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Com os olhos no céu da boca

Cultura e hábitos alimentares brasileiros a partir da produção fotográfica autoral contemporânea Curadoria: Sheila Oliveira


Sheila Oliveira. SĂŠrie Eterna Novidade do Mundo, 2015

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Com os Olhos no CĂŠu da Boca


Apresentação Sou artista visual e fotógrafa profissional. Nos últimos vinte e cinco anos venho trabalhando com fotografias de alimentos em estúdio. Além da realização objetiva do meu ofício em torno da construção de imagens para a indústria do alimento, o meu interesse foi, pouco a pouco, se tornando intrinsecamente poético. Desse modo, em 2015 surgiu a série autoral Eterna Novidade do Mundo, em que investigo como nos relacionamos com os alimentos, expandindo o olhar através dos sentidos, com a intenção de tentar compreender emocionalmente os frutos e alimentos nativos. Passei não só a produzir meus trabalhos, como também a pesquisar os artistas que lançavam seus olhares objetivos ou subjetivos para o universo da alimentação. Entre tantos que me arrebataram, as pinturas de Albert Eckhout, com frutas e vegetais típicos do Brasil, foram muito estimulantes. E assim, foi sendo construída a ideia de reunir um primeiro grupo de artistas para uma exposição, com ênfase na imagem fotográfica contemporânea. Procurei integrar grande diversidade de proposições, desde as mais intimistas até as de envolvimento coletivo e social, entre contextos de cultivo, consumo, costumes, memórias afetivas e tantos outros sentidos visuais e simbólicos, expandindo meu entendimento sobre a alimentação: fisiológica, emocional, mental, espiritual. Foram doze artistas escolhidos e convidados para esse momento: Ana Almeida, Ana Póvoas, Anais-karenin, André Douek, Claudio Edinger, Cris Bierrenbach, Edu Simões, Elias Muradi, Estefania Gavina, Gustavo Lacerda, Sandra Bacchi e Vivian Cury. Sejam bem-vindos e nutridos de todo afeto e poesia.

Sheila Oliveira, curadora desta exposição

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Claudio Edinger

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“Bala, bolo, macarrão, ovo Sabotagem, ansiedade, cansaço, ausência Edinger enquadra, mobiliza Põe luz na cara e ilumina traços insanos Fome emocional, social Inconsistências alimentares”

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Madness Em 1989, o fotógrafo Claudio Edinger passou seis semanas fotografando os pacientes do Hospital Psiquiátrico do Juqueri, em Franco da Rocha (SP). Deste período, Edinger passou três semanas morando na seção dos enfermeiros. As condições gerais eram terríveis, mas Edinger procurava ignorá-las. Afinal, este é mais o papel da imprensa e não do artista. O artista não responde questões. Edinger nos lembra a máxima do filósofo Sir Francis Bacon, que diz: “a função do artista é aprofundar o mistério”. O artista está mais interessado na pesquisa profunda do que é loucura. Segundo Edinger, “para evoluirmos é importante mostrar o que acontece. O papel do fotógrafo, o papel do artista é levantar questões. É melhor mostrar do que não mostrar. É melhor saber do que ignorar. É melhor ver do que fingir que certas coisas não existem. Um problema apresentado eventualmente será resolvido. Um problema ignorado não tem solução.”

www.claudioedinger.com

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Claudio Edinger. SĂŠrie Madness, 1989

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Claudio Edinger. SĂŠrie Madness, 1989

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Ana Póvoas

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“Quando o luxo da simplicidade nos captura, a cor da vida floresce. Faz brotar bananas doces, doces bananas e doces de banana. Brota ainda um vermelho quente, no chão de terra, no pó xadrez, na chita. A cozinha é o coração de uma casa. Lá está nossa identidade lavada, pura. Ana Póvoas compartilha esse lugar do sensível, das transmutações, das afeições. Lugar de comunhão, de compartilhar, pertencer, simplesmente ser.”

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A Casa do Ser Na série A Casa do Ser, Ana Póvoas retrata o cotidiano e a casa de Dona Nica, produtora de bananas do povoado de Furnas, em Pirenópolis (GO). A sequência de imagens faz parte de uma experiência artística de Ana, que representam a poética do íntimo e do comum, que se faz presente nos ambientes da casa, no caráter biográfico de seus objetos e nas pessoas que a habitam. Trata-se de uma obra de um valor documental inestimável, já que revela cultura, identidade e memória.

anapovoasfotografia

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Ana Póvoas. A Casa do Ser- publicação de 2017

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Ana Póvoas. A Casa do Ser - publicação de 2017 Com os olhos no céu da boca | 17


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Ana Póvoas. A Casa do Ser - publicação de 2017 Com os olhos no céu da boca | 19


André Douek

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“Nossa metrópole também nos nutre, nutre especialmente nossas experiências. Sim, há toxinas por todos os lados, mas há também frutos ricos em movimentos, que saciam nossa sede de ver, saber e sentir. Douek vem colhendo imagens da cidade, ingredientes para sua receita poética. Nesta exposição, ele nos alimenta com imagens do bairro Bom Retiro e pitadas de comida de rua na década de 1980”.

