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ISSN-1983–3512

BOLETIM INFORMATIVO DA ASSOCIAÇÃO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - MARÇO/ABRIL - 2010

XXXIV Congresso de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro

Mais um evento de sucesso


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Março/Abril - 2010 • 3

Editorial

Sumário

34 CONGRESSOS ESTADUAIS!

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ARTIGO AMIZADES, AFETOS, RELAÇÕES: CONTINUIDADE E TÉRMINO

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Este ano, mantivemos cinco salas simultâneas com mais de mil participantes. Foram quatro dias de aprendizado, confraternização e muitos momentos de alegria. As salas sempre repletas, as dúvidas que geraram discussões interessantes sobre os temas apresentados, a presença maciça dos jovens médicos e graduandos, enfim, tudo foi motivo de satisfação para a Comissão Organizadora. A SGORJ, de forma pioneira, reconheceu a importância dos coordenadores da residência médica e, este ano, todos receberam convite para participar do Congresso de forma gratuita. É uma forma de estimular o aperfeiçoamento de nossos médicos residentes. O Calendário Vacinal da Mulher foi o marco do Congresso. A SGORJ e a SbimRJ elaboraram este calendário com o intuito de estimular a prevenção de doenças infecciosas e, sobretudo, estimular os médicos na orientação de suas pacientes quanto à imunização, pois sabemos que esta prática não está embutida em nossa consulta ginecológica, tampouco há grandes informações acerca do status vacinal feminino em nossa anamnese. O lançamento contou com a participação de representantes de importantes entidades médicas como a Associação Brasileira de Imunizações, Febrasgo, CREMERJ, SES-RJ e Academia Nacional de Medicina. Nossos associados estão recebendo, junto com o Boletim, o Calendário Vacinal. Atenção Residentes, Coordenadores e Preceptores! Em junho, teremos o primeiro EMC Residência Médica versando sobre Planejamento Familiar! Este ano, a pedido dos residentes, a SGORJ promoverá estes cursos às terças, quartas ou quintas, a partir das 19h! Sempre teremos um lanche reforçado na abertura para que alunos e professores possam vir direto de seus compromissos à SGORJ. Cada mês será em um dia da semana! Fiquem ligados! Agradeço a todos. Comissão Organizadora, Professores, Congressistas, Indústria Farmacêutica. O XXXIV Congresso Estadual foi um sucesso graças à participação de todos! Até breve! Ver onseca - Pr esidente da SGORJ eraa FFonseca Presidente

SAÚDE PÚBLICA PESQUISA INÉDITA AJUDARÁ A ENTENDER O ALTO ÍNDICE DE CESARIANAS NO BRASIL

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ARTIGO CIENTÍFICO HORMÔNIOS E CÂNCER DE MAMA

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XXXIV CONGRESSO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA DO RIO DE JANEIRO MAIS UM EVENTO DE SUCESSO “CARTÃO DE VACINAÇÃO DA MULHER”, UMA GRANDE NOVIDADE LANÇADA NO CONGRESSO O DIREITO DA PACIENTE ESCOLHER O TIPO DE PARTO NA SAÚDE SUPLEMENTAR NOVO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA O ECOCARDIOGRAMA NO PRÉ-NATAL

Correção

EMC RESIDÊNCIA MÉDICA

Os autor es do Artigo Científico ““Anomalias Anomalias Geniautores tais”, publicado na última edição do boletim G&O G&O,,

PLANEJAMENTO FAMILIAR 22 de junho, às 19h, no Centro de Convenções da SGORJ Temas: Atualização em contracepção hormonal e Atualização em contracepção cirúrgica.

for am: Pr ofessor Renato FFerr err ari, Maria Isabel P eiforam: Professor errari, Peixoto e Maria Albina Catellani

ASSOCIAÇÃO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Largo do Machado, 54/1206 - Catete – Rio de Janeiro – RJ - CEP 22221-020 Tel.: (21) 2285-0892 - www.sgorj.org.br - sgorj@sgorj.org.br G&O Rio é o órgão informativo oficial da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro PRESIDENTE Vera Lucia Mota da Fonseca 1º VICE-PRESIDENTE Mauro Romero Leal Passos VICE-PRESIDENTES Hugo Miyahira Ricardo Oliveira e Silva Paulo Maurício Soares Pereira SECRETÁRIO-GERAL Marcelo Burlá

SECRETÁRIOS ADJUNTOS Deyse Barrocas Mario Vicente Giordano Karen Soto Perez Panisset Silvio Silva Fernandes Marcelo Trindade Alves de Menezes TESOUREIRO-GERAL José Carlos de Jesus Conceição TESOUREIROS ADJUNTOS Claudia da Silva Lunardi

PROJETO GRÁFICO João Ferreira PRODUÇÃO Foco Notícias JORNALISTA RESPONSÁVEL Nicia Maria – MT 16.826/76/198 FOTOLITO E IMPRESSÃO Editora Teatral Ltda.

