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Caros seletianos, seletianas, colaboradores e parceiros. Os últimos meses foram tempos de grandes conquistas. E é nesse espírito que entregamos a nova edição da Visão Seleta. Este é um tempo de renovar compromissos, de recordar os motivos que trouxeram nossa entidade até aqui. Nesta edição priorizamos os assuntos relativos aos direitos das pessoas como cidadãs, como seres humanos. Sabemos que “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, mas que nem sempre essa premissa é acatada.

Gabriel Moreira dos Santos Presidente da S::S::C::H::

É importante saber que a cidadania significa, em sua essência, o direito de viver decentemente. O direito de ter direitos é uma conquista da humanidade. Vemos muitas dificuldades a serem enfrentadas nesse âmbito, no entanto, há entidades, órgãos públicos e privados tentando obter resultados positivos no combate ao desrespeito. A Seleta, desde o princípio, está nessa empreitada. Reconhecendo e respeitando as diferenças para chegar à igualdade, na esperança de um mundo melhor para todos. Portanto, lembramos aqui dos direitos, do trabalho, da importância da união dos povos, da integração, da história, dos bons exemplos, da compreensão mútua, da ação, da liberdade, da beleza e da renovação. É a celebração da vida! Esperamos que esta mensagem toque, de alguma forma, você, leitor. Venha conosco!

Revista Visão Seleta é uma publicação da Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária Presidente: Gabriel Moreira dos Santos 1º vice Presidente: Amilton Nantes Coelho 1º Secretário: Milton Rosa Sandim 1º Tesoureiro: Alfredo José de Arruda Diretor: Vilson de Freitas Assessor Jurídico: João Maciel Neto

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Jornalista responsável: Nádia Bronze /DRT 141 MS Diagramação: Alex Freitas Responsável Gráfico: Alexandre Belchior Capa: Alexandre Belchior Produção e comercial: Marcia Rodrigues

Revisão: Valéria Valli Seffrin Tiragem: 2.000 exemplares Impressão: Grafica Seleta Rua Pedro Celestino, 3283 Bairro São Francisco CEP: 79002 -320 | Fone: 67 3356 -1525 Visão Seleta Setembro, Outubro | 2008


índice

Maria Elisa Trouy Galles 04ENTREVISTA

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CEDHU “Defender os direitos humanos é defender a vida”

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CIDADANIA Ministro sugere diálogo no conflito entre produtores rurais e indígenas no Estado

Um exemplo de vida 10TRAJETÓRIA

12MULHER Empresária de sucesso

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COMEMORAÇÃO Quadro de Campo Grande completa 82 anos

Visão Seleta Setembro, Outubro | 2008

18HISTÓRIA Mato Grosso: Terra de Missão

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CONSCIÊNCIA AMBIENTAL Catador é indicado a prêmio nacional

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Entrevista À Senhora Tereza Achucarro Rainha do Comércio de Campo Grande Abram as Musas suas urnas e redomas Do Perfume! E disperse-o Sôbre a encantadora Rainha do Comércio Um delírio mágico de aromas! Quiz o Destino que sua Realeza Fôsse caprichosamente uma Tereza Para rimar com – Beleza – Com Delicadeza Com subtileza! Pouse sôbre a fronte de S. Majestade O ósculo dos deuses! E que Ela comande A sorrir, em tôda a sua jovialidade, O Destino imenso da Cidade, - o surto – evolução de Campo Grande! Abram as Musas suas urnas e redomas Do Perfume! E disperse-o Sôbre a encantadora Rainha do Comércio Um Delírio mágico de aromas! Pedro Medeiros *

* Destaque que D. Maria Elisa Trouy observou no livro do pai, Aguinaldo Trouy, sobre o poeta corumbaense Pedro Medeiros, publicado em 1966. O poema foi divulgado originalmente na Revista “Fôlha da Serra”, publicação mensal fundada e dirigida por Trouy, em 1931. Os versos foram transcritos na mesma linguagem utilizada na época.

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Entrevista

Maria Elisa Trouy Galles A equipe da Revista Visão Seleta foi recebida para um bate-papo com Maria Elisa Trouy Galles. Durante a conversa, ela falou da admiração e respeito pelo pai, Aguinaldo Trouy, um dos fundadores da Seleta Quadro de Campo Grande, além de contar sobre fatos da própria história do Estado. Tudo isso sob os olhos atentos e ternos do marido, Lutfalla Galles, que conheceu em Ribeirão Preto (SP) e com quem é casada há 47 anos, teve três filhas – uma já falecida – e três netos. Formada em farmácia-bioquímica, mostra sua paixão pelo estudo e o orgulho de fazer parte da implantação do que veio a se tornar a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Lembrança - Encontrei uma senhora e ela me perguntou de quem eu era filha e respondi que era filha de Aguinaldo Trouy. Ela me disse então que só tinha conseguido estudar graças à S::S::C::H::, pois era o único colégio próximo. No bairro do Cascudo (onde, atualmente, é o Bairro São Francisco) não havia escola. Como a família dela era muito pobre, não tinha dinheiro nem pra comprar material escolar. Então ela estudou na Seleta e chegou até a ser assessora do secretário de Educação. Ela me disse: Tenho um prazer muito grande em conhecer você, porque o S. Aguinaldo foi nosso grande benfeitor. Foi um sucesso aquela escola. Eles implantaram o ensino profissionalizante. O papai deu uma máquina de tipografia para os alunos aprenderem a ser tipógrafos. Seleta - A semente da S::S::C::H:: é muito bonita. No bairro do Cascudo não tinha nem escola. Era só barro e buraco. O ônibus só chegava até o (Colégio) Dom Bosco e parava. A Seleta foi pioneira ao implantar merenda escolar e lanche para os alunos. Hoje, a Seleta cresceu tanto que a gente nem reconhece mais! Quando eu era criança, a Seleta já existia, mas era pequena. E cresceu com a ousadia dos fundadores. Inclusive, os três filhos de D. Maria Leite de Barros, primeira professora de Corumbá, trabalhavam na S::S::C::H::, Sr. Arthur, José Martins e Geraldino de Barros. Os três também participaram da fundação da Seleta. O Sr. Wilson Barbosa Martins foi levado pra S::S::C::H:: pelo papai, onde está há 61 anos. Eles eram amigos, conversavam sobre isso. O que o papai pensou mesmo foi no ensino profissionalizante, como a Seleta tem hoje. Quiçá um dia terá até uma faculdade. Isso não é impossível. Pai - Perdi minha mãe com pouco mais de um ano de idade. Então fui criada só pelo meu pai. Talvez, por isso, eu me acheguei muito a ele. Visão Seleta Setembro, Outubro | 2008

A gente conversava muito. Estávamos sempre junto. Ele era meu modelo. Gostava de poesia, de ler sobre guerra... Ele tinha uma biblioteca maravilhosa, que doei para a prefeitura. Papai possuía livros que você não encontra atualmente nem em sebos de São Paulo. Não sei se os livros foram aproveitados. Se pudesse os teria doado para a biblioteca da UFMS, mas ela nem existia na época. Hoje a biblioteca é climatizada, não tem perigo de estragar o papel. Eles cuidam do acervo. Papai queria ver o bem de todos, principalmente na área da educação. Papai não estudou. Ele só fez até o curso primário. Mas escrevia muito bem. Ele publicou um artigo no jornal Correio do Estado sobre um colega dele, Pedro Medeiros. O pessoal do jornal, o Sr. Barbosa, gostou tanto do artigo, que papai mandou imprimir. Ele só chegou até o primário, mas chegamos a nos corresponder em francês. Era autodidata. Tudo que ele sabia era por ler. Enquanto eu estudava num internato em Campinas, escrevia para ele em francês e ele respondia. Pioneirismo – A convite do professor Coronel Hércules Maymone, que era muito amigo do meu marido, formamos um núcleo para implantar a Faculdade de Farmácia e Odontologia. Veio uma comissão do MEC para ver como estava sendo implantada essa escola. Queriam ver as condições do laboratório, se havia policlínica... Mas era tudo muito ‘de pé quebrado’. Então o Coronel mostrou tudo da farmácia do Hospital Militar e disse que as aulas dos alunos eram ali. Mas, na verdade, não era! Isso tudo para que o MEC desse o alvará para que continuássemos a nossa luta! E continuamos! Devemos muito ao pioneirismo do professor Hércules Maymone, Arthur de Barros. UFMS - Sou professora-fundadora da Universidade Federal (UFMS). Do núcleo da Faculdade de Farmácia e Odontologia virou Instituto de Ciências Biológicas, veio o curso de medicina e todos os outros cursos. Não podemos deixar de falar, que o grande idealizador disso tudo foi o Dr. Pedro Pedrossian. Quando ele foi governador, implantou a Universidade Estadual de Mato Grosso aqui e outra em Cuiabá. Quando o Estado foi dividido, a nossa universidade se federalizou e a de Cuiabá também. Ensino - O que tenho um pouco de receio, é que o ensino público não é prioridade. Temos um hospital na Federal que está caindo. Ainda bem que temos gente muito qualificada lá dentro. Tínhamos que ter mais investimento. Veja que as outras universidades são diferentes da nossa. Nós não temos laboratórios de produ-

