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ANTOLOGIA

org. daniel minchoni


A N T O L O G I A


A N T O L O G I A

doburro

primeira edição. 2012

abelha anna zêpa bruno pastore caco pontes carol araújo carolina peixoto cena7 daphne cristina dan mabe enivo francisco f. b. pereira giovani baffô gegê moreira geraldo ladera indiara nicoletti ramos jerry batista jonas worcman de matos luciana araújo luís alexandre lobot lu’z ribeiro makarrão marília novaes marvin rantex mel duarte michelle sill nani sammir mauad sérgio marreiro sinhá sola thiago peixoto victor rodrigues wagner felipe tché zumi


© BURRO, antologia doburro / org. daniel minchoni são paulo: edições duburro 2012 doburro - ANTOLOGIA 1a edição - 2012 coordenação editorial daniel minchoni projeto gráfico daniel minchoni capa jerry batista 



“O burro Vai ele a trote, pelo chão da serra, Com a vista espantada e penetrante, E ninguém nota em seu marchar volante, A estupidez que este animal encerra. Muitas vezes, manhoso, ele se emperra, Sem dar uma passada para diante, Outras vezes, pinota, revoltante, E sacode o seu dono sobre a terra. Mas contudo! Este bruto sem noção, Que é capaz de fazer uma traição, A quem quer que lhe venha na defesa, É mais manso e tem mais inteligência Do que o sábio que trata de ciência E não crê no Senhor da Natureza.”

Patativa do Assaré


à rua, minha mãe aos poetas, minha voz ao sola, meus pés a a7ma, meu corpo a todos, minhas partes


quem não guenta joga mário.

quando idealizei o sarau do burro não pensei que fosse ter esse espírito indomado. de povo de rua. quando comecei a fazer, 2009, não sabia nem no que ia dar. quando comecei a formatar fazendo, dar cara a prêmio, não imaginava que, hoje, olhando pra trás, fosse julgar possível essa bagunça organizada. auto gestão. hoje sinto que mais que um espaço pra livre experimentação o sarau setornou um dos poucos espaços poéticos abertos ao diálogo. o formato sem microfone e sem inscrição, coisa insana em sampaulo, permite que se dialogue uma poesia com outra. simples assim. se um poeta fala alguma coisa que fere firme ou foge, é possível responder na lata. sem deixar a rima esfriar, sem ter que remeter a uma poesia remota, que faltou há 30 minutos atrás. não imaginei que iria virar selo e editar livros fuderosos. este, a segunda antologia. o quarto de um selo que já promete novidades em breve. sem delongas, apressemciem-se. burro drummond de assumpção poeta e doutor em literatura


a7ma

o espaço a7ma de arte, cultura e convivência é fruto da parceria entre o coletivo 132 e a fullhouse. lugar de ideias, cores, palavras e boa impressão. o espaço realiza exposições e eventos, tendo como alicerce a pintura, gravura, escultura, música e a poesia. promovendo assim encontros entre artistas, pesquisadores, estudantes, colecionadores, amigos, familiares, crianças e curiosos. a7ma acredita na arte contemporânea como movimento, criada e compartilhada com alma.


olhando dentro da lua jerry batista


olhando fora de si burro dumundo


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13 do empaca f: sérgio marreiro p: bruno pastore

para não ter costas e só ter ripas andar em reta e atravessar é a regra do mote trocar os sentidos macio tal como a infância movença antes das coisas tudo isso me leva a proferir ancorado antes da palavra o capote


