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O Cavaleiro & a Esfinge

Shaddai Queiroz de Britto e Lima

Autor e editor

Para casos de peregrinação inteior...


Dedico este escrito, esta narrativa, este conto primeiro à motivação prima que sempre acreditou e teve ciência de minha potencialidade dês de que a mostrei em plena verdade. Shisha, mana, valeu! Sempre será minha musa predileta! Em segundo lugar dedico a minha mãe, meu pai, primo, prima, minha tia, meus avós e ancestrais, que me deram a vibração necessária para que eu existisse e tornace alguém no mundo material. Meus amigos, principalmente aqueles que ouviram mais de uma vez minhas passagens de texto. E na trindade coloco aqui meu agradecimento profundo à fonte da manifestação criativa, com o intúito de alegrar adultos e crianças em uma sabedoria lúdica. AMORC, em aspecial a Ordem Juvenil e a Soror Genilda que me solicitou criar esta obra.

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Sabe quando as coisas não vão bem? Uma sensação de vazio, o dia perde a cor e a graça fica a cargo dos outros... Juca até pensava em se sentir diferente, mas o que podia fazer? Diferente como? Não sabia dizer... Era com os estudos, dentro de casa, e com os amigos, amigos... esta palavra lhe causava um desconforto estranho. Como se ver no meio daquelas conversas? Todos tinham alguma opinião. Os conselhos já o depreciavam mais do que o botavam para cima! Era como se todos estivessem de algum modo distantes! Como podiam compreender o que estava passando, o que sentia. Era muito? Era pouco? Que importava? Quem se importava?

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Seu pai, chegando do trabalho não conseguia uma abertura para falar com ele, era sempre monossilábico ou ficava na maior parte do tempo em seu quarto. O medo do filho o atingia de modo a ter medo de machucar mais ainda invadindo-o. Quando tentou só brigaram, e isso não fez bem nem pra ele nem pra seu filho. Um dia só chegou, e olhou para a foto de sua falecida esposa, mas desta vez a luz revelava seu rosto no vidro que impedia que poeira e intempéries atingissem o belo sorriso dela, dar uma risada também foi um reflexo. Então teve uma idéia. Ambos na sala, ele com um livro, seu pai resolve puxar o assunto. Sua preocupação estava em seu rosto. Lá vinha ele mais uma vez. Disse que mesmo não entendendo pelo o que seu filho estava passando estava aberto para conversar. Mas um silencio arrastado passou entre eles. - Não me sinto confortável para conversar sobre isso, pai. - O pai olhou para ele. - Vocë já se olhou no espelho, filho? - E mais uma vez não houve resposta. - um menino com tanta luz nos olhos! Você tem andado muito abatido e triste. Veja, comprei este espelho. 8


- O espelho estava encostado na lateral do sofá, perto do pai, embrulhado. Fora da embalagem ele era relativamente grande. Coloque no seu quarto, vai te ajudar! Vai ser bom olhar para si. - Até pegou o espelho como se fosse algo mais profundo do que um simples presente de auto-estima... mas já havia meditado, sentado pensado... O pai olha para sua cara de falta de confiança. - Mesmo que não entenda de início o que estava falando, talvez faça sentido mais tarde. Juca inicialmente relutou, olhou para o espelho, seu refléxo. Estava abatido. Olhou para o pai e nada disse, foi para o quarto. Fechou a porta e jogou o livro que estava lendo no chão caindo do lado da cama. O espelho ele colocou encima de uma mesinha baixa encostado na parede no canto oposto ao da cama. Depois ia pensar onde penduraria ele. Só queria deitar um pouco. Antes ajoelhou-se na frente dele. Seu reflexo o contemplava com uma aparência de milhões de anos, quem era mesmo? Qual era mesmo o problema? E sentiu uma mistura de raiva, medo e tristeza. O que há de errado? Não 9


podia simplesmente Não estar se sentindo assim e nada disso estaria acontecendo? Esperou uma resposta, que não veio, e não entendeu o porque daquilo tudo! Realmente estava abatido, culpou seu refléxo pela ausência de resposta e se deitou. Um certo momento abriu os olhos e se levantou, olhou para o quarto e no lugar do espelho, havia uma porta! Era como se o espelho tivesse crescido em proporção e virasse uma porta e o que era uma mesinha tinha virado uma escadinha! Ele não entendeu nada, viu envolta do quarto e percebeu que estava tudo normal, olhou então para a cama e se viu dormindo! Era tudo um sonho! Pensou que era só se beliscar, e assim o fez, mas não acordou. Então fechou os olhos e pensou que ia acordar e mesmo assim não conseguiu. Andou até seu corpo e deitou na cama, mas só conseguiu ficar por cima do mesmo. Sentou-se na cama e pensou em todos os problemas. Talvez desistir fosse uma opção... foi então que a porta-espelho entre abriu, fazendo uma zoada. 10


Levantou-se de cima de si mesmo e foi até o espelho entreaberto. Havia ficado preso na ideia de não acordar mais que esqueceu da porta! Abriu e viu apenas seu quarto, como em um espelho, tudo exatamente igual só que do lado oposto. Olhou e resolveu entrar, fechando a porta, se virou para ficar de frente ao espelho. Mais uma vez, olhou para o objeto e se viu, mas no lugar de seu rosto havia uma máscara com um olho egípsio que o olhava, inicialmente pensou ser outra pessoa, mas o personagem fazia exatamente o mesmo que ele! Então olhou para seu quarto e viu que não havia ninguém na cama ao contrário do outro mundo. Sua auxência na cama o fez ir se sentar. Observou o quarto. Era exatamente igual, um pouco estranho por estar invertido. Olhou para o criado mudo... engraçado, no lugar das fotos em que ele estava; havia sempre um outro alguém com uma máscara com um olho de Orus. Estranhou. Abriu na cômoda, viu outras fotografias e percebeu o mesmo acontecimento, o mesmo personagem com máscara. Pegou uma destas fotos, e colou no bolso. Quando deu meia volta para voltar, olhando para traz, 11


não tinha mas uma porta-espelho gigante, piscou, tudo voltara ao normal, era agora apenas um espelho encima da mesinha. Tudo estava muito estranho, se aproximou e tateou a parede para ver se algo se abria ou mesmo empurrou a face do espelho na esperança de se não fosse porta, pelo tamanho podia ser uma janela agora, e ele conseguiria passar por uma janela-espelho. Nada encontrou, nada se moveu. Como sairia dali? Exatamente após isso seu reflexo apontou para a porta, isso o deixou desconcertado, nunca antes seu reflexo respondera... mas como era ele mesmo e estava sonhando, ele resolveu checar. Na porta havia um cajado encostado na fechadura com um bilhete encima escrito “de mim para mim mesmo”, o que achou muito estranho, não lembrava de nenhum pedaço de madeira encostado na porta quando tinha olhado o quarto. Embaixo em letras menores podia ler “para casos de peregrinação interior”. Era um bonito cartãozinho em papel com textura de velho e com letras muito bem escritas, mas interessantemente as letras o lembravam muito as suas, só que como se estivessem 12


desenhadas. O cajado era um pedaço de pau velho e feio, será que seria certo leva-lo consigo, já que o bilhete certamente sugeria isso? Mas não fez. Abriu a porta e fechou; deixando o cajado dentro do quarto, afinal, o que iria fazer com um pedaço de pau velho? Do lado de fora ele viu o corredor de sua casa, era normal, mas quando chegou na sala viu que ela estava repleta de quadros, todos com rostos de várias pessoas que conhecia, muitos daqueles que o abusavam, o destratavam, e outros que apenas conversavam. Na sala ele viu várias portas, e no chão várias chaves. Não entendeu inicialmente, mas depois viu todas as portas fechadas, todas as portas da sala estavam trancadas, inclusive a do quarto dele. Quando ele escuta uma voz, uma do quadro, dizendo que ele tem que pegar uma chave da sala e tentar. Era um começo, pegou algumas chaves na mão e foi tentando chave diferentes respeitando o tamanho das aberturas e proporções das chaves, mas nenhuma parecia funcionar. A medida que tentava algumas vozes dos quadros davam palpites 13


