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Otávio Dias ∞ Bradesco

Presidência otavio@bancariosdecuritiba.org.br Antonio Luiz Fermino • Caixa

Carlos Alberto Kanak • HSBC

Secretaria Geral fermino@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Finanças kanak@bancariosdecuritiba.org.br

Kelson Morais Matos • Bradesco

André C. Branco Machado • Banco do Brasil

Secretaria de Organização e Suporte Administrativo kelson@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Imprensa e Comunicação andre@bancariosdecuritiba.org.br

Genésio Cardoso • Caixa

Cristiane Zacarias • HSBC

Secretaria de Formação Sindical genesio@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Igualdade e da Diversidade cristiane@bancariosdecuritiba.org.br

Karla Cristine Huning • Bradesco

Ana Maria Fideli Marques • Itaú

Secretaria de Assuntos Jurídicos Coletivos e Individuais karla@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho anafideli@bancariosdecuritiba.org.br

Marcio M. Kieller • Itaú Unibanco

Ana Luiza Smolka • Banco do Brasil

Secretaria de Políticas Sindicais e Movimentos Sociais kieller@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Cultura anasmolka@bancariosdecuritiba.org.br

Júnior César Dias • Itaú Unibanco

Pablo Sérgio M. Ruiz Diaz • Banco do Brasil

Secretaria de Mobilização e Organização da Base junior@bancariosdecuritiba.org.br

Secretaria de Ass. de P. Sociais e E. Socioeconômicos pablo@bancariosdecuritiba.org.br

Anselmo Vitelbe Farias • Itaú Unibanco

Genivaldo A. Moreira • Itaú

Secretaria de Assuntos do Ramo Financeiro anselmo@bancariosdecuritiba.org.br

Ademir Vidolin - Bradesco Ana Paula Araújo Busato - BB Alessandro Greco Garcia - BB Armando Antonio Luiz Dibax - Itaú Unibanco Audrea Louback - HSBC Claudemir Souza do Amaral - Santander Claudi Ayres Naizer - HSBC Clovis Alberto Martins - HSBC Darci Borges Saldanha - Itaú Unibanco Davidson Luis Zanette Xavier - BB Débora Penteado Zamboni - Caixa Denívia Lima Barreto - HSBC Edison José dos Santos - HSBC Edivaldo Celso Rossetto - HSBC Eustáquio Moreira dos Santos - Itaú Unibanco Gerson Laerte da Silva Vieira - BB Herman Felix da Silva - Caixa

Secretaria de Esportes e Lazer genivaldo@bancariosdecuritiba.org.br

João Paulo Pierozan - Caixa Jorge Antonio de Lima - HSBC José Carlos Vieira de Jesus - HSBC José Carneiro Ferreira - HSBC Karin Tavares - Santander Lilian de C. Graboski - Santander Nilceia Aparecida Nascimento - Bradesco Orlando Narloch - HSBC Rodrigo Pilati Pancotte - BB Selio de Souza Germano - Itaú Unibanco Sidney Sato - Itaú Unibanco Sonia Regina Sperandio Boz - Caixa Tarcizo Pimentel Junior - HSBC Ubiratan Pedroso - HSBC Valdir Lau da Silva - HSBC Vanderleia de Paula - HSBC Vandira Martins de Oliveira - Itaú Unibanco

Efetivos

Suplentes

Ivanício Luiz de Almeida - Itaú Unibanco Denise Ponestke de Araújo - Caixa Margarete Segalla Mendes - HSBC

Tânia Dalmau Leyva - Banco do Brasil Edna do Rocio Andreiu - HSBC Carolina M. Mattozo - Banco do Brasil


Fabio Souza/SEEB Curitiba Joka Madruga/SEEB Curitiba

Mesmo com lucros bilionários, bancos aumentam índices de provisionamento para devedores duvidosos e rebaixam PLR dos bancários.

Jailton Garcia/Contraf-CUT

08 Truque dos bancos

12 20 anos de CCT No ano em que comemoram duas décadas de direitos unificados, bancários ampliam conquistas nacionais. Categoria garantiu aumento real e melhores condições de trabalho.

10 Entrevista

Daniela Cravalho/SEEB Curitiba

Conselheira paranaense, Caroline Proner conta um pouco do trabalho de reparação de erros passados desenvolvido pela Comissão da Anistia.

20 Sindicato cidadão Sindicato dos Bancários de Curitiba e região faz parceria com a Casa dos Pobres São João Batista e ajuda crianças carentes, desempregados e adoecidos.

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Cartas do leitor Editorial Bancos Conjuntura Entrevista Capa Saúde Cidadania Opinião Cultura Jurídico Cooperativa Aconteceu Memórias da luta Humor dezembro 2012

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Assédio moral em alta Como acontece todos os anos, durante a Campanha Nacional dos Bancários 2012, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região recebeu inúmeras denúncias de trabalhadores que sofreram com a pressão e o assédio moral de gestores que queriam infringir o direto de greve. Leia abaixo algumas delas:

“Os gerentes do CSO do BB estão chamando os funcionários para trabalharem depois das 17h, quando os grevistas saem das portas dos prédios.” Bancário do Banco do Brasil

Poemas para a Liberdade Autor: Manoel de Andrade Páginas: 200 Editora: Escrituras

Inédito até pouco tempo no Brasil, o livro é um conjunto de poemas que falam da luta armada e cantam a saga guerrilheira na América Latina dos anos 1970, então controlada por ditaduras militares. Manoel de Andrade é catarinense radicado no Paraná.

“O HSBC está levando os bancários do setor de cobrança da Vila Hauer para trabalhar em locais sem condições adequadas, causando mal estar para os funcionários.” Bancário do HSBC “Os funcionários do banco Itaú Unibanco estão sendo obrigados a trabalhar nas agências que estão abertas e existem metas estipuladas, chamados “desafios”, que são cobradas todo o final de expediente.” Bancário do Itaú Unibanco Todas as denúncias de assédio moral são arquivadas pela Assessoria Jurídica do Sindicato, para servirem como provas em possíveis ações trabalhistas.

Conflitos das Águas Gênero: Drama Tempo de duração: 103 min Ano de lançamento: 2010

Filmado na Bolívia e no México, o longa-metragem é baseado na chamada Guerra da Água, um conflito social vivido nos anos iniciais desta década, em Cochabamba (Bolívia), quando o governo local tentou privatizar o fornecimento de água.

A revista Bancári@s é uma publicação bimestral do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, produzida pela Secretaria de Imprensa e Comunicação. Presidente: Otávio Dias • otavio@bancariosdecuritiba.org.br Sec. Imprensa: André Machado • andre@bancariosdecuritiba.org.br Rua Vicente Machado, 18 • 8° andar CEP 80420-010 • Fone 41 3015.0523 www.bancariosdecuritiba.org.br Os textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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Conselho Editorial: André Machado, Ana Smolka, Carlos Kanak, Genésio Cardoso, Júnior Dias e Otávio Dias Jornalista responsável: Renata Ortega (8272-PR) Redação: Flávia Silveira, Paula Padilha e Renata Ortega Projeto gráfico: Fabio Souza e Renata Ortega Diagramação: Fabio Souza Foto de Capa: Joka Madruga/SEEB Curitiba Revisão: Maria C. Périgo Impressão: Multgraphic • Tiragem: 8.200 Contato: imprensa@bancariosdecuritiba.org.br


Joka Madruga/SEEB Contraf-CUT Curitiba

Bancários de Curitiba e região encerraram a Campanha Nacional dos Bancários 2012 em uma grande assembleia, no Espaço Cultural e Esportivo. Com o fim da greve, a categoria garantiu 7,5% de reajuste (2% de ganho real), 8,5% de valorização nos pisos, além de cláusulas importantes nas áreas de saúde e segurança. Assim, a Convenção Coletiva de Trabalho unificada foi assinada pelo vigésimo ano consecutivo.

20 anos de CCT Ao assinar a Convenção Coletiva de Trabalho 2012/2013, com diversos avanços tanto para bancos privados como para bancos públicos, celebramos 20 anos de história de uma categoria unificada e fortalecida. A única categoria no Brasil que pode comemorar tantas conquistas, frutos de árduas lutas de diversas gerações de bancários, que deixaram suas marcas país afora. Nós, aqui em Curitiba, temos orgulho de lembrar-nos e sermos lembrados como parte integrante da unidade nacional, tendo feito parte desta belíssima história de lutas e conquistas. Em reconhecimento a esta trajetória, em 2012, pela primeira vez, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região foi o anfitrião de uma Conferência Nacional dos Bancários – que reuniu quase 800 delegados dos quatro cantos do Brasil, para debater e aprovar as reivindicações dos trabalhadores, que seriam entregues à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e norteariam as negociações da

campanha salarial. Nossa CCT não só representa um paradigma para outras categorias, como já vem sendo usada como parâmetro para o Tribunal Superior do Trabalho (TST) consolidar direitos trabalhistas. Mais que isso, ela congrega os resultados de muitas lutas: com unidade e capacidade de mobilização, conquistamos, nos últimos nove anos, 16,22% de aumento nos salários, bem como 35,57% de valorização nos pisos da categoria (acima da inflação). Além das cláusulas econômicas, muitos foram os avanços também nas cláusulas sociais: conquistamos o vale-refeição e a cesta-alimentação, a 13ª cesta-alimentação; fomos a primeira categoria do país a receber Participação nos Lucros e Resultados (PLR); e garantimos a contratação de mais de 25 mil trabalhadores para a Caixa Econômica e o Banco do Brasil, nos últimos anos. Lutando por saúde e condições de trabalho, ampliamos a licença-maternidade para 180 dias, criamos um Programa

de Reabilitação Profissional e garantimos os salários dos bancários adoecidos que aguardam perícia médica. Somos a única categoria do país a assinar uma cláusula que prevê o combate ao assédio moral. Na área de segurança, garantimos a proibição de transportes de numerários feita por bancários e a implementação de um projeto-piloto de segurança bancária, visando melhorias para trabalhadores, clientes e usuários. Lutando por igualdade de oportunidades, conquistamos a inclusão de homoafetivos nos Planos de Saúde, além da realização de um novo censo da categoria, que pretende identificar e resgatar as questões de gênero e raça. Diante de todas estas conquistas, desejamos vida longa à nossa CCT. E, para que possamos seguir conquistando, precisamos manter sempre viva a unidade da categoria bancária! Otávio Dias, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região

