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Conselho Deliberativo

Conselho Fiscal

O Conselho Deliberativo do Sebrae/PR é formado por representantes de segmentos do setor produtivo, de instituições de ensino, tecnologia e crédito e poder público. Funciona como uma assembleia geral e soberana, que representa a tomada de decisões de forma democrática e compartilhada. Ao todo, são 13 entidades que têm assento no Conselho Deliberativo do Sebrae/PR.

João Luiz Rodrigues Biscaia – Faep

EDITORIAL

Presidente do Conselho Fiscal

Dalton Celeste Rasêra – Faep suplente

Alberto Franco Samways – Fecomércio titular

Edson Campagnolo

Edson Luiz Guariza – Fecomércio

Presidente do Conselho Deliberativo

suplente

Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio)

Gerson José Lauermann – Ocepar

Caixa Econômica Federal

Darci Piana - titular Ari Faria Bittencourt - suplente

suplente

Fabio Carnelós - titular Enilson Araújo - suplente

Fomento Paraná

Banco do Brasil Edson Pascoal Cardozo - titular Joares Angelo Scisleski - suplente

Centro de Integração de Tecnologia do Paraná (Citpar) Luiz Carlos Baeta Vieira - titular Rubens Maluf Dabul - suplente

Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Ágide Meneguette - titular Carlos Augusto C. Albuquerque – suplente

Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap) Rainer Zielasko - titular Guido Bresolin Junior - suplente

Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Fampepar) Ercílio Santinoni - titular Jonas Bertão - suplente

Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) Edson Campagnolo - titular Evaldo Kosters - suplente

titular

João Gogola Neto – Ocepar

Juraci Barbosa Sobrinho - titular Heraldo Alves das Neves - suplente

Sebrae Nacional Elizabeth Soares de Holanda - titular Joana Bona Pereira - suplente

Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral Silvio Magalhães Barros - titular Mário José Dória da Fonseca - suplente

Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar)

OS PEQUENOS NEGÓCIOS E A SUSTENTABILIDADE

Diretoria Executiva Vitor Roberto Tioqueta Diretor Superintendente

JULIO CEZAR AGOSTINI, VITOR ROBERTO TIOQUETA E JOSÉ GAVA NETO, DIRETORIA EXECUTIVA DO SEBRAE/PR

Julio Cezar Agostini Diretor de Operações

José Gava Neto

EDSON CAMPAGNOLO PRESIDENTE DO CONSELHO DELIBERATIVO DO SEBRAE/PR

Diretor de Administração e Finanças

O empreendedorismo mudou e as entidades de apoio empresarial precisam se atualizar para acompanhar de perto esse dinamismo que só tende a se acentuar daqui para frente. Com esse desafio, há um ano e meio, o Sebrae/PR elegeu o tema startups como linha estratégica a ser trabalhada no Estado.

João Paulo Koslovski - titular José Roberto Ricken - suplente

Universidade Federal do Paraná (UFPR) Zaki Akel Sobrinho - titular Joel Souza e Silva - suplente

Expediente Coordenação Fabíola Negrão Gerente de Marketing e Comunicação Edição/Jornalista Responsável Leandro Donatti Registro Profissional – 2874/11/57-PR Fabíola Ono Dambrós Consultora especialista em Marketing Textos: Adriano Oltramari, Aldy Coelho, Bruna Komarchesqui, Camila Cabau, Giovana Chiquim, Juliana Dotto e Patrícia Biazetto. Fotos: Aron Mello, Helen Marques, Luis Felipe Miretzki, Rafael Moreschi, Foto Zanella e Rodrigo Czekalski. Impressão: Speedgraf Gráfica e Editora Ltda. Design Gráfico e Diagramação: Ingrupo//chp Propaganda

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SEBRAE/PR, CONECTADO AOS NOVOS TEMPOS

Desde então, iniciativas de estímulo a modelos inovadores de negócios, com alto impacto, vêm sendo disseminadas. E o balanço é positivo. Mostra que estamos no caminho certo e que apostar no novo, munido de informação, é um serviço para o fortalecimento do empreendedorismo e dos pequenos negócios. Com um estudo inédito, uma das reportagens desta Revista Soluções, o Sebrae/PR mergulhou no universo das startups, até pouco tempo desconhecidas no País. E descobriu que, além de empreendedores ousados, que se valem de plataformas para ganhar escala, o Paraná é terreno fértil para startups. O ecossistema paranaense registra iniciativas em todo o Estado, reforçando a sua vocação. Ideias nascidas aqui têm ultrapassado fronteiras e já se pensa, para os próximos meses, um grande evento do Sebrae/PR, com o apoio de parceiros do setor produtivo, para marcar o movimento startup do Paraná.

A ‘semente’ está lançada. Que as startups gerem empregos e novos negócios!

A sustentabilidade nos pequenos negócios passa também pela geração e pelo uso racional de fontes de energia alternativas. Uma tendência cada vez mais urgente frente à escassez de recursos. Lição já absorvida por empreendedores envolvidos em projetos do Sebrae/PR com foco no tema. Investir em energias alternativas é, sem dúvida, uma saída para manterem-se competitivos. A produção e consumo local de energias, aliada à medição inteligente, em tempo real, é a base do smart grid, um modelo aplicável aos pequenos negócios. O conceito de redes inteligentes em questão é bastante atual e defende, entre outras medidas, uma descentralização da produção de energia, com cada consumidor podendo produzir e armazenar ou vender o excedente. Conheça nesta edição um pouco mais desse trabalho pioneiro, contribuição para a sobrevivência do planeta e também, sob o ponto de vista corporativo, dos pequenos negócios. Ao contratar a consultoria de Claudio Lima, um dos mais reconhecidos especialistas mundiais do assunto, para a execução de propostas de sustentabilidade e eficiência energética, o Sebrae/PR olha para o futuro. O objetivo é transformar o potencial que nossos territórios detêm em fato. Para isso, a entidade defende uma agenda pública, que aponte o que os municípios podem fazer nesse sentido, e ainda uma agenda privada, para preparar os empreendedores para mais essa mudança de patamar. Boa leitura.

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ÍNDICE O ‘MAPA’ DAS STARTUPS

COMPORTAMENTO

LIDERANÇA

A ‘ARTE’ DE LIDERAR

CAPA

DA CRISE À OPORTUNIDADE Em tempos de turbulência, investir em capacitação, gestão, inovação, certificação e internacionalização é sempre um bom negócio

Levantamento aponta caminhos para fortalecer empresas inovadoras

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As mudanças conjunturais, em âmbito social e econômico, as relações humanas e o mundo em processo dinâmico de transformações exigem líderes mais capazes de compreender, motivar e conduzir o seu ambiente

MERCADO

ENTREVISTA ARTIGO

LIÇÃO EMPREENDEDORA

Adolescente de 14 anos administra empresa de sucesso e ensina como o empreendedorismo pode ser uma alternativa viável para o desenvolvimento econômico e social do Brasil

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EMPREENDEDORISMO

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TENDÊNCIA

EMPRESAS DE OLHO NO FUTURO

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DESENVOLVIMENTO LOCAL NA PRÁTICA

NEGÓCIOS SOCIAIS, LUCRO COLETIVO

CAPACITAÇÃO

VITOR ROBERTO TIOQUETA

...micro e pequenas empresas mantiveram empregos...

REGISTRO DE PROCEDÊNCIA É DIFERENCIAL COMPETITIVO

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EM ALTA

A FORÇA DO TURISMO DE NEGÓCIOS E EVENTOS EMPREENDER

EMPREENDER FICOU MAIS FÁCIL

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

ENTREVISTA

DAVI BRAGA

TODOS OS GRANDES EMPRESÁRIOS BRASILEIROS, E DO MUNDO, JÁ FRACASSARAM UMA VEZ, MAS A DIFERENÇA É QUE ELES NÃO DESISTIRAM, SEGUIRAM EM FRENTE

LIÇÃO

EMPREENDEDORA

Adolescente de 14 anos administra empresa de sucesso e ensina como o empreendedorismo pode ser uma alternativa viável para o desenvolvimento econômico e social do Brasil Por Camila Cabau

Em maio deste ano, Davi Braga participou em Maringá, no noroeste do Paraná, do lançamento do Trilha Startup, um conjunto de ações criadas pelo Sebrae/PR para consolidar projetos de startups, favorecer o amadurecimento de negócios que compõem o segmento e garantir que os empreendimentos estejam de fato prontos para encarar os desafios do mercado. Na ocasião, em entrevista à Revista Soluções, ele contou um pouco da sua história como empresário, um estímulo para empreendedores de todas as idades e ‘lição de casa’ aqueles que estão com dúvidas na hora empreender.

Revista Soluções - Quando o empreendedorismo surgiu na sua vida?

Fotos: Jhon Goulart

Davi Braga - Acredito que eu já nasci

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empreendedor, a minha família é empreendedora. Acho que passei a atuar como empreendedor no momento em que eu percebi que poderia ganhar o meu próprio dinheiro, vendendo cupcake no colégio. Minha irmã fabricava os cupcakes, na cozinha de casa, e eu era o

responsável pelas vendas. Foi aí que eu percebi que estava na hora de colocar em prática o meu perfil empreendedor.

Revista Soluções - Os seus pais o

ajudaram nesse processo? Estimularam o seu olhar para o empreendedorismo?

Davi Braga - Meu pai é empreende-

dor, já teve várias startups e é inclusive investidor-anjo. A minha mãe possui uma livraria e papelaria. Meu irmão mais velho tem uma empresa que vende ingressos para shows em Maceió. Enfim, venho de uma família empreendedora por natureza. Eu recebi a educação empreendedora dos meus pais por meio de exemplos e depois com diferentes ajudas nos meus negócios. Afinal, qual pai não quer ajudar um filho? Recebi do meu pai investimentos financeiros no List-it, que eu utilizei para pagar a minha equipe de funcionários e produção de um vídeo explicativo do aplicativo. Eles sempre estão presentes, mas sou eu quem administra as minhas startups.

eu demonstro outro tipo de maturidade, falo e me porto diferente. Sei que preciso administrar duas posturas diferentes e lido com isso facilmente.

Revista Soluções - Como é ser

um empreendedor de startup? Como surgem as ideias para as soluções que viram negócios?

Revista Soluções - Como é ser em-

presário e criança ao mesmo tempo? É possível dividir os momentos em que você é criança dos que você atua como empreendedor? Ou você é os dois perfis ao mesmo tempo?

Fotos: Jhon Goulart

O

alagoano Davi Braga tem 14 anos de idade recém-completados. A juventude e pouca experiência de vida não impediram o menino ‘doce’, um adolescente empreendedor, de criar três startups e obter sucesso nos negócios. O mais recente e exitoso empreendimento de Davi é a List-it, um sistema online que facilita a pesquisa e compra de material escolar, que já faturou mais R$ 100 mil em um único mês.

Davi Braga - Eu separo muito bem

os momentos em que eu preciso ter mais maturidade, por ser uma empresário e empreendedor, dos outros, quando posso ser criança. Sou normal, falo e ajo igual aos meus amigos. Brinco, jogo handebol, paquero, estudo. Agora, quando estou com um público mais adulto, com empresários,

POR ONDE PASSA, ADOLESCENTE EMPREENDEDOR TEM FÃS PELA SUA DEDICAÇÃO E MATURIDADE EMPRESARIAL

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Davi Braga - As ideias surgem no dia

a dia. O tempo todo eu fico identificando os problemas e pensando em soluções, que podem se tornar startups. Na minha casa, na rua, em qualquer lugar eu ando e olho tudo e já penso em formas de facilitar a minha vida e a dos outros.

Revista Soluções - Em tempos de

adversidades e receios, quais dicas você sugere para aqueles empreendedores que querem conquistar o sucesso?

Davi Braga - Para toda crise existem os dois lados da moeda. Pessoas que enxergam a crise como um copo meio cheio e aquelas que a enxergam como um copo meio vazio. Eu sempre costumo olhar e enfrentar a crise e outros problemas como um copo meio cheio. Os empreendedores precisam ter esse mesmo pensamento e se atentarem em formas de melhorar o cenário e ajudar o País a dar um ‘chute’ nessa crise. Revista Soluções - Como você avalia o empreendedorismo no Brasil? Davi Braga - Vejo que o empreendedorismo está crescendo bastante no País. Mas, mesmo com todo esse crescimento dos últimos anos, quando comparamos com outros países, ainda vemos que é muito fraca a presença de atitudes empreendedoras. Revista Soluções - Qual sua opinião sobre aprender empreendedorismo na escola? Isso ajudaria no nascimento de grandes ideias? Davi Braga - Eu acredito que o em-

preendedorismo é a mola propulsora do trabalho e a alternativa para o fim do desemprego no mundo. Se o empreendedorismo for tratado como ele merece ser, como por exemplo uma disciplina nas escolas públicas e privadas, ele motivaria várias pessoas, desempregadas ou não, a empreender, a criar pequenas empresas. Certamente esta atitude influenciaria no nascimento de grandes ideias, fomento dos negócios e melhora da economia do País.

Revista Soluções - Pela rápida experiência empreendedora, quais os

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pontos positivos e quais os pontos negativos de ser dono de um negócio?

Davi Braga - Ser empreendedor é contar com vários pontos positivos, como não ter horário fixo para trabalhar, não ter patrão, trabalhar da sua casa e muitos outros benefícios. Você mesmo pode criar as suas oportunidades, não precisa esperar as oportunidades surgirem em suas mãos, você cria as suas próprias. O ponto negativo de ser empreendedor é acordar todos os dias sabendo que você está desempregado, quer dizer que você pode ter tudo ou nada no dia seguinte. Revista Soluções - Quais seus próximos planos pessoais e quanto aos futuros empreendimentos? Davi Braga - Na minha vida pesso-

al, a longo prazo, eu gostaria de me formar em Administração e Marketing. Penso em sair de Maceió e morar em outro estado ou país, tenho anseio por novos conhecimentos, experiências, ter contato com novas culturas e negócios. Na minha vida profissional, eu planejo expandir o List-it para todo o Brasil e colocar minhas outras startups em prática, que no momento, estão em fase de planejamento.

NO QUE O SEBRAE/PR PODE AJUDAR O Sebrae/PR tem várias soluções para despertar o empreendedorismo em crianças e jovens, tanto no ensino fundamental como no ensino médio. Por meio de parcerias com poder público e iniciativa privada, são aplicados no Paraná programas, como o Jovens Empreendedores Primeiros Passos ( JEPP); Formação de Jovens Empreendedores (FJE); Despertar; e Crescendo e Empreendendo. A ideia é estimular a criatividade e o pensamento crítico, incentivando os estudantes a sonhar e a ter vontade de realizar os seus sonhos. Bem como despertar, no caso dos jovens, a predisposição para “empreender”, preparando-os para que vivenciem aspectos da cidadania enquanto fator de responsabilidade social, contribuindo para uma mudança socioeconômica. A entidade elegeu ainda o tema educação empreendedora como linha estratégica para os próximos anos. Quer conhecer mais as soluções do Sebrae com foco em educação empreendedora?

ACESSE UTILIZANDO O QR CODE

Revista Soluções - Como você lida com os fracassos? Já fracassou? Qual dica você dá para aqueles empreendedores que têm medo de errar? Davi Braga - Eu já fracassei e que-

brei empresas. Costumo dizer que a melhor hora para errar é na adolescência, quando você não tem família para cuidar, compromissos financeiros. Fora do Brasil, as pessoas que já fracassaram são vistas como as mais experientes e as mais procuradas por investidores, uma vez que estas já sabem como não errar mais. Eu, pessoalmente, não vejo o erro ou fracasso como algo negativo. Todos os grandes empresários brasileiros, e do mundo, já fracassaram uma vez. A diferença é que eles não desistiram. Eles seguiram em frente, avaliaram suas ações passadas e obtiveram sucesso. A minha dica é: não desanime, continue em frente que você irá vencer.

PORTAL SEBRAE/PR WWW.SEBRAEPR.COM.BR

SAIBA MAIS Para conhecer um pouco mais o lado empreendedor do jovem Davi Braga, personagem desta entrevista da Revista Soluções

https://pt-br.facebook.com/davipbraga

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

CAPA

SUPERAÇÃO

N

os últimos tempos, o Brasil passou por uma fase de céu ensolarado. O consumo disparou especialmente na Classe C, beneficiada pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca e dos automóveis e pelo aumento do poder aquisitivo. No entanto, no final do ano passado, a previsão do tempo mudou. A desaceleração da economia trouxe ‘nuvens’ carregadas no horizonte e, segundo especialistas, o mau tempo não deve ser uma frente fria passageira e vai durar mais do que uma estação.

DA CRISE

Para atravessar a crise, na sua avaliação, será preciso restabelecer a confiança do setor produtivo, que parou de investir, e do consumidor, para que haja geração de renda. A afirmação do economista é reforçada por pesquisa feita pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), que ouviu 1.205 empresas. O levantamento apontou uma diminuição de 44% nos investimentos – principalmente na aquisição de máquinas novas. A queda é a maior desde 2009.

Em tempos de turbulência, o País precisa de empreendedores para aquecer a economia e investir em capacitação, gestão, inovação, certificação, internacionalização

O retorno dos investimentos não será imediato e a primeira medida, sugere Rambalducci, deve ser conter a inflação. Mas, para isso, a ferramenta utilizada é a diminuição do consumo. No entanto, essa estratégia prejudica

À OPORTUNIDADE Por Giovana Chiquim

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Foto: Aron Mello/28mm Fotografia

De acordo com o economista e professor universitário Marcos Rambalducci, a economia, e, consequentemente, os negócios, passam por uma turbulência. “A transferência de renda para uma classe trabalhadora, sem o aumento da produtividade nas empresas e indústrias, gerou inflação, fator que retirou o poder de compra da população”, explica o especialista.

EMPRESÁRIO BRENO FRANCOVIG RACHID

SE PREPARA DESDE 2011 PARA A CRISE, INVESTINDO EM GERENCIAMENTO DE PRODUTOS E GERENCIAMENTO FINANCEIRO

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Foto: Aron Mello/28mm Fotografia

A INOVAÇÃO, ARMA CONTRA A CRISE, ESTÁ ASSOCIADA À PROMOÇÃO DE MELHORIAS DE PROCESSOS VISANDO À OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS, À DIMINUIÇÃO DE DESPERDÍCIOS OU AO LANÇAMENTO DE NOVOS PRODUTOS/SERVIÇOS

EQUIPE DA PZL TECNOLOGIA EM EQUIPAMENTOS, UNIDA NA PRODUTIVIDADE

O Produto Interno Bruto (PIB), que não cresce quando há controle da inflação. Hoje, o índice da inflação está próximo a 9% e para voltar para 4,5%, que é o centro da meta do governo, irá demorar cerca de dez meses. “A partir daí é que começaremos a ver um investimento maior por parte das empresas”, analisa. A previsão é de que a ‘tempestade’ demore para passar. Sera necessário um certo tempo para a inflação recuar e estabilizar, e mais alungs meses para a maturação dos investimentos. “Com o retorno dos investimentos, aumenta a produtividade e a oferta de posições de trabalho e a geração de renda. Todos esses fatores precisam ser conjugados para que a economia aqueça e volte a crescer”, assinala Rambalducci. Em tempos de recessão, um país precisa da ajuda dos empreendedores para aquecer a economia. “É nesse momento de instabilidade, que os empreendedores farão a diferença. Precisamos lembrar que mesmo em meio à crise, a previsão é de que o Brasil produza R$ 4 trilhões. E é nesse número 12

que os empresários devem se concentrar”, afirma o economista.

Oportunidade para virar Para o Sebrae, momentos de crise são momentos de oportunidade, de mostrar como é possível se superar, sobretudo por meio do conhecimento. O gerente de Atendimento Individual do Sebrae/PR, André Basso, diz que associar a crise às dificuldades é o lado mais previsível. No entanto, no seu entendimento, os empreendedores precisam entender que os esforços feitos durante um período de recessão podem trazer diferenciais que podem ser incorporados na rotina da organização e melhorar sua competitividade. Uma das vantagens dos pequenos negócios é a sua versatilidade, seja na facilidade de investir em novos produtos ou serviços e ampliar o leque de atuação ou em novos processos para melhorar a performance. “A necessidade de mudança acaba gerando oportunidades para os negócios de pequeno porte. Por isso, os momen-

tos de crise também podem favorecer o crescimento e a adoção de práticas inovadoras, que podem se tornar um diferencial daquele empreendimento. Acreditamos que o cenário adverso pode trazer transformações positivas, para tornar o negócio mais estruturado”, orienta. Além disso, André Basso acrescenta que a tendência é de que as empresas de pequeno porte demitam menos, porque os funcionários podem ser aproveitados em outras funções com mais facilidade. Breno Francovig Rachid, diretor industrial da PZL Tecnologia em Equipamentos, em Londrina, está no mercado há 30 anos. A empresa já está se preparando para atravessar a crise desde 2011, com foco em duas vertentes: gerenciamento de produtos e gerenciamento financeiro. “Já passamos por outros períodos de recessão e já imaginávamos que a boa fase da economia seria passageira e que o consumo iria diminuir. Não seria possível manter aquela movimentação financeira

que vimos num passado recente”, diz. No momento em que as vendas estavam deslanchando, muitas empresas precisaram contratar funcionários, que agora estão sendo demitidos. Em vez de investir em mão de obra, a PZL começou a implementar melhorias para alavancar a eficiência e a produtividade, sem alterar o quadro de colaboradores. A empresa também investiu em equipamentos que, num primeiro momento pareciam caros, mas ofereceram um bom custo-benefício porque permitiram produzir mais, com mais qualidade e em menos tempo. Outra estratégia adotada foi à capacitação dos colaboradores que foram matriculados em cursos. “Os funcionários aprenderam a controlar as vendas, o faturamento, o estoque. Também passaram a conversar com os fornecedores para mandar todo mês uma determinada quantidade de produtos para não acumular um grande montante de mercadorias”, conta Rachid. O lançamento de novos produtos é

outro fator que ajuda a empresa a manter o faturamento. “Utilizamos programas de fomento, como o Sebraetec [Serviços em Inovação e Tecnologia], do Sebrae, para aumentar nossos itens, dividindo os ‘ovos’ em cestas diferentes. Para o final do ano, lançaremos um novo produto, de olho na diversificação do mercado”, relata o diretor industrial da PZL. A política de atendimento ao consumidor também passou por mudanças. Para fidelizar os clientes, a PZL passou a parcelar o valor dos serviços de manutenção, que já são agendados previamente, de acordo com a necessidade – uma ou duas vezes por ano. “Desta forma, já podemos trabalhar com o dinheiro do cliente”, destaca Rachid. O êxito da tática da PZL para driblar a crise envolveu toda a diretoria e também os funcionários da empresa. Eles fizeram várias reuniões para discutir sobre o que era terceirizado e que poderia ser trazido para dentro da organização, sempre com o objetivo 13


Foto: Aron Mello/28mm Fotografia

COM A PRODUTIVIDADE EM BAIXA, A TENDÊNCIA É QUE HAJA DEMISSÕES, FATOR QUE PODE DESENCADEAR A ENTRADA DE NOVOS PROFISSIONAIS NA INFORMALIDADE COMO ALTERNATIVA À FALTA DE EMPREGO

“ ELIETH HODAS

ADOTOU UMA SÉRIE DE MEDIDAS, COMO A SUBSTITUIÇÃO DE LÂMPADAS COMUNS POR LÂMPADAS COM TECNOLOGIA LED, PARA ENFRENTAR A TURBULÊNCIA

EMPRESÁRIA E FUNCIONÁRIAS Foto: Aron Mello/28mm Fotografia

FOCADAS NA ECONOMIA

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de melhorar processos e diminuir os custos. “Todos participaram e nos ajudaram a pensar em alternativas para diminuir custos e manter a qualidade para sofrer menos impacto no período crítico que estava por vir”, enfatiza o executivo. A parceria entre a diretoria e os colaboradores deu certo. A PZL não precisou demitir ninguém e ainda tem planos de fazer novas contratações em 2015, em plena temporada de ‘vacas magras’.

Tempo de gestão Rubens Negrão, consultor do Sebrae/PR,

acredita que a frase “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”, atribuída a Charles Darwin, o pai da teoria evolucionista, pode ser incorporada como uma estratégia para as micro e pequenas empresas sobreviverem em tempos de crise. A eficiência energética [leia mais nesta edição], por exemplo, é uma adaptação na gestão que pode diminuir um dos custos fixos na planilha das empresas. Nos últimos dois anos, o valor da tarifa mais que dobrou – subiu, precisamente, 104%. E essa conta não

inclui o impacto da bandeira tarifária vermelha, cobrada quando há restrições na geração hidrelétrica e que hoje impõe um adicional de R$ 5,50 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Conforme a Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (ABIP), a energia elétrica responde por 8,7% dos custos das empresas do setor. Elieth Hodas, sócia-proprietária da Paneteria Palhano, em Londrina, informa que a conta da energia elétrica subiu de R$ 7 mil para R$ 15 mil em 2015. Para reduzir o impacto, a empresa adotou uma série de medidas, como 15


CONHEÇA FERRAMENTAS DE GESTÃO QUE PODEM SER ADOTADAS POR EMPRESÁRIOS DE PEQUENOS NEGÓCIOS PARA ENCONTRAR A DIFERENCIAÇÃO E SE DESTACAR NO MERCADO

Inovar não significa ‘reinventar a roda’ ou fazer altos investimentos. A inovação está associada à promoção de melhorias de processos visando à otimização de recursos e à diminuição de desperdícios ou ao lançamento de novos produtos/ serviços. O investimento em tecnologia, como a automação industrial, é uma inovação à medida que diminui o custo com a mão de obra, por exemplo.

Visa à padronização de processos. Trata-se de uma forma de inovação que reflete no crescimento da empresa. É uma chancela que comprova a qualidade dos produtos e/ou serviços e que pode abrir portas no comércio exterior.

INTERNACIONALIZAÇÃO

CAPACITAÇÃO

A internacionalização dos negócios é uma estratégia para prospectar novos clientes e promover o desenvolvimento sustentável dos negócios. As micro e pequenas empresas podem ingressar nesse mercado, desde que tenham produtos de qualidade e de alto valor agregado.

