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ANO IV

Nº 4

NOVEMBRO 2019

PUBLICAÇÃO DO NÚCLEO PETRÓPOLIS DO SINDICATO ESTADUAL DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO


Educação de classe Índice 3

EDITORIAL

4 e 5 VIAJANDO NA ESCOLA 6 e7

ESCOLA SEM PARTIDO E LIBERDADE DE CÁTEDRA NÃO É IDEOLOGIA ?

8 e 9 ARTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL 10 e 11 ANÁLISE DE CONJUNTURA ? ACHO QUE NÃO... 12 e 13 CORPOS DOCENTES 14 e15 UM MUNDO NO QUAL CABEM MUITOS OUTROS 16 e 17 DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL 18

O PAPEL DO PROFESSOR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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CALENDARIO ESCOLAR 2020 REDE MUNICIPAL PETRÓPOLIS

20 A 23

FESTA DO PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO 2019

24 E 25

PARA ATRACAR NO PORTO LIBERDADE, É PRECISO OCUPAR A POLÍTICA

26 e 27 ENQUADRAMENTO POR FORMAÇÃO E TEMPO DE SERVIÇO AGOSTO 28 e 29 ENQUADRAMENTOS POR TEMPO DE SERVIÇO SETEMBRO 30 e 31 ENQUADRAMENRTOS POR FORMAÇÃO

SETEMBRO

32 ENQUADRAMENTOS POR TEMPO DE SERVIÇO 33 a 35 36 37

ENQUADRAMENTOS POR FORMAÇÃO

OUTUBRO OUTUBRO

PROFISSÃO PROFESSORA A NOSSA LUTA É TODO DIA

38 e 39

LIBERDADE DE CÁTEDRA

40 e 41 INFORMES JUR[IDICOS — PROCESSOS EM ANDAMENTO 42 e 43

PARCERIAS DE DESCONTO

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Educação de classe

A liberdade de cátedra está inserida no texto constitucional como um dos princípios que regem o ensino, sendo certo que este deve se desenvolver, conforme preceitua o art. 206 (CRFB), com a garantia da liberdade de aprender, ensinar, pesquisar, divulgar o pensamento, a arte e o saber, sempre em um ambiente com pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas. Além da Constituição da República, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n° 9.394/96) também inclui a liberdade de cátedra como um dos princípios da educação, a permear todas as etapas do ensino (arts. 2°, 3°, II, III, IV). Na prática, podese dizer que se trata de um conjunto de direitos relacionados, de uma certa forma, à liberdade de expressão, aplicados ao campo do ensino, isto é, ao plano acadêmicocientífico, apresentando tamanha relevância para o exercício da cidadania e o pleno desenvolvimento da pessoa humana, enquanto objetivos centrais do processo educacional. Assim, o estímulo ao co-

nhecimento crítico e à reflexão; o respeito à liberdade e o apreço à tolerância; a promoção da igualdade, da diversidade e dos direitos humanos; e o combate a todas as formas de discriminação são horizontes a serem perseguidos, a partir do pleno exercício de direitos como o da liberdade de cátedra e da autonomia escolaruniversitária. Na contramão deste objetivo, contudo, estão os adeptos do “Escola Sem Partido”, que surge não apenas como propostas legislativas, tramitando em municípios, estados e a nível federal, mas como um nefasto projeto político-educacional, apoiado por um discurso reacionário, que legitima práticas e posturas antidemocráticas, anticientíficas e antipedagógicas, recorrentes na atual conjuntura política brasileira. Diversas atitudes vêm sendo adotadas e incentivadas por figuras públicas e autoridades, no sentido de censurar bibliotecas escolares, fiscalizar murais e expositores, ofender e agredir docentes. Aliás, importa desta-

car que, embora os professoram sejam, à primeira vista, os mais atingidos, essa espécie de “patrulha ideológica”, que possui ideologia bem definida e aversão à pluralidade, atinge o direito à educação como um todo. O apelo à falsa neutralidade, que sustenta tal projeto, parte de um objetivo bem definido: a imposição de um pensamento único; de uma só forma de observar, interpretar e entender determinados fatos, sejam eles políticos, sociais ou históricos. Como dizia Paulo Freire, o Patrono da Educação Brasileira, a neutralidade é uma opção escondida, portando-se apenas como a terminologia do discurso pávido, de quem possui desejos, interesses, defende posições, mas não tem coragem de assumi-las. Não lhes interessa, portanto, a criticidade, o diferente, mas tão somente a dominação e o controle social, através do imperativo de padrões de conduta, que excluem, oprimem e matam. A manutenção do status quo se torna um

objetivo explícito desta turma, através da constante marginalização, estigmatização e criminalização dos profissionais que atuam na área da educação. Neste sentido, faz-se necessária a reafirmação da liberdade de cátedra e do direito à educação crítica, reflexiva e transformadora, que tenha a pluralidade como um de seus atributos basilares. Qualquer investida e tentativa de obstruir abordagens, análises e debates em salas de aula, bem como de censurar, proibir ou limitar o exercício da atividade docente, é absolutamente incompatível com a Constituição Federal e todo o arcabouço relativo à educação. Deve, portanto, ser veementemente repudiada pelos que se preocupam com o futuro.

Hugo Ottati Advogado Asessor Jurídico SEPE Petrópolis membro da CDH/OAB-RJ

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Educação de classe

Descrição Projeto Viajando na Escola tem como fio condutor “Turismo” que propõem apresentar aos alunos uma visão ampla sobre o mundo. O Projeto desenvolvido visa proporcionar aos alunos uma grande diversidade de experiências, com participação ativa, para que possam ampliar a consciência sobre as questões relativas ao mundo que vivemos. E adquirir conhecimento, desenvoltura e curiosidade sobre o tema.

Objetivos: - Ajudar os alunos a descobrirem os lugares do Brasil e do mundo. - Facilitar o estudo da geografia - Reconhecer que não estamos sozinhos no mundo - Levar os alunos a entenderem nossas interações com os outros lugares. - Adquirir conhecimento nas de áreas de idiomas, história, arte, matemática e em todas as áreas do conhecimento desses lugares. -Promover a participação dos pais no projeto inte-

ragindo com a escola. Metodologia Utilização dos materiais recebidos. Pesquisas em revistas, jornais, livros, etc. Com gênero textual de cartazes, maquetes, etc. Avaliação: deverá ser feita de forma contínua, com relatórios descritivos de cada etapa, das discussões do grupo, das atitudes diante do projeto etc. O professor deverá avaliar também a participação e o envolvimento de cada aluno, de forma individual, bem como avaliar o desenvol-

vimento de seu trabalho de forma crítica e construtiva. De modo qualitativa e quantitativa. Publico Alvo: Alunos do 6° ano ao 9° ano Culminância: Feira de turismo, apresentação dos trabalhos para seus colegas, compartilhado o conhecimento adquirido. Conclusão: Espera-se que ao término do projeto as crianças estejam conscientes sobre o mundo ao seu redor e os lugares que podem conhecer.

ESCOLA SANTA MARIA GORETTI 2018/2019 A culminância do projeto se deu com apresentação dos grupos, expondo para os pais e alunos cada lugar pesquisado apresentado a geografia ( clima, relevo, vegetação, população, economia), aspectos históricos, culturais e de pontos turísticos. Foi uma grande alegria ver a participação de toda escola no projeto e com o apoio da direção que possibilitou a realização do mesmo nesse segundo ano de projeto.