ção de medicamentos, por exemplo. Temos gente muito boa na área, mas que não pode fazer uma pesquisa. Muitos cursos cresceram, como o da odontologia. Mas não estamos no nível de uma Unicamp, por exemplo. O Estado de São Paulo tira uma fatia do ICMS para as universidades, o que dá a elas oportunidade de crescer. É diferente daqui. Dedicação - Temos gente de muito valor no hospital da Federal. Que trabalha só por dedicação. Lá tem um professor do setor de doenças infecto-contagiosas, Dr. Rivaldo. Ele é um pesquisador. Tem um mérito muito grande. É a simplicidade em pessoa. Ele é de Glória de Dourados. Tem todos os títulos que você puder pensar. Com o seu prestígio, conseguiu junto ao MEC implantar o hospital O Dia. Falo muito sobre isso, porque é encantador ver a equipe que trabalha com ele. Eles só trabalham com soros-positivos para AIDS, pessoas com hepatite B e C, tuberculose. E nesse hospital, as pessoas podem ir tomar o remédio e ir pra casa, para que não haja um custo tão alto. Eles criaram uma ONG que está no início, da qual sou presidente, que se chama Missão Saúde. Lá trabalha toda a equipe do Dr. Rivaldo. E eles só ganham o razoável. A Missão Saúde fez um curso para 150 médicos e enfermeiros, recentemente. Os profissionais têm que se atualizar, porque a ciência não pára. Eu também tenho necessidade de me atualizar. Se tem coisa nova, eu quero aprender. Gratidão - Eu poderia ter feito vários outros cursos, mas minha filha do meio era doente. Ela viveu por 14 anos. Mas digo que sempre fui abençoada por Deus. Meu marido foi um ‘companheirão’. Por nove anos tive uma única pessoa que ajudou a cuidar da minha filha. Ela deu nove anos da vida dela para mim. Até hoje ela se corresponde comigo. Mora longe, mas sempre que pode vem me visitar. Para que eu fizesse uma titulação maior, teria que ficar fora do Estado, pois aqui não havia cursos de pósgraduação na época. Mas como eu poderia deixar minha filha e meu marido sozinhos? Ainda bem que ao longo da minha vida fiz grandes amigos, até dentro da Universidade. Trabalho - Dia desses encontrei um ex-aluno e outros três que estavam esperam para consultar. Ele me abraçou e disse para os outros: Imagine que quando eu era aluno iria beijar essa fera! Mas hoje, se preciso encaminhar alguém, ele diz que o consultório dele é meu! Fiquei 27 anos em sala de aula. Na era Collor, me aposentei. Detestei a aposentadoria, voltei e fiquei mais oito anos!

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CEDHU

“Defender os direitos humanos é defender a vida”

Oscar Martinez fala sobre os progressos e dificuldades de implantação do Plano Nacional dos Direitos Humanos

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om o tema “Democracia, Desenvolvimento e Direitos Humanos: Superando as Desigualdades”, aconteceu nos dias 14 e 15 de agosto a V Conferência Estadual dos Direitos Humanos, em Campo Grande. O evento, que antecede a 11ª Conferência Nacional, ocorre no ano em que se comemora o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O objetivo principal é a revisão e atualização do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). Segundo o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (CEDHU/MS), Oscar Maurício Martinez, a Conferência serve para discutir propostas e encaminhar prioridades de cada Estado para uma melhor reformulação do PNDH. “A segunda versão do Plano Nacional dos Direitos Humanos continha 518 propostas, e dentro desse Plano, algumas coisas já foram implementadas. Agora, com a 11ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos, o Brasil está fazendo a sua tarefa de casa, que é fazer a revisão e também propor novas ações”, explica. Ele discorda de que o trabalho dos direitos humanos seja a proteção de criminosos. “A situação que se vê no Brasil não é só a do desrespeito, mas, muitas vezes, a de descaso. Os direitos humanos, na sua universalidade, de forma democrática, observam

também aquelas pessoas que estão em situação de vulnerabilidade. Os direitos humanos não defendem os bandidos. Quem defende os direitos humanos, defende a vida”. Martinez considera ainda que se deva defender a vida, indistintamente da condição do outro. “Defendemos a vida, mesmo que o cidadão ou a cidadã deva pagar uma penalidade. Trabalhamos pela promoção e recuperação dessas pessoas. Todo o ser é passível de perdão. Então, tanto o que comete um crime quanto o que sofre esse tipo de violência deve ser atendido”, ressalta. Para ele, o Estado apresenta dificuldades peculiares na garantia dos direitos humanos. “O grande desafio que enfrentamos para implementar o Plano é o estigma que tem o nosso Estado, com relação à parte de fronteira por questões de tráfico de drogas. Outra questão bastante relevante é a das terras dos nossos povos indígenas”. Martinez continua dizendo que o “Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena e mesmo que muitos já tenham sua terra homologada e reconhecida, é importante fazer com que essas populações não sejam estigmatizadas por sua forma de viver. Urbanizá-las é importante, mas urbanizá-las Visão Seleta Setembro, Outubro | 2008


CEDHU dentro de um contexto social, moral e de direitos também. Os indígenas que vivem hoje na cidade, ficam à margem, e à margem é que não podemos viver”. Conforme o presidente do CEDHU, o Brasil é signatário de vários pactos que têm que ser amplamente divulgados e discutidos, e também devem ser estabelecidos como política de governo e de Estado. Para ele, é necessário mais investimentos. “Investimento em direitos humanos vai desde a educação até a promoção da vida, assim como a saúde, a educação e a sobrevivência dos povos. Falta investimento para uma vida digna das pessoas, para que elas possam viver em harmonia. Na diversidade que temos hoje, todo ser humano tem que ser respeitado dentro dos seus limites”, conclui. Declaração Universal dos Direitos Humanos As conferências municipais, estaduais e nacional de direitos humanos acontecem num momento em que são comemorados 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O documento foi lançado em 10 de dezembro de 1948 pela ONU (Organização das Nações Unidas), ao final da 2ª Guerra Mundial. A ONU fez o manifesto para assegurar a paz entre os países, que só seria viável com a garantia das condições básicas de igualdade e justiça. A idéia central da declaração é mostrar que todos os homens e mulheres nascem livres e iguais em dignidade e direitos. A Constituição brasileira de 1988 especifica, entre os fundamentos do Estado nacional, a cidadania e a dignidade da pessoa humana. Já o artigo 5º da Constituição Federal explica que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros

residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. A Constituição também amplia a concepção dos direitos humanos, antes restrita aos direitos civis e políticos, e consideram como direitos sociais: a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, e a assistência aos desamparados. A concretização dos direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais é considerada fundamental para a efetivação do princípio da igualdade. Este princípio, por sua vez, contribui para a inclusão social, já que diminui os fatores de exclusão. Desigualdades sociais - O Brasil ainda é considerado um dos países mais desiguais do mundo. Os 20% mais pobres do País apropriam-se de apenas 2,8% da renda nacional. De outro lado, os 20% mais ricos detêm 61,1% dessa renda. A discriminação racial e de gênero, somadas à forma de distribuição e à concentração do espaço territorial, também intensificam as desigualdades no Brasil. Dois terços da população pobre brasileira é negra, e a metade desse total vive abaixo da linha de pobreza. Essa proporção, de 46,3%, é duas vezes maior que a observada entre a população branca, que é de 22,9% (dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea). Outra questão que ameaça os direitos humanos é a violência na sociedade brasileira. Na prática, o problema é vivenciado pelo aumento do número de homicídios – principalmente entre negros -, abuso sexual contra crianças e adolescentes, trabalho escravo, criminalização da pobreza e violência contra as mulheres.

