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UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI – URCA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRAUDAÇÃO PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL

SEBASTIÃO FÁBIO PITOMBEIRA SILVA

A INFLUÊNCIA DA INFOMÁTICA EDUCATIVA NO PROCESSO DO ENSINO-APREDIZAGEM

LIMOEIRO DO NORTE – CEARÁ


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2006

SEBASTIÃO FÁBIO PITOMBEIRA SILVA

A INFLUÊNCIA DA INFOMÁTICA EDUCATIVA NO PROCESSO DO ENSINO-APREDIZAGEM

Monografia apresentada à Universidade Regional do Cariri – URCA, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista do curso de especialização em Psicopedagogia Institucional. Orientadora: Maria Stela Oliveira Costa, Ms.


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Limoeiro do Norte – Ce 2006

A INFLUÊNCIA DA INFOMÁTICA EDUCATIVA NO PROCESSO DO ENSINO-APREDIZAGEM

SEBASTIÃO FÁBIO PITOMBEIRA SILVA

Monografia apresentada em: ____ / ____ / ____ Professora Ms. _________________________________________ Maria Stela Oliveira Costa Orientadora __________________________________________ 1º Examinador(a) __________________________________________ 2º Examinador(a)

__________________________________________ Coordenador(a) do Curso


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AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus, nosso Pai Maior, que sempre nos dá força para continuarmos. A minha mãe Maria Neuma de Oliveira, ao meu filho Kaliel Raynan de Oliveira Silva, a minha esposa Oziélia Carneiro de Oliveira que sempre prestaram apoio nesta caminhada rumo à produção deste trabalho. Ao colega de trabalho, Washington Moura Lopes, pelo incentivo inicial e auxílio. A todos os professores do curso, em especial, a orientadora Maria Stela Oliveira Costa pela sua atenção e competência no auxílio deste estudo. E a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a concretização deste trabalho.


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“O trono do mestre detentor do saber, erigido sobre o silêncio submisso dos discípulos, dá lugar ao orientador, também em aprendizado, disposto em meio às vozes da troca entusiasmada de idéias dos grupos de trabalho em prazerosa atividade.” Kênia Kordel


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RESUMO

O aprender nasce da inevitável relação de troca entre o homem e seu o meio confrontante. Nesse contexto da descoberta e produção do saber, a ciência evoluiu e gerou o avanço da tecnologia. Atualmente esta tecnologia proporciona ao mundo o campo da informática, tornando-a um recurso indispensável para vários setores, principalmente, o da educação. No entanto, as formas de ensino-aprendizagem precisam ser revistas e a informática pode se apresentar potencialmente como uma eficiente ferramenta pedagógica dentro desse processo de produção do conhecimento. É nesse contexto que este trabalho propõe como objetivo mostrar a influência da informática educativa no processo de ensino-aprendizagem. Para alcançarmos tal objetivo, uma pesquisa bibliográfica e de campo foi elaborada onde foram pesquisados os autores COX (2003), VIDAL et al (2002), OLIVEIRA (1999) e outros. Este estudo buscou pesquisar sobre o processo de construção do conhecimento humano dentro da história até seu o desfecho com o surgimento da tecnologia da informática. Neste campo trazemos conceitos específicos de informática, sua história, definições técnicas e conceito de redes. A seguir, o trabalho mostra a informática aplicada à educação e como esta pode influenciar no processo de ensino-aprendizagem. Finalizamos este estudo com a aplicação de uma pesquisa de campo com aspecto investigativo, envolvendo alunos que foram submetidos a diferentes métodos de ensino, onde o fator principal de diferenciação foi a informática. Após a coleta quantitativa e qualitativa dos resultados, comprovamos o que tínhamos proposto através de amostras gráficas que acusavam um melhor rendimento por parte do grupo que foi submetido aos recursos tecnológicos da informática e a outros instrumentos didáticos. Encerramos este trabalho na certeza de que estamos no caminho certo para inovar a educação através de mais um recurso didático disponibilizado, agora, pela tecnologia.


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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .............................................................................................. 08 CAPÍTULO I – O CONHECIMENTO HUMANO E SUAS TECNOLOGIAS... 11 1.1. A construção do conhecimento humano ..................................

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1.2. O que é informática ..................................................................

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1.3. A história da informática ...........................................................

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1.4. Hardware e software ................................................................

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1.5. Internet .....................................................................................

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CAPÍTULO II – INFORMÁTICA EDUCATIVA ............................................... 24 2.1.

A escola tradicional e a nova escola ....................................... 24

2.2.

Informática e educação ........................................................... 28

2.3.

Softwares educativos .............................................................. 31

2.4.

Internet e educação ................................................................. 34

CAPÍTULO III – A INFLUÊNCIA DA INFORMÁTICA EDUCATIVA NA APRENDIZAGEM.................................................................. 36 3.1.

A construção do conhecimento segundo Piaget aplicado a informática educativa ............................................................ 36

3.2.

Hipóteses sobre a influência da informática no processo de aprendizagem .......................................................................... 42

3.3.

Metodologia – Aplicação de experiência investigativa de aprendizagem ......................................................................... 43

3.4.

Análise dos resultados da pesquisa ........................................ 47

CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 52


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INTRODUÇÃO

O ser humano tem mostrado no percurso de sua história um nato impulso pela busca do conhecimento. Não é de hoje que nossa espécie destaca-se entre as demais viventes em nosso planeta. Em toda sua história, esta evoluiu na ciência, na cultura, nas artes, na técnica, embora hoje, tanto desenvolvimento produzido ainda deixa aflorar ou, simplesmente, “promove” a desigualdade social. Não se pode negar que desde a era em que ainda habitavam nas cavernas, os homens primitivos eram movidos, embora mais pelo instinto do que pela razão, para a direção de novas e latentes descobertas que minavam da relação entre eles e seu meio hostil. O crescimento e o desenvolvimento intelectual humano estavam na rota da inevitável evolução de sua espécie. Contemporaneamente podemos perceber, por mais sutil que seja a observação, o demasiado contraste entre o presente e o remoto passado préhistórico. A forma de pensar, de viver, de se relacionar, de buscar novos conhecimentos, de se organizar socialmente e culturalmente consolida o aspecto evolutivo de nossa espécie humana. A evolução da ciência também impeliu o desenvolvimento da tecnologia. Com a evolução da técnica, sobretudo com o advento da eletricidade, uma série de aparatos tecnológicos invadiu e transformou a sociedade que sucumbiu às vantagens e praticidade desses novos recursos. Uma nova era nasce com o desenvolvimento da tecnologia: a era da informática, da comunicação, da globalização, de um mundo sem barreiras que se torna cada vez menor para o trânsito de informações. A informática, entre tantos outros elementos do conjunto da tecnologia, é o campo que mais permeia a sociedade contemporânea e se faz muito presente em nossos dias atuais. Essa nova tecnologia da informação permite ao seu usuário executar uma série de funções de forma mais prática e cômoda promovendo agilidade e versatilidade nas atividades humanas. Tal setor de técnica apurada, que se mostra tão prática e eficiente, influencia a vida do homem, compelindo-o a adaptar-se ao novo meio moldado pela tecnologia. Um mundo informatizado nos é apresentado hoje. Empresas, lojas, comércios, setor de transportes, telecomunicações, escolas, pesquisas, nada “escapa” da


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informatização. A própria e incessante produção do conhecimento pode também ser submetida às regalias e facilidades da computação, tanto na forma da pesquisa científica como na promoção da aprendizagem no sistema educacional. No entanto, se por um lado a construção do conhecimento humano, em toda sua história, foi marcada por momentos de explosão de criatividade, por outro, grande parte do sistema educacional de ensino atual revela-se como cárcere dessa habilidade natural humana. Os nossos alunos, e por que não dizer também, nossos agentes “educativos” são dopados constantemente pela ideologia da classe social dominante que visa à manutenção de uma a escola que segue os padrões da linha de montagem capitalista, ou seja, uma escola semelhante a uma fábrica que produz e reproduz seus produtos, adequada ao capitalismo. O aluno de nossa escola tem seu potencial criativo reprimido por um sistema educacional com padrões capitalista, o qual tem como meta principal o despejo incondicional de informações sobre este aluno adormecido na passividade. Este sobre tais condições educacionais, após travar severa competição, tenha uma futura absorção no mercado de trabalho cruelmente seletivo. Porém, uma nova linha educacional, tenta resgatar a forma natural de como se dá a construção do conhecimento, tentando despertar a criatividade adormecida e a capacidade de pensar do aluno. Vários recursos didáticos podem ser utilizados para atingir tais objetivos. E entre estes podemos destacar a informática educativa. Com a informatização da escola e a capacitação de professores e outros agentes educativos, pode-se trabalhar conceitos, usando o computador de forma adequada, com o objetivo de promover uma melhor aprendizagem por parte do aluno. O computador, assim, pode se tornar uma forte ferramenta pedagógica no auxílio do processo de ensino-aprendizagem. Mas ainda é preciso vencer a forte resistência por grande parte dos profissionais da educação que ainda não acompanharam as novas tecnologias. A implantação de computadores na escola sem capacitação de uso educacional para professores, nos quais, em maior parte, se instala uma “tecnofobia”, coloca essas máquinas ao risco da subutilização sem fins pedagógicos por parte de uma minoria. Como podemos perceber, a informática educativa amplia o espaço da aprendizagem e pode trazer efeitos positivos no processo de formação do conhecimento no aluno. Dessa forma, a escola não pode mais ficar à margem


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dessa nova tecnologia, principalmente agora que estudos apontam o seu grande potencial educativo. Apoiado nessas idéias é que propomos um trabalho fundamentado teoricamente com a finalidade de embasar o que aqui chamaremos de experiência investigativa de aprendizagem. Como objetivo deste trabalho, queremos mostrar que a informática usada como instrumento pedagógico pode influenciar no processo de ensino-aprendizagem e que, apesar de ser o objeto principal desse estudo, ela não o único recurso didático-pedagógico disponível no auxílio da aprendizagem, e sim, uma ferramenta a mais do conjunto de metodologias aplicadas ao processo do ensinar-aprender. Para atingirmos o objetivo desse trabalho lançamos mão da pesquisa bibliográfica para alicerçarmos teoricamente o estudo em questão e finalizamos com uma pesquisa de campo tendo como meta comparar resultados de aprendizagem sob diferentes metodologias de ensino. No primeiro capítulo procuramos mostrar em síntese como se deu historicamente a evolução de conhecimento humano até chegarmos ao estado de tecnologia de nossos dias contemporâneos. Em especial, a tecnologia da informática é destaque no nosso estudo, relevada pela sua história, conceito e características funcionais. Já o segundo capítulo faz a conexão entre informática e educação, trazendo também os contrastes entre a escola tradicional e a nova escola, como também uma abordagem sobre softwares educativos, Internet e seu uso pedagógico. O terceiro capítulo inicia expondo resumidamente as teorias de Jean Piaget e sua possível aplicação no campo da informática e finaliza mostrando como sucedeu a experiência investigativa de aprendizagem, detalhando a metodologia aplicada e os resultados obtidos no estudo. Para o embasamento teórico deste trabalho foram consultadas obras de autores, sendo os principais, COX (2003), VIDAL et al (2002), OLIVEIRA (1999), BECKER (1992) e WADSWORTH (1984).

CAPÍTULO I – O CONHECIMENTO HUMANO E SUAS TECNOLOGIAS


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O homem tem, por natureza própria, um impulso que o motiva a desvendar o que lhe é novo e, em função dessa força norteadora, confronta o meio a sua volta buscando compreende-lo. Nesse processo de fazer face ao entorno que o coloca na condição de interagir, o ser humano produz conhecimento gerando equilíbrio entre ele e o meio no qual está inserido. O conhecimento produzido ao longo da história da humanidade ramifica-se nas suas varias especificidades, mas sempre com um objetivo comum, o crescimento, seja na arte, na ciência ou na cultura. Em tempos atuais a tecnologia, um dos frutos gerados pelo domínio da arte do conhecer, invade o espaço e o tempo tornando atividades humanas mais cômodas e práticas. Essa tecnologia, por sua vez, permeia o campo da informação fazendo nascer um novo setor da área tecnológica, a informática, que mudou significativamente o modo de viver da sociedade moderna.

1.1.

A construção do conhecimento humano

Como ocorre o processo da construção do conhecimento humano? Essa pergunta não apresenta uma resposta tão simples considerando a infinidade de processos que levam à assimilação do saber. O processo do aprender é intrínseco a natureza humana, tanto no aspecto histórico como no aspecto pessoal. A produção do saber, que não poderia ser de outra forma se não pelo aprender, está evidenciada quando se faz um retrospecto na evolução do conhecimento humano, caracterizado pelo avanço da técnica, da ciência, da formação cultural, das relações sociais e da impulsiva capacidade de inovar. A rota do conhecimento humano, seguida pelo homem de senso comum ao homem de genialidade inata, mostra seu dinamismo inicial através de processos de adaptação ao meio ao qual está inserido, buscando transformá-lo para melhor usufruir de seus recursos ofertados. É dentro do processo adaptativo que a construção do conhecimento aflora para transformar o meio para melhor atender as


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necessidades humanas. Essa parece ser a “marca registrada” da formação do conhecimento, independentemente de 7sua época, pois a história nos mostra que desde o surgimento do homem na Terra, ele procura dominar o meio que o entorna, usando para isso processos cognitivos que promovem a assimilação de uma nova situação problema incidente e incorpora uma nova forma de resolvê-la. Os ancestrais do homem, ainda quando habitavam cavernas, já mantinham essa relação como o meio procurando tirar, deste, recursos para sua sobrevivência através da caça, da pesca e das formas de abrigo. Dentro deste contexto histórico, esse homem põe-se a organizar o pensamento racional para manifestar ações estratégicas mais eficientes. O homem então repensa a posição de usufrutuário e espectador da natureza e descobre-se como artífice. A caça e a pesca predatória dão lugar à criação de animais; a coleta de frutos silvestres é complementada pela agricultura; a elaboração de instrumentos intensifica-se apurando as habilidades humanas, desenvolvendo o intelecto de descortinando a necessidade de estudar o passado para evitar conseqüências indesejáveis observadas no presente e de antever o futuro amenizando as incertezas do porvir. (COX, 2003, P. 12).

