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“Crise psicológica começa a diminuir”, diz superintendente do Sebrae/PR

Revista trimestral

nº5

Ano2 Mai/09

A revista da pequena empresa no Paraná

7 ações estratégicas para o EMPREENDEDORISMO Programas e projetos do Sebrae/PR, para fortalecer as micro e pequenas empresas

De olho nas oportunidades

Salvação da lavoura

Empresários buscam alternativas para seus negócios

Parceria com a Emilia-Romagna une produtores rurais

Tendência

Comportamento

Mercado

Feiras e Eventos

Capacitação

Serviço

Associativismo

Giro pelo Paraná 1


Editorial

Sebrae/PR – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Paraná Jefferson Nogaroli Presidente do Conselho Deliberativo Allan Marcelo de Campos Costa Diretor Superintendente Julio Cezar Agostini Diretor de Operações Vitor Roberto Tioqueta Diretor de Gestão e Produção Expediente Supervisão Geral Renata Todescato Gerente de Marketing e Comunicação Coordenação Adriana Schiavon Gonçalves Especialista em Marketing Edição/Jornalista Responsável Leandro Donatti Registro Profissional - 2874/11/57-PR Reportagens: Adriana Ribeiro, Andréa Bordinhão, Andrea Lombardo, Ellen Taborda, Katia Michelle Pires, Leandro Donatti, Maigue Gueths, Maria Duarte, Mari Tortato, Mirian Gasparin e Silvio Oricolli.

A Soluções Sebrae – A Revista da Pequena Empresa no Paraná traz nesta edição entrevistas, artigos de opinião, matérias de serviços e reportagens especiais sobre mercado, comportamento, capacitação, tendências, feiras e eventos, além de um giro com os principais acontecimentos que tiveram participação do Sebrae/PR em todo o Estado. Sociedades de garantia de crédito, centrais de negócios, prospecção mercadológica, e-commerce, exemplos de micro e pequenas empresas responsáveis, Pesquisa GEM, cooperativismo no agronegócio, Paraná Business Collection, novas oportunidades, a volta dos dekasseguis ao Brasil e 10 boas práticas de vendas são alguns dos assuntos em pauta. Destaque para a matéria de capa, contendo ideias do Sebrae/PR para o fortalecimento do empreendedorismo no Estado nos próximos dois anos, e ainda os resultados de uma pesquisa realizada com empresários de micro e pequenas empresas sobre suas expectativas frente à crise financeira mundial, desencadeada no final do ano passado nos Estados Unidos. Esta edição traz uma novidade que tem por objetivo estimular e ampliar o conhecimento dos empresários e leitores. Ao final de cada conteúdo jornalístico, haverá um pequeno serviço contendo indicações de sites, livros, estudos que contenham informações complementares, sempre relacionadas aos assuntos abordados nas reportagens. A outra novidade é que a Soluções Sebrae passa a contar com a colaboração de mais um articulista. Carlos Hilsdorf, economista, pós-graduado em Marketing pela FGV e consultor de empresas, assina nesta edição o artigo “Pequenos Grandes Negócios”. Conhecido nacionalmente e internacionalmente por suas palestras sobre motivação e empreendedorismo, Hilsdorf é autor do livro “Atitudes Vencedoras”.

Boa leitura!

Fotos: Cristiane Shinde, Denis Ferreira Netto, Hugo Harada, Luiz Costa, Marcos Zanella, Vanderlei Faria, Wilson Vieira. Colaboraram nesta edição: Cesar Giovani C. Gonçalves, Cristiane Almeida, Emerson Cechin, Fernanda Robes, Gilberto Keserle, Giselle Ritzmann Loures, Joana D’Arc Julia de Melo, Luiz Eduardo Belletti, Maria Auria Mülhmann, Osvaldo Brotto, Ricardo Almeida Pereira, Simone Shavarski e Walderes Bello. sebrae@pr.sebrae.com.br http://asn.sebraepr.com.br Críticas e comentários, mande um e-mail para revistasolucoes@pr.sebrae.com.br Anuncie na Revista Soluções: publicidade.revistasolucoes@ pr.sebrae.com.br Impressão Artes Gráficas Renascer Ltda. (Mult-graphic) Design Gráfico e Diagramação Ingrupo//chp Propaganda Tiragem 20 mil exemplares Periodicidade Trimestral ISSN 1984-7343

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Leandro Donatti, o editor

A cada edição, um novo desafio Há pouco mais de um ano, iniciamos a reestruturação dos processos de Comunicação e Marketing do Sebrae/PR. Nossa missão era projetar a imagem, aproximar o Sebrae dos empreendedores e dos pequenos negócios e zelar pela marca desta organização, com atividades no Paraná há mais de 35 anos. Este não é um desafio simples. O Sebrae, por suas características como instituição e pela importância do seu papel, não pode ser entendido como uma organização convencional. Aqui, se respira empreendedorismo, e temos nas micro e pequenas empresas nossa razão de existir. Para nós, o empreendedorismo é a chave do desenvolvimento econômico e social.

buscamos levar informações que contribuam, de fato, para os pequenos negócios. O número de páginas tem aumentado e as edições parecem sempre pequenas para tantos temas. Começamos com uma tiragem de 10 mil exemplares. Estamos em 20 mil. As ligações dos leitores multiplicam-se, numa demonstração de que já tomaram gosto pela publicação. A Soluções Sebrae é uma revista em permanente construção. E não abrimos mão disso. O nosso leitor é você, empreendedor e empresário de micro e pequena empresa, que busca conhecimento e superação. Nosso compromisso é com você! Contamos com a sua participação neste projeto, motivo de orgulho para o Sebrae/PR.

Quando iniciamos este processo, a revista Soluções Sebrae era uma das ferramentas que já existiam para ajudar na realização deste desafio, e sua segunda edição estava em gestação. Seguindo orientações da Direção e da Presidência do nosso Conselho Deliberativo, revimos o foco e redefinimos a linha editorial. Hoje, em sua quinta edição, temos muito a comemorar e dividir. A Soluções Sebrae é uma publicação feita para o mercado, para os empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas. Um projeto coletivo, que envolve um grande número de colaboradores. A cada edição,

Renata Todescato, gerente de Marketing e Comunicação do Sebrae/PR

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Índice PÁG. 59 – SERVIÇO

PÁG. 26 – COMPORTAMENTO

Entrevista com José Mário Caprioli, da Trip Linhas Aéreas, mostra como empresários podem explorar novos nichos.

Empresas responsáveis

Foto: Agência La Imagen

Responsabilidade social é a maneira como uma empresa associa no seu negócio os compromissos econômicos, ambientais e sociais. Leia mais.

PÁG. 42 – MERCADO De volta pra casa

Empreendedores brasileiros agem mais por oportunidade

O Sebrae/PR divulga programas e projetos estratégicos para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas, para os próximos dois anos.

Sociedades vão garantir crédito para pequenos

Salvação da lavoura

Produtores de pequenas propriedades rurais se unem e montam cooperativa, para, entre outras coisas, ampliar participação no mercado.

PÁG. 51 – CAPACITAÇÃO

PÁG. 67 – ARTIGO

Você delega funções em sua empresa?

O articulista José Cezar Castanhar, professor da FGV, explica como funcionam o Portal de Operações e o Cartão BNDES e quais suas vantagens para as micro e pequenas empresas.

Empresário que quer fazer tudo sozinho fica sem tempo para pensar no futuro do negócio. Saiba como evitar isso e aprenda a dividir tarefas.

Foto: Divulgação

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

Saiba mais como a prospecção mercadológica pode ajudar a melhorar seu negócio, medindo a satisfação dos clientes e avaliando a concorrência.

Foto: Wilson Vieira/Videographic

Sebrae/PR ouve 1.237 clientes do comércio varejista, construção civil, software, turismo e vestuário e empresários estão otimistas frente à crise.

Conhecer o cliente é fundamental

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Terceira edição do Paraná Business Collection, que acontece de 25 a 29 de maio, no Cietep, em Curitiba, antecipa tendências e gera oportunidades.

PÁG. 64 – ASSOCIATIVISMO

Otimismo para 2009

PÁG. 68 – GIRO PELO PARANÁ Carlos Hilsdorf estreia como articulista e assina nesta edição o artigo “Pequenos Grandes Negócios”. Especialista ensina empresários de micro e pequenas empresas a planejarem suas ações.

PÁG. 37 – MERCADO

De olho nas oportunidades

Empresários de micro e pequenas empresas do Paraná buscam alternativas para manter o clima aquecido em seus empreendimentos.

PÁG. 55 – SERVIÇO

No varejo, coerência é palavra-chave

Confira 10 boas práticas para o comércio varejista e saiba como não é tão difícil vender melhor, conquistar clientes e faturar mais.

Um apanhado dos principais acontecimentos e eventos envolvendo o Sebrae/PR, nas regiões centro-sul, noroeste, norte, oeste e sudoeste e com repercussão no Estado. Foto: Mauro Frasson/Arquivo Sebrae/PR

PÁG. 54 – ARTIGO

Foto: Divulgação

PÁG. 20 – TENDÊNCIA

Dados da Câmara-e.net, nos últimos cinco anos, mostram que o faturamento do comércio eletrônico cresceu em média 30% ao ano.

Moda e negócios para todos os estilos

PÁG. 33 – COMPORTAMENTO

Conheça um pouco mais das iniciativas no noroeste, oeste e sudoeste do Paraná, para apoiar os empresários na hora do financiamento.

Caiu na rede

PÁG. 49 – FEIRAS E EVENTOS

Pesquisa mundial aponta aumento de empresários brasileiros que abrem negócios por causa de uma boa chance e não só por sobrevivência.

PÁG. 17 – TENDÊNCIA

PÁG. 22 – TENDÊNCIA

Para enfrentar a concorrência desleal de países como a China e manter-se competitivo, especialistas recomendam investimento em qualidade e cautela.

PÁG. 29 – COMPORTAMENTO

7 ações estratégicas para o EMPREENDEDORISMO

A união que faz a diferença

Redes e centrais de negócios crescem no Paraná e podem ser uma boa opção para micro e pequenas empresas ganharem competitividade.

PÁG. 46 – MERCADO

Fim de cotas deixa empresas do vestuário em alerta

PÁG. 8 – CAPA

PÁG. 61 – ASSOCIATIVISMO

A crise econômica acelera o retorno dos brasileiros que trabalham no Japão; na volta ao Brasil, montar um negócio próprio é sempre uma opção.

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

Regionalização: boa opção para entrar no mercado

Foto: Hugo Harada/Agência La Imagen

PÁG. 6 – ENTREVISTA

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

Foto: Divulgação

Foto: Vanderlei R. de Faria

Inadimplência e endividamento empresarial

Aumento dos índices no Brasil, após deflagrada a crise no sistema financeiro mundial, deve recuar nos próximos meses. Confira números do Banco Central.

PÁG. 74 – ARTIGO

Allan Marcelo de Campos Costa, diretor-superintendente do Sebrae/PR, avalia os efeitos psicológicos da crise financeira mundial, desencadeada no final do ano passado, nos Estados Unidos, com repercussão global.

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José Mário Caprioli

Regionalização: boa opção para entrar no mercado Por Andréa Bordinhão

Preencher um nicho pouco explorado. Esse foi o objetivo do empresário José Mário Caprioli ao fundar a Trip Linhas Aéreas. Em 1998, o jovem empreendedor, que havia herdado da família uma empresa de transportes terrestres com sede em Campinas, São Paulo, resolveu empreender em uma nova vertente da área que já atuava, comprou dois aviões e apostou na regionalização. Caprioli começou seu novo negócio preenchendo rotas aéreas que tinham demanda, porém não eram atendidas pelas grandes companhias. A primeira linha da Trip fazia viagens de Natal, Rio Grande do Norte, para o Arquipélago de Fernando de Noronha. A aposta deu certo e, com o foco sempre no mercado regional, 11 anos depois a Trip já atende 65 cidades, em 16 estados e no Distrito Federal, fazendo uma espécie de ramificação das rotas tradicionais.

Fotos: Divulgação

O empresário conta que começou a idealizar uma companhia nesse formato quando estudou nos Estados Unidos e lá observou o tamanho do mercado regional de aviação. Mas, apesar do crescimento da última década, o Brasil ainda tem muito espaço para avançar no setor. Enquanto nos Estados Unidos as companhias aéreas regionais são responsáveis por 45% do total de pousos e decolagens comerciais, no Brasil este índice ainda é de meros 2%. O empresário falou à Soluções Sebrae – A Revista da Pequena Empresa no Paraná sobre sua trajetória à frente da Trip, sobre o mercado aéreo brasileiro, sobre a regionalização dos negócios e sobre posturas e atitudes que

acredita serem importantes aos empreendedores. Soluções Sebrae - Como foi sua entrada no mercado da aviação comercial? Caprioli - Sou formado em Administração de Empresas e trabalhei durante alguns anos em uma empresa de consultoria. A Trip começou a ser desenhada em 1990. Quando estudava Mercado de Capitais, na Universidade Columbia, em Nova York, percebi o tamanho do mercado de aviação regional e identifiquei que o modelo poderia ser aplicado no Brasil, que, assim como os Estados Unidos, possuía extensão territorial continental, mas ao mesmo tempo um mercado de aviação regional pouco explorado. Quando voltei ao Brasil, em 1995, elaborei o plano de negócios e o Grupo Caprioli investiu na ideia. Soluções Sebrae - Qual era o tamanho da empresa no início e como está hoje? Caprioli - Em 1998, a empresa iniciou suas operações com a linha Natal ao Arquipélago de Fernando de Noronha. Este ano, ao completarmos 11 anos de atividade no Brasil, somos a maior companhia aérea regional do País e também da América do Sul. Com uma frota composta por 21 aeronaves, realizamos ligações entre 65 municípios em 16 estados brasileiros mais o Distrito Federal, desenvolvendo uma rede aérea complementar às companhias domésticas. Cerca de 50% das cidades atendidas só contam com operações aéreas da Trip e atingimos a marca de 1 milhão de passageiros em 2008. Nossa trajetória é marcada também pela chegada

de novos sócios e incorporações. Há dois anos, temos sociedade igualitária com o Grupo Águia Branca. Dessa forma, o capital social e o comando da companhia passaram a ser divididos em partes iguais entre os Grupos Caprioli e Águia Branca. Em 2007, incorporamos a Total Linhas Aéreas. Em setembro do ano passado, a Trip estabeleceu ainda sociedade com a norte-americana SkyWest Inc. – holding detentora das companhias SkyWest Airlines e Atlantic Southeast Airlines (ASA) - que juntas são a maior operadora de aviação regional do mundo. O negócio prevê investimentos a serem realizados em três etapas, somando um aporte total de US$ 30 milhões até fevereiro de 2010, quando a SkyWest Inc. poderá deter até 20% do capital social da Trip. A empresa tem um conselho de administração composto por oito membros, sendo a única companhia aérea regional com governança corporativa. Soluções Sebrae - A Trip teve dificuldades para atuar em paralelo às grandes empresas já consolidadas ou não houve influência? Caprioli - O modelo de operações da Trip impede que a empresa concorra diretamente com as companhias aéreas domésticas. Estamos prioritariamente voltados ao mercado da aviação regional e, como tal, funcionamos como verdadeiros “alimentadores” das companhias de maior porte porque somos responsáveis pelas ligações entre grandes e pequenas cidades. Ou seja, buscamos não coincidir com as ligações dessas aéreas e nossos voos regionais atuam como complementares, permitindo assim maior distribuição e capilaridade da malha aérea. Soluções Sebrae - O foco regional é uma forma mais segura de se consolidar no mercado? Caprioli - Não posso dizer que seja mais ou menos segura. O mercado de aviação brasileiro conta com um potencial enorme para desenvolvimento. O segmento de aviação regional tem potencial ainda maior tendo em vista que surgiu há poucos anos. Só para deixar claro, aviação regional é definida pela capacidade das aeronaves utilizadas pela companhia aérea: até 90 assentos, além da realização de voos e ligações entre cidades com baixa e média densidades de tráfego. Nos Estados Uni-

dos, esse modelo de aviação corresponde a quase quatro vezes todo o tráfego doméstico brasileiro. Contando hoje com mais de 3 mil aeronaves em operação e cerca de 160 milhões de passageiros transportados entre 670 cidades. Responde assim por 45% de todos os pousos e decolagens da malha comercial americana. Hoje o modelo de aviação regional no Brasil representa apenas 2% do mercado. Pouco mais de 150 cidades são atendidas por malha aérea regular. Soluções Sebrae - Como o senhor vê o mercado aéreo brasileiro atualmente? Para as pequenas empresas, o negócio está melhor (já que a Trip vem apresentando lucros maiores do que empresas já consolidadas no mercado)?

assim existem diversas posturas que são comuns aos empreendedores que se desenvolveram, e das quais sempre me pautei. São elas: a busca por trabalhar com os melhores profissionais; qualidade da informação; humildade no conhecimento (busca contínua por informação). Soluções Sebrae - Quais os principais pontos que os empresários que querem abrir pequenos negócios em ramos que precisam de grande aporte de capital devem levar em consideração? Caprioli - Neste quesito é importante frisar a necessidade de organizar, desde a

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Caprioli - O modelo de negócios tem características muito distintas. O que posso dizer é que esse mercado de aviação é muito sensível a custos. Os custos fixos precisam de uma escala mínima de operação para serem diluídos. Acredito que foram justamente essas falhas na gestão de custos que fizeram com que algumas empresas desaparecessem do mercado. Soluções Sebrae - Quais os planos futuros da empresa? Caprioli - A ampliação e modernização da frota são metas rigorosas da Trip. De 2006 até hoje, a empresa aumentou sua frota de oito para 21 aeronaves. Este ano receberemos mais quatro aviões e, em 2010, os quatro restantes de um pedido de 12 aeronaves feito em 2007. Em junho do ano passado, anunciamos o pedido de compra de cinco jatos EMBRAER 175. O negócio inclui ainda opções para outras dez aeronaves e direitos de compra para mais 15. O primeiro jato foi entregue em fevereiro. Soluções Sebrae - Quais suas principais dicas para aqueles que querem começar um pequeno negócio? Caprioli - Não acredito muito em receita mágica, pois cada negócio e atividade têm demandas específicas e cada empreendedor também tem perfil diferente. Mesmo

data de fundação da companhia, informações confiáveis e demonstráveis. Existe na cultura brasileira a crença que a contabilidade serve apenas para atender o desejo do Fisco e, portanto, que as informações gerenciais são criadas em relatórios paralelos e dissociados. Esse é o maior erro, pois é necessário alinharmos as informações contábeis e gerenciais, pois na hora que precisamos dos grandes investidores ou financiadores de ativos, essa é exatamente a maneira adequada de se demonstrar e, portanto, perde-se tempo e dinheiro precioso para rearranjar toda informação, quando, se tivéssemos feito assim desde o começo, isso não ocorreria.

Soluções Sebrae - Qual a importância de buscar parcerias para as pequenas empresas? Caprioli - Existem diversos tipos de parcerias, sejam horizontais ou verticais, com clientes, com fornecedores, com concorrentes e tantas outras. Em cada fase da maturidade de sua organização, uma dessas modalidades faz sentido, e para cada tipo de atividade, uma é mais importante do que a outra. Na minha opinião, acho elas fundamentais no novo ambiente excessivamente competitivo, pois diferentemente do ambiente econômico do passado recente, hoje é muito difícil ser uma ilha no meio do oceano e sobreviver. S

“Não acredito em receita mágica, pois cada negócio e atividade têm demandas específicas e cada empreendedor também tem perfil diferente”

José Mário Caprioli, da Trip Linhas Aéreas

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Visão de futuro

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

7 ações estratégicas para o EMPREENDEDORISMO Fotos Agência La Imagen

Lançados na posse de Nogaroli, programas e projetos do Sebrae/PR têm como objetivo fortalecer as micro e pequenas empresas e promover o desenvolvimento do Paraná, nos próximos dois anos Por Leandro Donatti

O Sebrae/PR divulga nesta edição 7 ações para o fortalecimento do empreendedorismo no Paraná. Programas, projetos e propostas que fazem parte de uma estratégia da entidade para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas, nos próximos dois anos. As ações estratégicas para o empreendedorismo foram lançadas em março deste ano, na cerimônia de posse do empresário Jefferson Nogaroli, como presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR. Mais de 600 empresários, políticos, autoridades e lideranças brasileiras, argentinas e paraguaias prestigiaram a cerimônia, realizada no Castelo do Batel em Curitiba. “Queremos que a equipe do Sebrae/PR dê o melhor de si. O Sebrae é reconhecido no mundo inteiro como uma instituição de excelência para micro e pequenas empresas. Nosso maior patrimônio são os nossos técnicos. Vou jogar o meu entusiasmo e o melhor de mim”, disse o novo presidente do Conselho Deliberativo, em seu discurso de posse.

Nogaroli foi eleito, por aclamação, presidente do Conselho Deliberativo, no final de novembro do ano passado. Assumiu o comando do Sebrae/PR no lugar do presidente do Sistema Fecomércio, Darci Piana, que exerceu a função no biênio 2007/2008. O novo presidente do Conselho falou das propostas que pretende implementar nos próximos dois anos e da importância de entidades como o Sebrae e o poder público no apoio aos municípios mais carentes. “Para o Sebrae/PR, o desenvolvimento de um município, de um estado, de um país está diretamente vinculado ao desenvolvimento do empreendedorismo e das micro e pequenas empresas. Os pequenos negócios geram empregos e renda e são a base de sustentação de diversas economias no mundo. O empreendedorismo leva ao desenvolvimento”, assinalou Nogaroli.

Nogaroli, em seu discurso de posse, fala de programas e projetos do Sebrae/PR para os próximos dos anos

“Com muita alegria e dedicação, buscamos uma gestão que levasse o Sebrae/PR para os 399 municípios do Paraná”, disse Darci Piana. O expresidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR citou o VarejoMAIS - Mais Vendas, Mais Competitividade, parceria do Sebrae/PR e da Fecomércio para melhorar o comércio varejista em todo o Estado, como exemplo de expansão das atividades do Sebrae/PR. “Em 2008, o VarejoMAIS esteve presente em quase 100 cidades do Estado.” Piana destacou ainda outros programas, firmados por meio de parcerias, como o Empreender, Empreendedor Rural e Líderes Públicos. O diretor-superintendente do Sebrae/PR, Allan Marcelo de Campos Costa, ressaltou os resultados da entidade conquistados em 2008. Em um comparativo com 2007, o Sebrae/PR registrou um aumento de 59% no repasse de informações técnicas. A realização de cursos, caravanas, feiras, eventos e rodadas de negócios também cresceu. Houve um aumento de quase 59% no número de consultorias, 35% no volume de cursos, 418% no número de caravanas, 78% a mais na realização de feiras, 161% na realização de eventos e 150% a mais na promoção de rodadas de negócios. O diretor de Administração e Fi-

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Mais de 600 pessoas lotaram o Castelo do Batel em Curitiba

Da esquerda para a direita: Allan Marcelo de Campos Costa, superintendente do Sebrae/PR; Carlos Alberto dos Santos, diretor do Sebrae Nacional; Nogaroli; Vitor Roberto Tioqueta, diretor de Gestão e Produção do Sebrae/PR; e Julio Cezar Agostini, diretor de Operações do Sebrae/PR

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Fotos Agência La Imagen

Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo destacou papel do Sebrae na Lei Geral

Vice-governador do Paraná, Orlando Pessuti falou da força das pequenas empresas

Piana, presidente do Conselho no biênio 2007/2008, foi homenageado

O então ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Ricardo Martin Heisecke Rivarola, falou da importância da cooperação para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Na posse de Nogaroli, representantes do Sebrae e do governo do Paraguai assinaram um acordo de apoio ao Centro de Desenvolvimento de Tecnologias para Integração Transfronteiriça de Micro e Pequenas Empresas do Mercosul e América Latina (CDT-AL), uma iniciativa do Sebrae Nacional, Sebrae/PR, Itaipu Binacional, Fundação Parque Tecnológico de Itaipu e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para gerar e ampliar a integração produtiva na região de fronteira.

Lei Geral O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e o vicegovernador do Paraná, Orlando Pessuti, falaram para os convidados na posse de Nogaroli. Ambos defenderam as vantagens da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, em vigor no Brasil desde dezembro de 2006. Paulo Bernardo disse que a legislação, para micro e pequenas empresas, representa uma “verdadeira reforma tributária” e que traz pontos muito positivos que estimulam a relação das micro e pequenas empresas com o poder público, sobretudo no que diz respeito à inclusão do segmento em processos de compras governamentais. “O Sebrae foi o autor intelectual desta lei, que hoje representa tantos benefícios.” Para o vice-governador, a Lei Geral também representou um avanço para as micro e pequenas empresas. Pessuti lembrou da política de incentivos fiscais lançada pelo governo do Paraná e que beneficia pequenos negócios com a isenção e redução da carga tributária. “O Sebrae faz parte das nossas vidas”, afirmou o governador, numa homenagem aos mais de 35 anos de atuação da entidade no Estado.

Acordo sela parceria Sebrae-Paraguai A posse de Nogaroli serviu para ampliar o processo de internacionalização do Sebrae/PR. O então ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Ricardo Martin Heisecke Rivarola, participou da cerimônia e falou da importância da cooperação para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Representantes do Sebrae e do governo do Paraguai

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assinaram um acordo de apoio ao Centro de Desenvolvimento de Tecnologias para Integração Transfronteiriça de Micro e Pequenas Empresas do Mercosul e América Latina (CDT-AL), iniciativa do Sebrae Nacional, Sebrae/PR, Itaipu Binacional, Fundação Parque Tecnológico de Itaipu e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para a integração produtiva na região de fronteira.

Foto Agência La Imagen

nanças do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos, também prestigiou a posse de Nogaroli. Disse que o Sebrae/PR é modelo para o Brasil. “É um dos melhores Sebraes que temos no País.” Carlos Alberto falou da relevância das micro e pequenas empresas para a economia do Brasil e do momento econômico. “Desde que me conheço por gente, ouço falar em crise. As micro e pequenas empresas precisam continuar firmes na geração de empregos e renda.”

Moira Paz Estenssoro, representante da CAF

Corporação Andina de Fomento apoia parcerias A representante da Corporação Andina de Fomento (CAF), Moira Paz Estenssoro, que também esteve em Curitiba para a troca de comando do Sebrae/PR, disse apoiar as iniciativas de integração entre os países da América Latina. “O Sebrae é um importante parceiro nesse processo de desenvolvimento das regiões de fronteira.” Sobre o desenvolvimento de projetos de cooperação transfronteiriça, a representante da CAF enalteceu a proposta do Sebrae e disse ser muito interessante o intercâmbio entre a entidade e o governo paraguaio. “O Sebrae levará conhecimento e tecnologia que, se ajustados à realidade paraguaia, podem render muitos frutos”, afirmou Moira. Com sede em Caracas, na Venezuela, a CAF entrou em atividade em 1970 e tem escritórios de representação em Buenos Aires, La Paz, Brasília, Quito, Madri e Lima. Seus acionistas são: Argentina, Brasil, Bolivia, Chile, Colombia, Costa Rica, Equador, Espanha, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Trinidad y Tobago, Uruguai, Venezuela e 14 bancos privados da região.

