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Revista

SEMMEDIDA Ano 1 - Nº 7 - Janeiro de 2010

writers Editora

Comunicação

Para quem não tem medo da fita métrica

Gastronomia

As delícias da culinária alemã em SP Yamaha

XVS 950: uma moto ideal para quem é plus size Música

Você precisa ouvir uma das melhores orquestras do mundo Uma mulher rosolvida e de bem com a vida

Nedely Oliver

Se você não sabe o que significa

Plus size eis a nossa definição

MARCIA SPINELLI Uma mulher linda e com curvas de verdade.

Ela é modelo do Plus Size Models Guide e representa a grande maioria das mulheres brasileiras. 2 |SEM MEDIDA

Antonio Larghi

O caminho plus size passa pela auto-aceitação

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Revista

SEMMEDIDA Para quem não tem medo da fita métrica

“Sem” Preposição Ausência de condição necessária. “Medida” Substantivo feminino O que não pode ou não deve ser ultrapassado; limite, termo. A revista Sem Medida é uma publicação eletrônica periódica editada pela Writers Editora e Comunicação Ltda., de acesso gratuito através do web site: www.semmedida.com.br. Os artigos publicados aqui não refletem, necessariamente, as posições ideológicas do projeto e da editora e são de inteira responsabilidade de seus autores. Editores Roberto Paes e Francisco Reis contato@semmedida.com.br Jornalista responsável Francisco Reis (MTb: 14.887) freis@semmedida.com.br Produção gráfica e webdesign Roberto Paes rpaes@semmedida.com.br Publicidade Oscar Chiorlin ochiorlin@semmedida.com.br Teresa Chiorlin tchiorlin@semmedida.com.br Rafael Steinhoff rsteinhoff@semmedida.com.br Writers Editora e Comunicação Ltda. Rua Prof. Guilherme B. Sabino, 1347 Cj 112 - Jd. Marajoara - São Paulo - SP Cep: 04678-002 Tel.: 55 (11) 3729-3534 Web site: www.writers.com.br E-mail: contato@writers.com.br

sta semana, todos aqui na redação ficaram felizes. Descobrimos que a revista Super Interessante havia dedicado espaço para a publicação de um artigo que fala a respeito de saúde e obesidade. Nele, a autora defende teses que desmistificam a relação entre saúde e peso e, principalmente, fala a respeito da autoaceitação. Você poderá ler nesta edição da Sem Medida um resumo que preparamos sobre este texto. Mas o que nos deixa realmente contentes é que, finalmente, o movimento plus size começa a tomar uma direção. Rumo este que não passa pela aceitação dos que estão acima do peso pela sociedade e sim, caminha para a descoberta de que todos, independente de suas diferenças, devem apenas se aceitar. O resto será mera consequência. Prova de que a auto-aceitação é o melhor caminho é a entrevista de Nedely Oliver, alguém que olha para si mesma com bons olhos. E, além desta entrevista, esta edição da Sem Medida vem repleta de assuntos interessantes. Falamos sobre um restaurante alemão que além de ótimos pratos, tem um proprietário plus size, damos dicas para você fazer uma ótima viagem de transatlântico pela costa brasileira e desmistificamos a idéia de que alimentos enlatados são ruins. Para quem gosta de alimentar a mente com cultura, apresentamos a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp e sua extensa programação de concertos que vão deliciar seus ouvidos. Falamos também sobre teatro e indicamos a peça “Por que os homens mentem?”, um espetáculo que fará ambos os sexos soltarem algumas boas gargalhadas. Apresentamos as imagens e um pouco da história do fotógrafo Fernando Siqueira, um ser humano que adora captar imagens que às vezes despertam o nosso desejo e, outras, nos faz pensar sobre para onde caminha a humanidade. Apresentamos também uma moto que não tem medo de peso, a Yamaha Midnigth Star. Um sonho de consumo para plus sizes que gostam de duas rodas. E, para finalizar, falamos sobre o site “Aquipode”, um espaço na internet que se preocupa em listar locais onde os “excluídos” têm vez, e publicamos os artigos de Tânia Sanches e Luciane Russo, mulheres de peso e quem têm muito a dizer. Boa leitura. Roberto Paes.

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Ă?ndice 6 Perfil

Fotografia 64

20 Onde ir

Motos 78

30 Turismo

Internet 100

48 MĂşsica

Teatro 106

Nedely Oliver um mulher resolvida e de bem com a vida Texto: da Redação | Imagens: Helio Paes

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Essa atitude positiva e uma auto-estima sempre elevada, levaram Nedely Oliver a ter uma vida normal, sem sofrer qualquer tipo de preconceito. Uma auto-imagem positiva que a fez tornar-se uma das modelos do Plus Size Models Guide.

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lém da auto-estima elevada, Nedely tem outra característica marcante: é determinada e quando faz alguma coisa, faz o m á x i m o para que seja bem feita e se dedica muito. Isso fica comprovado nos cinco anos em que atua em uma empresa como auxiliar administrativa. O compromisso e dedicação ficam evidentes quando ela conta que em todo esse tempo, faltou apenas uma vez. Isso por que seu marido sofreu um acidente e ela teve que socorrê-lo. No lado pessoal é “simpática e romântica, mas com os pés no chão”, faz questão de frisar, explicando que tem sonhos na vida e dedica-se a cumprir suas metas e objetivos, procurando ser sempre o mais realista possível para evitar desilusões e perda de tempo, que passa e não volta mais. Segundo ela, apenas no segundo semestre de 2009 descobriu que fazia parte do grupo plus size, apesar de ser gordinha desde os nove anos. “Sou uma gorda muito bem resolvida com meu corpo”, diz sorridente. “Ter o quadril, coxas, braços e até mesmo uma barriga mais saliente que algumas pessoas ao meu redor não afetam o meu dia-a-dia. Sempre tive consciência de que não sou somente uma mulher bonita gordinha, tenho os meus valores pessoais, minha confiança de poder tanto quanto as mulheres mais magras, em qualquer área”. Nunca sofreu preconceito pelo seu peso. Sempre teve facilidade de arrumar outra colocação e atribui isso ao fato de ser uma mulher ativa e esforçada. “Concluo que o fato de ser gordinha realmente não

me abala no profissional, pois sou responsável e competente como qualquer outro que se dedique”, afirma Nedely. E se para o trabalho ela não perde tempo, para as coisas do coração também não. “Não sei se era o meu jeito, mas sempre chamei a atenção do público masculino”, confessa dando risada. “Fui noiva por quase três anos, terminei, tive alguns relacionamentos passageiros dos 18 aos 21, inclusive com o meu marido. Namorei um ano com outra pessoa, e após mais alguns períodos entre estar solteira ou acompanhada, reencontrei meu marido numa festa de Carnaval, em 2004 e 11 meses depois nos casamos”. Nedely afirma que sempre foi muito feliz na vida pessoal e emocional e atribui isso ao fato de aceitar muito bem suas curvas e estar sempre de bem com a vida. E, para ela, esse astral é o mais importante. O fato de ser gordinha, pelo menos para ela, nem deve chamar tanta atenção assim, pois sempre parece passar despercebido entre as pessoas que conhece. Eu me amo “Gosto e convivo muito bem com minhas características físicas”, explica a modelo plus size. “Na adolescência, eu pensava em aumentar os seios um dia, após a faculdade talvez. Mas, ao casar, optei por comprar minha casa e após quitá-la fazer o superior. Paguei a casa e troquei por esta que vivo agora. A meta é quitá-la nos próximos três anos e fazer uma faculdade. Mas de qualquer forma, hoje estou mais madura e imagino que não me submeteria

“Ter o quadril, coxas, braços e até mesmo uma barriga mais saliente que algumas pessoas ao meu redor não afeta o meu dia-a-dia. Sempre tive consciência de que não sou somente uma mulher bonita gordinha, tenho os meus valores pessoais, minha confiança de poder tanto quanto as mulheres mais magras, em qualquer área.” SEM MEDIDA| 9

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a essa cirurgia, pois me amo muito como sou hoje”. Talvez essa auto-estima seja fruto de um crescimento repleto de carinho e admiração. “Todos sempre me falaram que sou muito bonita e charmosa e que se fosse mais magra, poderia trabalhar como modelo fotográfico, já que o padrão das passarelas é ser magérrima”, lembra Nedely. “Quando acessei o site Gordinhas Lindas, vi um concurso para modelos Plus Size e, comentando com minha irmã, ela me deu a maior força para me inscrever e mandar as fotos. Ela e meu marido me ajudaram a escolher. E não é que fui convidada para o casting do Plus Size Models Guide? Amei e, é claro, todos em minha família estão dando a maior força”. O marido, apesar de ser um pouco ciumento, sabe se controlar e apóia a mulher incondicionalmente. Ela, por sua vez, acha o ciúme normal e bom para uma relação, pois acredita que ninguém deve se sentir totalmente seguro numa relação. “Isso acaba acomodando, o que ao meu ver não é bom”, diz Nedely falando que seu marido está dando a maior força. Só não teve paciência de ver a confecção do book, apesar de ligar horas depois querendo ver as fotos gerais e ajudar na escolha. Ou seja, tanto a família como os amigos a apóiam, e ela tem no seu marido, alguém que sempre a apoiou e é um companheiro em tudo. Uma pessoa que sempre a coloca para cima e faz de tudo para que a felicidade do casal seja completa. Mas esse alto astral, bom humor e tranquilidade somem quando ela tem que encontrar calças, shorts e saias. Além de

ter um peso acima do padrão, ela tem nádegas e quadril grandes o que torna difícil encontrar algo que vista bem, seja jovem e moderno. “Normalmente são roupas mais sérias e sóbrias, e ao mandarmos fazer, nem sempre a costureira segue fielmente o que pedimos, então, o custo é um pouco maior”, reclama ela, esperando que em breve, o mercado se volte mais para as mulheres gordinhas. E se em São Paulo as opções são poucas, em Sorocaba, onde mora, não tem muitas opções. As confecções de roupas modernas que atendem pela internet são uma alternativa, mas sem provar é complicado, pois a medida brasileira não é padrão. “Tanto o tamanho G pode servir como o GG não entrar”, conta Nedely. “Isso na parte de confecção, mas na parte de jóias também não é fácil. Se eu quiser uma tornozeleira ou pulseira, por exemplo, nem sempre encontro para mim o modelo que gosto, pois o tamanho padrão muitas vezes não fecha, então, preciso encomendar e nem sempre tenho humor após uma tentativa sem sucesso para fazer isso”. Ela espera que o mercado se amplie aos consumidores acima do peso-padrão, pois este público consome tanto quanto as pessoas magras, muitas vezes, até mais, pois são mais vaidosos e exigentes com o que compram. Bem informada Nedely gosta de acessar sites voltados para o público plus size pois sempre encontra novidades, dicas para quem está acima do peso. Ao se aprofundar no assunto, co-

“Quando acessei o site Gordinhas Lindas, vi um concurso para modelos Plus Size e, comentando com minha irmã, ela me deu a maior força para me inscrever. Ela e meu marido me ajudaram a escolher as fotos. E não é que fui convidada para o casting do Plus Size Models Guide? Amei e, é claro, todos em minha família estão dando a maior força.” 12 |SEM MEDIDA

