Page 1

R EV ISTA

Felicida de M ateria l de e stu do


ikebana sanguetsu

capa

O sorriso da flor Desejando estabelecer um mundo ideal de perfeita Verdade, o Mestre Mokiti Okada – patrono do Kado Sanguetsu – além de instituir uma religião, construiu os protótipos do Paraíso na Terra, divulgou a Agricultura Natural, colecionou obras de arte, construiu o Museu de Arte de Hakone etc. Assim, dedicou sua vida à purificação e à elevação do espírito do homem. O Mestre ensinou que o contato com obras artísticas de alto nível não apenas eleva o homem espiritualmente, mas também lhe proporciona força geradora de felicidade. Dessa forma, valorizou a Arte e deu-lhe um grande incentivo, deleitando-se com ela em sua vida cotidiana. Nutria um profundo interesse inclusive pela Ikebana, a arte de vivificar a flor. Com suas próprias mãos, criava vivificações florais nos quartos, no “hall” de entrada e em outros aposentos de sua casa, alegrando o ambiente. Mokiti Okada pregava sempre a formação do Paraíso por meio das flores, dizendo que estas têm o poder de debilitar os pensamentos negativos e que, por isso, era importante ornamentar com flores todos os locais onde se reunissem pessoas. Ele nos ensinou o espírito com que devemos fazer as vivificações florais, fundamentado nos seguintes itens:

– A flor tem sentimento. – Preservar a vitalidade da flor. – Conservar o seu aspecto natural. – Usar pouco material. – Vivificar com alegria, como se estivéssemos pintando um quadro. Com base nessa filosofia e no desejo de proporcionar maior encanto à vida, purificando o sentimento do homem e da sociedade por meio das flores, foi fundada a Ikebana Sanguetsu. Felizmente, os professores e os alunos têm mostrado perfeita compreensão a respeito da vontade do Mestre. Assim, alegrome do fundo da alma com o empenho com que eles vêm se dedicando à Ikebana, pois, ornamentando tanto os seus lares como outros locais, estão contribuindo para o embelezamento da sociedade e a tranquilidade das pessoas. Eu própria, como sucessora de Mokiti Okada, venho me esforçando no estudo dessa arte. O que me serviu de apoio, entretanto, até os dias de hoje, foram os Ensinamentos do Mestre e algumas fotos de vivificações florais feitas por ele. Quando eu me via diante de um beco sem saída, ficava observando essas fotos, e o que me tocava não era propriamente a forma da vivificação, mas sua elegância e graça,

seu vigor e esplendor. À medida que ia adquirindo experiên­cia, fui sentindo a profundidade do mundo da Ikebana e pude compreender o elevado nível artístico alcançado por Mokiti Okada. É grande o número de vivificações florais que compus até hoje. Assim, sugeriram-me que publicasse as fotografias dessas composições, ordenando-as de acordo com as estações do ano a que elas se referiam. Havia algumas, entretanto, que não eram do meu agrado, e outras que me deixaram na dúvida se deveriam ou não ser incluídas. Dessa forma, titubeando, vim somando experiên­ cias, mas o desejo de oferecer ao Mestre, no seu centenário, uma coletânea de fotografias de vivificações florais como lembrança desse ano auspicioso, fez com que eu me decidisse a publicá-la. Sinto que minhas vivificações não estejam à altura de serem apresentadas publicamente, mas compreendo que esta é mais uma oportunidade de aprimoramento. Pedindo desculpas pelas imperfeições e prontificando-me a receber sugestões, desejo, doravante, aprofundar-me no estudo de Ikebana com os senhores. Para finalizar, manifesto meu mais profundo agradecimento às pessoas que colaboraram na publicação desta coletânea.

Itsuki Okada Prefácio do livro “Hana-Emi – O sorriso da Flor”.

Itsuki Okada Tema: Natal


Itsuki Okada Tema: Ano-Novo 4 felicidade

felicidade 5


ikebana sanguetsu

Plantas que encantam o Ano-Novo e

capa melhore sua memória

outras datas festivas Após a festividade do Natal, todo o Japão passa a viver no clima do Ano-Novo e as casas ficam enfeitadas para comemorar a passagem do ano. Velhas tradições de um povo que sempre foi agrícola e amante da natureza vêm à tona, tanto nos lares como nos templos e outros locais públicos, com votos de felicidade e longa vida a todos.

6 Revista sanguetsu 6 felicidade

Numa rápida verificação dos elementos utilizados nos enfeites de Ano-Novo e oferendas dessa ocasião, podemos sentir o espírito com que os ancestrais japoneses veneravam e utilizavam diversas plantas e flores nos rituais e cerimônias religiosos e comemorativos. A simbologia que envolve esses ornamentos tem origem na cul-

tura e vivência dos antigos, e o costume de comemorar o AnoNovo recebeu influência do povo chinês. Até que tudo isso se tornasse uma tradição propriamente japonesa, passaram-se lon­gos séculos. Seria desejável que toda essa cultura e tradição fossem estendidas ao futuro, perpetuando a memória dos ancestrais.

felicidade 7


ikebana sanguetsu

melhore sua memória

Shogatsu

Enfeite de Ano-Novo

A civilização japonesa é milenar. Assim, tem carregado, através dos séculos, diversas tradições e simbolismos ainda enraizados na sabedoria popular. Uma simbologia bastante forte na cultura japonesa é a que envolve os preparativos para o Ano-Novo ou Shogatsu. O Shogatsu é a celebração do dia em que nasce o novo ano. Ele pode se referir ao mês de janeiro todo, mas é usualmente reconhecido como os três primeiros dias do ano, embora alguns afirmem que pode se estender até o dia 7. Poucas pessoas trabalham nesses primeiros três dias do ano. Muitos consideram o Shogatsu o mais importante festival anual de todo o Japão.

Os enfeites de Ano-Novo são muito importantes e, por essa razão, não devem ficar apenas na porta de entrada, mas em todos os lugares da casa. Representam uma preparação para receber Deus e funcionam como guias para que Ele encontre nosso lar. Servem também de morada para que Ele se acomode enquanto aguarda a chegada do Ano-Novo. Vários são os elementos usados. A palha de arroz, por exem-

8 felicidade

Diversos enfeites são confeccionados e algumas cerimônias e rituais também fazem parte das comemorações, que começam no final de dezembro e podem durar até meados de janeiro. A chegada do Ano-Novo é um momento tradicionalmente voltado para reflexões e orações. É época para entrar em contato com Deus e recebê-Lo no ano que se inicia. As cerimônias para receber Deus nos lares são comuns nas casas que seguem a tradição japonesa. São feitas orações e são trocados cumprimentos pedindo e desejando saúde e prosperidade para a família e uma produção farta para o ano que se inicia.

31 teria uma conotação ruim: enfeitar para apenas uma noite, o que lembra os preparativos de um velório e, portanto, deve ser evitado. Não que isso traga algum problema, mas esta atitude simbolizaria fazer as coisas para Deus às pressas, o que seria uma Quando enfeitar O dia 13 de dezembro é de- falta de respeito muito grande. nominado “início dos preparativos para o ano-novo”, e é quan- Sobre a história dos do começam as confecções dos enfeites Segundo o Kojiki (o mais anenfeites e a preparação das cotigo livro de história do Japão), o midas típicas da época. Tanto a preparação dos enfei- Deus Amaterasu (Deus do Sol) se tes quanto sua colocação devem escondeu em uma gruta e o munterminar até o dia 30 de dezem- do então entrou em uma era de esbro, já que enfeitar a casa no dia curidão, a Era da noite. Quando o Deus Amaterasu saiu, fechou a gruta com uma corda, “shirikumenawa”, para que ele não pudesse mais entrar e assim o mundo jamais voltasse à Era da Noite. Essa lenda deu origem às cordas, feitas com palha de arroz, que enfeitam os templos atualmente. Acredita-se que essas cordas possuem força celestial. plo, é ofertada em gratidão à farta colheita do ano anterior. Usam-se ainda leques, folhas cítricas ou um tipo de folha de samambaia para dar mais vida ao ambiente.

