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Para Ágide Meneguette, empreendedorismo rural está se aperfeiçoando com os novos tempos

Revista trimestral nº 9 Ano3 Ago/10 R$ 6,00

A revista da pequena empresa no Paraná

O ‘mapa’ das habilidades

empreendedoras

Dez características fundamentais para quem quer abrir um pequeno negócio ou buscar sucesso no mundo empresarial

É possível virar o ‘jogo’ Especialistas ensinam empresários de pequenas empresas a colocarem finanças em ordem e tirarem suas contas do vermelho

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MERCADO

CAPACITAÇÃO

Associativismo

COMPORTAMENTO

Feiras e Eventos

TENDÊNCIA

SERVIÇO

Giro pelo Paraná 109


Editorial Editorial

Sebrae/PR - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Paraná Jefferson Nogaroli Presidente do Conselho Deliberativo Allan Marcelo de Campos Costa Diretor Superintendente Julio Cezar Agostini Diretor de Operações Vitor Roberto Tioqueta Diretor de Gestão e Produção Expediente Coordenação Renata Todescato Gerente de Marketing e Comunicação Edição/ Jornalista Responsável Leandro Donatti Registro Profissional - 2874/11/57- PR Adriana Schiavon Gonçalves Especialista em Marketing Reportagens: Adriana Bonn, Adriano Oltramari, Andréa Bordinhão, Beth Matias, Cleide de Paula, Giselle Ritzmann Loures, Juliana Dotto, Katia Michelle Bezerra, Leandro Donatti, Maigue Gueths, Octávio Rossi, Mirian Gasparin, Sandra Santos e Sílvio Oricolli Fotos: Claiton Biaggi, Cristiane Shinde, Leandro Taques, Luiz Costa, Marcos Zanella e Wilson Vieira Sebrae@pr.Sebrae.com.br http://asn.Sebraepr.com.br Críticas e comentários, mande um e-mail para revistasolucoes@pr.Sebrae.com.br Anuncie na Revista Soluções: publicidade.revistasolucoes@ pr.Sebrae.com.br Impressão Artes Gráficas Renascer Ltda. (Mult-graphic) Design Gráfico e Diagramação Ingrupo//chp Propaganda Tiragem 20 mil exemplares Periodicidade Trimestral ISSN 1984-7343

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A nona edição da Revista Soluções traz diversos temas de interesse para você, empreendedor e empresário de micro e pequena empresa. Destaque para a matéria de capa, que trata das dez características empreendedoras, necessárias para se obter sucesso na vida e nos negócios. E para três reportagens em especial, uma sobre empreendedorismo na maturidade, outra sobre empresários de pequenas empresas que têm buscado mão de obra em presídios paranaenses, e outra sobre marketing pessoal associado ao network, como ferramenta para novos negócios. Nossa equipe levantou histórias de empreendedores informais que, com a figura jurídica do Empreendedor Individual, instituída há um ano, viraram empresários, com CNPJ e direitos previdenciários. O Paraná está em quinto lugar no ranking nacional de formalizações. A seção Serviços contém três temas de extrema relevância para o dia a dia empresa-

rial: dicas para sair do ‘vermelho’,cuidados para evitar conflitos societários e orientações para não cair nas armadilhas dos neologismos que estão tomando conta do mundo corporativo. Em Tendência, alguns assuntos ainda pouco conhecidos nos pequenos negócios,como neuroliderança e o movimentode fusões, cisões e incorporações nas micro e pequenas empresas. Você confere ainda o modelo de excelência em gestão da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). E uma entrevista com Helio Mattar, do Instituto Akatu. Mattar alerta que, se não houver mudançanos padrões de consumo e produção, em menos de 50 anos, serão necessários mais de dois planetas Terra para atender necessidades de água, energia e alimentos. E as pequenas empresas têm responsabilidade nesse processo.

Boa leitura! Leandro Donatti, o editor

Uma feira de oportunidades O Sebrae/PR vai realizar de 21 a 24 de outubro, em Maringá, a Feira do Empreendedor 2010 - Paraná. Um universo de oportunidades, conhecimento e inovação, disponibilizados gratuitamente para empreendedorese empresários que desejam abrir e/ou ampliar seus negócios, tudo em um único lugar! Pela segunda edição consecutiva, a Revista Soluções traz reportagem sobre o evento, que tem a Prefeitura de Maringá como corealizadora. E você deve estar se perguntando: por que a Feira do Empreendedor 2010 - Paraná merece tanto espaço editorial? Porque é um dos mais importantes, senão o maior evento de empreendedorismo, no Estado e no Brasil. A Feira do Empreendedor acontece, no atual formato, desde 1994, com mais de 80 edições e 1,5 milhão de visitantes. Mais de 400 mil empreendedores já foram capacitados nas várias edições por todo o Brasil. No Paraná, já foi realizada duas vezes em Curitiba, uma em Arapongas e uma em Londrina.

Estão previstas quatro palestras -magnas com especialistas de renome nacional, dentre eles o consultor, administrador de empresas e escritor Max Gehringer. Assim como mais de 50 ações de capacitação ao dia, entre palestras empresariais e oficinas. Você, empreendedor e empresário de micro e pequena empresa, não pode perder a Feira do Empreendedor 2010 - Paraná. Acesse o www.sebraepr.com.br/feira, conheça os conceitos e os detalhes do evento. Feira do Empreendedor 2010 - Paraná. O lugar certo para você encontrar as melhores oportunidades! Agende-se e programe já o seu sucesso!

Renata Todescato, gerente de Marketing e Comunicação do Sebrae/PR

O Estado, portanto, integra o circuito nacional da Feira do Empreendedor e se consolida ano após ano. Em 2008, em Londrina, o evento foi sucesso de público e de crítica. Para esta edição, estão programadas oficinas, palestras e consultorias, além de espaço para a exposição de oportunidades de negócios.

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Índice PÁG. 6 - ENTREVISTA Foto: Instituto Akatu

Consumo consciente: modelo de negócio para pequena empresa

PÁG. 26 - TENDÊNCIA

PÁG. 52 - COMPORTAMENTO

PÁG. 80 - ASSOCIATIVISMO

Micro e pequenas empresas podem render boas negociações em processos de reorganização, realidade que, há cinco anos, era remota.

Conheça a história de paranaenses que não pretendem parar tão cedo. Experiência acumulada torna-se diferencial no mundo dos negócios.

Proposta implementada pelo Sebrae/PR em Bom Sucesso do Sul, Carlópolis, Imbaú e Munhoz de Mello aposta nos pequenos negócios.

Fusões, incorporações e cisões chegam às pequenas empresas

Diretor-presidente do Instituto Akatu diz que micro e pequenos também devem repensar, reduzir, reciclar e reutilizar seus recursos. Acompanhe a entrevista.

Municípios investem em pequenos negócios para superar baixo IDH

Empreendedorismo não tem idade

PÁG. 88 - ASSOCIATIVISMO Primeira central brasileira de negócios em TI é do Paraná

PÁG. 30 - TENDÊNCIA

Conexões cerebrais e negócios

Foto: Arquivo Sebrae

Especialistas em empreendedorismo ensinam como identificar oportunidades de negócios e como bem administrá-las. Saiba como.

PÁG. 62 - ARTIGO

Foto: Arquivo Sebrae

Empreendedores se formalizam no Paraná Informais aderem à figura jurídica do Empreendedor Individual e saem da informalidade. Nesta edição, histórias de superação, em todo o Estado.

PÁG. 32 - MERCADO Olhos abertos para perceber oportunidades

Fundação da CINTEC, por empresários de pequenas empresas de Londrina, facilita compras e vendas, reduz custos e representa mais lucros.

PÁG. 55 - COMPORTAMENTO

Novidade! Especialista em Neurociência explica que é possível treinar o cérebro para tomar decisões mais assertivas nas empresas.

Julio Cezar Agostini, diretor de Operações do Sebrae/PR, escreve sobre inovação empresarial e seus condicionantes. Confira.

PÁG. 91 - ARTIGO “O Brasil descolou. Que diferença faz um s?” é o mais novo artigo do professor José Castanhar, especialmente para a Revista Soluções.

PÁG. 92 - SERVIÇO

PÁG. 10 - CAPA

O ‘mapa’ das habilidades empreendedoras

É possível virar o jogo

PÁG. 64 - FEIRAS E EVENTOS

Dez características comportamentais são fundamentais para quem quer entrar, ou já está, no mundo empresarial. Saiba quais são e como desenvolvê-las.

Saia do ‘vermelho’. Revista Soluções traz dicas de profissionais para colocar as contas da empresa em ordem. Confira.

Consumidor promove ‘revolução’ no varejo Transformação vivida pelo setor é fruto de mudanças nos hábitos de consumo e nas formas de relacionamento entre o varejo e os clientes.

PÁG. 14 - TENDÊNCIA

Qualidade como palavra de ordem

PÁG. 18 - TENDÊNCIA O jogo do business

PÁG. 38 - CAPACITAÇÃO

Empreendedorismo ‘ressocializante’ Politicamente corretos e inteligentes. Empresários de micro e pequenas empresas dão exemplo ao contratarem mão de obra de presos, no Paraná.

PÁG. 40 - CAPACITAÇÃO

Consultor César Souza traça um paralelo entre o futebol e o empreendedorismo e cita sete características necessárias para vencer.

Acompanhe a segunda parte do artigo “Os fundamentos de um bom negócio”, de Carlos Hilsdorf.

PÁG. 22 - TENDÊNCIA

Rede de amigos é opção para negócios

Manter rede social é cada vez mais importante para quem quer crescer profissionalmente. Conheça as regras, que valem para empresários.

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Oportunidades para todos os gostos (e bolsos)

PÁG. 96 - SERVIÇO

Sociedade, uma decisão que exige cautela

Paraná sedia em 2010 o maior evento de empreendedorismo no Brasil, de 21 a 24 de outubro, em Maringá.

É bastante comum empresas enfrentarem problemas judiciais e até irem à dissolução por disputas societárias. Saiba como evitar dores de cabeça.

PÁG. 100 - SERVIÇO

Pequenas empresas buscam selos, títulos e certificados garantindo qualidade, procedência e respeito às normas de seus produtos e serviços.

Dicionários corporativos ‘atualizam’ empresários Empresários são pegos de surpresa com crescente uso de neologismos corporativos e precisam estar cada vez mais preparados.

PÁG. 46 - CAPACITAÇÃO Caminho do sucesso

PÁG. 102 - GIRO PELO PARANÁ

Programa prepara produtores de pequenas propriedades, para atenderem exigências da legislação e do mercado. Foto: Senar

PÁG. 21 - ARTIGO

Certificações ajudam a ganhar mercado

PÁG. 68 FEIRAS E EVENTOS

Um apanhado dos principais acontecimentos e eventos envolvendo o Sebrae/PR no Estado.

PÁG. 50 - PERSONALIDADE Produtor rural torna-se empresário de sucesso

Para presidente da Faep e empresário, Ágide Meneguette, empreendedorismo rural está se aperfeiçoando com os novos tempos.

PÁG. 106 - ARTIGO

PÁG. 72 - FEIRAS E EVENTOS Sete iniciativas empreendedoras que fazem a diferença no Paraná

Prêmio Prefeito Empreendedor reconhece as melhores práticas de desenvolvimento local a partir das micro e pequenas empresas.

Foto: Arquivo Sebrae

Foto: Divulgação

Aliado das micro e pequenas empresas, Modelo de Excelência em Gestão, criado pela FNQ, define fundamentos e práticas de boa gestão.

O artigo de Allan Marcelo de Campos Costa, diretor-superintendente do Sebrae/PR, nesta edição, é sobre o papel das pessoas no sucesso das empresas. Não perca!

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Helio Mattar

modelo de negócio para a pequena empresa Diretor-presidente do Instituto Akatu diz que micro e pequenos também devem repensar, reduzir, reciclar e reutilizar seus recursos Por Beth Matias

A sobrevivência das empresas estará cada vez mais ligada a sua capacidade de criar vínculos permanentes de identidade com os consumidores e a responsabilidade social terá um lugar central na realização desse potencial de construção, acredita o diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, Helio Mattar, o entrevistado desta edição da Revista Soluções. Para Mattar, a semente plantada pela empresa contém dentro dela valores e princípios de conduta que irão balizar as suas relações empresariais com o consumidor. “As pequenas empresas têm um poder extraordinário de influenciarseus fornecedores. O próprio Sebrae aponta que hoje os pequenos negócios são 99% dos empreendimentosformais do Brasil”, destaca o diretor-presidente do Akatu. Em seus processos, o micro e pequeno deve também repensar, reduzir, reciclar e reutilizar seus recursos, na avaliação de Mattar. “Os empreendedores e empresários devem ter um planejamento responsável do dinheiro e do crédito e investir, equilibradamente, no chamado tripé da sustentabilidade: o econômico, o social e o ambiental”, sugere. A seguir, trechos da entrevista: Revista Soluções - O que é o consumo consciente? Está ligado à responsabilidade socioambiental? Helio Mattar - Hoje, a humanidade já consome 30% mais de recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra. E isso ocorre quando apenas

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16% da humanidade consomem 78% dos recursos naturais, água e energia do Planeta. Se o atual modelo de consumo dos habitantes mais ricos do Planeta viesse a ser praticado por toda a Humanidade, quatro planetas Terra não seriam suficientes para suprir todo esse consumo. Se não houver mudança nos padrões de consumo e produção, em menos de 50 anos já serão necessários mais de dois planetas Terra para atender nossas necessidades de água, energia e alimentos. Essa situação certamente ameaçará a vida no Planeta, inclusive a da própria Humanidade. As escolhas de consumo têm muito a contribuir para a solução dessa situação. Todo consumo causa impacto (positivo ou negativo) na economia, nas relações sociais, na natureza e em cada indivíduo. Nessa medida, ao ter consciência desses impactos na hora de decidir por que comprar e de escolher o que comprar, de quem comprar, como comprar e de definir a maneira de usar e como descartar o que não serve mais, o consumidor pode buscar aumentar os impactos positivos e diminuir os negativos de seu consumo e, dessa forma, contribuir para um mundo e uma sociedade mais sustentáveis. Isso é consumo consciente. Em poucas palavras, é um consumo com consciência de seus impactos e voltado à sustentabilidade da vida no Planeta. Revista Soluções - O consumo consciente encarece produtos e serviços? Helio Mattar - O consumo consciente alerta para, entre outras coisas, a im-

portância de se analisar outros fatores além de preço, marca, promoção e produto no ato da compra. Há uma interdependência de todos os nossos atos no planeta, muitas vezes, uma compra aparentemente mais barata, vai voltar mais cara na forma de água poluída, lixo, aquecimento global, incentivo ao contrabando, pirataria, crime organizado. O consumidor tem de ampliar cada vez mais a consciência de que seu poder de escolha impacta os fornecedores. Quanto mais consumidores optarem por produtos e serviços sustentáveis, mais empresas irão optar por um novo paradigma de produção, o que tende a aumentar a oferta de produtos de menor impacto, que, por sua vez, tende a baratear os preços. Além disso, pesquisa do Instituto Akatu aponta que quatro em cada dez brasileiros estão dispostos a pagar mais por produtos que não agridam o meio ambiente. E 14% dos consumidores brasileiros desistiram de comprar e criticaram em suas redes sociais (reais e virtuais) empresas ou produtos relacionados a algum tipo de problema de sustentabilidade. Revista Soluções - Recentemente, uma grande empresa lançou o “Projeto Sustentabilidade de Ponta a Ponta”, em parceria com dez empresas fornecedoras no País, com o intuito de promover alterações significativas em produtos de seus portfolios, visando à redução de impactos socioambientais. O foco, é claro, não está apenas no meio ambiente, mas na redução de custos e aumento do valor agregado

Helio Mattar - Sem dúvida. Muitas empresas já vêm provando isso na prática com a redução de custos de processos e também no consumo de insumos, como energia, água e matérias-primas ou no uso de energias renováveis, no reuso da água, na reciclagem de materiais. Além disso, essa mudança nos processos produtivos leva a ganhos de produtividade. Basicamente eu diria por duas razões: material e imaterial. Material: o processo está mais eficiente e reduz custos não só ambientais. Imaterial: os empregados dessas empresas sustentáveis trabalham mais satisfeitos e mais motivados, sentindo na pele e compartilhando com a empresa seus compromissos sociais e ambientais. Revista Soluções - Por que ainda existe resistência na maior parte das empresas em praticar o consumo responsável? Helio Mattar - Eu vejo o contrário. Diria que a resistência é na menor parte das empresas. As que praticam são modelos? São perfeitas? Não. Mas é um processo que começou praticamente outro dia, no final do século passado. A discussão mais aguda sobre consumo, mudanças climáticas e aquecimento global tomou força nessa última década. Portanto, teremos ganhado incrementais. E essa adaptação ao consumo consciente vai conviver ainda durante anos com contradições profundas. Governos, sociedade e empresas terão de lidar com isso e tirar sempre o lado positivo das mudanças que forem ocorrendo. Veja por exemplo a questão dos resíduos sólidos, que é um problema de consumo consciente. Foram 21 anos de tramitação da lei no nosso Congresso. Finalmente, está aprovada, com ganhos importantíssimos para as pessoas individualmente, para o País e o planeta. Haverá custos iniciais? Sem dúvida. Mas o saldo para o futuro é inestimável. Imagine, por exemplo, quando estiver funcionando plenamente a política de logística reversa, que determina a lei. Reduziremos drasticamente os resíduos, sobretudo, os mais tóxicos, e ainda as empresas poderão implantar processos eficientes de reciclagem dos seus próprios produtos usados, que deixarão de ser lixo, para se tornarem matérias-primas. Vão ganhar os consumidores, o poder público, as empresas e o Planeta.

1. Planeje suas compras. Não seja impulsivo. Avalie os impactos de seu consumo. 2. Reflita sobre suas reais necessidades e procure viver com menos. 3. Reutilize produtos e embalagens. 4. Separe seu lixo. Recicle. 5. Use crédito conscientemente. 6. Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas. 7. Não compre produtos piratas ou contrabandeados. 8. Contribua para a melhoria de produtos e serviços. Adote uma postura ativa. 9. Divulgue o consumo consciente. 10. Cobre dos políticos. 11. Reflita sobre seus valores.

Revista Soluções - Se a maioria dos consumidores atualmente está disposta a comprar produtos sustentáveis, de acordo com várias pesquisas, como os modelos de negócio deveriam ser redesenhados para incorporar valores sustentáveis para o consumidor? Helio Mattar - A adoção de processos sustentáveis não é uma questão de escolha, mas de sobrevivência. Não dessa ou daquela empresa, mas da vida no Planeta. Portanto, é inexorável que os valores da sustentabilidade sejam incorporados aos bens e serviços. Pensando no negócio, quem sair na frente ganha em competitividade. E pelo que mostram as pesquisas do Akatu, ganha também em preferência do consumidor. Para se ter uma ideia, 65% dos formadores de opinião discutem o comportamento ético-social das empresas.

Consumo consciente alerta para a importância de se analisar outros fatores, além do preço e da marca

Foto: La Imagen

Consumo consciente:

dos produtos. É correto afirmar que praticar o consumo responsável diminui perdas e aumenta o lucro?

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Revista Soluções - Falando do mundo dos pequenos negócios, que representam 99% dos empreendimentos formais, como esses empreendimentos que já estão no mercado podem praticar o consumo consciente, sem custos elevados? O senhor pode sugerir mecanismos e exemplos para as pequenas empresas?

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Helio Mattar - Os produtos chegam ao consumidor por meio de uma cadeia produtiva. Conforme o produto, a cadeia é maior ou menor, mas há sempre um encadeamento de produtores e consumidores. Com o consumidor indi-

Helio Mattar, do Instituto Akatu

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vidual, as pequenas empresas têm um poder extraordinário de influenciar seus fornecedores. O próprio Sebrae aponta, afinal os pequenos negócios são 99% dos empreendimentos formais hoje no Brasil. Em seu processo, o micro e pequeno deve também repensar, reduzir, reciclar e reutilizar seus recursos. Devem ter um planejamento responsável do dinheiro e do crédito e investir equilibradamente no chamado tripé da sustentabilidade: o econômico, o social e o ambiental. O verdadeiro paradigma, portanto, é humanizar a relação entre o consumidor e a empresa. A sobrevivência das empresas estará cada vez mais ligada à sua capacidade de criar vínculos permanentes de identidade com os consumidores e a responsabilidade social terá um lugar central na realização desse potencial de construção. A semente plantada pela empresa contém dentro dela os valores e princípios de conduta que irão balizar todas as suas relações. Revista Soluções - A mídia brasileira reforça diariamente o consumismo, com suas novelas e publicidades. O Brasil precisa passar por uma grande mudança cultural para incorporar novos valores ao modo de vida da população? Helio Mattar - Estamos em transição do “Consumismo para a Sustentabilidade”, citando o subtítulo do relatório Estado do Mundo - 2010, do qual o Akatu participou da tradução e lançamento em português aqui no Brasil. Existem também contradições que vamos enfrentar. Se por um lado a mídia reforça o consumismo, por outro lado tem um papel importantíssimo na disseminação dos valores ambientais e de justiça social. E, logicamente, do consumo consciente. Se não fosse a mídia brasileira e mundial, em que nível estaria a discussão sobre o aquecimento global? Certamente, a maioria da população nunca nem teria ouvido falar. Ou mesmo a lista ‘suja’ do Ministério do Trabalho, com as empresas que mantêm trabalhadores em condição análoga a de escravos. Para citar um êxito recente: o Projeto Ficha Limpa. Você acha que a lei teria sido aprovada se não fosse votação aberta, pressão popular e a mídia acompanhando? Pesquisa do Instituto Ethos e do Jornal Valor Econômico realizada no Brasil no ano 2000 revelou que 57% dos consumidores tomavam por base a responsabilidade social para atribuir a uma empresa a característica

Como gerenciar os problemas de Segurança da Informação da sua empresa? Como monitorar

a Infraestrutura de Segurança da Informação? Como garantir Segurança com Virtualização de Servidores? Como as Comunicações Unificadas estão sendo aplicadas nas empresas? Encontre as respostas para essas e outras perguntas na biblioteca de web palestras sobre Infraestrutura e Segurança da Informação da ISH.

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Helio Mattar de ‘boa’ ou ‘ruim’, com destaque para o tratamento dispensado aos funcionários e à ética nos negócios. Para 35% dos entrevistados, as empresas devem melhorar a sociedade. Outros 31% recompensam as empresas (compram os produtos e recomendam a empresa a seus conhecidos) ou as punem (não compram os produtos e não recomendam a empresa) de acordo com suas ações de responsabilidade social. São basicamente duas as razões para essa mudança de paradigmas. Em primeiro lugar, ONGs e a mídia apontaram claramente, por anos, que as empresas eram as responsáveis pela degradação ambiental. Em segundo lugar, registrou-se grande aumento do poder das empresas nos últimos anos. Em 2000, o faturamento bruto das cinco maiores empresas norte-americanas foi 60% superior ao PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, nona economia mundial, e as dez maiores corporações mundiais faturaram 40% a mais que o PIB de todos os países da América Latina. Revista Soluções - Como consumidores e pequenos negócios podem reconhecer empresas que praticam o consumo responsável? Helio Mattar - Penso que o primeiro critério é a informação. Clareza e transparência da empresa são fatores de adesão do consumidor. Para decidir, ele precisa de informações sobre a cadeia de produção do produto ou serviço. Hoje não basta mais preço, data de validade e os selos oficiais, como os do Ministério da Agricultura ou do INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). São importantíssimos e absolutamente imprescindíveis, mas não bastam. Se o produto traz infor-

mações auditadas já na embalagem, esse é um dado a ser perseguido e pressionado pelo consumidor. Precisamos saber de onde vem a matéria- prima, quais as relações de trabalho na produção - as leis trabalhistas são respeitadas? Empregadas grávidas têm licença-maternidade? Não há trabalho escravo nem infantil? Precisamos saber se os recursos têm origem legal (madeira, minérios)? Foram certificados? Qual a emissão de carbono? E o consumo de água e energia? O consumidor tem de se informar e pressionar para que essas informações estejam cada vez mais acessíveis. Hoje, temos os sites das empresas, os selos governamentais e os independentes, os relatórios de sustentabilidade e as notícias na mídia em geral e na internet. As redes sociais são hoje poderosas aliadas do consumidor na hora de avaliar empresas. Não adianta a publicidade da empresa desenhar um “mundo verde” se, no YouTube, está “bombando” um vídeo de um consumidor ou da mídia mostrando o contrário. Notícias sobre empresas ou sobre produtos rapidamente se espalham na rede mundial, e esse efeito viral volta para a empresa - para o bem e para o mal. Reações de repúdio aos atos empresariais considerados negativos levam a impacto também negativo sobre as vendas e sobre o valor das empresas no mercado de ações, como comprovam episódios recentes envolvendo grandes companhias.

sobre Segurança de Infraestrutura para ajudar você a gerenciar a tecnologia da informação da sua empresa.

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Para saber mais, acesse o site do Instituto Akatu, no www.akatu.org.br,

a Pesquisa Estado do Mundo, no www.worldwatch.org.br, e a Uniethos, no www.uniethos.org.br.

Quem é a ISH

Fundada em 1996, a ISH ajuda as empresas e as instituições governamentais a tornar a inovação uma realidade ao disponibilizar e proteger informações 24x7 no ambiente conectado que vivemos. Planejar a inovação não é o suficiente, é preciso uma fundação robusta. 8

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Características

O ‘mapa’ das habilidades

empreendedoras Conheça dez características comportamentais, importantes para quem quer entrar, ou já está, no mundo empresarial Por Andrea Bordinhão

Uma boa ideia ou a descoberta de um nicho de mercado com pouca concorrência ou de um ramo de atuação com bom potencial de crescimento. Capital suficiente para alavancar o negócio. Disposição para trabalhar. Todos esses elementos juntos parecem formar o cenário perfeito para quem quer começar um empreendimento. E realmente é excelente, porém incompleto. Não basta ter apenas uma boa oportunidade em mente e dinheiro para tocá-la. É preciso vocação. E quando se fala em vocação não é apenas ter afinidade com a área escolhida. É preciso tino comercial e empresarial. Todo bom empresário precisa ter, ou desenvolver, diversas habilidades para obter sucesso: são as chamadas características do comportamento empreendedor. As características empreendedoras ajudam a revelar pontos na personalidade do futuro empresário ou dos que já estão no mercado que são decisivos para a excelência na gestão. Mapeadas na década de 1980, essas habilidades se constituem em dez comportamentos que os empreendedores devem conhecer e desenvolver para aplicar no seu negócio no momento necessário. A origem das características do comportamento empreendedor começou na década de 1960, quando o psicólogo americano David McClelland identificou em empresários de sucesso um elemento psicológico marcante que ele batizou de “motivação da realização”. A partir daí, o psicólogo criou um treinamento para empreendedores com o intuito de desenvolver essa característica. Devido ao sucesso do projeto, na década de 1980, o especialista, apoiado pela Agência para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos e mais algumas entidades privadas, ampliou seu estudo. Após analisar empresários bem-sucedidos de 34 países, ou seja, de culturas diferentes, chegou às dez características mais marcantes no comportamento desses empreendedores. São elas a iniciativa e busca de oportunidades; a capacidade de correr riscos calculados; a exigência de qualidade e eficiência; a persistência; o comprometimento; a capacidade para

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buscar e utilizar informações; o estabelecimento de metas; a capacidade de planejar e monitorar ações; a persuasão e rede de contatos; e a independência e autoconfiança. Essas habilidades fazem parte de três grandes grupos: realização, planejamento e poder. “Cada uma dessas características faz com que o empresário consiga compreender melhor como funciona o seu negócio e como deve se comportar diante da sua realidade”, explica o consultor e coordenador estadual de Empreendedorismo do Sebrae/PR, Emerson Cechin.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Dentro da realização, estão as características da busca de oportunidades e iniciativa, correr riscos calculados, exigência de qualidade e eficiência, persistência e comprometimento. Já o planejamento engloba busca de informações, estabelecimento de metas e planejamento e monitoramento sistemático. Por fim, o poder abrange persuasão e rede de contatos e independência e autoconfiança. Obviamente é muito difícil um empreendedor possuir todas essas características bem desenvolvidas. No entanto, é possível buscar o aprimoramento. Segundo Cechin, muitos empreendedores possuem alguns desses comportamentos. Alguns, inclusive, adotam essas condutas no dia a dia, porém não têm clareza da importância delas para o seu negócio.

Cada característica faz com que o empresário consiga compreender melhor como funciona seu negócio e como deve se comportar diante da realidade

“Quem é empreendedor exerce alguns desses comportamentos em menor ou maior escala, mesmo que não tenha isso claro”, garante.

Imersão no empreendedorismo Com o objetivo de fomentar o empreendedorismo no mundo, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) criou um programa para formação de empresários e futuros empreendedores com base nessas dez características: o Empretec. O programa foi lançado em 1988 na Argentina. No Brasil, desde 1993, o Sebrae passou a ser a entidade realizadora do programa. É uma imersão no mundo do empreendedorismo. “O participante avalia seu potencial empreendedor e também reforça suas tendências e habilidades”, explica um dos facilitadores do Empretec no Paraná, Adilson Santos. Os facilitadores são empresários

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que já passaram pelo curso e se tornam instrutores. No Empretec, os participantes precisam se dedicar integralmente às atividades e demandas do treinamento durante os seis dias de duração. Segundo Adilson Santos, o Empretec “se diferencia de outros treinamentos e cursos por conta de sua metodologia, a qual é vivencial e prática, ou seja, os participantes aprendem fazendo”. “Os temas do treinamento são desenvolvidos através de dinâmicas, jogos e outras atividades que reproduzem o ambiente empresarial, numa linguagem simples e prática, proporcionando constantes possibilidades de autoavaliação e desenvolvimento aos participantes”, afirma.

E essa imersão, afirma o consultor, é profunda e marcante. A intenção é que as práticas adotadas no mundo dos negócios possam ser levadas também para a vida pessoal. Justamente por ser tão intenso e tão específico, há uma pré-seleção que verifica quem está apto a fazê-lo. Nessa seleção, são avaliados o potencial para desenvolver as características e o momento emocional que a pessoa está vivendo, que não pode ser frágil (como mulheres grávidas ou pessoas que perderam parentes próximos). “Lá, as pessoas se descobrem, choram, riem... identificam-se com outros integrantes do grupo através de constantes trocas de experiências”, conta Hahn.

31% das empresas passaram a escrever seus planejamentos contra 7% antes do programa - e 54% dos empresários afirmaram se sentir mais seguros para tomar decisões.

Números comprovam Uma pesquisa realizada a pedido do Sebrae Nacional em 2002, sobre o desempenho de empreendedores que passaram pelo Empretec comprova que o desenvolvimento das características empreendedoras de fato influenciam positivamente nos negócios.

Nos últimos oito anos, 1,8 mil pessoas passaram pelo Empretec no Paraná. Para este ano, estão previstas 40 turmas em todo o Estado. Os empreendedores e empresários interessados no programa devem sempre conferir no 0800 570 0800 a disponibilidade de vagas.

De acordo com os números levantados pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), o índice de mortalidade de empresas tocadas por participantes do Empretec é muito menor do que o geral: enquanto o índice de mortalidade ao final de um ano no Brasil foi de 46%, por exemplo, entre as empresas conduzidas por “empretecos” o índice observado foi de apenas 7%.

Nova coleção, novos planos O proprietário de uma fábrica de confecções em Cianorte, noroeste do Estado, Nelson Paris, ouviu de conhecidos sobre o poder de transformação que o aprendizado e o aprofundamento das características empreendedoras têm. Resolveu experimentar. Terminou o Empretec recentemente cheio de ideias.

O aumento médio no faturamento das empresas comandadas pelos participantes subiu 64% em um ano após o fim do programa, assim como 55% deles tiveram aumento da renda pessoal. Além da questão financeira, mais projetos foram para o papel Foto: Cristiane Shinde/ Studio Alfa

Segundo o coordenador estadual do Empretec e consultor do Sebrae/PR, Lucas Hahn, os participantes passam por um ciclo. Primeiro, eles se reconhecem dentro das características após conhecê-las melhor. Depois se autoavaliam e experimentam, que é a parte prática e vivencial. O ciclo se

repete para cada uma das dez características. “O curso tem hora para começar, mas não para acabar. O empresário sai da sala, mas transporta o que está acontecendo lá para a sua rotina, já que precisa coletar informações, reunir-se com o grupo de trabalho, buscar sua rede de contatos”, explica Hahn.

“Estou com outras visões, com outras determinações. Estou colocando algumas metas em prática que antes ficavam só na conversa. Agora firmo meus compromissos com mais seriedade, estou mais organizado e traçando metas mais exatas. Ainda é cedo para falar alguma coisa, mas eu já tenho visão do que pode acontecer no futuro. Hoje posso sonhar maior”, conta. Quando questionado sobre seus objetivos após o Empretec, Paris faz uma lista com tom de confiança de quem conseguirá concretizá-los. “Estou para lançar uma nova coleção e já vou fazer algumas alterações no lançamento, como ampliar as metas de divulgação. Quero aumentar minhas vendas e, para conquistar mais clientes, estou discutindo com outros empresários a formação de uma associação para abrir um leque maior de contatos”, enumera. E alguns dos planos já foram para prática. Assim que saiu do Empretec, Paris contratou um funcionário só para fazer trabalho de organização e relatório de clientes.

Nelson Paris, empresário

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A Revista Soluções traz nesta edição um pouco mais de informações sobre esse ‘mapa’ contendo as dez características empreendedoras. A seguir, uma a uma:

Iniciativa e busca de oportunidades. Essa característica faz com que o empresário comece a avaliar constantemente as oportunidades do mercado. Para saber se a oportunidade é boa, é preciso buscar informações e saber interpretá-las corretamente. Isso vale, inclusive, para os empresários estabelecidos que desejam expandir seus negócios.

Capacidade de correr riscos calculados. O empresário precisa entender

a fundo seu negócio. Isso o ajuda a entender que correr riscos é necessário, mas não de forma desordenada. É preciso avaliar, assumir riscos calculados, previstos, avaliados e saber até que momento se pode assumi-los.

Exigência de qualidade e eficiência.

É um parâmetro que mostra como o empresário se comporta em relação à qualidade do seu produto, soluções ou serviços que oferece e a qualidade da imagem que quer ligada ao seu negócio. Ele deve exigir qualidade e estabelecer parâmetros claros para isto.