O Sebrae pleitea junto à CAF recurso de 100 mil dólares para investimentos em projetos transfronteiriços. Acompanhe trechos de entrevista concedida por Moira Paz Estenssoro: Soluções Sebrae - Qual o papel da CAF? Moira - A CAF é uma instituição financeira multilateral, que presta múltiplos serviços a clientes do setor público e privado de seus países acionistas, mediante a eficiente mobilização de recursos financeiros dos mercados internacionais até a América Latina. A corporação está comprometida com o desenvolvimento sustentável e a integração regional, pilares da sua missão. A CAF é a principal fonte de financiamento multilateral da região andina e a principal fonte de financiamento na área de infraestrutura na América Latina. No último quinquênio, a corporação fortaleceu sua presença na América Latina, particularmente em projetos que contribuem para a integração regional. Soluções Sebrae – Quais as perspectivas para os próximos anos? Moira - Apesar do ambiente de deterioração do entorno financeiro mundial, a CAF tem consolidado sua dimensão latino-americana,

avançando no processo de internacionalização com uma atividade operativa recorde, excelente desempenho financeiro e ratificação da sua qualidade creditícia. Quanto à situação atual, tal como tem declarado nosso presidente executivo Enrique García, nós vemos que a crise é uma oportunidade para que todas as instituições vinculadas ao desenvolvimento usem um rol anticíclico muito importante. A ideia é impulsionar medidas que nos ajudem, não somente a sairmos deste período de instabilidade, como que promovam na região um modelo de crescimento mais sustentável e – principalmente – de melhor qualidade, ou seja, que não seja somente eficiente do ponto de vista econômico, mas que crie emprego produtivo, seja includente, respeite a diversidade cultural e o meio ambiente. Soluções Sebrae – Qual a importância da parceria com o Sebrae e do processo de cooperação na região de fronteira? Moira - Tanto para a CAF quanto para o Sebrae é de especial importância a atenção para aspectos relacionados com a geração de novos empregos e com o aumento da produtividade das micro e pequenas empresas no Brasil e na região. Além disso, a CAF e o Sebrae compartilham o interesse de apoiar empreendimentos e iniciativas de pequenos negócios e sistemas produtivos locais. Para tanto, as instituições firmaram um acordo-marco e vão trabalhar conjuntamente para desenvolver importantes ações em prol do desenvolvimento econômico e social do Brasil e de outros países acionistas da CAF. Por isso, apoiar as iniciativas do Sebrae/PR é importante, já que o impacto de suas ações chegam aos países fronteiriços. Trabalhar de forma conjunta, de modo que a participação da CAF pode facilitar a implementação de projetos que beneficiarão o vizinho país do Paraguai é uma prioridade, já que o Paraguai, também é Membro Pleno Especial da CAF desde 2008.

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Empresários argentinos prestigiam posse Empresários de Rosario, na Argentina, visitaram Curitiba e prestigiaram a posse de Nogaroli. Mais uma iniciativa para fortalecer os laços e parcerias entre o Sebrae/PR e a Argentina. O prefeito de Rosario, Miguel Lifschitz, liderou a caravana de empresários que desembarcou no Paraná. A Argentina é um dos países parceiros no desenvolvimento da cultura empreendedora na região de fronteira.

Da cooperação internacional ao acompanhamento das empresas Cooperação internacional, apoio aos municípios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), educação empreendedora, evolução e performance das empresas e ações para melhorar o ambiente dos pequenos negócios são temas prioritários nos próximos dois anos. O Sebrae/PR trabalha com empreendedorismo; políticas públicas; tecnologia e inovação; orientação ao crédito; acesso ao mercado; in-

ternacionalização; redes de cooperação e programas de formação de lideranças. A entidade disponibiliza ainda consultorias especializadas em gestão, finanças, marketing, recursos humanos, franquias, comércio eletrônico e programas específicos para auxiliar na abertura de pequenas empresas planejadas, assim como realiza cursos, feiras, rodadas de negócios, eventos e caravanas empresariais.

Parceiro do desenvolvimento econômico, o Sebrae/PR apresenta nas próximas páginas 7 ações estratégicas para 2009/2010.

Apoio aos municípios com baixo IDH O prefeito de Rosario, Miguel Lifschitz, com Nogaroli

A proposta foi lançada oficialmente pelo presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, Jefferson Nogaroli, em março deste ano, na cerimônia de sua posse. O projeto consiste em uma união de esforços do Sebrae/PR, entidades, poder público e iniciativa privada, para apoiar municípios do Paraná de pequeno porte e com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Castelo do Batel, em Curitiba

A ação tem como objetivo alavancar o desenvolvimento socioeconômico desses municípios

Cônsul do Brasil em Rosario, Ricardo Diab (primeiro à esquerda) e empresários argentinos

e demonstrar que o empreendedorismo pode transformar o dia a dia da cidade e do campo. O Sebrae/PR já começou a traçar um programa intensivo de desenvolvimento local para os municípios escolhidos. Paralelamente, representantes da entidade comandam uma articulação para envolver parceiros no projeto. A intenção é que cada entidade parceira leve seu conhecimento, sua expertise, para os municípios.

Educação e cultura empreendedora

Nogaroli com lideranças de Maringá

Natural de Astorga, no Paraná, Jefferson Nogaroli é empresário do setor de supermercados. Em 1988, assumiu a presidência da Associação Comercial e Industrial de Maringá (ACIM). Liderou o “Movimento Repensando Maringá”, em defesa de um pensar planejado da cidade, o que deu origem mais tarde ao Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá - CODEM. Foi presidente da ACIM por dois mandatos e, em 2002,

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deixou a associação para ser presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado do Paraná (Faciap), onde ficou também por dois mandatos, até o início de 2006. Atualmente, Nogaroli é presidente do Conselho Superior da Faciap; presidente do Sicoob Sul - Cooperativa de Crédito dos Empresários da Grande Curitiba e presidente da Central das Cooperativas de Crédito do Estado do Paraná - Sicoob Central Paraná.

Investir no desenvolvimento de uma sociedade empreendedora, apostando na vocação empreendedora das crianças e dos jovens. Uma das propostas do Sebrae/PR para esse tema é o Educação Empreendedora, um programa estadual que formará professores das redes pública e privada de ensino, tornando-os aptos a atuar como multiplicadores e formadores de crianças e jovens empreendedores. O programa, cujo edital para participação será

lançado em maio, centrará esforços nas crianças e jovens do ensino fundamental e ensino médio e terá atendido, até 2010, mais de 25 mil estudantes, trabalhando suas características empreendedoras, o desenvolvimento sustentável e a formação de redes sociais. O programa, que já está em fase final para sua execução, envolverá inicialmente 30 municípios do Paraná e capacitará 750 professores.

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Solução para medir a evolução empresarial O Prosperar – Programa de Excelência em Performance Empresarial é uma solução inédita criada pelo Sebrae/PR para avaliar a performance e medir a evolução das micro e pequenas empresas participantes, separadas por segmento e setor. O programa inicia com um autodiagnóstico, feito pelo próprio empresário que preenche, pela internet, um questionário com informações sobre seu negócio, como faturamento, ativos, número de funcionários, lucro líquido, gastos com impostos e taxas e despesas com pessoal, dentre outras. O questionário segue os critérios da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ): liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informação e conhecimento, pessoas, processos e resultados. São critérios de excelência que medem a gestão e a competitividade das empresas. O preenchimento do questionário é feito em sala de aula, com o auxílio de um consultor do Sebrae/PR. O empresário terá 32 horas de consultoria para o preenchimento, disponibilizadas pelo Sebrae/PR. A empresa que participar do Prosperar terá, ainda, condições de levantar os pontos fortes, oportunidades, além de pontos fracos e ameaças do negócio, a base para a elaboração de um planejamento estratégico.

junho, por meio de edital público, um programa de desenvolvimento local com base na Lei Geral. Até 2011, a meta é oferecer condições para institucionalizar a legislação nos 399 municípios paranaenses. poníveis, será possível, por exemplo, avaliar a posição da empresa participante frente aos seus concorrentes. O empresário terá ainda condições de traçar, com a ajuda de consultores do Sebrae/PR, um plano de ação para o desenvolvimento da empresa. O plano de ação levará em conta a situação na qual a empresa se encontra e sofrerá mudanças ano a ano, dependendo dos indicadores que precisam ser melhorados pelo empresário. É o empresário quem decide quais as suas prioridades! O Prosperar é um programa dinâmico e o empresário precisa alimentar o sistema com informações atualizadas, uma vez por ano. Quanto mais micro e pequenas empresas participarem do Prosperar, maior a riqueza de informações e amplitude da base comparativa. O programa também ajudará o Sebrae/PR a desenvolver soluções empresariais customizadas para cada empresa. Com as informações processadas pelo Prosperar, análise dos fatores necessários para o planejamento estratégico e avaliação da performance da empresa, o Sebrae/PR poderá oferecer aos participantes soluções sob medida, para melhorar os pontos fracos e ameaças e potencializar os pontos fortes e oportunidades.

As informações fornecidas pelo empresário serão reunidas em um banco de dados do Sebrae/PR, responsável pelo sigilo e anonimato dessas informações. Os dados serão cruzados, gerando indicadores de competitividade do segmento e do setor, bem como definirão um indicador de competitividade de cada empresa.

O empresário participante do Prosperar terá ainda vantagens como a possibilidade de apresentar sua empresa no site do programa, abrindo oportunidades para novos negócios e dando a sua empresa um visual mercadológico, com a veiculação de logomarca, fotos de produtos, serviços e fachada. É uma vitrine para a empresa dentro do sistema.

O empresário terá à disposição login e senha e poderá acessar o Prosperar a qualquer tempo. Com os indicadores do segmento e do setor dis-

O programa disponibiliza também agenda com os principais eventos dos setores, notícias e parcerias.

Ambiente favorável aos pequenos negócios A institucionalização da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa nos 399 municípios é fundamental e, com certeza, o primeiro passo para a criação de um ambiente legal e favorável aos pequenos negócios. Em vigor desde dezembro de 2006, a legislação federal trouxe avanços como a desburocratização, desoneração tributária, criação da figura do microempreendedor individual e a participação preferencial das pequenas

empresas em licitações públicas até R$ 80 mil. Porém, os municípios também precisam fazer a sua parte, regulamentando a lei e implantando legislações de âmbito local, com o respeito às realidades dos pequenos negócios em cada município. Para auxiliar nesse processo, o Sebrae/PR, em parceria com o poder público, iniciará ainda em

Os municípios não farão isso sozinhos. O Sebrae/PR prepara soluções para cada uma das temáticas previstas na Lei Geral. O Índice de Desenvolvimento para Micro e Pequenas Empre-

sas (ID-MPE), lançado pelo Sebrae/PR, em parceria com o Instituto Brasileiro de Produtividade e Qualidade (IBQP), no final do ano passado, é uma delas. Servirá como uma ferramenta de planejamento para os gestores públicos e fará um diagnóstico dos pontos fracos e fortes de cada município. O ID-MPE avalia o estágio de evolução dos ambientes empresarial, institucional e de mercado nos municípios.

Integração com países de fronteira A troca de conhecimento e experiências na região de fronteira tem tudo para contribuir para o desenvolvimento dos pequenos negócios. Já está em funcionamento em Foz do Iguaçu o Centro de Desenvolvimento de Tecnologias para Integração Transfronteiriça de Micro e Pequenas Empresas do Mercosul e América Latina (CDT-AL). A iniciativa do Sebrae Nacional, Sebrae/PR, Itaipu Binacional, Fundação Parque Tecnológico de Itaipu (PTI) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) faz parte do Projeto Fronteiras do Brasil e receberá R$ 5,8 milhões até 2011. O CDT-AL é uma unidade de excelência e especiali-

zação para integração de instituições que apoiam as micro e pequenas empresas do Brasil, Mercado Comum do Sul (Mercosul) e América Latina. Os primeiros projetos de cooperação já estão em curso e estão sendo negociados com a Argentina, Paraguai e Uruguai. O CDT-AL funciona como uma unidade do Sebrae especializada no desenvolvimento de tecnologias que facilitem a integração produtiva e fomente a transferência de metodologias e soluções para as empresas da região, bem como a capacitação de empreendedores em projetos empresariais de atuação transfronteiriça.

Acompanhamento das empresas O Sebrae/PR desenvolveu o projeto “Abri minha empresa e agora?” que vai oferecer em 2009, por meio de envio de conteúdos técnicos, a informação necessária para os primeiros passos da empresa, acompanhando seu período mais crítico de sobrevivência.

O Sebrae/PR vai enviar pelo correio, mês a mês, os fascículos para as cerca de 4 mil novas empresas registradas mensalmente na Junta Comercial do Paraná em todo o Estado. Ao final dos fascículos a empresa terá um guia completo para os seus primeiros anos de vida!

De leitura rápida e fácil com ilustrações e alertas sobre as questões cruciais do novo negócio, o projeto “Abri minha empresa e agora?” possui dez fascículos que trabalham os seguintes temas: O que fazer para que comprem também da minha empresa?; Garanta que seu preço seja competitivo; Planejar o que? Conheça as metas obrigatórias; Conheça e domine seus custos; O Lucro não vem por acaso; Controles fundamentais; Indicadores do dono: rentabilidade e lucratividade; Dinheiro da empresa x necessidade de renda da família; Sistema de trabalho e estrutura que funcionam; e Contratos e contratações.

A ampliação da rede de atendimento também é prioridade para os próximos dois anos. O Sebrae/PR vai criar novos pontos de atendimento em pelo menos 60 municípios do Paraná, onde não existe uma estrutura física da entidade. Por meio de editais públicos, serão formadas parcerias com prefeituras, associações, sindicatos e demais entidades ligadas às micro e pequenas empresas. A ideia é disseminar para o maior número de pessoas o empreendedorismo e as soluções do Sebrae para a abertura responsável de micro e pequenas empresas.


Crédito facilitado

Informação ao alcance de todos Diminuir a distância e facilitar o acesso ao conhecimento são desafios para os empreendedores e empresários de micro e pequenas empresas em um mundo globalizado, que exige cada vez mais atualização. O Sebrae Digital, uma novidade que o Sebrae/PR desenvolve para 2009, colocará

à disposição dos empresários e empreendedores todo o conhecimento e soluções da entidade passíveis de digitalização, por meio de e-learning, blogs, podcasts e comunidades virtuais. É a virtualização do conhecimento para que os recursos necessários às pequenas empresas estejam sempre a um clique de distância.

Para saber mais, acesse www.sebraepr.com.br e www.caf.com

Sociedades vão garantir crédito para pequenos Iniciativas no oeste, sudoeste e noroeste têm como objetivo criar instituições que garantam empréstimos para pequenas empresas

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Por Mirian Gasparin

Até o fim deste ano, empresários de micro e pequenas empresas do Paraná poderão contar com mais uma ferramenta para a viabilização de crédito. Estão em processo de implantação três sociedades de garantia de crédito no Estado, nas regiões sudoeste, oeste e noroeste. Para o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, Jefferson Nogaroli, essas sociedades permitirão que as instituições completem as garantias exigidas de seus associados nas operações de crédito contratadas com instituições financeiras.

dade de garantia de crédito funciona de forma parecida com uma cooperativa. Empresários de microempresas e empresas de pequeno porte se associam por meio de cotas e formam um fundo financeiro garantidor. No caso específico das sociedades garantidoras de crédito, o fundo deverá ser formado também com recursos do Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), bancos americanos e dos governos estaduais e federal, informa o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR.

Segundo Nogaroli, o maior problema para quem quer começar um negócio e não dispõe de recursos próprios suficientes é a garantia de pagamento do empréstimo. As funções de uma sociedade de garantia de crédito não são as de conceder financiamentos, mas sim aproximar as empresas associadas dos agentes financeiros, sejam bancos ou cooperativas de crédito, por meio do complemento de garantias pessoais e da preparação da documentação necessária à obtenção do empréstimo.

Os recursos do fundo são investidos em um ou mais bancos, que são parceiros da instituição e servirão como garantia líquida para os empréstimos tomados pelos associados.

No Paraná, há atualmente três iniciativas com o objetivo de implantar sociedades de garantia de crédito

O consultor do Sebrae/PR, Flavio Locatelli Junior, explica que o primeiro passo para a instalação das socieda-

O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR vem defendendo, já há algum tempo, a criação das sociedades de garantia de crédito. Embora elas sejam comuns e muito utilizadas na Europa e Argentina, no Brasil, apenas uma instituição do gênero está em funcionamento. Localizada em Caxias do Sul, na região da Serra Gaúcha, a Garantiserra opera desde 2004. Os empresários que contam com o apoio desta sociedade conseguiram reduzir as taxas de juros dos bancos e alongar os prazos dos empréstimos. Nogaroli, que foi conhecer de perto os modelos dessas sociedades na Europa e na Argentina, explica que uma socie-

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Partiu-se, então, para a constituição das sociedades. O último passo será a entrada em operação.

nas regiões noroeste, sudoeste e oeste apontou que os maiores problemas enfrentados pelos empresários no momento de pedir um financiamento são a exigência de documentos para a realização de cadastros, seguida de exigência de garantia; exigência de demonstrativos contábeis e exigência de reciprocidade. “Todos esses problemas poderão ser solucionados a partir do momento que as sociedades de garantia de crédito começarem a operar”,

Na região noroeste, a sociedade de garantia de crédito beneficiará empresários de micro e pequenas empresas de municípios, em um raio de 80 quilômetros. No sudoeste, serão beneficiados os 42 municípios que formam a região, e no oeste, as articulações ocorrem nas regiões de Foz do Iguaçu, Cascavel e Toledo. O diagnóstico realizado pelo Sebrae

observa Locatelli Junior. Segundo ele, a sociedade não vai suprir a documentação das empresas, mas os bancos terão a garantia de que receberão os recursos emprestados. “Vale ressaltar que o spread bancário é composto por alguns itens como custos administrativos, compulsório, impostos, lucro e inadimplência. Exatamente com a redução

Foi criada com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e social na sua região de atuação, qualificando e ampliando o acesso ao crédito para as micro, pequenas e médias empresas com faturamento anual de até R$ 20 milhões. Sua área

Na região sudoeste, a expectativa do Sebrae é de 115 operações no início das atividades, 170 no primeiro ano e 230 a partir do segundo até o quinto ano. Com relação à Sociedade de Garantia de Crédito da Região Oeste, ainda não há uma definição sobre o número de operações previstas. S

O estudo de viabilidade realizado pelo Sebrae/PR apontou que a expectativa de operações da Sociedade de Garantia de Crédito do Noroeste do Paraná é de começar com 275 operações, passando para 410 no pri-

10,45%

Outros 2,99%

Restrições e sistemas de proteção ao crédito (sócios)

de atuação engloba 33 municípios da Serra Gaúcha.

de R$ 100, além de um pagamento único de adesão que varia de R$ 500 para as microempresas, R$ 1 mil para as pequenas empresas e R$ 2.400 para as empresas de médio porte.

A Garantiserra tem como parceiros fundadores o Sebrae Nacional, o Sebrae do Rio Grande do Sul, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o governo gaúcho, a Câmara da Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul e a Prefeitura do município.

18,61%

Falta de inadequação ao projeto

29,03%

Exigência de garantias 21,84%

Registro no CADIN

25,31%

Exigências de reciprocidade

35,98%

Exigências de documentos para realização de cadastro 0%

5%

10%

15%

20%

25%

8,96%

Exigências de reciprocidade

20,90%

Exigências de documentos para realização de cadastros 0%

Fonte: Sebrae/PR

23,57%

Exigência de garantias reais

2,99%

Registro no CADIN

10%

20%

A Garantizar garante o crédito desde 1997 na Argentina

26,55%

Exigência de demonstrativos contábeis

17,91%

Exigência de garantias

18,11%

Indisponibilidade de linha de financiamento

2,99%

Falta de inadequação ao projeto

21,84%

Capacidade de endividamento

8,96%

Exigência de garantias reais

22,08%

Restrições e sistemas de proteção ao crédito (empresa)

10,45%

Exigência de demonstrativos contábeis

20,10%

Restrições e sistemas de proteção ao crédito (sócio)

8,96%

Indisponibilidade de linha de financiamento

8,93%

Outros

11,94%

Capacidade de endividamento

Em uma operação de financiamento para capital de giro no valor de R$ 50 mil para o período de 12 meses, a comissão sobre a garantia cobrada pela Garantiserra é de R$ 472,50. O fundo de risco atual desta sociedade de crédito é de R$ 2,84 milhões. Esses recursos podem gerar até R$ 14,2 milhões em garantias junto aos bancos.

O valor mínimo garantido pela Garantiserra é de R$ 5 mil e o máximo chega a R$ 100 mil. Para poder se beneficiar das garantias desta sociedade, as empresas gaúchas pagam uma taxa mensal

14,93%

Restrições e sistemas de proteção ao crédito (empresa)

Restrições apontadas pelas instituições financeiras para a não concessão de crédito – região noroeste do Paraná

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meiro ano e chegará a 550 a partir do segundo ano de funcionamento.

Restrições apontadas pelas instituições financeiras para a não concessão de crédito – região sudoeste do Paraná

Gaúchos saem na frente Os gaúchos foram os pioneiros na implantação de uma sociedade de garantia de crédito. A Garantiserra foi fundada em 1° de dezembro de 2003 e começou a operar em 2004. Trata-se de uma associação civil, sem fins lucrativos, com sede e foro em Caxias do Sul.

do risco de inadimplência a instituição financeira poderá oferecer taxas menores aos associados da sociedade garantidora”, reforça Locatelli Junior.

Fonte: Sebrae/PR

des de garantia de crédito nas três regiões do Estado foi a sua articulação, com a realização de reuniões entre lideranças locais, a decisão do início dos estudos técnicos, a definição dos parceiros e da abrangência locais, e a constituição de uma comissão para cada uma das três regiões. Em seguida, partiu-se para a sensibilização e mobilização da classe empresarial. Na sequência, foram feitos os diagnósticos, o estudo de viabilidade e modelo de negócio.

30%

35%

Os argentinos contam com a ajuda de uma sociedade de garantia de crédito desde 1997. A Garantizar foi a primeira sociedade de garantia recíproca a operar em toda a Argentina. A instituição também é líder no mercado em número de sócios e garantias autorizadas. São mais de 3.400 associados e cerca de 1.200 operações fechadas anualmente. Nessa sociedade, não há clientes, mas todos os participantes são sócios.

Com as sociedades de garantia, as empresas continuam entregando a documentação, a vantagem é que os bancos passam a ter mais confiança de recebimento

As micro, pequenas e médias empresas argentinas são as beneficiárias dos certificados de garantia emitidos pela Garantizar. A sociedade não assegura a um mesmo sócio, garantia superior a 5% do valor total do fundo de resgate.

40%

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Prospecção mercadológica

Conhecer o cliente é fundamental

A prospecção do mercado cria condições mais seguras para se investir e ajuda quem já está atuando Por Andréa Bordinhão

Olhar para as necessidades do mercado, como o que os possíveis e atuais clientes desejam, como e se é possível atendê-los e o que os não-clientes estão procurando. Colocadas dessa forma, essas regras parecem básicas e simples para a prosperidade de uma empresa. Entretanto, na prática, muitas pessoas que querem empreender em um negócio ou mesmo que já estão tocando uma pequena empresa as deixam de lado. E, o que poderia ser um trabalho simples de prospecção do mercado, quando não é feito pode prejudicar o rendimento e influenciar até mesmo na continuidade do negócio. A prospecção mercadológica pode ser dividida em duas etapas: a primeira

acontece antes de se abrir o negócio. A segunda, que deve ser permanente, serve para checar o nível de satisfação do cliente, por qual caminho a concorrência está seguindo para atendê-los e se há mercado não-atendido. Assim, é possível partir para ações práticas para atrair os consumidores. Isso é, antes de se abrir um negócio, é fundamental avaliar qual o potencial que ele tem e se os clientes de fato existem e o que procuram. E depois, ficar sempre de olho se há maneiras de capitalizar mais. Há diversos instrumentos para se fazer a prospecção do mercado. E não são necessariamente complexos e caros. A maneira mais simples para quem não pode investir em grandes

A prospecção deve ser feita antes de se abrir o negócio e também permanentemente, para checar o nível de satisfação do cliente, por qual caminho segue a concorrência e se há nichos nãoatendidos

pesquisas é pensar quem seriam os clientes e depois conversar com eles ou com associações que os representam e aí avaliar se de fato o mercado é atrativo. As respostas dessa prospecção podem mostrar ao futuro empreendedor não só se o mercado existe, mas também se ele vai ter capacidade de atendê-lo. Afinal, os clientes podem existir, mas as exigências podem não estar ao alcance das possibilidades do empresário. Além disso, explica o consultor e professor da cadeira de marketing da Faculdade de Administração e Economia (FEA) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antonio Carlos Gobe, pode acontecer de uma ideia ser ótima, mas o mercado

pretendido ainda não está preparado para comprá-la. Portanto, com os resultados da prospecção, o empreendedor pode delinear o melhor caminho a seguir ou até mesmo modificar ou abortar seus planos. Além de ajudar na adequação do produto ou serviço, Gobe lembra que prospectar o mercado antes de ir para a prática pode fazer com o que o futuro empresário nem precise vender seu produto depois. “Ele já vai para o mercado sabendo o que cliente quer, precisa. Então, os consumidores compram porque têm interesse, porque faltava no mercado”, explica. Para as empresas que estão no mercado, também é importante continuar sempre em contato com os clientes e de olho nos concorrentes. Nesse caso, a ênfase das pesquisas muda, mas o procedimento é parecido com o feito antes de se abrir a empresa. “Essa prática tem que ser permanente, porque o mercado muda, os clientes mudam, os concorrentes mudam. E é preciso estar monitorando para não ficar para trás”, explica o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) e diretor acadêmico da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Edson Crescitelli. Segundo Crescitelli, a prospecção periódica permite ao empresário descobrir se está usando as estratégias certas. “Se ele conhece as necessidades do cliente, pode melhorar o marketing. E se não conhece pode até usar a estratégia errada, como oferecer descontos para atrair clientes quando o que resolveria, na verdade, é mais publicidade”, exemplifica. O empresário pode colocar a prospecção na sua rotina, assim como pode observar alguns pontos que indicam que está na hora de ir a campo novamente conversar com seu público-alvo. O consultor e professor da Faculdade de Administração e Economia (FAE) e da Universidade Positivo, Edson Paes Sillas, explica que a taxa de conversão, que é o número de vendas efetuadas comparadas com o número de clientes que entrou na loja ou procurou informações sobre o produto, é uma boa ferramenta para isso. “Com dados como esse em mãos e conhecimento do perfil do cliente, é possível escolher as melhores técnicas para atrair os consumidores”, afirma.

