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Editorial

Sumário

E 2009 chegou! Com ele, a responsabilidade de continuar trabalhando para fortalecer a Ginecologia e Obstetrícia de nosso Estado. Teremos muito trabalho pela frente! Os já tradicionais congressos, simpósios, Educação Médica Continuada do Rio e do interior e o Curso para Residentes já estão confirmados. Acreditamos que a SGORJ deva atuar junto aos tocoginecologistas, lutando por melhores condições de trabalho e, para tanto, organizaremos reuniões entre os chefes de serviço. É a “SGORJ Integrando Serviços”! O que está ruim? Como podemos melhorar? O que há de bom em cada serviço? Como um pode ajudar o outro? Haverá ainda Encontro entre os Coordenadores de Residência Médica. Como está o Programa de Residência Médica de sua instituição? Os residentes estão sendo bem formados? O site da SGORJ foi modernizado. Haverá casos clínicos e fotos (“Foto do Mês”) sobre condições clínicas inusitadas de nosso dia a dia. Não deixem de colaborar, enviando um caso clínico ou documentação fotográfica de situações curiosas de nossa especialidade para secretaria@sgorj.org.br Como vocês podem ver, o ano só está começando, mas já estamos a pleno vapor, trabalhando para oferecer apoio, atualização e, por que não, entretenimento aos nossos associados. E 2009 chegou!

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EVENTO DIA INTERNACIONAL DA MULHER SGORJ HOMENAGEIA MÉDICAS

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ARTIGO/OPINIÃO SUPRESSÃO DA MENSTRUAÇÃO INFORMES GUIA PRÁTICO DA NOVA ORTOGRAFIA EVENTOS DEFESA DE TESE INJEÇÃO PROFUNDA DE RADIOFÁRMACO PARA IDENTIFICAÇÃO DO LINFONODO SENTINELA (LS) EM PACIENTES COM CÂNCER DE MAMA LITERATURA MÉDICA GRAVIDEZ E ADOLESCÊNCIA

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ARTIGO/OPINIÃO REFLEXÕES SOBRE VIRTUDES, POLÍTICA E RELATIVIDADE

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INFORMES VIII CONGRESSO MÉDICO DOS HOSPITAIS PÚBLICOS DE EMERGÊNCIA

ASSOCIAÇÃO DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Largo do Machado, 54/1206 - Catete – Rio de Janeiro – RJ - CEP 22221-020 Tel.: (21) 2285-0892 - www.sgorj.org.br - sgorj@sgorj.org.br SECRETÁRIOS ADJUNTOS Deyse Barrocas Mario Vicente Giordano Karen Soto Perez Panisset Silvio Silva Fernandes Marcelo Trindade Alves de Menezes PRESIDENTE Vera Lucia Mota da Fonseca 1º VICE-PRESIDENTE Mauro Romero Leal Passos VICE-PRESIDENTES Hugo Miyahira Ricardo Oliveira e Silva Paulo Maurício Soares Pereira SECRETÁRIO-GERAL Marcelo Burlá

TESOUREIRO-GERAL José Carlos de Jesus Conceição TESOUREIROS ADJUNTOS Claudia da Silva Lunardi Flávia Maria de Souza Clímaco EDITOR DE HONRA Manoel Baliú Monteiro (in-memorian) CONSELHO EDITORIAL Hugo Miyahira Vera Lúcia Mota da Fonseca Mario Vicente Giordano

PROJETO GRÁFICO João Ferreira PRODUÇÃO Foco Notícias JORNALISTA RESPONSÁVEL Nicia Maria – MT 16.826/76/198 FOTOLITO E IMPRESSÃO Editora Teatral Ltda. FOTOGRAFIA José Renato TIRAGEM 3.000 exemplares DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA


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Evento

DIA INTERNACIONAL DA MULHER SGORJ HOMENAGEIA MÉDICAS No Dia Internacional da Mulher, a SGORJ reuniu aproximadamente 400 médicos na Associação Atlética Banco do Brasil para um café da manhã de confraternização. Mais do que registrar uma data que vem sendo cada vez mais comemorada no mundo, a oportunidade de promover o encontro, segundo a Presidente da SGORJ, Vera Fonseca, teve outro objetivo: o da integração. Ela defende que é tarefa das Sociedades de Especialidades unir seus membros, incentivando o espírito associativo, fortalecendo os vínculos entre eles e, consequentemente, a capacidade de luta e a articulação em relação às necessidades da categoria. - Como eram importantes os plantões antigos, nos quais se formavam grandes amizades que eram levadas para casa, para as famílias dos médicos! Hoje, isso não mais acontece. Por isso, propiciamos esses encontros para estarmos juntos em momentos que não sejam somente técnicos científicos – salientou. Vera Fonseca também abordou os objeti-

