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Cristina テ」ila Colaboraテァテ」o:

Miguel テ」ila Duarte


Imagens de Minas - Patrimônio Cultural Imaterial • Immaterial Cultural Heritage • Patrimonio cultural inmaterial

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Cristina Ávila Miguel Ávila Duarte

Patrimônio Cultural Imaterial • Immaterial Cultural Heritage • Patrimonio cultural inmaterial

Colaboração:

Belo Horizonte ADP 2012

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Coordenação Geral: Francisco Caram Coordenação editorial, Pesquisa histórica e Redação final: Cristina Ávila Projeto Gráfico: Sérgio Luz Fotografia: Paccelli Gillian Villa Revisão de texto: Viviane Maroca Tradução para Inglês Juliana Ferreira da Silva

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Tradução para Espanhol Cristina Dulce Souza Costa

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Produção Executiva: Neoplan Consultoria e Marketing Adp – Associação de Desenvolvimentos de Projetos. ISCEBRA – Instituto Sócio Cultural e Ecológico do Brasil Neoeditorial

Equipe de Produção: Francisco Caram Luiz Claudio Rodrigues Ricardo Judice Cardoso Newton González Roberval Santos Aquino Mauro Cassilhas Luiz Claudio Cassilhas Nathália Araújo Barros Oliveira Cintia Lopes Amaral Ludmila Santos Deslandes Brenda Marques Pena Iana Patrícia Martins Vieira Agradecimentos Affonso Ávila Amilcar Martins Arquivo Público Mineiro Instituto Cultural Amilcar Martins - ICAM

© Copyright 2011 - Cristina Ávila Proibida a reprodução. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida sem a permissão por escrito dos editores.

Ávila, Cristina Imagens de Minas - Patrimônio Cultural Imaterial, 2012 132 p. : il 1. Minas Gerais. 2. Minas Gerais-Parimônio. I Ávila, Cristina. IV História. V Título. CDD: 709.33 CDU: 7.034.7(815.1)

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(...) “Hey por bem que daqui em diante nenhuma pessoa de qualquer estado, qualidade e condição que seja, desfaça ou destrua em todo, nem em parte, qualquer edifício que mostre ser daqueles tempos,[antigos] ainda que em parte esteja arruinado, e da mesma sorte as estátuas, mármores e cipós” (...)”lâminas ou chapas”(...)”medalhas ou moedas”

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Decreto Régio de D. João V (1721)

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Sumário Introdução – Conceito de Patrimônio imaterial Introduction – Concept of Intangible Material Introducción - Concepto de Patrimonio inmaterial Gestos e costumes Gestures and Customs Gestos y Costumbres Linguagem Gestos Provérbio Saúde – mitos do passado e do presente Profilaxia Superstições Simpatias Curandeirismo Feitiçaria Orações Morte Devoções mineiras mais populares Most Popular Devotions in Minas Gerais Devociones mineras más populares Nossa Senhora da Conceição Nossa Senhora da Piedade Nossa Senhora das Dores Nossa Senhora das Mercês Nossa Senhora do Bom Sucesso Nossa Senhora do Carmo Nossa Senhora do Rosário Santa Bárbara Santa Efigênia Santana Bom Jesus Santo Antônio de Pádua São Benedito São Francisco de Assis São Gonçalo do Amarante São João Batista São João Evangelista São José São Pedro São Sebastião Festas Religiosas Religious Festivals Fiestas Religiosas O Reinado dos Arturos Folia de Reis Semana Santa Festa do Divino


Festas Profanas Profane Festivities Fiestas Profanas Carnaval Zé Pereira Música em Minas Gerais Music in Minas Gerais Música en Minas Gerais Vesperata Violas de Queluz Canções Infantis Dança Dance Danza Lundu Batuque Congado, Congo ou Congada Cateretê Calundu Dança de Salão Quadrilha Dança ou roda de São Gonçalo Lendas, contos e Fábulas Legends, Tales and Fables Leyendas, cuentos y Fábulas Chica da Silva Bárbara Eliodora (1759-1819) Hipólita Jacinta Teixeira de Melo (1748 - ?) Marília de Dirceu (1767 – 1853) Chico Rei Dona Olímpia Arquitetura do Efêmero Architecture of the Ephemeral Arquitectura de lo Efímero Gastronomia Gastronomy Gastronomía Bebidas Aguardente Vinho nos conventos e Fazendas Licor de jabuticaba Pratos salgados típicos Feijão tropeiro


Pururuca Angu Mandioca Bambá de couve, prato roceiro Cozido à moda mineira ou panelada de campanha Frango com quiabo Quibebe Jiló frito Tutu de feijão Doces Mingau de milho verde Compota de figo verde Compota de frutas Abóbora em pedaços Compota de mamão verde Doce de laranja da terra Brigadeiro Goiabada Balas Bala de café Bala de mel Quitandas Pão de queijo Rocambole Sonhos fritos Queca inglesa de natal de Nova LimaBrevidade Outros Amêndoas carameladas para festas de batizados e Primeira Comunhão Rapadura Doce de Leite Mineiro - Fogão a lenha Bens imateriais já tombados Listed intangible heritage Bienes inmateriales de dominio público Toque dos sinos Modo de fazer o queijo de Minas do Serro Lambe-lambe


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Imater Patrimônio

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Carlos Julião

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rial

Introdução

Conceito de Patrimônio

Imaterial P

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atrimônio cultural é o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devem ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo. O patrimônio é a nossa herança do passado, com que vivemos hoje, e que passamos às próximas gerações. Do patrimônio cultural fazem parte bens imóveis tais como castelos, igrejas, casas, praças, conjuntos urbanos, e ainda locais dotados de expressivo valor para a história, a arqueologia, a paleontologia e a ciência em geral. Nos bens móveis incluem-se, por exemplo, pinturas, esculturas, mobiliário, documentos, livros e artesanato. Nos bens imateriais considera-se a literatura, a música, o folclore, a linguagem, os costumes, entre outros.

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As entidades que procedem à identificação e classificação de certos bens como relevantes para a cultura de um povo, de uma região ou mesmo de toda a humanidade, visam também à salvaguarda e a proteção desses bens, de forma a que cheguem devidamente preservados às gerações futuras, e que possam ser objeto de estudo e fonte de experiências emocionais para todos aqueles que os visitem ou deles usufruam. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) promoveu em 1972 um tratado internacional denominado Convenção sobre a proteção do patrimônio mundial, cultural e natural visando promover a identificação, a proteção e a preservação do patrimônio cultural e natural de todo o mundo, considerado especialmente valioso para a humanidade. Como complemento desse tratado foi aprovada em 2003 uma nova convenção, desta vez especificamente sobre o patrimônio cultural imaterial. O Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, também chamado Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade é uma distinção criada em 1997 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura visando a proteção e o reconhecimento do patrimônio cultural imaterial, abrangendo as expressões culturais e as tradições que um grupo de indivíduos preserva em respeito da sua ancestralidade, para as gerações futuras. São exemplos de patrimônio imaterial: os saberes, os modos de fazer, as formas de expressão, celebrações, as festas e danças populares, lendas, músicas, costumes e outras tradições. A cada dois anos são escolhidos os bens a partir das candidaturas apresentadas pelos países signatários da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial. A primeira lista de bens inscritos foi divulgada em 2001, seguida por outras duas, em 2003 e 2005, totalizando, até então, 90 bens imateriais inscritos.

Nossa Senhora da Conceição Museu da Inconfidência - Ouro Preto/MG, antiga Casa de Câmara e Cadeia

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A proteção do patrimônio cultural/Unesco

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História Antecedentes portugueses

Dom João V - retrato de

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O sistema português de proteção do patrimônio remonta a D. João V quando este determinou, em alvará régio de Agosto de1721, atribuir “à Academia Real da História Portuguesa Eclesiástica, e Secular a providência para se conservarem os monumentos antigos, que podem servir para ilustrar, e certificar a verdade da mesma história.” A Constituição de 1976 determina no seu Artº 78 que “incumbe ao Estado, em colaboração com todos os agentes culturais promover a salvaguarda e a valorização do patrimônio cultural, tornando-o elemento vivificador da identidade cultural comum.” Compete ao IPPAR-Instituto Português do Patrimônio Arquitetônico e ao IPA-Instituto Português de Arquelogia - atribuições que serão assumidas pelo IGESPAR-Instituto de Gestão do Patrimônio Arquitetônico e Arqueológico, no âmbito da nova lei orgânica do Ministério da Cultura - proceder ao inventário e classificação dos bens culturais portugueses. De acordo com a lei, os organismos competentes definem os critérios de seleção dos locais, quer numa óptica histórico-cultural, estético-social ou técnico-científica, quer ainda na perspectiva da integridade, autenticidade e exemplaridade do bem. A evolução destes critérios ao longo dos anos leva a que, por exemplo, se incluam hoje em dia no patrimônio cultural obras de arte e arquitetura contemporâneas ou de arquitetura industrial que antes não eram sequer consideradas. O inventario e classificação dos bens culturais leva a que sejam desencadeados mecanismos de proteção a esses mesmos bens, quer no que diz respeito à sua manutenção e conservação, quer à sua eventual alienação ou alteração.


A Constituição de 1988 estabelece no seu Artº 216 que “Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tombados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I - as formas de expressão; II - os modos de criar, fazer e viver; III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. O órgão nacional encarregado de promover a proteção patrimonial é o IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Este Instituto é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura, responsável por preservar a diversidade das contribuições dos diferentes elementos que compõem a sociedade brasileira e seus ecossistemas. Esta responsabilidade implica em preservar, divulgar e fiscalizar os bens culturais brasileiros, bem como assegurar a permanência e usufruto desses bens para a atual e as futuras gerações. O Iphan foi criado pelo Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, no governo do então presidente, Getúlio Vargas, e estruturado por intelectuais e artistas brasileiros da época, contando em sua origem com a participação direta do escritor Mário de Andrade, que em seguida, confiou a Rodrigo Melo Franco de Andrade a tarefa de implantar o Serviço do Patrimônio. Rodrigo Melo Franco de Andrade contou com a colaboração de outros brasileiros ilustres como Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Afonso Arinos, Lúcio Costa e Carlos Drummond de Andrade. Técnicos foram preparados e tombamentos, restaurações e revitalizações foram realizadas, assegurando a permanência da maior parte do acervo arquitetônico e urbanístico brasileiro, assim como do acervo documental e etnográfico, das obras de arte integradas e dos bens móveis. A próxima etapa consistiu na proteção dos acidentes geográficos notáveis e paisagens agenciadas pelo homem. Há mais de 60 anos, o Iphan vem realizando um trabalho permanente de identificação, documentação, proteção e promoção do patrimônio cultural brasileiro. São mais de 20 mil edifícios tombados, 83 centros e conjuntos urbanos, 12.517 sítios arqueológicos cadastrados. Além de mais de um milhão de objetos, incluindo acervo museológico, cerca de 250 mil volumes bibliográficos, documentação arquivística e registros fotográficos, cinematográficos em vídeo. Patrimônio cultural imaterial (ou patrimônio cultural intangível) é uma concepção de patrimônio cultural que abrange as expressões culturais e as tradições que um grupo de indivíduos preserva em respeito da sua ancestralidade, para as gerações futuras. São exemplos de patrimônio imaterial: os saberes, os modos de fazer, as formas de expressão,celebrações, as festas e danças populares, lendas, músicas, costumes e outras tradições.

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O Patrimônio no Brasil

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Meninas vestidas de anjo para coroação

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Minas Gerais Minas Gerais

Em São João del-Rei, Minas Gerais, um exemplo de patrimônio cultural imaterial é o modo de tocar dos sinos, cuja “linguagem” é peculiar meio de comunicação é objeto de registro pelo IPHAN. Em Minas Gerais, também, o modo artesanal de fazer queijo é importante registro de patrimônio intangível. Podem ser citadas ainda diversas tradições, saberes e técnicas que vem sendo submetidas às normas que estabelecem o “Inventário Nacional de Referências Culturais” (INRC) do IPHAN, na complexa tarefa de preservar o patrimônio material e imaterial, resguardando bens, documentos, acervos, artefatos, vestígios e sítios, assim como as atividades, técnicas, saberes, linguagens. Um dos critérios é a atenção às tradições que não encontram amparo na sociedade e no mercado, permitindo a todos o cultivo da memória comum, da história e dos testemunhos do passado. Neste quadro conceitual, deve-se considerar a necessidade de distinguir como patrimônio: 1 Os gêneros de literatura oral tradicional que, uma vez produzidos, ganham uma razoável autonomia em relação ao seu processo de produção, enriquecendo-se no contexto de uso intergeracional: cancioneiros, romanceiros, contos populares, devoções, rezas, curanderia, ervas, etc.

3 Manifestações em permanente atualização pela mobilização de novos recursos, ambientes e funcionalidades num processo de resignificação das tradições: trajes, danças, jogos tradicionais, romarias, gastronomia, artesanato. A prefeitura de Belo Horizonte tombou recentemente os Lambes-lambe que atuam no parque municipal, pela tradição popular que essa forma de fotografia alcançou nesse espaço público centenário da cidade.

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2 Expressões e manifestações intrinsecamente ligadas a suportes físicos (lugares de memória) ou a referenciais histórico-religiosos: rituais festivos, crenças do sobrenatural, lendas e mitos, histórias de vida, entre outros.

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Gestos e

Costu


e

umes Gestos e

Costumes

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E

m Minas Gerais, estão arraigados gestos e costumes de tradição oral que, desde o século XVIII, passam de geração a geração. Entre esses, temos listado abaixo alguns modos de falar, aspectos gestuais, tradições ligadas à saúde e à profilaxia, que envolvem conhecimentos e valores ancestrais, principalmente afro-brasileiros. Porém, encontramos deformações e aplicações de curandeirismo de origem portuguesa e mesmo indígena. A princípio, a linguagem falada no Brasil era principalmente o tupi-guarani que, mesclando-se ao português e a termos africanos, e mesmo de outras origens, levaram a uma forma específica de linguagem de cada estado ou região. O mineiro é conhecido por comer sílabas e pelas expressões: “uai” e “trem”.

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Linguagem

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No século XVIII, o trato entre os homens tem certa liberdade que abre mão da etiqueta. Não obstante, as pessoas da mesma classe tratavam-se por “vossa mercê”, sendo o simples “vós” ou “voncê” sinal de certa intimidade que, importunamente aplicado, pode ser interpretado como sinal de arrogância. As mulheres eram tratadas em toda parte com a máxima deferência e delicadeza, sendo grande falta de polidez não chamar uma mulher por “senhora” ou “vossa mercê”. No próprio lar, a esposa chamava o marido de senhor, e este, sua mulher de “senhora”, sendo comum o emprego da corruptela “seu” antes do pronome. Tratavam-se as senhoritas de “pequena senhora”.As escravas tratavam intimamente as senhoras de “sinhá” e os senhores de “sinhô”, usando o diminutivo para as crianças da casa: sinhazinha e sinhozinho. Mais tarde, tornou-se comum tratar as crianças como “nhonhô” ou “iaiá”. A rainha era tratada de “senhora”, “sereníssima”, “fidelíssima”, “majestade”, etc. Testamentos dos séculos XVII e XVIII trazem expressões e fórmulas para nomear os loucos: demente; embestado; vazio de juízo; padece em tempos de lua suas loucuras. Atualmente, o “vós” ou “voncê” transformou-se em você. Com o hábito de partirem-se as sílabas, é comum em toda parte, não apenas no interior, o trato de “cê”, o que é bastante usado para caracterizar o sotaque mineiro. São comuns as frases: “Cê tá bão?”, “Como vai ocê?”. Em conversas do cotidiano, o sotaque soa arrastado e caipira. A palavra “trem” serve para designar qualquer coisa ou objeto. Outra singularidade é o uso do diminutivo como: “tadim”, “coisinha”, “bonitim”, etc. A interjeição uai é uma das mais associadas ao modo de falar dos mineiros. Acredita-se que a origem do “uai”» estaria na fusão das interjeições opa! (ou upa!)+ôi+ai, que aparecem assim juntinhas, por exemplo, na página 353 de Sagarana, grande romance do escritor mineiro João Guimarães Rosa.A essa hipótese, podemos juntar outra. Segundo consta, a expressão advém de um vilarejo chamado Gongo Soco, onde se explorava ouro, que foi comprado pela Imperial Brazilian Mining Association, o que resultou na instalação da primeira empresa britânica em Minas Gerais. Durante as quase três décadas - de 1824 a 1856 - em que os ingleses ali estiveram, foram usadas sistematicamente as formas fonética e semântica do vocábulo “Why”, utilizado na língua inglesa com o mesmo sentido do nosso “por quê?”, ou ainda como interjeição, assumindo, neste caso, o mesmo significado do “Uai” mineiro. Notemos, ainda, que o “Uai” é a expressão da língua portuguesa falada no Brasil que mais se relaciona com a identidade mineira.

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Gestos Consideramos gestos modos de vestir, de se portar, de andar, de comer adquiridos desde a colônia. Citamos, de um trabalho anterior, alguns dos gestos do século XVIII que guardam ainda semelhanças com a atualidade: As pessoas caminham em seguida umas às outras o mais lentamente possível, e formam assim uma espécie de procissão. O senhor na frente, em seguida a sinhá e os filhos. Os escravos eram os últimos a comporem a fila indiana. Usava-se, também, as mulheres andarem aos pares de braços dados. O marido andava uns passos à frente da esposa. O teatro, La Comédie Française, influenciou a época com figuras mascaradas colombinas, pierrôs e outros personagens, que tinham a pele maquiada de branco com as bochechas carmesim. O uso de tal maquiagem se estendeu por toda a Europa, chegando ao Brasil através do teatro, via Portugal. Os gestos desses personagens influenciaram a maneira de se apresentar das pessoas que gostavam de representar um modo de ser artificial e teatral. (ÁVILA, 2001.) O sermonista Araújo Lima (1749, apud ÁVILA, 2001) condenava a herança maneirista, que considerava de gestos artificiais e pedantes. Esse gestual é recorrente em pinturas do século XVIII de cenas galantes e retratos de personalidades da época, em que se reproduzia a moda francesa da corte – hábito comum a homens e mulheres em Minas Gerais, independente de sua origem ou condição social. Destacamos alguns dos gestos apresentados em Vinho de rosas (ÁVILA, 2001): as mãos faziam movimentos lentos, maneiristas; não eram usuais apertos de mãos fortes como cumprimentos; o olhar feminino era melancólico e dissimulado;nas Minas, as mulheres viviam atrás de treliças, janelas, portas, como depõem os viajantes e saíam às ruas acompanhadas dos senhores, mucamas e, raramente, com amigas íntimas; por decência, as mulheres não cruzavam as pernas; andavam a cavalo sentadas com as pernas a um dos lados do animal; livros de civilidade tinham regras para diversos modos de conversação indicando que, em festas, as mulheres falassem sobre o tempo, comessem pouco, não se misturassem aos homens e, principalmente, não discutissem sobre assuntos polêmicos como política, religião, dinheiro; um gesto comum às mulheres era de manterem-se ocupadas com trabalhos manuais como bordados, costuras, rendas; o homem tinha ampla liberdade para ir e vir, ter intercursos sexuais com meretrizes, concubinas e escravas; a leitura e a escrita eram gestos mais masculinos do que femininos.

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Provérbio

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Os provérbios têm fundo moral e tom jocoso. Entre os provérbios mineiros mais conhecidos temos:

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• O pai taberneiro; o filho cavalheiro; neto mendicante. • Visita de médico (visita que dura pouco) • Estar com vinho (estar embriagado) • Subir o vinho à cabeça (ficar embriagado) • Ter bom vinho (ser sossegado) • Ter mal vinho (ser barulhento, desordeiro) • Ter a sua ponta (star um pouquinho embriagado) • Água ao vinho e a pera vinho (a condição do bom vinho com a do bom amigo) • Ao bebedor não lhe falte vinho; nem à fiandeira, linho. • A mulher e o vinho tiram o homem de seu juízo. • De vinho abastado, de razão minguado. • Vinho velho (amigo velho, ouro velho) • Em briga de marido e mulher, não se mete a colher. • Pão, pão; queijo, queijo. • Quem adula ao filho, adoça a boca da mãe. • Todo pé tem um chinelo velho que lhe caiba. • O que não mata, engorda. • Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém. • Come quiabo e arrota camarão. • Em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. • Nem só de pão vive o homem. • Água que passarinho não bebe (cachaça) • O apressado come cru. • Não engorda de ruim. • Será o Benedito. (refere-se às atitudes dúbias do ex-governador mineiro Benedito Valadares) • Mineiro não perde o trem.

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Saúde

No período colonial mineiro, praticamente não existiam médicos habilitados. Sendo assim, os padres serviam como médicos, enfermeiros, boticários. Faziam sangrias, cortando toda a carne e depois lavando o corpo com água quente. Aqueles que exerciam as profissões de barbeiro, sangrador e dentista eram tidos como cirurgiões. No final do século XVIII, a palavra barbeiro já designava o que faz ou apara a barba, ela não havia perdido, contudo, o significado tradicional de sangrador, o que faz sangrias. Nenhum dos médicos cuidava das mulheres no que toca às menstruações, gravidez e parto. Toda grávida tinha, à beira de sua cama, uma Nossa Senhora do Bom Parto. Existiam curandeiros e benzedeiros de todo o tipo. • A sangria era remédio para tudo. Conservava a beleza e prevenia contra a moléstia. • Remédios e mezinhas eram administrados por mulheres, apoiadas em conhecimentos de mucamas. • As doenças mais temidas eram: lepra, sarampo, varíola, indigestão, diarreia, picadas de insetos ou répteis, sífilis, febre amarela. Ainda hoje, as pessoas ainda se valem dessas medicações e mitos: • Uso de purgativos a fim de limpar o sangue. • Receita para “inchação: “tomará um ou dois clisteres purgativos de palha de alho, 3 colheres de azeite de mamona, meia xícara de mel de cravo (cavalo) uma porção de sal. Faz obrar muito e desincha”. • Canja de galinha recomendada em diversas situações: alimento considerado firme e fresco, que faz recuperar as forças. • Vinho: para curar feridas. • Frutos que curam: fruto da mangabeira, para fraqueza; cambuí, para o fígado; araçá, para câimbras. • Cachaça também tem função medicinal (para inflamações, feridas, olhos e até surdez). • Resguardo de 30 dias deve ser feito assim: 8 dias de repouso, sendo que algumas se levantam até com 3 dias. Alimentação: sopa, caldo de galinha, farinha peneirada, alguns peixes. A higiene da mulher é feita pela parteira, banho de meio corpo, nos primeiros dias, o mesmo acontecendo com a criança. Isso até cair o umbigo. O banho completo, até a cabeça, é dado após os quinze dias. O umbigo é cortado tendo como medida dois dedos, amarrando-o duas vezes com cordão unto (com sebo de carneiro). • Defumação da casa ao anoitecer. • Mel como uso medicinal.

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mitos do passado e do presente

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Profilaxia • As negras catavam piolho das sinhás e das crianças. Hoje, o piolho ainda é comum em crianças e é catado por mães e babás. • Lava-pés: ato religioso com que Jesus mostrou sua humildade ao lavar os pés de seus discípulos. Serve para relaxar e descansar antes de dormir.

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Superstições

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• O leite produz “flores brancas” ou “fungações” (termos populares para corrimento vaginal). • Carne do caterê (galinha d’Angola) não era muito usada para alimentos. Comem-lhes os ovos, mas as carnes, não. Quem sofre do coração não deve comer caterê. • Carne de vaca era considerada nociva à saúde. • Mulher não deve comer pé de galinha comum para não ficar bisbilhoteira. • Mulher menstruada não deve comer: mamão, laranja, limão. • Mulher menstruada não pode fazer queijos, vinho. • Mulher menstruada não pode lavar a cabeça. • Mulher grávida não deve sentar-se na soleira porta, se não padecerá muito ao dar à luz. • Mulher grávida não deve sentar-se no pilão, senão padecerá muito ao dar à luz. • Mulher grávida não deve carregar chave ou medalha no colo, pois a criança sairá com marca na pele. • Mulher que deu à luz não deve comer carne de animal macho, faz mal; escolher sempre carne de galinha; o melhor é de franga. • Untar o ventre da parturiente com azeite da igreja apressa e facilita. • A água de banho de criança recém-nascida não deve ser jogada onde galinha possa bebê-la, pois, se isso acontecer, a criança perderá a fala, não aprenderá nunca mais ou ficará com sono leve como o das galinhas. • Para evitar o mal dos sete dias, não tirar a criança do quarto onde nasceu antes de completar o sétimo dia de vida. • Nascer num domingo indica que a criança terá muita sorte. • Mulher que está amamentando deve comer bastante canjica, pois aumentará o leite. • Enquanto a criança está amamentando, a mulher não deve tomar leite, farinhas, ou comer fruta. • Criança que morrer sem ser batizada vai para o limbo. À noite, ouve-se choro dela pedindo que a retirem de lá. • Para a criança falar logo, rebentar amendoim bravo na sua boca. (Dar estalo).