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é menino de rua e ainda que expulsem que cuspam que chutem continua em todo lugar

poesia é comida caseira medicina popular é tempero brasileiro pra qualquer paladar

teimosia poesia é remédio sara febre tira tédio é simpatia traz o amor no mesmo dia

a: enivo p: victor rodrigues

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16 burrount bruno pastore

cenouras na valeta dizem da falta da respiração da queda dos exercícios as palavras estão coladas e no mínimo: descobrir uma nova língua


abelha

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do magarac lu’z ribeiro

ghost whiter cheguei atrasada porque não sabia o que escrever. rascunhei outros 10 textos antes deste, mas sendo realista, foge do meu conhecimento o teu gosto.  dizem que “amor” é um círculo desconexo: eu gosto de você, você gosta de lucrécia, lucrécia de herculano... herculano é ateu. estes desencontros compassados, quase me fazem esquecer o que tinha para te falar, exatamente no instante que mais te amo. eu que um dia quis muito mais, descubro em uma das várias vertentes do amor, que o que importa é estar perto, sentir-se parte. e hoje eu consigo pertencer ao seu mundo. não importa a colocação, hoje eu estou no pódio.

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abelha

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poesia concreta verde que dรก cheiro fumaรงa que dรก brisa ... esqueci!

20 burrus bur d: bruno pastore p: carolina peixoto


do equus asinus marília novaes

5 m min ab ud u em an ei m tos em c do e ci c inc nei u re nc in o m ló o co m eu gi só m m in s o, in in ut v fo m ut u os íci a i po o is os to m os uc su cin du s m eu , o fic co ci ro eu ci v i oc en m g u m nco o cop arr ê. te in as m c u p oi o o a fo in ar to to se p io u s a , o co ag pe se ba tos ta u. ou rc m. st é m pa , eb .. an ,o er te uit be qu pa o p ijo e ra ou s e er en co o i a lo p de m uq ar se ui ue a m jo to ce e . eu r. lho p ra ar r, a

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tic tac passa trem! passa trem! tá difícil, tá lotado!  quatro horas, não cheguei mais três horas pra voltar.  8, 9 horas do meu dia, pró- ativo, pró- trabalho. remoto, controlo.  controle robótico, é fibra de ótica.  luz! led. tv. i pod, eu posso, ele quer. não vai ter. ter comigo, ser meu amigo na internet.  sei quem sou. sou ser entendido, to meio perdido em tanta bifurcação - indivíduo, cidade, massa, todo, sociedade, teto, chão...

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do manman bourik d: gegê moreira p: luciana araújo


a: enivo p: thiago peixoto

foi vela notícia quente moinho queima transforma favela em pó.   outro acidente governo teima diz que foi vela, é só.

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na terra de um beijo só eu estou só com dó dos que respiram puro pó 25

nessa terra de um beijo só

do latim burrus anna zêpa

na terra de um beijo só onde todo mundo toma café eu me sinto tão só e vivo a dar rolé


a chuva é o céu com saudade do chão.

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DO ANARFA f: sergio mareiro p: sinhá e daphne cristina


cidades deveriam ser criadas em gaiolas


do ASNO p: geraldo ladera e thiago peixoto d: cena7

sem projeto, sem previsão. na tarefa de reformar o trajeto manutenção. recapeamento asfáltico. nada é concreto

em meio a dilemas de meias pretas, brancas ou cinzas reconstruo criações perdidas, situações em vida até que consiga algum conforto, ideias serão mais que bem-vindas

quem sou observo na frente do espelho quem fui percebo pela corrente no meu tornozelo

quais assuntos pendentes ainda me prendem, ainda me rendem? ainda vendem casas em bom estado mas é bom andar pelo teto para ver o estrago do piso ainda penso se estouro os miolos se for preciso atingir um juízo e escorrer dos limites tudo esta úmido. os rótulos descolaram não há registro nas caixas pretas. aviões nunca decolaram sem ofertas recomendaram a retirada do escalpo no laudo médico não fraudo meu saldo. não saúdo meu crédito

o que aconteceu? 

começo todo santo dia que passa pensando em soluções para problemas mal resolvidos a profundidade do corte em um golpe de sorte um ouvido absoluto para um luto não absorvido recolhendo estilhaços de vidro para um novo sentido novamente gestos, olhares, incertezas. sem palavras ou panos quentes

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aquarela paulistana no sinal vermelho o sangue azul vê um ser transparente branco de fome roxo de frio antes do verde a mão preta se abre o sorriso amarelo também o vidro fumê se fecha a cidade cinza diz: amém!