A capacitação é o principal ingrediente para alcançar o sucesso empresarial. Gestores e colaboradores precisam reciclar os conhecimentos constantemente para acompanhar as novas tendências do mercado globalizado.

LIDERANÇA As empresas que já se desenvolveram e buscam a permanência no mercado ou avanços precisam aprimorar a liderança. O papel do líder como inspirador de pessoas é necessário para o crescimento e futuro do negócio.

Além de rever os custos e o preço dos produtos, a empresa está renegociando com os fornecedores, diversificando a produção e ampliando os canais de venda – estratégia que já estava prevista, mas que foi antecipada para readequar o faturamento. “A empresa irá entrar no mercado do e-commerce, já incorporou as vendas in company (dentro das empresas) e está participando de eventos com a finalidade de

A EMPRESÁRIA MARIA ALICE ZATTAR BARBOSA MENDES REVIU CUSTOS E PREÇOS DOS PRODUTOS, MAS ACRESCENTOU A CRIATIVIDADE PARA DRIBLAR A OSCILAÇÃO DO CONSUMOS

atingir novos consumidores. A Inch of Gold também está participando do Programa de Franquias do Sebrae/PR, para abrir novos mercados”, justifica Maria Alice Zattar Barbosa Mendes, sócia-proprietária da joalheria.

Transformar a necessidade

Foto: Felipe Miretzki/Eficaz

CERTIFICAÇÃO

O Modelo de Excelência em Gestão, conhecido como MEG, é a implementação dos fundamentos da excelência em gestão, que são reconhecidos internacionalmente. Os fundamentos foram criados pela Fundação Nacional de Qualidade (FNQ), que avalia o nível da qualidade na gestão das empresas, em diversos setores, e são adotados por empresas que buscam adaptar-se às mudanças globais. 16

Na Inch of Gold, que vende joias em centímetro em dois quiosques em shoppings em Curitiba, a criatividade é a palavra de ordem para enfrentar o momento delicado para o setor varejista, um dos mais afetados pela crise econômica.

INOVAÇÃO

MODELO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO

Foto: Felipe Miretzki/Eficaz

a substituição das lâmpadas comuns pelas lâmpadas com tecnologia led, o desligamento das lâmpadas de iluminação, a instalação de sensores de presença nos corredores e a manutenção dos 30 refrigeradores mensalmente – antes ao serviço era realizado a cada três meses. “Também contratamos um engenheiro para analisar qual é o pico do consumo de luz na região, que aumenta o custo da energia elétrica, para evitar produzir pão e ligar os fornos neste horário”, diz Elieth.

Dados do Sebrae, a partir da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada em 2014, apontam que de cada dez novos negócios, sete se enquadram no conceito de empreendedorismo por oportunidade, que acontece quando o empreendedor decide abrir um negócio, mesmo quando possui alternativas de emprego. Geralmente, o empreendedor por oportunidade tem nível de capacitação e escolaridade mais alto e empreende pelo desejo de independência no trabalho. Contudo, André Basso comenta que

esse cenário pode mudar em virtude da crise. Com a produtividade em baixa, a tendência é que haja demissões, fator que pode desencadear a entrada de novos profissionais na informalidade como uma alternativa para a falta de emprego com carteira assinada. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que a taxa de desemprego chegou ao patamar de 7,9% em abril de 2015, depois de uma década de quedas seguidas. Para fazer uma comparação, no último trimestre de 2014, a taxa de desemprego era de 6,5%. Com o crescimento do número de desempregados, a subocupação também aumentou no Brasil em 30%, ainda de acordo com o IBGE. Transformar os empreendedores por necessidade em empreendedores por oportunidade, na opinião de Marcos Rambalducci, será indispensável nesse período de recessão. “Os futuros empre17


Foto: Sebrae/PR

Luiz Costa/La Imagen

NO QUE O SEBRAE/PR PODE AJUDAR

ANDRÉ BASSO,

CONSULTOR DO SEBRAE/PR DEFENDE QUE OS PEQUENOS NEGÓCIOS TENHAM PARTICIPAÇÃO MAIS ATIVA NA ECONOMIA, PORQUE ASSIM O RISCO SE DILUI

endedores precisam receber uma carga de informações para que sejam bem-sucedidos e abrirem negócios olhando para as oportunidades do mercado.”

sobre o poder de consumo da Classe C, que mudou o perfil dos consumidores no País. Essa faixa da população adquiriu hábitos como fazer refeições fora de casa e a frequentar salões de beleza, por exemplo, que se tornaram um hábito de consumo básico.

Negócios promissores Rubens Negrão, consultor do Sebrae/PR, acredita que as micro e pequenas, ligadas a uma atividade-meio, em setores básicos, tendem a sofrer menos impacto. Ele argumenta que a contribuição dos negócios de pequeno porte para o PIB vem aumentando [hoje é em torno de 25%]. “O desafio é fazer com que tenham uma participação na economia mais ativa, justamente porque elas sofrem menos. Se temos uma economia fundamentada nas micro e pequenas empresas, o risco é diluído.” Uma pesquisa divulgada pelo Sebrae Nacional aponta que alguns setores, como o de alimentação e beleza, devem ser menos afetados pela crise. De acordo com Rubens Negrão, até um tempo atrás, em 2012, falou-se muito 18

RUBENS NEGRÃO,

GERENTE DO SEBRAE/PR, ACREDITA QUE O CENÁRIO PODE TRAZER TRANSFORMAÇÕES POSITIVAS, COMO ESTRUTURAR O NEGÓCIO

“A família já se organizou para isso. Não dá mais para voltar atrás. São produtos de baixo valor, o que facilita a permanência dentro do orçamento familiar”, observa o consultor. A reparação de produtos duráveis também deve continuar em alta. No auge do aumento de poder de compra da Classe C, o consumo de equipamentos tecnológicos e aparelhos eletrodomésticos cresceu. Esses produtos, que tiverem um aumento considerável nas vendas agora precisam de conserto, porque a renda atual não estimula novas compras. “A reparação de bens duráveis está favorecendo empresas que prestam serviços de manutenção, geralmente feitos por micro e pequenos empresários”, esclarece Rubens Negrão.

Para quem já é ou quer ser empresário, o Sebrae/PR é a melhor opção para obter informações e conhecimento. Criado na década de 1970, o Sebrae apoia as decisões dos empresários, dos potenciais empresários e dos potenciais empreendedores, no campo e na cidade, porque é a instituição que entende de pequenos negócios e possui a maior rede de atendimento do País. No Paraná, conta com seis regionais e 12 escritórios. A instituição chega aos 399 municípios por meio de 31 Pontos de Atendimento ao Empreendedor, 110 Salas do Empreendedor e parceiros locais, como associações, sindicatos, cooperativas, órgãos públicos e privados. O Sebrae/PR oferece palestras, orientações, capacitações, treinamentos, projetos, programas e soluções, com foco em empreendedorismo e gestão; empresas de alto potencial e potencialização; educação empreendedora; startups; liderança; e ambiente de negócios. Ligue para 0800 570 0800 ou acesse nosso portal.

ACESSE UTILIZANDO O QR CODE

PORTAL SEBRAE/PR WWW.SEBRAEPR.COM.BR

SAIBA MAIS O Programa Conta Corrente, da Globo News, veiculou em junho passado um bate-papo com o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto, sobre o tema empreendedorismo em tempos de crise.

https://goo.gl/dcWDRl

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

LIDERANÇA LIDERANÇA

SE NOS ANOS 1980 ERA DIFÍCIL TER ACESSO AO DESENVOLVIMENTO DE LIDERANÇAS, HOJE, MESMO COM A INTERATIVIDADE, OS LÍDERES ESTÃO CADA VEZ MAIS ESCASSOS

O As mudanças conjunturais, em âmbito social e econômico, as relações humanas e o mundo em processo dinâmico de transformações exigem líderes mais capazes de compreender, motivar e conduzir o seu ambiente Por Adriano Oltramari

A preparação de lideranças empresariais e públicas, para a construção de um ambiente de negócios mais favorável, faz parte da estratégia do Sebrae/PR. Em setembro, um grupo de lideranças de instituições empresariais paranaenses, como associações, sindicatos, federações e poder público, participa, em Washington, de um programa avançado com um olhar especial sobre o tema. O Sebrae/PR fechou parceria com a American University, instituição reconhecida nos Estados Unidos como a escola mais dinâmica na formação de lideranças. O trabalho do Sebrae/PR, na ascensão de líderes que apostam nos pequenos negócios como alternativa para o desenvolvimento, começou a ganhar destaque há mais de 20 anos, em 1993, com o Sebrae Ideal, um programa pioneiro no Paraná, cujo objetivo inicial era preparar empresários para exercerem liderança junto as suas en-

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Foto: Rafael Moreschi

A ‘ARTE’ DE LIDERAR

tema liderança nunca sai de moda. As mudanças conjunturais, em âmbito social e econômico, as relações humanas e o mundo em processo dinâmico de transformações exigem líderes mais capazes de compreender, motivar e conduzir o seu ambiente. No Sebrae/PR, o desafio de despertar e formar lideranças envolve um trabalho de muitos anos, realizado por meio de programas com a participação de líderes engajados no desenvolvimento do Estado e que acreditam na força dos pequenos negócios como alternativa viável de crescimento.

PARA AMAURI DONADON LEAL,

VICE-PRESIDENTE DO SIVAMAR, MUITAS VEZES, O EMPRESÁRIO NÃO ACREDITA QUE PODE, JUNTO COM OUTROS, FAZER A DIFERENÇA

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Atuando como empresário há 23 anos, Amauri Donadon Leal, de Maringá, noroeste do Paraná, foi um dos primeiros “alunos” de liderança no Sebrae Ideal. Na época de colégio, na própria comunidade, Amauri Leal descreve ter sido um membro participativo desde adolescência. Contudo, foi o Sebrae Ideal que despertou a sua disposição em participar de forma mais efetiva no meio empresarial. E de lá para cá, cresceu como empresário e também como pessoa.

O MERCADO REQUER LÍDERES MAIS POLIVALENTES, QUE APONTEM SOLUÇÕES, COM CAPACIDADE PARA MOBILIZAR SEUS MÚLTIPLOS SABERES PARA GERAR RESULTADOS EFETIVOS

Foto: Gilson Abreu/Fiep

PRESIDENTE DO SISTEMA FIEP E DO CONSELHO DELIBERATIVO DO SEBRAE/PR, EDSON CAMPAGNOLO DIZ QUE A CRISE EXIGE UMA QUALIDADE FUNDAMENTAL DO LÍDER, QUE É A DE MOTIVAR, DE NÃO ESMORECER E REALIZAR

tidades. A proposta começou em cinco cidades: Curitiba, Cascavel, Londrina, Maringá e Pato Branco, contando com 125 participantes. Dele, nasceu o 1º Encontro Estadual de Líderes, reunindo participantes de todo o Estado. Em 1995, o Sebrae Ideal foi ampliado para mais cidades e aconteceu o 2º Encontro Estadual de Líderes. Em 1996, tornou-se mais abrangente, com a missão de modificar o comportamento da sociedade em sua evolução social, econômica e política, por meio da atuação de líderes de vanguarda éticos e integrativos.

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“Foi um despertar motivado por uma análise mais profunda sobre liderança. Muitas vezes, o empresário não acredita que pode, junto com outros, fazer a diferença. Antes de fazer o treinamento, nunca tinha pensado em ajudar um setor empresarial atuando como seu líder”, relembra. O empresário foi presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio e do Comércio Varejista de Maringá e Região (Sivamar), entidade que ocupa o cargo de 1º vice-presidente atualmente e, além disso, é conselheiro do Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio no Paraná (Senac PR). Para Amauri Leal, atuar como liderança no ambiente coorporativo exige muita preparação, seja dentro da empresa ou nas próprias entidades que dirigem e representam os setores. “Você passa a falar por uma classe e precisa atuar como um modelo, o que exige uma postura ainda mais ética, porque a gente precisa, para mobilizar um grupo, ser o espelho”, assinala. O desafio para exercer liderança não depende, na visão de Amauri Leal, de uma característica, mas de um conjunto. “O líder precisa inspirar e, para isso, tem de inovar, motivar e sempre buscar o coletivo. Outro ponto fundamental é saber ouvir. Quem não faz isso, dificilmente consegue agregar”, aconselha. Com a experiência de empresário e liderança no seu setor, Amauri Leal acredita que, no momento atual, existe uma estagnação no desenvolvimento de novas lideranças. Para ele, a democracia aproximou e deu voz à sociedade, a tecnologia facilitou a informação e a comunicação, mas é pre-

ciso apoiar e preparar líderes sempre. “Hoje temos muitos para aparecer na hora de protestar e poucos líderes na hora de fazer algo de concreto pela sua comunidade, pela sua empresa ou setor. É preciso refletir e aproveitar as nossas conquistas de liberdade e expressão e opinião, as tecnologias, utilizar as entidades que promovem a formação de lideranças - como o Sebrae, para formar novos líderes de fato imbuídos com o seu meio, a sua entidade”, projeta o empresário maringaense. Presidente do Sistema Fiep no Paraná e também do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, Edson Campagnolo conta sua caminhada empresarial e como dirigente de entidades com o perfil de líder aglutinador. Para ele, o maior desafio da liderança é envolver pessoas. Campagnolo também foi “aluno” do Sebrae Ideal na década de 1990. Contudo, sempre se sentiu empenhado em colaborar com seu ambiente. História que começa no estado de Mato Grosso, quando, em 1984, mudou-se do Paraná para o município de Lucas do Rio Verde, que, na época, nem era emancipado. “Como era ainda uma cidade em formação, era carente de infraestrutura. E foi esse desafio que nos fez trabalhar em conjunto e mobilizar pessoas para buscar melhorias que atendiam a todos. Desde essa época, trago comigo que o líder precisa, necessariamente, agir pelo coletivo. A demanda comum é sempre superior a pessoal, ou profissional”, testemunha. Do Mato Grosso, retornou para o Paraná, pesando questões familiares como a educação dos filhos. De Curitiba, onde tinha uma empresa, dirigiu-se ao sudoeste do Estado, na fronteira, em Capanema, onde começou mais um negócio, também na área de confecção. No Paraná, como presidente de associação comercial, de coordenadoria regional de associações comerciais, como líder e presidente do sindicato do vestuário do sudoeste e depois presidente da Fiep, enfrentou desafios de momentos distintos da vida empresarial no País, todos imprescindíveis de liderança.

O SEBRAE IDEAL REVOLUCIONOU ESSA FORMAÇÃO, TANTO PELO SEU CONTEÚDO COMO POR SER ACESSÍVEL AOS PEQUENOS EMPREENDEDORES

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comunicação e de negociação, relacionamento interpessoal, entre outros.

Foto: Divulgação

“No entanto, em função do contexto socioeconômico-político, uma série de mudanças, no foco da liderança e de sua influência, alteram em função da época e da conjuntura histórica. O que antes levava 20 anos para mudar, agora leva no máximo dois anos”, analisa o especialista, que também é professor de cursos de pós-graduação e MBA em instituições de ensino como Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e Instituto Brasileiro de Mercados Capitais (IBMEC).

DE ACORDO COM PAULO ROBERTO VILLAMARIM GAMA, PROFESSOR DA DOM CABRAL,

COM A TRANSFORMAÇÃO NOS AMBIENTES ORGANIZACIONAIS, DECORRENTE DE NOVAS TECNOLOGIAS E DE MÚLTIPLOS MODELOS DE GESTÃO, ALGUMAS COMPETÊNCIAS GANHAM CADA VEZ MAIOR RELEVÂNCIA

“Na década de 1980 e início de 1990 era difícil envolver pessoas num ambiente em que o individualismo sobressaísse sobre o coletivo. Talvez, pela dificuldade de comunicação, época da inflação alta, de um momento sociocultural, era mais difícil. Isso sem falar na dificuldade de reunir informações, o que é bem diferente hoje em dia”, relembra.

escassos na visão do presidente da Fiep. “É curioso, mas com tudo praticamente a um clique aparece também a acomodação. Temos as informações que faltavam, lá atrás, em excesso. Mas, talvez, falte utilizar melhor essas ferramentas para fomentar lideranças nas organizações e também no meio empresarial”, reflete Campagnolo.

Campagnolo desenvolveu e entendeu melhor sua vocação de líder com o Sebrae Ideal. “O Sebrae Ideal era avançado e foi o melhor programa de liderança que fiz. Na época, pouco se tratava do tema e o Ideal revolucionou essa formação, tanto pelo seu conteúdo, como por ser acessível à participação dos pequenos empreendedores”, comenta.

Para o dirigente, a época de crise exige uma qualidade fundamental do líder, que é a de motivar, de não esmorecer e realizar. “Sou um idealista movido pela fé em Deus. Uma força que sempre coopera para quem faz, e faz o bem. Não podemos deixar o pessimismo se notabilizar, mesmo em tempos difíceis. A gente tem que procurar fazer, porque se não fizermos, vai ficar ainda pior”, analisa.

Se nos anos 1980 era mais difícil ter acesso a informações sobre o desenvolvimento da liderança no âmbito empresarial, hoje, mesmo com as ferramentas de comunicação e interatividade, os líderes estão cada vez mais 24

Justamente por ter essa visão e vivência sobre o tema, quando Campagnolo assumiu a presidência do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, discutiu

com profundidade a implantação de uma linha estratégica dedicada à liderança, pensando na formação empresarial e pública, com foco em desenvolvimento do ambiente de negócios. “Pensamos em resgatar ações voltadas à formação do líder empreendedor, mas também com o viés político. A intenção é despertar uma maior participação dos líderes empresariais na constituição das políticas públicas, inserindo a sua experiência para implementar o atendimento a demandas dos seus setores”, pontua Campagnolo.

Desafios da liderança Professor associado da Fundação Dom Cabral para temas como organizações e comportamento organizacional, Paulo Roberto Villamarim Gama acredita que o perfil de um líder nos dias de hoje apresenta várias características que perpassam ao longo do tempo, como conhecimento técnico, poder de

Com a transformação nos ambientes organizacionais, decorrente de novas tecnologias e de múltiplos modelos de gestão, algumas competências ganham cada vez maior relevância. “O mercado requer líderes mais polivalentes, que apontem soluções, com capacidade para mobilizar seus múltiplos saberes para gerar resultados efetivos. Nesse cenário, novas competências se fazem necessárias: visão sistêmica, resiliência, adaptabilidade, flexibilidade, capacidade de lidar com sistemas ambíguos e contraditórios”, aponta Villamarim. Na opinião do professor da Dom Cabral, a maneira de se relacionar, o respeito mútuo e a proximidade com as pessoas constituem a maior qualidade de um líder. Pessoas tecnicamente competentes, mas grosseiras, mal-educadas e incapazes de ser generosas jamais se tornarão verdadeiros líderes. “Alguns líderes não sabem que as diferentes formas de liderar devem ser adaptadas em função dos liderados. O erro mais comum é tratar pessoas desiguais do mesmo jeito. É preciso conhecer profundamente seus liderados para fazer, de acordo com o perfil deles, com que eles deem o melhor de si na busca dos resultados acordados.” Para Villamarim, além do desafio de exercer a liderança, existe, atualmente, no Brasil e no mundo, uma enorme carência de líderes, sobretudo na seara política. No contexto empresarial, o professor comenta que a proximidade na forma de gerir, e devido à complexi-

dade também ser menor, a identificação e a formação de líderes podem ser mais facilmente obtidas. “Faltam líderes nas famílias, nas organizações empresariais e nos governos. A solução está em criar contextos capacitantes e explorar exemplos vivos, que estimulem a adoção de um novo perfil - mais humano”, pondera.

Formação sempre Para formar líderes, o especialista da Fundação Dom Cabral considera que, além da educação formal (MBA, pós-graduação e idiomas), é preciso uma forte inclinação no aprendizado prático, criando valor com base em vários campos do conhecimento. Nesse sentido, contribui também uma gestão participativa, que estimule as pessoas a assumir riscos e aprender com erros. Aliado a esses aspectos, experiências em contextos culturais e econômicos, maior inserção nos negócios globais, experiências internacionais - construindo valores que transcendem fronteiras nacionais e culturais, possibilitam uma formação mais sólida. “Outro ponto que contribui é o investimento da empresa no treinamento e no desenvolvimento das pessoas. Muitas vezes, a empresa tem receio em investir nessa formação, por acreditar que, qualificando sua mão de obra poderá perdê-la para o mercado”, declara. Essa mentalidade ainda existente, está, no seu entendimento, na contramão da história, prejudicando o desenvolvimento e o crescimento do País em que as empresas têm de investir na educação de suas pessoas, “preenchendo uma lacuna que deveria ser papel do Estado”. Despertar novas lideranças aptas para os desafios atuais exige preparação e formação permanente. Seja no aprendizado diário ou mesmo nas capacitações e missões delineadas para tal fim, o importante é ter líderes comprometidos com o seu ambiente. Lição que Campagnolo e Amauri Leal construíram nos últimos anos com sucesso, despertados pela relevância da atuação como líderes no desenvolvimento.

NO QUE O SEBRAE/PR PODE AJUDAR Desde 2012, o Sebrae/PR mantém uma proposta para o desenvolvimento de lideranças. É o Programa Sebrae de Lideranças, para desenvolver líderes capazes de superar desafios e pensar novos cenários. O Programa é disponibilizado para empresários de todo o Paraná e é composto por três soluções: Workshop de Liderança, Escola de Desenvolvimento de Líderes e Escola Avançada de Liderança. Além disso, oferece ações complementares como seminários regionais sobre liderança, missões internacionais e uma rede de líderes do Paraná. Para saber mais,

ligue agora para o

0800 570 0800 ou procure o Sebrae/PR mais próximo.

SAIBA MAIS A Fundação Dom Cabral, uma das escolas de negócios mais renomadas da América Latina, sempre traz artigos interessantes sobre liderança e é uma fonte confiável para empresários de micro e pequenas empresas e líderes empresariais de olho nas tendências. O site da Dom Cabral é o www.fdc.org.br

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

COMPORTAMENTO

ALTO IMPACTO

DE ACORDO COM PESQUISA FEITA PELO SEBRAE/PR, DOS 23 COWORKINGS ESPALHADOS PELO ESTADO, APENAS NOVE TÊM STARTUPS TRABALHANDO

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oi no início dos anos 2000, com a explosão das ações de empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), conhecida como “bolha da internet”, que o mundo começou a ouvir falar em startups. No Brasil, a expressão, usada para se referir a um modelo de negócios inovadores e de rápido crescimento, só se popularizou mais recentemente, por volta de 2012. Desde então, palavras como ecossistema, mentoria, aceleração e escalabilidade são cada vez mais comuns no cotidiano de empreendedores com uma ideia inovadora e com potencial de alto impacto.

Por Bruna Komarchesqui e Giovana Chiquim

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“Fizemos o mapeamento para gerar uma opinião fundamentada e sim, somos um ecossistema. Esse estudo é um primeiro retrato, porque o cenário muda todos os dias. A nossa ideia é fazer um cadastro online, com georreferenciamento”, explica o consultor do Sebrae/PR e coordenador estadual do Programa Startup PR, Rafael Tortato. O tema, aliás, virou uma linha estratégica específica, trabalhada pela entidade para acompanhar o dinamismo do empreendedorismo e da sociedade.

Foto: Helen Marques

Quando se fala em ecossistema de startups, o Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, está no topo do ranking global. São Paulo também aparece entre os 20 melhores ambientes, no mapeamento do Relatório Global dos Ecossistemas de Startups, produzido pela Compass, uma das referências mundiais na área. E o Paraná, afinal de contas, é ou não um ecossistema de startups? Para responder o questionamento, o Sebrae/PR investiu num estudo inédito no Estado, chamado de Mapeamento dos Ecossistemas de Startups do Paraná – First Picture.

ROBERTO KLEIN

RECEBEU APOIO DO SEBRAE/PR E QUER QUINTUPLICAR O FATURAMENTO DA SUA STARTUP

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Foto: Foto Zanella

ECOSSISTEMA, MENTORIA, ACELERAÇÃO E INCUBAÇÃO SÃO TERMOS CADA VEZ MAIS COMUNS PARA EMPREENDEDORES COM IDEIAS INOVADORAS

DOUGLAS HENRIQUE BATISTA, JAYLON HENRIQUE DA SILVA E MOISÉS MEIRELLES DOS SANTOS FILHO DESENVOLVERAM APLICATIVO QUE JÁ FOI ATÉ PREMIADO

O levantamento, que levou cerca de dois meses para ser feito, chega a conclusões importantes para o fortalecimento do ecossistema paranaense. Dos 23 coworkings espalhados pelo Estado, por exemplo, apenas nove têm startups trabalhando. “Todas as cidades com a presença dos atores [veja quadro nesta reportagem] são consideradas ecossistemas. Já o grau de maturidade desses ecossistemas será baseado em um indicador que estamos validando”, acrescenta. Além do indicador de referência da maturidade do ecossistema, que mostrará a evolução ano a ano dessas empresas, o mapeamento deu origem a um novo trabalho, o Perfil das Startups, que começou a ser desenvolvido em fevereiro deste ano. “Geralmente, o processo é mais rápido do que o de uma empresa do modelo tradicional, porque ela trabalha validando etapas. Com o MVP (Mínimo Produto Viável), já é possível testar o modelo de negócio 30

no mercado. Apesar dessa dinâmica, as startups também têm um alto índice de mortalidade, por serem modelos de negócios inovadores, muitas vezes inéditos para o mercado.” Embora se costume relacionar startup a aplicativos, Rafael Tortato explica que o termo define qualquer empresa de modelo inovador e rápido crescimento, que seja escalável. “Pode haver soluções na área de biotecnologia e hardware, por exemplo. O número de startups digitais é maior principalmente pela possibilidade de um menor investimento nas etapas iniciais. Lembrando que nem toda empresa inovadora é necessariamente startup.” Da mesma forma, acrescenta, não basta ser escalável para ser startup. “Nem toda franquia traz uma solução inovadora.” Em um cenário de velocidade e incertezas, uma boa dica para o sucesso é pensar em soluções aplicáveis além das fronteiras territoriais. “Tel Aviv [segunda maior cidade de Israel], por

exemplo, é muito forte na criação de startups globais de alto impacto, porque tem pensado em questões específicas do mercado e trazido soluções que já nascem globais”, destaca. Para Rafael Tortato, o Paraná tem potencial e, por conta disso, tem apoiado cada vez mais eventos de startups, como o Startup Pirates, MeetUp e Startup Weekend, além da realização de Hackathons e programas específicos e intensivos em capacitação e mentoria nas regiões paranaenses. Os empreendedores paranaenses, na sua avaliação, têm boas ideias, estão ligados nas tendências, e lançam, na medida do possível, startups bastante diferenciadas nas principais regiões do Estado. Por isso, a estratégia de atuação prevê eventos de sensibilização; capacitações intensivas pelo Sebrae/ PR; estímulos a ações com incubadoras, coworking e aceleradoras; editais e participação de investidores; e soluções para apoio à internacionalização.

