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10º ERGODESIGN – Anais do 10º Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Tecnologia: Produto, Informações, Ambiente Construído e Transporte 17 a 20 de maio de 2010 – PUC-Rio / Rio de Janeiro

SISTEMA DE ELEVAÇÃO PARA A ASSIC: ESTUDOS DE ERGODESIGN PARA ACESSIBILIDADE DE IDOSOS E CADEIRANTES LIFT SYSTEM FOR ASSIC: STUDIES ERGONOMICS ACCESSIBILITY FOR THE ELDERLY AND WHEELCHAIR Araújo S. M. M. de 1, Chateaubriand A. D. 2, Cardoso V. M. B. 3 (1) Acadêmica de Design, Universidade Federal do Amazonas – UFAM e-mail: sharlene.melanie@gmail.com (2) Professora Msc, Universidade Federal do Amazonas - UFAM e-mail: annunziatada.chateaubriand@gmail.com (3) Professora Universidade Federal do Amazonas - UFAM e-mail: vania_batalha@yahoo.com.br

Idosos, Acessibilidade, Sistema de Elevação Neste artigo são apresentados os estudos para o desenvolvimento do sistema de elevação da sede da Associação do Idoso do Coroado (ASSIC), em Manaus- Amazonas, bem como a análise dos espaços utilizados por esses idosos, em aspectos relativos a sua saúde, segurança e acessibilidade.

Elderly, Accessibility, Lifting System This article discusses several studies for the development of the lifting of the headquarters of the Association of the Elderly Crowned (ASSIC) in Manaus, Amazonas, and the analysis of the spaces used by these people, in matters relating to their health, safety and accessibility.

1. Introdução A Associação do Idoso do Coroado (ASSIC) é uma associação sem fins lucrativos, situada no bairro do Coroado, na cidade de Manaus, Amazonas, que desenvolve ações assistenciais e atividades esportivas e sociais com a finalidade de contribuir para o bem estar e a valorização dos idosos nessa comunidade. Segundo Néri (1993), o aumento de perdas físicas, sociais (morte de familiares) e de atividades funcionais (perda da força e do equilíbrio) e econômicas (valores de aposentadorias baixas) aumentam e dificultam a realização de movimentos simples como os da vida diária. Entretanto, o processo de envelhecimento ocorre de forma diferenciada nas pessoas e dependem do ritmo e da época de sua vida, pois, a velhice não é um período caracterizado só por perdas e limitações. Embora aumente a probabilidade de doenças e limitações fisiológicas, é possível manter e aprimorar a funcionalidade nas áreas física, cognitiva e afetiva.

Na literatura gerontológica, a dependência é definida como a incapacidade da pessoa realizar as atividades satisfatoriamente e sem ajuda devido a limitações físico-funcionais ou cognitivas. Pode estar ligada também a elementos como: incapacidade funcional, devido doenças; senso de desamparo; desmotivação; estado afetivo negativo; e, escassez ou inadequação de ajuda física e psicológica; ou ainda, pela presença de barreiras arquitetônicas e ergonômicas (CATANACH & TEBES, 1991). Neste contexto, acessibilidade é definida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas como: “possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de edificações, espaço, mobiliário e equipamentos urbanos” (NBR 9050, 1994). Portanto, é importante que os espaços utilizados por portadores de mobilidade reduzida-PMR ou com necessidades especiais-PNE (terceira idade e cadeirantes) sejam projetados de modo a garatir seguraça e conforto e a promover autonomia na sua locomoção.


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O espaço destinado a atividades físicas e eventos na ASSIC é o salão localizado no pavimento superior de sua sede. Além desse salão, outros ambientes, instalações e equipamentos do pavimento térreo são utilizados para o desenvolvimento de atividades pelos idosos, quais sejam: sala de repouso, enfermaria, banheiros, refeitório e bebedouro. A principal dificuldade encontrada e que impede a participação de pessoas (idosos e seus familiares) com mobilidade reduzida (PMR) e com necessidades especiais (PNE) está relacionada ao atual sistema de deslocamento entre os pavimentos térreo e superior. O fato do prédio apresentar ambientes onde são desenvolvidas atividades complementares em diferentes pavimentos é preocupante, uma vez que pode ser necessário o deslocamento de idosos várias vezes ao dia, subindo e descendo.

