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CAPIM R E V I S TA R eve l a n d o o Par á / n º 1 / a n o I / j u n h o d e 2 0 11 / r $

ENTREVISTA

Juventude na administração municipal.

5,50

HISTÓRIA

POROROCA

Os cinco quilombos da região.

O maior evento turístico de São Domingos do Capim.

São Domingos do Capim Desvendar e revelar. Essa história começa aqui, na zona Guajarina no nordeste do Estado do Pará

REVISTA PARAENSE-CAPIM>1


2<CAPIM - REVISTA PARAENSE


REVISTA PARAENSE-CAPIM>3


CAPIM

julho/agosto de 2011 edição 01

A REDAÇÃO..............................................................03 CARTA DO LEITOR..............................................,....03

PRIMEIRA PÁGINA

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OS PARAENSES DO RIO CAPIM.............................04

FALA PARÁ

A HISTÓRIA DE SÃO DOMINGOS............................05 NOSSA GENTE..........................................................05 O CAÇADOR DE TESOUROS....................................05 GUARDIÃO DA HISTÓRIA.........................................05

ENTREVISTA

Uma nova gestão municipal O engenheiro agrônomo, José Cristiano Martins Nunes, jovem prefeito do Capim.

CAPIM

SURFISTA DE ÁGUA DOCE......................................08

POLÍTICA

ADMINISTRAÇÃO......................................................12 ENTREVISTA..............................................................14

MOSAICO

JANDUARI SIMÕES...................................................16

COMUNIDADE

QUILOMBOLAS.........................................................18 APROAGUA...............................................................21

MULHER

AMALU.......................................................................24

ENSINO

EDUCAÇÃO NO MUNICÍPIO.....................................26

ESPORTE

CANOAGEM...............................................................30 OLIMPIADA 2012.......................................................32

08

CAPIM

SURF NA POROROCA Evento desponta como um dos mais importantes do Pará.

DIRETOR GERAL: Rilke Penafort Pinheiro DIRETOR EXECUTIVO: Walter J. de Andrade Pinheiro EDITOR/JORNALISTA RESPONSÁVEL: Francisco Weyl (DRTPa: 2161) EDITOR DE FOTOGRAFIA: Janduari Simões REPORTAGEM: Janduari Simões, Walter J. de Andrade Pinheiro, Rilke Penafort Pinheiro PRODUTOR: Sergio Souza PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO: Rilke Penafort Pinheiro

18

QUILOMBOLAS Quatro comunidades marcam a resistência cultural no Capim.

26

EDUCAÇÃO Reorganização agrega novos valores ao sistema de ensino.

4<CAPIM - REVISTA PARAENSE

30

canoagem Atleta capimense representa Pará em Londres.

REVISÃO: Walter José de Andrade Pinheiro DIRETORA DE MARKETING: Shirley Castilho TELEFONE REDAÇÃO: (91) 3259-2283 END.: TV. TUPINAMBÁS, 729 - BATISTA CAMPOS - BELÉM PARÁ - BRASIL / CEP.: 66033-815 EMAIL: rilkepena@gmail.com/segundo_mundo@hotmail.com


A Redação: NOSSA CAPA o porto da cidade, durante o frenético comércio de farinha, às 6h da manhã.

Uma nova forma de ver o interior Pará

O

Pará é o segundo maior estado do país, com uma extensão de 1.247.689,515 km². Com 144 municípios, o Pará é maior do que Angola, na África, de onde, aliás, também vieram alguns dos nossos antepassados negros e, com estes, a cultura extraordinária que caracteriza o povo brasileiro, parte dela ainda encravada no município de São Domingos do Capim, que possui comunidades quilombolas na sua base territorial. Lamentavelmente, é raro o paraense conhecer o seu próprio Estado. Mas, aqui, com a publicação desta revista, tem início um novo e profundo projeto. Aproximando e contribuindo para desvendar as mais lindas e coloridas faces de nossa gente, da nossa cultura e dos mais diversos tipos de caminhos que existem nesta vastidão das nossas mata. É com esse espírito que o projeto “Revelando o Pará”, na nossa primeira edição, optou por um belo e aconchegante lugar desse nosso estado, cujo povo nos acolheu com muita alegria e hospitalidade. Ao desvendar este primeiro município que fica localizado no nordeste do estado do Pará, na zona Guajarina, mergulha-se para o passado. Nessa localidade, existia um pequeno povoado, o qual, em 1758, foi elevado à freguesia com o nome de São Domingos da Boa Vista, por ato de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão de Sebastião José de Carvalho, o Marquês de Pombal. Nessa condição, aderiu à Independência. Em 1932, a freguesia passou a se chamar de São Domingos do Capim. Onze anos depois, simplesmente Capim. Posteriormente, readquiriu a denominação anterior, com a qual permanece até os dias atuais. E são nestes dias atuais que o município desponta com uma das atividades turísticas mais significativas do Pará, o surf na pororoca. Do mesmo modo, um atleta especial treina para representar o Pará em Londres (em 2012). em falar no cotidiano de jovens estudantes e mulheres que lutam por um lugar ao sol. Estes e outros fatos são captados pelas imagens do experiente fotógrafo Janduari Simões. Agora, meu amigo, é desfrutar da leitura e das histórias e imagens do lugar e esperar pela próxima viagem cheia de novas aventuras para vocês. Boa leitura.