vos da SGORJ para o ano. Ela assinalou a meta de crescimento da instituição, com a ampliação do número de sócios e de cursos de educação continuada oferecidos, tanto na capital, quanto no interior do Estado. - Nossos objetivos são atuar como agente de inclusão e transformação da classe médica, contribuir para o fortalecimento e maior credibilidade da especialidade, estabelecer parcerias com instituições que complementem ou potencializem sua ação social e desenvolver e apoiar novos programas e projetos. Pretendemos chegar aos dois mil associados – ressaltou. Durante o encontro, foram distribuídos e sorteados brindes, além prestadas homenagens à Anna Lydia Amaral (primeira Presidente da SGORJ), à Flávia Clímaco (que conquistou o doutorado em 2009), à mastologista e ginecologista Sandra Chagas e a Fernanda Freitas, que representava as mães e a persistência de quem insistiu nos concursos de

formação profissional. O único homem que mereceu deferência no dia foi o ginecologista e Presidente do CREMERJ, Luis Fernando Moraes, pela passagem de seu aniversário. - Precisamos resgatar o convívio dos antigos plantões, que faziam a todos nós sermos uma grande família, nesse sistema nefasto da política de saúde. Por isso é importante estarmos juntos em situações como a de hoje, que ainda é muito pouco para exprimir tudo o que as mulheres merecem. Sou um felizardo de fazer aniversário neste dia – agradeceu. Participaram da confraternização o Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Ricardo Chagas; o Presidente da Sociedade de Mastologia do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Conte; a Presidente da Associação de Psiquiatria do Estado do Rio, Maria de Fátima Vasconcelos; e a PrimeiraTesoureira da Sociedade Brasileira de Citopatologia, Maria Midori Piragibe, entre outras personalidades.


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Evento

MULHER E VAIDADE: uma característica do gênero Durante o encontro, Vera Fonseca proferiu a palestra “Mulher e vaidade: uma característica de gênero?”. Utilizando-se de conceitos religiosos, semânticos, culturais e psicológicos, ela refletiu sobre o tema, observando-o sob diversas perspectivas. “Da vaidade profissional ao orgulho materno, é possível dosar a vaidade quase que do mesmo modo como se faz com as medicações, que podem provocar reações diferentes, e até opostas à desejada, de acordo com a quantidade e o uso que se faz dela”, disse. Assim, a Presidente da SGORJ mostrou que nem sempre a vaidade é negativa, como normalmente se diz. - Reconheço que eu própria fico vaidosa de estar à frente desta Sociedade, mas muito mais pela possibilidade de realizar os objetivos da nossa Sociedade, porque acreditamos que a soma de idéias traz o sucesso. A nossa missão é contribuir para o desenvolvimento técnico-científico, com a Educação Médica Continuada, para a defesa profissional da nossa categoria; manter a nossa classe sempre unida; e fortalecer a nossa instituição, com valores fundamentados em responsabilidade, democracia, igualdade, equidade, solidariedade e compromisso com a especialidade – enalteceu. A satisfação do sucesso, do dever cumprido e da superação e a realização de ações humanitárias em prol da coletividade eram características de muitas das mulheres do vasto elenco que ela citou para exemplificar personalidades cheias de motivos para serem vaidosas. “De Maria, mãe de Jesus, e Madre Teresa de Calcutá a Lady Di e Indira Gandhi, passando pela Princesa Isabel e Maria da Penha, todas tinham seus nomes associados à beleza ou força ou sensibilidade ou firmeza ou outras tantas particularidades marcantes, de acordo com a individualidade de cada uma”, observou a Presidente da SGORJ. O que as unia, no entanto, segundo ela lembrou, era a condição de gênero, o feminino, que lhes possibilitava o maior de todos os motivos para deixar uma mulher plena de orgulho, vaidade e satisfação: a possibilidade de conceber um filho, de dar existência a uma pessoa. - A maior qualidade que uma mulher pode apresentar é o poder de gestar. A maior declaração de amor que podemos ouvir é a de um filho. E não tem nada que mais nos envaideça – confidenciou.