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Educação de classe

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Educação de classe

Escola sem Partido e Liberdade de Cátedra não é ideologia? Ninguém propôs ainda uma definição única e adequada de ideologia. O conceito de ideologia não vem de Marx, ele simplesmente o retomou. Ele foi inventado por um filósofo francês pouco conhecido, chamado Desttut de Tracy que publicou em 1801 um livro chamado Eléments d’ idéologie. Para Destutt de Tracy, ideologia significava o “estudo científico das ideias” e as ideias são resultado da interação entre o organismo vivo e a natureza, o meio ambiente. Portanto um subcapítulo da zoologia.

cinismo de seus formuladores. Na verdade, esconde a manipulação de uma ideologia, autoritária e conservadora num ataque brutal a democracia e a gestão democrática nas escolas.

liberdades democráticas semelhante a atmosfera criadas na Europa da década de 1930, na Alemanha e na Itália, que culminou no nazismo e no fascismo.

Segundo o professor Gaudêncio Frigotto, o ideário do “Escola sem Partido” tem como objetivo final, a ameaça à vivência social e à liquidação da escola pública como espaço de formação humana, firmado nos valores da liberdade, de convívio democrático e de direito e respeito à diversidade.

As teses do “Escola sem Partido”, parte de um sentido autoritário que se afirma num processo permanente de criminalização das concepções de conhecimento histórico e de formação humana que interessam às classes populares, aos de baixo, com posicionamentos de ódio e intolerância, contra os, a classe trabalhadora, os movimentos sociais, contra as organização da luta das mulheres, de negros, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros e pelo expurgo das escolas dos jovens das periferias das grandes cidades e do desmonte da escola pública, laica e universal.

As eleições de 2019 com a chegada de Bolsonaro, ao governo federal e de diversos governos estaduais como no caso do Rio de Janeiro, com a eleição do ex juiz federal Witzel, de políticos de extrema direita com viés proto-fascistas, os inimigos a serem derrotados estão dentro das escolas, ou seja, os professores e estudantes. O nome disso é ideias falsas que ajudam a legitimar um poder político dominante.

Segundo Michael Lowi, em Ideologias e Ciência Social, Marx por sua vez, dá outro sentido a ideologia, em seu clássico “A ideologia alemã”, o conceito de ideologia aparece como equivalente à ilusão, falsa consciência, concepção idealista na qual a realidade é invertida e as A tentativa de hegemonizar esideias aparecem como motor da se “poder” se apresenta em dois sentidos: ultra neoliberal na vida real. Nesse sentido, não há uma úni- economia desmantelando os ca definição de ideologia. Entre serviços públicos de educação, tantas definições podemos citar saúde, privatizando tudo que é público e ultra conservador e duas: obscurantista nos costumes de a) ideias que ajudam a legiti- na cultura. Isto sinaliza o risco mar um poder político do- que vivenciamos hoje no Brasil, minante e com indícios claros do clima de b) comunicação sistematica- desagregação social, aumento da violência, produção do dismente distorcida curso do ódio às minorias e as A expressão “escola sem parti- diferenças e de preparação de do” mostra toda a esperteza e uma atmosfera de ataques as

Os ideólogos do “Escola sem Partido”, afirmam com todas as letras que o objetivo é proibir a prática da “doutrinação política e ideológica em sala de aula”, e enxergam obviamente o inimigo, o doutrinador que é o professor. No projeto que tramitou na Câmara dos Deputados esses ideólogos como consta no projeto (HTTP// escolasempartido.org. flagrando-o-doutrinador) dois ícones: “Flagrando o doutrinador” e “Planeje a sua denúncia”, no qual explica para o aluno como fazer a sua denuncia anotando o dia, o horário, etc. Segundo esses ideólogos, “você pode estar sendo vítima de doutrinação ideológica quando 6


Educação de classe seu professor se desvia frequentemente da matéria objeto da disciplina para assuntos relacionados ao noticiário político ou internacional”. Trata-se de uma desvinculação entre o que é a matéria e o que está acontecendo no mundo, na realidade cotidiana do aluno. Afirmam eles, que o professor, não poderia discutir essa realidade, ele teria que se ater à sua matéria. Isto num objetivo claro de atingir a liberdade de cátedra e controlar ideologicamente os professores. Essa concepção tem como centro a desqualificação do professor, esse é o eixo do discurso do “Escola sem Partido”. No fundo não há nada de novo no front. Trata-se do velho con-

servadorismo, de uma burguesia escravista que quer retomar a ascendência sobre o povo por meio de políticos populistas, que defendem o autoritarismo com tendências proto fascistas.

A manifestações da educação e do movimento estudantil nos dias 15 e 30 de Maio, mostrou que a história não segue de forma linear. A dialética não permite. A história não só se repete como farsa ou tragédia, contra a O ultra liberalismo se tornou opressão e o fascismo sempre uma política global e chegou ao haverá reação. Brasil com Bolsonaro e seus aliados, para aumentar a extração Danilo Serafim é professor de de rendas às custas da desigual- Sociologia, da coordenação nadade, da miséria, do rebaixa- cional da Plataforma MOVER e mento salarial, com suas afini- da Secretaria Executiva Naciodades com os supremacistas nal da CSP/CONLUTAS. brancos, do machismo militarista, da pregação do extermínio de adversários, de grupos sociais estigmatizados, e da defesa do privatismo contra qualquer tipo de reforma social distributiva ou compensatória e a manutenção do apartheid social.

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Educação de classe

Ao pensarmos sobre trabalhar a arte na educação infantil, logo vem à nossa mente práticas comuns como oferecer folhas brancas para desenhar , fornecer massinha colorida para modelagem e tintas de várias cores e texturas, trabalhos com materiais recicláveis...

obras, biografias de grandes artistas, podemos fazer a imaginação ultrapassar as paredes da sala de aula.

O ensino da arte recebe apoio do eixo curricular nacional e ganha com isso uma importância grandiosa e merecida mas também nos desafia sobre o que Mas penso que podemos apresentar. avançar muito mais, pode- Segundo especialistas o mos sim trazer para experi- exercício da leitura e releiências em aula projetos, tura de símbolos, Ícones,

formas durante a execução e elaboração de trabalhos artísticos estimulam o universo subjetivo da criança e ajudam a compreender elementos essenciais para formação do seu caráter e personalidade.

Movida por uma grande paixão pela arte desenvolvi esse pequeno projeto e com o apoio da direção do Centro de Educação infantil e da minha parceira de turma foi possível apresentar para a turma do 3° Período a vida e obra do granO ensino da arte torna- se de pintor, escultor, ceramista atividade de grande importância exercendo papel funJoan Miró damental que envolvem aspectos cognitivos, motores, sensíveis e culturais.

Releitura : A luva branca

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Escultura: "Personnage"(1974)

Segundo relatos Miró treinava sua pintura tentando desenhar objetos de olhos vendados...

Cores,formas,Traços

"A função da arte não é passar por portas abertas, mas a de abrir portas fechadas”

Ernst Fisher

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Análise da conjuntura? Acho que não... Lara Sayão Professora

Análises de conjuntura pautadas nas políticas econômicas, mergulhadas em termos técnicos e com o rigor das teorias educacionais formais são importantes. Elucidam o cenário. São bemvindas. Delas não me sinto capaz. Por um lado, porque não tenho conhecimento suficiente de economia, de história e de política. Por outro, porque acho que a vida é um pouco mais do que isso que se vê. São as pedrinhas miudinhas que iluminam os caminhos. E são elas que me encantam e me interessam.

perfície. Não sou capaz também das reflexões conclusivas e se quiser continuar a leitura, vamos ter que pensar juntos e principalmente após o ponto final deste texto.