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Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Análise de mercado Junto com a prospecção, ressaltam os especialistas, é importante colocar em prática a análise de mercado, que inclui concorrentes e fornecedores – estes dois itens somados aos clientes compõem o microambiente de marketing. O professor da FEA-USP, Edson Crescitelli, diz que é preciso analisar se o mercado que existe é bom, de que forma já é oferecido o produto, se será possível entrar de forma competitiva e se será possível oferecer algum diferencial. Nessa análise entra também o macroambiente de marketing, que são forças externas que o empreendedor não tem nenhuma condição de atuar sobre elas, mas precisa ficar atento para se proteger ou aproveitar o momento. “Essas forças incluem a situação econômico-financeira, fatores legais que regem o segmento de atuação, como se há leis específicas, reserva de mercado, fatores tributários. E, dependendo do tipo de negócio, os fatores naturais também precisam ser pesados”, conclui o professor da FAE, Edson Paes Sillas. S

Leia mais sobre o tema: O Planejamento de Marketing e a Confecção de Planos, de Marcos Cortez Campomar e Ana Akemi Ikeda. Editora Saraiva; Administração de Marketing, de Philip Kotler. Editora Atlas; Plano de Marketing para Micro e Pequena Empresa, de Alexandre Luzzi Las Casas. Editor Atlas; Gerência de Produto, de Antonio Carlos Gobe – Saraiva.

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E-commerce

O Ciclo MPE.net é uma iniciativa da Câmara-e.net, com o patrocínio dos Correios e do Sebrae e tem apoio institucional de vários associados da entidade. Os Correios, aliás, podem ser considerados pioneiros quando o assunto é comércio eletrônico no Brasil. Desde 1998, a empresa mantém o serviço de venda pela web, mas há seis anos oferece um portal que hospeda micro, pequenas e médias empresas, dando todo o suporte para o comércio eletrônico nos mais variados setores, de artesanato a produtos de limpeza. “A principal vantagem é que as empresas já entram no mercado competitivo da internet com o respaldo de uma empresa conceituada como os Correios”, salienta Lemuel Costa e Silva, analista de comércio eletrônico dos Correios.

Paraná virtual

Caiu na rede

Comércio eletrônico dispara no País; quem não se rende, perde visibilidade e negócios Por Katia Michelle Pires Um ditado que já é popular no mundo contemporâneo pode ser aplicado também ao mundo corporativo: “Se não está no Google, não existe”. Guardadas as devidas proporções e a referência ao conhecido mecanismo de busca, a frase resume uma realidade cada vez mais comum, a de que, para “existir” no mundo real, é preciso também fazer parte da realidade virtual. E o crescimento acelerado do comércio eletrônico é capaz de provar essa máxima. De acordo com dados da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e.net), nos últimos cinco anos, o faturamento do comércio feito pela rede cresceu em média 30% ao ano. E mais: nos últimos dois anos, as classes C e D foram as principais responsáveis por esse aumento, mostrando que a busca pelos serviços por meio da internet está ficando cada vez mais popular. E acessível. Segundo o diretor executivo da Câ-

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mara-e.net, Gerson Rolim, os dados mostram uma mudança na realidade brasileira no que diz respeito à inclusão digital e principalmente a uma maior segurança na rede. “As pessoas estão deixando de ter medo de comprar pela internet”, analisa. Para ele, outro fator responsável pelo aumento do comércio virtual é a facilidade na hora de pesquisar preços. Rolim salienta que mais de 25% dos internautas costumam comparar custos antes de comprar e sentem que o dinheiro é mais valorizado ao efetuar a compra depois dessa pesquisa. Considerada a principal entidade da economia digital no Brasil e na América Latina, voltada ao comércio eletrônico, a Câmara-e.net divulga que existem 60 mil lojas online no Brasil. Para 2009, a estimativa é de crescimento. Segundo a entidade, o faturamento do comércio eletrônico para este ano deve subir de 20% a 25% em relação ao ano passado. “Ou seja, serão vendidos

R$ 10 bilhões em bens de consumo pela internet, excluindo leilões virtuais, carros e passagens aéreas”, diz Rolim. De olho nesse mercado promissor e com o objetivo de capacitar cada vez mais os empresários a entrarem - e se manterem - no setor, a instituição está promovendo uma série de palestras em todas as regiões do Brasil. O Paraná está incluído. A meta, além da capacitação, é também fazer um mapeamento por estado das empresas que estão na rede. Trata-se do Ciclo MPE. net, um programa que apresenta os principais conceitos e ferramentas utilizadas no setor, focado em micro e pequenas empresas. Só este ano, o ciclo (que já está na sua sexta edição) vai acontecer em 15 cidades brasileiras, discorrendo sobre temas pertinentes e fundamentais para quem quer ingressar no fantástico mundo do comércio virtual e ainda manter-se nele com qualidade e segurança.

O portal dos Correios abriga hoje 828 empresas brasileiras dos mais diferentes setores que oferecem serviços pela internet. Desse total, 184 empresas são paranaenses. “Proporcionalmente, o Paraná hoje é líder do portal”, explica Lemuel Silva. Para participar do endereço, basta ser pessoa jurídica e ter a empresa regularizada. Os Correios oferecem suporte virtual, mas o analista de comércio eletrônico salienta que a empresa deve se preocupar em oferecer serviços de qualidade e também imagens que possam atrair o consumidor. “Não adianta fazer fotos com a máquina digital de casa, por exemplo. Costumo dizer que a internet tem espaço para principiante, mas não para amadores”, reforça. E explica que são cinco pontos que as empresas devem se focar quando querem oferecer serviços na rede. “Loja virtual; canais de atendimento ao cliente; meios de pagamento; formas de entrega e publicidade” são os principais focos, segundo Lemuel Silva. O analista de comércio eletrônico dos Correios reforça que uma das questões mais polêmicas, que pode dar dor de cabeça tanto para quem compra como para quem vende, está relacionada com a entrega do produto, uma das maiores reclamações dos internautas quando o assunto é comércio eletrônico. “Mas de acordo com uma pesquisa recente, o portal tem apenas 2% a 4% de

trocas e devoluções”, comemora.

Não fique invisível Participar do comércio eletrônico não significa necessariamente vender ou comprar pela internet, mas estar disponível na rede de alguma forma, seja em um portal ao lado de outras empresas, seja com site próprio. Quem dá a dica é o consultor do Sebrae/PR, Rafael Tortato. Para ele, no mundo atual, é fundamental poder ser encontrado a distância e a internet é uma maneira prática e rápida de fazer com que isso aconteça. Tortato atribui o crescimento dos negócios na rede à queda de alguns mitos que antes preocupavam os internautas, como o fato de utilizar o cartão de crédito para compras virtuais, por exemplo. Mas independentemente da oferta de compras, a empresa que quer ser vista deve ter um site. E isso é fundamental. Para dar maior agilidade, o Sebrae Nacional criou o Bolsa de Negócios, um ambiente gratuito onde é possível encontrar produtos e serviços dos mais diferentes setores na internet. “Não é um site de compra e venda, mas é uma ferramenta importante para divulgar o trabalho da empresa”, afirma o consultor do Sebrae/PR. Tortato explica que os dados para contato com os parceiros encontrados ficam disponíveis na rede, mas a consulta de preços dos produtos e serviços, assim como a transação comercial, devem ser feitas fora do ambiente da Bolsa de Negócios. Isso estimula o empresário a criar um site seguro e de qualidade para poder atender ao cliente.

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Nos últimos cinco anos, o faturamento do comércio feito pela internet cresceu 30% ao ano, no Brasil

“É importante saber que não dá para fazer um processo caseiro na internet”, avisa o consultor. Ele costuma brincar que todos podem ter um “sobrinho com talento para informática”, mas na hora de contratar um profissional que crie um site da empresa, é preciso profissionalismo. “É preciso partir do princípio que a internet está aberta ao mundo e sua empresa vai estar sendo vista por milhões de pessoas.” Para Tortato, questões como logística e mecanismos de segurança, para proteger os dados de quem acessa o site, são imprescindíveis para quem está no mercado virtual. “Estar bem estruturado é fundamental”, aconselha. S

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Procon/PR orienta

Foto: Cristiane Shinde/Studio Alfa

O mercado virtual exige cuidados. Quem quiser fazer parte desse mundo, precisa seguir uma série de orientações para evitar dores de cabeça. As empresas devem procurar fornecer segurança máxima ao cliente, mas caso algum imprevisto aconteça, é preciso lembrar que, assim como no mercado real, no mercado virtual, o cliente tem muitos direitos que devem ser respeitados. Quem cuida da proteção desses direitos no Paraná é a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa ao Consumidor (Procon/PR). A coordenadora Ivanira Gavião Pinheiro revela que as principais reclamações recebidas pelo órgão, quando o assunto é comércio eletrônico, dizem respeito à cobrança indevida, cancelamento não realizado e a não entrega dos produtos. Somente no ano passado, o Procon/PR recebeu 239 reclamações nesse sentido. No primeiro trimestre de 2009, já foram cerca de 70. A coordenadora dá algumas dicas de como evitar problemas comprando pela internet. Confira: 1 - É preciso ter certeza que a empresa e o produto escolhido sejam de confiança, verificando dados, como nome,endereço, telefone, CNPJ, e evitando realizar a compra naquelas que só apresentam uma caixa postal, sem qualquer outro dado. Procurar informações com pessoas que já tenham comprado pelo site pode ser útil. 2 - Uma pesquisa de preços também é válida para as lojas virtuais. Contate a empresa para sanar dúvidas quanto à qualidade, garantia, assistência técnica, condições e prazos para a reposição de peças. No caso de produto importado, é preciso saber se a empresa tem representantes no Brasil para a assistência técnica. 3 - Confira a forma de entrega do produto, tomando cuidado de saber o valor da taxa da entrega, que, algumas vezes, pode ser mais elevada do que o preço do próprio produto. Lembre-se de que algumas mercadorias adquiri- das no exterior são acrescidas de taxa de importação.

Luiz Edgard Fukuoka,

4 - Se a compra for feita com base em oferta anunciada, a empresa deve cumprir as condições de oferta, por isso imprima e guarde o pedido. Tenha por escrito as condições de pagamento, evitando pagar antecipadamente ou mesmo utilizar o cartão de crédito. Mas, se ainda assim essa for a opção do consumidor, os cuidados devem ser redobrados, embora a responsabilidade da segurança da operação seja da empresa que oferece o produto e do provedor. A nota fiscal deve ser sempre exigida.

empresário

Um clique de cada vez Há dois anos, o empresário Luiz Edgard Fukuoka abriu uma empresa de equipamentos para aquecimento solar. A empresa já inaugurou com um site estruturado no ar por que o empresário e os outros sócios da empresa sempre acreditaram no mercado virtual como tendência. No site, é possível encontrar imagens, servi-

ços oferecidos, peças institucionais bastante didáticas sobre o assunto e, o mais importante, o contato da empresa. “Hoje, cerca de 80% dos clientes que nos procuram chegam até nós por meio da internet”, conta o empresário paranaense. A empresa Quatro H, com sede em Maringá, no noroeste do Para-

5 - O Código de Defesa do Consumidor estabelece que as compras realizadas fora do estabelecimento comercial podem ser canceladas em até sete dias, contados do recebimento do produto, com direito a devolução do valor pago com atualização monetária. No caso de sites internacionais, se houver problemas, o consumidor terá que buscar a solução diretamente com o fornecedor, porque ele é próprio importador.

ná, ainda não oferece a possibilidade da compra pela internet, mas para Fukuoka é uma questão de tempo e capacitação. “Já no segundo semestre queremos implantar um sistema de vendas eletrônicas, mas para isso precisamos estruturar bem o site e o serviço para que o cliente seja bem atendido”, revela.

6 - Ao receber a mercadoria, o consumidor deve sempre abrir a embalagem no ato do recebimento e verificar se está tudo de acordo com o que foi pedido. O manual, nota fiscal, termo de garantia e informações claras e pre- cisas devem acompanhar o produto. Se houver irregularidade, faça a devolução, especificando na nota o proble ma apresentado e entre em contato com a empresa para solucioná-lo. Fonte: Procon/PR

Fraudes na rede preocupam

1 - Conheça e tenha estratégias sobre web marketing. Entenda como funcionam anúncios em sites como o Google, por exemplo. Caso contrário, seu endereço pode ficar “perdido” na rede. 2 - Defina a logística da empresa. Uma vez concluída a compra, o consumidor espera - e deve - receber o produto no prazo estipulado. 3 - Ofereça opções de pagamento.

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Cerca de 80% das vendas feitas na internet são feitas por meio do cartão de crédito. A empresa deve oferecer essa possibilidade, mas o lojista deve ficar atento também para novas modalidades de pagamento, como por exemplo, os cartões de financiamento e o pagamento pelo celular. 4 - Segurança. Esse item é fundamental. Hoje o consumidor já procura o “cadeado” no site, símbolo

de que a página virtual é segura. Ofereça um serviço qualificado nesse sentido. 5 - Trabalhe nas comunidades. Além de divulgar o site, a empresa deve oferecer formas de avaliação dos serviços dentro do próprio endereço. O internauta sempre vai procurar as formas de avaliação pública e os testemunhos de clientes anteriores antes de contratar o serviço.

Valdevino Sutil, Foto: Vanderlei R. de Faria

Estimativas do Movimento Internet Segura, do Comitê da Câmara-e.net, indicam que entre 40% e 50% das novas lojas na internet encerram suas atividades ainda no primeiro ano de operações. Fraudes na rede estão entre os principais motivos. “Os criminosos preferem atacar esse público devido a sua menor experiência e tempo de aperfeiçoamento dos sistemas de segurança em relação a operadores mais antigos, explica o diretor executivo da Câmara-e.net, Gerson Rolim. A pedido da Soluções – A Revista da Pequena Empresa no Paraná, ele fez uma lista dos itens mais importantes que devem ser levados em conta para quem quer atuar na web.

empresário

O empresário Valdevino Sutil, de Marechal Cândido Rondon, no oeste do Estado, também vê na internet um importante nicho de mercado. A empresa especializada em venda de aparelhos de climatização abriu há dois anos, mas graças à internet, já atua em sete estados, com 25 revendas. “É um mercado a ser ainda mais explorado”, diz o empresário, que atribui dificuldades, como o espaço físico para armazenamento, dos produtos como um dos obstáculos que a internet ajuda a sanar. Valdevino Sutil, no entanto, não abre mão do contato com o cliente. “O cliente nos encontra pela internet, mas não abrimos mão do corpo a corpo.”

Para saber mais sobre o assunto, acesse os sites: www.camara-e.net; www.ciclo-mpe.net; www.bolsa.sebrae.com.br; www.shopping.correios.com.br; www.procon.pr.gov.br.

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Politicamente corretas

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Empresas responsáveis Foto Zanella

Responsabilidade Social é a maneira como uma empresa associa compromissos sociais, ambientais e econômicos

Foto: Vanderlei R. de Faria

Por Maigue Gueths

Foto: Divulgação

Cláudio e Marcos Latreille, empresários

Marcos Roberto Magnanti, empresário

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Até pouco mais de dez anos atrás, ter lucro e produtividade eram os únicos objetivos de toda empresa. Hoje, a empresa que mantém esse pensamento está fadada a morrer. Além de produzir e lucrar, a empresa, seja de que tamanho for, tem que mostrar que se preocupa com a sociedade. Isso significa adotar ações que venham melhorar a qualidade de vida social e ambiental ao seu entorno. É essa a prática de empresas socialmente responsáveis, um conceito que cada vez mais se revela imprescindível para garantir a confiança do consumidor e do mercado.

“Responsabilidade Social é a maneira como uma empresa associa no seu negócio os compromissos econômicos, ambientais e sociais. É quando ela começa a entender que não é uma organização fechada, e que tem que se relacionar com a sociedade. Esta, por sua vez, espera um papel maior da empresa, ela quer saber não só do preço do produto, mas também da qualidade desse produto: como ele foi feito, se sua produção agrediu ou não o meio ambiente, se não teve exploração de mão de obra. A sociedade quer um produto que tenha menor preço, mas também com qualidade social e ambiental”, explica Odilon Faccio, diretor da revista Primeiro Plano, que trata do tema responsabilidade social. Faccio ressalta, ainda, que a empresa que considera os interesses da sociedade no seu jeito de produzir, adota uma visão a longo prazo. “Quem for mais socialmente responsável, mais futuro terá”, sentencia. João Gilberto Azevedo, gerente executivo do Instituto Ethos, ONG cujo objetivo é justamente sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente res-

ponsável, vai ainda mais além. Para ele, uma empresa socialmente responsável é aquela que tem uma relação ética e transparente com todas as partes envolvidas em seu negócio, o que inclui funcionários, fornecedores, empresas, organizações e a comunidade. E uma das chaves para que o empresário desenvolva projetos sociais ou ambientais com a cumplicidade de todo esse público, conta Azevedo, é ele ter consciência dos impactos sociais e ambientais que sua atividade provoca.

Além de produzir e lucrar, a empresa, seja de que tamanho for, tem que mostrar que se preocupa com a sociedade Foi com esse foco que os irmãos Cláudio e Marcos Latreille, donos da Latreille, uma fábrica de jeans localizada no município de Dois Vizinhos, no sudoeste do Paraná, decidiram, há mais de dez anos, apostar no crescimento sustentável e adotar uma postura ecologicamente correta. Conscientes de que a empresa, que produz 60 mil peças por mês e tem 700 funcio-

Odilon Faccio,

diretor da revista Primeiro Plano nários diretos, produzia impactos ambientais, foram atrás de programas que reduzissem a poluição, os resíduos e diminuíssem o consumo de água e energia elétrica. As iniciativas adotadas são muitas. A empresa investiu R$ 1 milhão em um sistema que permite o tratamento de toda água utilizada no processo de produção. Graças a ele, a água que antes saía contaminada para o esgoto, hoje é devolvida limpa e pronta para o consumo ao Rio Dois Vizinhos. O grupo criou um programa de reflorestamento, com o plantio de 40 alqueires de eucaliptos, que garantem combustível suficiente para as caldeiras que suprem a necessidade de vapor para todos os processos do setor de produção.

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Pesquisa GEM

Linha de produção da FM Pneus, em Toledo

Todo o material utilizado pela empresa tem destino correto. Lâmpadas, plásticos e metais, por exemplo, vão para empresas de reciclagem. O lodo proveniente da água tratada, que é um produto ao meio ambiente, é destinado a empresas especializadas que dão seu destino final sem agredir o ambiente. E as aparas de tecido são doadas a entidades locais transformando-se em renda nas mãos de artesãos, na forma de jogos americanos, forro de almofadas, entre outros produtos.

Outra empresa que se preocupou em minimizar seus impactos ambientais foi a FM Pneus Paraná Ltda. Com unidades em Toledo, oeste do Paraná, e Guarapuava, a empresa conta com 100 funcionários, e reforma cerca de 4 mil pneus por mês. “No planejamento estratégico da empresa, um dos nossos objetivos era passar valores de responsabilidade ambiental para a comunidade”, diz Marcos Roberto Magnanti, diretor da FM Pneus.

Conhecer, planejar e ver os resultados

há mais organização. As ações são muito valorizadas pela comunidade da região, o que aumenta a autoestima dos funcionários e gera a imagem de empresa ambientalmente correta para os clientes”, avalia o diretor da FM Pneus Paraná Ltda., Marcos Roberto Magnanti.

Para desenvolver um programa de responsabilidade social, é preciso, primeiro, fazer uma autoavaliação da empresa, de modo a traçar um diagnóstico dos impactos gerados. “A empresa pode estar atendendo bem seus acionistas, mas é preciso ver também como está seu relacionamento com os funcionários, com consumidores, com os fornecedores, como está usando os insumos”, explica Odilon Faccio, da Primeiro Plano. A partir daí, o segundo passo é planejar o que se pretende explorar. É preciso ver quais são as virtudes das empresas, para explorá-las e ter mais ganhos, e também identificar os riscos, para administrá-los. “O raciocínio é que assim como a empresa olha para suas questões econômicas com propriedade, ela deve fazer igual com relação aos impactos sociais, só daí ela vai ter um grande diálogo com seus pares”, diz o gerente executivo do Instituto Ethos, João Gilberto Azevedo. Para ajudar o empresário nesse diagnóstico, o instituto criou os Indicadores Ethos, ferramenta que está à disposição das empresas, gratuitamente, dentro do

O dinheiro arrecadado com a venda dos resíduos, por sua vez, é doado para a Associação dos Funcionários que, com esses recursos, conseguiu comprar uma Área de Preservação Ambiental, onde é a sua sede. Nesse local, são plantadas árvores, um compromisso de outro programa ambiental da empresa. É o “Plante vida com seus pneus”, desenvolvido junto à clientela, e que prevê que a cada quatro pneus reformados, a empresa plante uma muda de árvore. Em 2008, segundo ele, foram plantadas mais de 2 mil mudas no local. S

Linha de produção da FM Pneus

site do instituto. Há, inclusive, o Indicador Ethos-Sebrae, específico para micro e pequenas empresas. O terceiro passo, explica Faccio, é conscientizar os controladores da empresa de que ações de responsabilidade podem torná-la mais rentável e, em seguida, capilarizar essa visão para todos os escalões da empresa. Os primeiros resultados são sentidos no dia a dia da empresa. “O ambiente de trabalho fica melhor, no aspecto do clima entre as pessoas e no aspecto físico,

Pesquisa aponta aumento de empresários que abrem negócios por causa de uma boa chance Por Andréa Bordinhão

Percepção de uma boa oportunidade em um nicho pouco explorado. Resumidamente, essa frase descreve o que aconteceu com o biólogo marinho Rodofley Davino de Morais. Depois de dois anos morando em Curitiba para fazer mestrado, o biólogo percebeu que as empresas da capital paranaense que geram efluentes nocivos ao meio ambiente tinham que mandar boa parte do material para análise da toxicidade para São Paulo. Conhecimento, iniciativa e apoio técnico e financeiro fizeram com que Morais abrisse uma pequena empresa para prestar esse tipo de serviço. O negócio já está indo para o seu quinto mês de funcionamento.

A história do biólogo retrata um processo que está tendo crescimento bastante significativo no Brasil: o empreendedorismo por oportunidade. É o que mostrou a edição 2008 da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que mede as taxas de empreendedorismo em 43 países do mundo. O estudo, divulgado no início de março, aponta que para cada brasileiro que abre um negócio por necessidade, há dois que abrem por oportunidade, taxa inédita no País. Segundo os critérios da pesquisa, oportunidade é quando o profissional

empreende para melhorar sua condição de vida. Portanto, o faz quando acha um bom nicho no mercado. Já no empreendedorismo por necessidade, o futuro empresário precisa do negócio para sobreviver. Nesses casos, o índice de inovação costuma ser baixo. Depois de nove anos que a GEM é feita no Brasil, esta é a primeira vez que a taxa de empreendedorismo por oportunidade é o dobro do que a por necessidade.

Mas a consciência de que as empresas também têm responsabilidade na construção de uma sociedade mais sustentável e justa já é perceptível em todo mercado, que nos últimos anos aponta para a tendência de excluir quem não produz com responsabilidade. “O mercado, consumidores, empresas líderes estão exigindo a procedência dos produtos”. “Isso faz com que a responsabilidade social cresça em ondas imensas e isso vai chegar cada vez mais nas pequenas e médias empresas. É um movimento de cima para baixo e de baixo para cima”, diz Faccio.

Leia mais sobre Responsabilidade Social Empresarial: Site do Instituto Ethos - www1.ethos.org.br; Site do CEATS Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor www.ceats.org.br; Site da Revista Primeiro Plano www.primeiroplano.org.br; Revista eletrônica Responsabilidade Social - www.responsabilidadesocial.com.

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Brasileiros estão agindo mais por oportunidade

Foto: Agência La Imagen

Foto: Vanderlei R. de Faria

Magnanti lembra que seu trabalho depende de um produto (o pneu) que gera um grande passivo ambiental. A ideia, então, é reduzir ao máximo esse impacto. Um dos projetos prevê o destino correto dos resíduos gerados na produção, como o pó de borracha, papelão, plástico, tudo é vendido para empresas de reciclagem. O pó de borracha, por exemplo, é vendido a uma empresa que faz solas de sapatos.

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Rodofley Davino de Morais, empresário

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Renda e escolaridade A GEM destrinchou as características dos empreendedores por oportunidade e por necessidade por gênero, faixa etária, faixa de renda e escolaridade. Os dois últimos índices mostram justamente que quanto menor a renda e menor a escolaridade, mais alta a taxa de empreendedorismo por necessidade entre os que compõem a TEA. Do total de empreendedores, 4,8% que empreenderam por necessidade tinham renda de até três salários mínimos antes de encarar o negócio próprio. E quanto mais aumenta a renda, menor fica este índice. Já no empreendedorismo por oportunidade, acontece o contrário. A maioria dos empreendedores tinha renda entre três a 12 salários mínimos quando abriram uma pequena empresa, sendo que parte deles ganhava de 12 a 18 salários (segundo a pesquisa, não há empreendedores por necessidade nesta faixa de renda).

Empresário faz exame de toxicidade

De acordo com a pesquisa, a Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) no Brasil é de 12% da população adulta, ou 14,6 milhões de pessoas. Desse total, 9,78 milhões estão empreendendo por que encontraram uma boa chance. “A economia brasileira completou cinco anos de bom desempenho. E a pesquisa mostra um aumento na qualidade do empreendedorismo. É possível ver também, nos últimos anos, a queda na taxa de mortalidade das empresas”, analisa o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri. Apesar do bom resultado, o professor salienta que o Brasil ainda precisa desenvolver mais a cultura do empreendedorismo. “Países mais pobres, como a Índia, ainda são mais empreendedores. No Brasil ainda há muito a cultura da carteira assinada”, ressalta. Entre as nações analisadas pela GEM, no topo da lista de países mais empreendedores por oportunidade estão, de fato, países com nível menor de desenvolvimento do que o Brasil, como Bolívia, Peru, República Dominicana, Colômbia e Equador.