Persistência. O empresário, não pode desistir no primeiro obstáculo que encontra. No mundo dos negócios a persistência faz parte de quem almeja resultados. Mas também há uma linha tênue entre a persistência e o equívoco de continuar errando. É importante avaliar até que ponto se deve persistir. Comprometimento. O comprometimento faz com que o empresário trabalhe com o compromisso de alcançar resultados com seu negócio. Às vezes é necessário deixar de fazer o que se gosta, abrir mão um pouco da vida pessoal para se dedicar mais tempo ao negócio até que ele esteja consolidado. Além disso, o proprietário é o exemplo dos funcionários.

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Capacidade para buscar e utilizar informações. Todo negócio muda constantemente, conforme a evolução do cenário que ele está inserido. E isso exige que se busque informações constantemente para que a empresa siga sempre no rumo certo. É preciso, portanto, compreender bem o cenário que se está inserido - interno e externo - e entender as variáveis que afetam o negócio. A qualidade da informação influencia na qualidade da decisão que se vai tomar. Estabelecimento de metas. As metas são importantes porque dimensionam ou esclarecem o esforço que as pessoas envolvidas no negócio precisam fazer. Com as metas, estabelece-se um direcionamento do trabalho por determinado período. A partir daí é possível traçar estratégias de trabalho e ações. É importante salientar que as metas têm que ser mensuráveis e tangíveis. Elas precisam ser específicas, claras e temporais. Capacidade de planejar e monitorar ações. É o plano prático de ações, sempre com prazos estipulados. A segunda etapa é fazer o monitoramento sistemático deste planejamento para checar o que foi possível realizar e o que não foi possível e quais foram os empecilhos. É preciso fazer o ciclo de PDCA (sigla em inglês para planejar, executar, avaliar e agir e/ou adequar), que é a avaliação do processo e a melhoria contínua do plano de trabalho. Persuasão e rede de contatos. Usar estratégias para influenciar e persuadir outras pessoas e manter contato com pessoas que possam contribuir para atingir seus objetivos. Independência e autoconfiança. É a capacidade do empresário decidir quando necessário. É preciso ter conhecimento para estar seguro sobre a decisão correta.

Teste seu espírito empreendedor O Sebrae/PR disponibiliza para todos que acessarem sua página na internet um teste para avaliar seu nível de empreendedorismo. Lá estão perguntas sobre atitudes no trabalho, comportamentos em situações de crise, sobre espírito de iniciativa e liderança, entre outras. O teste ajuda o empreendedor a descobrir se precisa aprimorar seu comportamento para obter sucesso.

Para acessá-lo basta entrar no site do Sebrae/PR (www.Sebraepr.com.br) e clicar no link “Ser Empreendedor” logo no início da home page. No final da página que se abrirá está o link para o teste.

Leia mais sobre o assunto. Acesse: empretec.sebrae.com.br; www.sebraemais.com.br e www.endeavor.org.br.

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Excelência

Qualidade como palavra de

ordem

Aliado das pequenas empresas, modelo de excelência, criado pela FNQ, define fundamentos da boa gestão Por Beth Matias

Os pequenos negócios no Brasil vêm dando demonstrações significativas de crescimento e consolidação de mercado. Pesquisas mostram diminuição na taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas, enquanto o crescimento real do faturamento sobe exponencialmente. Nem a crise mundial, que abalou os Estados Unidos e agora a Europa, afetou tanto os pequenos negócios brasileiros. Apesar da maré favorável, o mercado globalizado exige dos pequenos negócios visão de futuro, pois quem sai na frente desfruta de vantagens competitivas e tecnológicas. Além disso, os consumidores são movidos em suas decisões de compra pelos valores de seu tempo, segundo John Nasbitt, autor do best-seller Megatendências. O tempo atual é de valorização de produtos saudáveis e sustentáveis. Todos esses fatores requerem mudanças culturais importantes no ambiente dos pequenos negócios. Para a coordenadora de Projetos da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), Juliana Iten, identificar, entender e satisfazer as necessidades e expectativas da sociedade e das comunidades com as quais interage - sempre de forma ética,

cumprindo as leis e preservando o ambiente - são os principais caminhos. É preciso também saber motivar as equipes internas para a conquista do alto desempenho e avaliar os níveis de resultados que a empresa vem tendo ao longo de sua história. “São os chamados valores intangíveis. Nesse mundo da nova economia, a qualidade já não é mais o diferencial. É condição mandatória de sobrevivência. O que vai diferenciar um produto do outro são os valores agregados a ele”, diz Juliana Iten. O concorrente está a um clique do mouse.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Esses “elementos” podem ser medidos no Modelo de Excelência em Gestão, uma ferramenta criada pela FNQ que define os fundamentos e práticas de boa gestão. Atualmente, 6 mil empresas brasileiras seguem esse modelo, que está baseado em 11 fundamentos e oito critérios. Os fundamentos que norteiam o Modelo de Excelência em Gestão, da FNQ, são: aprendizado organizacional, cultura da inovação, orientação por processos e informações, visão de futuro, geração de valor, valorização das pessoas, conhecimento sobre o

Atualmente, 6 mil empresas brasileiras seguem o Modelo de Excelência em Gestão, criado pela FNQ e baseado em 11 fundamentos e oito critérios técnicos

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As informações e o conhecimento são os principais insumos para o planejamento estratégico e a comunicação necessária para a excelência da gestão. Promovem também a atividade criadora efetiva e um ambiente apropriado, que leva à autonomia, à melhoria, à inovação, à proatividade e ao aprendizado organizacional.

“As sugestões que vêm dos clientes, por meio de reclamações, solicitações de informações, precisam resultar em planos de melhoria e aperfeiçoamento de processos que levem à fidelização deste cliente”, explica Juliana Iten.

As grandes empresas já descobriram que o cliente interno (funcionário, colaborador, terceirizado) é tão importante para a empresa como os outros steakholders. Para os pequenos negócios, onde, muitas vezes, a própria família, amigos ou sócios fazem parte da empresa, é um pouco mais difícil.

Um dos critérios com maior dificuldade para os pequenos negócios, com raras exceções, é, segundo a gestora da FNQ, o critério que trata de estratégias e planos. “Aqui as empresas precisam ter em mente como será planejado o futuro da empresa em curto e longo prazo e quais são os planos estratégicos para alcançar esses objetivos.”

cliente e o mercado, desenvolvimento de parcerias, responsabilidade social e pensamento sistêmico. Uma das grandes dificuldades para a pequena empresa é entender o pensamento sistêmico. Juliana Iten explica que as lideranças precisam pensar a empresa de forma integrada. “Uma padaria com ótima qualidade pode ter problemas se não tiver um pensamento sistêmico. Um cliente deixa de comprar caso veja, por exemplo, um funcionário sendo maltratado.” Para colocar esses fundamentos em prática, a Fundação Nacional da Qualidade definiu oito critérios: liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimento, pessoas, processos e resultados.

importância de avaliar a gestão da empresa, não apenas financeiramente, mas em toda a sua capacidade de relacionamento com os diferentes públicos (clientes, fornecedores, funcionários, colaboradores, sociedade, dentre outros). Para o empresário de pequena empresa que tem interesse, o Modelo de Excelência em Gestão da FNQ está disponível no site www.fnq.or.br. “São 29 questões de múltipla escolha referentes à gestão e uma fala sobre resultados. O empresário leva cerca de duas horas para preencher o questionário.” Imediatamente é emitido um relatório com os pontos fortes e as oportunidades de melhoria.

Mas como um pequeno negócio diante de todas as dificuldades do dia a dia, impostas muitas vezes à revelia, com alta carga tributária, falta de mão de obra especializada e muita burocracia, consegue imprimir um modelo de excelência na organização?

Segundo a coordenadora da FNQ, a partir dos resultados o empresário tem em mãos a possibilidade de agir dentro da sua empresa com indicadores registrados. “O relatório não vai mostrar nenhuma solução mágica. O empresário deverá priorizar o critério que considerar mais importante e traçar uma estratégia de ação.”

O primeiro passo, segundo Juliana Iten, é que o empresário perceba a

Um dos critérios que mais interessam à pequena empresa é o relacionamento

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Líderes natos, os empreendedores normalmente não sabem como dividir essa liderança dentro da empresa. Para conseguir excelência em gestão, segundo Juliana Iten, o empreendedor precisa saber identificar lideranças dentro da empresa, promover a integração e ser transparente na gestão. Por isso, a importância do critério Liderança.

Informação e conhecimento

Relatório gerado para quem adere ao Modelo de Excelência em Gestão não revela nenhuma solução mágica, mas ajuda empresário a traçar uma estratégia

Outro critério importante e pouco utilizado no mundo dos pequenos negócios é o da informação e conhecimento. A velocidade das mudanças que ocorrem nos mercados, nas necessidades dos clientes, na sociedade e nas operações internas tem exigido o tratamento de uma crescente quantidade de dados, gerando informações necessárias à gestão de uma organização. Essas informações são armazenadas e disponibilizadas sistematicamente aos usuários internos e externos da organização e alimentam processos de comunicação cada vez mais intensos e velozes. Para alcançar a excelência é primordial que as pessoas estejam plenamente informadas e que analisem continuamente as informações, transformado-as em conhecimento, a fim de poder compartilhá-lo, desenvolvendo permanentemente os ativos de conhecimento da organização.

Cliente interno e sociedade

De acordo com a coordenadora da FNQ, o critério Pessoas está estruturado em três temas: sistemas de trabalho, capacitação e desenvolvimento e qualidade de vida. Em resumo, o critério Pessoas reúne em seus temas os requisitos voltados a selecionar, integrar, e organizar as pessoas e avaliar seu desempenho; capacitar e desenvol ver; e manter o ambiente de trabalho, de forma a assegurar a utilização plena do potencial das pessoas que compõem a força de trabalho, em alinhamento com as estratégias organizacionais. Em suma, pode ser parente ou funcionário, mas é preciso que ele receba capacitação constante, tenha um ambiente de trabalho seguro e saudável e seja avaliado constantemente por suas competências em relação ao trabalho que exerce. “De forma simples, o empresário precisa avaliar se a sua empresa, independente do porte, contempla essas estratégias.” Tanto dentro ou fora da empresa, a atuação deve ter como base relacionamento ético e transparente com todas as partes interessadas, visando o desenvolvimento sustentável. Esse é o conceito de sociedade no Modelo de Excelência em Gestão, da FNQ. “Não estamos falando apenas de reciclagem ou de criação de Organizações Não Governamentais (ONGs) e institutos. O exercício da cidadania pressupõe o apoio a ações de interesse social, podendo incluir a educação e a assistência comunitária, a promoção da cultura, do esporte e do lazer, e a participação no desenvolvimento nacional, regional ou setorial.”

Processos e resultados Segundo essa visão dos processos, compreende-se, facilmente, que a organização é um “mar de processos”, em contínua execução pelas pessoas que compõem sua força de trabalho. Esses processos estão inter-relacionados e interagem entre si, de tal forma que os produtos ou serviços deles provenientes constituem a entrada para um ou mais processos na sequência de execução que busca o atendimento das necessidades e expectativas dos clientes. Alcance de resultados consistentes, assegurando a perenidade da organização pelo aumento de valor tangível e intangível de forma sustentada para todas as partes interessadas. Para colocar esse conceito em prática, as organizações devem considerar que gerar valor para todas as partes interessadas visa aprimorar relações e assegurar o desenvolvimento da organização.

No mundo da nova economia, a qualidade já não é mais um diferencial, é sim uma condição mandatória de sobrevivência para as empresas

Foto: Divulgação

com o cliente. Segundo a FNQ, uma das razões da “infidelidade” do cliente está no fato de suas necessidades e, consequentemente, suas expectativas não serem estáticas. É preciso estar atento a essas mudanças do cliente porque se a organização não o fizer, o concorrente fará. É preciso um contínuo acompanhamento da percepção do cliente em relação aos produtos e serviços oferecidos.

Juliana Iten, da FNQ

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Trabalho em equipe

O jogo do

business

César Souza compara futebol ao empreendedorismo e cita sete características necessárias para vencer Por Katia Michelle Bezerra

Os brasileiros são apaixonados por futebol. Opinam, torcem e também sofrem quando o time vai mal, embora acreditem sempre na vitória. Tanta dedicação pode muito bem ser aplicada ao mundo dos negócios, em uma relação que pode surpreender quem encara o empreendedorismo como um time. Para o consultor César Souza, presidente da empresa de consultoria em estratégia, marketing e recursos humanos Empreenda, existe um claro paralelo entre o futebol e o mundo dos negócios.

complementares, que lutam por um objetivo comum. Pessoas que lutem para se superar, que apoiem uns aos outros, que não se acomodem e que programem as decisões mesmo quando não haja consenso. Uma boa equipe aceita desafios, reconhece realizações e celebra mesmo as pequenas vitórias”, diz. Características fundamentais em qualquer momento do jogo, ou melhor, da situação em que a empresa vive, seja quando está começando ou mesmo quando já está consolidada no mercado.

“Ambos começam com um sonho: o da vitória no jogo e o sucesso em um empreendimento ou produto. Ambos precisam ter metas bem claras. O gol em um, a receita, lucro e rentabilidade no outro. Ambos precisam de uma equipe unida e harmônica, para ganhar o jogo e para atender bem ao cliente. Ambos estão sujeitos a regras e têm um juiz: no campo, o homem vestido de preto, na empresa, o mercado implacável quando o produto não é bom. Ambos dependem de muita criatividade para enfrentar adversários que tentam surpreender todo o tempo. Empreender é um jogo, o jogo do business”, salienta César Souza.

César Souza enfatiza que são necessárias várias características para transformar um grupo em um time de campeões, mas ele salienta sete imprescindíveis para conquistar a vitória. São elas: Capacidade de cuidar do todo, não só da parte; Inovação; Foco; Iniciativa; Perseverança; Humildade; e Paixão.

Para formar um time de campeões, é preciso pensar na equipe e agir em conjunto para superar os desafios

César Souza,

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especialista

Foto: Divulgação

Foto: Wilson Vieira/ Videographic

Para ele, nos dois casos é preciso contar com uma boa equipe para alcançar o sucesso. “Ter uma boa equipe é dispor de pessoas com competências

E para escalar esse time, existe uma fórmula mágica? Ou seja, o que os empresários devem levar em conta na hora da escalação? Para o consultor, o fator principal para alcançar o sucesso está na qualidade do líder da equipe. “O desempenho de uma equipe é sempre reflexo do seu líder. Veja o que aconteceu com a Seleção Brasileira. Descontrolou-se no momento decisivo. Descontrolou-se porque o seu líder, o Dunga, estava à beira do gramado ten-

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Arnaldo Coelho do Amaral Filho, empresário, e sua equipe

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da é representada pelo mercado, pelos clientes, parceiros e pela comunidade onde a empresa atua. E fica difícil ter sucesso, se os clientes, os parceiros, a comunidade, os formadores de opinião, estão contra sua marca ou seu produto. Assim como no futebol, as empresas precisam criar clientes apaixonados, precisam criar o que chamamos de lovemark.”

Um time de campeões

Millan Shavarski consultora

do um ataque de nervos, não soube acalmar a equipe nem focá-la no objetivo. Não temos crise de futebol. Temos craques que não foram convocados. Talento não falta, sobra. Os nossos jogadores não são inferiores aos das outras seleções. Mas não conseguimos formar um time de alta performance devido à crise na liderança. O apagão não é no futebol. O apagão é na liderança”, compara. E quando o time está perdendo, o papel do líder é ainda mais indispensável, como cita César Souza. “Um bom exemplo é o do jogador Didi, na partida final da Seleção contra a Suécia, em 1958. A Suécia saiu na frente. Didi foi até a rede, pegou a bola, colocou- a debaixo do braço e saiu andando com ela em direção ao centro do campo, chamando cada jogador e conversando com eles. Inspirou confiança, relembrou-os que o time do Botafogo já tinha derrotado a seleção sueca por 4x1 meses atrás, que os brasileiros eram melhores e que cada um devia cumprir o seu papel. Não deu outra: 5x2! Bem diferente do que vimos na África do Sul, o desespero tomando conta do time quando sofreu o segundo gol”, diz. Mas independente do resultado do time, César Souza considera também um elemento fundamental para o sucesso: a torcida. “Na empresa, a torci-

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Para criar uma marca amada, é preciso despertar nos colaboradores o comprometimento com a empresa. Para que todos ajam como um time e foquem no sucesso como resultado. Foi com esse objetivo que o empresário paranaense Arnaldo Coelho do Amaral Filho desenvolveu em Londrina, norte do Estado, um trabalho com os primeiros funcionários que chegaram à sua empresa, quando esta começou a crescer. Arnaldo fundou a empresa Verde Rural, especializada em seguros agrícolas, em 2001. Durante alguns anos, apenas ele e um sócio tocavam a empresa, mas com o aumento da demanda, foi necessário contratar novos colaboradores.“Quando vi, estávamos nos esbarrando dentro da empresa. Eu não sabia o ramal das pessoas”, brinca Arnaldo. As mudanças estruturais foram tantas quanto às de posicionamento profissional e depois de somar oito pessoas, entre funcionários, sócios e estagiários, Arnaldo viu que era o momento de agir, para que todos se comportassem em prol de um objetivo em comum: o crescimento profissional. Arnaldo procurou a consultoria do Sebrae/PR, para realizar um treinamento com os funcionários. “Eu percebi que havia uma distância na forma como as pessoas se comunicavam, até mesmo internamente e principalmente com relação ao cliente”, relembra. O treinamento envolveu não só dinâmicas de grupo, mas também definição do posicionamento da empresa, como deixar claros a marca, a missão, os valores e a meta. A dedicação deu resultado. “Ficamos mais próximos dentro da empresa”, comemora. Para Arnaldo, o treinamento realizado fez com que os colaboradores crescessem pessoal e profissionalmente. “Atualmente, alguns deles não trabalham mais conosco, mas sempre me

fundamentos

agradecem pelo treinamento, pois gerou um bom resultado”, conta. E quem chega também é submetido a um treinamento de equipe, para estar bem alinhado com o posicionamento da empresa e focar no sucesso. E para Arnaldo o sucesso de um é o sucesso de todos.

Os

O empresário afirma que focar no desenvolvimento dos funcionários é fundamental para o desenvolvimento da empresa. Delegar responsabilidades também é imprescindível. “Nós estabelecemos critérios de ação e cada pessoa, dentro da sua área, age dentro desses critérios definidos, assim todo mundo sabe como agir em determinadas situações”, conta complementando que, se não fosse dessa forma, ele teria que fazer sozinho o trabalho de uma equipe inteira.

“No novo mundo dos negócios não há utilidade em ser um pensador criativo e original, a não ser que você possa vender o que você criou. Seus clientes jamais reconhecerão uma boa ideia, a não ser que ela seja apresentada por um excelente vendedor!” (David M. Ogilvy, publicitário inglês)

Mais resultados A consultora do Sebrae/PR em Londrina, Simone Milan Shavarski, diz que o trabalho em equipe traz dividendos para o empreendimento e os empresários de micro e pequenas empresas precisam estar atentos para investir sempre em seus funcionários, no corpo de colaboradores da empresa. “Funcionários felizes, mais produtividade e mais resultados positivos para as empresas”, avalia a consultora. Simone Shavarski concorda com o especialista César Souza, quanto à importância da liderança no trabalho em equipe. “O líder tem um papel fundamental de unir o grupo e direcionar os esforços para a obtenção dos melhores resultados. Nas pequenas empresas, o trabalho também precisa ser organizado, planejado. Para o time ser forte, todos os colaboradores precisam estar preparados.” (Colaborou nesta reportagem o jornalista Leandro Donatti).

Você gosta de futebol e também é apaixonado pelo mundo dos negócios? Veja alguns sites e liros que relacionam esses dois temas. Sites: www.blogdolider.com.br e www.hsm.com.br.

de um bom negócio - Parte 2

Na edição anterior começamos essa série de artigos “Os fundamentos de um bom negócio”. Nela apresentamos quatro fundamentos: Sua maior matéria-prima é o conhecimento; Planeje antes de fazer; Você não é o cliente!; Seus maiores capitais são o tempo e as pessoas. Vejamos mais dois fundamentos, começando pelo gancho da citação de David M. Ogilvy.

Vender tem que ser sua maior competência! Vendas é o coração de uma empresa. Não adianta ter um cérebro genial se o coração não fizer fluir o sangue. As vendas não estão somente a cargo dos vendedores. Tudo e todos na sua empresa são responsáveis pelo sucesso das vendas. Se o atendimento ou o serviço são ruins, as vendas sofrem; se a logística e a entrega são deficientes, as vendas sofrem; se a visão de negócios do empresário é pequena, as vendas sofrem; se o gerente acredita que gerenciar é só dar ordens, as vendas sofrem. Todos os processos, sistemas, produtos, serviços, interações, ambientes, instalações, canais de acesso para o cliente, e todos os colaboradores do negócio são responsáveis por um impacto nas vendas. É um erro cobrar o resultado das vendas apenas dos vendedores. Contrate os melhores (movidos pela sede de vender, aprender e se autossuperar) e treine-os continuamente. Lembre-se que alguém menos inovador que você, com produtos e serviços de menor qualidade que os seus, pode obter um resultado muito maior, se souber vender melhor. Quem tem menos para oferecer, mas sabe vender melhor faz mais sucesso que os que têm muito para oferecer, mas não sabem vender!

Se você e seus colaboradores não acreditam, não espere que os clientes acreditem. Para expressar todo o nosso valor para os clientes, temos

Carlos Hilsdorf Carlos Hilsdorf é palestrante do Congresso Mundial

que viver esse valor internamente. Temos que perceber, compreender e acreditar em nossos diferenciais. Precisamos sentir o orgulho de pertencer à empresa e de vender o que vendemos. Todos precisam entender bem o que fazem e como seu trabalho beneficia outras pessoas. As melhores franquias de cosméticos do mundo dão kits mensais a suas vendedoras e descontos extraordinários para que elas o completem com outros produtos que vendem. Sentir na própria pele a qualidade dos produtos que representam é fundamental para que cativem seus clientes com a experiência de quem utiliza os produtos!

de Administração, na Alemanha, economista, pós-

Seja qual for o seu negócio, esse fundamento pode e deve ser aplicado. Se você vende máquinas industriais, leve-os a visitar a empresa de seus clientes, traga depoimentos de clientes, demonstre a eles como são importantes, estimule o orgulho de pertencer. Se você e seus colaboradores não acreditarem e não sentirem orgulho do que fazem, os clientes também não sentirão!

Twitter: www.twitter.com/carloshilsdorf.

graduado em Marketing pela FGV e consultor de empresas. Autor do best seller Atitudes Vencedoras, apontado como uma das cinco melhores obras do gênero. Referência nacional em desenvolvimento humano. Site oficial: www.carloshilsdorf.com.br.

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Livros: Recados da Bola Depoimentos de Doze Mestres do Futebol Brasileiro, de Jorge Vasconcelos. Editora Cosac Naify; Superdicas para Inovar, criar oportunidades e virar o jogo, de Clóvis Tavares. Editora Saraiva.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Artigo

Até a continuação dessa série na próxima edição. Lembre-se: no mundo dos negócios, os últimos são sempre os últimos. Não esteja entre eles.

Torne-se especial!

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Networking

é opção para

Foto: Divulgação

Rede de amigos

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

negócios Manter redes sociais é cada vez mais importante para quem quer crescer profissionalmente Claudio Diogo, consultor

Por Katia Michelle Bezerra

“A melhor maneira de viver é fazer amigos.” A máxima citada pelo consultor, bacharel em Administração de Empresas e pós-graduado em Marketing e Propaganda, Claudio Diogo, especializado em vendas, não é lembrada por acaso quando o assunto é marketing pessoal. Com experiência no assunto e pesquisas constantes que o embasam ainda mais para falar sobre o tema, Claudio Diogo afirma que existe uma proximidade muito grande entre as redes de relacionamento e as oportunidades de negócios. Tanto que essa relação tem nome, é tema de estudo, palestras e workshops e a cada dia está sendo mais valorizada por empresários de diversos setores. Trata-se do networking, que em inglês significa net = rede + working = trabalhando, ou, para resumir, a possibilidade de fazer negócios e se colocar profissionalmente por meio da rede de amigos. Para quem ainda duvida que as duas questões - trabalho e rede de relacionamentos pessoais - estão intrinsecamente ligadas, o consultor Claudio Diogo cita uma pesquisa que fez recentemente com 200 executivos de sete capitais brasileiras. O resultado revelou que 76% dos empresários procuram fornecedores na sua rede de amigos, 78% preferem e confiam em fornecedores

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que tenham uma relação de amizade e 68% sempre trocam informações de negócios no seu meio de amizade. A pesquisa mostrou ainda que os executivos acham natural que isso aconteça e não veem problemas em usar o networking para selecionar fornecedores. Segundo Claudio Diogo, que já ministrou mais de mil palestras no Brasil, Europa, África e América Latina para centenas de profissionais, a pesquisa é uma mostra de que cada vez mais empresários e executivos lançam mão da sua rede pessoal para concretizar negócios e essa é uma questão que deve ser levada em conta por quem está de olho no crescimento e expansão do próprio negócio.

Em qualquer negócio que vá realizar, o empresário precisa sempre ter em mente um conselho, orientação, informação, sugestão e aproximação

Claudio Diogo dá algumas dicas (leia mais nesta reportagem) para melhorar e expandir o networking, válidas para os empresários de micro e pequenas empresas, mas diz que os interessados não devem esquecer da individualidade dos outros. Para ele, é preciso prestar atenção no que as pessoas falam e ficar atento às oportunidades, mas sempre respeitando os limites de atuação.

Traçar metas também é importante. Para ampliar o próprio networking, por exemplo, Claudio Diogo tem um objetivo diário: precisa distribuir pelo menos dois cartões de visita. A prática fez com que

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Foto: Wilson Vieira/ Videographic

o seu horizonte”, diz a empresária, que confessa: “Eu tenho uma mente inquieta. Quero aprender sempre”. Com MBA em Marketing Empresarial e outro em Marketing Executivo e com uma rede de relacionamentos que varia entre os mais diversos profissionais, Kimiko soube lançar mão dessa rede para angariar colaboradores para seus projetos sociais. Ela é fundadora do Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii, que atende centenas de crianças, adolescentes e idosos carentes de Londrina. “Sempre trabalhei com a filantropia, minha família sempre teve preocupação no bem-estar da comunidade”, conta Kimiko. Uma preocupação que atravessa gerações e que agora, graças à experiência da empresária em diferentes áreas acadêmicas, está sendo conduzida de forma profissional. Educação, aliás, está entre os valores mais altos de Kimiko. “A educação é a alavanca que leva à promoção pessoal”, salienta. Por isso, atividades educacionais estão entre os

Cristhiane Negri, empresária

pilares do Instituto, que também promove atividades culturais e de esporte. Para conseguir colaborações para os projetos, Kimiko lança mão da sua rede de negócios, mas salienta que é preciso fazer um trabalho sério e constante para conquistar a credibilidade. “E quando você faz isso, as próprias pessoas também começam a te procurar para oferecer ajuda”, diz. Para ela, é preciso sim ter uma rede consolidada de relações pessoais, conquistar novos amigos, mas principalmente focar em uma questão importante: “Sempre fazer as coisas em prol de um objetivo em comum, levando em conta o benefício da comunidade e nunca a promoção pessoal. Todos nós podemos ser agentes transformadores”.

Saiba mais sobre o tema. Acesse: www.tekoare.com.br Leia também: “Networking - Saiba como construir as melhores redes de relacionamentos”, de Michael Dulworth. Editora Larousse.

Sete passos para construir um bom networking

Cada vez mais empresários e executivos lançam mão da sua rede pessoal para concretizar negócios e essa é uma questão que deve ser levada em conta

De acordo com o consultor Claudio Diogo, seguindo sete passos básicos, é possível criar uma boa rede de relacionamentos. Confira: esteja sempre atento ao círculo de relacionamentos, o que faz uma pergunta ser inevitável: quando termina o networking e começa a vida pessoal? Para Claudio Diogo, quem está focado nos negócios e no crescimento, não separa uma coisa da outra. “Isso só é um problema se você não gosta da sua atividade profissional”, assinala.

Rede de relacionamentos A arquiteta Cristhiane Negri, de Londrina, norte do Estado, sabe bem como a questão do networking pode atravessar o lado pessoal, mas também render bons negócios. Ela conta que certa vez estava jantando em um restaurante quando foi abordada por uma pessoa que a conhecia de vista e sabia que ela fazia um trabalho de administração de condomínios. “A consulta começou no próprio restaurante, trocamos cartões e depois ainda fui procurada para dar mais informações sobre o assunto”, conta a arquiteta, categórica ao afirmar que não se importa com esse tipo de intervenção. Pelo contrário.

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Para ela, as relações feitas fora do ambiente do trabalho podem ajudar a fechar negócios futuramente, principalmente no ramo que ela escolheu atuar. Arquiteta por formação, ela fez pósgraduação em Administração e Marketing pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Há 12 anos, foi em uma reunião com o pai, que administra imóveis próprios, e saiu como síndica do edifício. Percebeu na atividade um grande potencial de mercado e logo passou a se dedicar integralmente à administração de imóveis comerciais, não apenas como síndica, mas prestando assessoria para proprietários na hora de negociar questões relacionadas à administração de condomínios. O trabalho faz com que Cristhiane precise se relacionar muito bem com as pessoas e com os clientes, já que a divulgação “boca a boca” é sua principal aliada. Assim, fazer um trabalho satisfatório é a principal garantia de ter o trabalho divulgado e, principalmente, de angariar mais clientes. “E em qualquer lugar você pode encontrar um cliente em potencial.

Se você fala o que faz e vende seu trabalho de uma forma agradável, certamente as pessoas vão lembrar de você quando precisarem”, ensina.

1. Faça um banco de dados completo e separe por tipos de relacionamento. Exemplo: empresa, amigos, imprensa, dentre outros. Atualize esse banco diariamente;

Fazer o bem

2. Trace um objetivo diferente para cada grupo da sua rede;

Uma boa rede de relacionamento é um dos ingredientes de sucesso para o trabalho da empresária Kimiko Yoshi. Ela construiu, também em Londrina, uma rede social de pessoas que tem um objetivo em comum: fazer o bem. O dom de agregar pessoas em torno de um só objetivo pode ser considerado parte da personalidade curiosa e obstinada de Kimiko. Formada em Letras, ela fez pósgraduação em Literatura. Posteriormente formou-se em Direito. Exerceu a função de juíza e só depois decidiu investir na carreira de empresária do ramo de construção civil, ao lado do marido.

3. Amplie seus relacionamentos. Participe de palestras, cursos e encontros que não necessariamente tenham a ver com a sua profissão. Participe de comunidades de interesse profissional. As redes sociais da internet facilitam esse contato, não custam nada e fazem você aparecer;

Mas tanta experiência em outras áreas fez com que Kimiko valorizasse ainda mais as relações humanas. “A beleza da vida está justamente em atuar em áreas diferentes, que abrem

4. Esteja sempre preparado. Ande bem vestido e tenha cartões de visita sempre à mão; 5. Em qualquer negócio que vá realizar, tenha sempre em mente uma coisa, ou seja, conselho, orientação, informação, sugestão e aproximação. Primeiro peça um conselho, isso valoriza a relação que está por acontecer, peça uma orientação e mostre que também está bem informado sobre o assunto. Dê uma sugestão e, finalmente, promova a aproximação. Dê o seu celular, por exemplo; 6. Presenteie e dedique brindes personalizados com quem quer manter relações profissionais. Dê presentes de pós-encontros. Isso faz com que a pessoa se sinta valorizada e lembre de você posteriormente; 7. Defina metas diárias de contato. Entregue cartões diariamente; de cada 50 cartões distribuídos, pelo menos um vai te ajudar a concretizar um bom negócio.

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Reorganização

Fusões, incorporações e cisões chegam nas

pequenas empresas Pequenos empreendimentos rendem boas negociações em processos de reorganização, realidade remota, há cinco anos

Por Mirian Gasparin

O que tem se visto nos últimos anos é uma forte tendência mundial no sentido da concentração das atividades produtivas e um número cada vez mais reduzido de grupos econômicos. O objetivo, na maioria das vezes, é o aumento da escala de produção, obtendo-se, dessa forma, empresas mais competitivas e preparadas para o mercado global. A prática de fusões, incorporações e cisões de empresas deixou de ser algo reservado aos grandes grupos empresariais. Nas micro e pequenas empresas, isso também já está acontecendo, embora não existam estatísticas oficiais sobre o número exato de pequenos negócios que passaram por desmembramentos. O advogado e presidente do Comitê de Legislação Societária do Instituto Brasileiro de Executivos em Finanças - Regional do Paraná (IBEF/PR), Ricardo Cesar Pinheiro Becker, lembra que, até há cinco anos, a pequena empresa ficava à margem das vendas, fusões ou incorporações, e, quando uma operação desse tipo ocorria, era feita de forma amadora. “Hoje, já há consciência que um pequeno negócio pode render uma boa venda ou uma boa compra, dependendo do lado em que se está”, acrescenta. Segundo Becker, se olharmos em direção ao mercado norte-americano, verificaremos que as pequenas e médias empresas chegam até a negociar suas ações na bolsa de valores, o que no Brasil ainda nem se cogita. Para o dirigente do IBEF/PR, da união de dois pequenos negócios poderá surgir uma grande empresa, mas para que isso aconteça é necessária uma preparação.

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A terceira regra para preparar a empresa para a venda é que todos os processos e fluxos devem ser descritos e fundamentados. “A empresa tem que mostrar total transparência”, afirma o advogado. Na avaliação do economista e coordenador dos cursos de Economia e Comércio Exterior da Universidade Positivo, Jackson Bittencourt, é normal que o empresário de pequena empresa veja o seu concorrente como um adversário, mas na verdade ele poderá se tornar um grande aliado. Basta que as empresas se organizem e passem por um processo de fusão, que permitirá o aumento da produção com qualidade e a preços menores. Além do que essas empresas ficarão menos vulneráveis às crises.

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Nos Estados Unidos, informa Bittencourt, são muito comuns os processos de fusão na área da Tecnologia da Informação (TI). Já na China, o preço baixo praticado pelas pequenas empresas é decorrente da alta produtividade. Um processo de fusão, que é o mais recomendável para as pequenas empresas, de acordo com o economista, deve ser muito bem feito e acompanhado por um profissional da área do Direito. A falta de comunicação também poderá se tornar outro problema se não for bem feita. “Nós temos casos de fusões no Brasil que, por falta de comunicação a clientes e funcionários, acabaram registrando sérios problemas”, acrescenta.