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Emprego em risco

ALTA ROTATIVIDADE DO SETOR ASSOMBRA TRABALHADORES DE BANCOS PRIVADOS. BANCÁRIOS QUEREM GARANTIA DE EMPREGO

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Com o fim da Campanha Nacional dos Bancários 2012, a categoria ainda anseia por negociações específicas sobre emprego. Os altos índices de rotatividade e terceirização têm tirado o sono de muitos trabalhadores de bancos privados, principalmente do HSBC e Itaú Unibanco, os maiores responsáveis pelas demissões do setor no país. Durante as negociações com a Federação NaNo primeiro semestre cional dos Bancos (Fenaban), os representantes da entidade de 2012, os bancos patronal chegaram a afirmar que os bancários não estão contrataram 23.336 preocupados com seus emempregados e pregos e que a rotatividade desligaram 20.986, no setor é normal. Contudo, os dados sobre demissões gerando apenas no Brasil deixam claro que a 2.350 novos postos substituição de trabalhadores promovida pelos bancos de trabalho, o que é uma prática que objetiva, representa um recuo claramente, diminuir a remuneração dos funcionários. de 80,40% em No mês de julho, os diricomparação com o gentes do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região mesmo período de Carlos Kanak (COE/HSBC) 2011, quando foram e Junior Cesar Dias (COE/ criadas 11.978 vagas.” Itaú) participaram da 8ª Reunião Conjunta das Redes Sindicais dos Bancos Internacionais (HSBC, Santander, BBVA, Itaú e Banco do Brasil), em Montevidéu, no Uruguai. “Durante o encontro, ficou visível a preocupação do coletivo em relação ao emprego, já que o HSBC vendeu agências em nove países da América”, afirma Kanak. A alta direção anunciou a redução de dezembro 2012

27 mil postos de trabalho em todo mundo. “Não há investimentos nas pessoas. Os funcionários também denunciam extensão arbitrária da jornada de trabalho”, informa o dirigente. No Reunião Conjunta, o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, também denunciou a política desumana dos bancos internacionais. “O HSBC sai de um país para outro atrás de resultados, sem compromisso com a população. Persegue trabalhadores e dirigentes sindicais", frisou. O sindicalista ainda denunciou o Itaú que, no processo violento de demissões, fechou cerca de 9 mil postos de trabalho em um ano, o que é inaceitável para o banco privado que mais lucra no Brasil. "Não adianta ter crescimento econômico com aumento real de salário, se continuar essa política de rotatividade dos bancos", apontou Cordeiro. Números do setor Os resultados da 14ª Pesquisa de Emprego Bancário, feita com base nos dados do Caged e divulgada em agosto pela Contraf-CUT e Dieese, revelaram que a rotatividade continua sendo alta nas instituições financeiras. No primeiro semestre de 2012, os bancos contrataram 23.336 empregados e desligaram 20.986, gerando apenas 2.350 novos postos de trabalho, o que representa um recuo de 80,40% em comparação com o mesmo período de 2011, quando foram criadas 11.978 vagas. Em Curitiba, não é diferente. De acordo com dados da Secretaria de Assuntos Jurídicos do Sindicato, de 01 de janeiro a 30 de setembro de 2012, foram registrados 1.343 desligamentos nas instituições financeiras, sendo 760 demissões sem justa causa. Os bancos que mais demitiram foram HSBC, com 332 demissões, e Itaú, com 208 (ambos dados de demis-


Durante a campanha salarial, Contraf-CUT e sindicatos filiados enviaram cartas aos bancos privados, cobrando negociação específica sobre emprego. Carta aberta à sociedade também já alertou sobre as demissões, as terceirizações e a rotatividade do setor.

sões sem justa causa). Em todo o ano de 2011, o HSBC e o Itaú demitiram sem justa causa 394 e 149 bancários, respectivamentem, em Curitiba e região. Além da redução de postos de trabalho, a alta rotatividade no setor é usada para conter a expansão da massa salarial da categoria. Segundo pesquisa do Dieese, no primeiro trimestre do ano, o salário médio dos trabalhadores contratados foi 38,2% inferior ao dos desligados. A remuneração média dos novos bancários foi de R$ 2.656,92 e a dos demitidos de R$ 4.299,27. Mobilização pelo emprego Para protestar contra o descaso dos bancos privados com os trabalhadores, atos e mobilizações são realizados pelo Sindicato. Em outubro, foram fechados dois Centros Administrativos do HSBC (Palácio Avenida e Vila Hauer), por uma PLR justa, fim das demissões e emprego decente. A população que passava em frente ao Palácio Avenida, na Rua XV de Novembro, pôde ler notícias de jornais expostas sobre as denúncias de lavagem de dinheiro que recentemente foram divulgadas pela mídia sobre o banco inglês. O fechamento de vagas no Itaú, maior banco privado do país, é tão grande que foi tema de matéria do jornal O Estado de São Paulo, no início de agosto, quando começaram as negociações da campanha sa-

larial. De acordo com levantamento da Contraf-CUT divulgado pelo jornal, o Itaú fechou 9 mil postos de trabalho em um ano. O jornal avaliou que “A redução do número de vagas acompanha uma tendência do setor, mas é mais expressiva que nos concorrentes”. Nos meses de maio e junho, dois protestos de bancários fecharam mais de 40 agências do Itaú, em Curitiba, pedindo o fim das demissões. Como reflexo Segundo pesquisa do dessa manifestação, o Ministério Público do Trabalho enDieese, no primeiro trou com uma ação civil pútrimestre do ano, o blica na Justiça do Trabalho salário médio dos pedindo a reintegração dos funcionários do banco, que trabalhadores estava demitindo inclusive contratados foi trabalhadores em período de pré-aposentadoria. Mas, até o 38,2% inferior momento, não há definição ao dos desligados.” judicial no caso. Na mobilização nacional, 239 agências foram fechadas e, na época, o Itaú anunciou o início de uma política para combater a rotatividade, se comprometendo a realocar funcionários nos setores ao invés de promover mais demissões. Contudo, os dados comprovam que as demissões não pararam depois desse período.

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Provisões mascaram lucros BANCOS AUMENTARAM VALORES DESTINADOS A COBRIR INADIMPLÊNCIAS EM 30,5%, MAS ÍNDICE DE DEVEDORES AUMENTOU APENAS 1,2%

De acordo com o relatório Desempenho dos Bancos no Primeiro Semestre de 2012, elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os seis maiores bancos que atuam no Brasil – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander, Itaú Unibanco e HSBC – lucraram, juntos, R$ 25,2 bilhões no período. No entanto, o montante destinado por estes bancos às Provisões para Créditos de Liquidação Duvidosa (PDD) alcançou R$ 39,1 bilhões. Em relação ao mesmo período de 2011, os bancos aumentaram as PDD em 30,51%, sob a justificativa de alta na inadimplência. Porém, de acordo com o técnico do Dieese Gustavo Cavarzan, o aumento na inadimplência, entre meados de 2011 e maio de 2012, foi concentrado principalmente na carteira de veícu-