Flávia Maria de Souza Clímaco

FOTOGRAFIA José Renato

EDITOR DE HONRA Manoel Baliú Monteiro (in-memorian)

TIRAGEM 3.000 exemplares

CONSELHO EDITORIAL Hugo Miyahira Vera Lúcia Mota da Fonseca Mario Vicente Giordano

DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA


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4 • Março/Abril - 2010

Artigo

AMIZADES, AFETOS, RELAÇÕES: CONTINUIDADE E TÉRMINO Hugo Miyahira* Tive um amigo. Éramos crianças. Compartilhávamos gangorras, balanços e jogos na escola. Compartilhávamos também brinquedos, brigas e... caretas que ficaram registradas em fotografias “preto e branco”, da época. O colégio nos uniu, inclusive com os problemas que gerava. Nossas comuns dificuldades em matemática, física e química, e a expectativa e o temor de um exame vestibular que iríamos enfrentar igualmente, nos fez conviver mais em sábados inteiros e, às vezes, em domingos em épocas que precediam provas escolares. Dos jogos iniciais, do futebol, piquenique e natação de nossa infância; na adolescência o tema de nossas conversas manteve os esportes, sendo acrescido de literatura, cinema, crítica social e religiosa além de naturalmente... sexo e garotas. Um dia tivemos uma briga, uma discussão, já não me lembro e nem sei por quê. O fato é que, embora ofendidos e machucados e com alguma atitude defensiva (que não deveria haver...), optamos por conversar. Éramos garotos: tínhamos 16 anos! Enxugando um pouco o amor ferido e a indiferença que simulávamos apresentar..., conversamos. Entendemos nossas razões, nossos sentimentos feridos, compreendemo-nos e, felizmente, restauramos o caminho de nossa amizade. Nossas fotos no colégio ao término do 2° grau testemunham isto. Enfrentamos juntos o exame vestibular, terminamos o curso superior no mesmo ano. Estivemos, reciprocamente presentes em nossas formaturas, casamentos, no nascimento de nossos filhos. Ajudamo-nos mutuamente nas crises que se sucederam ao longo da vida. Partilhamos festas de fim de ano, aniversários de nossos filhos e agora... netos. Fotos e fotos documentaram estes eventos. Olho-o, envelhecendo bem, em paz consigo e com sua profissão, podendo rememorar com o mesmo episódios passados, analisar experiências comuns... dar risadas... reviver ! Vez por outra nos reunimos e, para deleite e “gozação” de seus filhos, relembramos nossa infância, colégio, professores. Nossas crenças, namoradas... nossas vidas.

Outro dia (coisa que acontece quando se vai sentindo o passar dos anos) – pus-me a pensar: meu amigo faz parte da minha vida; somos, reciprocamente, testemunhas de lutas, fracassos e vitórias, alegrias e tristezas, superação e frustração, ante a fatos que vivemos, e que nos fez ser como somos. Tivemos convívio, conversas, compartilhando a vida em múltiplos matizes, o que nos possibilitou a construção de uma amizade sólida. Vejo-o, assim, como um irmão “construído” que tenho o privilégio de ter. Um privilégio que muitas pessoas não têm e perdem por não ter..... e que eu também não teria se, naquele distante dia de nossas adolescências, não tivéssemos optado por conversar. Conversar em tempo oportuno, isto é, o mais breve possível. O distanciamento do diálogo tende a consolidar nossa convicção de certeza, justiça e, portanto, embora traumático, da inevitabilidade do afastamento. Quando imagino que uma experiência comum tão vividamente humana é capaz de se perder por um “mal entendido”, penso ser um preço caro

demais a se pagar por intolerância. Preço que, às vezes, se deve pagar restando no peito, na alma, uma sensação de incompletude, de algo mal resolvido, mal-digerido em nossa existência. Até para se terminar amizade, afeto... relações, para se verter lágrimas de frustração por ilusões perdidas ou ideais não alcançados, é necessário conversar. Despir-se das certezas, de onipotências, de pudor para se entabular o diálogo. Discutir a relação, seja entre amigos, companheiros de trabalho, casais etc... às vezes é penoso. Verdadeiramente discutir de corpo presente, com olhos nos olhos, a despeito da dificuldade que possa existir é mais penoso ainda. Imagino que assim procedendo, o respeito se preserva e a aceitação do fato, com ou sem desilusão, se aceitará no tempo. Vale a pena sentir como Milton Nascimento: amigo é coisa pra se guardar.... *Vice-Presidente da SGORJ


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Saúde Pública

PESQUISA INÉDITA AJUDARÁ A ENTENDER O ALTO ÍNDICE DE CESARIANAS NO BRASIL Levantamento do Ministério da Saúde em 2008 revelou que 43% de todos os partos realizados no país são cesarianos. Na rede de assistência suplementar, esse número sobe para 80% Conhecer a percepção de ginecologistas e obstetras sobre o parto normal e identificar as razões pelas quais o índice de partos cirúrgicos (cesarianos) é tão elevado, na rede de saúde suplementar do país, são os principais objetivos da Pesquisa Médica sobre Assistência Obstétrica na Saúde Suplementar, organizada pela Comissão de Parto Normal do Conselho Federal de Medicina (CFM). - Mais do que avaliar as razões para os índices de partos no país, o estudo tem por objetivo melhorar a assistência obstétrica. Avaliando o que pensa e como atua o obstetra, poderemos elaborar novos encaminhamentos. Melhorando a assistência, consequentemente reduziremos as cesáreas - afirma Vera Fonseca, representante da FEBRASGO na Comissão. A coleta de dados começou em 8 de junho entre