Pisamos o chão muito concreto das salas de aula, transitamos por corredores habitados pelas mais difíceis questões humanas, escolhemos essa maneira bonita e exigente de gastar nossa existência: a educação! O que nos mobiliza é, sem dúvida alguma, aquilo no que cremos, os fundamentos sobre os quais edificamos nosso agir, nossas relações, nossas práticas públicas, nosso viver. Por isso é tão complicado alterar o curso das coisas quando algo não vai bem, pois significa ter que cultivar Sou mais afeita a pen- algo novo: plantar e esperar que floresça. sar as questões escondidas, aquelas Amargamos com esque estão colocadas panto, tristeza e asantes e de tão anterio- sombro os males que res e fundamentais, uma cultura baseada acabam esquecidas em saberes desvincunuma cultura da sulados do compromis-

so com a coisa pública pode causar. A mera reprodução de conhecimentos adquiridos, ainda que extensa, se usada para interesses exclusivamente individuais, egocêntricos e ególatras é muito mais nociva que o desconhecimento. Presenciamos o reinado da arrogância. O arrogante tem a postura contrária à do sereno, o arrogante é o que não suporta que o outro seja. Impõe a si mesmo como a única possibilidade de ser. Sua única força é a bruta, pois o arrogante não ouve, não dialoga, só desqualifica e diminui para que consiga existir. Assim, se priva da maior das alegrias, o encontro com sua única possibilidade de crescimento: o outro. Precisamos filosofar!

dores cheios de questões humanas e que nos faça companhia na hora do recreio, no café, que pise o chão das nossas salas de aula e depois nos acompanhe até a casa... uma filosofia verbo como propunha Sócrates sobre o cuidado de si. Ao convidar os atenienses a pensar porque pensavam como pensavam, Sócrates considerava sua ação na cidade um bem, o maior deles. E, ainda que recebesse em troca a hostilidade e as calúnias, preferia desagradar as pessoas que calarse, privando os atenienses de serem questionados sobre suas ações e certezas, porque entendia que tinha uma responsabilidade para com a cidade e um dever para com os deuses: cuidar de si cuidando que os outros cuidem Faz-se necessária e urgente uma filosofia de si, ocupando-se de si mesmos mais que verbo, não apenas do acúmulo das riquesubstantivo. E que seja garantida na educa- zas. Sócrates ocupação básica como prin- va-se de si, fazendo o cípio, não apenas co- que deveria fazer: cuidar que seus concidamo disciplina. E que dãos cuidassem de si, habite os tais corre10


Educação de classe melhorando a si mesmos na busca pela sabedoria, pelo exercício do pensamento. A escola é a primeira e mais forte experiência do espaço público, é o convite para estar juntos fora de casa. É o lugar do encontro com o não eu, com a lógica de uma outra casa, das muitas outras casas, é a grande chance do alargamento dos nossos quintais, é a convocação para sair dos nossos sofás confortáveis, sejam eles epistemológicos, morais ou religiosos e nos lançarmos ao risco da alteridade. Não acredito numa educação que não fomente a compreensão da igualdade na comunidade e a consequente atuação baseada neste princípio. Estamos vivendo a escola da competição, da exaltação dos ‘melhores’ em detrimento dos ‘piores’. Essa escola é a escola da coisificação e do desencantamento. Fazemos tanta gente bonita, viva e vibrante se sentir incapaz, inferi-

or, menor... numa perspectiva de coisificação, que nubla nossa humanidade para servir ao mercado, como se todos os nossos esforços tivessem que estar voltados exclusivamente para a captação de recursos para consumir. Escravizados pela produção e pelo consumo, estamos todos entediados. E ainda mais grave, estamos todos submissos a um poder que suga nossas energias vitais retirandonos o sentido. Essa lógica cultivada há tempos, floresce como a mais perversa das convivências: a que nos priva a todos de liberdade. Essa lógica prepara o caminho da exploração e do medo. Estamos cansados! O que cansa a gente é ser feito coisa, é não poder cantar, viver, sonhar, desenhar, se movimentar, sambar, abraçar, sorrir! O que cansa a gente é essa escola fábrica de operários padrão, seja das grandes corporações ou das universidades: todos e todas reduzidos a coisas. O

que cansa a gente é a falta da poesia, do encantamento, é ver as meninas e os meninos calados. O que cansa a gente é não poder ser! É essa imposição do homem pesado e triste, moralista e cruel!

ela não seja o céu de poucos e o inferno da maioria. É preciso inventar outra lógica rápido! Mas a invenção só é possível fora da linha de produção de zumbis mercadológicos. Pergunto-me, todos os dias, o que cultivo na minha prática na educação... pois, muitas vezes, com boa intenção adubamos o terreno para colher um fruto que nos faz mal. Penso que há questões filosóficas urgentes escondidas nas mais elaboradas análises de conjuntura e que a economia não é a única chave de leitura da existência.

O que cansa e causa tédio é a competição, a redução do viver à corrida interminável e injusta por se tornar valioso. Já somos, todos e todas valiosos! O que nos confere cidadania e valor não é a nossa entrada no mercado nem a nossa distinção acadêmica. Já somos antes, cidadãos e valiosos! Uma escola do povo e para o povo deve considerar a igualdade dos saberes e a pluralidaFaz-se necessária e urgente de das lógicas como uma filosofia verbo, não apeprincípio, não como nas substantivo. E que seja fim. Não deve preparar para o trabalho, mas entender o trabalho como meio de partilhar saberes na experiência do viver juntos, entender o trabalho como invenção de meios para construir a casa comum, a fim de que

garantida na educação básica como princípio, não apenas como disciplina.

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Educação de classe

Paulo: Professor de Filosofia. Livro “1984”. Autor: George Orwell. Editora Nacional(1979).

Elizabete:

Felipe:

Professora de Língua Portuguesa.

Professor de História.

Adesina:

Armindo:

Professora de Filosofia. “Vidas Secas”. Autor: Graciliano Ramos. Editora Record(2008).

Livro “O 18 de Brumário de Luís Bonaparte.” Livro “Cincos lições da Psicanálise, Leonardo da Vinci e outros trabalhos”(1910). Autores: Nélio Shneider, Friedrich Engels e Autor: Sigmund Freud. Editora Stantard Karl Marx. Editora Boitempo. Brasileira.

Professor de História.

Livro “A ideologia Alemã”. Autores: Karl Marx e Friedrich Engels. Editora Boitempo.

Lilia: Fernanda: Professora de História. Livro “O Negro no Brasil”. Autores: Carolina Vianna Dantas, Hebe Mattos e Martha Abreu. Editora Objetiva.

Jonatas:

Professora de Geografia.

Professor de História da Arte e de Socio- Livro “Magia e Técnica Arte e Política”. Autor: Walter Benjamin. Editologia. ra Livro “Microfísica do Poder”. Autor: Brasiliense(1985). Michel Foucault. Editora Graal(2012).

Livro “As Veias Abertas da América Latina”. Autor: Eduardo Galeano. Editora L&P Pocket.