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• Se a criança passar por baixo de qualquer coisa, não crescerá mais. • Quando nasce uma criança e logo fica doente, terá azar a vida inteira. • Não presta deixar criança brincar com vassoura, pois fica teimosa e desobediente. • Criança que brinca com fogo à noite, faz xixi na cama. • Chover no dia do casamento significa sorte para o casal. • Casar no ano bissexto dá azar. • Banana de manhã é ouro; de tarde, é prata; e, de noite, mata. • É pecado comer carne na Sexta-feira Santa, porque come-se um pedaço da carne de Cristo. • Tomar água de chuva dá papo. • Vinho quando cai na mesa, à hora da refeição, é sinal de sorte. • Quando cair vinho sobre a mesa, molhar a ponta do dedo indicador na toalha onde ele caiu e colocar o dedo atrás da orelha. • A pessoa, abotoando a camisa em casa salteada, evita má língua. • A esposa não deve passar a ferro as costas da camisa do marido, pois atrairá outras mulheres que virão disputá-lo. • Costurar roupa no corpo é mau agouro. • Não presta achar colar, é sinal de desgraça. • Sonhar com piolho é defunto ou mau agouro. • Não presta sonhar com galinha, indica sofrimento e pesar. • Sonhar com água limpa e clara, lágrimas e tristezas é que virão. • Sonhar que os dentes estão caindo é sinal de morte próxima ou desgraça grande. • Trabalho feito no dia de domingo só serve para atrasar. • Não se deve perder objeto no cemitério, pois, quando morrer, voltará a procurá-lo. • O morto virá puxar a perna da pessoa que, indo ao cemitério, pular três túmulos seguidos. • Queimar o Judas no Sábado de Aleluia é bom para castigar os que maltrataram o Cristo. • Cortar o cabelo na lua crescente faz com que ele cresça depressa e engrosse; na lua nova, arrebenta; na minguante, custa a crescer e afina, ficando sedoso. • Não se devem pentear os cabelos à noite, chama a morte dos pais. • Maus olhos arruínam o sabão no tacho. • Não presta assoprar fogo, porque cria papo (bócio). • Não se deve chorar a morte de anjinho, pois as lágrimas molharão suas asas e ele não alcançará o céu. • Doente que troca de cama é morte na certa. • Não se deve tirar as teias de aranha de uma casa, pois se tira a sorte também. • Deve-se colocar uma cruz na porta de entrada, para o demônio não entrar. • Escrever no chão ou na parede com carvão traz desgraça e doença em pessoa da família. • Encontrando-se ferradura de sete furos, pregá-la na porta da casa, dá sorte. • Dentro do cofre, é bom colocar três grãos de milho, traz muita sorte.

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• Não presta varrer a casa à noite, porque senão morrerá alguém da família. • Não se deve queimar o sabugo do milho, porque requeima a folha no pé de milho. • Quando cão começa a uivar é porque vai morrer o mais velho da família. • Gato é bicho do diabo; cachorro, é de Deus. • Para chover, é só colocar Santo Antônio de cabeça para baixo, no sol quente. • Mudar Santo Antônio de lugar no oratório é chuva na certa. • Quando dá relâmpago, dizer: valei-me São Jerônimo e Santa Bárbara. • Para atrair casamento maltratar Santo Antonio, até o ato se realizar.

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Simpatias

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• Para curar coqueluche, sair com a criança ao nascer do sol para apanhar o sereno da madrugada. • Para curar caxumba, friccionar sebo de carneiro e passar em cima uma colher de pau que ainda não tenha sido usada. • Para curar verruga, cortá-la, passar três pedras de sal, colocá-la com as pedras na goteira da casa. • A imagem de Santa Luzia numa correntinha, pendurada no pescoço, é bom para não pegar doença da vista. • Uma pessoa vesga (estrábica), para curar-se, deve acender uma vela dentro de um pilão e olhá-la através de uma peneira, até a vela acabar. • Criança que faz xixi na cama, para curar, deve-se fazer sentar-se sobre um formigueiro. • Para curar insônia, virar o travesseiro para o lado dos pés da cama. • Para curar ferida brava, fazer uma imitação de cera (da parte ferida) e colocá-la na cruz da estrada ou na sala de milagre. • Cuspir na ferida pela manhã para curá-la. • Para curar câimbra, esfregar palha de milho sobre o lugar dolorido. • Para mulher não ter filhos, deve tomar três bagos de chumbo num copo d’água. • Para não ser picado por cobra, colocar, no cós da calça, uma folha de mato, sem olhar qual pegou. • Galhinho de arruda atrás da orelha livra de qualquer quebranto. • Por nome de Lázaro num filho, para ninguém da família ficar leproso. • Para ter bons funcionários de cozinha em casa ou no restaurante, ter uma imagem de São Benedito.

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Curandeirismo Africanos, índios e mestiços foram os grandes curandeiros no Brasil colonial. Em Minas, na segunda metade do século XVIII, um negro feiticeiro era capaz de curar e, ao mesmo tempo, rezar umas palavras para deixar uma pessoa tolhida e inapta ao trabalho. (SOUZA, 1986) Ainda são tolerados benzedeiros, feiticeiros, curandeiros, danças ocultas. As curandeirices são feitas, na maior parte das vezes, através de chás para curar doenças, meizinhas, cataplasmas, emplastros, banhos, purgantes, vomitório, suadouros, comidas especiais, transferência, açoterapia, defumação, excretoterapia e garrafadas. A medicina preventiva pode se constituir de relíquias, amuletos, talismãs, patuás, etc.

• Bolsas de mandinga: forma mais tipicamente colonial da feitiçaria no Brasil. Em geral, eram feitas de pano, quase branco, e continham obrigatoriamente pedaços ou cacos de pedra d’ara (o pedaço de mármore do altar, em cujo ofício os padres consagram a hóstia e o vinho) e pequenas tiras de papel, cheias de figuras e letras. O conteúdo era variado, podendo incluir pedra de corisco, olho de gato, enxofre, pólvora, balas de chumbo, vinténs de prata e pedaços de osso de defunto. • Ainda existe a feitiçaria como hábito comum para os chamados “mal-feitos” e os quebrantos. • Para se fazer um mal feito, a pessoa deve apegar-se com um santo e pregar um voto em cima do desafeto que se vê apertado. Depois, bate-se o voto em cima do santo até quebrá-lo. • Para curar-se de um mal feito, deve-se rezar o Creio em Deus Padre três vezes ao dia, oferecendo-os em benefício da pessoa que está com o mal. • Para se botar quebranto, bastam olhares invejosos. Tudo que é novo está muito sujeito a quebranto, por exemplo, crianças novas, muito bonitas e saudáveis.

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Feitiçaria

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Orações

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Tradicionalmente, rezar é um hábito, em especial das mulheres mineiras, assim como fazer promessas para os santos de devoção. No século XVIII, as orações eram feitas em latim. As mais comuns eram a Ave Maria, o Pai Nosso, o Credo e a Salve Rainha. Ainda são comuns as jaculatórias - pequenas orações recitadas várias vezes, durante um período de tempo. O exemplo mais comum de jaculatória é feito junto ao sinal da cruz completo: “Pelo Sinal da Santa Cruz,/ Livrai-nos Deus Nosso Senhor/ dos nossos inimigos./ Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!”. É antigo o costume de se fazer o sinal da cruz em frente aos templos católicos.

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Morte

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Ainda é usual a extrema-unção, para a qual o padre vai até a casa ou o hospital do moribundo com os óleos próprios. Em algumas cidades do interior, os sinos tocam, anunciando em tom trágico a morte de uma pessoa da sociedade. Nessas localidades, como Ouro Preto e São João del-Rei, as Irmandades e Ordens Terceiras ainda comandam todo o cortejo fúnebre. Após o enterro, são celebradas missas de corpo presente, diárias, semanais e a de sétimo dia, com muita pompa.

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Devo

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oções Devoções

Mineiras mais populares

A

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partir de um estudo, que teve o intuito de conhecer e apresentar os santos mais devotados de Minas Gerais, através de um mapeamento estatístico de toponímias originais e paróquias fundadas no século XVIII – e que ainda permanecem –, destacamos os 20 nomes de santos mais frequentes em toda região. São eles:

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Nossa Senhora da Conceição

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No estudo da devoção à Imaculada Conceição, cabe primeiramente uma breve abordagem do dogma da Imaculada Concepção, através do qual se afirma que a Virgem Maria é a única entre os descendentes de Adão e Eva que teria sido concebida sem o pecado original. A formação deste dogma processou-se de forma lenta, marcada pela discussão entre teólogos. Se os adeptos à Imaculada Concepção apoiavam-se na tradição da Igreja, em contrapartida, os combatentes ao dogma, como São Tomás de Aquino, fundamentavam-se nos preceitos da doutrina cristã, ou seja, a universalidade do pecado entre os descendentes de Adão e Eva e na redenção universal pelo Cristo. A alteração abrandou-se com o Concílio de Trento (1535/1545), que reafirmou o postulado da Imaculada Concepção. Tal disputa veio a se encenar somente em 1854, quando Pio IX, pela Bulla Ineffabilis Domini, determinou-o como dogma de fé, imprescindível e imutável da Igreja Católica. Em Portugal, o culto a Nossa Senhora da Conceição foi sempre difundido, tendo sido oficializado por Dom João IV, primeiro rei da dinastia de Bragança, em homenagem à restauração da Coroa Portuguesa, após domínio espanhol (1580/1640). Em março de 1646, Dom João proclamou que o Reino de Portugal e suas conquistas seriam consagradas à Nossa Senhora da Conceição, prometendo jurar, defender e difundir o dogma de sua Imaculada Concepção. Na Metrópole e colônias, a festa em homenagem à Conceição tornou-se então oficial, sendo celebrada a 8 de dezembro, data fixada já anteriormente por Pio IV, tradição que se mantém até os nossos dias. No Brasil, contribuiu para a disseminação do culto, de norte ao sul do país, a ação missionária dos frades franciscanos, responsáveis pelo elevado número de paróquias erigidas sob a invocação da Imaculada Conceição. Aportando no Brasil em 1500, logo principiaram a ação catequética do gentio, acompanhando e abençoando todos os passos dos conquistadores, seguindo e benzendo as bandeiras de caça a indígenas e os engenhos de açúcar. Considerada protetora do Brasil, durante o período colonial, Nossa Senhora da Conceição foi proclamada por Dom Pedro I padroeira do Império, sendo substituída, no início dos tempos republicanos, por Nossa Senhora Aparecida. Quanto aos atributos iconográficos, sabe-se que, na maioria das representações, a Virgem aparece de pé sobre o globo terrestre, tendo as mãos unidas em oração e os olhos voltados

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para o céu, esmagando com seus pés uma cobra, símbolo do pecado original. Tem cabelos longos sobre os ombros e usa túnica branca, manto azul, apresentando, muitas vezes, coroa real. Sob seus pés, aparece geralmente uma lua crescente e, eventualmente, querubins. A cobra, que em algumas interpretações não eruditas pode ser substituída por um dragão, lembra a afirmação do arcanjo à serpente do Paraíso, quando este lhe disse que uma mulher pisaria sobre sua cabeça; e a lua crescente, que segundo alguns pode derivar do culto egípcio a Isís (lua), representa um trecho da ladainha de Nossa Senhora (bela como a lua) e, quando aparece invertida, refere-se ao símbolo dos otomanos, derrotados pelos cristãos nas Cruzadas.

A devoção a Nossa Senhora da Piedade está associada à Paixão de Cristo. Em Portugal, a mais antiga representação da Virgem da Piedade, pintada em madeira, mostrava Nossa Senhora assentada ao pé da cruz, tendo nos braços Jesus Morto. Este quadro pertencia à Irmandade de Nossa Senhora da Piedade que, em Lisboa, tinha por objetivo primeiro enterrar os mortos, visitar e confortar os encarcerados e acompanhar os criminosos ao patíbulo. As Casas de Misericórdia em Portugal, fundadas por iniciativa de Frei Miguel de Contreiras, adotaram como emblema a temática daquela antiga pintura. No estudo de sua iconografia, Nossa Senhora aparece assentada, algumas vezes em frente à cruz, em atitude de desconsolo, tendo Jesus Morto em seu colo. Não usa coroa, aparecendo apenas uma auréola em torno de sua cabeça. O olhar exprime angústia e tristeza. O culto à Senhora da Piedade foi trazido para o Brasil pelos portugueses.Entre os arraiais mineiros desenvolvidos em torno de templos, pode-se destacar Barbacena onde ainda hoje, na atual Matriz (antiga Capela de Borda do Campo), é venerada uma imagem da Virgem de procedência portuguesa. De lá, a devoção expandiu-se por toda a Capitania de Minas, ganhando manifesto número de fiéis, sobretudo na Serra da Piedade, no distrito de Penedia, próximo ao município de Caeté.Nesta localidade foi construído, por volta de 1773, o conhecido Santuário de Nossa Senhora da Piedade, por iniciativa do português Antônio da Silva Bracarena. Tornaram-se famosos os jubileus lá celebrados que, ainda hoje, repetem-se anualmente na semana de 15 a 22 de agosto, aglutinando milhares de peregrinos, reunidos em torno do objetivo comum de cultuar a Virgem da Piedade.

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Nossa Senhora da Piedade

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Nossa Senhora das Dores

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A representação de Nossa Senhora das Dores refere-se ao momento em que, após a morte de Cristo, a Virgem se vê só com a sua dor. Para exprimir melhor a dor, a Santa passou a ser apresentada com um punhal ou espada trespassando o peito. Esta invocação tornou-se popular nas “procissões do enterro”, onde eram usadas as imagens de roca ou de vestir. A iconografia tem origem na profecia do Velho Simeão (Lucas: 2,35) de que uma “espada de dor trespassaria a alma da Virgem”.

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Nossa Senhora das Mercês No Brasil, o culto à Nossa Senhora das Mercês foi difundido pela Ordem da Santíssima Trindade e Redenção dos Cativos (Mercedários), cujo brasão a santa traz no escapulário. Em Minas, floresceram as Confrarias e Irmandades de Nossa Senhora das Mercês, que tomaram feição de assistência e proteção, às quais se agregaram preferencialmente pardos cativos e brancos de condições humildes. A virgem apresenta-se vestida com o hábito branco de Ordem, com os braços estendidos em sinal de proteção aos cativos. Aos pés da Virgem, podem aparecer as figuras de um ou dois cativos, trajados ao gosto da época. Este se posiciona de mãos postas, ajoelhado, em busca de proteção e amparo.

De origem portuguesa, a invocação de Nossa Senhora do Bom Sucesso esteve, a princípio, associada à esperança do devoto por uma “morte feliz”. Diante da efemeridade da vida terrena, os homens deviam procurar o bom sucesso da morte ou o bom sucesso nas aflições em casos de doenças. Seu culto era a garantia de amparo aos agonizantes e de consolo certo na hora da morte. Ilustrando o apego a esta devoção, no século XVI, foi fundada em Portugal a Irmandade de Nossa Senhora do Bom Sucesso dos Agonizantes, com a finalidade de prestar auxílio espiritual no instante da morte. A devoção chegou ao Brasil, aportando-se primeiramente no Rio de Janeiro, por volta de 1637, pelas mãos do padre Miguel da Costa. Apegado a uma imagem de sua santa padroeira, Padre Miguel entronizou-a na capela da Santa Casa de Misericórdia, endossando o sentido original do culto à Virgem do Bom Sucesso. Em fins do século XVII, ganhando novas paragens, a invocação foi registrada em orago, do qual era fiel devoto padre João de Faria Fialho. Participando de expedições que, em inícios do século XVIII, internavam-se pelo território mineiro na busca de veios de ouro que revertessem em prosperidade aos seus descobridores, Padre Faria, num gesto de afeição desmedida, carregou consigo uma imagem da Senhora do Bom Sucesso, erguendo, na região de Vila Rica, uma pequena capela em honra à sua santa preferida. Prontamente, o culto à Virgem do Bom Sucesso alastrou-se por todos os cantos, materializando-se na construção de igrejas e matrizes, das quais ainda hoje se notabilizam pelo porte arquitetônico e apuro ornamental as dos municípios de Minas Novas, Bom Sucesso e Caeté. Ajustando-se ao momento feliz da descoberta do ouro, a titulação de Bom Sucesso veio sofrer mudança de significado, passando a encerrar o sentido de patrona das felicidades terrenas, conservando, contudo, a conotação primeira de proteção, dirigida agora aos negócios na terra. Nas representações em pintura e escultura, Nossa Senhora do Bom Sucesso é vista assentada, trazendo o Menino Jesus deitado em seu braço esquerdo, segurando-o com a mão direita. Sua cabeça é coberta por um véu curto, portando coroa real. Algumas vezes, acha-se de pé, e tanto ela quanto o Menino seguram flores.

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Nossa Senhora do Bom Sucesso

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Nossa Senhora do Carmo

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Dentre as quatro lendas cristãs da igreja referentes ao culto à Mãe do Redentor, anunciadas antes da vinda do Cristo, inclui-se a da invocação a Nossa Senhora do Carmo, para quem foram erguidos quatro templos, um deles por iniciativa do profeta Elias. Conta-se que, enquanto orava no Monte Carmelo, a encarnação do Divino Verbo e o nome da Mãe do Salvador lhe teriam sido revelados (SANTA MARIA, 1723). A devoção a Nossa Senhora do Carmo remonta à época das cruzadas, comtemporanizando-se com a criação da Ordem dos Carmelitas. Da Terra Santa, onde a agremiação dos devotos se formou sob denominação de “Congregação dos Servos de Maria”, foi levada para a Europa com nome de “Irmãos de Nossa Senhora do Monte Carmelo”. Nas representações iconográficas, Nossa Senhora do Carmo aparece sentada com o Menino Jesus sobre os joelhos, entregando o escapulário - distintivo da ordem carmelita - a São Simão Stock, fundador da mesma ordem. Em algumas imagens, a Virgem está de pé, vestida como freira da Ordem do Carmo (hábito pardo sob manto negro), cabelos soltos, com ou sem véu, tendo o Menino Jesus no braço esquerdo. Ambos seguram com a mão direita o escapulário onde se encontra inscrito o brasão da Ordem de Monte Carmelo (cruz sobre um monte, encimada por três estrelas). Em Minas Gerais, Nossa Senhora do Carmo foi particularmente venerada, fato registrado pelo significativo número de templos erigidos sob sua invocação.Vila de Nossa Senhora do Carmo foi o primitivo nome de Mariana, a mais antiga cidade elevada em Minas à sede de bispado. Considerada “Mãe e Primeira Protetora da Terra Mineira”, Nossa Senhora do Carmo continua a ser festejada em algumas cidades do interior de Minas, em agosto de cada ano.

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Nossa Senhora do Rosário A origem do culto do Rosário é geralmente relacionada com o fundador da Ordem Dominicana - São Domingos. No início do século VIII, surge na França uma heresia na Região de Albi, cujos adeptos, através de armas, queimam igrejas, profanam imagens de santos e perseguem os católicos. São Domingos de Gusmão foi encarregado pelo papa lnocêncio III de combater os heréticos. Conta-se que, em uma aparição ao santo, a Virgem Maria entrega-lhe um rosário e ensina-lhe um método de oração, garantindo resultados maravilhosos, surgindo assim a devoção ao rosário. Acatando o conselho da Virgem, São Domingos saiu-se vitorioso nesta missão e fundou, em 1216, a Ordem dos Irmãos Pregadores ou Dominicanos, com o objetivo de propagar a devoção à Senhora do Rosário. A prática do Rosário se caracteriza por uma maneira especial de rezar, em comemoração aos 15 principais mistérios da vida de Jesus Cristo e da Virgem Maria, recitando, após cada mistério, um Pai Nosso, 10 Ave Marias e um Glória ao Pai. Para representar a Virgem do Rosário, foram adotadas características da Virgem da Misericórdia. A primeira representação da devoção data de 1474, em Cologne. O manto da

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Virgem é fechado como uma cortina, por dois Santos Dominicanos (São Domingos e São Pedro Mártir). Dois anjos levantam sobre a cabeça da Virgem uma tripla coroa de rosas. Na segunda forma, baseada na iconografia das Sete Alegrias ou Sete Dores, a Virgem aparece inscrita em um terço em forma de guirlanda, composta de grandes rosas ornadas por gravuras que se intercalam a cada dezena. Em um terceiro tipo iconográfico, a Virgem aparece assentada com o Menino Jesus sobre o joelho esquerdo, segurando o rosário na mão direita, sendo a representação mais comum, entre nós, uma adaptação dessa: a Virgem de pé, com o menino sobre a mão esquerda, ambos segurando o Rosário. O culto a Nossa Senhora do Rosário associa-se, bem de perto, aos negros que vinham como escravos ao Brasil. Não foram ainda esclarecidas, de forma satisfatória, as razões da escolha de Nossa Senhora do Rosário para protetora dos negros. Em Portugal, observa-se que o culto à Senhora do Rosário é muito difundido entre os negros, fazendo eles parte dessas confrarias já nos séculos XV e XVI. A segregação racial e a diferenciação cultural devem ter levado os negros, que a princípio constituíam grupos minoritários dentro das confrarias “brancas”, a buscarem associações próprias, separadas das dos brancos. É fácil deduzir que a devoção ao Rosário foi, então, propagada entre nós como a mais apropriada para a conversão dos negros. Alguns autores atribuem a percepção e a absorção mais fácil da fé no Rosário pelos negros ao objeto concreto - o rosário/o terço -, que deve ser tocado e manuseado durante as orações. A festa do Rosário é oficialmente datada pela Igreja a 7 de outubro. No entanto, em Minas, as datas podem variar - agosto, setembro ou outubro, dependendo da localidade, quase sempre com seu templo rosariano particular, construído por iniciativa dos negros.

Virgem e mártir romana dos primórdios do Cristianismo. Em sua representação, veste túnica dalmática romana e manto de nobreza. Foi encerrada em uma torre após ter se recusado a casar, sendo depois decapitada. A torre tem três janelas, simbolizando a Santíssima Trindade. Pode portar ainda um cálice, em alusão à sua invocação contra a morte repentina, sem comunhão.

Santa Efigênia Princesa núbia, foi catequizada por São Mateus. Segundo a lenda, obrigada por seu pai a se casar com um rei mouro, refugiou-se em um convento. O exército do rei a perseguiu e incendiou o convento e, para salvar a si e às suas companheiras, Santa Efigênia ergueu-o com as mãos. A Santa aparece na narrativa apócrifa Paixão de São Mateus como filha de Égipo, rei de Etiópia. Sua origem favoreceu a disseminação de sua devoção entre os escravos e a sua representação como negra. É represenetada em hábito de freira e tem como atributo uma igreja ou convento em chamas.

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Santa Bárbara

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Santana

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Esposa de São Joaquim e mãe de Nossa Senhora. As informações que se tem sobre sua vida derivam de um escrito apócrifo conhecido como Proto Evangelho de São Tiago (do século II) que, entre outros dados, refere-se ao nascimento de Maria, ocorrido vinte anos após o casamento de Ana. Este relato, assemelha-se à narração bíblica do nascimento do profeta Samuel, cuja mãe se chamava Hannah. Santana é comumente representada com o aspecto físico de uma senhora, já em idade madura. A explicação iconográfica para esta figuração se fundamenta no fato de Ana ter sido mãe já bem mais velha. Vem quase sempre acompanhada da Virgem Maria, ensinando-a ler, cena esta que simboliza a transição do Velho para o Novo Testamento. Sua postura física pode variar: ou é figurada sentada com livro nas mãos, e a Virgem Menina de pé a seu lado (representação mais comum em Minas Gerais e no norte de Portugal), ou de pé, com livro nas mãos, ladeada pela Virgem Menina (representação mais comum no nordeste do Brasil e sul de Portugal). Pode também ser representada em dois outros conjuntos escultóricos: de pé, com a Virgem e São Joaquim, ou sentada, com a Virgem e o Menino Jesus (Sacra Conversação). Em Minas, sabendo-se que a colonização fundamentou-se na mineração, o culto a Santana disseminou-se largamente, já que era considerada padroeira dos mineradores. No dia 26 de julho, pode ser comemorada com festejos, como ocorrem no município de Barroso, que reúnem desde a celebração de culto religioso e procissão da imagem até leilões, barraquinhas, queima de fogos, retretas, conferindo notória popularidade à devoção da Mãe de Maria.