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sinhรก

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fast-food no horário de almoço gostaria de sentar à mesa comer com calma uma alimentação saudável conforme orientações que o médico que me deu mas a minha comida é mais rápida que eu

33 DO JERICÓ d: dan mabe p: victor rodrigues


do Cul p: geraldo ladera e jonas worcman f: sérgio marreiro

foi tudo despistado, descrito e revisado  direto da calmaria discreta que encurtava as idéias depois de um expresso com uma só diversão, aquela em que aperto um do cão que o diabo amaldiçoou saudosa maloca, eu com samba makosa num profile low escapo  em sampa midnight assessorado. eu sei que vou com mais alguns chegados comemorar nem sei o quê não lembro o que fazia, não me acostumei com o que sentia se tinha um endereço não saberia dizer sabedoria eu sei pelo menos que nunca vou ter exceto quando esperto for aquele que flutua discreto sem sinto muito, sintaxe ou cinto de utilidades. certo?

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se meus versos de amor não chegam até você é porque estão presos na marginal tietê

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integração corinthians na barra funda palmeiras em itaquera camisa verde e branco no bixiga cordão vai  vai  até santa cecília uma estação da linha amarela gravada com o nome dela fazendo integração entre mangueira e portela


DO JEGUE d: carol araújo p: caco pontes e luciana araújo

dentro de mim onde se chora quando ri, onde se chora quando chora. onde o tempo passa em outro ritmo ditado por nossa memória mais intensa... quando o pensamento se impõe de uma forma diferente do que penso... onde o coração dispara quando te vejo... seja por medo...  seja por desejo... nesse lugar onde a vela nunca apaga e o abraço parece eterno,  sinto que estou prestes a mergulhar no universo. é nesse lugar que meu medo se faz arte, que minha ansiedade se faz posicionamento.  que meu todo vira parte de mais uma história,  que se junta com outra história,  dando vida a mais um complexo estado de células e líquidos e sentimentos. quando tudo se faz silêncio...

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38 do burro de la roqueta jonas worcman

algum dia algum dia você vai despertar os meus mais belos versos de amor mas ainda não a conheço não sei se é ana ou alice o destino não chegou o destino não me disse se é brasileira se és estrangeira branca, negra ou mulata e a angústia de não te ver chega aos poucos e me mata então mantenho os meus versos abertos e sigo pela rua conversando com a cidade longe da realidade contigo vou sonhando eu sei que vou te amar só não sei quando


com posição se somos 80% líquido, que minha parte seja de: suor, saliva e gozo.

39 do de pensar morreu um d: enivo p: lu’z ribeiro mai


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abelha

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42 do burrot mel duarte

do sabor lindos são teus lábios que me tocam sem pudor, sem receio tua saliva que me queima teu gosto que não cabe em mim. se teu beijo é o que me sobra, quero viver infinito em tua boca.


feliz é a língua, que além de alcançar seu próprio céu, ainda tem um mundo cheio de outros céus para tocar.

do tolinho nani

língua

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noite sem lua sem estrelas apenas o infinito no finito de corpos nas luzes que se fundem nos cantos empoeirados nos resquĂ­cios dos nossos suspiros 44 DO BURRICO indiara nicoletti ramos

nas flores que caem por ter desabrochado antes do tempo noite no espaço no som da flauta na música do bar nas ondas do mar que se misturam com o correr dos carros noite sem nuvens repleta de sons e notas e acordes


45 do tÉcnico quando perde michelle sill

ululante diário porque as vezes me faltam palavras garrafas de ânimo e gelo para as lágrimas. e por isso fico acordada, admirando sua paciência em querer tudo. e seu sono sensorial passa e pousa no meu cabelo, como mosca  em amor incurável. garrafada na madrugada é só um cigarro e duas doses in-necessárias pra acabar-se com tudo, para logo cedo aplaudir a manhã e o sol que regurgita o óbvio ululante diário. porque todo dia de sol é bom pra lavar roupa, lavar o dia pela manhã.


