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e xempl ares

T i r ag e m

Fotos Rita barreto

Revista de Turismo da Bahia Outubro 2008 - ano 1 /no 9 - Bahia Brasil

Patrimônio cultural

E assim adormece esse homem, que

Arquivo da Família

Edição em PortuguÊs

Distribuição

Gratuita

Símbolo de resistência, Capoeira é tombada

nunca precisa dormir pra sonhar. Porque não há sonho mais lindo do que sua terra, não há

(João Valentão)

Barroco baiano Iniciado em Minas o movimento ganhou destaque na Bahia, onde pode ser apreciado na

Aventura

capital e no

Belezas naturais

Recôncavo

e topografia possibilitam a prática de Rapel em várias regiões do estado

Encantado Caymmi Aos 94 anos, a voz da Bahia se calou, mas suas canções ficarão para sempre no coração de todos os baianos

Viver Bahia | 1


2 | Viver Bahia


Viver Bahia | 3


Dandalunda

4 | Viver Bahia


Dandalunda Composição: Carlinhos Brown Refrão Extraído do Domínio Público

E

mbora a cultura nagô-iorubá tenha predominado

Bem pertinho da entrada do gueto


na Bahia, muitos são os terreiros e os seguidores

Um terreiro de Angola e Ketu


do candomblé de Angola, sobretudo, na capital

Mãe maiamba que comanda o centro


e no Recôncavo baiano. Os povos bantu, assim como os

Dona Oxúm dançando Oxóssi no tempo


yorubás, acreditam num Deus supremo. Para a maioria

Lá em cima no tamarineiro


das etnias africanas, Ele é caracterizado como um grande

Marinha da pipoca ajoelha


rei, que está muito acima de seus súditos, e, justamente

Em janeiro, no dia primeiro


por isso, encarrega alguns dos seus homens de confiança

Desce o dono do terreiro


de tomar conta do reino. O mesmo sucede com Deus, que criou o mundo e entregou o seu governo aos espíritos

Coquê



(nkisi, ankixi).

Dandalunda, maimbanda, coquê (4X)


As 25 divindades cultuadas pelos angolanos assemelham-se aos arquétipos dos orixás yorubanos, como

Seu zumbi é santo sim que eu sei


é o caso de Ndanda Lunda ou Dandalunda / Kissimbi,

Caxixi, agdavi, capoeira


divindade da água doce que atua no desabrochar das raízes

Casa de batuque e toque na mesa


das plantas aquáticas. Esta divindade sempre causou uma

Linda santa Iansã da pureza


polêmica, porque uma boa parte dos estudiosos a associa

Vira fogo, atraca, atraca, se chegue


a Yemanjá, do ritual ketu, enquanto a maioria dos pais/

Vi Nanã dentro da mata do jejê


mães-de-santo a reconhecem em Oxum. O certo, porém, é

Brasa acesa na pisada do frevo


que Dandalunda é uma divindade das águas doces, como

Arrepia o corpo inteiro


a Oxum do candomblé de ketu. Seus filhos a saúdam:

Mametu Maza Muzenza – “Kissimbi E! Oh, Mãe da água

Coquê dandalunda maimbanda,


doce – Kissimbi Ê!

Coquê

Em 2003, o Brasil inteiro se rendeu a Dandalunda,

através da música homônima de Carlinhos Brown, eleita a

Dandalunda


melhor do Carnaval de Salvador, graças à interpretação da

Paira na beira


cantora Margareth Menezes. No entanto, pouca gente sabe

Dandalunda


o significado da canção. Segundo Brown, trata-se de uma

Da cachoeira


homenagem à Mãe Maiamba, uma filha de Oxum, mãe-

Dandalunda


de-santo do Terreiro Mutuiçara, um terreiro de Angola e

Paz e água fresca


Ketu, localizado no bairro do Candeal, presença viva dos

Dandalunda


angolanos, que dedicou sua vida ao candomblé.

Doura dendê

Viver Bahia | 5


Carta da Redação Turismo de aventura, roteiros étnico, religioso e cultural, sol, praia e sertão. Toda a diversidade turística da Bahia encontrase contemplada nesta edição da Revista Viver Bahia. Das opções para a prática de rapel em várias regiões do estado, ao refinado e exuberante circuito do ouro barroco de Salvador e outras cidades do Recôncavo baiano, incluindo o direito de mergulhar no mar de Abrolhos, Caravelas, e as novidades dos serviços turísticos recentemente inaugurados. Entretanto, não poderíamos deixar de registrar a perda de um dos maiores artistas brasileiros. Aos 94 anos, o baiano, Dorival Caymmi, partiu. A

essa altura, certamente, está por aí, encantando os deuses com sua música, sua prosa suave e toda aquela sua meiguice brejeira. Nesta edição, portanto, a Viver Bahia não poderia fazer diferente. Em nome de todos os baianos, rendemos homenagens e agradecemos àquele que foi um dos artífices da alma da Bahia, àquele que tão especialmente cantou e deu distinção e visibilidade internacional à nossa cultura, à nossa gente e às belezas naturais da nossa terra. Obrigada, Caymmi. A Bahia, penhoradamente, lhe agradece.

Revista de Turismo da Bahia Viver Bahia - Revista Oficial do Turismo da Bahia Ano 2 - número 9 - Set / Out 2008 Uma publicação da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia e da Bahiatursa. Av. Tancredo Neves, Desenbahia Bl-A, Caminho das Árvores, CEP 41.820-904 - Salvador, Bahia, Brasil Ascom: 55 71 3116-4151 Portal: www.bahia.com.br E-mail: comunicacao@setur.ba.gov.br Conselho Editorial: Domingos Leonelli, Emília Silva, Robinson Almeida, Pedro Costa, Hélio Márcio da Silva Carneiro e Clarissa Amaral Redação: Assessorias de Comunicação - Setur e Bahiatursa Jornalista Responsável: Clarissa Amaral – DRT/ BA 956 - clarissa@setur.ba.gov.br Textos: Acácia Martins, Bruna Santana, Carmen Correa, Clarissa Amaral, Iana Landim Zanatta, Juliana Drummond e Pedro Rúbio Estagiárias: Adriana Barbosa e Fernanda Gama Fotógrafos: Jota Freitas e Rita Barreto

Clarissa Amaral Editora da Viver Bahia

Revisão: Tânia Feitosa Capa (foto): Dorival Caymmi, gentilmente cedida pela família Caymmi Editoração Eletrônica: Sergio Fujiwara e Virginia Yoemi Fujiwara Fotolito e Impressão: Empresa Gráfica da Bahia

* @

(Egba). Rua Melo Moraes Filho,189 - Fazenda

Carta do leitor Escreva, mande e-mail com sugestões de pautas, dicas, dúvidas, críticas e sugestões.

/ 2903 Geral (71) 3116-2800/ 2820 | www.egba.

comunicacao@setur.ba.gov.br

Parabéns pela excelente publicação. As belezas da terra bem que merecem ser divulgadas numa revista de primeira como a Viver Bahia. Regina Leite Salvador - BA

ba.gov.br | e-mail:egba@egba.ba.gov.br vocês. Bom conteúdo, fotos belíssimas e um guia seguro e diversificado para as minhas andanças. Parabéns, equipe. Saulo Prado São Paulo - SP

Esta revista é definitivamente Sou de São Paulo, “turistando” por Salvador e encantado com a revista de 6 | Viver Bahia

Grande do Retiro 40352-000 FAX (71) 3116-2901

um ótimo guia para os turistas e também para quem quer conhecer de fato o que é que

a Bahia tem. Gostei muito da última entrevista. Celeste Azevedo Salvador - BA

Seria interessante poder acessar a Viver Bahia pela Internet. Fica a sugestão. Augusto Britto Florianópolis - SC

Viver Bahia é um título de propriedade da Empresa de Turismo da Bahia S. A. – Bahiatursa, Governo da Bahia.


Índice 8 16 20 24 30 34 40 44 46 52 60

Estrela Caymmi

62 64 65 66 68 70

Serviço oferece informações por telefone

Capoeira é patrimônio cultural Litoral Norte: Empreendimento aposta no potencial Circuito do Ouro Entrevista: Mateus Aleluia Rapel movimenta turismo de aventura O discreto charme de Caravelas Monte Santo: a Via Crucis do Sertão Revolta dos Malês Enoturismo Comida de Boteco

Bahia é destaque no Brazillian Day Vôos diários ligam Salvador-Miami Cozinha Baiana Almanaque da Bahia Agende-se – programação cultural Viver Bahia | 7


Especial

Arquivo | AgĂŞncia A Tarde

O terno sorriso do cancionista da Bahia

Aos 94 anos, o cancionista e artĂ­fice da alma da Bahia partiu, deixando sua marca nos quatro cantos do Brasil 8 | Viver Bahia


Estrela Caymmi Edson Ruiz | Agência A Tarde | 10.08.2006

C

onsiderado um dos maiores compositores da música popular brasileira, Dorival Caymmi morreu em 16 de agosto, no Rio de Janeiro, onde morava há mais de 20 anos. Gravou poucos discos nos seus 60 anos de carreira, mas as versões de suas músicas se multiplicaram em quantidade incalculável na voz de outros intérpretes. Poucos conseguiram compor tantas obras-primas. Com sua obra concisa e rigorosamente autêntica, ajudou a esculpir a identidade da Bahia. Junto com Jorge Amado é responsável, em grande parte, pela imagem que se tem hoje da Bahia e do Brasil. Caymmi nasceu com o dom do cancionista popular e conseguiu ser, ao mesmo tempo, extremamente original e simples, o que faz suas músicas parecerem de domínio público. Sua marca registrada são as canções praieiras e os sambas-canção. Muitas delas são hoje clássicos que moram na memória coletiva e ajudaram a construir a alma, a essência do povo baiano e das belezas naturais do seu estado natal. Cantou e contou a paisagem baiana em diferentes ritmos. Mas encantou a todos pelo diferencial de colocar o homem como parte integrante da natureza, em sua real dimensão, sem domínio, superioridade ou controle sobre ela. Seus vínculos com a Bahia eram tão fortes e autênticos que através de músicas como O que é que a baiana tem, A preta do acarajé e Você já foi à Bahia? transformou a portuguesa Carmem Miranda numa verdadeira baiana. O ritmo cadenciado de canções como O mar e É doce morrer no mar nos transporta diretamente para o balanço das ondas, para além do plausível, imaginando a doçura de morrer no mar. A sua extrema reverência pela natureza nos ensina a respeitar o ritmo natural da vida e nos remete a um cenário muito próximo do real. Qual visitante chegou a Itapuã e olhando os coqueiros balançarem não ouviu a voz grave de Dorival a exaltar: Coqueiro de Itapuã, coqueiro..? Em pouco mais de 100 canções, seu estilo

No TCA, recebe a última homenagem da Bahia

inimitável de compor e cantar influenciou várias gerações de músicos brasileiros. As canções que o celebrizaram continuam a ser gravadas por antigos e novos artistas. Algumas das mais marcantes são A lenda do Abaeté, Promessa de pescador, É doce morrer no mar, Marina, Não tem solução, João Valentão, Maracangalha, Saudade de Itapuã, Doralice, Samba da minha terra, Lá vem a baiana, Suíte dos pescadores, Sábado em Copacabana, Nem eu, Nunca mais, Saudades da Bahia, Dora, Oração pra Mãe Menininha, Rosa morena, Eu não tenho onde morar, Das rosas. Em 60 anos de carreira, Dorival Caymmi gravou apenas 20 discos, compensados pelo número impressionante de obras-primas. Jovem, e ao mesmo tempo ancestral, sua obra continua e continuará por muitos e muitos anos a produzir em nós o mesmo efeito das estrelas do céu: perplexidade, contemplação e reverência.

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Com o seu violão, Caymmi cantou as belezas e os mistérios do mar 10 | Viver Bahia


Arquivo | Agência A Tarde

Especial

Sob o signo de Touro Nascido em 30 de abril de 1914, sob o signo de Touro, Dorival Caymmi veio de uma família de classe média. O pai, Durval Caymmi, era funcionário público e tocava violão, bandolim e piano. Aos seis anos, Dorival começou a freqüentar a Escola de Belas Artes, no Colégio de Dona Adalgisa. Estudou depois no Colégio Batista e, em 1926, concluiu o curso primário no Colégio Olímpio Cruz, todos em Salvador. No ano seguinte entrou para o então ginásio, mas abandonou a escola para trabalhar no jornal O Imparcial. Quando o jornal fechou, em 1929, ele teve que trabalhar como vendedor. Em 1933, Caymmi começou a compor marchinhas e toadas, como No sertão, sua primeira composição. Em 1934, ele começou a ter aulas de violão com seu pai e com seu tio Cici. Em 1935, passou num concurso para escrivão da coletoria estadual, cargo para o qual nunca foi nomeado. Nesse mesmo ano, começou a cantar. Dois anos mais tarde, resolveu tentar a vida no Rio de Janeiro, viajando num ita, um pequeno navio de passageiros. Ele queria estudar jornalismo e trabalhar com desenho na capital da República. Chegou a publicar seus desenhos na revista O Cruzeiro. Mas um amigo o apresentou ao diretor da Rádio Tupi, Teófilo de Barros Filho, que gostou da sua voz grave e resolveu contratá-lo. Em 1939, conheceu num programa de calouros na Rádio Nacional sua futura mulher, Adelaide Tostes, cujo nome artístico era Stella Maris, atualmente nome de um bairro do litoral de Salvador, próximo de Itapuã. Casaram em 1940 e tiveram três filhos: Dinair (Nana), nascida em 1941, Dorival (Dori), nascido em 1943, e Danilo Cândido, nascido em 1948. Todos músicos. Caymmi era Obá de Xangô, do Terreiro do Gantois. Viver Bahia | 11


Especial

A obra de Dorival Caymmi, como a de Jorge Amado, reúne um imenso arsenal simbólico sobre as belezas naturais da Bahia e a natureza do povo baiano. Trata-se, na verdade, da matriz simbólica que originou um conjunto de ícones sobre a Bahia e a cultura baiana e se reproduziu em outras representações, que hoje permeiam o universo imaginário da celebrada cultura da Bahia. Do cenário cultural idealizado por Caymmi e Jorge Amado é que resultam expressões artísticas como o Cinema Novo e a Tropicália. Segundo a antropóloga baiana Goli Guerreiro, autora do texto A cidade imaginada: Salvador sob o olhar do turismo, a partir dos anos 1960, a produção cultural dos artistas baianos, recheada de referências ao candomblé e à mestiçagem, ocupou uma importante posição no imaginário nacional e incidiu decisivamente no incremento do turismo no estado. A Bahia passou a ser vista como “fonte mítica encantada”, como observa a antropóloga. Nesse contexto, a Bahia oferecia o exotismo de uma religião, ancorada na tradição de povos africanos, que desafiava a racionalidade ocidental. A invenção dessa religiosidade mestiça foi fonte de inspiração para artistas plásticos como Carybé, Calazans Neto, Mário Cravo e Carlos Bastos que também ajudaram a legitimar o diferencial da cultura baiana. Não foi por acaso que o fotógrafo e etnólogo francês, Pierre Verger, decidiu vir para a Bahia, depois de ler o livro Jubiabá, de Jorge Amado. Para Goli Guerreiro, no entanto, embora a 12 | Viver Bahia

Arlindo Felix | Arquivo AgÊncia A Tarde

Caymmi, Jorge Amado e a invenção da Bahia

Caymmi (D) e Jorge Amado: os construtores da Bahia

literatura, sobretudo a narrativa de Jorge Amado, tenha tido uma expressão privilegiada na construção da imagem da capital baiana, foi no campo da produção musical que a imagem da Bahia se reproduziu com mais vigor no imaginário nacional. Para a autora, não é necessário mencionar o papel de Dorival Caymmi, entre outros nomes importantes da música popular brasileira, para a idealização da Bahia – suas entrevistas, atitudes e canções são peças fundamentais do processo. O secretário do Turismo Domingos Leonelli compartilha do mesmo ponto de vista. Para ele, a Bahia é um produto lítero-musical, fruto da literatura de Jorge Amado e da música de Caymmi, com a ajuda providencial de Ary Barroso que, em 1935, deu visibilidade às características peculiares da Bahia, através da música Na Baixa do Sapateiro.


mília Fotos arquivo/fa

Com o filho Danilo ao som do violão

No início da carre ira, o sucesso no rádio

os Nana e Dori Com a mulher e os filh

Acompanhando a mulher Stela Maris, que era cantora

A seresta com o amigo Vinícius de Moraes

a fresca ra e águ b m o s , z Itapuã Pa ueiro de num coq

Encantando os “animais” no início da carreira

Paulo Lorgus/Arquivo Ag. A Tarde

Viver Bahia | 13


Especial

Um roteiro poético e musical Da Bahia para o mundo, os encantos da boa terra na voz de Caymmi

Coqueiro de Itapuã

A Lenda do Abaeté

Coqueiro de Itapuã, coqueiro Areia de Itapuã, areia Morena de Itapuã, morena Saudade de Itapuã me deixa Oh vento que faz cantiga nas folhas No alto dos coqueirais Oh vento que ondula as águas Eu nunca tive saudade igual Me traga boas notícias daquela terra, toda manhã E joga uma flor no colo de uma morena de Itapuã Coqueiro de Itapuã, coqueiro Areia de Itapuã, areia Morena de Itapuã, morena Saudade de Itapuã me deixa

No Abaeté tem uma lagoa escura Arrodeada de areia branca Ô de areia branca Ô de areia branca De manhã cedo Se uma lavadeira Vai lavar roupa no Abaeté Vai se benzendo Porque diz que ouve Ouve a zoada do batucajé O pescador Deixa que seu filhinho Tome jangada Faça o que quisé Mas dá pancada se o seu filhinho brinca Perto da Lagoa do Abaeté Do Abaeté A noite tá que é um dia Diz alguém olhando a lua Pela praia as criancinhas Brincam à luz do luar O luar prateia tudo Coqueiral, areia e mar A gente imagina quanta a lagoa linda é A lua se enamorando Nas águas do Abaeté Credo, Cruz, Te desconjuro Quem falou de Abaeté No Abaeté tem uma lagoa escura

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É doce morrer no mar Nas ondas verdes do mar É doce morrer no mar Nas ondas verdes do mar A noite que ele não veio foi Foi de tristeza prá mim Saveiro voltou sozinho Triste noite foi prá mim É doce morrer... Saveiro partiu de noite foi Madrugada não voltou O marinheiro bonito Sereia do mar levou É doce morrer... Nas ondas verdes do mar Ele se foi afogar Fez sua cama de noivo No colo de Iemanjá É doce morrer...

Jota Freitas/Bahiatursa

Rita Barreto

É doce morrer no mar


Dia dois de fevereiro Dia de festa no mar Eu quero ser o primeiro A saudar Iemanjá Dia dois de fevereiro Dia de festa no mar Eu quero ser o primeiro A saudar Iemanjá Escrevi um bilhete a ela Pedindo pra ela me ajudar Ela então me respondeu Que eu tivesse paciência de esperar O presente que eu mandei pra ela De cravos e rosas vingou Chegou, chegou, chegou Afinal que o dia dela chegou Chegou, chegou, chegou Afinal que o dia dela chegou

O que é que a baiana tem? Que é que a baiana tem? Tem torço de seda, tem! Tem brincos de ouro, tem! Corrente de ouro, tem! Tem pano-da-Costa, tem! Tem bata rendada, tem! Pulseira de ouro, tem! Tem saia engomada, tem! Sandália enfeitada, tem! Tem graça como ninguém Como ela requebra bem! Quando você se requebrar Caia por cima de mim Caia por cima de mim Caia por cima de mim O que é que a baiana tem? Que é que a baiana tem? Tem torço de seda, tem! Tem brincos de ouro, tem! Corrente de ouro, tem! Tem pano-da-Costa, tem! Tem bata rendada, tem! Pulseira de ouro, tem! Tem saia engomada, tem! Sandália enfeitada, tem! Só vai no Bonfim quem tem O que é que a baiana tem? Só vai no Bonfim quem tem Um rosário de ouro, uma bolota assim Quem não tem balangandãs não vai no Bonfim Um rosário de ouro, uma bolota assim Quem não tem balangandãs não vai no Bonfim Oi, não vai no Bonfim Oi, não vai no Bonfim

Ai, ai que saudade eu tenho da Bahia Ai, se eu escutasse o que mamãe dizia “Bem, não vá deixar a sua mãe aflita A gente faz o que o coração dita Mas esse mundo é feito de maldade e ilusão” Ai, se eu escutasse hoje não sofria Ai, esta saudade dentro do meu peito Ai, se ter saudade é ter algum defeito Eu pelo menos, mereço o direito De ter alguém com quem eu possa me confessar Ponha-se no meu lugar E veja como sofre um homem infeliz Que teve que desabafar Dizendo a todo mundo o que ninguém diz Vejam que situação E vejam como sofre um pobre coração Pobre de quem acredita Na glória e no dinheiro para ser feliz

Jota Freitas/BahiaTursa

Rita Barreto

O que é que a baiana tem?