os mais de 16 mil associados da FEBRASGO, via Internet, e deve terminar em meados de agosto. - Os resultados deste estudo subsidiarão a Comissão e as instituições que a compõem a estabelecer ações voltadas para a promoção do parto normal na esfera da saúde suplementar - explica José Fernando Maia Vinagre, coordenador do grupo. Entre as informações coletadas estão a posição assumida diante do alto índice de partos cesarianos, os fatores técnicos e remuneratórios que intervêm na opção por esse tipo de parto, as estratégias possíveis de estímulo ao parto normal, as justificativas apresentadas comumente pela população assistida quando da opção pessoal pelo parto cesariano e a formação e a atuação profissional. Os dados serão consolidados e comporão um relatório que deve ser concluído até o mês de setembro. - Por meio dos associados pesquisados poderemos entender melhor não apenas o que pensam estes profissionais, mas também o funcionamento de hospitais e maternidades e suas formas

de trabalho - completa Vera Fonseca. Para aqueles que ainda não participaram, os questionários estão disponíveis no endereço http://www.medico.cfm.org.br/pesquisaparto/. As respostas individuais são mantidas em sigilo, desvinculadas da identidade dos participantes. A segurança do procedimento é assegurada por um mecanismo de autenticação que exige do médico o número do CRM local, data de nascimento e identificação da unidade da Federação onde está registrado. Uma vez preenchidos e remetidos, os questionários não podem ser alterados ou retificados. Todos os princípios éticos relacionados com a pesquisa com seres humanos são respeitados neste estudo. Assim, temos o dever de obter seu consentimento livre e esclarecido para inclusão na pesquisa. Para participar da pesquisa acesse o site www.medico.cfm.org.br/pesquisaparto/ ou entre em contato pelo e-mail partonormal@cfm.org.br.

BOLETIM DE SECRETARIA Eleições para a Diretoria da SGORJ Triênio 2010 / 2013 ASSOCIAÇÃO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CONVOCAÇÃO – A Presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro – SGORJ convoca uma Assembléia Geral Extraordinária a ser realizada na sede da SGORJ, no Largo do Machado, 54 andar A no dia 30 de junho de 2010, às 08:00h, em primeira convocação, ou às 08:30h, em segunda convocação, com encerramento previsto para às 17:00h para deliberar, sobre a seguinte ordem do dia: eleição de sua nova Diretoria, para o triênio 2010/2013. Poderão os senhores associados utilizarem-se da urna existente na sede da SGORJ. Poderão ainda os associados, se assim o desejarem, utilizar a via postal, através das cédulas que lhes serão oportunamente encaminhadas. Vera Lúcia Mota da Fonseca Presidente


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6 • Março/Abril - 2010

Artigo Científico

HORMÔNIOS E CÂNCER DE MAMA Mario Gáspare Giordano* Eduardo Bruno Giordano**

O Câncer O câncer é doença genética resultante de alteração do DNA do individuo afetado. Estas alterações são denominadas mutações. O aglomerado celular anormal (clone) tem a capacidade de se multiplicar, escapando aos “controles de vigilância” (sistema imunológico) do hospedeiro. Este conglomerado celular anormal transmite às células descendentes os mesmos caracteres defectivos. O organismo toma-se incapaz de eliminar este tecido anormal. Esta multiplicação celular é, inicialmente local, espalhando-se, posteriormente, para os tecidos vizinhos e todo o organismo, atingindo órgãos e tecidos distantes do foco inicial (metástases). Para que haja iniciação neoplásica é necessária a mutação de ambos os alelos. Logo, para as pacientes com alteração genética prévia iniciarem o processo de carcinogênese, basta a mutação do segundo alelo. As pacientes que não são portadoras desta mutação necessitam da alteração dos dois alelos. Este fato explica a maior incidência do câncer de mama em pacientes com histórico familiar da doença. Alguns fatores são considerados agentes carcinogenéticos de vários órgãos como os erros genéticos na multiplicação e renovação tecidual, agentes químicos, vírus, radiações e, possivelmente, até o uso de hormônios em doses suprafisiológicas

Câncer de Mama Há, hoje, em relação ao câncer de mama diversos aspectos moleculares, genotípicos e imunohistoquímicos. Isto torna complexa tanto a classificação dos diversos tumores como a abordagem terapêutica mais eficaz. Procurase, na prática clínica, melhor conhecer os diversos aspectos acima descritos para analisar os fatores prognósticos e traçar normas de abordagem individualizadas (terapias alvo do câncer de mama). Os tumores, sob o prisma molecular são ditos luminais (80% dos casos) e basalóides. Eles expressam citoqueratinas de baixo peso molecular e são receptores de estrogênios e progesterona positivos (RE+, RP+). Os tumores luminais po-

derão se luminais A (RE+, RP+ e HER-2 -) e luminais B (RE+, RP+ e HER-2 4-). Estes têm alta expressão de citoqueratina CK 13. Os tumores ditos basalóides expressam citoqueratinas (aspecto imuno-histoquímico) de alto peso molecular (CK5+, entre outras). São tumores aneuploides e, a maioria, em indivíduos com mutação do p53. São altamente proliferativos (Rehman R, 2009). Dá-se relevância, também, à expressão do gene HER-2 (aspecto genotípico). Em geral, os tumores basalóides englobam os denominados tumores triplo-negativos (RE-, RP -, HER-2 -). Este aspecto está presente em 75% dos casos. Estes tumores habitualmente exibem piores prognósticos porém apresentam boa resposta a regimes quimioterápicos contendo taxanos. Os tumores RE -, RP - e HER-2 +, são classificados corno subtipo HER-2 e, de maneira geral, apresentam prognóstico menos favorável que os tumores luminais. Estudos mais refinados mostram que cerca da metade dos tumores HER-2 + em realidade não apresentam o gene HER-2 hiperexpresso. No que se refere ao prognóstico e sobrevida, os tumores luminais A tiveram 90% de sobrevida em cinco anos; o luminal 8: 40-50%; o HER-2+ 30% e os basalóides: Zero%, respectivamente. (Rehman, 2009)