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Cidadania

Direitos Humanos Ministro sugere diálogo no conflito entre produtores rurais e indígenas no Estado

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ministro Paulo de Tarso Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, esteve em Campo Grande, no dia 15 de agosto, durante a V Conferência Estadual dos Direitos Humanos. No evento, Vannucchi falou sobre temas como anistia, criminalização dos movimentos sociais, preconceito, violência, segurança pública, educação, e deu especial atenção a respeito do problema da demarcação de terras envolvendo produtores rurais e indígenas no Mato Grosso do Sul. “A questão no MS é muito delicada. É preciso que haja uma compreensão, diálogo e muito espírito democrático, porque os pontos de vista são muito polarizados. Aqui tem que haver respeito pela população indígena e, ao mesmo tempo, tem que haver compreensão pelas necessidades do desenvolvimento econômico, sua pujança agrícola e pecuária. Realmente, através de diálogo, diálogo e mais diálogo é que acharemos o caminho do meio, uma solução aceitável para todos, que finalize com as violências”, ponderou. Ele diz ainda que é necessário abolir as execuções primárias as quais os indígenas têm sido vítimas. “Se optássemos pela lei “olho por olho, dente por dente”, a popula-

cutir, não somente com o presidente da República, mas com a Funai para que, imediatamente, sejam abertas todas as portas para dialogar e construir uma solução negociada e com grande aprovação”. Ele lembra que a demanda judicial já está presente na questão indígena há muito tempo e acredita que isso dificulta o diálogo entre as partes. O ministro compara a situação do embate entre índios e produtores no episódio Raposa Serra do Sol, em Roraima, e o caso do Mato Grosso do Sul. “Lá os índios estão sendo confrontados por uma minoria muito clara de produtores de arroz que são recém-chegados no estado e que, inclusive, desafiaram o poder público com resistência armada. Bombas explodiram e, esse processo foi interrompido por decisão do Supremo Tribunal Federal. O MS tem uma vasta população indígena, mas ao mesmo tempo tem uma expansão agrícola e pecuária incomparável. Não se pode dar o mesmo tratamento para os dois casos”. Para Vanucchi, “a solução aqui não é de jagunços contratados eliminarem pessoas como Marçal Tupã-Y (Marçal de Souza), Durvalino Rocha, e os que se identificam com a causa

principalmente no estado de Mato Grosso do Sul e defendeu os direitos das minorias. “O direito humano é a celebração da vida! Da vida no sentido de sermos diferentes, de termos brilhos, cores e cheiros diferentes. Celebrar e reconhecer o valor da diversidade é o dínamo que impulsiona o poder público a avançar”.

ção seria toda de banguelas e de cegos. Precisamos respeitar e compreender a lei. Todos somos escravos da lei”. Segundo o ministro, ele leva para Brasília documentos elaborados pelo governo do Estado sobre a questão. “Levo documentos que recebi e preocupações do governador para dis-

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indígena, como a prefeita Dorcelina Folador. É inaceitável que a situação da impunidade seja de regra. É preciso que o judiciário entenda: todas as pessoas que rompam com as leis e pratiquem crimes não podem permanecer livres”. O ministro reconheceu o grave problema enfrentado pelas populações indígenas,

Vanucchi fez ainda um apelo aos participantes, incentivando os movimentos sociais a lutarem pela defesa dos direitos humanos e lembrando o dever de todos de respeitar os diferentes. “É preciso reconhecer o olhar das minorias. A democracia é sim respeito à decisão da maioria, mas respeitando também, ao máximo, as Visão Seleta Setembro, Outubro | 2008


Cidadania

idéias das minorias”. Sobre a questão discriminação racial, o ministro disse que no Brasil foram criados programas de inclusão educacional através de cotas que “vem revelando resultados espetaculares, derrubando os preconceitos anteriores de que as pessoas que cursassem uma faculdade pelo sistema cotas seriam inferiores”. Ele aponta que, em muitos casos, os ingressados por sistema de cotas têm um desempenho e um resultado melhores do que os dos demais. “O que se quer é tratar de uma maneira desigual os desiguais para produzir igualdade. Se em 10 anos de ação afirmativa de cotas houver um equilíbrio entre afrodescendentes e de outras origens no serviço público, no parlamento, nas novelas de televisão, nos jornais, não haverá mais necessidade de sistema de cotas porque a igualdade, ponto de partida para a concorrência, estará assegurada a todos”. Na ocasião da Conferência Estadual, o ministro e o governador André Puccinelli assinaram três termos de adesão aos programas desenvolvidos pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. Ambos aderiram ao Compromisso Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência. No documento, os governos federal e estadual se comprometem a atuar na melhoria da parVisão Seleta Setembro, Outubro | 2008

ticipação da pessoa com deficiência dentro do mercado de trabalho, oferecendo qualificação profissional específica para esse público. “Os pactos assinados representam um diálogo entre as esferas federal e municipal e os movimentos sociais. No Brasil, especialmente na área dos direitos humanos, as ações têm que ser sempre integradas entre os entes federados: união, estados e municípios, e os três poderes”, afirma o ministro. A proposta reforça ainda a ampliação da acessibilidade, focando a construção de habitações adaptadas, escolas com as modificações necessárias, além de melhorias no transporte e infra-estrutura. O segundo termo irá fomentar as atividades de garantia dos direitos da criança e do adolescente, conforme o decreto federal de 11 de outubro de 2007. De acordo com o ministro, o Brasil “é um dos poucos países de

vanguarda que possui um documento (Estatuto da Criança e do Adolescente) que abandona a idéia de tutela e reconhece o jovem como ser de direitos. Infelizmente, a criança e o adolescente ainda não são reconhecidos como prioridade absoluta”. No documento consta a realização de projetos de auxílio às crianças em territórios de grave vulnerabilidade à violência, para favorecer o desenvolvimento integral dos jovens. O decreto pretende ainda implementar o Sistema Nacional de Atendimento Sócio-educativo (Sinase), para qualificar a execução das medidas sócio-educativas, garantindo o pleno respeito aos direitos dos adolescentes infratores. O termo de adesão assinado compreende inúmeras ações referentes ao subregistro de nascimento, sendo a primeira, identificar a população sem registro civil e a população sem condições financeiras de acesso à documentação básica (RG, CPF e Carteira de Trabalho), além de mapear as localidades. “Com o Plano sendo reforçado, estaremos estabelecendo prazos e ações envolvendo as Forças Armadas, governos estaduais e municipais, para diminuir esse subregistro para os patamares dos países mais avançados. Quem não tem registro não tem acesso aos programas sociais. Por isso é que o PNDH é tão importante. É para o Brasil se conhecer. E quem não tem identidade acaba não sendo reconhecido diante da própria lei”, aponta Vanucchi. Números - No Brasil, 12,7% das crianças e adolescentes não possuem registro civil, de acordo com as Estatísticas do Registro Civil 2006, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica). Esse índice é menor em Mato Grosso do Sul, onde 7,4% das crianças não foram registradas antes de completar um ano de idade, no ano passado. O Estado está mais próximo do patamar de erradicação do subregistro, se comparado com outras Unidades da Federação, no entanto, ainda há preocupação com localidades onde essas taxas são muito altas, como nas comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, presentes em grande número no MS. Conforme estudo feito pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), em Tacuru, no sul do estado, 60,3% das meninas e meninos nascidos vivos não eram registrados antes de completar um ano de idade, em 2002. Na seqüência vem Japorã (56,8%), Aral Moreira (47,3%), Amambaí (42,4%), Eldorado (34,4%). Tais municípios são os que apresentam os piores índices de desenvolvimento humano e infantil, estão localizados nas fronteiras do Brasil com Paraguai e Bolívia e ainda apresentam uma grande população indígena e rural.

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Trajetória

Um exemplo de Vida Ela é um exemplo de garra e de força. D. Alice Pereira de Souza enfrentou muitas barreiras na vida. Foi retirada dos pais e da cidade de origem e criada pelos padrinhos. Não foi alfabetizada. Trabalhava

somente no campo. Embora tenha passado por muitas dificuldades, aprendeu a lutar. Desde cedo mostrou ser uma pessoa determinada. Mulher simples, educou os 11 filhos, cinco deles formados no ensino superior. O marido, como ela mesma conta, foi um excelente pai, mas era ela quem tomava a maioria das decisões na família. Sempre esteve focada no trabalho. Atualmente, com 90 anos, continua tomando decisões, tem uma lucidez impressionante e participa da vida de todos que a rodeiam. Até hoje ela fabrica roupas infantis para doar para creches. Aposentada, não tem necessidade de trabalhar para sobreviver, mas continua ajudando aos que precisam. “A minha felicidade são meus filhos todos criados”, conta a baiana da Lapa de Bom Jesus. Para conseguir escola para os filhos foi falar pessoalmente com o prefeito, Antônio Canale. Muito independente para os padrões da época, resolvia tudo sozinha. “Ia à feira, fazia minhas compras, levava para a casa. Eu fazia tudo”. D. Alice Chegou a Campo Grande aos 14 anos. “Da Bahia, fui para Minas Gerais, com 10 anos. Não conheci meu pai. Minha mãe era casada, mas dizem que meu pai era muito ruim. Meu avô ficou sabendo que meu pai não era bom pra filha dele e levou minha mãe, minha irmã e eu para morar com ele. Nisso eu tinha seis meses de idade. Eu nunca vi esse homem (o pai), e ele nunca me viu. Com 10 anos fui para Minas, morar com meu padrinho e minha madrinha, irmã da minha mãe”. D. Alice lembra que não chegou a estudar