Rita Barreto

Dia dois de fevereiro

Saudades da Bahia

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Reconhecimento

Capoeira é patr Proibida por décadas, dança-luta herdada dos africanos ganha reconhecimento nacional

V

encidas as perseguições e superados os preconceitos do passado, a capoeira deu a volta por cima, legitimando-se, ao longo dos anos, como um dos principais símbolos da cultura brasileira. Em julho deste ano, porém, a dança recebeu merecido reconhecimento público, ao ser elevada à condição de Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira, o 14º bem cultural registrado no Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Iphan) e Ministério da Cultura (MinC), que 16 | Viver Bahia

também incluíram o ofício dos mestres da capoeira no Livro dos Saberes, e, da roda de capoeira, no Livro das Formas de Expressão. A capoeira chegou ao Brasil no século XVI, com os escravos da etnia banto, que vieram da África com os seus costumes, religiões, trajes e idiomas. Aqui, camuflada em dança, por causa das perseguições policiais que sofreu até as primeiras décadas do século XX, a luta virou arte, incorporando músicas e instrumentos, como o berimbau, pandeiro e caxixi.


imônio cultural

Jota Freitas

Cultura e lazer: roda de capoeira em frente ao Farol da Barra

Com título de Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira, a capoeira vai receber uma série de benefícios do MinC. O primeiro deles é a criação de um Centro Nacional de Referência da Capoeira, que contará com um programa de incentivo à prática no mundo todo. O rol de medidas inclui também a

preservação da biriba, madeira utilizada na fabricação do berimbau, que passará a contar com plano de manejo. Para os capoeiristas, a novidade fica por conta da instituição de um Plano de Previdência Especial, que beneficiará velhos mestres da capoeira. Viver Bahia | 17


História, cenário e tradição Diferente do que muitos imaginam os negros não aceitaram pacificamente o cativeiro. A história está repleta de exemplos, como a Revolta dos Malês e das várias rebeliões registradas ao longo do século XIX, principalmente na Bahia. A capoeira é um dos símbolos da resistência do povo africano. A luta tem suas raízes na cultura, que trouxeram para o Brasil, os escravos de origem banto, que habitavam a região da África Austral, hoje Angola. Desenvolvida e aperfeiçoada como forma de defesa nos quilombos - comunidades organizadas pelos negros fugitivos, em locais de difícil acesso-, a capoeira foi sendo ensinada aos cativos pelos escravos fugidos que eram capturados e retornavam aos engenhos. Como os senhores de engenho proibiam os escravos de praticar qualquer tipo de luta, os movimentos da capoeira foram adaptados com cânticos e músicas africanas para ser confundida com uma dança. Como o candomblé, que era cercado de mistérios, a capoeira se constituiu numa forma de resistência cultural e física dos escravos brasileiros. A prática da capoeira ocorria em terreiros próximos às senzalas e tinha como funções principais a manutenção da cultura e da saúde física, além de alívio do estresse do trabalho. Muitas vezes, as lutas ocorriam em campos com pequenos arbustos, chamados na época de capoeira ou capoeirão. Por isso, a luta recebeu este nome.. Do campo para a cidade, a luta ganhou a malícia dos chamados “negros de ganho” e dos freqüentadores da zona

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fOTOS Rita Barreto

Reconhecimento

Na roda de capoeira, vale tudo: Cabeçada, Rasteira, Rabo de Arraia,...

portuária. Em Salvador, capoeiristas organizados em bandos provocavam arruaças nas festas populares e reforçavam o temor das autoridades da época. Até 1930, a prática da capoeira foi proibida no Brasil. A polícia recebia orientações para prender os capoeiristas que praticavam a luta. Nesse ano, um dos mais importantes capoeiristas brasileiros, mestre Bimba, apresentou ao então presidente Getúlio Vargas, uma variação mais ligth da luta. O presidente gostou tanto que a transformou em esporte nacional brasileiro. De lá para cá a capoeira Angola aperfeiçoou-se na Bahia mantendo fidelidade às tradições, graças principalmente ao Mestre Pastinha, que jogou capoeira até os 79 anos, formando gerações inteiras de capoeiristas de Angola.

Os pequenos golpes da capoeira podem atingir uma harmoniosa complexidade a partir das suas variações


...Chapa de Frente, Chapa de Costas, Meia Lua e Cutilada de Mão

A violência de golpes não deixa espaço para meio termo

As luta e suas variações A violência dos golpes da capoeira não deixa espaço para meio termo: ou luta-se capoeira de verdade ou apenas simula-se um jogo. Os mais puristas não admitem a possibilidade de enquadrála em regras esportivas. Para eles, quem assim o faz está sendo leviano ou não conhece de fato a arte da capoeira. Para outros, no entanto, o jogo deve evoluir, como todas as artes marciais. A capoeira Angola, a mais tradicional, tem um número pequeno de golpes. Mas estes podem atingir uma harmoniosa complexidade, através de suas variações. Assim como a música, que conta sete notas, a capoeira tem diversas variações apoiadas em sete golpes principais: Cabeçada, Rasteira, Rabo de Arraia, Chapa de Frente, Chapa de Costas, Meia Lua e Cutilada de Mão. A capoeira é a única modalidade de luta marcial que se faz acompanhada por instrumentos musicais. No início, esse acompanhamento era feito apenas com palmas e toques de tambores. Posteriormente, foi introduzido o berimbau, instrumento composto de uma haste tensionada por um arame, tendo por caixa de ressonância uma cabaça cortada. O som é obtido percutindo-se uma haste no arame; pode-se variar o som abafando-se o som da cabaça e (ou) encostando uma moeda de cobre no arame; complementa o instrumento o caxixi, uma cestinha de vime com sementes secas no seu interior. O berimbau era um

Ao som de atabaques e do berimbau, a capoeira envolve crianças e adultos num mesmo gingado

instrumento usado inicialmente por vendedores ambulantes para atrair fregueses, mas tornou-se instrumento símbolo da capoeira, por conduzir o jogo com o seu timbre peculiar. Os ritmos são em compasso binário e os andamentos - lento, moderado e rápido - são indicados pelos toques do berimbau. Entre os mais conhecidos estão o São Bento Grande, o São Bento Pequeno (mais rápido), Angola, Santa Maria, o toque de Cavalaria (que servia para avisar a chegada da polícia), o Amazonas e o Iuna. Numa roda de angoleiros o conjunto rítmico completo é composto por três berimbaus (um grave - Gunga; um médio e um agudo - Viola); dois pandeiros; um reco-reco; um agogô e um atabaque. A parte musical tem ainda ladainhas que são cantadas e repetidas em coro por todos na roda. Um bom capoeirista tem obrigação de saber tocar e cantar os temas da capoeira. Viver Bahia | 19


Litoral Norte

Empreendimento apos

Projeto a ser instalado na Bahia envolve a comunidade local e vai gerar cerca de 6.500 empregos

O

governo da Bahia e a Prima Empreendimentos Inovadores S.A assinaram, em setembro, um protocolo de intenções para a implantação do Plano Grande Baixio, um enorme projeto turístico no litoral norte da Bahia – no distrito de Baixio, município de Esplanada – que prevê investimento total de R$ 13,6 bilhões ao longo dos próximos 40 anos. “A primeira parte do projeto demandará recursos de R$ 350 milhões, no período de 2009 a 2017. Serão gerados 1.500 novos empregos diretos, além de mais 5 mil indiretos na área de construção e nos serviços complementares previstos no complexo hoteleiro no mesmo período. Alguns dos pontos fortes do projeto – que foi negociado pela Setur durante mais de um ano – são os aspectos sociais, econômicos e ambientais para que seja um exemplo de sustentabilidade turística”, informa o secretário de Turismo Domingos Leonelli. Ali também será implantado um centro de qualificação profissional do Litoral Norte, cuja construção será iniciada ainda este ano pela Setur. Segundo o secretário, a empresa já iniciou na área social ações de qualificação de condutores turísticos

Área com 14 km de praia Numa área de 6,3 mil hectares, com aproximadamente 14 km de praia, o projeto prevê a implantação de empreendimentos hoteleiros, residências turísticas e de serviços, três campos de golfe, áreas de serviços e lazer à beira-mar, e áreas comerciais, esporte e lazer, cultura e entretenimento. 20 | Viver Bahia


ta na sustentabilidade com pessoas da comunidade local, e vai implantar, dentro da área do empreendimento, projetos sociais ligados à produção associada ao turismo, a exemplo de agronegócios, artesanato e pequenas indústrias – além da contribuição da própria Prima. O diretor geral do grupo Prima, Érico Mendonça, explica que o projeto será implantado ao longo de 40 anos. Em outubro, a empresa entrará com o pedido de licenciamento junto ao Instituto do Meio Ambiente (IMA), para a implantação do primeiro empreendimento, situado na foz do Rio Inhambupe, ao lado do povoado de Baixio. De acordo com Mendonça, o prazo estimado para a liberação total pelos órgãos ambientais é de um ano. “Tão logo isso aconteça, iniciaremos

imediatamente a construção do primeiro hotel, que será de pequeno/médio porte, mas de alto luxo”, garante o diretor da Prima. Na segunda fase, estão previstos a instalação de um segundo hotel com spa, numa área localizada mais ao Sul, além de três campos de golfe e outros empreendimentos.

Plano visa a novo modelo turístico Na primeira etapa será implantado o projeto Lagoa Azul, na ponta do Rio Inhambupe, com valor estimado em R$ 350 milhões. Na segunda, será viabilizado um empreendimento denominado Lagoa de Panela, seguido por A Foz (Mamucabo). A quarta etapa prevê a implantação do projeto Lagoa Pau de Gancho (Lagoa Verde). Os acionistas da empresa são os grupos empresariais espanhóis PADAS Grup Imobiliari – setor imobiliário e turístico; Grupo ASESA – montagens industriais; GrupACE – setor imobiliário; SEDATEX – setor têxtil; Grupo NUTREXPA – setor de alimentação; e ORDESA – setor de alimentação; Hotelera Las Lomas – setor hoteleiro. Já o acionista brasileiro é o LA STAMPA – do setor confecções, que possui várias lojas no país. O executivo Érico Mendonça é o diretor geral do grupo Prima.

O Plano Grande Baixio tem o objetivo de implantar em Baixio - distrito de Esplanada - um modelo novo de destino turístico no Brasil, o Mamucabo Baixio. Trata-se de um projeto inovador e de longo prazo, previsto para ser implantado por etapas, ao longo de 20 anos. Ele prevê uma ocupação de baixa densidade (cerca de 8% da área total) e, ao mesmo tempo, promove a diversidade, os valores e as características locais. Sua proposta é criar um destino turístico aberto, que se destaque pela unicidade e pela qualidade dos empreendimentos. O acesso ao empreendimento atualmente acontece pelo km 125 da Linha Verde e futuramente será na altura do km 108 da Linha Verde. Já a distância do acesso atual até o Aeroporto de Salvador é de 125 km. Da Praia do Forte são 60 km e da Costa do Sauípe, 43 km. Viver Bahia | 21


Litoral Norte

Belezas naturais são destaques do empreendimento A propriedade Baixio possui uma faixa de praia de quase 14 km. A utilização original de grande parte do território era o cultivo de coqueiros. A vegetação existente na área é composta por essa faixa de coqueiros com aproximadamente 200 metros de largura. No interior, encontram-se dois tipos de vegetação: restinga e Mata Atlântica. Em zonas úmidas de água salgada, onde o mar se confunde com a água doce, encontra-se vegetação do tipo manguezal. As zonas úmidas de água doce estão localizadas numa parte importante da paisagem. São seis brejos: Brejo Grande, Brejo do Mamucabo, Brejo do Marculino, Brejo do Peleador, Brejo do Tabu e Brejo do Cansa Grão. Os principais rios são: Rio do Caboclo, Rio Una, Rio Mamucabo, Riacho do Boi e Riacho do Coça-Coça. Existem também seis lagoas: Lagoa Redonda de Panela, Lagoa Verde, Lagoa Del, Lagoa Bank, Lagoa Varjada e Lagoa Grande. A topografia da área apresenta duas elevações importantes: Serra Arapiranga e Serra Marculino. Além disso, outra configuração ambiental relevante também foi identificada: os campos de dunas.

Investimento abrange projetos sociais na região

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Mangue Seco

Bahia Baixio

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Imbassaí

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Salvador

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Massarandupió

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Escola de Música e Dança - Para valorizar as manifestações e tradições locais, a partir do investimento direto em música e dança, criando uma base para futuros festivais de cultura e arte. Projeto Meninos do Golfe de Baixio - Projeto pioneiro que visa à formação profissional, criado a partir de um dos grandes atrativos turísticos da Costa dos Coqueiros: o golfe. Ampliação de pesquisa socioeconômica - Trabalho visando ampliar a pesquisa socioeconômica e a pesquisa de jovens em idade produtiva até as comunidades próximas de Mata, Palame e Riacho Grande. O objetivo é levantar dados sobre populações e criar instrumentos de análise para o diagnóstico do meio social do Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Programa de inclusão produtiva – Está prevista para 2009 a implantação de um restaurante-escola e um laboratório para formação hoteleira – além de parcerias com Senac e Senai visando à formação de mão-de-obra para atuar na construção civil.

Estrada do Côco | Linha Verde | BA 099 Salvador | Aeroporto km 0 Praia da Forte km 53 Imbassaí km 65 Costa do Sauípe km 74 Baixio km 120

Sergipe

Localização | Baixio está localizado na Costa dos Coqueiros, no litoral do município de Esplanada. Hoje seu acesso é no km 125 da Linha Verde (rodovia BA-099) que liga o litoral norte à capital baiana. O plano prevê que o futuro acesso ao destino Mamucabo será no km 108 (até o Aeroporto de Salvador) da Linha Verde. Baixios está próximo também a outros importantes destinos turísticos: Praia do Forte (60 km), Imbassaí (52 km) e Costa do Sauípe (43 km).

Dados do empreendimento Geração de Empregos Diretos e Indiretos* Emprego total: 27 mil y Em hotelaria: 5 mil y Na construção civil: 5 mil Outras áreas (comércio, infra-estrutura, serviços): 17 mil * No prazo de até 40 anos


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Turismo Histórico-cultural

Circuito do ouro Primeiro movimento artístico genuinamente brasileiro, o barroco ainda resplandece em vários municípios do estado

M

ovimento artístico que simboliza a ruptura, no campo das idéias, entre o Brasil colônia e Portugal, o barroco floresceu nos séculos XVII e XVIII, a partir da descoberta de ouro, em Minas Gerais. Mas foi na Bahia que atingiu todo o seu resplendor. Da intensa atividade arquitetônica que o novo ciclo econômico propiciou, o barroco surgiu como a primeira expressão artística genuinamente brasileira, manifestada por modos próprios, desengajados da arte européia e mais chegada ao gosto caseiro, como destaca Pietro Maria Bardi, autor de História da Arte Brasileira. Ainda no ciclo do açúcar, a Bahia, àquela época capital da Colônia, produziu notável arte barroca, em função do Rio São Francisco, que passou a ser o principal meio de integração da região Nordeste com Minas. Na Bahia, o estilo barroco, com todo o seu ouro, pode ser visto a céu aberto. Na capital, Salvador, e em várias partes do estado, principalmente na região do Recôncavo, repousam alguns dos mais expressivos exemplos do movimento. As fabulosas obras de arte no interior das igrejas demonstram pompa e riqueza, atraindo multidões de turistas da Europa para o Brasil. A melhor maneira para travar contato com o volume da arquitetura barroca é caminhar pela capital baiana. Um bom roteiro pode começar pelo forte de Santo Antônio da Barra, até chegar ao Pelourinho, o conjunto arquitetônico tombado Patrimônio Histórico da Humanidade, onde há mais de 800 casarões dos séculos XVII e XVIII. Da Barra, o visitante que se dirigir ao norte vai encontrar mais dois fortes: o de Santa Maria e o de São Diogo, no Porto da Barra, ambos do século XVII.

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No centro da cidade, um dos conventos mais famosos é o de Nossa Senhora da Lapa, da primeira metade do século XVIII. Com riquíssimas obras em seu interior, está ligado diretamente à história da Independência da Bahia, quando ali morreu assassinada a Sóror Joana Angélica de Jesus, que tentava defender brasileiros revoltosos refugiados na clausura. Na seqüência, o visitante encontrará o Mosteiro de São Bento, o primeiro monastério construído fora da Europa, que, junto com a Igreja e o Convento de São Francisco, constituem um dos conjuntos religiosos mais importantes do Brasil. A fachada barroca, de 1723, esconde os tesouros de seu interior, como, por exemplo, o altar coberto de ouro, e painéis portugueses que mostram o nascimento de São Francisco e sua renúncia aos bens materiais. Na Bahia, imperou o barroco das igrejas douradas. O exemplo mais ilustrativo do movimento está no interior da Igreja e Convento de São Francisco, completamente forrado com folhas de ouro. O monumento detém o título de igreja mais rica do Brasil. O barroco está presente até mesmo na fachada e nos painéis de azulejos portugueses que reproduzem o nascimento de São Francisco e sua trajetória de renúncia aos bens materiais. No interior, a arte barroca pode ser contemplada na talha de madeira, ornamentada com todos os símbolos desse estilo: folhas de acanto, pelicanos, flores, anjos e sereias, entre outros. Ainda no conjunto de igrejas localizadas no Centro Histórico, o visitante pode ter uma visão privilegiada das variações do barroco dos séculos XVII e XVIII.


Rita Barreto

Interior da Igreja e Convento de S達o Francisco, completamente forrado com folhas de ouro Viver Bahia | 25


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Jota Freitas

Jota Freitas


Rita Barreto

Turismo Histórico-cultural

O Cristo ressuscitado da Ordem Terceira do São Francisco

Na Catedral Basílica, construção do século XVII, os dois altares simbolizam a mistura de estilos que prevaleceu naquele século: barroco, o maneirismo, movimento que o antecedeu, com interferências do rococó. Mas aos pés do altar principal, as bancadas de jacarandá com talhas incrustadas de marfim, transferidas para a Catedral da antiga Igreja da Sé, levam a assinatura do artífice Gabriel Ribeiro, que as executou em 1717. Outra peça do século XVIII é o nicho escavado na pedra de lioz, que fica sobre o arco do Cruzeiro. Na Ordem Terceira de São Francisco, que guarda a maior coleção de azulejos fora de Portugal, encontramos internamente o puro estilo barroco, espalhado no teto e nas paredes, ambos cobertos de talha dourada e ricos painéis. Destaque especial deve ser dado ao São

Construída no século XVII, a Catedral Basílica recebeu novo teto, durante o movimento Barroco

Domingos, de Manuel Inácio da Costa. A fachada, em pedra lavada, é o único exemplo do barroco espanhol no Brasil. A obra foi realizada por mestre Gabriel Ribeiro, e levou 40 anos para ser concluída. Já a Ordem Terceira do Carmo, de 1758, abriga imagens de Cristo, com destaque para a imagem do Senhor Morto, atribuídas ao escultor Francisco Chagas. O visitante pode concluir o percurso em mais dois centros de pura arte barroca: os museus Abelardo Rodrigues, no Pelourinho, e o de Arte Sacra, no Sodré. Nesses dois locais encontra-se uma enorme variedade de peças, onde as variações do barroco baiano podem ser contempladas. O Museu de Arte Sacra está instalado em um antigo monastério do século XVII e possui o maior acervo de coleção de arte religiosa do Brasil, com uma coleção de cerca de 400 estátuas e estatuetas em madeira, prata e ouro, além de diversas esculturas do Aleijadinho. Viver Bahia | 27


Jota Freitas Jota Freitas

Pelourinho, Salvador

Jota Freitas

Jota Freitas

São Domingos, Pelourinho, Salvador

Capela da Boa Viagem, Salvador

Igreja de São Francisco, Salvador

Turismo Histórico-cultural

Estilo extrapolou limites da capital Os municípios do Recôncavo baiano constituem-se num extraordinário parque barroco ao ar livre. Mesmo ofuscados pelas atividades de prospecção e refino de petróleo, na segunda metade do século XX, alguns municípios ainda guardam o esplendor da época colonial. A maior expressão do barroco na região é a cidade de Cachoeira, mas quase todos os municípios da região guardam verdadeiros tesouros da época de ouro. Veja a seguir, algumas sugestões de roteiros, contidas no projeto Caminhos Históricos do Recôncavo Baiano, que será implantado em breve pela Secretaria de Turismo:

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Igreja da Conceição da Praia

Ordem 3a do São Francisco, Salvador

Solar do Unhão, Salvador Jota Freitas

Sr. dos Passos, Cachoeira

Jota Freitas

Jota Freitas

Igreja da Boa Viagem, Salvador

Casa de Câmara e Cadeia | Fica localizada na Praça da Aclamação, S/N | É tombada pelo IPHAN desde 1939. Imóvel construído, provavelmente, entre os anos de 1700 e 1712. A Casa de Câmara e Cadeia dos primeiros anos do século XVIII, com elementos característicos dessa tipologia no Recôncavo. Algumas destas casas de Câmara e Cadeia, como as de Cachoeira, Maragogipe e Santo Amaro, foram diretamente influenciadas pela de Salvador. A presença de celas para presos qualificados no pavimento nobre foi notada, também, em Maragogipe. Chafariz Público | Fica localizado na Praça Aristides Milton, S/N | É tombada pelo IPHAN desde 1939. Equipamento público construído no final do século XVIII, possivelmente entre 1781e 1796. O chafariz é precedido de um pequeno átrio, elevado em alguns degraus em relação à rua, onde era distribuída a água. A fachada do chafariz, flanqueada por cunhais de alvenaria culminados por tocheiros, é subdividida em dois estágios por uma robusta cornija. Na parte inferior existem sete carrancas em ferro fundido, por onde corria a água. Em cima, em seu centro, tem as armas do Império, executadas em estuque e, um pouco abaixo, uma placa datada de 1827. seu frontão é neoclássico. Igreja da Matriz de N. Sra. do Rosário | Fica localizada na Rua Ana Nery, S/N. | É tombada pelo IPHAN desde 1939.

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Convento e Igreja de N. Sra. do Carmo | Fica localizada na rua Inocêncio Boaventura, S/N | É tombada pelo IPHAN desde 1938. Imóvel do século XVIII, provavelmente construído entre 1715 e 1722. Construção conventual. A igreja tem corredores laterais superpostos por tribunas. Seus azulejos são de 17601770. O frontispício rococó, em galilé, avançando sobre a rua, em contraste com as fachadas sóbrias do Convento e da Ordem Terceira, e a presença de uma janela da torre abrindo-se para o interior da Igreja, comprovam que ele foi refeito em 1773. Hoje funciona como um Centro de Convenções do Hotel Pousada do Carmo. Ordem 3ª do Carmo | Fica localizada na Praça da Aclamação, S/N | É tombada pelo IPHAN desde 1938. Imóvel construído no século XVIII, provavelmente entre os anos de 1702 e 1724. A capela é do princípio do século XVIII e conserva, como a matriz local, o espírito clássico do século anterior, de que foram protótipos as primeiras capelas jesuíticas. Sua simplicidade externa contrasta com a decoração do interior, que só fica atrás da de São Francisco, em Salvador, segundo Bazin. Os altares e tribunas da nave denotam influência chinesa, também evidente nos armários da sacristia e do consistório. Hoje existe um projeto em transformar o templo no Museu de Arte Sacra do Recôncavo.

