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CARDERNO DE RESUMOS 2013

Vitória da Conquista – Bahia


ORGANIZAÇÃO COORDENAÇÃO DO EVENTO Jorge Augusto Alves da Silva Valéria Viana Sousa COMISSÃO ORGANIZADORA Andréia Prado Lima Jorge Augusto Alves da Silva Maria Aparecida de Souza Guimarães Valéria Viana Sousa COMISSÃO GRÁFICA Bruno Pacheco-de-Souza João Henrique Silva-Pinto COMISSÃO DE APOIO Bárbara Bomfim Xavier Bárbara Silveira Novato Caio Aguiar Vieira Daniel Teixeira Brito Evageline Ferraz Cabral Fagner Cruz Oliveira Gabriela Aguiar Brito Gonsalves Gislene Lima Almeida Gislene Lima Almeida Leilian França dos Santos Lorenna Oliveira dos Santos Luana Carvalho Coelho Luana Lua Sousa Felício Lucas Bezerra Santos Luciane Neri Pereira Patrick Oliveira Ronilson Sousa Matos Savanna Souza de Castro Warley José Campos Rocha COMISSÃO DO CADERNO DE RESUMOS Bruno Pacheco-de-Souza João Henrique Silva-Pinto Valéria Viana Sousa ARTE E DIAGRAMAÇÃO Bruno Pacheco-de-Souza


ÍNDICE APRESENTAÇÃO .......................................................................................................................................... 8 COMUNICAÇÃO ORAL ........................................................................................................................... 9 A COMUNIDADE DE VARGEM ALTA: TRAÇOS E ORIGENS ............................................................ 10 A DISCREPÂNCIA NA APLICAÇÃO DA REGRA DE CONCORDÂNCIA VERBAL ENTRE OS FALANTES DE RIO BRANCO, MORRINHOS E CINZENTO ............................................................... 11 A INFLUÊNCIA DOS FATORES GRAU DE ESCOLARIDADE E POSIÇÃO SOCIAL NA FALA DOS MORADORES DE CAETITÉ DOS BAIRROS: PEDRO CRUZ E SÃO VICENTE.................... 12 A LITERATURA COMO FONTE DE DADOS: UM OLHAR SOCIOLINGUÍSTICO SOBRE A OBRA “HISTÓRIA DA MINHA INFÂNCIA”, DE GILBERTO AMADO .............................................................. 13 A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NA PRÁTICA DOCENTE E NO LIVRO DIDÁTICO ............................. 14 A VARIAÇÃO NO USO DO MODO SUBJUNTIVO EM SALVADOR ................................................... 15 ACESSO A MEIOS DE COMUNICAÇÃO E USO DE FORMAS NOMINAIS EM JEQUIÉ, BAHIA: UM CASO DE VARIAÇÃO .......................................................................................................................... 16 ALGUMAS IMPLICAÇÕES SOCIOLINGUÍSTICAS SOBRE O PORTUGUÊS ANGOLANO .......... 17 AS FORMAS DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO NA FALA POPULAR E SEMICULTA EM DE SALVADOR ................................................................................................................................................... 18 CARACTERIZAÇÃO ACÚSTICA DAS EXCLAMATIVAS E INTERROGATIVAS DO DIALETO DE VITÓRIA DA CONQUISTA- BA .................................................................................................................. 19 CONSIDERAÇÕES ACERCA DA VARIANTE NI EM VITÓRIA DA CONQUISTA- BA: CONTEXTOS LINGUÍSTICOS. .................................................................................................................. 20 CURVA DE F0 E DIFERENÇAS DIALETAIS: PROPOSTA DE UM ESTUDO EXPERIMENTAL ... 21 DENOMINAÇÕES PARA ARCO-ÍRIS EM SERGIPE: UMA ANÁLISE DIATÓPICA ......................... 22 ESTUDO SEMÂNTICO-LEXICAL: DESIGNAÇÕES PARA MARGEM DO RIO NA REGIÃO DE SERGIPE ....................................................................................................................................................... 23 EU NÃO ALEMBRO MAIS DE NADA: VESTÍGIOS DO CONTATO ENTRE LÍNGUAS NO APAGAMENTO DO CLÍTICO REFLEXIVO ............................................................................................. 24 GERUNDISMO: A PERÍFRASE DE MAIOR ESTIGMA SOCIAL ......................................................... 25 GRAMATICALIZAÇÃO E (INTER)SUBJETIVIZAÇÃO DE CONECTORES CAUSAIS .................... 26 NÓS E A GENTE: VARIAÇÃO OU MUDANÇA? ..................................................................................... 27 O QUE REVELAM AS CARTAS 90 DO APFB E 97 DO ALS SOBRE OS “FALARES BAIANOS” 28 PROCESSO DE GRAMATICALIZAÇÃO: UM ESTUDO DO ITEM “AFF” ........................................... 29 PROCESSO DE PERDA DE FLEXÃO NO PARADIGMA VERBAL .................................................... 30 SURO, SURU E SURUCO: UM ESTUDO DA VARIAÇÃO SEMÂNTICO-LEXICAL DO ANIMAL SEM RABO EM SERGIPE .......................................................................................................................... 31


VARIAÇÃO E MUDANÇA LÍNGUÍSTICA: ABORDAGEM A PARTIR DO LIVRO DIDÁTICO ......... 32 VARIAÇÃO LÉXICO-SEMÂNTICA ENTRE BAHIA E PARANÁ – ACIDENTES GEOGRÁFICOS E FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS NOS DADOS DO ATLAS LINGUÍSTICO DO BRASIL (ALIB) ... 33 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E O ENSINO/APRENDIZAGEM DE LÍNGUA MATERNA ...................... 34 SIMPÓSIOS ................................................................................................................................................ 35 ESTUDOS DA FALA: ANÁLISES SÓCIO-HISTÓRICAS E FUNCIONALISTAS DO PORTUGUÊS POPULAR DE VITÓRIA DA CONQUISTA – PPVC................................................................................ 36 A VARIAÇÃO DO /S/ EM POSIÇÃO DE TRAVA SILÁBICA E O PROCESSO DE DEBUCALIZAÇÃO NO DIALETO DE VITÓRIA DA CONQUISTA-BA ................................................ 37 A VARIAÇÃO ENTRE O USO DO MODO SUBJUNTIVO E DO MODO INDICATIVO: UM ESTUDO DO PORTUGUÊS POPULAR DA COMUNIDADE DE VITÓRIA DA CONQUISTA ..... 38 ANÁLISE DA MARCAÇÃO DE PLURAL NO SINTAGMA NOMINAL NO CORPUS DO PORTUGUÊS POPULAR DA COMUNIDADE DE VITÓRIA DA CONQUISTA ............................. 39 ESTUDOS DA LINGUAGEM: ANÁLISE DA CONCORDÂNCIA VERBAL EM P6 NO CORPUS DO PPUVC: PORTUGUÊS POPULAR URBANO DE VITÓRIA DA CONQUISTA-BA................. 40 GRAMATICALIZAÇÃO: O VERBO “DAR” EM ANÁLISE ................................................................... 41 ITEM LINGUÍSTICO AGORA: REFLEXÕES E FUNCIONAMENTO ............................................... 42 SINTAGMA NOMINAL DE NÚMERO EM VITÓRIA DA CONQUISTA: ALGUMAS EVIDÊNIAS 43 ESTUDOS SOCIOFUNCIONALISTAS NO CORPUS PORTUGUÊS POPULAR DE VITÓRIA DA CONQUISTA - PPVC ................................................................................................................................... 44 A GRAMATICALIZAÇÃO DO ITEM LINGUÍSTICO “NI” COMO VARIANTE DA PREPOSIÇÃO “EM” ................................................................................................................................................................ 45 ESTUDOS PRELIMINARES SOBRE A REPETIÇÃO NA ORALIDADE E SEUS ASPECTOS FUNCIONAIS: A ORGANIZAÇÃO TÓPICA E A ARGUMENTATIVIDADE..................................... 46 ESTUDOS PRELIMINARES SOCIOFUNCIONALISTAS INVESTIGANDO A GRAMATICALIZAÇÃO DO PRONOME VOCÊ NO CORPUS DO PORTUGUÊS POPULAR URBANO DE VITÓRIA DA CONQUISTA ............................................................................................. 47 O VERBO SABER E SUAS CARACTERÍSTICAS NA FALA POPULAR DOS CONQUISTENSES ..................................................................................................................................................................... 48 UM ESTUDO SOBRE A PRESENÇA DA NEGAÇÃO NOS FALANTES DE VITÓRIA DA CONQUISTA ............................................................................................................................................. 49 UMA ANÁLISE PRELIMINAR SOBRE O ITEM LINGUÍSTICO NÃO: OCORRENCIAS NO CORPUS DO PORTUGUÊS POPULAR DE VITÓRIA DA CONQUISTA ....................................... 50 SOCIOLINGUÍSTICA E IDENTIDADE ...................................................................................................... 51 A PALATALIZAÇÃO DAS OCLUSIVAS DENTAIS \t\ e \d\ NO MUNICÍPIO DE SÃO CRISTÓVÃO-SERGIPE .......................................................................................................................... 52 LÍNGUA IDENTIDADE E CULTURA: RELAÇÕES DE FAIXA ETÁRIA E ESCOLARIDADE ...... 53


NOTAS SOBRE O SOTAQUE NORDESTINO E A SUAVIZAÇÃO ................................................. 54 UM OLHAR SOCIOLINGUÍSTICO SOBRE A OBRA “HISTÓRIA DA MINHA INFÂNCIA”, DE GILBERTO AMADO ................................................................................................................................. 55 VARIAÇÃO EM INTERROGATIVAS TOTAIS: UM ESTUDO PRELIMINAR COM FALANTES DE SANTA CATARINA E ARACAJU (SE) .................................................................................................. 56 SOCIOLINGUÍSTICA E ENSINO ............................................................................................................... 57 A ALTERNÂNCIA ENTRE ‘VOCÊ’ E ‘CÊ’ COMO EVIDÊNCIA DE QUE A ALTERAÇÃO DE REGISTRO PODE PRODUZIR EFEITOS DISTINTOS NA INTERAÇÃO EM SALA DE AULA .. 58 ESTÍMULOS NA PROVINHA BRASIL: UM DIÁLOGO ACERCA DO ENSINO NA ALFABETIZAÇÃO .................................................................................................................................... 59 FOCO NO ENEM: RAIO–X DA PROVA DE LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TÉCNOLOGIAS60 MOVIMENTOS ARGUMENTATIVOS OBSERVADOS EM RELATOS DE OPINIÃO PRODUZIDOS POR ADOLESCENTES EM ENTREVISTA SOCIOLINGUÍSTICA ....................... 61 NÃO MORDA A LÍNGUA PORTUGUESA- A NORMA CURTA EM SERGIPE .............................. 62 VARIAÇÃO EM CATEGORIAS VERBAIS DO PORTUGUÊS .............................................................. 63 ASPECTO HABITUAL: FORMAS DE EXPRESSÃO NO PORTUGUÊS FALADO E ESCRITO . 64 CONTRIBUIÇÃO SOCIOFUNCIONALISTA PARA A ANOTAÇÃO SEMÂNTICO-DISCURSIVA DE VERBOS PARA O PROCESSAMENTO DE LÍNGUAS NATURAIS ......................................... 65 O FUTURO DO PRETÉRITO EM PORTUGUÊS COMO ESTRATÉGIA DE POLIDEZ ............... 66 O USO VARIÁVEL DO FUTURO DO PRETÉRITO E DO PRETÉRITO IMPERFEITO EM VERBOS MODAIS.................................................................................................................................... 67 PERÍFRASES GERUNDIVAS NA EXPRESSÃO DO FUTURO VERBAL: ESTIGMA E PRECONCEITO LINGUÍSTICO ............................................................................................................. 68


APRESENTAÇÃO O I Seminário de Variação e Mudança Linguística no Sudoeste da Bahia é um evento organizado pelo Grupo de Pesquisa em Linguística Histórica e pelo Grupo de Pesquisa em Sociofuncionalismo – CNPq, o Grupo Janus1. O I Seminário de Variação e Mudança Linguística no Sudoeste da Bahia será realizado na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus Vitória da Conquista – BA, entre os dias 11 a 13 de novembro de 2013. O Evento tem o objetivo de reunir pesquisadores e estudiosos que têm interesse em pesquisas voltadas à realidade sociolinguística do Brasil e das suas regiões e/ou que têm realizado estudos, descrições e análises de fenômenos linguísticos relacionados à variação e à mudança linguística. Do encontro com esses pesquisadores, pretendemos fomentar a socialização e a interação entre os teóricos-pesquisadores e os alunos da graduação, pesquisadores da Iniciação Científica, alunos da pós-graduação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e de outras universidades que se fizerem presentes, sobretudo das universidades baianas. É nosso objetivo, ainda, estabelecer um diálogo entre a temática diversidade linguística e o ensino para que possamos contribuir com a formação e reflexão dos professores das redes municipal e estadual da cidade de Vitória da Conquista e microrregião. Pretendemos, com isso, criar um ambiente /momento de discussão acadêmica nesses três dias de evento, no qual questões linguísticas correlacionadas à realidade social sejam aprofundadas e, quiçá, propostas de ações sejam (re)pensadas com vistas à aceitação da heterogeneidade da língua como um elemento constitutivo do próprio sistema linguístico. Com tal intuito, nessa primeira edição, organizamos um Evento que será composto por Conferência de Abertura, Mesas, Simpósios Temáticos, Comunicações e Minicursos que dialogarão sobre o tema Variação e Mudança Linguística ora à luz da Sociolinguística, ora à luz do Sociofuncionalismo, ora na interface com outras áreas da Linguística. O I Seminário de Variação e Mudança Linguística no Sudoeste da Bahia conta com a colaboração do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários – DELL, da PróReitoria de Extensão em Assuntos Comunitários – PROEX da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia; com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia –FAPESB .

___________________ 1Janus , o deus da Paz, é uma divindade romana que, por ter uma cabeça com duas faces direcionadas a sentidos opostos, vê o passado e o futuro simultaneamente como se fosse o presente. O deus Janus é responsável por abrir portas e caminhos. Essa é a representação do nosso Grupo de Pesquisa.


COMUNICAÇÃO ORAL


A COMUNIDADE DE VARGEM ALTA: TRAÇOS E ORIGENS

Cristiane Nogueira de ARAÚJO (Profletras / UESB-BA) cristiane.02@hotmail.com

Maria Zélia Alves NOGUEIRA (Profletras / UESB-BA) zeliapma@hotmail.com

Valéria Viana SOUSA (orientadora / UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (co-orientador / UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com

RESUMO Segundo Bernd (1987, p.38) “[...] a busca pela identidade do negro é a busca de autodefinição”, pois está inserido em valores de uma cultura europeia, que os aliena em relação às suas referências históricas. Por isso, considerando-se o processo histórico e os mecanismos de reprodução dos padrões de uma elite dominante, propagada principalmente pela escola, a população negra brasileira, além de comprometer a formação de sua identidade, se vê estigmatizada frente aos valores que anulam sua história, suas lutas e seus modos de viver. Com o intuito de retratar a identidade de uma comunidade quilombola, desenvolvemos um estudo sobre a Comunidade Quilombola de Vargem Alta, localizada no município de Palmas de Monte Alto – BA. Essa comunidade pode ser caracterizada como uma comunidade afro-brasileira, devido à sua origem quilombola e à conservação de determinados traços culturais presentes em seu povo. Neste trabalho, objetivando apresentar um retrato dessa comunidade, enfocamos aspectos da cultura desse povo, bem como suas origens, crenças, costumes, valores, traços linguísticos, localização geográfica, entre outras características que a tornam singular. A pesquisa foi efetuada com adoção metodológica da pesquisa de campo dentro de uma linha de abordagem qualitativa, buscando a valorização do homem como sujeito histórico que se configura na inter-relação com as identidades sociais e pessoais e como verdadeiro construtor da História. Para efetivação da pesquisa, nesse primeiro momento, observamos a referida comunidade e ouvimos os seus moradores. Com relação ao referencial teórico, fundamentaremos o trabalho com discussões a respeito da crioulização e da formação da língua portuguesa no Brasil, sobretudo em Tarallo (1987), Baxter; Lucchesi (1993;1997), Couto (1996) e Silva (2005).

PALAVRAS-CHAVE: Comunidade. Retrato. Cultura. Quilombola. Identidade.