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nheceu pessoas ótimas que como ela se valorizam e lutam pela expansão e atenção do mercado para gordinhos. Mas nem tudo é maravilha. “Me deparei com inúmeros casos de preconceito, tanto na vida profissional quanto na pessoal de pessoas gordas, o que me deixou profundamente triste”, confidencia. “É um absurdo o preconceito de algumas pessoas. Como alguém pode discriminar outra pessoa somente ao olhar para ela? Sem a conhecer? Saber dos seus valores pessoais? O gordinho tem suas qualidades e defeitos, competências e limitações tanto quanto uma pessoa magra. Mas ouvi recentemente algumas histórias de familiares que discriminam, mães que deixam suas filhas inseguras de tanto pressionálas a emagrecer. Muitas vezes isso afeta tanto a auto-estima que a vida da pessoa segue um rumo muito dependente da opinião alheia, a pessoa sente vergonha em se expor. É muita coisa absurda, pelo que percebi são inúmeros casos, tem muita gente que atrofia seus pontos de vista, sua vida em virtude do preconceito”. E nessa troca de informações, Nedely fala que os plus size têm que se valorizar, se assumir, e gostar primeiro deles mesmos, depois dos outros. “Como você pode amar ao próximo sem amar a si mesmo?” pergunta ela. “A vida não segue adiante dessa forma. Não dá para vivermos a vida do outro, seguir o caminho que o outro escolhe, respirar o outro. Temos que nos olhar mais a fundo, descobrir nossos valores, e mostrar que somos muito mais que apenas carne. Somos seres humanos capazes de sonhar, trabalhar, sorrir, viver, ser feli-

zes, enfim, não podemos nos abater com comentários infelizes. Eu procuro filtrar em minha vida tudo que venha para somar e não para subtrair. O que não me interessa eu descarto. O que acho interessante, trabalho em cima para construir com aquilo. Eu penso que somos reflexo daquilo que nos permitimos ser”, filosofa. Segundo ela, o mercado de consumo e publicitário ajudaria e muito se investisse em produtos para plus size. Isso ajudaria, pois traria opções de roupas, sapatos, acessórios, e, consequentemente ajudaria a aumentar a auto-estima ao perceberem que essa categoria de pessoas está sendo atendida. “Tem pessoas que estão de tão baixo astral que nem se importam de comprar aquela roupa horrorosa que envelhece 20 anos a sua figura, só pelo simples fato de não ter escolha”, conta Nedely. “Achou aquilo, o restante é GG-míni, então vai aquilo mesmo. E fica sempre morrendo de vergonha de ser o mal vestido dos eventos. Isso com certeza afeta qualquer pessoa. Dificulta qualquer relação com o próximo. A insegurança é a maior limitação do ser humano”. Tinha razão Nedely sempre gostou de ter “excesso de gostosura” e ao ser selecionada entre mais de 250 candidatas para o PSGM teve a confirmação de que tinha razão ao se sentir uma linda mulher e se sentiu a mulher mais linda e maravilhosa da Terra. Ligou na mesma hora para a família, para o marido, com uma sensação muito gostosa. Passada a euforia inicial, os planos

“É um absurdo o preconceito de algumas pessoas. Como alguém pode discriminar outra pessoa somente ao olhar para ela? O gordinho tem suas qualidades e defeitos, tanto quanto uma pessoa magra. Mas ouvi recentemente algumas histórias de familiares que discriminam, mães que deixam suas filhas inseguras de tanto pressioná-las a emagrecer.” SEM MEDIDA| 17

de todos em relação a isso, as figas feitas para surgirem trabalhos, a trouxe de volta à Terra. Foi se informar, sobre o seu mundo, o mundo Plus Size, que ainda não é divulgado. “Sei que o caminho não será fácil, e por isso me mantenho com os pés no chão”, diz consciente. “Em primeiro lugar vem meu emprego atual, que é minha segurança, porque como todo brasileiro, tenho dívidas para pagar. Minha casa é financiada e todo mês tenho compromissos. Mas o que puder fazer, não abalando a minha segurança, com certeza farei, pois adoro muito tudo isso e quero contribuir e muito para a nossa classe. Espero poder crescer junto com esse mercado que se inicia”. E o sucesso veio rápido. Nedely foi chamada por várias empresas para trabalhar. “Confesso que gostei muito por acharem meu perfil interessante para o trabalho. Realmente fiquei lisonjeada pela escolha, porém, ao entrar para o casting do PSMG, tivemos dúvidas em relação ao valor dos cachês, pois nenhuma de nós, modelos, tinha noção sobre valores. Depois de uma pesquisa de mercado, estabelecemos valores com a única distinção entre novatas e experientes. Precisamos ter um valor que cubra nossos custos como transporte, refeição, etc, além de um valor justo pelo nosso trabalho. O que me ofereceram estava bem abaixo da nossa tabela inicial. Não podemos trabalhar ganhando um valor simbólico. Temos nossos custos, nosso tempo, enfim, se não nos dermos o devido valor, mesmo sendo iniciantes, além de queimar o mercado, será muito difícil depois conseguir nos valorizar. Não achei

interessante. Quero sim trabalhar, assim como todas as modelos do PSMG, mas para clientes que reconheçam o nosso potencial e beleza de mulheres plus size charmosas, e não apenas porque fotografamos por qualquer preço. Não me interessa ser desvalorizada perante os outros profissionais, pois tenho os meus princípios pessoais acima de tudo”. Os baixos cachês podem ser fruto do preconceito da própria mídia. Além do padrão exigido atualmente no mundo da moda ser o de pessoas magras. “Isso é hipocrisia”, dispara Nedely. “É só olhar ao redor e veremos inúmeros gordinhos e gordinhas lindas que formam um mercado específico com necessidades específicas que não estão sendo atendidas. E nem precisa ir longe, quem não tem um amigo, primo ou parente gordinho?”. Ela acredita que pelo fato de o mercado exigir apenas modelos magras, os cachês para as plus sizes seja tão abaixo do mercado e descarta a idéia de que outro valor para os baixos cachês seria o fato de que as pessoas gordas passam a idéia de que são doentes. “Se ser gordo é estar doente, e ser magro demais, sem peito, bunda e com os ossos aparecendo? Isso é sinônimo de saúde? questiona Nedely. “Meu Deus! Não há nada mais horrível do que você olhar para uma mulher e ela ter aqueles buracos abaixo do pescoço, no colo, ou ter um pulso ou tornozelo finíssimo, dando a impressão de ser tão frágil? Sou mais as plus size. É infinita a quantidade de gordinhas e gordinhos bonitos. O importante é estar com a saúde em ordem, ser gorda, definitivamente não me afeta em nada”.

“Em primeiro lugar vem meu emprego atual, que é minha segurança, porque como todo brasileiro, tenho dívidas para pagar. Mas o que puder fazer, não abalando a minha segurança, com certeza farei, pois adoro muito tudo isso e quero contribuir e muito para a nossa classe. Espero poder crescer junto com esse mercado que se inicia”. 18 |SEM MEDIDA

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Rudolf

um local para apreciar a tradicional comida alemã Texto: da Redação | Imagens: divulgação

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A gastronomia alemã, se comparada à de outros países, não é grande o suficiente para encher páginas e páginas de um cardápio. Porém, ela compensa isso oferecendo aos “bons garfos” pratos encantadores e, além disso, aromas e sabores de dar água na boca.

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e você nunca provou da culinária alemã, ou se já a conhece e está em busca de um restaurante que prepare estes pratos da maneira tradicional, sem mudar ou “acrescentar” nada à receita, uma boa pedida é visitar o Rudolf, no bairro de Moema, em São Paulo. Um lugar onde se pode ir almoçar e jantar tranquilamente, com a família ou com um grupo de amigos e sair satisfeito, tanto no que diz respeito à qualidade dos pratos, quanto ao tamanho das porções, todas com preços bem amigáveis. Inaugurado em 14 de maio de 2009, após uma reforma de 13 meses para adequar as instalações ao projeto de acordo com a legislação atual e ambientar fachadas e interiores com mobiliário antigo e decoração típica, o Rudolf causa a impressão de “estar ali há décadas”. Isso, segundo Rudolf Deimel, proprietário e chef de cozinha, é porque no Rudolf, tudo é de verdade, inclusive a madeira envelhecida que foi usada na fachada de um imóvel que é de 1950, e do qual foram mantidas as grades, a fachada de pedra e a lareira. Na decoração, Rudolf usou toda a mobília comprada ao longo de 20 anos de história de seus restaurantes anteriores. Ele, inclusive se orgulha em dizer que ela é antiga e de verdade, não é imitação e a decoração típica também é legítima e genuína. À frente da cozinha do Rudolf está o próprio Rudolf. Aliás, é bom explicar que a casa de Moema é o quinto restaurante deste chef de cozinha, que no início batizava seus restaurantes com outros nomes.

Rudolf especializou-se na culinária alemã a partir de 1990 e vem se aprimorando todos os dias.

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Apesar de não apresentar grande variedade de pratos, a culinária alemã é muito saborosa e nutritiva.

“Acabamos escolhendo Rudolf como nome fantasia para o restaurante porque toda vez que usamos outros nomes, os clientes o deixavam em segundo plano e diziam: ‘vamos ao Rudolf’”, explica Rudolf Deimel. Para ele, isso se deve, em parte, à sua descendência alemã e ao fato de que, tradicionalmente, é comum que as pequenas cervejarias alemãs carreguem o nome de seus proprietários. Mas, para quem já visitou o restaurante, outro motivo para que todos o chamem pelo nome de seu chef e proprietário, está no fato de que Rudolf, quando não está ocupado na cozinha, adora passear por entre as mesas e confraternizar com seus clientes. Ele atropela os garçons, entrega cardápios, sugere pratos e acompanhamentos e, inclusive, oferece verdadeiras aulas de gastronomia explicando as variações, por exemplo, do preparo de um joelho de porco. Durante a visita que fizemos ao restaurante, não o vimos servindo as mesas, mas, enquanto degustávamos alguns pratos, ele foi uma presença constante e muito agradável. No cardápio da casa é possível encontrar os tradicionais embutidos, salsichas e, além disso, o rosbife, servido como aperitivo. Como pratos principais estão o “kassler”, costela suína cozida e defumada, o “Eisbein”, joelho suíno dianteiro ou traseiro cozido ou grelhado, além dos acompanhamentos tradicionais, chucrute e batata, nas suas mais variadas formas. A casa oferece pratos individuais ou combinações

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na forma de pratos “familiares” como, por exemplo, o “Chucrute Garní” ou “schlachtplatte”; e ainda o “Wienerschnitzel”, um bife vienense de “filét mignon” à milanesa com batatas douradas e pepinos agridoce, o “Fleisch in Bayern”, carne à Baviera, com carne bovina ensopada em cerveja escura, “spätzle” e purê de ervilha, o “Pàprika Schnitzel”, bife fino de “filét mignon” à dorê ao molho de páprica e creme de leite com “spätzle”, “Goulash Húngaro”, com carne bovina ensopada ao molho de páprica, chucrute e “knödel”, o “Deutscherschnitzel”, bife fino de carne suína à milanesa, purê de maçã e legumes puxados na manteiga. E, como não poderia deixar de ser, o Rudolf oferece também a grande vedete das sobremesas alemãs, o “Apfelstrudel”, uma torta de massa folhada com maçãs. Para acompanhar os aperitivos e os pratos, no Rudolf se encontra o chopp claro Brahma, o escuro Brahma Black, água mineral, refrigerantes, sucos, destilados, vinhos alemães e drinques. Um destaque especial deve ser feito ao licor alemão de 56 ervas e zimbro, um tipo de “bitter”, chamado “Jagermeister”. Rudolf explica que está fazendo acordos com importadores para oferecer aos clientes um bom e amplo leque de cervejas alemãs. Autodidata e bom de garfo Rudolf Deimel, tem 46 anos, é casado, pai de dois filhos e um gordo que não esconde de ninguém nem o peso e nem a paixão que sente pela gastronomia alemã.

A cuidadosa decoração da casa faz com que os visitantes se sintam num restaurante na Alemanha.

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Sua formação acadêmica o levou para a arquitetura e para a gastronomia que sempre estiveram presentes em sua vida como um hobby. Mas como vocação é vocação, Rudolf acabou alimentando a idéia de montar um restaurante e, quando abriu seu primeiro restaurante, decidiu optar pela culinária alemã. “A escolha pela culinária alemã se deu com abertura da primeira casa, em 1990, que era uma cervejaria e necessitava de um cardápio que combinasse com as várias marcas e tipos de cervejas oferecidas”, explica Rudolf, que a partir deste momento colocou em prática seu autodidatismo. Ele conta que é um autodidata na cozinha. “Conheci alguns antigos chefs e suas técnicas, frequentei seus restaurantes e me interessava pelos procedimentos do preparo. Pesquisei antigos cardápios e livros de culinária. Até hoje, tenho o hábito de ler, recortar e guardar tudo o que encontro sobre o assunto. Isso sem falar que atualmente a internet ajuda muito na pesquisa. Vivi o auge das casas alemãs em São

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Paulo e na região do ABCD, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema nos anos 80. Atualmente, tenho interesse também em pesquisar e contatar chefs contemporâneos, inclusive da novíssima ‘Alta Gastronomia Alemã’”. Quando perguntamos a ele sobre ser plus size, Rudolf Damiel nos conta que desde os 20 anos está acima do peso e diz que a intimidade com a cozinha de seus restaurantes é um pouco responsável por isso. Mas ele também nos fala que o importante, para ele, não é se preocupar com o peso e sim com a saúde. “Estar acima do peso nunca me trouxe problemas, basta cuidar da saúde”, explica Rudolf. Se você ficou curioso para experimentar os pratos do Rudolf, preparados pelo próprio, visite o restaurante que fica na Avenida dos Imarés, 711, esquina com a Alameda dos Aicás, no bairro de Moema, em São Paulo. O telefone para contato e reservas é o (11) 5041-4076 e o endereço do web site é www.rudolfgastronomiasp. com.br.