Jota Freitas

CACHOEIRA


Jota Freitas

Igreja do Bonfim, Salvador Igreja NS da Ajuda, Cachoeira

SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO

Matriz de Nossa Senhora da Purificação | Imóvel do século XVIII, 1706 | No seu interior, modificado na década de 1920, destacam-se os forros com pintura ilusionista. A capela-mor e altares atuais são neoclássicos do início do século. Casa de Câmara e Cadeia | Imóvel do século XVIII, provavelmente de 1727 | É revestido com decoração neoclássica. Santa Casa de Misericórdia | Imóvel do século XIX, 1778 | A Santa Casa foi fundada em 08 de setembro de 1778 pelo Des. Ciríaco Antônio de Moura Tavares e pelo vigário Pe. José Batista Leitão. O edifício tem um tratamento neoclássico. Convento N. Sra. dos Humildes | Imóvel do século XVIII, 1793. | Em 1793 Inácio dos Santos e Araújo constrói a capela. Em 08 de dezembro de 1817, é inaugurado o Recolhimento, com a entrada de 12 recolhidas, seis meninas e nove servas. Toda a talha da capela é neoclássica. Igreja de N. S. do Amparo | Imóvel do século XIX , 1817 | A reforma realizada em 1907 teve como objetivo adequar tardiamente a igreja ao gosto neoclássico. Igreja da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré | Avenida D. Pedro II, nº 21 | Construída no final do século XVIII, em 1780 | Tombada pelo Iphan desde 1962. É uma reminiscência do estilo maneirista; os altares são neoclássicos.

Jota Freitas

Rita Barreto

Altar da Igreja do Carmo, Salvador

Pelourinho, Salvador

Capela de Nossa Senhora da Conceição | Praça Muniz Ferreira | Construída em meados do século XVIII, em 1742 Tombada pelo Iphan desde 1962. Capela de Nossa Senhora de Nazaré | Praça Almirante Muniz | Construída em meado do século XVII, em 1649. Tombada pelo Iphan desde 1962.

SÃO FÉLIX

Igreja da Matriz de Deus Menino | Edificada no final do século XVIII | Arquitetura de fachada tipicamente rococó. Igreja do Senhor São Félix | Edificada no final do século XVIII | Em um maneirismo tardio, uma imitação da arte renascentista européia.

MARAGOGIPE

Matriz de São Bartolomeu | Imóvel do século XVII, 1640 | Em 1640 Bartolomeu Gato de Castro promove a construção de templo, dedicando-a a S. Bartolomeu. Foi financiada pelos moradores com ajuda da Coroa. Casa de Câmara e Cadeia | Imóvel dp século XVIII, 1774. Sobrado da Terpsícore | Imóvel do século XIX. Abriga a sede da Filarmônica Sociedade Recreativa Terpsícore Popular de Maragogipe. Santa Casa de Misericórdia | Imóvel do século XVIII, construído entre 1680 e 1692.

ITAPARICA

Forte de São Lourenço | Localizado na Praça Getúlio Vargas, s/n | Construído no final do século XVIII, é tombado pelo Iphan desde 1938. Igreja de São Lourenço | Localizada na Rua Luis Gran, s/n, construída no final do século XVII, é tombada pelo Iphan também 1938. Igreja Santíssimo Sacramento | Localizada na Rua Luis Gran, s/n, construída no início do século XVII.

JAGUARIPE

Casa de Câmara e Cadeia | Localizada na Praça da Bandeira, S/N | Construída no final do século XVII. Segundo a tradição, teria existido um porão, a “Prisão do Sal”, cujas águas eram invadidas periodicamente pelas marés. Tombada pelo IPHAN. Igreja da Matriz de N. Sra. da Ajuda | Localizada no Alto da Matriz, S/N | Construída no início do século XVIII. Tombada pelo IPHAN. Casa do Ouvidor | Localizada na Ladeira da Ajuda, nº 12 | Construída em meado do século XVII. Tombada pelo IPHAN.

Senhor dos Passos, Cachoeira

São Francisco do Conde Jota Freitas

NAZARÉ

Igreja N Sª da Conceição da Praia

Rita Barreto

O imóvel foi construído no final do século XVII. Os painéis de azulejos foram colocados em 1750. Edifício de elevado valor monumental e histórico. Planta retangular recoberta por telhados de duas e meia águas. O frontispício é do tipo templo, ladeado por duas torres com terminações piramidais, revestidas de azulejos. O acesso faz-se por portal de lioz, coroado por um nicho e formado por três arcos planos. Seu interior é muito rico, revestido de azulejos historiados com temas bíblicos, com mais de 4m de altura [considerado o maior do Brasil]. O forro da nave exibe pintura ilusionista e os da sacristia e coro, medalhões. Seu acervo ostenta numerosas imagens, doze telas, muitas alfaias e um sacrário de prata. Capela de N. Sra. da Ajuda | Localização: Largo da Ajuda, S/N. | Século XVII, provavelmente a partir de 1606. É tombado pelo IPHAN desde 1939. Planta constituída de copiar, nave, capelamor, sacristia e torre. Nave com telhados de duas águas e a capela-mor. O frontispício é marcado pela presença de um copiar, guarnecido de gradil de madeira. A fachada é do tipo empena, contornada por cunhais de cantaria.

Rita Barreto

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Rita Barreto

São Francisco do Conde

Viver Bahia | 29


Entrevista: Mateus Aleluia

N

ascido em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, o músico Mateus Aleluia passou sua infância, simultaneamente, convivendo com o canto no coro das igrejas católicas e se iniciando no conhecimento do candomblé, a religião de seus familiares e amigos, da terra natal. Foi essa formação que lhe permitiu introduzir o ritmo e a melodia do candomblé no conjunto musical Os Tincoãs, no qual ingressou em 1962. Após muitos discos, Aleluia foi fazer um trabalho em Angola e acabou se casando com uma angolana e fixando residência por lá. Atualmente, está passando um período na Bahia, onde continua pesquisando e produzindo um rico material. Mesmo residindo em Luanda ele não abre mão de beber em sua origem, nas raízes culturais baianas e de sua cidade natal. Veja, a seguir, a entrevista que ele concedeu, em setembro, à Viver Bahia. 30 | Viver Bahia

Fotos: Rita Barreto

“O afro-barroco é a expressão mais pura do dia-a-dia da Bahia”


Ao mesmo tempo em que estávamos nas igrejas,

éramos embalados pelos cantos de Oxalá, Iemanjá,

Xangô, Oxóssi e foi essa via de captação espontânea que resultou na nossa formação musical.

Viver Bahia – Mateus Aleluia, quem é o músico e estudioso Mateus Aleluia? Nos fale um pouco sobre a sua vivência, como estudioso da música e do candomblé, e também de suas andanças por Angola. Mateus Aleluia - Sou cidadão cachoei-

rano, voltado para a cultura afrobrasileira de uma forma incidentemente afro-barroca, sustentada em toda convivência do hospedeiro, que é o indígena, a cultura indígena. E dentro desta mescla de culturas, da cultura barroca, cultura afro e a cultura indígena, eu penso que nós vimos fazendo nosso estudo dinâmico pela vida. Musicalmente falando, tive meu início musical no conjunto Os Tincoãs, um grupo - na época, formado por Edinho, Eraldo e Erivaldo - surgido na década de 60, ainda no antigo Escada para o Sucesso –, que fez seu primeiro disco cantando boleros e outras músicas que faziam parte do consumo da época. Ingressei em Os Tincoãs, em 1962, e, paulatinamente, fomos fazendo uma mudança no conceito de trabalho musical/cultural do grupo. De uma forma espontânea, passamos a colocar aquilo que era nossa vivência, uma somatória do afro com o barroco, suportado pela cultura indígena. E mergulhamos nos cantos de candomblé – a forma mais espontânea de todo esse somatório. Viver Bahia – E já havia essa pesquisa sobre o candomblé? Mateus Aleluia – Sim, já havia. A pesqui-

sa sobre candomblé antecede mes-

mo o meu nascimento. O Joãozinho da Goméia já fazia, Luiz da Muriçoca também, além de quatro irmãs, no Rio de Janeiro, que tinham um trabalho belíssimo no campo da pesquisa, o grande compositor Élke, e o próprio maestro cachoeirano Tranquilino Bastos, que deixou alguma coisa de matéria sobre a música africana. Agora, talvez o diferencial nosso tenha sido o de sermos o primeiro grupo a despertar o interesse da mídia e de todas aquelas pessoas que poderiam formar uma corrente de opinião favorável a mostrar, primeiramente, aqui, para a população brasileira, que a música africana não era somente aquela música que eles entendiam como vertente exótica do ritmo. Eu, principalmente, comecei a minha vida de herança musical orientada nos corais das igrejas, onde eu era também cantor, na época cantava em latim. E, ao mesmo tempo, trazia, por herança genética, toda essa informação do candomblé. Ao mesmo tempo em que estávamos nas igrejas, éramos embalados pelos cantos de Oxalá, Iemanjá, Xangô, Oxóssi e foi essa via de captação espontânea que resultou na nossa formação musical. Viver Bahia - Essa percepção só se dá com o distanciamento... Mateus Aleluia - O mais interessante

em tudo isso é que depois de analisarmos nossa proximidade com o barroco, nós – os negros africanos vindos da África- temos uma participação em todo esse barroquismo da

Bahia. E depois você vai poder analisar o que é o barroco na sua trajetória pelo mundo. Barroco é uma palavra, um vocábulo português que designa uma concha de forma não perfeita, em constante giro para poder amalgamar tudo que existe para se chegar à perfeição da harmonia. Após analisar a obra de um poeta que eu gosto muito, o senegalês Leopoldo Senda Fengo – que escreveu uma poesia sobre uma máscara feita por Picasso (Nolvaca) -, temos uma expressão, digamos assim, do barroco como artista. Como é que aquele artista cubista, mas no fundo barroco, (Picasso) influenciou tão fortemente um precursor e um criador do movimento de negritude, que é Leopoldo Senda Fengo. Quando ele viu aquela máscara de Picasso, teve que escrever, fazer uma poesia. É porque há pontos comuns que os ligavam, e daí foi que depois eu me reportei à nossa convivência no Recôncavo tendo Salvador como grande vitrine do Recôncavo. Nós temos toda essa convivência aqui, onde o afro não perdeu a sua essência de afro, o barroco não perdeu sua essência de barroco e o indígena que aqui sempre foi indígena, nunca vai deixar de ser. Ele até representa, como o caboclo, o símbolo da Independência da Bahia. Estão todos aqui, e de uma forma bem distante, representados e de certa forma integrados, amalgamados. Viver Bahia - Como você avalia essa mistura de etnias, esse caldeirão cultural? Viver Bahia | 31


eNTREVISTA Mateus Aleluia - É difícil avaliar, pois

todo processo de evolução tem seus próprios caminhos, cada um tem sua lupa, a forma de enxergar aquilo. Sempre que há um empecilho muito grande, isso funciona como um estímulo para você não ficar acomodado àquela evolução alcançada. É como um desafio que você tem que ultrapassar para dar continuidade à evolução da vida. Porque o homem tem a moral, mas a natureza não tem moral nenhuma, ela tem leis e a vida na arte de si mesma se impõe. E aquilo que a gente considera que é para nós afro-descendentes um mutilamento das nossas ações do passado, ao mesmo tempo, nos deu uma capacidade de resistência, de sobreviver, fazendo com que estejamos hoje aqui. Viver Bahia - A Bahia, como Estado, se enquadra no conceito afro-barroco? Mateus Aleluia – Institucionalmente não

é. Existem até alguns doutos que vão de encontro a este termo, eles estão amarrados às circunstâncias que não admitem de forma alguma que se faça esse tipo de junção. Mas não se pode tapar o sol com uma peneira, isso existe ou já foi até concebido assim. O nosso preconceito, a nossa forma afunilada de ver as coisas é que nunca percebeu que a arte do barroco teve na arquitetura a sua maior expressão, mas a linguagem da música é expressão de impacto imediato, que invade fronteiras, não respeita o moralismo instituído. E a Bahia é a expressão mais espontânea desse casamento, aceitemos ou não. E nós vamos ter aqui que advogar um princípio, o de que a academia não nasceu antes da sabedoria. Ou se deixa levar pelos caminhos da sabedoria ou vai ficar ultrapassada. Viver Bahia – Qual é o conceito do barroco? Mateus Aleluia - Penso que já chegou o

momento para sairmos daquele conceito de plêiade, de só fazer e falar as coisas para os sábios. Nós temos que falar para o povo. O barroco para nós 32 | Viver Bahia

é aquela cultura que veio com os colonos, apesar de que não foi concebido para oprimir as religiões, nem para colocar dicionários mudando a forma das pessoas enxergarem Deus, já que cada uma delas tem a sua forma de falar com Ele. O barroco para nós é a Bahia e o barroco baiano não é igual ao barroco da Alemanha. Hoje em dia, ele é muito influenciado por sua gastronomia barroca e africana. O próprio acarajé, na sua origem acará, não tem os condimentos que o nosso tem. Viver Bahia – Gil, Caetano e Glauber Rocha são artistas barrocos? Mateus Aleluia – Sim, barrocos e africa-

nos. E com forte carga do dono da terra, o índio. A própria formação musical de Gil é barroca. Caetano cresceu dentro de todo um contexto barroco. Santo Amaro da Purificação é arte barroca por excelência. Glauber Rocha, de Vitória da Conquista, traz todas as influências, inclusive ele era denominado neobarroco, mas era neoafrobarroco, a exemplo do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, que carrega uma enorme carga de africanidade. Viver Bahia – Existe uma forma intangível do barroco se expressar? Mateus Aleluia – O barroco está na nos-

sa forma de ser, uma forma intangível, imaterial, num casamento com a cultura. O colono foi muito modificado do ponto de vista cultural, coisa que não aconteceu com o colono, por exemplo, nos Estados Unidos. Lá

o candomblé não pôde se difundir muito, lá os africanos tiveram que embarcar na ritualidade da religião européia. A resistência cultural deles não ficou tão bem segmentada como a nossa. Atualmente, quando o afroamericano quer saber de sua ancestralidade, vem à Bahia, vem beber dessa origem aqui. Nos Estados Unidos, a cultura afro-descendente foi facilmente desbaratada, porque não havia o culto para alimentar a cultura. Na Bahia o culto fortaleceu a cultura. Nós temos uma forma de vestir que é influenciada pelas vestes dos orixás. A música popular brasileira é influenciada por todos aqueles ritmos, aqueles toques do candomblé. Se você for fazer um estudo seriíssimo, você vai ver que todos os ritmos da música popular brasileira, na sua maioria, vão encontrar as células, as claves e os ritmos do candomblé. A nossa gastronomia, a maior parte dela, veio muito das comidas dos orixás, que depois evoluiu. Nós temos todo um princípio, a nossa forma de fazer medicina, ainda da cultura dos orixás, da cultura de Ayé, da cultura de Ossanha, dos nossos curandeiros, lidamos com ervas, com raízes. Isso não aconteceu nos Estados Unidos. Lá se deu um processo altamente castrador. Lá, o afro teve que ir para a igreja protestante. Eles ganharam uma outra dimensão, mas perderam a sua essência. Viver Bahia - E os cultos aqui na Bahia permaneceram? Permaneceu a resistência do povo negro? Em resumo, foi uma coisa clandestina que depois ficou oficial ou eles foram permitidos com o beneplácito da cultura dominante? Mateus Aleluia - Permitidos em alguns

casos, mas o beneplácito só veio depois da resistência. Não iria ser diferente. E estava sempre crescendo, se fundamentalizando cada vez mais, e dentro daquilo que se acredita. Os que detinham o poder ligado ao colonialismo achavam que estavam sendo beneficiados com aquela ação dos ritos do candomblé. Alguns tinham problemas de saúde e depois de tentarem todos os meios alopáticos, aí então recorriam ao candomblé. Quando dava


Viver Bahia - Dá para traçar um panorama do roteiro afro-barroco no Recôncavo? Mateus Aleluia - Apresentei um projeto

à Secretaria de Turismo chamado Bahia Profunda. Trata-se de uma tentativa de reunir aqui na Bahia todos os países e povos que contribuíram com a cultura baiana – Togo, Benin, Gana, Nigéria, o próprio Senegal, os dois Congos, Angola, e depois vem Portugal, Espanha, França, Holanda, enfim, todos quantos passaram por aqui. É nossa pretensão reunir em uma grande feira anual, com dois dias de palestras, com intervenção dos delegados de cada um desses países. E também concebemos um roteiro que se chama O Roteiro das Primeiras Vilas e o Roteiro da Independência. No primeiro, temos Jaguaripe, Cachoeira, São Francisco do Conde, Santo Amaro, Saubara, Acupe, Cachoeira, São Félix e Maragogipe, concluindo o roteiro no Carnaval de Salvador. Já o Roteiro da Independência abrangeria Itaparica. Quando esse projeto estiver esquematizado vai haver uma divulgação junto aos mercados emissores de turistas, vamos mobilizar todo o trade, etc.

Viver Bahia - E qual a análise que o senhor faz das manifestações tradicionais, influenciadas pelo afro-barroco no Recôncavo, diante deste mundo globalizado? Mateus Aleluia - Essas manifestações

como a Festa da Boa Morte, por exemplo, Festa de São Bartolomeu, em Maragogipe, a festa do Bembé, em Santo Amaro, a festa de Nossa Senhora da Ajuda, também em Cachoeira. E por aí vai. Como é que eu faço? Isso aí, realmente, é o passado, que de forma dinâmica está presente, mostrando pra gente toda a trajetória de hábitos e costumes do povo. A sua forma de vencer as adversidades. Todas essas festas têm um ponto em comum, que é o ponto da existência cultural, todas elas, mesmo as de origem barroca, mas a finalidade primordial delas é a existência cultural. É não deixar passar despercebida a ação, a forma de fazer do homem de uma época anterior, anote que estamos aqui hoje. Viver Bahia – A Festa da Boa Morte teve este ano bastante turistas, principalmente estrangeiros... Mateus Aleluia - Teve um acréscimo de

turistas, fizeram uma história e vão

Manifestações

como a Festa da

Boa Morte, a de São Bartolomeu, em Maragogipe, a do

Bembé, em Santo Amaro, a de Nossa Senhora da Ajuda, em Cachoeira, são

certo era mais um do poder dominante que ficava realmente adepto. De uma forma conformada não podia dizer que era, mas ele já pertencia ao candomblé. Então aquele era um agente que quando a questão de se proibir o culto do candomblé vinha ao topo do poder, ele dizia: Não, não é bem assim. Foi assim que nasceu o sincretismo. O sincretismo veio, podemos dizer até que o Padre Antônio Vieira fez o discurso. (Sermão da Sexagésima). Olha aí a manifestação imaterial do barroco, o discurso do Padre Vieira, um discurso inteligentíssimo, e penso que um dos grandes responsáveis, na Bahia, pelo sincretismo. Enquanto os africanos descendentes estavam assistindo à pregação do Padre Vieira eles faziam as suas associações. Ele tinha uma capacidade de persuasão tão grande, que levava os africanos a fazer associação dos deuses católicos com os santos africanos.

exemplos da influência do afro-barroco.

retornar. Então é uma forma também de o cara vir aqui beber das tradições e replicar para o país, retransmitir o que viu, o que constatou, é a ampliação da tradição afro. E por outro lado tem de ser assim, pois as nossas festas são um museu vivo, a Festa da Boa Morte é um museu vivo. Cada senhora daquelas, com quase 100 anos ou mais de 100, é como se fosse uma estátua do século passado, mas ela não está morta. E quando ela morre, é substituída por outra com uma história muito parecida. E como a tradição é oral, quando você fala com ela parece que está falando com a origem da Festa da Boa Morte. Quando eu falo da Festa da Boa Morte, falo da Festa do Bembé, em Santo Amaro, da Festa de São Bartolomeu, em Maragogipe, da Festa de Nossa Senhora D’ Ajuda, em Cachoeira, que é uma festa também antiqüíssima. A igreja de N. Sra. D’ Ajuda começou a ser erguida em 1595, tem toda uma história para falar para o mundo. Viver Bahia - O senhor ficou quase 20 anos na África, em Angola. Como avalia essa experiência? Mateus Aleluia – Creio que foi alta-

mente necessária. Primeiro, porque passei a encarar a cultura africana de uma forma mais terra a terra. Porque eu não estou aqui lendo um livro imaginando que eu morava mesmo lá. E não morava como mora uma pessoa que vai para lá fazer um trabalho para uma empresa ou para uma instituição do meu país. Eu estava lá como estrangeiro residente, vivendo todas as facilidades e dificuldades do povo da terra. Viver Bahia - O senhor chegou a correr riscos na época da guerra? Mateus Aleluia - Todos lá correram riscos.