A DISCREPÂNCIA NA APLICAÇÃO DA REGRA DE CONCORDÂNCIA VERBAL ENTRE OS FALANTES DE RIO BRANCO, MORRINHOS E CINZENTO Anderson Ribeiro dos ANJOS (UNEB-BA) andersonfadh2@hotmail.com

Vivian MEIRA (Orientadora / UNEB-BA) vivianmeira@gmail.com

RESUMO A origem das variações existentes no português popular brasileiro tem causado muitas discussões entre os estudiosos, visto que, além de servir como um meio de comunicação, a língua está intimamente ligada ao contexto social e carrega consigo traços históricos e culturais de um povo. Entre os diversos tipos de variações existentes na língua elegemos a concordância verbal como foco de nosso estudo, por ser de fundamental importância para a compreensão das variações existentes no uso da língua e por estar em constante investigação por vários estudiosos que buscam compreender a língua. A presente pesquisa tem por escopo investigar a discrepância observada na aplicação dessa regra entre a fala urbana de Rio Branco, a rural em Morrinhos e a do português afro-brasileiro em Cinzento. Está pesquisa será de caráter bibliográfico, e utilizará os dados contidos na tese de doutorado “A concordância verbal na fala urbana de rio branco” de Dinah de Araújo Rodrigues, e na tese de doutorado “A concordância verbal de terceira pessoa do plural no português popular do Brasil: um panorama sociolinguístico de três comunidades do interior do Estado da Bahia” de Jorge Augusto Alves da Silva. Este estudo está ancorado na Teoria da Variação Linguística e apreciaremos a língua de modo sistemático, levando em consideração o contexto social, pois acreditamos que conhecer o percurso histórico do português falado no Brasil é de extrema importância para compreender a origem das variações no uso da concordância verbal em nossa língua. Para tanto, analisaremos as seguintes variáveis linguísticas: a realização e posição do sujeito e a saliência fônica, bem como os fatores extralinguísticos: escolaridade e sexo do informante.

PALAVRAS-CHAVE: Variação. Concordância verbal. Sociolinguística.


A INFLUÊNCIA DOS FATORES GRAU DE ESCOLARIDADE E POSIÇÃO SOCIAL NA FALA DOS MORADORES DE CAETITÉ DOS BAIRROS: PEDRO CRUZ E SÃO VICENTE Simone Silva NOGUEIRA (UESB-BA) ss.nogueira@yahoo.com.br

Andréia VILAÇA (Orientadora / UNEB-BA) deiavilaca@yahoo.com.br

RESUMO Esta pesquisa faz parte de um estudo monográfico realizado na Graduação em Letras. Nela, com o objetivo de entender como se dá a interferência do grau de escolaridade na fala dos sujeitos e como a posição social interfere na questão do preconceito linguístico e nas alterações na língua, realizou-se uma reflexão acerca das variações linguísticas presentes em Caetité, no bairro Pedro Cruz, em que predomina uma parte da população mais carente que não teve condições de frequentar a escola em sua maioria e que assumiu profissões, como: garis, merendeiras escolares, feirantes e pedreiros; e no bairro São Vicente em que predomina uma parte da população elitizada, que frequentou as melhores escolas e assumiu profissões, como: médicos, advogados, psicólogos, doutores, entre outros. Além disso, analisamos a interferência dos fatores grau de escolaridade e posição social nas variações encontradas, tais como: Harmonização Vocálica, Vocalismo, Aférese, Monotongação, Assimilação, Ditongação, Apócope, entre outras. Para tanto, buscamos respaldos em vários teóricos que discorrem sobre o tema, como: Bagno (2003), Bortoni-Ricardo(2006), Câmara Junior (1986), Fiorin (2003), Faraco (2005), Mollica e Braga (2204). Assim, através da concepção teórica metodológica adotada aqui, percebe-se que a língua é acompanhada por alguma evolução ou transformação, às vezes com outra feição, porém com significado muito próximo ao de antes, pois toda mudança ocorre a partir de parâmetros culturais já existentes. Isso quer dizer que a língua não é apenas determinada pelos processos sócio-históricos, mas é, também, fator determinante desses processos. Sendo assim, independente desses fatores secundários, é inegável que os anos de escolarização de uma pessoa, influenciam diretamente na sua fala, assim também como a escala social eu que está inserido. Esses fatores foram refletidos no estudo monográfico através dos relatos da história de vida e escolar dos falantes caetiteenses compreendendo os bairros Pedro Cruz e São Vicente. PALAVRAS-CHAVE: Variações Linguísticas – Caetité – Pesquisa Qualitativa – Grau de Escolaridade – Posição Social.


A LITERATURA COMO FONTE DE DADOS: UM OLHAR SOCIOLINGUÍSTICO SOBRE A OBRA “HISTÓRIA DA MINHA INFÂNCIA”, DE GILBERTO AMADO

Fernanda Bispo CORREIA (UFS-SE) fernanda_bispo_tae@hotmail.com

RESUMO A leitura do livro História da Minha Infância (1954) nos leva a conhecer interessantes histórias da vida do ilustre sergipano Gilberto Amado. Nas suas páginas se registram não só as experiências pessoais do narrador, mas também nos é fornecido um painel com importantes informações sobre os costumes, a cultura e inclusive as peculiaridades linguísticas da sociedade sergipana – especialmente das vilas sergipanas de Estância e Itaporanga –, à época da escrita. Tendo em vista que adotaremos a obra literária amadiana como fonte primária para um estudo de cunho sociolinguístico, o problema que se coloca é justamente verificar se temos no referido texto a validade e a adequação de que necessitamos para tal intento. Partindo desse pressuposto este trabalho quer responder ao seguinte questionamento: quais as pistas diacrônicas disponibilizadas pela obra literária “História da Minha Infância”, texto memorialista do autor sergipano Gilberto Amado – no qual são relatadas histórias transcorridas no final do século XIX e início do século XX, nas vilas sergipanas de Estância e Itaporanga – que nos possibilitam entender a relação língua x sociedade manifestada pela obra? Para isso lançaremos mão de uma abordagem sociolinguística, recorrendo tanto à teoria da variação laboviana – a qual toma a variação como diretamente correlacionada a fatores sociais – bem como à noção de persona trabalhada tanto por Penelope Eckert (2001) quanto por Coupland (2001). Partiremos de uma análise qualitativa, já que vamos analisar a correlação dos papéis sociais dos personagens aos usos linguísticos a eles atribuídos, apresentando dados do contexto sócio-histórico da sociedade sergipana de fins do século XIX e início de século XX. Após fazer o levantamento de todas as personagens do romance que têm direito à fala, traçaremos a análise e verificaremos qual a correlação existente entre as pistas que tais usos linguísticos revelam em função do papel social dos personagens no contexto da sociedade retratada.

PALAVRAS-CHAVE: Estilo. Gilberto Amado. Sociolinguística.


A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NA PRÁTICA DOCENTE E NO LIVRO DIDÁTICO Roseli Pereira SOUZA (UESB-BA) roseliletrasuesb@gmail.com

Aline Ancelmo SANTOS (UESB-BA) alineancelmo@r7.com

Ícaro Silva SANTOS (UESB-BA) icaroguitarras@hotmail.com

Jurgen Alves de SOUZA (Orientador/UESB-BA) professorjurgen@hotmail.com

RESUMO

Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa desenvolvida em uma escola pública do município de Lafaiete Coutinho/BA, com o objetivo de analisar a abordagem da variação linguística na sala de aula do 3º ano do ensino médio e no livro didático utilizado nas aulas de língua portuguesa. Foram adotados como procedimentos metodológicos uma entrevista realizada com a professora acerca da abordagem dada à variação linguística em sua prática docente e uma análise criteriosa do livro didático no que diz respeito a esse assunto. Tomando por base autores como Marcos Bagno e Dante Lucchesi, que defendem a abordagem da variação linguística tanto nos livros didáticos quanto na sala de aula, além de Carlos Alberto Faraco, que ressalta a importância de se trabalhar a variação linguística no contexto escolar, a pesquisa que aqui se apresenta procurou, a partir de uma investigação acerca da prática docente e do conteúdo do livro didático, verificar se o tratamento dado à variação linguística no universo de sala de aula estava em consonância com os estudos sociolinguísticos mais recentes, procurando contribuir de alguma forma para quebrar o preconceito linguístico ainda muito presente em nossa sociedade no que tange ao ensino de língua materna. Os resultados obtidos foram comparados com os pressupostos teóricos da Sociolinguística e com as recomendações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's), possibilitando a surpreendente constatação de que, ao contrário do que ocorre em muitos casos, tanto a professora entrevistada quanto o livro didático analisado abordam a variação linguística de forma adequada, não se limitando a classificá-la apenas como algo rural ou regional e propondo atividades que contribuem para que os alunos percebam sua presença nos diferenciados contextos e locais.

PALAVRAS-CHAVE: Variação linguística. Prática docente. Livro didático


A VARIAÇÃO NO USO DO MODO SUBJUNTIVO EM SALVADOR Lorena NASCIMENTO (UNEB‐BA) lcristinarn@yahoo.com.br

Norma LOPES (orientadora / UNEB-BA) nlopes58@gmail.com

RESUMO Esse trabalho é resultado do projeto de Iniciação Científica A variação no uso do modo subjuntivo em Salvador e tem como objetivo propiciar um entendimento da variação no uso dos modos subjuntivo e indicativo, utilizando o escopo teórico-metodológico da Sociolinguística Variacionista. Quanto a metodologia, essa pesquisa tem como base a Sociolinguística Quantitativa e utiliza o conjunto de inquéritos do Programa de Estudo do Português Popular de Salvador (PEPP) para a coleta de dados. Através do estudo realizado, foi possível observar que o uso do subjuntivo é preferencial entre os falantes do português popular de Salvador, assim como o tempo verbal, a escolaridade e a pessoa do discurso parecem ser relevantes na escolha deste uso.

PALAVRAS-CHAVE: Modos subjuntivo/indicativo. Fala de Salvador. Variação. PEPP.


ACESSO A MEIOS DE COMUNICAÇÃO E USO DE FORMAS NOMINAIS EM JEQUIÉ, BAHIA: UM CASO DE VARIAÇÃO

Lucélia de Souza dos Reis SANTOS (PPGEL / UNEB-BA) lucelykings@hotmail.com

Norma da Silva LOPES (PPGEL / UNEB-BA) nlopes58@gmail.com

RESUMO Este trabalho surgiu do interesse de investigar as variadas formas de tratamento dirigidas às mães na cidade de Jequié-Bahia. Embora haja referências de que a comunidade em estudo tem a forma mainha como marca dialetal, percebe-se assistematicamente a utilização de outras formas, como: mãe, mamãe e minha mãe. Nesse sentido, no presente trabalho, toma-se como objeto de estudo a correlação entre a escolha de variante de tratamento e o acesso a meios de comunicação: internet, rádio, televisão, jornal e revista. Analisamos o efeito de cada fator comunicativo no uso das variantes em estudo. Para tanto, coletamos respostas de cada informante da pesquisa com relação a sua frequência de uso dos meios de comunicação citados, oferecendo três alternativas: “todos os dias”, “às vezes”, “nunca”. Além disso, também inquirimos dos informantes quanto ao site mais visitado na internet: facebook, MSN, pesquisa, orkut. Também perguntamos acerca do programa de televisão preferido: novelas, noticiário, esportes, filmes, outros. Para o levantamento desses dados utilizamos como instrumento a Ficha do informante. Os pressupostos teórico-metodológicos adotados para a realização da pesquisa são os apresentados por William Labov (2008 [1972]), no campo da Sociolinguística Variacionista. Selecionaram-se 16 (dezesseis) informantes, distribuídos igualmente em dois grupos etários diferentes: 10 – 14 anos; 18 – 30 anos; dentre eles, 08 (oito) homens e 08 (oito) mulheres. Os resultados mostraram que o acesso à internet e a leitura de revista favorecem o uso da variante mãe. Por outro lado, o rádio não se mostrou atuante na influência de uso do nome mãe. O fato de nunca ouvir rádio, leitura diária de jornal e a leitura de revista, foram favorecedores no uso da variante minha mãe. O fato de nunca ler revista e jornal apresentou-se como determinante ao uso da forma mainha. Ou seja, a ausência de contato com esses meios de comunicação, de alguma forma, influencia a conservação dessa forma nominal. O estudo oportuniza, pelo que se vê, o conhecimento de um fenômeno linguístico ainda não tão explorado por outros pesquisadores da Sociolinguística e possibilita o entendimento do caráter variacionista dessas formas nominais.

PALAVRAS-CHAVE: Formas nominais. Meios de comunicação. Variação, Jequié.


ALGUMAS IMPLICAÇÕES SOCIOLINGUÍSTICAS SOBRE O PORTUGUÊS ANGOLANO Maria Rosane Passos dos SANTOS (UEFS-BA) rosaneuefs@hotmail.com

RESUMO Este trabalho faz algumas considerações sobre a situação linguística de Angola com abordagens da Teoria Variacionista Sociolinguística a fim de analisar o processo de imposição da Língua Portuguesa como língua oficial num país marcado por multilinguismo. Parte do trabalho analisa o processo de incorporação do português em Angola, refletindo sobre a relação língua e poder que auxiliam na compreensão de como um país multilíngue adotou a língua do colonizador português ignorando as outras variedades lá existentes. Assinalamos o papel da escola na manutenção de uma variante, a condição do falante diante da imposição de uma língua e seu não exercício natural de outras possibilidades, já que em Angola falar o português com interferência de outras línguas africanas era fonte de preconceito linguístico. Para tanto, partimos de uma concepção de língua heterogênea que não a limita apenas a um sistema de comunicação, mas considera aspectos sociais e às relações que ela mantém com ou está a serviço de uma política de dominação de tal modo que a maioria dos angolanos teve que colocar como inferior sua língua local para aprender o português. O ensino no período colonial não era gratuito nem obrigatório, o que excluiu muitos angolanos pobres, e falar o português dava-lhes possibilidade de ascender socialmente, adquirir cargos administrativos, significava mudança de vida. Como uma variedade linguística reflete o que o seus falantes valem na sociedade, é compreensível a incorporação do português ao sistema linguístico dos angolanos, uma vez que o código aceito oficialmente pelo poder é tido como superior e todos os cidadãos têm de produzi-lo e entendê-lo nas relações com o poder. Em outra perspectiva, o trabalho também traz contribuição para o entendimento da formação do português brasileiro por acreditarmos que o português angolano pode refletir raízes do português brasileiro, já que a presença relevante de escravos africanos vindos para o Brasil durante os três primeiros séculos, em sua maioria, das áreas correspondentes hoje à Angola, pode ter desempenhado um papel importante na formação da variedade brasileira, admitindo como hipótese que o português brasileiro parece ter reflexos de línguas de substrato africanas por meio do processo de transmissão linguística irregular.

PALAVRAS-CHAVES: Sociolinguística. Português Angolano. Português Brasileiro


AS FORMAS DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO NA FALA POPULAR E SEMICULTA EM DE SALVADOR Viviane Marcelina da SILVA (UNEB-BA) viviane.marcelina@hotmail.com

Norma da Silva LOPES (Orientadora / UNEB-BA) nlopes58gmail.com

RESUMO Este trabalho aborda o uso das formas de indeterminação do sujeito na fala popular de Salvador. Foram utilizados os pressupostos teóricos da sociolinguística variacionista ou teoria da variação, segundo Labov (2008). O objeto de estudo da sociolinguística é a língua falada em seu contexto social e a mudança lingüística. Deste modo o objetivo deste trabalho foi fazer um mapeamento sobre quais são as formas usadas para se indeterminar o sujeito pelos falantes de Salvador, levando em consideração outras formas de indeterminação, que não são as formas consideradas canônicas pela GT (gramática tradicional), mas que existem diversas formas para se fazer uma indeterminação, como, por exemplo, as formas Você, Nós, A gente e a 3ª pessoa do plural. Sendo assim, podese dizer que cada comunidade linguística usa a língua da forma que considera melhor para exprimir suas ideias, seus pensamentos e suas opiniões, assim ocorre a interação linguística entre ás pessoas. Foi utilizada a metodologia da sociolinguística quantitativa com dados coletados do PEPP (Programa de Estudo do Português Popular) com informantes homens e mulheres de diferentes níveis de escolaridade. Os resultados encontrados nesta pesquisa mostram que na variável gênero a forma a gente e a 3ª pessoa do plural são mais usadas pelas mulheres, já os homens utilizam mais o você e o nós.Quanto à variável escolaridade, na fala popular a variante de indeterminação mais utilizada é o nós e menos o você. Na fala semiculta (ensino médio), a variante mais encontrada é o você e a menos utilizada é o nós.Como este trabalho revela, há uma relação indiscutível entre os usos linguísticos e a variação social.