9 felicidade 9

Revista sanguetsu


sanguetsu ikebana sanguetsu

capa melhore sua memória

Sho

tiku

bai

Pinheiro

Bambu

Ameixeira

Matsu

Bambu (Take)

Pinheiro japonês (Matsu)

10 Revista sanguetsu 10 felicidade

Pinus thumbergii Na antiguidade, os japoneses acreditavam que os deuses se assentavam nas árvores. O pinheiro japonês realmente tem vida longa, está sempre verdejante, mesmo no inverno, e possui porte majestoso, o que o faz ser considerado adequado para servir como assento para os deuses. Na China, a sempre-viva é indicativo de longa vida e juventude eterna. Por resistirem bem ao frio, o pinheiro, o bambu e a ameixeira são chamados de “os três amigos do frio”, sendo considerados

as plantas de bom agouro. No Japão, a tradição de se utilizar o pinheiro na ornamentação vem do período Heian (794-1191). Nas cerimônias religiosas, ele serve para receber Deus. Também eram usadas outras árvores que permanecem verdes o ano inteiro. No entanto, o emprego do pinheiro nos ornamentos de AnoNovo em todas as casas data do período Meiji (1868-1912), com a divulgação nas escolas de uma música que louvava a chegada do novo ano por meio do uso do ornamento de pinheiro e bambu.

Take

Phyllostachys pubescens O bambu permanece verde o ano inteiro e cresce reto, com distribuição equilibrada dos seus nós. Os antigos japoneses ouviam, no farfalhar de suas folhas, o som da chegada dos deuses entre eles. Mesmo na atualidade, ele é utilizado como assento dos deuses, sendo colocado nos locais sagrados e enfeitado com cordas ornamentais. O bambu é utilizado como pilastras em cerimônias religiosas e nos ornamentos de Ano- Novo e Finados. Nos rituais de consagração do terreno para edificação são utilizados quatro pilares de bambu, um em cada canto do terreno. Isto porque o bambu é considerado possuidor do poder de delimitar e consagrar o local em que os deuses e as entidades espirituais permanecem.

Ume

Ameixeira (Ume) Prunus mume É considerada uma planta de bom agouro por florir quando o frio do inverno ainda se faz intenso. No período Edo, diversos feudos do Japão incentivaram a plantar ameixeira para fazer conserva do seu fruto. Surgiu, então, um grande número de variedades e a ameixeira passou a ser louvada na literatura e no mundo das artes. Desde então, o conjunto pinheiro-bambuameixeira passou a ser utilizado nos ornamentos de Ano-Novo e cerimônias fes­ tivas, sendo, atualmente, considerado indispensável. A ameixeira é originária da China e já havia alcançado o Japão no período Nara (710794). Os antigos cantavam sua beleza em verso e prosa. Revista sanguetsu 11

felicidade 11


sanguetsu ikebana sanguetsu

capa melhore sua memória

Daidai (mandarina)

Nandina

(Nanten)

Nandiana domestica A corruptela (alteração) da frase: Nan o tenjiru dá o fonema nanten, que é o mesmo do nome dessa planta. Nan o tenjiru significa “modificar o curso do infortúnio”, o que poderia ser o mesmo que evitar as catástrofes, impedir os incêndios, purificar o que é impuro etc. Por isso, o nanten é plantado nos jardins de entrada e ornamenta os “halls” das casas. Essa simbologia continua sendo disseminada até na gastronomia, em que o nanten enfeita a mesa ou é utilizado o desenho de seu fruto vermelho para que ele afugente a indigestão. Trata-se de uma planta muito apreciada na China e no Japão, sendo que, neste último, a partir do período Edo, desenvolveram-se diversas variedades. Di­ zem que os samurais utilizavam folhas de nanten dentro da armadura ou faziam enfeites nos acampamentos de guerra. As mulheres as colocavam junto à cabeceira na hora do parto, para proporcionar um nascimento tranquilo e feliz. 12 felicidade

Citrus reticulata Produto de bom agouro usado no topo dos enfeites de AnoNovo. Seu nome daidai tem o mesmo som da palavra “de geração em geração”, que lembra “prosperidade pelas gerações”. E também pelo fato de ainda permanecer no pé depois da virada do ano, o daidai simboliza o encontro do velho com o novo. Existem muitas versões que explicam a origem do seu nome, mas o fato é que ele foi o primeiro cítrico a chegar ao Japão via China, há mais de 1.900 anos.

Samambaia (Urajiro)

Gleichenia glauca Pelo fato do lado inverso da folha ser coberto de uma substância branca, este tipo de samambaia é chamada de urajiro (ura = reverso; jiro = branco). É igualmente considerada de bom agouro devido ao seu outro nome, que significa “espiga longa”. Os agricultores achavam o formato da folha da samambaia parecido com a espiga de arroz e a batizaram de símbolo da boa colheita. No Ano-Novo, a samambaia é utilizada na base do enfeite feito com o moti (uma espécie de bolinho feito com arroz cozido no vapor) e, na corda dela são utilizados com o daidai e a alga marinha, decorando o “hall” de entrada das casas. O outro nome, moromuki, decorre da disposição harmônica das folhas, ficando uma de frente para a outra, o que fez com que essa samambaia se consagrasse à harmonia entre o casal. A parte branca da folha, representando os cabelos brancos do casal, significa, portanto, vida longa.

felicidade 13


fukubukuro

preparando-se

Fukubukuro (sacola da sorte, sacola do mistério) é um costume do dia do Ano-Novo japonês em que os comerciantes confeccionam sacolas das quais se tiram aleatoriamente conteúdos para vendê-los com um desconto substancial, geralmente de 50% ou mais dos preços contidos na lista dos itens aí contidos. Os preços baixos são geralmente praticados para atrair os clientes para comprarem na loja durante o Ano-Novo. A palavra é constituída do termo japonês fuku (boa fortuna/sorte) e fukuro (sacola). A mudança de fukuro para bukuro é o fenômeno conhecido por rendaku. Fuku provém do ditado em japonês segundo o qual “há fortuna nos restos de comida”. As lojas populares de fukubukuro geralmente são revolvidas rapidamente por ávidos clientes, e algumas delas têm longas filas que contornam os quarteirões da cidade horas antes de abrirem no dia do Ano-Novo. Fukubukuro é um modo fácil de as lojas descarregarem mercadorias em excesso e indesejadas do ano anterior devido à superstição japonesa de que não se deve iniciar o Ano-Novo com lixo indesejado do ano anterior, mas começar com tudo novo. Atualmente, alguns fukubukuro são promovidos como um evento extravagante de Ano-Novo em que os conteúdos são revelados previamente. Entretanto, esta prática é criticada como sendo apenas uma renomeação de vender coisas como um conjunto de itens.