Os próprios embaixadores correm riscos constantemente. Quer dizer, o risco é uma constante da vida, principalmente em um país que está em guerra. Agora, não posso dizer que lá você vivia esse perigo constante. Lá onde nós morávamos era uma cidade que tinha um corredor de segurança que possibilitava você andar com cuidado. Viver Bahia | 33


Esportes Radicais

Artur Ikishima

Rapel movimenta o turismo de aventura A Bahia tem grande potencial para atrair os turistas adeptos dos esportes radicais. Sua natureza exótica, composta por parques, cachoeiras, lagos e montanhas, forma um conjunto de beleza natural indescritível que possibilita fortes emoções aos esportistas. O Estado é referência em turismo de aventura no Brasil, oferecendo uma gama de roteiros turísticos com atrativos naturais, históricos e culturais. Entre eles, as montanhas e cavernas despertam o desejo do desafio com a prática do rapel e escaladas. Os mais aventureiros preferem o cascading – descida de rapel pelas cachoeiras – explorando as belas quedas d’água. O município de Paulo Afonso é um dos locais preferidos para a prática de esportes radicais. A área próxima ao canyon do São Francisco é o ponto de partida para o rapel, assim como a Ponte Metálica é o ponto mais adequado para o bungee-jumping. Dona de um relevo acidentado, de onde brotam inúmeras quedas d´água, a Chapada Diamantina possui excelentes pontos para a prática de rapel e canyoning. Se descer de montes, prédios e viadutos já causam tanto furor entre os praticantes destas modalidades, é possível imaginar o nível de adrenalina e contentamento atingidos quando os cenários são os principais montes e cachoeiras da região de Lençóis. 34 | Viver Bahia

A região oeste do estado tornou-se uma das áreas mais procuradas para a prática do rapel e do caving em toda a Bahia, como a Cachoeira do Acaba Vida


Artur Ikishima

Sítio do Rio Grande, em São Desidério, próximo de Barreiras, é uma das boas opções para o rapel

Passeios de aventura | Com o desenvolvimento do turismo de aventura, diversos esportes de ação e técnicas radicais passaram a ser oferecidos em pacotes de viagens, passeios ecológicos e de aventura. O rapel é a modalidade esportiva radical mais conhecida e desenvolvida na Bahia. A técnica surgiu do canionismo e das escaladas, e hoje é muito utilizada em turismo de aventura, principalmente através do cascading (rapel em cachoeira), que tem crescido de forma significativa no estado. Fazer rapel não é fácil e exige muita coragem. O trabalho com cordas é extremamente delicado. É preciso escolher um local adequado para a instalação das cordas, com nós e amarrações seguras, ter habilidade na descida e saber utilizar os métodos de proteção das cordas, evitando os atritos e garantindo uma descida com manobras radicais e emocionantes. Os praticantes devem estar munidos de equipamentos próprios para a prática, como capacete, cordas profissionais, cabo e

cadeirinha de segurança. A tirolesa (uma corda estendida entre dois pontos, onde o turista vai preso a uma rodinha), bungee-jumping, trecking ou escalada também são algumas das possibilidades que a região Oeste da Bahia oferece em termos de esportes radicais. Rapel e canyoning na Chapada | As opções de rapel e canyoning na Chapada Diamantina são amplas e variadas. A região, conhecida pelas suas belezas naturais, constitui-se em cenário perfeito para a prática de esportes radicais. Veja alguns roteiros que já são tradicionais: Morro do Pai Inácio | Considerado cartão-postal da Chapada, é o maior desafio para os rapeleiros. Sua altura de 150 metros impõe muito respeito. Poço do Diabo | O rapel tem 22 metros de descida e termina num esplêndido lago, com 80 metros de comprimento e 50 de largura. Gruta do Lapão | O rapel negativo começa em uma fenda de quatro metros de comprimento por dois

metros de largura, no teto da caverna. Os 50 metros de descida são intensos e despertam muitas emoções. Cachoeira do Capivari | Próxima a Lençóis, a cachoeira é um dos pontos mais procurados para a prática do canyoning. O programa começa com uma trilha a partir da cidade, com duração de três dias e duas noites em acampamento, incluindo um rapel espetacular, com 37 metros de altura. Cachoeira da Fumaça | Radical ao extremo, é o palco perfeito para aqueles ainda mais arrojados. A trilha até lá é de 48 km, feita em quatro dias e três noites, incluindo em seu roteiro descida de tirolesa, além do caving e do cascading, realizado em praticamente todas quedas d´água e cavernas. O cascading representa o maior e mais arriscado desafio de toda região. Com 420 metros, do topo ao poço, a formação é tida como a mais alta no Brasil, fazendo com que sua descida se torne delicada, em razão dos ventos muito fortes. Ela fica no município de Palmeiras, na Chapada Diamantina. Gruta dos Brejões | Gruta dos Brejões – Localizada na cidade de Morro do Viver Bahia | 35


Esportes Radicais Chapéu, reúne inúmeras opções para a prática de esportes radicais e um rapel especial, na Gruta dos Brejões. A aventura inclui pernoite na própria gruta. Sua entrada monumental possui 138 metros de altura, sendo considerada a maior do Brasil.

Fotos Jota Freitas

Opção com cascading em Taboquinhas | O Rio Coiudo desemboca perto do centro de Taboquinhas – um distrito distante 34 km da cidade litorânea de Itacaré –, no leito do Rio de Contas. A 100 metros deste trecho, uma depressão forma a bela Cachoeira de Noré, com 17 metros de altura. A queda d´água oferece excelentes condições para a prática do cascading, esporte parecido com o rapel, mas que exige sempre uma bela cachoeira como requisito. O caminho que leva até o Noré inclui uma pequena aventura, já que o visitante terá que atravessar o caudaloso Rio de Contas a bordo de uma canoa, para depois cruzar uma densa plantação de cacau, numa trilha de 15 minutos. O local onde se localiza a cachoeira está dentro da área destinada à prática do rafting no Rio de Contas, portanto, uma boa dica é aproveitar para curtir ainda este outro esporte alucinante. Conforto da tirolesa em Paulo Afonso | Aproveitando o longo canyon que margeia o rio e, é claro, a ponte metálica Dom Pedro II, o aventureiro pode lançarse em desafios alucinantes no rapel e aproveitar também a emoção das tirolesas montadas na região. Poderá ainda curtir um relaxante banho num dos trechos mais bonitos do rio. Veja as principais atrações do rapel na região: Angiquinho | Além de seus atributos históricos, Angiquinho destaca-se pelo rapel de 40 metros de altura e tirolesa vertiginosa, com 100 metros 36 | Viver Bahia

A Gruta dos Brejões, em Morro do Chapéu


Ponte D. Pedro II, em Paulo Afonso, proporciona visão panorâmica do Rio São Francisco

de comprimento. Ponte Dom Pedro II (Ponte Metálica) | Aventurar-se em um rapel na Ponte Dom Pedro II é um verdadeiro tira-teima para qualquer aventureiro. Considerado radical, é um dos locais prediletos dos programas de esportes para cenas de rapel e bungee-jumping. Com uma altura de 84 metros, a longa descida permite ao rapeleiro tempo de sobra para apreciar a paisagem. Os encantos radicais de Santa Luzia | Cidade caçula da Costa do Cacau, Santa Luzia é dona de muitas belezas naturais, abrigando rios, cachoeiras, lagoas, cavernas e alguns paredões de rocha. Os adeptos de rapel, caving e cascading têm aí algumas alternativas para suas aventuras. Para os rapeleiros, a grande pedida é enfrentar os 40 metros de descida no Mirante das Três

Marias ou na Gruta do Lapão Velho. Gruta do Lapão Velho - É uma missão quase impossível deixar de fazer um caving nesta gruta. Com acentuado nível de dificuldade, a aventura consiste, primeiro, em atravessar os quase 500 metros que separam suas duas entradas, formando uma descida bastante íngreme. A partir daí ainda há travessias de abismos e galerias submersas, para finalmente subir ao topo do “Apaga Vela” e chegar ao salão principal. O Complexo do Lapão possui um total de 20 grutas que podem ser amplamente exploradas. Cascading: descida em cachoeiras com técnicas de rapel | Para quem não conhece, este é o nome que se dá ao esporte especializado na descida de cachoeiras usando técnicas de rapel. Bem, se a modalidade precisa de belas

cachoeiras, na Bahia elas não faltam. Várias delas, inclusive, já caíram no gosto de aventureiros do Brasil inteiro, fazendo crescer, significativamente, o turismo em torno desse esporte. As cachoeiras mais procuradas são: Cachoeira do Ferro Doido, em Morro do Chapéu, com 90 metros de altura Véu de Noiva e Piancó, ambas em Jacobina, com 70 e 45 metros, respectivamente Cachoeira dos Payayás de 45 metros, em Saúde Cachoeira da Moenda, com 70 metros, situada em Ituaçu Cachoeira do Rio Brumado, com incríveis 300 metros, em Rio de Contas. Cachoeira da Fumaça, com 340 metros, a maior e mais temida queda d´água do país Poço do Diabo, com apenas 22 metros, considerada ideal para os Viver Bahia | 37


Esportes Radicais

Pernambuco Maranhão

Lagos do São Francisco

Piauí

Alagoas

iniciantes Caving e Rapel no Oeste Baiano | Localizado entre os municípios de Catolândia e São Desidério, próximo a Barreiras, um conjunto rochoso - com um extenso complexo de grutas - tornou-se uma das áreas mais procuradas para a prática do rapel e do caving em toda a Bahia. As grutas do Buraco do Inferno e do Sumidouro, por oferecerem difíceis obstáculos, estão entre as mais visitadas para os esportes. Para os menos ousados e iniciantes, a opção é o Paredão Deus Me Livre, com de 40 metros de altura. Gruta do Catão | Na mesma região, no entanto, há uma atração ainda mais procurada, tanto pelo acentuado grau de dificuldade, quanto pelas variações que seu roteiro oferece. Para chegar até a Gruta do Catão, o aventureiro terá que primeiro vencer uma trilha de quase 100 metros, dificultada pelo terreno íngreme e pedregoso, mesclado a uma vegetação bastante densa. Dentro da gruta, o caving será inesquecível, exigindo grande esforço, mas oferecendo uma beleza ímpar como recompensa. Além de ser também excelente para o rapel, é através desta gruta que se pode chegar a um dos mais belos cartõespostais da região Oeste, a Lagoa Azul. Pontos em Salvador e no Recôncavo | Com belezas conhecidas no mundo inteiro, Salvador também é uma das cidades brasileiras com relevo mais acidentado. As depressões geológicas fizeram da cidade um lugar propício à prática do rapel, com muitos paredões, pontes e viadutos. O rapel praticado em construções pode ser usado como treinamento para as aventuras vividas na natureza. Salvador, no entanto, apresenta alguns desafios 38 | Viver Bahia

Tocantins

Sertão

Bahia

Sergipe

Chapada Diamantina Costa dos coqueiros

Caminhos do Oeste

Salvador e Recôncavo

Costa do Dendê

Goiás Costa do Cacau

Minas Gerais

Costa do Descobrimento

Costa das Baleias

Esporte e aventura em todas as regiões do território baiano

O que é ... Rapel | É uma atividade vertical, praticada com o uso de cordas e equipamentos adequados para a descida de paredões e vãos livres, bem como outras edificações. Foi criada a partir das técnicas do alpinismo. Cascading | Criado a partir de escaladas com técnicas verticais para a exploração de canyons. Atualmente, o cascading é mais conhecido como a descida de cachoeiras com cordas utilizando a técnica do rapel, já que a fixação é importantíssima para a segurança do esportista. Além da altura, o praticante deve também estar atento ao volume de água e à composição das rochas.

Tirolesa | Tirolesa é uma atividade esportiva de aventura originária da região do Tirol, na Áustria. Consiste em um cabo aéreo ancorado horizontalmente entre dois pontos, pelo qual o aventureiro se desloca através de roldanas conectadas por mosquetões a uma cadeirinha. Bungee-Jumping | Esporte radical praticado por aventureiros corajosos, que consiste em saltar para o vazio amarrado pelos pés a uma corda elástica. Há muito tempo, este esporte era uma espécie de prova iniciática pela qual os rapazes de uma aldeia teriam de passar para poderem começar a ser chamados de adultos.


Aventura na Costa do Cacau | A natureza realmente foi bastante generosa com esse pedaço de terra no sul da Bahia. A Costa do Cacau possui centenas de quilômetros de praias, rios e cachoeiras, sempre circulados por áreas bem preservadas

Jota Freitas

totalmente desaconselhados para principiantes na atividade, por seu grau de dificuldade. Os principais pontos para a prática do esporte são: o prédio do Hotel Vitória Marina, as torres da TV Itapoan e do Centro de Convenções da Bahia, e um de seus cartões-postais mais conhecidos, o Elevador Lacerda. Este último dá ao rapeleiro a emoção de estar a 72 metros de altura, curtindo uma vista clássica e exuberante da Baía de Todos os Santos. Bem próxima a Salvador, na cidade de Santo Amaro da Purificação, localizada no Recôncavo baiano, o aventureiro tem um desafio natural a vencer, a Cachoeira da Mãe D´Água, com 50 metros de desnível.

Escalada em Lençóis, na Chapada

Artur Ikishima

Pedreira do Cantagalo, em Rio Corrente, na região Oeste da Bahia

de Mata Atlântica. Os amantes de um bom rapel terão aqui quase sempre a companhia de uma bela cachoeira, assemelhando-se mais ao cascading, um esporte que usa técnicas de rapel neste tipo de ambiente. Salto do Apepique | Com 50 metros de altura, situada na Lagoa Encantada, em Ilhéus, esta bela cachoeira reúne condições ideais para a prática da tirolesa e principalmente para uma descida radical de rapel. Cachoeira do Carioca | Também conhecida como Tijuípe ou Floriam, essa cachoeira tem grande volume de água e vários níveis de queda, dando ao rapeleiro boas opções para a descida. Fica localizada no município de Itacaré, próxima à BA001. Cachoeira da Usina-Taboquinhas | Está localizada dentro da Fazenda Providência, próximo ao povoado de Taboquinhas, na BA-001. A queda da água é extensa, mas não é tão íngreme, sendo perfeita para os iniciantes. Cachoeira do Véu de Noiva | Considerada a maior queda d´água da região, o “Pancadão” como também é conhecida - tem aproximadamente 40 metros de altura, representando um desafio mais perigoso para o aventureiro. Opções na Costa do Dendê Cachoeira da Pancada Grande - . A Cachoeira da Pancada Grande não é um roteiro indicado para aqueles que estão começando. O lugar, inclusive, já foi palco do super disputado Ecomotion/Pro, um conhecido desafio radical na natureza. A queda d´água possui cerca de 90 metros de altura, com três gigantescos degraus de pedra. O cascading no local pode ser feito de alturas variadas, a partir das três faces da cachoeira, sempre mesclando a adrenalina da descida, com uma paisagem exuberante.

Viver Bahia | 39


Costa das Baleias

O discreto charme de Caravelas

O discreto charme de Caravelas (a 822 km da capital) e a simpatia de seus moradores fazem jus ao título de Princesa dos Abrolhos, que ganhou ao longo dos anos. Entre os atrativos culturais destacamos a Matriz de Santo Antônio, o padroeiro da cidade, e a Igreja de Santa Efigênia, com raras imagens dos séculos XVII e XVIII. Possui casario em estilo colonial com fachadas em azulejos portugueses e de Macau.

O

s navegadores portugueses do século XVI alertavam sobre o litoral sul da Bahia: “Quando te aproximares de terra, abre os olhos”. E de tanto repetir o aviso, a região ficou conhecida como Abrolhos. O que significava perigo para os navegantes, hoje é destino ecoturístico dos mais privilegiados. Além disso, há a singularidade cultural das comunidades locais, com culinária e artesanato feitos com elementos do litoral, atualizando as tradições do lugar. Mergulhar nas águas mornas e cristalinas do Arquipélago dos Abrolhos é uma aventura inesquecível, onde se pode explorar navios naufragados e cavernas submarinas em submersões orientadas, vislumbrar recifes de corais raros, como o cérebro, ou simplesmente admirar uma das mais belas paisagens marinhas do mundo. O turista pode, ainda, entre os meses de julho e novembro, acompanhar o espetáculo aquático das baleias jubarte, que migram da Antártida até as águas mornas da Bahia, para dar à luz e amamentar os filhotes. A biodiversidade da região fascina ecologistas, estudiosos e turistas em geral. Em Abrolhos há uma das maiores concentrações de peixes por metro quadrado do planeta, tanto 40 | Viver Bahia

em quantidade como em variedade. Seu maior atrativo, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, primeiro parque brasileiro do gênero, localizado a 32 milhas náuticas (52 km) da costa, tem como ponto mais próximo a cidade de Caravelas. Abriga um conjunto de recifes de corais, ilhas vulcânicas e canais de maré. O Arquipélago de Abrolhos fica a 70 km do litoral. Para chegar até lá, lanchas e escunas autorizadas pelo Ibama (órgão fiscalizador do meio ambiente) partem de várias cidades costeiras, inclusive Prado, realizando a viagem em até seis horas. Porém, desde Caravelas, demora um pouco mais de uma hora em lancha rápida. Formado por atividades vulcânicas, há 50 milhões de anos, é constituído por cinco ilhas: Santa Bárbara, Sueste, Redonda, Siriba e Guarita, a porção terrestre do Parque Nacional Marinho, onde as tartarugas desovam, enquanto aves como atobás, fragatas, pilotos e grazinas, em diferentes épocas do ano, fazem seus ninhos. O Parque recebe, anualmente, mais de 15 mil visitantes, monitorados pelo Ibama e Instituto Baleia Jubarte. O farol, na ilha de Santa Bárbara, importado da França por volta de 1861, ilumina a noite dos navegadores.


Como chegar

Via terrestre: Vindo do norte ou do sul, a via de acesso é a BR 101. Para Prado, Alcobaça e Caravelas, o município de Itamaraju (a 733 km da capital) é a porta de entrada para quem vem do norte. Para quem vem do sul, o melhor acesso é Teixeira de Freitas (a 884 km de Salvador). Via aérea: O Aeroporto Internacional de Porto Seguro reúne alternativas de companhias aéreas nacionais e internacionais. Há também aeroportos em Teixeira de Freitas, Mucuri e Caravelas.

Fotos Jota Freitas

As águas tranqüilas do pôr-do-sol de Caravelas

Água límpida e transparente permite mergulho na superfície

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Turismo Religioso

Monte Santo: Via Crucis do sertão

As chamas da devoção iluminam as janelas das casas Jota Freitas

Localizado numa das regiões mais pobres do país, em pleno sertão da Bahia, o município de Monte Santo está assentado nos arredores da Serra Piquaraçá, uma montanha de formação quartzítica, distante 352 km de Salvador. O município ganhou notoriedade no final do século XVIII, precisamente em 1775, quando recebeu a visita do Frei capuchinho italiano Apolônio de Todi e dos beatos que o seguiam. Na verdade, o Frei se encontrava na aldeia indígena de Massacará, hoje situada no município de Euclides da Cunha, quando foi convidado pelo fazendeiro Francisco da Costa Torres a realizar uma missão de penitência na Fazenda Lagoa da Onça, de sua propriedade. Ali chegando, o Frei encontrou uma grande seca e

Rita Barreto

O município reúne, anualmente, milhares de peregrinos de todo o país

Município possui grande altitude

O caminho de pedra que leva ao alto do monte 44 | Viver Bahia

O município de Monte Santo situa-se na região nordeste do Estado da Bahia, numa altitude de aproximadamente 500 metros acima do nível do mar. A temperatura média anual é de 24°C e a pluviosidade é variada. Possui uma área total de 3.285,40 km2 de extensão. Faz limite com mais sete municípios: Euclides da Cunha, Itiúba, Andorinha, Uauá, Cansanção, Canudos e Quijingue. A economia é baseada no comércio e na agropecuária, com a produção de milho, feijão, mandioca e a pecuária extensiva. A população possui extremo carisma e é reconhecida pela mistura de fé, sacrifício e devoção.


Rita Barreto

Peregrinos em procissão com a imagem de Nossa Senhora

devido à escassez de água no local e não realizou a missão. Resolveu, então, seguir com os beatos e fiéis para um logradouro de gado, situado ao pé da Serra Piquaraçá, onde diziam existir água em abundância. Ao avistar o monte, Apolônio observou que ele lembrava o Monte das Oliveiras, símbolo cristão do calvário de Jesus Cristo, e resolveu subir em procissão até o seu cume. Durante a subida, porém, ele e seus seguidores se depararam com uma forte tempestade de ventos. O grupo, então, ajoelhouse e começou a rezar. Em poucos minutos a chuva parou. Interpretado como um milagre, a notícia do acontecimento propagou-se rapidamente por toda região e o local passou a atrair milhares de fiéis. Contando com a ajuda dos beatos e fiéis, Apolônio de Todi decidiu reproduzir ali a Via Crucis, à imagem e semelhança da Paixão de Cristo, para

transformar aquele monte em um sacro-monte, rebatizado de Monte Santo. Para isso, construiriam uma igreja no ponto mais alto do monte, já denominada de Santa Cruz. Para chegar a ela, construiriam também um caminho de pedras, além de uma outra igreja, no início da subida, e mais 22 capelas no percurso. Desde o início, o Frei determinou que a primeira capela deveria ser dedicada às almas. As sete seguintes representariam as dores de Nossa Senhora, enquanto as 14 restantes lembrariam o sofrimento de Jesus, na sua caminhada para o Monte Calvário, em Jerusalém. Em 10 de novembro do mesmo ano, dia dedicado a Todos os Santos, o Frei inaugurou a versão preliminar da obra, pedindo aos fiéis que todos os anos, naquela data, fossem visitar o local. Viver Bahia | 45


Calendário religioso abrange o ano todo

Fotos Jota Freitas

Turismo Religioso

Apesar do ponto alto do calendário religioso do local acontecer no final de outubro e início de novembro, com a Festa de Todos os Santos e a tradicional romaria, a cidade recebe milhares de fiéis, turistas e visitantes durante o ano inteiro. Veja abaixo as datas comemorativas do calendário religioso cristão: Quaresma | Durante as sete sextas-feiras da Quaresma, os fiéis sobem o monte em procissão, rezando a Via Sacra até a capela principal, onde são celebradas as missas. Nas quartas-feiras, vias sacras e missas são realizadas na Igreja Matriz. Na sexta-feira que antecede a Sexta-feira Santa, a missa é celebrada na Igreja de N.S. das Dores e, em seguida, a imagem da santa desce em procissão para a Igreja Matriz.