Luciano:

Marcelo: Mara: Professor de Língua Portuguesa.

Professor de Ciências e Biologia. Livro “Pedagogia da Luta”. Autor: Carlos Alberto Torres. Editora Papirus

Professora de Inglês, Português e de Cinema.

Gomes:

Professora do Ensino Fundamental. Livro “Se a memória não me falha.” Autora: Sylvia Orthof. Editora Vida Me-

Livro “Renato Russo: O Filho da Revolução”. Autor: Carlos Marcelo. Editora Agir – Casa dos Livros.

Lucia: Professora de Ciências Livro “Grande Sertão Veredas”. Autor: João Guimarães Rosa. Editora: José Olympio.

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Educação de classe

Rafael:

Rafane:

Raiane:

Professor de História.

Professora de História, HGP e Turismo.

Professora de Língua Portuguesa.

Livro “A Elite do Atraso”. Autor: Jessé Livro “Brasil Nunca Mais. Autores:Cardeal Arns e Paulo Evaristo. Editora Souza. Editora Leya. Vozes.

Vanderléa:

Vivian Carvalho:

Orientadora Pedagoga.

Agente Ed. Infantil.

Professora de História.

Livro “Pedagogia do Oprimido. Autor: Paulo Freire. Editora Paz Terra(2001).

Livro “Para Educar Crianças Feministas”. Autora: Chimamanda Ngozi Adichie.

"Corpos Docente surge em meio a uma enxurrada de ataques e marginalizações que a educação brasileira vem sofrendo, sobretudo em cima de professores que apoiem o pensamento crítico dentro do processo educacional na relação docente/aluno a). Daí resolvi fazer um conjunto de fotos que valoriza o (a) professor(a)

Professora de Língua Portuguesa.

Livro “História das Lutas dos TrabalhadoLivro “Sem Tesão não há Solução”. Autor: res do Brasil”. Autor: Vitor Gianotti. Roberto Freire. Editora Guanabara Editora Maud X(2007).

Tânia:

Editora: Companhia das Letras.

Rose:

Vivian Amaral:

Professora de Educação Infantil e FundaLivro “Escravidão”. Autor: Laurentino mental. Gomes. Editora Globo Livros. Livro “Pedagogia do Oprimido”. Autor: Paulo Freire. Editora: Paz Terra(2001).

que estimula nos seus alu- centes. A padronização esnos, o pensamento refle- tética será apenas da luz xivo. lateral no rosto dos professores, porquê? Pra reComo farei isso? Faço um meter a exposição que o retrato do rosto de um do- docente sofre - das autoricente e uma outra foto de dades e sociedade. A parum livro de cabeceira ou te escura do rosto remete algum outro que dialogue a soberania e mistério incom o tema central do tra- trínseco de cada um em balho, e sobreponho as seu plano de aula." duas fotos - o professor e Gabriel Ribeiro o livro como corpos do13


Educação de classe A Escola Municipalizada Professora Maria da Glória Queiroz de Vasconcellos, esta presente no bairro Alto Independência há sessenta a anos, no ano de 2001 foi municipalizada atendendo ao segmento de Educação Infantil com idade de 3 a 5 anos em período parcial EMEI, chegando a atender 240 alunos. A mesma desde o ano de 2001 apresentava problemas estruturais, os quais a levaram intervenções de obra por quatro vezes. No ano de 2015 agravou-se de forma elementar, a ponto de ser interditada pela defensoria publica, a qual nos resguardou segurança e conforto no espaço a qual hoje estamos ocupando. Ressaltamos que este foi determinado pela secretária de educação naquele período. Para aproximar o novo ambiente em um lugar semelhante a uma escola voltada para a infância não foi medido esforços, no que tange as questões de organizarmos o ambiente ludicamente, bem como, darmos continuidade aos projetos permanentes: “CIRANDA DE HISTÓRIAS: leitura de mundo na roda da vida; ” e Um MUNDINHO para todos , bem como os didáticos de acordo com os interesses e necessidades das crianças. Ampliamos as possibilidades a partir destas questões e oportunizamos vivencias e experiências no intuito de promovermos, mesmo num contexto adaptado, um respeito a INFÂNCIA..... A Escola Municipalizada professora Maria da Glória Queiroz de Vasconcellos tem como princípio alinhavar suas ações pedagógicas em conformidade com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil e a Base Nacional Comum Curricular , como referência e contribui-

ção a implementação de práticas educativas pautadas em princípios de qualidade. Nossa função é integrar e contribuir com políticas e programas voltados a implementação de ações e estratégias significativas num universo de possibilidades que é a infância, bem como, subsidiar o trabalho educativo, considerando as especificidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas das crianças. O intuito é provocar uma intensa discussão no cenário educativo, envolvendo questões relevantes que amplie as experiências e a construção do conhecimento das crianças propiciando assim, o seu desenvolvimento. Entretanto, para contemplar o desenvolvimento integral da criança é preciso percebê-la como sujeito histórico e culturalmente localizado, significa então, que a ação educativa deve oferecer a oportunidade para que ela desenvolva autonomia, responsabilidade, solidariedade e respeito ao bem comum. Ao tornar concreta essa proposta, compreende-se que sua organização didática deve ocorrer através de situações significativas, estruturadas por Campos de Experiências e Objetivos de Aprendizagem: as diversas formas de linguagem, as interações, a organização espaço-temporal, e a brincadeira. Compreendemos e validamos a brincadeira e o brincar como eixo fundamental do trabalho, significa compreender que através dele a criança estabelece vínculos entre o imaginário e o real. É através do brincar que ela reconstrói o mundo adulto de forma que seja capaz de resignificálo. Tendo a possibilidade de trabalhar com a imaginação, e a sua própria realidade é reconstruída pela fantasia ao mesmo tempo em que a fantasia

constrói a realidade. Assim, a brincadeira deverá constituir-se em momentos de aprendizagem, nos quais a criança tenha a possibilidade de elaborar papéis e ao mesmo tempo exteriorizar o que pensa e vivencia. As significações elaboradas pela criança têm como referência o universo de experiências que lhes for possibilitado, logo, torna-se de fundamental importância a participação do educador em todo o processo, oferecendo situações diversificadas e enriquecedoras, a fim de que as crianças possam aprender e desenvolver suas capacidades, sempre considerando que cada uma tem o seu tempo. Sendo a família o primeiro grupo social da criança, evidencia-se o compromisso de cuidar e educar, assim como promover meios de que as mesmas tenham acesso a recursos que assegurem seus direitos. Desta forma, a atual estrutura social tem levado, cada vez mais cedo, os pequenos para a escola, que passa então, a ser um novo grupo de convívio. Neste contexto escola - família precisam assumir uma parceria nos cuidados e educação que são destinados às crianças, tornando-se essencial a troca de informações, o diálogo, a afetividade, o respeito mútuo, dentre tantas outras considerações, venham de forma efetiva promover relações significativas que considerem e validem a criança como protagonista deste cenário, e promovendo meios que os pequenos sejam e vivenciem suas “infâncias”…