Histórico Fukubukuro foi criado pelo loja de departamentos Matsuya de Ginza no final do período Meiji e desde então se espalhou entre a maioria de varejistas. O costume se espalhou entre outras culturas. Por exemplo, no shopping center de Honolulu, o Ala Moana Center, várias lojas adotaram esta tradição em 2004. Muitas lojas da Sanrio nos Estados Unidos frequentemente adotam igualmente esta tradição. Conteúdos Dependendo do tipo de negócio, com vários meses de antecedência, os comerciantes planejam o que irá dentro dessas sacolas e qual será o preço de venda. Em lojas de departamentos importantes, as sacolas de apanhar presentes geralmente têm um tema para os departamentos específicos (por exemplo, uma seção de jovens da loja teria um fukubukuro com mercadorias da moda, a seção de sapatos teria vários pares com preço alto na sacola etc.). Em outras lojas (especialmente as menores), muitos fukubukuro são frequentemente preenchidos com itens que se relacionam à loja ou que levam em consideração as necessidades do cliente (por exemplo, uma loja de chá ofereceria fukubukuro numa caixa de chá com saquinhos de chá, xícaras de chá e mantas). Muitas lojas frequentemente incluem itens extras, tais como bolsas caras (algumas vezes valem dezenas de mi-

lhões de ienes), bilhetes para lugares distantes, até mesmo casacos de pele e vale-brinde para eletrônicos caros a fim de seduzir compradores a se arriscar e comprar em suas lojas. A aleatoriedade de tais inserções é a razão pela qual os fukubukuro, algumas vezes, são conhecidos como “Sacolas da Boa Sorte” ou “Sacolas Afortunadas”. As sacolas que contêm nada mais do que itens indesejados são conhecidas coloquialmente como fukoubukuro “sacolas de azar”) ou “utsubukuro” (“sacolas deprimentes”), e algumas lojas que não possuem nada de bom para oferecer na verdade chamam suas sacolas disso e as ofertam a preços extremamente baixos (de 500 a 1.000 ienes). Há ainda pessoas que compram essas sacolas, que, de fato, são uma escolha popular para blogueiros buscando conteúdo para uma postagem. Fukubukuro vem numa variedade de preços diferentes. A maioria das sacolas tem seu preço fixado, que varia de algumas centenas a alguns 10.000 ienes (1-100 dólares americanos). Entretanto, a cada ano, há igualmente alguns fukubukuro disponíveis extremamente caros. Em 2006, o fukubukuro mais caro teve seu preço fixado em 200.6 milhões de ienes (1.7 milhão de dólares americanos) de uma joalheira de Guinza; outro conjunto de sacolas teve o preço fixado em 150 milhões de ienes a peça (1.2 milhão de dólares americanos) nas Lojas Mitsukoshi.

Sobre a palavra fuku

No dia seguinte, os guardas notaram que o ideograma estava colocado em todas as residências, mas em uma delas, ele estava invertido. Comunicaram o fato ao imperador, que ficou muito zangado e ordenou que os moradores daquela casa fossem presos. A imperatriz, ao tomar conhecimento do ocorrido, foi correndo dizer ao imperador que os moradores daquela residência sabiam da visita imperial e, fazendo um trocadilho, dispuseram o ideograma de modo que fosse

lido da seguinte forma: a visita do imperador era a “chegada da felicidade”. Acreditando nas palavras da esposa, ordenou que libertassem os aldeões e todos foram salvos. Desde então, o ideograma FUKU de cabeça para baixo é utilizado para lembrar o carinho da imperatriz e também o presságio de bons acontecimentos. Hoje em dia, o ideograma é adornado com diferentes desenhos: de pêssegos, de carpas, de dragões etc.

Segundo uma antiga lenda chinesa, na época do imperador Ming, o ideograma FUKU – que significa felicidade – era colocado na porta da residência de quem seria executado. A imperatriz, que era muito bondosa, ordenou à população que colocasse o ideograma na porta de todas as casas durante a noite para confundir os guardas. Entretanto, um aldeão que não sabia ler, colocou-o de cabeça para baixo. 14 felicidade

O ideograma FUKU invertido Na China, quando se comemora o Ano-Novo, as casas e os portões dos templos são enfeitados com o ideograma FUKU (felicidade) escrito de cabeça para baixo. Antigamente, FUKU era sinônimo de “sorte”, de “bons fluidos”; hoje, o ideograma quer dizer “desejo de que as pessoas possam viver felizes e que um maravilhoso futuro possa se concretizar”. Fazendo trocadilho com os ideogramas que significam “de cabeça para baixo” e “chegada” , tornou-se tradição escrever FUKU (felicidade) invertido, uma vez que os dois ideogramas possuem o mesmo som: TOU, significando assim: “chegada da felicidade”. Outra forma de entendermos o ideograma FUKU invertido é a apresentação da felicidade virada em direção aos Céus. felicidade 15


PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS

VIVIFIQUE-se

1. Vivificar com naturalidade

a) Jamais force as flores. Realce as suas características, vivificando-as com a maior naturalidade possível. b) Obedeça a natureza de cada flor. c) Use, de preferência, as flores da época. d) A flor vivificada com naturalidade tem vida; a flor que tem vida atua no sentido de compor a sua figura e forma.

2. Vivificar rapidamente

a) Determine com exatidão o local do corte dos caules, dos galhos e das flores, relacionando-os harmoniosamente com o vaso. b) Após o corte, vivifique-as rapidamente.

3. Vivificar como se estivesse pintando um quadro

a) V ivifique ramos e flores como se, por meio deles, estivesse manifestando o vigor de seguras pinceladas num belo quadro. b) Cultive seu senso estético apreciando, constantemente, obras de arte de qualidade.

4. Vivificar, considerando a harmonia do conjunto

a) Faça a vivificação floral considerando onde ela vai ser colocada. Combine-a com os móveis, a cor das paredes e outras obras de arte existentes no recinto. b) A flor, o vaso e o ambiente em que se encontram devem estar em harmonia, a ponto do conjunto resultar em um único trabalho de valor artístico.

5. Vivificar com alegria

a) V ivifique as flores com o sentimento de alegrar o próximo como a si mesmo. b) Vivificação feita com alegria e despreocupação expande a natureza divina de quem a executa e de quem a observa.

16 felicidade

felicidade 17


ikebana sanguetsu

preparando-se

“Como ĂŠ misterioso Encontrar sempre uma flor No meio do capinzal...â€? Itsuki Okada

18 Revista sanguetsu 18 felicidade

Revista sanguetsu 19

felicidade 19


sanguetsu ikebana sanguetsu

20 felicidade

capa preparando-se

felicidade 21


sanguetsu ikebana sanguetsu

capa preparando-se

“Como fica bela a pessoa No momento em que decide fazer ressoar o corte da tesoura para vivificar a flor.� Itsuki Okada

22 felicidade

felicidade 23


sanguetsu ikebana sanguetsu

capa preparando-se

“O amor de Mokiti Okada pela flor E seu desejo de levĂĄ-lo Aos quatro cantos do mundo Deram origem ao Sanguetsu.â€? Itsuki Okada

24 felicidade

felicidade 25


sanguetsu ikebana sanguetsu

capa preparando-se

“Não existe ninguém que não sinta seu coração tocado pela beleza singela e pura da flor.” Itsuki Okada

26 felicidade

felicidade 27


sanguetsu ikebana sanguetsu

28 felicidade

capa preparando-se

felicidade 29


sanguetsu ikebana sanguetsu

capa preparando-se

“Pela eternidade Respeitarei a flor, Que é sublime Em refletir o sentimento Da pessoa que a vivifica.” Itsuki Okada

30 felicidade

felicidade 31


sanguetsu ikebana sanguetsu

nononon capa preparando-se preparando-se

“Sem palavras A flor que desabrocha e cai, cativa ainda mais o coração das pessoas.” Itsuki Okada

32 felicidade

Revista sanguetsu 33

felicidade 33


sanguetsu seja feliz!