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A devoção a Bom Jesus insere-se no Ciclo da Paixão de Cristo, especificamente no culto ao Cristo Crucificado ou Senhor Morto. Foram os frades franciscanos os responsáveis por sua disseminação erigindo, desde o século XIII, calvários que comporiam a ambiência mística, propícia à veneração da Imagem do Jesus Crucificado, base, aliás, da pregação missionária da Ordem de São Francisco de Assis. A expulsão dos franciscanos da Terra Santa e a consequente proibição de peregrinações aos Lugares Santos ensejaram construções de santuários com os Passos da Paixão. Segundo Germain Bazin (1993), o que na verdade ocorreu foi uma “peregrinação de substituição”, ou seja, já que ao peregrino era vedado ir a Jerusalém, ele próprio reconstruía a sua Jerusalém, numa tentativa de simular o cenário da Paixão de Cristo. Equiparando-se às peregrinações à Terra Santa, em termos de graças e indulgências, estes santuários logo disseminaram-se pela Europa, atraindo milhares de devotos, sobretudo no norte de Portugal. Assim, temos o Santuário Nossa Senhora dos Remédios da cidade de Lamego; Santuário Santo Antônio dos Olivais, próximo à cidade de Coimbra; e os célebres Santuários Bom Jesus do Monte de Braga, na cidade do mesmo nome - a imagem foi achada por pescadores e não tinha um dos braços - e Bom Jesus de Matozinhos, nas cercanias da cidade do Porto. Conta-se que, na última localidade, havia sido achada por pescadores uma imagem do Cristo Crucificado, o que teria contribuído para a propagação do culto na região. No Brasil, a devoção ao Senhor Bom Jesus floresceu graças aos imigrantes que aqui aportaram procedentes do norte de Portugal, cabendo citar, especialmente, Feliciano Mendes. Chegando às Minas e trabalhando na árdua tarefa da lavra do ouro, contraiu grave doença e prometeu que, em caso de cura, dedicaria sua vida ao serviço do Cristo Crucificado. Atendido em suas súplicas, Feliciano Mendes tratou de construir uma ermida no Monte Maranhão, em Congonhas do Campo. Obtidas as autorizações régias e eclesiásticas, em 1757, foi dado início à construção do Santuário do Bom Jesus em Congonhas, inspirado em dois importantes santuários do norte de Portugal, citados acima, o de Bom Jesus de Matozinhos (Porto) e o de Bom Jesus de Braga.A notícia do milagre operado pelo Bom Jesus espalhou-se por todo o território das Minas, atraindo inúmeros devotos. Levas de fiéis vinham até Congonhas buscando graça e auxílio em suas doenças. Era o começo das romarias a Bom Jesus. É no século XI que o Cristo Morto passou a figurar nas representações. Seus olhos se fecham, a cabeça cai sobre o ombro direito, o corpo se encurva, inspirando compaixão. Ainda segundo Réau (1955-1959), a explicação para esta extraordinária evolução iconográfica se baseia em uma nova orientação teológica, segundo a qual a morte de Cristo não se deveu a um processo de degeneração orgânica, mas a um ato da vontade de Deus, o que se relaciona com o rito grego Zéon. Este rito está ligado à crença da incorruptibilidade do Corpo de Cristo, ou seja, o Cristo, mesmo morto, conservaria o calor da vida. Além disto, para Réau, o misticismo sentimental que se desenvolveu a partir do século XIII, sob a influência de São Francisco de Assis, das Meditações do pseudo-Bonaventura e das Relações

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Bom Jesus

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de Santa Brígida se preocupava mais em comover os fiéis com o doloroso espetáculo dos sofrimentos do Cristo do que em glorificá-lo vivo antes de sua morte. Na iconografia do Cristo, é necessário ainda que se faça uma breve abordagem quanto à forma de vestimenta do Cristo, à maneira com que foi fixado sobre a cruz e a própria disposição de seu corpo. A arte cristã não tem sido fiel nas representações do Cristo. Na verdade, os escravos romanos condenados ao suplício da cruz eram crucificados inteiramente nus. Apesar deste fundamento histórico, o Cristo é sempre representado vestindo o perizônio, num escrúpulo de decência que poucos artistas ousam infringir, superado momentaneamente apenas na Renascença pelos artistas Michelângelo e Benvenuto Cellini. Quanto à maneira com que foi fixado sobre a cruz, é tradição reconhecida pelo mundo cristão que Jesus foi crucificado por pregos, apesar destes não terem sido definidos numericamente. A disposição do Crucificado sobre a cruz pode variar: o braço pode apresentar-se rente ou perpendicularmente ao corpo. O Cristo, com os braços abertos, simboliza a redenção universal - o salvador que morreu por todos os homens. Os braços estendidos junto ao corpo significam que o sacrifício foi dirigido apenas aos escolhidos (Jansenismo). Contudo, a perpendicularidade dos braços, que aparece, desde o fim da Idade Média, foi a posição que se firmou entre os artistas. A tradição das romarias ainda hoje se mantém, quando, na semana de 7 a 14 de setembro, Congonhas recebe um número sem conta de peregrinos, reunidos para venerar e agradecer ao Senhor Bom Jesus. Em Minas Gerais, são também famosos, desde o período colonial, as romarias do Senhor Bom Jesus do Matozinhos de Bacalhau, Vale do Rio Piranga e Bom Jesus do Livramente, no Sul de Minas.

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Santo Antônio de Pádua Santo Antônio é cognominado de Pádua, nome da cidade em que morreu e foi sepultado. Nasceu, no entanto, em Lisboa, por volta de 1195, sendo também conhecido com o Santo Antônio de Lisboa. Seu verdadeiro nome era Fernando, tendo adotado Antônio em homenagem a Santo Antônio Abade, a quem admirava. Filho de pais nobres e ricos, deixou a família para viver como religioso, entrando para a Congregação dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho aos 15 anos. Em 1220, entrou para a Ordem dos Franciscanos de Coimbra. Embarcou então para a África onde desejava trabalhar como missionário; lá chegando, foi acometido por uma febre violenta (malária), retornando a Portugal. Mas o navio em que estava foi jogado nas costas da Sicília. Foi quando começou a dedicar-se à pregação popular que o celebrizou. Conta a lenda que sua língua encontra-se até hoje intacta, preservada em Pádua. Morreu em 1231, aos 36 anos de idade, sendo canonizado no ano seguinte. Até os fins do século XV, era venerado somente em Pádua. No entanto, seu culto se disseminou a partir do século XVI em todo Portugal e, por fim, universalmente. Os atributos que distinguem o santo são, na maior parte das vezes, o Menino Jesus sentado ou de pé sobre um livro, sendo esta a imagem mais conhecida entre nós, já que

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Santo Antônio milagroso Mansador de burro bravo Venha amansar minha sogra Que é mulher dos diabos.

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foi amplamente divulgada pela arte barroca da Contra-Reforma. Pode também trazer nas mãos flor-de-lis - simbolizando a pureza -, açucena, custódia, ramo de videira e crucifixo. Pode carregar nas costas um saco de pães, quando é chamado Santo Antônio dos Pobres ou de Picuá. Aparece sempre com o hábito de sua Ordem (franciscana), pardo ou cinzento, amarrado por um cordão nodal, sem barba e jovem, com tonsura monacal. Em geral, do cinto caem uns rosários. Nunca foi encontrado um retrato autêntico do Santo ou mesmo máscara mortuária, capaz de servir de base para a comparação diante das diversas representações existentes. Mas a arte barroca, para conferir-lhe a dramaticidade própria da Contra-Reforma, empresta a Santo Antônio um tipo pálido e magro, característico de São Francisco. O Santo é geralmente representado picturalmente, nas seguintes cenas de sua vida: na aparição de São Francisco durante a preleção de Santo Antônio, no convento dos Irmãos Menores de Artes; no Sermão aos peixes; a genuflexão da mula diante do Santo Sacramento; no milagre da cura de um jovem que havia tido sua perna amputada; na aparição da Virgem com o Menino Jesus; o milagre do testemunho de um recém-nascido (para salvar a honra de sua mãe, acusada de adultério, pela intercessão de Santo Antônio, a criança reconhece o pai). Os milagres que Santo Antônio realizou em vida são tantos e de tal ordem que é difícil enumerá-los, para não falar dos variados milagres atribuídos ao santo ainda hoje. O povo, com sua ingenuidade, aprendeu a ver em Santo Antônio a salvação para seus males. A relação entre os fatos cotidianos da vida e as imagens do santo já se faz notável no século XVII, quando o Padre Antônio Vieira, em um dos seus sermões, refere-se aos pedidos que são feitos ao Santo pelo povo, sem deixar de demonstrar seu desagrado: “Muitos cuidam que se aproveitam das maravilhas de Santo Antônio, empregando a valia deste santo para o remédio das coisas temporais, isto é desperdiçá-las. Se vos adoece o filho, Santo Antônio; se vos foge o escravo, Santo Antônio; se mandais a encomenda, Santo Antônio; se esperais o retorno, Santo Antônio; se requereis o despacho, Santo Antonio; se aguardais a sentença, Santo Antônio; se perdeis a menor miudeza de vossa casa, Santo Antônio; e talvez se quereis os bens da alheia, Santo Antônio” (VIEIRA, [s.d.]). O Santo é, no entanto, especialmente apelado no que se refere a problema amoroso; é quando se costuma tirar o Menino Jesus de seus braços até que o “milagre” aconteça. Santo Antônio e casamento ainda hoje são sinônimos. Sua reputação e notoriedade como santo casamenteiro deve ter advindo dos primórdios coloniais, quando casamento e procriação e o conseuente aumento demográfico eram definitivos para o sucesso da dominação e ocupação portuguesa nas novas terras. Com a tradição, caminha o humor do povo, do qual Santo Antônio milagroso é personagem das mais constantes. “Talvez mais do que as orações são as piadas e paródias da linguagem popular a expressão do mundo religioso que o povo estrutura em torno de si”(ARNS, 1985). Exemplos são os versinhos:

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Santo Antônio casamenteiro Que já casou tanta gente Viveu só, morreu só Ô santinho inteligente. Santo Antônio, com sua imensa popularidade, mereceu no século XVIII ser o designador de grande parte dos lugarejos que, surgidos nas Minas Gerais, se configuram hoje como municípios. Destes municípios, muitos poucos conservam a denominação primitiva, mas a Devoção a Santo Antônio e a fé traduzida a gosto popular permanecem na ingenuidade de versinhos, nas festas de 13 de junho, nos pedidos e nos milagres que ainda acontecem, segundo o testemunho de seus devotos, a exemplo das concorridas festas da Matriz de Santo Antônio de Itaverava.

São Benedito

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São Benedito de Palermo (1526/1589). Nascido na Sicília, sua ascendência africana levou à sua disseminação pelos portugueses como o “Mouro” e à sua caracterização com pigmentação escura da epiderme. No século XVIII, apresenta-se vestido com o hábito franciscano e é comumente representado tendo nas mãos flores cruz ou lírio. No Brasil, a representação do Santo, quanto ao aspecto físico, mantém-se conforme a tradição: hábito franciscano, pele escura e cabelos crespos. É santo de devoção popular entre os negros.

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São Francisco de Assis Grande místico, fundador da Ordem dos Franciscanos. Nasceu em 1182 em Assis. Foi um jovem pródigo, mas converteu-se por completo ao ideal de humildade de Cristo. Viajou fazendo um apostolado, chegando a ter contato direto com o Sultão do Egito. Regressou à Úmbria, onde reintegrou à sua Ordem a via de aceso inicial à qual os frades haviam se distanciado.

Foi grande propagador de autos de Natal e teatros de fé cristã, revolucionando a linguagem entre o povo e a Igreja. Teve visões místicas, uma delas no Monte Alverne, onde vê o Cristo Crucificado. Desta visão ficam-lhe os estigmas que o acompanharão até a morte. Morreu em 1226 no convento de Porciúncula. Iconograficamente, São Francisco é representado vestido de franciscano, com crucifixo nas mãos, estigmas nas mãos e nos pés e, ocasionalmente, um rasgão no hábito mostra-nos a chaga. Por vezes, aparece com barba, outras imberbe. Uma das iconografias mais comuns é a de São Francisco recebendo um abraço de Cristo que se desprende da cruz.

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São Gonçalo do Amarante

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Português, nasceu na aldeia de Ariconha, distrito de Guimarães, no início do século XIII. Segundo a versão aceita pela igreja, São Gonçalo do Amarante era filho de pais nobres e recebeu uma educação exemplar, norteada pela moral cristã e dirigida por um sacerdote. Já adulto, também sacerdote, viajou em peregrinações religiosas até Roma, onde visitou os túmulos de São Pedro e São Paulo, indo depois aos lugares santos, em Jerusalém. Mais tarde, fixou-se num lugarejo pouco habitado, hoje cidade do Amarante, à margem direita do Rio Tâmega. Aí, por volta de 1250, edificou uma capelinha dedicada a Nossa Senhora da Assunção. Logo depois se refugiou como eremita em penitências e mortificações. Após implorar à Virgem a indicação do caminho que deveria seguir, recebeu em urna milagrosa visita conselho para entrar no mosteiro de São Domingos, em Guimarães. Seguiu as indicações divinas, só voltando, bem mais tarde, a instalar-se definitivamente no povoado. É quando, sob a orientação de um anjo, São Gonçalo edificou uma ponte de pedra sobre o Tâmega, rio que constituía uma séria ameaça aos que se arriscavam na sua travessia. Durante este trabalho, realizou o santo inúmeros milagres: “fazia rolar pedras enormes ou delas extraía vinho para os operários” (TAVARES, 1990). De acordo com a versão popular, Gonçalo era jovem e belo e, todos os sábados, gostava de reunir as mulheres impuras de sua terra para se divertir em vastos salões de orgia; essas festas se prolongavam durante a tarde e entravam pela noite, nunca, todavia, além do sábado. Gonçalo marcava a roda e movimentava a dança de tal forma que as mulheres se esgotavam em cansaço. O povo de Amarante, religioso e bom, passou a afastar-se dele; acontecia, porém, que Gonçalo também se afastava, durante seis dias, permanecendo desaparecido até o sábado. Dizem que morava num lugar deserto de homens e animais. Tinha ele um irmão sacerdote, muito virtuoso e de profunda sabedoria, que não via com bons olhos o seu procedimento. Com intuito de lhe dar conselhos, dirigiu-se o sacerdote à casa de Gonçalo. Antes, porém, de começarem a conversar, Gonçalo convidou o irmão para descansar da viagem que fizera em sua cama; o colchão estava cheio de pedras pontiagudas e o travesseiro era constituído de pedra cascuda. Percebendo que o sacerdote não se sentia bem, Gonçalo convidou-o à rede, mas também esta o martirizava. Assim, o padre percebeu que seu irmão Gonçalo vivia em estado de graça junto a Deus. Provou do chá que lhe foi servido e este amargava como fel. Compreendeu, então, que as orgias do irmão tinham como intuito subtrair às mulheres, pelo cansaço, o pecado mortal aos domingos santificados. O Santo é representado, iconograficamente, quase sempre com o hábito da ordem dominicana, tendo como atributos cajado ou bordão de peregrino, livro, peixes nas mãos ou a seus pés, e uma ponte ao fundo (esta pode aparecer servindo-lhe como base). Popularmente, aparece a imagem de São Gonçalo violeiro, mais comumente no nordeste do país, advindo esta provavelmente de concepções livres e baseadas na lendária vida do santo, não sendo aceita oficialmente pela Igreja.

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A dança se inicia após a ladainha e caracteriza-se pela presença de arcos e pela acentuada lentidão do ritmo. O número de rodas está condicionado ao tamanho da dívida e à promessa. Há promessas de quatro e cinco “longas”, correspondendo cada uma a doze rodas. A roda é orientada por um homem, provavelmente representante de São Gonçalo, que se veste de branco, governa a dança no meio do grupo, usando a palma como sinal, determina todos os movimentos, marca os desenhos, e é chamado de meeiro, guia ou marcante. Hoje, em Minas, a festa de São Gonçalo permanece em estado de quase total amortecimento, sendo que alguns exemplos persistem especialmente no norte do estado. É uma festa tradicionalmente encontrada no nordeste do país, sempre associada a algumas formas de sincretismo. Caracteriza-se como uma festa afrodisíaca e sensual, lembrando-nos bastante os rituais pagãos da antiguidade, intencionais à fecundidade dos homens e da natureza.

Filho do pregador Zacarias e de Isabel, era primo de Jesus. O evangelista Lucas narra a anunciação do nascimento de São João, que seguiu o mesmo modelo dos nascimentos de Isaac, Samuel e Sansão: “o anjo Gabriel apareceu a Zacarias e lhe anunciou o nascimento de uma criança que deveria se chamar João. Zacarias, então, respondeu-lhe que tanto ele quanto sua esposa estavam idosos e que, portanto, não poderiam acreditar naquela boa notícia. Para punir tal incredulidade, Zacarias permaneceria surdo e mudo até o dia em que a promessa de Cristo se concretizasse”(ÁVILA, 2001, p.203). No dia do nascimento, a criança recebeu o nome de João, nome este que foi escrito por Zacarias numa tábua, quando então recuperou a fala. Ainda jovem, São João Batista parte para o deserto da Judeia. Entregando-se a uma vida ascética, pregou a penitência e anunciou que o reino dos céus estava próximo. Quando do Batismo de Jesus, São João referiu-se ao Cristo como o anjo de Deus, o Messias anunciado. São João, em uma de suas pregações, repreende o tetrarca de Galileia, Herodes, por incesto com sua cunhada. Herodiades, para se vingar, aconselhou a sua filha Salomé, que tinha enfeitiçado o tetrarca com sua dança, a pedir a cabeça de São João Batista como recompensa. São João Batista é considerado pela Igreja o último dos Profetas e, ao mesmo tempo, o primeiro dos mártires da Fé de Cristo, merecendo a denominação de protomártir. É ainda respeitado como o primeiro dentro da hierarquia dos Santos, e a Igreja, excepcionalmente, celebra o dia de seu nascimento (24 de junho), 6 meses depois do nascimento de Cristo. Comemora-se também o dia da degolação a 29 de agosto. São João Batista é representado em dois aspectos distintos, como menino, e já adulto. O Renascimento Italiano popularizou a representação de São João Batista como menino de cabelos crespos, associado ao Menino Jesus. Contudo, esta associação não tem fundamento algum na Bíblia. As cenas da infância de São João comumente representadas são: a anunciação a Zacarias do Nascimento de São João; a visita de Maria a Isabel; a fuga de Isabel e do pequeno João na ocasião do massacre dos inocentes. Como adulto, é representado no

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São João Batista

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ciclo de Pregação, Batismo e Degolação. As representações mais comuns são: Pregação de São João no deserto (a seus pés acham-se animais selvagens que o escutam); São João mostrando aos fariseus e aos saducenos uma árvore em que se acha cravada uma machadinha (esta é uma ilustração da passagem do evangelho, na qual existe a seguinte referência: “toda árvore que não produz bons frutos será cortada e jogada ao fogo”); o Batismo do Povo no Rio de Jordão, quando São João saúda Jesus que iria ser batizado. Nas representações antigas, aparece vestido com túnica e pálio (à imitação dos filósofos gregos). A partir do século XIV, veste túnica curta feita com pele de Cordeiro, fechada por um cinto de couro, que se tornou sua vestimenta característica. Esta se firmou a partir do evangelho em que São João recebe do anjo, como presente, uma túnica de pele de carneiro com a qual se veste em suas peregrinações. Nenhum outro santo tem sua vida apresentada de maneira tão completa na Sagrada Escritura como São João. A Bíblia nos conta sua concepção, seu nascimento e circuncisão , o começo de sua missão, sua pregação, seu testemunho prestado ao Cristo, sua prisão, seu cativeiro e martírio. Respeitado como “o maior dos nascidos de mulher”, goza dc grande prestígio popular.

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São João Evangelista

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Irmão de São Tiago, o maior, e filho de Zebedeu e Salomé. Seguidor de São João Batista, torna-se discípulo quando Jesus o chamou, juntamente com seu irmão Tiago. Acompanha de perto Jesus, que o distinguia com o seu afeto, e é o único apóstolo que está no calvário. Iconograficamente São João ou se apresenta jovem, sem barba, ou então velho, como patriarca. Os seus atributos mais comuns são a águia - que lhe serve de estante e segura no bico um tinteiro - enquanto o Santo escreve o evangelho -, uma taça envenenada, com a qual o quiseram assassinar, caldeirão de óleo fervente ou a palma do paraíso. São João Evangelista, devido à sua obra (o Evangelho), tornou-se o padroeiro dos impressores, livreiros, encadernadores, fabricantes de papel, copistas de manuscritos, gravadores, etc. Sua festa é comemorada a 20 de dezembro.

São José Carpinteiro, esposo de Maria. Personagem intrinsecamente ligado à infância de Cristo - o Casamento, a Viagem para Belém, o Nascimento, a Apresentação no templo, as Aparições do anjo e a Fuga para o Egito - são cenas de melancólico romantismo, onde o pai de Jesus é importante coadjuvante, Seu culto se difundiria mais no século XVII quando, então, José torna-se um dos mais venerados santos da Igreja Católica, associado, na maioria das vezes, à Virgem Maria e Jesus, formando a denominada trindade jesuítica (Jesus, Maria e José). Até então, pode-se dizer que São José é esquecido, enquanto Nossa Senhora é exaltada. Os teólogos, por muito tempo, preocuparam-se e perderam-se em discussões acerca da paternidade de Cristo,

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São Pedro Natural da Galileia, era pescador. Pedro e seu irmão André foram os primeiros a serem convidados por Jesus Cristo para que o seguissem. Acompanha Jesus em toda a sua vida pública, até a agonia no Monte das Oliveiras. Após a paixão e Morte de Jesus, permanece em Jerusalém e acaba por ser preso por ordem de Herodes, prisão de que foi libertado por

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negando-se, muitas vezes, a reconhecer José como o verdadeiro pai do Menino Jesus. Após o Concílio de Trento, é que a popularidade do Santo cresce, sobretudo através da atitude de Santa Teresa, reformadora da Ordem Carmelita, que o adota como patrono e ainda lhe consagra o Convento de Ávila. Também os jesuítas tomariam, como já foi dito, São José para sua trindade: JMJ. No século XVII, São Francisco de Sales, que considerava José como o maior de todos os santos, adota-o também como patrono dos religiosos da visitação. Em 1621, o papa Gregório XV decidiu que a Igreja celebraria a festa em honra a São José no dia 19 de março. E, no ano de 1850, Pio IX proclamou São José patrono da Igreja Universal. São José comporta, iconograficamente, alguns tipos distintos. Na arte da Idade Média, o esposo da Virgem é representado quase sempre como um velho calvo e de barba branca. Quase nunca, o Santo seria retratado isoladamente, sendo preferidas as representações ao lado da Virgem e do Menino Jesus, como na cena de fuga para o Egito, no nascimento de Cristo ou nos esponsais, onde São José aparece colocando a aliança no dedo de Maria e traz uma vara com um lírio na extremidade. A partir do século XVI, os artistas rejuvenescem o Santo, dando-lhe o aspecto maduro de um homem de 40 anos. Depois da Contra-Reforma, passa a ser figurado como carpinteiro, tendo como atributos os utensílios de sua profissão (machado, serrote e plaina). E, mais modernamente, São José é escolhido pelo povo, com o consenso da Igreja, como patrono dos trabalhadores (advindo daí a denominação de “São José Operário”). Em outras figurações, aparece portando um bastão florido em alusão à sua vitória sobre os muitos pretendentes de Maria; este é mais tarde transformado em um ramo de flor-de-lis, símbolo de seu casamento virginal. Outras vezes, porta uma lanterna e o Menino Jesus nos braços, ou o conduz pela mão, podendo também trazer um cajado de peregrinos. Numa outra ramificação da devoção a São José, muito difundida entre nós, ele está trajado para viagem, com capa, chapéus de abas ou turbantes e botas (alusão à fuga para o Egito), quando é popularmente denominado São José de Botas. São José é invocado como patrono da boa morte, existindo congregações de boa morte em todas as partes do mundo, dirigidas por padres da Companhia de Jesus. Seu culto se desenvolveria em Minas Gerais, criando verdadeiras raízes de fé, que fazem fervilhar a criatividade popular, possibilitando o surgimento de inúmeros presépios, onde São José é importante personagem, contando, muitas vezes, com uma cena especial, onde aparece exercendo a sua profissão. Sua festa é comemorada a 19 de março.

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um anjo. Posteriormente, vai para Roma, cidade de que foi o primeiro Bispo. Mais tarde, no tempo de Nero, foi preso e crucificado de cabeça para baixo, em Roma (64 d.C.). Iconograficamente, apresenta-se como um homem maduro ou velho; usa barba e é calvo ou semicalvo. Aparece vestido de Papa ou como apóstolo. Pode portar chaves na mão, em sinal de ser o porteiro do céu. Comemora-se o santo no dia 29 de junho.

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São Sebastião

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Nascido na Itália (Milão), São Sebastião fez parte do exército do Imperador Diocleciano, no qual ingressou no ano 269. Ocupando um posto de prestígio, a princípio contava com a estima de Diocleciano. Sabe-se que, cristão fervoroso, confortava os perseguidos, servindo à Igreja às escondidas. Informado de que o homem de sua confiança protegia os cristãos, Diocleciano indignou-se e ordenou que Sebastião fosse amarrado a um tronco e trespassado por flechas. Dado como morto, foi abandonado por seus carrascos no local do martírio. Contudo, uma mulher de nome Irene, percebendo-o vivo, acolheu-o em sua casa, cuidando de suas feridas, e assim o mártir viu-se rapidamente curado. Pouco tempo depois, Sebastião apresentou-se novamente ao Imperador, inquirindo-o e censurando-o pela perseguição aos cristãos. Indignado, Diocleciano ordenou que fosse açoitado até a morte. A representação iconográfica de São Sebastião oscilou ao longo dos anos, vindo a se definir somente em fins do período renascentista. Nos primeiros tempos, era frequente aparecer vestido de túnica militar, em correspondência ao seu cargo no exército do Imperador Diocleciano. No gótico, veste armadura ou traje dos nobres paladinos ,e no Renascimento, reaparece portando o traje militar de um soldado romano. A partir de então, a linha iconográfica do santo se firma: passa a ser representado amarrado a um pilar ou a um tronco de árvore, trespassado por flechas. Se nestas primeiras representações era frequente apresentar o corpo cravado por um numero exagerado de setas, em fins do século XV, estas se reduzem numericamente e o contorno das formas, a musculatura, a plasticidade do nu passam a ser valorizados. Também quanto ao aspecto físico, as representações de São Sebastião variaram Em Minas, o culto a São Sebastião manifesta-se pela grande incidência de topônimos referentes ao santo, pelos inúmeros templos a ele reverenciados, bem como por um acervo artístico e numericamente valioso (pintura e escultura). É possível que a disseminação da devoção se deva ao próprio patronato de São Sebastião, ou seja, protetor em caso de pestes, fato corrente na vida das minas do século XVIII. Um exemplo onde a invocação do santo poderia ser explicada a partir das características geofísicas da região ocorre no município de Araxá, cujo poder curativo de fontes descobertas, já no século XIX, estaria associado à devoção a São Sebastião, celebrado em capela erigida em 1803/1804. A proximidade temporal com o séculoXVIII permite-nos, sem constrangimento, incluir esta referência no presente trabalho.