Apoio na hora certa A startup de Roberto Klein, empresário de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, é um bom exemplo de como esse modelo de negócio pode crescer exponencialmente em pouco tempo. Com a ajuda do Sebrae/PR, ele pretende quintuplicar seus rendimentos. Isso, graças ao subsídio que conseguiu por meio de um projeto de expansão do seu site de compra de passagens rodoviárias, o BookBusBrasil. “Vendo passagens rodoviárias para estrangeiros em todo o Brasil desde março do ano passado. Daqui a pouco, meu sistema vai comportar a venda de passagens em mais sete países da América do Sul”, projeta Klein. Isso, num mercado que só tem a crescer, visto que, segundo ele, apenas 5% das passagens rodoviárias são vendidas pela internet. “Comecei com o site para sanar a dificuldade que os estrangeiros tinham

em comprar passagens online, visto que as companhias exigem CPF [Cadastro da Pessoa Física] para validar a compra e eles não têm esse documento, que é brasileiro. Hoje vejo como um mercado em expansão e estou apostando muito nele”, conclui. O BookBusBrasil é uma das startups que estão sendo atendidas pelo Sebrae/PR no oeste do Estado. “Estamos trabalhando com o Circuito Oeste de Startups, tanto para ajudar no crescimento das já existentes, quanto para fomentar o aparecimento de outras. Nosso objetivo é que, a partir de 2016, pelo menos 100 novas startups estejam prontas para o mercado na região”, sintetiza Osvaldo Cesar Brotto, consultor e responsável pelos projetos de startups do Sebrae/PR no oeste do Estado.

Ideia premiada O Startup Weekend Pato Branco, evento realizado em 2014, viu pela primeira 31


O aplicativo Minha Leitura é uma ferramenta concebida para gerenciar e incentivar a leitura de livros. Pode ser no sistema tradicional, impresso em papel, ou e-books. O utilitário permite cadastrar livros que se está lendo, inserir notas, acompanhar o progresso da leitura, marcar horários, e ainda compartilhar suas impressões ou resenhas sobre uma determinada obra.

Foto: Aron Mello/28mm Fotografia

Entre os motivos para criar o aplicativo, explica Douglas Henrique Batista, está a criação de uma espécie de rotina planejada de leitura para contribuir com a diminuição do percentual de pessoas que começam a ler, mas não terminam um livro por falta de motivação ou tempo. “Ele permite a gestão da leitura, cadastrar o livro, determinar a data, horário, número de páginas e frequência de leitura, podendo até estimar quanto tempo leva-se para ler determinado livro”, explica Douglas. Vencer o concurso de aplicativos na categoria de tecnologias sociais garantiu

ROBERTO MOREIRA E MARLON PASCOAL:

IDEIA SIMPLES, SUSTENTÁVEL E LUCRATIVA, QUE DESPERTOU O INTERESSE DE GRUPOS EMPRESARIAIS DE MAIOR PORTE.

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Foto: Milene Echeverria

NEM TODA EMPRESA INOVADORA É UMA STARTUP, ASSIM COMO NÃO BASTA SER ESCALÁVEL PARA SER UM MODELO DE NEGÓCIO INOVADOR

vez a ideia do aplicativo Minha Leitura. Na época, Douglas Henrique Batista, Jaylon Henrique da Silva e Moisés Meirelles dos Santos Filho, recém-formados no curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Campus Pato Branco, começavam a dar forma no aplicativo que hoje está disponível na Google play e que, em abril deste ano, venceu a terceira edição do concurso de aplicativos Campus Mobile, realizado pelo Instituto Embratel Claro e a Universidade de São Paulo (USP).

MARCELO ECHEVERRIA E FELIPE LATIF MECHAILECH

EMBARCARAM NESTE ANO PARA O VALE DO SILÍCIO E LÁ DESENVOLVEM O SEU NEGÓCIO

aos três jovens empreendedores um prêmio em dinheiro e uma viagem ao Vale do Silício. “Vamos aproveitar essa viagem ao Vale do Silício, referência em tecnologia no mundo, para agregar experiência profissional, estabelecer contatos, conhecer produtos e empresas que possam nos ajudar a crescer e aprimorar nossa ideia de negócio”, projeta. Consultor do Sebrae/PR, Cesar Colini, gestor de projetos relacionados a startups no sudoeste do Estado, descreve a trajetória da startup como um modelo daquilo que o ecossistema de inovação da região vive atualmente. “O sudoeste do Paraná tem o capital humano, a academia, as entidades e o poder público trabalhando pelo desenvolvimento de novos negócios a partir da instalação de um ambiente de inovação, que começa na universidade, passa pela incubadora, pelo

apoio das entidades e municípios aos negócios nascentes, até a concretização de um novo produto e empresa”, analisa Colini.

Alto impacto Em Londrina, no norte do Paraná, uma ideia simples, porém inovadora, foi o ‘ponta pé’ para começar um negócio sustentável e lucrativo. Em 2010, o então estudante Gabriel Lorencette encontrou na Inglaterra uma empresa que oferecia um sistema de delivery de vários estabelecimentos por meio da internet. O modelo inspirou a criação da A Deliveria, em 2013, fundada por ele e pelos sócios Roberto Moreira e Marlon Pascoal. A empresa foi incubada pela Agência de Inovação Tecnológica (Aintec) da Universidade Estadual de Londrina

(UEL) em 2014, que também forneceu aporte financeiro para o negócio. Hoje, A Deliveria realiza 15 mil pedidos por mês e possui mais de 150 restaurantes cadastrados. Os empreendedores também expandiram o serviço para outras cidades, como Cambé, Maringá e Joinville (Santa Catarina). E, em 2015, o grupo vendeu a empresa para o IFood - maior player do segmento, que se tornou uma das cinco maiores empresas do setor no mundo, após a fusão com o RestauranteWeb. O interesse do IFood em comprar A Deliveria se justifica pela consolidação da marca no mercado em que atua. A empresa londrinense é um exemplo de negócio bem-sucedido e de uma empresa inovadora, que possui clientes fiéis e oferece facilidade para os consumidores que têm o hábito 33


de solicitar comida via internet ou por aplicativos para celular. Além disso, o negócio tem potencial para ampliar o faturamento de forma exponencial, por meio do crescimento do número da base de clientes e de empresas cadastradas. Para a IFood, a aquisição da A Deliveria representa assumir a liderança na região de Londrina e no mercado brasileiro.

OS ATORES

Com base em outros mapeamentos realizados no Brasil (StartupBase e San Pedro Valley) e no mundo (Startup Genome e Mapped in Israel) e na literatura especializada, o Sebrae/PR chegou a uma lista de atores que, juntos, formam um ecossistema de startups:

ACELERADORAS Geralmente entes privados com capacidade de investimento próprio, que agregam em seu entorno empreendedores, investidores, pesquisadores, empresários, mentores de negócio e fundos de investimento (seed money, angel, venture capitalists). Oferecem programas de aceleração, compostos de uma série de serviços orientados ao desenvolvimento da startup, como infraestrutura física, mentorias, assessoria jurídica e contábil e acesso a mercado, por meio de sua rede de relacionamentos.

COWORKINGS Espaços comuns alugados por profissionais de diversas áreas para desenvolverem os seus trabalhos. Possibilitam maior interação e networking. Além de serem espaços bastante flexíveis, permitem que as pessoas se conectem e interajam com talentos que possuem formações profissionais diferentes das suas, o que, em tese, aumenta a possibilidade de novos negócios.

INCUBADORAS

Oferecem suporte para que empreendedores desenvolvam ideias inovadoras, por meio de infraestrutura e suporte gerencial, orientando os empreendedores quanto à gestão do negócio e sua competitividade, entre outras questões essenciais ao desenvolvimento de uma empresa.

ENTIDADES DE APOIO

Entes governamentais ou sem fins lucrativos que, entre as suas ações, contam com atividades específicas para startups. Empresas com fins lucrativos são mais fornecedores do que entidades de apoio.

INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

Universidades, faculdades, e outras organizações que possuam cursos de nível superior e desenvolvam atividades de pesquisa e inovação.

GRUPOS ORGANIZADOS DE INVESTIDORES EM STARTUPS O investimento pode ocorrer de várias formas (anjo, seed capital, venture capital), facilitando o acesso das startups aos recursos, o que as mantêm na região e atrai as originadas em outros lugares.

MOVIMENTOS LOCAIS Com gestão própria e, muitas vezes, bastante informal, são grupos de pessoas que têm ou atuam com startups. Conforme amadurecem, tendem a se estruturar mais e fazer parcerias com entidades de apoio, para ampliar sua capacidade de atuação.

STARTUPS Empresas com base tecnológica, de modelo de negócios repetível e escalável. Possuem elementos de inovação e trabalham em condições de incerteza.

Para formatar o modelo de negócio, a ponto de ser incorporada pela líder do setor, A Deliveria contou com o apoio do Sebrae/PR, que contribuiu com o desenvolvimento de um plano de negócio. “As consultorias do Sebrae/PR possibilitaram que a empresa se estruturasse comercialmente ainda no começo das atividades, ensinando aos sócios como lidar com imprevistos ocasionais. A entidade também auxiliou A Deliveria a conquistar e fidelizar novos clientes, o que foi essencial para o crescimento da empresa e para colocá-la no foco de grandes players”, conta Roberto Moreira. Fabrício Pires Bianchi, consultor do Sebrae/PR e gestor de projetos de startups na região norte, conta que o primeiro contato com A Deliveria foi feito durante um Meet Up, no segundo semestre do ano passado. Pouco tempo depois, nas consultorias, os credenciados do Sebrae/PR ajudaram a implementar o Canvas – uma ferramenta de planejamento estratégico, que permite desenvolver e esboçar modelos de negócio novos ou existentes, além de um planejamento de marketing. E foi por meio dos eventos promovidos pelo Sebrae/PR que os empreendedores de A Deliveria tiveram a oportunidade de conhecer empresários renomados no mundo das startups, como Daniel Dalarossa, um brasileiro que se destacou no mercado no Vale do Silício. Em novembro, durante o ECO.TI 2014, o principal evento na área de TI no norte do Estado, que reúne palestrantes das maiores empresas de software do mundo, A Deliveria apresentou seu caso de sucesso. “Foi nesse momento que a startup começou a ser assediada. Acreditamos que o contato e o envolvimento da A Deliveria com outras startups trouxeram visibilidade para o negócio”, afirma Bianchi.

Fonte: Mapeamento dos Ecossistemas de Startups do Paraná – First Picture/Sebrae/PR 34

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Foto: Rafael Moreschi

do ano passado, em Curitiba. Sucesso no exterior e no Brasil, o programa – de metodologia nascida em Portugal, cujo objetivo é a ‘aceleração’ de empreendedores – é realizado no Estado pelo Sebrae/PR. Durante uma semana, pessoas interessadas em tirar uma boa ideia do papel têm a oportunidade de participar de atividades envolvendo técnicas de comportamento do empreendedor, construção de times, finanças, marketing e estruturação do negócio. O nome é inspirado em uma frase de Steve Jobs: “é melhor ser um pirata do que trabalhar para a Marinha”. Ele conta que a inscrição ocorreu cerca de um mês após a decisão de deixar o emprego para dar vida a sua primeira startup. “Foi, sem dúvida, o melhor programa de aceleração de empreendedores que participei. E olha que fui a muitos eventos em Curitiba e até em São Paulo. A curva de aprendizado foi incrível, principalmente pelo fato de ser um programa com muita prática”, elogia.

IDEIA DE NEGÓCIO, DE NÔGA SIMÕES E ROGÉRIO GONÇALVES DE SOUZA

E OUTROS EMPREENDEDORES, NASCEU NUM EVENTO PARA STARTUPS E FOI IDEALIZADO PARA ATENDER UMA NECESSIDADE

O consultor do Sebrae/PR acrescenta ainda que Londrina apresenta um ambiente favorável para o surgimento de novas startups. “Contamos com uma governança engajada, com incubadoras dentro das universidades, com um APL [Arranjo Produtivo Local] atuante e com investidores-anjo, que financiam projetos inovadores. A integração de todos esses atores, que apoiam e que dão condições para o surgimento, chegada ao mercado e crescimento das startups, como vimos no caso da A Deliveria, é fundamental para estimular o nascimento de novas empresas que seguem esse conceito”, destaca.

Ousadia na dose certa Na avaliação de Marielle Rieping, consultora do Sebrae/PR que cuida das startups na região de Curitiba, a capital paranaense tem como principal desafio integrar os diversos atores que trabalham com startups ainda de 36

forma fragmentada. “Estamos conversando, percebendo as necessidades. O objetivo é trabalhar com ações mais conjuntas, criar uma união para que o ecossistema se fortaleça”, projeta. Entre as boas iniciativas que surgiram na área nos últimos meses, está a Sywork, uma plataforma de vídeos ao vivo para artesãos e pessoas criativas. O idealizador, Marcelo Echeverria, 29 anos, conta que trabalhava como gerente de marketing e vendas em uma indústria multinacional, quando decidiu apostar em uma ideia que surgiu de uma conversa com a mulher, Milene. “Ela é artesã e tinha uma página no Facebook com mais de 11 mil seguidores. Pensamos, por que não fazer uma transmissão ao vivo e mostrar aos seguidores como ela fazia o seu artesanato?” Para viabilizar o projeto, Echeverria convidou o programador Felipe Latif Mechailech, que conhecia há sete

anos, para começar uma sociedade. “Ele era sócio de uma empresa que desenvolvia todos os sites da empresa em que eu trabalhava. Ambos decidimos pedir demissão de nossos empregos para empreender.” O sucesso da plataforma é tanto, que levou os empreendedores a alçarem voo ao Vale do Silício, onde estão atualmente. A Sywork, explica Echeverria, é focada em pessoas com talentos manuais. O objetivo é que profissionais como artesãos e ilustradores façam transmissões ao vivo e ganhem dinheiro com isso. “Qualquer pessoa pode entrar e fazer uma transmissão ao vivo gratuitamente. É como ter o seu próprio canal de televisão na internet”, detalha.

Marcelo Echeverria foi um dos participantes da segunda edição paranaense do Programa Startup Pirates, que deu origem a oito startups, em novembro

Marielle Rieping recorda que, para participar, não é necessário ter uma ideia pronta de startup. O grupo de Marcelo Echeverria, por exemplo, trabalhou durante o Startup Pirates em um projeto chamado Pergunta Ninja, que consistia em lançar questionamentos ao prefeito. “Eles, inclusive, validaram com o Gustavo Fruet [prefeito de Curitiba], que respondeu à pergunta deles em vídeo.”

O TEMA STARTUPS É UMA DAS LINHAS ESTRATÉGICAS ELEITAS PELO SEBRAE/PR PARA ACOMPANHAR O DINAMISMO DO EMPREENDEDORISMO E DA SOCIEDADE

Para Echeverria, o ecossistema de Curitiba está se desenvolvendo rápido, com boas práticas como eventos e cursos de qualidade. “É importante ter essas iniciativas, mas não pode ser o objetivo final de um ecossistema de startups. O objetivo tem que ser construir boas empresas que resolvam problemas globais”, defende.

Solução para uma necessidade O Sebrae/PR também contribui para a criação de um ecossistema de startups em Maringá e Região, com redes de apoio em um ambiente favorável, para que novos modelos de negócios encontrem espaço e suporte para se desenvolver. Muitas inciativas já foram realiza37


Foto: Rodrigo Czekalski

O ECOSSISTEMA PARANAENSE

EM MENOS DE DOIS ANOS, STARTUP DE MATHEUS GANZERT

JÁ CONQUISTOU MAIS DE 2 MIL CLIENTES EM TODO O BRASIL

VERSÃO DEZ/2014

O mapeamento nas principais regiões do Paraná, que levou cerca de dois meses para ser concluído, apontou que o Estado conta com:

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coworkings com presença de startups

programas de aceleração com histórico de startups aceleradas

3

27

grupos de investidores organizados e formalizados que já realizaram investimento em startups e têm como foco esse segmento

entidades de apoio com ações específicas para o público startup

27

7

instituições de ensino superior ações específicas para startups

movimentos locais com empresários de startups que realizam ações para o desenvolvimento do ecossistema local

16 incubadoras que possuem startups incubadas

167 startups digitais

das com êxito, como avalia a consultora do Sebrae/PR Érica Cristina Sanches, responsável pelo programa focado em startups no noroeste do Paraná.

AS INCUBADORAS OFERECEM SUPORTE PARA QUE EMPREENDEDORES DESENVOLVAM IDEIAS INOVADORAS, POR MEIO DE INFRAESTRUTURA E SUPORTE GERENCIAL

“Construímos o planejamento estratégico e alinhamos uma atuação com visão de curto, médio e longo prazo. Com o compromisso assumido por todos os parceiros, em breve Maringá se destacará no cenário nacional na criação e atração de startups de sucesso”, acredita a consultora. Foi também num Startup Pirates, realizado em Maringá, que nasceu o aplicativo ‘Tá quente, tá frio’, o melhor avaliado dentre as ideias apresentadas no evento. Trata-se de um aplicativo que traz, em resumo, a solução para um problema frequentemente enfrentado pelas pessoas, que é não conseguir localizar facilmente seus carros nos estacionamentos, ou ambientes abertos. Nôga Simões e Rogério Gonçalves de Souza, empreendedores da iniciativa,

explicam que “ao estacionar o carro, o motorista poderá ativar o aplicativo que fará o registro do local, depois, ao retornar em direção ao carro, basta ativar o aplicativo, que por meio do sistema Global Positioning System (GPS), guia o usuário até o veículo”. A solução também será aproveitada por comércios locais, que serão parceiros do aplicativo. “Ao estacionar o carro e ativar o aplicativo, automaticamente, as empresas de varejo da região próxima ao veículo enviarão cupons de descontos para os usuários”, complementa a empreendedora. O desenvolvimento do ‘Tá quente, tá frio’ contou com o apoio do Sebraetec – Serviços em Inovação e Tecnologia, na modalidade de Diferenciação, que subsidia recursos para a implantação de projetos de inovação. Agora, o aplicativo está quase pronto, a previsão é que neste segundo semestre de 2015 os usuários já possam fazer o download. 39


CONCLUSÕES DO MAPEAMENTO

PONTOS POSITIVOS

Existem muitos atores de qualidade no Estado, com ações de impacto nos ecossistemas de startups do Paraná Há startups criadas e desenvolvidas com bom desempenho e bons resultados Grupos organizados das empresas de tecnologia da informação favorecem a formação de ecossistemas sobre uma rede já estruturada A receptividade das organizações em relação ao tema startup e a participação do Sebrae/PR neste ambiente é muito positiva

OPORTUNIDADES DE MELHORIA

Existe espaço para aumentar a conexão entre os atores, gerando resultados de maior impacto Nem sempre o entendimento da diferença entre o modelo tradicional de negócios baseado em tecnologia e o modelo de startups é claro para os envolvidos, o que aponta para oportunidades de capacitação e disseminação de conceitos técnicos Um planejamento de ações específicas que leve em conta o estágio dos ecossistemas pode contribuir para o amadurecimento de cada território

Nicho de mercado

RESULTADOS 2015

Em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, um exemplo de startup é a Redaweb, que é uma agência que produz conteúdo informativo e jornalístico para sites e blogs, veículos de imprensa e mercado corporativo. O CEO da Redaweb, Matheus Ganzert, comenta que o empreendimento surgiu após ele participar do Startup Club Ponta Grossa, evento realizado pelo Sebrae/PR e voltado para quem quer empreender e criar produtos.

Confira alguns indicadores já conquistados

Atualmente, a empresa fundada em 2013, já conquistou mais de 2 mil clientes em todo o Brasil, produziu mais de 30 mil textos e possui uma equipe de 65 redatores. E com o objetivo de crescer, escalar e expandir cada vez, a Redaweb é uma das 35 empresas do Paraná participantes do programa inédito - fruto da parceria entre o Sebrae Nacional e Endeavor Brasil - e que pretende ser um estímulo para o desenvolvimento de pequenas empresas de todo o País. A metodologia do programa inclui mentorias, que são orientações dadas por profissionais gabaritados dos mais diversos segmentos empresariais aos participantes. “A análise mais profunda dos negócios auxilia a escalar e crescer mais rápido”, projeta Matheus. “Em Ponta Grossa e demais municípios da região dos Campos Gerais há um potencial significativo a ser explorado pelas startups, em função do polo universitário, incluindo principalmente a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que apoiam a modalidade de negócio. Contamos ainda com um grupo de pessoas interessadas no assunto, por meio do Território de Inovação dos Campos Gerais, que pretende desenvolver o ecossistema e trazer ainda mais inovação à região. São diversas as novas multinacionais que estão chegando e que precisam de soluções rápidas e acessíveis”, diz a consultora do Sebrae/PR Thaise do Amaral, que coordena os projetos de startups na região. (Colaboraram nesta reportagem os jornalistas Adriano Oltramari, Camila Cabau, Juliana Dotto e Patrícia Biazetto)

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PARA RAFAEL TORTATO,

CONSULTOR DO SEBRAE/PR E COORDENADOR DO PROGRAMA STARTUP PR, PARANAENSES TÊM POTENCIAL

PALESTRAS, WORKSHOPS E SEMINÁRIOS

WEEKEND, PIRATES, CONSULTORIAS, EDITAIS E EVENTOS COM MAIS DE 100 PARTICIPANTES

STARTUPS FORMALIZADAS

216 2.577

STARTUPS ATENDIDAS

POTENCIAIS EMPREENDEDORES

NO QUE O SEBRAE/PR PODE AJUDAR O Sebrae/PR trabalha com startups há um ano e meio e desde então vem apoiando iniciativas nesse sentido. O tema é uma das linhas estratégicas da entidade. O Programa Startup PR é estadual e tem como principal objetivo fortalecer o ecossistema de startups e estimular o surgimento de novas ideias de negócios. Quer conhecer as soluções do Sebrae/PR para startups e futuras startups? Procure o Sebrae/PR mais próximo ou acesse o portal da entidade, no www.sebraepr.com.br. A entidade prepara ainda um programa de lideranças para o público de startups, uma missão técnica de benchmarking e, ao final deste ano, um evento estadual que vai movimentar todo o ecossistema.

ACESSE UTILIZANDO O QR CODE

A INTEGRAÇÃO DOS ATORES, QUE APOIAM E QUE DÃO CONDIÇÕES PARA O SURGIMENTO, CHEGADA AO MERCADO E CRESCIMENTO DAS STARTUPS, É FUNDAMENTAL

PORTAL SEBRAE/PR WWW.SEBRAEPR.COM.BR

SAIBA MAIS O mapeamento está disponível para download no site do Sebrae/PR:

http://goo.gl/6YdrVa

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

EMPREENDER

AUTOSSUSTENTÁVEL

PELA FILOSOFIA DE MUHAMMAD YUNUS, O LUCRO É REAPLICADO NO NEGÓCIO, E O EMPREENDEDOR TEM UMA REMUNERAÇÃO DIGNA PELO SEU TRABALHO

Nova forma de fazer negócios vai além do lucro individual e envolve comunidades que, ao empreender juntas, conquistam mais resultados e transformam suas próprias realidades Por Bruna Komarchesqui

P

essoas na linha da pobreza são como bonsais. Não há nada errado com as ‘sementes’, elas só não crescem porque não lhes são dadas as oportunidades necessárias. Partindo dessa premissa, Muhammad Yunus, economista indiano vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2006, idealizou o modelo de negócio social, em que o único propósito de existência de uma empresa é resolver um problema social de forma financeiramente autossustentável. A ‘nova forma de fazer negócios’, que tem ganhado força no Brasil nos últimos anos, é tema do livro “Empreendedorismo com foco em negócios sociais”, recém-lançado pelo Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre o Terceiro Setor (Nits) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Organizada pela professora Ana Lucia Jansen de Mello de Santana, em parceria com Leandro Marins de Souza, a publicação integra as ações do Projeto Empreendedorismo com Foco em Negócios Sociais, apresentado pela instituição ao Edital de Educação Empreendedora do Sebrae em 2013. “A literatura no Brasil ainda é tímida sobre o assunto. Nosso objetivo é disseminar o conhecimento dentro do País, na expectativa de que mais pessoas se envolvam com a temática e vislumbrem oportunidades de fazer negócios não-tradicionais”, argumenta Ana Lucia. Na definição dela, o livro – disponível apenas em versão online – é um ‘mosaico’ de opiniões de especialistas no assunto.

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Foto: Divulgação

NEGÓCIOS SOCIAIS, LUCRO COLETIVO

NOBEL DA PAZ DE 2006, MUHAMMAD YUNUS

É CONSIDERADO O ‘PAI’ DO EMPREENDEDORISMO SOCIAL

“Tem a parte mais teórica, com discussões como a avaliação dos impactos de investimentos em negócios sociais, a visão brasileira no âmbito de legislação e regulação, além de casos paranaenses, nacionais e internacionais. Assim, partimos do micro e vamos para o macro”, resume a coordenadora do Projeto. Entre os autores dos capítulos, estão professores da UFPR e profissionais que atuam em diferentes áreas no mercado. “São pessoas da área jurídica, economistas, que aceitaram o desafio de trabalhar neste edital do Sebrae. Convidamos coautores para participar, como o pessoal da Yunus Brasil e a pro-

fessora Graziella Comini, da USP [Universidade de São Paulo], que faz uma leitura conceitual do tema.”