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Navios

uma charmosa e divertida opção de turismo Texto: da Redação | Imagens: divulgação

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A CVC Turismo é a maior operadora de turismo da América Latina e, desde 2004, oferece cruzeiros marítimos que, na realidade, se tornam as viagens dos sonhos da maioria de seus clientes.

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maior parte das pessoas quando assistem um filme onde aparecem aqueles enormes navios, verdadeiras cidades flutuantes, se imagina dentro deles, jogando em seus cassinos, nadando em suas piscinas, ou dançando nas pistas de dança. Isso sem contar nos vários restaurantes. Mas junto com essa idéia, vem o do custo. Todos imaginam que uma viagem de navio custa muito caro, e só rico pode fazê-la. Mas isso é um engano. Uma viagem de navio é bem mais barata do que se pensa e tem uma série de vantagens. “É uma ótima opção de viagem já que reúne todos os itens de lazer e diversão em um único local”, explica a assessoria de imprensa da CVC. “Os preços baixos e a qualidade dos serviços ofertados também colaboraram para a ampliação no número de turistas. Para se ter uma ideia, a CVC embarcará cerca de 120 mil passageiros durante toda a temporada de navios, nos quatro transatlânticos da operadora, o que comprova que este tipo de viagem caiu no gosto dos brasileiros. Mas qual o motivo que têm tornado as viagens marítimas tão atrativas? Uma delas é o fato de o passageiro encontrar

diversão para toda a família. Há espaços para crianças, jovens, adultos e idosos. Todos podem se divertir com segurança e muita variedade de atrações. São shows, jogos, danças e muitas festas a bordo, em um mesmo local. No caso do cruzeiro que será realizado pelo navio Zenith, ele sairá de Santos, fará uma escala em Búzios chegando a Salvador e retornando para Santos. Nesse período, os passageiros terão todas as opções de lazer e entretenimento à disposição. Essa é a terceira temporada do navio CVC Zenith. Em 2008, foi eleito como o melhor navio de cruzeiros pelos leitores da Revista Viagem & Turismo, principal revista de viagens do País. O navio possui capacidade para 1.400 passageiros e conta com piscinas, jacuzzis, restaurantes, academia de ginástica, spa, salão de beleza, cassino, espaço Kid´s, teatro, discoteca, biblioteca, salão de jogos, boutiques, etc. E se tudo isso já não fosse por si só um grande motivo para uma viagem de navio, o CVC Zenith ainda fará uma parada em Búzios, uma cidade encantadora com praias paradisíacas e paisagens de tirar o fôlego. Além disso, Búzios está em evidência por conta de uma telenovela e todos

O brasileiro já se habituou a viajar de navio com a família ao menos uma vez a cada ano. Isso se deve a estabilidade econômica e à descoberta de que os preços dos cruzeiros marítimos são bastante acessíveis.

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Um navio oferece todo tipo de atividade aos passageiros. Você pode optar pelas piscinas, academias de ginástica, aulas de dança, ou até mesmo entregar-se à gastronomia dentro dos diversos restaurantes.

os passageiros fazem questão de dar uma passeada pela Rua das Pedras, principal atrativo de compras da cidade. O charme e a arquitetura do local deixam o cenário ainda mais romântico para as compras. Como a cidade não possui porto de atracação, o navio fica ancorado em alto mar e os passageiros são transportados nos chamados tenders, que são barcos do próprio navio. Esses barcos fazem um bate-volta durante todo o dia o que permite ao passageiro desembarcar e embarcar no navio durante todo o dia. O mesmo esquema será adotado em Salvador. A diferença é que em Salvador há porto de atracação, portanto, os passageiros desembarcam diretamente no terminal marítimo da cidade e podem realizar passeios durante todo o dia pelos principais pontos turísticos de Salvador, retornando ao navio no final do dia. Além das duas paradas em locais que dispensam apresentação, pelo segundo ano consecutivo, os passageiros a bordo dos cruzeiros da CVC poderão desfrutar da Praia Privativa CVC, exclusiva para clientes da operadora. Localizada na Ilha Jaguanum, no município de Mangaratiba (RJ), a Praia Privativa está preparada para receber dia-

riamente cerca de 2 mil turistas, com toda a infraestrutura necessária: quiosques para descanso, toaletes, restaurante, lojas, serviço de internet, além de estações para a prática de esportes de praia em geral. Há ainda duchas de água doce à disposição dos passageiros CVC durante todo o dia. Todos os navios da operadora passarão pela ilha, exceto o CVC Orient Queen, que mantém a exclusividade nos roteiros com destino à paradisíaca ilha de Fernando de Noronha. Dentro do navio, os passageiros contam com o sistema “All Inclusive”, que significa “Tudo Incluído”, ou seja, consumo ilimitado de alimentação e bebidas alcoólicas e não alcoólicas 24 horas por dia. Todos os navios da CVC operam nesse sistema. A moeda corrente nos navios é o dólar americano, mas poucos passageiros levam dinheiro em espécie. Para que você não pague mico, já incluem os valores das gorjetas no preço total do pacote, ou seja, não precisa se preocupar com gorjetas durante a viagem. Os gastos se limitam aos passeios ou mesmo a compras nas boutiques a bordo, serviços de spa e salão de beleza, que são cobrados à parte do valor do pacote. Para quem irá fazer seu primeiro cru-

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zeiro, vale a pena ficar atento a algumas recomendações. A documentação é fundamental. Para viagens dentro do Brasil só é aceito o RG ou carteira de habilitação originais e com foto recente. Para viagens internacionais somente o passaporte original é válido. Os países que fazem parte do Mercosul aceitam o RG como documento de embarque, mas atenção: nesse caso, a carteira de habilitação não é válida como documento de embarque. É obrigatório a apresentação da carteira de identidade. É preciso chegar ao porto de embarque no horário estipulado pelo seu agente de viagens. Assim como nos aeroportos, não é tolerado atrasos e você não vai querer ficar olhando o navio partir sem você. A vestimenta durante os cruzeiros marítimos costuma ser casual durante o dia. À noite, varia-se entre o casual e o formal. A ocasião determinará qual estilo será mais apropriado.  Existe, por exemplo, a noite de Gala do Capitão,  onde o passageiro opta em participar. Nesse caso, o traje indicado é o terno e gravata para os homens e vestido longo para as mulheres.  De qualquer forma, os navios passam a

temporada de verão no Brasil, o que indica muito calor. A maioria dos roteiros vislumbra paraísos tropicais com praia e sol. Portanto, para não errar, o ideal é levar sempre uma roupa mais formal para a Noite do Capitão e, para o restante dos dias, muita roupa de banho, chapéu e protetor solar. Se o navio passar por locais habitualmente mais frios, como precaução, indica-se levar uma jaqueta e um jeans ou moleton. Mas sempre há espalhados pelos navios, o roteiro do que acontecerá durante o dia e à noite, indicando o traje recomendável. Em suma,  é aconselhável levar roupas leves, esportivas e calçados confortáveis. Nos portos de escala, para as excursões em terra, usa-se traje esportivo de sua preferência, como camisetas, blusas, shorts, bermudas e tênis bem confortáveis. Os navios possuem ar condicionado, portanto,  os passageiros  devem estar preparados para a temperatura interna do navio. Uma potência A CVC Turismo (www.cvc.com.br) opera no mercado brasileiro há 37 anos. Em mais de três décadas de atuação, trans-

A decoração dos ambientes é cuidada de tal maneira que você se esquece que está dentro de um navio. Porém, o passageiro pode ir visitar uma praia exclusiva em uma das paradas deste pacote.

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Para quem tem medo de ficar entediado dentro de um destes navios, mesmo com a grande variedade de atrações, a melhor opção é fazer um cruzeiro de curta duração, onde se passam apenas poucos dias dentro da embarcação.

portou mais de 12 milhões de passageiros em viagens domésticas e internacionais. Em 2008, transportou 1,7 milhão de passageiros, em viagens nacionais e internacionais, e fechou 2009 com 2 milhões de passageiros embarcados. Hoje é a maior operadora de turismo da América Latina e a maior do Brasil em número de fretamentos aéreos. Foram 5.400 em 2008. Para quem quiser comprar um pacote, a CVC conta com mais de 8.000 agentes de viagens espalhados por todo o País. Possui 401 lojas fidelizadas em todo o Brasil, e também está presente na Argentina e Uruguai. Opera viagens aéreas, marítimas e terrestres (rodoviária e na modalidade “viaje com seu carro”), para mais de 600 diferentes destinos, por meio de 770 produtos nacionais e internacionais. E os clientes da empresa são os mais variados. Desde jovens, casais e grupos de amigos até a turma da Melhor Idade. A operadora possui pacotes de viagens para todos os tipos de gostos, orçamentos e destinos. E o reflexo disso foi um excelente ano de 2009. “Foi um excelente ano para o Turismo, principalmente no segundo semestre”, afirma Valter Patriani, presidente da CVC. “O ano de 2009 foi repleto de oportunidades no turismo. Com a queda do dólar e as reduções de tarifas promovi-

das tanto em pacotes nacionais como em pacotes internacionais, por conta de uma série de parcerias que fizemos com nossos fornecedores, fechamos o ano com crescimento de pelo menos 15% no número de passageiros atendidos. Nunca foi tão barato viajar pelo Brasil e para o exterior”, disse Patriani. Mas a filosofia da CVC é sempre crescer, por isso, está investindo para a temporada de verão 2009/2010, na maior oferta de pacotes em toda sua história. De dezembro de 2009 a fevereiro de 2010, serão mais de 160 voos fretados por semana, com saídas e chegadas em mais de 20 cidades brasileiras, além de operações em destinos internacionais, como Caribe, República Dominicana, Estados Unidos, América do Sul e Europa. “Estamos diante de um dos melhores momentos da economia e do turismo brasileiro. Quando o assunto é viajar, a família média brasileira já se habitou a inserir o produto viagem pelo menos uma vez ao ano em seu orçamento familiar. Sem falar que as oportunidades se desenham claramente em nosso horizonte, se ainda levarmos em consideração que nos próximos 10 anos cerca de 50 milhões de brasileiros (classe C) entrarão para o mercado de consumo, o que favorecerá ainda mais, e em muito, o turismo como um todo”, reforça Patriani.

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Enlatados

eles são ótimos aliados de quem aprecia a boa mesa Texto: da Redação | Imagens: divulgação

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Muita gente acredita que os enlatados são um “mal necessário” criados para pessoas que não têm tempo de comprar produtos frescos. Quem pensa desta maneira, está deixando de saborear muita coisa boa que se encontra dentro deles.

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o longo de sua história, a humanidade criou, sem nenhum fundamento científico e na maioria das vezes com base em opiniões formadas através de mitos, uma lista negra de produtos que não devem ser consumidos. A lista é longa e de tempos em tempos alguns produtos são resgatados dela e outros são incluídos. Os enlatados sempre estiveram no topo desta lista e, certamente, isso precisa mudar. Se você quiser saber o que a população pensa a respeito dos enlatados, vá a um supermercado e faça uma pesquisa rápida sobre o que as pessoas acham deles. A grande maioria dirá que o produto colocado dentro das latas não tem qualidade, ou que eles não tem sabor, ou, neste caso se referindo especificamente à embalagem, elas lhe dirão que as latas, por exemplo, podem causar botulismo. Para saber se tudo o que se fala de ruim a respeito das latas é verdade, procuramos profissionais da Associação Brasileira de Embalagem de Aço, a Abeaço, e eles nos explicaram o que é “lenda urbana” e o que é realmente verdade quanto a este tipo de embalagem e sobre a qualidade do que é colocado dentro dela. Começamos a tirar nossas dúvidas pelo quesito saúde, perguntando aos profissionais se os alimentos enlatados são

saudáveis. Segundo eles, “a lata preserva naturalmente todas as propriedades dos alimentos, sem necessidade de conservantes ou aditivos químicos. O sabor, as vitaminas, os nutrientes, as proteínas e tudo que existe de saudável são mantidos e o alimento continua fresco e saboroso”. Além disso, continua o profissional da Abeaço, “seu processo de fabricação destrói os microorganismos e elimina em 99% os resíduos de pesticidas”. Ele inclusive sugere que aproveitemos todo o líquido da lata, pois ele contém grande parte dos nutrientes dos alimentos. Além de preservar as características nutritivas dos alimentos, segundo a associação, as latas, graças à sua vedação e opacidade, ajudam a conservar os alimentos sem que seja preciso interferir com a adição de conservantes químicos. “A luz e o oxigênio deterioram algumas propriedades dos alimentos acelerando reações químicas alterando, por exemplo, sua cor e consistência. Por isso, embalagens transparentes podem precisar da adição de conservantes químicos. Isso não acontece com os enlatados, que ficam totalmente protegidos. A lata de aço oferece uma resistência que não se compara a nenhuma outra embalagem. Por ser hermeticamente fechada, protege o alimento da luz, do oxigênio, de microorganismos e de qualquer

Latas de aço ajudam o País na geração de renda e contribuem para o equilíbrio do meio-ambiente por meio da reciclagem e reutilização dessas embalagens.

