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A revista da pequena empresa no Paraná

Trimestral nº22 Ano 8 Abr/15

A ‘casa’ dos microempreendedores individuais no Paraná! Salas do Empreendedor, mantidas por prefeituras, facilitam a formalização e capacitam pequenos negócios com soluções do Sebrae/PR

Selo atesta qualidade e amplia mercados

Inspiração para quem quer empreender

‘Laços’ fortalecem empresas familiares

Programa, focado em boas práticas, abre novas perspectivas e ajuda a preparar empresas de alto potencial

Iniciativas inovadoras de empreendedorismo sustentável, com forte preocupação social e que transformam realidades

Saiba por que negócios comandados por famílias têm registrado crescimento mais acelerado e sólido no Brasil


Editorial

Foto: Mauro Frasson

Parceria na construção de um Brasil melhor

Edson Campagnolo Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR

O empreendedorismo contribui para a construção de um Brasil melhor e deve ser valorizado. Desde que assumi a presidência do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, no final do ano passado, acompanho de perto o trabalho da entidade, num esforço diário em auxiliar e fortalecer os pequenos negócios, que representam 99% dos estabelecimentos formalizados no Paraná. Estou convicto que a causa do Sebrae é nobre. Convicção que me leva a enxergar, de forma ampliada, o valor do empreendedorismo, não apenas focado na capacidade que os pequenos negócios têm, mesmo em tempos de crise, de gerar empregos e renda, mas também o poder do empreendedorismo em promover o desenvolvimento de comunidades e realizar sonhos. A busca de satisfação pessoal, por meio de uma atividade empresarial, algo bastante comum entre nossos jovens hoje, requer motivação aliada a conhecimento, em meio a um ambiente favorável aos negócios. É nisso que o Sebrae/PR acredita. Para a entidade, empreendedores preparados, com empresas competitivas e apoiadas por políticas de estímulo à produção, têm tudo para dar certo. Como empresário, sei o quanto o conhecimento tem peso na gestão de uma empresa, assim como é infinita a capacidade de transformação que temos dentro da gente. Que a parceria do Sebrae/PR com os pequenos negócios se consolide cada vez mais, traduzindo-se em mais conhecimento, mais realização pessoal, mais negócios e também mais desenvolvimento para o nosso Estado e País. Nesta edição, a Revista Soluções resgata 19 histórias de empreendedorismo inspiradoras, reconhecidas pelo Prêmio Ozires Silva, realizado pelo ISAE/FGV, GRPCOM e patrocínio do Sebrae/PR e Itaipu Binacional. Iniciativas inovadoras de empreendedorismo sustentável, com forte preocupação social, que transformam realidades. Tudo a ver com a construção de um Brasil melhor.

Atendimento preferencial

Foto: Eficaz

As Salas do Empreendedor, tema de capa desta edição da Revista Soluções, vem assumindo nos últimos anos um papel fundamental na estratégia do Sebrae/PR, ao efetuar atendimentos e disseminar informações para os microempreendedores individuais (MEI), categoria empresarial instituída há mais de cinco anos para tirar empreendedores que atuavam na informalidade.

Julio Cezar Agostini, Vitor Roberto Tioqueta e José Gava Neto Diretoria Executiva do Sebrae/PR

Os espaços, mantidos pelas prefeituras, oferecem gratuitamente serviços do Sebrae/PR para os MEI. A importância deste segmento se deve ao seu crescimento acentuado. O Paraná tinha 270.796 MEI até 18 de abril passado. A média de formalizações no Estado é de 4 mil ao mês, considerando o início da vigência do Portal do Empreendedor no Paraná, em setembro de 2009. Os MEI, que hoje faturam até R$ 60 mil ao ano, têm potencial para ser empresários de micro e pequenas empresas amanhã. Para isso, precisam se capacitar cada vez mais e ter acesso facilitado a informações necessárias para a melhoria do seu desempenho e resultados. O Paraná conta hoje com 109 Salas do Empreendedor, espalhadas pelo território estadual. Essa parceria tem rendido bons resultados. Para se ter uma ideia do alcance dos serviços oferecidos por esses espaços, de 13 a 17 de abril passado, durante a sétima edição da Semana MEI, uma espécie de mutirão realizado em todos os estados para atender formalizados e interessados em se formalizar, foram contabilizadas só no Paraná 12.070 orientações, 4.754 informações, 646 horas de consultorias, 233 palestras, 167 oficinas, com 2.136 participantes, a maioria nas Salas do Empreendedor. Conheça nesta edição um pouco mais sobre como funcionam esses espaços, considerados pelo Sebrae/PR a “Casa dos Microempreendedores Individuais no Paraná”. Boa leitura!

3


Índice Conselho Deliberativo

Conselho Fiscal

O Conselho Deliberativo do Sebrae/PR é formado por representantes de segmentos do setor produtivo, de instituições de ensino, tecnologia e crédito e poder público. Funciona como uma assembleia geral e soberana, que representa a tomada de decisões de forma democrática e compartilhada. Ao todo, são 13 entidades que têm assento no Conselho Deliberativo do Sebrae/PR.

João Luiz Rodrigues Biscaia – Faep Presidente do Conselho Fiscal

Dalton Celeste Rasêra – Faep suplente

Alberto Franco Samways – Fecomércio titular

Edson Campagnolo

Edson Luiz Guariza – Fecomércio

Presidente do Conselho Deliberativo

suplente

Banco do Brasil José Roberto Sardelar titular

Joares Angelo Scisleski suplente

Caixa Econômica Federal Fabio Carnelós titular

Enilson Araújo suplente

Centro de Integração de Tecnologia do Paraná (Citpar)

Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio)

Gerson José Lauermann – Ocepar

Darci Piana

João Gogola Neto – Ocepar

titular

Ari Faria Bittencourt

Juraci Barbosa Sobrinho titular

Heraldo Alves das Neves suplente

Sebrae Nacional Elizabeth Soares de Holanda titular

suplente

suplente

Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep)

Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral

Ágide Meneguette

Silvio Magalhães Barros

titular

titular

suplente

suplente

Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap)

Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar)

Rainer Zielasko

João Paulo Koslovski

titular

titular

suplente

suplente

Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Fampepar)

Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Ercílio Santinoni

titular

Guido Bresolin Junior

titular

Jonas Bertão suplente

Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) Edson Campagnolo titular

Evaldo Kosters suplente

Capa - Pág. 10

Fomento Paraná

titular

Carlos Augusto Cavalcanti Albuquerque

suplente

suplente

Luiz Carlos Baeta Vieira Rubens Maluf Dabul

titular

Joana Bona Pereira

Diretoria Executiva Vitor Roberto Tioqueta Diretor Superintendente

Julio Cezar Agostini

Salas do Empreendedor, mantidas por prefeituras, facilitam formalização e capacitam pequenos negócios com soluções do Sebrae/PR

Comportamento PÁG.

sonho cada vez mais comum

‘Laços’ fortalecem empresas familiares

PÁG.

26 Mercado PÁG.

José Gava Neto

suplente

Crescimento, com qualidade e segurança

Empreendedorismo

Entrevista

Inspiração para quem quer empreender

PÁG.

40 Inovação PÁG.

José Roberto Ricken

Joel Souza e Silva

32

Diretor de Administração e Finanças

Mário José Dória da Fonseca

Zaki Akel Sobrinho

22 Ser o próprio chefe, um

Serviço

Diretor de Operações

Expediente Coordenação Fabíola Negrão Gerente de Marketing e Comunicação Edição/Jornalista Responsável Leandro Donatti Registro Profissional – 2874/11/57-PR Ammanda Macedo Consultora especialista em Marketing Textos: Adriano Oltramari, Aldy Coelho, Bruna Komarchesqui, Camila Cabau, Giovana Chiquim, Juliana Dotto, Lara Lima, Leandro Donatti, Patrícia Biazetto e Ricardo Marques de Medeiros. Fotos: Cristiane Shinde/Studio Alfa, Econoronha, Gama TV, Gilson Abreu/Fiep, Hec Montrèal, Helen Marques, JRubens/ASN, Luis Felipe Miretzki/Eficaz, Marcos Zanella, Prefeitura de Maringá e Rodrigo Czekalski. Impressão: Speedgraf Gráfica e Editora Ltda. Design Gráfico e Diagramação: Ingrupo//chp Propaganda

4

A ‘casa’ dos microempreendedores individuais no Paraná

58

Incentivo para inovação

Capacitação

Pág. 6

Superação, como marca registrada

PÁG.

64 Competitividade

Empreendedores são ‘artistas da inovação’ Para Louis Jacques Filion, professor da Universidade HEC Montreal, educação empreendedora serve para estimular a expressão da originalidade

PÁG.

76

Empresa paranaense tem reconhecimento nacional

Gestão Conhecimento na prática

PÁG.

82 Pequenos Negócios PÁG.

86

Empreendedorismo em pauta

5


em diferentes setores no mundo. Cerca de

apostam há anos na formação de novos

700 novos produtos entram por dia no mer-

empreendedores. O surgimento de jovens

cado no mundo, 20 mil por mês. Organiza-

empresários garante a implementação de

ções precisaram se transformar para serem

inovações e modelos inovadores. Estudos

competitivas. Empresas como a Apple estão

revelam que 700 novos produtos entram

sempre progredindo, porque estão lançando

diariamente no mercado mundial. E alguns

novos produtos. Você vê em qualquer setor

especialistas comparam o empreendedoris-

um espiral inovador. Jovens empreendedo-

mo com a arte.

res estão criando novos produtos a cada dia.

De acordo com esta corrente, como a pintu-

Revista Soluções - O senhor sempre fala

ra, a escultura, a música, dentre outras, criar

em seus artigos sobre o chamado “caminho

um negócio inovador necessita de uma ha-

empreendedor”, que caminho é esse? Como

bilidade básica. A educação empreendedora

conquistá-lo?

serviria para estimular e valorizar essa habilidade. É o que defende Louis Jacques Filion, professor da Universidade HEC Montreal, no Canadá, e um dos mais expressivos especialistas no tema.

Para professor da Universidade HEC Montreal, educação empreendedora serve para estimular a expressão da originalidade Por Ricardo Marques de Medeiros

6

Vocês se conhecem, começam a sair, buscam afinidades. É gradual. Empreendedorismo ra, é uma forma de pensar. Você define seu

a diferenciação.” Para Filion, empreendedor é

próprio caminho para virar empreendedor.

alguém que pensa tendo em mente a ação. “É

Empreendedores, muitos deles, nunca estão

um artista da ação inovadora. Um negócio é

satisfeitos. Como os artistas. Picasso pintou

uma obra de arte.” O professor, que em 2014

todos os dias até morrer. Ele vivia em Paris e

veio ao Brasil a convite do Sebrae/PR, para

um dia um repórter foi fazer uma entrevis-

compartilhar impressões e conhecimento,

ta com ele e perguntou: “O senhor é muito

enumera ainda as características que marcam

rico, já pintou centenas de quadros, por que

o perfil de um empreendedor.

o senhor continua pintando todos os dias?”

pensa positivamente; é um líder; é indepen-

da inovação’

uma mulher e casa no dia seguinte com ela.

não é apenas uma habilidade, é uma cultu-

de criar coisas; é um definidor de contextos;

‘artistas

você faz na vida é gradual. Você não conhece

de se aprender a expressar a originalidade e

dadeiro empreendedor é alguém que gosta

Empreendedores são

Louis Jacques Filion - Qualquer coisa que

“No empreendedorismo existe a necessidade

No entendimento do especialista, um ver-

Louis Jacques Filion, um dos ‘papas’ no estudo do empreendedorismo

dente; é enérgico; e é tenaz.

Ele respondeu: “É porque eu gostaria de fazer uma boa pintura antes de morrer”. Tem muitos empreendedores que conheço, com mais de 70 anos, bilionários, que têm gran-

O Brasil é visto como o país empreendedor que vai tomar o lugar dos Estados Unidos daqui a 30 anos

des corporações, que falam a mesma coisa: “Eu gostaria de deixar alguma coisa espe-

Leia a seguir entrevista concedida pelo pro-

cial. Ainda não cheguei ao ponto em que eu

fessor Filion à Revista Soluções.

desenvolvi uma coisa que eu queria”.

Revista Soluções - Como o senhor vê o em-

Revista Soluções – Professor, mas como

preendedorismo praticado atualmente no

enfrentar isso?

mundo?

Entrevista

Foto: Hec Montrèal

Louis Jacques Filion

Os países mais desenvolvidos do mundo

Louis Jacques Filion - É um processo de

Louis Jacques Filion - Existe um enorme

aprendizagem. E isso acaba sendo um pro-

aumento em atividades empreendedoras ao

blema para a sucessão. Os empreendedo-

redor do mundo e a pressão vem da Ásia. A

res não querem deixar o negócio. Querem

pressão da Ásia é muito forte. Os chineses

continuar melhorando ele, não querem abrir

chegaram ao nível dos japoneses, desenvol-

mão do comando. Tive uma reunião com um

vendo sua própria tecnologia. Os chineses

grande empreendedor há alguns anos e falei

não estão apenas sendo subcontratados

com ele sobre a filha, uma das alunas mais

e copiando, mas desenvolvendo tecnolo-

brilhantes que tivemos no nosso programa

gia bem avançada. Muito dessa tecnologia

de empreendedorismo. Falei que ela estava

é desenvolvida em conjunto com empre-

pronta para tomar conta do negócio da fa-

sas norte-americanas e de outros países. A

mília, mas ele disse que sua filha era muito

(companhia de aviação brasileira) Embraer

jovem e que não tinha tanta experiência. Re-

desenvolve projetos na China. A Bombar-

truquei que os americanos tinham acabado

dier (empresa canadense do ramo de avia-

de eleger Barack Obama presidente do país.

ção) compete com a Embraer no mercado

Ele tinha 48 anos, a mesma idade da filha

mundial, mas as duas têm muitas atividades

dele. Não tinha experiência, mas era o pre-

em conjunto em diferentes setores com os

sidente dos Estados Unidos. “Sua filha traba-

chineses. Os chineses selecionaram líderes

lha há 20 anos, não acha que ela está pronta

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para assumir?” Ele disse não, olhou para mim e falou que os americanos eram loucos por eleger um presidente sem experiência. Revista Soluções - Quais são as estratégias para se tornar um país empreendedor? Louis Jacques Filion - O empreendedorismo é desenvolvido pelos empreendedores.

precisa ser enfrentada e ela pode atrasar o desenvolvimento de um país. Revista Soluções - Que recado o senhor deixaria para os empreendedores do Paraná? Louis Jacques Filion - Façam empreendedorismo e estudem inglês, para poder competir cada vez mais em condições de igualdade.

Países onde o empreendedorismo é desenvolvido são países onde os líderes políticos dão espaço e desenvolvem programas que envolvem os empreendedores e afetam a sociedade. Os Estados Unidos têm sido líder nesta área desde a Segunda Guerra (1939-1945). Até então os britânicos eram os líderes em saber o que fazer no setor. Eles criaram uma comissão no final dos anos 1930 e essa comissão concluiu que a forma era apoiar pequenos negócios. Eles desenharam muitos programas para desenvolver pequenos negócios, mas não foi implantado por lá. Veio a guerra e, após o fim dos conflitos,

No que o Sebrae/PR pode ajudar

uma comissão do Senado americano, criada para desenvolver o empreendedorismo nos Estados Unidos, reuniu os peritos do Reino Unido para apresentar seus estudos sobre

Empreendedorismo não é apenas uma habilidade, mas é uma cultura, uma forma de pensar

o assunto e os Estados Unidos implementa-

Educação Empreendedora é uma das linhas estratégicas do Sebrae/PR. A entidade leva a cultura do empreendedorismo para as salas de aula, com o objetivo de estimular a prática

ram o programa. Eles aprovaram uma lei que

de atitudes empreendedoras nas crianças e

dava preferência aos pequenos negócios

jovens, para que tenham uma atuação mais

na compra de todos os gastos do governo

protagonista na construção de seu futuro.

americano. O que isso significou para uma

Do ensino fundamental à universidade, o

pequena empresa de meias fornecer para o

Sebrae tem programas como o Jovens Em-

exército dos Estados Unidos? O jeito encontrado pelos legisladores americanos foi criar leis específicas a cada ano para apoiar os pequenos negócios.

preendedores Primeiros Passos – JEPP, Desafio Universitário Empreendedor e Educação Empreendedora. Mais informações, ligue para o 0800 570 0800, do Sebrae/PR.

Revista Soluções - Como o empreendedorismo brasileiro é visto no exterior? Louis Jacques Filion - Há alguns anos, fui para a Argentina apresentar palestras em Buenos Aires e em Córdoba. No período de perguntas e respostas, me questionaram se

Saiba mais

eu já tinha estado no Brasil e se eu conhecia o empreendedorismo brasileiro. Eu devolvi a pergunta. Vocês são vizinhos, como vocês veem o Brasil? Em toda a América Latina, as pessoas tremem quando se fala empreendedorismo brasileiro. Porque os brasileiros são

ca”, Editora Campus, de Louis Jacques Filion, Afonso Cozzi, Fernando Dolabela e Valéria Judice. A publicação explora como novas empresas de alta tecnologia - em áreas como

os americanos da América do Sul. O país faz

computação, comunicações, biotecnologia e

parte dos Brics (bloco econômico formado

nanotecnologia - podem ser desenvolvidas a

pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do

partir da visão empreendedora de empresas,

Sul). O Brasil é visto como o país que vai to-

universidades e centros de pesquisa. O livro faz

mar o lugar dos Estados Unidos daqui a 20,

uma análise de casos reais desenvolvida entre

30 anos. Mas todos os países do bloco têm um problema em comum: a corrupção. Os piores são Índia, Rússia e China. A corrupção

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Livro “Empreendedorismo de Base Tecnológi-

2005 e 2007 pela Fundação Dom Cabral no Brasil e parceiros no Canadá.


Capa

Atendimento multicanal

Salas do Empreendedor,

a ‘casa’ dos

microempreendedores

individuais no Paraná Espaços, mantidos por prefeituras, facilitam a formalização e capacitam pequenos negócios com soluções do Sebrae/PR Por Bruna Komarchesqui

10

11


Além do Sebrae/PR, as Salas do Empreendedor podem ter parceria com outros órgãos de suporte, como Previdência Social. “Elas podem oferecer agentes de crédito, serviço de facilitação de alvará, varia bastante”, exemplifica Luiz Marcelo Padilha. Dos 399 municípios paranaenses, 383 já aprovaram legislações municipais de apoio às micro e pequenas empresas. Nos demais, explica o Foto: Rodrigo Czekalski

consultor, há tramitação. “Essa lei municipal é obrigatória e prevê a criação das Salas do Empreendedor. O Sebrae/PR tem dado esse apoio aos municípios.” Carla Selva reforça que as cidades que já contam com os espaços, muitos deles com nomes próprios, participam ou participaram do Programa Cidade Empreendedora, inicia-

Sala do Empreendedor em Telêmaco Borba

Foto: Rodrigo Czekalski

tiva do Sebrae/PR que tem como objetivo

Agência do Empreendedor de Guarapuava

criar um ambiente favorável ao MEI. “Nosso desejo é que isso chegue a todas as cidades. O importante é que todas façam a adesão à lei, criando condições para um ambiente de negócios”, destaca a consultora.

Atendimento completo O Espaço do Empreendedor de Araucária

Araucária que tem se beneficiado com a criação do espaço. Quando começou o seu negócio, Mara Lúcia trabalhou informalmente e apenas um ano depois conseguiu formalizar sua empresa como microempreendedora

coordenador estadual de Políticas Públicas

funciona desde outubro de 2014 na sede da

individual.

turas, desburocratizar processos, oferecer

do Sebrae/PR.

Companhia de Desenvolvimento de Araucá-

“Na época, eu não conhecia o trabalho do

ria (Codar) e, até dezembro passado, já havia

Sebrae/PR. Por falta de informação pro-

contabilizado mais de 500 formalizações de

curei fazer tudo sozinha, paguei por vários

empresas dos setores de vestuário, constru-

serviços e recebi poucas orientações sobre

ção civil, estética, mecânica, entre outros.

o que eu teria que fazer e pagar. Algum tem-

Atualmente, o espaço faz 460 atendimentos

po depois, o próprio contador me orientou

mensais, desde consultorias, formalizações,

a procurar o Sebrae/PR para tirar algumas

emissão de guias e qualificações de empre-

dúvidas e só então descobri que a entidade

sas que já estão formalizadas.

oferece todo o auxílio para o empresário de

lista de tarefas que os municípios precisam ‘vencer’ para implementar de fato a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, também conhecida como Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, em vigor desde 2006, é extensa.

No ‘cardápio’ das Salas do Empreendedor, comandadas por agentes de desenvolvimento, nomeados pelas prefeituras com a função de articular e tornar realidade a Lei Geral, estão a geração e impressão de boletos, informações e facilitação para formalização e baixa de empresas, orientações

Neste cenário desafiante é que surgem as

acerca de microcrédito, taxas e caminhos

Salas do Empreendedor, espaços de responsa-

para o desenvolvimento do negócio, além

Na Sala do Empreendedor do município, os

bilidade do poder público municipal, que con-

de cursos, oficinas e palestras.

microempreendedores individuais têm à dis-

Desde então, Mara Lúcia tem recebido

posição consultorias, orientações, capacita-

orientações de um consultor do Sebrae/PR,

ções, cursos e apoio jurídico e contábil de for-

participa dos cursos oferecidos pelo Espaço

ma gratuita. De acordo com Virginia Allgayer,

do Empreendedor e está aprendendo como

consultora do Sebrae/PR, dentre os serviços

organizar e planejar as duas atividades que

oferecidos, os que mais se destacam são as

executa. “Antes, não estava dando conta da

consultorias para empreendedores ainda não

atividade como cabeleireira e artesã, e nem sa-

de gestão aos empresários, com cartilhas,

formalizados, a regularização de empresas

bia como organizar as finanças e as taxas que

orientações e oito tipos de oficinas sem cus-

sob o regime MEI, emissão do Documento de

deveria pagar. Neste sentido, o Sebrae/PR tem

to nenhum, tudo é subsidiado pelo Sebrae/

Arrecadação do Simples (DAS) e orientações

me ajudado muito e pretendo, a partir de ago-

PR”, detalha Carla Selva.

sobre a legislação vigente.

ra, me especializar ainda mais e fazer crescer o

As visitas agendadas dos consultores são quin-

“Também fazemos um trabalho intensivo

“É uma forma dos municípios oferecerem

zenais em municípios com até 70 mil habitan-

com a Declaração Anual do Simples Nacional

Para o agente de desenvolvimento de Arau-

um tratamento diferenciado e exclusivo

tes e semanais nas demais cidades onde estão

(DASN) no Espaço do Empreendedor de Arau-

cária, Edson Rodrigues, houve uma grande

aos empreendedores, uma entrada única de

instaladas. “Às vezes, a Sala do Empreendedor

cária. Até o dia 31 de maio, um consultor cre-

mudança com a implantação do Espaço do

comunicação com as prefeituras. Existe um

está em um município que não tem posto de

denciado do Sebrae/PR estará no local para

Empreendedor no município. Antes da ins-

rol de serviços, e cada município customiza

atendimento ou escritório do Sebrae/PR. A

auxiliar os microempreendedores individuais

talação, o atendimento era feito de forma

o que irá oferecer. Há Salas do Empreende-

procura é muito boa. Os empresários estão

com o preenchimento da declaração, pois, se

reduzida, apenas para a formalização das

dor básicas, intermediárias e avançadas”,

gostando muito, porque são soluções que eles

não o fizerem dentro do prazo, eles pode per-

empresas. Hoje, o espaço faz um atendi-

explica o consultor Luiz Marcelo Padilha,

não tinham antes”, reforça Carla Selva.

der a condição de MEI”, alerta Virginia.

mento completo, desde a orientação até a

tam com soluções gratuitas do Sebrae/PR para microempreendedores

individuais

(MEI),

aqueles com faturamento bruto anual de até R$ 60 mil. As Salas ganharam força no Estado por volta de 2012, chegando a 109, em abril deste ano. “O número muda muito. Praticamente todo mês tem uma Sala do Empreendedor sendo inaugurada”, conta a consultora do Sebrae/PR, Carla Selva Santos, gestora estadual do Programa MEI.

12

das microempreendedoras individuais de

Mudar procedimentos internos nas prefeiatendimento facilitado ao empreendedor. A

Os microempreendedores individuais têm a oportunidade de aprender noções básicas de administração e aprimorar a gestão nos negócios

A cabeleireira Mara Lúcia Carvalho é uma

Embora sejam voltadas a empresas de todos os portes, estatísticas apontam que a maior procura parte dos microempreendedores individuais – que hoje passam de 270 mil no Paraná todo. São eles o público-alvo das ações gratuitas do Sebrae/PR. “Levamos conteúdo

forma gratuita”, destaca ela.

As Salas do Empreendedor ganharam força no Estado por volta de 2012, chegando a 109, em abril deste ano

meu negócio”, promete.

13


qualificação do empresário. “Nosso atendimento foi aprimorado e age agora de forma personalizada, auxiliando o empreendedor desde a criação da empresa até a sua sustentação. Oferecemos toda semana a consultoria de um especialista do Sebrae/PR para orientação individual e ela-

com mais contratos fechados e muito mais

bém o curso do Bom Negócio - em parceria

trabalho. “Eu tinha dificuldade de empreen-

com o governo do Estado – e que é voltado

der, de vender, de me colocar no mercado.

para empresários de microempresas ou para

Comecei a procurar programas que pudes-

aqueles que querem empreender.

sem me ajudar e que eu encontrei na Agência”, diz ela que já planeja investir mais para ampliar seus negócios.

Mensalmente, 400 atendimentos são feitos no local, o que ultrapassa a meta inicial de 50 atendimentos mensais. A emissão de al-

boramos uma agenda de eventos mensais

A fotógrafa é apenas uma das centenas de

varás de funcionamento já soma 450, sendo

com cursos voltados para a área de gestão

pessoas que procuram a Sala do Empreende-

152 apenas em 2015. “Recebemos na Agên-

empresarial, marketing e financeiro.”

dor de Guarapuava, que funciona na Prefei-

cia pessoas que buscam informações sobre

‘Casa do empresário’

tura Municipal, e que já ultrapassou as metas

A mineira Daniele Moreira, 31 anos, morado-

graças às parcerias firmadas com o Sebrae/PR,

ra de Guarapuava há quatro anos, conseguiu

com a Fomento Paraná, com a Associação Co-

dar um novo rumo em sua vida profissional

mercial e Industrial de Guarapuava (ACIG), com

após procurar informações na Agência do

a Unicentro, dentre outras.