Organizar e controlar as finanças e o processo produtivo são regras que precisam ser observadas em casos de fusão, incorporação e cisão

Aumento de faturamento

A regra número um, apontada por Becker, para preparar a empresa para uma eventual venda é organizar e controlar as finanças e o processo produtivo de forma que ela possa funcionar independentemente do proprietário que assumir.

A Arauclin Medicina e Segurança do Trabalho, empresa com sede em Araucária, na Grande Curitiba, conseguiu aumentar o seu faturamento em nada menos do que 1.400%, depois do ingresso de quatro novos sócios, em 2006, que trouxeram novas ideias, mais recursos financeiros e investiram em equipamentos, funcionários e na inovação da estrutura.

O segundo ponto fundamental é a separação do patrimônio da pessoa física e da jurídica. “O grande problema da micro e pequena empresa é que ela é dirigida pelo seu proprietário e do jeito que ele quer. Muitos empresários de micro e pequenas empresas misturam o seu patrimônio pessoal com o da empresa e quando o negócio cresce fica difícil de resolver a situação”, alerta.

A entrada dos sócios permitiu que a empresa, fundada em abril de 1993, adotasse novas posturas administrativas, tornando-se mais competitiva e obtendo uma forte posição no mercado. Segundo o sócio da Arauclin, Luiz Gelinski, de um faturamento de R$ 40 mil mensais verificado há quatro anos, hoje a empresa fatura mensalmente R$ 600 mil.

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Foto: La Imagen

personalidade jurídica, ocorrendo, apenas, modificação em seu estatuto ou contrato social, onde há indicação do aumento do capital social e do seu patrimônio. Portanto, ao contrário da fusão, a incorporação de sociedades comerciais importa, necessariamente, apenas na reforma do estatuto ou contrato da sociedade que incorpora, desaparecendo-se a empresa incorporada. A fusão, por outro lado, impõe a extinção das sociedades fusionadas, surgindo, assim, uma nova sociedade. Já a cisão de uma empresa não implica na extinção da sociedade cindida, uma vez que a própria lei prevê a possibilidade de cisão parcial. Na cisão parcial, o capital social se divide em razão da versão de parte do patrimônio da empresa cindida para outra empresa. A parcela vertida à outra sociedade há de corresponder sempre a uma diminuição de capital social, e está descrita na Lei nº 6.404/76 no art. 229.

Jackson Bittencourt, economista

O fundador da Arauclin, o médico Geraldo Rocha, permaneceu na empresa. Segundo Gelinski, o que faltava no negócio era uma nova visão empreendedora de mercado. “O doutor Geraldo Rocha é um profissional altamente competente e técnico, mas faltava um empreendedor, que acabou acontecendo com a entrada dos novos sócios. Entretanto, nada poderia ter sido feito se nós não pudéssemos contar com a qualidade técnica do fundador da empresa. Todo negócio para dar certo precisa de um especialista”, explica. A Arauclin atua junto às empresas públicas e privadas, elaborando, implantando e acompanhando através de profissionais habilitados, programas como os de Saúde Ocupacional; Prevenção de Riscos Ambientais; Levantamento Ambiental; Análise Ergonômica do Trabalho; Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; Perfil Profissional gráfico Previdenciário; Laudos de Periculosidade e Insalubridade, entre outros. A Arauclin tem 1.205 contratos com empresas da região de Araucária e atende 38.326 trabalhadores. É uma das únicas clínicas do Brasil

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que consegue fazer todos os tipos de exames num só dia e no mesmo local.

Qual a melhor alternativa? A reorganização societária pode ocorrer sob a forma de fusão, incorporação e cisão. Também pode acontecer de outras maneiras, como por exemplo, em participações acionárias de uma empresa em outras, o que, com certeza, facilita a negociação entre as empresas. Tais processos podem ser simples ou extremamente complexos, podendo envolver valores e operações de pequena, média ou grande monta, e para que se alcance o objetivo almejado devem ser considerados os aspectos operacionais e financeiros da sociedade resultante, inclusive a necessidade de injeção de novos recursos por parte dos proprietários. Além disso, antes de serem tomadas quaisquer atitudes, o empresário deve atentar para os reflexos tributários das operações, tanto do ponto de vista da sociedade como dos proprietários e ainda demais interesses por parte da sociedade e dos seus proprie-

No caso de cisão total, com extinção da sociedade, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da sociedade cindida sucederão a esta na proporção do patrimônio transferido,

ou seja, sucederá a sociedade cindida nos direitos e obrigações referentes àquela determinada porção de patrimônio que foi transferida. Na hipótese de cisão parcial a situação é similar, devendo-se ressaltar, entretanto, que a sociedade cindida permanece existindo. Desta forma, a sucessão de direitos e obrigações, logicamente, só se dará quanto à parcela de patrimônio que foi transferida à outra sociedade. Para o advogado tributarista, Dalmo Branquinho, qualquer que seja a operação de reorganização societária escolhida pela empresa, o melhor a ser feito antes de qualquer atitude, é fazer um amplo estudo de viabilidade, administrativa e jurídica, para que a empresa possa obter os resultados almejados sem grandes preocupações.

Para saber mais, leia: “Fusões e Aquisições - Aspectos Fiscais e Societários”, de Ian Muniz e Adriano Castello Branco; e “Garantindo o Sucesso em Fusões e Aquisições - Quatro decisões-chave para a sua próxima negociação”, de David Harding.

tários, seja pela diminuição da carga tributária, ou simplesmente para aumentar a corporação para conquistar novos mercados. A fusão é a união de duas ou mais companhias que se extinguem formando uma nova e única grande empresa, que as sucede em direitos e obrigações, e está descrita na Lei nº 6.404/76 no art. 228. Na fusão de empresas, o controle administrativo fica ao encargo da empresa que se apresentar maior ou da mais próspera delas. Esse tipo de associação permite reduções de custos, mas pode levar a práticas restritivas ou monopolistas no mercado. Assim como a fusão, a incorporação de sociedades comerciais também possui uma definição legal. O artigo 227 da Lei 6.404 define a incorporação como “a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações”. Na hipótese de incorporação, desaparecem as sociedades incorporadas, em contraposição à sociedade incorporadora que permanece inalterada em termos de

A entrada de novos sócios, por exemplo, permite que a empresa adote novas posturas administrativas, tornando-se cada vez mais competitiva

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Neuroliderança

Conexões cerebrais e

negócios

Especialista explica que é possível treinar o cérebro para tomar decisões mais assertivas nas empresas

Para Néstor Braidot, é possível treinar o cérebro a fazer novas associações, simplesmente imaginando situações

Por Juliana Dotto

da Neuroliderança, descobre-se uma nova era: das habilidades interiores. “As descobertas sobre o funcionamento do cérebro abrem novos caminhos para entender o comportamento humano. Hoje, o paradigma de que existem fórmulas para o sucesso deu lugar à busca de respostas dentro de cada um. É olhar mais do que ver, escutar mais do que ouvir e perceber que a racionalidade não é somente lógica”, explica.

Foto: Nilton Rolim

Apesar do conceito não parecer tão simples, Braidot propõe uma breve análise que justifica a racionalidade. “Por que quando estamos em busca de alguma solução em nossos negócios as respostas parecem tão difíceis de serem encontradas e, de repente, você vai dormir pensando naquele problema e acorda com uma boa ideia de solução? Isso quer dizer que o seu inconsciente trabalhou por você associando à parte lógica que já estava sendo buscada de maneira consciente.”

Néstor Braidot, especialista Assim como qualquer treinamento físico, é possível realizar-se um treinamento mental. A afirmação é do especialista em Neurociência Aplicada aos Negócios, o argentino Néstor Braidot, um dos conferencistas do encontro internacional do Líder Mulher - Programa Internacional para a Formação de Lideranças, realizado pelo Sebrae/PR em Foz do Iguaçu, em junho passado. “A investigação dos processos cerebrais, estudados na Medicina, pode trazer grandes benefícios aos gestores em qualquer área de negócio. Entender

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como o cérebro responde a determinados estímulos ajuda na tomada de decisão e no exercício pleno da liderança”, orienta Braidot, doutor em Ciências da Administração, pioneiro em aplicar a Neurociência em atividades organizacionais, liderança, educação e aprendizagem. Segundo o especialista, que atualmente aprofunda seus estudos nos campos da Neurobiologia e Neurociência Cognitiva, na Universidad Autónoma de Barcelona, na Espanha, ao analisar os processos cerebrais, sob a ótica

harmônica e equilibrada, complementando suas funções. E é por isso que para ser bem-sucedido não se pode aplicar fórmulas prontas, mas buscar as respostas dentro de si”, afirma. “O cérebro funciona por meio das sinapses, que são as respostas aos estímulos que damos a ele. Essas são as ferramentas do novo milênio: integração da inteligência emocional e inteligência social, analisadas a partir das reações de cada indivíduo”, explica o especialista. Assim, reforça Braidot, o autoconhecimento permite que cada pessoa busque desenvolver todo o seu potencial. “Uma pessoa surpreendida pela sua capacidade de raciocínio abstrato, linguagem e outras funções consideradas como parte do intelecto base, não pode exercer papéis de liderança eficazes se não se conhece ou não é capaz de liderar suas emoções, orientando-as positivamente.”

Feminino x masculino

Ainda de acordo com Braidot, muitas vezes é a própria razão que afasta o empresário da decisão mais adequada para o seu problema. “Quando pensamos em resolver problemas, estimulamos a racionalidade, que fica no lado esquerdo do nosso cérebro. Tentamos buscar, com base na lógica, os processos que conhecemos de forma consciente e, assim, a razão pode acabar bloqueando a criatividade, a intuição, que fica no outro hemisfério cerebral”, diz.

Para Braidot, não existe comportamento melhor ou pior, quando se compara o de homens e mulheres. “O que existem, segundo pesquisas no campo da Neurociência, são conexões ou sinapses diferentes”, declara o especialista. “O cérebro da mulher está melhor estruturado para a empatia, uma das condições imprescindíveis para liderar; já o masculino é mais eficiente para pensamentos lineares e sistêmicos.”

Entretanto, a melhor das soluções vai estar na junção entre a razão e emoção, e para que isso aconteça, é preciso o estímulo certo. “A Neurociência explica que, para o pleno desenvolvimento da inteligência aplicada à tomada de decisões, a auto-observação, o raciocínio e as emoções devem atuar de maneira

Outras das características estudadas pelo especialista mostram que o cérebro feminino tem maior capacidade de utilizar vários sentidos ao mesmo tempo ou processar grande quantidade de informação, sem se desconcentrar. Em contrapartida, o cérebro masculino se mostra superior em desenvolver áreas

visuais e percepção espacial dos objetos. Entretanto, no caso de tarefas mentais mais complexas, as mulheres tendem a utilizar melhor os dois hemisférios cerebrais (razão e emoção), de forma integrada.

Neuroplasticidade Um dos fenômenos destacados pelo especialista é o da Neuroplasticidade Autodirigida. “É o fenômeno pelo qual a aprendizagem e a experiência modificam continuamente o cérebro. Assim, uma sistemática de Neuroplasticidade Autodirigida é o primeiro passo na construção de um cérebro preparado para enfrentar, com êxito, os desafios inerentes da liderança em nosso tempo.” Braidot aponta que, ao guiar o desenvolvimento cerebral para determinados objetivos, se tem maior possibilidade de êxito. “Assim é possível treinar o cérebro a fazer novas associações cerebrais, simplesmente imaginando situações. O que chamamos de experiência mental”, ressalta. E o caminho para esse treinamento está, conforme o especialista, no foco da atenção. “São três as etapas desse treinamento cerebral. Primeiro é preciso gerar o foco de atenção no objetivo que se deseja atingir. Depois, é necessário concentrar-se nesse foco, o que chamamos de densidade da atenção e, em seguida, promover momentos de entendimento. A partir desse caminho, nosso cérebro já estará preparado, concentrado e produzindo conexões cerebrais novas que, certamente, vão resultar em soluções criativas”, esclarece o especialista. Braidot ilustra que o cérebro não distingue o real do imaginário. Assim, visualizando ou ensaiando uma sequência de fatos antes de fazê-los realmente, o caminho já estará desenhado nas conexões cerebrais e será mais fácil de atingir bons resultados. “O treinamento mental é como o treinamento físico e deve ser feito na mesma, senão, em maior medida. Dessa forma, dizemos que o cérebro humano é plástico e muda de acordo com o que propomos a ele, nunca voltando a um formato anterior, mas atrofiando, caso não haja o estímulo necessário.”

Estimule seu cérebro Sempre que possível, promova exercícios de indução para o relaxamento,

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antes de tomar uma importante decisão, aconselha o especialista argentino. Nesse sentido, Braidot dá a dica para que as sinapses entre os dois hemisférios cerebrais ocorram e gerem a possibilidade do inconsciente se manifestar.

“Pare por alguns minutos, feche os olhos e imagine-se em um ambiente agradável. Concentre-se em sua respiração e pouco a pouco vá sentindo cada uma das partes do seu corpo relaxando: ombros, pés, mãos, cabelos e até os órgãos internos. Ainda atento à sua respiração, comece a sentir o ambiente em que buscou no seu imaginário: os sons, os aromas, as cores, gosto e textura das coisas ao seu redor.” “Nesse lugar ideal, escolhido pela sua imaginação, desenhe uma tela e comece a traçar ideias sobre os assuntos que vierem à mente. Foque cada vez mais a atenção nessa tela e deixe que as ideias surjam naturalmente. Pouco a pouco, você estará desenhando as respostas enviadas pelas conexões conjuntas entre o lado racional e emocional de seu cérebro”, complementa.

Para conhecer mais as ideias de Néstor Braidot, leia os livros, em espanhol, do autor argentino: Neuromarketing - 1ª edição Outubro, 2009 - Ediciones Gestión; Neuromanagement - 2ª edição Novembro, 2008 - Granica Editor; Neuromarketing, Neuroeconomía y Negócios - 2ª Edição - Agosto, 2005 Puerto Norte-Sur; Marketing Total - 7ª Edição Julho, 1996 Macchi.

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Novos Nichos

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oportunidades Especialistas em empreendedorismo ensinam como identificar oportunidades de negócios e como bem administrá-las

Foto: La Imagen

Olhos bem abertos para

Por Maigue Gueths

Lala Organ e Anauila Timoteo, empresárias

Sabe onde eu posso comprar isso? Você tem ideia do que dou de presente para Fulano? O que é que eu compro de casamento para beltrana? Você conhece uma lavanderia que lave esse tipo de tecido? E tal restaurante, já foi? A administradora de empresas e funcionária pública Lala Organ não entendia o porquê, mas se sentia como se fosse “um centro de informações” para amigos e colegas de trabalho, que sempre corriam atrás dela com perguntas desse tipo. As interrogações lhe apontaram algumas constatações. Além de ela ser vista como uma pessoa antenada, as pessoas a sua volta passavam o dia absorvidas no trabalho e tinham cada vez menos tempo para resolver pequenas coisas do cotidiano. Foi o que Lala precisava para fazer brotar a ideia de implantar, em Curitiba, um pequeno negócio, inspirado em iniciativas consolidadas no exterior e que já tem exemplos na capital paulista. Com a proposta na cabeça, convidou a amiga, a engenheira civil Anauila Timoteo, para ser sua sócia e as duas abriram a Mr. Time.

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Com o mote “Nós fazemos o que você não tem tempo de fazer”, desde janeiro, a empresa presta serviços como “organizador pessoal”. Isso significa que as moças cumprem desde pequenas tarefas, como escolher um presente, fazer compras em supermercados, procurar profissionais e lojas especializadas a trabalhos mais complexos como organizar residências, armários, arrumar a casa para recém-casados ou em mudanças. Nesse caso, a tarefa inclui até contatar e receber prestadores de serviço, da companhia telefônica, de tevê a cabo, internet, encanador, eletricista, entre outros.

É preciso estar sempre muito atento às coisas novas, observar o comportamento das pessoas e suas mudanças de hábito

Uma grande vantagem do empreendimento foi o baixíssimo investimento inicial. Para fazer o negócio andar, foi preciso criar uma logomarca e um site. As duas também fizeram cursos de organização de residências e de negócios junto à “Oz! Organize a sua vida”. O curso, segundo Lala, foi importante para aprenderem questões técnicas, como fazer um orçamento, como buscar parceiros, como fazer um contrato.

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Foto: La Imagen

vro “Tchau Patrão!”. Em artigo, ele resume que “oportunidade deriva de oportuno”, cuja origem no latim significa “tempo certo”. Um bom exemplo de senso de oportunidade, segundo Casagrande, é o Yogofrutti, empresa que criou um sorvete feito a partir da combinação de iogurte natural e frutas, produto natural e pouco calórico, que tem feito o maior sucesso entre os jovens. ”Alguém viu que faltava no mercado um sorvete mais leve e fez um produto saboroso e atraente”, diz. Ou seja, além da percepção da oportunidade, é preciso criatividade e técnica para transformá-la em algo que venha satisfazer a demanda do mercado.

Renato Casagrande, professor e especialista Outro ponto forte para a busca dos primeiros clientes foram seus muitos contatos em imobiliárias e junto a setores afins com o novo negócio.

o empreendedorismo por oportunidade aumentou no País, chegando a 9,4% da população adulta contra 8% em 2008.

Para montar o próprio negócio, Lala conta que não pensou duas vezes na hora de abrir mão da estabilidade que tinha em um emprego público. “Foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida. Descobri que meu perfil não tem nada a ver com funcionaria pública. Gosto de fazer meus horários, meu ritmo de trabalho”, conta, ressaltando que há tempos já pensava em uma alternativa de negócio próprio. “Eu pensava no que fazer, mas não tinha dinheiro para investir. Aí achei o curso e tive a ideia de fazer o que as pessoas não fazem por falta de tempo”, explica.

Criado em 1999, a Pesquisa GEM é o maior estudo independente do mundo sobre a atividade empreendedora. No ano passado, a pesquisa ouviu 180 mil pessoas em todo o mundo, sendo 2 mil no Brasil. No País, a pesquisa é coordenada pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), tendo como parceiros o Sebrae, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Paraná (Senai/PR) e o Serviço Social da Indústria no Paraná (Sesi/PR).

A Mr. Time é um exemplo perfeito de um tipo de empreendimento que vem ganhando espaço no Brasil: o empreendedorismo por oportunidade. Segundo a pesquisa Global Entrepreunership Monitor (GEM), realizada em 54 países com objetivo de medir o nível de empreendedorismo no mundo,

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A GEM mostrou que, no ano passado, o número de empreendedores cresceu quase 30% no Brasil. Em 2009, 15,3% da população adulta - contra 12% em 2008 - tinha algum empreendimento. Ou seja, 15 em cada 100 brasileiros adultos tinham seu próprio negócio. Desses, 9,45% por oportunidade e 5,9% por necessidade. A boa notícia da história é que isso significa que a qualidade dos negócios também

aumentou, pois, segundo o levantamento, os negócios formados por oportunidade têm mais chances de crescer do que os negócios tocados por necessidade. Mas, afinal, como identificar uma oportunidade para abrir um negócio? “É preciso estar atento às coisas novas, observar o comportamento das pessoas, suas mudanças de hábito, porque são elas que vão demandar novos negócios”, responde o professor Renato Casagrande, pró-reitor de graduação da Universidade Positivo, mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e coach com certificação internacional. De acordo com Casagrande, essa observação deve acontecer em tempo integral, quando se viaja, dentro do próprio bairro, nas férias, com um olhar atento na hora de ler um livro ou ver um filme. Enfim, qualquer situação pode mostrar uma oportunidade. Mesmo raciocínio segue o empresário e professor Edewr Bolson, autor do li-

Para Luciano Salamacha, professor de Estratégias de Empresas e de Planos e Negócios da FGV, a oportunidade surge de nosso comportamento como consumidor. “Normalmente, o empreendedor inicia um negócio porque descobre uma necessidade ou desejo insatisfeito. Se eu vou a um restaurante e sou mal atendido, logo penso que podia abrir um e agregar valor com bom atendimento. Ou seja, essa situação de não ter meu desejo atendido, gera uma insatisfação que pode virar um empreendimento”, afirma. Dentro dos estudos de inovações tecnológicas, explica Salamacha, há duas correntes: a Sciense Push ou “empurrado pela ciência”, que consiste em alguém desenvolver um produto que vai gerar uma demanda; e a Market Pull, ou seja, “puxado pelo mercado”, que define a criação de um produto que já tem demanda no mercado. O Market Pull, segundo ele, é a forma mais presente no empreendedorismo de oportunidatde, pois vem a partir da demanda do consumidor. “Isso mostra que o empreendimento é mais resultado da percepção e criatividade do que de técnica”, diz, explicando que antigamente as pessoas tinham a percepção de oportunidades, mas não tinham técnicas para desenvolverem suas ideias. Mas também de nada adianta ter-se a técnica, sem percepção da oportunidade. “É igual a dar um carro para um motorista competente. Se ele não souber aonde ir, não adianta nada”, diz o professor da FGV. À medida em que os dois conceitos (percepção e técnica) começaram a andar junto, segundo

ele, aumentou também a taxa de sobrevida das empresas. Esse fato, segundo ele, é comprovado pela GEM, que mostrou um grande número de empreendimentos novos no Brasil: 15,3% dos empreendedores brasileiros, o equivalente a 18,8 milhões de pessoas, têm empresas que surgiram nos últimos três anos e meio. “Essas pessoas tinham percepção, mas por falta de técnica não exploravam”, diz. Renato Casagrande ressalta, ainda, que o empreendedor precisa ter relação com o negócio. “É preciso ver se eu tenho aderência à área, ou seja, se as pessoas com quem convivo têm afinidade com o negócio, se elas vão abrir portas para mim, ver se meu nome vai atrair clientes. Não adianta ter uma oportunidade se estiver distante de sua identidade. A identidade tem que estar antenada com a oportunidade”, diz. Para abrir um negócio, ensina Casagrande, o empreendedor deve, primeiro, responder três perguntas: Sei conviver bem com a solidão? Sei conviver em ambientes instáveis? Tenho alguma relação com o negócio? São respostas, segundo ele, essenciais para o futuro do empreendimento.

Normalmente, a oportunidade nasce quando um empreendedor inicia um negócio porque descobre uma necessidade ou desejo insatisfeito

Saiba mais, acessando: www.administradores.com.br/ informe-se/artigos Escreva a palavra oportunidades no campo de procura. Livros sobre o tema: “Tchau Patrão!”, de Eder Bolson Editora SENAC; “O Voo do Camaleão”, de J.Caetano M. N Editora Scortecci; “Boa ideia! E agora? Plano de negócio”, de Fernando Dolabela - Editora de Cultura; “Empreender fazendo a diferença”, de Michael Gerber - Editora Fundamento; “Espírito empreendedor nas organizações”, de Marcos Hashimoto - Saraiva; “O mito do empreendedor: como fazer de seu empreendimento um negócio bem- sucedido”, de Michael Gerber - Saraiva; “Sua Vida em Primeiro Lugar”, de Cheryl Richardson - Editora Sextante. Sobre organizador pessoal, acesse o site da Oz! Organize a sua Vida, no: www.organizesuavida.com.br/si/ site/0000

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Recuperação A dificuldade para encontrar mão de obra especializada e para manter os funcionários na empresa, depois de ter investido tempo e dinheiro em sua qualificação, levou duas empresárias a perderem o medo, entrarem em uma penitenciária, na Grande Curitiba, e buscarem, ali, os empregados que necessitavam para a fabricação de seus produtos.

Empreendedorismo

‘ressocializante’

A empresa a usar esse tipo de serviço, quase pioneiro entre o empresariado paranaense, é a Tick Tack Toe Artigos de Vestuário, também conhecida pelo seu nome fantasia “Fazendo Arte”, fabricante de malas, bolsas e frasqueiras, direcionadas para a maternidade, ou seja, para serem usadas por futuras mamães na hora de levar o enxoval para a maternidade e, posteriormente, no dia a dia, para carregar fraldas, roupas e outros utensílios do bebê.

Empresários de micro e pequenas empresas dão exemplo ao contratarem mão de obra de presos, no Paraná Por Maigue Gueths

Sueli lembra, no entanto, que, desde o começo, elas fizeram questão de ter um produto diferenciado e de qualidade. Outra vantagem, para o início da nova carreira, eram os contatos junto ao segmento infantil que ela trouxe do antigo emprego. Em cinco meses, a sede da empresa já era pequena para atender a produção. Mudaramse duas vezes e, desde 2007, ocupam um barracão de mais de 300 metros quadrados no CEP - Centro Empresarial Portão. O CEP ocupa as instalações da antiga fábrica de móveis Guelmann, no bairro Novo Mundo, espaço que abriga cerca de 35 barracões de diferentes empresas.

Empresárias de Curitiba buscaram no sistema prisional a solução para seus problemas com a falta de mão de obra

A Tick Tack Toe conta, hoje, com representantes comerciais em vários es-

Foto: La Imagen

As empresárias Edilene Cristina Mazetto e Sueli Herman, há cinco anos, decidiram largar seus empregos para abrirem um negócio próprio. “Tínhamos vontade de empreender, vimos que esse era um segmento que poderia dar certo, mas não tínhamos capital

financeiro”, relembra Edilene. A Tick Tack Toe começou modesta, com uma máquina de corte de material de segunda mão em uma sala alugada de 30 metros quadrados. “Nós duas fazíamos tudo. A gente cortava, costurava, embalava, entregava. Pegávamos caixas de papelão na rua para colocar a mercadoria”, conta Edilene.

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Sueli Herman e Edilene Cristina Mazetto, empresárias

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Foto: La Imagen

dade que elas queriam. “Nós temos um padrão de qualidade e eles pegaram isso rápido”, diz. Atualmente, cinco presos trabalham para a empresa em jornada de 8 horas. Juntos, produzem 30 peças por dia. A quantidade ainda é bem menor em comparação com costureiras mais experientes da fábrica, que chegam a produzir 25 peças cada uma por dia, mas a meta é que, com mais prática, cheguem a 100 peças diárias. As empresárias Sueli e Edilene também pretendem dobrar o canteiro, chegando a dez presos até o final do ano.

Profissionalização do preso

Adriana Kalinowski, consultora

tados, participa de feiras nacionais do segmento infantil, tem dez funcionárias contratadas mais 30 costureiras que trabalham por conta, fora da empresa, e comercializa aproximadamente 5 mil peças por mês em praticamente todo o País. Não à toa, a Tick Tack Toe foi uma das dez pequenas confecções de Curitiba a receber o “Prêmio Empresa Destaque 2009”, um reconhecimento às empresas que alcançaram os melhores índices de desempenho durante o Programa de Competitividade do Vestuário do Sebrae/PR. As empresárias já pensam até em aumentar as instalações e alugar mais um barracão do CEP.

Foi dentro desse cenário de crescimento e consolidação que, em janeiro deste ano, elas decidiram conhecer os programas de trabalho com presos, realizado dentro do sistema penitenciário paranaense. “Além da dificuldade em encontrar mão de obra capacitada, sempre havia problema com funcionários, como costureiras que faltavam muito, empregados que saíam depois de serem treinados, obrigando a gente a começar tudo de novo. Foi então que ficamos sabendo dessa possibilidade”, conta Sueli. Em contato com a Secretaria de Justiça do Paraná, as empresárias foram encaminhadas para a Divisão de Ocupação e de Produção (DIPRO) do De-

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partamento Penitenciário (DEPEN), órgão responsável pela implantação e implementação dos canteiros de trabalho dentro das unidades penais no Estado. Foi a DIPRO que decidiu, por exemplo, que a melhor unidade para instalação do canteiro de trabalho da empresa seria no Centro de Detenção e Ressocialização de Piraquara (CDRP), na Região Metropolitana de Curitiba. O CDRP é uma unidade penal de regime fechado e de segurança máxima, para presos condenados, com capacidade para 928 detentos. De acordo com Sueli, entre janeiro e março, foram feitas conversações com a DIPRO para definir os termos do contrato, como o número de presos a trabalhar, perfil e jornada de trabalho. Nesse tempo, a empresa também tratou de reunir a papelada exigida. “A documentação é grande, eles pedem todo tipo de certidão. A empresa tem que estar extremamente correta”, assinala a empresária. Nas conversas, Sueli ficou sabendo que muitos presos já tinham curso de costura pelo Serviço Nacional da Indústria (Senai) e que só precisariam aprender as particularidades da empresa. Em março, a Tick Tack Toe comprou as máquinas e, durante um mês, os detentos passaram por treinamento. Segundo Edilene, eles aprenderam a cortar e fazer o produto com a quali-

O diretor geral do DEPEN, Cezinando Paredes, garante que tanto a empresa, como os presos, como a sociedade ganham com esses contratos. Para a empresa, o maior ganho é financeiro, uma vez que há sensível redução nos custos de mão de obra, além de minimização da ocorrência de faltas. Esses tipos de contratos não estabelecem vínculo empregatício com os presos. Com isso, a empresa fica livre de pagar benefícios trabalhistas, como o 13º salário, férias e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Em contrapartida, a empresa deve formar e qualificar a mão de obra utilizada. Esse é um dos pontos positivos para o preso. O detento ganha ao se profissionalizar, receber salário e na remição da pena. De acordo com a Lei de Execução Penal nº 7.210, de 11 de julho de 1984, que rege o trabalho no sistema penal, a cada três dias de trabalho, o preso ganha um dia de redução da pena. “Se o preso trabalhar 300 dias são 100 dias a menos de pena. Ou seja, se trabalhar três anos, é um ano de pena que diminui”, diz Paredes.

Sobre o pagamento da empresa ao detento, o contrato estabelece que o preso receberá 75% do valor do salário mínimo. Dependendo do tamanho da empresa, ela pagará ainda entre 12% a 25% do salário ao DEPEN, como taxa de ocupação. Do valor recebido pelo preso, 20% são destinados aos familiares e os outros 80% são depositados em uma conta poupança, que só será liberada pelo banco quando ele for colocado em liberdade.

Para ter uma ideia da redução de custos, basta ver o caso da Tick Tack Toe. Uma costureira contratada custa para empresa cerca de R$ 1,4 mil ao mês, incluindo encargos financeiros, bem acima dos R$ 510 pagos pelo trabalho de um preso. Para a sociedade, segundo o DEPEN, os benefícios podem ser traduzidos na perspectiva de melhor ressocialização do preso e na prevenção à reincidência, bem como na diminuição dos custos com a manutenção das unidades prisionais e das tensões comuns em ambientes carcerários.

Espaço a conquistar Apesar das vantagens citadas por empresas e DEPEN, é ínfimo o número de empresas que mantêm canteiro de trabalho nas penitenciárias do Paraná. Apenas 20% dos cerca de 14 mil presos no Estado são contemplados em algum contrato de trabalho. No CDRP, além da Tick Tack Toe, só mais uma empresa mantém canteiro na unidade. Na Penitenciária Central do Estado (PCE), que tem 1,4 mil presos, só duas empresas estão no local, uma fábrica de material esportivo e uma do setor de vestuário. A melhor situação acontece na Penitenciária Feminina do Paraná, onde há contratos com seis empresas - de montagem de componentes elétricos e eletrônicos, confecção, produtos médicos e odontológicos -, envolvendo 90% das 350 presas.

Segundo Paredes, além dos canteiros mantidos pela iniciativa privada, há as frentes de trabalho próprias do sistema prisional paranaense, com atividades que buscam sua autonomia, como a fábrica de detergentes e de uniformes. “Nossa grande dificuldade tem sido trazer o empresário. As pessoas têm medo de trabalhar dentro das unidades”, diz. O receio maior, segundo ele, é de perda de prazos de contratos e de destruição de maquinários em caso de rebelião. As empresárias da Tick Tack Toe, que fazem parte do Polo Tecnológico da Indústria da Moda e Têxtil Curitiba e Região Metropolitana (Polo Tecmoda), acreditam que esse medo não tem muita razão de ser. Tanto que, informalmente, segundo elas, alguns empresários que fazem parte do Polo já cogitam uma alternativa à falta de mão de obra

especializada: capacitar presos e instalar um barracão inteiro em uma penitenciária com uma linha completa de confecção. Outra ideia das empresárias é estender seu canteiro para o regime semiaberto, de modo a garantir que presos já treinados, ao mudar do regime fechado para semiaberto, continuem a trabalhar com a empresa.

Responsabilidade Para Adriana Kalinowski, consultora do Sebrae/PR e gestora do Programa de Competitividade do Vestuário, a iniciativa das empresárias da Tick Tack Toe é um exemplo para os demais empresários do setor de Curitiba e Região que têm dificuldades em contratar e manter mão de obra especializada. “Em vez de reclamarem, Edilene e Sueli inovaram, pois gestão de pessoas é um grande desafio em qualquer empresa. Elas encontraram uma nova solução para esse problema frequente da indústria de confecção, além de ressocializar detentos, preparando-os para a reinserção no mercado de trabalho, após cumprirem suas penas. Isso é uma importante ação de responsabilidade social, um dos pilares da competitividade empresarial.” (Colaborou nesta reportagem o jornalista Leandro Donatti).

De acordo com a Lei de Execução Penal nº 7.210, de 1984, a cada três dias de trabalho, o preso ganha um dia de redução da pena

Para saber mais sobre o tema, leia o artigo “Responsabilidade Social: uma experiência entre uma empresa privada e a penitenciária estadual de Maringá”, de Izilda da Silva Alves, que aborda o trabalho de “lixamento de jeans”, com presos. O artigo está disponível no endereço www.depen.pr.gov.br/arquivos/File/ Responsabilidade%20Social%20de%20 Empresa%20_Trabalho%20Izilda_.pdf Leia também “Responsabilidade social corporativa para quem?”, de F. T. B. S. Corrêa e J.R. Medeiros, disponível em www.ethos.org.br/docs/comunidade. academica/premioethosvalor O livro “Empresas na sociedade: sustentabilidade e responsabilidade social”, de José A. P. Oliveira - Rio de Janeiro: Campus/ Elsevier, de 2008, também é uma boa opção.