e outras começaram a critica-lo, dizendo que ele não iria conseguir sair dalí, talvez até nunca mais. E se ele arrombasse? E começaram a conversar entre si deixando a sala em barulho pleno. Até que ele não conseguiu mais prestar atenção em nada! Se cansou, sentou no sofá do centro da sala, fechando os olhos e tampando os ouvidos, até tudo fica em silencio. Ele então escuta e tem a impressão de estar enxergando. Sim, vê alguém entrando na sala da escuridão de sua mente. Ele olha, pensando se a sala tinha mudado, e percebe uma esfinge entrando, uma de verdade, real. Era encantador ver um ser felino do tamanho de um leão com asas e um rosto familiar. A esfinge chegou até ele e perguntou se estava certo do que estava fazendo. Ele disse que sim. E então a esfinge perguntou se era essa a resposta que ele tinha para dar, e inicialmente Juca definiu que era, mas quando a esfinge foi se afastando ele pediu para que ela esperasse. Disse que não sabia o que estava acontecendo e que não sabia qual chave escolher, ou o que fazer, que muitos quadros chegaram a falar muita coisa, mas mesmo 14


com tantas opiniões nada tinha dado certo. A esfinge voltou e falou que se ele continuasse sem se escutar ele poderia ficar preso ali para sempre, que ele teria que se escutar mais, pois aqueles que nos iludem e nos criticam não devem nos atingir. Pergunte a si mesmo a verdadeira resposta e assim descobrirá um jeito de sair. Enfim, encontraria a resposta. E assim sairia da sala. Nesse momento ele percebeu que estava ainda de olhos fechados e os abriu. Na frente dele, encostado na parede viu o mesmo cajado com um bilhete encima, como da última vez, mas dessa vez o escrito era, “o conhecimento é seu”. Ele se perguntou o que iria fazer com o cajado, sem querer em voz alta e mais uma vez as vozes começaram a emitir opiniões, ele foi acatando uma opinião e outra, até que ele jogou o cajado em uma porta. Quando viu o cajado cair, percebeu que poderia tê-lo quebrado, e nesse momento olhou para traz e todas os quadros apontaram para ele e falaram que a culpa era dele, e ficaram repetindo isso e diminuindo o volume da voz, pois os quadros só se 15


manifestavam quando ele emitia uma pergunta ou seguia o que um dos quadros mandava fazer. Juca se sentou no sofá e pensou que por isso quase tinha quebrado o cajado que tinha ganho de presente da esfinge, assim sendo a sua interpretação do cajado. Parou um pouco e relaxou no sofá, para então olhar para o cajado e pensar. Perguntou o que deveria fazer, mas quando um quadro se manifestou ele pediu para que fizesse silencio e todos os quadros se viraram de costas. O que eu devo fazer? O menino olha para o cajado e lembra do que a esfinge falou, que ele tinha que se escutar, e depois lembrou do papelzinho do cajado, pegou-o e leu mais uma vez, “o conhecimento está em você”. Olhou para o cajado e viu que nele havia escrito conhecimento, segurou o cajado e fechou os olhos, levantou-se foi até uma mesa que não havia notado e abriu os olhos, abriu a gaveta, lá estava uma caixa que sempre estivera alí, era alí que costumava guardar as coisas que achava mais interessantes quando criança, que o fazia descobrir o mundo, e percebeu que aquela era a verdadeira porta, e que 16


ele sempre soube disso, colocou a mão no bolso de sua calça, onde havia colocado uma foto sua e de lá tirou uma chave. Neste momento ele percebe que deveria ter se escutado mais. Tomar suas decisões perante ao que ele achava certo fez um sentido dentro dele, e assim abre a caixa. Neste momento uma música começa a tocar como se a caixa fosse uma caixinha de música, e o que no início parecia vir da caixa de repente o som estava em todo o espaço e o cenário começou a subir como se fosse tudo um teatro um cenário suspendido mostrando um grande deserto em volta do chão. Era uma casa muito engraçada agora... Quando o cenário se desfaz a música sessou e a esfinge entrou fazendo outra pergunta: “você se escutou?”, e ele prontamente disse que sim, e a esfinge pede o cajado. “você entendeu o que é isso?”. Juca prontamente diz ser conhecimento, e a esfinge pergunta “de quem?”, e ele fala que é o dele. “O cajado sempre esteve a meu dispor, eu que nunca o levei em consideração e por isso não o tinha comigo” respondeu. A esfinge pergunta para ele se ainda queria aquele pedaço de madeira velho, e obtém 17


como resposta por favor que sim. Assim que responde todas as questões a esfinge fala que ele tinha passado por dificuldades que o fizera quase desistir e quebrar seu cajado, mas que escutou seu coração, e levou em consideração o que ele achava que era certo sem deixar que os outros os atingisse negativamente, ele havia compreendido. Por ter conseguido sair da sala e ter respondido as perguntas sem mentira em seu coração ela ia ofertar um manto, e estendendo a mão um manto bem adornado da cor do céu no anoitecer apareceu sobre o braço da esfige. “Você o aceita?” Juca olha para o cajado, para o manto, para o deserto e chega a pensar em recusar. Por que iria cruzar um deserto, com um manto? Mas depois lembrou que havia recusado o cajado no início e que a noite os desertos faziam muito frio, e por isso aceitou. A esfinge coloca o manto no chão e diz para ele seguir a leste em direção a Terra Santa, onde ele acharia um jardim cultivado pelo Tempo e que quando chegasse lá que ele se lembrasse que “a paciência corresponde ao domínio do tempo e à 18


certeza de que ele trabalha em nosso favor”, falando isso sai. Ele olha para baixo e vê que o chão que permanecia o da sala, mas era como se um deserto todo existisse depois dela, e não havia sinal de que houvesse um quarto perto de onde estava ou se quer uma casa! Tudo deixara de existir. Simples assim. Foi até o manto e tentou levanta-lo de vez como qualquer lençol de sua casa, mas percebeu que era mais pesado que o normal, e o largou. Como poderia levar um manto pesado no meio do deserto para um lugar que só sabia que era ao Leste, mas olhou seu cajado, pensou e lembrou de tudo que passou e todo o conhecimento que tinha adquirido, e sabia que lá no fundo deveria levar o manto, era o que sua voz interior dizia e ficou mais confiante com sua decisão. Sendo assim, pega o manto, e mesmo um pouco pesado anda até a borda e se pergunta onde poderia ser o leste, olha para os lados. Muito longe viu um ponto no deserto. Entre o vazio e um 19


ponto resolveu chegar mais perto dele para ver se conseguia se identificar no espaço. Mais perto ficou empolgado! Viu que o ponto era uma placa presa na areia! Bom, chegando lá ia saber qual direção tomar. Andou até lá, e ao invés de um pedaço de pau comum com uma área de madeira indicando as direções, era um pedaço de madeira com vários braços abaixados, cada um com um relógio no pulso e no lugar da placa, nada escrito. No momento em que ele perguntou pra que servia uma placa cheia de braços a placa responde dizendo que “pra varias coisas”. Juca pensou em olhar em sua volta pra ver se não havia mais ninguém ali, e percebeu mesmo que era a placa que havia falado. “Os braços suponho eu que são pra apontar o caminho já que você é uma placa, estou certo?”, a placa concorda, e “os relógios?”. A placa avisa que uns são relógios e outros bússolas que se fingem de relógios. Então Juca pergunta porque o porquê disso. A placa então olha para juca com sua cara de madeira 20


e fala que na terra do tempo muitos peregrinos interiores de diversos tempos aparecem, e que por isso os relógios e bússolas. “Os relógios seriam pra saber o tempo de outros peregrinos e as bússolas?”. “Você sabia que em diferentes tempos, as direções do planeta podem ser diferentes?”. Ele falou que não, e a placa disse que esse conhecimento poucos tinham, mas que era um bom conhecimento para o cajado. Juca tomou uma nota mental. Olhou em retorno e disse que queria ir para o leste. A placa responde que dependia do tempo dele. O menino logo entendeu e olhou para o céu, pois estava começando a ficar quente. “Você está ansioso pra chegar onde quer ir né?” “Eu estou querendo chegar logo a meu destino, poderia me falar onde é o leste de 2010?”. Neste momento ele começou a olhar vários braços, um atras do outro. “Para onde está indo?”. “Eu já não te disse? Pro Leste.” percebeu que estava ficando cada vez mais quente. “Eu perguntei o local.” A placa sempre permanecia normal em sua fala, enquanto o outro estava um pouco impaciente no sol, com um manto pesado que estava mais pesado e na frente de 21