Empreendedor de Guarapuava, a Sala do Empreendedor do município, que foi inaugurada em agosto de 2014. Ela conta que no ano passado decidiu que iria focar seu trabalho como fotógrafa, profissão tida até então com segundo ramo de atuação. As dúvidas de como se colocar no mercado, como se formalizar, como atrair e fidelizar clientes, dentre outras, surgiram e não foram impeditivos de avançar. E foi na Agência do Empre-

iniciais de atendimentos e serviços prestados,

Segundo a agente de desenvolvimento, responsável pela Agência do Empreendedor de Guarapuava, Ana Claudia Klosouski, os serviços prestados no local não se limitam apenas ao microempreendedor individual, mas se estendem também aos empresários de micro e pequenas empresas. Dentre os principais serviços oferecidos pela Agência estão a formalização de empresas, emissão

como formalizar uma empresa, como preencher a declaração anual do Simples Nacional e também dos programas realizados pela Agência, em parceria com outras entidades, como é o caso do Inova Guarapuava, reforça a agente de desenvolvimento. Além de poder esclarecer dúvidas, a Agência oferece oficinas, que são ministradas por consultores do Sebrae/PR. Elas acontecem quinzenalmente, são gratuitas e são específicas para o microempreendedor individual. Os temas “Sei Comprar”, “Sei Vender” e “Sei Controlar meu dinheiro” atraem aproxima-

de alvarás em 48 horas para ponto de refe-

damente 35 empresários por oficina.

rência, acesso ao crédito em parceria com

“Os proprietários das microempresas não

a Fomento Paraná, o Programa Inova Gua-

tinham em Guarapuava incentivos peran-

Daniele foi a primeira a se formalizar na Sala

rapuava – que acontece em parceria com a

do Empreendedor de Guarapuava como

Prefeitura de Guarapuava e o Sebrae/PR – e

te o poder público. Notamos que antes da

microempreendedora individual. As conse-

que é um fundo de inovação que subsidia em

quências vieram logo após a formalização,

até 80% os projetos de inovação, como tam-

endedor que ela conseguiu sanar as dúvidas e se motivar.

Sala do Empreendedor em Foz do Iguaçu

do Empreendedor de Guarapuava também

muitos desconheciam o que caracterizava

negócio, o movimento na Sala do Empreen-

um microempreendedor. Hoje, temos no

dedor em Bandeirantes também é grande

município quase 2.800 microempreendedo-

graças à vontade dos empreendedores de

res individuais”, comemora Ana Claudia.

se tornarem mais competitivos e ‘driblar’ a

E com o objetivo de oferecer o suporte para a formalização de novos negócios, a Agência do Empreendedor de Guarapuava passa a ter nos próximos dias uma agência móvel. Graças à doação de uma van, por meio da

aprovação da Lei Geral Municipal da Micro e Pequena Empresa, que ocorreu em 2013, Guarapuava tinha uma demanda reprimida

Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

de microempreendedores individuais, já que

das consultorias e oficinas que oferecemos para dar condições de crescimento e mais sustentabilidade para as empresas”, ressalta. Em 2014, a Sala do Empreendedor registrou

dos dentro da Agência, também estarão nas

336 atendimentos e recebeu a visita de 70

ruas. “Queremos ficar cada vez mais perto

microempreendedores individuais que pedi-

dos empresários que não têm como deixar

ram auxílio para entregar a DASN; 228 par-

seus negócios para irem até a Agência. Va-

ticiparam de consultorias; e 96 profissionais

mos levar informações e cursos até eles, em

se formalizaram. Apenas nos três primeiros

parceria com o Sebrae/PR”, diz a agente de

meses de 2015, o espaço contabilizou 118

desenvolvimento, Ana Claudia.

atendimentos gerais; 90 atendimentos espe-

Para o consultor do Sebrae/PR, Marlon Fa-

cíficos sobre a entrega da DASN; 48 consul-

rias, a Agência do Empreendedor de Gua-

torias; e 16 formalizações.

rapuava já é considerada a ‘Casa do empre-

Além disso, o Programa Negócio a Negócio,

sário’. “A Agência de Guarapuava é hoje um endedores individuais e de formalizar novos negócios, também acompanha o desenvolvimento das empresas com relação à gestão, graças às parcerias que são firmadas com as entidades”, destaca o consultor do Sebrae/PR.

Evolução constante

promovido em parceria entre o Sebrae/PR e universidades locais, que oferece orientações empresariais gratuitas, atendeu 200 microempreendedores individuais na Sala do Empreendedor de Bandeirantes em 2014. O Programa prevê a realização de um diagnóstico empresarial, a implantação de e acompanhamento das atividades sugeridas.

raná, desde que a Sala do Empreendedor

Regiane Almeida Fogaça Duarte, que co-

foi inaugurada, em 2013, o número de mi-

manda a Capricho de Unha, produz e comer-

croempreendedores

quadriplicou.

cializa adesivos para unhas. Ela é uma das

“Saltamos para cerca de 850 formalizações”,

frequentadoras assíduas da Sala do Empre-

diz Conceição Alves da Silva Cesco, agente

endedor em Bandeirantes desde que se for-

de desenvolvimento. Além de atender os

malizou, em agosto do ano passado. “Eu não

empreendedores que desejam legalizar o

tinha noção sobre a gestão empresarial. As

quase

É uma forma de os municípios oferecerem tratamento diferenciado aos empreendedores, entrada única de comunicação com as prefeituras

um plano de ação, orientações empresariais

Em Bandeirantes, no norte pioneiro do Pa-

14

to pelo conhecimento e querem participar

Prefeitura, os serviços, que hoje são presta-

local que, além de atender os microempre-

Mara Lúcia Carvalho, microempreendedora individual

crise, segundo Conceição. “Eles prezam mui-

15


consultorias me ajudaram a fazer o levanta-

tância das compras governamentais para

to feito a cada trimestre pelo Sebrae/PR; é

mento dos custos e dos lucros. Além disso,

aumentar a lucratividade dos negócios de

a única do Paraná que consegue realizar a

eles também me ajudaram a melhorar a qua-

pequeno porte, a Sala do Empreendedor

DASN para 100% dos empreendedores ati-

lidade, a padronizar os processos”, conta.

promoveu uma capacitação exclusiva para

vos; e, de quebra, conta com o comando de

os profissionais autônomos que trabalham

um agente de desenvolvimento que é desta-

com o transporte escolar e atendem a Pre-

que nacional em formalização e capacitação

feitura. Grande parte dos 18 empreendedo-

de empresários.

A empreendedora relata ainda que, além das garantias previdenciárias, a formalização é um diferencial para melhorar seu posicionamento frente à concorrência. “O CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) dá mais credibilidade para o negócio. Posso

res que prestam o serviço para o município

“Todos nós precisamos abrir uma empresa para

res, que meus concorrentes que não são

emitir nota fiscal para a Prefeitura. Além de au-

formalizados não conseguem atender”, frisa

xiliarem na formalização do negócio, recebemos

Regiane Fogaça.

na Sala do Empreendedor todo o suporte para

tos também viu a lanchonete, batizada de Big Lanches, progredir após a formalização, em julho de 2014. Ela já trabalhava no comércio informal há dois anos, mas a profissionalização do negócio só começou quando passou a frequentar a Sala do Empreendedor. “Eu não sabia nem montar um cachorro quente e as consultorias foram fundamentais em todos os aspectos. Valeu a pena se formalizar. Agora, conto com o apoio dos consultores do Sebrae/PR para fazer o le-

espaço pequeno, de 30 metros quadrados,

se legalizar para se adequar à legislação.

vender com nota fiscal para empresas maio-

A empreendedora Lucilene Nunes dos San-

Com todos esses atributos, mesmo em um

atuava na informalidade, mas tiveram que

participar do processo licitatório”, diz Ricardo Melatti Bertmal Moreira, que está à frente da RR Transportes. De acordo com ele, a formalização oferece muitas vantagens. “Se eu soubesse, já teria me tornando um microempreendedor individual há muito tempo. Por falta de informação, passei seis anos sem contribuir com a previdência. Além disso, a abertura da empresa traz inúmeros benefícios. Os clientes nos respeitam mais, conseguimos abrir uma conta jurídica no banco e podemos aproveitar os incentivos do governo nas linhas de crédito”, finaliza.

No espaço, empreendedores fazem toda a caminhada, da formalização, gestão, conhecimento pessoal, orientação jurídica, até o acesso ao crédito

e com quatro colaboradores, a Sala do Empreendedor consegue garantir grandes resultados. Desde a sua implantação, em julho 2009, conduz uma média de 400 atendimentos ao mês. O número de formalizações na categoria do MEI é de 576, em uma cidade com cerca de 8 mil habitantes. Fato que a faz estar, inclusive, entre as três primeiras do Estado em formalização por habitante. Como se não bastasse, também é líder em realização de oficinas para os empreendedores, tendo feito 24 em 2014, sendo que a média nas outras Salas da região é de oito ao ano. Para o consultor do Sebrae/PR, Alan Alex Debus, mais do que números e premiações, a Sala do Empreendedor de Tupãssi gera re-

vantamento dos custos, analisar o caixa, ter

Apoio integral

mais atenção com a limpeza do lanche e com

A Sala do Empreendedor de Tupãssi, no oes-

mais. “Eles estão organizados e têm planos

o atendimento ao cliente. Eles me ajudaram

te do Paraná, é destaque regional, estadual

de ação bem direcionados. É como se fosse

a evoluir muito e aprendi coisas que nem

e nacional. É a primeira do ranking das 29

uma extensão do Sebrae/PR, oferecendo

imaginava, mas que são importantes para o

Salas da região, de acordo com levantamen-

todos os serviços que temos disponíveis

sultados e, por isso, é exemplo para as de-

negócio dar certo.” Para o consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello, as Salas do Empreendedor são importantes porque dão oportunidades para os microempreendedores individuais Foto: Helen Marques

aprenderem noções básicas de administração ou aprimorarem a gestão dos negócios. “A maioria dos microempreendedores individuais já atuava no mercado informal, mas com poucos conhecimentos sobre gestão empresarial. No primeiro momento, quando esta figura jurídica foi criada pelo governo federal em 2009, para incentivar os profissionais autônomos a saírem da informalidade, o Sebrae/PR cumpriu a função de sensibilizá-los e mostrar as vantagens de aderir ao mercado formal, como a inscrição no CNPJ e benefícios previdenciários. Agora Foto: Prefeitura de Maringá

que já atingimos um grande número de formalizações, nosso foco é chamar a atenção dos empreendedores sobre a importância de profissionalizar a gestão, para melhorar a lucratividade”, explica. Em Bandeirantes, conforme Conceição Ces-

Edimar Jandrey, microempreendedor individual

co, as compras públicas têm como foco os

Sala do Empreendedor de Maringá

empresários locais. E, conhecendo a impor-

16

17


Foto: Prefeitura de Maringá

A concentração de várias entidades num só local favorece o acesso facilitado à informação, criando um ambiente marcado pela cultura empreendedora

Sala do Empreendedor, atendimento preferencial aos microempreendedores individuais

Conteúdos de gestão aos MEI, com cartilhas, orientações e oito tipos de oficinas sem custo nenhum, tudo subsidiado pelo Sebrae/PR

mento das empresas, conforme relata Mar-

que continuam me recebendo e me ajudan-

nos escritórios regionais. Além de apoio à

tins. “Destacamos para o aumento de fatu-

do a fazer crescer minha pizzaria”, reconhece

formalização, recebem orientações sobre

ramento dos nossos microempreendedores.

o empresário.

crédito, consultorias em gestão, palestras e

Em 2012, a soma total foi de R$ 4,6 milhões.

oficinas, além das consultorias do Programa

Em 2014, saltou para 12,7 milhões. Também

Alta procura

Negócio a Negócio”, enumera.

acompanhamos casos em que eles crescem

Aberta ao público desde o último dia 26 de

auxílios para a realização da declaração

tanto que são encaminhados para a catego-

janeiro, a Sala do Empreendedor de Maringá

anual do Simples Nacional, que segue com

ria de microempresa, por conta do teto de

está localizada no térreo do Paço Municipal

atendimento até o dia 31 de maio.

faturamento.”

e tem sido bastante procurada pelos micro-

Válter Martins é o agente de desenvolvimento responsável pelas atividades na Sala do Empreendedor de Tupãssi. De acordo

Edimar Jandrey é um dos inúmeros casos

com ele, 259 empresas já foram atendidas

de sucesso da Sala do Empreendedor de Tu-

com o Negócio a Negócio. “Hoje já temos

pãssi. Vindo da Itália, onde trabalhou como

mais de 80% das empresas de Tupãssi, não

pizzaiolo por dez anos, ele sabia com o que

só microempreendedores individuais, mas,

queria trabalhar, mas não tinha a mínima

também, microempresas atendidas pelo

ideia de como começar um negócio próprio.

Programa. Também ofertamos o Educação Empreendedora para as escolas, o Sebraetec (Serviços em Inovação e Tecnologia), e o Boas Práticas de Fabricação. Já recebemos a visita de cinco municípios para conhecer nosso funcionamento”, conta. O foco atual da Sala tem sido o desenvolvi-

18

ração anual”, relata o consultor.

para os microempreendedores individuais

Sala do Empreendedor em Nova Esperança

empreendedores individuais. O consultor do Sebrae/PR, Gustavo Ishikawa, destaca que,

Gustavo afirma que a principal procura de quem vai até a Sala do Empreendedor de Maringá é justamente por orientações ou

Este é o caso de Cirlene Ferrari Mariano, proprietária de uma empresa de uniformes,

mesmo durante o período de férias, que

que procurou a Sala no início de fevereiro

coincidiu com o início das atividades do local,

para ficar em dia com a Receita Federal e

não serviu de empecilho para a alta procura

ter certeza de que o processo de declara-

dos empresários.

ção fosse feito de maneira correta. “Eu já gostava do espaço da sede do Sebrae/PR,

“Procurei a Sala do Empreendedor para me

Em dois meses de atividades, mais de 1.400

formalizar e ganhei em cursos, palestras,

pessoas passaram pelo local. “Acabamos

consultorias que foram a melhor coisa para

atendendo até mesmo pessoas de outras

mim. Me formalizei em janeiro de 2013 e, em

cidades, como São Paulo e Colorado, que es-

to e mais perto da minha casa. Já aproveitei

outubro de 2014, já tive que migrar para mi-

tavam em Maringá por motivos de passeio e

e regularizei questões pessoais na Prefeitu-

croempresa por conta do aumento do fatu-

nos procuraram para tirar alguma dúvida ou

ra e do meu negócio de uma vez só. Adorei

ramento. Sou muito grato à Sala e ao Válter,

realizar algum procedimento, como a decla-

a novidade”, comemora a empreendedora.

mas confesso que gostei mais ainda desse novo ambiente, é bem rápido o atendimen-

19


Semana MEI A sétima edição da Semana do Microempreendedor Individual (MEI), realizada pelo Sebrae/PR, de 13 a 17 de abril, superou as expectativas de atendimento, orientações e participantes em todo o Paraná, graças à parceria firmada com as Salas do Empreendedor. O evento, que mobilizou milhares de empreendedores, contabilizou 4.754 informações e 12.070 orientações oferecidas gratuitamente para microempreendedores individuais já formalizados ou interessados em se formalizar.

Criação de espaços preferenciais para MEI está prevista na Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas

desenvolvimento que acompanha o dia a dia dos atendimentos e destaca a busca pela formalização, como sendo o outro grande motivo de procura pela Sala. “A maior parte dos empreendedores trabalha na área de prestação de serviços, como pedreiros, manicures e azulejistas. Estes profissionais nos procuram porque desejam se regularizar e garantir benefícios, como a emissão de no-

“Se não tivesse conhecido o Centro Empresarial, ainda estaria trabalhando num quarto da minha casa. Hoje tenho minha primeira loja e, quem sabe, a primeira de uma rede.” O

lizações de microempreendedores, sendo que destes, mais de 200 já se transformaram em microempresa, utilizando os serviços do Centro Empresarial. “No espaço, os empreendedores podem fa-

dual, Sonia Dapper, que fabrica lingeries, traz

zer toda a caminhada, da formalização, ges-

uma noção da importância estratégica que o

tão, conhecimento pessoal, orientação jurí-

espaço tem em Francisco Beltrão.

dica, até o acesso ao crédito. Tudo é possível

Sonia se formalizou em casa, via Portal do Em-

ção da carga tributária”, garante.

preendedor (www.portaldoempreendedor.

Os atendimentos prestados na Sala do Em-

gov.br). Formalizada, trabalhava, mas falta-

equipe da Prefeitura, que, diariamente,

preendedores individuais. São 1.900 forma-

testemunho da microempreendedora indivi-

tas fiscais, cobertura previdenciária e redu-

preendedor de Maringá são feitos por uma

vam informações sobre gestão para crescer. Foi nesse momento que foi até o Centro Em-

pela união das entidades parceiras do Centro Empresarial”, detalha Jovelina Chaves da Silva, secretária de Desenvolvimento Econômi-

suas demandas.

No Centro Empresarial, 30 entidades pres-

ações no ambiente.

“Fui buscar informações sobre um aspecto

empreendedores, entre elas, a própria Se-

Vantagens num só local

empresarial, mas encontrei suporte para vá-

cretaria de Desenvolvimento Econômico, Se-

rios momentos, quando o conhecimento faz

brae/PR, sindicato dos contabilistas, núcleo

a diferença. Já participei de capacitações, ob-

de advogados, Senac, Senai, bancos, Banco

tive orientações, fiz cursos, enfim, sou uma

do Empreendedor e universidades.

buscar soluções e melhorar os resultados de seus negócios. A Sala do Empreendedor está inserida no chamado Centro Empresarial,

cliente assídua do espaço. E o que é melhor, tudo é de graça”, comenta a empreendedora que gera, inclusive, seu primeiro emprego.

A figura do Microempreendedor Individual está prevista na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e entrou em vigor no Brasil em julho de 2009. A Lei Geral é uma legislação de fomento aos pequenos negócios. As três atividades mais formalizadas no Paraná, por meio do Microempreendedor Individual, são: comércio de peças de vestuário e acessórios; obras e alvenarias (construção civil); e cabeleireiras (atividades relacionadas à beleza). (Colaboraram nesta reportagem os jornalistas Adriano Oltramari, Aldy Coelho, Camila Cabau, Giovana Chiquim, Juliana Dotto e Patrícia Biazetto).

No que o Sebrae/PR pode ajudar O Sebrae/PR orienta as prefeituras do Paraná na implantação de Salas do Empreendedor. A entidade possui ainda o Programa Cidade Empreendedora, realizado em 135 municípios do Estado, com o objetivo de institucionalizar a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa como ferramenta de desenvolvimento. Mais informações, procure o Sebrae/PR mais próximo.

mantém uma equipe de nove servidores.

Sebrae/PR, que, sazonalmente, promovem

de um espaço idealizado e exclusivo para

O Paraná possuía 270.796 microempreendedores individuais até meados de abril passado. No Brasil, eram 4.784.646. Microempreendedor individual é uma figura jurídica que beneficia, com a formalização, empreendedores com faturamento bruto anual de até R$ 60 mil (R$ 5 mil/mês). São artesãos, pipoqueiros, cabeleireiros, pintores, pedreiros, manicures, ambulantes, vendedores de roupas e costureiras, que antes atuavam na informalidade.

funciona a sede da Secretaria, a Prefeitura

presarial e encontrou o atendimento para

do, os empreendedores também dispõem

A Semana MEI é realizada anualmente pelo Sebrae, no Brasil, para capacitar microempreendedores individuais assim como orientá-los para as obrigações legais e estimulá-los a crescer.

Balanço

co de Francisco Beltrão. Para o espaço, onde

atende as demandas, e por consultores do

Em Francisco Beltrão, no sudoeste do Esta-

20

de um novo negócio até o acesso a crédito.

Sala do Empreendedor em Astorga

Saiba mais

tam serviços e atendimentos gratuitos aos Acesse o aplicativo Mapa da Lei Geral, e saiba os municípios paranaenses que têm Salas do Empreendedor instaladas e em funcionamento.

A consultora do Sebrae/PR em Francisco Beltrão, Claudinéia Cabral, comenta que a concentração de várias entidades, atuando

que é um ambiente planejado para que em-

Desde a sua abertura, em dezembro de

pelo mesmo propósito em um único am-

presas sejam atendidas com capacitações,

2013, o Centro Empresarial realizou 20.696

biente, favorece o acesso à informação e

orientações e consultorias, desde a abertura

atendimentos, destes, 14 mil para microem-

fortalece a cultura empreendedora. “A ação

Sala do Empreendedor em Icaraíma

Foto: Divulgação

Cássia de Fátima Mendonça é a agente de

Realizada em 94 Salas do Empreendedor, 15 pontos de atendimento e seis tendas montadas em todo Paraná, a Semana MEI 2015 totalizou 489 consultorias, o equivalente a 646 horas de consultorias; 233 palestras, com a presença de 2.136 participantes; e uma palestra online com o empreendedor e palestrante Valdir Novaki, Valdir, o Pipoqueiro, famoso pelas vendas com atendimento diferenciado no centro de Curitiba, que contou com a participação de 1.071 inscritos.

Foto: Divulgação

Foto: Rodrigo Czekalski

conjunta traz melhores resultados para quem utiliza o espaço, gerando mais desenvolvimento para os empresários e o município. Além disso, da cooperação entre entidades de empresários, já foram realizados eventos como a feira de microempreendedores individuais, criado um núcleo de MEI e firmado uma agenda de treinamentos e capacitações anuais, disponível para quem deseja empreender e crescer”, completa Claudinéia.

21


Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

sia de 8,6%. O número de brasileiros que

nalista e relações públicas Valtemir Soares

já empreenderam ou que estão envolvidos

Jr., 48 anos, atribui a decisão de abrir o

na criação de uma empresa é superior, tam-

próprio negócio, uma franquia australiana

bém, a países como Estados Unidos (20%),

de assessoria de intercâmbio, em fevereiro

Reino Unido (17%), Japão (10,5%), Itália

deste ano. Tudo começou em 2010, após

(8,6%) e França (8,1%).

uma série de infortúnios do brasileiro recém-chegado à Austrália. “Procurei a Information Planet, por indicação de uma colega espanhola que havia ido com assessoria deles, para resolver um problema de documentação gerado por uma empresa brasileira. Eles solucionaram, não me cobraram nada e disseram ‘um dia nos encontraremos por aí’.” Dito e feito.

a consolidação do mercado interno – com cerca de 100 milhões de consumidores – e facilitações da legislação para os pequenos

do pelo apelido Mineiro, começava a operar

da escolaridade dos empresários - que está

como um franqueado, em sociedade com o

acima da média brasileira”, ressalta.

também jornalista Júlio Malhadas Neto, 33

Destaques

área, havia 33 mil estudantes fora do País.

Outro destaque desta última edição da Pesquisa GEM diz respeito ao sonho de ter o próprio negócio, que permanece em terceiro lugar entre os brasileiros; mas, pela primeira vez, o número de pessoas que almejam ser o próprio chefe é praticamente

Em 2014, passavam de 217 mil.”

o dobro das que desejam fazer carreira em

Histórias como a de Mineiro e Júlio Malha-

planejam montar um negócio, 16% querem

das são cada vez mais comuns no Paraná e

crescer dentro de uma empresa. Os primei-

no Brasil. É o que mostra a nova Pesquisa

ros sonhos dos brasileiros são comprar a

Global Entrepreneurship Monitor (GEM), um

casa própria (42%) e viajar pelo Brasil (32%).

levantamento feito em 70 países que, por aqui, fica sob responsabilidade do Sebrae Nacional e do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP). De acordo com a pesquisa, a taxa de empreendedorismo saltou de 23% para 34,5%, na última década. Isso significa dizer que três em cada dez brasileiros com idades entre 18 e 64 anos possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um negócio próprio.

uma empresa. Enquanto 31% dos brasileiros

çam que, além de uma maior permanência dos empreendedores no mundo dos negócios, mais pessoas veem o empreendedorismo como oportunidade de vida e trabalham para conquistar o sonho de ser seus próprios chefes.  “Esse valor recorde pode ser atribuído, também, ao incremento do número de formalizações que temos presenciado nos últimos anos e às melhorias no ambiente legal, como por exemplo, a

dedores novos – com menos de três anos e

criação e ampliação do Simples Nacional

meio de atividade – e a outra metade, aos

(sistema de tributação das micro e peque-

proprietários de negócios estabelecidos há

nas empresas)”, reforça.

que compõem o Brics, o Brasil é a nação com a maior taxa de empreendedorismo, ficando quase oito pontos porcentuais à frente da China, com uma taxa de 26,7%”, ressalta o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto. 

Pela primeira vez, o número de pessoas que almejam ser o próprio chefe é praticamente o dobro das que desejam fazer carreira em uma empresa

Na opinião de Barretto, os números refor-

Metade dessa taxa corresponde a empreen-

mais tempo. “Quando comparado a países

22

rável ao empreendedorismo, ele destaca

tos e diminui a burocracia, além do aumento

quando saíram as primeiras estatísticas na

Por Bruna Komarchesqui

contribuem para criar esse ambiente favo-

mora em São Paulo, Soares Jr., mais conheci-

vem crescendo muito no Brasil. Em 2003,

Nova Pesquisa GEM mostra que empreender continua sendo o terceiro maior plano de vida do brasileiro, atrás apenas da casa própria e de conhecer o País

tiva real de ocupação. Entre os fatores que

Micro e Pequena Empresa, que reduz impos-

nat, em Curitiba. “Esse é um mercado que

um sonho cada vez mais comum

vendo o empreendedorismo como alterna-

com um dos fundadores da empresa que

abertura da loja física, no bairro Champag-

Ser o próprio chefe,

vez mais na última década, o brasileiro está

negócios. “Tivemos a criação da Lei Geral da

mercado”, sem exposição da marca, até a

Valtemir Soares Jr. e Júlio Malhadas Neto, empresários

Para Barretto, o resultado mostra que, cada

Em julho do ano passado, após conversas

anos. Fora cerca de sete meses de “teste de

Comportamento

Pesquisa GEM

Senso de oportunidade. A esse fator o jor-

A pesquisa ainda revela que, a cada 100 brasileiros que iniciam um negócio próprio no Brasil, 71 são motivados por uma oportunidade de negócios e não pela necessidade. O presidente do Sebrae explica que esse índice vem se mantendo estável nos últimos anos, com implicação direta na qualidade

Entre os outros componentes do Brics, a

do empreendedorismo nacional. “O empre-

Índia tem uma taxa de empreendedorismo

sário atual abre uma empresa porque vê

de 10,2%, a África do Sul de 9,6% e a Rús-

uma oportunidade e investe naquela ideia.

23


ocupação não é mais o principal fator.”