Acima, Vera Fonseca (C), Presidente da SGORJ com as homenageadas Fernanda Freitas Anna Lydia Pinho do Amaral, Sandra Chagas e Flávia Clímaco. À direita, Vera Fonseca durante sua palestra e, abaixo com Ricardo Oliveira e Silva, Diretor da SGORJ; Luis Fernando Moraes, Presidente do CREMERJ; e Hugo Miyahira, VicePresidente da SGORJ


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Artigo/Opinião

SUPRESSÃO DA

MENSTRUAÇÃO A inexistência de estímulo da gonadotrofina coriônica humana (HCG) à permanência do corpo lúteo e a queda dos níveis hormonais no fim do ciclo menstrual determinam alterações endometriais que culminam com a menstruação. Este fenômeno ocorre com ciclicidade mensal e é interrompido com a nidação embrionária no endométrio previamente preparado. O estudo da menstruação remonta o período antes de Cristo. Parmênides de Eléia (516 – 450 a.C.), filósofo, acreditava que a mulher era ser mais quente que o homem e este seria o motivo de possuir maior volume de sangue. Assim, o controle da temperatura corporal era conseguido pela eliminação mensal do “excesso” sanguíneo. Claudio Galeno (130 – 200 d.C.), grande médico da Antiguidade, também acreditava que a mulher era mais quente, sendo importante a perda frequente de sangue para manutenção da homeostase. Leonardo da Vinci (1452 – 1519)

acreditava na existência de um “conduto uteromamário”. Durante a gravidez e posteriormente na amamentação, o sangue drenava do útero para as mamas e se transformava em leite para alimentação do nascituro(1). Com o passar dos anos, houve maior esclarecimento sobre os fenômenos neuro-endócrinos femininos. Podemos dizer que a menstruação apresenta sentidos diferentes na dependência do prisma em que esta sendo avaliada. Para o médico, se ocorrer de forma cíclica e regular, demonstra que o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano está em pleno e adequado funcionamento. Para a mulher, há a certeza de que a gravidez não ocorreu e que ela goza de plena “saúde” hormonal. Para os parceiros...? O fato é se realmente a menstruação representa evento fisiológico e necessário. As mulheres antigas apresentavam cerca de 50 menstruações durante toda a sua vida. Sua ocorrência mensal não era a norma. A menarca ocorria mais tardiamente, a primeira gestação era mais precoce, havia maior número de filhos, a amamentação era mais prolongada e muitas não conseguiam chegar à menopausa devido à menor expectativa de vida. Hoje, quantas vezes a mulher menstrua ao longo de sua vida reprodutiva? A mudança da atitude feminina, com ampla participação no mercado de trabalho, impôs inúmeras adequações fisiológicas. A mulher moderna menstrua mais cedo, retarda ou mesmo não deseja a primeira gestação, possui menor número de filhos, diminuiu o período de ama-


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mentação e a sua esmagadora maioria atinge a menopausa. Assim, há cerca de 450 menstruações durante sua vida(2). Seria este um padrão normal ou simplesmente uma imposição hodierna? A menarca é evento aguardado e comemorado pelas adolescentes e seus familiares. Para algumas mulheres no menacme, é muito importante o aparecimento mensal do fluxo menstrual. Mulheres na perimenopausa podem se sentir mais jovens por estarem menstruando regularmente. Porém, estas opiniões não são unanimidade. Para grande parte das mulheres, a menstruação possui conotação negativa em virtude dos diversos sintomas à ela vinculados. Dismenorréia, náusea, vômitos, cefaléias, mastalgia, síndrome pré-menstrual, transtorno disfórico pré-menstrual, infecções genitais, asma, convulsões... Para os parceiros...? Os sintomas menstruais são grandes causadores de menor rendimento profissional bem como de faltas à escola ou ao trabalho. Imaginem o número de consultas que realizamos por ano em virtude de queixas específicas deste período? Pesquisa realizada com mulheres alemãs evidenciou que 71% entre 15 e 19 anos, 60% entre 24 e 35 anos e 59% entre 45 e 49 anos desejavam frequência menstrual diferente da mensal. Quando questionadas, gostariam de não mais menstruar, 21,8%, 25% e 26,3% deram resposta positiva respectivamente entre os grupos etários(3). Se a frequência mensal das menstruações não era encontrada nas mulheres antigas e se o desejo da mulher moderna é de não menstruar, ou que pelo menos isso não ocorra mensalmente, não poderíamos nós, médicos, colaborar com este anseio? Muitas mulheres apresentarão indicação médica para esta conduta em virtude dos nefastos sintomas que podem ser encontrados. E como poderíamos realizar a diminuição ou até mesmo a supressão da menstruação? Os primeiros anticoncepcionais orais (ACO) formulados colaboraram para a idéia de que menstruações mensais seriam benéficas. À época, não se poderia criar medicamento que interferisse na ciclicidade feminina, com risco de inaceitabilidade imediata. Como poderia uma mulher tomar medicamento para evitar gravidez que lhe alterasse a menstruação? Mensalmente haveria dúvidas quanto a possível prenhez. Assim, o regime de ACO com 21 comprimidos ativos e 7 dias de intervalo entre as cartelas se manteve soberano ao longo dos anos. Hoje, com o questionamento da real importância da menstruação mensal e com inúmeras inovações encontradas nos medicamentos (doses menores, melhores hormônios), podemos atuar de forma mais contundente no auxílio de nossas pacientes. O uso estendido dos ACO desponta como excelente alternativa para diminuir ou mesmo abolir os fluxos menstruais. Consiste no uso do medicamento por período superior a 28 dias de pílulas ativas(4). Este regime permite individualização dos fluxos menstruais, os quais podemos manipular para ocorrer a intervalos os mais variados, como a cada 2, 3, 6 meses ou até mais. O contraceptivo transdérmico também pode ser utilizado com intuito de diminuir as menstruações. Sua apresentação é tradicionalmente formulada para uso durante três semanas com posterior semana sem o preparado hormonal. Nesta classe de medicamento, o regime estendido pode ser realizado com uso consecutivo de quatro ou mais adesivos, mostrando-se boa opção quanto à satisfação das pacientes e controle do sangramento(5). Outras opções também podem ser utilizadas, como o anel vaginal, o DIU com levonorgestrel, acetato de medroxiprogesterona de depósito, implantes sub-

