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MODOS DE USAR Núcleo Museológico Favaios, Pão e Vinho


Pรก de enformar

procurar ler ver fazer encontrar ouvir usar


MODOS DE USAR

Núcleo Museológico Favaios, Pão e Vinho


Núcleo Museológico Favaios, Pão e Vinho


Esta publicação, preparada pelo Serviço Educativo do Museu do Douro para o Núcleo Museológico Favaios, Pão e Vinho tem um princípio de utilização muito simples: a exposição deixa de ser um lugar para encontrar informação e passa a ser um lugar para procurar. Um lugar para procurar… pormenores, fragmentos, pedaços, marcas, registos, os ínfimos detalhes que nos habituamos a deixar de ver. Pretende-se que o leitor deste conjunto de imagens trace um percurso individual pela exposição, tentando despertar a sua curiosidade e fazendo mergulhar a sua atenção no que as peças escondem, por detrás da luz ou da tabela expositiva. Procurar para poder ver de perto, muito de perto, objetos – formas e funções – que pertencem a duas culturas fundamentais de Favaios: o pão e o vinho. A publicação pode ser usada POR todos. Todas as idades, habitantes, turistas, familiares de visita à terra de origem, crianças, jovens, idosos, adolescentes. A publicação é assim PARA todos.


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Modos de usar… as imagens textura* De modo a mergulhar nos pormenores das coisas desta realidade (expositiva) podemos descobrir segredos visuais inspiradores dos usos e patines destas peças ou imagens. Aconselhamos que se faça o jogo básico de identificação: - Observação do pormenor, tipo de cor, tipo de materiais para procurar o objeto ou imagem na exposição. - A sequência de imagens proposta não tem de ser seguida e pode ser usada intuitivamente. No verso de cada página, encontram o nome do objeto a que pertence a imagem podendo, depois de o encontrar, verificar a sua identificação e melhor compreender o seu uso e função na leitura da tabela e o seu lugar na exposição.


Para quem guia uma exposição (técnico do núcleo, professor, educador, guia) estas imagens textura podem também constituir os momentos essenciais numa orientação do percurso da exposição, implicando o visitante na procura, tornando-o mais ativo.

*Foram materiais inspiradores desta proposta o livrinho de Ditz (2005), O Que é? O Jogo das Imagens. Lisboa: Ed Tinta da China e ainda os dossiers pedagógicos ‘siège’ e ‘maisons’ do arc en rêve centre d’architecture em Bordéus, 2002.


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Aerómetro

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Ebuliómetro

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Disco Ebuliométrico

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Vinómetro

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Tijela

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Tesoura de vindima

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Ranhão ou Ranhadouro

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Cesto vindimo

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Enxofradeira

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Medida de cereal

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Enxofrador

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Peneira

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Furete

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Relão

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Pulverizador

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Outros Modos de usar Apresentamos outras possibilidades e sugestões para trabalhar, a partir da exposição, ou depois de a visitar que podem ser realizadas sozinho/a, com grupos de crianças e jovens de todas as idades (!), por visitantes ou em grupos de escolas, de associações, de amigos ou mesmo em família. I

Continuar a colecionar… as imagens textura Dentro da exposição Após a realização do processo simples de procura e identificação das peças poderá o visitante ou o grupo, com o apoio do seu telemóvel ou de uma máquina fotográfica acessível, fotografar (sem flash) outros pormenores e fazer uma nova coleção de texturas, criando outro percurso possível. Depois basta escolher o tamanho das imagens, imprimir e refazer a coleção de texturas.

Selo

Fora da exposição Tendo em conta a estação do ano e as especificidades da cultura do pão e da cultura do vinho que a exposição documenta e interpreta, pode ser interessante reunir outras coleções a partir de momentos, lugares, pessoas, elementos naturais ou agrícolas. Deixamos algumas sugestões: - Visitar uma padaria em Favaios e ouvir a padeira ou o padeiro são modos de perceber outras texturas, agora da voz e das mãos que se relacionam directamente com o que acabamos de ver. E podem, voltar a fotografar pormenores, por exemplo, da mão que vende o pão, dos sacos usados, da cor do balcão, do tamanho dos cestos utilizados, das diferentes cores dos diferentes tipos de pão.