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Bom Retiro 1982 Durante todos os dias de julho de 1982, o fotógrafo André Douek percorreu as ruas do Bom Retiro com o objetivo de retratar o bairro em seus mais diversos ângulos. Em uma série com mais de 600 imagens, Douek registrou a arquitetura, o comércio, a paisagem e os personagens que ali habitam. Com atmosfera multicultural, o bairro reúne judeus de origem europeia, coreanos, afrodescendentes e bolivianos, que convivem, disputam e dão feição ao espaço. Nos retratos de Douek, esses personagens surgem diante de suas portas, debruçados nas janelas de suas casas, em seus locais de trabalho e em seus momentos de lazer. andredouek.com

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André Douek. Série Bom Retiro 1982

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André Douek. Série Bom Retiro 1982

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Estefania Gavina

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“Estefania nos transforma em arqueólogos, nos levando a olhar o que não é hábito, a fuçar no asco e a acionar o olfato através do lixo nos provocando a desconstruir para reconstruir possíveis novos entendimentos sobre nosso consumo alimentar.”

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Coleta de Vestígios Alimentares No dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, a artista Estefania Gavina promove uma caminhada coletiva no entorno do Palácio dos Correios, com o objetivo de realizar uma coleta de embalagens de comida. Mais do que apenas recolher algo que foi descartado, a ação coletiva estimula os participantes a observarem e explorarem o ambiente, criando uma relação com o tempo e o espaço da cidade. Durante o percurso, Estefania vai levantar questões que despertem reflexão nos participantes sobre as suas escolhas alimentares. Trata-se de uma forma de enxergar o lugar da natureza e da nossa alimentação na cidade, a partir da coleta arqueológica de seus restos de embalagens de comida. O material coletado será utilizado para uma instalação artística para a exposição.

estefaniagavina.carbonmade.com

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Estefania Gavina. Coleta de Vestígios Alimentares, 2019


Estefania Gavina. Coleta de VestĂ­gios Alimentares, 2019 30 | Com os olhos no cĂŠu da boca


Estefania Gavina. Coleta de VestĂ­gios Alimentares, 2019 Com os olhos no cĂŠu da boca | 31


Edu Simões

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“No ‘container’ o que posso Talvez um bife, um carinho Edu Simões amplia as proporções, nossas percepções Nos convida a mergulhar no caldo quente, quase azedo de combinações intuitivas do dia a dia das multidões”

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Gastronomia Para Um Dia de Trabalho Duro No ano de 2004 e em 2018, o fotógrafo Edu Simões visitou vários edifícios em construção em São Paulo com o objetivo de fotografar as marmitas dos trabalhadores. O resultado desse trabalho está nas imagens que fazem parte da série Gastronomia Para Um Dia de Trabalho Duro. Hora do almoço! Como é costume no Brasil, cada um destes operários, ao sair de casa de madrugada, trouxe consigo sua marmita. É sabido que a montagem de todas as marmitas traz arroz e feijão em sua base, ainda que não sejam visíveis. Sobre essa base, inicia-se uma “hierarquia de conteúdos” ou uma hierarquia de proteínas mais propriamente dita. Cada um destes pequenos contêineres carrega também, uma infinidade de significados sociológicos, culturais e afetivos, dependendo de quem levantou-se com o dia ainda por nascer para preparar a tempo, o tão esperado repasto. edusimoes.com.br

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Edu Simões. Série Gastronomia Para Um Dia de Trabalho Duro, 2004/2018

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Gustavo Lacerda

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“Família: puro laboratório alquímico Através das texturas do tempo e da memória Gustavo nos conduz à digestão: estésicas e significativas”

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Ada Da pequenina copa do sobrado de sua madrinha, quase um anexo da também diminuta cozinha, Gustavo Lacerda assistia ao desenrolar de domingos e mais domingos da infância. Tudo minuciosamente organizado em cores de anos 70: dos copos “de visita”, enfileirados, aguardando o dia que nunca chegava de saírem do armário, à cortina pregueada, num bege de foscodécadas, e aberta à meia-janela, diante do ruído metálico dos carros e da poeira que, teimosa, entrava pelos basculantes como que para fazer o tempo passar. gustavolacerda.com.br