A pesquisa Já tradicional, a Pesquisa GEM é parte do Projeto Global Entrepreneurship Monitor, iniciado em 1999, com parceria entre a London Business School e o Babson College. No início, o levantamento abrangia 10 países. De lá para cá, quase 100 nações se associaram ao Projeto, que constitui o maior estudo em andamento sobre o empreendedorismo no mundo. Em 2014, foram incluídos 70 países, permitindo cobrir 75% da população e 90% do PIB global. No Brasil, em 2014, foram en-

Fomento Paraná – a Information Planet foi a primeira franquia financiada pela instituição –, Valtemir Soares Jr., o Mineiro, espera que, em 16 meses, o negócio atinja uma fase de maturidade, quando deve passar a contar com sete novos colaboradores. “Hoje somos nós dois, sócios, trabalhando. Em seis meses, devemos abrir três vagas. Essa crise cambial nos afeta bastante, porque a pior coisa para um pai de estudante é a oscilação brusca da moeda. Mas é uma crise momentânea”, minimiza. Acostumado a ser um profissional liberal, o

residentes nas cinco regiões do País.

empresário conta que o momento é de rea-

é representativa da população e seus resultados possuem 95% de confiança, com margem de erro de 1,4% para o País e 2,2% para as regiões. O objetivo do projeto é compreender o papel do empreendedorismo no desenvolvimento econômico dos países. “Com isso, a pesquisa permite que consigamos elaborar políticas públicas voltadas para os pequenos negócios cada vez mais aprimoradas. Isso também nos ajuda a cumprir com a nossa função, que é a de estimular a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos de micro e pequeno porte”, explica o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto.  Por empreendedorismo, a pesquisa entende qualquer tentativa de criação de um novo empreendimento, como uma atividade autônoma, uma nova empresa ou a expansão de um empreendimento existente. Um diferencial do levantamento é o foco principal no indivíduo empreendedor, mais do que o empreendimento em si.

24

Com assessoria do Sebrae/PR e crédito da

trevistados 10 mil indivíduos de 18 a 64 anos,

De acordo com o Sebrae Nacional, a amostra

Três em cada dez brasileiros com idades entre 18 e 64 anos possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de uma

Boas oportunidades

Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

Ter uma empresa porque não se tem uma

dequar a própria mentalidade. “A empresa é um filho. A satisfação de ver o negócio acontecendo é enorme, porque envolve mudar vidas. Receber um e-mail de um cliente que está morando em Melbourne, agradecendo, dizendo que sem nós não seria possível, vale por qualquer coisa”, comemora. Além dos resultados nacionais, a pesquisa também traz números específicos sobre as cinco regiões brasileiras. Quanto à percepção de boas oportunidades para iniciar um novo negócio nos próximos seis meses, 63,1% da população pesquisada na Região Sul responderam positivamente, percentual superior ao do Brasil (55,5%) e ao das demais regiões. O número é expressivamente

familiar superior a nove salários mínimos

endedores iniciais da Região Sul afirmaram

(23,7%). Assim como Mineiro, 82,2% dos

ter pelo menos 1% de consumidores no

empreendedores iniciais asseguram ter

exterior. Entre os empreendedores estabe-

começado um negócio por oportunidade e

lecidos, esse porcentual alcança 12,9%. No

não por necessidade. O número é mais de

Brasil, as taxas são de 7,4% e 7,1%, respec-

10% maior do que a média nacional.

tivamente.

No grupo de empreendedores estabele-

As políticas governamentais e o apoio finan-

cidos, os homens se destacam (são 21,1%,

ceiro são apontados como os maiores limitan-

contra 15,9% de mulheres). A maior parte

tes na hora de abrir uma empresa na Região

deles tem entre 45 e 54 anos (25,7%), en-

Sul. Já educação e capacitação, informações e

sino superior completo ou mais (21,2%)

infraestrutura comercial e profissional são os

e renda familiar entre seis e nove salários

destaques entre os pontos favoráveis, na opi-

mínimos (35%). Em 2014, 6,7% dos empre-

nião dos especialistas ouvidos.

maior do que o observado nos dois anos anteriores (48,9%, em 2012, e 48%, em 2013). Outro destaque é que 55,5% dos pesquisados na Região afirmaram que o medo de

dia nacional (60,9%). Assim como no restan-

No que o Sebrae/PR pode ajudar O Sebrae/PR auxilia você, empreendedor

Taxa total de empreendedorismo entre os Brics

que sonha ser dono do próprio negócio, a planejar e identificar oportunidades de negócios. Procure o escritório mais próximo no www.sebraepr.com.br.

fracassar não impediria de que começassem um novo negócio, porcentual inferior à mé-

Entre os fatores que contribuem para criar esse ambiente favorável ao empreendedorismo, destaque para mercado interno e legislação

40

te do País, “ter o próprio negócio” (28,0%) aparece em terceiro lugar na Região Sul,

O Brasil passou a integrar o grupo de países

atrás da “compra da casa própria” (38,9%)

participantes em 2000. A pesquisa domici-

e de “viajar pelo Brasil” (29,8%). A supre-

liar envolve uma amostra representativa

macia do sonho “ter seu próprio negócio”

de indivíduos da população de 18 a 64 anos

(28,0%) sobre “fazer carreira numa empre-

do País. Nesta edição, foram 2 mil entrevis-

sa” (15,0%) também se observa na região.

tados em cada uma das regiões brasileiras

Estima-se que a Região Sul tenha cerca de

(totalizando 10 mil pessoas), sobre suas

6,7 milhões de empreendedores, sendo 614

atitudes, atividades e aspirações individu-

mil nascentes; 2,7 milhões novos e 3,5 mi-

ais relacionadas à atividade empreendedo-

lhões estabelecidos. Entre os empreende-

ra, além de 108 especialistas (22 da Região

dores em estágio inicial (com menos de três

Sul), que opinaram sobre aspectos relativos

anos de atividade), a pro-atividade entre

ao ambiente de negócios que condicionam

homens (17,2%) e mulheres (17%) é muito

a criação e o desenvolvimento de novos

similar. A maior parte dos indivíduos neste

empreendimentos no cenário nacional e em

grupo tem entre 25 e 34 anos (21,9%), en-

suas regiões.

sino superior incompleto (18,8%) e renda

Saiba mais

30

Acesse agora a Pesquisa GEM completa e tenha mais dados sobre o levantamento feito

20

em 70 países.

10

0 Brasil

China

Índia

África do Sul

Rússia

25


Serviço

Foto: Helen Marques

Modelo de sucesso

Fábio Mizumoto, especialista Dizem que poucas experiências na vida

Outro aspecto forte, na opinião de Fábio

levam a um crescimento tão significativo

Mizumoto, é a agilidade na tomada de de-

quanto ter filhos. Se investir agora para que

cisões, decorrente da maior centralização.

outros colham depois de sua morte parece

“Você consegue ter empresas menos buro-

quase inconcebível do ponto de vista corpo-

cráticas, com menos instâncias de decisão.

rativo, quando se é pai, mais que aceitável, a

Muitas vezes, elas vêm acumulando proble-

ideia passa a ser praticamente uma meta de

mas há muito tempo e já têm os caminhos

vida. É essa visão de longo prazo que torna

para resolvê-los mais rapidamente. Nas

as empresas familiares extremamente for-

grandes corporações, com a rotatividade, os

tes diante de outras de controle não familiar.

executivos não têm essa identidade que per-

“Em um mandato de prefeito, governador,

‘Laços’ fortalecem empresas familiares

que dura quatro anos, há uma dependência

Achar que os assuntos da empresa nunca

de projetos que tragam retorno dentro do

serão discutidos no café da manhã de do-

governo, porque você sacrificou seu orça-

mingo ou que os laços de sangue não in-

mento para isso. Na empresa familiar, isso

fluenciarão as decisões empresariais é uma

não é necessariamente verdade. O inves-

grande ilusão, alerta Fábio Mizumoto. “É

timento de longo prazo implica sacrificar

preciso investir nas relações familiares. A

o bem-estar de momento. O capital fica lá

mesma relação que provê benefícios exige

investido, com a ideia de deixar de herança

compensação, demanda tempo e habilidade

para os filhos, netos”, ressalta Fábio Mizu-

na condução. As famílias negligenciam isso.

moto, sócio da Markestrat, professor da

Por Bruna Komarchesqui

26

Porque não sabem lidar, negam. ‘Ah, aqui é

disciplina de Estratégia e Organizações, na

profissional, não vai influenciar’. Mentira!”

Fundação Getulio Vargas (FGV), e de Empre-

Para vencer uma parte do desafio, as fa-

sa Familiar, no Insper.

mílias que controlam empresas podem se

O especialista foi um dos conferencistas

apoiar em cursos, palestras e consultorias.

convidados pelo Sebrae/PR para abordar o tema gestão de empresas familiares durante os Seminários Desafios do Crescimento, realizados recentemente em Dois Vizinhos, Curitiba, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá e

Sacrificar o bem-estar momentâneo em prol de um investimento que fique de herança para filhos e netos é uma das ideias-chave do sucesso desses empreendimentos, que representam, em média, 85% dos negócios brasileiros

mita a mesma agilidade da família”, defende.

Ponta Grossa. Fábio Mizumoto afirma que pesquisas apontam um crescimento mais acelerado e sólido das empresas familiares, na maioria pequenos negócios. “Por causa

“Iniciativas de promover discussões com

Dados do Sebrae e da Family Business Network apontam que as empresas familiares correspondem a cerca de 85% das organizações no Brasil

especialistas em gestão familiar ajudam a enxergar caminhos possíveis, eliminar as resistências de tratar do assunto. Vejo como outras famílias se organizaram e tomaram decisões e posso fazer também”, detalha. Mas boa parte da resolução, assegura Fábio Mizumoto, é construída dentro de casa, sem receita pronta.

desse efeito, essas empresas passam a va-

“É o exercício da disciplina, de um diálogo

ler mais. Levantamentos mostram, inclusi-

verdadeiramente aberto. Demanda muita

ve, que as empresas que mais se recupera-

confiança no processo, nas pessoas”, ensi-

ram da crise de 2008 nos Estados Unidos,

na. Nesse sentido, é importante estabelecer

por exemplo, foram as familiares.”

regras conjuntamente e trabalhar para que

27


Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

“O Acordo Empresarial Familiar é a formalização de todos os entendimentos. Quando o fundador está vivo, todas as pendências passam por ele. Quando ele morre, o Acordo sustenta o que foi dito. O documento representa o fim das ações informais e dos desentendimentos domésticos e é essencial para a profissionalização do negócio”, explica.

Relacionamento Outro fator de sucesso das empresas brasileiras, enumera José Renato de Miranda, é a habilidade que os gestores têm quando se fala em relacionamento. “Brasileiros são

A visão de longo prazo torna as empresas familiares extremamente fortes diante de outras de controle não familiar

‘fazedores’, empreendedores e sabem conduzir pessoas, situações e têm um fantástico bom relacionamento. Somos imbatíveis em relacionamento e empreendedorismo. Por outro lado, somos ‘ruins’ de gestão e

Adriano Pazinatto, com o irmão e o genro

organização”, defende. Ele sugere que empresários que tenham

família ajuda nos negócios, desmentindo as

o fundador precisa investir em processos de

gestão familiar em seus negócios assumam

‘teorias conspiratórias’ de que as empresas

continuidade para que a transição transcorra

três conjuntos de atitudes vitais para o de-

familiares não dão certo.

bem. “Os fundadores devem levar conheci-

senvolvimento da empresa. “Vontade e

mento sobre caminhos possíveis e quais são

consciência; diálogo e treinamento; união e

as alternativas para as próximas gerações.

o segredo. Vontade de não ser freados pe-

As empresas que têm sucesso conseguem

los parentes e consciência de que a empresa

trabalhar com êxito as relações familiares,

não é vitalícia. Resgatem o diálogo e enten-

por meio da conciliação entre a cabeça e o

dam que há diferenças nos níveis de compre-

tecer’. É muito focado na empresa e gosta

coração”, orienta Fábio Mizumoto.

ensão entre as gerações, ajam sem radicalis-

de fazer tudo ao seu jeito. Isso é bom por

Para ele, uma sucessão de êxito é aquela

um lado, pois não vai tomar uma decisão

que começa numa continuidade. “O novo

E quando o filho é chefe do pai? Via de regra, a hierarquia de tempo se reflete na hierarquia funcional da empresa. “Penso que a inversão não é desejável. Mas, às vezes, é necessária, e o desafio é maior. Demanda muita postura, muita atitude correta. O filho não pode perder o respeito pelo pai que, hierarquicamente na família, está acima dele”, aconselha Fábio Mizumoto.

O perfil dos empresários fundadores, indica

sem ter certeza de que será positiva para a

gestor deve mostrar o que sabe, mas reco-

Sucessão na empresa

empresa, mas, por outro, é mais difícil aca-

nhecer o que é feito, entender que foi aque-

tar opiniões diferentes. Só vai mudar seus

la prática que levou a empresa até aquele

processos, regras e planejamento tendo a

patamar”, reforça.

O que o Habib’s, a Dudalina, a DrogaRaia e a Leroy Merlin têm em comum? São empresas familiares que cresceram a partir da profissionalização da gestão de seus negócios. Os casos de sucesso são apontados por Fábio Mizumoto, que estudou mais de 400 famílias de empresários em sua pesquisa de doutorado e chegou à conclusão de que a

o especialista, é um fator ímpar no desenvolvimento das empresas de gestão familiar. “É uma pessoa ‘rebelde’, que não topou trabalhar para alguém e quis ‘fazer acon-

motivação de que vai dar certo, isso depois

mos”, sugere José Renato de Miranda.

Liderança Fundador da Cooperflux, empresa de fretamento, transporte e terceirização de frotas que atua há 11 anos, em Curitiba, Adriano Pazinatto conta que teve a participação de

de entender o porquê que é uma boa mu-

Acordo empresarial-familiar

dança”, aponta.

O especialista José Renato de Miranda, que

Mas por que na hora da ‘passagem do bas-

também participou como conferencista nos

tão’ existe tanta dificuldade de engajar a fa-

Seminários Desafios do Crescimento, do

Em um segundo momento, o empresário

mília? Por mais que os filhos sejam capazes,

Sebrae Mais – Programa Sebrae para Em-

contratou o irmão e o genro, que entraram

presas Avançadas, propõe a criação de um

no negócio após uma detalhada avaliação

Acordo Empresarial Familiar, que deve ser

de competências. “Hoje vejo que acertei e

assinado pelos gestores e familiares.

que eles desenvolvem habilidades melhor

O Acordo irá prever sistemas de trabalho; formas de admissão; plano de carreira; for-

mulher e do filho no negócio. A experiência teve pontos positivos, mas não vingou por muito tempo.

do que eu, que fundei o negócio. Consegui conciliar minha família e os negócios.”

mato das reuniões; responsabilidades de

Para ele, o sucesso de uma empresa familiar

cada um; promoção de treinamentos (em

não pode prescindir de um líder. “É preciso

especial sobre liderança); previsão de férias

perceber quem tem o perfil adequado e de-

e outras ausências; investimentos ou planos

finir quem será o líder na empresa. Todos

particulares que podem atingir a empresa;

podem ser donos, mas apenas um será o

regime de casamento das futuras gerações;

líder”, acrescenta Pazinatto. (Colaboraram

proteção patrimonial; capacitação técnica e

nesta reportagem os jornalistas Adriano Ol-

comportamental para a sucessão; além de

tramari, Aldy Coelho, Camila Cabau, Giovana

princípios morais e éticos.

Chiquim, Juliana Dotto e Patrícia Biazetto)

José Renato de Miranda, especialista

Foto: Helen Marques

sejam cumpridas por todos. “Vai poder ter estagiário da família? O ideal é decidir isso antes de ter jovem na idade de estagiar.”

Seminário Desafios do Crescimento 28

29


Família tem que trabalhar para a empresa, e não o contrário Dados do Sebrae e da Family Business Network apontam que as empresas familiares correspondem a cerca de 85% das organizações no Brasil e no mundo, atingindo quase a totalidade em ramos como supermercados, empresas de ônibus, auto postos, gráficas e terceirização de serviços. Diretor da Consultoria de Impacto – Gestão & Equipes Ltda, consultor da Escola Nacional de Seguros e do Sebrae e autor do recém-lançado livro “Empresa familiar – é sim – um bom negócio!”, José Renato de Miranda afirma que a taxa de sucesso das empresas familiares cai de 30%, entre primeira e segunda geração, para 5%, da segunda para a terceira geração. “A pressão é muito grande em relação às empresas (concorrência) e à vida profissional (bons salários e segurança)”, justifica. Apesar disso, enquanto empresas não familiares duram, em média, 12 anos, as familiares permanecem no mercado por, no mínimo, mais de duas décadas. A Revista Soluções entrevistou José Renato de Miranda. Confira alguns trechos do bate-papo sobre os principais desafios vividos hoje pelas empresas familiares.

30

Quais os principais conflitos que podem surgir? O fundador e titular quer manter o negócio da forma com o construiu, é resistente – “sempre fiz assim e não vou mudar”, e centralizador – característica cultural do empresário brasileiro. As novas gerações querem inovar – “o mercado hoje não é mais aquele em que a nossa empresa cresceu” – e buscam espaços para realização profissional na empresa da família. Em torno das divergências entre manter (tradição) e mudar (inovação), surgem os principais desentendimentos aquecidos pelos sentimentos e emoções humanas (poder, vaidade, ciúme, ganância), que incendeiam as empresas familiares com muita facilidade, afinal, todos os personagens estão juntos e intimamente ligados há décadas.

Como lidar com esse conflito de gerações? O relacionamento entre a geração antes de 1990 e pós 1990 (Era Digital) é extremamente complexo nos lares e fica pior nas empresas. A velocidade turbinada por computadores, internet e celulares é autora da grande confusão. A turma antes de 1990 tem experiência, maturidade, soluções estruturais; a turma digital tem a rapidez, tecnologia, soluções pontuais. Essa velocidade traz uma hiperestimulação que não permite o diálogo. Criei a Gestão da Correria, em que mostro para ambos estarem certos, cada um como seu potencial, e que a união da experiência com a modernidade faz uma empresa familiar ficar imbatível. Faço o resgate do diálogo, um tranco na correria, um exercício em que os dois ganham paciência para a retomada da convivência em casa e nos negócios.

Como impedir que a relação familiar atrapalhe o negócio? Radicalizar a separação família-empresa é a atitude mais comum e... mais errada! A sabedoria é conduzir a família na empresa. É humanamente impossível a separação íntima de cada parente – no trabalho não se toca em assunto doméstico e vice-versa. Teriam que ser máquinas com dois botões no coração: Família: Liga-Desliga/Empresa: Liga-Desliga. Cada um precisa saber “se con-

duzir” com consciência profissional, saber cuidar da empresa dirigida para o cliente e

Acertos

e

Erros

não para o seu prazer. O ponto de partida para esta conscientização é a mudança de comportamento, é quando todos assumem que “A família tem que trabalhar para a empresa, e não a empresa para a família”.

Como dividir as tarefas? A divisão de tarefas vai existir de acordo com o perfil e potencial das pessoas, nas fases de preparação e treinamento. Se não houver ambientação profissional, volta e meia, tarefas vão ser mal realizadas, por força da informalidade, da intimidade doméstica. Exemplos: às 15 horas, o fulano deixa a tarefa e vai ao dentista, a fulana chegou tarde e não iniciou ainda a sua tarefa porque foi a uma balada na noite anterior...

Quais são as armadilhas mais perigosas?

Veja as dicas do consultor José Renato de Miranda, do que se deve e não se deve fazer em uma empresa familiar.

Pensar que o negócio é vitalício, que dá certo hoje e assim sempre será. Não cuidar de pequenos desgastes, que crescem com facilidade, porque o lado emocional passa a ter fortes influências externas (de genros, noras, dentre outros).

Qual a receita do sucesso para uma empresa familiar? A número um e vital: critério para ingresso de novas gerações ou de outra pessoa ligada à família. Parente não é necessariamente competente, tem que aprender e se qualificar para dar resposta ao cliente, ao mercado, e não à família. Com postura profissional, o familiar crescerá em competência e respeito diante de equipes, clientes e fornecedores. Inclusive, é o caminho para uma sucessão segura. Número dois: haver o “Acordo empresarial-familiar”. Novas gerações ou qualquer outra pessoa ligada à família saberá que qualquer desejo irá passar pelas normas estabelecidas no Acordo. Isso é fundamental também para referência de todos em caso de morte do fundador, para disciplinar casamentos – quando surgem pedidos para cunhadas, sobrinhos, amigos de faculdade –, para definir remunerações e blindar o patrimônio conquistado.

O que fazer?

O que não fazer?

No que o Sebrae/PR pode ajudar Atento aos desafios do crescimento, impostos às pequenas empresas, o Sebrae/PR

Rapidez para descentralizar, com tempo e critério União e preparação dos parentes, da conscientização ao treinamento Entendimento geral de que a empresa familiar não é só negócio, é história, orgulho, afeto, segurança profissional e patrimônio para estas e outras gerações Formalização do Acordo Empresarial Familiar, as normas para convivência Contratação de consultor especializado para integrar gerações, ideias, atitudes e produzir o Acordo

Ingresso “por ser da família” ou por necessidade urgente, não pela preparação do profissional

oferece palestras e consultorias especializadas sobre o tema. Em fevereiro e março deste ano, por exemplo, o tema principal dos Seminários Desafios do Crescimento, solução do Sebrae Mais – Programa Sebrae para Empresas Avançadas, foi “Como mobilizar o que a família tem de melhor para o crescimento

Acomodação nos bons resultados na existência do fundador Manutenção de informalidade, vontades pessoais e familiares acima do negócio (mania de grandeza, competições internas, retiradas sem respeitar balanço e capital de giro, proteção a funcionários, contratações por amizade, intrigas)

da empresa”. Ligue para 0800 570 0800 ou acesse www.sebraepr.com.br, e confira a disponibilidade de palestras e consultorias.

Saiba mais Para saber mais sobre o tema, acesse agora o Portal do Sebrae Nacional.

31


Hario Tieppo, sócio da empresa Verde Bra-

rar a qualidade e adotar boas práticas de

sil, produtora de alimentos orgânicos que

gestão. Esta é a filosofia do Programa Selo

está sediada em Piraí do Sul, no centro do

Alimentos do Paraná, destinado às empre-

Estado, conta que visualizou com o Progra-

sas do setor da indústria, agroindústria e

ma Selo Alimentos do Paraná uma grande

distribuidoras de alimentos e bebidas, com

oportunidade de desenvolver a sua empre-

o objetivo de estimular a potencialização de

sa. “Fizemos a adesão ao Programa e, den-

negócios e a qualificação para o mercado.

tro do prazo de seis meses, conseguimos

A iniciativa, inédita no Estado, é uma parceria entre o Sebrae/PR e a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), com apoio do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). E abre caminho para que 120 empresas do setor possam, em 2015, por meio de chamada pública, se ajustar aos requisitos de qualidade, participando de consultorias, trei-

aprender muito com as consultorias e conseguimos melhorar todo o nosso processo de produção e gerenciamento. Quando todos da empresa acreditam, e temos o apoio de instituições idôneas como o Sebrae/PR, fica muito mais fácil.” Ele acrescenta, ainda, que os ganhos com a certificação, capacitação e qualificação da equipe, dos processos e da gestão, reflete em como o produto é visto

namentos e auditorias, com foco na legislação

no mercado, transmitindo segurança e qua-

e fundamentos de excelência em gestão da

lidade ao consumidor.

Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).

Mercado

Foto: Rodrigo Czekalski

Selo Alimentos do Paraná

Melhorar os processos produtivos, aprimo-

Sua empresa teve início em 2000, quando

Vinte e duas empresas já participaram da pro-

trabalhava apenas com o plantio de horta-

posta-piloto do Programa, realizada em 2014,

liças e frutas orgânicas, com o objetivo de

e que culminou com a entrega do Selo Alimen-

oferecer emprego e renda para a família.

tos do Paraná, um atestado de conformidade

“Dois anos depois, a empresa cresceu e ad-

que comunica que essas empresas atendem

quiriu espaço com a produção de alimentos

todos os requisitos da legislação vigente e as-

congelados, a partir da fabricação de polpas

seguram a qualidade dos alimentos produzi-

e geleias das frutas orgânicas já produzidas

dos e comercializados. A partir de agora, essas

pela propriedade. Escolhemos esse caminho

empresas podem usar o selo nos rótulos de

porque identificamos que realmente era uma

seus produtos e materiais de divulgação.

produção que contribuía com a saúde das

Empresa de orgânicos ganha novos mercados

Foto: Studio Alfa

Crescimento,

Como a pequena empresa produz em baixa escala, o empresário sempre precisa de um diferencial de mercado para gerar resultados

com qualidade e segurança

Empresas do setor da indústria, agroindústria e distribuidoras de alimentos e bebidas buscam diferencial de mercado por meio de um programa que atesta a qualidade

Por Aldy Coelho

32

Ricardo Garcia Cazotti, produtor de mel

33


A empresa produz atualmente em torno de 100 mil sachês de 100g ao mês, abastecendo as principais redes de supermercado do Paraná e Santa Catarina, e já calcula o crescimento de vendas após a certificação. “Em janeiro e fevereiro (de 2015) já crescemos 20%, e as nossas metas de crescimento para 2015 é de 50%”, constata Hario.

consultorias do Programa e que vão nos ajudar com a conquista do registro estadual e federal. O Selo Alimentos do Paraná veio ao encontro da nossa necessidade e caiu como ‘uma luva’ para a empresa”, afirma. Para Ricardo, o selo é uma conquista após dez anos de trabalho e vai abrir novos mercados.

Luis Felipe Miretzki/Eficaz

pessoas, não apenas pelo negócio”, enfatiza.

Mudança de hábito Avançar no mercado também é a meta da

A Verde Brasil também está negociando a

Citroeste, empresa instalada na Grande Curi-

distribuição de seus produtos para outras

tiba. Desde 1998, com um pequeno box na

regiões, aproveitando justamente a exposi-

Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa),

ção do selo. “Estamos em negociação com

a Citroeste começou a distribuir frutas para

outras redes varejistas em Santa Catarina e

os mercados de Curitiba e Região. Com o au-

Rio Grande do Sul que estão buscando como

mento da demanda, foi preciso construir um

diferencial a comercialização de produtos

espaço maior em outro local para receber as

saudáveis, seguros e de qualidade. A certifi-

frutas direto do produtor e embalá-las para a

cação e o Selo Alimentos do Paraná têm faci-

Programa Alimentos do Paraná é destinado às empresas do setor da indústria, agroindústria e distribuidoras de alimentos e bebidas

litado muito o nosso crescimento e abrindo as portas para a expansão de mercado.”

De colmeia em colmeia Garcia Cazotti já possuía algumas caixas de abelhas cedidas pelos alunos da faculdade e foi com elas que ele começou a trabalhar. Com as técnicas aprendidas no curso universitário, Ricardo foi ampliando os apiários e coletando enxames de abelhas em Maringá. “Eu deixava o meu telefone no Corpo de Bombeiros para que as pessoas me ligassem quando fosse preciso coletar enxames de abelha em casas e outros locais indesejados. Desta forma, eu consegui chegar a 100 colmeias”, conta.