Cartas dos nossos leitores “Esta primeira edição visitou este maravihoso lugar desse nosso estado, e espero que seja uma verdade constante desta revista mostrar o belo; o diferente e que é genuinamente amazônico e paraense. Precisamos de publicações que mostre como vive o povo, sem maquiagem, de forma crua e sincera”. Augusto Cesar Burlamaque dari57@hotmail.com

Carta do mês

Rilke Penafor Pinheiro Editor Geral

Maravilha de edição de inauguração. São Domingos do Capim, mais um belo município desse nosso Eatado

Augusto Cesar Burlamaque dari57@hotmail.com REVISTA PARAENSE-CAPIM>5


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PrimeiraPágina

O guardião de tesouro Resgatar e preservar a memória cultural de uma sociedade já é uma tarefa dificílima e custosa para uma administração pública que pode contar com um suporte político/administrativo para buscar parcerias públicas e privadas para atingir aos seus objetivos imaginemos para uma simples pessoa do povo. Foi preciso reunir muita determinação, não economizar esforços para que a História de São Domingos do Capim, particulamente sua história cultural, seja afinal afirmada junto à sociedade. Assim chegamos facilmente à conclusão do notável trabalho que realiza tal cidadão que merece o respeito e o devido conhecimento da comunidade da qual ele faz parte e com a qual ele se relaciona. É assim que avaliamos o papel desempenhado pelo colecionador cultural Paulo Sérgio Almeida Correa, 39 anos, autodenominado historiador, que faz um trabalho de resgate cultural do município de São Domingos do Capim, ao armazenar em sua casa uma coleção de objetos diversos, como documentos, artesanatos, discos de vinil a moedas antigas. O acervo, denominado “Um pouco do que é Nosso”, é um local aonde o 6<CAPIM - REVISTA PARAENSE

MEMÓRIA Morador de São Domingos do Capim dedica parte de sua vida para resgatar a história do município

apresentei “meuJátrabalho no Centur, em Belém, e tenho muito orgulho

capimense pode encontrar um pouco de sua própria história. Mas, atualmente, Paulo Sérgio não tem apoio logístico, o que não desestimula o colecionador, já que, como ele mesmo afirma, seu trabalho é realizado com paixão. Sem saber definir ao certo o quanto vale (em dinheiro) o seu acervo, o colecionador mantém o espaço com os próprios recursos, responsabilizando-se pela conservação, limpeza, manutenção, rotina e expediente. Cerca de cinco mil peças dividem espaço com a vida cotidiana de Sérgio. O símbolo do local é um disco de vinil da cantora Elba Ramalho (1987), a primeira peça adquirida em 1988, que deu início ao acervo, hoje também considerado um ponto turístico do município, até para quem quer saber mais além da Pororoca. E uma das peças mais raras é uma moeda de 1786, da época do Império. Paulo Sérgio é uma das raras figuras que decoram o município com o seu bom humor e a sua ousadia - em transformar o seu próprio lar em um acervo cultural aberto a visitação. Ele também faz exposição do seu material na área urbana e rural do município e já levou um pouco deste trabalho para além das fronteiras do Capim: “Já apresentei meu trabalho até no Centur, em Belém e fico muito orgulhoso”, afirma.


Fala, Pará!

O QUE ACONTECE EM SÃO DOMINGOS DO CAPIM

EDUCAÇÃO ampliação do sistema

Educação em evolução

O tesouro do futuro

Os paraenses do rio Capim

MERCADO Agricultores, pescadores e comerciantes abastecem São Domingos

A história do Capim LOCALIZADO NO NORDESTE do estado do Pará, data dos tempos coloniais, quando as primeiras incursões portuguesas atingiram os Rios Guajará, Guamá e Capim. Desconhece-se, precisamente, a época em que teve início o primeiro núcleo populacional da cidade. Sabe-se, porém que, em 1758, já existia na localidade, um pequeno povoado, o qual, nesse ano, foi elevado à freguesia com o nome de São Domingos da Boa Vista, por Ato de Francisco Xavier de

Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal. Na divisão da província, ocorrida em 1833, a então freguesia passou a integrar o município da capital, aonde foi desmembrada. Os seus limites iam até o igarapé Jurujaia, afluente esquerdo do Rio Guamá. Com o advento da República, em 1890, a sede da antiga freguesia de São Domingos da Boa Vista foi elevada à categoria de vila, e por fim torna-se esta bela e acolhedora São Domingos do Capim.

Os paraenses do rio Capim

Nossa Gente

seguindo de belém pela BR-316 e entrando na PA-127, chega-se à colônia 3 de Outubro, em Castanhal. A travessia para São Domingos é feita de barco. Há balsa para carros particulares e ônibus de turismo. São 130 km, em viagem de duas horas.

MEMORIA José Cerqueira da Luz

Os paraenses do rio Capim

Guardião da história

Informações Estatísticas TERRITÓRIO

1.677,25 km²

POPULAÇÃO

29.827 habt.

Produto Interno Bruto R$ 2.416,10 Eleitorado

17.694 eleitores

empresas (unidade locais)

O PREFEITO CRISTIANO MARTINS fez um diagnóstico, detectou e corrigiu irregularidades no setor. A estrutura administrativa da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) foi reformulada, o trabalho dos professores avaliado, o sistema reorganizado, e as escolas, revitalizadas. O objetivo destas ações é elevar o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). O município tem 7.885 alunos matriculados (IBGE/2008).