uma placa que não dizia nada que fizesse sentido. “Eu vou pra Terra Santa, o Jardim do Tempo.” Mas ele toma uma extenção maior que o leste, o tempo está em todos os lugares em que pode ser percebido, e seu jardim se estende até quanto ele quiser, ou você queira”. “Mas indo pro Leste eu chegou né?” “Chega”. Ele percebeu que o sol estava mais quente do que nunca, e neste momento abriu o manto e se cobriu, respirou fundo e olhou para o sol. Percebeu que a placa continuava a olhar braço atrás de braço, ele não entendia como existiam tantos braços, e percebeu que estava ficando impaciente. Neste momento fez algo que nem percebeu que fez. Tomou uma respiração profunda, segurou no topo de seu cajado e olho pra cima pensativo: como ia sair dali de um modo bem fácil. E lembrou que o Sol nascia no Leste. Prontamente olhou para a placa e perguntou onde o Sol naquele mundo nascia. Neste momento a placa parou de olhar os vários braços e apontou uma direção. “Você faz jus ao seu Cajado peregrino, quando chegar ao tempo, diga que Caminhos mandou lembranças.” 22


Juca começou a andar na direção que Caminhos indicou para ele. Já era quase noite e percebeu que o manto apesar de pesado, tinha ficado mais leve. Mais a frente avistou um grande jardim de rosas e uma casa no meio do jardim, saiu correndo até que chegou no meio do que eram rosas, mas viu que muitas delas estavam feias e percebeu que algumas eram árvores pequenas e espinhosas. O que de longe eram rosas bonitas, agora era um roseiral mal cuidado. No roseiral viu vários relógios de vários tipos e tamanhos uns sentados outros trabalhando de maneira descuidada. Parou e olhou para a direção onde tinha um sentado. Perguntou se sabia onde o tempo estava. Teve que perguntar mais de uma vez para que ele olhasse, e mesmo assim percebeu que o fez a contragosto. “Pergunte para aquele ali que está trabalhando para mim, ele pode responder esta pergunta por mim, mas não o atrapalhe pois ele está a fazer meu trabalho! Agora me deixe descansar.” Ele estranhou, e se virou para um outro relógio 23


que estava a trabalhar, mesmo que as rosas deste estivessem bonitas, ele percebeu que ainda tinha muito trabalho pela frente. Perguntou então para esse outro relógio onde estaria o tempo, e mais uma vez perguntou outras vezes até que este se virou para Juca e disse: “eu tenho muito trabalho pra fazer, estou fazendo o dele mas não vê que ainda tenho o meu?! Pergunte a outro!”. E assim foi ao terceiro relógio que estava pegando rosas bonitas do outro lado do jardim e colocando no lugar das dele, mas toda vez que ele plantava uma rosa bela esta murchava. Virando-se para o relógio, perguntou como antes, e mais de uma vez, e assim como os outros relógios ele continuou o que estava a fazer, até que Juca falou: “Por favor, pergunto porque tenho pressa em encontra-lo, não quero chegar na casa dele e ele não estar e ficar procurando ele pelo seu grande jardim.” Neste momento todos pararam seus afazeres e apontaram para a casa, e voltaram a trabalhar. Ele correu até a casa com seu manto levemente pesado e bateu na porta, chamando pelo Tempo. Esperou um pouco e procurou 24


uma campainha sem nenhum sucesso. O manto tinha ficado um pouco mais pesado, e por isso tirou. Já era noite, sentouse na escada colocando seu cajado de um lado e o manto sobre os joelhos para proteger do vento da noite, esperou um pouco e quando a porta se abriu e ele se virou... Viu uma criança encima de um peixe que nadava pelo chão como se fosse água, e na realidade aparentava ser pelo que viu do chão da casa de Tempo, em torno do peixe o chão se liquefazia. O menino possuia vestes longa e brancas, e uma faixa que o envolvia com o que parecia ser todos os signos do zodíaco. Assim que viu o menino, ele se levantou, deu boa noite e disse que tinha um pouco de pressa; perguntou se poderia falar com o tempo, o menino por sua vez disse que ele não tivesse pressa, que o Tempo falaria com ele, mas que precisava de uma ajuda em seu jardim; se ele não poderia plantar 365 rosas que é o tempo que o Tempo se prepara pra falar com ele. Juca olha para o garoto e pergunta se é sério ou alguma piada começando a rir. O garoto olha para ele e pergunta o que ele achava, bem calmo e sério, 25


sem rir, deixando Juca sem jeito e rapidamente pega o saco de semnetes na mão do menino. O garoto pede que ele plante na área lateral da casa, perto da janela. Ele olhou e viu que era um pouco distante dos outros relógios. Pegou o cajado e o manto e foi até lá pensando em como poderia fazer pra falar com o Tempo o mais breve possível. Quando Juca chegou no lugar, olhou para cima e viu que era tarde da noite, mas mesmo assim preferiu plantar logo, pois pensou em falar com o Tempo assim que terminasse aquela tarefa, ainda não era tão tarde assim ao seu ver e com um bom rítimo logo pela manhã poderia falar com ele. Foi plantando as primeiras direito, mas a medida que o tempo ia passando ele foi desleixando e fazendo de qualquer jeito pois estava ficando com sono, e quando faltavam poucas ele resolveu planta-las em um lugar só pra terminar, afinal, eram já as últimas e no meio de tantas ninguém ia notar. Fazendo isso ele dormiu. Quando acordou estava muito cansado, a noite tinha sido péssima, ele tinha frio e seu manto estava muito pesado para que pudesse 26


puxar, estava com sono mas o incômodo o fez dormir mal. Pela manhã, quando olhou para o lugar onde tinha plantado as rosas, não viu nada, e ao pegar no saco, viu que estava repleto de sementes, isso o deixou muito confuso e impaciente, pois teria que começar tudo de novo. No meio do caminho estava muito cansado e irritado, nem viu se tinha feito tudo direito, mas achava que sim, como não conseguia continuar, mesmo um pouco distante dos relógios, foi até um deles e pediu ajuda, pois não conseguia terminar o trabalho, e este perguntou o que ganharia em troca, e ele disse que se fizesse, daria algumas rosas do jardim dele para ele colocar no dele por te-lo ajudado, pensando, abriu um sorriso e foi até o lugar que Juca estava a fazer o trabalho e satisfeito com o acordo, pois ia ter rosas prontas, foi ajuda-lo um pouco. Juca então adormeceu. Quando acordou era noite, olhou seu jardim e continuava vazio de rosas, as rosas boas que nasceram foram tiradas de seu jardim, e as que o outro plantou tinham virado árvores 27


pequenas e espinhadas. Neste momento olhou para casa, e viu que o menino olhava para ele, olhou para o menino fez uma cara impaciente e o mesmo sorriu para ele feliz. Juca mais irritado ainda voltou a dormir. Dessa vez não tinha dormido com o manto encima dele e acordou mais impaciente, a noite começava a gelar seus ossos. Não conseguiu dormir de volta. Resolveu tentar mais uma vez. Fazer diferente, não ia deixar que as sementes fossem murchar, desta vez! Pegou seu cajado e traçou uma grade na terra para colocar as cementes organizadas, chamou dessa vez 364 relógios sob a promessa de que cada rosa que nascesse ia ser deles, como eles só iam ter o trabalho de plantar uma rosa e que elas seriam só deles, eles foram fazer, foi bem rápido, mas pelo trabalho, mais um dia havia se passado, quando os relógios foram retomar seus afazeres Juca viu que o garoto estava em pé olhando o que ele tinha feito, dessa vez ele sorriu para o garoto, que não sorriu de volta, apenas andou retornando para casa. Ele se perguntou o que era que aquele menino tinha, e foi dormir. Teve um 28