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porque morava em fazendas e não havia escola. “Na fazenda eu só trabalhava. Era um serviço bruto, difícil”. A vinda para o Estado também não foi fácil. “Passei três meses e seis dias andando a cavalo, conhecendo esse mundo”. Conheceu o marido, com quem viveu por 60 anos, numa fazenda vizinha. Uma lembrança inusitada. Ela conta que a madrinha a chamou para passear. “Chegando lá, estava aquele rapaz. Nós conversamos, mas não pensei que ele tinha se interessado por mim. Ele falou para a mãe que tinha gostado de mim e queria se casar comigo”. A mãe do rapaz foi à procura da madrinha de D. Alice, para saber mais sobre a vida da jovem se ela tinha namorado. “Pouco tempo depois chegou uma carta me pedindo em casamento. Eu pensei. Fiquei com medo. Nem conhecia aquele homem, não sabia quem era, mas meu padrinho disse que eu tinha que decidir logo. Então aceitei. No mesmo dia. Depois de 10 meses nós casamos”. Há três anos ela voltou à Bahia levada por um dos filhos. Das lembranças que guarda da Bahia, ela fala sobre o rio São Francisco e outras paisagens que faziam parte de seu cotidiano. “Lembro do São Francisco, um leito grande que era. E daqueles pescadores cantando nas canoas no meio do rio, lembro até das modas que eles cantavam. As mulheres lavando roupas no rio... Quando revi o rio, parecia que ele tinha diminuído. Tem dias que sinto falta da minha terra. Meu filho e eu ficamos num hotel em frente à igreja de pedra, Igreja do Bom Jesus, que é a coisa mais linda do mundo! Ele ficou encantado. Fomos assistir às missas e eu chorava demais. Eu lembro que ficava ali, junto com meu povo”, recorda com nostalgia. Outra saudade de D. Alice são os dois filhos que perdeu. Um faleceu com dois anos de idade, depois de uma febre forte. O outro tinha 45 anos e faleceu depois de um assalto. “Ele passou em casa e disse que depois voltaria para me entregar dinheiro. Ele tinha acabado de receber o salário. Mas não apareceu. Depois veio a notícia. Sinto muita falta desse filho. Ele era muito bom pra mim”. Ela acredita que uma vida ativa e com trabalho sejam o segredo da longevidade. “Fui criada trabalhando. Eu gosto de trabalhar. Trabalhando, a mente fica boa. A gente não pensa em problema. Faço minhas doações, faço tapetes para vender, cuido das plantas. Meu filho costuma dizer que sou uma heroína! Agradeço muito a Deus pela vida que eu tenho. Não acreditava que iria viver todo esse tempo. Hoje ando meio esquecida, mas do passado me lembro de tudo... Vi muita coisa boa nesse mundo”! Visão Seleta Setembro, Outubro | 2008


Oportunidade

Curso de OB/MS abre portas para o mercado de trabalho Por Mirella Bernard - Jornalista

Entre as atividades desenvolvidas pela Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária ao longo desses 100 anos está a qualificação de jovens para o primeiro emprego. São inúmeros os casos de sucesso de jovens que conquistaram seu lugar no mercado de trabalho e que hoje ocupam lugares de destaque. Um exemplo desse sucesso é Adriano Lemos Benites, 23 anos, que há um ano assumiu a gerência da empresa CGR Cred Financiamentos, na cidade de Três Lagoas. Adriano, que é natural de Campo Grande, fez o curso de OfficeBoy/Mini-Secretária, no ano de 2001, na Seleta e graças a essa oportunidade conquistou uma vaga no mercado de trabalho. “Quando comecei a fazer o curso, não tinha noção de nada e com as aulas consegui adquirir muito conhecimento”, destaca Adriano. Após o curso o jovem foi encaminhado para a Secretaria Estadual de Administração e depois para o MS Prev. “Foi uma experiência muito boa e logo após esses dois lugares consegui entrar em uma empresa, na qual estou até hoje”. Para ele, trabalhos como o da Seleta são

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muito importantes para o ingresso desses jovens. “Para nós que não temos experiência, cursos como o de OB/MS são o primeiro passo para a conquista do primeiro emprego”, finaliza.

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Mulher

Dedicação, valorização da família e do cliente. Essas são palavras-chave para o sucesso da empresária gaúcha, Anita Maria Bellin, 52 anos. Hoje com11 lojas Anita e três franquias Via Uno, não esperava crescer tanto. Mas acredita que com a ajuda de todos, funcionários e colaboradores, a empresa só tende a crescer. Dois anos depois de casados, o marido e ela foram morar em Bento Gonçalves (RS). Trabalhavam numa loja de calçados onde passaram oito anos. Em função de a família de Anita estar morando em Campo Grande, resolveram se mudar. O marido chegou como representante comercial de calçados e ela vendia as amostras dele. “Comecei indo nas escolas, vendia de porta em porta, nas repartições públicas. Onde me deixavam entrar pra vender eu ia. Daí comecei a fazer pedidos das fábricas que o Carlos (marido) representava. Fiquei fazendo esse serviço durante quatro anos”, relembra. Segundo ela, eles trabalharam em casa durante anos. Em 1990, compraram o terreno da Avenida Mato Grosso, onde hoje existe uma das lojas. “Aqui era tudo mato. Diziam que éramos loucos! Foi como tudo começou”. Como uma empresa familiar, Anita conta que os filhos foram crescendo e tomando gosto pelo negócio. “A Daniela (filha) me ajuda com as compras. O Tiago (filho) e o

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Carlos ficam no setor administrativo. Nós acordamos, almoçamos e vamos dormir falando em sapatos. Todos nós gostamos disso. Nós amamos o que fazemos. O amor pelo que se faz é o melhor fermento que existe”. De acordo com Anita, o diferencial das lojas em relação às concorrentes é que não se abre mão do bom atendimento e da qualidade dos produtos oferecidos. “Temos treinamentos diários para funcionários. Queremos deixar o atendimento classe A”. Outro fator importante é que entre as lojas existe diferenciação de produtos, uma vez que são pesquisados o perfil e as necessidades dos clientes de cada loja. “Minha satisfação é ver a satisfação do cliente. Tem empresário que não quer saber do cliente, só do dinheiro, do resultado. Eu quero saber da satisfação, e é de coração que falo isso”. Ela ressalta que para agradar o cliente e oferecer a ele o melhor, a filha e ela acompanham as tendências mundiais da moda com muita antecedência para trazer o melhor para o cliente. “Estamos pesquisando coleções e tendências para o verão de 2010, para se ter uma noção. Investimos mesmo nisso. Colhemos o máximo de informação possível”. Anita diz que não sentiu preconceito por ser de outro estado quando chegou ao Mato Grosso do Sul. “Muito pelo contrário. Fomos muito bem acolhidos, senão eu seria uma pessoa infeliz. Temos muitos clientes que conviveram conosco desde o princípio, que acompanharam tudo isso. Ficamos muito orgulhosos. Não há dinheiro que pague essa satisfação”. Anita acredita que ser uma mulher empresária hoje é muito diferente de quando começou. “A mulher hoje é muito mais valorizada. Vejo isso em casa mesmo. É diferente o tratamento do meu genro com minha filha. Como ele a vê trabalhando. As coisas vão mudando dia-adia e a mulher está sendo mais valorizada”. Ela se define como uma pessoa que se dedica ao que faz. “Eu me entrego muito. Sou uma amante da minha família. Sou mãe, esposa, sogra e se Deus quiser, daqui a pouco vou ser vovó”! Visão Seleta Setembro, Outubro | 2008


Momento Literário

Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária Alceste de Castro A S::S::C::H:: transformou-se naqueles tempos floridos, em verdadeira Academia de Letras, um recanto seleto onde a boêmia corumbaense discutia temas filosóficos e fustigava a tagarelice política e social da época. E ressurgia, sob os clarões das madrugadas da Cervejaria Corumbaense, a verve dos árcades portugueses e mineiros. Nicolau Tolentino, Bocage, Macedo, Alvarenga Peixoto e Gonzaga, saíram dos casarões de Ouro Preto, do café Lisboeta do Nicola e do botequim das Luminárias para o repasto de idéias com os comensais de Chico Corutuba e Manoel Florêncio. Às vezes as recitações dessas noites de comezainas eram repetidas, na tarde seguinte, no café do Cancerosa, onde Pedro de Medeiros, Arnaldo Signorelli, Castro Brasil, Ricardo Cristovam, Luiz e Mário Feitosa bizavam os seus versos pintando os tipos e os fatos com traços caricaturais. Todos riam as gargalhadas ouvindo sátiras que só arranhavam, epigramas, ditos

