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EDUCAÇÃO DE CLASSE

Índice 3

Editorial

32 e 33 Enquadramentos 34 e 35 Enquadramentos por

4 e 5 Curso Preparatório

Tempo de Serviço Janeiro/2020

6 a 9 Calendários 2020

36 a 39 Listagem Triênios

10 a 12 Dia da Matemática 13 A importância do gestor com a visão para a diversidade social para o

dez/2019 40 a 43 Listagem Triênios Jan/2020

melhor aproveitamento escolar

44 e 45

14 A inclusão escolar sob vários

46 Jorge Cezar , Presente !

olhares: A importância do papel de

47 Tabela de Vencimentos

professores e educadores como par-

48 Nossas Reivindicações

te de uma equipe multidisciplinar no

FUNDEB

entendimento a alunos com necessidades educacionais especiais". 15 Apresentação da Rede Emancipa 16 e 17 Leitura e a Consciência Política do mundo e de sua Profissão 18 e 19 A chegada do neofascismo ao governo do Brasil e a demonização de Paulo Freire 20 a 23 Muitas coisas escritas e um pensar militante : O MOVIMENTO NEGRO EDUCADOR DE PETRÓPOLIS 24 Rede de Parcerias 25 Canais de Comunicação 26 O que é Fascismo ? 27 Rede Estadual 28 e 29

Artes na EJA

30 e 31 Dia Internacional da Mulher

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Editorial O SEPE/RJ, Núcleo Petrópolis, sempre se colocou em defesa dos profissionais da educação e da educação pública de qualidade. Portanto, não poderia ser diferente a sua atuação em relação à necessidade de valorização e respeito para com os profissionais que hoje integram a Rede Pública de Ensino do Município, mas também no que se refere à utilização de concurso público como meio adequado para preencher a carência de profissionais existente e cada vez mais evidente. Aliás, a Constituição Federal impõe como condição primeira para o ingresso no serviço público a submissão ao certame, sendo esta a forma mais democrática adotada para o preenchimento de

cargos públicos, que propicia à Administração Pública a seleção de pessoas mais qualificadas e que preencham requisitos mínimos para as atividades a serem desempenhadas na prestação dos serviços. Na atual conjuntura, em que entes públicos optam por suprir carência permanente da rede pública de ensino com contratos temporários e precários, renovados sucessivas vezes, inobservado o texto constitucional e a legislação vigente e aplicável à pasta educacional, importante se faz reafirmar os valores e as pautas defendidas historicamente pelo SEPE/RJ, Núcleo Petrópolis, e por aqueles e aquelas que lutam incansavelmente pela educação.

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“A Educação, qualquer que seja ela, é uma teoria do conhecimento posta em prática” Paulo Freire Desde de o início da atuação do SEPE em Petrópolis na rede municipal, na histórica greve de 2011, a atuação da entidade sindical sempre foi à favor da educação pública de qualidade, laica e gratuita entendendo que educação de excelência se faz também na valorização dos profissionais de educação, não só no âmbito da remuneração, como também no sentido da formação continuada e na promoção de uma carreira profissional. Na sua trajetória de luta, o SEPE/Petrópolis sempre teve como pauta a defesa de que a execução de um serviço público seja feita por um servidor bem preparado para a função, devida e justamente remunerado pelo serviço prestado. Nesse sentido, o SEPE/Petrópolis promoveu no ano de 2011 um curso preparatório para seus filiados na intenção de proporcionar de forma ampla e democrática a ascensão dos servidores públicos filiados que desejavam trocar de função, por vezes, por possuírem formação adequada e almejavam ascender profissionalmente. Acreditando nessa máxima, o SEPE/Petrópolis promove nesse ano o II Curso Preparatório para Concursos Públicos. Voltado especificamente para a área da Educação, o Curso Preparatório tem aulas de segunda a sexta, no turno da noite, e aos sábados, no turno da manhã, numa parceria entre o SEPE/ Petrópolis e a rede EMANCIPA de educação popular. A parceria SEPE/EMANCIPA está proporcionando a quase 400 pessoas a possibilidade de se prepararem para o ingresso ao serviço público como servidores da educação nas suas funções não docente, docente e técnica administrativa. Nós, diretores, representantes e apoiadores do SEPE/Petrópolis e coordenadores locais do EMANCIPA continuamos defendendo a educação pública de qualidade por todos os caminhos possíveis, acreditando que a preparação dos futuros servidores públicos seja fator primordial para oferecer a população um serviço público de qualidade visando, sobretudo, o alcance a excelência na promoção da educação pública e colocando em prática a teoria que seja somente pelo conhecimento tenhamos uma educa-

ção libertária e emancipadora.

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DIA DA MATEMÁTICA – OFI- problemas.

metria plana e espacial; e o uso da

CINA DE PRODUÇÃO DE

Diante dos pressupostos teóricos su- razão, proporção e aritmética na

ORIGAMIS E KUSUDAMAS

pracitados, desenvolveu-se entre alu- construção de origamis de distintos

As metodologias ativas, nas quais os nos do 7º ano ao 9º ano do Ensino tamanhos . estudantes são protagonistas na aqui- Fundamental o projeto denominado Após uma semana de intenso trabasição de conhecimentos – “aprender “Dia da Matemática”, no qual os es- lho e interação nas aulas de Matemáa aprender”, vão ao encontro do de- tudantes foram desafiados a observar tica, ocorreu uma culminância – Dia senvolvimento de habilidades e com- diferentes conhecimentos da Mate- da Matemática – na qual uma turma petências esperadas para o cidadão mática presentes na construção de apresentou os trabalhos para a outra, crítico do século XXI. Neste contex- Origamis – técnica japonesa de do- destacando: os desafios e dificuldato, a Base Nacional Comum Curricu- bradura em papel – e Kusudamas – des; a importância da Matemática lar (BNCC) estabelece um conjunto origamis modulares. Para tal, cada para a execução de cada etapa da de valores e atitudes – competências ano escolar foi dividido em grupos atividade; e a história, as curiosida– que buscam a aprendizagem e o de 5 a 6 alunos, os quais foram ori- des e a cultura em torno dos Origadesenvolvimento integral dos estu- entados sobre as etapas e os materi- mis . dantes. Dentre as competências ge- ais necessários para construção dos É importante destacar a mobilização, rais da BNCC destacam-se a utiliza- origamis através de material impres- interesse e curiosidade do corpo disção de conhecimentos historicamen- so e/ou audiovisual.

cente na produção dos Origamis, a

te construídos; a valorização das di- Transversalmente, todos os alunos percepção que o erro pode ser uma versas manifestações artísticas e cul- foram imersos na importância das importante fonte de aprendizagem – turais, das locais às mundiais; e o unidades de medidas e da exatidão já que alguns grupo necessitaram exercício da empatia, do diálogo, da na medição para a construção de ori- reconstruir algumas dobraduras e/ou resolução de conflitos e cooperação. gamis, principalmente os modulares, não conseguiram construir totalmenNos casos das competências especí- que precisam de um padrão de repe- te determinados origamis, a imporficas da área da Matemática é funda- tição para que a forma desejada seja tância e a presença da Matemática mental o desenvolvimento do racio- alcançada; a cooperação e o trabalho no cotidiano e na cultura, e a coopecínio lógico e do espírito de investi- em equipe para o desenvolvimento ração como ferramenta para superagação, e a interação de forma coope- de estratégias e superação dos desa- ção de desafios. rativa e coletiva diante de questiona- fios; a percepção da importância do mentos para a busca de solução para conhecimento de elementos de geo-