sonho que enquanto ele estava dormindo o garoto vinha até ele e perguntava, “e se o tempo for uma criança?” Neste momento ele acordou, olhou para seu jardim e não viu nenhuma rosa, estava impaciente mais uma vez, mas ao invés de pensar no jardim, tinha se irritado com o Tempo, pois tinha descoberto que ele era a criança! Se levantou e tentou pegar seu manto que estava muito pesado e não conseguiu levanta-lo. Com um grande “Tsc” virou-se de costas para o manto, pegou seu cajado no chão e foi até a porta da casa de Tempo. Bateu na porta e o menino apareceu nas mesmas vestes. Eu já sei que você é Tempo, porque não falou comigo? O garoto percebeu o estado daquele que chegava em sua porta. Calmamente disse que tinha dito a ele que ia falar com ele após ter plantado as rosas. Não era este o acordo? Juca não entendeu e falou que aquilo não tinha sentido, qual era o propósito daquilo tudo? O menino olhou para ele e pediu para que entrasse. Dentro da casa de tempo tinha a sensação como se estivesse em 29


um quadro de Salvador Dali, os relógios eram fluidos, podia ver o dia e a noite de dentro de uma casa! Borboletas viravam lagartas e lagartas viravam borboletas, peixes flutuavam no ar e em um aquário podia ver aves nadando. Havia uma catarata de areia como em uma ampulheta no meio da sala, e no teto uma grande engrenagem pintada que se movia como um relógio e três ponteiro percorrendo todo o ressinto como uma grande sombra. Bem vindo a casa do Tempo. - Eu imaginei você mais velho, se soubesse eu teria tentado falar com você antes. - O tempo parou e disse que não ia falar com ele, que o trouxe pra dentro de casa pra perguntar se a esfinge não tinha lhe falado nada? Juca dessa vez ficou impressionado, foi até uma cadeira e sentou-se. Tinha se esquecido completamente de tudo que a esfinge falara pra ele, estava tão focado em falar com o tempo e nem sabia direito o que ia falar. Eu não lembro. O tempo então pediu para que ele o acompanhasse e o levou até um lago, neste momento ele se olhou e viu que estava ficando parecido com um relógio, números podiam ser vistos em seu rosto. Ele tomou 30


um susto! Olhou para o Tempo perguntando o que deveria fazer. Tempo o levou de volta até a porta, e disse que ele tinha sido um dos poucos que tinham percebido que ele era Tempo, e que achava engraçado como as pessoas achavam que o tempo tinha que ser velho, neste momento assumiu uma postura de velho. Ele podia ser como ele quisesse, e gostava de ser uma criança. Pararam em frente a porta. Você saberá o que fazer peregrino, preste mais atenção em si, e de uma olhada em seu manto, neste momento retirou o manto que ele havia deixado no chão, de dentro de sua roupa, não cometa o erro de abandona-lo. Juca pegou o manto e saiu da casa de Tempo. Antes de começar sua tarefa olhou para ele e viu um senhor que deu o mesmo sorriso da criança e fechou a porta. Percebeu que o manto estava pesado ainda, mas muito mais leve do que estivera esses dias, era pesado como quando a esfinge tinha dado a ele. Quando chegou no lugar em que estava dormindo, viu que o manto não estava mais lá onde havia deixado, apenas um saco cheio de sementes, dessa vez não ficou impaciente, respirou 31


fundo, deitou e se cobrindo com o manto, dormiu. No outro dia levantou, tinha descansado, percebeu que os relógios estavam trabalhando fazia tempo. Se levantou, estendeu o manto e viu que nele tinha escrito as mesmas palavras que a Esfinge tinha falado para ele antes de entrar no deserto. Neste momento ele entendeu que tinha que fazer o trabalho, e que se tivesse feito tudo direito e com calma além de ter um jardim de rosas bonito, teria ajudado o tempo e conversado com ele provavelmente há muito mais tempo. Respirou fundo, pegou seu cajado e traçou como tinha feito antes, mas dessa vez plantou semente por semente, dando pausas para descansar. Chegando a noite não tinha terminado tudo, mas resolveu dormir. No ouro dia viu que o que tinha plantado havia virado um jardim de rosas. Ficou satisfeito, mas quando percebeu a ansiedade em si, tomou uma respiração e trabalhou até de tardezinha. Quando plantou a última semente já era noite e a lua estava no céu iluminando o roseiral, elas brotaram em sua frente, se transformando em rosas magníficas! Muito mais bonitas do que as que tinha visto em outros cantos 32


do jardim. Estava satisfeito, neste momento percebeu que Tempo estava lá observando ele, deu um sorriso e o chamou. Quando estavam caminhando olhou para traz e viu relógios retirarem rosas de seu jardim para colocar nos deles. Porque eles fazem isso? O tempo pediu que não se preocupasse, as rosas que eles retirassem de seu jardim nunca iam brotar no deles, e que as que ele tinha plantado renasceriam sempre! O nome Terra Santa não era pra enfeitar seu jardim, e nisso deu uma gargalhada. O menino então perguntou se os relógios eram pessoas que nem ele. Tempo olhou para ele e depois de uma pausa afirmou. Sim. Eram aqueles que tinham se tornado os seus escravos. “Em minha terra eles são chamados de Indolentes” e quase que Juca havia se transformado em um. Nisso eles entraram dentro da casa do Tempo, que dessa vez estava diferente, era como se eles estivessem entrado no espaço. Não se preocupe com eles, eles são assim porque querem, no dia que perceberem que podem ser diferentes, assim o serão. Ele 33


então parou se virou e disse para o menino. Você chegou aqui impaciente, queria colocar os pés pelas mãos, não sabia usar seu Manto e precipitação era seu domínio. Mas tinha percebido a tempo as implicações disso, afinal, não podemos pular etapas, partir sem termos chegado, não podemos terminar antes de começar, colher antes de termos semeado. Neste momento Juca repete a frase que a esfinge falou para ele e que tinha lido no Manto, “a paciência corresponde ao domínio do tempo e à certeza de que ele trabalha em nosso favor” completando a frase do Tempo. Eu sou Tempo, neutro aos acontecimentos do mundo, e só trabalho em favor daqueles que sabem agir em condições positivas e construtivas que eles mesmos estabelecem e mantêm. - fala isso movimentando os astros em volta dele e o que era apenas uma faixa zodiacal, virou uma grande roda giratória em sua mão que ficou grande o suficiente até que ele soltasse fazendo a roda ir girar em torno dos dois. - Você fez por merecer, e se tornará um bom Mestre do Tempo. Dizendo isso tudo voltou ao normal e ele 34


se ajoelhou na frente do garoto, que pediu para que o Tempo se levantasse. Você deve seguir seu caminho. Já pôs os pés na Terra Santa, agora caminhe para a sua Jerusalém. - deu uma pausa. - Você já sabe o que é isso tudo não é? - Juca afirmou com a cabeça. Lembrou do início... um bilhete e sorriu. Respondeu estar em sua Peregrinação Interior. O tempo então vai até a fonte de areia com ele e de dentro da areia tira um escudo. Pegue este escudo, ele te ajudará em sua caminhada. O escudo era prateado com uma cruz e uma rosa no meio da cruz, as pétlas em um vermelho profundo brilhavam com o sintilar do metal. Juca pegou o escudo na mão de tempo. Siga por aqui, “Continue caminhando que você chegará a seu destino.” E assim ele o fez, já estava um pouco distante da fonte e se lembrou! Virou para traz e gritou que Caminhos tinha mandado lembranças, ao qual Tempo respondeu que ele sempre mandava lembranças e deu uma gargalhada e gritou de volta, você sabe por que seu manto ficava pesado? e ele de longe responde: Paciência! E dá um sorriso, virando-se para continuar a andar. 35


Juca anda até chegar em outra porta, essa porta era distante de onde o Tempo estava e não era como se tivesse chegado no fim do salão, pois não parecia ter fim, só havia chegado até aquela porta, simples assim. Quando abriu e saiu, percebeu que a porta dava para um espaço aberto, e ao sair dela e olhar para traz, vê que tinha saído de uma grande árvore espinhosa e que do lado da árvore-porta havia outras, era como se ele tivesse saído de uma floresta das árvores espinhosas que deveriam ser rosas plantadas pelos Indolentes, e assim caminhou em frente. Andou um pouco olhando para frente subindo uma colina, pensou em tudo que passou e se de repente iria conseguir chegar ao final... Assim que chegou no topo da colina viu um grande labirinto, que se estendia até onde a visão dele conseguia chegar, e só depois disso conseguia identificar um castelo. Aqui está mais um obstáculo, foi o que Juca pensou. Olhou todos os seus pertences, do topo da colina do outro lado percebeu confirmando sua sensação, de longe o lugar de onde viera era como sua primeira visão do jardim do tempo de longe. Deu as costas e 36


seguiu até chegar no labirinto.

