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Pessoas com deficiência precisam de respeito e oportunidade Chico Preto deputado estadual

Manaus, 8 de outubro de 2013

Política

EDITOR Fred Novaes: (92) 2101-5526 / 9618-5723 / 9618-5728 E-mails: fnovaes@jcam.com.br / frednovae@gmail.com

ENTREVISTA

Rafael Assayag, Secretário Municipal do Centro

“Sabemos que este é um processo cultural” Tanair Maria

tmaria@jcam.com.br

A

Semc (Secretaria Municipal do Centro) tem a responsabilidade de reestruturar o Centro de Manaus, e dar a ele a qualidade de vida que o povo manauara merece. Para cumprir essa missão, conta com o secretário Rafael Assayag, qualificado como engenheiro, vice-presidente do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) e empresário. Em entrevista exclusiva, o titular da Semc relata ações que vem dando resultado na busca pela reorganização do Centro Histórico de Manaus, desde a orla da Praça da Matriz até a requalificação dos camelôs.

Jornal do Commercio – De que forma o Centro está mudando e por que a demora em obter um resultado efetivo na redução do lixo nas ruas? Assayag – O centro vai mudando aos poucos, rua por rua. Ninguém aqui é ingênuo de achar que uma cultura que se estabeleceu por décadas –de se jogar lixo no chão, usar a calçada indevidamente, desrespeitar o meio ambiente, quebrar as árvores que ali eram plantadas, roubar jardineiras que ali eram colocadas –vá mudar de uma hora para outra, que vamos conseguir reverter esse estado de coisas de uma só vez. Já houve presidente da República que disse que resolvia a questão da inflação com um tiro. Nós não somos demagogos. Repito: nós não somos ingênuos. Nós sabemos que este é um processo cultural e que temos que mudar a cada dia. JC – Qual a principal ação da prefeitura com relação ao Centro após nove meses de gestão? Assayag – Mostrar que no Centro há poder público, que a prefeitura está presente, que está trabalhando; desde consertar uma tampa de concreto de um bueiro, uma grelha da rede de esgoto, trocar as lâmpadas, melhorar algumas lixeiras viciadas. Estamos realizando pequenas tarefas que, somadas, dão uma nova visão do lugar. Além de, com isso, mostrar para aqueles que não repeitam as regras e as leis, que eles sim são a exceção. Porque as regras existem e estão sendo cumpridas através do poder público e das pessoas

que gostam e respeitam o centro da cidade. JC – E a questão dos camelôs do centro histórico? Como está a requalificação dessa atividade informal? Assayag – Nós estamos cuidando desse assunto que avança paulatinamente. Já está mapeada a área central com 2.082 camelôs –não entra mais nenhum. Pelo contrário, nós estamos num processo de desocupação de calçadas, cada banca de camelô é retirada de comum acordo de uma maneira consensual, o que é uma vitória para o camelô e para nós, gestores de Manaus. Vou dar o exemplo de uma banca de alimentação na Praça da Matriz. No local havia 20 mesas de plástico; reunia cerca de cem pessoas simultaneamente, convivendo num estado de insalubridade; praticavam um valor baixo pela alimentação e compensavam com baixa qualidade na manipulação dos produtos, dos alimentos e da higiene do local. No dia 2 de janeiro, quando recebemos a prefeitura, essa banca estava posicionada estrategicamente no pé do Relógio Municipal, as lonas que a cobriam estavam amarradas no próprio monumento histórico, o que era um desacato ao poder público; era uma desmoralização completa da gestão municipal de então, que permitiu que aquilo acontecesse. Aquela banca foi retirada do Relógio Municipal, foi realocada em outro ponto e, agora neste mês, nós tivemos o orgulho de apoiar o camelô para fazer com que ele migrasse desse nível de comércio para um restaurante efetivo, pagando aluguel com uma cozinha limpa, que pode servir de modelo até para outros restaurantes já estabelecidos e mais caros. Hoje, conta com mais de trinta mesas para atender os clientes em um ambiente climatizado, com televisão; a cozinha está equipada com geladeiras e freezers. E o antigo camelô, agora empresário, está feliz da vida, está crescendo profissionalmente. A prefeitura está apoiando até como uma forma de manter contato para ajudar nesse momento inicial, para ele servir de case para as demais bancas do Centro. Além de indicarmos para fornecimento de refeições através de parceiras com empreiteiras e prestadores de serviços contratados pela prefeitura.