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Gustavo Lacerda. SĂŠrie Ada, 2013

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Gustavo Lacerda. SĂŠrie Ada, 2013 Com os olhos no cĂŠu da boca | 43


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Gustavo Lacerda. SĂŠrie Ada, 2013 Com os olhos no cĂŠu da boca | 45


Elias Muradi

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“Mesa, cozinha, conversa, troca, convívio Tudo transmuta horizontes Nos dobrar, apoiar Quais perímetros, quais limites? Somos alimento um para o outro Quando disponíveis, tudo é possível”

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Câmara O que acontece quando nos sentamos à mesa? O conjunto de objetos que formam a escultura do artista Elias Muradi abre espaço para inúmeras possibilidades. A criação das peças de Muradi têm como ponto de partida desenhos feitos (em escala) no papel, que dialogam com as formas geométricas e suas possibilidades de ângulos, preenchimentos, contornos e perímetros. Como em boa parte de seu trabalho artístico, Muradi se inspirou na anatomia do corpo humano para criar peças nas quais, muitas vezes, remetem ao mobiliário ou estruturas de convivência. A partir desta mesa, ele propõe um novo ponto de vista sobre convivência.

eliasmuradi.carbonmade.com

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Elias Muradi. Câmara I, 1999/ 2018

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Elias Muradi. Paramento, 2018

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Anaiskarenin

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“Anais é herbalista do ver, sentir e pensar Em seu jardim sensível nos faz desidratar conceitos Germinar vazios e alimentar sentidos Infrutescências, alimento vivo Aqui tudo transborda”

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Plantas Fazem Mundo Confeccionada a partir de diversas plantas, entre elas as PANCs (plantas alimentícias não convencionais), que surgem espontaneamente na natureza, são comestíveis, mas pouco valorizadas pelo grande público, a instalação de Anais-karenin tem o objetivo de despertar os visitantes para uma experiência sensorial e sutil, que celebra a força da natureza e do solo, de onde crescem os alimentos. A obra constitui de um espaço de simbiose, que suscita reflexões. Os vazios que surgem na instalação apontam para uma potência impalpável e invisível, que é a intensidade vital que há em todas as coisas e que se manifesta no ciclo da natureza, que gera e mantém a vida.

anaiskarenin.com

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Anais-karenin. Plantas Fazem Mundo, 2019


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Anais-karenin e Manoela Moura, em coautoria. Plantas Fazem Mundo, 2019 Com os olhos no cĂŠu da boca | 57


Sandra Bacchi

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“Um deserto. Um mergulho no escuro. Mínimas letras, se misturam. Alergia. Dislexia. Déficit de atenção. Mãe doutora e empática. Receitas de amor, entrega, cumplicidade. Aprender e apreender. A vida é professora.”

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Watermelons Are Not Strawberries Inspirada por suas filhas, que foram diagnosticadas com severas alergias alimentares, a fotógrafa Sandra Bacchi apresenta uma série que a ajudou a refletir sobre os desafios da maternidade e também a manter o equilíbrio emocional. As imagens traduzem sentimentos como ansiedade, melancolia, felicidade e claro - amor.

sandrabacchi.com

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Sandra Bacchi. SĂŠrie Watermelons Are Not Strawberries, 2014/2018

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Sandra Bacchi. SĂŠrie Watermelons Are Not Strawberries, 2014/2018 Com os olhos no cĂŠu da boca | 63


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Sandra Bacchi. SĂŠrie Watermelons Are Not Strawberries, 2014/2018 Com os olhos no cĂŠu da boca | 65


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Sandra Bacchi. SĂŠrie Watermelons Are Not Strawberries, 2014/2018 Com os olhos no cĂŠu da boca | 67


Vivian Cury

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“Sem sinal: um silêncio, um desespero Reconectar-se! Com a terra, com o cheiro de chuva, pés no mato, mãos na terra. Nutrir corpo e alma, em alta frequência. Elevar-se, reaprender, iluminar Cuidar-se, cuidar do outro, cuidar da Terra.”