NATAL brasileiro Alimentação Natural

O sabor da

Ideograma Fuku: felicidade

34 felicidade

felicidade aLIMENTAÇÃO nATURAL 35


o sabor da felicidade

NATAL brasileiro

Mokiti Okada e a ALIMENTAÇÃO NATURAL Em 23 de dezembro de 2012, comemoraremos o 130º natalício de Mokiti Okada. Nos nossos estudos sobre alimentação natural preconizada por ele, descobrimos um pouco dos seus próprios hábitos alimentares. Apesar do seu respeito profundo pelas tradições japonesas, até mesmo nos costumes à mesa, ele optou comePeru assado morar o seu aniversário à moda ocidental; oferecendo um jantar, em que o prato principal era peru assado. E os acompanhamentos eram consomê de sopa de milho, um tipo de farofa com uva-passa temperada com brandy, arroz indiano e um champanhe para brindar. Porém, no Ano-Novo, seguia à risca os hábitos tradicionais do Japão. Mokiti Okada dava muita importância a todos os eventos do Ano-Novo. No jantar do dia 31 de dezembro, sempre comia o tradicional sobá, servido para finalizar o jantar. Os fios longos do sobá simbolizam os votos de que a vida e a felicidade de quem os 36 aLIMENTAÇÃO nATURAL

saboreia sejam igualmente longas. Podemos dizer que seja um prato símbolo da gratidão pelo ano que se passou e o pedido de sucesso para o que se inicia. Mokiti Okada costumava festejar os três primeiros dias do ano com o oseti ryori, servido em uma caixa laquea­da, com quatro níveis; no primeiro, ficavam os aperitivos; no segundo, os marinados; no terceiro, os assados e no quarto os cozidos, totalizando 31 itens, impregnados de votos de boa sorte e longevidade. Algo que nos chamou a atenção foi o hábito japonês, que também fazia parte da família Okada, de se ter um cardápio especial para o sétimo dia do ano. Após as comemorações do réveillon, no sétimo dia, comia-se uma espécie de mingau de arroz com sete ervas chamado de nanakusagayu, cujos ingredientes básicos são o arroz, o moti, o rabanete, a cenoura e o nabo, juntamente com sete ervas, entre elas as folhas do nabo e do rabanete. Também este prato tem um sentido simbólico de orar por um ano com muita saúde, assim como o de dar um certo “descanso” ao estômago dos alimentos ingeridos no final do ano. É uma receita que nos dias atuais podemos chamar de desintoxicante, com o objetivo de limpar e restaurar o organismo dos excessos das mesas festivas. É uma sabedoria mile-

Oseti ryori

nar que se encontra devidamente afinada aos conceitos da moderna Nutrição. Mokiti Okada não gostava de desperdiçar nada, por isso, costumava comer este mingau de arroz com sete ervas, tendo como acompanhamento tudo aquilo que não fora consumido do cardápio do Ano-Novo. No terceiro dia do ano, era costume da família de Mokiti Okada servir sukiyaki no jantar. Ele gostava muito deste prato e saboreava com real prazer com as visitas. O sukiyaki é um prato bem apropriado ao frio do inverno que faz em janeiro no hemisfério norte, bem como tem um caráter de coletividade, já que os convivas se reúnem em torno da panela fumegante. Ele apreciava, ainda, calcular o momento mais saboroso, quando os caldos da carne e das verduras impregnavam o prato, para daí acrescentar o moti do AnoNovo. Sob esta inspiração, buscamos preparar um cardápio festivo para as celebrações do natalício e um outro para o réveillon. No site www.fmo.org.br publicamos algumas sugestões de receitas para o sétimo dia do ano, para podermos efetuar uma leve limpeza do organismo dos possíveis excessos das comemorações. Com certeza, é um hábito que podemos e devemos incorporar na nossa família e entre os amigos. Vamos estudar e encontrar o bom uso das frutas, legumes e verduras da época para este cardápio especial do sétimo dia do ano.

Sobá – é um tipo de macarrão degustado na véspera do Ano-Novo. Sukiyaki – prato típico japonês, preparado à mesa conforme se vai comendo. Moti – bolinho de arroz socado em pilão. Oseti ryori – o termo oseti se refere às comemorações de um período da estação; o dia do Ano-Novo é um dos cinco festivais sazonais. Ryori significa alimentos e, no caso do AnoNovo, são aqueles que trazem significados de votos de prosperidade, saúde e longevidade.

Natal

Nossa sugestão de cardápio

Para a elaboração do menu de Natal escolhemos produtos da estação, preferencialmente produzidos pela agricultura natural/orgânica, incluídos em receitas simples, que não exigem preparos difíceis. Ficamos atentos às nossas tradições, adaptando alguns detalhes que julgamos mais saudáveis. Por isso, centralizamos em dois pratos principais quentes, o frango e o lombo suíno assados, que encontramos de produção orgânica pela Kōrin, que podemos optar em servir somente um dos dois. Para os vegetarianos sugerimos uma deliciosa receita de beringela e shimeji. Os acompanhamentos são o arroz, a farofa, o vinagrete de abacaxi e o tabule de quinoa. Como entrada, sugerimos um creme frio de abóbora e trouxinhas recheadas com frango desfiado. As trouxinhas lembram um “saquinho”, como se fosse fukubukuro o “saco da felicidade”, que a divindade oriental chamada Daikoku Sama traz às costas; ou até mesmo o “saco” do papai Noel. Para a sobremesa temos carpaccio de frutas da época, tortinha de aveia com tâmara e damasco e o tradicional panetone, numa versão natural. Talvez seja mais simples, no caso do panetone, comprarmos nos mercados a versão industrializada, mas sendo uma época de festas e buscando praticar um estilo de vida mais saudável, por que não nos dedicarmos para confeccionar com nossas mãos um presente especial – o nosso panetone? Para brindar, que tal uma sangria?

Trouxinha de hortelã com recheio de frango RECHEIO

2 colheres de sopa azeite de oliva extravirgem MASSA 1 xícara de chá cebola picada ½ maço 25 g hortelã 1 dente alho amassado 1 xícara de chá farinha de trigo 600 g (360 g cozido) sasami de frango 1 colher de sopa óleo de canola Kōrin cru ½ colher de chá sal moído ½ xícara de chá 50 g nozes picadas 3 unidades ovo Kōrin 1 colher de chá sal moído óleo para untar 1 xícara de chá tomate picado sem Em uma panela, ferver uma xícara e meia pele e sem semente de chá de água. Desligar o fogo, colocar 8 unidades azeitona preta picada a hortelã e abafar por alguns minutos. Em um liquidificador, bater o chá de hor- Cozinhar o sasami de frango em água e telã com a farinha, o óleo, o sal e os ovos. sal. Desfiar. Aquecer uma frigideira untada e colocar Em uma panela média, refogar no azeite a pequenas porções de massa. Dourar le- cebola e o alho até dourar. Acrescentar o vemente dos dois lados. Repetir a opera- frango desfiado, as nozes, as azeitonas e ção até terminar a massa o sal. Mexer e refogar por alguns minutos, finalizar com o tomate e cozinhar até murchar. Reservar. MONTAGEM 200 g coalhada seca Cebolinha verde escaldada Rechear os discos de panqueca com uma colher de sopa de coalhada e duas colheres de sopa do recheio de frango. Fechar juntando as pontas e amarrar com meia cebolinha, formando uma trouxinha.

aLIMENTAÇÃO nATURAL 37


o sabor da felicidade

NATAL brasileiro NATAL brasileiro

! Natal

Receitas básicas em seu melhor momento Feliz

MENU Entrada 1. Creme frio de abóbora 2. Trouxinha de hortelã com recheio de frango 3. Tabule de quinoa com salada verde

prato principal 4. Frango com mel e especiarias 5. Lombo suíno festivo 6. Berinjela com shimeji