Como proliferam estes clones? Acorde com Horwitz & Sartorius, 2008, no crescimento de colônias celulares anormais, não hormônio-dependentes, aumentaria a população de células RE -, RP -, CK5 + Ainda de acordo com estes autores, na medida em que as colônias tumorais se expandem, o habitual é que mais de 95% das células integrantes se tomem RE÷, RP+, CK5- e umas poucas células (1-2%) mantêm o padrão RE-, RP-, CK5+. Para estes autores a adição de progestágenos acelera a conversão do padrão imunohistoquímico destas células (inicialmente RE-, RP-, 0(5+) para o padrão mais encontrado na prática clínica (RE+, RP+, CK5-). Os estrogênios não agem nesta fase de proliferação. A possível ação dos estrogênios seria a de aumentar os receptores de progesterona facultando a maior ação deste esteróide.

Os Hormônios. O que dizem os grandes estudos? Os grandes estudos (WHI, 2002, entre outros) mostram que a adição de progestágenos à terapia de reposição hormonal (TRH) eleva, discretamente, o risco de câncer de mama, o que não foi verificado no WHI com o uso de estrogênio isolado. Duas possíveis hipóteses explicativas para esta ação dos progestágenos: 1. Diferentemente da ação antiproliferativa verificada no útero, os progestágenos têm ação proliferativa nas mamas (à semelhança do comprovado na fase lútea do ciclo menstrual). Conjugado com outros fatores de risco: idade superior a 50 anos, dieta rica em gorduras, uso excessivo de álcool, mutações genéticas, história familiar, modificações evidenciadas à mamografia (elevada densidade mamária à mamografia), lesões proliferativas atípicas, influência ambiental (irradiações e outras), os progestágenos estimulariam o desenvolvimento destes tumores de mama “quiescentes” 2. Estudos de necropsia em mulheres, sem câncer de mama manifesto, evidenciaram presença de 1,3% de tumores invasivos e 8,9% de carcinomas “in situ” em mulheres na faixa etária igual ou superior a 40 anos (Welch & Black, 1997). Os progestágenos facultariam o crescimento destes conglomerados celulares anormais Em mulheres jovens, usuárias de contraceptivos hormonais (nos quais os progestágenos são integrantes obrigatórios) não houve aumento destas alterações.

Como detectar estes clones? Na fase atual não há método diagnóstico possível para rastrear estes “tumores latentes”. A mamografia e os outros métodos de imagem, não conseguem detectar estes “nanotumores”.


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Março/Abril - 2010 • 7

Referências Bibliográficas 1. Cheung KL. Endocrine therapy for breast cancer: an overview. The Breast 2007; 16: 327-43. 2. Clarke RB, Spence 1<, Anderson E et al. A putative human breast stem celI population is enriched for steroid receptor-positive cells. 0ev Biol 2005; 277: 443-56. 3. Disaia PJ, Creasman WT. Clinical Gynecologic Oncology. China: Mosby Elsevier; 2007. 4. Dontu G, El-Ashry 0, Wicha MS. Breast cancer, stem/progenitor cells and the estrogen receptor. Trends Endocrinol Metab 2004; 15: 193-7.

Considerações Finais Sugestões É inverossímil (não comprovada) a teoria segundo a qual os esteróides sexuais seriam o fator desencadeante dos tumores de mama. Porque estes tumores são muito menos incidentes em mulheres no menacme, período com níveis circulantes de esteróides ovarianos 10 a 20 vezes superiores aos encontrados na pósmenopausa? Como explicar o fato de que pequenas doses de esteróides (usados na TRH) alterariam o genoma celular? Não seria mais plausível admitir-se que estes clones celulares, préexistentes, tornar-se-iam evidentes pós-TRH? Como explicar que logo após a interrupção da TRH (dado comprovado nos diversos estudos) o risco de câncer de mama diminui? O câncer não é doença progressiva? No entanto, em tumores já instalados é inquestionável a ação dos hormônios na progressão da doença, mormente nos tumores RE e RP +. Albert Schinziger, em 1889, foi o primeiro autor a recomendar a ooforectomia como terapia adjuvante do câncer de mama, ao perceber melhor prognóstico nas pacientes idosas. Em 1895, o cirurgião George Thomas Beatson, realizou ooforectomia bilateral em paciente com câncer de mama metastático na pré-menopausa, promovendo remissão clínica completa e sobrevida de 4 anos (In: Cheung, 2007) A segunda paciente com câncer de mama metastático tratada por Sir George Thomas Beatson não apresentou melhora significativa, com progressão da doença. Este autor recomendava a ooforectomia e observação da resposta, que podia ser variável. Àquela época era desconhecida a expressão de receptores hormonais (RH) nos tumores, fato este relatado somente 70 anos