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Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Foto: Luiz Costa/ La Imagen

Pedigree

Certificações ajudam a ganhar mercado Pequenas empresas buscam selos, títulos e certificados garantindo qualidade, procedência e respeito às normas Por Adriana Bonn

Gerson Raska, empresário

Mais do que uma ‘onda’ passageira, o consumo de produtos sustentáveis se tornou uma tendência crescente nos últimos anos em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Considerando essa realidade irreversível, muitos setores vêm participando desse contexto, oferecendo, ao consumidor consciente, produtos certificados que exibem selos e garantem qualidade, procedência e respeito às normas de produção, ambientais e trabalhistas. No Brasil, os setores da construção civil, tecnologia da informação (TI) e agronegócio se destacam na corrida para identificar determinadas qualidades de seus produtos ou processos e para mostrar ao consumidor esses diferenciais. A ideia é que, com as certificações, os produtores possam ampliar a fidelização de compradores e atrair novos negócios. Para a indústria de artefatos de cerâmica, um importante diferencial é o Programa Setorial de Qualidade (PSQ), desenvolvido pela Associação Nacional da Indústria Cerâmica (ANI-

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CER). Dividido em três níveis, o PSQ não certifica, mas abre as portas para as empresas buscarem selos em órgãos credenciados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). Roberta Monteiro de Mello, coordenadora do Organismo de Certificação de Produtos (OCP) do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial em São Paulo (Senai/SP), instalado em São Bernardo do Campo e um dos órgãos acreditados pelo INMETRO, diz que a certificação faz com que os processos de industrialização sigam um padrão de normas técnicas que asseguram a qualidade dos produtos em nível nacional. Para a coordenadora, o avanço da construção civil no País tem contribuído, nos últimos dois anos, para a valorização das certificações.“Muitas construtoras e financiadoras, como a Caixa Econômica Federal, já reconhecem a importância e estão exigindo a certificação dos fabricantes dos produtos usados na construção civil”, diz.

Para participar de um processo de certificação, as empresas precisam cumprir rígidas etapas que vão desde a análise de documentação da empresa; auditoria de concessão e primeira amostragem de produtos - que avalia o sistema do fabricante e o produto através de ensaios em laboratórios também acreditados pelo INMETRO -; até a análise dos resultados dos ensaios. Só depois de todas as etapas cumpridas é que se emite o certificado, com assinatura do compromisso de manutenção da certificação e da realização periódica de amostragens no mercado.

Construindo o Futuro Para garantir a qualidade dos produtos oferecidos pelas indústrias cerâmicas do Estado, o Sebrae/PR, o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon/PR), o Senai/ PR e Sindicato das Indústrias de Olarias e Cerâmicas para Construção no Paraná (SINDICER/PR) desenvolvem, há três anos, o Projeto Construindo o Futuro.

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O projeto é oferecido por meio de aulas teóricas e avaliações de produtos para melhoria de processos e atendimento de todas as exigências que credenciam as empresas a receberem certificação. Na primeira fase, os participantes aprendem sobre a preparação de massa e sobre secagem e queima dos artefatos. A segunda etapa consiste na implantação do PSQ.

 certificação faz com A que os processos de industrialização tenham excelência e sigam normas técnicas

Participante do Construindo o Futuro, desde que o projeto foi implantado, a Cerâmica São Pedro, instalada no bairro Caximba, em Curitiba, foi a primeira empresa a participar dos testes para obter a certificação e receber o PSQ, em junho deste ano. O resultado superou as expectativas. Depois de três anos participando do Projeto Construindo o Futuro e há oito meses tendo seus produtos sendo analisados em laboratório, os empresários Gerson Raksa e Denise Aparecida Raska receberam a certificação que atesta a qualidade dos blocos cerâmicos que fabricam.

De acordo com o consultor do Sebrae/PR em Curitiba e gestor do Projeto Construindo o Futuro, Pedro Cesar Rychuv Santos, as certificações proporcionam um diferencial para a construção civil como um todo. “A certificação faz com que os processos de industrialização tenham excelência e sigam um padrão de normas técnicas que asseguram a qualidade em nível nacional”, explica o consultor.

Com a certificação e bom preço, Raska espera aumentar as vendas e fidelizar novos clientes. Para obter a PSQ, o empresário investiu R$ 3 milhões na compra de novos equipamentos, valor que ele espera recuperar num prazo de dez anos. “Futuramente as construtoras serão obrigadas a usarem apenas produtos certificados e estarei preparado para participar deste mercado”, diz.

Pedro Cesar Rychuv Santos afirma que o processo teve longa duração e incluiu a avaliação dos produtos em laboratórios. “As aulas e as avaliações demoraram cerca de três anos para a finalização e as exigências são muitas. A qualidade é um quesito indispensável, para ser competitivo nesse mercado. O Projeto Construindo o Futuro é uma excelente oportunidade para os empresários que acreditam na melhoria dos processos”, assinala.

Raska acredita que a certificação representa o esforço e a busca pela qualidade que sempre foi o foco da Cerâmica São Pedro, que hoje gera 22 empregos diretos. “Há 47 anos, quando meu pai inaugurou a empresa, não existia energia elétrica e as máquinas que faziam os tijolos eram movidas por dois cavalos. Depois usamos motor a

Café responsável No setor agrícola nacional, os orgânicos surfam numa ‘onda’ que atrai cada vez mais consumidores preocupados com a saúde e com a preservação do meio ambiente, mas é a cadeia produtiva do café que lidera com as certificações socioambientais. Foto: Videographic

Para o empresário, a certificação PSQ garante credibilidade no mercado e atesta que seus produtos possuem qualidade e seguem as normas do INMETRO.

diesel até que a luz chegou na década de 1970”, conta.

Raska conta que a maior dificuldade foi criar um padrão. “Trabalhávamos com quatro tipos de argila e isso dificultava a qualidade final dos produtos. Hoje trabalhamos com apenas um tipo de argila que tem ainda o diferencial de descansar por dois anos, o que ninguém do setor faz”, conta. O descanso faz com que a argila perca a umidade, o que resulta em produtos mais resistentes e uniformes.

Cafés especiais produzidos no norte pioneiro do Paraná

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Mais do que fidelizar consumidores, as certificações são importantes para melhorar a gestão dos negócios, diz o presidente da Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (ACENPP), Luiz Fernando de Andrade Leite. Para ele, a venda do café certificado é apenas um detalhe. “O maior benefício trazido por uma certificação é a eliminação do modelo tupiniquim de gestão, que imperava no setor, o que transforma as propriedades rurais em empresas rurais.” Em dois anos e meio de fundação, a ACENPP trabalha para colocar os cafés especiais produzidos no Paraná entre os melhores do Brasil, o maior produtor do grão e o segundo maior consumidor em todo o mundo. Com 103 filiados, a associação ajudou produtores paranaenses a alcançarem, no ano passado, o Código Comum para a Comunidade Cafeeira, programa mundial do café sustentável denominado 4C, que entrou em vigor em

2007, para aumentar as práticas mundiais de sustentabilidade na cafeicultura. As principais exigências do Código é a ausência de práticas de mão de obra escrava e infantil e a preservação do meio ambiente.

Luiz Leite conta que, em breve, a associação terá três grandes propriedades auditadas com a UTZ Certified, programa mundial de certificação para a produção e o fornecimento de café responsável. O programa oferece segurança para toda a cadeia de café e responde basicamente a duas questões: qual a origem e de que forma o grão foi produzido. Para serem certificados pela UTZ Certified os produtores de café precisam rigorosamente atender a um código de conduta que define padrões para a manutenção de registros, uso minimizado e documentado de defensivos agrícolas para a proteção da lavoura, proteção de direitos trabalhistas e acesso à assistência e educação para os empregados e seus familiares. Atualmente, a ACENPP participa da vistoria de outras 30 propriedades que deverão ser certificadas em 2011, mas a entidade já faz planos para buscar outros selos, principalmente ambientais e voltados para os produtores familiares. Para Luiz Leite, a produção de cafés certificados é um mercado aberto e vantajoso. Ele calcula que os cafés com certificação UTZ chegam a agregar até R$ 100,00 em cada saca vendida no mercado externo, que exige controles mais rígidos de produção. No ano passado, os associados da ACENPP faturaram R$ 360,00 a saca do café cereja descascado. No Paraná, esse mesmo grão foi comercializado no mesmo período a R$ 260,00.

Mais que fidelizar consumidores, as certificações são importantes para melhorar a gestão dos negócios, independente de seu porte

Desde que alcançaram as primeiras certificações, há nove meses, os filiados da ACENPP exportaram 7 mil sacas de café, mas com mais parcerias, eles esperam tornar as vendas maiores e mais constantes. “O fato de os cafeicultores estarem organizados numa associação, dedicarem-se à produção de cafés especiais e demonstrarem interesse em tornar a cafeicultura uma atividade cada vez mais profissional e rentável gera credibilidade no mercado e atrai excelen-

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Foto: Luiz Costa/ La Imagen

Para participar de um processo de certificação, as empresas precisam cumprir rígidas etapas

Odemir Capello, consultor

tes oportunidades”, destaca o consultor do Sebrae/PR em Jacarezinho e gestor do Programa Cafés Especiais do Norte Pioneiro, Odemir Capello. O consultor do Sebrae/PR lembra que a entidade também auxilia os cafeicultores interessados em obter a certificação e conta que o objetivo da conquista da certificação UTZ é atestar a qualidade do café produzido, melhorar os processos produtivos e adicionar mais valor à produção. “Realizaremos diagnóstico personalizado em cada uma das propriedades do grupo interessado em obter a certificação UTZ. Após essa etapa, é desenvolvido um plano de ação individual com as indicações de melhorias, a fim de facilitar o processo de verificação e auditorias necessárias para a concessão da certificação”, detalha Odemir Capello. Paralelamente às etapas necessárias para a obtenção da UTZ Certified, o Sebrae/PR em Jacarezinho promove um programa para capacitar cafeicultores do norte pioneiro na gestão de suas propriedades e dis- ponibiliza consultores especializados para ajudálos a implantar os conhecimentos aprendidos.

Certificações tecnológicas Em expansão, o mercado consumidor de softwares e de serviços de tecnolo-

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gia da informação também vem exigindo dos fornecedores garantias de desempenho e qualidade e que atestam o uso das melhores práticas. Entre as principais certificações do setor está a Capability Maturity Model Integration (CMMI), a Melhoria de Processos do Software Brasileiro (MPS-BR), versão brasileira do CMMI. No Brasil, a MPS-BR é que tem conquistado cada vez mais seguidores, tanto que até mesmo o governo federal vem exigindo o selo das empresas que pretendem participar de licitações públicas. Com custo menor do que a CMMI, ela é uma boa alternativa para as empresas de pequeno e médio porte. Hoje, o Paraná possui nove empresas certificadas com o CMMI e cinco com MPS-BR - todas em Curitiba -, o que garante a elas as condições necessárias para competir no mercado internacional. Em 2008, apenas uma empresa possuía a certificação. Existem ainda empresas de diversos municípios do Paraná em processo de certificação. O CMMI é um conjunto de práticas de gerenciamento de projetos e de melhoria de qualidade ligado a processos de desenvolvimento de softwares. O modelo fundamenta-se em cinco níveis, atingidos conforme a empresa vai se adequando e adquirindo maturidade e eficiência.

Rainer Junges, consultor do Sebrae/PR em Curitiba, diz que o aumento no número de certificações nas empresas paranaenses é resultado principalmente de um esforço do Arranjo Produtivo de Software (APL) de Software de Curitiba. “Esse trabalho tem contribuído para tornar Curitiba uma referência em software no mundo”, diz. Para o consultor, além de elevar a competitividade, o associativismo também reduz os custos para se alcançar uma certificação e gera sinergia.

O Paraná está entre os estados que mais se destacam no Brasil na produção de software, junto com São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. As certificações colocam o Estado no mercado dos líderes como a Índia, China, Japão e Estados Unidos. (Colaborou nesta reportagem o jornalista Leandro Donatti).

Para saber mais sobre o tema, acesse o site do INMETRO, no www.inmetro.gov.br. Acesse também os sites do IBD Certificações (www.ibd.com.br) e do NCC Certificações (www.ncc.org.br).

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Boas práticas “O objetivo é profissionalizar a agroindústria do Paraná para que possa, cumprindo as exigências da legislação, ampliar mercados.” É dessa forma que a consultora e coordenadora estadual de Agronegócios do Sebrae/PR, Andreia Claudino, se refere ao Programa de Desenvolvimento para Agroindústrias de Micro e Pequeno Porte. O Programa é a mais nova solução do Sebrae/PR, em parceria com outras entidades e foco em Boas Práticas de Fabricação, destinada à agroindústria familiar paranaense, aos micro e pequenos empreendimentos, associações e cooperativas do segmento de alimentos.

Caminho do

sucesso

Programa prepara produtores, para atenderem exigências da legislação e do mercado

A proposta-piloto está sendo desenvolvida desde 2009, já atende 90 agroindústrias e deve atingir 140 propriedades rurais até o fim de 2010, em todo o Paraná, com meta de triplicar o número em 2011. “Essa é a primeira fase do Programa, que tem como objetivo a implantação das boas práticas de fabricação. Queremos desenvolver empreendimentos, de micro e pequeno porte, que beneficiam e/ou transformam alimentos para sustentabilidade de produção”, diz a coordenadora, ao informar que, com isso, o Sebrae/PR busca capacitar os produtores, a começar pelos familiares, para que ganhem mercado com pro-

Andreia Claudino explica que a primeira fase do Programa de Desenvolvimento para Agroindústrias de Micro e Pequeno Porte demora entre cinco e seis meses, tempo médio para se trabalhar conceitos de alimentos seguros e para a implantação de boas práticas de fabricação. Depois disso, é feita auditoria por técnicos na empresa. Caso o pequeno empreendimento atinja média de 80% de conformidade no atendimento à legislação, passa para a segunda etapa. “Esse é um Programa que contém indicadores tangíveis, uma vez que a evolução desse produtor e de seu empreendimento agroindustrial pode ser avaliada por meio de parâmetros que assegurem que ele produz dentro das normas sanitárias e, assim, por consequência, oferece produtos ao mercado atendendo requisitos de segurança alimentar. Com isso, todos ganham”, diz. Segundo a coordenadora estadual do Agronegócio do Sebrae/PR, a segunda etapa é a de prospecção de mercado, além de estratégica de marketing, que visa dar maior visibilidade à empresa, entre outros.

O Programa de Desenvolvimento para Agroindústrias de Micro e Pequeno Porte pretende atender 140 agroindústrias até o final de 2010

Ao lembrar que a agroindústria é um dos segmentos do setor de agronegó-

Foto: Luiz Costa/ La Imagen

Por Sílvio Oricolli

dutos de qualidade, preços competitivos e marcas fortes.

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Andreia Claudino, consultora

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cios que integra o Programa de Setores Estratégicos do Sebrae/PR, Andreia Claudino diz que o Programa teve como base trabalhos que vinham sendo desenvolvidos em algumas regiões, principalmente no oeste, noroeste e sudoeste do Estado. Segundo Joversi Rezende, consultor do Sebrae/PR em Maringá, o trabalho era desenvolvido desde 2005, mas voltado mais para a questão da gestão e comercialização das pequenas agroindústrias, o que perdurou até o ano passado. “Mas neste ano, voltamos o foco para a melhoria da qualidade dessas empresas. E a intenção é que todas passem pela etapa de Boas Práticas de Fabricação até o ano que vem, em cumprimento à legislação e também às exigências do mercado, a fim de garantir qualidade mínima ao consumidor final”, assinala o consultor do Sebrae/PR. De acordo com Rezende, atualmente, dos 260 microempreendimentos atendidos pelos programas do Sebrae/PR, 57 participam do Programa de Desenvolvimento para Agroindústrias de Micro e Pequeno Porte. “A intenção é desenvolver todas as etapas, da gestão até a comercialização. E as Boas Práticas de Fabricação é uma das etapas para que a empresa/propriedade agroindustrial dê um salto no mercado”, enfatiza.

“Como o técnico tem de ficar 36 horas dentro de cada agroindústria, então, se torna difícil atender a toda a demanda de uma vez”, explica Rezende, ao acrescentar que o que impulsiona o interesse é também o fato de que, com a capacitação, o produtor obtém a certificação do produto. “O resultado favorável do diagnóstico, mostra que a agroindústria tem um produto saudável, o que conta ponto no mercado”, acrescenta.

A apicultora conta que atualmente tem 115 colmeias em parte dos 145,2 hectares do Sítio Roda d’Água,

que é tocado pela família. O forte é a produção de grãos - soja e milho, principalmente -, além de culturas de subsistência e de criação. Mas o mel também representa um reforço ao orçamento à renda da família. Albertina explica que, em período de florada boa, são colhidos 30 quilos de mel por colmeia, em média.

Municipal (SIM). Mas a feira é levada para cidades mais distantes e mesmo outros estados, por meio da Associação Regional da Agroindústria (AREA), que foi criada depois do Aprender a Empreender, ministrado por técnicos do Sebrae/PR. “Em média, participamos de cinco feiras por ano em Maringá e Região”, acrescenta.

“É uma atividade que depende muito do clima, da floração. Por exemplo, eu esperava produção de 800 quilos em janeiro, mas não colhemos nada, pois choveu muito em dezembro e lavou o pólen das flores. Com isso, as abelhas não tiveram como produzir o mel. E isso foi geral, mesmo porque a procura está muito grande e o preço aumentou. Mas não temos nada para aproveitar esse bom momento do mercado”, lamenta.

Foco estratégico

Dona Albertina conta que vende o quilo do mel da abelha europa a R$ 10 nas feiras em Maringá e Região. Para tanto, dispõe do selo do Serviço de Inspeção

Expectativa A apicultora Albertina Ambiel Jung, de Floresta, município vizinho de Maringá, não esconde a ansiedade com a possibilidade de construir a nova estrutura da agroindústria, que atualmente funciona quase que improvisada em uma instalação acanhada. “Só estou esperando a chegada da planta. Vamos construir dentro das normas técnicas, atendendo a legislação ambiental”, diz.

O Programa de Desenvolvimento para Agroindústrias de Micro e Pequeno Porte, uma iniciativa do Sebrae/PR, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR), Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (SEAB), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e Região da Emilia-Romagna, tem três pilares como foco estratégico.

O primeiro deles é a promoção da cooperação, que nada mais é que promover a cooperação entre os empreendedores participantes, para catalisar os benefícios provenientes do Programa. O segundo pilar é o mercado. O Programa de Desenvolvimento para Agroindústrias de Micro e Pequeno Porte quer promover a adequação de produtos e processos, de acordo com as exigências de mercado e o acesso a novos canais de comercialização. E o terceiro pilar é a qualidade com ênfase na segurança do alimento, ou seja, garantir-se a segurança e a qualidade dos alimentos provenientes das cadeias produtivas de carnes, leite e vegetais, incluindo a panificação. O Programa prevê aspectos como rotulagem, adequada ao mercado, e a realização de clínicas tecnológicas, eventos para orientação de questões como pesos e medidas, aspectos sanitários, ambientais e tecnologias.

Dona Albertina, que trabalha com mel há 20 anos, conta que começou a participar de feiras há cerca de cinco

Foto: Luiz Costa/La Imagen

O consultor do Sebrae/PR explica que os produtores de pequenas agroin-

anos, depois que fez cursos do Aprendendo a Empreender do Sebrae, em Maringá. “E até hoje participo de vários treinamentos, porque ajudam muito a gente”, acrescenta, ao afirmar que boas práticas de fabricação vão garantir “a melhoria da qualidade do pro- duto, que atenderá os padrões de higiene e qualidade. E a certificação vai abrir portas para a nossa produção. É, por isso, que muitos produtores estão aderindo a ele”.

dústrias de Maringá e Região têm manifestado o interesse em aderir à proposta, porque têm ciência de que isso é exigência de mercado e, portanto, crucial para a sobrevivência deles. A procura tem sido acima da expectativa. Por isso, atualmente, a lista de espera tem mais de 100 empresas interessadas em participar do Programa.

A implantação de boas práticas de fabricação é uma das etapas para que a pequena propriedade agrícola dê um salto no mercado

Joversi Rezende, consultor

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Ágide Meneguette O trabalho é o maior hobby do engenheiro-agrônomo e empresário, Ágide Meneguette, 59 anos. Frente à Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), há 19 anos, Meneguette já presidiu o Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, de 2002 a 2006, período marcado pela aprovação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e pela implementação do Programa Empreendedor Rural, idealizado para ajudar na formação de líderes do campo e no desenvolvendo de projetos cooperativos comunitários.

Produtor rural torna-se

empresário de sucesso

Meneguette tem uma vida pra lá de dinâmica. Levanta todos os dias às 5 horas da manhã e, até as 7 horas, ‘devora’ os cadernos de Política e Economia dos principais jornais brasileiros. Invariavelmente, depois da leitura dos jornais, faz academia para exercitar-se. O presidente da Faep mora em Maringá, noroeste do Estado, tem um apartamento em Curitiba, vive entre as duas cidades e não tem preferência para restaurantes. Costuma comer em Curitiba no Shopping Itália e gosta de apreciar um bom vinho.

Para presidente da Faep, empresario Ágide Meneguette, empreendedorismo rural está se aperfeiçoando a cada dia Por Mirian Gasparin

O telefone celular é uma constante na vida de Meneguette. Está com ele 100% do seu tempo. O presidente da Faep veste-se esportivamente, e tem o mesmo barbeiro em Maringá há mais de 30 anos. Apesar de todas as qualidades de um homem comum, seguramente, Ágide Meneguette é, atualmente, uma das lideranças com maior poder e capacidade de mobilização do setor rural no País. Os filiados aos 184 sindicatos vinculados à Faep respondem as suas convocações, sem qualquer tipo de vacilo.

Ágide Meneguette

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O Paraná, na avaliação do presidente da Faep, tem o que há de melhor em matéria de produtor rural. “Não é por acaso que a nova fronteira agrícola brasileira deve muito aos paranaenses que abriram caminhos e hoje plantam no centrooeste e norte do País. A ocupação dessas regiões, a abertura de novas cidades, é o resultado da migração e do caráter empreendedor do paranaense do campo.” Segundo Meneguette, o empreendedorismo no campo tem semelhança com o da cidade porque exige conhecimento de mercado e das tecnologias. Mas também tem suas diferenças, pois o mercado urbano - na grande maioria dos casos - é restrito e o da produção rural pode ser o mundo. De uma forma geral, para Meneguette, a realidade do agronegócio hoje não é muito diferente se comparada com a realidade de cinco anos atrás. “O Brasil, e em particular o Paraná, já estavam ligados ao mercado mundial. O que mudou foi que o Brasil passou a ter uma participação maior no comércio internacional de vários produtos, como a soja, o milho, algodão, carnes. O produtor respondeu com rapidez à demanda. Da mesma forma, atendeu ao aumento do consumo doméstico de alimentos. Nunca faltou alimento em nosso País.” O presidente da Faep lembra que mais de 85% das propriedades do Paraná

têm até 50 hectares. “Essa é a grande característica fundiária do nosso Estado. O fato de termos pequenas propriedades cria um problema de escala na produção de commodities, como soja e milho. Por isso, o Senar-PR em conjunto com o Sebrae/PR criaram um programa chamado Empreendedor Rural, pelo qual já passaram mais de 15 mil trabalhadores e produtores rurais desde 2003, principalmente os de pequenas propriedades.” O programa, na avaliação de Meneguette, tem dado um instrumental técnico para que o produtor rural encontre uma saída para o problema de escala da produção. O resultado é que já há movimento no sentido de reconverter a pequena propriedade, fazendo-a sair da produção de commodities para a de produtos diferenciados, de maior valor agregado. “A agropecuária do Paraná está passando por um intenso processo de mudança, principalmente com base nas turmas do Empreendedor Rural. O proprietário de pequenas áreas está se transformando num empresário rural de sucesso.” O grande desafio do agronegócio, hoje no Brasil? Para Meneguette, é, sem dúvida, enfrentar a competição num mercado altamente concorrencial como é o da oferta de produtos agrícolas. E isso com variáveis difíceis, como o clima, a falta de crédito, os oligopólios, a infraestrutura sucateada, a política cambial desastrosa que arruína os preços recebidos pelos produtores rurais. “Apesar de todos esses problemas, a produção aumenta, embora faça com que o produtor rural fique cada vez mais endividado. Se houvesse uma consciência da importância da agropecuária para o País, certamente o governo federal olharia o setor com mais responsabilidade”, ensina Meneguette.

Foto: Senar - PR

Para Meneguette, que é também um empresário bem-sucedido - é diretor superintendente da Usina de Açúcar Santa Terezinha -, os produtores rurais es-

tão mudando. Os proprietários de pequenas propriedades rurais, na sua opinião, estão se transformando em empresários rurais de sucesso. “O empreendedorismo rural está se aperfeiçoando com os novos tempos. O produtor rural está deixando de ser um plantador para ser um empresário, ligado no mercado mundial e adotando as mais avançadas tecnologias.”

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Experiência

Empreendedorismo

não tem idade Conheça a história de paranaenses que não pretendem parar tão cedo; experiência acumulada torna-se diferencial Por Sandra Santos

João Ribeiro, mais conhecido como seu Andrade, Aldo Hibler, Doracilde Naomi Noguti de Oliveira e Palmiro Marchetti. O que eles têm em comum, além da aposentadoria? Todos são adeptos do lema “parar, jamais”. O dia a dia desses experientes empreendedores, que muito já contribuíram para as organizações para as quais trabalharam como funcionários, é marcado pela garra, determinação e vontade de sempre fazer melhor. A trajetória empreendedora de João Ribeiro, mais conhecido como Seu Andrade, 70 anos, é cheia de bons e maus momentos. Para ele, não há idade, mas sim boa vontade. Vaidoso - fez questão de colocar terno e gravata para fazer fotos para a Revista Soluções -, Seu Andrade é proprietário de uma casa de embalagens em Curitiba. Ele conta com orgulho que já fez de tudo na vida, teve várias profissões e foi até cantor, tempo em que ganhou o carinhoso apelido de Seu Andrade, devido à dupla musical que formou com um antigo amigo em suas andanças pelo interior.

Em 2000, Seu Andrade descobriu que tinha um câncer, benigno, que o afastou do trabalho durante um ano, período no qual submeteu-se a 52 sessões de quimioterapia. Foi quando, sem querer, acabou ‘ganhando’ a aposentadoria. Mas, parar era tudo o que ele não queria. Assim que recebeu alta, Seu Andrade retomou o negócio, que por pouco tempo ficou sob o comando de um dos filhos. “Hoje eu tenho uma modesta empresa, porém, que me permite ter uma vida tranquila. Sou patrão e sou peão. Faço tudo sozinho, desde a parte administrativa até o atendimento ao cliente.”

De pai para filho Seu Aldo, 62 anos, começou a trabalhar por conta, logo depois que se aposentou, há cerca de cinco anos. Detalhe: além de tocar sua empresa na área de refrigeração, ele também apoia e orienta os negócios do filho Rafael Hibler, 26 anos, que tem um estúdio de música para ensaios, gravações e produções de áudios e vídeos. “Meu pai tem muita experiência de

Não existe idade para empreender, o que as pessoas que pretendem abrir um negócio precisam ter em mente é se têm vocação ou não

Foto: La Imagen

Foto: La Imagen

O pequeno negócio de Seu Andrade começou mesmo em 1982, quando ele comprou uma casa no Bairro Santa Quitéria, na capital paranaense. “Era tudo de pinho (pinheiro), mas, para abrir a empresa eu precisei construir

outra parte em alvenaria. Comecei assim, aos poucos. Trabalhei sem parar, meus filhos me ajudaram muito, e em 1994, com o crescimento da empresa, a velha casa de pinho tornou-se um depósito para suas embalagens.”

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

João Ribeiro, Seu Andrade, empresário

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“O mundo não para, por isso sempre estou atrás de palestras, capacitações e cursos. Inovar é fundamental, ainda mais como empreendedora. É preciso buscar o melhor, sempre. Isso é o que nos faz crescer”, diz Dona Doracilde, ressaltando que trabalhar também é saúde, é qualidade de vida. “Não saberia viver sem interagir com as pessoas”, afirma emocionada.

Foto: Claiton Biaggi

Foto: La Imagen

nos à comunidade. Outro, treina meninos e meninas para o futebol.

Um homem de 60 anos e um rapaz de 20 anos podem ter, em igualdade de condições, negócios estruturados e competitivos, basta conhecimento técnico

Gosto pelo trabalho Palmiro Marchetti, 63 anos, conta que já fez de tudo na vida. Começou a trabalhar ainda menino, em 1958, quando cuidava da lavoura do pai, também em Toledo, no oeste do Estado. Desde então, não parou mais. “Em 1969, larguei o serviço no campo para vender móveis. Saí de Toledo, fui morar em Foz do Iguaçu, depois passei um tempo em Guarapuava. Nessa época, eu já gerenciava a empresa. Em 2000, voltei para Toledo e resolvi abrir meu próprio negócio”, conta Seu Palmiro.

Aldo e Rafael Hibler, pai e filho, empresários mercado, de relacionamento interpessoal, e também nunca foi de depender dos outros, por isso me espelho nele”, conta Rafael, formado em Publicidade e que, em março deste ano, abriu a Estúdio Audio Groove, uma pequena empresa em Pinhais, na Grande Curitiba. Com sucesso na vida empresarial, Seu Aldo dá uma dica para quem está começando e que pretende, assim como ele, jamais parar: “Não deixe o cliente na mão e nunca desista, muito menos em função da idade. Tenha ânimo e siga em frente, porque assim as coisas acontecem!” Para concretizar o sonho do filho, Seu Aldo desmanchou parte de sua oficina, pois era necessário providenciar um espaço para o novo empreendimento. “Levamos dois anos para construir o estúdio”, conta ele, pai ‘coruja’. Apesar de ajudar Rafael, que devido a outros compromissos profissionais não pode ficar o tempo todo no estúdio, Seu Aldo não abriu mão do próprio negócio para auxiliar o filho, e ressalta que quando é chamado por algum cliente, comparece, sobretudo porque tem uma clientela antiga e fiel. Além disso, o pai de Rafael está sempre se atualizando, buscando cursos, informações e outras formas para aprender e estar por dentro das novidades do mercado.

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A arte do ofício Doracilde Naomi Noguti de Oliveira, 57 anos, é professora e está aposentada há aproximadamente 15 anos. Desde então, ela busca transmitir à comunidade tudo o que aprendeu dedicando sua vida à área educacional. A vivência e a maturidade profissional e pessoal auxiliam e facilitam o desenvolvimento de seu trabalho. Fundadora e diretora de uma escola em Toledo, no oeste do Paraná, ela diz ter muito a aprender na área de empreendedorismo. Modéstia de Dona Doracilde. A escola, que começou com um pequeno berçário e com vagas para o ensino fundamental, hoje cresceu e trabalha com alunos de diversas idades, até o ensino médio. Com sua experiência, Dona Doracilde sabe que os alunos precisam vivenciar aquilo que aprendem dentro da sala de aula. Por isso, a escola oferece viagens técnicas, aliando assim teoria e prática. O trabalho também é feito sempre de forma interdisciplinar. Segundo ela, atualmente, o aluno é bem informado, tem acesso à tecnologia, então, é preciso aliar conteúdo à disciplina. A escola também desenvolve diversos trabalhos na área social. Um deles oferece a oportunidade de fazer sabonetes, que podem ser vendidos pelos próprios alu-

Incentivado pelo cunhado e de olho num mercado promissor, abriu uma pequena vidraçaria. “Tomei gosto por trabalhar e ver, no fim do mês, o resultado do meu esforço na caixa registradora”, brinca o empresário. “Foi aqui, na vidraçaria que fiz amigos e conheci pessoas. Costumo dizer que nosso maior patrimônio é a clientela”, comenta. “Nunca podemos parar. Enquanto eu aguentar, vou continuar aqui, administrando minha pequena empresa e colocando a mão na massa, sempre que for preciso. Minha maior motivação é olhar pra trás e ver que tudo valeu a pena”, assinala.

Regra para todos Não existe uma idade ideal para ser empreendedor. “O que as pessoas que pretendem abrir um pequeno negócio precisam ter em mente é se têm vocação mesmo para o empreendedorismo e para o negócio pretendido. Isso pode ser detectado com uma pesquisa sobre o nicho que se quer atuar. Essa sondagem, que pode ser feita com a ajuda de profissionais que conhecem o mercado, vai mostrar pontos positivos e negativos do futuro negócio”, ensina a consultora do Sebrae/PR em Cascavel, Danieli Doneda. A consultora afirma que mais que preocupar-se com a idade do empreendedor, o Sebrae/PR trata de orientar as pessoas interessadas em ter o próprio

Danieli Doneda, consultora

negócio sobre a necessidade de investir em planejamento e gestão empresarial, antes de se abrir uma micro ou pequena empresa, por exemplo. “Empreendedores mais experientes, obviamente têm algumas vantagens sobre empreendedores recém-formados e vice-versa. Porém, as diferenças, entre os mais jovens e os mais velhos, podem ser superadas com um bom plano de negócios.” “O empreendedorismo não tem idade e deve ser encarado com profissionalismo. Ou seja, um homem de 60 e um rapaz de 20 anos podem, em igualdade de condições, ter negócios estruturados e competitivos. Basta procurarem conhecimento e auxílio técnico.” “Hoje, vemos aposentados, cheios de vigor e dispostos a trabalharem por pelo menos mais 15 anos, buscando orientações no Sebrae/PR, interessados em abrir um pequeno negócio para ele e sua família. De um modo geral, isso é muito bom, não apenas para aqueles que não querem parar, mas para a sociedade como um todo. As pessoas mais experientes mostram que, por meio do empreendedorismo, têm a contribuir ao gerar empregos com carteira assinada e renda”, destaca Danieli Doneda.

para 81. Efrain D. Colombani Lopes, especialista em Clínica Geral e Medicina de Família, especialidade direcionada à promoção de saúde, prevenção de doenças e diagnóstico precoce, diz que esse aumento da expectativa de vida se deve em grande parte ao trabalho da Medicina Preventiva, aliada a novas tecnologias, medicamentos e diagnóstico precoce. “O que proporciona maior prevenção e controle de doenças crônicas e contribui para uma terceira idade mais saudável, com maior qualidade de vida.” Colombani também ressalta que a cultura ocidental ainda é muito diferente da cultura oriental, “que valoriza muito o

idoso”. Todavia, essa realidade está mudando aos poucos, e o mercado e a sociedade brasileira começam a se dar conta de que se os jovens possuem vigor físico maior, os mais velhos possuem mais maturidade. O médico acrescenta que muitas pessoas entram em depressão ao se aposentar. Para elas, parar seria uma perda, uma exclusão da sociedade. Por isso, empreender ou tocar a vida profissional de alguma forma é muito importante para a sua saúde, inclusive a mental, e também para dar continuidade à vida social. (Colaboraram nesta reportagem os jornalistas Juliana Dotto e Leandro Donatti).