JC – Como vai ficar o entorno da Praça da Igreja Matriz já às vésperas do aniversário da cidade? Assayag – A Praça da Matriz já está com uma lateral quase toda desocupada. Aquela área, da avenida Sete de Setembro até o Roadway, só tem duas bancas, que até o dia 24 de outubro já estarão realocadas também. Assim, estamos mudando a cara da cidade, pedaço por pedaço, e no aniversário de Manaus vamos poder ver mais um pouco dessa recuperação. JC – O projeto do Porto de Manaus foi aprovado pela presidente Dilma Rousseff e o recurso financeiro também já foi liberado, mas as obras não iniciaram. Estamos há menos de um ano da realização da Copa do Mundo, como o secretário vê essa questão? Assayag – Eu vejo com tristeza, eu entendo que a revitalização do porto é extremamente necessária. Também entendo que o porto passou por uma série de gestões descomprometidas com a cidade, que viraram as costas para a cidade, que ficaram em divergências políticas e que não conseguiram avançar. A atual administração do porto e do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), me parece que tem uma postura completamente diferente. Eu vejo com muito bons olhos o atual superintendente do Dnit, Fábio Galvão, um engenheiro competente, dedicado, correto, com uma ampla visão pública e de cidade, integrado ao nosso projeto. Dialogamos permanentemente sobre essa questão histórica e tenho certeza de que, com essa atual administração do porto,

vamos conseguir reverter esse quadro. É claro que o porto pertence ao governo federal, os recursos também, mas é importante saber que podemos dialogar com os gestores. O porto é a frente do Centro e, se fosse permeável – acessível –para as pessoas que frequentam o centro –, o lugar ganharia muito e ganhará em valorização porque as pessoas vão poder ver o rio, eu tenho convicção disso. Hoje, só se vê o rio na Ponta Negra, ou numa pequena parte do São Raimundo e do Educandos, e isso tem que mudar: o Centro de Manaus tem que ser um ponto onde se marca aquele encontro num lugar especial, mais bonito da cidade, que é a orla do rio Negro e é isso que a prefeitura vai proporcionar.

JC – E como está o projeto de virar o Centro de frente para o Rio? Assayag – Já está acontecendo com o Mercado Adolpho Lisboa que estava completamente cercado e minado. Havia aquele anexo que impedia a visão e aqueles permissionários que estavam submetidos a uma situação de vergonha e de constrangimento por ali estarem no meio do lixo. Agora, eles vão estar dentro do Mercadão, contemplando a vista do rio Negro. Também há um projeto competente do Implurb, sob a direção do renomado arquiteto Roberto Moita, que prevê a retirada daquele guarda-corpo de concreto da área da Manaus Moderna e a colocação de um guarda-corpo elegante, permeável, de maneira a possibilitar a visão integral do rio. Manaus não tem por que ter vergonha do rio. Este é o rio mais bonito do mundo, mas temos que passar a enxergá-lo, e essa atual gestão está trabalhando incessantemente nesse sentido.

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Aleam discute dificuldades na contratação Com o objetivo de discutir os desafios e estratégias relacionadas à lei 8213/91, conhecida como Lei de Cotas, após 22 anos de criação, a CEL/PCD (Comissão Especial de Consolidação Relativa aos Direitos da Pessoa com Deficiência) da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas) reuniu órgãos públicos e empresas do comércio e indústria do Estado em uma Audiência Pública na sede do Legislativo

estadual na manhã de ontem. O propositor da Audiência, o deputado estadual Chico Preto (PMN) reconhece que ainda há muito a ser feito em favor das pessoas com deficiência. “Claro que gostaríamos de ter muito mais motivos para comemorar os 22 anos da Lei de Cotas, mas o que buscamos hoje é saber o que ainda precisa ser feito para dar mais respeito para as pessoas com deficiência, porque existem

muitos programas assistenciais, porém, quando a pessoa com deficiência encontra respeito, ela encontra oportunidade. É disso que as pessoas com deficiência precisam hoje: de respeito e oportunidade e não de pena”, afirmou. Com o foco no trabalho, o presidente da Adefa (Associação de Deficiente Físicos do Amazonas), Isaac Benayon, destacou as dificuldades dos deficientes na rela-

ção empregado-empregador. “A nossa intenção é estar inserido no mercado de trabalho, pois apesar de a Superintendência do Trabalho estar cobrando as empresas com relação às cotas, o emprego ainda é sinônimo de dificuldade para as pessoas com deficiência”, afirmou, fazendo referência aos 25 anos da Constituição Federal, que ampara as pessoas com deficiência. A procuradora do Ministério

do Público do Trabalho, Fabíola Bessa, parabenizou o deputado pela propositura da audiência, mas ressaltou que a visão das empresas em relação ao MPT, precisa mudar. “O MPT não pode ser visto apenas como cobrador das empresas, mas como aliado também, porque o MPT não atua sozinho. Aliás, é necessária uma unificação entre o MPT e os dados levantados pelas empresas”, afirmou, acrescentando que a

dificuldade no mercado de trabalho está dentro das empresas que geralmente não tem interesse em adaptar o espaço e as atividades da empresa às necessidades dos PCDs. Da mesma forma, o superintendente da SRTE/AM (Superintendência Regional do Trabalho), Dermilson Chagas, apontou dificuldades como locomoção que contribuem para a falta de interesse das PCDs. www.jcam.com.br


Entrevista Jornal do Commércio