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julho, agosto e setembro de 2013 • ano 14 • número 102

Alicerce para formação em exatas Alunos de todo o campus passam pelo ICMC para cursar as matérias básicas de sua formação

Lições do professor Ladeira

A paixão de um motorista pelos trens

Dinossauros interligam passado e futuro


Conteúdo

Capa

página Alunos de todo o campus passam pelo ICMC para cursar uma ou mais das nossas 15 disciplinas de serviço

Você viu? página Exposição “Cabeça Dinossauro” fica em cartaz até dia 30 de novembro

Mundo página Na missão à Inglaterra, docentes do ICMC visitam sete universidades britânicas

Talentos página O significado dos trens na vida de um motorista

Ao Leitor Bem-vindo ao novo ICMCotidi@no Os leitores podem até se assustar um pouco ao folhearem esta edição 102 do ICMCotidi@no. Fotos maiores, textos mais arejados, uma letra que facilita a leitura, páginas repletas de pequenas matérias e em outras caixas de textos (os famosos boxes) com informações adicionais sobre os temas ali tratados. Os nomes das seções – as editorias – também mudaram: no lugar da entrevista, chegou “Abre aspas”; onde havia pesquisa agora temos “Descobrindo”; os eventos realizados podem ser vistos em “Você viu”; as homenagens e premiações transformaram-se em “Reconhecimento” e seções novas foram criadas tais como “Talentos”, “Drops” e “Click”. Tantas novidades foram estudadas com carinho pelo nosso conselho editorial em debates animados por pessoas que tentam tornar esta revista o que ela de fato é: um canal de comunicação aberto à participação e à contribuição de toda a comunidade ICMC. Esperamos que você aprecie este exemplar que chegou às suas mãos e encontre aqui textos e imagens que o façam ter aquela sensação agradável que toma conta da gente ao ler bons textos e apreciar belas imagens. Conte o que você achou das novidades e mande suas sugestões por e-mail (comunica@icmc.usp.br). Denise Casatti

Diretor do ICMC: Prof. Dr. José Carlos Maldonado Vice-diretor do ICMC: Prof. Dr. Alexandre Nolasco de Carvalho Jornalista responsável/Editora: Denise Casatti – Mtb 39810 Redação: Fernanda Vilela, Denise Casatti, Neylor Fabiano e Renata Bertoldi Arte e diagramação: Lucas Guedes Revisão: Glauciema Machado e Rosana Vieira Conselho editorial: Anderson Alexandre, Denise Casatti, Giovano Cardozo, Gislene Fracolla, Glauciema Machado, Livia Rodrigues, Maria Fernanda Marreta, Neylor Fabiano, Renata Bertoldi, Rosana Vieira, Silvio Pomim Impressão: Gráfica Metha Tiragem: 500 exemplares O ICMCotidi@no é uma publicação trimestral do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. Todos os direitos reservados. Av. Trabalhador São-carlense, 400. São Carlos, SP. Tel: (16) 3373.9666 – comunica@icmc.usp.br

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Denise Casatti

“Sou fanático por estar aqui, é muito agradável. Vamos aproveitar para subir no prédio da biblioteca e ver aquele Ipê amarelo antes que as flores caíam...”

Em busca do brilho nos olhos Ele dedica-se a ensinar quem ensina. Mesmo quando se aposentou, em 2010, não abandonou a sala de aula e continua até hoje ministrando uma disciplina no Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT), destinado a professores do Ensino Médio. Nesta entrevista, Luiz Augusto Ladeira revela a fórmula mágica para manter vivo esse entusiasmo pela arte de ensinar: “Procuro o brilho nos olhos dos alunos, daqueles que têm vontade de aprender”. Por Denise Casatti As lições desse professor do ICMC vão muito além das fórmulas matemáticas. Sua trajetória mistura-se com a história do Instituto, onde ingressou para cursar mestrado em 1973. A escolha pela carreira aconteceu quando ainda estava Ensino Médio. Foi aí que se encantou pela matemática, ao encontrar professores que tinham “um certo brilho nos olhos”. Um brilho que, hoje, Ladeira procura encontrar nos olhos de seus alunos, também professores. Para alguém que sempre foi tímido como ele, enfrentar uma sala de aula repleta de alunos sem se amedrontar é uma experiência repleta de significado. Lembra-se da primeira vez que sentiu essa emoção. Estava no terceiro andar do prédio da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) para ministrar a disciplina Cálculo I a estudantes dos cursos de Engenharia Civil, Mecânica e Elétrica. “Eu saí de lá nas nuvens. Falei: eu consigo! Como diz o Obama: sim, nós podemos”, brinca Ladeira. Na entrevista a seguir, ele compartilha experiências como essa em meio a muitas outras lições de vida.

• O que o levou a cursar Licenciatura em Matemática na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, que atualmente é uma unidade da UNESP? Ser professor de matemática era um negócio que me atraía porque eu tinha uma admiração por alguns professores do Fundamental e do Ensino Médio. Lembro-me de uma professora de matemática do Fundamental, Dona Helena. Ela não era formada em matemática, aprendeu por gosto e aí prestou um exame, antigamente havia uma espécie de exame de suficiência que habilitava as pessoas a darem aulas. Aliás, duas professoras que eu tive nessas condições se tornaram modelos para mim. A outra foi uma professora do Científico que dava aula de desenho geométrico. Ela se formou como professora primária e pegou algumas apostilas de desenho. Ela dava aula com gosto matemático, não era aquela aula burocrática. E quando a gente vê um professor com brilho nos olhos, a gente se encanta pela matéria. Teve ainda a professora Améris, no Científico, que era formada em matemática em Rio Claro.

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Família de professor de matemática é assim A esposa de Ladeira, Isilda, é professora do Ensino Infantil e trabalha, atualmente, em uma escola da Prefeitura de São Carlos, com crianças de 2 a 3 anos. Eles se conheceram em 1969, quando ele estava entrando na universidade e ela no Ensino Médio. Ambos nasceram em Itirapina, interior de São Paulo. O primeiro filho do casal nasceu em 1976, no mês em que Ladeira finalizou seu mestrado. É Suzane Lúcia, que herdou do pai o amor pelo ensino: é professora de português no Colégio São Carlos. Já o segundo filho nasceu em 1982, um ano depois que Ladeira finalizou o doutorado, sob a orientação do professor Plácido Táboas. Ele herdou do pai o amor pela matemática. É Luís Felipe, que se formou Bacharel em Matemática no ICMC, onde também fez mestrado e já ministrou aulas. Atualmente, trabalha numa firma de consultoria. Às terças e quartas, Ladeira dedica-se a uma outra profissão: a de avô. É quando seus dois netos, os filhos de Suzane – Maria Fernanda, 11 anos, e Luís Henrique, 6 – vêm passar a tarde na casa do avô.

• Quando começa sua trajetória no ICMC? Entrei no ICMC em 1973 para o Mestrado em Matemática. Em 1974, comecei a trabalhar como Auxiliar de Ensino, uma posição que não existe mais na USP: naquele ano foram contratados também o Dide (Oziride Manzoli Neto), a Neide (Bertoldi), já aposentada, o João Sahão e a Maria Alice Bozola, que se transferiu para a Unicamp. Naquela época, era difícil trazer doutores para cá: quem tinha o doutorado geralmente preferia ficar perto das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, que eram centros já consolidados em matemática. Em uma conversa, o professor Odelar Leite Linhares, que foi diretor aqui de 1982 a 1986, comentou que era difícil atrair professores estrangeiros: também preferiam o Rio. Por isso, a política do departamento foi contratar auxiliares de ensino. Na medida do possível, esse pessoal depois era enviado para o exterior para obter o doutorado: o Oziride foi o primeiro a seguir essa linha. • Como essa história começou a mudar e o ICMC se tornou o que é hoje? A própria criação da EESC aconteceu por causa da carência de escolas no interior do Estado. São Carlos é, digamos, uma região estratégica, quase no centro de São Paulo. Então, passamos a atrair muitos alunos e aí começou essa expansão com a criação de novos cursos de engenharia e, dois anos antes de eu chegar aqui, já havia um clima para criar o ICMC. Nesse tempo, a pós-graduação também era pouco desenvolvida no País e como o ICMC passou a oferecer mestrado e doutorado, todo esse pessoal do norte do Estado e do sul de Minas veio para cá. Passamos a atender muita gente e houve uma época em que cerca de 50% dos professores de matemática das universidades passavam aqui pelo mestrado ou pelo doutorado. Com isso veio a criação de mais cursos, o que motivou uma expansão muito grande.