2. Objetivo O principal objetivo deste artigo é apresentar os estudos preliminares de um sistema de deslocamento entre pavimentos térreo e superior a ser instalado na sede da ASSIC e compatível com as limitações física (limitação de espaço) e financeira daquela associação. Com isso, espera-se que esse deslocamento ocorra de modo seguro, confortável e que promova a autonomia e o bem estar na locomoção de seus usuários, principalmente, PMR e PNE.

3. Referencial Teórico 3.1 Gerontologia e Geriatria A Gerontologia é a ciência que estuda o envelhecimento, sobretudo as mudanças que se processam no idoso. Esta inclui a participação de todas as ciências que estudam fenômenos relacionados ao processo de envelhecimento, que se somam para formar o fazer gerontológico (MEIRE, 2003). A Geriatria é a ciência que estuda os aspectos patológicos e patogênicos do envelhecimento e sua prevenção. A pessoa idosa não é, orgânica e funcionalmente, o mesmo indivíduo que era anteriormente, quando criança ou adulto. O envelhecimento afeta as estruturas e funções orgânicas, tais como: imunidade, capacidade

fisiológica, memória, energia de raciocínio, necessidades nutricionais, capacidade de tolerar e resistir a agressões de várias ordens. Essas alterações ocorrem gradual e insidiosamente, muitas vezes sem que o próprio indivíduo o perceba. A geriatria visa não só prolongar a vida, mas proporcionar ao idoso uma existência útil e saudável (NERI, 2005). O processo de envelhecimento verifica-se em pessoas com idades que variam de 65 a 85 anos, cabendo distinguir idosos com e sem saúde, pois o processo de envelhecimento é individual. Desta forma, a velhice pode ser vista tanto do ponto de vista orgânico, com suas alterações anatômicas, fisiológicas e psíquicas, como do ponto de vista moral e social, cita Bee (1997). A população total de idosos no Brasil é de 14.621.060, sendo que a população total de idosos no Amazonas é de 137.060 e, em Manaus, de 110.000 idosos (IBGE, 2000). Por isso estudos voltados para o bem estar e a acessibilidade de idosos é extremamente relevante. Luiz Bodachne (1998) afirma que com o aumento da idade há diminuição lenta e progressiva da massa muscular, sendo o tecido nobre substituído paulatinamente por colágeno e gordura. Assim, a força muscular diminui a partir dos 30 anos, sendo mais evidente no homem do que na mulher. Segundo ele, diminui a excitabilidade do músculo e da função mioneural, reduz a velocidade de condução nervosa. Portanto, menor capacidade de trabalho muscular é um dos primeiros sinais da velhice, afetando a capacidade laborativa, a atividade motora e a adaptabilidade ao ambiente. Quanto ao pulmão do idoso, ele afirma ainda que os músculos pulmonares enfraquecem, resultando na perda da elasticidade pulmonar e na diminuição de colágeno e da atividade ciliar brônquica. No coração acontecem atrofiamentos das fibras e das artérias, aumento de gordura e diminuição de peso e volume. As artérias também perdem a elasticidade e as fibras, endurecendo, resultado da pressão a que esses vasos são submetidos à vida toda. Estes sintomas podem causar diversos acidentes e dificultar o uso de mobiliário, equipamentos, espaços, entre outros. Neste contexto, os projetos ergonômicos voltados para este tipo de público podem resultar em mudanças nas dimensões e no uso de alguns subsistemas de segurança.