- Ou no exterior, em confronto com as paisagens agrícolas, descobrir, em abril, pormenores das papoilas que já anunciam o trigo. - Percorrer, no outono, as linhas sinuosas das vinhas e perceber, de facto, como é o seu lenho e a sua casca. Ou fotografar pormenores das diferenças das folhas e das suas cores e compará-las com as cores do vinho de Favaios que identificou e fixou na exposição. - Após tentar fixar os cheiros ligados ao vinho (do mel ao limão… ) na exposição, faça corresponder, no seu passeio por Favaios, esses cheiros a lugares ou paisagens que está a visitar. Ao arquivar ou imprimir a imagem, legende-a com o seu respetivo . Estas “coleções” de imagens texturas podem, depois de impressas e identificadas, ser montadas em pequenos livros, cozidos à mão ou agrafados, que marcam a história de uma atenção a uma visita, a um campo agrícola, a uma paisagem.

II Perséfone visita Favaios Nesta proposta definimos uma sequência de ações das quais se constrói uma oficina de experiências, a partir da exposição. No entanto, qualquer uma das atividades pode ser realizada autonomamente. Ler e Ouvir. Ouvir e ler. Andando no prado a colher flores, rubras papoilas, Perséfone é subitamente arrastada para um abismo que se abriu na terra e num carro puxado por negros corcéis, é levada para o Mundo Subterrâneo por Hades deus dos mortos apaixonado por ela.


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Sua mãe Deméter, deusa da agricultura, procurou-a desesperada durante nove dias e nove noites. Soube pelo Deus sol, Hélio, o que sucedera e, não se dispondo Zeus a ajudá-la a encontrar a filha, decide Deméter, em fúria, não deixar que a Terra produza mais frutos nem que medrem as plantas. Vendo os campos desertos e estéreis, Zeus promete trazer-lhe a filha de volta, desde que esta, não tenha comido os alimentos dos Mortos. Mas Perséfone, ou colhida por ela própria nos Campos Eliseus, ou porque lha dera Hades para que ela regressasse ao Mundo dos Mortos, tinha comido, de uma romã sete bagos. E, por isso, nada mais pode ser feito para contentar Deméter do que decretar que, doravante, Perséfone passaria três meses na companhia de Hades e os outros nove junto de sua mãe. Como o trigo que dá uma Primeira Erva no Outono, desaparece no Inverno, para renascer, mais vigoroso na primavera, também Perséfone, ausente durante três meses, no mundo subterrâneo, ressurge para permanecer na Terra, esplendorosa como espiga madura. Retirado de Barboff, Mouette (2005). Terra Mãe, Terra Pão. Lisboa: Ed Âncora, p. 122. Na exposição, num espaço mais recatado ou para quem o quiser fazer, fora do espaço expositivo… na escola, na bi blioteca, na sala de estar da casa… sugerimos a leitura dos mitos que permite re-encantar ou descobrir o re-encanto das explicações ficcionadas sobre os ciclos da natureza e da agricultura. O leitor pode depois perguntar ao grupo de ouvintes: Como seria Perséfone? Mediante a estação do ano em que decorre a leitura, seria interessante perguntar Onde estaria ela escondida? Pode aqui, leitor e ouvinte, cruzar a leitura do mito com os ritos e rituais ligados, ao fazer do pão, aos tempos da levedura e da cozedura que sugerem sempre algo mais que reações químicas. E, continuando a explorar a exposição, dando a ler o mito de Baco, a propósito do ciclo do vinho de Favaios.