99

UM DOS MORADORES MAIS ANTIGOS de São Domingos do Capim, José Cerqueira da Luz, 72 anos, nasceu às margens do Igarapé do Rio Capim. É filho de comerciante, tornou-se agricultor, foi funcionário público por 14 anos, trabalhou como tesoureiro na Câmara Municipal, de onde só saiu por questões políticas. “São Domingos não tinha nada. Para eu estudar, meu pai trazia a professora para dar aula aqui. Agora temos outra história para comemorar”. REVISTA PARAENSE-CAPIM>7


CAPIM POROROCA

água doce Surfista DE

O “Festival da Pororoca” atrai todos os anos cerca de 20 mil turistas, que fortalecem a economia local, gerando renda e empregos diretos e indiretos.

Q

Rilke Penafort Pinheiro

uando ouvimos falar de Surf, as primeiras imagens que surgem são: praia, areia, água salgada e o balanço do mar. Mas, esse esporte radical marítimo cria contornos distintos no meio da floresta amazônica, onde a prática desportiva ganha ritmo e cenário amazônida.Esse paraíso, cenário bucólico, cortado por rios, no nordeste do Estado do Pará, na orla do rio, em um terreno denominado de “Mirante do Barriga”, na comunidade de Monte D’ouro, a 18 quilômetros da área urbana, é o município de São Domingos do Capim, onde o espetáculo natural acontece, sendo considerado um 8<CAPIM - REVISTA PARAENSE

fenômeno, que ocorre durante a lua cheia, entre o encontro do Rio Amazonas com o Mar. É entre os meses de janeiro e maio, período em que a chuva, os ventos moderados e o equinócio favorecem este evento natural que é realizado o “Festival da Pororoca”, uma série de eventos que homenageiam a natureza em um culto ao surgimento das ondas da pororoca, que encantam nativos e turistas. O evento ganhou forma e fama mundial e todos os anos o público cresce e transforma a cidade e a vida dos seus moradores em um caldeirão de emoções e de aventuras precisamente no mês de março.

NOVA TRIBO Surfista de água doce tem hora e dia marcado com a onda do rio


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CAPIM POROROCA O evento tem a duração de uma semana. O choque dessas águas é tão intenso que provoca uma das ondas de rio mais furiosas e perigosas do planeta. Hoje os surfistas de água doce só existem no Brasil, mas o fenômeno da pororoca já fascinou os brothers, com sua força, ingleses, chineses e franceses. O surf de maré iniciou na década de 1955 – ano em que os surfistas ingleses começaram a desafiar esse tipo de fenômeno na Inglaterra. E assim, como no futebol, em 1997 no Brasil, o movimento se consolida. Todavia, o fenômeno da Pororoca não é privilégio apenas do município de São Domingos do Capim, outras cidades vizinhas também são abençoadas. Assim, o surf FENÔMENO As ondas chegam a 2 metros de altura no período de março a maio

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na água doce se torna uma atração turística em diversos festivais e campeonatos da modalidade. Como o surf na pororoca tem hora marcada, todos os barcos, botes, voadeiras e jet skis, junto com uma equipe especializada, transformam o turismo em São Domingos do Capim em uma verdadeira aventura de rio e selva. Os surfistas que invadem a ilha vão ao encontro das ondas, desviando-se de eventuais galhos e plantas ao longo de 5 km que a onda avança rio adentro. As ondas variam em tamanho de 0,5 m a 2 m, correndo à margem ou no meio do rio Capim. Já foi registrado o recorde no Guinness, no Laus, de uma pororoca de 11,8 m que durou 36 min. Pororoca ou mupororoca


Esse esporte “radical marítimo cria contornos distintos na floresta Amazônica

(do tupi,): que significa estrondo, é uma das formas como são denominados esse fenômeno natural na região. Existem várias explicações para a Pororoca, e a principal deve-se às mudanças das fases da lua, principalmente no equinócio que aumenta a pressão gravitacional da massa líquida dos oceanos que proporcionando as grandes marés no planeta. Na região Amazônica ocorre esta elevação das águas dos rios, que chega a alcançar 6 metros de altura a uma velocidade de 30 quilômetros por hora. Pode-se prever a pororoca com duas horas de antecedência, pois a força da água vinda da cabeceira provoca um barulho muito forte e inconfundível. Momento antes de sua chegada cessa o barulho e então reina o silêncio. Este é o sinal de que é melhor procurar um local seguro para que a força da água não cause nenhum estrago. O fato é que a Pororoca de São Domingos do Capim faz parte hoje do calendário nacional de eventos e atrai todos os anos cerca de 20 mil turistas, que fortalecem a economia local , gerando renda e empregos diretos e indiretos. SURFISTAS O Festival da Pororoca atrai todo ano milhares de turistas e curiosos

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ADMINISTRAÇÃO POLÍTICA

A nova fronteira da gestão municipal

O prefeito de São Domingos do Capim acredita em novos projetos para estimular a juventude, fortalecer a cadeia produtiva rural, dinamizar e valorizar as ações em infraestrutura, educação e saúde, setores estratégicos para o desenvolvimento do município.