cutâneos, assim como outros medicamentos não contraceptivos. Os anticoncepcionais hormonais podem ocasionar melhoria sintomática em muitas mulheres e o regime estendido pode potencializar este aspecto. É conhecido o efeito benéfico dos ACO no risco futuro de câncer de ovário e endométrio. O regime estendido poderia determinar redução mais acentuada deste risco? O regime estendido pode proporcionar maior eficácia contraceptiva vinculada ao uso típico dos ACO? Há maior bloqueio hipotálamo hipofisário e consequente menor risco de ovulação, porém ainda não há comprovação deste melhor desempenho(4). As desvantagens desta conduta parecem estar relacionadas à maior ocorrência de sangramentos irregulares e de “spotting”. Os efeitos metabólicos a longo prazo ainda não foram determinados. É cada vez maior o interesse das mulheres em alterar a ciclicidade de suas menstruações. Nós, médicos, devemos estar atentos a estes desejos e atuar de forma efetiva, muitas vezes proporcionando melhor qualidade de vida às nossas pacientes. O parceiro..!!! Luiz Augusto Giordano, Mario Vicente Giordano e Mario Gáspare Giordano Univ er sidade FFeder eder al do Estado do Rio de Janeir Univer ersidade ederal Janeiroo – UNIRIO

Referências Bibliográficas 1 - Giordano MG, Giordano MV, Giordano LA, Garcia SMA. Ciclo Menstrual. In: Mario Gaspare Giordano. Endocrinologia Ginecológica e Reprodutiva. Rio de Janeiro, editora Rúbio, 2009. 2 - Thomas SL & Ellertson C. Nuisance or natural and healthy: should monthly menstruation be optional for women? Lancet 2000; 355,922–24.

3 - Den Tonkelaar I, Oddens BJ. Preferred frequency and characteristics of menstrual bleeding in relation to reproductive status, oral contraceptive use, and hormone replacement therapy use. Contraception 1999;59:357– 62. 4 - Edelman A, Gallo MF, Nichols MD, Jensen1 JT, Schulz KF, Grimes DA. Continuous versus cyclic

use of combined oral contraceptives for contraception: systematic Cochrane review of randomized controlled trials. Hum Reprod 2006; 21(3): 573–78. 5 - Extended Use of Transdermal Norelgestromin/ Ethinyl Estradiol: A Randomized Trial. Stewart FH et al. Obstet Gynecol 2005; 105(6): 1389-96.