46 DO que abaixa orelha sammir mauad

silêncio quando um burro fala o outro abaixa a orelha em tempos de vacas magras camelemos pela areia concreto em massa enche a laje sobe mesmo essa é a saída por que pobre sobe o sobrado mas nunca sobe de vida esvaída escorrida toca a ferida e mesmo assim frígida nua e crua, com um tapa na cara te acorda a fingida mais viva, piscou o olho de repente alastra pirraça mesmo que não queira apronta embaça ultrapassa repassa, escassa tá a vontade de perdê-la o medo a morte os homi a ordem a velocidade que espaça o que queira ser de repente um brado forte pinote aos magotes de trajes sujos fedorentos intelectos esculpidos em uma gama social além da letra e do alfabeto infecto infectante corrosivo alucinante inebriante ao toque do vento em seus cabelos em um instante tudo para a magia rara, tá nos zoio da cara, cara de bobo cara de bobo não, cara de burro que abaixa a orelha...


do tÉcnico quando perde sammir mauad

tss ai se os meus cisos falassem... diriam que de nada adianta a não ser, ser feliz. nascer, crescer, viver, morrer e às vezes tem quem diz. que tudo isso pode se tornar um loop, um bis. na próxima, se não fizer direito agora, quero vir como água, que corre, que lambe, que acalma, refresca, sacia e germina. ser fogo é ter disciplina. por que se abusa se queima.

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48 do INGUINORANTE nani

vermelho me desmanchei em vermelho e tudo que era nu. ficou rubro, tudo que foi branco, sangue. com uma frieza nauseante vocĂŞ me tomou por sua, gemidos ardidos mostraram seu gozo e eu, vermelha, permaneci derretendo, derretendo de re tendo tendo e sumindo indo indo.


49 do cavalinho buchudo a: tchĂŠ p: cena7

a vida vivida em sua crua forma d e f or ma.


transpolar nĂŁo existe yin sem yang in dependente do estado de espĂ­rito e da ordem dos fatores

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DO perissodátilo a: tché p: caco pontes e marília novaes

sem perguntas as pessoas só são interessantes quando não as conhecemos, por isso, não pergunte nada sobre mim, não sei nada a meu respeito.

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52 do ruço francisco ferraz barth pereira

branca de neve na libéria princesa, sorte a tua ter nascido sei lá onde numa terra sagrada, né não? se fosse a noite a escolhida pra cair sobre a tua pele cê seria neguinha neguinha e teria tido chance de ser mandada lá pra libéria quand’o tio sam teve clara consciência de que o montão de negros recentemente desacorrentados, soltinhos soltinhos, poderiam tomar a porra toda do seu país numa insurreição sangrenta... e aí sem dúvida que o algodão dele ia ficar todo empapado com a mais orgânica das tintas.   ah princesa, sorte a tua!   imagina só cê correndo, linda, pelo meio de um roseiral de carnívoras rosas, ainda descoloridas, loucas pra provar da sua carne real e vestir seu vermelho denso e colossal... imagina!   e se por força dalgum deus norteamericano cê saísse com vida... num instante estaria desvestida e sendo comida por um dois três daqueles ex-escravos que foram desovados por aí, na libéria. e aí, xi, difícil hein...   da sua coroa com o escrito ‘princess’ os caras só entenderiam a cor e as dentadas é que confirmariam suas analfabetas suspeitas   terminado o serviço, fácil fácil eles descolariam um facão e acenderiam um fogo pra o esquentar e, sem hesitar, invocariam o ritual dos africanos lá do sul e lhe cortariam a flor   dor, puta, ops, rainha do cacete, que pariu! dor dor dor! festejariam aos tapas pra ver quem é que teria a chance de preparar a delicada carne, deixando-a bem sequinha, pra depois botar na carteira e ir tirar a maior onda com os chapas canibais.   é, esses mesmos caras que não encanariam com sua pele mal passada e mandariam ver... entranhas e tud’o mais.   essa comilança os deixaria fortes o suficiente pra encarar uns aos outros em alguma outra guerra civil nesse fim de mundo onde o mosquitinho da malária janta e almoça em self-service.