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Climatarian O cuidado com a terra, o ato de cultivar alimentos e utilizá-los no preparo de receitas que nutrem e revigoram. Participar de cada uma das etapas de produção do alimento - da terra para a mesa - sempre fez parte do cotidiano da fotógrafa Vivian Cury. E ela uniu essas paixões com o seu amor pela fotografia para realizar a série Climatarian. A partir de imagens como o still de alimentos orgânicos, cada qual com o seu formato e tamanho, Vivian faz um alerta: a obsessão em se produzir “o alimento ideal”, em nome dos lucros, pode trazer danos irreversíveis ao solo. É preciso ter respeito à terra, em nome das futuras gerações, que estão representadas por um dos retratos que compõem a exposição: uma de suas filhas, que está vestida com ingredientes e ostenta uma coroa de talheres.

viviancury

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Vivian Cury. Série Climatarian, 2019


Vivian Cury. SĂŠrie Climatarian, 2019

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Ana Almeida

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“Ana Almeida nos convida à expansão. A retirar os miolos, extrair a essência do essencial, nos convida ao despertar. A colocar a mão na massa e fermentar ideias. A multiplicar nossos pães antes que nos tornemos pães duros.”

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Às Vezes Me Pinto, Miolo de Pão A partir de um prosaico hábito matinal rasgar o miolo de pão com as pontas dos dedos durante o café da manhã, a fotógrafa Ana Almeida construiu a sua poética repleta de significados. Ela começou a confeccionar pequenas esculturas com o miolo descartado e fotografá-las diariamente. A partir deste exercício de subjetividade, Ana desenvolveu o seu trabalho autoral, que é representado pela escultura feita em miolo de pão e, também, por uma instalação confeccionada em algodão. Para a fotógrafa, o miolo de pão vai muito além da matéria amassada pelas mãos. Cérebro é miolo, corpo é miolo, tutano é miolo, pensamento é miolo, alma é miolo. Sem contar o aspecto simbólico do pão, que representa um alimento para o corpo físico e para o espiritual. Dele ecoa mantras, orações e símbolos religiosos como a hóstia, que representa o Deus vivo. O destino dessa matéria viva e suas bifurcações pedem uma sensibilidade outra que atravesse as espécies onde cabe o quase/corpo. Um corpo acolchoado, acolhedor, macio (como o pão). Um corpo/ser que cresce. E escolhem espaços urbanos internos e externos para especular sua possibilidade de uso e parada, cheio de significados plenos na vida em trânsito. ana3007

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Ana Almeida. Às Vezes Me Pinto, Miolo de Pão, 2005/2019

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Ana Almeida. Às Vezes Me Pinto, Miolo de Pão, 1998

Acima: Ana Almeida Nome da obra ano Ao lado: Ana Almeida Nome da obra ano

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Ana Almeida. Às Vezes Me Pinto, Miolo de Pão, 1998

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Cris Bierrenbach

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“Do início, há o verbo Iniciar, explorar, coagular, dissolver, acessar, iluminar grandes e pequenos mistérios somos criadores, somos cocriadores Cris Bierrenbach nos torna a chave”

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Polpa A partir de uma pequena moldura de fechadura encontrada entre os seus guardados, a fotógrafa e artista plástica Cris Bierrenbach concebeu a série Polpa. A ideia surgiu a partir de uma proposta do curador Eder Chiodetto para uma exposição, cuja ideia era explorar contrapontos como desejo/ pecado e civilização/instinto. Neste contexto, a fechadura representa a porta da curiosidade. Ao revelar o interior de frutos como a maçã imagem que compõe a exposição -, a artista cria no espectador a possibilidade de adentrar a intimidade, ao romper as “cascas” naturais, que separam o externo do interno, o público e o privado.

crisbierrenbach.com

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Cris Bierrenbach. SĂŠrie Polpa, 2010

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“OS ALIMENTOS ME SEDUZIRAM POR SUAS FORMAS, CORES. HOJE TENHO UMA OUTRA PERCEPÇÃO: FOT


TOGRAFAR ALIMENTOS É ESTAR PERTO DO CRIADOR, DA CRIAÇÃO, DA NATUREZA, DA NOSSA NATUREZA.”


Cozinhar é humano: a (re)conexão com os alimentos Já se tornou corriqueira a expressão “somos o que comemos”, atribuída ao médico grego Hipócrates. Visto dessa forma, a comida vai muito além de nossas necessidades biológicas, nos definindo a partir do que comemos. Mas essa expressão poderia ser mais detalhada. Somos não apenas o que comemos, mas também como escolhemos nossos alimentos, como preparamos, como comemos, com quem comemos e assim por diante. Essa é a ideia principal do conceito de hábitos alimentares, que diz respeito não só ao que comemos como indivíduos, mas também aos costumes alimentares de nosso grupo social. As imensas diferenças entre os hábitos alimentares ao longo do tempo e do espaço reafirmam a grande importância não apenas biológica, mas, sobretudo, cultural deste conceito para a espécie humana. Historicamente, podemos dizer que as escolhas que fazemos de nossos alimentos estariam diretamente relacionadas à disponibilidade em situações históricas e geográficas distintas. Trata-se de entender como dispomos da natureza de forma comestível como solução para a sobrevivência da espécie nas mais diversas situações. Porque alguns povos se alimentam de insetos, enquanto outros abominam essa ideia? Vegetais ou carne? Como somos onívoros, as possibilidades de escolha são diversas. Mas aquilo que em suposto momento inicial indicaria a necessidade de comer o que estava disponível, ao longo da história pode se tornar hábito, preferências, tabus, etc. Nossas escolhas de alimentos passam, dessa forma, não apenas pela disponibilidade, mas também por interdições, tabus, prazer, preceitos religiosos, identidade, etc. A maneira de comer de um povo é uma das formas mais poderosas