PALAVRAS-CHAVES: Formas de Indeterminação. PEPP. Salvador


CARACTERIZAÇÃO ACÚSTICA DAS EXCLAMATIVAS E INTERROGATIVAS DO DIALETO DE VITÓRIA DA CONQUISTA- BA Juscelia Silva Novais OLIVEIRA (PPGLIng / UESB‐BA) juscelyaoliveira@gmail.com

Vera PACHECO (orientadora / UESB-BA) vera.pacheco@gmail.com

RESUMO

A entonação é um fator importante na organização de uma dada língua e é, em termos perceptuais, a sensação das variações de tom, duração e intensidade ao longo do enunciado (AGUILAR, 2000). E acusticamente pode ser avaliada a partir da F0. A partir da estrutura dos contornos melódicos (ascendente/descendente), é possível distinguir, na fala, enunciados interrogativos de assertivos, como é possível, também, numa situação sócio-comunicativa, identificar marcas dialetais e marcar a atitude do falante em um contexto comunicativo. Moraes (2008) apresenta a descrição do padrão melódico do PB, com base na variante do Rio de Janeiro. Para as orações exclamativas, o autor apresenta um contorno descendente em seu acento nuclear, no qual ocorre a mudança significativa e que define o tipo do enunciado, como prevê o modelo de Halliday (1970) e Cagliari (1982/2007); as interrogativas parciais apresentam um contorno descendente na última sílaba tônica e as totais, um contorno ascendente no acento nuclear. O ajuste nesse contorno permite distinguir a modalidade de uma oração bem como falantes de dialetos diferentes. Dessa forma, a questão que aqui se apresenta é: os padrões melódicos das exclamativas e interrogativas de um conquistense estão de acordo com os estudos prosódicos realizados no PB ou possui particularidades acústicas específicas desse dialeto? Diante disso, o objetivo deste trabalho é caracterizar acusticamente as exclamativas e interrogativas realizadas por falantes conquistenses comparando com o padrão descrito para o PB nos estudos já realizados. O corpus deste estudo foi composto por sentenças exclamativas e interrogativas, gravadas no Laboratório de Pesquisa em Fonética e Fonologia, por informantes do sexo masculino e feminino. A análise consiste da descrição do comportamento da curva de F0, realizada através do software PRAAT (BOERSMA; WEENINCK. 2006). O contorno final dos enunciados exclamativos e interrogativos de falantes conquistenses se assemelha ao padrão descrito por Moraes (2008) para o PB. Foi possível certificar que a mudança significativa ocorre na sílaba tônica saliente do anunciado, como acontece na variante carioca. Os resultados encontrados neste trabalho dão conta de caracterizar o padrão exclamativo e interrogativo de falantes conquistenses e são importantes nos estudos sociolinguísticos e prosódicos do PB.

PALAVRAS‐CHAVE: Prosódia. Entonação. Exclamativa. Interrogativa.


CONSIDERAÇÕES ACERCA DA VARIANTE NI EM VITÓRIA DA CONQUISTA- BA: CONTEXTOS LINGUÍSTICOS. Maria Bethânia Gomes PAES (UNEB-BA / UESB-BA) bethapaes@yahoo.com.br

Norma da Silva LOPES (UNEB-BA) nlopes58@gmail.com

RESUMO

O presente trabalho, em linhas gerais, considera a análise do uso da forma ni, variante da preposição em, nos falantes de Vitória da Conquista, cidade situada no sudoeste baiano. O objetivo desta pesquisa é definir os condicionamentos linguísticos da utilização da referida forma para que seja possível apontar os elementos linguísticos propiciadores do emprego da variante. Para tal, fez-se um mapeamento observando-se a interferência das seguintes variáveis linguísticas: presença e tipo de elemento pré- nominal, valor semântico do sintagma, gênero do sintagma, função do sintagma. O corpus oral de análise é constituído por 18 entrevistas com duração média de 20 minutos, gravadas e transcritas no ano de 2012 na referida cidade, com falantes nascidos e residentes no território conquistense. Considerando-se os pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista, de William Labov, buscou-se identificar as restrições linguísticas à escolha da variante ni a fim de se proceder à análise dos fatores que favorecem ou não o emprego desta forma. Para a quantificação dos dados, foi utilizado o programa Varbrul. Os resultados obtidos, ao considerar-se o tempo aparente, não possibilitaram a afirmação de que há uma mudança em curso envolvendo as variantes em e ni. Considerando-se os fatores linguísticos, conclui-se que sintagmas preposicionais sem elementos pré-nominais posteriores à posição da preposição são grandes favorecedores do uso da variante ni, assim como sintagmas com valor semântico de tempo e do gênero feminino.

PALAVRAS-CHAVE: Linguística. Sociolinguística. Variação. Variáveis linguísticas.


CURVA DE F0 E DIFERENÇAS DIALETAIS: PROPOSTA DE UM ESTUDO EXPERIMENTAL Tássia COELHO (PPGLING / UESB‐BA) tassia_1989@hotmail.com

Vera PACHECO (orientadora / UESB-BA) vera.pacheco@gmail.com

Marian OLIVEIRA (PPGLING / UESB‐BA) mdossoliveira@gmail.com

RESUMO A presença ou ausência de vogais médias abertas na posição pretônica tem sido um grande marcador para a distinção dialetal. É muito comum associar o falar do nordeste do país à presença dessas vogais na sílaba pretônica. Essa associação não é, contudo, tão simples assim. Sabe-se, por exemplo, que em certas regiões de Minas Gerais, em certos contextos fonéticos, é possível encontrar essas realizações (LEE; OLIVEIRA, 2003). Para esses autores, é necessário distinguir as variações inter e intradialetal. Além disso, é possível que outros fatores fonéticos estejam associados a uma certa marca dialetal, como sugerem Pacheco, Oliveira e Ribeiro (2013). Resultados de pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Pesquisa e Estudos em Fonética e Fonologia/UESB-VC têm mostrado certa associação entre a presença de vogais médias abertas em Vitória da Conquista/BA e a variação significativa da curva de F0 nas sílabas pretônicas com vogais médias abertas. Esses achados nos levam às seguintes questões: a variação significativa da fundamental encontrada nas sílabas pretônicas nucleadas por vogais médias abertas é encontrada quando essas sílabas são nucleadas por outras vogais?; esse padrão da curva de F0 na pretônica é uma característica peculiar ao falar de conquistenses? Buscando avaliar se as alterações na curva de F0 constituem um parâmetro que distingue dialetos, nessa pesquisa temos por objetivo investigar o contorno de F0 nas sílabas pretônicas de cidades baianas e de cidades de outros estados brasileiros. Nossa hipótese é a de que a freqüência fundamental na sílaba pretônica possui um comportamento diferenciado entre os diferentes falares brasileiros. Para realizar essa pesquisa, será constituído um delineamento experimental que controle a ocorrência de todas as vogais em sílabas pretônica e tônica. Serão realizadas gravações em laboratório da fala de sujeitos conquistenses e de falantes de outras localidades baianas e não baianas. Serão mensurados valores da fundamental tanto na sílaba tônica quanto pretônica. Esperamos que os resultados obtidos forneçam mais evidências para a caracterização dos diferentes falares brasileiros.

PALAVRAS‐CHAVE: Vogais médias. Sílaba pretônica. Frequência Fundamental. Dialetos.


DENOMINAÇÕES PARA ARCO-ÍRIS EM SERGIPE: UMA ANÁLISE DIATÓPICA Isabel Silva SILVEIRA (UFBA-BA) isabelssilveira@yahoo.com.br

RESUMO Neste artigo pretendemos fazer um estudo para identificação das variantes de ARCO-ÍRIS que fazem parte do repertório linguístico dos falantes de Sergipe, à luz da dialetologia, através de seu método específico, a Geolingüística. Trata-se de um estudo relevante, pois fornece uma amostra da diversidade linguística no campo semântico-lexical no estado de Sergipe; promove o reconhecimento das variantes populares produtivas entre os falantes e evidencia a importância dos atlas linguísticos para identificação de áreas dialetais do Português Popular do Brasil. Utilizando o corpus do Atlas Linguístico de Sergipe (ALS), este trabalho enfocará o campo temático TERRA, do qual selecionamos o termo ARCO-ÍRIS para fazermos uma análise semântico-lexical na perspectiva da distribuição diatópica. Trata-se da carta 03 que registra as variantes fonéticas de arco-íris e da carta 04 que traz outras designações para arco-íris. Para a realização da pesquisa seguimos os seguintes caminhos: levantamento das designações do termo ARCO-ÍRIS nas cartas 03 e 04 do ALS; consulta aos dicionários para identificação das formas dicionarizadas; e análise das variantes. Para fundamentar a nossa pesquisa tomamos como referência CARDOSO (2005; 2010; 2012); CASTILHO (2001); LEITE E CALLOU (2004); CASCUDO (1954), dentre outros. O estudo realizado permitiu identificar a partir do Atlas Linguístico de Sergipe quais são as variantes de ARCO-ÍRIS que fazem parte do repertório linguístico dos falantes das diferentes regiões do Estado. Foi possível conhecer as seguintes denominações para arco-íris: ARCO, ARCO-ÍRIS, ARCO-CELESTE, ARCODA-VELHA, ARCO-DE-VELHO, ARCO-INSELENTE, ARCO-DE-BOI, OLHO-DE-BOI. Observou-se também que o termo ARCO-ÍRIS é o mais produtivo, presente em treze dos quinze pontos de rede do estado. As formas menos produtivas são ARCO-DO-CELESTE, ARCO E OLHO DE BOI.

PALAVRAS-CHAVE: Geolinguística. Variantes populares. Distribuição diatópica. Estudo semântico-lexical. Atlas Linguístico de Sergipe.


ESTUDO SEMÂNTICO-LEXICAL: DESIGNAÇÕES PARA MARGEM DO RIO NA REGIÃO DE SERGIPE Nélio Lima de OLIVEIRA (UFBA-BA) neliolo@hotmail.com

RESUMO Este trabalho tem por objetivo estudar um aspecto semântico-lexical do Atlas Linguístico de Sergipe, que se constitui uma documentação segura e sistemática que permite estudos no campo da linguagem em seus mais diversos níveis. Nessa perspectiva, observaram-se, nessa pesquisa, as variantes linguísticas utilizadas pelos sergipanos para designar a MARGEM DO RIO. Priorizou-se, nessa pesquisa, à luz da Dialetologia, o estudo do léxico, tendo como base para os dados o Atlas de Sergipe I, sendo este relevante para mapear os diversos modos de falar dessa região do país, demonstrando assim a riqueza e a pluralidade de normas linguísticas existentes no interior do português falado no Brasil, permitindo o conhecimento da multidimensionalidade que a língua portuguesa assume nos diversos espaços físicos e socioculturais. Esta pesquisa fundamentou-se nas concepções de BIDERMAN (2001) e de ISQUERDO (1997) acerca do léxico, pois as autoras concebem o léxico de uma língua como patrimônio vocabular de uma dada comunidade linguística ao longo da sua história, funcionando assim como testemunha da realidade que circunda um grupo sócio-linguístico-cultural. Com esse estudo, pretende-se traçar um mapeamento das diversas formas de designar a MARGEM DO RIO pelos sergipanos. Observou-se que foram documentadas as seguintes variantes: beira do rio, beirada, praia, barranco, paredão, ilha, ribanseira, margem e rebentão. Quanto aos informantes do Atlas, foram escolhidos sempre dois em cada localidade: um do sexo masculino e um do sexo feminino. Na sua totalidade, analfabetos e semialfabetizados e moradores da zona rural, sendo estes agricultores e pescadores. Da metodologia dos inquéritos, constou ainda a interrogação direta, que consiste em mencionar, depois de concluída a investigação indireta, determinadas formas levantadas pelo Questionário Linguístico Experimental, toda vez que não tivessem sido obtidas as respostas às respectivas perguntas na interrogação indireta. Além disso, as características dos informantes são dadas nas notas das cartas, tais como: a idade, a profissão, estado civil, grau de instrução, viagens e domicílio fora da localidade, sendo estas informações relevantes ao revelar fatores extralinguísticos que influenciam de forma significativa nas várias designações utilizadas pelos falantes na região de Sergipe para designar a MARGEM DO RIO.

PALAVRAS-CHAVE: Variante linguística. Dialetologia. Atlas Linguístico. Análise lexical.


EU NÃO ALEMBRO MAIS DE NADA: VESTÍGIOS DO CONTATO ENTRE LÍNGUAS NO APAGAMENTO DO CLÍTICO REFLEXIVO Jurgen Alves de SOUZA (UESB-BA) professorjurgen@hotmail.com

RESUMO O apagamento do clítico reflexivo foi apontado por diversos estudos sociolinguísticos como traço típico do português popular brasileiro, mas a maioria deles não considerou o contato entre línguas ocorrido no período colonial como uma explicação provável para o surgimento dessa estratégia de reflexivização. A análise que aqui se apresenta, porém, investigou o apagamento do clítico reflexivo em quatro comunidades rurais afro-brasileiras do interior do Estado da Bahia, procurando detectar, com base nos fundamentos teóricometodológicos da Sociolinguística Variacionista e no conceito de Transmissão Linguística Irregular, uma possível contribuição do contato entre línguas para a utilização dessa estratégia de reflexivização, bem como os fatores linguísticos e extralinguísticos que condicionam a realização de tal fenômeno. Os resultados da análise mostraram a influência do contato linguístico para o apagamento do clítico reflexivo, visto que o apagamento atingiu com maior frequência os clíticos reflexivos que possuem menos valor informacional e que foi a estratégia de reflexivização predominante entre os falantes mais idosos, do sexo feminino, que não se ausentaram da comunidade e que estão mais afastados do padrão linguístico dos centros urbanos. Ainda que difira, no que tange às estratégias de reflexivização, das situações mais radicais de contato, nas quais um item lexical da língua alvo passa a desempenhar a função da partícula reflexivizadora que se perdeu no momento inicial do contato, a constatação da influência do contato linguístico no apagamento do clítico reflexivo presente na fala dessas comunidades rurais afrobrasileiras pode contribuir para que se lancem luzes sobre as ainda obscuras origens do nosso português.

PALAVRAS-CHAVE: Apagamento do clítico reflexivo. Contato entre línguas. Comunidades rurais afro-brasileiras.


GERUNDISMO: A PERÍFRASE DE MAIOR ESTIGMA SOCIAL Fernanda dos Santos ALMEIDA (UEFS-BA) nandas_email@hotmail.com

Joana Gomes dos Santos FIGUEREIDO (UEFS-BA) joanagsf@gmail.com

Josane Moreira de OLIVEIRA (Orientadora / UEFS-BA) josanemoreira@hotmail.com

RESUMO O futuro verbal sempre foi um fenômeno variável na língua portuguesa (OLIVEIRA, 2006). Neste início de século XXI convivem pelo menos cinco formas distintas de futuro: futuro simples, perífrase com ir + infinitivo, presente do indicativo, perífrase formada por estar + gerúndio e perífrase formada por ir + estar + gerúndio (ALMEIDA SANTOS, 2008), dentre elas as perífrases com gerúndio são as mais polêmicas e estigmatizadas, as quais têm causado impasses entre linguistas e têm sido alvo de críticas da mídia. Este estudo tem como objetivo abordar o gerundismo especialmente no que se refere aos contextos sociais nos quais ele se insere, a fim de compreender por que essas formas verbais de futuro são tão polemicamente estigmatizadas (ALMEIDA SANTOS, 2008; TORRES, 2009; TAFNER, 2004; BAGNO, 2006). Investiga-se, ainda, a origem do gerundismo e de seu estigma social e sua relação com o telemarketing. Além disso, neste estudo também são abordados tempo, modo e aspecto verbal das referidas perífrases gerundivas (CORÔA, 2005; COSTA, 2002; TAFNER, 2004, TORRES, 2009; POSSENTI 2008), uma vez que, tempo, modo e aspecto são categorias imprescindíveis ao estudo da estrutura dessas perífrases. A partir da análise da estrutura das perífrases gerundivas, notou-se que as várias formas de expressão de futuro não são equivalentes entre si, já que algumas podem expressar, além de tempo, aspecto e modo. Assim sendo, o falante pode optar pelo gerundismo quando não quer se comprometer, uma vez que as perífrases gerundivas indicam menor grau de certeza quanto ao futuro do que outras formas de futuro. Notou-se, ainda, que o gerundismo também pode ser selecionado a fim de expressar polidez. As discussões realizadas neste trabalho permitem afirmar que os valores atribuídos às formas linguísticas devem-se muito mais a razões sociais do que linguísticas. Nota-se, portanto, que o preconceito acerca do gerundismo pode ter origens sociais, uma vez que as classes que mais utilizam essas formas de futuro geralmente não são as mais altas.

PALAVRAS-CHAVE: Gerundismo. Estigma social. Variação linguística. Tempo, modo e aspecto verbal.