e aí, uma vez selecionados os mais sanguinários, viria o tio sam - com a mesma barba branca como a neve do vietnã - e abriria as portas do seu helicóptero ‘rambo 2000’ num movimento de recruta traiçoeira pra ir lá pro iraque destruir os narigudos que cozinham supostos compostos radioativos   e cê foi junto, querida branca de neve. os nichos ecológicos são gigantescamente dispersos no planeta globalizado e, como algo de ti foi incorporado por esses guerreiros, lá se conserva, porque eles ainda não tiveram tempo pra cagar... bem vinda ao iraque. bum, pápápá, trálalalala!! cê virou fumaça, doce princesa. o vento soprou pr’oeste e te trouxe pra mim, ainda criança. eu te amo ainda.   mas, ah! princesa...! como me alegra saber que cê nasceu sei lá onde numa terra sagrada... e que a sua flor ainda está em ti conservada, ao invés de jogada dentro do plastiquinho da carteira de um ex-escravo americano, liberiano, que foi dar uns tiros no iraque e por lá a perdeu... 53 53 do mulo d: carol araújo


54 DO ESTúpido daphne cristina

singela franzina de touca e cachecol observa o passeio dos gatos recupera moedas ou nem isso sua vitrine é a rua corações em elétris - cidade sapatos sujos multidões intimidadas pela falta de intimidade


porangaba ainda me lembro das ruas de terra sem calçadas onde eu passava tardes a passear buscando cabisbaixa tesouros perdidos esquecidos empoeirados

e entre suas esquinas me deparei com outras meninas sem boneca sem bola sem patins blusa decotada batom vermelho cigarro entre os dedos infância perdida? vivida talvez com olhares atravessados no lugar do colo e dos abraços

55 DO teimoso indiara nicoletti ramos

uma estrada com final mágico uma carroça que se transforma em carruagem uma pedra preciosa pisada e pisoteada por tantos que ali passam


56 DO quadrúpede daphne cristina

violeta e amora moram na rua aurora argila ciranda passa na praça sorrindo brincando carregando uma marmita quente dia de chuva com gosto de cereja anjos de cabelos sujos sorrisos tortos escondidos na marquises pequena flor cor de sangue bolinha de sabão pedrinha de crack deita aqui tua cabeça acalma teu sonho de pedra acordar em uma calçada é ter no mundo a sua casa


um dia, não me lembro bem, descobri uma janela sem cortinas e um quarto sem janela.

57 do besta michelle sill

as cortinas da janela do quarto se via aquele pouco mundo de pequenas paisagens, sem tempo pra viagens pessoais procurava distração e as cortinas movimentavam-se em direções contrárias do meu pensamento parecendo braços acenando por atenção.


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lobot

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60 do burro 86 dp: marvin rantex e sola d: makarrão

ontem perdi muito, perdi quase tudo. do pouco que tinha. do pouco que havia. bandidos furtaram. minha identidade. minha honra. minha sorte. mas não os meus sonhos. por entre andanças. desvalor as conquistas. do desapego forjado. sobrou o que sou. buscar a essência. quando se perde mais que se ganha. reflexão calma e paciência. relâmpago. céu e terra. trovão. água e fogo. entre extremos o meio a solução.


ocorre muito de me dizer em atalhos mas Ă s vezes palavras me cedem trupicĂľes, sintaxes, parafernĂĄlias.