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3.2 Deficiência Física Pessoas portadoras de deficiência física são aquelas que não podem exercer plenamente suas aptidões físicas, em conseqüência de doenças, acidentes ou causas congênitas (IIDA, 2005). De acordo com a NBR 9050 (2004) deficiência física está ligada a redução, limitação ou inexistência das condições de percepção das características do ambiente, de mobilidade e de utilização de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e outros elementos, em caráter temporário ou permanente. A norma também define pessoa com mobilidade reduzida (PMR) sendo aquela que, temporária ou permanentemente, tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. Entendese por pessoa com mobilidade reduzida, a pessoa com deficiência, idosa, obesa, gestante, entre outros.

3.3 Acessibilidade A acessibilidade tem como conceito e prática a inclusão social e a cidadania. Além da NBR 9050 (1994), a acessibilidade é um direito estabelecido pela Lei Federal N°10.098 (2000) e o Decreto Federal N° 3.298 (1999). Porém, na maioria das vezes, a acessibilidade é promovida de maneira incorreta, não garantindo o direito de autonomia e de independência a todas as pessoas. A ABNT (NBR 9050, 1994) também estabelece recomendações relativas ao corrimão, às escadas, ao patamar, às plataformas elevatórias e ao elevador garantindo a seguridade de PMR e PNE. Por outro lado, para atender as necessidades básicas da população, muitas vezes, é necessário que o profissional de Design relacione elementos como cores contrastantes, odores e/ou texturas diferenciadas, segurança, ergonomia, entre outros, com conceitos e princípios universais do Design e da acessibilidade, atendendo a maior gama de usuários e da melhor maneira possível. Portanto, o maior desafio para agregar a simplicidade do uso ao produto é não deixar que novas tecnologias ofusquem os aspectos formais e estéticos, para que se possa diferenciar o projeto dos demais existentes no mercado, tornando-o acessível à população em geral, valorizando a inclusão social.

3.4 Ergonomia aplicada a PMR e PNE

Iida (2005) afirma que muitos trabalhos em ergonomia têm focalizado o problema dos portadores de deficiências, tendo em vista dois objetivos básicos: adaptar os equipamentos (aparelhos eletrodomésticos, carros, transportes coletivos), a construção civil (casas, apartamentos, entre outros) e as vias públicas (rampas) a esses portadores de necessidade especiais; e, desenvolver novos aparelhos, equipamentos e dispositivos que visem superar as deficiências existentes. Para Gomes Filho (2003), o caráter obsoleto da maioria dos produtos, disponíveis no mercado, para pessoas portadoras de deficiência física manifesta-se na falta de atenção às necessidades não só funcionais, mas, principalmente, psicológicas do usuário. Assim, o papel da ergonomia no design desses produtos é fundamental: na concepção, que deve contemplar soluções criativas em termos funcionais e operacionais; na correta determinação da sua configuração estético-formal, tendo em conta os aspectos psicológicos do usuário, e, sobretudo, na correta utilização dos dados antropométricos , uma vez que, normalmente os produtos são ajustados especialmente a cada indivíduo; e, finalmente, em aspectos relativos a facilidades, praticidade e conforto que esses produtos devem proporcionar aos seus usuários. Na prática, esses requisitos configuram a necessidade de produtos projetados e fabricados sob medida para a maioria das pessoas. Daí a importância crucial da aplicação de conceitos ergonômicos no seu design. Segundo Iida (2005), na projetação de espaços confortáveis para as pessoas viverem e trabalharem, devem ser considerados: as principais características do organismo humano, o funcionamento dos seus sistemas sensorial e motor, além dos seus comportamentos individuais e sociais. Os projetos de edifícios com enfoques ergonômicos partem das necessidades humanas, das tarefas e das organizações sociais, para se chegar à configuração do edifício, ou seja, o projeto deve ser realizado de dentro para fora.