O homem do passado aprimora, progressivamente, a técnica com o objetivo de produzir instrumentos cada vez mais eficazes em sua respectiva função e com isso instala-se pretensamente sobre ele a “ambição” de domínio sobre a natureza. Percebe-se ser humano potencialmente dominante e capaz de moldar a natureza em benefício próprio e, dentro desse âmbito, fica caracterizada sua ação investigativa e experimentacional. O ato de investigar uma nova realidade que emana do meio impõe-lhe o desafio de experimentá-la sob variados aspectos para que possa ser assimilada, processada, organizada e, enfim, retornada ao meio modificando-o. Assim, a construção do saber passa pela íntima relação do homem com o meio, onde este último impõe suas condições naturais e o primeiro reage num processo experimental-adaptativo que é, por sua vez, uma fonte geradora de conhecimento. Atualmente, o avanço da tecnologia, o qual ocorreu de forma espantosa e irreversível nos últimos anos da modernidade humana, tem nos colocado uma série de novas máquinas artificiais que ainda “amedrontam” a maior parte da humanidade. Mas o surgimento destas novas tecnologias não passa de mais uma


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etapa na história, que pode ser desvendada pelo processo adaptativo do homem, oferecidas, claro, condições de acesso para o ser aprendente. Embora

o

homem

contemporâneo

esteja

rodeado

por

instrumentos

tecnológicos produzidos pela ciência por ele própria desenvolvida no avanço do conhecimento, ele ainda mostra, e sempre mostrará, a sua inata e ativa ação de investigar o novo e com ele manter um contato dialético de forma a decodificar maximamente o seu objeto de estudo. A própria ação de interagir com as novas máquinas tecnológicas, impostas pelo novo meio que se modela, se torna um obstáculo a ser rompido pelo usuário ao travar com estas uma “batalha” cognitiva, ao fim da qual, vencendo-a, incorpora uma nova aprendizagem que servirá de suporte a ampará-lo na nova sociedade que desponta. É importante lembrar que, apesar do sofisticado recurso tecnológico produzido em larga escala, nem todos tem acesso a esse novo campo da tecnologia. Impedidos pela má distribuição da renda mundial, pela falta de oferta nesse novo espaço e por uma política econômica que favorece a poucos, muitos ficam excluídos desse novo mundo das tecnologias e sem oportunidade de crescer dignamente com a dinâmica da sociedade. Na contemporaneidade da história do homem na Terra, uma avalanche de aparatos tecnológicos invade o cotidiano. A natureza de máquinas com suas capacidades reprodutoras envenenadas pelas fábricas e pelas revoluções industriais-tecnológicas e conseqüente multiplicidade de seus frutos desafia o conhecimento do próprio homem com questões quanto ao uso dos modernos produtos, desde a aplicação até a distribuição destes por entre os setores produtivos e econômicos. Dessa forma, urge discutir, pesquisar o novo entorno que rodeia a humanidade atual e refletir sobre ele, apesar de reconhecer que ele não se encontra disponível para todos da mesma forma, nem intensidade. Há povos desfrutando dos mais diversos aparatos, frutos da mais alta tecnologia, enquanto outros podem ter sua realidade comparada a de povos primitivos. (COX, 2003, P. 14).

1.2.

O que é informática

A informática é a ciência que organiza e viabiliza o uso da informação automática, agilizando as ações dependentes das respectivas informações.


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No Dicionário Aurélio Eletrônico (1999) a informática é definida como a “Ciência que visa ao tratamento da informação através do uso de equipamentos e procedimentos da área de processamento de dados”. Ainda sobre a definição de informática, Wikipédia, a Enciclopédia Livre (acesso em 04:33, 30 Maio 2006), afirma, Chama-se genericamente Informática ao conjunto das Ciências da Informação, estando incluídas neste grupo: a teoria da informação, o processo de cálculo, a análise numérica e os métodos teóricos da representação dos conhecimentos e de modelagem dos problemas. Habitualmente usa-se o termo Informática para referir especificamente o processo de tratamento automático da informação por meio de máquinas eletrônicas definidas como computadores.

A informação automática (informática) passa, basicamente, por três processos: entrada de dados, processamento de dados e informação (resposta do processamento de dados). Os dados são todas as entradas lançadas a um sistema de processamento. No microcomputador essas entradas estão representadas pelas digitações, cliques do mouse que executam comandos, inserção de fotos para scaneamento, inserção de CD’s de áudio ou de vídeo e outros. O processamento é a leitura dos dados inseridos no sistema feita por uma linguagem lógico-matemática, realizada por programas denominados softwares. Para um dos exemplos citados, digitação, a leitura seria decodificação do dígito, como por exemplo, quando a letra A é digitada, na verdade estamos enviando um código “numérico” formado por algarismos de valores 0 ou 1. A leitura desse código é o efetivo processamento. Já o resultado final desse processamento, é o que chamamos de informação, que é remetida ao usuário como produto final através de um periférico de saída, como por exemplo, o monitor. Voltando ao exemplo da letra A, esta seria apresentada na tela do computador exatamente como o usuário a espera, com o formato da letra A, embora o processo de leitura tenha sido elaborado, como já dito, por linguagem lógico-matemática. Tendemos a relacionar informática apenas com o microcomputador, visto a sua superioridade em relação a outros aparelhos tecnológicos no quesito velocidade e variedade na ação de processar dados. Porém, qualquer sistema de processamento de dados efetuados por operações lógicas e aritméticas está incluso no campo da informática. Assim, fazem parte deste grupo os aparelhos celulares,


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os aparelhos de DVD, as câmaras digitais, entre outros. Todos estes são aparelhos que dispõem de dispositivos eletrônicos que fazem leituras de dados e os processam por meio de pulsos elétricos. No microcomputador esse dispositivo é chamado de microprocessador o qual tem uma alta capacidade de processar dados, diferenciando-o substancialmente do outros aparelhos eletrônicos. Para Wikipédia, a Enciclopédia Livre (acesso em 06:01, 13 Maio 2006), processamento de dados Consiste em extrair informação de dados. A extração de informação não é nada mais do que uma análise de conteúdo dos dados em questão e as relações retiradas dessa análise. Poderá também ser apenas a análise a frio, como por exemplo, número de dias do ano em que choveu, número de cidades com problemas de tráfego, altura média de pessoas do sexo masculino em Portugal.

A informática é um campo novo do avanço da ciência e da tecnologia e, como tudo que é novo, ainda acomete receios em grande parte da uma geração que a viu invadir o seu meio social e cultural numa pequena fração do tempo da história. Somente um contato mais próximo com essa nova era tecnológica fará romper os laços que amarram a maioria da população no conservadorismo. Para isso, primeiramente é preciso dar passos à frente para acompanhar os novos tempos, e quebrar as amarras que nos prendem a estagnação do tradicional. Em segundo lugar, para acolher novos conhecimentos dentro de qualquer área, inclusive a da informática, é preciso experimentar, pois é permitido errar para, enfim, acertar.

1.3.

A história da informática

A história da informática remonta desde o surgimento dos primeiros utensílios que envolviam processos de cálculos lógicos. Muitas foram as etapas constituintes da evolução do computador no curso da história da tecnologia, onde cada máquina que “nascia” superava a sua antecessora em potencial, capacidade de armazenamento e velocidade de processamento.


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Aqui não nos deteremos a aprofundamentos técnicos e detalhamentos de fatos históricos que mostrem o caminhar minucioso da informática, interessando-nos apenas informações relevantes que denotam basicamente a evolução das máquinas computacionais. O ato de contar surge na história do homem quando este sentiu a necessidade natural de quantificar coisas e processá-las para melhor controlar sua ação sobre o meio. Fica assim entendido que a ação de contabilizar objetos, eventos, coisas usando, para isso, variadas formas, é tão antiga quanto o ato de caçar e pescar do homem primitivo. A necessidade de organizar elementos por categorias e quantificá-las faz do homem contador nato. O que isso tem a ver com computação? Basta nos adiantarmos um pouco no tempo e colhermos o significado da palavra computar

de

origem

latim:

cumputare,

justaposição

de

“cum”

(com)

e

“putare”(contar). Vejamos a seguir uma seqüência evolutiva de algumas máquinas de processamentos da civilização humana. O ábaco, do grego abakus (tábua, prancha) é um dos primeiros instrumentos de efetuar operações matemáticas velozes e confiáveis, usado desde 2000 a.C. e ainda encontrado no Japão e em outros países. É um tipo de computador em que se pode ver claramente a soma nos fios: a posição das contas forma uma "memória" da soma. Porém não são automáticos e não comportam números muito extensos. Blaise Pascal, matemático, físico e filósofo francês inventou a primeira calculadora mecânica em 1642, aos 18 anos de idade, talvez para ajudar o pai fiscal de impostos. A calculadora trabalhava perfeitamente; transferia os números da coluna de unidades para a coluna de dezenas por um dispositivo, parecido com o velocímetro de automóvel. Pascal chamou a invenção de “pascalina”. Em 1791, nasceu numa família rica, Charles Babbage. Talentoso matemático e, por ficar frustrado em apenas corrigir os erros que encontrava nas tabelas de logaritmos, decidiu construir uma máquina que eliminasse o trabalho dos cálculos. Juntamente com Ada Lovelace, filha de Lord Byron, poeta, iniciou um projeto mais ambicioso para construir uma "máquina analítica"'. Foi projetada para calcular valores de funções matemáticas bem mais complexas que as funções logarítmicas. A condessa Ada Lovelace é uma das poucas mulheres a figurar na história da computação. Matemática talentosa, Ada compreendeu a máquina analítica de


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Babage e escreveu um dos melhores relatos sobre ela. Criou programas para a máquina, tornando-se a primeira programadora de computador do mundo. Por um bom tempo Babbage foi subsidiado pelo governo britânico para a criação do calculador analítico (máquina analítica). No entanto, depois de construída, ela simplesmente não funcionava. As centenas de engrenagens, barras e rodas apresentavam problemas ao serem acionadas, pois a tecnologia do metal da época não era suficientemente boa. Diante do fracasso físico da máquina analítica, o governo britânico suspende o financiamento do projeto e “evita” a criação do que poderia ser o primeiro computador da história. Embora nunca tenha realizado seu projeto, Charles Babbage estava no caminho certo e, para muitos, é considerado o pai da computação moderna. Por volta de 1936, Alan Turing publicou um artigo com o nome On computable numbers

(Em

números

computáveis)

que

em

muito

contribuiu

para

o

desenvolvimento das idéias da época, na qual os cientistas admitiam que a matemática fosse uma ciência inteiramente relacionada com regras lógicas. Turing verificou os tipos de problemas que uma máquina poderia resolver seguindo regras lógicas, e tentou fazer uma lista de todos eles. Se abrangessem toda a matemática, a questão estava resolvida. Turing liderou uma equipe de pesquisa na Inglaterra e desenvolveu a mais secreta invenção da Segunda Guerra Mundial, o Colossus, primeiro computador eletromecânico do mundo, que pôde decifrar os códigos alemães de mensagens "Enigma", durante a guerra. Depois da guerra, Turing colaborou no projeto do primeiro computador dos Estados Unidos, o ENIAC, desenvolvido na Universidade da Pensilvânia. Ainda imperfeito, era composto de 18.000 válvulas. Os computadores dessa primeira geração eram enormes e a suas estruturas físicas ocupavam salas inteiras. O aquecimento era intenso e de poucos em poucos minutos uma válvula se queimava, além do que, a operacionalidade dessas gigantescas máquinas exigia um alto conhecimento técnico na área. Seguindo na rota evolutiva do computador, as válvulas, que precisavam ser trocadas continuamente, foram substituídas por uma nova invenção, os transistores de silício. O transistor é um dispositivo que, assim como as válvulas, funcionam como interruptores eletrônicos que ligam e desligam e podem representar os algarismos 0 e 1 do código binário. As vantagens dos transistores sobre as válvulas


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são significativamente maiores. Os transistores são mais rápidos, menores, mais exatos e não geram calor. A nova revolução na caminhada histórica da informática foi invenção do circuito integrado, um micro circuito gravado num chip de silício. O agrupamento de vários circuitos integrados em um único chip deu origem ao microprocessador, a unidade central de processamento (CPU) de dados do computador. Dessa fase em diante, geração após geração, são montados computadores cada vez mais eficientes na capacidade de processar. Em função da redução de seus elementos internos e surgimento de programas mais acessíveis, o computador passa a ser menor, podendo ser colocado sobre uma pequena mesa e seus usuários, antes cargos privilegiado de técnicos especializados, passam a ser o cidadão comum tendo, agora, um maior acesso na sua operacionalidade, sem a necessidade de conhecer programação de sistemas. A seguir apresentamos as características principais das gerações de computadores, lembrando que a arquitetura de um computador depende do seu projeto lógico, enquanto que a sua implementação depende da tecnologia disponível. As três primeiras gerações de computadores refletiam a evolução dos componentes básicos do computador (hardware) e um aprimoramento dos programas (software) existentes. Os computadores de primeira geração (1945–1959) usavam válvulas eletrônicas, quilômetros de fios, eram lentos, enormes e esquentavam muito.A segunda geração (1959–1964) substituiu as válvulas eletrônicas por transistores e os fios de ligação por circuitos impressos, o que tornou os computadores mais rápidos, menores e de custo mais baixo. A terceira geração de computadores (1964–1970) foi construída com circuitos integrados, proporcionando maior compactação, redução dos custos e velocidade de processamento da ordem de microsegundos. Tem início a utilização de avançados sistemas operacionais. A quarta geração, de 1970 até hoje, é caracterizada por um aperfeiçoamento da tecnologia já existente, proporcionando uma otimização da máquina para os problemas do usuário, maior grau de miniaturização, confiabilidade e velocidade maior, já da ordem de nanosegundos (bilionésima parte do segundo). O termo quinta geração, foi cunhado pelos japoneses para descrever os potentes computadores "inteligentes" que queriam construir em meados da década de 1990. Posteriormente, o termo passou a envolver elementos de diversas áreas de pesquisa, relacionadas à inteligência computadorizada: intelgência artificial,


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sistemas especialistas e linguagem natural. Mas o verdadeiro foco dessa ininterrupta quinta geração é a conectividade, o maciço esforço da indústria para permitir aos usuários conectarem seus computadores a outros computadores. O conceito de supervia da informação capturou a imaginação tanto de profissionais da computação como de usuários comuns.

