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Página da Mulher Amarga ironia Regina Stella (*) Quando ele olhou a esplêndida paisagem à sua volta, a lagoa, as montanhas, os flamboyants e as amendoeiras enfileiradas à beira d’agua como sentinelas montando guarda, sentiu o privilégio que ali se oferecia. Nem por um instante vacilou. Decidiu, de pronto, que teria naquele lugar um pedaço de chão. Acolheu, fascinado, a idéia que brotara, e dias depois comprava a terra que imaginara num momento de exaltação. Morando na cidade grande,numa rua barulhenta, onde o burburinho só tinha fim pela alta madrugada, ele se viu como um deus, a gozar de sossego e paz, das coisas simples há tanto esquecidas, longe do asfalto, do concreto, dos gigantescos edifícios. Aos fins de semana, impreterivelmente, atravessava a baía, aliviado, e se encastelava na casinha branca cercada de varanda, tosca, a ler um livro, um jornal, a improvisar um jardim, a conversar, rapidamente, com alguém conhecido que passasse em frente. Passados alguns meses, os olhos só tinham vez para a beleza e paz, alargou os horizontes, fez amizade com os moradores, uma prosa aqui, outra ali,no boteco uma cervejinha gelada. Chamou-lhe a atenção a extrema pobreza que cercava o seu pequeno mundo. E resolveu ajudar àquela pobre comunidade. Traria donativos, roupas usadas para distribuir, algo que conseguisse entre os amigos da cidade grande. Não poderia ficar alheio às necessidades que ali saltavam aos olhos. Certo dia, ao ver o açougueiro da rua onde morava, que lhe servia há anos,descarnar uma peça,” gigantesco trazeiro”, teve a idéia de lhe pedir os ossos que se amontoavam num canto, para levar aos sábados àquela humilde gente, carente de proteínas. E pensava, de como faria bem às crianças um caldo quente, uma sopa, as proteínas que finalmente chegariam. Contente, lá se ia aos fins de semana para o seu mundo de sossego, ansiando por silêncio, pela beleza da paisagem que antevia, satisfeito com a bagagem que levava, pesados sacos de ossos. Tinham endereço certo, toda vez. Mal chegava, lá estavam os fregueses à espera. Convencido da caridade que exercitava, da colaboração que dava àquela gente, usufruía da alegria de distribuir. E ficava imaginando as famílias em volta da mesa, imprestável, carcomida, pensa, a tomar, nas noites frias, o caldo dos ossos que trazia. E se passaram meses. Tranquilo, cumpria à risca o ritual: a compra dos sacos de plásticos, a ida ao açougueiro, a conversa rotineira confirmando o seu agradecimento pela participação e generosidade. Trabalho repetido a cada sábado, igual, monótono mas infalível. E gratificante. Certa vez, a distribuição dos ossos já tinha sido feita, e ainda cansado, a viagem tinha sido mais longa, difícil o trânsito, e já anoitecia, quando um dos costumeiros fregueses se aproximou. Desconfiado, rondava de um lado a outro,uma palavra aqui, outra ali, resmungando. E então? indagou, surpreso, do estranho comportamento. Tem alguma coisa a me dizer? Depois de uma certa insistência, ainda relutando, com meias palavras:” pois é, o mundo é assim, nem todo mundo é igual, há gente boa e gente ruim, “ decidiu falar. E começou, - Eu acho que o senhor devia ficar um tempo sem vir aqui. É muito trabalho e o senhor mora tão longe! _ Porque? retrucou o benfeitor,espantado com a sugestão do peão, habituado à alegria da chegada, a pequena multidão lhe aguardando, a certeza do dever cumprido, a fisionomia dos que eram aquinhoados... Porque? _Estão falando umas coisas...e o senhor não vai gostar. Estão querendo, estão combinando lhe pegar. De surpresa. Para lhe dar uma surra. Uma surra bem dada! Espantado, arregalando os olhos pela inusitada confidência, soltou uma exclamação tamanho da noite: o que? como? porque? _ Ah! esse povo fala demais! Estão espaiando que o senhor está enganando a “nois”. Estão dizendo que o governo dá a carne e manda pra cá, mas o senhor tira toda ela , e traz “pra nois” só os osso! Vão pegar o senhor. Ninguém quer ser enganado. Era grave a denuncia e muito maior o espanto! Àquela noite, horrorizado, não pôde pregar os olhos. De medo, de raiva, de desencanto, Então, lhe tomavam por velhaco, ladrão e trapaceiro! Madrugada, ainda escuro, levantou-se, juntou os apetrechos. Fechou a casa e se agachando , em defesa, caminhou até o carro. Como podia o homem dar acolhida a tamanha perversão! Naquela manhã de domingo, atravessando a baia, terrivelmente agredido, trazia na boca um amargo gosto de desengano Passados muitos meses me confessou que, quebrado o encanto, não sabia dizer se ainda voltaria. Talvez quando o desgosto passar. (*)Regina Stella (Fortaleza), jornalista e escritora