após. Hoje, os resultados obtidos com a hormonioterapia no manejo do câncer de mama, receptor hormonal positivo, corroboram a observação deste autor. Outro dado intrigante tem sido os bons resultados obtidos com os SERMs (Moduladores Seletivos dos Receptores Estrogênicos) quando utilizados como Quimioprevenção do Câncer de Mama Destacam-se o Tamoxifeno e o Raloxifeno (estudo STAR — Vogel, 2007). Estudos atuais mostram que declina a incidência de tumores invasivos de mama mantendose estável a incidência de carcinomas “in situ” (Marshall, 2010). No estudo STAR, o tamoxifeno reduziu a incidência de tumores infiltrantes e “in situ”. O raloxifeno reduziu somente as formas infiltrantes. Sob o aspecto epidemiológico observamos que o melhor rastreio identifica as formas iniciais “abortando” as invasivas. Acorde com o exposto concluímos que: 1. Novos métodos diagnósticos deverão ser incentivados para rastreio destes “nanotumores” 2. A biologia tumoral e terapêutica direcionada aos vários subtipos é o caminho do futuro no atendimento às pacientes com câncer de mama 3. Em mulheres de alto risco (incluídas as que tiveram câncer de mama) a TRH não deve ser recomendada 4. As pacientes deverão estar bem informadas sobre estas possíveis ações dos preparados hormonais no desenvolvimento de tumores de mama pré-existentes. * Univ er sidade FFeder eder al do Estado Univer ersidade ederal do Rio de Janeiro (UNIRIO) ** Hospital dos Servidores do Estado (HSE-RJ)

5. Fernandes GS, Caiabrich A, Katz A. Câncer de mama triplo-negativo: aspectos clínicos, laboratoriais e terapêuticos. Rev Bras Mastol 2009; 19: 76-82. 6. Horwitz KB, Sartorius CA. Progestins in hormone replacement therapy reactivate cancer stem cell in women with preexisting breast cancers: a hypothesis. J Clin Endocrinol Metab 2008; 93: 3295-8. 7. Marshall SE, Clarke CA, Deapeu O et ai. Recent breast cancer incidence trends according to hormone therapy use: The California Teachers Study Cohort . Breast Cancer Res 2010; Jan 8; 12(1): R4. 8. Rehman R. Molecular portraits of breast cancer. ASBD Advisor 2009; issues # 2-3. (San Antonio Breast Cancer Symposium). 9. Vogel V G. Chemoprevention strategies 2006. Curr Treat Options Oncology 2007; 8: 74-88. 10. Welch HG, Black WC. Using autopsy series to estimate the disease “reservoir’ for ductai carcinoma “in situ” of the breast: how much more breast cancer can we found? Ann Int Med 1997; 127: 1023-8. 11. WHI. Risks and benefits of estrogen plus progestin in healthy postmenopausal women. JAMA 2002; 288: 321-33.


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10 • Março/Abril - 2010

XXXIV Congresso de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro

MAIS UM EVENTO DE SUCESSO

O Congresso de Ginecologia e Obstetrícia, em sua 34ª edição, promovido pela SGORJ, nod dias 5 a 8 de maio, superou as expectativas e os números comprovam o sucesso do evento: 1018 inscritos (203 professores e 815 congressistas), 119 residentes, 15 coordenadores de residência, 88 acadêmicos de medicina e 19 médicos de fora do Estado do Rio de Janeiro. As salas sempre cheias mostraram a excelência da programação: 29 mesas-redondas, 10 debates, 30 conferências e 4 cursos pré-congressos com 44 aulas sobre os mais variados assuntos da especialidade, seis simpósios patrocinados, e dois cursos práticos (treinamento Berkeley). Segundo a Presidente do Congresso, Vera Fonseca, discutir temas variados, condutas do dia a dia do médico, trocar experiências com colegas dos mais diferentes serviços e estimular os acadêmicos e residentes a frequentarem os congressos foram conquistas a serem contabilizadas, pela Comissão Organizadora, na conta da SGORJ. A adesão da indústria farmacêutica, com a instalação de vários stands, e a parceria com as entidades médicas foram também decisivas para o sucesso do evento. - Nosso objetivo foi oferecer atualização teórica e prática aos ginecologistas sobre o que há de mais moderno em diagnóstico e tratamento e quais são as pesquisas que estão sendo desenvolvidas no mundo e que dizem respeito à nossa especialidade e subespecialidades, além da oportunidade de nos confraternizarmos e trocarmos experiências – explicou Vera Fonseca.

As filas formadas na secretaria do evento para a inscrição e as salas sempre lotadas foram os sinais da boa qualidade do Congresso.


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“CARTÃO DE VACINAÇÃO DA MULHER”, UMA GRANDE NOVIDADE LANÇADA NO CONGRESSO A grande novidade do Congresso foi o lançamento do “Consenso sobre a Vacinação da Mulher”, na sessão de encerramento do evento, com informações acerca das imunizações disponíveis, época de administração, e vantagens de uso, além de um cronograma para vacinação feminina, visando a uma gravidez segura e à prevenção de doenças infecciosas e oncológicas. - É ainda reduzido o número de mulheres que procuram se vacinar e isso passa pela falta de informação do médico para sua paciente. De um modo geral, a vacinação não está embutida na nossa consulta ginecológica. Não perguntamos sobre vacinação na nossa anamnese. Com este Consenso, o médico gineco-obstetra poderá assumir o compromisso de mostrar à sua paciente o quanto é importante se prevenir contra doenças, como rubéola, hepatite B, gripe H1N1 e até mesmo febre amarela e tétano. As recomendações e orientações sobre as vacinas devem ser colocadas em prática nos nossos locais de trabalho, seja consultório, ambulatório ou posto de saúde ressaltou Vera Fonseca. O Consenso foi idealizado por Vera Fonseca em parceria com a Vice-Presidente da Associação Brasileira de Imunizações, Secretária Geral SBImRJ, membro do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia e do Comitê Técnico Assessor em Imunizações do Estado do Rio de Janeiro, Isabella Ballalai. Isabela Ballalai, que também é ginecologista,