O

engenheiro agrônomo José Cristiano Martins Nunes, PT, 33 anos, eleito prefeito de São Domingos do Capim em 2008, por uma diferença de 83 votos, tem em suas mãos um desafio: mudar o cenário do Municipio de São Domingos do Capim, levando além de esperança, ações concretas na área da infraestrutura, saúde, educação e, principalmente no turismo, onde pretende fazer das belezas naturais uma atividade sustentável,

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que venha transformar a vida das pessoas através do turismo ecológico. Em entrevista exclusiva, o prefeito Cristiano Martins, como é conhecido, revelou algumas das estratégias que está executando e como vê o desafio de comandar um município com uma receita que oscila entre R$ 18 a 20 milhões por ano.


NOVOS RUMOS Melhoramos a gestão, fizemos investimentos em obras e infraestrutura e lançamos programas sociais e de geração de emprego e renda REVISTA PARAENSE-CAPIM>13


ADMINISTRAÇÃO POLÍTICA CAPIM - Prefeito, fale-nos dos seus projetos de desenvolvimento para São Domingos do Capim? Prefeito - Em primeiro lugar, melhoramos a questão da gestão administrativa do município. Procuramos aplicar bem os poucos recursos que o município tem. Trabalhamos com a estratégia da captação dos recursos externos, e procuramos, para isso, retirar o município da inadimplência, que possibilitou o município voltar a acessar os recursos dos governos federal e estadual, com os quais já trouxeram para o município novas máquinas pesadas, veículos novos, iniciando um amplo programa de obras. CAPIM - Quais são suas prioridades? Prefeito - Na cidade estamos ampliando o sistema de abastecimento de água, realizando obras de infraestrutura urbana e melhorando os serviços de saúde, educação e assistência social, além dos investimentos em projetos sociais de esporte, cultura e geração de emprego e renda. Já no meio rural, retomamos o processo de desenvolvimento rural, investindo principalmente na recuperação e abertura de estradas vicinais e investindo forte na produção agrícola com mecanização e financiamentos, além dos investimentos na regularização fundiária, criação de projetos de assentamento e infraestrutura social. CAPIM - Qual a ação carro-chefe do governo?

Prefeito - Além dos programas de investimento em obras

de infraestrutura, fortalecemos as políticas de proteção e desenvolvimento social e fomentamos a produção agrícola. Um dos principais carro-chefe é a atração de investimentos para o município, que começa a se concretizar. Entrando no Programa Brasileiro de BIOCOMBUSTIVEIS com a implantação do audacioso projeto de Plantio de Dendê da Empresa ADM do Brasil, que gerará milhares de empregos, tanto no plantio, como na agroindústria de processamento, que já tem implantação prevista para 2013. CAPIM - O que é possível com a arrecadação municipal para melhorar a vida da população? Prefeito - A arrecadação está em torno de 18 a 20 milhões de reais, incluindo todas as receitas que são repassadas. O que precisamos é criar meios para aumentar essa receita para aplicarmos as mesmas com mais eficiencia para atender as expectativas da população, oferecendo mais saúde, educação, infraestrutura e melhorando a vida do nosso povo. CAPIM - Em relação ao êxodo rural, existe uma política para estimular a permanência do pequeno agricultor e produtor rural no campo e impedir que haja um inchaço na sede, para evitar os bolsões de pobreza? Prefeito - 70% da população de São Domingos vive no meio rural. Portando, a política para esta parcela da população deve ser prioridade. Por isso buscamos articular parcerias do governos local com as esferas estadual e federal para oferecerem condições para que essas famílias fiquem no campo, mas com melhores condições de vida. Para isso traçamos um plano de desenvolvimento rural onde priorizamos o fomento a produção de mandioca, o manejo de açaizais nativos e a diversificação de produção com o cultivo de hortaliças e criação de galinha caipira; 14<CAPIM - REVISTA PARAENSE