3.5 Dificuldades na terceira idade As causas de quedas e de desequilíbrio entre idosos podem ser devido a fatores intrínsecos e extrínsecos. Para Yuaso e Sguizzatto (1996), os fatores intrínsecos são as alterações próprias da idade no controle da postura e do andar, e, as


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causas patológicas. Os fatores extrínsecos são aqueles relacionados ao ambiente onde vivem as pessoas idosas. Para contrabalançar os efeitos do desequilíbrio, os idosos utilizam reações de proteção como pequenos passos. O idoso, frente aos obstáculos, não levanta os pés o suficiente, pois há limitação da amplitude de movimentos dos pés e diminuição da força muscular, aumentando a probabilidade de tropeçar e cair. As causas patológicas que podem levar às quedas são: doenças degenerativas das articulações; fraqueza muscular ou déficits sensoriais de um recente ou remoto AVC; hipotrofia muscular, devido à falta de condicionamento físico e dor; Diabetes Mellitus e outras afecções que causam neuropatias periféricas; e, problemas nos pés. Os distúrbios da visão e da audição acabam diminuindo as pistas ambientais e predispõem às quedas. Demências podem desenvolver apraxia na marcha e, conseqüentemente, maior tendência para cair. São fatores extrínsecos: presença de móveis instáveis; escadas inclinadas e sem balaústres; tapetes avulsos e carpetes mal adaptados; iluminação inadequada; tacos soltos no chão; pisos escorregadios e encerados; camas altas e sofás, cadeiras e vaso sanitário baixos; prateleiras de difícil alcance; presença de animais domésticos pela casa; uso de chinelos ou sapatos em más condições ou mal adaptados; fios elétricos soltos, entre outros.

3.6 Sistema de elevação

As escadas devem ser executadas conforme especificações da NBR 9050 (1994), observadas as exigencias de corrimão, sinalização e dimensões de pisos e espelhos. A NBR 13994 (1999) aborda as condições exigíveis para o projeto, a fabricação e a instalação de elevadores para portadores de deficiência que podem se locomover sem a ajuda de terceiros. Segundo essa norma, em toda edificação deve haver acessibilidade, permitindo seu uso indiscriminado por todos, ou seja, de modo igual e independente. Por outro lado, o acesso aos elevadores por pessoas portadoras de deficiência deve ser garantido, o que significa que é essencial que os espaços e os elementos (rampa, entrada, circulação, portas, etc.) da edificação, que conduzam aos elevadores, atendam aos requisitos das normas aplicáveis. Além disso, deve haver uma sinalização precisa, clara e apropriada para os elevadores, contendo símbolos, alertas sonoros e pictogramas grandes. Essas necessidades devem cobrir a diversidade de deficiências, possibilitando também o uso por pessoas não portadoras de deficiências.

4. Análise do atual sistema Atualmente, o sistema de elevação da ASSIC é composto por uma escada (Figura 1), único acesso ao pavimento superior de sua sede. Essa escada de concreto, com dezessete degraus e sem patamar intermediário, possui corrimão nas duas laterais e está localizada na área externa, portanto, sujeita a ação de intempéries.

De acordo com a NBR 9050 (1994), as edificações e os espaços devem possuir rota acessível, ou seja, trajeto contínuo, desobstruído e sinalizado, que conecte ambientes internos entre si e ao ambiente externo, e que possam ser utilizados de forma autônoma e segura por todas as pessoas, inclusive aquelas com deficiência. A rota acessível externa incorpora estacionamentos, calçadas rebaixadas, faixas de travessia de pedestres, rampas, etc. A rota acessível interna incorpora corredores, pisos, rampas, escadas, elevadores etc. A norma também afirma que os degraus e as escadas fixas em rotas acessíveis devem estar associados à rampa ou ao equipamento de transporte vertical.

Figura 1 – Sistema de elevação atual da ASSIC.