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Festas

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giosas Festas

Religiosas

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D

o que se chamou por muito tempo folclore, ou o que mais foi estudado e sistematizado da tradição universal, são as festas ligadas à cristalização da mitografia. No caso de Minas Gerais, onde toda atividade social se relacionava a irmandades e ordens terceiras – pois as ordens primeiras haviam sido proibidas, para evitar o descaminho do ouro por membros da Igreja – ficou a cargo dos leigos a comemoração dos eventos religiosos. As festas ocuparam uma posição de destaque na sociedade colonial, pois permitiam a integração de diversos estratos sociais, etnias e religiosidades. Ocorreu até que particulares patrocinassem festas, como em Vila Rica, onde se realizou, em 1733, uma das maiores festas do período colonial o Triunfo Eucarístico –, financiada por um magnata anônimo, natural de Lisboa e morador nas Minas Gerais. Nesses momentos, havia a convivência entre negros, pardos, índios e brancos, como se vê no livro já clássico de Affonso Ávila Os resíduos seiscentistas de Minas Gerais, que reproduz o relato escrito do referido festejo.

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As festas mais comuns foram o Congado1, Reinado ou Reisado, ou a festa do Rosário. Spix e Martius viram o Congado como uma manifestação patriótica, em que os escravos e libertos reviviam episódios de sua terra natal. Ainda hoje, membros dessas agremiações para-religiosas saem à rua em momentos especiais ou em datas permanentes, acompanhando procissões comemorativas:

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20 de janeiro

São Sebastião

29 de janeiro

São Vicente

17 de abril

Ação de Graças

25 de abril

Ladainha Maior

5 de maio

1a Ladainha

6 de maio

2a Ladainha

7 de maio

3a Ladainha

13 de maio

Nossa Senhora dos Mártires

13 de junho

Santo Antônio

2 de julho

Visitação de Nossa Senhora / Santa Isabel

20 de julho

Anjo Custódio

14 de agosto

Ação de Graças

16 de setembro

Transladação de São Vicente

1o de outubro

Santos Mártires

25 de Outubro

Ação de Graças

9 de novembro

Patrocínio de Nossa Senhora

As Congadas também podem ocorrer em datas móveis do calendário cristão, como a Semana Santa, batizados, coroação de Nossa Senhora, assim como no dia do Santo Padroeiro de uma determinada localidade.

1 As múltiplas celebrações festivas realizadas em Minas em homenagem a Nossa Senhora do Rosário costumam ser denominadas coletivamente de Congado ou Congada. Além das guardas presentes no ritual dos Arturos, existem também, em outras localidades, guardas como as de marujos e de catopês. No momento da publicação deste livro, estava em andamento o processo de registro como bem cultural imaterial o conjunto dessas manifestações, sob o título Congadas de Minas.

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O Reinado dos Arturos

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O Reinado de Nossa Senhora do Rosário é uma celebração festiva em homenagem a essa santa, realizada anualmente no mês de outubro, pela comunidade negra dos Arturos no município mineiro de Contagem. Constituindo a maior parte da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Contagem, os Arturos são descendentes e família estendida de Arthur Camilo Silvério, nascido ainda nos tempos da escravidão e morto em 1956. A festividade de Reinado, às vezes chamada também de Congado, dura três dias, de sábado a domingo, sendo que, em cada um desses, são desenvolvidos rituais específicos na comunidade, nas ruas e na capela. Os participantes da cerimônia incluem a corte real, composta por reis e rainhas Congos, que representam Nossa Senhora do Rosário, e duas guardas com funções e cores distintas, intituladas Congo e Moçambique. Evocando a aparição de uma imagem milagrosa da santa, encontrada no mar e resgatada por escravos, a festa mistura elementos do catolicismo popular com o culto aos antepassados, cuja origem é a espiritualidade africana da nação Banto, e com a rememoração da trajetória dos negros escravizados. A música é o elemento organizador da celebração, que se inicia com o ritual interno dos Candombes, três tambores de caráter sagrado. Cada uma das guardas possui seus instrumentos e ritmos característicos, além de três caixas (tambores portáteis) cada, representando, nas partes móveis do ritual, os três Candombes.

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Prática tradicional em várias regiões de Minas, desde o sul do estado até a região do Alto Paranaíba, a Folia de Reis comemora o episódio bíblico da visita dos Reis Magos por ocasião do nascimento de Jesus, integrando assim as comemorações do período natalino. Consiste em um conjunto de músicos e palhaços - que, dependendo do lugar, podem ser denominados “bastiões”, “marungos”, “espias” ou “heróis” – que visita as casas, normalmente na zona rural, para cantar e, portanto,abençoar os moradores, recebendo também doações para a realização da festa dos santos reis, no dia 6 de janeiro. Seu período de realização costuma ir do dia de Natal até a festa citada, embora em certa localidades se inicie ainda antes. Tradição de origem portuguesa, a realização da Folia de Reis está registrada na Península Ibérica desde os tempos medievais. O costume associa os músicos às figuras dos três Reis Magos da tradição que, tendo presenteado Jesus com incenso, ouro e mirra, teriam recebido de Nossa Senhora instrumentos musicais: Gaspar, uma viola; Belchior, uma caixa (tambor); e Baltazar, um bandeiro. Já os “bastiões” representam os espias de Herodes, que teriam sido enviados para seguir os Reis Magos e assassinar o menino Jesus, mas, que o encontrando, desistiram da tarefa ao reconhecer sua divindade. O conjunto dos músicos – com chapéus e instrumentos adornados com fitas coloridas - e dos palhaços – que vestem máscaras de couro e não cantam - é denominado terno ou guarda - um tipo de associação autônoma, até mesmo da Igreja, da qual podem coexistir muitas em uma mesma região. Cada um leva sua própria bandeira, sendo comum que seus integrantes estejam pagando promessa, devendo assim continuar no terno por, no mínimo, sete anos. É costume tentar impedir o encontro de duas guardas, pois, segundo a tradição, se ele ocorrer, é preciso realizar um desafio1 valendo os instrumentos do grupo derrotado.

1 Desafio: disputa musical e verbal entre dois violeiros, na qual um tenta superar o outro em termos da habilidade de fazer versos improvisados.

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Folia de Reis

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Semana Santa

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Entre as maiores e mais interessantes celebrações religiosa brasileiras, destaca-se é a Semana Santa que ocorre em Ouro Preto, São João Del Rei, Sabará e outras cidades históricas mineiras. Feita de acordo com um ritual, seguido desde o século XVIII, sua preparação começa na sexta-feira anterior ao carnaval, quando se inicia o Setenário das Dores de Nossa Senhora. Em sete sextas-feiras são lembradas as Dores de Maria, representadas por sete punhais, cravados no coração da imagem de madeira. No Domingo de Ramos, uma procissão leva os ramos da Igreja de São Francisco de Assis até a Matriz, representando a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. No mesmo dia, há a Procissão do Encontro de Jesus com Maria a caminho do Calvário. É uma semana marcada por várias procissões, que sobem e descem as ladeiras ao som de marchas e dobrados, executados por duas bandas de música. Na Quarta-feira Santa ocorre o Solene Ofício das Trevas, cantado em latim, quando as luzes da igreja são apagadas, permanecendo acesas, num candelabro do século XVII, apenas as 15 velas que representam os 150 Salmos do Velho e do Novo Testamento. Aos poucos, estas também são apagadas, até só ficar iluminada a vela central, que representa Jesus Cristo.

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No dia seguinte, Quinta-feira Santa, há a desnudação dos altares – quando, em sinal de luto, retiram-se os enfeites – e a cerimônia do Lava-pés. Na Sexta-feira Santa, o sofrimento e a morte de Cristo são lembrados em cerimônias que começam pela manhã e culminam, à noite, com a cerimônia do Descendimento da Cruz e com a Procissão do Enterro, quando há encenação de personagens como Verônica, Pilatos, Herodes e Maria Madalena, entre outros. A Verônica – geralmente interpretada por uma cantora lírica – é uma das personagens mais emocionantes. Durante a agonia de Cristo, ela quis socorrê-lo, enxugando-lhe o rosto com um pano, o Santo Sudário, onde ficaram impressas as feições de Jesus. Durante a procissão do Enterro, Verônica para e canta a sua advertência aos que transitam pelas ruas. A Guarda Romana, batendo suas lanças nas calçadas, marca o ritmo fúnebre com seu ruído metálico e cadenciado, e os moradores acendem lanternas com velas nas fachadas das casas. Mas é no domingo, com a Procissão da Ressurreição, que a cidade se engalana toda. Durante a madrugada, a população enfeita as ruas com tapetes de flores, serragem, pó de café, cascas de ovos e areia, formando lindos desenhos. Enquanto isso, grupos de Congados passam cantando. Fazem também parte da tradição a malhação e a queima do Judas, brincadeira de sucesso garantido entre as crianças. São também essenciais os tapetes fabricados especialmente para a ocasião com serragem colorida mostrando símbolos cristãos.

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Festa do Divino

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Originalmente, a Festa do Divino constituía-se do estabelecimento do Império do Divino, com palanques e coretos, onde se armava o assento do Imperador, uma criança ou adulto escolhido para presidir a festa, que gozava de poderes de rei. Para arrecadar os recursos de organização da festa, fazia-se antecipadamente a Folia do Divino: grupos de cantadores visitavam as casas dos fiéis para pedir donativos e todo tipo de auxílio. Levavam com eles a Bandeira do Divino, ilustrada pela Pomba que simboliza o Espírito Santo e recebida com grande devoção em toda a parte. Essas Folias percorriam grandes regiões, se estendendo por semanas ou meses inteiros. A Festa do Divino é realizada sete semanas depois do Domingo de Páscoa, no dia de Pentecostes, para comemorar a descida do Espírito Santo sobre os doze apóstolos.

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s festas de Minas Gerais caracterizam-se mais pelo caráter religioso do que pelo profano. No entanto, um dos exemplos mais antigos de aglomerado festivo é o que ocorre em Ouro Preto. Com a origem deturpada pelas influências vindas do Rio de Janeiro e da Bahia, as cidades mineiras, que tinham em sua tradiçãoo carnaval de rua, brincadeiras ingênuas com blocos caricatos, hoje está bem diferente. No entanto, Ouro Preto guarda a tradição de um bloco de mais de 150 anos, chamado Z�� Pereira, que aqui será destacado.

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Carnaval Zé Pereira

As mais antigas referências ao carnaval de Ouro Preto ocorreram nas famosas Cartas Chilenas, de Tomás Antônio Gonzaga. O entrudo que partia do Largo da Alegria enchia a cidade de brincadeiras ingênuas como batalha de farinha, gemas de ovos e água. Mas, anteriormente, em 1733, a saída do Triunfo Eucarístico da Igreja do Rosário para a Igreja do Pilar representaria mais uma relação entre as festas religiosas e o espírito carnavalesco. Grupos ou alas de pessoas fantasiadas, com adereços, estandartes e ornamentos esculturais dançavam e cantavam por todo o caminho, seguidos por cavalhadas e batuques. Negros e brancos participaram da festa, independente de sua condição social. O entrudo foi acrescido de graça ao se misturar à cultura negra, com os batuques e requebros, transformando o entrudo no carnaval que hoje conhecemos. Zé Pereira teria surgido por volta de 1846, através de um comediante português que interpretou uma paródia da peça Les Pompiers de Nanterre, cantando os versos que se tornariam famosos: E viva o Zé Pereira Pois que ninguém faz mal Viva a bebedeira Nos dias de Carnaval O bloco do Zé Pereira caracteriza-se pela animação ao som de bumbos, zabumba e tambores, anarquicamente tocados pela rua.

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As raízes do atual carnaval brasileiro se encontram nas mais remotas tradições da humanidade. Das festas pagãs gregas em homenagem ao deus Pã parece ter surgido a figura do Rei Momo. Acredita-se, ainda, em relações com o culto egípcio a Ísis ou com os festejos romanos em homenagem ao Deus Saturno. Mas o Brasil é herdeiro mais próximo do Entrudo. O período que indica a chegada da Quaresma é chamado de Entrudo (entrada). Nesses três dias, a população católica se despede de seus pecados com farra, zombaria e brincadeiras entre mascarados. A Igreja não criou o carnaval, mas o tolerou como costume romano. A palavra carnaval tem, com certeza, origens romanas: carnelevanen, “carne, vale!” ou “adeus, carne”, em despedida ao hábito de se comer carne, introduzindo o jejum desse tipo de alimento como penitência durante a Quaresma.

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O

s documentos musicais mais antigos encontrados datam da primeira metade do século XVIII e coincidem, em grande parte, com a fase inicial e com o apogeu do Ciclo do Ouro. O rígido controle exercido pela Coroa sobre a zona de mineração terá fundamental importância na forma da organização sócio-política e na vida cultural das vilas surgidas com a atividade mineradora. As proibições de instalação de impressoras e de importação de livros (exceto as cartilhas, tabuadas e os catecismos) fariam com que a circulação da produção musical ocorresse unicamente através de cópias manuscritas, o que trazia real impossibilidade de controle e censura sobre as cópias que circulavam. A organização da vida musical e a profissionalização do músico é paralela à formação das vilas. Existem dados que comprovam a existência de prática musical remunerada nos primeiros anos do século XVIII. A vida musical religiosa estrutura-se desde a formação das vilas. Em 1748, quando é instalada em Mariana a primeira diocese mineira, o bispo, Dom Frei Manuel da Cruz, nomeia os primeiros membros do Cabido (conjunto ou corporação dos cônegos de uma catedral), inclusive o mestre de capela, o organista e o chantre. Com relação à música erudita profana setecentista, existem referências a saraus (concertos musicais noturnos), nos quais se executava música de câmara vocal e instrumental; há descrições de festas “de rua”, com seus bailes e serenatas, como há contratos relativos a óperas, principalmente por ocasião de celebrações da família real.


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Vesperata

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A Vesperata é uma forma de apresentação musical na qual as bandas de sopros de Diamantina tocam a partir das sacadas de casarões históricos da cidade. Pode ser entendida como uma serenata2 ao contrário, já que, na Vesperata, os músicos se posicionam dentro das casas e o público, juntamente com o maestro3, permanecem no centro da praça. Essa forma peculiar de retreta constitui uma das expressões características da rica cultura musical da cidade. O forte vínculo da cidade - então conhecida como Arraial do Tijuco - com a arte dos sons pode ser traçado desde, pelo menos, a segunda metade do século XVIII, período em que atuou ali o grande compositor de música sacra José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, morto em 1805. O nome Vesperata vem da tradição diamantinense dos saraus caseiros no período noturno, os chamados chás vesperais, que se seguiam ao ofício religioso noturno, denominado de vésperas. Apesar desse nome se fixar definitivamente à pratica da “serenata ao 2 Serenata: ato de cantar à noite, pelas ruas, canções de caráter sentimental, chamando dessa forma as namoradas às janelas. Descrito pela primeira vez em Portugal por Gil Vicente no ano de 1505 e forte em Diamantina até os dias de hoje. 3 Maestro: também denominado regente, pessoa de conduz e dá diretrizes sonoras para um conjunto musical, como uma banda ou uma orquestra.

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4 Retreta: apresentação de uma banda em espaço público.

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contrário”, apenas depois de 1997, ano no qual foi retomada, a tradição em si possui raízes bem anteriores. As bandas de sopro, ligadas à tradição da banda marcial trazida ao Brasil pela corte de Dom João VI, se fazem presentes em Diamantina desde meados do século XIX. Na segunda metade daquele século, chegaram a existir quatro bandas civis nesse formato na cidade – Corinho, Corão, Caramuru e Chimanga – todas oferecendo seus serviços às Irmandades por ocasião das festas religiosas e procissões. O maestro João Batista de Macedo (1857-1897), que herdou do pai – maestro da banda Chimanga – o ofício musical e o apelido de Piruruca, traria uma contribuição única para esse cenário. Experimentando diferentes formas de dispor a Banda do 4º Corpo Militar de Diamantina, regida por ele, nas suas retretas4 semanais, colocou os solistas do conjunto nas sacadas das janelas para a execução da peça La Mezza Notte, do compositor italiano P. Carlinni. A peça – que culminava em doze badaladas no prato da banda ou, em ocasiões especiais, nos sinos da Igreja Matriz – e a forma de execução conseguiram um lugar cativo no coração dos diamantinenses, sendo a composição apelidada de Anjo da Meia Noite e atribuída sua autoria ao próprio maestro Piruruca. Tendo sido executada dessa mesma forma até 1967, apesar da baixa frequência a partir de 1944, a tradição diamantinense dos músicos tocando nas sacadas das janelas retomou a sua vitalidade em 1997.

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Violas de Queluz

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A viola caipira, também denominada viola de arame, é um instrumento indispensável na execução de múltiplas formas de música tradicional em Minas Gerais, seja no âmbito do profano, como na Catira, seja no do sagrado, como na Folia de reis. A tradição vinculada à Folia de reis reza inclusive que um dos três Reis Magos, Gaspar, tocava o instrumento. Com formato parecido com o violão, para o qual perdeu o posto de instrumento principal na música brasileira urbana desde a virada do século XX, a viola se distingue pelo desenho do seu corpo (mais cinturado), o número de trastes5 (dez, em vez de doze) e pelas cinco ordens de cordas6. Testemunha da herança cultural portuguesa, a presença da viola na antiga metrópole está registrada a partir do século XV, datando a sua presença na zona cultural mineira, no mais tardar, da segunda metade do século XVIII. O saber tradicional mineiro sobre as violas inclui a sua fabricação, atividade na qual se destacou de meados do século XIX até a década de 1940 a cidade mineira de Queluz, atualmente Conselheiro Lafaiete. Até Guimarães Rosa se refere a esses instrumentos, pela voz de Riobaldo, no seu Grande Sertão: Veredas. A viola de Queluz possuía doze cordas – três cordas duplas e duas triplas – característica herdada da sua antecessora portuguesa, a viola toeira, e que a diferencia da maior parte das violas caipiras que possuem apenas dez (cinco duplas). Ainda mais único nesses instrumentos é o trabalho superior de marchetaria7, que se cristaliza em ornamentos rebuscados no corpo do instrumento, e a ponte8 em forma de bigode. Duas famílias de artesãos da cidade eram consideradas as melhores fabricantes da viola de Queluz, os Meireles e os Salgado. Dessa última, o mais afamado foi o artesão e violeiro José de Souza Salgado, que tocou para Dom Pedro II e, a partir daí, fabricou violas para sua corte. Produção profundamente envolvida em seu ambiente cultural, as violas de Queluz costumavam ser vendidas aos romeiros que se dirigiam ao santuário de Bom Jesus de Matosinhos, na cidade de Congonhas. Seu ocaso veio com a competição das fábricas de instrumentos musicais instaladas em São Paulo, com as quais o processo de fabricação artesanal desenvolvido em Queluz não tinha como competir. Depois das últimas violas produzidas esporadicamente durante os anos 1950 pelos Salgado, a tradição veio a ser recuperada a partir dos anos 1980 por entusiastas, como o luthier Virgílio Lima e o colecionador e restaurador Max Rosa, entre outros. 5 Trastes: filetes de metal no braço dos instrumentos de corda que delimitam cada uma das notas. 6 Ordens de corda: conjuntos de uma, duas ou três cordas afinadas e tocadas em conjunto. Usa-se também respectivamente a denominação corda simples, duplas ou tripla. 7 Marchetaria: técnica artesanal de ornamentar superfícies planas através da aplicação de matérias diversos, madeiras de cores diferentes, por exemplo. 8 Ponte: parte dos instrumentos de corda que limita a vibração da corda no lado oposto ao do braço do instrumento.

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Canções Infantis Eram muito comuns em Portugal e foram trazidas para Minas, no século XVIII, as cirandas, que eram acompanhadas por canções lúdicas chamadas de cantigas de roda. Isso se dava pela falta de brinquedos prontos ou manufaturados, daí a necessidade de criar as próprias brincadeiras. As cantigas de roda preenchiam os dias, envolvendo sempre um número variado de participantes. A Ratoeira, citada na seção danças típicas, pode-se considerar como a mais tradicional das cirandas que acompanhavam as brincadeiras de roda. Além dessas, as negras, que amamentavam os filhos das senhoras brancas, introduziram canções de ninar que adaptavam de rituais africanos, sincretizando o hábito de ninar as crianças. As mais conhecidas cirandas são:

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A Dança da Carochinha Manoelzinho Pai Francisco Fui no Itororó Ciranda, Cirandinha Nesta rua Terezinha de Jesus Mariquinha Muchocha O Pastorzinho Senhora Dona Sancha O Cravo e a Rosa Sinhá Rita Mineirinha Capelinha de Melão Sinhá Marreca Sinhá Aninha Samba Crioula

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ntre as tradições folclóricas mais estudadas em Minas Gerais estão os diversos gêneros de festas, danças e cantos. Essas festas típicas foram conservadas, seja de maneira autêntica ou aproveitadas pelo turismo com estilizações. Muitas dessas tiveram origem entre os negros escravizados que, em ocasiões festivas religiosas, podiam manifestar-se com certa liberdade; outras surgiram como festas de salões de influência portuguesa ou francesa como os saraus, as valsas e as quadrilhas.

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Lundu

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Dança sensual negra onde mulheres e homens manifestam grande movimento de quadris e braços de maneira pitoresca, ao som de tambores e violas. Rugendas deixou registrada, em seus desenhos, a alegria e o caráter erótico dessa dança, que se mesclou às modinhas, sendo confundidas no período imperial. Conhecida como dança dos namorados, com apelo de aproximação sexual.

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Batuque

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Precursor do atual samba, o batuque era dançado em ritmo acelerado, gingando o corpo e com gestos sensuais. Há referência ao batuque em Minas já nas Cartas Chilenas, de Gonzaga. Era dançado até no próprio Palácio dos Governadores. Congado, Congo ou Congada Dança folclórica em que se representa a coroação de um rei do Congado e cenas de combates, através de danças e cantos com elementos rítmicos originários da África e da Península Ibérica. Os instrumentos usados são caixas, pandeiros, reco-recos, cuícas, triângulos, chocalhos, sanfonas, violas e violinos. Realiza-se, preferencialmente, em datas do calendário festivo católico como no Natal, nas festas da padroeira dos negros, Nossa Senhora do Rosário, dos santos de devoção, como São Benedito e Santa Efigênia, demonstrando a força do sincretismo afro-católico no Brasil. Ficaram também famosas as similares folias de reis ou bandeiras do divino. Algumas vezes, os congados são aproveitados em festejos de devoção popular, ligados a romarias e outras festas, como ocorre em Minas Gerais nas festas do Divino Espírito Santo, em Diamantina, ou na Festa de Santo Antônio de Pádua em Itaverava.

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Cateretê Ritmo rural típico dos estados do centro e do Sul do Brasil. De origem ameríndia, consta que já era dançado em uma forma primitiva no primeiro século de colonização. As primeiras descrições da coreografia datam, contudo, de fins do século XIX. A dança é executada em filas onde defrontam-se homens e mulheres, geralmente com acompanhamento de duas violas. A coreografia é dirigida pelos violeiros, que também participam da dança. Apresenta como características: sapateado e palmas, trocas de lugares, passeios em círculos e formação de uma grande roda. A escassez de filas opostas entre indígenas e negros brasileiros sugere a influência da quadrilha europeia, pressuposto adequado à compreensão das danças brasileiras do sul, onde houve grande imigração europeia.

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Calundu

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O calundu é um termo caído em desuso que, até meados do século XVIII, era sinônimo de candomblé ou macumba. Também significa mau humor. Segundo o Dicionário Aurélio, a palavra “calundu” tem origem angolana e vem da palavra kilundu, que é um ente sobrenatural que dirige os destinos humanos, entrando no corpo de uma pessoa, tornando-a triste, nostálgica, mal-humorada. Exemplo disso podemos ver em Dom Casmurro, de Machado de Assis, em que Bentinho refere-se a Capitu, dizendo que esta está de calundu. No livro O Peregrino da América, Nuno Marques Pereira narra um episódio em que teve seu sono prejudicado pelo estrondo dos atabaques, pandeiros, canzás, botijas e castanhetas, o que era considerado culto ao diabo e motivo para excomunhão e severos castigos.