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A empresa é fabricante de software e já dobrou de tamanho desde sua fundação. E mesmo assim ainda continua buscando produtos inovadores para colocar no mercado, como um equipamento que faz acompanhamento a distância de problemas cardíacos. Segundo o sócio-proprietário da empresa, Tony Philip Selmer Novaes, a ideia, trazida por um cardiologista, veio de um protótipo desenvolvido pela NASA, a agência aeroespacial norte-americana. Os empresários então assumiram um desafio e criaram um aparelho que faz um eletrocardiograma instantâneo, que é repassado para o celular do médico. Depois de alguns anos trabalhando na tecnologia, que é única no Brasil, os empresários continuam a aperfeiçoando e agora, depois de três anos atrás de fomento, conseguiram uma parceria com a Financiadora de Estudos e

Projetos (Finep), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Jovens No Brasil, os jovens lideram a fila de novos empreendedores. De acordo com a GEM, do total de jovens brasileiros entre 18 e 24 anos, 15% estão à frente de um novo negócio (3,82 milhões de pessoas). E esse índice sobe para 25% quando se compara com o total de empreendedores no País. “Eles têm muita informação e ainda não assumiram grandes responsabilidades, como família ou aluguel. Portanto, podem correr mais riscos”, analisa o gerente da Unidade de Atendimento do Sebrae Nacional, Enio Pinto. Os jovens também apresentam mais qualidade quando tomam uma iniciativa empreendedora. A pesquisa aponta que 68% dos que compõem esse grupo estão tocando um novo negócio por oportunidade. O perfil dos jovens que empreendem

Tony Philip Selmer Novaes, empresário

por oportunidade mostra que 25% estão cursando ou já terminaram o nível superior e tinham renda de três a seis salários mínimos (70% do total) antes de empreender. E o tipo de negócio que abrem é, normalmente, mais especializado.

O que é a GEM A pesquisa analisa diversas vertentes do empreendedorismo em 43 países e tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento de ações e políticas em benefício dos empreendedores. A GEM entrevista membros da população adulta de 18 a 64 anos e eles são classificados conforme o estágio empresarial, motivação para empreender e características demográficas. O estudo, que é realizado pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) com patrocínio do Sebrae e do Sesi-Senai, apoio técnico da Universidade Positivo, apoio institucional da PUC/PR e

coordenação internacional da London Business School, Babson College e Gera, é realizado no Brasil desde 2000. Pela primeira vez, a GEM separou alguns países para efeitos de comparação. Para isso, os organizadores da pesquisa escolheram o G-20. Nesta comparação, o Brasil ocupou a terceira posição no ranking de países mais empreendedores, com TEA de 12%, perdendo apenas para a Argentina (16,5%) e México (13,1%). Entre os membros do G-20, é importante salientar que China, Austrália, Canadá, Indonésia e Arábia Saudita não participaram da pesquisa. “A utilização dos países do G-20 permite uma análise mais consistente do empreendedorismo no País, já que a comparação é realizada com países que têm crescimento e desenvolvimento muito parecidos com o Brasil”, afirmou o diretor-técnico do Sebrae Nacional, Luiz Carlos Barboza. S

Taxa de inovação no Brasil ainda é baixa Apesar dos bons resultados da pesquisa quando se fala em motivação para empreender, ainda falta inovação para os empresários brasileiros. Entre os 43 países pesquisados pela GEM, o Brasil apresenta uma das piores taxas de lançamento de produtos desconhecidos para o consumidor. Apenas 3% dos empresários afirmaram que consideram seu produto inovador e, por isso, o País ocupa a 42ª posição no ranking entre os Empreendedores em Estágio Inicial (TEA). Quando a avaliação é feita entre os empreendedores com mais de 3,5 anos de mercado, o Brasil sobe para 38º na tabela. O Brasil está muito atrás dos países vizinhos da América Latina quando se fala em produtos novos. A GEM mostra países como Chile, Argentina, Uruguai e Peru no topo da lista de inovação. A taxa brasileira de desenvolvimento de tecnologias inovadoras é ainda mais baixa (1,7%). A Índia e a África do Sul, países com grau parecido de desenvolvimento, têm índices de inovação tecnológica de 28% e 25%, respectivamente. Por outro lado, a GEM mostra que 33% dos não-empreendedores pesquisados estão abertos a novos produtos e serviços, enquanto 36% também usariam novas tecnologias.

Foto: Wilson Vieira/Videographic

O diretor-técnico do Sebrae Nacional, Luiz Carlos Barboza, defende que para melhorar ainda mais a qualidade do empreendedorismo no País é preciso orientar e capacitar o empresário antes de ele abrir o seu negócio. E foi justamente com esse tipo de orientação que Rodofley Morais, que antes de mudar para Curitiba era empregado de um laboratório em Santos, São Paulo, conseguiu colocar em prática sua ideia. “Eu não sabia como viabilizá-la financeiramente. Então, eu procurei o Sebrae e eles me sugeriram formar uma parceria com uma universida-

Com o nível de escolaridade, acontece o mesmo. Do total, 7,4% dos empreendedores por necessidade

não têm educação formal, enquanto este mesmo índice nos que empreenderam por causa de uma boa chance é de 5,6%. Já entre os que têm mais de 11 anos de estudo, o índice de empreendedorismo por necessidade é de 0,9%, enquanto por oportunidade é de 10,7% (o maior da tabela). Esses números podem ser exemplificados pelo caso de quatro empresários que há cinco anos fundaram a Gelt Tecnologia, em Londrina, norte do Paraná. Depois de 25 anos e já em um patamar elevado dentro de uma empresa pública, os quatro resolveram empreender em um negócio próprio.

“O tema do Sebrae para o próximo biênio é a inovação. É preciso desmistificar para se ter empresas mais inovadoras”, afirmou o presidente do Sebrae Nacional, Paulo Oka-

Foto: Wilson Vieira/Videographic

Foto: Agência La Imagen

de”, conta. O biólogo levou o projeto para o coordenador de pesquisa da Universidade Positivo, que topou a parceria justamente por se tratar de um trabalho inovador e que tem potencial para desenvolver pesquisas. Hoje, a Lecotox Análises Biológicas ainda está em fase de implantação, mas já tem dois clientes.

Cláudia Sartori Minetto, empresária moto. Além disso, o órgão tem programas de apoio aos pequenos empresários, que o ajudam a enxergar ou desenvolver uma ideia inovadora. Apesar do baixo índice de inovação no País, há bons exemplos que podem inspirar futuros empresários. Entre eles está o caso da ex-bancária Cláudia Sartori Minetto. Ela criou uma loja de sapatos móvel para chegar até suas clientes. A loja de Cláudia funciona dentro de uma van, que percorre 200 empresas de Londrina. A intenção da empresária é facilitar a vida da consumidora e, assim, aumentar as vendas. Toda equipada, a van Bella Poly oferece o mesmo conforto de uma loja para as clientes e tem mais de 70 opções de produtos. Cláudia abriu o negó-

cio há três anos, mas começou a vendar sapatos há dez, quando revendia calçados que eram representados por seu marido para as colegas do banco onde trabalhava. O interesse foi tanto, que ela deixou seu emprego e passou a visitar empresas para revendê-los. Algum tempo depois, surgiu a ideia da van. O negócio cresceu tanto, que há seis meses a empresária também abriu uma loja convencional em Londrina. Para conhecer o teor completo da Pesquisa GEM, acesse www.sebrae.com.br. Sugestão de leitura: Empreendedorismo, de Michael P. Peters, Robert D. Hisrich e Dean A. Shepherd. Editora Artimed; Empreendedorismo – As regras do Jogo – Businessweek. Editora Businessweek; Empreendedorismo – Transformando ideias em negócios – José Carlos Assis Dornelas. Editora Campus.

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Países com maiores e menores Taxas de Empreendedorismo em Estágio Inicial (TEA) no mundo Posição País 1º Bolívia 2º Peru 3º Colômbia 13º Brasil 15º Índia 16º EUA 41º Alemanha 42º Rússia 43º Bélgica

TEA Estimativa de empreendedores 29,8% 1.192.000 25,5% 4.358.000 24,5% 6.571.000 12,0% 14.644.000 11,5% 76.045.000 10,8% 14.644.000 3,7% 1.950.000 3,4% 3.298.000 3,4% 167.000 Fonte: Pesquisa GEM 2008

Evolução das taxas da TEA no Brasil Brasil 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 14,2% 13,5% 12,9% 13,5% 11,3% 11,7% 12,7% 12,0% Fonte: pesquisa GEM 2001 a 2008

Evolução das taxas DE EMPREENDEDORES POR OPORTUNIDADE no Brasil Brasil 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 8,5% 5,8% 6,9% 7,0% 6,0% 6,0% 7,2% 8,0% Fonte: pesquisa GEM 2001 a 2008

Evolução das taxas DE EMPREENDEDORES POR necessidade no Brasil Brasil 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 5,7% 7,5% 5,5% 6,2% 5,3% 5,6% 5,3% 4,0% Fonte: pesquisa GEM 2001 a 2008

Motivações dos empreendedores iniciais

Oportunidade 1º Bolívia 2º Peru 3º Rep. Dominicana 4º Colômbia 5º Equador 6º Angola 7º Egito 8º México 9º Argentina 10º Chile 11º EUA 12º Islândia 13º Brasil 14º Índia 15º Jamaica

21,0% 17,0% 14,0% 13,9% 12,1% 10,6% 10,5% 10,2% 9,9% 9,0% 8,9% 8,2% 8,0% 8,0% 8,0%

Necessidade

1º Colômbia 10,2% 2º Bolívia 8,6% 3º Peru 8,0% 4º Angola 8,0% 5º Jamaica 7,3% 6º Macedônia 6,8% 7º Argentina 6,4% 8º Rep. Dominicana 6,2% 9º Equador 4,9% 10º Coreia do Sul 4,0% 11º Brasil 4,0% 12º Bósnia e Herzegovina 3,9% 13º Chile 3,6% 14º Grécia 3,0% 15º Irã 2,9% Fonte: Pesquisa GEM 2008

Potencial empreendedor com relação à inovação no Brasil

Potencial Empreendedor Características do Empreendedorismo Conhecimento do produto Quantidade de concorrentes Idade das tecnologias e processos Expectativa de exportação Criação de emprego

Não inovador Capacidade de inovação Inovadores (%) intermediária (%) (%) 83,5

13,1

3,4

65,0

27,8

7,2

85,7

12,7

1,7

84,8

14,7

0,4

78,3

13,8

7,9 Fonte: Pesquisa GEM 2008

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Na Pesquisa GEM, O Brasil está atrás de países vizinhos da América Latina. Chile, Argentina, Uruguai e Peru estão no topo da lista de inovação

Perspectiva

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Características dos empreendedores segundo motivação no Brasil

Motivação dos empreendedores iniciais Categorias Oportunidade Necessidade Taxa Proporção Taxa Proporção (%) (%) (%) (%) Gênero Homem 8,3 51,3 4,5 Mulher 7,5 48,7 3,3 Faixa etária (anos) 18 a 24 10,3 29,1 4,9 25 a 34 9,3 32,3 3,5 35 a 44 9,5 24,1 4,2 45 a 54 5,9 12,7 4,5 55 a 64 1,1 1,9 1,9 Faixa de renda (salários mínimos) Menos de 3 5,8 42,3 4,8 De 3 a 6 11,8 34,9 3,0 Mais de 6 a 9 11,2 11,4 3,9 Mais de 9 a 12 13,0 6,0 2,9 Mais de 12 a 15 7,0 2,7 0,0 Mais de 15 a 18 7,1 1,3 0,0 Mais de 18 6,9 1,3 0,0 Escolaridade (anos de estudo) Sem educação formal 5,6 1,9 7,4 1 a 4 5,6 20,9 5,6 5 a 11 8,4 54,4 3,7 Mais de 11 10,7 22,8 0,9

56,4 43,6 28,2 24,4 21,8 19,2 6,4

71,2 17,8 8,2 2,7 0,0 0,0 0,0

5,1 42,3 48,7 3,8

Taxa: Número de empreendedores da categoria em relação à população total da categoria (%) Proporção: Número de empreendedores da categoria em relação ao número total de empreendedores (%) Fonte: Pesquisa GEM 2008

Estudo revela que para cada brasileiro que abre um negócio por necessidade, há dois que abrem por oportunidade, taxa inédita no País Principais motivos de encerramentos de negócios no Brasil Motivo do encerramento do negócio Razões pessoais Dificuldades de obtenção de recursos financeiros O negócio não era lucrativo Outro trabalho ou oportunidade de negócio Incidente Uma oportunidade de vender o negócio Saída planejada com antecedência Aposentadoria

2008 2007 34,9% 15,7% 25,2% 26,0% 24,2% 39,4% 13,7% 5,3% 2,0% 3,1% - - -

0,9% 8,7% 0,9%

Fonte: Pesquisa GEM 2008

Otimismo para 2009 Pesquisa realizada pelo Sebrae/PR mostra que empresários apostam no empreendedorismo Por Leandro Donatti

A Pesquisa “Expectativas das Micro e Pequenas Empresas do Paraná para 2009”, realizada pelo Sebrae/PR, em abril deste ano, revela otimismo dos empresários de micro e pequenas empresas para 2009. A sondagem mostra que o empreendedorismo continua em alta no Estado e que, mesmo em tempos de crise financeira mundial, os empresários paranaenses continuam apostando em seus negócios. O Sebrae/PR ouviu 1.237 clientes, com atuação em cinco setores considerados estratégicos pela entidade: comércio varejista, construção civil, software, turismo e vestuário. Perguntados sobre qual a perspectiva geral para sua empresa em 2009, 65,27% dos entrevistados disseram ser “boa”; 14,74%, “muito boa”; 11,38%, “indiferente” e 6,39%, “ruim”. A expectativa de contratação de mais funcionários em 2009 também foi medida na pesquisa do Sebrae/PR. Do total de entrevistados, 26,84% preveem aumento no número de contratações e 72,14% disseram apostar na manutenção de seus quadros de funcionários. Para

esta pergunta, não foram computados resultados indicando uma redução futura na contratação de funcionários. Os empresários paranaenses também estão otimistas quanto ao crescimento do faturamento: 42,34% apostam que vão faturar mais; 29,74% acreditam que o faturamento não sofrerá alterações e 24,19% preveem redução. As previsões em relação às vendas em 2009 e à quantidade de novos clientes são igualmente favoráveis. Do total, 38,89% acreditam que vão vender mais; 30,47%, que vão vender menos, e 29,79%, que venderão o mesmo que em 2008. Exatos 54,72% dos empresários apostam no crescimento do número de clientes; 26,93% acham que o volume não vai se alterar e 17,33%, que vai reduzir.

A perspectiva geral para as micro e pequenas empresas em 2009 é positiva; 65,27% disseram ser “boa”

O índice de empresários que devem aumentar os investimentos no próprio negócio em 2009 ficou em 40,51%, de acordo com a pesquisa. Dentre os entrevistados, 48,39% disseram que a sua expectativa com relação a investimentos não sofreu alteração, mesmo com a crise, e 10% manifestaram intenção de reduzir investimentos.

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Impacto Apesar de otimistas, 56,81% dos empresários ouvidos pelo Sebrae/PR disseram que a crise financeira mundial trouxe impactos para seus negócios; 41,87% disseram que nada mudou e apenas 1,31% não soube responder. A pesquisa mostra ainda que houve variação no faturamento das micro e pequenas empresas entrevistadas, desde setembro de 2008, quando a crise no sistema financeiro mundial desencadeou nos Estados Unidos.

sofreu variação, de acordo com a sondagem: 52,65% dos empresários ouvidos disseram ter registrado redução; 27,05%, nenhuma alteração e 19,52%, aumento. Neste item, vale observar que a soma dos resultados “aumento das vendas” e “nenhuma alteração“ (47,57%) fica muito próximo aos 52,65% que afirmaram ter queda na quantidade vendida.

Dos entrevistados, 49,23% disseram ter registrado uma redução no faturamento de suas empresas. Para 29,25%, não houve alteração alguma. Para 20,66%, houve incremento. A quantidade vendida desde setembro do ano passada também

A maioria dos empresários, 81,17%, disse não ter demitido funcionários desde setembro e 18,5% afirmaram ter optado pela redução de quadros. Outro dado analisado foi uma possível redução nos investimentos previstos para as empresas. Do total de empresários entrevistados, 52,87% disseram que não pretendem cortar investimentos; 29,56% acusaram uma

Perspectiva geral para negócios em 2009

Expectativa de crescimento no faturamento em 2009

redução e 16,9%, um aumento. “Qual a sua expectativa sobre o grau de endividamento da sua empresa em 2009?” foi uma das perguntas feitas na pesquisa do Sebrae/PR. Dos empresários que responderam o questionário, 57,71% disseram que não há alteração na sua expectativa com relação ao tema; 26,63% apostam em uma redução e 14,32%, no aumento. Dentre os motivos alegados pelos empresários, para explicar o impacto da crise em seus negócios, foram citados um aumento do número de clientes pedindo renegociação de dívidas, inadimplência de clientes fiéis, vendas abaixo do volume esperado, queda no número de clientes e falta de planejamento para enfrentar o momento.

Expectativas para vendas em 2009

Expectativa de aumento no quadro de funcionários em 2009

Apesar de otimistas, 56,81% dos empresários ouvidos disseram que a crise financeira mundial trouxe impactos para seus negócios

Expectativas em relação à quantidade de clientes para 2009 38,89% - Aumento 30,47% - Redução 29,79% - Sem alteração 0,85% - Não sabe

65,27% - Boa 14,74% - Muito boa 11,38% - Indiferente 6,39% - Ruim

Redução do investimento previsto para 2009

42,34% - Aumento 29,74% - Sem alteração 24,19% - Redução 3,73% - Não sabe

72,14% - Sem alteração 26,84% - Aumento 1,02% - Não sabe

52,87% - Sem alteração 29,56% - Redução 16,9% - Aumento 0,67% - Não sabe

Demissão de funcionários desde setembro de 2008

A crise financeira afetou seu negócio desde setembro de 2008?

Para essa pergunta, não foram computados resultados de redução na contratação de funcionários.

54,72% - Aumento 26,93% - Sem alteração 17,33% - Redução 1,02% - Não sabe

56,81% - Sim 41,87% - Não 1,31% - Não sabe

A maioria dos empresários entrevistados pelo Sebrae/PR, 81,17%, disse não ter demitido funcionários desde setembro de 2008

81,17% - Sem alteração 18,50% - Redução 0,33% - Não sabe Fonte: Pesquisa “Expectativas das Micro e Pequenas Empresas do Paraná para 2009”, do Sebrae/PR

Estudo engloba empresários por setores e regiões A pesquisa, realizada em abril deste ano, ouviu por meio da Central de Relacionamento do Sebrae/PR 1.237 empresários de micro e pequenas empresas, levando em

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conta as cinco regiões do Estado que a entidade mantém escritórios regionais - centro-sul, oeste, noroeste, norte e sudoeste - e cinco setores considerados estratégicos para

a economia do Paraná - comércio varejista, construção civil, software, turismo e vestuário. O questionário reuniu 23 perguntas, elaboradas por técnicos da entidade.

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“A crise chegou nas pequenas empresas, obviamente, porém não chegou com toda sua intensidade, como aconteceu em outros países. Estamos conseguindo superar a pior crise, que é a psicológica. Os empresários de pequenas empresas não estão demitindo. Estão contratando e buscando alternativas para enfrentar a crise.” Para Allan Marcelo de Campos Costa, os empresários precisam manter-se otimistas e de olho no planejamento e controle de seus

Foto: Mauro Frasson/Arquivo Sebrae/PR

O diretor-superintendente do Sebrae/PR, Allan Marcelo de Campos Costa, acredita que os efeitos psicológicos da crise financeira mundial, desencadeada no final do ano passado, começam a ser superados. E que a pesquisa realizada pelo Sebrae/PR confirma que os empresários de micro e pequenas empresas permanecem otimistas.

Ele destaca o alto índice de empresários que tem expectativas para 2009 (de acordo com a pesquisa, 65,27%) e o baixo índice de expectativa negativa (6,39%). “As crises existem e sempre existiram. O que precisamos, em momentos como esse, é não desistir e apostar em nossa capacidade empreendedora. Uma ideia, uma oportunidade e uma ação planejada podem fazer toda a diferença.” S

Empresários apostam em diferenciais Os empresários de micro e pequenas empresas clientes do Sebrae/PR opinaram sobre temas que, segundo eles, podem fazer a diferença em seus negócios em 2009.

Allan Marcelo de Campos Costa,

superintendente do Sebrae/PR negócios. “Isso é fundamental na gestão de um pequeno negócio. Em momentos de desaceleração econômica, o cuidado deve ser permanente”, reforça o diretor-superintendente do Sebrae/PR.

Dentre as citações feitas, durante a pesquisa, estão temas como o acesso a novos mercados, busca por informações, capacitação em Recursos Humanos, marketing, inovação e tecnologia.

Cresce número de novas empresas no Paraná O Paraná registrou um aumento no número de novas empresas nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano, comparado com o mesmo período de 2008. Ao todo, foram abertas 13.517 empresas, de acordo com levantamento feito pela Junta Comercial do Paraná.

Em média, 96% das empresas abertas em 2009 são microempresas e empresas de pequeno porte. Foram 3.971 em janeiro, 4.256 em fevereiro e 5.290 em março. No primeiro trimestre de 2008, o Paraná totalizou 12.706 novas empresas: 4.050 em janeiro; 4.079 em fevereiro e 4.577 em março.

De olho nas oportunidades Empresários buscam alternativas para manter o clima aquecido em seus empreendimentos

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Por Mirian Gasparin

Coragem, determinação e oportunidade são os termos mais pronunciados nos últimos meses pelos empresários de micro e pequenas empresas, que não se deixam abater pela crise. Há uma consciência geral que é nos momentos de dificuldades que surgem as melhores oportunidades de negócios. As crises existem, sempre existiram, mas não apanham as organizações do mesmo jeito porque há formas e formas de combatê-las. Para o presidente da Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Comicro), José Tarcísio da Silva, as micro e pequenas empresas devem trabalhar, neste momento, com cautela e pres-

sionar o governo no sentido de conseguir linhas de crédito mais baratas. Segundo ele, o governo federal tem protegido as grandes empresas com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e nada mais do que justo do que rever a questão do custo do dinheiro. Na avaliação do presidente da Comicro, a crise psicológica massificada é mais grave do que os efeitos da crise econômica propriamente dita. Ele considera que o que vemos hoje é uma crise mais psicológica do que real, principalmente no segmento da micro e pequena empresa. “A crise está mais focada em quem aplica na Bolsa de Valores ou nos mercados

A Junta Comercial também totalizou o número de empresas extintas no Paraná. Ao todo, foram fechadas 4.212 empresas em janeiro, fevereiro e março de 2009, número de baixas inferior ao registrado no mesmo período, no ano passado, quando o total de fechamentos foi de 4.551 empresas.

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

Para superintendente do Sebrae/PR, ‘crise psicológica’ começa a diminuir

Novos negócios

2009 MÊS Janeiro Fevereiro Março

EMPRESÁRIO 1.663 1.684 1.963

SOCIEDADE EMPRESÁRIA 2.239 2.487 3.181

S/A 23 61 124

COOPERATIVA 44 21 15

OUTROS 02 03 07

TOTAL 3.971 4.256 5.290

S/A 68 55 63

COOPERATIVA 68 55 63

OUTROS 10 03 03

TOTAL 4.050 4.079 4.577

2008 MÊS Janeiro Fevereiro Março

EMPRESÁRIO 1.619 1.471 1.606

SOCIEDADE EMPRESÁRIA 2.342 2.529 2.883

Acesse o teor completo da pesquisa no Portal do Sebrae/PR, www.sebraepr.com.br. Para acompanhar a abertura e fechamento de empresas, o site da Junta Comercial do Paraná é o www.juntacomercial.pr.gov.br.

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Luciana Bechara, empresária

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Produtos da Be Little, empresa em Curitiba

de risco, o que não é o caso dos pequenos negócios”, justifica José Tarcísio. A crise, na opinião do presidente da Comicro, é o momento certo para que o empresário saia da zona de conforto e vá em busca de novas oportunidades. Aliás, foi essa atitude tomada pela empresária paranaense Luciana Bechara, proprietária da Be Little, em Curitiba, que desde 2001 se destaca no atacado de

roupas para bebês prematuros e crianças até quatro anos. Segundo Luciana, no momento em que ela sentiu que os grandes lojistas diminuíram os pedidos, ela tirou da gaveta o projeto de uma loja virtual, que está funcionando desde o dia 14 de fevereiro último. “A loja virtual propiciou a contratação de sete novos funcionários, dos quais quatro foram deslocados para a fábrica. Hoje estamos numa situação

De acordo com a proprietária da Be Little, a rentabilidade da loja virtual é bem maior do que as vendas no comércio atacadista. Nos primeiros dias do novo negócio, 20 vendas online foram efetivadas, mas o objetivo de Luciana é fechar uma média de 100 vendas mensais. O investimento da Be Little na loja virtual foi pequeno, admite a empresária, e o retorno já deve acontecer em três meses. O conselho que Luciana Bechara dá aos empresários neste momento é de que não esperem a crise chegar. “Desengavetem projetos e reduzam custos. Enxugar a empresa não significa cortar ou diminuir pessoal, mas sim reduzir despesas com supérfluos. O empresário também deve focar seu negócio em produtos que tenham maior rentabilidade”.

Ambição

Luiz Costa/Agência La Imagen

A família Padilha, proprietária da empresa Rui Barbosa Autopeças e Serviços, com sede em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, não quer nem ouvir falar em crise. Segundo o empresário Wellington Luiz Padilha, aqueles que falam em crise é porque não têm ambição. “Se a crise atinge de um lado, devemos seguir do lado contrário. A própria concorrência força a busca de novos mercados”, afirma.

Wellington Luiz Padilha, empresário

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A Rui Barbosa Autopeças e Serviços é uma empresa 100% familiar. Wellington é responsável pela parte administrativa. A irmã, Daiane, responde pelas finanças. O pai, Arlindo, que inclusive foi o fundador do negócio, cuida da área de serviços e a mãe, Maria, chefia o Departamento de Recursos Humanos. Em maio, a empresa se muda de uma loja de 100 metros quadrados para outra de 1.000 metros quadrados. O quadro de funcionários terá um aumento de 40%. A empresa, que comercializa peças para picapes, vans e veículos importados, cresceu 1.500% nos últimos cinco anos.

Wellington conta que até 2002, a família Padilha era proprietária apenas de uma oficina mecânica. Na oficina, trabalhavam Arlindo, pai de Wellington, e mais um funcionário. Como sempre eram utilizadas várias peças nos consertos dos automóveis, surgiu a ideia de comprar essas peças em grande escala para baratear o custo dos serviços oferecidos. Na sequência, surgiu também a ideia de vender as peças. Para ampliar o negócio, foi vendido o automóvel da família. O quadro de funcionários, que até então era formado apenas por Wellington, seu pai e mais um colaborador, aumentou para seis colaboradores. Esse foi apenas o início da trajetória de sucesso, crescimento e aprimoramento da empresa, ou melhor, das empresas, visto que nesse período já contavam com dois empreendimentos: a oficina mecânica e o comércio de peças e acessórios para veículos automotores. Em 2007, a família Padilha resolver abrir sua terceira empresa, que é a distribuidora de autopeças, só para venda externa, por meio de um televendas, com concentração, inclusive, para fora do Paraná. Atualmente a mecânica,

Luiz Costa/Agência La Imagen

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

confortável. Criamos uma série de alternativas de divulgação e utilizamos como base os nossos 1.500 clientes da loja física”, informa a empresária.