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Observa-se ainda, nessa escada: sérios desconfortos em relação à segurança; às necessidades fisiológicas; e, constrangimentos biomecânicos relativos à localização, ao número e à dimensão dos degraus e, às características do corrimão. Portanto, essa escada dificulta o acesso de alguns de seus usuários e impede a participação de outros, como cadeirantes, hipertensos e cardíacos.

acessibilidade, desconsideração de usuários idosos e cadeirantes em relação à locomoção e aos acessos (largura incompatível das portas e circulações dos banheiros; dimensões dos degraus; falta de um sistema de deslocamento vertical para cadeirantes). Observou-se ainda o não cumprimento às exigências da legislação local (Código de Obras do Município de Manaus, Lei No.673, 2002).

Para Itiro Iida (2005) as pessoas idosas preferem viver em ambientes bem estruturados, com pontos de referência bem definidos, que lhes proporcionem serviços domésticos, cuidados com a saúde e acompanhamentos sociais facilmente disponíveis. Elas tenderão a recusar qualquer tipo de ambiente que não lhes garantam um mínimo de privacidade. A preocupação com a seguridade física e psíquica dos idosos são aspectos destacados em estatutos, decretos e portarias brasileiras. Alguns componentes ambientais da ASSIC não atendem essas exigências legais. Além da escada fora dos padrões recomendados por norma (NBR 9050, 1994), sua sede não possui banheiros para PNE, os banheiros existentes apresentam características que dificultam sua utilização por PMR e as portas, em sua maioria, não obedecem à dimensão mínima para passagem de cadeirantes. Utilizando os critérios de Moraes e Mont’Alvão (2003) foi realizada a classificação taxionômica dos problemas da escada e dos banheiros da ASSIC (Figuras 2 e 3), quais sejam: acional, ou seja, constrangimentos biomecânicos no ataque acional a empunhaduras (corrimão); de deslocamento que dificultam o acesso dos idosos ao segundo pavimento e que acarretam maior tempo de deslocamento (quantidade de degraus e a grande distância percorrida até os banheiros, pela falta dos mesmos no pavimento superior); natural, relativo a exposição às intempérieis e à radiação solar; espaciais/arquiteturais, relativo a deficiência de fluxo e de circulação, dimensões, conformação, acabamento e largura da escada (1,13 m); acidentários, devido ao comprometimento dos requisitos securitários (parte do corrimão solto, precariedade do piso, dimensão dos degraus, largura da escada, ausência de manutenção, presença de obstáculos obstruindo o acesso e a passagem, exposição às intempéries); e,

Figura 2 – Identificação de problemas no sistema de elevação atual.

Figura 3 – Portas dos banheiros com largura menor a recomendada pela norma.


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5. Estudos preliminares Os estudos se iniciaram em 2007, como prática da disciplina Ergonomia I, oferecida para o curso de Design na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), quando foram identificados os problemas existentes na sede da ASSIC e indicadas possíveis intervenções. No período 2008-2009, os estudos tiveram continuidade e foram aprofundados pela equipe do Programa Coroado onde professores e alunos da UFAM (Design, Engenharias Civil e Elétrica) e de Engenharia Mecânica da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) realizaram levantamentos in loco, pesquisas bibliográficas, analisaram os problemas já identificados e propuseram a execução de um sistema composto por escada e equipamento de transporte vertical, que resultaram em duas propostas, uma com a localização deste sistema internamente e outra externamente. Em parceria com professores e alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial- SENAI/AM foram produzidos um modelo em escala reduzida e o primeiro protótipo desse equipamento de transporte vertical que será instalado na ASSIC e cuja utilização deverá ser monitorada durante um ano.

no formato dos espaços existentes e/ou criação de novos espaços. Dessa forma, encontra-se em andamento o projeto de reforma da arquitetura predial dessa associação, que deverá contribuir para a melhoria da estrutura física, tornando-a compatível com as atividades nela desenvolvidas e as características de seus usuários.

6. Conclusões 

A partir da análise das principais dificuldades encontradas pelos idosos no uso dos espaços e das instalações da ASSIC, constatou-se a importância da intervenção ergonomizadora para contribuir para a acessibilidade (PNE e PMR) e a inclusão social dos idosos.