Dança de Salão Em Resíduos Seiscentistas em Minas, encontra-se uma descrição de Joaquim Felício dos Santos de um baile oferecido em 1801 ao governador Bernardo José Lorena, na casa da Glória em Diamantina: duas grandes salas, destinadas para dança, estavam magnificamente iluminadas, com suntuosos móveis, todas cheias de cavalheiros e damas muito louçãs e da principal gente da terra. Dançaram-se minuetes, contradanças, valsas vivas e alegres no gosto deste povo do Tijuco que é louco pela dança e pela música. Por um vasto salão estendia-se uma longa mesa, rica e abastadamente servida de todas as sortes de iguarias. Chica da Silva ficaria conhecida pela promoção de bailes e danças de salão (ÁVILA, 1977).

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Dança ou roda de São Gonçalo

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A dança ou roda de São Gonçalo é composta por um grupo de dançarinas, vestidas de noiva e segurando arcos decorados com flores, que executam uma coreografia em conjunto com um único dançarino, que representa o santo. Associada normalmente ao dia de São Gonçalo do Amarante, 10 de janeiro, essa tradição é mantida nas cidades mineiras de Pirapora, São Francisco, Várzea da Palma e em Amarantina, distrito de Ouro Preto. Participar da dança significa muitas vezes o pagamento de promessas feitas ao santo, considerado protetor de militares, violeiros, viúvas, aflitos, pessoas que sofrem de doenças nos ossos, além de casamenteiro das moças de mais de trinta anos. A prática da dança como forma de pagamento de promessa está intrinsecamente ligada à história de São Gonçalo do Amarante. Nascido em Portugal em 1185, morto em 1259 e canonizado em 1561, conta-se que usava a música e a dança como forma de conversão dos pecadores. Assim, as danças de São Gonçalo são executadas em Portugal desde o século XIII, sendo registradas no Brasil a partir do século XVIII. A relação do santo com a música é ainda amplificada na tradição popular brasileira, que lhe atribui ter tocado sua viola para alegrar Nossa Senhora, quem lhe teria feito uma aparição chorando os pecados do mundo.

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Quadrilha

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As festas de Santo Antônio, São João e São Pedro são comemoradas em toda Minas Gerais, passadas de geração em geração, através das quadrilhas celebradas em todas as classes sociais. Quadrilha é uma contradança de origem inglesa. No Brasil, é dançada em compasso de 6/8, na qual quatro pares se situam frente a frente. Teve o seu apogeu no século XVIII, na França, de onde migrou para Portugal e Brasil. Acompanha a dança uma indumentária florida e traje caipira. Na quadrilha de salão, há 12 tipos de destaques: viúvos, noivos, florista/ floricultor, sinhozinhos, xodó, sinhá-moça e sinhô-moço, padre, rei, príncipes (geralmente 2 a 3 casais), marcador, puxador e narrador. Junto à quadriha há sempre quitutes, doces, bebidas e brincadeiras como o casamento na roça, em que geralmente o pai obriga o noivo a casar-se com sua filha grávida.

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Lendas,

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Fábulas A

escritora mineira Henriqueta Lisboa fez uma valiosa pesquisa do folclore brasileiro, reunindo lendas, contos e fábulas, alguns de origem mineira: A festa no céu, A lenda da Acaiaca, A lenda de São João, etc. Além destas, cada região mineira guarda um personagem histórico que se tornou lendário. Listamos aqui, especialmente, as mulheres dos inconfidentes, fatos que permaneceram no imaginário popular, tais como a loucura de Bárbara Eliodora, a tristeza de Marília de Dirceu, a luxúria de Chica da Silva e a persistência de Hipólita Jacinta Teixeira de Melo. Entre os homens, não podemos deixar de citar a lenda de Chico Rei.

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Chica da Silva

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Francisca da Silva de Oliveira era mulata, filha de uma negra chamada Maria da Costa e do português Antonio Caetano de Sá. Nasceu escrava, mas conquistou sua alforria em dezembro de 1753, concedida pelo contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, que a comprou de seu proprietário, o médico português Manuel Pires Sardinha. Com Sardinha, ela teve um filho, chamado Simão, alforriado pelo pai na pia batismal e reconhecido mais tarde em seu testamento. Chica e João Fernandes tiveram, entre 1753 e 1770, um relacionamento estável, como marido e mulher, mas que nunca foi legalizado, pois a legislação e os costumes da época não permitiam. Nesse período, ela teve treze filhos com o contratador, sendo nove mulheres e quatro homens (Francisca de Paula, João, Rita, Joaquim, Antônio Caetano, Ana, Elena, Luiza, José Agostinho, Maria, Quitéria, Antônia e Mariana). A média de um filho a cada 13 meses faz desmoronar a figura sensual e lasciva, devoradora de homens, à qual Chica esteve sempre ligada. João Fernandes legitimou os filhos tornando-os herdeiros de todo o seu patrimônio. Chica agia como as senhoras brancas da sociedade da época. Educou a filhas no Recolhimento de Macaúbas, melhor educandário das Minas, destinado apenas às filhas da elite. Educação esmerada para as mulheres significava, principalmente, a preparação para uma vida virtuosa, e o convento era local ideal para que Chica preparasse as filhas para ocupar seus lugares junto à elite do arraial. Somente Antônia se tornou freira – as demais voltaram ao arraial para se casarem. Chica e filhos fizeram parte das diversas irmandades de brancos, especialmente Santíssimo Sacramento, São Miguel e Almas, São Francisco de Assis, Terra Santa, Nossa Senhora do Carmo do Tejuco e da Vila do Príncipe, São Francisco e Terra Santa, e também das irmandades de mulatos e negros, como Nossa Senhora do Rosário e Mercês. Foi proprietária de significativo plantel de escravos e também possuiu uma casa na Rua do Bonfim, com capela anexa, próxima de pessoas importantes do arraial. Teve acesso a uma cultura sofisticada e letrada. Acredita-se que tenha sido alfabetizada durante a estada de suas filhas em Macaúbas. João Fernandes volta para o reino em 1770, devido à morte de seu pai e disputa de heranças com sua madrasta. Morre nove anos depois. Cada uma das filhas recebeu do pai uma fazenda como herança e, em geral, realizaram bons casamentos. Seu filho João se tornou o principal herdeiro em Portugal, recebendo dois terços de seus bens. José Agostinho tornou-se padre e recebeu um dote para ocupar uma capela. Simão Pires Sardinha estudou em Roma, comprou um título de nobreza e uma patente de tenente coronel da cavalaria de Minas Gerais. Chica morreu em 1796, sendo enterrada no corpo da Igreja São Francisco de Assis, cuja irmandade era reservada e congregava a elite branca do arraial, demonstrando importância e prestígio.

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Bárbara Eliodora (1759-1819)

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Bárbara Eliodora Guilhermina Silveira nasceu em São João del-Rei (MG). Filha de Maria Josefa Bueno da Cunha - descendente do paulista Bartolomeu Bueno - e de José da Silveira e Sousa, nascido em Portugal. Há controvérsias quanto à data de seu nascimento; alguns historiadores referem-se ao final do ano de 1758. Teve duas irmãs. Casou-se em 1781 com Ignácio José de Alvarenga Peixoto, com quem teve quatro filhos. Além de ter sido a musa de seu marido, ela própria foi poetisa; com ele, participou ativamente do movimento político da Conjuração Mineira. Sufocado o movimento em 1789, Alvarenga Peixoto foi preso e condenado ao degredo na África, em Ambaça, onde veio a morrer um ano após sua chegada. Bárbara suportou o confisco dos bens da família, o arrasamento da casa onde moravam e a dor de ver seus filhos declarados infames. É versão corrente e lendária que Bárbara terminou seus dias louca, sorrindo e cantando em voz baixa, simulando distribuir ouro em pó às pessoas que dela se aproximavam. A antologia Escritoras brasileiras do século XIX, porém, refere-se à demência do final de sua vida como sendo, para alguns historiadores, uma estratégia para escapar às perseguições e ao fisco português. Como exemplo de sua obra, citamos um trecho de Conselhos a meus filhos, que teria sido escrito por Bárbara Eliodora quando ainda jovem: “Neste tormentoso mar/ De ondas de contradições / Ninguém soletre feições! Que sempre se há de enganar, / De caras e corações/ Há muitas léguas que andar.” Faleceu a 24 de maio de 1819, em São Gonçalo do Sapucaí (MG).

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Hipólita Jacinta Teixeira de Melo (1748 - ?) Era considerada a mulher mais rica da região de Ouro Preto. Foi a única mulher a participar ativamente da conspiração. Hipólita pagou caro pelo seu envolvimento e teve decretado, durante a Devassa, o confisco de todos os seus bens. De fina educação, foi ela quem escreveu a carta denunciando Joaquim Silvério dos Reis como traidor dos conjurados. Consta que a carta foi enviada, através de um escravo, a seu marido, Coronel Francisco de Oliveira Lopes, que se encontrava em Paraopeba, informando-o da prisão de Tiradentes e outros insurgentes no Rio de Janeiro. Quando a rebelião fracassou, o Coronel Francisco foi sentenciado ao degredo perpétuo na África. Desesperada, Hipólita conseguiu informações sobre o local onde ele estava preso, subornando um funcionário. Mais tarde, ofereceu um cacho de bananas em ouro maciço á rainha de Portugal, Dona Maria I, pedindo que concedesse o perdão da pena imposta, mas o visconde de Barbacena interceptou o presente. Apesar do confisco, morreu rica, de acordo com seu testamento datado de 1828, que relaciona muitos bens, como fazendas e lavras, além de numerosos escravos, alforriados no testamento.

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Marília de Dirceu (1767 – 1853)

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Nasceu a 8 de novembro de 1767, em Vila Rica, atual Ouro Preto (MG). Maria Joaquina Dorotéia de Seixas era filha de Maria Dorotéia Joaquina de Seixas e de Baltasar João Mayrink. O pai, ao enviuvar, entregou os cinco filhos menores aos cuidados de suas cunhadas solteiras, Teresa Matilde e Catarina Leonor. Tinha 15 anos quando conheceu o poeta Tomás Antônio Gonzaga, uma das principais figuras da Conjuração Mineira, de quem ficou noiva em 1789, quando tinha 22 anos. Lutou ao seu lado pela liberdade e acabou sendo vítima de várias injustiças. Tomás Antônio foi preso e condenado ao degredo na África. Com autorização do marquês de Barbacena, governador da companhia de Minas, o casamento foi marcado para 30 de maio de 1792, pouco antes da data de partida do condenado. Logo em seguida, despediu-se dele e, por decisão da família, retirou-se para a fazenda do Fundão, em Itaverava. Voltou para Vila Rica somente em 1815, quando morreu seu pai. Nos três anos que se seguiram, Marília perdeu muitos parentes. Dominada pela tristeza, não saiu mais de casa. Morreu no dia 9 de fevereiro de 1853, aos 83 anos, na mesma casa em que nascera.

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Chico Rei

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Francisco seria um rei africano que foi aprisionado e vendido como escravo com toda a sua tribo. A mulher e todos os filhos, à exceção de um, teriam morrido na travessia do Atlântico. Os sobreviventes foram encaminhados às minas de Ouro Preto. Lá chegando, Chico Rei trabalhou e alforriou o filho; em seguida, os dois trabalharam para alforriar um patrício e, assim, sucessivamente, alforriou-se toda a tribo, que passou a alforriar outros vizinhos da mesma nação. Formaram entre si uma comunidade; Francisco era o rei; sua nova mulher, a rainha; seu filho, o príncipe; a nora, a princesa. A coletividade seria proprietária da mina da Encardideira. Tomaram como padroeira Santa Efigênia, a cuja milagrosa imagem prestavam culto no Alto da Cruz, na capela levantada sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário. No dia 6 de janeiro, o rei, a rainha e os príncipes, vestidos como tais, eram conduzidos triunfalmente à igreja para assistir à missa cantada; em seguida, percorriam as ruas dançando ao som de instrumentos africanos: era o reinado do Rosário, festas imitadas em todos os arraiais de Minas. Pela lenda, a pia de pedra que se encontra na entrada da igreja seria o local onde as negras escravas lavavam os cabelos, para nela deixar o ouro em pó que neles traziam.

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Dona Olímpia

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Dona Olímpia (ou Sinhá Olímpia) era uma dessas figuras típicas das cidades históricas mineiras.  Nascida no distrito de Santa Rita Durão, município de Mariana-MG, Dona Olímpia, segundo contam, teria sofrido desilusão amorosa à altura dos 40 anos e, a partir de então, sua vida se desenrolou entre delírios e realidade. Estava sempre muito pintada, vestia roupas estranhas, levava um longo cajado encimado por flores, uma cesta pendurada ao braço esquerdo e a cabeça sempre estava coberta por um chapéu, também florido! Era um dos ícones de Ouro Preto e, quem, em sua época, visitasse a cidade e não visse Dona Olímpia, não tinha estado em Ouro Preto. Teria sido uma das moças mais bonitas de seu tempo. Possuía uma coleção de chapéus vindos da França, Inglaterra e Estados Unidos, que teria ganhado dos turistas, a quem contava lendas sobre a Inconfidência Mineira, memórias e lembranças delirantes, à custa de um dólar. Esmolava, apesar de dizerem que não precisava. Morreu no ano de 1976. Hoje muitas lojinhas da cidade vendem bonecas de papel machê ou de pano, chamadas Sinhá Olímpia, perpetuando sua história. Há quem acredite que seu fantasma apareça à noite vagando pela cidade.

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Arquitetura do efêmero A

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Arquitetura do Efêmero consiste em construções de função efêmera para cenários de festas públicas ou religiosas. Durante as procissões, por exemplo, era costume se fazer estandartes para anunciar a passagem de irmandades e seus oragos. Também enfeitava-se todo o caminho, como ainda ocorre com os tapetes de elementos coloridos que se assemelhavam a plantas, motivos barroco-rococó, que representam visões e o tema religioso da ocasião festiva. Hoje veem-se ainda, comumente, tapetes de serragem, bandeiras e estandartes, asas de anjo para festas de coroação.

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Gastro

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onomia Gastronomia

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N

o século XVIII, a gastronomia mineira foi bastante pobre. Comia-se de tudo que havia à mão: as tradicionais caças (capivaras, macacos, onças e aves), assim como, muitas vezes, cobras, lagartos, formigas e içás. A escassez de alimentos perdurou durante todo o período colonial. O sal não chegava a todos; o alimento básico da maioria da população eram o milho e a mandioca (principal sustento e o pão diário da população). A carne bovina – indispensável à alimentação dos mineradores - era trazida especialmente do norte do país. Usava-se comer legumes cozidos. Os temperos eram a pimenta do reino e o urucum. Usava-se muito o óleo de mamona, o palmito, o trigo, o inhame, batatas, aipins, carás. A carne mais apreciada era a de porco, animal tratado com grande estimação para engorda e corte em dias de festa. Do porco, eram consideradas iguarias o lombo, toucinho, banha, torresmos. As galinhas viviam pelas ruas das cidades e eram vendidas. Um dos pratos favoritos dos mineiros é a galinha cozida com quiabo e angu. Pratos característicos, chamados quitandas, eram feitos, em geral, com milho: curau, pamonhas, farinha, cuscuz, biscoitos, bolos e canjica. O hábito, ainda hoje preservado por gourmets, é o de cozinhar comida na folha de bananeira, de influência indígena. Quanto às sobremesas, constam doces em calda de laranja, banana e outras poucas frutas. De influência da alimentação escrava, ficou famoso o angu, feito de farinha de milho misturada com água quente, no qual acrescentavam um naco de toucinho, e, ao jantar, feijão. Hoje, os ícones da comida mineira são: pão de queijo, feijão tropeiro, frango cozido com quiabo ou ao molho pardo e a sobremesa chamada Romeu e Julieta, que é queijo com goiabada O pesquisador da gastronomia mineira Eduardo Frieiro sintetiza no título do livro Feijão, angu e couve a origem da alimentação local de todo mineiro tradicional.

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Pratos salgados típicos

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Feijão tropeiro

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Desde o período colonial, o transporte das mais diversas mercadorias era feito por tropas a cavalo ou em lombos de burros. Os homens que guiavam esses animais eram chamados de tropeiros. Até a metade do século XX, eles cortaram ainda boa parte do estado de São Paulo conduzindo gado. O feijão misturado, à farinha de mandioca, torresmo, linguiça, ovos, alho, cebola e temperos, tornou-se um prato básico do cardápio desses homens, daí a origem do feijão tropeiro. Ingredientes: • 150g de bacon picado em cubos • 300g de feijão carioca cozido al dente • 150g de linguiça de porco • 200g a 300g de farinha de mandioca branca • 2 cebolas médias picadas em cubos • 7 ovos • 1 molho cheiro verde picado • 2 dentes de alho • Tempero a gosto Modo de fazer: Frite o bacon juntamente com a linguiça. Acrescente o alho e a cebola até dourar. Coloque os ovos e mexa até firmarem. Acrescente o feijão, uma pitada de sal e a farinha. Misture até aquecer. Desligue a panela e salpique o cheiro verde. Sugestão de acompanhamentos: arroz branco, couve, bife de porco e torresmo.

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Pururuca

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Pururuca é um petisco da comida caipira dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, consumido em outras regiões do Brasil. O termo pururuca é de origem tupi e existe referência ao mesmo em O dialeto caipira, de Amadeu Amaral. A palavra refere-se à pele de porco que é desidratada e preparada, disso resulta uma pele dura que, ao ser frita em óleo, torna-se um delicioso petisco crocante. O nome também é utilizado para descrever uma forma de preparo do porco assado, no qual a pele é conservada e, depois, é parcialmente frita com óleo quente, despejado em cima. Ingredientes: • 1 kg de toucinho da barriga (o mais fino) • sal, alho e pimenta do reino • Modo de fazer: • Se houver excesso de banha no toucinho, tire, corte em pedacinhos e frite, reserve a gordura para fritar os torresmos e guarde os torresminhos para farofa. O toucinho ideal para torresmo deve ter 1 dedo de espessura. Corte o toucinho em pedaços regulares, tempere-o com sal, alho e pimenta do reino. Se houver gordura, forre uma panela grande com ela, se não, coloque óleo, coloque os torresmos na panela e leve para fritar. Quando estiverem quase submersos pela gordura, abaixe o fogo, tampe a panela (eles costumam espirrar) e frite-os até começarem a dourar, mexendo de vez em quando. Desligue o fogo, espere mais ou menos 10 minutos e tire os torresmos. Espere esfriar e frite-os de novo, eles estouram e ficam ótimos. Porém, se for aproveitar para o feijão tropeiro, não os deixe fritar demais.

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Tutu de feijão Ingredientes: • 3 xícaras (de chá) de feijão carioquinha cozido • ½ unidade de cebola picada • 3 dentes de alho picado • 2 colheres de (sopa) de salsinha picada • 10 g de cebolinha verde • Toucinho picado • 6 folhas de couve-manteiga, picadas finamente • 2 ovos cozidos e cortados em cubos pequenos • sal a gosto • farinha de mandioca branca • 3 colheres (de sopa) de banha Modo de fazer: Frite o toucinho na gordura de porco. Em seguida, coloque a cebola e o alho, deixando fritar. Adicione o feijão com caldo, deixe ferver por aproximadamente 10 minutos. Quando o caldo estiver quase seco, retire-o do fogo e junte-lhe farinha de mandioca. Tome cuidado para não deixar secar muito, deixando um pouco mole. O tutu deve ser servido com torresmo, couve refogada e ovos cozidos ou fritos.

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Mandioca Frita

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Ingredientes: • ½ kg de mandioca • óleo • sal Modo de fazer: Lavar a mandioca, deixar de molho em água para soltar a casca. Descascar e cortar em pedaços regulares no comprimento, tirar o talo central, cozinhar em água e sal. Escorrer e fritar em óleo quente até que os pedaços corem. Tirar com escumadeira, escorrer em papel absorvente e servir muito quente.

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Jiló frito Ingredientes: • 10 jilós • Azeite ou óleo • Sal • Pimenta Modo de fazer:

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Lave os jilós, corte em rodelas e tempere com sal e pimenta. Deixe repousar e frite com azeite ou óleo quente.

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Angu

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Angu é um prato típico da culinária brasileira, preparado geralmente com fubá (farinha de milho). Nas regiões em que houve influência de imigrantes italianos, o angu passou a ser conhecido como polenta, prato italiano com receita praticamente igual. Além da farinha de milho, o angu pode ser preparado com farinha de mandioca, distinguindo-se, assim, do angu de fubá ou angu de milho, e recebendo o nome de pirão. O nome angu vem da palavra àgun do idioma africano fon da África Ocidental, em que a palavra se referia a uma papa de inhame sem tempero. No entanto, desde 1498, os portugueses começaram a propagar o milho pela costa africana, começando na bacia do Congo. A palavra angu passou a ser usada no Brasil para papas feitas com farinha de mandioca ou de milho, as quais eram acompanhadas por miúdos de carne de vaca ou de porco. Com o tempo, a palavra angu passou a ser usada apenas para as papas feitas com fubá. Na primeira metade do século XIX, o artista e cronista Jean-Baptiste Debret, em Voyage pittoresque et historique au Brésil, descreve a venda do angu de farinha de mandioca: O angu, iguaria de consumo generalizado no Brasil, e cujo nome se dá também à farinha de mandioca misturada com água, compõe-se no seu mais alto grau de requinte, de diversos pedaços de carne, coração, bofe, língua, amígdalas e outras partes da cabeça à exceção do miolo, cortados miúdo e aos quais se ajuntam água, banha de porco, azeite de dendê, cor de ouro e com gosto de manteiga fresca, quiabos, legume mucilaginoso e ligeiramente ácido, folhas de nabo, pimentão verde ou amarelo, salsa, cebola, louro, salva e tomates; o conjunto é cozido até adquirir a consistência necessária. Ao lado da marmita do cozido, a vendedora coloca sempre uma outra para a farinha de mandioca molhada. A mistura, servida convenientemente, lembra a primeira vista, um prato de arroz, recoberto de um molho marrom dourado de onde emergem pequenos pedaços de carne. Eis a iguaria, aliás suculenta e gostosa, que figura, não raro, à mesa das brasileiras tradicionais de classe abastada que com ela se regalam, embora entre chacotas destinadas a salvar as aparências e o amor próprio. (DEBRET, ANO, p.) Esse angu, relatado por Debret, era uma comida de escravos, cujos trabalhos e maus-tratos sofridos foram registrados nas aquarelas do pintor. Saint-Hilaire também descreve esse angu (1816) em Minas Gerais, como uma “espécie de polenta grosseira” e como sendo o principal alimento dos escravos. A venda do angu pode se mostrar de importância ao se saber que o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, em 10 de julho de 1835, estampava o seguinte anúncio: “Participa-se aos que vendem angu, que na rua dos Ourives n. 137, se acha a venda azeite de dendê fresco, em barris, a 1$200 cada medida”. Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, o angu preparado apenas com o fubá de milho e água, sem a adição de sal, e com consistência mais firme, é conhecido como «angu mineiro». Quando preparado de forma mais cremosa, para ser misturado com miúdos de vaca e porco na hora de consumo, é conhecido com «angu à baiana». O preparo dos miúdos de vaca e porco é bem semelhante ao sarapatel.

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Pastel de angu

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Ingredientes: • 1  litro de água • ½ Kg de fubá  de milho moído em moinho d’água (peneirado) • 2 colheres de sopa de óleo • 1 colher de chá de sal • 1 ovo • 1 pitada de bicarbonato • ½ copo (americano) de polvilho azedo (peneirado) • Recheio á gosto (carne moída, frango, queijo, bacalhau e umbigo de banana). Modo de Fazer Coloque para ferver em uma panela, a água, o sal, e o óleo. Assim que estiver fervendo (borbulhando) coloque o bicarbonato e em seguida vá acrescentando fubá e vá mexendo rapidamente com uma colher de pau para não embolar. Deixe cozinhar um pouco. Depois tire do fogo e vire numa mesa (pedra), acrescente á massa o polvilho e o ovo.  Sove a massa ainda quente, até ficar consistente. Enrole a massa em um pano de prato úmido e vá fazendo os pastéis. Fritar em óleo bem quente e não mexer até que comece a dourar.

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Frango ao molho pardo

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Ingredientes: • 1 frango • 4 colheres (de sopa) de óleo • 3 copos de água quente • 2 colheres (de sopa) de farinha de trigo • 1 colher (de sopa) de vinagre • 2 tomates picadinhos • 2 cebolas picadas • Salsa e cebolinha picadas à vontade • Tempero mineiro a gosto Modo de fazer: Ao matar o frango, apare o sangue e um prato com vinagre. Na medida em que o sangue escorre, mexa para não coagular. Limpe e lave o frango e divida em pedaços, pelas juntas. Tempere e coloque-os numa panela com óleo bem quente. Frite-os até dourar. Junte tomate, cebola, salsa e cebolinha. Refogue bem. Adicione água e cozinhe em fogo brando. Desmanche em um pouco de água a farinha de trigo e o sangue. Junte a mistura ao frango já cozido. Deixe engrossar um pouco e transfira para uma terrina. Sirva com angu e quiabo, em travessas separadas. O frango pode ser substituído por galinha. Casas especializadas em aves já oferecem o sangue líquido, em pequenos saquinhos.

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Bambá de couve, prato roceiro Ingredientes: • 1 litro de caldo de carne magro • 4 folhas de couve rasgadas • 2 colheres de sopa de fubá • 1 ovo • 250 g de linguiça frita Modo de fazer: Desmanchar o fubá ligeiramente tostado em pouca água fria e juntar ao caldo, levando a fogo brando. Juntar a couve e, ao ferver, juntar o ovo. Mexer para talhar. Cortar a linguiça em pedacinhos, fritar e juntar. Se preferir, refogar a couve separadamente, num pouco de toucinho, e juntar no final.