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los; pouco depois, o índice ficou estável e chegou a diminuir. “O que se observa é que o crescimento das despesas de PDD se deu numa intensidade muito mais forte do que a elevação pontual da inadimplência”, afirma o técnico. Já é parte da rotina dos bancos provisionar valores cada vez maiores e muito superiores aos índices de devedores. O “truque” diminui o lucro líquido e incide diretamente no valor da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) paga aos bancários. O Banco Central determina aos bancos um limite mínimo que deve ser provisionado para cada crédito, de acordo com a classificação de risco daquele empréstimo. Quanto maior o risco, maior a necessidade de provisionar. “Mas os bancos podem fazer provisões adicionais e é justamente o que tem sido feito. Às vezes, em escalas muito intensas, como ocorreu nos primeiros seis meses deste ano. E não há um limite máximo estabelecido pelos órgãos reguladores”, explica Cavarzan. De acordo com o levantamento do Dieese, a taxa de inadimplência mais alta é no Itaú, em 5,2% das operações de crédito. A mais baixa,


e também mais estável, foi a da Caixa Econômica Federal, em 2% do total das operações de crédito. Efeitos na PLR Como já dito, o alto provisionamento praticado pelos bancos que atuam no Brasil afetam diretamente os lucros líquidos, base de cálculo da PLR. Assim, consequentemente, a Participação nos Lucros e Resultados para aos trabalhadores acaba sendo reduzida. “Como a PLR dos bancários é vinculada ao lucro líquido e a PDD entra no resultado como uma despesa que reduz o valor do lucro, a PLR da categoria é, sim, afetada pelo elevador provisionamento”, confirma Carvazan. O HSBC foi o banco que mais elevou os índices de PDD, aumentando o valor em 63% em relação a 2011. O resultado não poderia ser diferente: os bancários do HSBC receberam uma PLR bem menor que a esperada e não devem receber o Programa Próprio de Remuneração (PPR) em 2012. A justificativa do banco? A queda dos lucros! Carlos Kanak, diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região e coordenador nacional da COE/HSBC, lembra que, todos os anos, o banco usa a desculpa da queda dos lucros. “Assim, os trabalhadores, que são os principais responsáveis pelos ganhos do HSBC, não são gratificados com a PLR que verdadeiramente merecem”, avalia. Altos executivos ganham milhões Enquanto os bancários têm a PLR reduzida pelos “truques” dos banqueiros, que mascaram os verda-

deiros lucros aumentando o provisionamento, os diretores dos bancos estão cada vez mais milionários. Segundo dados fornecidos pelas próprias instituições financeiras à Comissão de Valores Mobiliários, a remuneração média dos diretores estatutários de quatro dos maiores bancos do país – Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander –, em 2012, será Como a PLR 9,7% superior se comparada à de 2011. O aumento real é dos bancários é de 4,7%, mais que o dobro vinculada ao lucro dos 2% de ganho real dos bancários. líquido e a PDD entra Somadas, as remunerano resultado como ções totais dos executivos, incluindo parcelas fixas, vauma despesa que riáveis e ganhos com ações, reduz o valor do totalizam R$ 920,7 milhões, lucro, a PLR da contra R$ 839 milhões em 2011. No Banco do Brasil, categoria é, sim, cada diretor estatutário reafetada pelo elevador ceberá R$ 1 milhão; no Bradesco, R$ 4,43 milhões; no provisionamento.” Santander, R$ 6,2 milhões; e no Itaú serão R$ 8,3 milhões para cada um. Gustavo Cavarzan lembra que os ganhos dos executivos não são afetados pelas PDD. “A remuneração destes cargos, seja fixa ou variável, é geralmente definida em assembleia com os acionistas. Portanto, a PDD não afeta diretamente este público”, ressalta.

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Reparando erros passados A CONSELHEIRA CAROLINE PRONER CONTA UM POUCO DO TRABALHO DE REPARAÇÃO DOS ERROS PASSADOS DESENVOLVIDO PELA COMISSÃO DE ANISTIA

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Instalada em agosto de 2001, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça tem como objetivo analisar pedidos de indenização de pessoas que sofreram algum tipo de perseguição política e foram impedidas de exercer atividades econômicas entre 1946 e 1988. Segundo a conselheira da comissão e doutora em Direito, Caroline Proner, os julgamento pretendem corrigir os erros do passado numa dimensão reparatória. A comissão é formada por 19 conselheiros, que não têm vínculo governamental e trabalham voluntariamente. Por um lado, a Em entrevista, Caroline declaração de explica o funcionamento desanistiado, como ato te mecanismo. Ela afirma que seu interesse pelo tema se deu, político do Estado primeiramente, na esfera acadêmica – ela é professora do em reconhecer Programa Máster-Doctorado erros históricos, em Derechos Humanos, Intrerculturalidad y Desarrollo, é uma dimensão em Sevilha, na Espanha, e cosimbólica que tem ordenadora do Programa de efeito importantísMestrado em Direitos Fundamentais e Democracia, da Unisimo em relação ao Brasil. “A Comissão de Anistia reconhecimento da tem como missão o conhecimento oficial de atos de exceresponsabilidade.” ção, na plena abrangência do termo, contra brasileiros e estrangeiros, materializados em perseguições políticas e que ensejam o direito constitucionalmente assegurado à reparação”, acrescenta. Em 2011, a comissão comemorou uma década, com mais de 70 mil requerimentos e 38 mil anistiados. “Considerando que, quando criada, a expectativa era de apreciação de 10 mil pedidos, temos um grande projeto, ferramenta de política publica em prol da memória, da história do Brasil e esforço para o princípio de não repetição de atos semelhantes no futuro”, codezembro 2012

memora Caroline. Leia mais na entrevista abaixo: Bancári@s: Como é o processo dos julgamentos na Comissão de Anistia? Caroline Proner: A Lei nº 10.559/2002 dá sustentação legal aos pedidos de reconhecimento da condição de anistiado político e o eventual provimento aos respectivos direitos. A comissão, nesse sentido, reconhece, antes de tudo, direitos que se enquadram nas hipóteses legais. Os processos encaminhados procuram demonstrar que o demandante sofreu, no período de 18 de setembro de 1946 a 05 de outubro de 1988, algum tipo de perseguição política previsto na lei e que afetaram seu projeto de vida. As hipóteses incluem transferências arbitrárias de local de residência ou trabalho, perdas salariais, afastamentos, impedimentos do exercício de atividades profissionais, demissões, punições disciplinares que impediram o prosseguimento dos estudos, cassação de aposentadoria, desligamentos e expulsões a partir de expedientes oficiais sigilosos, inatividade forçada, cassação de mandatos, quaisquer interrupções por razões políticas de vínculos empregatícios nos setores públicos e privados. Busca-se corrigir os erros do passado numa dimensão reparatória moral e material. Por um lado, a declaração de anistiado, como ato político do Estado em reconhecer erros históricos, é uma dimensão simbólica que tem efeito importantíssimo em relação ao reconhecimento da responsabilidade. Por outro, a dimensão econômica é fundamental para diminuir os traumas causados pelos danos aos projetos de vida ceifados. O caráter indenizatório, nas hipóteses previstas (indenizações em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada), bem como a restituição de outros direitos fazem parte do processo de reconhecimento que podem resultar em readmissão ou promoção na inatividade, conclusão de formação acadêmica, bolsas de estudo a partir do ano interrompido, reintegrações nos setores públicos, entre outros efeitos.


Joka Madruga/SEEB Curitiba

Bancári@s: Existem casos de pessoas ligadas ao movimento sindical julgados? C. P.: Uma das hipóteses da lei menciona a atividade sindical e prevê uma hipótese recorrente, pois a militância era alvo de permanente repressão por parte dos militares, que desmobilizavam a sociedade em todos os níveis que pudesse haver contestação ao projeto de país, também no plano econômico e de direitos dos trabalhadores. Há casos como o de Adelino Cassis, líder sindical filiado ao PCB e fundador do Sindicato dos Bancários de Brasília, julgado em 2011 pela comissão, que lhe concedeu, além da declaração de anistiado, indenização. O sindicalista não foi morto ou torturado pelo Regime Militar, mas perseguido e preso. Quando seu processo foi julgado, ele já estava com idade avançada, falecendo dias depois. A família se ressente da demora e faz críticas ao processo de aposentadoria, já que ele havia sido readmitido como funcionário do Banco do Brasil e, posteriormente, aposentado em bases que não lhe fizeram justiça, tendo reduzido substancialmente seus direitos e afetando a vida econômica. Esses são desafios do modelo brasileiro, pois os critérios nem sempre podem ser considerado justos, apresentando, muitas vezes, pontos que podem suscitar críticas de legitimidade. Haveria a necessidade de uma reflexão para mudar os critérios da legislação, pensamento que acompanha mui-

tos dos conselheiros da comissão. Bancári@s: Neste ano, foi implementada a Comissão da Verdade. O que isso representa, complementando o trabalho da Comissão de Anistia? C. P.: A Comissão da Verdade é uma grande conquista e um passo importantíssimo na reconstrução da historiografia pelo reconhecimento da verdade, pelo acesso às memórias. Pelo modo como foi aprovada e pelas forças de oposição que se alinharam contra a iniciativa, tal disputa permitiu à sociedade conhecer as razões que legitimam a existência de uma comissão com tais fins: investigar violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, no Brasil. No entanto, a Comissão da Verdade tem limites de atuação, temporais, materiais. Não será a solução ou o ponto final da verdade sobre o período. Apesar dos poderes para convocar vítimas ou acusados para depoimentos e acessar arquivos do poder público sobre o período, ela depende do trabalho já realizado por outras entidades e acervos de busca e pesquisa, entre as quais talvez o principal acervo seja o da Comissão da Anistia. Neste sentido, um trabalho de colaboração vem sendo realizado. Bancári@s: Aos poucos, vemos um esforço da sociedade para colocar os Direitos Humanos em primeiro plano. Você acredita que as instituições estão se democratizando?

Por outro lado, a dimensão econômica é fundamental para diminuir os traumas causados pelos danos aos projetos de vida ceifados.”