A Igreja da Matriz, local de louvor e devoção

Semana Santa | A programação religiosa começa no Domingo de Ramos, com missa e procissão. Na quarta-feira, denominada pelos moradores de Quarta-feira de Trevas, acontece uma Via Sacra da imagem secular de Senhor dos Passos, pelas ruas e praça da cidade. No dia seguinte, quinta feira, é realizada a Missa com Lava-Pés, a Procissão do Encontro e Canto de Verônica. Na Sexta-feira da Paixão, às 4 da manhã, ao som da matraca, os fiéis sobem o monte, levando as imagens do Senhor Morto, São João Evangelista e Nossa Senhora da Soledade, acompanhados de banda de música. Às 15h, acontece o ato da Paixão e Morte de Cristo e a procissão que o leva ao sepulcro. O Sábado de Aleluia é marcado pela Missa da Ressurreição, seguida de procissão e da tradicional queima do Judas, com direito à leitura de seu “testamento”. A programação é encerrada no Domingo de Páscoa, com missa solene, na Igreja Matriz. Maio | Durante todo o mês, é realizado o Novenário de Nossa Senhora, culminando com a coroação de Nossa Senhora da Conceição, no dia 31, na Igreja Matriz. 46 | Viver Bahia

Visão panorâmica da Via Crucis do Sertão


Fotos Rita Barreto

A participação das ordens religiosas

A devoção das crianças da região

Junho | Além da Trezena de Santo Antônio, que acontece nos dias que antecedem o dia 13, a cidade comemora durante todo o mês a Festa do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro da cidade. As festas juninas do município também são bastante concorridas e contam com apresentações de quadrilhas, forró e shows de artistas renomados.

Setembro | Dia 14 é realizada a Exaltação da Santa Cruz, com romaria e missa, no Santuário da Santa Cruz. Outubro e novembro | Além da peregrinação dos fiéis e dos eventos religiosos, acontece uma programação paralela com apresentações musicais e teatrais, além de shows de grandes bandas.

Informações

úteis Como chegar

Carro particular: Partindo de Salvador, pela BR 324 até Feira de Santana. De lá pela BR 116 até encontrar a BA 120 por Queimadas (373 km) ou a BA 220 por Caldas do Jorro. As principais estradas municipais, estaduais e federais de acesso ao município de Monte Santo são: BA 120, liga Monte Santo a Cansanção (36 km); BA 220, liga Monte Santo a Euclides da Cunha (37 km); BA 120, liga Monte Santo a Nordestina (76 km); BA 220, BR 116, BR 324: ligam Monte Santo a Salvador (352 km); BA 220, BR 116, ligam Monte Santo a Serrinha (190 km). Transporte rodoviário: Monte Santo é servido

por transporte rodoviário interurbano e interestadual. O sistema interurbano é feito por ônibus que transportam passageiros das diversas localidades rurais até a sede municipal, principalmente às sextas-feiras, dia de feira livre na cidade. A empresa São Matheus possui linhas que ligam, diariamente, Euclides da Cunha - Monte Santo - Cansanção Itiúba - Senhor do Bonfim. Essa empresa é ainda responsável pela linha Monte Santo - Salvador, que conta, diariamente, com diversos horários de saída. O transporte interestadual é feito pela empresa Gontijo, com deslocamento diário de Monte Santo

para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Na cidade de Monte Santo existe apenas um Terminal Rodoviário. Nos últimos anos, peruas particulares, tipo Van, deslocando-se para cidades próximas e também para Salvador, introduziram o transporte alternativo em Monte Santo. Este tipo de transporte destaca-se pelo conforto e comodidade de busca e entrega do passageiro nos locais desejados. Mais informações pelos telefones: (75) 3275 - 1416 - 9117-9466 / 3275 - 1224 / (71) 9948 – 9927.

Acesso aéreo: No município existe um campo de pouso localizado próximo da zona urbana, com pista em cascalho de 1 quilômetro de extensão. Esse campo é pouco utilizado.

Onde ficar

Hotel Grapiuna: (75) 3275 - 1157 Pousada Pingo D’ Água: (75) 3275 - 1106 Pousada Santo Antônio: (75) 3275 - 1800 Pousada Moura: (75) 3275 - 1121

Onde comer

Bar e Restaurante Moura Bar e Restaurante do Marcelo Bar Restaurante e Pizzaria do Amaral Bar e Restaurante da Rodoviária Churrascaria Central Churrascaria O Terraço Churrascaria do Tan

Viver Bahia | 47


Turismo Étnico

Revolta dos Malês O conflito liderado pelos escravos mulçumanos ainda é referência para o povo negro da Bahia

O

movimento que ficou conhecido como Revolta dos Malês foi a última das várias rebeliões de escravos registradas no século XIX, na Bahia. O movimento ocorreu em Salvador, na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835, mas ainda hoje é uma grande referência para a população afrodescendente baiana. Os principais personagens dessa revolta foram escravos adeptos do Islamismo, que ocuparam as ruas da cidade e, durante mais de três horas, enfrentaram soldados e civis armados. Conhecidos como malês, os revoltosos pretendiam libertar os escravos, acabar com o catolicismo - religião que era imposta aos africanos desde o momento em que chegavam ao Brasil -, confiscar os bens de brancos e mulatos e implantar uma república islâmica na Bahia. Apesar da curta duração, esse foi o levante de escravos urbanos mais sério ocorrido nas Américas. Segundo o historiador João José Reis, autor do livro Rebelião Escrava no Brasil, cerca de 600 escravos participaram do conflito, o que representava nada menos que 1,25% da população da época, estimada em 65.500 habitantes. Desse total, 70 morreram e mais de 500, numa perspectiva conservadora, foram punidos com penas de morte, prisão, açoites e deportação. Para se ter idéia da dimensão do movimento, se uma rebelião das mesmas proporções acontecesse hoje em Salvador, mais de 31mil pessoas sofreriam as punições impostas aos revoltosos. A revolta teve repercussão nacional. No Rio de Janeiro a notícia provocou alvoroço e, temendo que o exemplo baiano fosse seguido, as autoridades cariocas passaram a exercer vigilância estreita sobre os negros. A rebelião

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Brochura editada nos 175 anos da revolta

baiana também reavivou os debates sobre a escravidão e o tráfico de escravos no Parlamento Nacional. Em todo o Brasil, os escravos da Bahia tornaram-se famosos pela rebeldia bem antes do início desses movimentos de protesto. Embora freqüentes em tempos anteriores, as rebeliões se multiplicaram a partir do início do século XIX. O aumento nas importações de africanos, a intensificação do trabalho, o clima de divisão entre os setores livres da população são alguns dos principais fatores que explicam essas rebeliões.

Os preparativos A rebelião de 1835 estava planejada para acontecer no amanhecer do domingo, 25 de janeiro, dia dedicado a Nossa Senhora da Guia. Essa era, naquela época, uma grande celebração, parte do ciclo de festas do Bonfim, bairro ainda rural, distante cerca de 8 km do centro urbano de Salvador. Domingo de Nossa Senhora da Guia seria, então, um bom dia para os escravos se rebelarem, já que estariam mais livres da vigilância senhorial. “A escolha de dias santos, domingos e feriados para o exercício da rebeldia fazia parte do modelo de movimentação política dos escravos na Bahia e no mundo”, afirma Reis. Ao contrário dos rebeldes modernos, que concentram seus protestos nos dias de trabalho, através de greves ou outros movimentos


Escravo malê, reproduzido em pranchas de Debret

paredistas, os rebeldes escravos agiam principalmente durante o tempo de lazer. A festa de Nossa Senhora da Guia tinha começado no sábado, e à noite uma multidão de devotos já se encontrava nas proximidades da igreja. “Era uma dessas celebrações públicas, que misturavam uma vez por ano gente de condições sociais diversas”, lembra o historiador. Em 1835, no entanto, foi diferente. Enquanto os senhores celebravam a santa, os escravos conspiravam para fazer do acontecimento do dia seguinte uma grande surpresa para os seus senhores. Na manhã daquele mesmo sábado, porém, os rumores sobre o movimento já corria à boca pequena. O bairro comercial da Conceição da Praia, principalmente o cais do porto, era o centro dos comentários na cidade. Ali, todos já adiantavam as intenções do escravo malê de origem nagô Ahuna, conhecido pela alcunha de Maioral, que chegaria de Santo Amaro, município do Recôncavo baiano, onde estava cumprindo castigo, para promover uma rebelião. Os rumores também davam conta de que o foco disseminador da rebelião seriam os malês, cuja maioria era formada pelos negros de ganho, como eram chamados os escravos que exerciam tarefas diversas fora das casas senhoriais,

mediante pagamento de diária ao seu senhor. Por prestar esses tipos de serviços, tinham mais liberdade que os negros das fazendas e podiam circular por toda a cidade com certa facilidade, embora tratados com desprezo e violência. Alguns deles economizavam a pequena parte dos ganhos que seus donos lhes deixavam, para comprar a alforria. Era o caso do líder rebelde, Manoel Calafate, mestre malê de origem nagô, o liberto em cuja casa a rebelião começou. De acordo com o plano inicial, os revoltosos sairiam de várias partes da cidade e se reuniriam no bairro da Vitória. De lá, seguiriam para o centro da cidade e depois para a área da Água de Meninos. Invadiriam chácaras e libertariam os escravos. Para isso, arrecadaram dinheiro e compraram armas para os combates. O plano do movimento foi todo escrito em árabe. Esse tipo de precaução, no entanto, não evitou que a notícia se espalhasse. Como a proposta era arregimentar o maior número possível de escravos malês para a rebelião, obviamente as pretensões do grupo não ficariam mantidas em sigilo, sobretudo dos negros alforriados, que circulavam livremente na cidade, mas mantinham uma relação de extrema gratidão com seus antigos senhores. Segundo relata João Reis no seu livro, os Viver Bahia | 49


Turismo Étnico

O Islã da Bahia Em 1835, os africanos mulçumanos eram conhecidos na Bahia como “malês”. Segundo Verger, o termo tem origem na expressão iorubá Imale, que designa Islã ou mulçumano. Frequentemente, na Bahia, o termo é associado a africanos de origem haussá. Para Verger e Reis, no entanto, o termo Documento não se refere a nenhuma etnia dos revoltosos escrito em árabe africana em particular. Era utilizado para designar qualquer africano que tivesse adotado a fé islâmica. Assim, havia nagôs, haussás, jejes, tapas e, possivelmente, mandingos, que eram malês. A revolta de 1835 na Bahia coincide com o processo de expansão islâmica na África Ocidental. No bojo do fluxo de escravos para o Brasil, centenas de africanos mulçumanos chegaram à Bahia e aqui tentaram reproduzir a tradição islâmica. O islamismo não se constituía numa força religiosa hegemônica entre os africanos na Bahia. Na melhor das hipóteses, segundo Reis, representava uma corrente de peso num ambiente cultural que também incluía o culto dos orixás nagôs, o vodun dos jejes, o culto dos inquinces dos angolanos, além do próprio catolicismo crioulo, originado do sincretismo religioso estabelecido pelos iorubás. A identificação do termo malê com os haussás decorre, de acordo com João Reis, de este ser o único grupo étnico, cujos membros parecem ter, na maioria, abraçado o Islã antes de chegar à Bahia. O historiador, porém, chama a atenção para o fato de que, mesmo islamizados, os haussás continuavam ligados ao culto dos nativos, o bori, que não deve ser confundido com o ritual do candomblé que leva o mesmo nome. Além dos haussás, especula o historiador, talvez os nupes, chamados de tapa na Bahia, e os bornus, ambas etnias pouco representativas entre os escravos baianos, já eram mulçumanos nos seus países de origem.

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O dia-a-dia dos escravos de “ganho”, por Rugendas

comentários começaram a circular no cais do porto, graças aos escravos de saveiros que registraram o intenso e inédito movimento de escravos do Recôncavo, que teriam vindo a Salvador se juntar a Maioral e promover um levante na manhã daquele domingo. Foi ali que o escravo forro Domingos Fortunato ouviu os boatos e contou à sua mulher, a também forra Guilhermina Rosa de Souza. De devota lealdade aos antigos senhores, não titubearam em correr para contar a novidade. Aos dois, juntou-se também Sabina da Cruz, outra liberta nagô, mulher de Vitório Sule, um dos integrantes do movimento. Sabina havia brigado com o marido e, por vingança, quando soube que ele estava na casa de Manoel Calafate, o núcleo central da conspiração, foi com a comadre Guilhermina contar o que sabia ao juiz de paz José Mendes da Costa Coelho que, por sua vez, levou a notícia ao presidente da província, Francisco de Souza Martins.

A rebelião Não tardou muito para que a Guarda Municipal chegasse à casa de Manoel Calafate. Naquele exato momento, os rebeldes estavam se preparando para o combate, realizando a ceia de encerramento do Ramadã, o período de jejum no calendário mulçumano. A casa do mestre malê ficava na Ladeira da Praça, nas proximidades da Praça do Palácio (hoje Praça Municipal), onde ficava a sede do governo. Entretanto, quando os soldados iam arrombar a porta, segundo o relato de João Reis, um número estimado entre 50 e 60 africanos saiu atirando e agitando espadas, aos gritos de “mata


Os mensageiros de Alah

O confronto entre revoltosos e policiais, por Debret

Apesar da grande repercussão do movimento malê na Bahia, poucos conhecem os principais líderes da rebelião. O anonimato histórico desses personagens decorre de dois fatos. Primeiro, da estratégia das autoridades governamentais de dar pouca visibilidade ao movimento e, consequentemente, aos seus líderes, para evitar a sua mitificação. Segundo, o pouco interesse dos africanos em ajudar a polícia com informações reais sobre os companheiros. Entretanto, com base nos depoimentos recolhidos pelas autoridades policiais, o historiador João José Reis e o etnólogo Pierre Verger conseguiram traçar um pequeno perfil dessas lideranças: Ahuna (ou Aluna) - Era, sem dúvida, o rebelde mais procurado pelas autoridades. Pela descrição dos africanos interrogados após a revolta, ele era um homem de estatura “ordinária” e possuía quatro cicatrizes em cada lado do rosto, marcas tribais. Era nagô, escravo em uma casa próxima ao Pelourinho, e ia freqüentemente ao Recôncavo, onde o seu senhor possuía um engenho. Segundo Reis, é possível que ele ocupasse a posição de Almami (Iman em árabe), líder máximo da comunidade islâmica na Bahia. Na rebelião atuou com principal líder, mas possivelmente conseguiu fugir.

Os maus-tratos foi a principal causa da rebelião

soldado” e palavras de ordem em língua africana. Outro grupo escapou do cerco, pulando o muro do quintal e surpreendendo a população e a própria Guarda Municipal. E assim foi em vários pontos da cidade. Mas na tentativa de tomar de assalto a cadeia e libertar os presos, os africanos foram cercados pelos dois lados. A estratégia prevista pelos rebeldes previa a luta corpo-acorpo, já que dispunham de poucas armas de fogo. Em contrapartida, os militares estavam fortemente armados e atiravam à distância. Apesar de atingir vários pontos da cidade, a rebelião foi sufocada em poucas horas. Ainda hoje é difícil calcular o número exato de africanos mortos, feridos e punidos no levante de 1835. Para o historiador João Reis, os mortos somaram mais de 70, pois os que morreram posteriormente não foram contabilizados nos relatórios oficiais. Porém alguns nomes podem ser retirados do anonimato completo, como Vitório Sule, Dassalú, Nicobé, Flamé, Batanhos, Mama Adeluz e Combé, a maioria escrava dos ingleses que moravam no bairro da Vitória.

Pacífico Licutan - É descrito como um homem de físico impressionante. Já idoso na época da rebelião, era alto, magro e possuía sinais bem visíveis no rosto. Era escravo de origem iorubá, trabalhava como enrolador de fumo no Cais Dourado e morava no Cruzeiro de São Francisco com o seu senhor, o médico Antonio Varella. Na hierarquia da comunidade malê da Bahia, Licutan devia ocupar o posto de Bilãl, o auxiliar do Iman, aquele que comanda os fiéis na reza. Luís Sanim - Era grande amigo de Licutan e, com ele, trabalhava enrolando fumo. Morava na Rua do Pão-de-Ló, com o seu senhor Pedro Ricardo da Silva. Apesar da idade avançada e do longo tempo na Bahia, mal falava o português, embora se comunicasse com fluência em haussá e iorubá. Talvez ocupasse o cargo de sacerdote, pois foi freqüentemente referido como “mestre de ensinar aos outros a reza dos malês”. Manoel Calafate - Tratado por pai Manoel, o liberto Manoel Calafate era iorubá. Sua casa na Ladeira da Praça era um ativo centro de reuniões mulçumanas. Calafate por ofício (atividade que tem origem no trabalho dos marinheiros que preenchiam as frestas dos barcos com estopa e piche para vedá-las), exerceu papel de destaque no período que precedeu à rebelião, atuando como mensageiro entre os africanos de Salvador e Santo Amaro. Elesbão do Carmo (Dandará) - Liberto de origem haussá, era o mais próspero dos rebeldes. Morava no caminho do Novo Gravatá, com a mulher Emereciana, e possuía uma loja de fumo no Mercado Santa Bárbara, na Conceição da Praia. Ali ele reunia discípulos para orações, leituras e aulas de árabe. Preso durante a rebelião, foi o único a confessar que desenvolvia as atividades de “mestre malê” em sua terra e era um dos representantes do Islã no Recôncavo, aonde sempre ia a negócios. Viver Bahia | 51


Enoturismo

À sombra das parrei O mais novo roteiro turístico da Bahia leva desenvolvimento para a região

P

assear pelos vinhedos, participar da colheita da uva, conhecer de perto o preparo do vinho e degustar da produção local de tintos, brancos e espumantes. Este roteiro, que até poucos anos atrás, só seria possível na Europa ou no sul do Brasil, já é uma realidade na região Norte da Bahia, mais precisamente no Vale do São Francisco, o segundo maior pólo produtor de vinho nacional. Inaugurado em outubro pelo governador Jaques Wagner e pelo secretário de Turismo, Domingos Leonelli, o Enoturismo, além de possibilitar mais opções de roteiros turísticos no estado e vai movimentar também a economia da região e gerar emprego e renda para a população local.

As videiras ocupam área irrigada do semi-árido baiano

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O Roteiro do Vinho Nordestino tem como modelo o receptivo da Vinícola Ouro Verde, sede do projeto industrial das empresas gaúchas Miolo e Lovara, sediadas em Casa Nova, que inclui salas de degustação, lojas de produtos associados ao vinho e visitação aos parreirais. Aliado à produção de vinho, o visitante poderá também degustar as comidas típicas do sertão da Bahia, como a carne de bode e de carneiro e a tradicional maxixada, entre outras iguarias, servidas nos restaurantes dos municípios da região. O novo roteiro inclui ainda city-tour na cidade de Juazeiro, terra natal de João Gilberto e Ivete Sangalo, e visita à Barragem de Sobradinho, com direito à vista panorâmica do Lago que leva o mesmo nome, o segundo maior lago artificial do mundo. Na barragem também está localizado o único sistema de eclusagem do Norte/Nordeste (ver matéria ao lado). Dentro da política de ampliação e consolidação de mais um roteiro turístico no Estado, a Secretaria de Turismo e a Bahiatursa colocaram este destino na


Fotos Jota Freitas

ras do São Francisco

O visitante poderá degustar e adquirir os vinhos e espumantes

lista de prioridades. O projeto de expansão baseiase na estratégia de mercado chamada The dream society, a “sociedade dos sonhos”. O estudo aponta uma nova onda de consumidores que desejam pacotes formatados de acordo com os seus interesses, levando em consideração a possibilidade de viver novas experiências. O mercado enxerga um consumidor mais exigente e ciente da possibilidade de construir suas aventuras e vivenciar as suas próprias emoções. Para o secretário de Turismo, este novo segmento trará novas alternativas econômicas para a comunidade carente do Velho Chico. “Todos os agentes de uma cadeia produtiva estarão sendo beneficiados com o aumento do fluxo, pois a visitação gera empregos, implantação de novas pousadas e hotéis, aumento do número de vôos e rotas rodoviárias, produção artesanal, melhorias urbanas, atração de eventos e demanda por escolas/faculdades.”, explica Leonelli.

Secretários e dirigentes acompanharam o processo produtivo Viver Bahia | 53


Enoturismo

Investimento gera emprego e renda As empresas gaúchas Miolo e Lovara fizeram alto investimento e pretendem apostar ainda mais no projeto. “A beleza da região e sua vocação como produtora de vinhos finos a torna um ponto turístico potencial para o brasileiro e para os estrangeiros”, afirma o sócio-proprietário da Vinícola Lovara, integrante da Miolo Wine Group, Eurico Benedetti. Hoje, a Vinícola Fazenda Ouro Verde desponta como principal segmento do grupo na produção de vinhos jovens, brancos e tintos, e um promissor celeiro de produtos derivados, alvo, inclusive, de parcerias internacionais. Uma produção de vinhos jovens, que bateu recordes de comercialização no território nacional, seduziu parceiros estrangeiros e conquistou

consumidores da França, Alemanha, República Tcheca e Estados Unidos. Desde que o semi-árido baiano mostrou o seu grande potencial como produtor de frutas de boa qualidade, as uvas ganharam um papel de destaque junto aos compradores internacionais. O projeto vive agora um novo momento de ampliação para abrigar novas tecnologias, aumentar a capacidade instalada e diversificar a produção. O complexo integra um investimento de R$ 30 milhões, iniciado em 2001, e prevê a ampliação da capacidade da vinícola para 10 milhões de litros/ano. Ao todo, o projeto gera 300 empregos, sendo 150 diretos e 150 indiretos. O alto teor de açúcar é a principal marca dos vinhos do Vale do São Francisco, característica provocada pela exposição ao sol durante mais de três mil horas por

Além do roteiro de vinhos, o visitante poderá desfrutar de atrações locais de Juazeiro e Casa Nova

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Fotos Jota Freitas

Desde a colheita até o produto final, o uso da mão-de-obra local

ano. A qualidade dos vinhos vem sendo reconhecida com a conquista de inúmeras medalhas de ouro e de prata em concursos nacionais e internacionais. Os vinhos produzidos são Reserve Cabernet Sauvignon/Shiraz, Shiraz, Dry Muscat e Late Haverst e os espumantes Moscatel, Brut e Demi-sec. Para a presidente da Bahiatursa, Emília Silva, a região do Vale do São Francisco possui bons hotéis e vai ficar ainda melhor. “A atividade turística tem o poder de fomentar o desenvolvimento e levar melhorias. Cada vez que o fluxo aumenta, a economia cresce e a população passa a investir mais no seu próprio negócio. O Enoturismo é um segmento recente no turismo mundial. Surgiu em 1995, na Itália, e se disseminou. No Brasil já existe a experiência do Vale dos Vinhedos, que alavancou o desenvolvimento no interior do Rio Grande do Sul. Atualmente, o fluxo é de 130 mil turistas por ano, com toda a infraestrutura necessária. Aqui nós faremos a mesma coisa!”, assegura.