GRAMATICALIZAÇÃO E (INTER)SUBJETIVIZAÇÃO DE CONECTORES CAUSAIS Fabrício da Silva AMORIM (IFBA-BA / UNESP) fabricioamorim6@gmail.com

RESUMO O objetivo deste trabalho é investigar os padrões semântico-pragmáticos exibidos pelos conectores causais ca, porque, pois/pois que e porquanto em duas sincronias do português, a saber, os períodos arcaico e moderno, conforme periodização apresentada por Mattos e Silva (1994; 2008). O estudo pauta-se pelas seguintes hipóteses: a) os diferentes conectores causais do português, como formas resultantes de processos de gramaticalização, tendem a apresentar, diacronicamente, significados cada vez mais (inter)subjetivos; b) os diferentes níveis de (inter)subjetivização desses conectores refletem graus distintos de gramaticalização e c) há, em diferentes sincronias do português, um processo de especialização semântico-pragmática dos conectores causais, de modo que eles se especializam na marcação da causalidade objetiva ou (inter)subjetiva. Esta investigação assenta-se, portanto, na abordagem da Gramaticalização (HOPPER; TRAGOUTT, 1993; HEINE, 2003; BYBEE, 2008) e em estudos que tratam da (inter)subjetivização de formas gramaticalizadas (TRAUGOTT; KÖNIG, 1991; TRAUGOTT, 2010). As relações causais estabelecidas pelos conectores são descritas com base na proposta de Sweetser (1990), que aponta três níveis (referencial, epistêmico e conversacional) em que a relação de causalidade pode se manifestar, e na discussão apresentada por Stukker e Sanders (2011), baseada no pressuposto de que “as categorias conceptuais de ‘causalidade objetiva’ e ‘causalidade subjetiva’ têm um estatuto privilegiado na representação mental dos usuários da conexão causal” (p. 178). O corpus – que tem um total de 48.200 palavras – é constituído por textos que datam do século XIII ao XVII.

PALAVRAS-CHAVE: Conectores. Causalidade. Gramaticalização. (Inter)Subjetivização.


NÓS E A GENTE: VARIAÇÃO OU MUDANÇA? Adilma Sampaio de OLIVEIRA-VIEIRA (UESB‐BA) adilma.oliveira@hotmail.com

Cristiane NAMIUTI-TEMPONI (orientador / UESB-BA) cristianenamiuti@gmail.com

RESUMO A gramaticalização de “a gente”, assumindo características peculiares à primeira pessoa do plural “nós”, tornou-se objeto investigativo de vários pesquisadores (Omena, 1986; Duarte, 1996; Lopes, 1999) que afirmam haver um processo de mudança linguística em curso, na qual a forma inovadora tende a substituir a forma tradicional. Atuando numa vertente gerativista, Kroch (1989) afirma que a mudança se dá quando a nova forma aparece nos dados e, ao se espalhar ao longo dos anos, estabelece uma “competição” com a forma antiga, que, por sua vez, passa a se tornar agramatical. Analisando os estudos de Lopes (1996, 19998, 1999, 2004, 2006) entendemos que há ambientes linguísticos favoráveis ao uso de uma ou outra forma, o que implica numa coexistência dessas formas e não numa substituição de uma por outra. Por isso, utilizamo-nos do corpus de Fala Popular de Vitória da Conquista – BA, formado por entrevistas narrativas, com duração média de 60min., coletadas por estudantes dos cursos de Letras Vernáculas e de Letras Modernas, entre os meses de março e abril de 2007, em cumprimento às exigências da disciplina Variação e Mudança, ministrada pela Prof.ª Dr.ª Cândida Mara Brito Leite, que teve como objetivo primordial formar um banco de dados que contribuísse para as futuras investigações linguísticas do GPEL – Grupo de Pesquisa em Estudos Linguísticos – da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB. O nosso banco de dados abarca 12 informantes, 6 do sexo masculino e 6 do sexo feminino, subdivididos em 3 faixas etárias, totalizando 818 amostras de nós/a gente. Verificamos uma incidência muito grande do uso de “nós” concordando com a 3ª pessoa do singular (P3), o que nos faz pressupor que haja uma tendência entre os falantes do português Brasileiro (PB) de não marcar redundantemente a concordância de número. Entendemos, então, que há uma variação estável entre as duas formas (nós/a gente), não implicando em uma mudança, uma vez que essas formas coexistem numa mesma gramática, não havendo, nos termos de kroch (1994) uma “competição de gramáticas”.

PALAVRA‐CHAVE: Nós. A gente. Variação. Linguística. Gerativismo.


O QUE REVELAM AS CARTAS 90 DO APFB E 97 DO ALS SOBRE OS “FALARES BAIANOS” Lidiane Ferreira SILVA (UFBA-BA) lidiane.fsilva@yahoo.com.br

RESUMO Este trabalho analisa, a partir da carta 90 do Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB) e da carta 97 do Atlas Linguístico de Sergipe (ALS), a variação no léxico da Bahia e de Sergipe, além de identificar/comprovar o limite do “falar baiano” proposto por Antenor Nascentes (1953) nas cartas selecionadas. O objetivo traçado para este estudo é o de contribuir para a sistematização da realidade linguística do português do Brasil, bem como mostrar o “falar baiano” na divisão de Nascentes (1953) através das cartas 90 do APFB e 97 do ALS. Serão utilizados os pressupostos teórico-metodológicos da Geolinguística, explorando-se, sobretudo, a dimensão diatópica das cartas citadas para a realização deste estudo. A carta 90 do APFB documenta a ocorrência para ‘cisco que cai nos olhos’ as designações cisco e argueiro distribuídas em 48 localidades, pois não há resposta nos pontos três e cinco, sendo, porém documentado em doze pontos cisco e argueiro, em onze, somente a lexia argueiro, e em vinte e cinco a designação cisco. Nas 15 localidades inquiridas do ALS, as designações cartografadas foram, assim como no APFB, cisco e argueiro, sendo que em seis pontos têm-se as realizações cisco e argueiro, oito respostas argueiro e uma única para cisco que se encontra no ponto 51. Assim, a hipótese que se levanta, a partir dessas cartas e dos dados analisados nelas, é que há um limite do ‘falar baiano’ que compreende as áreas de Bahia e Sergipe - além do norte de Minas Gerais e leste de Goiás - apesar de existir isoglossas de menor amplitude ao lado das de maior amplitude, pois a resposta cisco é característica desse falar, visto que a encontramos predominantemente na carta 90 do APFB e na carta 97 do ALS. Podemos, então, fazer as seguintes constatações: 1) Há variantes lexicais coincidentes na Bahia e em Sergipe; 2) A designação mais representativa para ‘cisco que cai nos olhos’ – cisco - está presente em quase todo o território baiano e sul de Sergipe; 3) Os dados das cartas 90 do APFB e 97 do ALS se configuram como áreas do falar baiano.

PALAVRAS-CHAVE: Cartas Linguísticas. APFB. ALS. Falares Baianos.


PROCESSO DE GRAMATICALIZAÇÃO: UM ESTUDO DO ITEM “AFF” Jakeline ABADE (PPGLING / UESB-BA) jjabade23@gmail.com

Taise MOITINHO taisemoitinho@hotmail.com

Tássia COELHO (PPGLIN / UESB-BA) tassia_1989@hotmail.com

Valéria Viana SOUSA (orientadora / UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO Este estudo propôs uma análise do item aff, o qual passou por vários processos desde a sua origem até chegar às formas, sentidos e funções que desempenha atualmente na língua. Nesse sentido, foi interessante fazer um itinerário para conferir tais processos de mudança, a fim de entender essas formas, significados e papeis assumidos pelo item em questão. Na internet de modo geral e, mais especificamente, em redes sociais não há, geralmente, preocupação com a escrita formal. A linguagem usada nesse tipo de veículo comunicativo é a que mais se aproxima da oralidade, por isso optou-se por extrair de redes sociais as ocorrências do item aff. Os dados foram analisados à luz dos princípios de Hopper (1991), essenciais para a realização de estudos em Gramaticalização. Hopper & Traugott (1993) apontam a diversidade de sentido do termo gramaticalização, enfatizando que o fenômeno pode ser estudado dentro de uma perspectiva histórica, na qual, em geral, há a preferência pelo termo gramaticalização ou, numa perspectiva sincrônica, na qual o termo gramaticização é o preferido. A gramaticalização é, em linhas gerais, o processo pelo qual, em determinados contextos, itens lexicais assumem funções gramaticais e, uma vez gramaticalizados, continuam a assumir novas funções. Conforme Hopper (1991), são cinco os princípios que sustentam tal processo: estratificação, divergência, especialização, persistência e decategorização. Foi possível constatar, por meio da análise do item na presente pesquisa, que ,no aff , houve uma grande variação de formas, tanto morfo-fonológica quanto semântica, e concluiu-se, no corpus analisado, que, atualmente, essa expressão, derivada da expressão religiosa Ave Maria, comportase na língua como uma interjeição, nos mais variados contextos, seja para enfatizar algo positivo ou negativo.

PALAVRAS-CHAVE: Ave-maria. Aff. Gramaticalização. Multiplicidade de sentido.


PROCESSO DE PERDA DE FLEXÃO NO PARADIGMA VERBAL Ana Paula Santana de Oliveira (PET-Letras / UFBA-BA) paula.oliveira-25@live.com

Edivalda Alves Araújo (PROHPOR / UFBA-BA) edivalda.araujo@gmail.com

RESUMO As línguas são dinâmicas, por isso sua estrutura pode alterar-se através do tempo (cf. KROCH, 2003). Essa alteração, entretanto, não faz com que a organização sistêmica se perca, visto que a estruturação permanece plena para o falante, sendo percebida somente em casos excepcionais, pois estas mudanças se dão de forma lenta, podendo atingir todas as áreas da língua ou apenas uma delas, fonologia, morfologia, sintaxe e/ou semântica. Partindo dessa ideia de mudança, estabelece-se como objeto de estudo: O levantamento das locuções verbais na língua portuguesa, analisando as suas formas de ocorrências em um texto de teatro do século XX: Uma Guerra que não Acabou, do Bando de Teatro Olodum. Alguns autores têm mostrado o processo de perda de flexão no paradigma verbal do português brasileiro. Supõe-se que o uso frequente das locuções esteja relacionado a essa perda, principalmente em alguns tempos verbais como o futuro, por exemplo. Para o desenvolvimento deste trabalho, está-se tomando como base teórica (até o presente momento) o que dizem os autores Bechara (1999), Coelho (2006), Costa (1990), Cunha e Cintra (1985), Mira Mateus (2003), Neves (2000) e Perini (2008). A partir das bases teóricas citadas anteriormente, foram encontradas até agora os seguintes tipos de locução relacionada ao tempo: i) futuro do presente: Já vai correr atrás dele, é? ; Hoje vai ter mocotó, dona Esmeralda? ; ii) futuro do pretérito: Quando pai e mãe morreu, você não disse que a gente ia ficar junto?; Se fosse ter greve, meu irmão ia deixar eu vir pra escola?. Este trabalho, ainda em fase inicial, faz parte do grupo e pesquisa Estudos de Sintaxe Histórica do Português, do PROHPOR, coordenado pela Profª Drª Edivalda Araújo.

PALAVRAS-CHAVE: Variação. Mudança. Flexão verbal.


SURO, SURU E SURUCO: UM ESTUDO DA VARIAÇÃO SEMÂNTICOLEXICAL DO ANIMAL SEM RABO EM SERGIPE Thamiris Santana COELHO (Fapesb / UFBA-BA) thamirisdaniel@gmail.com

RESUMO Este trabalho analisa de forma sistemática a carta linguística 115 do Atlas de Sergipe I (FERREIRA et al., 1987) que contém as designações para animal sem rabo. Como pressuposto teórico-metodológico, utiliza-se a Dialetologia, vertente da Linguística que “tem por tarefa identificar, descrever e situar os diferentes usos em que uma língua se diversifica, conforme a sua distribuição espacial, sociocultural e cronológica” (CARDOSO, 2010, p. 25). Levando em consideração não somente a diversidade da língua enquanto unidade sistêmica em si, mas também entendendo-a como um fato social e que é a cultura do povo que a fala, a Dialetologia abrange a perspectiva diatópica – variação espacial – e os veios sociolinguísticos. E, para dar enfoque aos estudos dialetais, encontra-se a Geolinguística ou Geografia Linguística, método da Dialetologia que estabelece os limites linguísticos traçando linhas imaginárias que separam as áreas linguisticamente diferenciadas ou unindo pontos com características idênticas. A Geolinguística possui como reflexo maior de seus estudos a elaboração de altas linguísticos que documentam a história da língua, oferecem documentação para pesquisas variacionistas, para a política de ensino servindo de orientação para mostrar como uma língua é falada em diferentes regiões, reafirmando e indicando as mudanças de natureza linguística, além de poder trazer informações de cunho extralinguístico. O Brasil possui atlas de cinco regiões: Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB); Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais (EALMG); Atlas Linguístico da Paraíba (ALPB); Atlas Linguístico de Sergipe (ALS); Atlas Linguístico do Paraná (ALPR). Através dos dados do ALS I sobre a designação para animal sem rabo foi verificada a ocorrência principal de três variantes: suru, suro e suruco, sendo suruco a forma mais recorrente. Observou-se a dicionarização das variantes em questão e a mais utilizada pelos informantes, suruco, foi encontrada apenas em um dos cinco dicionários pesquisados, o que evidencia a necessidade de um diálogo maior entre os estudos dialetológicos e os dicionaristas para que variantes populares mais recorrentes possam compor o leque de vocábulos dos dicionários.

PALAVRAS-CHAVE: Variação. Geolinguística. Animal sem rabo. Atlas Linguístico de Sergipe.


VARIAÇÃO E MUDANÇA LÍNGUÍSTICA: ABORDAGEM A PARTIR DO LIVRO DIDÁTICO Elenita Alves BARBOSA – (PROFLETRAS / UESB-BA) nitajord@hotmail.com Jorge Augusto Alves da SILVA-(co-orientador / UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com Valéria Viana SOUZA-(orientadora / UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO Esta pesquisa tem como objetivo analisar como o tema variação e mudança linguística é apresentado no livro didático de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II. É sabido que variedades linguísticas são facilmente encontradas nos grupos de gerações diferentes, regiões diferentes, posições sociais diferentes e, ainda, a depender do meio e veículo, consoante Ilari e Basso (2006). Apesar de a escola permanecer vigilante quanto ao uso da linguagem padrão, percebe-se que a variação linguística constitui uma significativa marca dos falantes. Dessa forma, a escola não pode deixar passar despercebida a contribuição que a sociolinguística oferece para a educação, seja através da compreensão da heterogeneidade linguística, seja através do reconhecimento e respeito pela diversidade, ações que favorecem o ensino da língua. Pensando nessas variedades, é que se buscou fazer esta pesquisa de análise da abordagem da variedade e mudança linguística no livro didático, a partir da coleção "Português", projeto "Teláris", das autoras Ana Trinconi Borgatto, Terezinha Bertin e Vera Marchezi, publicada pela Editora Ática, em 2012. É válido ressaltar que, com relação à formação e à qualificação, as autoras são licenciadas em Letras, sendo que duas têm Mestrado em Letras e uma em Ciências da Comunicação; uma é graduada em Pedagogia e todas são professoras universitárias e professoras de Língua Portuguesa dos Ensinos Fundamental e Médio. De posse da coleção, realizou-se a seleção e leitura dos capítulos que trazem o tema em questão, observando o modo de abordagem dos livros no ensino do 6º ao 9º ano de Língua Portuguesa. Sustentamos esta pesquisa em Antunes (2007), Bortoni-Ricardo (2004;2005), Bagno (2001,2002,2007), Ilari e Basso (2006).

PALAVRAS-CHAVE: Variação. Mudança. Livro Didático. Sociolinguística.