1.4.

Hardware e Software

Um computador é formado por duas partes básicas: o hardware e o software. O hardware corresponde a toda estrutura física do computador enquanto que o software é conjunto de todos os programas sem os quais a máquina ficaria inoperável. Em um computador podemos distribuir o hardware em três partes fundametais: os periféricos de entrada, o gabinete (CPU, HD, placas, memórias) e os periféricos de saída.Entende-se por periféricos de entrada , qualquer acessório que tenha por função a inserção de dados. São eles: teclado, mouse, scaner, microfones, câmaras de vídeo e outros. Já os periférico de saída, são formados por aqueles que emitem a informação processada, como por exemplo, o monitor, a impressora, caixas de som e outros. Alguns periférificos podem ser condiderados como de entrada e saídas de dados. Os disquestes, os CD’s, as câmaras digitais fazem parte deste grupo. Por fim, o gabinete, que é a parte principal do computador. Aqui encontramos um conjunto de elementos interligados dentre os quais o

mais

importante é o microprocessador (microchip), também chamado de unidade central de processamento (CPU), local onde são processados todos os dados recebidos. Outros aparatos principais que fazem parte do gabinete são o HD, a placa mãe, as placas de som, vídeo e rede e as placas de memória. O winchester (Hard Disk HD) é um disco rígido, onde ficam gravados todos os programas e arquivos que existem no computador e tem alta capacidade de armazenamento de informações, bem maior que a capacidade do disquete. Por exemplo, tem winchester de 40 gigabytes, 100 gigabytes, 120 gigabytes ou mais, enquanto a capacidade do disquete é de 1.44 megabytes. A letra que representa o winchester é a letra (C:). A


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placa mãe, à qual podem ser acopladas outras placas específicas, é a principal placa do computador servindo de suporte e interligação para uma série de elementos. Existe uma série de outros dispositivos de hardware que não estão citados nesse trabalho, pois o aprofundamento técnico nesse campo fugiria do objetivo específico dessa pesquisa. Todo esse aparato físico que forma o hardware não passaria de objeto de decoração sem a sua associação ao que chamamos de programas de computadores. São os softwares. O software é um conjunto de instruções, programada em linguagem lógico-matemática, que excutam funções específicas. Existe no mercado da computação uma grande variedade de programas. Programas de todos os tipos: sistemas operacionais, editores de textos, planilhas eletrônicas, banco de dados, apresentação de slides, tradutores, gráficos, editores de imagens, sons e vídeos, navegadores de rede, instaladores de drivers, jogos e muitos outros, cada um com sua especificidade, embora escritos na linguagem universal da matemática. Dentre tantos, destaquemos aqueles aplicativos mais usados pelo usuário que são os editores de textos e as planilhas eletrônicas, não minimizando a importância e, também, o grande uso de outros aplicativos. Com um editor de texto o usuário pode editar cartas, ofícios, memorando, tabelas, hipertextos, pesquisas e outros. além de ter a disposição uma infinidade de recursos de formatação. Entre essas edições ele pode inserir imagens e sons enriquecendo mais ainda o trabalho, como também após término, ou não necessariamente, pode gravá-lo no computador (disco rígido) ou em discos removíveis, para futuras consultas ou continuidade da edição. As planilhas eletrônicas são aplicativos voltados para construção de tabelas estatísticas, tanto que sua área de trabalho já e disposta em linhas e colunas. A intersecção de uma linha com uma coluna conjuga uma célula, local onde se faz a inserção do dado. Para a edição de tabela em planilhas eletrônicas, como qualquer aplicativo, está disponível uma gama de recursos específicos que agilizam o processo quantitativo. Recursos como inserção de fórmulas, filtros, classificação, inserção de linhas ou colunas, conversão gráfica, formatação de fontes e células, mostram a riqueza de detalhes de tal aplicativo.


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Atualmente, na ciência da informática, surgem acessórios cada vez mais úteis e específicos atendendo uma demanda que se torna proporcionalmente mais prática e aberta para o uso das novas tecnologias.

1.5.

Internet

A internet é uma rede mundial de computadores onde informações transitam em alta velocidade entre quaisquer sistemas de processamentos a ela conectados. Sua origem remonta nos anos 60. Inicialmente foi criada para fins militares durante a Guerra Fria entre EUA e União soviética. Nesse período, dados militares americanos precisavam ser protegidos de ataques inimigos e, em função disso, idealizou-se, pela Advanced Research Projects Agency (ARPA), um projeto que criasse

uma

rede

de

computadores

onde

esses

dados

pudessem

ser

compartilhados garantindo sua segurança diante de um possível aniquilamento local. Nascia a ARPANET, a primeira rede computadores do mundo que, no decorrer do tempo, evoluiu através do aumento de computadores a ela conectados dando abertura às universidades e, por conseqüência, às comunidades científicas. Mediante a necessidade de segurança de dados militares americanos, da ARPANET desmembrou-se gerando a MILNET, uma nova rede militar, ficando a ARPANET exclusiva para a comunidade científica. De acordo com texto intitulado “A origem da Internet” (acesso em 02/06/2006) Foi assim que, literalmente, nasceu a Rede de Redes, logo "apelidada" de "Internet". O termo "ARPA-Net" caiu no esquecimento no final dos anos 80. O sistema de conexão e comunicação entre grandes centros de computação, ao qual as redes menores podiam se incorporar, recebeu o nome apropriado de Backbone (espinha dorsal). O que se entende por Internet nos dias de hoje não é uma rede única e homogênea, mas sim, uma interligação de muitas redes territoriais ou organizacionais menores. Estas redes possuem uma conexão com os Backbones e, através deles, com a grande rede. Os provedores comerciais também estão conectados da mesma forma.[...]

Uma das maiores febres atuais, a internet marca uma geração onde a informação é um produto de grande valor em um mundo cada vez mais globalizado.


22

As fronteiras geográficas que separam civilizações e culturas são rompidas por essa nova forma de comunicação, aproximando as pessoas em tempo quase real, fazendo do mundo um lugar menor para negócios, relacionamentos, pesquisas e uma infinidade de atividades que fazem parte da vida real. É inegável a influência dessa nova via de comunicação sobre o aspecto social, econômico e cultural da sociedade contemporânea. A internet é um novo mundo, não físico, com o qual estamos adaptados, mas sim, um mundo virtual, “paralelo” ao nosso e que guarda muitas semelhanças como endereços eletrônicos, bibliotecas virtuais, entretenimento, negócios, comunicação entre pessoas, laboratórios virtuais, lojas virtuais e outros. Os usuários desse novo sistema navegam numa nova realidade, em que as possibilidades são múltiplas, tanto para aprender como para ensinar. Os limites físicos deixam de existir dentro dessa teia gigantesca que envolve todo o planeta. A internet é a maior e mais poderosa rede computadores do mundo, que está ampliando seu alcance, atingido cada vez mais pessoas em toda parte. [...] A internet permite novas formas de comunicação, rápidas, baratas, que superam os meios conhecidos, pois possuem grande capacidade de armazenamento de dados e possibilidades de transmissão de vários tipos de meios (de documentos a programas multimídias). É o caso do serviço Chat que permite conversas individuais ou em grupos de discussão com pessoas do mundo todo em um universo on-line, isto é, conecta à rede, ou do serviço de correio eletrônico, o e-mail, que permite o envio de cartas de tamanho ilimitado, inclusive com arquivos anexados, sem a necessidade de sair de casa e com entrega imediata no destino. Semelhante ao correio postal, o e-mail é usado para trocar mensagens ou outro tipo de informação. Em vez de ser entregue pelo serviço postal a um endereço físico, o e-mail é entregue através de softwares pela rede a um endereço virtual em algum computador. E a evolução dos serviços de correio eletrônico é tão grande que, nos Estados Unidos, já há movimentos que pensam em tributar as mensagens eletrônicas, que estão levando os serviços tradicionais de correio postal à obsolescência e mesmo à falência. (VIDAL, et al, 2002, P. 12 e13).

Assim

como

no

mundo

real,

onde

ser

humano

está

exposto,

incondicionalmente, aos perigos naturais e a própria má índole humana decorrente de sua imperfeição, o mundo da internet também tem seu lado negativo. O usuário que se conecta a megarede para exercer uma pesquisa ou mesmo consultar um saldo bancário, quando não tomados certos cuidados, fica exposto ao lado perigoso da internet. Esse lado negro mostra-se em pesquisas que apresentam fontes levianas e inseguras levando ao pesquisador incorporar idéias infundadas como certas. O acesso livre aos diversos endereços virtuais permite a invasão


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agressiva de textos, imagens e vídeos de baixo escalão, como a pornografia descontrola. Um dos males mais temidos da internet são os vírus de computador. Estes são programas maliciosos criados por Hackers para invadir sistemas alheios, danificando programas e deles tirar algum “proveito”. Existem vários tipos de vírus, um para cada função. Assim como as informações transitam na internet, os vírus também o podem fazer, e o pior, assim como os biológicos, alguns também são programados para se auto-replicar. Os antivírus são programas que podem combater este tipo de “peste” virtual. Um outro transtorno para os usuários da rede é o risco de se deparar com uma nova modalidade de crime: o crime digital. Hackers especializados em programas que vinculam as redes financeiras, aproveitam-se para invadir sistemas monetários, como bancos e empresas que usam do serviço on-line, para efetuar transferências entre contas bancárias. Embora entidades financeiras detenham um elevado nível de proteção, essa invasão criminosa tem seu índice de probabilidade de ocorrer. Há também o crime do calote, onde o usuário da internet é persuadido por empresas “virtuais”, que usam de má fé, a fechar negócio com promessas de entrega do produto mediante depósito ou transferência bancária para a conta do falso empresário. Como podemos perceber, a rede mundial de computadores oferece vantagens e riscos. Assim, a orientação fornecida ao usuário pode fazer a diferença no trilhar da rede. Apesar dos riscos, a informação ainda é o melhor escudo de proteção contra os males da internet, pois a busca desta promove um maior conhecimento sobre meio onde se está inserido, seja real ou virtual.


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CAPÍTULO II – INFORMÁTICA EDUCATIVA

A forma de assimilar o conhecimento natural, no embate com o meio circundante, perde força com a implantação ensino sistematizado que tem a finalidade de suprir a sociedade com indivíduos “preparados” para viver em equilíbrio social. A instituição escola nasce em meio à necessidade social de formalizar o ensino, embora, desde a história antiga, onde surgem as primeiras formas de ensinar, saibamos que o ensino institucional camufla-se com o intento de controle social. O avanço da tecnologia, principalmente no campo da informática, vem nos apresentar

novas

ferramentas

que,

quando

aplicadas

e

exploradas

pedagogicamente na educação, podem romper com tradicionalismo educacional reprodutor de informações e trazer de volta a velha forma de como o construir o conhecimento. Surge assim, através da informática educativa, uma estratégia a mais para reforçar uma nova forma de ensinar que resgata a construção do conhecimento pela interação e não pela recepção informações.

2.1.

A escola tradicional e a nova escola

O processo de aprendizagem e apreensão do conhecimento durante todo o período do desenvolvimento humano ocorre de forma vinculada a vários fatores que podem modelar a personalidade do indivíduo. Daí, a importância de se conhecer minuciosamente todas as fases por quais passa o ser humano durante seu desenvolvimento físico e mental. Nesse contexto da construção do conhecimento é imprescindível a correlação entre o ser que aprende e o meio físico e social no qual está inserido.

O

conhecimento foi construído ao longo da história da humanidade, aflorado pela dialética incessante entre o homem e o seu entorno, extraindo-lhe recursos e aprendizagens.


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No curso da história, o homem se percebe um ser evolutivo na escala do conhecer e desperta para o poder que esta construção epistemológica tem sobre a natureza circundante. No entanto, a partir do momento em que o homem deslumbra o poder do conhecimento, passa a usá-lo para promoção e manutenção das camadas sociais que se formam. Está ação dominante remonta desde o Egito antigo onde o ensino era diferenciado para as classes sociais que constituíam sua civilização. Assim educação sistematizada já nasce com o estigma do controle social. Gennari (1987, p. 247, 248), em seu relato sobre “Um breve passeio pela história da educação”, afirma que [...] no antigo Egito, como em toda sociedade dividida em classes, os grupos dominantes usam o processo educativo como um meio para moldar as várias camadas da população. Assim como o oleiro dá forma ao barro para que ele se transforme num determinado objeto, as elites se preocupam em formar cada setor da sociedade de acordo com a necessidade de garantir a exploração e a ordem que proporciona a concretização de seus interesses. Em outras palavras, na civilização egípcia já podemos visualizar uma característica que vai se manter constante ao longo da história: há sempre uma relação direta entre o tipo de educação e a posição que o indivíduo ocupa na pirâmide social.