As paredes eram de pedra, mas elas estavam tão polidas que podia ver o seu reflexo nelas. Entrando nele pela primeira entrada percebeu que seu interior também tinha esta mesma característica. E começou a pensar como sairia dalí. Exatamente na mesma hora escutou uma voz. Porque você não escala e vai por cima, pula os muros! - A voz vinha do lado, assim que olhou viu seu reflexo, mas este era como ele em uma forma animalesca. - Não escute ele, ele não vai te dar bons conselhos, continue pelo labirinto, assim você entrou, assim deve sair. - Olhou para o outro lado e o reflexo do lado oposto tinha ele como um ser iluminado, quase espiritual, com asas de luz e um triângulo luminoso saindo de sua cabeça. - Quem são vocês? - O ser demoniaco e animalesco respondeu ser a parte da consciência que facilitaria as coisas para ele, o conecta com o corpo e seus instintos mais profundos e o ser anjelical 37


que era a parte da consciência que guiaria ele pelo caminho certo, responsavel pelos seus devaneios e pensamentos mais elevados e serenos. - Ele lembrou do anjo e do demônio, mas não sentiu que o que considerava ser o demônio queria lhe fazer algum mal. Seus olhares era como se ele mesmo olhasse para si, naquele labirinto-espelho. O que ele mesmo diria? Qual o caminho certo? - O anjo olhou para ele e respondeu que era seguindo pelo labirinto. - Se você subir terá uma visão do mesmo de maneira mais ampla. - O demônio falou. Realmente, seu pensamento de ir por cima talvez desse certp. Eu nem sequer sei pra onde eu estou indo daqui de baixo! Juca então resolveu subir. Quando chegou na parte de cima, teve a sensação de estar no meio do labirinto. Olhou em volta e percebeu que não fazia a menor idéia de onde deveria ir. Será que se continuasse por cima não ia ser tão diferente quanto por baixo? Mas a visão ia ser melhor. o seu eu demônio tinha ganho o argumento afinal. Começou sua caminhada, era um pouco mais difícil caminhar por cima daquelas pedras polidas, quase 38


escorregou algumas vezes. Após umas horas não sentiu que se aproximava mais nem do meio quanto das bordas, e em baixo havia conseguido voltar pro início com algumas tentativas... achou muito estranho, e assim resolveu descer. Eu não sei se consigo sair desse labirinto. - Eu avisei para você não subir, você quase caiu. - Ele só foi descuidado. O Anjo e o Demônio falaram um atraz do outro. Porque você não marca o caminho por onde você está indo? - falou o Anjo. - Isso não seria trapaça? - O diabo perguntou. - E desde quando isso é um jogo? Perguntou o Anjo. Eu também posso ajuda-lo sabia? Acho melhor do que ficar pulando muros. - Calem-se vocês, eu estou ficando mais perdido. Raciocinando bem, ambas as idéias são proveitosas, vou tentar riscar o caminho e ir subindo nos muros pra ver mais ou menos onde eu estou. - Cuidado para não cair - O anjo acrescenta. Ele começou riscando o chão com uma pedra que achou. Foi riscando e subindo, riscando e 39


subindo, ficou fazendo isso, pensando se conseguiria sair dalí, e assim que subiu viu que se encontrava no meio de novo, quando desceu sua marca estava no mesmo lugar. - Não faz diferença se eu seguir um labirinto sem marcas ou um outro com marcas! - Desista, volte então - Falou o diabo. - Não vou desistir, mas acho que voltar é uma boa opção. - Você já viu a possibilidade de dar a volta no labirinto? - O anjo falou. - Talvez tenha outro caminho - Juca falou. Voltando, se sentiu mais perdido, desejou do fundo de seu coração retornar para onde tinha iniciado o labirinto, e de repente ao virar uma esquina chegou na saída. Na entrada do labirinto estava uma menina, viu que ela se sentava em uma mesa com um tabuleiro de Damas. O que uma menina faz sentada em uma mesa na entrada de um labirinto? Juca com o escudo em uma mão, o cajado em outra e coberto pelo pano foi perguntar a menina, que respondeu estar alí para jogar com os peregrinos que não conseguem atravessa-lo. Há alguma maneira de chegar do outro lado sem atravessa-lo? Perguntou Juca para a menina. - Não. - Disse a menina. 40


E como atravessarei um Labirinto sem saber o caminho? - A menina olha para ele com um sorriso no rosto que ele não soube definir se era animação ou sarcasmo. E disse que se ele a vencer em um jogo de Damas ela contaria para ele a resposta. Ele já havia jogado damas com seu pai várias vezes na infância e por isso aceitou seu convite. Quando ele se sentou a menina olhou para ele e perguntou se ele tinha confiança em si para entrar mais uma vez no labirinto. E ele respondeu que do jeito como ele havia se mostrado, não. Se fosse algo com uma distancia menor e mais simples, mas não se sentia seguro em atravessar um Labirinto daquela complexidade, parecia não sair do lugar. Ela sorriu para ele e sentou-se. Os dois estavam um de frente para o outro, ela abriu uma caixa e uma fumaça começou a sair, envolvendo o lugar. Quando tudo se dissipou eles estavam encima da mesa. Como você fez isso? A menina respondeu dizendo que ela criara isso com sua força de vontade para deixar o jogo mais interessante. Que as peças 41


do jogo entrem! Ele percebeu que várias damas, moças entraram no jogo, umas vestidas de vermelho e outras de preto, as peças pretas ficaram do lado da menina, que estava vestindo uma roupa preta, e as vermelhas do lado dele, que estava também de vermelho. O jogo será Damas, um jogo de estratégia muito simples e bastante conhecido, o meu predileto diga-se de passagem. A dinâmica do jogo será a normal, mas nós jogaremos no lugar de uma peça, as moças serão as restantes. As que chegarem na casa oposta viram Damas, simbolizadas pela coroa, o ato de retirar uma peça de jogo será retratado com uma valsa, onde as duas moças envolvidas dançam juntas e uma sai para fora do jogo e a outra vai para sua casa de destino. O objetivo final será que nós dois dancemos a valsa, mas sendo que um de nós permanecerá. Se por um acaso você for retirado antes do final, deverá trocar de lugar com uma peça representada por uma das moças do seu jogo. Entendido? Juca fez que sim. Tomem os seus lugares. Neste momento todas as moças se dirigiram para 42


o tabuleiro e ele tomou o seu lugar em uma das posições de fundo, a menina fez o mesmo também. Para que você jogue, há um tabuleiro em miniatura na sua mão em que as peças podem ser mexidas apenas pelo arraste de seu dedo. Música para o jogo. O menino olhou para a mão e viu um pequeno tabuleiro tatuado nela. A menina parecia se divertir com tudo. - Que o jogo comesse! Assim que o jogo começou, dois personagens outros apareceram do lado dele, os mesmos do labirinto, a medida que as coisas iam acontecendo eles falavam coisas diferentes, o diabo dizia para ele acabar com o jogo, tirar todas as peças do jogo dela ou mesmo roubar. Dizia também para ele não confiar nela, que seguisse seu caminho confiando apenas em si, ele poderia muito bem achar um caminho que não fosse aquele. Enquanto o anjo dizia para ele deixar a menina ganhar, ela era apenas uma criança, que ele resolvesse isso de outra forma, ou se de repente ele pedisse com carinho para ela, ele iria conseguir a informação, e também que podia confiar nela, ela deveria 43