VARIAÇÃO LÉXICO-SEMÂNTICA ENTRE BAHIA E PARANÁ – ACIDENTES GEOGRÁFICOS E FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS NOS DADOS DO ATLAS LINGUÍSTICO DO BRASIL (ALIB) Genivaldo da Conceição Oliveira (UFRB-BA) valdooli@yahoo.com.br

RESUMO A variação dialetal do português no território brasileiro oferece um léxico significativo que é exibido de maneira relativamente homogênea dentro da heterogeneidade das mais diversas regiões do Brasil. Desde Antenor Nascentes até os estudos dialetológicos atuais, as definições e delimitações de áreas dialetais no Brasil se apresentam como um trabalho inconcluso que necessita de pesquisas que almejem o aprimoramento ou checagem de tais áreas. Nesse sentido, a elaboração de um atlas linguístico do Brasil, desejo adormecido por quase meio século, retoma sua força e produz frutos a partir do Seminário Caminhos e Perspectivas para a Geolinguística no Brasil realizado na Universidade Federal da Bahia, em 1996. O Projeto Atlas Linguístico do Brasil (Projeto ALiB) analisa 250 pontos que constituem sua rede de localidades que reúne 1.100 informantes e valese da metodologia de estudos geolinguísticos pluridimensionais que analisam diferentes níveis de abordagem da língua, mediante a aplicação de questionários lingüísticos que focalizam os seguintes aspectos: 1) fonético-fonológico (QFF); 2) semântico-lexical (QSL); 3) morfossintático (QMS). Questões de pragmática e de cunho metalingüístico, bem como discurso semidirigido e texto para a leitura completam os instrumentos metodológicos utilizados. Este estudo tem como corpus um extrato dos dados do Projeto ALiB, relativo aos estados da Bahia e do Paraná, constituído das perguntas 1 à 3 referentes à área semântica acidentes geográficos e das perguntas 1 à 3 referentes à área semântica fenômenos atmosféricos do QSL. Para a análise, damos ênfase ao aspecto diatópico, contudo recorremos, de maneira periférica, a análise de outras variáveis como a diastrática, diagenérica e diageracional. Esperamos, com o estudo comparativo entre os dados dos dois estados, (i) mostrar as coincidências entre as duas áreas, (ii) apontar as divergências e, assim, caracterizar cada uma das áreas quanto às suas especificidades de uso e (iii) fornecer elementos que venham a contribuir para os estudos lexicológicos e lexicográficos e fornecer aos dicionários da língua portuguesa novos itens lexicais que venham a ampliar a sua informação.

PALAVRAS-CHAVE: Léxico. Variação. Geolinguística.


VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E O ENSINO/APRENDIZAGEM DE LÍNGUA MATERNA Rosana Maria Carneiro RIOS (UEFS-BA) rosanamariarios@hotmail.com

Carla Luzia Carneiro BORGES (orientadora / UEFS-BA) carlaluziacb@gmail.com

RESUMO Durante muito tempo, o ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa, no Brasil, esteve preso a um modelo tradicionalista de ensino de língua, aquele pautado unicamente em padrões gramaticais (regras e nomenclaturas), em que havia, apenas, uma mera reprodução de fórmulas tradicionais e repetitivas, sem levar em consideração as realizações linguísticas dos alunos, e, postulando como correto apenas um único padrão de língua em que todo e qualquer desvio àquela norma dita “de prestígio” era estigmatizada como erro ou empobrecimento linguístico. Porém, nas últimas décadas, devido especialmente, aos avanços dos estudos destinados à linguagem, esse quadro começou a inverter-se; muitos professores começaram a perceber a necessidade de aliar o ensino a questões sociolinguísticas, observando que a realidade linguística do Brasil – de seus alunos em nosso caso específico – tornou-se bem diferente daquele padrão proposto pela gramática normativa, a partir do exposto é que procuramos neste trabalho, fundamentados em pressupostos sociolinguísticos, observar e analisar como está sendo efetuado o processo de ensino/aprendizagem de língua materna em relação à variação linguística, e, se os professores de Língua Portuguesa têm levado em consideração essa diversidade do corpo escolar e como eles, de fato, lidam com a variação linguística. Como também se procura discutir sobre nossas gramáticas normativas e como elas estão sendo usadas no ensino da língua portuguesa. O embasamento teórico a ser utilizado para a pesquisa vem dos trabalhos desenvolvidos por Magda Soares (1996), Marcos Bagno (2001), Evanildo Bechara (1997), Dino Preti (1977), Mattos e Silva (2004), Monteiro (2000), Illari e Basso (2006), dentre outros, que estudam a língua e as inferências de fatores sócio-históricos e culturais.

PALAVRAS-CHAVE: Variação linguística. Língua Portuguesa. Ensino.


SIMPÓSIOS


ESTUDOS DA FALA: ANÁLISES SÓCIO-HISTÓRICAS E FUNCIONALISTAS DO PORTUGUÊS POPULAR DE VITÓRIA DA CONQUISTA – PPVC COORDENADORA Maria Aparecida de Souza GUIMARÃES Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB maparecidaguimaraes@yahoo.com.br

OBJETIVO Apresentamos os resultados de pesquisas variacionistas e sócio-funcionalista da fala espontânea no português popular de Vitória da Conquista. As abordagens tomam como objeto o corpus do PPVC, constituído com auxilio do Grupo de Pesquisa em Linguística Histórica e Sociofuncionalismo Janus/UESB, e buscam, a partir da análise empírica dos dados, contribuir como as pesquisas sobre os processos de variação e mudança presentes na diversidade linguística do Português Brasileiro.


A VARIAÇÃO DO /S/ EM POSIÇÃO DE TRAVA SILÁBICA E O PROCESSO DE DEBUCALIZAÇÃO NO DIALETO DE VITÓRIA DA CONQUISTA-BA

José Júnior Dias da SILVA (IFBA-BA e UESB-BA) josejrifba@gmail.com

Consuelo de Paiva Godinho COSTA (UESB-BA) consuelopaiva@gmail.com

RESUMO O presente trabalho pretende mapear e explicar a realização do arquifonema fricativo /S/ em posição de coda silábica, em Vitória da Conquista-BA, levando-se em consideração realização larín debucalizado, uma vez que a debucalização é um processo fonético/fonológico que ocorre porque um determinado segmento deixa de ser produzido na cavidade oral e passa a ser realizado somente na região laríngea. Apesar de pesquisadores, como Hora e Pedrosa (2009), apontarem que esse segmento aparece de maneira tímida em algumas capitais brasileiras na posição de trava silábica, não se pode perder de vista que ele concorre a um mesmo ambiente que as outras variantes. Sendo assim, o trabalho tenta explicar não a origem deste fone, mas as causas que possibilitam a sua ocorrência, isto é, as motivações de ordem linguística e as motivações sociais responsáveis pela sua (baixa) realização. O corpus usado para análise constitui-se de gravações e transcrições do Português Popular de Vitória da Conquista - BA, realizadas pelo Grupo de Pesquisa em Linguística Histórica e pelo Grupo de Pesquisa em Sociofuncionalismo – CNPq, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Os dados, depois de quantificados, serão analisados com base em questões de cunho intrassistêmico – postulados estruturalistas, funcionalistas e da Fonologia não linear – e também de natureza extrassistêmica – sobretudo, questões diastráticas – para explicar o processo de variação dessa fricativa. Serão levados em conta os condicionamentos linguísticos, tais como estrutura silábica, natureza do núcleo silábico, tonicidade, ponto e modo de articulação da consoante seguinte etc., além de fatores extralinguísticos (faixa etária, grau de escolaridade etc.) propícios para o processo de variação.

PALAVRAS-CHAVE: Variação. Fonética. Fonologia. Sociolinguística. Debucalização.


A VARIAÇÃO ENTRE O USO DO MODO SUBJUNTIVO E DO MODO INDICATIVO: UM ESTUDO DO PORTUGUÊS POPULAR DA COMUNIDADE DE VITÓRIA DA CONQUISTA

Vania Raquel Santos AMORIM (UESB-BA) quelva@hotmail.com

Valéria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com

RESUMO: Este trabalho intenciona investigar, sob à luz do Sociofuncionalismo, a alternância do uso dos modos subjuntivo e indicativo em orações completivas, relativas e adverbiais. Buscase compreender as razões que conduzem o emprego do modo indicativo em contextos em que a gramática preconiza a utilização do modo subjuntivo. Baseia-se nos teóricos Neves (1994, 1997); Labov, Weinreich & Herzog (2006); Cunha (2011) e outros. Utiliza-se para essa análise, dados do corpus do português popular de Vitória da Conquista. Levase em conta fatores de ordem estrutural e social, considerando, sobretudo, a relevância da teoria (Socio)funcionalista)

PALAVRAS-CHAVE: Funcionalismo. Sociolinguística. Sociofuncionalismo. Subjuntivo. Indicativo.


ANÁLISE DA MARCAÇÃO DE PLURAL NO SINTAGMA NOMINAL NO CORPUS DO PORTUGUÊS POPULAR DA COMUNIDADE DE VITÓRIA DA CONQUISTA

Gilberto Almeida MEIRA (UESB-BA) beto.dan@ig.com.br

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com

Valéria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO O presente estudo tem por objetivo discutir a marcação de plural no sintagma nominal no corpus do português popular da comunidade de Vitória da Conquista. Para tanto, propõese a analisar o vernáculo de quatro informantes, estratificando a amostra segundo três fatores sociais: escolarização, sexo e faixa etária. Toma por base pesquisas realizadas na área, sobretudo, pela professora Maria Marta Scherre, as quais tem revelado que a ocorrência do plural no sintagma nominal parece seguir uma das tendências naturais da língua, a saber: a retenção do segmento fônico /s/ apenas na posição de determinante, subvertendo assim a ordem canônica e redundante da marcação normativa de plural ao longo do sintagma. Fatores extralinguísticos, como escolarização insuficiente ou inexistente, são apontados como possíveis causas da manifestação do fenômeno. Além disso, discute-se também se a posição linear do constituinte frasal mínimo, composto por um núcleo substantivo obrigatório, modificado por determinantes e adjetivos, favoreceria a variação ou não seria suficiente para explicar o fenômeno. Tal discussão é motivada, sobretudo, pela necessidade de se compreender com mais profundidade até que ponto as características morfossintáticas do português popular seriam heranças românicas e portuguesas arcaicas e clássicas ou o resultado de modificações mais recentes oriundas das línguas africanas ou das línguas dos povos ameríndios. Este estudo se constitui também de uma revisão teórica acerca do tema proposto, com base nos postulados da sociolinguística variacionista de William Labov, tendo em vista não só refletir a respeito de mais um dos inúmeros fenômenos sociolinguísticos presentes no português popular, mas, sobretudo, fomentar um olhar muito mais científico relativo ao vernáculo a fim de superar a visão estigmatizada que ainda impera em relação àquelas variedades linguísticas de menor prestígio social. PALAVRAS-CHAVE: Marcação de plural. Sintagma Nominal. Variação. Fatores Extralinguísticos.


ESTUDOS DA LINGUAGEM: ANÁLISE DA CONCORDÂNCIA VERBAL EM P6 NO CORPUS DO PPUVC: PORTUGUÊS POPULAR URBANO DE VITÓRIA DA CONQUISTA-BA

Danilo da Silva SANTOS (UESB-BA / UNEB-BA) danilo.cte@hotmail.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com

Valéria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO Esta pesquisa aprecia empiricamente a variação linguística no uso da concordância verbal (CV) na terceira pessoa do plural ou P6, buscando aferir, pela observação do desempenho linguístico de falantes do português popular urbano de Vitória da Conquista BA, se a aplicação da regra de concordância entre sujeito e verbo constitui um fenômeno de variação estável ou mudança em curso no sentido da aquisição à regra. Tomando o corpus do PPVC - Português Popular de Vitória da Conquista constituído pelo Grupo de Pesquisa em Linguística Histórica e Sociofuncionalismo (UESB), foram analisados alguns grupos de variáveis linguísticas e sociais objetivando mensurar quais fatores estariam condicionando o índice de 17,2% de aplicação da CV em P6 pelos indivíduos desta comunidade. Seguindo o modelo teórico da Sociolinguística Variacionista, a apreciação dos dados revelou o processo de aquisição de marcas de uma gramática de prestígio, demonstrando um caminho em direção à aquisição de marcas de concordância na terceira pessoal do plural ou P6, delineando as estruturas condicionantes e favorecedores de tal processo de aquisição de marcas, bem como a importância da saliência fônica e do princípio da coesão estrutural, fornecendo dados sobre a concordância verbal em P6 no português popular do Brasil que contribuirão para posteriores estudos sociolinguísticos.

PALAVRAS-CHAVE: Sociolinguística. Português Concordância Verbal. Vitória da Conquista.

popular.

Variação.

Mudança.


GRAMATICALIZAÇÃO: O VERBO “DAR” EM ANÁLISE Luana Carvalho COELHO (UESB-BA) luanacoelho90@hotmail.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com

Valéria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO A língua falada como objeto social é passível a mudanças, inovações surgem constantemente e novos conceitos, significados vão se formando. Dentro desse processo de mudança linguística, nota-se que os fenômenos da linguagem são muito mais complexos que regras estabelecidas, podendo fugir ao preconizado pela norma padrão para atender as necessidades comunicativas dos seus falantes. Presente nessa renovação da língua, os verbos são os principais elementos para a construção do sistema linguístico. O verbo dar, a rigor, tem sido apresentado pela tradição gramatical da língua portuguesa como responsável por atribuir papel temático aos argumentos, visto apenas com valor semântico básico de transferência. No entanto, observando o seu uso na língua, em diversos contextos de fala, é possível verificar a descentralidade do verbo dar levando ao surgimento de novas categorias gramaticais às quais este verbo se relaciona e, assim, a sua polifuncionalidade. A partir dessa perspectiva, tenciona-se com esse estudo refletir sobre a natureza polissêmica do verbo dar no português brasileiro à luz da teoria funcionalista a fim de investigar as alterações sofridas por esse verbo. Para análise dos dados, selecionamos cinco entrevistas extraídas do corpus do Português Popular de Vitória da Conquista (PPVC), localizamos as ocorrências que continham esse verbo e realizamos a categorização em: verbo suporte, verbo não pleno, noção de causa e em casos em que o sujeito sofre a ação em vez de provocá-la. Com relação ao fenômeno de gramaticalização, a pesquisa objetiva ainda averiguar as características que afastam esse item da categoria lexical e o aproximam do caráter gramatical. Para isso, historiamos suas origens e os sentidos que acumulou desde sua base histórica. Nesse estudo, constatamos que o processo de gramaticalização é o responsável pela capacidade categorial desse verbo e, além disso, percebemos a potencialidade polissêmica do dar e o comportamento sintático e semântico que esse verbo vem assumindo na língua em uso.

PALAVRAS-CHAVE: Gramaticalização.

Mudança

linguística.

Polifuncionalidade.

Verbo

dar.


ITEM LINGUÍSTICO AGORA: REFLEXÕES E FUNCIONAMENTO

Andréia Prado LIMA (UESB-BA) andreiaa-limma@hotmail.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com

Valeria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO O presente trabalho tem por objetivo analisar, sob a luz da Teoria Funcionalista, o processo de Gramaticalização do item agora que, na Tradição Gramatical, é comumente classificado como um advérbio de tempo presente e, numa abordagem sincrônica, observa-se, no entanto, que tal item pode ser encontrado ocupando um nível mais alto de abstração entre os falantes. Nesta perspectiva, foram selecionados e categorizados os padrões funcionais do agora, encontrados nos enunciados do Corpus de Português Popular de Vitória da Conquista – BA do Grupo de Pesquisa em Linguística Histórica e do Grupo de Pesquisa em Sociofuncionalismo – CNPq. Neste trabalho, inicialmente, apresentamos uma sucinta abordagem sobre o Funcionalismo cujo propósito principal é observar a língua do ponto de vista do uso. Descreveremos o processo de Gramaticalização, a partir dos postulados de Hopper (1991), Gonçalves (2007) apud Neves (2001), que demonstram como um item A, ocupando a classe dos advérbios, pode migrar para uma condição B, funcionando como um conector, demonstramos que tal processo vem ocorrendo com o item linguístico agora trazendo a história desse item e como ele é exposto em compêndios gramaticais e em dicionários etimológicos do português. Em seguida, observamos como esse item linguístico é tratado em trabalhos recentes especialmente em Rodrigues (2009), Duque (2009) e Philippsen (2011), finalmente, as ocorrências do item foram selecionadas, analisadas e categorizadas no corpus supracitado, demonstrando que o item agora transita por classes além do advérbio. Dialogando com Neves (2007), verificamos ainda que este item linguístico parte do mais concreto – advérbio de tempo – para, depois de sofrer o processo de Gramaticalização, referindo-nos ao arranjo linear ESPAÇO > TEMPO > TEXTO, ser encontrado, em funcionamento na língua em uso tal como uma conjunção e introdutor discursivo, além de ter o seu espectro temporal ampliado, ocupando um nível de abstração mais alto.

PALAVRAS-CHAVE: Funcionalismo; Gramaticalização; agora.