Rui Barbosa Autopeças, em Curitiba

a loja de autopeças e o televendas conseguem atender o cliente final, as oficinas e também compradores de todo o Brasil. Wellington faz questão de destacar que o Sebrae/PR teve papel fundamental no crescimento da empresa. A busca do empresário por soluções que pudessem auxiliá-lo na gestão dos negócios da família começou no ano 2000, quando ainda estava no quartel e procurou a ajuda do Sebrae/PR para uma orientação sobre como obter crédito. O empresário, que é formado em

Administração de Empresas, já fez vários cursos e buscou consultorias no Sebrae/PR nas mais diversas áreas, como planejamento estratégico, administração de custos, técnicas de vendas, aplicação dos 5’S, organização de departamentos e atendimento ao cliente. Para o empresário, em momentos como o que estamos enfrentando, o conselho é ter determinação e, se o negócio não está prosperando como devia, a opção é procurar novos focos e agregar maior valor a sua atividade. S

Conhecimento é a chave do sucesso “As micro e pequenas empresas continuam vendendo e faturando, sem provocar desemprego no País. Têm um poder de resistência muito maior, até porque contam com quadros enxutos de funcionários.” A avaliação é do gerente da Unidade de Programas Estaduais (UPE) do Sebrae/PR, José Gava Neto, que aconselha os empresários do segmento a sempre buscarem informações para a gestão de seus negócios. ”O empresário de sucesso é aquele que busca as oportunidades, ou seja, percebe o ambiente como fonte de oportunidades empresariais. Os empresários precisam continuar otimistas, reinvestir em suas empresas, procurar orientações de entidades como o Sebrae/PR, planejar e melhorar cada vez mais seus produtos e serviços, com o objetivo de satisfazer seus clientes.”

O Sebrae/PR, ao levar suas soluções empresariais, sempre destaca em seus cursos, palestras, programas e projetos, a importância de os empresários de micro e pequenas empresas investirem em Recursos Humanos, capacitarem suas equipes e melhorarem seus quadros profissionais. “Num momento de desaceleração econômica, cortar funcionários nem sempre é a opção mais inteligente sob o ponto de vista empresarial. Não adianta reduzir o quadro porque, no momento da recuperação, não haverá capacidade de produção, para atender a demanda, além dos custos inerentes à demissão e depois o tempo de contratação e capacitação, que também representa investimento financeiro.” Na avaliação do gerente, um ponto positivo para o País em 2009 será a entrada em vigor da lei que criou a

figura jurídica do Microempreendedor Individual (MEI). A expectativa é de que 10 milhões de pequenos negócios no País se formalizem, cerca de 500 mil no Paraná. O MEI possibilita a legalização dos trabalhadores autônomos e informais como os pedreiros, faxineiras, sapateiros, manicures, barbeiros, costureiras, pintores, mecânicos, entre outros. São pessoas que chegam a faturar até R$ 36 mil por ano, mas deixam de recolher tributos e não têm cobertura previdenciária. Algumas das vantagens da nova lei são: aposentadoria por idade ou invalidez, seguro de acidente de trabalho, licença-maternidade. Além disso, com a formalização, os empreendedores poderão acessar linhas de crédito e participar de licitações públicas. A lei entra em vigor no dia 1º de julho.

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Na última edição da Soluções – A Revista da Pequena Empresa no Paraná, você conferiu um gráfico com situação de oportunidade, situação de atenção e situação de ameaça nos setores do vestuário, agronegócio e turismo. Confira,nesta edição, a previsão de como ficarão os setores da tecnologia da informação e construção civil:

SETOR CONSTRUÇÃO CIVIL

1) O Brasil crescerá em 2009? Quais as perspectivas em geral para o mercado da construção civil? A previsão dos analistas é que o Brasil continue crescendo em 2009, impulsionado principalmente pela demanda interna. A previsão do PIB para o próximo ano é de valores entre 2% e 3%. Importante lembrar duas coisas: 1) A média de crescimento entre 1994 e 2004 foi exatamente essa; 2) A base de comparação agora é elevada e um crescimento de 3% é bem mais representativo.

Situação de oportunidade

Situação de atenção

Mercado imobiliário (1º imóvel e público de baixa renda) continua aquecido, em virtude de compra por necessidade.

Monitorar os movimentos do emprego e de renda locais, que podem impactar no segmento de varejo de materiais de construção (autoconstrução).

Lançamento do Plano de Construção de Moradias Populares do Governo Federal. O crédito imobiliário continuará existindo tanto para a produção quanto para a aquisição de imóveis já existentes. Recursos garantidos pelo Governo Federal (PAC e FGTS).

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

Perguntas e respostas sobre como enfrentar os desafios de 2009 na construção civil.

Embora pequena, a atuação do Offshore (outsoursing para exportação) apresenta crescimento expressivo no País, cerca de 25%, devido principalmente: a uma alternativa à Índia, que domina a prestação de serviços nessa modalidade; à questão do fuso próximo aos dos maiores compradores internacionais; à flexibilidade para aumentar as operações; a profissionais qualificados.

Situação de ameaça Mercado imobiliário desaquecido para produtos direcionados a 2º ou 3º imóvel. Cuidar com localização, tamanho do imóvel e preço de venda.

Focar os clientes atuais. Em momentos de crise, é sempre mais fácil (e barato) manter e estreitar o relacionamento com os clientes tradicionais do que atrair novos clientes.

A atenção para as empresas de Software está na adequação dos softwares de gestão empresariais (ERP) ao SPED (Sped fiscal, Sped contábil e nota fiscal eletrônica).

3) Existe alguma faixa de público para imóveis que sentirá menos impacto econômico? Por quê? Dentre todos os perfis de faixa de público, o que sentirá o menor impacto será o do primeiro imóvel ou aqueles voltados ao público de menor renda. No primeiro caso, porque ainda é crescente o número de jovens de classe média saindo das casas dos pais e se casando e, no segundo caso, por ser uma faixa social em que ainda há uma grande demanda não atendida, ou seja, são pessoas que compram por necessidade. Além disso, o governo federal tem divulgado uma série de medidas, para promover a oferta desse tipo de imóvel. 4) O que monitorar para lançar um empreendimento imobiliário em 2009? Podemos dividir em duas classes de indicadores: gerais/nacionais e regionais. Em termos gerais/nacionais, devem ser observados a movimentação da Taxa Selic (que deve cair, barateando o crédito); o nível de emprego (ou desemprego) e a renda; o crescimento da atividade econômica e a taxa de câmbio. Em termos regionais, devem ser observados os impactos (ou relações positivas e negativas) dessas variáveis nas especificidades econômicas locais (por exemplo, como o câmbio afeta a produção agrícola); e as variáveis do mercado imobiliário local: oferta de imóveis (estoque atual e lançamentos programados) e o preço dos lançamentos.

Este não é o momento de comprometer o fluxo de caixa da empresa. Não é o momento mais adequado para adquirir terrenos se a empresa construtora já possui estoque.

Há dois anos, o Governo desenvolve um mecanismo chamado SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) que possibilita às Secretarias da Fazenda e à Receita Federal cruzar informações contábeis e fiscais, identificando fraudes e sonegação. O SPED substituirá os registros contábeis em livros para equivalentes em arquivos digitais e foi criado para informatizar e interligar a arrecadação de tributos no País.

2) Uma incorporadora pode continuar lançando empreendimentos imobiliários em 2009? Quais os cuidados que ela deve tomar? Desaceleração econômica não é sinônimo de economia parada. Portanto, os lançamentos vão continuar. Entretanto, as incorporadoras deverão ter alguns cuidados específicos; principalmente atentar com muito cuidado para a demanda. Lançamentos de produtos mais essenciais, como ao do primeiro imóvel, vão continuar, mesmo porque as pessoas compram por necessidade. Já produtos direcionados ao 2º ou mesmo 3º imóvel devem ser muito bem pensados em termos de localização (procurar boas regiões com demanda ainda pouco atendida), tamanho dos empreendimentos e preço de venda. Além disso, a velocidade de vendas deverá voltar aos patamares históricos.

O mercado brasileiro de TI está crescendo, assim como o mercado das economias emergentes, México, Índia e China. E com esse crescimento das economias emergentes, a preocupação que o Brasil deve ter é sobre a escassez da mão de obra especializada, que já é notada no mercado nacional, e também a migração da mão de obra especializada para outros países. Para enfrentar essa ameaça constante, é necessário formar um número maior de profissionais, capacitá-los e especializá-los e, junto com isso, dar-lhes também melhores condições de trabalho aqui no Brasil.

5) Como o valor do dólar vai afetar o mercado da construção civil em 2009? A variação do dólar terá um impacto indireto na construção civil, uma vez que influenciará mais diretamente a atividade econômica de uma região. Dessa maneira, deverá haver uma preocupação com o perfil da economia local e a maneira como uma eventual queda (ou subida) do dólar impactará no comércio local. Cita-se como exemplo uma região que é tipicamente exportadora; com uma queda do dólar, poderá diminuir os recursos em circulação da região. Já uma região que importa insumos poderá ser favorecida com tal fato. Dessa maneira, a maior influência para a construção civil é o aquecimento/queda do mercado local influenciado pelo dólar, muito mais que a oscilação do dólar por si só. 6) Para o varejo de materiais de construção, o que deve mudar em 2009? Muito pouco, pois a autoconstrução deverá continuar aquecida. A única atenção que se deve manter é quanto aos movimentos do emprego e da renda locais, que poderão ser mais ou menos atingidos pela desaceleração. 7) Para o segmento de prestação de serviços (construções sob demanda, reformas, projetos) quais as recomendações de atuação? Focar os clientes atuais. Em momentos de crise, é sempre mais fácil (e barato) manter e estreitar o relacionamento com seus clientes tradicionais (que constituem uma demanda mais segura) do que ir atrás de novos clientes. 8) Com relação a insumos para a construção, incluindo mão de obra, quais as perspectivas para 2009? Tanto as matérias-primas quanto a mão de obra necessárias na construção civil continuarão em alta. O setor continuará sendo impulsionado pelos lançamentos realizados em 2008, além do processo de autoconstrução liderada pela classe C. Segundo o dirigente da Anamaco (Associação dos Comerciantes de Material de Construção), Cláudio Conz, o setor estará bem no ano de 2009, citando que há previsão de três a cada sete lares realizarem uma reforma na casa nos próximos seis meses. O presidente ainda citou que principalmente a classe C está investindo na melhoria da infraestrutura de suas residências, com mais banheiros e ampliação de cozinha. 9) Quais são as recomendações estratégicas que, de modo geral, a empresa deve se preocupar em 2009? As empresas deverão estar preparadas para que, no ano de 2009, haja um menor consumo se comparado ao ano de 2008. Logo, devem estar prontas para, se necessário, trabalhar com capacidade ociosa. Além disso, deverá haver um cuidado com investimentos, optando-os por fazê-los somente se não comprometerem o fluxo de caixa da empresa. Não é o momento mais adequado para adquirir terrenos se a empresa já possuiu um estoque de terrenos. Fonte: Estudo realizado pelos consultores do Sebrae/PR: Edvaldo Pires Corrêa; Gerson Miotto; Joversi Luiz de Rezende; Orestes Hotz; Pedro Cesar Rychuv Santos e Ricardo

Fonte: Edvaldo Pires Corrêa e Ricardo Almeida, da Unidade de Programas Estaduais (UPE) do Sebrae/PR

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Magno Silva. Apoio técnico e análise final: Marcos Kahtalian (Brain Consultoria) e o consultor do Sebrae/PR, Luiz Eduardo Belletti.

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Dekasseguis

De volta pra casa Crise econômica acelera o retorno dos brasileiros que trabalham no Japão; montar negócio próprio é opção Por Katia Michelle Pires

Na língua japonesa, dekassegui é uma união de duas palavras: “deru”, que significa sair, e “kassegu”, que é sinônimo de ganhar dinheiro trabalhando. Na livre tradução, os dekasseguis são aqueles que deixam sua terra natal para trabalhar em outro país. No Brasil, os dekasseguis são a aposta de muitas famílias que se despedem dos parentes na esperança de que eles retornem com experiência e dinheiro no bolso. Esse vai e vem entre o Brasil e Japão tem se repetido com cada vez mais intensidade desde o final da década de 1980, quando o governo japonês passou a conceder visto de trabalho para os descendentes de japoneses com residência no Brasil, e já atingiu números impressionantes.

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A Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD) estima que existam 1,4 milhão de descendentes japoneses no Brasil. O Paraná é o segundo estado brasileiro na concentração desse contingente, perdendo apenas para São Paulo. São aproximadamente 150 mil descendentes de japoneses no Estado, concentrando-se principalmente nas cidades de Curitiba, Londrina, Maringá e Cascavel. Números que podem aumentar com o momento econômico que inquieta o mundo e também o Japão. Com a crise, muitos dekasseguis adiantaram a volta pra casa, seja por perder o emprego lá fora, seja pela queda na perspectiva de ganhar - e juntar - dinheiro. O outro motivo é que o Paraná é o destino preferido pelos brasileiros no seu retorno ao Brasil, dadas as oportunidades e qualidade de vida que o Estado oferece aos dekasseguis. “A crise está afetando principalmente a indústria automobilística e eletroeletrônica e no Japão esses setores concentravam o maior números de brasileiros trabalhando”, explica o consultor do Sebrae/PR Marcos Aurélio Gonçalves, especialista no tema dekassegui. Ele analisa que, com a desaceleração da economia e as demissões cada vez mais constantes, os brasileiros tentam migrar para outros setores sem voltar para o Brasil. “Se a fluência em japonês for boa, eles até conseguem recolocação em outros nichos de trabalho, caso contrário, a opção é voltar pra casa.” Consultor do Programa Dekassegui Empreendedor, Gonçalves viaja com frequência para o Japão e já consegue traçar um perfil dos brasileiros que vão em busca de oportunidade lá fora. “Geralmente, eles vão trabalhar no Japão em busca de três objetivos: ter uma casa própria no Brasil, educar os filhos e poupar para abrir uma pequena empresa no Brasil. Segundo pesquisa do Sebrae, o tempo de permanência média no Japão é de 7 anos. Na volta ao Brasil a tendência constatada é: viver de renda de aluguéis com as economias que fizeram por lá; conquistar emprego no setor que trabalharam; montar um negócio próprio. É para esse público - os que querem abrir uma empresa - que o Sebrae tem uma série de propostas. O Sebrae/PR atende em média cerca de 300 descendentes ao mês em todo o Estado, número que cresceu 2009. A crise econômica, como reforça Gonçalves,

é um dos motivos desse aumento. E não por acaso. “O Programa Dekassegui Empreendedor oferece apoio para quem quer montar uma empresa, mas também precisa se readaptar à realidade brasileira”, explica André Rossi, coordenador estadual do Programa Dekassegui Empreendedor. Resolver a equação entre a (re)adaptação e capacitação para montar um novo negócio é um dos desafios do programa. O Sebrae/PR iniciou estudos nessa área em 2000 e constatou que de cada 10 empresas abertas pelos dekasseguis, oito fechavam após dois anos de funcionamento. Atualmente, depois de implementado o programa, podemos constatar que cada 10 empresas que abrem, 100% continuam no mercado após dois anos. “O sucesso de uma empresa depende muito da orientação que se recebe já no momento de abrir um negócio e da consultoria e assessoria contínua proposta pelo programa”, diz André Rossi.

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Planejamento também é palavra-chave para o sucesso. E para mostrar o quanto planejar é preciso, o Sebrae já começa o programa no Japão, proferindo palestras para os brasileiros que estão trabalhando por lá, mas querem voltar. Desde 2007, já foram promovidos cinco edições do Sebrae Itinerante no Japão, que realiza um ciclo de palestras e atendimento presencial aos brasileiros naquele país. A mensagem desse ciclo é uma só: “Mostrar para os brasileiros que eles precisam elaborar um plano de retorno”. S

O Programa Dekassegui Empreendedor oferece apoio para quem quer montar uma empresa, mas também precisa se readaptar à realidade brasileira

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Os dekasseguis vão trabalhar no Japão em busca de uma casa própria no Brasil, educação dos filhos e poupança para abrir uma pequena empresa

E foi com planejamento que o casal Marcio Gonçalves Vieira e Cristiane Miuki Miamaro Vieira embarcaram para o Japão com a pequena Yumi, então com seis meses. “Fomos com a determinação de ganhar dinheiro”, revela Marcio. Foram três anos de trabalho pesado. “Eu trabalhava 14, 16 horas por dia”, lembra. Na volta ao Brasil depois de conseguir economizar algum dinheiro, eles pesquisavam um setor para investir ao mesmo tempo que matavam a saudade da família e dos amigos cozinhando receitas que aprenderam por lá. O gostinho da comida japonesa estava atraindo cada vez mais a atenção dos amigos e eles resolveram investir nesse nicho. Procuraram ajuda do Sebrae/PR para montar um restaurante e há um mês abriram o Umai, no bairro Sitio Cercado. O que o nome significa? “Gostoso, saboroso”, explica o novo empresário. Satisfeito com o negócio e já pensando em expandir, ele conta que aqui no Brasil também tem trabalhado pesado, mas com uma diferença: “Aqui é a nossa casa”.

A professora e empresária Sueli Futata também encontrou no Sebrae/PR apoio para montar uma empresa depois de anos trabalhando no Japão. A experiência dela com o outro lado do mundo começou há 15 anos, quando o marido, Mario Futata seguiu para

o Japão em busca de oportunidade. Os dois filhos também seguiram os passos do pai e ela própria, há cinco anos, também se aventurou. Lá ela trabalhou com educação, em uma escola para brasileiros, mas se viu obrigada a voltar por conta do vínculo empregatício que ainda mantinha no Brasil. O marido e os filhos ficaram, mas há três meses a crise obrigou Mario e Andréa, filha mais nova do casal, a retornarem ao País. Por aqui, a família acabou enfrentando barreiras peculiares: dificuldade de adaptação e de relocação no mercado. A possibilidade de abrir um negócio próprio, porém, deu novas perspectivas à família. Sueli acabou se juntando à irmã, Lucia, que acabara de voltar de uma temporada de trabalho na Espanha e Itália para montar a Sapori di Lu, uma pequena empresa de compotas e geleias caseiras. “Hoje, produzimos de acordo com a nossa demanda, mas com o apoio do Sebrae queremos expandir e vender cada vez mais”, comemora Sueli, que conta com o marido e a filha para o sucesso do negócio. Família unida permanece unida independente da região. E das crises. S

Foto: Cristiane Shinde/Studio Alfa)

Comida brasileira com gostinho de Japão

Eliane Shibata teve experiência semelhante, mas na volta ao Brasil, a primeira tentativa de montar um negócio foi frustrada. A brasileira seguiu para o Japão em 2003, com o marido Marcelo. A intenção do casal era ficar três anos fora, mas acabaram trabalhando durante quatro anos e meio no Japão. Na volta, tiveram dificuldades na adaptação. Chegaram a montar uma loja de informática, que fechou as portas sete meses depois. “Nosso padrão de vida mudou muito quando voltamos”, conta Eliane, que sentiu gradualmente a mudança de padrão. O casal mudou-se para Maringá, onde Marcelo conseguiu emprego formal e Eliane procurou apoio do Sebrae/PR para montar um pequeno negócio, mas dessa vez com planejamento. “Vamos montar um negócio de temperos caseiros, mas agora nos planejando e analisando as áreas de risco”, conta.

Eliane Shibata, ex-dekassegui

Dicas para o retorno ao Brasil 1 - Ao retornar ao Brasil, o dekassegui deve primeiro se preocupar com a readaptação à cultura brasileira. Ler matérias, jornais e revistas atuais, além de conversar com as pessoas da comunidade, ajuda nesse processo; Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

2 - Se possível, deve-se viajar pelo Brasil. Isso ajuda a promover a readaptação social e com a família e também a observar oportunidades de negócios; 3 - Buscar informações sobre o negócio que se quer montar, consultar especialistas, amigos, empresas; 4 - Elaborar plano de negócios, buscar assessoria especializada; 5 - Viajar para conhecer feiras relacionadas ao setor e para se atualizar sobre o mercado escolhido; 6 - Fazer implementação do plano sempre com assessoria e não esquecendo de se atualizar sempre. Fonte: Marcos Aurélio Gonçalves, consultor do Sebrae/PR.

Marcio Gonçalves Vieira e Cristiane Miuki Miamaro Vieira, empresários

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Dicas de site, para saber mais: www.dekassegui.sebrae.com.br; www.abdnet.org.br; www.portaldekassegui.com

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Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Concorrência acirrada

Fim de cotas deixa empresas do vestuário em alerta

Edvaldo Pires Correa, do Sebrae/PR

A China é o principal exportador de produtos do setor, respondendo hoje por 27,2% do mercado mundial. Só no Brasil, 36% do total das importações de têxteis e de vestuário foram provenientes daquele país em 2008 – um total de US$ 1,4 bilhão, mesmo com o acordo de cotas ainda vigente. Um crescimento de 41,5% com relação ao ano anterior, quando foi importado o equivalente a US$ 992 milhões. Segundo o coordenador estadual do Setor de Vestuário do Sebrae/PR, Edvaldo Pires Correa, o prejuízo maior é para o setor de roupas para o varejo, de uso cotidiano, como camisetas de malha, pulôveres, casacos, bermudas, camisas, entre outros. “Grandes redes, por exemplo, só compram produtos asiáticos”, exemplifica.

Para enfrentar concorrência chinesa, especialistas sugerem mais qualidade Por Ellen Taborda

O ano de 2009 começou com um cenário incerto para o setor de têxteis e de confecção no Brasil. E o motivo não é apenas a crise financeira mundial, mas também o fim do acordo de cotas para a importação de tecidos e itens de vestuário da China. Como a medida expirou em 31 de dezembro do ano passado e não foi renovada, não há mais limites para a entrada de produtos chineses no mercado brasileiro. Para enfrentar a concorrência desleal e manter-se competitivo, especialistas recomendam investimento em qualidade e cautela. “Estamos iniciando uma nova fase na

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relação comercial, dentro de um cenário mundial totalmente diferente de quando o acordo foi firmado, em abril de 2006”, observa o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, referindo-se à crise internacional. A renovação da medida foi tentada pelo governo brasileiro e pelos empresários, que chegaram a enviar uma comitiva para a China em setembro do ano passado. “Procuramos estabelecer uma maneira de manter o desenvolvimento sustentável do mercado, mas não houve resposta à proposição”, conta Pimentel.

O maior problema para concorrer com os itens chineses, segundo Correa, é a “prática desleal predatória, com preços abaixo do custo”. Foi o que sentiu na pele o empresário Julio Cezar Mariga, 45 anos, de Cascavel, no oeste do Paraná, dono da Vitória SJT Confecções. A empresa dele, que produz camisas masculinas e femininas, chegou a perder um cliente que comprava até 2 mil peças por mês. “Ele passou a importar tudo da China”, conta. Para Pimentel, da Abit, apesar da previsão de um ano difícil, existe algo favorável para o setor no Brasil. “A produção doméstica pode se beneficiar por causa da dificuldade do importador se planejar a longo prazo.” Ele acredita que as importações tendem a diminuir por conta das incertezas do câmbio em um cenário de crise. Foi o que aconteceu, ao menos, nos primeiros dois meses deste ano.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o total de importações de itens de vestuário e têxteis da China foi de US$ 205,4 milhões. Houve queda de 7,76% em comparação com o mesmo período de 2008, quando o valor chegou a US$ 222,7 milhões. Mas, de acordo com a Abit, ainda é cedo para avaliar como o mercado se comportará com o fim do acordo de cotas. Pimentel afirma que a associação está monitorando a entrada dos produtos chineses no Brasil e que ela será denunciada, se “estiver se dando em ritmo muito superior ou a preços aviltados”. “Não vamos permitir que o Brasil venha a ser estuário para excedentes da Ásia”, garante.

Para enfrentar a concorrência desleal e manter-se competitivo, especialistas recomendam investimento em qualidade e cautela

Fernando Pimentel, superintendente da Abit

O governo brasileiro também informa estar controlando as importações da China para que não haja uma invasão no mercado interno. Segundo a assessoria de comunicação do MDIC, os produtores brasileiros que verificarem irregularidades podem acionar o Departamento de Defesa Comercial (Decom), órgão ligado ao ministério. A denúncia é analisada e pode ser aberta uma investigação para avaliar se está havendo a prática de dumping.

“Se houver, o governo brasileiro definirá uma margem para a aplicação do direito antidumping, que garantirá que esses produtos cheguem aos consumidores brasileiros a preços, no mínimo, de mercado”, informou o MDIC, por meio de nota. Ainda de acordo com o ministério, o Decom está atualmente investigando práticas de dumping nas importações de dois produtos têxteis chineses: fibras e fios de viscose.

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Para tentar reduzir os impactos negativos do fim do acordo e da crise internacional ao produtor brasileiro, a Abit promete cobrar do governo federal a criação de mecanismos que defendam o setor, como a redução do custo do trabalho, o restabelecimento do fluxo de crédito e a desoneração total dos investimentos. “Olho no caixa, no crédito e muito trabalho em qualidade produtiva”, essa é a receita sugerida pelo diretor-superintendente da entidade para o empresário de micro e pequena empresa enfrentar as dificuldades que vêm por aí. Segundo Pimentel,

É o que faz o empresário de Cascavel, Julio Mariga. “O mercado está aí aberto, sem segredos. Todos os dados estão à mesa, o importante é ter criatividade.” Segundo ele, o cliente tem um certo número opções no mercado, todas iguais. “O serviço prestado é o diferencial”, ensina. Enfrentar dificuldades é algo a que Mariga já está acostumado. Depois

Moda e negócios para todos os estilos Terceira edição do Paraná Business Collection, em Curitiba, antecipa tendências e gera oportunidades Por Leandro Donatti

Fidelizar clientes é fundamental nessas horas Para conseguir estabelecer-se no mercado mais uma vez, ele optou por um quadro enxuto – quatro funcionários trabalham com o corte de tecidos –, terceirizando a costura e o processo de embalagem das camisas. Mais uma vez, o empresário conseguiu superar os obstáculos e hoje tem um faturamento médio anual de R$ 500 mil. Para Mariga, a receita é a agilidade. “Tem que ser rápido para não sucumbir no mercado.” S

ao ano, gera 90 mil empregos diretos e fatura anualmente R$ 4 bilhões. No ranking da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), que mede a participação do PIB Têxtil e de Confecção, o Estado aparece em quarto lugar. O Paraná Business Collection, uma realização do Sebrae e Fiep, por meio do Conselho Setorial da Indústria do Vestuário, tem como patrocinadores o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e está sob a coordenação geral das empresas OX Comunicação de Moda e NaModa Comunicação de Estilo.