conhecer o lugar. O jogo transcorreu bem, mas percebeu que a menina previa todos os seus movimentos, independente da ajuda do anjo ou diabo. Ele uma certa altura perguntou como ela fazia pra deduzir e cancelar todos os seus movimentos e comer suas peças. Ela enquanto dançava valsa com uma das moças perto dele, diz que ela representa o ser humano, e que consegue ler todo o raciocínio dele. Neste momento o diabo disse que era roubo, e o anjo disse que ele não ligasse, pois era uma brincadeira dela, e ele olhou para si e resolveu continuar o jogo, mas duvidava, já duvidava que fosse vencer do mesmo modo como duvidava de sua travessia pelo labirinto. O jogo virou uma grande valsa, terminando com os dois dançando juntos e ele perdendo. Assim que a música foi acabando ele disse que se utilizou de todo o raciocínio que tinha aprendido, e que não achava justo ela não ter dito ser capaz de ler seu pensamento. Ela apenas falou que ele não havia perguntado. Ele então se levantou da cadeira e pegou o cajado e o escudo e se levantou, desistindo dela, quando de repente lhe surgiu uma pergunta 44


na cabeça, foi até a menina e perguntou como ela alterava a realidade em sua volta, e ela sorri para ele dizendo que com seu sentimento e força de vontade, neste momento ele teve uma idéia, e pediu que jogassem de novo, mas que dessa vez ele queria jogar com seu escudo manto e cajado, tudo aconteceu como antes, mas dessa vez quando o anjo e o diabo apareceram ele os colocou cada um em uma posição. Dessa vez o jogo foi uma grande valsa como antes, onde os primeiros a sair de seu time foram o anjo e o diabo. Assim que ambos saíram ele se agaixou em sua posição, apoiou seu escudo no chão, e se cobriu com o manto fechando os olhos. Era tudo escuridão. Não via mais o tabuleiro, a menina, as peças do jogo, o labirinto. Sentia o escudo apoiado nele dando suporte ao manto e seu cajado na mão direita deixava o apoio mais confortável. E assim, confortável dentro de si abriu os olhos. O cajado iluminava o interior que dava para ver as esrelas do céu gravadas no manto brilhando como em um céu noturno iluminado pela lua. Neste momeno soube estar impenetrável, presente, não estava perdido, 45


sabia onde tinha que ir, o tabuleiro estava bem na palma de sua mão, não precisava da valça, da música, ou de nenhuma pompa. Estava calmo. No final ele chegou a ponta, e não mais se cobriu, colocou-se em, pé e pegando a coroa da Dama, olhando para ela no lado oposo também com uma coroa declarou empate. Ela perguntou como ele tinha feito isso, e ele falou que como ela lia seu raciocínio resolveu fazer que nem ela, alterar o modo como ele enxergava o jogo, ele ficou muito dependente do jogo que ela mesmo tinha criado e sabendo disso, criou seu próprio jogo, e que ela não conseguiria transpassar a seu escudo a sua força de vontade e seu coração, e com esta barreira e o jogo na palma da mão consegui avançar finalmente. Seu escudo o ajudou a sentir o que deveria fazer em seu coração e fazer os movimentos com bastante segurança. Como ela não mais lia seus pensamentos permitiu ele com facilidade empatar o jogo, sendo este seu objetivo. “Mas empatando o jogo ele não ganharia a resposta.” E ele falou que não precisava ganhar dela para 46


encontra-la, pois ele já sabia a tal resposta, e mesmo que ele ganhasse e ela falasse o que ele tinha percebido em seu coração, ele não teria o necessário para cumprir a missão e atravessar o Labirinto, ele não teria a confiança em si para faze-lo e mesmo com o caminho em sua frente, sua insegurança o faria se perder mais uma vez. Neste momento o jogo se desfez e eles voltaram para o cenário fora do jogo. O Labirinto permanecia alí. Segurando o escudo e todos os seus outros pertences, ele agradeceu a menina pelo jogo e se dirigiu para a entrada do labirinto. A menina olhou para ele e perguntou qual era a resposta, e ele falou que a complexidade do labirinto era ele quem dava, era fruto de sua insegurança e falta de confiança em si para terminar a jornada que estava fazendo, a dúvida o colocava perante a caminhos que não conseguia sair, mas que agora ele tinha absoluta confiança em si, de que poderia chegar ao fim. A menina sorriu para ele e disse que mais a frente ele 47


encontraria um castelo. - Que a sabedoria o guie e veja se não utiliza a espada impunemente para satisfazer os desejos ilegítimos do seu ego! Ele acenou com a cabeça, um pouco confuso com a última parte, e deu tchau com a mão, obtendo o mesmo em resposta antes de se virar e sentar-se na mesa mais uma vez. Assim que entrou no labirinto o Anjo e o Diabo apareceram, antes que estes se manifestassem, ele agradeceu a ajuda e direcionou o escudo para eles, fazendo seu reflexo ficar normal. Andou por um corredor até chegar em um muro, subiu no mesmo e estava no meio do labirinto. Sorriu, desceu e continuou andando o que pareceu ter sido um corredor que se dobrava três vezes, e ao virar uma esquina, deu para uma grande área. Estava fora do Labirinto. Continuou andando não por muito tempo, passou por um lago e percebeu estar no caminho certo quando passando em um campo avistou uma placa escrito Jerusalém Celeste. Mesmo não escrito 48


“castelo”, lembrou de Tempo falando deste lugar. Logo depois do campo avistou uma grande construção. Andou até lá e fincado em uma pedra na frente do portão havia uma espada. Olhou para ela e viu que no cabo tinha um bilhete como no cajado, escrito: De mim para mim mesmo. O que achou engraçado. Olhou para a pedra e leu: Conhece-te a ti mesmo, era o escrito na pedra, e então tentou retira-la, no início não conseguiu, e então lembrouse do jogo de damas e olhou para seu escudo em seu braço. Se livrou de toda desconfiança e retirou a espada da pedra. Ao fazer isso a porta do castelo se abriu. Neste momento lembrou de como o espelho no seu quarto tinha aberto como uma pora, e riu. Foi mais fácil desta vez. Se fosse o início da jornada provavelmente tirar a espada poderia implicar em desafios que sente já ter superado. Ficou orgulhoso de si. Estava chegando ao fim de sua jornada. Lá dentro viu que era a sua sala, como antes, mas dessa vez estava tudo normal, sem nenhuma alteração da original com exceção de uma bainha para a espada no chão. Quando se 49


deparou com sua própria casa ele largou a espada, o cajado e o escudo no chão junto da bainha e saiu correndo para seu quarto mas ninguém estava lá, mas também era exatamente normal, sem nenhuma alteração. Correu para o quarto do pai e da mãe e não viu ninguém, olhou em outras portas e nada, então foi até a porta de entrada e olhou para fora, se deparando com a visão dos campos e a pedra perto da porta. Que estranho... Saiu mais uma vez, correndo uma certa distancia e se virou... era um castelo realmente. Voltou até a porta... de madeira alta envolta de uma moldura de pedra com uma gárgula encima que olhava para ele. Era como um lagarto com asas e olhos de pedra rubi. Com sua mão direita segurava algo acima da cabeça, que não conseguia ver, e a outra apoiava-se na moldura de pedra da porta. Foi até a porta e estava fechada. Foi até a pedra e estava como a havia deixado. Sem a espada. Voltou para a porta.A gárgula ainda o olhava. - O que foi? escutou uma voz da direita. - Quem está aí? - Outra voz da esquerda dessa vez. - Tem alguém aqui? - A voz da direita 50


falou mais uma vez. Não reconhecia essa voz de nenhum outro momento, era animalesca e profunda. Rochosa. Olhou para a gárgula que continuava olhando para seus olhos. Sentiu então o chão tremer. As duas pilastras que estavam a direita e a esquerda um pouco antes da porta, fazendo uma entrada pomposa para o castelo se viraram para ele, fazendo um barulho de rocha deslisando sobre rocha que o deixou desconfortável. - Ora ora, se não é um humano! - O que era a pilastra da direita falou. Virado para ele as duas pilastras agora eram esfinges muito bem esculpidas em profundidade. - Irmã. A da esquerda se pronunciou. - O que foi? - Segura um pouco para mim? - Tudo bem. Pedro só observava. A da esquerda pareceu deslocar a parte de cima do corpo para fora da pilastra. Seu corpo nem parecia que fazia parte de onde estava antes. Saltando para fora ara como a esfinge que o visitara antes, mas bem maior. Ela se espreguiçou, estirou as asas, se lambeu um pouco e o olhou fixamente. - Não soube interpretar aquele olhar, não parecia que ela iria lhe fazer mal, mas era aterrorisante! 51