SINTAGMA NOMINAL DE NÚMERO EM VITÓRIA DA CONQUISTA: ALGUMAS EVIDÊNIAS Maria Aparecida de Souza GUIMARÃES (UESB-BA / UNEB-BA) maparecidaguimaraes@yahoo.com.br

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com

Valéria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO Esse artigo discute a importância da compreensão de fatores sociais e históricos na construção do vernáculo da Comunidade de fala de Vitória da Conquista. Além disso, detém na construção da história de alguns bairros populares e, consequentemente, na configuração de fenômenos linguísticos relacionados à construção dos valores citadinos constituídos no interior dessa comunidade. Com vistas aos aspectos da migração, de acordo com pesquisas do demógrafo, professor e pesquisador do Núcleo de Estudos de População, José Marcos Pinto da Cunha (2012), na história demográfica do Brasil, a migração sempre esteve presente em todas as fases do processo de desenvolvimento econômico/social e ocupação territorial no país em suas modalidades mais adversas (CUNHA, 2012, p. 30). E, no intuito de tecermos considerações preliminares sobre a concordância nominal de número no sintagma nominal em Vitória da Conquista, foram selecionadas entrevistas com seis informantes não escolarizados ou com escolarização precária que apresentam o seguinte perfil: moradores de Vitória da Conquista, migrantes, conquistenses filhos de conquistenses ou conquistenses filhos de migrantes que viveram maior parte de sua vida na comunidade de fala. Para se estudar o fenômeno da variação na concordância no sintagma nominal é possível realizá-lo tendo em vista a análise mórfica e a sintagmático. Vale dizer que assumiremos àquela a esta. Assumimos com Lopes (2001) argumento sobre hipótese acerca da variação da concordância. Para a pesquisadora, em questão, a hipótese de que a variação da concordância no sintagma nominal do português brasileiro tem como explicação o tipo de aquisição da língua portuguesa pelos negros e pelos índios, no processo de colonização, no Brasil, faz surgir, [...], a necessidade de se fazer um estudo sobre a aquisição (LOPES, 2001, p. 91). Assim, justificamos a discussão do fenômeno linguístico da concordância em Vitória da Conquista pelo viés do Português Popular do Brasil, considerando-o vernáculo daqueles que compõem a base da pirâmide brasileira.

PALAVRAS-CHAVE: Comunidade de fala, Sociolinguística, sintagma nominal.


ESTUDOS SOCIOFUNCIONALISTAS NO CORPUS PORTUGUÊS POPULAR DE VITÓRIA DA CONQUISTA - PPVC

COORDENADORA Lorenna Oliveira dos Santos Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB loreoliveira@live.com

OBJETIVO Através da observação do corpus o português popular de Vitória da Conquista – Corpus PPVC, que se pauta na fala espontânea de informantes com no máximo cinco anos de escolaridade, temos o propósito de apresentar pesquisas de natureza sociofuncionalista que estão sendo desenvolvidas no Grupo de Pesquisa em Linguística Histórica e em Sociofuncionalismo.


A GRAMATICALIZAÇÃO DO ITEM LINGUÍSTICO “NI” COMO VARIANTE DA PREPOSIÇÃO “EM” Evangeline Ferraz Cabral de ARAÚJO (UESB-BA) evangelinecabral@hotmail.com

Valéria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com

RESUMO Levando-se em consideração a divergência existente entre norma culta e norma popular, as línguas são, a rigor, classificadas e, consequentemente, valorizadas de acordo com as camadas mais prestigiadas existentes na sociedade. Assim, itens linguísticos como o “ni”, variação da preposição “em”, são associados como pertencentes à classe menos escolarizada de uma dada comunidade. (PAES, 2013). Nessa perspectiva, esta pesquisa, por meio de estudos sobre a origem do item linguístico “ni” e da preposição “em” em dicionários etimológicos; de observações de como a preposição “em” é apresentada em gramáticas prescritivas e descritivas e de discussão sobre o processo de gramaticalização do item “ni”, pretende observar se, ao usar o item “ni”, os falantes do Português Popular da comunidade de Vitória da Conquista também fazem uso dessa variação de forma semelhante a quando utilizam a preposição “em”, em referência ao espaço (Estou em Conquista.), ao tempo (Estou em 2013.) e ao texto/processo (Estou em recuperação póscirúrgica.). Para a realização da presente pesquisa, utilizou-se o corpus do Português Popular de Vitória da Conquista (Corpus PPVC), constituído por entrevistas realizadas com falantes do Português Popular de Vitória da Conquista, e a fundamentação teórica apoiada nas referências Cunha e Cintra (1985), Rocha Lima (1998), Bechara (2006), Perini (2010), Castilho (2010), Neves (2000) e Paes (2013). Como procedimento metodológico, serão feitas as análises de quatro entrevistas, pertencentes ao corpus, sendo que serão escolhidos dois informantes homens (faixa etária 1 e faixa etária 3), e duas informantes mulheres (faixa etária 1 e faixa etária 3). Assim, nesta análise inicial, pretende-se responder a algumas questões na amostra analisada: i) o uso da preposição “ni” corresponde ao uso da preposição “em”; ii)em qual gênero/sexo e em qual faixa etária o item linguístico “ni” aparece com maior frequência; e iii) qual é a forma da preposição “em” ou “ni” mais utilizada na amostra em análise. PALAVRAS-CHAVE: Gramaticalização. Preposição “em”. Variante “ni”.


ESTUDOS PRELIMINARES SOBRE A REPETIÇÃO NA ORALIDADE E SEUS ASPECTOS FUNCIONAIS: A ORGANIZAÇÃO TÓPICA E A ARGUMENTATIVIDADE

Lorenna Oliveira dos SANTOS (UESB-BA) loreoliveira@live.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com

Valéria Viana Sousa (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO A oralidade tem um caráter pragmático, fazendo com que aconteça a cooperação imediata entre os interlocutores, em uma perspectiva face a face, através de recursos de natureza linguística e, também, de natureza paralinguística com o objetivo de facilitar a interação entre os envolvidos no evento de fala. Como exemplos de recursos próprios desse tipo texto, o texto oral, temos: as correções, hesitações, inserções, repetições e paráfrases. Um desses recursos, frequentemente utilizado pelos falantes na oralidade, será o nosso objeto de estudo neste trabalho: a repetição. A repetição, segundo Marcuschi (2006), é responsável por contribuir com a organização do discurso e com o monitoramento da coerência textual, além, de favorecer a continuidade da organização tópica e as atividades interativas. Nesse sentido, objetivamos verificar de que forma os falantes do português popular de Vitória da Conquista utilizam o recurso da repetição em suas falas e qual é a importância dessa utilização. Com esse propósito, a priori, traçamos uma discussão sobre esse tema, ancorados em Koch (2006) e Neves (2009), abordamos as duas modalidades da língua, a fala e a escrita, para, em seguida, priorizarmos as realizações faladas, ressaltando as características da repetição na oralidade. A posteriori, com base nos estudos de Marcuschi (2006), demonstramos a importância da repetição, no auxílio que ela fornece na comunicação entre os interlocutores e na formulação do texto discursivo. Para expressar tal importância, categorizamos e explicamos os aspectos funcionais da repetição, utilizando exemplos de elementos lexicais, sintagmáticos e oracionais retirados do Corpus do Português Popular da Comunidade de Vitória da Conquista (cidade situada no sudoeste da Bahia). Os aspectos que ora focalizamos, no estudo desse tema, foram o da organização tópica – que é responsável pelas funções textual-interativas da repetição que são utilizadas para introduzir, reintroduzir, manter ou delimitar tópicos – e o da argumentatividade – responsável pela condução da argumentação em um discurso –. Dentro desses fatores, estudamos outras subfunções, como: a introdução de tópico, a reintrodução de tópico, a reintrodução de tópico, a condução e manutenção de tópico – na organização tópica; e a reafirmação, o contraste e a contestação de argumentos – na argumentatividade.

PALAVRAS-CHAVE: Repetição. Oralidade. Português popular. Organização tópica. Argumentatividade.


ESTUDOS PRELIMINARES SOCIOFUNCIONALISTAS INVESTIGANDO A GRAMATICALIZAÇÃO DO PRONOME VOCÊ NO CORPUS DO PORTUGUÊS POPULAR URBANO DE VITÓRIA DA CONQUISTA Warley José Campos ROCHA (UESB-BA) warleycampos@live.com

Valéria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com

RESUMO Na teoria funcionalista, há a compreensão de que a gramática constitua uma estrutura maleável e, assim, que a gramática de uma língua possa ser classificada como gramática emergente que está à mercê de um complexo de necessidade discursivo-pragmático (HOPPER, 1987). Dessa forma, a depender do sentido que o falante queira produzir, em busca de uma maior expressividade, ele utiliza uma forma gramatical já existente no sistema linguístico e atribui a essa forma um sentido novo. Nesta perspectiva, Sousa (2008) afirma que o pronome você é empregado na interlocução com outros valores além da referência à segunda pessoa, função P2, canonicamente reconhecida pela tradição gramatical. Para a pesquisadora, em excertos de fala, o uso desse pronome, por vezes, aparece como primeira pessoa, quando o falante faz referência a si próprio, função P1; e, ainda, como genérico, quando o falante refere-se a um grupo maior de pessoas que compartilham de idênticas condições que as mencionadas por ele. O presente trabalho, a partir dessa fundamentação, tem como objetivo verificar os três sentidos do pronome pessoal você (P1, P2 e genérico) e averiguar qual sentido mais marcado e menos marcado do pronome em análise nas ocorrências encontradas. Como corpus, serão utilizadas entrevistas realizadas pelo Grupo de Pesquisa em Sociofuncionalismo e Linguística Histórica- CNPq/UESB, apresentadas no corpus do Português Popular da Comunidade de Vitória da Conquista (Corpus PPVC). Esse corpus é composto por 24 (vinte e quatro) informantes estratificados conforme os pressupostos teóricometodológicos labovianos em gênero/sexo, faixa etária e grau de escolaridade. Como procedimento metodológico deste trabalho, analisou-se 4 (quatro) entrevistas de dois casais. Um dos casais está situado na faixa etária entre 25 (vinte e cinco) a 35 (trinta e cinco anos) anos (faixa 1), e o outro, situado acima dos 75 (setenta e cinco) anos (faixa 3).

PALAVRAS-CHAVE: Sociofuncionalismo. Pronome Pessoal Você. P1, P2, Genérico. Princípio da Marcação.


O VERBO SABER E SUAS CARACTERÍSTICAS NA FALA POPULAR DOS CONQUISTENSES Gislene Lima ALMEIDA- (UESB-BA) gislenelalmeida@gmail.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com Valéria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO O verbo saber é um recurso muito recorrente no Português Brasileiro, tanto na modalidade oral, quanto na escrita. De origem latina (sapere), esse verbete traz, como o sentido original, acepções como: ‘ter gosto’, ‘perceber pelo sentido do gosto’ e, ainda nesta língua, carrega o conceito conotativo de ‘conhecer’, ‘compreender’, ‘ter inteligência’. Na presente pesquisa, pretendemos, focalizando este verbo, analisar as suas múltiplas funções, bem como determinar as características semânticas, sintáticas e, principalmente, discursivas deste item linguístico, que vem demonstrando, na atualidade, além do seu sentido inicial concreto, um comportamento abstrato, aparecendo, em muitos casos, na forma interrogativa tipo retórica no início ou no final da frase, com um significado semântico desbotado em relação ao seu sentido original. Sob a óptica do funcionalismo, que, a rigor, dedica-se em estudar e explicar a língua através do uso que se faz dela, neste trabalho serão analisadas quatro entrevistas retiradas do Corpus do Português Popular da Comunidade de Vitória da Conquista (cidade situada no sudoeste da Bahia). Os informantes dessas entrevistas foram estratificados em gênero/sexo ( masculino e feminino), faixa etária ( 15 a 25 anos, 26 a 50 anos, mais de 50 anos),grau de escolaridade (com nenhum letramento ou com até 5 anos de escolarização). Através destas entrevistas orais, selecionamos as ocorrências do verbo saber, principalmente no que diz respeito à forma esvaziada semanticamente deste item, presentes na fala dos quatro (04) informantes e categorizamos estas ocorrências em: (1) reorganizador do discurso; (2) preenchedor de vazio causado pela quebra da sequência de informações e, atribuidor de certa linearidade, que se perde devido à improvisação natural do ato da fala; e (3) marcador discursivo que denota reflexão. Para a realização dessa pesquisa, recorremos teoricamente a Neves (1974) e a Saraiva (2010).

PALAVRAS-CHAVE: Verbo; saber; oralidade; variação; funcionalismo.


UM ESTUDO SOBRE A PRESENÇA DA NEGAÇÃO NOS FALANTES DE VITÓRIA DA CONQUISTA

Bruno PACHECO (UESB-BA) pacheco.letras@gmail.com Caio AGUIAR (UESB-BA) caiooag@r7.com

Luciane Neri PEREIRA (UESB-BA) lu_ci_7pg@hotmail.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com Valéria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO A negação, no interior de um enunciado, é, conforme afirma Neves (2012), um formador de sentido que age como instrumento de interação. A partícula não, na língua portuguesa, atua como um elemento fundamental na construção desse instrumento de interação com valor de negação. No entanto, elementos como nunca, jamais, nem, sem e nenhum também corroboram, em um enunciado, para a produção de uma sentença com o valor negativo. Com o objetivo de descrever e analisar as formas de negação presentes na fala dos informantes de Português Popular de Vitória da Conquista, cidade situada no sudoeste da Bahia, retiramos, do Corpus do Português Popular de Vitória da Conquista (Corpus PPVC), quatro (04) entrevistas, nas quais os informantes estão estratificados por gênero/sexo masculino e feminino, faixa etária jovem e idoso, sem escolaridade ou com até cinco (05) anos de escolarização. Com esse material, selecionamos os itens não, nunca, jamais, nem, sem e nenhum, investigamos a etimologia destas partículas de negação; discorremos sobre esses itens linguísticos ancorados em estudos e pesquisas realizados por Cruz (1948), Cunha (2010) e Neves (2012), bem como em gramáticas da língua portuguesa, como, entre outros, Arnauld e Lancelot (1612/2001), Lima (1937),Bueno (1944), Rocha Lima (1915/1991), Souza da Silveira (1983), Cunha e Cintra (1985), Perine (1998), Bechara (2004), Almeida (2005); e, em seguida, realizamos a análise dessas partículas no referido Corpus, observando o efeito de sentido que tais elementos provocam no enunciado , a gradação de uso desses itens negativos pelos falantes do português popular de Vitória da Conquista e, assim, o item mais e menos marcado no corpus em estudo.

PALAVRAS-CHAVE: Advérbio; princípio da marcação; formas negativas; Português Popular.


UMA ANÁLISE PRELIMINAR SOBRE O ITEM LINGUÍSTICO NÃO: OCORRENCIAS NO CORPUS DO PORTUGUÊS POPULAR DE VITÓRIA DA CONQUISTA Leilian França dos SANTOS (UESB-BA) lian.franca@yahoo.com.br

Savanna Souza de CASTRO (UESB-BA) sa_gbi@hotmail.com

Ronilson Sousa MATOS (UESB-BA) ronykb7@hotmail.com

Jorge Augusto Alves da SILVA (UESB-BA) adavgvstvm@gmail.com Valéria Viana SOUSA (UESB-BA) valeriavianasousa@gmail.com

RESUMO Na presente pesquisa, elegemos o item linguístico não como objeto de estudo e trazemos como objetivo a intenção de categorizar os usos que os falantes do Português Popular de Vitória da Conquista (cidade situada no sudoeste da Bahia) fazem dessa partícula. Para tanto, em nosso artigo, realizamos um estudo, em gramáticas científicas e pedagógicas, sobre a classe dos advérbios e, em seguida, particularizamos no item não; selecionamos as ocorrências dessa partícula em quatro (04) entrevistas retiradas do Corpus de Português Popular de Vitória da Conquista (Corpus PPVC), no qual os informantes estão estratificados em gênero/sexo masculino e feminino e em faixa etária jovem,adulto e idoso, todos com escolaridade até cinco (05) anos ou sem escolaridade; e, por fim, categorizamos o uso do não como: 1) Introdutor discursivo ( Não as coisas foi piorano;E.S.B) 2) Resposta isolada (Não; Pergunta eco: Você não vê [ning]{init} é só algum acidente{init} na obra , num foi?- E.J.R); 3) Manobra discursiva ( Eu comprei, não foi meu marido que me deu- E.S.P); 4) Reforço da primeira ocorrência: Só que num gosto do meu padrasto não. Mais pra mim não num gosto não- L.B.R). Além disso, dialogamos, por um lado, com questões de natureza semântica e morfológica desse item a partir da categorização proposta por Cruz (1948), no Prontuário de Análise Gramatical e Lógica: (1) advérbio de negação, função mais prototípica desse item linguístico: Não quero que estudes demais; (2) advérbio de dúvida: Eu não lhe disse?(3) expletivo: Que doce não era a vida! Não veio, não; (4) locução interjectiva: Não mais!; e, ainda, como locução adverbial : Não vê. E, por outro lado, dialogamos com questões de natureza sintática com relação à posição ocupada por esse advérbio. O não ocorre, de forma canônica, em posição pré-verbal, mas, também, na posição pós-verbal, conforme afirmam Macedo, Roncarati e Mollica (1996), e, ainda, como acrescentam Cohen e Ramos (2002), em posições pré-verbal e pós-verbal em um único enunciado, o conhecido fenômeno de dupla negação.