Próximos passos A publicação, “primeira dessa forma no Brasil para tratar do tema de maneira mais completa, com diferentes questões”, como afirma Ana Lucia, foi lançada oficialmente em maio, durante o Congresso Internacional de Negócios Sociais e Empreendedorismo da UFPR, apoiado pelo Sebrae/PR. Realizado em Curitiba, o evento contou com a presença de Muhammad Yunus, que, na ocasião, recebeu da instituição o título de Doutor Honoris Causa. 43


“É um curso na área de ensino de empreendedorismo, com foco em negócios sociais, com objetivo de uma disseminação ampliada do tema. São 30 horas, sendo quatro encontros presenciais e o restante na modalidade a distância EAD”, destaca Ana Lucia. Destinado a qualquer professor universitário, seja ele da UFPR ou não, o curso não tem data definida, mas deve ocorrer ainda neste segundo semestre. Na mesma linha, o grupo de pesquisa está desenvolvendo uma capacitação para alunos, que ocorrerá em duas turmas – uma ainda neste semestre, outra no próximo ano. “Neste, vamos tratar de metodologias para que eles se tornem empreendedores, discutir o que devem fazer com suas ideias inovadoras”, completa a coordenadora do Projeto.

ANA LUCIA JANSEN DE MELLO DE SANTANA,

PROFESSORA DA UFPR, DEFENDE O ENVOLVIMENTO CADA VEZ MAIOR DAS PESSOAS COM OS NEGÓCIOS SOCIAIS

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Foto: Felipe Miretzki/Eficaz

Tendência entre os jovens A consultora do Sebrae/PR, Rosangela Angonese, coordena uma das linhas estratégicas da entidade, com foco em educação empreendedora. Ela lembra que a chamada pública da entidade contemplou 14 instituições de ensino superior com projetos de diferentes temáticas, com o objetivo de disseminar o empreendedorismo dentro das universidades. “Então, estamos discutindo negócios sociais nesse âmbito, a partir da proposta da UFPR, por meio de geração de conhecimento e estímulo ao empreendedorismo social, temática que vem ganhando corpo no mundo todo.” Rosangela Angonese destaca que o modelo tradicional, com geração de lucro apenas para um único proprietário, não se sustenta mais, sobretudo

entre empreendedores de perfil mais jovem. “Eles estão interessados em fazer negócios que vão além do lucro individual. Por isso, estamos sensibilizando, trazendo à tona esse assunto. Estamos falando de negócios que têm um dono, mas que, além de gerar lucro, trazem algum impacto social, ambiental, algo que vá além do lucro”, define. Membro da equipe técnica do Projeto da UFPR e autor de um dos capítulos do livro, o professor Cleverson Cunha reforça que, por ser mais idealista e sonhador, o jovem tem a necessidade de convergir seus projetos de modo a ajudar pessoas e garantir uma remuneração digna. “Tenho percebido o crescimento dessa tendência, os alunos têm encontrado nos negócios sociais a possiblidade de mudar uma parte do mundo. O modelo tem muito a ver com um negócio normal, o que muda é o foco, já que o objetivo não é ser rico, mas se autossustentar”, explica. O professor detalha que, nos negócios sociais, empreender é uma ação ligada

a uma importante e forte necessidade da sociedade. “Não é um problema do empreendedor, mas da sociedade, por isso, configura-se um modelo de negócio para atender essa necessidade. Nesse caso, é ainda mais fundamental ouvir o consumidor”, reforça. De acordo com Cleverson Cunha, o tema ainda está sendo ‘tateado’ no Brasil. “Não só no que diz respeito à parte legal, mas, também, como gerenciar uma empresa que não visa lucro”, explica ele. Nesse processo, a corrente adotada pelo Projeto da UFPR é a de Yunus, que vê o lucro como fonte de geração do negócio. “São duas correntes, a de Yunus e a norte-americana, que é um modelo, basicamente, de como ficar rico ajudando os outros. A ênfase deste último é no lucro, que existe para ser compartilhado entre acionistas. No modelo de Yunus, o lucro é reaplicado no negócio, e o empreendedor tem uma remuneração digna pelo seu trabalho”, compara.

O NEGÓCIO TRADICIONAL, COM GERAÇÃO DE LUCRO APENAS PARA UM PROPRIETÁRIO, NÃO SE SUSTENTA MAIS, SOBRETUDO ENTRE EMPREENDEDORES DE PERFIL MAIS JOVEM

Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagen

O livro – que em breve ganhará versões em inglês e espanhol – e o congresso com Yunus são apenas parte das ações do Projeto, frisa a professora. De olho na carência de disciplinas que tratem de negócios sociais nas grades curriculares de universidades do País e na falta de preparo dos docentes para debater o assunto, o próximo passo será um curso de extensão para a capacitação de professores de ensino superior por uma equipe técnica.

ROSANGELA ANGONESE,

CONSULTORA DO SEBRAE/PR E GESTORA ESTADUAL DE PROJETOS DE EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

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Responsável por toda a comercialização dos produtos, Ariane dos Santos explica que tem trabalhado com dedicação na divulgação do negócio, em busca de mais parceiros. “A empresa é pequena, mas não posso passar um valor irrisório para elas, de centavos, como costumam fazer por aí. Elas recebem um porcentual bem maior, até para caracterizar renda”, afirma.

Uma depressão após a morte da avó a levou a refletir sobre a necessidade de um recomeço. Largou o emprego e resolveu ir atrás dos sonhos. Foi aí que nasceu a Badu Design, que comercializa itens de papelaria artesanal e presentes corporativos. “Um tempo depois, quando vi a necessidade de expandir, conheci essa nova modalidade de empresa, o negócio social. Enquanto produzia, me preocupava com os retalhos que sobravam e pensava: como será que as indústrias fazem?”, recorda. 46

Uma pesquisa, que aponta algo como 175 mil toneladas de retalhos de tecido das fábricas indo para o lixo todos os anos, embasou a criação de um negócio social envolvendo mulheres na confecção de itens de papelaria com resíduo têxtil. “É uma forma de trabalhar em casa, ter tempo de qualidade para a família, para o que realmente importa”, explica Ariane. Uma dessas mulheres é Cristiane Matos Carvalho, 35 anos, moradora de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Ela conta que estava passando por um momento difícil há alguns meses, quando viu Ariane em uma reportagem na televisão. “Eu estava em depressão, buscando emprego há bastante tempo, sem encontrar nada. Me interessei bastante pelos bloquinhos, comecei a prestar mais atenção e vi que ela falou que ia abrir espaço para mais mulheres. Achei a página na internet e deixei uma mensagem.”

Comunidade online

DA BADU DESIGN, ENXERGOU O POTENCIAL DE MULHERES DA PRÓPRIA COMUNIDADE PARA EMPREENDER

Microempreendedora individual (MEI) com muito orgulho, e finalista do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios em 2014, a proprietária da Badu Design, Ariane Regina dos Santos, não pensava que seus cadernos e agendas encapadas com tecido, famosos desde a época da faculdade, um dia seriam fonte de renda para outras mulheres. Um típico negócio social.

O NEGÓCIO SOCIAL TEM MUITO A VER COM UM NEGÓCIO NORMAL, O QUE MUDA É O FOCO, JÁ QUE O OBJETIVO NÃO É SER RICO, MAS SE AUTOSSUSTENTAR

O grupo se reúne quinzenalmente em uma casa cedida pelo governo do Estado, dentro da Vila da Cidadania de Piraquara, também na Grande Curitiba. Nos demais dias, cada uma realiza a produção dos itens de papelaria em suas próprias casas. “Existe a perspectiva de um grupo de haitianas começar a trabalhar conosco”, planeja Ariane.

ARIANE REGINA DOS SANTOS,

De retalhos à autonomia

Felipe Miretzki/Eficaz

nosso momento de dividir, trocar experiências, podemos contar umas com as outras. É diferente de uma empresa em que você tem que ficar focado desde a hora que entra até ir embora. É muito legal, porque a Ariane dividiu isso com a gente e vamos crescendo juntas.”

O retorno de Ariane foi rápido e resultou na inserção de Cristiane no grupo, hoje formado por dez mulheres. Depois de três encontros de capacitação, ela comemora a entrega de sua primeira produção: um lote de 100 bloquinhos, que levou cerca de 15 tardes para fazer. “Eu já tinha feito algumas coisas para casa, como uma mesinha de mosaico, a pintura de uma parede, mas com papelaria é a primeira vez que mexo”, conta. Trabalhar em casa é ótimo, diz ela, mas só dá certo quando há uma rotina estabelecida. “Vou à academia bem cedo, depois cuido da casa, faço almoço, porque o marido almoça em casa, e à tarde começo minhas atividades, fico só focada naquilo. Se não separar um horário, não dá certo.” A nova rotina, garante Cristiane, nem se compara aos tempos em que trabalhava das 7 às 17 horas, como auxiliar de produção. “Nos encontros, temos

Tiago Dalvi estava no último ano da faculdade de Administração, na UFPR, quando tomou contato com os artesãos atendidos pela Aliança Empreendedora, que oferecia apoio para o desenvolvimento de microempreendedores de baixa renda de Curitiba e Região. “Percebi que eles tinham produto, preço, design, mas não faziam ideia de como vender, a roda não girava. Era preciso pegar na mão, apresentar para pequenas lojas, porque tinha muita gente querendo comprar, mas ninguém fazendo a ponte desses dois mundos. Aí veio o clique de montar Solidarium como um negócio social, não como uma ONG [Organização Não Governamental] ou associação, não dependendo de filantropia”, recorda. Com apenas 19 anos e sem muita experiência, o fundador e atual CEO da Solidarium começou o negócio em 2006, ‘de um jeito errado’, como faz questão de ressaltar. “Montamos uma loja de shopping, mas percebemos que, com 8,5 milhões de artesãos no Brasil, aquele era um modelo caro e difícil de escalar.” O fechamento da loja veio em

EMPREENDEDORAS

APOSTAM NA FORÇA DA COMUNIDADE PARA SEGUIR COM SEUS NEGÓCIOS

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NO QUE O SEBRAE/PR PODE AJUDAR

TIAGO DALVI,

DA SOLIDARIUM, APOIA MICROEMPREENDEDORES DE BAIXA RENDA QUE, JUNTOS, COMANDAM UMA PLATAFORMA DE VENDAS COM UMA MÉDIA DE UM MILHÃO DE VISITAS/MÊS

O Sebrae/PR tem várias soluções para despertar o empreendedorismo em crianças e jovens, tanto no ensino fundamental como no ensino médio. Por meio de parcerias com poder público e iniciativa privada, são aplicados no Paraná programas, como o Jovens Empreendedores Primeiros Passos ( JEPP); Formação de Jovens Empreendedores (FJE); Despertar; e Crescendo e Empreendendo. A ideia é estimular a criatividade e o pensamento crítico, incentivando os estudantes a sonhar e a ter vontade de realizar os seus sonhos. Bem como despertar, no caso dos jovens, a predisposição para “empreender”, preparando-os para que vivenciem aspectos da cidadania enquanto fator de responsabilidade social, contribuindo para uma mudança socioeconômica. A entidade elegeu ainda o tema educação empreendedora como linha estratégica para os próximos anos. Mais informações, ligue para o

0800 570 0800, do Sebrae/PR.

2008, quando a Solidarium viu que o caminho para o desenvolvimento de artesãos era bater à porta de grandes varejistas. “Miramos no Walmart, pela capilaridade e por saber que, conseguindo com eles, outros nos abririam portas. Foram meses ouvindo não de secretárias até conseguir uma reunião. Com o trabalho, inserimos o artesão em 56 lojas e chegamos a outras redes, como a Imaginarium”, recorda. Até que, em 2011, o contato com uma aceleradora do Colorado, nos Estados Unidos, levou o negócio social para o mundo online. Hoje, a plataforma www.solidarium. net soma uma média de 1 milhão de visitas mensais aos cerca de 12 mil lojistas brasileiros, com mais de 300 mil produtos em estoque. “É uma comunidade de compra e venda. Cobramos 48

uma comissão de 15% sobre as operações e garantimos segurança”, resume Dalvi. O sucesso da iniciativa é tanto que, há quatro meses, a equipe de 16 pessoas da Solidarium trabalha em uma novidade: o Olist, uma plataforma que congrega as grandes redes varejistas em um só lugar. Passados dez anos, os erros e acertos ensinaram o empreendedor social a não ver o lucro como algo negativo. “Lá atrás, o produto era comprado por R$ 10 do artesão, vendido por R$ 15 ao Walmart, que revendia por R$ 30. E acabava que a maioria desse valor ficava com o governo, em impostos. Hoje, se o artesão vende por R$ 10, na Solidarium e na Olist continua sendo R$ 10 o preço. O Controle está 100% nas mãos do artesão, ele decide o preço”, resume Tiago Dalvi.

SAIBA MAIS O livro “Empreendedorismo com foco em negócios sociais” está disponível para download gratuito :

Acesse agora

http://goo.gl/SuABeX

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

FONTES ALTERNATIVAS

EMPRESAS DE OLHO NO FUTURO

TEMA PRIORITÁRIO PARA O SEBRAE/PR, EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E ENERGIAS RENOVÁVEIS SÃO OBJETOS DE PROJETOS DESENVOLVIDOS PELA ENTIDADE

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Investir em fontes energéticas alternativas é saída inteligente para empreendedores que querem manter-se competitivos num mercado global exposto à escassez Por Bruna Komarchesqui e Juliana Dotto

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asolina mais cara. Reajuste na conta de luz. As notícias das altas nas tarifas de energia que, em alguns casos, chegam a superar os 40% previstos no início do ano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) são um alerta de que o momento é de repensar o atual mo delo energético do País. Sem ter como repassar o reajuste ao consumidor final, também afetado pelas sucessivas altas e pela crise econômica, o empreendedor precisa encontrar alternativas para manter a competitividade do negócio. É neste cenário que ganham força as energias renováveis, vantajosas do ponto de vista econômico e ambiental. Tema prioritário para o Sebrae/PR, eficiência energética e energias reno váveis são objetos de projetos desenvolvidos pela entidade. Um deles é o Programa Oeste em Desenvolvimento, em parceria com a Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná (Caciopar),

Foto: Helen Marques

TENDÊNCIA

JOSÉ CARLOS COLOMBARI,

PRODUTOR DE ENERGIA EM PEQUENA ESCALA

Itaipu Binacional, Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI-BR), Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop). “Foram mais de 100 unidades agroindustriais mapeadas e, agora, estão sendo desenvolvidas modelagens de uso de energias renováveis, para que elas se apropriem”, explica o diretor de Operações do Sebrae/PR, Julio Cezar Agostini. Presidente da AGX Energia (EUA) e considerado um dos maiores especialistas mundiais no assunto, Claudio Lima foi contatado pelo Sebrae/PR para conduzir um mapeamento do setor de Energias Renováveis que poderá ser utilizado pela Câmara Técnica do Programa. Ele também está trabalhando com o Sebrae/PR e a Prefeitura de Curitiba em um plano para incorporar conceitos de energias renováveis ao longo da Linha Verde, projeto urbanístico na capital paranaense. “Temos, ainda, negociações em andamento em Maringá e na Região

dos Campos Gerais”, conta Agostini. A partir dos estudos, estão em desenvolvimento três modelagens de negócios – em que a aplicação de energias renováveis é mais viável – para que os produtores se apropriem: uma fecularia, cujo retorno do investimento ocorre em dois anos; o aterro sanitário de Cascavel, que contará com microgeração de energia; além de um frigorífico. “O objetivo é transformar o potencial em fato. Para isso, teremos uma agenda pública, que aponte o que os municípios podem fazer nesse sentido, e uma agenda privada”, destaca o diretor de Operações do Sebrae/PR. Iniciado há cerca de um ano e meio, o Programa Oeste em Desenvolvimento pretende fomentar um planejamento de sustentabilidade do território, que seja independente, a partir de potencialidades da região. Visando o desenvolvimento das cadeias produtivas, foram estabelecidas algumas condições prioritárias para a criação de um ambiente positivo, os chamados eixos estruturantes do Programa. São eles: 51


Foto: La Imagen

SÓ NO OESTE DO ESTADO, MAIS DE 100 UNIDADES AGROINDUSTRIAIS FORAM MAPEADAS E, AGORA, ESTÃO SENDO DESENVOLVIDAS MODELAGENS DE USO DE ENERGIAS RENOVÁVEIS

JULIO CEZAR AGOSTINI,

DIRETOR DE OPERAÇÕES DO SEBRAE/PR

Capital Social e Cooperação, Pesquisa e Desenvolvimento, Infraestrutura e Logística, Crédito e Fomento, além de Energias Renováveis. Por sua relevância e oportunidade, as energias renováveis foram o primeiro ponto a ser trabalhado, por meio da criação de uma câmara técnica individual, em outubro do ano passado. Com uma produção significativa de suínos e aves, cujos detritos são capazes de gerar energia, o oeste paranaense é o local propício para a implantação de um conjunto de ações na área de biomassa. “A ideia é aproveitar esse potencial, para criar um cluster de energias renováveis. No oeste de Santa Catarina, 40 mil aves morrem por dia, em decorrência de quedas de energia. Queremos aproveitar essa mesma metodologia do Claudio Lima, para um programa no sul do Brasil, abrangendo toda essa faixa oeste, que tem

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as mesmas características”, sublinha Julio Agostini. Um projeto semelhante também está em negociação no sudoeste do Paraná. “Estamos articulando uma aliança com a Copel [Companhia de Energia do Paraná], para a implantação de um programa de estímulo às energias renováveis”, adianta.

Conta de luz zerada A história da família Colombari, de São Miguel do Iguaçu (oeste do Estado), com as energias renováveis começou há uma década, com a instalação do primeiro biodigestor na Granja São Pedro. O objetivo era resolver o passivo ambiental da propriedade de 250 hectares, que, na época, contava com um plantel de 2 mil suínos. Meses depois, José Carlos Colombari resolveu instalar um autogerador, para utilizar o biogás na produção de energia elétrica para consumo interno.

Foto: Felipe Miretzki/Eficaz

Não demorou até aparecerem as parcerias. “O pessoal da Itaipu tinha um projeto em andamento de geração distribuída. Eles vieram conhecer a propriedade e, em 2008, começamos uma fase de teste, em um sistema paralelo à rede da Copel. Logo depois, fui o primeiro produtor de energia em pequena escala no Brasil a ter inscrição na Aneel”, recorda. Com a sincronização à rede da Copel, Colombari passou a vender o excedente para a empresa. “Assim, a conta de energia na propriedade se torna zero. Além de toda a economia na produção, o que sobra ainda fica como crédito para minha residência e a dos cinco colaboradores, que moram com suas famílias”, contabiliza. Para fabricar a ração para engorda dos 5 mil animais que tem hoje, Colombari contabiliza que gastaria cerca de R$ 14 mil em óleo diesel por mês. Além da viabilidade econômica, ele afirma que os ganhos ambientais são ainda maiores. Um dos subprodutos do tratamento dos dejetos, acrescenta, é um biofertilizante bastante rico, que acaba sendo outra fonte de renda. “Uma propriedade com mil animais já compensa ter biodigestor. Calculo que um projeto para este porte custaria de R$ 100 a R$ 150 mil. É preciso fazer as contas. O governo federal tem linha específica de crédito, a ABC [Agricultura de Baixo Carbono], com prazos de 15 anos.” Superintendente de energias renováveis da Itaipu Binacional, Cícero Bley reforça que a Câmara Técnica de Energias Renováveis é uma oportuna resposta ao alto custo da energia, um dos fatores fundamentais na competitividade industrial. “É um bom momento para se propor e fazer coisas concretas. Temos 30 ou 40 empresas e universidades envolvidas nos debates de alternativas como biogás, placas solares, microhidreletricidade.” A necessidade de eficiência energética, para manter a competitividade, é fator de adesão maciça das cooperativas aos projetos. Segundo Bley, seis cooperativas, que agregam mais de 500 mil produtores, estão envolvidas

MARIO COSTENARO,

PRESIDENTE DO OESTE EM DESENVOLVIMENTO, NA TRIBUNA DA ASSEMBLEIA

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nas discussões e buscam implantar, de alguma forma, fontes alternativas de energia. “A área de alimentos processados já tem feito um bom trabalho com biogás. Esse é um programa prioritário para a Itaipu, que entende como uma forma de levar todo o conhecimento em energia, com essa perspectiva do desenvolvimento econômico local.”

O Programa O desenvolvimento econômico do oeste do Estado, por meio de processo participativo e cooperação entre público e privado, é o alvo principal do Programa. Mario Costenaro, presidente do Oeste em Desenvolvimento, ressalta que o princípio é o desenvolvimento endógeno, ou seja, identificar e fortalecer ações em que a região possa crescer a partir de recursos e competências próprios. “É um programa focado na sinergia para geração de oportunidades e agregação de valor à produção regional. Sua força está na participação, na mesma mesa, do micro, do pequeno, do médio e do grande produtor. E, somado a eles, as instituições governamentais de todas as esferas administrativas e entidades representativas.” Esse “compreender a visão do outro”, que vem sendo assimilado pelos participantes, é um dos grandes trunfos

da iniciativa, na opinião de Costenaro. Ele destaca ainda o associativismo e o cooperativismo como importantes potencialidades regionais. “Desde o início, o Sebrae, a Itaipu, a FPTI, a Caciopar, a Amop, a Ocepar e a Fiep têm estimulado a maior participação de atores regionais, que agora se efetiva e é de fundamental importância não só para o Programa como para o desenvolvimento da região oeste, para a superação de gargalos, para a inovação, para agregação e potencialização dos seus recursos disponíveis e para garantir a consolidação de um desenvolvimento sustentável”, enumera. Desde o ano passado, quatro cadeias de proteína animal reúnem os atores integrantes em câmaras técnicas, para discussões conjuntas de dificuldades e potenciais. Paralelamente a isso, técnicos do Programa fazem entrevistas e visitas técnicas a produtores, indústrias e demais integrantes do segmento. “Essas atividades tiveram trabalhos de fechamento da primeira etapa, com encontros dos participantes das câmaras, mais outros especialistas, que compuseram um grande quadro de diagnóstico e diretrizes, material de insumo para formulação de planos de ações integradas”, detalha Costenaro. No eixo de Pesquisa e Desenvolvimento: Inovação e Tecnologia, está sendo desenhado um Sistema Regional de

Inovação, para otimizar e formalizar um processo de aproximação do capital científico com o setor produtivo. Para os demais eixos – Infraestrutura e Logística, Crédito e Fomento, Capital Social e Cooperação: Liderança, Empreendedorismo e Educação – alguns encontros e seminários já foram realizados. Consultor do Sebrae/PR, Augusto Cesar Stein conta que a Câmara Técnica de Energias Renováveis está na fase de construção de objetivos e direcionamentos e tem como aliado o Sebraetec – Serviços em Inovação e Tecnologia, um programa do Sebrae criado para subsidiar em até 80% projetos de inovação em diversas modalidades, dentre as quais a modalidade aglomeração, a qual se encaixa o Programa Oeste Desenvolvimento. Além do Sebraetec Aglomeração de Mapeamento e Análise de Energias Renováveis na Região, executado por Claudio Lima, estão em andamento dois processos Sebraetec Aglomeração, uma com a Cooperativa Lar e outra com a Cooperativa Copagril, sendo as duas executadas pelo Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (Cibiogás). Há ainda uma quarta iniciativa Sebraetec Aglomeração, com a Prefeitura de Itaipulândia. Stein destaca que os projetos apontam os pequenos negócios tanto como consumidores, quanto como fornecedores da cadeia de energias renováveis. “Pelos dois projetos de Sebraetec Aglomeração com as duas cooperativas, entendemos que podemos chegar ao apontamento de viabilidade para que pequenos produtores possam (ou não) utilizar-se do biogás como fonte complementar de renda ou, então, como fator de aumento da sua competitividade”, defende o consultor.

Apoio na Assembleia

AUGUSTO CESAR STEIN,

CONSULTOR DO SEBRAE/PR NO OESTE DO ESTADO

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Uma comitiva de lideranças da região oeste reuniu-se em julho passado, na Assembleia Legislativa do Paraná, em Curitiba, para apresentar aos deputados estaduais o Oeste em Desenvolvimento e pedir formalmente apoio dos parlamentares eleitos pela região, para que, juntos, formem uma parceria com a governança que executa o Programa desde 2014.

Na presença do presidente da Assembleia, Ademar Traiano, e dos deputados Chico Brasileiro, Ademir Bier, Elio Rusch, Artagão Jr., José Carlos Schiavinatto e José Rodrigues Lemos, o presidente do Programa Mário Costenaro falou sobre as intenções, desafios e avanços do Oeste em Desenvolvimento, que pretende fortalecer a economia regional, partindo da potencialização das características de cada município. “Nosso intuito é a aproximação efetiva com os deputados desta Casa para uma articulação estratégica de ações e discussões, que visem consolidar o desenvolvimento de nossa região, dentro de eixos estruturantes, e um ambiente propício para o crescimento, que seja sustentado na melhoria e ampliação da capacidade de produção local, com a utilização dos recursos disponíveis no território”, explicou Costenaro, que também utilizou a tribuna da Casa para expor a ideia. Entusiasta do Programa, Marcel Micheletto, prefeito de Assis Chateaubriand e vice-presidente do Oeste em Desenvolvimento, assinalou que a proposta pode servir de exemplo para as demais regiões se estruturarem em busca de crescimento econômico. “Estamos oferecendo aos parlamentares um modelo pronto de todo o potencial da região e ainda vemos mais oportunidades de crescimento. Nossa intenção é para que olhem para nossa região e visualizem o progresso, assim como pode servir de modelo para que outras regiões também se inspirem no Programa.” Após a exibição de um vídeo institucional, com imagens dos trabalhos realizados nos municípios e a explanação sobre as iniciativas do Programa, as lideranças presentes também ressaltaram aos deputados alguns pontos importantes, principalmente aquelas que pretendem potencializar as cadeias produtivas de forma estratégica, gerando condições favoráveis para o desenvolvimento dos pequenos negócios e o aumento da qualidade de vida para sua população.