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Informes

GUIA PRÁTICO DA NOVA ORTOGRAFIA

A lingua portuguesa sofreu alterações em sua forma escrita, sem influência na língua falada. Esta proposta foi assinada em 1990 sob o título “Acordo Ortográfico da Lingua Portuguesa”. Participaram do acordo Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste. Esta intervenção é um importante passo para unificação ortográfica da língua portuguesa nestes países. Para que você possa entender o acordo, segue um resumo. • O alfabeto terá 26 letras, acrescentando-se as extintas k , w e y . • O trema (¨) está extinto. Nova escrita: bilíngue, arguir, linguiça, pinguim. O trema só permanece em nomes próprios. Exemplo: Ductos de Müller. • Não há mais acento nos ditongos abertos (éi e ói) das palavras paroxítonas. Nova escrita: androide, colmeia, geleia. Atenção! As palavras oxítonas continuam com acento: papéis, herói, troféu. • Não há mais acento no i e no u tônicos, em palavras paroxítonas, quando vierem depois de um ditongo. Nova escrita: feiura, baiuca. Nas pala-

vras oxítonas o acento permanece: Piauí. • Não há mais acento nas palavras terminadas em eem ou oo(s). Nova escrita: Creem, enjoo, voos, zoo. • Não se usa hífen quando o prefixo terminar com uma vogal e o segundo elemento iniciar por outra vogal. Exemplo: autoescola, autoestrada, infraestrutura, coautor, semianalfabeto. • Não se usa hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com consoante diferente de r ou s . Exemplo: anteprojeto, autopeça, ultramoderno, microcomputador. Atenção! Com o prefixo vice utiliza-se sempre o hífen: vice-rei, vice-campeão. • Não se usa hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com r ou s . Neste caso duplica-se a consoante. Exemplo: antirrábica, antirrugas, ultrassonografia. • Continuaremos utilizando o hífen quando o prefixo termina com a mesma letra que começa o segundo elemento, seja vogal ou consoante. Exemplo: anti-inflamatório, semi-internato, micro-ondas, inter-racial, super-resistente, super-român-

tico. Atenção! Não se usa o hífen: supermercado, hipermercado, superproteção. • Utiliza-se o hífen em palavras que tenham prefixo sub e o segundo elemento iniciando com r . Exemplo: sub-região, sub-raça. • Utiliza-se o hífen quando o segundo elemento começa com a letra h . Exemplo: anti-higiênico, sobre-humano, super-homen. Atenção! Na palavra subumano o segundo elemento perde o h . • Não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal e o prefixo terminar com consoante. Exemplo: hiperacidez, hiperativo, superaquecimento. • Sempre usar o hífen quando o prefixo for ex, sem, além, recém, pós, pré e pró. Exemplo: pré-operatório, pós-operatório, ex-aluno, pósgraduação, recém-nascido. • Não se usa hífen nas palavras que perderam a noção de composição. Exemplo: paraquedista, pontapé, girassol. Editora Melhoramentos (Resumo)


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Eventos

INJEÇÃO PROFUNDA DE RADIOFÁRMACO PARA IDENTIFICAÇÃO DO LINFONODO SENTINELA (LS) EM PACIENTES COM CÂNCER DE MAMA A tese desenv olvida no HUCFF -UFRJ te desenvolvida HUCFF-UFRJ tevve como objetivo a avaliação da injeção profunda de radiofármaco para identificação do Linfonodo Sentinela (LS) em pacientes com câncer de mama. Foi rrealiz ealiz ada compar ação com a injeção ealizada comparação superficial. Até o presente momento, existem diferentes tipos de injeção e ainda se discute qual é a melhor técnica para marcação do LS. OS CASOS ESTUDADOS FORAM DIVIDIDOS EM DOIS GRUPOS: Grupo A (20 pacientes) injeção profunda (guiada por ultrassonografia, subtumoral, até 1 cm de fáscia do músculo grande peitoral) de dextran 500-99m Tecnécio. Grupo B (26 pacientes) injeção superficial (subdérmica, na projeção tumoral ou periareolar) de fitato99mTecnécio. A linfocintilografia foi realizada em todos os pacientes. Imagens seriadas (1, 4 e 20 horas) foram realizadas no Grupo A, com a finalidade de avaliar o tempo de drenagem do radiofármaco e a localização do LS. Injeção superficial de dextran 50099m Tecnécio foi realizada quando o LS axilar não foi visualizado no Grupo A. Injeção superficial de azul patente foi utilizada nos dois grupos quando o LS axilar não foi visualizado pelo método radioguiado. A taxa de identificação foi de 75% (15/ 20) no Grupo A e de 76,9% (20/26) no Grupo B.