Medicina preventiva Se hoje a expectativa de vida de uma pessoa gira em média na casa dos 73 anos, em 2025, de acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aumentará para 77 anos e, em 2050,

Para saber mais, leia o livro “Empreendedorismo, Trabalho e Qualidade de Vida na Terceira Idade”, de Juarez Correia Barros, Editora Edicon. E acesse o Portal Trabalho e Vida, no www.trabalhoevida.com.br/portal, e o Portal SESC Idoso Empreendedor, no endereço www.sesc-sc.com.br/idosoempreendedor.

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Cidadania empresarial Foto: Luiz Costa/ La Imagem

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Empreendedores

se formalizam no Paraná Informais aderem à figura jurídica do Empreendedor Individual; conheça a seguir dez histórias de superação, em todo o estado

Leniza Souza Reis da Silva, empreendedora individual

Por Leandro Donatti

A Lei Complementar 128, que instituiu a figura jurídica do empreendedor individual no Brasil, completou um ano de vigência no dia 1º de julho passado. Criada para facilitar a formalização de manicures, costureiras, carpinteiros, cabeleireiros, pintores, artesãos, sapateiros, entre outras profissões, a legislação formalizou, até 1º de julho, 24.215 empreendedores no Paraná, de acor- do com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O Portal do Empreendedor (www.portal doempreendedor.gov.br), meio utilizado para os empreendedores formalizaremse, entrou em operação no Paraná em setembro do ano passado. O Estado fechou o mês de junho em quinto lugar no ranking nacional de formalizações, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Curitiba é o município paranaense com o maior número de formalizações, 4.365, conforme o levantamento, seguido de Londrina (1.217); Cascavel (1.026); Foz do Iguaçu (903); Maringá (794); Ponta Grossa (745); São José dos Pinhais (547); Toledo (481); Apucarana (423); Colombo (373); Araucária (350); Pinhais (310); Arapongas (294); Umuarama (286); Paranavaí (283); Pato Branco (268); Guarapuava (237), Campo Mourão (242) e Sarandi (229). “Os empreendedores encontraram uma oportunidade concreta para conquistar

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a cidadania empresarial, o direito de emitir nota fiscal, ter acesso ao crédito e à previdência social. Ninguém é informal porque quer, mas sim porque não teve oportunidade de se legalizar antes”, diz o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Allan Marcelo de Campos Costa. Segundo ele, o Sebrae/PR tem como desafio fazer os empreendedores individuais, recém-formalizados, pensarem e agirem como empresários, obterem êxito nos negócios.

“O Sebrae/PR pode ajudar antes e depois da formalização do negócio”, assinala. O diretor-superintendente cita as soluções oferecidas pela entidade para quem quer abrir um pequeno negócio e para quem já é empresário de micro e pequena empresa. “O Sebrae/PR disponibiliza informações técnicas, palestras, cursos, programas, soluções em mercado, finanças, processo produtivo. Com isso, os empreendedores passam a ser competitivos.”

Até 1º de julho, 24.215 empreendedores no Paraná já haviam se formalizado, segundo levantamento do MDIC

Para comemorar um ano da Lei do Empreendedor Individual, a Revista Soluções traz nesta edição dez histórias de superação, de empreendedores, em todo o Estado, que, com a ajuda do Sebrae/PR, se formalizaram e que deram um novo rumo aos seus negócios.

Sonho realizado Leniza Souza Reis da Silva é de Tunas do Paraná, mas viveu 28 anos em Curi57


Leniza realizou o sonho quando o locatório lhe ofereceu o estoque de roupas femininas e masculinas. Leniza comprou o estoque, abriu a sua tão desejada loja em março deste ano e se formalizou como empreendedora individual há cerca de um mês e meio, durante um mutirão realizado no município, com o apoio do Sebrae/PR e Prefeitura de Tunas do Paraná.

O Estado fechou junho em quinto lugar no ranking nacional, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia

“Estou realizando um sonho muito antigo, me formalizando, e vou participar do Programa Negócio a Negócio (uma solução do Sebrae/PR que prevê visitas e atendimentos de consultores capacitados pela entidade em microempresas com até 4 funcionários e que não sejam clientes) para me profissionalizar cada vez mais e ver minha loja prosperar, crescer cada vez mais. Pretendo agora colocar máquinas de cartões e modernizar meu sistema de crédito, diminuindo as vendas no caderno”, diz Lenize da Silva, orgulhosa por ter se tornado, também no papel, dona do próprio empreendimento.

Razão para crescer Em Coronel Vivida, sudoeste do Estado, Maristela Stanger Gaio formalizou sua atividade na fabricação de doces em janeiro deste ano. Especializada em doces para festas em geral, a empreendedora conta que trabalhou quase três anos na informalidade, o que a impedia de crescer. “Eu tinha medo de colocar uma placa na frente de casa, tinha medo de oferecer meu produto num mercado, mesmo sabendo que é um produto bom”, conta. Para se formalizar, Maristela buscou informações no Sebrae/PR e hoje tem produtos à venda, com a marca “Téia Doces”, em Coronel Vivida e municípios vizinhos. “Sempre fui empreendedora. Com o Empreendedor Individual, agora sou empresária de verdade.” Maristela também faz um apelo a outros empreendedores que desejam se formalizar. “Busquem informação, procurem o Sebrae/PR e vejam como é possível crescer fazendo aquilo que a gente gosta e ser reconhecido como um empresário ou empresária”, testemunha.

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Mais oportunidades Há dez anos, o gosto pela arte e o interesse por trabalhar com isopor levaram Ronald Silva Corrêa, 38 anos, a largar emprego e sociedade empresarial para produzir, por conta própria, sancas e molduras de isopor, num barracão ao lado de sua casa, em Cascavel. “Minha família achava que eu estava ficando louco”, relembra. Mas Ronald acreditou na ideia e passou a produzir cada vez mais.

Foto: Wilson Vieira/Videographic

tiba. Sempre teve o sonho de ter uma loja, porém o marido a alertava sobre os custos que teria com o aluguel e despesas com funcionários. Ao retornar para Tunas, no Vale da Ribeira, o marido comprou um imóvel no centro da cidade com disponibilidade para um espaço comercial, que foi locado.

Entretanto, na informalidade, não conseguia expandir seu negócio. “Sem registro, não tinha como buscar novos clientes, muito menos empréstimo para investir.” Foi então que ouviu falar do Empreendedor Individual e correu para se formalizar. “Agora, vou até fazer um quadro com o alvará”, brinca. “Finalmente vou fazer duas coisas que eu preciso para crescer: propaganda e financiamento”, comemora o artesão formalizado.

Novos rumos Antes de se tornar Empreendedor Individual, o londrinense Domingos Miguel do Nascimento, 43 anos, foi funcionário de muitas organizações e sócio de quatro empresas no ramo de confecção, gráfica, venda e instalação de rádio amador e restaurante. “Erros como a falta de planejamento, levantamento prévio de informações e divergência de opinião com sócios foram alguns fatores que levaram ao encerramento das empresas. Os resultados foram prejuízos, perda de capital e acúmulo de dívidas”, recorda. O conhecimento sobre a nova figura jurídica veio pelo noticiário de tevê, em setembro de 2009. Depois de se certificar com um contador de que poderia aderir ao Empreendedor Individual, Domingos do Nascimento procurou o escritório do Sebrae/PR em Londrina e formalizou-se como prestador de serviços de manutenção de máquinas hidráulicas, ofício que aprendeu aos 15 anos. Em apenas duas semanas, o empreendedor já contava com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e bloco para emissão de notas fiscais. “Antes de poder emitir nota fiscal, quando um cliente exigia o documento, precisava emprestar a nota de outra empresa, arcando com o custo de 11% sobre o valor total do serviço”, conta. Agora, Domingos do Nascimento enumera os benefícios da formalização: “Por

Domingos Miguel do Nascimento, empreendedor individual

estar legalizado, pude conquistar um grande cliente do ramo de construção civil e continuar atendendo antigos clientes que passaram a exigir a nota fiscal.” O empreendedor está otimista com os rendimentos atuais e planeja migrar da atividade de manutenção para a compra e venda de equipamentos hidráulicos. Ele estima uma alta no faturamento de cerca de 150% e a contratação de dois funcionários para auxiliá-lo.

Reviravolta Foi em um momento difícil que Manoel Moreira, 48 anos, começou na profissão de jardineiro. Ele, que vive em Maringá, trabalhava em uma cooperativa agroindustrial e nas férias ajudava o irmão que era jardineiro. Uma fatalidade tirou a vida de seu irmão e, na mesma época, Manoel também perdeu o emprego. Ele não desanimou e enxergou na profissão uma oportunidade. Com a prática que havia adquirido, o maringaense continuou atendendo os clientes do irmão. Por 16 anos, ele trabalhou na informalidade e há pouco mais de seis meses aderiu ao Empreendedor Individual. “Graças ao meu irmão, aprendi uma profissão. Com a formalização, além dos mais de 70 clientes, passei a atender empresas porque posso emitir nota fiscal”, diz Manoel Moreira.

Perspectiva profissional Uma oportunidade de adquirir mais direitos foi o que Petrônio Laurindo de Queiroz Irmão, 32 anos, enxergou ao se tornar um empreendedor individual. Morador de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, ele está há mais de 20 anos no ramo da construção civil e conta que sempre trabalhou na informalidade. Petrônio diz que sua trajetória profissional começou na década de 1990, quando tinha 12 anos, seguindo os passos de seu pai. “Sempre nos dedicamos ao ramo da alvenaria, do revestimento e da carpintaria. É uma vocação”, lembra. Ele trabalhou com o pai até os 16 anos, depois partiu para atividades em uma multinacional de alimentos e posteriormente numa empresa de construção civil, mas não se adaptou. “Eu trabalhei cerca de oito meses em cada uma das empresas. Apesar da segurança de um emprego registrado, nunca tive o perfil de empregado, mas sim de empreendedor, o que me fez voltar para a minha atividade, mas na informalidade”, conta. Um dos clientes para quem Petrônio prestava serviços era uma retífica. Ele não pôde continuar o trabalho porque não tinha possibilidade em emitir nota fiscal. “Além dessa empresa, havia pessoas físicas que também exigiam nota.

A informalidade foi afunilando cada vez mais minha atuação profissional e não pude continuar o trabalho”, diz o empreendedor. Há cerca de dois meses, Petrônio se formalizou e ampliou as possibilidades de mercado. A retífica inclusive o convidou para participar da licitação e ele teve abertura de mercado. “Com a formalização conquistei novas perspectivas de trabalho e a chance de poder participar de licitações. Nesse curto período já tive novas oportunidades e bem interessantes. Ao tornar-me um empreendedor individual, ampliei a demanda de trabalho e as regiões de atuação. Estou muito satisfeito”, destaca.

Necessidade Para o empreendedor individual Glaucio Klipel, a oportunidade de crescer veio com a formalização, realizada em fevereiro de 2010, no município de Pato Branco, sudoeste do Estado. Glaucio atua na prestação de serviços no ramo de tecnologia da informação e conta que buscava há algum tempo uma forma de legalizar sua atividade. “Foi fácil e penso em começar com o Empreendedor Individual, crescer e ir me adaptando à legislação conforme o porte da empresa”, projeta. Um dos benefícios apontados pelo empreendedor está no acesso a produtos

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Foto: Zanella

contrei o Mutirão da Formalização. “Esse foi meu primeiro passo. Hoje, formalizado, posso comprar onde quiser, garanto meus direitos na Previdência e ainda consigo capital de giro a juros bem mais baixos que os convencionais.”

Conquistas Rede de contatos e propaganda “boca a boca”. Graças ao bom atendimento e uma grande rede de amizades, a professora de Educação Física, Vanessa Cristina Menezes, 29 anos, conseguiu aumentar sua renda vendendo roupas e acessórios femininos.

Glaucio Klipel, empreendedor individual e também a crédito no sistema financeiro, o que ajuda na hora de investir na própria empresa. “O Empreendedor Individual caiu como uma luva, veio conforme a minha necessidade, pois o negócio exigia a abertura formal de uma empresa, mas era muito difícil pela burocracia e carga tributária”, aponta.

Tranquilidade e segurança Até novembro de 2009, o ex-vendedor de mármores e granitos, Emerson Guilhen Galieta, 37 anos, alimentava o antigo sonho de ter o negócio próprio. Estimulado pelo cunhado, proprietário de uma loja de artigos de informática, procurou auxílio, no escritório do Sebrae/PR em Londrina, para saber como prestar, legalmente, o serviço de manutenção de impressoras. Os equipamentos para impressão sempre despertaram o interesse do empreendedor que descobriu essa habilidade reparando impressoras de uso próprio e outras pertencentes aos amigos. Ao relatar seus objetivos a um consultor da entidade, descobriu que poderia iniciar a nova atividade como Empreendedor Individual. “O processo de legalização foi bastante rápido e bem mais barato que eu esperava. Em apenas 15 dias minha documentação estava em ordem. Depois de fazer alguns treinamentos em São Paulo, abri, em janeiro deste ano, as portas da empresa Via Brasil Recargas. Consegui elevar minha renda e ago-

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ra trabalho tranquilo, com segurança e proteção”, conta o empreendedor. O novo empresário diz estar satisfeito com o negócio e conta que seu desafio atual é a captação de novos clientes. “Além de divulgar meus serviços por meio de panfletagem, espero expandir minhas atividades com a realização de visitas a clientes potenciais, mas, para isso, vou precisar contratar um funcionário para me auxiliar”, planeja Emerson Galieta. Além da manutenção de impressoras, a Via Brasil Recargas, empresa com sede em Londrina, comercializa equipamentos novos e suplementos para impressão.

Mais lucros “Não quero vender de porta em porta a vida inteira”, diz Elvis Oliveira do Nascimento, de 27 anos. Depois de trabalhar por três anos como vendedor de roupas em loja de Foz do Iguaçu e complementar o orçamento vendendo aos amigos após do expediente, ele queria mais. “Com as vendas extras, meu salário duplicou. Mas ainda era pouco”, conta. Resolveu seguir o próprio caminho, largou o emprego e passou a comprar e vender confecção por conta própria. Em um ano e meio, o lucro aumentou, mas as dificuldades começaram a surgir. “Sem CNPJ você não passa nem pela porta da maioria dos fornecedores”, explica Elvis. Procurei informações sobre o Empreendedor Individual e en-

Natural de Jussara, há 60 quilômetros de Maringá, ela atua com ginástica laboral em uma clínica. Começou a revender algumas peças de roupas para amigas e pacientes da clínica. O interesse nas peças foi aumentando, porém, ela encontrava dificuldades em comprar peças no atacado. Com apenas um mês de formalização por meio do Empreendedor Individual, ela já comemorava as conquistas. “Consegui abrir uma conta bancária para pessoa jurídica e, com o CNPJ, consegui mais facilidades para comprar roupas e acessórios. Outro ponto positivo é que comecei a aceitar os pagamentos com cartão de crédito, aumentando as minhas vendas”, diz. Atualmente, Vanessa divide seu tempo entre os atendimentos na clínica e suas fiéis clientes que, por sinal, não param de aumentar.

Quem pode aderir Podem se formalizar empreendedores da indústria, comércio e serviço - exceto locação de mão de obra e profissões regulamentadas por lei - com receita bruta anual de até R$ 36 mil. Os interessados, que pagarão entre R$ 56,10 e R$ 62,10 de tributos, devem ter no máximo um funcionário com renda de até um salário mínimo mensal ou piso da categorial profissional. (Colaboraram nesta reportagem os jornalistas Adriano Oltramari, Cleide de Paula, Juliana Dotto, Octávio Rossi e Tânia Jeferson).

Para saber mais sobre a figura jurídica do Empreendedor Individual, acesse o Portal do Empreendedor, no: www.portaldoempreendedor.gov.br

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Artigo

Inovação empresarial

e condicionantes Julio Cezar Agostini

A globalização da economia vem promovendo transformações na sociedade contemporânea e gerando pressões por mudanças nas empresas que buscam melhor desempenho no mercado. As empresas, diante da necessidade de oferecerem respostas cada vez mais rápidas, baratas e melhores, buscam na ampliação de suas capacidades de absorção e tecnológica a base da inovação e competitividade.

mudanças na organização industrial.

A competitividade empresarial está relacionada ao estabelecimento e manutenção de vantagens competitivas criadas a partir do processo de inovação. A inovação é um processo pelo qual as organizações incorporam conhecimento na produção de bens e serviços. Joseph Schumpeter, um dos mais importantes economistas do século XX, considera que a inovação se apresenta de cinco formas principais: a) introdução de um novo produto ou uma nova característica ao produto; b) introdução de um novo processo de produção; c) abertura de um novo mercado; d) desenvolvimento de uma nova fonte de suprimento; e)

Os mecanismos intrafirma estão relacionados à capacidade de aprendizagem de novas tecnologias pela empresa, o que inclui o processo para adquirir, assimilar, transformar e explorar conhecimentos em inovações. Os autores Zahra e George demonstram esse processo através do modelo de capacidade de absorção apresentado na figura (nesta página). Segundo eles, a capacidade de absorção pode ser classificada em potencial e realizada.

Os fatores que influenciam no desenvolvimento das capacidades tecnológicas (capacidade que contribui para a absorção, adaptação, modificação e inovação de tecnologias) das organizações e, portanto, em seu processo de inovação, podem ser agrupados em três modalidades de mecanismos condicionantes: mecanismos intra, inter e os externos à firma.

A capacidade de absorção potencial faz com que a organização seja receptiva à aquisição e assimilação de conhecimen-

to externo. A capacidade de aquisição permite à empresa identificar e adquirir externamente conhecimentos críticos para sua operação. Já a capacidade de assimilação permite a empresa analisar, processar, interpretar e compreender informações de fontes externas. A capacidade de absorção realizada valoriza as dimensões de transformação e exploração dos conhecimentos em inovação. A capacidade de transformação desenvolve a combinação de conhecimentos já existentes a novos conhe- cimentos adquiridos e assimilados. A capacidade de exploração (uso e implementação) é a habilidade de incorporar os conhecimentos e tecnologias às operações da empresa. O produto da exploração é a criação de novos produtos, sistemas, processos, conhecimento, ou novas formas organizacionais. Quanto maior a exposição da firma a fontes externas de conhecimento diversificadas e complementares, maior a oportunidade para desenvolver sua capacidade de absorção potencial.

A experiência é produto de exposição, benchmarking, interação com clientes, alianças com outras empresas, do aprender pelo fazer que possibilita à firma desenvolver novas rotinas. As experiências refletem os sucessos e fracassos anteriores da firma e podem determinar como adquirem e assimilam novos conhecimentos, bem como o local de busca da tecnologia futura. O uso de mecanismos sociais reduz as barreiras para o compartilhamento de informações e aumenta a eficiência das capacidades de assimilação e transformação. A exploração do conhecimento exige o compartilhamento de conhecimentos entre os diversos setores da empresa, visando o mútuo entendimento. As capacidades de transformação e exploração podem influenciar a performance da firma através de produtos e processos inovadores. As firmas requerem novos conhecimentos e a recombinação de habilidades para desenvolver novos produtos. A capacidade de absorção realizada inclui a capacidade de transformação, a qual, através do processo de bi-associação, ajuda as firmas a desenvolver mudanças nos processos existentes. A capacidade de exploração leva a um passo a mais e converte conhecimento em produto. Firmas com capacidades de transformação de conhecimento e exploração bem desenvolvida provavelmente atingirão vantagens competitivas por meio de inovação e desenvolvimento de produtos em estágio superior às firmas com menor capacidade desenvolvida. Firmas com capacidades de aquisição e assimilação bem desenvolvidas provavelmente manterão vantagens competitivas em função da grande flexibilidade em reconfigurar suas bases de recursos e efetivamente o emprego de capacidade a baixo custo do que aquelas com menores capacidades desenvolvidas. Outro mecanismo de influência no desenvolvimento da inovação das empresas são os mecanismos interfirmas que estão relacionados ao desenvolvimento de inovações em função da participação das empresas em clusters e do efeito sinérgico das economias das aglomerações e da potencialização dos fluxos de conhecimento e geração de aprendizado e inovação a partir dos relacionamentos com outras organizações intra e extra cluster.

Fonte: Adaptado por Zahra; George (2002)

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Michael Porter define clusters como concentrações geográficas interconec-

tadas entre firmas e instituições numa particular forma de competição. Giacomo Becattini utiliza o termo distrito industrial para explicar as aglomerações produtivas como uma entidade sociogeográfica, a qual se caracteriza pela presença ativa de uma comunidade de pessoas e uma população de firmas em território natural e histórico. As vantagens mais frequentes conquistadas em aglomerados industriais são as reduções de custos por meio dos ganhos de escala externa; as externalidades de natureza técnica, pecuniária, tecnológica e de demanda; a melhor gestão das incertezas inerentes em relação à concorrência e às novas tecnologias; os efeitos da dinâmica do fluxo de circulação de informações e o aprendizado pela interatividade. A prosperidade depende da produtividade com que os fatores (insumos) são utilizados e aprimorados em determinada localidade e pelo fortalecimento da capacidade de inovação. É a dinâmica do aglomerado que promove a inovação.

ter facilita o processo de aquisição, assimilação, transformação e exploração dos conhecimentos em inovações e na geração de vantagens competitivas que darão à empresa maiores chances de sucesso no mercado. O terceiro mecanismo condicionante é externo à firma, ou seja, são aqueles relacionados ao ambiente socioeconômico, às políticas e programas governamentais, infraestruturas existentes, acesso a ativos tecnológicos e aos serviços públicos, entre outros. Para promover a inovação nas empresas paranaenses, de forma sustentável, precisamos pensar e agir sistematicamente, aperfeiçoando os mecanismos condicionantes inter, intra e extra firma. Como resultado, teremos a inovação e, consequentemente, o aumento da competividade das empresas.

Porém, está no conhecimento a principal fonte de vantagem competitiva das empresas inseridas em clusters gerados a partir dos efeitos “buzz” e “pipeline”. Para Letizia Consoli, o aumento da capacidade competitiva das empresas inseridas em clusters é precedida pela intensificação das relações sociais de produção entre os agentes, visando à absorção do conhecimento tácito (efeito buzz), além do desenvolvimento de canais com agentes, externos (efeito pipelines), possibilitando o fluxo de conhecimento, aprendizagem e capacitação tecnológica. A combinação entre as relações internas e as relações externas gera um processo sistêmico de conhecimento, aprendizagem e inovação, constituindo-se em elemento importante da competitividade das empresas. Os clusters apresentam-se como ambientes propícios para a geração de inovação. Local “buzz” e global “pipeline” potencializam as vantagens das firmas engajadas em inovação e criação de conhecimento. O local “buzz” é benéfico para o processo de inovação porque gera oportunidades para uma variedade de situações onde as firmas interagem e formam comunidades interpre- tativas. As vantagens das “pipelines” globais estão associadas à integração de múltiplos agentes selecionados que abrem diferentes potencialidades e alimentam o cluster de conhecimento de lugares distantes. O ambiente do clus-

Julio Cezar Agostini é diretor de Operações do Sebrae/PR. Fez o curso de Formação em Desenvolvimento Local pela OIT (Organização Internacional do Trabalho em Turin - Itália), Mestrado em Administração pela Universidade Positivo. Formado em Ciências Econômicas, com especialização em Administração Geral e Estratégica, em Direção de Empresas e em Coordenação em Dinâmicas de Grupo.

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Novos tempos

Consumidor promove

‘revolução’ no varejo Transformação vivida pelo setor é fruto de mudanças nos hábitos de consumo e nas formas de relacionamento varejo e clientes Por Giselle Ritzmann Loures

Varejo multicanal, soluções em tecnologia para o comércio, sustentabilidade e mídias sociais têm tudo a ver. Para os empresários que ainda não sabem, os temas estão diretamente ligados a um conceito que está mudando a maneira como o consumidor se relaciona com marcas e empresas.

vidados-âncoras do evento. Em pauta, indicadores econômicos e a importância do empresário investir na capacitação de seus colaboradores, implantando uma gestão estratégica de atendimento. Os temas permeiam uma equação em que a qualidade do negócio está diretamente ligada à capacidade que o empresário tem de estar preparado para interpretar cenários e enfrentar novos desafios.

Essa transformação, que já começou e tende a se tornar cada vez mais perceptível para o mercado, deve estar na agenda de trabalho de empresários de micro e pequenas empresas do setor de varejo, como uma oportunidade efetiva para conquistar e fidelizar clientes e potencializar resultados.

O coordenador estadual do Setor de Comércio, Bens e Serviços do Sebrae/PR, Osmar Dalquano Junior, explica que a ideia foi trazer uma dinâmica que envolve conhecimento e, também, aproximar o empresário da pequena empresa de estratégias para conquistar o ‘neoconsumidor’. Esse conceito é fruto de mudanças nos hábitos de consumo e formas de relacionamento varejo-clientes.

Para debater a velocidade e o impacto que essas mudanças vêm causando e, também, como que essa ‘revolução’ pode ser encarada como sinônimo para novos negócios, o Sebrae/PR, com o apoio do Sistema Fecomércio/PR, realizou a primeira edição do evento Fórum Varejo em Revolução, em Curitiba.

Dalquano Junior diz que o novo consumidor tem acesso a uma série de informações e usa ferramentas, baseadas em novas tecnologias, para buscar a melhor forma de consumir. “Antes de comprar, pesquisa sobre o produto ou serviço na internet, compara preços, busca impressões de outras pessoas em sites de relacionamento e conversa com amigos”, diz.

Empreendedores e empresários, vindos de Curitiba e Região, participaram do encontro, que reuniu especialistas e consultores do comércio varejista, no 9º andar do Estação Convetion Center, no ultimo dia 18 de agosto, na capital paranaense, das 13 às 21 horas.

Segundo dados da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e-net), a internet, no Brasil, tem mais de 63 milhões de usuários. Na avaliação do coordenador, o empresário precisa ter consciência que ao ‘lançar’ sua empresa na internet, ele está criando mais um canal de relacionamento com o cliente e para manter esse relacionamento é pre-

Foto: Wilson Vieira/ Videographic

O Fórum Varejo em Revolução analisou e discutiu a nova economia, os cenários para os próximos anos, os desafios e oportunidades de mercado para um dos setores mais competitivos da atualidade. O jornalista Paulo Henrique Amorim e o consultor Edmour Saiani foram con-

O novo consumidor tem acesso a uma série de informações e usa ferramentas, baseadas em novas tecnologias, para buscar a melhor forma de consumir

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Osmar Dalquano Junior, consultor

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ciso agilidade nas respostas. Caso contrário, o empresário corre o risco de perder a credibilidade do negócio. “Cada vez mais, as pessoas se preparam para o consumo. A marca da empresa dele é uma só e o empresário precisa trabalhá-la em vários multicanais. Mas, para isso, é preciso investir em infraestrutura e tempo, já que não basta apenas criar um site ou divulgar sua empresa no Twitter, por exemplo. É preciso acompanhar esse processo”, orienta Dalquano Junior.

Fórum promoveu troca de experiências entre empresas e apresentou soluções na área de varejo que de fato, promovem uma revolução

A 13ª edição do relatório anual “Os Poderosos do Varejo Global”, da Deloitte - que oferece auditorias, consultorias tributárias e em gestão de riscos empresariais para diversos setores - em parceria com a STORES Magazine, apontou que, para manter uma trajetória de crescimento agressiva, a maioria dos grandes varejistas do mundo desenvolveu múltiplos formatos de vendas. Em 2008, mais da metade dos 250 maiores varejistas no mundo operaram com algum nível de diversificação de formato, comparando-se com outros 119 que operaram com um formato único. Mesmo as empresas com uma cadeia diversificada de conceitos de lojas de varejo tenderam, de acordo com o relatório anual, a ter um formato responsável pela maioria das suas vendas. Somente 34 dos 250 maiores não tiveram um formato dominante. Segundo o relatório, a rede Walmart, dos Estados Unidos, lidera o ranking desses 250 maiores varejistas do planeta, considerando o último período

fiscal avaliado de cada empresa, até junho de 2009. A Deloitte ainda aponta em outra pesquisa - “Estratégias para o Varejo Brasileiro - Reflexões sobre os anseios do consumidor” -, as grandes tendências para o varejo em 2010. De acordo com o levantamento, a mudança no comportamento do consumidor; a segmentação do mercado de luxo; a globalização de varejistas emergentes; a globalização dos varejistas norte-americanos; as mídias sociais e varejo; a racionalização do sortimento e o aumento da polarização são algumas tendências apontadas.

Oportunidade x Preparo Além da palestra “Cenários Econômicos e Perspectivas”, com Paulo Henrique Amorim, e a palestra “Um Show de Loja!”, com Edmour Saiani, foram realizados quatro painéis, durante o Fórum Varejo em Revolução. Em cada um deles, que aconteceram simultaneamente, especialistas debateram com empresários ações que já estão sendo aplicadas por empresas do setor. “Quisemos promover uma troca de experiências entre essas empresas e apresentar soluções na área de varejo que, de fato, promovam uma revolução.”

Nos dois primeiros painéis, foram debatidos os temas “Varejo Multicanal: convergência de canais aproximando e diferenciando o consumidor” e “Tendência e soluções tecnológicas para o pequeno varejo”. Nos outros dois, foram discutidas questões relacionadas aos temas “A Sustentabilidade e Responsabilidade So-

Desejos dos consumidores e estratégias do varejo Consumidor quer: facilidade de acesso à compra Estratégia varejista: multicanal e multiformato Consumidor quer: disponibilidade Estratégia varejista: mix de produto e eficiência na cadeia de suprimentos Consumidor quer: serviço com excelência Estratégia varejista: modelo de atendimento e gestão do capital humano Consumidor quer: valor Estratégia varejista: pricing (definir estratégia de preço com base no pacote de benefícios que entrega ao cliente; buscar melhor preço que irá satisfazer seu público-alvo e garantir o ponto ótimo de vendas)

Consumidor quer: interatividade e relacionamento Estratégia varejista: novas mídias, ambientação e “atividades interativas” Consumidor quer: comodidade Estratégia varejista: oferta de serviços Consumidor quer: compromisso social e sustentável Estratégia varejista: projetos sociais e “verdes”, comunicação/ imagem. Fonte: A pesquisa ‘‘Estratégias para o varejo brasileiro - Reflexões sobre os anseios do consumidor’’ foi realizada pela Deloitte. O estudo foi desenvolvido a partir da aplicação de um questionário online, disponibilizado no site da empresa, entre os dias 13 de maio e 2 de junho de 2010.

cial como estratégia de diferenciação” e “Mídias Sociais para a geração de negócios e relacionamento com o cliente”. “Os temas dos painéis foram escolhidos para debater esses múltiplos mecanismos que são possíveis de se utilizar no varejo. Temos presenciado a influência da geração denominada ‘geração y’ no mercado. Ou seja, jovens com poder de compra e, principalmente, com uma nova postura e com novos valores na hora de consumir”, avalia o Dalquano Junior. Ainda durante o Fórum Varejo em Revolução, os participantes tiveram acesso ao Espaço Network, uma área reservada para promover a aproximação entre os painelistas, empreendedores e empresários. A ideia era que, nesse espaço, os participantes do evento pudessem trocar impressões sobre os temas debatidos durante os painéis. “A relação de compra e consumo está mudando, graças às facilidades e à conveniência. A realização do Fórum Varejo em Revolução foi uma forma do Sebrae/PR disponibilizar ao empresário do pequeno varejo informações para

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que ele saia da ‘área de conforto’. A ideia, que também será executada no interior do Estado, foi mostrar a esses empresários que chegou a hora do pequeno ser ‘revolucionário’. Nosso intuito foi que o evento entrasse para o calendário de eventos do setor”, complementa o coordenador. O Forúm Varejo em Revolução aconteceu no dia 18 de agosto, no Estação Convention Center - Piso Potty Lazaroto, em Curitiba das 13 às 21 horas.

