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Conclusões e recomendações A questão extrativista na Amazônia historicamente tem sido cercada de contradições e transformações, afetando a economia, o meio ambiente e a sociedade. Porém, experiência como a pesquisa do IDESP demonstra que os agentes mercantis (os profissionais florestais) têm redescoberto não somente o grande potencial dos PFNMs para atendimento das nossas necessidades atuais e futuras, mas também que o seu desenvolvimento proporciona maior engajamento de pessoas, que passam a ter na atividade um importante componente de subsistência e renda. A metodologia utilizada nos estudos mostrou que a economia gerada pelos PFNMs a partir destas seis regiões foi expressiva, uma vez que a renda gerada e estimada para o ano de 2008, fora mais de R$ 4 bilhões. Deste valor, o setor produtivo agroextrativista, considerado o setor alfa (Setor α) do modelo, recebeu em torno de R$ 599,3 milhões, equivalente a 15% do montante da renda bruta gerada total (R$ 4 bilhões). Ressalta-se que nesse primeiro elo das cadeias pesquisadas identificou-se pouca agregação de valor em função de várias limitações, dentre as quais falta de infraestrutura (feiras, mercados, estradas, energia, grau de organização produtiva) e de escala (geográfica e produtiva). Alguns produtos possuem uma estrutura de comercialização do tipo oligopsônica, na qual poucos e grandes compradores têm alto poder de determinação do preço a exemplo do que ocorre com o Cacau e Castanha-do-Pará, prejudicando os produtores. Verificou-se insuficientes etapas de verticalização dos produtos quer nas esferas locais restringidas basicamente pela comercialização, quer nas etapas estaduais que pouco agregam em meros processos simples de beneficiamento e transformação dos produtos, a exemplo do açaí que na agroindústria transforma-se em polpa ou quando mais sofisticado sai em forma de “blend” misturado a outras frutas, como o guaraná. Diante de tal quadro, o apoio institucional torna-se premente aos PFNMs em todas suas etapas produtivas. Grupos populacionais, historicamente marginalizados (ribeirinhos, quilombolas, extrativistas, etc.) têm sua estratégia de sobrevivência ligada intimamente com os PFNMs, e isso secularmente tem lhes garantido a ocupação do território de forma sustentável. Fazer chegar os serviços básicos (saúde e educação) a essa populações sem desarticular suas redes e territórios é o outro grande desafio das políticas públicas.

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R$4 bilhões A economia gerada pelos Produtos Florestais NãoMadeireiros (PFNMs) gerou, em 2008, uma renda de mais de R$ 4 bilhões para o estado. Das seis regiões pesquisadas, o Açaí se destacou como o principal produto em quatro regiões paraenses, sendo o responsável por 56% da renda bruta gerada. O Cacau (amêndoa) vem em seguida, gerando um montante de R$ 215 milhões. A Castanhado-Pará é o terceiro produto em Valor Adicionado Bruto e gerou aos extrativistas R$ 4,3 milhões com a sua comercialização.

Revista Ver-a-Ciência - Edição 2  

Nesta edição, parque tecnológicos, tecnologias sociais, células-tronco, cultivo do cupuaçú, tradição nas ciências agrárias, produtos florest...

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