O controle dos processos e da gestão reflete em como o produto é visto no mercado, transmitindo segurança e qualidade ao consumidor

Mariane Piovesana, empresária frutas cítricas e de época por mês, seja para o grande varejista como para o consumidor final. “Para formar o hábito de boas práticas, é preciso um pouco de esforço e orientação profissional, seja nas áreas de gestão ou produção, até ser incorporado totalmente. Nesse sentido, a consultoria do Programa Selo Alimentos do Paraná nos ajudou muito Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

Formado em Zootecnia desde 2004, Ricardo

Na mesma propriedade em que a família trabalhava com ordenha, ele fez algumas adequações e montou sua pequena fábrica, a Mel Apinor. Cinco anos depois, ele dobrou o tamanho da empresa. “A tendência é crescer ainda mais. Temos 500 colmeias produzindo e um projeto de ampliação para chegarmos a 800, em parceria com outros apicultores da região.” Com as 500 colmeias, a produção da Apinor equivale a 15 mil quilos de mel por ano, que pode dobrar com a ampliação. Segundo Ricardo, esse crescimento só será possível após as adequações e as qualificações realizadas por meio do Programa Selo Alimentos

De acordo com Mariane, a busca pela melhoria deve ser constante, pois o consumidor está cada vez mais exigente. “Devemos buscar sempre a qualidade, a segurança alimentar e o que o consumidor está querendo. Existem muitos produtos que competem

Para isso, foi necessária a busca por melho-

entre si pelo valor, e o nosso compete em

rias e boas práticas para a produtividade e

qualidade, por esta razão nos adequamos

gestão da empresa. “Procurei o Sebrae/PR

ao mercado e essa certificação comprova

para receber orientações, fazer cursos es-

isso”, finaliza.

pecíficos e, desde então, existe uma gran-

Sabor italiano no Paraná

de parceria. A partir desse relacionamento, fomos convidados a participar do Programa,

Há mais de 15 anos, a Salumeria Monte Belo

que nos auxiliou muito com algumas ques-

foi idealizada por Airton Empinotti, um en-

tões que não tínhamos total domínio e na

genheiro agrônomo que, após a sua apo-

divulgação da marca”, explica Mariane Pio-

sentadoria, decidiu trabalhar com produtos

produtora de mel de qualidade, seguindo as

vesana, uma das sócias da empresa.

derivados de carne suína que não estavam

especificações da legislação vigente e com

Junto com os irmãos, Mariane gerencia a

mais sendo encontrados no mercado.

empresa que conta com 100 funcionários

“Ele sentia falta de salsichas de qualidade,

do Paraná, que reconheceu a Apinor como

processos que visam às boas práticas de fabricação e de gestão da empresa.

34

distribuição na Ceasa e em alguns mercados.

a ter esta consciência”, analisa.

em dois pontos de venda e o centro de dis-

“Nós tínhamos algumas questões de con-

tribuição de 10 mil m² em Curitiba, que dis-

formidade que foram solucionadas com as

tribuiu aproximadamente mil toneladas de

Marcelo e Airton Empinotti, empresários

salames de produção artesanal que tivessem um processo de maturação natural, sem adição de conservantes e respeitando

35


Evolução constante A empresária Liane Maria Antes Monteiro lembra que a conquista não foi fácil e exigiu dedicação, mudanças de atitude e investimentos na estrutura da indústria que proFoto: Zanella

duz doces, como paçoca e pé de moleque. Liana relata que, no início, o diagnóstico apurou que a sua empresa, a Markito, es-

a capacidade de fazer esse produto aqui

ele mesmo produzia. Hoje, temos mais de

no Brasil e atender a um público brasileiro

30 produtos no mercado”, explica Marcelo

que aprecia e consome esses alimentos”,

Empinotti, filho de Airton.

conta Marcelo.

Desde 2012, Marcelo e sua mulher, Lai

Atualmente, o volume médio de fabricação

Bottmann, começaram a auxiliar Airton na condução da empresa. Após uma longa temporada na Itália, ele se especializou em culinária e trabalhou com produtores deste tipo de alimento. Segundo Marcelo, foi a experiência como cozinheiro e o contato com as salumerias italianas que proporcionaram o conhecimento e as técnicas que são hoje aplicadas na fabricação dos produtos paranaenses. E não foi diferente com Lai, que trabalhou na área comercial de uma enoteca (espaço para apreciadores de vinho) e salumeria em Florença.

36

O Sebrae/PR também vai trabalhar projetos semelhantes com outros setores produtivos do Estado, para desenvolver empresas de alto potencial

do Oeste, Lisete Marli Breunig, que também garantiu o reconhecimento, o Programa Selo

Alimentos do Paraná, ocorreu no dia 12 de março, na sede do Sebrae/PR em Curitiba foi uma oportunidade para consolidar a parceria entre o Sebrae/PR, Fiep e Tecpar. O diretor de Operações do Sebrae/PR, Julio Programa, enfatizou a importância do Selo

depois de concluído, fechou em 91%, o que

guir adiante e crescer. “O Programa traba-

Alimentos do Paraná e explicou toda a es-

garantiu o acesso ao selo.

lhou comigo enquanto empresária. Me deu

tratégia de desenvolvimento do setor. “Esse

coragem para fazer coisas que antes eu não

evento é significativo e um marco na história

pensava em fazer, como a parte de marke-

da instituição. Nosso objetivo é o desenvol-

ting e vendas. Depois do aprendizado eu até

vimento do agronegócio e do segmento de

investi em propaganda”, realça.

alimentos e bebidas pela melhoria da quali-

mercado e nos sentimos mais preparados para

Lisete admite que teve mais vontade de tra-

produz em baixa escala, ela precisa de um di-

avançar com o empreendimento”, detalha.

balhar e vislumbra, agora, novos mercados.

ferencial de mercado para gerar resultado, e

Liane conta que a indústria passou de nove

“Meus panificados ficaram mais bonitos e

a estratégia do Sebrae/PR é a diferenciação,

para 13 funcionários e projeta um aumento

mais gostosos. Investi não só na qualidade

posicionando as empresas pela qualidade e

de 30% na produção, que hoje gira em torno

do produto, mas na aparência dele. Tudo faz

valor agregado.”

de 80 toneladas/mês. Além das mudanças no

parte e com o Selo isso vai ficar ainda mais

Agostini ressaltou, ainda, que a intenção

aspecto estrutural e de gestão, a empresária

visível. Quando eu tiver as novas embalagens

do Sebrae/PR é, até 2022, ter no Estado

destaca o envolvimento dos colaboradores

já quero colocar minhas bolachas para vender

cerca de mil pequenas agroindústrias com

no processo. “O Programa mexeu também

em Marechal Cândido Rondon”, assinala a

o atestado de qualidade do Selo Alimen-

com toda nossa equipe, o que é fundamental

proprietária da Lisete Massas.

tos do Paraná, fazendo com que o posicio-

dade produtiva. Como a pequena empresa

Foto: Malmal Helen Marques

regiões da Itália, porque eles viram em nós

só em 2002 começou a comercializar o que

Na avaliação da empresária de Entre Rios

empresas participantes do Programa Selo

Cezar Agostini, durante a apresentação do

com o selo, vamos ter mais um diferencial de

salame que são feitos em determinadas

Seguir adiante

A cerimônia de reconhecimento das 22

aprendizado técnico, mas a vontade de se-

ver o resultado refletido nos negócios. Agora,

quatro anos para desenvolver as receitas e

crescendo”, revela a empreendedora.

Estratégia de desenvolvimento

Programa Selo Alimentos do Paraná. Hoje,

ças, mas que valeu a pena. Hoje, já podemos

um processo de produção original. Foram

desafio de manter esse ritmo para continuar

Alimentos do Paraná trouxe não somente o

tava apenas 32% em conformidade com o

“Foi um período intenso, de muitas mudan-

Linha de produção de paçocas

para obtermos essa conquista. Agora temos o

da Monte Belo equivale a 4 toneladas de produtos por mês e a empresa tem capacidade de ampliação. Após passarem pelo Programa Selo Alimentos do Paraná, com as consultorias de boas práticas de produção, a empresa investiu em infraestrutura e tem capacidade de duplicar a produção sem perder a sua característica principal, que é a qualidade do processo artesanal. De acordo com Marcelo, a busca pelo desenvolvimento é constante e sempre há algum ponto em que se precisa de auxílio. “Todo o processo de adequação e desenvolvimento

A empresa trabalha com itens da culinária

de boas práticas pelo qual nós passamos foi

italiana e alemã, com a linha de defumados e

essencial para fortalecer nossos projetos

salsichas variadas, presuntos crus, copa curada

futuros. Por isso, é preciso contar com pro-

e diversos tipos de salames, com o desenvol-

fissionais gabaritados, que vão trazer novas

vimento de receitas e a conquista de púbico

informações e somar com o trabalho já rea-

específico que consomem os produtos.

lizado. Este reconhecimento vai nos ajudar

“O Consulado Italiano sempre nos procura

a abrir mercado e sermos lembrados pela

para a produção de determinados tipos de

nossa qualidade e diferencial”, garante.

Lisete Marli Breunig, empreendedora 37


Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

Cerimônia Selo Alimentos do Paraná, realizada em março deste ano no Sebrae/PR

namento desses empreendimentos melhore de patamar e sejam cada vez mais reconhecidos pela sua qualidade.

Pioneirismo Vitor Roberto Tioqueta, diretor-superintendente do Sebrae/PR, salientou o pioneirismo das empresas participantes, que se preocuparam em investir em segurança e qualidade, com a participação no Programa. “É uma satisfação fazer parte da entrega desses certificados para as 22

Tioqueta reforçou, também, o crescimento do Programa Selo Alimentos do Paraná para outros setores da cadeia produtiva como parte da nova linha estratégica do Sebrae/PR. “Nós também iremos trabalhar projetos semelhantes a esse com outros setores produtivos do Estado, dentro do novo direcionamento estratégico do Sebrae/PR - as empresas de alto potencial - que têm condições e competências para competir com as grandes empresas do

empresas pioneiras, que assumiram o de-

mercado nacional ou internacional com

safio de participar deste projeto-piloto e

seus produtos.”

receber este selo. Vocês estão garantindo aos clientes que os seus produtos são

38

gestão das empresas.”

Desafios do mercado

reconhecidos e têm qualidade, esse é o

Edson Luiz Campagnolo, presidente do

resultado principal, aliado à melhoria da

Conselho Deliberativo do Sebrae/PR e

do Sistema Fiep, parceiro da iniciativa, acredita que, após as consultorias e treinamentos oferecidos pelo Programa Selo Alimentos do Paraná, as empresas estão muito mais preparadas para enfrentar o mercado atual. “Eu não tenho dúvidas que houve uma mudança de perfil destas empresas que estão, hoje, mais profissionais. Este selo e a comprovação de qualidade têm um efeito multiplicador, que extrapola fronteiras e vai render muitos frutos. Em nossa gestão, temos como missão fomentar e internacionalizar as nossas empresas, e já começamos a enxergar este caminho e vamos chegar muito mais longe”, pontuou Campagnolo. Julio César Félix, presidente do Tecpar, destacou a importância de programas de

incentivo ao empreendedor e a fusão de competências para a realização do Selo Alimentos do Paraná, que auxilia o crescimento da economia paranaense. “O trabalho em conjunto com as entidades visa olhar para o futuro das empresas, o atendimento da legislação específica, a qualificação dos processos produtivos e da sobrevivência da organização. Estamos no caminho certo e aceitamos o desafio de incluir requisitos internacionalmente aceitos para tornar este selo com maior valor agregado e potencial competitivo.” (Colaboraram nesta reportagem os jornalistas Adriano Oltramari e Juliana Dotto)

No que o Sebrae/PR pode ajudar

Saiba mais Como a pequena empresa produz em baixa

O Sebrae/PR está à disposição para explicar

escala, o empresário sempre precisa de um

como funciona o Programa Selo Alimentos do

diferencial de mercado para gerar resultados.

Paraná. A entidade lançou em março deste

O reconhecimento dos processos e da gestão

ano uma chamada pública para selecionar 120

reflete em como o produto é visto no merca-

empresas do setor da indústria, agroindús-

do, transmitindo segurança e qualidade ao

tria e distribuidoras de alimentos e bebidas

consumidor. O Programa Selo Alimentos do

interessadas em obter o Selo Alimentos do

Paraná é destinado às empresas do setor da

Paraná. Mais informações podem ser obtidas

indústria, agroindústria e distribuidoras de

pelo 0800 570 0800.

alimentos e bebidas. O Sebrae/PR também vai trabalhar projetos semelhantes com outros setores produtivos do Estado, para desenvolver empresas de alto potencial, como o turismo e o comércio.

39


Empreendedorismo

Foto: Gilson Abreu

Prêmio Ozires Silva

Ozires Silva, empreendedor Ideias inovadoras, com foco no meio ambiente e contribuição para o desenvolvimento social. Esta é a marca registrada dos 19 projetos vencedores da oitava edição do Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável, uma iniciativa do Instituto Superior de Administração e Economia/Fundação Getulio Vargas (ISAE/FGV), em parceria com Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM) e patrocínio do Sebrae/PR e Itai-

Inspiração para quem quer empreender

pu Binacional. A cerimônia de premiação, que deixou o Salão de Atos do Parque Barigui, em Curitiba, em clima de festa, em fevereiro deste ano, contou com a presença do próprio Ozires Silva. Reconhecido internacionalmente por colocar o Brasil em uma posição de destaque na produção industrial de aviões, o fundador da Embraer recordou que o sonho é o ponto de partida de grandes realizações. “Os premiados, tendo um sonho, assim como eu, partiram do pouco e fizeram muito. Nossa intenção com este Prêmio é que possamos dar um pouco de luz às novas

Iniciativas inovadoras de empreendedorismo sustentável, com forte preocupação social e que transformam realidades no Paraná e no Brasil

ideias que consigam transformar o mundo. Desejo a todos que cada projeto apresentado cresça e contribua para o País, seja no campo das ideias ou das realizações”, afirmou Ozires Silva. O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR, Edson Campagnolo, também

Por Bruna Komarchesqui

presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), destacou a satisfação do Sebrae/PR ser patrocinador da

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iniciativa, que abre espaço para boas ideias aplicáveis em todo o Brasil. “Estamos vivendo um momento muito interessante, pois as práticas de sustentabilidade, além de inovadoras, têm que ser assimiladas pela sociedade, assim como as apresentadas nesta edição, que são totalmente aplicáveis e contribuem com o propósito do Prêmio.” Diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Roberto Tioqueta ressaltou a preocupação dos premiados com o empreendedorismo, a inovação e a sustentabilidade, temas que vêm ao encontro do trabalho do Sebrae. “Acreditamos que só por meio do desenvolvimento dos empreendedores é que poderemos fazer uma transformação em toda a sociedade”, assinalou. A sinergia existente entre as ações do Sebrae/PR e a essência das ações premiadas também foi destaque na fala do presidente do ISAE/FGV, Norman Arruda Neto. “A entidade tem alavancado os pequenos negócios, o que traz dignidade a um setor que esteve sempre à margem da economia formal. Com a premiação desses projetos, vimos que há espaço no mercado para os empreendedores com grandes ideias.”

Prêmio selecionou projetos de empreendedorismo nas categorias ambiental, educacional, econômico e social

Os vencedores foram escolhidos entre 86 projetos de pequenas, médias e grandes empresas, comunidade acadêmica e pessoas físicas de todo o Brasil. Confira os 19 projetos premiados, divididos em quatro categorias: Empreendedorismo Ambiental, Empreendedorismo Educacional, Empreendedorismo Econômico e Empreendedorismo Social.

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Categoria

Empreendedorismo Ambiental

Projeto

Projeto

01

O caminho para destinação de resíduos no smartphone

A tevê da sala quebrou, e o conserto fica mais caro do que comprar um aparelho novo. E agora, qual a melhor destinação para o eletrônico estragado? Pode colocar no lixo comum? Existe alguém que recebe esse tipo de material? O dilema cada vez mais cotidiano levou o administrador de empresas Bernardo Soares, 34 anos, a idealizar um aplicativo de celular que aponte os locais mais próximos para descarte de todo tipo de resíduo sólido. A ideia surgiu a partir de uma leitura feita em um curso de pós-graduação em projetos sustentáveis. “O autor queria descartar um lixo eletrônico, pesquisou, mas não encontrou nada. Eu também já passei por isso. Então, pensei em desenvolver algo que facilitasse a vida das pessoas”, conta.

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02

Região com grande força agrícola, o noroeste do Paraná tem registrado um expressivo crescimento imobiliário, nas últimas dé-

Por enquanto, a “Criação de aplicativo para dispositivos móveis para o descarte correto de resíduos sólidos em Curitiba” é um projeto no plano das ideias. Para viabilizá-lo, Soa-

dicar os postos de entrega mais próximos

res, que trabalha na Assessoria de Responsabilidade Social da Itaipu Binacional, busca parcerias com o poder público municipal e com o Parque Tecnológico Itaipu (PTI). “O prêmio trouxe essa visibilidade para buscar parceiros. A intenção é conseguirmos algo ainda no primeiro semestre”, planeja.

reutilização.

Soares recorda que já existem aplicativos parecidos, mas com foco em recicláveis. “Quero algo mais amplo, para todo tipo de resíduo. Pela legislação, as pessoas deveriam saber o que fazer com o material, o fabricante deveria recolher, mas isso não acontece.” O aplicativo, reforça ele, vai in-

Construção que nasce das cinzas

da localização dos usuários, além de trazer informações sobre o material que se pretende descartar, caso haja possibilidade de

As práticas de sustentabilidade, além de inovadoras, têm que ser assimiladas pela sociedade e ser aplicáveis à realidade

cadas. Se, em uma análise superficial, unir agroindústria e construção civil já parece uma ótima ideia, melhor ainda é viabilizar essa parceria com foco na sustentabilidade. Isso é o que pretende o projeto “Concreto autoadensável com cinza do bagaço da cana de açúcar em substituição parcial à areia”, desenvolvido na Universidade Estadual de Maringá (UEM) pelos mestrandos e engenheiros civis Marisa Fujiko Nagano e Hugo Sefrian Peinado, sob orientação do professor Romel Dias Vanderlei. “Esse trabalho é resultado das pesquisas do grupo de desenvolvimento e análise do concreto estrutural da UEM. O reconhecimento é uma forma de mostrar o trabalho do departamento de Engenharia Civil, frente

Para tirar o aplicativo do papel, o adminis-

à essa necessidade de iniciativas sustentá-

trador – que está aprofundando o projeto

veis em uma região com foco agroindustrial

em uma pesquisa de mestrado em Governança e Sustentabilidade na FGV de Curi-

grande, como Paraná e São Paulo”, comemora Peinado.

tiba – pretende usar dados da prefeitura.

Com muitas usinas de açúcar e álcool na

“Eles devem ter um cadastro desses locais.

região, o resíduo que sobra da queima da

cana, para cogeração de energia, é um problema ambiental que preocupa. “Nosso foco era desenvolver um concreto que utilize a cinza do bagaço da cana para fins construtivos, com alto valor agregado”, detalha o engenheiro. Depois de muitos cálculos e pesquisas, o grupo comprovou que é possível substituir parcialmente a areia por cinza no concreto, sem alterações na resistência e no comportamento do produto final. “Isso possibilita o aproveitamento de um resíduo industrial que seria descartado.” Embora ainda sejam necessárias regulamentações e especificações técnicas para a aplicação dos resultados na indústria da construção civil, o sucesso da pesquisa é comprovado pelo reconhecimento em premiações da área. Além do Prêmio Ozires Silva, o projeto foi agraciado com o 1° Lugar no 5° Prêmio Nacional de Projetos Inovadores Caixa com aplicabilidade  na Indústria Metalúrgica, Mecânica, Eletrônica, Materiais Elétricos e Construção Civil, em 2013, e recebeu menção de melhor trabalho apresentado no 56° Congresso Brasileiro do Concreto do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON), no ano passado.

Penso em fazer um piloto em Curitiba e, depois, estender para outras prefeituras.” Já a parte de programação, deve ficar a cargo de um profissional da área. “Existem ferramentas acessíveis para montar aplicativos, mas não tive muito contato.”

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Projeto

03

Sombra e água fresca, sem poluir um ‘paraíso natural’

Quando iniciou a operação de apoio à visitação pública no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, em Pernambuco, em 2012, a Econoronha – empresa do Grupo Cataratas, de Foz do Iguaçu – identificou um grande desafio: diminuir a produção de lixo na ilha. Com a entrada limitada a cerca de 250 visitantes por dia, o local contabiliza uma produção diária de quase oito toneladas diárias de resíduos. “Estudos apontaram que 70% do lixo produzido pelos visitantes do Parque eram de garrafas pet, porque é calor, as pessoas caminham bastante, então, consomem muita água”, explica Juliane Poitevin, gerente de marketing da Econoronha. A solução criativa para o problema veio com a “Campanha Squeeze”, em abril de 2013. Até então comercializados apenas como souvenirs nos Postos de Informação e Controle (PIC) do Parque, os squeezes (de 300 e 700 ml) passaram a ser mais vantajosos que as garrafinhas descartáveis, por acompanharem duas recargas gratuitas de água mineral gelada. A terceira recarga em dian-

te custa R$ 3, para o squeeze de 700 ml, contra R$ 4 de uma garrafa de água de 500 ml. “É uma maneira de unir o útil ao agradável. As pessoas querem levar uma lembrança da ilha e o fazem de forma sustentável”, reforça Juliane. Para viabilizar o projeto, a Econoronha implantou quatro chopeiras abastecidas com água potável de uma fonte da própria ilha. “Se tivesse que vir do continente, nem seria viável financeiramente”, explica. O sucesso foi tanto que, em um ano, resultou na redução de 30 mil garrafas pet, o que representa mais da metade do consumo do material no Parque. Se antes, apenas três entre 100 turistas compravam um squeeze, hoje, o número subiu para 12%. O envolvimento dos colaboradores da concessionária – 90% deles nativos da ilha – foi fundamental na disseminação da campanha. Após treinamento, com foco na educação ambiental, cada um deles desenvolveu uma técnica própria de abordagem e comunicação para sensibilizar turistas para a necessidade de conservação da natureza no local, que tem status de Patrimônio da Humanidade.

Projeto

05

Do esgoto, um rico adubo para a lavoura

O crescimento da população mundial, com hábitos de consumo cada vez mais elevados, faz da destinação de resíduos sólidos um dos maiores desafios dos governantes na área de saneamento. Não bastasse todo o material descartado pelas residências e indústrias, os aterros sanitários também precisam dar conta de receber o grande volume de lodo gerado nos processos de tratamento de água e esgoto. E se esse ma-

Projeto

04

De poluente do açude a negócio promissor

terial pudesse ser reaproveitado de alguma forma? A inquietação foi o que levou a Sabesp de Botucatu, no interior de São Paulo, a criar uma Usina de Secagem e Compostagem de Lodo de Esgoto, em parceria com a Prefeitura do município e a Faculdade de

Engana-se quem pensa que carcaça de pei-

Ciências Agronômicas da Unesp.

xe só serve para fazer os populares caldos

O objetivo inicial era cortar custos, já que

da culinária brasileira. Lixo para muitos, os resíduos da piscicultura são matéria-prima promissora para um grupo de pesquisadores de Eusébio, no interior do Ceará. Tudo começou em 2006, com pesquisas do economista André de Freitas Siqueira, hoje doutor em Biotecnologia, que deram origem à empresa PISCIS, três anos mais tarde. “Os resultados preliminares indicaram uma solução inovadora para um subproduto poluente do leito do açude e dos lençóis freáticos existentes no entorno”, conta. Se antes os restos da produção intensiva de tilápia causavam impactos ambientais no entorno do açude Castanhão – responsável pelo abastecimento de água de todo o estado do Ceará –, hoje eles dão origem a produtos inovadores de alto valor agregado.

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“É um açude gigantesco, que hoje poderia ter toda a água contaminada, exatamente pelas práticas ali na região. Nossa empresa preza pela sustentabilidade, melhorando as condições dos piscicultores locais, que trabalham de forma não usual, não tão sustentável”, explica Júlio Ximenes, da PISCIS. “Trabalhamos nunca pensando em gerar descartes, pelo contrário, todo descarte volta para a empresa para ser reaproveitado”, completa. Altamente calórico e importante antioxidante, rico em Ômega 6, o óleo extraído das vísceras da tilápia é uma ótima ração funcional para alimentação de aves e suínos. O produto também tem ótimo potencial combustível. Tanto que a PISCIS tem parceria firmada

com a Petrobras, associações de produtores de tilápia do Castanhão e a Prefeitura de Jaguaribara (CE), para produção de biodiesel na usina da Petrobrás em Quixadá.

as quase 14 toneladas de lodo geradas dia-

No último ano, o trabalho que se limitava às vísceras de tilápia foi ampliado para as carcaças de peixe morto, outro importante efluente da piscicultura. “Esperamos melhorar o processo de extração do óleo, com aumento do percentual de rendimento (L óleo/kg vísceras), diminuição do tempo de processamento e consequente redução do custo unitário do produto”, projeta Siqueira. Uma unidade móvel de abate está entre os planos da empresa. A novidade deve melhorar o processamento dos peixes e contribuir para a coleta das vísceras.

lou um grande potencial ambiental. “Além

riamente eram transportadas a um aterro a 150 quilômetros de distância da estação de tratamento. Na prática, o projeto reveda redução em mais de 80% da emissão de gases de efeito estufa de forma direta - no transporte do lodo - e indireta, que ainda vamos levantar, o resíduo, antes conside-

controlados, possui um uso promissor para a produção agrícola, quiçá de alimentos”, comemora a engenheira química e gerente de controle sanitário da Sabesp, Ana Lúcia Silva, coordenadora do projeto. Após a secagem, o lodo passa por processo de compostagem, com acréscimo de resíduos de poda de árvores, o que resulta em um fertilizante orgânico. Esse é o primeiro projeto do País nestes moldes. Como a composteira utiliza energia solar, a economia em todo o processo é grande, chegando a R$ 200 mil anuais, em relação ao velho sistema de transporte do resíduo até o aterro. “Conseguimos dar um destino nobre ao lodo. Em muitos países, eles utilizam o lodo após a secagem direto na plantação”, diz Ana Lúcia. As pesquisas e análises do lodo, em parceria com a FCA/Unesp, têm como finalidade o enquadramento do fertilizante orgânico nos padrões da legislação brasileira. Com o aval do Ministério da Agricultura, o material poderá ser distribuído para agricultores. “Nossa intenção não é comercializar esse adubo, nós queremos distribuí-lo aos agricultores da cidade.”

rado lixo e destinado a aterros especiais e

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Empreendedorismo Econômico

tiba ainda espera pela viabilização de sua primeira linha de metrô. O alto volume de

imbróglios na licitação da obra emperram a aplicação do R$ 1,8 bilhão já liberado a fundo perdido pelo governo federal. Enquanto o projeto não sai do papel, ideias borbulham entre grupos de pesquisadores. Uma das propostas alternativas ao metrô subterrâneo é um metrô elevado sobre trilhos. De autoria do engenheiro civil Rinaldo Andrade Pinto e da estudante de engenharia

Conhecida nacionalmente como produtora de papel, nos últimos anos, a cidade de Te-

da PUCPR Priscila Rosa Pizutti, em parceria com Luiz Diniz Neto, Camila Ulson e Letícia Soares, também estudantes da instituição, o projeto promete a mesma eficiência do

lêmaco Borba, nos Campos Gerais, vem buscando formas de incentivar a diversificação do setor produtivo local. Um diagnóstico com a participação de atores locais, poder público, setor industrial e instituições ligadas ao conhecimento e à tecnologia apontou a existência de 4 mil funcionários nas quase 100 empresas do distrito industrial, além de uma extensa população estudantil. Estava aí o ambiente propício para alavancar o setor da confecção, dada a grande necessidade de uniformes profissionais e escolares, para atender esse público. Estudos de viabilidade econômica e consultorias do Senai e Sebrae mostraram que a

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Projeto

08 promoção de novas empresas no formato de incubadora, com apoio e incentivos aos incubados, seria o formato ideal para desenvolver habilidades empreendedoras na população. Outra percepção determinante foi que o município investe aproximadamente R$ 1,5 milhão por ano na aquisição de uniformes para a rede pública, mas empresas locais nunca venceram o processo licitatório. O primeiro passo para mudar essa situação foram as capacitações, que já beneficiaram mais de 400 pessoas. “Era uma demanda da comunidade, havia grande procura de cursos nessa área. Mas a ideia não era que aprendessem costura para trabalhar no fundo de casa. Por isso, contamos com consultoria do Sebrae/PR, para avaliar o potencial da região”, lembra Josemir Zanetti, agente

de desenvolvimento da Secretaria Munici-

Priscila Rosa Pizutti, com Vitor Tioqueta e Edson Campagnolo

recursos para implantação do modal – que,

rias –, questionamentos sobre o itinerário e

Máquinas de costura ganham espaço na “cidade do papel”

Foto: Gilson Abreu

doras na área de mobilidade urbana, Curi-

veria ser aplicado em outras áreas prioritá-

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07

Destaque mundial por suas soluções inova-

na opinião de boa parte da população, de-

Projeto

Projeto

metrô subterrâneo, com um investimento

aspecto ecológico da paisagem. “Assim, os

90% menor. “Com isso, sobraria muito di-

biarticulados ficam em cima, separados do

nheiro para reformular o sistema BRT (Bus

trânsito e dos pedestres. O espaço abaixo

Rapid Transit) de Curitiba e aplicar em ou-

dos elevados será usado para estaciona-

tras obras úteis à nossa mobilidade urbana.

mento e serviços”, detalha.

