens tirou o foco da produção de textos descritivos român-

ticos dos produtos, parte integrante de um bom OVM. Não são todos os produtos do site que tem uma descrição completa: informações técnicas, românticas e dicas de como usar. Também não há na página de produto uma tabela de medidas, ferramenta importante para a conversão do cliente e redução de custos com logística reversa (troca e devolução do produto). Apesar da falta dessas informações na página, a Daslu disponibiliza um telefone para o consumidor tirar todas dúvidas


A rainha do e-commerce referentes a produtos e estilo (mas não deixa claro qual é o horário de atendimento desse telefone). A Daslu adotou o cross channel como diferencial em sua estratégia de penetração do varejo online. O consumidor que adquiriu um produto no ecommerce pode trocá-lo em uma das lojas físicas da Daslu – ou experimentá-lo e depois comprá-lo na loja virtual dentro da própria loja da Daslu (sim, você pode fazer isso). Scholl e Cunha explicam que esta prática foi adotada para conferir ao consumidor a maior praticidade possível e também evitar conflitos internos com vendedores e colaboradores. Em termos de Visual Merchandising e Online Visual Merchandising, essa prática incrementa a experiência da compra e promove a interação dos dois canais de varejo. Apesar de ser uma ciência nova no dia-a-dia do profissional de varejo (online e offline), o Online Visual Merchandising é parte integrante da estratégia de inserção de uma marca no ecommerce. No caso da Daslu, uma marca de moda de alto luxo brasileira, não faz sentido a adoção de uma plataforma de baixa customização (você imagina como seria se ela tivesse a mesma interface do Submarino.com, por exemplo?), que não permitisse que ela transmitisse suas qualidades de marca com credibilidade. Além disso, a internet é mutante, as técnicas melhoram, as práticas evoluem e o econsumidor brasileiro vai exigir mais de sua experiência de compra online e a loja que não o atender vai cair no esquecimento. *Tainá Busato é especialista em OVM e consultora de varejo eletrônico

Pioneria do varejo online de moda, a britânica ASOS garante a proximidade com cosumidores nas redes sociais

Já conhecida entre os britânicos, a campeã do varejo online ASOS vem conquistando o mundo virtual e também a cabeça de jovens consumidores espalhados pelo globo. De olho nos mobile shoppers, ou compradores móveis, a empresa já aposta em novos modos de manter contato através de dispositivos que envolvem mídias sociais. Em janeiro deste ano, a marca criou um app em parceria com o Facebook que permite com que os usuários possam comprar os mais de 150 mil itens na loja online sem sair da página da rede social, garantindo uma interação constante. A promessa é que o faturamento seja superior ao de dezembro passado, quando a marca atingiu 3% de seu faturamento através de vendas via celular. Acima, print do aplicativo do Facebook onde os usuários são incitados a navegar pela loja

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DNA Brasileiro

addict

Praia e concreto Mesclando elementos que remetem ao natural e ao urbano, a marca carioca Addict revela o lado cool da juventude carioca

fotos:divulgação

Da Redação

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Quando o viciado em surfe João Melo Leitão resolveu criar, com a ajuda dos amigos, um adesivo para identificar a turma que pegava onda num trecho da praia de Ipanema no Rio de Janeiro, ele não imaginava que o símbolo se converteria no que hoje é a Addict, um point de encontro entre a moda e o lifestyle praiano e descolado dos cariocas. João conta que no começo a aceitação dos adesivos pelos amigos foi tamanha que ele resolveu ampliar os negócios e criou uma coleção de camisetas com estampas desenvolvidas pelas pessoas que frequentavam o seu círculo de amizades. A marca foi então desenhada e ganhou o varejo com duas lojas no bairro Leblon, sempre contemplando o espírito com o qual foi criada. A gama de produtos cresceu e hoje atende adultos de ambos os sexos e conta com linhas e desenhos exclusivos. Para criar uma sinergia entre a marca e o ponto de venda, elementos bucólicos associados à vida na praia foram mesclados com concreto e jogos urbanos para criar uma atmosfera única. No mobiliário, peças garimpadas e recicladas provocam o visual e trazem o cliente para o universo sustentável da marca. Na lista de colaboradores, que conta com designers, ilustradores, fo-


Os móveis e elementos decorativos respiram o lifestyle contemporâneo da marca

tógrafos e também surfistas, está sempre focada no aspecto multidisciplinar dos processos criativos. Contando com um braço artístico, a marca produz ainda peças de design como luminárias, mesinhas de centro, pranchas e skates, todas com a garantia de uso de matéria-prima reciclada. De olho no design de experiência, a marca promove eventos que provocam a interação com os espaço urbano e focam em atrações que conversam com as coleções e, claro, com o cliente que é a cara da marca. Pensando em participar da vida do seu consumidor, marcas como a Addict provocam os varejistas a pensarem em estratégias integradas de marca que foquem tanto na qualidade do produto quanto na história que é contada dentro e fora do ponto de venda, sempre tendo o DNA da marca com epicentro. #3 | Shop Talk Magazine

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Shop Talk Magazine #3  

Revista especializada em visual merchandising, vitrinismo e interiores comerciais, editada em língua portuguesa. Nesta edição: kids power, v...

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