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• Houve algum desafio marcante no começo da sua carreira? No ano em que comecei a dar aula, além da disciplina Cálculo I, o meu orientador do mestrado – Antonio Fernandes Izé - tinha viajado para os EUA e me deixou uma matéria terrível para ministrar: Matemática Aplicada I. Eu não sabia direito nem matemática, nem aplicada e fui dar aula para Engenharia Elétrica, que naquele tempo não era uma turma fácil. Por ser um dos cursos mais procurados daqui, havia alunos excelentes. Um deles foi o professor José Carlos Maldonado (atualmente, diretor do ICMC); posteriormente, o Alexandre Nolasco de Carvalho (atualmente, vice diretor do ICMC), o Francisco José Monaco, o Alexandre Delbem. Também cursavam essa disciplina os alunos do curso de Matemática, entre eles a professora aposentada Sandra Maria Semensato de Godoy. • Como os alunos o recebiam? Era boa essa sensação de dar aulas na USP? Eu estava dando aula em uma das melhores escolas do país, o que me enchia de orgulho. Eu fazia tudo o que era possível para melhorar. É claro que eu passei uns tempos aí criando má impressão em alguns alunos porque eu sempre fui bravo em sala de aula com quem não se comportava. Mas teve um dia em que eu fiquei feliz da vida: estava conversando com uma aluna e ela me contou que havia encontrado um ex-aluno meu que foi também professor dela. Ele perguntou quem dava aula de Cálculo. A aluna respondeu que era o Ladeira e meu ex-aluno disse: ele é um paizão! Eu pensei: nossa, não sou tão mau assim! Mas eu não consigo me livrar disso: eu acho que quem está em sala de aula tem que aproveitar ao máximo o fato de estar lá. • Qual a relevância das experiências que você teve no exterior? De 1989 a 1991, fiz pós-doutorado em Atlanta, nos Estados Unidos, no Instituto de Tecnologia da Geórgia. Depois, retornei aos Estados Unidos em 1996 e passei um período em Claremont, um pequeno paraíso na Califórnia. Essa experiência no exterior é muito importante para a gente ganhar independência, ver um ambiente novo, enxergar uma nova maneira de dirigir uma universidade no que se refere à pesquisa e entrar em contato com outras lideranças. É muito saudável. Eu sempre estimulo as pessoas a fazerem isso. Agora temos algo melhor ainda, nossos alunos de graduação podem ir ao exterior. Eu fico muito feliz porque é uma oportunidade de ter um contato cultural com outras maneiras de ver o mundo. Em relação à pesquisa, eu trabalhei lá com Jack Hale, uma das pessoas mais importantes na minha área (Análise). E tive contato com muitos outros pesquisadores. Foi depois disso que orientei a Sueli Mieko Tanaka Aki no doutorado, atualmente professora do ICMC. Até então eu não me sentia muito confiante para isso, depois me senti capaz. Mas ela era mais do que


• Quais foram os momentos mais marcantes da sua trajetória aqui no ICMC? No âmbito administrativo, foi quando fui coordenador da pós-graduação, de 1994 a 1995, e quando fui chefe do Departamento de Matemática, de 2003 a 2005. Não que eu considere que tenha feito um trabalho ótimo, mas eu aprendi muito com o contato com praticamente todas as pessoas do departamento. Quando somos um membro do departamento, nosso contato se restringe a poucas pessoas, mas isso muda quando estamos numa posição de chefia. Então, temos uma relação mais significativa com os colegas. Aliás, antes que eu esqueça, é bom falar uma coisa aqui: a gente tem um corpo técnico de funcionários muito bom, disposto a cooperar. • Aconteceu algo marcante assim no campo da pesquisa científica? É uma alegria sempre que um trabalho é publicado, e também ao completarmos uma orientação. Lembro-me que, quando meu segundo artigo – Differentiability With Respect To Delays – foi publicado em 1991, no Journal of Differential Equations, um jornal de grande prestígio na área, eu estava em Atlanta e dei pulos de alegria. O outro autor do artigo, Jack Hale, era editor da revista e disse que ia mandar o artigo para um árbitro bem durão para não ter marmelada. Então, quando veio a informação que ele estava aceito, eu achei uma maravilha! Tive ainda outros contatos importantes, tais como: o professor Kenneth Cooke, em Claremont, e o professor Luis Antonio Vieira de Carvalho, do ICMC, com quem fiz vários trabalhos.

• Como continuar motivado nesse projeto de dar aulas para os alunos do PROFMAT, um programa de pós-graduação voltado aos professores do ensino médio? Procuro o brilho nos olhos dos alunos, daqueles que têm vontade de aprender. Nesse sentido, vale lembrar uma cena do livro A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera. Há dois personagens principais, o Tomas e a Teresa. Ele chegou a um café e se sentou em uma das mesas com um livro na mão. A Teresa era garçonete nesse local e, como estava no final do expediente, ela se sentou para conversar com ele porque era encantada por pessoas que tinham um livro. Então, começou a fazer perguntas sobre o livro. Nesse momento, Kundera escreve: Tomas viu nos olhos da Teresa o brilho que nenhum professor viu nos olhos de seus alunos. Ele enxergou essa vontade de aprender! Sempre há alunos que se encantam pela matemática. Isso me estimula mais. • O que dizer para quem está no início da carreira docente? É uma frase que eu diria para qualquer pessoa em qualquer situação: mergulhe fundo no que está fazendo. Dedique-se integralmente. Se, depois de certo tempo, perceber que não gostou, estará com uma percepção muito autêntica. As oportunidades são muitas, vale a pena seguir essa carreira, é uma profissão gratificante. Régua de cálculo: o que é isso? Ladeira é um entusiasta do uso da régua de cálculo como material didático. “Esse foi um instrumento importantíssimo por 350 anos”, explicou. Criada em 1622 pelo padre inglês William Oughtred, a régua de cálculo era um objeto obrigatório no bolso de todos os engenheiros brasileiros até por volta de 1970. Ladeira agora está orientando uma aluna do PROFMAT, Tânia Pippa, no desenvolvimento de uma dissertação de mestrado que analisará o emprego dessa régua para o ensino do conceito de logaritmo em salas aula do ensino médio.

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autossuficiente. Eu costumo dizer que a Sueli fez um doutorado apesar do orientador.

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Fotos: Denise Casatti

Você viu?

Os dinossauros invadiram o ICMC Exposição “Cabeça Dinossauro” foi inaugurada no dia 9 de setembro e estará aberta ao público gratuitamente até 30 de novembro

Eles trouxeram o passado de volta para o ICMC. A exposição “Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro” foi inaugurada no dia 9 de setembro e já recebeu mais de 5 mil visitantes até a primeira semana de outubro. A exposição traz uma réplica feita em resina do esqueleto do Tapuiasaurus macedoi – carinhosamente apelidado de “Jesuíno” – com 4,5 metros de altura e 11 de comprimento. Aberta a toda a comunidade, a mostra fica em cartaz até 30 de novembro, no hall da biblioteca Achille Bassi.

A exposição é organizada pelos museus de Ciências e de Zoologia da USP e reúne diversos fósseis, apresentando o trabalho de paleontólogos da Universidade que desenvolvem pesquisas na área, acarretando descobertas importantes, como o crânio do Jesuíno. “Esse é o crânio mais completo que existe dentro da família dele, que é chamada Titanosauridae. É a primeira vez que a gente tem a certeza de como eram as faces desses dinossauros aqui no Brasil”, ressalta o pesquisador do Museu de Zoologia da USP, Alberto Carvalho, um dos curadores da mostra.

“Não sabemos calcular o que significam os dinossauros para a história da nossa espécie, assim como não conseguimos calcular o que serão os computadores – ainda tão pouco compreendidos – para o futuro da humanidade”, declarou a Pró-Reitora de Cultura e Extensão Universitária da USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda, durante a cerimônia que marcou a chegada dos dinossauros ao ICMC.

O presidente do Conselho Gestor do Campus da USP em São Carlos e diretor do ICMC, José Carlos Maldonado, ressaltou que o apoio recebido de todas as unidades do campus e também da prefeitura possibilitou a vinda da exposição. Para ele, Cabeça Dinossauro é um marco, um exemplo do que uma atividade de cultura e extensão desse porte pode gerar para o município. “Já temos o apoio da Pró-Reitora de Cultura e Extensão para um

Por Denise Casatti

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novo Museu de Ciência e Tecnologia, na área 2 do campus de São Carlos. Acredito que um espaço para interiorizar parte do acervo da USP teria um impacto muito positivo na formação de novos talentos em toda a região”, disse Maldonado.

Segundo a presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do ICMC, Solange Rezende, os dinossauros escolheram o Instituto. “Esperamos acolher todos os visitantes com o carinho de quem quer divulgar as nossas áreas do saber, que permeiam todos os demais campos do conhecimento. Queremos que os jovens que nos visitem saiam daqui com o sonho de se tornarem um estudante da USP”, destacou Rezende. “Quando éramos crianças, brincávamos com coisas materiais. As crianças de agora brincam com o virtual. E se precisamos de uma nova geração formada a partir de novos conteúdos, nada melhor do que oferecer a eles a história da humanidade”, disse o Secretário Municipal de Educação, Carlos Alberto Andreucci, que representou, durante a cerimônia, o prefeito municipal, Paulo Altomani.

região de Coração de Jesus, em Minas Gerais, entrou em contato com um dos parceiros de Carvalho para falar sobre questões relacionadas à comunidade de jipeiros da qual participavam. Quando o estudante descobriu que o jipeiro era também paleontólogo, disse que havia encontrado pedras diferentes na região, que pareciam ossos petrificados, e questionou se ele poderia analisá-las. Então, o estudante enviou algumas fotos e a equipe do Museu de Zoologia da USP começou a avaliar o material. “Quando chegamos lá, percebemos que estávamos diante de alguma coisa diferente, que tinha tudo para ser um dinossauro”, contou Carvalho. Os pesquisadores começaram a achar os primeiros ossos em 2005 e, somente em 2008, encontraram a cabeça do dinossauro. Em 2011, foi organizada a primeira exposição temporária sobre o tema, na sede do Museu de Zoologia, em São Paulo, onde permaneceu por cerca de seis meses. Foi aí que se estabeleceu a parceria com o Museu de Ciências e a mostra se tornou uma exposição itinerante, passando por Coração de Jesus, Ribeirão Preto, Bauru e, agora, São Carlos. “Nossa ideia é passar por todos os campi da USP, o que vai acontecer até 2015, e queremos incorporar todas as impressões de cada itinerância, porque temos muito a aprender”, afirmou diretora do Museu de Ciências da USP, Marina Yamamoto. “O nosso dinossauro está saindo dessa experiência no ICMC um pouco mais tecnológico, ele até ganhou um hotsite (www.dino.icmc.usp.br). Isso vem se somar ao nosso projeto, que é uma iniciativa de grandes parcerias, que vão se somando ao longo desse percurso. Quem sabe, além do hotsite, outras interfaces interessantes sejam criadas com as áreas de matemática e computação”, declarou a chefe da Divisão de Difusão Cultural do Museu de Zoologia da USP, Maria Isabel Lamdim, que também é uma das curadoras da mostra. “Em paleontologia, você precisa pegar exemplos do presente para entender um pouco do passado e fazer projeções para o futuro. A gente trabalha muito com o passado e, aqui no ICMC, trabalha-se muito com o futuro. Na verdade, essas coisas acabam se ligando e interagindo. Precisamos das tecnologias novas que preveem o futuro para entender as questões do passado”, finalizou Carvalho. Exposição Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro Onde: Hall da biblioteca Prof. Achille Bassi Quando: de 10/09 a 30/11