Flávia Clímaco com Orientadores, Banca Examinadora e Chefes de Serviço

Os LSs axilares foram identificados em 65% (13/ 20) das pacientes do Grupo A e em 76,9% (20/ 26) das pacientes do Grupo B, sem diferença estatística entre os grupos (p=0,75). Linfonodos extra-axilares foram identificados apenas no Grupo A (40% ou 8/20), estando todos situados em CMI. Em apenas um caso houve drenagem concomitante do radiofármaco para a região supraclavicular. A biópsia dos LSs extra-axilares apresentou baixa morbidade (uma lesão de pleura e uma lesão de veia mamária interna), sendo as complicações facil-

Literatura médica

Gravidez e Adolescência O livro “Gravidez e adolescência” de Denise Leite Maia Monteiro, Alexandre José Baptista Trajano e Álvaro da Cunha Bastos, na primeira parte – Aspectos Gerais - aborda questões históricas, socioculturais, epidemiológicas e institucionais ligados ao tema. A parte dois – Aspectos Clínicos e Assistenciais – discute questões biológicas e da saúde física e reprodutiva da adolescente, pela ótica dos profissionais de saúde. São enfocados aspectos gerais da assistência pré-natal, como nutrição e atividade física; assistência ao parto e ao puerpério e manejo das intercorrências clínicas e obstétricas mais freqüentes no ciclo grávido puerperal da adolescente. A parte três – Aspectos Psicológicos e Sociais - apresenta questões emocionais da adolescente e tópicos específicos como a iniciação sexual, o uso de drogas e a evasão escolar. A parte quatro – Violência contra a Mulher aborda este importante tema que, nos últimos anos, tem ocupado espaço crescente na discus-

são sobre o direito, a saúde e o papel social da mulher, com impacto especialmente dramático quando se refere à adolescente. A parte cinco – Aspectos éticos, jurídicos e legais - inclui a participação do Ministério Público do RJ, do Conselho Regional de Medicina da Bahia e da Associação Matogrossense de GO, no que tange a questões que têm sido objeto freqüente de dúvidas e questionamentos dos profissionais que atuam com adolescentes. A parte seis – Relatos de experiências – apresenta trabalhos sobre as estratégias relacionadas à redução da gravidez na adolescência no Rio de Janeiro e em São Paulo e sobre programa de assistência multidisciplinar, desenvolvido no Rio de Janeiro. Os autores entendem que “Gravidez e Adolescência” possa servir ao estudante e ao profissional envolvido com esta temática e, em especial, àqueles que desejam desenvolver seu trabalho por meio de abordagem interdisciplinar e multiprofissional.

mente resolvidas, sem sequelas para os pacientes. A utilização da linfocintilografia mamária seriada, após injeção intraparenquimatosa profunda de dextran 500-99mTc, permitiu maior visualização dos linfodos sentinelas em imagens tardias e foi capaz de definir a localização dos mesmos, facilitando sua identificação per-operatória, particularmente dos linfonodos localizados em CMI. O estudo demonstrou ser a injeção intraparenquimatosa profunda de radiofármaco uma técnica exequível e capaz de identificar sentinelas axilares e extra-axilares.


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Artigo/Opinião

REFLEXÕES SOBRE VIRTUDES, POLÍTICA E RELATIVIDADE Imaginemos um polido e prudente político. Com coragem suficiente para adulterar votações do Senado, generoso com seus pares a ponto de votar por suas absolvições em desvios fraudulentos de verbas públicas, justo na retribuição de favores. Tolerante com as insinuações e informações da mídia sobre seu “ranário”, suas empresas e saques de Fundações Públicas. Simples e humilde, capaz de renunciar seu mandato político para reeleger-se em próximas eleições. De boa-fé a ponto de permitir que suas propriedades tenham escrituras em nome de funcionários de baixa escolaridade. Responsável e cheio de amor para dar à sua fiel esposa, à sua bela namorada, a seus filhos... Seria virtuoso? Na acepção política, maquiavélica, sim. Na acepção moral não. Tal afirmação parece contraditória. Como é possível que um mesmo ato seja correto do ponto de vista político e incorreto do ponto de vista moral . As virtudes não são, em si, uma qualidade? Analisemo-las: Do ponto de vista político, virtuoso é aquele que sabe se manter no po-