lembrou que a iniciativa sobre o Consenso foi de Vera Fonseca, iniciativa que ela considerou de extrema importância. Daí ter se dedicado à elaboração do trabalho. - Quando o médico tem uma paciente com varicela, que dá a luz a um bebê com síndrome de varicela congênita, imaginar que se ele tivesse recomendado a vacina poderia ter evitado tal síndrome, tem um preço muito alto. Segundo a Coordenadora do Programa de Imunizações do Estado, Andréa Aires, é muito importante o papel do ginecologista na prescrição das vacinas, visto que, depois da infância, é comum as pessoas fugirem dos consultórios. - Desde a adolescência, no entanto, a mulher procura o ginecologista. Temos inúmeras provas que a prática médica associada as vacinas dão bons resultados, em várias fases da vida – observou, destacando que muitas dessas vacinas são disponibilizadas gratuitamente pelo Programa de Imunizações do Estado e outras estão disponíveis nas clínicas privadas. Ela contou, para exemplificar, a importância da vacinação que, embora o tétano esteja praticamente erradicado, em 2008, ocorreu no Estado um caso de tétano neonatal com óbito, que não teria acontecido se a mãe tivesse se vacinado. - A Coordenação do Programa de Imunizações vê com muito bons olhos essa aproximação dos ginecologistas. A população ainda tem muitas dúvidas sobre as vacinas, que poderão ser sanadas pelas mulheres, tendo em vista a relação

de confiança que mantêm com seus ginecologistas – acrescentou. Anna Lydia Pinho do Amaral parabenizou as responsáveis pelo Consenso: “são duas mulheres que se unem em prol das mulheres do Brasil”. Ela disse que solicitaria a Academia Nacional de Medicina que encampasse uma campanha de vacinação no país. - Nós, médicos, temos obrigação de divulgar esse Consenso com o objetivo de defender o bem estar materno-fetal e as nossas crianças que nascerão - frisou. Para o Presidente do CREMERJ, Luis Fernando Moraes, o Consenso deve ser divulgado nacionalmente para que todos os médicos possam ter um material de qualidade, como instrumento de trabalho e de conhecimento sobre as vacinas importantes para a mulher. - Nunca tivemos uma síntese com tal praticidade, objetividade e didática para orientar nossas pacientes – observou, parabenizando as duas responsáveis pelo Consenso. O Presidente da Febrasgo, Nilson Roberto de Melo, disse que, na próxima reunião das federadas, iria sugerir a adoção do Consenso nacionalmente e a formação de uma Comissão Nacional de Imunizações na entidade. Quanto ao sucesso do Congresso, ele atribuiu ao grupo da Comissão Científica, que tem uma forte liderança em Vera Fonseca. - Sem uma liderança forte não se faz nada afirmou.

Isabella Ballalai (Vice-Presidente da Associação Brasileira de Imunizações), Luis Fernando Moraes (Presidente do CREMERJ), Andrea Aires (Coordenadora do Programa de Imunizações do Estado), Vera Fonseca (presidente do Congresso), Nilson Roberto de Melo (Presidente da FEBRASGO) e Anna Lydia Pinho do Amaral (Vice-Presidente da Academia Nacional de Medicina)


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12 • Março/Abril - 2010

XXXIV Congresso de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro

INTEGRAÇÃO NA SOLENIDADE DE ABERTURA Durante a solenidade de abertura do Congresso, Vera Fonseca ressaltou a necessidade de incentivar a obstetrícia no país, evitando que profissionais não-médicos se vejam estimulados a encampá-la. Ela lembrou ainda que a parceria com entidades representativas vem sendo cada vez mais decisiva no sucesso da defesa profissional e da medicina. - Devemos incentivar a especialidade para nossos alunos e residentes, para que não tome um rumo diferente, cedendo a modismos, aos quais já estamos observando. Esse é um dos objetivos da nossa Sociedade, que atua com grande força em parceria com o CREMERJ, a SOMERJ, a Academia Nacional de Medicina, outras Sociedades de Especialidades e Associações Médicas de bairro, além de com as Secretarias Estadual e Municipais de Saúde – frisou. O Presidente do Conselho Regional de Medicina (CREMERJ), Luis Fernando Moraes, presente à solenidade, ratificou as palavras da Presidente do Congresso. Segundo ele, a integração entre os médicos e as entidades médicas é essencial. - É inerente à nossa profissão a necessidade de nos atualizarmos e trocarmos experiências. Assim como, precisamos relembrar nossa história e parabenizar nossos mestres. Reencontrar exprofessores neste Congresso é um momento de emoção e gratidão – salientou. Na solenidade de abertura a SGORJ promoveu as homenagens de 2010. Elas foram destinadas aos professores Etelvino Trindade, representan-

Agostinho Seródio Boechat, Etelvino de Souza Trindade, Carlindo Machado e Silva, Luis Fernando Moraes, Vera Fonseca, Pietro Novellino, Celso Ferreira Ramos Filho, James D´Avila e Paulo Cesar Geraldes

Gutemberg Almeida, Paulo Vieira da Costa Lopes, Nilo Vidigal, Vera Fonseca e Amadeu Ramos da Silva

do todos os professores envolvidos no Congresso; James D’Ávila, representando os congressistas; e Agostinho Seródio Boechat, representando os médicos que atuam fora da capital. Ainda foram homenageados o professor Amadeu Ra-

mos da Silva, com a “Medalha Fernando Magalhães”, entregue pelo obstetra Nilo Vidigal; e o professor Gutemberg Almeida, com a “Medalha Arnaldo de Moraes”, conferida pelo ginecologista Paulo Vieira da Costa Lopes.