Assim como o BRT surgiu em Curitiba na dé-

Em algumas avenidas importantes, como a

cada de 1970 e foi exportado para o mundo,

República Argentina, os pesquisadores su-

o BRT Elevado também tem chances de ser

geriram alargamento das vias, com manu-

o Metrô do Futuro”, projeta Priscila.

tenção da pista central com sete metros de

O sistema proposto pelo grupo aproveita a estrutura existente para os ônibus biarticu-

ma que os expressos possam se ultrapassar. “Isso vai aumentar a velocidade comercial

lados, mas melhora o traçado. Nos trechos

do sistema, permitindo ultrapassagem dos

onde hoje há cruzamentos congestionados,

paradores pelos diretos e uma capacidade

a ideia é construir elevados em concreto

próxima ao metrô, além de descongestio-

pré-moldado, com floreiras, pensando no

nar o tráfego transversal.”

Soluções sob medida para os negócios no campo

Márcio Aleksandro Daniel, empreendedor

pal do Trabalho e Indústria Convencional.

Manter a mesma produtividade em uma

çado, completa Márcio, é analisar os resul-

área 10% menor, apenas mudando a dispo-

tados de um investimento, dando ao cliente

Uma incubadora, implantada pelo municí-

sição das espécies cultivadas no terreno.

condições de decidir se vale a pena usar os

pio há cerca de dois anos, resultou na for-

Soluções simples, mas eficazes exatamente

recursos produtivos.

malização de 18 empresas do segmento.

porque personalizadas para uma realida-

“São barracões de 200 m², com 40 máquinas

de específica na área rural, são o mote do

industriais da prefeitura. Os microempre-

projeto Planejamento Avançado, idealizado

endedores individuais podem usar o espa-

pelo engenheiro agrônomo Márcio Aleksan-

ço por três anos, sem pagar luz, aluguel”,

dro Daniel, de Sarandi, noroeste do Paraná.

detalha. A ideia é que cada empreendedor

“Percebi que as empresas de planejamento

receba apoio por cinco anos, até que possa

agrícola tomavam decisões não com base na

caminhar com as próprias pernas. “Temos

análise da realidade do cliente, mas em mé-

um edital permanente para essa estrutura

todos, técnicas e produtos que obtiveram

de incubadora. Depois dessa fase, estamos

resultados positivos em outras situações.

pensando em um micropolo, em que o em-

Assim, os resultados acabavam sendo um

presário terá um pouco mais de despesas,

mistério, ou seja, não se tinha estimativa do

como aluguel”, explica.

que a prática proposta traria de vantagem”, justifica. A intenção do Planejamento Avan-

largura e estações tubo descasadas, de for-

Foto: Gilson Abreu

Categoria

Metrô sobre trilhos quer ser o novo BRT

Por meio de conhecimentos das Ciências Exatas, como estatística, economia, administração e matemática analítica, o MAXIMUM Planejamento Avançado tem o compromisso de aumentar a rentabilidade de agroindústrias e propriedades agrícolas sem a necessidade de adquirir novos produtos, equipamentos, contratar profissionais ou modificar qualquer recurso produtivo. “Provavelmente, é o primeiro projeto no mundo a se dedicar completamente a essa modalidade de trabalho”, defende o autor. O atendimento pode ser feito pela internet,

ou de forma presencial, neste caso, com agendamento e orçamento de custos de deslocamento. No serviço online, portanto, o valor pago pelo cliente é bastante reduzido. “Para a análise resumida, que é gratuita, é necessário preencher uma planilha específica, com informações da realidade do empreendimento, disponível para download no site. Essa primeira análise é gratuita”, explica. Caso se opte por adquirir a análise completa, que traz a estratégia detalhada de como alcançar os resultados apontados no resumo gratuito, o pagamento pode ser feito por Pag Seguro. Essa ferramenta permite o uso de cartão de crédito, com parcelamento em até 18 vezes, e boleto bancário “Em um de nossos estudos de caso, conseguimos elevar em 59% a renda líquida de um produtor”, comemora.

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Um tesouro para não ser usado

Projeto

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Aproximadamente 23 mil hectares protegidos de Mata Atlântica. Uma preciosidade de um bilhão de dólares. Essa é a Reserva Natural Vale (RNV), em Linhares, no Espírito Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

Santo. Enquanto levantamentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da ONG SOS Mata Atlântica apontam para a existência de apenas 8,5% da cobertura original desse bioma e o avanço de 29% no desmatamento na região, entre 2010 e 2011, a Vale reforçou seu compromisso ambiental, ao mensurar o valor de existência (não uso) da área natural protegida pela mineradora. A iniciativa é pioneira no País.

Guilherme Cândido, com equipe

“Para se ter uma ideia, somente a RNV representa em torno de 4% da cobertura florestal

Projeto

09

Um sonho muito além do jardim

O ofício que passou de pai para filho aca-

Após longa pesquisa de mercado, nasceu a

bou se transformando em sonho empreen-

Aquarela, com a missão de atender os pedi-

dedor. Assim nasceu a Aquarela Jardins e

dos de clientes que apontaram a necessida-

Harmonia de Ambientes, uma empresa curi-

de de unir conceitos de modernização, res-

tibana especializada em jardinagem, que

ponsabilidade, compromisso, valor justo e

atua sob os três pilares da sustentabilidade – ambiental, econômico e social. Tudo começou com Adriano Stella, que, desde menino, acompanhava o pai nos serviços de jardineiro. “Ele percebia que podia fazer algo mais, porém, não tinha recursos suficientes

“O nome Aquarela nos remete à infância, à

Felipe Campos, gerente de Biodiversidade e

Há espaço no mercado para os empreendedores com grandes ideias e o Prêmio Ozires Silva é uma oportunidade

Florestas da Vale. O estudo foi desenvolvido em parceria com a Lawrence Berkeley Laboratory (Universidade da Califórnia), Quest Inteligência de Mercado Ltda. e especialistas em economia ambiental. O valor de existência diz respeito aos benefícios da preservação de um recurso, pelos serviços ambientais prestados. “É isso que leva as pessoas a estarem dispostas a pagar pela causa dos ursos polares, mesmo sem a inten-

inocência, às cores. E nós, como empresa

ção de, necessariamente, algum dia vê-los em

de jardinagem, queremos levar isso para as

seu habitat natural. A principal motivação é

pessoas, como se o jardim de cada cliente

saber que a existência da espécie está sendo

fosse uma tela de pintura. A nossa função

assegurada”, exemplifica Campos.

é harmonizar as cores, dar mais vida aos

para isso. Passou por várias experiências

jardins e propagar a beleza da natureza”,

como jardineiro autônomo, franqueado de

explica Guilherme.

uma outra empresa de jardinagem, até que

O levantamento avalia aspectos como recreação, geração de conhecimento, polinização e estoque de carbono, tanto na vege-

A valorização do jardineiro é um dos com-

tação quanto na produção de mudas para a

promissos da empresa. Além de serviços

recuperação de áreas. Regulação do solo,

de implantação e manutenção de jardins,

do ar e da água, além da provisão de água

a Aquarela vem buscando outras fontes de

são outros pontos analisados. A conclusão

renda, como produtos e franquias. A área

sócios da Aquarela, que conta com mais um

do estudo mostra que, além do valor per-

social também está no foco dos três jovens

cebido pela sociedade, a área preservada é

colaborador e dois freelances.

empreendedores. Um dos trabalhos sociais

altamente relevante pelos serviços ambien-

surgiu quando a empresa tinha apenas dois

tais prestados, sobretudo para populações

meses: a arrecadação de material escolar

raras e ameaçadas de extinção.

eu, formado em Engenharia Florestal, resolvi empreender na área de jardinagem”, recorda Guilherme Cândido, um dos três

Entre as primeiras conversas e a efetivação do negócio, quase cinco anos se passaram. No ano passado, Adriano participou de um programa de apoio a empreendedores da FGV/ISAE Curitiba. “Foi lá que ele, o Fábio

para crianças e adolescentes da ONG Orga-

Intitulada pela Unesco, desde 2008, como

nização de Desenvolvimento do Potencial

Foto: Gilson Abreu

eu cheguei até ele. Isso aconteceu quando

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respeito em serviços na área de jardinagem.

remanescente no Espírito Santo”, afirma Luiz

Humano. “Nos cinco anos de funcionamento, eles nunca tinham recebido doações de

(Garcia, o terceiro sócio) e eu nos encontra-

materiais escolares. Conseguimos mais de

mos e retomamos esse projeto, que ganhou

400 itens e, em troca, as crianças retribuí-

vida efetivamente em meados de outubro

ram os benfeitores com um vaso com flor

de 2014.”

que ajudamos a preparar.”

Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, a área começou a ser adquirida pela Vale na década de 1950. Na época, foram catalogadas mais de 2,8 mil espécies vegetais, 1,5 mil morfoespécies de insetos,

Premiação

111 espécies de mamíferos, além de 66 de anfíbios, 69 de répteis e 380 de aves.

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Categoria

Empreendedorismo Educacional

Os livros tomam conta de Maripá Não faz muito tempo, a Biblioteca Pública de Maripá, pequeno município de 5,8 mil habitantes no oeste do Paraná, vivia praticamente às moscas. Dos 340 inscritos em 1999, cerca de 10 visitavam o local por dia. Algo precisava ser feito – e urgentemente – para incentivar a leitura, concluiu a então recém-chegada coordenadora, Teresinha Steffens. Nascia assim, no ano seguinte, o Projeto Leia Maripá, com atividades diversificadas ao longo do tempo. Uma década e meia mais tarde, as ações se mostraram eficientes na atração de novos leitores. Hoje, a biblioteca conta com mais de 1,4 mil inscritos, mas as atividades extramuros já envolveram mais de 10 mil participações.

Projeto

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Dificuldades apareceram no caminho da bibliotecária, mas a recompensa sempre foi ver crianças, jovens, adultos e idosos se aventurando, com livros nas mãos. “A exe-

Para despertar o herói que cada jovem pode ser

cução das atividades é prazerosa, com momentos de desafios gratificantes. A biblioteca nunca deve ser um depósito de livros e, sim, tornar-se espaço de cultura e lazer, ativa e dinâmica. Com esta convicção, iniciei as atividades do projeto e continuo bata-

“Dois jovens inquietos e sonhadores que tinham como objetivo transformar o mundo e viram na educação o caminho de maior resultado e impacto.” Assim o relações públicas Daniel Dipp e o engenheiro eletricista Fernando Granato se autodefinem e explicam o nascimento do projeto Quíron – Educação para o Protagonismo. A iniciativa surgiu em 2012, com o objetivo de formar jovens empenhados na transformação social. O nome diferente vem da mitologia grega, em que Quíron é reconhecido como grande mentor dos heróis, e tem tudo a ver com a ideia da dupla. “O conceito de herói permeia nossa identidade. Dentro das atividades, atuamos com a Jornada do Herói. Como fluxo de metodologia, os jovens vivenciam, como em um jogo, a experiência de atravessar desafios e encontrar grandes chefões”, destaca Dipp. Com base os melhores modelos nacionais e internacionais de educação, a metodologia Quíron é composta por 32 módulos, divididos em dois encontros por semana, no período do contraturno escolar ou incorpo-

rados ao programa curricular. As aulas com estudantes do ensino fundamental II e médio ocorrem dentro das próprias escolas – públicas e particulares – ou em instituições parceiras. Alinhada aos pilares da educação da Unesco, a grade inclui as temáticas: O ser, O social, O inovador, O empreendedor, Saber ser, Saber conviver com os outros, Saber conhecer e Saber fazer. O projeto também inclui formações para professores. Entre os docentes que já participaram das atividades, 80% perceberam o aumento do engajamento de seus alunos após a aplicação de técnicas aprendidas em sala. Para 95% dos estudantes, a metodologia Quíron merece nota máxima. Com uma equipe de cinco pessoas, o projeto já impactou a vida de 220 alunos e 30 professores. “Para impactar escolas públicas, atuamos em parceria com empresas e/ou governos interessados em investir no potencial de jovens, desenvolvendo a comunidade local, valorizando sua marca e tendo acesso à uma plataforma de inovação, na qual os jovens podem desenvolver soluções inovadoras para desafios dos parceiros”, explica Dipp.

Dentre as atividades do projeto, que já ganhou prêmios de incentivo à leitura e reconhecimento como tecnologia social, estão ações como Hora do Conto, Primeiras Leituras, Roda de Leituras, Quero Ler Mais e Contação de Histórias, que envolvem crianças e adolescentes, dentro e fora do ambiente escolar. Também há concursos para premiar bons leitores, como o Passaporte do Leitor, além da exibição de Filmes na Biblioteca, para crianças que frequentam o espaço, com participação espontânea.

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Os adultos também são contemplados, em ações como o Ler é Viver, uma discussão sobre a importância da leitura, acompanhada de trocas de experiências, e o Trabalho e Leitura, em que malotes com livros para empréstimos são levados a indústrias. Já os clubes de idosos recebem livros e revistas mensalmente, no Vovô e Leitura. “O desenvolvimento se mede pela educação do povo. Apenas se construirá um país melhor, quando tivermos um ser humano melhor e mais preparado para o enfrentamento dos desafios do dia a dia.”

Projeto

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Quem é professor sabe que atrair a atenção dos alunos é tarefa cada vez mais desafiante dentro de uma sala de aula. A competição com tablets e smartphones, equipados com aplicativos de todo tipo e internet móvel, chega a ser desleal, diante do velho quadro negro e dos livros didáticos. Foi essa inquietação que motivou o professor de informática Ayrson Souza Santos, de Maringá, a desenvolver uma metodologia nova, a Classroom In Group. “Essa é uma geração que já nasce com o tablet na mão, usa tecnologia para tudo, mas chega na porta da sala de aula, não pode. Daí você vê nove, dez alunos dormindo. Minha intenção era contribuir com a educação nesse sentido do interesse”, explica.

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lhando”, afirma Teresinha.

Projeto

Para isso, Santos propôs à direção do colégio em que trabalha a inserção da tecnolo-

wi-fi da escola. “A intenção era que eles não ficassem em grupinhos fechados”, justifica.

gia no processo de ensino e aprendizagem, com o professor atuando como mediador

Ao professor de geografia coube expor a temática da aula e ficar circulando entre as mesas, para orientar a pesquisa online dos estudantes.

entre o aluno e o conhecimento. A metodologia nasceu após pesquisas do que já é feito pelo mundo, além de um levantamento interno com estudantes, docentes e coordenadores pedagógicos da instituição – que resultou em mais de mil fichas preenchidas. A análise das estatísticas apontou que a melhor turma para aplicar o método, de maneira experimental, era o 1º ano B do ensino médio. Uma ferramenta desenvolvida por Santos selecionou grupos aleatórios de cinco ou seis alunos, que puderam trazer seus notebooks e tablets e tiveram acesso à conexão

“A avaliação seguiu os critérios das outras turmas, que tiveram o mesmo conteúdo na metodologia tradicional. O resultado foi muito favorável. Eles demonstraram mais interesse, uma integração melhor, houve manifestação de aprendizado na aula com tecnologia”, comemora. Professor e material didático, ressalta ele, são fundamentais no processo. “O professor é quem vai direcionar o que aprender. A intenção é aprimorar o que for necessário e ir aplicando gradativamente a metodologia.”

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Categoria

Empreendedorismo Social

Transformação comunitária pelas mãos dos jovens

Projeto

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Empreendedorismo se faz empreendendo

Existe melhor maneira de aprender a ser empreendedor do que ser um na prática? Para o Centro Brasileiro de Cursos (CEBRAC), não. Foi por isso que a instituição, que tem sede em Londrina, no norte do Paraná, e conta com 55 franqueados pelo Brasil, resolveu criar uma Feira Nacional do Empreendedorismo (FNE), em 2012. No evento, os alunos do curso de Assistente Administrativo Completo são convidados a gerir empresas fictícias, estruturadas de maneira a contemplar temas como responsabilidade social, sustentabilidade e uso de tecnologias. Divididos em equipes, os estudantes fazem a gestão de suas empresas, ao longo do curso. E não é porque a organização não tem um CNPJ real que a tarefa é menos desafiadora. Problemas e situações fictícias são

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apresentadas aos empreendedores, que precisam de criatividade, planejamento e jogo de cintura para administrar bem o negócio. Toda solução precisa ser justificada com base no histórico da empresa, o que leva os alunos a refletir e fixar melhor os conteúdos trabalhados em sala. Em maio, os empresários fictícios participam de uma feira local, que é aberta à visitação pública. No evento, eles são responsáveis pela montagem do próprio estande e por apresentar seus produtos, a estrutura do negócio e o modelo de gestão ao público e a um grupo de jurados. Com base em critérios de inovação, empreendedorismo e sustentabilidade, visitantes e jurados escolhem a melhor iniciativa. Os vencedores nas unidades locais participam da etapa final, a Feira

Projeto

15 Nacional de Empreendedorismo, que ocorre na sede da franqueadora, em Londrina.

Eles são ousados, cheios de sonhos e querem mudar o mundo. Há quem tente desqualificá-los, acusando-os de sem experiên-

O sucesso da iniciativa pode ser medido pelo

cia e conhecimento de mundo, mas nenhum

crescimento progressivo de público, des-

argumento é forte o bastante diante do ine-

de a primeira edição da feira. Enquanto em

gável poder de mobilização social da juven-

2012, 1,8 mil alunos participaram das ações

tude. Essa força dos jovens é matéria-prima

nas unidades do CEBRAC, no ano passado o

do projeto “Empreendedorismo Social: de-

número subiu para 3 mil. Na primeira edição,

senvolvendo lideranças transformadoras”,

pouco mais de 4 mil pessoas visitaram as fei-

uma iniciativa da Pontifícia Universidade

ras. Em 2014, os visitantes superaram 41,5

Católica do Paraná (PUCPR), em parceria

mil. “Gostaria de dedicar esse prêmio a todos

com a Rede Marista de Solidariedade e Or-

os jovens que participaram da Feira Nacional

ganizações Não Governamentais.

de Empreendedorismo, que conseguiram

Dada a forte interação comunitária nas re-

incrementar projetos e mostrar que o bra-

giões onde está situada geograficamente, a

sileiro sabe sonhar e fazer disso realidade”,

instituição concebeu, em 2013, o projeto de

exalta o professor Luciano Rudnik, gestor de

extensão, com foco na educação para a cida-

educação da franqueadora.

dania e na solidariedade de seus estudantes.

Para isso, dois grupos são contemplados: um de ex-alunos de programas de graduação e pós e outro de jovens com idades entre 13 e 18 anos, residentes em território de comunidades em situação de vulnerabilidade.

município de Almirante Tamandaré, Região

“O programa de formação tem mais de 300 horas, com exercícios práticos, para ambos os grupos, de elaboração de um projeto de mobilização comunitária, que culmina em uma semana de mobilização, com a presença de lideranças locais do entorno”, conta a professora Mari Regina Anastacio, coordenadora do projeto.

de comunidades de alta vulnerabilidade,

O principal objetivo das atividades é contribuir para o desenvolvimento local e melhoria da qualidade de vida dos habitantes do território da Restinga Seca, que tem uma população de cerca de 18 mil habitantes, no

de jovens para a mobilização social e uma

Metropolitana de Curitiba. A intenção é preparar estudantes para se tornarem agentes de transformação, por meio do empreendedorismo social, e empoderar jovens líderes como agentes da própria história e articuladores locais. A formação com os jovens das comunidades pretendem dar-lhes assessoria para continuem as ações desencadeadas durante o processo de intervenção e a semana de mobilização comunitária. “A intenção é criar uma rede rede de empreendedorismo colaborativo, na PUC, com a participação de egressos dos cursos. Esse reconhecimento dá visibilidade para a atração de novos parceiros”, comemora.

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Uma moeda para segurar o desenvolvimento econômico e social na Baía do Sol Fotos: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

A dificuldade de acesso a serviços, centros de compras e agências bancárias sempre barrou o desenvolvimento econômico e social da pequena comunidade de pescadores da Baia do Sol, na Ilha do Mosqueiro, pertencente a Belém do Pará, região amazônica. Mas, há seis anos, os 8 mil habitantes do local viram tudo começar a mudar, com a criação do Banco Tupinambá, um Banco Comunitário de Desenvolvimento (BCD).

Abel Domingues Souza e o filho Gabriel

Desde 2009, o Real, moeda oficial do país, deu “licença” ao Moqueio, moeda social que domina as transações comerciais dentro da

Projeto

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comunidade.

As cortinas se abrem para a esperança

O objetivo da moeda social – que é indexada à oficial e, portanto, cada moqueio vale exatamente R$ 1 – é fortalecer o comércio local, garantido que o dinheiro circule dentro do próprio bairro, com um empreen-

Quando tinha 17 anos, Abel Domingues Souza, hoje com 46, teve uma ideia: vestir-se de Papai Noel e levar brinquedos a crianças da periferia de Curitiba e Região. “Eu fazia minhas economiazinhas e conseguia uns presentinhos para, por exemplo, 80 crianças.” Conhecendo a realidade das comunidades, ano após ano, ele percebeu que ajudar só no Natal já não era suficiente. Estava aí a semente do projeto Cabeça de Coco, que saiu do papel em 2005, a bordo de duas bicicletas – a de Souza e a do filho Gabriel, então com 5 anos de idade. Do lixo, nasceram os bonecos. Da criatividade, os roteiros para as peças. Experiência? Só a do amor, garante. “Sou analista de documentação e contratos, não sou ator, nunca fui da área. Mas aprendi com meu filho, pela ingenuidade da criança. Posso dizer que mais aprendi do que ensinei”, assegura. A ideia principal do projeto é levar a inclusão às comunidades menos assistidas pelas instituições como poder público, polícia e igreja. “Nosso público-alvo são crianças sem acesso a shoppings, salas de cinema, teatros. Depois das apresentações, damos oficinas, tentando criar multiplicadores, disseminar a semente do bem.”

Sem qualquer tipo de patrocínio – até para reforçar que é possível mudar uma realidade apenas com a “mola propulsora do amor” –, Souza acredita que já se apresentou para mais de 8 mil crianças. “O foco não é a quantidade”, reforça. Do caminho rotineiro para o trabalho, das andanças sem rumo de bicicleta ou de pesquisas do Google Maps, surgem os lugares para a apresentação dos bonecos de cabeça de coco. “Deus me orienta! Acabei de receber uma carta do Papa reconhecendo o projeto. A Secretaria de Estado da Educação nos reconhece, já ganhamos vários prêmios.”

Pioneiro no norte do País e criado com base na experiência do primeiro banco comunitário nacional, o Banco Palmas, de Fortaleza (CE), o Tupinambá começou com 15 clientes e lastro inicial de R$ 5 mil. Em 2012, o banco já possuía uma carteira de R$ 20 mil. Na época, quase 100 empreendimentos (produção, comércio e serviço) locais aceitavam a moeda e davam descontos para estimular seu uso. Os empreendimentos cadastrados podem fazer o câmbio para real no Banco

Por uma gestão mais sustentável e eficiente das frotas As visitas diárias a empresários do ramo fro-

Mas a recompensa, afirma Souza, passa longe das láureas. “Quando a cortina se fecha, meu filho vem entre lágrimas: pai, você é um exemplo”, emociona-se. Lágrimas – escondidas no banheiro ou que insistem em correr na hora de dormir – são quase um combustível do projeto, que coleciona de-

tista, durante os seis últimos anos, levou a empresa GolSat, de Londrina, no norte do Paraná, a perceber a necessidade de um foco mais estratégico e menos operacional nos processos de gestão das frotas. Na tentativa de suprir essa carência do mercado, nasceu o Instituto PARAR – Pensando Alternativas

zenas de histórias tocantes. “Os bonecos são inanimados, precisamos ouvir o coração deles, porque vamos a lugares com crianças estupradas, maltratadas. Fazê-las sorrir por 40 minutos é um privilégio.”

Responsáveis, Administrando Frotas com Resultado. O objetivo de aquecer as discussões sobre as tendências e as boas práticas para uma gestão eficiente das frotas corporativas é o que move a iniciativa, que pretende tor-

Abel, em sua mesa de trabalho

nar as empresas mais sustentáveis. De 2012 para cá, foram 202 workshops por todo o Brasil, 16 fóruns nas principais capitais, conferências anuais com mais de 300 gestores, um curso profissionalizante para

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dedor prestigiando os produtos e serviços oferecidos pelo vizinho. “Isso gera trabalho e renda, contribuindo para o desenvolvimento local”, explica Ivoneide Vale, coordenadora do Instituto Tupinambá, ONG criada em 2011, que permitiu à instituição atuar como correspondente bancária da Caixa Econômica Federal.

gestores de frotas da América Latina, treinamentos gratuitos a distância, com reconhecimento nacional e internacional. Em 2013, o PARAR apresentou uma proposta à Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo reconhecido como uma ação que contribui para a Década de Ações de Segurança do Trânsito (2011-2020), em que nações se comprometem a reduzir o número de acidentes. Hoje, o Brasil ocupa a terceira posição entre países que mais matam no trânsito. Para auxiliar na tarefa de profissionalizar o mercado de gestão de frota, o Instituto conta com o Portal PARAR (http://www. portalparar.com.br), que tem como parceiros especialistas sobre o trânsito nacional e mundial, responsáveis por embasar as dis-

Projeto

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Tupinambá, em caso de necessidades de estoques. A instituição também oferece linhas de crédito facilitadas. O sucesso da iniciativa é fácil de ser mensurado. Uma pesquisa feita em 2009 apontou que apenas dois em 100 moradores da comunidade faziam compras e adquiriam serviços locais. Hoje, o número subiu para 83. “Temos o objetivo de ser a referência regional em bancos comunitários, garantindo serviços financeiros de qualidade e proporcionando o desenvolvimento econômico, social e cultural de comunidades tradicionalmente excluídas”, afirma Ivoneide. Para isso, o Instituto planeja implantar dois bancos comunitários na Ilha de Marajó (PA), ainda neste ano. “O projeto será feito com o fundo social da Caixa Econômica Federal”, conta.

