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Análise de Discurso Crítica da publicidade

Salientamos, tal como já o fizemos antes, que estas estruturas não suportam exclusivamente a inteligibilidade e o sucesso ilocutório dos conteúdos divulgados. Também são importantes numa perspectiva mais ritual e lúdica dos processos de comunicação pela qual as mensagens vão ao encontro, de uma estética, de um espírito, de um gosto popular. Para finalizar este assunto: concebemos também estas estruturas como uma espécie de ‘mundo vivido’ comum aos interlocutores e que possibilita sustentar a eficácia inter-compreensiva de algumas práticas linguísticas. Nesta perspectiva, elas constituem-se como um saber implícito alicerçado em usos, interesses e cumplicidades, valores, gostos, mesmo até numa competência comunicacional; numa perspectiva habermasiana20 , elas apresentam-se como o horizonte de um agir quotidiano no qual se investe o saber explícito relativo a certas tomadas de posição, a algumas pretensões de comportamento municipal.

§9- Canais de comunicação As estratégias de comunicação dos municípios podem integrar processos de influência associados ao paradigma dos fluxos comunicacionais a dois níveis como anteriormente destacámos. Esta particularidade conduz à necessidade de existirem canais de comunicação adequados a processos de comunicação mediatizada e outros dotados de um cunho mais directo e interpessoal. Salientamos a particularidade deste modelo não contemplar apenas os canais consagrados legalmente à instituição municipal (como é o caso do Boletim Municipal, por exemplo) e os relativamente aos quais pode comprar espaço publicitário. Há circunstâncias e contextos comunicacionais em que os municípios são fontes noticiosas, tendo de se submeter a critérios de noticiabilidade e ao regime de funcionamento dos órgãos de comunicação social. Esta particularidade é importante: significa que o modelo de comunicação municipal também integra exercícios de linguagem que se inscrevem no domínio da assessoria de imprensa. Através de tais práticas, o município esforça-se para que os meios de comunicação social (concebidos como canais cujo funcionamento já não está sob o seu controlo ou orientação editorial) reflictam, 20

HABERMAS, Jürgen – Théorie de l’agir communicationnel, Vol. I, p. 342 e ss.

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Ensaios de comunicação estrategica  

comunicação

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