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Alunos do 7º ao 9º ano foram divi- com os erros cometidos, a Matemá-

OBJETIVO

didos em grupos os quais receberam tica utilizada nas etapas de construUtilizar a construção de Origamis e Kusudamas como estratégia para reconhecer e aprofundar conhecimentos de Matemática relacionados à geometria plana e espacial, razão e proporção, aritmética e medição.

orientações impressas e material ção, curiosidades e histórias da culaudiovisual para a construção de tura do Origami. Origamis e Kusudamas, incluindo perguntas norteadoras para o reconhecimento de diferentes elementos Matemáticos presentes, direta e indiretamente, em cada etapa da ativi-

METODOLOGIA

dade. Após a execução da atividade, cada turma apresentou para outra as dificuldades, desafios, aprendizado AUTOR: Josemar Vinicius Maiworm Abreu Silva M.Sc - Professor de Matemática UNIDADE ESCOLAR: Escola Municipal João Kopke Fazenda Inglesa REALIZAÇÃO: agosto/2019

maior interesse para as atividades A utilização de estratégias de ensino escolares, como foi nitidamente perque divergem do tradicional, como é cebido na execução do projeto “Dia da Matemática” com a oficina de o caso das Metodologias Ativas, produção de Origamis. A integração além de colcar o estudante como protagonista do processo de ensino- de competências socioemocionais – como a relação interpessoal e coopeaprendizado, permite despertar ração – com atividades lúdicoRESULTADOS/CONCLUSÃO

práticas promovem o aumento da confiança e autoestima frente as potenciais dificuldades e desafios presentes no processo de ensino, especialmente em Matemática, disciplina rotulada pela dificuldade, fracasso e rigor

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A IMPORTÂNCIA DO

a respeitar e aprender juntos. Desta diretores e os demais profissionais de

GESTOR COM A VISÃO PARA maneira é importante refletir essa di- educação daquela instituição. Serão A DIVERSIDADE SOCIAL PA-

versidade, reconhecendo a importân- nessas discussões que se perceberá cia de cada indivíduo. Ao pensar a diferenças que precisam ser conheci-

RA O MELHOR APROVEITA- importância do gestor com uma visão das, diferenças que precisarão ser MENTO ESCOLAR para a diversidade social, precisare- respeitadas, diferenças que precisarão O presente trabalho tem como tema a mos refletir e repensar a inclusão es- ser valorizadas. capaz de estimular, importância do gestor com uma visão colar a partir da valorização do traba- incentivar educadores e educandos. para a diversidade social. Entende-se lho na escola reconhecendo tal diver- Neste artigo concluímos que o gestor que como gestor, ele é a pessoa ca- sidade. Apesar do Brasil não ser con- tem uma figura importante trazendo e paz de viabilizar, ou problematizar as siderado um país racista, esbarramos possibilitando ao seu grupo as reflediscussões na instituição escolar com nestas questões dia-a-dia, e não é xões para a construção de uma escola o intuito de se descobrir os pontos diferente na escola e nos pensamen- que seja inclusiva, que respeite e se conflitantes das relações e os desres- tos ideológicos dos projetos ofereci- organize com um olhar para as diversipeitos a cultura e valores presentes na dos, que na proposta da igualdade dades. Que abra um diálogo que teescola. Quando se fala de diversidade, acaba em muito reforçando a cultura nha essa prática registrada em seu se fala das diferentes formas de credo, dominante. A diversidade deve abrir projeto pedagógico. Mesmo diante das das diferentes maneiras de se expres- espaço para a tolerância, construindo políticas públicas, e os projetos públisar, dos costumes e de tantas outras relações sociais que se pautem no cos que são globalizados, o gestor realidades percebidas e muitas vezes respeito ao outro e compreender que o pode possibilitar para que as intenignoradas neste país tão grande cha- diverso é fundamental e inevitável.É ções se suas instituições sejam orgamado Brasil. Um exemplo clássico é o certo que a escola traz para dentro de nizadas observando as realidades de quanto se parece diferente o modo de si os modelos, do estado, dos profes- sua comunidade. pentear os cabelos e deixar que a be- sores, das famílias, mas daí a imporleza natural seja contemplada. “O ca- tância do Gestor Escolar viabilizar junbelo liso é o correto e o afro é estra- tamente com sua equipe a percepção

ADRIANA CARVALHO DA SILVA RANGEL

nho”. E assim poderíamos lembrar de e o respeito a todas as realidades

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

muitos e muitos casos de diversidades existentes dentro da comunidade es-

CARVALHO, Roseta Edler. Escola Inclusiva:

que se tornam desigualdades e sérios colar. A escola precisa ter clara em

reorganização do trabalho pedagógico. Porto Alegre: Mediação, 2008.

problemas escolares, levando a agres- sua mente para que ele serve e onde COLL, C. Psicologia e currículo: uma aproximasões ou até uma evasão escolar. Ain- ela quer chegar. E isso deve aconte- ção psicopedagógica à elaboração do currículo da que o indivíduo não incorpore para cer a partir do diálogo com os alunos, escolar. São Paulo: Àtica, 1996. si tais vivências do outro, mas aprenda professores, merendeiras, inspetores,

FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. Tradu-

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EDUCAÇÃO DE CLASSE "A inclusão escolar sob vários olhares: A importância do papel de professores e educadores como parte de uma equipe multidisciplinar no entendimento a alunos com necessidades educacionais especiais". Professora Elaine Rosa Moreira Bento:Pós -graduada em Educação especial, professora da rede municipal de ensino, diretora do departamento de formação do SEPE Petrópolis.

Ao longo dos anos, temos observado muitos avanços em políticas públicas voltadas para a inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais. Sendo assim, é cada vez mais frequente a matrícula e permanência de alunos com algum tipo de deficiência em escolas por todo o Brasil, rompendo com o paradigma da segregação, que por décadas, não permitiu acesso, crescimento e troca de experiências enriquecedoras entre indivíduos com e sem deficiência. Embora tenhamos caminhado bastante na garantia do acesso e permanência desses alunos é importante pensar em estratégias que garantam a qualidade do processo para que a inclusão de fato aconteça. Como professora da rede municipal, especialista na área de educação inclusiva e mãe de uma criança com deficiência múltipla vivenciei ao longo dessa trajetória situações enriquecedoras e também bastante desafiadoras que me proporcionaram crescimento pessoal e profissional. Há cerca de quinze anos tive a oportunidade de trabalhar com um menino que tem a síndrome de West numa classe de educação infantil. Recém formada na faculdade e ainda com pouca experiência de trabalho, confesso que questionei se realmente eu teria condições para auxiliar aquela criança em seu processo de aprendizagem, pois na época eu não tinha referências sobre a especificidade trazida por ele a até então não havia trabalhado com inclusão. A parceria com a equipe escolar permitiu que, além de uma boa interlocução com a família do aluno, eu também tivesse acesso ao médico que o acompanhava.