Projeto

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cussões sobre a responsabilidade social das empresas diante do cenário negativo. Independentemente do tamanho da frota, a GolSat pretende que as corporações possam fazer a diferença no planeta, por meio de uma gestão diferenciada dos carros e condutores. A empresa é pioneira em unir os conceitos de rastreamento, tecnologia e sustentabilidade. Com gráficos, relatórios, rankings e indicadores em mãos, o administrador da frota tem a possibilidade de fazer uma análise do comportamento dos veículos e motoristas e, a partir disso, elaborar uma política de frota eficiente, com regras de dirigibilidade adequadas, que resultem em resultados sociais, econômicos e ambientais para a companhia.

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Foto: Gama TV

No que o Sebrae/PR pode ajudar

André Varanda e Felipe Oliveira

Para quem já é ou quer ser empresário, o Sebrae/PR é a melhor opção para obter informações e conhecimento. Criado na década de 1970, o Sebrae apoia as decisões dos empresários, dos potenciais empresários e dos potenciais empreendedores, no campo e na

Projeto

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Uma tevê para todos os públicos

cidade, porque é a instituição que entende de pequenos negócios e possui a maior rede de atendimento do País. No Paraná, conta com seis regionais e 12 escritórios. A instituição chega aos 399 municípios por meio de Pontos de Atendimento ao Empreendedor, Salas do Empreendedor e parceiros locais, como

O contato de André Varanda com pessoas

tem visto nascer seus primeiros programas

associações, sindicatos, cooperativas, órgãos

com deficiência visual começou durante a

audiovisuais, que devem ser lançados ainda

públicos e privados. O Sebrae/PR oferece pal-

Copa do Mundo no Brasil, quando partici-

neste primeiro semestre. Quando tinha um

estras, orientações, capacitações, treinamen-

pou voluntariamente da narração de jogos

mês de vida, o projeto foi uma das iniciati-

para a Fifa, por meio da audiodescrição. O

vas selecionadas para participar do progra-

recurso vai além da simples narração, tra-

ma de incubadora do Social Good Brasil, que

zendo informações sobre o ambiente e de-

incentiva o uso da tecnologia como ferra-

ente de negócios. Ligue para 0800 570 0800

menta para impulsionar a solução de pro-

ou acesse www.sebraepr.com.br.

talhes, como figurinos, expressões faciais e corporais. O trabalho despertou-o para uma realidade que, até então, passava des-

A parceria durou três meses e foi funda-

de regra, não formatam seus conteúdos de

mental para viabilizar pesquisas de público,

maneira acessível e inclusiva.

criação de hipóteses e validação de protó-

emissor da informação e receptor com deficiência auditiva e visual foi a semente para o nascimento da Gama.tv. A ideia de uma televisão online, com conteúdo acessíveis, surgiu em julho do ano passado, em parceria com Felipe Oliveira. “Começamos esse

dora da Maratona de Negócios Sociais do

Ainda em fase de viabilização, a Gama.tv

Saiba mais Acesse a edição 31 da Revista Perspectiva,

de de ser o canal de comunicação oficial da

do ISAE/FGV no www.isaebrasil.com.br,

5ª Virada Inclusiva do Estado de São Paulo,

especial sobre o Prêmio.

trabalho que acabou sendo viabilizado no

A conquista do Prêmio Ozires Silva e o 1º

ressalta Varanda.

empreendedora; startups; liderança; e ambi-

esse reconhecimento, estava a possibilida-

criando uma solução para pessoas com de-

isso, nos enche de alegria para continuar”,

de alto potencial e potencialização; educação

Sebrae/RJ. Dentre as portas abertas por

final de 2014.

falta de acesso à informação. A FGV validar

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tipos. Em dezembro, a Gama.tv foi a vence-

projeto há um ano, testando um problema, ficiência auditiva e visual, que sofrem da

em empreendedorismo e gestão; empresas

blemas sociais.

percebida: os veículos de comunicação, via

O desejo de eliminar esse “ruído” entre

tos, projetos, programas e soluções, com foco

lugar na votação popular de Startups participantes da Campus Party 2015, entre um time de 200 participantes, atesta a força inovadora do projeto. Para conhecer mais, acesse www.gamatv.com.br.

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Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

Inovação

Sebraetec

Alejandro Winocur e Alessandro Felipe dos Santos Oliveira, empresários O Sebrae/PR abriu caminho para que pequenas empresas do Estado recebam, em 2015, um consultoria especializada e subsídios financeiros não reembolsáveis para inovar. É o Sebraetec – Serviços em Inovação e Tecnologia, na modalidade diferenciação. O apoio técnico e os recursos financeiros serão aplicados exclusivamente no desenvolvimento de novos produtos, modelos de negócios ou melhoria de serviços já oferecidos, que, com inovação e tecnologia, elevarão o padrão de desempenho das empresas participantes. A microcervejaria Way Beer, sediada em

Incentivo para inovação

Pinhais, na Grande Curitiba, é uma das 89 pequenas empresas participantes da primeira chamada do Sebraetec Diferenciação e está em processo de desenvolvimento do projeto. A inovação proposta pela empresa é a criação de três novos tipos de bebida destilada a partir de ingredientes de cerveja: uma vodca com lúpulo, um whisky e um destilado de cereal, ambos maturados em madeira brasileira. Segundo o sócio Alessandro Felipe dos Santos Oliveira, a produção desse tipo de bebida

Empreendimentos beneficiados pelo Sebraetec têm subsídios de até 80% do valor do investimento em inovação tecnológica

é inédita no Brasil. “A iniciativa é totalmente inovadora, mas essa é uma tendência mundial, e já existem produtos comercializados nos Estados Unidos e na Europa. A nossa expectativa é lançar a nova linha de bebidas ainda neste ano e, com ela, conseguir mais

Por Aldy Coelho

representatividade no mercado.” Para o desenvolvimento dos três produtos, a Way Beer conta com a consultoria da empresa Cambona Tecnologia Agroindustrial, integrante de uma rede de inovação arti-

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culada pelo Sebrae/PR, que auxiliou no desenvolvimento e na estruturação do projeto até a criação das bebidas. Para Alessandro, todo o atendimento e suporte oferecido pelo Sebrae/PR e pela empresa executora ao longo do processo foi muito importante para o resultado final. “Investir na diferenciação é uma das soluções para conseguirmos mais espaço no mercado, e o incentivo promovido pelo Sebrae/PR é de extrema importância para o sucesso dos negócios. É dado muito valor para os destilados produzidos no exterior, mas com essa experiência, estamos produzindo novos produtos com qualidade para superarmos este obstáculo”, garante.

Com inovação e tecnologia, as micro e pequenas empresas conseguem elevar o padrão de desempenho nos negócios

Alessandro Felipe dos Santos Oliveira é dono de um dos 227 empreendimentos paranaenses que inscreveram projetos de inovação e tecnologia a partir de edital aberto pelo Sebrae/PR no final de 2014. Depois de criteriosa análise, foram selecionadas 89 propostas para o Sebraetec Diferenciação, que receberão apoio completo, executado por entidade pública ou privada prestadora de serviços tecnológicos, contratada pelo Sebrae/PR para o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias que promovam uma diferenciação significativa na empresa e garanta alto valor de competição no mercado.

Avaliação técnica

Bebidas da Way Beer

De acordo com Cesar Rissete, gerente da Unidade de Ambiente de Negócios do Sebrae/PR, após avaliação dos 227 projetos recebidos, 179 foram selecionados e apre-

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Foto: La Imagen

Vadis Luis da Silva, empresário

O Programa Sebraetec se consolidou como a principal plataforma de inovação para pequenos negócios no Brasil

sentados pelos empresários em seis cidades do Estado a uma banca examinadora que

empresas a consultorias tecnológicas. O

pontuou cada um dos projetos conforme critérios pré-estabelecidos. A partir das notas obtidas, o Sebrae/PR fez um ranqueamento de todos projetos e, na avaliação técnica feita por especialistas do Paraná em inovação, foram selecionados os projetos com as melhores notas e que mais atenderam aos critérios de inovação, viabilidade e potencial de mercado. Dentre elas, foram apoiadas 15 startups e nove empresas incubadas.

des: Orientação, Adequação, Aglomeração

“O Sebraetec Diferenciação pretende estimular as pequenas empresas a alavancar o seu negócio por meio da diferenciação e inovação, para que gere uma nova dinâmica produtiva e um impacto positivo no varejo, a fim de estimular a sua competitividade no mercado. Com a participação no Programa, as empresas poderão consolidar a sua marca, atingir mais clientes e fomentar o desenvolvimento econômico regional”, salienta Rissete.

DAP, registro de produtor rural ou de pes-

Nesta segunda chamada, foi investido um total de R$ 9 milhões pelo Sebrae e empresários que irá atender aos 89 projetos aprovados. As empresas selecionadas pelo Sebraetec Diferenciação já começaram a receber a consultoria e o auxílio das entidades executoras que elas mesmas selecionaram, e o prazo para a conclusão dos projetos de inovação e tecnologia, bem como a entrega dos novos produtos, modelos de negócios ou serviços desenvolvidos, será dezembro

e Diferenciação. Por meio do Sebraetec, o empresário põe em prática projetos de inovação e tecnologia com a orientação de uma rede de prestadores de serviços tecnológicos cadastrados no Programa do Sebrae/PR, com subsídios não reembolsáveis de até 80% do valor do projeto. A solução visa atender empresas com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), cador válidos, cujo faturamento anual não ultrapasse o teto da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que atualmente é de R$ 3,6 milhões. O valor de cada projeto está limitado ao montante de R$ 120 mil, sendo 80% financiados pelo Programa Sebraetec e 20% de contrapartida financeira da empresa selecionada.

Plataforma de inovação

sultoria, a plataforma será capaz de reunir

A um clique da concorrência

quem se cadastra ainda ganha um site, com

Tenha a mente aberta para analisar o mercado e, provavelmente, você vai se surpreender com as demandas que ainda não foram atendidas. Foi o que aconteceu com o empresário  Vadis Luis da Silva. Com vasta experiência, e reunindo bastante conhecimento técnico, ele percebeu que o mercado de turismo precisava de uma plataforma virtual para reunir diversos serviços em um só ambiente. Opções para facilitar a vida tanto dos consumidores quanto dos empresários e que funcionasse com um sistema de busca altamente avançado para o segmento. “Um sistema inovador precisa de um pontapé inicial para obter recursos, além de respaldo e credibilidade de uma instituição conceituada. E o Sebraetec também foi essencial nesse sentido”, conta o empresário. Por meio do programa, ele conseguiu gerar mais 1,2 mil horas de sistemas e colocar a plataforma em funcionamento. O sistema é capaz de integrar a cadeia econômica do turismo de todos os países do mundo, sem custo para os hotéis, agências de viagens e outros estabelecimentos envolvidos na área. “O objetivo é reduzir os passos que o usuário precisa realizar para comprar uma passagem ou pesquisar o destino, por exemplo. Nosso sistema reúne tudo em um único local”, conta. Vadis enfatiza que a partir do investimento e da con-

informações em 25 idiomas e fazer a comercialização em mais de 100 tipos de moedas. “Nós também investimos no empreendedorismo social. Nossa meta é integrar as empresas de turismo do Brasil e do mundo a custo zero”, conta Vadis, complementando que toda a estrutura e conteúdo, já que a plataforma reúne todas as informações que o usuário precisa desde a pesquisa do destino à compra das passagens e pacotes de turismo. Para uma consultoria tão específica como essa, é preciso encontrar uma equipe capacitada para desenvolver os sistemas, com a programação adequada. A dificuldade maior está na mão de obra, mas a experiência de Vadis no assunto e o trabalho em parceria facilitou o projeto. O resultado do trabalho pode ser conhecido no site www. gestour.com.br.

Uma nova assinatura A identidade visual de uma empresa deve acompanhar as tendências e estar sempre

De forma simples e rápida, o Sebrae disponibiliza infraestrutura tecnológica com todas as soluções necessárias para o negócio

de acordo com a estratégia de comunicação da empresa. Uma logomarca ultrapassada, por exemplo, pode dar a sensação de que a empresa também está desatualizada. Depois da consultoria do Sebraetec, a empresária Luciana de Paula Fedrigo, proprietária da confecção Aconchego de Bebê, em Terra Roxa, oeste do Paraná, percebeu que a comunicação visual da empresa não combinava com a identidade da marca e resolveu investir na modernização. No mercado há mais de 15 anos, a empresa especializada em roupas de crianças de zero a três anos nunca tinha mudado a logo-

O Programa Sebraetec se consolidou como a principal plataforma de inovação para pequenos negócios no Brasil. Atualmente, o Paraná é o único estado que o Programa está operando todas as modalidades. Ano passado, foram executados R$ 250 milhões no País, atendendo 92 mil empresas de todos os segmentos econômicos. A modalidade Diferenciação está atualmente em operação no Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. De acordo com o coorde-

deste ano.

nador nacional do Programa Sebraetec no

O que é o Sebraetec

expectativa é lançar chamadas também em

O Sebraetec – Serviços em Inovação e Tecnologia é uma solução disponibilizada pelo Sebrae para facilitar o acesso das pequenas

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Programa é dividido em quatro modalida-

para as empresas que buscam oferecer novos produtos ou serviços em seu mercado de atuação. De forma simples e rápida, o Sebrae disponibiliza a principal infraestrutura tecnológica do Brasil com todas as soluções necessárias para o negócio”, enfatiza Pedro Mendes, do Sebrae Nacional.

Sebrae Nacional, Pedro Pessoa Mendes, a Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Bahia e Amazonas. “Esta modalidade é a principal ferramenta

Jorge Luiz Schincariol, empresário 61


estudo das lajes pré-fabricadas oferecidas aos usuários da construção civil. Além de desenvolver estrutura técnica e administrativa para garantir a produção e comercialização de lajes pré-fabricadas com grande qualidade e custos compatíveis. Para conquistar o PSQL, são realizadas revisões normativas permanentes na empresa, assim como auditorias periódicas na fábrica e avaliações constantes de conformidade do produto. “Comercialmente, é muito interessante para nós. É uma garantia também para o cliente e facilita a negociação para grandes empresas e para quem compra muito”, explica Jorge Luiz Schincariol.

Luciana de Paula Fedrigo, empresária marca. A fábrica vende produtos para todo o País, atendendo lojas de todas as regiões e precisava de um reposicionamento que agregasse valor e aumentasse a lucratividade da empresa. A consultoria realizada identificou alguns pontos da logomarca utilizada pela empresa: era de difícil leitura e aplicabilidade e causava uma percepção de marca popular. Para mudar essa realidade, a logo foi modificada e modernizada com um novo conceito, incluindo o perfil do público. “Nós sempre buscamos inovação, mas eu não imaginava que um reposicionamento da logomarca poderia fazer tanta diferença. Ganhamos uma nova identidade e isso refletiu diretamente nas vendas”, conta a empresária, salientando que as vendas aumentaram em média 15% depois da mudança. A principal mudança foi a modernização. Antes, com fontes coloridas e com o desenho de um urso, a logo dava a impressão de uma marca mais antiga. A marca ganhou uma fonte mais moderna e uma nova ilustração, mais sofisticada e alinhada com o universo da moda. O objetivo era manter os valores e a experiência da empresa e não reformular totalmente. Com a mudança, até os funcionários ficaram mais motivados. A Aconchego do Bebê tem cerca de 280 funcionários e comercializa aproximadamente 45 mil peças por mês. A reformulação da identidade da marca refletiu também nas peças que, além de qualidade, passaram a seguir mais as tendências de moda. Um site

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também foi criado para dar maior visibilidade para a marca. “Se a empresa quer sair do lugar e não ficar na mesmice, precisa inovar”, garante a empresária.

Controle e segurança Independente do setor, o mercado competitivo exige que as empresas busquem continuamente diferenciais e capacidade de melhoria. Muitas vezes, essas características também dependem de certificações. Uma empresa que está dentro da legislação e oferece produtos certificados e com selo de qualidade, certamente tem mais poder competitivo do que as empresas que não focam na melhoria constante. A empresa Lajes Três Marias, de Mandaguari, no noroeste paranaense, está no grupo que busca qualidade constante. “Um produto sem controle é muito mais difícil de manter-se no mercado. Além do mais, no nosso ramo, certificação é garantia de segurança”, explica o empresário Jorge Luiz Schincariol, proprietário da empresa. Há 25 anos no ramo, a empresa contou com o apoio do Sebraetec para conquistar o PSQL, o selo Programa Setorial de Qualidade de Lajes. O processo durou cerca de seis meses e, segundo o empresário, a consultoria deu mais agilidade para conquistar a certificação. Com o selo, a empresa conquistou ainda mais profissionalismo. O PSQL tem o objetivo de elaborar mecanismos específicos para garantir a conformidade com as normas brasileiras vigentes e em

O Sebraetec ajudou a empresa a buscar a certificação de forma mais assertiva. “Sozinhos, certamente ia ser mais difícil e mais demorado”, diz o empresário, que se sente mais qualificado para o mercado, inclusive para atender a demanda para grandes quantidades. “Depois da certificação, mudamos nossa técnica e tática de venda”, comemora. Para ele, a certificação é um grande passo para aumentar as vendas. “Qualifica o produto e dá segurança para quem vende e para quem compra”, finaliza. (Colaborou nesta reportagem a jornalista Katia Michelle Bezerra)

No que o Sebrae/PR pode ajudar

O Sebrae/PR mantém, no endereço www. sebraepr.com.br/sebraetec, uma página com todas as informações do programa, seu funcionamento, e-mail para contato, e arquivos para download.

Saiba mais Conheça casos de sucesso de empresários paranaenses que mostram, na prática, como a inovação pode ser um bom negócio, no www. sebraepr.com.br/sebraetec. São histórias de empresários que desmistificaram a inovação e provaram como é fácil o seu acesso.

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Foto: Rodrigo Czekalski

Capacitação

Mulheres de negócios

Marlene Aparecida Machado Cruz, produtora rural

Superação, como marca registrada Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, que valoriza o empreendedorismo feminino, está com inscrições abertas; conheça histórias de paranaenses que venceram desafios e se tornaram exemplo Por Juliana Dotto

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Ela tem 28 anos, mora na zona rural de Ca-

retorno bastante concreto. “Fui comprar

rambeí, na região centro do Paraná, e, mesmo

uma sala de ordenha nova, de R$ 150 mil, e,

sem nenhuma experiência em negócios, con-

só por mostrar a reportagem (sobre o Prê-

seguiu reerguer – “por conta própria”, como

mio), ganhei R$ 30 mil de desconto”, come-

faz questão de frisar – uma propriedade

mora a produtora rural.

leiteira com quase R$ 400 mil em dívidas. O trabalho árduo dos últimos quatro anos, que chegou a durar 24 horas do dia, em algumas situações, levou a paranaense Marlene Aparecida Machado Cruz a ser uma das nove empreendedoras reconhecidas na etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios.

Quem vê a Chácara São João produzindo 1,5 mil litros de leite de alta qualidade por dia não tem dimensão da situação da propriedade em 2011. Com dívidas acumuladas ao longo de cinco anos, naquela época, o marido de Marlene só via uma solução para a leiteria: cessar a produção e vender os

Marlene conquistou o troféu prata na cate-

animais, para sanar o que desse com os cre-

goria Produtora Rural, durante cerimônia

dores. Desolada, ela resolveu arregaçar as

realizada em março, em Brasília. Foram três

mangas e ouviu dele um “não conte comigo,

vencedoras nacionais no troféu ouro e outras seis agraciadas com os troféus prata e

porque não ajudo em mais nada relacionado à leiteria”, quando pediu permissão para

bronze, entre 81 finalistas de todos os es-

assumir a administração do negócio.

tados, divididas nas categorias Microempre-

Com experiência apenas no cuidado da casa

endedora Individual (MEI), Pequenos Negó-

e da filha, hoje com dez anos, a paranaense

cios e Produtora Rural.

de Castro negociou empréstimos, fez mu-

“Estou muito feliz, não fazia ideia que ia ganhar, porque tinha grandes mulheres con-

O Paraná registrou 951 inscrições em 2014, um recorde de empreendedoras disputando o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios no Estado

danças na estrutura da leiteria e no manejo e viu a produtividade quase triplicar.

correndo. Me dediquei para isso, corri atrás

“O mais importante foi ver meu marido dan-

por conta, não esperei, nunca tive muito

do uma entrevista dizendo que superei a ex-

apoio”, recorda Marlene. Ela conta que o re-

pectativa dele. É bom saber que tenho esse

conhecimento da etapa estadual, realizada

apoio para poder trocar uma ideia com ele,

em novembro passado, já havia rendido um

porque gosto de fazer tudo sozinha”, con-

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Foto: Cristiane Shinde/Studio Alfa

Mais do que suprir a necessidade de atividade física – para tratar problemas de coluna, que impunham dificuldades motoras –, a dança foi um ‘bálsamo’ para a vida de Silvia Maria. O prazer encontrado na atividade ajudou-a a superar problemas no trabalho, a crise no relacionamento conjugal e acabou se tornando um empreendimento de sucesso. Foi a dança que levou a maringaense a buscar formação superior e cursos do Sebrae/PR.

Silvia Maria Pereira, microempreendedora individual

fessa. Nos últimos meses, Marlene comprou

tégia; e empreendedorismo. Nos relatos,

mais um trator e realizou o sonho antigo de

questões como superação; visão de futuro;

ter uma cozinha nova. “Estou pagando as úl-

ideias inovadoras e adaptação às novas ten-

timas parcelas da dívida”, conta a produtora.

dências; atuação democrática, transparen-

Para o consultor do Sebrae/PR, Lucas Hahn, coordenador estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, o reconhecimento co-

Iniciativa reconhece histórias de empreendedorismo feminino marcadas pela superação e vontade de vencer

ativa nos negócios, lições aprendidas e assim por diante.

técnica do Sebrae que visita as empresas

é extremamente bem-sucedida e muito jo-

com a gestão e os relatos melhor avaliados,

Avanço contínuo

vem, ainda tem muito para empreender. A

de acordo com o número de empreendi-

prata não é para qualquer um. Ela é um case

mentos aptos para verificação. A professora

de uma das melhoras produtoras, que pode

de dança Silvia Maria Pereira, de Maringá, e

incentivar outras mulheres a se inscrever na

a estilista Maria Lucia Silveira, de Cascavel,

nova edição do Prêmio.”

concorreram nacionalmente nas categorias

Desde pequena, a empresária Maria Lucia Silveira, que comanda o Atelier Lucinha Silveira, em Cascavel e Foz do Iguaçu, sonhava em ser estilista. Ela viu sua brincadeira de criança, de copiar os modelos dos personagens das histórias em quadrinhos, se transformar em profissão por acaso, quando tinha apenas 17 anos. Na ocasião de sua formatura, Lucinha desenhou o modelo do próprio vestido. A jovem surpreendeu o vendedor da loja de tecidos que a convidou para desenhar um modelo para uma cliente. E foi assim que conquistou o primeiro emprego como estilista e começou a trilhar uma trajetória de sucesso como empresária do ramo da moda. O destaque no mundo corporativo lhe rendeu, na etapa paranaense do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, troféu na categoria Pequenos Negócios.

inscritas no Estado. A escolha das finalistas se baseia em critérios de gestão, com base numa parceria com a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). E também nos relatos apresentados, ou seja, histórias escritas pelas próprias candidatas.

tes. Um incentivo ao empreendedorismo feminino, que reforça a equidade de gênero”, ressalta Lucas Hahn.

Oportunidade de crescer Formada em Educação Física, a professora de dança do ventre Silvia Maria Pereira é proprietária da Escola de Dança Sílvia Ma-

Na gestão, são analisados itens como

riah em Maringá. Há alguns anos, quando

marketing e vendas; finanças; gestão de

sua segunda filha estava por chegar, a es-

pessoas; processos e operação; inovação

cola em que ela trabalhava a dispensou.

e tecnologia; legislação e normas; estra-

Manteve o bom relacionamento com seus

de confeccionar seus modelos, estimulou a empresária a investir na própria confecção, especializada em trajes a rigor. Desde o início do negócio, a empreendedora apostou na inovação e encontrou um diferencial. “Em 1995, percebi que não existia prestação de serviços de locação de trajes e que era hora de inovar e implantar mais serviços na empresa. Ao entrar em contato com as questões administrativas, percebi que as

conquistar a confiança dos paranaenses e

ícone do empreendedorismo feminino. “Ela

te. “São histórias paranaenses emocionan-

dades para encontrar costureiras capazes

PR para se qualificar. “A capacitação de ges-

candidatas são examinadas por uma equipe

enses foram selecionadas para concorrer

percepção de que as clientes tinham dificul-

Entusiasta do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, Silva Maria acha que todas as empreendedoras paranaenses deveriam participar. “Não tem história menos ou história mais. Tem histórias, e é nisso que as mulheres devem focar.” Segundo ela, as etapas do Prêmio, por meio das quais é feita uma análise aprofundada dos pontos fortes e a melhorar, foram um aprendizado empresarial valioso, que só ajudou no desenvolvimento da sua empresa.

no cenário nacional e torna Marlene um

MEI e Pequenos Negócios, respectivamen-

anos como estilista de outras empresas. A

dificuldades seriam maiores que imagina-

Todas as informações apresentadas pelas

Além de Marlene Cruz, outras duas parana-

de luxo, Lucinha ainda atuou por vários

O sonho de abrir uma escola se concretizou de forma simples, na lavanderia de casa, com espelhos adaptados. “Em um ano, nos vimos com fila de espera.” O aluguel de uma sede veio em 2012. “Tenho alunos e parceiros que estão comigo desde que abri a escola. Sinto orgulho por hoje influenciar outros a estudar. Duas alunas estão se profissionalizando”, festeja e vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios – Etapa Paraná, na categoria MEI.

loca o Paraná em uma posição de destaque

à etapa nacional em Brasília, dentre 951

66

te, inspiradora e motivadora; participação

Antes de inaugurar a loja que aluga trajes

Foto: Helen Marques

alunos e passou a ministrar aulas nos fundos de sua casa. Antenada nas novidades, formalizou-se como microempreendedora individual e hoje sua escola também oferece pilates e dança de salão.

va. Busquei assessoria do Sebrae/PR e o Programa Sebrae de Gestão de Qualidade (PSGQ) ampliou a minha visão empresarial”, conta Lucinha. Em comemoração aos 25 anos da empresa, em 2011, a empreendedora inovou mais uma vez e passou a oferecer um novo conceito de consultoria especializada em trajes de luxo. Novamente, preocupada em melhorar a gestão do negócio, foi procurar o Sebrae/ tão financeira foi um divisor de águas na minha empresa”, relata. E para coroar o bom desempenho, a empreendedora abriu uma filial do Atelier Lucinha Silveira em Foz do Iguaçu, em 2013. Lá, a empresa já ganhou o prêmio Top of Mind como a mais lembrada na área de locação de trajes de luxo. O sonho agora é ampliar ainda mais o negócio. “Pretendemos expandir nossa abrangência a outras regiões do Estado, vislumbrando nos tornar uma referência em moda noiva e festa até 2017”, afirma Lucinha.