onde capacitamos produtores e levamos novas tecnologias para que este aumentem sua produção. Já foram investidos mais de 2 milhões de reais em projetos de financiamento através do BASA e do Banco do Brasil. Além disso, entendemos, também, que precisamos ir além. O trabalhador rural não deve só produzir, ele precisa de infraestrutura adequada, estradas para escoar a produção, escolas de qualidade para os filhos, postos de saúde com bom atendimento. Não adianta a gente somente incentivar o agricultor a produzir açaí, mandioca, hortaliças, feijão, leite, etc. Ele precisa, também, ter na sua comunidade uma boa infraestrutura e uma oferta de serviços de proteção e desenvolvimento social para que assim possa continuar no campo produzindo alimentos para a nossa cidade e contribuir para o desenvolvimento econômico e social do município. CAPIM - E quanto ao financiamento para os agricultores? Prefeito - Nós já financiamos dezenas de agricultores, através financiamento de manejo de açaizal - que não é uma atividade degradante, e que tem um foco produtivo. CAPIM - Quanto à iluminação pública, em São Domingos, qual a sua expectativa para atender o município com energia elétrica de qualidade? Prefeito - Estes dois temas nos preocupavam muito e por isso buscamos investir bem o recursos da iluminação pública onde já recuperamos e estamos mantendo 100% dos pontos existentes na cidade e já estamos ampliando este trabalho para as áreas rurais. Já no que diz respeito a energia elétrica construímos uma grande parceria com a REDE CELPA e o Programa LUZ PARA TODOS do governos federal, através da qual trouxemos obras de extensão de rede para pontas de rua e bairros como na Portelinha. Além das diversas obras do LUZ PARA TODOS, no interior, já se somam mais de 12 milhoes de reais de investimentos que universalizaram o acesso a energia para todas as famílias do meio rural do município. CAPIM - O que a prefeitura está fazendo quanto à habitação e à assistencial social? Prefeito - O déficit habitacional é grande no município, mas buscamos soluções para este problema. Estamos trabalhando em parceria com o ministério das cidades e a Caixa Econômica Federal o PLANO MUNICIPAL DE HABITAÇÃO, o qual vai nos possibilitar atrair investimentos do Programa MINHA CASA MINHA VIDA para área urbana. Sendo que no meio Rural já estamos desenvolvendo um amplo programa de Habitações Rurais com mais de 300 casas já construídas em Parceria com o INCRA, são 7 projetos de assentamento criados na nossa gestão. Já na área de Assistência Social, reestruturamos o nosso sistema de proteção e desenvolvimento social, fomentando e aperfeiçoando o funcionamento de programas sociais como o BOLSA FAMILIA, PETI e API, alem de apoio e investimento em projetos sócio educativos e de geração de renda e de cidadania como as escolinhas de futebol (ZICO 10), karate, capoeira e artesanato, além das CARAVANAS DA GENTE que levam serviços, como emissão de documentos para o interior do município. CAPIM - O que está sendo feito pela Educação?


A s ações na área urbana, como a ampliação do sistema de abastecimento, melhoraram a vida da comunidade

Prefeito - Para nós é muito claro! Não vamos fazer turismo sustentável através de um evento de três dias ou uma semana. Nós construímos ao longo de 12 anos uma marca para o município que é a Pororoca, agora estamos contruindo um Plano Estrategico, o nosso maior desafio é transformar o turismo em uma atividade econômica que venha influenciar na vida. Mudar a realidade da cidade e das pessoas. E para isso precisamos melhorar a infraestrutura urbana da cidade e investir na capacitação, e preparar a sociedade local para receber bem. Também trabalhamos na divulgação das belezas naturais que temos. Fazer do turismo uma atividade econômica ainda vai demandar muito esforço, vai precisar de investimento na rede hoteleira, na estrutura de eventos e na promoção do turismo ecológico, que é o que nós temos a oferecer aqui.

CAPIM - A comunidade dos quilombolas tem algum tratamento diferenciado por esta administração? Prefeito - Antes do nosso governo não se sabia que se existiam essas comunidades no município que tem mais de 120 anos de existência. Reconhecendo a importância histórica e a grande dívida que o nosso país tem com esta população, identificamos e demos visibilidade os remanescentes de quilombo do Rio Capim (comunidades Taperinha, Nova Ipixuna e Sauá –Mirim), apoiamos a Criação de uma Associação para representá-los e estamos contribuindo e acompanhando o processo reconhecimento oficial e regularização do seu território. Comunidades estas que ainda padecem com isolamento apesar de estar próxima da estrada, PA 242. Estamos viabilizando projetos que visam interligar estas comunidades, melhorar a infraestrutra e oferecer serviços de saúde, educação e fomento sócio-economico-cultura. Além disso, pela primeira vez na história, a comunidade vem participando dos eventos culturais do município. Nós os trouxemos para o Festival da Mandioca e para o Festival da Pororoca. A cartografia foi lançada na Câmara Municipal, então, estamos dando sim um tratamento especial a essa comunidade que vem ganhando espaço no nosso governo.

Prefeito - Estamos ampliando o atendimento melhorando a qualidade da educação no meio rural com a valorização dos saberes locais, envolvendo a comunidade e transformando os professores em agentes de mudança sócio cultural. Para cumprimos este objetivos estamos criando e ampliando pólos regionais de educação(escolas-polo); qualificando e formando os professores, através do Programa Municipal PROFESSOR APRENDIZ ; investindo na infraestrutura das escolas através de um amplo programa de reforma e ampliação com a construção de novas escolas; levando o acesso a internet nas escolas com a implantação de 19 laboratórios centros de Informática nas escolas do rurais.

CAPIM - É possível alavancar o turismo como atividade sustentável, tendo a Pororoca como a garota propaganda do município?

CAPIM - Qual o raio-X da saúde de São Domingos? Prefeito - Esta foi a área recebemos mais destroçada pela gestão anterior. Falta de investimento de décadas. O hospital municipal estava quase fechado. A infraestrutura e os equipamentos deteriorados. A falta de medicamento e material técnico eram os principais problemas encontrados. Diante deste quadro priorizamos e enfrentamos tais problemas. Reorganizamos a gestão, priorizamos a atenção básica e primária, melhoramos a infraestrutura do hospital, restabelecemos o atendimento médico e odontológico, e abastecemos os postos de saúde e do hospital com medicamentos e materiais técnicos. E agora, conseguimos finalmente, após o município sair da inadimplência, a criação do Fundo Municipal de Saúde. Ele cria as condições para que possamos acessar recursos do Ministério da Saúde para investirmos na ampliação melhoria da qualidade do serviço Saúde, e os resultados já estão chegando aos poucos a exemplo da Unidade Odontologica Móvel que receberemos em breve para ampliarmos o atendimento deste serviço no município e melhorar a vida da população. REVISTA PARAENSE-CAPIM>15


Fotos: Janduari Sim천es

CAPIM MOSAICO

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Os quatros quilombos do Capim CAPIM COMUNIDADE

Rilke Penafort Pinheiro

18<CAPIM - REVISTA PARAENSE


N

o Brasil existem mais de 2 mil comunidades quilombolas. Só no Estado do Pará são 240, distribuídas em cerca de 40 municípios, mas grande parte delas está em São Domingos do Capim, onde se agregam em torno de 500 pessoas, organizadas em quatro quilombos. Esta enorme quantidade de quilombos em nosso país revela o verdadeiro índice de desenvolvimento humano do cidadão brasileiro.