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mordazes, improvisos e quadrinhas galhofeiras, onde Luiz Feitosa jamais chegou ao chiste chulo, pois os seus motejos apenas tinham uma graça maliciosa. Infelizmente, o secretário da instituição, o Nicanor, o grande jogador “Arranca Toco”, não poude, nas atas daqueles serões memoráveis, esteriotipar as composições jocosas que aqueles literários notáveis diziam apenas para passar o tempo, só com o pensamento nos pratos e nas garrafas daquelas mesas fartas. Era a Arte pela Arte do cantor nato que, riscando o céu com o fogo de suas idéias, fazia luzir, por instantes, no firmamento corumbaense, o clarão de uma inspiração soberba que com o brilho dos astros errantes, se perdia no infinito. Liam muito. Discutiam os mais variados temas literários. Tinham os seus autores prediletos. Alegres, rebeldes, recitavam longos trechos de Albino Forjas Sampaio, Gomes Leal e Guerra Junqueiro. E misturavam as verrinas desses pan-

fletistas com as portentosas orações de Rui. A reunião que começava com objetivos pantagruélicos e caritativos, terminava com uma solene demosntração de cultura que honraria qualquer academia. Apenas sentiam o prazer intelectual do momento. Deliciavam os amigos com a sobremesa das ilusões poéticas. Para eles, os poemas eram como goles de vinho que hauriam para a momentânea satisfação daquelas horas fugazes... Graças às mãos amigas de velhos admiradores, de alguns confrades, ainda ficaram floridas pétalas desses tempos distantes... E lutando contra o tempo, essa Sociedade caritativa nos deixou três nomes imperecíveis: Luiz Feitosa, Pedro de Medeiros e Carlos de Castro Brasil. Artigo publicado no livro S::S::C::H:: - Algumas Páginas de sua História, de José Serejo Filho e extraído, originalmente, do livro Literatura Corumbaense.

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Geral

Pacto reafirma compromisso contra o abuso dos direitos da criança

Segmentos se unem contra a violação de direitos

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O combate à violação dos direitos infanto-juvenis ganha a força da união de diversos segmentos da sociedade civil, governos estadual e municipal reunindo representantes da assistência social, da educação, da saúde, do esporte e da cultura no novo Pacto de Campo Grande assinado no último dia 25 de setembro, em solenidade realizada no auditório da Missão Salesiana/MS. O documento revisto e reformulado reforça a implementação do Plano Operativo Municipal de Enfretamento ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes que integra o Programa de Ações Integradas e Referenciais (PAIR). A assinatura do pacto reuniu integrantes de conselhos tutelares, universidades, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e dos Adolescentes, e de programas governamentais como Sentinela e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Imbuídas no combate ao abuso, exploração sexual e tráfico de crianças e adolescentes, essas entidades passam a agir de forma ainda mais integrada a fim de proporcionar um maior impacto às ações que inibam a violência na população infanto-juvenil. A secretária Municipal de Assistência Social, Ilza Mateus reafirmou a importância de uma ação que permite o fortalecimento da rede de combate à violência e exploração sexual de crianças e adolescentes. “Quando vários segmentos se unem em torno de um propósito único ficam fortalecidos e os resultados são ainda mais significativos”, disse.

A titular da SAS afirma que o índice de violência infantojuvenil em Campo Grande é baixo em relação a outras capitais. Durante este ano, 295 famílias já foram assistidas pelas equipes da assistência social e continuam sendo acompanhadas. Neste caso, algum membro da família foi acometido por algum tipo de violência, seja sexual, psicológica ou física. Segundo a secretária Ilza Mateus, o Programa Sentinela, coordenado pela SAS, realiza um trabalho de prevenção percorrendo locais já conhecidos que podem ocorrer abusos sexuais. Essas rondas periódicas intimidam e recuam as situações de violência a esse público. A secretária lembra ainda que além do “SOS Criança”, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social tem obtido bons resultados na luta contra a violência direcionada a crianças e jovens. Para o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Marco Aurélio Luz, todo tipo de investimento governamental e da sociedade civil nas ações de prevenção e combate à violência na população infantil é um demonstrativo de que a sociedade não está sozinha. “Esse Plano Operativo conta com diretrizes estabelecidas no Plano Nacional e a participação de um grupo tão grande e representativo permitirá maior visibilidade às ações de enfrentamento”, analisa o presidente do CMDCA. O Pacto, segundo o coordenador da Expansão do PAIR em Mato Grosso do Sul, Ângelo Motti, não é só um ato simbólico, mas um investimento social no valor humano. “Esse é um desafio para os próximos dois anos. Queremos que as atitudes propostas possibilitem que menos crianças sejam violadas em seus direitos”, disse Motti. Campo Grande está entre as 54 cidades brasileiras que aceitaram o desafio de enfrentar a violência e agir de acordo com as diretrizes do PAIR. Visão Seleta Setembro, Outubro | 2008


Eleições 2008

Em Campo Grande, Nelsinho Trad é reeleito no primeiro turno Com 100% das urnas apuradas, o prefeito Nelsinho Trad (PMDB) foi reeleito no primeiro turno com 288.821 votos, ou seja, 71,41% dos votos válidos. Pedro Teruel (PT) ficou em segundo, com 93.948 votos (23,23%). “É uma responsabilidade muito grande ser reeleito com mais de 71% dos votos e faz com que tenhamos de trabalhar cada vez mais para o bem de Campo Grande”, afirmou o prefeito. “Nosso foco continuará sendo no transporte público, na mobilidade e na saúde.” Formado em Medicina, Nelson Trad Filho foi eleito vereador em Campo Grande em 1992 pela PTB. Ele voltou a ser eleito vereador na capital do Estado nas eleições de 1996 e 2000. Em 2002, foi eleito deputado estadual.Após migrar para o PMDB, candidatou-se em 2004 à Pre-

feitura de Campo Grande, sendo eleito no primeiro turno. Apuração - De acordo com informações do Tribunal Superior Eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral (TREMS) foi o primeiro a concluir os trabalhos de apuração e totalização dos resultados das eleições municipais 2008. O TRE-MS finalizou a contagem de votos no Estado às 20:00:13 (vinte horas e 13 segundos), conforme o sistema de divulgação dos resultados do TSE. Segundo o Presidente do TRE-MS, Des. Oswaldo Rodrigues de Melo, esse primeiro lugar é resultado do esforço e do trabalho de todos os servidores da justiça eleitoral, de todas as forças policiais, das entidades, órgãos públicos e colaboradores, como os mesários, que auxiliaram o tribunal na realização de eleições seguras e céleres, em todos os municípios do Estado.

Campo Grande escolheu no domingo, dia 5 de outubro, além do prefeito, 21 vereadores para a Câmara Municipal. Confira a lista dos vereadores eleitos na capital de Mato Grosso do Sul e sua respectiva votação: Deputado (Partido)

Votos

Deputado (Partido)

Votos

Paulo Siufi (PMDB)

11.552

Dr. Loester (PDT)

6.036

Magali Picarelli (PMDB)

6.500

Paulo Pedra (PDT)

6.846

Vanderlei Cabeludo (PMDB)

6.447

Dr. Jamal (PR)

6.312

Ribeiro (PMDB)

6.150

Grazielle Machado (PR)

6.026

Professora Rose (PSDB)

7.536

Alcides Bernal (PP)

12.294

Silveira (PSDB)

7.108

Lidio (PP)

6.595

Professor João Rocha (PSDB)

6.881

Airton Saraiva (DEM)

7.198

Cabo Almi (PT)

8.032

Flávio César (PT do B)

4.961

Thais Helena (PT)

5.742

Marcelo Bluma (PV)

4.871

Carlão (PSB)

8.473

Herculano Borges (PSC)

4.078

Mario Cesar (PPS)

7.083

Com informações da Assessoria

CORRETOR E ADMINISTRADOR DE SEGUROS LTDA.