Parceiros O Prêmio Sebrae Mulher de Negócios é uma parceria entre o Sebrae, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), a Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil (BPW) e a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). No Paraná, os parceiros do Sebrae/PR na premiação são a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep)/ Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio). (Colaboraram nesta reportagem os jornalistas

Maria Lucia Silveira, empresária

Bruna Komarchesqui e Leandro Donatti)

67


A produtora rural Ana Izabel Perdigão Horner é dona da Chácara Willi Pai, em Carambeí. Sempre morou no Rio de Janeiro até 2001, quando, num momento turbulento nas finanças da família, herdou a fazenda e se tornou arrimo da família. Comanda várias atividades para tornar sua fazenda cada vez mais lucrativa e tem excelente relacionamento com a equipe, o que facilita o desempenho. Ela conhece a rotina das atividades aviárias e agricultura e dedica seu tempo para as atividades administrativas da Willi Pai. Enfrentou preconceito, sobretudo porque havia pessoas que não acreditavam que uma mulher seria capaz de dar conta do recado. Hoje, sua propriedade produz em média 3.600 kg/ha de soja, 1.200 kg/ha de milho, e entrega mensalmente 60 mil aves.

Ariane Regina dos Santos

68

Anielli Renata Diamante Candido Lima

Gracia Aparecida da Silva Crescêncio é fundadora da Estilinho, uma pequena empresa de moda infantil de Alvorada do Sul, município próximo de Londrina. Em 1990, Gracia precisava de renda imediata e começou a vender camisetas. Percebeu com as vendas que havia uma carência no mercado de roupas infantis, por conta disso comprou uma máquina overloque e quilos de moletom e começou sua produção. Não deu conta do elevado número de pedidos e também precisou investir na sua primeira galoneira. Nascia em 2003 sua empresa, com 9 colaboradores e produção de 4 mil peças/mês. Hoje, a Estilinho comandada por Gracia Aparecida se firmou. Tem 89 colaboradores responsáveis pela produção de 110 mil peças/mês e mais 25 representantes da marca espalhados pelo País. Em cinco anos, quer exportar e produzir 300 mil peças/mês.

Foto: Frezarin

Foto: Frezarin

Ana Izabel Perdigão Horner

Anielli Renata Diamante Candido Lima é professora e proprietária da Smart Escola de Inglês, em Cândido de Abreu, região central do Paraná. Nascida em Ivaiporã, atua como microempreendedora individual. Em uma cidade em que não havia cultura de aulas particulares de inglês, surgiu a oportunidade de empreender. Anielli sempre busca novas informações para inovar em suas aulas, deixá-las mais dinâmicas, lúdicas e interessantes. Atualmente, escreve um livro voltado para professores de idiomas, sobre jogos e atividades divertidas para o aprendizado de uma língua, e tem como sonho – realizável, segundo ela - abrir uma rede de franquias em outras cidades.

Ariane Regina dos Santos, de Piraquara, na Grande Curitiba, tem a Badu Design e é microempreendedora individual. Na faculdade, vendia cadernos e agendas para conhecidos e amigos, mas largou tudo para cuidar da avó que passava por sérios problemas de saúde. Retomou a ideia dois anos depois e, como estudava design, apostou na criatividade para oferecer produtos personalizados para seus clientes. A Badu Design participou do Projeto Sou Curitiba, realizado pelo Sebrae/PR, para estimular a produção de souvenirs para turistas que visitam a Capital. A visibilidade cresceu e a Badu Design aumenta mês a mês sua produção. Num contínuo aprendizado, buscou capacitações de algumas técnicas e sempre que pode testa materiais diferenciados para seus produtos. Sua empresa tem ações de responsabilidade social, como o envolvimento de mulheres da comunidade na produção crescente.

Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

Foto: Rodrigo Czekalski

Histórias paranaenses finalistas da última edição

Gracia Aparecida da Silva Crescêncio

69


Jailza Aparecida de Mattos de Lima

Maria Lopes Bonamigo é cearense de Nova Russas, morou no Rio de Janeiro, mas foi em Curitiba, com dois sócios, que abriu seu primeiro restaurante, o Jeito Mineiro. Antes do negócio próprio, sua trajetória não foi nada fácil. Maria foi babá, doméstica, diarista, vendedora e garçonete, quando se apaixonou por gastronomia. Hoje, seis anos depois, o Jeito Mineiro tem 28 funcionários, três unidades, e é considerado um dos melhores restaurantes populares da capital paranaense. O empreendimento de Maria e sócios atende os públicos B, C e D, com pratos especiais, temperos próprios e muito amor no preparo. A empresária faz parte também da Rede Empresarial Centro Histórico de Curitiba, estimulada pelo Sebrae/PR para que, juntos e de forma organizada, os empresários busquem melhorias coletivas para a região onde atuam.

Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

Foto: Rodrigo Czekalski

70

Márcia Zacarias

Produtora rural, Jussara Salgado Bittencourt é proprietária da Fazenda Potreiro Grande, em Castro, nos Campos Gerais. Dinâmica e persistente, buscou cursos e palestras para ampliar o seu conhecimento no manejo do rebanho e em técnicas para a produção de leite. Hoje, ela é expert em produção de leite, plantio de soja, feijão e milho, conhece o manejo, dietas alimentares, higienização e controle sanitário. Ela iniciou a atividade em 1994 com nove animais na ordenha, produzindo 155 litros de leite por dia. Em 2014, contava com 256 animais produzindo 3 mil litros por dia. O plantio na propriedade também se profissionalizou. É feito 100% com máquinas computadorizadas, com GPS, ar condicionado e outras comodidades.

Jussara Salgado Bittencourt

A microempreendedora individual Márcia Zacarias começou a trabalhar como babá, e também já foi boia-fria, diarista, doméstica, telefonista e secretária. Hoje, é dona da Doce Batom, em Umuarama, no noroeste do Paraná. Márcia viu que tinha potencial para crescer e ter o seu próprio negócio. Enxergou a oportunidade de trabalhar com a venda de roupas e bolsas. Começou trabalhando em casa, utilizando as redes sociais, criou um disputado grupo como forma de divulgar suas peças e para as mais assíduas conta com um cartão VIP, onde oferece descontos especiais. Após o planejamento, conseguiu realizar um de seus sonhos, alugar um espaço para montar sua própria loja. Hoje, viaja de três a quatro vezes ao mês, em busca de produtos de primeira linha para sua clientela, rendendo resultados para sua empresa que não imaginava quando começou.

Foto: Studio Alfa

Foto: Studio Alfa

Jailza Aparecida de Mattos de Lima é dona da Only Way, uma pequena empresa em Paiçandu, cidade vizinha de Maringá, que está inovando na indústria da moda por apostar na consciência ecológica e na sustentabilidade. Em 2004, Jailza iniciou o curso de Moda e em 2006 teve seu primeiro contato com o couro da tilápia, matériaprima da qual nunca mais se afastou. Um ano depois, nascia a empresa que, até hoje, produz bolsas com reaproveitamento de tecidos e de couro politicamente corretos. Recentemente, Jailza montou um site e uma loja virtual, e, além disso, lançou um blog de moda, o que ajuda a empresária nas suas vendas, na divulgação da marca e também na interação com seus clientes, bastante exigentes.

Maria Lopes Bonamigo

71


Foto: Studio Alfa

Foto: Rodrigo Czekalski

Maria Maandonks Benke é a responsável pela produção leiteira da Chácara Benke, na região de Castro. A produtora rural decidiu empreender, para não depender mais do pai ou do marido para ter seu próprio dinheiro. Primeiro, aventurou-se como motorista de um ônibus escolar, atividade que foi abandonada e substituída pela produção de leite. Com a venda do ônibus e algumas economias, convenceu o marido e construiu sua primeira sala de ordenha, com 10 animais. Maria Benke superou as dificuldades e a falta de informação, fazendo cursos, treinamentos, pesquisas e aplicando também sua experiência e conhecimento na atividade leiteira, que hoje é um sucesso. A produtora rural possui 104 animais e produz 1.035 litros de leite por dia.

Rosangela Barbosa Guimarães Montanher é sócio-fundadora da Evolutec Indústria e Comércio de Eletrônicos, uma pequena empresa de Campo Mourão nascida de uma incubadora tecnológica. Rosangela, que cuida das vendas, faturamento e recursos humanos, largou emprego fixo, num hospital, para atuar como empresária. Durante quatro anos, tocou a Evolutec sozinha, depois passou a contar com o apoio do marido e de um sócio. Hoje, a Evolutec tem 33 colaboradores, distribuídos numa fábrica de 1.000 metros quadrados, e conta com uma equipe própria de pesquisa de desenvolvimento e inovação. A empresa de Rosangela cresce ano a ano e o dinheiro do lucro, por enquanto, é investido em tecnologia, máquinas, capacitação,

Rosangela Barbosa Guimarães Montanher Maria Maandonks Benke

Foto: Rodrigo Czekalski

No que o Sebrae/PR pode ajudar

Foto: Zanella

Olga Jaqueline Los Kassies é um exemplo de empreendedora que não tem medo de ousar. Decidiu há cerca de 20 anos produzir flores na propriedade localizada em Castro, região com tradição forte na produção de leite e de grãos. “Por que não diversificar?”, se perguntou. Olga começou com uma estufa de 500 metros quadrados e o empreendimento deu super certo. Hoje, o espaço reservado para o cultivo de flores é de aproximadamente 10.000 metros quadrados. A variedade atende floriculturas de toda a região e os negócios são fechados por um vendedor, especializado no ramo. O apoio do marido foi fundamental para o sucesso do empreendimento, que é tocado por Olga. Para garantir a uniformidade dos produtos entregues, a produtora rural se envolve diretamente no controle dos processos, desde a supervisão da estufa, dos hormônios, da luminosidade até a limpeza, pulverização e controle de doenças. Em 2014, importaram 1.000 mudas de Alstroemeria diretamente da Holanda.

Gaúcha, Rosilene Ottoni Webber estava cansada de ser dona de casa e fazer ���bicos’ vendendo lasanhas e salgados sob encomendas quando decidiu, em 2010, ser dona do próprio negócio. Formalizou-se como microempreendedora individual e abriu um disk pizza, serviço inédito na pequena Vitorino, no sudoeste do Paraná. Tão inédito que Rosilene não tinha a mínima ideia de como funcionaria, por isso foi atrás de informações em empreendimentos similares na região, lição que jamais esqueceu. Aprendeu o necessário para começar e colocou mãos à massa, mesmo sem ter o apoio do marido, que não aprovava a ideia no início. Nascia o Disk Pizza Jhones, que hoje é um empreendimento reconhecido na cidade, produz entre 20 e 40 pizzas por noite, empregando três funcionários e oferecendo um serviço de qualidade.

Rosilene Ottoni Webber

Saiba mais As inscrições para a edição 2015 do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios se iniciaram

Jaqueline Los Kassies

O Sebrae elaborou um guia

no dia 8 de março e vão até 31 de julho. A iniciativa reconhece histórias de em-

de redação, para orientar as

preendedorismo feminino marcadas pela superação e vontade de vencer. Podem par-

interessadas em contar suas

ticipar mulheres empreendedoras com mais de 18 anos, estabelecidas formalmente

trajetórias no Neste endereço,

há, pelo menos, um ano, cujos negócios não ultrapassem o faturamento anual de R$

as empreendedoras contam com

3,6 milhões. As ganhadoras estaduais do Prêmio só podem concorrer novamente após

uma série de dicas e exemplos

dois anos da premiação. Informações no site www.mulherdenegocios.sebrae.com.br.

de como contar suas histórias de superação e concorrer ao Prêmio. 72

73


brae/PR para desenvolvimento da gestão.”

Empresa especializada em software de gestão para micro e pequenas empresas, a Junsoft tem sede em Toledo, no oeste do Paraná, e conta com 43 colaboradores internos. Concorrendo com empresas do setor de Tecnologia da Informação (TI) de todo o Brasil, conquistou o primeiro lugar na categoria de TI do ciclo 2014 do MPE Brasil, divulgado recentemente, no final de março. “Nosso objetivo, que integra o plano estratégico da empresa, sempre foi usar o Prêmio como indicador de qualidade”, enfatiza Backes.

máxima na premiação”, comemora Backes.

Empresa paranaense tem

nacional reconhecimento

Junsoft Sistemas vence Prêmio na categoria Serviços de TI; 10 empresas do País são destaque, dentre mais de 50 mil concorrentes

Por Juliana Dotto

74

Para participar, as empresas inscritas preenchem um questionário de autoavaliação do Prêmio MPE Brasil. Esse questionário utiliza os critérios excelência do MEG, adaptado à realidade das pequenas empresas, para fazer uma espécie de ‘raio-X’ na gestão. Os critérios são: liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimento, pessoas, processos e, principalmente, os resultados, não somente financeiros, mas, também, aqueles relacionados a todas as partes interessadas, O empresário Edilson Backes ressalta que a Junsoft trabalha com planejamento estratégico desde 2006, três anos depois de fundada a empresa. “Fazemos o planejamento para cinco anos com ajustes anuais. Assim, optamos por ter um dos colaboradores dentro da empresa que fica responsável somente por acompanhar as ações estabelecidas no planejamento. Usamos o Sistema GEOR (Gestão Estratégica Orientada para Resultados), metodologia utilizada pelo Se-

melhorias apontadas na devolutiva do MPE Brasil estão sendo implementadas. “Desde o primeiro ano em que participamos, pensávamos, justamente, em obter esse feedback que o MPE fornece a todas as empresas que preenchem o questionário que autoavaliação. Desta maneira, conseguimos fazer as melhorias e, ainda, manter um histórico positivo por três anos. Acredito que esse fato tenha ajudado para que obtivéssemos nota

O consultor do Sebrae/PR, Emerson Durso, observa que o maior valor do MPE Brasil não está somente no reconhecimento que a premiação traz. “A empresa já começa a ganhar ao preencher o questionário de autoavaliação, pois permite ao empresário refletir sobre pontos importantes da gestão da

O Prêmio MPE Brasil é um grande incentivador da busca pela excelência nas micro e pequenas empresas de todo País

firma. Ao encaminhar as respostas, recebe um relatório dos pontos fortes e oportunidades de melhoria, permitindo estabelecer um plano de ação para aprimorar as práticas de gestão. Além disso, é claro, as empresas vencedoras ganham visibilidade e credibilidade no mercado”, assinala. Na avalição de Enivaldo Ghedin Júnior, sócio-proprietário da Junsoft, a conquista é, realFoto: JRubens/ASN

De acordo com o consultor do Sebrae/PR, Emerson Durso, o MPE Brasil avalia a gestão das empresas, segundo os critérios do Modelo de Excelência em Gestão (MEG) da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). “Este modelo é adaptável para grandes e pequenas empresas, públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos. Foi criado a partir de um estudo feito com organizações de classe mundial, observando quais os fundamentos que elas têm em comum.”

É esse mesmo funcionário que verifica se as

Competitividade

Foto: Helen Marques

MPE Brasil

Vencer o MPE Brasil - Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas estava nos planos da empresa paranaense Junsoft Sistemas há alguns anos. “Participamos pela quarta vez consecutiva e tudo isso faz parte de uma ‘construção’. A cada ano que pensávamos sobre a nossa gestão, para preencher o questionário do MPE Brasil, víamos que era preciso melhorar e planejávamos ações para desenvolver nosso padrão de qualidade”, relata um dos sócios-proprietários, Edilson Backes.

mente, um motivo do orgulho para a empresa, para o oeste do Estado e, ainda, para os paranaenses. “Continuaremos fazendo nosso trabalho de forma séria, sempre com foco em nossos clientes. Estamos com excelentes projetos em andamento que logo poderemos apresentar a nossos clientes”, realça justificando que o desenvolvimento da empresa não deve parar de acontecer. Joacir de Carli completa o grupo societário da empresa e indica que a região tem se destacado quando se fala em tecnologia. “Atualmente, existe todo um ambiente que inclui o APL Iguassu-IT (Arranjo Produtivo Local de Software), núcleo setorial de tecnologia da informação, universidades e um apoio fantástico por parte do Sebrae/PR. Também é estratégico, afinal, trata-se de um segmento que emprega a mão de obra especializada gerada pelas nossas universidades e é uma indústria limpa, pois não gera resíduos ou poluição”, afirma de Carli. Os empresários salientam que toda a empresa esteve envolvida no processo de melhorias sugeridas pelas devolutivas do Prêmio e comemoraram juntos os resultados desta edição.

Edilson Backes recebe troféu de Heloisa Menezes, diretora técnica do Sebrae Nacional 75


“No dia da premiação, em Brasília, nem to-

A Blindagem Suplementos, de Cascavel, ven-

a empresa apoia depois que participamos

Carly Rubia Franco Bach, do Hotel Planalto,

dos puderam estar presentes. Entretanto,

ceu na categoria Comércio; Biovis e Usicam-

do MPE Brasil”. “Sempre nos preocupamos

em Ponta Grossa, um dos vencedores esta-

acompanhavam, de Toledo, via internet, pela

po, ambas de Campo Mourão, na categoria

com a questão da responsabilidade social,

dual na categoria Serviços de Turismo do

TV Sebrae. Foi realmente uma conquista e

Indústria; Vialle Advogados Associados, de

ajudando instituições de caridade e patroci-

MPE Brasil no Paraná, também participou da

comemoração coletiva, resultado do empe-

Cascavel, na categoria Serviços; Laboratório

nando atletas locais. O problema é que não

cerimônia do MPE Brasil em Foz. “Antes nos

nho individual de cada colaborador”, assinala

Góes, de Guarapuava, na categoria Serviços

comunicávamos essas ações aos funcioná-

preocupávamos mais com o cliente e menos

Edilson Backes.

de Saúde; Junsoft Sistemas, de Toledo, na

rios. Mudamos nossa postura e colocamos

com a gestão da empresa”. Aplicando a me-

Vencedores nacionais

categoria Serviços de Tecnologia da Informa-

em prática vários projetos que incluíam os

ção; Hotel Planalto e Opium Motel, de Ponta

todologia do MPE Brasil, a empresa perce-

As dez vencedoras nacionais foram selecio-

nossos colaboradores. Criamos campanhas

Grossa, na categoria Serviços de Turismo. A

beu a importância de haver um equilíbrio en-

nadas entre 50.918 empresas e vão partici-

de plantio de árvores e doação de agasalhos

Opium Motel também foi Destaque em Boas

tre as duas partes. “Dedicamos esforços para

par, em julho, de uma missão empresarial

para o inverno e notamos um envolvimento

Práticas de Responsabilidade Social.

afinar os indicadores, colhendo dados para

muito grande por parte de toda a equipe. As

analisar o desempenho das diversas áreas de

O Paraná registrou 8.034 inscrições, das

ações uniram os funcionários de tal maneira,

atuação da empresa. A tomada de decisões

quais saíram 3.996 empresas candidatas.

que eles criaram um time de futebol com o

ficou mais fácil e o resultado foi que o aten-

Destas, 33 empresas foram visitadas por de-

nome da empresa.”

dimento ao cliente melhorou ainda mais.”

monstrarem um melhor desempenho e 16

A Biovis, de Campo Mourão, participou em

Excelência

parceria do Sebrae, do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e do Grupo Gerdau, com o apoio técnico da Fundação Nacional de Qualidade (FNQ). Além da Junsoft, na categoria Serviços de TI,

participaram da etapa nacional.

foram vencedoras as empresas Lycos Equipa-

Aprendizado

mentos, de Caxias do Sul (RS), na categoria

“O Sebrae/PR nos orienta, nos capacita e

Indústria; a Loja Paty’s, de Santa Clara do Sul

nos cobra muito. Somente o fato de respon-

(RS), no Comércio; a Análise Assessoria Con-

der ao questionário inicial do MPE Brasil já

tábil, de Arapiraca (AL), na categoria de Servi-

foi muito significativo, pois nos levou a re-

ços. O Território do Vinho, de Campo Grande

fletir sobre os pontos que precisavam ser

(MS), foi vencedor na categoria Serviços de

melhorados. Foi isso que aconteceu comigo

Turismo. O Laboratório São Luiz, de Formiga

na primeira vez que participei. Com alguns

(MG) foi primeiro lugar em Serviços de Saúde.

procedimentos simples, consegui econo-

O Colégio Vitória Régia, de Brasília (DF), foi

mizar tempo e melhorar os processos de

premiado com o primeiro lugar na categoria

comunicação dentro da empresa, o que fez

Serviços em Educação. A Fazenda São Paulo, de Patrocínio (MG), venceu na categoria Agronegócio; a Apícola Fernão Velho, de Maceió (AL), na categoria Destaque Inovação; e a Cooperativa dos Pescadores e Marisqueiros de Vera Cruz (BA), foi Destaque em Boas Práticas de Responsabilidade Social. O ciclo 2014 teve 50.918 empresas inscritas, um crescimento de quase 20% em relação à edição anterior. Do total, 51,88% (26.416) das participantes são microempresas com faturamento de até R$ 360 mil por ano, sendo que o setor de Comércio foi o que teve maior número de negócios inscritos: 49,76% (25.335 empresas). A maior parte dos empreendedores das empresas candidatas é do sexo masculino: 57,96 % e a região com mais inscritos foi o Sudeste (17.464); seguido do Nordeste (14.038) e Sul, com o terceiro lugar em número de inscrições (10.646).

Disputa estadual A etapa paranaense do MPE Brasil também

76

foram finalistas. As vencedoras paranaenses

muita diferença. Fomos classificados para a segunda fase, o que é a confirmação de que

2014 pela segunda vez do MPE. O empresário Alcides Aires diz que passou a criar “certas sistemáticas e controles que nos le-

para qualificar a gestão, o MPE Brasil é um

vam a pensar o negócio de uma forma mais

grande incentivador da busca pela excelên-

estratégica e menos operacional”. Isso, no

cia nas micro e pequenas empresas de todo

seu entendimento, traz uma visão de futu-

País”, assinala o consultor do Sebrae/PR,

ro, diferente de antes, “quando ficávamos

Edison Charavara, responsável pela coorde-

de uma forma mais ampla, onde queremos chegar e como queremos chegar. O Prêmio acelerou o crescimento do negócio e nos

rosos de qualidade não temos condições

ra estadual na categoria Comércio.

de manter a eficiência dos nossos serviços.

concepção do MPE Brasil estão de para-

ção desses workshops é disseminar entre os

expandir os negócios e aumentar o fatura-

camos, o que é essencial para garantir a sus-

mento. Fique de olho no www.sebraepr.com.

tentabilidade do negócio, afinal temos um nome a zelar”, destaca José Fernando Vialle,

ria Serviços.

é incrível como, a cada ano, podemos sentir a

Mais do que concorrer ao MPE Brasil, para a

do cliente.”

lo de Excelência em Gestão (MEG). A inten-

qualidade para buscar melhorias contínuas,

brasileira”. “Participamos pela terceira vez e

lidade que garante a satisfação e o retorno

gestão. Um deles é a série Workshops Mode-

amento dos sistemas de gestão que já apli-

de Cascavel, vencedora estadual na catego-

a devida atenção. O resultado final é a qua-

regularidade, cursos sobre excelência em

empreendedores a importância da gestão de

desenvolvimento da atividade empresarial

sos internos básicos, que antes não recebiam

disso, a entidade oferece o ano todo, com

ano consecutivo, proporcionou o aperfeiço-

empresário da Vialle Advogados Associados,

Passamos a valorizar e a aprimorar proces-

que estão com as inscrições abertas. Além

A participação no MPE Brasil, pelo segundo

béns pela iniciativa, que é essencial para o

evolução acontecendo nos nossos negócios.

interessados em concorrer ao MPE Brasil,

do momento.”

dagem Suplementos, de Cascavel, vencedo-

Social, “todas as entidades envolvidas na

O Sebrae/PR pode orientar os empresários

deu a certeza de que temos que olhar além

prazos e se não seguirmos processos rigo-

que em Boas Práticas de Responsabilidade

No que o Sebrae/PR pode ajudar

resultados do negócio e nos fazem enxergar,

diz Dâmaris de Miranda, empresária da Blin-

nas categorias Serviços de Turismo e Desta-

de oportunidades de melhorias, que permite uma evolução da gestão e dos resultados das empresas. (Colaborou nesta reportagem o jornalista Leandro Donatti)

a dia”. “Criamos controles que monitoram os

“No ramo da advocacia, trabalhamos com

Opium Motel, de Ponta Grossa, vencedor

Cada empresa candidata preenche um questionário de autoavaliação padronizado e baseado nos Critérios do MEG, disseminado pela FNQ e por parceiros como o Sebrae/PR. Ao final do processo, as empresas recebem um relatório de diagnóstico com sugestões

focados em resolver só os problemas do dia

o trabalho que fizemos trouxe resultados”,

Para Rodrigo Baron Martins, empresário do

“Ao reconhecer empresários que investem

A participação no MPE Brasil é gratuita. Para se inscrever, é necessário respeitar alguns critérios. São eles: receita bruta anual de até R$ 3,6 milhões (conforme o estatuto Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte); ter completado pelo menos um ano fiscal e registro atualizado no Estado da respectiva inscrição, além de comprovar regularidade fiscal.

Foto: Helen Marques

nacional. A iniciativa do MPE Brasil é uma

nação estadual do Prêmio no Paraná. O objetivo, segundo ele, é sempre contribuir para o aumento da produtividade e competitividade desse segmento de negócios.

br ou ligue 0800 570 0800.

empresária Simara Aparecida Góes, do Laboratório Góes, de Guarapuava, o principal foi

Saiba mais

entender a importância da inovação para o seu negócio. “Eu sempre pensei em abrir franquias de postos de coleta em cidades da região, mas

O ciclo 2015 do MPE Brasil já está aberto

vivia adiando este plano. Depois de participar

foi bastante disputada e nove empresas,

Rosângela de Almeida, da Usicampo, indús-

do MPE, percebi que não tenho motivos para

dentre as quais a Junsoft, foram reconhe-

tria metalúrgica de Campo Mourão, uma

esperar e vou incluir a ideia no planejamento

cidas pelo Sebrae/PR, durante a convenção

das vencedoras estaduais na categoria In-

estratégico do ano que vem. Temos grandes

anual da Federação das Associações Co-

dústria do MPE Brasil, afirma que passou a

perspectivas para o futuro e, após receber a

merciais e Empresariais do Paraná (Faciap),

perceber “a importância e o valor de envol-

visita dos técnicos do MPE, tive a confirmação

apoiadora da iniciativa.

ver os funcionários nos projetos sociais que

de que estamos no caminho certo.”

para inscrições que seguem até dia 31 de julho de 2015. Mais informações pelo site www.mbc.org.br/mpe

Alcides Aires e Rosângela de Almeida, empresários

77


CONHEÇA A OPINIÃO DE QUEM JÁ FEZ E “Já estava na hora de fazer uma autoavaliação e o MPE Brasil nos proporcionou isso. Com a metodologia sugerida, implantamos novos processos, melhoramos o planejamento estratégico da empresa e estamos mais preocupados em comunicar ao público os nossos diferenciais.”