Consegui liberação na escola para ir junto com a mãe da criança a uma consulta médica, na qual fui orientada sobre as principais características da síndrome, sobre potencialidades , dificuldades e as intervenções pedagógicas que o auxiliariam no processo de aprendizagem. Esse foi o ponto de partida de uma experiência muito proveitosa para vários agentes do processo: aluno, família, escola e equipe multidisciplinar de atendimento.

back dado pela escola à equipe multidisciplinar que acompanha o aluno e também poderá colaborar para mudanças de estratégias no tratamento da criança. Para tanto é importante termos um olhar atento não apenas para os aspectos cognitivos como também para o sócioemocional. Certamente as adaptações realizadas nas atividades avaliativas bem como relatórios de acompanhamento são importantes ferramentas de auxílio para os profissionais de uma grande equipe a Ao recebermos alunos com necessida- qual professores, educadores e demais des educacionais especiais nas escolas, profissionais da escola também perprimeiramente devemos nos sentir tencem. parte de uma equipe multidisciplinar composta por profissionais de diferen- Com quase vinte anos de atuação cotes áreas, que prestará atendimento mo professora da rede municipal, tive visando os avanços do aluno a partir a oportunidade de lecionar para muidas suas potencialidades. Neste senti- tos alunos com deficiências variadas, o do, é de suma importância que toda a que agregou muito valor a minha traequipe escolar esteja envolvida, desde jetória. Mesmo antes de buscar espequem recebe o aluno no portão, pas- cialização através de uma póssando pelo professor e/ou educador, graduação na área, participar de forcozinheiros, auxiliares, inspetores, ori- mações em serviço e de também me entador escolar e direção. Cada agen- tornar mãe de uma criança com neceste, em sua função, atuará para favore- sidades especiais (o que também apucer o processo de inclusão tanto do rou ainda mais meu olhar para cada aluno como de seus familiares que aluno e suas famílias), sempre acreditambém precisam ser acolhidos, pois tei que é possível incluir. Quando falo podemos nos deparar com inseguran- isso, não me refiro somente ao amor ça dos responsáveis por terem que que devemos ter pela nossa profissão deixar seu filho longe de cuidados es- e por cada aluno que vem até nós, o pecíficos. Desta forma, adaptações de que muitas vezes soa até mesmo cogrande porte (relacionadas à acessibili- mo clichê, pois além do amor são nedade) e de pequeno porte ( relaciona- cessárias estratégias, adaptações curridas ao currículo e atividades pedagógi- culares, parceria de toda equipe escocas) devem ser pensadas a partir da lar, interação com a família, um cuidarealidade trazida pela criança e de dor ou estagiário para acompanhauma conversa com a família onde a mento dos alunos no ambiente escoequipe escolar, através de uma entre- lar. A inclusão requer também interesvista de anamnese conhecerá a histó- se, acolhimento, recursos pedagógicos ria do desenvolvimento daquele aluno (que também podem ser confeccionadesde a gestação até o momento atu- dos no próprio ambiente escolar) e a al. postura pesquisadora que deve fazer parte da prática pedagógica de todo É importante destacar a importância profissional da educação. do processo de avaliação escolar, não apenas para observarmos seu desen- No processo de inclusão ensinamos e volvimento, como também para cola- também aprendemos. Conviver com borarmos com outros profissionais as diferenças nos ensina a superar lique acompanham a criança como mé- mites, a nos reinventarmos, a superar dicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, preconceitos e romper paradigmas. nutricionistas, etc. pois este é o feed- Nesse movimento de interação e cres14


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A Rede Emancipa é um movimento so-

Para isso, a Rede aposta em um projeto

do Norte e do Rio de Janeiro, e a aposta

cial de educação popular que, há mais

político-pedagógico que vá além do

no acompanhamento desses alunos após

de 10 anos, constrói um importante tra-

ensino para o vestibular e que possibili- o cumprimento de suas medidas/penas.

balho voltado especialmente para a ju-

te à juventude um espaço inovador de

ventude das periferias do Brasil.

debate, criação e recriação do saber

O movimento que começou com um

acerca do mundo e da vida.

curso pré-universitário em Itapevi (SP), Nessa construção, há o engajamento de

É a ratificação da aposta da Rede em uma educação emancipadora, que reflete criticamente as desigualdades e mazelas do país, reivindica uma alternativa

no ano de 2007, hoje conta com quase

estudantes universitários, secundaristas, de sociedade e promove a liberdade em

40 unidades espalhadas por mais de 20

professores do ensino básico, professo-

cidades, nas cinco regiões do país.

res e estudantes da Rede Emancipa, fa-

O principal foco de atuação da Rede Emancipa tem sido a organização de cursos populares pré-universitários para atender à demanda represada dos estudantes de escolas públicas pelo acesso

mílias, associação de bairro, comunidade e todos que desejam construir uma alternativa de mundo e de futuro. Aprende-se ao ensinar e ensina-se ao aprender.

todas as suas acepções. Ao longo de mais de uma década de história, o movimento consolida seu sucesso em cada estudante que se desenvolve enquanto cidadão crítico e autônomo, refletindo o país e o mundo, tornando-se protagonista de sua história

ao ensino superior em geral, e às uni-

Educar para a liberdade é compreender

e compreendendo a importância de sua

versidades públicas em particular. As

que a educação popular é imprescindí-

contribuição para o coletivo.

aulas são ministradas voluntariamente

vel em todos os níveis, o que inspira a

por professores já formados e também

realização de outras experiências, que

por professores estudantes universitá-

incluem planos de alfabetização de jo-

rios.

vens e adultos, preparação para concur-

Nos cursos, além de refletir sobre o conteúdo exigido pelos vestibulares de uma maneira que esteja de acordo com

sos, educação infantil e prévestibulinho. A mudança de vidas pelo trabalho da

Em um momento de tantas dificuldades que assolam o país, a Rede Emancipa afirma a perspectiva de luta por um futuro melhor para a juventude e para o Brasil, mirando o horizonte da educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis, quando, então, os cursi-

o contexto vivido pelos estudantes, tam- Rede Emancipa é também parte de um

nhos não serão mais necessários. “Se

bém é priorizada a educação transfor-

projeto coletivo de transformação. Por

muito vale o já feito, mais vale o que

madora, que ofereça o máximo de ins-

isso, o espaço do movimento se expan-

será!”

trumentos para que os alunos pensem

de, em uma atuação com menores de

suas realidades de maneira crítica e

idade e adultos em espaços de privação

emancipadora.

de liberdade, nos estados do Rio Grande

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Leitura e a Consciência Política do mundo e de sua Profissão

Lembrei-me de um Midrash que relata os cantos das mães judias Oazinguito Ferreira da Silveira que procuravam salvar seus bebês da sanha genocida de um Filho, professor faraó que encarregara parteiras de matar os recém-nascidos ju"Os leitores são viajantes; circu- deus no rio Nilo para se afogarem. As mães ninavam-os para lam em terras alheias; são nômades que caçam furtivamente que não se afogassem nos rios, repousando-os no Rio à espera em campos que não escrevedo milagre de Deus. ram." (Michele Petit) Petit nos consagra com o que podemos denominar como "a viagem do descobrimento". Sim, somos e nos tornamos viajantes, singramos oceanos e mares desconhecidos, invadimos áreas de uma imensa singularidade que nos apresentam fatos, dados, conhecimentos, os quais não construiríamos com grande facilidade. Há algum tempo uma descoberta invadiu nosso presente universo cultural e foi repassada aos nossos alunos. A exposição de uma placa no Museu de História Natural da Universidade de Havard que apresentava um ritual intrigante, mas logo desvendado, pois pertencia a um universo cultural mesopotâmico de 2.500 anos passados, de cantigas de ninar bebês para estes dormirem. Um intrigante achado que naturaliza toda e qualquer civilização humana nestes seus mais de dez milhões de anos. Acalmar bebês, para dormir, evitando a chamada de inimigos que os faziam correr perigo.