Junho/16

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Ceará quer renegociar dívidas com BNDES e Caixa

Encontro entre secretários da Fazenda estaduais e equipe econômica do presidente em exercício Michel Temer terminou ontem sem consenso. No entanto, o Ceará definiu exigências para pagamento das dívidas Mauro Filho, secretário da Fazenda do Ceará, esteve na reunião com a equipe econômica de Michel Temer sobre negociação da dívida dos estados Das exigências para ajustar a renegociação das dívidas dos estados com a União, o que interessa ao Ceará é a inclusão do alongamento da dívida com o BNDES por 10 anos e a renegociação com a União das dívidas de Companhias de Habitação Popular (Cohabs) com a Caixa Econômica Federal (CEF). Estas foram criadas pelo Governo Federal em 2001 para administrar contratos habitacionais problemáticos da CEF. Proposta do Governo Federal não foi aceita pelos estados As demandas do Ceará se juntaram a de mais 11 estados, que tinham como representantes os secretários fazendários, na reunião com a equipe econômica do governo Michel Temer (PMDB), realizada ontem em Brasília. O encontro, que terminou sem consenso, negocia demandas para ajustar o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257, que trata da negociação das dívidas dos Estados com a União. Ao O POVO, Mauro Filho, secretário da Fazenda do Ceará, explica que cerca de 12 estados podem se beneficiar caso se possa renegociar com a União os débitos com a Cohab. Para que isso aconteça, deve haver a inclusão das dívidas da lei 8.797/1993 no PLP 257. A lei, na época, permitiu o refinanciamento dos saldos devedores existentes em 30 de junho de 1993 de todas as operações de crédito interno contratadas até 30 de setembro de 1991 com a União. Para os estados, essa alternativa abrandaria as dificuldades financeiras. Mas a principal demanda do Ceará é justamente incluir as operações de crédito que o Estado tem com o BNDES e a dívida com os empréstimos tomados para a construção da Arena Castelão na proposta de 10 anos de alongamento dos débitos, incluindo quatro anos de carência. O secretário detalha que a dívida do Estado com o BNDES gira em torno de R$ 2,8 bilhões. Deste montante, a prioridade é o débito que possui dentro da linha de crédito para estados, no valor de cerca de R$ 300 milhões e os cerca de R$ 280 milhões da Arena Castelão. “Acredito que pelo menos o BNDES, a linha de crédito para os estados, deve entrar na negociação (do PLP 257)”, diz. Uma das exigências, desta vez por parte do Governo Federal, que pode beneficiar o Ceará, se relaciona aos 16 estados que entraram na Justiça para transformar o juro composto da dívida em simples durante dois meses. Ele diz que a equipe econômica de Temer pleiteia que esses entes da Federação desistam desse acordo. Assim, os estados, incluindo o Ceará, que não entraram com liminares e não receberam esses dois meses de benefício, em que o juro composto foi transformado em simples, poderão receber justamente dois meses de vantagens do Governo Federal. “Poderemos ter vantagem desses dois meses de 100% em algumas dessas operações novas com o BNDES”, diz. Saiba mais Umas das demandas que o Governo se colocou claramente contra é o de que o estoque das dívidas com a União seja corrigido pelo IPCA mais 4% ao ano e que essa regra seja retroagida até a assinatura dos contratos, que variam entre os anos de 1998 e 1997, dependendo da entidade federativa Agora os secretários estaduais devem levar os termos impostos para os governadores. Mauro Filho diz que o próprio presidente em exercício pode se reunir com os governadores.