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62 do inhó p: wagner felipe e sola d: makarrão

calvário do poeta na sentença do meu verso bordas de caminhos que criei envolve a sentinela do passado que da tumba ressuscitei no calvário que sonha os homens veste o destino que convém torpe é essa vã moral acaba consigo mesmo e acredita capaz de amar alguém deixa a razão clarear-te a ideia lampeja resistência ao iníquo vê a si mesmo chicoteado pelo amigo e agradece por não viver em miséria espuma a ira de um animal racional permanece em silêncio o filho de deus os extremos na imatura simbiose vá cada um para os caminhos teus e me deixem em paz pois eu vi três cores e eram três sóis eu senti tanto amor e estava só no fundo morremos sozinhos no fundo vivemos todos juntos brilha a esperança e como luz pura torna-se menino esquece do passado e lança-se no futuro branco vê a verdade e chora de felicidade e na borda do caminho que trilhou colhe o que plantou na benção dos versos que pensou.


ocorre mais de me dizer em ataques mas às vezes palavras me distoam trepeças, sopapos, descamomilas.

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64 do trabalhador braçal wagner felipe

o fel eu vou cantar sobre o vicio e o ócio de vidas perdidas vou cantar na raiva pedindo um pouco de amor exalando meu desperdiço e minhas vontades irreais. como uma sobra, mendigo em sua mão. e sua contagem em meio à miséria são cifrões são mentiras olhe! não abandone um sonho! a realidade é feroz e assassina não posso só alegrar a massa com alegrias falsas carregadas de frustrações. esse sorriso é mentiroso? ou é de uma criança que sorri inocentemente as vésperas de ser abatida pela foice do inimigo? minha injúria alimenta o acordar mas não peço guerra quero paz eu  vou cantar para o gueto no berço da elite transformar a arte em interferência social transformar a arte em conteúdo e armamento de desalienação eu não vou alegrar a massa vou cutucar a ferida anestesiada pelos meios de comunicação invés da bunda irei mostrar minha ira dosada com resquícios de amor eu não sou a mosca da sopa, nem o caldo salgado da omissão. muito menos o prato ou o talher da convenção, talvez a vontade de cuspir na tua cara ou vomitar no seu sofá se sabes da ira de um homem se sentes o fel da raiva tenhas medo de mim porque quando a injuria explodir quando eu já não puder mais me conter será a sua vez de sentir o peso do mundo! as artes os povos os justos todos de pé injustos ajoelham e recebam o perdão é chegada à revolução sem uma gota de sangue.


por moedas fazem sofrer. porém, mortais!!! e depois, o que será? a outra face da moeda no oculto.

são os ócios do ofídico. a estranha percepção da realidade, não seria tão normal como a gravidade. mistérios, segredos e coisas ocultas. e as verdade mais graves.

ignorantes, praticando o mal. ignoram, o correto e as mudanças que estão para ocorrer. compartimentos de tempo e espaço. cuidado! em algum momento eu que vou poder.

outrora, paraíso. hoje terra amaldiçoada. espaço finito, no infinito. o começo e o fim. os comerciais. a seguir cenas dos próximos capítulos. nossa novela existencial.

65 donkey’s gegê moreira

humanidade, família, natureza e mulheres. questões diversas para me preocupar. cansei, já não dá para suportar. cachorro sarnento, sai prá lá.

olho para o alto. brilha o sol, o céu azul. divindades, observam. horrores e corrupção. cega humanidade, perdida. não vê a verdade no coração.


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zumi

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virada na virada que não se via o silêncio gritava não pedia socorro não era fome, nem sono humanos que deixaram os seres tão vazios e perdidos escondidos pelos risos da sé silenciados pela música do gil eram ignorados, mas não despercebidos ignorados, não despercebidos silenciados pela música do gil escondidos pelos risos da sé tão vazios e perdidos humanos que deixaram os seres não era fome, nem sono não pedia socorro o silêncio gritava na virada que não se via

do jumbaim carolina peixoto 68


69 69 dele p: marvin rantex

cedo, bem cedo acordado desde antes já não preciso de relógio. despertei sem dormir. da longa noite curta. percebi. ao longe. dentro de mim envolto ao escuro reflexão portas batiam. despertei sem dormir. acordei sem fingir. ainda era noite. planejei não fugir.