Desde então, a humanidade sempre caminhou na história diferenciada pela formas de ensino, as quais sempre fomentaram o domínio de uma pequena elite proprietária

de

posse

do

poder

político

sobre

uma

grande

maioria

incondicionalmente operária “treinada” para ocupar essa posição social. Ainda para Gennari (1987, p. 247, 248), [...] a educação numa sociedade dividida em classes não se manifesta como um fim em si mesmo, e sim como um instrumento de manutenção ou transformação de uma determinada ordem social. Orientada pelas elites, a escola não tem apenas a tarefa de preparar os indivíduos para um determinado tipo de trabalho, mas também a de fazer com que eles incorporem valores, idéias, critérios de análise da realidade e formas de comportamento capazes de garantir que as coisas até mudem... para que o essencial (a exploração) possa continuar. Por isso, para a própria classe dominante, é importante que todos freqüentem as salas de aula e que a educação escolar de um certo nível seja até mesmo obrigatória e paga pelo Estado.

O que denominamos de escola tradicional é, na verdade, uma postura adotada pelo sistema educacional vigente, onde o conhecimento nos é repassado pronto e acabado e dado como certo sem nenhuma investigação crítica sobre os conceitos


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por parte dos alunos que, por sua vez, os recebem passivamente. Reprodutora de conhecimento, essa educação alienante castra o potencial do indivíduo pela repressão e atrofiamento de sua capacidade criativa. Dessa forma, a escola tradicional “forma” mais um agente transmissor, como por exemplo, o aluno que recebe informações prontas e as repassa numa prova, que após ser corrigida pelo professor, é avaliada quantitativamente mostrando o seu “bom resultado”. A falta de criticidade desse aluno poda o afloramento de novas idéias e o impede de construir o seu próprio conhecimento. Essa forma de ensinar, adequada à nossa época, traz consigo, camuflado o engessamento social, afogando muitos valores humanos e ressaltando progresso capitalista fundado no egoísmo e na falsa ilusão de ascensão social. Vejamos como descreve Oliveira (1996) sob o “antigo” paradigma da escola reprodutora de informações. Na concepção tradicional de Educação, o aluno vem até a escola com a cabeça essencialmente vazia e cabe à escola nela colocar um conjunto de conhecimentos fatuais e habilidades intelectuais, testando periodicamente a aquisição desses conhecimentos por meio de provas e exames. [...] Embora dificilmente reconhecida como tal segundo o antigo paradigma, a idéia orientadora é “moldar” os alunos para o mundo fabril que os espera, usando técnicas produtivas similares à linha de montagem: salas de aulas isoladas umas das outras e limitadas em recursos; mesas e cadeiras dispostas em filas; o professor desempenhando a função do dono e entregador principal do conhecimento; a apresentação de informação limitada ao uso de livros-texto e do quadro-negro, quase sempre de forma linear e seqüencial. Nesse cenário o papel ativo é exercido pelo professor; o aluno é um elemento passivo, um mero receptor de pacotes de informação preparados pelo sistema educacional. Memorização de informação é a pedra fundamental neste paradigma; respostas corretas às perguntas dos exames, isto é, conformidade a um determinado modelo do mundo, é o esperado de cada aluno. [...] O currículo educacional é visto segundo uma filosofia de separação: o conhecimento humano é dividido em classificações [...] sem a mais remota possibilidade de haver possíveis inter-relacionamentos entre elas. E, finalmente, o aluno que consegue terminar este tipo de estudo é considerado “formado”, pronto para o mercado de trabalho e sem necessidade de estudos posteriores. (OLIVEIRA, 1996, P. 99, 100).

Apesar da esmagadora maioria que ainda monta no tradicionalismo educacional, nova linhas de pensamento sobre as formas de ensino-aprendizagem, surgem rompendo as amarras da educação reprodutora. Destaca-se entre elas, a linha construtivista, onde o conhecimento é construído pelo próprio aluno pela mediação do professor. A epistemologia construtivista vem nos mostrar um novo modelo de educação, onde o ser aprender é o ator principal da cena da


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aprendizagem. O professor nesse contexto não terá sua “importância” diminuída, pois servirá de instrumento de ligação entre o conhecimento e o ser aprendente. O aluno sai do marasmo da audiência e passa a interagir, questionar, decompor e recompor novos esquemas, concretizando ou reformulando ideais preconcebidas. Vejamos o significado de construtivismo. Construtivismo significa isto: a idéia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do Indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento.[...] Construtivismo é, portanto, uma idéia; melhor, uma teoria, um modo de ser do conhecimento ou um movimento do pensamento que emerge do avanço das ciências e da Filosofia dos últimos séculos. Uma teoria que nos permite interpretar o mundo em que vivemos. No caso de PIAGET, o mundo do conhecimento: sua gênese e seu desenvolvimento. Construtivismo não é uma prática ou um método; não é uma técnica de ensino nem uma forma de aprendizagem; não é um projeto escolar; é, sim, uma teoria que permite (re)interpretar todas essas coisas, jogando-nos para dentro do movimento da História - da Humanidade e do Universo. Não se pode esquecer que, em PIAGET, aprendizagem só tem sentido na medida em que coincide com o processo de desenvolvimento do conhecimento, com o movimento das estruturas da consciência. Por isso, se parece esquisito dizer que um método é construtivista, dizer que um currículo é construtivista parece mais ainda.(BECKER, 1994, p. 88,89,)

Ainda

sobre

a

nova

escola,

agora

Oliveira,

em

“Informática

em

Psicopedagogia”, relata sobre o novo paradigma da educação que provoca uma ruptura no sistema educacional tradicional. [...] o novo paradigma educacional, hoje em desenvolvimento, sugere que a escola tem de ser, antes de tudo, um ambiente “inteligente”, especialmente criado para a aprendizagem, um lugar rico em recursos por ser um local privilegiado; um lugar onde os alunos podem construir os seus conhecimentos segundo os estilos individuais de aprendizagem que caracterizam cada um; onde, em vez de filas de mesas e cadeiras ou carteiras, há mesas para trabalhos em grupo, sofás e poltronas confortáveis para leituras, computadores para a realização de tarefas acadêmicas e para comunicações digitais locais, nacionais e internacionais; [...] onde a avaliação é feita constante e serenamente na carreira do aluno, e a ênfase é colocada não na memorização de fatos ou nas repetições de respostas “corretas”, mas na capacidade de o aluno pensar e se expressar claramente, solucionar problemas e tomar decisões adequadamente; com um currículo que reconheça o valor de outras formas de inteligência, além da lingüística e da lógico-matemática, currículo este que oferece uma visão holística do conhecimento humano e do universo natural que o homem habita; com o uso cada vez menor do livro-texto e do quadro-negro e o aumento do uso das novas tecnologias


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de comunicação, caracterizadas pela interatividade [...]; com a mudança do papel do professor que, ao passar às tecnologias de informação a responsabilidade de “entregar” o conhecimento ao aluno, libera-se para ser mais um guia, um conselheiro, um parceiro na procura da informação de verdade, aumentando a participação ativa do aluno; a motivação para aprendizagem surge no aluno, de dentro para fora, em vez de ser algo externo, como, por exemplo, algo que vem dos pais ou professor; e, finalmente, há o reconhecimento de que a aprendizagem permanente daqui em diante será uma tarefa constante na vida profissional e pessoal de todos, e que cabe já à escola capacitar o aluno para aprender qualquer assunto que lhe interessa. (OLIVEIRA, 1996, p. 101, 102).

Dentro da construção do edifício do conhecimento o professor atual tem que sair da posição de “pedreiro”, que coloca tijolo a tijolo para que o aluno veja como é sua construção (sua concepção de conhecimento). Saindo dessa posição, ele pode ocupar a função de “mestre-de-obras” e fornecer ferramentas e orientações básicas para que o aluno, agora “pedreiro”, construa o seu próprio edifício do conhecimento.

2.2.

Informática e educação

Como negar a nova realidade que desponta frente aos nossos olhos, o avanço da tecnologia? A ciência da técnica evoluiu de forma surpreendente nos últimos anos do século XX e trouxe novos artefatos artificiais que agilizam as atividades do homem. É fato que o caminhar da ciência orienta os passos do desenvolvimento tecnológico e este oferta à sociedade moderna um grande número de aparatos tecnológicos. Dentro da própria ciência tecnológica, ocorrem “mutações” e evoluções para máquinas cada vez mais eficientes. Uma das revoluções tecnológicas, é o que chamamos de mundo digital. Quem não lembra do “velho” toca-disco onde a leitura musical era feita mecanicamente por uma fina agulha colocada sobre o disco de vinil, hoje substituída por um feixe de laser, que faz uma leitura óptica do CD de áudio colocado no moderno aparelho de som? E o que dizer da antiga máquina de escrever na qual se editava textos por teclas mecânicas “não permitindo” erros de seus usuários sob a pena de recomeço de todo trabalho mediante um único erro de digitação, hoje substituída por potentes computadores que dão liberdade ao erro


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com instantâneas possibilidades de correção e que ofertam uma interminável variedade de programas específicos, cada um com uma infinidade de recursos disponíveis? É! Uma nova era está aí, aceitemos, ou não, e por mais que queiramos negála, essa nova era tecnológica já está invadindo todos dos setores do campo social, inclusive o dá educação. O que fazer? Virar as costas para um processo tecnológico praticamente irreversível ou, como o homem sempre fez em sua história, confrontar o novo meio para nele adaptar-se, compreendendo a nova realidade, ajustando-a a seu modo de vida? É acompanhando a evolução do conhecimento, que o homem obtém o poder de transformar continuamente o meio em sua volta, onde neste irão surgir novas barreiras que irão incitar novas transformações. A tecnologia nos apresenta um vasto campo de estudo, no entanto, nos deteremos ao campo da informática e sua ação sobre a educação, pois apesar de aparato tecnológico multifuncional, o computador pode se mostrar como uma excelente ferramenta pedagógica no processo de construção do conhecimento quando usado de forma adequada pelos agentes escolares. Oliveira (1996) afirma, [...] Usar o computador como ferramenta educacional é mudar a relação tutor/tutorado, o computador se transforma de instrumento de instrução programada em ferramenta de mão do aprendiz, que a utiliza pra desenvolver algo, uma ferramenta que permite um vaivém constante entre suas idéias e a concretização delas na tela, resultando num produto carregado de sentido não só cognitivo, mas também afetivo. (OLIVEIRA, 1996, p. 59).

Para Cox (2003) a informática na educação pode ser interpretada sob dois aspectos: ensino de informática ou informática no ensino. Embora as palavras empregadas sejam as mesmas, elas têm significados completamente diferentes. O primeiro, mais restrito, se refere à implantação de curso de informática como mais uma disciplina constituinte da grade curricular e tem por objetivo o ensino de informática que encerra em si mesmo. O ensino de informática forma o operador de programas comerciais que precisará passar por constantes atualizações, pois tais programas estão sendo continuamente renovados. Já o segundo, mais abrangente, envolve o uso da informática como instrumento pedagógico dentro do processo de ensino-aprendizagem. Trata-se da informativa educativa, onde o campo da informática permeia a educação e, quando bem explorado, pode oferecer ao


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professor inúmeras formas de se gerar aprendizagens pela construção do conhecimento. Para Vidal et al (2002), [...] Inúmeras pesquisas avançam [...] revelando que a Informática Educativa tem potencial para dinamizar o processo de ensino/aprendizagem à medida que o computador, adequadamente empregado, desmistifica o erro, valoriza a autonomia e os conhecimentos informais do aluno, desloca a ênfase de ensinar para o aprender, cede espaço à aprendizagem por livre descoberta, à aprendizagem colaborativa e construtivista, realimenta e redimensiona a prática do professor e permite que a escola extrapole seus limites físicos interagindo efetivamente com o que se passa fora dela. Porém, a simples implantação de computadores na escola não implica em qualidade de ensino, pois se faz necessário a capacitação do professores, exploração de softwares com fins educativos e um ambiente físico adequado para desenvolvimento das atividades.

A simples implantação de computadores na escola não implica que esta esteja enquadrada no grupo que domina e usufrui pedagogicamente das novas tecnologias do nosso século. De pouco adianta uma escola informatizada, enquanto a maioria dos agentes educativos ainda mostra grande resistência ao uso dessas novas máquinas, fortalecida pela insegurança, desinformação, inexistência de cursos de capacitação e, pessoalmente, pela falta de ousadia em inovar com as novas formas de ensino. Cox (2003) afirma, [...] a inserção dos computadores nas salas de aula nada pode garantir se os agentes educacionais não souberem explorar os seus recursos, que podem ser tão úteis para a execução de suas atividades profissionais. (COX, 2003, P. 32).

Fique claro que não estamos colocando o profissional da educação como réu que emperra o processo transformador, pois sabemos que a política educacional de nosso país é tramada com objetivos alienantes, enxertados por uma ideologia reprodutora de informações que gera nesse profissional um falso idealismo capitalista tornando-o um agente inconsciente e reforçador da divisão da sociedade em classes. Mas também, não deve ele ficar inerte diante uma nova realidade tecnológica jogando-a ao risco da subutilização, ou mesmo, do desuso. Da informática, ele pode tirar proveito educativo usando da criatividade para melhor extrair situações que gerem aprendizagens espontâneas, desde que fique alerta ao


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caminhar na lama do consumismo capitalista, para não cair na idolatria ao tecnológico. Para Cortella, citado por Cox (2003, p. 33), [...] a presença isolada e desarticulada dos computadores na escola não é, jamais, sinal de qualidade de ensino; mal comparando, a existência de aparelhos ultramodernos de tomografia e ressonância magnética em determinado hospital ou rede de saúde não expressa, por si só, a qualidade geral do serviço prestado à população. É necessário estarmos muito alerta para o risco da transformação dos computadores no bezerro de ouro a ser adorado em Educação.