13

3

acompanhamentos 7. Farofa de biju com castanha-de-caju 8. Vinagrete de abacaxi 9. Arroz com cidreira e amêndoas

12

2

sobremesa e bebida

1

10. Tortinha de aveia com tâmara e damasco 11. Panetone natural 12. Carpaccio de frutas 13. Sangria

4

11 7

10 9 8

5

38 aLIMENTAÇÃO nATURAL

aLIMENTAÇÃO nATURAL 39


o sabor da felicidade

NATAL brasileiro

Creme frio de abóbora 400 g abóbora cabotiá descascada e cortada em cubos ¼ maço capim-cidreira 200 mL água 500 mL caldo de legumes caseiro 200 mL água para o leite de soja 2 colheres de sopa extrato de soja 2 colheres de sopa cebola picada 1 colher de café pimenta dedo-de-moça picada 50 mL azeite de oliva extravirgem 2 cubos gelo 1 colher de chá sal moído

Levar uma panela ao fogo e refogar a cebola no azeite de oliva por alguns minutos, em fogo médio. Adicionar a abóbora e refogar por mais 5 minutos. Bater o capim-cidreira com 200 mL de água e coar. Preparar o leite de soja misturando 200 mL de água com o extrato de soja. Adicionar o caldo de legumes, o leite de soja e o suco de capim-cidreira na panela e cozinhar por mais 20 minutos. Temperar com o sal e a pimenta e bater no liquidificador. Coar novamente e deixar descansar na geladeira por 1 hora. Pa­ra­servir, bater o creme no liquidificador com o gelo.

Tabule de quinoa com salada verde 1/2 xícara de chá quinoa real preta 1 xícara de chá água 1 colher de café sal moído ½ xícara de chá pepino picado ½ xícara de chá tomate picado ½ xícara de chá cebola picada 1 colher de chá zaatar 1 colher de chá pimenta síria 2 colheres de sopa hortelã picada 3 colheres de chá salsinha picada 1 colher de café sal moído 4 colheres de sopa azeite de oliva extravirgem Suco de um limão 40 aLIMENTAÇÃO nATURAL

Lavar a quinoa. Levar a água para ferver, colocar a quinoa e pôr em fogo baixo, cozinhar por aproximadamente 15 minutos. Escorrer. Fazer o molho, dissolvendo o sal no suco de limão e acrescentar o azeite, o zaatar e a pimenta síria. Numa travessa, colocar o pepino, o tomate, a cebola e a quinoa, misturar com a hortelã e a salsinha. Regar com o molho. Misturar delicadamente. Servir com mix de folhas verdes picadas: alface-americana, alface roxa, rúcula etc. aLIMENTAÇÃO nATURAL 41


o sabor da felicidade

NATAL brasileiro

Frango com mel e especiarias 2 colheres de sopa sal moído ½ xícara de chá mel 2 xícaras de chá aguardente ½ xícara de chá vinagre vinho branco 2 colheres de chá canela em pó ½ colher de chá noz-moscada ralada 1 colher de chá cardamomo em grãos esmagado 1 unidade anis-estrelado ½ unidade s/ semente pimenta dedode-moça picada 1 unidade raspas da casca de limãocravo 1 unidade 2 kg frango inteiro 1 unidade grande cebola inteira descascada 10 unidades cravo-da-índia 2 colheres de sopa azeite de oliva

Misturar o sal, o mel, a aguardente, o vinagre, a canela, a noz-moscada, o cardamomo e o anis e juntar uma xícara de chá de água. Mergulhar o frango nos temperos, esfregando bem por dentro e por fora. Acomodar em um saco plástico, com a marinada, e deixar na geladeira por uma noite. Espetar a cebola com os cravos e colocar na cavidade da ave, besuntar com azeite e colocá-la em uma assadeira grande, amarrando os pés e fechando as assas. Regar com a marinada, cobrir com papel-alumínio e levar para assar em forno médio (180°C), pré-aquecido. De vez em quando, levantar o papel e regar com o próprio caldo da assadeira. Retirar o papel e deixar corar.

Sugestão para molho 1 colher de sopa farinha de trigo 2 colheres de sopa suco de limão 1 ½ xícara de chá água 2 colheres de sopa cebolinha verde picada Retirar o frango e levar a assadeira à chama do fogão, em fogo médio. Acrescentar a farinha, o suco de limão, a água e cozinhar, raspando o fundo e misturando bem até obter um molho espesso. Tirar do fogo, coar, misturar a cebolinha e servir sobre a ave.

Farofa de biju com castanha-de-caju 3 colheres de sopa azeite de oliva extravirgem 20 g alho picado 50 g ½ xícara de chá cebola picada 200 g farinha de mandioca tipo biju 180 g castanha-de-caju salgada picada 1 colher de chá sal moído ½ xícara de chá salsinha

42 aLIMENTAÇÃO nATURAL

Numa frigideira, colocar o azeite e dou- Podemos usar esta farofa para rechear rar o alho, acrescentar a cebola e deixar frango ou peru antes de assar, ou sosuar. Juntar, na frigideira, a farinha de mente servir como acompanhamento. mandioca, a castanha-de-caju picada, o sal e a salsinha, misturar bem. Desligar o fogo e reservar.

Lombo suíno Arroz aromatizado Vinagrete de festivo com cidreira e abacaxi amêndoas 1 unidade abacaxi inteiro com casca 2,5 kg lombo suíno Kōrin 7 xícaras de chá 1.400 mL caldo de legumes 3 colheres de sopa azeite de oliva 1 unidade média 100 g cebola picada 3 xícaras de chá 450 g arroz agulhinha integral 5 folhas erva-cidreira 50 g amêndoas em lascas 1 colher de chá sal moído Ferver o caldo de legumes e mantê-lo aquecido em fogo baixo. Aquecer o azeite, refogar a cebola e agregar o arroz, fritando levemente. Colocar as folhas de cidreira amarradas e juntar o caldo de legumes fervente. Tampar parcialmente a panela, abaixar o fogo e cozinhar até a água começar a secar. Quando o arroz estiver quase completamente seco, retirar a cidreira e desprezar. No momento de servir, polvilhar as amêndoas. Podemos substituir o caldo de legumes por caldo de frango.

1 unidade média cebola-roxa 1 colher de chá gengibre ralado 2 colheres de sopa hortelã picada 2 unidades suco e raspas de limão 1 unidade pimenta dedo-de-moça picada ½ colher de chá sal moído 1 colher de café pimenta-branca moída na hora

Cortar o abacaxi ao meio no sentido longitudinal e tirar a polpa. Picar o abacaxi e a cebola em cubos pequenos. Em uma tigela, juntar o abacaxi, a cebola, o gengibre, a hortelã, o suco e as raspas de limão, a pimenta e temperar com sal e pimenta-branca. Levar para gelar. Servir dentro da casca do abacaxi.