C. P.: Gosto da reflexão que costuma ser feita pelo presidente da Comissão da Anistia, que também é o maior entusiasta do tema no Brasil atualmente, o secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão. Ele diz que vivemos uma nova fase no processo de luta pela anistia. Tendo já passado pela concepção de ‘anistia como liberdade’, tarefa da geração dos anos 1980 e justificada pelo contexto vivido, e também da ‘anistia como reparação’, contexto no qual se insere a própria existência dos processos diante da Comissão de Mortos e Desaparecidos e da Comissão da Anistia, ele defende que vivemos agora uma terceira fase, a da ‘anistia como verdade e justiça’. A atual geração invoca uma dimensão transgeracional dos “direitos da transição”, a reivindicação do direito à memória, à verdade e à justiça já não são tarefas somente da geração que foi atingida diretamente pela violência. A superação dos traumas talvez seja a tarefa dessa nova geração, que entende a necessidade dos resgates, dos relatos para evitar a repetição. A democracia é um processo e não um fim em si mesmo: os espaços de luta e de controle democrático devem permanecer ativos, mobilizados, para evitar todo tipo de assalto que observamos no dia a dia, em espaços públicos e privados, heranças autoritárias que ocorrem a partir da sensação de impunidade. dezembro 2012

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20 anos de unidade NO ANO EM QUE COMEMORAM 20 ANOS DE CCT UNIFICADA, VÁLIDA EM TODO TERRITÓRIO NACIONAL, BANCÁRIOS MANTIVERAM AUMENTO REAL E GARANTIRAM NOVAS CONQUISTAS

No ano de 1992, os bancários assinaram, pela primeira vez, uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) unificada, que garantiu à categoria os mesmos salários e direitos em todo o território nacional – primeiro, nos bancos privados e estaduais, e, a partir de 2004, também nos bancos públicos federais. Passados 20 anos, muitos foram os avanços conquistados desde então, frutos da ousadia, da coragem, da capacidade de organização e da busca permanente por unidade. “A CCT é uma construção de muitas e muitas gerações de bancários, que remonta o início do século 20”, relembra Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. “Nossa Convenção não só representa um paradigma para outras categorias, como já vem sendo usada como parâmetro para o TST consolidar direitos trabalhistas”, completa Otávio Dias, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. Para pensar nos desafios do futuro, é fundamental reconhecer as lutas do passado. Os primeiros anos da década de 1990 foram marcados pela alta velocidade das perdas salariais, provocadas pela explosão inflacionária, que chegava a quase 1.150%. Apesar da conjun12

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tura desfavorável, o ano em que Collor sofreu impeachment foi positivo para os bancários, que conquistaram aumento real de salários e outros avanços, além de um acordo de trabalho unificado. Contudo, a chegada de FHC ao poder trouxe uma avalanche de reformas neoliberais, com redução do Estado, privatizações, ataques aos direitos dos trabalhadores e desregulamentação do sistema financeiro. Foi necessária muita resistência para manter os avanços conquistados até então. O cenário só melhorou a partir de 2002, quando Lula assumiu a presidência. Já no ano seguinte, a campanha nacional unificou bancários de instituições públicas e privadas, consolidado a mobilização nacional da categoria – o que permitiu, a partir de 2004, grandes mobilizações em greves. Com os fortes movimentos paredistas, ficou garantido os aumentos reais de salário todos os anos, bem como outros importantes avanços. Conquistas como igualdade de oportunidades, 13ª cesta-alimentação, ampliação da licença-maternidade e combate ao assédio moral se juntaram aos avanços da década de 1990, entre eles a cesta-alimentação, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR),a


requalificação profissional e as discussões de saúde e condições de trabalho. Campanha Nacional dos Bancários 2012 Desde a assinatura da CCT unificada, em 1992, a mobilização dos bancários só aumentou. Em 2012, não foi diferente. Foram nove dias de paralisação, que garantiram avanços consideráveis, tanto nas negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), como nas pautas de bancos públicos – Banco do Brasil e Caixa Econômica –, além de uma forte injeção na economia brasileira. Somente o que os trabalhadores conseguiram arrancar dos bancos neste ano significa um incremento anual de cerca de R$ 7,6 bilhões na economia nacional. O valor é 6% superior ao da campanha de 2011, de acordo com projeção feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Desse montante, R$ 4,9 bilhões são referentes ao pagamento da PLR e R$ 2,4 bilhões às diferenças salariais anuais. “Pode parecer pouco, mas nós conseguimos avançar em uma campanha em que os bancos, desde o início, alegavam não ter condições de aumentar os ganhos dos trabalhadores. Nossa união e mobilização garantiu pelo nono ano seguido aumento real para os salários, acumulando ganhos de 16,22% acima da inflação entre 2004 e 2012. No piso, o aumento real em três anos seguidos já soma 35,57%, valorizando o salário inicial da

carreira”, explica Otávio Dias. As conquistas econômicas dos bancários foram 7,5% de reajuste salarial (2% de ganho real) e 8,5% de aumento nos pisos de ingresso (2,95% de ganho real). Na cesta-alimentação e no vale-refeição, o reajuste também foi de 8,5%. Já a PLR, teve sua parcela fixa reajusta em 10%, ficando: 90% do salário mais R$ 1.540 fixos, com teto de R$ 8.414,34, mais adicional de 2% do lucro líquido distribuídos linearmente, com teto de R$ 3.080. “Em 2011, com uma greve de 21 dias, chegamos a 1,5% de aumento real. Não há como negar que a categoria avança em suas conquistas a cada ano”, avalia Otávio Dias. Além dos avanços econômicos, também foi conquistada a implantação de um projeto-piloto de Segurança Bancária, inicialmente nas cidades de Recife, Olinda e Jaboatão, que irá por em prática todos os itens de segurança exigidos por bancários e vigilantes, como portas de segurança, biombos entre a fila e os caixas, e divisórias entre os caixas, inclusive os eletrônicos, dentre outras demandas – as discussões para dar andamento no projeto já estão acontecendo. No tema saúde dos trabalhadores, ficou garantido que os salários dos bancários afastados que aguardam perícia médica sejam mantidos pelos bancos até que seja regularizada a situação junto ao INSS. Há inúmeros casos em que o trabalhador recebe a alta programada do INSS, mas acaba sendo considerado inapto no exame de retorno

“Convenções coletivas de trabalho como esta dos bancários devem ser divulgadas para os trabalhadores de todas as categorias, para que eles possam conhecer essas experiências bem sucedidas e os ajudem na discussão de comoconquistar seus próprios contratos coletivos.” Ex-presidente Lula, na abertura da 1ª Conferência Nacional de Negociação Coletiva. ao trabalho realizado pelos bancos, ficando sem benefício do INSS e sem salário. Também ficou acertado que bancários e patrões irão rediscutir o Protocolo de Prevenção de Conflitos no Ambiente de Trabalho, instrumento de combate ao assédio moral. Os bancos aceitaram ainda realizar um novo censo na categoria para verificar questões como gênero e raça, na perspectiva da igualdade de oportunidades, nos moldes do Mapa da Diversidade, feito em 2008. “Todas estas conquistas fundamentais para garantir mais saúde e melhores condições de trabalho para a categoria!, finaliza o presidente do Sindicato.

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Joka Madruga/SEEB Curitiba

17/09

SEEB Curitiba

Bancários de Curitiba e região fazem lançamento da Campanha Nacional 2012, com o mote “Chega de truques, banqueiro!”.

Sem avanços nas negociações, bancários mantêm indicativo de greve e se organizam, em assembleia, para o movimento paredista.

SEEB Curitiba

No primeiro dia de greve, 13 centros administrativos e 212 agências ficaram fechados em Curitiba e região. dezembro 2012

19/09

12/09

Diante da proposta de 6% apresentada, bancários de todo o país aprovam, em assembleia, indicativo de greve para o dia 18.

SEEB Curitiba

18/09 14

06/08

Representantes da categoria entregam minuta de reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários 2012 à Fenaban.

Daniela Carvalho/SEEB Curitiba

01/08

Jailton Garcia/Contraf-CUT

Campanha Nacional

Greve ganhou ainda mais força no segundo dia: 252 agências fechadas e 75% dos bancários de braços cruzados em Curitiba e região.


Joka Madruga/SEEB Curitiba

25/09

Jailton Garcia/Contraf-CUT

Com silêncio da Fenaban, greve continuou crescendo: 13 centros administrativos e 309 agências fechadas em Curitiba e região.

No oitavo dia de greve, bancários, Fenaban, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal retomam negociações.

Jailton Garcia/Contraf-CUT

Em assembleia, bancários encerram greve e garante aumento real, mais segurança e melhores condições de trabalho.

03/10

24/09

O sétimo dia de greve fechou 337 agências, em Curitiba e região, e 636, em todo Paraná. Negociação foi agendada.

Joka Madruga/SEEB Curitiba

26/09

21/09

No terceiro dia de greve, bancários, petroleiros, trabalhadores dos Correios e servidores públicos realizam um ato unificado.