Burrus Estudiantesis p: zumi d: sammir mauad

pienso, y te pienso... que ya no se va a poder mas volver el tiempo atrĂĄs, que ya no vamos a poder indagar en el misterio. tu pedido de estereotipo y el silencio del pasado me hicieron perder el coraje de todo aquello que querĂ­a decirte... ahora nos contemplamos de lejos y ya no volveremos a actuar naturalmente... cruzar miradas hasta que duele, encontrarnos incomoda, y al futuro... la nada misma... si, esta realidad es la que acepte, sin reclamar... silencie y le di la la razĂłn a un loco confundido.

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p: zumi hqp: sola ge ladeira kika

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enivo

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viagem interestelar fotografada pelo celular

Burrex giovani baffô, anna zêpa e marvin rantex

cartões de crédito, garrafas pet esse momento ainda não está na internet não preciso de petróleo para voar o meu espírito não carregará mentiras acopladas


assim como em cacau pisou meu coração. até moer.

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seppuku

dois palmos de lágrimas dentro do meu poema samurai saudoso de honra instintiva uma lenda vã de ventre partido.

do mata-burro anna zêpa e giovani baffô

um ganir de vítima...

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abelha voa anna zêpa é potiguar. atriz. alguém experimentando a vida e que se arrisca a riscar palavras. bruno pastore nasceu em guarulhos, é pai, poeta, publicou a saga de writer e em seu blog (literalmentepastore.blogspot.com) intitulado “documentos para um estudo da alma”e crê piamente  que a arte que não está a serviço do templo, rouba o templo. caco pontes é poeta, ator, produtor cultural e ex-estelionatário. pai de martim, autor de o incrível acordo entre o silêncio & o alter ego (annablume, 2008), prepara sensacionalíssimo, a sair pelo selo poesia maloqueirista, faz vocal, percussão, corpo e letras nos projetos musicais arrimo e experimento prosótypo. participa do projeto barrafonda, com a cia. são jorge de variedades. carol araújo é designer gráfica criativa! amante da arte, cultura e boa música. cinéfila convicta, viciada em teatro e escrava da literatura. ilustradora por paixão, poeta por acaso, adora brincar de ser fotógrafa nas horas vagas. carolina peixoto é pedagoga e agente cultural. trabalhou por quase 10 anos em escolas, atualmente é agente cultural na empresa conecta brasil, formatando e agenciando projetos que valorizam a cultura brasileira. é coordenadora editorial e autora no blog de cultura conecta-brasil.com e escreve poesias para o blog dispersoemversos.blogspot.com.br

do vermelho

cena7, como michel prefere ser chamado, se mistura com arte desde os 15, artista plástico, poeta e produtor cultural, agora com 26 é um dos 80 idealizadores do sarau do fórum de hip hop, é do coletivo povo (pessoas organizadas vencem opressão) mas, foi sempre pelas ruas com sprays e látex que trilhou seu caminho. dan mabe é artista plástico, já expôs seu trabalho em lisboa, londres, frankfurt. atualmente seus trabalhos tratam de temáticas ligadas ao cotidiano urbano. enivo pinta, inventa e agora cura. francisco ferraz barth pereira, apaixonado, intenso, educado, cavalheiro, cabeludo, amoroso, autêntico, seguro, lento, consistente, fofo, sensível, íntegro e com um senso de humor fora do comum. giovani baffô só curte poema curto. gegê moreira (sub.comandante-chefe dark scouts) cursou gestão ambiental, escreve, pinta e faz esculturas de bambu, escoteiro-punkado das ideias, desenvolve projetos de educação ambiental e produz hortaliças orgânicas. geraldo ladera. 31 anos. natural desaguador de ideias. distribuidor de assuntos aleatórios. tonto. indiara nicoletti ramos, nasceu dia 09/07/1979 em são paulo/sp , bairro de santo amaro, onde passou sua infância. em janeiro de 2001 mudou-se para florianópolis/sc onde atualmente cursa a graduação de bacharelado em artes plásticas na udesc. em 2008 participou da antologia sto. largo treze, ed. annablume. atualmente trabalha com literatura, gravuras e cerâmica. jerry batista é artista plástico e arte-educador especializado na linguagem do graffiti brasileiro. jonas worcman de matos nasceu há 17 anos e por enquanto não é nada da vida. nasceu de parto normal, mas de resto a tendência tem sido oposta...