6 dentes alho amassado ½ colher de chá alecrim seco triturado ½ colher de chá endro ½ colher de chá orégano 240 mL vinho tinto seco 10 dentes alho ½ colher de chá sal moído Em uma vasilha, misturar o alho amassado, o alecrim, o endro, o orégano e o vinho tinto. Colocar o lombo de porco em uma travessa de vidro e despejar o molho. Tampar e deixar marinando na geladeira por uma noite. Pré-aquecer o forno em temperatura média-baixa (165º C). Transferir a carne para uma travessa e fazer furos com uma faca e inserir o alho. Colocar o molho da marinada por cima, cobrir a travessa e levar para assar. Podemos substituir o alho por uma pasta de ervas.

aLIMENTAÇÃO nATURAL 43


o sabor da felicidade

Berinjela com shimeji 5 unidades médias 600 g berinjela 2 colheres de chá sal moído 3 colheres de sopa azeite de oliva 2 dentes alho 200 g shimeji picado grosseiramente 1.200 g molho de tomate 20 folhas manjericão

Colocar o azeite numa panela juntamente com os dentes de alho descascados e levemente amassados, e levar ao fogo baixo, até aromatizar o azeite. Acrescentar o shimeji por alguns minutos até dourar. Colocar o molho de tomate e deixar no fogo até o molho apurar um pouco. Reservar. Para a farofa Untar uma assadeira com 2 colheres de 100 g tofu defumado picado sopa de azeite de oliva, salpicar dois den1 xícara de chá farinha de rosca tes de alho picado e por cima acomodar 25 g castanha-do-Pará picada as fatias de berinjela. Levar a assadeira 2 colheres de sopa azeite de oliva ao forno pré-aquecido a 180ºC por 15 1 colher de café sal moído minutos aproximadamente. Retirar do Fatiar as berinjelas no sentido do com- forno e reservar. primento. Salpicar duas colheres de chá Fazer uma farofa com o tofu picado, a de sal e colocar numa peneira, com peso farinha de rosca e a castanha-do-pará, temperando com o sal moído e o azeite em cima, e deixar desidratar. de oliva.

Sangria

NATAL brasileiro

Para vegetarianos Montagem Proceder como na montagem de uma lasanha. Colocar no fundo de um refratário uma concha do molho, por cima uma camada de fatias de berinjela, mais um pouco de molho e cobrir com a farofa e folhas de manjericão. Intercalar em camadas o molho, a berinjela e a farofa com manjericão, até finalizar todos os ingredientes. A cobertura deverá ser com a farofa. Levar para gratinar em forno pré-aquecido a 180º C.

Tortinha de aveia com tâmara e damasco Carpaccio de frutas Frutas da estação Suco de limão Vinho do Porto Melado Pimenta-rosa Folhas de hortelã Alecrim Escolher de dois a três tipos diferentes de fruta. Descascar, fatiar em fatias finas e acrescentar o suco de limão. Podemos regar com vinho do Porto ou melado. Guarnecer com sorbet, ou coalhada seca. Perfumar com folhas de hortelã ou alecrim.

2 xícaras de chá aveia em flocos 1/3 xícara de chá manteiga 4 colheres de sopa iogurte ½ colher de chá canela em pó 2 colheres de sopa mel 1 colher de sopa farinha de trigo integral

Recheio 14 unidades tâmaras sem caroço 14 unidades damascos 3 colheres de sopa mel 1 xícara de chá água 7 unidades nozes Hortelã para decorar

MODO DE PREPARO – MASSA Em uma tigela, misturar todos os ingredientes e amassar até obter uma massa homogênea. Abrir a massa com um rolo, entre duas folhas de papel-manteiga, na espessura de 0,5 cm. Com o uso de um cortador, fazer pequenos discos. Em uma assadeira untada com manteiga, levar ao forno moderado (180°C), pré-aquecido, por dez minutos aproximadamente. Deixar esfriar e retirar com uma espátula. MODO DE PREPARO – RECHEIO Em uma panela, levar ao fogo baixo as tâmaras, os damascos, o mel e a água e cozinhar por cerca de 15 minutos, até formar uma calda grossa. Distribuir entre os discos, decorar com as nozes e as folhas de hortelã.

1 unidade maçã picada 1 unidade laranja picada 3 fatias abacaxi picado 700 mL vinho tinto 2 unidades suco de limão 200 mL suco de laranja a gosto casca de laranja 500 mL 1 garrafa pequena água com gás 40 mL cointreau 2 colheres de sopa açúcar a gosto gelo Em uma jarra, colocar as frutas picadas, juntar as bebidas e o açúcar, misturar bem e acrescentar o gelo.

44 aLIMENTAÇÃO nATURAL

aLIMENTAÇÃO nATURAL

45


o sabor da felicidade

Ano-novo

Panetone natural 3 colheres de sopa açúcar ½ kg farinha de trigo ½ kg farinha de trigo integral 2 colheres de sopa fermento biológico 500 mL leite de coco ½ xícara de chá óleo de canola 1 xícara de chá mel 1 xícara de chá gérmen de trigo 200 g uva-passa 1 unidade casca ralada de limão-siciliano 2 unidades casca ralada de limão Tahiti 1 colher de café essência de baunilha 180 g castanha-do-pará moída 180 g chocolate amargo picado Calda de especiarias 1 xícara de chá água ½ xícara de chá açúcar 1 unidade canela em pau 5 unidades cravo-da-índia 1 unidade anis-estrelado 1 pedaço casca de limão-siciliano 1 pedaço casca de laranja

46 aLIMENTAÇÃO nATURAL

Fazer uma esponja com 3 colheres de sopa de açúcar, 6 colheres de sopa de farinha de trigo, o fermento e 1 xícara de chá de água morna. Deixar dobrar de volume. Misturar o fermento já crescido, com o leite de coco, o óleo, o mel e o gérmen de trigo. Misturar a farinha de trigo integral e a branca e despejar metade na massa. Ir acrescentando o restante da farinha aos poucos. Colocar as passas, as raspas de limão, a essência de baunilha, as castanhas e o chocolate, antes de finalizar o restante da farinha. Amassar

até a massa desgrudar da mão. Acomodar a massa em fôrmas de papel. Levar para assar em forno médio. De vez em quando, borrifar água sobre o ­panetone. Fazer uma calda com as especiarias, deixando apurar em fogo mínimo. Preparar uma farofa com castanhas-dopará trituradas, açúcar e canela em pó, somente levando ao fogo para dourar. Ao retirar o panetone do forno, regar com a calda de especiarias e cobrindo com a farofa de castanhas.

Réveillon

Nossa sugestão de cardápio

No cardápio para o réveillon, focamos nossa atenção nos peixes, obedecendo o dito popular que diz ser bom “virar” o ano consumindo animais que “andam ou nadam” para frente. O bacalhau em conserva agridoce é para ser feito anteriormente e deixado em geladeira para absorver melhor os sabores. Temos também o salmão com redução de vinho, que é extremamente simples e saboroso. Sugerimos como entrada e/ou acompanhamento uma salada niçoise, que tem atum e aliche como ingredientes; a lentilha não poderia faltar para nos trazer prosperidade, porém numa versão festiva mais sequinha, quase que como um baião-de-dois. Para a trouxinha agora, sugerimos colorir a massa em verde (saúde, esperança), amarela (ouro, fortuna) e vermelha (amor, vida) e rechear com brandade de bacalhau. Um arroz básico de cor amarronzada, para garantir sucesso com os pés no chão. Como sobremesa, decidimos por um muffin de laranja e um sorvete caseiro de coco e limão-siciliano, que podemos servir dentro da casca de laranja. No Japão usa-se laranja nos enfeites de Ano-Novo significando “de geração em geração”, ou seja, longevidade e saúde eterna. Para a bebida: o ponche – um coquetel à base de vinho branco espumante e muitas frutas. Servido geladinho, vai muito bem para brin­darmos o novo ano.