Joka Madruga/SEEB Curitiba

20/09

Joka Madruga/SEEB Curitiba

l dos Bancários 2012

Bancários garantem conquistas e assinam Convenção Coletiva de Trabalho nacional pela vigésimo ano consecutivo. dezembro 2012

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CCT: Afastado garante recebimento de salário A PARTIR DE 2012, BANCÁRIOS CONTAM COM MAIS UM DIREITO EM CASOS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA OCUPACIONAL

Além dos ganhos econômicos, a Convenção Coletiva de Trabalho 2012/2013, assinada com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), traz uma outra importante conquista para a categoria, especialmente para os bancários afastados por doença ocupacional e que dependem do reconhecimento da Previdência Social para o recebimento de benefício. A partir de agora, os bancos irão manter os salários dos trabalhadores afastados, que aguardam decisão do INSS. A nova cláusula (59ª) garante o adiantamento de salário pelo banco até que nova perícia seja realizada. E, mesmo que o INSS dê alta ao funcionário, os dias não trabalhados e já antecipados pelo banco só podem ser descontados em parcelas mensais que não ultrapassem 30% da remuneração do funcionário. A cláusula garante ainda que não aconteça mais situações como a de bancários que têm seu benefício nega-

do e passam os meses seguintes sem salário, mesmo tendo retornado ao trabalho, devido ao desconto integral do adiantamento pelo banco. Na avaliação de Ana Fideli, diretora da Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, esta é uma das mais importantes conquistas da categoria dos últimos anos. “Mesmo o bancário que não tinha condições voltava a trabalhar para não ficar sem salário. Mas, agora, essa situação mudou, já que tem suas verbas salariais garantidas até o último recurso, pelo prazo de 120 dias”, comemora a dirigente. Outra situação que será evitada é o endividamento do bancário que retorna ao trabalho. “Muitas vezes, acompanhamos situações de bancários que, após voltar ao trabalho e ficar sem salário, fizeram acordo com o banco e pediram demissão para quitar o saldo devedor. Ou, pior, fizeram

empréstimos a juros altos e se envolveram até mesmo com agiotas para limpar o nome”, enfatiza Ana Fideli. Mais conquistas Outras duas cláusulas foram inseridas na CCT 2012/2013: a 45ª e a 46ª garantem que o banco entregue ao trabalhador um comprovante de recebimento do atestado médico e, ainda, uma declaração do último dia trabalhado, para fins de comprovação junto ao INSS e a realização da perícia médica. Garantias da CCT para afastados:

Cláusula 27ª – Estabelece a complementação salarial por parte do banco de auxílio-doença e auxílio-acidente até que o benefício previdenciário atinja o valor das verbas fixas recebidas mensalmente pelo bancário; Cláusula 43ª – Institui o programa de reabilitação profissional visando a reinserção do funcionário que tenha comprometida sua capacidade laborativa, após o término do benefício, alta do INSS e determinação de retorno ao trabalho; 16

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Cláusula 45ª – Garante afastamento por doença superior a 15 dias, mediante entrega de atestado médico. Nesse caso, o bancário ou o banco devem entrar com pedido de benefício previdenciário junto ao INSS e trata-se da regulamentação do atestado. O banco entrega um comprovante de recebimento para o trabalhador; Cláusula 46ª – Nos casos em que o próprio funcionário agende sua perícia, a cláusula garante que o banco entregue a Declaração do último dia trabalhado

(DUT) ao bancário afastado por mais de 15 dias; Cláusula 59ª – A nova cláusula, incluída na CCT 2012/2013, garante, por um período de até 120 dias, o recebimento de salário pelo bancário afastado que recorre da alta médica do INSS, desde que tenham sido considerados inaptos pelo médico do trabalho do banco, ou para os afastados que comprovem agendamento da primeira perícia médica junto ao INSS.


Por uma Curitiba mais igual DEBATE SOBRE A DESIGUALDADE VAI ALÉM DOS ÍNDICES ESTATÍSTICOS. PARA ECONOMISTA, A QUESTÃO SÓ PODERÁ SER SOLUCIONADA POR MEIO DA IGUALDADE DE OPORTUNIDADES

Curitiba foi apontada como a sexta cidade com pior distribuição de renda no relatório Estudo das Cidades da América Latina e Caribe, da Organização das Nações Unidas (ONU). A capital paranaense aparece com Gini (índice que mede a desigualdade) de 0,59 – quanto mais perto de 1,0, mais desigual. A cidade está atrás apenas de Goiânia, Fortaleza, Bogotá, Belo Horizonte e Brasília. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a renda média dos curitibanos aumentou 36% nos últimos nove anos, mas, no mesmo períodos, a desigualdade também cresceu. Para o economista e professor da Universidade Federal dos Paraná (UFPR) Flávio Gonçalves, a discus18

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são de desigualdade deve ser feita com muito cuidado. Segundo ele, que é pesquisador no Núcleo de Economia Internacional e Desenvolvimento Econômico, três conceitos são importantes: resultado, condições e oportunidades. Os resultados, em que se enquadra o índice Gini, dão um quadro de como as pessoas estão, mas sem profundidade de análise. “O Gini polariza muito as discussões entre esquerda e direita, o primeiro que todos devem ser iguais e o segundo que acredita no mérito do esforço. Mas existem muitas outras causas que precisam ser vistas”, afirma. Quando se trata de condições, parte-se do princípio de que as pessoas não nascem em ambientes iguais, com as mesmas condições. “Falar de igualda-


de de condições é uma utopia. As pessoas são diferentes e pertencem a mundos diferentes. Igualdade de condições não existe”, declara o professor. Curitiba possui quase 1,8 milhão de habitantes, segundo estimativa do IBGE em 2012. Já os chamados círculos sociais, no entanto, são formados por bem menos gente. “Os círculos possuem umas 200 mil pessoas. Mas Não existe uma interação social entre os diferentes níveis sociais. A sociedade é dividida em termos de renda”, completa. Para ele, o que agora se busca nos debates de Justiça Social, que engloba a discussão das desigualdades, é obter a igualdade de oportunidades. Igualdade de Oportunidades Atualmente, o começo para uma sociedade mais justa e menos desigual seria oferecer àqueles com menos condições mais oportunidades. “Isso significa que, às vezes, é preciso gastar mais recursos com um indivíduo do que com outro. Teremos de despender mais para quem nasceu com menos condições, para que essa pessoa consiga suprir suas faltas”, explica Gonçalves. “É muito mais importante pensar na igualdade de oportunidades que na desigualdade de resultados, como faz o Gini. Estes índices podem ser frutos das desigualdades de condições e das desigualdades de oportunidades que reforçam as condições”, analisa o economista. Neste sentido, cabe recorrer ao exemplo das cotas sociais e raciais nas universidades federais do Brasil. Gonçalves explica a diferença entre os dois sistemas de avaliação de alunos: o currículo mínimo e a avaliação relativa. No currículo mínimo, exige-se uma abrangência de conteúdo, cobrada em uma mesma prova que chega a diferentes estratos sociais, o vestibular. Quem tem mais domínio sobre esses conteúdos, é melhor avaliado. Já na avaliação relativa, como acontece nos Estados Unidos, os alunos são comparados com colegas na mesma condição. Os melhores, dentro de uma sala de aula, têm maiores chances de entrar em melhores universidades. “Não deixa de ser uma competição, mas que estimula o esforço e é feita entre iguais, já que as pessoas numa mesma sala de aula estão tendo a mesma oportunidade”, acredita. Para Gonçalves, a regra das cotas se aproxima bastante disso. “As cotas pegam dentro de estratos sociais e elas competem entre si. Acredito que o fomento da competição entre iguais, é mais

justa. Antes isto do que o acirramento do conflito social ou racial”, considera. A educação como solução A educação é sempre apontada como a principal solução para as questões de desigualdade. Gonçalves concorda com a importância do tema, mas lembra que o conceito de “educação” é muito amplo. “Não vamos salvar todo mundo nas universidades, são necessárias melhorias no ensino básico. Mas como melhorar o ensino É muito mais básico tendo famílias tão desiguais?”, questiona. importante O professor acredita na pensar na igualdade necessidade de atender a primeira infância, os primeiros de oportunidades anos de vida das crianças. que na desigualdade “Precisamos que as creches cheguem a todas as crianças. de resultados, como Os anos mais importantes faz o Gini. Estes de desenvolvimento psicopedagógico da criança é dos índices podem 0 aos 6 anos. É ali que ela ser frutos das começa a ser estimulada ao desigualdades de conhecimento, à sociabilização”, explica. condições e das Além disso, Gonçalves desigualdades de considera imprescindível que surjam políticas de atendioportunidades mento social às mães, que enque reforçam as sinem como ajudar a criança a desenvolver sua criatividade condições.” e curiosidade. “Ações como essas poderiam prevenir todo o debate das diferenças nas universidades, por exemplo”, afirma. “Existe gente talentosa, empreendedora e promissora em todas as camadas sociais. Se você consegue dar oportunidade igual para todos, é muito mais fácil selecionar as boas práticas. Quanto maior a variedade da população, maior a taxa de evolução, pois temos uma amostra maior para selecionar”, conclui.

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Sindicato cidadão BANCÁRIOS CEDEM SEU ESPAÇO E FAZEM DOAÇÕES PARA A CASA DOS POBRES SÃO JOÃO BATISTA, QUE ATENDE CRIANÇAS CARENTES, PESSOAS PROCURANDO EMPREGO E QUE VÊM A CURITIBA PARA TRATAMENTO DE SAÚDE

No mês de setembro, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região doou mais de 400 quilos de alimentos à Casa dos Pobres São João Batista, localizada ao lado do Espaço Cultural e Esportivo, no bairro Rebouças, em Curitiba. A doação foi arrecada durante a I Mostra de Bandas, realizada em 25 de agosto e que reuniu apresentações de músicos bancários (saiba mais na página 23) na Sede Campestre do Sindicato, em Piraquara. O lar atende crianças carentes, pessoas à procura de emprego e pacientes de outras cidade, em tratamento de saúde. “Esta doação veio contribuir no atendimento da Casa dos Pobres aos pacientes que vêm em busca de tratamento em diversos hospitais em Curitiba, Campo Largo e Campina Grande do Sul e população em situação de rua. A Casa dos Pobres São João Batista depende de doações para prestação de seus serviços, pois não possui recursos próprios para a manutenção de suas atividades”, explica o ofício de agradecimento, assinado pela atendente social Karen Souza, em nome do presidente da entidade Rafael Êrico Kalluf Pussoli.