Passado e futuro interligados - Por incrível que pareça, Carvalho conta que a história da descoberta de Jesuíno já começou totalmente relacionada à era da tecnologia. Via uma rede social, um estudante de biologia que vivia na

Horário: terça a sexta-feira, das 9h às 17h30; quartas até as 22 horas e sábados até as 12h. Site: www.dino.icmc.usp.br Mais informações: (16) 3373-9146 / apoioacad@icmc.usp.br

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Fotos: Denise Casatti

Nossa primeira turma de estatísticos Eles chegam ao mercado de trabalho com ótimas perspectivas profissionais, em um momento em que a demanda por estatísticos não para de crescer Por Denise Casatti Os primeiros bacharéis em Estatística do ICMC participaram da cerimônia de colação de grau no dia 23 de agosto, juntamente com formandos dos cursos de Bacharelado em Ciências de Computação, Bacharelado em Sistemas de Informação, Bacharelado e Licenciatura em Matemática e Bacharelado em Matemática Aplicada e Computação Científica. “Essas áreas do conhecimento são essenciais para o desenvolvimento científico e tecnológico de qualquer outra ciência”, ressaltou, na cerimônia, o diretor do ICMC, José Carlos Maldonado. O diretor agradeceu aos pais presentes no evento por confiarem seus filhos ao Instituto e completou: “Acredito que temos cumprido nossa missão de formar profissionais capazes de desempenhar seu papel em prol do desenvolvimento científico e tecnológico do nosso país”.

Segundo o patrono da turma de Estatística, professor Francisco Louzada Neto, a estatística é aplicada nas mais diversas áreas. “Setores como finanças, biologia, medicina, a indústria de forma geral e os setores governamentais precisam empregar metodologias estatísticas. Por isso, temos observado um crescimento permanente da demanda por esses profissionais", afirmou Louzada. Ele fez três recomendações aos formandos: "Seja sempre um estudante" – segundo ele, a área da Estatística está em constante transformação e os formandos precisam viver em sintonia com essas mudanças; "Seja proativo" – é necessário buscar sempre o novo e os formandos não podem se esquecer da responsabilidade que se tem por ser um ex-aluno da USP; e "seja humilde" – reconhecer que não sabe tudo. “Tendo passado por aqui, tenho certeza de que vocês serão dignos representantes do saber da nossa terra”, afirmou o Secretário Municipal de Educação de São Carlos, Carlos Alberto Andreucci, que representou, durante a cerimônia, o prefeito municipal, Paulo Altomani. O paraninfo dos formandos em Estatística, Dorival Leão Pinto Junior, ressaltou a história da criação do curso e disse aos formandos: “Agradeço a vocês por terem acreditado no nosso programa de trabalho e por contribuírem com a evolução da nossa proposta”. A presidente da Comissão de Graduação do ICMC, Renata Pontin de Mattos Fortes, compôs a mesa de honra da cerimônia, da qual também fizeram parte a professora Juliana Cobre e a funcionária Ana Oneide Martins de Araújo Sales, que foram homenageadas.

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Simpósio de Matemática para a Graduação completa 16ª edição despertando interesse pela pesquisa Evento promoveu debates e sessões de tira-dúvidas para aqueles que pretendem fazer iniciação científica e pós-graduação Por Fernanda Vilela Promover o interesse pela pesquisa por meio de discussões multidisciplinares e contatos com pesquisadores do ICMC e de outras instituições, possibilitando também o intercâmbio de conhecimento entre os graduandos. Esses foram os principais objetivos do 16° Simpósio de Matemática para a Graduação (SiM), que aconteceu no ICMC entre os dias 20 e 22 de agosto. Durante o simpósio, que faz parte de um programa de valorização do ensino e da pesquisa na graduação e das suas relações com as atividades de extensão universitária, houve a exposição de projetos de iniciação científica nas diferentes áreas da matemática: matemática pura, matemática aplicada, estatística e educação matemática.

Denise Casatti

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Houve também uma sessão especial para esclarecer dúvidas sobre os programas de pós-graduação oferecidos pelo Instituto e a mesa redonda Experiências acadêmicas no exterior, em que alunos de graduação e pós-graduação expuseram suas experiências acadêmicas no exterior e responderam a perguntas dos participantes do evento. "Cumprimos o objetivo de incentivar os alunos a participarem dos programas internacionais da USP", afirmou Cobre. O evento contou ainda com onze conferências de palestrantes, atuantes nas diferentes áreas da matemática.

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O simpósio ocorre há 16 anos e é organizado pelo Departamento de Matemática do ICMC em parceria

com o Departamento de Matemática Aplicada e Estatística do Instituto. A professora Juliana Cobre, que fez parte da comissão docente que organizou o evento, explicou que a valorização da iniciação científica é um dos pontos fortes do simpósio. “Vinte e três alunos apresentaram parte de seus projetos de iniciação científica, sendo onze apresentações orais e as demais na forma de painéis", disse.

Iniciativas para inclusão social

A perspectiva da inovação

Olimpíada São-Carlense de Matemática

O Secretário Nacional de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, Oswaldo Baptista Duarte Filho, proferiu palestra dia 30 de agosto, destacando as principais iniciativas da Secretaria e enfatizando a necessidade de desenvolver pesquisas com foco na melhoria da qualidade de vida da população. A Secretaria atua principalmente em prol da popularização da ciência e tecnologia e da promoção da inclusão produtiva e social.

Pela primeira vez em São Carlos, o Diretor da Faculdade de Computação e Tecnologia da Universidade de Cambridge, Andy Hopper – que também é presidente do Institution of Engineering and Technology (IET) –, ministrou a palestra A Perspectiva da Inovação no dia 4 de setembro. Ele se impressionou com a disponibilidade de recursos destinados à pesquisa e com a qualidade de vida dos são-carlenses.

No dia 15 de setembro, 23 alunos do ensino médio e fundamental foram premiados na oitava edição do evento, juntamente com dois colégios da região: Colégio Dom Aguirre, de Sorocaba, e Colégio Anglo Prudentino, de Presidente Prudente. Houve, ainda, uma homenagem ao professor Dimas de Oliveira, que ministra aulas de matemática nos colégios Anglo de São Carlos, Bariri e Jaú.

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Eventos científicos mobilizam Instituto Comunidade científica brasileira e internacional esteve no ICMC para debater temas relevantes – da cibernética à topologia – durante o último trimestre 9º Encontro Regional de Topologia – Voltado para pesquisadores da área de topologia algébrica, diferencial e geométrica, o encontro foi realizado entre os dias 19 e 21 de setembro, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A abertura ocorreu no auditório Luiz Antonio Favaro do ICMC e as demais atividades aconteceram no Departamento de Matemática da UFSCar. Japanese-Brazilian Singularity Days – Os estudiosos de temas relacionados a singularidades reuniram-se no ICMC para trocar suas experiências nos dias 19 e 20 de setembro. Workshop Memória Virtual – O objetivo da atividade, realizada no dia 18 de setembro, foi reunir pesquisadores, estudantes e profissionais com interesse em discutir questões relacionadas à gestão de acervos históricos, bem como traçar as perspectivas futuras de disponibilização de informações de tais acervos, em particular, por meio de sistemas web.

Renata Bertoldi

MLKDD e KDMiLe – A segunda escola de aprendizado de máquina e descoberta de conhecimento em base de dados (em inglês Machine Learning and Knowledge

Discovery in Databases ou simplesmente MLKDD) trouxe especialistas do mundo inteiro – conhecidos como data scientists – para ministrarem workshops capazes de complementar a formação tradicional dos profissionais da área de ciências exatas. O evento aconteceu de 15 a 17 de julho e foi financiado pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa em Aprendizado de Máquina e Análise de Dados (NAP-AMDA). Logo após o MLKDD, aconteceu o Symposium on Knowledge Discovery, Mining and Learning (KDMiLe), que foi realizado de 17 a 19 de julho. 1º Programa de Inverno do ICMC – Dois cursos de extensão foram realizados entre os dias 2 e 18 de julho durante o evento. O objetivo foi apresentar a interação entre geometria e álgebra, por meio de situações simples e acessíveis a alunos tanto da graduação quanto da pósgraduação. 2º Workshop de Cibernética Avançada - Chips biocompatíveis capazes de conectar o cérebro a próteses sem a necessidade de uso de fios; o impacto causado pela estimulação cerebral profunda e o emprego das tecnologias 3D na medicina foram alguns dos temas debatidos durante o evento, que aconteceu em 12 de julho.

Funcionários participam de treinamento sobre sistemas corporativos da USP Os funcionários técnico-administrativos que ingressaram no ICMC a partir de 2010 participaram do curso de extensão universitária sobre sistemas corporativos da USP nos dias 19 e 20 de setembro. O treinamento foi direcionado para os aplicativos de uso rotineiro, tais como MarteWeb, Proteos, Mercúrio e Intranet. Na abertura do curso, houve apresentações das principais áreas administrativas do ICMC. Além de promover maior integração dos funcionários ingressantes com as diversas áreas, o objetivo principal do treinamento foi propiciar aos servidores conhecimentos básicos para que possam desempenhar melhor suas atividades.