Ela foi se aproximando dele e quando chegou bem perto uma voz profunda igual mas esganiçada exclamou. - Irmã!. Ela velozmente voltou para seu lugar e se esticou se encaixando e segurando a parte de cima da pilastra. - Sua vez irmão. - Ele respirou fundo, arfou um pouco e olhou para ela e para ele. E fez como ela. Para espanto dele a irmã pareceu não ter dificuldades em segurar toda a estrutura. - Ela é mais forte que eu humano. - Ele tomou um susto. A esfinge estava bem perto dele, mais do que ela tinha chegado. - Ele parece não temer a nós irmão. - Que interessante para um humano, irmã. - Em um salto se encaixou na estrutura e se reposicionou como sua irmã. - Ele vale nossa curiosidade irmão. - Então humano. O que faz aqui na porta da Jerusalem Celeste? - Eu vim entrar. - Ambas as pilastras riram era profundamente arrepiante o eco que fazia no chão. - Só o portador da Espada pode entrar. Ambas falaram. - Eu sou o portador da espada. - Ele falou mas estava envergonhado. Dessa vez havia largado tudo dentro do castelo! - Você tem como provar? = Não, mas se eu 52


contar minha história posso mostrar meu caminho e que estou preparado para adentrar em minha Jerusalém Celeste. - E então irmã? O que me diz? Ouvimos a história dele? Ou o devoramos? - Irmão, ele chegpu até aqui não foi? Não é possível que ele esteja aqui de mãos vazias! - É verdade. Conte-nos sua história. Juca assim fez. Contou tudo do início, a porta, os quadros e as chaves, a esfinge, o deserto e Caminhos, os relógios e Tempo, o labirinto, a dama e por fim a espada e a confusão que teve ao entrar no castelo e se deparar com sua casa e por isso ter saído. - Confesso que deixei as coisas na sala por hábito. Riu de si mesmo. Não se sentia mais envergonhado. - É ele irmão. Vamos deixa-lo entrar! - Calma. O que há escrito nos ítens que você carrega em sua jornada? - No cajado tem talhado conhecimento, no manto tem bordado: “a paciência corresponde ao domínio do tempo e à certeza de que ele trabalha em nosso favor”. No escudo não há nada escrito, mas um desenho de uma rosa no meio rubra com uma cruz dourada no fundo, sobre a prata relusente. E a espada, não tem nada na lãmina, não 53


cheguei a ohar a bainha que deixei lá dentro. - Tudo bem então. Já é o suficiente. Irmã e agora? - Agora ele terá que escolher um de nós oras. - Um de vocës? - Nós somos as entradas da porta do castelo. Deixaremos você entrar, mas você pode escolhe a porta que te levará a um outro lugar e não necessáriamente onde suas coisas foram deixadas. - Certo. Ele mais uma vez se estava se deparando com outra situação. Não sabia qual escolher, era 50 50. - Posso fazer uma pergunta? - Três. Falou a irmã. - Todas vocês dão na Jerusalem Celeste? - Claro que sim! - Então como é que eu não vou achar minhas coisas se ambos os caminhos dão no mesmo lugar! - Ma aí é que você se engana, nós não damos no mesmo lugar! E aqui dentro é bem mais relativo do que o que você conhece como realidade humano. - Cada uma falou um trexo. - Última pergunta. Silensiou-se. Não ia resolver aquilo naquele minuto. Deitouse ali mesmo e olhou para o céu afastando os pensamentos. Deixou que o tempo passasse por ele um pouco e se sentou. Aquela gárgula ainda o olhava. Levantou e foi andando para 54


trás, e ela o acompanhando, para frente e o mesmo. Mesmo distante não dava para ver o que ela segurava encima da cabeça, se aproximou distraído. - O que é que ela segura na cabeça? - Porque você não pergunta para ela? - E então o chão tremeu e elas se viraram de costas para ele. - Respondemos a todas as três perguntas - Ela faloi. - Escolha e entre. Você não terá outra oportunidade. - Nós vamos voltar a nosso descanso. Boa sorte peregrino! - E o chão parou. Não havia mais as esfinges, apenas as pilastras. Ele se aproximou da gárgula e perguntou a ela o que havia na cabeça. Ela então olhando fixamente em seus olhos tampou seu rosto com o que parecia uma máscara. Era o que segurava. Uma máscara. Reconheceu imediatamente. A mesma do espelho, das fotos. Sentiu um arrepio. - Eu escolho a sua porta gárgula. A porta se abriu. Ele entrou e fechou. Era a sala. Suas coisas estavam do mesmo jeito. No chão. Sentia ainda aquilo que sentiu antes de entrar, era estranho, um medo e uma estranheza. Escutou um barulho vindo do lá de cima, pegou o objetos 55


jogados no chão e os posicionou em seu corpo, o cajado em uma mão,a espado na outra o escudo nas costas e o manto por cima. Assim sendo subiu as escadas com cuidado. Ao chegar lá encima, na varanda viu um menino de costas para ele. Parou, `sentia-o familiar, mas não era agradável o que vinha de dentro dele. deixou o cajado e ficou com a espada na mão. Perguntou quem era o menino. Neste exato momento o menino se virou pra ele. Assim que este o fez Juca se assustou, pois era exatamente o menino do espelho, ou seja, ele com uma máscara com o olho de Órus no centro e assim como ele, tinha uma espada. O menino olhou para Juca e perguntou quem era ele. “Eu sou Juca.” - O menino olhando para ele repete a mesma frase que ele e continua. “Quem é Juca?”. Assim que o menino perguntou isso, uma criança aparece no cenário, distante deles, com a mesma máscara e chorando. Neste momento Juca reconheceu aquele momento que havia esquecido há muito tempo. “Porque o menino está chorando?” O menino mascarado falou. Juca olha para o menino e fica sem fala, o menino chorando 56


olha para Juca e diz que ele pegou as coisas do pai dele e escondeu, mas que não lembrava onde, e seu pai estava bravo com ele. “Você escondeu porque?” “Eu estava com raiva de meu pai” e sentou-se no chão e ficou chorando baixinho. Logo depois entra um menino mais velho, com a mesma máscara. “Quem é ele?” O menino mascarado pergunta a Juca. Este pede para ele parar, pois essas coisas aconteceram a muito tempo. O menino olhou para Juca e falou “Eu sempre abri mão do que eu queria pra agradar os outros.” E ficou olhando pra ele. Entrou mais um outro e falou: “Eu não tenho destaque, não consigo fazer nada que preste.”. Juca olhou para os meninos, eram ele em diferentes idades, falando o que ele sempre sentiu no coração. “Quem são eles?” O menino de máscara perguntou. E Juca ao invés de responder olhou para ele e pediu para que parasse com a brincadeira. Outro menino mascarado entrou. “Eu não sei lutar pelo que eu quero.” E outro apareceu. “Eu já cometi muitos erros.” 57