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CAPIM COMUNIDADE

C

om o fim da economia escravocrata, o povo negro, homens, mulheres e crianças tornaram-se órfãos do império, da terra e da sociedade. Viraram herdeiros da miséria e do abandono. Como no êxodo bíblico do povo guiado por Moisés iniciou-se outra saga. E assim caminharam, e ainda hoje, caminham - em busca da terra nãoprometida, por todos os cantos desse país. Em São Domingos do Capim, este percurso não foi diferente. Na divisa do município de Capitão Poço, no estado do Pará, às margens do rio Capim, na comunidade Aproaga, ainda se encontram as ruínas da imponência e da riqueza desse período: um suntuoso casarão do final dos anos 1800 ocupa o seu lugar nesta triste história dos senhores de escravos, das fazendas de engenho de cana-de-açúcar e de plantação do cacau (que duraram quarenta e cinco anos de escravidão na região). Os traços dos escombros arquitetônicos se sustentam aos pedaços em grandes troncos de árvores no meio da mata, são os traços dos escombros que afirmam, categóricos, os horrores da desta parte da nossa história que marcou o tempo. O casarão persiste até hoje, entre as margens do rio Capim e do igarapé Boca do Inferno. Como o próprio nome sugere, muitos morreram triturados pelas enormes hélices, única passagem de fuga do moinho do engenho. Assim narram os moradores mais antigos do lugar. Os descendentes de escravos, habitantes de Aproaga não fazem, hoje, distinção de cor, crenças ou partido político. Agora, o que interessa é a cidadania que 20<CAPIM - REVISTA PARAENSE


lhes foi retirada, esquecida; e a falta até mesmo de respeito que é atributo própio da condição humana e de cidadãos brasileiros. Perto de completar quatro anos, a Associação dos Quilombolas Unidos do Capim (AQURC) reúne os cinco quilombos. Tem como presidente, Manoel Clauderi Coutinho da Luz; como vice, João da Conceição; como secretária, Ana Cristina; e, como tesoureiro, Antonio Coutinho. O surgimento da associação (fundada no dia 8 de novembro de 2007) faz parte de um esforço amplo dos quilombos de institucionalizar uma representação amparada pela legislação brasileira para reparar os danos e os

descasos causados ao longo desses séculos para com o povo negro marginalizado do Brasil. De acordo com o presidente da entidade quilombola, Manoel Clauderi Coutinho da Luz, todas as pessoas, do mais velho, até as crianças, sempre serão fundamentais para a construção e a continuaidade deste movimento comunitário, razão pela qual eles têm o mesmo direito e o mesmo valor para a comunidade quilombola e para o país. Entre as ações da entidade está o mapeamento histórico social e geográfico da comunidade, através do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAE-UFPa) e Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e das professoras Maria Betânia Cardoso Barbosa e Rosa Elizabete Acevedo Marin. ”Esse trabalho ajudou a comunidade na demarcação (política/geográfica) das terras e tornou possível a elaboração de projetos sociais que objetivam trazer recursos para fazer as melhorias necessárias para que esta gente sofrida viva com dignidade, finaliza o líder quilombola.

VELHA TRIBO Tradições marcam a resistência das comunidades quilombolas e demarcam a cultura do povo paraense.

Esse “ trabalho ajuda

a comunidade nas melhorias necessárias para vivermos com dignidade

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CAPIM COMUNIDADE

22<CAPIM - REVISTA PARAENSE


CIDADÃO Os decendentes de escravos habitantes de Aproaga não fazem distinção de cor crença ou partido político.

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CAPIM MULHERES

Mulheres de Domingos, audaciosas todos os dias Rilke Penafort Pinheiro

Inserir as mulheres no mercado e gerar emprego e renda para as famílias e para o próprio município são metas da Amalu, que, há cerca de dez anos, protagoniza e desenvolve a cena política em São Domingos do Capim

D

eterminada e com ímpeto feminino, a Associação de Mulheres Ana Luiza Lopes (AMALU), ainda jovem na idade, mas gigante na sua inquietação por mudanças, protagoniza o cenário político de São Domingos do Capim há quase dez anos. Com mais de oitenta mulheres cadastradas, a Amalu acredita na formação profissional das mulheres do Capim para somar e ampliar a renda das famílias de trabalhadores da cidade e do campo, do município. Via parcerias com o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense (Minepa), Sindicato dos Trabalhadores Rurais e a prefeitura do município de São Domingos do Capim, são desen-