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Missão à Inglaterra: docentes visitam universidades britânicas Estabelecer mecanismos formais de colaboração foi o objetivo da delegação do ICMC que visitou sete universidades britânicas

Fotos: Arquivo Pessoal

britânicas exigem o pagamento de taxas, daí a necessidade de estabelecer mecanismos para isentar os estudantes brasileiros desses custos. Veiga destacou também que a visita propiciou aos professores conhecerem um elemento novo no cenário de pesquisa britânico, os chamados Centre for Doctoral Training. “Esses centros se caracterizam por proporcionar uma formação diferenciada a alunos de doutorado, com foco no desenvolvimento de habilidades profissionais diversas, além da realização de pesquisa aplicada a problemas de interesse da indústria ou do setor de serviços", explicou. "O financiamento desses centros vem do setor privado, que sugere, mas não define, projetos a serem desenvolvidos pelos alunos”, acrescentou Veiga. Tanto a universidade de Lancaster como a de Bath já possuem centros desse tipo.

Por Denise Casatti Aumentar a cooperação entre pesquisadores e facilitar a mobilidade de alunos de graduação, pós-graduação e pós-doutorado brasileiros e britânicos. Esse foi o objetivo de uma delegação de pesquisadores do ICMC que visitou sete universidades britânicas este ano: Lancaster, Manchester, York, Bangor, Bath, West of England e Strathclyde Glasgow. “As visitas foram importantes para que os pesquisadores dessas universidades conhecessem melhor a USP e o ICMC, e as pesquisas desenvolvidas aqui”, afirmou o professor Paulo da Veiga, presidente da Comissão de Relações Internacionais. Ele coordenou a delegação que esteve na Inglaterra em abril deste ano e da qual também fizeram parte os docentes André Ponce de Leon Carvalho, Edson Moreira, Maria Cristina de Oliveira e Paulo Masiero.

A visita já começou a produzir frutos, como a assinatura de um protocolo de intenções entre o ICMC e a Universidade de Lancaster. Os interessados em estabelecer cooperação com as universidades britânicas ou obter mais informações devem procurar a Comissão de Relações Internacionais do ICMC (crint@icmc.usp.br), que poderá facilitar a realização de contatos ou parcerias.

O estreitamento das relações com as universidades britânicas começou em 2012, quando o ICMC recebeu a visita de seis dessas instituições, que buscavam discutir formas para estabelecer colaboração. “É entendimento mútuo de que somente as interações baseadas em pesquisa são duradouras”, ressaltou Veiga. Segundo o professor, o recebimento de alunos de doutorado em estágio sanduíche é muito bem aceito pelas universidades visitadas. Outras formas de mobilidade discutidas estão relacionadas ao programa Ciência Sem Fronteiras e às bolsas de mérito acadêmico da USP. Um aspecto que dificulta a mobilidade dos alunos de graduação e pós-graduação é que as universidades

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Alemães, franceses, norte-americanos e escoceses passaram por aqui

Fotos: Denise Casatti

As visitas de universidades e pesquisadores estrangeiros ao ICMC têm se intensificado ano a ano. A seguir, você confere uma síntese do que aconteceu no último trimestre

Universidade Técnica de Aachen – O diretor do Instituto Técnico de Acústica da universidade alemã, professor Michael Vorländer, esteve no ICMC dia 16 de setembro. Representando uma das três maiores universidades tecnológicas da Alemanha, ele discutiu possíveis parcerias. "As linhas de pesquisa das duas instituições têm muita identidade. Por exemplo, a síntese de imagem é fundamental para eles e para nós. Então, nossa ideia é, daqui pra frente, estabelecer um contato e a troca de estudante e pesquisadores", explicou o presidente da Comissão de Relações Internacionais do ICMC (CRInt), Paulo da Veiga.

Consulado Geral da França em São Paulo - Dois representantes do Consulado Geral da França em São Paulo visitaram o ICMC nos dias 29 e 30 de agosto. Segundo o adido de cooperação para a ciência e tecnologia, Gerárd Chuzel, os franceses estão em busca do fortalecimento de três grandes frentes: a ampliação das parcerias científicas; a expansão dos programas de capacitação profissional; e o estreitamento das relações entre o setor acadêmico brasileiro e o setor empresarial francês. Durante o encontro, os adidos receberam um levantamento com todas as visitas realizadas por pesquisadores franceses ao ICMC nos últimos 10 anos.

Universidades historicamente negras dos Estados Unidos - Em busca de acordos acadêmicos que facilitem a mobilidade dos estudantes de graduação e pós-graduação, além de futuras parcerias científicas, uma delegação composta por sete professores, representando 105 universidades norte-americanas, esteve no ICMC dia 23 de agosto. Parceiras do programa Ciência Sem Fronteiras, as Universidades e Instituições Comunitárias de Ensino Superior Historicamente Negras (HBCU, sigla em inglês) dos EUA destacam-se pelo ambiente universitário acolhedor e de excelência acadêmica, assim como por seu legado para as necessidades específicas da população afro-americana.

Universidade de Heriot-Watt - O pró-reitor de pesquisa e transferência de conhecimento e tecnologia da Universidade de Heriot-Watt, Alan Miller, a diretora do laboratório de robótica da universidade escocesa, Patricia Vargas, e o professor Patrick Corbett, do Instituto de Engenharia de Petróleo, estiveram no ICMC em 19 de agosto. A intenção do grupo é estabelecer futuras parcerias em pesquisa nas áreas de computação, matemática e engenharia, bem como possibilitar o aumento da mobilidade entre estudantes da graduação e da pós-graduação do Reino Unido e do Brasil.

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Trabalhos premiados pelo mundo Vários artigos de autoria de professores e alunos do ICMC foram recentemente premiados em eventos científicos nacionais e internacionais. México - No IEEE Congress on Evolutionary Computation (CEC 2013), realizado em Cancún, México, entre os dias 20 e 23 de junho, o trabalho A grammatical evolution algorithm for generation of hierarchical multi-label classification rules recebeu o prêmio na categoria Student Best Paper Award. Os autores são os doutorandos Rodrigo Barros e Ricardo Cerri, além de seus orientadores, André Ponce de Leon Carvalho e Alex Freitas. Itália - Já o artigo Modelling mobility-aware applications for internet-based systems, de autoria do professor Edson Moreira e do egresso Bruno Kimura, recebeu o prêmio de Best Paper durante o 9 th Advanced International Conference on Telecommunications (AICT 2013). O evento foi realizado de 22 a 29 de junho em Roma, Itália. Estados Unidos - O artigo A visual approach to validate the selection review of primary studies in systematic reviews: a replication study foi premiado na 25 th International Conference on Sofware Engineering and Knowledge Engineering (SEKE 2013), realizada entre os dias 27 e 29 de junho em Boston, EUA. O trabalho, que ficou em segundo lugar na categoria Best Paper, é de autoria de Katia Felizardo – pós-doutoranda do Instituto – e dos

professores Ellen Francine Barbosa e José Carlos Maldonado. Peru - O trabalho Mixed integer optimization for layout arrangement recebeu o prêmio de Best Paper na categoria Graphics and Visualization no SIBGRAPI 2013 – 26tth Conference on Graphics, Patterns, and Images. O evento ocorreu entre 5 e 8 de agosto em Arequipa, no Peru. O artigo é de autoria dos doutorandos Erick Gomez-Nieto e Wallace Casaca, além de seu orientador, Luis Gustavo Nonato. Também figura entre os autores Gabriel Taubin, da Brown University, nos EUA. Brasil - Três teses de doutorado orientadas pelo professor Zhao Liang foram premiadas nos congressos 1st BRICS Countries Congress on Computational Intelligence (BRICS-CCI) e 11th Brazilian Congress on Computational Intelligence (CBIC), realizados em Porto de Galinhas (PE) entre os dias 8 e 11 de setembro. A tese do aluno Thiago Christiano Silva ficou em primeiro lugar na categoria International Competition. Na categoria Brazilian Competition, o estudante João Roberto Bertini Júnior ficou com a primeira colocação, enquanto o aluno Fabricio Aparecido Breve ficou em segundo lugar.

Sociedades científicas

Tutoria Científico-Acadêmica

As duas maiores sociedades científicas do Brasil nas áreas de matemática e computação contam com novos docentes do ICMC em suas estruturas administrativas. A nova diretoria da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) tem como primeiro secretário o professor Ali Tahzibi. O docente tomou posse no dia 30 de julho e seu mandato irá até julho de 2015.

A segunda edição do Programa de Tutoria Científico - Acadêmica premiou neste ano três professores do ICMC por contribuírem com a integração de novos estudantes no ambiente de ensino e pesquisa da Universidade. São eles: Alysson Costa, Roberta Atique e Solange Rezende.

Já a professora Maria Cristina Ferreira de Oliveira foi eleita em 27 de junho como membro titular do conselho da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). O mandato abarca o quadriênio 2013-2017. Em âmbito internacional, o professor André Ponce de Leon Carvalho foi eleito no final de junho membro do conselho da Associação Internacional de Estatística Computacional (IASC).

Prêmio Gutierrez para a melhor tese em Matemática No dia 19 de agosto foi realizada a cerimônia de entrega do Prêmio Carlos Gutierrez de Teses de Doutorado de 2013. O vencedor foi Pablo Guarino, por sua tese Rigidity conjecture for C3 critical circle maps, orientada pelo professor Welington de Melo (foto) no IMPA. Foram também concedidas menções honrosas para as teses de Damião Gonçalvez, Éder Ritis Costa e Régis Varão Filho. O prêmio homenageia o renomado pesquisador peruano Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon (1944-2008), que atuou por 30 anos no IMPA e foi professor titular no ICMC.