Neste momento Juca partiu para cima do menino mascara do com a espada na mão. Este defendeu os golpes como se soubesse exatamente o que ele ia fazer. Juca então se afastou e assim que o fez uma outra criança entrou. “Eu não sou especial como os outros.” “Quem são eles?” - Mais uma vez o menino mascarado pergunta e imediatamente após ter perguntado Juca grita agoniado com aquela situação, encarando a si mesmo de maneira tão escancarada, olhando para todas as versões de si. - Eles sou eu! Eu sou assim! Entra outra criança e fala: “Eu tenho tanto medo” E outra “Eu não sei fazer nada sozinho”. Jucs o atacou gritando para seu adversário. “Qual a necessidade disso?!” “Eu sempre soube que não era especial!”. Neste momento uma das crianças se ajoelhou e agachou por cima de suas pernas repetindo que não era especial. “Eu tenho medo” E outra se ajoelhou e do mesmo modo e repetiu o que ele falou. 58


O menino defendeu todos os ataques. Outro menino apareceu. “Ninguém gosta de mim”. O menino mascarado olha pra Juca e pergunta. “Se eu sou assim o que eu estou fazendo aqui?”. Juca inconscientemente disse “Nada! Isso é só um sonho idiota. Eu vou acordar e tudo vai acabar!”. “Dessa vez ele atacou o menino mascarado e acertou o braço, mas ao invés de o machucar, viu seu próprio braço ser machucado. No momento ele se ajoelhou, mas continuou segurando a espada. “Quando eu acordar, tudo vai ter acabado?” “Esse sentimento é real, vem de dentro e do mundo.” “E se tiver medo? E se for fraco? E se ninguém gostar de mim?” “Tudo vai desaparecer?” O seu eu mascarado chega mais perto dele jogando aquelas perguntas para Juca. - Eu não sei o que fazer... - Neste momento dois outros meninos se abaixaram e repetiram isso. - Eu tenho medo de fazer alguma coisa, eu sou inseguro, nunca acho que 59


vai dar certo, normalmente não dá, pra que fazer algo? - E então as outras crianças abaixaram do mesmo jeito e ficaram murmurando o que ele falou. “Eu realmente acredito nisso, não é?” Seu eu mascarado pergunta. Juca olha para ele e diz - Eu não sei... Eu não sou forte o bastante, sempre fui o mais fraco... - E neste momento outro menino entra e se abaixa. - Eu nuca tive conhecimento das coisas, sempre me precipitei, metendo os pés pelas mãos e fazendo tudo errado, nunca acreditei em mim... - Falou tudo isso olhando para baixo, quando escutou alguns barulhos que o chamaram a atenção. Quando olhou, viu que três garotos entraram na sala e ficaram do lado do primeiro menino de máscaras, ele percebeu que um tinha largado um cajado, outro um manto e outro um escudo, de maneira que caíram no chão fazendo um barulho que ecoou na sala. 60


“É difícil...” todos os quatro falaram ao mesmo tempo. Neste momento uma criança levantou e falou “desisto” e outra fez o mesmo, e assim todas começaram a levantar, olhar para ele e repetir o que o primeiro menino disse. Até que os outros três fizeram o mesmo, menos o da espada na mão. “É isso que se passa no meu coração?” Os três olharam para ele e falaram: “desistir é fácil” Juca neste momento largou a espada no chão e o equivalente dele largou a espada deixando cair no chão. Este então falou “desisto”. Juca olhou para ele e disse - Desistir... é fácil. - O som dos objetos que o acompanharam caindo no chão o fez lembra de tudo o que havia passado. Levantou-sa e caminhou até os três que falavam a palavra “desisto”. Pegou o cajado no chão e olhou para o primeiro de todos. Eu posso não ter tido conhecimento de várias coisas que eu fiz ou que deixei de fazer, mas aprendi que se abri as portas dentro de mim, baseado no que eu acredito, e assim viver o que tiver que viver, independente


de bom ou ruim, eu sempre posso aprender algo de positivo e levar para sempre comigo! Entregou o cajado para o primeiro e foi até o segundo. Parou na frente dele, pegou o manto do chão. - Mesmo sendo apressado em alguns momentos e ter metido os pés pelas mãos eu descobri que o tempo pode estar a meu favor se eu aprender a ser gentil com ele. Eu posso até errar, mas posso com meus erros aprender a ser mais tolerante comigo e paciente comigo e com os outros e assim colher as flores mais belas se souber como cuidar para que estas sejam assim, pois só eu posso deixar as flores do meu jardim da maneira que eu quero colhe-las. E assim cobriu o segundo com o manto. Passou para o terceiro e pegou o escudo. Eu aprendi também que eu posso passar por um grande labirinto ou qualquer desafio se eu confiar em mim, que para conseguir fazer algo, eu preciso confiar no meu coração e sentimento, ter mais fé em minhas convicções e decidir o melhor caminho que sinto ser o melhor pra mim, mesmo que perca, se não confiar em mim, nunca vou me dar a chance de ganhar. Terminando de falar entregou o escudo pro terceiro, e se 62


encaminhou para o quarto. - Eu não sou perfeito, sou humano, e reconheço tudo que sempre achei, os meus erros, e sei que não estou livre de todos os medos do mundo ou todas as inseguranças, mas sei que se souber olhar para mim, me conhecer melhor vou poder ajudar a mim mesmo a superar as minhas dificuldades e ajudar aqueles que estão em minha volta da melhor maneira, como meu pai fez comigo, sem impedir que eles possam viver a vida deles e aprenderem com eles mesmos, pois é conosco que aprendemos o verdadeiro conhecimento. E melhor ajudaremos ao outro se a nós mesmos pudermos ajudar. E então entrega a espada para o quarto. Assim que o quarto pegou a espada, todos se levantaram e fizeram uma reverencia de respeito para com ele. Juca então olha em sua volta e vê que a esfinge entra na varanda. Ele então sem jeito faz uma reverencia de respeito a esfinge. “Eles não estão fazendo essa reverencia para mim.” Ela então levanta o garoto. “Elas estão o reverenciando.” e então todos aqueles que ele tinha conhecido em sua viagem entram na varanda e se ajoelham. 63


Porque todos me reverenciam? “Você não ve?” O menino não percebe. “Já não é mais o peregrino que cruzou o espelho do seu quarto Juca, você já amadureceu muito, venha eu vou te mostrar. Eles cruzaram a varanda em volta de todos e abriram a porta. Do outro lado da porta estava a sala superior de sua casa, mas no meio da sala havia a mesma porta espelho que tinha visto no início de sua jornada. No espelho viu que não estava como antes, agora vestia uma armadura completa, com um escudo em uma das mãos e uma espadana outra. “Você adquiriu o conhecimento de si mesmo, se tornou mestre do tempo após ter esmagado as pedras ardentes da impaciência, sua confiança agora resiste a todos os assaltos da dúvida e da desconfiança, possui a verdadeira consciência da sabedoria. E assim chegou até aqui, as portas de sua Jerusalém Celeste.” - Chegou a hora de cruza-la. “Sim, chegou.” Ele andou até a porta do espelho, abriu, e antes de entrar olhou para a esfinge. - Eu achei que ia te encontrar outras vezes em 64


minha jornada. - Retribindo o olhar ela respondeu. “Eu sempre estive com você, e sempre estarei. Todos nós. Fazemos parte de você.” Juca sorriu e crusou a porta. Uma grande luz o cobriu por inteiro, e quando deu por si tinha aberto os olhos e estava encima de sua cama. Andou até onde a grande porta. Estava no início novamente, onde tudo começava. Se ajoelhou perante ao não tão grande espelho, olhando seu reflexo da mesma forma que no início. O contemplou e como uma visão, viu do outro lado um grande cavaleiro. Olhou para si e percebeu está em suas vestes normais. Olhou mais uma vez para o espelho, e seu reflexo normal estava alí mais uma vez. Ele sorriu para si e afirmou: “Eu sou o cavaleiro”.

Fim.

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Profile for Shaddai Lima

O Cavaleiro e a Esfinge  

É definitivamente uma aventura adentrar-se nos próprios desafios. Juca se vê em um ambiente inicialmente familiar, mas com certeza um sonho...

O Cavaleiro e a Esfinge  

É definitivamente uma aventura adentrar-se nos próprios desafios. Juca se vê em um ambiente inicialmente familiar, mas com certeza um sonho...

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