der, valendo-se de ações, honestas ou não, em benefício de si e do povo. Para tanto, trai ou beneficia seus pares na dependência de circunstâncias que permitam atingir seus objetivos. Não questiona valores morais, que considera “relativos”. Mente, faz concessões, chantageia, esconde, compra “consciências” e é de tal forma hábil que, mesmo após sua queda ou renúncia, é capaz de se soerguer e se tornar Presidente de seus pares. Qualquer semelhança com o Senado não é mera coincidencia; é apenas a doutrina de Maquiavel adulterada, aplicada. Por que adulterada? Porque o beneficiaário último da aplicação desta doutrina de manutenção do poder deveria ser o povo, o que, infelizmente, não é o paradigma de nossos políticos. Imaginemos um operário, homem simples do povo. Aquele que adora uma pelada no final de semana, com uma “caipirinha”, um pagode e uma feijoada. Lula! Casado, com filhos, de boa índole ...., Por força de circunstâncias, se vê como representante de seus colegas operários na reivindicação de melhores salários, que, ao não ser aceita, ocasiona greves e manifestações que se tornam matéria da mídia. Sociólogos bem intencionados veem naquele homem o proletário citado por Marx e, assim, de simples dirigente sindical, passa a representar o “ p o v o

oprimido pela ganância burguesa”. Políticos gananciosos em busca de votos se aproximam e despertam no mesmo a consciência de seu significado político. Assim, com assessores e financiadores que antenaram possibilidades futuras, constitui um partido político. Como percebe Maquiavel, “Os barões são poucos, o povo muito”, aquele homem simples do povo aprende rápido. Aprende que é preciso fazer concessões, mentir, enganar, usar, desviar para se subir. Expressa tal percepção ao nomear a Câmara composta por “400 picaretas”. Com idas e vindas, por circunstâncias econômicas, sociais, políticas, se elege Presidente de seu País. Nesta condição, em nome da “governabilidade”, faz conchavos e concessões a “barões”, a membros de seu partido, a entidades não governamentais que, reconhecidamente, agem às margens das leis. “Desconhece” que seu Ministro da Casa Civil interfere em negociatas e concessões. Espertamente percebe que, em tempos de “Aldeia Global”, mais importante do que se é, politicamente, importa realmente a imagem do que se é. Preocupa-se em “atender os necessitados que são muitos” e assim promove vários programas de distribuição de benesses (Fome Zero, Bolsa Escola, Bolsa Família, Programa Nacional de Floresta, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Brasil Sorridente, Farmácia Popular, QualiSus, Brasil Alfabetizado, Programa Universidade para Todos, Agro-Negócio,


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Programa Nacional de Reforma Agrária, Luz para Todos, Programa de Aceleração do Crescimento, Brasil Quilombola ...). A despeito de “desvios financeiros” em seu governo, em seu partido, em sua “base aliada”, nas instituições que financia, na incompetência e desvios de vários “Programas “, instituídos, descola-se de todos. Sua imagem simpática e de homem simples trabalhando por seu povo se sobrepõe, inclusive em suas viagens internacionais, o que gera popularidade. É agora um Bonaparte, um “homem descolado” de tudo o mais que o circunda. Levado pelas intempéries da economia, o País se vê em situação menos afetada, graças à metodologia previamente instituida e a uma condução econômica “descolada” de influência politica. Sinceramente, as virtudes, os valores morais do homem simples inicial são as mesmas do “homem descolado atual? Do ponto de vista moral, virtudes podem ser pobres e superficiais, como a polidez; fiéis como a moral. Ambas prudentes. É possivel relativizar virtudes ? A coragem, muito admirada, deixa de sê-la quando é intempestiva, açodada, caótica, desesperada, embora com frutos ocasionais. Quando reativada, habilitada, consciente transita entre a temeridade e o destemor. O bandido não pode ser corajoso? Claro. Assim coragem só é considerada virtude quando a serviço do bem. Justiça e generosidade deveriam andar juntas e gerar gratidão, reconhecimento, o que nem sempre ocorre. Uma decisão da Justiça frequentemente ocasiona regozijo e gratidão a um que a considera correta e tristeza e desolação a outro que a julga incorreta. Daí as inúmeras “apelações” em nossos tribunais. Tolerância e boa-fé são sempr sempree virtudes? Embora em sua acepção íntima devessem sê-lo, às vezes são apenas manifesta-

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ções da ingenuidade, mediocridade e ignorância tão presentes no homem de nossos dias, a permitir a sobrevivência de religiosos e poliíticos corruptos. Se todos fôssemos tolerantes e conformistas, teria a ciência avançado? A Idade Média evoluido para o Renascimento? Tolerante não seria aquele sem coragem para contestar o “status quo”, a injustiça... Covarde? Assim chegamos a humildade que, por vezes, exprime apenas reconhecimento do que não temos ou possuimos. Humildade com cultura é certamente diferente daquela sem. Só pode ser realmente humilde aquele em que se reconhece possuir algum motivo para orgulhar-se e não o faz O que chamamos de simplicidade não é, por vezes, a qualidade da credulidade ignorante? Simples e de boa fé não seria o ignorante crédulo. Simples, humilde, crédulo, tolerante, não seria uma forma condescendente de nomear o pobre de espírito, o alienado?