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agente externo, desde a fabricação até o momento de sua abertura”. Outro mito bastante difundido é o de que latas amassadas podem causar danos à saúde e, como se ouve dizer, podem causar o botulismo. Para a Abeaço isso é mentira. Segundo seus técnicos, as latas são revestidas com uma película protetora que não se rompe com a deformação causada por amassados. “A atual tecnologia, por exemplo, permite latas muito bonitas e com formatos diferenciados, sem perder as propriedades dessa película. Outro exemplo é na fixação da tampa, pois o material sofre uma conformação de 180 graus sem comprometer a qualidade do conteúdo”, explicam. Entretanto, a associação alerta os consumidores para não consumir produtos onde se perceba vazamento. Isso indica que a lata foi rompida e a proteção da película está comprometida. No que diz respeito a latas enferrujadas, a Abeaço comenta que a ferrugem faz parte do processo natural de degradação do aço que sozinho não faz mal à saúde e sim contribui para um meio ambiente saudável. “O tétano é uma doença causada por um microorganismo, o Clostridium Tetani, que pode estar em muitas superfícies, principalmente no solo. O mesmo acontece com o botulismo, que nada tem a ver com os enlatados, pois sua contaminação se dá

nos alimentos infectados pela bactéria Clostridium Botulinum. Ou seja, qualquer material desde que esteja contaminado, pode causar tétano ou qualquer outra doença. Por isso, é importante manter os alimentos, as embalagens e quaisquer superfícies que tenhamos contato bem higienizados e conservados” aconselham os técnicos. Saindo um pouco do âmbito da gastronomia, a Abeaço nos alerta para o fato de que as embalagens de aço têm um impacto importante na sociedade sob os pontos de vista da geração de renda e na defesa do meio-ambiente. Segundo a associação, as latas, por serem feitas de material reciclável, geram empregos em usinas de reciclagem e na coleta seletiva. “A reutilização das latinhas pós-consumo também é fonte de renda, ou seja, consumi o produto da lata e, ao invés de descartá-la, transformo em outro objeto, como um porta-treco, um carrinho ou qualquer outro item que possa comercializar”, diz o técnico. “Além disso, as latas de aço não só ajudam o País na geração de renda como contribuem para o equilíbrio do meio ambiente através da reciclagem e reutilização dessas embalagens. A lata de aço é a embalagem mais ecológica que existe. Além de 100% reciclável, a lata é facilmente separada de outros materiais através de

Os alimentos enlatados são produtos seguros, nutritivos, saborosos e permitem que você ganhe tempo na cozinha preparando pratos deliciosos.

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eletroimã. Depois de reciclado, o aço pode voltar como eletrodomésticos, carros ou até mesmo na forma de outra embalagem. Mesmo quando a lata é acidentalmente jogada no meio ambiente, enferruja e volta para à natureza sem agredí-la, e na sua forma original de óxido de ferro. Isso em apenas cinco anos”, explica a Abeaço. Agora que sabemos de fato o que é mito e o que é verdade com relação aos alimentos enlatados e suas embalagens, resta apenas uma dúvida: e o sabor? Perguntamos isto porque, certamente, tanto você quanto nossos repórteres já ouviram por aí que alimentos enlatados têm gosto de papelão. E, quem respondeu a esta pergunta é a chef de cozinha Lucila Thomé, professora de culinária que promove aulas show no Studio do Sabor, em São Paulo. Segundo ela, os alimentos enlatados, desde que provenientes de boas empresas, mantêm seus sabores inalterados. “O sabor do produto, quando conservado em lata de aço, é mais concentrado. Além das suas qualidades de preservação do alimento, hermeticamente fechado sem deixar que ele tenha contato com a luz e elementos externos, o cozimento é feito todo dentro da embalagem”, afirma a chef de cozinha. No caso das conservas

vegetais, isso permite que até a água na qual ele é cozido possa ser aproveitada na preparação de outros pratos. “A água de uma lata de seleta possui um sabor concentrado único e pode ser misturada a uma ricota, originando um delicioso patê”, exemplifica. Os alimentos enlatados também representam facilidade e variedade na cozinha. Sem uma embalagem rígida, que permite o armazenamento e conservação por um período mais extenso, não seria possível encontrar nas gôndolas do supermercado produtos como um belo Passata di Pomodoro, que possui menos acidez e faz a diferença num prato tipicamente italiano. “No caso especifico do molho de tomate, os enlatados são mais saudáveis porque o processo de cozimento dentro da lata libera mais licopeno, componente capaz de agir contra o envelhecimento, infecções, doenças do coração e diversos tipos de câncer, e faz com que ele fique mais concentrado”, explica. Portanto, agora que você já sabe que os alimentos enlatados são produtos seguros, nutritivos e saborosos, ganhe tempo na cozinha e prepare pratos deliciosos para a família e para os seus amigos. Para saber mais sobre o assunto, visite o web site www.abeaco.com.br.

Além de preservar as características nutritivas dos alimentos, as latas, graças à sua vedação e opacidade, ajudam a conservar os alimentos sem conservantes.

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Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

a música clássica ao alcance de todos Texto: da Redação | Imagens: divulgação

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo foi apontada como uma das três melhores de todo o mundo. No mês de março começa sua temporada com concertos na Sala São Paulo. Assistir a uma dessas apresentações é algo que não se deve perder.

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às quintas, sextas e sábados do mês e a programação completa das apresentações pode ser consultada através do web site www.osesp.com.br. De São Paulo para o mundo A Osesp nasceu na década de 50, e em seus primeiros anos foi dirigida pelo pianista, compositor, professor e maestro Sousa Lima, juntamente com Bruno Roccella. Mais tarde, por um período que durou 24 anos, a orquestra passou a ser dirigida pelo maestro Eleazar de Carvalho. Durante este período, a Osesp registrou uma grande atividade musical realizando temporadas no teatro Cultura Artística, participando de transmissões na TV Cultura, viajando em diversas turnês nacionais, realizando concursos para a descoberta de jovens solistas e, também, os memoráveis Concertos para a Juventude. Porém, apesar de toda a sua atividade, a orquestra, nos últimos anos em que o maestro Eleazar a comandou, passou por uma série de dificuldades. Para solucionar os problemas da Osesp, após a morte do maestro, o governador Mário Covas e seu

A Osesp nasceu na década de 50, e em seus primeiros anos foi dirigida pelo pianista, compositor, professor e maestro Sousa Lima, juntamente com Bruno Roccella. Mais tarde, por um período que durou 24 anos, a orquestra passou a ser dirigida pelo maestro Eleazar de Carvalho.

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xistem pessoas que gostam de música contemporânea e, também aquelas que gostam de música clássica. Porém, existe um grupo que simplesmente aprecia a música, sem se preocupar com rótulos ou com a época em que ela foi composta. Para estes ecléticos, a partir de março, uma ótima oportunidade para ouvir os clássicos é o início da temporada anual da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp, que se apresenta na Sala São Paulo, dentro do Complexo Cultural Júlio Prestes, no bairro da Luz, em São Paulo. O primeiro concerto acontece no dia 4 de março, quinta-feira, às 21 horas, onde serão apresentadas obras de Schumann, Mendelssohn, Debussy e Schmitt, com a participação de Lars Vogt ao piano, da soprano Susan Bullock, do Coral Paulistano e do Coro Sinfônico da Osesp, regidos pelo mestro francês Yan Pascal Tortelier, regente principal da Osesp desde 2009, substituindo o maestro John Neschling. Este concerto faz parte da série Jacarandá e toda a temporada é dividida em várias séries que recebem os nomes de árvores brasileiras. Todos os concertos acontecem

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Em 2005, cria-se a Fundação Osesp, uma entidade sem fins lucrativos e com a finalidade de manter e administrar a orquestra. O conselho de administração da fundação é encabeçado por Fernando Henrique Cardoso, que coloca em prática novos padrões de gestão, que mais tarde passam a ser referência no meio cultural brasileiro.

secretário da Cultura decidiram colocar em prática um projeto de reformulação criado pelo próprio Eleazar de Carvalho pouco antes de seu falecimento. Para isso, convidaram o maestro John Neschling para assumir a direção artística o maestro Roberto Minczuk como diretor artístico adjunto. Juntos, a partir de 1997, Neschiling e Minczuk redefinem e ampliam as propostas de Eleazar e dão início a uma das mais bem sucedidas épocas da Osesp. Em pouco tempo, a orquestra abre testes para a contratação de músicos brasileiros e internacionais, eleva os salários dos músicos e melhora suas condições de trabalho. Paralelamente, a Sala São Paulo é inaugurada, em 1999, e nos anos seguintes são criados os coros Sinfônico, o de Câmara, o Juvenil e o Infantil. Nasce o Centro de Documentação Musical Maestro Eleazar de Carvalho, o Serviço de Assinaturas, o Serviço de Voluntários, os Programas Educacionais, a editora de partituras Criadores do Brasil e a Academia da Osesp. Em 2005, cria-se a Fundação Osesp, uma entidade sem fins lucrativos e com a finalidade de manter e administrar a orquestra. O conselho de administração da

fundação é encabeçado por Fernando Henrique Cardoso que coloca em prática padrões de gestão, que mais tarde passam a ser referência no meio cultural brasileiro. Após turnês pela América Latina em 2000, 2005 e 2007, nos Estados Unidos em 2002 e 2006, na Europa em 2003, 2007 e no Brasil em 2004, 2008, a orquestra realiza, em 2008, a primeira edição da Osesp Itinerante, pelo interior do estado de São Paulo, com concertos, oficinas e cursos de apreciação musical que atingem mais de 70 mil pessoas. Em 31 de dezembro de 2008 a Osesp realiza um concerto de Ano Novo para a emissora franco-alemã Arte, coma regência do maestro Neschling que é transmitido ao vivo para a França, Alemanha, Bélgica, Suíça, Espanha, Áustria, Polônia, Finlândia, Portugal, Dinamarca, Hungria, Suécia, Itália, Holanda e Brasil. Em 2009, após ter sido considerada como “uma das três orquestras emergentes no mundo nas quais se deve prestar atenção” pela revista inglesa “Gramophone”, num episódio bastante conturbado, o maestro Neschling se desentende com o conselho da Fundação e é demitido. Em

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A Sala São Paulo, sede e palco das apresentações da Osesp é um espetáculo tão grandioso quanto à própria orquestra que abriga. Ela faz parte do Complexo Cultural Júlio Prestes, situado no bairro da Luz, no “centro velho” da cidade.

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Um lugar majestoso A Sala São Paulo, sede e palco das apresentações da Osesp é um espetáculo tão grandioso quanto à própria orquestra que abriga. Ela faz parte do Complexo Cultural Júlio Prestes, situado no bairro da Luz, no “centro velho” da cidade. Onde hoje se ouve música de altíssima qualidade, na década de 20, na Estação Júlio Prestes, só se ouvia o ruidoso barulho dos trens da Estrada de Ferro Sorocabana. A edificação foi projetada em 1925 e ganhou vida apenas em 1938. Impulsionada pela riqueza paulistana gerada durante o ciclo do café, a estação guarda requintes arquitetônicos do estilo de Luis XVI e que hoje convivem com soluções estruturais que fazem com que a Sala São Paulo seja considerada a maior e a mais moderna sala de concertos da América Latina. O trabalho de recuperação do edifício,

realizado pelo arquiteto Nelson Dupré, levou em conta o fato de que se tratava de prédio histórico, criado de acordo com princípios específicos de um estilo e época. Como resultado, o arquiteto firmou-se na intenção de estabelecer um diálogo adequado com o espaço existente, valorizando os conceitos e as características de uma construção anterior, ajustando-a a uma utilização distinta da original. Como resultado, o projeto da Sala São Paulo possibilita a apresentação de qualquer tipo de concerto, possível graças à alteração do espaço da sala de concertos, gerada pela flexibilidade do forro, com painéis móveis. Além disso, os elementos de composição foram concebidos para a reflexão sonora multidirecional, atendendo à recomendações acústicas. Segundo José Augusto Nepomuceno, consultor de acústica do projeto de restauro e readequação da Sala São Paulo, em um texto disponível no web site da Osesp, o forro móvel é importante, mas não é tudo. “A qualidade acústica da Sala São Paulo pousa e repousa em um universo grande, delicado, quase intangível de detalhes raramente comentados, mas, dos quais de-

Juntos, a partir de 1997, Neschiling e Minczuk redefinem e ampliam as propostas de Eleazar e dão início a uma das mais bem sucedidas épocas da Osesp. Em pouco tempo, a orquestra abre testes para a contratação de músicos brasileiros e internacionais, eleva os salários dos músicos e melhora suas condições de trabalho.