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Educação de classe

Em cena nossas vivências: Cirandas temáticas; Cantinhos: arte, psicomotor, socioemocional, faz de conta, casinha, oficina mecânica, mercadinho, beleza, hospital Bandejas montessorianas; Roda de histórias; Musicalização; Baú de histórias; Caixas Brincantes; Desafios corporais; Recreio Interativo; Sala de Leitura; Oficinas de culinária, experiências, teatro; Jogos Matemáticos; Experiências baseadas em Emilia Réggio; Grupos de estudos; Planejamento individual e coletivo; Sacolas Literárias; Portfólios; Livro do Ano ( ações desenvolvidas ao longo do mesmo)

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Durante muito tempo a creche caracterizou-se como caridade, filantropia e ou assistencialismo. Muitas lutas ocorreram no campo do atendimento infantil até que este fosse concretizado em Leis. A história do atendimento à infância no Brasil teve início no período colonial, principalmente com a instituição das casas da roda, um asilo onde recolhiam menores abandonados. As rodas de expostos tinham caráter caritativo e atendiam órfãos e abandonados miseráveis. No final do século XIX surgem às primeiras creches destinadas aos filhos das ex-escravas. O interessante é que, já no seu início, as creches apresentavam traços que perduraram na história: caráter beneficente; a não internação; destinado para bebês e crianças pequenas de mães pobres que trabalhavam. Segundo Campos, a partir da promulgação da Constituição de 1988, a Educação Infantil passou a ser dever do Estado, opção das famílias e direito da criança. Este mesmo direito foi reafirmado no ECA-Estatuto da Criança e do Adolescente. Em 1996, com a aprovação da LDB Lei de Diretrizes e Bases nº 9394/96 a Educação Infantil passa a fazer parte da Educação Básica e terá como finalidade o desenvolvimento integral das crianças até seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Com esta Lei os princípios educacionais assegurados na Constituição e no ECA foram regulamentados e a Educação Infantil passou a ser entendida como instituição educativa e/ou escolar, devendo se preocupar com a relação cuidar e educar. Quanto à formação dos profissionais da Educação Infantil, de acordo com o artigo 62 da LDB 9394/96, assim fica determinado: A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidade e institutos superiores de educação, admitida,

como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. Diante de tantas e tão complexas questões levantadas ressalta-se a importância de pensar no conceito de criança construído, principalmente nos documentos que orientam a Educação Infantil. 3 Alguns entendem a infância

como a condição natural, biológica, que categoriza as crianças como distintas dos adultos, mas as veem como iguais entre si. (...) Outros veem a infância como uma construção social e histórica, estando às crianças sujeitas a influências das tradições e costumes de seu grupo cultural, de seu pertencimento étnico, religioso e de gênero, e das condições socioeconômicas nas quais estão inseridas. (...) As pesquisas sobre o desenvolvimento infantil têm nos remetido a uma noção de criança como ser competente, com necessidades e modos de pensar e agir que lhe são próprios (SEED, 2006, p. 27). Percebese nesta citação diferentes formas de compreender a criança, no entanto, não explicita o que de fato a criança necessita conhecer na primeira infância para se tornar um adulto com todas as habilidades necessárias para a produção e reprodução da vida em sociedade. Na década de 1990, inúmeros debates, pesquisas e ações apresentaram os desafios das creches e pré-escolas, bem como a necessidade da profissionalização dos trabalhadores de Educação Infantil. Em torno desta questão novas necessidades como condições de trabalho, plano de carreira, salário e formação continuada farão parte da luta destes profissionais. A partir deste novo direcionamento dado a Educação infantil, busca-se compreender o papel do pedagogo. Ao conceber que o pedagogo tem papel essencial na busca da arti-

culação do trabalho pedagógico e tendo em vista que a situação dos profissionais de creche é bastante precária, que trabalham com um número superior de crianças, e, considerando ainda a falta de profissionais especializados e o grande número de estagiários trabalhando nos Centros de Educação Infantil, é preciso entender a história da Educação Infantil, a avaliação e a indisciplina na Educação Infantil, o papel do brinquedo no desenvolvimento da criança, tudo isso leva a considera-se importante que o pedagogo desempenhe junto aos seus pares, qual seja, a realização da formação continuada. Os profissionais que atuam nos CEI objetivam e almejam que o trabalho estimule o desenvolvimento da criança. No entanto, nem sempre têm uma formação teórica que possibilite a compreensão de todas as dimensões contidas na prática docente da Educação infantil. O reconhecimento da educação infantil como espaço de aprendizado e conhecimento, trouxe a necessidade de repensar as relações da Pedagogia com a educação infantil, orientada para uma prática comprometida com uma intencionalidade educativa que resgate a infância. Estes processos necessariamente se constituem em processos educativos, pois para ocorrerem necessitam do conhecimento e das experiências que lhe são transmitidos por outros indivíduos, especialmente os adultos. Rossetti & Ferreira (1998) afirmam que é fundamental que o educador realize sistematicamente uma reflexão sobre suas ações, de preferência antes e depois delas, através de planejamento e avaliação. É preciso que procure entender por que uma criança se comportou de uma determinada forma diante de uma situação qualquer [...], pois a avaliação é um processo não somente da criança, mas também do educador, que deve constantemente refletir sobre o que ele deve

É PRECISO VALORIZAR PROFESSORES E EDUCADORES DE EDUCAÇÃO INFANTIL !

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É necessária uma reflexão sobre o papel da prática de ensino na formação do pedagogo, bem a articulação entre a teoria e a prática. De fato é preciso aliar a necessidade de formação acadêmica com a formação continuada dos profissionais que atuam nos estabelecimentos . Diante disto, é possível contribuir para a formação acadêmica mas também, colaborar com a formação dos profissionais

que atuam nos CEI, dando a estes condições de uma melhor compreensão sobre suas práticas, garantido assim, que a criança por ele atendida, usufrua dos direitos que lhe foram conferidos, não apenas por uma condição imposta pela Lei, mas sim, pelo fato de que é no CEI que a criança passa a maior parte do dia, e, em muitos casos, transferem aos professores educadores o carinho e a atenção que dedicariam a família. Dentro desta perspectiva, a formação destes profissionais se faz obrigatória, e, portanto, entende-se que a realização de um projeto de formação continuada para os profissionais que atuam no CEI caracteriza-se como elemento de reflexão da sua atuação com objetivos de criar possibilidades de realização de uma nova prática. Se, por um lado, é difícil realizar um trabalho de qualidade por questões de ordem política e econômica, por outro lado, falta também a compreensão da realidade educacional no contexto das mudanças sociais por parte dos profissionais que nela atuam. Desta forma, entende-se a necessidade de formação inicial e continuada dos profissionais que atuam nesta modalidade para que possam enfrentar os desafios da atualidade e criar possibilidades de atuação com vistas à transformação da situação atual vivida pela Educação Infantil. Uma nova ação pedagógica em um contexto que contemple todas as dimensões do humano passa a ser o desafio aos educadores. À Pedagogia cabe, assim, ampliar e subsidiar a formação ampla e contínua do professor para a educação infantil, que atenda às demandas sócio culturais dos programas voltados para a infância ressaltando uma postura ética e comprometida, que agregue ousadia para conseguir efetivar na prática as conquistas obtidas nos aspectos legais em relação ao atendimento à infância brasileira. Significa, pois, saber utilizar os conhecimentos social-

mente produzidos para estabelecer transposições didáticas adequadas e de qualidade para o cuidado e educação das crianças. Uma questão importante para a realização de um trabalho consistente na Educação infantil passa pelo conhecimento do professor sobre as diferentes dimensões da criança. Na atualidade existe um debate acentuado sobre o conceito de criança e de infância, que pode ser tecido a luz de novas práticas e novas pesquisas. Compreende-se que o papel do pedagogo nos Centros de Educação Infantil é refletir junto aos educadores sobre as concepções de infância, de atendimento à criança, de instituição e orientá-los na construção de uma prática pedagógica com vistas à superação do trabalho fragmentado. Um outro objetivo do pedagogo deve ser o de orientar o educador no sentido de que seu trabalho estimule o desenvolvimento da criança. Defende-se, portanto, a necessidade de pensar o perfil do profissional que atue como articulador do trabalho pedagógico nos Centros de Educação Infantil. É imprescindível a valorização do trabalho dos profissionais que atuam na educação infantil, professores e educadores de educação infantil. Estabelecer o devido tempo de planejamento aos docentes e o devido reconhecimento financeiro aos educadores de educação infantil que atuam em parceria com os orientadores pedagógicos nos Centros de Educação Infantil. È prioridade investir em formação continuadas de todos os profissionais docentes que atuam nas turmas de educação infantil do berçário ao 5º período.