AUTOMÓVEIS

CAMINHÕES

EMPRESA

RESIDÊNCIA

VIDA

Fernando Scudler

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É primavera! Fim de setembro. A estação das flores chega. Um bem para o corpo e a alma. Uma benção para o olhar. Setembro, mês da juventude, mês das novas gerações. Dias mais amenos e noites mais frescas. Tempo em que a beleza atinge sua plenitude. Tempo de experimentar. Tempo das cores, do brilho, do perfume. Tempo dos brotos que nascem nos troncos das árvores. Tempo da esperança, do verde da alegria que tanto buscamos. É o tempo da transformação. Época do nascimento da maioria das espécies da natureza. É quando surge a sensação de que a vida recupera seu esplendor. É tempo da flexibilidade, da busca pelo equilíbrio. Da explosão de sementes, polens, da sensualidade. Tempo de abertura, das chuvas repentinas, da vitamina C. É a estação do movimento, da agitação. Da causa e do efeito. É tempo da aproximação, do desenvolvimento. É tempo da dança, do vento, da paixão. É promessa, é o gosto pela singularidade do que é comum. É tempo de voar, despertar, desabrochar... É primavera! “Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação”. (Cecília Meireles)

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Politica

Edil e Siufi defendem implantação de pronto socorro infantil em Albergue

Tendo em vista a escassez de médicos pediatras na rede pública de saúde em Campo Grande, os vereadores Paulo Siufi e Edil Albuquerque defenderam na sessão ordinária do dia 2 de setembro a criação de uma Unidade de Pronto Atendimento Infantil de Urgência/UPA Infantil. O objetivo foi solicitar ao Executivo Municipal a implantação de um pronto socorro pediátrico no imóvel que hoje abriga o “Albergue noturno”, localizado na Avenida Afonso Pena, na Capital. “A falta de pediatra não é culpa do prefeito nem do secretário Luiz Henrique Mandetta, mas causado pela demanda excessiva de crianças que buscam atendimento por conta dos planos de saúde que se tornaram mais caros e as pessoas não conseguem colocar em dia o pagamento mensal e buscam atendimento na área pública, sobrecarregando a saúde pública”, afirmou o Siufi. De acordo com o vereador, Campo Grande conta hoje com um total de apenas 60 médicos pediatras para atender todas as unidades de saúde municipais. “Há essa escassez

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de pediatras porque os médicos têm optado pelo segmento privado. Levar à comunidade mais carente um pronto socorro infantil é devolver dignidade a essas crianças. Tenho a nítida certeza de que Campo Grande estará avançando em relação às outras capitais brasileiras que sofrem com isso, pois 80% das capitais do país possuem deficiência de pediatras na rede pública”, ressaltou. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em setembro de 2005 mostra que 97% das mães de todos os extratos sociais das capitais do país querem que seus filhos sejam atendidos pelo pediatra e não por outro profissional, onde o Brasil dispõe de 20 pediatras para 100.000 habitantes. Na Capital a dificuldade de contratar pediatras para a rede pública de saúde vem de longa data. No último concurso, realizado pela Secretaria Municipal de Saúde Pública (SESAU) em 2008, foram oferecidas 20 vagas para pediatras trabalharem na urgência/24h e somente 20 se inscreveram. No ano de 2007, a SESAU publicou, nos jornais de maior circulação no país, edital

convidando médicos pediatras a se instalarem em Campo Grande. Segundo o presidente do legislativo municipal, vereador Edil Albuquerque, “acrescenta-se a esta realidade, o agravante que em todas as outras cidades deste Estado a situação é pior, o que acarreta numa enorme migração destes pacientes para Campo Grande”. Por fim, Edil Albuquerque afirma que “o pleito justifica-se considerando que a solução através do aumento de pediatras para o mercado é imprescindível, considerando a necessidade de se criar novos atrativos para garantir a permanência do quadro atual de pediatras e se possível aumentá-lo e considerando o desejo e a necessidade da população ter de forma garantida, contínua e ininterrupta o atendimento de pediatria para nossas crianças, criando assim a Unidade de Pronto Atendimento Infantil/UPA Infantil como referência maior para cobertura integral à saúde de nossas crianças”.

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Geral

Vidas alheias e riquezas a salvar: Estado conta com 50 novos bombeiros A partir do dia 15 de setembro, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul passou a contar com mais 50 soldados. Desse total, 34 são homens e 16 são mulheres. O efetivo do Corpo de Bombeiros conta agora com quase 1,3 mil praças e oficiais que têm em comum o lema: “vidas alheias e riquezas a salvar”. A solenidade de formatura contou com presença do governador André Puccinelli, do secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini; do comandante do Corpo de Bombeiros Militar, Ociel Ortiz Elias, dentre outras autoridades, além de familiares dos formandos. Em seu discurso, Puccinelli explanou aos novos bombeiros a importância e o valor dos bombeiros em salvar vidas. “O chefe é o governo do Estado, não o governador. Ao Estado devemos servir! Que a farda que vocês ostentam seja o orgulho de vocês. Ao sucesso

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e ao trabalho em prol de Mato Grosso do Sul.” André Puccinelli firmou ainda o compromisso de aumento no contingente, anunciando que irá autorizar, num prazo de até um ano e meio, a incorporação de dez novos oficiais e de 190 praças. A medida atende a solicitação do comandante-geral da corporação, coronel Ociel Ortiz Elias. O governo também estuda ampliar a oferta de vagas no concurso que está em andamento para os quadros da Polícia Militar. A medida é parte das ações para reforçar ainda mais a segurança e combater a criminalidade em Mato Grosso do Sul.

Recentemente, foram entregues ao Corpo de Bombeiros três conjuntos completos de fardas: de instrução, administrativo e de educação física. Entre os últimos repasses de viaturas, ocorridos em 2008, destacam-se quatro unidades de resgate e nove viaturas administrativas.

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História

MATO GROSSO: TERRA DE MISSÃO O Estado comemora 70 anos de luta pela promoção da vida humana Em 2008, a comunidade católica celebra os 70 anos da chegada da Missão Franciscana nas atuais áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em agradecimento aos que dedicaram suas vidas em evangelizar uma população de índios, camponeses e ribeirinhos que possuía precária presença religiosa. A Ordem Franciscana manteve, desde a sua criação, o ideal missionário. E foi assim que os primeiros missionários alemães da Província de Fulda vieram para o então Mato Grosso, em 1938. Os dois primeiros locais escolhidos para iniciar as missões nessas terras foram Entre Rios (cidade hoje conhecida como Rio Brilhante) e Rosário Oeste (MT). No dia 6 de fevereiro do mesmo ano, o bispo de Corumbá, Dom Vicente Maria Priante, leva de Campo Grande os primeiros membros da Ordem dos Frades Menores (OFM) a Rio Brilhante, dando posse ao novo pároco, frei Antônio Schwenger. Neste primeiro grupo estavam freis Eucário Schmitt, Francisco Brugger e Wolfram Passmann. Em conventos do Rio de Janeiro aprenderam a língua portuguesa. Em 1936, a OFM criou o Comissariado do Mato Grosso, com o nome de ‘Virgo Gaudiosa’ (Nossa Senhora das Sete Alegrias). O segundo grupo de missionários chegou a Mato Grosso em 1939 e, aos poucos, vieram também muitos franciscanos, que tiveram grande atuação na catequese, trabalhos domésticos, e

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construção de casas paroquiais, escolas e igrejas. O Estado, na época, era pouco conhecido, com baixa densidade populacional e ocupado por grandes fazendas de criação de gado. Havia uma grande população indígena e de garimpeiros, que migravam seduzidos pelo sonho do enriquecimento rápido. A partir dos anos 50, começa o incentivo governamental para atrair colonizadores, com a abertura de rodovias e financiamento para a agricultura em grande escala. Aos poucos, a paisagem muda, surge a lavoura extensiva, os índios são confinados a pequenas reservas. Crescem as cidades e surgem outras novas. Já nos primeiros anos de existência, o Comissariado se expandiu muito, até mesmo por força da ação nazista na 2ª Guerra Mundial. Foram assumidas as paróquias: Chapada dos Guimarães (1939); Herculânea, hoje Coxim (1939); Nossa Senhora da Boa Morte, Cuiabá (1940); Porto Murtinho (1940); Paranaíba (1940); Dourados (1941); Aparecida do Taboado (1941); Maracaju (1941); Santo Antônio de Leverger (1941); Pirenópolis, no Estado de Goiás (1941); Estação Missionária para os japoneses em Campo Grande (1942). Em 1940, foi criada a “Prelazia de Sant’Ana de Chapada dos Guimarães do Santíssimo Sacramento” com sede em Chapada dos Guimarães (MT). Como primeiro bispo foi nomeado Dom Vunibaldo Talleur, OFM. Visão Seleta Setembro, Outubro | 2008


História Emblema oficial da Ordem: Os braços de Cristo e de São Francisco de Assis. No centro, a cruz redentora

Todo o território da Prelazia, que incluía partes da Paróquia de Santo Antônio de Rio Abaixo (hoje Leverger) e grande parte do Pantanal da Paróquia de Corumbá, foi confiado aos franciscanos. Em 1962, a sede da Prelazia foi transferida para Rondonópolis e, em 1986, foi transformada em ‘Diocese de Rondonópolis’. Já em 1950, Dom Vunibaldo iniciou a construção de uma igreja, destinada ao culto do Sagrado Coração de Jesus. Nove anos depois foi criada a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, tendo como primeiro pároco o frei Antônio Schwenger, OFM. Os missionários viviam em condições precárias. As viagens eram feitas a cavalo na chamada ‘pastoral da desobriga’, que consistia na celebração da missa, batizados e casamentos. O transporte de barco também era usado, principalmente no tempo das chuvas no pantanal. Há registros de viagens pelo sertão que duravam até três meses, principalmente na região de Dourados. Os frades levaram para a região as Irmãs Catequistas Franciscanas para administrar as obras educacionais e ajudar na catequese. No empenho pela promoção humana foram construídas escolas em muitas paróquias e hospitais na Chapada dos Guimarães, Rosário Oeste e Caarapó; além dos seminários em Fátima de São Lourenço, Rio Brilhante, e Rondonópolis. De acordo com o frei Demétrio Vitcov Jr., OFM, ao longo da história os seminários da região já formaram cerca de dois mil seminaristas, com a preocu-

pação de desenvolver melhores cidadãos, mesmo quando o homem não se torna um religioso. Os franciscanos também têm o encargo de espalhar a mensagem de vida em fraternidade, caridade e consciência ambiental. “Nosso carisma é a vida em fraternidade e caridade. A exemplo de São Francisco tentamos viver dessa maneira. No trabalho paroquial levamos a idéia de boa relação com a natureza, da preservação do meio ambiente”, comenta. No MS, os Franciscanos estão presentes em Dourados, Caarapó, Itaporã, Rio Brilhante e Campo Grande. A Custódia desenvolve diversos projetos sociais como o Centro de Saúde São Francisco, Capelania do Hospital São Julião, Centro Social de Rio Brilhante e Projeto Porciúncula.