Daniela Carvalho/SEEB Curitiba

“Programa Florescer” Além de doações de alimentos, o Sindicato contribui regularmente com a entidade, inclusive cedendo a quadra poliesportiva do Espaço Cultural e Esportivo para a realização de aulas de Educação Física, duas vezes por semana, para crianças de 07 a 12 anos, a maioria filhos de catadores de papel, que passam o contraturno escolar no albergue, no chamado “Programa Florescer”. O projeto atende 30 crianças carentes de bairros da região, das 7h30 às 13h30,

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oferecendo duas refeições por dia. Além do “Programa Florescer”, o lar também possui uma creche para atender crianças carentes, que dependem de doações. A creche foi fundada em 1968 para acolher os menores que moravam às margens do Rio Belém. Atualmente, tem capacidade de atendimento de 60 crianças de 02 a 06 anos, que moram na região. Elas ficam no albergue das 8h às 17h30 e têm acesso a todas as refeições diárias. “Nós temos nossas lutas diárias, compromisso com as ações sindicais, mas também nos preocupamos com os menos favorecidos. Estamos sempre promovendo campanhas para ajudar quem precisa”, salienta Ana Fideli, diretora do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. Por todas essas ações, em julho de 2011, Otávio Dias, presidente do Sindicato, foi um dos homenageados com a premiação “Personagem do Bem”, da Casa dos Pobres São João Batista, oferecido em comemoração aos

57 anos do albergue. Otávio foi um dos 12 a receber o prêmio, que também homenageou empresários, políticos, jornalistas, publicitários e juízes de Curitiba. O presidente do albergue, Rafael Pussoli, disse à época, que a homenagem representava “o reconhecimento pelo notável envolvimento dessas pessoas com obras sociais, particularmente com a nossa instituição”. Conheça a entidade A Casa dos Pobres São João Batista foi fundada pelo ferroviário Januário Alves de Souza, quando, em 18 de julho de 1954, iniciou o projeto de construção da primeira sede com os dormentes que juntava em suas viagens entre o Paraná e Santa Catarina. Desde então, atende a população migrante do estado e de outras regiões, dando hospedagem a doentes crônicos e carentes que chegam para tratamento de saúde em Curitiba. Desde então, o albergue já atendeu – com pro-

teção, moradia e quatro refeições diárias – mais de dois milhões de pessoas. Atualmente, abriga em torno de 50 albergados por dia, que são pessoas que estão à procura de emprego ou vêm para Curitiba procurando atendimento de saúde, mediante convênio com os municípios. Os atendimentos só são possíveis devido às doações feitas pela comunidade (material escolar, de limpeza, alimentos, brinquedos, roupas, cobertores, etc), além das vendas do bazar e da padaria Flor de Maio, que funcionam no mesmo local. O bazar é aberto à comunidade toda quinta-feira, das 13h às 16h. A padaria, onde é possível encontrar a tradicional trança de nozes, além de pães, broas e bolachas, abre de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h. A Casa dos Pobres São João Batista fica na Rua Piquiri, 326, ao lado do Espaço Cultural e Esportivo dos Bancários, esquina com a Brasílio Itiberê, no Rebouças. As doações podem ser refeitas no próprio local.

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Renovação conservadora

Márcio Kieller,

vice-presidente da CUT-PR e diretor do Sindicato. 22

Em um rápida analise do processo eleitoral de 2012 em Curitiba, observamos que nossa cidade continua sendo um dos poucos recantos intocado do conservadorismo. Mesmo acreditando que poderíamos efetivamente mudar – afinal, se não acreditássemos nisso, poderíamos abandonar nossas convicções e desistir –, ainda não conseguimos encontrar uma maneira de romper com as tradições políticas que aqui imperam. E a composição da Câmara Municipal para a gestão 2013/2016 justifica esta afirmação. Vejamos. Apesar da renovação de quase 50% dos vereadores, vemos que, nas eleições, ainda imperou o conservadorismo de uma cidade que tem receio de se transformar, de apostar em novas lideranças políticas e mudar o modo de se administrar. Se, por um lado, alguns grupos políticos tentam se afastar desta tradição, por outro, ela é reforçada por gente que se beneficia dela – e, por vezes, utilizam do resgate desse conservadorismo para desqualificar o debate ideológico, causando um efeito contrário na tentativa de superar o atraso político. O discurso de desespero, diante da possiblidade de perda de espaço político, fez com que alguns grupos se utilizassem desse expediente para reforçar, mesmo que involuntariamente, o preconceito, ó ódio e o sectarismo político. A saber: apesar do número de eleitores aptos a votar ter aumentado, a quantidade de votantes que foram até as urnas no primeiro turno foi praticamente a mesma de eleições passadas; já o número de votos válidos foi cerca de 8% menor em relação a 2008; também chegou na casa dos 8% o número eleitores que só escolheram candidatos majoritários. Um novo aspecto interessante, com relação à pulverização dos votos, foi a interferência das redes sociais no resultado final, que possibilitaram uma maior divisão entre os pretendentes ao cargo de vereador. Assim, a concentração de votos em políticos tradicionais reduziu consideravelmente, deixando

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de fora diversos nomes conhecidos (somente cinco vereadores entre os mais votados ultrapassaram 10 mil votos, os últimos 12 eleitos receberam menos de cinco mil votos). Apesar disso, não podemos negar o fato de ainda predominar as candidaturas respaldadas nos interesses políticos, no apadrinhamento ou no poder econômico e midiático, a exemplo do vereador mais votado, que é apresentador de um programa policial e filho de deputado estadual. Como já se esperava também, a eleição majoritária influenciou as proporcionais. A legenda que apresentou o candidato majoritário, com maior número de votos no primeiro turno, também alavancou a votação dos seus proporcionais (tinha apenas um vereador eleito). É por tudo isso que podemos afirmar que, sociologicamente, não houve muitos avanços em Curitiba. O que pode ser explicado pelo fato de que, para se manter no poder ou conquistá-lo, muitos candidatos resgataram posturas conservadoras, incitando o preconceito, o ódio político e a descriminação ideológica e partidária – como se todos os partidos políticos que estão inseridos no quadro eleitoral não estivessem legalmente inscritos e reconhecidos, como se algum partido estivesse fora da legislação ou causando o caos público. Mas, temos certeza, essa tradição não será eterna! Os curitibanos, assim como os cidadãos de outros tantos munícipios, ainda serão capazes de reconhecer que os partidos progressistas são tão representativos quanto os outros e estão verdadeiramente inseridos no jogo eleitoral, cumprindo, da mesma forma, as regras políticas – e, portanto, não devem ser discriminados ou subjugados ao preconceito. É preciso possibilitar o debate verdadeiro de ideias, de propostas e programas políticos. Acredito que, somente com essa visão democrática sobre os partidos, poderá existir respeito políticos, dando ao povo o verdadeiro poder de escolha!


Fotos: SEEB Curitiba

Mostra de Bandas foi um sucesso SEIS BANDAS SE APRESENTARAM NA PRIMEIRA EDIÇÃO DO EVENTO QUE BUSCA DIVULGAR OS TALENTOS BANCÁRIOS. EM 2013 TEM MAIS!

A Sede Campestre do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região foi só festa no dia 25 de agosto, com a realização da 1ª Mostra de Bandas. Foram seis bandas participando, todas elas com pelo menos um bancário na formação. Os músicos da Almanake Acústico, Big Band, Ferronelas & Rock’n Roll, Magnética, Silvia Santa e Trem Bala levaram muita animação e bom som para as quase mil pessoas que estavam no evento. No dia, também foi servido almoço com uma deliciosa costela de chão, acompanhamentos e

bebidas. Cada participante levou, ainda, 1kg de alimento não perecível que foi doado ao Lar São João Batista e ao Lar Moisés. Um dos objetivos do Sindicato é aproximar os bancários por meio de atividades culturais. A entidade promove, todo ano, eventos que reúnem a categoria e são garantia de diversão. A 1ª Mostra de Bandas já entrou para o calendário do Sindicato, que logo deve realizar a segunda edição. Então, se você é bancário e tem uma banda, fique ligado!