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Enoturismo

A região dos Lagos do São Francisco é composta pelos municípios de Juazeiro, Casa Nova, Paulo Afonso, Remanso, Santa Brígida, Curaçá e Sobradinho. Em toda área, a culinária típica, o artesanato, o folclore, os vinhedos e a cultura popular são fortes atrativos. O Enoturismo permite aos visitantes aprender um pouco mais sobre a cultura do vinho, com visitas guiadas às unidades de produção. As uvas são típicas da região do Vale do São Francisco e estima-se que nessa região, composta por Bahia e Pernambuco, o fluxo turístico aumente para cinco mil pessoas por mês. A cultura nordestina está presente nas festas típicas dos meses de junho e julho, época tradicional de celebração das colheitas, com manifestações expressas através da música e da dança, a exemplo das quadrilhas e dos forrós. No Rio São Francisco, diversas cidades oferecem programação de lazer aos visitantes, desde os saltos de bungee-jumping, do alto de pontes, até as reuniões em barzinhos e restaurantes para contemplar o pôr do sol e comer pratos típicos, como os assados de bode e os saborosos peixes de água doce, com destaque para o surubim, peixe nobre do São Francisco. Os roteiros incluem city-tour na cidade de Juazeiro e visita à Barragem de Sobradinho, onde se pode apreciar a vista do segundo maior lago artificial

Fotos Jota Freitas

Atrações potencializam roteiro

O governador Jaques Wagner participou da inauguração do receptivo da vinícola Miolo/Lovara

do mundo, o Lago de Sobradinho, e a eclusagem, um sistema de engenharia hidráulica que é acionado para que as embarcações possam transpor os desníveis causados pela barragem e seguirem para Juazeiro, onde se encontra o principal porto fluvial da região. No final do dia, ao pôr-do-sol, um passeio de barco no Velho Chico é imprescindível para apreciar o belo cenário entre o céu, a terra e o rio. Fazer trilhas na Serra do Mulato e seus sítios arqueológicos, com pinturas rupestres, visitar a Bio Fábrica da Moscamed (desenvolvida em laboratório para o combate a pragas da fruticultura) e ainda as fazendas irrigadas e produtoras de frutas orgânicas, também integram os roteiros para quem vai ficar mais tempo na região. Veja a seguir outras atrações da região:

Tonéis de armazenamento dos vinhos produzidos pela Miolo/Lovara

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Fotos Jota Freitas

As belezas naturais da região são atrações integrantes do roteiro

Juazeiro | A terra da cantora Ivete Sangalo e do maior intérprete da bossa nova, o internacionalmente respeitado João Gilberto, transformou-se em um moderno pólo agroindustrial, com intensa atividade de exportação. Distante 500 km da capital, Juazeiro modernizou-se com a urbanização da orla fluvial e com o novo visual dos arcos da ponte presidente Eurico Gaspar Dutra, ocupados por pequenos bares e restaurantes. Localizada às margens do São Francisco, a cidade hospeda muito bem os amantes do vinho, pois a região emerge como rota principal do enoturismo no Nordeste brasileiro. O município situa-se na divisa entre os estados da Bahia e Pernambuco. Com mais de 200 mil habitantes, o nome da cidade se deve aos frondosos juazeiros, árvores existentes em todo o município. É considerada também a “capital das carrancas”, singular expressão da arte mística, feias expressões faciais esculpidas em madeira, usadas para “espantar os maus espíritos” nas proas das embarcações que singram o Velho Chico. Museu Regional do São Francisco | Peças de navegação, carrancas e fósseis. Praça Imaculada Conceição, 29 Rio São Francisco | O Velho Chico, de ricas histórias e lendas, apresenta um roteiro turístico fascinante tendo seu trecho navegável de Pirapora(MG) a Juazeiro (BA). Ilha do Fogo | Uma das mais belas ilhas do Rio São Francisco marca a divisa entre os estados da Bahia e o de Pernambuco. Está localizada entre as cidades de Juazeiro-BA e Petrolina-PE. Possui uma área praiana com terreno acidentado, formado por uma rocha única, elevando-se ao poente em morro de aproximadamente 20 metros de altura, onde está fixado um cruzeiro iluminado, que servia de orientação aos navegantes. Dispõe de bar e restaurante. A ponte Presidente Eurico Gaspar Dutra passa sobre esta ilha. Ilha do Rodeadouro | A oito quilômetros de distância da

cidade de Juazeiro, é a principal opção de lazer do município. Com razoável infra-estrutura, a Ilha possui muitos bares, que servem comidas típicas da região, principalmente as extraídas do Rio São Francisco. Ilha de Nossa Senhora das Grotas | É mais uma das ilhas procuradas pela beleza de suas praias. A dois quilômetros da sede, possui uma exuberante vegetação variada com predominância de mangueiras e cajueiros, área de praias de areias limpas e águas cristalinas. Horto Florestal | A 32 km da sede, na região do Salitre, encontra-se exuberante amostragem da natureza tropical com predominância de coqueiros, mangueiras e goiabeiras. Cachoeira do Salitre | Estrada para Sobradinho, 40 km. Ilha Culpa o Vento | Estrada para Curaçá, Projeto Mandacaru, 10 km e mais 5 minutos de barco. Ilha de Curaçá | Estrada para Curaçá, 95 km e mais 10 minutos de barco. Casa Nova | O novo destino enoturístico do interior baiano, Casa Nova, é um dos pontos mais remotos da Bahia. Situado nas fronteiras com o Piauí e Pernambuco, o município possui seu principal povoamento na barranca do Rio São Francisco, enquanto seu grande território se estende sertão adentro, com caatingas, várzeas, chapadas e serras dignas das melhores descrições de Euclides da Cunha. Reinado de vaqueiros vestidos em roupas de couro, debaixo de sol intenso, pegando gado “malabar” em ermos, onde, até hoje, se encontram vastidões de flora e fauna intocadas, como nas mais inspiradas histórias de Guimarães Rosa. Possui o maior rebanho de caprinos de todo o Brasil, e agora vive um período de desenvolvimento baseado na irrigação, que lhe trouxe, entre outras frutas, as milagrosas videiras, capazes de produzir vinhos extraordinários pela doçura e luminosidade. O incentivo a esta atividade enoturística, que interliga Casa Nova diretamente ao grande pólo representado por Juazeiro e Petrolina, é fundamental para o desenho do novo perfil sócioeconômico da região. Viver Bahia | 57


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cOMIDA DI bUTECO

A costelinha de porco com farofa de manteiga, do Bar de Fará, localizado no bairro do IAPI, recebeu o título de melhor tira-gosto da cidade no festival gastronômico Comida di Buteco, promovido pela CdB Produções Gastronômicas, com o patrocínio da TIM e Hipercard, e apoio do Senac, Sebrae, Bahiatursa e da cerveja Nobel, da Schincariol. O segundo colocado foi o bar Koisa Nossa, da Mouraria, com o tiragosto Pastel de polvo. Em terceiro lugar ficou o bar A Venda, da Boca do Rio, com o prato Maniçoba. Já o quarto colocado foi o Bar do Peixouto, do Stiep, com o prato Escondidinho de carne de avestruz. Em quinto, foi escolhido o Bar do Piauí, na Pituba, com a criação Salada de siri catado. Criado em 2000, em Belo Horizonte, pelo gastrônomo Eduardo Maya e a publicitária Maria Eulália Araújo, o festival tem o objetivo de resgatar e valorizar a culinária de raiz. Para a publicitária, Salvador, pela sua vocação “botequeira”, com botecos espalhados por toda a cidade, sendo freqüentados por diversos públicos de diferentes faixas etárias e que buscam uma culinária regional autêntica, repetiu o mesmo sucesso do Comida di Buteco de BH. Além do foco gastronômico, o Comida di Buteco tem vertentes econômicas e culturais. Um exemplo disto é o estímulo dado aos botecos para 60 | Viver Bahia

Rita Barreto

Festival gastronômico elege melhor tira-gosto da cidade

O boteco Bar de Fará foi o vencedor do concurso

se tornarem sustentáveis, através de cursos de capacitação de seus profissionais e da melhoria do serviço prestado. Os 31 botecos que disputaram o título em Salvador foram avaliados pelo público freqüentador e por um júri formado por profissionais da gastronomia, boêmios, “botequeiros” e formadores de opinião. Além dos tira-gostos, foram avaliados também itens como a higiene do local, o atendimento ao cliente e a temperatura da bebida. O sucesso do evento pode ser mensurado através dos 20 mil votos recebidos pelo público e pelos jurados durantes os 31 dias do evento. O público experimentou o tira-gosto selecionado para participar do concurso e em seguida votou, conferindo uma nota de zero a 10 nas quatro

categorias avaliadas. As cédulas de votação foram depositadas nas urnas localizadas nos próprios botecos. A apuração foi pelo Instituto Vox Populi, por meio de média ponderada. O boteco vencedor foi aquele que conseguiu a melhor média tanto no voto popular como no do júri, com peso de 70% e 30%, respectivamente. O secretário de Turismo Domingos Leonelli participou da festa de premiação do festival, realizada no Forte São Diogo, no Porto da Barra, na noite de 8 de outubro, e entregou o troféu ao campeão do festival gastronômico, o Bar de Fará. “Um evento como este contribui para a divulgação da boa culinária de Salvador e pode se tornar mais um importante fator na atração de turistas para a Bahia, movimentando o comércio e gerando emprego e renda à população”, afirmou.


cOMIDA DI bUTECO

Os botecos e seus petiscos Rita Barreto

Aconchego da Zuzu | Casquinha de Siri da Zuzu. Rua Quintino Bocaiúva, 18 - Fazenda Garcia

Botequim Opção Informal | Baipin com moela (Aipim envolto em tiras de bacon com moela ao molho especial). Rua Leopoldo Miguez, 198, lj 02 e 03 - Stiep

Armazém 437 | Meninico de Carneiro - Miúdo de carneiros em tiras amarrado pela própria tripa em forma de trouxinha com pirão. Rua Jogo do Carneiro, 437, térreo - Saúde Bacalhau de Martelo | Boli, nho de Bacalhau. Rua Dr. Odilon Santos, 205, lj 14 Shopping Rio Vermelho

Divulgação

Bar de Fará | Costelinha de porco com farofa de manteiga. Rua Aristides de Oliveira, 1.185 - Jardim Santa Mônica, IAPI

Djalma’s Drinks | Camarão abafado ao molho. Rua Minas Gerais, 352 - Pituba Don Papito | Polvo a Don Papito. Avenida Otávio Mangabeira, 06, térreo - Piatã Dona Mariquita | Passarinha à vinagrete (Baço de boi frito com vinagrete e farofa de manteiga). Rua do Meio, 178 - Rio Vermelho

Bar do Careca | Rabada efervescente com osso de patinho. Rua Greenfeld, 170 – Morro do Gavazza Costelinha de porco com farofa de manteiga foi o vencedor

Bar do Edinho | Rabada com fato. Conjunto Ceasa do Rio Vermelho, 830 - Rio Vermelho

nha (Feijão fradinho, carne de sol, frango, calabresa e vinagrete). Rua Caetano Moura, 34 - Federação

Bar do Jonas | Filezinho Aperitivo - filet mignon acebolado. Rua Professor Gerson Pinto, lote 7, quadra 41 - Costa Azul

Bar Koisa Nossa | Pastel de polvo. Travessa Engenheiro Alione, 1 - Mouraria

Bar do Peixouto | Escondidinho de carne de avestruz. Rua Solimões, 62 - Stiep

Cantina da Lua | Croquete de bacalhau. Praça Quinze de Novembro, 2, Terreiro de Jesus - Pelourinho

A entrega dos prêmios aconteceu no Forte São Diogo

Bar Cruz do Pascoal | Carne de Sol com pirão de aipim. Rua Joaquim Távora, 02, térreo - Santo Antônio

Bar do Chico | Caldo de Camarão. Rua Recife, 98 - Jardim Brasil/Barra Avenida

com farofa e vinagrete. Rua Vila São Roque, 11 Campinas de Brotas

Bar Kurau | Pastel de carne. Avenida Dom João VI, 432 Brotas

Bar do Piauí | Salada de siri Catado. Rua Piauí, 16 - Pituba

Barbicha Grill | Coração de frango na brasa com farofa e vinagrete. Avenida Professor Magalhães Neto, 01 - Pituba

Tampinha Bar e Restaurante | Arrumadinho do Tampi-

Boteco da Graça | Cremosinho. Rua Conde Filho, 138

- Bairro da Graça Boteco do Farias | Porradão de carne mista (carne de sol e carne semi-defumada com purê de aipim com queijo coalho). Rua Martim Francisco, 15 - Fazenda Garcia Boteco do Farol | Moela ao molho acompanhada de pães. Avenida Oceania, 1 Barra Boteco do França | Carne seca com farofa d’água. Rua Borges dos Reis, 24A Rio Vermelho Boteco do Lula | Codorna

Lambreta Grill | Sinfonia do mar (Frutos do mar com azeite extra virgem). Rua Alexandre Gusmão, 70 - Rio Vermelho La Kantuta | Lingua picante (Filezinho de língua de boi com molho boliviano levemente picante). Alameda das Carolinas, 20 - Caminho das Árvores Porto do Moreira | Moqueca de miolo do Moreira. Praça do Mucambinho, 488 - Carlos Gomes (Jardim das Flores) Recanto da Lua Cheia | Siri mole à Doré. Rua Rio Negro, 02 - Monte Serrat Recanto da Tia Célia | Lombo da Tia Célia (Lombo com torrada, farofa de manteiga e vinagrete). Rua Padre Domingo de Brito, 1a travessa, 25 - Garcia Viver Bahia | 61


Disque Bahia turismo

Maior call center de turismo do Brasil A

conhecida hospitalidade do povo baiano será agora institucionalizada, através do Disque Bahia Turismo, um serviço call center, que vai funcionar 24 horas, para atender à demanda dos turistas por informações. A idéia, segundo o secretário de Turismo, Domingos Leonelli, é fazer o visitante se sentir amparado nas 11 regiões de grande fluxo turístico do estado. “Na Bahia você nunca está só. Esta é a proposta do serviço e o foco principal da campanha publicitária que ancora o Disque Bahia Turismo”, acrescenta Leonelli. Pelo telefone 3103-3103, o visitante ou qualquer cidadão baiano terá acesso a informações em português, inglês e espanhol, sobre todas as 11 zonas turísticas da Bahia. Lançado em 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo, o novo serviço da Secretaria de Turismo integra o rol de ações do Serviço de Informação ao Turista (Sintur), que capacitou os 40 operadores que inicialmente vão atender à demanda de informações sobre 136 municípios turísticos do Estado. Preparados para receber chamadas de qualquer parte da Bahia, do Brasil e do exterior, os atendentes bilíngües do Sintur fornecem informações sobre roteiros de entretenimento e lazer, como bares, restaurantes, cinemas, festas e shows, e orientam em relação aos serviços turísticos. O banco de dados do Disque Bahia Turismo é permanentemente alimentado com informações atualizadas sobre os acessos à capital e aos municípios baianos, as condições das rodovias, meios de transporte, além dos contatos úteis e emergenciais, como a Polícia Federal, embaixadas, consulados e hospitais, dentre outros serviços públicos.

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Setur investe no atendimento qualificado ao turista

O serviço abriga o maior call center de turismo do país A equipe criou um inventário completo e atualizado para atender também aos profissionais do setor de turismo, que organizam e vendem pacotes de viagem para os destinos da Bahia. Nesta primeira fase, o Disque Bahia Turismo está fornecendo informações apenas sobre as cidades de Salvador, Porto Seguro, Ilhéus, Itacaré, Maraú, Morro de São Paulo, Lençóis, Cachoeira, Camaçari e Mata de São João. Mas, a partir de 1º de dezembro,

o serviço será estendido aos demais municípios. Por estar interligado ao Sistema de Ouvidoria do Estado, o Disque Bahia Turismo pode encaminhar queixas, denúncias e sugestões sobre os serviços turísticos e públicos do Estado. Como os dois serviços estão interligados, o usuário pode acessar um ou outro através dos dois telefones. O Sintur funciona na Avenida 7 de Setembro, nº 282, Ed. Brasilgás, Centro de Salvador.


Travessia

Novo ferry incrementa turismo

m operação desde agosto, o novo ferry-boat inaugurado pela TWB, concessionária que administra o sistema, vai alavancar o turismo na Baía de Todos os Santos, principalmente para a região de Morro de São Paulo, e reforçar a travessia entre Salvador e Ilha de Itaparica. Batizado de Fast Ferry Ivete Sangalo, a embarcação foi construída em Santa Catarina e contou com investimentos de R$ 35 milhões, financiados pelo Fundo da Marinha Mercante. Com capacidade para 610 passageiros, sendo 110 na classe executiva, e 74 veículos, o ferry foi produzido em alumínio naval. O material possibilitou a redução do peso da embarcação, que possui apenas 300 toneladas, o que representa um terço do peso dos ferries convencionais. Por isso, poderá transportar um número de passageiros três vezes maior do que os ferries que atualmente estão em operação na Baía de Todos os Santos. Além de oferecer mais conforto, o novo ferry também vai reduzir o tempo da travessia em até meia-hora. Atualmente, a viagem é realizada pelas outras embarcações do Sistema em 40 minutos. Em seu pronunciamento durante a inauguração do ferry, o secretário de Turismo, Domingos Leonelli, afirmou que ao disponibilizar à população esse novo equipamento, a TWB não só estava cumprindo os termos de seu contrato de concessão, mas também foi adiante oferecendo à sociedade um ferry-boat novo, confortável e veloz, demonstrando a responsabilidade social da empresa. “Nossa função como Estado é planejar, regulamentar e fiscalizar. Hoje temos com a iniciativa privada uma relação de responsabilidade mútua. As pessoas e empresas devem se sentir livres para empreender”, disse o secretário de Turismo. Segundo Leonelli, a reabilitação do

Fotos Manu Dias/Agecom

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Homenageando a cantora Ivete Sangalo, embarcação já começou a operar

Instalações proporcionam visão panorâmica da Baía de Todos os Santos

Mais conforto e segurança na travessia

sistema ferry-boat pode ser um oxigênio a mais para o desenvolvimento da atividade turística na Baía de Todos os Santos e nos municípios do Recôncavo e litoral Sul da Bahia. O secretário destacou que já existem entendimentos com a TWB e a Agerba para a inclusão de uma linha especial noturna do ferry Ivete Sangalo para Morro de São Paulo, que é um dos principais pontos turísticos do Estado. “Porém, temos que definir dias e horários certos para que todos saibam e que não ocorram interrupções nesse roteiro, após sua definição. Antes de tudo, a prioridade da nova embarcação deve ser a de atender bem às expectativas da população”, acrescentou. O trade turístico baiano também comemorou a chegada do novo ferry.

Para o diretor do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Bahia, Silvio Pessoa, a nova embarcação vai incrementar o turismo nessas áreas. O presidente da Abav-Ba, Pedro Costa, salientou que este é o tipo de equipamento necessário para fomentar ainda mais o turismo na Baía de Todos os Santos. O diretor do Salvador Bus, Gilson Benzota de Carvalho, elogiou a iniciativa, destacando o fato de que o trade turístico nunca esteve tão próximo do governo, trabalhando em conjunto, como agora. Já para a delegada Marita Souza, titular da Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur), a Bahia precisa não somente de transportes em terra, mas também dos náuticos para desenvolver ainda mais o seu turismo. Viver Bahia | 63


Promoção

A Bahia é destaque no Brazilian Day ais de um milhão de pessoas – entre brasileiros e norteamericanos lotaram em 31 de agosto a Avenida das Américas, em Nova Iorque, para assistir ao encerramento do Brazilian Day, com o Show da Bahia, realizado pela Banda Eva, com o cantor Saulo Fernandes se apresentando envolvido por uma bandeira da Bahia, enquanto um vídeo sobre as atrações turísticas do estado era transmitido em um imenso telão, e baianas distribuíam 50 mil fitinhas do Bonfim. O evento permitiu o contato com dezenas de agentes de viagens que trabalham com a American Airlines e com empresas operadoras filiadas à Brazilian Tourism Operators Association (BTOA). O Brazilian Day teve a cobertura da Rede Globo, que exibiu um programa especial sobre o evento, no domingo, dia 7 de setembro, logo após o Fantástico. A TV Globo Internacional transmitiu a festa ao vivo para 68 países, sendo, portanto, um importante evento para a Bahia, porque - além da imprensa brasileira e internacional – é visto e conhecido por importantes agências de viagens, principalmente dos Estados Unidos, especializadas em destinos como o Brasil e a Bahia. O secretário de Turismo, Domingos Leonelli, que prestigiou o evento, considerou um grande sucesso a promoção realizada pela Secretaria de Turismo e Bahiatursa, centrada em novos produtos turísticos, como o Turismo Étnico, e no novo vôo Miami/ Salvador. “O Brazilian Day é um evento importante para a Bahia, porque além de atingir a imprensa brasileira e internacional, atinge as operadoras e agências de viagens. Temos de aproveitar este momento para mostrar, aos americanos e ao mundo, toda a alegria e as potencialidades turísticas do nosso estado, principalmente agora que conseguimos um vôo direto diário dos Estados Unidos”, acrescenta a presidente da Bahiatursa, Emília Silva. 64 | Viver Bahia

Fotos arquivo Bahiatursa

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Baianas participam da programação festiva em Nova Iorque

Produto Bahia

Destinos turísticos promovidos em feiras internacionais

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Bahiatursa e a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur) estiveram presentes em mais de quarenta eventos internacionais, entre feiras, Press-Trips e Fam Tours entre janeiro e setembro de 2008, sem contar com os eventos que ainda irão participar até o final do ano. O objetivo e a importância da participação nesses eventos, segundo a diretora de Relações Internacionais da Bahiatursa, Rosana França, é trabalhar com os dois públicos: o profissional e o final. Sendo que o profissional é composto pelos operadores e agentes de viagens e o final são os turistas que devem vir conhecer a Bahia. “Com o público profissional nós participamos de eventos e feiras em estandes ao lado da Embratur; fazemos contato com os operadores através de agendamento de reuniões; já com os agentes de viagens, nós entregamos material promocional

da Bahia, para que possam conhecer as potencialidades do destino e ter interesse em vender para seus clientes. Além do relacionamento com o trade turístico internacional, que é de extrema importância”, disse a diretora. As feiras internacionais dividem-se em feiras de multiprodutos turísticos, onde todos os produtos e segmentos podem ser apresentados de uma só vez, como o enoturismo, o turismo de golfe, o ecoturismo, o turismo de aventura, o turismo étnico, o turismo de praia e sol, dentre outros, e as de negócios, onde se trabalha com incentivos. Em relação aos eventos para público final, Rosana acredita no potencial dessas promoções para mostrar aos turistas o que eles vão encontrar quando vierem à Bahia. “É o que acontece no Brazilian Day, que leva atrações baianas para os Estados Unidos, e na Lavagem de La Madeleine, na França”, explica Rosana.