A inserção da informática na educação em nosso país ainda engatinha de forma lenta. Problemas como infra-estrutura da escola, pouca flexibilidade da grade curricular, baixo ritmo de equipagem computacional nas escolas e a falta de capacitação professores ainda retardam o processo de inovação tecnológica na educação. É preciso que a educação acompanhe essa nova era e saia da letárgica e incômoda posição de atraso. Do governo deve-se cobrar, ou melhor, exigir uma política educacional que promova e acelere um maior investimento na educação, não só implantando tecnologia na escola, mas também amparando continuamente com recursos, suporte e capacitação dos atores da educação. Devemos sempre ter em mente que a informática na educação, como o próprio termo sugere, é apenas mais um recurso, e não, o recurso único a gerar aprendizagem. Por isso, o professor, ao desenvolver uma atividade, pode associá-la a

outros

meios

estratégicos

que

conjuntamente

geram

a

produção

do

conhecimento.

2.3.

Softwares educativos

O uso do computador no processo de ensino-aprendizagem pode se dar de várias formas, como no auxílio a projetos interdisciplinares, na edições de jornais escolares, em pesquisas na internet, na edição de trabalhos diversos e,


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principalmente, no uso de

softwares educativos que auxiliam numa melhor

compreensão dos conteúdos ministrados em sala de aula. Softwares educativos são programas de computador criados exclusivamente para promover a interação entre o aluno e o seu objeto de estudo, instigando-o a formar, sobre este, conceitos e, assim, construindo seu próprio conhecimento. Nas palavras de Vidal et al (2002, p. 3.16), O software educativo é um meio tecnológico desenvolvido através de técnicas e métodos da Engenharia de Softwares, com a finalidade de permear o processo de construção de conhecimentos. O software educativo integra recursos de som, imagem e tratamento de informações para dinamizar a interface entre o indivíduo e um conhecimento qualquer. Dentre os softwares educativos existentes, há simuladores, jogos, tutoriais, sistemas especialistas e outros.

Com o uso do software educativo o ser aprendente usufrui de um maior grau de liberdade, tendo sua ação mais independente do professor que, por sua vez, passa a assumir a posição de medidor entre aluno e o conhecimento. Na obra “Educação, Informática e Professores”, Vidal et al afirma, O professor não é mais aquele que transmite, repassa conhecimento e informações ao aluno, mas aquele que é capaz de criar um ambiente de aprendizagem que facilite e estimule o aluno a adquirir conhecimento. Seguindo a tendência, os softwares educativos passam a incorporar essas novas concepções. (Vidal et al, 2002, p. 4.4).

Ainda sobre o papel do professor como mediador do processo de ensinoaprendizagem, Dimenstein (1997), citado por Vidal et al, afirma, [...] o novo papel do professor é o de ser um conselheiro, uma ponte entre a informação e o entendimento; e, a partir dessa combinação, um estimulador de curiosidade e fonte de dicas para que o aluno viaje sozinho no conhecimento, obtido nos livros e nas redes de computador. (Vidal et al, 2002, p. 4.9).

Para Vidal et al existem dois tipos básicos de softwares educativos: aquele em que o computador, através do software, ensina o aluno e aquele em que o aluno, através do software, “ensina” o computador. No primeiro caso, o computador é uma máquina de ensinar e, para isso, utiliza os softwares educativos do tipo: exercíciose-prática, tutoriais, jogos e simulação.


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São programas fechados que permitem apenas a interação pelo processo inserção de dados e a coleta de informações por parte alunos. É no agrupar dessas informações que o aluno pode remodelar seus conceitos pré-formados. Já o segundo tipo, o aluno interage com o programa de que forma que os resultados a serem obtidos dependerão das decisões tomadas previamente por ele. Um exemplo clássico desse tipo de software é a Linguagem LOGO. Desenvolvida por Seymuor Papert (1980), a linguagem LOGO está baseada na epistemologia genética de Piaget. Para Oliveira (1996), [...] Conforme Bossuet (1985, p. 41), LOGO é uma linguagem “que permite demonstrar os processos mentais empregados por um indivíduo para resolver os problemas que se lhe apresentam e aos quais ele propõe uma solução, num contexto de ação sobre o mundo exterior”. (OLIVEIRA, 1996, p. 133).

De acordo com conceito do programa LOGO, percebe-se então o valioso recurso psicopedagógico para o tratamento de crianças que apresentam problemas de aprendizagem, pois, como afirma Oliveira: [...] ele poderá funcionar para indivíduos com distúrbios de aprendizagem, como um elo entre o mundo concreto e o mundo abstrato formal do conhecimento. Através do LOGO, esses indivíduos podem desenvolver conceitos de matemática, geometria, tempo-espaço, lateralidade, planejamento, etc., de forma gradual e vivenciada, dando assim maiores condições ao desenvolvimento do seu pensamento operatório e/ou formal. (OLIVEIRA, 1996, P. 133).

Embora alguns softwares, como os pacotes integrados, não tenham finalidade educacional, eles podem ser explorados didaticamente para desempenhar atividades que geram autonomia nos alunos, dando maior liberdade para a criatividade. Esses pacotes geralmente são formados por um editor de texto, uma planilha eletrônica, um banco de dados, programa de apresentações. Citando aqui apenas um exemplo para cada um, pois a utilidade de cada é diretamente proporcional à criatividade do professor, com o editor de texto pode-se trabalhar a redação onde o aluno perceberá, simultaneamente à digitação, os erros ortográficos e semânticos identificados pelo programa; com a planilha eletrônica o professor poderá trabalhar funções matemáticas através de tabelas e gráficos vinculados; no programa de banco de dados pode-se fazer cadastros de todos os membros de um


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projeto ou da comunidade que faz parte do mesmo; com o apresentador de slides tanto o professor pode elaborar uma aula mais dinâmica adaptada ao seu conteúdo usando os recursos de imagem, som e vídeo como, também, os alunos poderão construir seus trabalhos ou projetos para serem apresentados. É importante que se disponha na escola um grupo de professores especialistas em softwares educativos que, competentemente, possam avaliar a implantação destes verificando se estão condizentes com a proposta pedagógica escolar, passando pelos critérios científico, pedagógico, político-ideológico e programação.

2.4.

Internet e educação

A

internet

é

um

recurso

indispensável

que

deve

estar

associado

imprescindivelmente à instalação da informática na escola. Da rede mundial de computadores pode-se extrair uma gama de potencialidades educacionais. Por si só, a internet já é atrativa devido a disponibilidade de todo tipo de informação, como também músicas, jogos, vídeos, correios eletrônicos, programas e muitos outros recursos que a tornam uma das via mais usadas para navegar pelo planeta. Fazendo uso da criatividade, o professor pode usar esse fantástico recurso de navegação do ciberespaço, para desenvolver, conjuntamente com seus alunos, um grande número de atividades. Entre as atividades podemos citar a pesquisa, que envolve uma coleta de informações da rede para serem analisadas, discutidas e comparadas com o conteúdo ministrado em sala de aula. É importante ressaltar o risco existente na ação da pesquisa podendo ela se tornar de cunho superficial pelo simples ato de imprimir as informações coletadas sem questionamentos críticos. Portanto, o professor deve está atento neste tipo de atividade evitando que ela reforce o papel de reprodutor de conhecimento, marca ainda predominante em grande parte de nossas escolas. Uma outra vantagem da internet aplicada ao processo educativo, é confronto de culturas provocado pela ausência de barreiras físicas no ciberespaço. Assim, o professor pode estimular o aluno a conhecer a cultura de outro país, como também


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sua economia, geografia regional e política, fazendo uso de correios eletrônicos ou chats que permitem um contato direto. Além do que, para o aluno deve ser prazeroso fazer novas amizades, principalmente quando surgem entre culturas diferentes. Vale lembrar também que a internet disponibiliza vários softwares para serem “baixados” e que podem ser utilizados com fins educativos através da mediação do professor. Vidal et al (2002, p. 5.10) afirma, quanto ao uso da internet na educação, o seguinte: O uso da internet na educação, como tudo o que se refere à Informática Educativa, está fundamentado em uma série de promessas com relação à melhoria da aprendizagem. À medida que o ensino atualmente é centrado na relação unilateral professor/aluno imposta pela escola e combatida pelos novos sistemas de ensino, a internet permite uma maior compartilhamento de idéias abrindo espaço para colaboração, para cooperação e para a construção coletiva. As informações disponíveis na rede serão beneficiadas pelo seu alcance, pois poderão ser acrescentados novos dados a partir da colaboração de milhares de pessoas que vão de simples usuários até especialista, pesquisadores e cientistas do mundo todo em todas as áreas inseridas no contexto do ensino.

Diante do exposto neste capítulo, podemos perceber a grande influência que a informática pode exercer sobre o processo e ensino-aprendizagem e que, dessa forma, torna-se objeto de estudo e pesquisa no campo da educação. No próximo capítulo deste trabalho exibiremos uma pequena amostragem sobre os efeitos da informática, mesmo no setor informal, sobre o processo da aprendizagem, limitando-nos a uma pesquisa de campo estruturada pela aplicação de questionários investigativos e levantamento de dados que mostrem os resultados de aprendizagens dos alunos pesquisados no decorrer de parte de sua vida escolar.


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CAPÍTULO III – A INFLUÊNCIA DA INFORMÁTICA NA APRENDIZAGEM

A informática nos oferece um novo campo de ação das atividades humanas e mais uma vez a nossa espécie descobre uma nova realidade para a qual é impulsionada a se adaptar. O computador diante de seu usuário passa a ser um objeto de interação e aprendizado, pois, além do fascínio que ele exerce sobre o aprendiz, ele estimula-o colocando novos desafios e serem desvendados. A insistência por parte deste em descobrir os “segredos” dessa nova máquina, desde a

mais

tenra

idade,

pode

levá-lo

ao

desenvolvimento

intelectual

como

conseqüência. Um dos grandes autores que defendeu a construção do conhecimento pela interatividade foi Jean Piaget. A informática é um recurso tecnológico que pode servir como um importante instrumento no processo de aprendizagem e construção do conhecimento e, por isso, tomando-a como uma ferramenta que interage com o ser aprendente, podemos apoiar seu uso dentro das teorias piagetianas. Vejamos a seguir as idéias principais de Piaget sobre o processo de construção do conhecimento humano e sua possível aplicabilidade no campo da informática.

3.1.

A construção do conhecimento segundo Piaget e sua relação com a informática educativa

Jean Piaget nasceu em 09 de agosto de 1896 em Neuchâtel, na Suíça. Psicólogo renomado, desde sua infância mostrou interesse por mecânica, fósseis e zoologia. Especializou-se em psicologia evolutiva e epistemologia genética. Seu maior legado foi a elaboração de um conjunto de obras embasadas cientificamente que explicam como se dá construção de conhecimento humano e como a atividade intelectual se desenvolve. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia.


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Em sua obra, Piaget definiu alguns conceitos básicos como estruturas cognitivas (esquemas), adaptação, organização, assimilação e acomodação, equilibração, os quais guardam relações entre si e alicerçam as fases do desenvolvimento da inteligência humana. Para Piaget o intelecto evolui da sua forma mais primitiva para estados mais complexos através da interação entre o ser e seu entorno, buscando organizar as estruturas cognitivas para melhor se adaptar ao meio. Portanto, organização e adaptação pertencem ao ciclo de um mesmo mecanismo. Enquanto que a organização refere-se a um processo interno da inteligência que coordena as estruturas cognitivas, a adaptação é um processo externo da inteligência adequando as estruturas cognitivas ao meio. Percebe-se então que a estrutura cognitiva é um processo dinâmico que interliga a organização e adaptação no desenvolvimento evolutivo da inteligência. Para Piaget (1952, p.7), citado por Tafner (acesso em 30/05/2006) Do ponto de vista biológico, a organização é inseparável da adaptação: Eles são dois processos complementares de um único mecanismo, sendo que o primeiro é o aspecto interno do ciclo do qual a adaptação constitui o aspecto externo.

Outros dois processos interativos que permeiam o desenvolvimento da inteligência são definidos por Piaget como assimilação e acomodação. A assimilação é processo pelo qual a criança apreende um novo dado às suas estruturas mentais prévias classificando-o dentro das categorias preexistentes. Quando essa classificação não é possível, o novo dado é então acolhido como nova informação e as estruturas cognitivas são reorganizadas adaptando-se ao meio. A assimilação e acomodação fazem parte um processo cíclico, pois quando novos estímulos são acomodados, estes formarão novos esquemas mentais que servirão de referências para futuras assimilações e conseqüentes acomodações. Piaget definiu esse processo cíclico como uma busca constante por um estado de equilíbrio criando, assim, a Teoria da Equilibração. Quando um novo estímulo é assimilado pela criança, sua estrutura cognitiva pode identificá-lo e classificá-lo. Quando não, entra em desequilíbrio, desorganiza-se, ao ponto de acomodá-lo modificando sua estrutura cognitiva ou gerando uma nova e retomando, enfim, um novo equilíbrio. Tafner, quando cita WADSWORTH (acesso em 16/06/2006), afirma:


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Segundo WADSWORTH (1996), uma criança, ao experimentar um novo estímulo (ou estímulo velho outra vez), tenta assimilar o estímulo a um esquema existente. Se ela for bem sucedida, o equilíbrio, em relação àquela situação estimuladora, é alcançado no momento. Se a criança não consegue assimilar o estímulo, ela tenta, então, fazer uma acomodação, modificando um esquema ou criando um esquema novo. Quando isso é feito, ocorre a assimilação do estímulo e, nesse momento, o equilíbrio é alcançado.