Novo Ano! Sabores

de um

MENU Entrada Trouxinha tricolor com recheio de brandade de bacalhau Lentilha festiva Salada niçoise

prato principal Salmão com redução de vinho Bacalhau em conserva agridoce

acompanhamentos Arroz marrom

sobremesa e bebida Muffin de laranja Sorvete de coco e limão Ponche

aLIMENTAÇÃO nATURAL

47


o sabor da felicidade

Trouxinha tricolor com recheio de brandade de bacalhau massa

1 ½ xícara de chá água 2 unidades ovo Kōrin 3 colheres de sopa óleo de canola 1 colher de café sal moído Colocar todos os ingredientes no liquidificador e bater. 1 ½ xícara de chá farinha de trigo Ir acrescentando a farinha, aos poucos, e continuar batendo. 1 colher de chá fermento em pó Agregar o fermento misturando bem. Levar a massa para descansar na geladeira por 10 minutos. Assar a panqueca despejando a massa, com uma xícara de chá ou uma concha pequena, numa frigideira de 20 cm de diâmetro aproximadamente.

Ano-novo

Para obter uma massa cor-de-rosa acrescentar 1 ½ xícara de chá de tomate picado sem semente. Para a massa verde, substutir o tomate por 1 xícara de chá de folhas de salsinha picada.

MODO DE PREPARO

Deixar o bacalhau de molho num vasilhame de vidro ou inox, com água fria por 24 horas, trocando a água por 4 vezes. Escorrer o bacalhau e colocar numa panela grande e rasa, cobrir com água MONTAGEM fria e levar ao fogo. Ferver por 10 miRechear a massa da omelete com a bran- nutos, retirar a panela do fogo e espedade de bacalhau e finalizar amarrando rar 10 minutos antes de escorrer. com cebolinha escaldada. Retirar a pele e as espinhas do peixe, desfiar em lascas numa tigela e fazer uma pasta com o alho. Colocar a pasta de peixe numa panela em fogo brando. Juntar 200 mL de azeite e o leite, um pouco de cada vez, 450 g bacalhau seco fazendo uma mistura cremosa branca e 2 dentes alho amassado firme. Retirar. Polvilhar com salsa, pi200 ml azeite de oliva menta, azeite extravirgem e azeitonas. 100 ml leite quente Podemos substituir o bacalhau pelo pi2 colheres de sopa salsa picada rarucu seco. 100 g pimenta-branca moída na hora azeite extravirgem para regar

Brandade de bacalhau

Lentilha festiva

150 g lentilha 3 colheres de sopa azeite de oliva extravirgem 1 unidade pequena cebola picada 1 dente alho amassado 1 talo salsão picado 4 unidades cebolinha verde 1 colher de café sal moído 1 colher de café pimenta-branca moída na hora 1 colher de chá tomilho picado 10 unidades tomate-cereja cortado ao meio Molho 1 unidade suco de limão-siciliano 1 colher de sopa 60 g semente de romã ½ colher de café cominho em pó ½ colher de café coentro em pó Em uma vasilha, colocar a lentilha e cobrir com água, deixando-a de molho por uma hora. Picar a cebolinha, separando a parte branca e a verde. Reservar. Escorrer a lentilha e cozinhar em 3 xícaras de água por 10 minutos. Escorrer novamente e cozinhar com mais um pouco de água, até que esteja macia, mas sem se desfazer. Em uma panela, colocar o azeite e dourar a cebola, juntar o alho e logo em seguida, o salsão e a parte branca da cebolinha;

48 aLIMENTAÇÃO nATURAL

refogar rapidamente. Temperar com sal e pimenta e reservar. Quando a lentilha estiver quase cozida, juntar os ingredientes refogados e terminar o cozimento com o fogo desligado. Escorrer a lentilha e misturar com o tomilho, o tomate-cereja, a parte verde da cebolinha e regar com um pouco mais de azeite. Para servir como salada: quando a lentilha estiver quase fria, misturar o suco de limão-siciliano, as sementes de romã, o cominho e o coentro. Servir com folhas verdes.

Molho: misturar a mostarda, o alho, o vinagre, o suco de limão, o azeite e o sal. Em uma saladeira, arrumar adequadamente a vagem, o aliche, a cebola, o tomate, as azeitonas, a alface e o manjericão. Regar com o molho e mexer delicadamente. Enfeitar com os ovos e o atum picados.

Arroz marrom

Salada niçoise

150 g vagem 8 filés aliche escorrido 1 unidade cebola roxa em rodelas finas 250 g tomate cortado em quatro 12 unidades azeitona preta sem caroço 1 unidade alface-romana rasgada 8 a 10 folhas manjericão 4 unidades ovo Kōrin cozido 2 latinhas atum

1 ½ colheres de sopa azeite de oliva 1 colheres de sopa açúcar mascavo 1 dente alho 1 colher de café cominho 1 xícara de chá castanha-do-pará picada grosseiramente 2 xícaras de chá arroz ½ xícara de chá vinho branco seco 4 xícaras de chá caldo de legumes 1 colher de chá sal moído 2 colheres de sopa salsinha picada

Numa panela, colocar o azeite, o açúcar mascavo, o alho e o cominho e levar ao Molho fogo. Adicionar a castanha-do-pará e dou6 colheres de chá mostarda de Dijon rar por alguns minutos. Acrescentar o ar3 dentes alho amassado roz e refogar, mexendo sempre. Juntar o 9 colheres de sopa vinagre de vinho vinho e deixar evaporar. Ir acrescentando branco o caldo de legumes aos poucos, mexendo 1 ½ unidade suco de limão de vez em quando, até o arroz ficar macio. 300 mL azeite de oliva extravirgem Quando o arroz estiver cozido, desligar o 1 colher de chá sal moído fogo. Finalizar com a salsinha picada. Podemos substituir o caldo de legumes Cozinhar a vagem em água fervente por 4 pelo caldo de frango. minutos, até ficar tenra. Escorrer e colocar Se preferir dar mais colorido ao arroz, acresrapidamente numa tigela com água gela- centar uma seleta de legumes com cenoura e ervilha, juntamente com a salsinha. da. Escorrer a vagem novamente. aLIMENTAÇÃO nATURAL 49


o sabor da felicidade

Ano-novo

Bacalhau em conserva agridoce

Salmão com redução de vinho tinto 400 mL vinho tinto seco 400 mL vinagre balsâmico 200 g açúcar 1 colher de café sal moído 1 colher de café pimenta branca-moída na hora 2 colheres de sopa azeite de oliva para grelhar 4 postas 200 g cada salmão

50 aLIMENTAÇÃO nATURAL

Colocar o vinho com o vinagre balsâmico e o açúcar numa panela. Misturar, levar ao fogo e deixar até que o líquido esteja reduzido à metade da quantidade inicial. Apagar o fogo. Temperar o salmão com sal e pimenta e começar a grelhar pela parte sem a

pele, em um pouco de azeite. Virar o peixe e grelhar a parte com a pele. Se preferir o peixe bem cozido, levá-lo ao forno para terminar de assar por dentro. Prestar atenção, pois é um processo bem rápido. Cobrir com o molho e servir.