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analisar, questionar a respeito da educação da criança. Segundo as autoras, esses questionamentos devem ir em busca de respostas que contribuam para o repensar da prática que está sendo realizada na instituição. Cada criança deve ser avaliada em relação a si própria e, para que isso se torne possível, é necessário que o educador crie alternativas para registrar o que foi observado diariamente, pois guardadas na memória essas informações podem se perder. Ressalta-se que o instrumento de avaliação por ele mesmo não suscita mudanças, mas sim o modo a avaliação é concebida. Compreendese que avaliação é um processo e que os registros são importantes para avaliar, questionar, refletir sobre as mudanças ocorridas com a criança e para que o professor crie alternativas para potencializar as capacidades das crianças. Há uma grande dificuldade para se trabalhar com as crianças na perspectiva da brincadeira. As crianças aprendem através da imitação e da interação com adultos, portanto, compreende-se a necessidade de propiciar momentos de descontração e de brincadeiras com os educadores. Pesquisas vem apontando a brincadeira como um elemento fundamental para se garantir este desenvolvimento da criança. Vigotski, ao trabalhar o papel do brinquedo no desenvolvimento, afirma que através do faz-de-conta a criança internaliza conceitos e cria condições para compreender o cotidiano das instituições sociais.

Educação infantil não é depósito !

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O papel do Professor / Educador na educação infantil

tratégias e comportamentos que favorecem a melhor aceitação e desenvolvimento da criança no ambiente escolar, sempre de maneira carinhosa, servindo de exemplo para os mais novos.

Engana-se quem pensa que o papel do professor/educador é apenas ensinar. Ele também é um dos responsáveis por estimular atitudes respeitosas por parte das crianças: o professor/educador ensina o seu filho a respeitar os demais colegas de classe, a aguardar a vez dele na fila, a ser gentil com as outras pessoas que trabalham na escola, entre outras atitudes que, consequentemente, serão levadas para fora do ambiente escolar.

É na fase dos 0 aos 6 anos, chamada de primeira infância, que as crianças passam a perceber o mundo e despertam uma curiosidade nata e investigativa, sempre questionando e querendo saber o porquê das coisas. Com isso, a criança constrói sua própria identidade, baseada na exploração do meio em que vive, na construção dos relacionamentos interpessoais, na obtenção do conhecimento e valores a ela ensinados, e nas brincadeiras, que são a forma mais produtiva de adquiriO professor/educador também é rem conhecimento e se relacionaresponsável por proporcionar às rem com outros. crianças experiências que auxiliam a desenvolver suas capacidades Por isso, na primeira infância, é pricognitivas, como atenção, memó- mordial que o professor/educador ria, raciocínio e o bem estar em um também ofereça, juntamente com ambiente cheio de pluralidade. Pa- os pais, todas as ferramentas nera isso, ele promove atitudes, es- cessárias para a construção dessa Nos centros de educação infantil em Petrópolis nas turmas de 0 a 3 anos existe somente a figura do Educador de Educação Infantil que , na maioria dos casos ,exerce a condução do trabalho pedagógico nas turmas e sem receber nada por isso. Quase todos os educadores de Educação Infantil possuem habilitação em magistério ou Pedagogia. É preciso resolver essa situação , sugerimos ao governo a criação de uma “regência de classe” para os educadores devidamente habilitados e que exerçam a aplicação das atividades pedagógicas em sala de aula.

identidade. Vocês podem fazer isso criando situações que permitam agregar conhecimento, organizar o espaço físico, ensinar como manipular e explorar materiais concretos e harmonizar trocas orais constantes com crianças e adultos. Dessa forma, ocorrerão as trocas afetivas, enfrentamentos e resoluções de conflitos, e vocês perceberão como a criança lida com frustrações e desafios. O professor/educador é uma figura fundamental na vida das crianças, e aqueles que atuam na educação infantil são verdadeiros pilares para o desenvolvimento do seu filho. A escola é o segundo ambiente socializador em que a criança é inserida, onde o professor/educador pode ajudar a adquirir novos conhecimentos todos os dias e a desenvolver interações, impactando em seu modo de perceber o mundo.

A educação infantil é primordial na formação de um indivíduo no que diz respeito não somente a transmissão de conhecimento, mas também ao englobar questões relacionadas ao amor, fraternidade, dignidade, solidariedade, responsabilidade, ética e outros valores fundamentais para a convivência harmoniosa do ser humano na sociedade. 18


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Educação de classe Primeiramente, para falar sobre a luta do povo negro peço licença a minha ancestralidade por acreditar que sou fruto da utopia dela. Caso meus mais antigos não tivessem acreditado num futuro, eu não estaria aqui. É claro que o momento em que vivemos é bem contraditório. Como em pleno século XXI as marcas do período colonial escravocrata se mostram tão presentes no cotidiano? É cotidiano o genocídio, são cotidianos os maus tratos que a negritude do Brasil ainda sofre em periferias e favelas, é cotidiana a violência sexual e obstétrica que ainda opera contra as mulheres negras, é cotidiana a violência policial, é cotidiano o racismo que esconde nossa história de resistência e ensina na escola que a liberdade do cativeiro foi concedida por uma Princesa chamada Isabel, porém é preciso reconhecer que já vivemos tempos piores, e que se chegamos até aqui é porque ainda temos uma longa caminhada pela frente. O que pretendo nesse breve texto não é encerrar o assunto ou trazer a verdade absoluta, mas levantar reflexões acerca das nossas responsabilidades e tarefas históricas diante da ferida aberta do racismo estrutural que assassina jovens, crian-

ças, vereadoras e famílias negras no Brasil pelo braço armado do Estado. Historiadores como Abdias Nascimento em sua obra “O genocídio do negro brasileiro” de 1976 desmascara o mito da democracia racial tão propagandeada no Brasil pós abolição e denuncia o processo e projeto em curso do genocídio do negro no Brasil. Tal referência nos coloca a prerrogativa de que nos dias atuais do ano de 2019, o projeto de sociedade daqueles que nos traficaram da África e lucraram no momento de expansão do capitalismo segue firme. A classe de herdeiros dos colonizadores e traficantes do Atlântico vive sem nenhuma consequência pelos crimes cometidos nos mais de três séculos e meio de escravidão, enquanto que os descendentes do povo escravizado sofrem até hoje as injúrias de um estado genocida que aplica a política da classe dominante brasileira saudosista dos tempos coloniais.