CONGRESSO ATRAI GRANDE NÚMERO DE ACADÊMICOS O Congresso de Ginecologia e Obstetrícia deste ano atraiu um expressivo número de alunos, acadêmicos e residentes graças, segundo Vera Fonseca, à intensa divulgação feita nas faculdades de medicina e nas universidades. - Incentivamos muito os alunos a participarem do Congresso, o que além de necessário à sua formação, é importante para que criem o hábito de freqüentar eventos desse tipo e cursos de educação médica continuada, tendo em vista que o médico precisa sempre se atualizar para acompanhar os avanços da medicina – observou. A procura também pelos cursos pré-congressos, não só pelos mais jovens, mas também por médicos formados há vários anos, surpreendeu, este ano, os organizadores do evento. - Constituídos sobre quatro temas referentes às subespecialidades da ginecologia e da obstetrícia, os cursos pré-congresso trataram, com profundidade, cada item dos assuntos programados, diferente do restante do congresso, em que as conferências, palestras, mesas redondas e debates se referiam mais as últimas novidades das especialidades – explicou Vera Fonseca.

- Vou assistir todo o Congresso porque quero estar a par dos temas que estão na programação. Também quero assistir os cursos pré-congresso que tratam de assuntos mais práticos que vou usar na minha vida acadêmica. Alberto Rodrigues Muniz Júnior Júnior,, 9º período de medicina (Univ er sidade de V assour as) (Univer ersidade Vassour assouras) - Tenho 30 anos de formada e não perco nenhuma oportunidade para me atualizar. Em cada Congresso que frequento, adquiro mais um conhecimento novo para aprimorar meu dia a dia. Faço questão também de me inscrever nos cursos pré-congressos. Hoje mesmo, a professora Evelise Pochmann tratou de pontos sobre infecções no pré-natal que eu desconhecia. Maria das Graças Araújo Costa Neves (Unidade Rede Própria e P AM Coelho Neto) PAM Vera Fonseca com alunos de medicina da Universidade de Vassouras


G &O R I O

Março/Abril - 2010 • 13

VALORIZAÇÃO DA PRECEPTORIA

A IMPORTÂNCIA DAS PARCERIAS No Congresso deste ano, a SGORJ fez parceria com o CREMERJ, as Associações Médicas de bairro, a Unimed e a Secretaria Estadual de Saúde, oferecendo aos participantes, integrantes dessas entidades, um desconto na inscrição. Vera Fonseca lembra que nenhuma Sociedade pode funcionar sozinha, apenas com seus associados. A parceria com outras entidades, na sua opinião, é muito importante para o engrandecimento da instituição. O CREMERJ montou um estande no Congresso, oferecendo serviços como recadastramento de médicos, concessão da Carteira do Interno para os estudantes nos dois últimos anos do curso de medicina; confecção da nova carteira do médico, obrigatória pelo CFM, que prorrogou o prazo para sua obtenção em mais seis meses.

Pela primeira vez, a SGORJ ofereceu gratuidade de inscrição no Congresso para os coordenadores de residência. - Precisamos valorizar os preceptores de residência, que se dedicam ao trabalho de formação dos novos médicos, sem qualquer remuneração financeira, o que consideramos um absurdo. Eles têm uma função importantíssima dentro de cada serviço – ressaltou Vera Fonseca. Segundo Alessandra Caputo (foto), Coordenadora do Programa de Residência Médica em Obstetrícia da UERJ, a SGORJ já melhorou muita coisa para os residentes, com a Educação Médica Continuada, que é um programa excelente, de estímulo ao estudo e de aprofundamento do residente. - O fato de a SGORJ oferecer, gratuitamente, a inscrição no Congresso para os coordenadores de Residência Médica, foi uma excelente forma de estimulá-lo a se atualizar, estudar e ensinar. Se ele se aperfeiçoar, vai formar melhor o residente – comemorou.

CONTRACEPÇÃO EM PACIENTES OBESOS No ano em que a pílula anticoncepcional completa 50 anos de existência e o crescente número de casos de obesidade em todo mundo, a contracepção em pacientes com excesso de peso se tornou uma preocupação a mais para os médicos. Atendendo a necessidade de mais informações sobre o tema, o Congresso ofereceu a mesa redonda “Controvérsias em contracepção”. O professor Mário Vicente Giordano abordou o assunto, levantando vários tópicos para debate com os colegas. - A premissa básica, desde o lançamento da pílula, nos anos 60, foi a diminuição das doses de hormônios para diminuição dos efeitos adversos, mas isso para a paciente obesa pode significar prejuízo, porque talvez uma dose tão baixa não seja eficaz em evitar uma gravidez indesejada. Outra questão importante é saber se as pílulas são seguras nas pacientes que foram submetidas às cirurgias para redução de peso. Nestes casos o médico opta pela contracepção hormonal não oral e, caso o peso seja superior a 90Kg, evita-se também o adesivo. A obesidade é um problema de saúde pública – salientou.