O MAPEAMENTO EM NÚMEROS O mapeamento parte da elaboração de um diagnóstico das cadeias produtivas propulsivas da região oeste do Paraná, que abrange 54 municípios. A prioridade foi para as cadeias que, além de resultados econômicos, apresentaram maior encadeamento (presença em maior número de municípios e envolvimento do maior número de atividades e atores). O mapeamento dos ativos de energias renováveis presentes na região é fruto de um trabalho desenvolvido pela AGX Engenharia, sob a chancela de Claudio Lima, viabilizado por meio de um Sebraetec Aglomeração. A síntese da amostra é formada por 106 “respondentes”. Frigoríficos e laticínios foram maioria:

Fontes Fecularias 7

Frigoríficos 28

27%

20,8%

Aterro 5

Ceasas 2

ETES 3

7,3%

4,2%

2,1%

Laticínios 21

3,1%

7,3%

Outros 7

Cadeia Produtiva Instituto tecnológico 1

Centros de pesquisa 0

Eficiência energética 3

Fornecedores de serviços 3

Fornecedores de equipamentos 9

Consultorias e assessoria 4

Associação 4

Prefeituras 4

Universidades 5

4,7%

2,8% 3,8%

1%

2,8% 3,8%

0%

8,5%

3,8%

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Revista Soluções – De maneira simplificada: geração distribuída quer dizer produção e consumo locais?

SUSTENTABILIDADE NO PROCESSO PRODUTIVO É CAMINHO SEM VOLTA

Claudio Lima – Trata-se um mix de opções. Hoje eu posso ter geração no meu próprio ambiente de consumo, sem depender 100% de uma fonte externa, um meio externo, isso já é realizado e o governo, as concessionárias estimulam isso. Basicamente, o motivo principal é a redução de custo. Segundo, temos que reduzir carga. Isso significa dizer que não podemos construir grandes plantas, tem que construir de forma mais local. Grandes plantas são mais caras, centralizadas e também há o custo de produção, ao longo das linhas, então, esse mix é importante para o País.

Imagine uma cidade que gera localmente – por meio de fontes renováveis – parte da energia consumida, não dependendo somente das grandes hidrelétricas. E que tenha, em suas residências e estabelecimentos, medidores que permitam gerenciar o consumo em tempo real, gerando economia de recursos.

Revista Soluções – Isso acaba com a função das grandes distribuidoras de energia?

Muito mais do que uma possibilidade, esse ‘paraíso’ da produção descentralizada de energia é uma necessidade cada vez mais forte. É o que defende um dos maiores especialistas mundiais no assunto, Claudio Lima, coordenador técnico do Programa de Redes Elétricas Inteligentes (Smart Grid), do governo federal, e presidente da AGX Energia (EUA).

Claudio Lima – Não acaba. Eu diria que adiciona um pequeno incremento, não vai distorcer modelos. As empresas têm que se adaptar, mas eu diria que não vai afetá-las significativamente. Vai criar um novo modelo de inovação, que vai trazer benefícios. Esse modelo cria um mix de opções, não necessariamente impacta quem já está fazendo, mas adapta quem já está fazendo.

Claudio Lima esteve recentemente em Curitiba, em maio, com a palestra “Intersecção entre Smart City, Smart Grid e Geração Distribuída nas Cidades”, durante o Smart City Business America Congress & Expo, evento que teve apoio do Sebrae/PR e da Federeção do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR).

Revista Soluções – Pensando mais nos pequenos negócios e no Programa Oeste em Desenvolvimento, o que está sendo feito lá na região? Claudio Lima – O mapeamento das fontes de energias renováveis. Visamos identificar onde estão os projetos, as potencialidades de geração, que é muito incipiente, e as oportunidades de usar políticas públicas e privadas para potencializar o que foi mapeado.

A produção e consumo local de energias, aliada à medição inteligente, em tempo real, é a base do smart grid, um conceito de redes inteligentes, que defende a descentralização da produção de energia, com cada consumidor podendo produzir e armazenar ou vender o excedente.

ESPECIALISTA EM ENERGIAS RENOVÁVEIS NO EVENTO SMART CITY

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Revista Soluções – Em que fase está o projeto, o que falta?

Foto: Felipe Miretzki/Eficaz

CLAUDIO LIMA,

“Os projetos de iluminação pública hoje são muito verticais, não desenvolvem o potencial. É preciso ter uma visão de sinergia. No poste de iluminação, conectar outros serviços, como sensores, câmeras, carregadores de veículos elétricos”, detalha o especialista. Embora tratem de cidades, os conceitos também são aplicáveis às micro e pequenas empresas. Confira a entrevista que ele concedeu à Revista Soluções:

Claudio Lima – Está na fase final, eu diria que 80% feito. Estamos finalizando alguns estudos de caso, dentro de uns poucos meses finalizaremos. Já encerrou a pesquisa de campo, temos o mapeamento, estamos processando os dados para preparar o relatório e,

com isso, temos o direcionamento de três linhas de políticas públicas com os atores locais. Com esse mapeamento, vamos ter um estudo capaz de entender quais são as ações que o Sebrae pode focar localmente, para promover a cadeia produtiva local e ajudar os produtores a comprarem essa tecnologia. Não só comprar, mas usar a geração local de energias, alternativas para melhorar processo produtivo, redução de custo e aumento de eficiência. Revista Soluções – Pensando em pequenos negócios, a geração local é possível e vantajosa? Claudio Lima – Existem dois tipos de pequenos negócios. Estamos mapeando os fornecedores locais da região, de alta tecnologia, com destaque regional. Eles precisam de apoio do Sebrae para desenvolver empreendedorismo, gestão empresarial, mas hoje já têm mercado, tecnologia, precisa apenas de um impulso. A principal função é identificar quem são eles e potencializar para que possam atender essa cadeia produtiva que vai ser desenvolvida. Do lado do recipiente, que é quem vai consumir isso, que vai gerar sua própria energia, estamos focando, principalmente, na agroindústria, que tem dejetos industriais, chamamos os efluentes, o resíduo que é gerado no processo industrial, tem que ser jogado de volta no rio, após uma purificação, filtragem. Durante esse processo, podemos colocar biodigestores, que captam a digestão anaeróbica, que gera o metano, basicamente o biogás, que pode ser canalizado de volta para a indústria, através de uma geração energética, seja ela térmica ou elétrica. Esse é um processo que não está muito bem divulgado. A Itaipu já tem projetos nessa linha, que foca na produção rural de biogás via suíno, e tem essa questão das agroindústrias na região, que podem ser potenciais geradores de energia locais. Revista Soluções – Tem como fazer isso de uma maneira que seja economicamente viável? Claudio Lima – Sim. Nosso estudo atuou com vários elementos da cadeia, várias indústrias de diversos seg-

mentos. Identificamos algumas que são mais viáveis economicamente em curto prazo, com retorno de seis meses a dois anos. Que pode ser investido e retorna isso através de benefícios de redução de custos de energias. Outros são menos viáveis, até são viáveis, mas o retorno é um pouco mais longo. Revista Soluções – O Brasil ainda está atrasado nesse tipo de tecnologia? Claudio Lima – Eu diria que, de certa forma, sim, porque a Alemanha já saiu na frente, tem um profissionalismo muito bom nas automações, eu diria, sistêmica de equipamento. E o Brasil ainda está na fase intermediária do processo, já passamos da pior fase, que foi a fase inicial (estou falando basicamente de biogás e o nosso mapeamento da região). Existiu uma inserção na região, alguns anos atrás, que não funcionou muito bem a tecnologia, criou-se um estigma, aquela percepção negativa, isso ainda está instaurado na região. No levantamento detectamos isso. Por outro lado, detectamos avanços tecnológicos que podem mover isso para fase dois, não a fase final, que exige uma tecnologia de sistêmica muito mais avançada. Nós não temos ainda dominada, alguns casos pilotos mapeados. Eu diria que precisa levantar essa fase, para dominarmos, então, a cadeia. Na Alemanha, eles já dominaram isso, já têm essa forma muito profissional de ser, as tecnologias são avançadas, só que um pouco caras. Então, não podemos customizar, temos que desenvolver nossa capacidade de criar equipamentos, tecnologias locais. Revista Soluções – Olhando para essa agroindústria da região oeste, eles conseguiriam aplicar isso? Teriam que fazer empréstimos para viabilizar? Claudio Lima – Um dos grandes problemas que eles enfrentam hoje são linhas específicas de financiamento. Eu quero colocar um sistema na minha propriedade, eu não tenho, hoje, eu tenho alguns financiamentos rurais, mas não específico para essa linha que seria bastante atrativo. Isso vai vir a partir do nosso mapeamento,

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O CONCEITO SMART GRID DEFENDE A DESCENTRALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE ENERGIA, COM CADA CONSUMIDOR PODENDO PRODUZIR E ARMAZENAR OU VENDER O EXCEDENTE

porque ele permite que você agregue diversas opiniões de empresas para que possa elevar isso a um nível de graduação de políticas públicas. Revista Soluções – Falando um pouco da Linha Verde, em Curitiba, o que está sendo feito? Claudio Lima – A Linha Verde iniciou um pouco recente. A Secretaria Municipal de Planejamento divulgou planos de melhoria na Linha Verde, por meio de intervenções de obras públicas, que já estão em andamento, com os recursos arrecadados pelos Cepacs, que é um título da Linha Verde. A fase dois, que eu diria, é uma valorização da Linha Verde através de projetos sustentáveis, que possam adicionar valor ao projeto como um todo, usando práticas de sustentabilidade, nos pilares de inovação empresarial, geração distribuída e eficiência energética, através de múltiplas ações coordenadas municipais. Revista Soluções – Isso também pode ser feito com os empreendedores da região? Claudio Lima – Certamente. A ideia é o estímulo da cadeia produtiva local, e esse pilar de inovação sustentável. Basicamente, promover isso por meio do Sebrae, pensar em políticas locais, para promover o empreendedorismo sustentável através de ações, nesse cluster que vai ser formado em uma parte do projeto. Isso vai ser mapeado, estão sendo feitos estudos, que visam concluir com algumas ações que 58

o Sebrae pode e deve atuar, com o pequeno empresário, a empresa de base tecnológica e empreendimentos como um todo, universidades, e outros aspectos que o Sebrae é bom em fazer. Revista Soluções – É um bom momento para pensar nesse novo modelo, com essas altas tarifas de energia? Claudio Lima – Certamente. Uma garrafa de água hoje, de leite, vai ter que ter uma sustentabilidade intrínseca no processo, gastar menos água e energia na produção, isso vai ganhar certo apelo social, ambiental e econômico. É uma coisa que não tem mais volta. O Japão já está se preparando para isso por dois motivos: primeiro, eles não têm energia, nem recurso, então, têm que satisfazer o próprio país, segundo porque, ao fazer isso, torna-se um diferencial no mercado internacional. Falo do produto porque, se extrapolarmos o conceito produto, estamos agora focando em coisas, em aglomerações. Do produto, temos um prédio, uma construção, de uma construção, temos um bairro, de um bairro, uma cidade, de uma cidade, uma região. Então, isso vai evoluir de forma tal que, não só as cidades, mas as regiões criem diferenciais estratégicos de sustentabilidade, que prevalecerão em questões de competitividade. Irão prevalecer projetos e iniciativas que adotarem essas práticas, é algo que não tem mais volta, devido ao modelo, eu diria, não da redução, mas da otimização de recursos energéticos hoje ser prevalente.

NO QUE O SEBRAE/PR PODE AJUDAR Eficiência energética e energias renováveis são objetos de projetos desenvolvidos pelo Sebrae/PR. O Programa Oeste em Desenvolvimento é apenas um deles, com foco nos empreendedores da região oeste paranaense. Quer saber se o Sebrae/PR desenvolve alguma proposta na sua região? Ligue para 0800 570 0800 ou procure o Sebrae/PR mais próximo. A entidade também promove palestras sobre o tema. Confira sempre a grade de cursos do Sebrae/PR

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SAIBA MAIS Para conhecer mais o Programa Oeste em Desenvolvimento

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

CAPACITAÇÃO

COMPRAS PÚBLICAS

DE ACORDO COM O TCE-PR, 40% DAS COMPRAS GLOBAIS DE PREFEITURAS E CÂMARAS MUNICIPAIS JÁ SÃO FEITAS DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

LOCAL NA PRÁTICA

Programa no Paraná orienta empresários com informação, mostra que vender para poder público não é ‘bicho de sete cabeças’ desde que preparados, e que opção é alternativa para ganhar novos mercados Por Bruna Komarchesqui e Juliana Dotto

O

medo de levar um calote ou receio de ter de se envolver em esquemas ilícitos são, historicamente, os dois motivos mais comuns apontados por empresários de micro e pequenas empresas para não concorrer em processos de compras públicas. O cenário de temor e desconfiança vem mudando nos últimos anos, com um aumento gradativo de pequenos negócios, bem orientados, vendendo com sucesso para prefeituras e entidades públicas em geral. Mas ainda há um caminho considerável a se percorrer, quando o assunto envolve empreendimentos locais de pequeno porte nesse tipo de negociação. De um lado, desde 2006, a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa vem criando um ambiente favorável nesse sentido, ao estabelecer a obrigatoriedade do tratamento diferenciado aos pequenos negócios em compras públicas. De outro, dados do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) mostram que 40% das compras globais de prefeituras e câmaras municipais já são feitas de micro e pequenas empresas, mas, quando se olha apenas localmente, a participação cai para algo como 15%. “Um estudo da ONU [Organização das Nações Unidas] afirma que, se a prefeitura compra de um fornecedor local, o recurso gira em torno de sete vezes no município. A aplicação das leis 123

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Foto: Aron Mello/28mm Fotografia

DESENVOLVIMENTO

VALÉRIA SITTA

DIZ QUE, AOS POUCOS, PARADIGMAS ESTÃO SENDO QUEBRADOS, MOSTRANDO AOS EMPREENDEDORES QUE COMPRA PÚBLICA É UMA FORMA DE MELHORAR A COMPETITIVIDADE E AMPLIAR LUCROS

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Foto: Helen Marques

QUANDO O OLHAR É LOCAL, A PARTICIPAÇÃO DOS PEQUENOS NEGÓCIOS EM COMPRAS PÚBLICAS E GOVERNAMENTAIS CAI PARA APROXIMADAMENTE 15%

SALETE APARECIDA DE OLIVEIRA HORST

DESTACA A IMPORTÂNCIA DO ENVOLVIMENTO DE INSTITUIÇÕES E A CRIAÇÃO DE LEGISLAÇÕES ESPECÍFICAS PARA QUE OS PROCESSOS DE COMPRA E VENDA LOCAL SEJAM ESTIMULADOS

e 147 [que estabelecem o tratamento diferenciado para os pequenos negócios nas compras públicas] gera um benefício social indireto de ‘ensinar a pescar’ e de melhoria da gestão”, destaca o consultor do Sebrae/PR Marcos Uda, gestor estadual do Programa Compra Paraná, que tem como foco o mapeamento, a capacitação e a negociação permanente envolvendo compradores e fornecedores de compras governamentais públicas. Desenvolvido pelo Sebrae/PR, o Programa começou com um piloto em Londrina, no norte do Estado, em 2011, e hoje já chegou a 29 municípios. “Trabalhamos para desmistificar o tema, sensibilizar o empresário para que perceba que o risco de vender para entes públicos é o mesmo do mercado. Por isso, é importante par62

ticipar das capacitações, estar preparado e fazer a correta análise de risco. Há sinalizações durante o processo que protegem o fornecedor de entrar em um negócio para não receber lá na frente”, explica Marcos Uda. O Compra Paraná consiste em melhorar o ambiente de negócios para compras públicas envolvendo micro e pequenas empresas, por meio de um trabalho de preparação com o empresário (potencial vendedor) e com o ente público (comprador). “É uma trilha de fluxo de ações, não algo fixo, não um trilho. De acordo com as peculiaridades de cada município, fazemos ajustes para atuar”, assegura o gestor. De acordo com ele, o ideal é que as ações ocorram em municípios com a Lei Geral implementada, por meio do Programa Cidade Empreendedora,

iniciativa do Sebrae/PR, para que o comitê gestor dê o primeiro passo no sentido de motivar instituições e identificar o potencial e a concentração das empresas. Sem uma pesquisa que pudesse embasar o poder de compra de entes públicos, o Programa fez um convênio com o TCE-PR, a fim de obter o histórico de transações. Após o start dado pelo Sebrae/PR, em uma reunião com a apresentação desses dados sistematizados e da proposta de trabalho, o comitê segue com as etapas de sensibilização do empresário e das entidades compradoras. “O Sebrae/ PR provoca e deixa o legado. É importante que o trabalho seja permanente, independente da nossa presença”, justifica Marcos Uda.

Vinícius Milani, que coordena projetos com o objetivo de melhorar o ambiente para negócios na região leste do Estado, recorda que, neste ano, Curitiba recebe a segunda edição de um encontro de negócios, que coloca frente a frente fornecedores e compradores públicos e governamentais, como prefeitura, autarquias, governo do Estado e todo o Sistema S, que compra por meio de licitação. “Até o dia do encontro, teremos capacitações para compradores e fornecedores, falando sobre a legislação, o processo de licitação e os benefícios para ambos os lados. Vamos, gradativamente, aproximando os dois lados”, resume. Em Curitiba e Região, território onde estão abrangidos 36 municípios, inclusive os do Litoral, o poder global de compras de prefeituras e câmaras municipais é de R$ 3,1 bilhões. Em 2013, R$ 617 milhões dos negócios foram efetivados com micro e pequenas empresas, com apenas R$ 268 milhões dessas transações ocorrendo dentro do próprio município. “A média na região, de compras realizadas junto às micro e pequenas empresas localmente, não passa de 9%”, contabiliza. Milani recorda que, embora não haja dispositivos na legislação que favoreçam empresas locais em processos licitatórios, algumas medidas por parte do comprador podem ser um auxílio nesse sentido. “O tratamento diferenciado da Lei Geral já elimina algumas chances das médias e grandes empresas. Fazer pregões presenciais e editais exclusivos de até R$ 80 mil abre a oportunidade de o recurso ficar na cidade. Por outro lado, cabe ao empresário se preparar. Sempre falamos em compras públicas como mais um canal, mais uma oportunidade de venda, não como algo isolado”, ressalta. 63


Pesquisa de potencial O Programa Compra Londrina foi lançado como uma estratégia para o desenvolvimento econômico da cidade. Uma das ferramentas da proposta é a realização de pesquisas com fornecedores e compradores ligados aos órgãos públicos da cidade para identificar o potencial das compras públicas no município. A última pesquisa realizada pelo Compra Londrina, e apresentada em março de 2015, identificou que a expectativa dos órgãos públicos é gastar mais de R$ 200 milhões em processos licitatórios durante este ano. O estudo foi realizado com 29 órgãos públicos, de setembro a novembro de 2014, e estimou também os produtos e serviços que serão consumidos em 2015. A lista contempla 22 itens.

ESTUDO DA ONU REVELA QUE, SE A PREFEITURA COMPRA DE UM FORNECEDOR LOCAL, O RECURSO PAGO GIRA EM TORNO DE SETE VEZES NO MUNICÍPIO

Ainda de acordo com o estudo, 72,4% dos processos públicos de compras serão realizados por órgãos locais e 34,5% serão promovidos em outros municípios, mas o fornecimento ou a execução ocorrerá em Londrina. Todas essas informações podem ser acessadas no site www.compralondrina.com. br, que também foi lançado em março de 2015. O portal traz o calendário das ações do Programa e divulga os editais de licitações dos órgãos públicos.

Valéria Sitta, que está no comando do Bureau de Negócios, explica que o escritório faz o cadastro das empresas interessadas em participar das licitações públicas. “No início, ligamos para empresas da base de dados da ACIL, para saber exatamente o que cada uma vendia e o que poderia fornecer. Hoje, já temos 300 empresas cadastradas e os próprios empreendedores nos telefonam para passar as informações. Estamos quebrando paradigmas e conseguindo mostrar para os empreendedores que a compra pública é uma forma de melhorar a competitividade e ampliar os lucros”, diz.

Para Sergio Garcia Ozorio, consultor do Sebrae/PR responsável por projetos para a melhoria do ambiente de negócios no norte do Paraná, a criação do escritório de negócios dá sustentabilidade para o Programa, que é permanente. “O Bureau é o integrador de todo o processo e, além de identificar as oportunidades no mercado das compras públicas, organiza pesquisas, capacitações e rodadas de negócios, que são ações promovidas para melhorar o desempenho dos fornecedores e compradores nas licitações”, afirma. 64

Foto: Prefeitura de Ponta Grossa

Outra estratégia do Compra Londrina foi o lançamento do Bureau de Negócios, cuja proposta inovadora é colocar em contato os fornecedores e os compradores do poder público, que funciona na sede da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL). O escritório funciona como um ‘agente intermediador’ até que as empresas consigam ‘andar sozinhas’.

TÔNIA MANSANI:

ESPERAMOS NÃO SOMENTE AUMENTAR A ARRECADAÇÃO DO MUNICÍPIO, JÁ QUE AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS LOCAIS TÊM EXCLUSIVIDADE NOS PROCESSOS, COMO TAMBÉM AUXILIAR NO DESENVOLVIMENTO

Os compradores dos órgãos públicos também são beneficiados pela proposta e contam agora com um novo canal para divulgar os editais. “O Bureau foi uma surpresa porque também chamou a atenção dos compradores, que nos procuram para fazer parcerias. É um ‘ganha-ganha’”, acrescenta Valéria. Em Londrina, a ASEO, empresa que fornece produtos de limpeza, está no mercado há dois anos e dez meses, e ingressou cedo no universo das compras governamentais. Leonardo Côrtes Garcia, diretor c egundo ele, a elaboração dos editais por profissionais que não conhecem as especificidades do segmento e dos produtos de higiene é a maior dificuldade para partici-

par de algumas concorrências. “Isso permite que empresas com produtos menos concentrados [de qualidade inferior] possam ganhar a licitação, porém, geram mais gastos no consumo dos produtos e aumentam as despesas públicas”, avalia Leonardo Garcia.

Sem medo de mudar Para a empresária Andréia Regina Dallabrida, de Toledo, no oeste do Paraná, a experiência de ter o poder público como cliente mudou a dinâmica do negócio. “A mecânica de trabalho dos editais vai além do que estamos acostumados no dia a dia da empresa. Isso porque, antes mesmo de participar do processo licitatório, temos que prever tudo. Se teremos condições de atender, até que preço podemos chegar, se temos maquinário e equipe suficientes”, declara. Na análise de Andréia Dallabrida, vender para o poder público é uma garantia de entrada de capital, mas, também, um risco. “Tem que haver um planejamento antecipado, uma vez que há multa caso não se cumpra o contrato. Esse era um dos meus principais receios e que estou conseguindo ficar mais segura com a ajuda do Programa Compra Toledo. As capacitações nos ensinam a calcular tudo antes de encarar um edital. Isso fez

com que a empresa ficasse mais competitiva como um todo”, assinala. Andréia Dallabrida é dona da Brotos e Artes, uma empresa que começou como floricultura e hoje atua em toda a área de jardinagem. “Atendo a Prefeitura de Toledo desde 2010 e o planejamento para o serviço público me ajudou em produtividade. Tenho roçadeiras que rendem mais, consegui diminuir mão de obra, reestruturei e reformulei a tática de trabalho para correr riscos calculados”, diz a empresária destacando que 20% das suas vendas são destinados ao poder público.

De acordo com Adir Mattioni, consultor do Sebrae/PR no oeste do Estado e também gestor de projetos relacionados a tema ambiente de negócios, além de Toledo, Foz do Iguaçu, Cascavel e Marechal Cândido Rondon fazem parte do Compras Paraná. “Nesses municípios, as ações são intensas. Entretanto, atuamos com o tema compras governamentais em todos os municípios da região inseridos no Programa Cidade Empreendedora, levando treinamentos aos compradores e fornecedores e auxiliando na adequação da legislação”, sinaliza. Foz do Iguaçu, por exemplo, começou as atividades do Compra Foz do Iguaçu em 2013. “O primeiro movi65


GEFESON ARCEGO

MONTOU UMA PEQUENA EMPRESA DE PLOTAGEM E IMPRESSÃO DIGITAL EM 2010, NÃO TINHA A IDEIA DE VENDER PARA O SETOR PÚBLICO E, SÓ NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS, JÁ VENCEU TRÊS LICITAÇÕES

O RISCO DO CALOTE EXISTE, MAS EMPRESÁRIOS PREPARADOS E COM VISÃO DO CENÁRIO ECONÔMICO TÊM MAIS CHANCES DE SER BEM-SUCEDIDOS

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realizada pelo município em parceria com o Sebrae/PR e Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg).

Mais arrecadação Em Ponta Grossa, a lei municipal que prevê tratamento diferenciado favorável às micro e pequenas empresas foi aprovada recentemente. Conforme a agente de desenvolvimento da Divisão de Fomento ao Empreendedorismo da Prefeitura de Ponta Grossa, Tônia

A agente de Desenvolvimento da Divisão de Fomento ao Empreendedorismo da Prefeitura de Ponta Grossa acredita ainda que outro fator que deve incentivar os empresários locais a venderem mais para a Prefeitura está relacionado à qualificação, que é

Dados do TCE-PR mostram uma evolução na participação de empresas locais nas compras públicas de Ponta Grossa. Em 2011, o percentual era de 28,25% de fornecedores locais, aumentou para 32,12% em 2012 e, no ano seguinte, subiu para 42,4%. Já a

Foto: Zanella

Mansani, antes da aprovação da lei municipal ainda não havia sido realizado um pregão presencial exclusivo para pequenos negócios. No entanto, estima-se que 70% das compras feitas junto à Prefeitura eram de micro e pequenas empresas. “Com a lei, esperamos não somente aumentar a arrecadação do município, já que as micro e pequenas empresas locais têm exclusividade nos processos, como também auxiliar no desenvolvimento, pois há um incentivo para que as empresas locais participem mais efetivamente das compras”, assinala.

mento foi despertar o interesse dos empresários sobre o tema, a fim de desmistificá-lo. Depois, as instituições foram envolvidas e hoje já se tem uma legislação específica para que os processos de compra e venda local sejam estimulados. O momento, agora, é de planejamento de ações para que possamos colher os frutos dessas ações a partir de 2016”, prevê Salete Aparecida de Oliveira Horst, agente de desenvolvimento local do Cidade Empreendedora em Foz.