Finalmente Finalmente,, é o amor virtude? Virtude implica necessariamente em liberdade de escolha, de opção, de comando! André Comte-Sponville, ao considerar que não se pode comandar o amor, julga que não se pode encarálo como virtude. Se o amor não é virtude, Santo Agostinho imagina que quase todas as virtudes só se justificam pela falta do mesmo. Não são todos que conseguem a espontaneidade de amar. Não por opção, já que não podemos escolher amar, mas porque amamos o que desejamos. Nosso desejo não interfere no objeto do nosso amor e este, por sua vez, nem sempre se envolve ou retribui este sentimento. A virtude implica necessariamente em liberdade de escolha, de opção. Finalmente concluo: Homens justos fazem justiça e não a justiça faz homens justos Qualidades reconhecidas como virtudes só devem ser conhecidas como tal quando dirigidas ao BEM, quando humanizadas, quando dirigidas à pessoa. Quando dirigidas ao povo, no entender de Maquiavel, os fins, politicamente “bons”, podem justificar os meios, moralmente questionáveis. Hugo Miyahira Vice-Presidente da SGORJ


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Informes

VIII CONGRESSO MÉDICO DOS HOSPITAIS PÚBLICOS DE EMERGÊNCIA EMERGÊNCIAS GINECOLÓGICAS E OBSTÉTRICAS Coordenação: Conselheira Vera Fonseca, Presidente da SGORJ MÓDULO I: Sala 3: 8h às 9h30 HEMORRAGIA PUERPERAL Coordenador: Cons. Ricardo Oliveira e Silva • Fatores de Risco Flávio Monteiro de Souza - SES/UERJ • Prevenção Amadeu Ramos da Silva Filho- HUPE • Tratamento Intensivo Rosane Sonia Goldwasser - Fundão

O VIII Congresso Médico dos Hospitais Públicos de Emergência do Rio de Janeiro, promovido pelo CREMERJ, será realizado no dia 23 de maio, no Centro de Convenções Rio Cidade No aulo de Novva (A (Avv. P Paulo Frontin, 1, Cidade No Novva). O Congresso contará com uma programação especial em “Emergências Ginecológicas e Obstétricas”

MÓDULO II: Sala 3: 9h30 às 11h DIA GNÓSTICO DIFERENCIAL NA IRRIT AÇÃO DIAGNÓSTICO IRRITAÇÃO PERIT ONIAL DE ETIOL OGIA GINECOLÓGICA PERITONIAL ETIOLOGIA Coordenadora: Cons. Vera Fonseca • Doença Inflamatória Pélvica Humberto Tindó Maximiano da Silva - HCPM • Gravidez Ectópica Jorge Fonte de Rezende Filho - Santa Casa RJ • Rotura e Torção nos Tumores Anexiais José Carlos de Jesus Conceição - Fundão MÓDULO III: Sala 3: 13h45 às 15h15 INFECÇÕES OBSTÉTRICAS Coordenador: Nilo Vidigal de Carvalho - HUPE • Abortamento Infectado Roberto Messod Benzecry - UFRJ • Infecção Puerperal: Diagnóstico Glaucio Moraes de Paula - HGB • Infecção Puerperal: Tratamento Luiz Guilherme Pessoa da Silva - IFF

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MÓDULO IV: Sala 3: 15h15 às 16h45 EMERGÊNCIAS GINECOLÓGICAS Coordenador: Hugo Miyahira - HSE • Abcesso Mamário Rafael Henrique Szymanski - Salgado Filho • Hemorragia Genital Mario Vicente Giordano- Gaffree Guinle • Complicações Clínicas no Câncer Ginecológico Avançado Eloá Pereira Brabo - Fundão MÓDULO V: Sala 3: 17h às 18h Conferência com Debate: CONDUT A NA EMERGÊNCIA CONDUTA HIPER TENSIV AD A GEST AÇÃO HIPERTENSIV TENSIVA DA GESTAÇÃO Conferencista: Renato Augusto Moreira de Sá - Antônio Pedro Presidente: Jayme Moyses Burlá - HUPE Debatedores: Salvador Vieira de Souza - Carmela Dutra e Oswaldo Nazareth Marcelo Burlá O Congresso contará também com estações práticas, com aulas ministradas pelos profissionais do Grupamento de Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no local do evento.

G&O Janeiro 2009  

G&O Janeiro 2009

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