Essas sociedades viviam sob constante perigo, assim consideraram importante preservar este conhecimento cultural materno para leitura de outros povos.

cimento sobre estas. Fato é que estas revelações ainda se fazem acompanhar por outras explicações, como a dos primogênitos, mas a menção da descoberta de canções de ninar nas placas mesopotâmicas traduz a importância que se devotava a escrita dos relatos e a sua leitura para as comunidades perseverarem suas histórias e seus costumes. Em nossa sociedade atual, inúmeros são os professores que estagnaram sua busca por conhecimento, não fazem leituras, consideram que seu sistema de trabalho é deveras tão exaustivo que não lhes consagra tempo a nenhum outro lazer que não seja de certos prazeres que não incluem a leitura. Considero o quanto nossos professores encontram-se na era pós formação, parados em seu tempo e espaço. Portanto, não considero absurdo que muitos revertam sua perspectiva política ao autoritarismo, considerando como necessária sua ação para "normalizar" as questões na sociedade, assim, tornam-se alvos das prerrogativas fascistas pois cessam suas buscas por ideias de práticas e evoluções constantes.

Viajo na história para narrar importâncias culturais que tornam o homem mais humano em seu cotidiano e vejo o quanto o papel da leitura é tão significativa e importante para construção das sociedades. Lembro-me da importância de um texto de Paulo Freyre que assinalava o quanto "A leitura do mundo precede a leitura da palavra." Leitura do mundo, observarmos o quanto os bebês em sua fase de crescimento, antes mesmo dos primeiros sons, vertem uma leitura extremamente diferente, a leitura das coisas, do mundo que o circunda, com suas coisa boas ou ruins, com suas atrações ou com suas repugnâncias. A obscuridade pode também Considero a leitura a mais imnascer em meio ao processo de portante e revolucionária das um pragmatismo profissional armas, podendo ser usada tanto que conduz o indivíduo a um repara o bem como para o mal em lativo estágio de letargia que nossas sociedades, portanto ne- transforma-se rapidamente em cessitando de intérpretes que ignorância, fazendo com que possam traduzir o significado prerrogativas racistas e precondas palavras, provendo o conhe- ceituosas transformem-se em

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uma "normalidade" profissional, mas quando observamos que não existe construtor de evolução social em uma ação como esta. Leitura incômoda? Sim! Assim como Paulo Freyre incomoda nos dias atuais ao poder. Toda e qualquer forma de leitura é um manifesto revolucionário. Um aprendizado efetivo e que se torna coletivo, uma fonte de conhecimento que jorra constantemente. Quem é você que não lê? Pode ser confundido com um ignorante!

desconheço, como diriam os lati- no próprio ato de ler, de obter nos. conhecimento, saber a respeito A normalização de uma atitude de algo que pode mudar sua próde rejeição à leitura, torna a vida pria vida, transformar uma dada medíocre, assim como uma pro- realidade em seu cotidiano e da fissão estagnada, sem evolução, sociedade. Esse quadro de inforsem ingredientes, um professor mação e conhecimento possibilitou a reação de repudio por reausente de sua atualidade. des e mídias a um secretario de Uma leitura torna-se uma pratica governo, neonazista; da incomideológica desde o momento em patibilidade desta presença com que "você vê o mundo" como as o sistema democrático; demonscrianças, contestada por quem trou que a leitura produziu a não sabe o que é realmente uma conscientizações políticas necesideologia, não sabe conceituar. sárias sobre uma horrenda realiUma prática a partir do momen- dade manifesta, tanto a histórica to que você passa a conceber como a “encenada” pelo goverideias, definições, conceitos, ex- no. plicações que se tornam difíceis de serem questionadas, pois pressupõem argumentações e somente quem lê propõe argumentações a uma nova ideia.

Mas não é! Isto, pois ignorância pressupõe desconhecimento sobre algo, sobre uma área, uma atividade, uma nova forma de pensar, alguma coisa sobre a Leitura é uma prática que tamqual não tenha se informado, assim neste caso se justifica sim bém pressupõe uma forma de esta forma de ignorus algo que conscientização política presente

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A chegada do neofascismo ao

dio), contra LBTs contra os direitos democráticos historicamente conquisgoverno do Brasil e a demonização de tados, contra a liberdade de imprenPaulo Freire sa, de cátedra e contra a cultura. Pela primeira vez na história da república brasileira um governo de extrema-direita chega ao poder pelo voto. Este fato representa a falência total ou quase total do sistema político partidário em nosso país. A eleição de Bolsonaro pode ser considerado o ponto máximo da crise do Regime da Nova República que se iniciou com o processo de redemocratização do país.

O bolsonarismo criou a retórica do “marxismo cultural”, e como alvo principal elegeu atacar a memória do grande educador premiado e reconhecido mundialmente Paulo Freire. Nessa cantilena os alvos principais foram as universidades e a educação pública de forma geral.

Colocou em “cargos chaves” reacionários, fascistas e pró nazistas declarados como o ministro da educação Esse fenômeno, teve a ascendência Weintraub e o recém demitido pró em 2015-2016, quando surgiu movi- nazista na cultura Roberto Alvim. mentos articulados pela grande mídia, O ministro da Educação vem defenpelos setores atrasados das camadas dendo explicitamente sendo ecoado médias, com o surgimento de movipelo presidente, as escolas cívicos milimentos como o MBL e Vem Pra Rua, tares como se fossem a única e milaque desenvolveram o simulacro para grosa solução para todos os compledisputar os rumos da insatisfação socixos problemas da educação brasileira. al, assentando as bases para o golpe Numa de suas lives reacionárias e fasparlamentar e midiático que derrubou cistas Bolsonaro chegou a chamar Dilma em empossou seu vice Michael Paulo Freire de energúmeno. Não basTemer. tasse essa retórica contra a memória O Bolsonarismo com uma retórica de Paulo Freire, em outra live chamou pseudo moralista, iniciou um ataque a o educador de “lixo”. ciência, a cultura, a imprensa e a todos O ódio contra a educação e os educaos movimentos de esquerda e de direidores é patente e patético. No seu tos civis. Numa cruzada pro fascista último ataque, escolheu como alvo o Bolsonaro declara guerra contra o poColégio Pedro II, que completou 182 vo em todos os sentidos: contra a forem dezembro passado. “O que a esça de trabalho (reformas trabalhista, querda plantou na educação? Plantou da previdência e administrativa), conmilitância”, disse Bolsonaro, como se o tra o meio ambiente e a biodiversidatradicional centro de ensino fosse um de ( como mostram os dados do descursinho de marxismo. Disse ainda, matamento no país), contra o conhe“acabaram com o Pedro II. Menino de cimento, a ciência e a educação; consaia, MST lá dentro”, esbravejou ao tra a juventude, em especial contra a estilo Hitler. juventude negra e periférica, contra as mulheres (aumento do feminicí- Nada do que disse Bolsonaro e o seu