“Muitos empresários acham que não estão preparados para vender para os órgãos públicos, há também o receio de vender e não receber, mas estamos mudando esta mentalidade e realizando também rodadas de negócios”, explica Tônia. Segundo ela, um mapeamento foi realizado para apontar quais são as áreas que podem ser atendidas por empresas locais.

quantidade de micro e pequenas empresas que venceu licitações no município foi de 33% em 2013. “A análise dos números evidencia os bons resultados que Ponta Grossa tem alcançado no tratamento diferenciado para micro e pequenas empresas locais. Em 2015, o foco é promover rodada de oportunidades entre compradores e fornecedores, bem como criar um escritório de licitação que terá a finalidade de divulgar editais e orientar os empresários para participar de licitações”, reforça o consultor do Sebrae/ PR Marlon Farias, gestor de projetos de ambiente de negócios com atuação na região centro. Com base em pesquisas com entidades participantes do Programa, estima-se que o valor total de Compra Ponta Grossa é de aproximadamente R$ 200 milhões. “O desafio está em fazer que 67


CONSULTOR MARCOS UDA,

GESTOR ESTADUAL DO PROGRAMA COMPRA PARANÁ, DIZ QUE A IDEIA DA PROPOSTA É DESMISTIFICAR O TEMA COMPRAS PÚBLICAS, COM CAPACITAÇÃO E MUITA ORIENTAÇÃO EMPRESARIAL

o máximo desse montante seja pago para empresas locais, e assim, incrementar a economia local por meio de um ciclo virtuoso”, reforça Marlon.

OS CASOS DE SUCESSO DO PROGRAMA COMPRA PARANÁ ESTÃO SENDO GRAVADOS EM VÍDEO E, ATÉ O FINAL DO ANO, SERÃO LANÇADOS COM UM E-BOOK

O empresário Alisson Prado Kloster, diretor e responsável pela área de operações e certificações da empresa Plataforma Computadores, de Guarapuava, no centro do Estado, contabiliza que, desde o início das atividades da empresa, há sete anos, foram realizadas muitas vendas para órgãos públicos e/ou governamentais. “Creio que os benefícios e vantagens são inerentes a cada mercado que atua a empresa. Os ganhos são inerentes às vendas de maior volume, o que representa ganhos de escala para a empresa. Com isso, conseguimos torná-la mais competitiva no atendimento às pessoas físicas e jurídicas.” No entanto, Alisson considera que a participação de micro e pequenas empresas nas compras públicas exige conhecimento por parte dos empresários em função das leis, regulamentos específicos e também cenário econômico.

Tendência em alta No sudoeste do Paraná, a participação de micro e pequenos empreendedores em compras governamentais

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cresce a cada ano. Conforme o consultor Gerson Miotto, gestor do Sebrae/ PR em projetos afins a ambiente de negócios, dados apurados no município, considerando prefeituras, câmaras municipais e consórcios, apontam uma participação crescente e gradual. No ano de 2011, em 42 municípios, 38,44% foram negociados com micro e pequenas empresas, sendo 23,5% da própria região. Em 2012, 42,25% das compras governamentais de prefeituras, câmaras e consórcios municipais foram feitas com micro e pequenas. Deste total, 24,40% de empresas locais, considerando o Sudoeste. Já em 2013, a participação subiu para 50,68%, destas, 30,45% foram em âmbito local. “Temos números superiores à média estadual, que fechou, em 2013, em 29,13%. Esse aumento anual de participação de micro e pequenos negócios nas compras públicas é o resultado do trabalho de sensibilização e informação realizado em parcerias com os municípios e associações comerciais e entidades da região, que entenderam a importância de fortalecer as economias locais, através do fomento de negócios para as pequenas empresas”, analisa Miotto. Na região, em 2013, os municípios que mais compraram de micro e pequenas empresas locais foram Nova Prata do Iguaçu (44,49%), Chopinzinho (43,95%), Mangueirinha (43,18%) e Clevelândia (42,36%). Os números são do TCE-PR. O empresário Gefeson Arcego montou uma empresa de plotagem e impressão digital em 2010, em Pato Branco. Na época, Arcego conta que não tinha a ideia de vender para o setor público. “Nosso foco era trabalhar somente com a iniciativa privada. Depois, vendo a oportunidade aberta com a lei para a micro e pequenas vender para os governos, vimos uma abertura para trabalhar com o setor público”, descreve o empresário, que já participou e venceu licitações em três prefeituras da região desde 2013. Para melhorar a participação neste mercado, em 2014, a empresa participou de capacitação feita pelo Sebrae/PR sobre compras públicas.

EMPRESAS LOCAIS E SUA PARTICIPAÇÃO NO ‘BOLO’ Dados do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) apontam um volume de R$ 3,75 bilhões em compras públicas em 2013, sendo R$ 491 milhões de micro e pequenas empresas, o que representa cerca de 13% do total. Os números mostram que 81,23% dos fornecedores são do Paraná. Confira a participação de fornecedores locais:

MATERIAL DE CONSUMO - R$ 287 MILHÕES

SERVIÇOS DE PESSOA FÍSICA - R$ 128 MILHÕES

SERVIÇOS DE PESSOA JURÍDICA - R$ 2,3 BILHÕES MATERIAL, BEM OU SERVIÇO - R$ 368 MILHÕES PARA DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

VENDEDORES LOCAIS

75% 30% 91% 50%

PASSAGENS E DESPESAS COM LOCOMOÇÃO - R$ 21,8 MILHÕES

EQUIPAMENTOS E MATERIAL PERMANENTE - R$ 277,7 MILHÕES

91%

PREMIAÇÕES CULTURAIS, ARTÍSTICAS, - R$ 368 MILHÕES CIENTÍFICAS E DESPORTIVAS

55%

OBRAS E INSTALAÇÕES - R$ 337 MILHÕES

20% 92%

69


Além do trabalho junto aos comitês gestores do Programa Cidade Empreendedora, que fomentam a aplicação da Lei Geral, onde se enquadra o capítulo de compras públicas, a região sudoeste paranaense tem à disposição uma ferramenta que auxilia e facilita o acesso das micro e pequenas empresas às compras públicas municipais, o Boletim Informativo de Licitação. “Nós utilizamos o Boletim e monitoramos oportunidades de compras públicas. Hoje, vale a pena participar de licitações pelos benefícios que temos e, pelo menos, para a nossa empresa, não temos queixas sobre inadimplência ou atrasos de pagamentos”, atesta Arcego.

É MUITO IMPORTANTE O EMPRESÁRIO PARTICIPAR DAS CAPACITAÇÕES E FAZER, COM AUXÍLIO TÉCNICO, A CORRETA ANÁLISE DE RISCOS

O Boletim reúne avisos de licitações dos 42 municípios da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop), que utilizam o Diário Oficial Eletrônico dos Municípios do Sudoeste do Paraná (DIOEMS). De forma eletrônica, por e-mail, empresas vinculadas às associações comerciais, pela Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Sudoeste do Paraná (Cacispar), ou empreendedores rurais, pela União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), recebem gratuitamente os avisos. O programa tem cerca de 4 mil empresas cadastradas. A iniciativa é do Sebrae/ PR, Amsop, Cacispar e da Unicafes Paraná.

Orientação adequada No noroeste do Estado também são muitos os casos de empresas que só cresceram após participarem das compras públicas, como aconteceu com a ForNet Telecom, localizada em Paranavaí, que produz e comercializa provedores de internet para diversos municípios da região. Anderson Ruiz Satine é sócio e gerente da empresa e recorda que quando ele e seus irmãos, que também são donos do negócio, decidiram participar da capacitação do Sebrae/PR, que os preparou para mais esta possibilidade de negócio, o interesse inicial era de apenas expandir a empresa no município. Os resultados conquistados foram além do esperado. “Muitas dúvidas foram sanadas, re-

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cebemos esclarecimentos e orientações do Sebrae/PR para continuarmos ainda mais seguros no novo caminho que estávamos trilhando. Saímos com mais agilidade no atendimento e ampliação da visão empreendedora. Hoje, possuímos um conhecimento sobre compras públicas que os permite ser mais competitivos e aproveitar as oportunidades de vender melhor para toda a região e não somente para Paranavaí”, garante o empresário Anderson Satine.

nológicas de comunicação presencial e a distância, por meio de projetos de vídeo e áudio conferência.

Wendell Gussoni é gestor do projeto de compras públicas na regional noroeste e relata que já é possível notar um aumento no interesse por parte dos empresários da região para o mercado público. “Exemplos como o da ForNet servem para estimular outras empresas, especialmente em momentos econômicos como o que vivemos atualmente, uma vez que para quem é licitado existe garantia maior de venda e de recebimento pelos serviços”, explica.

Em seu portfólio, a empresa soma prestação de serviços para diversos órgãos públicos como a Federação das Indústrias do Estado Paraná (Fiep), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar). “As instituições públicas têm mostrado uma importância comercial significativa, e o Compra Paraná é um catalisador de oportunidades. Ter mais conhecimento sobre as demandas geradas pelo setor público é uma das vantagens oferecidas e o principal motivo de termos procurado por este programa”, afirma Elaine.

Outro grande avanço para a região é a implantação do Escritório de Licitações na cidade de Umuarama, em parceria com a Associação Comercial de Umuarama. Para Adriano Pereira da Silva, consultor do Sebrae/PR, os esforços de um conjunto de entidades resultam no engajamento dos empreendedores em disputar esta possibilidade de negócios e também no desenvolvimento dos municípios. “Trabalhamos na cidade para que tenhamos um ambiente favorável, por meio de cursos e palestras, de encontros entre compradores e vendedores, e do tão importante Escritório de Licitações, com atendimento estruturado para apoiar o empresário nos processos de licitações de nosso município. Os resultados estão começando a aparecer e são mais do que satisfatórios.”

Catalisador Como prestadora de serviços em comunicação corporativa, a empresa Proxxima Informática e Tecnologia está no mercado desde 2007, sob o comando de Elaine Carreira, diretora executiva com mais de 20 anos de experiência no desenvolvimento de soluções tec-

Pela sua expertise em oferecer soluções para empresas de grande porte, a participação no Programa Compra Paraná, segundo a diretora, proporcionou o acesso a um novo mercado, sempre com a mesma atenção em oferecer um produto de qualidade e valor agregado para o poder público, assim como o faz para o setor corporativo.

Para ela, sua empresa pode, por meio do Compra Paraná, conhecer mais sobre o potencial de investimento do setor público e a forma de atuar e oferecer seus produtos e serviços. “Procuramos participar de processos licitatórios dos quais já conhecemos o projeto, para termos a segurança de que vamos oferecer um serviço de qualidade e com valor de mercado. O órgão público perde quando compra um serviço apenas pelo preço. Ele deve ter a confiança e o conhecimento de que está comprando um serviço de qualidade”, assegura.

Histórias de sucesso Os casos de sucesso do Programa Compra Paraná estão sendo gravados em vídeo e, até o final do ano, serão lançados juntamente com um e-book. O objetivo, explica Marcos Uda, é sensibilizar compradores de instituições públicas e empresários, para fomentar os negócios entre eles e desmistificar o tema. “Ainda existe muito a visão

de que compra pública não dá certo, é roubalheira. Estamos conversando com o TCE-PR desde o ano passado e eles têm salientado que é um fator importante para gerar o desenvolvimento da economia local e que o risco de fraude é pequeno. Empresas com intenção de fraudar licitações não perderão tempo de fazê-lo em pequenos lotes”, garante. Uda adianta que as histórias de sucesso contadas no produto não necessariamente estão ligadas a uma compra efetiva. Ele recorda de um empresário de uniformes que nunca vendeu para o poder público, mas, em um evento em Minas Gerais, teve uma boa ideia ao visitar o estande da Marinha. “Ele recebeu um CD com especificações dos uniformes como a espessura da linha, quantas voltas são necessárias no botão... Ele não conseguiria vender para eles naquele momento, mas aproveitou o padrão da Marinha para desenvolver o próprio catálogo. Ninguém no Paraná tem, hoje, um catálogo tão detalhado como o dele. São aprendizados que melhoram o produto, a gestão.” (Colaboraram nesta reportagem Adriano Oltramari, Aldy Coelho, Camila Cabau, Giovana Chiquim e Patrícia Biazetto)

NO QUE O SEBRAE/PR PODE AJUDAR Uma das linhas estratégicas de atuação do Sebrae/PR é contribuir para a construção de um ambiente empresarial que promova e fortaleça os pequenos negócios. Articulação, políticas públicas, legislação favorável, inovação, tecnologia e crédito são palavras-chave que norteiam este trabalho, que envolve e mobiliza a entidade em todo o Estado. Um ambiente que facilita e estimula novos negócios beneficia não apenas as micro e pequenas empresas e os microempreendedores individuais, mas a economia e o desenvolvimento local. Os pequenos negócios representam 95% dos estabelecimentos formalizados e respondem por 52% dos empregos com carteira assinada. Quando estimulados num ambiente favorável, sua relevância passa a ser ainda maior. O Sebrae/PR tem vários projetos para que municípios trabalhem a implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e programas de apoio aos empresários como o Compra Paraná. Procure o Sebrae/PR mais próximo e saiba como participar.

SAIBA MAIS Conheça mais sobre o tema no www.sebraepr.com.br/leigeral O Sebrae/PR mantém uma página especial sobre a Lei Geral e sua aplicação na prática.

ACESSE UTILIZANDO O QR CODE

PORTAL SEBRAE/PR WWW.SEBRAEPR.COM.BR

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

EM ALTA

MICE

DENTRE AS AÇÕES JÁ REALIZADAS, ESTÁ O LEVANTAMENTO DE INFORMAÇÕES ESTRATÉGICAS, ESPECÍFICAS SOBRE O SEGMENTO DE NEGÓCIOS E EVENTOS EM CADA REGIÃO

R

esponsável por quase 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro - segundo dados divulgados em 2013 pela Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC Brasil) e Sebrae Nacional - o turismo de negócios e eventos tem se mostrado como um dos segmentos mais promissores da economia e, devido ao desenvolvimento industrial, científico e produtivo do País, vem posicionando o Brasil como o principal destino na América Latina.

A FORÇA DO TURISMO DE NEGÓCIOS E EVENTOS Segmento, que gera o maior fluxo de turistas no Paraná, engloba em média 300 mil eventos por ano no Brasil, mobilizando 80 milhões de participantes e movimentando mais de 50 diferentes setores da economia Por Aldy Coelho

Aldo Carvalho conta que o Paraná recebeu 13,4 milhões de visitantes em 2013 - incluindo os próprios paranaen-

ses que viajam pelo Estado. Em 2014, foram 14,9 milhões. “Quando apuramos esses dados, confirmamos que 44% desses visitantes se locomoveram pelo Paraná motivados por negócios e eventos. E, ao contabilizar os dados pelas principais cidades, esse número cresce ainda mais, chegando a 52% em Curitiba, 56% em Maringá, 55% em Londrina, 58% em Cascavel e 15% em Foz do Iguaçu”, ressalta. Além disso, o coordenador do Sebrae/PR destaca que o turista deste

Definido pelo Ministério do Turismo (MTur) como “o conjunto de atividades turísticas decorrentes de interesse profissional, associativo, institucional, de caráter comercial, promocional, técnico, científico e social”, inúmeros fatores estimularam a movimentação turística, de modo especial, as viagens com a finalidade de buscar novas informações e, principalmente, promover e gerar negócios. Pelos cálculos da Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux (FBC&VB), são realizados no País mais de 300 mil eventos por ano, envolvendo cerca de 80 milhões de participantes e movimentando mais de 50 diferentes setores da economia. De acordo com estudo do MTur, o turismo de negócios e eventos também é o segundo com maior atração de estrangeiros para o Brasil, respondendo por 25% do volume de visitantes de outros países, com gasto médio que equivale a 50% mais que os turistas que viajam a lazer. Se no Brasil esses dados surpreendem, no Paraná não é diferente. Para Aldo

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Cesar Carvalho, consultor e coordenador estadual de Turismo do Sebrae/PR, o segmento de negócios e eventos é o que mais tem gerado fluxo de turistas no Estado e, por essa razão, a entidade vem atuando com prioridade no turismo profissional, ou no turismo MICE (na sigla em inglês Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions) como também é conhecido.

O TURISMO MICE

É O SEGUNDO COM MAIOR ATRAÇÃO DE ESTRANGEIROS PARA O BRASIL, RESPONDENDO POR 25% DO VOLUME DE VISITANTES DE OUTROS PAÍSES

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nicho gasta, aproximadamente, três vezes mais do que o turista de lazer, já que ele tem parte da sua viagem subsidiada pela empresa ou instituição que representa. “Ele também precisa de empresas regularizadas para emissão de notas fiscais, além de agregar outros serviços, como aluguel de carros e espaços para eventos, exigindo do mercado cada vez mais profissionalização e qualidade nos serviços”, observa. Aldo Carvalho, do Sebrae/PR, também acrescenta que “a cadeia do turismo impactada é a mesma que envolve todos os outros segmentos - hotéis, agentes de viagens, guias, restaurantes, transporte e infraestrutura”. “A diferença é que o turismo de negócios ocorre no período de sazonalidade do turismo convencional e, em sua estrutura, somam-se ainda os espaços para eventos e operadores de eventos, que podem até agregar os serviços de lazer, comércio de souvenires, empresas de entretenimento, som e iluminação, floricultura, entre outros”, explica.

tituição privada, formada por mais de 60 profissionais de diversas áreas, que tem por missão promover a inovação e colaboração entre o poder público e privado para o desenvolvimento econômico e social do país, com a qual o Sebrae/PR mantém parceria em diversos projetos. “O Instituto Cerdà teve uma participação preponderante na mudança do perfil de Barcelona pós-Olimpíadas de 1992. Na crise econômica de 2008, que atingiu vários setores da economia, quem sustentou as cidades de Madri e Barcelona foi, essencialmente, o turismo. Hoje, 65% do fluxo de Barcelona vêm do turismo de negócios e eventos. Eles se tornaram uma referência internacional, que nos ajudou a enxergar esse segmento”, conta Aldo Carvalho. Na bagagem, muitas ideias e informações referenciais serviram como base para a formatação do Programa Para-

ná MICE. “Ao voltarmos de Barcelona, constituímos um termo de referência do turismo de negócios e eventos, que nos baliza até hoje em nosso trabalho e que teve a assessoria do Instituto Cerdà para a formatação do projeto, com o qual temos desenvolvido diversas ações e obtendo resultados expressivos”, garante.

Seis regiões, um objetivo A partir do projeto estadual, ainda foram criados projetos para cada uma das seis regiões bases, algumas até se estendendo para outras cidades, como no caso de Curitiba, que atinge também a Região Metropolitana, e Ponta Grossa, com os Campos Gerais. Recentemente, também foi incluído o Litoral no Programa Paraná MICE, o qual, por atender tanto o turismo de lazer quanto o de negócios, será trabalhado de forma mais ampla.

“Os projetos locais levam o nome de cada cidade e foram desenhados para que cada governança – composta por um gestor do Sebrae/PR e representantes das entidades turísticas envolvidas - de acordo com as características e realidades locais, estabeleçam as parcerias e desenvolvam as estratégias mais eficazes para alavancar o turismo de negócios e eventos”, explica o coordenador estadual de Turismo do Sebrae/PR. Dentre as principais ações já realizadas com o Paraná MICE, está o levantamento de informações estratégicas, específicas sobre o segmento de negócios e eventos em cada região, como levantar o perfil do turista MICE, da infraestrutura e serviços disponíveis e dos demandantes de eventos, que vão direcionar as futuras atividades do Programa. “De início, encontramos um segmento desprovido de informações, as quais ainda estamos construindo por meio de

Ao perceber a possibilidade de trabalhar o turismo de negócios e eventos de forma mais estruturada e profissional, o Sebrae/PR decidiu em 2013 focar mais proativamente no segmento, com o propósito de aumentar ainda mais o percentual de visitantes, proporcionando qualificação e desenvolvimento às empresas que compõem essa cadeia produtiva.

Aprendendo com quem sabe

WAGNILDA MINASI:

A ORGANIZAÇÃO DO TURISMO MICE FOI A TONALIDADE QUE O TURISMO DOS CAMPOS GERAIS PRECISAVA

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Foto: Rafael Moreschi

Foto: Rodrigo Czekalski

Para isso, firma parcerias com entidades especializadas, como a Federação dos Convention & Visitors Bureaux (FC&VB), com os Convention & Visitors Bureaux (C&VB) das cidades envolvidas, e entidades como a Federação do Comércio de Bens, Serviços e do Turismo do Paraná (Fecomércio PR) e o Governo do Estado, por meio da Paraná Turismo e da Secretaria de Esporte e Turismo, com o desafio de posicionar o Paraná como um destino ideal para se fazer negócios.

Para estruturar e embasar a criação do projeto, os representantes dessas entidades foram até Barcelona, na Espanha, para conhecer de perto o trabalho realizado pelo Instituto Cerdà, uma ins-

EMMANUELLE CARNIATTO

ESPECIALIZOU-SE NA VENDA DE PACOTES PARA VISITANTES QUE VÃO A MARINGÁ PARA CONHECER EMPRESAS E SEGMENTOS COMO O VESTUÁRIO E ESPORTES

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para São Paulo e Campinas. “São Paulo é o principal destino de negócios e eventos da América Latina e referência no mundo nesse setor. Já Campinas [também no estado de São Paulo] é uma cidade muito parecida com Curitiba, do ponto de vista das demandas e pela proximidade com São Paulo. Visitamos feiras, complexos empresariais e equipamentos turísticos próximos a esses locais de fluxo. Vimos algumas soluções criativas, simples e práticas em serviços que dá para investir em nosso mercado”, diz.

O EMPRESÁRIO WALTER YAMAGUCHI

SENTE-SE MAIS PREPARADO PARA ATENDER CLIENTES QUE LOCAM VEÍCULOS PARA FUNCIONÁRIOS EM OCASIÕES DE TURISMO DE NEGÓCIOS E EVENTOS

pesquisas, serviços, estruturas disponíveis, instituições locais e empresas que demandam eventos corporativos, além de recolher informações com o próprio turista de negócios, para a construção de estratégias e de planejamento.”

O TURISTA DE NEGÓCIOS E EVENTOS GASTA TRÊS VEZES MAIS DO QUE O TURISTA DE LAZER, JÁ QUE ELE TEM PARTE DA SUA VIAGEM SUBSIDIADA PELA EMPRESA QUE REPRESENTA

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Em paralelo, o Programa já está atuando na capacitação dos empresários, por meio de cursos, consultorias especializadas, rodadas de negócios e missões técnicas empresariais. No mês de maio deste ano, duas importantes ações foram realizadas em nível estadual: a criação do Selo de Qualidade no Turismo do Paraná para as seis cidades integrantes do Programa, incluindo o Litoral, e o 1° Seminário Paraná MICE, que reuniu gestores, empresários e parceiros de todo o Estado para discutir os desafios e a importância do segmento para a economia paranaense. Os próximos passos, segundo Aldo Carvalho, já estão definidos. “Queremos estimular as potencialidades de cada região e os produtos turísticos MICE que já têm possibilidades de comercialização. Essas regiões já estudam a viabilidade de construir centros de eventos, e cabe ao Sebrae/PR ten-

tar ajudá-los a formatar a ideia. Vamos montar um banco de eventos itinerantes e tentar trazê-los para o Paraná além de colocar o turismo MICE na linha de prioridade do governo.”

Congressos e reuniões O Curitiba Convention & Visitors Bureaux informa que a capital paranaense recebeu 302 grandes eventos em 2013, sendo 82% eventos de negócios com perfil técnico-científico. “É muito forte a questão do turismo corporativo e associativo – congressos e eventos que vêm desse mercado empresarial, devido às grandes empresas aqui instaladas, e aos órgãos de classe ou associativos. Esses são os principais mercados que o Programa Curitiba MICE foca e o qual pretendemos investir”, destaca a consultora do Sebrae/PR, Patrícia Albanez. Segundo Patrícia Albanez, cerca de 30 empresas participam do Programa, em que estão alinhadas diversas ações de consultoria e mercado específicas para o setor, como questões legais, organização e gestão, formatação de produtos e serviços, finanças, recursos humanos, coaching e uma missão técnica

Gislaine Queiróz é uma das participantes do Programa e já consegue vislumbrar o crescimento do segmento nos últimos anos. Há quase cinco anos, Gislaine comanda a Única, empresa que trabalha com recepção de eventos corporativos e técnico-científicos, um mercado que demanda serviço especializado de recursos humanos para o turismo de negócios e eventos. “Nos últimos dois anos, a empresa dobrou o número de serviços prestados em eventos, chegando a 150 companhias atendidas em 2014, dentre elas a Volvo, Electrolux, a Sociedade de Especialidades Médicas e a construtora Thá”, destaca a empresária. O envolvimento com o Sebrae/PR, segundo Gislaine, garante o profissionalismo de sua empresa, com vistas para um crescimento seguro e planejado. “As empresas de turismo, entidades e o poder público precisam estar unidas, trabalhar em conjunto para fortalecer o setor e atrair grandes congressos e feiras para Curitiba. O caminho traçado pelo Sebrae/PR com o Programa Paraná MICE já está fazendo isso, unindo várias regiões para fomentar o turismo em todo o Estado”, assinala. E se o momento econômico atual causa algum tipo de receio para as empresas prestadoras de serviços em eventos, Guilherme Rasera, da Combo Promocional, garante que quem estiver preparado e qualificado terá mais chances de se tornar competitivo. “Este é o momento de observar as oportunidades, oferecer novos serviços, ter uma gestão responsável e um bom plano de negócios. É preciso fortalecer a empresa agora para crescer nos próximos anos,

O TURISMO DE NEGÓCIO E EVENTOS REPRESENTA, EM PERCENTUAIS:

44%

DOS TURISTAS QUE VISITAM O PARANÁ

33%

A MAIS NO VALOR DIÁRIO GASTO POR UM TURISTA

25%

DE TURISTAS VINDOS DE OUTROS PAÍSES PARA O BRASIL

9,2%

FOI A RECEITA DO TURISMO DE NEGÓCIOS EM 2014 NO BRASIL, ATINGINDO UM TOTAL DE R$ 40 MILHÕES*

8%

É A EXPECTATIVA DE CRESCIMENTO PREVISTO PARA 2015, CHEGANDO A R$ 43 MILHÕES*

5%

DO PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) BRASILEIRO

*Dados de pesquisa realizada pela Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e divulgados pela ABEOC Brasil.