Áurea não foi uma boa ação da Princesa Isabel, mas além das tensões comerciais que marcavam a nova fase do capitalismo em desenvolvimento, onde a Europa já passava pela revolução industrial, havia também várias insurreições por todo o Brasil em protesto contra o regime escravocrata. Era literalmente fogo no engenho, e portanto, também havia temores dos senhores de engenho diante da realidade imposta cada vez mais difícil de controlar. Por isso que o processo de abolição não foi apenas a Lei Áurea, mas um conjunto de leis como Ventre Livre e Lei do Sexagenário que já demonstravam o fracasso da sociedade. O mesmo autor também vai nos dizer que foi exatamente a luta pela abolição a grande revolução brasileira, pois foi a única que alterou a estrutura da sociedade.

É fato que cem anos após abolição, em 1988 o movimento negro discutia o que na década de 20 e 30 já tinha acumulado, que o proNa obra “Rebeliões da Sencesso da abolição foi inconzala” (1986) o sociólogo Clóclusa, haja vista que várias vis Moura apresenta uma foram as leis também que vasta referência das lutas fizeram com que a massa de abolicionistas e de resistênex escravos ficassem largacia à escravidão que negras dos a própria sorte e tame negros faziam nos engebém impedidos de conquisnhos. Após a leitura do livro tar terra e trabalho, bem é possível concluir que a Lei

como também proibidos de acessar a educação. O projeto da classe dominante no Brasil pós abolição era passar em branco os anos de trabalho escravo, e por isso importa trabalhadores europeus com o intuito de embranquecer o país na sua concepção de “desenvolvimento”. As consequências da sociedade que não reparou as gerações de famílias escravizadas são o alto desemprego, alto índice de analfabetismo e o desenvolvimento das favelas como territórios criados pelos deserdados do trabalho e da terra. No mesmo ano de abertura democrática no país, o movimento negro retoma os acúmulos das décadas de 20 e 30 e reafirma a necessidade de uma segunda abolição, onde o Estado Brasileiro realizasse a reparação histórica para negros e negras. Não tivemos a reparação, mas há registro histórico de uma importante iniciativa. Me chama a atenção, por exemplo, a proposta de Emenda Constitucional elaborada pelo sociólogo e então deputado constituinte Florestan Fernandes em conjunto com o movimento negro. Tal emenda que tratava “Da ordem Social Capítulo IX - Dos Negros”, não foi aprovada, mas retiramos 24


Educação de classe um trecho que suscita uma profunda reflexão do que seria essa tal política de reparação.

tório o ensino de conteúdo afro brasileiro nas escolas tem dificuldades para ser implementada?

mísseis para as favelas? Que democracia é essa que nunca chegou nos grandes sertões, favelas e periferias?

“§6º A oferta de ensino público gratuito não é suficiente para integrar e reter estratos da população negra nas escolas. O poder Público corrigirá essa contradição oferecendo às crianças, jovens e adultos negros oportunidades escolares persistentes e em constante aumento através de bolsas escolares, destinadas à manutenção pessoal dos estudantes enquanto durar sua escolarização.” (FERNANDES, 2017)

Sabendo de onde viemos, temos maior possibilidade de saber para onde iremos. Qual o nosso projeto de sociedade, hoje? Pois aqueles que nos traficaram da África tem um projeto de sociedade que permanece até hoje. É o projeto de genocídio que assassina Ágatha Felix de 8 anos, a vereadora socialista Marielle Franco, a família negra com mais de 200 tiros disparados pelo exército, que tem mais de 13 milhões de desempregados e que mata um jovem negro a cada 23 minutos. No Rio de Janeiro foram fechadas mais de 200 escolas em uma década. Quem é a população atingida? O que nós no século XXI estamos fazendo? Quem são nossos inimigos históricos? Pois igualdade, liberdade e fraternidade para negros no Haiti, fez uma revolução. A questão é, na sociedade capitalista não existirá igualdade, já que nem todos são tão iguais assim. Liberdade para quem se a família brasileira ainda sofre com a seca, com a falta de gás, de transporte público, de escola e moradia? Fraternidade aonde, com um governador que especula o envio de

O mar da história está agitado, ja diria Maiakóvsky. O sistema e o regime dito democrático de direito estão em crise. Em 2020 acaba a lei de cotas. Qual o nosso próximo passo? Sabemos onde a corda arrebenta primeiro quando o burguês perde chances de lucrar mais e mais, então me pego pensando se meus tataravós lutavam por menos chibatadas... Ou até mesmo por senzalas menos insalubres... Ou quem sabe por um quartinho de empregada maior! Não me parece razoável, portanto, pensar um mundo com “menos genocídio do povo negro” ou uma porcentagem para a maioria do povo entrar na Universidade. É claro que queremos diminuir estes índices, mas aonde queremos atracar o barco diante desse mar agitado que é a questão. Queremos uma sociedade onde não haja mais genocídio! Uma sociedade com livre ingresso na Universidade! Por que não, senhor? Por que não, sinhá?

Refletimos, portanto, o que seria o Brasil caso essa emenda tivesse sido aprovada, e mais, por quais motivos esta não foi aprovada? Chegamos em 2019 com um número nunca antes visto de negros e negras ocupando vagas nas Universidades. Ainda que seja um índice bem inferior a estudantes brancos, o fato é que a política de cotas raciais transformaram as Universidades e pesquisas no Brasil. Mas ainda fica a pergunta, em 15 anos é possível graduar-se, formar-se mestre e doutores. Onde estão os professores negros nas Universidades? Porque até hoje a lei 10639/03 que torna obriga-

Para o povo negro no Brasil conquistar suas vitórias, só é possível conquistando para todos Então a luta é de

todos e todas que almejam uma sociedade justa e igualitária, escovando as feridas abertas do nosso passado escravocrata com compromisso de enterrar na história os episódios racistas. Sem essa compreensão o barco perde a direção. O que faremos nós, no século XXI diante da grande contradição aberta? Essa é uma pergunta para uma resposta coletiva, somos nós da classe trabalhadora, negras e negros que enxergaremos com melhor precisão o porto “liberdade Linnesch Ramos Professora UEPA Mestre em Educação UFBA Coordenadora da Rede Emancipa “Meu avô já foi escravo Mas viveu com valentia Descumpria a ordem dada Agitava a escravaria Vergalhão, corrente, tronco Era quase todo dia Quanto mais ele apanhava Menos ele obedecia” (Paulo Cesar Pinheiro) 25


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O Sepe vai comemorar a passagem dos 40 anos da histórica greve de 1979 com uma atividade, que será realizada no dia 16 de dezembro, no Clube Democráticos (Rua do Riachuelo, 91 - Lapa), a partir das 17h30m