Para se tornarem mentores, cada um desses professores se responsabilizou por acompanhar dois alunos bolsistas do programa em todas as atividades acadêmicas, levando-os à prática da linguagem científica e à realização de atividades experimentais básicas, compatíveis com o primeiro ano de graduação. Como reconhecimento pela dedicação à primeira edição do programa, a premiação oferecida aos docentes são passagens nacionais ou internacionais para realização de viagens de estudo ou pesquisa.

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Os futuros engenheiros, arquitetos, físi

ICMC oferece o alicerce para a formação em ciências exatas, por isso, alunos de todo o

Por Fernanda Vilela Somente no primeiro semestre de 2013, o ICMC ofereceu 3512 vagas em disciplinas voltadas aos estudantes das outras quatro unidades do campus da USP em São Carlos. São as chamadas “disciplinas de serviço”: 15 matérias que dão base para a formação em ciências exatas dos alunos de todas as unidades. As disciplinas de serviço abrangem as áreas de matemática, computação e estatística, visando propiciar fundamentação teórica para todas as aplicações de ciências exatas. De acordo com a presidente da Comissão de Graduação do ICMC, Renata Pontin, essas disciplinas básicas permitem que os alunos aprofundem seus conhecimentos, além de ser um primeiro contato desses estudantes com o ensino superior, já que as matérias são oferecidas na grade dos primeiros anos da graduação. “Disciplinas como cálculo e geometria analítica são formadoras, pois têm por objetivo preparar o aluno para outro tipo de raciocínio”, explicou. Entre as disciplinas de serviço mais cursadas por alunos de outras unidades estão Cálculo – que se divide em I, II, III e IV, de acordo com o semestre – Equações Diferenciais, Geometria Analítica, Introdução à Computação e, para os futuros arquitetos, o ICMC oferece a disciplina Matemática para Arquitetura. A matemática na Engenharia - O filósofo e matemático grego Pitágoras de Samos, pai da palavra matemática (Mathematike, em grego), concebeu e reuniu os sistemas de pensamento que já existiam em diversas civilizações antigas, criando a máxima de que “o número domina o Universo”. Através dos séculos, cientistas investigam e idealizam as leis que regem a natureza. O aperfeiçoamento e a demonstração matemática dessas ideias constituem o conhecimento científico da humanidade. Por isso, engenheiros, físicos, químicos e arquitetos que estão criando o alicerce de suas profissões precisam do cálculo, da geometria analítica, das equações diferenciais e da estatística. Pontin explica que a engenharia é uma área aplicada que utiliza conceitos da matemática pura. É por meio da união do conhecimento científico e teórico e da lógica de raciocínio que um indivíduo se transforma em um profissional. “Para se aproveitar os recursos matemáticos, é necessário um outro tipo de abstração e um raciocínio mais sistematizado e disciplinado”, disse.

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icos e químicos também estudam aqui

o campus passam por aqui para cursar uma ou mais das nossas 15 disciplinas de serviço

As ferramentas matemáticas são aplicadas em ideias gerais dentro de diversos contextos diferentes. O rigor do pensamento matemático tende a ir ao fundo de tudo, mas no ensino da Engenharia não há tempo para isso, e, muitas vezes, a motivação dos estudantes para concluir essas disciplinas acaba ficando comprometida. O estudante Luis Otávio Marques, que está no segundo ano de Engenharia Civil da EESC, conta que chegou a ser monitor da disciplina Geometria Analítica durante o primeiro semestre de 2013. “Tinha aptidão na disciplina e consegui ser monitor da turma de Engenharia Elétrica da EESC”, afirmou. Marques cursou no ICMC, em seu primeiro semestre de curso, três disciplinas: Introdução à Ciência da Computação, Cálculo I e Geometria Analítica. No segundo semestre, foram mais três: Álgebra Linear e Equações Diferenciais; Linguagens de Programação e Aplicações; e Cálculo II. E no terceiro semestre, duas disciplinas: Cálculo III; Métodos Numéricos e Computacionais I. Atualmente, ele está no quarto semestre e continua frequentando o ICMC, agora como aluno de Estatística, Cálculo IV e Métodos Numéricos e Computacionais II. Ele diz que, apesar das más impressões que geralmente os estudantes de outros cursos têm dessas disciplinas básicas, o rigor matemático e a lógica computacional fornecem aptidões úteis no dia a dia. “A matemática, em especial no ensino superior, tem a capacidade de desmistificar certas impressões, provar outras e estabelecer os critérios para que algo possa ou não ocorrer”, comentou Marques. Esse cenário reforça a importância do papel do ICMC que, além de oferecer as disciplinas de serviço para as outras unidades, também possibilita que os professores orientem projetos de iniciação científica dos estudantes de todo o campus. Muitos alunos que se destacaram em outras unidades com projetos de pesquisa receberam orientação de professores do Instituto. Esse foi o caso de Guilherme Mazanti, que se formou em Engenharia Elétrica pela EESC no final de 2011. Ele foi orientado pelo professor Hildebrando Munhoz Rodrigues em dois projetos de iniciação científica – "Análise e Integral de Lebesgue" e de "Álgebra Linear e Análise Funcional". Para Guilherme, esses projetos o ajudaram a ter uma base sólida em matemática e contribuíram muito para que fosse estudar na França, onde

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Fotos: Fernanda Vilela

ficou por dois anos e meio. Nos últimos três meses do curso, ele desenvolveu um estágio em Controle de Sistemas Dinâmicos, que foi premiado recentemente pela École Polytechnique, instituição em que realizou seus estudos. Guilherme teve os primeiros contatos com a pesquisa científica por meio dos projetos realizados no ICMC e acredita que o sucesso obtido na França esteja ligado à relação que estabeleceu com os professores do Instituto. “Tenho um carinho muito especial por diversos professores do ICMC. Além de me ensinarem matemática nos meus primeiros anos de graduação, sempre me forneceram uma grande motivação para aprofundar os estudos nessa área”. O agradecimento especial vai ao professor Hildebrando. “Ele me apresentou o programa de duplo diploma da École Polytechnique, além disso, Hildebrando se dedica muito a seus alunos de iniciação científica, isso sempre me serviu como motivação”, concluiu Guilherme. Base na formação dos químicos - O presidente da Comissão de Graduação do IQSC, Sergio Paulo Campa-

na Filho, durante a comemoração dos 40 anos do IQSC, reconheceu a importância do ICMC na formação dos químicos. Segundo o docente, para a compreensão dos fenômenos da química, é indispensável a participação da modelagem matemática. "A estrutura curricular do químico que nós formamos aqui no campus de São Carlos tem uma sólida base em matemática". Campana, que também se graduou no IQSC e teve aula com professores do ICMC, comenta que, hoje em dia, o número de disciplinas de serviço foi reduzido se comparado com a estrutura curricular do passado. "O número de créditos diminuiu, mas ainda assim ocupa uma parte muito importante naquilo que a gente delimita como núcleo básico da formação", disse. O professor conta ainda que, além da formação básica da química, a matemática também está presente no alicerce acadêmico do físico e em outras carreiras. "Estamos falando de ciências exatas, mas a própria abordagem que a matemática propicia ao intelecto humano é parte formativa, inerente na formação do ensino superior".

Dedicação reconhecida A professora do ICMC Lourdes de la Rosa Onuchic foi homenageada durante as comemorações dos 40 anos do IQSC. Sua dedicação desde o início do curso de Bacharelado em Química foi reconhecida pelos dirigentes da Instituição. A professora Maria Teresa do Prado Gambardella, que faz parte da comissão que organiza as comemorações dos 40 anos do IQSC, comenta a importância que a professora do ICMC teve desde a criação do Bacharelado em Química. "Ela contribuiu muito para o nosso curso, ministrando disciplinas da matemática que são fundamentais na formação dos químicos". Onuchic, hoje já aposentada, participou diretamente da escolha das disciplinas presentes na grade curricular do Bacharelado em Química do IQSC. A docente lembra com carinho da época em que lecionava. "Eu sempre vi cada aluno meu como se fosse um filho. Fico feliz com essa homenagem, pois todos os alunos que tive foram filhos que passaram pela minha vida", finalizou.

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Denise Casatti

Graduação cinco estrelas

Cuidando de árvores e de pessoas Com apoio da Superintendência de Gestão Ambiental e da Reitoria, o ICMC é o primeiro a formar uma Brigada de Arboristas na USP. O objetivo é evitar os danos que podem ser causados pela queda de árvores ou de galhos por meio da detecção e avaliação de eventuais problemas existentes, preservando a segurança das pessoas e também das árvores. A meta é que essa iniciativa piloto do ICMC seja estendida aos demais campi da USP, por meio da formação de Brigadas de Arboristas em todas as unidades. O treinamento para a formação da primeira Brigada aconteceu nos dias 25, 26 e 27 de setembro.

Os cursos de graduação do ICMC receberam cinco estrelas na última avaliação do Guia do Estudante, da Editora Abril, publicação anual que avalia cursos de diversas áreas em todo o país, e que já está disponível nas bancas. Os cursos avaliados com a nota máxima foram Ciências de Computação, Engenharia de Computação, Sistemas de Informação, Matemática e Matemática Aplicada e Computação Científica - os dois últimos avaliados na mesma categoria. O curso de Bacharelado em Estatística não passou por avaliação, pois formou sua primeira turma neste ano. As licenciaturas também não são avaliadas pelo Guia. A avaliação do Guia do Estudante leva em consideração critérios como as instalações físicas da instituição, titulação dos professores, desenvolvimento de pesquisas acadêmicas e pareceres de especialistas nas áreas avaliadas. Além disso, empresas de técnicas de pesquisa prestam consultoria ao Guia, auxiliando no resultado final da publicação. Os consultores atribuem conceitos aos cursos que vão de excelente (cinco estrelas), muito bom (quatro estrelas) e bom (três estrelas) até regular, ruim e “prefiro não opinar”.