Para atender as necessidades do usuário no ambiente, os espaços devem ser projetados considerando as variações de tamanho, sexo, peso e/ou de habilidades/limitações, o que resultou no estabelecimento de prérequisitos para a construção do protótipo do equipamento de transporte vertical e dos espaços da ASSIC.

A implantação de um novo sistema de deslocamento permitirá que idosos, PMRs e PNEs utilizem de forma eficiente e segura os espaços e as instalações da ASSIC; viabilizará a participação de outros, hoje impossível (cadeirantes); e, contribuirá para a confiabilidade e a integração social do idoso, na medida em que eles serão capazes de desenvolver as mais diversas atividades e o convívio social.

Os estudos preliminares demonstraram a importância da fundamentação teórica, da uma base de dados confiável (levantamentos in loco), da formação de uma equipe multidisiciplinar e da viabilização da construção de modelo e protótipo, através do qual são realizados os testes e as observações antes da implantação do produto. Desta forma, torna-se exequível a correção de falhas e a oferta de espaços e instalações que contribuam para a saúde, a segurança e a acessibilidade dos usuários da ASSIC (idosos e cadeirantes).

No desenvolvimento dessa proposta foram considerados os seguintes aspectos: baixo custo e facilidade de implantação e de manutenção; baixo consumo de energia; segurança; conforto; estética; limitações físicas e psíquicas comuns aos idosos; limitações impostas pela arquitetura predial da sede da ASSIC; e, pré-requisitos referentes à dimensão, carga, material construtivo e tipo de acionamento. No modelo reduzido foram avaliados aspectos relativos à carga (tensões e deformações), estéticos (escolha de materiais de acabamento, usos das cores da associação-identidade visual) e de segurança (alarme sonoro e visual quando do funcionamento, etc.), a partir das recomendações da ABNT. Os resultados obtidos nos testes com o modelo reduzido subsidiaram a construção do protótipo. Atualmente estão em andamento ações para avaliação e validação deste protótipo. Para atender as exigências de norma relativas aos ambientes sanitários (banheiros) e à implantação do sistema de elevação (escada e equipamento de deslocamento vertical) na sede da ASSIC, serão necessárias intervenções também na distribuição e


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7. Referências Bibliográficas

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BRASIL, Lei Federal Nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, Postura de Acessibilidade da Pessoa Portadora de Deficiência Física. Diário Oficial [do] Município do Município de Manaus, Manaus, 2000.

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BRASIL, Decreto Nº 32.298, de 20 de dezembro de 1999, Regulamenta a Lei no 7.853, de 24 de

EIZIRIK, Cláudio Laks; KAPCZINSKI, Flávio; BASSOLS, Ana Margareth Siqueira (Org´s). O ciclo da vida humana: uma perspectiva psicodinâmica. Porto Alegre: Artmed, 2001. ESTATUTO DO IDOSO. Disponível em <www.direitodoidodos.com.br>. GOMES FILHO, João. Ergonomia do objeto: sistema técnico de leitura ergonômica. São Paulo: Escrituras Editora, 2003. IBGE. População por sexo, e total de 65 anos e mais/Brasil. Censo 2000. IBGE, Censo Demográfico 2000. Disponível em: <http://www.mpas.gov.br/12_01_18.htm>. IIDA, Itiro. Ergonomia: Projeto e Produção. São Paulo: Editora Edgar Blücher Ltda, 2005. MEIRE, Cachioni. Quem educa os idosos?: um estudo sobre professores de Universidades da Terceira Idade. Campinas, SP: Alínea, 2003. MANAUS, Lei nº 673, de 04 de novembro de 2002, Institui o Código de Obras e Edificações do Município de Manaus, e dá outras providências.

outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências. Diário Oficial [do] Município do Município de Manaus, Manaus, 1999.


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