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Cozido à moda mineira ou panelada de campanha

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Ingredientes: • 2 colheres de sopa de banha • 2 pimentões picados • 1kg de carne de porco em pedaços • 500 g de carne de boi • 1 kg de linguiça • 3 paios Modo de fazer: Legumes (por ordem de cozimento: 500 g de mandioca, 500 g de cenouras, 15 minutos depois, 500 g de batatinhas sem casca, 500 g de batatas-doces sem casca, quinze minutos, depois 6 cebolas, um repolho médio rasgado, 4 chuchus sem casca, 5 bananas nanicas sem casca e ½ uma abóbora vermelha) 1 xícara de farinha de mandioca Refogar as carnes no panelão com os pimentões, cobrir de água fria e cozinhar. Tirá-los do caldo, guardando quente. Pôr os legumes no caldo quente, observando seu tempo de cozimento acima. Retirá-los e mantê-los quentes. Tirar um pouco do caldo, juntar com a malagueta picada em uma molheira. Juntar a farinha ao caldo restante, mexendo até adquirir consistência de pirão. Os legumes que sobrarem são aproveitados na sopa de cozido, e as carnes, em roupa-velha.

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Frango com quiabo Ingredientes • 2 dentes de alho socados • 6 tomates • ½ folha de louro • sal, salsa, cebolinha, limão Modo de fazer: Limpar o frango, cortar nas juntas, temperar com sal, limão, alho e pimenta. Fritar no óleo quente, corando por igual; juntar cebola e louro, fritar mais; juntar os tomates picados, sem pele nem semente, refogar. Ir juntando água fervente aos poucos, em quantidade necessária para que sobre um bom molho. Juntar os quiabos picadinhos quando quase pronto, provar e deixar em fogo brando até o molho engrossar; juntar finalmente bastante salsa, cebolinha, ferver dois minutos. Acompanhar de angu, arroz branco, feijão e pimenta. Serve 6 porções.

Ingredientes: • 1,2kg de abóbora • 1 e ½ colheres de sopa de azeite • 1 cebola média • 1 xícara de salsa picada • ½ xícara de cebolinha picada • Sal • pimenta-do-reino • 1 colher de café de açúcar • 1/2 tablete de caldo de carne Modo de fazer: Cortar a abóbora em pedaços grandes, com casca. Pôr numa assadeira, borrifar água para formar vapor ao cozinhar, levando ao forno já quente durante 20 ou 30 minutos. Espetar com um garfo e, quando macia, retirar e esfriar um pouco. Eliminar a casca. Picar em pedaços menores e amassar com garfo ou peneirar. Deve ficar grosseiro, não fino. Refogar a cebola em azeite, juntar a abóbora e o caldo dissolvido em meio copo de água, em fogo brando. Provar e corrigir sal e pimenta. Quando bem quente, juntar o açúcar e mexer mais. Tirar do fogo, misturar a salsa e a cebolinha picadas. Acompanha muito bem carne seca, refogada ou frita, e carne de porco. Serve 6 porções.

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Quibebe

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Bebidas Aguardente

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No Brasil, a aguardente de cana, também chamada de cachaça, surgiu na primeira metade do século XVI para aquecer os escravos nas senzalas e para consumo interno das Casas Grandes, na ausência e dificuldade de se encomendar o vinho ou a bagaceira de Portugal. O nome cachaça advém de cachaço, reprodutor suíno, ao qual eram dados para comer os restos do bagaço da cana. No mesmo período, era usual fazer a aguardente de laranjas. Segundo receita dada pelo viajante Auguste de Saint-Hilaire, no livro Viagens pelas Províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais – (1816 a 1822): “socam-se as laranjas; espreme-se seu suco; adiciona-se açúcar ou mel; deixa-se fermentar o licor e, em seguida, destila-se por duas vezes.”

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Vinho nos conventos e Fazendas

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Esta receita é proveniente do Convento de Macaúbas, antigo recolhimento de mulheres abandonadas, que aguardavam a volta de pais ou maridos que haviam partido em viagem e toda espécie de mulher que necessitava abrigo. Funcionava também como escola para filhas de pessoas abastadas, como foi o caso das filhas de Chica da Silva. Sabe-se que a filha de Tiradentes foi ali deixada por Padre Rolim, evitando sua morte. Não colher a uva, senão bem madura, com sol alto, pelas 9 horas, e nunca em tempo de chuva ou quando o orvalho não desaparecer totalmente. Ter o cuidado de não deixar os cachos amontoados. Logo que vier a uva do parreiral, estender as frutas bem isoladas, a fim de que possam secar perfeitamente. Isto durante dois, três ou quatro dias, até o momento em que serão esmagadas e colocadas dentro das pipas. No Brasil, como a maturação não se faz toda de uma vez, requerem-se duas ou três colheitas. Na produção do vinho, exige-se muito capricho, grande trabalho e bastante cuidado. O primeiro trabalho consiste em separar os frutos de cada cacho: os verdes, serão colocados em vasilhame à parte; os podres à parte; os maduros e sãos, em bacias bem limpas. O segundo trabalho consiste em passar todos os frutos (maduros e escolhidos) e esmagá-los. O terceiro trabalho consiste em depurar o líquido das uvas esmagadas (para o vinho branco de Missa) e vertê-lo logo na pipa, quito ou pipote (vasilhames de madeira utilizados no envelhecimento do vinho), previamente preparado, bem limpo e desinfetado, e “deitado” bem longe da zona de fabricação. O açúcar – limpo, branco – deve ser colocado imediatamente no vinho branco de Missa, em cada vasilhame, à razão de 8 até 12%, segundo o estado da uva, nunca menos de 8 e nunca mais de 12%. Não se esquecer de que tanto no vinho branco como no tinto o açúcar deve ser adicionado no ato de se lançar o líquido na pipa ou pipote. Para o vinho branco, não o de Missa, pode ser adicionada maior quantidade de açúcar, 20% a 30%. Será bom

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Licor de jabuticaba Essa receita é a da Lalá do Ademar, da Fazenda da Bonança, em Congonhas. A receita estava datada de 1920 no caderno em que foi encontrada, com a notação: “muito bom”. Ingredientes: • 1 prato fundo de jabuticabas • 1 copo de cachaça ou álcool de cereais • 800 g de açúcar • 1 litro de água fervendo Modo de fazer: Colocar os ingredientes numa vasilha de vidro ou louça, na ordem citada. Depois de frio, tampar com um pano e deixar descansar por uns 30 dias. Coar em papel filtro ou algodão. Engarrafar.

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encher a pipa ou quito com o líquido do vinho branco de modo que se possa apanhar para deitar no tinto tudo quanto “vomitar” durante quatro dias. Recolhido o líquido puro para o vinho branco, tem-se à mão a massa de uvas mal esmagadas. Inicia-se, agora, o trabalho para o vinho tinto de primeira. Cada encarregado enche com a dita massa uma bacia e trata de esmagá-la com as mãos e com força, até que tome o aspecto de um mingau grosso. Adiciona-se, então, o açúcar (melhor o mascavo), à proporção de 20% (20 quilos para cem litros), se se quiser um vinho mais seco, próprio para mesa; à proporção de 30%, se se quiser vinho mais doce. Depois, mistura-se bem e joga-se o conteúdo de cada bacia na pipa grande que deve receber todo o vinho tinto para a fermentação. Passados 9, 10 ou 11 dias, “trasfegar” todo o vinho tinto. Trasfegado o vinho tinto, à bagaceira que ficou nas pipas, ajuntar água à proporção da metade do volume da bagaceira, e açúcar mascavo à razão de 30% do volume, para fermentação do vinho tinto de segunda. É preferível trasfegar o vinho branco, quer o da Missa, quer o outro, 15 dias depois da fermentação. Guardar então, em garrafas à parte, líquido o bastante para atestar os pipotes, à medida que eles vão se esvaziando, para que o ar não perturbe o vinho. Isto diariamente. Se quiser, pode-se, para tornar o vinho mais agradável, deitar ao vinho branco passas esmagadas, mas sem açúcar. Quarenta ou cinquenta dias depois, transferir de novo o vinho branco, que será conservado do mesmo modo em pipotes, sem provas, até o momento de ser engarrafado, à vontade do vinhateiro. Quanto mais longa a conserva, tanto melhor vinho. Pela segunda vez, transfere-se o vinho tinto, 30 ou 40 dias depois da primeira trasfega. Atestar sempre os pipotes, até a terceira trasfega, que se fará 60 dias depois da segunda. Conserva-se então o vinho, em pipotes sãos, bem atestados, durante 6 a 15 meses, depois de ser engarrafado todo o vinho. À bagaceira do vinho tinto de segunda, ajuntar o volume d’água à porcentagem de 50% a mais, e o volume de açúcar à razão de 20% a 30%, para se fazer o vinho de terceira, que serve para destilar, dando um excelente conhaque de 21 a 22.

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Doces Mingau de milho verde Ingredientes: • 1 litro de leite • 5 espigas de milho bem raladas • Açúcar a gosto • Uma pitada de sal Modo de fazer: Corte o milho e bata no liquidificador com o leite. Coe em um pano fino ou num coador de furos pequenos, por duas vezes. Coloque o açúcar e o sal. Leve ao fogo, mexendo sempre, até engrossar. Deixe ferver por 5 minutos. Despeje em travessa ou em taças. Se gostar, polvilhe o mingau com canela em pó. Fica ótimo.

As compotas são doces preparados com frutas ou legumes inteiros, em calda rala. O preparo nesses recipientes é feito da seguinte maneira: colocar a fruta descascada e cortada, preenchendo 3/4 do vidro. Acrescentar cravo e canela em pau, se desejar. Completar com açúcar cristal. Levar ao fogo em banho-maria: colocar os vidros em água fria e deixar ferver, até o açúcar estar totalmente dissolvido, formando uma calda rala. Deixar esfriar na água. Esse tipo de cozimento cria vácuo dentro do recipiente e as compotas podem ser guardadas assim por muitos meses. Depois de aberto, o doce deve ser conservado em geladeira.

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Compotas de doce em calda

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Compota em figo verde Ingredientes: • 1 kg de figos bem verdes • ½ kg de açúcar • uma colher de cinza • 3 pedrinhas de sal grosso • água Modo de fazer: Apanhar os figos bem verdes com o talinho, furá-los com espinhos maduros de laranjeira, até que fiquem bem trespassados. Colocá-los em água fria, em um pano, com uma colher de cinza e três pedrinhas de sal. Levar ao fogo até abrir fervura. Tirar pôr em outra vasilha e deixar esfriar. Cobrir com um pano. Estando quase frio, espremer um a um para sair toda a água. Depois de bem espremidos, pôr em outra água e levar ao fogo de novo, deixando ferver até que fiquem bem macios, desta vez, não irá o pano com cinza e sal. Proceder em tudo como na primeira fervura e pôr na calda branda, para os ferver mais, mas a calda não deverá engrossar. No dia seguinte, o doce deve ir em outra calda branda para ferver. Estando bem cozidos, pode-se engrossar bem a calda e tomar o ponto de espelho. Juntar paus de canela e alguns cravos, sempre com o doce fervendo. Colocar em outra vasilha e cobrir com um pano.

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Compota de frutas

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Este é uma receita básica de compota que pode ser preparada com maçã, goiaba, pêssego ou pera. As frutas podem ser usadas inteiras e descascadas – no caso do pêssego, em metades – como a goiaba – ou em pedaços como a pera e a maçã. Ingredientes: • 1 kg de frutas descascadas • ½ kg de açúcar • 1 xícara de água • cravo e canela em pau Modo de fazer: Fazer uma calda rala com o açúcar e a água. Colocar as frutas, o cravo e a canela e deixar ferver, até que comecem a ficar transparentes. Deixar esfriar na própria panela e acondicionar em vidros.

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Compota de mamão verde Para preparar o mamão, fazer pequenos cortes na casca para sair o leite. Lavar bem, descascar, cortar pela metade, retirando os caroços, e cortar a polpa em lâminas finas com uma faca afiada ou descascador de batatas. Ingredientes: • 1 mamão grande cortado em tiras • ½ kg de açúcar • 1 xícara de água • agulha grossa e linha branca • cravo e canela em pau Modo de fazer: Ferventar as tiras de mamão em um pouco de água para amolecer. Enrolar cada tira, epassar a linha pelos rolinhos, formando um colar. Preparar uma calda rala com o açúcar e a água. Colocar o cravo e a canela e os rolinhos de mamão e deixar ferver até que fiquem transparentes. Escorrer a calda e tirar os rolinhos da linha. Colocar os rolinhos de mamão num vidro e despejar a calda por cima.

Ingredientes: • 12 laranjas da terra médias • 1,2kg de açúcar granulado Modo de fazer: Descascar as laranjas, retirando apenas a parte amarela (vidrado). Colocar na água, mantendo-as totalmente cobertas durante 24 horas e renovando a água de quatro a cinco vezes por dia. Quando a água se apresentar bem transparente, escorrer e cortar em 4 partes e retirar as sementes sem danificar a polpa. Colocá-las numa panela grande, em que fiquem todas na mesma altura, juntamente com uma calda já preparada com 700gr de açúcar da porção total, juntamente com a água. Deixar esta calda esfriar antes de juntá-la às laranjas. Levar a panela tampada ao fogo para ferver um pouco.Retirar a tampa e manter a fervura por uma hora. No dia seguinte, adicionar o restante do açúcar, deixar ferver lentamente, até apurar. O doce estará pronto quando as laranjas estiverem transparentes e a calda espessa.

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Doce de laranja da terra

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Brigadeiro Ingredientes: • 1 lata de leite condensado • 1 colher de sopa de margarina sem sal • 7 colheres de sopa de achocolatado em pó ou 4 colheres de sopa de chocolate em pó • chocolate granulado para cobrir, caso o doce não seja servido a colheradas Modo de fazer: Colocar em uma panela funda o leite condensado, a margarina e o chocolate em pó. Cozinhar em fogo médio e mexer sem parar com uma colher de pau. Cozinhar até que o brigadeiro comece a desgrudar da panela. Deixar esfriar bem,untar as mãos com margarina, fazer as bolinhas. Envolvê-las em chocolate granulado.

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Requeijão

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Ingredientes: • 250 g de queijo de Minas fresco • 4 colheres de sopa de amido de milho • duas colheres de sopa de manteiga • ½ litro de leite • 3 colheres de sopa de sal. Modo de fazer: Liquidificar cinco minutos o queijo picado com o amido de milho, a manteiga, o leite e o sal. Quando estiver um creme bem homogêneo, transferir para uma panela. Cozinhar, sem parar de mexer, por cinco minutos ou até ferver. Baixar o fogo e continuar a cozinhar, sem parar de mexer, por entre cinco e sete minutos.

Abóbora em pedaços Ingredientes: • 1 kg de abóbora, de preferência a parte do pescoço • 1 colher de cal virgem • 2 litros de água • ½ kg de açúcar • cravo e canela em pau Modo de fazer: Cortar a abóbora em pedaços regulares. Deixar de molho na água preparada com a cal por 30 minutos. Lavar bem os pedaços de abóbora e escorer. Preparar uma calda rala com o açúcar e uma xícara de água. Colocar os pedaços de abóbora e deixar ferver, até que comecem a ficar transparentes. Deixar esfriar na panela e acondicionar em vidros

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Goiabada

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Ingredientes: • 20 kg de goiabas vermelhas • 15 kg de açúcar cristal Modo de fazer: Colher as goiabas vermelhas maduras. O tacho de puro cobre poderá estar preto de fuligem por fora, mas, por dentro, deverá estar vermelho. Portanto, deverá ser areado com caldo de limão galego ou limão china (limão capeta) maduro, colocando um pouco de sal, passando-se a bucha por dentro dele. Deverá ser enxaguado e seco ao sol ou levado imediatamente ao fogo. Cortar as goiabas ao meio. Reservar as sementes e a polpa, peneiradas, em caso querer fazer geleia. Cortar a “carne” das goiabas, com casca e tudo, em lascas, daí o nome “Cascão”. O tacho, na fornalha e bem quente, receberá os 20 quilos de pedaços de goiaba, em minutos derretendo, soltando a água e o cheiro. Acrescentar os 15 quilos de açúcar e nunca colocar água. Mexer com uma grande colher de pau, lentamente, bem leve, para não grudar. Estará no ponto de colher: quando aparecer o fundo do tacho. Estará no ponto de cortar quando começar a fritar. Retirar do fogo e bater a goiabada para ela brilhar. Despejar, ainda quente, nas caixetas forradas com papel celofane. Só mexer nelas no dia seguinte, para então dobrar o celofane. Acompanhamento: queijo de Minas ou requeijão caseiro, com leite.

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Balas Bala de Café Ingredientes: • 3 copos de açúcar cristal • 1 copo de café bem forte • 1 copo de leite • 1 colher de sopa de manteiga • 1 gema • 1 colher de sopa de mel • 1 e ½ colher de sopa de farinha de trigo Modo de fazer: Misturar tudo com o fogo apagado. Primeiro, o café. Em seguida, o leite, o trigo, a gema de ovo, o mel, a manteiga e o açúcar. Mexer até conseguir uma mistura homogênea e, só então, acender o fogo. Mexer a mistura por meia hora. Depois, despejar o caramelo, de preferência num tampo de granito para esfriar mais rápido. Untar para não grudar. Depois que a bala estiver morna, começar a soltá-la e, delicadamente, cortá-la em pequenos peda��os. Elas poderão ser embaladas em papel transparente.

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Bala de mel

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Ingredientes: • 2 copos de leite • 3 copos de açúcar • ½ copo de mel • 1 colher de sopa de manteiga • 1 colher de sopa rasa de farinha de trigo • 1 colher de café rasa de bicarbonato • 1 gema Modo de fazer: Misturar o leite, a farinha, a gema e o bicarbonato; passar pela peneira. Acrescentar o mel, a manteiga e o açúcar. Levar ao fogo brando, mexendo sempre até o ponto de bala. Despejar sobre mármore untado com manteiga, enrolar em cordões e cortar as balas. Embrulhar com papel impermeável.

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Quitandas Pão de Queijo Ingredientes: • 4copos americanos de polvilho doce (500g)

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• 1 colher de sopa de sal a gosto • 2 copos americanos de leite (300ml) • 1 copo americano de óleo (150 ml)2 ovos grandes ou 3 pequenos • 4 copos americanos de queijo minas meia-cura ralado • óleo para untar Modo de fazer: Colocar o polvilho em uma tigela grande. À parte, aquecer o leite e o óleo. Quando ferver, escaldar o polvilho com essa mistura, mexer muito bem para desfazer pelotinhas. Deixar esfriar. Acrescentar os ovos, um a um, alternando com o queijo e sovando bem, após cada adição. Untar as mãos com óleo, se necessário. Enrolar bolinhas de 2 centímetros de diâmetro e colocá-las em uma assadeira untada. Levar ao forno pré-aquecido em temperatura média (180º). Assar até ficarem douradinhos.

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Broa de fubá

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Ingredientes: • 3 ovos • 1 copo americano de açúcar • 1 copo americano de fubá • 1 e ½ copo americano de farinha de trigo • ½ copo de óleo • 2 colheres de margarina • 1 pitada de sal • 2 copos de leite • 1 colher rasa de fermento em pó Modo de fazer: Bater os ingredientes no liquidificador, exceto a farinha de trigo e o fermento em pó. Despejar em uma vasilha e misturar a farinha de trigo e o fermento em pó com auxílio de uma colher. Untar a forma com óleo e farinha de trigo e assar em forno médio por 30 minutos aproximadamente.

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Rocambole Ingredientes: • 1 e ½ xícara de farinha de trigo • 1 e ½ xícara de açúcar • 3 ovos • ½ xícara de leite fervente • 1 colher de sopa rasa de manteiga • 1 colher de sopa de fermento em pó Modo de fazer: Bater as claras em neve, acrescentar as gemas, o açúcar e a farinha de trigo e bater bem. Ferver o leite com a manteiga e misturar na massa, mexer bem e acrescentar o fermento. Untar a forma com manteiga e farinha de trigo. Assar por aproximadamente 25 minutos, verificando sempre se está assado. Polvilhar açúcar na mesa, molhar e torcer bem um pano de prato, estendê-lo sobre o açúcar da mesa, e polvilhar sobre ele mais açúcar. Virar sobre ele o bolo e enrolar o rocambole, sem recheio. Deixá-lo enrolado no pano por aproximadamente 20 minutos. Depois desenrolá-lo, recheá-lo (recheio a gosto) e enrolá-lo novamente, com bastante cuidado. Cortar as beiradas, raspar um pouco a casquinha e polvilhar açúcar peneirado.

Sonhos fritos Ingredientes: Massa:

• 1 ovo • 1 xícara de açúcar • 1 pitada de sal • ½xícara de óleo • ½ litro de leite morno Recheio: • ½ litro de leite • 1 gema • 2 colheres de sopa de maizena • 1 lata de leite condensado • Açúcar a gosto Modo de fazer: Dissolver o fermento com o leite morno, depois colocar o açúcar e os demais ingredientes. Sovar a massa até que ela solte das mãos. Fazer bolinhas do tamanho que preferir e deixar a massa crescer por mais ou menos 1 hora. Em seguida, fritar em óleo quente e rechear. Para preparar o recheio, misturar todos ingredientes e levar ao fogo, sempre mexendo, até engrossar. Outra opção de recheio: brigadeiro.

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• 1 kg de farinha de trigo • 10 g de fermento para pão

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Queca Inglesa de Natal de Nova Lima

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1ª Etapa - Fazer a calda queimada: Dourar 1 xícara de açúcar cristal; acrescentar 1 xícara de água fervendo e mexer bastante para dissolver o açúcar. Deixar apurar um pouco. Será necessário uma xícara de calda dourada. Deixar esfriar e reservar. 2ª Etapa - Preparo dos ingredientes secos: Peneirar os seguintes ingredientes secos: ½ kg de farinha de trigo; 250 g de açúcar refinado; 1 colher sopa de canela em pó; 1 colher de chá de noz moscada ralada;1 colher de chá de sal; 1 colher de chá de bicarbonato; misturar estes ingredientes peneirados e reservá-los.

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Brevidade Ingredientes: • 2 xícaras de chá de polvilho azedo • 2 xícaras de chá de açúcar • 5 gemas • 2 claras • 1 pitada de canela em pó • manteiga ou margarina para untar Modo de fazer: Misturar todos os ingredientes e batê-los até fazer bolhas. Colocar a massa em forminhas untadas com margarina e assar em forno quente.

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3ª Etapa - Preparo dos ingredientes II: Misturar os ingredientes relacionados a 2 colheres de farinha de trigo: 150g de frutas cristalizadas picadinhas; 150g de passas pretas s/ caroço; 150g de passas brancas s/caroço; 150g de damascos picadinhos;150g de ameixas pretas picadinhas; 1 xícara de nozes picadinhas; 1 xiícara de castanhas-do-pará picadinhas; 10 cerejas curtidas no licor picadinhas. eservar. 4ª Etapa - Preparo do creme: Fazer um creme bem batido com os seguintes ingredientes:250g de manteiga de leite; 5 gemas; 1 dose de conhaque; 1 xícara de calda queimada fria (reservada); 1 xícara de água; 1 colher de chá de baunilha;reservar. 5ª Etapa - Mistura dos ingredientes: Misturar os ingredientes secos peneirados no creme. Bater bem, mas, de preferência, não usar batedeira. Acrescentar, aos poucos,as frutas esfarinhadas reservadas. 6ª Etapa - Preparo da massa: Acrescentar à mistura 1 colher de sopa de fermento em pó; bater as 5 claras em neve. Acrescentar as claras na massa, misturando levemente. 7ª Etapa - Preparo da forma: Untar as formas, (debolo inglês ou redondas com orifício no centro) com manteiga, forrar com papel impermeável ou alumínio, untar novamente com manteiga. Polvilhar com farinha de trigo, colocar a massa, tendo o cuidado de encher a forma somente até dois dedos abaixo da borda. 8ª Etapa Levar para assar em forno pré-aquecido em temperatura média por aproximadamente 1 hora. Em seguida, diminuir a temperatura do forno, cobriras quecas com papel alumínio e colocar, na grade de baixo do forno, um tabuleiro com água fervendo para as quecas terminarem de assar com umidade. Espetar um palito para verificar se a massa está seca. Este bolo pode ser guardado em saco plástico por aproximadamente 2 meses. Esta receita rende duas quecas de tamanho médio.

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Outros Amêndoas carameladas (Para festas de batizados e Primeira Comunhão) Ingredientes: • 1 xícara de café de água100 g de amêndoa com pele • 100 g de açúcar mascavado cristal Modo de fazer: Colocar em uma frigideira antiaderente a água, o açúcar e as amêndoas, e deixar caramelizar. Mexer sempre em fogo brando, até fazer ponto areia e deixar o açúcar pegar ás amêndoas. Em seguida, colocar sobre o mármore untado com manteiga derretida e separar as amêndoas, batendo-as firmemente com uma colher de pau. Elas deverão estar em ponto de caramelo. Deixar esfriar.