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de expressão e afirmação de sua identidade. Os gregos antigos, por exemplo, se consideravam civilizados porque tinham o pão, vinho e azeite como sua tríade alimentar. Os cientistas têm identificado essa nossa relação com os alimentos já na pré-história. Os primeiros hominídeos buscavam melhorar a qualidade alimentar, tendo como objetivo principal a sobrevivência e aumento da espécie. Isso foi possível não apenas pela maior eficácia na obtenção de alimentos (caça e coleta), mas também na preparação. O uso de ferramentas e do fogo foi decisivo na sobrevivência e evolução humana. Analisando esse processo, o antropólogo Richard Wrangham afirma que “cozinhar nos tornou humanos”, na medida em que tornou possível a sobrevivência da espécie humana e a “produção” de nossos corpos. Analisando sociedades ditas primitivas, o sociólogo Claude Lévi-Strauss encontra na passagem do cru para o cozido, a chave para compreensão da passagem da natureza para a cultura, decisiva para nós como espécie. Modernamente nos esquecemos desses vínculos e talvez esse seja um dos maiores problemas da humanidade. E isso não se restringe à questão alimentar. Analisando a sociedade do final do século XX e começo do século XXI, o historiador Eric Hobsbawm descreve de maneira brilhante esse problema: “A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa existência pessoal às gerações passadas – é dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os


historiadores, cujo ofício é lembrar o que outros esquecem, tornam-se mais importantes do que nunca no fim do milênio” Dessa forma, o grande dilema para a espécie humana é justamente a perda da conexão com a natureza e, em última instância, com os alimentos (e nossa história). Como observa Michael Pollan, por séculos a humanidade tinha a cultura (segundo ele um eufemismo para mãe) para nos guiar em nossas escolhas alimentares. Hoje dependemos de especialistas e da indústria para essas escolhas. Esquecemos e desaprendemos que comida tem a ver com prazer, família, comunidade, natureza, espiritualidade, etc. Em um mundo cada vez mais padronizado, as diferenças alimentares têm sido esquecidas. Para pesquisadores, como William Leonard, as diferentes escolhas de alimentos e formas de preparo seriam justamente a chave para a nossa evolução, na medida em que não estamos aptos a subsistir com uma dieta única e ideal. A singularidade de nossa espécie seria justamente a extraordinária variedade do que comemos, prosperando em quase todos os ecossistemas sobre a Terra. As grandes diferenças de hábitos alimentares da espécie humana são uma prova do sucesso na luta pela sobrevivência e a padronização pode ser nossa ruína. Essa é a história de nossa espécie. Em um momento em que colocamos em risco nossa relação com o planeta, talvez seja o momento de nos reconectarmos com a natureza e os alimentos, levando em consideração nossa cultura. Por isso as diferenças históricas de hábitos alimentares devem ser compreendidas e valorizadas. João Luiz Máximo é historiador e professor

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Um olhar para o skyline da boca, através da alma. A Exposição Com os olhos no céu da boca não é senão uma multivisão de um skyline autofágico. O olhar que eterniza o momento em que se come, a criatura que surge do resto que não se come, aquele que planta o que se come, aquele que leva a comida fria e a planta que brota, se come. Com os olhos no céu da boca, curadoria e concepção da artista visual Sheila Oliveira, traz no próprio título a dimensão da mostra. Talvez, emergindo das entranhas criativas da artista, o olhar para o céu da boca rompa com todos os parâmetros do universo em que reside a alimentação do homem. Ter em sua boca um céu, aquele lugar cósmico que nunca é o que vislumbramos porque estrelas já mortas ainda brilham como se vivas estivessem, é como o paladar que resgatamos da memória da dor e do amor e trazemos para a boca, como se algo ali estivéssemos a mastigar, triturar e engolir com a garganta e com a alma. Esse objeto-matéria, coisa que chamamos de alimento, cumpre destinos intangíveis na trajetória humana. Comer e não comer. Fome e gula. Prazer e sofrer. Vida e morte. Comer talvez seja o elo perdido da nossa existência, da primeira molécula que se fez viva porque foi capaz de “comer” um aminoácido a mais e, então, reproduzir-se. O poder mágico do alimento, da transmutação da matéria inerte em matéria viva, que se alimenta, que se alimenta, que se alimenta e que um dia se faz humano.