Setor têxtil no Brasil -

Acordo foi mais eficiente no início A medida de restrição voluntária para as importações de produtos têxteis chineses no Brasil foi estabelecida por meio de um memorando assinado pelos dois países, em abril de 2006. O acordo, que vigorou até 31 de dezembro do ano passado, estabeleceu cotas limites em oito categorias - tecidos de seda, sintéticos, filamento de poliéster, veludo, camisas de malha, suéteres, jaquetas e bordados - englobando 72 produtos. Em 2006, esses itens representavam 61,5% do comércio entre Brasil e China. No final do acordo, respondiam por apenas 25% desse fluxo. Segundo a Abit, entre os motivos dessa redução estava a mudança da classificação de alguns produtos, uma maneira de driblar o memorando.

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Faturamento: US$ 43 bilhões (2008) Número de empresas: 26,8 mil 1,7 milhão de trabalhadores Saldo da balança comercial: déficit de US$ 2,05 bilhões (2008) 9,8 bilhões de peças produzidas/ano

Setor têxtil no Paraná -

Faturamento: R$ 4 bilhões/ano Número de empresas: 5 mil (mais de 90% são micro e pequenas empresas) 90 mil trabalhadores 150 milhões de peças produzidas/ano

Importação de produtos têxteis chineses para o Brasil -

US$ US$ US$ US$

607 milhões (2006) 992 milhões (2007) 1,4 bilhão (2008) 205,4 milhões (janeiro e fevereiro de 2009)

Custo da mão de obra por hora - Brasil US$ 3,53 - China US$ 0,55

Fontes: Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fiep, Sebrae/PR e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)

Para saber mais sobre o assunto:

Sites: www.abit.org.br; www.sinditextilsp.org.br; www.sebraepr.com.br; www.desenvolvimento.gov.br (entrar no link Comércio Exterior/Defesa Comercial Decom). Livros: Cadernos Adenauer - China por toda parte, de Konrad-Adenauer-Stiftung; A Splendid Exchange - How Trade Shaped the World, de William J. Bernstein.

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Show-room de negócios, durante segunda edição

O melhor da moda paranaense com oportunidades de negócios em um evento só. De 25 a 29 de maio, o Sebrae/PR e o Sistema Fiep realizam no Cietep, em Curitiba, mais uma edição do Paraná Business Collection. Em sua terceira edição, o Paraná Business promete novidades. O evento, que tem como um dos objetivos divulgar a Marca Paraná, antecipa, desta vez, as tendências dos estilistas para o verão 2010 e repete experiências bem sucedidas em edições anteriores, como o show-room de negócios, para expor a produção de empresas paranaenses. Em 2008, 11 grifes levaram suas coleções para a passarela do Paraná Business. A criatividade no desenvolvimento das peças e coleções e a atitude dos empresários e estilistas garantiram visibilidade aos designers e mostraram que o Paraná tem estilo próprio. O show-room, que contou com a participação de 36 empresas, gerou R$ 4,5 milhões em negócios fechados e prospectados, integrou produção e varejo e criou canais de relacionamento entre empresários de pequenas

empresas e grandes grifes, lojistas e representantes comerciais. Nesta edição, o Paraná Business também traz compradores de outros estados brasileiros, para conhecer a qualidade, o estilo e a competitividade da indústria da confecção paranaense nos mais variados segmentos: moda feminina, masculina, infantil, fitness, malharia e moda praia.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), Sistema Fecomércio, Associação Comercial do Paraná (ACP), ABIT, Governo do Paraná, Prefeitura de Curitiba, Programa Estratégico da Cadeia Têxtil Brasileira -Texbrasil e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) apoiam o evento. S

O 6º Prêmio João Turin, concurso que faz parte da programação paralela do Paraná Business, é uma atração à parte. A comissão julgadora, formada por profissionais da moda no Paraná, já definiu os 12 finalistas que vão concorrer ao prêmio, um reconhecimento a novos talentos. Talentos que têm tudo para ganhar projeção nacional, já que o Estado é destaque na produção de têxteis e de confecções no Brasil. Ao todo, estimase que são mais de 5 mil indústrias de confecções espalhadas pelo Paraná, a maioria formada por micro e pequenas empresas. O setor produz 150 milhões de peças

Fotos: Agência La Imagen

Como enfrentar

Para o consultor do Sebrae/PR, é importante que o empresário invista na elevação da qualidade do produto, agregando valor, “para diferenciar da grande enxurrada importada da China”. De acordo com Correa, também é necessário pensar na gestão financeira, evitando custos desnecessários. Ainda é importante fidelizar os clientes, valorizando os bons pagadores e tomando cuidado com a inadimplência, que deve aumentar por causa da crise.

de anos de experiência com uma empresa familiar, ele partiu para um negócio próprio, administrando uma confecção instalada dentro de uma penitenciária. O empreendimento não deu certo e ele abriu um novo negócio, em Corbélia (a cerca de 30 km de Cascavel), no qual chegou a empregar 60 pessoas. Após 20 meses de atividade, Mariga teve que mudar novamente, abrindo a atual empresa em Cascavel, em outubro de 2005. “Tive que começar tudo de novo, sem crédito, apenas com o know-how”, conta.

Fotos: Agência La Imagen

neste ano, o produtor também terá que estar preparado para apresentar respostas rápidas para encomendas feitas em cima da hora.

Vitrine

Um dos desfiles da segunda edição

Acesse: www.paranabusinesscollection.com.br

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Divisão de tarefas

Você delega funções em sua empresa?

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Empresário que quer fazer tudo sozinho fica sem tempo para pensar no futuro do negócio Por Adriana Ribeiro

Você é um empresário que delega funções e oferece autonomia para sua equipe? É claro que cada empresa tem um nível de centralização, dependendo de sua cultura organizacional. Mas cuidado. Se você é um líder centralizador que quer fazer tudo sozinho ou participar de todos os processos e decisões da empresa, é hora de parar e pensar se isso está sendo ou será bom para o futuro dos seus negócios. Joel Souza e Silva, chefe suplente do Departamento de Administração Geral e Aplicada da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professor de Gestão de Pessoas, diz que um empresário centralizador que dedica grande parte do tempo para as atividades operacionais, não consegue pensar em ações estratégicas de médio e longo prazo, fundamentais para o sucesso da empresa. “Sem tempo para pensar no futuro, o líder está sujeito a não sobreviver, a ter a empresa diminuída de tamanho ou ficar desatualizado”, diz.

A delegação de funções é importante e deve ser implantada quando a empresa muda de tamanho e o empresário não é mais capaz de executar sozinho todas as atividades dos processos. Para poder delegar, o líder deve definir, inicialmente, as estratégias e objetivos do negócio; deve ter uma estrutura organizacional adequada às estratégias; designar as pessoas para os cargos que realizarão as atividades e, finalmente, valorizar o pessoal. Souza e Silva diz que as atividades operacionais devem ser as primeiras a serem delegadas, quando a empresa começa a crescer. A delegação pode iniciar com a produção, vendas, financeiro, controle de pessoas e logística. A melhor maneira para se delegar funções, de acordo com o professor, é escrever o padrão para garantir o resultado esperado. As empresas têm dois tipos de padrões: o opera-

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Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

De acordo com Souza e Silva, a cultura do medo de delegar funções é mais comum nas micro e pequenas empresas. Isso porque normalmente o negócio nessas organizações não é bem estruturado. Mas, segundo o professor, mesmo havendo organização empresarial, existem empresários centralizadores por natureza, já que esta é uma característica do comportamento humano. Ensinar é o primeiro grande segredo para se delegar funções. O segundo está em ter pessoas que querem aprender. “Para ensinar é preciso estar junto, fazer com que a pessoa aprenda para fazer igual ou até melhor. É aqui que começa a administração”, diz Souza e Silva. Outro ponto importante, segundo o professor, é saber valorizar o trabalho dos colaboradores e reconhecer que falhas podem acontecer.

Para delegar, o líder precisa definir as estratégias do negócio e ter uma estrutura adequada às estratégias

Joel Souza e Silva, da UFPR

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O professor sugere a implantação do Manual de Delegação, que define a autonomia e o papel de cada um dentro da empresa. É neste documento que estarão as informações como quem pode comprar o quê; quem deve vender e em que condições; quem autoriza descontos; quem faz os pagamentos, quem contrata e demite pessoas. “O empresário que não tem esses pontos definidos, tem dificuldades de delegar”, diz. Depois de definida a delegação, o professor lembra que é preciso ter informações sobre os resultados, para que seja avaliado se

Para que isso aconteça, o professor sugere que o empresário envolva os funcionários nas decisões da organização, sejam elas operacionais ou estratégicas, e receba sugestões. Outro fator importante para garantir a união do grupo e fazer com que os funcionários sejam parceiros no negócio é apresentar e comunicar as decisões da empresa. Segundo Souza e Silva, ao delegar funções, o empresário prepara e motiva seus colaboradores. Com essa postura, ele cria uma equipe mais dedicada e comprometida

Dentista cria rede para apoiar colegas empreendedores

com os resultados e tem mais tempo para se dedicar às questões estratégicas da empresa. Para a consultora do Sebrae/PR, Adriana Kalinowski, a delegação é a chave do sucesso para a pequena empresa. “Quando o empresário consegue exercitar a delegação, o negócio ganha agilidade. Há mais oportunidades, por exemplo, para se descobrir talentos entre os funcionários. O empresário que inicia esse aprendizado, de dividir responsabilidades, ganha aos poucos autonomia e percebe que pode aproveitar melhor seu tempo monitorando, trabalhando a qualidade e pensando sobre questões mais estratégicas e menos operacionais do dia a dia. “Delegar não é fácil, pois exige disciplina e persistência, mas aqueles empresários que alcançam esse conhecimento crescem, evoluem como seres humanos também, pois a centralização pode limitar a criatividade e as oportunidades existentes no mercado’, diz Kalinowski. S

Empresária implanta líderes de setores

Mas isso não significa que Regina não conviva diretamente com toda a equipe, composta por 38 pessoas. Para manter a união do grupo, ela organiza no início de cada mês um café da manhã. É nesse encontro que ela comunica as metas de compra e venda para os próximos 30 dias. Para estimular os trabalhadores, ela oferece prêmios. O colaborador que se destaca no mês é presenteado com jantares com a família, sapatos e até dinheiro. Nas datas comemorativas, a empresária também costuma presentear a equipe. No Dia das Mães do ano passado, por exemplo, as funcionárias ganharam livros. “Acredito que, delegando funções, estou valorizando as pessoas que trabalham comigo”, conta a empresária, que abriu a primeira loja há 14 anos. Para delegar, Regina usa um dos princípios básicos da administração de empresas, que é ensinar. Ela conta que prefere contratar pessoas sem experiência para trabalhar. “O segredo é ter aptidão”, ensina. A atual

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empresário

Foto: Cristiane Shinde/Studio Alfa

Regina Lúcia Mariani Santana é um exemplo de empresária que delega funções. Proprietária de duas lojas de calçados, em Umuarama, noroeste do Paraná, ela implantou um sistema chamado líderes de setores. Na Regina Calçados ou na Calce Fácil, há o líder de estoque, do crediário, de compras, de vendas e de marketing. São esses líderes que recebem as orientações da empresária e repassam diariamente aos demais colaboradores.

Ricardo Nakama,

Regina Lúcia Mariani Santana, empresária gerente da Regina Calçados entrou na empresa como cobradora e a líder de marketing iniciou como vendedora. “Quando ela entrou na empresa há três anos, percebi que não se destacava como vendedora. Mas ela tinha muita criatividade e entusiasmo, ideais para o cargo que ocupa hoje”, conta. Regina garante que tem uma equipe forte e unida porque valoriza e “ama” todos que trabalham com ela. “Se não tiver amor, você pode delegar que não terá resultados positivos”, diz. Outro segredo, segundo ela, é respeitar o trabalho de cada chefe de setor. Ela conta que nunca desautoriza um líder. Se percebe alguém fazendo algo errado, ela comunica o problema para o chefe daquele funcionário, para que ele busque a solução.

O conhecimento também é imprescindível para todos que trabalham com a empresária. Quem entra na empresa sabe que terá que se capacitar e que os cursos terão 50% do pagamento bancados pela loja. Há seis anos, a empresária também organiza viagens para que os colaboradores visitem uma fábrica de calçados localizada a 100 quilômetros de Umuarama. Tantas ideias, Regina vai buscar em livros, em cursos e no mercado. “Vejo o que os consumidores querem, vou a feiras e leio livros de gestão de pessoas”, conta. A empresária também costuma participar de programas oferecidos pelo Sebrae. Já fez o Empretec, VarejoMAIS e contratou consultorias.

O cirurgião-dentista Ricardo Nakama, de Londrina, percebeu que a delegação de funções é fundamental para quem pretende ampliar um negócio quando entrou na faculdade de Odontologia, na década de 1990. Ele planejava trabalhar com os pais, também dentistas, que tinham um consultório convencional. Paralelamente à faculdade, Nakama foi buscar informações e conseguiu transformar a clínica familiar, onde os dentistas trabalhavam como autônomos, em uma empresa. “Queria preparar um ambiente mais profissional e garantir a continuidade da renda de meus pais”, conta. Hoje, o AllFamily Centro Odontológico conta com três sócios e uma equipe formada por 14 dentistas, além dos auxiliares clínicos e administrativo. São duas unidades em Londrina, uma inaugurada em janeiro deste ano, e a terceira está prestes a entrar em funcionamento, em Cascavel. Por ano, o AllFamily realiza 15 mil atendimentos. Nakama fez mestrado e doutorado em Ortodontia, mas investiu forte na formação empresarial. Fez MBA em Gestão Empresarial, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e participou de

diversos cursos e programas, alguns deles oferecidos pelo Sebrae. Um deles foi o Empretec, em 2005. “Esse programa me deu a visão do autoconhecimento nos comportamentos empreendedores. Conheci meus pontos fracos e fortes e aprendi a minimizar as dificuldades, bom para minha vida pessoal e profissional”, diz.

A delegação deve ser implantada quando a empresa muda de tamanho e o empresário não é mais capaz de executar tudo sozinho

prática o projeto da DentalKlan, uma rede de dentistas empreendedores. Com apenas um mês de fundação, a DentalKlan é o primeiro clube de dentistas do Brasil e tem o objetivo de apoiar e garantir a sobrevivência dos dentistas em um mercado cada vez mais competitivo e saturado. A rede possui uma espécie de consultório virtual que armazena dados de cada profissional, seu histórico e prontuários clínicos, e oferece oportunidades de capacitação com workshops e convenções. A maior vantagem de se trabalhar na rede, segundo Nakama, é ter indicadores de referência de mercado. Com esses dados, o grupo de gestão da rede faz um ranking dos dentistas aliados, o que possibilita que todos os profissionais possam conhecer o que os colegas melhores colocados estão fazendo. “As melhores práticas, seja de gestão ou atendimento, são estudadas e propagadas”, diz. Além disso, a rede desenvolve ações coletivas de marketing para todas as unidades que fazem parte do grupo. Atualmente, a Dental Klan possui 30 dentistas conveniados. Eles estão localizados em Londrina, Cascavel, São Paulo, São José dos Campos, Ourinhos e Brasília. Até o fim do ano, a expectativa é que 100 profissionais façam parte da rede. “Num mercado cada vez mais saturado, a formação de redes é um movimento natural”, diz. S

Com o sucesso dos negócios, Nakama deixou de trabalhar como dentista e passou a se dedicar exclusivamente à gestão empresarial. A visão e a experiência empresarial, que não é comum entre os dentistas, ajudaram Nakama a criar o Ortosoft, um software de gestão de consultórios odontológicos, usado por profissionais de todo o País. Em 2007, o dentista-empresário também usou a experiência adquirida com a AllFamily e começou a colocar em

Foto: Wilson Vieira/Videographic

o novo sistema está dando certo ou se precisa de novas orientações. Souza e Silva lembra ainda que os objetivos organizacionais de uma empresa devem caminhar lado a lado com os objetivos pessoais. “Toda empresa quer crescer, ter lucratividade e reconhecimento no mercado. E o empregado quer reconhecimento, valorização, melhores salários, benefícios”, diz.

Foto: Wilson Vieira/Videographic

cional e o gerencial. O operacional é um procedimento semelhante a uma receita de bolo, e determina a sequência com que as atividades devem ser executadas. Caso aconteçam erros, chamados de “anomalias”, o líder deve analisar as causas e indicar a solução. O padrão gerencial define as questões mais estratégicas, como quem faz o quê, quando, onde e porquê.

Para quem quer saber mais sobre como delegar funções, o professor Joel Souza e Silva sugere a leitura dos livros: Administração – Teorias e Processos, da Editora Perason Printice Hall; Administração, da Editora Printice Hall do Brasil; Comportamento Organizacional, da Editora LTC Livros Técnicos e Científicos; Estrutura Organizacional, Editora Atlas. A empresária Regina Santana diz que tem como livro de cabeceira “Dez maneiras de libertar seu espírito e encontrar grandes ideias”, da Editora Negócios. Mas ela também sugere a leitura de: Teoria dos Monges na Arte de Liderar, da Editora Vozes; e Poder da Paciência, da Editora Sextante.

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Boas práticas

Artigo

Pequenos Grandes Negócios

No varejo, coerência é palavra-chave

Carlos Hilsdorf

Reflita sobre essas duas grandes dicas: 1. Transforme a atuação dos departamentos de uma grande empresa em AÇÕES para a pequena empresa. Na ausência dos departamentos, promova ações! Faça ações de marketing para melhorar a comunicação e conquistar um melhor posicionamento no mercado. Promova ações de RH para estabelecer um relacionamento de qualidade entre a empresa e seus colaboradores. Planeje suas ações, estabeleça o quê, como e quando fazer. Pergunte-se no início do mês o que fazer (quais as ações) para melhorar seu marketing, suas vendas, seu RH, seu financeiro. Estabeleça prioridades e... FAÇA! 2. Não importa o tamanho do seu fôlego financeiro, encontre ações compatíveis com ele. A questão não é o tamanho do seu fôlego, é o critério que você utiliza! Em geral, muitas micro e pequenas empresas se esquecem de destinar parte do lucro para ser

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Se você não reinveste no seu negócio, está investindo primeiro no seu concorrente e, segundo, em problemas futuros! Ao invés de reclamar que você não pode investir tanto quanto uma grande empresa, dedique-se a investir o quanto você efetivamente pode.

Por Andrea Lombardo

Estabeleça ações de acordo com os seus recursos, não deixe de agir. Se você não pode fazer uma convenção para seus funcionários, faça reuniões produtivas com eles.

Estabeleça ações de acordo com os seus recursos, não deixe de agir. Se você não pode fazer uma convenção para seus funcionários, faça reuniões produtivas com eles. Adapte sua verba, seja criativo! O que não podemos fazer não deve jamais ser desculpa para não fazer aquilo que podemos e devemos fazer! O tamanho do seu negócio não é o tamanho do seu lucro ou do seu fôlego financeiro. O tamanho do seu negócio é o tamanho da sua capacidade de empreender e manter-se focado na melhoria contínua. As pessoas que você ama aguardam ansiosamente por suas próximas conquistas e realizações. Dedique-se! Expresso aqui a minha mais profunda admiração e meu reconhecimento por todas as fantásticas contribuições que o Sebrae e seus talentos deram e continuam dando ao Brasil e a seus empreendedores. O futuro pertence aos melhores, esteja entre eles! S

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

Se você administra uma pequena empresa, você pode não possuir um departamento de marketing, um departamento de vendas, um departamento de RH... Mas você precisa de ações de marketing, de vendas, de RH, etc.

Confira 10 dicas de como vender melhor, para conquistar mais clientes e faturar mais

reinvestido no negócio. Confundir suas contas pessoais com as da empresa é um erro gravíssimo!

Foto: Divulgação

Não acredite que o conteúdo dos melhores livros de negócios, palestras e seminários só é aplicável em grandes empresas, isso é uma ilusão.

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Carlos Hilsdorf Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha). Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV e consultor de empresas. Autor do best seller “Atitudes Vencedoras”, apontado como uma das cinco melhores obras do gênero. Referência nacional em desenvolvimento humano. Site oficial: www.carloshilsdorf.com.br.

Não importa o ramo de atuação. Em qualquer deles, o empresário do comércio varejista deve ter, como aspecto primordial, o conceito do seu negócio definido, de forma bastante clara, para assegurar seu espaço e sobrevivência no mercado. As respostas para “qual é o seu produto ou serviço?” e “a que público se destina?” vão levá-lo a ser coerente com o que oferece ou pretende oferecer e para quem. No caso de empreendimentos já estabelecidos, essa revisão de conceito, invariavelmente, implica em mudanças na forma de disponibilizar o produto ou serviço, no visual da loja e na reciclagem dos vendedores, por exemplo.

José Reginaldo Sendeski, empresário

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Fotos: Foto Zanella

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

Mesmo empresas que conquistaram clientela fiel pela tradição acabam percebendo a necessidade de mudar

Ambiente da Deccore, em Curitiba

Se uma loja de roupas dispõe de serviço de ajustes, o vendedor deve estar treinado para isso

“Tudo que envolve o varejo tem que estar adequado, ser coerente ao público. Essa é a questão mais estratégica para o comércio varejista: ter o conceito do seu negócio muito claro. Se errar nisso, erra todo o resto”, aponta o diretor da Vecchi & Ancona, consultoria de São Paulo especializada em gestão e estratégia, Paulo Ancona Lopez. Dentro desse contexto, a localização do ponto de venda, se dispõe de estacionamento e facilidade de acesso – itens essenciais à comodidade do cliente – são vitais, observa ele.

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

A revisão de conceito implica em mudanças na forma de disponibilizar o produto ou serviço e no visual da loja, dentre outros O consultor lista, ainda, como aspectos importantes para o sucesso nas vendas, a forma de atendimento e abordagem ao cliente; o layout da loja – o que envolve, além da decoração a disposição dos produtos; e a fidelização do cliente com a marca. Internamente, pontua Lopez, o empresário deve se preocupar em treinar sua equipe e ter um sistema de gestão financeira efetivo, estabelecendo, inclusive, indicadores de desempenho.

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“São aspectos importantes, mesmo em um cenário positivo. Se o momento é de crise, essa é uma razão a mais para ficar atento a esses e outros cuidados, como estabelecer algumas contingências”, recomenda. Boa parte dessas dicas, o empresário de Curitiba José Reginaldo Sendeski, proprietário da Deccore, tem procurado colocar em prática. Quando começou seu negócio, há dez anos, viu no ramo da alta decoração um mercado em potencial. Decidiu investir em mobiliário clássico, mas não deixou de acompanhar as tendências do mercado. Sem perder o foco, ampliou a gama de produtos para se adequar à demanda de clientes que preferem o estilo contemporâneo. Apesar da preocupação em diversificar o portfólio, com o passar do tempo, Reginaldo percebeu “uma certa acomodação” e, a partir disso, a necessidade de reciclar colaboradores, estratégias de venda e o layout da loja. A Deccore foi uma das empresas participantes do programa VarejoMAIS, que é desenvolvido em parceria entre o Sebrae/PR e a Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio). “Aceleramos algumas reformas como

O coordenador estadual do setor de varejo do Sebrae/PR, Osmar Dalquano Junior, reforça que a gestão do visual

da loja é enfatizada no VarejoMAIS por ser um dos aspectos que mais influenciam a decisão de compra. “Não é somente ter uma vitrine chamativa. Toda a empresa vende: o visual do funcionário, iluminação, cheiro, organização. Toda comunicação é um mecanismo de abordagem de venda”, complementa. Mesmo empresas que conquistaram clientela fiel pela tradição acabam percebendo, em algum momento, a necessidade de investir no visual do seu ponto de venda. Elena Gagliotto, proprietária da empresa de autopeças Ernesto Luiz Gagliotto & Cia Ltda., há mais de cinco décadas estabelecida no comércio de Francisco Beltrão, sudoeste do Paraná, conta como surgiu a ideia de mudar, já que a fachada e interior da loja praticamente não haviam

Leodir Balena, proprietário da Styllos Calçados, em Realeza, no sudoeste do Estado, também viu as vantagens que uma boa disposição dos produtos, por exemplo, pode provocar. O empresário, que também participou do VarejoMAIS, muda a vitrine de sua loja, semanalmente. Virou uma rotina na Styllos Calçados. “Nos últimos cinco anos, fizemos muitas mudanças. Mudamos a fachada, a vitrine, a disposição interna. Isso acabou atraindo mais clientes. A nossa relação com os clientes ficou mais agradável, melhor, mais profissional.” “O comerciante que não mudar, que não acompanhar o que os consumidores desejam, não sobrevive ao mercado”, alerta Balena. “Os tempos são outros. Estou no ramo há 10 anos e percebo muitas mudanças no comportamento dos clientes. Os empresários precisam acompanhar esse processo”, sugere. S

Fotos: Foto Zanella

Fachada da Styllos Calçados, em Realeza

fachada e identificação da loja e nos preocupamos em ampliar a área de estacionamento para melhorar o conforto de nossos clientes”, conta Reginaldo. A partir da consultoria do programa e da participação em uma missão técnica internacional organizada pelo Sebrae e Fecomércio, o empresário despertou para outras iniciativas, entre elas, a ambientação da loja. Os produtos são dispostos de forma a criar um ambiente único e ganham destaque a partir de posicionamento estratégico ou iluminação, o que se traduz em um dos diferenciais da empresa. “Oferecemos assessoria, projeto, se necessário, e, não raro, levamos o mobiliário à residência do cliente e ambientamos para que ele se certifique de que a escolha é a mais acertada, lembrando sempre de valorizar, da melhor maneira, os móveis e objetos que já são de propriedade do cliente e pelos quais tem apego por seu valor sentimental, inserindo-os na nova decoração.”

sofrido qualquer alteração nesse longo período. A ideia de investir em uma reforma foi estimulada com a participação no VarejoMAIS. Foram mudanças sutis, mas que renderam elogios por parte dos clientes e amigos, conta Elena. “O ambiente interno no nosso ramo não muda muito. Não posso ter uma decoração sofisticada se isso vai deixar meu cliente constrangido. Tenho que fazer ele se sentir à vontade”. Não importa o ramo, a coerência entre produto e público-alvo é regra básica.