luciana araújo é atriz e cineasta. desenvolve um projeto de livre improvisação com poesia no grupo marco nalesso e a fundação. integrante do coletivo de performance urubus e do projeto de livre improvisação entre música e pintura: cuidado tinta fresca. formada em cinema pela faap. luís alexandre lobot é graffiteiro, desenhista , operador de frequências sonoras e diretor da turma da janela no sarau do burro. lu’z ribeiro é suburbana paulistana convicta se fez lu’z ribeiro. percorrida 25 léguas, diz que não acredita em astrologia, mas de capricórnio sabe muito. para saber mais leia o seu eterno contínuo. makarrão é artista de rua e arte educador. marília novaes, 25 anos, descabelada e ousada, usa a arte para sustentar a vida e trabalha para sustentar a arte. atriz e estudante de letras, procura na cultura popular sua fonte de inspiração. marvin rantex é marvin rantex. mel duarte, 24 anos de vida sendo 15 deles dedicados a poesia. tem como enredo o amor, a paixão e a relação entre os seres humanos. é tão carente como qualquer outra de suas iguais e tão única como todas as milhares. michelle sill é contadora de histórias, clown, poetisa, livreira. mantém parceria com o coletivo freak out muzik, onde tem criações poéticas e musicais com byra dorneles. na internet publica em seus sites: teorias do sill e a noite é uma poesia. nani é uma menina sorridente que gosta de cantar, e de vez em quando, brinca de escrever. mais conhecida como nani geissler.

sérgio marreiro, artista-plástico em humanas, programador em exatas. procura conciliar na fotografia esses dois mundos que são a ciência da física, da matemática e da química com a poesia das mais de mil palavras ainda não ditas das imagens. sinhá quer o sagrado das ruas e a calma de estar em si. longe da frieza dos mundos. amor por tintas palavras. sola tem como livro de cabeceira: escolha o título (jovens escribas, 06), devolva meu lado de dentro (sinhá, jovens escribas, 12) a saga de writer (pastore e lobot, doburro, 12) e doburro (doburro, 11). tché é escultor, graffiteiro e faz parte do coletivo132. thiago peixoto diretor da conecta brasil, formado em comunicação institucional, com mba em comunicação corporativa. há quatro anos atua como assessor de imprensa e atualmente é repórter das revistas tracbel magazzine e tracbraz news. além disso, é poeta, compositor (vocalista da banda apologia groove), e faz parte do time de poetas da cooperifa – cooperativa cultural da periferia. publica suas poesias no blog disperso em versos. victor rodrigues é uma praga de poeta e se espalha no canto que der. mesquiteiro maloqueirista, faz poesia pra incendiar o país. fala sozinho em conversocomversos.wordpress.com wagner felipe é o wagnão. zumi é artista do coletivo132.

do catalão

samir mauad, paulistano, 32 anos, casado, reservista, escritor de rua, poeta, repentista, pichador, há 8 anos escreve odeie seu ódio e ou ame seu amor.

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doempaca

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83 do que rincha

co e aca come e acaba do come e aca beรงa tud o caba eรงa tu com e aca abeรงa tudo come e acaba cabe tudo comeรงa e acaba na cabeรงa ricardo aleixo

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tu


de burro pra Burro: DoBurro, a antologia, nasceu do Sarau Do Burro. ele, DoBurro, sabe que nunca vai ser melhor que seu mestre e pai: Sarau Do Burro. Mas ele vai firme em seu segundo livro mostrando que também pode ser inspirador, contagiante e certeiro. E como seu pai gosta mesmo é da diferença, da diversidade, do monte de tudo de muito. DoBurro segue agradando seu mestre e discípulos. Agarre o seu.

sinhá


antologia sarau do burro