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O Meu Varino

Já noutro local tivemos a oportunidade de referir o termo «VARINO», e o seu sentido extremamente lato que por vezes confundia o que pretenderia designar. «Varinos» eram-no todas as personagens instaladas nas colónias piscatórias do Tejo, idas daqui, da Laguna. Constituíam grupos muitas fechados e preservados à aculturação exterior, mantendo arreigadas as tradições, com usos e costumes que fácil e imediatamente, os identificavam, distinguindo-os. Quer pelos gestos exuberantes, ou pelos modos bruscos inseridos num linguajar rico e singular, ou na expressividade e tom, fácil se tornava identificar as gentes vindas do litoral de Aveiro a mourejar nas águas do Tejo. Tal designação nada teria a ver, só e apenas com a designação das gentes de Ovar -os Ovarinos – mas generalizando-se a todos os grupos que entre si mantinham características peculiares, comuns, fosse qual fosse o local de proveniência da Laguna: Aveiro, Ílhavo, Ovar, Murtosa ou Espinho, etc.etc. «Varinos» era ainda, e também, a designação atribuída a toda uma série de embarcações, cuja característica principal residia no fundo chato, e nas proas e rés erguidas em curvas muito pronunciadas. Nos séc.XIX e XX «O Varino» viria a ser uma das embarcações históricas do Tejo, lado a lado com a «Fragata». «Varino» foi, ainda, o nome dado a um capote que protegia aquelas gentes, daqui emigradas, defendendo-as da intempérie, cobrindo-os inteiramente e com abotoadura de cima abaixo, fechando-se à frente. Desde 1828 que está documentado o seu uso na região lagunar. Vestimenta provinda da vida monástica colheu e adaptou vivências da idade medieval tendo-se generalizado na região. Utilizado na lavra que o usava apanhado na cinta com um simples cordel, mas de um modo mais usual pelo pescador que dele precisava para resistir ao agro da vida exposta à intempérie.

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O Meu Varino  

Senos da Fonseca