O desenvolvimento da inteligência não transcorre de forma linear pelo acúmulo de informações, mas sim, através de estágios cognitivos, onde cada estágio apresenta um nível de qualidade do pensamento o qual se desenvolve sempre acompanhado pelos processos de assimilação e acomodação mediados pela equilibração. Os estágios cognitivos propostos por Jean Piaget foram divididos em quatro etapas principais: o sensório-motor (0 a 2 anos), o pré-operatório (2 a 7 anos), o operatório concreto (7 a 11 anos) e o operatório-formal (11 a 14 anos). No período sensório-motor a criança interage (ação – motora) com o meio através de seus sentidos (sensório). De início, o comportamento do neonato tem natureza reflexa e, aos poucos, através da interação como o meio que o rodeia, começa a reconhecer as dimensões de espaço, de tempo, de objeto, de causalidade. Nessa fase a criança sente-se atuante no meio e acredita que todos os efeitos sobre este são gerados por ela. Na fase inicial desse período a criança sente-se o centro do mundo, onde as leis são regidas por ela e onde todos os objetos só existem pela sua percepção. Com o seu desenvolvimento a criança começa a perceber um universo regido por suas próprias leis e que os objetos existem

independentes

entre

si

e

de

sua

própria

ação

perceptiva.

A

tridimensionalidade do objeto é aos poucos assimilada e a criança, nesse período, aprende a localizá-lo dentre do espaço. A inteligência nessa fase é ativamente prática. Ao entrar no segundo estágio, o pré-operatório, a criança entra na fase da representação, onde os objetos dão lugar aos símbolos usados por ela. Nesse estágio ocorre um refinamento da construção intelectual elaborada no período sensório-motor. Portanto este último não é “apagado”, mas sim, complementado por um nível de inteligência mais elevado. A linguagem se desenvolve de forma espantosa nessa fase, sendo a fala um dos recursos simbólicos mais usados pela criança, porém não único. A criança adentra também no mundo da moralidade e


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começa a desenvolver valores, virtudes, regras, discernimento entre certo e errado, entre outros princípios que afloram do seu meio cultural. Outra característica desse período é o egocentrismo que mostra a incapacidade da criança se colocar no lugar do outro para visualizar suas ações sobre um outro aspecto. Para ela, todos que a rodeiam detêm o seu mesmo ponto de vista, “tornando-a” dessa forma o centro das relações. No campo do pensamento lógico e da percepção, a conservação quantitativa ainda é para a criança um problema complexo. Se apresentarmos a uma criança, no pré-operatório, duas fileiras de objetos idênticos, contendo cada uma oito unidades igualmente distanciadas, a criança não terá dificuldade responder que as duas fileiras têm o mesmo número de objetos. No entanto, se aumentarmos os espaços entre os objetos em apenas uma das fileiras a criança irá quantificar os objetos dando maior a quantidade para a fileira que apresenta maior comprimento. Para Wadsworth (1984, p.32) [...]As idades em que as diferentes fases de conservação tipicamente aparecem, vão desde o período pré-operacional até o operacional concreto. As estruturas que permitem a noção de conservação são tipicamente adquiridas nas seguintes idades: Comprimento 6–7 Número 6–7 Área 7–8 Massa 7–8 Líquido 7–8 Peso 9 – 10 Volume 11 – 12

Quando uma criança atinge o estágio operacional concreto, ela dificilmente será enganada com os problemas de conservação. Nessa fase a lógica é desassociada da percepção e ela passa a dominar os problemas de classificação e seriação como também a desenvolver noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, causalidade e outras. A ação lógica de reversibilidade também é adquirida nessa fase, conseguindo a criança reverter situações problemas, como por exemplo: se perguntarmos para ela qual a distância de Limoeiro do Norte a Fortaleza, ela responderá (supondo que já saiba) 200 km, tanto nesse sentido quanto se invertermos o sentido do trajeto, ou seja, de Fortaleza a Limoeiro do Norte. É importante ressaltar nessa fase que, embora a criança tenha entrado num estágio de inteligência com maior grau de complexidade, ela ainda depende, mesmo que de forma não imediata, da concretização do objeto para resolver


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problemas. Wadsworth (1984, p.34), sobre o período operacional concreto, relata o seguinte: [...] A criança na fase operacional concreta tem dificuldade em aplicar a sua lógica aos problemas não-concretos. Entre estes estão os problemas verbais complexos, problemas hipotéticos e problemas que lidam com o futuro (que são um tipo de problema hipotético). Portanto, o pensamento ainda está estreitamente ligado ao concreto e vinculado a percepção (porém não está mais dominado pela percepção).

Atingindo o operatório formal, a criança entra no nível mais elevado de desenvolvimento intelectual de suas estruturas cognitivas e, agora, diante de situações-problema, pode abstrair idéias, pensar com lógica, elaborar hipóteses e buscar soluções independentemente da percepção da realidade concreta. Deixemos claro que o mais elevado desenvolvimento intelectual deve ser entendido como afirma Wadsworth (1984, p.34) [...] as estruturas do pensamento lógico tornam-se totalmente desenvolvidas nessa fase. Com o desenvolvimento das operações formais, a criança se torna se torna capaz do pensamento mais lógico que ela poderá atingir.

As idéias piagetianas, que foram apresentadas de forma resumida neste trabalho, vêm nos mostrar que a evolução do desenvolvimento da inteligência humana se dá pela inter e intrarelação do ser com seu meio envolvente, onde estruturas mentais são formadas e reformadas para suprir a necessidade de adaptação. A aprendizagem é fruto da ação recíproca entre o ser aprendente e novo objeto que se apresenta temporariamente incognitivo. A epistemologia genética de Jean Piaget apóia-se nessa “dança” de equilibração, entre o novo e o atual, que modela os esquemas mentais pela classificação, seriação e adição de novos conhecimentos. Sobre esta dinâmica cognitiva, Oliveira (1996, p. 151) relata: A memória não pode ser vista como algo estático ou cumulativo, como uma soma de lembranças, mas, sempre, como um sistema intra e inter-relacionado de forma extremamente dinâmica, conjugando aspectos operativos e figurativos do pensamento. Os figurativos (as figuras percebidas no momento ou as imagens mentais evocadas) são sempre organizados (classificados e seriados) pelos operativos.


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Oliveira ainda (1996, p. 151) comenta sobre como ocorre o processo do aprender na criança. Ao tentar aprender algo, a criança tenta inserir esse elemento no conjunto das coisas já preenchidas, buscando uma analogia. Para tanto, ela tentará abstrair as semelhanças e as diferenças desse elemento em relação às dos elementos já internalizados, procurando encaixa-lo junto a seus semelhantes, ao mesmo tempo em que o insere em uma ordem junto aos que se alteram, mantendo alguma regularidade; ou seja, ela vai tentar classifica-lo e seriá-lo.

Aplicando a Teoria de Piaget no campo da informática, percebemos que a interação existente entre o aprendiz e o computador, principalmente quando desvinculada de uma sistemática de ensino tradicional repassadora de informações, oferece ao usuário um elevado grau de liberdade permitindo-lhe “cometer” erros e corrigi-los por conta própria, fazendo-o descobrir e redescobrir os efeitos de suas ações sobre essa máquina. Portanto o computador, como afirma Oliveira (1996), “pode ser visto como excelente instrumento na prevenção e solução de problemas de aprendizagem”. Oliveira (1996, p.156) também aponta algumas vantagens que podem gerar efeitos positivos sobre a aprendizagem da criança usuária do computador. • • • • • • •

Ele trabalha com representações virtuais de forma coerente, mas extremamente flexível, possibilitando a descoberta e criação de novas relações. Dispõe suas informações de forma clara, objetiva e lógica, facilitando a autonomia do usuário, favorecendo a exploração espontânea. Exige também que o usuário tenha consciência do que quer, se organize e informe de modo ordenado o que quer fazer, digitando corretamente. Dá um retorno extremamente rápido e objetivo do processo em construção, favorecendo a auto-correção, a inserção da “desordem” na ordem global. Trabalha com uma disposição espacial das informações, que pode ser controlada continuamente pela criança através de seu campo perceptivo visual, apoiando o raciocínio lógico. Trabalha com imagens e texto de forma combinada, ativando os dois hemisférios cerebrais. Através de recursos de multimídia, pode combinar imagens pictóricas ou gráficas, numa infinidade de cores e formas, com sons verbais e/ou musicais, com movimentos, criando uma verdadeira trama de combinações possíveis, integrando a percepção, em múltiplas formas, ao raciocínio e à imaginação, de forma fluente, pessoal e cheia de vida.


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A informática além de ser um recurso de grande utilidade, acreditamos poder influenciar na forma do aprender, acelerando ou retardando os processos cognitivos. Apesar de ser um instrumento puramente técnico baseado no uso de programas, o usuário de um computador pode ter seus esquemas de construção de conceitos influenciados pelo aprimoramento da manipulação destes softwares. E se a aprendizagem pode ser influenciada pelo manuseio da informática , seja construtivamente, seja destrutivamente, essa influência deve ser objeto de investigação científica para que diante dos resultados possamos recomendá-la ou denunciá-la.

3.2.

Hipóteses sobre influência da informática no processo de aprendizagem

Este trabalho, apoiado na pesquisa bibliográfica e de campo, investigou a possibilidade da influência que a informática pode ter sobre a aprendizagem dos alunos. Acreditamos que a forma de raciocinar, a linguagem, a capacidade de concentração, a capacidade de formular conceitos, entre outras habilidades, varia quando comparamos esses dois grupos que transcorrem por diferentes formas de ensino onde um dos fatores de diferenciação entre os recursos didáticos complementares é a informática. Nosso objeto de estudo foi centrado em dois tipos de aluno: o primeiro , os alunos que receberam aulas convencionais seguindo o modelo tradicional de ensino, basicamente caracterizado pela exposição de informações de forma oral sem nenhum recurso adicional que auxilie numa melhor compreensão do conteúdo; o segundo , os alunos que receberam além das aulas expositivas, uma injeção de outros recursos didáticos, entre eles, um software educativo com a finalidade de complementar o estudo do conteúdo ministrado em sala de aula e, principalmente, promover a interação entre o conhecimento e o aprendente mediada pelo professor. A operacionalização de um computador incita prática, concentração, memorização, raciocínio lógico e criatividade. Por outro lado, o uso do computador,


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quando extrapola certos limites, pode se tornar uma patologia apresentando sintomas de isolamento social, comprometendo linguagem e comportamento, podendo também causar lesões físicas e psicológicas. Se o usuário desta máquina está sujeito a esses efeitos, então estes, quando causados, afetam a aprendizagem, beneficiando ou causando seqüelas de acordo com a forma de como é usada. Nosso campo de estudo ficou limitado a uma pesquisa bibliográfica e a uma experiência de campo de cunho comparativo com o objetivo de identificar diferenças de aprendizagem entre os alunos que aprendem auxiliados pela a informática e outros recursos e os que ainda “vegetam” apenas se alimentando do ensino tradicional escasso de dinamismo e criatividade.

3.3.

Metodologia – Aplicação de experiência investigativa de aprendizagem

Para atingir o objetivo deste trabalho, foi aplicada uma experiência investigativa a dois grupos, de dez alunos cada, do ensino médio de uma escola particular da cidade de Limoeiro do Norte, com a finalidade de avaliar, através de testes, o grau de aprendizagem destes quando são confrontados com situações de aulas diferentes. A informática foi aqui o principal diferenciador entre dois grupos, permeando apenas um deles, enquanto o outro foi desprovido desse recurso didático, ficando apenas a margem da educação tradicional. A experiência investigativa foi embasada na disciplina de Física. A escolha não foi por acaso, sendo que dois fatores a determinaram: primeiro, a disciplina que lecionamos e, portanto, estaremos atuando em nossa área, facilitando, assim, o processo de investigação de aprendizagem; e, em segundo, por ser a disciplina de Física rotulada como uma das disciplinas mais difíceis para se aprender no ensino médio. Embora, na escolha, tenhamos nos limitado a disciplina de Física, entendemos que a informática educativa pode também influenciar a aprendizagem em outros campos do conhecimento. Escolhida a disciplina, partimos para a seleção do conteúdo a ser lecionado nas aulas propostas, o qual recaiu sobre o ramo da ondulatória. A escolha deste tópico da Física foi motivada pelo fato de que ele faz


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parte do programa do curso de Física e por ainda não ter sido trabalhado com o grupo de alunos selecionados. Dessa forma, o assunto de Física escolhido para as aulas experimentais com os alunos configurou-se como uma espécie de “reforço” antecipado, pois eles voltarão a estudar o mesmo conteúdo no decorrer do ano. Deste ramo foram escolhidos os principais conceitos para formulação do plano de aula. A seleção dos alunos foi de forma voluntária, na efetiva sala de aula, permitindo, inicialmente, de forma livre, um número qualquer de alunos a participar da experiência. Assim um convite direto foi feito aos alunos que desejassem participar desse processo experimental, deixando claro o objetivo do trabalho.Após acolhida a relação dos alunos inscritos, marcamos data, horário e local para iniciarmos as atividades. Dentre os alunos relacionados, procuramos selecionar um grupo mais específico caracterizado por um apresentar um próximo nivelamento intelectual e, ao mesmo tempo, uma maior dificuldade em física, embora essa seleção específica não excluísse os voluntários que, com muito boa vontade, se dispuseram a participar do processo experimental. A estrutura das aulas experimentais da aprendizagem foi divida em quatro etapas: aula expositiva de Física adotando uma metodologia do modelo tradicional de ensino; aula com softwares educativos de Física aplicada no Laboratório da informática da escola; aula prática através do uso de instrumentos

de

laboratório

de

física

específicos da ondulatória e aplicação de teste para avaliação do rendimento na

Fig. 1. Professor Fábio lecionando a aula teórica expositiva em uma lousa onde os conteúdos foram previamente copiados.