Leodir Balena, empresário

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Cautela

Aumento dos índices no Brasil deve recuar nos próximos meses

Conceito: o primeiro aspecto a considerar para garantir o sucesso de uma empresa é ter definido, de forma absolutamente clara, o conceito do negócio. “Qual é o seu produto, destinado a quem, o que se pretende passar com os produtos e serviços?” Ponto de venda: a localização adequada do ponto tem influência direta na condição de atendimento. É preciso oferecer algumas comodidades, como estacionamento próximo à entrada da loja e facilidades de acesso. Atendimento: ter pessoas bem treinadas, comprometidas e que realmente entendam do produto ou serviço que a empresa oferece. Se uma loja de roupas dispõe de serviço de ajustes, por exemplo, o vendedor deve estar treinado para esse atendimento. “O atendimento no varejo, de forma geral, ficou muito chato. Evite o modismo do vendedor que tenta ser amigo do cliente”. Layout de loja: a exposição dos produtos e a forma como estão agrupados devem ser muito bem planejadas para que o cliente os localize sem ter que, a todo momento, recorrer ao vendedor. Tem que ser um layout inteligente, de acesso fácil. Comunicação interna: o layout interno deve permitir que o cliente entenda a loja: onde existe o quê. Definir, seja por meio de símbolos, desenhos, cores, os diferentes setores ou tipos de produtos.

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Relacionamento da marca com o cliente: ter um cadastro de clientes e a partir disso criar um canal de comunicação para informar sobre novidades, liquidações, promoções, lançamentos. “A infidelidade às marcas é um fato. É preciso criar um vínculo para que a compra fique na mente das pessoas como uma experiência agradável”.

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Gestão da equipe: em qualquer que seja o negócio, por trás de tudo há pessoas que, além de capacitadas para vender, comprar, relacionar-se com fornecedores, devem estar motivadas, satisfeitas, ter orgulho da empresa para qual trabalham. Gestão financeira: ter o controle efetivo e constante de todas as movimentações financeiras. “Um movimento errado de compra, por exemplo, pode comprometer seu percentual de lucro”.

Por Mari Tortato

Fonte: Paulo Ancona Lopez, consultor especializado em gestão e estratégia.

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Inadimplência e endividamento

Gestão de compras e estoque: a compra incide diretamente no resultado do Custo da Mercadoria Vendida (CMV). Se houver desperdício, desvio de mercadorias ou má gestão nas compras, haverá aumento do CMV com redução do lucro na mesma proporção. Indicadores de desempenho: para que a gestão financeira seja efetiva é preciso criar indicadores de desempenho. Ter um histórico das vendas, despesas e ganhos para não perder o controle ou, ainda, corrigir eventuais resultados negativos.

Sites com artigos interessantes: www.administradores.com.br; www.marketing.com.br; www.portaldomarketing.com.br; www.guiarh.com.br Literatura indicada: Manual de Treinamento e Desenvolvimento – Gestão e Estratégias, de Gustavo e Magdalena Boog. Editora Prentice Hall; Super dicas para vender e negociar bem, de Carlos Alberto Júlio. Editora Saraiva; A Bíblia de Vendas, de Jefrey Gitomer. Editora M. Books; e Abrace seus clientes – O Método Ideal para personalizar as vendas e conseguir grandes resultados, de Jack Mitchell.

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Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Em tempos de turbulência e retração econômica dos mercados mundo afora, o atraso de uma única parcela do empréstimo tomado do banco para financiar a atividade, ou para garantir imediato capital de giro, pode representar a morte de uma empresa. Na melhor das hipóteses, a renegociação da dívida eleva o valor para um patamar nada próximo do original, em decorrência dos juros e multas incidentes. Se descartada a renegociação, por ao menos cinco anos o devedor continuará com o banco batendo à porta do estabelecimento para cobrar a dívida. Cinco anos é o tempo que o Sistema de Informações de Crédito do Banco Central estabelece para reter a provisão (dinheiro para cobrir o risco) do empréstimo de difícil retorno ao banco credor. Passado esse período, o cálculo é despachado para a conta do prejuízo no balanço do banco, mas o devedor não escapará tão cedo dos registros de inadimplentes do sistema bancário nacional. O quadro acima não é um cenário meramente hipotético, se considerados os relatórios do Banco Central (BC) sobre a qualidade do crédito e a crescente inadimplência interna em razão da crise internacional. Em dezembro de 2008, o volume de provisões reservadas no Banco Central pelos bancos que operam no Brasil em decorrência de créditos de difícil retorno era de R$ 65,1 bilhões. Sozinha, a inadimplência (classificada assim só quando os atrasos são acima de 90 dias) respondia por R$ 39 bilhões. Em janeiro de 2009, os bancos precisaram aumentar a provisão para

R$ 67,8 bilhões, e a inadimplência subia para R$ 41,8 bilhões. No mês seguinte, fevereiro, a provisão voltou a subir - e significativamente - para R$ 79,2 bilhões. A inadimplência apurada era de R$ 42,4 bilhões. Nesses dados revelados pela Estatística Econômico-Financeira (Estfin), do BC, o volume da provisão é maior que o da inadimplência em razão dos níveis de atraso e consequente risco, estabelecidos pela Resolução 2.682, do Conselho Monetário Nacional, em vigor desde março de 2000. A resolução foi baixada para garantir credibilidade ao sistema financeiro. Ela estabeleceu critérios de classificação das operações de crédito e regras para a formação de provisões para empréstimos de liquidação duvidosa. A classificação vai de A a H, em uma ordem crescente de risco. O nível de risco A corresponde a atraso de 15 a 30 dias e exige do banco provisão de 0,5% do total emprestado. Risco nível D classifica atraso de até 90 dias e determina provisão de 10% do que foi emprestado. No final da tabela, o risco H registra atraso superior a 180 dias e exige reserva do banco de 100% do empréstimo (veja tabela completa na próxima página). A concentração dos atrasos registrados pelo último relatório do Estfin é mais forte que a concentração de empréstimos com atraso de 15 a 30 dias, portanto, do nível A. O relatório tem atualização mensal e alcança as carteiras de crédito de todos os bancos, públicos e privados. É baseado no comportamento do crédito toma-

do tanto por empresas, não importa o porte, como por pessoas físicas.

Período pré-crise Para analistas como o ex-diretor do BC Carlos de Freitas, os próximos índices de inadimplência devem recuar em relação aos apurados em janeiro e fevereiro. O economista diz que as estatísticas divulgadas refletem o período précrise (que explodiu em setembro, nos Estados Unidos), quando havia forte oferta de crédito pelos bancos no Brasil, o que levou empresas e pessoas a pegar dinheiro emprestado sem ter como pagar depois. A restrição do crédito após a eclosão da crise, para Freitas, tornou empresas e famílias mais cautelosas. A variação da inadimplência de janeiro para fevereiro apurada no relatório foi de 3,1% e das provisões, 16,9%. No trimestre (dezembro, janeiro e fevereiro), a inadimplência cresceu 15,1% e as provisões, 24,8%. Em um ano, o acumulado de atrasos de mais de 90 dias (inadimplência) aumentaram 8,4% e as provisões exigidas, 21,5%. Com base nesses dados, dirigentes da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) estão prevendo um crescimento próximo de zero na economia brasileira neste ano. Apontam 0,3%. No ano passado, a soma das riquezas produzidas pelo país cresceu 5% em relação a 2007. Mas o próprio setor privado admite que a situação do Brasil diante da crise é mais confortável: estagnação em um cenário em que a economia mundial sofrerá recessão. Ainda que tenha revisto os primeiros

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A estimativa do BC para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) agora é de 1,2%. No início do ano era de 3,2%. A revisão reflete reduções generalizadas na indústria, na agropecuária e no setor de serviços. O BC diz que não há como fazer previsões sobre o comportamento da economia internacional porque o cenário segue indefinido. Para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o BC estima taxa de 4%. A meta para o ano era de 4,5% e chegou-se a cogitar 4,7%.

Endividamento crescente O boletim regional do Banco Central divulgado em janeiro deste ano mostrou evolução positiva do endividamento das empresas no Sul no penúltimo mês do ano passado. Não há elementos para afirmar que elas foram em busca de capital de giro com a queda nas vendas internas e exportações em decorrência da crise mundial. O estoque das operações de crédito superiores a R$ 5 mil atingiu R$ 210,1 bilhões em novembro na

região e correspondeu a 19,4% do total de empréstimos tomados no País. Representaram 10,2% de elevação no trimestre pesquisado e 34,7% no período de 12 meses. As empresas dividiram um bolo de R$ 120,4 bilhões do total emprestado, 39,1% a mais do que o volume acumulado no ano anterior. Os bancos públicos - como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal - emprestaram bem mais

que os bancos privados. Especificamente para o Paraná, o crédito em novembro de 2008 somou R$ 77,9 bilhões, elevando em 10% o endividamento geral no Estado no trimestre, e em 37% em 12 meses. O Estado respondeu por 37,1% das operações fechadas na região. O setor empresarial tomou R$ 44,3 bilhões. O volume representou 45% de acréscimo nos contratos em 12 meses e 11,9% no trimestre avaliado. S

Resolução 2.682/99 (Classificação de Risco e Provisão) RISCO AA A B C D E F G H

PROVISÃO

PRAZOS em dia atraso até 15 dias atraso entre 15 e 30 dias atraso entre 31 e 60 dias atraso entre 61 e 90 dias atraso entre 91 e 120 dias atraso entre 121 e 150 dias atraso entre 151 e 180 dias atraso superior a 180 dias

0,50% 1,00% 3,00% 10,00% 30,00% 50,00% 70,00% 100,00%

No Sebrae/PR, orientação permanente A preocupação do Sebrae/PR com o endividamento do empresário de micro e pequena empresa e a possibilidade de ele não ter dinheiro para saldar sua dívida é permanente.

claramente, com planejamento, no que o dinheiro será aplicado, quanto será necessário, juros decorrentes, período de carência, plano de vendas do produto e pagamento da dívida.

A entidade conta com um quadro de consultores que pode ajudar o empresário a decidir se busca o empréstimo ou se é melhor desistir em razão do risco muito grande.

Se o empresário quiser, um consultor pode acompanhar de dentro da empresa, por um determinado período, o estudo de viabilidade econômica para tomada do empréstimo e a aplicação do dinheiro.

Cabe aos bancos a análise do cadastro da empresa e a definição das garantias para o empréstimo pleiteado. Mas antes de buscar o financiamento, os consultores aconselham o interessado a identificar

Não é papel do consultor apontar para o empresário o tipo de negócio em que ele deve investir, mas apresentar ferramentas para levá-lo a uma decisão correta da viabilidade do que idealizou produzir.

Tipos de crédito 1. Investimento ou investimento fixo: dinheiro para compra de máquinas e ou equipamentos e obras civis indispensáveis à implantação, à moderni- zação, ao funcionamento ou à ampliação da empresa; 2. 3.

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Capital de giro: dinheiro para mercadorias, reposição de estoques, des- pesas administrativas - água, luz, telefone - e folha de pagamento; Há bancos que financiam o investimento misto, que é o capital de giro associado ao investimento, com liberação simultânea.

A união que faz a diferença

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Redes e centrais de negócios crescem no Paraná e podem ser uma boa opção para micro e pequenas empresas Por Maria Duarte e Leandro Donatti

A criação de redes e centrais de negócios pode ser uma saída inteligente para as micro e pequenas empresas comprarem e venderem em melhores condições, ganharem escala e competirem em uma economia globalizada. Não faltam exemplos de iniciativas bem sucedidas no Paraná. As malharias de Imbituva, na região centro-sul do Paraná, deram os primeiros passos rumo ao associativismo há cerca de um ano, montaram uma central de negócios que está em pleno funcionamento e já colhem os primeiros frutos. Empresários do ramo de cosméticos de Curitiba e Região Metropolitana planejam colocar em operação ainda neste ano a primeira central de negócios exclusiva do setor, para compras e vendas em conjunto. E um grupo de micro e pequenas empresas de vestuário e confecções, no sudoeste do Paraná, decidiu unir esforços e trabalha atualmente na formatação de uma central de negócios que segue passo-a-passo uma metodologia de implantação desenvolvida pelo Sebrae Nacional.

tam a competitividade das micro e pequenas empresas participantes, com redução de custos e outras vantagens. Com as centrais de negócios, são possíveis, por exemplo, descontos em compras de insumos para uma pequena indústria que não seriam concedidos a cada comprador em separado, com encomendas menores.

As redes e centrais de negócios funcionam como soluções que aumentam a competitividade, com redução de custos

O consultor diz que as centrais de negócios também podem ser criadas para a compra ou venda serviços. “Ou ainda para contratar um agente para buscar oportunidades no mercado externo”, exemplifica. O Sebrae apoia a criação de centrais de negócios no Paraná e no Brasil. O Programa Central de Negócios é uma metodologia desenvolvida pela entidade, com o objetivo de estimular a cultura da cooperação, fortalecendo assim pequenos

“Por meio das centrais de negócios, é possível aumentar o volume de compras e a rentabilidade”, destaca o consultor do Sebrae/PR, Marcos Junitsi Uda. “É o próprio grupo que vai definir o melhor modelo de compra”, afirma. Foto: Hugo Harada/Agência La Imagen

números divulgados, as autoridades monetárias brasileiras garantem, porém, que haverá crescimento.

Centrais de negócios

As centrais de negócios funcionam como uma solução flexível ou modulável que, na prática, aumenO Sebrae/PR tem uma grade extensa de cursos sobre finanças e orientações de acesso ao crédito. Confira a programação no Sebrae/PR mais próximo ou pelo

0800 570 0800

Leandro Andrade, coordenador da Central de Negócios das Malharias em Imbituva

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No Brasil, o programa voltado às centrais de negócios foi lançado há três anos. No Paraná, há cerca de um ano. As ações visam a organização desses grupos, para que possam efetuar compras em conjunto, vendas em conjunto ou ambos, além da contratação de serviços especializados, realização de ações de marketing, entre outras vantagens, permitindo ganhos de escala e maior participação no mercado, aumentando assim a competitividade.

Relação de confiança A confiança é o primeiro item que deve ser trabalhado entre os empresários que estejam dispostos a criar uma central de negócios. “O grupo, para trabalhar junto, tem que ter uma relação de confiança. Sem isso, o trabalho não vai bem”, alerta Marcos Uda, do Sebrae/PR. Carla Werkhauser Brustulin, consultora do Sebrae/PR e gestora do Cosméticos do Paraná - Projeto Desenvolvimento do Setor, também destaca a necessidade de desenvolver relações de confiança entre o grupo antes de viabilizar uma central de negócios. No caso das empresas de cosméticos, 15 delas estão se unindo. A expectativa é que a central esteja implantada até o final deste ano ou início do ano que vem, segundo Carla Brustulin.

redução do frete, porque as compras são entregues juntas”, conta Andrade, 30 anos, também empresário do ramo de malharias na região. Atualmente, 25 empresas integram a central de compras em Imbituva. Andrade aponta ainda outra vantagem conquistada graças à central: a organização. “Se quisermos comprar botões por um bom preço, já sabemos onde procurar. Fica tudo catalogado”, diz ele.

O Paraná conta com 61 centrais de negócios, conforme estudo do Sebrae Nacional

Imbituva é uma pequena cidade de cerca de 30 mil habitantes, com uma economia apoiada na agricultura, madeira e vestuário. Os compradores da produção das malhas estão basicamente no Paraná, Santa Catarina e São Paulo. “Vendemos mais roupas de inverno. Portanto, nossas compras já começaram em janeiro, pela central”, conta.

Frete mais barato Para Leandro de Andrade, um dos coordenadores da Central de Negócios das Malharias em Imbituva, a iniciativa funciona graças ao apoio dos empresários envolvidos. A central está em atividade desde o primeiro semestre do ano passado. “Fazemos pesquisas de preço, compramos mais barato. Também conseguimos

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Crescimento vertiginoso nos últimos cinco anos

Jorge Carvalho de Oliveira Júnior, 37 anos, que administra a Princess Cosméticos, empresa paranaense com 25 anos de atuação, é um dos 15 empresários que está se organizando para viabilizar uma central de negócios reunindo os fabricantes de cosméticos de Curitiba e Região Metropolitana.

Nos últimos 15 anos, redes de micro e pequenas empresas e centrais de negócios começaram a ser implantadas no País. O crescimento delas foi vertiginoso nos últimos cinco anos. As redes e centrais estão presentes em todos os estados brasileiros e atuam em 77 segmentos produtivos. O Paraná conta atualmente com 61 centrais de negócios, ligadas ou não à metodologia do Sebrae, conforme estudo feito pelo Sebrae Nacional no ano passado. Muitas dessas centrais são formadas por supermercados, seguindo uma tendência nacional. De acordo com o estudo do Sebrae Nacional, existem hoje no Brasil pelo menos 841 redes e centrais de negócios. O maior percentual de centrais e redes de negócios está no segmento de supermercados (24%), seguido por multissegmentos (cooperativas de produtos e serviços, 12%); farmácias e materiais de construção (7%); artesanato (6%) e fruticultura (4%).

“Estamos na fase inicial”, aponta, acrescentando que o Paraná tornou-se um pólo de cosméticos, daí a necessidade de buscar sempre melhores preços e condições. Jorge Oliveira Júnior destaca a importância da representatividade. “Se compramos 10 mil unidades e passarmos a comprar, em conjunto, 100 mil unidades de um produto, poderemos conseguir preços muito melhores”, exemplifica.

Nova lei resolve impasse jurídico Uma lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo governo federal instituiu, no final do ano passado, uma personalidade jurídica inédita no ordenamento jurídico brasileiro: a Sociedade de Propósito Específico (SPE). Na prática, essa lei tem por objetivo resolver um impasse jurídico envolvendo as redes e centrais de negócios existentes no País.

Além disso, destaca Jorge Oliveira Júnior, a união pode ajudar os empresários do ramo a ter mais visibilidade em feiras e eventos nacionais e internacionais. “O Sebrae nos abriu portas”, resume, referindo-se ao programa. S

Apesar da relevância da atuação coletiva das micro e pequenas empresas, nunca houve no Brasil uma legislação que oficializasse a união de pequenas empresas com fins comerciais. “A SPE dará uma maior estabilidade e segurança aos grupos associativos, que passarão a ter uma existência legal autônoma”, explica o advogado Antonio Claudio Demeterco.

do Sebrae Nacional. Segundo Spínola, a formação de redes e centrais de negócios garante aos empresários de micro e pequenas empresas maior competitividade e poder de barganha. “Essa lei ajudará a aprimorar ainda mais as atividades associativas”, assinala.

A SPE só pode ser formada por empresas optantes do Simples Nacional e permite aos grupos associativos que realizem, conjuntamente, negócios nos mercados nacional e internacional. Compra, venda, distribuição de produtos e serviços, entre outras atividades, poderão ser realizados, com único Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e endereço.

Foto: Hugo Harada/Agência La Imagen

“Apesar de a metodologia desenvolvida pelo Sebrae ser a mesma, cada setor tem suas especificidades, que precisam ser levadas em conta”, ressalta a consultora. A central, em articulação, foi concebida para comprar e vender insumos, garantindo mais competitividade aos empresários do ramo. Os compradores dos produtos fabricados por essas empresas estão em São Paulo, além das regiões Nordeste e Sul.

Melhores condições

Fotos: Denis Ferreira Netto/Agência La Imagen

grupos de empreendedores ou empresários de um mesmo segmento de atuação.

Antonio Claudio Demeterco, advogado

“A SPE legaliza a atuação das micro e pequenas empresas que trabalham ou querem trabalhar associadas no mercado”, explica André Spínola, analista de Políticas Públicas

Andre Spínola,

analista de Políticas Públicas do Sebrae Nacional

Vantagens de uma central de negócios • Redução de custos

• Exportações em conjunto

• Contratação de serviços

• Criação de uma rede, com identidade própria

• Aumento do poder de negociação

• Acesso a informações

• Acesso à mídia/propaganda Fonte: Sebrae Nacional

Para saber mais sobre o assunto: Empresário na linha de produção

Site: www.sebrae.com.br, acessar o link Serviços; Livro: Centrais de Negócios - uma Revolução no Varejo e na Distribuição, de Marcos Gouvea de Souza.

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Parceria no campo

Salvação da lavoura Projeto entre o Paraná e a Itália cria cooperativas para melhorar a vida de produtores rurais

Segundo o consultor do Sebrae/PR e gestor do projeto Organização da Cadeia Produtiva de Hortifrutigranjeiros da Região Metropolitana de Curitiba, Paulo Tadeu Graciano, o objetivo do projeto é unir os agricultores da região em cooperativas para viabilizar economicamente a sua atividade, contribuindo para aprimorar o sistema de produção e comercialização, a fim de lhe assegurar mercado e renda. A escolha da região não foi aleatória, pois, com seus quase 4 milhões de habitantes, concentra quase dois terços da população do Paraná e, consequentemente, é o maior mercado consumidor do Estado. A primeira iniciativa desta natureza foi formalizada no dia 22 de abril, em Contenda, com a participação de pequenos agricultores, como resultado de um ano de trabalho, do planejamento, diagnósticos à execução. “Não há dúvida de que o produtor só vai sobreviver, ou seja, transformar a

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Novo horizonte

Para o superintendente adjunto do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa, o objetivo do projeto é organizar a cadeia de hortifrutigranjeiros da Região Metropolitana de Curitiba, por meio da profissionalização do agricultor, visando a melhoria da qualidade da produção e da renda, além de se buscar a regularidade do mercado, por meio das cooperativas. “Então, é um projeto voltado a todos os agricultores do setor na região. E isso irá resultar em maior qualidade do produto, pois o programa prevê assistência técnica em todas as fases da atividade, ou seja, desde a produção, na embalagem, logística e comercialização, o que deve resultar em remuneração justa ao agricultor.

O agricultor Marco Antonio Gonçalves diz que na região de Contenda, onde se destaca a produção de milho, feijão, soja e de hortaliças, há mais de 500 produtores rurais. A expectativa, no entanto, é iniciar a cooperativa com 30 agricultores. Segundo ele, o que predomina no município e arredores são as propriedades familiares, com módulo máximo de 24 hectares. E a questão que mais preocupa a atividade é a comercialização, porque todos acabam dependendo do atravessador para colocar a produção no mercado, o que compromete a margem de ganho.

Assim ele terá condições de fugir dos mercados tradicionais, que pagam mal e criam dificuldade para continuar investindo em qualidade e se manter na atividade”, analisa.

Em busca do fortalecimento da atividade, por meio de sua viabilidade econômica, o que passa pela conquista e ampliação de mercado e melhoria da renda, os agricultores se reuniram em torno da Sociedade Agrícola de Produtores Senhor Bom Jesus (Suacam), da qual Gonçalves é presidente, mas que não deu resultado satisfatório, pois as associações não podem comercializar a produ-

O cooperativismo fortalece os agricultores, valoriza a produção e permite a ampliação do mercado

Paulo Tadeu Graciano, consultor do Sebrae/PR agricultura em uma atividade rentável, se estiver preparado para isso, mas em uma cooperativa. É preciso, porém, prepará-los para a agregação de valor à matéria-prima, do plantio à comercialização, o que passa pela padronização da produção, embalagem e rastreabilidade, da forma como são exigidas pelo mercado”, diz. Graciano adianta que a intenção é constituir, em três anos, uma grande cooperativa na região, com quase 4 mil famílias, a partir de núcleos constituídos em cada município. “Isso permitirá levar solução de gestão, de produção e de mercado para todo o conjunto.” E lembra que o projeto desenvolvido em Contenda e que será levado para outros municípios – Colombo está reativando uma cooperativa em São José dos Pinhais, a iniciativa está em discussão – faz parte da parceria do Paraná com a Bologna, na Itália, onde as cooperativas de pequenos produtores estão em estágio adiantado, assim como na Alemanha e até na Argentina. “São experiências bem-sucedidas que mostram que é preciso transformar a

propriedade em uma empresa, para não ficar à mercê das oscilações do mercado e na mão do intermediário. Na situação atual, os agricultores familiares da região mal conseguem sobreviver com o resultado que conseguem da produção.” A coordenadora estadual do Agronegócio do Sebrae/PR, Andreia Claudino, diz que as cooperativas têm um grande diferencial competitivo, que é a facilidade e abertura para estabelecer parcerias com agroindústrias, antes de levar os produtos ao mercado, agregar valor a eles, qualificando-os por meio de tecnologias, melhorias nos processos de produção, rotulagem e embalagens, bem como certificação. “O Sebrae/PR, como agente de desenvolvimento, tem como um de seus papéis promover alianças estratégicas entre os setores primário, secundário e terciário. Assim, sem atravessadores, as cooperativas conseguem colocar diretamente na mão do consumidor final produtos certificados e corretos, seja do ponto de vista social ou ambiental”, afirma.

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

Profissionalizar o setor, tendo como foco a qualidade do produto, regularidade na oferta e, consequentemente, remuneração justa em um mercado garantido. Em linhas gerais, esse é o objetivo do projeto que visa organizar a cadeia produtiva de hortifrutigranjeiros na Região Metropolitana de Curitiba, que faz parte do programa de cooperação Paraná/Emilia-Romagna, na Itália, por meio de cooperativas de produtores, capitaneado pelo Sebrae/PR, em parceria com a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/PR), Secretaria do Abastecimento de Curitiba, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Estado do Paraná (SenarPR), Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa/PR) e o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

Por Sílvio Oricolli

Qualidade e renda

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Marco Antonio Gonçalves, agricultor

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Artigo

Segundo o assessor de planejamento da Prefeitura de Contenda, Otto Novaes Huren, metade dos 15 mil moradores do município mora na zona rural, daí a necessidade de fortalecer a atividade agrícola. “A cooperativa vai fortalecer os agricultores, valorizar a produção, com remuneração mais justa e permitir que ele amplie o mercado. Sem se unir, o agricultor continuará fragilizado, pois agindo coletivamente consegue baratear o custo de produção, pois terá força para negociar o preço dos insumos na hora da compra, e no momento em que for vender a produção, conseguirá preços melhores, porque não dependerá mais do intermediário”, explica. Huren diz ainda que já há dois anos Contenda vem se preparando para a criação da cooperativa, inclusive visando se adequar às normas de mercado. Por isso, há uma parceria da Prefeitura com o programa Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) do Banco do Brasil. “A parceria possilibitou, a partir de 2007, diagnosticar a situação e estabelecer o planejamento de como resolvê-la. Agora, partimos para a prática, com a montagem da cooperativa, com o apoio da Emater, Seab e Sebrae”, comenta.