Tecnologia a serviço da comunidade Duas aplicações desenvolvidas por alunos e egressos do ICMC foram destaque no último trimestre. Criada em 2013, a plataforma Cidadera é destinada ao mapeamento colaborativo de problemas urbanos tais como buracos nas ruas, entulho, mato alto e vazamento de água. Ao disponibilizar um site para a população, além de aplicativos para iPhone e Android, o Cidadera possibilita que qualquer cidadão aponte um problema na cidade. O GPS e a câmera disponíveis na maioria dos smartphones são utilizados pelo aplicativo para localizar, no mapa, exatamente onde está o problema, mostrando por meio de fotos todas as reclamações postadas na cidade. O aplicativo é gratuito e está disponível para download na App Store e na Google Play Store. Quem não possui smartphone, pode utilizar a plataforma por meio do site www.cidadera.com Já a Chegue.Lá é uma start-up fundada por egressos do ICMC com o objetivo de amenizar os problemas enfrentadas por quem viaja de ônibus. Lançada em setembro do ano passado, a empresa oferece informações sobre as companhias que operam trechos interestaduais no Brasil, além de linhas dentro do Estado de São Paulo. Em março deste ano, o portal iniciou o serviço de venda de passagens rodoviárias diretamente pela internet. O empreendimento receberá R$ 199,5 mil do CNPq para financiar bolsas de pesquisa e desenvolvimento para seus profissionais, por meio do Programa Start-Up Brasil.

Janelas Virtuais 3.0 Foi lançada no início de setembro a nova versão do Janelas Virtuais, sistema de comunicação interna do ICMC baseado em displays de LCD posicionados em pontos estratégicos nos corredores. Com o novo visual, há maior aproveitamento do espaço da tela, possibilitando a disponibilização de mais notícias e fotos, além da exibição de todos os eventos que serão realizados e das oportunidades existentes como bolsas, estágios, concursos e intercâmbios. A nova versão permite ainda a exibição em telas posicionadas na vertical e na horizontal. Para interagir com a comunidade por meio das Janelas Virtuais, basta acessar o Facebook e ingressar no grupo ICMC Social (www.facebook.com/groups/icmcsocial). A partir daí, é só postar as mensagens nesse grupo e elas aparecerão nas telas do Instituto em tempo real. Vale lembrar que o conteúdo deve respeitar o Código de Ética da USP e as normas internas.

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Denise Casatti

Pesquisa abre fronteiras rumo à criação de testes psicológicos e educacionais personalizados Expectativa é de que, no futuro, pedagogos e psicólogos possam criar testes menos cansativos para seus alunos e pacientes com a ajuda da estatística e da computação Por Denise Casatti Imagine que você precisa testar o nível de conhecimento de um aluno em uma determinada língua ou avaliar o grau de intensidade dos sintomas depressivos em um paciente, por exemplo. O mais comum, nesses dois casos, é realizar uma avaliação igual para todo mundo, com uma série de questões pré-definidas que serão capazes de medir a capacidade do aluno em se comunicar naquela língua ou a gravidade daquela doença, usando papel e caneta, certo? Agora pense em começar a usar um programa de computador na construção das suas avaliações que é capaz de, automaticamente, direcionar as questões que os alunos ou os pacientes responderão de acordo com as respostas que eles assinalaram anteriormente. A primeira grande vantagem é não ter um teste com um número fixo de itens iguais para todas as pessoas, as quais, por sua vez, não precisariam responder a questões inadequadas – muito fáceis ou muito difíceis para aquela pessoa. A segunda vantagem é poder obter o resultado da avaliação por meio de um menor número de perguntas, o que tornaria o teste menos cansativo e desmotivador. Para criar um programa capaz de criar avaliações desse icmcotidi@no - 102

tipo, uma pesquisa foi recentemente realizada no ICMC. O trabalho resultou na dissertação de mestrado Teste adaptativo computadorizado nas avaliações educacionais e psicológicas, defendida recentemente por Thales Ricarte sob orientação da professora Mariana Cúri. Ricarte desenvolveu o programa Same-CAT, que possibilita a criação de um banco de questões para a realização de testes adaptativos computadorizados (TAC), nome técnico dado a esse tipo de teste capaz de direcionar questões específicas a alunos ou pacientes de acordo com as respostas assinaladas. “Um teste adaptativo computadorizado é aquele que procura otimizar o teste para cada indivíduo examinado. Para isso, a característica predominante naquele indivíduo – quer seja seu nível de conhecimento em uma determinada língua ou a gravidade de uma doença – é estimada a cada item respondido. Baseando-se nessa estimativa, o programa seleciona o próximo item”, explicou o pesquisador. Segundo Ricarte e Cúri, atualmente, o teste adaptativo computadorizado não é amplamente utilizado no Brasil. Eles citam como exemplo de emprego desse método o ambiente computacional de aprendizagem para o inglês instrumental (CALEAP-Web), disponibilizado no Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional (NILC)


do ICMC; a avaliação de proficiência em língua inglesa realizada pela Universidade de Brasília (UnB); e, no exterior, o Test of English as a Foreign Language (TOEFL). Fundamentos estatísticos - Para desenvolver o programa, em vez de empregar a teoria clássica estatística – que mede a proporção de acertos e erros em uma prova –, Ricarte optou por se basear em modelos da Teoria de Resposta ao Item (TRI). “Tratam-se de modelos que não levam em conta apenas quantos itens a pessoa acertou, mas também o nível de dificuldade de cada item”, acrescentou Cúri. Além disso, a TRI possui vários modelos teóricos que podem ser adotados. Ricarte trabalhou com o modelo de Samejima em sua dissertação, o qual é mais adequado para questões que não se restringem a alternativas do tipo “certo” e “errado”, pois admitem várias possibilidades de respostas. Para testar o programa desenvolvido e a metodologia aplicada, Ricarte utilizou um conjunto de dados obtidos no Exame de Proficiência em Inglês do ICMC e no Inventário de Depressão de Beck, realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em São Paulo. Vale ressaltar, porém, que o Same-CAT pode ser empregado para qualquer tipo de teste. Caminho em construção - Ricarte alerta que, ao elaborar um questionário, pedagogos e psicólogos devem realizar pré-testes capazes de medir a qualidade dos itens propostos para a avaliação que desejam criar. Isso porque o banco de itens precisa ter qualidade e quantidade suficientes para estimar com precisão um nível de conhecimento sobre determinado assunto ou a

intensidade de uma doença ou comportamento. Nesse sentido, os itens desse banco devem ser abrangentes – abarcando o maior espectro possível de conhecimentos ou sintomas – além de ter alta capacidade de diferenciar os indivíduos. Essas características dos itens são medidas por parâmetros. No entanto, o programa desenvolvido por Ricarte não possui a funcionalidade de medir a qualidade do banco de itens inserido, identificando esses parâmetros. Dessa forma, cabe ao pedagogo ou psicólogo realizar essa avaliação técnica, chamada de calibração. Na maioria das vezes, essa tarefa demanda a participação de um estatístico. Pesquisas futuras poderão aprimorar o programa Same-CAT, acrescentando essa funcionalidade para estimar os parâmetros de cada item. No momento, Ricarte está estudando alternativas para disponibilizar o programa para download gratuito via internet. A pesquisa contou com o financiamento do CNPq.

O trabalho de Ricarte soma-se a outras pesquisas realizadas no âmbito do Laboratório de Estatística do ICMC, como a dissertação de mestrado Teoria e prática de um teste adaptativo informatizado, de Gilberto Sassi e, atualmente, a mestranda Vanessa Rufino dá andamento ao trabalho de Ricarte na busca por transformar o Exame de Proficiência em Inglês do ICMC em um teste adaptativo computadorizado. Há, ainda, a tese Desafios e perspectivas da implementação computacional de testes adaptativos multidimencionais para avaliações educacionais, de Jean Piton-Gonçalves – orientado pela professora Sandra Aluísio e co-orientado por Cúri.

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Robô vigilante utiliza sensores 3D e câmera térmica para monitoramento de ambientes internos Aluno de mestrado do ICMC desenvolveu sistema de processamento de imagem que pode ser aplicado na segurança e vigilância de locais com pouca ou nenhuma iluminação

Por Fernanda Vilela

A pesquisa foi desenvolvida ao longo de dois anos pelo mestrando Diogo Correa. Ele explica que o Kinect tem três lentes – sendo uma câmera RGB, um emissor e um sensor infravermelhos – que são usadas para calcular a distância e a profundidade. Dessa forma, o robô visualiza o espaço onde está inserido e consegue se movimentar dentro daquele ambiente sem bater em outros objetos. Ou seja, o Kinect traça um mapa do local onde o robô está. "Os sensores do Kinect são importantes para que o robô navegue de forma segura, sem se chocar com objetos que possam estar no ambiente", completou Correa. A câmera térmica faz a identificação de pessoas a partir do calor do ambiente. Porém, o Kinect complementa essa tarefa, pois a lente da câmera térmica tem um ângulo de abertura menor, reduzindo o seu campo de visão. "Se a pessoa estiver fora do ângulo de visão da câmera térmica, o Kinect fica responsável por essa identificação", apontou o pesquisador.