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Calcule sua aposentadoria RESPONDENDO ÀS SOLICITAÇÕES DOS BANCÁRIOS, A ASSESSORIA JURÍDICA DO SINDICATO EXPLICA NOVAMENTE COMO CALCULAR O VALOR DO BENEFÍCIO DA APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO

Para calcular o valor dos benefícios, a Previdência Social usa atualmente a média de 80% das maiores contribuições efetuadas desde julho de 1994 até o momento da concessão. Essa média é utilizada no cálculo de diversos benefícios previdenciários. No caso do auxílio-doença, por exemplo, seja ele acidentário ou previdenciário, multiplica-se o valor obtido por 0,91 (pois esse benefício corresponde a 91% do salário). No benefício de aposentadoria por invalidez, o assegurado recebe 100% da média obtida, sem redução. Já o benefício de aposentadoria por tempo de contribuição possui algumas particularidades na sistemática de cálculo. Esta modalidade pode ser solicitada de forma integral para o homem que contar com 35 anos de contribuição e para a mulher com 30 anos, sem a exigência de idade mínima. Para se obter o valor do benefícios, utiliza-se então a média de 80% das maiores contribuições efetuadas desde julho de 1994 até o momento da concessão, multiplicada pelo fator previdenciário. O fator previdenciário utiliza três elementos em seu cálculo: 1) o tempo de contribuição; 2) a idade; e 3) a expectativa de vida. Sua finalidade seria manter o segurado contribuindo por mais tempo, pois quanto maior o tempo de contribuição ou a idade – ou, ainda, quanto menor a expectativa de vida –, menor será a incidência do fator na redução do benefício, podendo até ter o efeito de aumentá-lo. Em termos práticos, quanto mais tempo o segurado contribuir com a Previdência Social, maior o valor da aposentadoria. 24

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2012: O ano das Cooperativas

Sélio de Souza Germano, diretor financeiro da Coopcrefi 26

Por determinação da Organização das Nações Unidas (ONU), 2012 está sendo comemorado como o Ano Internacional das Cooperativas, com o slogan “Cooperativas constroem um mundo melhor”. As comemorações incluem ações ligadas ao empoderamento feminino, à inclusão de jovens no mercado de trabalho e ao empreendedorismo, que mostram o cooperativismo como instrumento para geração de renda e redução da pobreza. Os objetivos desta iniciativa são aumentar a consciência pública sobre as cooperativas e os benefícios aos seus membros; tornar público os esforços do cooperativismo para fortalecer as comunidades, democracia e paz; e encorajar os governos a estabelecer políticas, leis e regulamentos que levam à criação, crescimento e sustentabilidades das cooperativas. No Brasil, já podemos observar prefeitos, governadores e até a presidente Dilma Rousseff incorporando em seus discursos temas relacionados ao cooperativismo e, principalmente, às políticas de microcrédito, operadas com recursos governamentais e que passam por cooperativas. Neste contexto, a categoria bancária é pioneira. Desde 2003, os trabalhadores da base do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região podem contar com o apoio da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Trabalhadores do Sistema Financeiro (Coopcrefi). Ao olharmos para linha do tempo, vemos que algumas cooperativas foram criadas, se desenvolveram e atingiram grandes proporções, necessitando até de novas estruturas. A Coopcrefi caminha para este cenário: fundada em período marcado por uma grande crise de demissões, seu objetivo inicial era assegurar o emprego bancário e servir de respaldo para os trabalhadores endividados – ameaçados de demissão pelo artigo 508 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), suprimido apenas em 2010. Fundamentada no princípio básico da cooperação, aos poucos, ela foi se desenvolvendo, com a intenção de estabelecer ajuda mútua e coletiva, como uma alternativa aos altos juros praticados pelo sistema finan-

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ceiro. Com o passar do tempo, a cooperativa cresceu, e continua crescendo: através do aporte de cotas-capital, propiciamos que os trabalhadores se tornem empreendedores, façam empréstimos a juros de 1,5% ao mês e, ainda, tenham bons rendimentos com a correção de suas cotas ao final de cada ano. Foi criado também o Depósito a Prazo Cooperado (DPC) para aqueles que desejam efetuar depósitos a qualquer momento, deixando seu dinheiro rendendo pelo tempo que julgar necessário (quanto maior o tempo que o dinheiro ficar na Cooperativa, melhor será o rendimento, devido à redução do Imposto de Renda atribuído a operação). Bancário, a Coopcrefi é uma ótima alternativa para você investir sua Participação nos Lucros e Resultados (PLR), sua restituição do Imposto de Renda, férias ou 13° salário. Nós temos para quem emprestar, remunerando suas aplicações. Invista coletivamente, é seguro e todos ganham! Os 7 princípios do cooperativismo

Adesão voluntária e livre: organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir suas responsabilidades. Gestão democrática: organizações democráticas, controladas pelos seus membros, que participam ativamente na formulação das suas políticas e na tomada de decisões. Participação econômica dos membros: os membros contribuem equitativamente para o capital e controlam-no democraticamente. Autonomia e independência: organizações autônomas, de ajuda mútua, controladas pelos seus membros. Educação, formação e informação: promovem a educação e a formação dos seus membros. Intercooperação: servem de forma mais eficaz aos seus membros trabalhando em conjunto. Interesse pela comunidade: as cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentado das suas comunidades.


12.07.2012

SEEB Curitiba

Agências do HSBC fecham em Curitiba Um ato paralisou 13 agências do banco HSBC em Curitiba, no mês de julho, em protesto contra a postura do Superintendente Regional Jorge França, após inúmeras reclamações dos funcionários. “Os bancários estão adoecendo, devido a uma forte pressão para atingimento de metas”, contextualizou Otávio Dias, presidente do Sindicato.

De acordo com denúncias, o superintendente utilizava tom agressivo no trato com os bancários. A paralisação se repetiu em São José dos Pinhais, no dia 16 de julho, com o fechamento de agências sob responsabilidade do mesmo gestor. No início de agosto, o HSBC anunciou que Jorge França foi substituído no cargo de superintendente em Curitiba.

18.07.2012

SEEB Curitiba

Direitos humanos: Sindicato denuncia HSBC Em 18 de julho, a imprensa foi convocada para a divulgação de uma grave denúncia contra o HSBC, de violação dos Direitos Humanos. Em 2011, o Sindicato recebeu documentos de uma suposta investigação confidencial contratada pelo banco. Os materiais, produzidos pela SPI Agência de Informações Confidenciais, continham informações de 164 bancá-

rios afastados por motivo de saúde, entre 1999 e 2002. O banco solicitou a investigação para verificar se os bancários afastados possuíam outro vínculo empregatício ou fonte de renda e também para se municiar de provas para descaracterizar o adoecimento por motivo de doença do trabalho. O material foi encaminhado ao MPT.

28.07.2012

SEEB Curitiba

Festa julina foi garantia de diversão

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dezembro 2012

No dia 28 de julho, foi realizada, na Sede Campestre do Sindicato, em Piraquara, a tradicional Festa Julina da categoria. O evento reuniu bancários, amigos e familiares, e proporcionou muita diversão, principalmente, para as crianças. Além dos quitutes tradicionais das festas, como quentão, pinhão, cachorro-quente, algodão-doce, pipo-

ca e outros doces típicos, o Sindicato montou uma grande tenda de circo, com várias opções de diversão para a criançada, com cama elástica, tobogã, touro mecânico, piscina de bolinha, pintura de rosto e muito mais. O evento reuniu centenas de sindicalizados e, mesmo com a previsão de chuva, quem apareceu foi o sol.


07.08.2012

Os funcionários da Central de Atendimento do Banco do Brasil (CABB), em São José dos Pinhais, paralisaram o atendimento no dia 07 de agosto, em dois períodos. O protesto fez parte do calendário de lutas aprovado no 2º Encontro dos Funcionários em Central de Atendimento, realizado em maio, em São Paulo. “A adesão superou os 80% dos traba-

lhadores, que demonstraram que querem que o BB pare de enrolação. São muitas as demandas e promessas não cumpridas”, afirma Alessandro Garcia, o Vovô, diretor do Sindicato e funcionário do BB. Após muita mobilização, os funcionários da CABB conquistaram grandes avanços nesta campanha salarial, como a equiparação de atendentes A e B e redução da trava.

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CABB paralisa atendimento

11.08.2012

A nona edição do Cicloturismo dos Bancários, realizada no trajeto São Luiz do Purunã-Balsa Nova, foi um sucesso. Assim como na edição anterior, as inscrições se esgotaram antes do prazo final e, dos 40 inscritos, 22 bancários e familiares participaram pela primeira vez. “Os bancários puderam se diver-

tir, curtir a natureza e conhecer novos amigos”, comemora Sélio de Souza Germano, diretor interino da Secretaria de Esportes e Lazer do Sindicato. Outro fator que contribuiu para o sucesso do pedal foi a bela região escolhida e o clima agradável. Segundo os participantes, o contato com a natureza causou sensação de extremo bem estar.

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Cicloturismo em São Luiz do Purunã

16.08.2012

Dirigentes sindicais membros da Comissão de Organização de Empresa do HSBC (COE/HSBC) se reuniram no Espaço Cultural dos Bancários, em Curitiba, no dia 16 de agosto, para tratar de assuntos relativos à Saúde do Trabalhador e às ações judiciais que envolvem o banco. Pela manhã, os assessores jurídicos do Sindicato participaram da reunião,

prestando esclarecimentos sobre o andamento da investigação das denúncias feitas ao Ministério Público do Trabalho sobre a violação de Direitos Humanos de 164 bancários afastados, num caso de invasão de privacidade. No período da tarde, os dirigentes focaram a discussão em Saúde do Trabalhador, debatendo principalmente o assédio moral.

Foto ilustrativa/SEEB Curitiba

COE/HSBC faz reunião de organização em Curitiba

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27.08.2012

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Sindicato fecha agências do Projeto Corredor Duas agências centrais do Itaú foram fechadas no final da tarde do dia 27 de agosto, em protesto contra atitude unilateral do banco, que expandiu o Projeto Corredor – que prevê atendimento das 9h às 19h – para os bairros Portão, Hauer e Rebouças, sem negociação com o movimento sindical. O projeto teve início em janeiro de 2012. Desde então, dois

pares de agências em Curitiba passaram a adotar um novo horário de funcionamento, das 9h às 16h e das 12h às 19h. As primeiras agências escolhidas para teste do projeto foram XV de Novembro e Rua das Flores; Santo Amaro e Marechal. Mais recentemente, o Itaú anunciou que o Projeto Corredor será ampliado para 400 agências em todo o país.

