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Rumos incertos no governo de Beto Richa TRABALHADORES ESPERAM DIÁLOGO COM O GOVERNADOR ELEITO, QUE DIZ QUERER CONSTRUIR “O NOVO PARANÁ”

Com a eleição de Beto Richa ainda no primeiro turno, nos próximos quatro anos, o Paraná será governado pelo PSDB. O então candidato teve aprovação da maioria da população em sua gestão como prefeito de Curitiba. No entanto, como governador do Estado, sua atuação diante de movimentos sociais e seu comprometimento com os interesses dos trabalhadores ainda são incertos. “Há um risco, sim, da criminalização dos movimentos sociais do campo, como o MST, e do aumento da repressão ao movimento sindical e estudantil, uma vez que setores de direita, como a UDR, forças Os movimentos à igreja, ao conservasociais e os partidos ligadas dorismo, apoiaram Richa”, de esquerda têm analisa Ricardo Oliveira, professor de Sociologia e Ciência uma imensa Política da UFPR. responsabilidade O deputado estadual Tadeu Veneri, ex-bancário na preservação com dois mandatos na Asde direitos durante sembleia Legislativa, reeleito para mais quatro anos, avao governo de lia o discurso do governador Beto Richa.” eleito, de jogar duro com os movimentos sociais. “O discurso da meritocracia, do choque de gestão e da desqualificação do governo anterior ainda encontra eco em alguns setores da sociedade. Porém, dizer que irá jogar duro com os movimentos sociais, que não irá tolerar o MST e que irá domesticar os sindicatos pode transformar o desafio em engodo”, acredita Tadeu Veneri. Promessas e propostas Em seu plano de governo, Beto Richa destaca propostas que citam termos como ‘emancipação de assentados’ ou ‘respeito a contratos juridicamente

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perfeitos’. Para Ricardo Oliveira, embora pretenda implementar uma gestão estadual modernizadora, na prefeitura de Curitiba Richa não cumpriu várias promessas. “O risco é que ele possa se aproximar do parâmetro do governo Lerner, que foi baseado numa agenda de privatizações, terceirizações, desregulamentação do serviço público e que, com isso, teve um resultado negativo”, analisa Oliveira. “Mas devido à pressão popular e à oposição, Richa já tentou pautar um novo projeto paranaense de desenvolvimento, no qual ele não privatizará e procurará manter algumas das principais políticas sociais do Governo Requião, como o Leite das crianças, o Luz fraterna, o salário mínimo diferenciado, que deram popularidade ao antigo governador”, acredita o professor da UFPR. Para Tadeu Veneri, o novo governador está comprometido com um segmento conservador. “Beto Richa manifestou em campanha seu compromisso com um segmento ideologicamente definido com princípios das agendas privadas no serviço público. O Estado é plural, não uma empresa privada. Possui componentes para além da vontade do governante e o diálogo se dará pela necessidade e correlação de forças. O governador terá ampla maioria na Assembleia para aprovar tudo que desejar, e quem faz diferença são os movimentos organizados”, convoca o deputado. “Os movimentos sociais e os partidos de esquerda têm uma imensa responsabilidade na preservação de direitos durante o governo de Beto Richa”, complementa Ricardo Oliveira. Quanto ao governo de Beto Richa se tornar oposicionista, Ricardo Oliveira explica que nenhum governador fez oposição ao presidente Lula. “O poder do Estado depende do Governo Federal para recursos, verbas, políticas públicas. Eles foram sempre parceiros, quem faz oposição, sim, é o Congresso Nacional e a Câmara dos Deputados”, finaliza.

Novembro 2010  

Revista Bancári@s

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