Para saber mais sobre essa ‘revolução’ no varejo, leia os livros

Varejo multicanal, soluções em tecnologia para o comércio, sustentabilidade e mídias sociais têm tudo a ver

“Loja Viva: Revolução no Pequeno Varejo Brasileiro” e “Ponto de Referência: Como Ser o Nº 1 e Não + 1”, ambos de Edmour Saiani, e “Neoconsumidor - Digital, Multicanal & Global”, do autor Marcos Gouvêa de Souza e convidados. Sobre a pesquisa “Estratégias para o varejo brasileiro - Reflexões sobre os anseios do consumidor’’, acesse www.deloitte.com.br

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Feira do Empreendedor

Oportunidades

para todos os gostos (e bolsos)

Feira do Empreendedor 2010 - Paraná leva, de 21 a 24 de outubro em Maringá, ideais para quem quer abrir ou ampliar negócios Por Leandro Donatti

Opções para todos os gostos (e bolsos). A Feira do Empreendedor 2010 - Paraná, que será realizada pela quinta vez no Estado, obedecendo a um circuito nacional, oferecerá um mix de oportunidades de negócios, com conhecimento e inovação, de 21 a 24 de outubro, em Maringá. Durante quatro dias, empreendedores e empresários de todo o Paraná poderão conferir gratuitamente um universo de modelos de negócios, apresentado por empresas expositoras e com valores de investimento inicial variáveis. Oportunidades de negócios, no conceito da Feira do Empreendedor, são circunstâncias adequadas ou favoráveis à implementação de atividades econômicas organizadas, de forma a viabilizar o surgimento de novos empreendimentos ou aumentar a competitividade e gerar o crescimento de micro e pequenas empresas. “A Feira do Empreendedor é o lugar certo, para os empreendedores e empresários que desejam abrir ou ampliar seus negócios”, explica a consultora do Sebrae/PR e gestora da Feira do Empreendedor 2010 - Paraná, Joana D´Arc Julia de Melo. São oportunidades de negócios, de acordo com o edital de captação de expositores da Feira do Empreendedor 2010 Paraná, máquinas e equipamentos organizados de forma a apresentar uma atividade econômica, permitindo assim ao futuro empreendedor compreender e avaliar a oportunidade exposta; a busca de representantes e revendedores, com foco de atuação no Paraná, desde que apresentada de forma clara e perceptível; e franqueadoras interessadas em expandir sua base de franqueados. A Feira do Empreendedor trará ainda marcas, produtos ou serviços interessados em novas parcerias que viabilizem novos empreendimentos; empresas de venda direta (porta-a-porta); empresas com produtos ou processos patenteados ou então com patentes requeridas, interessadas em comercializar seus direitos de invenção de forma a viabilizar o surgimento de novos empreendimentos; empresas interessadas em formalizar parcerias, joint-ventures, prospectar novos sócios ou expandir sua rede de filiais no Estado. Em 2008, a empresária Claudete Maria do Carmo Soares, de São Jorge d’Oeste, município com cerca de 10 mil habitantes, na região sudoeste do Paraná, embarcou para Londrina com o objetivo de participar da Feira do Empreendedor, realizada no norte do Estado. Proprietária

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de uma pequena escola de idiomas, a empresária foi em busca de referências para melhorar o seu negócio. Claudete Soares explica que o método de ensino da empresa, a DC Idiomas, não utiliza materiais de grandes franquias de escolas de inglês. “Busquei outras fontes de materiais, importados”, conta a empresária. O negócio, batizado com uma marca própria, foi aberto em 2006, depois de pesquisas de mercado.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

“Em São Jorge d´Oeste não tinha nenhuma escola de idiomas. Fiz um levantamento e identifiquei que havia uma demanda de crianças e adolescentes que queriam estudar a língua, mas os pais não tinham segurança para mandar os filhos para cidades vizinhas”, conta. Ao realizar uma pesquisa sobre a Feira do Empreendedor, a empresária identificou que escolas de idiomas estavam entre as opções de oportunidades de negócios expostas no evento, que reuniu cerca de 17 mil visitantes, e decidiu conferir. “Fui em busca de informações sobre quais materiais essas escolas usavam e percebi que elas não usavam materiais de grandes franquias. Essas empresas usavam materiais semelhantes aos que eu usava. Ali, na Feira do Empreendedor, percebi que estava no caminho certo. Além disso, eu também pude fazer contatos com fornecedores”, lembra Claudete Soares. As experiências vividas na Feira do Empreendedor 2008 - Paraná, em Londrina, motivaram a empresária. Claudete Soares conta que já planeja participar do evento em Maringá. “Um evento como esse é sempre muito importante para reciclar o conhecimento.” O empresário Rogério Sapia Gonçalves participou como expositor de oportunidades na Feira do Empreendedor em Londrina. Rogério Gonçalves é sócioadministrador da Nadar Fitness Aquático, uma pequena empresa localizada em Londrina há sete anos. “A Feira do Empreendedor nos deu visibilidade. Mais que negócios, ampliamos nossa carteira de clientes. Eventos como esse fazem a gente, como empresário, repensar o negócio e suas implicações. Foi uma excelente experência”, destaca o empresário.

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Análise A análise das propostas apresentadas foi feita por uma comissão de avaliação constituída pelo Sebrae/PR, especificamente para esse fim. “A comissão teve a responsabilidade de compor um mix de oportunidades consistentes que atenda o visitante da Feira do Empreendedor 2010 - Paraná de forma satisfatória, ampliando suas possibilidades de desenvolvimento e respeitando a realidade econômica local, regional e estadual”, informa o consultor do Sebrae/PR, Rafael Tortato. As oportunidades, explica a gestora, foram analisadas, de acordo com critérios norteadores. Dentre os quais, cita Tortato, consistência e coerência dos dados informados na ficha de oportunidade, bem como o investimento necessário considerando custos adicionais de reformas, decoração, estoque inicial, capacitação da mão de obra, uniformes, comunicação visual, taxa de retorno em % ou em tempo, dentre outros. Outro critério levado em conta foi o nível de inovação e ineditismo da oportunidade ofertada. E por fim, a adequa-

ção da oportunidade ofertada em relação ao perfil do público-alvo visitante do evento e estudos realizados pelo Sebrae/PR sobre empreendedores e empresários paranaenses.

Histórico A Feira do Empreendedor acontece, no atual formato, desde 1994, com mais de 80 edições e 1,5 milhão de visitantes. Mais de 400 mil empreendedores já foram capacitados nas várias edições por todo o Brasil. No Paraná, já foi realizada duas vezes em Curitiba (1997 e 2004), uma vez em Arapongas (1998) e recentemente em Londrina (2008). É um dos eventos de maior sucesso, promovidos pelo Sebrae, com oportunidades, informações, conhecimento, em um único lugar, capazes de estimular e gerar negócios. Todos os conteúdos e soluções são adequados à realidade local. O maior evento de empreendedorismo no Paraná, uma realização do Sebrae/ PR em parceria com a Prefeitura de Maringá, promete grandes atrações. Estão previstos cerca de 20 mil visitan-

tes de todo o Estado; 200 caravanas; participação de empreendedores e empresários de 350 dos 399 municípios do Paraná e da região transfronteiriça, englobando Argentina e Paraguai; quatro palestras-magnas com especialistas de renome nacional; 50 ações em média de capacitação ao dia, entre palestras empresariais e oficinas. “A Feira do Empreendedor 2010 – Paraná é um evento dedicado exclusivamente à difusão do empreendedorismo; ao oferecimento de conhecimento em empreendedorismo e gestão; a mostrar e difundir o conceito de inovação; ao oferecimento de soluções práticas e viáveis para pequenas empresas; ao estímulo, surgimento ampliação e diversificação de novos empreendimentos; e à prestação de esclarecimentos e orientações. Os empreenderes e empresários que querem abrir ou ampliar seus negócios não podem deixar de conferir o mix de oportunidades de negócios que vamos oferecer. São ideias simples e viáveis”, reforça Joana D’Arc Julia de Melo. (Colaborou nesta reportagem a jornalista Giselle Ritzmann Loures)

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Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Foto: Agência La Imagen

Amigos da pequena empresa

Sete iniciativas empreendedoras

que fazem a diferença

no Paraná Prêmio Prefeito Empreendedor reconhece as melhores práticas de desenvolvimento local

Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Sebrae Nacional, e Gilmar Silva, prefeito de Munhoz de Mello, durante a premiação estadual do Prêmio Prefeito Empreendedor

Por Giselle Ritzmann Loures e Leandro Donatti

O Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor é um reconhecimento às melhores práticas de desenvolvimento local com foco no empreendedorismo e nas micro e pequenas empresas. Realizado em todo o País, no Paraná, sete iniciativas foram destaque na premiação estadual, realizada em abril deste ano, pelo Sebrae/PR. A regulamentação do Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, conhecido como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, de 2006, como um instrumento para promover novas oportunidades para empreendedores e empresários, foi o mote da sexta edição do Prêmio.

A cerimônia de entrega do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor aconteceu na sede do Sebrae/PR em Curitiba, com a presença do diretor técnico do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos; do presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, Jefferson Nogaroli; da Diretoria Executiva e de integrantes do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR e, também, de lideranças de entidades empresariais, políticos e gestores públicos

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O prefeito de Munhoz de Mello, Gilmar José Benkendorf Silva, foi o grande vencedor do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor - Etapa Paraná ao conquistar a categoria “Melhor Projeto Estadual”. Gilmar Silva venceu também a etapa nacional, pela Região Sul, em maio, durante cerimônia realizada em Brasília. Homero Barbosa, de Londrina, foi destaque na categoria “Desburocratização”; Silvio Barros, de Maringá, “Implantação da Lei Geral”; Beto Richa, de Curitiba, “Médios e Grandes Municípios”; José Carlos Becker, de Cruzeiro do Oeste, “Formalização de Empreendimentos”; Claudiomiro Quadri, de Capitão Leônidas Marques, “Educação Empreendedora e Inovação”; e

Eliezer José Fontana, de Corbélia, “Compras Governamentais”. O Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor é realizado pelo Sebrae, com o apoio da União Nacional dos Legislativos Estaduais (Unale), Confederação Nacional de Municípios (CNM), Associação Brasileira de Municípios (ABM), Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Frente Empresarial pela Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, Frente Parlamentar das Micro e Pequenas Empresas e Movimento Brasil Competitivo (MBC). “Capitão Leônidas Marques, Corbélia, Curitiba, Cruzeiro do Oeste, Londrina, Maringá e Munhoz de Mello são Municípios Amigos da Pequena Empresa e seus administradores, Prefeitos Empreendedores. Os títulos, instituídos pelo Sebrae, nada mais são que um reconhecimento ao trabalho dos gestores públicos que apostam no desenvolvimento a partir do empreendedorismo e das pequenas empresas”, diz o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/ PR, Jefferson Nogaroli.

O Prêmio Prefeito Empreendedor já mobilizou um terço dos 5.564 municípios do País, e, somente nesta edição, a premiação contou com 1,3 mil prefeituras

Segundo Nogaroli, o prefeito é, sem dúvida, o principal líder num município. “Por isso, é importante termos prefeitos empreendedores, gestores que se preocupem em promover o desenvolvimento social e econômico, tendo os pequenos negócios como aliados. As micro e pequenas empresas representam 99% dos

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Com pouco mais de 3,5 mil habitantes, Munhoz de Mello, no noroeste do Paraná, entrou para a galeria dos Municípios Amigos da Pequena Empresa graças à visão empreendedora do prefeito Gilmar José Benkendorf Silva. Suas iniciativas, para promover um ambiente propício ao desenvolvimento municipal, renderam-lhe reconhecimento nacional. Gilmar Silva foi um dos vencedores do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor, pela Região Sul. A cerimônia de premiação, que reconheceu o trabalho realizado por nove prefeitos brasileiros, aconteceu em maio, em Brasília. Na etapa paranaense do Prêmio, o prefeito de Munhoz de Mello conquistou a principal categoria da premiação: “Melhor Projeto Estadual”. Em Munhoz de Mello, com economia predominantemente agrícola, o prefeito encontrou no incentivo à agricultura e à pecuária uma equação de sucesso. Para isso, fortaleceu a Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Munhoz de Mello, com a doação de máquinas e equipamentos, fundamentais para o desenvolvimento da entidade, criada em 1998. Assim, a partir de 2005, a Associação se desenvolveu, gerando oportunidades aos produtores de pequenas propriedades. O segundo passo para promover o desenvolvimento sustentável do município

foi a criação do Programa Municipal de Apoio à Agricultura Familiar de Munhoz de Mello (PROMAFAM), em 2006. Nesse contexto e para promover o entrosamento entre as atividades promovidas pelo executivo municipal, órgãos e entidades públicas e privadas, voltados ao desenvolvimento rural do município, o prefeito incentivou a constituição do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Munhoz de Mello (CMDRM). Em 2007, Gilmar Silva tornou utilidade pública a Associação dos Produtores e Vendedores de Leite de Munhoz de Mello (Aproveleite), que entre os seus objetivos está integrar e fortalecer a atividade leiteira do município, proporcionando o crescimento qualitativo e quantitativo para seus associados e, ainda, proporcionar aos produtores a regulamentação da venda direta do leite e seus derivados para consumidores e atacadistas, dentro das normas exigidas. Com isso, o leite que era vendido na rua em garrafas pet, hoje passou a ser comercializado na forma pasteurizada.

Julio Cezar Agostini, diretor de Operações do Sebrae/PR, e Homero Barbosa Neto, prefeito de Londrina, na cerimônia do Prêmio Prefeito Empreendedor

Além dessas ações voltadas ao desenvolvimento do empreendedorismo rural, Gilmar Silva ainda investiu na proteção e controle da área ambiental; na conservação e recuperação do meio ambiente do município; e no desenvolvimento de uma comunidade escolar, promoção e cooperação para preservação do meio ambiente, por meio da reciclagem.

Ambiente favorável

Foto: Agência La Imagen

Nesta edição, foram 21 iniciativas inscritas na premiação no Paraná, de Munhoz de Mello, Corbélia, Curitiba, Nova Aurora, Capitão Leônidas Marques, Foz do Iguaçu, Londrina, Pato Branco, Cruzeiro do Oeste, Maringá, Paranaguá, Sabáudia, Umuarama, Marechal Cândido Rondon, Araucária, Vera Cruz do Oeste, Realeza, Matelândia, São Jorge do Patrocínio, Almirante Tamandaré e Nova Prata do Iguaçu. A informação é do coordenador estadual de Políticas Públicas do Sebrae/ PR, Cesar Rissete. “No Brasil, o Prêmio Prefeito Empreendedor já mobilizou um terço dos 5.564 municípios do País, e, somente nesta edição, a premiação contou com 1,3 mil prefeituras, das quais 719 tiveram seus projetos habilitados e que concorreram à etapa nacional.” Segundo Rissete, a premiação é uma forma de reconhecer melhores práticas de apoio às micro e pequenas empresas e a operacionalização da Lei Geral.

Visão de futuro

Fotos: Bernardo Rebello/ ASN

estabelecimentos formais, respondem por 60% dos empregos com carteira assinada e movimentam 20% do Produto Interno Bruto”, destaca. “Que o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor sirva de inspiração e de estímulo para que os prefeitos paranaenses incluam, cada vez mais, o empreendedorismo e as micro e pequenas empresas em seus planos de governo”, complementa o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR.

Prefeitos reconhecidos com o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor com o diretor técnico do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos, com o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, Jefferson Nogaroli, com a Diretoria Executiva do Sebrae/ PR e com integrantes do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR

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É importante haver prefeitos empreendedores, gestores que se preocupem em promover o desenvolvimento, tendo os pequenos negócios como aliados

Homero Barbosa Neto conquistou um importante título no primeiro ano de sua administração, como prefeito de Londrina, completado em maio deste ano. O prefeito foi reconhecido no destaque temático “Desburocratização”. Municipalizar a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e garantir que os benefícios previstos na Lei possam ser usufruídos por empreendedores e empresários foi o ponto de partida de Homero Barbosa para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de pequenos negócios. No dia 6 de outubro de 2010, o prefeito de Londrina sancionou a Lei Municipal 10.778/09 que criou um tratamento diferenciado e favorecido às micro e pequenas empresas do município e, também, aos empreendedores individuais.

Londrina, no norte do Paraná, tem mais de 500 mil habitantes e cerca de 30 mil micro e pequenas empresas. Por meio da legislação, as microempresas e empresas de pequeno porte tiveram significativa melhoria nas condições para sua participação nas compras efetuadas pelo município. A atual administração foi além do que recomenda a Lei Geral, de âmbito nacional, e estabeleceu intervalos percentuais que variam de 10% a 15% para serem observados nos procedimentos licitatórios executados no município. De acordo com a Lei Geral de Londrina, ficou determinado ainda que empreen-

dedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte ficam isentos do pagamento de Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), nos primeiros três meses de funcionamento. O programa de microcrédito executado pelo governo municipal, por meio da Agência do Trabalhador de Londrina, também pesou na premiação de Londrina. O Banco Social oferece crédito desburocratizado para pessoas físicas e jurídicas, fomentando o empreendedorismo e a geração de renda. O programa é executado em convênio com o governo do Estado.

Na vanguarda Maringá, no noroeste do Paraná, foi o primeiro município do Brasil a instituir uma Lei Geral da Micro e Pequena Empresa com abrangência municipal. Foi em setembro de 2006, antes mesmo da aprovação da legislação em âmbito federal, o que só aconteceu em dezembro do mesmo ano. A iniciativa nasceu na administração do atual prefeito Silvio Barros e demonstra a visão empreendedora do gestor público. Em Maringá, município que tem mais de 300 mil habitantes e cerca de 24 mil micro e pequenas empresas, uma série de ações para promover um ambiente de desenvolvimento econômico voltado aos pequenos negócios vem sendo realizada. Por essas iniciativas, Silvio Barros foi re-

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Da implantação da legislação nasceram diversas outras iniciativas. O Bairro Empreendedor, um programa lançado pela administração municipal, em parceria com o Sebrae/PR, é uma delas. O programa leva um conjunto de soluções empresariais para as micro e pequenas empresas localizadas em bairros da cidade. Outro objetivo é que, com um comércio fortalecido, os moradores não necessitem se deslocar para o centro ou para outros bairros da cidade para comprar. Uma estratégia que fomenta o desenvolvimento da economia local. As ações do Bairro Empreendedor duram cerca de oito meses. Nesse período, os trabalhos são divididos em etapas junto às empresas.

Mais oportunidades

Para estruturar condições urbanas, tecnológicas e de infraestrutura, capazes de criar um ambiente propício à inovação e à competitividade no meio urbano de Curitiba, o então prefeito fomentou a criação do Curitiba Tecnoparque. Mais do que um programa municipal de desenvolvimento baseado na inovação, a iniciativa trata-se de um ambiente físico e digital orientado à geração e suporte às micro e pequenas empresas inovadoras, assim como é um programa de atratividade de novas empresas baseadas em tecnologia e inovação.

que garante um caráter multidisciplinar, democrático e orientado pela realidade empresarial, acadêmica, social e tecnológica da cidade. Ao estar inserido no ambiente urbano, tem como natureza central criar um elo de ligação entre os principais ativos tecnológicos da cidade e as micro e pequenas empresas, possibilitando que os pequenos negócios tenham real condições de inovar tecnologicamente e se inserirem cada vez mais no ambiente competitivo.

A regulamentação do Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte foi o mote da sexta edição do Prêmio Prefeito Empreendedor

Destaque também no projeto inscrito no Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor, está a criação da Agência Curitiba de Desenvolvimento S/A. Fundada em dezembro de 2007, a Agência Curitiba tem a finalidade de fomentar a atividade econômica de Curitiba, por meio do desenvolvimento da infraestrutura, da base empresarial, da ciência e da tecnologia, com ênfase nas parcerias público-privadas. Com esse foco, a empresa trabalha no assessoramento a empreendedores, investidores e empresas interessadas em instalar ou ampliar suas atividades no município, oferecendo capacitação e espaço para micro e pequenas empresas, informações técnicas, socioeconômicas e ambientais, entre outras. A Agência Curitiba assumiu as atividades que até 2007 foram executadas pela Companhia de Desenvolvimento de Curitiba, Curitiba S/A (denominação da antiga Cidade Industrial de Curitiba - CIC).

O Curitiba Tecnoparque é gerido por uma parceria bem-sucedida entre a Prefeitura, universidades e instituições de pesquisas da capital paranaense, o

Fotos: La Imagen

Criar um ambiente de empreendedorismo inovador. Para construir esse cená-

rio, o ex-prefeito de Curitiba Beto Richa, que desincompatibilizou-se do cargo em abril passado, investiu em uma série de ações que levaram o projeto da capital paranaense ser reconhecido como destaque temático “Médios e Grandes Municípios”.

Allan Marcelo de Campos Costa, diretor-superintendente do Sebrae/PR, e Juraci Barbosa Sobrinho, diretor presidente da Agência Curitiba/SA, que representou o ex-prefeito de Curitiba, Beto Richa, e o prefeito Luciano Ducci, na entrega do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor

Incentivo à qualificação

negócios geram mais empregos e, consequentemente, mais renda. Foi com essa visão que, em 2005, José Carlos Becker de Oliveira e Silva assumiu a Prefeitura de Cruzeiro do Oeste, no noroeste do Paraná. Com essa visão, o ex-prefeito do município, que desincompatibilizou-se do cargo em abril, foi reconhecido com o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor no destaque temático “Formalização de Empreendimentos”.

Estimular a criação e a instalação de empresas é uma fórmula que impulsiona a economia dos municípios, já que novos

Entre as ações realizadas pelo ex-prefeito, com o objetivo de garantir profissionais qualificados e preparados para atuar

ssidades principalmente das empresas participantes do Programa Curitiba Tecnoparque, dando aos participantes, (estudantes do ensino médio da rede pública de ensino e empreendedores certificados pelo Programa Bom Negócio), melhores oportunidades de trabalho e às micro e pequenas empresas a possibilidade de dispor de empregados mais qualificados.

Fotos: La Imagen

Outra ação reconhecida na premiação foi o desenvolvimento do Programa Lapidando Talentos, que visa à rápida qualificação de mão de obra para suprir as nece-

Fotos: La Imagen

conhecido com o destaque temático “Implantação da Lei Geral”. “Quem administra vê números, quem governa enxerga pessoas”, observa o prefeito.

Ardisson Naim Akel,presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), e Silvio Barros, prefeito de Maringá, na entrega do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor, em Curitiba

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Os títulos, instituídos pelo Sebrae, nada mais são que um reconhecimento ao trabalho dos gestores públicos que apostam no desenvolvimento a partir do empreendedorismo e das pequenas empresas

Ercílio Santinoni, presidente da Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas do Estado do Paraná (FAMPEPAR), e José Carlos Becker de Oliveira e Silva, ex-prefeito de Cruzeiro do Oeste, na entrega do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor

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Fotos: La Imagen

Fotos: La Imagen

Falta foto

Jefferson Nogaroli, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, e Eliezer José Fontana, prefeito de Corbélia, na entrega do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor

Darci Piana, presidente do Sistema Fecomércio/PR, e Claudiomiro Quadri, prefeito de Capitão Leônidas Marques, na entrega do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor, em Curitiba

em novas empresas do município, está o Programa Fábrica de Mão de Obra, uma estratégia para fomentar a política de geração de emprego e renda. Em formato de escola, a iniciativa promoveu cursos de profissionalização voltados para as áreas de confecção e facção industrial. Logo no início do programa, a procura por qualificação foi expressiva. Com o bom resultado, a administração municipal de Cruzeiro do Oeste decidiu ampliar o leque de ofertas de cursos de qualificação profissional, com foco em atender a demanda de ofertas de emprego em evidência na Agência do Trabalhador.

ramos, o que, também, atraiu unidades de produção, principalmente do setor de confecções, gerando emprego e renda para a cidade.

Outra iniciativa criada pela administração municipal foi o Programa de Geração de Emprego e Renda (Pró-Gerar), no qual a Prefeitura oferece incentivos às empresas que se comprometem em gerar novos empregos. Entre 2005 e 2007, por meio do Pró-Gerar, a Prefeitura também investiu na recuperação de prédios que estavam abandonados. O resultado foi que essas edificações foram ocupadas por empresas de vários

O produtor Nelci Luiz Faveretto lembra como se fosse hoje o entusiasmo do atual prefeito Claudiomiro Quadri, em incentivar a produção de uvas no pequeno município, de 13 mil habitantes, no oeste do Paraná. Em seu segundo mandato, Claudiomiro Quadri foi premiado no destaque temático “Educação Empreendedora e Inovação”. Entre as ações incentivadas, Claudiomiro Quadri fomentou a fruticultura e a diversifica-

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O Programa também criou uma Incubadora Empresarial. Como uma espécie de berçário, a incubadora oferece as condições necessárias para a instalação de empreendedores que estão iniciando seu próprio negócio. E os primeiros empreendedores a ocupar o espaço da incubadora foram participantes do Fábrica de Mão de Obra.

Educação empreendedora

ção do plantio, como estratégia para promover a permanência dos agricultores nas pequenas propriedades. Para isso, promoveu visitas técnicas a Ampére e Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, e, também, para Garibaldi e Veranópolis, no Rio Grande do Sul. As viagens abriram frentes no uso de novas tecnologias na produção de uva. Entre as ações realizadas pelo prefeito ainda está um projeto inscrito junto ao Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar). Com essa iniciativa, a Associação dos Artesãos de Capitão Leônidas Marques (ARTECAP) desenvolveu uma linha de novos produtos, que tem por base os resíduos da indústria de estofados Anjos do Brasil e das indústrias de confecção de jeans. Essas sobras eram descartadas no meio ambiente ou estavam estocadas sem destino certo. A administração pública de Capitão Leônidas Marques ainda desenvolveu outras ações para o incentivo da educação empreendedora como o projeto Grande Parada; o projeto ProJovem; o projeto Família Atuante e o projeto Centro de Qualificação Profissional.

Mercado promissor Para reconhecer iniciativas de gestores

públicos que utilizam pequenas empresas como fornecedoras de produtos e serviços para o município, o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor concedeu o destaque temático “Compras Governamentais” ao prefeito de Corbélia, Eliezer José Fontana. O gestor público foi premiado pela realização de diversas ações criadas para a promoção de novas oportunidades de negócios para os produtores rurais do município, que tem 15 mil habitantes e está localizado no oeste do Paraná. Dentre as quais, a organização desses produtores para que, de forma cooperada, aumentassem a comercialização de seus produtos.

O incentivo à realização de visitas técnicas de produtores de agroindústrias a outras regiões, para promover a troca de experiências, também foi outra estratégia para gerar conhecimento. A administração ainda investiu em cursos de qualificação para os empreendedores rurais em suas respectivas áreas de atuação, com ênfase no respeito aos critérios legais de higiene e qualidade na produção de alimentos.

Com a Associação dos Produtores Rurais de Corbélia (Apracor), os produtores também passaram a ter acesso a orientações sobre custos de produção e sobre a viabilidade econômica dos produtos fabricados, bem como a formação de preços para a venda e, ainda, a participação em feiras e eventos, as-

sim estabelecendo o acesso a novos mercados. O prefeito apoiou a organização de uma cooperativa de produtores rurais, fruto dos bons resultados alcançados pelos filiados à Apracor em feiras e eventos. Ao criar e formalizar a Cooperativa das Agroindústrias Familiares do Oeste do Paraná (COPERAFA), os produtores abriram mercado tanto no atacado quanto no varejo, além de terem condições de participarem de licitações públicas. Assim, além de produtores de Corbélia, a Cooperativa também reuniu empreendedores dos municípios de Missal, Matelândia, Cafelândia e Nova Aurora, passando a comercializar a produção com a emissão de nota fiscal.

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Transformação Quatro municípios do Paraná estão mudando suas realidades a partir do empreendedorismo e das micro e pequenas empresas. Carlópolis, no norte do Paraná; Bom Sucesso do Sul, no sudoeste; Munhoz de Mello, no noroeste; e Imbaú, no centro-sul do Estado, apostam nos pequenos negócios para superar as dificuldades e o baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Municípios investem em pequenos negócios para superar baixo IDH

Com a ajuda do Sebrae/PR, lideranças e comunidades dos quatro municípios constroem o Programa de Desenvolvimento Municipal, iniciativa-piloto que começa transformar os territórios. O desafio foi lançado no final do ano passado, quando a proposta começou a ser trabalhada oficialmente nos quatro municípios do interior do Estado.

Programa de Desenvolvimento Municipal muda a realidade em Bom Sucesso do Sul, Carlópolis, Imbaú e Munhoz de Mello

O Programa de Desenvolvimento Municipal inclui, dentre várias ações, um pacote de soluções focadas no empreendedorismo e nas micro e pequenas empresas. “O objetivo é contribuir para a construção de um ambiente favorável que potencialize as micro e pequenas empresas e o empreendedorismo como geradores de emprego, renda e qualidade de vida”, diz o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, Jefferson Nogaroli.

Por Leandro Donatti

Com a duração de três anos, o Programa de Desenvolvimento Municipal vem sendo executado pelo Sebrae/PR, poder público e iniciativa privada, e gerenciado por governanças locais, constituídas por representantes dos municípios. Estão previstos investimentos de R$ 200 mil em cada município, entre recursos do Sebrae/PR e contrapartidas municipais. Uma metodologia própria, com sete etapas, foi criada para a execução do Programa: delimitação do território; sensibilização dos atores locais; diagnóstico; formação de governança; desenho da estratégia; organização e coordenação de programas e projetos e execução do plano de ação. Em junho, uma campanha publicitária iniciou nos quatro municípios, com outdoors divulgando o Programa. Em agosto, foi lançado o “Concurso Como você deseja ver o seu município daqui a dez anos”, envolvendo alunos de 1ª a 8ª séries do ensino fundamental, das escolas municipais. Acompanhe a seguir as principais ações do Programa nos quatro municípios selecionados pelo Sebrae/PR para pilotarem a proposta.

Carlópolis Envolvimento do poder público e entidades, potencialidades a serem desenvolvidas e uma comunidade disposta a enca-

Foto: Prefeitura Municipal

Para isso, estão sendo colocadas em prática ações estratégicas respeitando a vocação de cada território. O públicoalvo do Programa são empreendedores e empresários da indústria, comércio,

serviços e agronegócio, formais e informais, jovens com potencial empreendedor, lideranças e comunidade.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Carlópolis, município do norte do Paraná

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Foto: La Imagen

para acompanhar presencialmente o grupo de professores durante todo o ano letivo e um portal na internet que contêm materiais de apoio. O Programa Educação Empreendedora tem por objetivo disseminar, na escola pública, a cultura do empreendedorismo e contribuir para a formação de crianças, adolescentes e jovens. Em agosto, entre os dias 16 e 20, aconteceram entrevistas para os interessados em participar do Empretec, um dos melhores programas de capacitação empreendedora do mundo, fruto da parceria entre Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Sebrae Nacional. O Empretec deve beneficiar 25 empresários. Os seminários desse Programa acontecem no período de 30 de agosto a 4 de setembro.

Roberto Coelho, prefeito de Carlópolis Munhoz de Melo

No intuito de colaborar para a formação de líderes mais conscientes, atuantes e atentos às questões de interesse coletivo, o Programa de Desenvolvimento Municipal levou a Carlópolis o treinamento Liderar, que capacitou 22 pessoas, entre janeiro e fevereiro deste ano. A quase totalidade desses participantes atua hoje na governança do Programa, auxiliando voluntariamente a elaboração e execução do planejamento estratégico da localidade. Duas vezes ao mês, o município recebe o atendimento itinerante do Sebrae/PR, que leva a empresários e empreendedores acesso a conhecimento de qualidade, orientações empresariais, atendimentos e consultorias gratuitas para iniciar um novo negócio ou gerir melhor aqueles já existentes. Em março, foi concluído e apresentado, no Salão Paroquial da Igreja Matriz do município, os resultados do Estudo do Ambiente Econômico e Institucional de Carlópolis. Com base nesse relatório, foi promovida uma oficina de planejamento estratégico participativo. Os 22 participantes decidiram formar cinco núcleos setoriais para potencializar as áreas de turismo, frutas, peixes, café e Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Cada uma dessas áreas temáticas conta com dois representantes, que também são membros de um comitê gestor municipal, e um especialista indicado

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pelo Sebrae/PR para ajudar o grupo a formalizar seu objetivo, criar o plano de ação, estimular a cooperação e acompanhar a execução das ações. Cada núcleo setorial formado mantém uma agenda de encontros quinzenal e desenvolve ações nas áreas de associativismo, marketing, empreendedorismo e qualificação profissional, de acordo com sua necessidade. “Esse arranjo tem acelerado o desenvolvimento das ações. No momento, a meta dos fruticultores do município é conseguir uma sede própria para melhorar a atividade. Na piscicultura, a proposta é expandir o número de tanques-rede. No turismo, o trabalho está voltado para a inauguração do Centro de Informação Turística, um serviço de orientação aos turistas. Já os cafeicultores esforçam-se para melhorar a qualidade de sua produção”, explica o consultor do Sebrae/PR em Jacarezinho, Roberto Janz. Os líderes de cada área temática têm como responsabilidades mobilizar os empreendedores do setor, apoiar o consultor e levar para a reunião do Comitê Gestor Municipal os resultados alcançados. Em abril, 25 empresários de Carlópolis iniciaram o Programa VarejoMAIS em Ação, uma solução do Sebrae/PR e do Sistema Fecomércio/PR para tornar o comércio varejista municipal mais forte, lucrativo e competitivo. Em junho, teve início o Programa Educação Empreendedora. Uma oficina capacitou e orientou 22 professores do ensino básico, da rede pública de ensino. Agora os mestres se reúnem e decidem como aplicar os conhecimentos adquiridos. O Sebrae/PR disponibiliza um consultor

Maringá

Londrina

O empresário Fábio Sasdelli, da loja de móveis Movepar, integra a governança do Programa de Desenvolvimento de Carlópolis e participa do Programa VarejoMAIS em Ação. Desde que iniciou seu envolvimento no Programa, surpreendeu-se com a capacidade que o associativismo tem de provocar mudanças. “O Programa de Desenvolvimento Municipal é muito bem estruturado e está revolucionando o nosso modo de

Imbaú

Imbaú

C Cascavel

Curitiba

Bom Sucesso do Sul Pato Branco

Carlópolis

Segundo o último Censo, realizado em 2007, Carlópolis conta com 13.710 habitantes, sendo que 34% da população residem na área rural. Em Carlópolis, existem 2,04 habitantes para cada cidadão economicamente ativo. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é 0,727. O Produto Interno Bruto (PIB) de Carlópolis equivale a R$ 82.597,00 e representa 0,05% do PIB do Paraná. A indústria têxtil, o comércio e a administração pública são os maiores empregadores de Carlópolis. A mão de obra com nível superior representa apenas 7% dos funcionários do município. A grande maioria dos trabalhadores de Carlópolis, 69%, recebe entre 1 e 1,5 salários mínimos por mês, ou seja, entre R$ 415,00 e R$ 622,50. Apenas 6% da população da cidade recebem mais de três salários.

Nivaldo Moreno é empresário do setor de confecções e se prepara para inaugurar um hotel em Carlópolis, no início de 2011. O investimento do novo empreendimento, que deve suprir a carência de hospedagem da cidade, gira em torno de R$ 1 milhão. Ele conta que, quando soube da dedicação do Sebrae/PR em prol do desenvolvimento do município, ficou ainda mais animado. “Carlópolis tem muitas potencialidades que precisavam ser exploradas, então o Programa veio na hora certa. Acredito que os bons resultados desse trabalho devem beneficiar não só o município, mas toda a microrregião. A presença do Sebrae/PR na cidade tem trazido conhecimento de qualidade que se reflete em melhoria dos negócios”, assinala Nivaldo Moreno. Na avaliação de Roberto Janz, o Programa de Desenvolvimento Municipal de Carlópolis superou as expectativas. Segundo ele, apesar de os resultados ain-

da estarem construídos, as previsões de transformação da cidade são muito boas. “Um dos grandes méritos da iniciativa é o grande número de pessoas envolvidas e comprometidas em cada uma das soluções levadas para a cidade e o fato de representantes de setores que não estão sendo trabalhados inicialmente solicitarem o apoio do Sebrae para seu desenvolvimento”, destaca o consultor. As próximas fases do Programa de Desenvolvimento Municipal vão contemplar, além dos setores já beneficiados, o desenvolvimento da produção de leite, facções e artesanato. Bom Sucesso do Sul A cultura empreendedora da escola ao pequeno negócio, seja no campo ou na cidade. Esta tem sido a regra do município de Bom Sucesso do Sul, no sudoeste do Estado, desde novembro do ano passado, data em que se iniciou o Programa de Desenvolvimento Municipal. Programa do Sebrae/PR, que tem como objetivo construir um ambiente favorável que potencialize as micro e pequenas empresas e o empreendedorismo como geradores de emprego, renda e qualidade de vida. Uma iniciativa que, além do apoio da Prefeitura Municipal, Associação Comercial e Câ-

Foto: Prefeitura Municipal

rar o desafio de transformar sua própria realidade são fatores que contribuíram para que Carlópolis, no norte do Paraná, passasse a integrar o Programa, lançado na cidade, em novembro de 2009, na presença de mais de 200 pessoas.

pensar. As ferramentas apresentadas nos permitem buscar soluções, traçar caminhos para o desenvolvimento e participar da construção do futuro próspero para nossa cidade”, avalia o empresário.