Fernanda Vilela

Um projeto de mestrado em robótica móvel autônoma desenvolvido no ICMC criou um sistema para monitoramento de ambientes internos e detecção de pessoas a partir de um robô vigilante equipado com sensores do Kinect, dispositivo 3D utilizado em videogames, e uma câmera térmica, que identifica pessoas através do calor. O projeto, intitulado Navegação autônoma de robôs móveis e detecção de intrusos em ambientes internos utilizando sensores 2D e 3D, possibilitou criar um robô capaz de ser usado em locais com pouca ou nenhuma iluminação, pois a câmera térmica permite identificar intrusos em locais fechados.

Follow me - A tecnologia follow me – "siga-me", em português – dá aos robôs a funcionalidade de seguir uma pessoa ou um objeto em movimento. Para isso, o robô precisa ter sensores que o permitam reconhecer o objeto ou pessoa a ser seguido. Correa trabalhou nesse módulo adicional, que complementa a função de vigilância do robô, usando o sensor do Kinect para seguir pessoas. "Esse módulo pode ser usado em uma situação em que o robô segue o intruso pelo ambiente ou quando é necessário deslocar o robô de um espaço a outro", explicou. A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Robótica Móvel (LRM), sob orientação do professor Fernando Osório. Segundo o orientador, a visão computacional, assim como a visão humana, é uma das principais fontes de informação e percepção do mundo externo para os robôs. Por isso, essa área torna-se um desafio para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de robôs móveis autônomos. O projeto do robô vigilante é também fruto de um dos grupos de trabalho do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), tendo recebido o apoio financeiro da Fapesp e do CNPq.

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Parceria com Embrapa cria tecnologias com mineração de textos Conhecimento gerado poderá ser aplicado a projetos relacionados a zoneamento agrícola, auxílio ao gerenciamento de recursos naturais e organização da informação, entre outros Por Denise Casatti Pesquisas desenvolvidas em parceria entre o ICMC e a Embrapa Informática Agropecuária, de Campinas, estão empregando técnicas de mineração de textos com o objetivo de organizar e analisar a informação técnico-científica disponível para apoio à gestão do conhecimento e da inovação. Os resultados obtidos por meio dessas pesquisas poderão ser aplicados a vários projetos relacionados a zoneamento agrícola, auxílio ao gerenciamento de recursos naturais e organização da informação, entre outros. Segundo a professora do ICMC Solange Rezende, as técnicas de mineração de textos visam auxiliar especialistas na organização, análise e descoberta de conhecimento em grandes coleções de documentos. “Com os resultados da aplicação das técnicas de mineração de textos, os especialistas serão capazes de encontrar documentos relevantes para uma determinada região e/ou temática, obtendo uma visão geral do conhecimento produzido até o momento sobre aquele assunto, o que facilita a seleção de informações específicas e relevantes, como dados socioeconômicos ou o impacto ambiental das culturas relacionadas àquela região e/ou temática”, explicou Rezende. A pesquisadora Maria Fernanda Moura, da Embrapa Informática Agropecuária – que fez doutorado no ICMC – , conta que a equipe vem trabalhando com

ferramentas capazes de identificar e classificar, de forma automática, tópicos textuais, cobertura geográfica dos textos e tópicos, além da cobertura temporal. Um exemplo da aplicação dessas ferramentas é o projeto Tecnologias inovadoras em mineração de textos para apoio à espacialização de notícias agrícolas - piloto cana-de-açúcar (Tiena). Para validar as tecnologias em desenvolvimento, foi construído um protótipo de software que permitiu consultar uma base de dados de notícias agrícolas e observá-las de acordo com a região de abrangência, com classificação hierárquica dos temas abordados. Outro exemplo é o projeto Compilação e recuperação de informações técnico-científicas e indução ao conhecimento de forma ágil na rede AgroHidro (Critic@). Resultado de uma parceria entre o ICMC, a Embrapa Informática Agropecuária, a Embrapa Monitoramento por Satélite (Campinas) e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto (Portugal), o projeto visa analisar a produção científica de uma rede de pesquisa para identificar temas e tendências tecnológicas. A equipe que atua no Critic@ pretende, agora, aprofundar as pesquisas com a aplicação de classificadores, ou seja, recursos computacionais que vão permitir classificar os textos em tópicos, de forma hierárquica, conforme a sua relevância no contexto estudado.

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Como conectar o seu computador à rede Eduroam? ICMC foi unidade piloto da USP no projeto, que possibilita conexão segura sem fio à Internet em instituições de aproximadamente 60 países Por Fernanda Vilela Conectar-se a uma rede sem fio dentro de uma instituição de ensino em qualquer lugar do mundo ficou mais fácil para a comunidade USP. O consórcio Eduroam (education roaming), serviço de acesso sem fio seguro, desenvolvido para a comunidade internacional de educação e pesquisa, permite que os estudantes, pesquisadores e equipes das instituições participantes obtenham conectividade à Internet, através de conexão sem fio (wi-fi), dentro de seus campi e em qualquer localidade que ofereça essa facilidade como provedora de serviço. O ICMC foi a unidade piloto no consórcio, distribuído em todas as unidades da USP pelo Centro de Computação Eletrônica (CCE), em parceria com a Rede Nacional de Pesquisas (RNP). O serviço oferece o acesso seguro e sem fio à Internet sem a necessidade de múltiplos logins e senhas. Após efetuar o cadastro na base do serviço, seguido da configuração do computador do usuário para conexão com a rede, é possível acessar a web em qualquer provedor de serviço do mundo. Desse modo, um pesquisador visitante da USP pode utilizar sua própria identificação e senha de acesso da instituição de origem para se conectar à rede sem fio da USP, e o mesmo ocorre para nossos alunos e pesquisadores em visita a instituições no exterior. O chefe da Seção Técnica de Informática, Dagoberto Carvalio Júnior, explicou que, quando os usuários do ICMC visitarem instituições que estiverem habilitadas à rede Eduroam poderão efetuar a autenticação por meio da senha unificada da USP. "O mesmo acontece com os visitantes no ICMC, que poderão utilizar suas senhas nativas, caso tenham o consórcio em suas instituições de origem, através do SSID 'Eduroam', que nesse momento está habilitado", disse.

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Lançada no Brasil em 2012, a iniciativa internacional já reúne instituições de aproximadamente 60 países, unindo diversos usuários na troca de experiências e conhecimento. Como usar - A rede sem fio Eduroam está disponível para computadores e dispositivos portáteis compatíveis com o padrão IEEE 802.11. Em qualquer lugar, os membros da comunidade USP poderão utilizar as mesmas credenciais empregadas no https://uspdigital.usp.br para acessá-la. É importante preencher o @usp.br no campo de login. Isto é, caso seu número USP seja 123456789, no campo de login preencha 123456789@usp.br. Isso é fundamental para conseguir utilizar a rede Eduroam fora da USP. Alguns sistemas operacionais conseguem detectar automaticamente as configurações de autenticação e por isso, na primeira vez que você for utilizar e configurar o Eduroam, os formulários virão preenchidos com sugestões. Geralmente é suficiente aceitar essas sugestões e fornecer o seu número USP e a senha. A autenticação para uso da rede Eduroam é feita em duas fases. Portanto, dependendo do dispositivo e sistema operacional, poderá ser necessário preencher dois campos. No primeiro selecione PEAP ou TTLS. No segundo opte por MSCHAPv2. Veja também as instruções específicas para o seu sistema operacional: Android: icmc.usp.br/e/019f0 iOS: icmc.usp.br/e/19b50 Ubuntu: icmc.usp.br/e/59512 Windows 7: icmc.usp.br/e/7fb44


Homenagem ao Dia dos Pais traz alerta à saúde do homem no Brasil Especialista afirma que é preciso motivar mudança cultural para que homens procurem atendimento médico e verifiquem suas condições de saúde com mais frequência

Fotos: Paulo Soares de Oliveira

ressaltou a importância do exercício físico. “Exercícios físicos realizados de forma regular ou frequente estimulam o sistema imunológico, ajudam a prevenir doenças – como as cardiovasculares – moderam o colesterol, ajudam a prevenir a obesidade, entre outros benefícios”.

Por Renata Bertoldi Este ano, o Dia dos Pais no ICMC foi comemorado de uma forma diferente. Para reunir os homens do Instituto, pais ou não, a Comissão de Ação e Integração Social (CAIS) trouxe o alerta sobre a saúde do homem no Brasil. A convite da CAIS, o professor Evert Bacchini, do Centro de Práticas Esportivas da USP de São Carlos (CEFER), ministrou no dia 9 de agosto, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, a palestra Atividade física e a saúde do homem no Brasil. O objetivo foi alertar homens e mulheres sobre as doenças que mais acometem a saúde do brasileiro e a melhor forma de preveni-las.