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Qual essência fantástica contêm os alimentos, o que quer que sejam, que geram vida, que reproduzem a vida, que dão a vida que tiram a vida? Corpo e alma, do quê os alimentamos? Do que se alimenta a loucura, a insanidade? Do que se alimenta a esperança? A esperança é seu próprio alimento, o mel que adoça nossa vida finita. Do pó ao pó, as cinzas da vida que retornam para refazer o barro a ser moldado até que um sopro o traga à luz que o alimentará novamente de vida. A maçã de Adão e Eva, a Santa Ceia, a Hóstia-Corpo de Cristo, o sal da terra e do mar, a seiva das árvores, o néctar das flores, o leite materno, a doce saliva do beijo, a esperança que nutre, esses olhos no céu da boca que tudo veem abrem infinitos caminhos para saborearmos o olhar de cada artista dessa mostra, seja pela imagem reveladora que seu trabalho traz, seja pelo inusitado da obra ou pelo impacto que nos causa diante daquilo do que nos alimentamos e quase nunca percebemos. Patrícia Cicarelli é contista e jornalista literária

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Os doze artistas Ana Almeida

Ana Póvoas

Anaiskarenin

Formada em

Nascida no Rio de

A artista e

Artes Visuais pela

Janeiro, a fotógrafa

pesquisadora

PUC-Campinas,

Ana Póvoas é

Anais-karenin é

Ana Almeida trabalha

radicada em

mestre em Artes

com gravura,

Pirenópolis (GO)

pelo PPGArtes/

desenho, pintura,

há mais de duas

UERJ e doutoranda

instalação, livros de

décadas. Desenvolve

em Poéticas Visuais

artista e fotografia

produção e pesquisa

na PPGAV/USP.

experimental. Já

visual com foco

Já participou de

expôs em mostras

em representação

exposições no Brasil

organizadas por

de tradições e

e no Japão. A partir

curadores como Eder

manifestações

de instalações,

Chiodetto, Agnaldo

culturais, no viés

esculturas, objetos,

Farias e Andrés

de um olhar tecido

som e performances,

Fernandes, realizadas

pela percepção

ela aborda em seu

em galerias de arte e

da realidade. Em

trabalho artístico

espaços culturais no

imagens poéticas,

as relações com

Brasil e no exterior.

ela traduz aspectos

a natureza e os

antropológicos.

contrastes com os materiais artificiais.

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André Douek

Claudio Edinger

Cris Bierrenbach

Formado em pintura

Nascido no

Fotógrafa e

pela Faculdade Belas

Rio de Janeiro,

artista plástica,

Artes e especialista

Claudio Edinger

Cris Bierrenbach

em fotografia pelo

dedica-se à fotografia

nasceu em São Paulo

Senac, André Douek

jornalística e autoral.

e iniciou sua carreira

trabalhou como

Na década de 1970,

como repórter-

fotojornalista

mudou-se para Nova

fotográfica da

n’O Estado de S. Paulo,

York (EUA), onde

Folha de S. Paulo.

foi professor de

permaneceu até

Em paralelo,

fotografia em

1996. Com diversos

desenvolve trabalho

universidades e chefe

livros publicados,

artístico em vídeo,

de seção técnica na

Edinger já expôs

instalação e pesquisa

Secretaria Municipal

o seu trabalho no

de técnicas de

de Cultura. Tem séries

mundo todo. E, com

impressão fotográfica

documentais sobre

a série Madness,

do século XIX. Já

cultura judaica e

conquistou prêmios

participou de mostras

sobre bairros como o

internacionais como

no mundo todo e

Bom Retiro.

o Ernst Haas.

possui obras na Maison Européenne de la Photographie, em Paris.

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Os doze artistas Elias Muradi

Edu Simões

Estefania Gavina

Artista visual

Fotógrafo paulistano,

Artista visual e

formado pela

começou a

agitadora cultural,

Faculdade de Arte

sua carreira no

Estefania Gavina

Alcântara Machado,

fotojornalismo.

nasceu em Buenos

Elias Muradi iniciou

Trabalhou nas revistas

Aires, Argentina, e

sua produção

IstoÉ, Goodyear,

vive em Campinas

artística, com foco nas

Bravo e República.

(SP). Fundadora do

esculturas, em 1986.