ministro da Educação Weintraub (que vive maltratando a língua portuguesa, fala e escreve errado) condiz no entanto com a realidade. E sua retórica pró fascista não explica em nenhum momento o bom desempenho do Colégio Pedro II, que vem sofrendo um ataque perverso por parte do MEC com corte de verbas federais. Senão vejamos: No último ranking do ENEM, o Pedro II, obteve a melhor colocação entre as escolas públicas do Rio. Seus estudantes foram premiados no exterior. Em novembro de 2019, a carioca Adrieny Teixeira foi a única mulher a conquistar o ouro na Olimpíada de Matemática. Essa jovem estudante mora em Vicente de Carvalho, na zona Norte, e acorda às 4:30 para ir à escola no centro. Filha de uma vendedora e de um fiscal de supermercado. Como uma retórica boçal, o presidente inicia o segundo ano de mandato e numa nova declaração estúpida disse que os livros didáticos teriam “muita coisa escrita” e que a partir de 2021 ele iria acabar com isso. Quanto despreparo! Quanta ignorância meus Deus do céu! Um governo loteado de generais reacionários, de pro fascistas e de nazista declarado como ex secretário de cultura Roberto Alvim, que depois de uma live com o presidente Bolsonaro, plagiou Joseph Goebels, o ideólogo de Hitler, imitando seus trejeitos, seu penteado, etc. Antes da gravação do ex ministro nazista o que disse Bolsonaro em elogiando seu ministro/secretária da Cultura: - “Ao meu lado, o Roberto Alvim, nosso secretário de cultura. Depois de décadas, agora temos sim um secretá18


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rio de cultura de verdade. Que atente o interesse da maioria da população brasileira. População conservadora e cristã. Muito obrigado por ter aceito essa missão. Você sabia que não ia ser fácil né? – disse Bolsonaro, tendo de uma lado o secretário de Cultura e do outro o ministro da Educação.

mundo inteiro, até as 18h de sexta feira, já havia 730 mil publicações sobre o assunto, segundo o monitoramento da diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas. A grita foi geral desde a comunidade Judaica (que apoiou as eleições de Bolsonaro em grande medida), passando pelos presidentes do STF, Dias Toffoli, pelos Roberto Alvim é o mesmo que no ano presidentes da Câmara e do Senado passado foi as redes sociais e fez uma Rodrigo Maia e Alcolumbre, respecticonvocação à “guerra cultural”, é o vamente. mesmo que chamou a grande Fernanda Montenegro de “sórdida” e O nazi-fascismo foi derrotado na pior “mentirosa”. É esse mesmo que depois guerra já conhecida pela humanidade. dessa reunião em que foi elogiado por Representou a mais hedionda tragédia Bolsonaro, fez um vídeo de lançamen- do século XX: o assassinato em massa to do Prêmio Nacional das Artes – dos judeus, ciganos e comunistas em apresentado como o surgimento de campos de concentração, o terror do “uma nova arte nacional” -, publicado holocausto. Na Alemanha e na Italia quinta feira 15/01 na internet, plagian- estas palavras foram proibidas como do um discurso do nazista Joseph Goe- dominação política. bels para profissionais de teatro em No Brasil, a Lei 9.459 de 1997 pune 1933 na Alemanha. Foi o ministro de com a pena de dois a cinco anos a dipropaganda de Hitler quem falou privulgação de símbolos do nazismo. No meiro que “por uma década” a arte de século XXI, no entanto, os movimentos seu país seria “heróica”, “nacional” e europeus neonazifascistas se recicla“imperativa” ou “ não será nada”. Isso ram. com o fundo musical da ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner (1913 O caso brasileiro é peculiar, pois a ex-1883) uma das peças favoritas de Hi- trema-direita aqui, foi um tipo local de fascismo no seu inicio, com o chamado tler. integralismo de Plínio Salgado, que A mídia internacional repercutiu amdesde o inicio adotou no lugar do sociplamente a semelhança entre o discural desenvolvimentismo, a doutrina neso de Alvim e do ministro nazista. No oliberal.

Hoje Bolsonaro é a máxima expressão do neofascismo no Brasil no século XXI. Bolsonaro é o porta voz do discurso do ódio! Ernesto Araújo, ministro da Relações Exteriores é a voz da diplomacia atual brasileira que vocaliza o discurso de extrema direita alinhada organicamente ao movimento internacional, que tem como ícone Donald Trump presidente dos EUA, que é a expressão ideológica do neofascismo. Esse projeto que representa os ataques abertos contra a educação, a cultura, que estimula a repressão e o extermínio contra a juventude pobre e negra das periferias, o feminicídio contra as mulheres, e a supressão todos os direitos democráticos. Weitraubs, e Alvins, só expressam o que o chefe pensa e concorda! São bonecos de ventríloquos! Para derrotar Bolsonaro e seus ideólogos, será necessário usar muito de Paulo Freire, pois o grande educador, representa a expressão máxima dos livros contra as armas. Livros que foram queimados em pilhas na Alemanha sob as ordens de Goebbles, a mando de Hitler! Danilo Serafim é cientista social e professor de sociologia da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro.

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MUITAS COISAS ESCRITAS E UM PENSAR MILITANTE: O MOVIMENTO NEGRO EDUCADOR DE PETRÓPOLIS Uma contradição falar de educação, de pensamento crítico e antirracista, sem trazer para a conversa a singular e importante atuação do Movimento Negro em contextos educativos. Se por um lado, há quem julgue o papel da militância de grupos diversos nesses espaços, nós reafirmamos seu potencial transformador e libertador de consciências, que por vezes são reduzidas à história única. E o problema da história única, como bem salientou uma escritora nigeriana, são as lacunas que geram estereótipos e desumanizam. Inicialmente, a militância que expressamos aqui é concretizada por uma escrita reflexiva, cujo principal objetivo é evidenciar lutas e conquistas de atores sociais que perceberam o potencial de muitas coisas escritas centralizadas por um pensar/fazer militante antirracista. No último 9 de janeiro, celebramos os 17 anos da promulgação de um dispositivo legal que institui a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-brasileira” nos currículos educacionais. A lei federal 10.639/03 é um marco de uma militância do movimento negro, que já vinha ocorrendo há mais de quatro décadas. Intelectuais da academia e outros atores, entenderam que a escola enquanto espaço de poder e disputa era potencialmente capaz de reinventar as questões étnico-raciais, conferindo-lhe relações mais respeitosas, dialógicas e inclusivas da Diversidade. Um