Ademir Coutinho, produtor

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Fundada há dois anos com a inscrição de 23 produtores rurais e atualmente com mais de 200 associados, a Cooperativa da Agricultura Integrada de Cerro Azul (Copafi), tem trabalhado para incluir no sistema de comercialização os agricultores que estão fora do mercado, segundo o seu presidente, Ademir Coutinho. “Apesar de muito recente, a cooperativa já nos trouxe benefícios, como, por meio da organização dos agricultores, negociar com mercados maiores e participar de centros de comercialização até mesmo de outros estados”, informa. De acordo com ele, os benefícios desfrutados pelos agricultores acabam refletindo em toda a comunidade, seja na oferta de produtos de melhor qualidade, como na movimentação da economia local, com a circulação de mais dinheiro. Coutinho adiantou que, devido ao predomínio da pequena propriedade, há naturalmente diversificação de produtos agrícolas no município, com destaque para a tan-

gerina “ponkan” e a mandioca, mas as hortaliças e o feijão também têm sua importância na economia local, entre os mais de 40 itens produzidos pela agricultura local.

Portal de Operações e Cartão BNDES:

“O agricultor já entende que há outras formas de comercialização, além do atravessador. Aliás, uma grande parte deles acredita que a cooperativa é o melhor meio para isso, porque é um processo que o beneficia, ao lhe garantir preço melhor por aquilo que produz”, diz, ao esclarecer que a Copafi tem escritório na cidade para venda direta ao varejo e também fornecer insumos e ferramenta aos associados. “Além dos produtos tradicionais, vendemos vinhos, queijo colonial, frango caipira, ou seja, produtos diferenciados que garantem um preço maior ao produtor, o que possibilita ganhar mais com produção menor. Por exemplo, a venda do quilo do feijão orgânico, direto ao consumidor, deixa R$ 3,50 líquidos ao agricultor, enquanto, pelo atravessador, o máximo que conseguia era R$ 1,20. Além disso, mantém o preço o ano todo”, compara. S

uma solução para expandir o mercado e financiar os clientes das pequenas e médias empresas José Cezar Castanhar Dois dos maiores desafios das pequenas e médias empresas na fase mais crucial da sua existência, que é a de sua consolidação e crescimento, são oferecer crédito de forma competitiva para os clientes, e conquistar novos mercados, ampliando a sua base inicial de clientes, usualmente restrita à região onde a empresa se localiza. Esses desafios são difíceis porque exigem recursos significativos. Seja para investir em campanhas de marketing, para divulgar a empresa em novos mercados, seja para aumentar o capital de giro da empresa, para financiar novos clientes, em condições competitivas com os concorrentes. Como é sabido, entretanto, capital é o recurso mais escasso de uma pequena ou média empresa, muito mais ainda nos seus primeiros anos de existência.

A proposta é unir os produtores rurais da região em cooperativas para viabilizar economicamente a sua atividade

Uma das estratégias que as novas empresas utilizam para ampliar a sua base de clientes a um custo relativamente baixo é através do uso da tecnologia de informação, especialmente com a construção de websites, que se tornaram relativamente baratos e acessíveis com a contínua redução do custo de equipamentos e softwares e se revelam eficazes com a disseminação do acesso a computadores e internet e com o desenvolvimento de softwares de busca cada vez mais sofisticados e conhecidos. Assim, a construção de um website bem desenhado, aliado a uma capacidade de logística que permita atender aos consumidores de forma ágil e segura pode ser uma solução eficaz e relativamente barata para acessar novos mercados e ampliar a base de clientes. Esse instrumento não resolve, todavia, o problema de financiamento de clientes, especialmente para o caso de empresas cujos clientes são também outras empresas, ou seja, onde a venda é de empresa para empresas, ou B2B no “jargão” da área de tecnologia de informação. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desen-

volveu um serviço que compreende simultaneamente uma plataforma de tecnologia para venda de produtos e serviços de pequenas e médias empresas nacionais e um mecanismo de financiamento para os compradores. Trata-se do Portal de Operações que opera em conjunto e integrado com o Cartão BNDES. O Portal de Operações nada mais é que um site na internet no qual empresas previamente cadastradas anunciam seus produtos e o Cartão BNDES é o cartão de crédito utilizado como mecanismo exclusivo de pagamento das compras efetuadas no site. Através do sistema Portal de Operações/Cartão BNDES as empresas cadastradas como fornecedoras do Portal obtêm então, simultaneamente, uma plataforma tecnológica para oferecer seus produtos a uma clientela em bases nacionais e um mecanismo de financiamento para seus clientes a custos bastante atrativos.

BNDES, já que apenas os portadores do Cartão podem participar do Portal. O vendedor recebe das operadoras do cartão o valor de suas compras à vista, pagando uma comissão de no máximo 3%, enquanto os clientes têm sua compra financiada pelo Cartão, pelo prazo que desejarem, dentro das regras e limites estabelecidos. A terceira modalidade de participação, que também pode ser interessante para novos empreendedores, é como representante comercial de empresas fornecedoras do Portal. Com frequência e quase sempre com razão os empreendedores reclamam da falta de apoio do governo e de acesso a fontes de capital no mercado financeiro para financiar seus planos. O mecanismo Portal de Operações/ Cartão BNDES parece ser uma solução simples e eficaz para enfrentar os dois desafios das pequenas e médias empresas: ampliar seu mercado e financiar seus clientes. Em negócios, como em muitas outras coisas da vida, soluções simples podem ser as mais eficazes e as soluções podem estar tão à vista que temos dificuldades em reconhecê-las. Neste caso, dedicar uma hora para conhecer o Portal pode ser um ótimo investimento. S

Uma empresa pode participar do sistema de três maneiras. A mais simples é como compradora, utilizando exclusivamente o Cartão BNDES que nada mais é que uma linha de crédito rotativo, com um limite que pode chegar até R$ 500 mil em cada um dos três bancos atualmente associados ao programa (Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica), sujeito naturalmente à aprovação de limites de crédito. As compras podem ser financiadas em até 48 meses, com uma taxa de juros que está fixada atualmente em 1% ao mês. A variedade e quantidade de itens disponíveis são significativas, chegando a cerca de 100 mil produtos anunciados, em 54 categorias diferentes. A segunda maneira, e, talvez, a mais interessante para novas empresas, é como fornecedora do Portal. Uma vez cadastrada, a empresa pode passar a anunciar seus produtos no Portal e as vendas podem ocorrer de forma direta (por iniciativa dos clientes) ou indireta (por iniciativa do fornecedor). Todas as compras são pagas pelo Cartão

Foto: Divulgação

Gonçalves, que cultiva feijão, milho e soja, no sistema de rotação de cultura, nos quase 10 hectares da Chácara Nossa Senhora de Fátima, disse que a criação da cooperativa em Contenda abre um horizonte quanto à comercialização da produção dos pequenos agricultores. “O pessoal sabe plantar, mas na hora de vender acaba ficando na mão do atravessador e, com isso, o preço cai muito. Mas com a cooperativa, a expectativa é que a situação melhore barbaridade, porque o Sebrae está trazendo a experiência da Itália para implantar no município”, lembra o agricultor, que foi escolhido para ser o primeiro presidente da cooperativa do gênero no município.

Colhendo resultados

Foto: Luiz Costa/Agência La Imagen

ção dos seus integrantes. Por causa disso, dos 86 associados que a entidade já teve, apenas 20 permanecem ativos.

José Cezar Castanhar

é engenheiro civil, doutor em Gestão e professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

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Sebrae/PR

Entrevista Tendência Comportamento Mercado Feiras e Eventos Capacitação Serviço Associativismo Giro pelo Paraná

Mulheres de negócios

É de Peabiru, noroeste do Paraná, a vencedora nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na categoria “Micro e Pequena Empresa”. Maria José do Nascimento foi premiada em abril, durante cerimônia em Brasília, por ter transformado a pequena empresa familiar KL Reymann, criada em 1995, em uma fábrica com 82 empregados e 180 clientes em todo o Brasil. Maria José dividiu as atenções do Prêmio com a paraibana Maysa Motta Gadelha, a vencedora nacional na categoria “Grupo de Produção Formal”. As duas concorreram com mais de 2,6 mil empresárias de todo o Brasil. O

MPE Brasil Duas empresas do Paraná ficaram entre as vencedoras nacionais do MPE Brasil - Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas, uma realização do Sebrae Nacional, Grupo Gerdau, Movimento Brasil Competitivo, Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) e Petrobras. A FBITS Desenvolvimento de Software venceu na categoria “serviço em tecnologia da informação” e a Vininha Fast Food na categoria “comércio”. A premiação foi durante o VI Reconhecimento e Premiação Nacional às Micro e Pequenas Empresas, em Brasília. O Prêmio MPE Brasil, que se chamava Prêmio Sucesso Empresarial no Paraná até 2008, quando foi nacionalizado, trabalha a capacidade de gestão e o grau de com-

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petitividade das micro e pequenas empresas, com base nos critérios de excelência da Fundação Prêmio Nacional da Qualidade (FPNQ): liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informação e conhecimento, pessoas, processos e resultados. Na edição 2008, registrou 53 mil inscrições no Brasil, mais de 2 mil no Paraná. Cerca de 130 micro e pequenas empresas do País, vencedoras do Prêmio nos estados, disputaram a etapa nacional. Quarenta chegaram à final e nove foram apontadas como vencedoras nacionais, em nove categorias. O Paraná ficou com 25% do total das finalistas do MPE Brasil. Das 40 finalistas, nove eram micro e pequenas empresas do Estado.

Fotos: Wilson Vieira/Videographic

Maria José, vencedora nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios

Prêmio Sebrae Mulher de Negócios é uma parceria do Sebrae Nacional, Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil (BPW), Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), do Governo Federal, e Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), com o objetivo de estimular e valorizar o empreendedorismo feminino em todo o Brasil. No Paraná, o Sebrae/PR trabalha em parceria com a BPW estadual. Nesta quinta edição, houve um recorde de inscrições no Estado. Cerca de 400 empreendedoras paranaenses inscreveram suas histórias, nas duas categorias. Maria José e Maysa disputaram o prêmio com mais 17 finalistas das regiões norte, nordeste, sudeste, centro-oeste e sul do País. “É gratificante ganhar um prêmio como esse. Esforceime muito para chegar até aqui, fiz um longo trabalho e sei que ainda tenho muito a fazer. Dedico este prêmio a todos que caminharam comigo nesta jornada”, disse Maria, logo após receber o troféu.

a emissão de carbono, gerado durante a realização da Feira do Empreendedor, que reuniu mais de 17 mil pessoas, de 11 a 17 de agosto de 2008, na cidade. As mudas de espécies nativas foram plantadas na Fazenda Refúgio, num trecho próximo a nascentes. As árvores serão monitoradas durante os próximos cinco anos, parte do projeto “Na Pegada do Parque”, da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) e que tem por objetivo criar um corredor ecológico do Parque Arthur Thomas ao Rio Tibagi. A quantidade de árvores foi considerada suficiente, de acordo com o relatório de gestão ambiental elaborado por técnicos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e que serviu de base para o plano de manejo. O Sebrae/PR quis, com o plantio, chamar a atenção dos empreendedores, empresários e sociedade sobre a necessidade de formação de uma consciência que leve em conta a compensação de eventuais danos causados ao meio ambiente.

Amora-brava, Aroeira-salsa, Camboatá, Canelinha-preta, Cedrinho, Imbuia,Ipêamarelo, Ipê-branco, Mutambo, Pau-jacaré, Pessegueiro, Pitanga, Pitanga-roxa, Saboneteiro, Sapuvinha e Xixá são algumas das espécies que foram plantadas, na Fazenda Refúgio

Plantio de árvores compensa carbono O Sebrae/PR iniciou em março o plantio de 500 mudas de árvores em Londrina, solução encontrada pela entidade para preservar o meio ambiente e compensar

Plantio de árvores em Londrina

Gerador bioflex O Sebrae é a primeira instituição público-privada do Paraná a contar com uma fonte de energia alternativa. Após licitação, a entidade instalou em março um grupo gerador Maguigeral, fabricado pela Battistella Distribuidora, Unidade de Energia Auxiliar da Battistella Holding. O Sebrae/PR optou por ter o seu próprio sistema de geração de energia em Curitiba, para garantir a proteção de dados e o funcionamento regular do sistema de informática que interliga a entidade em todo o Estado. O equipamento é moderno, possui catalisadores e filtros que

neutralizam poluentes e, quando utilizando biodiesel B100, não emite a fumaça e o cheiro característico dos motores diesel comuns. O sistema possibilita a transmissão de energia, em caso de blackout, para suprir a necessidade e, consequentemente, não suspender as atividades, evitando imprevistos e gastos extras. Outra vantagem é a questão ambiental. O equipamento B100 atende aos padrões e normas ambientais da ANP - Agência Nacional de Petróleo. O biodiesel é um produto limpo, com menor teor de enxofre e fuligem.

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Fotos: Denis Ferreira Netto/Agência La Imagen Credenciados do Sebrae/PR lotaram seminário em Curitiba.

Credenciados participam de seminários A Unidade de Gestão de Pessoas (UGP) do Sebrae/PR realizou, em março e abril, seminários de alinhamento para os credenciados da entidade. Os encontros aconteceram em Curitiba, Cascavel, Pato Branco, Londrina e Maringá, com os objetivos de estreitar o relacionamento entre credenciados e colaboradores e discutir temas como missão, visão, estratégias, prioridades, resultados esperados e projetos do Sebrae/PR para 2009. Nos semi-

nários, os credenciados acompanharam palestras e apresentações sobre o alinhamento estratégico, operacional e tático da entidade. Bem como participaram de reuniões com consultores do Sebrae/PR, uma estratégia para promover um intercâmbio de informação e conhecimento. O Sebrae/PR lançou ainda o BIS – Boletim Informativo do Sebrae/PR, trimestral e com informações úteis aos credenciados.

Entidades querem transformar Paraná em região de inovação Representantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Sebrae/PR, Fiep, Agência de Desenvolvimento de Curitiba, Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Movimento Pró-Paraná reuniram-se em Curitiba, em abril, para discutir um projeto que tem como objetivo unir universidades, instituições e usuários em prol do desenvolvimento do Estado. A ideia do grupo é transformar o Paraná numa região de inovação, sustentada por uma rede permanente de integração entre universidades e instituições. A proposta é coordenada pela UFPR, em nome da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, ou OECD em inglês). A organização internacional realiza rodadas de discussões e apoia projetos de inovação semelhantes em 15 regiões de 11 países. Quatro deles — Brasil, Chile, Israel e Malásia — não são membros da OCDE. No Brasil, além do Paraná, a OCDE apoia projeto semelhante na Grande Campinas, em São Paulo.

Parceria qualifica produtores rurais Representantes do Sebrae/PR, Senar/PR, Senac/PR e Prefeitura de Curitiba firmaram em fevereiro um termo de cooperação que marcou o início de funcionamento de uma sala de atendimento empresarial para feirantes, donos de sacolões, produtores rurais da Região Metropolitana e comerciantes do Mercado Municipal de Curitiba. A assinatura do termo de cooperação foi durante a inauguração do Mercado de Orgânicos de Curitiba, o primeiro mercado público do gênero no Brasil. A Sala de Formação Profissional Integrada Senar, Sebrae e Senac funciona todos os dias, nos horários de atendimento do Mercado Municipal, com funcionário fixo e tem como objetivo auxiliar os produtores, feirantes e lojistas que vivem da agroindústria familiar na Grande Curitiba. A Sala de Formação também tem programações de palestras e consultorias especializadas. Em março, realizou-se o primeiro ciclo de palestras e cursos, com programação

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gratuita. Além de espaços para treinamentos, a Sala de Formação conta ainda com uma moderna cozinha industrial, montada especialmente para cursos.

Programa de rádio ensina ino v aç ão Os empresários de micro e pequenas empresas não podem perder essa oportunidade. O Sebrae Nacional vai veicular nas principais rádios do País, de maio a outubro deste ano, programas educativos sobre inovação. Ao todo, são 120 programas com três minutos de duração em média, que apresentarão aos ouvintes os benefícios da inovação quando aplicada em produtos e serviços, processos produtivos, gestão, logística, distribuição e marketing. Abordarão, também, casos de empreendedores que foram atendidos pelos serviços existentes e obtiveram êxito, bem como indicarão o caminho das pedras para se conseguir recursos para aplicar em inovação e tecnologia. Além do

Da esq. para a dir.: Vitor Roberto Tioqueta, diretor de Gestão e Produção do Sebrae/PR; Ronei Volpi, diretor regional do Senar/PR; Allan Marcelo de Campos Costa, diretor-superintendente do Sebrae/PR; e Vitor Monastier, diretor regional do Senac/PR

rádio, o programa vai interagir com o público por meio da internet e do telefone. No Paraná, mais de 50 rádios vão veicular os programas.

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Fórum regional das pequenas empresas reúne-se em Curitiba

MBA do Varejo As inscrições para o MBA em Gestão do Varejo, uma realização do Sebrae/PR e o Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), foram um sucesso. Já começaram as aulas da primeira turma, com 42 empresários e especialistas do comércio varejista paranaense. O programa do MBA tem duração de 18 meses e as aulas são ministradas na sede do Sebrae/PR, em Curitiba. Os professores da FGV João Baptista de Paula Vilhena Soares e José Luiz Meinberg coordenam o MBA. Vilhena é vice-presidente e sócio do Instituto MVC - Educação Corporativa. Meinberg, especialista em Administração (Planejamento Estratégico) pela Columbia University. O MBA em Gestão do Varejo foi formatado especialmente para empresários e gerentes de pequenas empresas varejistas do Paraná, com o objetivo de contribuir na formação e capacitação do setor.

Curitiba ganha Paço revitalizado O prédio que abrigou a primeira sede própria da Prefeitura de Curitiba reabriu as portas ao público, totalmente revitalizado. No dia em que a capital do Paraná completou 316 anos, 29 de março, o Paço foi inaugurado durante cerimônia que reuniu autoridades, lideranças empresariais e políticas, representantes de entidades e empresários. O projeto de restauração é fruto de uma parceria firmada há dois anos entre a Federação do Comércio

(Fecomércio) e a Prefeitura de Curitiba para abrigar no novo espaço um centro de cultura, educação e lazer. O Sebrae/PR também apoia o projeto e desenvolve ações com o objetivo de revitalizar e fortalecer o comércio na região, uma das mais antigas da Capital. Dentre as ações, oferece aos comerciantes da região o VarejoMAIS – Mais Vendas, Mais Competitividade, um programa realizado em conjunto com a Fecomércio.

O Fórum Regional Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Estado do Paraná realizou em abril reunião técnica em Curitiba. O encontro, com duração de dois dias, foi na sede do Sebrae/PR. Em pauta, temas relacionados ao desenvolvimento do Estado a partir das micro e pequenas empresas. Foi a primeira vez que os integrantes do Fórum Regional Permanente se reuniram. O Fórum Regional Permanente foi instituído no Paraná em 2008, por sugestão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para discutir políticas em apoio às micro e pequenas empresas. No Paraná, o Fórum Regional Permanente é presidido pelo secretário de Estado da Indústria, do Comércio e Assuntos do Mercosul, Virgílio

Paraná-Uruguai: potencial turístico e de negócios O presidente da Pluna Lineas Aereas Uruguayas, Matias Campiani, desembarcou em Curitiba, no dia 8 de maio, para falar sobre o potencial turístico e de negócios entre o Paraná e o Uruguai. A convite do presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, Jefferson Nogaroli, Campiani deu uma palestra no Sebrae, na Capital. Campiani falou sobre a estratégia da companhia aérea, sua frota, novos destinos e um balanço do trabalho desenvolvido no Paraná. Desde junho de 2008, a Pluna passou a oferecer voos Curitiba-Montevidéu, Curitiba-Buenos Aires e Curitiba-Santiago do Chi-

Foto: Divulgação/Prefeitura de Curitiba

Moreira Filho. A diretora geral da Secretaria de Estado da Indústria, do Comércio e Assuntos do Mercosul (SEIM), Vera Lucia Lelis Oliveira Calil, preside a Secretaria Executiva. O Sebrae/PR participa da Secretaria Técnica do Fórum Regional Permanente. O coordenador de Políticas Públicas do Sebrae/PR, Cesar Rissete; o coordenador de Desenvolvimento Industrial da SEIM, Otávio Batista da Silva; e a diretora geral da SEIM, Vera Calil, respondem pela Secretaria. O Fórum Regional Permanente mantém seis câmaras temáticas: Racionalização Legal e Burocrática; Investimento e Financiamento; Formação e Capacitação Empreendedora; Tecnologia e Inovação; Comércio Exterior e Integração Internacional e Informação.

le. Durante esse quase um ano em operação, a companhia aérea uruguaia transportou aproximadamente 10 mil passageiros, a partir de Curitiba. A Pluna é a única companhia estrangeira que opera em Curitiba. Para Campiani, há um potencial turístico e de negócios a ser explorado, já que o aproveitamento médio dos voos oferecidos está em 70%. “Foi com base nesse nicho que a Pluna decidiu investir no Paraná e oferecer voos quatros vezes por semana (segundas, quartas, sextas e domingos) de Curitiba para Montevidéu, Buenos Aires e Santiago do Chile”, avaliou Campiani.

Paraná no comando da ABASE O diretor-superintendente do Sebrae/PR, Allan Marcelo de Campos Costa, foi eleito vice-presidente da ABASE - Associação Brasileira dos Sebrae Estaduais. A eleição foi no final de março, em Brasília. A ABASE é a entidade que representa politicamente todos os Sebrae estaduais junto ao Sebrae Nacional. Allan Marcelo de Campos Costa atuará como vice de

Zeca Mello, diretor-superintendente do Sebrae do Rio Grande do Norte, eleito presidente, para mandato de dois anos. A participação de um paranaense no comando da ABASE fortalece o trabalho desenvolvido pelo Sebrae/PR e amplia a influência do Estado na execução de programas e projetos de apoio às micro e pequenas empresas.

Paço vira atração turística

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Artigo

O começo do fim Allan Marcelo de Campos Costa

Recentemente, duas sondagens realizadas pelo Sebrae Nacional e pelo Sebrae/PR junto aos empresários de micro e pequenas empresas no Paraná e no Brasil mostraram resultados animadores. Fazendo uma média entre as duas pesquisas: mais de 50% dos empresários entrevistados esperam vender e faturar mais em 2009; 60% manterão os funcionários e 30% afirmam ter a intenção de aumentar as contratações com carteira assinada; 60% acreditam que haverá aumento do número de clientes e 50% devem aumentar o investimento no próprio negócio. Impossível negar que estes índices apontam na direção da superação da terrível crise psicológica que se abateu sobre não apenas o setor produtivo, mas sobre a população de maneira geral. Mas afinal, o que é a tal crise psicológica? É simples! É a antecipação da crise propriamente dita baseada em pressuposições exageradas e que contribui de forma direta para a concretização da crise anunciada. É a imobilização do setor produtivo antevendo as dificuldades que estão se avizinhando. É a paralisação pelo medo. E, em larga escala, isso foi exatamente o que se percebeu nos primeiros momentos da crise. É como a fábula do vendedor de cachorro-quente que manda o filho estudar na melhor universidade com os recursos gerados pelo seu pequeno negócio que, diga-se de passagem, sustentam toda a família há décadas. Na volta, o filho estudado traz notícias de uma terrível crise que se aproxima e orienta o pai para deixar de “inventar moda”, para reduzir o número de molhos e temperos, para cortar custos, para preparar-se para a crise. E então, pela primeira vez em décadas,

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o pobre vendedor de cachorro-quente que já houvera enfrentado dezenas de outros momentos difíceis de forma incólume, segue os conselhos do filho formado, e, ato contínuo, efetivamente perde clientes, perde faturamento e quase tem que desistir do negócio. Culpa da crise, é claro... Agora, passado o pior momento, a sociedade em geral e os empresários de micro e pequenas empresas já estão percebendo que talvez o quadro não seja tão devastador quanto se imaginou. Já estão deixando de lado o terror imposto pelo noticiário e percebendo que muito melhor do que pensar na crise é trabalhar!

é exatamente nos momentos de “crise” que se percebem as grandes oportunidades

Como toda crise, esta também nos deixará lições importantes. Os meios de comunicação vivem e sempre viverão de vender notícias, este é o seu papel. E evidentemente, a manchete “Brasil deverá ter crescimento próximo a zero em 2009” desperta muito mais atenção do que outra que informe que “Embora o crescimento da economia seja afetado, o País no mínimo repetirá o excelente ano que foi 2008”. É preciso adotar uma postura mais crítica quanto ao que ouvimos, lemos e assistimos. É preciso, sempre, entender o que está por trás e filtrar do noticiário a “real realidade”. Desde o início da crise, o Sebrae tem procurado reforçar a ideia de que muito mais inteligente do que falar em crise – porque quem o faz apenas ajuda a reforçar a própria crise – é aproveitar o momento de retração para trabalhar e se preparar para o momento de expansão que se seguirá. Porque sempre foi e sempre será assim. As crises vêm, as crises vão. E é exatamente nos momentos de “crise” que se percebem as grandes oportunidades, que são gerados os grandes avanços. Desta vez, não será diferente. Mas para isso, o passo em curso, de superação da tal “crise psicológica” é o primeiro e mais importante. Até porque esta é a crise mais fácil de ser superada. Superá-la não depende de pacotes econômicos mirabolantes, tampouco da retomada das importações na China e nos Estados Unidos. Superá-la depende única e exclusivamente da nossa mudança de mentalidade e percepção. Em última análise, superar a “crise psicológica” só depende de nós! S

Foto: Mauro Frasson/Arquivo Sebrae/PR

Nos últimos dias, vários veículos de comunicação têm apresentado sinalizações alentadoras relacionadas à crise na economia mundial. Os indicadores da produção começam a mostrar sinais de melhora, as bolsas de valores ao redor do mundo parecem estar saindo do fundo do poço, certo otimismo começa a ser percebido na maioria dos mercados. Porém, mais importante do que todos estes indicadores, é a superação efetiva da pior das crises: a crise psicológica!

Allan Marcelo de Campos Costa é diretor-superintendente do Sebrae/PR. Mestre em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e Mestre pela Universidade de Lancaster, Inglaterra, tem MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC Business School, é pós-graduado em Desenvolvimento Gerencial pela FAE/CDE e cursou o Programa de Desenvolvimento de Dirigentes Empresariais do INSEAD, França. Co-autor do livro “Electronic Business in Developing Countries”, possui artigos publicados no Brasil e no exterior, em países como Chile, África do Sul, Reino Unido, Holanda, Hungria e Eslovênia.

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“Crise psicológica começa a diminuir”, diz superintendente do Sebrae/PR

Revista trimestral

nº5

Ano2 Mai/09

A revista da pequena empresa no Paraná

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7 ações estratégicas para o EMPREENDEDORISMO Programas e projetos do Sebrae/PR, para fortalecer as micro e pequenas empresas

De olho nas oportunidades

Salvação da lavoura

Empresários buscam alternativas para seus negócios

Parceria com a Emilia-Romagna une produtores rurais

www.sebraepr.com.br

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Tendência

Comportamento

Mercado

Feiras e Eventos

Capacitação

Serviço

Associativismo

Giro pelo Paraná 77


Revista Soluções - Edição 5