24<CAPIM - REVISTA PARAENSE

volvidos vários cursos de capacitação que estimulam novos negócios e oportunidades de trabalho dentro do município, Aos poucos, a associação conquista o seu espaço na comunidade local, apesar da resistência das mulheres capimenses em deixarem o trabalho doméstico em segundo plano. A articulação para entrar na vida a pública e fazer a história na política do município são visíveis. A atual administração inaugurou uma nova era no Capim, colocando as mulheres em alguns principais postos de administração. O governo municipal do Capim valoriza a mulher, por isso, tem mulheres nos comandos da Secretaria de Educação, Secretaria de

MULHERES Unidadas pela vontade de mudança na vida política e econômica do município

...otimistas, “batalhadoras,

para gerar renda


Assistência Social, Secretaria de Obras e Secretaria de Administração. Nomes poderosos como Sandra Regina, Ivaneide Pantoja e Andréia Portal inspiram a Amalu por um espaço maior na política. Entretanto, a Câmara Municipal de Vereadores ainda é exclusiva de homens. “Pelo menos por enquanto, mas estamos querendo inserir uma mulher para brigar por uma vaga nas próximas eleições municipais”, avisa a presidente da Amalu, Regiane Cristina Martins Nunes, outro ícone da força feminina do Capim.

Segundo Regiane, as mulheres do Capim ainda seguem a tradição do lar, mas ressalta que a Amalu nasceu com o objetivo de resgatar a autoestima da mulher, fazendo-a se autosustentar e se livrar da dependência financeira do marido e assim somar na renda familiar com sua produção independente. Para isso, a Amalu desenvolve vários cursos de capacitação, entre eles, oficina de embalagens de miriti e confecções, que vem impulsionar novos negócios e criar oportunidades de trabalho

dentro do município. As mulheres do Capim são otimistas, batalhadoras e agora querem somar renda e gerar emprego. O município é um potencial produtor de mel e visando explorar essa área, as mulheres já começaram a fazer cursos de apicultura. Segundo o último censo do IBGE, o município do Capim tem cerca de 9 mil mulheres, que vem se destacando entre as do nordeste paraense. “As mulheres produzem e podem vender até para fora. Isso ajuda a se orgulharem de si mesma”, observa Regiane. REVISTA PARAENSE-CAPIM>25


CAPIM EDUCAÇÃO

Janelas abertas para o conhecimento

A educação em São Domingos do Capim está em evolução. Depois de um diagnóstico da atual situação, onde foram detectadas e corrigidas várias irregularidades, uma grande reformulação caracteriza o setor, estratégico para o desenvolvimento municipal.

C

Rilke Penafort Pinheiro

om 347 professores para atender os cerca de 8 mil alunos - apenas 37 para os futuros vestibulandos (IBGE/2008), o município de São Domingos do Capim tem 7.885 alunos matriculados no Ensino Fundamental e 1.031 no Ensino Médio. Várias ações já foram executadas com o objetivo de elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A estrutura administrativa da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) foi reformulada. Os setores educacionais foram reorganizados. Com uma avaliação do trabalho dos professores, iniciou-se a revitalização da escola sede, Manoel Bernardo, que tem 13 salas de aula, além das salas da diretoria, secretaria, sala dos professores, sala da coordenação, quadra de esporte e refeitório. Nessa escola houve um planejamento participativo

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por setores, reforma do depósito da merenda escolar, atuação dos supervisores nas escolas do interior e aquisição de um ônibus escolar. A diretora da escola sede Manoel Bernardo, Ednilsa de Souza Sodré Oliveira, que tem graduação em pedagogia, confirma que a educação está caminhando, entretanto, ela também identificou e corrigiu problemas na escola, como por exemplo, o abastecimento da água, no entanto ela fez questão de informar que as crianças bebem água filtrada. De acordo com a Secretária de Educação, Sandra Soares, alcançar uma educação de qualidade está além dos muros escolares. “Apesar de termos recebido o sistema educacional bastante desestruturado, temos o compromisso assumido em nosso plano de governo, de fazer melhor, de criar parcerias com a comunidade, porque


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CAPIM EDUCAÇÃO verdadeiramente acreditamos que a Educação capimense é compromisso de todos nós”, avalia a titular da SEMED. E Sandra tem razão: em 1996, o município recebeu, cerca de duzentos mil reais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, através do Ministério da Educação, com a pequena contrapartida de R$ 20 mil da Prefeitura para ser investido na expansão da rede física escolar em várias novas unidades escolares e quadras poliesportivas, além de ampliação de salas de aula, mas na prática não foi isso que aconteceu. Esse é apenas um dado que pode ser comprovado no portal da transparência. O prefeito avalia que, portanto, velhos problemas na área de educação, mas seus gestores, a exemplo de muitos outros responsáveis e éticos deste país, articulamse para reverter a realidade, e, desta forma, garantir o futuro e a sustentabilidade da própria sociedade. Não por acaso, na atual gestão, muitas escolas foram informatizadas. Mas, o diferencial, é a educação agrícola, que coloca o estudante frente a frente à sua realidade e une a escola às práticas e experiências cotidianas da sociedade.