ano depois da elaboração da lei, mais coisas insurgentes são escritas: as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Tais diretrizes, direcionam as ações afirmativas no combate ao racismo estrutural da Educação Básica. Segundo o parecer CNE/CP 003/2004, cuja relatora é a professora doutora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, a responsabilidade por uma educação antirracista é de todos: ... administradores dos sistemas de ensino, de mantenedoras de estabelecimentos de ensino, aos estabelecimentos de ensino, seus professores e a todos implicados na elaboração, execução, avaliação de programas de interesse educacional, de planos institucionais, pedagógicos e de ensino. Destina-se, também, às famílias dos estudantes, a eles próprios e a todos os cidadãos comprometidos com a educação dos brasileiros, para nele buscarem orientações, quando pretenderem dialogar com os sistemas de ensino, escolas e educadores, no que diz respeito às relações étnico-raciais, ao reconhecimento e valorização da história e cultura dos afro-brasileiros, à diversidade da nação brasileira, ao igual direito à educação de qualidade, isto é, não apenas direito ao estudo, mas também à formação para a cidadania responsável pela construção de uma sociedade justa e democrática. (BRASIL, p. 2, 2004)

Considerando a responsabilidade ética e moral, nós, enquanto educadores e militantes do Movimento Negro de Petrópolis, reafirmamos as palavras de Nilma Lino Gomes: O Movimento Negro é um educador. E escrever, registrar nossas lutas e conquistas, em tempos de grande ascenso conservador, é alimentar as esperanças de quem se entende como um coletivo, de quem compreendeu a mística quilombola que Conceição Evaristo narra linda e poeticamente. Para Evaristo, estamos em tempo de nos aquilombar, tempo de não soltar a mão de ninguém, em um tempo de criar táticas. E completamos: é tempo de tecer narrativas insurgentes. Porque afinal de contas, a escrita tem o poder de nos ligar a eternidade. E nós, temos feito dela nossa vingança. Pode ser encontrada pelo link: http://portal.inep.gov.br/informacao -da-publicacao/-/ asset_publisher/6JYIsGMAMkW1/ document/id/488171 GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador. Saberes construídos na luta por emancipação. Petrópolis, RJ: vozes, 2017. EVARISTO, C. (2019): EVARISTO, Conceição. Tempo de nos aquilombar. O Globo, Rio e Janeiro, 31 dez. 2019. Disponível em: internet. Acesso em: 2 jan. 2020.

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Que seria deste mundo sem militantes? Como seria a condição humana se não houvesse militantes? Não porque os militantes sejam perfeitos, porque tenham sempre a razão, porque sejam super-homens e não se equivoquem. Não é isso. É que os militantes não vem para buscar o seu, vem entregar a alma por um punhado de sonhos. Ao fim e ao cabo, o progresso da condição humana depende fundamentalmente de que exista gente que se sinta feliz em gastar sua vida a serviço do progresso humano. Ser militante não é carregar uma cruz de sacrifício. É viver a glória interior de lutar pela liberdade em seu sentido transcendente. José Pepe Mujica

Daise dos Santos Pereira daise2009@gmai.com Professora da Rede Municipal de Ensino de Petrópolis desde 1992. Atualmente Coordenadora Pedagógica do Município de Petrópolis e Especialista em Educação do Município de Magé. Militante atuante desde 2010. Idealizadora e Coordenadora do Movimento BELEZA NEGRA. Movimento voltado a jovens e mulheres negras. FORMADA NA ÁREA DA EDUCAÇÃO E NA ÁREA

Adriana Carvalho da Silva Rangel adrianarangelorientadora@gmail.com Professora da Rede Municipal de Magé e Petrópolis. Em Magé coordena a COPIED (Coordenação de Promoção da Igualdade Étnicoracial e Diversidade). Integra o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Magé. Graduada em Pedagogia e Mestre em Diversidade e Inclusão pela UFF. Autora da obra: A questão étnico racial a partir do meu olhar sobre o olhar da criança: promovendo experiências instituintes. Editora Autografia/2018. Também escreveu obras para o MEC.

Roda de capoeira – Mestre Trapassa - na Escola Municipal Gandur Assed. Foto: Arquivo pessoal da professora Adriana Rangel

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Tempo de nos aquilombar para o fortalecimento da educação antirracista É tempo de formar novos quilombos, em qualquer lugar que estejamos. Conceição Evaristo A escola que aprende com o movimento social e também ensina com ele. Assim, o Movimento Negro de Petrópolis, no ano de 2019, mostrou seu potencial educativo para além de seus limites geográficos. Foi a vez de fortalecer as redes de resistência com escolas municipais da Baixada Fluminense, no município de Magé. O projeto “Quebrando Preconceitos”, fruto de uma proposta institucional e fortalecido por atores do MNU, reuniu em sua culminância discentes, docentes e comunidade escolar para um dia de reflexão e aprendizado sobre história da África, dos africanos e dos afrobrasileiros por meio de ações diversificadas. Vale ressaltar que tais ações alcançaram desde o público da

Educação Infantil até os anos finais do Ensino Fundamental, sendo parte de um movimento formador da Rede Municipal de Ensino. Muitas foram as ações, mediadas reflexivamente por educadores, cujos caminhos de formação são diversos. Não obstante, com linhas ideológicas muito próximas, pois a causa pela qual se filiam e dedicam a vida é aquela em que o negro deve ser considerado legítimo outro.

ceram com outros grupos.

A ONG Apadrinhe um Sorriso, foi um desses grupos que fortaleceu o pensar militante, com arte e muita beleza. Jovens e adolescentes que integram o Curso Livre de DançaTeatro, fizeram performances sobre o protagonismo da mulher negra e periférica, trazendo para o chão da escola nomes como o de Marielle Franco e Carolina de Jesus. Performance de denúncia e anúncio, caE por entenderem a urgente neces- paz de plantar em cada um e cada sidade de ruptura com uma educa- uma ali presente, sementes para o ção escolar tradicional, de caráter aquilombamento. monocultural e excludente de pro- No segundo semestre, seguimos cessos coletivos e criativos, o ampliando nossas conversas e cheMNU, junto aos profissionais das gamos ao Ensino Superior, no Cenunidades escolares proporcionaram tro Federal de Educação Tecnolóoficinas de turbante, pintura facial gica Celso Suckow da Fonseca afro, roda de capoeira, contação de (Cefet/RJ) de Petrópolis. É de fato história (contos Africanos/ Heróis tempo de formar novos quilombos, de ir ao encontro e conversar, porNegros/ Reis e Rainhas Negras) e que precisamos nos formar pela palestras sobre os Prejuízos emocitroca, pela empatia e pelo sonho de onais ocasionados pela discrimina- uma sociedade melhor. Foram poção racial e sobre Racismo Estrutu- tentes conversas sobre racismo esral. Esse movimento aconteceu no trutural, sobre violência colonial início do primeiro semestre, tendo refletida na geografia da própria desdobramentos no semestre se- cidade, sobre o mito da democracia guinte, onde as parcerias se fortale- racial e tantos outros assuntos.