Francisco de Assis Ribas Machado, da Agrobrasil – Ponta Grossa

“São inúmeros os avanços que a participação no MPE Brasil nos proporcionou. Entre as medidas que adotamos estão a reformulação de toda a parte de relatórios da empresa, repaginamos o site, melhoramos a comunicação com o cliente,

APROVA O MPE BRASIL NO PARANÁ “Passar para a segunda fase do MPE Brasil é uma enorme

“Somos uma organização em desenvolvimento e não podemos

conquista e sinal claro de que o ditado ‘em casa de ferreiro, o espeto é de pau’ não se aplica ao nosso negócio. Vencer a

abrir mão de nos profissionalizar. Acreditamos que o caminho

competição seria uma excelente ferramenta de marketing, por

para a evolução passa pela melhoria dos processos de gestão e é por este motivo que estamos participando pela segunda vez

implantamos um novo software de gerenciamento.”

representar um grande reconhecimento para o mercado.”

consecutiva do MPE Brasil.”

Carlos Antonio Moretti, do Centro Óptico – Foz do Iguaçu

Renan Kaminski Damasceno, da KaminskiAvalca Consultoria - Curitiba

Vanessa Ribeiro Heidemann, da Ocupamed - Curitiba

mudamos o layout da loja, adquirimos novos equipamentos e

“Nós vencemos a etapa estadual do MPE Brasil em 2007, o que foi uma enorme conquista. Mesmo assim, continuamos participando,

“Trabalhamos com a criação de software e a missão da nossa

porque isso tem trazido muitos benefícios. Focamos na melhoria

empresa é ‘prover a excelência na gestão de documentos’. A frase

uma analogia simples, o cliente é como um paciente que nos procura reclamando de uma dor e temos que dar o diagnóstico, assim como

dos processos. O resultado deste trabalho reflete na qualidade

foi aperfeiçoada ao longo dos anos e a participação nas últimas quatro edições do MPE Brasil nos ajudou não só a definir essa ideia,

um médico. Muitas vezes, eles chegam indicando os remédios para

mas também a desenvolver meios para colocá-la em prática.”

somos os especialistas. A metodologia do MPE Brasil foi essencial para me mostrar isso, que não podemos inverter os papéis.”

dos nossos produtos e na consequente satisfação dos clientes. A empresa tem meia década de existência e é nosso compromisso continuar evoluindo.”

Renato Drisner, da Cerâmica Drisner - Maripá

“O maior desafio do meu tipo de negócio é não perder o foco. Fazendo

Jane de Araujo Manenti, da Digitaldoc - Medianeira

solucionar o problema, mas não podemos esquecer que nós é que

Luiz Silvio Notari, da Plusnet Innovare - Cascavel

“Precisamos enfrentar o aumento da concorrência, a incorporação de novos serviços e acompanhar as vontades do cliente, que fica mais exigente a cada dia. Não é simples, mas fica mais fácil encarar tudo isso quando seguimos o que a metodologia do MPE Brasil determina. O processo de mudança na empresa só está começando e já vejo os resultados acontecendo.”

Rony Tschoeke, da Promove Saúde – Curitiba

“Participar do MPE Brasil serviu como um alerta. Percebemos que “A metodologia do Prêmio nos ajudou a definir o foco do negócio e a entender exatamente quem é o nosso cliente, o que permitiu definir estratégias para torná-lo fiel aos nossos serviços. Não pretendemos parar de participar porque, a cada edição, melhoramos os nossos indicadores e traçamos novos desafios para o negócio.”

Adriano Santos, da Empari Sistemas - Maringá

“Estar próximo do Sebrae e da Fundação Nacional de Qualidade é a melhor maneira das empresas se manterem atualizadas com todas as novidades do mundo dos negócios. Mais do que vencer o Prêmio, para mim o que realmente importa são as informações sobre gestão de qualidade que são disponibilizadas durante todo o processo.”

“Participando do MPE Brasil eu pude conhecer ferramentas envolvesse nas ações para a construção dos procedimentos da loja. Eu

“Sempre tivemos uma preocupação muito grande em melhorar nossos processos de gestão e participar do MPE Brasil nos ajudou a direcionar esforços para obter resultados mais concretos. Passamos

melhorar em muitos pontos. Após este diagnóstico, começamos a agir, implantando processos internos simples, mas essenciais.”

ouvi os vendedores que trabalham comigo e juntos formulamos uma espécie de manual de vendas que hoje é seguido à risca por todos.”

a investir mais na capacitação dos funcionários, reforçando conceitos importantes como a missão e os valores da empresa.”

Giovanny Liberati, da Euro Administradora de Condomínios – Maringá

Valcir Antonio Guarda, da Realce - Guaraniaçu

Lucas Ribeiro, da Roit Consultoria Empresarial - Curitiba

“Quero muito ganhar, pois sei o quanto o mercado valoriza o MPE Brasil. Estou participando pela segunda vez e, de 2013 para cá, a nossa pontuação evoluiu drasticamente, reflexo dos processos de gestão que implantamos. Para você ter uma ideia, quando concorremos pela primeira vez, não tínhamos nem fluxo de caixa.”

Genival Costa da Silva, da Eurotanques Ltda. – Curitiba

Fabio Baldini, da Excel Solutions - Curitiba

“Estar próximo do Sebrae e da Fundação Nacional de Qualidade é a

“Olho para trás e consigo ver a evolução do meu negócio, isso não tem preço. Só quem passa por todo o processo sabe o quanto é difícil implantar todas as melhorias indicadas pela metodologia. Mas vale a pena, quem quer uma empresa melhor, tem que participar!”

melhor maneira das empresas se manterem atualizadas com todas as novidades do mundo dos negócios. Mais do que vencer o Prêmio, para mim o que realmente importa são as informações sobre gestão de qualidade que são disponibilizadas durante todo o processo.”

Eduardo Christ, da Expressiva Modas – Guarapuava

“Temos que ter um bom atendimento, uma boa produção, matériaprima e embalagem de qualidade e precisamos entregar no prazo. Neste contexto, o MPE Brasil ajudou a nortear o nosso processo organizacional, que hoje funciona como um relógio, o que deixa o cliente muito satisfeito.”

Daniel dos Santos Neto, da Farmácia Mil Folhas - Apucarana

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estávamos nos preocupando apenas em cuidar dos condomínios que administramos e esquecendo-se de administrar a nossa própria empresa. Olhamos para dentro e vimos que precisávamos

Maria do Rocio Lázaro Rodrigues, da Farmácia Dhermus - Londrina

“Foi uma honra passar para segunda fase e receber a visita dos técnicos que fizeram a vistoria, afinal, esta foi a primeira vez que participando do MPE Brasil. Porém, ao mesmo tempo, isso só aumentou a nossa responsabilidade. Senti-me motivada a melhorar anda mais e mostrar todo o nosso potencial, aplicando o que aprendi com a metodologia sugerida pelo Prêmio.”

Marilene Provasi, da Farmácia São Paulo de Manipulação - Maringá

que permitiram que eu me aproximasse dos colaboradores e os

“Aplicando a metodologia do MPE Brasil percebemos que precisávamos fazer um planejamento estratégico, o que nos levou a analisar essa situação mais de perto. Concluímos que o consumidor preza por produtos de qualidade e que, por isso, deveríamos explorar mais a área de varejo. A estratégia deu resultado e nosso faturamento com as vendas aumenta a cada dia.”

Reinaldo Turcatto, da Rondotec Informática – Marechal Cândido Rondon

“Ninguém me ensinou a administrar, eu criei a empresa do zero, mas chega um momento na vida em que temos que ouvir alguém de fora, para fazer uma análise mais profunda da situação. Eu escolhi o Sebrae para ser o meu parceiro nesta atualização e foi assim que descobri o MPE Brasil. A minha visão de negócio ficou mais clara e focada.”

Vilmar Lima, da Sul Brasil Seguros - Guarapuava

“Após participar do MPE, compreendi a importância dessas pesquisas como ferramenta de gestão de qualidade, então decidi reformular as perguntas. Os resultados foram imediatos.”

James Bortolini, da Technos Escola de Tecnologia – Foz do Iguaçu

“O mais interessante do MPE Brasil é que só o fato de concorrer à premiação já representa um grande aprendizado para o empresário. O mercado de software está cada vez mais competitivo e as pequenas empresas precisam se atualizar para ter um nível de gestão compatível com o empregado em grandes corporações nacionais e internacionais.”

Vanderlei Kichel, da Setadigital - Cascavel

“Todos que participam precisam comprovar os dados que informaram. Esse trabalho de validação serve para mostrar que, às vezes, achamos que estamos fazendo o certo, quando na verdade não estamos. A cada ano que participo vejo o desempenho da minha empresa crescer. O MPE é assim, nos mostra exatamente os pontos que devemos melhorar.”

Leandro Scalabrin, da SWA Sistemas Acadêmicos - Medianeira

“No ramo de confecção de uniformes o maior desafio é produzir peças iguais e a participação no MPE Brasil nos fez perceber que a padronização que tanto buscamos também deve ser obedecida quando o assunto são os processos internos da empresa, principalmente, no que diz respeito à coleta de dados de indicadores.”

Guilherme Rissardi Chimello, da Uniformes Paraná – Maringá 79


Workshop

Gestão na Prática

“Estamos falando de um empresário que tem um dia a dia muito corrido, tem muitas funções e não tem horas para dedicar à gestão, e sim minutos. Como fazer com que este empresário separe cinco minutos do dia para pensar sobre gestão e, assim, tomar decisões em pouco tempo?”, questiona Rainer Junges, gerente da Unidade de Gestão e Inovação de Produtos (UGIP) do Sebrae/PR.

SEBRAE

Inspirado no conceito de design thinking, que consiste em definir soluções com base na observação da realidade, ou seja, nas necessidades de quem usará o produto ou serviço, o Sebrae/PR ouviu empresários para, então, desenhar o programa inédito. Em 2013, o Pratique foi testado em sete empresas de forma presencial, em 30 empresas por meio de focus group e, ainda, em mais 300 empresas por meio de questionários. Cerca de 200 multiplicadores foram formados pelo Sebrae/PR para repassar a metodologia.

Conhecimento à sua mão

Por meio de workshops de curta duração, programa pioneiro do Sebrae/PR oferece ferramentas especiais de apoio às microempresas Por Aldy Coelho

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Presencialmente, por exemplo, fizeram parte desse estudo do Sebrae/PR microempresas, como uma pastelaria, uma sorveteria, um lava-car, um restaurante e um pet-shop. Em comum, essas empresas de diferentes ramos tinham o fato de terem a gestão centralizada no dono: em todos os casos, um sujeito que estava sobrecarregado. “Percebemos que esses empresários estavam, sobretudo, cansados e desanimados. Alguns pensavam em desistir do negócio”, conta Rainer Junges. Para surpresa dos consultores do Sebrae, os empresários sabiam de finanças, conheciam muito bem seus clientes e tinham plano de negócios para os próximos anos. No entanto, tinham dificuldade para contratar colaboradores, não sabiam delegar funções e, justamente por isso, estavam exaustos e à beira de abandonar o negócio. Com base nessas constatações, o Sebrae/PR desenvolveu o Pratique, programa sob medida, conforme as necessidades desses empresários atarefados. Composto de nove linhas

que abrangem aspectos fundamentais na gestão dos negócios, o Pratique é apresentado em workshops de curta duração e oferece ferramentas de auxílio aos empresários em cada uma dessas áreas.

Gestão

Para ajudar os empresários de microempresas paranaenses a gerir melhor os seus negócios, o Sebrae/PR criou o Pratique, um programa de gestão pioneiro no Brasil. Por meio de workshops de curta duração, o Pratique oferece ferramentas especialmente desenvolvidas para microempresas, empresas familiares com até dois funcionários, nas quais a gestão é bastante centralizada.

A primeira etapa de implantação do Pratique teve início em agosto de 2014 e tem previsão de conclusão em 12 meses. Em 2014, foram realizadas 75 capacitações em todo o Estado, que atenderam cerca de 800 clientes, número que tende a ser superado em 2015, quando já foram realizadas 38 oficinas com 400 clientes atendidos até o momento. Com retorno positivo dos participantes, o que justifica o aumento dos números de workshops e clientes atendidos em 2015, o programa vem sendo uma das soluções mais procuradas do Sebrae/PR para auxiliar o desenvolvimento das microempresas paranaenses. “O grande diferencial desse programa é a objetividade e a facilidade de se colocar em prática os aprendizados e a troca de experiências com cada um dos participantes que, mesmo sendo de diferentes segmentos, estão passando por dificuldades semelhantes na gestão do seu negócio”, conta João Luis Moura, consultor do Sebrae/PR e um dos gestores do Pratique. Por exemplo, dentro da linha Gestão do Tempo, os empresários aprendem a gerir melhor o tempo aprendendo a diferenciar as tarefas urgentes das tarefas importantes, de modo a visualizar melhor as prioridades e o que é essencial para melhorar os resultados da empresa. Rainer Junges observa que as empresas têm basicamente quatro tipos de atividades: as urgentes e importantes; as urgentes e não importantes; as não urgentes e importantes e as não urgentes e não importantes. Ou seja, o empresário deve ter quatro listas de atividades bem distintas, conforme o desenho da planilha Pratique de Gestão do Tempo. “Se o empresário não faz esta diferenciação, fica só apagando incêndio”, adverte.

As empresas têm basicamente quatro tipos de atividades: as urgentes e importantes; as urgentes e não importantes; as não urgentes e importantes e as não urgentes e não importantes

Além de fornecedor de ferramentas práticas e simples, que facilitam a gestão do negócio, o Pratique tem baixo custo de operação, carga horária reduzida, baseia-se em cases, identifica os pontos fortes dos empresários e tem uma pedagogia prepositiva, ou seja, ensina como fazer. Após o término da fase de implantação do

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Gestão do Tempo

Mapeamento de Processos

Gestão de Equipes

Abordagem de Vendas

Atitude Empreendedora

Design Thinking

Pratique, no segundo semestre, a expec-

de abrir sua própria empresa. Ele trabalhou

tativa é ter novamente o retorno dos par-

em casa durante um ano, prestando servi-

ticipantes para aprimorar ainda mais a

ços de marketing digital, até conseguir alu-

metodologia e os conteúdos abordados

gar o primeiro escritório.

nos workshops, além de disponibilizar ferramentas digitais para complementar o aprendizado. “Queremos aprimorar e ampliar a atuação do Pratique, para torná-lo

controle financeiro, que o ajudou a solu-

que poderão ter acesso e compartilhar as

tidiano da empresa. “Devido a algumas di-

informações sempre que achar necessário”,

ficuldades de aplicar controles financeiros

destaca João.

em minha empresa, com foco em análise e interpretação dos resultados, procurei me profissionalizar com este curso. Desta for-

O empresário Marlon Cezar Marchini, de 32

ma, pude me aperfeiçoar e sanar dúvidas

anos, proprietário da Evonline, empresa de

que fizeram toda a diferença no dia a dia.”

brae/PR há 12 anos, é um dos participantes do Pratique e tem se beneficiado constantemente com as soluções oferecidas pela

Controles Financeiros

centou na gestão de sua empresa foi a de cionar algumas dúvidas que surgiam no co-

marketing digital criada com o apoio do Se-

Preço de Venda

Para Marlon, o workshop que mais acres-

uma ferramenta de auxílio aos empresários,

Mais crescimento e menos riscos

O empresário sempre manteve contato com

No que o Sebrae/PR pode ajudar

o Sebrae/PR. Além do Pratique, ele também participa de outros programas como

entidade. Atualmente, a Evonline é líder

o Projeto Arranjo Produtivo Local (APL) de

no mercado de Curitiba e Região, com fa-

Software, o Empretec, o Sebraetec – Servi-

Assim como o Pratique, o Sebrae/PR oferece

turamento anual de R$ 1,2 milhão, conta

ços em Inovação e Tecnologia e o Modelo de

palestras, orientações, capacitações, treina-

com 24 funcionários, sendo quatro deles

Excelência em Gestão (MEG). “Todas essas

recém-contratados, e está em processo de

capacitações me ensinaram sobre a impor-

expansão do espaço físico da empresa, que

tância do conhecimento de mercado e das

chegará a 380m² em 2015.

estratégias que devemos ter para o desen-

Quando Marlon conheceu o Pratique, rapidamente identificou as ferramentas que

e futuros empresários. Procure o Sebrae/PR mais próximo no www.sebraepr.com.br ou ligue para 0800 570 0800.

preparado para atingir meus objetivos.” Ele também dá a dica para os empreende-

mais. Ele se diz grato pelo apoio que rece-

dores que querem ou que já estão inician-

beu desde a abertura de sua empresa. “O

do um novo negócio. “Procurem sempre

Sebrae é uma mãe”, brinca. “Sem o conhe-

o Sebrae/PR para auxiliá-los, tanto para a

cimento que adquiri nas oficinas e cursos

criação da empresa como para as diversas

pois o mercado é muito competitivo.”

mentos, projetos, programas para empresários

volvimento do negócio. Hoje, me sinto mais

poderiam fazer o seu negócio crescer ainda

da entidade, eu não teria nenhuma chance,

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Atendimento

Saiba mais

orientações e capacitações voltadas ao desenvolvimento dela. Assim, os riscos e a

Formado em Design Gráfico, Marlon traba-

probabilidade de cometer erros são bem

lhou durante três anos como funcionário

menores”, alerta Marlon. (Colaborou nesta

de uma empresa de marketing digital antes

reportagem a jornalista Lara Lima)

Para saber mais sobre o tema, acesse o portal do Sebrae/PR, no www.sebraepr.com.br/pratique.

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Vanessa Brollo, jornalista

Empreendedorismo

em pauta

Prêmio Sebrae de Jornalismo, concurso jornalístico nacional instituído pelo Sebrae que tem curadoria e promoção da Revista e Portal Imprensa, seleciona melhores trabalhos no Paraná Por Bruna Komarchesqui

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O poder transformador do empreendedorismo e a força das micro e pequenas empresas são a temática principal de quatro reportagens paranaenses vencedoras da etapa estadual do Prêmio Sebrae de Jornalismo 2015. Os trabalhos foram selecionados entre 41 inscritos e serão os representantes do Paraná na etapa regional do Prêmio. O reconhecimento estadual já carimba o passaporte dos jornalistas para a grande cerimônia de premiação nacional, marcada para 10 de junho, em Brasília.

De autoria de Luciana Peña e Everton

O Prêmio contempla trabalhos nas categorias Jornalismo Impresso, Radiojornalismo, Telejornalismo, Webjornalismo e Imagem Jornalística. A melhor matéria entre as premiadas nas cinco categorias leva, também, o Grande Prêmio Sebrae de Jornalismo. Outra premiação especial é o título de Jornalista Parceiro do Empreendedor, uma homenagem feita a profissionais da imprensa que, em 2014, se destacaram no incentivo da cobertura de assuntos de interesse e orientação aos micro e pequenos empreendedores no País.

da jornalista Vanessa Brollo, levou o reco-

Promovido pelo Sebrae Nacional, com curadoria e promoção da Revista e Portal Imprensa, o Prêmio Sebrae de Jornalismo chega à 7ª edição, com o objetivo de reconhecer as melhores matérias da imprensa brasileira sobre os microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas. Concorreram nesta edição, 1.302 matérias e reportagens sobre empreendedorismo veiculadas de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2014 por meios de comunicação impressos, online, emissoras de rádio e de televisão sediados no Brasil.

ter de tevê. Desde que colocou o blog no

A premiação em cada categoria é de R$ 15 mil. O vencedor do Grande Prêmio Sebrae de Jornalismo recebe outros R$ 15 mil, além dos já faturados como o melhor de sua categoria. Nesta edição, a Região Sul contabilizou 161 inscritos, ficando atrás de Sudeste (461), Nordeste (363) e Centro-oeste (212) e à frente do Norte (105).

Premiados no Paraná

Barbosa, a reportagem foi veiculada na Rádio CBN Maringá. A matéria “Centro empresarial – parceria

Pequenos negócios

Foto: Luis Felipe Miretzki/Eficaz

Reconhecimento

que transforma ideias em resultados”, da TV Sudoeste/Rede Celinauta de Comunicação, levou a etapa estadual na categoria Telejornalismo. A autoria é da jornalista Marilena Chociai, com o cinegrafista José André Lessei. Em Webjornalismo, o blog Partiu Plano B, nhecimento estadual, com a matéria “Elas ensinam patchwork pela internet”. O blog, uma espécie de plano B ainda não remunerado da editora-chefe de um programa de tevê do Estado, entrou no ar na metade do ano passado. “Ainda não ganho dinheiro com ele, mas tenho certeza que vou! Sei que parece clichê, mas já me sinto vencedora com a etapa estadual”, comemora Vanessa. A ideia surgiu com a paixão da autora pelas histórias de empreendedorismo que conheceu ao longo dos anos como repórar, Vanessa tem o compromisso de con-

Concorrem nesta edição 1.302 matérias e reportagens sobre empreendedorismo veiculadas de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2014

tar, pelo menos, uma nova história por semana, o que tem cumprido à risca. “Entro em contato com a pessoa e faço a entrevista. Algumas eu vejo nessas revistas de R$ 1,99 que tem para vender nos mercados. Começou com a curiosidade ‘por que uma pessoa que faz brigadeiro, algo tão comum, consegue ganhar R$ 1,5 milhão por ano? Então, o objetivo é que o empreendedor sempre dê dicas, é trazer esse serviço”, conta. Na matéria vencedora do Prêmio, Vanessa mostra o nascimento por acaso de uma professora de artesanato. “Ela tinha uma

No que o Sebrae/PR pode ajudar

lojinha de artesanato e começou a postar fotos dos trabalhos na internet. As pesso-

Quer acessar conteúdos jornalísticos sobre

as comentavam chamando de ‘professora’

empreendedorismo e pequenos negócios? Entre

e foi aí que ela passou a postar fotos de passo a passo das peças em patchwork.

agora no pr.agenciasebrae.com.br e conheça a Agência Sebrae de Notícias do Paraná

Hoje são 10 mil alunas virtuais, de todas as

Na categoria Jornalismo Impresso, a vencedora paranaense foi a reportagem “País ainda carece de educação empreendedora”, da jornalista Cecília França, com os fotógrafos Anderson Coelho e Lis Sayuri, do jornal Folha de Londrina.

partes do mundo.”

Em Radiojornalismo, venceu a matéria “Vale da Seda: a história do fio que tece progresso sustentável no Paraná”.

ção de startups, aplicativos, é inspirador

Cada foto-aula – agora também há opção de legendas em inglês – custa R$ 15. “Essa é uma matéria que incentiva o empreen-

Saiba mais

dedorismo e mostra a união entre artesanato e modernidade. Em tempos de criaunir uma arte milenar e a modernidade de

Saibamais sobre o Prêmio Sebrae de Jornalismo no www.premiosebraedejornalismo.com.br.

forma tão simples”, defende.

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As Regionais do Sebrae/PR e seus escritórios REGIONAL CENTRO Sede - Ponta Grossa Rua Dr. Lauro Cunha Fortes, 450 Bairro Uvaranas Fone: (42) 3225-1229 Escritório - Guarapuava Rua Arlindo Ribeiro, 892 Bairro Centro - CEP: 85.010-070 Fone: (42) 3623-6720

Escritório - Umuarama Avenida Brasil, 3.404 Bairro Zona I - CEP: 87.501-000 Fone: (44) 3622-7028 Fax: (44) 3622-7065

REGIONAL LESTE

REGIONAL NORTE

Sede - Curitiba Rua Caeté, 150 Bairro Prado Velho - CEP: 80.220-300 Fone: (41) 3330-5800 Fax: (41) 3330-5768/3332-1143

Sede - Londrina Avenida Santos Dumont, 1.335 Bairro Aeroporto - CEP: 86.039-090 Fone: (43) 3373-8000 Fax: (43) 3373-8005

Escritório - Paranaguá Avenida Gabriel de Lara, 1.404 Bairro Leblon - CEP: 83203-742 Fone: (41) 3425-1010 Fax: (41) 3330-5760

Escritório - Apucarana Avenida Irati, 602 - Bairro Centro CEP: 86.800-720 Fone: (43) 3422-4439

REGIONAL OESTE Sede - Cascavel Avenida Presidente Tancredo Neves, 1.262 Bairro Alto Alegre - CEP: 85.805-000 Fone: (45) 3321-7050 Fax: (45) 3226-1212 Escritório - Foz do Iguaçu Rua das Guianas, 151 Bairro Jardim América - CEP: 85.864-470 Fone: (45) 3522-3312 Fax: (45) 3573-6510 Escritório - Toledo Avenida Parigot de Souza, 2.339 Bairro Centro - CEP: 85.905-380 Fone: (45) 3252-0631 Fax: (45) 3252-6175 REGIONAL NOROESTE Sede - Maringá Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto, 1.116 Bairro Zona 7 - CEP: 87.030-010 Fone: (44) 3220-3474 Fax: (44) 3220-3402 Escritório - Campo Mourão Rua Santa Cruz, 1.085 Bairro Centro - CEP: 87.300-440 Fone: (44) 3523-2500 Fax: (44) 3523-2500 86

Escritório - Paranavaí Rua Souza Naves, 935 Jardim São Cristóvão - CEP: 87.702-220 Fone: (44) 3423-2865 Fax: (44) 3423-2865

Escritório - Arapongas Rua Garças, 850 CEP: 86.700-285 Fone: (43) 3252-7392 Fax: (43) 3252-7392 Escritório - Ivaiporã Avenida Minas Gerais, 530 Bairro Centro - CEP: 86.870-000 Fone: (43) 3472-1307 Fax: (43) 3472-1307 Escritório - Jacarezinho Rua Coronel Figueiredo, 749 Bairro Centro - CEP: 86.400-000 Fone (43) 3527-1221 Fax: (43) 3527-1221 REGIONAL SUDOESTE Sede - Pato Branco Avenida Tupi, 333 Bairro Bortot - CEP: 85.504-000 Fone: (46) 3220-1250 Fax: (46) 3220-1251 Escritório - Francisco Beltrão Rua São Paulo, 1.212 - Sala 1 Bairro Centro - CEP: 85.601-010 Fone (46) 3524-6222 Fax: (46) 3524-5779

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Melhorar os

resultados dos seus negócios está nos seus planos? Dê um Sebrae nos seus planos. Dê um Sebrae nos seus resultados.

Quem tem seu próprio negócio e quer melhores resultados tem um bom motivo para procurar o Sebrae. E quem tem planos de abrir sua empresa também. É sempre bom contar com especialistas na hora de empreender, inovar e crescer.

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Revista Soluções - Edição 22-2