QUEM É

Ednilsa de Souza Sodré Oliveira, diretora da escola Manoel Bernardo. É Graduada em Pedagogia. 28<CAPIM - REVISTA PARAENSE


Rede de ensino, matrículas, docentes e rede escolar 2009 Matrícula | 2009 Ensino fundamental....................7.948 Escola pública estadual.............1.840 Escola pública municipal............6.108 Ensino médio..............................1.244 Escola pública estadual..............1.244 Ensino pré-escolar......................1.607 Escola pública municipal............1.560 Escola privada................................47

Docentes | 2009 Ensino fundamental......................310 Escola pública estadual.................56 Escola pública municipal..............254 Ensino médio..................................31 Escola pública estadual..................31 Ensino pré-escolar..........................80

ESCOLA Transporte público gratuito para os alunos do município

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CAPIM ESPORTE&LASER

O encontro com as águas em Eton Dorney São Domingos do Capim vai mostrar ao mundo a força e a determinação dos atletas amazônidas nas paraolimpíadas 2012

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Francisco Weyl

enedito Neves Moreira dos Santos, 40 anos, sóciofundador e atual presidente da Associação Navegar de Canoagem e Vela Capimense, (ANFAVEC), vinculado à Federação de Canoagem do Estado do Pará (FECAEPA), prepara o atleta Ademir Trindade às paraolimpíadas 2012. As provas paraolímpicas de Remo e Canoagem acontecerão em Eton Dorney, perto do Castelo de Windsor, no Reino Unido. O percurso tem 2.200 metros, com 3,5 metros de profundidade mínima da água, 8 pistas de remo (cada uma com 13,5 metros de largura), e uma pista de retorno separada, construída segundo os requisitos internacionais pela Universidade de Eton. Um cenário no mínimo paradisíaco. A para-canoagem é ao mesmo tempo esporte e lazer, razão pela qual o seu objetivo é o de possibilitar o acesso das pessoas portadoras de necessidades especiais (PNE) - físico-motoras, sensoriais e mentais - à prática desportiva, despertando o gosto pelo esporte e afastando assim o preconceito da

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sociedade para com o deficiente. Foi por este motivo que a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), criou em 26 de março de 1995, conforme a ata n.º 14, o Comitê Nacional de Para-Canoagem. De acordo com o coordenador técnico, o atleta de para-canoagem pode ou não usar equipamentos extras que auxiliem na prática da modalidade para melhorar seu rendimento com segurança, entretanto, o trabalho que ele realiza tem como meta permitir autonomia do atleta, para que ele consiga realizar o seu treino de forma independente e com a menor ajuda possível de terceiros. Além do atleta Ademir Trindade, Benedito treina os atletas Flávio Júnior e David da Graça Dias, que são ranqueados, ou seja, já participaram e foram premiados em maratonas nacionais e detém o índice olímpico estabelecido pela CBCa. Os dois também recebem a Bolsa Talento Nacional e a Estadual. De acordo com a Secretaria Estadual de Esporte Lazer (SEEL), 135 desportistas, entre atletas e técnicos, são beneficiados com a Bolsa Talento. Todos estes atletas são naturais do município.


ADEMIR Um atleta que supera as adversidades da vida

des ações que vamos realizar na área urbana, com ampliação do sistema de abastecimento de água de nossa cidade

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CAPIM ESPORTE&LASER

SÃO Todos atletas naturais DE SÃO DOMINGOS do CAPIM Estudo

O atual presidente da Federação de Canoagem do Estado do Pará, Evaldo José Ferreira Ribeiro Malato, afirma, no estudo “Prática da canoagem como modalidade esportiva em Belém do Pará - Um Ensaio Historiográfico”, que a hidrografia paraense (rios, lagos, igarapés) favorece esta prática esportiva. Sem falar que a canoa é o principal meio de transporte dos ribeirinhos.

Modalidades

Além da paracanoagem, a Confederação Brasileira de Canoagem reconhece as seguintes práticas como modalidades deste esporte: Slalon, Descida, Maratona, Oceânica, Onda, Pólo, Raftin, Rodeio, Vela e Tradicional sendo esta a mais recente a ser reconhecida pela CBCa.

Adaptação

Nos jogos Paraolímpicos de Remo que serão realizados nas águas em Eton Dorney, os barcos à remo estarão adaptados e equipados com assentos especiais, que variam de acordo com a deficiência do atleta.

Provas

As competições acontecerão em Dorney Eton, nos dias 31 de agosto e 2 de setembro de 2012.

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Atletas

Noventa e seis, sendo quarenta e oito homens e quarenta e oito mulheres. Eventos (medalhas) Os atletas vão disputar quatro eventos (medalhas), dois eventos mistos - o Fours Coxed e Double skiff - além das mulheres e dos homens e skiff simples.

Curiosidades

O remo só chegou à maioridade como esporte competitivo nos últimos anos. O esporte fez sua estréia no Paraolímpicos de Pequim.

O básico

Remo paraolímpico é comumente referido como remo “adaptativo”, o que significa que o equipamento é adaptado de modo que o atleta possa praticar o esporte, em vez de o esporte ser adaptado para o atleta.

Fique por dentro Timoneiro: O timoneiro, ou ‘cox’, senta-se na popa e é responsável pela direção do barco e dirigir a equipe. Scull: Para linha com dois remos, um em cada mão. Sweep: Para linha com um remo.

As “ competições

acontecerão em Dorney, um cenário paradisíaco


PARA-CANOAGEM Esporte e lazer que possibilita o acesso dos portadores de necessidades especiais.

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