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Rapadura

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A rapadura é um doce de origem açoriana ou canária, em forma de pequenos tijolos, com sabor e composição semelhantes ao açúcar mascavo. Fabricada em pequenos engenhos de açúcar, surgiu no século XVI como solução para transporte de açúcar em pequenas quantidades, para uso individual. Como o açúcar granulado umedecia e melava facilmente, os tijolos de rapadura eram facilmente acomodados em sacolas de viajantes, resistindo durante meses a mudanças atmosféricas. A rapadura é feita a partir do caldo de cana após moagem, fervura, moldagem e secagem. É um alimento considerado mais nutritivo que o açúcar refinado, pois enquanto este é quase exclusivamente sacarose, a rapadura possui diversas outras substâncias nutritivas em sua composição.

Doce de Leite Mineiro - Fogão a lenha Colocar o leite e o açúcar em uma panela grande, de fundo largo. Levar ao fogo médio, mexendo sempre com uma colher de pau, até ferver, por cerca de 15 minutos. Diminuir o fogo e continuar mexendo, até obter um doce marrom claro, de consistência cremosa (cerca de 45 minutos). Passar o doce para um refratário, deixar esfriar bem e servir às colheradas, em pratos de sobremesa com fatias de queijo branco. Para acrescentar sabor, vários ingredientes podem ser adicionados ao doce já pronto: ameixas pretas previamente aferventadas, coco ralado, passas maceradas ao rum, nozes picadas, figo em calda. Para obter um doce com textura bem delicada e cremosa, é preciso mexer o leite sem parar, primeiramente, para dissolver por completo o açúcar e, em segundo lugar, para que ele caramelize por igual e não empelotar no fundo da panela.

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Imate Bens

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eriais

Imateriais Bens

já tombados

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O toque dos sinos em Minas Gerais e o ofício de sineiro – aquele que executa tal prática – já se encontram registrados, desde 2009, como bens culturais imateriais pelo Iphan, integrando respectivamente as categorias formas de expressão e saberes. Trata-se de toda uma cultura do sino profundamente vinculada à vida de cidades históricas mineiras como Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Congonhas do Campo, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes. No entanto, o grau de vitalidade e complexidade dessas práticas culturais em São João del-Rey torna essa cidade do sudeste mineiro a principal referência do convívio das comunidades mineiras com os sinos. Os sinos constituem uma forma de comunicação que possui finalidades tanto práticas (chamar a população para a missa, comunicar a morte de alguém, marcar a passagem do tempo, alertar para um incêndio, etc.), quanto espirituais (enquanto forma de comunicação com o divino). Constituem também uma forma bastante peculiar de música, marcando com os seus timbres9 metálicos a paisagem sonora das cidades históricas mineiras. Apesar de várias das suas funções originais serem hoje realizadas mais facilmente pelo telefone, pelo rádio e demais formas modernas de comunicação, os avisos sonoros, cuidadosamente executados pelos sineiros do alto das torres de igreja, ecoam ainda nas comunidades, fazendo parte do cotidiano, da fé e do próprio jeito de ser de seus habitantes. Os sinos compõe o cenário do cristianismo desde o século V, sendo a presença de um sino, trazido para o Brasil por Dom Pedro Sardinha, registrada já em 1552. A mais antiga fundição de um sino no Brasil, na região de Sorocaba, data de 1589. A cidade mineira de Uberaba se destaca atualmente como um dos poucos locais no Brasil onde se dá a fabricação de sinos, processo que continua praticamente o mesmo desde o século VII. 9 Timbre: característica do som que varia de um instrumento para outro.

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Toque dos sinos

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Para transmitirem as mais diversas mensagens, os sineiros tiram proveito dos diferentes sons produzidos pelos sinos. Instrumento de formato cônico, fundido em bronze, acionado por um badalo10, o som do sino varia de acordo com seu tamanho. Nas cidades onde a prática sineira é mais vigorosa, usam-se simultaneamente três sinos, que são chamados, em Ouro Preto, de Garrida (sino pequeno de sonoridade aguda), Meião (de tamanho e sonoridade média) e Bronze (sino grande e de som grave). Além do tamanho, a forma de acionar o sino produz sonoridades distintas. Quando o som é produzido pelo movimento do próprio sino, é denominado dobre. Se as batidas são produzidas através de uma corda ligada ao badalo, serão chamadas de pancadas, badaladas ou, ainda – caso sejam executadas em mais de um sino ao mesmo tempo –, repiques. A partir desses elementos, são construídos os diversos toques apropriados para cada ocasião, caracterizados pelo número de batidas, pelo ritmo e pela alternância das sonoridades. Assim, o toque de Ângelus, que marca durante todo o ano as horas sagradas do catolicismo, caracteriza-se, em São João Del-Rey, por nove pancadas espaçadas no maior sino da igreja. Em Mariana, o toque fúnebre - ou sinal - que anuncia um falecimento na cidade é composto por um conjunto de dobres e pancadas repetidos três vezes, se o falecido era homem, ou duas, se mulher. Na maioria das cidades, os repiques são considerados formas de toque festivas, por serem mais rápidos e ritmados. É nesses toques que transparece mais claramente a influência rítmica das tradições africanas, produto possivelmente do fato de, antes da abolição da escravatura, o oficio de sineiro ser realizado fundamentalmente por escravos. A marca afro-brasileira está registrada inclusive na denominação de Batucada, dada a um dos repiques do rico repertório de toques de São João del-Rey. Nada mais natural, dessa forma, que muitos dos sineiros sejam também músicos, integrando guardas de Congada11, bandas de sopros e blocos de carnaval. Em uma cidade de tão rica tradição musical como é Diamantina, aceita-se até mesmo que os sineiros improvisem e inventem seus próprios toques, comportamento que a cultura sineira de São João del-Rey e de Ouro Preto rejeita. Nessas duas cidades, a vitalidade e o grau de consolidação das práticas culturais em torno do toque dos sinos se vinculam à vitalidade das irmandades religiosas. Organizações com finalidades religiosas formadas por leigos12, as irmandades integram, desde o século XVIII, o cenário social e cultural de Minas, sendo responsáveis pela construção e manutenção das muitas igrejas que definem a paisagem das cidades históricas mineiras. São elas que muitas vezes contratam o sineiro, com o 10 Badalo: objeto de metal amarrado com uma corda no interior do sino cuja batida no cone do sino produz o som característico desse instrumento. 11 Congada: designação genérica das manifestações religiosas afro-brasileiras centradas no louvor a Nossa Senhora do Rosário através da música e da dança, envolvendo também a coroação de reis congos. Ver p. [*] 12 Leigos: para a igreja católica, alguém que não faz parte da hierarquia oficial dessa instituição.

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qual colaboram, através do ouvido atento dos mais velhos, para a manutenção da tradição do toque dos sinos. Tais funções se tornam ainda mais relevantes pelo fato de ser comum que os próprios padres, provenientes muitas vezes de outros lugares, desconheçam as tradições sineiras locais, sobre as quais não são instruídos em sua longa preparação eclesiástica. Decorre daí que, na ausência do zelo das irmandades, a tradição do toque dos sinos se encontre muitas vezes ameaçada. Em primeiro lugar, pela tentação da substituição do sineiro e de seu ofício por um sino eletrônico, que pode ser programado para soar através dos alto-falantes da igreja. Dispensam-se, dessa forma, os custos da prática e da manutenção dos sinos, mas se elimina igualmente a beleza e o caráter único dos toques de cada localidade, de cada igreja e de cada sineiro, junto com seu significado para aquela comunidade. Outra ameaça é a quebra da tradição, já que, em várias cidades, os sineiros conhecedores de seu ofício morrem sem conseguir passar adiante seus saberes. Talvez a chave para a manutenção da cultura do toque dos sinos seja o fato de que nas torres das cidades onde a tradição é mais forte, São João del-Rey e Ouro Preto, sempre exista lugar para meninos e adolescentes que, fascinados pelo som dos sinos, queiram aprender a tocá-los.

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Os queijos artesanais são preparados com leite cru (in natura), ao contrário do método industrial, que usa processos mecanizados de produção, além de pasteurizar o leite, o que mata todas as bactérias. A receita do queijo do Serro teria sido trazida para o Brasil no século XVIII por portugueses que vieram da região da Serra da Estrela. Em Minas, a técnica foi adaptada, e o queijo do Serro, mais úmido e ácido, é valorizado pelo mercado. Assim como o queijo do Serro, os queijos produzidos nas regiões inventariadas têm sabor característico e inconfundível, que remonta aos tempos coloniais. O processo usa coalho, pingo (fermento) e leite cru na composição do queijo, apresenta pequenas variedades e é passado de geração a geração. É considerado mais ácido, salgado e massudo que os das outras regiões inventariadas. O sabor específico dos queijos é definido por fatores físicos, geográficos e naturais, como clima, relevo e vegetação, e pelas diferentes técnicas empregadas, pela cultura láctica, pelo tipo de coagulante e pelas condições de maturação. A receita tombada inclui a descrição de todos os processos que envolvem a produção do queijo típico, como ordenha, filtragem, coagulação, quebra da coalhada e mexedura, dessoragem, enformagem, prensagem manual, viradas e salgas, colhimento do pingo, remoção de mesa, desenformagem e grossagem, curtimento e limpeza. No Serro, o queijo é menor, consumido mais fresco, tem maior acidez, coloração mais clara e consistência macia. Na Serra da Canastra, é maior, cremoso e amarelado, além de ser consumido mais maturado. As tradições orais apontam a água oriunda do São Francisco, o capim-gordura e a tradição familiar como os ingredientes responsáveis pelas características do queijo dessa região. Os queijos do Alto Paranaíba/Cerrado são parecidos com o da Canastra, mas são mais suaves, apresentando, entre os três tipos, maior semelhança com o queijo industrial. Em estudo da UFV, constatou-se que os queijos artesanais mineiros das regiões que constam no tombamento feito pelo Iphan apresentam as mesmas contagens bacterianas de queijos europeus.

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Modo de fazer o queijo de Minas do Serro

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Lambe-lambe Cidade relativamente recente no quadro da história de Minas Gerais, Belo Horizonte – planejada como nova capital e inaugurada em 1897 – já encontra sedimentadas algumas tradições próprias. Entre elas, destaca-se o ofício dos fotógrafos “lambe-lambe”, reconhecido como patrimônio imaterial pela prefeitura da cidade em 2011. Sediados tradicionalmente no Parque Municipal, na região central de Belo Horizonte, tais fotógrafos, que operam a céu aberto, ganharam a denominação peculiar de “lambe-lambe” devido a uma antiga técnica fotográfica. Seu ofício vem sendo praticado desde os anos 1920, época em que se usavam chapas de vidro como negativo13. Como a emulsão fotográfica14 era aplicada em apenas um lado, sendo invisível a olho nu, os fotógrafos usavam a língua para determinar o lado correto. O estabelecimento da tradição dos “lambe-lambe” se deu durante um período em que a fotografia se tornava cada vez mais parte do cotidiano da população como um todo. Para a clientela mais popular, seu ofício significava um acesso às possibilidades da foto sem o constrangimento dos salões requintados dos estúdios de então. Originalmente cumprindo a função de lembrança e registro para famílias, casais de namorados, visitantes do interior e etc., os retratos dos fotógrafos “lambe-lambe” conheceram uma expansão de demanda quando começou a exigência de fotos nos mais variados documentos oficiais. O curto tempo de revelação - 20 minutos -, decorrente das técnicas que empregavam e de sua presença no espaço público, tornaram-nos perfeitos para a tarefa, ao que acrescentaram o empréstimo de roupas e acessórios mais “apresentáveis” para o retrato dos seus clientes. A popularização da fotografia digital na primeira década do séc. XXI significou, para os fotógrafos “lambe-lambe”, um enorme desafio enquanto atividade econômica, mas não alterou o fato de a cidade reconhecer nesse ofício um dos seus focos de identidade.

13 Negativo: suporte ou matriz da imagem registrada pelo processo fotográfico analógico, que apresenta as cores invertidas e a partir do qual são feitas as cópias da imagem pelo processo de revelação. 14 Emulsão fotográfica: composto químico com sais de prata cuja reação com a luz possibilita o processo fotográfico.

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Intangible Cultural Heritage Introduction – Concept of Intangible Heritage “It is for the best that, from now on, no one shall dispose or destroy any building from those ancient times, or its parts, regardless its state, quality and condition; even if some of it is ruined. As well as the statues, marbles and lianas […] blades or plates […] medals or coins” Royal Decree of D. João V (1721)

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Minas Gerais In São João del-Rei, Minas Gerais, the way of ringing the church bells is an example of intangible cultural heritage, its language is a peculiar means of communication registered by Iphan (Historic and Artistic National Heritage Institute). Besides that, the homemade way of making cheese is an important register of intangible heritage in Minas Gerais. Various traditions, knowledge and techniques have been submitted to the rules that establish the INRC (National Inventory of Cultural References). INRC is a search methodology that helps Iphan in its complex task of preserving the tangible and the intangible patrimony, by protecting assets, documents, collections, artifacts, remains and sites, as well as the activities, techniques, knowledges and languages. One of the criteria used by INRC is the attention to the traditions that are not supported by society and by the market, so that everybody can cultivate the collective memory, the history, and the ancient testimonies.

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ultural heritage is the collection of all assets, tangible or intangible, which, for its own value, should be considered of relevant interest for the permanence and for the cultural identity of a people.The patrimony is our heritage from the past, with what we live today and pass on to the next generations. The cultural heritage is composed of castles, churches, houses, squares, urban complexes and places filled with expressive value to history, archeology, paleontology and science in general. The chattels include, for example, paintings, sculptures, furniture, documents, books and handicrafts. Literature, music, folklore, language, customs, and others, are considered part of the intangible assets.

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In this conceptual context, there must be considered the necessity of distinguishing as patrimony: 1 – The traditional oral literature genres which, once produced, get a reasonable autonomy in relation to its production process, and get richer in the context of intergenerational use: collection of songs, rhymes or poetry; popular tales; devotions; prayers; shamanism; herbs; etc. 2 – Expressions and manifestations intrinsically connected to physical supports (places of memory) or to historic-religious references: festive rituals, supernatural beliefs, legends and myths, and life stories. 3 – Manifestations in continuous updating because of the mobilization of new resources, environments and features in a process of redefinition of traditions: costumes, dances, traditional games, pilgrimage, gastronomy, and craftwork. The city of Belo Horizonte has recently listed the “Lambe-lambe” photographers that work at the Municipal Park, for the popular tradition that this form of photography has reached in this centenary public space.

Gestures and Customs There are gestures and customs of the oral tradition that have been passed from generation to generation since the 18th century in Minas Gerais. Among these, we have some ways of speaking, gestural aspects, traditions related to health and prevention that involve knowledge and ancestral values, mainly AfroBrazilian ones; there are, however, distortions and shamanism of Portuguese and indigenous origin. At first, the language spoke in Brazil was mostly the Tupi-Guarani which, mixed with Portuguese, with African terms, and terms of other origins, resulted in a specific language in each state or region. People from Minas are known for not pronouncing some syllables and for the expressions “uai” and “trem”.

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Most Popular Devotions in Minas

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In a study meant to find out the most devoted saints in Minas Gerais - through a statistical mapping of the original toponomies and of the parishes founded in the 18th century and that exist until today - we highlighted the twenty most common names of saints in the region.

Religious Festivals The festivals related to the crystallization of mythopoeia were studied and systematized in the universal tradition, or were, for a long time, called folklore. In the case of Minas Gerais, where all social activities would relate only to fraternities and Third Orders, the laity members were in charge of the celebration of religious events - the First Orders were prohibited to take part on these activities in order to avoid the embezzlement of gold by members of the church. The festivals occupied a prominent position in the colonial society, for they allowed the integration of various social stratum, ethnicity and religiosity. There was private sponsorship for the festivals, as it happened in the year 1733, when it was organized, in Vila Rica, one of the biggest festivals of the colonial period, the “Triunfo Eucarístico” (Triumph of the Eucharisty), funded by an anonymous magnate from Lisbon who lived in Minas Gerais. In such moments, Africans, mulattoes, Indians and Caucasians would coexist, as it can be seen in Affonso Ávila´s classic book

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Resíduos Seiscentistas em Minas (about the seventeenth century remainings in Minas Gerais), which reproduces the written record of the feast. The most common festivities were Congado, Reinado or Reisado, or Festa do Rosário.

Profane Festivals Minas Gerais is more characterized by its religious festivals than by its profane ones. Nevertheless, one of the earliest examples of festive agglomerate is the one that occurs in Ouro Preto: our cities, which traditionally had naive plays and street blocks for carnival, are very different nowadays because of the distorted influences that came from Rio de Janeiro and Bahia. Ouro Preto, however, maintains a traditional street block for over 150 years: “Zé Pereira”.

Music in Minas Gerais The earliest musical documents found date from the first half of the 18th century and coincide, in large part, to the initial phase and to the highest point of the Cycle of Gold. The tight control exerted by the crown over the mining area had fundamental importance for the social-political organization and for the cultural life of the villages that emerged because of the mining activity. The prohibitions on the installation of printers and on the imports of books (except for spelling books, multiplication tables and catechisms) would contribute to the circulation of musical production to occur only through manuscript copies, which brought real impossibility of control and censorship over the copies that circulated.

In relation to the secular eighteenth-century classical music, there are references to soirées (evening concerts), in which vocal chamber and instrumental music were played; there are descriptions of ‘street’ festivities, with its balls and serenades, as well as there are contracts relating to operas, especially on the occasion of celebrations of the royal family.

Dance The various kinds of festivals, dance and chants are among the most studied folkloric traditions in Minas Gerais. These typical festivities have been preserved, either authentically or stylized by the tourism. Many of them originated from the African slaves, who could, in the occasion of religious festivals, manifest themselves with a certain freedom. Some others emerged as ballrooms of Portuguese or French influence, as the soirées, the waltzes and the square dances.

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The organization of the musical life and the professionalization of the musician took place parallely to the formation of the villages. There are data that confirm the existence of paid musical practice in the first years of the 18th century. The religious musical life is structured since the formation of the villages. In 1748, when the first diocese from Minas Gerais was installed in Mariana, the bishop Dom Frei Manuel da Cruz appointed the first members of Cabido (group or corporation of the canons of a cathedral), including the master of the chapel, the organist and the precentor.

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Legends, Tales and Fables Henriqueta Lisboa, a writer from Minas, made a valuable research about the Brazilian folklore and collected, among legends, tales and fables, some from Minas Gerais, like A festa no céu (Party in Heaven), A lenda da Acaiaca (The legend of Acaiaca), A lenda de São João (The Legend of Saint John), etc. Besides these, each region of Minas has a historical character that became legendary. The women listed here are the ones who were married to “inconfidentes” (partisans of the movement of independence in Minas). Some facts were kept in the popular imagination, like the madness of Bárbara Eliodora, the sadness of Marília de Dirceu, the lust of Chica da Silva, and the persistence of Hipólita Jacinta Teixeira de Melo. Among the men, we cannot leave behind the legend of Chico Rei.

Architecture of the Ephemeral Constructions of ephemeral function for the settings of public or religious festivities. During the processions, for instance, it was a custom to make banners in order to announce the passage of fraternities and their patron saints. All the path would be adorned, as it still happens with the colorful phytomorphic carpets and images that represent the religious theme of the festive occasion. awdust carpets, flags and banners, angel wings for the coronation festivities.

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Gastronomy

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In the 18th century, Minas Gerais had a poor gastronomy. People would eat everything at hand, the traditional game meats (capybaras, monkeys, jaguards and poultry), as well as snakes, lizards, and ants. The lack of food was permanent during the whole colonial period and not everyone had access to salt. The basic food of the majority of the population was corn and cassava (main nourishment and daily bread of the population). The beef, essential to nourish the miners, was imported from the northern part of the country. People used to eat stewed vegetables and the seasonings were black pepper and annatto. Castor oil, palms, wheat, potatos, cassava, yams and taro were ingredients widely used in the cuisine in Minas. The most appreciated meat was pork: the animals were very well treated for the purposes of fattening and eventual slaughter in festive days. The most appreciated parts of it were the tenderloin, the pork belly, the lard, and the roasted skin. The chickens that were sold would live in the streets of the town. One of the favorite dishes in Minas is a stew made of chicken, okra and “angu”. Typical snacks, named “quitandas”, were generally prepared with corn: “curau” (corn pudding), “pamonhas” (Brazilian Tamales), flour, Brazilian couscous, cookies, cakes and hominy. Gourmets cook, until today, in the banana tree leaf, which is a habit of indigenous influence. As for the desserts, there are compotes of orange, banana and some other fruits. From the slavery influence, there is the famous “angu”, made with cornmeal mixed with hot water and “toucinho” (pork belly). Nowadays, the icons of the food of Minas are: “pão de queijo” (a bun made of cheese and cassava starch), “feijão tropeiro” (beans with sausages, cassava flour and eggs), chicken and okra, “frango ao molho pardo” (chicken stewed in its own blood) and the dessert “Romeu e Julieta”, which is cheese and guava jam.

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Listed intangible heritage Ring of Church Bells The ring of bells and the craft of bell ringing in Minas Gerais are registered since 2009 as intangible cultural assets by the Iphan, and integrate, respectively, the categories forms of expression and knowledge. The ringing of church bells is a cultural expression deeply bound to the life of the historical cities of Minas, as Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Congonhas do Campo, Diamantina, Sabará, Serro and Tiradentes. However, the vitality and complexity of these cultural practices in São João del-Rey is what makes this city from the southeast part of Minas the main reference of the mining communities living with the church bells. The ring of church bells constitute a form of communication that has both practical and spiritual purposes. The first announces the mass; communicates the death of someone; marks the passage of time; alerts people in case of fire. The second is a way of communication with the divine. The ring of church bells also constitutes a very particular form of music, by marking with its metallic tones the soundscape of the historical cities of Minas. Despite the fact that many of its original functions are, nowadays, more easily performed by telephone, radio and other means of communication, the sonorous notices carefully executed by the bell ringers from the top of church towers still echo in the communities, making part of its daily routine, of the faith, and of the way of life of its inhabitants.

In order to transmit various messages, the bell ringers make use of the different sounds produced by the instrument. The bells are instruments of conical shape, casted in bronze and triggered by a clapper. The sound of the bell varies according to its size. In the cities where the bell practicing is more vigorous, three of them are used simultaneously and, in Ouro Preto, they are named “Garrida” (high pitched small bell), Meião (of medium size and pitch) and Bronze (low pitched big bell). Besides the size, the way of triggering the bell produces different sounds. When the sound is produced by the movement of the bell itself, we call it ding-dong. If the strikes are produced through a cord linked to the clapper, they are called chimes, clock strikes, or – in the case of the strikes being executed in more than one bell at once – rounds. The various rings for each occasion are built from those elements and they are characterized by the number of strikes, by the rythm, and by the alternation of the sonorities. This way, the Ângelus ring - which marks the sacred hours of the catholicism during the whole year - is characterized, in São João del-Rey, by nine strikes in the biggest bell of the church. In Mariana, the death knell, which announces a death in the city, is composed of a group of ding-dongs and strikes that are repeated three times if the deceased is a man, or two times, if it is a woman. In most of the cities, the rounds are considered rings of festivities, for they are fast and rhythmic. In these rings, the rhythmic influence of the African traditions can be seen more clearly, probably because, before the abolishing of slavery, the ringers were slaves. The Afro-Brazilian mark is also registered in the name “Batucada”; that was given to one of the rounds of the rich repertoire of rings of São João del-Rey. It is natural, this way, that many of the ringers are also musicians, integrating “guardas de Congada”, bands and carnival street blocks. In a city of such rich musical tradition as Diamantina, it is accepted that the ringers

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The church bells compose the setting of Christianity since the 5th century, and Dom Pedro Sardinha brought one of them to Brazil in 1522. The earliest bell foundry in Brazil dates from 1589, in the region of Sorocaba. Uberaba is, nowadays, one of the few places in Brazil where bells are fabricated; the process remains practically the same since the 7th century.

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improvise and invent their own rings, but this is something rejected in São João del-Rey and Ouro Preto. In these two cities, the vitality and the consolidation of the cultural practices related to the ring of church bells are bound to the vitality of the religious Fraternities. The Fraternities - organizations formed by laities with religious purposes - integrate the social and cultural scenario of Minas since the 18th century. They are responsible for the construction and maintenance of the churches that define the landscape of the historical cities in Minas. The Fraternities are also in charge of hiring the ringers, with whom they collaborate, through the attentive ears of their senior members, to maintain the tradition of the ring of church bells. Such functions are even more relevant because the priests that come from other places do not know the local traditions of bell ringing, for they are not instructed about this in their long ecclesiastical preparation. It is because of the lack of zeal that the tradition of ringing the bells is found, many times, threatened. First because of the temptation of replacing the ringer and its practice by an electronic bell, which can be set to sound through the church speakers. This way, there are no costs for the practice and for the maintenance of the bells, but the beauty and the uniqueness of the rings of each place, church, and ringer are also eliminated, as well as its meaning for that community. Another threat is the break with tradition, since, in many cities, the ringers die without passing their knowledge on. Maybe the key for the maintenance of the bell ringing culture is the fact that, in the towers of the cities where the tradition is stronger, like São João del-Rey and Ouro Preto, there is always a place for boys and teenagers who, fascinated by the sound of the bells, want to learn how to ring them. Badalo (Clapper): metallic object, tied with a rope in the interior of the bell, which, when stricken, produces the characteristic sound of this instrument. Congada: generical designation of the Afro-Brazilian religious manifestations focused in praising Our Lady of the Rosary through the music and the dance, involving also the coronation of Congo kings. Refer to [*].