Bom Sucesso do Sul, município do sudoeste do Paraná

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Foto: La Imagen

Programa de Desenvolvimento Municipal inclui, dentre várias ações, um pacote de soluções focadas no empreendedorismo e pequenas empresas

Élson Munaretto, prefeito de Bom Sucesso do Sul mara Municipal, tem contagiado a população de Bom Sucesso do Sul. Munhoz de Melo

Maringá

Londrina

Carlópolis

Imbaú

Cascavel

Bom Sucesso do Sul

Curitiba

Pato Branco co

Pato Branco

Bom Sucesso do Sul, na região sudoeste do Estado, é um município com pouco mais de 3 mil habitantes, emancipado há 17 anos. Colonizado por migrantes gaúchos de origem italiana e por imigrantes ucranianos e alemães, o município tem sua base econômica no agronegócio e mantém projetos de turismo religioso e gastronômico. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é 0,735.

Enquanto era realizado o diagnóstico do ambiente econômico e institucional de Bom Sucesso do Sul, o Programa preparava novas lideranças e semeava a união pelo município. Para tanto, soluções do Sebrae/PR e parceiros, como o Liderar, Educação Empreendedora, Sebrae Itinerante, Empretec e VarejoMAIS, aplicadas com apoio das entidades locais, aos poucos configuram -se como diferenciais de sucesso para pessoas e empresas. “O desafio da transformação, a participação, a cultura empreendedora, tudo está sendo trabalhado para o desenvolvimento humano, social e econômico do município”, aponta Cesar Colini, consultor do Sebrae/PR em Pato Branco. Com as informações do diagnóstico e capacitações em andamento, as ações do Programa foram sendo casadas conforme as demandas do local. No estudo, foram levantadas as características sociodemográficas e econômicas, análise de aspectos gerais, ambiente econômico e organizacional, apoio aos empresários e o perfil dos estabelecimentos comerciais.“O levantamento apontou uma agricultura forte, a base para o turismo religioso e gastronômico. Fatores que estão sendo o foco das ações do poder público, entidades e empresariado, que entenderam a relevância da ação conjunta para lutar pelo lugar onde vivem e têm suas famílias”, analisa Colini. As perspectivas para o Programa também seguem as estratégias orientadas

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pelo diagnóstico econômico e institucional. “Com base no associativismo, vamos utilizar a metodologia da Central de Negócios para o comércio local e agroindústria, aproximando o lojista da produção e aproveitando o potencial turístico local. Queremos colocar Bom Sucesso do Sul em roteiros nacionais”, projeta Colini. Na rede municipal de ensino de Bom Sucesso, o empreendedorismo está dentro da sala de aula. A capacitação de professores com o Educação Empreendedora permite aos profissionais atuarem como formadores de crianças e jovens empreendedores. No treinamento, os educadores receberam informações sobre como criar condições necessárias ao etntendimento e identificação das características e comportamentos empreendedores a partir da aprendizagem vivencial.

cesso também leva novos conteúdos para desenvolver o empresário, do seu potencial empreendedor à melhoria do seu empreendimento. Dentro dessa proposta, o Sebrae/PR realizou um seminário Empretec, consultorias com o Sebrae Itinerante e mantém em andamento o VarejoMAIS em Ação. No Empretec, foram 21 participantes que puderam desenvolver características de comportamentos empreendedores utilizando a metodologia do Programa aplicado em mais de 30 países.

de um ambiente favorável para o desenvolvimento da comunidade, visando à geração de emprego e renda, de forma sustentável. A iniciativa foi lançada, oficialmente, no município em novembro de 2009, em uma cerimônia que reuniu cerca de 500 pessoas e contou com a presença do presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, Jefferson Nogaroli; da Diretoria Executiva do Sebrae/PR, além do prefeito da cidade, Gilmar José Benkendorf Silva e autoridades.

No VarejoMAIS em Ação, 23 lojistas estão recebendo informações sobre vendas, promoções, visual de loja, marketing, finanças, atendimento, inadimplência, entre outros. O empresário Anderson Ivan Lachamn participou do Empretec e integra a turma de lojistas do VarejoMAIS. Para ele, o conhecimento agregado e a troca de experiência entre os empresários são benéficos para os negócios e para o ambiente econômico.

Durante esse período, o Programa já atendeu aproximadamente 70 empresas e 40 empreendedores e, também, propriedades rurais. Cerca de 1,6 mil pessoas participaram dos eventos realizados no município.

Anderson acredita que a mobilização em torno do Programa já está rendendo bons frutos em Bom Sucesso do Sul. “A expectativa de crescimento, a mudança de pensamento e atitude com vistas ao desenvolvimento começam a ser percebidas. Basta uma pequena conversa e a gente percebe”, testemunha. Para o prefeito Élson Munaretto, a população literalmente comprou a ideia de trabalhar o desenvolvimento do município de forma conjunta. Munaretto lembra que o Programa está despertando os mais diversos setores para cooperação, o que vem ao encontro dos projetos e obras de infraestrutura que a Prefeitura vinha realizando e passaram a ter uma nova percepção.

A secretária de Educação, Cultura e Esportes, Cleudete Drancka Nichelle, conta que não existe uma disciplina específica, mas uma inserção dos conteúdos repassados no treinamento do Sebrae/PR no dia a dia do aluno. “Ninguém desenvolve o empreendedorismo isoladamente, mas sim dentro de um cenário de negócios, conhecimento e social. Por isso, estamos estimulando o despertar do empreendedorismo nos nossos alunos”, comenta Cleudete. São 295 alunos, de 1ª a 4ª séries, estimulados a empreender desde a infância.

“As pessoas estão mais participativas, elogiam e, quando precisam, questionam, assumindo o seu papel de cidadãos. Essa postura potencializa nossos projetos e transforma as obras públicas em verdadeiros benefícios a todos”, destaca.“Hoje temos a certeza de que valeu a pena acreditar no Sebrae/PR e encarar o desafio de ser um dos quatro municípios do Estado a realizar o Programa de Desenvolvimento Municipal”, completa o prefeito.

Além de trabalhar a formação de líderes com as capacitações de 30 pessoas dentro do Liderar, o Programa de Desenvolvimento Municipal em Bom Su-

Em Munhoz de Mello, na região noroeste do Paraná, o Programa de Desenvolvimento Municipal vem contribuindo para acelerar o processo de construção

Munhoz de Mello

Com um trabalho específico, o Programa vem contribuindo para a organização e valorização do capital humano, o que envolve a formalização de empresas, apoio para o surgimento de pequenos negócios, orientações e consultorias para empresários e a formação de lideranças, que possam atuar como ‘atores-chaves’ na execução das ações de desenvolvimento. Exemplo dessa estratégia foi a realização de duas turmas do Programa Liderar, que consiste na formação de líderes mais conscientes e atuantes na sociedade, motivando-os a participar intensamente da solução das questões de interesse coletivo. Ao todo, 60 pessoas participaram do Liderar e uma parte delas já atua na governança do Programa de Desenvolvimento Municipal. Foi o que aconteceu com a empresária Leila Maria Spessato. Natural de Munhoz de Mello, ela se diz uma “apaixonada pela cidade”. “Precisamos valorizar o lugar onde a gente mora”, diz. Leila Spessato é proprietária de uma pequena farmácia há cinco anos. Ciente da importância de buscar diferenciais, a empresária resolveu participar ativamente dos treinamentos. “O Programa foi um divisor de água para o município, pois está ajudando a mudar a mentalidade dos empresários. Antes eles eram afastados e, através da governança e dos treinamentos, eles estão mais unidos”, conta Leila Spessato.

Maringá

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Imbaú

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Bom Sucesso do Sul Pato Branco

Munhoz de Mello

Com pouco mais de 3,5 mil habitantes, Munhoz de Mello tem uma economia predominantemente agrícola e cerca de 180 micro e pequenas empresas. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é de 0,767. Para explorar potenciais, o município vem desenvolvendo a atividade turística no meio rural. Alguns exemplos são os projetos “Café da Roça”, em que as famílias de agricultores produzem produtos caseiros típicos para turistas; o “Caminhos da Roça”, iniciativa que promove visitas às propriedades rurais; e, ainda, a formação da Orquestra de Violeiros. A visão empreendedora do prefeito Gilmar José Benkendorf Silva, rendeu-lhe reconhecimento nacional. O gestor público foi um dos vencedores da VI Edição do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor, pela Região Sul. Gilmar Silva também conquistou a etapa Paraná do Prêmio, como “Melhor Projeto Estadual”, concorrendo com outros 21 projetos paranaenses.

No setor do varejo, os empresários estão recebendo soluções para tornar o pequeno comércio de Munhoz de Mello mais forte e competitivo, com o Programa VarejoMAIS em Ação. “O comércio enfrenta uma dificuldade com a evasão

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Munhoz de Melo

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Bom Sucesso do Sul Pato Branco

Imbaú

Imbaú registrou aumento de 18% na população em 2007. O número de habitantes saltou de 9.474 para 11.191, 62% são população urbana e 38%, rural. Em Imbaú, 15% dos domicílios são classes AB. O PIB do município representa 0,04% do PIB do Estado, ou seja, R$ 59.077,00. A geração de riquezas por habitante em Imbaú é inferior que a registrada em Telêmaco Borba e no Paraná. Imbaú tem como destaques a produção agrícola - milho, soja e tomate, a produção de origem animal - mel, e a produção de silvicultura - madeira em tora, madeira para papel e celulose e madeiras para outras finalidades. De 2000 para 2008, o município registrou aumento na produção de feijão e de trigo. O feijão apresentou crescimento de 204%, já o trigo apresentou um crescimento de 1.090% no mesmo período. Também registrou-se um crescimento de 28% na produção de madeira em tora. A escolaridade dos funcionários de Imbaú está em ascensão. O número de funcionários com ensino fundamental incompleto caiu 15% em três anos. A taxa de alfabetização de Imbaú também está crescendo. Passou de 76% pata 78% em cinco anos. A educação existente na cidade é apenas regular, indo até o ensino médio. Não existem cursos profissionalizantes ou técnicos. Essa situação levou o Instituto Federal do Paraná (IFPR), em Telêmaco Borba, a contribuir reservando vagas em seus cursos para os moradores da cidade. Verifica-se ainda uma grande dificuldade em desenvolver mão de obra qualificada no próprio município, principalmente nas áreas de gestão, vendas, atendimento e técnica industrial.

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de pessoas, que buscam centros maiores para realizar suas compras. As ações desenvolvidas para o varejo estão focadas em manter os recursos no município”, explica Claudio Serrato, consultor do Sebrae/PR em Maringá. Orientações, consultorias, palestras, programas como o Empretec também fazem parte do leque de soluções empresariais que estão acontecendo na cidade. Um exemplo da mobilização da comunidade foi a realização da palestra do especialista Clóvis Tavares, que reuniu mais de 600 pessoas, numa parceria entre o Sicoob, Sebrae/PR e Prefeitura. Para fortalecer a vocação rural no município, foi articulada a criação de uma cooperativa. “A Copermello está sendo organizada para agregar valor aos produtos agrícolas, com foco na transformação e comercialização”, explica Serrato. Nos próximos meses, a governança do Programa começa a preparar a realização do Educação Empreendedora, um programa que formará professores das redes pública e privada de ensino, tornando-os aptos a atuar como formadores de crianças e jovens empreendedores.

Imbaú O município de Imbaú tem uma população de 12 mil habitantes e está localizado 217 quilômetros distante de Curitiba e 28 quilômetros de Telêmaco Borba, principal município da microrregião da qual faz parte. Imbaú foi oficialmente desmembrado de Telêmaco Borba em 1997. O município é privilegiado por estar dentro do corredor econômico do Paraná, graças à BR-376, conhecida como Rodovia do Café, que corta o município e o coloca exatamente na metade do caminho entre Curitiba e o norte do Paraná. Além disso, há também a PR-160 ou Rodovia do Papel, que liga Imbaú até Telêmaco Borba, gerando desenvolvimento econômico pela presença de madeireiras e outras empresas do ramo. Em setembro de 2009, Imbaú entrou no Programa de Desenvolvimento Municipal do Sebrae/PR. Segundo o consultor do Sebrae/PR em Curitiba, Alessandro da Rocha, o município já realizou os programas Liderar - que aconteceu em duas etapas, Empretec, a constituição de governança e atualmente o Programa VarejoMAIS está acontecendo no município. Até agora, mais de 100 pessoas foram atendidas.

“Existem grandes desafios a serem superados em Imbaú, como, por exemplo, trazer bancos para o município, organizar o comércio e explorar de maneira positiva as rodovias, com alguma atração turística”, diz o consultor. Ele explica que a ideia do associativismo também é uma das ações a serem implantadas no município. “Existia muito individualismo antes do lançamento do Programa de Desenvolvimento Municipal. Os comerciantes não se organizavam nem para viajar a São Paulo, para fazerem compras. Hoje esse modelo está mudando e o processo está evoluindo”, declara. Alessandro da Rocha explica ainda que o apoio do Sebrae/PR aos empresários locais proporciona o favorecimento do desenvolvimento de produtos e serviços inovadores e competitivos no mercado, bem como a oportunidade de participar de consultorias, de cursos e orientação para abertura ou formalização da empresa. “Os empresários acreditam que os programas são importantes para a obtenção de sucesso nos negócios, e, para isso, elegem, como fatores primordiais, a captação de recursos, o marketing, as técnicas de vendas, o desenvolvimento de produtos e serviços, os custos e a formação de preços, a contabilidade, o processo de fabricação de produto, o procedimento de abertura de empresa, a embalagem, a logística e a distribuição e técnicas de manejo”, afirma o consultor. O crescimento do número de empresas formais de 2005 a 2008 foi de 26% em Imbaú, que registrou crescimento de 14% no número de empregados formais entre 2005 e 2008, crescimento este maior que o registrado na microrregião, porém menor que o registrado no Paraná. (Colaboraram nesta reportagem os jornalistas Adriano Oltramari, Cleide de Paula, Giselle Ritzmann Loures e Tânia Jeferson).

Com a duração de três anos, proposta vem sendo executada pelo Sebrae/PR, poder público e iniciativa privada, e gerenciada por governanças locais

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Mais fortes

Primeira central

brasileira de negócios

em TI é do Paraná Fundação da CINTEC, por empresários, em Londrina, facilita compras e vendas, reduz custos e representa mais lucros Por Cleide de Paula

Onze inovadoras empresas de pequeno porte, todas integrantes do Arranjo Produtivo Local (APL) de Tecnologia da Informação de Londrina e Região, apostaram em uma nova possibilidade de atuação no mercado e constituíram, no final de maio deste ano, a primeira central de negócios do setor de Tecnologia da Informação (TI) do País. A fundação da Central de Inovação, Desenvolvimento e Negócios Tecnológicos (CINTEC) seguiu a metodologia desenvolvida pelo Sebrae Nacional. O início dos trabalhos ocorreu em agosto de 2009. Durante os dez meses seguintes, o grupo aprofundou conhecimentos sobre o tema, alinhou os interesses frente à instituição e analisou questões relativas à viabilidade econômica do negócio. A redução de custo, obtida pelas desenvolvedoras de softwares, em negociações conjuntas para contratação coletiva de serviços de vale-alimentação e de convênios médico e odontológico, foi a primeira prova das oportunidades geradas pela cooperação entre empresas. A CINTEC foi idealizada para aumentar a competitividade das empresas participantes, promover e ampliar o acesso a mercados e fortalecer o poder de enfrentamento da concorrência. Fazem parte da central de negócios as empresas Arandu Sistemas, Audare Informática, CDS Informática, Consystem Consultoria, E M Moraes - ERAKIS Tecnologia em Sistemas, Forlogic Software, GELT Tecnologia e Sistemas, Guenka Desenvolvimento de Software, Infoecia Desenvolvimento de Sistemas, Lidaweb Tecnologia e Sistemas e Softcenter Sistemas e Informática. A estimativa da soma de faturamento das empresas associadas é R$ 20 milhões. O consultor do Sebrae/PR em Londrina, Joel Franzim Junior, que acompanha os empresários do setor desde a formalização do APL de TI de Londrina e Região, em 2006, destaca a contribuição da entidade para a criação da CINTEC. “Existia a possibilidade de adoção desse formato de negócios, mas os empresários não tinham ciência da necessidade. Então fizemos uma proposta de trabalho, mostramos o processo e designamos um especialista para acompanhar todas as fases de implantação. Essas ações motivaram o grupo, gerando confiança e compreensão sobre os benefícios”, explica. Para o consultor, o fato da CINTEC ser a primeira central de negócios do setor

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de TI no Brasil traz grandes desafios e oportunidades também. “Esses empresários perceberam que quanto mais cooperam entre si, mais competitivos se tornam. Formalmente unidos, vão fortalecer o poder de compras, compartilhar recursos, combinar competências, dividir o ônus das pesquisas tecnológicas, partilhar riscos e custos para explorar novas oportunidades e oferecer produtos e serviços com qualidade superior e diversificada”, aponta Joel Franzim. O diretor da Softcenter e associado à CINTEC, Carlos Kasuya, mostra que os resultados da Central beneficiam não apenas os empresários. “O resultado alcançado pela minha empresa na negociação do vale-alimentação foi uma redução de custo de 80%. O custo por colaborador passou de R$ 4,50 para R$ 0,50. Em relação ao convênio odontológico, reduzimos o valor em 25% e passamos a ofertar um plano superior. Essas ações beneficiaram, em média, 280 colaboradores das empresas envolvidas”, diz. “Por meio da CINTEC, respondemos a um edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), que disponibiliza recursos para implantação de uma residência em software. Sendo aprovado, o projeto vai favorecer as empresas associadas, as em fase de encubação e outras empresas do setor, gerando uma contribuição para toda a sociedade”, evidencia Carlos Kasuya. A estrutura organizacional da CINTEC é composta por um Conselho de Administração, um diretor-geral, um coordenador-geral, um coordenador administrativo-financeiro, um gestor comercial e de marketing e um secretário. Os fundadores instituíram também um Conselho Fiscal e de Ética para tratar de assuntos relacionados aos valores e princípios da entidade. O período de gestão da diretoria eleita é o biênio 2010-2012. O cargo de diretor-geral deverá ser ocupado por um executivo, escolhido futuramente pelos integrantes. O levantamento de indicadores, o alinhamento das expectativas dos participantes, a elaboração de um plano de negócios e de projetos para investimentos em pesquisa e tecnologia são os próximos passos da CINTEC, explica o coordenador-geral da entidade, Lúcio Kamiji. “Além das compras conjuntas, planejamos compartilhar carteira de clientes e oferta de soluções de forma coletiva. Outra possibilidade é a implantação de uma

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Integrantes da CINTEC já estudam fechamento de negócios em todo o Estado e com outras regiões do Brasil

central de serviços comum, para realizar serviços de contabilidade, impostos e rotinas do departamento fiscal, folha de pagamento e pessoal, rotinas do departamento financeiro e controladoria, que hoje são efetuados individualmente”, assinala.

Plano de negócios Na fase operacional, complementa Kamiji, “é possível que cada ação executada demande um plano de negócios específico, pois a participação das empresas muda em cada negócio e cada atividade exige infraestrutura, volume de investimentos, estruturas física e de pessoal específicas” A expectativa da diretoria da central de negócios em Londrina é que cada empresa participante tenha um aumento de 10% no seu faturamento no prazo de um ano, assim, o grupo das empresas integrantes da CINTEC ampliaria seu resultado em R$ 2 milhões. “Acredito que a central de negócios, dentro de alguns anos, estimule a junção de alguns empreendimentos e a geração de novas empresas, pois são muito amplas as possibilidades de negócios”, comenta Lúcio Kamiji. Joel Franzim explica que uma vez formalizada, a meta da CINTEC é tornar-se conhecida. Para isso, observa, é preciso divulgar seus objetivos e buscar novos sócios e parceiros. “Nesse momento, os 89


Artigo processo coletivo, com o objetivo de promover e ampliar o acesso a mercados. A central de negócios representa um avanço no modelo de central de compras, pois amplia o foco da atuação coletiva, antes restrita a compras conjuntas. Como instituição associativa, uma central de negócios repete o padrão de outros modelos de mesma base: a união como meio para aumentar a competitividade ou para superar desafios que individualmente seriam mais difíceis de serem superados. Uma de suas principais diferenças com outros modelos é o fato de elas serem organizadas majoritariamente por pessoas jurídicas. São empresários que se unem em uma associação para formarem seus negócios mais competitivos e terem condições de competir com as grandes redes. As centrais de negócios são organizadas para viabilizar vários objetivos, sendo os mais comuns: compra conjunta; planejamento de ações de venda; acesso diferenciado à mídia; capacitação de equipes; plano de marketing conjunto; centro de distribuição; design de lojas; marca padrão; e melhores condições para linhas de crédito.

associados reforçam o planejamento estratégico da entidade, definindo missão, visão e valores, de forma a deixar os objetivos e estratégias claras”, afirma. A área de ação da central de negócios não está limitada à cidade de Londrina. Os integrantes da entidade já estudam fechamento de negócios em todo o Estado e com outras regiões do Brasil.

Referência O pioneirismo dos empresários de Londrina e Região na fundação da CINTEC despertou o interesse e curiosidade de toda a Rede de APL de TI do Paraná. A CINTEC apresentou sua experiência para empresários do setor das regiões de Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá e Ponta Grossa. A diretoria da CINTEC reforça que a entidade não é uma sociedade fechada e está aberta à participação de qualquer empresa do setor de TI que apresente o

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mesmo perfil e vocação das organizações fundadoras. Os associados da CINTEC não pagam mensalidades, mas contribuições proporcionais aos resultados obtidos em cada operação.

Esses aportes dão sustentação à entidade. Atualmente as despesas da CINTEC são divididas em partes iguais entre os integrantes. No momento, a central de negócios funciona provisoriamente nas dependências da Softcenter Sistemas e Informática, que fica na Avenida Santos Dumont, 505, em Londrina.

Conceitos Uma central de negócios é uma entidade de base associativa, formada por empresas ou empreendedores independentes, voltada para a busca de soluções conjuntas de interesse econômico, com foco no mercado em que atuam. É, de acordo com um estudo do Sebrae Nacional, uma ação decorrente de um

As centrais de negócios, ainda de acordo com o estudo do Sebrae Nacional, assumem os princípios de uma doutrina que se chama associativismo e que expressa a crença de que juntos, nós podemos encontrar soluções melhores para os conflitos que a vida em sociedade nos apresenta. Esses princípios são reconhecidos no mundo todo e embasam as várias formas que as associações podem assumir: oscips, cooperativas, sindicatos, fundações, organizações sociais e clubes.

Para saber mais, acesse o Portal do Sebrae, no www.sebrae.com.br ou www.biblioteca.sebrae.com.br/ bds/BDS.nsf/F1878A0DA4A130 978325766A0055B0EB/$File/ NT00042C42.pdf O Portal do Sebrae/PR, por meio do www.sebrae.com.br também traz informações sobre o tema no link www.sebraepr.com.br/portal/ page/portal/POR TAL_INTERNET/ PRINCI PAL2009/BUSCA TEXTO2009?codigo=898

O Brasil descolou. Que diferença faz um s?

José Cezar Castanhar

O título do artigo encerra uma pequena ironia com duas palavras com grafias muito próximas na língua portuguesa: decolou e descolou. Ao longo de 2008, o Brasil atraiu a atenção de analistas e investidores pelo crescimento robusto que apresentou a partir de 2006. O interesse pelo Brasil foi sintetizado pela revista The Economist, uma das mais respeitadas do mundo, que colocava o Brasil como protagonista de sua reportagem de capa sob o título: O Brasil decolou. Com a crise financeira mundial que eclodiu em 2008, surgiu a dúvida se o Brasil seria capaz de ficar imune à crise, ou se seria abatido por ela, dando origem à controvérsia “tsunami” ou “marolinha”. Embora afetada inicialmente pela crise internacional, a economia brasileira se recuperou rapidamente e passou a ostentar taxas de crescimento maiores a cada trimestre, culminando com uma taxa de 2,7% no último trimestre, que coloca o Brasil no ranking dos países que mais crescem no mundo. O desempenho do Brasil impressiona ainda mais num momento em que voltam as apreensões sobre a recuperação da economia mundial. Nas últimas semanas, observamos novamente quedas fortes nas bolsas mundiais e no Brasil, afetadas pelas notícias pessimistas sobre as perspectivas das economias europeia e americana. Nesse momento ressurge a dúvida: teria o Brasil “descolado” da trajetória das principais economias do mundo? Mesmo com a possibilidade de um declínio mais prolongado da economia mundial, alguns importantes analistas já concordam que o efeito sobre o crescimento do Brasil seria pequeno, afetando mais diretamente as exportações.

E aí, o que sempre foi considerado uma desvantagem do Brasil funcionaria como uma proteção para o País: em primeiro lugar, a participação das exportações na economia brasileira é muito pequena (da ordem de 10%); em segundo lugar, as exportações brasileiras, com uma forte participação de produtos agrícolas, tendem a ser mais estáveis e menos afetadas pelas crises econômicas. Ou seja, o Brasil poderia, de fato, se descolar da economia mundial e prosseguir numa trajetória de crescimento, mesmo com o prolongamento da crise mundial.

(www.sebraemais.com.br). O programa oferece consultoria, treinamento e encontros com empresários para compartilhar ideias e conhecimento. Lembre-se que uma característica essencial dos empreendedores é a postura proativa, que significa antecipar necessidades futuras e se preparar para atendê-las. Esse é um momento em que as oportunidades estão surgindo em grande velocidade. É necessário estar preparado para aproveitá-las.

Esse é um contexto inédito, que deve ser aproveitado pelos empreendedores brasileiros, tomando iniciativas para investir na ampliação e melhoria dos seus negócios. Nesse sentido, vale a pena chamar a atenção para algumas alternativas interessantes disponíveis no mercado para apoiar os empresários em projetos de ampliação e de melhoria, inclusive na gestão. Para investimentos, é bom lembrar as alternativas que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) disponibiliza para empresas com faturamento anual de até R$ 90 milhões e que se destinam, tanto para capital de giro, como para investimentos e aquisição de bens de capital. Uma visita ao www.bndes.gov.br/Si teBNDES/bndes/bndes_pt/Navega cao_Suplementar/Perfil/Micro_ Pequena_e_Media_Empresa_e_Pes soa_Fisica não tomará muito tempo e pode ser muito útil. Para investir na melhoria gerencial e identificar alternativas de ampliação e diversificação de mercados, inclusive para exportação, sugere-se conhecer e analisar as opções oferecidas pelo Programa Sebrae Mais, do Sebrae Nacional

José Cezar Castanhar José Cezar Castanhar é engenheiro civil, doutor em Gestão e consultor da FGV Projetos, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

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Contas em dia “Eu nunca mais vou deixar para última hora. Ou o empresário se estrutura, faz um projeto para começar, ou vai ter problemas. Comecei comprando e vendendo, com margem. Mas não existe margem alta. Hoje aprendi que é preciso saber qual objetivo se quer atingir no mínimo no médio prazo.” O depoimento é do empresário de Curitiba Edy Carlos Luduwchak, que mostra ter aprendido as “lições” mais importantes para um bom empreendedor. Infelizmente, só aprendeu depois que sua empresa quase foi à falência.

É possível virar o ‘jogo’

Os números das micro e pequenas empresas no Brasil são expressivos. Representam 99% do total de empresas formais do País, são responsáveis por 56% dos empregos com carteira assinada, respondem por 20% no Produto Interno Bruto (PIB). Porém, índices positivos também revelam uma realidade a ser melhorada. Entre elas, a taxa de mortalidade. Cerca de 30% das micro e pequenas empresas fecham até um ano, depois de abertas, e esse percentual sobe ao longo dos anos, chegando aos 60%, a partir dos cinco anos de vida.

Especialistas ensinam empresários de micro e pequenas empresas a saírem do vermelho

Foto: Luiz Costa/ La Imagen

Por Andréa Bordinhão

Edy Carlos Luduwchak, empresário

Ao procurar o Sebrae/PR, em 2009, Edy Luduwchak tinha praticamente certeza que sua pequena indústria estava prestes a falir. Com quase R$ 600 mil em dívidas protestadas, estava decidido a fechar as portas após três anos de trabalho. No entanto, ao ser aconselhado por profissionais, assumiu o desafio de tentar reverter o jogo. Não está sendo fácil - Edy Luduwchak ainda está na batalha para tirar o caixa da empresa do vermelho -, mas o empresário aprendeu que os passos para superar as dificuldades financeiras são, em boa parte, os mesmos que deveria ter dado quando abriu seu pequeno negócio. Os erros cometidos e os problemas enfrentados por Edy Luduwchak são comuns à maioria dos empresários de micro e pequenas empresas que estão passando por turbulências financeiras. Por isso, a Revista Soluções mostra algumas das situações vividas por ele e traz a orientação de dois profissionais, que mostram o melhor caminho para tirar o caixa do vermelho. E, para quem não chegou a essa situação, apontam como evitá-la.

Consultoria é investimento Boa parte dos empresários que tem problemas financeiros nas suas empresas não se capacitou antes de abri-la. Isso é, pode ter iniciado o seu negócio

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Em situação de crise, é importante tentar aumentar o capital de giro, e, para isso, o primeiro passo é renegociar as dívidas

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

sem um bom planejamento e sem uma gestão adequada de custos. Por isso, os especialistas recomendam que se busque uma ajuda especializada no momento de crise. Quando o demonstrativo financeiro da empresa entra no vermelho, o empresário precisa correr. A administradora, professora da FAE Centro Universitário e diretora da Agência de Inovação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Vanessa Rasoto, aconselha que, antes de tudo, faça-se um diagnóstico completo da empresa para ver em que situação está. E para isso o ideal é justamente recorrer à ajuda de consultoria especializada. O economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e professor da Faculdades Integradas do Brasil (Unibrasil), Emerson Iaskio, também defende a contratação de uma consultoria. “Antes de se desesperar, o empresário precisa fazer um planejamento para sair do vermelho. E para isso o ideal é contratar uma consultoria especializada. Não é uma despesa, é um investimento que vai dar retorno posterior”, explica. Iaskio lembra que não precisa ser necessariamente uma consultoria particular. Além de instituições especializadas como o Sebrae/PR, os empresários podem recorrer às suas entidades de classe ou às universidades, que muitas vezes têm escritórios modelos, empresas juniores ou incubadoras tecnológicas de empresas.

Renegocie as dívidas Edy Luduwchak conta que no desespero de continuar produzindo para pagar as dívidas, ao constatar seus problemas financeiros, teve como primeira reação tentar renegociar suas dívidas com os fornecedores. Esse é um caminho certo, mas os especialistas recomendam calma nesse momento para não continuar fazendo maus negócios.

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O primeiro passo é fazer uma relação das dívidas em ordem decrescente da mais antiga até a mais recente. Depois, é interessante procurar primeiro os fornecedores parceiros para renegociar prazos. “É preciso procurar uma negociação amigável com os credores, que geralmente são os fornecedores e as instituições financeiras”, explica Iaskio. Como normalmente muitas das dívidas são com instituições financeiras, o economista recomenda que se tente renegociar as taxas de juros e os prazos de pagamentos. Depois disso, com calma e tempo, deve-se procurar linhas de financiamento mais adequadas ao perfil da empresa.

Plano de recuperação O plano de recuperação é, em boa parte, o mesmo que um plano de negócios, só que elaborado diante de um cenário ruim. Esse plano, em alguns casos, pode até apontar a falta de viabilidade do negócio. Isso é, que o melhor é fechar mesmo as portas.

O empresário não pode apenas pensar em aumentar as vendas na expectativa de ter mais lucro para resolver, mais rápido, seus problemas financeiros

É unanimidade entre os especialistas da área de negócios que um bom planejamento a curto, médio e longo prazo é fundamental para que um novo empreendimento dê certo. E, apesar da situação de crise, esses mesmos prazos devem ser considerados para quem está trabalhando no negativo e, por isso, está revendo sua gestão. “Tem que se fazer um bom planejamento e revisá-lo periodicamente para ver se as metas estão sendo cumpridas. Se não estão sendo cumpridas, é preciso descobrir o motivo. Além disso, o cenário da empresa pode mudar e, se for esse o caso, o planejamento tem que ser reavaliado”, explica Iaskio. O planejamento ou plano de negócios, seja para novos empreendedores, seja para os que estão se recuperando, deve conter, primeiramente, o objetivo da empresa. No caso dos endividados, o objetivo é de recuperação e o plano será traçado com essa base. A professora Vanessa Rasoto lembra também que o planejamento financeiro é fundamental - seja para não entrar no vermelho, seja para sair desta situação. “É preciso um planejamento com foco na administração do capital de giro, que envolve as decisões de investimento, financiamento, destinação do lucro que irão refletir no fluxo de caixa”, explica. Segundo ela, muitas vezes o empresário não pode apenas pensar em aumen-

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tar as vendas na expectativa de ter mais lucro para resolver, mais rápido, seus problemas financeiros. Isso porque muitas vezes ele não tem capacidade e recursos para atender um aumento de demanda, caindo no chamado efeito overtrade, resultando em uma tesouraria negativa.

da empresa, ou seja, o tempo necessário à transformação dos insumos adquiridos em produtos ou serviços. Além disso, deve cortar todos os custos possíveis comprando só o que é realmente necessário.