aprendizagem. A aula expositiva foi planejada com objetivos de “repassar” os seguintes conceitos: onda, classificação das ondas, naturezas das ondas, tipos de ondas, velocidade de uma onda em um meio unidimensional, reflexão de pulsos, ondas periódicas, freqüência e período, equação geral da onda, polarização e difração de ondas, interferência de ondas e ondas estacionárias. Essa aula foi ministrada no período manhã e durante a sua execução o professor atuou de forma centralizadora, repassando todas as informações do tema dando pouco espaço


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para a participação dos alunos. A aula ficou

limitada

a

um

informações

sem

contextualização

com

despejo

de

qualquer a

realidade

concreta. O período de duração da aula foi de 2 h horas e os recursos usados foram apenas o giz, a lousa, o livro didático e a fatigante voz do professor. Os esquemas (desenhos e títulos dos

Fig. 2. Os alunos fazem anotações da aula teórica expositiva que segue o modelo tradicional de ensino

conceitos e alguns conceitos a serem “discutidos”) da aula foram feitos na lousa previamente em função de curto período de tempo da testagem, embora isso só reforce, como desejamos nessa parte, a metodologia tradicional que traz tudo pronto e terminado. Outro artifício usado para reduzir o tempo da experiência foi a locomoção dos alunos de uma sala de aula para outra onde os esquemas já estavam prontos na lousa, apenas esperando o início da aula ou a continuação desta. Assim a aula expositiva transitou por três salas. Entre uma sala e outra foram feitos intervalos de cinco minutos para se tomar água. No decorrer da terceira sala o cansaço já era perceptível. Após a exposição de todos os conceitos, o professor resolveu alguns problemas envolvendo a velocidade das ondas e, em seguida, dividiu a classe nos dois grupos referidos neste trabalho. Salientamos que a formação dos dois grupos foi de forma voluntária, evitando, ao máximo, a interferência do professor, visto que o mesmo já os conhecia e qualquer escolha nesse momento poderia alterar os resultados a serem obtidos. Ao primeiro grupo, foi pedido aos alunos que fizessem, em casa, a leitura dos correspondentes capítulos e praticassem alguns exercícios sobre velocidade da onda. Já no segundo grupo, os alunos foram convidados a comparecerem no turno da tarde para executar a segunda etapa do trabalho. Para dar entrada na segunda parte do trabalho experimental sobre aprendizagem, foram selecionados dez alunos da turma da manhã para que continuassem a experiência. Nesse segundo momento os alunos selecionados reviram todos os conceitos através de um software educativo de física. O laboratório de informática onde foi realizada a atividade dispunha de cinco computadores razoavelmente rápidos, conectados a Internet e providos de multimídia. Foram distribuídos para cada computador dois alunos e para cada dupla foi dado um CD


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contendo o software de Física. Inicialmente, os alunos foram orientados

pelo

professor

de

como usar a mídia até o ponto onde

encontrassem

o

tópico

sobre ondulatória. Desse ponto em diante o professor saiu do papel de centralizador e deu liberdade para que os alunos

Fig. 3. Alunos a revisam a aula expositiva da manhã através de um software educativo de física

caminhassem sozinhos dentro do programa, embora ele estivesse sempre

presente

para

tirar

alguma dúvida de momento. Os alunos, tomando uma postura mais

ativa,

interagiram

entre

eles, por estarem em grupos, e o programa que os orientava no decorrer de seu uso. O programa em si é fornecido por uma empresa

especializada

Fig. 4. Uma das páginas do software educativo de física que permite a inserção de dados pelos alunos e a sucessiva simulação de interferência de ondas

em

softwares educativos, e traz em sua estrutura imagens, vídeos animados, perguntas simples e progressivas, espaços virtuais para experimentação de fenômenos físicos e questões avaliativas. Encerrado o momento com a informática, os mesmos alunos foram levados para o pátio da escola onde aqui se realizou a terceira etapa, aula prática. O instrumento principal para essa aula foi uma mola espiral com um pouco

mais

de

dois

metros

de

comprimento. Com esse material os alunos confirmaram na prática o que aprenderam em teoria. Conceitos como o de onda, tipos de ondas, velocidade

Fig. 5. Alunos produzem, com uma mola espiral, uma onda estacionária durante a aula prática.


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de uma onda em um meio unidimensional, reflexão de pulsos, ondas periódicas e ondas estacionárias, são facilmente vislumbrados com esse simples instrumento de laboratório. A aplicação desse terceiro momento coloca a condição de que a informática não é único recurso didático no auxilio do processo de ensinoaprendizagem, e sim, um recurso a mais entre tantos outros. Essa terceira etapa finalizou o encontro da tarde. Todos os alunos que participaram desses diferentes tipos de aulas, finalizaram a experiência investigativa de aprendizagem no dia seguinte participando de um teste avaliativo com o objetivo de coletar o grau de aprendizagem dos dois grupos diferenciados pela metodologia de ensino. O teste foi elaborado com perguntas objetivas e subjetivas relativas à ondulatória contendo ao todo trinta questões, sendo vinte questões objetivas teóricas, oito questões objetivas com cálculos e duas questões subjetivas. Totalizando quatro páginas, o teste trazia na última, um gabarito a ser preenchido com alternativas assinaladas pelos alunos, método este que agilizou o processo de contagem de acertos. A duração do teste obedeceu ao ritmo de cada aluno, sendo que duas horas, em média, transcorreram entre a distribuição da prova para todos e a devolução desta por parte do último aluno a terminar.

3.4.

Análise dos resultados da pesquisa

Para fazermos o levantamento dos resultados dos testes, contabilizamos o número de acertos de cada grupo e os representamos na forma de tabelas e gráficos sob diferentes aspectos. Visando tornar mais prático a leitura das tabelas e dos gráficos, uma legenda abaixo está exposta indicando os significados de cada termo, onde os principais são GA (grupo + aula) e GAIP (grupo + aula + informática + prática) que designam os dois grupos diferenciados pela metodologia de ensino.


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QOT QOC QSDO TDP GAIP GA TPA

QUESTÕES OBJETIVAS TEÓRICAS QUESTÕES OBJETIVAS COM CÁLCULOS QUESTÃO SOBRE DEFINIÇÃO DE ONDA TOTAL DE PONTOS GRUPO + AULA + INFORMÁTICA + PRÁTICA GRUPO + AULA TAXA PERCENTUAL DE ACRÉSCIMO DO GAIP

Legenda 1

Os nomes dos alunos foram reduzidos a siglas para que seja evitada qualquer forma de constrangimento. A seguir, apresentamos a tabela 1 do grupo GA mostrando os resultados individuas de cada aluno e o total do grupo em cada categoria como também o total geral de pontos.

GRUPO DE ALUNOS SUBMETIDOS A AULA TRADICIONAL

ALUNO AGNF WSS IMCOB JIDF RHS ACA CBCMA MRSL ATCA EFCA

GA

QOT

QOC

QSDO

TDP

11 12 11 6 7 8 9 2 3 2

7 5 4 6 4 1 0 4 2 1

0 1 0,8 0,5 1 0 0 0 0 0

18 18 15,8 12,5 12 9 9 6 5 3

71

34

3,3

108,3

tabela 1

A tabela 2 que segue, do grupo GAIP, apresenta as mesmas características acrescentando na última linha o percentual de aumento do número de questões acertadas deste grupo em relação ao grupo GA.


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GRUPO DE ALUNOS SUBMETIDOS À AULA TRADICIONAL ASSOCIADA A RECURSOS DE INFORMÁTICA E LABORATÓRIO

ALUNO LGG MOH MJM MROR RCLL RFS GGO RNOF MMB ANS

QOT 13 12 10 10 10 9 8 7 4 4

QOC 4 5 5 5 5 3 2 2 4 2

QSDO 0,6 0,7 0,5 0,7 0,8 0,2 0,3 0 0,8 0,5

GAIP TPA

87 22,54%

37 8,82%

5,1 54,55%

TDP 17,6 17,7 15,5 15,7 15,8 12,2 10,3 9 8,8 6,5

129,1 19,21%

tabela 2

Para uma melhor visualização, alguns dados das tabelas apresentadas foram convertidos em gráficos com a finalidade e melhor representar uma análise dos resultados. Assim, prosseguindo com a exposição e análise de resultados, três gráficos estão representados a seguir. De acordo com o gráfico 1 temos um resultado que aponta um maior número de questões do teste acertadas pelo grupo GAIP, sendo 129,1 pontos alcançados por este grupo contra 108,3 obtidos pelo grupo GA. Ressaltamos que a o grau de dificuldade na disciplina de Física entre os alunos participantes da pesquisa estava, aproximadamente, no mesmo nível. O resultado exposto (gráfico 1) já mostra o efeito positivo que outros meios didáticos podem exercer sobre a aprendizagem, entre eles, incluso a informática.


50

TOTAL DE PONTOS 140

129,1

120

108,3

PONTOS

100 80

TDP

60 40 20 0

GAIP

GA GRUPOS DE ALUNOS

gráfico 1

Com mais detalhes, o gráfico 2 abaixo mostra que o mesmo grupo supera o grupo GA em todos os tipos de questões. A maior diferença em quantidade de questões acertadas está no tipo QOT. Um fator que pode ter propiciado essa maior diferença reside no fato de que, na revisão dos conteúdos através do software de física, foi dada uma maior ênfase ao contexto teórico, ação esta orientada pelo professor devido a grande extensão do curso proposto pelo CD. Mesmo com tal limitação, o grupo GAIP, com uma diferença menor, superou o grupo GA na categoria QOC, mostrando o possível reforço cognitivo que o software pôde ter proporcionado ao raciocínio lógico-matemático.

EXPERIÊNCIA INVESTIGATIVA DE APRENDIZAGEM 100 90

87

80 PONTOS

70

71

60

GAIP

50

GA

37

40

34

30 20 10 0

5,1 3,3

QSDO

QOC

QOT

TIPOS DE QUESTÕES

gráfico 2

Um outro dado interessante transparece na análise do TPA que avalia a taxa percentual de aumento do número de questões acertadas do grupo GAIP em


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relação ao grupo GA. E como podemos observar no gráfico 3 que segue, todas as taxas mostram o aumento no rendimento, sendo o maior deles aqui obtido no tipo QSDO que refere a definição de onda. Apesar de ser tomada apenas uma questão subjetiva para análise, esta procurou essencialmente tirar do aluno a sua formulação sobre conceito de onda após ter passado pela experiência investigativa de aprendizagem. Com uma taxa de 54,55% de aumento no tipo QSDO, o grupo GAIP mostra uma melhor absorção sobre a definição de onda.

TAXA PERCENTUAL DE AUMENTO DO GAIP 60

54,55

50 40 30 20

22,25

10

19,21

Série 1

8,82

0

QOT

QOC

QSDO

TDP

TIPOS DE QUESTÕES

gráfico 3

Fazendo última análise crítica dos resultados percebemos que, apesar do aumento no aproveitamento de questões do grupo GAIP sobre o grupo GA, algumas diferenças ainda se mostram pequenas, talvez provocadas pela forma intensiva de como foi colocada a experimentação, onde foi necessário podar algumas estratégias que enriquecessem

o trabalho, caracterizando ainda a

intromissão da metodologia de ensino tradicional a qual estamos bitolados. Mas mesmo diante de alguns fatores que impõem limites a obtenção de um resultado totalmente filtrado, os índices obtidos foram satisfatórios mostrando que, por menor que seja o uso e os resultados, a informática e outros recursos didáticos potencialmente educativos podem influenciar nos processos de aprendizagem.


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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho mostrou, ainda que de forma resumida, mas embasado teoricamente, como se dá o processo de construção do conhecimento humano dentro de sua história que culmina no avanço da ciência e da tecnologia. Detendonos na ciência da técnica, enveredamos pelo campo da informática procurando mostrar basicamente seus conceitos e aplicações. E, como objetivo maior, estudamos a inserção da informática na educação sob um aspecto pedagógico procurando investigar sua influência no processo de ensino-aprendizagem. Com bases teóricas em estudos existentes, propomos aqui mostrar na forma de pesquisa de campo os efeitos da informática educativa no processo da construção do conhecimento dentro do ambiente escolar e com base nos resultados alcançados pela experiência investigativa de aprendizagem ficou confirmado a influência desse recurso tecnológico, quando usado pedagogicamente pelos agentes educativos. Como podemos observar através de tabelas e gráficos, o nível de aprendizagem do grupo de alunos que foi submetido à interação com uma informática educativa e a outros recursos didáticos, além da exposição tradicional de conceitos, apresentou um melhor rendimento na aprendizagem em relação àqueles alunos que, em mesmas condições, foram “treinados” apenas pela aula convencional. O aumento percentual geral no aproveitamento de questões do primeiro grupo de alunos em relação ao segundo foi de 19,21%. O índice apresentado é satisfatório visto as condições limitadas de aplicação da pesquisa. Assim, os resultados obtidos por este estudo bibliográfico e de campo ainda não apresentam um fiel retrato do poder educativo da informática no processo de


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ensino-aprendizagem, visto que alguns fatores podem ter interferido como o pequeno tempo de aplicação da experiência e a forma de avaliação (teste) por ainda seguir modelos tradicionais. No entanto, mesmo com limitações, obtivemos êxito, o qual se estampa nos gráficos comparativos que exibem com clareza as diferenças na aprendizagem quando, somados aos métodos de ensino, estratégias pedagógicas inovadoras. Acreditamos que, a longo prazo, índices maiores que indiquem melhoria de aprendizagem podem ser atingidos mediante um maior detalhamento

dos

recursos

da

informática

aplicados

a

educação,

pois

comprovamos que com uma simples e intensiva pesquisa de campo os resultados já se mostraram positivos. Embora os estudos continuem apontando estatísticas positivas sobre o uso da informática na educação, e a implantação de computadores, aos poucos, se consolide nas escolas, ainda falta muito caminho a ser andado para que ocorra uma efetiva mudança no contexto educacional. Não cansamos de repetir que a simples implantação de computadores na escola não salvará a educação. Como já dissemos, estes são recursos adicionais, e não principais, que podem auxiliar pedagogicamente na aprendizagem dos alunos. É preciso uma renovação na metodologia de ensino para que o aluno deixe de ser um mero receptor passivo de informações e passe a ser atuante, assumindo o papel principal na cena da aprendizagem. É nesse contexto inovador da educação que a informática, com seu aspecto potencial de interatividade, sai do campo da subutilização e permeia com maior naturalidade o campo da construção do conhecimento. Este trabalho vem para somar-se ao grande aparato de obras já existente sobre informática e educação e esperamos que venha a contribuir com futuros estudos sobre o referido tema, fortalecendo cada vez mais o conjunto das novas formas de educar e produzir saber. Sugerimos como seqüência deste trabalho, uma pesquisa aprofundada no campo teórico e prático sobre os efeitos da informática no processo de cognição de crianças a partir de dois anos, período onde a inteligência simbólica começa a se formar, para verificar de que forma os esquemas cognitivos, propostos por Piaget, são alterados pela intermediação da informática. Os alunos com os quais trabalhamos já se encontravam no operatório formal, adequados ao nosso objetivo de extrair conceitos abstratos. O campo da educação tem se mostrado uma teia complexa e dinâmica no processo do ensinar-aprender. Portanto, devemos estar sempre atualizados com as


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novas idéias pedagógicas, os novos estudos sobre educação e as novas formas de ensino-aprendizagem que estão sempre se renovando para se enquadrar a um meio mutável. Diante de um mundo que está em constante transformação, a inércia, principalmente na educação, é uma “escolha” arriscada, pois joga-nos ao risco do obsoleto, da estagnação, do atraso diante uma realidade social e tecnológica que evolui dinamicamente. Precisamos romper as amarras que prendem a educação no passado e que lhe conferem o seu caráter tradicional o qual entra em contrate com uma sociedade que avança tecnologicamente em todos os seus setores.