Ganhador do Prêmio

Ateliê CASA, que

Já expôs em mostras

Vladimir Herzog de

oferece oficinas

no Brasil e na Espanha

Direitos Humanos,

e cursos para

e, hoje, é professor de

suas fotografias

artistas visuais, é

artes e coordenador

pertencem ao acervo

coordenadora do

da GARE CULTURAL.

de museus como

ACHO (Arquivo

Também é voluntário

Masp, MAM-SP,

Coleções de Histórias

da Fundação

MIS-SP e Maison

Ordinárias), que reúne

Mokiti Okada.

Européenne de la

fotos encontradas em

Photographie,

despejos urbanos,

em Paris.

com o auxílio de catadores de lixo.

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Gustavo Lacerda

Sandra Bacchi

Vivian Cury

Fotógrafo e artista

Fotógrafa e artista

Fotógrafa

visual, nasceu em

visual brasileira, vive

especializada em

Belo Horizonte (MG),

nos EUA. Formada em

alimentos e produto,

mas vive em São

fotografia pela Escola

atualmente dedica-se

Paulo. Premiado em

Panamericana de Artes,

a fotografia autoral.

Cannes, NY e Londres

trabalhou em cinema

Sua outra paixão

com fotografia

e comerciais de TV, em

é a cozinha, que

publicitária, tem

SP e NY. Ao mesmo

se reflete em suas

também no currículo

tempo em que a arte

imagens, através de

os prêmios Porto

de Sandra documenta

seus ingredientes

Seguro de Fotografia

sua jornada pessoal,

multicoloridos.

e da Fundação

ela também oferece

Conrado Wessel

um ambiente fictício,

de Arte.

o qual proporciona

Tem obras no acervo

a construção de

de museus como

um espaço criativo

MASP e Catherine

para múltiplas

Edelman Gallery, de

interpretações.

Chicago (EUA).

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Os colaboradores Arquivo Coleções de Histórias Ordinárias (ACHO) é um projeto, que tem o objetivo de catalogar fotografias amadoras encontradas por um grupo de catadores de lixo. As imagens, que seriam descartadas, tornam-se parte de um acervo para pesquisas artísticas com fotografia.

Caio Gomes é musicista e compositor. Transita em várias plataformas artísticas além da música autoral e beats, como fotografia, vídeo e poesia. Também é parceiro no Projeto Fotossensível onde produziu trilhas a partir de sons da cozinha.

Cintia Oliveira é jornalista, pós-graduada em Gastronomia: História e Cultura pelo Senac-SP. Trabalhou como repórter em duas das principais revistas gastronômicas do País: Go Where Gastronomia e Menu

Concerto de Cura é um projeto idealizado por Edu Gomes e Adriano Grineberg que tem o objetivo produzir músicas para o bem estar.

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Eder Chiodetto é mestre em Comunicação pela ECA/USP. Atua como jornalista, professor, pesquisador de fotografia e curador. Já realizou mais de 80 mostras no Brasil e no exterior. Em 2011, inaugurou o Ateliê Fotô. É publisher da Fotô Editorial.

Entre Nós é um projeto, que tem como objetivo democratizar o acesso aos serviços e oferta de produtos agroecológicos de biomas brasileiros.

Fabiana Bruno é doutora em Multimeios pelo Instituto de Artes da Unicamp e pós-doutoranda em Antropologia da Imagem pela ECA/USP. Atua como professora da pós-graduação em fotografia da FAAP e é orientadora de projetos artísticos-visuais no Ateliê Fotô e no Ateliê Casa.

FotoJornada é um projeto criado em 1996, pelo fotojornalista André Douek. Trata-se de uma saída fotográfica mensal, aberta a fotógrafos, com o objetivo de documentar o patrimônio material e imaterial de São Paulo, além de seus habitantes.


Fotossensível

Manoela Moura

é um projeto organizado pelo estúdio Empório Fotográfico, de Sheila Oliveira. O objetivo é fortalecer, disseminar e fomentar a produção autoral de arte contemporânea, com ênfase na fotografia e sob a temática da alimentação, assim como criar espaço para discussão, reflexão e novas percepções sempre a partir das expressões artísticas.

é artista visual, formada em Artes Cênicas e Cenografia pela UNIRIO. A partir de processos esculturais, intervenções e objetos, ela investiga a sensibilidade da natureza numa abordagem simbiótica dos elementos e o seu contexto na sociedade contemporânea.

João Kulcsár é mestre pela Universidade de Kent (UK) e foi professor visitante em Harvard (EUA). Presidente da REDE de Produtores Culturais no Brasil, é professor de fotografia do Senac-SP, curador de mostras fotográficas, coordena projeto de alfabetização visual. É diretor do Festival de Fotografia de Paranapiacaba (SP).