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seu lugar, como regente principal da Osesp, assume o maestro francês Yan Pascal Tortelier. No mesmo ano, a Orquestra percorreu 12 cidades dos Estados Unidos em sua terceira turnê por aquele país.

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A Osesp criou e mantém um projeto chamado “Sua Orquestra” e através dele, leva a música clássica para crianças e adolescentes da rede pública e privada de ensino, oferece bolsas de estudo a jovens músicos brasileiros e atrai para sua sala de concertos um grande número de pessoas que descobrem os clássicos.

pendem as nuances da música que ali é ouvida. O forro móvel sozinho não faz a qualidade acústica da Sala São Paulo, e não faria de qualquer outra sala de concertos. Ele é um aspecto importantíssimo da sala e ficará como uma marca registrada, mas tenho certeza, não faz a missa toda”, afirma Nepomuceno. “A geometria da Sala, a disposição dos balcões, o desenho das frentes dos balcões, o posicionamento do palco, a inexistência de carpetes ou cortinas, a espessura da madeira do palco, o desenho das poltronas, paredes pesadas, uma grande quantidade de irregularidades previstas pela arquitetura eclética do edifício compõem na Sala São Paulo um importante elenco de pequenas contribuições absolutamente fundamentais para a qualidade do seu clima acústico”, diz o consultor. O programa Sua Orquestra A Osesp criou e mantém um programa chamado Sua Orquestra, que além de oferecer benefícios aos seus associados, realiza trabalhos de caráter educacional de grande importância, como, por exemplo, o

“Descubra a Orquestra na Sala São Paulo”, destinado a realizar concertos didáticos para crianças e adolescentes da rede pública e privada de ensino, o “Academia de Música da Osesp”, que oferece bolsas a jovens músicos brasileiros e a “Visita Monitorada”, com visitas educativas a estudantes, turistas e ao público em geral para mostrar aspectos históricos, arquitetônicos e tecnológicos da Sala São Paulo. Os associados têm direito a participar de atividades que possibilitam um contato mais estreito com a orquestra, além da participação nos eventos. As contribuições começam com R$ 240,00 e permitem desde a participação no concerto de final de temporada, até um encontro com o maestro, para associado e um acompanhante. E como se conviver com a rotina da Osesp não fosse suficiente, a associação ainda pode ser deduzida no imposto de renda. Se você gosta de música clássica, ou se você é alguém que tem curiosidade por este tipo de música, não deixe de visitar a Sala São Paulo e assistir a um dos concertos desta temporada. Para mais informações, visite o web site da Osesp na internet através do endereço www.osesp.com.br.

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Aceitação a palavra de ordem para se estar bem Texto: da Redação | Imagens: Wikimedia Commons Arquivo Sem Medida

Nesta foto, uma modelo plus size posa para um pintor contemporâneo. Durante grande parte da história da humanidade estar acima do peso era motivo de orgulho e associava-se a isso qualidades como, por exemplo, fecundidade, saúde, sucesso financeiro e beleza. A partir de quando e por que razões, então, quem está acima do peso passou a ser motivo de piada ou de discriminação.

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Wikimedia Commons/Wendy Slattery

A revista Super Interessante publicou um artigo da especialista em controle de peso Linda Bacon. Nele, a pesquisadora da Universidade da Califórnia levanta questões que colocam em xeque a idéia de que estar com o peso ideal deve ser uma meta de todo obeso.

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egundo Linda, em seu artigo, o excesso de peso sempre foi considerado o responsável por uma série de problemas de saúde da humanidade e, ao mesmo tempo, emagrecer e estar dentro da faixa de peso ideal, sempre foi considerado saudável. Entretanto, afirma a estudiosa, nenhuma das duas afirmações conta com o apoio da ciência Para ela, a relação entre peso e saúde é algo bastante confuso. Prova disso é o fato de que o peso médio das pessoas tem aumentado nos últimos 50 anos, mas, ao mesmo tempo, afirma Linda, a expectativa de vida da humanidade também cresceu de forma expressiva e as mortes por doenças cardiovasculares, no mesmo período, despencaram. Um exemplo disso é que as pessoas consideradas plus size podem viver mais que aquelas que estão dentro de sua faixa de peso ideal. Linda faz esta afirmação citando a maior pesquisa epidemiológica já realizada na história da humanidade, e que envolveu o estudo de 1,7 milhão de noruegueses. Nela, diz a estudiosa, as taxas de vida mais altas foram encontradas em pessoas que estão acima do peso e as menores entre aqueles que estão com o peso ideal. Ela também alerta, em seu artigo, para o fato de que é tido como verdadeiro o fato de a longevidade estar muito mais relacionada à atividade física do que ao peso.

A ciência não confirma que o excesso de peso é o grande vilão da humanidade, da mesma maneira que não endossa a tese de que estar dentro do peso ideal seja um fator imprescindível à saúde.

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Na foto maior, a modelo plus size Betty Quintano, uma das muitas modelos do Plus Size Models Guide, um guia que apresenta modelos com manequim igual ou superior ao número 46 para o mercado de publicidade e de moda. Na foto menor, a reprodução da capa da revista Super Interessante que inspirou esta reportagem.

A melhor receita para estar saudável reside na manutenção de uma condição física exemplar e, ao mesmo tempo, estar feliz consigo mesmo. Gostar de quem você é sempre foi um ótimo remédio.

Segundo Linda, referindo-se a dados apresentados pelo Cooper Institute, do Texas, pessoas que estão acima do peso, mas que possuem um bom preparo físico, apresentam as mesmas taxas de mortalidade que as apresentadas pelo grupo dos magros. Ou seja, boa forma física, seja qual for o peso, é um fator preponderante no que diz respeito ao quanto um indivíduo irá viver. Neste ponto, Linda pergunta aos leitores, por que ainda acreditamos tanto nas teses que culpam o peso pela falta de saúde? Principalmente quando há um abismo tão grande entre o que a ciência conhece e o que a sociedade defende. Ela também apresenta uma possível resposta ao afirmar que por trás do mito do peso ideal estão uma série de empresas que lucram com isso, como, por exemplo, empresas de estética, fabricantes de suplementos alimentares, indústrias farmacêuticas, médicos e especialistas, muitos deles cientistas que ganham bolsas de estudo para se debruçarem sobre este assunto. E, para finalizar, Linda Bacon afirma que é chegado o momento de jogar por terra esse mito e forçar uma mudança de atitude. Para ela, as pessoas precisam apreciar seus corpos, sejam eles como forem. Para ela, chegou o momento de se fazer uma revolução cujo lema será “saudável em qualquer tamanho”. Para isso, basta que as pessoas estejam bem consigo mesmas.

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Fernando Siqueira um olhar engajado traduzido em imagens Texto: da Redação | Imagens: Fernando Siqueira Primelight Fotografia

Este fotógrafo é um daqueles profissionais que vai além de acertar o foco e apertar o botão da máquina. Seu trabalho é cercado de uma forte dose de emoção, o que sem dúvida, transforma suas imagens em arte e prende nossa atenção.

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ários estudiosos do comportamento humano dizem que todos somos a somatória daquilo que vivenciamos ao longo de nossas vidas. Aceitando isso como um fato e conhecendo as histórias de Fernando Siqueira, torna-se fácil entender a sensibilidade e a facilidade que este paulistano de 33 anos tem para capturar imagens que oscilam entre a beleza sublime e a realidade angustiante. Fernando já foi casado uma vez e está namorando há um ano. Formou-se em psicologia e trabalhou durante muito tempo como aviador, especialista em GPS e em sistemas de automação topográfica e mapeamento. Ele diz que sua afinidade com as lentes de uma máquina fotográfica surgiu nesta época. “A fotografia acabou nascendo nesse período, tanto como piloto, como especialista de GPS, sempre viajei muito e a única coisa que esteve comigo em todas as viagens foi a máquina fotográfica”, explica Fernando. Isso pode até explicar a afinidade dele com o equipamento, mas não justifica, nem de longe, a motivação que o levava a apontar sua lente nesta ou naquela direção. Uma compulsão que acabou fazendo com que ele se metesse em algumas confusões. “Tenho até uma história meio engraçada. Antes de me tornar fotógrafo profissio-

nal, morei em Angola por algum tempo. Naquela época, o país estava em guerra civil e era proibido fotografar. Apesar de saber da restrição, não resisti a disparar uns cliques. O resultado é que fiquei preso por quatro dias por fotografar, às escondidas, a casa do presidente, na verdade, uma das poucas construções que ainda estava em pé naquele país. Acho que ali minha história já dizia que eu iria ser fotógrafo”, afirma Fernando que até hoje escreve cartas para organizações se oferecendo para registrar imagens em áreas de conflito por todo o mundo. “Confesso que o perigo me atrai. Morro de vontade de fotografar zonas de guerra, por exemplo. Ali todos os sentimentos estão à flor da pele e são mostrados de forma extrema, sejam sentimentos de raiva, dor ou fraternidade”, conta o fotógrafo. Além da experiência na África, que segundo ele não conta no currículo profissional, Fernando participou da cobertura de uma escalada de um vulcão ativo no Chile. “Ali tudo era extremo, 20 graus abaixo de zero, grandes alturas e mudanças climáticas quase que instantâneas. Foi uma doideira. Nessa expedição, morreram três pessoas e não atingimos a cratera. Ainda tenho que voltar lá”, promete Fernando para si mesmo. Mas como nem só de adrenalina vive um fotógrafo, Fernando também tem mo-

Fotografar é muito mais do que apertar um botão. É viajar ao interior de quem se está fotografando e trazer de lá o que há o que realmente existe.

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mentos tocantes vivos em sua memória, como um em Ourilândia do Norte, no Pará, quando um homem, ao perceber que se tratava de um fotógrafo, lhe pediu para fotografar sua mãe no caixão para guardar como uma lembrança para a família. “Agora, a situação que mais me comoveu foram as fotos que tirei entre as cidades de Marco e Acaraú no Ceará. Como sempre faço fotos documentais para uma captadora internacional de recursos para ONGs, sempre quis fotografar uma casa de pau a pique (feita basicamente de tiras de madeira e barro entre elas). Durante as fotos iniciais, um menino me seguia e não me contive em perguntar para ele se era difícil viver ali. Ele me respondeu, sem pestanejar, ‘o difícil aqui é a fome’. Essa foi a frase que ouvi que mais doeu em toda minha vida. Com as fotos que fiz na casa desse garoto, consegui juntar 45 cestas básicas em menos de um dia e as entreguei para a família dele e muitas outras. Ali aprendi que a fome é emergencial e ainda sonho em levar um centro de aprendizado para aquelas pessoas”, comenta Fernando emocionado. Guerras, miséria e corpos nus Com a experiência que ele acumulou como profissional, junto com Ricardo Reis, um amigo que compartilha a afinidade pela

fotografia, criaram o estúdio Primelight, que ele mesmo define não como uma empresa, mas sim como um “ser pulsante”, com vontades e necessidades próprias, que ele e seus sócios, Ricardo e Cauê Diniz, que mais tarde se juntou ao grupo, tentam satisfazer. Ricardo é publicitário e tornou-se o especialista em fotos de produto e arquitetura. Já Cauê, também publicitário, é o especialista em fotos corporativas e de música. Fernando acabou voltando seu interesse para o registro de pessoas e, indo mais além, voltou sua atenção para o nu artístico. Atualmente ele trabalha com imagens que envolvem modelos, cria books para pessoas que querem ingressar no mercado de moda e está quase terminando seu primeiro livro de nus. Quase que explicando o porquê de considerar seu estúdio como um ser vivo que precisa ser atendido, Fernando explica que achava que sua carreira teria outros rumos. “É engraçado. Eu achava que ia ser fotógrafo de esportes, aliás, a primeira foto que vendi na minha vida foi de esporte e acabei vendendo para uma fábrica de bicicletas. Mas pela minha paixão por pessoas e a facilidade que tenho em lidar com elas, acabei caindo para essa vertente. O que me atrai neste trabalho é o fato de que as pessoas são infinitas. Não consigo fotografar alguém sem participar ou conhecer o universo delas. Isso é apai-

A sensualidade dos modelos plus size só é captada por pessoas sensíveis, como Fernando. Afinal, o essencial a gente vê com o coração.