Além do alerta à saúde, os participantes da Ação Dia dos Pais no ICMC puderam conferir o projeto Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma (CaRINA), um veículo autônomo inteligente capaz de navegar em ambientes urbanos sem a necessidade de um condutor humano. Após a apresentação do projeto pelo coordenador, o professor do ICMC Denis Wolf, todos puderam conhecer o carro de perto, que esteve exposto do lado de fora do auditório. Atualmente, o projeto CaRINA conta com financiamento da FAPESP e CNPq, e é uma das principais linhas de pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC). O projeto é desenvolvido no Laboratório de Robótica Móvel (LRM) do ICMC em cooperação com o Laboratório de Sistemas Embarcados Críticos (LSEC), também do ICMC, e com o Laboratório de Sistemas Inteligentes (LASI), da Escola de Engenharia de São Carlos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a cultura dos homens brasileiros de procurar o médico somente quando estão doentes faz com que cerca de 40% das mortes sejam ocasionadas por doenças cardiovasculares. “É preciso motivar uma mudança cultural para que os homens procurem atendimento médico e verifiquem suas condições de saúde com mais frequência, antes que as doenças se manifestem de forma mais grave”, alerta Bacchini. Ainda segundo dados apresentados pelo professor durante a palestra, o comodismo, a vergonha e até o medo de descobrir alguma doença fazem com que os homens não frequentem os consultórios médicos como as mulheres. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2007, as mulheres se submeteram a cerca de 17 milhões de consultas preventivas, contra 2,7 milhões de homens. Além das consultas médicas periódicas, Bacchini

A CAIS busca trazer à comunidade ICMC e à sociedade em geral ações que promovam e recuperem o bem-estar social e a qualidade de vida das pessoas, estabelecendo uma dinâmica que contribua para a participação da comunidade na vida universitária. A Comissão está aberta às sugestões e colaborações da comunidade com o objetivo de aperfeiçoar o trabalho realizado. Entre em contato pelo email cais@icmc.usp.br

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Denise Casatti

No motorista, vive a memória do trem As 58 locomotivas e os 200 vagões que o motorista Luiz Matas têm em casa contam um pouco da história do País e o fazem voltar ao tempo em que embarcava no trem junto com o pai Por Denise Casatti Era 1974 e, aos 22 anos, ele ingressou no serviço público estadual como motorista na Secretaria dos Negócios da Educação. Naquele tempo, um funcionário público demorava cerca de três meses para receber o primeiro salário. Bem, quando ele viu aquele dinheiro todo nas mãos, não teve dúvidas: foi direto à loja comprar seu primeiro trem elétrico, um Atma. Começava ali a coleção de trens do motorista do ICMC Luiz Matas. Hoje, são 58 locomotivas e 200 vagões que sintetizam, em miniatura, a paixão desse motorista pelo trem. Uma paixão que começou quando o pai o levava para acompanhar seu trabalho de jornaleiro: todos os dias, às 12h40, em São Carlos, ele retirava os jornais que estavam no trem que vinha de São Paulo e os colocava nos vagões que partiam rumo a Ibitinga. Lá, desembarcava todos os jornais e montava sua banca. A proximidade com os trilhos marcou a vida da família, que sempre morou perto da linha férrea, na Vila Prado, em São

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Carlos. Matas lembra-se, ainda, de quando estudava no Senai, onde se formou mecânico, e ouvia o apito da locomotiva a vapor, sempre às 9 horas. “Eu também adorava ir até a Livraria Íris, que ficava em frente à Igreja São Benedito, para ver o trenzinho elétrico montado. Naquela época, só quem era filho de rico podia ter um trem daqueles”, contou. O nascimento de uma associação - De 1974, quando Matas comprou o primeiro trem, a 2006, ele só montou a pequena máquina umas duas vezes. A paixão permaneceu adormecida até ele passar a se reunir, por acaso, com um grupo de outros apaixonados por trem, na antiga Estação Ferroviária de São Carlos. “Eu saia para caminhar e acabava parando na Estação, onde outras pessoas que gostavam de trem costumavam ir”, explicou. O grupo formado por cinco homens decidiu, então, reunir-se para montar uma maquete. O chefe da América Latina Logística cedeu uma sala para a turma se reunir na Estação. Em 2008, eles formaram a Associação São-Carlense


É também na Estação que está a Maria Fumaça 821, sobre a qual os membros da Associação se debruçam nos finais de semana. Voluntariamente, eles oferecem a mão de obra necessária para a recuperação dessa velha senhora, enquanto a prefeitura fornece o material. O objetivo é finalizar o trabalho no começo de novembro. “A maioria das cidades do interior do Estado de São Paulo e do Brasil nasceu por causa dos desvios ferroviários ou do café, no começo do século XIX”, ensinou Matas. Para ele, é impossível separar o amor pelo trem do amor pela história. Aventuras para lá das miniaturas - A primeira vez que Matas encarou uma aventura pelos trilhos reais do Brasil, já adulto, foi em 2010, viajando na classe econômica: “Eu e mais três amigos saímos daqui e fomos a Campinas. De lá, pegamos um voo para Belo Horizonte. Dormimos e, no outro dia, pegamos um trem de passageiro para Vitória. Foram 680 quilômetros e mais de 12 horas de viagem. Chegamos lá às 21 horas, pretinhos por causa do pó do minério de ferro”.

Fotos: Paulo Arias

A aventura não acabou ali. Um ano depois, os amigos repetiram a viagem. Dessa vez, escolheram a classe executiva e curtiram os trilhos com ar condicionado, conforto e sem sujeira.

Denise Casatti

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de Ferreomodelismo, que conta hoje com mais de 30 associados. Nos dias 20 e 21 de junho de 2013, a Associação realizou o sexto Encontro de Ferromodelismo, que aconteceu na Estação onde toda a história começou. Cerca de sete mil pessoas estiveram no local para admirar as 16 maquetes expostas.

No final da conversa, só resta perguntar a Matas se vale a pena investir tanto nessas miniaturas. Sem hesitar, ele responde convicto: “Já fizemos eventos em Bebedouro, Ribeirão, Araraquara, Rio Claro, Bauru e Porto Ferreira. Vixe! O que eu conheci de gente, passeei, as amizades que fiz, as entrevistas que dei...” O trem enche de vida o motorista, que mantém viva a memória do trem. Para se tornar um ferreomodelista Um hobby voltado a reproduzir em escala as ferrovias, trens e tudo o que pode ser encontrado ao longo de uma linha férrea, como pontes, estruturas, riachos, montanhas, sinais, entre outros detalhes. O ferreomodelismo inclui também a reprodução da movimentação ferroviária, como a formação de composições, manobras, engates eicmcotidi@no desengates -e102 outras operações ferroviárias, na busca por obter o maior realismo possível. Em 1935, foi lançado por um fabricante alemão o "TRIX", primeiro trem de mesa em escala OO (1/76), muito parecido com a escala HO (1/87), que é a mais praticada no Brasil e no mundo. “O kit básico para quem deseja começar esse hobby é composto por uma locomotiva, três vagões, um oval de trilho e o controlador de velocidade. O custo médio desse kit é R$ 300,00”, revela Matas. Quem quiser aprender mais pode ir à Estação Ferroviária aos sábados e domingos à tarde, período em que os membros da Associação se reúnem para dar dicas aos futuros ferreomodelistas. Matas recomenda aos iniciantes que, antes de começar uma coleção, vejam se de fato gostam da ideia e têm tempo para se dedicar ao hobby. Também é preciso ter paciência e gostar de trabalhos manuais para reproduzir artesanalmente todos os detalhes que compõem uma maquete.


Kemelli Estacio-Hiroms: ex-aluna atua em grupo de excelência em pesquisa nos Estados Unidos Entrei no ICMC como aluna de mestrado em Matemática Computacional e Ciência da Computação em fevereiro de 2002, para trabalhar com o professor Norberto Mangiavacchi (que atualmente está na Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Meu plano era, ao final do mestrado, voltar para minha cidade natal, a grande Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e trabalhar como professora do ensino médio ou em uma das faculdades locais.

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Mas, meses depois, voltei a São Carlos atraída pelo estilo de vida acadêmica e comecei a fazer doutorado como aluna especial, enquanto trabalhava como professora substituta no Departamento de Matemática da UFSCar. Naquela época, o Norberto havia mudado permanentemente para o Rio de Janeiro e o professor Luis Gustavo Nonato assumiu minha orientação (2004). Lembro que, quando fui contemplada com a bolsa FAPESP, eu convenci o professor Luis Gustavo a solicitar que o início da bolsa fosse adiado por alguns meses, para janeiro de 2006,

Em março de 2007, com bolsa da Capes/PDEE, fui desenvolver parte da minha pesquisa no Institute for Computational Engineering and Sciences (ICES) da University of Texas at Austin, sob orientação do querido e saudoso professor Graham Carey. Em inglês, dizemos que eu tive uma life changing experience (uma experiência que muda a nossa vida), pois fui exposta a outras perspectivas, estratégias de pesquisa, relacionamentos profissional e pessoal. Conheci pessoas de vários lugares do mundo e aprendi valiosas lições de vida, inclusive a dar muito mais valor à nossa própria pátria e cultura – acho que me tornei mais brasileira quando me mudei para os Estados Unidos!. Em Austin, conheci Cale, que, de vizinho, se tornaria meu amigo e, depois, marido. Doutorado sanduíche terminado e tese defendida em 2008, eu e Cale nos casamos no ano seguinte. Como quem casa quer casa, mudamos para Sacramento, Califórnia. Então, fui convidada pelo professor Carey a prestar consultoria ao grupo de pesquisa PECOS, que faz parte do ICES/UT Austin. Um ano depois, fui contratada como funcionária da universidade como Postdoctoral Fellow – o que venho fazendo remotamente até hoje. PECOS foi eleito um dos cinco grupos de excelência em pesquisa nos Estados Unidos e me sinto muito honrada em trabalhar lá. Mas nada disso teria sido possível sem o apoio incondicional da minha família e da família ICMC. Sinto saudades de todos vocês! Hoje, Cale e eu moramos em Redondo Beach, uma cidadezinha muito charmosa da grande Los Angeles. Venham visitar a gente!

Kemelli C. Estacio-Hiroms

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RESPOSTA DA

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de modo a não deixar minhas turmas no meio do semestre. Em contrapartida, ele me convenceu a aplicar para o doutorado sanduíche assim que eu fosse aprovada no exame de qualificação.

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Um lago, dois momentos. Por Marinho Andrade, professor do ICMC. Quer saber mais sobre essas fotos? Acesse www.flickr.com/icmc-usp Compartilhe as imagens marcantes da sua vida com a comunidade do ICMC. O tema ĂŠ livre! Mande sua foto para comunica@icmc.usp.br

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ICMCotidiano - edição 102  

Revista ICMCotidiano, julho, agosto e setembro de 2013 • ano 14 • número 102

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