João Luiz Máximo é doutor em História Social pela USP. Atualmente, é professor de História da Alimentação, além de coordenador dos cursos de pós-graduação em Cozinha Brasileira e Gastronomia: História e Cultura, no Senac-SP.

Murilo Kammer é artista visual. Desenvolve a linguagem do desenho na arte como caminho poético de cultivo da interioridade e ampliação dos níveis mais profundos de consciência criativa. Há mais de vinte anos atua como educador criador de programas e ações artístico pedagógicas em espaços culturais.

Patrícia Cicarelli é jornalista especializada em cultura, escritora e contista, com pós-graduação em Jornalismo Literário. Atuou na divulgação de livros e exposições. Atualmente, coordena e assessora eventos e projetos artísticos e culturais.

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Os colaboradores Rafa Baldo

Shirley Verni

é cozinheiro e musicista. Começou sua carreira pela tecnologia, que lhe trouxe habilidades para exercer a comunicação - sua verdadeira paixão. Faz parte do projeto Fotossensível, onde tem a chance de exercitar a sua criatividade, construindo trilhas a partir de sons da cozinha.

é psicanalista clínica com especialização em Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente e Psicologia do Relacionamento Humano pelo Centro de Estudos em Psicanálise Clínica.

Vivian Garcia Robert Richard é artista e empreendedor na área das artes. Com experiência em agências de publicidade, emissoras de tevê, além de distribuidoras de filmes, hoje é diretor da ABAPC, onde atua como curador de exposições e projetos culturais nas áreas das artes plásticas e saúde.

é produtora editorial e designer gráfica. Com duas décadas de experiência no mercado editorial, Vivian já trabalhou em publicações como a revista Go Where Gastronomia e, também, na produção de livros. Atualmente, colabora para uma agência de conteúdo

Selma Lacerda

Walter Miranda

é advogada com especialização em gestão, análise contratual e interpretação dos instrumentos legais relacionados a projetos que envolvam direitos autorais. Atualmente, participa de grupos de estudo de políticas públicas e projetos relacionados com a Justiça Restaurativa.

é artista plástico premiado, com

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mais de 40 anos de carreira. Participou de mais de cem mostras no Brasil e no exterior, atua como professor de História da Arte e Técnicas Artísticas, além de curador de exposições e membro de júri de salões de arte.


Sobre a curadora Sheila Oliveira É artista visual e fotógrafa, tem mais de duas décadas de experiência em fotografia de alimentos e produtos em geral. Sheila, que recebeu diversos prêmios como fotógrafa de gastronomia e como artista visual, possui obras em diversas coleções públicas e particulares, como no Museu de Fotografia, em Fortaleza (CE). Vem apresentando seu trabalho autoral em diversas exposições individuais e coletivas dentro de fora do País. Atualmente, é coordenadora do estúdio Empório Fotográfico, em São Paulo, e fundadora do Projeto Fotossensível, que promove diversas atividades artísticas sobre alimentação. Uma das iniciativas mais recentes é a exposição Com os olhos no céu da boca.

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Agradecimentos Agradeço imensamente à todos os artistas que me acolheram e me confiaram suas obras, aos mestres e artistas que me apoiaram em todas ideias e desejos, aos colaboradores sempre carinhosos que doaram conhecimento e tempo sempre tão valiosos, as empresas que me ajudaram a montar a exposição e receber todos com muito carinho, e minha família pelo incentivo e amor. Aos Correios pela oportunidade do espaço e em especial Antonio Carlos Pereira Alves Junior. A Robert Richard pelo importante incentivo para minha trajetória.

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EXPOSIÇÃO: Idealização e curadoria: Sheila Oliveira Produção executiva e projeto expográfico: Sheila Oliveira Produção de montagem: Robert Richard Montagem da exposição: Empate Música ambiente: Concerto de Cura Assistentes de produção: Caio Gomes e Rafa Baldo CATÁLOGO: Direção de arte: Sheila Oliveira Designer gráfico: Vivian Garcia Textos: Cintia Oliveira DIVULGAÇÃO: Assessoria de Imprensa: Visar Mídias sociais: Cintia Oliveira Música Gastronômica: Caio Gomes e Rafa Baldo Centro Cultural Correios 19 de setembro a 25 de outubro de 2019 Segunda a sexta, das 10h as 17h Av. São João, 250 - Vale do Anhangabaú - São Paulo - SP www.correios.com.br/cultura

REALIZAÇÃO:

APOIO CULTURAL:

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Profile for Sheila Oliveira

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cultura e hábitos alimentares brasileiros a partir da produção fotográfica autoral contemporânea Centro Cultural dos Correios 19 de setembro...

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