PALAVRAS-CHAVE: Advérbio. Não. Português Popular.


SOCIOLINGUÍSTICA E IDENTIDADE COORDENADORA Profª. Drª. Raquel Meister Ko. Freitag Universidade Federal de Sergipe rkofreitag@uol.com.br

OBJETIVO

O objetivo deste simpósio é propiciar a reflexão acerca da dimensão identitária da variação, com a discussão de fenômenos linguísticos variáveis e sua marca social.


A PALATALIZAÇÃO DAS OCLUSIVAS DENTAIS \t\ e \d\ NO MUNICÍPIO DE SÃO CRISTÓVÃO-SERGIPE Flávia Regina de Santana EVANGELISTA (UFS-SE) flysantana@hotmail.com

Rebeca Rodrigues de SANTANA (UFS-SE) rebeca.rodrigues.17@gmail.com

Thaís Regina Conceição de ANDRADE (UFS-SE) thayssrandrade@gmail.com

RESUMO A língua é modelada pelo contexto sociocultural, envolvendo tanto fatores de caráter interpessoal quanto fatores associados à camada social do falante: sua idade, sexo, grau de escolaridade, nível socioeconômico, etnia etc. Diferentes estudos têm demonstrado que as variantes /tʃ/e /dʒ/ das oclusivas dentais /t/ e /d/ antecedidas por semivogal são estigmatizadas socialmente, especialmente na região de Sergipe. Com objetivo de observar quais os fatores que propiciam a ocorrência de tal fenômeno no município de São Cristóvão/SE, analisamos uma amostra constituída por 30 informantes submetidos a um questionário fonológico, com perguntas cuja resposta induzida conteria uma oclusiva dental /t/ ou /d/ (e seus alonofes) antecedida por semivogal. Foram consideradas três localidades rurais e duas urbanas: os povoados Colônia Miranda, Rita Cassete e Pedreira, o conjunto Eduardo Gomes e o Centro histórico e administrativo da cidade. Foram coletados dados de 6 indivíduos em cada comunidade, estratificadas quanto ao sexo, escolaridade e faixa etária. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística variacionista. Quanto à variável diagenérica, os homens apresentaram maior recorrência no uso das variantes palatalizadas, enquanto as mulheres se mostraram mais conservadoras utilizando em sua maioria as formas não palatalizadas, que são prestigiadas socialmente. Quanto à variável diageracional, os dados sugerem mudança em tempo aparente, pois a palatalização é frequente nos usos linguísticos dos mais velhos, enquanto os mais jovens preferem a realização dental-alveolar de /t/ e /d/. A variável diastrática mostra que a escolaridade é influente na palatalização, pois as variantes palatalizadas foram mais utilizadas por informantes menos escolarizados o que confirma o seu caráter estigmatizado. Os resultados obtidos através das análises demonstram o perfil dos indivíduos que mais palatalizam no município de São Cristóvão/SE: homem idoso, de pouca escolaridade, residente na zona rural da cidade, corroborando o estatuto de estereótipo da variável.

PALAVRAS-CHAVE: Variação. Palatalização. São Cristóvão.


LÍNGUA IDENTIDADE E CULTURA: RELAÇÕES DE FAIXA ETÁRIA E ESCOLARIDADE Thaís Regina Conceição de ANDRADE (UFS-SE) thayssrandrade@gmail.com

Cristiane Conceição de SANTANA (UFS-SE) criscc.santana@gmail.com

RESUMO Na Sociolinguística, o controle das variáveis “escolaridade” e “faixa etária” permite que se identifiquem tendências de inovação e marcas linguísticas no repertório de uma comunidade de prática. Este trabalho segue a perspectiva de 3ª onda de estudos sociolinguísticos, na qual Eckert (2012) propõe a mudança do foco dos estudos da correlação entre estrutura linguística e estrutura social para as práticas e seus valores em uma dada comunidade que seja constituída por pessoas que estão ligadas por um interesse comum no aprendizado e, principalmente, na sua aplicação prática.O objetivo deste trabalho é analisar o comportamento das variáveis “escolaridade” e “faixa etária” no uso linguístico dos indivíduos dentro da comunidade de prática praesidium “Mãe da divina Graça”, grupo de cunho religioso da igreja católica, situado no povoado Açuzinho, município de Lagarto – SE. A metodologia adotada para a constituição da amostra se pauta na coleta realizada por meio de entrevista sociolinguística e observação de base etnográfica. O primeiro procedimento realizado foi a seleção da comunidade de prática; em seguida, fizemos anotações de campo, observações e perguntas sobre a vida e o comportamento dos indivíduos, bem como descrições e estudos detalhados sobre a história da região e do grupo. Analisamos três fenômenos linguísticos variáveis recorrentes na comunidade: palatalização de oclusivas dentais /t//d/ antecedidas por glide (biscoito/biscoitʃo, endoidar/endoidʒar), vocalização (trabalho/trabaio) e rotacismo (planta/pranta). Os resultados mostraram que estes fenômenos são mais frequentes na fala de indivíduos mais velhos e com pouca escolarização. Os resultados também corroboram que o fator escolaridade exerce influência no repertório linguístico de uma comunidade, pois os indivíduos mais escolarizados estão expostos à correção gramatical e tendem a usar formas que se aproximam mais da norma preconizada como padrão. A análise feita em tempo aparente, em que as variáveis linguísticas são distribuídas escalarmente pelas faixas etárias, sugere mudança linguística na comunidade.

PALAVRAS-CHAVE: Comunidade de Prática. Faixa Etária. Escolaridade. Variação.


NOTAS SOBRE O SOTAQUE NORDESTINO E A SUAVIZAÇÃO Gládisson GARCIA (UFS-SE) gladissonsouza@gmail.com

RESUMO Os fatores socioculturais na produção da fala, durante o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem, são os que aparecem mais explícitos no desenvolvimento da fala, sendo comum que pessoas da mesma comunidade desenvolverem padrões de fala semelhantes. No Brasil encontram-se diversas variações do português e que são determinadas pela própria história da colonização. Nos últimos anos são crescentes os estudos por parte dos linguistas a fim de caracterizar os dialetos brasileiros; essa variação linguística, denominada de “sotaque”, configura-se, do ponto de vista impressionístico, como o modo peculiar de fala, seja pela velocidade e ritmo de fala, curva melódica, acentuação das palavras, vocabulário característico, dentre outros. Neste trabalho, procuramos tecer reflexões acerca do sotaque, especialmente focando a região nordeste. Nossa análise busca articular as descrições linguísticas ao trabalho fonoaudiológico de suavização. O embasamento desta pesquisa foi à coleta de dados de revisão literária de cunho qualitativo cujos recursos utilizados foram os de domínio público onde a informação manteve o caráter fidedigno dos fatos estudados e registrados. Apesar das dificuldades para traçar as características do dialeto por conta da dimensão territorial do Brasil, observa-se um crescente número de estudos da linguística a fim de traçar esses processos. Contudo ainda há muito a ser feito para se ter uma visão clara da realidade linguística. Defendemos que a atuação do fonoaudiólogo no processo de suavização deve garantir que algumas características acústicas sejam mantidas, de forma que o falante não perca sua identidade acústica, bem como para não perder o contato com a cultura. O fonoaudiólogo deve ser capaz de identificar as características da pronúncia de região ou da cidade do falante.

PALAVRA‐CHAVE: Sotaque; Suavização; Sociolinguística.


UM OLHAR SOCIOLINGUÍSTICO SOBRE A OBRA “HISTÓRIA DA MINHA INFÂNCIA”, DE GILBERTO AMADO Fernanda Bispo CORREIA (UFS-SE) nandinhabis@hotmail.com

RESUMO A leitura do livro História da Minha Infância (1954) nos leva a conhecer interessantes histórias da vida do ilustre sergipano Gilberto Amado. Nas suas páginas se registram não só as experiências pessoais do narrador, mas também nos é fornecido um painel com importantes informações sobre os costumes, a cultura e inclusive as peculiaridades linguísticas da sociedade sergipana – especialmente das vilas sergipanas de Estância e Itaporanga –, à época da escrita. Tendo em vista que adotaremos a obra literária amadiana como fonte primária para um estudo de cunho sociolinguístico, o problema que se coloca é justamente verificar se temos no referido texto a validade e a adequação de que necessitamos para tal intento. Partindo desse pressuposto este trabalho quer responder ao seguinte questionamento: quais as pistas diacrônicas disponibilizadas pela obra literária “História da Minha Infância”, texto memorialista do autor sergipano Gilberto Amado – no qual são relatadas histórias transcorridas no final do século XIX e início do século XX, nas vilas sergipanas de Estância e Itaporanga – que nos possibilitam entender a relação língua x sociedade manifestada pela obra? Para isso lançaremos mão de uma abordagem sociolinguística, recorrendo tanto à teoria da variação laboviana – a qual toma a variação como diretamente correlacionada a fatores sociais – bem como à noção de persona trabalhada tanto por Penelope Eckert (2001) quanto por Coupland (2001). Partiremos de uma análise qualitativa, já que vamos analisar a correlação dos papéis sociais dos personagens aos usos linguísticos a eles atribuídos, apresentando dados do contexto sócio-histórico da sociedade sergipana de fins do século XIX e início de século XX. Após fazer o levantamento de todas as personagens do romance que têm direito à fala, traçaremos a análise e verificaremos qual a correlação existente entre as pistas que tais usos linguísticos revelam em função do papel social dos personagens no contexto da sociedade retratada.

PALAVRAS-CHAVE: Estilo. Gilberto Amado. Sociolinguística.


VARIAÇÃO EM INTERROGATIVAS TOTAIS: UM ESTUDO PRELIMINAR COM FALANTES DE SANTA CATARINA E ARACAJU (SE) Vanessa Gonzaga NUNES (UFS-SE) vanessagnunes@yahoo.com.br

RESUMO Nesse estudo, apresentaremos dados parciais sobre a variação prosódica em enunciados interrogativos totais produzidos por falantes de: três cidades catarinenses - Blumenau, Florianópolis e Lages e Aracaju, capital de Sergipe. Os dados fazem parte de uma base de dados maior do Projeto AMPER (Atlas Multimédia Prosódico do Espaço Românico) que pretende analisar e comparar de variantes das línguas românicas, através de uma metodologia comum. Utilizamos também um corpus de fala controlada, composto de frases foneticamente semelhantes, ou seja, com o mesmo número de sílabas e tipos silábicos análogos no interior dos sintagmas para que tais sentenças sejam comparáveis entre si. O contexto semântico-pragmático deste corpus estimula a produção de interrogativas totais neutras, mas também de interrogativas totais confirmativas, de dúvida e retóricas. Para esse estudo preliminar contamos com a participação de seis informantes, dois de cada cidade, de ambos os sexos para as cidades de SC e uma informante de Aracaju. A literatura prosódica que utiliza a metodologia AMPER indica que é a região de acento nuclear que traz pistas prosódicas mais contundentes a respeito de marcas dialetais e modalidades, o que é comprovado parcialmente em Nunes (2011), em estudo que compara declarativas e interrogativas produzidas por falantes de Florianópolis e Lages. Entretanto, a integração de falantes da cidade de Blumenau e de Aracaju ao estudo assinala diferenças dialetais tanto na região nuclear quanto na pré-nuclear. Apresentaremos, portanto, as características comuns e distintas das curvas de f0 desses falantes que representam as quatro cidades estudadas.

PALAVRA‐CHAVE: Variação. Entoação. Interrogativas totais. Variação dialetal.


SOCIOLINGUÍSTICA E ENSINO COORDENADORA Profª. Drª. Isabel Cristina Michelan de Azevedo Universidade Federal de Sergipe icmazevedo@hotmail.com

OBJETIVO

Desde os estudos relativos às possíveis causas para o fracasso escolar na década de 80 do século XX, nos Estados Unidos, que iniciou uma análise acerca do background cultural dos alunos que frequentam as salas de aulas, a Sociolinguística Educacional tem passado por uma importante evolução e permitido a reunião de pesquisadores de diferentes áreas que se interessam pelas questões sociais que impactam a realidade escolar. Em função disso, nesta sala temática foram reunidos trabalhos que investigam a variação linguística em produções de crianças e jovens, inseridos em diferentes práticas de linguagem (avaliação institucional, relações entre professores e alunos, interação entre alunos, etc.), com o objetivo de contribuir para as reflexões que se direcionam à melhoria da qualidade do ensino de língua materna


A ALTERNÂNCIA ENTRE ‘VOCÊ’ E ‘CÊ’ COMO EVIDÊNCIA DE QUE A ALTERAÇÃO DE REGISTRO PODE PRODUZIR EFEITOS DISTINTOS NA INTERAÇÃO EM SALA DE AULA Roberto Perobelli de OLIVEIRA (UFS-SE) robertoperobelli@gmail.com

RESUMO A mudança na estrutura de participação costuma ser percebida em elementos os quais Gumperz (2002) chamou de “pistas de contextualização”, e essa mudança pode ser significativa na medida em que dá demonstrações claras de que, por determinados momentos, em um dado evento interacional, os interagentes podem passar a se orientar para outros papéis, como meio de garantir a continuidade da interação. Segundo o autor, entre as pistas linguísticas (que nos interessam para o presente trabalho), destacam-se as alternâncias de código, de dialeto e de estilo, o que nos ajudaria a identificar, do ponto de vista dos próprios participantes, que tipos de enquadres estariam sendo construídos em uma determinada cena interacional. Com a finalidade de apontar evidências de como a alternância de registro afeta diretamente a interação, este trabalho pretende analisar um excerto de interação em sala de aula, em que uma das participantes alterna a utilização de “você” para “cê”, produzindo efeitos de participação distintos em uma sala de aula. Os dados foram coletados em uma escola particular de uma cidade do interior de Minas Gerais (DIAS; SOUZA, 2012), e os resultados apontam para a necessidade de tomada de consciência dos atores educacionais no que concerne ao uso da língua. Uma ressalva deve ser feita, no entanto: este trabalho, por não fazer uma análise quantitativa, não pode ser revelador de tendências quanto ao uso do “você” e do “cê” em contexto de sala de aula. O propósito aqui é apenas evidenciar a relação entre os conceitos “pistas de contextualização” (oriundo da Sociolinguística Interacional) e “mudança de registro” (oriundo da Sociolinguística Variacionista), a partir do que foi observado em um único episódio de interação, com vistas a promover reflexões quanto aos usos de diferentes registros no cenário interacional da sala de aula.

PALAVRAS-CHAVE: Linguística. Sociolinguística Interacional. Variação.


ESTÍMULOS NA PROVINHA BRASIL: UM DIÁLOGO ACERCA DO ENSINO NA ALFABETIZAÇÃO José Júnior de Santana SÁ (UFS-SE) junior_santana91@hotmail.com

RESUMO Este trabalho busca apresentar reflexões acerca de teorias advindas da área da Psicologia para refletir sobre a ocorrência dos estímulos na aprendizagem especificamente no ensino da alfabetização e do letramento. Segundo Moreira e Medeiros (2007, p. 18), “estímulo é uma parte ou mudança em uma parte do ambiente”. Desse modo, todo estímulo ocasiona uma resposta. Para esses autores, “resposta é uma mudança no organismo” (p. 18). No escopo do projeto Ler+Sergipe: leitura para o letramento e cidadania (CAPES/Observatório da Educação), apresentamos uma análise da Provinha Brasil quanto aos tipos de estímulos presentes em sua elaboração, assim como sua interferência nos resultados obtidos pelo aluno. A Provinha Brasil é um instrumento oficial de avaliação cujo objetivo é diagnosticar as habilidades de domínio do sistema da escrita e da leitura dos alfabetizandos. Em sua elaboração, estão envolvidos estímulos de diferentes naturezas – sonoros, visual-pictóricos, visual-grafemas e textuais – cuja presença pode ter relação com o desempenho do aluno nas questões, daremos um enfoque maior ao estímulo textual. Tomamos por base a Provinha Brasil 2012/2, aplicada na turma do 2° ano B da Escola Tenisson Ribeiro localizada em Aracaju-SE, e analisamos o desempenho de 26 alunos com a hipótese de que, quanto maior a presença de estímulos, maior será o índice de acertos. Os resultados obtidos na estrutura da Provinha Brasil quanto aos estímulos presentes em suas questões e sua correlação com o desempenho dos alunos no exame nos permite estabelecer relações com a Matriz de Referência da Provinha Brasil, que define os eixos das questões e as habilidades requisitadas dos alunos.

PALAVRAS-CHAVE: Estímulos. Provinha Brasil. Alfabetização. Ensino.