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Leituras X

Agradecendo uma homenagem Evandro Pedro Pinto (*)

Boa noite a todos. Em meu próprio nome, de Lúcia Garófalo, de Lourenço Rommel Peixoto e de Vicente Nunes de Magalhães, quero agradecer à mais alta honraria que a Casa do Ceará nos outorga nesta noite – a de Sócios Eméritos desta Instituição. Agradeço também, em nome dos demais homenageados: os sócios beneméritos Aldanilse Pereira de Lima e Maria Áurea de Assunção Magalhães e os sócios honorários Antônia Lúcia Guimarães Aguiar e Manoel Macedo Gonçalves. Ao receber do Governo do Ceará a Medalha da Abolição, meu saudoso pai iniciou o seu agradecimento com as seguintes palavras: eu mereço esta homenagem, provocando risos e aplausos de todos. Parafraseando, portanto, o velho Clodoaldo Pinto, eu também lhes digo: nós merecemos esta homenagem, embora, ainda assim a agradecemos. Por quatro anos exerci, junto ao Presidente Osmar Alves de Melo, o cargo de Diretor Administrativo – Financeiro, oportunidade em que deixamos a instituição em invejável situação econômica. Anteriormente ocupei, durante dois anos, o cargo de Presidente do Conselho Fiscal, cargo ao qual agora retornei, a partir da eleição de setembro de 2015, abrindo mão, por imperiosa , decisão pessoal, da reeleição às finanças e à administração da casa. De igual forma, Lúcia Garófalo, Lourenço Rommel Peixoto e Vicente Magalhães fazem jus ao honroso título pelos relevantes serviços prestados à Casa do Ceará. Lúcia e Lourenço pela importante e inestimável colaboração na difusão dos feitos da asa em sua Brasília Super Rádio FM e em seu valioso Jornal de Brasília e Vicente por sua brilhante atuação no cargo de Diretor de Educação e Cultura, revelando-se igualmente por valiosas doações à Casa do Ceará. O afastamento das atividades de diretor administrativo-financeiro tem me feito repensar a Casa do Ceará e sua louvável destinação benemérita. Assim, creio que é chegada a hora de darmos um up grade nessa destinação, para o que convoco a todos os cearenses de boa vontade. Sempre alimentei um sonho de ver a Casa do Ceará como uma mantenedora de creches, onde, em projeto primeiro, pudéssemos dar assistência integral à infância pobre de nossa cidade, infância esta que, sem cuja assistência, continuaremos sofrendo com a aflitiva estiagem de homens e mulheres prontos a exercer a cidadania em sua plenitude. Creio que para isso não nos faltarão recursos, pois disposição e força de vontade nós as temos de sobejo. De igual forma, podemos ampliar os nossos serviços médico-odontológicos, aumentando nossas receitas, atendendo a um nicho de mercado que tem se apresentado nesses tempos de recessão e desemprego. Refiro-me ao que a imprensa tem noticiado: a grande defecção de segurados de planos de saúde, ensejando a criação de clínicas médicas a preços módicos, que vêm atendendo a esta população desventuosa. E esses preços módicos não superiores aos estabelecidos pela Casa do Ceará. A essas clínicas tem ocorrido milhares de ex-segurados, e de cujo fenômeno mercadológico poderemos carrear novos e inúmeros ex-segurados, ampliando, portanto, nosso atendimento. São duas verdadeiras plataformas de governo que elevarão ainda mais a Casa do Ceará no conceito em que nos tem a sociedade de Brasília. Deixo aqui o desafio. Ao encerrar essas breves palavras, renovo os agradecimentos à Diretoria da Casa do Ceará que nos distinguiu com essas honrosas homenagens. Muito obrigado a todos. (*) Evandro Pedro Pinto (Fortaleza) auditor fiscal da Receita Federal, aposentado, presidente do Conselho Fiscal da Casa do Ceará em Brasília. Pronunciamento feito na solenidade de entrega de diploma de sócio Emérito.

Ceará em Brasília

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