1 kg bacalhau dessalgado 250 mL vinho branco seco 250 mL vinho tinto seco 500 mL vinagre de vinho branco 150 g açúcar 1 unidade raspas de laranja-baía 1 unidade raspas de limão-siciliano 1 folha louro 1 unidade canela em pau

5 g noz-moscada ralada 2 unidades cravo-da-índia 10 unidades médias cebola roxa picada 2 colheres de chá sal moído 1 colher de chá pimenta-branca moída na hora 1 xícara de chá azeite de oliva extravirgem 100 g pinhole 200 g uva-passa

Cortar o bacalhau em pedaços de aproximadamente 100 gramas e aferventar em água quente. Retirar do fogo e escorrer. Reservar. Em uma caçarola, colocar os vinhos, o vinagre, o açúcar, as raspas de laranja e de limão, o louro, as especiarias e a cebola. Deixar ferver por 30 minutos. Temperar com o sal e a pimenta. Em uma travessa grande, colocar o bacalhau cobrindo-o com as cebolas e a marinada. Salpicar com pinhole e uva-passa. Conservar em geladeira por dois dias, para concentrar os sabores. Servir em temperatura ambiente.

aLIMENTAÇÃO nATURAL 51


o sabor da felicidade

Ano-novo

Sorvete de coco e limão 475 mL leite de coco gelado 3 unidades raspas da casca e suco de limão-siciliano 4 colheres de sopa mel 20 g açúcar Lascas de coco seco para decorar

Modo de preparo Os ingredientes para o sorvete feito à mão devem estar bem gelados antes de ser combinados. A mistura é, então, colocada em um recipiente próprio para freezer, com profundidade suficiente para permitir bater a mistura outras vezes, mais tarde. Misturar todos os ingredientes em um pro- O recipiente deve ser coberto com um filcessador até obter uma mistura homogê- me plástico ou papel-manteiga para que nea. Seguir o modo de preparo. possa congelar por igual e deve ser fechado com uma tampa de encaixe perfeito. Colocar o recipiente na parte mais fria

52 aLIMENTAÇÃO nATURAL

Muffin de laranja do freezer e deixar por cerca de 1 hora. Em seguida, usando um garfo, remover o sorvete congelado das bordas e voltar a batê-lo para obter uma textura ainda mais suave e homogênea. Cobrir e tampar o recipiente novamente e devolver ao freezer por mais 1 hora. Repetir esse processo por, pelo menos, mais uma ou duas vezes, até o sorvete ficar suave e quase homogeneamente congelado. Tam­par e deixar congelar por completo.

MASSA 1 xícara de chá farinha de trigo 1 colher de sopa fermento em pó ½ colher de chá sal moído 1 xícara de chá flocos de aveia 1 unidade ovo Kōrin ¼ xícara de chá açúcar 1 colher de chá raspas de laranja ½ xícara de chá suco de laranja ¼ xícara de chá leite 3 colheres de sopa óleo de canola

Ponche 1 garrafa vinho branco espumante (Lambrusco Bianco) Frutas da estação picadas: 1 unidade maçã 3 unidades pêssego 1 cacho uva cortada ao meio 1 unidade manga Para a massa: peneirar a farinha, o fer50 mL Cointreau mento e o sal e misturar a aveia. Separa500 mL água com gás damente, misturar o ovo, o açúcar, o suco 1 colher de sopa açúcar e as raspas de laranja, o leite e o óleo. a gosto gelo Juntar essa mistura, aos poucos, aos ingredientes secos e misturar bem. Preparar as forminhas de papel individu- Descascar e picar as frutas em cubos e ais na assadeira e colocar até preencher macerar com o Cointreau por 30 minutos. Acrescentar o açúcar e a água com gás 2/3 de massa. Para a farofa: misturar todos os ingre- e misturar bem. Por último, acrescentar o dientes e polvilhar em cima da massa em vinho branco espumante. Podemos substituir o cointreau por cherry cada forminha. Assar em forno a 200°C por 15 minutos. brandy ou grenadine. FAROFA PARA COBERTURA 2 colheres de sopa açúcar 1 colher de sopa farinha de trigo 1 colher de chá azeite de oliva 1 colher de chá canela em pó

aLIMENTAÇÃO nATURAL 53


o sabor da felicidade

Uma flor para um mundo melhor para seus amigos Como orienta o nosso Mestre Mokiti Okada: o segredo da felicidade é fazer o próximo feliz. Crie um miniarranjo neste display especial e distribua a flor pela felicidade entre seus parentes e amigos.

ARTE CULINÁRIA – A ARTE DO EFÊMERO

54 aLIMENTAÇÃO nATURAL

guimos guardar na lembrança o sabor de felicidade que nos proporcionaram os alimentos saborosos. Com certeza, na nossa memória gustativa, estão registrados um aroma e um sabor especial, lembrando as alegrias do convívio com os nossos parentes e amigos queridos. Essa arte transitória, que dura momentos, tem o poder de nos dar alento e acalanto, motivando-nos a continuar na roda da vida. A arte do preparo do alimento tem variações conforme suas escolas de pensamento, refletindo a evolução de uma época. Ela reflete, ainda, o sentimento e o conhecimento acumulado na vida daquele que cozinha. Vale lembrar que, para abraçar com alegria e ânimo uma receita – e todos os apetrechos necessários – precisamos primeiramente nos imbuir de um amor e de uma generosidade infinitas que transbordam pelas mãos e fixam residência nos cereais, frutas, legumes e verduras. Sejamos generosos! Podemos imaginar o quanto a vida se tornará mais agradável e aconchegante quando compreendermos que os alimentos são seres vivos que têm sentimentos. E que aceitam docemente seu destino de se tornarem partes integrantes do nosso ser. Realmente, é como dizem: somos o que comemos, tanto

no sentido acadêmico como no espiritual e poético. O efêmero nos faz lembrar o quanto rapidamente o tempo passa e chegase ao fim. Somos levados a pensar no finito e no infinito; a refletir o quanto é urgente usarmos o tempo sabiamente. Portanto, num prato, temos os alimentos e as imensas possibilidades de reflexão sobre a vida. Que tal valorizarmos ainda mais as refeições? Que tal plantarmos as sementes de felicidade no coração das pessoas? Assim, a arte efêmera da culinária poderá ser eterna nos espíritos e na memória. AGRADECIMENTOS Pesquisamos em livros e revistas especializadas, bem como nas receitas de arquivo familiar dos integrantes do nosso grupo. e, a partir desta base, fomos adaptando ingredientes e modo de preparo, para que pudéssemos testar e aprovar os cardápios sugeridos. Agradecemos a todos que, direta ou indiretamente, permitiram tal estudo e resultado. Desejamos a todos BOAS FESTAS e UM BRILHANTE ANO-NOVO!

Expediente

A arte culinária é a arte do efêmero e do transitório. Por isso mesmo, podemos dizer que é a arte da vida. Esta arte se assemelha à arte da flor – a ikebana: que nos leva a entrar em comunhão com a natureza utilizando seus elementos e agregando os nossos sentimentos à beleza da flor. Na culinária, temos os fundamentos dos estudos da nutrição somados ao saber acumulado por gerações na manipulação dos alimentos. Alguns pratos são elaborados por dias, outros mais simples e rápidos. porém, todos precisam atender às exigências do paladar, buscando-se realçar o sabor natural das frutas, legumes, verduras e cereais. E assim, desfrutando do sabor, a vida humana é preservada, mantida, impulsionada e, por que não, torna-se encantada. Cuidado: hoje em dia, corremos os riscos de, pelos inúmeros contaminantes, sermos traídos, ao invés de os alimentos preservarem a vida, eles estão nos matando ou prejudicando. Por isso, escolha aqueles produzidos pela agricultura natural/orgânica! A culinária é a arte da transitoriedade: não podemos reter sua presença física por muito tempo; como na pintura, só conse-

Coordenação: Erisson Thompson de Lima Jr. e Luis Fernando Buck • Jornalista responsável: Rosana Cavalcanti - MTB - 3142/11/191 • Projeto gráfico e execução: Rogério Camara • Fotos: Celso Yamachita • Revisão: Ivna Maia Fuchigami • Foto da capa: Nascer do sol em Atami, Japão. Rua Morgado de Mateus, 77 – Vila Mariana • São Paulo – SP – CEP 04015-050 • www.fmo.org.br


www.fmo.org.br

Feliz 2013

Revista felicidade  
Revista felicidade  
Advertisement