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xonante e infinito. Por mais pessoas que eu fotografe, a história de cada uma nunca se repete”, explica o fotógrafo. Quando perguntamos a ele sobre a descoberta do nu, Fernando conta que este gênero fotográfico o atrai justamente pela dificuldade de manter-se fiel a uma proposta e se policiar constantemente para não romper a linha entre o que é artístico, sensual e deixar que o trabalho caminhe para a pornografia. “Manter-se na linha do artístico e do sensual sem virar pornográfico é o que me atrai. Mas também tem um outro lado, o lado de estar no universo mais íntimo da pessoa que fotografo. Não digo pelo fato do nu em si, mas por estar assim. As pessoas ficam nuas em momentos especiais e em momentos da sua própria intimidade. Acho que isso torna a fotografia de nu artístico especial”, explica Fernando. Referenciais indispensáveis Como todo profissional que se preza, ele mantém um olho em sua trajetória e outro em profissionais que o inspiram a continuar com seu trabalho. Segundo ele, trabalhos que merecem destaque são os dos fotógrafos da Agência Magnum. Mas, segundo ele, o Brasil tem grandes nomes na fotografia e aqueles que mais chamam a atenção de Fernando são os de Bob Wolfenson e Cláudio Edinger. Ele também

comenta que no País existem muitos profissionais que merecem reconhecimento, mas que infelizmente, a mídia se contenta em alardear apenas os nomes de uns três ou quatro fotógrafos. Quando perguntamos a ele que elementos são essenciais para a composição de suas imagens, Fernando afirma que o sentimento. “Ele é a melhor forma de trazer qualquer mensagem. Quero que a pessoa apenas sinta. O sentimento é ímpar e cada um sente coisas diferentes quando vê minhas fotos. Eu digo que uma boa foto traz uma leitura como um texto, se o texto é bom, o leitor quer tudo que o texto traz. Quanto mais tempo uma pessoa passa olhando uma foto, melhor ela é. Por isso acho o sentimento um componente essencial do meu trabalho”, explica o fotógrafo. Fernando também colabora para o surgimento de outros fotógrafos no mercado. Através da Primelight, ele e seu sócio, Ricardo Reis, oferecem cursos de fotografia. “Eu basicamente dou aula de fotografia de Moda e Pessoas. Mas no estúdio temos um grande professor que é o Ricardo, ele é uma enciclopédia no assunto. Eu tento fazer com que as pessoas vejam a fotografia de uma forma mais profunda e sintam onde estão. Para mim, não existe fotografia de pessoas ou documental sem que o fotógrafo sinta o que está fotografando”, explica Fernando.

Numa região de pobreza, todos os sentimentos estão à flor da pele. E são mostrados de forma extrema, sejam sentimentos de raiva, dor, ou crueldade.

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Há pouco tempo, Fernando esbarrou, quase que por acaso, com o universo das pessoas plus size. Isso aconteceu graças a uma modelo que posou para o seu livro de nus, que será lançado em 2010. Ele conta que ao vê-la, passou a prestar mais atenção nas pessoas que passavam por ele e percebeu a dicotomia entre as “modelos convencionais” e a realidade do mundo lá fora. Pensando nisso, Fernando decidiu fazer um ensaio fotográfico com modelos plus

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size e entrou em contato com o Plus Size Models Guide. A Primelight e o PSMG decidiram fazer uma parceria e o resultado será um ensaio sensual com seis modelos da agência. Os envolvidos no projeto criaram uma proposta editorial para a realização do trabalho e Fernando garante que o resultado será muito bom, diferente do que se tem visto ultimamente por aí. Segundo Roberto Paes, um dos diretores do PSMG, a proposta para a realização deste ensaio quebrará uma série de

paradigmas no que diz respeito à sensualidade das mulheres e dos homens plus size. “Passamos muito tempo observando o que as pessoas estão fazendo neste sentido aqui dentro e em outros países. Descobrimos coisas boas e outras que sequer merecem ser chamadas de ensaios fotográficos. Com isso em mente, criamos algo totalmente diferente, sem igual e que certamente, com a qualidade do trabalho do Fernando, mostrará ao mercado um novo patamar de qualidade a ser seguido”,

comenta Roberto Paes, diretor do PSMG. A idéia de Fernando e de Roberto é realizar a seleção de modelos ainda em fevereiro e se dedicar à sessão de fotos durante o mês de março. Daí em diante, eles farão os preparativos necessários para a realização de uma exposição das fotos em um espaço artístico de grande circulação. Em seguida, pretendem fazer com que a exposição se torne itinerante e viaje por todo o Brasil e, quem sabe, também por algumas cidades do exterior.

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Midnight Star potência e beleza em duas rodas Texto: da Redação | Imagens: divulgação

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Nada se compara à sensação de liberdade em cima de uma moto. Principalmente se ela une conforto, potência, beleza e linhas clássicas, remetendo-nos ao passado, mas com a alta tecnologia do futuro.

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ssim é a Yamaha XVS 950 Midnight Star (estrela da meia noite), uma moto com quase 1.000 cc (centímetros cúbicos), estilo custom, porém, leve, o que garante um alto desempenho. Apesar de ter quase 2,5 metros de comprimento e um metro de largura, A Yamaha XVS 950 oferece uma grande maneabilidade devido à utilização na dianteira de uma roda em liga de 18 polegadas calçada com pneu de 130/70 x 18 63H, enquanto na traseira leva um conjunto 170/70B x 16 75H. As rodas de pouco peso e esportividade complementam o projeto clássico. O assento bem baixo, a 675 mm do chão, além de ajudar nas manobras, confere grande nível de conforto e facilidade em montar na motocicleta. O assento é estreito na parte dianteira a fim combinar com a seção traseira do tanque de combustível. Isso facilita para os motociclistas apoiarem os pés no chão, quando parados ou nos congestionamento, o que transmite maior segurança e a sensação da moto estar sempre “na mão”. O chassi berço duplo em aço foi projetado para passar a sensação de pouco peso. Para isso utilizou-se um projeto de uma estrutura que oferecesse diferentes graus de rigidez em segmentos distintos. O chassi é especialmente rígido em torno da área principal da tubulação central. A rigidez de torção é ajustada em um nível relativamente mais baixo a fim de proporcionar um grau

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de resistência de acordo com as características de manipulação, o que proporciona um maior conforto para o motociclista. A relação entre os níveis de torções laterais e longitudinais da rigidez do chassi foi estudada com cuidado e, por meio de extensivos testes, resultaram em um chassi estradeiro e seguro com características que completam o desempenho do motor de elevado torque. Do ponto de vista estético, o projeto do chassi berço duplo transmite uma relação de simplicidade e funcionalidade, que combina perfeitamente com as linhas clássicas do novo motor V-2 arrefecido a ar e dá uma sensação de nostalgia, lembrando as motos clássicas de antigamente. Mas que seu piloto não se empolgue muito com o acelerador. A XVS 950 Midnight Star passa uma experiência de condução muito mais leve e mais esportiva. A esportividade é caracterizada por um ângulo de cáster de 32”10’, e 145 mm de trial projetando seu peso sobre a dianteira e traseira, de modo a assegurar maior conforto na condução em estradas. Usando técnicas de 3D CAD, os engenheiros da Yamaha criaram um tanque de combustível clássico em forma de lágrima, amplo e de desenho limpo, com capacidade de 17 litros. Visto de lado, tem um perfil baixo, mesmo com a bomba de combustível interna, passando um visual de velocidade e, em sua produção é empregada tecnologia exclusiva.

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Transmissão Como os modelos XVS/XV de maior cilindrada disponíveis no exterior, a XVS 950 Midnight Star é equipada com um sistema de transmissão secundária durável e eficiente. Uma correia dentada de 28,6 mm de largura, reforçada com kevlar e fibra de carbono, tornou-se uma maneira extremamente eficaz de transmitir os elevados níveis de torque produzidos pelo motor V-2, ideal para o longo curso da suspensão traseira, com propriedades absorventes a impacto e resistente à corrosão. A suspensão dianteira da marca Kayaba leva tubos internos de 41 mm de diâmetro e 135 mm de curso, enquanto na traseira traz um sistema de Monocross com 110 mm de curso e ajuste da pré-carga da mola, projetada para oferecer um curso inicial macio, que se torna progressivamente mais firme enquanto a suspensão é comprimida. O conjunto de suspensões foi desenvolvido para proporcionar elevados níveis de conforto para o piloto e para a garupa. Para uma frenagem progressiva e eficiente, na dianteira foi adotado um freio a disco com 320 mm de diâmetro e dois pistões que foram otimizados com o estudo da forma do manete, diâmetro do cilindro mestre, a taxa de expansão da mangueira e peso. Na traseira, a XVS 950 Midnight Star é equipada com um freio a disco de 298 mm de diâmetro.

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O painel de instrumentos é um show à parte, acomodando em um único instrumento de grande diâmetro, sobre o tanque de combustível em estilo clássico, todas as informações necessárias. Velocímetro análogo, seis luzes espia e uma janela da exposição multifuncional do LCD com um hodômetro, dois trip, fuel trip e relógio operado por um interruptor no punho direito. Desempenho Impulsionado por um motor de projeto atual de 942 cc, OHC, V-2, refrigerado a ar de alto torque, acomodado em um chassi de excelente ciclística, a nova XVS 950 Midnight Star apresenta um excitante e refrescante estilo esporte clássico. Esta máquina original é indicada aos motociclistas que desejam uma genuína custom limitada a 1.000 cc, mas leve e forte aliado a um alto desempenho com estilo longo e baixo que não intimida os motociclistas menos experientes. A XVS 950 Midnight Star, com seu estilo moderno e genuíno atrairá os motociclistas de todas as idades. O modelo se beneficia do uso da avançada tecnologia Yamaha e foi tomado grande cuidado para assegurar que essa nova motocicleta mantivesse a simplicidade e design essencial de uma big custom clássica.   Por exemplo, os engenheiros da Yamaha passaram muito tempo desenvolvendo um sistema de exaustão que acentuasse as baixas frequências atenuando as de alta

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no seu exclusivo escapamento dois-emum, assim como no desenvolvimento de um sistema de admissão que não só aumentasse o desempenho, mas também emitisse um som pulsante na admissão a baixa e alta velocidades.  O compacto motor V-2 a 60 graus, oito válvulas, OHC de 942 cc, refrigerado a ar desenvolve 53,6 cv a 6.000 RPM e é totalmente novo. Nele, também foi considerado para seu desenvolvimento, o desempenho, força e design. Para um ótimo rendimento a baixas e médias rotações, o propulsor trabalha quase “quadrado”, com curso e diâmetro de 85.0 mm x 83.0 mm, que quando combinado à câmara de combustão e às oito válvulas nos cabeçotes, se torna uma autêntica usina de força com forte aceleração e potência extra, em pouquíssimo tempo. As características técnicas do projeto uniram características custom e de alta tecnologia, como: inexistência do balanceador no eixo do virabrequim, arrefecimento a ar, maior conjunto do filtro de ar, pistões forjados mais leves, tratamento cerâmico nos cilindros, oito válvulas nos cabeçotes. Assim como novas soluções tecnológicas para câmaras, válvulas, corpo da borboleta de alimentação, bomba de óleo, embreagem, caixa de mudanças, sistema de exaustão, entre outros. O câmbio de cinco velocidades foi projetado especificamente para acentuar as características do novo propulsor. Tem cinco

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velocidades e privilegia as baixas e médias rotações, já a quinta marcha foi projetada para proporcionar uma relaxante e confortável velocidade de cruzeiro. Para quando você quiser curtir a estrada sem pressa e sem adrenalina. Para melhor desempenho em todos os regimes com o mínimo de emissões, as câmaras de combustão contam com dois bicos injetores de quatro furos cada. Esses bicos pulverizam o spray diretamente sobre a superfície das válvulas com eficiente atomização do combustível para uma rápida e melhor queima. Vários sensores são responsáveis por transmitir dados sobre a temperatura do ar, pressão atmosférica e pressão do ar admitido, temperatura do motor, velocidade, posição da borboleta e níveis de oxigênio na saída dos escapes, que são processados na ECU e então ajustados o sistema de injeção de combustível. Os escapes levam um catalisador de três vias e asseguram emissões muito menores que as exigidas pelo PROMOT 3, um programa de controle de emissões veiculares para motocicletas, criado pelo Ministério do Meio-Ambiente. Agora, nada melhor do que ir até a concessionária mais próxima para ver essa jóia em duas rodas. O modelo XVS 950 Midnight Star está à venda nas cores vermelha com aplicação de gráficos no tanque de combustível e pára-lama traseiro ao preço público sugerido, de R$ 31.000,00.