Participação do MNU por meio do Projeto "Quebrando preconceitos" nas escolas Municipais Professora Geralda Alves da Silva e Gandur Assed no 6º distrito de Magé. Quem somos: Nilson Siqueira da Silva, Ariel Barbosa, Adriana Rangel, Nathalia Nara Coutinho do Nascimento, Simone Cezário, Sônia Maracanã, Antônio Esteves, Jorge Luis de Almeida (Mestre Trapassa) e Ademar de Oliveira. Em 2017, o Município de Magé inicia a construção de uma política pública para a implementação do estudo da história da África, dos africanos, da cultura afro-brasileira e indígena nas unidades escolares da rede pública municipal de ensino e instituições educacionais privadas. O primeiro passo foi a construção de uma coordenação para fomentar as práticas antirracistas, a COPIED (Coordenação de Promoção da Igualdade Étnico-racial e Diversidade). Em seguida, por meio do Conselho Municipal de Educação, inicia-se os diálogos com diferentes atores por uma educação antirracista no Município, com atenção para a formação docente, incentivos de ações interculturais/decoloniais nos espaços educativos e criação de uma Deliberação (Deliberação CME 006, 15 de março de 2019) para fixar as normas para o desenvolvimento das Diretrizes Curriculares Nacionais para as Relações Étnico-Raciais. A ONG Apadrinhe um Sorriso, foi um desses grupos. Formado por jovens e adolescentes que integram o Curso Livre de Dança-Teatro, sob a direção dos artistas-educadores Bruno Alarcon e Luiz Fernando Picanço. 22


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Palestra: Prejuízos emocionais ocasionados pela discriminação racial com a psicóloga Nathália Coutinho Escola Gandur Assed Foto: Arquivo pessoal da professora Adriana Rangel

Oficina de Pintura facial afro com Soninha Maracanã na escola Geralda Alves. Foto: Arquivo pessoal da professora Adriana Rangel

Grupo de Dança-Teatro da ONG Apadrinhe um Sorriso (Duque de Caxias) na escola M. Geralda Alves. Performance: Negros Olhos Foto: Arquivo pessoal da professora Adriana Rangel

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Apresentamos neste texto o que vem a ser “fascismo”; termo amplamente utilizado. A proposta é apresentar (esclarecer) suas características mais marcantes. Para isso, nos reportamos também à sua experiência mais conhecida: a italiana. Características De forma bem objetiva, o fascismo é um regime totalitário onde o Estado é absoluto e seu líder idolatrado, de mão pesada aos “costumes nefastos” e aos inimigos. Nele há uma supervalorização do nacionalismo, sendo o imigrante visto, quase sempre, como intruso e indesejável, sobretudo se sua origem for pobre. Este é acusado de roubar o lugar dos cidadãos naturais.

Observar-se no Fascismo um desprezo aos direitos humanos e um apreço pelo uso da violência contra tudo o que é compreendido como “desordem social”. Historicamente, regimes com características fascistas manifestam desprezo por intelectuais e artistas, se opondo a qualquer tipo de educação que questione os interesses do governo e/ou Estado. De acordo com Carone (2002), em governos de caráter fascistas, observa-se um planejamento cínico por parte dos líderes pela racionalização da violência como mecanismo de defesa.

Outras características marcantes do fascismo são o desejo de controlar e censurar a mídia e as opiniões divergentes, o totalitarismo e o uso de preceitos morais e religiosos como Há nesse regime uma ênfase ao mili- forma de manipulação; como no caso tarismo, ao culto às armas, uma ob- do Fascismo Italiano de Mussolini. sessão com a segurança nacional e a valorização e exaltação do heroísmo; quase sempre representado na figu- No fascismo o líder se coloca como ra de seu líder. contrarrevolucionário, defensor dos “bons costumes perdidos”, sendo oposição ao governo, acusando-o de Diferente de regimes autoritários, diversos males. Trata-se de um regionde os cidadãos devem ser apátime reacionário caracterizado como cos, nos regimes totalitários, como “extrema-direita”. no fascismo, a população é instigada a dar demonstração de amor ao país e exaltação ao líder, revelando de Citando a experiência italiana, forma clara seu apoio; por isso é mui- Rollemberg (2017, p.368) atesta que o to comum as demonstrações públifascismo foi marcado pela oposição cas em datas comemorativas. “aos projetos tradicionais da esquerda, tais como as liberdades individuais, os direitos humanos, o devido É também marca do fascismo o pre- processo legal e a paz internacional”. conceito e o racismo. Como destacou Carone (2002), “a discriminação enquanto comporta- A propaganda marcada por mentiras mento político fascista estaria muito é uma característica do fascismo. mais na dependência da psicologia “Um discurso calculado racionalmendo discriminador do que das caracte- te para provocar efeitos irracionais rísticas dos alvos da discriminasão próprias da propaganda fascista ção” (p.196). em qualquer parte do mundo” CARO-

NE, 2002, p. 2004). O objetivo desse tipo de governo é manipular as massas em prol de seus mais perversos objetivos. Para tornar mais claro o conceito de Fascismo, apresentamos um breve cenário de desenvolvimento do Fascismo na Itália.A implantação do Fascismo na Itália, em 1922, deu-se partir da oposição consciente de parlamentares ao governo, levando o país à crise política a fim de legitimar a necessidade de uma intervenção mais rigorosa, uma ditadura. O discurso do “país afundado em crise e em corrupção” foi usado para que a população aceitasse um líder antidemocrático. Dito isto, à luz da História o Fascismo surge de parlamentares que não ajudavam no desenvolvimento do país, antes marcando oposição e atuando na lógica “quanto pior melhor” para, posteriormente, se apresentarem como a solução de todos os problemas nacionais (MOURA, 2002). Quando o fascismo chegou ao poder não havia uma doutrina definida, apenas elementos pontuais e fragmentados que o constituía. Apenas quando se consolida no poder, o fascismo se fortalece e suas ações tornam-se mais claras, perversas e regulamentadas em leis nacionais ou simplesmente por meio de atos ditatoriais. O líder fascista se apresenta como oposição ao marxismo e/ou ao liberalismo em nome de um nacionalismo exacerbado. “Ela se inscrevia, ao mesmo tempo, em uma tradição nacional, contestadora da ordem social estabelecida” (ROLLEMBERG, 2017). Por Cristiano das Neves Bodart

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Pauta de luta:

ficado da educação

Reajuste já!

