Revista Soluções - Edição 8

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vação e tecnologia nas micro e pequenas empresas.

o carvão animal para amenizar os impactos da indústria no meio ambiente.

Palavra de ordem

“O carvão animal é um removedor de cor, além de excelente para o tratamento de metais pesados, despejos industriais, e, também, pode ser utilizado como filtro no tratamento da água. No Brasil, começou a se falar em meio ambiente há pouco tempo, tanto que passamos a atender o mercado interno há apenas três anos”, diz. Segundo o empresário, mesmo com a experiência adquirida ao longo dos anos, uma das dificuldades enfrentadas foi a pouca literatura sobre as propriedades do carvão animal. Diante do fato, Francisco passou a fechar parceiras com o meio acadêmico. “Os alunos precisavam de material para seus estudos e como eu tinha pouco dinheiro para pesquisas, busquei uma alternativa. Hoje, estamos colhendo esses frutos”, diz.

Francisco Cangussú Meira, 59 anos, foi um dos 760 empresários atendidos pelo SEBRAE/PR com o PADTEC, em 2009. Francisco conheceu muito cedo a utilização do carvão animal, obtido da queima de matéria animal, como ossos. Sua família trabalhava para dois poloneses que deixaram a Europa após a Segunda Guerra Mundial. Em terras brasileiras, os poloneses se instalaram em Maringá, noroeste do Paraná.

Foto: Cristiane Shinde/Studio Alfa

Assim que chegaram, escolheram a cultura cafeeira para trabalhar. Depois investiram na pecuária e nos anos 1960 instalaram os primeiros fornos para a produção de carvão animal. Francisco cresceu acompanhando esse trabalho e se envolvendo, cada vez mais, com a atividade que ele define como “inovadora para a época”.

Francisco Cangussú Meira, empresário

ção estão os custos financeiros, desconhecimento, resistência a mudanças e descrença nos benefícios do investimento em serviços tecnológicos. “Apesar do tema inovação e tecnologia ser bastante abordado nos últimos anos, o conceito de inovação ainda assusta muitos empresários. Então, eles resistem, alegando que esse tipo de investimento é desnecessário ou inacessível para empresas de pequeno porte, porém os temas inovação e tecnologia são muito mais simples do que se imagina.” Segundo Ilka Furtado, faz-se inovação não apenas no desenvolvimento de produtos, mas na melhoria de processos, na mudança do modelo organizacional, na forma de atendimento aos clientes, na implementação de ferramentas de marketing, etc. “O investimento em tecnologia nem sempre significa aquisição de máquinas e equipamentos, mas felizmente essa cultura está

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mudando”, explica a consultora do SEBRAE/PR. Entre 2007 e 2009, mais de 760 empresários de pequenas empresas do Paraná se beneficiaram com o PADTEC, agora SEBRAEtec. Nesse período, foram apoiados 700 projetos de tecnologia, no Estado. Além do subsídio financeiro que o SEBRAE/PR injeta em cada projeto, um consultor da instituição acompanha todas as fases da implantação da solução. A entidade executora competente realiza um diagnóstico e prepara um plano de trabalho de acordo com as características da empresa solicitante. Para que o projeto seja executado, é necessária a aprovação do cliente e do SEBRAE/PR. O prazo máximo de execução de cada projeto é de seis meses. Os objetivos do SEBRAEtec são fortalecer a capacidade competitiva das micro e pequenas empresas paranaenses; estimular a transferência de tecnologia entre instituições de pesquisa e empresas; superar gargalos tecnológicos; estimular o processo de ino-

Por meio da SEBRAEtec,

A experiência que Francisco adquiriu observando e depois trabalhando no ramo foi decisiva para traçar seu rumo empresarial. Quando os dois fundadores da empresa começaram a se afastar do negócio, em consequência da idade, Francisco decidiu aproveitar o conhecimento que tinha conquistado e ele mesmo assumir um empreendimento. Em 1987, ele fundou uma pequena empresa, a Bonechar – Carvão Ativado do Brasil, produzindo farinha de osso calcinado e farinha de carne e ossos e, ainda, subprodutos de origem animal. “Só você sendo o dono para ser ousado. Investi em melhorias e inovações na minha empresa”, observa. Em 1997, a Bonechar também passou a produzir carvão ativado de origem animal. “Atendíamos pequenas refinarias de açúcar no Brasil, mas o grande mercado consumidor sempre foi os Estados Unidos e a Europa”, conta o empresário. Francisco explica que os americanos e europeus demandam

Francisco conta que, além da parceria com as universidades, também foi em busca de outros parceiros. O empresário procurou o SEBRAE/PR para informações sobre processo de certificação. Na entidade, recebeu orientações de consultores pelo antigo PADTEC. “O mercado vai criando exigências, então é um desafio constante”, ressalta Francisco.

Entre 2007 e 2009, foram apoiados no Paraná 700 projetos de tecnologia com o PADTEC, hoje SEBRAEtec

Toda a dedicação e o trabalho do empresário, que manteve um olhar atento à área organizacional da empresa e ao mercado, resultaram em um importante reconhecimento. A Bonechar conquistou Kosher Certificate, uma certificação que atesta que o carvão animal produzido pela empresa é 100% orgânico. “Hoje, para atender o mundo, nós precisamos desse selo de pureza do produto. Não se pode ter nada de químico no processo produtivo, uma prática que já era adotada na empresa, mas que não era certificada. Agora, temos esse diferencial”, explica o empresário. “Vou dormir e levanto pensando em inovação.” (Colaborou nesta reportagem a jornalista Giselle Ritzmann Loures)

Para saber mais sobre o tema, acesse : www.sebraepr.com.br e www.cartaobndes.gov.br

os serviços tecnológicos podem ser subsidiados pelo SEBRAE/PR em até R$ 5 mil por empresa

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