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Chocolate

a curiosidade proporciona boas surpresas Texto: da Redação | Imagens: divulgação

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Para quem ainda acredita que chocolate é tudo igual, nós temos uma má notícia: eles não são não. Se você procurar com cuidado, irá descobrir alguns que são verdadeiras obras de arte para o seu paladar. O chocolate, desde que produzido com características bem definidas, é uma iguaria gastronômica que, assim como o vinho e outros produtos gourmet, dependendo de seu lugar de origem e da matéria-prima, podem ter cores, aromas e sabores completamente diferentes um do outro. Não se trata apenas de qualidade, mas sim de características únicas provenientes de cada região do mundo, que para os conhecedores destes produtos, podem ser resumidas no termo francês terroir. Em novembro, para brindar os aficionados por chocolates do Brasil, a Kopenhagen lançou uma linha de chocolates de origem controlada, produzidos com o melhor cacau do mundo, utilizando favas importadas de Madagascar, Gana e do Equador. A empresa criou um kit contendo três barras, cada uma com 85 gramas de chocolate amargo de uma destas regiões. Isso permitirá ao consumidor brasileiro ter a exata noção das diferenças de aromas e sabores existentes pelo mundo e, é claro, fará com que as papilas gustativas dos apaixonados por chocolate se arrepiem de satisfação. Os países selecionados para compor o conjunto não foram escolhidos por acaso. Tanto o cacau produzido na África, quanto na América Latina, são requisitados mundialmente, por conta do aroma e do sabor incomparáveis. Madagascar, por exemplo, empresta ao chocolate, aromas de frutas oleaginosas, típicas do norte da ilha. Gana, o segundo maior produtor de cacau, surge

ao paladar com um sabor forte, marcante, acompanhado do perfume sensível de especiarias. Equador, por sua vez, prolongase num sabor amargo, mas refinado. A iniciativa da Kopenhagen, que tem franquias espalhadas por todo o Brasil e tornou-se um indiscutível sinônimo de sabor e qualidade na fabricação de chocolates, deve ser muito bem recebida por aqueles que apreciam chocolates gourmet, afinal, não se trata apenas de um produto para somar à linha de produtos da Kopenhagen, mas sim, de um chocolate que possui características próprias de uma localidade e que denota sofisticação na matéria-prima, ou seja, no cacau, que recebe um cuidadoso acompanhamento desde o plantio e o cultivo até chegar às mãos do cliente.    Uma história de sucesso A Kopenhagen é uma empresa que acumula tradição na fabricação de chocolates no Brasil. Esta tradição, aliada à competência, faz com que a empresa, em 2009, acumulasse 259% de crescimento real no seu faturamento. Somente em 2008, 27 novas franquias foram abertas em todo Brasil, além dos recordes de vendas superados a cada ano. Atualmente, a Kopenhagen tem 260 lojas em todo o Brasil, distribuídas em 219 franquias e 31 lojas próprias, oferecendo tradição, inovação, liderança, ética e respeito. Hoje, a empresa tem 1.500 funcionários, produz cerca de 1,6 mil tonelada de chocolate por ano e conta com mais de oito milhões de clientes atendidos por ano. Para saber mais sobre a Kopenhagen visite o web site da empresa no endereço www.kopenhagen.com.br. Além de saber mais sobre as delícias que ela fabrica para o deleite do seu paladar, a visita pode se transformar numa boa oportunidade de negócios para você.

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Excluídos

agora vocês podem pedir uma ajuda Texto: da Redação | Imagens: arquivo Sem Medida Maurício Cremonini

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Detalhe do quadro Vida Noturna, de Edward Hopper, Instituto de Arte, Chicago

Graças à uma idéia da arquiteta Milena Hannud, todos que têm acesso à internet agora podem contar com um web site que traz indicações valiosas sobre locais que aceitam todo o tipo de “excluídos”, até aqueles lugares preparados para o seu peso.

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omo a maioria das grandes idéias nasce para solucionar um problema pessoal de seu inventor, o web site Aquipode foi criado a partir da dificuldade que a fumante Milena Hannud tinha em encontrar lugares que lhe oferecessem a possibilidade de dar suas baforadas sem ser incomodada por outros fequentadores do local onde estivesse. Então, o projeto cresceu e tomou proporções maiores do que as que ela esperava. “A idéia surgiu na minha cabeça devido às restrições criadas pela lei antifumo paulista. Na época resolvi criar uma lista com os lugares que haviam se adaptado para receber fumantes. Só que, enquanto desenvolvia a idéia, percebi que havia muitas categorias de “excluídos” quando o tema é procurar lugares para se divertir e a idéia começou a crescer em direções que eu nunca havia pensado”, explica Milena. Ela conta que se lembrou das dificuldades que encontrava quando suas filhas eram pequenas, no problema daqueles que gostam de sair na companhia dos seus cães, nos ciclistas que têm poucos lugares com estacionamento seguro para suas magrelas, das pessoas que necessitam de rede WiFi, das pessoas grandes que não querem “pagar mico” porque o proprietário resolveu economizar na qualidade dos assentos e, por último, ela também pensou nos cadeirantes. Milena diz que colocou os deficientes físicos no final de sua lista porque, em tese, eles têm seus direitos garantidos por lei. Mas, conta a idealizadora do site, na prática, isso nem sempre é verdade. “Cheguei a ver o absurdo de um estabelecimento que possuía instalações sanitárias adequadas, só que eles estavam no pavimento superior da casa, acessíveis somente por uma escada estreita”, comenta Milena.

“Cabe a nós como cidadãos, levantarmos bandeiras e as pessoas plus size começarem a fazer isso também.” 102 |SEM MEDIDA

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Com total apoio dos internautas “O Aquipode lista os bons anfitriões da cidade. Aqueles que investem para atender estes clientes especiais e atualmente conta com uma grande relação de estabelecimentos. Além disso, o site tem em sua home page o que chamamos de ‘salas’, onde nossos visitantes encontram crônicas, dicas, links e um canal para que ele possa falar, bem ou mal, sobre estabelecimentos que visitou, com ou sem a nossa colaboração”, explica Milena. Aliás, no ar desde outubro de 2009, o Aquipode começou sendo alimentado com informações geradas por Milena e por seus colaboradores, mas hoje, ambos contam com a valiosa ajuda de diversos internautas que mandam regularmente suas colaborações. “As informações chegam, em grande parte, enviadas por internautas e antes de colocá-la no ar, tentamos acessar o site da casa, caso exista, para confirmar endereço, telefone e informações de praxe, como, por exemplo, acesso, instalações sanitárias para deficientes, fraldários, cadeirões, menu infantil, rede WiFi e área para fumantes. Em seguida, fazemos um contato telefônico para saber se a área de fumantes é apenas um ‘fumódromo’ ou se a casa oferece um local adequado, se o acesso WiFi é grátis, etc. Na conversa com o encarregado aproveitamos para perguntar sobre a categoria magrela (estacionamento para bicicletas – e se é necessário levar cadeado), se o local admite a entrada de cachorros (e aonde o cliente pode ficar com eles). No caso da categoria Gente Grande, só cadastramos sem indicação se pudermos ver foto dos assentos”, conta Milena. Atualmente o site conta com oito categorias Aquipode. Uma para pessoas plus size, outra para cadeirantes, uma que indica locais com WiFi, uma dedicada às bicicletas (estabelecimentos amigos dos ciclistas), uma para casas com local para fumantes, outra para quem gosta de sair com o cachorro, uma para quem leva bebês consigo e, por fim, uma para quem tem crianças. Além disso, os estabelecimentos também organizam a forma de apresentar

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os estabelecimentos e os visitantes os encontrarão listados como Bar, ou Pizzaria, ou Restaurante, ou Café, ou Padaria, ou Lanchonete, ou Cinema ou como Balada. Quando perguntamos à Milena se ela pretende aumentar o número de categorias do Aquipode ela diz talvez. “Digo isso porque temos que ter certeza de que a categoria a ser criada realmente é prejudicada pelas condições de um estabelecimento. Também temos que garantir um número mínimo de estabelecimentos na relação para não frustrar o internauta. Mas, estamos abertos para sugestões. O que certamente teremos que aumentar, são os tipos de estabelecimentos. Em breve teremos docerias, casas de chá e, talvez, no futuro, tenhamos que setorizar os restaurantes”, explica Milena. A necessidade é a mãe da criação Como não poderia deixar de ser, perguntamos à Milena como surgiu a idéia de criar a seção Gente Grande. Ela nos disse que isso também surgiu para atender a mais uma de suas necessidades. “Sou uma mulher de baixa estatura, 1,53 de altura e venho de uma família de pessoas pequenas. Meu bisavô não passava de 1,50. Sempre pensei na facilidade com que me encaixo em qualquer lugar e pensava que ser baixinha não tem só desvantagens. Porém, ao mesmo tempo, imaginava como pessoas altas ou que estão acima do peso sofrem em determinadas situações e daí nasceu a idéia”, comenta Milena. Hoje, a seção conta com 38 estabelecimentos cadastrados e Milena diz que com base na relação pode-se afirmar que as baladas e os restaurantes são os locais que melhor se adaptam para atender tanto pessoas altas como as pessoas plus size, por enquanto. Mas ela também alerta para o fato de que este ranking pode mudar com a entrada de novas indicações dos internautas. Ela também conta que é difícil encaixar indicações feitas para outras pessoas nesta categoria específica. “A forma como aproveitamos uma indicação de um estabelecimento para cadastrar outras catego-

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rias nem sempre pode ser usada para a Gente Grande. As informações têm que vir de quem foi e aprovou. Não dá para confiar apenas nas informações do proprietário ou do gerente, por isso, ainda temos poucos estabelecimentos que atendem esta categoria”, comenta Milena. Segundo ela, outro ponto que também colabora para o pequeno número de lugares adequados para a frequentação desta categoria, está no fato de que o conceito de Gente Grande ou de pessoas plus size como grupo organizado é relativamente novo e pouco organizado. “É diferente dos ciclistas que têm feito muito barulho para reivindicar seus direitos, e mesmo assim, acaba sendo a categoria menos favorecida. Cabe a nós como cidadãos, levantarmos nossas bandeiras e as pessoas plus size começarem a fazer isso”, explica Milena. Hoje, o Aquipode oferece indicações somente para a cidade de São Paulo, mas a idéia dos responsáveis pelo site é crescer e, quem sabe, apresentar informações sobre boa parte das cidades brasileiras e até mesmo algumas no exterior. Mas, para Milena, neste momento, o mais importante é acrescentar mais informações ao conteúdo já existente, como, por exemplo, mapas, fotos e links daquelas casas que possuem web site. Na próxima vez que for sair de casa, aproveite para verificar se o local que você pretende ir está listado no Aquipode. Para isso, visite o link www.aquipode.com. Se a casa não fizer parte da seção Gente Grande, quando voltar, acesse o site e faça uma indicação. Com a nossa ajuda, em breve, o número de locais que atendem o público plus size pode crescer muito. Todos os que gostam de ser bem atendidos e a Milena certamente agradecerão.

“ A idéia de fazer o site surgiu da minha cabeça para criar uma lista com lugares adaptados para receber fumantes.” SEM MEDIDA| 105

Teatro

humor de boa qualidade, como nos velhos tempos Texto: da Redação | Imagens: divulgação

Um texto inteligente, atores muito bem ensaiados e entrosados e uma produção simples e eficiente resulta em um espetáculo muito divertido.

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maioria dos programas humorísticos da televisão não sabem fazer humor com inteligência e simplicidade. É preciso colocar uma mulher com decote enorme para tentar fazer alguma graça e usar risadas de playback. Mas nem tudo está perdido. A Nósmesmos Produções Artísticas está apresentando uma peça, Por que os homens mentem, que resgata a ingenuidade, a inteligência e leva a platéia ao delírio. Baseada no livro “As mentiras que os homens contam”, de Luís Fernando Veríssimo, a peça retrata algumas situações do cotidiano em que a mentira se torna fundamental para a sobrevivência dos relacionamentos, trazendo à tona diversos tipos de mentiras e perfis de mentirosos.