30.08.2012

Foto ilustrativa/SEEB Curitiba

Liminar garante retorno de descomissionados no BB A 16ª Vara do Trabalho de Curitiba acatou o pedido do Sindicato e determinou o retorno imediato à função de analista de dois funcionários do Banco do Brasil que foram descomissionados no mês de julho, de forma arbitrária. Os analistas cumpriam jornada diária de 8 horas e ingressaram em ações coletivas, pedindo o pagamento de 7ª e 8ª

horas como extras. O banco primeiro alterou a nomenclatura de suas funções, na tentativa de impedir o andamento da ação, e, posteriormente, destituiu os dois bancários da função. O juízo considerou que as verbas salariais não poderiam ser suprimidas, já que não foi reconhecido o comissionamento como cargo de confiança.

19.09.2012

SEEB Curitiba

Auditores da Caixa recebem pagamento de ação

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O Sindicato acompanhou, no dia 19 de setembro, o pagamento dos valores liberados aos auditores substituídos da Caixa Econômica Federal, na ação nº 37577/2007.A ação visa o enquadramento dos auditores júnior, que já estavam no cargo há mais de 730 dias, para o cargo de auditor pleno, e foi julgada pela 8ª Vara do Traba-

lho de Curitiba. De acordo com a assessoria jurídica do Sindicato, as quantias apuradas ficaram limitadas a novembro de 2010. Em razão de cálculos judiciais incorretos em relação a alguns dos substituídos, houve impugnação à conta, que será apreciada e julgada pelo juízo da 8ª Vara e a execução ainda persiste.


09.10.2012

O Centro Administrativo Palácio Avenida do HSBC amanheceu fechado no dia 09 de outubro, por remuneração justa, fim das demissões e emprego decente. O banco, mais uma vez, distribuiu valores injustos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) devido às distorções dos provisionamentos. Além disso, gestores estariam falando pelos corredores das

unidades do banco que não haverá pagamento do Programa Próprio de Remuneração (PPR) devido à queda dos lucros. “O HSBC alega que os lucros caíram, mas sabemos que isso só aconteceu por conta do provisionamento excessivamente conservador”, conta Carlos Kanak, diretor do Sindicato e coordenador nacional da COE/HSBC.

Joka Madruga/SEEB Curitiba

Ato no HSBC pede remuneração justa

25.08.2012

Dirigentes do Sindicato e Fetec-CUT-PR participaram de um curso de capacitação sobre Previdência Complementar, que teve início em maio e foi encerrado em 25 de agosto. O curso foi uma parceria entre o Senge e Anapar, com apoio do Sindipetro e Fetec-CUT-PR. As aulas foram realizadas na Universidade Positivo, divididas em módulos:

O Estado Social e Seguridade Social; Sistema Previdenciário Brasileiro; Previdência Complementar no Brasil; Planos de Benefícios de entidades fechadas; Gestão das Entidades Fechadas de Previdência; Modelos atuariais e contábeis; Gestão financeira dos planos previdenciários; Governança, controles internos e gerenciamentos de riscos.

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Curso de capacitação sobre Previdência Complementar

30.08.2012

De janeiro a setembro de 2012, o Sindicato intermediou administrativamente 15 reintegrações de funcionários do Itaú que tiveram a demissão suspensa devido ao reconhecimento de doença (B-91) em perícias do INSS. No período, foram 54 bancários sindicalizados que procuraram o Sindicato porque continuavam trabalhando, mesmo estando do-

entes. Por isso, estes bancários foram demitidos pelo Itaú. Destes, 15 já tiveram o reconhecimento da doença pelo INSS e alguns casos ainda aguardam perícia. “Essas reintegrações também garantem o afastamento imediato do funcionário para tratamento da doença e estabilidade de 12 meses”, informa Ana Fideli, diretora da Secretaria de Saúde.

SEEB Curitiba

Sindicato conquista 15 reintegrações no Itaú

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SINDICATODOSBANCÁRIOS DECURITIBAEREGIÃO:

SEEB Curitiba

No dia 06 de julho, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região comemorou 80 anos de fundação. A data foi celebrada com uma bonita festa no Espaço Cultural e o lançamento do livro de memórias da entidade.

SEEB Curitiba

Para que a celebração de seus 80 anos não ficasse restrita a Curitiba, o Sindicato também realizou confraternizações descentralizadas, na região metropolitana. A primeira delas aconteceu em São José dos Pinhais.

SEEB Curitiba

Depois de visitarem São José dos Pinhais, o Sindicato também promoveu confraternizações com os bancários da Lapa e Campo Largo. O objetivo era que os 80 anos da entidade fossem comemorados por todos os bancários.

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80ANOSDELUTAS ECONQUISTAS

Leandro Taques/SEEB Curitiba

No ano em que comemorou oito décadas de fundação, o Sindicato foi, pela primeira vez, o anfitrião da 14ª Conferência Nacional dos Bancários, que aconteceu nos dias 20, 21 e 22 de julho, na Universidade Positivo.

SEEB Curitiba

Um dos grandes eventos realizados em 2012 pelo Sindicato foi a 1ª Mostra de Bandas, no dia 25 de agosto, na Sede Campestre. Mais de mil bancários, amigos e familiares prestigiaram a apresentação de seis bandas.

Daniela Carvalho/SEEB Curitiba

O calendário de eventos comemorativos dos 80 anos do Sindicato foi encerrado com o show do cantor Nando Reis, em homenagem ao Dia do Bancário. O evento aconteceu no dia 31 de agosto, no ExpoUnimed.

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Jailton Garcia/Contraf-CUT

BB: A luta pela jornada de 6 horas A REPRESENTANTE DO PARANÁ NA COMISSÃO DE EMPRESA DO BANCO DO BRASIL RELATA COMO FOI A NEGOCIAÇÃO COM O BANCO DURANTE A ÚLTIMA REUNIÃO DA CAMPANHA SALARIAL

A jornada legal de seis horas é uma reivindicação antiga. Baseada na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a Justiça do Trabalho vem sentenciando seu cumprimento aos bancos, em especial o Banco do Brasil, há anos. Conforme lembra a representante do Paraná na Comissão de Empresa do BB, Ana Smolka, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) divulgou, recentemente, a lista dos maiores devedores de direitos do trabalho, e o BB e a Caixa constam entre os quatro primeiros colocados – sendo o BB o segundo, atrás apenas da massa falida da VASP. “Fizemos vários movimentos políticos no sentido de reverter esta situação. Enviamos, inclusive, ao Governo Federal uma moção de repúdio, pois, afinal, no governo dos trabalhadores é triste os bancos federais estarem nesta posição”, comenta Ana Smolka. A bandeira do Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), que exige um novo plano de cargos e remuneração, com jornada legal de 6 horas também é antiga, e liquidaria inúmeros passivos trabalhistas futuros. No ano passado, o BB já havia se pronunciado no sentido de resolver o problema da jornada, porém 34

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descumpriu prazos. “E, nesta campanha salarial, ressaltamos que não sairíamos da greve nacional sem uma proposta para a questão”, acrescenta a dirigente sindical. Durante as mesas de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2012, o banco declarou que não negociaria 7ª e 8ª horas. Na última rodada porém, concomitante com a mesa da Fenaban, o BB apresentou junto às demais propostas uma cláusula de prazo de implantação de um novo plano de cargos de 6 horas até 31 de janeiro de 2013. “Até que enfim... uma proposta que estancaria a sangria da dívida trabalhista”, pensamos. “No entanto, para nossa surpresa, o banco também propôs uma Comissão de Conciliação Voluntária (CCV), ou seja, um acordo para pagamento de passivo, que até então ele se negava a negociar, porém condicionada a suspensão das ações coletivas, movidas pelos sindicatos, por 180 dias”, completa Ana Smolka. O Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, protagonista da vitoriosa luta judicial, reagiu imediatamente. “Suspender ações em execução? Como pode o banco pretender fazer propostas em CCV que são historicamente parciais (percentuais bem

menores do que a dívida sentenciada) a bancários já representados nas ações. De jeito nenhum aceitaremos menos do que a totalidade do direito!”, conta a dirigente sindical. “Reagimos solenemente! Tratava-se de uma proposta para resolver os problemas do banco. Depois de horas de debate madrugada adentro, eu e o presidente do nosso Sindicato, Otávio Dias, levamos ao BB a decisão de não assinar o Acordo Coletivo com aquela cláusula. Queremos a jornada legal de seis horas, sem redução de salário, e com pagamento integral do passivo. Não fomos eleitos para assinar retirada de direitos”, acrescenta. O BB, após mais algumas horas de debate, finalmente retirou a cláusula do acordo e aceitou trata-la como um aditivo, com adesão espontânea. “Desta forma, vamos esperar a implantação do novo plano de cargos e, em nossa base, garantir a não redução de salários e o pagamento integral dos direitos à 7ª e 8ª horas dos cargos já sentenciados. Aliás, não fossem estas sentenças de Curitiba e região e este passivo real e contabilizado, não haveria proposta de novo plano de cargos de 6 horas para todo o Brasil”, conclui Ana Smolka.


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Revista do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região - Dezembro/2012

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