Fazer Positivo/negativo É muito importante podermos mexer nos cereais e seus derivados para os percebermos tatilmente. A predominância do visual pode ser alternada com todo um trabalho sobre o toque e o tato que envolve estas atividades. Ganhamos mais noção da matéria com que é feita o pão. Mexa à vontade em farinha, em relão, em farelo, em grão de trigo. Experimente: Numa folha preta de cartolina, use o tubo de cola como uma caneta e espalhe o seu desenho em cola experimente não representar nada de concreto (ex. linhas curvas, linhas retas...). Passe depois uma mão cheia de farelo por cima do lugar da cola. Sacuda, com cuidado, o farelo que não ficou colado. Observe bem como está a folha. Use, de modo semelhante o relão ou mesmo o grão de trigo. Escolha, agora, um momento da história e use este modo de trabalhar com os cereais dando novas formas às personagens – deuses da mitologia que vieram habitar Favaios. Procure fugir dos estereótipos. Procure conhecer, no caso de trabalho com crianças e jovens, a simbologia da expressão visual infantil. , recusa também o estereótipo que é, na base, uma cópia de uma realidade convencionada. Materiais necessários: Farinha, relão, farelo. Folhas de cartolina ou de outra espessura de tamanho variável. Cola em tubo.


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Sombras e Silhuetas de “Perséfone visita Favaios”? Peça emprestado ou reutilize um retroprojetor de acetatos: tente com os dedos das mãos ver o efeito de silhueta e a alteração de escala. Com coisas comuns feitas pelo homem ou elementos da natureza - flores, terra, objetos translúcidos e opacos, experimente contar a história de Perséfone, a partir do resultado das formas assim criadas. Observe como reagem os grupos. Proponha que interajam com as silhuetas projetadas dos objetos, aproximando e afastando as suas sombras. Cenários Identifique na história os principais lugares onde se conta o mito de Perséfone. Procure em Favaios e nos lugares próximos, espaços que poderiam simbolicamente ser os ideais para a história. Fotografe-os. Imprima os melhores e conte, de novo, a história mas mostrando, agora, de facto, por onde passou Perséfone … em Favaios. Para a Primavera e Verão Na primavera, e seguindo o próprio mito de Perséfone, procure nos lugares de Favaios e Alijó, campos agrícolas em que possa colher papoilas e outras flores que encontre pelo chão ou na berma da estrada. Compre trigo em grão antes de ser moído ou mesmo espigas de trigo. Com as flores e com o grão, proponha ao seu grupo ou família, passar as corolas das flores e o trigo por tinta (ou carregá-los em almofadas dos carimbos antigos). Numa folha branca, veja que formas escondem as flores e as espigas. Crie sequências ou mesmo composições na folha branca ou, se assim o desejar/desejarem, em roupa para festejar o verão e a primavera, reutilizando t-shirts ou outras peças de roupa usada.


Materiais necessários: Tinta lavável ou almofadas dos carimbos e tinta de carimbar. Flores e plantas variadas, folhas de árvores – de acordo com as estações da primavera a e do verão. Folhas brancas Tinta para tecido. Peças de roupa usada.

Estas são algumas das sugestões para, a partir de uma exposição, procurar tomar contacto com as realidades das quais a própria exposição partiu.

O vinho e o pão fazem-se fora dos museus. E é cá fora que poderá, agora depois de ter visto a exposição, de um modo muito mais informado, procurar estas realidades.


Edição: Núcleo Museológico Favaios, Pão e Vinho Conteúdos: Samuel Guimarães Equipa Serviço Educativo do Museu do Douro: Marisa Adegas, Samuel Guimarães (Coord.), Sara Monteiro, Susana Rosa Fotografias: Marco Aurélio Peixoto Design e Produção: Atelier João Borges 2012


Tel.: 259 950 073 museu.favaios@cm-alijo.pt GPS: "+4116'2.09", -730'2.25"

Vassoiro

Núcleo Museológico Favaios, Pão e Vinho Rua Direita 5070 - 272 Favaios


Borrifador. Capa: Portinholar

Organização / Organization:

Projecto cofinanciado por / Project co-financed by:

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Publicação preparada pelo Serviço Educativo do Museu do Douro para o Núcleo Museológico Favaios, Pão e Vinho. Observação do pormenor, tipo d...

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