4 - Renovação do Fundeb com mais verbas da União;

O Conselho Deliberativo indica que as redes devem ter como referência de luta por reajuste salarial o

5 - Resistência e luta contra as reformas da previdênpagamento do Piso Nacional do Magistério (PNM) ou cia municipais; índice de 12,84% no piso inicial (caso o município já 6 - Resistência e luta contra a reforma administrativa pague o PNM) e o Piso do Salário Mínimo Regional no de Bolsonaro; nível inicial para os funcionários. 7 - Resistência e luta contra a BNCC; DIEESE deve elaborar o estudo das perdas salariais da 8 - Pagamento em dia de aposentados e ativos; inflação desde 2014 até hoje (na rede Estadual) 9 - Concurso para funcionários, contra a terceirização para apresentarmos na assembleia e contratações precárias e luta nos municípios pelas Comparar nível inicial ao salário mínimo/ quantos 30h de jornada de trabalho; salários mínimos 1 professor tem no início da 10 - Sondar e recolher denúncias sobre a questão da carreira. Pedir ao DIEESE a pesquisa comparativa do água nas escolas diante da crise hídrica e passar para valor dos salários. imprensa; Construir eixos em comum de luta: 11 - Contra a precarização dos espaços físicos dos ci1 - Campanha Unificada contra a militarização e arti- eps. Puxadinho NÃO! Construções de escolas, já! cular com o Ministério Público Federal as denúncias Garantia de infraestrutura para todas as Unidades 2 - Implementação imediata 1/3 extraclasse Escolares; 3 - Por salários dignos e por um plano de carreira uni-

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O projeto teve como objetivo o desenvolvimento intelectual e emocional do aluno da EJA através da arte modificando o ambiente escolar comportamental e familiar, fomentando-os como cidadãos. Tendo sido apresentado artistas plásticos, poetas, músicos, pintores e trazendo para o aprendizado e prática, diversas técnicas artísticas. Houve grande resistência inicial aos trabalhos que iam sendo apresentado mas aos poucos a leitura poética, os trabalhos manuais entraram na rotina pedagógica e os alunos soltaram a voz e a criatividade. Foram se sentindo a vontade e inteirados com o mundo artístico. Também foi relatado pelos mesmos que transmitiam o que aprendiam para amigos e familiares. Todos esses conhecimento foram desenvolvidos juntamente com a parte pedagógica sendo expostos em murais da escola e apresentações com as formas artísticas desenvolvidas. Foi uma experiência única trabalhar arte com os alunos da EJA da Escola Paroquial São Pedro de Alcântara.

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Praticando arte na EJA

Meu nome é Cláudia Marinho, professora da EJA na Escola Paroquial São Pedro de Alcântara . Trabalhar no EJA é trabalho com um olhar bem diferenciado. Cada aluno precisa de um ensinamento único . O aprendizado é feito e elaborado a partir de cada "saber "ou "não saber", sem pressa, mas com muito foco. É necessário compreender a realidade o limite de cada aluno dia a dia. A integração e companheirismo aluno/ professor é que faz com que o ensino seja integrado e absorvido. A superação é vista constantemente em sala de aula. Todo dia é um grande desafio, não chorar, não desabar e não deixar que nenhum dos alunos desistam. Embarquei em um mundo muito especial e agradeço pelo oportunidade única. Posso dizer que a EJA é um grande desafio não só na vida dos alunos, como na vida de um professor. Trabalhar na EJA é um grande presente! 29


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No dia 8 de março de 1917, operárias russas abandonaram as fábricas e marcharam nas ruas demandando pão e paz. Esse foi o primeiro passo de um revolução que mudou completamente os rumos da história. Em homenagem às mulheres russas, o Dia Internacional da Mulher - data comemorativa criada na Conferência Internacional de Mulheres Socialistas presidida por Clara Zetkin na Alemanha - passou a ser comemorado no 8 de março. Atualmente, a luta das mulheres tem novamente explodido pelo mundo. Desde 2011, com as manifestações contra o estupro coletivo na Índia até a grande marcha de mulheres contra Trumpo nos Estados Unidos em 2017, as mulheres

tem se colocado com principal obstáculo para o crescimento da extrema direita e na construção de uma alternativa política ao modo de vida capitalista. São as mulheres hoje que lideram as lutas pela educação e saúde públicas, contra os cortes de verbas destinadas ao povo, contra a violência de Estado e a miséria em todo mundo. No Brasil, foram as meninas as grandes lideranças das ocupações estudantis e da greve dos professores. Estivemos a frente da luta contra as reformas neoliberais do governo Temer, com um enorme oito de março que desaguou na greve geral de 2017, das mobilizações universitárias e da luta pelo SUS. São as mulheres negras que hoje

lideram a luta contra o genocídio e encarceramento da população negra nas favelas e periferias na batalha contra o racismo estrural. Com o Ele Não, as mulheres foram a maior oposição a Bolsonaro, além de terem sido a vanguarda da luta da educação no 15M e 30M no ano passado. Esse ano, o oito de março dará novamente a tônica do ano político. Por isso é necessário chamar assembleias de mulheres em cada cidade capazes de debater politicamente e organizar um grande ato que seja capaz de combater o avanço do neoliberalismo e do conservadorismo. A luta das mulheres muda a mundo! 31


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Adeus, camarada! Seguimos em frete com a tua luta!

ensino como secretário escolar, na prefeitura de Mesquita.

Por: Wíria Alcântara*

Com a sua experiência manteve-se sempre à frente das lutas, era um quadro organizador e de combate, não havia

É uma das tarefas mais dolorosas a despedida de um ca-

quem não o encontrasse nas nossas lutas mais ásperas:

marada. Nada nos prepara para isso. Mas os verdadeiros

ocupações, acampamentos e diversos enfrentamentos, di-

revolucionários são imortais, possuem a grande virtude de

ante da dura repressão dos governos. Como organizador

deixar seus sonhos e seu vigor impregnados nas novas ge-

preocupou-se em trazer muita gente nova para as fileiras do

rações, naqueles que seguirão tecendo os fios que nos in-

SEPE, conquistando a todos com seu carinho, atenção, e

terligam e conduzem, no longo e intrincado caminho da luta

um abraço inesquecível. Deu sua contribuição também na

de classes. Jorge Cezar

direção do SEPE Central, Reg. 2,

era assim, o que podemos

Núcleo de Petrópolis e até o final

chamar de um verdadeiro

de seus dias na direção do Núcleo

revolucionário, guiado por

de Mesquita. Combateu o bom

ideais nobres, incansável e

combate com todas as suas forças

fiel. Dedicou a sua vida in-

e nunca teve dúvidas acerca do

teira à militância por um

verdadeiro lado da luta, nunca sen-

mundo melhor, por direitos

do tragado pelas mil e uma arma-

universais. Nos altos e bai-

dilhas da cooptação. Era querido e

xos das lutas nunca perdeu

respeitado onde quer que atuasse,

a esperança ou deixou de

isso se expressa nas inúmeras e

semear sonhos coletivos.

mais diversas homenagens que

Já na universidade (UFRJ) entendeu que a luta não se faz

ainda estão sendo feitas devido ao seu falecimento. E é por

sem a cultura, a arte, a preocupação socio ambiental e com

isso que o nosso camarada Jorge Cezar será sempre moti-

a formação política das juventudes. Era também, e por isso, vo de orgulho e inspiração. Que a sua luta e os seus sonhos um visionário, pois não é difícil perceber nos dias de hoje os se fortaleçam hoje e sempre em cada um de nós! efeitos nefastos de uma militância mais dura, desumanizada, das disputas intestinas e fratricidas no interior dos espa- COMPANHEIRO JORGE CEZAR, PRESENTE! ços da esquerda, que nos adoecem por renegar relações mais fraternas e solidárias. Ingressou na rede pública de

*Wíria Alcântara – Professora da Rede Estadual de Ensino do RJ Ex- Diretora do SEPE Central e da Reg. 1

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Revista Educação de Classe Fevereiro 2020  

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