Sem escala

Vôo diário vai ligar Miami a Salvador

Governador, o secretário e dirigentes da American Airlines Divulgação

partir do dia 2 de novembro, a American Airlines começa a operar um vôo diário ligando diretamente Miami a Salvador. Em março do próximo ano, será a vez da TAM iniciar a operação de um outro vôo direto dos Estados Unidos para a Bahia. A expectativa é de que este vôo parta de Nova Iorque, mas a empresa ainda não anunciou oficialmente a decisão. O vôo sairá de Miami às 23h30, o que permitirá que turistas de mais de 300 cidades norte-americanas, conectadas pela American Airlines, despachem as suas bagagens nos aeroportos de origem e realizem a conexão para Salvador em, no máximo, duas horas, no aeroporto de Miami. Os vôos partindo da Bahia sairão todos os dias às 10 horas do aeroporto de Salvador, farão uma escala em Recife e chegarão a Miami às 17h40 (hora local), o que também facilitará as conexões para outras cidades norte-americanas. A conquista deste vôo teve a participação direta do governador Jaques Wagner junto à Embaixada norte-americana no Brasil e diretamente com Peter Dolara, diretor para a América Latina da American Airlines. A visita da secretária de Estado Condoleezza Rice à Bahia teve também um peso importante na decisão do governo americano em alterar o acordo bilateral, favorecendo a Bahia. A decisão da American Airlines foi confirmada, em agosto, pelo diretor-geral da companhia aérea Erli Rodrigues, que, acompanhado pelo diretor comercial, Dílson Verçosa, informou a data do início da operação ao governador e ao secretário de Turismo Domingos Leonelli. Com esses sete vôos semanais, sobe para 15 o número de novos vôos internacionais captados pelo governo Wagner, desde janeiro de 2007. São sete vôos para a Argentina, Buenos Aires/ Salvador, um vôo direto Paris/Salvador, e agora sete Miami/Salvador. O secretário

Rita Barreto

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Vôo da American Airlines direto para Salvador

Domingos Leonelli comemora a possibilidade de atrair mais 3.400 turistas norte-americanos, por mês, para a Bahia. “Isso num cálculo conservador, levando-se em conta que o Boeing 767300 possui 225 lugares, o que em 30 dias totaliza 6.750 passageiros e que somente a metade será de norte-americanos. Esse novo vôo poderá significar mais de 40 mil turistas estrangeiros por ano para a Bahia, sem dúvida um incremento

muito significativo para o turismo da Bahia”, observa Leonelli. Além da promoção e propaganda que a própria American Airlines fará desse vôo, a Bahiatursa realizará nos Estados Unidos ações promocionais e publicitárias, visando à atração de turistas norteamericanos, facilitada por esse novo vôo. As informações sobre o novo vôo para Salvador já estão no site da American Airlines. Viver Bahia | 65


Azeite doce com dendê Fotos Rita Barreto

Porto do Moreira completa 70 anos de sucesso, acrescentando tempero baiano à culinária portuguesa

L

ocalizado no centro da cidade, o restaurante Porto do Moreira foi fundado em 1938, pelo português José Moreira da Silva. Conhecido pelo variado cardápio de comidas caseiras e pelos ilustres freqüentadores, o restaurante completou, em setembro, sete décadas de ininterrupto sucesso, graças aos deliciosos acepipes, que misturam elementos da culinária portuguesa com o tempero tipicamente baiano. A trajetória iniciada pelo velho Moreira continuou com os herdeiros Antonio e Francisco Moreira da Silva, que há 33 anos comandam o restaurante. “Agradecemos muito ao velho Moreira, nosso pai, por ter começado o restaurante. Quando ele morreu, em 28 de

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outubro de 1975, nós assumimos o restaurante e hoje, nossas filhas têm interesse em dar continuidade”. Antigo reduto de intelectuais, políticos, escritores e jornalistas, o Porto do Moreira tem uma grande variedade de pratos, mas segundo a cozinheira Joelina da Cruz, o segredo das receitas dos irmãos Moreira está nos ingredientes de boa qualidade. Entre as preferências dos freqüentadores está a moqueca de carne. “O prato mais pedido é a moqueca de carne, porque saiu em rede nacional, que artistas, como Jorge Amado, freqüentavam o restaurante e apreciavam este prato. Depois disso, até os turistas que chegam aqui já pedem este prato”.


Há 33 anos, os irmãos Moreira comandam os restaurante

Moqueca de Carne | Beef Moqueca Ingredientes 400 gramas de cruz machado (cortado aos tubos) 200 gramas de camarão seco 1 Cebola 1 Tomate 1 xícara de chá de dendê 1 xícara de chá de leite de coco 2 ovos Um pouco de água Temperos a gosto Coentro a gosto Uma pitada de cominho Algumas folhas de louro Alho Extrato

Modo de Fazer | Cozinhe a carne com um pouco de água,

para enfeitar e já está pronta para servir. * Porção para 2 pessoas..

e quando já estiver bem cozida a coloque em um lugar separado. Depois corte os temperos e coloque-os para refogar,

Outra forma de se fazer | Se preferir, cozinhe a carne com

após algumas mexidas coloque a carne na mesma panela para

todos os temperos cortados e não separada para que ela

também refogar com os outros ingredientes dendê e leite de

fique bem temperada.

coco . Após 30 minutos de cozida quebre dois ovos por cima da carne (ainda com o fogo ligado) e os camarões, feche a

Onde Comer a Moqueca de Carne | Largo do Mocambinho,

panela e espere por mais 15 minutos até o que o ovo fique

na Rua Jardim das Flores, de segunda a sábado, das

consistente. Depois é só cortar rodelas de tomates e cebolas

11h30min às 16h. Domingos e Feriados 11h 30min às 15h. Viver Bahia | 67


FR ASE DO MÊS

“Na Europa, chamam-me de mestre, mas é caminhando pelas ruas de Salvador que eu me sinto à vontade”. JORGE A M A DO

Convento do Desterro Construído com o propósito de abrigar as filhas de famílias ricas, obrigadas a seguir a vida religiosa, o Convento do Desterro não foi a clausura que muitos imaginam para seguidoras de Santa Clara. Pelo contrário. As freiras enclausuradas no Desterro viviam vidas paralelas. Desfrutavam de relativa liberdade pessoal, vivendo em ambiente de luxo, com móveis de estilo, louças de Macau, jóias, roupas caras e meias de seda. E assim transitavam nos corredores do Convento e recebiam médicos e cirurgiões para desespero dos arcebispos A presença de

homens na clausura era um fato corriqueiro. Eram os freiáticos, conhecidos assim pelo costume de cortejar as religiosas, a exemplo do poeta Gregório de Matos, que não escondeu o amor que sentiu por mais de uma freira do Convento. Além de festeiras, vaidosas e estimularem a corte dos freiáticos, as irmãs também eram excelentes negociantes. Ricas na sua imensa maioria, elas multiplicavam a fortuna pessoal, com empréstimos a juros. Para realizar a agiotagem, contavam com o trabalho de procuradores, que estavam sempre a circular pelo Convento.

Catarina do Brasil Caramuru deve ter chegado à Bahia ainda bem moço e, de acordo com o relato de Pe. Anchieta, logo se transformou em agente comercial de contrabandistas franceses de pau-brasil, com quem mantinha estreitas e excelentes relações. Foi com os amigos franceses que o nosso Diogo Álvares partiu para a França, em 1526, levando a sua Paraguaçu para conhecer a vida parisiense. Lá, batizou a índia com o nome cristão de Catarina, uma homenagem a sua madrinha, Catherine des Granches, esposa do famoso Jacques Cartier, descobridor do Canadá. Diogo e Catarina deixaram a França bem

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ao estilo dos amigos, à francesa, pois os documentos históricos

não registram a data do retorno do casal à terra dos tupiniquins.


O Príncipe bonito Relegado a segundo plano pelos historiadores, o príncipe Pedro Augusto, neto de D. Pedro II e filho da irmã da princesa Isabel, d. Leopoldina, vem sendo alvo de novos estudos. Pesquisa da historiadora Mary del Priori, recentemente publicada, revela que o príncipe conspirou contra o avô e a tia para ficar com o trono do Brasil. Alto, louro, de olhos azuis, Pedro Augusto se parecia

muito com o avô, a quem se ligou depois da morte da mãe. Até os 11 anos, foi tratado na Corte, como futuro herdeiro. Mas eis que em 1875 nasceu o príncipe do Grão Pará. Depois de dez anos de tentativas frustradas, a princesa Isabel deu à luz um outro Pedro. A sucessão estava garantida, mas o sobrinho não se conformou e iniciou uma trama digna das novelas atuais para usurpar o trono.

Isabel, a libertária Outra que está tendo a sua biografia reabilitada é a princesa Isabel. Isto mesmo, aquela que promulgou a Lei Áurea. A descoberta da correspondência mantida por ela com o Visconde de Santa Vitória, um primo e sócio do Visconde de Mauá, um dos homens mais ricos do Brasil, deixa claro que d. Isabel era partidária de idéias modernas, como o voto feminino e a reforma agrária. Liberal, ela tinha planos para os escravos recém-libertos. Ela e o pai, o imperador Pedro II, chegaram a articular com empresários a compra de terras para ex-escravos. A mensagem dirigida por Isabel ao empresário é clara: “Com os fundos doados pelo senhor, teremos oportunidade de colocar estes ex-escravos, agora livres, afro-descendentes em terras próprias, trabalhando na agricultura e na pecuária e delas tirando seus próprios proventos”.

Roda dos Expostos Depois de quase dois séculos abandono de crianças, a sociedade colonial no Brasil chegou ao século XVIII preocupada com a situação. A explosão demográfica e as precárias condições de vida nos principais centros portuários refletiram-se fortemente na vida das crianças, que eram abandonadas nas ruas à própria sorte. Coube às Santas Casas implantar um sistema inusitado de auxílio. A idéia era possibilitar às mães que não podiam criar seus filhos, colocálos sob a responsabilidade das Santas Casas, sem precisar revelar a sua identidade. O mecanismo adotado para isso ficou conhecido como Roda dos Expostos, um dispositivo construído em madeira, na forma de cilindro, colocado na parede do prédio, que girava em um pino e unia a rua ao interior da Santa Casa. Quem estava dentro não via quem estava do lado de fora e vice-versa.

Viver Bahia | 69


Solar Ferrão

ARTES VISUAIS

Fotos Isabel Gouveia

PROGRAMAÇÃO Salvador

Transe: Fluxo-Tempo Instalação e exposição fotográfica de André de Faria, selecionada pelo projeto Portas Abertas. Onde: Galeria Xisto Bahia, Barris. Tel.: 71 3117-6155 Quando: abertura 23/10, 19h/ visitação 24/10 a 23/11, 9h às 19h Quanto: Grátis

Olha-se de Novo, Olha-se!

Vivência do espaço no Solar Ferrão Foto-instalação Retalhos & Entalhes, da artista visual Valécia Ribeiro, com fotografias que ora se revelam puras em texturas e cores, ora se mostram híbridas nos rostos esculpidos em fusões entre o sujeito e o meio. Onde: Galeria Solar Ferrão, Pelourinho. Tel.: 71 3117-6380 Quando: abertura 2/10, 18h/ visitação 3/10 a 2/11, ter a sex, 10h às 18h, sáb e dom 13h às 17h Quanto: Grátis

1ª Mostra Audiovisual do Urbano – A Cidade e suas Paisagens Intraordinárias

Com curadoria da arquitetaurbanista Silvana Olivieri, a mostra traz 30 filmes brasileiros e estrangeiros relacionados à temática urbana, em sua maioria inéditos nos circuitos comerciais do país. Onde: Sala Walter da Silveira/ Biblioteca Pública do Estado Tel.: 71 3116-8120 Quando: 23 a 30/10 Quanto: Grátis 70 | Viver Bahia

Tamplastia

Instalações dos artistas Ramon Melo e Maurício Topal (o Rass) trazem uma nova leitura do cotidiano. Onde: Galeria do Subsolo e Galeria 3 do MAM. Tel.: 71 3117-6132 Quando: 1/10 a 19/11, ter a dom, 13h às 19h, sáb 13h às 21h Quanto: Grátis

30 Segundos de Luz

O fotógrafo Maurício Concatto (RS) expõe 24 fotografias resultantes da técnica Light Painting. Onde: Galeria Pierre Verger, Barris. Tel.: 71 3103-4065 Quando: 1 a 26/10, 9h às 21h Quanto: Grátis

Museu Tempostal

Mostras Pelos Caminhos de Salvador, Bahia- Litoral e Sertão e Arquitetura Religiosa na Bahia. Onde: Museu Tempostal, Pelourinho. Tel.: 71 31176382 Quando: 1 a 31/10, ter a sex, 10h às 18h Quanto: Grátis

Imagens em 5 Quadrinhos

Coletiva de quadrinhos e cartuns que integra o Festival Imagem em 5 Minutos. Onde: Galeria Xisto Bahia, Barris. Tel.: 71 3117-6155 Quando: abertura 30/10, 19h/ visitação 1 a 16/11, 9h às 21h Quanto: Grátis

Exposição da artista Mariana David selecionado pelo projeto Portas Abertas. Onde: Galeria Pierre Verger, Barris. Tel.: 71 3103-4065 Quando: abertura 30/10, 19h/ visitação 1 a 30/11, 9h às 21h Quanto: Grátis Museu Tempostal


Balé TCA estréia

O Balé Teatro Castro Alves apresenta nova coreografia com participação do coreógrafo alemão Félix Ruckert. Onde: Teatro Castro Alves. Tel.: 71 3117-4899 Quando: 18 e 19, 20h Quanto: R$ 10 e R$ 5

Triscou, Pegou

Espetáculo dá vida aos personagens imaginários do universo infantil, através de movimentos coreográficos e cenas “pinceladas” com cores e ritmos da tradição popular. Onde: Espaço Xisto Bahia, Barris. Tel.: 71 3117-6155 Quando: 18/10 a 23/11, sáb e dom, 16h Quanto: R$10 e 5

TEATRO

Isabel Gouveia

DANÇA

Balé Teatro Castro Alves

Onde: Teatro Caballeros de Santiago, Rio Vermelho. Tel.: 71 3334 0241 Quando: Até 30/10, sexta e sábado, 20h30 e domingo, 19:30h Quanto: Ingresso: R$ 16 (sex); R$ 20 (sáb e dom)

Velha, Teatro Martim Gonçalves/Escola de Teatro da UFBA, Teatro Molière/ Aliança Francesa e GoetheInstitut/ICBA e outras cidades. Tel.: 71 3481-5831 Quando: 24 a 31/10 Quanto: R$ 10 e 5

O Indignado

Uma Farsa Áspera questiona a normalidade FOTO

Com Frank Menezes, que comemora 25 anos de carreira volta a cartaz em espetáculo que trata da indignação diante de temas como a política nacional e internacional, a velocidade do mundo moderno, a falta de educação e consciência ecológica, a insegurança e a busca obsessiva pela juventude. Onde: Teatro Módulo, Pituba, Tel.: 71 3354 6654 Quando: Até 26/10, sex, 21h; sáb e dom, 20h Quanto: R$ 30 e R$ 15

Festival insere a Bahia na rota das grandes produções

3 Mulheres e um destino

Com a Toca do Coelho Cia. de Teatro. Amigas que se afastaram por circunstâncias da vida reencontram-se depois de muitos anos.

O 1º Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIACBA) movimenta espaços cênicos baianos, trazendo 23 espetáculos de diversos gêneros, vindos de sete países. Além das peças, o público poderá participar de oficinas com os artistas, debates, exposições e outras atividades Onde: Salvador - Teatro Castro Alves, Teatro Vila

A trama traz o universo do Teatro do Absurdo através da obra do dramaturgo irlandês Samuel Beckett. Com ironia, mostra as mazelas humanas e tudo o que é considerado normal pela sociedade, intensificando as loucuras e neuroses de seus personagens. Onde: Espaço Xisto Bahia, Barris. Tel.: 71 3117-6155 Quando: 14 a 29/10, ter e qua, 20h Quanto: R$ 10 e R$ 5

Os Melhores do Mundo voltam a Salvador

A companhia de teatro brasiliense apresenta Hermanoteu na Terra de Godah, uma sátira à diversidade fantástica da Bíblia. Onde: Teatro Castro Alves. Tel.: 71 3117-4899 Quando: 3 e 4/10, 21h Quanto: R$ 70 e R$ 35 (A a W), R$ 60 e R$ 30 (X a Z6), R$ 40 e R$ 20 (Z7 a Z11)

Intrépida Trupe

O espetáculo Metegol, da Intrépida Trupe (RJ), mescla circo, teatro e dança, e recria o universo do futebol com humor, lirismo e vigor. Onde: Teatro Castro Alves. Tel.: 71 3117-4899 Quando: 12/10, 11h e 19h Quanto: R$ 1 (compra individual no TCA duas horas antes das apresentações)

Alvoroço

Espetáculo é dirigido pelo espectador, que escolhe o que vai acontecer, interfere na cena e até sobe no palco. Onde: Sala do Coro do TCA. Tel.: 71 3117-4883 Quando: 4 a 19/10, sáb e dom, 20h Quanto: R$ 20 e R$ 10

Putz – A Menina que Buscava o Sol

A peça relata o comportamento humano na busca de um objetivo. Onde: Espaço Xisto Bahia, Barris. Tel.: 71 3328-3000 Quando: 4 a 12/10, sáb e dom,16h Quanto: R$ 10 e R$ 5

Alice no País dos Absurdos

Peça atualiza o clássico infantil Alice no País das Maravilhas, mostrando a realidade da infância brasileira. Onde: Cine-Teatro Solar Viver Bahia | 71


Nando Reis

Os Prequetés

Macunaíma

Espetáculo inspirado na obra-prima do escritor paulista Mário de Andrade. Onde: Praça Pedro Arcanjo Tel.: 71 3117-6456 Quando: 10/10, 20h Quanto: Grátis

Marama

Espetáculo inspirado no conto africano Marama e o Rio dos Crocodilos. Onde: Praça Pedro Arcanjo, Pelourinho. Tel.: 71 31176456 Quando: 11/10, 16h Quanto: Grátis

Nando Reis & Cheiro de Amor Plano Z

Apresentação da peça pelo Projeto Pinte no Pelô. Onde: Cruzeiro de São Francisco Tel.: 71 3117-1505 Quando: 25/10, 14h Quanto: Grátis

Ele, o Tal

Apresentação da montagem do Gruposina de Teatro. Onde: Cruzeiro de São Francisco, Pelourinho. Tel.: 71 3117-6456 Quando: 26/10, 16h Quanto: Grátis

MÚSICA

72 | Viver Bahia

Adão Negro/ Racionais MC’s/ Diamba/ RZO/ Fantasmão

São atrações do show Encontro das Tribos. No evento a banda Fantasmão estará lançando o seu DVD. Onde: Wet’n Wild, Avenida Luiz Viana Filho, 8951, Paralela. (71-3261-4089). Censura: 16 anos. Quando: 18/10, 20h Quanto: R$ 20 (pista) e R$ 35 (camarote) A cantora e o violonista continuam temporada de shows pelo sexto mês consecutivo. No repertório, bossa nova, jazz standard,

Espetáculo inspirado no conto A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa. Onde: Espaço Xisto Bahia, Barris. Tel.: 3117-6155 Quando: 16/10, 5h Quanto: Grátis A Cia. Finos Trapos apresenta a montagem no Projeto Pinte no Pelô. Onde: Cruzeiro de São Francisco, Pelourinho. Tel.: 71 3117-1505 Quando: 18/10, 16h Quanto: Grátis

0664. Censura: 18 anos Quando: 3/10, 21h Quanto: R$ 70 (camarote) e R$ 30 (pista)

Palmyra & Paulo Levita

Fragmento de Canoa

Sagrada Folia

MPB, Beatles, axé-music, baião, samba-canção e frevos. Participações da intérprete Rebeca Fallcone e do guitarrista Aroldo Macedo. Onde: Restaurante Salvador Dali , rua Borges dos Reis, Rio Vermelho. Tel.: 71 3335-4593 Quando: toda sexta de outubro, 22h30

A Banda Cheiro de Amor e o cantor e compositor Nando Reis são as primeiras atrações desta temporada do Summer Time 2008. Com apresentações mensais, a banda Cheiro de Amor se apresentará no Bahia Café Hall até o carnaval de 2009, trazendo consigo grandes convidados do cenário musical brasileiro. Onde: Bahia Café Hall, Av. Paralela. Tel.: 71 3371-0664 Quando: 24/10 Quanto: R$25 (pista antecipado), R$30 (pista na hora) e R$50 (camarote)

Pitty e Arnaldo Antunes

O projeto Loucos por Música promove mais um encontro inusitado. Desta vez, a cantora Pitty apresenta-se ao lado do cantor e compositor Arnaldo Antunes, ícone do Arnaldo Antunes

Zeca Baleiro

O cantor e compositor se apresenta pelo Projeto Circuito das Artes. O show de abertura fica por conta da banda de reggae Mosiah. Onde: Bahia Café Hall Restaurante e Eventos, Paralela , Tel.: 71 3371-

Crédito

Espetáculo da Cabriola Cia. de Teatro, baseado na obra de Ana Maria Machado, explora as linguagens do circo e teatro. Onde: Teatro Martim Gonçalves, Canela. Tel.: 71 3283-7851 Quando: 4 a 12/10, sáb e dom, 17h Quanto: R$ 16 e R$ 8

Isabel Gouveia

Boa Vista, Brotas. Tel.: 71 3116-2108 Quando: 4 a 25/10, sáb,16h Quanto: R$ 2 e R$ 1


Isabel Gouveia

rock brasileiro dos anos 80, com a banda Titãs. O show de abertura será do grupo musical Cancioneiros do IPUB, formado por funcionários do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Onde: Concha Acústica do TCA. Tel.: 71 3117-4885 Quando: 16/10, 18h30 Quanto: R$ 30 e R$ 15 Orquestra Sinfônica da Bahia

BoomBahia traz Mudhoney

Em sua quarta edição, o BoomBahia Music Fest insere a Bahia no mapa da música independente e destaca uma atração internacional - Mudhoney (EUA), banda fundamental no surgimento do grunge nos anos 90. Também se apresentam: Curumin (SP), Sweet Fanny Adams (PE), Retrofoguetes, Nancy Viégas, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, entre outros. Onde: Largos do Pelourinho. Tel.: 71 3117-1505 Quando: 11, 12 e 15/10 Quanto: ingressos trocados por um livro

JAM no MAM

Show de jazz com Ivan Huol (bateria), Ivan Bastos (baixo), Paulo Mutti (guitarra), André Magalhães (piano), André Becker (sax) e convidados. Onde: Museu de Arte Moderna da Bahia. Tel: 71 3117-6132 Quando: 4 a 25/10, sáb, 18h Quanto: R$ 4 e R$ 2

Emerson Taquari

Lançamento do CD Pandeirando, que propõe uma viagem sonora através de diferentes ritmos e técnicas do pandeiro, no Segundas Musicais.