D. Vunibaldo Talleur, O.F.M., no meio do seu povo, à direita, Frei Meinolfo Ratheber, O.F.M.

Um Grupo de indios Bororos, atendido pelos missionários, perto de Fátima de S. Lourenço, com seu cacique

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Saúde

Prefeitura recebe prêmio nacional “Brasil Sorridente”

Todas as unidades básicas possuem consultórios odontológicos

A Prefeitura de Campo Grande recebe prêmio nacional “Brasil Sorridente” pelo conjunto de ações implementadas na área de saúde bucal na Rede Pública de Saúde. A premiação conferida pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) com apoio do Ministério da Saúde, conselhos regionais e patrocínio da Dabi Atlante (empresa de equipamentos odontológicos), leva em consideração as ações de promoção da saúde bucal realizadas em 2007. Campo Grande concorreu com mais 26 municípios obtendo a melhor pontuação em todos os quesitos avaliados. O prêmio, um gabinete odontológico completo, será entregue no dia 8 de outubro, durante solenidade em Brasília. O prêmio Brasil Sorridente considerou indicadores como o número de habitantes por número de cirurgiões dentistas, a relação entre o número de equipes de saúde bucal e da saúde da família, a quantidade de policlínicas e centros especializados de odontologia, o nível epidemiológico de cárie no município e a capacitação de profissionais de odontologia, entre outros itens. O vice-presidente do Con-

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selho Regional de Odontologia (CRO), Ailton Diogo Morillas, que fez parte da comissão avaliadora, ressaltou que o investimento do poder público nas ações de saúde foi decisivo para o bom funcionamento dos serviços de atendimento em saúde bucal. Além de ações nas unidades de saúde, um dos ítens mais destacados na premiação se refere à atuação das equipes de saúde bucal do Programa de Saúde da Família (PSF). Campo Grande conta hoje com 63 equipes do PSF atendendo cerca de 170 mil pessoas. A existência de nove policlínicas - que atendem à saúde bucal de aproximadamente 100 mil escolares do Ensino Fundamental da Rede Pública de Ensino e de dois Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) - contribuiu para o bom desempenho no prêmio nacional que considerou a forma de atendimento à população. De acordo com o coordenador de Odontologia da Secretaria Municipal de Saúde, Gilmar Trevisan, o prêmio é resultado de ações contínuas em saúde bucal que resultaram em mais de um milhão de procedimentos com pro-

gramas que atendem desde bebês, crianças, adultos, idosos, pessoas com necessidades especiais e gestantes. A valorização dos serviços da odontologia e dos seus profissionais, segundo Trevisan, foi determinante para a atuação do programa de saúde bucal que realizou, ano passado, mais de 97 mil consultas. “Atualmente, o município dispõe de atendimento odontológico em todas unidades básicas, atua com 63 equipes de PSF, mais de 57 mil participações em atividades educativas de saúde, mutirões, plantões noturnos e possui três unidades móveis que vão aos mais de 90 Centros de Educação Infantil (Ceinf’s) e na zona rural”, disse Trevisan. O prêmio, conforme o coordenador, é o reconhecimento da infra-estrutura disponibilizada aos profissionais de saúde bucal da rede de saúde pública que, segundo o coordenador, têm alto nível de capacitação devido aos treinamentos continuados de atualização disponibilizados pela prefeitura. Com informações da assessoria

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Comemoração

Quadro de Campo Grande

completa 82 anos A Seleta recebeu seletianos, autoridades e convidados, no dia 24 de agosto para a comemoração dos 82 anos de fundação do Quadro de Campo Grande. O Presidente Gabriel Moreira dos Santos iniciou a festa agradecendo a todos pela valorosa presença e contribuição dos que fizeram parte da história e das obras sociais da Entidade. Durante a cerimônia foi feito um breve histórico do Quadro de Campo Grande, apontando as pesso-

as que tanto trabalharam para que a Instituição tivesse a importância que apresenta hoje para a sociedade da Capital. Diversos seletianos foram homenageados em reconhecimento pelo legado por eles deixado. O procurador-geral de Justiça, Esacheu Cipriano Nascimento esteve presente e relembrou momentos desde sua iniciação na Seleta, em 1980. De acordo com Nascimento, os membros da Entidade carregam o grande compromisso de praticar o amor ao

próximo e a verdadeira filantropia. “Venho cumprimentar a nova diretoria e a todos os seletianos do Brasil comprometidos em fazer um futuro melhor. Penso que o compromisso da Seleta tem que ser renovado e honrado pelos que fazem parte dessa família. Vida eterna à Seleta”, finalizou o procurador. A comemoração contou também com a ilustre presença do ex-governador do Estado Wilson Bar-

bosa Martins. Ele acredita que a nova administração tem como desafio reerguer a Instituição e a sociedade para quem foi criada. O ex-governador felicitou a iniciativa de homenagear os fundadores que apontaram os rumos que a S::S::C::H:: deveria seguir. “Estou tocado de alegria por chegar aqui depois de tantos anos e encontrar a Seleta rejuvenescida. Testemunho os novos dias para os quais surgiu a Seleta”.

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Comemoração

Seleta: 100 anos de promoção social

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Comemoração

Do dia 1° a 3 de agosto aconteceram as comemorações dos 100 anos da fundação da S::S::C::H, Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária, em Corumbá. A programação dos três dias de comemoração foi especialmente preparada para os presentes. Para começar houve a missa na Igreja Matriz de Corumbá. Já no 2° dia de festa aconteceu, no Clube Corumbaense, o lançamento do selo alusivo aos 100 anos e um grandioso baile. Foram homenageados também o comandante do Forte Coimbra, Robson Matos; o prefeito de

Ladário, José Mendes Sampaio; o comandante da Polícia Florestal, major Valdir Acosta; o comandante da Flotilha de Mato Grosso, Cláudio Lisboa; o governador do MS, André Puccinelli; os deputados estaduais, Paulo Duarte, Marcos Trad Filho e Guilherme Maluf (MT); Satiro Manoel Coelho, presidente de honra do Quadro de Porto Esperança; Ubiraci Galvão, presidente de honra do Quadro de Ladário, o vice-presidente Nacional do Grande Quadro, José Nasário dos Santos; além dos presidentes dos Quadros de Dourados, Glória de Dourados, Fátima do Sul, Bonito e Nova Alvorada.

O baile contou com as presenças do presidente da OAB, Arlindo Cardoso do vale Junior; o presidente da Associação dos Advogados de Corumbá, Marcelo Lins; do secretário municipal de Gestão Governamental, Haroldo Cavassa; da secretária Especial de Integração de Políticas Sociais, Beatriz Cavassa de Oliveira; Bichara Satiro, Maria Serejo, além dos presidentes dos Quadros da Seleta em Corumbá, Campo Grande, Ladário, Porto Esperança, Terenos, Naviraí, Coronel Sapucaia, Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Brasília e Capitan Bado (PY).

No dia 03 foi servido churrasco para cerca de mil pessoas. De acordo com o grande maioral Ricardo Tadeu Barros da Costa, cabe a cada um dos membros a responsabilidade de continuar a conduzir a história da entidade, respeitando os princípios da prática da fraternidade e a solidariedade entre os homens, sem discriminação de qualquer espécie. “O Grande Quadro, nesta gestão, vai sempre buscar a modernidade, melhorando as ritualísticas, atualizando nosso estatuto, valorizando a mulher, colocando-a no lugar que tem direito de estar”, garante.