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tes em participar das diversas iniciativas do Sebrae, que nos ajuda a tornar nossas empresas cada vez mais qualificadas, e assim transformar a região em um polo receptivo cada vez mais organizado e interessante para as empresas, organizadores de eventos, entidades de classe, entre outros.” Já a presidente do Ponta Grossa Convention & Visitors Bureau (CVB), Wagnilda Minasi, acredita que a organização do turismo MICE foi a tonalidade que o turismo dos Campos Gerais precisava. “Temos potencialidades na região, temos profissionais capacitados e esforçados envolvidos, mas a força e o dinamismo do Sebrae, através do MICE, tem sido a mola propulsora de todo o trade. Temos conseguido trabalhar em conjunto, as associações e as empresas, em busca da qualificação tão desejada do mercado”, aponta Wagnilda.

Maringá como produto

1º SEMINÁRIO PARANÁ MICE

REUNIU GESTORES, EMPRESÁRIOS E PARCEIROS DE TODO O ESTADO PARA DISCUTIR OS DESAFIOS DO SEGMENTO

e o Sebrae/PR está nos apoiando isso.” De olho nas novas oportunidades e na expansão de mercado, Guilherme, que desde 2010 está à frente da Combo Promocional, oferecendo a gestão completa de eventos promocionais, como shows, exposições, feiras, eventos esportivos, culturais e convenções, passa a trabalhar em formato de grupo com a ADN Eventos, agência especializada em eventos corporativos e técnico-científicos. “Criamos o Grupo Combo ADN para ampliarmos a nossa gama de serviços de olho num mercado cada vez mais especializado, unindo as empresas, mas mantendo uma gestão unificada. Com um portfólio mais completo, podemos atender com mais qualidade e unicidade as empresas que demandam eventos deste segmento”, frisa Guilherme. Patrícia Albanez, gestora do Curitiba MICE, ainda acrescenta que já estão programadas, até o final de 2015, duas rodadas de negócios para gestores de eventos corporativos e associativos, 78

além de ações dentro do Modelo de Excelência em Gestão (MEG), com base nos critérios da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), e início dos trabalhos das empresas participantes dos programas como Agentes Locais de Inovação (ALI), Sebraetec – Serviços em Inovação e Tecnologia e Selo de Qualidade no Turismo.

Escolha estratégica Na Região dos Campos Gerais especificamente, ações focadas para o turismo MICE começaram a ser planejadas após a criação da governança, em 2013, formada por representantes do Sebrae/PR e de diversas entidades de Ponta Grossa, Castro e Carambeí, com o objetivo de fomentar novos negócios. Uma das primeiras ações foi a realização da pesquisa “Oportunidade de Turismo MICE em Ponta Grossa e Região”, que apontou os principais produtos que poderiam ser trabalhados como oportunidades para a região. Dentre os principais segmentos estão o de eventos corporativos e visitas técnicas e associativos, como também o turismo de

incentivo. “Com a identificação, foi possível traçar estratégias para aproveitar a demanda que já existe em Ponta Grossa e Região e oferecer aos turistas a oportunidade de conhecer os atrativos dos Campos Gerais”, explica Nádia Joboji, consultora do Sebrae/PR. Paralelamente, reforça ela, foram realizadas rodadas de negócios e formaram-se redes empresariais, a exemplo da Rede Gastronômica dos Campos Gerais (RGCG), a Rede Hoteleira e a Rede MICE de Castro. A formação de uma governança também foi um avanço, já que envolve as principais lideranças para discutir as estratégias para difundir o turismo, com o objetivo de tornar a região como destino e referência de negócios e eventos. Para o gerente geral do Hotel Planalto e diretor de Turismo da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), Daniel Wagner, a escolha do segmento turístico MICE, como foco dos trabalhos, foi acertada, já que é o mais representativo para a economia regional. “Estamos conten-

Maringá tem, naturalmente, vocação para o turismo de negócios e eventos, explica a consultora do Sebrae/PR na região, Patricia Valente Santini. “O que falta acontecer na cidade é que o segmento seja reconhecido como negócio e trabalho de maneira estratégica”, acredita. Durante o processo de desenvolvimento do Programa em Maringá, a consulto-

ra conta que foram constatadas várias necessidades para o segmento, dentre elas o produto do turismo técnico, que oferece, de maneira mercadológica e ordenada, serviços que acontecem na cidade, mas que não são vistos como potenciais turísticos. “Lançamos a necessidade para um grupo de empresários e logo recebemos o retorno da equipe da Agência Mundo Livre”, relata a consultora. Foi então que a empresa, que vendia pontos turísticos como Disney e o nordeste brasileiro, começou a se especializar e a vender pacotes para visitantes que se deslocam a Maringá para conhecer empresas, o segmento do vestuário, do esporte, a associação comercial e industrial e as instituições de ensino superior. “Abraçamos a ideia, veio como receptivo de negócios, que atenderia os empresários. Logo percebemos o potencial do negócio que deixou de ser um produto e passou a ser uma nova empresa, a Go Maringá”, explica a empreendedora e proprietária Emmanuelle Carniatto. Os próximos passos, segundo a empresária, são montar cursos de turismo local, com a presença de turismólogos, professores de história e geografia,

para frentistas de postos de gasolina e taxistas. “Queremos informar e inserir esses profissionais, que são os primeiros a ter contato com os nossos visitantes, no setor do turismo”, diz Emmanuelle.

3º destino de eventos Foz do Iguaçu é o terceiro destino brasileiro que mais realiza eventos e o quarto no ranking de eventos internacionais, diz o empresário do setor e gerente de hotel na cidade, Cândido Ferreira Neto. “Estou há 20 anos no setor de turismo e percebo que o segmento de negócios e eventos está em plena expansão. Mesmo na crise, época em que o turismo de lazer diminui, o de negócios continua, pois há a necessidade de empresas realizarem seus eventos de integração, capacitação”, justifica. Cândido Ferreira montou sua primeira empresa no segmento há cinco anos, a Equalizee, especializada em aparato de som e imagem para eventos. Dois anos depois, aumentou sua participação no mercado do mesmo segmento, comprando uma empresa de montagem de feiras e eventos, a Stand Solutions. “É um segmento muito forte e que tem uma cadeia produtiva ampla. Há eventos que são realizados em nosso hotel que fazem com que mais 20 hotéis da

EMPRESÁRIOS DO TURISMO MICE

SE MOBILIZAM EM TODO O ESTADO PARA ORGANIZAR O SEGMENTO

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empresas do trade. Ainda temos um longo percurso para a consolidação do município como destino MICE, mas estamos caminhando gradualmente para isso”, assegura.

Segmento em ascensão Em Londrina, no norte do Paraná, o Sebrae/PR, uma das entidades que faz parte da governança do Núcleo de Turismo, está promovendo ações para melhorar o ambiente de negócios e, consequentemente, fomentar o desenvolvimento do turismo MICE, segundo a consultora da entidade, Simone Millan.

GESTORES E ESPECIALISTAS

AUXILIAM NA ESTRATÉGIA DE FORTALECIMENTO

cidade fiquem lotados”, indica Cândido, que também é gerente de marketing do Rafain Palace Hotel.

TURISMO DE NEGÓCIOS É UM CONJUNTO DE ATIVIDADES TURÍSTICAS DECORRENTES DE INTERESSE PROFISSIONAL, ASSOCIATIVO E INSTITUCIONAL

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Em Foz do Iguaçu, salienta o consultor do Sebrae/PR, Edinardo Aguiar, o turismo MICE movimenta muitas empresas de micro e pequeno porte e ainda tem muito a crescer. “Aqui, o turismo de lazer já é reconhecido, 85% dos turistas vêm aqui pelos atrativos, contra 15% de negócios e eventos. Temos capacidade para aumentar o número do MICE ainda mais, visto que um complementa o outro. O turista que vem para Foz a trabalho, fica mais uns dias a lazer, traz família. É um nicho de valor agregado muito alto”, qualifica Edinardo Aguiar.

Organização e foco Cascavel, também no oeste do Paraná, começou a trabalhar o turismo de negócios e eventos há cerca de dois anos. Entidades como o Sebrae/PR, a Prefeitura Municipal, o Convention da cidade e associações empresariais e de classe que englobam empresas do segmento passaram a pensar como grupo e unir forças para consolidar a cidade no setor. Depois de uma pesquisa de mercado, as atenções focaram o turismo de

negócios e eventos para os segmentos do agronegócio e do automobilismo e, em um segundo momento, para a área médica, reconhecidos como campos potenciais da cidade. Há dez anos no mercado de locação de veículos em Cascavel, com a Yes Rent a Car, o empresário Walter Yamaguchi sentiu a diferença quando começou a se falar em turismo MICE no município. “Passamos a conhecer o que era o turismo de negócios e eventos e, unidos a instituições e outros empresários que fazem parte do setor, percebemos que temos as mesmas dificuldades. Com isso, ficou mais fácil buscar soluções como capacitação e investimentos”, aponta o empresário que tem como principais clientes empresas, que locam veículos para funcionários em ocasiões de turismo de negócios e eventos. Para a consultora do Sebrae/PR, Nara Regiane Reinheimer Pick, Cascavel passa por um momento tanto de fortalecimento das empresas do setor quanto da chamada governança do turismo MICE da cidade. “Neste ano, estão sendo realizadas oficinas de planejamento, consultorias, cursos e missões com o objetivo de capacitar as entidades e as

As ações incluem realização de diagnóstico e plano de ações do Convention Bureau de Londrina; capacitação da equipe de ações do Convention Bureau e implementação de plano de ação; apoio na remodelação do portal do Convention Bureau; realização de oficinas setoriais para organizadores de eventos, espaços para eventos, hotéis e restaurantes; consultorias empresariais para melhorar a competitividade da cadeia de turismo; pesquisas sobre impacto econômico dos eventos promovidos na cidade; pesquisas juntos aos hotéis e restaurantes de Londrina; missão empresarial com empreendedores da rede hoteleira e gastronômica para São Paulo; e missão empresarial internacional de benchmarking para Barcelona – um caso de sucesso no turismo de negócios. Karla Souza, gerente geral do Hotel Comfort Suites, está participando do Programa e explica que o objetivo da empresa é adquirir o conhecimento do Sebrae/PR sobre o trade de turismo em Londrina, além de se relacionar com outros empreendedores que formam a cadeia do setor. “Além disso, as consultorias estão sendo importantes. Recebemos um feedback da nossa unidade que irá ajudar para a implementação de melhorias”, conta. Na opinião de Simone Millan, a realização de pesquisas de mercado é a base do Programa Paraná MICE. “Os estudos contribuem para a sensibilização dos empresários e do poder público sobre a relevância do setor para o desenvolvimento da economia da cidade”, diz. A pesquisa foi feita pela Chiusoli Pesqui-

sas e verificou as principais características da cadeia hoteleira em Londrina. O estudo identificou 39 hotéis em funcionamento, dos quais 31 foram incluídos na pesquisa. As empresas tinham em média 22 anos, 27 colaboradores (10 homens e 17 mulheres), 84 quartos (o total da amostra é 2.433 quartos) e 166 leitos (o total da amostra é 4.818 leitos). A taxa média de ocupação é de 63%, a média das diárias gira em torno de R$ 107 e a permanência média dos hóspedes na cidade é de 2,9 dias. A pedido do Sebrae/PR, a Chiusoli Pesquisas também fez, em 2014, um levantamento sobre o impacto de eventos como os Jogos Escolares da Juventude, o Encontro Anual de Iniciação Científica, realizado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), e o Vestibular da UEL na economia da cidade. O estudo sobre os Jogos Escolares da Juventude, realizados em setembro de 2014, na ocasião da competição, apontou que 5 mil pessoas (4 mil atletas além de comissão técnica, organizadores, familiares dos esportistas, voluntários e árbitros) estiveram em Londrina para participar do evento.

NO QUE O SEBRAE/PR PODE AJUDAR O posicionamento estratégico definido pelo Sebrae/PR para os próximos anos é de impulsionar e promover o turismo MICE, articulando ações em regiões paranaenses para dinamizar o segmento, com atividades que atraiam mais clientes e complementem o fluxo turístico. Essas ações englobam a qualificação de empresas e a melhoria de estruturas turísticas locais, para, assim, colocar o turismo de negócios e eventos em uma posição diferenciada, seguindo padrões internacionais e fazendo com que o cliente tenha satisfação em fazer negócios no Estado. Mais informações, entre no portal do Sebrae/PR, no www.sebraepr.com.br, ou ligue para 0800 570 0800.

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O montante gasto pelo público gira em torno de R$ 9,2 milhões, sendo que aproximadamente R$ 400 mil foram gastos com alimentação e R$ 850 mil em compras. Mais de 96% dos visitantes se hospedaram em hotéis. A pesquisa sobre o Encontro Anual de Iniciação Científica, promovido em outubro de 2014, verificou que o evento atraiu uma estimativa de 3.500 visitantes, com média de 22 anos de idade, dos quais 318 participaram da entrevista. O gasto estimado do público foi de R$ 474 mil, sendo que R$ 177 mil em média foram destinados para o setor de alimentação. Já o vestibular da UEL trouxe cerca de 14 mil pessoas para Londrina no mês de novembro de 2014. A pesquisa entrevistou 342 estudantes, que gastaram mais de R$ 1,3 milhão durante a estadia na cidade. Apenas o setor de alimentação faturou quase R$ 600 mil e o de hospedagem mais de R$ 380 mil (Colaboraram nesta reportagem as jornalistas Camila Cabau, Juliana Dotto, Giovana Chiquim e Patrícia Biazetto)

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SAIBA MAIS Para conhecer melhor o tema, acesse o site da Abeoc Brasil - Associação Brasileira de Empresas de Eventos, no www.abeoc.org.br.

Acesse agora

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CURITIBA MICE

TURISMO DE NEGÓCIOS E EVENTOS PERFIL DA AMOSTRA

43%

GRAU DE INSTRUÇÃO

OCUPAÇÃO

EMPREGADO SETOR PRIVADO

28% 23%

19%

+ DE 20 S.M.

3

48%

DE 5 S.M A 20 S.M.

14%

NENHUM OUTRO MOTIVO DISTÂNCIA EM RELAÇÃO A CIDADE DE RESIDÊNCIA APELO TURÍSTICO DO DESTINO OFERTA DE SERVIÇO E PRODUTOS TURÍSTICOS

PARANÁ SÃO PAULO

SANTA CATARINA

ALÉM DA PARTICIPAÇÃO NO EVENTO, QUAIS OUTROS FATORES INFLUENCIARAM SUA DECISÃO POR ESTA VIAGEM ?

82

18%

ESTADO DE ORIGEM

AUTÔNOMO / PROFISSIONAL LIBERAL

EMPRESÁRIO

7%

ATÉ 5 S.M

55% 33%

PÓS OU +

63%

35 - 59 60 +

PARTICIPAÇÃO EM CONGRESSO OU SEMINÁRIO

RENDA FAMILIAR

11%

SUPERIOR

30%

18 - 34

45%

VISITAÇÃO Á FEIRA

PERFIL DA AMOSTRA

57% ENSINO MÉDIO

38%

52% 21% 19%

9%

26% 19% 13%

1ª VEZ

HOTEL

QUANTIDADE MÉDIA DE PERNOITE EM CURITIBA E RMC

ESTÃO VISITANDO A CIDADE PELA PRIMEIRA VEZ

UTILIZAM HOTEL COMO HOSPEDAGEM

1

VIAGEM POR MÊS

QUAL A DURAÇÃO MÉDIA DAS SUAS VIAGENS DE NEGÓCIOS OU DE EVENTOS

3

DIAS

QUAL O MEIO DE TRANSPORTE PREDOMINANTE UTILIZADO NAS SUAS VIAGENS DE NEGÓCIOS?

CARRO

58% 27%

ÔNIBUS

7%

AVIÃO

77%

TAXI

21%

ALUGUEL DE CARRO

19%

APELO TURÍSTICO DO DESTINO OFERTA DE SERVIÇO E PRODUTOS TURÍSTICOS

82%

PERNOITES

EM MÉDIA QUAL É A FREQUÊNCIA MENSAL DE SUAS VIAGENS DE NEGÓCIOS OU DE EVENTOS

QUAIS OUTROS SERVIÇOS UTILIZADOS NAS SUAS VIAGENS DE NEGÓCIOS E EVENTOS?

45%

9%

QUAIS ATIVIDADES REALIZA NAS SUAS VIAGENS DE NEGÓCIOS?

COMPRAS

63%

GASTRONOMIA

72%

GASTO MÉIDO DIÁRIO COM HOSPEDAGEM, ALIMENTAÇÃO E TRANSPORTE:

R$ 280,00

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

MERCADO

INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

O BRASIL TEM 41 REGISTROS DE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA NO INPI, 23 DE ALIMENTOS E OS DEMAIS SÃO EM ÁREAS COMO VESTUÁRIO, CALÇADOS E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

REGISTRO DE PROCEDÊNCIA É DIFERENCIAL COMPETITIVO Terceira edição da Hortifruti & Foods Brasil Show 2015, realizada em Curitiba, reuniu aproximadamente 2,4 mil pessoas e serviu de vitrine para divulgar a importância de alimentos seguros e da indicação geográfica Por Aldy Coelho e Bruna Komarchesqui

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Bastante conhecidas em países com tradição na produção de vinhos e produtos alimentícios, como França, Portugal e Itália, as Indicações Geográficas (IG) foram estabelecidas no Brasil pela Lei da Propriedade Industrial, em 1996. Segundo a legislação, cabe ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior da Presidência da República, estabelecer as condições para esse tipo de registro. A Lei diferencia dois tipos de indicação geográfica: a indicação de procedência e a denominação de origem. A consultora do Sebrae/PR, Maria Isabel Guimarães, explica que a primeira está ligada à notoriedade histórica de uma região na fabricação de determinado produto. Já a denominação de origem é um reconhecimento de fatores geográficos (clima e solo, por exemplo) como determinantes para as características do produto final.

Segundo Maria Isabel, o Brasil tem 41 registros de indicação geográfica no INPI, 23 de alimentos (os demais são em áreas como vestuário, calçados e tecnologia da informação), sendo que 18 deles (veja a lista nesta reportagem) participaram da 1ª Mostra de Produtos com Indicação Geográfica em Curitiba. No mercado internacional, reforça a coordenadora estadual de Agronegócio do Sebrae/PR, Andreia Claudino, muitos produtos são caracterizados não apenas pela sua marca, como, também, pela sua qualidade, especificidade de produção ou por ser proveniente de uma determinada região geográfica. “Essa indicação traz reputação, valor agregado e identidade própria, que os distinguem dos demais produtos. No Brasil, essa tendência começa a ganhar força e, por essa razão, o Ministério da Agricultura e o INPI criaram o registro de indicação geográfica (IG), para identificar os diferenciais de qualidade e origem ao consumidor.” O único produto paranaense com o registro são os cafés especiais do Norte Pioneiro, uma denominação de origem que, desde 2012, agrega visibilidade a produtores de 45 municípios nas imediações de Santo Antônio da Platina (no Norte do Estado). “As indicações geográficas sempre são coletivas. Hoje, os produtores não se concentram na torra, vendem o grão verde. Existe um grande mercado consumidor, mas a produção ainda não é grande o suficiente para atendê-lo. A denominação de origem é uma forma de trazer profissionalização aos 200 produtores certificados”, avalia Odemir Capello, consultor do Sebrae/PR.

Capello conta que o processo para obter a indicação geográfica é longo – o do Café do Norte Pioneiro, por exemplo, começou em 2008, com a entrega de um dossiê de 500 páginas ao INPI. A necessidade de proteger o “nome de peso” dos doces de Pelotas no Rio Grande do Sul, um legado da cidade, levou produtores gaúchos a buscarem a indicação de procedência, registro que obtiveram em 2012, junto ao INPI. “Tinha muitos comerciantes de outras regiões, que nunca visitaram a cidade, usando o nome doce de Pelotas. Esse registro garante a veracidade da receita e a qualidade do produto”, ressalta Maria Helena Jeske, que representou os 16 empresários da Associação dos Produtores de Doces de Pelotas, na Mostra. “A indicação de procedência levou a um crescimento significativo na produção. Antes, uma empresa que fazia 60 mil doces/ mês, hoje fornece 150 mil/mês.”

CAFÉ DO NORTE PIONEIRO CONQUISTA PRIMEIRA IG DO PARANÁ

Felipe Miretzki/Eficaz

A

quela associação mental que nos faz ligar rapidamente Franca em São Paulo a calçados, Minas Gerais a queijo e Salinas, também em Minas Gerais, a cachaças pode ser de grande valia como fator de competitividade para os pequenos negócios. Cada vez mais valorizados, os registros de procedência estiveram em pauta na 1ª Mostra de Produtos com Indicação Geográfica, realizada, no início de julho, em Curitiba, durante a terceira edição da Hortifruti & Foods Brasil Show 2015. O evento movimentou, durante três dias, um fluxo de aproximadamente 2,4 mil pessoas, entre visitantes e expositores.

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Produtores paranaenses

Foto: Felipe Miretzki/Eficaz

Produtor de erva-mate em São Mateus do Sul, Victor Silveira afirma que as características climáticas da região, de um raio de cerca de 30 quilômetros, são as melhores do mundo para o cultivo do produto. “O Rio Grande é famoso pelo consumo, mas a melhor erva é a nossa. Estamos à espera do registro de denominação de origem, que vai valorizar os cerca de mil produtores locais e atrair o interesse de turistas e consumidores”, projeta.

A HORTIFRUTI 2015

EXPÔS HORTALIÇAS, FRUTAS E FLORES PRODUZIDAS NO PARANÁ E COM QUALIDADE PARA CONSUMIDORES CADA VEZ MAIS EXIGENTES

Para produtores que não se encaixam nas características desse tipo de registro, mas querem ter a qualidade atestada por uma certificação, há o Selo Alimentos do Paraná, concedido pelo Instituto de Tecnologia do Estado (Tecpar), numa parceria entre o Sebrae/PR e a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). “São produtos que não têm ligação com uma região, mas atingem boa pontuação em um check-list e, por isso, recebem esse ‘atestado’ de que são seguros”, explica Maria Isabel, do Sebrae/PR. Dos 25 produtores paranaenses com o selo, 23 expuseram na Mostra da HortiFruti & Foods Brasil 2015.

Fórum de discussões

NO MERCADO INTERNACIONAL, MUITOS PRODUTOS SÃO CARACTERIZADOS NÃO APENAS PELA SUA MARCA, COMO TAMBÉM PELA SUA QUALIDADE, ESPECIFICIDADE DE PRODUÇÃO

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O Sebrae/PR, informa Andreia Claudino, apoia os produtores do setor de agronegócio na obtenção de registros que conferem indicação geográfica para produtos alimentícios. Em 2013, o Sebrae Nacional analisou 35 produtos paranaenses com potencial para obtenção de registro de indicação geográfica e, desse total, dez foram escolhidos para serem trabalhados pela entidade, produtores e parceiros, com a meta de obter novos registros para o Estado. Dentre os produtos paranaenses que buscam o registro estão a uva de Marialva; o mel do Lago de Itaipu; o melado de Capanema; os queijos de Witmarsum; a goiaba de Carlópolis; a erva-mate de São Mateus do Sul; e a farinha de mandioca, a cachaça, os derivados de banana e o barreado, estes do litoral paranaense. Esses produtores se inspiram no exemplo dos cafés especiais do Norte Pioneiro que, com o apoio da entidade, conquistaram o primeiro registro de indicação geográfica do Estado. Esta conquista também abriu caminho para um segundo pedido de registro, ainda em andamento, que busca o reconhecimento de denominação de origem, o primeiro do Estado, do mel produzido em Ortigueira. Todo o processo de registro e validação pelo INPI e Ministério da Agricultura pode levar até dois anos para ser concluído, após o envio da documentação. “A indicação geográfica tem várias funções, que vão desde dar proteção aos produtos contra fraudes; fortalecer segmentos; até posicionar marcas diante do mercado”, diz Andreia Claudino.

A Hortifruti & Foods Brasil Show 2015 aconteceu de 30 de junho a 2 de julho no Centro de Eventos da Fiep, na Capital. O evento, promovido pela Associação Brasileira de Centrais de Abastecimento (Abracen) em parceria com o Sebrae/PR, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), teve como foco a cadeia produtiva de alimentos - da produção primária de frutas, hortaliças e flores, aos alimentos transformados com segurança, qualidade e diferenciais de mercado. Entre as oficinas e workshops realizados, o painel “Oportunidades de Mercado e da Gastronomia para Produtos Diferenciados com Indicações Geográficas e Certificações” que reuniu os empresários Fernando Voese (Quintas das Cerejeiras), Janine Basso Lisboa (Decide Consultoria e Delicaterie) e Hario Tieppo (Verde Brasil) para apresentar seus negócios e debater a importância de regis-

OUTRA ATRAÇÃO DO EVENTO FORAM AS FLORES CULTIVADAS NA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA

tros e certificações. O painel contou com a presença do italiano Giordano Conti, presidente da Casa Artusi, que contou um pouco da trajetória de Pellegrino Artusi e ressaltou a importância dos ingredientes de qualidade para o sabor final dos pratos. O debate foi mediado pela analista da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae Nacional, Hulda Oliveira. Ela lembrou que o brasileiro precisa valorizar mais os produtos nacionais, atitude que deve partir do produtor e da cadeia local, como restaurantes. “O turista quer conhecer a cultura local e que melhor forma de fazer isso do que comer. Começando pelo café da manhã, que é sempre igual nos hotéis. Esses tempos,

fui a um evento da indicação geográfica relacionada à produção de melão e, no café da manhã do hotel, tinha tudo, menos o melão”, exemplifica.