Onde: Sala do Coro do TCA. Tel.: 71 3117-4883 Quando: 6/10, 20h Quanto: R$ 2 e R$ 1

Sarau de Itapuã

Show com a Banda Virado no Mói de Coentro, Maracatu Bizoro Avoador e Banda Picolino, no sarau para as crianças. Onde: Casa da Música, Abaeté. Tel.: 71 3116-1511 Quando: 6 e 20/10, 18h às 22h Quanto: Grátis

Orquestra Sinfônica da Bahia

Concerto da OSBA sob a regência de Ricardo Castro e participação da pianista Giulietta Koch na Série Mozart nas Igrejas. Onde: Igreja da Conceição da Praia. Tel.: 71 3117-4842 Quando: 8/10, 20h Quanto: Grátis

Música para Sorrir

Show da cantora Nairzinha para crianças da rede pública e privada. Onde: Palacete das Artes Rodin Bahia. Tel.: 71 31176986 Quando: 8/10, 15h Quanto: Grátis

Nana Meirelles

A cantora interpreta músicas

em homenagem a Antônio Carlos e Jocafi. Onde: Centro Cultural Plataforma. Tel.: 71 31178106 Quando: 8/10, 20h Quanto: R$ 2 e R$ 1

Festival Lírico de Salvador O Salvalírico apresenta canções líricas de origem espanhola, brasileira, francesa e alemã. Onde: Auditório da FAMETTIG. Tels.: 33261239/ 3359-8156 Quando: 12 a 17/10, 19h; 18, 17h Quanto: R$ 1

Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta

Banda alia rock, música brasileira e letras intimistas em repertório autoral no Segundas Musicais. Onde: Sala do Coro do TCA. Tel.: 71 3117-4883 Quando: 20/10, 20h Quanto: R$ 2 e R$ 1

Camerata Popular do Recôncavo

Concerto Kobayashy

O grupo apresenta o show Recanto de Cada Canto, no projeto Segundas Musicais, com repertório baseado nas tradições orais da Bahia. Onde: Sala do Coro do TCA. Tel.: 71 3117-4883 Quando: 13/10, 20h Quanto: R$ 2 e R$ 1

Apresentação do violinista Takeshi Kobayashi e da pianista Chihiro Ishioka em Comemoração ao Centenário de Imigração Japonesa para o Brasil. Onde: Teatro Castro Alves. Tel: 71 3117-4899 Quando: 20/10, 20h Quanto: R$ 10 e R$ 5

Música Falada

Série TCA

O cantor e compositor baiano Carlinhos Brown fala da sua trajetória num show intimista e com muita interação com o público. Onde: Teatro Castro Alves. Tel.: 71 3117-4899 Quando: 14/10, 21h Quanto: R$ 60 e R$ 30

Concerto Sinfônico

OSBA apresenta-se sob a regência de Marcelo Lehninger, com participação da pianista Giulietta Koch. Onde: Teatro Castro Alves. Tel.: 71 3117-4899 Quando: 15/10, 20h30 Quanto: R$ 20 e R$ 10

A Orquestra Sinfônica da Bahia apresenta-se com a pianista russa Lílian Zilberstein. No repertório, obras de Johannes Brahms e Sergei Rachmaninoff. Onde: Teatro Castro Alves. Tel.: 71 3117-4899 Quando: 22/10, 21h Quanto: R$ 60 e R$ 30 (filas A a P), R$ 40 e R$ 20 (filas Q a Z), R$ 30 e R$ 15 (filas Z1 a Z11)

Maria Rita

Cantora apresenta o show Samba meu, com canções do novo álbum e sucessos como Cara Valente, A Festa e Encontros e Despedidas. Viver Bahia | 73


Crédito

PROGRAMAÇÃO INTERIOR MÚSICA

Circuito do Samba

Onde: Concha Acústica do TCA. Tel: 71 3117-4885 Quando: 24/10, 18h30 Quanto: R$60 (inteira) e R$30 (meia)

Kodo

16h Quanto: Grátis Realização: Biblioteca Pública do Estado da Bahia

CINE&VÍDEO

O grupo toca os tambores gigantes japoneses, explorando as artes de representação tradicionais, com influências modernas. Onde: Teatro Castro Alves. Tel.: 71 3117-4899 Quando: 29/10, 21h Quanto: R$ 60

Kodo e Olodum

Quartas Baianas

Exibição dos filmes Incarcãnu a Tiortina, Dez Centavos , Ioiô da Professora, Memórias de Sangue e Canudos. Onde: Sala Walter da Silveira, Barris Tel.: 71 3116-8120 Quando: 1 a 22/10, qua, 20h Quanto: Grátis

Street Arte Bahia

A Ilha de Black Mor

74 | Viver Bahia

Homenagem a José Dumont Exibição dos filmes A Hora da Estrela e O Homem que Virou Suco. Onde: Sala Walter da Silveira, Barris Tel.: 71 3116-8120 Quando: 3 a 9/10, seg a sex, 17h30 e 20h (dia 8, às 17h30) Quanto: Grátis

Macunaíma

O show une os tradicionais tambores japoneses (taiko) ao ritmado som do Olodum. Onde: Concha Acústica do TCA. Tel.: 71 3117-4885 Quando: 30/10, 18h30 Quanto: R$ 60 Dança de rua, graffiti, break e muita música agitam a Biblioteca Pública. Onde: Biblioteca Pública do Estado da Bahia – Quadrilátero Tel.: 71 31176000 Quando: 23/10, qui, 10h e

Quanto: R$ 4 e 2 (seg a qua) R$ 6 e 3 (qui a dom)

Animação francesa mostra Kid, adolescente que escapa do orfanato e parte em busca da ilha do tesouro. Onde: Sala Walter da Silveira, Barris Tel.: 71 3116-8120 Quando: 3 a 9/10, seg a sex, 15h

O filme de Joaquim Pedro de Andrade, baseado na obra de Mário de Andrade, será exibido pelo Projeto Pelourinho Cultural. Onde: Praça Pedro Arcanjo Quando: 10/10, 17h Quanto: Grátis

O Amor em Dois Tempos

Mostra dos filmes: Amores, de Domingos de Oliveira, seguido do curta Amar, de Carlos Gregório e Cafuné, de Bruno Vianna, seguido de Mina de Fé, de Luciana Bezerra. Onde: Sala Alexandre Robatto, Barris Tel.: 71 3116-8100 Quando: 27 a 30/10, seg a qui, 15h e 17h30 Quanto: Grátis

Projetos valorizam o samba da Bahia

Fruto da mistura de estilos musicais africanos e brasileiros, o samba nasceu na Bahia e seguiu influenciando diferentes modalidades da música nacional. Lundu, maxixe, samba de roda (chula) são os estilos mais marcantes no samba baiano. Em outubro, destacamos algumas iniciativas que valorizam e resgatam a vivência do samba no seio de comunidades da capital e interior do Estado. Um deles é o Circuito do Samba, realizado pela Associação dos Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia em parceria com a Fundação Cultural do Estado da Bahia, que promove encontros para troca de experiência entre grupos tradicionais. Até novembro, o Circuito terá percorrido oito municípios de três territórios de identidade. Em Salvador, estréia o espetáculo Samba dos Engenhos, resultante de outro projeto - O carnaval e o samba junino dos tempos de Pierre Verger até hoje. Já no Pelourinho, acontece o Samba Todo Dia, uma ação do Clube do Samba que visa ao reconhecimento do trabalho de sambistas e compositores.


Circuito do Samba

Onde: Vera Cruz Quando: 12/10 Quanto: Grátis Grupos: Samba Tradicional da Ilha (local) Visitantes: Samba de Jaguaripe (Jaguaripe), Samba de Mutá (Mutá), Filhos de Nagô (Maragogipe), Samba de Aratuípe (Aratuípe), Esmola Cantada (Cachoeira), Filhos do Varre Estrada (São Félix) Onde: Maracangalha / São Sebastião do Passé Quando: 26/10 Quanto: Grátis Grupos: Samba Chula e Maracangalha, Samba de Araçatiba (locais) Visitante: Mestre Avelino (Muritiba), Resgate (Maragogipe), Filhos da Barragem (São Felix), União Teodorense (Teodoro Sampaio), Os Vendavais (Salvador) e Raízes de Angola (São Francisco do Conde)

Samba dos Engenhos

Onde: Cine-Teatro Solar Boa Vista. Quando: 5 e 12/10, 16h Quanto: R$ 2 e R$ 1 Realização: Espaço Cultural Pierre Verger

Samba Todo Dia

Onde: Espaço Fundo do Cravinho, Terreiro de Jesus. Tel.: 71 9233-5438 Quando: 1 a 31/10, 19h Quanto: R$ 6 e R$ 3 (sócio) Realização: Clube do Samba da Bahia

ARTES VISUAIS

Cabaceiras do Paraguaçu Parque Histórico Castro Alves Acervo do poeta abolicionista Castro Alves e projetos de incentivo à leitura. Onde: Museu do Parque Histórico Castro Alves. Tel.: 75 3681-1102 Quando: 1 a 31/10, das 9h às 12h e das 14h às 17h Quanto: Grátis

ITABUNA Salões Regionais 2008

Na 3ª edição dos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia 2008, em Itabuna, pinturas, instalações, gravuras e fotografias apresentadas por 35 artistas. Onde: Centro de Cultura Adonias Filho. Tel: 73 3211-6429 Quando: abertura 10/10, 19h/ visitação 11/10 a 23/11, seg a dom, 8h às 12h e 14h às 19h Quanto: Grátis

Feira de Santana Carnaval do Povo

Eduardo Tavares expõe fotografias P&B sobre personagens invisíveis do Carnaval. Onde: Centro de Cultura Amélio Amorim. Tels.: 75 3625-0572/ 3221-9766 Quando: 1 a 12/10, 8h às 21h Quanto: Grátis

Juazeiro Peles Grafitadas

Willyams Martins traz para a galeria signos deixados nos muros da cidade. Onde: Centro de Cultura João Gilberto. Tel.: 74 3611-4322 Quando: 1 a 13/10, 8h às 12h e 14h às 18h Quanto: Grátis

Santo amaro da Purificação

Mostra permanente Imagens sacras, bordados, vestes litúrgicas, mobiliário e prataria. Onde: Museu do Recolhimento dos Humildes. Tel.: 75 3241-0140 Quando: 1 a 31/10, ter a sáb, 8h30 às 13h Quanto: Grátis

Jequié Isto Não É Uma Pedra

Projeto Portas Abertas promove exposição do fotógrafo William A, inspirada no pensamento ecológico sustentável. Onde: Centro de Cultura ACM, Tel.: 73 3526-8047 Quando: abertura 17/10, 19h/ visitação 18/10 a 16/11, 8h às 12h e 14h às 19h Quanto: Grátis

Mulheres Negras: Religiosidade, Beleza e Resistência

Pinturas de cunho históricocultural do artista Elson Júnior, selecionado no projeto Portas Abertas. Onde: Centro de Cultural ACM, Tel.: 73 3526-8047 Quando: abertura 17/10, 19h/ visitação 18/10 às 16/11, 8h às 12h e 14h às 18h Quanto: Grátis

Vitória da Conquista Qualé?!

Projeto Portas Abertas mostra painéis de Arisson Rodrigues em papelão colorido, utilizando a pintura com giz de cera. Onde: Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Quando: abertura 17/10, 19h/ visitação 18/10 a 16/11, 8h às 12h e 14h às 18h Quanto: Grátis

Alagoinhas

Cenas do Cotidiano no Mercado de Arte Popular de Feira de Santana Mostra do artista Edson Machado selecionado no projeto Portas Abertas. Onde: Centro de Cultura de Alagoinhas t 75 3421-5608 Quando: abertura 31/10, 19h/ visitação 1 a 29/11, 8h às 12 e 14h às 18h Quanto: Grátis

Rodelas

Bahia sedia encontro de culturas indígenas O Encontro das Culturas dos 14 Povos Indígenas da Bahia acontece na Aldeia Tuxá, em Rodelas, nordeste do estado. O encontro, uma iniciativa do Núcleo de Culturas Populares da Secretaria de Cultura do Estado, será marcado por rituais, programação cultural e mesas redondas sobre identidade, cidadania e políticas públicas indigenistas. O fortalecimento das culturas dos povos indígenas e o intercâmbio cultural são os focos principais deste encontro. Onde: Aldeia Tuxá. Tel.: 71 3116-4075 Quando: 16 a 19/10 Quanto: Grátis

Maiores informações: Disque Bahia Turismo 71 31033103 Viver Bahia | 75


?Informações úteis? INFORMAÇÃO TURÍSTICA Disque Bahia Turismo (71) 3103-3103 Serviço de Atendimento ao Turista (SAT) km 6 da Estrada do Coco, Portão, Lauro de Freitas 8h às 18h Rua das Laranjeiras, 12 , Pelourinho

Aeroporto AEROPORTO Aeroporto Internacional de Salvador Pça. Gago Coutinho, s/n, São Cristóvão, T. 3204.1010, diariamente, 24h.

Gol | T. 0300.7892121 | http://

Aeroporto Internacional de Salvador Pça Gago Coutinho, s/n, São Cristóvão. T. 3204.1244, diariamente, 7h/23h.

www.voegol.com.br

R. das Laranjeiras, 12, Pelourinho. T. 3321.2463, seg a sex, 8h30/22h; sab e dom, 8h30/22h.

Terminal Rodoviário Armando Viana de Castro Av. ACM, 4362, Pituba, T. 3460.8300, diariamente, 24h.

Webjet | T. 0300. 2101234 |

Ferry-Boat Terminal Turístico Marítimo

http:// www.lanchile.com

Av. da França, s/n, Comércio, T. 3319.3434 / 3242.4366, seg a dom, 6h/19h30.

Porto

Estação Rodoviária

www.tam.com.br

Porto de Salvador

Av. ACM, 4362, Iguatemi. T. 3450.3871, diariamente, 7h30/21h.

Tap Air | Portugal T.

Av. da França, Comércio, seg a sab, 6h/17h30; dom, 7h/10h.

Mercado Modelo

0800.7077787 | http: //www. agentestapbrasil.com.br

Pça Visconde de Cayru, 250, Comércio, T. 3241.0242, seg a sab, 9h/18h; dom, 9h/14h.

Air Europa | T. 3347.8899 | http://www.aireuropa.com.br

Praia do Forte

BRA Transportes Aéreos | T.

Av. do Farol, s/n, Praia do Forte, Mata de São João, T. 3676.0283.

3320.4102 / 3453.6020

Posto da Emtursa Pça. Municipal, s/n (Elevador Lacerda), Centro, T. 3321.2697, seg a sab, 9h/20h; dom, 9h/13h.

76 | Viver Bahia

Av. Paulo VI, 190, Pituba, T. 0800.5700100.

Correio – Agência do Campo Grande

http://www.webje.com.br

Tam | T. 4002.5700 | http://

Correio da Pituba

Aeroporto Internacional de Salvador, São Cristóvão. T. 0800.5700100.

Lanchile | T. 3241.1401 |

Ocean Air | T. 4004.4040 | http://www.oceanair.com

Correios

Correio - Agência do Aeroporto

Companhias Aéreas

Postos da Bahiatursa

Pelourinho

Rodoviária

Rua Forte de São Pedro, 66, Campo Grande. T. 0800.5700100.

Correio – Agência do Pelourinho Lgo do Cruzeiro de São Francisco, 20, Pelourinho. T. 0800.5700100.

Marinas Marina da Ribeira Av. Porto dos Tainheiros, Ribeira, T. 3316.1406.

Câmbio

Bahia Marina

Banco do Brasil

Av. Contorno, 1010, Comércio, T. 3322.7244.

Aeroporto Internacional de Salvador, São Cristóvão. T. 3377.2574.

Marina de Itaparica Av. 25 de Outubro, s/n, Itaparica, T. 3631.3003.

Citybank R. Marques de Leão, 71, Barra. T. 4009.6310.


Confidence Câmbio

Locadora Oceânica

Aeroporto Internacional de Salvador, São Cristóvão, T. 3252.9090.

Av. Oceânica, 409, Lj. 2, Barra (Ed. Farol Barra Flat). T. 3264.7717.

Iguatemi Turismo

Business Rent a Car

Av. Tancredo Neves, 148, Pituba (Shopping Iguatemi, 2º Piso). T. 3450.0200.

R. Direita do Santo Antônio, 20, Santo Antônio Além do Carmo. T. 3241.3586.

Shopping Center Shopping Barra

Números úteis

Pça. Padre Anchieta, 16, Centro Histórico. T. 3322.0863.

Av. Centenário, 2992, ChameChame. T. 2108.8222, seg a sex, 9h/22h; sab, 9h/21h e dom, 15h/21h.

Samu 192

Shopping Tour

Salvador Shopping

Av. Centenário, 2992, Barra (Shopping Barra, 1º Piso). T. 3264.3344.

Av. Tancredo Neves, 2915, Iguatemi. T. 3443.1000, seg a sab, 9h/22h e dom, 12h/21h.

Central Antiveneno 0800 2844343

Olímpia Turismo

Onex Câmbio Av. Sete de Setembro, 14, Barra (Hotel Sol Barra). T. 3264.0000.

Locadora de Automóveis Hertz Aeroporto Internacional de Salvador, São Cristóvão. T. 3377.6554.

Localiza Av. Oceânica, 3057, Ondina. T. 3332.1999 / 3332.1995.

Aerocar R. Fonte do Boi, 26, Lj. 2, Rio Vermelho. T. 3335.1110.

Unidas Aeroporto Internacional de Salvador, São Cristóvão. T. 3204.1175 e Av. Oceânica, 3097, Ondina. T. 3247.2121.

Artesanato Mercado Modelo

Shopping Center Lapa

Pça. Visconde de Cayru, 250, Comércio. T. 3241.2893.

R. Portão da Piedade, 155, Piedade. T. 3343.1000, seg a sab, 9h/22h e dom, 12h/21h.

Instituto de Artesanato Visconde de Mauá

Shopping Iguatemi

Pça. Azevedo Fernandes, 02, Porto da Barra. T. 3116.6110.

Av. Tancredo Neves, 148, Pituba. T. 3350.5050 / 3350.0300.

Feira de Artesanato do Pelourinho

Shopping Itaigara

R. Gregório de Mattos, 05, Pelourinho. T. 3322.5200 / 3322.5100.

Gerson Artesanato de Prata R. do Carmo, 26, Santo Antônio. T. 3242.2133.

Feira de São Joaquim Av. Jequitaia, s/n, Calçada.

Afro Bahia Largo de São Francisco, 10, Pelourinho. T. 3321.3709.

Loja de Artesanato do SESC R. Francisco Muniz Barreto, 02, Terreiro de Jesus, Pelourinho. T. 3321.0161.

Av. Antônio Carlos Magalhães, 656, Itaigara. T. 3270.8900, seg a sex, 9h/21h; sab, 9h/20h.

Shopping Piedade R. Junqueira Ayres, 08, Barris. T. 3328.1555, seg a sex, 9h/21h; dom, 9h/20h.

Aeroculbe Plaza Show Av. Octávio Mangabeira, 6000, Boca do Rio. T. 3461.0621, seg a sex, 12h/23h; sab, dom, 10h/23h.

Polícia / Bombeiros 193

Correios 0800 5700100 Defesa Civil 199 Defesa do Consumidor 3116 8514 Delegacia de Proteção ao Turista 3322.7155 Delegacia de Proteção à Mulher 3245.5481 Detran 3343.8888 Disque Denúncia (drogas, homicídios, roubos, etc) 3245.5481 Disque Denúncia Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes 100 Polícia Civil 197 Polícia Militar 190 Polícia Federal 3242.1518 Serviço Salvador Atende 156 Serviço de Informações dos Transportes Urbanos de Salvador 3377.6311 Táxi Coomtas 3377.6311 / 0800.710311

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Viver Bahia outubro 2008 - Encantando Caymmi  

Revista Viver Bahia de outubro de 2008 Encantando Caymmi

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