CONDUTAS PARA O HIRSUTISMO CRIATIVIDADE NOS ESTANDES Os congressos são sempre uma oportunidade para que os representantes das indústrias farmacêuticas, fabricantes de equipamentos e editoras possam expor seus produtos. Na disputa pela atenção dos cerca de 1.000 participantes do Congresso, não faltou criatividade aos 21 expositores. Canetas e bloquinhos, que eram utilizados há anos, cederam lugar a brindes, que atraiam a atenção para os seus estandes. Oferecer um pão de mel, delicadamente envolto em embalagens de filó, ou rosas de bombons de chocolate constituíram o primeiro passo para que os médicos se aproximassem e acabassem ouvindo explicações sob um novo produto. Adotando uma inusitada estratégia de marketing, um mágico chamava a atenção dos congressistas. Outro expositor usou a embalagem do produto para chamar atenção: a dobradura, nos moldes de uma pequena maleta branca, despertou a curiosidade e fez com que muitos participantes se interessassem em buscar as amostras de um kit para amamentação.

Durante a mesa redonda “Como trato?”, a Vice-Presidente da Febrasgo, Cláudia Navarro, abordou as melhores condutas para o tratamento de uma patologia que envolve endocrinologia e estética, o hirsutismo. Como nem sempre o volume de pelos em determinadas áreas do corpo feminino tem causas médicas, muitos procedimentos para minimizar o desconforto estético das mulheres, segundo ela, se concentram em ações dermatológicas. - É importante levarmos em consideração qual o grau de stress que esse excesso de pelo leva à paciente. Em algumas, esse excesso não chega a provocar incômodo e nem é consequência de uma doença de base. Podemos utilizar medicamentos que regulam o androgênio ou sua ação, como algumas pílulas que têm uma resposta mais satisfatória, ou também a eliminação temporária, com a depilação a base de produtos químicos, que dissolvem os pelos, pinças etc. ou a mais duradoura, como as depilações a laser e eletrólise – explicou


G &O R I O

14 • Março/Abril - 2010

XXXIV Congresso de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro

O DIREITO DA PACIENTE ESCOLHER O TIPO DE PARTO NA SAÚDE SUPLEMENTAR Muito além de discutir somente as vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de parto, se vaginal ou cesáreo, uma das mesas redondas centrou o debate em torno da melhoria da assistência obstétrica na saúde suplementar. Para Ricardo Oliveira e Silva, um dos diretores da FEBRASGO, é importante preservar o direito de escolha da paciente e avaliar qual o método mais adequado de acordo com o seu quadro clínico. - Esse é um tema atual e da maior relevância. Os Conselhos Federal e Regionais, junto com a FEBRASGO e a ANS, estão participando da elaboração de uma pesquisa e de protocolos, que têm por objetivo melhorar a assistência obstétrica e não ficar só atacando o número de

cesarianas, o que, evidentemente, reflete alguns problemas da assistência obstétrica - afirmou. Para o Corregedor do CFM, José Fernando Maia Vinagre, a pesquisa vai traçar as razões pelas quais o Brasil é o campeão mundial de cesáreas na saúde suplementar. Ela estará disponível no site do CFM, nos próximos dias, e os médicos terão dois meses para respondê-la. Ao final desse prazo, os dados serão compilados e analisados. - Queremos saber o que leva os colegas a adotarem as cesáreas, para, posteriormente, trabalhar com os alunos de faculdades, que, muitas vezes, saem dos cursos com pouco conhecimento e sem o devido treinamento - concluiu.

“É importante preservar o direito de escolha da paciente e avaliar qual o método mais adequado...” Ricardo Oliveira e Silva, Diretor da FEBRASGO

Ricardo Oliveira e Silva

NOVO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA As dúvidas em relação ao novo Código de Ética Médica foram dirimidas na mesa redonda “SGORJ e CREMERJ: sinergia em prol dos médicos”. O Presidente do CREMERJ, Luis Fernando Moraes, apresentou as mudanças, ressaltando as principais diferenças entre a atual versão e o código anterior. Entre os vários artigos do novo Código, ele ressaltou o que diz respeito às condições de trabalho: “É direito do médico recusar-se a exercer sua profissão em instituição pública ou privada onde as

condições de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar a própria saúde ou a do paciente, bem como a dos demais profissionais. Nesse caso, comunicará imediatamente sua decisão à Comissão de Ética e ao Conselho Regional de Medicina.” Também participaram da mesa redonda os Conselheiros Paulo Cesar Geraldes, Márcia Rosa de Araujo e Abdu Kexfe, abordando as questões relacionadas ao ato médico, à certificação profissional e à saúde suplementar, com mediação da Presidente do Congresso, Vera Fonseca.

Márcia Rosa de Araujo, Paulo Cesar Geraldes, Vera Fonseca, Abdu Kexfe e Luis Fernando Moraes

José Fernando Maia Vinagre

O ECOCARDIOGRAMA NO PRÉ-NATAL No sábado, Marcelo Burlá aprofundou o debate em torno de uma ideia que vem sendo discutida no mundo inteiro: se o ecocardiograma deve ou não ser uma rotina no pré-natal. O tema foi analisado durante a conferência “Eco fetal – quem realiza, quando pedir e como interpr etar” interpretar” etar”.. Segundo ele ele,, o eexx ame não é caro e não apresenta risco ou desconforto par paraa gestante gestante.. - A incidência de cardiopatias congênitas é gr ande grande ande.. Oito em cada mil crianças apresentam algum problema no coração. E as consequências podem ser muito graves se não as identificarmos precocemente e o parto ocorrer numa unidade sem o suporte adequado – salientou.

G&O Março 2010  

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