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sepepetropolis.com.br

sepetropolis.blogspot.com

sepepetropolis@gmail.com 31


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Profissão: Professora Me lembro bem dos tempos idos em que cheguei pela primeira vez numa escola como professora, com 19 anos e um punhado enorme de esperança e vontade de fazer a diferença. Posso fechar os olhos e me parece hoje! Mareja meu olhar tudo o que estar à frente daquelas pessoas significou. Lembro-me dos pais aguardando na saída, a intimidade crescente junto com a amizade, os abraços apertados dos alunos, meu olhar diferenciado para cada um e o carinho enorme que recebia desmedidamente deles próprios e de suas famílias. E mais, lembro-me do orgulho que sentia nos preenchimentos das fichas tão comuns durante toda a vida, ao me indagarem minha profissão: professora. Naquela época, alunos saiam da escola sob minha responsabilidade, alguns frequentavam a minha casa, os pais telefonavam para meu número fixo se não entendiam um dever. Naquele tempo, voltava para casa carregada de presentes e cartas nos dias do professor, do aniversário e quantos mais datas os pais inventassem para me prestar

homenagens, afinal, eu era a professora. Este título, que tanto orgulho deu aos meus pais, era repleto de uma luz de nobreza. Professor era quase alcunha de santo, de ser abençoado, trazia mensagem de generosidade e razão. Foram muitas turmas, muitos seres, muitas histórias, muitas emoções. São muitos amigos que ainda conservo nos alunos que cresceram, muito respeito, muita certeza de que eu estava lá inteira, fazendo o bem. Até porque, o conhecimento só pode fazer o bem. O tempo passou, segui meu caminho e, com pesar imenso, lamento pelo que os meus pares, missionários da Educação, estão vivendo. De repente, a figura de sabedoria, de generosidade, de afeto, de cuidado, de amizade, que tão bem definem um professor passa por questionamentos. Há uma necessidade de negativar essa figura que, em tempos idos ou em países outros, carrega a proteção da sociedade. Afinal, quem desejaria ser professor se não visse nesse oficio a sua missão divina? Em tempos de censura (mesmo que velada), de desvalorização da autoridade do magistério, do desbotamento do glamour que conferia cari-

nho e respeito a essa profissão, quem quer, no futuro, ser professor? Tempos difíceis para uma profissão tão necessária ser a escolha. Desde as provas até os ambientes escolares, que crivo é esse e quem ganha com a desmoralização da Educação? Com certeza, não é quem mais necessita do conhecimento para romper amarras, abrir portas e cavar seu futuro. Com certeza, não é quem pensa grande e constrói seu projeto de vida alicerceado em informações contundentes. Com certeza, não é quem mais depende da Educação. O professor do ano 2019 ainda entra na sala de aula carregando o mesmo punhado enorme de esperança e vontade de fazer a diferença. Por que estamos deixando se apagar essa luz? Alguém imagina um mundo sem professor? Eu não! Catarina Maul Professora , Escritora e Produtora Cultural

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Educação de classe NOTA DO SEPE PETRÓPOLIS EM DEFESA DA EDUCAÇÃO E DA LIBERDADE DE CÁTEDRA Diante das recentes arbitrariedades e violações à liberdade de cátedra em unidades escolares do Rio de Janeiro, o SEPE Petrópolis vem, através desta nota, repudiar tais atitudes, prestar solidariedade aos profissionais da educação envolvidos e reforçar que a luta por uma educação pública de qualidade perpassa necessariamente pelo respeito aos direitos e garantias constitucionais que permeiam a atividade docente. Vivemos tempos em que o tema da liberdade de cátedra se reposiciona na ordem do dia. Enquanto um princípio constitucional, previsto também na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a liberdade de cátedra está consagrada como pressuposto fun-

damental da atividade docente, representando a liberdade de ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, com a garantia do pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas. Não por acaso, a liberdade de cátedra possui respaldo em documentos internacionais, incluindo a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nesta nota não citaremos o nome daqueles que, a partir de condutas antidemocráticas e arbitrárias, desrespeitam o ensino e a educação pública no país. Estes, que buscam satisfazer unicamente seus interesses espúrios, merecem apenas o repúdio dos profissionais da educação, dos estudantes e do conjunto da sociedade. Como

exemplo de resposta, devemos exaltar a atitude da comunidade escolar do Colégio Pedro II, em São Cristóvão (RJ), que os afastou do interior da unidade. Qualquer atitude que viole a liberdade de cátedra, a liberdade de expressão, a autonomia escolar, a diversidade nas escolas e o composto de direitos e garantias, representa uma agressão à educação. Ampliação das redes públicas, valorização profissional, respeito aos direitos constitucionais, estruturas adequadas. Isso, sim, significa defender a educação. Neste sentido, seguiremos na luta com a certeza de que a pluralidade e a criticidade são partes essenciais da educação, pois se apresentam

como ferramentas capazes de buscar o pleno desenvolvimento da personalidade humana e o fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais e democráticas. Toda nossa solidariedade às comunidades escolares envolvidas nos últimos acontecimentos. Sigamos juntos e juntas, por uma educação crítica, emancipatória e transformadora. Petrópolis, 12 de outubro de 2019. Direção SEPE Petrópolis

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Educação de classe das atividades do Liceu Municipal, se efetivado, provocaria prejuízos inestimáveis LICEU CARLOS CHAGAS FICA à educação pública no que diz respeito ao acesso e à permanência de crianças e adoO encerramento das atividades do Liceu Municipal Carlos Chagas, que funciona há lescentes, residentes de uma região carente de assistência e serviços públicos, 19 (dezenove) anos, violaria o violando dispositivos constitucionais, da direito ao ACESSO e PERMANÊNCIA à eduLei de Diretrizes e Bases da Educação, do cação pública de milhares de crianças e Estatuto da Criança e do Adolescente e adolescentes da região, que teriam de diretrizes do Plano Nacional de Educação. suportar transferências forçadas a outras Como se sabe, o art. 6° da Constituição unidades da Rede Pública, distantes dos Federal inclui a educação dentre os direiseus locais de moradia. Como se sabe, o tos sociais, certo de que a competência Liceu Municipal Carlos Chagas desempenha, dentro da Rede Pública de Ensino do para proporcionar os meios adequados de Município de Petrópolis, papel central por acesso e permanência é comum da União, sua localização e por ser um polo de Edu- dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. O texto constitucional ainda discação de Jovens e Adultos (EJA), tendo, põe que a educação, enquanto direito de inclusive, concentrado a demanda de jotodos e dever do Estado e da família, vens e adultos de diversas unidades que “será promovida e incentivada com a codeixaram de fornecer esta modalidade. Atualmente, a unidade conta com mais de laboração da sociedade, visando o pleno 500 (quinhentos) estudantes do segundo desenvolvimento da pessoa, seu preparo segmento (6° ao 9° anos), além de aproxi- para exercício da cidadania e sua qualifimadamente 60 (sessenta) alunos do EJA, cação para o trabalho” .O art. 206 da atendendo a população de quatro comu- Constituição Federal ainda garante como princípios do ensino público a igualdade nidades carentes, são elas: do Alemão, de condições para o acesso e permanência Atílio Marotti, Quarteirão Brasileiro e Neylor, sendo esta uma das regiões mais na escola, além da gestão democrática.

VITÓRIA DA MOBILIZAÇÃO

Em outubro , familiares e moradores da região contemplada pelo Liceu Municipal Carlos Chagas iniciaram uma mobilização contra o fechamento da unidade, porque vivem a realidade e as dificuldades da rede pública de ensino do Município de Petrópolis, que poderiam piorar ainda mais para a região com o encerramento das atividades do Liceu. O SEPE participou da mobilização da Comunidade Escolar , inclusive remetendo representação ao COMED e ao MP para impedir o encerramento das atividades da unidade. Saudações a todos que participaram do movimento de resistência para a permanência da unidade escolar.

carentes do Município. O encerramento

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