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A identificação do público com as cenas é imediata porque elas trazem situações que a maioria das pessoas já viveu. Do marido que não fala a verdade para não magoar a esposa dedicada, ao colega que não pode revelar que não se lembra do outro, as mentiras se justificam tornando-se inevitáveis para o convívio social. Enquanto dois atores tentam lembrar um do outro, o público ri ao pensar que já passou por essa situação e como saíram dela. Esse é um dos segredos do sucesso da peça.  “A mentira é um tema polêmico e está relacionada a algo pejorativo, mas a maioria das pessoas mente por necessidade, seja para não magoar, para não se prejudicar ou simplesmente por brincadeira”, revela o ator Juliano Mazurchi. No elenco, cinco homens se revezando

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entre papéis masculinos e femininos mostram mentiras necessárias para o convívio social. E a primeira piada (mas verdadeira), fica por conta de uma voz, no início do espetáculo que avisa: todos os atores são heterossexuais. Os responsáveis A Nósmesmos é uma companhia teatral de Itu, SP, que se especializou na linguagem de humor. Criada em 2003, por iniciativa dos atores Christian Hilário e Juliano Mazurchi, possui um excelente repertório de comédia composto pelo Espetáculo quase Artístico (2004); Por que os Homens Mentem? (2005); Todo Mundo Louco (2006); O Recruta (2007); Os Babaccos (2008) e Clube do Improviso (2009). A Nósmesmos tem difundido a cultura do teatro para um maior número de pessoas, oferecendo uma nova opção de lazer para o interior de São Paulo. Com um público cativo que já contabiliza mais  de 40.000 pessoas e a necessidade de, inúmeras vezes, realizar duas sessões para atender a demanda de espectadores. Na sessão de estréia da segunda temporada, todos os ingressos tinham sido vendidos e muita gente ainda insistia em esperar na porta por uma desistência. Os atores Alessandre Pi, Charles Ferreira, Christian Hilário, Juliano Mazurchi e Ricardo Vandré,  sob a direção  de Heyttor Barsalini, oferecem um espetáculo muito divertido com a duração de 80 minutos composto pelos textos A Aliança, Clic, Farsa, Infidelidade, Grande Edgar, O Mendoncinha, Bolhas de Champagne e Homem

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que é Homem, todos encenados pelos talentosos atores Alessandre Pi, Charles Ferreira, Christian Hilário e Juliano Mazurchi. A direção é de Heyttor Barsalini. É difícil definir qual dos textos é o mais engraçado. O espetáculo flui de maneira fácil, alegre e o público só fica triste quando percebe que a peça acabou. E todos se perguntam, mas já acabou? Passou tão rápido. Todos saem felizes, com largos sorrisos nos lábios e a pergunta: será que eles não estão mentindo e tem mais um pouquinho? Infelizmente não tem. Quando o espetáculo é bom, a gente nem percebe que o tempo passou e sai do teatro com gostinho de quero mais. A peça e o grupo mostram que ainda é possível fazer um humor de qualidade, onde as famílias possam se divertir juntas e sem apelar para atrativos eróticos. Até “as mulheres” da peça estavam muito bem vestidas e maquiadas. Se você quiser conferir esse grupo de atores fantásticos e uma peça muito boa, não perca tempo. Eles ficam até 7 de março, toda sexta, sábado e domingo. “Por que os homens mentem?” está em cartaz na Sala Nobre do Teatro Augusta, Rua Augusta, 943, no bairro de Cerqueira César, em São Paulo. A temporada ocorre de 29 de janeiro a 7 de março, com apresentações às sextas, sábados e domingos. Nas sextas e sábados às 21h e no domingo às 19h. Os ingressos custam R$ 30,00 (sexta) e R$ 40,00 (sábado e domingo) e a censura é de 12 anos. Para maiores informações e resevas ligue para (11) 3151-4141.

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Descoberta a beleza que existe dentro de todos nós Artigo: Tânia Sanches | Imagens: arquivo Sem Medida

Vivemos uma verdadeira falta de valor e amor próprio devido deixarmos de lado quem realmente somos para nos adequarmos a padrões que nos foram impostos pelo meio em que vivemos.

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nesse processo, nos auto depreciamos por não sermos magras e altas, por não termos um corpo de capa de revista e por não nos adequarmos as regras impostas pela sociedade. Acabamos brigando com o espelho e colocamos defeitos em cada detalhe de nosso corpo; consideramos-nos fracas por não sermos persistentes na dieta, nas idas à academia ou por não participarmos daquelas mirabolantes aulas que acreditamos ser necessárias para emagrecer. Há algo de muito errado em tudo isto, principalmente no nosso corpo e na nossa mente à medida que não nos aceitamos e nos deixamos levar pela necessidade de aceitação social e pelo capitalismo consumista que insiste padronizar sua produção no tamanho 36.

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A falta de amor próprio, do auto respeito e da auto aceitação só demonstram que não estamos vivendo em concordância com o que realmente somos, Plus Size e com nossos valores mais verdadeiros que permeiam nossa personalidade e nossa maneira de ser – lindas, inteligentes, amorosas, honestas, divertidas, animadas, leais, íntegras, maduras, verdadeiras, amigas. Quando não vivemos em congruência conosco e nos esforçamos em moldarmos nosso corpo e comportamento para sermos aceitas pelo que outras pessoas realmente acreditam que seja o melhor para nós, mesmo não vivendo em nossa pele, passamos a viver um verdadeiro conflito de identidade. Isso realmente nos adoece e acarreta uma série de problemas como

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a compulsão pela comida como forma de amenizar a ansiedade, o consumo de remédios e inibidores de apetite, muitas vezes sem prescrição médica, como forma de controlar nosso desejo por doces e alimentos gordurosos. Estrangulamos nosso corpo, prejudicando nossa circulação, em cintas com um número bem menor do que usamos, partimos para o uso de uma coleção de dietas milagrosas, mas nada saudáveis, que nos fazem passar mal, sentir fome e até ficar anêmicas e buscarmos desesperadas cirurgias e lipoaspiração para auxiliar na redução dos “pneuzinhos”, mas que também podem nos levar a ser uma hóspede de uma UTI, entre outras coisas. Nós tentarmos ser aquilo que não podemos ou que, realmente não queremos ser, nos faz muito mal, física e psicologicamente. Querer viver bem é uma questão de mudança de atitude e de treino para a auto-aceitação. Antes de querer agradar aos outros e fazer com que te aceitem com respeito e consideração, você é que tem de se aceitar e se respeitar primeiro. À medida que nos aceitamos, mudamos nossa ótica, a forma como nos vemos dentro e fora do espelho e isto faz com que o mundo ao nosso redor mude também. Ele fica mais divertido, colorido, agradável, engraçado, dinâmico, enfim, um lugar mais fácil de viver. Quando você realmente conhece seus verdadeiros conceitos, aqueles que dizem o que é bom para você, as pessoas que te cercam geralmente aceitam e respeitam isto, pelo simples fato de que você aprendeu a se respeitar e a se aceitar primeiro. A partir do momento que começamos a viver em paz conosco, ficamos em paz com o mundo, que passa a nos ver da maneira como nós nos vemos, pessoas que se aceitam e que estão de bem com a vida! É hora de começarmos a mudar as nossas atitudes em relação à nossa auto-imagem. É nosso corpo que carrega a nossa mente e a mente é bem mais fácil de moldar quando estamos dispostas e interessadas a fazer isto e descobrirmos exatamente o que se passa dentro dela e onde queremos chegar com os recursos que temos. Dentro das pessoas que real-

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mente somos, temos de querer agradar a nós mesmas em primeiro lugar, para podermos chegar onde queremos em nossas vidas. Podemos usar o poder do foco para explorar o nosso presente, tomar consciência de quem somos e com isto transformar a forma como vemos o nosso futuro. Se desejarmos ser mais felizes, realizadas ou amadas, precisamos primeiro ser mais lúcidas e visionárias com o quê realmente queremos para nossas vidas e daí, dar forças para isto. Amar a si mesmo não é simplesmente uma paixão passageira, é um processo de treino focado em autoconhecimento, auto-respeito e auto-aceitação constante. O que desejar fazer para melhorar sua estima faça, mas sempre acreditando que isto vai lhe proporcionar uma vida melhor, que você vai se sentir mais feliz, vai pensar de maneira mais positiva, ouvir elogios e nunca por que quer seguir o que a mídia manipula todos os dias, apresentando modelos esqueléticas em modelitos Hong Kong de tamanho minúsculo. Aliás, até este conceito já está sendo mudado, pois hoje já podemos ver e apreciar, lindas modelos Plus Size estampando propagandas nos diversos meios de comunicação. Aprenda a avaliar sempre sua vida e beleza com base em seus próprios padrões e veja quantas coisas importantes que você pode fazer ou realizar, como desenvolver uma carreira bem sucedida, aflorar sua criatividade, construir uma bela família, ter muitos amigos para amar, realizar boas viagens, comprar seu primeiro carro ou apartamento, terminar uma faculdade com louvor, namorar, beijar, dançar, sorrir, viver! Permita-se viver o seu melhor momento agora, simplesmente aceitando-se com amor...

Tânia Regina Sanches é psicóloga com pós-graduação em Administração de Recursos Humanos, especialização em Terapias Alternativas pelo Instituto Avathar e formada em Coaching pela Sociedade Latino Americana de Coaching. Atualmente ela está organizando cursos e pretende realizar palestras em São Paulo sobre o tema deste artigo e muitos outros voltado para o bem-estar pessoal e profissional.

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Promessas

mais uma vez: Ano Novo, vida nova... Artigo: Luciane Russo | Imagens: Wikimedia Commons

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Este Ê nosso lema em toda virada de ano. Fazemos promessas, pulamos ondas, jogamos rosas, rezamos para que o ano que se inicia traga com ele, todas as coisas boas pelas quais ansiamos o ano todo, quiçå, a vida toda.

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em, a esperança é o que nos move e sem ela, realmente a vida seria bem difícil. Por isso devemos cultivá-la sempre, assim como o otimismo e o positivismo. Como bons seres humanos que somos, sempre pedimos, pedimos e reclamamos quando não recebemos. Pois bem, então analisemos o por quê de talvez não recebermos o que pedimos. Queremos parar de fumar, emagrecer, ganhar na loteria, mudar de emprego, arrumar um amor ou trocar o existente, comprar um carro, uma casa, fazer a viagem dos sonhos. Ótimo, maravilhoso! Mas sempre esperamos que tudo isso caia no nosso colo, sem fazermos o mínimo esforço. É igual a piadinha do mineirinho que entrou na igreja e rezou pra ganhar no loto. O santo vira e diz para ele pelo menos comprar o bilhete né. E assim somos em nossa vida. Não fazemos nossa parte e reclamamos depois. Precisamos sim, é nos lembrarmos daquele ditado: “se ajude, que Deus te ajudará”. Comecemos fazendo nossa parte. Se queremos emagrecer, não vamos comer até a Lua. Mudar de emprego, comecemos a buscar melhores oportunidades. Ganhar na loto, vamos jogar e por aí vai. Não adianta sonhar e não correr atrás da realização. É isso que nos move, o objetivo. E para isso, temos de planejar, traçar as metas e caminhar na direção que escolhemos. Na vida não é fácil, porque tudo que é fácil, não tem graça. Aquilo que conseguimos com esforço, tem um sabor diferente, de vitória, de superação. Então, coloque este gosto na sua vida, trace seu objetivo e vá atrás. Isso é um belo estimulante para tudo na nossa vida. Sem objetivos somos vazios e chatos, extremamente chatos. E quando os temos, preferimos enxergar somente as dificuldades, fazendo delas muralhas intransponíveis e só sabemos reclamar. Aí sim é que é um desastre total. Todos conhecemos pessoas que dizem querer uma coisa, mas tudo é tão difícil, a família, o emprego, tudo é motivo para reclamação, e a única coisa que estas pessoas recebem em troca – da vida e das outras pessoas –, é o desejo de as terem o

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mais longe possível, de preferência no pólo norte, sem roupa de frio, assim talvez elas parem de reclamar. Aprendamos a cultivar o lado bom da vida. Tudo que nos acontece, podemos encarar de duas maneiras: pelo lado positivo, como experiência, ou pelo lado negativo, como castigo. Assim escolhemos como preferimos digerir a dose. Não há segredo, é tudo muito simples. Ao acordar, vamos agradecer por mais um dia e mentalizar que ele será lindo, maravilhoso, com coisas boas e tentar não se estressar na primeira fechada que levarmos. Ok, sei que não é fácil, mas precisamos treinar e com o passar do tempo, isso se tornará um hábito. Vamos visualizar aquilo que queremos, é um bom exercício, nos imaginarmos com aquilo que desejamos – um carro novo, na casa nova, no emprego novo, com aquela pessoa especial. Dizem, que quando enviamos a mensagem do que queremos para o Universo, ele todo conspira para que consigamos. Então, que tal além de nossos desejos, espalharmos pensamentos de paz, sáude, amor, para que todos na Terra possam ter um ano melhor e quem sabe um futuro mais bonito, num mundo sem guerras, sem preconceitos, sem violência? Luciane Russo, 33 anos, é formada em Letras e pós-graduada em Marketing e, além disso, adora observar o comportamento humano. Ela aguarda ansiosa suas dúvidas e sugestões.

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Ed. 12 - Ano 1 - 01/2010