Produtos locais Seguindo sabiamente os ensinamentos do gastrônomo Pellegrino Artusi (18201911), autor do livro de gastronomia mais lido da Itália “La Scienza in Cucina e L’Arte di Mangiar Bene” (A Ciência na Cozinha e a Arte de Comer Bem, em tradução livre), o chef internacional Giuliano Tassinari percorre o mundo para revelar alguns dos segredos da culinária mediterrânea. A convite dos organizadores da Hortifruti 2015, o chef de cozinha italiano passou por Curitiba. 87


A INDICAÇÃO TRAZ REPUTAÇÃO, VALOR AGREGADO E IDENTIDADE PRÓPRIA, QUE OS DISTINGUEM DOS DEMAIS PRODUTOS

Conhecido como o “embaixador da cozinha italiana e da Emilia-Romagna no mundo”, Giuliano comandou restaurantes em países como Canadá, China, Índia e Emirados Árabes, além de cozinhar para grandes personalidades como Valentino, Ralph Lauren, Jack Nicholson, Kevin Costner e Naomi Campbell. Há 41 anos proporcionando prazer por meio da culinária, atualmente, Giuliano é o chef do restaurante Grand Hotel Majestic, o único cinco estrelas em Bolonha, e, em paralelo, também é instrutor da escola de gastronomia que leva o nome do grande mentor da cozinha italiana – A Casa Artusi. Priorizando o que há de melhor para garantir a qualidade em seus pratos, Giuliano confessa que ficou muito feliz em participar de um evento como o Hortifruti onde apresentou o melhor da culinária, à maneira italiana. “Cada vez que participo de eventos como esse, fica ainda mais evidente a minha satisfação e o prazer de trabalhar com produtos certificados, com procedência e indicação geográfica. Eu sou daqueles que faço pratos apenas com os melhores produtos, pois qualquer coisa pode alterar o sabor e comprometer a qualidade”, enfatiza. Giuliano participou de uma cozinha-show, uma aula aberta para apresentar algumas receitas de origem italiana, preparadas com os produtos produzidos no Brasil. Ele explica que, com a diversidade de produtos industrializados disponíveis em seu país, é comum a busca por produtos mais naturais, com qualidade e procedência, e que preservam o sabor e as características essenciais do alimento. “A certificação resguarda o produto tradicional, que mantém as mesmas características de sabor e quali-

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Foto: Felipe Miretzki/Eficaz

“ dade. Na Itália, quando encontramos um produto certificado, estamos conscientes de que é um produto seguro, tradicional da região, e que faz a diferença no mercado pela forma como é produzido.” Para ele, o segredo da culinária mediterrânea é a qualidade preservada dos alimentos, cujo benefício não é apenas para o mercado ou para o produtor, e, sim, para o próprio brasileiro que vai consumir um produto mais saudável e com segurança. “Na Itália, quando um bom chef vai produzir um prato em seu restaurante, guarda uma lista de produtos com registro de indicação geográfica e origem de procedência. Com esta lista, ele vai diretamente ao produtor e, em seu menu, descreve, não apenas o nome do prato como, também, o ingrediente e o nome do produtor. Isso mostra o respeito com o cliente e a preocupação em trabalhar com produtos que garante a qualidade

da sua comida”, destaca. A Itália possui, atualmente, 270 produtos com registro de indicação geográfica e denominação de origem. Cerca de 70 produtos dessa lista são produzidos na região da Emilia-Romagna, considerada o tesouro da gastronomia pela abundância de queijos e embutidos produzidos segundo a tradição específica de cada província. Para os produtores brasileiros do setor de agronegócio, segundo Tassinari, são muitos os aprendizados possíveis com o ‘país da bota’. Por esta razão, o Sebrae/PR mantém parceria com o governo da região de Emilia-Romagna, em diversas atividades, como as missões técnicas, enviando produtores do Brasil à Itália para conhecer as boas práticas de produção dos produtos com registro de indicação geográfica, como o presunto di Parma, o queijo Parmigiano Reggiano e o aceto balsâmico de Mode-

na, o vinho di Lambrusco, da Mortadela di Bologna, entre outros. “Vejo como uma grande vantagem o fato da produção agrícola do Brasil utilizar uma forma mais natural para produzir. Por outro lado, o Brasil pode se inspirar em nossa tradição de certificação e tutela dos produtos, a visão da importância de certificar e reconhecer a qualidade. Se o país já está trilhando pela busca da qualidade, está no caminho certo.”

Valorização dos pequenos A presença do apresentador de tevê e chef de cozinha Edu Guedes também foi destaque durante a Hortifruti 2015. Ele participou de uma cozinha-show, preparando uma receita de brownie de chocolate com alguns ingredientes paranaenses, como o mel de Ortigueira. O apresentador também participou do painel sobre oportunidades de mercado e gastronomia para produtos diferenciados. 89


Na opinião de Edu Guedes, é preciso valorizar os produtos locais e os pequenos produtores. “É possível aprender muito com os pequenos produtores, pois eles fazem cada produto com um cuidado quase artesanal, com uma qualidade incrível. Precisamos ter orgulho do que fazemos e tratar cada produto elaborado como único.” O apresentador também interagiu com os participantes, conversando com cada produtor sobre negócios, dando dicas e contando parte de sua experiência profissional como chef de cozinha e proprietário de uma franquia de sorvetes artesanais em São Paulo.

Uma delegação italiana do governo da Emilia-Romagna participou de um workshop internacional da Hortifruti 2015, falando sobre as experiências bem-sucedidas entre o Brasil e a Itália com o Programa Brasil Próximo, com o objetivo de viabilizar projetos de cooperação com foco no desenvolvimento. Segundo Giulio Bevenutti, especialista italiano em certificações e controle de qualidade, “a experiência vivida junto aos produtores de café do Norte Pioneiro, com foco na qualidade da matéria-prima e na valorização do consumidor, foi extremamente importante para que a região paranaense conseguisse o registro de indicação geográfica, o primeiro do Estado”.

A CERTIFICAÇÃO RESGUARDA O PRODUTO TRADICIONAL, QUE MANTÉM AS MESMAS CARACTERÍSTICAS DE SABOR E QUALIDADE

Foto: Felipe Miretzki/Eficaz

Foto: Felipe Miretzki/Eficaz

Também participaram do painel vários produtores e especialistas, como Luiz Damaso Gusi, da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar), que falou sobre os produtos paranaenses, certificações e registros, rastreabilidade e rotulagem de alimentos; Luiz Roberto Saldanha Rodrigues, sócio-proprietário

da Fazenda Califórnia, falando sobre os segredos dos cafés especiais do Norte Pioneiro; Wanclei Said, diretor do Condor Super Center, e Lucia Regina Rangel, docente de propriedade intelectual do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

PARA EDU GUEDES,

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PRODUTOS PARANAENSES QUE BUSCAM INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

AS UVAS DE MARIALVA

OS DERIVADOS DE BANANA DO LITORAL

A FARINHA DE MANDIOCA DO LITORAL

O MEL DO LAGO DE ITAIPU

A GOIABA DE CARLÓPOLIS

O MELADO DE CAPANEMA

A ERVA-MATE DE SÃO MATEUS DO SUL

OS QUEIJOS DE WITMARSUM

O BARREADO DO LITORAL

A CACHAÇA DO LITORAL

CHEF DE COZINHA E APRESENTADOR, É PRECISO VALORIZAR CADA VEZ MAIS OS PRODUTOS LOCAIS E OS PEQUENOS PRODUTORES

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CONHEÇA OS PRODUTOS BRASILEIROS EXPOSTOS DURANTE A

1ª MOSTRA DE PRODUTOS

COM INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

NO QUE O SEBRAE/PR PODE AJUDAR

Os camarões de Costa Verde, do Ceará

Os cajus, do Piauí

A própolis Vermelha, de Alagoas

Para o Sebrae/PR, certificações como a indicação geográfica são fundamentais para aumentar a competitividade. Por isso, a entidade desenvolve hoje projetos para a conquista do reconhecimento junto ao INPI, como demonstrado nesta reportagem. Aglomerados produtivos interessados em se desenvolver podem buscar informações técnicas no Sebrae/PR sobre como proceder. Procure o Sebrae/PR mais próximo ou acesse o www.sebraepr.com.br.

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A cachaça de Abaíra; na Bahia e a de Salinas, de Minas Gerais

PORTAL SEBRAE/PR WWW.SEBRAEPR.COM.BR

Os vinhos de Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira e Vale dos Vinhedos, do Rio Grande do Sul

Os queijos do Serro e da Canastra, de Minas Gerais

O café da Serra da Mantiqueira, de Minas Gerais e o café da região do Cerrado Mineiro

Os doces de Pelotas, do Rio Grande do Sul

O arroz do litoral norte gaúcho

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O café do Norte Pioneiro,do Paraná e o café da Alta Mogiana, de São Paulo

As uvas e vinhos Goethe, de Santa Catarina As uvas do Vale do Submédio São Francisco

SAIBA MAIS O Sebrae/PR oferece o Programa Selo Alimentos do Paraná. A ideia é valorizar o que é produzido pela indústria, agroindústria e distribuidoras de alimentos e bebidas, priorizando padrões de segurança alimentar e qualidade. Acesse e conheça essa iniciativa.

http://goo.gl/dM8CBo

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

DESBUROCR ATIZAÇÃO

REDESIM

AS PREFEITURAS PASSAM A OBTER INFORMAÇÕES DE EMPRESAS QUE FORAM ABERTAS, DAQUELAS QUE MUDARAM DE ENDEREÇO E SEUS RAMOS DE ATIVIDADE

EMPREENDER

FICOU MAIS FÁCIL Empresa Fácil, em operação desde março, desburocratiza processos de registro empresarial; expectativa é que, até o final de 2015, pelo menos 200 municípios já tenham aderido ao sistema 100% online Por Patrícia Biazetto

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De forma rápida, o processo é acessado na Junta Comercial do Paraná (Jucepar), onde é feita a pesquisa sobre o nome pretendido e o deferimento de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), em convênio com a Receita Federal. Nos municípios já habilitados, as informações chegam simultaneamente às prefeituras, que realizam uma análise da viabilidade do local, sem a necessidade de os interessados deslocarem-se de um lado para outro, como costumeiramente se exigia. A nova plataforma integra os principais órgãos envolvidos em processos de abertura e baixa de empresas, como prefeituras, Jucepar, Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária, Secretaria Estadual de Fazenda e Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Dessa forma, o empreendedor precisa enviar toda a documentação necessária uma única vez. A maioria dos negócios, de baixo risco - quando não há ameaças à segurança pessoal, pode ser aberta com maior rapidez, sem necessidade de vistoria prévia

dos Bombeiros e da Vigilância Sanitária. Já as empresas que apresentam alto risco, continuam seguindo o procedimento atual – de vistorias por parte de órgãos responsáveis antes da concessão do alvará. Porém, a abertura também é exclusiva pelo sistema online.

Segundo o presidente da Jucepar, Ardisson Akel, o Programa - que tem como gestor a Junta Comercial e parceiros o Sebrae/PR e a Associação dos Municípios do Paraná (AMP) - tem resultados positivos desde a sua implantação, no final de 2014. “Estamos focados na integração com as prefeituras do Estado, sendo que 142 estão no processo de adesão e 67 já estão integradas”, comemorava no dia em que concedia a entrevista, ao lembrar que Guarapuava, no centro do Paraná, foi o primeiro município a se habilitar ao Empresa Fácil, parte integrante da Rede Nacional para Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim). Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, Toledo, Pato Branco, Francisco Beltrão, São José dos Pinhais e Araucária, também são exemplos de cidades onde o Programa está em operação plena. Em Londrina, na região norte do Estado, a previsão é que integração seja finalizada em breve. Já na Capital, conforme explica Ardisson Akel, o trabalho de sensibilização para a integração ao Empresa Fácil também já está sendo realizado. O coordenador estadual de Políticas Públicas do Sebrae/PR, Luiz Marcelo Padilha, explica que o processo de habilitação ao Programa é bastante dinâmico, o que permite que novos municípios sejam inseridos diariamente. “Cada município

Foto: Julio Covello

E

mpresários de aproximadamente 70 municípios do Paraná já vivenciam os benefícios do Programa Empresa Fácil, criado com o objetivo de desburocratizar os processos de registro empresarial. A boa notícia é que, até o final deste ano, 200 das 399 cidades do Estado estarão habilitadas ao Programa, que permite a constituição, abertura de filial, alteração ou extinção de empresa diretamente no portal www.empresafacil.pr.gov.br, que é a única porta de formalização de empresas no Paraná desde o início de março.

ARDISSON AKEL, PRESIDENTE DA JUNTA COMERCIAL, ESTÁ OTIMISTA COM OS BENEFÍCIOS DO NOVO SISTEMA

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Foto: Felipe Miretzki/Eficaz

NO QUE O SEBRAE/PR PODE AJUDAR

O EMPRESÁRIO TAMBÉM SAI GANHANDO COM O NOVO SISTEMA E TEM ECONOMIA DE TEMPO E DINHEIRO, JÁ QUE A ABERTURA DA EMPRESA É FEITA 100% DE FORMA ONLINE

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O EMPRESA FÁCIL PERMITE A CONSTITUIÇÃO, ABERTURA DE FILIAL, ALTERAÇÃO OU EXTINÇÃO DE EMPRESA DIRETAMENTE VIA PORTAL, A ÚNICA PORTA DE FORMALIZAÇÃO DE EMPRESAS

COORDENADOR DE POLÍTICAS PÚBLICAS DO SEBRAE/PR, LUIZ MARCELO PADILHA DIZ QUE EQUIPE PREPARADA GARANTE INTEGRAÇÃO

apresenta uma complexidade para realizar a mudança, mas contamos com uma equipe preparada para realizar o procedimento de integração dos sistemas existentes”, expõe. A expectativa, projeta Padilha, é que o tempo médio de abertura de uma empresa no Paraná seja de até três dias, ou seja, dois dias a mais do que na Nova Zelândia, país onde é mais fácil abrir um negócio dentre 189 economias estudadas pelo Banco Mundial (Bird), conforme aponta o relatório Doing Business 2014 (Fazendo Negócios, em português).

porque o processo de abertura é burocrático. Além disso, em algumas situações, o empresário só descobre as adequações que são necessárias para a sua empresa ao longo do processo”, pontua, ao lembrar que por meio do Programa Empresa Fácil o empresário pode se preparar com antecedência.

Vantagens

No Brasil, são necessários 107,5 dias para criar uma empresa, o que coloca o País na 123ª posição do ranking. Além disso, é preciso quatro anos para resolver casos de insolvência (quando a empresa encerra as atividades com dívida) e há 14 procedimentos para registrar uma propriedade num prazo de 30 dias.

Em todas as cidades do interior do Paraná quem emite o CNPJ é a Jucepar. Para o presidente da entidade, Ardisson Akel, o Programa Empresa Fácil tem gerado uma série de vantagens para os envolvidos no processo de abertura de empresas. As prefeituras, por exemplo, passaram a obter todas as informações de empresas que foram abertas, daquelas que mudaram de endereço e o ramo de atividade das mesmas, o que permite o melhor acompanhamento da atividade econômica da cidade.

“Quanto maior for o tempo para abrir uma empresa, maior é o período que um município fica sem gerar riquezas. Em muitas situações, o empresário já está pagando a locação do imóvel, já fez a aquisição de máquinas e equipamentos e deixa de registrar a entrada de receitas

O empresário também sai ganhando com a novidade, tem economia de tempo e dinheiro, já que a abertura da empresa é feita 100% de forma online. “Estamos trabalhando na implantação do Programa sem parar um dia sequer com os serviços da Junta Comercial. Estamos

empenhados no processo e pedimos a colaboração de todos que utilizam o portal para que nos relatem eventuais problemas”, sugere Ardisson Akel.

Redesim A Redesim - Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios foi criada pela Lei nº 11.598/07 para permitir que o cidadão abra ou regularize o seu negócio de forma simplificada e sem burocracia. Na prática, conforme informa o Portal Empresa Fácil Paraná, significa dizer que os órgãos responsáveis pelo registro e legalização de empresas atuarão de forma integrada, permitindo a realização de todo o processo por meio de entrada única de dados, inclusive via internet. A Redesim é administrada pelo Subcomitê Estadual constituído por órgãos representativos dos municípios, do Estado e da sociedade em geral.

Melhorias Com o objetivo de orientar empresários, contadores e servidores públicos sobre o novo sistema de abertura, alteração e baixa de empresas no Paraná, o Sebrae/

PR e a Jucepar realizam com frequência seminários em diversas cidades do Estado. E quem está utilizando o portal já aponta as vantagens. Para o contador Paulo César Pereira Silva, que atua no mercado há 29 anos, o Programa facilitou o dia a dia das atividades em Umuarama. “Para o empresário que tem urgência na abertura da empresa foi muito benéfica a implantação, pois conseguimos dar mais agilidade ao trâmite”, assinala. Luana Thaíse Costa também é contadora, em Toledo, no oeste do Paraná, já começou em março a usar o sistema. Para ela, uma economia de tempo ao usuário e agilidade, também, ao empresário. “Antes de se tornar obrigatório, tratamos de conhecer o Empresa Fácil na prática. Fiz constituições de empresas e percebi que, depois que você se acostuma com o processo, tornar-se simples e eficiente, uma vez que integra informações. Com isso, ‘economizamos’ nas idas e vindas à Receita Federal, Junta Comercial e Prefeitura. De dois a cinco dias, o empresário está com a empresa aberta”, destaca. (Colaborou nesta reportagem a jornalista Juliana Dotto)

O Sebrae/PR, parceiro dos pequenos negócios, explica passo a passo o processo de formalização e abertura de uma micro e pequena empresa. A entidade vai além, dispõe de programas como o Começar Bem, para auxiliar os empreendedores a começar seus negócios com o ‘pé direito’, munidos de informação, planejamento e análise de mercado. Acesse agora o www.sebraepr.com.br e saiba como o Sebrae/PR pode ajudar.

ACESSE UTILIZANDO O QR CODE

PORTAL SEBRAE/PR WWW.SEBRAEPR.COM.BR

SAIBA MAIS A página www.empresafacil.pr.gov. br apresenta, de forma didática, o procedimento para a abertura de empresas. Uma vez iniciado o processo, o empreendedor recebe um número de protocolo e pode acompanhar pela internet o andamento da solicitação. O presidente da Jucepar destaca que, mesmo que o município não esteja homologado na rede, o interessado pode utilizar o portal.

www.empresafacil.pr.gov.br

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SOLUÇÕES | SEBRAE/PR

ARTIGO

AS REGIONAIS DO SEBRAE/PR E SEUS ESCRITÓRIOS

A FORÇA DOS PEQUENOS NEGÓCIOS PARA ENFRENTAR A CRISE Por Vitor Roberto Tioqueta

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mpreendedor que é empreendedor não desiste. Nem mesmo nos momentos mais delicados, quando a economia emite sinais de que o crescimento das riquezas será menor que o esperado e o cenário caminha pela incerteza. Os que leem à primeira vista diriam que não poderia ser diferente já que empreender é, por natureza, uma atividade de risco. No entanto, não podemos esquecer que o empreendedorismo praticado no País vem acompanhado de um ingrediente poderoso, que é a capacidade de superar e se superar, uma força capaz de abstrair as adversidades e de, sempre, empurrar para frente. Não tenho dúvida que essa marca registrada do empreendedor brasileiro será a resposta ao momento em que vivemos. Começamos 2015 em alerta, caminhamos para o seu desfecho com muitos desafios a vencer, mas os pequenos negócios resistem com bravura à escassez. A arrecadação do Simples Nacional [sistema de tributação das micro e pequenas empresas] cresceu 6,73% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2014, segundo dados da Secretaria da Micro e Pequena Empresa e do Sebrae. A criação de empregos nas micro e pequenas empresas também cresceu no País, com a abertura de 116,5 mil vagas de janeiro a maio. O Sebrae se põe ao lado dos empreendedores. Sobretudo nesse momento, quando é necessário refletir e ter atitude empreendedora para encontrar so-

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REGIONAL CENTRO Sede - Ponta Grossa Rua Dr. Lauro Cunha Fortes, 450 Bairro Uvaranas - CEP: 84.025-002 Fone: (42) 3225-1229 Fax: (42) 3225-1229

luções adequadas aos problemas que se colocam. Parceiro dos pequenos negócios, o Sebrae oferece conhecimento para quem já tem empresa e também para quem quer ser empresário.

Escritório - Guarapuava Rua Arlindo Ribeiro, 892 Bairro Centro - CEP: 85.010-070 Fone: (42) 3623-6720 Fax: (42) 3623-6720

Apoio técnico que se traduz em relatos de superação, de empreendedores que buscaram ajuda no Sebrae e viram na crise uma oportunidade, momento de planejar mais um pouco, de inovar sem gastar muito, de acreditar que uma boa gestão aumenta a produtividade, de melhorar o seu relacionamento e buscar novos clientes, de ampliar a rede de parceiros, de buscar novos fornecedores, de olhar para novos mercados e de repensar seu negócio.

REGIONAL LESTE

Comportamento que se espera não apenas nas horas difíceis, mas no dia a dia dos negócios. Essa não é a primeira e nem será a última crise econômica pela qual passamos. E é nesse contexto que o Sebrae lança o Movimento Compre do Pequeno Negócio, uma ação estratégica que busca valorizar as micro e pequenas empresas. A intenção é estimular a compra de produtos e serviços dos pequenos negócios, fazendo que a movimentação econômica fique nos bairros e nos municípios onde estão os microempreendedores individuais e as micro e pequenas empresas. Uma ideia que vai pegar no Brasil, com a mobilização de parceiros, de empresários e de toda a sociedade. Façamos bem a nossa parte. Com esta convicção, acredito que mais uma vez os pequenos negócios se mostrarão como a melhor alternativa para o desenvolvimento do País. Aproveitemos, então, o “lado bom” da crise.

Sede - Curitiba Rua Caeté, 150 Bairro Prado Velho - CEP: 80.220-300 Fone: (41) 3330-5800 Fax: (41) 3330-5768/3332-1143 Escritório - Paranaguá Avenida Gabriel de Lara, 1.404 Bairro Leblon - CEP: 83.203-550 Fone: (41) 3425-1010 Fax: (41) 3425-1010 Vitor Roberto Tioqueta é diretor-superintendente do Sebrae/PR. Formado em Ciências Contábeis, tem pós-graduação em Direção de Empresas, pela PUC-PR, e MBA em Desenvolvimento de Ambientes Empresariais, pela Universidade Positivo. Participou dos cursos Gerenciamento de Empresas Globais, pela Universidade do Texas, nos Estados Unidos; Programa de Gestão Estratégica para Dirigentes Empresariais, pela INSEAD, escola de negócios, na França; Programa de Estratégia e Inovação em Negócios, pela Universidade da Pensilvânia, também nos Estados Unidos; e Programa Internacional de Desenvolvimento de Lideranças do Sistema Sebrae, pela Università Cattolica Del Sacro Cuore, em Milão, na Itália. É funcionário do Sebrae/PR há 27 anos. Antes de assumir a Superintendência da entidade, foi diretor de Administração e Finanças.

REGIONAL OESTE Sede - Cascavel Avenida Presidente Tancredo Neves, 1.262 Bairro Alto Alegre - CEP: 85.805-003 Fone: (45) 3321-7050 Fax: (45) 3226-1212 Escritório - Foz do Iguaçu Rua das Guianas, 151 Bairro Jardim América - CEP: 85.864-470 Fone: (45) 3522-3312 Fax: (45) 3573-6510 Escritório - Toledo Avenida Parigot de Souza, 2.339 Bairro Centro - CEP: 85.905-380 Fone: (45) 3252-0631 Fax: (45) 3252-6175 REGIONAL NOROESTE Sede - Maringá Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto, 1.116 Bairro Zona 7 - CEP: 87.030-010 Fone: (44) 3220-3474 Fax: (44) 3220-3402 Escritório - Campo Mourão Rua Santa Cruz, 1.085 Bairro Jardim Florida - CEP: 87.300-440 Fone: (44) 3523-2500 Fax: (44) 3523-2500

Escritório - Paranavaí Rua Souza Naves, 935 Jardim São Cristóvão - CEP: 87.702-220 Fone: (44) 3423-2865 Fax: (44) 3423-2865 Escritório - Umuarama Rua Floraí , 4.295 Bairro Zona I - CEP: 87.501-290 Fone: (44) 3622-7028 Fax: (44) 3622-7065 REGIONAL NORTE Sede - Londrina Avenida Santos Dumont, 1.335 Bairro Aeroporto - CEP: 86.039-090 Fone: (43) 3373-8000 Fax: (43) 3373-8005 Escritório - Apucarana Avenida Irati, 602 - Bairro Centro CEP: CEP: 86.800-220 Fone: (43) 3422-4439 Fax: (43) 3422-4439 Escritório - Arapongas Rua Garças, 850 CEP: 86.700-285 Fone: (43) 3252-7392 Fax: (43) 3252-7392 Escritório - Ivaiporã Avenida Minas Gerais, 530 Bairro Centro - CEP: 86.870-000 Fone: (43) 3472-1307 Fax: (43) 3472-1307 Escritório - Jacarezinho Rua Coronel Figueiredo, 749 Bairro Centro - CEP: 86.400-000 Fone (43) 3527-1221 Fax: (43) 3527-1221 REGIONAL SUDOESTE Sede - Pato Branco Avenida Tupi, 333 Bairro Bortot - CEP: 85.504-000 Fone: (46) 3220-1250 Fax: (46) 3220-1251 Escritório - Francisco Beltrão Rua São Paulo, 1.212 - Sala 1 Bairro Centro - CEP: 85.601-010 Fone (46) 3524-6222 Fax: (46) 3524-5779

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Revista Soluções - Edição 23  
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