Um outro problema, mas também fruto da falta de planejamento e visão de futuro, é investir sem analisar a capacidade de pagamento ou a viabilidade do mesmo. Edy Luduwchak sentiu isso na pele. E foi um dos pontos que ajudou muito que ele entrasse no negativo. “No início do ano passado adquiri uma máquina e ela demorou para chegar. Eu já estava pagando as prestações, mas não estava produzindo. Não tinha a máquina e mal tinha dinheiro”, relembra.

“Existe um ditado muito comum entre os empresários que diz que uma empresa só obtém financiamento se conseguir provar que não precisa do dinheiro”, afirma Iaskio.

Gestão dos custos A gestão dos custos, ou a nova gestão dos custos, deve estar contemplada no planejamento. Na prática, é a gestão do fluxo de caixa. Segundo Vanessa Rasoto, é preciso fazer essa gestão sob a ótica dinâmica do processo da empresa - não considerar apenas débito e crédito. “A empresa é um organismo vivo. E normalmente quando os empresários dizem que veem suas finanças, acabam olhando só o demonstrativo financeiro para verificar o quanto têm em caixa. Mas não é isso. É o quanto essa empresa vai precisar para fazer sua atividade operacional funcionar.”

Busca por crédito

Edy Luduwchak lembra bem como sofreu com a falta de crédito na hora que precisou e desabafa: “As instituições financeiras dizem que podem oferecer empréstimos, mas na prática são valores muito baixos. Hoje eu faturo R$ 450 mil por mês e preciso de R$ 300 mil para me recuperar. Mas eles me disponibilizam apenas R$ 25 mil. O investimento que eu tenho é de quase R$ 2 milhões em maquinário. E o banco não vem olhar isso. Quando fui atrás de crédito descobri que o capital social da minha empresa é de R$ 20 mil. Os em-

presários precisam de mais oportunidades para sair do sacrifício. O empresário desanima diante disso”. Segundo os professores, é realmente difícil conseguir empréstimos quando se está devedor ou em crise. Justamente por isso a readequação de planejamento e nova gestão de custos vêm antes da busca pelo crédito. Apesar disso, Iaskio afirma que existem linhas de créditos que são disponibilizadas de acordo com a área do negócio (às vezes alguma instância governamental quer fomentar determinada área e cria linhas especiais), que existem linhas de financiamento para projetos inovadores (mesmo que para aprimoramento dos negócios). O importante é buscar uma consultoria que conheça bem esses tipos de financiamentos e ir atrás do máximo de informações. A professara Vanessa Rasoto dá mais uma dica. Segundo ela, planejar financeiramente os investimentos e financiamentos da empresa é fundamental para o sucesso.

“Muitos empresários destinam recursos próprios para inovação, ampliação da capacidade produtiva sendo que para esse tipo de investimento há fontes de financiamentos com taxas mais reduzidas e até subvenção econômica à inovação”, explica. Já financiamentos para capital de giro, normalmente, têm taxas de juros maiores.

Saiba mais sobre o assunto pesquisando na internet. Existem vários artigos sobre como sair do vermelho na rede. Um deles traz 10 dicas para recuperar as finanças, por Gustavo Cerbasi. O artigo de Cerbasi pode ser acessado no www.maisdinheiro.com.br/dicas/ sair-do-vermelho Confira!

Iaskio ressalta que ainda é muito comum encontrar empreendedores que não sabem exatamente quanto custa para produzir seu produto. “Um empresário de uma microempresa na área de alimentos, por exemplo. Se questionado quanto custa para fazer o pão, ele vai contabilizar os insumos da produção, mas deixa outros custos operacionais da empresa de fora”, explica. Isso é, é importante ter a noção correta de tudo que se gasta para assim conseguir vender por um preço adequado e conseguir o equilíbrio financeiro. E, normalmente, essa gestão de custos e, consequentemente, a gestão de preços são para muitos empresários que entraram no vermelho. Em uma situação de crise é importante tentar aumentar o capital de giro. Para isso, o primeiro passo, como já foi dito, é renegociar as dívidas, principalmente os prazos de pagamento. Uma boa alternativa é encurtar o ciclo econômico

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Conflito

Sociedade Anônima, Sociedade Limitada, Sociedade em Nome Coletivo, Sociedade em Comandita Simples ou por Ações. Independente do tipo de sociedade, todo negócio que envolve um ou mais sócios deve ser muito bem pensado. Se imaginarmos que até o casamento, que não deixa de ser uma sociedade entre duas pessoas que se amam, começa com o namoro, período destinado ao conhecimento, numa empresa os sócios devem combinar, antes de começar a operação, todos os detalhes que envolvem a sociedade.

Sociedade, uma decisão que

exige cautela

Muitos negócios têm prosperado em função da união e do trabalho dividido dos sócios. Entretanto, é muito comum empresas enfrentarem problemas judiciais e até irem à dissolução por disputas societárias originadas por brigas pessoais ou familiares em torno do controle do negócio. Outra situação muito comum nos dias atuais é em relação a ex-cônjuges e herdeiros, quando o pai ou familiar mais velho que comandava a companhia deixa o cargo, seja por opção ou morte, em caso de divórcio ou até mesmo por eventual quebra, pura e simples, da companhia. Há exemplos de empresas que simplesmente encerram

É bastante comum empresas enfrentarem problemas judiciais e até irem à dissolução por disputas societárias

Para Renato Requião, não existe uma receita única para o sucesso de uma sociedade empresarial, mas a comunicação entre os sócios é a regra número um para a continuidade do negócio. “Os sócios têm que conhecer a real situação da empresa, ou seja, deve haver total transparência em tudo que se faz, pois sem ela nada vai para frente. O ser humano é cheio de melindres, inveja e desconfiança, e qualquer atitude ou tomada de decisão de um dos sócios, sem a prévia comunicação, certamente gerará atritos. A falta de transparência só dá certo quando a empresa está dando muito lucro e os sócios estão satisfeitos com a divisão das receitas”, explica. A segunda regra para o sucesso de uma sociedade, apontada por Renato Requião, é a competência. “Cada sócio deve ser colocado no lugar certo. Por exemplo, se um dos sócios tem grande facilidade de trabalhar na parte técnica da empresa, mas tem muita dificuldade em negociar comercialmente, deve haver um entendimento para que cada um execute aquilo que mais tem conhecimento.”

Foto: La Imagen

Por Mirian Gasparin

suas atividades, devido a esses contratempos, destaca o professor e consultor Renato Requião Munhoz da Rocha.

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A comunicação entre os sócios é a regra número um para a continuidade do negócio, caso contrário surgirão conflitos

Humberto Cesar Costa de Souza, empresário e consultor

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um valor menor do Imposto sobre Serviços (ISS). Na época, eu trabalhava no HSBC. Três meses depois de formada a sociedade, decidi sair do banco e trabalhar como consultor. Hoje, na filial de Curitiba, eu faço consultoria para empresas e desenvolvimento gerencial e meu irmão trabalha com crédito consignado. As filiais da Bahia já contam com dez funcionários”, informa Humberto. Para ele, uma sociedade para dar certo tem que ser muito bem costurada antes de ser formada. Humberto destaca que muitas empresas quebram em função de conflitos, principalmente, quando estão na segunda geração de sócios. E os conflitos societários geralmente se dão em maior número nas micro e pequenas empresas.

Lado a lado

Muitas empresas quebram em função de conflitos, principalmente, quando estão na segunda geração de sócios

Uma iniciativa que pode contribuir na divisão de tarefas, obrigações, atividades e direitos de benefícios estabelecidos entre sócios é a elaboração de um contrato detalhado, que descreve com minúcias as atividades comuns da empresa e da sociedade. Entretanto, muitas vezes, a elaboração de um contrato detalhado não é garantia de que a sociedade irá funcionar bem. O que determina a relação é a consciência de cada uma das partes do que elas esperam do negócio e como é o relacionamento de cada um e, também, junto ao negócio, avalia o consultor. A gestão financeira responsável é a terceira regra básica apontada por Renato Requião para o sucesso de uma sociedade. De acordo com ele, a distribuição dos resultados deve ser feita de forma responsável. Já quando os lucros são reinvestidos as chances da empresa crescer são ainda maiores, solidificando ainda mais o negócio. O consultor critica os empresários que têm habilidade de contratar profissionais extremamente dedicados, pagando baixos salários. “O empresário de visão faz o seu empregado crescer junto com a empresa. Nesse sentido, distribuir resultados é algo lógico. O que se faz necessário, nesse momento, é desmistificar que participação de resultados é algo específico para grandes

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empresas. A verdade é que muitos empresários desconhecem que a participação de resultados vem acompanhada de incentivos fiscais e onera muito menos a empresa do que ela imagina. Entretanto, os empresários têm dificuldade de enxergar isso”, ressalta.

Unidos a distância A distância de 2.385 quilômetros une os sócios e irmãos Costa de Souza nos negócios. A Bahia Consult é um exemplo de sociedade que deu certo. A empresa com sede em Salvador e filiais em Curitiba, Feira de Santana e Vitória da Conquista, constituída em março de 2006, tem como sócios os irmãos Humberto Cesar Costa de Souza e Carlos André Costa de Souza.

A união e o respeito dos sócios e irmãos são os principais motivos apontados pelo crescimento da Peron Ferrari S/A, com sede em Santo Antônio do Sudoeste e filiais em Pranchita, Dionísio Cerqueira e Pato Branco. A empresa, que começou pequena, se transformou em um grupo que atua no ramo de cereais, moagem de trigo, comércio de defensivos e fertilizantes agrícolas, produção de sementes, importação e exportação e transportes nacionais e internacionais e responde por mais de 100 postos de trabalho.

Desde 1990 vem sendo comandada pelos irmãos Zelírio Peron Ferrari, diretor-presidente; Ironi Peron Ferrari, diretor-executivo; e Edmilson Peron Ferrari. Dois herdeiros da família Peron Ferrari assumiram recentemente funções na empresa e um terceiro herdeiro está sendo preparado. Em 1980, vislumbrando uma expectativa promissora para o desenvolvimento do setor agrícola e percebendo a neces-

sidade de uma empresa voltada para os interesses do agricultor, surgiu a empresa Peron Ferrari. Em 29 de janeiro de 1980 os fundadores oficializaram a empresa, na época com o nome de Comércio de Cereais Olvepar Imacruz Ferrari Ltda. Mas foi em 28 de setembro de 1989 que ocorreu a grande transformação para S/A, passando a denominar-se a partir daquele momento Peron Ferrari S/A Comércio de Cereais.

Para o empresário Ironi Peron Ferrari, o mais importante numa sociedade empresarial é o respeito e não pode existir um meio acordo entre os sócios, mas sim um acordo total que deve ser cumprido por todos os sócios. “A empresa, por mais familiar que seja, tem que ser administrada de forma profissional e o seu organograma deve ser cumprido à risca. No nosso caso, um dos sócios foi eleito prefeito do município de Santo Antônio do Sudoeste e, durante um período de oito anos, se dedicou à administração pública. Terminado o mandato ele reassumiu a presidência do grupo”, informa. A consultora do Sebrae/PR em Pato Branco, Maria Auria Mülhmann, diz que empresas que contam com sociedades harmoniosas têm mais êxito nos negócios. “Os sócios se complementam, cada um assumindo sua função e unindo esforços.” Nas micros e pequenas empresas, as composições societárias devem ser pensadas, caso contrário o negócio passa a sofrer riscos desnecessários, na avaliação da consultora. “Uma sociedade de sucesso pode ser construída com orientação técnica e consultorias”, assinala Maria Auria. “Basta os sócios quererem juntos o sucesso do empreendimento”, complementa. (Colaborou nesta reportagem o jornalista Leandro Donatti)

Entenda mais As sociedas empresárias quando a empresa for constituída por pelo menos dois sócios devem adotar um dos tipos societários a seguir: 1. Sociedade Limitada - é o tipo de sociedade mais comum adotada pelas pequenas empresas. Conta com responsabilidade limitada dos sócios - restrita ao valor de suas quotas -, e é de constituição mais simples. 2. Sociedade em Nome Coletivo deve ser constituída somente por pessoas físicas, sendo que todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. 3. Sociedade em Comandita Simples - possui dois tipos de sócios comanditados: pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota. 4. Sociedade Anônima - tem o capital dividido em ações, e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitado ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. 5. Sociedade em Comandita por Ações - tem o capital dividido em ações, regendo-se pelas normas relativas às sociedades anônimas.

Humberto dirige a filial de Curitiba e o irmão Carlos fica em Salvador. “Nossa sociedade dá certo porque cada um dos sócios atua em áreas diferentes. Eu faço consultoria organizacional e meu irmão atua no segmento de serviços bancários”, explica Humberto. A sociedade dos irmãos Costa de Souza começou porque Carlos tinha necessidade de emitir nota fiscal e convidou o irmão que morava em Curitiba para ser seu sócio minoritário. “Como somos formados em Administração de Empresas tínhamos benefícios, como pagar

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Conhecimento

Dicionários corporativos ‘atualizam’ empresários Empresários são pegos de surpresa com crescente uso de neologismos corporativos e precisam estar preparados Por Adriana Bonn

Sócio-proprietário do ervanário Chá & Arte, que tem sua filial instalada em Curitiba e franquias em três cidades de Santa Catarina, Arivair Cozak foi convidado em 2003 para participar de um bate-papo com estudantes de uma faculdade da capital paranaense. A ideia era que falasse sobre o seu trabalho e o sucesso alcançado pela empresa que, na época, tinha três anos. Tudo muito tranquilo, até que um dos alunos perguntou qual era o markup do empresário. Sem entender a pergunta, Cozak pediu desculpas e perguntou qual era o significado do termo que, no mundo corporativo, quer dizer o quanto do preço do produto está acima do seu custo de produção e distribuição. O markup é um valor que representa a quantia efetivamente cobrada sobre o produto, a fim de obter-se o preço de venda. Formado em design, Cozak teve um insight. “Percebi que eu precisava me atualizar para acompanhar e me manter forte no mercado”, conta. O empresário não quis voltar para os bancos de uma faculdade, mas deu início a uma maratona de cursos nas áreas de recursos humanos, de administração, financeira, de vendas e outros tantos oferecidos pelo Sebrae/PR. Cozak diz que também aproveita as conversas com os concorrentes e investe na leitura de jornais e revistas especializadas para se aperfeiçoar. Sem saber, ele aplica a kaizen, conceito da administração japonesa que significa um processo de melhoria contínua. Assim como Cozak, muitos empresários são pegos de surpresa e têm dúvidas sobre os neologismos corporativos, cada vez mais presentes no mercado em geral. Pensando nessa dificuldade, o Sebrae implantou um serviço de apoio: o dicionário empresarial, que fica disponível no site www.sebraepr.com.br. Nele, os interessados encontram centenas de palavras, seus significados e termos utilizados no mundo corporativo.

Arivair Cozak empresário

A Ricardo Xavier, assessoria de Recursos Humanos que tem sede em São Paulo, também mantém em seu site www.ricardoxavier.com.br, um glossário com os principais termos aplicados na área de Recursos Humanos e ao mundo corporativo.

Foto: La Imagen

Neli Barboza, diretora de consultoria da empresa, conta que o dicionário foi criado há três anos, com o objetivo de manter seus clientes atualizados com a lingua-

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gem e as mudanças ocorridas nas empresas. “Percebíamos, anteriormente, no momento das entrevistas, que muitos profissionais tinham dúvidas sobre novas terminologias. O dicionário se tornou uma ferramenta no processo de adequação dos currículos dessas pessoas para entrevistas de emprego”, explica. A diretora considera uma necessidade o conhecimento dos novos termos corporativos, seja para os profissionais ou para os empresários, independente do tamanho da empresa que administram. “A globalização trouxe a internacionalização dos termos, priorizando a linguagem que até então era usada pelas multinacionais e que hoje se tornou comum no dia a dia de qualquer empresa”, diz.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Mesmo que não reproduza, Neli diz que os empresários de pequenas empresas precisam, no mínimo, saber o significado de palavras usadas no meio corporativo. Essa não é uma regra que vale para os profissionais que atuam nas áreas de informática - que utiliza muitas siglas -, industrial, financeira e de recursos humanos, que sofreram as maiores mudanças com a globalização. Para Neli, nenhum profissional deve se sentir constrangido ao ouvir ou ser perguntado sobre algum termo corporativo que não conhece. Nesse caso, a diretora sugere que o melhor a se fazer é seguir o exemplo de Arivari Cozak: perguntar e esclarecer a dúvida. Além dos dicionários corporativos, Neli recomenda a leitura de revistas de negócios para ficar por dentro da comunicação empresarial. A gaúcha M&M Assessoria Contábil também criou um dicionário corporativo. Com mais de 3 mil termos e seus significados usados no mundo empresarial, o dicionário é resultado de pesquisas na internet e está em constante atualização.

Muitos empresários são pegos de surpresa e têm dúvidas sobre os neologismos corporativos, cada vez mais presentes no mercado em geral

Quem não encontra um termo específico no dicionário, disponibilizado no endereço www.mmcontabilidade.com.br, ainda tem a opção de enviar um e-mail para a empresa, que se responsabiliza em buscar o significado e informar o interessado.

Para saber mais Neli Barboza, da Ricardo Xavier, sugere a leitura constante de jornais e revistas especializadas em negócios, dentre as quais a Revista Exame, a HSM Management considerada a mais importante publicação do País sobre as tendências mundiais e os principais conceitos em gestão empresarial -, e a Harvard Business, que também é publicada em português.

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Sebrae/PR Meu sonho. Meu negócio. Prêmio Sebrae Mulher de Negócios

O Sebrae/PR e RICTV Record Paraná realizam a primeira edição do concurso Meu sonho. Meu negócio. A ideia do Concurso, que registrou mais de 3,5 mil inscrições, é promover uma competição entre empreendedores domiciliados em todo o Paraná e tem como objetivo premiar aqueles que buscam tornar realidade o sonho de ter seu próprio negócio. Serão premiados cinco empreendedores - pessoas físicas - que apresentarem as melhores ideias de negócio. Cada vencedor - um do centro-sul, um do oeste, um do noroeste, um do norte e um do sudoeste do Estado, regiões de forte atuação do Sebrae/PR - vai receber R$ 7 mil em equipamentos da RICTV Record e seis meses de acompanhamento do Sebrae/PR. Os cinco vencedores, um por região, serão eleitos por voto popular.

Estão abertas até 15 de setembro de 2010 as inscrições do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. As paranaenses interessadas em contar suas experiências no meio empresarial concorrem a uma premiação e ajudam a incentivar novos exemplos de empreendedorismo feminino. Foi por meio dessa iniciativa que as histórias como as de Geni Theobald, de Toledo; Lilian Taques Fonseca Buzato, de Ponta Grossa; de Maria José do Nascimento, de Peabiru; e de Cleide Ferreira Matos, de Cidade Gaúcha, foram conhecidas e premiadas nas edições passadas do Prêmio. Vencedoras no concurso e na vida, elas usaram todo seu potencial e transformaram sonhos em realidade. A última edição do Prêmio reuniu histórias de quase 3.060 empreendedoras do País. No Paraná, 334 inscritas. Mais informações, www.mulherdenegocios.sebrae.com.br.

Entrevista Tendência Mercado Capacitação Comportamento Feiras e Eventos Associativismo Serviço Giro pelo Paraná

Agroecologia na aldeia ‘Mundo plano’ Economia baseada no conhecimento; operações 7x24, sete dias durante 24 horas; competição com velocidade; menor ciclo de vida dos produtos; ambiente turbulento; fusão de produtos e serviços; administrações mais profissionalizadas e o protagonismo dos pequenos negócios. O mundo corporativo está em transformação. A avaliação, do diretor-superintendente do Sebrae/PR, Allan Marcelo de Campos Costa, abriu mais um encontro regional do Líder Mulher - Programa Internacional para a Formação de Lideranças, em maio.

Allan Costa falou para mais de 100 líderes mulheres, no Sebrae/PR, em Curitiba, sobre o tema “A dinâmica da mudança organizacional num mundo plano e os desafios da inserção das micro e pequenas empresas”. “Nossa geração cresceu querendo colocar ordem em tudo. A escola não ensinava a pensar, mas ensinava a repetir. Fomos preparados para ser uniformes, mas o mundo está em movimento.” “Nesse ambiente de intensa transformação, o risco de não acompanhar esse movimento torna-se cada vez maior.”

Uma unidade do sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), instalada na aldeia Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras, vai beneficiar 300 famílias indígenas, no oeste do Paraná. Famílias vão receber orientações sobre o plantio de alimentos sem agrotóxicos e passarão a consumir e vender os produtos de forma sustentável, gerando renda. O PAIS é um sistema produtivo que exclui o uso de fertilizantes sintéticos e agroquímicos, destinado a produtores de pe-

quenas propriedades rurais. Depois de passarem por um treinamento e receberem as orientações técnicas necessárias, os interessados adquirem um kit para implantarem hortas em suas propriedades. O processo de implantação da unidade teve início há três meses, numa parceria, entre o Sebrae/PR, a Prefeitura de Nova Laranjeiras e a Funai. Hoje, a área de 1,8 mil metros quadrados já rende aos indígenas a produção de hortaliças, plantas medicinais e fruticultura.

Sustentabilidade no campo Radar Sebrae/PR O Radar Sebrae/PR, lançado em maio, é um endereço que, além de trazer as dicas mais importantes da entidade, interage com diferentes redes sociais. Isso significa que você pode enviar informações diretamente do Radar para o seu Orkut, Twitter, Facebook e MySpace, além de assinar o serviço de RSS para receber e-mails na sua caixa postal online. E não para aí. Pelo Radar Sebrae/PR, você também pode conferir fotos dos últimos eventos da entidade. É por isso que o Radar Sebrae/PR vai além de um blog convencional - até por que ele funciona como uma ferramenta completa da web, pronta para você receber informações empresariais e, ao mesmo tempo, compartilhar todas elas com seus amigos. Tudo de forma prática, simples e integrada. Tudo para facilitar seu dia a dia no mundo dos negócios. Acesse já o www.radarsebrae.com.br.

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“Buscar a sustentabilidade da empresa (propriedade) rural, com melhoria da qualidade de vida de sua família, a partir de um conjunto de atividades que facilita a tomada de decisões, visando obter melhores resultados

e mantendo a produtividade da terra, sem comprometer o sustento das futuras gerações.” Esse é o desafio do Negócio Certo Rural, um programa do Sebrae Nacional, Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que está sendo pilotado em cinco municípios do Paraná: Bom Sucesso do Sul, Carlópolis, Formosa do Oeste Imbaú e Munhoz de Mello. O Negócio Certo Rural é composto por cinco encontros de seis horas, uma consultoria de duas horas, uma consultoria de quatro horas, 30 horas de treinamentos e 6 horas de consultorias. Cada turma será composta por cerca de 30 participantes, dois por propriedade.

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Foto: La Imagen

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Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, deu uma ‘aula’ sobre liderança no encontro regional do Líder Mulher, realizado em julho, no Sebrae/PR, em Curitiba. Segundo Luiza Helena, um líder precisa ter inteligência intelectual, física e emocional, quando se quer dar um grande salto nos negócios. “Nós mulheres, levamos vantagem na inteligência emocional, sobretudo quando relevamos. Faço com frequência uma pergunta: você quer ser feliz ou ter sempre razão? Quando a gente aprende a trabalhar a inteligência emocional, a gente deixa os outros acharem que sempre estão ganhando. Ter inteligência emocional é saber perdoar e seguir em frente!” Para as líderes paranaenses, Luiza Helena deixou um recado: ser, decidir e fazer são verbos fundamentais numa gestão feminina!

Twitter impulsiona pequenos negócios

O Twitter é uma mídia digital relevante, que promove diálogo entre pessoas, marcas e consumidores. Utilizar o Twitter, como ferramenta de relacionamento e promoção nas empresas, é essencial no mundo corporativo. Além de direcionar a rede de informações das empresas para outras mídias sociais, o Twitter serve como ponto de apoio na divulgação de produtos e serviços. Com o Twitter, a comunicação é intensa, com um mínimo de custos financeiros. Essa foi a conclusão do 1º Encontro de Twitteiros Culturais (ETC) realizado

Inteligência emocional

em Curitiba, com o foco em negócios. Cerca de 200 pessoas participaram do ETC_Business, realizado no auditório do Sebrae/PR, na Capital. Conectados com notebooks e telefones celulares, os participantes, dentre eles empresários do VarejoMAIS – Mais Vendas, Mais Competitividade, uma parceria do Sebrae/PR e Sistema Fecomércio/PR para fortalecer o comércio paranaense, interagiram com os palestrantes convidados. Siga o Sebrae/PR no twitter http://twitter. com/sebrae_PR.

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Encontro Agentes Locais

‘Desconstruir’ é o segredo Paulo Barros, conhecido por movimentar o Carnaval com suas criações fora do convencional, passou por Curitiba em junho. A convite do Sebrae/PR, falou para agentes locais, capacitados para a disseminação da inovação entre micro e pequenas empresas paranaenses. Paulo Barros contou que começou a inovar quando ainda era comissário de bordo na extinta Varig. O simples ato de dobrar guardanapos e entregá-los junto com as bebidas representou, segundo ele, uma revolução no serviço de bordo brasileiro. “Des-

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Curitiba foi sede do I Encontro Nacional dos Agentes Locais de Inovação, que reuniu 500 pessoas, entre agentes locais, consultores e gestores. O Projeto Agentes Locais de Inovação é uma estratégia do Sebrae Nacional para levar a cultura da inovação ao dia a dia dos pequenos negócios. Os agentes locais têm o papel de propor e implementar a inovação, de acordo com as necessidades e as características de cada empreendimento. Os profissionais são orientados a desmistificar o processo de inovação, que nem sempre está ligado a tecnologias de última geração, e a sensibilizar os empresários sobre a importância de inovar, como estratégia que, aliada à gestão da qualidade, aumenta a competitividade das micro e pequenas empresas, sem investimentos substanciais. Paraná foi esco-

lhido para sediar o encontro por ter, junto com o Distrito Federal, encerrando em 2010 o ciclo de dois anos previsto no Projeto.

Capital do Boné construir é o segredo! Para uma ideia dar certo as pessoas que estão a sua volta precisam acreditar, mesmo que a ideia seja fora dos padrões. O prazer está no desafio e o fundamental é não desistir”, ensina o carnavalesco. Paulo Barros foi o autor da famosa “torre” formada por cerca de 250 pessoas”, que lhe rendeu o título de “Carnavalesco das Alegorias Humanas”. Em Curitiba, falou que a inovação deve ser encarada como necessidade, tanto no Carnaval quanto nos negócios.

O vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, sancionou, no dia 6 julho, a Lei Federal 12.285, que confere a Apucarana, no norte do Paraná, o título de Capital Nacional do Boné. O início da fabricação de bonés se deu na década de 1970 com a produção artesanal de bandanas e tiaras que eram comercializadas em exposições e praias. Para atingir o atual nível de excelência de produção das peças, os empresários do setor superaram desafios como a falta de insumos, qualidade dos tecidos, controle de qua-

lidade e tecnologia dos maquinários. Hoje, o município é referência em volume de produção, gestão empresarial, qualidade, processos e inovação. Com uma produção mensal em torno de 5 milhões de peças de bonés, Apucarana responde por quase 70% da produção total de bonés do País. São mais de 200 fábricas, 10 mil trabalhadores diretos e 40 mil indiretos, 7 mil máquinas de costura, 300 máquinas bordadeiras, quatro instituições de ensino superior e cinco entidades profissionalizantes ligadas ao setor.

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Artigo

Contrate gente

melhor do que você Allan Marcelo de Campos Costa

Repito com relativa constância esse discurso em conversas com colaboradores do Sebrae no Paraná e com os empresários de pequenos negócios que passam diariamente pela nossa instituição: são as PESSOAS que fazem a diferença. Empresas (assim como países, estados, times, seleções ou agremiações de qualquer natureza) não têm “alma”. Empresas não promovem mudanças culturais. Empresas não geram resultados, não se posicionam, não aprendem. Quem está por trás de tudo isso, são os seres humanos que formam as empresas. E é por isso que repito, sempre que possível: busque sempre contratar as melhores pessoas que você puder. Melhor ainda, se essas pessoas forem melhores do que você! Esse raciocínio pode soar como uma heresia em certos meios ou ambientes. Não é raro encontrarmos “chefes” que se acham acima do bem e do mal, ou, ainda pior, que são tão inseguros a ponto de não admitir que pessoas que supostamente ofusquem o seu brilho pessoal possam compor sua equipe. “Chefes” assim jamais contratarão pessoas brilhantes e, consequentemente, jamais formarão times de alta performance. Até aqui, tudo bem. Mas agora vem o mais difícil: afinal, o que devemos procurar nas pessoas que comporão nossos times? O segredo, seguramente, não está na análise do currículo do candidato sob o ponto de vista acadêmico, ou de suas qualificações técnicas. É evidente que esses fatores também importam, mas não são os mais relevantes. Muito mais importante do que isso, são as atitudes e a inteligência dos potenciais candidatos.

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Pessoas de valor e propensas ao sucesso têm atitudes positivas. Baseiam suas ações em uma visão otimista e construtiva do mundo. São confiáveis e, antes de pensarem no bem individual, privilegiam o benefício coletivo. Entendem o impacto de suas ações no ambiente onde estão inseridas; não perdem tempo sentindo inveja dos colegas e tentando ofuscar o brilho de outras pessoas. São seguras, confiam na sua própria capacidade e possuem espírito altamente colaborativo. E, do ponto de vista da inteligência, não estou me referindo àquela inteligência lógica normalmente associada a testes de QI. Esse é apenas um tipo de inteligência, mas que isoladamente não faz grande diferença. Para nosso propósito, inteligência deve ser compreendida como a capacidade de agir de forma inteligente em um contexto muito mais abrangente e envolve aspectos emocionais, interpessoais, intrapessoais e comportamentais. Em linhas gerais, pessoas inteligentes são abertas ao novo e não têm medo de mudanças; possuem elevada sensibilidade e capacidade de abstração; assimilam facilmente informações novas e eventualmente fora de contexto; conseguem estabelecer conexões e simplificar situações complexas; não desperdiçam tempo e energia com o que é periférico e possuem elevado senso de urgência e justiça. Dificilmente você perceberá tais virtudes apenas no currículo dos candidatos. Isso se faz por meio de conversa e de olho no olho. Por isso, a tarefa de recrutar pessoas para posições estratégicas não pode e não deve ser inteiramente delegada. Você, como empresário e responsável pelo sucesso da sua empresa, é quem tem a condição de identificar pessoas que sejam melhores do que você e que possam ajudar seu negócio a crescer e se diferenciar. Quando seu empreendimento atingir um estágio de desenvolvimento em que delegar se torne uma questão de sobrevivência, é nas mãos dessas pessoas que estará o futuro da sua empresa.

0800 570 0800 www.sebraepr.com.br Foto: Mauro Frasson/ Arquivo Sebrae/PR

Qual seria sua resposta se alguém lhe perguntasse qual é, na sua opinião, o fator mais importante para o desenvolvimento e o sucesso de uma empresa? Eu, não hesitaria um único segundo antes de responder: “GENTE”.

Allan Marcelo de Campos Costa

REGIONAL SUDOESTE Pato Branco Avenida Tupi, 333 - Bairro Bortot - CEP: 85.504-000 Fone: (46) 3220-1250 - Fax: (46) 3220-1251

Umuarama Avenida Brasil, 3404 - Bairro Zona I - CEP: 87.501-000 Fone/fax: (44) 3622-7028 - Fax: (44) 3622-7065

Escritório - Francisco Beltrão Rua São Paulo, 1212 - sala 01 - Bairro Centro - CEP: 85.601-010 Fone: (46) 3524-6222 - Fax: (46) 3524-5779

REGIONAL NORTE Londrina Av. Santos Dumont, 1335 - Bairro Aeroporto - CEP: 86.039-090 Fone: (43) 3373-8000 - Fax: (43) 3373-8005

REGIONAL CENTRO-SUL Curitiba Rua Caeté, 150 - Bairro Prado Velho - CEP: 80.220-300 Fone: (41) 3330-5800 - Fax: (41) 3330-5768/ 3332-1143

Escritório - Apucarana Rua Osvaldo Cruz, 510 13º andar - Bairro Centro - CEP: 86.800-720 Fone: (43) 3422-4439 - Fax: (43) 3422-4439

Escritório - Guarapuava Rua Arlindo Ribeiro, 892 - Bairro Centro - CEP: 85.010-070 Fone: (42) 3623-6720 - Fax: (42) 3623-6720

Ivaiporã Rua Professora Diva Proença, 1190 - Bairro Centro - CEP: 86.870-000 Fone: (43) 3472-1307 - Fax: (43) 3472-1307

Ponta Grossa Rua XV de Novembro, 120 - Bairro Centro - CEP: 84.010-020 Fone: (42) 3225-1229 - Fax: (42) 3225-1229

Jacarezinho Rua Dr. Heráclio Gomes, 732 - Bairro Centro - CEP: 86.400-000 Fone: (43) 3527-1221 - Fax: (43) 3527-1221

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REGIONAL OESTE Cascavel Avenida Pres. Tancredo Neves, 1262 - Bairro Alto Alegre - CEP: 85.805-000 Fone: (45) 3321-7050 - Fax: (45) 3226-1212

Escritório - Campo Mourão Rua Santa Cruz, 1085 - Bairro Centro - CEP: 87.300-440 Fone/Fax: (44) 3523-2500

ESCRITÓRIO - Foz do Iguaçu Rua das Guianas, 151 - Bairro Jardim América - CEP: 85.864-470 Fone: (45) 3522-3312 - Fax: (45) 3573-6510

Paranavaí Rua Mato Grosso, 1874 A - Bairro Centro - CEP: 87.702-030 Fone: (44) 3423-2865 - Fax: (44) 3423-2794

Toledo Largo São Vicente de Paulo, 1333 - 3º andar - sala 30 e 31 - CEP: 85.900-210 Fone: (45) 3252-0631 - Fax: (45) 3252-6175

é diretor-superintendente do Sebrae/PR. Mestre em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e mestre pela Universidade de Lancaster, Inglaterra, tem MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC Business School, é pós-graduado em Desenvolvimento Gerencial pela FAE/CDE e cursou o Programa de Desenvolvimento de Dirigentes Empresariais do INSEAD, França. Co-autor do livro “Electronic Business in Developing Countries”, possui artigos publicados no Brasil e no exterior, em países como Chile, África do Sul, Reino Unido, Holanda, Hungria e Eslovênia.

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Revista Soluções - Edição 9  
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