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Timbre: characteristic of the sound that varies from one instrument to another.

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Leigos (Laities): according to the catholic church, someone who is not part of the official hierarchy of this institution.

How to Make Serro Cheese Homemade cheese is prepared with raw milk, as opposed to the industrial method, which uses mechanized processes of production, besides killing all milk bacteria by pasteurizing it. It is believed that the Serro Cheese recipe was brought to Brazil in the 18th century by Portugueses that came from Serra da Estrela. In Minas, the technique was adopted and the Serro Cheese, more humid and acid, is valued in the market. As well as the Serro cheese, the cheese produced in the inventoried regions have a characteristic and unmistakable flavor, that dates back to the colonial times. The process uses rennet, lactic yeast, and raw milk in the composition of the cheese; it presents a few varieties and it is passed from generation to generation. It is considered to be more acid, saltier and bulkier than the ones from other regions. The specific flavor of the cheese is defined by physical, geographical and natural factors, such as climate, topography and vegetation, and by the different techniques used: the lactic culture, the coagulant type and the aging conditions.

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The listed recipe includes the description of all the processes that involve the production of the typical cheese, like milking, filtering, coagulation, breaking of the curd, syneresis, molding, hand pressing, turning and salting, collection of the lactic yeast, removal from the tables, unmolding and thickening, aging and cleaning. The Serro Cheese is smaller, fresher for consumption, more acid, of lighter color, and of softer consistency. In the Canastra Mountains, the cheese is bigger, creamy and yellowish, besides being aged for consumption. The oral traditions point to the water of the São Francisco River, molasses grass, and the family tradition as the responsible ingredients for the characteristics of this cheese. The ones from Alto do Paranaíba/Cerrado are similar to the one produced in Serra da Canastra, but they are smoother and present, among the three types, the biggest similarity with the industrial one. In a study of the UFV (Federal University of Viçosa), it was found that the homemade cheese from the regions listed by Iphan present the same bacterial count of European ones.

“Lambe-lambe” Photographer

The establishment of the tradition of “lambe-lambe” took place during a period in which the photography was becoming part of the everyday life of the population. For the customers who did not have enough money to go to fancy photographic studios of that time, it was an easier access to the possibilities of photography. Originally, the photography was only a kind of souvenir and register for the families, couples in love, visitors from the countryside, etc. There has been an increase in demand of this kind of work when photos became a requirement in various official documents. The short time for developing the photos (20 minutes) – which derived from the techniques they used - and their presence on public space made them perfect for the task; and they also started lending “proper” clothes and accessories for their customers appearance in the portraits. The popularization of the digital photography in the first decade of the 21st century meant an enormous challenge for the “lambe-lambe” photographers´ economical activity. But the fact that the city recognizes in this work one of its traces of identity has not changed. Negative: support or matrix of the image registered by the analog photographic process, that presents the colors in an inverted way and from which copies of the image are made through the developing process. Photographic emulsion: chemical compound with silver salts, which reaction with light enables the photographic process.

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Belo Horizonte is a relatively new city in the historical context of Minas Gerais – it was planned to be the new state capital and it was inaugurated in 1897 – and it already has some traditions of its own. Among them, there is the work of the “lambe-lambe” photographers, which was recognized as intangible patrimony in 2011. Traditionally based in the Municipal Park, central region of Belo Horizonte, such photographers, who work outdoors, got the particular name of “lambe-lambe” because of an ancient technique of photography. They have been working since the 1920´s, back when glass plates were used as negative. Because the photographic emulsion was applied in only one side of the plate, and it was invisible to the naked eye, the photographers would lick the plate as to determine the correct side to be used.

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Patrimonio Cultural Inmaterial Introducción- Concepto de Patrimonio Inmaterial (...)”Hey por bem que daqui em diante nenhuma pessoa de qualquer estado, qualidade e condição que seja, desfaça ou destrua em todo, nem em parte, qualquer edifício que mostre ser daqueles tempos,[antigos] ainda que em parte esteja arruinado, e da mesma sorte as estátuas, mármores e cipós” (...)”lâminas ou chapas”(...)”medalhas ou moedas” Decreto Régio de D. João V (1721)

Patrimonio cultural es el conjunto de todos los bienes, materiales o inmateriales, que, por su valor proprio, deben ser considerados de interés relevante para la permanencia y la identidad de la cultura de un pueblo.

Minas Gerais En São João Del-Rei, Minas Gerais, un ejemplo de patrimonio cultural inmaterial es el modo de sonar las campanas, cuya “lenguaje” es peculiar medio de comunicación y objeto de registro por el IPHAN. En Minas Gerais, también, el modo artesanal de hacer queso es importante registro patrimonio intangible. Pueden ser mencionados también diversas tradiciones, conocimientos y técnicas que han sido sometidas a las normas que establecen el “Inventário Nacional de Referências Culturais” (INRC) del IPHAN, encargado por la compleja tarea de preservar el patrimonio material e inmaterial, resguardando bienes, documentos, acervos, artefactos, vestigios y espacios, así como las actividades, técnicas, conocimiento y lenguajes. Uno de los criterios es la atención a las tradiciones que no encuentran amparo en la sociedad y en el mercado, permitiendo a todos el cultivo de la memoria común, de la historia y de los testimonios del pasado.

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El patrimonio es nuestra herencia del pasado, lo que vivimos hoy, y lo que pasamos a las próximas generaciones. Del patrimonio cultural hacen parte bienes inmóviles tales como castillos, iglesias, casas, plazas, conjuntos urbanos, y también sitios dotados de expresivo valor para la historia, la arqueología, la paleontología y la ciencia en general. Entre los bienes muebles se incluyen, por ejemplo, pinturas, esculturas, mobiliario, documentos, libros y artesanía. Se consideran bienes inmateriales la literatura, la música, el folclore, el lenguaje, las costumbres, entre otros.

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En este cuadro conceptual, se debe considerar la necesidad de distinguir como patrimonio: 1_Los géneros de literatura oral tradicional que, una vez producidos, ganan una razonable autonomía en relación a su proceso de producción, enriqueciéndose en el contexto de uso intergeneracional: cantares, romanceros, cuentos populares, devociones, rezos, curandería, hierbas, etc. 2_ Expresiones y manifestaciones intrínsecamente relacionadas a soportes físicos (lugares de memoria) o a referenciales histórico-religiosos: ritos festivos, creencias en lo sobrenatural, leyendas y mitos, historias de vida, entre otros. 3– Manifestaciones en constante actualización por la movilización de nuevos recursos, ambientes y funcionalidades en el proceso de resignificación de las tradiciones: vestuarios, danzas, juegos tradicionales, peregrinaciones, gastronomía, artesanía. El ayuntamiento de Belo Horizonte ha sujetado a dominio público recientemente los Lambes-lambe que actúan en el Parque Municipal, a causa de tradición popular que esa forma de fotografía representa en ese espacio público centenario de la ciudad.

Gestos y costumbres

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En Minas Gerais están arraigados los gestos y costumbres de tradición oral que desde el siglo XVIII pasan de generación en generación. Tenemos listado a continuación algunos modos de habla, aspectos gestuales, tradiciones relacionados a la salud y a la profilaxis, que se relacionan a conocimientos y valores ancestrales, principalmente afro brasileños. Sin embargo, encontramos deformaciones y aplicaciones de curanderismo de origen portuguesa e incluso indígena. A principio el lenguaje hablado en Brasil era principalmente el tupi guaraní, que al mezclarse al portugués y, a términos africanos y de otros orígenes, condujeron a una forma específica de lenguaje de cada departamento o región. El nativo de Minas Gerais (el mineiro) es conocido por “comer” (substraer) sílabas y por las expresiones: uai y trem.

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Devociones mineras más populares En estudio, con la intención de conocer a los santos más devotados de Minas Gerais, por medio de un mapeo estadístico de toponimias originales y parroquias fundadas en el siglo XVIII, y que todavía permanecen, señalamos los 20 nombres de santos más comunes en toda región.

Fiestas Religiosas De lo que se llamó por mucho tiempo folclore, lo que más fue investigado y sistematizado de la tradición universal son las fiestas relacionadas a la cristalización de la mitografía. En el caso de Minas Gerais, donde toda la actividad social se correspondía a hermandades y órdenes terceras, porque las órdenes primeras fueron prohibidas para evitar el descamino del oro por integrantes de la iglesia, les tocaba a los legos la conmemoración de los eventos religiosos. Las fiestas ocuparon una posición destacable en la sociedad colonial, pues permitían la integración de diversos estratos sociales, etnias y religiosidades. Hubo incluso el patrocinio de fiestas por particulares, como en Vila Rica, donde ocurrió, en 1733, una de las

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mayores fiestas del periodo colonial, el Triunfo Eucarístico, financiada por un magnate anónimo, oriundo de Lisboa y habitante en Minas Gerais. En esos momentos había el convivio entre los negros, pardos, indígenas y blancos, como se nota en el libro ya clásico de Affonso Ávila “Os resíduos seiscentistas de Minas Gerais”, que reproduce el relato escrito del mencionado festejo. Las fiestas más comunes fueron el congado, reinado o reisado, o la fiesta del Rosario.

Fiestas Profanas Minas Gerais se caracteriza más bien por medio de las fiestas religiosas que por las profanas. Sin embargo uno de los ejemplos más antiguos del aglomerado festivo es lo que ocurre en Ouro Preto. Deturpado por influencias que venían de Rio de Janeiro y Bahia, nuestras ciudades que tenían en su tradición el carnaval en las calles, jolgorios ingenuos con bloques caricatos, hoy está muy distinto. Mientras tanto, Ouro Preto detiene la tradición de un bloque que cumple más de 150 años, conocido como Zé Pereira.

Música en Minas Gerais

La organización de la vida musical y la profesionalización del músico son paralelas a la formación de las villas. Existen datos que comprueban la existencia de la práctica musical remunerada en los primeros años del siglo XVIII. La vida musical religiosa se estructura desde la formación de las villas. En 1748, cuando se instala en Mariana la primera diócesis mineira, el obispo, Don Fray Manuel da Cruz, nombra a los primeros miembros del Cabido (conjunto o corporación de los cánones de una catedral), incluso el maestro-de-capela, el organista e el ‘chantre’. Con relación a la música erudita profana del siglo XVIII existe referencias a saraos (conciertos musicales nocturnos), en los cuales se ejecutaba música de cámara vocal e instrumental; hay descripciones de fiestas callejeras, con sus bailes y serenatas, como hay contratos relativos a operas, sobre todo por razón de celebraciones de la familia real.

Danza En medio a las tradiciones folclóricas más investigadas en Minas Gerais están los distintos géneros de fiestas, danzas y canciones. Esas fiestas típicas fueron conservadas, sea de manera auténtica, o aprovechadas por el turismo con estilizaciones. Muchas de esas fiestas tuvieron origen entre los negros esclavos que en ocasiones festivas religiosas se manifestaban con cierta libertad, otras surgieron como fiestas de salones de influencia portuguesa o francesa como los saraos, las valsas y las cuadrillas.

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Los documentos musicales más antiguos encontrados datan desde la primera mitad del siglo XVIII y coinciden, en gran parte, con la fase inicial con el apogeo del Ciclo do Ouro. El rígido control ejercido por la Corona sobre la zona de minería tuvo gran importancia en la forma de la organización socio-política y en la vida cultural de las villas que surgieron con actividad minera. Las prohibiciones de instalación de impresoras e importación de libros (excepto cartillas, tablas de multiplicar y las catequesis) harían que la circulación de la producción musical ocurriese únicamente por medio de copias manuscritas, lo que generaba real imposibilidad de control y censura sobre las copias que circulaban.

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Leyendas, cuentos e Fábulas La escritora minera, Henriqueta Lisboa, hizo una preciosa investigación sobre el folclore brasileño reuniendo leyendas, cuentos y fábulas, algunos de origen minera como “ La fiesta en el cielo (A festa no céu)”, “La leyenda de Acaiaca (A lenda de Acaiaca)”, “La leyenda de San Juan (A lenda de São João)”, etc. Además de esas, cada región minera guarda un personaje histórico que se convirtió en leyendario. Listamos aquí, especialmente, las mujeres de los inconfidentes y hechos que permanecieron en el imaginario popular, tales como la locura de Bárbara Eliodora, la tristeza de Marília de Dirceu, la lujuria de Chica da Silva y la persistencia de Hipólita Jacinta Teixera de Melo. Entre los hombres no podemos dejar de citar la leyenda de Chico Rei.

Arquitectura de lo Efímero Construcciones de función efímera para escenarios de fiestas públicas o religiosas. Durante las procesiones, por ejemplo, era costumbre hacer estandartes para anunciar el pasaje de las hermandades y sus patrones. También se adornaba todo el camino, como aún acurre en las alfombras hechas de elementos fitomorfos coloridos e imágenes representando el tema religioso de la ocasión festiva Alfombra de aserrín, banderas y estandartes, asas de ángel para fiestas de coronación.

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Gastronomía

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En el siglo XVIII, la gastronomía minera fue bastante empobrecida. Se comía de todo con lo que les deparase la suerte, las tradicionales cazas (carpinchos, monos, jaguares y aves), así como muchas veces serpientes, lagartos y hormigas. La escasez de alimentos perduró durante todo periodo colonial. La sal no alcanzaba a todos. El alimento básico de la mayoría de la populación: maíz y mandioca (principal sustento y pan diario de la población). La Carne bovina_ indispensable a la alimentación de los mineros, era importada especialmente del norte del país. Se solía comer legumbres cocidos. Los condimentos eran pimienta y urucum. Se utilizaba mucho aceite de ricino, palmito, trigo, patatas, mandioca, ñame, malanga. El cerdo era la carne más apreciada. Los animales eran cuidados con gran estimación para engorda y corte en días de fiesta. Las partes predilectas eran: lomo, tocino, manteca de cerdo, chicharrones. Las gallinas vivían por las calles de la ciudad y después eran vendidas. Uno de los platos favoritos de los mineros es gallina cocida con okra y polenta. Platos característicos conocidos como quitandas se hacían en general con maíz: curau, pamonhas, harina, cuscús, galletas, pasteles y canjica. La costumbre todavía preservada por gourmets es cocinar comida en la hoja de bananera por influencia de los indígenas. Ya entre los postres constan los dulces en calda de naranja, banana y otras frutas. Por influencia de la alimentación de los esclavos, se ha hecho famosa la polenta hecha con harina de maíz mezclada con agua caliente, en lo cual se añadía un pedazo de tocino, y, en las cenas, frijoles. Hoy día, los íconos de la comida minera son: pan de queso, frijol de tropero, pollo cocido con okra o a la salsa parda y el

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postre conocido como Romeo y Julieta (queso con dulce de guayaba).

Bienes inmateriales de dominio público Toque de las campanas El toque de las campanas en Minas Gerais y el oficio de campanero, íntimamente relacionado a tal práctica, ya se encuentran registrados desde 2009 como bienes culturales inmateriales por el IPHAN, integrando respectivamente las categorías formas de expresión y saberes. Representa toda una cultura de las campanas, profundamente vinculada a la vida de ciudades históricas de Minas como Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Congonhas do Campo, Diamantina, Sabará, Serro y Tiradentes. Sin embargo, el grado de vitalidad y complejidad de esa práctica cultural en São João del-Rey convierte esa ciudad del sudeste mineiro en la principal referencia del convivio de las comunidades con las campanas. Las campanas constituyen una forma de comunicación que tiene finalidades tanto practicas (llamar a la gente a la misa, comunicar la muerte de alguien, marcar el pasaje del tiempo, alertar para algún incendio etc.) cuando espirituales (como forma de comunicación con lo divino). Constituyen también una forma bastante peculiar de música, marcando con sus timbres metálicos el paisaje sonoro de las ciudades históricas mineras. Aunque varias de sus funciones originales son hoy realizadas más fácilmente por teléfono, por la radio y otras formas modernas de comunicación, los mensajes sonoros cuidadosamente ejecutados por los campaneros de la parte superior de las torres de las iglesias enconan todavía en las comunidades, haciendo parte de lo cotidiano, de la fe y de la manera propia de ser de sus habitantes.

Para transmitir los distintos mensajes, los campaneros sacan provecho de los diferentes sonidos producidos por las campanas. Instrumento de forma cónica fundido en bronce accionado por un badajo, el sonido de la campana cambia de acuerdo con su tamaño. En las ciudades en que la práctica campanera es más vigorosa se utilizan simultáneamente tres campanas, llamadas en Ouro Preto, de Garrida (campana pequeña de sonoridad aguda), Meião (de tamaño y sonoridad media) y Bronce (campana grande y de sonido grave). Además del tamaño, la forma de accionar la campana produce sonoridades distintas. Cuando el sonido es producido por el movimiento de la campana es denominado doble. Si las golpeadas son producidas por medio de una cuerda atada al badajo son designadas como pancadas, badajadas o aún_ caso sean ejecutadas en más de una campana al mismo tiempo_ repiques. A partir de esos elementos se construyen los diversos toques apropiados a cada ocasión, caracterizados por el número de golpes, por el ritmo y por la alternancia de las sonoridades. Así, el toque de Ángelus, que marca durante todo el año las horas sagradas del catolicismo, se caracteriza, en São João Del-Rey, por 9 golpeadas intercaladas en la campana más grande de la iglesia. En Mariana, el toque fúnebre o señal, que anunciaba algún fallecimiento en la ciudad, era compuesto por un conjunto de dobles y golpes repetidos tres veces, si el fallecido era hombre, o dos, si era mujer. En la mayoría de las ciudades, los repiques son considerados formas de toque festivas, a causa de ser más

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Las campanas componen el escenario del cristianismo desde el siglo V, cuando se da la presencia de una campana trasladada a Brasil por Don Pedro Sardinha registrada en 1552. La más antigua fundición de campana en Brasil, en la región de Sorocaba, data de 1589. La ciudad minera de Uberaba se destaca actualmente como uno de los pocos lugares en Brasil donde hay fabricación de campanas, proceso que sigue prácticamente el mismo desde el siglo VII.

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rápidos y ritmados. En eses toques trasparecen más claramente la influencia rítmica de las tradiciones africanas, posible consecuencia del hecho de que, antes de la abolición de la esclavatura, el oficio de campanero era realizado fundamentalmente por esclavos. La marca afro-brasileña está registrada incluso en la denominación de Batucada, dada a uno de los repiques de lo rico repertorio de toques de São João del-Rey. Nada más natural, de ese modo, que muchos de los campaneros sean también músicos, que componen las guardas de Congada, bandas de vientos y bloques de carnaval. En una ciudad tan rica de tradición musical como es Diamantina, se acepta incluso que los campaneros improvisen e inventen sus propios toques, comportamiento que la cultura campanera de São João del-Rey y de Ouro Preto rechaza. En esas dos ciudades la vitalidad y el grado de consolidación de las prácticas culturales por medio de los toques de las campanas se relacionan a la vitalidad de las Hermandades religiosas. Organizaciones con fines religiosos formados por legos, las Hermandades componen desde el siglo XVIII el escenario social y cultural de Minas, siendo responsables por la construcción y manutención de muchas iglesias que definen el paisaje de las ciudades históricas mineiras. Son ellas que muchas veces contratan el campanero, con el cual colaboran, por medio del oído atento de los mayores, para la manutención de la tradición del toque de las campanas. Tales funciones se tornan aun más relevantes en razón de ser común que los propios sacerdotes, provenientes muchas veces de otros lugares, desconocieren las tradiciones campaneras locales, sobre las cuales no son instruidos en la larga preparación eclesiástica.

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Así, por la ausencia de atención de las Hermandades, la tradición de las campanas se encuentra muchas veces amenazada. En primer lugar, por la tentadora idea de sustitución de los campaneros y su oficio por una campana electrónica, que puede ser programada para sonar por medio de alto-parlantes de la iglesia. Se dispensan, de esa forma, los gastos con la práctica y con la manutención de las campanas, pero se elimina igualmente la belleza y el carácter único de los toques de cada localidad, de cada iglesia y de cada campanero, junto con su significado para cada comunidad.

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Otra amenaza es la quiebra de una tradición, ya que en varias ciudades los campaneros conocedores de su oficio mueren sin lograr pasar adelante sus saberes. Tal vez la clave para la manutención de la cultura del toque de las campanas sea el hecho de que en las torres de las ciudades donde la tradición es más fuerte, São João del-Rey y Ouro Preto, siempre existe lugar para chavales y adolescentes que, encantados por el sonido de las campanas, quieren aprender a tocarlos. Badajo: objeto de metal atado a una cuerda en el interior de la campana cuya la batida en el cono de la campana produce el sonido característico de ese instrumento. Congada: designación genérica de las manifestaciones religiosas afro-brasileñas centradas en la alabanza a Nuestra Señora del Rosario por medio de la música y de la danza, involucrando también la coronación de reyes congos. Timbre: característica del sonido que varía de un instrumento a otro. Legos: para la iglesia católica, alguien que no hace parte da jerarquía oficial de esa institución.

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Modo de hacer queso de Minas do Serro Los quesos artesanales son preparados con leche cruda (sin pasteurizar), que utiliza procesos mecanizados de producción, además de pasteurizar la leche y matar todas las bacterias. La receta del queso del Serro habría sido llevada al Brasil en el siglo XVIII por portugueses que vinieron de la región de Serra da Estrela. En Minas, la técnica fue adaptada y el queso del Serro, más húmedo y acido, es valorado por el mercado. Así como el queso del Serro, los quesos producidos en las regiones inventariadas tienen sabor característico e inconfundible, que remonta a los tiempos coloniales. El proceso lleva cuajo, fermento y leche cruda en la composición del queso, presenta pequeñas variedades y pasa de generación en generación. Es considerado más acido, salado y corpulento que de otras regiones inventariadas. El sabor específico de los quesos es definido por factores físicos, geográficos y naturales, como clima, relevo y vegetación, y de las diferentes técnicas empleadas, de la cultura láctica, del tipo de coagulante y de las condiciones de maturación. La receta de dominio público incluí la descripción de todos los procesos que envuelven la producción del queso típico, como ordeño, filtraje, coagulación, quiebra de cuajada y la mezcla, la retirada del suero, ‘enformaje’ , prensado manual, el viraje, y salazón, cosecha de fermento, remoción de mesa, ‘deformaje’ , maduración y limpieza. En Serro, el queso es menor, consumido más fresco, tiene mayor acidez, coloración más clara y consistencia suave. En Serra da Canastra, es mayor, cremoso y amarillento, además de ser consumido más madurado. Las tradiciones orales señalan el agua de São Francisco, el capim-gordura y la tradición familiar como los ingredientes responsables por las características del queso de esa región. Los de Alto Paranaíba/ Cerrado son semejantes a los de Canastra, pero son más suaves, presentando, entre los tres tipos, mayor semejanza con el queso industrial.

Lambe-lambe Ciudad relativamente nueva en el cuadro histórico de Minas Gerais, Belo Horizonte – planificada como la nueva capital e inaugurada en 1897 – ya lleva sedimentadas tradiciones propias. Una de ellas es el oficio de los fotógrafos “lambe-lambe”, reconocido como patrimonio inmaterial por el ayuntamiento de la ciudad en 2011. Encontrados tradicionalmente en el Parque Municipal, región central de la ciudad, tales fotógrafos, que trabajan al aire libre, recibieron el peculiar nombre de “lambe-lambe” por una antigua técnica fotográfica. El oficio se ha practicado desde los años 1920 cuando los fotógrafos usaban placas de vidrio como negativo. Cómo se aplicaba la emulsión fotográfica en un solo lado del vidrio, invisible a simple vista, los artistas usaban la lengua para determinar el lado correcto. La tradición de los “lambe-lambe” se estableció en el período en que la fotografía se tornaba cada vez más presente en la vida cotidiana de la población en general. Para la clientela más popular el oficio representaba la posibilidad de acceso a la fotografía sin el constreñimiento de los salones refinados de los estudios de la época. Originalmente en la función de registro de memoria de familias, parejas, visitantes del interior, etc., los

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En estudio de UFV, se llegó a la conclusión que los quesos artesanales mineiros de las regiones que constan en el dominio público hecho por el IPHAN presentan los mismos contajes bacterianos de los quesos europeos.

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retratos de los fotógrafos “lambe-lambe” experimentaron una expansión de la demanda con la exigencia de la fotografía en los más variados documentos oficiales. Lo rápido revelado de la foto decurrente de la técnica que empleaban (20 minutos) y su presencia en el espacio público les hicieron perfectos para la tarea, a la que sumaron el préstamo de ropas y accesorios más adecuados al retrato de sus clientes. La popularización de la fotografía digital en la primera década del siglo XXI significó para los fotógrafos “lambe-lambe” un enorme desafío como actividad económica. Sin embargo no alteró el hecho de la ciudad reconocer en ese oficio uno de sus focos de identidad. Negativo: soporte o matriz de la imagen registrada por el proceso fotográfico analógico, que presenta colores inversas y a partir de lo cual son hechas las copias de la imagen por el proceso de revelación. Emulsión fotográfica: composición química con Sales de plata cuya reacción con la luz posibilita el proceso

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fotográfico.

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