REFERÊNICIAS BIBLIOGRÁFICAS

BECKER, Fernando. O que é construtivismo? Revista de Educação AEC, Brasília, v. 21, n. 83, p. 7-15, abr./jun. 1992. COX, Kênia Kordel. Informática na Educação Escolar. São Paulo: Autores Associados, 2003. – (Coleção polêmicas de nosso tempo, 87) GENNARI, Emílio. Um breve passeio pela história da educação. Disponível em: < http://www.espacoacademico.com.br/029/29cgennari.htm>. Acesso em: 06 jun. 2006. Ltda, Lexikon Informática. Dicionário Aurélio Eletrônico. Versão 3.0. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. OLIVEIRA, Vera Barros de; Informática em Psicopedagogia. 2. ed. São Paulo: SENAC São Paulo, 1999. TAFNER, Malcon. A construção do conhecimento segundo Piaget. Disponível em: <http://www.cerebromente.org.br/n08/mente/construtivismo/construtivismo.ht>. Acesso em: 30 mai. 2006. VIDAL, Eloísa Maia; MAIA, José Everardo Bessa; SANTOS, Gilberto Lacerda. Educação, Informática e Professores. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002. WADSWORTH, Barry. Como Piaget conceitua desenvolvimento. In: J. Piaget para o Professor de Pré-Escola e 1º Grau. São Paulo: Pioneira, 1984. WIKIPÉDIA, Enciclopédia Livre. A História da Computação. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_computa%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 30 mai. 2006.


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ANEXOS


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ANEXO I – TESTE DE ONDULATÓRIA EXPERIÊNCIA INVESTIGATIVA DE APRENDIZAGEM Dados do Pesquisado Nome completo: __________________________________________ série/turma: ________ Escola: _________________________________________________ turno: ______________ Data da Pesquisa: ______/______/2006

TESTE DE ONDULATÓRIA QUESTÕES OBJETIVAS TEÓRICAS 1. Analise as afirmações a seguir. I. O som é uma onda mecânica, longitudinal, e a luz é uma onda eletromagnética, transversal. II. O som e a luz são ondas mecânicas e propagam-se também no vácuo. III. O som e a luz são ondas eletromagnéticas e necessitam um meio material para se propagar. Pela análise das afirmações, conclui-se que somente a) está correta a I. b) está correta a II. c) está correta a III. d) estão corretas a I e a III. e) estão corretas a II e a III. 2. Com relação às ondas eletromagnéticas e às ondas sonoras, é correto afirmar que ambas a) se propagam no vácuo. b) podem se difratar. c) têm a mesma velocidade de propagação na água. d) são polarizáveis. 3. NÃO é exemplo de onda eletromagnética: a) microondas. b) radiação infravermelha. c) radiação ultravioleta. d) raios x. e) ultra-som. 4. Uma mocinha chamada Clara de Assis deixa cair, lentamente, um pequeno pedaço de cortiça sobre o centro de um vaso cilíndrico, de diâmetro 60 cm, quase completamente cheio de água. Formam-se, então, ondas concêntricas, que se propagam com velocidade de 2 cm/s. Assinale a afirmativa CORRETA. a) a cortiça permanece em repouso b) a cortiça chega à parede do vaso em 15 segundos c) a cortiça chega à parede do vaso em 30 segundos d) a cortiça não se desloca até a parede do vaso


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5. O som é um exemplo de uma onda longitudinal. Uma onda produzida numa corda esticada é um exemplo de uma onda transversal. O que difere ondas mecânicas longitudinais de ondas mecânicas transversais é a) a direção de vibração do meio de propagação. b) a direção de propagação. c) o comprimento de onda. d) a freqüência. 6. O som é uma onda ............ Para se propagar necessita .......... e a altura de um som refere-se à sua ............. a) plana - do ar - intensidade b) mecânica - do meio material - freqüência c) mecânica - do vácuo - freqüência d) transversal - do ar - velocidade e) transversal - do meio material – intensidade

7. Um movimento ondulatório propaga-se para a direita e encontra o obstáculo AB, onde ocorre o fenômeno representado na figura a seguir, que é o de: a) difração. b) difusão. c) dispersão. d) refração. e) polarização. 8. O fenômeno que não pode ser observado nas ondas sonoras (ondas mecânicas longitudinais) é: a) polarização b) reflexão c) refração d) difração e) interferência 9. Um conta gotas situado a uma certa altura acima da superfície de um lago deixa cair sobre ele uma gota d’água a cada três segundos. Se as gotas passarem a cair na razão de uma gota a cada dois segundos, as ondas produzidas na água terão menor: a) amplitude b) comprimento de onda c) freqüência d) timbre e) velocidade 10. Essa figura mostra parte de duas ondas, I e II, que se propagam na superfície da água de dois reservatórios idênticos. Com base nessa figura é correto afirmar que: a) A freqüência da onda I é menor do que o da onda II, e o comprimento de onda de I é maior do que o de II. b) As duas onda têm a mesma amplitudes, mas a freqüência da onda I é menor do que o da onda II. c) As duas onda têm a mesma freqüência, e o comprimento de onda é maior na onda I do que na onda II. d) Os valores da amplitude e do comprimento de onda são maiores na onda I do que na onda II. e) Os valores da freqüência e do comprimento de onda são maiores na onda I do que na onda II. 11. Uma bóia encontra-se no meio de uma piscina. Uma pessoa provoca ondas na água, tentando deslocar a bóia para a borda. A chegada da bóia à borda da piscina: a) jamais ocorrerá. b) depende da freqüência da onda c) depende da amplitude da onda d) depende da densidade da água e) depende da razão freqüência/amplitude da onda 12. Um garoto arremessa uma pedra nas águas de um lago tranqüilo e observa que foram geradas ondas circulares. Conclui, acertadamente que: a) as ondas transportam matéria


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b) c) d)

as ondas transportam energia. a velocidade de propagação das ondas independe da direção. a velocidade de propagação das ondas depende da profundidade do lago.

13. Para ondas que têm a mesma velocidade de propagação em um dado meio, são inversamente proporcionais : a) sua intensidade e sua amplitude. b) seu período e seu comprimento de onda. c) sua freqüência e seu comprimento de onda. d) seu período e sua amplitude. e) sua freqüência e sua amplitude.

14. Na figura ao lado, dois pulsos idênticos são produzidos em uma corda com uma de suas extremidades presa à parede. O sentido inicial de cada pulso está indicado na figura. Quando o dois se encontrarem teremos uma: a) refração. b) Interferência construtiva. c) reflexão. d) Interferência destrutiva. e) polarização. 15. Analise as afirmativa a seguir: I. O fenômeno pelo qual uma onda não forma uma sombra com limites precisos, quando contorna uma barreira que a bloqueia parcialmente, é chamado de difração. II. As ondas sonoras são exemplos de ondas longitudinais, e as ondas eletromagnéticas são exemplos de ondas transversais. III. Uma onda de freqüência 50 Hz e comprimento de onda 20 cm está se movendo à velocidade de 10 m/s. Marque a opção CORRETA a) se apenas as afirmativas I e II forem falsas b) se apenas as afirmativas II e III forem falsas c) se apenas as afirmativas I e III forem falsas d) se todas forem verdadeiras e) se todas forem falsas 16. O som é um exemplo de uma onda longitudinal. Uma onda produzida numa corda esticada é um exemplo de uma onda transversal. O que difere ondas mecânicas longitudinais de ondas mecânicas transversais é a) a freqüência. b) a direção de vibração do meio de propagação. c) o comprimento de onda. d) a velocidade de propagação. 17. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto a seguir. “As emissoras de rádio emitem ondas ........... que são sintonizadas pelo radioreceptor. No processo de transmissão, essas ondas devem sofrer modulação. A sigla FM adotada por certas emissoras de rádio significa .......... modulada.” a) eletromagnéticas - freqüência b) eletromagnéticas - fase c) sonoras - faixa d) sonoras - fase e) sonoras - freqüência 18. A propagação de ondas envolve, necessariamente: a) transporte de energia. b) transformação de energia. c) produção de energia. d) movimento de matéria. e) transporte de matéria e energia.


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19. Nos modernos filmes de ficção científica é muito comum observarmos naves espaciais que, durante combates em pleno espaço interplanetário (onde reina o vácuo), disparam uma contras as outras, produzindo estrondos emocionante. Aponte a alternativa correta: a) os estrondos referidos condizem com a realidade, pois o som se propaga no vácuo. b) os estrondos referidos não condizem com a realidade, pois o som não se propaga no vácuo. c) os estrondos referidos, na realidade, são mais fortes que aqueles exibidos no cinema. d) os estrondos referidos são, na realidade, decorrentes da explosão de raios Laser. 20. A distância entre a crista e o nível de equilíbrio de uma onda é denominada: a) freqüência da onda. b) amplitude da onda. c) difração da onda. d) comprimento de onda.

QUESTÕES OBJETIVAS COM CÁLCULOS 21. Qual a freqüência do som, em Hz, cuja onda tem 2,0 m de comprimento de onda e se propaga com uma velocidade de 340m/s? a) 340 Hz b) 680 Hz c) 170Hz d) 510 Hz e) 100Hz 22. Se numa corda, a distância entre dois vales consecutivos é 30 cm e a freqüência é 6,0 Hz, a velocidade de propagação da onda na corda é a) 0,6 m/s b) 1,0 m/s c) 1,2 m/s d) 2,0 m/s e) 3,6 m/s 23. Uma rolha flutua na superfície da água de um lago. Uma onda passa pela rolha e executa, então, um movimento de sobe e desce, conforme mostra a figura. O tempo que a rolha leva para ir do ponto mais alto ao ponto mais baixo do seu movimento é de 2 segundos. O período do movimento da rolha é: a) 0,5 s b) 1,0 s c) 2,0 s d) 4,0 s 24. Na figura está representado, em um determinado instante, o perfil de uma corda por onde se propaga uma onda senoidal. Sabe-se que a freqüência de propagação da onda é de 1,5 hertz. O comprimento de onda e a velocidade de propagação da onda na corda são, respectivamente: a) 6 cm e 18 cm/s b) 12 cm e 18 cm/s c) 12 cm e 8 cm/s d) 4 cm e 8 cm/s 25. Uma onda é estabelecida numa corda, fazendoponto A oscilar com uma freqüência igual a 1 x 103 conforme a figura. Considere as afirmativas: I - Pela figura ao comprimento de onda é 5 cm. II - O período da onda é 1 x 10-3 segundos.

se o Hertz,


60

III - A velocidade de propagação da onda é de 1 x 103 m/s. São corretas: a) I e II b) I e III c) II e III d) I, II e III 26. Na figura adiante, representamos graficamente uma onda mecânica de 1 kHz que propaga no ar. Com relação a essa onda é correto afirmar que: a) o comprimento de onda é 0,85 m. b) o comprimento de onda é 0,17 m. c) a amplitude é 0,85 m. d) a amplitude é 0,17 m. e) a velocidade de propagação da onda é 340 m/s.

se

27. Uma corda com 2m de comprimento é tracionada de ambos os lados. Quando ela é excitada por uma fonte de 60Hz observa-se uma onda estacionária com 6 nós. Neste caso, qual é a velocidade de propagação da onda na corda? a) 60m/s b) 100m/s c) 120m/s d) 48m/s e) 50m/s 28. Uma onda se propaga em uma corda, conforme figura ao lado. Com base nos dados apresentados, conclui-se que a freqüência dessa onda é: a) 2 Hz b) 3 Hz c) 6 Hz d) 9 Hz e) 12 Hz

QUESTÕES SUBJETIVAS 29. Defina com suas palavras o que é uma onda. _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________ 30. Escreva em, no mínimo, cinco linhas o que você aprendeu sobre ondulatória. _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________

GABARITO 1 A B C D E

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

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