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Consciência Ambiental

Catador é indicado a prêmio nacional O vice-presidente da Cooperativa de Catadores de Material Reciclável de Campo Grande (Coopervida), José Pedro Tavares, 65 anos, foi indicado a concorrer o Prêmio Betinho – Atitude Cidadã, premiação nacional que homenageia pessoas que contribuem ativamente à promoção da cidadania. Nascido em Caruaru (PE), morou no Rio de Janeiro e se mudou para o Mato Grosso do Sul, onde mora há mais de 30 anos. Estudou apenas até a 4ª série do antigo primário e trabalhou durante cinco anos

em um aterro sanitário, um tempo que considera de extrema dificuldade. “Trabalhei no lixão por cinco anos. A vida lá é muito difícil. Um sufoco”, lembra. Em 26 de março de 2000, Tavares fundou com companheiros a única cooperativa de catadores de material reciclável de Campo Grande, onde trabalham 27 famílias. Atualmente, a cooperativa tem sede no Jardim Aerorancho. Para ele, o mais importante na cooperativa, é que ela ajuda a tirar os catadores do aterro sanitário. Ele diz que a cooperativa já chegou a possuir 147 associados. Devido ao desemprego, muitos recorriam à Coopervida como meio de sustento, arranjando outra ocupação optavam por sair. Com a cooperativa, ele e os companheiros não entram mais no lixão, pois o material é coletado em ruas ou repartições públicas. “Quanto às doações,

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estamos numa boa situação. Firmamos parcerias com instituições como Infraero, a Polícia Rodoviária Federal, a Procuradoria Geral do Estado, o Colégio Dom Bosco, os Correios, entre outras, mas estamos sem estrutura”, aponta. Ele conta sobre as dificuldades de logística para o trabalho, uma vez que os automóveis disponibilizados estão em péssimas condições ou sem serventia e a cooperativa ainda não conseguiu um lugar fixo para se instalar. “Para colocar mais gente para trabalhar, precisamos de estrutura. Necessitamos de um lugar no centro da cidade e não temos lugar para deixar o material e os carros coletores”. Tavares acredita que a premiação é uma forma de divulgar os trabalhos da cooperativa e assim conseguir novos associados e ajuda para adquirir equipamento de prensa que possibilitará a venda do material direto para empresas de reciclagem em São Paulo. “Hoje nós coletamos o material, vendemos para empresas locais que tem esse maquinário. O material prensado permite o transporte para as empresas paulistas. Sem esse atravessador poderíamos triplicar nosso lucro”. A Premiação - O Prêmio Betinho é uma iniciativa do COEP - Rede Nacional de Mobilização Social, e da sua Rede Mobilizadores. Tem como objetivo valorizar as pessoas que praticam no dia-a-dia a luta contra a fome e a promoção da cidadania. É uma peça comemorativa sem distribuição de recursos financeiros. Em cada município listado no site, a Rede COEP e Organizações parceiras, indicaram três pessoas para participarem do Prêmio, a partir de iniciativas desenvolvidas localmente. No Estado concorrem com José Tavares a coordenadora responsável pela implementação do programa Mesa Brasil no SESC, em Campo Grande e em Dourados, Maritza da Silveira Côgo, e o empresário Ueze Elias Zahran. Os indicados nos municípios de uma mesma região concorrerão a um Prêmio regional.

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Desfile

CAZO Para o lançamento da sua Coleção Primavera, a Cazo organizou um charmoso desfile no dia 26 de setembro, na Morada dos Baís. Estavam presentes representantes, vendedores e distribuidores dos produtos da marca, que puderam conferir na passarela os assessórios da Cravo e Canela, as roupas da grife Haute Coutere, dos estilistas Robert Rodrigues e Marcio Massad, e da loja Maria Di Q?. O evento aconteceu num clima de descontração, celebrando os dois anos e meio da Cazo em Campo Grande. A gerente regional da Cazo, Luciana Saraiva, ressaltou que o sucesso da marca, existente há apenas três anos no Brasil, deve-se ao entusiasmo dos revendedores, mas principalmente, à qualidade do produto, que faz toda a diferença. “A Cazo é uma empresa moderna, que traz tendências e novidades para o país. Nosso objetivo é ser reconhecido como uma empresa sólida, confiável e inovadora”. Durante o evento, foram premiados os melhores revendedores do mês. Houve ainda sorteio de presentes e um show com a dupla Kleber Jr. e Juliano.

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Existem momentos em que o desejo de mudar é a idéia mais forte que passa pela cabeça das pessoas. E a mudança, certamente, começa pelo visual, trazendo uma sensação de bem-estar. A recepcionista Maria Aparecida da Silva, 31 anos, aceitou o desafio de dar uma repaginada no visual. A transformação começou pela profissional Regina, depiladora e designer de sobrancelhas, corrigindo as imperfeições e aumentando a expressão do olhar. Nos cabelos foram feitas mechas num tom avermelhado na parte frontal para iluminar e destacar a beleza do rosto. Em seguida, foi feito um corte desfiado nas laterais dos cabelos, mantendo o comprimento e uma escova. Segundo a cabeleireira Elenice, essa opção de corte dá leveza e facilita a manutenção dos cabelos no dia-a-dia. A maquiagem foi desenvolvida por Vavá, que optou por um tom mais noturno, mas que, dependendo da ocasião ou do evento, pode ser usada durante o dia. O rosto foi limpo e tonificado, para preparar a pele para a maquiagem. Vavá aplicou corretivo para atenuar olheiras e base para suavizar manchas, sendo utilizada uma base bronzeadora, que dá um ar mais saudável. Os olhos foram destacados com tons esfumaçados, iluminador e rímel. A maquiagem foi finalizada com blush, batom e gloss. Para completar, o figurino num look moderno e sofisticado. O resultado você pode conferir!

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Maria Aparecida aceitou o desafio de mudar

Look – Paula Almeida Produção Márcia Cristina Rodrigues

Hair – Elenice R. 14 de Julho, 1647, sala 08, térreo.

Make-up – Vavá

Galeria Millenium – Centro.

Depil – Regina

Fones: (67)3325-2335 / 9912-5721

R. 25 de Dezembro, 1987. B. São Francisco Fones: (67) 3356-6470 / 3356-2743

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Aconteceu

Judoca ganha bronze nas Paraolímpiadas

Atleta conquista a medalha de bronze após vencer a luta com apenas 53 segundos

No dia 07 de setembro, o Brasil brilhou na competição de judô das Paraolímpiadas que aconteceram em Pequim, capital da China. Duas atletas subiram no pódio, sendo uma delas natural de Mato Grosso do Sul. Michele Ferreira ganhou o bronze na categoria até 52 quilos e Karla Cardoso conquistou a prata na categoria até 48 quilos. Ambas têm baixa visão. Participando de sua primeira Paraolimpíada, Michele venceu a primeira luta, perdeu a segunda e ganhou o bronze depois de aplicar um ippon (o chamado “golpe perfeito”) na espanhola Scheila Hernandez. Ela precisou de apenas 53 segundos para vencer a luta. A atleta sul-matogrossense dividiu o pódio com a russa Alesya Stepanyuk. Michele Ferreira, de 23 anos, é a atual campeã brasileira na categoria meio/leve (até 52 quilos). Da infância tímida em Mundo Novo, Michele descobriu o mundo graças ao esporte. Vítima de toxoplasmose congênita tem apenas 10% da visão do olho direito e 5% do olho esquerdo. “A participação nas Paraolímpiadas de todos os atletas do Brasil, especialmente de Mato Grosso do Sul, serve de incentivo e de motivação para que mais pessoas se interessem pelos esportes e busquem boas colocações. Ao ver alguém na mesma situação que a sua, com limitações, a pessoa se interessa e diz ‘Eu também posso’”, ressalta Silas Silvestre, coordenador do Comitê da Cultura e Esporte Escolar e Educação Física Inclusiva, da Secretaria de Estado de Educação (SED).

Edil e Siufi visitam jovens e funcionários da Seleta No dia 10 de setembro, os vereadores Edil Albuquerque e Paulo Siufi Neto estiveram na Seleta para conversar com alunos e funcionários. Segundo Edil, a Casa de Vereadores tem um grande compromisso com a sociedade de Campo Grande e mais ainda com a Seleta, lembrando da atuação social da entidade. O vereador Paulo Siufi destacou que a Seleta pode contar com o apoio do governador André Puccinelli e do prefeito Nelsinho Trad. “Talvez os adolescentes ainda não assimilem o tamanho do trabalho realizado pela Seleta, mas isso ainda vai mudar. Tenho a certeza de que a Seleta vai continuar crescendo e dignificando a população. Torço pela continuidade dessa entidade tão importante”, disse Siufi, agradecendo à diretoria pela oportunidade de participar da reunião. O diretor geral da Seleta tomou a palavra e também agradeceu a presença dos parlamentares. “Somos eternamente gratos pelo seletiano e pela pessoa pública do Edil Albuquerque. E, principalmente, pelo que ele tem feito pela nossa instituição”.

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Revista 03  

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