FOCO NO ENEM: RAIO–X DA PROVA DE LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TÉCNOLOGIAS Sammela Rejane de Jesus ANDRADE (UFS) sammela88@yahoo.com.br

RESUMO Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) foram criados com o objetivo de fomentar políticas públicas e padronizar o ensino no Brasil. Nessa mesma perspectiva, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) surgiu em 1998 para avaliar desempenho dos estudantes do Ensino Médio. Atualmente, após a mudança que ocorreu em 2009, quando o exame passou a ser instrumento de ingresso nas instituições públicas de ensino superior e de seleção em programas do Governo Federal, a composição da prova foi modificada. Entre 1998 e 2008 a avaliação era estruturada a partir de uma matriz de 21 habilidades e composta por 63 itens interdisciplinares aplicados em um único caderno. A partir de 2009, as provas objetivas passaram a ser estruturadas em quatro matrizes, cada uma composta por 45 questões, além da prova de redação. Diante das mudanças e da projeção atual que tem o ENEM, principalmente por parte da mídia que tem destinado muitas matérias para discutir o exame, o presente trabalho tem como finalidade, a partir de uma perspectiva sociolinguística, abordar as questões cobradas na prova de Linguagens, códigos e suas tecnologias por meio de diálogo com instrumentos norteadores das políticas públicas educacionais do país, a exemplo dos PCNs e PNLD.

PALAVRAS-CHAVE: ENEM. Sociolinguística. Ensino.


MOVIMENTOS ARGUMENTATIVOS OBSERVADOS EM RELATOS DE OPINIÃO PRODUZIDOS POR ADOLESCENTES EM ENTREVISTA SOCIOLINGUÍSTICA Isabel Cristina Michelan de AZEVEDO (UFS-SE) icmazevedo@hotmail.com

RESUMO O objetivo deste trabalho é identificar os recursos argumentativos, interacionais e linguístico-discursivos (VIEIRA, 2003) empregados pelos adolescentes que participaram da constituição do corpus organizado a partir dos critérios propostos pelo Grupo de Estudos Discurso & Gramática (D&G), projeto integrado que reuniu amostras de língua oral e escrita de cinco cidades brasileiras, recolhidos em 1993, em comparação com a expressão de jovens de Sergipe, recolhidos em 2009. Para esta análise foram selecionados seis textos completos, obtidos em Natal (RN), no Rio de Janeiro (RJ) e em Itabaiana (SE), entre participantes com idades entre 14 a 21 anos, que frequentavam o Ensino Médio, com o intuito de: 1) observar características da heterogeneidade linguística da(s) comunidade(s) de fala brasileira(s); 2) notar se há variação nos recursos empregados pelos informantes residentes em diferentes regiões do Brasil e também quando estão distanciados no tempo; 3) contribuir para as reflexões relativas ao ensino de língua portuguesa nas escolas, uma vez que as informações coletadas para bancos de dados são uma rica fonte a ser explorada com outros objetivos acadêmicos e educacionais (FREITAG, 2012). Ao assumir que na argumentação a linguagem é colocada a serviço da justificação ou refutação de um ponto de vista, com o objetivo de produzir acordo (EEMEREN, 1997), os segmentos conversacionais representarão posições assumidas pelos participantes no momento da enunciação, e, em função dos limites deste trabalho, o fato de os textos terem sido coletados em um modelo de entrevista mais formal e padronizado, com módulos bem planejados, dentro de um conjunto de questões previamente estruturadas, e as restrições impostas pela transcrição das falas serão desconsiderados.

PALAVRAS-CHAVE: Variação. Linguística. Sociolinguística Educacional. Argumentação. Opinião.


NÃO MORDA A LÍNGUA PORTUGUESA- A NORMA CURTA EM SERGIPE Ricardo Celso Ulisses MELO (UFS-SE) ricardo.celso@uol.com.br

RESUMO A despeito dos desdobramentos teóricos e práticos decorrentes dos estudos sociolinguísticos no Brasil, os anos 90 trouxeram o recrudescimento de um conjunto de reflexões sobre a língua que, com forte apoio nos mass media, difunde a crença de que só existe uma maneira “certa” de usar a língua: a norma-padrão. Este fenômeno também se concretizou no estado de Sergipe, sobressaindo a obra Não morda a língua portuguesa, de autoria da professora Wilma Ramos, que traz conselhos de como usar o idioma à luz da gramática da variante padrão. A obra, em sua 9ª edição, reúne os comentários diários da professora em programas de rádio com grande repercussão no meio sergipano. Esta pesquisa tem como objetivo analisar as prescrições contidas na obra Não morda a língua portuguesa, relativamente a fenômenos léxicos, morfológicos, sintáticos, semânticos e discursivo-pragmáticos, confrontando-as com as lições contidas nos instrumentos normativos de referência da língua portuguesa, bem como com as contribuições trazidas pela Linguística na abordagem do português brasileiro, além de perquirir os princípios subjacentes à obra, sua contribuição ao processo de representação social da língua e suas implicações para o processo de ensino-aprendizagem da língua materna. O referencial teórico centrar-se-á nos postulados da sociolinguística, cujos estudos têm evidenciado que as línguas naturais são caracterizadas pelo fenômeno da variação e mudança e que as variedades cultas convivem com as variedades informais em um complexo processo de interações, abrindo espaço para o reconhecimento da legitimidade da diferença, de que são resultado as recentes publicações das primeiras gramáticas voltadas para a variedade do português falado no Brasil. O trabalho centrarse-á na pesquisa bibliográfica, abordando a literatura voltada para a discussão da norma linguística, variação e mudança, características do português brasileiro e o processo de ensino-aprendizagem da língua portuguesa. A pesquisa está em fase inicial, mas o levantamento de prescrições de ordem lexical, morfológica, sintática, semântica e discursivo-pragmática aponta para o fato de que muitas delas não encontram fundamento nas próprias obras de referência normativa da língua portuguesa, configurando o que Faraco denominou norma curta, conjunto de preceitos que, embora invocando a norma culta, restringe na verdade possibilidades previstas na própria norma-padrão.

PALAVRAS-CHAVE: Norma curta. Norma-padrão. Sociolinguística. Variação. Português Brasileiro.


VARIAÇÃO EM CATEGORIAS VERBAIS DO PORTUGUÊS COORDENADORA Profª. Drª. Raquel Meister Ko. Freitag Universidade Federal de Sergipe rkofreitag@uol.com.br

OBJETIVO

O objetivo deste simpósio é congregar pesquisas de orientação variacionista cujo foco são os domínios semântico-discursivos do verbo em português, explorando a variação entre as formas e a variação entre as funções.


ASPECTO HABITUAL: FORMAS DE EXPRESSÃO NO PORTUGUÊS FALADO E ESCRITO Eccia Alécia BARRETO (UFS-SE) ecciaalecia@hotmail.com

RESUMO Bybee et al (1994) se baseiam em Comrie (1976) e Dahl (1985) para examinar a marcação de aspecto em diversas línguas. Num sentido geral, os autores referem-se aos sentidos específicos que foram úteis para análise linguística que se propuseram com o seguinte quadro aspectual: progressivo, habitual, iterativo, frequentativo e continuativo. Dentro do quadro aspectual proposto por Bybee et al (1994), tomamos como objeto de análise o aspecto habitual. O aspecto habitual refere-se a uma pluralidade infinita de situações que sucedem durante um período ilimitado (COMRIE, 1976; BYBEE et al, 1994; BERTINETTO; LENCI, 2010). Partindo da ideia de que fenômenos linguísticos derivam de processos cognitivos e que a comunicação humana ocorre em função das experiências, que envolvem participantes e contextos não homogêneos (BYBEE, 2010), essa pesquisa se propôs a investigar os contextos e fatores que propiciam a ocorrência do aspecto habitual dentro de uma amostra de fala e escrita da comunidade de Itabaiana/SE. Assumimos a perspectiva de Bybee (2010), para a qual a gramática pode ser analisada em termos de construções que emergem de generalizações feitas sobre ocorrências de expressões linguísticas, assim os itens mais frequentes servem como base para a formação analógica. Para o estudo a que nos propomos, tomamos como corpus de análise os bancos de dados: Bancos de dados Falantes Cultos de Itabaiana/SE e Banco de dados de escrita- textos narrativos e opinativos, vinculados ao Grupo de Estudos em Linguagem, Interação e Sociedade (GELINS).

PALAVRAS-CHAVE: Aspecto habitual. Variação. Fala. Escrita.


CONTRIBUIÇÃO SOCIOFUNCIONALISTA PARA A ANOTAÇÃO SEMÂNTICO-DISCURSIVA DE VERBOS PARA O PROCESSAMENTO DE LÍNGUAS NATURAIS Rebeca Rodrigues de SANTANA (UFS-SE) rebeca.rodrigues.17@gmail.com

Flávia Regina de Santana EVANGELISTA (UFS-SE) flysantana@hotmail.com

RESUMO Por envolverem traços semânticos, morfológicos e pragmáticos variáveis, os verbos compõe uma classe gramatical complexa, o que torna complicado o seu processamento computacional, pois muitas vezes os analisadores automáticos não conseguem captar as minúcias de significação que são dependentes do contexto linguístico, gerando ambiguidade. Para aprimorar o processamento automático da linguagem, objetivamos desenvolver etiquetas semântico-discursivas para os verbos do português culto falado e escrito. Para tanto, submetemos as 80 produções textuais do Banco de Dados de EscritaTextos Narrativos e Opinativos a dois etiquetadores, o Automatic Parse e o Treetagger. Tal procedimento possibilitou a observação das limitações dos softwares, apontando em que classes gramaticais, funções sintáticas e semânticas há mais falhas de processamento e em quais contextos há essas falhas. Os resultados obtidos reforçam a necessidade de desenvolvimento de etiquetas semântico-discursivas para verbos aos analisadores automáticos, pois apesar de poucos com relação ao número de palavras do corpus, os erros dos analisadores envolvendo verbos foram significativos e se mostraram frequentes. Concluímos que há limitações nos atuais analisadores automáticos do português para lidar com verbo, uma vez que estes se baseiam pela forma e não pela função, método de etiquetagem eficiente no processamento de certas classes de palavras, mas para os verbos não é a mais adequada.

PALAVRAS-CHAVE: Etiquetagem. Processamento linguístico. Verbos. Variação.


O FUTURO DO PRETÉRITO EM PORTUGUÊS COMO ESTRATÉGIA DE POLIDEZ Andréia Silva ARAUJO (UFS-SE) andreialuzinete@hotmail.com

RESUMO O futuro do pretérito é uma forma verbal que pode exprimir tanto um passado que é visto em perspectiva futura em relação a outro evento passado (valor temporal) quanto uma situação hipotética, incerta ou probabilística (valor modal). Decorre daí o fato desta forma verbal ser polissêmica, tanto no português como nas demais línguas românicas, transitando entre valores relacionados ao domínio do tempo e da modalidade. Dentre os valores que o futuro do pretérito pode expressar, interessa-nos o seu uso com o valor de polidez. A polidez é uma variável influente na sociolinguística (cf. MEYERHOFF, 2006) por estar relacionada à língua em uso: do ponto de vista pragmático, a distância social, as relações de poder e o custo da imposição são fatores fortemente envolvidos na avaliação de quais estratégias linguísticas são polidas ou não (BROWN; LEVINSON, 1987); e do ponto de vista sociolinguístico, o sexo/gênero mostra-se significativo. Com o intuito de contribuir para as discussões dos efeitos da polidez no uso do futuro do pretérito no português, objetivamos neste trabalho controlar a distribuição de frequência desta forma em entrevistas sociolinguísticas e em interações conduzidas a fim de verificar os efeitos dos aspectos pragmáticos e sociolinguísticos. Utilizamos os dois tipos de amostras na análise para compararmos os resultados e assim verificar se o uso do futuro do pretérito como estratégia de polidez é decorrente do tipo de amostra.

PALAVRAS-CHAVE: Futuro do pretérito, polidez, amostras.


O USO VARIÁVEL DO FUTURO DO PRETÉRITO E DO PRETÉRITO IMPERFEITO EM VERBOS MODAIS Aline da Silva SANTOS (UEFS-BA) linedss@gmail.com

Norma Lúcia Fernandes de ALMEIDA (UEFS-BA) norma.uefs@gmail.com

Josane Moreira de OLIVEIRA (UEFS-BA) josanemoreira@hotmail.com

RESUMO Neste estudo, analisa-se a alternância entre o futuro do pretérito (FP) e o pretérito imperfeito (PI) em verbos modais na fala de pessoas de Feira de Santana-BA. Os verbos modais são verbos auxiliares que expressam o irrealis. Os verbos poder, dever, precisar, querer, ter de/ter que + infinitivo são exemplos de modais. Dessa forma, a variação entre o futuro do pretérito e o pretérito imperfeito pode acontecer como nos exemplos a seguir: “Todo mundo deveria estudar” ~ “Todo mundo devia estudar”. Adotando os princípios teórico-metodológicos da sociolinguística variacionista, que tem como fundamento os estudos de William Labov (1972), o objetivo principal desta pesquisa é analisar as variáveis que contribuem para o uso de uma variante em detrimento da outra. O corpus desta pesquisa é composto de 24 entrevistas do tipo DID (Diálogo entre Informante e Documentador), sendo 12 com falantes com nível superior e 12 com nível fundamental incompleto. Os dados foram submetidos ao programa GoldVarb e foram encontradas 75 ocorrências de verbos modais, sendo 38 (51%) de FP e 37 (49%) de PI. Três variáveis foram consideradas estatisticamente significativas pelo programa: uma variável linguística, ‘tipo de texto’ (sequência narrativa, sequência argumentativa e lista de atitudes hipotéticas), e duas sociais, ‘escolaridade’ e ‘sexo/gênero do informante’. Os resultados apontam que a sequência narrativa e a lista de atitudes hipotéticas favorecem o uso de PI, enquanto a sequência argumentativa promove o uso de FP. Os resultados apontam também que nos verbos modais a ‘escolaridade’ se mostra decisiva na escolha das variantes, pois os falantes com ensino fundamental incompleto usam mais o PI e os falantes com ensino superior, o FP. Quanto à variável ‘sexo/gênero do informante’, os dados revelam que as mulheres favorecem o uso de FP e os homens, o uso de PI.

PALAVRAS-CHAVE: Variação. Futuro do pretérito. Pretérito imperfeito. Verbos modais.


PERÍFRASES GERUNDIVAS NA EXPRESSÃO DO FUTURO VERBAL: ESTIGMA E PRECONCEITO LINGUÍSTICO Josilene de Jesus MENDONÇA (UFS-SE) mendoncajosilene@gmail.com

RESUMO As perífrases com gerúndios são formas emergentes na expressão do futuro verbal. No português, tais perífrases gerundivas podem ser expressas por: (i) verbo no futuro do presente + verbo principal no gerúndio; (ii) verbo no presente + verbo principal no gerúndio; (iii) verbo auxiliar ou modal + infinitivo + gerúndio (TORRES, 2009). Essas perífrases têm sido alvo de muitas polêmicas e preconceito linguístico, principalmente a perífrase gerundiva formada com três verbos (GONÇALVES, 2013; SANTOS, 2008). Seguindo o viés teórico-metodológico do Sociofuncionalismo (TAVARES, 2003), ou seja, partindo-se do pressuposto de que a língua sofre alterações constantes, possui natureza heterogênea, e que os processos de variação e mudança são inerentes ao seu sistema, o presente trabalho objetiva analisar o uso de perífrases gerundivas na codificação do futuro verbal na fala de universitários de Itabaiana/SE. Pretendemos, com base nas categorias verbais tempo, aspecto e modalidade, demonstrarmos as funções comunicativas que podem ser expressas pelas perífrases gerundivas, tais como duratividade, incerteza, dúvida. Para procedermos a tal análise, utilizaremos o corpus do banco de dados Rede Social de Informantes Universitários de Itabaiana/SE (ARAUJO, SANTOS, FREITAG, 2013), vinculado ao Grupo de Estudos Linguagem, Interação e Sociedade (GELINS). Seguiremos a metodologia da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2008), quantificando e codificando os dados de expressão do futuro verbal encontrados no corpus. Após essa etapa, passaremos a análise quantitativa, considerando o sexo/gênero como fator social e os seguintes fatores linguísticos: traços aspectuais inerentes ao verbo (duratividade, dinamicidade e homogeneidade); tipo de verbo (atividade, accomplishment, achievement e estado); modalidade (epistêmica, deôntica) e marcas de tempo futuro (presença ou ausência da marca), buscando identificar quais fatores influenciam no uso das perífrases com gerúndio para expressar futuro.

PALAVRAS-CHAVE: Futuro verbal. Perífrases gerundivas. Variação. Preconceito linguístico.


REALIZAÇÃO

Grupo de Pesquisa em Linguística Histórica Grupo de Pesquisa em Sociofuncionalismo

APOIO


Caderno de resumos 2013